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MARCIA GOMES E BÁRBARA SANTANA CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS COM ESTRATÉGIAS DE COACHING Dedico esta obra aos futuros servidores públicos da área de Educação. Desejo que o compromisso com os estudantes da rede pública e com a transformação social esteja presente na prática pedagógica de cada um dos professores que tomarem posse no serviço público. Agradeço a Deus, em primeiro lugar, pela presença constante em minha vida; aos meus pais, marido, filha e sobrinhos, por serem meu porto seguro. Também agradeço a todos os alunos com quem tive o privilégio de conviver e que possibilitaram a ampliação dos meus conhecimentos. Aos colegas professores, pelas trocas constantes, em especial à professora Bárbara Santana, por colaborar no projeto inicial do livro. APRESENTAÇÃO Há 15 anos trabalhamos com formação de professores em cursos de graduação e pós-graduação. Desde 2008 temos nos dedicado à preparação de futuros servidores públicos na área de Educação, trabalhando nos principais cursos preparatórios para concursos da área de Educação do Distrito Federal e entorno. Nesse tempo, observando o desempenho dos nossos alunos que não alcançaram êxito, percebemos vários hábitos que os levavam à reprovação, tais como: • Começavam a estudar somente quando da publicação do edital. • Estudavam somente no momento da aula do cursinho. • Não revisavam as matérias em casa. • Não faziam exercícios e, quando faziam, não verificavam o porquê dos erros. • Perdiam o foco facilmente. • Não controlavam a ansiedade. • Procrastinavam durante o período de preparação. • Não se sentiam capazes de serem aprovados. • Cultivavam pensamentos limitantes. A partir dessas constatações, elaboramos um método de estudos baseado em princípios do coaching e teoria da aprendizagem acelerada, nomeado de Método Trilha. O resultado foi surpreendente, pois vários alunos mudaram seus hábitos de estudos, superaram suas crenças limitantes, tornaram-se mais ativos no período de preparação e alcançaram a tão sonhada vaga no serviço público. Sabemos que não encontrar o nome na lista dos aprovados causa um sentimento de frustração que, às vezes, paralisa e faz com que muitos concurseiros desistam dos seus sonhos. Pensando nisso, resolvemos compartilhar este método, por meio deste livro e ajudá-lo em sua preparação até o momento da prova. Então, por que este livro é para você? • Ele apresenta os conteúdos de maneira interativa e objetiva. • Traz ferramentas para gestão de tempo e planejamento de estudos. • Contribui com a consolidação da aprendizagem de forma acelerada. • Possibilita a revisão por meio de mapas mentais, esquemas e quadros para a consolidação da aprendizagem e questões. • Trabalha com técnicas de memorização. Este livro foi pensado para você. Ele vai mudar o seu modo de estudar porque foi elaborado fugindo dos padrões convencionais. Tivemos cuidado com cada detalhe para facilitar sua aprendizagem: deixamos um espaço ao final de cada capítulo para observações; colocamos questões sobre cada tema estudado com definições de metas e espaço para correção. Escrevemos com uma linguagem dialógica, como se estivéssemos em um bate-papo. Trabalhamos com ícones que o alertarão para as diversas atividades, tais como: Indica que é o momento de refletir por meio de ferramentas de coaching. Aparece no momento em que surgir algo que requeira maior atenção. Momento de consolidação da aprendizagem. São atividades fundamentais que ajudarão na compreensão memorização e revisão posterior. Utilize o livro como se fosse seu caderno! Faça anotações, grife palavras e releia sempre que necessário. Torcemos para que seu novo projeto de estudos seja um sucesso, da preparação à nomeação! Conforme Brian Tracy (2005), estabelecer metas tem um poder incrível, pois elas ativam a mente positiva, liberando energia; sem elas, você simplesmente é levado pelo cotidiano e se desvia mais facilmente dos seus objetivos. Então, vamos lá. Preencha o seu perfil de estudo e evidencie suas metas. MEU PERFIL Nome: Órgão desejado: Minhas fragilidades: Minhas potencialidades: Minhas desculpas mais comuns para não estudar: Como posso transformar essas desculpas em potencialidades: MINHA META Ser (talentos/características), por meio de (comportamentos), para conquistar a vaga no(a) (órgão) , cargo em (previsão de data) . Capítulo 0 PARA INÍCIO DE CONVERSA GESTÃO DE TEMPO E PLANEJAMENTO Para começar o seu caminho rumo à aprovação, precisamos que você responda: Você quer passar em um concurso público, ser nomeado e tomar posse? Parece uma pergunta retórica ou que nós estamos de brincadeira, mas não. Isso é sério! Muitos concurseiros pensam que querem ser servidores públicos, mas não agem como tal. Para Brian Tracy (2005) “O ponto de partida de qualquer processo de concretização de metas é o desejo”. Saber o que de fato queremos nos move em direção ao objetivo. Trabalharemos ao longo do livro com a premissa de que falar que faz não é suficiente. É necessário tomar ciência de quais ações o levam ao sucesso ou ao fracasso. Somos as nossas ações e não o que pensamos delas. Vamos parar e refletir: você está disposto a encarar-se e mudar o que for necessário? Se a resposta for sim, passemos a uma análise da sua trajetória como concurseiro até agora: • Como você tem se preparado? • O que acha que tem funcionado? • O que deu errado? Vamos ver isso na prática? Preencha o quadro a seguir com sinceridade! São seus sonhos que estão em jogo. Hábitos de estudos até agora O QUE TEM DADO CERTO DURANTE A PREPARAÇÃO? (Quais os hábitos que levam à aprendizagem?) O QUE NÃO DEU CERTO ATÉ AGORA? (Quais os hábitos que prejudicam a aprendizagem?) Agora é o momento de mudança de hábitos. Sair da zona de conforto, negociar com familiares, amigos, namorado ou namorada, no trabalho... É o momento de se priorizar, de focar em suas metas. Paulo Vieira (2015) aponta que “Tem poder quem age, e mais poder quem age certo”. Assim, vamos ajudá-lo a seguir pelo caminho certo; vamos promover mudanças de hábitos, organizar os estudos e gerenciar melhor o tempo. Para iniciar as mudanças, coloque no quadro a seguir os hábitos de que você precisa para alcançar sua posse no órgão pretendido. Hábitos necessários para tomar posse no órgão pretendido De 0 a 10, qual o seu grau de engajamento para tornar esses hábitos uma prática em seu cotidiano? De quem é a responsabilidade para que esses hábitos se tornem uma prática em seu cotidiano? 1. ORGANIZAÇÃO DE HORÁRIOS Ao começar a estudar para concursos públicos, você já se deparou com dificuldade de organização, concentração e retenção do conhecimento, enquanto o ponteiro do relógio dá voltas, indiferente à sua ansiedade e estresse? Então, você irá gostar das dicas para organização e estratégias de aprendizagem valiosas que apresentaremos aqui. A primeira será organizar uma agenda de concurseiro vencedor! Tomar posse no órgão dos sonhos é a parte boa, mas, para chegar lá, é necessário ter determinação, perseverança e muita coragem para mudar o dia a dia e abdicar de alguns prazeres momentâneos. Segundo Brian Tracy (2005) A vida é mais parecida com uma lanchonete do que com um restaurante. Em um restaurante, você faz uma refeição completa e, em seguida, paga a conta. Mas, em uma lanchonete, primeiro você se serve e paga para, só então, desfrutar da refeição. Muitos concurseiros cometem o erro de pensar que pagarão o preço depois de alcançar o sucesso, ou seja, a nomeação, e continuam levando a vida como se estivessem numa grande festa. Que preço você está disposto a pagar para assumir a vaga pretendida? Vamos pensar em como você organiza seu dia e como isso contribui ou não para a sua aprovação? Preencha o quadro com os seus horários atuais. GESTÃO DO TEMPO Hora Atividade Impacto Volte ao quadro e marque A, B, C, D ou E em frente a cada atividade, conformea tabela 1 a seguir: A Alto impacto: grande importância, com consequências altamente positivas: quais são as atividade diárias que trazem grandes resultados para sua vida como um todo? B Médio impacto: possuem importância, mas, se não forem realizadas, trarão poucas consequências para realização dos objetivos. C Baixo impacto: seriam boas, mas com pouca consequência. Quais tarefas não possuem importância, nã são urgentes e trazem poucas consequências imediatas para realização de seu sonho? D Delegáveis: quais tarefas você poderia delegar para outra pessoa fazer? E Elimináveis: em que você desperdiça seu tempo? O que você faz que traz conforto, mas não tem impact na sua vida? Como você pode se organizar melhor para utilizar seu tempo e mover-se em direção ao seu sonho? Agora preencha o quadro abaixo com os seus novos horários. Lembre-se de sua meta! Tomar posse no (a) ____________________________________________. (coloque o órgão). Seja bem detalhista e sincero. Na última linha coloque o total de horas que estudará por dia. Vamo trabalhar com o que o especialista em concursos públicos Willian Douglas chama de horas líquidas d estudo, ou seja, desconte o tempo de deslocamento, lanches etc. Coloque o tempo que de fato terá par estudar. DOMINGO SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO 01h 02h 03h 04h 05h 06h 07h 08h 09h 10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h 19h 20h 21h 22h 23h 00h Total de horas de estudo por dia Agora que já organizou seus horários, é o momento de montar a agenda de estudos por matéria. Você sabia que intercalar as matérias no momento de estudo é mais eficaz? Como assim? Isso mesmo! O ideal é organizar as matérias em tempos de 30 minutos a duas horas e 30 minutos. Com esses intervalos, mantemos a atenção e a retenção é maior. Então, você montará um ciclo de estudos com as disciplinas que serão cobradas na prova. O ciclo permite que você estude várias matérias ao longo do dia, não especificando um único dia para cada uma. Assim, por exemplo, se colocar português para segunda, e tiver um compromisso, não precisará esperar uma semana para estudar essa matéria. Para Alexandre Meirelles (S/D), outro especialista em concursos públicos, a organização por ciclos trará duas grandes vantagens: • Você estudará a matéria com a cabeça pronta para aprender, pois seu cérebro está mais suscetível à aprendizagem, uma vez que não entrará na curva descendente de aprendizado. • Você estará sempre vendo uma matéria diferente, o que facilita a memorização. Para montar o seu ciclo, você começará pelas matérias em que tem maior dificuldade, colocando mais tempo para elas e, em seguida, as em que tem mais facilidade. Lembre-se, coloque 30 minutos, no mínimo e, no máximo, duas horas e 30 minutos. Exemplo de um ciclo de estudo para a Secretaria de Educação do Distrito Federal (edital de 2013). Nesse caso, o total de tempo do ciclo foi de oito horas, começando com Português e finalizando com Atualidades: Agora monte o seu ciclo! 2. QUALIDADE DO TEMPO DE ESTUDO Algumas pessoas que não passam em concursos públicos utilizam a falta de tempo como a principal desculpa. Em vários casos que acompanhamos não é a falta de tempo o grande problema, mas, sim, a sua utilização. As pessoas estão acostumadas a fazer mil coisas ao mesmo tempo, a querer estar presentes nas redes sociais, ligadas ao que está acontecendo com todos os seus conhecidos, entre outras coisas. Agora é o momento de abdicar de alguns comportamentos para alcançar a sua vaga no serviço público. Vamos otimizar o tempo e pensar no uso qualificado do momento de estudos. Do que você abdicará no período de preparação para a prova? 2.1 Estado de mindfulness (atenção plena) No mindfulness você tem uma experiência direta do momento presente, com consciência plena, atitude aberta e não julgadora a cada instante. Combata o estado de desatenção (“piloto automático”) e de reatividade excessiva em situações do cotidiano. Desligue o celular, desapegue das redes sociais e faça uma coisa de cada vez, porque, caso contrário, o seu cérebro perderá a concentração e, para reiniciar, demandará tempo e energia. Qual será sua estratégia em relação às redes sociais? Se continuar com o uso, quais serão os horários definidos para isso? Anote aqui. 2.2 Ambiente adequado O ambiente de estudo deve ser limpo, organizado e arejado. Escolha um local para guardar os materiais que utilizará no período de preparação para o concurso. Separe-os por assunto, use e abuse de etiquetas e pastas, guarde-os ao final. A mesa deve estar limpa; deixe nela somente o que usará naquele momento. O excesso de material causa distração e desânimo. Tenha uma cópia do seus horários e ciclo de estudos colados em um local visível. Cuide para que a luminosidade esteja apropriada, assim como a tranquilidade do ambiente. Quando a casa está constantemente com pessoas circulando e oferece muitas distrações, é aconselhável buscar outros espaços como bibliotecas ou salas de estudos. Estudará em casa ou em outro lugar? Qual? Se for estudar em casa, qual será o espaço? Quando o organizará? 2.3 Postura correta A cama é o lugar de dormir e não de estudar. O ideal é manter-se sentado, com a coluna ereta, o joelho dobrado 90 graus e não baixar excessivamente a cabeça. 2.4 Pausas Não conseguimos ficar concentrados o tempo todo, então é necessário fazer pausas. Planeje paradas de cinco a 10 minutos. Durante a pausa, levante da cadeira, faça alongamentos, ande um pouco, mas não vá longe. Evite televisão, pois essa poderá prender sua atenção e ultrapassar o tempo estipulado, também não é recomendado acessar as redes sociais nesses intervalos, para evitar distrações e perda de seu foco. 2.5 Relógio biológico a seu favor Você é do tipo matutino, vespertino ou noturno? Cada um produz melhor em determinado tempo. Faça uma autoanálise e descubra em que momento do dia você é mais produtivo e aproveite para estudar os pontos mais difíceis. 2.6 Técnicas de leitura dinâmica Busque técnicas de leitura dinâmica como usar os dedos para acompanhar a leitura, marcar o tempo para ler uma página e verificar os progressos feitos são algumas dicas. Sublinhar também é uma ótima estratégia e ainda a manutenção da atenção. 2.7 Foco O foco é fundamental em todo o processo de preparação e no momento da prova. Esteja atento a uma única atividade em cada momento. Aposte no foco exclusivo. 2.8 Leitura dupla Para algumas pessoas é necessária uma leitura despretensiosa e uma segunda leitura mais aprofundada; se esse é o seu caso, apenas tome cuidado com a data da prova e o tempo necessário para estudar todo o edital. 2.9 Resumos e mapas mentais Ler, resumir e fazer mapas mentais é uma forma bastante eficaz de apreender o conteúdo. Veja dicas ao longo do livro. 2.10 Associações ao que foi estudado Buscar exemplos práticos da teoria é uma estratégia que dá resultado. Peça exemplos aos professores e procure nos livros a aplicação prática de conceitos abstratos. 2.11 Resolução de questões de provas anteriores Assine sites que ofereçam questões comentadas e imprima as provas dos últimos concursos do cargo e da banca organizadora. Depois, resolva as questões fazendo o mapeamento daquilo que é mais cobrado e dos seus erros e acertos. Em seguida, estude o conteúdo em que mais errou até estar expert. Repita as questões até acertar 90%. 2.12 Revisão e ensino Revise periodicamente os resumos e/ou mapas mentais com 24 horas, sete dias e 30 dias, para que haja retenção maior do conhecimento. Em seguida, explique em voz alta e, se possível, grave para utilizar também na revisão; assim, você poderá alcançar um índice de aprendizagem próximo dos 90%. 2.13 Priming Priming, ou pré-ativação refere-se à influência que a exposição prévia a determinado estímulo pode acarretar na resposta a um estímulo subsequente, sem que exista consciência do indivíduo sobre tal influência. (JÚNIOR, DAMACENA eBRONZATTI, 2015) Mas o que isso significa? Quando acordamos cedo, por exemplo, o nosso cérebro já associa ao trabalho, ou quando chega o fim de semana associa ao descanso. Então, é necessário construir uma agenda de estudo e segui-la, assim o seu cérebro será pré-ativado e seu foco e atenção tendem a aumentar. Você fixará hábitos produtivos para o estudo. Agora de posse dessas dicas, vamos mudar os hábitos de estudos e passar à teoria e exercícios. Capítulo 1 RELAÇÃO EDUCAÇÃO E SOCIEDADE: DIMENSÕES FILOSÓFICA, SOCIOCULTURAL E PEDAGÓGICA Depois de ter organizado a sua rotina de concurseiro vencedor, vamos iniciar a parte conceitual com o tema: Relação Educação e Sociedade: dimensões filosófica, sociocultural e pedagógica. Quais os seus conhecimentos sobre este tema. Preencha o quadro a seguir sem se preocupar se está certo o não. Quais os principais conceitos e concepções em relação à Educação e Sociedade? Cite pelo menos cinco dos principais teóricos educacionais e suas principais concepções 1.1 Educação e sociedade Vamos verificar se o que você lembrou está em consonância com os conhecimentos sistematizados sobre o tema? Estudar as relações entre educação e sociedade demanda refletir sobre os diversos períodos da história da humanidade e situá-la em cada um dos momentos. Para cada sociedade, e em cada contexto histórico, político e social, a educação cumpre um papel e tem uma finalidade específica. Optamos por tratar essa relação a partir da perspectiva crítica e dialética. Conforme Aranha (1997), nessa compreensão, a educação é entendida como um fenômeno social e universal que deve instrumentalizar os sujeitos para atuar sobre o mundo e compreender as diversas relações que existem na sociedade e quais as possibilidades de transformação e emancipação. A dialética era, na Grécia antiga, a arte do diálogo, mas que, aos poucos, passou a ser a arte de, no diálogo, demonstrar uma tese por meio de um argumento capaz de definir e distinguir os conceitos envolvidos na discussão. Já na concepção moderna, dialética significa o modo de pensar as contradições da realidade, como essencialmente dinâmicas e em permanente transformação. Vamos aos principais conceitos e os mais cobrados em provas. Um conceito clássico de Educação é o formulado por Durkheim. Para ele, (citado por GADOTTI, 2005), a educação é (...) a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política no seu conjunto e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destine. Nessa concepção, a educação tem a função de perpetuar as relações sociais, ou seja, a manutenção da sociedade de classes. Para Gadotti (2008) a prática mais humana, considerando-se a profundidade e a amplitude de sua influência na existência dos homens. (grifo nosso). Já para Brandão (1985), A educação ajuda a pensar tipos de homens, mais do que isso, ela ajuda a criá-los, através de passar uns para os outros o saber que o constitui e legitima. Produz o conjunto de crenças e ideias, de qualificações especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes que, em conjunto constroem tipos de sociedades. (grifo nosso) Em Libâneo (1994), a educação é pensada como um conceito amplo que diz respeito ao desenvolvimento onilateral da personalidade humana envolvendo a formação das qualidades físicas, morais, intelectuais e estéticas com o objetivo de orientar a atividade humana na sua relação com o meio social, num determinado contexto social. Ainda de acordo com Libâneo (idem), a educação é (...) toda modalidade de influências e inter-relações que convergem para a formação de traços de personalidade social e do caráter, implicando uma concepção de mundo, ideais, valores, modos de agir, que se traduzem em convicções ideológicas, morais, políticas, princípios de ação frente a situações reais e desafios da vida prática. Freitag (1986) faz uma excelente síntese da relação sociedade-educação quando aponta que: 1) a educação sempre expressa uma doutrina pedagógica, a qual implícita ou explicitamente se baseia em uma filosofia de vida, concepção de homem e sociedade; 2) numa realidade social concreta, o processo educacional se dá através de instituições específicas (família, igreja, escola, comunidade) que se tornam porta-vozes de uma determinada doutrina pedagógica. Luckesi (2011) afirma que a educação é uma prática humana direcionada por determinada concepção teórica. Assim, não podemos desvincular educação e sociedade, lembrando sempre que as relações sociais, históricas e econômicas interferem diretamente no modelo de cada época e, como acrescenta Saviane (2013), a educação também interfere na sociedade. A reflexão filosófica auxilia na descoberta de antropologias e de ideologias subjacentes ao sistema educacional, às concepções, doutrinas e práticas da educação. “A educação formal tem objetivos claros e específicos e é representada principalmente pelas escolas universidades. Ela depende de uma diretriz educacional centralizada como o currículo, com estrutura hierárquicas e burocráticas, determinadas em nível nacional, com órgãos fiscalizadores do Ministério d Educação. A educação não formal é mais difusa, menos hierárquica e menos burocrática. Os programas de educaçã não formal não precisam necessariamente seguir um sistema sequencial e hierárquico de “progressão” Podem ter duração variável, e podem, ou não, conceder certificados de aprendizagem.” (GADOTTI, 2005) 1.2 Principais teóricos da educação Agora, vamos à segunda parte, os principais pensadores que influenciaram a educação. Preencha o quadro com as palavras-chave ao lado de cada pensador, para lembrar as ideias dos teóricos. Teórico Principais ideias Palavras -chave Sócrates: Filósofo grego (469- 399 a.C) Defendia o diálogo como método de educação e utilizava a maiêutica (técnica de trazer à luz). A preocupação de Sócrates era a busca pessoal e a verdade, a voz interior. Acreditava que o autoconhecimento pode levar à sabedoria e à prática do bem. Do seu pensamento surgem duas vertentes: o idealismo (Platão) e o realismo (Aristóteles). Sócrates foi condenado à morte por envenenamento, acusado de blasfemar contra os deuses e corromper os jovens, mas, apesar de poder fugir da prisão, foi fiel a si e a sua missão. Platão: Filósofo grego (427-347 a.C) Era um idealista, foi considerado o primeiro pedagogo. Era o principal discípulo de Sócrates. Concebeu um sistema educacional (escola pública) e integrou-o à ética e política. Para ele, a educação consiste em dar ao corpo e à alma toda a beleza e perfeição de que são capazes. Platão considerava que as crianças deveriam ser tiradas dos pais, por acreditar corruptora a influência dos mais velhos. Aristóteles: Filósofo grego (384-322 a.C) Discípulo de Platão e contrário ao idealismo, prega de maneira realista que as ideias estão nas coisas como sua essência. O Estado era responsável pela educação. Acreditava que o princípio do aprendizado é a imitação e que aprendemos fazendo. Suas ideias marcaram o pensamento ocidental. Jesuítas A ordem dos Jesuítas foi fundada em 1534. Sua influência chegou aos diversos cantos do mundo. Chegaram ao Brasil em 1549 e foram expulsos em 1759, com a Reforma Pombalina. Retornaram em 1847. Sua educação destinava-se à catequização dos índios e à formação da burguesia. Descuidaram-se da educação popular. Utilizavam a Ratio Studiorum, que é o plano de estudos de métodos e a base filosófica dos jesuítas. Comênio: Filósofo tcheco (1592-1670), sec. XVII Escreveu a Didactica Magna ou Carta Magna, tornando-se o “pai da didática moderna”. Defendeu uma educação que interpretasse e alargasse a experiência de cada dia e utilizasse os meios clássicos como o ensino da religião e da ética. Sua propostaera de uma metodologia que ensinasse “tudo a todos”. Respeitou os sentimentos e a inteligência das crianças. Locke: Pensador inglês (1632- 1704) Foi um dos principais teóricos do Liberalismo. Considerava que o aprendizado é dependente de informações e vivências a que a criança é submetida passivamente, assim aconteceria uma absorção mecânica e passiva dos conteúdos. Uma frase muito famosa que define o seu pensamento é: “a mente humana é tabula rasa”, expressão latina análoga à ideia de uma tela em branco. Rousseau: Pensador suíço (1712- 1778) Rousseau foi o precursor de Montessori e Dewey. Para ele, os homens nascem bons e a sociedade é que os corrompe. Em sua concepção, as crianças deveriam aprender a partir de experiências, correndo, divertindo-se e caindo; assim, a cada queda, aprenderiam mais cedo a se levantar. Suas ideias deram origem à Escola Nova. Kant: Para o filósofo, conhecemos o mundo por meio de nossas experiências sensível Filósofo alemão (1724-1804) das coisas. O homem só pode alcançar a plenitude a partir da educação. Kant afirma que o papel da educação é aperfeiçoar as disposições que o homem já traz dentro de si e deve desenvolver quatro aspectos principais: disciplina, cultura, civilidade e moralidade. Pestalozzi: Educador suíço (1746- 1827) Primeiro teórico a incorporar o afeto à educação. Para ele, o amor propicia a autoeducação. A escola deveria ser não apenas a extensão do lar, mas se inspirar nele para fomentar uma atmosfera de segurança e afeto. O processo educativo, para ele, baseia-se nas dimensões intelectual, física e moral. Herbart: Filósofo e psicólogo alemão (1776-1841) O teórico foi profundamente intelectualista, mas também objetivava a formação moral. Considerava que a criança era um ser moldado intelectual e psiquicamente por forças externas. Prioriza a instrução. Para ele, os procedimentos educativos dividiam-se em três partes: o primeiro é o governo, manutenção da ordem e controle do comportamento da criança. O segundo é a instrução. O terceiro é a disciplina, que visa à formação do caráter. Herbart previa cinco etapas para o ato de ensinar: 1. Preparação; 2. Apresentação do conteúdo; 3. Associação; 4. generalização e 5. Aplicação. Froebel: Educador alemão (1782-1852) Foi um dos primeiros educadores a valorizar a infância. Ele fundou os jardins de infância a partir do princípio de que, assim como as plantas, as crianças têm uma fase de formação que requer cuidado para que cresçam saudáveis. Augusto Comte: Pensador francês (1798-1857) Considerado o pai do Positivismo; acredita que a única forma de conhecimento válido é o conhecimento científico. Assim, não considera o senso comum e as crenças. Estudou o desenvolvimento da sociedade e do indivíduo com critérios das ciências exatas e biológicas. Grande sistematizador da Sociologia. A educação tem o papel de mostrar a importância da obediência e da hierarquia, e ainda desenvolver nos jovens o altruísmo. Durkheim: Sociólogo francês (1858-1917) É um dos principais expoentes do pensamento pedagógico positivista. Considera que a educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta. Quanto mais eficiente for o processo, melhor será o desenvolvimento da comunidade. Essa concepção é chamada de funcionalista. A educação é elemento integrador da sociedade e os pais e professores são responsáveis pela inculcação de valores sociais nos educandos. A criança, ao nascer, traz Durkheim: (continuação) consigo a natureza do indivíduo, mas traz dentro de si um sistema de ideias que exprime a sociedade de que faz parte. A construção do ser social é a assimilação pelo indivíduo de normas e princípios – morais, religiosos, éticos ou de comportamento. O homem, além de ser formador da sociedade, é um produto dela. A educação é um mecanismo de coerção social. Durkheim é um dos mentores de uma educação pública e laica sob a administração do Estado. Parsons: Sociólogo norte- -americano (1902-1979) Considerado o difusor das ideias de Durkheim. Para ele, a socialização por meio da educação é o instrumento de manutenção da sociedade, exercida principalmente pela escola. Cabe à escola difundir os valores sociais para que cada indivíduo exerça seu papel social. Marx: Para Marx, tudo se encontra em constante processo de mudança e o motor disso Pensador alemão (1818-1883) são as contradições. Para ele, as sociedades estruturam-se a partir dos interesses das classes dominantes, a burguesia que detém o poder econômico. A educação deve cumprir o papel de combater a alienação e a desumanização. Conforme Marx, a educação deveria pautar-se no desenvolvimento intelectual, físico e técnico. O que é denominada onilateral (múltipla), diferindo da educação integral, pois essa tem uma conotação moral e afetiva que deveria ser trabalhada por outros adultos e não pela escola. Weber: Advogado alemão (1864-1920) Importante sociólogo, seus estudos contribuíram muito para administração e economia. Estudou a burocracia como uma possibilidade de perceber a ideologia presente na ordem social e na organização do trabalho pedagógico. Karl Mannheim: Sociólogo húngaro (1893-1947) Mannheim entendia a educação como técnica social, que não é boa ou má por si só, depende do uso que os homens fazem dela. Para ele, a educação escolar é uma forma de influenciar o comportamento humano para que esse se enquadre nos padrões vigentes de interação social. Em sua concepção, os objetivos são formulados dentro de uma ordem social e, por isso, para serem compreendidos, devemos remeter à época em que estão situados. Makarenko: Mestre ucraniano (1888-1939 Ao trabalhar com jovens infratores, o professor ucraniano concebeu um modelo de educação baseado na vida em grupo, no trabalho e na disciplina. Criou um método revolucionário em que pensava a escola como coletividade, em que os alunos deveriam ir em busca da felicidade que só teria sentido se fosse para todos. Respeitava os direitos na infância, privilegiando a discussão e as opiniões. Para ele, educar é mais que disciplinar com rigidez; sua preocupação era formar personalidades, pessoas conscientes de seu papel na sociedade, valorizando a solidariedade. Gramsci: Filósofo italiano (1891-1937) Preocupou-se em interpretar e dar continuidade às obras de Karl Marx, mas acreditava que a mudança de poder viria por meio da mudança de mentalidades, a criação de uma contrahegemonia a ser desenvolvida pelos intelectuais e pela escola. Como a maior parte de sua obra foi escrita na prisão, utilizou linguagem cifrada, tal como: bloco histórico, intelectual orgânico, sociedade civil, hegemonia e filosofia da práxis (para designar o marxismo). Propôs uma escola unitária ou única em oposição à escola tradicional. O pensador diferencia intelectuais tradicionais (comprometidos com a tradição e a cultura dominante) e os intelectuais orgânicos (que buscam criar e fomentar a consciência entre os membros da classe a que pertencem). Dewey: Filósofo norte- americano (1859-1952). Dewey ficou conhecido por defender a corrente pragmatista ou instrumentalista, em que as ideias só têm importância se conduzirem à prática, ou seja, à resolução de problemas. No Brasil, inspirou o movimento da Escola Nova, liderado por Anísio Teixeira. O princípio pedagógico de Dewey se assenta na ideia de que os alunos aprendem melhor se realizarem tarefas associadas aos conteúdos ensinados, considerando o crescimento: físico, emocional e intelectual. Foi defensor da democracia institucional no interior das escolas. Partia do pressuposto de que o conhecimento é construído por meio de consensos, resultados de discussões coletivas. Maria Montessori: Médica italiana. Seu método de educação é baseado no desenvolvimento natural da criança. Ela acreditava que a educação é uma conquista da criança, pois o ser Pesquisadora italiana (1870-1952) humano nasce com a capacidade de se autoensinar se tiver as condições adequadas. A base de sua teoria está na liberdade e individualidade; ao professor cabe conduzir o processo de modo a perceberas particularidades de cada criança e auxiliá-la em seu desenvolvimento. O objetivo da educação, para Montessori, é a formação integral do jovem, uma educação para a vida. Seu método vai do concreto para o abstrato e, para torná-lo mais efetivo, ela desenvolveu uma série de materiais pedagógicos muito difundidos até hoje. Decroly: Educador belga (1871- 1932) Foi um dos primeiros a difundir a ideia de uma escola centrada no aluno e com métodos ativos que preparassem o jovem para a vida e não se centrasse nos conteúdos. Difundia a ideia bastante conhecida hoje de aprender a aprender. Decroly foi o precursor do que chamamos de globalização, ou seja, partir dos aspectos mais gerais para depois chegar aos mais específicos; essa ideia tomou muita forma no método de alfabetização que denominamos método global; também foi o idealizador dos centros de interesses. Anísio Teixeira: Educador brasileiro (1900-1971) Ex-aluno de Dewey, foi o grande difusor de suas ideias no Brasil. Um dos signatários do documento Manifesto dos Pioneiros, objetivava uma escola laica e gratuita a todos. Para Anísio Teixeira, a escola deveria, mais do que instruir, formar homens livres capazes de viver com mais inteligência, autonomia e felicidade. Para tanto, deveria ter condições de trabalhar atitudes e senso crítico. Ele sugere que o trabalho pedagógico seja realizado a partir de problemas ou projetos. O ambiente escolar deve ser pautado na liberdade e confiança entre professores e alunos. Carl Rogers: Psicólogo norte- americano (1902-1987) Rogers leva para a educação a teoria que desenvolveu nos consultórios como psicólogo, uma psicologia humanista não diretiva. Para ele, o professor, tal qual o terapeuta, deve facilitar o aprendizado, propiciando novas experiências, capacidade de viver o presente, autoconfiança, dentre outras características. Carl Rogers: (continuação) Sua marca registrada é a não diretividade. O professor, para desenvolver isso, deverá apresentar três qualidades: congruência – ser autêntico com o aluno; empatia – compreender os sentimentos do outro e consideração positiva incondicional. Freinet: Educador francês (1896-1966) Freinet considerava que a forma mais profunda de aprendizado é o desenvolvimento afetivo. Seus conceitos foram amplamente difundidos e muito utilizados, tais como as aulas-passeio, os cantinhos e a troca de correspondências. Em sua concepção, era necessário transformar a escola por dentro, pois lá é o espaço em que as contradições se manifestam. O professor deve ser aquele que colabora para o êxito dos alunos e organiza o trabalho para que os alunos possam fazer experiências e buscar respostas às suas inquietações. Ele propôs a pedagogia do bom senso, em que a aprendizagem resulta de uma relação dialética entre ação e pensamento, teoria e prática. Sua teoria fundamenta- se nos seguintes eixos: cooperação, comunicação, documentação e afetividade. Neill: Educador e escritor É conhecido por fundar a Summerhill School, na Inglaterra, que se fundamenta na liberdade da criança de escolher e decidir o que deseja aprender e, a partir daí, desenvolver-se num ritmo próprio. escocês (1883-1973) Tem grande influência de Rousseau, Freud e Reich. Acreditava que a educação deveria se fundamentar na dimensão emocional para que a sensibilidade superasse a racionalidade. Desejava que seu método fosse utilizado “como remédio para a infelicidade” que a sociedade de consumo, família e educação tradicional geram. O sucesso, para ele, é trabalhar feliz. Bourdieu e Passeron: Sociólogos franceses (séc. XX). Escreveram o livro A Reprodução (1970), em que concluem que a escola, em vez de ter uma função transformadora, reproduz e reforça as desigualdades sociais. A escola, sob a aparência de neutralidade, exerce a violência simbólica. Violência simbólica: é exercida pelo poder de imposição das ideias transmitidas por meio da comunicação cultural, da doutrinação política e religiosa, das práticas esportivas, da educação escolar. Bourdieu e Passeron: (continuação) Outro conceito importante é o de capital cultural, utilizado para designar nichos da atividade humana nos quais se desenrolam lutas pela detenção do poder simbólico, que produz e confirma significados, consagra valores que se tornam aceitáveis pelo senso comum. Althusser: Filósofo francês (1918-1990) Louis Althusser é considerado crítico-reprodutivista. Sua principal tese é de que o Estado é composto por dois tipos de aparelhos, os ideológicos e os repressivos. Os Aparelhos Repressivos do Estado (ARE) são as instituições que funcionam prioritariamente pela força, tais como exército, prisão e tribunais. Os Aparelhos Ideológicos do Estado (AIE) são compostos por instituições públicas e privadas que funcionam a partir da ideologia. São considerados AIE: AIE religioso (o sistema das diferentes igrejas); AIE escolar (o sistema das diferentes escolas públicas e privadas); AIE familiar; AIE jurídico; AIE político (o sistema político dos diferentes partidos); AIE sindical; AIE de informação (a imprensa, o rádio, a televisão etc.). Os aparelhos ideológicos e repressivos são criados pela classe dominante com o intuito de manter seu status quo. O mais importante aparelho da sociedade moderna é o AIE escolar. Establet e Baudelot: Professores de Sociologia da educação na França Para os sociólogos Establet e Baudelot, a escola não é unitária, como afirmam Bourdieu e Passeron, mas, sim, dividida conforme as classes sociais. Dessa forma, desenvolveram a teoria da escola dualista, ou SS (Secundária Superior) e PP (Primária Profissionalizante), em que a primeira era destinada à elite e seu trabalho fundamenta-se no desenvolvimento intelectual. A segunda destina-se à classe proletária e tem como base o trabalho manual. Ivan Illich: Teólogo austríaco (1926-2002) Autor do livro Sociedade sem escolas, defendia a desescolarização da sociedade. Para ele, os sujeitos adquiriam a maior parte de seus conhecimentos fora da escola, que manipula e é hierarquizada. O sistema escolar impõe um trabalho repetitivo por meio de currículos extensos e superficiais. Paulo Freire: Educador brasileiro (1921-1997) Patrono da educação, Paulo Freire é reconhecido internacionalmente por seu trabalho como educador, principalmente pelo seu método de alfabetização de jovens e adultos. Nesse método, é possível perceber três grandes passos: Paulo Freire: (continuação) • No primeiro, o professor investiga os saberes que o educando traz, valorizando sua cultura. • No segundo momento, explora as questões relativas aos temas das discussões, ampliando os conhecimentos, partindo do senso comum rumo a uma visão crítica. • No terceiro momento, volta-se do abstrato para o concreto; o conteúdo é trabalhado e são sugeridas ações para superar impasses. Sua prática pedagógica é assumidamente política, cujo objetivo é conscientizar os estudantes, levando-os à compreensão de oprimidos e à busca de sua libertação. Critica as concepções tradicionais, denominando-as educação bancária, em que se deposita conhecimentos sem crítica e problematização. O professor tem um papel diretivo na prática pedagógica em que assume uma postura de autoridade e não autoritarismo, garantindo as trocas de saberes. Edgar Morin: Sociólogo francês (1921) Diante das mudanças que aconteceram no final do século XX, o sociólogo francês propõe o conceito de complexidade em seu sentido etimológico – aquilo que é tecido junto. Considera que as incertezas e as contradições fazem parte da natureza humana, mas traz também a solidariedade e a ética como fundamentais ao homem. A pedido da Unesco, em 1999, ele escreve um livro em que traz reflexões que serviriam de ponto de partida para a educação no século XXI. Denominado Os sete saberes necessários à educação do futuro, o livro apresenta os seguintes pontos, como saberes: 1. As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão; 2. Os princípios do conhecimento pertinente; 3. Ensinar a condição humana; 4. Ensinar a identidade terrena; 5. Enfrentar as incertezas; 6. Ensinara compreensão, e 7. A ética do gênero humano. Perrenoud: Sociólogo suíço (1955) Desenvolve a Teoria das Competências, que são entendidas como a capacidade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.) para resolver situações do cotidiano. Já as habilidades são menos amplas do Perrenoud: (continuação) que as competências que são formadas por várias delas. Uma mesma habilidade pode estar presente em várias competências. Para o sociólogo, o professor deverá desenvolver 10 competências em sua profissão: 1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem. 2. Administrar a progressão das aprendizagens. 3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação. 4. Envolver os alunos em sua aprendizagem e em seu trabalho. 5. Trabalhar em equipe. 6. Participar da administração da escola. 7. Informar e envolver os pais. 8. Utilizar novas tecnologias. 9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão. 10. Administrar sua própria formação contínua. 1.3 Papel político-pedagógico e organicidade do ensinar, aprender e pesquisar. Função sociocultural da escola. Escola: comunidade escolar e contextos institucional e sociocultural Já vimos o conceito de educação de diversos autores, mas qual o papel da educação em nossa sociedade? Qual a função sociocultural da escola? A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu art. 2º, aponta caminhos para entender o papel da educação escolar em nosso país: A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL) É importante entender que a escola possui um papel e que está ligada diretamente às relações sociais, políticas, econômicas e culturais. Seus objetivos, o trabalho docente, os conteúdos, as metodologias estão envolvidos pelos significados sociais. Libâneo (1994) aponta que: O caráter pedagógico da prática educativa se verifica como ação consciente, intencional e planejada no processo de formação humana, através de objetivos e meios estabelecidos por critérios socialmente determinados e que indicam o tipo de homem a formar, para qual sociedade, com que propósitos. Estamos vivendo acontecimentos que afetam diretamente a instituição escolar. Vivemos num momento em que as informações estão disponíveis em diversos espaços e a formação não se restringe, como em tempos passados, à escola. Há diversos meios para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e competências sociais requeridas pela prática. Conforme Libâneo (2012), existe uma “tensão” em relação aos processos formativos, mas não significa o fim da escola como espaço socioeducativo e nem o caminho para a desescolarização da sociedade. O que ele sugere é que a escola de hoje precisa conviver com outras modalidades de educação, tais como a educação não formal e a educação profissional e integrar-se a elas a fim de formar cidadãos mais preparados para o contexto atual. Assim, o ensino escolar deve contribuir para: • formar para aprendizagem permanente; • fomentar uma formação global que possibilite melhor qualificação profissional; • desenvolver conhecimentos, capacidades, e qualidades que promovam o exercício consciente e crítico da cidadania; • formar cidadãos éticos e solidários. 1.4 Organização do trabalho na escola pública: articulação das diferentes instâncias e agentes educativos na construção da cidadania e na melhoria da qualidade do ensino Ao falar do trabalho na escola pública, não podemos deixar de situá-la no contexto atual, uma sociedade globalizada, dentro de uma revolução tecnológica e permeada pela ideologia do livre mercado (neoliberalismo). Diante disso, a questão que se impõe é: como deve ser o trabalho pedagógico da escola para que o aluno se insira no mundo do trabalho e exerça, plenamente, a sua cidadania? A escola, ao contrário das empresas, não deve situar seu trabalho na perspectiva da Qualidade Total em que se busca a uniformização, mas, como aponta a Resolução nº 4/2010, ela deve se pautar na Qualidade Social, na qual se consideram as diferenças inerentes aos sujeitos e se pretende trabalhar o conhecimento para o desenvolvimento de capacidades cognitivas, afetivas e sociais. Como aponta a Resolução nº 4/2010, a educação básica deve se pautar no princípio do cuidar e educar em que o trabalho pedagógico: [..] busca garantir a aprendizagem dos conteúdos curriculares, para que o estudante desenvolva interesses e sensibilidades que lhe permitam usufruir dos bens culturais disponíveis na comunidade, na sua cidade ou na sociedade em geral, e que lhe possibilitem ainda sentir-se como produtor valorizado desses bens. Libâneo et al. (2012) traz a escola pública numa perspectiva voltada para a maioria da sociedade, em que passa a ser compreendida como um “direito universal básico, e como um bem social público, condição para emancipação social”. Assim, a prática pedagógica deve estar voltada para a emancipação na qual professores, gestores, pais e comunidade devem ser concebidos como agentes de transformação social. A busca dessa transformação deve aparecer no currículo, no projeto político-pedagógico, nos planos de trabalho do professor; enfim, a escola deve estar consciente de todas as dimensões que afetam os processos educativos e os resultados escolares. 1.5 Análise de dificuldades, problemas e potencialidades no cotidiano escolar em sua relação com a sociedade concreta Souza e Orso (2008) afirmam que são muitos os problemas que a escola enfrenta hoje, tais como: a defasagem na formação inicial e continuada dos educadores para enfrentar os desafios em sala de aula; a crescente desobrigação dos órgãos públicos em face da educação; a carga excessiva de obrigações da escola atribuída pela sociedade; a organização do tempo escolar, que não respeita o ritmo de aprendizagem dos alunos, a diversidade cultural e as condições socioculturais, como, também, a indisciplina e o desinteresse dos alunos. Esses desafios impõem-se cotidianamente aos professores que necessitam conhecer as situações de aprendizagem que possam possibilitar a apropriação de conhecimentos sistematizados, sem que se perca a formação na e para a cidadania. Busca constante de aperfeiçoamento e compreensão dos processos de aprendizagem. Outros problemas se apresentam no cotidiano escolar como a pouca participação da família na escola, poucas horas-atividade para planejamento e utilização de recursos audiovisuais disponíveis, falta de recursos materiais, infraestrutura precária. Mesmo com tantos problemas, a escola também tem muitas potencialidades e possibilidades. A escola, na sociedade moderna, é o principal locus de aquisição do conhecimento sistematizado e, portanto, tem a vantagem de possibilitar grandes mudanças sociais quando se propõe a intervir na realidade dos alunos, ampliando os seus conhecimentos. O trabalho em equipe, fruto de uma gestão democrática, pode facilitar a resolução dos problemas na escola, diminuindo as dificuldades enfrentadas no cotidiano. O grupo de profissionais, não apenas os professores, pode tomar decisões coletivas e cada segmento fazer sua parte. O projeto político- pedagógico deve ser construído a partir de um diagnóstico da realidade contendo uma visão do que desejam para o futuro. Criação de espaços para troca de informações sobre as dificuldades e espaço para deliberações cooperativas sobre ações. Foram muitas informações em nosso primeiro capítulo. Vamos verificar o que você aprendeu? Faça um resumo no quadro a seguir com os principais pontos do que você estudou. Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (Upenet/Colégio Militar-PE/Professor – Cultura, Cidadania e Sociologia/ 2011) “Para o sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917), a sociedade prevalecesobre o indivíduo”. (TOMAZI, N. D. Iniciação à Sociologia. São Paulo: Atual, 1993, p. 18). Sobre a concepção de Sociedade e Sociologia em Durkheim, analise as afirmativas abaixo: I – A sociedade é definida como um conjunto de normas de ação, pensamento e sentimento que não existem, apenas, nas consciências dos indivíduos. II – O objeto de estudo da sociologia são os fatos sociais, que diferem dos fatos estudados pelas outras ciências, pois se referem às regras e normas coletivas que orientam a vida do indivíduo em sociedade. III – Os fatos sociais são interiores e coercitivos aos indivíduos, ou seja, têm origem na coletividade e são seguidos pelos membros da sociedade. IV – Para Durkheim, os fenômenos sociais têm origem no indivíduo e se consolidam no conjunto de normas e regras criadas pelas instituições para manter a ordem, que as gerações transmitem umas às outras. V – O conceito de solidariedade mecânica está baseado na ideia de consciência coletiva, em que sua origem está nas semelhanças entre os membros de uma sociedade. Já o conceito de solidariedade orgânica se fundamenta no princípio da consciência individual que implica maior autonomia e liberdade de ação. Estão corretas a) I, II, IV e V. b) III, IV e V. c) I, II e V. d) II, III e IV. e) I e IV. (Cespe/Ministério das Comunicações/Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos/Pedagogo/2011)Acerca da história da sociedade e educação, julgue os itens que se seguem em certo ou errado. 2. ( ) A concepção tecnicista de educação introduziu, no âmbito educacional, conceitos como o de produtividade e o de eficiência. 3. ( ) O sistema educacional idealizado por Auguste Comte tem origem na lei dos três estados, que faz referência a estados da região Sul, considerados os de maior desenvolvimento educacional. 4. ( ) Antonio Gramsci propôs o estabelecimento da escola unitária, também denominada escola única, como alternativa à escola tradicional, caracterizada pela divisão do ensino em clássico e profissional. 5. ( ) A luta de John Dewey contra o analfabetismo tornou-o o mais eminente defensor da educação libertária. 6. ( ) O Conselho Federal de Educação, criado em 1962, foi instituído pela primeira lei de diretrizes e bases da educação nacional. 7. (Consultec/Unicentro/Vestibular – Sociologia/2012) A relação indivíduo e sociedade é um dos eixos dos estudos sociológicos. Sobre esse assunto, um dos autores clássicos da Sociologia observa a primazia da sociedade e dos grupos sociais, que exercem determinado tipo de coerção sobre os indivíduos, fazendo-os assumir papéis sociais específicos em relação a determinados fenômenos particulares. Trata-se, nesse caso, de. a) Karl Marx. b) Max Weber. c) Augusto Comte d) Émile Durkheim. e) Herbert Spencer. 8. (IF-PB/IF-PB/Professor – Sociologia/2014) “A educação é a ação exercida, pelas gerações adultas, sobre as gerações que não se encontrem ainda preparadas para a vida social; tem por objetivo suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destine” (DURKHEIM, E. Educação e Sociologia. 1978, p. 41). De acordo com o que expressa o trecho, analise as afirmativas a seguir: I – A Educação faz emergir os conflitos e as desigualdades sociais presentes na sociedade. II – A Educação contribui para o processo de socialização. III – A Educação exerce um papel na coesão social. IV – A Educação proporciona ao indivíduo construir a sua individualidade. Está correto o que se afirma apenas em: a) I e III. b) I e IV. c) II e III. d) III e IV. e) II. 9. (Funrio/IF-PI/Professor – Sociologia/2014) A educação, como objeto da Sociologia, é uma das mais importantes instituições sociais. Como instrumento de socialização do indivíduo, é correto afirmar que a) a Educação é o instrumento pelo qual a sociedade transmite cultura. b) o processo educacional distancia-se da cultura no sentido em que não é um fim em si mesmo, é apenas um instrumento social. c) a Educação, enquanto objeto da Sociologia, reflete as perspectivas sociais através de uma visão de senso comum para manter os grupos sociais. d) nas sociedades chamadas equivocadamente de “primitivas”, não se identifica nenhum processo educacional sociologicamente observável. e) a Educação não é a instituição que detém o poder de preparar os jovens para o desempenho de papéis sociais. 10. (Cesgranrio/SEEC-RN/Professor – Sociologia/2011) O positivismo, como escola filosófica, derivou do chamado cientificismo que, por sua vez, se caracteriza pela a) busca de uma identidade entre as leis biológicas e as leis sociais, hereditariedade e história. b) crença na possibilidade de a razão humana conhecer e traduzir a realidade sob a forma de leis. c) certeza de que existem caracteres universais, dispostos sob a forma de sistemas, que se desenvolvem em interação. d) convicção no princípio a partir do qual as sociedades se modificam e se desenvolvem de formas diferentes. e) criação de um modelo que representa a passagem da sociedade de um estágio superior para outro inferior. 11. (Cespe/Semec-PI/Pedagogo/2010) Assinale a opção correta acerca da função social e política da escola, segundo Gramsci. a) A escola é um espaço de luta pela hegemonia da sociedade e de formação do intelectual orgânico. b) A escola tem exclusivamente a função de transmitir valores dominantes, contribuindo para a adaptação dos indivíduos à sociedade. c) A escola deve valorizar a experiência para criar um ser autônomo capaz de renovar os costumes de uma sociedade capitalista. d) A função da escola está relacionada ao desenvolvimento econômico por meio da formação de trabalhadores mais qualificados. e) A escola é considerada um aparelho ideológico do Estado, tendo como função reproduzir as relações de exploração na sociedade capitalista. 12. (Consultec/Unicentro/Vestibular – Sociologia/2012) Ao observar que a sociedade não é capaz de encaminhar seus jovens ao mercado de trabalho e não lhes oferece oportunidades para o desenvolvimento da criatividade e de atividades de lazer, considera-se uma realidade que exemplifica um dos conceitos desenvolvidos por Pierre Bourdieu denominado a) interacionismo simbólico. b) agressividade simbólica. c) ideologia simbólica. d) violência simbólica. e) violência urbana. (Cespe/Correios/Analista de Correios – Pedagogo/2011) Julgue o item abaixo com Certo (C) ou Errado (E) a respeito do tema “Educação e Sociedade”. 13. ( ) A concepção tecnicista de educação introduziu, no âmbito educacional, conceitos como o de produtividade e o de eficiência. (Cespe/Secretaria de Educação – Sedu/Pedagogo/2012) Acerca da relação sociedade e educação, responda os itens 14 e 15 em (C) Certo ou (E) Errado. 14. ( ) A visão sociológica de Durkheim se fundamenta em pressupostos progressistas que veem na educação um fator de desenvolvimento e de superação de estruturas societárias arcaicas. 15. ( ) Gramsci, em uma perspectiva conservadora da relação educação e sociedade, fornece elementos que permitem conceber uma teoria dialética para a educação. (Cespe/Seduc-AM/Professor de Sociologia/2011) Considerando as contribuições da sociologia, da filosofia e da psicologia para a educação, julgue os itens a seguir em certo ou errado. 16. ( ) Louis Althusser, herdeiro intelectual de Karl Marx, elaborou crítica radical aos sistemas de ensino, denunciando o seu caráter de classe e de aparelho ideológico do Estado. 17. ( ) Uma das contribuições de Célestin Freinet para a educação diz respeito ao uso de grande quantidade de material didático, tais como cubos, sólidos, cartões, em atividades voltadas para o desenvolvimento dos sentidos do educando. 18. ( ) Segundo Émile Durkheim, a educação constitui elemento integrador da sociedade, sendo pais e professores agentes sociais responsáveis pela inculcação de valores sociais nos educandos. 19. ( ) A concepção de escola como instituição responsável pela transformaçãosocial fundamenta-se no pensamento positivista. 20. ( ) De acordo com a tendência pedagógica liberal tradicional, os conteúdos de ensino devem corresponder a conhecimentos socialmente acumulados e a valores socialmente estabelecidos. 21. ( ) Consoante a tendência pedagógica marxista, para que ocorra a formação integral do ser humano, os conteúdos educacionais devem propiciar a educação mental, física e tecnológica. (Cespe/Seplag-DF/Professor de Educação Básica/2010) Acerca da temática educação e sociedade julgue os itens seguintes em (C) Certo ou (E) Errado. 22. ( ) No campo da sociologia da educação, destaca-se a presença dos clássicos Durkheim, Marx e Weber que contemplaram em suas análises os sistemas educacionais. Durkheim, por exemplo, comparou a educação alemã àquela dos literatos chineses e Weber estuda o sistema educacional francês. 23. ( ) Para Durkheim, a educação era uma instituição fundamental para a ordem social. A sua preocupação em relação à educação estava diretamente ligada ao estudo da moral por ser o melhor meio para a socialização dos indivíduos, para as regras fundamentais da sociedade. 24. ( ) No contexto brasileiro, a educação como objeto de investigação sociológica foi analisada a partir de uma perspectiva que buscava enfatizar a sua importância social mediante, por exemplo, a compreensão dos seus aspectos político-institucional, as suas reformas, os diferentes papéis que a sociedade atribui e a espera da educação em seus diversos níveis. Destaca-se que a relação entre educação e desenvolvimento tem sido uma temática de grande importância seja na educação, na economia ou na sociologia, os vínculos e interações entre educação e desenvolvimento aparecem sob as mais diversas formas. 25. ( ) Marx, Durkheim e Weber perceberam que a posição da educação na estrutura social e sua relação com outras instituições eram as chaves para compreender a dinâmica da mudança educacional. Embora somente Marx tenha teorizado profundamente sobre os reais mecanismos de desenvolvimento educacional, nenhum deles deixou dúvida de que esta deveria ser uma parte integrante de suas macroteorias – para Marx, a mudança educacional nasceu do jogo dialético entre infraestrutura e superestrutura; para Weber, ela estava associada à dinâmica da burocratização; para Durkheim, ela estaria, e deveria estar, unida a ação política e, desse modo, ao desenvolvimento de uma sociedade orgânica, integrada e normativa. (Cespe/Semec-PI/Professor Classe A/2010) Julgue o item abaixo em Certo ou Errado. 26. ( ) Marx afirma que a educação não pode encaminhar a superação efetiva do modo de produção entendido como um todo, pois a atividade do educador é apenas uma parte do sistema. Gabarito ESPAÇO DO ALUNO Capítulo 2 ASPECTOS PEDAGÓGICOS E SOCIAIS DA PRÁTICA EDUCATIVA, SEGUNDO AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS Agora, vamos tratar de um dos conteúdos mais cobrados em provas de concurso para professores: tendências pedagógicas. Inicialmente, queremos saber quais os seus conhecimentos sobre esse assunto. Preencha o quadro a seguir sem se preocupar se está certo ou não. Tendências Liberais Tendências Progressistas 2.1 Desenvolvimento histórico das concepções pedagógicas Então vamos lá! As tendências pedagógicas são extremamente importantes, pois embasam a nossa visão de educação e trazem o panorama das principais abordagens na evolução e trajetória educacional. Uma interessante abordagem é a de Demerval Saviani (2002) que aponta quatro grandes tendências/concepções: o humanismo tradicional (visão essencialista do homem); o humanismo moderno (visão de homem centrada na existência), a concepção analítica (sem definição filosófica clara, no início positivista, depois passou a ser tecnicista) e a concepção dialética (visão histórica concreta do homem). A evolução, segundo o autor, ocorre nesta sequência: Saviani se inclui na concepção dialética, que busca compreender o fenômeno educativo, considerando a contradição, a totalidade, a reprodução, a mediação e a hegemonia. Então, tranquilo até aqui? Está fazendo anotações ao longo do texto? Vamos continuar... Não podemos deixar de falar no autor mais cobrado em provas de concursos: José Carlos Libâneo. O autor classifica as tendências em dois grandes grupos: Liberais e Progressistas, conforme o esquema a seguir: Outro autor muito cobrado é Luckesi (2011), que apresenta três tendências filosófico-políticas para compreender a educação: educação para a redenção, educação como reprodução e educação como transformação da sociedade. Para ele, é necessário compreender essas perspectivas para nortear o trabalho pedagógico. Então, vamos ver o que traz cada uma delas. Educação para a redenção Educação como reprodução Educação como transformação da sociedade A educação “cura” a sociedade de suas mazelas, adaptando os indivíduos ao modelo ideal de sociedade. A educação não sofre interferência da sociedade; ao contrário, ela que Não propõe uma prática pedagógica, apenas demonstra como atua a educação dentro da sociedade, reproduzindo o modelo capitalista. Nessa perspectiva, não há possibilidade de mudanças por meio da educação. A educação não redime nem reproduz a sociedade, mas serv de meio, ao lado de outros, para realizar um projeto d sociedade. Pretende compreender a educação dentro de seu condicionantes e agir estrategicamente para a su transformação. Recusa-se ao otimismo ilusório (redenção) e a pessimismo imobilizador (crítico-reprodutivista). Também é denominada teoria crítica, coloca-se como um instância entre outras para a transformação da sociedade. interfere nos destinos do todo social. 2.2 Tendências pedagógicas Vamos às principais características de cada tendência pedagógica. 2.2.1 Tendências liberais 2.2.1.1 Tendência liberal tradicional Acentua o ensino humanístico, de cultura geral. Busca a preparação intelectual e moral dos alunos para assumirem seus papéis na sociedade, por meio do repasse de conteúdos acumulados pela humanidade. A metodologia baseia-se na exposição e demonstração verbal. O professor representa a autoridade que exige a atitude receptiva dos alunos. A aprendizagem é mecânica e confundida com memorização. É chamada educação bancária. 2.2.1.2 Tendência liberal renovada/escola nova Valoriza o aluno como sujeito do conhecimento, a experiência no meio, e o ensino centrado no aluno e no grupo. Esta tendência apresenta duas vertentes: Progressivista: difundida pela Escola Nova (Anísio Teixeira, Montessori, Decroly e Piaget). Nessa tendência, a escola deve adequar as necessidades individuais ao meio social. Os conteúdos são trabalhados a partir das experiências vividas pelos alunos. A metodologia pauta-se na resolução de problemas, trabalhos em grupos e atividades cooperativas. O professor é o auxiliador do desenvolvimento da criança. A aprendizagem é baseada na motivação. Não diretiva: orientada para a autorrealização e as relações interpessoais (Carl Rogers). Baseia-se na busca dos conhecimentos pelos próprios alunos e na formação de atitudes. Trabalha com métodos que facilitem a aprendizagem. As relações são horizontais e o professor garantirá um relacionamento de respeito. 2.2.1.3 Tendência liberal tecnicista O essencial não é o conteúdo, mas as técnicas e a preparação para mão de obra. Utiliza-se do enfoque sistêmico, da tecnologia educacional e da análise experimental do comportamento. Traz conceitos da administração para a organização escolar, como o taylorismo, em que se prega a divisão do trabalho: alguns são responsáveis pelo planejamento e outros pela execução. Também trabalha com vistas à eficiência e eficácia. Pode-se afirmar que o papel da escola é modelar o comportamento por meio de técnicas específicas. Os conteúdos são trabalhados em uma sequência lógica a partir de procedimentos e técnicas para transmissão e recepção de informações. A relação professor-aluno é vertical, em que ao professor cabe transmitir o conteúdo e ao alunofixá-la. 2.2.2 Tendências progressistas (termo cunhado por Snyders) 2.2.2.1 Tendência progressista libertadora O maior representante é Paulo Freire; o foco é a educação de jovens e adultos. Tem como objetivo levar professores e alunos a atingirem um nível de consciência da realidade em que vivem e buscar transformações sociais. A metodologia baseia-se em temas geradores. A relação é horizontal e dialógica de igual para igual. Trabalha-se com grupos de discussões para a resolução de situações-problema. 2.2.2.2 Tendência progressista libertária Caracteriza-se por ser defensora da autogestão, é antiautoritária e valoriza a experiência do aluno e o processo de aprendizagem grupal (assembleias, discussões). Busca transformar a personalidade num sentido libertário e autogestionário. Os conteúdos são colocados, mas não exigidos. O trabalho pedagógico organiza-se por meio de vivência grupal na forma de autogestão. A relação com os alunos é não diretiva e o professor é orientador de alunos livres. 2.2.2.3 Tendência crítico-social dos conteúdos Nessa tendência, os conteúdos culturais universais são incorporados pela humanidade frente à realidade social. A metodologia parte da relação direta entre a experiência do aluno e o conhecimento sistematizado. O professor é o mediador do conhecimento. Você sabia que o educador americano Edgar Dale desenvolveu uma teoria denominada Cone d Aprendizado? Nela, ele aponta que apreendemos apenas 10% do que lemos e 90% do que realizamos, po isso as atividades de consolidação da aprendizagem e a resolução de questões são tão importantes em su preparação. Em muitos materiais preparatórios são apresentados quadros-resumo prontos. Como nossa proposta é a su aprovação, você irá construir o seu quadro com os principais pontos das tendências pedagógicas. Apó preenchê-lo, leia – em voz alta. Nome da Tendência Pedagógica Papel daEscola Conteúdos Métodos Professor x aluno Aprendizagem Manifestações TENDÊNCIAS LIBERAIS Pedagogia Liberal Tradicional. Nas escolas que adotam filosofias humanistas clássicas ou científicas. Tendência Liberal Renovadora Progressivista. Montessori Decroly Dewey *Piaget Tendência Liberal Renovadora não diretiva (Escola Nova) Carl Rogers, “Sumermerhill” escola de A Neill. Tendência Liberal Tecnicista. Leis n os 5.540/1968 e 5.692/1971. TENDÊNCIAS PROGESSISTAS Tendência Progressista Libertadora Paulo Freire. Tendência Progressista Libertária. C. Freinet Miguel Gonzales Arroyo. Tendência Progressista crítico social dos conteúdos. Makarenko B. Charlot Suchodoski Manacorda G. Snyders Demerval Saviani. Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (Cespe/Semec/Pedagogo/2009) Considerando a tendência pedagógica renovada não diretiva, assinale a opção correta quanto à relação professor- aluno. a) O professor, por meio do sistema instrucional, é o elo entre o conhecimento científico e o aluno. b) A educação deve ser centrada no aluno, e o professor deve ser um especialista em relações humanas. c) A atitude receptiva do aluno e a autoridade do professor são o centro do processo educativo. d) O diálogo e a relação horizontal são os pilares nas relações na sala de aula. 2. (Cespe/Semec/Pedagogo/2009) A tendência pedagógica cuja base do planejamento da ação didática seja a sequência: motivação do aluno, apresentação do conteúdo, associação de conhecimentos e generalização denomina-se a) liberal renovada progressivista. b) progressista libertária. c) progressista libertadora. d) liberal tradicional. 3. (Cespe/Semec/Pedagogo/2009) Acerca da concepção de educação segundo a tendência crítico-social dos conteúdos, assinale a opção correta. a) A educação é uma atividade mediadora entre uma experiência fragmentada do conhecimento e uma visão organizada e unificada. b) A preparação intelectual e moral dos alunos para assumirem determinadas posições na sociedade é a função primordial da educação. c) O foco da educação está na adequação das necessidades individuais ao meio social por meio da reprodução de situações da vida. d) O questionamento das relações do homem com a natureza, visando à transformação da realidade, é a base da educação. 4. (Cespe/Semec/Pedagogo/2009) A tendência pedagógica da escola que trabalha com temas extraídos da prática social e da realidade dos alunos para a construção do conhecimento é identificada como a) liberal renovada progressivista. b) progressista libertária. c) progressista libertadora. d) renovada não diretiva. 5. (Cespe/Semec/Pedagogo/2009) Assinale a opção correta em relação à pedagogia tradicional. a) A atividade de ensinar, na pedagogia tradicional, não está centrada no professor. b) Na pedagogia tradicional, a proposta pedagógica está voltada para o interesse da maioria da população. c) A pedagogia tradicional é uma educação não diretiva. d) Em geral, considera-se que, na pedagogia tradicional, o aluno é um recebedor da matéria, e sua tarefa é decorá-la. 6. (Cespe/Semec/Pedagogo/2009) Assinale a opção incorreta a respeito da pedagogia libertadora. a) A pedagogia libertadora prescinde de uma proposta explícita de didática. b) A atividade escolar, nessa pedagogia, é centrada na discussão de temas sociais. c) A pedagogia libertadora é muito utilizada na educação de jovens e adultos. d) Nessa abordagem pedagógica, não se utilizam temas geradores. 7. (Cespe/Semec/Pedagogo/2009) A pedagogia crítico-social dos conteúdos, a) os conhecimentos sistematizados devem ser confrontados com as experiências socioculturais. b) não é atribuída importância à didática escolar e à direção do processo de ensinar. c) busca-se a transmissão passiva dos conhecimentos escolares articulados com a sociedade. d) é dada preferência aos interesses minoritários da sociedade, privilegiando-se algumas classes. 8. (Cespe/Semec/Pedagogo/2009) A tendência liberal renovada não diretiva, orientada para os objetivos da autorrealização, tem como um de seus principais inspiradores. a) Jean Piaget. b) Ovídio Decroly. c) Carl Rogers. d) Paulo Freire. e) Demerval Saviani. (Cespe/SEDF/Professor de Atividades/2008) Julgue os itens de acordo com as concepções pedagógicas. 9. ( ) A escola que adota uma orientação humanística clássica e trata os conteúdos como verdades absolutas repassadas de uma geração a outra está assentada nos pressupostos da concepção liberal tradicional. 10. ( ) A concepção liberal renovada não diretiva tem em Maria Montessori uma de suas principais representantes e baseia-se no trabalho de estimulação da resolução de problemas. 11. ( ) A Lei nº 5.692/1971 teve como sustentação os princípios da concepção liberal renovada progressivista em sua vertente de formação profissionalizante. 12. ( ) Os processos autogestionários e a vivência grupal para a construção do conhecimento são traços marcantes da concepção progressista libertadora. 13. ( ) Freinet desenvolveu um trabalho significativo em relação à concretização da concepção progressista libertária. 14. ( ) O confronto entre a experiência do aluno e os saberes historicamente sistematizados caracteriza a concepção investigada especialmente por Demerval Saviani. (Cespe/SEDF/Professor de Atividades/2008) Julgue os itens de 15 a 19, considerando as tendências pedagógicas na dimensão da relação professor e aluno. 15. ( ) A tendência liberal tecnicista tem como objetivo assegurar a eficácia técnica de transmissão do conteúdo instrucional pelo professor e de fixação pelo aluno. 16. ( ) A centralidade na autoridade do professor e na atitude receptiva do aluno é característica da tendência liberal tradicional. 17. ( ) Na tendência progressista libertária, o diálogo é o método que sustenta a relação entre o professor e o aluno, e a total identificação com o povo é a garantia de um bom relacionamento. 18. ( ) Uma relação baseada na mediação exercida pelo professor e na não diretividade na orientação do trabalho pedagógico épressuposto da tendência progressista crítico-social dos conteúdos. 19. ( ) Na tendência liberal renovada progressivista, o professor deve ser um especialista em relações humanas para assegurar um clima de relacionamento autêntico. Gabarito 2.3 Pedagogia histórico-crítica Ao analisar os editais dos últimos concursos, percebemos que é comum cobrarem a teoria histórico-crítica descolada das tendências pedagógicas, por isso, vamos abrir uma sessão específica para esse conteúdo. Mas o que traz tal teoria? Como ela se apresenta no cotidiano das salas de aula? Vamos, agora, entender um pouco mais sobre essa perspectiva teórica (cuidado para não confundi-la com a tendência crítico-social dos conteúdos, pois elas têm muito em comum). A teoria histórico-crítica fundamenta-se no materialismo histórico dialético, que tem em Marx seu principal teórico. Nessa perspectiva, dito de forma bem simplista, a realidade é compreendida a partir dos contextos político, social, econômico e cultural. O trabalho, ou a produção, é central para a compreensão dos fenômenos sociais. O método dialético pode ser representado da seguinte forma: A teoria histórico-crítica vem sendo citada nos últimos 20 anos como a possibilidade de se resgatar a importância da escola. Saviani (2013) afirma que essa corrente firma-se a partir de 1979. Para Gasparin e Petenucci (S/D), ela é um marco no desenvolvimento do pensamento educacional brasileiro, pois traz a perspectiva de uma prática pedagógica comprometida com a aprendizagem, a promoção do desenvolvimento das capacidades psíquicas dos seres humanas e o rompimento com a alienação. Saviani (2013) evidenciou o porquê dessa nomenclatura: Histórico: porque nessa perspectiva a educação interfere na sociedade, podendo contribuir para a sua transformação. Crítica: pela clareza que se tem de que a sociedade interfere na educação. É importante destacar que essa pedagogia visa resgatar a importância da escola e o trabalho com o conhecimento sistematizado, próprio dessa instituição. A pedagogia histórico-crítica traz um formato de trabalho baseado no método dialético, cujo objetivo é o desenvolvimento do aluno: Vantagens do método de ensino: • Estimular a atividade e iniciativa do professor; • Favorecer o diálogo dos alunos; • Favorecer o diálogo com a cultura acumulada historicamente; • Levar em conta os interesses dos alunos, os ritmos de aprendizagem e o desenvolvimento psicológico; • Sistematização lógica dos conhecimentos. 2.3.1 Filosofia da teoria histórico-crítica Como dito anteriormente, o materialismo histórico dialético é a base da teoria histórico-crítica, é considerado a base filosófica dessa pedagogia. Para Gasparin (2005), seus principais fundamentos são: • a interpretação da realidade; • a visão de mundo; • a práxis (prática articulada com a realidade); • a materialidade (organização dos homens em sociedade para a produção da vida); • concreticidade (caráter histórico sobre a organização que os homens constroem através de sua história); • o princípio básico da dialética é a contradição: tese, antítese, síntese; • a atuação do professor deve ir no sentido da prática-teoria-prática. Parte do pressuposto de que a existência social dos homens é que gera o conhecimento. Para Gasparin (2005), o conhecimento é um fato histórico e social e ele está sujeito a continuidades, rupturas, reelaborações, reincorporações, permanências e avanços. Gasparin (2005) apresenta cinco passos que formam a didática na Teoria Histórico-Crítica: 1. Prática social inicial: nível de desenvolvimento atual do educando. Prática social inicial dos conteúdos que parte dos conhecimentos prévios dos alunos e do professor. Desenvolve-se em dois momentos: anúncio dos conteúdos e dos objetivos e investigação sobre o que os alunos sabem sobre o conteúdo, por meio de diálogos, desafiando-os para o que irão aprender. 2. Problematização: explicação dos principais problemas postos pela prática social relacionados ao conteúdo. Desenvolve-se em dois passos: • breve discussão sobre os problemas e sua relação com o conteúdo científico; • transformação do conhecimento em questões problematizadoras, levando em conta as dimensões científica, conceitual, cultural, histórica, social, política, ética, econômica, religiosa etc., conforme os aspectos sobre os quais se deseja abordar o tema, considerando-o sob múltiplos olhares. 3. Instrumentalização: expressa-se no trabalho do professor e dos alunos.Apresentação do conhecimento científico formal, abstrato, pelo professor aos alunos. Momento em que os educandos realizam comparação mental com a vivência cotidiana que possuem sobre o assunto a fim de se apropriarem do novo conhecimento. Utilização de recursos para mediação pedagógica. 4. Catarse: é a compreensão do que foi estudado elaborando uma nova forma de compreender a realidade. Conforme Gasparin (2005), ela se realiza: • por meio da nova síntese mental a que o educando chegou; • esta síntese se expressa por meio de uma avaliação oral ou escrita, formal ou informal, na qual o educando traduz tudo o que aprendeu até aquele momento. 5. Prática social final: novo nível de desenvolvimento atual do educando. Consiste em assumir uma nova proposta de ação a partir do que foi aprendido. Conforme Gasparin (2005), este passo se manifesta: • pela nova postura prática, pelas novas atitudes, novas disposições que se expressam nas intenções de como o aluno levará à prática, fora da sala de aula, os novos conhecimentos científicos; • pelo compromisso e pelas ações que o educando se dispõe a executar em seu cotidiano, pondo em efetivo exercício social o novo conteúdo científico adquirido. Nessa didática, o professor parte da prática, ascende à teoria e volta à prática novamente, mas não como a prática inicial e, sim, como práxis. A avaliação tem como foco mostrar o crescimento do aluno, tendo como critério a aquisição do conhecimento científico com vistas à transformação social. É importante saber que o ponto inicial para essa avaliação é o conhecimento que o aluno traz sobre o assunto, comparado ao conhecimento científico que ele adquiriu. Preencha o quadro-resumo do capítulo. Conceitos consolidados Conceitos em processo de consolidação (devo me apropriar melhor) Termos importantes Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (Consuplan/Prefeitura de Ipueiras/2013) A perspectiva histórico-cultural da aprendizagem considera a avaliação como fonte de informação para novos procedimentos a serem tomados a cada instante no processo educacional. Isso significa que: a) a avaliação deve ocorrer para decidir quanto a aprovação ou reprovação do aluno, no final do período letivo. b) a ação de avaliar deve ser sempre classificatória. c) a ação de avaliar deve ser sempre diagnóstica e processual. d) a avaliação deve ser somente quantitativa. 2. (Funiversa/Sesi-DF/Professor de 1º ao 5º ano/2010) Os teóricos da pedagogia histórico-crítica afirmam que a dialética é a essência dessa proposta didática. Acerca desse tema, assinale a alternativa correta. a) Nessa concepção didática, há um entendimento idealista da dialética, que se resume no ato de transformar as questões sociais em diálogo, no qual todos têm espaço para expor suas ideias, sem haver uma reordenação teórica destas. b) Não é possível a emancipação do sujeito sem que ele se aproprie de conhecimentos historicamente construídos e sistematizados socialmente, tendo como ponto de partida e de chegada a prática social vivida pelo educando, respeitando as três fases do método dialético – prática, teoria, prática. c) A ideia de práxis, defendida pelos marxistas, não se aplica aqui pelo fato de transformar a educação em um ato político. Essa concepção está mais preocupada com as questões histórico-críticas que com as políticas. d) Essa concepção defende a emancipação do educando por meio da retrospectivahistórico-crítica. Por isso, tem como fundamento psicológico as teorias da aprendizagem focadas no estímulo e na resposta. e) A emancipação do sujeito ocorre de diferentes formas: a educação é um importante instrumento; mas, sem ela, é possível se apropriar dos conhecimentos historicamente construídos e socialmente sistematizados. 3. (Funiversa/Sesi-DF/Professor de 1º ao 5º ano/2010) De acordo com os teóricos da pedagogia histórico-crítica, é possível realizar um trabalho pedagógico significativo para o aluno, por meio de uma metodologia de trabalho que venha ao encontro de seus interesses, confrontando-os com a realidade em que vivem. A respeito desse assunto, assinale a alternativa incorreta. a) Uma proposta de trabalho crítico e transformador da realidade vivida pelo aluno, que aponte caminhos e ações didático-pedagógicas de mediação entre aluno e objeto de conhecimento, pode tornar as aulas mais interessantes e significativas para os alunos. b) É necessário que cada educador realize uma avaliação de sua prática docente, visando atender às necessidades de transformação social por meio de uma prática educativa significativa. c) Além das ferramentas convencionais de mediação utilizadas em sala de aula, os educadores precisam lançar mão das novas tecnologias, que os auxiliam no processo de ensino e de mediação da aprendizagem dos conteúdos escolares. d) O confronto com a realidade dá-se por meio da tomada de consciência de suas limitações. O melhor instrumento do professor para tornar isso significativo para o aluno é a avaliação somativa. e) O compromisso da escola e dos educadores, nesse momento, é ensinar de forma significativa, lançando mão de metodologias que instiguem o aluno para a aprendizagem, tendo a certeza de que estes farão um novo uso social dos conteúdos científicos aprendidos na escola para a transformação da sociedade. 4. (Funiversa/Sesi-DF/Professor de 1º ao 5º ano/2010) A didática, na perspectiva sociohistórica, tem a prática social como ponto de partida de todo o processo pedagógico. A esse respeito, assinale a alternativa correta. a) A prática social imediata do aluno não é tema relevante para o professor. b) A relação do conteúdo com a vivência dos alunos está ausente no cotidiano dessa prática pedagógica. c) A preparação do aluno ocorre por meio de uma mobilização para a construção do conhecimento escolar, partindo-se do princípio de que ele nada conhece. d) O conteúdo a ser desenvolvido deve estar vinculado à realidade, uma vez que é socialmente necessário. e) Devem ser trazidos para a sala de aula apenas as vivências e as experiências que o educador tem sobre o conteúdo a ser trabalhado. 5. (Funiversa/Sesi-DF/Professor de 1º ao 5º ano/2010) A problematização é um dos elementos essenciais da didática na perspectiva sociohistórica. É o momento no qual ocorre a discussão de questões inerentes ao conteúdo proposto. A respeito da problematização, assinale a alternativa correta. a) É o momento de superação da teoria sobre a prática social dos indivíduos. b) Um conteúdo problematizado deverá mostrar-se exclusivamente nas dimensões histórica, social e política. c) É o espaço para desligar a vivência do conteúdo, percebida no momento da prática social do conteúdo em sua teoria. d) O processo de investigação para solucionar as questões em estudo nega a aprendizagem significativa. e) É momento no qual se aproximam conhecimentos espontâneos dos conhecimentos científicos. 6. (Funiversa/Sesi-DF/Professor de 1º ao 5º ano/2010) De acordo com a didática de ensino, na perspectiva sociohistórica, entende-se por instrumentalização o(a): a) momento em que a criança é capaz de realizar sozinha o processo de aprendizagem. Dessa maneira, o nível de desenvolvimento de uma criança resulta daquilo que ela consegue realizar sem a ajuda dos outros. b) etapa na qual o professor deve desenvolver o conteúdo, de modo sistematizado, buscando equacionar, conceitualmente, os problemas levantados na etapa anterior. c) processo no qual se parte do conhecimento complexo e abrangente a que se tem chegado para um conhecimento mais ampliado (sincrético). d) momento em que o educando vai se apropriar de instrumentos culturais e científicos necessários para transformar sua vida, pois ela não traz nenhum conhecimento aproveitável. e) etapa final na qual o docente modifica o discente, por meio da transferência dos conhecimentos científicos. 7. (Fafipa/Professor/2014) Conforme Gasparin, o planejamento é sempre um projeto, isto é, lança-se para frente e constitui-se na previsão de todo o processo didático-pedagógico que será desenvolvido pelo docente e pelos discentes. São itens do plano de aula na perspectiva da Pedagogia Histórico-Crítica, exceto: a) instrumentalização. b) catarse. c) problematização. d) assimilação. 8. (Fafipa/Pref. Jardim Alegre-PR/Professor/2012) Gasparin apresenta, no seu livro Uma didática para a pedagogia histórico-crítica, cinco passos para efetivar uma prática docente na perspectiva histórico-crítica. Assinale a ordem correta dos cinco passos: a) Prática Social Inicial – Problematização – Instrumentalização – Catarse – Prática Social Final. b) Prática Social Inicial – Instrumentalização – Catarse – Problematização - Prática Social Final. c) Prática Social Inicial – Problematização – Catarse – Instrumentalização – Prática Social Final. d) Prática Social Inicial – Instrumentalização – Problematização – Catarse – Prática Social Final. e) Prática Social Inicial – Catarse – Problematização – Instrumentalização – Prática Social Final. Gabarito ESPAÇO DO ALUNO Capítulo 3 DIDÁTICA E PRÁTICA HISTÓRICO- SOCIAL E FORMAÇÃO DE PROFESSORES Vamos começar verificando o que você sabe sobre o tema deste capítulo. O que é didática? Qual a importância da didática na formação dos professores? Quais as principais visões sobre didática? 3.1 A didática e a prática histórico-social A didática, como todos os elementos ligados à educação está diretamente relacionada ao momento histórico. Em cada período, as questões sociais, o entendimento de homem e de educação interferem diretamente em como pensamos a didática. Para Libâneo (2002), a didática estuda o processo de ensino em seu conjunto, relacionando as relações entre objetivos, conteúdos, métodos e formas organizativas da aula com vistas à criação de condições para aprendizagem dos alunos. É a disciplina que auxilia o professor na direção e orientação das tarefas do ensino e aprendizagem, não perdendo de vista o para quê educar, uma vez que vivemos numa sociedade formada por diferentes grupos com visões e objetivos distintos. Assim, a Didática trata dos objetivos, condições e meios de realização do processo de ensino, ligando meios pedagógico-didáticos a objetivos sociopolíticos. Não há técnica pedagógica sem uma concepção de homem e de sociedade, como não há concepção de homem e sociedade sem uma competência técnica para realizá-la educacionalmente. (LIBÂNEO, 2002) Nessa perspectiva, o planejamento do ensino deve começar com propósitos claros sobre as finalidades do ensino na preparação dos alunos para a vida social: que objetivos mais amplos queremos atingir com o nosso trabalho, qual o significado social das matéria que ensinamos, o que pretendemos fazer para que nossos alunos reais e concretos possam tirar proveito da escola etc. As finalidades ou objetivos gerais que o professor deseja atingir vão orientar a seleção e a organização de conteúdos e métodos e das atividades propostas aos alunos. Pontos importantes para conceituar didática, conforme Libâneo (2002) 1. A didática é um ramo da ciência pedagógica. Por essa razão, a didática está voltada, intencionalmente para a formação do aluno em função de finalidades educativas. 2. A didática tem como objeto de estudo o processo de ensino e aprendizagem, especificamente os nexos relações entre o ato de ensinar e o ato de aprender. 3. A didática aborda o ensino como atividade demediação para promover o encontro formativo, educativo entre o aluno e a matéria de ensino, explicitando o vínculo entre teoria do ensino e teoria d conhecimento. Em resumo, o campo da didática é o ensino, isto é, investigar os nexos entre ensino e aprendizagem para propor princípios, formas, diretrizes que são comuns e fundamentais ao ensino de todas as matérias. 3.1.1 Dimensões do processo didático na educação básica: ensinar, aprender e avaliar De acordo com Pimenta (2001), a Didática tem caráter prático e seu objeto de estudo específico é a problemática do ensino, como prática de educação, bem como o estudo do ensino em situação, ou seja, o ensino e sua intencionalidade. A Didática deve estudar a aula como um microcosmo social em que estão presentes as contradições sociais. Assim, seu objeto de estudo vai além de conhecer a estrutura e o funcionamento dos processos que já existem; deve estudar as possibilidades. Libâneo (2002) traz as seguintes questões que se constituem o núcleo forte da didática: • para quê ensinar? • o quê ensinar? • quem ensina? • quem aprende? • como se ensina? • em que condições se ensina? A relação e a articulação entre essas questões modificam-se de acordo com as concepções conhecidas. Ora a dimensão normativa converte-se em prescrições apriorísticas para a prática, ora privilegia-se a prática. Ora a referência predominante é o ensino ora a aprendizagem. Tais questionamentos também definem os elementos constitutivos ou as categorias da Didática: • “Instrução diz respeito à formação intelectual, formação e desenvolvimento das capacidade cognoscitivas mediante o domínio de certo nível de conhecimentos sistematizados”. • Ensino “ações, meios e condições para que a instrução ocorra”. • Os objetivos, “antecipam resultados e processos esperados do trabalho conjunto do professor e dos alunos expressando conhecimentos, habilidades e hábitos (conteúdos) a serem assimilados (...)”. • Conteúdos “retratam a experiência social da humanidade no que se refere a conhecimentos e modos d ação, transformando-se em instrumentos pelos quais os alunos assimilam, compreendem e enfrentam a exigências teóricas e práticas da vida social”. • Intencionalidade da ação docente, que envolve também os alunos. Essas dimensões entram em área como: Filosofia, Psicologia, Sociologia, Linguística, Teoria da Comunicação e as áreas compostas como Psicopedagogia, a Sociolinguística etc. • Os métodos mantêm estreita relação com objetivos e conteúdos, são meios para alcança los e também relacionam-se com o sujeito que aprende. (LIBÂNEO, 2002 Segundo Veiga (apud TARDIFF e LESARD, 2006), o ensino responde a três desafios: 1. Tratar-se de uma tarefa humana, por trabalhar com seres humanos, a respeito de seres humanos e para o seres humanos; 2. Tarefa de considerar a dimensão afetiva, do compartilhamento e da interação; 3. Deve cumprir o papel cognitivo no momento em que permite a cada aluno construa seu conhecimento. Por fim, a autora afirma que o ensino é “carregado de razão e emoção; é o espaço para a vida, para vivência das relações entre professores e alunos, para a ampliação da convivência socioafetiva e cultural do alunos”. A Didática já foi entendida como a arte de ensinar tudo a todos; disciplina que fornece receitas sobre como ensinar e agir na sala de aula; área da Pedagogia que ensina as técnicas para dinamizar o ensino, resolver problemas de disciplina e desinteresse dos alunos, ou com apenas a função de ensinar a fazer planos de aula. Passemos a um breve histórico dessa área do conhecimento em nosso país. Preencha o quadro com a palavras-chave. Data Contexto Enfoque do papelda Didática Palavra -chave 1549 Chegada dos Jesuítas ao Brasil. Modelo econômico: agrário-exportador- dependente. Educação não era um valor social importante. Ensino baseado no Ratio Studiorium. Homem universal, humanista e cristão. A educação preocupava-se com o ensino humanista de cultura geral enciclopédico e alheio à realidade da colônia. Exercício da memória e o desenvolvimento do raciocínio. Modelo de educação tradicional confessional. • Pressupostos didáticos enfocavam instrumentos e regras metodológicas. • Estudo privado. • Repetição. • Desafio. • Disputa. • Exames orais e escritos. • Visão essencialista do homem. 1870 Expansão cafeeira. Passagem do modelo agrário exportador para o urbano comercial. Iluminismo. Suprime-se o ensino religioso. Influência positivista. Ênfase no ensino humanístico, de cultura geral centrado no professor. Didática vista como um conjunto de regras, visando assegurar aos futuros professores as orientações necessárias ao trabalho docente. A atividade docente vista como autônoma face à política. Separação entre teoria e prática. Década de 1930 Modificação do modelo socioeconômico. Crise cafeeira. Revolução de 1930. Manifesto dos Pioneiros. Reforma Francisco Campos. Concepção humanista clássica e humanista moderna. Predomínio do aspecto psicológico sobre o lógico. Valorização da criança. Acentua-se o caráter prático-técnico do processo ensino-aprendizagem, em que teoria e prática são justapostas. Centros de interesse, estudo dirigido, unidades didáticas, métodos dos projetos, fichas didáticas, contrato de ensino. Privilégio da dimensão técnica. Ignora-se o contexto sociopolítico-econômico. 1945- 1960 Democracia liberal com crescimento e participação das massas. Estado populista desenvolvimentista. Didática inspirada no liberalismo e no pragmatismo, acentuando a predominância da própria aquisição do conhecimento. Voltava-se para as variáveis do processo de ensino sem considerar o contexto político. Pós 1964 Ditadura militar. Modelo desenvolvimentista. À educação cabia preparar a mão de obra. Neutralidade científica, inspirada nos princípios de racionalidade, eficiência e produtividade. Divisão do trabalho dentro da escola. Alternativa não psicológica. Tecnologia educacional, tendo como preocupação básica a eficácia e a eficiência do processo de ensino. Neutralidade científica. Organização racional do processo de ensino. Didática como estratégia para o alcance dos produtos previstos para o processo ensino-aprendizagem. O processo é que define o que os professores e alunos devem fazer, quando e como farão. 1974 Abertura gradual do País. Discursos sociológico, filosófico e histórico secundarizando sua dimensão técnica. A partir da década de 1980 Elevação da inflação e do desemprego. Educação voltada para o homem e sua realização em sociedade. Escola como espaço de negação de dominação e não mero instrumento para reproduzir a estrutura social vigente. Trabalhar no sentido de ir além dos métodos e técnicas, procurando associar escola-sociedade, teoria-prática, conteúdo--forma, técnico-político, ensino-- pesquisa, professor-aluno. Ampliar a visão do professor quanto às perspectivas didático-pedagógicas mais coerentes. Auxilia no processo de politização do futuro professor. Compreender a realidade em que a escola está inserida. Observações! Para Veiga (1991): 1. Na Pedagogia Tradicional Leiga é necessário destacar dois teóricos: • Comênio, que escreveu o livro Didática Magna, em 1657, no qual prioriza a arte de ensinar e propõe um método para ensinar tudo a todos. • Herbart, que inspirou a pedagogia conservadora. Ele colocava o professor como arquiteto da mente. Formulou um método de ensino qu consiste em quatro passos: preparação e apresentação da matéria; associação; sistematização dos conhecimentos e aplicação. 2. Hoje trabalhamos na perspectiva da Didática crítica que ultrapassa os aspectos técnicos do ensino e tem como principais objetivos: a) refletir sobre o papel sociopolítico da educação, da escola e do ensino; b) compreender o processo de ensino em suas múltiplas determinações; c) instrumentalizar, teórica e praticamente, o futuro professor para captar e resolver os problemas postos pela prática pedagógica; d) redimensionar a prática pedagógica, por meio da elaboração das propostas de ensino numa perspectiva crítica daeducação. Estimular a análise e a reflexão do trabalho docente, a relação entre o saber científico e o saber escolar, e assumir uma postura de transformaçã social. Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. “A principal fragilidade ocorrida no processo didático foi tornar independentes as dimensões ensinar e aprender. Disso resultará a divisão de funções: ao professor cabe o ensino; ao aluno a aprendizagem. Dentro dessa ótica dicotômica, não é possível que o processo ocorra de forma racional. Enfatizar o processo didático sob a perspectiva relacional significa analisar suas características a partir de quatro dimensões: ensinar, aprender, pesquisar e avaliar”. (Texto prof. Ilma Passos Alencastro Veiga – com adaptações). Com referência ao texto acima e aos aspectos diversos relacionados ao processo didático, é possível afirmar que (assinale apenas uma opção): a) Hoje, o processo didático requer uma relação pedagógica desarticulada pela ação professor/aluno/conhecimento. b) No processo didático que envolve as conexões aluno/professor/conhecimento não se exige alto grau de coerência, permitindo a fragmentação dessa conexão. c) O processo didático, em que se dão as relações diretas, imediatas do ensinar, aprender, pesquisar e avaliar, existe independente da dinâmica interna da sala de aula, bem como do lugar social. d) O processo didático não implica vincular as relações professor e aluno. e) A partir da leitura do texto, entende-se que o processo didático se desenvolve mediante a ação recíproca e interdependente das dimensões fundamentais, integram-se e são complementares. 2. “Na sociedade pós-moderna, as transformações estão acontecendo de forma ultrarrápida em todos os setores sociais. A presença das redes eletrônicas no processo facilitará a democratização do ensino e da aprendizagem. Este novo ambiente nos faz pensar que a escola, forçosamente, está exigindo novos profissionais para a educação. O perfil vem se alterando porque a visão de mundo está mudando, ou seja, a sociedade mudou e a escola precisa mudar e os professores precisam saber que ser professor, hoje em dia, exige qualidades diferentes daquelas de vinte ou trinta anos atrás”. (Abreu, Maria C. & MASETTO, M. T., O professor universitário em aula. SP:MG Editores Associados, 1990). A partir da leitura do texto, assinale a afirmativa incorreta. a) Somente aqueles professores que alcançarem um alto grau de conhecimento sobre seus conteúdos é que serão capazes de se libertarem dos mesmos, para efetivamente, dar atenção devida para as reais necessidade de seus alunos. b) O professor deverá permitir que seu aluno construa e reconstrua, elabore e reelabore seu conhecimento e, neste contexto, o uso das redes dificultará o processo de ensino e aprendizagem. c) O professor, usando as redes, poderá gerar e gerenciar uma grande quantidade de informação e conhecimento, podendo trabalhar na pesquisa e na produção de novos conhecimentos. d) Não será o discurso do professor que garantirá autenticidade ao conhecimento, pois o professor privilegiará as atividades de interação em laboratórios, visitas a museus, trabalho em grupo, projetos educativos, teatros, vídeos e redes eletrônicas. e) É através da prática colaborativo-interativa que o professor poderá tomar gosto pelo pesquisar e estudar, portanto, as redes eletrônicas proporcionam essas atividades colaborativas com pares distantes em culturas diferentes e com diferenças étnicas. 3. A didática, na perspectiva sociohistórica, tem a prática social como ponto de partida de todo o processo pedagógico. A esse respeito, assinale a alternativa correta. a) A prática social imediata do aluno não é tema relevante para o professor. b) A relação do conteúdo com a vivência dos alunos está ausente no cotidiano dessa prática pedagógica. c) A preparação do aluno ocorre por meio de uma mobilização para a construção do conhecimento escolar, partindo-se do princípio de que ele nada conhece. d) O conteúdo a ser desenvolvido deve estar vinculado à realidade, uma vez que é socialmente necessário. e) Devem ser trazidos para a sala de aula apenas as vivências e as experiências que o educador tem sobre o conteúdo a ser trabalhado. 4. Melo e Urbanetz (2008) enfatizam os elementos mais importantes da didática: o ensino e a aprendizagem, elementos, que possuem diversas concepções didático-pedagógicas. Sobre essa temática, julgue as opções que seguem: I – O ato educativo tem como característica a intencionalidade, ou seja, é uma ação proposital que visa a um fim que depende das concepções dos atores envolvidos. II – O fato de se ter a intenção de ensinar, ou seja, de proporcionar, pela educação, a formação da humanidade aos homens, distingue, em primeiro lugar, a educação escolar de outras formas de educação espontânea, não sistematizadas, preponderantes na maior parte da história. III – Os elementos culturais para a humanização, a concepção de educação visa à socialização daqueles conhecimentos mais avançados, que significam conquistas do gênero abstrato, o que significa redemocratizar o que há de mais avançado na cultura humana através da história. IV – A didática trata da complexidade presente no processo de ensino, que envolve o conhecimento desde a psicanálise do desenvolvimento da criança, passando pelas determinações sociais (conhecimento a serviço de um objeto) e especificamente didáticas, como sequência dos conteúdos. A quantidade de opções incorretas é: a) 0. b) 1. c) 2. d) 3. e) 4. 5. É pressuposto da aprendizagem da Didática na Tendência Pedagógica Tecnicista a ideia de que aprender é a) modificar o desempenho comportamental, sendo o aprendizado baseado em estímulos e respostas. b) colocar o aluno numa situação que valorize a autoeducação, priorizando as técnicas do estudo do meio natural e social e o método de solução de problemas. c) garantir ao aluno a aprendizagem receptiva do conteúdo, considerando ainda como centro do processo a autoridade e domínio do conteúdo pelo professor, que deve exigir participação ativa e disciplina na sala de aula. d) um processo de construção coletiva, em que predominam a dinâmica, o contínuo e a reconstrução das experiências docentes e discentes. 6. Na própria natureza humana, o homem traz consigo um sentimento de inter-relação, de interação com o outro. No contexto da sala de aula, a interação entre professores e alunos precisa provocar reciprocidades no ensinar e aprender e, nesse sentido, podemos considerar que a) os alunos não aprendem apenas com o professor, mas também por meio da troca de conhecimento, sentimentos e emoções com os demais colegas. b) a noção de grupo não está vinculada à de interação, mas somente ao campo afetivo. c) a noção de grupo não está vinculada somente à interação, mas prioritariamente ao campo cognitivo. d) tanto os professores quanto os alunos devem ser pensados independentemente, desvinculados de sua história de vida para garantir uma objetividade no processo de ensino e aprendizagem. 7. Na execução do trabalho didático, o docente define ações, reformula outras em função dos objetivos propostos no planejamento e da realidade vivida. Nas escolas, a aula expositiva tem sido identificada, segundo a literatura da educação, como uma das formas mais usada na transmissão dos conhecimentos. A literatura evidencia que, na educação brasileira, a sua utilização em sala de aula aparece desde o plano pedagógico dos jesuítas, marco inicial do ideário pedagógico nacional, até nos mais recentes livros de Didática. A aula expositiva, sendo bem utilizada numa perspectiva crítica da Didática, deve a) motivar apenas a conversação entre alunos e professores, sem haver necessidade de relacionar as experiências discentes com o assunto a ser estudado. b) ter, como propósito central, a economia de tempo quando há urgência em se apresentar um assunto, bem como ressaltar o autoritarismo e disciplina pelo professor.c) estimular o pensamento do aluno, desde que assuma uma dimensão dialógica no processo de ensino e aprendizagem, para estabelecer uma relação de intercâmbio de conhecimento e experiência entre docente e discente. d) primar pela objetividade do processo de ensino e aprendizagem, pois, dependendo da estruturação lógica do conteúdo pelo professor, os questionamentos não devem ser permitidos, já que interferem na ordenação lógica das ideias apresentadas em sala de aula. 8. A prática educativa, quando se apresenta com um caráter fragmentado, expressa, na escola, sob várias formas: ações isoladas, um projeto pedagógico desarticulado, dentre outras práticas. É possível ainda identificar esse caráter fragmentário nas a) ações compartilhadas na escola, bem como quando existe um projeto pessoal relacionado a um projeto coletivo das ações educativas. b) diversas atividades e contribuições das disciplinas e do trabalho docente quando acontecem por justaposição, sem conseguir convergir e se articular em razão da unicidade do fim. c) ações intencionais identificadas com os interesses de todos os que fazem a escola e onde há possibilidade do rompimento da fragmentação da ação educativa. d) diversas contribuições entre as disciplinas para facilitar o diálogo sobre o conhecimento, superando a fragmentação de práticas isoladas. 9. A Didática, numa concepção tradicional de ensino, delega ao ato de ensinar do professor a mera transmissão de conhecimentos e a realização de exercícios repetitivos sob uma lógica formal e objetiva. Nesse sentido, alunos e professores assumem posições variadas em que a) professores e alunos são sujeitos passivos no processo de ensino e aprendizagem, pois, mesmo quando ambos assumem uma atividade, esta é muito limitada na sistematização dos conhecimentos e as técnicas de ensino passam então a ser o centro do processo de aprendizagem. b) o aluno é sujeito central do processo de ensino e aprendizagem, embora seja o professor a autoridade do saber em sala de aula. c) o sujeito do processo é o professor e o aluno assume a postura de passividade diante do processo de ensino e aprendizagem. d) professores e alunos assumem posições e obrigações conjuntas na condução do processo de ensino e aprendizagem. 10. A condução do processo de ensino e aprendizagem requer do professor o domínio do conteúdo, bem como o conhecimento de princípios, diretrizes e procedimentos de ensino. Por isso, é fundamental que o professor conheça as finalidades dos métodos de ensino empregados no contexto escolar e saiba relacionar as suas opções a uma situação concreta. Torna-se relevante que o docente, ao utilizar determinados métodos de ensino, entenda que a) eles limitam-se aos procedimentos de ensino. b) eles estão vinculados aos objetivos gerais e específicos da escola e que dependem de uma concepção metodológica mais ampla do processo educativo. c) eles não dependem de uma concepção metodológica mais ampla do processo educativo, e sim da visão de mundo do professor. d) somente os interesses e necessidades do aluno devem determinar o tipo de método de ensino a ser empregado pelo professor em sala de aula, pois isso é garantia de sucesso do processo de ensino e aprendizagem. 11. A Didática possui várias dimensões que exige tratamento de reciprocidades. Dentre elas, destacam-se as dimensões a) técnica, pedagógica, política e humana. b) microestrutural e política. c) instrumentalista, pedagógica e crítica. d) técnica, pedagógica, libertadora e humana. 12. Segundo os estudos atuais em educação, a pesquisa tem o seu fundamento indispensável na formação docente, pois é necessário formar professores- pesquisadores que aprendam a buscar conhecimentos, reflitam sobre a sua práxis pedagógica num movimento dialético e construam sua própria visão de mundo como sujeitos históricos. Nesse sentido, a pesquisa no ensino deve a) priorizar o estereótipo do cientista isolado e solitário em sua mesa ou laboratório, mesmo que seja para estimular a atualização do conhecimento pelo professor. b) possibilitar ao professor estar sempre aberto ao novo, buscar conhecimento, mesmo sabendo que o saber é algo que já foi construído e está pronto e acabado. c) estimular a atualização e aperfeiçoamentos permanentes do professor, contribuindo para a assunção das identidades, a socialização de descobertas e do espírito criativo. d) consumar-se como uma prática cotidiana do professor para melhorar a sua competência profissional e aprender a buscar o conhecimento com vistas à objetividade e a fragmentação do trabalho pedagógico. 13. A pesquisa, na formação docente, contribui significativamente para a compreensão de que a) o profissional da educação deve buscar a pesquisa porque ela contribui para o questionamento reconstrutivo da realidade, evidenciando, nesse processo, que o aluno é objeto de ensino e somente o professor é sujeito do processo. b) o profissional da educação seja pesquisador e perceba a pesquisa como um princípio científico e educativo. Ela deve ser considerada como atitude cotidiana por docentes e discente relacionada à realidade concreta. c) educação e pesquisa primam pela dicotomia entre teoria e prática por uma questão de manter a especificidade de cada uma na formação docente. d) educação e pesquisa caminham juntas, embora a pesquisa exclua sempre a percepção emancipatória do sujeito. 14. A concepção tecnológica da Didática como ciência aplicada ao ensino de forma eficiente para resolver os problemas da prática educativa tem sido colocada em discussão nos últimos anos no sentido de negar que a Didática deva limitar-se a uma concepção positivista e meramente instrumental. Vários enfoques teóricos têm enriquecido a investigação didática nas últimas décadas, dentre os quais, a) o aparecimento de novos enfoques epistemológicos e a aceitação do paradigma positivista como o único a dar conta do conhecimento da realidade. b) a ruptura epistemológica e o aparecimento de novos paradigmas, bem como a contribuição da sociologia, da antropologia e a ênfase das ciências humanas sobre o educativo e o didático. c) a ideia de caracterizar a Didática como teoria que trata os problemas educacionais como meramente formais ou metodológicos. d) algumas rupturas epistemológicas, mas o enfoque que deve predominar é o que caracteriza a explicação científica da natureza causal e consiste em subordinar casos particulares a leis gerais. 15. Estudos na área da didática enfocam a importância dos professores refletirem sobre a sua própria prática. Denominada de professor reflexivo, essa abordagem defende a ideia de que as transformações das práticas docentes são efetivadas na medida em que o professor amplia a) a sua consciência por meio da reflexão crítica. b) o planejamento das suas atividades para uma ação reflexiva. c) a sua consciência por meio da reflexão realizada na ação. d) a sua capacidade de reflexão coletiva. 16. João Amós Comênio, autor da Didática Magna (1657), é considerado um grande educador do pensamento pedagógico moderno. No que concerne às suas concepções, é correto afirmar que ele defendeu a) uma educação permanente, perpetuada durante toda a vida humana, em que o ensino deveria ser unificado com a criação de um sistema educacional articulado. b) concepções baseadas na teoria da bondade natural do homem, em que a educação não deveria apenas instruir e sim permitir o desenvolvimento dos instintos e interesses naturais. c) uma educação articulada em três momentos: infância, adolescência e maturidade. A primeira entendida como idade da natureza, a segunda como idade da força, da razão e dos impulsos, e à terceira denominada idade da sabedoria e do casamento. d) uma educação baseada no racionalismo tendo como fonte de formação o discurso do método. 17. A evolução histórica da didática evidencia concepções que embasam o ensinar e o aprender, como abordagem tradicional, a) comportamentalista, humanista, cognitivista e sociocultural. c) interacionista, modeladora, cognitivistae sociocultural. b) integradora, humanista, cognitivista e sociocultural. d) comportamentalista, modeladora, cognitivista e sociocultural. 18. Veiga (2006) revela, em seus estudos, que uma escola comprometida com o atendimento das necessidades da sociedade atual requer professores solidamente formados. Dentre as disciplinas que contribuem para essa formação, destaca-se a Didática como teoria cujos objetos são os fundamentos e os modos de realização do processo de ensinar. Pode-se afirmar, então, que a Didática contribui para a formação do professor, porque faz a mediação entre a) as bases teórico-filosóficas e o planejamento. b) ação avaliativa e os fins políticos da educação. c) as bases teóricos-científicas da educação escolar e a prática docente. d) os instrumentos avaliativos e o planejamento. e) a prática docente e os procedimentos administrativos escolares. Gabarito 3.2 Educação continuada dos profissionais da escola A sociedade atual é marcada pelo avanço tecnológico e pela quantidade e variedade de informações, o que demanda a busca constante de formação. O professor, ao assumir o papel de mediador para as aprendizagens significativas, deverá ter em vista a busca constante de conhecimento. A meta principal dos educadores é satisfazer as necessidades específicas de aprendizagem de cada educando, a partir de sua realidade particular, respeitando a diversidade encontrada em sala de aula. A docência é compreendida por Tardiff e Lessard (2005) como uma forma particular de trabalho em que o trabalhador se dedica ao seu “objeto”, que é justamente outro ser humano. Para esses autores: (...) o trabalho docente não acontece senão através dos quadros organizacionais e dos processos temporais dos quais não é mais que o produto ou resultado objetivo; ele possui também sua própria dinâmica interna, que provém principalmente do fato de ser uma atividade com finalidades e orientadas por objetivos. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial e Continuada dos Professores foram aprovadas em 2015 (Resolução nº 2, de 1º de julho de 2015); nelas, a docência é entendida como (...) ação educativa e como processo pedagógico intencional e metódico, envolvendo conhecimentos específicos, interdisciplinares e pedagógicos, conceitos, princípios e objetivos da formação que se desenvolvem na construção e apropriação dos valores éticos, linguísticos, estéticos e políticos do conhecimento inerentes à sólida formação científica e cultural do ensinar/aprender, à socialização e construção de conhecimentos e sua inovação, em diálogo constante entre diferentes visões de mundo. A formação deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva que possibilite o pensamento autônomo e que o professor se desenvolva nos níveis: • pessoal; • profissional; • organizacional. Importante distinguir: Profissionalização: refere-se às condições ideais que garantam o exercício profissional de qualidade. Profissionalismo: refere-se ao desempenho competente e comprometido dos deveres e da responsabilidades, que constituem a especificidade de ser professor e refere-se, ainda, ao comportament ético e político expresso nas atitudes relacionadas à prática profissional. Profissionalidade: está ligada à profissionalização e ao profissionalismo. Segundo Terezinha Rios (2001), o professor deve desenvolver a sua competência em quatro dimensões: Dimensão Técnica: referente à ação profissional propriamente dita. A práxis associada à autonomia consciente dos objetivos sociais da educação. Dimensão Estética: percepção sensível da realidade. Apreensão consciente da realidade. Dimensão Política: diz respeito à participação na construção coletiva de uma sociedade mais justa e que respeite os direitos à cidadania. Dimensão Ética: orientação da ação fundamentada no respeito e na solidariedade voltada ao bem comum. Nas Diretrizes Curriculares para a Formação Continuada de Professores (2015) acrescentam-se as dimensões coletivas, organizacionais e profissionais. Importante considerar o que está escrito nas Diretrizes Curriculares para a Formação Continuada d Professores (2015): • Necessidade de acompanhar as inovações e o desenvolvimento tecnológico. • Respeitar o protagonismo do professor e seu espaço de reflexão. • Fomentar o diálogo e a parceria com atores e instituições capazes de contribuir para a formação. • A formação continuada envolve atividades formativas organizadas pelos sistemas, redes e instituições d educação básica, incluindo desenvolvimento de projetos, inovações pedagógicas, entre outros. 3.2.1 Autores e suas principais contribuições para a formação continuada de professores Pedro Demo destaca as capacidades necessárias ao professor: • Capacidade de pesquisa; • Capacidade de elaboração própria; • Capacidade de analisar processualmente; • Capacidade de teorizar as práticas; • Capacidade de atualização; • Capacidade de trabalho interdisciplinar e • Capacidade de manejar instrumentos eletrônicos. Perrenoud traz 10 novas competências para uma nova profissão: 1. Organizar e estimular situações de aprendizagem. 2. Gerar a progressão das aprendizagens. 3. Conceber e fazer com que os dispositivos de diferenciação evoluam. 4. Envolver os alunos em suas aprendizagens e no trabalho. 5. Trabalhar em equipe. 6. Participar da gestão da escola. 7. Informar e envolver os pais. 8. Utilizar as novas tecnologias. 9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão. 10. Gerar sua própria formação contínua. Tardiff (2005) apresenta os saberes docentes • Saberes da formação profissional; • Saberes disciplinares; • Saberes curriculares, e • Saberes experienciais. 3.2.2 A didática na formação dos professores Para Libâneo (1994), a formação dos professores possui duas dimensões: a formação teórico-científica, incluindo a formação acadêmica específica nas diversas disciplinas em que o docente irá especializar-se e a formação técnico-prática que diz respeito à preparação específica para a docência, em que se inclui a Didática. A didática na formação de professores ocupa o lugar de mediação entre as bases teórico-científicas da educação escolar e a prática docente. Ela faz a ligação entre o quê e o como, ou seja, ela orienta a prática pedagógica do professor a partir da formulação dos objetivos, conteúdos e tarefas da formação cultural e científica, tendo em vista a sociedade concreta. Cabe a ela a descrição e a explicação dos nexos, relações e ligações entre o ensino e a aprendizagem. 3.2.3 Compromisso social e ético do professor O primeiro compromisso social do professor com a sociedade é a docência, cujo objetivo é preparar os estudantes na e para a cidadania e para a inserção no mundo do trabalho. A sua tarefa é extremamente relevante, pois parte da responsabilidade pela formação cultural e social da sociedade está em suas mãos. Como toda profissão, o magistério é um ato político que demanda compromisso e competência em sua atuação. Vamos montar um resumo do que vimos. PROFISSIONALIZAÇÃO: PROFISSIONALISMO: PROFISSIONALIDADE: DIMENSÕES DA COMPETÊNCIA TÉCNICA ESTÉTICA POLÍTICA ÉTICA 10 NOVAS COMPETÊNCIAS – PERRENOUD CAPACIDADES NECESSÁRIAS AO PROFESSOR – DEMO SABERES DOCENTES – TARDIFF Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (Cespe/TJRO/2012) A respeito da formação dos profissionais da escola, assinale a opção correta. a) É tarefa do coordenador pedagógico da escola fiscalizar o trabalho do professor. b) A formação continuada caracteriza-se pelos estudos voltados para o aperfeiçoamento profissional no exercício da profissão. c) A formação inicial do professor é marcada pela data de sua posse na escola. d) A formação continuada é de total responsabilidade e domínio das secretarias de educação. e) Apenas os cursos oferecidos pelo Ministério da Educação têm validade para a atualização profissional. (Cespe-UnB/Unipampa/2013)Considerando os princípios éticos que norteiam o trabalho dos profissionais da educação, julgue os itens a seguir. 2. ( ) O profissional da educação deve saber distinguir, se a ação violenta que se manifesta por meio da agressão, no ambiente escolar, constitui meio para a obtenção de um fim específico ou se decorre de motivos ideológicos, como diferenças étnicas, raciais, culturais e outras, o que caracteriza a prática de bullying. 3. ( ) As greves de servidores no setor educacional podem representar um dilema ético para o professor, em razão de os movimentos grevistas interromperem o atendimento direto ao aluno, o que caracteriza um comportamento descompromissado e, portanto, oposto ao caráter educativo e formador da profissão. 4. ( ) Dada a natureza da profissão docente, o profissional da educação excede, muitas vezes, o tempo de sua carga horária de trabalho, situação que contribui, entre outras, para o desenvolvimento da síndrome de burnout. 5. ( ) As pesquisas na área da educação têm demonstrado que mais de 50% das mulheres que atuam como profissionais da educação no ensino básico vivenciam conflito ético em decorrência da dificuldade de conciliar a dedicação ao trabalho e a dedicação à família. 6. (Cespe/UnB/Semec-PI/2010) A Constituição Federal, no art. 206, assegura, como princípio da educação nacional, a valorização dos profissionais do ensino por meio de diversos elementos. Entre esses elementos, consta o(a) a) plano de cargos e salários, com inclusão obrigatória de gratificação de dedicação exclusiva. b) piso salarial nacional para professores da educação básica no valor do salário mínimo. c) ingresso na carreira exclusivamente por concurso público de provas e títulos. d) aperfeiçoamento profissional continuado, com a exigência de curso de mestrado para professores de ensino médio. e) reserva do período de 50% da jornada de trabalho para estudos e planejamentos. 7. (Cespe-UnB/Semec-PI/2010) 2010) Assinale a opção correta acerca do papel do professor e da prática docente. a) Uma das possibilidades de superação da racionalidade técnica no papel do professor é a consideração da prática docente como lugar de produção do conhecimento. b) O conhecimento produzido na ação e sobre a ação de ensinar se contrapõe à perspectiva de resolução de problemas. c) A busca de meios para alcançar os fins e resolver os problemas produzidos pelos outros é uma ação fundamental para o professor reflexivo. d) Um componente irrelevante na construção de um profissional reflexivo que trabalha com a sua prática e a relação coletiva é a experiência. e) Como responsável pela formação intelectual, afetiva e ética dos alunos, o professor precisa desconsiderar as relações de poder implícitas nas decisões administrativas da escola. 8. (Consuplan/Sec. de Est. da Administração e dos Rec. Hum. Gov. do RN/ 2008) O princípio da aprendizagem reflexiva desenvolvido por Donald Schön (2000), trata da necessidade de formar profissionais que venham a refletir sobre a sua própria prática na expectativa de que a reflexão seja um instrumento de desenvolvimento do pensamento e da ação. Assinale V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) O professor reflexivo pergunta criticamente, intui, imagina, investiga, utiliza a gama de conhecimento de maneira criativa e sistêmica. ( ) O professor reflexivo utiliza-se da experiência para reconstruir competências e concepções e agir em situações singulares, variando os conhecimentos. ( ) O desafio para a formação profissional inclui o autoaprendizado de quem se propõe a formar, colaborar no desenvolvimento de pessoas autônomas capazes de pensar, de refletir, de escolher e de aprender. ( ) É no trabalho em conjunto que se constrói uma prática reflexiva possível. ( ) É na relação de diálogo de confiança mútua entre professor e aluno que se desenvolvem capacidades, competências e conhecimentos. A sequência está correta em a) V, V, V, F, F. b) F, F, V, V, F. c) V, V, V, V, V. d) F, V, F, V, F, e) V, V, V, V, F. 9. (Consulplan) A presença das redes eletrônicas no processo facilitará a democratização do ensino e da aprendizagem. Este novo ambiente nos faz pensar que a escola, forçosamente, está exigindo novos profissionais para a educação. O perfil vem se alterando porque a visão de mundo está mudando, ou seja, a sociedade mudou e a escola precisa mudar e os professores precisam saber que ser professor, hoje em dia, exige qualidades diferentes daquelas de vinte ou trinta anos atrás”. (Abreu, Maria C. & MASETTO, M. T., O professor universitário em aula. SP: MG Editores Associados, 1990). A partir da leitura do texto, assinale a afirmativa incorreta. a) Somente aqueles professores que alcançarem um alto grau de conhecimento sobre seus conteúdos é que serão capazes de se libertarem dos mesmos, para efetivamente, dar atenção devida para as reais necessidade de seus alunos. b) O professor deverá permitir que seu aluno construa e reconstrua, elabore e reelabore seu conhecimento e, neste contexto, o uso das redes dificultará o processo de ensino e aprendizagem. c) O professor, usando as redes, poderá gerar e gerenciar uma grande quantidade de informação e conhecimento, podendo trabalhar na pesquisa e na produção de novos conhecimentos. d) Não será o discurso do professor que garantirá autenticidade ao conhecimento, pois o professor privilegiará as atividades de interação em laboratórios, visitas a museus, trabalho em grupo, projetos educativos, teatros, vídeos e redes eletrônicas. e) É através da prática colaborativo-interativa que o professor poderá tomar gosto pelo pesquisar e estudar, portanto, as redes eletrônicas proporcionam essas atividades colaborativas com pares distantes em culturas diferentes e com diferenças étnicas. 10. (Consulplan) “O mercado de trabalho é cada vez mais exigente e quem não se enquadra acaba excluído e com dificuldade de encontrar emprego. Os números são duros e preocupantes, mas é possível escapar da crise e conseguir destaque investindo na formação profissional”. (Revista Pedagógica – Ano XII nº 34, 2003). Sobre o compromisso social e ético no mercado de trabalho do professor, julgue as afirmativas a seguir: I – O diploma significa sucesso absoluto e definitivo na formação do docente; é garantidor de mercado de trabalho. II – A falta de dinheiro e tempo justifica a acomodação por parte do professor e o isenta do seu compromisso ético-social. III – A competência do professor vai além do domínio de conceituar recursos, socializando-os eticamente ao contexto social em que ocorre a prática educativa, representando o compromisso do professor com a construção da cidadania. É/são verdadeira(s) somente a(s) afirmativa(s): a) I. b) II. c) III. d) I, II e III. e) Nenhuma das afirmativas é verdadeira. 11. (Consulplan) O papel do professor é de grande importância no contexto da sala de aula atualmente, pois cabe a este assessorar os alunos em diversos campos do conhecimento. De acordo com a concepção sociohistórica da educação, assinale a alternativa que não apresenta uma habilidade essencial ao exercício da profissão docente. a) Flexibilidade, capacidade de adequar uma situação a outra, de acordo com o contexto sócio, político, econômico e cultural. b) Diagnóstico, capacidade de identificar e analisar as características gerais e específicas de cada situação de aprendizagem. c) Estilos de liderança, capacidade de escolher o estilo de liderança mais adequado à situação. d) Espírito de coletividade, capacidade de trabalhar com projetos coletivos e compartilhado na escola. e) Autoritarismo, capacidade de liderar sem permitir a intervenção daqueles que são subalternos. 12. (Consulplan) A análise crítica da atual situação de formação de professores aponta para operacionalização de movimentos de profissionalização exigindo mudanças nas práticas e criação de sistemas de formação. Sobre os pressupostos dos referenciais para formação de professores de educação básica, marque a opção incorreta. a) O desenvolvimento profissionalpermanente é necessidade intrínseca à atuação do professor. b) A atuação do professor tem como dimensão principal a docência e, por isso, os sistemas de formação devem priorizar e restringir sua atuação a essa dimensão da atuação docente. c) O professor exerce uma atividade profissional de natureza pública, que tem dimensão coletiva e pessoal, implicando simultaneamente autonomia e responsabilidade. d) A atuação do professor inclui, também, a participação no projeto educativo e curricular da escola, a produção de conhecimento pedagógico e a participação educacional. e) Os projetos de desenvolvimento profissional só terão eficácia se estiverem vinculados a condições de trabalho, avaliação, carreira e salário. 13. (Consulplan) A natureza do trabalho docente é complexa, mutável, muitas vezes, conflituosa. Marque, então, a opção que não é alternativa para fortalecer a qualidade das relações afetivas e dos valores entre alunos e professores: a) Acolhimento do aluno por parte do professor. b) Desenvolvimento da autoconfiança do aluno. c) Favorecimento da autoimagem positiva do aluno. d) Valorização de ações de respeito por si próprio e pelos outros por parte dos alunos. e) Demonstração de piedade frente à condição do aluno. 14. (Consulplan) Competência, segundo Perrenoud (1999), é algo que se constrói na prática em situações de interação entre saberes de diferentes origens, mobilizados em direção a um determinado fazer. Assim sendo, trata-se de características de currículos formados pela noção de competência, exceto: a) interdisciplinaridade. b) transposição didática. c) contextualização. d) conhecimento declarativo. e) código disciplinar prévio. 15. (Consulplan) A construção da identidade docente envolve conceitos de educação permanente para o fortalecimento da formação inicial. Melucci (1996) afirma que a formação ajuda a definir o significado daquilo que os Highlight professores fazem e a proporcionar novos saberes. Sobre essa temática, julgue as opções que seguem: I – Os programas de formação continuada devem ser definidos a partir da análise da realidade; avaliação de ações de formação anteriores e novas demandas exigidas pelos órgãos controladores. II – As ações de formação continuada devem incluir a observação, análise e discussão do trabalho de outros professores, de modo a possibilitar que os docentes (re)elaborem o que já sabem fazer. III – Os programas de formação podem desconsiderar a utilização de recursos de documentação, como diários do professor. IV – O processo de formação continuada com vistas à construção da identidade docente envolve a minimização das crenças, valores, ideias, conhecimentos prévios e opiniões dos professores a fim de desenvolver práticas pedagógicas mais concretas. A quantidade de opções incorretas é: a) 0. b) 1. c) 2. d) 3. e) 4. 16. (Consulplan) Day (2006) afirma que os conceitos de eu e de identidade são utilizados muitas vezes de forma intercambiável. O (re)conhecimento da identidade permite interpretar melhor o trabalho docente, já que o ensino requer um envolvimento pessoal. A potencialização da identidade docente pode ser favorecida pela: a) submissão hierárquica. b) manutenção do currículo fechado. c) subjetividade racional. d) formação permanente do professorado. e) experiência educativa neutra. Gabarito ESPAÇO DO ALUNO Capítulo 4 CURRÍCULO E CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO Vamos falar sobre o currículo escolar e, como já vimos anteriormente, não podemos estudar os elementos da educação sem contextualizá-los histórica e socialmente. Antes de iniciarmos o assunto, queremos saber quais são os seus conhecimentos sobre este tema. O que é currículo? Teoria Tradicional Teoria Crítica Teoria Pós-Crítica Quando se fala em currículo, o primeiro entendimento deve ser o de que ele é um documento vivo, permeado por contradições. Está situado num momento histórico, suas concepções estão ligadas às seguintes questões: • Que ser humano se quer construir? • Para que tipo de sociedade? • Que conhecimento deve ser reconhecido, validado e selecionado para as escolas? • Quem deve selecionar o conhecimento escolar? As respostas a esses questionamentos são diferentes nas Teorias Tradicional, Crítica e Pós-Crítica. Estudar as teorias do currículo implica entendê-lo como um espaço de disputa e embates. Como afirma Silva (2009): O currículo tem significados que vão muito além daqueles aos quais as teorias tradicionais nos confinaram. O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder. O currículo é trajetória, viagem, percurso. O currículo é autobiografia, nossa vida, curriculum vitae: no currículo se forja nossa identidade. O currículo é texto, discurso, documento. O currículo é documento de identidade. Em Libâneo, Oliveira e Toschi (2012), currículo é definido como: (...) um modo de seleção da cultura produzida pela sociedade, para a formação dos alunos; é tudo o que se espera seja aprendido e ensinado na escola. Para Forquin (apud LIBÂNEO, OLIVEIRA E TOSCHI, (2012), currículo é o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos (saberes, competências, representações, tendências, valores) transmitidos (de modo explícito ou implícito) nas práticas pedagógicas e nas situações de escolarização, isto é, tudo aquilo a que poderíamos chamar de dimensão cognitiva e cultural da educação escolar. Passaremos, a seguir, às principais teorias do currículo, seus conceitos e os principais autores. 4.1 Currículo tradicional O marco para o surgimento do currículo tradicional é o livro do americano Bobbit, publicado em 1918, intitulado The Currriculum. De acordo com Silva (2009), esse livro foi escrito em um momento no qual as forças econômicas, política e culturais dos Estados Unidos buscavam moldar os objetivos e as formas de educação de massas de acordo com suas diferentes e particulares visões. O modelo expresso nessa concepção é que a escola deveria funcionar como qualquer outra empresa comercial ou industrial. Bobbit queria transferir o modelo fabril desenvolvido por Frederick Taylor para a administração escolar, o que denominamos taylorismo. Para Bobbit (apud SILVA, 2009), o sistema educacional deveria especificar: • resultados a obter; • métodos para obtenção dos resultados de forma precisa; • formas para mensuração que precisem o resultado. Assim, poderia tornar a educação científica. Um grande expoente dessa concepção é Tyler, para quem o currículo é essencialmente uma questão técnica que gira em torno da definição de metas/objetivos e de verificação de sua realização. Segundo Silva (2009), a concepção racionalista de Tyler busca responder a quatro questões básicas para o currículo: 1. Que objetivos educacionais a escola deve procurar atingir? 2. Que experiências educacionais podem servir para alcançar estes objetivos? 3. Como organizar de forma eficiente as experiências educacionais? 4. Como saber se os objetivos foram alcançados? • Baseado no modelo de administração científica (taylorismo). • Prima pelo rigor, exatidão, predeterminação, previsibilidade, racionalidade, mensurabilidade, diz-se neutro e apolítico. • Currículo técnico-operacional. • Preocupa-se com o “como fazer”, com o desenvolvimento e com a organização curricular. • É elaborado por especialistas. • Conhecimentos lineares, hierarquizados e prescritivos. • Professor não tem autonomia, não considera as vivências dos alunos, diferenças culturais ou diversidades sociais. • Currículo-produto: conteúdo e métodos, com a finalidade de alcançar objetivos preestabelecidos. • Avaliação apenas para aperfeiçoar o produto desenvolvido, para harmonizar resultado e objetivos. • O controle do currículo é feito por aqueles que o desenvolvem, sem a participação dos professores, pais, alunos. • Os meios estão separados dos fins. • Padronização, diversificação, fragmentação no currículo visa à estratificação e à seletividade social. • O controle do comportamentopassa a ser procedimento curricular por intermédio dos objetivos educacionais. • Especifica níveis de desempenho aceitáveis. • O saber traduz-se no conhecimento objetivo que será transmitido ao aluno como exigência de um modelo de desempenho. 4.2 Currículo crítico Conforme Silva (2009), a década de 1960 foi marcada por grandes contestações e transformações. Em vários lugares do mundo surgem movimentos de contracultura, tais como, na França, Brasil e Estados Unidos. As teorias críticas do currículo surgem nesse cenário e trazem uma inversão dos fundamentos das teorias tradicionais. Elas questionam o caráter prescritivo, a pretensa neutralidade e desvinculação do currículo com a realidade social, responsabilizam o status quo pelas desigualdades e injustiças sociais. São teorias da desconfiança, questionamento e transformação radical. Nessa concepção, o importante não é desenvolver técnicas de como fazer o currículo, mas desenvolver conceitos que nos permitam compreender o que o currículo faz (SILVA, 2009). • Preocupa-se com o que o currículo faz com as pessoas, que tipo de homem e sociedade ele ajuda a construir. • Relação currículo, cultura, poder, ideologia e conhecimento. • A quem pertence o conhecimento? Quem o selecionou? Por que é organizado e transmitido dessa forma? E para que grupo determinado? Quem planeja? Com que finalidade? • A ideologia torna-se questão relevante para a compreensão das relações entre o ensino e o currículo. • Currículo como formação, construção de identidades. • Reconhece os conflitos e o currículo se coloca como campo de embates, de disputas por modos de vida e modelo social. • Não faz do saber um instrumento de manutenção do status quo. • Escola como espaço de resistência e contestação. • A escola não é um espaço totalmente determinado e as pessoas não são espelhos passivos da economia, mas agentes ativos no processo de produzir cultura e conhecimento. • É identificado com a realidade, resgatando a cultura de que os alunos são portadores. • Tem a tarefa de resistir à reprodução. • Há lugar para a ação humana na escola e que a sala de aula pode deixar de ser um campo exclusivo da reprodução e abrir-se para um trabalho crítico, esforço contínuo de ação, reflexão, de teorização sobre a prática. • Não pode ser padronizado, mas criativo, experimental, situado, interativo. • Na perspectiva crítica, o currículo trabalha com a construção do conhecimento, com a criatividade dos professores e dos alunos para produzir conhecimento. • Uma das dificuldades de se pôr em prática um currículo crítico está na formação dos professores para a realização desse esforço, que exige um trânsito permanente entre a ação e a reflexão. • Preocupa-se com o quê, o para quê, o como, o porquê, o para quem ensinar. • Nenhuma teoria é neutra ou desinteressada, pois traz, implícitas, as relações de poder. (RÊGO S/D mimeo) Na visão crítica do currículo fala-se muito de currículo oculto, mas o que é isso? O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficia explícito, contribuem, de forma implícita, para aprendizagens sociais relevantes. (...) o que se aprende no currículo ocult são fundamentalmente atitudes, comportamentos, valores e orientações [...] (SILVA, 2009) 4.3 Currículo pós-crítico As discussões denominadas pós-críticas estão presentes no Brasil desde 1990, mas apenas nos anos 2000 foram de fato incorporadas no discurso educacional. Tais discussões são marcadas pela concepção do fim das utopias e certezas, da verdade centrada na prova empírica e a busca pelos direitos às diferenças. Conforme Lopes (2013) No campo do currículo, a expressão teorias pós-críticas é utilizada para se referir a teorias que questionam os pressupostos das teorias críticas, marcadas pelas influências do marxismo, da Escola de Frankfurt e em alguma medida da fenomenologia, discussões em que as conexões entre currículo, poder e ideologia são destacadas. As teorias pós-críticas não significam uma evolução das teorias críticas, mas trazem outros elementos para o debate sobre currículo, tais como gênero, raça, etnia e gênero. Fica marcante a presença do multiculturalismo, que discute as diferenças dentro de relações de poder no qual ser diferente está em relação ao que se considera socialmente não diferente. • Valorização da diversidade cultural. • Discussão de gênero, raças, etnias, identidades, subjetividade. • Oposição a todas as formas de homogeneização de culturas e padronização. • Crítica à racionalidade científica moderna, ao currículo linear. • Valoriza o poder local, as multiculturas. Fique atento! Tradicionais Críticas Pós-críticas Concepções Aceitação, ajuste e adaptação, ensino, aprendizagem, avaliação, metodologia, didática, organização, planejamento, eficiência, objetivos. Ideologia, reprodução cultural e social, poder, classe social, capitalismo, relações sociais de produção, conscientização, emancipação, libertação, currículo oculto, resistência. Identidade, alteridade diferença, subjetividade significação e discurso, saber poder, representação, cultura gênero, raça, etnia sexualidade, multiculturalismo Autores Bobbit, Tylor, Dewey. Althusser, Bourdieu e Passeron, Freire, Michael Apple, Henri Giroux, Basil Bernstein, Bowles. Miguel Arroyo, Tomás Tade da Silva. Em algumas provas do Cespe têm aparecido referências à teoria queer. Mas o que é isso? Conforme Silva (2009), é uma certa radicalização do questionamento da estabilidade e da fixidez d identidade de gênero. O termo vem do inglês, e significa “estranho, esquisito” e também possui uma referência, pejorativa, a homossexualismo. Foi adotado pelos grupos para polemizar as questões da sexualidade, tendo com premissa que a identidade de gênero é construída socialmente, não sendo definida simplesmente pel biologia; mas, por outro lado, avança, radicalizando a possibilidade do trânsito entre as fronteiras d identidade. Para Silva (2009), “Pensar queer significa questionar, problematizar, contestar todas as formas bem comportadas de conhecimento e de identidade”. Vamos aos mapas mentais sobre o tema. 4.4 Manifestação do currículo 4.4.1 Currículo formal ou oficial É aquele prescrito como desejável por uma organização normativa; sistema de ensino, traduzindo diretrizes curriculares, objetivos, em disciplinas, programas, livros didáticos. Ex.: Parâmetros Curriculares Nacionais, Diretrizes Curriculares, Orientações Curriculares dos estados e municípios. 4.4.2 Currículo real É o que acontece na sala de aula, o realizado pelos professores a partir do projeto político-pedagógico e de seus planos. Divide-se em: Currículo operacional: o que o observador vê quando está presente na sala de aula. Currículo percebido: o que o professor diz estar fazendo e o porquê dessa ação. Currículo experienciado: o que os alunos percebem e como reagem ao que está sendo oferecido. 4.4.3 Currículo oculto Apresenta-se como uma estrutura profunda, construído que foi historicamente. Ao longo do tempo, as formas cotidianas de interação tornaram-se padronizadas, constituindo-se em regularidades comportamentais. Um conjunto de regras do senso comum que passaram a integrar o currículo, determinando a seleção dos conteúdos a serem transmitidos e a organização da experiência escolar. Refere-se à cultura, símbolos. Para Libâneo, Oliveira e Toschi (2012), é necessário considerar alguns pontos ao planejar o currículo: a) o currículo precisa ser democrático; b) o currículo representa o cruzamento de culturas, constituindo-se como espaço de síntese; c) a escola deve incluir a interculturalidade (valorização das diferentes culturas); d) é necessário atender à comunidade, mas, também, pensar sobre valores, modos de vida e hábitos qu precisam ser modificados para construção de um projeto civilizatório; e) deve se relacionar com a organização espacial da cidade e o modo como as pessoas de todos o segmentos sociais se movemnela; f) é necessário ajudar a fortalecer a identidade pessoal, a subjetividade dos alunos; g) deve prever tentativas de enriquecimento do currículo, por meio da interdisciplinaridade, coordenação d disciplinas e projetos comuns. A atual Lei nº 9.394/1996 (LDB) trata o currículo em vários artigos e indica uma tendência crítica e pós-crítica: • Art. 2º: das finalidades; • Art. 3º: dos princípios; • Art. 9º: da competência da União de coordenar uma proposta curricular; • Art. 26: quando trata da Base Nacional Comum, da Parte Diversificada e de temas transversais; • Art. 26-A: do cumprimento das Leis nºs 10.639/2003 e 11.645/2008: da obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena; • Nos artigos específicos de cada etapa e modalidade da Educação Básica. Agora, vamos montar um esquema com o que foi visto sobre currículo: Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (FCC/TJ-AP/Analista Judiciário – Pedagogo/2009) O currículo como espaço de reconhecimento de nossas identidades culturais precisa a) organizar os conteúdos em disciplinas, com o cuidado de não fragmentar os conhecimentos prioritários. b) examinar como determinados conceitos foram propostos historicamente, porque se tornaram ou não aceitos, porque permaneceram ou foram substituídos. c) reconhecer o desenvolvimento cognitivo das diversas faixas etárias para poder escolher os conhecimentos necessários à formação das pessoas. d) pesquisar metodologicamente como integrar as várias culturas existentes num determinado grupo social. e) selecionar imparcialmente os vários saberes existentes em cada grupo social a fim de organizar os conteúdos necessários à emancipação intelectual dos alunos. 2. (FCC/TJ-AP/Analista Judiciário – Pedagogo/2009) O currículo por competências expressa estreita vinculação entre educação e mundo produtivo, visando preparar o sujeito para viver em um mundo mais competitivo, onde o desenvolvimento da “empregabilidade” torna-se vital. O risco efetivo é de que tal perspectiva resulte no esvaziamento do espaço do conteúdo dos diferentes saberes disciplinares e/ou científicos em favor do saber técnico de como desenvolver a atividade, a partir da valorização do desempenho, do resultado e da eficiência social. A afirmação alerta para o fato de o currículo por competência a) estar fortemente vinculado à produtividade e à técnica, em detrimento dos saberes disciplinares e/ou científicos. b) ser a forma mais efetiva de desenvolver uma educação crítica e integral. c) garantir um processo permanente de construção do conhecimento e de preparo para o mercado de trabalho. d) ser a melhor forma de obter o máximo em termos de desempenho profissional e eficiência social. e) implicar em uma formação de habilidades desconectada do mundo moderno. 3. (Consulplan/Pedagogo/IF-RJ/2010) “Currículo é um termo muitas vezes utilizado para se referir a programas de conteúdos de cada disciplina.” (PCN – Introdução). Mas, currículo pode significar também: a) discussões e reelaborações de conteúdo. b) diferentes contextos da Pedagogia. c) expressão de princípios e metas do projeto educativo. d) flexibilidade de conteúdo. e) organização da matéria de estudo. 4. (Fepese/MPE-SC/Analista em Pedagogia/2014) Segundo o documento orientador Indagações sobre currículo: currículo, conhecimento e cultura (Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007), o currículo é compreendido como: 1. As experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, em meio a relações sociais, e que contribuem para a construção das identidades de nossos/as estudantes. 2. Exclusivamente os conteúdos ensinados e aprendidos no espaço escolar. 3. Apenas os conteúdos presentes nos livros didáticos utilizados nas escolas. 4. O conjunto de esforços pedagógicos desenvolvidos com intenções educativas. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas. a) É correta apenas a afirmativa 4. b) São corretas apenas as afirmativas 1 e 4. c) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3. d) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4. e) São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4. 5. (Fepese/MPE-SC/Analista em Pedagogia/2014) Sobre a relação currículo e conhecimento, é correto afirmar: 1. O currículo é um campo em que se tenta impor tanto a definição particular de cultura de um dado grupo quanto o conteúdo dessa cultura. 2. O currículo é um território em que se travam ferozes competições em torno dos significados. 3. O papel do educador no processo curricular é fundamental. Ele é um dos grandes artífices da construção dos currículos que se materializam nas escolas e nas salas de aula. 4. Todo currículo é neutro, isto é, independe de questões externas à escola. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas. a) É correta apenas a afirmativa 2. b) É correta apenas a afirmativa 4. c) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3. d) São corretas apenas as afirmativas 3 e 4. e) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3. 6. (FCC/MPE-AM/Agente Técnico – Pedagogo/2013) Nos modelos tradicionais de currículo, o conhecimento existente é tomado como dado, como inquestionável (...). Como consequência, os modelos técnicos de currículo limitam-se à questão do “como” organizar o currículo. No entanto, na perspectiva de teóricos críticos, como Michael Apple, é importante que o educador faça alguns questionamentos ao elaborar uma proposta curricular, como por exemplo: I – Por que esses conhecimentos e não outros? II – Por que esse conhecimento é considerado importante e não outros? III – Quais interesses guiaram a seleção desse conhecimento particular? IV – Devemos incorporar e/ou problematizar conhecimentos das classes menos favorecidas, mesmo sendo estes conhecimentos do senso comum? Está correto o que consta em a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) I, II e III, apenas. d) II, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 7. (FCC/MPE-AM/Agente Técnico – Pedagogo/2013) “As pessoas de baixa renda não aprendem porque são fracas das ideias”. “A cultura das pessoas de baixa renda é pobre”. “Esta aluna não aprende porque é fraca da cabeça”. Nas teorias críticas do currículo, as afirmações preconceituosas acima são exemplos de como a escola funciona como mecanismo de exclusão, pois a) os conhecimentos trazidos pelas classes dominadas são valorizados para o crescimento cognitivo dos alunos na escola. b) os valores e hábitos de toda a população se completam e se entrosam na organização curricular das escolas públicas. c) o currículo propicia o ensino dos conteúdos necessários para a formação geral do indivíduo cidadão. d) o currículo da maioria das escolas está baseado na cultura dominante, enquanto a cultura das classes dominadas têm sua cultura desvalorizada. e) o preconceito na maioria das vezes parte da própria pessoa, na medida em que ela percebe suas dificuldades intelectuais. (Cespe/Detran-DF/Analista de Trânsito – Pedagogo/2009) Julgue os itens a seguir à luz da concepção crítica de currículo e de construção do conhecimento. 8. ( ) A eficiência é a diretriz que conduz todo o planejamento da organização do trabalho pedagógico. 9. ( ) O reconhecimento da existência de um currículo oculto é primordial para a identificação da ideologia presente no cotidiano escolar. 10. ( ) A subjetividade e o multiculturalismo são traços marcantes das teorias baseadas nessa concepção. 11. ( ) A neutralidade dos saberes é defendida para a garantia da cientificidade da seleção de conteúdos. 12. ( ) A análise das relações sociais de produção, na busca da emancipação e da libertação das classes dominadas, direciona a organização curricular. (AMB/DF-2016) De acordo com as Teorias Tradicionais Críticas e Pós- críticas de Currículo, julgue os itens: 13. ( ) Ensino, planejamento e eficiência são conceitos enfatizados pela teoria tradicional de currículo. 14. ( ) A teoria crítica põe emrelevo os conceitos de subjetividade, multiculturalismo e identidade. 15. ( ) Os conceitos de ideologia, emancipação e reprodução cultural são próprios da teoria pós-crítica. 16. ( ) Para Bobbitt, o currículo deveria ser organizado de acordo com os princípios da administração científica de Taylor. 17. ( ) As dimensões de gênero, de sexualidade ou de etnia são frequentemente trabalhadas por meio do currículo oculto. 18. ( ) Para o pós-estruturalismo, a diferença é uma característica natural e, portanto, absoluta, e assim deve ser tratada no currículo. 19. ( ) Para alguns teóricos críticos, o importante não é saber se o conhecimento é verdadeiro, mas as formas pelas quais os conhecimentos são tidos como legítimos ou ilegítimos. Gabarito ESPAÇO DO ALUNO Capítulo 5 BASES PSICOLÓGICAS DA APRENDIZAGEM Neste capítulo, vamos trabalhar os principais aspectos da Psicologia do Desenvolvimento. Começaremos trazendo as principais teorias que têm influenciado o processo de ensino-aprendizagem; em seguida, os princípios e etapas do desenvolvimento e, por fim, os principais teóricos. Para iniciar, vamos preencher o quadro com os conhecimentos que você já possui sobre esse tema. Inatistmo/Apriorismo Ambientalismo/ Empirismo Behaviorismo/ Comportamentalismo Interacionismo Gestalt Humanismo 5.1 Teorias da aprendizagem e desenvolvimento O primeiro passo é entender que o modo como concebemos os processos de aprendizagem e desenvolvimento estão atrelados ao momento histórico, às questões sociais, econômicas e políticas. Desse modo, falar sobre desenvolvimento e aprendizagem não é neutro, traz em si concepções de homem e de mundo. Mizukami, citada por Polônia e outros (2002), aponta que as explicações sobre esse tema se estruturam na relação sujeito-objeto. Temos, assim, a primazia do sujeito no inatismo, a primazia no objeto no empirismo e no interacionismo a primazia recai na interação sujeito-objeto. Traremos, agora, as três principais correntes que explicam o desenvolvimento e a aprendizagem. 5.1.1 Inatismo/racionalismo/apriorismo Você já ouviu que pau que nasce torto morre torto ou filho de peixe, peixinho é? Com certeza já ouviu essas ou outras expressões similares. Muitas vezes, não atentamos que essas falas trazem em si um entendimento de aprendizagem. Nessas, por exemplo, está presente a concepção de que o indivíduo já nasce com as suas predisposições, ou seja, há o que podemos definir como determinismo biológico. Essa é a principal ideia da corrente inatista que tem em Platão seu precursor. Ele acreditava que a alma vinha antes do corpo; por isso, conhecer é relembrar o que a pessoa já traz consigo ao nascer. O meio tem pouca influência no desenvolvimento. Considera-se que as pessoas já nascem com aptidões, habilidades, conceitos, qualidades. Segundo Mizukami (1986), podemos representar a relação do indivíduo com o objeto da seguinte maneira: Nessa concepção, o professor deve interferir o mínimo possível, apenas trazendo à consciência os processos internos. Essa é a base psicológica presente na tendência pedagógica da Escola Nova. 5.1.2 Empirismo/ambientalismo A abordagem empirista ou ambientalista tem em Aristóteles um grande representante. Contrapondo-se à ideia de Platão, ele fala que mesmo as pessoas nascendo com capacidades de aprender, elas precisam de experiências ao longo de suas vidas. Para ele, o conhecimento é adquirido pela experiência, que chega por meio dos sentidos. John Locke (1632-1704) destaca que a mente humana é como uma tabula rasa, ou uma folha em branco. Assim, as escolas deveriam instruir e o aluno acumular informações. O professor é tido como o único detentor do conhecimento válido. Outros representantes dessa corrente são Francis Bacon (1561-1626) e Thomas Hobbes (1588-1679). O esquema para entendermos a relação indivíduo-objeto nessa concepção é: No contexto educacional, essa visão está presente na escola tradicional, em que se privilegiam as atividades que facilitam a memorização, repetição e cópia. 5.1.3 Comportamentalismo ou behaviorismo Conforme Nunes e Silveira (2009), o Comportamentalismo surgiu nos Estados Unidos com Watson (1878-1958), no início do século XX. O termo comportamentalismo deriva da palavra inglesa behavior, que significa comportamento. No Brasil, essa teoria também é chamada de behaviorismo. O principal representante é Skinner (1904-1990). Para ele, a aprendizagem é um processo pelo qual mudamos o comportamento por meio da apresentação de estímulo e reforços, aí teremos as respostas desejadas. Nunes e Silveira (2009) acrescentam que Skinner definiu os reforços em positivos e negativos. No reforço positivo, após um comportamento, um estímulo é apresentado (elogio). No caso do reforço negativo, após um comportamento desejado, um estímulo aversivo (ruim) será retirado. Skinner (1995) postula algumas ideias que se tornam muito presentes na educação: • o comportamento é o que podemos estudar de forma objetiva; • a personalidade é composta por comportamentos objetivos que podem ser analisados; • as ideias de liberdade, autonomia, dignidade e criatividade são ficções sobre o comportamento; • o comportamento pode ser modelado por meio de reforços positivos e negativos. Uma relação causal entre reforço e comportamento. O Comportamentalismo esteve muito presente no Tecnicismo. O ensino era organizado como um arranjo de contingências de reforços. O professor deveria selecionar métodos e técnicas com vistas à apreensão dos conteúdos. Os reforços se apresentavam como elogios, notas, reconhecimento verbal etc. 5.1.4 Interacionismo Com o interacionismo, chegamos ao caminho do meio, a primazia não está no objeto e nem no indivíduo, mas na relação de interdependência entre os dois. Nessa perspectiva, que tem em Vygotsky seu grande representante, vamos entender que há a junção entre o biológico e o social. O desenvolvimento humano é entendido como fruto da interação de fatores biológicos com ambientais, sendo que quando citamos ambiente referimo-nos aos espaços sociais, históricos e culturais. Nessa concepção, podemos, então, afirmar que somos sujeitos ativos e temos a capacidade de construir nossas características de acordo com a relação que estabelecemos com o meio físico, social e cultural. No interacionismo o desenvolvimento acontece por meio das relações socioculturais. É nessa concepção que o desenvolvimento produz aprendizagem e aprendizagem produz desenvolvimento, em um movimento dialético. A concepção interacionista está presente em todas as tendências progressistas: Libertadora, Libertária e Crítico-Social dos Conteúdos. Nela, a compreensão é que a educação exerce um papel fundamental no desenvolvimento e aprendizagem. As interações ocupam lugar central em todo o processo. 5.1.5 Gestalt A teoria Gestalt surgiu na Alemanha no início do século XX. A principal ideia é que a percepção humana apresenta um sentido de totalidade, de conjuntos unificados. Nessa perspectiva percebemos a realidade total e não estímulos isolados de um contexto. O termo Gestalt vem do alemão gestalten, que significa dar uma forma significante. (NUNES E SILVEIRA, 2009) De acordo com Gestalt, a aprendizagem representa uma estruturação do campo da percepção para a superação de problemas. O ponto principal está na cognição e sua capacidade de reestruturação constante e a possibilidade de compreensão por meio de insights (NUNES E SILVEIRA, 2009). Os principais representantes são Max Wertheimer (1880-1943), Kurt Koffka (1886-1941); Kurt Lewin (1890-1947); e Wolfgang Köhler (1887- 1967). No Brasil há poucos textos sobre a Gestalt, os principais autores brasileiros dessa corrente são: Nilton Campos, Anita Cabral e Antônio Gomes Penna. Conforme Silva et al. (2011), a aprendizagem na Gestalt se apresenta a partir dos seguintes aspectos: 1. Aprendizagem por gradação: aprende-se aos poucos. 2. Aprendizagempor diferenciação: destaca-se uma parte entre as restantes do objeto que se est percebendo. 3. Aprendizagem por assimilação: está em continuidade com o processo de diferenciação. Constituição d novas estruturas a partir do todo que foi destacado no processo de diferenciação. 4. Aprendizagem por redefinição – perceber um estímulo de uma forma completamente nova, de acord com a situação total que ele se apresenta. (BARROS apud SILVA et al. 2011). 5.1.6 Humanismo O humanismo surgiu na década de 1940 nos Estados Unidos, com Maslow, que agregava pesquisadores que se opunham ao behaviorismo e ao comportamentalismo. O teórico mais famoso dessa corrente é Carl Rogers que acreditava na autorrealização como promotora do desenvolvimento da personalidade. Para ele, a qualidade das interações entre os professores e os alunos possibilita melhor eficácia no processo de aprendizagem. O foco não deve ser no ensino, mas, sim, nas condições que promovam a aprendizagem. Para Silva et al. (2011) os principais pontos dessa teoria são: • Acreditar no potencial dos alunos possibilita maior aprendizagem. • Sentimento de confiança entre professores e alunos e clima de liberdade possibilitam, entre outras coisas, falar sobre os problemas e juntos buscarem soluções, favorecendo a aprendizagem. • Incentivo ao aprofundamento de conhecimentos. • Disposição para disponibilizar recursos necessários à aprendizagem. • Flexibilidade no trabalho, propiciando a troca de experiências. • Compartilhamento de ideias e sentimentos, professores e alunos pertencentes ao mesmo grupo sem relações hierárquicas. • Trabalho com autenticidade, autoavaliação e relações empáticas. Vamos elaborar um mapa mental para recordar o que estudamos até agora. Até aqui vimos um pouco sobre as teorias que explicam o desenvolvimento e a aprendizagem. Agora, vamos entender como ocorre o desenvolvimento, quais são os seus princípios e quais as etapas e, em seguida, os principais teóricos. 5.2 Conceitos de desenvolvimento Desenvolvimento pode ser conceituado como mudanças que ocorrem na pessoa ao longo do tempo, de maneira ordenada e relativamente duradoura, afetando as estruturas físicas e neurológicas, os processos de pensamento, as emoções, as formas de interação social e muitos outros comportamentos. Para Pikunas (1979), o desenvolvimento é um termo amplo que se refere a todos os processos de mudança pelos quais as potencialidades de um indivíduo se desdobram e aparecem como novas qualidades, habilidades, traços e características correlatas. 5.2.1 Principais fatores que influenciam o desenvolvimento O desenvolvimento caracteriza-se pelo crescimento orgânico e mental. Vai se estabelecer por meio das interações do indivíduo com o meio físico e social. Hereditariedade: carga genética que todos possuímos; estabelece o potencial de desenvolvimento que poderá se concretizar ou não conforme as interações com o ambiente. Crescimento orgânico: estabilização orgânica que nos permite interagir com o mundo. Maturação neurofisiológica: torna possível determinados padrões de comportamento. Por exemplo, para uma criança engatinhar ou andar, antes é necessário segurar a cabeça. Meio ambiente: estímulos e influências que a pessoa tem do ambiente. 5.2.2 Princípios do desenvolvimento O desenvolvimento humano possui alguns princípios, mesmo cada indivíduo apresentando suas particularidades: 5.2.3 Aspectos básicos do desenvolvimento Físico-motor: crescimento orgânico e maturação neurofisiológica. Intelectual: capacidades cognitivas. Afetivo-emocional: integração das experiências vividas, estrutura emocional. Social: reação diante das situações sociais. As teorias do desenvolvimento articulam esses aspectos, não os separando. 5.4 Principais teóricos do desenvolvimento e aprendizagem 5.4.1 Vygotsky Nasceu na Bielo Rússia, estudou na Universidade de Moscou, começou a estudar Medicina, mas optou pelo Direito, formou-se também em Filosofia, História e Letras. Em 1924 mudou o rumo de sua carreira e passou a se dedicar à psicologia evolutiva, educação e psicopatologia. Suas pesquisas são marcadamente fundamentadas no materialismo histórico dialético de Karl Marx. Com a guerra fria e a tensão entre a antiga União Soviética e os Estados Unidos sua obra demorou chegar ao Ocidente. Para Vygotsky, todas as atividades cognitivas do indivíduo são influenciadas por sua história social e se constituem no produto do desenvolvimento histórico- -cultural. Nosso desenvolvimento cognitivo é marcadamente sociohistórico. Principais ideias sobre o desenvolvimento, segundo Vygotsky: • as funções psicológicas têm um suporte biológico, pois são produtos da atividade cerebral; • o funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais entre o indivíduo e o meio exterior, a quais desenvolvem-se num processo histórico; (Base do Interacionismo); • a relação homem/mundo é uma relação mediada por sistemas simbólicos. Conforme Pulino (2005), o ser humano, nessa teoria, é um ser biológico que se constrói e reconstrói, transformando-se historicamente, no interior da cultura. Os principais pontos da teoria de Vygotsky são: • O ser humano constrói-se biologicamente na história, no interior de uma cultura e se desenvolve cultural e historicamente na sua relação com a natureza e as outras pessoas. • Utiliza o método dialético em que o indivíduo não é uma unidade isolada, mas síntese de uma rede de múltiplas determinações, biológicas, históricas, sociais, econômicas, culturais e psicológicas. • Introduz o conceito de mediação em que a ligação do ser humano com o mundo se dá por meio de ferramentas e signos. As ferramentas são instrumentos materiais e os signos são instrumentos psicológicos. • Mediação simbólica: a relação entre o homem e o meio e os outros homens, que não se baseia diretamente em objetos, pessoas e situações que estejam presentes, mas em signos, representações. • Processos mentais superiores: processos cognitivos de percepção, atenção, memória, linguagem e pensamento, utilizados de forma consciente. • No início dos processos de evolução e de desenvolvimento, o pensamento e a linguagem têm percursos distintos: – 1º linguagem pré-intelectual e inteligência pré-verbal. – 2º linguagem racional, e constitui-se o pensamento verbal. • Internalização: reconstrução interna de uma operação externa. Passam do plano social (interpsicológico) para o plano individual (intrapsicológico). Zona de desenvolvimento proximal ou iminente É a distância entre o desenvolvimento real e o desenvolvimento potencial, ou seja, é um espaço psicológico entre o que a pessoa pode realizar sozinha e o que só pode realizar com a ajuda de uma pessoa mais experiente, o mediador. 5.4.2 Piaget Contemporâneo de Vygotsky, Piaget nasceu no mesmo ano, mas viveu muito mais. Sendo assim, teve mais tempo de desenvolver sua teoria, chamada de Epistemologia Genética. Aos 21 anos, formou-se em Biologia e no ano seguinte doutorou-se em Ciências Naturais; aos 25 anos já havia publicado 25 trabalhos científicos em que demonstrava que o desenvolvimento biológico não era apenas devido a fatores hereditários, mas, também, a interação com o ambiente, por isso é considerado interacionista. Piaget não enfatiza as questões sociais, culturais, econômicas ou políticas, como Vygotsky faz em sua teoria Conforme Pulino (2005), o desenvolvimento psicológico é um processo de equilibração progressiva, uma passagem contínua de um estado de menor equilíbrio para um estado de equilíbrio superior. Esse processo acontece por meio da assimilação e da acomodação. Assimilação: o processo mental pelo qual uma pessoa integra um novo dado perceptual, motor ou conceitual aos esquemas ou padrões de comportamento já existentes. Acomodação: consiste em criar ou transformar esquemas ou estruturas mentais, por meio do reajuste das ações e pensamentos, com vistas ao contato com os dados de realidade assimilados. • Adaptação é o equilíbrio das assimilações e acomodações.• Esquemas são as estruturas mentais pelas quais os indivíduos organizam seu meio e se adaptam. São os conceitos que construímos ao longo de nossas vidas. Para Piaget, o nosso desenvolvimento é linear e acontece por meio de estágios. 1º estágio – Sensório-motor: 0 – 2 anos • Não permanência do objeto. Para as crianças só existe o que é perceptível aos olhos. • Conhecimento do mundo por meio das percepções sensório-motoras. A criança se expressa e descobre o mundo por meio de seus sentidos e pelo movimento. • Pensamento prático. O pensamento é a própria ação. Piaget subdivide esse estágio em três etapas: a) estágio dos reflexos, ou mecanismos hereditários; b) estágio dos primeiros hábitos motores, das primeiras percepções organizadas e dos primeiros sentimentos diferenciados; c) estágio da inteligência senso-motora, ou prática, e das regulações afetivas elementares. 2º estágio – Pré-Operatório: 2 – 6 anos • A linguagem consolida-se como elemento organizador. • Começa a representar a realidade para si mesma, pelo uso de símbolos, incluindo imagens mentais, palavras e gestos. Desenvolvimento do simbolismo. • Introdução efetiva no mundo simbólico do jogo, do desenho. Highlight Highlight Highlight • Egocentrismo: criança, nessa etapa, não consegue descentrar-se de si mesma. O único ponto de vista válido é o seu próprio. • Animismo é a tendência de a criança conceber as coisas como vivas e dotadas de intenção. • Pensamento intuitivo. • Artificialismo. • Fase dos “porquês”. • Animismo: atribuição de emoções e pensamentos a objetos inanimados. • Realismo: a realidade é construída pela criança sem objetividade (se sonhou que o lobo está no corredor, pode ter medo de sair do quarto). • Finalismo: dado o egocentrismo da criança, as coisas têm como finalidade a própria criança (o monte é um declive para ela poder correr). • Artificialismo: explicação de fenômenos naturais como se fossem produzidos pelos seres humanos (o sol foi aceso por um fósforo gigante). • O pensamento é irreversível. • A criança pode classificar e seriar objetos por aproximações sucessivas, embora sem lógica de conjunto. 3º estágio – Operações Concretas: 6 – 11 anos • Mudanças radicais na estrutura psíquica da criança e no seu comportamento. • Comportamento cooperativo. • Pensamento operacional. • Desenvolvimento das operações lógicas: – reversibilidade mental (capacidade de o pensamento voltar ao ponto de partida); – pensamento lógico, ação sobre o real; – operações mentais: contar, classificar, seriar, incluir classes; – conservação da matéria sólida, líquida, peso, volume; – conceitos de tempo e de espaço globais e de velocidade. 4º estágio – Operações Formais: a partir dos 11/12 anos • Raciocínio torna-se lógico e formal, isto é, não depende de processos empíricos, mas de relações racionais, operadas mentalmente. • Emprega teorias e hipóteses na solução de problemas, usando várias operações intelectuais simultaneamente. Highlight Highlight • Pensamento abstrato (as operações mentais não necessitam apoiar-se no concreto para serem formuladas). • Operações formais, ação sobre o possível. • Raciocínio hipotético-dedutivo (o adolescente formula hipóteses e deduz conclusões; é capaz de resolver problemas a partir de enunciados verbais). • Definição de conceitos e de valores. • Egocentrismo cognitivo, que leva o adolescente a considerar que por meio do seu pensamento pode resolver todos os problemas e que as suas ideias são as mais corretas. Piaget não intencionava criar uma teoria da aprendizagem, mas compreender como o ser humano constró seus conhecimentos. No entanto, sua teoria contribuiu muito para a área educacional. A partir dela temos o que denominamo teoria construtivista, na qual se entende que o ser humano constrói ativamente seu conhecimento sobre realidade externa e as interações são fundamentais nesse processo. 5.4.3 David Ausubel Nascido nos Estados Unidos, filho de pais judeus, Ausubel sofreu muito preconceito na escola. Quando se formou em Psicologia resolveu dedicar-se à Educação, buscando as melhorias necessárias ao verdadeiro aprendizado. A teoria da aprendizagem significativa é baseada no cognitivismo. Ausubel propõe que os conhecimentos prévios dos alunos sejam valorizados. A partir desses conhecimentos, é possível construir estruturas mentais utilizando mapas conceituais. Ele trabalha com o subsunçor, que é definido como uma estrutura específica ao qual uma nova informação pode se integrar ao cérebro humano, que é altamente organizado e detentor de uma hierarquia conceitual que armazena experiências prévias do aprendiz. Cria-se, assim, pontos de ancoragem entre o conhecimento a ser aprendido e os conhecimentos já existentes. Em sua visão, para que a aprendizagem significativa possa ocorrer, é preciso haver duas condições: • o aluno precisa estar predisposto a aprender; • o material a ser aprendido tem que ser potencialmente significativo. 5.4.4 Howard Gardner Cientista norte-americano formado na área de Psicologia e Neurologia; revolucionou a área de estudo quando trouxe sua teoria das inteligências múltiplas. Critica veementente o uso de testes para medir a inteligência. Para ele, a inteligência é definida como: a capacidade para resolver problemas ou elaborar produtos que sejam valorizados em um ou mais ambientes culturais ou comunitários. A inteligência é tratada por Gardner como possuindo várias facetas, as quais a escola deverá valorizar e trabalhar. Inicialmente, definiu sete inteligências: Inteligência linguística: a capacidade de usar as palavras de forma efetiva, quer oralmente, quer escrevendo. Inteligência interpessoal: a capacidade de perceber e fazer distinções no humor, intenções, motivações e sentimentos de outras pessoas. Inteligência intrapessoal: o autoconhecimento e a capacidade de agir adaptativamente com base nesse conhecimento. Inteligência lógico-matemática: a capacidade de usar os números de forma efetiva e de raciocinar bem. Inteligência musical: a capacidade de perceber, discriminar, transformar e expressar formas musicais. Inteligência espacial: a capacidade de perceber com precisão o mundo visuo-espacial (por exemplo, como caçador, escoteiro ou guia) e de realizar transformações sobre essas percepções (por exemplo, como decorador de interiores, arquiteto, artista ou inventor). Essa inteligência envolve sensibilidade à cor, linha, forma, configuração e espaço. Inclui, também, a capacidade de visualizar, de representar graficamente ideias visuais e de orientar-se apropriadamente em uma matriz espacial. Inteligência corporal-cinestésica: perícia no uso do corpo todo para expressar ideias e sentimentos (por exemplo, como ator, mímico, atleta ou dançarino) e facilidade no uso das mãos para produzir ou transformar coisas (por exemplo, como artesão, escultor, mecânico ou cirurgião). Essa inteligência inclui habilidades físicas específicas, tais como coordenação, equilíbrio, destreza, força, flexibilidade e velocidade, assim como capacidades proprioceptivas, táteis e hápticas. Depois acrescentou mais três: Inteligência naturalística: habilidade para interagir com outros seres e com o ambiente, valorizando e preservando condições de sobrevivência equilibrada e responsável dos organismos e espaços que compõem uma comunidade. Inteligência pictórica: habilidade de desenhar. Essa inteligência tem seu destaque e integra a lista de Gardner devido aos estudos de Nilson José Machado, professor da USP, quando caracterizou o desenho como uma importante forma de comunicação e expressão. Representada pelos artistas plásticos, desenhista, designers. Inteligência existencial: aquela em que o homem se preocupa com o seu “eu”. Preocupa-se com si mesmo, sua origem e seu futuro. 5.4.5 Henri Wallon Nascido na França, em 1879, Wallon viveu toda sua vida em Paris, onde morreu em 1962. Ele teve uma vida intensa, produzindo muito intelectualmente e engajando-se em questões sociais e políticas. Sua formação inicial foi em Medicinae Filosofia. Wallon é o estudioso da pessoa completa, considerada em suas relações com o meio e em seus diversos domínios. A base de sua teoria é o materialismo histórico dialético; assim, ele entende o sujeito numa reciprocidade de ação com o meio social no qual está inserido. Para ele, o homem é um ser geneticamente social e propõe a psicogênese da pessoa completa, ou seja, o estudo integrado do desenvolvimento. Em sua teoria, alguns conceitos são destacados: Afetividade: processos psíquicos que acompanham as manifestações orgânicas das emoções e que evoluem junto com os processos cognitivos, alternando-se durante o ciclo vital. Motricidade: expressão corporal do ato mental variando dos reflexos até movimentos coordenados pela atividade intelectual. Os movimentos são expressões da natureza afetiva e cognitiva. Inteligência: dimensão cognitiva do indivíduo que se estrutura por meio da linguagem e da interação como os elementos da cultura passando por progressivas diferenciações ao longo da vida. Emoção: tem origem fisiológica, expressando-se visualmente no organismo; é a expressão motora em ação, de caráter hábil e momentâneo. Tem como características: • Plasticidade: capacidade de impregnar no corpo efeitos visuais. Ex.: rubor na face. • Contagiosidade: capacidade de atingir outras pessoas com seus efeitos. Conforme Wallon, o nosso desenvolvimento não é linear, mesmo ele formulando uma teoria com estágios. Ele deixa claro que o desenvolvimento é pontuado por conflitos endógenos e exógenos e enfatiza que os conflitos são os propulsores da aprendizagem. Os estágios, dessa forma, alternam-se na predominância ora cognitiva ora afetiva. O nosso pensamento nessa perspectiva caminha do sincrético para o sintético. Estágio Impulsivo-Emocional: 0 – 1 ano • Movimentação desordenada ocasionada por sensações de bem e mal- estar. • Todos os seus gestos, mímicas e vocalizações, ou seja, suas maneiras de comunicação expressam algum tipo de emoção. • Emoção é a principal característica. Estágio Sensório-Motor e Projetivo: 1 – 3 anos • O interesse da criança volta-se para a exploração sensória-motora do mundo físico (sensibilidade exteroceptiva). • As aquisições da marcha e da preensão possibilitam-lhe maior autonomia na manipulação de objetos e na exploração de espaços. • Desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. Personalismo: 3 – 6 anos • Estágio do espelho. • Momento fortemente exibicionista. • Amplia as relações sociais. Estágio Categorial: 6 – 11 anos • A criança começa a perceber que existe uma diferenciação entre si e o mundo externo; maior evidência do fator cognitivo. • Exploração mental do mundo físico. • Consolidação da função simbólica e a diferenciação da personalidade adquiridos no estágio anterior possibilitam avanços na inteligência. • Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas, para o conhecimento e conquista do mundo exterior, imprimindo às relações com o mundo exterior preponderância do aspecto cognitivo. Predominância Funcional • Predomínio do caráter intelectual: etapas em que a ênfase está na elaboração do real e no conhecimento do mundo físico. • Predomínio do caráter afetivo: etapas em que a ênfase está na elaboração do eu. Agora você fará um mapa mental colocando os principais pontos da teoria de cada autor. Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: (Cespe/Correios/2011) Com relação às teorias de desenvolvimento e aprendizagem, julgue os itens seguintes. 1. ( ) A tese de que desenvolvimento psicológico do indivíduo independe do ambiente social é compatível com a perspectiva histórico-cultural desenvolvida por Vygotsky. 2. ( ) O conceito de zona de desenvolvimento proximal formulado por Vygotsky diz respeito à necessidade intrínseca que todo adulto tem de realizar, no lugar da criança, as tarefas que considera que ela seja incapaz de desempenhar sozinha. 3. ( ) Segundo Jean Piaget, o desenvolvimento psíquico, que se inicia no nascimento e se encerra na idade adulta, orienta-se essencialmente para o equilíbrio. 4. ( ) De acordo com a epistemologia genética, o pensamento formal consiste na capacidade de transposição das operações lógicas do plano das ideias para o da manipulação concreta. (Cespe-UnB/Unipampa/2013) A respeito das bases psicológicas da aprendizagem, julgue os itens que se seguem. 5. ( ) De acordo com os pressupostos da psicologia genética, o desenvolvimento cognitivo humano se apoia em dois grandes eixos: a adaptação biológica e o intercâmbio entre sujeito e objeto. 6. ( ) As concepções de Vygotsky a respeito do desenvolvimento humano fundamentam-se na ideia da existência de uma estrutura fixa do sistema nervoso de um sistema cerebral fechado. 7. ( ) Segundo a abordagem behaviorista da aprendizagem, o desenvolvimento de comportamentos geralmente se realiza mediante a técnica de modelagem por aproximações sucessivas, que consiste no reforço seletivo das respostas semelhantes à resposta final esperada. 8. ( ) De acordo com os princípios psicogenéticos, o ambiente social é determinante para a formação da personalidade, interferindo, inclusive, nas fases de desenvolvimento cognitivo. 9. (UnB/Cespe/Semec-PI) Assinale a opção correta acerca das teorias da aprendizagem. a) A obra de Jean Piaget demonstra que existe um percurso natural de desenvolvimento de cada ser humano. b) Para Wallon, a aprendizagem é basicamente a mudança de comportamento por meio de reforços positivos. c) A aprendizagem significativa e a disposição do aluno em aprender são características fundamentais para Skinner. d) Para David Ausubel, o processo de aprender é que gera o desenvolvimento das estruturas mentais, o que ocorre na zona de desenvolvimento proximal. e) Para Vygotsky, a aprendizagem está diretamente relacionada com a realização de experiências pelos próprios alunos. (Cespe-UnB/Seplag-DF/2008) Com relação às bases psicológicas da aprendizagem, julgue os itens. 10. ( ) Comportamentos objetivamente observáveis e condicionantes operantes são características do behaviorismo. 11. ( ) Ausubel afirma que existem funções que ainda não amadureceram, porém estão em maturação, e que a aprendizagem ocorre por meio da mediação de outros sujeitos. 12. ( ) Para Piaget, a aprendizagem deve ser significativa, por meio de organizadores prévios para o desenvolvimento de conceitos subsunçores. 13. ( ) A autenticidade é uma característica importante na teoria de Carl Rogers, sendo que o professor deve exercer o papel de facilitador do processo de aprendizagem. 14. ( ) Para Gardner, tanto a inteligência como a aprendizagem são diversificadas e a presença mais evidenciada de uma inteligência não nega a existência de outra. 15. ( ) Para Vygotsky, as capacidades humanas não são inatas, mas sim o resultado da interação do sujeito com o meio, e o professor deve ser um desequilibrador de estruturas. 16. (Cespe-UnB/Semec-PI/2009) Com relação à aplicação dos princípios da teoria comportamental no processo de ensino-aprendizagem, assinale a opção correta. a) A aprendizagem deve ser diretamente observada, mediante a resposta emitida pelo aluno. b) Controlar as condições do ambiente e o aluno, para assegurar a aprendizagem, é atribuição que excede o conjunto de atribuições dos professores. c) Medir a mudança de comportamento do aluno é procedimento inadequado quando se deseja avaliar os objetivos de aprendizagem. d) A mudança de comportamento do aluno é um aspecto que deve ser negligenciado quando são formulados os objetivos educacionais. 17. (Cespe-UnB/Semec-PI/2009) Com relação à teoria de Piaget acerca do processo de desenvolvimento e aprendizagem, assinale a opção correta. a) O desenvolvimento cognitivo não é um processo sequencial marcado por etapas caracterizadas por estruturas diferenciadas. b) Ao explicar a interação construtiva da criança com o ambiente, Piaget utilizou os conceitos de assimilação,acomodação e adaptação. c) As estruturas mentais mantêm-se inalteradas com o passar da idade. d) O equilíbrio progressivo entre assimilação e acomodação tende a impedir o desenvolvimento intelectual. 18. (Cespe-UnB/Seduc-CE/2013) A teoria da aprendizagem que se refere à hereditariedade do sujeito e afirma que suas características são determinadas desde o seu nascimento, é a denominada a) cognitivismo. b) empirismo. c) inatismo. d) behaviorismo. e) interacionismo. (Cespe-UnB/Sedu-ES) Costuma-se definir aprendizagem como mudança de comportamento. Esse termo não se aplica somente às atividades escolares, mas é um fenômeno do dia-a-dia que ocorre desde o início da vida. Uma área específica dentro da psicologia investiga a aprendizagem e seus processos. Julgue os itens que se seguem, relativos às teorias da aprendizagem. 19. ( ) De acordo com a teoria piagetiana, a assimilação e a acomodação são dois aspectos complementares do processo de construção do conhecimento. A criança assimila um objeto e acomoda um esquema. Assimila um objeto dentro de um esquema já dominado e acomoda um esquema para que ele dê origem a outro. 20. ( ) Piaget apresenta quatro estágios de desenvolvimento da inteligência: pré--operacional, de 0 a 2 anos de idade; operacional concreto, de 2 a 7 anos; operacional formal, de 7 a 11 anos; e sensório motor, de 11 anos em diante. 21. ( ) De acordo com diversas teorias da aprendizagem, maturação é o desenvolvimento do corpo e do sistema nervoso que prepara o animal para dar determinadas respostas. Os comportamentos que dependem da maturação surgem em épocas previsíveis e não requerem treinamento específico. 22. ( ) De acordo com a teoria behaviorista, o comportamento humano consiste em reflexos inatos ou aprendidos, por isso, para todo estímulo, há uma resposta, e é nessa direção que o professor deve pensar as atividades de ensino. 23. ( ) Na perspectiva sociointeracionista, a linguagem humana não é estudada, por ser um processo de abstração e generalização que não reflete a realidade. 24. ( ) Para Vygotsky, a maturação biológica é um fator primordial no desenvolvimento das formas complexas de comportamento humano. Apoia-se na ideia de que a criança contém os estágios de desenvolvimento intelectual esperando o momento adequado para emergir. 25. ( ) Vygotsky identifica dois níveis de desenvolvimento: um que se refere às conquistas já efetivadas, nível de desenvolvimento real; e outro, de desenvolvimento potencial, que se relaciona às capacidades a serem construídas. Entre esses dois níveis, se localiza a zona de desenvolvimento proximal. Gabarito ESPAÇO DO ALUNO Capítulo 6 PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: CONCEPÇÕES, PRINCÍPIOS E EIXOS NORTEADORES E A GESTÃO EDUCACIONAL DECORRENTE DE SUA CONCEPÇÃO Chegamos, agora, ao tema projeto político-pedagógico e gestão. Esse conteúdo sempre é cobrado nas provas. A principal referência é a professora Ilma Passos de Alencastro Veiga. Para iniciar o estudo, preencha o quadro. Quais os principais conceitos em relação ao PPP? Quais os principais conceitos em relação à Gestão 6.1 Projeto político-pedagógico Segundo Veiga (1998), o projeto político-pedagógico é um documento que não se reduz ao conjunto de projetos, atividades diversas e planos de aula ou mero cumprimento de uma tarefa burocrática. Deve apontar um rumo, uma direção, um sentido explícito para um compromisso estabelecido coletivamente. E, ainda, explicitar os fundamentos teóricos-metodológicos, objetivos, tipo de organização e as formas de implementação e avaliação da escola. Em termos teóricos, fundamenta-se na unicidade teoria e prática estabelecidos em parâmetros curriculares, ações conscientes e organizadas da escola, tendo como pressuposto a reflexão coletiva que articule escola, família, comunidade. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9.394/1996, prevê, em seu art. 12, inciso I, que os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de elabora e executar sua proposta pedagógica. Na referida lei, teremos três termos para projeto político-pedagógico: • No art. 12, vem como proposta pedagógica; • no art. 13, plano de trabalho; • no art. 14, projeto pedagógico. Veiga (2000) utiliza o termo projeto político-pedagógico. Político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico e aos interesses reais e coletivos da população, além da formação de cidadãos. Pedagógico por buscar as ações educativas e as características necessárias às escolas para o cumprimento de seus propósitos e intencionalidade. 6.1.1 Concepções de projeto político-pedagógico Estudos atuais na área de Educação apontam para a importância do projeto político-pedagógico (PPP). De acordo com Veiga (2003), temos duas grandes concepções de PPP, uma pautada na inovação regulatória ou técnica e outra pautada na concepção de inovação emancipatória ou edificante de PPP. Inovação regulatória ou técnica Nessa concepção há a distinção entre fins e meios. Os processos de inovação orientam-se para a padronização, uniformidade, controle burocrático e planejamento centralizado. O projeto político-pedagógico volta-se para a aplicação técnica do conhecimento, pauta-se na tríade insumo/processo/produto, visando à eficácia. Assim, torna-se um documento programático e burocrático. Inovação emancipatória ou edificante Essa perspectiva entende o PPP como a própria organização do trabalho pedagógico da escola, articulando-o com a inovação e integrando o processo de construção com o produto. Portanto, a escola deve assumir como tarefa a reflexão sobre sua intencionalidade educativa. A inovação emancipatória ou edificante trabalha com os processos formativos de natureza ético-social. Para Veiga (2003), a inovação é fruto da reflexão da realidade interna da instituição pautada no contexto social mais amplo. 6.1.2 Princípios, eixos norteadores e autonomia do projeto político pedagógico A construção do projeto político-pedagógico demanda: • Aglutinação de crenças; • Convicções; • Conhecimento da comunidade escolar; • Do contexto social e científico; • Compromisso político e pedagógico. Para tanto, deve ser construído a partir de princípios que propiciem a aglutinação de crenças e ideias. Conforme Veiga (2003), os princípios para a elaboração do PPP são: Igualdade de condições para acesso e permanência na escola, é mais que a expansão quantitativa d vagas. Qualidade de educação para todos, implica duas dimensões indissociáveis técnica/formal e polític (participação). Gestão democrática consagrada pela Constituição e abrange as dimensões política, administrativa e financeira visa romper como os pressupostos neotecnicistas (separação entre concepção e execução entre pensar e fazer, entre teoria e prática). Liberdade associada à ideia de autonomia, liberdade para aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a arte o saber direcionados para uma intencionalidade definida coletivamente. Valorização do magistério formação inicial e continuada, condições de trabalho, dedicação integral à escola, redução d número de alunos, remuneração etc. A construção do PPP exige esforço coletivo que implica: • seleção de valores a serem consolidados; • pressupostos teóricos e metodológicos; • análise do contexto externo da escola. Veiga (2003) aponta que é necessário considerar a autonomia da escola no momento de construção e execução do projeto político-pedagógico. Ela possui um sentido sociopolítico e se volta para a construção da identidade da instituição e pode se considerar em quatro dimensões como aponta a figura abaixo. Principais características do projeto político-pedagógico, segundo Veiga (2000): • movimento de luta a favor da democratização da escola; • está voltado para inclusão; • coletivo e integrador fruto da confiança, cooperação e negociação coletiva; • pautado na autonomia; • legitimidade ligada à participação; • propiciaunidade e coerência ao processo educativo. 6.1.3 Outros olhares sobre o projeto político- pedagógico A discussão do projeto político-pedagógico exige uma reflexão acerca da concepção da educação, o homem e sua relação com a sociedade e a escola. A seguir, apresentamos um quadro conceitual sobre o PPP, a partir da visão dos autores Ilma Passos Veiga, Celso Vasconcellos e Libâneo, que são os mais cobrados pelas bancas. Ilma Passos Veiga O projeto político-pedagógico é um documento que não se reduz ao conjunto de projetos atividades diversas e planos de aula ou mero cumprimento de uma tarefa burocrática. Deve apontar um rumo, uma direção, um sentido explícito para um compromisso estabelecid coletivamente. E, ainda, explicitar os fundamentos teóricos-metodológicos, objetivos, tipo d organização e as formas de implementação e avaliação da escola. O projeto busca um rumo e uma direção. É uma ação intencional, que integra o pedagógico possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola e a formação do cidadã participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo e o político – no sentido d compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. Celso Vasconcellos O projeto político-pedagógico é a sistematização, nunca definitiva, de um processo d planejamento participativo, que se aperfeiçoa e se concretiza na caminhada, que defin claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar. É um importante caminho para construção da identidade da instituição. É um instrumento teórico-metodológico para intervenção e mudança da realidade. É um elemento de organização e integração da atividad prática da instituição nesse processo de transformação. Libâneo O projeto pedagógico-curricular é a concretização do processo de planejamento. Englob os objetivos, diretrizes, ações do processo educativo, expressando a síntese das exigência sociais e legais do sistema de ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. É a expressão da cultura organizacional e ainda um conjunto de princípios e práticas que reflet e recria essa cultura, visando à intervenção e transformação da realidade. O projeto pedagógico-curricular deve ser compreendido como instrumento e processo d organização da escola. O projeto é um guia para a ação, prevê, dá uma direção política pedagógica para o trabalho escolar, formula metas, institui procedimentos e instrumentos d ação. Elabore um quadro-resumo. Conceito Concepções Princípios Dimensões da Autonomia Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: (Cespe/Analista de Correios(ECT)/Pedagogo/2012) A respeito do Projeto Político-Pedagógico (PPP), julgue os itens a seguir. 1. ( ) O PPP caracteriza-se por ser um documento estritamente administrativo, no qual devem estar expressos os objetivos de aprendizagem, as metas das instituições educativas bem como os métodos pedagógicos para o cumprimento do currículo. 2. ( ) A elaboração do PPP compete aos gestores públicos, que devem observar não só a legislação educacional vigente, mas também as aspirações da sociedade contemporânea, no estabelecimento das concepções pedagógicas que fundamentarão as ações educacionais, de cuja execução devem participar apenas os profissionais das instituições educativas. 3. ( ) O PPP deve refletir as prioridades da instituição escolar articuladas às ações educativas previstas, cuja intencionalidade também deve ser explicitada nesse documento. 4. ( ) As concepções de autonomia e de gestão democrática devem ser contempladas no PPP. (Cespe/Governo do Estado do Espírito Santo/Sedu)/Pedagogo/2011) Considerando o Planejamento de organização do trabalho escolar, julgue os próximos itens. 5. ( ) O projeto político-pedagógico de uma escola, além de ser um documento formal, deve explicitar o compromisso com a formação do cidadão com base em princípios de autonomia da escola, de solidariedade entre os agentes educativos, de estímulo à participação de todos em um projeto comum e coletivo. 6. ( ) Em uma perspectiva transformadora, o PPP deve refletir um conjunto de ações coordenadas entre si, buscando garantir o alcance de resultados, previsíveis e imutáveis para atender às dificuldades, problemas e potencialidades identificadas no cotidiano. (Cespe/Governo do Estado do Amazonas/Seduc/Pedagogo/2011) No que diz respeito à relação professor-aluno e à aprendizagem, julgue o próximo item. 7. ( ) O projeto político-pedagógico, por se tratar de documento no qual se apresenta a organização da escola, não influencia o trabalho pedagógico em sala de aula nem a relação professor-aluno. 8. (Cespe/Prefeitura Municipal de Teresina/Sema/Pedagogo/2011) A construção do projeto político-pedagógico na perspectiva da emancipação parte dos princípios de igualdade, qualidade, liberdade, gestão democrática e valorização do magistério. Em relação a esses princípios, assinale a opção correta. a) A igualdade pressupõe a expansão quantitativa de oferta de alunos em detrimento da manutenção da qualidade. b) A gestão democrática implica o repensar da estrutura de poder da escola, visando à sua socialização. c) A qualidade implica duas dimensões dissociáveis, a técnica e a política, estando uma diretamente subordinada à outra. d) A liberdade deve ser considerada como liberdade para aprender e ensinar a arte e o saber direcionados para uma intencionalidade definida pela direção da escola. 9. (Cespe-UnB/Fundac-PB/Pedagogo/2012) O processo de construção do projeto político-pedagógico a) esgota-se em um plano de ação único e acabado. b) contém um conjunto de ações intencionais que objetivam ação futura. c) não tem compromisso com os processos decisórios. d) ignora a possibilidade de haver problemas e conflitos futuros. 10. (Cespe-UnB/Fundac-PB/Pedagogo/2012) Na concepção emancipatória, o projeto político-pedagógico da escola é a) um plano direto para a escola, com objetivos, metas e procedimentos. b) um processo de dimensão estritamente técnica e que, por isso, não engloba todos os atores da escola. c) um processo normativo de controle burocrático do ato educativo. d) uma referência à ação de todos os atores envolvidos no ato educativo. 11. (FGV/Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia/Pedagogo/2013) O projeto político-pedagógico, obrigatório em todos os estabelecimentos de ensino, é um reflexo e um produto do processo de planejamento escolar, dando visibilidade ao planejamento participativo, fazendo com que seja, de fato, uma expressão da identidade da escola. Sobre o projeto político-pedagógico, assinale a afirmativa correta. a) Tem um caráter deliberativo sobre os conteúdos curriculares que cada disciplina deve abordar. b) Deve restringir os deveres dos componentes do ambiente escolar, com o objetivo de manter a ordem e criar um ambiente favorável ao ensino e à aprendizagem. c) Deve ser elaborado por uma equipe técnica especializada, composta pelos gestores educacionais e especialistas com formação em nível de pós‐graduação. d) Deve avaliar as políticas públicas voltadas para a educação nas diferentes esferas do poder e o debate sobre quanto do Produto Interno Bruto (PIB) deve ser aplicado na educação. e) Deve ser o produto de um processo que engloba o compromisso com a realidade da escola e trazer, em sua essência, a proposta pedagógica da escola. 12. (FGV/Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino do Estado do Amazonas – Seduc-AM/Pedagogo/2014) Leia o fragmento a seguir: “... não se constitui na simples produção de um documento, mas na consolidação de um processo de ação-reflexão-ação, que exige o esforço conjunto e a vontade política do coletivo escolar.” Assinale a opção que indica o conceito apresentado no fragmento acima. a) Plano de Aula. b) Projeto Político-Pedagógico. c) Prestação de Contas. d) Avaliação dos Estudantes. e) Escolha do Livro Didático. 13. (FGV/Instituto Estadual do Ambiente/Inea-RJ/2013)“O projeto político‐pedagógico tem a ver com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis: como organização da escola como um todo e como organização da sala de aula, incluindo sua relação com o contexto social imediato, procurando preservar a visão de totalidade.” (Veiga, I. A. Projeto Político‐Pedagógico da Escola: uma construção coletiva. 7. ed. Campinas, SP: Papirus, 1998, p. 14). As dimensões institucionais, políticas e pedagógicas constituem o projeto político--pedagógico que articula as atividades culturais e sociais ao trabalho pedagógico, apontando uma direção explícita e um compromisso coletivo para o alcance dos propósitos e das intencionalidades da escola. Tendo como base os trechos acima, assinale a alternativa que explicita a dimensão pedagógica do projeto político‐pedagógico. a) Define e organiza a maneira como o espaço e o tempo serão distribuídos para favorecer o desenvolvimento de competências por meio de aprendizagem significativa. b) Define o papel social da escola, a visão de mundo, de sociedade, de educação, de profissional e de aluno que a escola deseja construir. c) Define o perfil, a missão, as crenças, os valores, além dos objetivos e metas que a escola pretende alcançar. d) Define as características socioeconômicas dos alunos, o posicionamento teórico e apresenta a etnografia da escola. e) Define os conteúdos, metodologias, técnicas e formas de avaliação adotadas por cada disciplina, bem como o cronograma de aquisição de recursos escolares e insumos para a administração da unidade escolar durante o ano letivo. 14. (Consulplan/Enade/2008) A elaboração do projeto político-pedagógico é um processo de consolidação da democracia e da autonomia da escola, com vistas à construção de sua identidade. É uma ação intencional, com um compromisso definido coletivamente, que reflete a realidade, busca a superação do presente e aponta as possibilidades para o futuro. “O projeto político-pedagógico é um documento que não se reduz à dimensão didático-pedagógica.” Nesse trecho, o projeto político-pedagógico se constitui como a) instrumento legitimador das ações normativas da equipe gestora. b) desenvolvimento de ações espontâneas da comunidade escolar. c) definição de princípios e diretrizes que projetam o vir a ser da escola. d) incorporação de múltiplas teorias pedagógicas, produzidas na contemporaneidade. e) implementação de estrutura organizacional visando à administração interna da escola. 15. (Consulplan/Município de São Leopoldo-RS/Pedagogo) Para Veiga, “o projeto político-pedagógico (PPP) dá o norte, o rumo e a direção para a escola, possibilitando que as potencialidades sejam equacionadas, deslegitimando as formas instituídas.” De acordo com a autora, não está correto afirmar que o PPP: a) apresenta uma legitimidade estreitamente ligada ao grau e ao tipo de participação de todos os envolvidos com o processo educativo. b) é coletivo e integrador; portanto, requer desenvolvimento de um clima de confiança que favoreça o diálogo e o direito das pessoas de interferirem na tomada de decisões que afetam a vida da instituição educativa. c) define o tipo de ação educativa a se realizar, a partir de um posicionamento quanto às intencionalidades e leituras da realidade. d) exclui as relações sistêmicas e diretrizes gerais das políticas públicas em nome da autonomia e do sentido sócio político que delineia a identidade institucional. e) é um movimento de luta em prol da democratização da escola para uma orientação constante à reflexão e ação da escola. 16. (Consulplan/Prefeitura Municipal de Itapira-SP/Pedagogo/2010) A autonomia da escola implica em uma organização escolar que permita repensar os processos de gestão e a construção coletiva do projeto político- pedagógico, de modo que a escola possa traçar seu próprio caminho. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) remete à normatização da gestão democrática, garantindo dois instrumentos fundamentais ao incremento da participação. Identifique-os nos itens relacionados: I – Elaboração do projeto pedagógico da escola, contando com a participação de todos os profissionais da educação. II – Desenvolvimento de ações que promovam a formação continuada. III – Participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares e equivalentes. IV – Implementação do processo didático visando à qualidade do ensino. V – Elaboração do planejamento do pedagogo, demonstrando a sua autonomia. Estão corretas apenas as alternativas: a) III, V. b) I, IV. c) III, IV. d) I, III. e) II, III. 17. (Consulplan/Prefeitura Municipal de Carangola-MG/Pedagogo/2011) Na elaboração do projeto político-pedagógico da escola é imprescindível considerar, exceto: a) que a definição teórico-metodológica da escola constrói a sua identidade. b) o engajamento e compromisso de todos. c) o rompimento com algumas práticas obsoletas na ação educativa. d) a disposição dos envolvidos na construção do PPP. e) a compreensão dos participantes sobre a necessidade de sua construção. 18. (Consulplan/Prefeitura Municipal de Carangola-MG/Pedagogo/2011) São algumas finalidades do projeto político-pedagógico, exceto: a) Afirmar e confirmar o trabalho estanque de cada professor. b) Ser um instrumento de transformação da realidade. c) Dar um referencial de conjunto para o trabalho. d) Ser um canal de participação efetiva. e) Resgatar a intenção da ação educativa. 19. (MSConcursos/Universidade Federal do Acre – Ufac/Técnico- Administrativo em Educação/2014) O projeto político-pedagógico envolve três dimensões que evidenciam a sua importância. A dimensão política é importante porque a) considera a escola como espaço de formação de cidadãos. b) é necessário estabelecer regras e limites. c) deve ser envolvida nos processos educativos para fins de eleições. d) constitui-se como dimensão específica da escola. e) é necessária especialmente para que a escola possa receber verbas e investimentos. 20. (MSconcursos/Universidade Federal do Acre (Ufac)/Técnico- Administrativo em Educação/2014) Considerando o projeto político- pedagógico como um plano de gestão que procura desenvolver os alunos a partir de processos de ensino-aprendizagem que privilegiem o contexto da escola e a participação da comunidade, é incorreto afirmar que a) a elaboração de um PPP deve ser essencialmente focado no cumprimento das metas do sistema de ensino na qual a escola está inserida. b) é preciso estabelecer objetivos pedagógicos coerentes na construção do PPP. c) a elaboração do PPP a partir das contribuições da comunidade evidencia uma prática democrática de gestão. d) a elaboração de um PPP deve envolver a comunidade, incluindo pais e alunos. e) compartilhar a elaboração do PPP é essencial para uma gestão democrática. Gabarito 6.2 Gestão educacional decorrente do projeto político pedagógico 6.2.1 Conceito Segundo Libâneo (2012), gestão é a atividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para atingir os objetivos da organização. Os processos de gestão assumem diferentes modalidades, conforme a concepção que se tenha das finalidades sociais e políticas da educação em relação à sociedade e à formação dos alunos. 6.2.2 Concepções de gestão Existem várias concepções de gestão. Serão abordadas aqui as duas principais: a técnico-científica e a democrático-participativa. Técnico-científica • O poder de decisão é centrado em uma pessoa. • As decisões são verticalizadas ascendentes (de cima para baixo). • A realidade educacional deve ser rigidamente organizada, controlada para se alcançar maiores índices de eficiência. • Valoriza-se a hierarquia dos cargos, o poder e a autoridade. • Enfatiza-se as relações de subordinação e as tarefas. • Há baixo grau de participação das pessoas. Democrático-participativa • Baseia-se no estabelecimento de objetivos comuns assumidos pelos envolvidos. • As decisões são tomadas coletivamente, devendo cada integrante assumir as suas responsabilidades. • Enfatiza tanto as tarefasquanto as relações entre as pessoas. • Também chamada simplesmente de democrática ou participativa. A democrática é o modelo de gestão que se aproxima dos ideais do projeto político-pedagógico, uma vez que a participação dos envolvidos é fundamental para a construção do PPP. Nessa concepção de gestão, valoriza- se tanto a equipe diretiva quanto os demais da comunidade escolar. Importante destacar que a gestão democrática não é um modelo pronto, mas uma construção que requer a ação responsável de todos. Libâneo (2012) traz um quadro comparativo entre as concepções de organização e gestão escolar. Nele são apontadas quatro concepções: Concepções de organização escolar Técnico-científica Autogestionária Interpretativa Democrático- -participativa • Prescrição detalhada de funções e tarefas, acentuando a divisão técnica do trabalho escolar. • Poder centralizado no diretor, destacando-se as relações de subordinação, em que uns têm mais autoridade do que outros. • Ênfase na administração regulada (rígido sistema de normas, regras, procedimentos burocráticos e de controle das atividades), descuidando- se, às vezes, dos objetivos específicos da instituição escolar. • Comunicação linear (de cima para baixo), baseada em normas e regras. • Mais ênfase nas tarefas do que nas pessoas. • Vínculo das formas de gestão interna com as formas de autogestão social (poder coletivo na escola para preparar formas de autogestão no plano político). • Decisões coletivas (assembleia, reuniões), eliminação de todas as formas de exercício de autoridade e de poder. • Ênfase na auto-organização do grupo de pessoas da instituição, por meio de eleições e de alternância no exercício de funções. • Recusa a normas e a sistemas de controles, acentuando a responsabilidade coletiva. • Crença no poder instituinte da instituição e recusa de todo poder instituído. O caráter instituinte dá-se por pela prática da participação e da autogestão, modos pelos quais se contesta o poder instituído. • Ênfase nas inter-relações, mais do que nas tarefas. • A escola é uma realidade social subjetivamente construída, não dada nem objetiva. • Privilegia menos o ato de organizar e mais a “ação organizadora”, com valores e práticas compartilhados. • A ação organizadora valoriza muito as interpretações, os valores, as percepções e os significados subjetivos, destacando o caráter humano e preterindo o caráter estrutural, normativo. • Definição explícita, por parte d equipe escolar, de objetivo sociopolíticos e pedagógicos d escola. • Articulação da atividade d direção com a iniciativa e participação das pessoas d escola e das que se relaciona com ela. • Qualificação e competênc profissional. • Busca de objetividade no tra das questões da organização da gestão mediante coleta d informações reais. • Acompanhamento e avaliaçã sistemáticos com finalidad pedagógica: diagnóstic acompanhamento, do trabalhos, reorientação d rumos e ações, tomada d decisões. • Todos dirigem e são dirigido todos avaliam e são avaliados. • Ênfase tanto nas tarefas quan nas relações. Para o autor, essas concepções não aparecem puras na escola, mas, sim, misturadas. No entanto, pode-se observar um estilo mais dominante. Na Lei nº 9.394/1996, a gestão democrática, enquanto princípio, aparece no art. 3º, inciso VIII: Gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da legislação dos sistemas de ensino. Sobre os princípios norteadores da gestão democrática nas escolas públicas de educação básica, a LDB dispõe: Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto político- pedagógico da escola; II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Aspectos básicos para implementação da gestão democrática, conforme a LDB – Lei nº 9.394/1996: • Participação política. • Gratuidade do ensino. • Universalização da educação básica. • Coordenação. • Planejamento. • Descentralização dos processos de decisão e de execução. • Fortalecimento das unidades escolares. • Articulação entre os diferentes níveis de ensino. • Instituição do Conselho Nacional de Educação. • Garantia de assistência técnica e financeira aos Estados e Municípios pela União. • Fixação de diretrizes gerais. • Planos de carreira para o magistério público. • Erradicação do analfabetismo. Dourado (2003) aponta os principais mecanismos de participação na instituição escolar: • Escolha do dirigente escolar. • O grêmio escolar. • O conselho escolar. • O conselho de classe. Quadro-resumo Itens de análise Estratégico-empresarial Educação emancipatória Escola Bancária, cartorial e padronizada por ser: mercoescola, submissa aos valores do mercado; voltada para formar clientes e consumidores; privatistas, excludente. Emancipadora e cidadã, por ser: estatal quanto a funcionamento; democrática quanto à gestão; públic quanto à destinação e inclusiva. Desafio Garantir qualidade formal, a fim de aumentar o desempenho da escola por meio do planejamento eficaz. Garantir qualidade técnica e política para todos. Pressupostos Pensamento separado da ação; estratégia separada do operacional; os pensadores separados dos concretizadores; os estrategistas separados das estratégias. Unicidade da teoria e da prática; ação consciente organizada; participação efetiva da comunidade escolar trabalho coletivo; articulação da escola, da família e d comunidade. Gestão Processo autoritário de tomada de decisões; construída numa obrigação política vertical professores – direção – estado; baseada na separação, no tempo e na posição funcional dos professores; autonomia decretada, palavra de ordem e vazia de significado. Processo democrático para constituir um caminho real d melhoria da qualidade do ensino; construída num colaboração voluntária cidadão-cidadão fundadora de um verdadeira federação de esforços participativos. Construíd com base em um projeto coletivo gestado com a presenç efetiva de outros protagonistas: alunos, família professores, funcionários e demais forças sociais autonomia construída, social e politicamente, pela interaçã dos diferentes protagonistas. Currículo e conhecimento Currículo homogêneo é uma estratégia para a padronização que consolida a exclusão. Conhecimento como produto pronto e acabado, podendo ser transmitido e arquivado por meio da repetição e da memorização. Currículo como instrumento de compreensão do mundo, d transformação social e de cunho político-pedagógico Conhecimento como um processo de construçã permanente, interdisciplinar e contextualizado fruto d ação individual e coletiva dos sujeitos. Avaliação Visa aferir e controlar a qualidade por meio de instrumentos técnico- burocrático e aplicados por grupos estratégicos articulados em diferentes níveis da esfera administrativa. Visa à emancipação, voltada para a construção do sucess escolar e a inclusão, como princípio e compromisso social Fonte: VEIGA, 2001. Elabore um quadro-resumo. Conceito de gestão Concepções de gestão Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: (Cespe-UnB/FNDE/2012) No que se refere à relação entre educação e democracia, julgue os itens a seguir. 1. ( ) Atualmente, a gestão democrática da educação é centrada, prioritariamente, no sistema escolar, devendo estimular a participação comunitária nos processos decisórios locais de gestão escolar. 2. ( ) A educação, como formação e transmissão de valores construídos historicamente, desempenha um papel fundamental na perspectiva democrática atual, pois, por meio das práticas educativas, valores como igualdade, liberdade, cooperação e colaboração são enfatizados. 3. ( ) A tarefa primordial da educação é formar indivíduos que sejam capazes de criar novos direitose que atuem como autênticos sujeitos democráticos. (Cespe-UnB/FNDE/2012) Julgue os itens que se seguem, relativos aos princípios da gestão democrática e à importância da educação para a construção e o exercício da cidadania. 4. ( ) O combate ao preconceito, a articulação entre os conteúdos formais de ensino e os conhecimentos informais dos alunos e a liberdade de expressão e intervenção são características da gestão educacional democrática. 5. ( ) A gestão democrática, formulada de maneira autotélica, deve ser ensinada aos atores sociais para possibilitar a superação das desigualdades sociais. A respeito das referências legais e dos desafios da gestão democrática da educação, julgue os itens subsequentes. 6. ( ) Os conflitos decorrentes da convivência democrática, apesar de positivos para o crescimento grupal, devem ser evitados, de modo a garantir o respeito à vontade coletiva. 7. ( ) A articulação entre escola, família e comunidade, como meio de integração do trabalho pedagógico com a sociedade, é uma incumbência que consta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 8. ( ) Organização e participação dos discentes em entidades estudantis é um princípio democrático assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. 9. ( ) As exigências legais da gestão democrática da educação são uma garantia incontestável da democracia nos espaços educativos formais e informais. 10. ( ) Submeter os atores sociais a debates populares para tomadas de decisão de caráter técnico revela adequada aplicação do princípio da gestão democrática pela cultura do sistema educacional. (Cespe-UnB/FNDE/2012) Julgue os próximos itens, relativos à administração da educação e à gestão da educação. 11. ( ) Gestão da educação é o processo político-administrativo que toma a educação como prática social planejada, sistematizada e realizada por uma lógica diferenciada das demais organizações, em função de sua natureza e finalidade. 12. ( ) Administração da educação e gestão da educação são atividades equivalentes e referem-se, no contexto brasileiro, à técnica dos processos decisórios que ocorrem no processo político-administrativo do fenômeno educativo. (Cespe-UnB/FNDE/2012) Acerca dos elementos constitutivos da gestão democrática da educação, julgue os itens que se seguem. 13. ( ) O pluralismo assegura o respeito à diversidade de ideias e às posturas político-pedagógicas, o compartilhamento de responsabilidades e obrigações e a ressignificação da democratização do poder. 14. ( ) A transparência, associada à ética e à cidadania, contribui significativamente para a participação ativa dos cidadãos nas decisões que ocorrem nas diversas instâncias do sistema educacional. 15. ( ) Participação refere-se à situação em que os indivíduos, sujeitos da ação, estão envolvidos nas decisões em diversas instâncias, em um processo de análise de problemas, no intuito de formular soluções. 16. ( ) Autonomia, que é sinônimo de soberania no sistema educacional democrático, pressupõe sujeitos críticos e politizados, que reflitam sobre as consequências de suas ações e permitam um processo de construção coletiva. (Cespe-UnB/Prefeitura de Aracaju/Semad/2008) Organização e gestão constituem o conjunto das condições e dos meios utilizados para assegurar o bom funcionamento da escola para que se alcancem os objetivos educacionais esperados. Com relação a esse assunto, julgue os itens que se seguem. 17. ( ) O exercício profissional do professor inclui as três atribuições seguintes: a docência, a atuação na gestão e organização da escola e a produção de conhecimento pedagógico. 18. ( ) Na elaboração do projeto pedagógico da escola, deve-se levar em conta a cultura organizacional que se revela no currículo, na estrutura organizacional, nas relações humanas, nas ações de formação continuada e nas práticas de avaliação. 19. ( ) Na proposta democrático-participativa de gestão escolar, existe uma articulação entre todas as pessoas que se relacionam com a escola (pais, alunos, professores, funcionários e comunidade em geral) no acompanhamento das ações e nas avaliações sistemáticas, nas quais todos avaliam e são avaliados. (Cespe-UnB/Semec-PI/2009) Assinale a opção correta sobre o processo de gestão democrática escolar. 20. ( ) O diretor deve assumir o papel de representante do Estado, com a tarefa de zelar pelos seus interesses e sua conservação. 21. ( ) Existe a prevalência dos mecanismos gerenciais relacionados ao controle do trabalho dos profissionais da educação. 22. ( ) A divisão do trabalho deve ser aproximada da produção capitalista, tornando as atividades didáticas unidades pormenorizadas e fragmentadas. 23. ( ) A criação de mecanismos que favoreçam o exercício efetivo da participação é a tarefa essencial do gestor. 24. ( ) A estrutura de gestão da escola deve ser verticalizada, obedecendo à hierarquia burocrática. Gabarito ESPAÇO DO ALUNO Capítulo 7 PLANEJAMENTO O planejamento é uma ação que está presente em nosso cotidiano. Muitas vezes não nos damos conta, mas planejamos o horário para acordar, o caminho a tomar para trabalhar, o melhor horário para almoçar, a roupa que usaremos etc. Na educação não é diferente, o planejamento está ou deve estar presente em todas as instâncias, diferenciando-se a complexidade de acordo com o nível. Para Calazans (1990), o planejamento escolar ocorre em três níveis: • Planejamento no âmbito dos sistemas e redes de ensino. • Planejamento no âmbito da unidade escolar. • Planejamento no âmbito do ensino. Libâneo (1994), ao tratar do planejamento escolar, traz três modalidades (em alguns editais aparece com níveis) articuladas entre si: • Plano da Escola: denominado também projeto político-pedagógico, é o documento norteador d instituição. É o mais geral dentro da instituição escolar. • Plano de Ensino: sistematização da proposta geral de trabalho do professor naquela determinad disciplina ou área de estudo, numa dada realidade. Pode ser anual ou semestral. Possibilita a referência d conjunto. • Plano de Aula: proposta de trabalho do professor para determinada aula ou conjunto de aulas. Nível maio de detalhamento e objetividade do processo de planejamento didático. Complementando as primeiras considerações sobre o planejamento, Vasconcellos (2002) faz uma distinção entre planejamento, planejar e plano. Utilizando uma concepção dicotomizada, como ele mesmo afirma, temos o seguinte: Planejamento: 1. Ato ou efeito de planejar. 2. Trabalho de preparação para qualquer empreendimento, seguindo roteiro e métodos determinados; planificação: o planejamento de um livro, de uma comemoração. (Dicionário Aurélio) Planejar: 1. Fazer o plano de projetar, traçar. (...) 3. Fazer tensão ou resolução de, tencionar, projetar. (Dicionário Aurélio). Plano: projeto ou empreendimento com fim determinado. Conjunto de métodos e medidas para execução de um empreendimento. Libâneo (1999) também distingue esses conceitos: Plano ou projeto é um esboço, um esquema que representa uma ideia, um objetivo, uma meta, uma sequência de ações que irão orientar a prática. Planejamento de ações de ensino e de aprendizagem, determinadas por uma intencionalidade educativa envolvendo objetivos, valores, atitudes, conteúdos, modos de agir dos educadores que atuam na escola. Podemos perceber que há sutilezas entre os conceitos: planejamento está no campo conceitual, é o processo contínuo e dinâmico, enquanto o plano é a concretização do planejamento, é o produto dessa reflexão. Conforme Vasconcelos (2000), o planejamento como processo é permanente e o plano como produto é provisório. 7.1 Conceitos de planejamento Continuando a tratar sobre esse tema, traremos três autores já conhecidos para conceituar planejamento: Percebemos que os conceitos trazem em comum a ideia de antecipação da prática com vista à ação. Libâneo (1994) acrescenta que o planejamento também é um momento de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação. Para o autor, o planejamentose constitui como um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando escola e o contexto social. Vasconcellos (2002) amplia o conceito quando coloca o planejamento como construção – transformação de representações, é uma mediação teórico-metodológica para a ação, que, em função de tal mediação, passa a ser consciente e intencional. (grifo nosso) Para ele, o planejamento tem como finalidade procurar fazer algo vir à tona, fazer acontecer. Assim, o planejamento passa pela seguinte fases: • Estabelecer condições – objetivas e subjetivas. • Prever o desenvolvimento das ações no tempo – o que vem primeiro, o que vem em seguida. • Prever o espaço – onde vai ser feita. • Prever as condições materiais – recursos materiais, estrutura. • Prever condições políticas – relações de poder, negociações, estruturas. • Disposição interior – desejo, mobilização. Principais características do planejamento: • Caráter processual. • Atividade de reflexão e ação. • Processo contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar em suas condições concretas. • Roteiro para a prática. • Não determina rigidamente os resultados. • Atividade de reflexão individual e coletiva. • Não se reduz ao preenchimento de formulários. É importante lembrar que qualquer plano exige: Coerência: as atividades planejadas devem manter perfeita coesão entre si, de modo que não se dispersem em distintas direções, de sua unidade e correlação dependerá o alcance dos objetivos propostos. Sequência: deve existir uma linha ininterrupta que integre gradualmente as distintas atividades desde a primeira até a última, de modo que nada fique jogado ao acaso. Flexibilidade: é outro pré-requisito importante que permite a inserção sobre a marcha de temas ocasionais, subtemas não previstos e questões que enriqueçam os conteúdos por desenvolver, bem como permitir alteração, de acordo com as necessidades ou interesses dos alunos. Precisão e objetividade: os enunciados devem ser claros, precisos, objetivos e sintaticamente impecáveis. As indicações não podem ser objetos de dupla interpretação, as sugestões devem ser inequívocas. Em algumas provas cobram-se os níveis de planejamento: estratégico, tático e operacional. Como tem um viés da administração, nem sempre são utilizados nas instituições pedagógicas, mas é importante que s saiba do que se trata cada um deles: • Planejamento estratégico. Trata de objetivos mais amplos que são definidos para prazos mais longos entre dois e cinco anos. • Planejamento tático. Planejamento para médio prazo em que se trabalha com objetivos para unidades específicas da instituição. • Planejamento operacional. É o nível mais específico e com prazo menor, voltado para ações do dia a dia. Vamos elaborar alguns mapas mentais. Os mapas mentais auxiliam na revisão rápida, melhoram organização das informações, compreensão e memorização, possibilitando maior aprendizado. Características do planejamento 7.2 Elementos do planejamento Já vimos o que é planejamento e quais são as principais características; agora, vamos aos elementos que o compõem. O planejamento deve ser concebido como um processo de ação – reflexão – ação. Sendo assim, seu primeiro elemento serão os objetivos a serem alcançados e sempre se encerrará com a avaliação. Temos, entre os objetivos e a avaliação, os outros elementos: conteúdos, métodos/técnicas. Vamos, agora, abordar cada um desses elementos, de maneira bem objetiva, tendo como referência Libâneo (2003), que ainda é o autor mais cobrado no que se refere a esse conteúdo. 7.2.1 Objetivos de ensino Os objetivos são elaborados na perspectiva da formação de habilidades a serem desenvolvidas pelos alunos nas áreas atitudinais, cognitivas, sociais etc. Eles devem iniciar com verbos no infinitivo, pois irão indicar a habilidade desejada. Têm pelo menos três referências para sua formulação: os valores e ideais proclamados pela legislação; os conteúdos básicos das ciências e as necessidades e expectativas de formação cultural. Possuem dois níveis de objetivos: Objetivos gerais: expressam propósitos amplos acerca dos papéis da escola e do ensino. Os objetivos gerais têm três níveis de abrangência: a) Sistema escolar; b) Escola; c) Professor. Objetivos específicos: expressam exigências e resultados referentes às habilidades requeridas dos alunos em relação aos conteúdos estudados. São alcançados em menor tempo. Os objetivos específicos particularizam a compreensão das relações entre a escola e a sociedade. Têm sempre um caráter pedagógico. 7.2.2 Conteúdos Referem-se ao saber sistematizado, hábitos, atitudes, valores e convicções. Conforme Libâneo (2003), o professor deverá, na seleção dos conteúdos, considerar critérios como: validade, relevância, gradualidade, acessibilidade, interdisciplinaridade, articulação com outras áreas, cientificidade e adequação. Além do conhecimento da ciência, o professor, por exercer uma função formadora, deve inserir outros conteúdos: socialização, valores, solidariedade, respeito, ética, política, cooperação, cidadania, etc. (LEAL, 2005) Elementos do conteúdo, segundo Libâneo (2003): • Conhecimentos sistematizados; • Habilidades e hábitos; • Atitudes e convicções. 7.2.3 Metodologia Metodologia de ensino significa o conjunto de métodos aplicados à situação didático-pedagógica. Método de ensino é o caminho escolhido pelo professor para organizar as situações de ensino-aprendizagem. A técnica é a operacionalização do método. No planejamento, ao elaborar o projeto de ensino, o professor antevê quais os métodos e as técnicas que poderá desenvolver com seu aluno em sala de aula na perspectiva de promover a aprendizagem. Classificação dos métodos, conforme Libâneo (2003): Método de exposição pelo professor: atividades e tarefas apresentadas por ele. Método de trabalho independente: tarefas dirigidas e orientadas pelo professor para que o aluno resolva de modo relativamente independente. Método de elaboração conjunta: interação ativa entre professor e alunos. Supõe um conjunto de condições prévias: a incorporação pelos alunos dos objetivos a atingir, o domínio de conhecimentos básicos. Método de trabalho em grupo: distribuição de temas para grupos. Atividades especiais: atividades que complementam os métodos de ensino. 7.2.4 Recursos de ensino Com o avanço das novas tecnologias da informação e comunicação (NTIC), os recursos na área do ensino tornaram-se valiosos, principalmente do ponto de vista do trabalho do professor e do aluno, não só em sala de aula, mas como fonte de pesquisa. Ao planejar, o professor deverá levar em conta as reais condições dos alunos, os recursos disponíveis pelo aluno e na instituição de ensino, a fim de organizar situações didáticas em que possam utilizar as novas tecnologias, como: datashow, transparências coloridas, hipertextos, bibliotecas virtuais, internet, e-mail, sites, teleconferências, vídeos, e outros recursos mais avançados, na medida em que o professor for se aperfeiçoando. 7.2.5. Avaliação A avaliação é uma etapa presente quotidianamente em sala de aula, exerce uma função fundamental, que é a função diagnóstica. O professor deverá acolher as dificuldades do aluno no sentido de tentar ajudá-lo a superá-las, a vencê-las. Evitar a função classificatória, comparando sujeitos entre sujeitos. A avaliação deverá considerar o avanço que aquele aluno obteve durante o curso. Vamos elaborar um mapa mental para os elementos do planejamento. Objetivos Conteúdos Metodologia Avaliação Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: (Cespe/Correios/2011) Com relação à didática, que compreende a elaboração de planejamento de ensino, projeto de educação, plano de curso e plano de aula, julgue os itens subsecutivos. 1. ( ) O plano de aula consiste em um documento elaborado pelo professor, no qual deve constar descriçãopormenorizada do trabalho docente a ser desenvolvido em um semestre letivo. 2. ( ) Ao se elaborar um plano didático, deve-se primar pela rigidez e exatidão, a fim de se garantir a implementação de todas as atividades nele previstas. 3. ( ) O planejamento de ensino corresponde ao conjunto de ações previsto para ser desenvolvido pelo professor com a colaboração dos alunos. 4. ( ) O plano de curso corresponde a um documento no qual é descrito o trabalho a ser realizado, por docente e discentes, em determinado período letivo. 5. ( ) As formas de avaliação, em regra, não devem constar no plano de curso, mas em documento à parte. 6. (Cespe/TJRO/2012) A educação brasileira é organizada com base em parâmetros, planejamentos, projetos político-pedagógicos, entre outros instrumentos. No que se refere a planejamento no âmbito da educação, assinale a opção correta. a) O planejamento curricular corresponde ao processo de decisão sobre a atuação concreta dos professores em sala de aula, ou seja, no desempenho de seu trabalho pedagógico cotidiano. b) O projeto político-pedagógico deve ser incorporado no momento do planejamento operacional, um dos últimos níveis do planejamento educacional. c) O planejamento educacional corresponde ao primeiro nível de planejamento, que se processa unicamente em âmbito federal. d) O planejamento educacional constitui o primeiro nível de planejamento, ou seja, aquele que se processa em âmbito governamental. Os PCNs são instrumento resultante desse nível de planejamento. e) Os planos de aula são os principais instrumentos do nível de planejamento escolar. 7. (Cespe/TJRO/2012) Com relação às características e funções do planejamento de ensino, assinale a opção correta. a) O exercício de planejar se traduz como uma antecipação da prática, permitindo aos profissionais da escola prever ações que possam levar aos resultados almejados. b) O planejamento de ensino consiste no resumo das atividades didáticas da escola. c) O planejamento da disciplina não inclui a avaliação; esta deverá fazer parte de outro momento pedagógico. d) Os objetivos essenciais do planejamento de ensino são organizar, dirigir e controlar os serviços necessários à educação. e) O planejamento de ensino contempla a ação de dispor elementos dentro de condições operativas que conduzam a fins determinados. 8. (Cespe/TJRO/2012) Acerca do planejamento de ensino, assinale a opção correta. a) O planejamento do ensino, a ser seguido por todos, será elaborado por um grupo eleito pela comunidade escolar. b) Para o bom andamento do trabalho da escola, é importante planejar primeiro para executar depois. c) Recursos didáticos são meios materiais e humanos que auxiliam professor e alunos na promoção da aprendizagem. d) A ação educativa deve guiar os interesses dos alunos. e) Procedimentos de ensino são comportamentos que visam à aquisição do hábito de estudar. (Cespe-UnB/Seduc-AM/2011) Julgue os próximos itens, relativos aos elementos constitutivos do planejamento de ensino e à avaliação educacional. 9. ( ) São funções da avaliação de ensino o diagnóstico, o controle e a classificação. 10. ( ) A elaboração do planejamento de ensino deve iniciar-se pela seleção e organização de conteúdos. 11. ( ) Ao elaborar seu planejamento de ensino, o professor deve estar atento à definição dos conteúdos a serem ministrados, que devem ser estabelecidos de acordo com os objetivos propostos. 12. ( ) Uma vez observadas pelo professor as normas de avaliação da escola e as do sistema de ensino no desenvolvimento da avaliação educacional, é desnecessário adequar a avaliação aos objetivos, conteúdos e procedimentos de ensino. 13. ( ) A avaliação, cujos resultados fornecem ao professor dados sobre o progresso dos alunos e sobre as dificuldades a serem superadas, é essencial ao avanço do processo educativo, podendo ser denominada, em razão de tal função, feedback. (Cespe-UnB/Seduc-AM/2011) Acerca de planejamento, julgue os itens a seguir. 14. ( ) No âmbito escolar, o termo planejamento é empregado estritamente em referência a ações administrativas, não abrangendo as pedagógicas, como a elaboração do currículo. 15. ( ) A realização de um trabalho sistematizado com base em uma visão estratégica e objetiva da realidade é própria de planejamentos elaborados por meio da metodologia de projetos. 16. ( ) O processo de planejamento compreende três dimensões: técnica, conceitual e política. 17. ( ) A elaboração e a execução constituem etapas separadas, que não se correlacionam, da elaboração de um projeto. 18. ( ) Ao elaborar um projeto, os gestores devem certificar-se da compatibilidade dos objetivos pretendidos com a metodologia a ser utilizada para alcançá-los. Gabarito 7.3 Concepções de planejamento participativo O planejamento participativo é uma tendência atual. Encontra-se ao lado de outras correntes como o Planejamento Estratégico e o Gerenciamento da Qualidade Total. Gandin (2004) distingue-o das demais correntes nos seguintes aspectos: • Ele foi desenvolvido para instituições, grupos e movimentos que não têm como primeira tarefa ou missão aumentar o lucro, competir e sobreviver, mas contribuir para construção da realidade social. • Ele parte da verificação de que não existe participação real em nossas sociedades, isto é, de que há pessoas e grupos dentro delas que não podem dispor dos recursos necessários ao seu mínimo bem-estar. • Propõe-se, por isso, como ferramenta para que as instituições, grupos e movimentos que para isso existirem e, obviamente, para os governos e seus órgãos, porque, para isso existem, possam ter uma ação e um ser direcionados a influir na realidade, ou seja, a serem, eles mesmos, apenas meios para a busca de fins sociais maiores. • (...) constrói um conjunto de conceitos, de modelos, de técnicas e de instrumentos que permitam utilizar processos científicos e ideológicos e organizar a participação para intervir na realidade, na direção conjuntamente estabelecida. Cornely, citado por Silva (S/D) define o planejamento participativo como (...) um processo político, um contínuo propósito coletivo de reflexão e amplo debate a fim de deliberar sobre a construção do futuro da comunidade com a participação do maior número possível de membro das categorias que a constituem. Veiga (1989) traz o planejamento participativo como a busca da integração entre a escola e a realidade histórico-social, em que a ênfase recai no inter- relacionamento entre teoria e prática. Para tanto, tem como princípios: o trabalho coletivo, a ação interdisciplinar com vista à solução de problemas comuns, a convivência harmoniosa de pessoas que decidem, discutem, refletem, questionam e se conscientizam do seu papel transformador. Já para Gandin (2001), o planejamento participativo é mais do que uma ferramenta para a administração, vai para além da ideia de “fazer bem as coisas”. Pressupõe o desenvolvimento de conceitos, modelos, técnicas, instrumentos para definir as “coisas certas” a fazer para a construção da sociedade. Ele nasce da análise situacional, que vê a sociedade organizada de forma injusta. Assim, participação não é apenas estar presente, mas, sim, a possibilidade de todos usufruírem dos bens, os naturais e os produzidos pela humanidade. Inclui a distribuição de poder em todas as esferas. Para Gandin (2004), há níveis de participação. São eles: • Colaboração: o nível mais frequente. Nível em que que a “autoridade” chama as pessoas para trazerem contribuição para que essa mesma “autoridade” decidiu como proposta. A participação nesse níve acontece pelo trabalho, apoio ou até mesmo o silêncio, com vistas ao bom resultado da autoridade. • Decisão: vai além da colaboração e aparenta ser mais democrático. O “chefe” decide que todos vão “decidir”; leva, então, algumas questões a um grande plenário ou a algun grupos e manda que todos decidam. As questões que serão decididas têm pouco impacto no projeto como um todo. • Construção em conjunto: o poder está com as pessoas,há igualdade real entre elas. Todos contribuem com seu saber próprio. O crescimento é coletivo, todos transformam a realidade criando o novo em proveito do grupo. É importante ressaltar que o planejamento participativo incorpora elementos da visão estratégica e da situacional, mas se situa na perspectiva da globalidade social. Vamos ver as principais diferenças entre essas visões: Gerenciamento Planejamento Estratégico Planejamento de Qualidade Total Participativo Finalidade do planejamento Satisfazer o cliente. Firmar-se no mercado. Contribuir para a transformação d sociedade na linha da justiça social. Planejar é Solucionar os problemas que aparecerem. Analisar as oportunidades, descobrir pontos fracos e pontos fortes e compatibilizar conforme os objetivos da empresa. Desenvolver o processo técnico par contribuir num projeto político Conceitos distintivos: marc referencial e necessidade. Definição de horizonte Satisfação do cliente. Missão. Marco referencial. Inclui um dimensão política, ideológica, d opção coletiva. Diagnóstico Começa com o diagnóstico, porque o referencial já está dado. Levantar as ameaças e oportunidades. Intermediação entre a proposta idea e a proposta na prática. O plano nã começa com o diagnóstico, mas com o referencial. 7.4 Avaliação do planejamento A avaliação do projeto é entendida como uma aliada necessária. Como aponta Luckesi (2012), ela se constitui como um recurso que investiga a qualidade dos resultados e se há necessidade de correções de rumo. O autor chama de avaliação operacional aquela que se apresenta como um (...) recurso metodológico pelo qual se qualifica alguma coisa (pessoa, grupo de pessoas, instituições, resultados de uma ação, produtos), comprometida com o projeto que deu forma a esse produto ou que configura os resultados que estão sendo construídos. (LUCKESI, 2012) Esse tipo de avaliação é definido e tem seus instrumentos configurados conforme o projeto. É realizada ao término de um período previsto. É o momento de confrontar o que foi planejado com o que efetivamente foi realizado e quais as consequências disso. Vasconcellos (2002) sugere que se o grupo sentir necessidade pode fazer uma análise se o marco referencial ajudou a iluminar a prática, se há necessidade de rever algum ponto. Como dito anteriormente, o planejamento é processual; a avaliação possibilitará analisar e alterar o que for necessário. Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (FCC/MPE-AM/Agente Técnico – Pedagogo/2013) Em um planejamento participativo é preciso tomar alguns cuidados como a) tolerar a omissão dos membros nas decisões polêmicas. b) não permitir divergências em relação à realização das ações educacionais. c) definir um grupo de coordenação que decida os objetivos do planejamento. d) não marginalizar nenhum membro do grupo. e) escolher os membros que deverão deliberar as questões prioritárias. 2. (FCC/TJ-PE/Analista Judiciário/Pedagogo/2012) Para garantir um bom planejamento das atividades e avaliação dos processos é importante que o educador defina a) com clareza os objetivos das atividades, a partir da realização de diagnósticos dos saberes dos alunos, e desenvolva periodicamente processos avaliativos. b) a metodologia a ser utilizada durante as atividades e realize a avaliação ao final do ano letivo com o objetivo de verificar o que foi aprendido pelos alunos. c) os instrumentais de avaliação a serem utilizados com antecedência e possa aplicá-los durante todo o processo educativo. d) os materiais a serem utilizados e implemente processos de autoavaliação, com o objetivo de auxiliar os alunos em novas aprendizagens. e) os conteúdos procedimentais e atitudinais a serem desenvolvidos e realize a avaliação ao final do ano letivo para verificar quais conteúdos foram assimilados pelos alunos 3. (FCC/TJ-AP/Analista Judiciário/Pedagogo/2009) Considere as afirmativas: I – Planejamento é o processo de transformar ideias em ação. II – Uma ação planejada é uma ação não improvisada. III – As decisões sobre a ação devem ser tomadas por todos: os que planejam e os que agem. IV – Na execução do planejamento, acompanhar não é assistir: é poder interferir. V – Em um planejamento, quando os métodos vão se aperfeiçoando na prática, tornam-se tão importantes quanto a definição precisa de objetivos. Estão corretas somente as afirmativas a) I, II, III e IV. b) I, II e IV. c) I, III e V. d) II, III, IV e V. e) I, III, IV e V. 4. (FCC/TJ-AP/Analista Judiciário – Pedagogo/2009) O planejamento participativo enquanto estratégia de trabalho se caracteriza pela a) coordenação central do projeto e pela ação coletiva de todos os membros do grupo que participam do trabalho social humano. b) participação democrática de todos os membros do grupo e como meio para solucionar os problemas sociais da comunidade quando o Estado se omite. c) integração de todos os setores da atividade humana social, num processo global para a solução de problemas comuns. d) ação coletiva e cooperativa de todos os membros do grupo e pela tomada de decisões pelos dirigentes de setores numa perspectiva interdisciplinar. e) definição de um contrato social em que todos os membros do grupo se responsabilizam pelas definições de objetivos, execução e avaliação do trabalho. 5. (FCC/Metrô-SP/Analista Trainee – Pedagogo/2008) A prática do planejamento em nosso país, especialmente na Educação, tem sido conduzida como se fosse uma atividade neutra, sem comprometimentos e pouco ou nada se discute a respeito do real significado social e político da ação que se está planejando. Nesta concepção de planejamento, a) as principais preocupações são a prática educativa e a qualidade social de ensino. b) o professor planeja sua prática de sala de aula, com competência, em função de conteúdos previamente estabelecidos. c) a função da escola é de assegurar acesso a todos alunos, independentemente da qualidade de ensino. d) não se pergunta pelas determinações sociais que estão na base do problema a ser enfrentado. e) não se considera o que a comunidade escolar reivindica, mas os resultados que a prática escolar conseguiu alcançar. 6. (FCC/Metrô-SP/Analista Trainee – Pedagogo/2008) Planejamento Participativo avança para questões amplas e complexas, combatendo a noção de neutralidade, e buscando como se pode contribuir para interferir na realidade social, para transformá-la e para construí-la numa direção estabelecida, em conjunto, por todos os que participam da instituição, grupo ou movimento. Participação, nesta concepção de planejamento, inclui a) distribuição do poder com a possibilidade de decidir na sua construção. b) escolha de profissionais que saibam elaborar um planejamento. c) decisão de quais pessoas podem participar do planejamento. d) coordenação coletiva, sem a presença de um único coordenador. e) decisão sempre coletiva e consensual. 7. (Consulplan/Pref. Monte Belo-MG/Pedagogo/2011) Segundo Libâneo (2004), o projeto político-pedagógico é o documento que detalha objetivos, diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola, expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. Assim sendo, é incorreto apontar como finalidade do projeto político-pedagógico a) definir coletivamente objetivos e metas comuns à escola como um todo. b) reconhecer e expressar a identidade da escola de acordo com sua realidade, características próprias e necessidades locais. c) estimular o sentido de responsabilidade e de comprometimento da escola na direção do seu próprio crescimento. d) definir, coletivamente, parâmetros de acompanhamento e de avaliação do trabalho escolar, visando a qualidade da educação. e) possibilitar individualmente a tomada de consciência dos principais problemas da escola, evitando a proposta de soluções prioritárias. 8. (UFT/Copese/DPE-TO/Analistaem Gestão Especializado – Pedagogia/ 2012) Acerca do planejamento participativo, analise as assertivas e marque a alternativa correta: I – Procura a conciliação de ideias entre o planejamento e a participação usando uma metodologia que exige compromisso e a responsabilidade de todos nas decisões; II – Possui sua base no entendimento de ciência como produto, busca do provável e comparável; III – A ênfase conceitual está assentada na crença de planejamento como instrumento de eficiência administrativa; IV – Não dispensa a coordenação que exerce papel de liderança visando articular e catalisar os diferentes interesses e potenciais, no sentido de que cada parte envolvida tenha uma forma de participação nas deliberações e se responsabilize pelos resultados. a) Todas as assertivas estão corretas. b) Somente uma das assertivas é correta. c) Somente duas assertivas são corretas. d) Somente três assertivas estão corretas. 9. (UFT/Copese/DPE-TO/Analista em Gestão Especializado – Pedagogia/ 2012) Sobre as concepções de planejamento participativo é incorreto afirmar: a) É de fato uma tendência, uma escola, dentro de um campo de propostas de ferramentas para intervir na realidade. b) Ele foi desenvolvido para instituições, grupos e movimentos que não têm como primeira tarefa ou missão aumentar o lucro, competir e sobreviver, mas contribuir para a construção da realidade social. c) Parte da verificação de que não existe participação real em nossas sociedades e tem clareza que isso é consequência natural das injustiças destas mesmas sociedades. d) Propõe-se como ferramenta para instituições, grupos, movimentos e, para isso, constrói um conjunto de conceitos, de modelos, de técnicas e de instrumentos que permitam utilizar processos científicos e ideológicos e organizar a participação para intervir na realidade, na direção conjuntamente estabelecida. 10. (UFT/Copese/DPE-TO/Analista em Gestão Especializado – Pedagogia/ 2012) Acerca dos elementos presentes na construção do planejamento participativo é correto afirmar: I – Marco situacional diz como o grupo percebe a realidade global e seus problemas, desafios e esperanças; II – Marco doutrinal, expressa a utopia social o “para que direção nos movemos” do grupo; III – Marco operativo expõe as opções, em termos ideais, em relação ao campo de ação e à instituição e fundamenta esta opção em teorias; IV – Realidade institucional existente, não se inclui no plano, mas é necessário conhecê-la para elaborar o diagnóstico; a) Todas as assertivas são verdadeiras. b) Todas as assertivas são falsas. c) As assertivas I, II e III são verdadeiras. d) Somente a assertiva I é falsa. 11. (Fepese/MPE-SC/Analista em Pedagogia/2014) O processo de planejamento participativo da escola vem ganhando importância na literatura acadêmica entre pesquisadores que defendem a descentralização do sistema educacional como um caminho para a democratização da gestão da educação e a melhoria da qualidade do ensino. Nesse sentido, é correto afirmar: 1. ( ) A construção do planejamento participativo da escola está ancorada fundamentalmente nas relações de poder estabelecidas entre a comunidade escolar e os dirigentes do sistema educacional. 2. ( ) O planejamento participativo tem por função modernizar os tempos e os espaços da escola, tendo como referência uma realidade em constante transformação social. 3. ( ) A construção do planejamento participativo deve levar em conta que a escola possui vínculos institucionais com um determinado sistema escolar, ou seja, sua autonomia deve ser entendida de forma relacional, inserida em um contexto de interdependências. 4. ( ) A participação ativa da comunidade escolar, se constituindo como um coletivo que pensa a escola favorece a construção de um planejamento no qual estejam presentes diferentes pontos de vista sobre a realidade escolar, possibilitando a interação entre famílias, professores, estudantes, funcionários e especialistas. 5. ( ) O diálogo e o debate democrático são fundamentais para a produção de critérios coletivos na orientação do processo de planejamento participativo, pois significados comuns são estabelecidos corroborando para a identificação destes na escola. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas. a) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3. b) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4. c) São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 5. d) São corretas apenas as afirmativas 2, 4 e 5. e) São corretas apenas as afirmativas 3, 4 e 5. (Fepese/MPE-SC/Analista em Pedagogia/2014) Esta é uma história sobre 4 pessoas. Todo mundo, alguém, qualquer um e ninguém. Havia um importante trabalho a ser feito e todo mundo tinha certeza de que alguém o faria. Qualquer um podia tê-lo feito, mas ninguém fez. Alguém se zangou porque era um trabalho de todo mundo. Todo mundo pensou que qualquer um poderia fazê- lo, mas ninguém imaginou que todo mundo deixasse de fazê-lo. Ao final, todo mundo culpou alguém, quando ninguém fez o que qualquer um poderia ter feito. (Autor desconhecido) 12. Com base no texto, é correto afirmar: 1. ( ) Em um grupo, a responsabilidade pode ser compreendida como a capacidade que a pessoa tem de sentir-se comprometida a dar uma resposta ou de cumprir uma tarefa sem nenhuma pressão externa. 2. ( ) O sucesso de um grupo é de responsabilidade exclusiva de líderes autoritários e competentes. São eles que elaboram de maneira rigorosa e sistemática o planejamento e a implementação de novos projetos. 3. ( ) O intercâmbio de esforços e de experiências de todos que participam de um grupo é fundamental para identificar possíveis problemas, tomar decisões, propor inovações e compreender o papel de cada um no processo de planejamento e de execução das ideias. 4. ( ) Quando as pessoas fazem parte de um grupo e têm objetivos comuns, referentes a uma instituição, por exemplo, esperam que lhes deem ordens buscando harmonia e coesão. 5. ( ) Aprender a relativizar, evitar a passividade e a indiferença, responder pelos seus atos, compartilhar decisões e buscar soluções para um problema no coletivo são aspectos relacionados à capacidade das pessoas de se sentirem responsáveis em um grupo. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas. a) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3. b) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4. c) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 5. d) São corretas apenas as afirmativas 2, 4 e 5. e) São corretas apenas as afirmativas 3, 4 e 5. 13. (Funrio/UFRB/Pedagogo/2015) O planejamento participativo é de grande utilidade para os professores e para o processo pedagógico, uma vez que (com adaptações) a) facilita o enriquecimento profissional, por ser uma atividade que é motivo de reflexão sobre a prática e um esquema flexível para uma ação consciente. b) é elaborado para além da prática concreta, das características dos alunos e das condições do meio em que trabalham. c) desvincula sua elaboração da avaliação dos processos educativos e pedagógicos instaurados pelo currículo. d) obriga à busca prévia de materiais, tomando o tempo da elaboração dos itens dos conteúdos para a programação das disciplinas. e) discutido e conhecido pelos alunos, é uma forma de descomprometê-los com as atividades e comunicar-lhes seu sentido. 14. (Cespe/Semec-PI/Professor/Classe A/2009) Assinale a opção correta sobre a importância do trabalho coletivo para a prática pedagógica do professor. a) O trabalho coletivo na escola é fundamental para uma prática pedagógica docente comprometida com a qualidade da educação, por isso é exclusivo do grupo de profissionais da escola. b) No processo de tomada de decisão, o trabalho coletivo deve ter caráter participativo; não pode ser uma ação de caráter colaborativo. c) Os entraves burocráticos e hierárquicos não interferem nas ações de um processo de trabalho coletivo na escola. d) A busca de consenso sobre problemas e soluções, em um trabalho coletivo, requer que se escondam as divergências, os conflitose os interesses pessoais. e) As atividades de formação continuada de professores são estratégias que favorecem o trabalho coletivo, por isso devem ser sempre realizadas por mais de um profissional da instituição e jamais individualmente. 15. (Cespe/TJ-RO/Analista Judiciário/Pedagogo/2012) Assinale a opção correta acerca do planejamento participativo. a) Dado o caráter democrático do planejamento participativo, a presença de um coordenador ou mediador compromete ou invalida seu processo de elaboração. b) A concepção de totalidade da realidade a ser transformada por meio das ações do planejamento é pressuposto estruturante desse método. c) A neutralidade é característica fundante dos instrumentos gerenciais utilizados na avaliação externa das ações previstas no planejamento participativo. d) A elaboração do planejamento participativo deve fundamentar-se no princípio da centralidade do orçamento, para se assegurar a implementação bem-sucedida das ações nele previstas. e) A formação de grupos homogêneos favorece a consecução das etapas do planejamento, pois inibe o aparecimento de conflitos. (Cespe/Unipampa/Pedagogo/2013) Considerando o planejamento e seus elementos constitutivos, julgue o item abaixo: 16. ( ) No planejamento de ensino, a fase de preparação consiste na previsão de todos os passos para assegurar a sistematização, o desenvolvimento e a concretização dos objetivos pretendidos. (Cespe/Unipampa/Pedagogo/2013) Considerando o planejamento e seus elementos constitutivos, julgue o item abaixo: 17. ( ) Na elaboração do planejamento, a etapa na qual se busca conhecer a realidade a ser modificada chama-se classificação. Gabarito ESPAÇO DO ALUNO Capítulo 8 COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO GRUPAL Neste capítulo, trabalharemos com o tema comunicação e interação grupal. Para iniciar, vamos ao preenchimento do quadro para verificar os seus conhecimentos prévios sobre o tema: Quais os principais conceitos e concepções em relação à comunicação e interação grupal? 8.1 Aspectos teóricos da comunicação Para Scroferneker (2006), a comunicação, quando abordada conceitualmente, pode ser entendida como meio, função, processo de interação e fonte de dominação. Goldhaber, citado por Wels (2005), traz a comunicação como o fluxo de mensagens dentro de uma rede de relações interdependentes. Para o autor, há quatro pontos importantes no processo de comunicação: • mensagem, como informação que contém significado; • rede, que consiste no caminho percorrido pela mensagem e que pode ser entre duas, poucas ou muitas pessoas; • interdependência, que, a partir da concepção da organização como sistema aberto, percebe as partes do todo relacionadas entre si e com o meio ambiente; • relações, que dizem respeito ao fato de que toda essa conexão de redes interdependentes de mensagens está nas mãos de pessoas. 8.1.1 Modelos teóricos da comunicação Daniels, Spiker e Papa (1997), citados por Scroferneker (2006), identificaram a comunicação a partir de três modelos ou perspectivas: tradicional, interpretativo e crítico. Modelo tradicional Este modelo é o mais antigo e entende a comunicação como uma atividade cujo comportamento pode ser medido, padronizado e classificado. Modelo interpretativo A comunicação é tida como um processo por meio do qual a construção social ocorre e a organização se constitui como um espaço de negociação, produto de transações e discursos coletivos. Modelo crítico A comunicação nesse modelo é considerada um instrumento de dominação. Acredita-se que ela é uma ação deliberada e contínua do processo simbólico para cooptar os interesses dos empregados. Scroferneker (2006) ainda traz as teorias de Goodall Jr. e Eisnberg sobre a comunicação organizacional. Para esses autores, a comunicação organizacional se apresenta em cinco teorias: Comunicação organizacional como transferência de informações Informação repassada de uma pessoa a outra. Comunicação assimétrica, em que se transmite metas e objetivos da cúpula para os demais membros da organização. É um modelo linear, simplificado e incompleto. O emissor define os significados das mensagens e repassa aos demais. Comunicação como processo transacional Nesse modelo, a ênfase recai sobre o feedback, em como a mensagem é recebida e entendida. O entendimento não precisa necessariamente ser verbal, pode se manifestar por meio de mudança de comportamentos. Difere do modelo anterior por considerar importante o entendimento da mensagem, ou seja, como esta é recebida, entendida, desconstruída e construída. Comunicação como estratégia de controle A comunicação é entendida como uma ferramenta para controle do ambiente organizacional. Entende que o comunicador competente é aquele que seleciona bem as estratégias para comunicação. Nesse modelo, utiliza-se a ambiguidade como ferramenta para alcance dos objetivos. Ignoram-se os significados compartilhados e a motivação. Comunicação como equilíbrio entre criatividade constrangimento/coação/sujeição Esse modelo se aproxima das teorias sociológicas no que se refere a indivíduo e sociedade, considere – Scroferneker (2006) as tensões entre a macro e microperspectiva. A comunicação é a mediadora dessas tensões, equilibrando a sujeição institucional, o potencial criativo e o contexto da interpretação. Comunicação como espaço de diálogo A visão dessa concepção é de que o diálogo é a comunicação equilibrada, ou seja, o indivíduo tem a oportunidade de falar e de ser ouvido. Níveis hierárquicos da comunicação • A comunicação intrapessoal diz respeito ao nível básico de comunicação humana e refere-se ao process interno de pensamento, em que se concebem ideias a serem transmitidas e se interpretam mensagen recebidas, codificando e decodificando permanentemente as mensagens. • A comunicação interpessoal se estabelece entre duas pessoas e consiste na exteriorização do pensamentos, representando a unidade social básica da organização. • A comunicação de pequenos grupos ocorre entre três ou mais pessoas, as quais interagem para alcança metas comuns. A comunicação de pequenos grupos é mais rica e mais complexa do que a interpessoa pois é composta de muitas relações interpessoais. • A comunicação entre grupos múltiplos é um desdobramento dos pequenos grupos, que agem de mod interdependente. Esse nível encerra, em si, os três anteriores, e tem grande representação para funcionamento de empresas em que é necessária a coordenação de um grande número de pessoas para cumprimento de atividades canalizadas para atingir objetivos organizacionais. 8.1.2 Componentes do processo de comunicação Para Chiavenato, citado por Nogueira et al. (2007), a comunicação grupal tem os seguintes componentes: Fonte: a fonte significa a pessoa, coisa ou processo que emite ou fornece as mensagens por intermédio do sistema. Remetente: organiza sua ideia ou a mensagem por meio de uma série de símbolos, sinais ou códigos pelos quais pretende comunicar a outra pessoa (destino). Transmissor: significa o meio, o processo ou o equipamento que codifica e transporta a mensagem por algum canal até o receptor (destino) que deve recebê-la. Canal: é o espaço intermediário situado entre o transmissor e o receptor, que geralmente constituem dois pontos distantes. Receptor: significa o processo ou equipamento que capta e recebe a mensagem no canal. Para tanto, o receptor decodifica a mensagem para poder colocá-la à disposição do destino. Destino: é a pessoa, coisa ou processo a quem é destinada a mensagem no ponto final do sistema de comunicação. Ruído: é a perturbação indesejável que tende a deturpar e alterar, de maneira imprevisível, as mensagens transmitidas. 8.2 Interação grupal Quando falamos em organizações, necessariamente temos que remeter às pessoas e o que elas trazem para dentro de seus trabalhos: sonhos, desejos, necessidades, interesses, potencialidades e limitações. Não há como separar a pessoa profissional da pessoa fora do ambiente detrabalho. As organizações já perceberam que o trabalho se torna mais produtivo quando se abandona o trabalho individual e este passa a ser realizado em grupo. Grupo é o conjunto de pessoas que compartilham crenças e valores. pluralidade de pessoas que num determinado momento estabelecem uma interação precisa e sistemática entre si. (GRIMBERG apud CASADO, 2002) Chiavenato (2009) traz outra composição para o trabalho coletivo, que é a equipe. Para o autor, nessa modalidade há maior capacidade dos envolvidos, múltiplas habilidades, maior análise e experiência. Ele define equipe como: um grupo de pessoas com habilidades complementares e que trabalham em conjunto para alcançar um propósito comum pelo qual são coletivamente responsáveis. 8.2.1 Aspectos relevantes na formação de grupos de trabalho São muitos os elementos que interferem no trabalho em grupo nas instituições. Casado (2002) apresenta os cinco mais relevantes: Tamanho: o número de pessoas para o trabalho vai depender dos objetivos a serem alcançados. Grupos muito grandes podem dificultar o processo de comunicação, tornando-o lento e impreciso, também pode diluir a responsabilidade pelos resultados. Regras: a existência de padrões morais, valores e regras de funcionamento nos grupos auxilia os componentes a saber o que é esperado, válido e legítimo em termos de comportamento. Papéis: definir e esclarecer os diversos papéis presentes nos grupos auxilia os participantes a entender as expectativas mútuas e a se situar para um exercício profícuo da experiência grupal. Ritmo: cada grupo tem um ritmo próprio e é importante compreendê-lo. O ritmo é representado pela dinâmica de forças, pela velocidade de sua comunicação, pela agilidade de suas ações e pela tomada de decisões. Linguagem: a linguagem verbal, não verbal e simbólica dos grupos são mapas para sua compreensão. Para compreender o funcionamento de um grupo, é necessário atentar para a forma e o conteúdo do discurso dos componentes e suas diversas expressões. 8.2.2 Habilidades para o trabalho em grupo Habilidades de comunicação: a equipe deve trabalhar colaborativamente para comunicar aberta honestamente, ouvir ativamente para obter sinergia; Habilidade de autogerenciamento: a equipe deve, em conjunto, ultrapassar obstáculos por meio d construção de um senso de propriedade, responsabilidade, compromisso e eficiência de cada membro encorajando a total participação e autocrítica para melhorar incessantemente as condições de trabalho; Habilidades de liderança: devem existir oportunidades para que todos exerçam a liderança. Cada membr deve aprender a organizar, colaborar, planejar, facilitar, relacionar e servir como coach e mentor; Habilidades de responsabilidade: cada membro da equipe é responsável não só pelo seu trabalho, ma também pelo trabalho dos seus colegas. A responsabilidade do trabalho é compartilhada por todos; Habilidade de apoio à diversidade: quanto mais diversificada a equipe tanto maior sua habilidade d responder a novos problemas e apresentar novas soluções. Os preconceitos devem ser evitados; Habilidade de retroação e avaliação: sem aprender com os erros passados, nenhuma equipe cresce Devemos incentivar a autocrítica e a busca pelo autoaprendizado constante; Habilidade de planejamento estratégico: em vez de responder a problemas com respostas isoladas, equipe deve utilizar o planejamento estratégico para mapear os desafios e oportunidades de mod participativo; Habilidade de conduzir reuniões bem-sucedidas: não deve existir perda de tempo com reuniões longas pouco produtivas. A equipe deve aprender a utilizar técnicas de modo que as reuniões sejam curtas produtivas; Habilidade de resolver conflitos: a equipe deve aprender a resolver problemas, negocia colaborativamente, responder a situações difíceis e resolver conflitos internos; Habilidades de desfrutar: o trabalho não deve ser encarado como uma “pena” para os membros da equipe Aprender a gostar do trabalho que é feito e desfrutar dos momentos juntos é importante para que a equip tenha sucesso. Fonte: Chiavenato, 200 Para que o trabalho coletivo se estabeleça e tenha sucesso, Chiavenato indica que algumas habilidades são requeridas: Vamos elaborar mapas mentais sobre esse tema. Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (UFT/Copese/DPE-TO/Analista em Gestão Especializado – Pedagogia/ 2012) Leia as assertivas a partir da ótica da comunicação e a interação grupal e, posteriormente, escolham a alternativa correta: I – Proporcionar informações e compreensões necessárias para que as pessoas possam se conduzir em suas tarefas é um dos propósitos da comunicação administrativa; II – Outro propósito é proporcionar atitudes necessárias que promovam a motivação, a cooperação e a satisfação nos cargos; III – Os dois propósitos anteriores promovem um ambiente que conduz a um espírito de equipe e a um melhor desempenho das tarefas; IV – Assim, é necessário enfatizar os grupos e não o comportamento individual uma vez que a comunicação deve ser tratada como um fenômeno social; a) Todas as assertivas são corretas. b) Somente as assertivas I e II são corretas. c) Somente as assertivas I, II e IV são corretas. d) Nenhuma das assertivas é correta. 2. (UFT/Copese/DPE-TO/Analista em Gestão Especializado – Pedagogia/2012) Relativamente à constituição de equipes é correto afirmar, exceto: a) Um grupo se transforma em uma equipe somente quando passa a prestar atenção à sua forma de agir e procura resolver os problemas que comprometem o seu funcionamento. b) Um grupo que se desenvolve se conforma como uma equipe obrigatoriamente, incorpora ao seu modo de agir, a sua dinâmica, as habilidades de diagnóstico e de solução de problemas. c) É um grupo de pessoas, independente do número, que possuem habilidades semelhantes, comprometidas com o mesmo objetivo, as metas de desempenho e a mesma abordagem, pelos quais elas se consideram mutuamente responsáveis. d) O trabalho em equipe constituiu um constante processo de experimentação, troca e aprendizagem. 3. (UFT/Copese/DPE-TO/Analista em Gestão Especializado – Pedagogia/ 2012) À constituição de equipes tendo em vista a interação grupal no processo de planejamento, são requisitos, exceto: a) Consciência dos objetivos, pois deve haver uma ideia clara do propósito da atividade a ser desenvolvida pela equipe. b) Comunicação aberta porque todos devem ter acesso às informações e liberdade para expressar suas ideias e sentimentos. c) Conhecimento das condições, pois é preciso dar a conhecer todos os prazos e os recursos disponíveis para as atividades bem como as normas e os valores que deverão norteá-las. d) Uma comunicação fechada das informações acerca do planejamento visando ao não conhecimento dos propósitos da equipe. 4. (UFT/Copese/DPE-TO/Analista em Gestão Especializado – Pedagogia/ 2012) A constituição de equipes bem-sucedidas depende tanto da administração quanto das pessoas que a comporão, pois delas são requeridas habilidades especiais. Analise as assertivas e marque a alternativa correta: I – Habilidade de autogerenciamento diz respeito à capacidade de a equipe ultrapassar obstáculos por intermédio do senso de responsabilidade, compromisso, eficiência, entre outros; II – Habilidade de conduzir reuniões bem-sucedidas: a equipe deve aprender por meio da participação, observação e correção a desenvolver reuniões rápidas e mais produtivas; III – Habilidade de apoio à diversidade, pois quanto mais diversificada a equipe tanto maior será sua capacidade de responder positivamente a novos problemas; IV – Habilidade de desfrutar: a equipe deve aprender a fazer um trabalho agradável e alegre mesmo trabalhando arduamente; a) Todas as assertivas são corretas. b) Somente as assertivas I, II e III são corretas. c) Somente as assertivas III e IV são corretas. d) Todas as assertivas são falsas. 5. (AOCP/Ebserh-HU-UFMS/Pedagogo/2014)Para fomentar a cultura do trabalho em grupo, é incorreto destacar: a) ideias novas e espírito de solidariedade. b) capacidade de compreensão. c) aspirações construtivas. d) ideias conservadoras e competição agressiva. (Cespe/Inca/Analista em C&T Jr – Gestão de Recursos Humanos/2010) A respeito do trabalho em equipe nas organizações e da administração da diversidade de funcionários, julgue os itens seguintes. 6. ( ) Em uma equipe, o poder deve ser compartilhado entre os membros para que a liderança não seja confundida com chefia. 7. ( ) A diversidade de funcionários afeta de forma negativa a comunicação no âmbito da organização. 8. ( ) A diversidade de funcionários ajuda a acessar diferentes segmentos de consumidores, compreendendo melhor os clientes. 9. ( ) A diversidade de funcionários traz maiores perspectivas e ideias para os grupos, aumentando a inovação e a criatividade dentro da empresa. (Cespe/Correios/Analista de Correios – Pedagogo/2011) No que se refere à comunicação e à interação grupal no processo de planejamento, julgue os próximos itens. 10. ( ) O pedagogo deve minimizar as diferenças individuais existentes no grupo para não prejudicar a convivência e o aprendizado de cada integrante. 11. ( ) Cabe ao pedagogo, na condição de facilitador da construção de novos conceitos, coordenar o processo de aprendizagem do grupo. 12. ( ) O trabalho em grupo é uma oportunidade para o exercício da comunicação e da educação emancipadora, dadas as diferentes concepções e práticas de comunicação envolvidas nesse processo. 13. (AOCP/Ebserh-HU-UFMS/Pedagogo/2014) Selecione o critério que não corresponde aos aspectos significativos para a estruturação de uma equipe de trabalho. a) Tamanho da equipe. b) Estrutura de poder. c) Estrutura de trabalho. d) Raça dos participantes. e) Composição da equipe. 14. (AOCP/Ebserh-HU-UFMS/Pedagogo/2014) Analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta aquela(s) que se relaciona à desvantagem do trabalho em equipe. I – Interpretação menos rígida dos fatos e das situações. II – Criação da cultura do “consenso obrigatório”. III – Radicalização em torno das decisões tomadas. IV – Melhor aproveitamento das potencialidades individuais. a) Apenas I e IV. b) Apenas II e III. c) I, II, III e IV. d) Apenas I. e) Apenas IV. Gabarito ESPAÇO DO ALUNO Capítulo 9 AVALIAÇÃO EDUCACIONAL Vamos, agora, a mais um tema relevante e muito cobrado nas seleções para professores – Avaliação Educacional. Antes de iniciarmos os conceitos, preencha o quadro com os conhecimentos que já tem sobre o tema. Lembre- se de retirar as palavras-chave ao longo do texto. Avaliação da Aprendizagem Avaliação Institucional Avaliação de Larga Escala Avaliação formativa Avaliação somativa 9.1 Conceitos Em vários editais o tema avaliação tem sido cobrado classificado em níveis. Os níveis de avaliação educacional são: avaliação da aprendizagem, avaliação institucional e avaliação de larga escala. Vamos começar falando sobre avaliação da aprendizagem. Para isso, buscamos a visão do professor Libâneo (2002), para quem a avaliação educacional é: Uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o processo de ensino e aprendizagem. Através dela, os resultados que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos são comparados com os objetivos propostos, a fim de constatar progressos, dificuldades, e reorientar o trabalho para as correções necessárias. (destaque nosso) Para Libâneo, a avaliação cumpre as funções: Pedagógico-didática: comprovar sistematicamente os resultados dos processos de ensino. Diagnóstico: identificar progressos e dificuldades dos alunos e a atuação do professor. Controle: verificar e qualificar os resultados escolares, diagnosticar as situações didáticas. A função controle não pode ser confundida com avaliação somativa. Lembre-se de que esse é um conceito de Libâneo. Apesar de o livro Didática ser de 1990, os conceitos que estão lá ainda são muito cobrados pelas bancas. Libâneo é uma das maiores referências nas seleções. Luckesi (2012), ao trabalhar o tema relaciona-o com o modelo de sociedade. Aponta que o entendimento de avaliação se constrói a partir de um modelo teórico de mundo e de educação que se traduz em práticas pedagógicas. Hoje vivemos um modelo conservador de sociedade que se reflete na escola. Para mudar, é necessário que se busque uma pedagogia transformadora. Para o autor, a avaliação “pode ser caracterizada como uma forma de ajuizamento da qualidade do objeto avaliado”. Isso implica uma tomada de decisão para aceitação ou transformação. Luckesi ensina que investigar para conhecer e conhecer para agir são dois algoritmos básicos para a produção de resultados satisfatórios, pois sem investigação, não se tem conhecimentos, e, sem conhecimentos não se tem eficiência e qualidade nas ações. O ato de avaliar a aprendizagem na escola se expressa como uma investigação da qualidade dos resultados obtidos. É o conhecer o desempenho do educando, individualmente, assim como de sua turma, coletivamente. Maria Teresa Esteban é uma autora que vem aparecendo em inúmeras provas. Para ela, a avaliação ainda está marcada pela homogeneidade, não se consideram as especificidades dos alunos no momento de avaliar. É necessário entender que a avaliação realizada na sala de aula articula sujeitos e contextos diversos confrontando os múltiplos conhecimentos que perpassam o saber, o fazer e o pensar de alunos, alunas, professores e professoras. (ESTEBAN, 2002) A autora acrescenta que a avaliação como prática de investigação não deve paralisar diante do erro, mas o considerar como fonte de informação. O professor deve investigar quais conhecimentos e desconhecimentos estão presentes nos acertos e nos erros. Em cada momento histórico, ou em cada tendência pedagógica, temos uma concepção de avaliação Observe a seguir. Tendências Concepções Tradicional Medir, classificar Renovada progressivista Descobrir, experimentar Renovada não diretiva Autoavaliar-se Tecnicista Medir, classificar, instrumentalizar resultados Libertadora Conhecer a realidade, ressignificar, construir novo olhar, ter consciência emancipar Libertária Desnecessária Crítico-social dos conteúdos Aprender os conteúdos de forma crítica 9.2 Funções da avaliação A avaliação apresenta algumas funções que são, basicamente, diagnosticar (avaliação diagnóstica), acompanhar (avaliação formativa e processual) e classificar (avaliação somativa). Podemos dizer que a avaliação se divide em duas grandes abordagens: avaliação somativa ou classificatória e avaliação qualitativa ou formativa. 9.2.1 Função formativa ou qualitativa A avaliação formativa ou qualitativa é aplicada ao longo do processo, de forma contínua, e tem como objetivo corrigir rumos durante a execução das ações. A avaliação formativa ou qualitativa tem um compromisso com a formação de qualidade, pois não é apenas um resultado isolado. 9.2.2. Função somativa ou quantitativa A avaliação somativa ou classificatória é realizada ao final do processo de ensino e tem por objetivo classificar. Oferece informação que determina o grau de domínio dos conteúdos ou objetivos previamente definidos. Podemos dizer que a função somativa ou classificatória tem por objetivo a certificação. É a medição expressa por meio de nota ou conceito sobre o desempenho do aluno. Esse tipo de avaliação acontece ao final de um período previamente definido. Pode ser no final de uma unidade de ensino, ao final de cada bimestre, ao final do ano letivo etc. Libâneo (2002) ensina que a função diagnóstica permite identificar processos e dificuldades dos alunos, isso serve de orientador para o professor. A função diagnóstica permite ao professor um ponto de partida pois, com ela, o professor tem mais conhecimento de “onde está pisando”, qual é o “nível” da turma etc. SegundoLibâneo (2002), a função diagnóstica ocorre no início, durante e no final do desenvolvimento das aulas. Vejamos o quadro-resumo: Início Verificação das condições prévias dos alunos de modo a prepará-los para o estudo da matéri nova. Etapa de sondagem de conhecimentos e experiências já disponíveis. Verificação dos pré-requisitos para a sequência da unidade didática. Durante Verificação do processo de transmissão e assimilação dos alunos. Apreciação dos resultados, correção das falhas, esclarecimento de dúvidas. Continuação dos trabalhos e adaptações (se necessárias) para atingimento do objetivo desejado. Final Verificação dos resultados da aprendizagem no final de uma unidade didática, do bimestre ou d ano letivo. Avaliação global de determinado período. Realimentação do processo de ensino. A seguir, um quadro de dicas para ajudar nos estudos: Funções da Avaliação Dicas Diagnóstica • Início, meio e fim; • Sondagem; • Diagnóstico; • Pré-requisitos; • Orienta a prática. Somativa ou classificatória • Acontece no fim de uma etapa; • Verifica resultados; • Grau de domínio; • Notas, conceitos; • Certifica; • Desempenho final; Formativa ou qualitativa • Acontece ao longo do processo; • Reorientação do trabalho; • Feedback; • Adequação de materiais; • Formação contínua. Pedagógico- -didática • Cumprimento dos objetivos gerais e específicos da educação escolar; • Atitude mais responsável do aluno frente ao estudo; • Correção dos erros contribui para assimilação, fixação e aprofundamento do conhecimentos, habilidades e atitudes; • Finalidades sociais do ensino; • Preparação dos alunos para as exigências sociais; • Processo global; • Aprimoramento, aprofundamento de conhecimentos e habilidades; • Desenvolvimento de capacidades cognoscitivas. Controle • Meios utilizados para verificação dos resultados; • Frequência da verificação dos resultados; • Controla o processo de interação professor-aluno durante as aulas; • Controle sistemático e contínuo; • Possibilita diagnósticos. Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: (...) V – a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado; d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos; (grifo nosso) Cabe destacar que a concepção vigente que temos de avaliação, segundo a LDB, é que ela é processual contínua e sistemática. Ou seja, ela acontece ao longo do processo educativo e não apenas em momento isolados. Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. (...) Art. 31. A educação infantil será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I – avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental; (grifo nosso) A avaliação deve ser usada sempre para aperfeiçoar o trabalho docente e a aprendizagem discente. A avaliação jamais deve ser usada para prejudicar, ameaçar ou atingir controle sobre alunos, por exemplo. O resultado da avaliação é base para o planejamento do professor, pois, a partir da avaliação, é possível organizar, reorganizar e rever o ato pedagógico para o atingimento dos objetivos desejados. Enfim, a avaliação é um importante sinalizador do desempenho da educação, levando em consideração uma visão sistêmica. A avaliação não é apenas dos conhecimentos do aluno, mas da atuação do professor, da administração escolar e da política do sistema educacional como um todo. Por fim, a avaliação é um guia para a tomada de decisões. Preencha o quadro. 9.3 Avaliação institucional A avaliação institucional está ligada à gestão do espaço escolar, ou seja, organização administrativa, financeira e pedagógica da escola. É um instrumento que permite aos gestores, docentes, funcionários, alunos, pais e demais membros da comunidade escolar avaliar as ações desenvolvidas pela instituição e tomar decisões mais fundamentadas. A avaliação institucional, assim como a avaliação da aprendizagem, permite a correção de rumos e está intimamente ligada ao planejamento escolar e ao projeto político-pedagógico da escola. Atualmente, a avaliação institucional não é mais vista como um instrumento centralizador de controle burocrático, mas, sim, como um instrumento de gestão democrática, auxiliar da administração das questões escolares. A avaliação institucional serve de apoio à melhoria da qualidade da educação, visto que subsidia o diagnóstico e a tomada de decisão no espaço escolar. 9.4 Avaliação em larga escala Quando falamos em avaliação em larga escala estamos falando também de políticas públicas. Isso porque a avaliação em larga escala é uma avaliação governamental de grande visibilidade. As avaliações em larga escala são também chamadas de avaliações externas, pois são definidas, organizadas e conduzidas por quem não se encontra no interior das escolas e, sim, por gestores governamentais externos. É importante destacar que a avaliação em larga escala se utiliza de instrumentos padronizados como provas, questionários e outros meios que possibilitem resultados objetivos e ofereçam respostas para as perguntas que os governos querem saber. Com os resultados das pesquisas, o governo traça estratégias, planos de ações, faz novos estudos, toma medidas e busca atingir o ideal de qualidade de educação previsto nas leis (Constituição, LDB etc.). Veja, a seguir, exemplos de avaliações realizadas pelo Governo Federal, apoiado por instituições como Ministério da Educação e seus órgãos vinculados, como o FNDE, o Inep, o CNE, a Capes, entre outras. 9.4.1 Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e Prova Brasil (Saeb) Objetivo Avaliar a Educação Básica brasileira e contribuir para a melhoria de sua qualidade e para a universalização do acesso à escola, oferecendo subsídios concretos para a formulação, reformulação e o monitoramento das políticas públicas voltadas para a Educação Básica. Além disso, procura também oferecer dados e indicadores que possibilitem maior compreensão dos fatores que influenciam o desempenho dos alunos nas áreas e anos avaliados. Composição O Saeb é composto por três avaliações externas em larga escala: • Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb) Abrange, de maneira amostral, alunos das redes públicas e privadas do País, em áreas urbanas e rurais, matriculados na 4ª série/5º ano e 8ª série/9º ano do Ensino Fundamental e no 3º ano do Ensino Médio, tendo como principal objetivo avaliar a qualidade, a equidade e a eficiência da educação brasileira. Apresenta os resultados do País como um todo, das regiões geográficas e das unidades da Federação. • Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc) – também denominada Prova Brasil Trata-se de uma avaliação censitária envolvendo alunos da 4ª série/5º ano e 8ª série/9º ano do Ensino Fundamental das escolas públicas das redes municipais, estaduais e federal, com o objetivo de avaliar a qualidade do ensino ministrado nas escolas públicas. Participam desta avaliação as escolas que possuem, no mínimo, 20 alunos matriculados nas séries/anos avaliados, sendo os resultados disponibilizados por escola e por ente Federativo. • A Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) Avaliação censitáriaenvolvendo os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental das escolas públicas, com o objetivo principal de avaliar os níveis de alfabetização e letramento em Língua Portuguesa, alfabetização Matemática e condições de oferta do Ciclo de Alfabetização das redes públicas. A ANA foi incorporada ao Saeb pela Portaria nº 482, de 7 de junho de 2013. A Aneb e a Anresc/Prova Brasil são realizadas bianualmente; a ANA foi realizada anualmente em 2013 e 2014, não foi realizada em 2015 e está prevista a realização em 2016. 9.4.2 Provinha Brasil A Provinha Brasil é uma avaliação diagnóstica do nível de alfabetização das crianças matriculadas no segundo ano de escolarização das escolas públicas brasileiras. Essa avaliação acontece em duas etapas, uma no início e a outra ao término do ano letivo. A aplicação em períodos distintos possibilita aos professores e gestores educacionais a realização de um diagnóstico mais preciso que permite conhecer o que foi agregado na aprendizagem das crianças, em termos de habilidades de leitura dentro do período avaliado. A partir das informações obtidas pela avaliação, os gestores e professores têm condições de intervir de forma mais eficaz no processo de alfabetização, aumentando as chances de que todas as crianças, até os oito anos de idade, saibam ler e escrever, conforme uma das metas previstas pelo Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação. A Provinha Brasil é elaborada pelo Inep, e distribuída pelo MEC/FNDE para todas as secretarias de educação municipais, estaduais e do Distrito Federal. Assim, todos os anos os alunos da rede pública de ensino, matriculados no segundo ano de escolarização, têm oportunidade de participar do ciclo de avaliação da Provinha Brasil. Essas avaliações normalmente são realizadas em âmbito federal mesmo. Isso porque o Governo Federal tem mais competência técnica e financeira para realizá-las. Além disso, são avaliações em âmbito nacional e os resultados são uma grande “radiografia” da educação brasileira. Trata-se de uma avaliação sistêmica, geral e estratégica que subsidia Estados e Municípios a compreenderem as suas realidades, realizar as suas próprias pesquisas e executar as ações pretendidas. Preencha o quadro com as principais informações de cada avaliação. Avaliação da aprendizagem Avaliação institucional Avaliação de larga escala A. Saeb e Aneb Anresc ANA B. Provinha Brasil Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (Access/Prefeitura de Duque de Caxias-RJ/2002) Em relação à verificação da aprendizagem dos estudantes, a Lei no 9.394/1996 afirma que, para os casos de baixo rendimento escolar, os estudos de recuperação devem ser: a) obrigatórios e somente ao final de cada ano letivo. b) obrigatórios e, preferencialmente, paralelos ao período letivo. c) facultativos e paralelos ao período letivo. d) facultativos e ao final de cada semestre. e) obrigatórios e ao final de cada trimestre. 2. (Iepro/Uece/Prefeitura de Caucaia-CE/2009) A LDB 9.394/1996 tem na flexibilidade uma de suas características, o que pode ser exemplificado quando apresenta critérios para a verificação do rendimento escolar (art. 24, V). Um destes critérios presentes na LDB é a: a) prevalência dos aspectos quantitativos sobre os qualitativos. b) participação compulsória das escolas públicas nos sistemas nacionais de avaliação. c) obrigatoriedade da recuperação paralela em horário diferenciado, ao longo do ano letivo. d) possibilidade de cada escola estipular o percentual permitido de faltas. e) possibilidade de avanços nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado. 3. (Educa/Prefeitura de Juripiranga-PB/Orientador Educacional/2007) Acerca dos critérios que devem ser observados na verificação do rendimento escolar, assinale a opção incorreta, com base na LDB. a) Avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. b) Possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar. c) Possibilidade de avanços nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado. d) Aproveitamento de estudos concluídos com êxito. e) Estudos de recuperação facultativos, de referência não paralela ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. 4. (FCC/TRT 23a Região (MT)/Analista Judiciário – Pedagogia/2011) Avaliar pressupõe a) julgamento de valor, sobre nós mesmos, sobre que estamos fazendo, sobre o resultado de trabalhos. b) transformações em que a avaliação, por si só, provoca nos sujeitos e nos resultados de trabalhos. c) uma atividade objetiva desvinculada das experiências e vivências. d) formulação permanente de novos instrumentos que contemplem as avaliações contínuas. e) definição de técnicas e procedimentos científicos para aferição de resultados. 5. (Consulplan/TSE/Analista Judiciário/Pedagogia/2012) Para Cipriano Carlos Luckesi (2000), a avaliação é um ato amoroso e dialógico que envolve sujeitos e, como tal, a primeira fase do processo de avaliação começa com a) o acolhimento do sujeito avaliado. b) a qualificação dos conhecimentos prévios. c) o julgamento das aprendizagens avaliadas. d) o diagnóstico do perfil do sujeito. 6. (Consuplan/Prefeitura de Congonhas-MG/Professor/2010) A avaliação é uma das atividades que ocorre dentro de um processo pedagógico, incluindo outras ações que implicam na própria formulação dos objetivos da ação educativa, na definição de seus conteúdos e métodos, entre outros. Sendo parte de um processo maior, a avaliação pode ser formativa ou somativa. Considerando o enunciado, analise as afirmativas e marque V para as verdadeiras e F para as falsas: I – A avaliação formativa é utilizada para uma apreciação final sobre o que o aluno pode obter em um determinado período. II – A avaliação somativa é utilizada ao longo do processo pedagógico, no sentido de acompanhamento do desenvolvimento e reorientação da aprendizagem do aluno. III – Tanto a avaliação somativa quanto a formativa, podem levar a processos de exclusão e classificação na dependência das concepções que norteiam o processo educativo. IV – A avaliação formativa é aquela em que o professor deve estar atento aos processos e às aprendizagens dos seus alunos. A sequência está correta em: a) V, F, V, F. b) F, F, V, V. c) V, V, F, F. d) F, V, F, V. e) V, F, F, V. 7. (Consuplan/Prefeitura de Congonhas- MG/Professor/2010) Segundo Luckesi, para que uma avaliação cumpra sua função diagnóstica, deve ser executada com um certo rigor técnico, o que implica algumas exigências. Para serem adequados, estes instrumentos devem, exceto: a) Medir resultados de aprendizagem claramente definidos e com harmonia com os objetivos institucionais. b) Ser construídos tão fidedignos quanto possível e, em consequência, ser interpretados com cautela. c) Ser utilizados para melhorar a aprendizagem do aluno e do sistema de ensino. d) Ser destinados exclusivamente a uma atribuição de notas e conceitos aos alunos, visando classificar o educando num certo estágio de desenvolvimento. e) Ser planejados para se ajustar aos usos particulares a serem feitos dos resultados. (Cespe/Agência Brasileira de Inteligência (Abin)/Oficial Técnico de Inteligência – Área Pedagogia/2010) Julgue os itens a seguir, relativos a diferentes concepções de avaliação da aprendizagem. 8. ( ) Em uma avaliação mediadora, é função do professor interpretar o resultado das provas e, com base nessa interpretação, estabelecer estratégias pedagógicas que intervenham de forma positiva no processo de aprendizagem de seus alunos. 9. ( ) Na abordagem tradicional, o conhecimento é considerado uma construção contínua, na qual a mudança de comportamento configura a construção de uma nova aprendizagem. 10. ( ) De acordo com a concepção cognitivista,a avaliação é realizada com o intuito de verificar a apreensão exata do conteúdo trabalhado em sala de aula, sendo o aluno avaliado pela quantidade de informações que consegue reproduzir por meio de instrumentos como provas ou exames. 11. ( ) O comportamentalismo é identificado na avaliação quando o professor constata que o aluno aprendeu e atingiu os objetivos propostos após a conclusão de uma etapa de estudos. 12. ( ) A concepção transformadora de avaliação, que se caracteriza pela progressividade e terminalidade, privilegia o processo, os conteúdos e a abrangência do processo educativo. 13. (Cespe/Saeb-BA/Todos os cargos/2011) A escola somente pode avaliar, no cotidiano, aquilo que ela ensinou; as avaliações externas em larga escala propiciam medir o nível de domínio daquilo que se reputa ter sido ensinado em todas as escolas a partir do currículo formal. (Philippe Perrenoud. Sucesso na escola: só o currículo, nada mais que o Currículo! In: Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 119, jul./2003, p. 11 – com adaptações). Com base nas informações do texto, é correto afirmar que as avaliações externas correspondem a: a) avaliações realizadas pelo Ministério da Educação para identificar o nível de proficiência dos estudantes em interpretação e produção de textos em língua portuguesa e na resolução de problemas de ciências e matemática. b) avaliações elaboradas pelos próprios professores da escola para turmas diferentes, com objetivo de verificar se o trabalho dos docentes está sendo desenvolvido de acordo com o previsto no projeto pedagógico da escola e de garantir a manutenção do padrão de qualidade do ensino oferecido pela escola. c) avaliações realizadas por agentes externos, em estreita colaboração com a equipe gestora da escola, com objetivo de verificar o alcance das metas de aprendizagem estabelecidas no projeto pedagógico. d) avaliações para diagnóstico, que objetivam avaliar a qualidade do ensino oferecido pelos sistemas de ensino, por meio de testes padronizados e questionários socioeconômicos. 14. (Consulplan/TSE/Analista Judiciário – Pedagogia/2012) A forma como o ensino é concebido, o entendimento do que é aprender, do que é ensinar, do papel da escola está intimamente relacionado com a forma de avaliar. Portanto, uma mudança na avaliação dos processos de aprendizagem numa perspectiva da construção do conhecimento, exige que o professor tenha as seguintes concepções, exceto aquela na qual a) o sujeito que aprende é concebido como um ser crítico, criativo e participativo, com autonomia e capacidade de tomar decisões. b) o ensino privilegia a participação, o diálogo, a autonomia, a reflexão tanto por parte dos professores quanto dos alunos. c) a avaliação é analisada à parte do processo de aprendizagem e de ensino, para posteriormente proporcionar tomada de decisões e diferentes aprendizagens. d) o erro é visto como propiciador de aprendizagens e as dúvidas dos alunos altamente significativas e reveladoras de um envolvimento e exercício intelectuais. (Cespe/Abin/Oficial Técnico de Inteligência – Pedagogia/2010) Julgue os itens a seguir, a partir da concepção emancipadora e elaboração do projeto pedagógico. 15. ( ) A avaliação tem por objetivo aferir e controlar a qualidade do processo pedagógico por meio de instrumentos técnicos aplicados por equipes estratégicas das diferentes esferas administrativas. 16. (Ceperj/Prefeitura de Angra dos Reis-RJ/Professor/2008) Hoffmann afirma que há, por parte dos professores, o uso equivocado dos testes, principalmente considerando-se que a sua finalidade mais importante, na escola, deve ser: a) investigação, mensuração e classificação; b) investigação, análise de resultados e nova ação; c) constatação, mensuração e análise de resultados; d) constatação, classificação e repetição de conteúdos; e) análise de resultados, repetição de conteúdos e classificação. Gabarito ESPAÇO DO ALUNO Capítulo 10 METODOLOGIA DE PROJETOS, MULTIMÍDIA EDUCACIONAL E PESQUISA PARTICIPANTE 10.1 Metodologia de projetos O trabalho com projetos não é uma metodologia nova, surgiu no século XVIII, quando Pestalozzi e Frobel destacam a necessidade de se trabalhar com os interesses das crianças. Quando falamos em metodologia de projetos, do que você se recorda? Coloque no quadro os seus conhecimentos sobre a temática. Conforme Hernández e Ventura (2009), o requisito fundamental para se trabalhar com projetos é se voltar mais para os questionamentos do que para as respostas. Trabalhar na perspectiva da práxis, em que teoria e prática estão presentes em todos os momentos. Para esses autores, o trabalho com projetos significa reconstruir a experiência de dentro para fora, teorizar e torná-la comunicável. Para tanto, é necessária uma organização curricular em espiral, ou seja, captar a estrutura fundamental das disciplinas e desenvolver nos diversos níveis de complexidade. O trabalho com projetos demanda mudança nas concepções de ensino e aprendizagem e no modo como o professor percebe sua função em sala de aula. Para Hernández (1998), os projetos não podem ser considerados um modelo pronto e acabado, como metodologia didática, ou separados de sua dimensão política. Trabalhar com projetos significa dar novo sentido ao processo do aprender e do ensinar. Eles devem estar voltados para uma ação concreta, partindo da necessidade dos alunos de resolver problemas da sua realidade, para uma prática social que pode ser adaptada ao contexto escolar por meio de exposições, maquetes, músicas, dança, trabalhos artísticos, artesanatos, passeios, dentre outros. Século XVIII Pestalozzi e Frobel destacam a necessidade do trabalho com os interesses das crianças Início do século XX Ferrière, Krupskaia e Makarenko realizam projetos integrados. 1907 Montessori e Decrolly defendem temas lúdicos e o ensino ativo. Década de 1920 Dewey e Kilpatrik – tornar o espaço escolar vivo e aberto ao real. Década de 1930 Freinet – valorização do trabalho em grupo para estimular a cooperação e a iniciativa. Década de 1960 Paulo Freire – temas geradores. Década de 1990 Jurjo Santomé e Fernando Hernández – currículo integrado e os projetos de trabalho. Década de 1990 e século XXI Antoni Zabala – enfoque globalizador e interdisciplinar. Segundo Nogueira (2001), (...) um projeto, na verdade é, em princípio, uma irrealidade que vai se tornando real, conforme começa a ganhar corpo a partir da realização de ações e, consequentemente, das articulações desta. É como um conjunto de ingredientes necessários para se fazer um bolo. Esses ingredientes ainda não são o próprio bolo, mas podem ser considerados como o desejo, a necessidade, a vontade de se produzir o alimento que simboliza o resultado da união e determinação em se construir algo. O trabalho com projetos também se caracteriza pela possibilidade de propiciar uma frequente execução de tarefas por todos os alunos como sujeitos ativos dentro do processo de construção, execução e avaliação do projeto. Segundo Perrenoud (2002), um projeto em que somente cinco alunos participam e os outros ficam olhando, ou então fazem trabalhos menores para ajudar os outros, pode ser considerado deficitário. • Possibilitar a interação do aluno no processo de construção do conhecimento. • Viabilizar a aprendizagem real, significativa, ativa e interessante. • Trabalhar o conteúdo conceitual de forma procedimental e atitudinal. • Proporcionar ao aluno uma visão globalizada da realidade e um desejo contínuo da aprendizagem. Quais os pontos importantes até agora? Tipo Características Palavras -chave Projetos de Intervenção2 São projetos desenvolvidos no âmbito de um sistema educacional ou de uma organização, com vistas a promover uma intervenção, propriamente dita, no contexto em foco, por meio da introdução de modificações na estrutura (organização) e/ou na dinâmica (operação) do sistema ou organização, afetando positivamente seu desempenho emfunção de problemas que resolve ou de necessidades que atende (esse tipo de projeto ocorre também em outras instituições e contextos, tais como: setor produtivo, comercial etc.). 2 Projetos de Pesquisa São projetos que têm por objetivo a obtenção de conhecimentos sobre determinado problema, questão ou assunto, com garantia de verificação experimental (existem diversos tipos de projetos de pesquisas, próprios dos setores acadêmicos e de instituições de pesquisa, que podem ser estudados à parte por meio de uma literatura rica e abrangente). Projetos de Desenvolvimento (ou produto) São projetos que ocorrem no âmbito de um sistema ou organização com a finalidade de produção ou implantação de novas atividades, serviços ou “produtos”. Exemplos de projetos desse tipo são: desenvolvimento de novos materiais didáticos; desenvolvimento de nova organização curricular; desenvolvimento de um novo curso; desenvolvimento de softwares educacionais etc. (esse tipo de projeto é muito comum também em outras organizações e contextos, como o setor produtivo, comercial, serviços etc.). Projetos de Ensino São projetos elaborados dentro de uma (ou mais) disciplina(s), dirigidos à melhoria do processo ensino-aprendizagem e dos elementos de conteúdos relativos a essa disciplina (esse tipo de projeto é próprio da área educacional e refere-se ao exercício das funções do professor). Projetos de Trabalho São projetos desenvolvidos por alunos em uma (ou mais) disciplina(s), no contexto escolar, sob orientação de professor, e têm por objetivo a aprendizagem de conceitos e desenvolvimento de competências e habilidades específicas. Esses projetos são conduzidos de acordo com uma metodologia denominada Metodologia de Projetos, ou Pedagogia de Projetos. A principal diferença entre esses dois últimos tipos é que, enquanto os projetos de ensino são executados pelo professor, os projetos de trabalho são executados pelos alunos sob orientação do professor visando à aquisição de determinados conhecimentos, habilidades e valores. Projetos de Trabalho (continuação) A ideia de trabalhar com projetos como recurso pedagógico na construção de conhecimentos remonta ao final do século XIX a partir de ideias enunciadas por John Dewey, em 1897. Os projetos de trabalho merecem tratamento à parte, em função de suas finalidades essencialmente educativas. A organização do trabalho pedagógico com projetos demanda contemplar multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, mas qual a diferença entre esses conceitos? Disciplina: conjunto de conhecimentos específicos que possui características próprias, no terreno do ensino e formação. Multidisciplinaridade: envolve mais de uma disciplina sem que uma se relacione com a outra. Cada uma mantém metodologias e teorias próprias, não há integração. Interdisciplinaridade: envolve mais de uma disciplina. Busca a integração dos resultados obtidos por meio da adoção de perspectiva teórico- metodológica comum, preservando as especificidades e objetivos próprios de cada disciplina. Transdisciplinaridade: constitui um grau de integração maior que o da interdisciplinaridade, não existindo fronteira entre as disciplinas. Todos os saberes são importantes, não existindo hierarquia entre eles. Fonte: Ramos (2014 Além desses conceitos, estão presentes no trabalho com projetos as concepções do enfoque globalizador. Para Zabala (2002) são características desse enfoque: • Desenvolvimento das capacidades da pessoa para dar respostas aos problemas que a vida em sociedade coloca. • Conteúdos devem ser selecionados com critérios que respondam às demandas da vida em sociedade. • Organização não fragmentada das disciplinas e conteúdos. • Trabalhar os conteúdos de forma que a aprendizagem seja pautada em estabelecimento do máximo de relações possíveis entre os diferentes saberes que são potencializados pela sua capacidade explicativa. • O objeto de estudo na escola deve ser a realidade e os processos de ensino devem favorecer o maior número possível de relações entre os diferentes conteúdos aprendidos. • Organização visando ao conhecimento e à intervenção na realidade. • Potencializar as crianças a responderem aos problemas reais em todos os âmbitos de desenvolvimento pessoal: sociais, emocionais, profissionais. • Desenvolver o pensamento complexo. Percebe-se que o enfoque globalizador, pretende, de algum modo, recuperar na escola o verdadeiro objeto de estudo do saber ao situar a realidade como objeto prioritário do conhecimento. (ZABALA, 2002). Assim, trabalhar com projetos é ressignificar a própria escola. A partir do seu entendimento dos conceitos, preencha o quadro. Disciplina Multidisciplinaridade Interdisciplinaridade Transdisciplinaridade 10.2 Multimídia educativa O que você entende por multimídia educativa? Coloque no quadro os seus conhecimentos. A escola, hoje, muito mais do que ensinar conteúdos, deve preparar para o exercício da cidadania e para o mundo do trabalho que está em constantes mudanças. Não basta aprender os conteúdos; hoje, temos que trabalhar com a capacidade de aprender constantemente e modificar os conhecimentos conforme as demandas. A escola, nesse contexto, deve se reinventar e os professores necessitam se apropriarem das novas tecnologias de informação e comunicação. Devem trazer para o seu dia a dia as ferramentas de multimídia. Para Klein et al. (2013), multimídia (...) é o conjunto dos mais variados meios de comunicação (meios digitais, tais como texto, gráfico, imagem, áudio, animação, vídeo) que visam transmitir de alguma forma as informações. Os recursos de multimídia mais utilizados nas escolas são: fotos, rádio, televisão, softwares educativos e sites da internet. O principal objetivo da utilização dos recursos de multimídia são ilustrar um conteúdo ou promover associação de ideias na exposição de um assunto, não se exclui a função dos professores e, sim, são utilizados como recursos acessórios na preparação e apresentação das aulas. É muito importante entender que os recursos de multimídia devem ser escolhidos criteriosamente em consonância com os objetivos educacionais de ensino. As tecnologias sozinhas não agregam valor ao processo pedagógico. A mediação dos professores e a interação entre os alunos é que possibilitará as aprendizagens. Nesse sentido os recursos de multimídia são entendidos como meios para potencializar o desenvolvimento da aprendizagem significativa dos alunos. Quais os pontos principais desse assunto? 10.3 Pesquisa participante Vamos, agora, ao tema Pesquisa Participante. O que você sabe sobre esse tema? Coloque no quadro os seus conhecimentos. A pesquisa participante também é chamada de autodiagnóstico, pesquisa- -ação, pesquisa participativa, investigação ação participativa, surgiu entre as décadas de 1960 e 1980, nos países da América Latina. Rompe com o positivismo e com a pretensa neutralidade científica, está a serviço dos movimentos sociais e transformação da sociedade; tem sua base no marxismo. Para Brandão (1981), a pesquisa participante é um enfoque de investigação social que busca a participação plena da comunidade na análise de sua própria realidade, com o objetivo de promover a participação e promoção de benefícios dos participantes. Trata-se de uma investigação que se caracteriza como uma atividade educativa e ação social. De acordo com Brandão et al. (2007), a pesquisa participante tem sua origem nos movimentos sociais populares. Ela coloca os dois polos da pesquisa em relação e ação, os pesquisadores e os participantes da pesquisa. Para o autor, esse modelo de pesquisa tende a ser concebido como um instrumento, um método de ação científica ou um momento de trabalho popular que possui uma dimensão pedagógica e política. Principais características da pesquisa participante • A realidade social é estudada em sua totalidade e complexidade. • Parte-se da realidadeconcreta da vida cotidiana dos próprios participantes. • É necessário contextualizar em sua dimensão histórica: os processos, as estruturas, as organizações e o diferentes sujeitos sociais. • A relação tradicional sujeito-objeto é substituída pela relação sujeito-sujeito, uma vez que todas as pessoa e culturas são fontes originais de saber. • Articulação entre o conhecimento científico e o popular. • Unidade teoria e prática. • É pensada como um momento dinâmico de um processo de ação comunitária. • Os estilos e procedimentos da pesquisa são definidos a partir de questões e desafios surgidos ao longo da ações sociais. • Os resultados de uma pesquisa interferem na realidade e podem suscitar novas pesquisas. • O compromisso social, político e ideológico e com a comunidade. Para Brandão (2007), o conhecimento científico não é absoluto, pois pode mudar conforme os objetivos do grupo envolvido na pesquisa. Ele traz seis princípios para a realização da pesquisa participante: Autenticidade e compromisso: é necessário que o chamado intelectual mostre honestamente seu compromisso com a causa popular, integrando conhecimento científico e popular nas lutas sociais. Antidogmatismo: rever a rigidez ideológica e o paternalismo. Respeitar os grupos sociais, assegurando autonomia para defesa de seus interesses. Restituição sistemática: elevação do nível de consciência da população e a instrumentalização para a luta contra a hegemonia burguesa. Divide-se em: • Comunicação diferencial: apresentação diferenciada do relatório. • Simplicidade de comunicação: ampliar o público a ser atingido. • Autoinvestigação e controle: uma vez que a população participa da pesquisa ela passa a ter o controle sobre a qualidade, finalidade e prioridades, bem como controle sobre desvios ideológicos. • Popularização da técnica: generalidade das técnicas de pesquisa. Feedback para os intelectuais orgânicos: realimentação dos intelectuais orgânicos. Ritmo e equilíbrio da ação-reflexão: articular teoria e ação; o particular e o geral. Ciência modesta e técnicas dialogais: ciência modesta não quer dizer de baixa qualidade, mas, sim, o abandono da arrogância erudita e o uso de recursos locais, por mais modestos que se apresentem. Este princípio diz respeito ao rompimento com a hierarquização entre pesquisador e pesquisado, entrevistador e entrevistado. Primeira fase: montagem institucional e metodologia da pesquisa • Discussão do projeto com a população e seus representantes; • Definição do quadro teórico: objetivos, conceitos, métodos etc.; • Delimitação da região a ser estudada; • Organização do processo de pesquisa – distribuição de tarefas, procedimentos etc.; • Seleção e formação de pesquisadores e/ou grupos de pesquisas; • Elaboração de cronograma. Segunda fase: estudo preliminar da região e da população envolvida • Identificação da estrutura social da comunidade; • Diferenciar as necessidades e os problemas da população estudada; • Selecionar a população na qual se deseja intervir; • Descentralização da pesquisa; • Investigação do universo vivido pela população pesquisada. Terceira fase: análise crítica dos problemas considerados prioritários e que os participantes desejam estudar • Constituição de grupos de estudos; • Análise crítica dos problemas. Quarta fase: programação e aplicação de um plano de ação (incluindo atividades educacionais) que contribua para a solução dos problemas encontrados • Promoção de atividades educativas que permitam analisar melhor os problemas e situações vividas; • Medidas para promoção de melhorias locais; • Ações para promover as soluções identificadas. Vamos montar um resumo com os principais pontos sobre pesquisa participante. Conceito Características Fases Princípios Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (Cespe-UnB/Semec-PI/2010) A educação no mundo contemporâneo, por meio do uso de tecnologias da informação e de comunicação, privilegia a mediação pedagógica no processo de construção do conhecimento. A esse respeito, assinale a opção correta. a) O fortalecimento do papel do professor de comunicar e transmitir assuntos de seu total domínio é uma estratégia fundamental. b) Privilegiar o conceito de ensinar em detrimento ao de aprender torna a mediação mais eficiente. c) A substituição do quadro-negro e do giz por transparências e outros recursos de mídia de última geração garante a transformação do processo pedagógico. d) Incentivar o desenvolvimento de ações que permitam o exercício de habilidades de pesquisa e de trabalho em equipe favorece a mediação pedagógica. e) Não variar muito a forma e as técnicas utilizadas em sala de aula facilita a interação do aluno com esquemas padronizados. (Cespe-UnB/Abin/2010) Julgue os itens, referentes ao uso de tecnologias na educação. 3. ( ) Independentemente do investimento tecnológico realizado, muitos procedimentos didáticos empregados na educação corporativa a distância remetem a cursos tradicionais, sem articulação entre teoria e prática. 5. ( ) Em programas inovadores de formação na modalidade a distância, a adoção de softwares deve ser o foco da tomada de decisão e anteceder a definição de resultados e opções sobre processos de aprendizagem. 6. ( ) O uso de ferramentas tecnológicas interativas garante por si só o compartilhamento e a construção do sentimento de pertencimento entre os envolvidos em um processo de formação. 7. ( ) A utilização de tecnologias em processos de formação e o debate a esse respeito se desvinculam da discussão sobre o papel do professor e sua mediação pedagógica no processo de aprendizagem. 8. ( ) A aprendizagem online por meio de comunidades virtuais de aprendizagem com o apoio dos recursos da internet favorece a adoção de práticas inovadoras de educação nas corporações. 9. ( ) Ensinar com mídias será uma inovação se, simultaneamente, forem mudados os paradigmas convencionais de ensino, que mantêm o afastamento entre professores e estudantes. (Cespe-UnB/Seduc-AM/2011) Considerando que a pesquisa participante tem contribuído para o desenvolvimento de uma prática pedagógica comprometida com a realidade social na qual a escola se insere, julgue os próximos itens, a respeito de pesquisa participante e do papel político e pedagógico da pesquisa. 10. ( ) A pesquisa participante caracteriza-se pela ausência de neutralidade do pesquisador, por constituir-se em uma lógica não acabada de construção do conhecimento, e também por ser uma prática pedagógica de aprendizagem e uma teoria esclarecedora da realidade. 11. ( ) De acordo com a concepção da pesquisa do tipo participante, deve-se abordar a escola apenas quanto a seus componentes internos. 12. ( ) Entre as modalidades de pesquisa participativa, destacam-se a pesquisa-ação, a autoinvestigação e o levantamento participativo. 13. ( ) A pesquisa participante inscreve-se em um movimento de questionamento da realidade social latino-americana que surgiu na década de 1960 do século passado como questionamento do predomínio do positivismo nas práticas das ciências sociais. 14. ( ) De acordo com certa concepção de pesquisa participante, a verdade é construída com base em dados empíricos observados pelo pesquisador, que deve formular previamente hipóteses a respeito do comportamento dos diferentes atores sociais envolvidos no processo a ser investigado. 15. ( ) A pesquisa participante tem dupla função: a de possibilitar aos sujeitos conhecer e apreender as relações existentes em seu contexto e a de transformar esse contexto e as relações sociais mais amplas em que o sujeito está inserido. 16. ( ) O pesquisador, ao realizar pesquisa participante, deve evitar a intermediação de categorias analíticas na apreensão do objeto ou fenômeno investigado. 17. ( ) Relacionar o cotidiano escolar rico em história à totalidade do processo histórico social é condição indispensável ao bom desenvolvimento de uma pesquisa participante.(Cespe-UnB/FUB/2013) Acerca da pesquisa participante como instrumento de inovação e de avaliação do ensinar e do aprender, julgue os itens a seguir. 18. ( ) A pesquisa participante implica uma modéstia metodológica e técnica que rompa com as relações assimétricas entre pesquisadores e pesquisados e incorpore pessoas das bases sociais como indivíduos ativos e pensantes nos esforços de pesquisa. 19. ( ) Na pesquisa participante, a metodologia varia, evolui e se transforma segundo as condições políticas locais ou a correlação das forças sociais. 20. ( ) A pesquisa participante não pretende resolver a tensão contínua entre o mundo acadêmico e o irreal; os intelectuais e os trabalhadores; a ciência e a vida. 21. ( ) Na coleta de dados, deve-se enfatizar posturas qualitativas e hermenêuticas, e também a comunicação interpessoal. 22. ( ) O processo de pesquisa participante termina com a realização da quarta fase, em que se faz a análise crítica da realidade e se executam as ações programadas. Julgue os itens a seguir, relativos à pesquisa participante. 23. ( ) Não deve haver variação ou transformação na metodologia de uma pesquisa participante conforme as condições políticas locais, dado o distanciamento desse método de pesquisa em relação ao contexto social. 24. ( ) Além de objetivar a resolução da tensão contínua entre o processo de geração de conhecimento e o uso do conhecimento, a pesquisa participante visa romper com as relações assimétricas entre pesquisadores e pesquisados. 25. ( ) A despeito das diferenças existentes entre a pesquisa participante e a tradicional, na pesquisa participante são utilizados métodos de coleta de dados comumente empregados na pesquisa tradicional. 26. (Cespe/TJRO/2012) No contexto de ensino e aprendizagem, diversos métodos são criados a partir das muitas teorias que explicam os fenômenos observados. Com relação à metodologia de projetos, assinale a opção correta. a) O aluno é conquistado dia a dia para participar dos projetos. b) O vocábulo problema designa uma situação de risco para o trabalho pedagógico. c) O vocábulo problema designa a situação caracterizada pela diferença entre uma situação atualmente descrita e a que se pretende alcançar. d) Nem todos os modelos de ensino se aplicam ao método de projetos. e) Nessa metodologia o professor exerce o papel de idealizador. 27. (Cespe/TJRO/2012) Com relação aos aspectos relacionados à metodologia de projetos, assinale a opção correta. a) Culminação é a etapa da ação. b) Anteprojeto é a denominação das ações impeditivas à execução do projeto. c) A identificação do projeto é o espaço de colocação do título. d) O que importa na metodologia de projetos é o caminho percorrido, portanto não se dá importância à comprovação. e) A etapa mais importante do projeto é a definição do objetivo. 28. (Cespe/TJRO/2012) É correto afirmar que a organização curricular por projetos a) trata da integração do trabalho pedagógico com outras áreas do conhecimento. b) só pode ser implementada na escola por regulamentação do MEC. c) visa à participação de outros profissionais da escola na avaliação dos alunos. d) constitui um movimento político liderado pelos alunos e acatado pelos professores. e) permite trabalhar temas comuns em diferentes disciplinas, de maneira integrada. 29. (Cespe/TJRO/2012) A sociedade contemporânea tem passado por rápidas transformações, exigindo do cidadão constantes movimentos de adaptação. No âmbito educacional, as mudanças também chegaram alterando modos de pensar e de ensinar. A interação entre duas ou mais disciplinas, podendo ir da simples comunicação à integração recíproca de conceitos fundamentais e princípios metodológicos é denominada a) interdisciplinaridade. b) transposição didática. c) multidisciplinaridade. d) multiculturalismo. e) multirreferencialidade. (Cespe-UnB/Seplag-DF/2008) A partir da concepção de interdisciplinaridade e da metodologia de projetos na organização do trabalho pedagógico, julgue os itens que se seguem. 30. ( ) Na metodologia de projetos, as disciplinas curriculares tornam-se fins da construção do conhecimento. 31. ( ) A interdisciplinaridade é uma possibilidade de superação da fragmentação e da compartimentalização do saber. 32. ( ) A centralidade da metodologia de projetos está no ensino de habilidades e competências. 33. ( ) A interdisciplinaridade requer a superação das especificidades das diferentes áreas de conhecimento. 34. ( ) A metodologia de projetos permite o diálogo de diferentes formas de saber, pois inter-relaciona conceitos e métodos. 35. ( ) No trabalho com uma metodologia de projetos, a autoridade do professor é outorgada pela instância superior. 36. ( ) O diálogo do senso comum com o conhecimento científico é uma das características da metodologia de projetos. (Cespe/Embasa) Julgue os itens a seguir, acerca da metodologia de projetos educacionais. 37. ( ) Os projetos da área educacional não são excludentes entre si e se restringem aos seguintes tipos: intervenção, pesquisa, ensino, trabalho, gestão. 38. ( ) Atividades de desenvolvimento de projetos propiciam a interdisciplinaridade e o foco em áreas especiais e prioritárias, além de permitirem construir-se com os alunos um aprendizado abrangente e rico em relações sociais. 39. ( ) A discussão sobre pedagogia de projetos não é recente. Ela surgiu com Froebel no início do século XX, época em que se concebeu a educação como um processo de vida, e não como uma preparação para o futuro, devendo a escola representar o contexto da vida presente. Gabarito ESPAÇO DO ALUNO Capítulo 11 FUNDAMENTOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O PAPEL DO PROFESSOR DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA – RESOLUÇÃO N° 4/2010 11.1 Diretrizes Curriculares Nacionais e Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental de 9 anos Neste capítulo vamos trabalhar com educação especial na perspectiva da educação inclusiva. O que você já sabe sobre o tema? Coloque no quadro o que entende por cada conceito. Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais Integração Inclusão Educação Especial Adequações Curriculares Acessibilidade 11.1.1 Principais conceitos Para iniciarmos, vamos situar historicamente a educação especial no Brasil. Sassaki (1997) aponta os seguintes marcos: Exclusão: período em que as pessoas com deficiências eram perseguidas, rejeitadas, exploradas; não havia nenhum tipo de atendimento educacional. Segregação institucional: o atendimento às pessoas com deficiências (física, intelectual e sensorial) era realizado, geralmente em instituições especializadas. Ex.: Instituto dos Meninos Cegos, que depois passa a se chamar Instituto Benjamim Constant. Integração: período em que aumentam as classes especiais em escolas de ensino regular. A concepção é que as pessoas com deficiência deveriam ser separadas das pessoas ditas normais para não as atrapalhar. Inclusão: período em que os alunos, independente do tipo ou grau de comprometimento, são matriculados, preferencialmente na rede regular de ensino. A escola deve adaptar-se para atender às suas necessidades. Hoje, vivemos o momento em que a concepção predominante é a educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Ela aparece na legislação brasileira como modalidade de ensino, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino para atender alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), que é ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. Alunos com deficiência Alunos com transtornos globais do desenvolvimento Alunos com altas habilidades/superdotaçã Aqueles que têm impedimentos de Aqueles que apresentam um quadro de alterações no Aqueles que apresentam um potencial elevad longo prazo denatureza física, intelectual, mental ou sensorial. Ou seja: • Deficiência Intelectual (DI, antes chamada de deficiência mental); • Deficiência física; • Deficiências sensoriais: a) Deficiência Visual; b) Deficiência Auditiva. desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. A nomenclatura mudou para Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas a legislação ainda não alterou os termos. Fazem parte: • Autismo; • Asperger; • Psicose infantil. e grande envolvimento com as áreas d conhecimento humano, isoladas o combinadas. I – prover condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino regular aos alunos especiais. II – garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular; III – fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e IV – assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis de ensino. Um conceito muito importante para educação especial é o de adequações curriculares. As adequações curriculares são: “possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos” (MEC, 2002). Elas são destinadas aos alunos que necessitam de serviços e/ou situações especiais de educação, devem estar respaldadas no projeto político-pedagógico da escola, não criando um novo currículo, mas adaptando progressivamente o do regular, conforme as demandas. Níveis de adequações: • Projeto pedagógico. • Currículo desenvolvido na sala de aula. • No nível individual. • Políticas públicas. É fundamental que você saiba a diferença entre integração e inclusão. São conceitos sempre presentes na provas. INCLUSÃO INTEGRAÇÃO Inserção total e incondicional (crianças com deficiência não precisam “se preparar” para ir à escola regular). Inserção parcial e condicional (crianças “se preparam” em escolas ou classes especiais para estar em escolas ou classe regulares). Exige rupturas nos sistemas Pede concessões aos sistemas. Mudanças que beneficiam toda e qualquer pessoa (não se sabe quem “ganha” mais; todas ganham). Mudanças visando prioritariamente a pessoas com deficiênci (consolida a ideia de que elas “ganham” mais). Exige transformações profundas. Contenta-se com transformações superficiais. Sociedade se adapta para atender às necessidades das pessoas com deficiência e, com isso, se torna mais atenta às necessidades de todos. Pessoas com deficiência se adaptam às necessidades do modelos que já existem na sociedade, que faz apenas ajustes. Defende o direito de todas as pessoas, com e sem deficiência. Defende o direito de pessoas com deficiência. Traz para dentro dos sistemas os grupos de “excluídos” e, paralelamente, transforma esses sistemas para que se tornem de qualidade para todos. Insere nos sistemas os grupos de “excluídos que provarem esta aptos” (sob este aspecto, as cotas podem ser questionadas com promotoras da inclusão). O adjetivo inclusivo é usado quando se O adjetivo integrador é usado quando se busca qualidade na busca qualidade para todas as pessoas com e sem deficiência (escola inclusiva, trabalho inclusivo, lazer inclusivo etc.). estruturas que atendem apenas pessoas com deficiênci consideradas aptas (escola integradora, empresa integrador etc.). Valoriza a individualidade de pessoas com deficiência (pessoas com deficiência podem ou não ser bons funcionários; podem ou não ser carinhosas etc.). Como reflexo de um pensamento integrador podemos citar tendência a tratar pessoas com deficiência como um bloc homogêneo (ex.: surdos se concentram melhor; cegos sã excelentes massagistas). Não quer disfarçar as limitações porque elas são reais. Tende a disfarçar as limitações para aumentar a possibilidade d inserção. Não se caracteriza apenas pela presença de pessoas com e sem deficiência em um mesmo ambiente. A presença de pessoas com e sem deficiência no mesm ambiente tende a ser suficiente para o uso do adjetivo integrador A partir da certeza de que todos somos diferentes, não existem “os especiais”, “os normais”, “os excepcionais”; o que existe são pessoas com deficiência. Incentiva pessoas com deficiência a seguir modelos, nã valorizando, por exemplo, outras formas de comunicação com Libras. Seríamos um bloco majoritário e homogêneo de pessoa sem deficiência rodeado pelas que apresentam diferenças. Fonte: WERNECK, Cláudia, 2002. 11.1.2 Legislação Internacional Como sugerimos no capítulo anterior, o ideal para estudar legislação é seguir estes passos: 1. Imprimir as leis; 2. Responder questões anteriores, anotando ao lado do artigo a banca e o ano em que ele foi cobrado em prova; 3. Voltar e verificar quais são os artigos que mais caem nas provas; 4. Concentrar-se nos artigos que mais caem. A educação especial tem muitas leis específicas que a regulamentam e está presente em outras gerais. Diante disso, fizemos uma seleção prévia dos principais assuntos tratados em cada uma. Coloque no quadro termos para se lembrar dos aspectos principais de cada dispositivo. PRINCIPAIS DOCUMENTOS INTERNACIONAIS Palavra-chave Declaração Mundial de Educação para Todos (Jontien – Tailândia – 1990) • Fornece definições e novas abordagens sobre as necessidades básicas de aprendizagem, tendo em vista estabelecer compromissos mundiais para garantir a todas as pessoas os conhecimentos básicos necessários a uma vida digna, visando a uma sociedade mais humana e mais justa. • Concentrar a atenção na aprendizagem de todas as crianças, jovens e adultos. • Expandir o enfoque da educação, ampliando seu raio de ação. • Universalizar a educação para todos. • Fortalecer alianças. • Propiciar um ambiente adequado de aprendizagem. • Desenvolver uma política contextualizada de apoio. • Mobilização de recursos. • Solidariedade internacional. Declaração de Salamanca (1994) • Reafirma o compromisso com a Educação para Todos, reconhecendo a necessidade e urgência de providências de educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino. • Princípio da inclusão. • Foco na diversidade. Declaração de Salamanca (1994) (continuação) • Aponta que cada pessoa possui uma maneira singular de aprender e desenvolver-se. • Pedagogia centrada na criança de modo a satisfazer suas necessidades. • Concepção de que as escolas regulares que possuem orientação inclusiva possuem meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias e podem criar comunidades acolhedoras. • Dedicar esforços para identificar e intervir precocemente junto às pessoas com necessidades educacionais especiais. • Traz a necessidade de formação de professores para atender esse público; • Programas de cooperação internacional. • Destaca o termo necessidades educacionais especiais para se referir a todas aquelas crianças ou jovens cujas necessidades educacionais especiais se originam em função de deficiências ou dificuldades de aprendizagem. • Aponta para a necessidade de serviços especializados. • Entende que a educação especial, ao incorporar uma pedagogia centrada na criança, beneficiará todos os estudantes. • Entende que as diferenças são inerentes aos seres humanos e que, ao invés de as crianças se adaptarem à escola, essa é que deve ser adaptada ao modo de aprender das crianças com necessidades especiais. • Orienta o trabalho na perspectiva da avaliação formativa. • Participação dos pais. Convenção da Guatemala (1999), promulgada no Brasil pelo Decreto nº 3.956/2001 • As pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas, definindo como discriminação com base na deficiência toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. • Reinterpretação da educação especial, compreendida no contexto da diferenciação, adotado para promover a eliminação das barreiras que impedem o acesso à escolarização. • Tomar as medidasde caráter legislativo, social, educacional, trabalhista, ou de qualquer outra natureza, que sejam necessárias para eliminar a discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência e proporcionar a sua plena integração à sociedade, entre as quais as medidas a seguir enumeradas, que não devem ser consideradas exclusivas. Convenção da Guatemala (continuação) • Trabalhar prioritariamente nas seguintes áreas: a) prevenção de todas as formas de deficiência preveníveis; b) detecção e intervenção precoce, tratamento, reabilitação, educação, formação ocupacional e prestação de serviços completos para garantir o melhor nível de independência e qualidade de vida para as pessoas portadoras de deficiência; e c) sensibilização da população, por meio de campanhas de educação, destinadas a eliminar preconceitos, estereótipos e outras atitudes que atentam contra o direito das pessoas a serem iguais, permitindo, dessa forma, o respeito e a convivência com as pessoas portadoras de deficiência. No Brasil, a política de inclusão social de pessoas com deficiência está presente desde a Constituição d 1988 que deu origem à Lei nº 7.853/1989, regulamentada pelo Decreto nº 3.298/1999. Essa legislação, bem como as Leis nºs 10.048 e 10.098, de 2000, e o Decreto nº 5.296/2004 (decreto d acessibilidade) nos coloca em igualdade com o ideário da Convenção da ONU. Fonte: Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiênci 11.1. 3 Legislação nacional Coloque no quadro termos para se lembrar dos aspectos principais de cada lei. PRINCIPAIS DOCUMENTOS NACIONAIS Palavra chave Constituição Federal de 1988 • “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. 3º, inciso IV). • Define, no art. 205, a educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. • No seu art. 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola”. • Como um dos princípios para o ensino e garante, como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208). Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, Lei nº 8.069/1990, nos arts. 53 e 54 • Reforça os dispositivos legais da Constituição Federal Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando o pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho assegurando-lhes: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: (...) III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. Cuidado! Hoje, não usamos o termo portador, mas ainda está presente em alguns documentos oficiais e leis. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/1996 A definição de educação especial aparece no art. 58, que foi modificado em 2013: Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013). • Traz a possibilidade dos serviços de apoio especializado nas escolas regulares e o atendimento em classes, escolas ou serviços especializados conforme as condições específicas dos alunos. • O art. 59 traz o que os sistemas de ensino deverão assegurar: A. Currículo, métodos, recursos e organização específicos para atender às necessidades; B. Terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências; e Lei de Diretrizes e assegura a aceleração de estudos aos superdotados para conclusão do programa escolar. Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/1996 (continuação) C. Professores especializados ou capacitados. D. Educação especial para o trabalho visando à integração na vida em sociedade (o termo integração é usado nesse artigo). E. Mesmo direito aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível de ensino. Atenção! Foi inserido o art. 59-A, que traz o seguinte texto: Art. 59-A. O Poder Público deverá instituir cadastro nacional de alunos com altas habilidades ou superdotação matriculados na educação básica e na educação superior, a fim de fomentar a execução de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse alunado. (Incluído pela Lei nº 13.234, de 2015) Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com altas habilidades ou superdotação, os critérios e procedimentos para inclusão no cadastro referido no caput deste artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os mecanismos de acesso aos dados do cadastro e as políticas de desenvolvimento das potencialidades do alunado de que trata o caput serão definidos em regulamento. • No art. 60 define apoio técnico às instituições privadas sem fins lucrativos que atendem exclusivamente os alunos público-alvo da educação especial. • Define, entre as normas para a organização da educação básica, a “possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado” (art. 24, inciso V) e “(...) oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames” (art. 37). Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB nº 2/2001 • “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.” (MEC, 2001) Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB nº 2/2001 (continuação) • A educação especial deve realizar o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à escolarização e em alguns casos substituir o ensino regular. Importante! Hoje o atendimento da Educação Especial é para complementar e suplementar e não mais substituir o atendimento no ensino regular. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2007) • Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior, ou seja, não se constitui um sistema paralelo, mas, sim, permeia toda educação em seus níveis e etapas. • Atendimento educacional especializado. • Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino. • Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar. • Participação da família e da comunidade. • Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação. • Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. Resolução nº 4, de 2 de outubro de 2009 • Institui as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica. • Supera a visão do caráter substitutivo da Educação Especial ao ensino comum, trazendo somente as funções suplementar e complementar. • Traz a obrigatoriedade da matrícula dos alunos, público-alvo da Educação Especial, na escola comum do ensino regular e da oferta do atendimento educacional especializado (AEE). • Define que o AEE é realizado, prioritariamente em sala de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra do ensino regular, no turno inverso ao da escolarização. Pode ser realizado também em centro de atendimento educacional especializado, ou instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas conveniadas. É importante destacar que as formas de matrícula concomitantes no ensino regular e no atendimento educacionalespecializado são contabilizadas Resolução nº 4, de 2 de outubro de 2009 (continuação) duplamente no âmbito do Fundeb, conforme definido no Decreto nº 6.571/2008. O financiamento da matrícula no AEE é condicionado à matrícula no ensino regular, conforme o Censo Escolar/MEC/Inep do ano anterior. • Define que a elaboração e a execução do plano do AEE são de competência dos professores que atuam na sala de recursos multifuncionais ou centros de AEE, em articulação com os demais professores do ensino regular, com participação das famílias e em interface com outros serviços necessários, tais como saúde, assistência social etc. • Traz a necessidade da inclusão do AEE no projeto pedagógico da escola da rede regular de ensino. • Define como atribuições do professor que realiza o AEE: I – identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-alvo da Educação Especial; II – elaborar e executar plano de Atendimento Educacional Especializado, avaliando a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade; III – organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos multifuncionais; IV – acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular, bem como em outros ambientes da escola; V – estabelecer parcerias com as áreas intersetoriais na elaboração de estratégias e na disponibilização de recursos de acessibilidade; VI – orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno; VII – ensinar e usar a tecnologia assistiva de forma a ampliar habilidades funcionais dos alunos, promovendo autonomia e participação; VIII – estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando à disponibilização dos serviços, dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares. • A formação do professor para atuar na Educação Especial e no AEE. Decreto nº 7.611/2011 • Redefine os serviços de atendimento educacional especializado como conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucional e continuamente, prestado das seguintes formas: I – complementar à formação dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, como apoio permanente e limitado no tempo e na frequência dos estudantes às salas de recursos multifuncionais; ou II – suplementar à formação de estudantes com altas habilidades ou superdotação. • O atendimento educacional especializado deve integrar a proposta pedagógica da escola, envolver a participação da família para garantir pleno acesso e participação dos estudantes, atender às necessidades específicas das pessoas público-alvo da educação especial, e ser realizado em articulação com as demais políticas públicas. Lei nº 13.146, de 6 de junho de 2015: Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). • Destina-se “(...) a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.” (Art. 1º) • Conceitua pessoa com deficiência como “(...) aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.” (Art. 2º) • No art. 3º traz os principais conceitos referentes à inclusão: “I – acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida; II – desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva; Lei nº 13.146, de 6 de junho de 2015 (continuação) III – tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social; IV – barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em: a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo; b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados; c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes; d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação; e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas; f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às tecnologias; V – comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre outras opções, as línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a visualização de textos, o Braille, o sistema de sinalização ou de comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos multimídia, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação, incluindo as tecnologias da informação e das comunicações; Lei nº 13.146, de 6 de junho de 2015 (continuação) VI – adaptações razoáveis: adaptações, modificações e ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional e indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que a pessoa com deficiência possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos e liberdades fundamentais; VII – elemento de urbanização: quaisquer componentes de obras de urbanização, tais como os referentes a pavimentação, saneamento, encanamento para esgotos, distribuição de energia elétrica e de gás, iluminação pública, serviços de comunicação, abastecimento e distribuição de água, paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico; VIII – mobiliário urbano: conjunto de objetos existentes nas vias e nos espaços públicos, superpostos ou adicionados aos elementos de urbanização ou de edificação, de forma que sua modificação ou seu traslado não provoque alterações substanciais nesses elementos, tais como semáforos, postes de sinalização e similares, terminais e pontos de acesso coletivo às telecomunicações, fontes de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos, quiosques e quaisquer outros de natureza análoga; IX – pessoa com mobilidade reduzida: aquela que tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção,incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e obeso; X – residências inclusivas: unidades de oferta do Serviço de Acolhimento do Sistema Único de Assistência Social (Suas) localizadas em áreas residenciais da comunidade, com estruturas adequadas, que possam contar com apoio psicossocial para o atendimento das necessidades da pessoa acolhida, destinadas a jovens e adultos com deficiência, em situação de dependência, que não dispõem de condições de autossustentabilidade e com vínculos familiares fragilizados ou rompidos; XI – moradia para a vida independente da pessoa com deficiência: moradia com estruturas adequadas capazes de proporcionar serviços de apoio coletivos e individualizados que respeitem e ampliem o grau de autonomia de jovens e adultos com deficiência; XII – atendente pessoal: pessoa, membro ou não da família, que, com ou sem remuneração, assiste ou presta cuidados básicos e essenciais à pessoa com deficiência no exercício de suas atividades diárias, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas; XIII – profissional de apoio escolar: pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e locomoção do estudante com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas; XIV – acompanhante: aquele que acompanha a pessoa com deficiência, podendo ou não desempenhar as funções de atendente pessoal.” • Traz os principais direitos agrupados nas seguintes áreas: A. Atendimento prioritário; B. Vida; C. Habilitação e reabilitação; D. Saúde; E. Educação; F. Moradia; G. Trabalho; H. Assistência social; I. Previdência social; J. Cultura, esporte, turismo e lazer; K. Transporte e mobilidade. Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (Udesc/Pref. Porto Belo-SC/Professor de Ensino Fundamental – Inclusão/2012) O Decreto nº 6.571/2008 dispõe sobre o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e regulamenta o parágrafo único do art. 60 da Lei nº 9.394/1996. Para fins deste decreto o AEE é compreendido como: a) conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestados de forma complementar ou suplementar à formação dos alunos no ensino regular. b) conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestados de maneira substitutiva à formação dos alunos do ensino regular. c) conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados exclusivamente por instituições especializadas. d) serviço clínico, reabilitatório, realizado por profissionais tais como fonoaudiólogos, psicólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. e) serviço da escola comum, prestado de maneira complementar ou suplementar, realizado no contra turno da escolarização, objetivando o reforço escolar. 2. (Udesc/Pref. Porto Belo-SC/Professor de Ensino Fundamental – Inclusão/2012) A Tecnologia Assistiva (TA) tem sido comumente utilizada nos espaços educacionais por pessoas com deficiência. Em decorrência da ampliação do uso destes recursos, muitos pesquisadores estão dedicando uma atenção especial para esta temática. Rita Bersch (2009) em seus estudos apresenta onze (11) categorias de TA. Assinale a alternativa que contempla somente estas categorias. a) Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA), auxílio de mobilidade, órteses e próteses. b) Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA), recursos humanos de apoio e auxílio de mobilidade. c) Recursos de acessibilidade ao computador, recursos humanos de apoio e sistemas de controle de ambiente. d) Sistema de controle de ambientes, auxílio para vida diária e recursos humanos de apoio. e) Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA), sistema de controle de ambientes e Libras (Língua Brasileira de Sinais). 3. (Udesc/Pref. Porto Belo-SC/Professor de Ensino Fundamental – Inclusão/2012) O Decreto nº 6.094/2007, que dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, pela União Federal, em regime de colaboração com Municípios, Distrito Federal e Estados, e a participação das famílias e da comunidade, visando à mobilização social pela melhoria da qualidade da educação básica, traça algumas diretrizes no que diz respeito à educação de pessoas com deficiência. Assinale a alternativa que corresponde a estas diretrizes. a) A garantia do acesso e permanência no ensino especial e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, fortalecendo o espaço das escolas especiais sem fins lucrativos. b) A garantia do acesso e permanência no ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, fortalecendo a inclusão educacional nas escolas públicas. c) A garantia do acesso no ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos no contra turno da escolarização, fortalecendo a criação de classes especiais. d) A garantia da universalização do acesso ao ensino regular, com criação de classes paralelas para atendimento às dificuldades de aprendizagem. e) A garantia do acesso e permanência no ensino regular com o compromisso dos municípios em estruturarem Centros de Apoio para o Atendimento Educacional Especializado. 4. (Udesc/Pref. Porto Belo-SC/Professor de Ensino Fundamental – Inclusão/2012) A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva é um documento orientador para os sistemas de ensino. Apresenta em seu texto alguns objetivos a serem alcançados. Analise as proposições em relação a estes objetivos. I – Assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. II – Assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem, dislexia, transtornos psiquiátricos e altas habilidades/superdotação. III – Orientar os sistemas de ensino para garantir acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino. IV – Transversalidade da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a educação superior. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. c) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. e) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. 5. (Udesc/Pref. Porto Belo-SC/Professor de Ensino Fundamental – Inclusão/2012) O Decreto nº 5.296/2004, em seu art. 4º, explicita as categorias que definem pessoa portadora de deficiência. Assinale a alternativa que corresponde a esse grupo de pessoas. a) deficiência mental, deficiência física, deficiência auditiva, deficiência visual e surdocegueira. b) deficiência intelectual, deficiência física, deficiência auditiva, deficiência visual, autismo e deficiências múltiplas. c) deficiência mental, deficiência física, deficiência auditiva, deficiência visual, deficiências múltiplas. d) deficiência mental, deficiência física, deficiência auditiva, deficiência visual, deficiências múltiplas e transtorno de déficit de atenção. e) deficiência intelectual, deficiência física, deficiência auditiva, deficiência visual, altas habilidades e deficiências múltiplas. 6. (Udesc/Pref. Porto Belo-SC/Professor de Ensino Fundamental – Inclusão/2012) No período final do século XIX, tem-se um marco histórico da Educação Especial no Brasil, que foi a criação de duas importantes instituições. Assinale a alternativa que apresenta essas duas instituições. a) Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais e Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais. b) Instituto dos Surdos-Mudos – atual Instituto Nacional de Educação deSurdos e Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais. c) Instituto dos Meninos Cegos – atual Instituto Benjamin Constant e Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais. d) Instituto dos Meninos Cegos – atual Instituto Benjamin Constant e Instituto dos Surdos Mudos – atual Instituto Nacional de Educação de Surdos. e) Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais e Instituto Brasileiro de Direitos da Pessoa com Deficiência. 7. (Udesc/Pref. Porto Belo-SC/Professor de Ensino Fundamental – Inclusão/2012) No art. 3º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, também conhecida como Convenção da ONU, são apresentados os princípios gerais. Analise as proposições, e assinale (V) para verdadeira ou (F) para falsa, no que se refere aos princípios defendidos nesta Convenção. ( ) A igualdade de oportunidades. ( ) O respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência como parte da diversidade humana e da humanidade. ( ) O direito de escolarização especial para todas as pessoas, com possibilidade de escolha nas diferentes modalidades de ensino. ( ) A igualdade entre o homem e a mulher. Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo. a) V – V – F – F. b) V – V – V – V. c) F – V – V – F. d) F – F – V – F. e) V – V – F – V. 8. (Udesc/Pref. Porto Belo-SC/Professor de Ensino Fundamental – Inclusão/2012) O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi instituído em julho de 1990. Ele regulamenta os direitos das crianças e dos adolescentes, inspirado pelas diretrizes fornecidas pela Constituição Federal de 1988, internalizando uma série de normativas internacionais. De acordo com este estatuto, a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao seu pleno desenvolvimento, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. Conforme o exposto, analise as proposições que contêm os direitos às crianças e aos adolescentes assegurados pelo ECA. I – Igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola. II – Direito de ser respeitado por seus educadores. III – Direito de atendimento domiciliar escolar por motivo de deficiência. IV – Acesso à escola pública e gratuita próxima à sua residência. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. c) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras. e) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. 9. (Udesc/Pref. Porto Belo-SC/Professor de Ensino Fundamental – Inclusão/2012) De acordo com as Diretrizes da Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, a Educação Especial é uma: a) modalidade de ensino paralela ao ensino regular que disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem das turmas comuns do ensino regular. b) modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades da educação básica, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem das turmas comuns do ensino básico. c) modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem das turmas comuns do ensino regular. d) modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas classes ou escolas especiais. e) etapa do ensino destinada às pessoas com deficiência, Transtorno Global do Desenvolvimento e Altas Habilidades/Superdotação, realizada no atendimento educacional especializado, e orienta os sistemas quanto à inclusão do público-alvo quando elegíveis, nas turmas comuns do ensino regular. 10. (Udesc/Pref. Porto Belo-SC/Professor de Ensino Fundamental – Inclusão/2012) Em 2001, por meio do Decreto nº 3.956, foi promulgada a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, mais conhecida por Convenção de Guatemala. Nesta convenção muitos conceitos foram elucidados, dentre eles o da discriminação. Para os efeitos desta Convenção, discriminação é toda a diferenciação: a) exclusão ou restrição baseada em deficiência ou antecedente de deficiência, cor, raça, religião, gênero ou idade. b) exclusão ou restrição baseada em deficiência, antecedente de deficiência, consequência de deficiência anterior ou percepção de deficiência presente ou passada, que tenha o efeito ou propósito de impedir ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício por parte das pessoas portadoras de deficiência de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais. c) ou preferência adotada pelo Estado Parte para promover a integração social ou o desenvolvimento pessoal dos portadores de deficiência, estabelecendo a diferenciação ou preferência obrigando a sociedade a aceitar tal diferenciação ou preferência. d) exclusão ou restrição baseada em deficiência, antecedente de deficiência, consequência de deficiência anterior ou percepção de deficiência presente ou passada, que tenha o efeito ou propósito de possibilitar o acesso e a participação da pessoa com deficiência no espaço escolar. e) exclusão ou restrição baseada em deficiência, antecedente de deficiência, consequência de deficiência anterior ou percepção de deficiência presente ou passada, que tenha o efeito ou propósito de impedir ou anular a participação, o acesso e a permanência de crianças, jovens, adolescentes e adultos, no espaço do ensino formal. Gabarito 11.2 Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica A Resolução nº 4, de julho de 2010, define as Diretrizes Curriculares para a Educação Básica. Principais obejtivos: Estabelecer bases comuns nacionais para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio bem como para as modalidades com que podem se apresentar, a partir das quais os sistemas federa estaduais, distrital e municipais, por suas competências próprias e complementares, formularão as sua orientações, assegurando a integração curricular das três etapas sequentes desse nível da escolarização essencialmente para compor um todo orgânico. Como se trata de legislação, lembre-se de imprimir a lei, resolver questões e anotar os principais artigos que costumam ser cobrados nas provas. Para facilitar o seu estudo, trouxemos um quadro com os principais temas tratados nessa resolução. Ao lado de cada item você deve colocar com suas palavras o que considera mais importante. Coloque no quadro termos para se lembrar dos principais aspectos de cada tópico. Palavra -chave Ideias principais • Presidir as demais diretrizes curriculares específicas para as etapas e modalidades, contemplando o conceito de Educação Básica, princípios de organicidade, sequencialidade e articulação, relação entre as etapas e modalidades: articulação, integração e transição; • Garantia do direito à educação de qualidade. • Educação Básica como direito e considerada, contextualizadamente, em um projeto de Nação, em consonância com os acontecimentos e suas determinações histórico-sociais e políticas no mundo; • Indissociabilidade dos conceitos referenciais de cuidar e educar; • Educação Básica como sistema educacional articulado e integrado; Ideias principais (continuação) • A democratização do acesso, permanência e sucesso escolar com qualidade social, científica, cultural; • A articulação da educação escolar com o mundo do trabalho e a prática social; • A gestão democrática e a avaliação; • A formação e a valorização dos profissionais da educação; • O financiamento da educação e o controle social. Objetivos I – sistematizar os princípios e diretrizes gerais da EducaçãoBásica contidos na Constituição, na LDB e demais dispositivos legais, traduzindo-os em orientações que contribuam para assegurar a formação básica comum nacional, tendo como foco os sujeitos que dão vida ao currículo e à escola; II – estimular a reflexão crítica e propositiva que deve subsidiar a formulação, execução e avaliação do projeto político- -pedagógico da escola de Educação Básica; III – orientar os cursos de formação inicial e continuada de profissionais – docentes, técnicos, funcionários – da Educação Básica, os sistemas educativos dos diferentes entes federados e as escolas que os integram, indistintamente da rede a que pertençam. Referências conceituais • Remete se ao art. 3º da Lei nº 9.394/1996 (LDB) com as seguintes alterações: – Além de acesso e permanência, acrescenta a inclusão. – Traz respeito à liberdade e aos direitos, ao invés de apreço à tolerância. – Traz as dimensões do educar e do cuidar, tendo como foco o educando, na sua essência humana. Sistema Nacional de Educação • Reitera a Lei nº 9.394/1996 (LDB), quando traz institucionalização do regime de colaboração entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios. • Acrescenta a necessidade de vencer a fragmentação das políticas públicas e superar a desarticulação institucional. • Possibilidade de um Sistema Nacional de Educação a partir da colaboração de cada ente federativo para transformar a Educação Básica em um sistema orgânico, sequencial e articulado. • “O regime de colaboração entre os entes federados pressupõe o estabelecimento de regras de equivalência entre as funções distributiva, supletiva, normativa, de supervisão e avaliação da educação nacional, respeitada a autonomia dos sistemas e valorizadas as diferenças regionais”. (Art. 7º, § 3º). Acesso e permanência para a conquista da qualidade social • O documento traz o conceito de qualidade social, que é alcançada mediante: I – revisão das referências conceituais quanto aos diferentes espaços e tempos educativos, abrangendo espaços sociais na escola e fora dela; Acesso e permanência para a conquista da qualidade social (continuação) II – consideração sobre a inclusão, a valorização das diferenças e o atendimento à pluralidade e à diversidade cultural, resgatando e respeitando as várias manifestações de cada comunidade; III – foco no projeto político-pedagógico, no gosto pela aprendizagem e na avaliação das aprendizagens como instrumento de contínua progressão dos estudantes; IV – interrelação entre organização do currículo, do trabalho pedagógico e da jornada de trabalho do professor, tendo como objetivo a aprendizagem do estudante; V – preparação dos profissionais da educação, gestores, professores, especialistas, técnicos, monitores e outros; VI – compatibilidade entre a proposta curricular e a infraestrutura entendida como espaço formativo dotado de efetiva disponibilidade de tempos para a sua utilização e acessibilidade; VII – integração dos profissionais da educação, dos estudantes, das famílias, dos agentes da comunidade interessados na educação; VIII – valorização dos profissionais da educação, com programa de formação continuada, critérios de acesso, permanência, remuneração compatível com a jornada de trabalho definida no projeto político-pedagógico; IX – realização de parceria com órgãos, tais como os de assistência social e desenvolvimento humano, cidadania, ciência e tecnologia, esporte, turismo, cultura e arte, saúde, meio ambiente. • Exigência de padrões mínimos de qualidade definidos em dois eixos: 1. Planejamento de ações coletivas. 2. Padrão mínimo de insumos. Organização curricular • Referência à multidimensionalidade. • Os sistemas educacionais deverão definir: o programa de escolas de tempo parcial diurno (matutino ou vespertino), tempo parcial noturno, e tempo integral (turno e contraturno ou turno único com jornada escolar de sete horas, no mínimo, durante todo o período letivo), tendo em vista a amplitude do papel socioeducativo atribuído ao conjunto orgânico da Educação Básica. Formas para a organização • A organização do percurso formativo, aberto e contextualizado. • Ampliação do espaço curricular e físico. curricular • Parcerias: escola, família e comunidade. • Abordagem didático-pedagógica disciplinar, pluridisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar pela escola. Formas para a organização curricular (continuação) • Compreensão da matriz curricular entendida como propulsora de movimento, dinamismo curricular e educacional. • Entendimento do trabalho com eixos temáticos para organizar o trabalho pedagógico, centrado na visão interdisciplinar. • Estímulo à criação de métodos didático-pedagógicos utilizando-se recursos tecnológicos de informação e comunicação, a serem inseridos no cotidiano escolar. • Constituição de rede de aprendizagem, entendida como um conjunto de ações didático-pedagógicas, com foco na aprendizagem e no gosto de aprender. • Rede de aprendizagem, também, como ferramenta didático- -pedagógica relevante nos programas de formação inicial e continuada de profissionais da educação. Formação básica e parte diversificada Base Nacional Comum: Língua Portuguesa; Matemática; conhecimento do mundo físico, natural, da realidade social e política, especialmente do Brasil, incluindo-se o estudo da História e das Culturas Afro-Brasileira e Indígena, a Arte, em suas diferentes formas de expressão, incluindo-se a Música; Educação Física; Ensino Religioso. Parte diversificada: • Não é um bloco diferenciado da Base Nacional Comum; • Deve ser organicamente planejada e gerida; • Enriquece e complementa a Base Nacional Comum, prevendo o estudo das características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da comunidade escolar. • Deve ser organizada em temas gerais, na forma de eixos temáticos selecionados colegialmente pelos sistemas educativos ou unidades de ensino. • A LDB inclui o estudo de, pelo menos, uma língua estrangeira moderna na parte diversificada. Importante! • A língua espanhola, por força da Lei nº 11.161/2005, é obrigatoriamente ofertada no Ensino Médio, embora facultativa para o estudante, bem como possibilitada no Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano. • Leis específicas, que complementam a LDB determinam que sejam incluídos componentes não disciplinares, como temas relativos ao trânsito, ao meio ambiente e à condição e direitos do idoso. • No Ensino Fundamental e no Ensino Médio, destinar-se-ão, pelo menos, 20% do total da carga horária anual ao conjunto de programas e projetos interdisciplinares eletivos criados pela escola, previsto no projeto pedagógico, de modo que os estudantes do Ensino Fundamental e do Médio possam escolher aquele programa ou projeto com que se identifiquem e que lhes permitam melhor lidar com o conhecimento e a experiência. Organização da educação básica “Na organização da Educação Básica, devem-se observar as Diretrizes Curriculares Nacionais comuns a todas as suas etapas, modalidades e orientações temáticas, respeitadas as suas especificidades e as dos sujeitos a que se destinam.” (Art. 18.) Estruturação das etapas e modalidades: • Dimensão orgânica: observação das especificidades e as diferenças de cada sistema educativo, sem perder o que lhes é comum: as semelhanças e as identidades que lhe são inerentes; • Dimensão sequencial: processos educativos que acompanham as exigências de aprendizagens definidas em cada etapa do percurso formativo, contínuo e progressivo. Etapas da educação básica • Educação Infantil, que compreende: a Creche, englobando as diferentes etapas do desenvolvimento da criança até 3 (três) anos e 11 (onze) meses; e a Pré-Escola, com duração de 2 (dois) anos; • Ensino Fundamental, obrigatório e gratuito, com duração de 9 (nove) anos; é organizado e tratado em duas fases: a dos 5 (cinco) anos iniciais e a dos 4 (quatro) anos finais; • Ensino Médio, com duração mínima de 3 (três) anos. Essas etapas e fases têm previsão de idades próprias, as quais, no entanto, são diversas quando se atenta para sujeitoscom características que fogem à norma, como é o caso, entre outros: – atraso na matrícula e/ou no percurso escolar; – retenção, repetência e retorno de quem havia abandonado os estudos; – portadores de deficiência limitadora; – jovens e adultos sem escolarização ou com esta incompleta; – habitantes de zonas rurais; – indígenas e quilombolas; – adolescentes em regime de acolhimento ou internação, jovens e adultos em situação de privação de liberdade nos estabelecimentos penais. Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. “As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica estão postas pela emergência da atualização das políticas educacionais que consubstanciem o direito de todo brasileiro à formação humana e cidadã e à formação profissional, na vivência e convivência em ambiente educativo”. À luz dessas Diretrizes, responda às próximas quatro questões. No que se refere às Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, não é verdadeira a alternativa: a) O desafio posto pela contemporaneidade à educação é o de garantir, contextualizadamente, o direito humano universal e social inalienável à educação. A educação é, pois, processo e prática que se concretizam nas relações sociais que transcendem o espaço e o tempo escolares. b) Desde sua implantação, a atual LDB recebeu várias alterações, particularmente no referente à Educação Básica, em suas diferentes etapas e modalidades. Após a edição da Lei nº 9.475/1997, que alterou o art. 33 da LDB, prevendo a obrigatoriedade do respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, outras leis modificaram-na quanto à Educação Básica. c) Os conteúdos curriculares da Educação Básica observarão, ainda, as seguintes diretrizes: a difusão de valores fundamentais ao interesse educacional, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática; consideração das condições de escolaridade dos estudantes em cada estabelecimento; formação para o trabalho; promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não formais. d) A escola, face às exigências da Educação Básica, precisa ser reinventada: priorizar processos capazes de gerar sujeitos inventivos, participativos, cooperativos, preparados para diversificadas inserções sociais, políticas, culturais, laborais e, ao mesmo tempo, capazes de intervir e problematizar as formas de produção e de vida. e) As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica visam estabelecer bases comuns nacionais para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, bem como para as modalidades com que podem se apresentar, a partir das quais os sistemas federal, estaduais, distrital e municipais, por suas competências próprias e complementares, formularão as suas orientações assegurando a integração curricular das três etapas sequentes desse nível da escolarização, essencialmente para compor um todo orgânico. 2. Podemos afirmar que não é correta a alternativa: a) A Educação Infantil tem por objetivo o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, afetivo, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade e a promoção para o ensino fundamental. b) As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais compreendem orientações para a elaboração das diretrizes específicas para cada etapa e modalidade da Educação Básica, tendo como centro e motivação os que justificam a existência da instituição escolar: os estudantes em desenvolvimento. c) As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica devem presidir as demais diretrizes curriculares específicas para as etapas e modalidades, contemplando o conceito de Educação Básica, princípios de organicidade, sequencialidade e articulação, relação entre as etapas e modalidades: articulação, integração e transição. d) Os fundamentos que orientam a Nação brasileira estão definidos constitucionalmente no art. 1º da Constituição Federal, que trata dos princípios fundamentais da cidadania e da dignidade da pessoa humana, do pluralismo político, dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. e) As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais têm por objetivos: sistematizar os princípios e diretrizes gerais da Educação Básica contidos na Constituição, na LDB e demais dispositivos legais. 3. Analise as afirmativas e assinale a alternativa errada. a) Cuidar e educar significa compreender que o direito à educação parte do princípio da formação da pessoa em sua essência humana. b) A articulação das dimensões orgânica e sequencial das etapas e modalidades da Educação Básica, e destas com a Educação Superior, implica a ação coordenada e integradora do seu conjunto; o exercício efetivo do regime de colaboração entre os entes federados, cujos sistemas de ensino gozam de autonomia constitucionalmente reconhecida. c) A relação entre cuidar e educar se concebe mediante internalização consciente de eixos norteadores, que remetem à experiência fundamental do valor, que influencia significativamente a definição da conduta, no percurso cotidiano escolar. d) Educar exige cuidado; cuidar é educar, envolvendo acolher, ouvir, encorajar, apoiar, no sentido de desenvolver o aprendizado de pensar e agir, cuidar de si, do outro, da escola, da natureza, da água, do Planeta. e) A Educação Infantil, Ensino Fundamental Ensino Médio e Ensino Superior são etapas da Educação Básica. 4. Analise os seguintes itens: I – Quanto à obrigatoriedade de permanência do estudante na escola, principalmente no Ensino Fundamental, há exigências que se centram nas relações entre a escola, os pais ou responsáveis, e a comunidade, de tal modo que a escola e os sistemas de ensino tornam-se responsáveis por informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos estudantes. II – A qualidade na escola exige de todos os sujeitos do processo educativo ampliação da visão política expressa por meio de habilidades inovadoras, fundamentadas na capacidade para aplicar técnicas e tecnologias orientadas pela ética e pela estética. III – A escola de qualidade social adota como centralidade o diálogo, a colaboração, os sujeitos e as aprendizagens, o que pressupõe revisão das referências conceituais quanto aos diferentes espaços e tempos educativos, abrangendo espaços sociais na escola e fora dela. IV – Toda política curricular é uma política cultural, pois o currículo é fruto de uma seleção e produção de saberes: campo conflituoso de produção de cultura, de embate entre pessoas concretas, concepções de conhecimento e aprendizagem, formas de imaginar e perceber o mundo. É correto o que está posto na alternativa: a) Não é correto o item II. b) São corretos apenas os itens III e IV. c) São corretos os itens I, II, III e IV. d) Não é correto o item III. e) Não é correto o item IV. 5. Considerando que as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica reconhecem a relevância e a obrigatoriedade da Educação Ambiental em todos os níveis de ensino, é correto afirmar que: a) A educação ambiental torna-se menos visível no atual contexto nacional e mundial em que a preocupação com as mudanças climáticas não tem sido tão frequentes. b) A educação ambiental visa o desenvolvimento de habilidades, atitudes e valores sociais sem preocupação com a construção de conhecimentos, tendo em vista que essa é uma preocupação que deve estar contemplada nas disciplinas específicas. c) A educação ambiental é uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos, visando potencializar essa atividade humana com a finalidade de torná-la plena de prática social e de ética ambiental. d) São princípios da educação ambiental, dentre outros, a unificação de ideias e das concepções pedagógicas. Gabarito 11.3 DiretrizesCurriculares Nacionais Gerais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos Assim como fizemos com a Resolução nº 4/2010, trouxemos um quadro com os principais temas tratados na Resolução nº 7/2010. Ao lado de cada item você deve colocar com suas palavras o que considera mais importante. Ao lado de cada item você deve colocar com suas palavras o que considera mais importante. Palavra -chave Principais ideias • Reitera a educação como direito público subjetivo e traz ainda o dever do Estado e da família e sua oferta a todos. • Quanto ao dever do Estado, acrescenta que não há requisitos de seleção. • Considerada a etapa da educação capaz de assegurar a cada um e a todos o acesso ao conhecimento e aos elementos da cultura imprescindíveis para o seu desenvolvimento pessoal e para a vida em sociedade. • Traz o conceito de qualidade social, na qual a qualidade é posta em três perspectivas: – Relevância: promoção de aprendizagens significativas do ponto de vista das exigências sociais e de desenvolvimento pessoal. – Pertinência: possibilidade de atender às necessidades e às características dos estudantes de diversos contextos sociais e culturais e com diferentes capacidades e interesses. – Equidade: importância de tratar de forma diferenciada o que se apresenta como desigual no ponto de partida, com vistas a obter desenvolvimento e aprendizagens equiparáveis, assegurando a todos a igualdade de direito à educação. Matrícula no Ensino Fundamental de nove anos e carga horária • Faixa etária dos 6 (seis) aos 14 (quatorze) anos de idade e se estende, também, a todos os que, na idade própria, não tiveram condições de frequentá-lo. • É obrigatória a matrícula no Ensino Fundamental de crianças com 6 (seis) anos completos ou a completar até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula, nos termos da Lei e das normas nacionais vigentes. • As crianças que completarem 6 (seis) anos após essa data deverão ser matriculadas na Educação Infantil (Pré-Escola). • A carga horária é mesma disposta na Lei nº 9.394/1996 (mínimo de 200 dias letivos e mínimo de 800 horas). Projeto político- - pedagógico Projeto educativo coerente, articulado e integrado, de acordo com os modos de ser e de se desenvolver das crianças e adolescentes nos diferentes contextos sociais. Gestão democrática • Foco na elaboração do PPP e do Regimento Escolar com ênfase na participação dos professores e comunidade. Relevância dos conteúdos, integração e abordagens • Integração dos conhecimentos escolares. • Currículo integrado e interdisciplinar. • Propostas curriculares ordenadas em torno de grandes eixos articuladores, projetos interdisciplinares. • Levar em conta a diversidade sociocultural da população escolar. • Princípio da continuidade. • Utilização qualificada das tecnologias e conteúdos das mídias como recurso aliado ao desenvolvimento do currículo. Articulações e continuidade da trajetória escolar • Os três anos iniciais do Ensino Fundamental devem assegurar: – a alfabetização e o letramento; – o desenvolvimento das diversas formas de expressão, incluindo o aprendizado da Língua Portuguesa, a Literatura, a Música e demais artes, a Educação Física, assim como o aprendizado da Matemática, da Ciência, da História e da Geografia; – a continuidade da aprendizagem, tendo em conta a complexidade do processo de alfabetização e os prejuízos que a repetência pode causar no Ensino Fundamental como um todo e, particularmente, na passagem do primeiro para o segundo ano de escolaridade e deste para o terceiro. • Considerar os três anos iniciais do Ensino Fundamental como um bloco pedagógico ou um ciclo sequencial não passível de interrupção. • Do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, os componentes curriculares Educação Física e Arte poderão estar a cargo do professor de referência da turma, aquele com o qual os alunos permanecem a maior parte do período escolar, ou de professores licenciados nos respectivos componentes. • Nas escolas que optarem por incluir Língua Estrangeira nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o professor deverá ter licenciatura específica no componente curricular. Avaliação: parte integrante do currículo • Tem como referência o art. 24 da Lei nº 9.394/1996 (LDB). • Acrescenta que a avaliação deve: – identificar potencialidades e dificuldades de aprendizagem e detectar problemas de ensino; – subsidiar decisões sobre a utilização de estratégias e abordagens de acordo com as necessidades dos alunos; – criar condições de intervir de modo imediato e a mais longo prazo para sanar dificuldades e redirecionar o trabalho docente; – manter a família informada sobre o desempenho dos alunos; Avaliação: parte integrante do currículo (continuação) – reconhecer o direito do aluno e da família de discutir os resultados de avaliação, inclusive em instâncias superiores à escola, revendo procedimentos sempre que as reivindicações forem procedentes; – utilização de instrumentos diversos; – articular-se com as avalições externas. A educação em escola de tempo integral • Período integral: a jornada escolar que se organiza em 7 (sete) horas diárias, no mínimo, perfazendo uma carga horária anual de, pelo menos, 1.400 (mil e quatrocentas) horas. • Ampliação de tempos, espaços e oportunidades educativas e o compartilhamento da tarefa de educar e cuidar entre os profissionais da escola e de outras áreas, as famílias e outros atores sociais, sob a coordenação da escola. – O currículo da escola de tempo integral, concebido como um projeto educativo integrado: – acompanhamento pedagógico; – o reforço e o aprofundamento da aprendizagem; – experimentação e a pesquisa científica; – a cultura e as artes; – o esporte e o lazer; – as tecnologias da comunicação e informação; – a afirmação da cultura dos direitos humanos; – a preservação do meio ambiente, a promoção da saúde. Educação do campo, educação escolar indígena e educação escolar quilombola • Tratada como educação rural na legislação brasileira, incorpora os espaços da floresta, da pecuária, das minas e da agricultura e se estende, também, aos espaços pesqueiros, caiçaras, ribeirinhos e extrativistas. • A Educação Escolar Indígena e a Educação Escolar Quilombola são, respectivamente, oferecidas em unidades educacionais inscritas em suas terras e culturas. • As escolas indígenas terão ensino intercultural e bilíngue, com vistas à afirmação e à manutenção da diversidade étnica e linguística. Educação especial • Melhoria do acesso e permanência. • Conceito do público atendido. • Possibilidades do Atendimento Educacional Especializado. Educação de jovens e adultos • Reitera a LDB e acrescenta: – gestão e financiamento para isonomia em relação ao Ensino Fundamental regular; – modelo pedagógico próprio que permita a apropriação e a contextualização das Diretrizes Curriculares Nacionais; – implantação de um sistema de monitoramento e avaliação; – política de formação permanente de seus professores; – alocação de recursos para que seja ministrada por docentes licenciados; Educação de jovens e adultos (continuação) – a idade mínima para o ingresso nos cursos de Educação de Jovens e Adultos e para a realização de exames de conclusão de EJA será de 15 (quinze) anos; – educação de Jovens e Adultos, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, será presencial e a sua duração ficará a critério de cada sistema de ensino; – nos anos finais, ou seja, do 6º ano ao 9º ano, os cursos poderão ser presenciais ou a distância devidamente credenciados, com duração mínima de 1.600 horas. Meta de acertos: Total de questões certas: Porcentagem de acertos: Conteúdos que preciso rever: 1. (UFPI/Copese/Pref. Timon-MA/Prof. de Ed. Inf. e Ens. Fundamental/2014) De acordo com os princípios éticos, políticos e estéticos estabelecidos no art. 6º da Resolução nº 7/2010, que fixa as Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental de nove anos e em conformidade com os arts. 22 e 32 da Lei nº 9.394/1996 (LDB), as propostas curriculares do Ensino Fundamentalvisarão desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe os meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores, mediante os objetivos previstos para esta etapa da escolarização. São objetivos previstos para o Ensino Fundamental, exceto: a) o fortalecimento dos vínculos com a família, dos laços de solidariedade humana em que se assenta a vida no contexto social. b) o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo. c) a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, das artes, da tecnologia e dos valores em que se fundamenta a sociedade. d) a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores como instrumentos para uma visão crítica do mundo. e) o fortalecimento da identidade e da individualidade para convívio social e de atitudes de intolerância as diferenças étnico-raciais. 2. (Fadesp/Pref. Nova Esperança de Piriá-PA/Prof. de Ed. Inf. e Séries/Anos Iniciais do Ensino/2014) O(A) __________ constitui uma das maneiras de trabalhar os componentes curriculares, as áreas de conhecimento e os temas sociais em uma perspectiva integrada, de acordo com as Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental. A expressão que preenche corretamente o enunciado acima é a) núcleo comum. b) sociometria. c) transversalidade. d) disciplinaridade. 3. (Fadesp/Pref. Nova Esperança de Piriá-PA/Prof. de Ed. Inf. e Séries/Anos Iniciais do Ensino/2014) O currículo do Ensino Fundamental, de acordo com as Diretrizes Curriculares próprias, tem uma base nacional comum, complementada em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar por. a) um currículo especial. b) uma parte diversificada. c) atividades práticas a partir da cultura local. d) uma parte dos saberes tradicionais regionais. 4. (Fadesp/Pref. Nova Esperança de Piriá-PA/Prof. de Ed. Inf. e Séries/Anos Iniciais do Ensino/2014) De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental, a carga horária mínima anual do Ensino Fundamental regular a) será de 800 (oitocentas) horas aula, distribuídas em, pelo menos, 180 (cento e oitenta) dias de efetivo trabalho escolar. b) será de 600 (seiscentas) horas relógio, distribuídas em, pelo menos, 200 (duzentos) dias de efetivo trabalho escolar. c) será de 1.200 (mil e duzentas) horas relógio, distribuídas em, pelo menos, 180 (cento e oitenta) dias de efetivo trabalho escolar. d) será de 800 (oitocentas) horas relógio, distribuídas em, pelo menos, 200 (duzentos) dias de efetivo trabalho escolar. 5. (Fafipa/Pref. Iguaraçu-PR/Professor/2014) De acordo com as Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental, os sistemas de ensino e as escolas adotarão, como norteadores das políticas educativas e das ações pedagógicas, os seguintes princípios: a) éticos, políticos e estéticos. b) éticos, políticos e artísticos. c) pedagógicos, plurais e sociais. d) pedagógicos, políticos e sociais. 6. (Reis & Reis/Pref. Guarda Mor-MG/Professor de Educação Básica/2014) O Ensino Fundamental de ______________ é necessário no momento atual, pois novas tecnologias, maior acesso às informações, as leituras são necessárias para que se concretizem, e tais mudanças, exigiram a elaboração de novas Diretrizes Curriculares Nacionais pelo Conselho Nacional de Educação, uma reelaboração de proposta pedagógica pelos órgãos competentes em nível nacional, e pelas secretarias estaduais e municipais de educação. Além da atualização do projeto político- pedagógico pelas escolas. A decisão sobre notas, conceitos, relatórios descritivos ou até mesmo o misto conceito/nota é uma decisão dos sistemas de ensino. A opção que completa corretamente a definição acima é: a) sete anos; b) oito anos; c) nove anos; d) dez anos. 7. (Fadesp/Pref. Parauapebas-PA/Professor de Educação Básica I/2014) De acordo com as Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental, é dever do Estado garantir a sua oferta pública, gratuita e de qualidade a) em algumas modalidades contidas na LDB. b) sem critério de seleção. c) com critério de seleção. d) aos que se encontram na idade certa. 8. (Fadesp/Pref. Parauapebas-PA/Professor de Educação Básica I/2014) De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica, a escola de qualidade social adota como centralidade o a) professor e o planejamento. b) planejamento e a aprendizagem. c) estudante e o planejamento. d) estudante e a aprendizagem. 9. (Fadesp/Pref. Parauapebas-PA/Professor de Educação Básica I/2014) De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica, a __________ refere- se à dimensão didático-pedagógica, e a __________, à abordagem epistemológica dos objetos de conhecimento. São termos que completam correta e respectivamente as lacunas acima: a) interdisciplinaridade e transversalidade. b) transversalidade e interdisciplinaridade. c) multidisciplinaridade e questão norteadora. d) transversalidade e multidisciplinaridade. 10. (Fadesp/Pref. Parauapebas-PA/Professor de Educação Básica I/2014) De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental, a educação de qualidade, como direito fundamental, é, antes de tudo, relevante, pertinente e equitativa. É equitativa porque a) reporta-se à promoção de aprendizagens significativas do ponto de vista das exigências sociais, escolares e de mercado, de desenvolvimento pessoal e de evolução de todos os que compõem a comunidade escolar e extraescolar. b) trata de forma igualitária aquilo que se apresenta como desigual no ponto de partida, com vistas a obter desenvolvimento e aprendizagens equiparáveis, de modo a assegurar a todos igualdade no direito à educação. c) refere-se à possibilidade de atender igualmente às necessidades e às características dos estudantes de diversos contextos sociais e culturais e com diferentes capacidades e interesses. d) Trata de forma diferenciada aquilo que se apresenta como desigual no ponto de partida, com vistas a obter desenvolvimento e aprendizagens equiparáveis, de modo a assegurar a todos igualdade no direito à educação. 11. (Fadesp/Pref. Parauapebas-PA/Professor de Educação Básica I/2014) De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, na Educação Básica é necessário considerar as dimensões do __________ e do __________ em sua inseparabilidade. São termos que completam correta e respectivamente as lacunas acima: a) educar e aprender. b) ensinar e aprender. c) educar e cuidar. d) ensinar e sentir. 12. (Instituto Neo Exitus/Pref. Jucás-CE/Professor de Educação Básica II/2014) A Resolução CNE/CEB nº 2, de 7 de abril de 1998, institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Com referência a esta resolução, analise as afirmativas a seguir: I – As escolas utilizarão a parte diversificada de suas propostas curriculares para enriquecer e complementar a base nacional comum, propiciando, de maneira específica, a introdução de projetos e atividades do interesse de suas comunidades. II – Ao definir suas propostas pedagógicas, as escolas deverão explicitar o reconhecimento da identidade pessoal de alunos, professores e outros profissionais e a identidade de cada unidade escolar e de seus respectivos sistemas de ensino. III – Em algumas escolas deverá ser garantida a igualdade de acesso para alunos a uma base nacional comum, de maneira a legitimar a unidade e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional. Marque a opção que indica a(s) afirmativa(s) correta(s). a) I – II. b) II – III. c) II. d) I – III. e) I – II – III. 13. (Idest/Pref. Cortês-PE/Professor de Ensino Fundamental I/2014) Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais, é necessário que o currículo seja planejado e desenvolvido de modo que os alunos possam sentir prazer na leitura de um livro, na identificação do jogo de sombra e luz de uma pintura, na preparação de um trabalho sobre a descoberta da luz elétrica. Nestas condições, é correto afirmar que: