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Estágio inicial: ► Os membros superiores do embrião aparecem aos 26 dias de gestação ► Enquanto o broto do membro inferior fica visível aos 28 dias (final da 4ª semana) Eles vão surgir a partir da parede ventrolateral do embrião, como pequenas protuberâncias Os brotos dos membros se alongam pela proliferação do mesênquima → mesoderma lateral ► Os estágios iniciais do desenvolvimento dos membros são semelhantes para os membros superiores e inferiores, só mais tarde, diferenças distintas surgem por causa da diferença na forma e na função das mãos e pés. ● Os brotos dos membros superiores se desenvolvem opostos aos segmentos cervicais caudais e os brotos dos membros inferiores se formam opostos aos segmentos lombar e sacral superior. ● Os brotos dos membros formam-se abaixo de uma faixa espessa de ectoderma, a crista ectodérmica apical (CEA), sendo assim cada broto do membro consiste de um núcleo mesenquimal de mesoderma, coberto por uma camada de ectoderma. No ápice de cada broto do membro, o ectoderma se espessa para formar a CEA. Essa crista é uma estrutura epitelial em multicamadas especializada e é importantíssima para o crescimento, pois produz fatores de sinalização que vai estimular a proliferação das células mesênquimais O mesênquima adjacente (em contato) à CEA consiste de células de rápida proliferação indiferenciadas (que levam ao crescimento do broto), ao passo que as células mesenquimais proximais a ele se diferenciam em vasos sanguíneos e modelos de cartilagem óssea. ► A terminação distal dos brotos dos membros se achatam em placas das mãos e placas dos pés, é aqui que a maior diferenciação ocorre entre essas duas estruturas - Na 6ª semana, o tecido mesenquimal nas placas das mãos se condensou para formar os raios digitais. Essas condensações mesenquimais esboçam o formato para os dígitos (dedos) nas placas das mãos. - Durante a sétima semana, condensações similares do mesênquima se condensam para formar os raios digitais e dedos nas placas dos pés ● Na ponta de cada raio digital, uma parte da CEA induz o desenvolvimento do mesênquima no primórdio mesenquimal dos ossos (falanges) dos dígitos - Entre os raios digitais tem o tecido mesenquimal frouxo, A morte celular programada (apoptose) é responsável pela desintegração do tecido nas regiões interdigitais. Membros Joyce Lima - Elas logo se desfazem formando os sulcos, a medida que a degeneração do tecido progride, os dígitos separados (dedos das mãos e dos pés) são formados ao final da oitava semana Estágio final: ● A crista apical CEA vai dar origem ao tecido cutâneo ● As células mesenquimais vai da origem a tecido cartilaginoso e depois aos ossos (ossificação endocondral) - À medida que os membros se alongam, os modelos mesenquimais dos ossos são formados por agregações celulares e os centros de condrificação aparecem na quinta semana. Ao final da sexta semana, todo o esqueleto do membro está cartilaginoso A osteogênese de ossos longos inicia-se na sétima semana a partir dos centros de ossificação primários no meio dos modelos cartilaginosos dos ossos longos. Os centros de ossificação estão presentes em todos os ossos longos na 12a semana ● A parte muscular vai advir dos somitos: na região do dermatomiótomo, no qual ocorre a migração de células mesenquimais precursoras (miogênicas) para os brotos dos membros e depois se diferenciam em mioblastos, precursores das células musculares. À medida que os ossos longos se formam, os mioblastos se agregam e formam uma grande massa muscular em cada broto do membro - Essa massa vai se separar em ventral e dorsal e originar a musculatura anterior (flexora) e a posterior (extensora) ● Os vasos sanguíneos e ligamentos são formados pelo mesênquima ► Ao início da sétima semana, os membros se estendem ventralmente. Mas os membros superior e inferior em desenvolvimento vão rodar em direções opostas e em graus diferentes: ● Superiores: fazem rotação lateral de 90º sobre seu eixo. Cotovelo é apontado para caudal quando rota fica apontado para a dorsal, assim a musculatura anterior fica para os flexores e a posterior para os extensores ● Inferiores: fazem uma rotação medial de quase 90º. Joelho é apontado para o cranial depois fica para ventral e a musculatura também se inverte, anterior ficam os extensores e posterior os flexores ► Ossos homólogos: Rádio = Tíbia Ulna = Fíbula Polegar = Hálux OBS: Articulações sinoviais aparecem no início do período fetal (nona semana) Inervação: Existe uma forte relação entre o crescimento e a rotação dos membros e seu aporte nervoso cutâneo segmentar. Axônios motores que têm origem na medula espinhal, entram no broto do membro durante a quinta semana e crescem para as massas musculares dorsal e ventral. Axônios sensoriais entram nos brotos dos membros depois dos axônios motores e os utilizam para guiá-los. Células da crista neural, os precursores das células de Schwann, cercam as fibras nervosas motoras e sensoriais nos membros e formam o neurolema (bainha de Schwann) e as bainhas mielínicas Os nervos espinhais estão distribuídos em faixas segmentais, suprindo as superfícies dorsal e ventral dos membros. Um dermátomo é a área da pele suprida por um único nervo espinhal e seu gânglio espinhal; entretanto, as áreas dos nervos cutâneos e dermátomos apresentam uma sobreposição considerável À medida que os membros se alongam, a distribuição cutânea dos nervos espinhais migra ao longo dos membros e tão logo atingem a superfície das partes distais dos membros Crescimento dos nervos periféricos se da através dos plexos braquial e lombrossacral e acompanham o crescimento do membro Irrigação sanguínea: Os brotos dos membros são irrigados por ramos das artérias intersegmentares, que se originam da aorta dorsal e formam uma fina rede capilar por todo o mesênquima. O padrão vascular primitivo consiste de uma artéria axial primária e seus ramos, que drenam para um seio marginal periférico. O sangue no seio marginal drena para uma veia periférica. Os padrões vasculares se alteram à medida que o membro se desenvolve, principalmente pela angiogênese. Os vasos recém-formados unem-se a outros brotos de vasos para formar vasos novos Anomalias: O período mais crítico para desenvolvimento de anomalias é entre o 24º dia e o 36º dia ► Talidomida: potente agente teratógeno, pode causa amelia: ausência total de um ou mais membros ou meromelia: ausência parcial de um ou mais membros ● Como outras anomalias congênitas, os defeitos dos membros podem ser causados por muitos fatores: • Fatores genéticos, tais como anomalias cromossômicas associadas à trissomia do 18 • Genes mutantes, como na braquidactilia, encurtamento anormal dos dedos, ou osteogênese imperfeita, um defeito grave dos membros, no qual ocorrem fraturas antes do nascimento. • Fatores ambientais, como os teratógenos (p. ex., talidomida, álcool). • Uma combinação de fatores genéticos e ambientais (herança multifatorial), como na displasia do desenvolvimento do quadril. • Distúrbio vascular e isquemia (aporte sanguíneo diminuído), como nos defeitos caracterizados pela redução do tamanho do membro. ► Malformações de mão/pé em garra de lagosta (SHFM): Defeitos congênitos graves, tais como a mão bifurcada ou o pé fendido, acontece falha no desenvolvimento de um ou mais raios digitais, a mão e o pé ficam divididos e se curvam para dentro ► A braquidactilia, ou encurtamento dos dígitos (dedos das mãos ou dos pés), é causada pela redução no comprimento das falanges ► A polidactilia é a presença de dígitos supranumerários; ou seja, mais de cinco dedos nas mãos ou nos pés. Frequentemente, o dígito extra está formado incompletamente e falta o desenvolvimento muscular normal. ► A sindactilia é um defeito congênito comum da mãoou do pé. A sindactilia cutânea (membrana simples entre os dedos) é mais frequente no pé que na mão. A sindactilia cutânea resultada de uma falha na degeneração das membranas entre dois ou mais dedos. A apoptose é responsável pela degeneração do tecido entre os dedos. O bloqueio desses eventos celulares e moleculares provavelmente é o responsável por esses defeitos. - A sindactilia óssea (fusão dos ossos, sinostose) ocorre quando os sulcos entre os raios digitais não se desenvolvem e, como resultado, a separação dos dígitos não ocorre ► Talipes equinovarus (pé torto) é um defeito congênito relativamente comum (ocorrendo em aproximadamente 1 a cada 1.000 nascimentos), e é a malformação musculoesquelética mais comum. Ele é caracterizado por múltiplos componentes que levam a uma posição anormal do pé, impedindo o apoio de peso normal. A sola do pé está girada medialmente, e o pé está invertido. O pé torto parece ser causado por heranças multifatoriais, com fatores genéticos e ambientais atuando juntos. ► Displasia do quadril: pode ser por causa do desenvolvimento anormal do acetábulo e frouxidão na articulação, assim a cápsula articular fica muito frouxa, promovendo o deslocamento do fêmur após o nascimento Referência: MOORE, Keith L.; PERSAUD, T. V. N.; TORCHIA, Mark G. Embriologia clínica. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.