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Curso Como Vencer a Obesidade: Mudando a cabeça para mudar o corpo Aula 01 – Introdução à obesidade: definição, causas e impacto na saúde, incluindo a relação entre a obesidade e a saúde mental; Os processos de saúde e adoecimento são influenciados por fatores biológicos, psicológicos e sociais. A obesidade é comumente associada aos transtornos mentais, como depressão e ansiedade. Esta associação é constatada em ambas as direções. Transtornos mentais, como os alimentares, a depressão e ansiedade, favorecem o desenvolvimento da obesidade, assim como a obesidade aumenta a incidência dos transtornos mentais. Muitos estudos investigaram a relação entre a obesidade e a depressão. Luppino e colaboradores observaram que 55% das pessoas obesas possuem maior risco de desenvolverem depressão ao longo da vida, enquanto 58% das pessoas deprimidas tendem a se tornar obesas. Mas quais seriam os aspectos deste processo mais especificamente presentes na obesidade? A obesidade é vista pelo corpo como um processo inflamatório, uma vez que o ganho de peso ativa as vias inflamatórias e a inflamação ativa citoquinas pró-inflamatórias que contribuem para o quadro depressivo. A obesidade, ao desregular o eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA), produz um aumento na secreção de cortisol, o que provoca oscilações do humor. A obesidade central, relacionada principalmente às doenças cardiovasculares, está associada diretamente a distúrbios emocionais, pesadelos e uso de antidepressivos. Além disso, a medida da circunferência abdominal e o índice de massa corporal (IMC) de pessoas com sobrepeso e obesas vêm sendo associados à maior probabilidade de sintomas do transtorno depressivo maior, moderado e grave. Como já citado, a relação depressão-obesidade é bidirecional, e é presenciada principalmente em mulheres. Porém, como a associação existente é bidirecional, a obesidade também predispõe à depressão e alguns de seus mecanismos são os efeitos negativos da autoimagem, os comentários pejorativos sobre o peso e as consequências somáticas desta doença. Nos dias atuais, a magreza, para os padrões sociais e culturais, é considerada o padrão de beleza. Assim, a obesidade pode contribuir para insatisfação corporal e baixa autoestima, ambas consideradas fatores de risco para depressão. Também a depressão, na maioria dos casos, causa diminuição da motivação e da sensação de falta de energia, muda os hábitos alimentares e acarreta despreocupação com a saúde da pessoa que a vivencia. O indivíduo deprimido realiza menos esportes, seu engajamento em atividades físicas é menor, o que favorece o desequilíbrio entre ingestão alimentar e gasto calórico. As complicações clínicas podem ser explicadas em parte pelo estilo de vida não saudável, presente geralmente nos transtornos depressivos e ansiosos e em pessoas obesas. A associação entre os demais transtornos mentais e a obesidade revelou também uma alta frequência de quadros de ansiedade entre obesos. Outros transtornos mentais mais graves tais como os transtornos bipolares e os alimentares têm sido menos estudados na sua associação com a obesidade, com exceção do transtorno do comer compulsivo (TCC), pela sua associação com gravidade nos quadros de obesidade. Os transtornos ansiosos são mais prevalentes em pacientes com obesidade do que com sobrepeso. Ser diagnosticado com ansiedade aumenta a probabilidade deste paciente tornar-se obeso em, pelo menos, 12 meses. Sabe-se que essa associação se encontra principalmente em mulheres, igualmente quando comparada ao transtorno de depressão maior. O diagnóstico da depressão é feito na presença de uma combinação de sintomas, que incluem alterações do sono e apetite, humor depressivo, crenças de menos valia e principalmente a falta de interesse e motivação, além dos dois sintomas centrais da depressão que são a tristeza (humor depressivo, muitas vezes manifesto por choro fácil) e a perda de prazer nas atividades que valorizava em sua vida. Diversas queixas físicas, entre elas as dores musculoesqueléticas e disfunções sexuais, que podem ser consideradas queixas somáticas do sobrepeso, também estão presentes na depressão e costumam ser valorizadas em sua possível origem orgânica, dificultando a detecção do transtorno mental. Da mesma forma, a ansiedade se apresenta por queixas físicas por vezes inexplicáveis e por sintomas genéricos como impaciência, irritação e inquietação, além da alteração do sono e do apetite. Devido a esta mistura com queixas somáticas, é fundamental que seja ativamente pesquisada a presença de sofrimento emocional, rastreando-se esses sintomas e indagando sobre como o paciente se sente emocionalmente. Quanto aos dois transtornos alimentares mais associados à obesidade (TCC e BN), em ambos se encontra o consumo excessivo e repetido de grandes quantidades de comida, em curto período de tempo, acompanhado pela sensação subjetiva de perda de controle, seguidos de culpa. Na BN, os episódios de compulsão alimentar provocam comportamentos compensatórios inapropriados, como a indução de vômitos. Estes comportamentos têm o objetivo de evitar o ganho de peso pelo excesso calórico ingerido. Aula 02 – Compreendendo nossas emoções e comportamentos alimentares: como nossas emoções podem afetar nossos hábitos alimentares e nos levar a escolhas pouco saudáveis; A forma como nos relacionamos com a comida/alimentos está muito associada com nossos pensamentos e emoções. Talvez você já tenha se sentido muito feliz ou muito triste e aí resolveu comer muito mais do que de costume; ou o inverso, perdeu a fome e não comeu ou comeu bem menos do que costuma. O comportamento alimentar tem duas principais funções: manter a quantidade de nutrientes necessárias a nossa sobrevivência (processos fisiológicos) e o prazer que o ato de comer nos proporciona, liberando neurotransmissores (serotonina e dopamina) responsáveis pelo prazer e bem estar. Ambas as funções só podem ser realizadas se houver motivação, ou seja, se existir impulsos internos que levem o indivíduo a realizar ajustes para se adaptar ao corpo e ao comportamento. O hipotálamo tem duas regiões que interferem/regulam a ingestão de alimentos, a região lateral e a ventromedial. A região lateral está relacionada com o centro da fome e uma lesão nessa área faz com que a pessoa não sinta fome e perca peso constantemente. A região ventromedial está relacionada com a saciedade e uma lesão nessa área faz com que a pessoa coma compulsivamente, nunca atingindo a saciedade. Todas as regiões do hipotálamo estão sob a influência do Sistema Límbico, e qualquer alteração nesse sistema interfere na fome. Pesquisas demonstram que lesões no núcleo amidalóide (localizado no Sistema Límbico) provocam alterações na ingestão de alimentos. Dependendo da área lesionada pode ocasionar um aumento ou inibição na ingestão. O principal efeito das lesões no núcleo amidalóide é a “cegueira psíquica”, na qual o indivíduo perde controle sobre o tipo e a quantidade de alimento ingerido, isso acontece com pacientes com lesões nessa área que se tornam menos seletivos e ingerem alimentos que antes não suportavam. Mas qual a função da fome? Fisiologicamente, a fome sinaliza quando é necessário ingerir alimentos, a fim de promover o aporte de energia e nutrientes necessários para a sobrevivência do organismo. Contudo, atualmente essa palavra passou a ter uma nova conotação. A comida sempre foi parte essencial das relações humanas, estando associada com momentos de confraternização e com sensações prazerosas, tendo um papel importante na cultura de uma população. Dessa forma, muito mais que o aporte nutricional, a busca por alimento passou a ser uma estratégia para buscar conforto e sensações agradáveis, por essa razão esse comportamento pode ser diretamente influenciado pelo estado emocional do indivíduo.Aula 03 – O que é uma alimentação emocional? Esse tipo de fome busca a ingestão de alimentos a fim de suprir necessidades psicológicas, promovendo uma necessidade repentina de comer algo específico que, muitas vezes, não resulta na sensação de saciedade após sua ingestão. Os alimentos desejados normalmente são fontes de carboidratos simples e, ao serem ingeridos, promovem aumento da glicose (açúcar) na circulação sanguínea, o que pode gerar a sensação de prazer e a compensação das decepções, tristezas, inquietações, perdas e ansiedade. Mas, por que isso acontece? Sentimentos negativos como frustração, ansiedade, raiva, cansaço, tédio, tristeza, depressão e baixa autoestima, promovem o estresse, alterando o humor e afetando o comportamento alimentar. Esse estresse emocional contribui para o aumento do apetite e da ingestão de alimentos, uma vez que propicia uma justificativa para a necessidade de recompensa, como, por exemplo em situações que pensamos: “hoje foi difícil, eu mereço”, ou “estou muito estressada, mereço um chocolate”. No entanto, quando cedemos a esses pensamentos com frequência surgem os sentimentos de culpa, que agravam ainda mais os quadros de estresse e ansiedade. Ainda, as alterações no comportamento alimentar - como motivação para comer, ingestão além das necessidades diárias do organismo, escolha de alimentos, bem como digestão e metabolismo - favorecem o ganho de peso corporal - fator que agrava ainda mais os quadros de baixa autoestima, depressão e compulsão alimentar. Alguns alimentos possuem nutrientes capazes de estimular o hipotálamo – região cerebral que modula a síntese e liberação de hormônios e neurotransmissores relacionados com a regulação do apetite e humor, promovendo diversos efeitos que se assemelham ao uso de medicamentos que atuam no sistema nervoso central. Por exemplo, a ingestão de carboidratos aumenta a liberação de insulina que, por sua vez, facilita a passagem do aminoácido triptofano para o cérebro, favorecendo a síntese de serotonina, hormônio responsável por regular o humor e a promover sensação de bem-estar. Já a ingestão de açúcar com gordura – combinação presente nos alimentos utilizados para saciar a fome emocional – estimula a síntese de dopamina e noradrenalina, que melhoram o estado de humor e motivação, além de reduzir os sentimentos associados à ansiedade e depressão. Uma pessoa faminta emocionalmente deseja alimentos peculiares, como doces e carboidratos. Tais desejos são imediatos, como se essas opções fossem as únicas capazes de saciar sua fome. Já ao sentir fome física, o organismo se satisfaz com alimentos variados, incluindo os mais saudáveis, como frutas, grãos ou proteínas. Por isso é tão importante diferenciar o que é fome e o que é alimentação por aconchego (fome emocional) quando o sintoma de ansiedade aparece disfarçado de sorvete ou frituras – principalmente se ele surge quando você acabou de fazer uma refeição. Enquanto fome física é sentida no estômago, com fincadas ou barulhos característicos que começam aos poucos e aumentam gradualmente. Normalmente, a fome emocional induz à ingestão mais rápida, sem degustar, sem apreciar a comida direito. É comer compulsivamente. Além de comer rápido, sem pensar, e de exagerar na dose, este imediatismo leva a escolhas pouco nutritivas, mais práticas e nada saudáveis, podendo gerar culpa logo após a ingestão. Aula 04 – O que liberamos quando comemos: explorando as emoções que estão por trás da comida e como essas emoções afetam nossos hábitos alimentares; Quem nunca sentiu aquela sensação de prazer instantânea ao saborear um chocolate? Pode acreditar: não é lenda dizer que a alimentação pode afetar diretamente o nosso humor. E mais: muitas vezes, o bem-estar proporcionado pelos alimentos não vem apenas do sabor que agrada o paladar. A explicação para isso é muito mais científica do que parece. Alguns alimentos têm nutrientes capazes de aumentar a produção de quatro neurotransmissores: dopamina, serotonina, endorfina e ocitocina. Os neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelos neurônios que auxiliam o cérebro na realização de suas funções, transmitem os impulsos nervosos e causam as sensações de prazer e bem estar. Como os hormônios da felicidade funcionam e o que comer para ativá-los Os hormônios da felicidade não estão disponíveis o tempo todo – mesmo porque, em excesso, essas substâncias podem causar diversos problemas, desde diarreia e tremores e até comportamento agressivo. Dessa forma, depois de cumprir seu papel, eles param de ser liberadas. E para que elas voltem a agir, é preciso fornecer um novo estímulo, que varia para cada uma dessas substâncias. A boa notícia é que existem formas de ativar esses hormônios de maneiras simples e naturais, como dando preferência a determinados tipos de alimentos. Saiba mais sobre cada um deles: 1. Endorfina As endorfinas são um conjunto de substâncias que têm uma estrutura química similar à da morfina e funcionam como analgésicos naturais, além de conferir uma sensação de euforia discreta. Com isso, as endorfinas nos deixam mais dispostos e aumentam nossa tolerância à dor, como as dores musculares depois de um exercício físico intenso. Inclusive, uma das melhores formas de estimular a liberação desse neurotransmissor é por meio dos exercícios, mas também vale cantar, dançar ou trabalhar em equipe. O que comer para ativar a endorfina: esse neurotransmissor é estimulado pelo consumo de alimentos picantes e ricos em capsaicina, como pimenta- malagueta, pimenta-dedo-de-moça, pimenta-caiena, jalapeño e chili. 2. Serotonina O papel da serotonina no cérebro é promover o bem-estar e o relaxamento, que estão intimamente ligados à sensação de felicidade e tranquilidade. A insuficiência da serotonina (junto com a de dopamina) é um dos principais mecanismos bioquímicos por trás da depressão e da ansiedade. A liberação da serotonina acontece quando você se sente valorizado ou importante e logo após uma atividade que seja fonte de prazer – seja ter uma relação sexual, dar risada com os amigos ou comer seu prato preferido. O que comer para ativar a serotonina: além do seu prato preferido, é importante consumir alimentos ricos em triptofano, pois esse aminoácido é um precursor dessa substância. Portanto, invista em laticínios, lentilha, feijão, grão-de-bico, aveia, centeio, nozes, castanhas, banana, abacate, frutas secas, brócolis, espinafre e chocolate amargo. 3. Dopamina A dopamina está muito ligada à motivação, ou seja, aquilo que nos faz perseguir um objetivo – e ela é liberada quando damos o primeiro passo e quando atingimos aquilo que desejávamos, seja conquistar uma promoção no trabalho ou entrar em uma calça antiga. Por isso, podemos dizer que a dopamina tem um lado viciante, pois sempre nos incentiva a buscar novas recompensas – por outro lado, sem ela, fica muito mais difícil seguir nossas próprias metas. O que comer para ativar a dopamina: não há um alimento específico que estimule a liberação dessa substância, pois isso depende dos gostos de cada um. Dessa forma, aquela pizza no sábado à noite depois de fazer dieta a semana toda vale tanto quanto os alfaces que você mesmo cultivou – desde que eles representem uma recompensa pelo seu esforço. 4. Ocitocina Conhecida com o hormônio do amor, a ocitocina é responsável pelos vínculos que estabelecemos com as pessoas – por isso ela tem tanta importância na hora do parto e da amamentação, facilitando a conexão entre a mãe e o bebê. Inclusive, defende-se que esta é a substância mais importante entre os quatro hormônios da felicidade, pois, sem ela, não conseguimos estabelecer relações de confiança. Para elevar o nível de ocitocina, o melhor a fazer é ter contato com pessoas próximas, trocar presentes e até mesmo dar um abraço em alguém querido. O que comer para ativar a ocitocina: novamente, não existem alimentosespecíficos para estimular a produção desse hormônio. Em vez disso, o que vai funcionar é fazer uma refeição com pessoas queridas e comer aquele prato que só a sua mãe sabe fazer, evocando sua memória afetiva. Aula 05 – Por que se alimentar tem a ver com prazer e como a alimentação influencia nas emoções; A comida é vista por muitos como algo que vai além da sobrevivência. Provar novos sabores, seja em uma visita a um restaurante ou no preparo de uma refeição em casa, é também uma fonte de satisfação e lazer. Há partes do cérebro que identificam mensagens de recompensa - especialmente ao comer alimentos ricos em gordura e açúcar. E mais de uma década de pesquisa psicológica sugere que qualquer comportamento recompensado provavelmente se repetirá.1 É assim que surge a alimentação emocional - quando as pessoas usam a comida como uma forma de lidar com os sentimentos, em vez de saciar a fome. O que é a alimentação emocional ou fome emocional? Existem diversos fatores que podem interferir nos sinais e sintomas normais da fome - como aspectos genéticos, questões de saúde física e mental e até influências do meio ambiente. A alimentação emocional é quando uma pessoa come mesmo sem fome, em resposta ao aparecimento de emoções específicas. A comida se torna uma fonte imediata de conforto emocional para lidar com sentimentos difíceis, como angústia, vergonha, raiva e estresse. Essa associação entre a comida e o conforto ficam programados no cérebro, o que desencadeia a fome emocional toda vez que alguns sentimentos aparecem. No entanto, a alimentação emocional não é a solução para os problemas da vida, de forma que esse sistema de recompensa funciona apenas temporariamente. Em longo prazo, causa descontrole alimentar e ganho de peso, que por sua vez podem agravar os sentimentos ruins ao trazer a sensação de frustração e fracasso. Nem sempre a fome emocional está relacionada a sentimentos negativos, pode estar ligada a sentimentos positivos como o amor, em que se saboreia uma sobremesa de Dia dos Namorados ou a celebração de um banquete aos finais de semana. Recompensa alimentar: por que a comida proporciona sensação de prazer? A fome emocional se baseia em um sistema de recompensa alimentar, que envolve diversos mensageiros químicos do organismo, como a serotonina e a dopamina, substâncias neurotransmissoras relacionadas à sensação de bem-estar, prazer e felicidade. Composição do sistema de recompensa O sistema de recompensa alimentar é composto por três componentes: O componente hedônico (liking), a motivação / incentivo (wanting) e a aprendizagem (learning). Hedônico (liking): representa, por exemplo, a antecipação do prazer que um indivíduo tem em comer um alimento de elevada palatabilidade. Motivação (wanting): ocasionada pelos sinais de recompensa que o indivíduo tem em comer um alimento, levando-o a buscar mais alimentos de alta palatabilidade e densidade calórica. Aprendizado (learning): significa o indivíduo repetir o ato, até ficar habitual sua busca por esses alimentos. Como reconhecer comportamentos da alimentação emocional? É preciso, inicialmente, identificar o que desperta o desejo de comer e se houve alteração no padrão de alimentação. Algumas perguntas podem guiar esse processo, como por exemplo: ✓ Estou comendo porções maiores do que antes? ✓ Estou me alimentando em horário incomuns? ✓ Sinto uma perda de controle em relação a minha alimentação? ✓ Houve algo em minha vida recentemente que eu estou tendo dificuldades de lidar? ✓ Estou me sentindo ansioso(a) em relação a algo ou alguém? ✓ Outras pessoas da minha família utilizam a comida como fonte de conforto? ✓ Estou com sobrepeso ou houve alguma alteração considerável em meu peso recentemente? ✓ Estou buscando saciar um desejo forte por texturas, gostos e cheiros específicos? ✓ Estou buscando conforto e prazer nos alimentos? Aula 06 – Alimentação saudável e prazerosa: é possível equilibrar uma alimentação saudável com o prazer de comer? Começar uma dieta com o intuito de emagrecer pode ser um grande desafio. Isso porque alguns hábitos devem ser mudados. Entretanto, a alimentação saudável representa muito mais do que somente um caminho para perder peso. Na verdade, nutrir-se com equilíbrio e fazer escolhas alimentares conscientes ajuda a melhorar a qualidade de vida e prevenir uma série de complicações de saúde. Além disso, a nutricionista Fernanda Dal’ Mora explica que é possível encontrar prazer na dieta e pontua dicas de alimentação saudável para que o processo seja leve. Acima de tudo, a profissional defende que para ter uma vida saudável, é necessário uma relação feliz e prazerosa com a comida. “O prazer de comer não deveria nos deixar com culpa. Liberte-se do ‘peso das dietas’”, destaca. Também vale entender que os alimentos significam muito mais do que apenas calorias em um prato. Eles esbarram, sobretudo, em questões sociais e afetivas que vão além da necessidade básica de consumir determinados nutrientes. Assim, as experiências prazerosas proporcionadas, muitas vezes, por meio de um alimento, não devem ser descartadas. Mas Fernanda ressalta a importância de se auto-observar para não utilizar a comida como um refúgio, servindo de reforço para a fome emocional. Dicas de alimentação saudável Na maioria das vezes, a motivação não é suficiente para manter a dieta em dia. Isso porque existe um longo processo de mudanças para que a alimentação saudável se torne um hábito natural. Fernanda aponta algumas dicas que podem facilitar essa trajetória rumo a uma vida mais saudável e equilibrada: 1. Entenda que é um processo Em primeiro lugar, a nutricionista reforça a importância de entender que a alimentação saudável é um processo. Por isso, é necessário paciência, muito foco, determinação e constância. “Fuja dos terrorismos alimentares e busque prazer em se alimentar bem”, reforça. 2. Procure um bom profissional Antes de começar uma dieta, busque um bom profissional. É necessário que o especialista entenda quais são os seus objetivos e as melhores estratégias para alcançá-los. Tudo isso de forma individualizada e com bastante escuta. 3. Identifique os seus gatilhos “Tente identificar os gatilhos físicos e emocionais que têm te atrapalhado no processo. A partir dessa identificação ficará mais fácil alcançar seus objetivos”, comenta. 4. Escolha uma atividade física Você não precisa passar horas na musculação ou se aventurar em aulas de crossfit se não quiser. O importante é encontrar uma atividade física que te dê prazer. Assim, além de cuidar da saúde do corpo, você se sente mais motivado a continuar o processo. 5. Cuide do seu sono Outro aspecto importante e, por vezes, negligenciado, é o sono. Fernanda ressalta a necessidade de um sono reparador para ter sucesso no processo de emagrecimento. 6. Dicas de alimentação saudável: Organize-se Além disso, criar uma rotina alimentar e anotar as suas metas e afazeres para o dia também é interessante para manter-se focado. 7. Faça o seu melhor! “Nunca se esqueça: faça o seu melhor. Mesmo que a perda de peso da balança não seja tão rápida, você estará melhorando sua qualidade de vida!”, declara a profissional. Prazer na dieta: preciso tirar todos os alimentos que gosto? É preciso excluir todos os alimentos gostosos, por exemplo, chocolate, hambúrguer e pizza, para ter sucesso na dieta? Essa é uma dúvida recorrente nas consultas da nutricionista, mas ela explica que cada estratégia é individualizada e pautada conforme o objetivo do paciente. A melhor estratégia é não praticar o terrorismo alimentar. “Nenhum alimento sozinho será capaz de prejudicar o processo de emagrecimento”, diz. Como encontrar equilíbrio no processo? Viagens, restaurantes, bares, festas com amigos. A comida faz parte da maioria dos momentosde socialização e, durante uma dieta, pode ser difícil saber como conciliar esses períodos e encontrar equilíbrio. Não é preciso recusar todos os convites para sair ou passar vontade nos lugares. Na verdade, a nutricionista defende que a organização facilita esses momentos “fora da dieta”. “A beleza da alimentação equilibrada e organizada é que ela pode ser flexível e, mesmo assim, dar um ótimo resultado”, afirma. Aula 07 – Estilo de vida e hábitos alimentares: alimentação saudável, atividade física e hábitos de sono; Vamos falar sobre o tripé da longevidade? Sono, alimentação e exercícios. Sono, alimentação balanceada e exercícios físicos são os três elementos que compõem a pirâmide da qualidade de vida, sendo essenciais para uma vida saudável. Por isso, devem ser mantidos em equilíbrio. Grande exemplo disso é que, se você se alimenta mal, e não pratica atividades físicas, sua noite de sono pode ser prejudicada. Quando os três elementos andam juntos, a disposição aumenta e todas as áreas da vida podem colher benefícios. Afinal, corpo são, mente sã. Por esse motivo, é importante focar na melhora constante de cada um destes pilares. Neste momento, vamos explicar a importância do equilíbrio entre eles e como trabalhá-los em harmonia. A importância de ter uma boa noite de sono É muito comum que, com a rotina diária de trabalho, muitas pessoas durmam mal durante a semana, tentando compensar o sono atrasado aos sábados e domingos. Porém, uma noite mal dormida pode afetar negativamente no bom funcionamento do organismo, principalmente em recorrência. Então, não espere o fim de semana para colocar seu sono em dia: esse plano é ineficaz. O sono é o momento no qual o corpo entra em repouso e renova as energias para o próximo dia. Mesmo durante uma noite de sono, o organismo continua trabalhando. Exemplo disso é que, enquanto dormimos, os tecidos corporais são reparados e as toxinas acumuladas durante o dia são eliminadas do corpo. Existem duas fases do sono: o profundo e o ativo (REM). O nosso cérebro é o responsável por determinar quanto tempo passamos em cada uma dessas fases – considerando o estado emocional, físico e a alimentação de cada pessoa. O sono é um hábito natural e, por isso, não estamos acostumados a pensar com afinco nos benefícios que traz. Contudo, dormir bem ajuda a prevenir obesidade, diminui a resistência do corpo à insulina, fortalece a memória e melhora o condicionamento físico. O que é o ciclo circadiano? Ciclo circadiano é o nome dado ao ritmo em que o organismo realiza suas funções ao longo de um dia. Embora ele também se relacione a fatores como temperatura e atividade física ou social, o elemento que exerce maior influência no ciclo circadiano é a luz. Assim, o ciclo circadiano é diretamente ligado ao dia e à noite e se manifesta em plantas e animais de diferentes espécies. Entre as pessoas, o ciclo circadiano coordena os sistemas mentais e físicos. De forma resumida: a claridade do amanhecer estimula a liberação de cortisol, o hormônio que nos deixa despertos. Ao anoitecer, inicia-se a produção de melatonina, o hormônio que induz ao relaxamento e ao sono. Entre os dois polos, encontramos nossos picos de energia e de cansaço. Quando alinhado à rotina, o ciclo circadiano permite a produção hormonal adequada e o sono consistente e reparador. Consequentemente, ele tem impacto positivo na saúde física e mental. A duração do ciclo de sono-vigília pode variar de acordo com a idade. Os bebês têm uma necessidade de horas diárias de sono muito superior à dos idosos, por exemplo. Relação entre sono e saúde mental O sono é necessário para funções cognitivas e comportamentais adequadas. A falta de sono pode incapacitar a capacidade de tomar decisões, concentrar e processar informações e causar lapsos de atenção e mudanças de humor. Diferentes faixas etárias precisam de várias horas de sono por noite para manter um estilo de vida saudável. Quanto mais jovem o ser humano, maior é a necessidade de sono. A National Sleep Foundation, América, recomenda as seguintes horas de sono diário para diferentes faixas etárias. Faixa etária: horas de sono recomendadas: 0-3 meses 14-17 horas 4-11 meses 12-15 horas 1-2 anos 11-14 horas 3-5 anos 10-13 horas 6-13 anos 9-11 horas 13-17 anos 8-10 horas 18-25 anos 7-9 horas 65 anos e mais 7-8 horas Além disso, a falta de sono tem sido associada a um risco aumentado de várias condições médicas, como obesidade, diabetes, doenças cardíacas, derrame, problemas de saúde mental e até morte prematura. Recupere o sono Todos nós sabemos e já experimentamos como o sono afeta nosso humor. Nós nos sentimos mentalmente cansados, nossa consciência situacional fica fraca e ficamos irritados. Provavelmente, o idioma “acordou do lado errado da cama” surgiu por causa desses aspectos comportamentais. Mas tudo isso é diversão e brincadeira até que a privação do sono se torne uma parte regular de sua vida. O sono afeta nossa saúde mental e emocional e, portanto, está relacionado a condições graves, como depressão, ansiedade, etc. O sono e a saúde mental compartilham uma relação recíproca. Os transtornos mentais dificultam que uma pessoa durma bem e a falta de sono piora a condição. A situação também pode ser diferente. Um horário de sono adequado ajuda a manter as doenças mentais sob controle e pode ajudar durante o processo de recuperação. Tanto o sono quanto a saúde mental são questões complexas afetadas por uma infinidade de fatores, mas, dada sua estreita associação, é plausível acreditar que manter a higiene do sono tem um impacto positivo na saúde mental e pode ser um componente da recuperação de doenças psiquiátricas. Dicas para manter a higiene do sono 1. Aumente sua exposição à luz do dia A exposição regular à luz solar ajuda nosso corpo a manter um cronômetro eficiente de 24 horas próprio, chamado ritmo circadiano. Ela afeta o cérebro, o corpo e os hormônios, mantendo um cronograma oportuno de quando acordar e quando é hora de dormir. A luz forte mantém o ritmo circadiano saudável, melhorando a energia diurna e afirmando um sono de qualidade à noite. 2. Limitar a exposição da tela após o pôr do sol Novamente, isso tem a ver com o ritmo circadiano. As telas eletrônicas emitem uma luz azul especial que faz com que o cérebro pense que ainda é dia. Usar óculos ou instalar filtros de lente azul nos dispositivos é uma forma de resolver a situação, mas é melhor evitar a visualização de telas pelo menos uma hora antes de dormir. 3. Controle a vontade de tirar cochilos durante o dia Tirar cochilos curtos de 15 a 20 minutos durante o dia é considerado benéfico para o corpo e a mente. No entanto, cochilos mais longos do que isso durante o dia interferem na sua noite de sono. Isso pode confundir seu relógio interno, fazendo com que você tenha dificuldade em dormir à noite. 4. Crie a atmosfera A atmosfera do quarto é um fator chave na qualidade do sono. A temperatura ambiente, a posição e o posicionamento dos itens, a disposição geral, a luz e o ruído externos compõem todo o clima. Otimizar o ambiente onde você dorme pode ter resultados surpreendentes. Minimize os distúrbios externos e as luzes artificiais dos dispositivos eletrônicos. Tente manter a temperatura ambiente agradável. Certifique-se de que seu colchão e travesseiro estejam pessoalmente confortáveis. E lembre-se de sempre tirar o pó da cama antes de dormir. 5. Aumente seu consumo de melatonina A melatonina é um hormônio indutor do sono produzido no corpo quando ele começa a escurecer. No entanto, o estilo de vida atual interrompe seu ciclo de produção. O consumo de alimentos ricos em melatonina, como cereja azeda, nozes, banana, aveia, gengibre, etc. por pelo menos 2 horas antes de dormir pode ajudá-lo a dormir melhor. 6. Evite cafeína e álcool no final da noite O que comemos e quando comemos têm um efeito diretoem nossos corpos. A cafeína bloqueia os receptores que se ligam à proteína indutora do sono. Estimula o sistema nervoso, dificultando que você durma quando quiser. O álcool dificulta a produção do hormônio do sono em seu corpo e é uma causa comprovada de sintomas de apneia do sono e padrões de sono interrompidos. Em uma escala maior, ele instiga a produção noturna de melatonina, atrapalhando o ritmo circadiano do corpo. Benefícios de manter uma boa alimentação Uma alimentação balanceada oferece os nutrientes, fibras e antioxidantes necessários para o bom funcionamento do organismo. Por esse motivo, é importante equilibrar a alimentação e consumir cada componente nutricional na quantidade certa. Um prato colorido e nutritivo proporciona melhora no funcionamento do sistema imunológico e dos intestinos. Além disso, eleva a qualidade de sono, humor, metabolismo e concentração. Lembre-se: a rotina alimentar está diretamente ligada à saúde e bem- estar físico e mental. Quanto mais saudável for, o corpo fica menos propenso ao surgimento de doenças. Alimentação e depressão Um estudo publicado na BMC Medicine, dos Estados Unidos, mostrou que os sintomas de pessoas com depressão moderada a severa diminuiram após 12 semanas de uma alimentação mais saudável. De fato, a melhora foi tanta, que 32% dos participantes atingiram o critério de remissão (momento em que a doença deixa de avançar ou de apresentar sinais). O nosso cérebro precisa de certas vitaminas para funcionar normalmente. Ao privá-lo destes nutrientes por muito tempo é provável que um indivíduo comece a experimentar uma série de problemas neurológicos e emocionais. Esses nutrientes, são responsáveis por auxiliar na produção de alguns neurotransmissores – que realizam a comunicação entre os neurônios – como serotonina e dopanima, diretamente relacionados ao humor. Pratique exercícios físicos É sempre importante frisar que a prática regular de atividades físicas é essencial para manter o bom funcionamento do organismo – inclusive em tempos de distanciamento social. Esse hábito oferece inúmeros benefícios, que vão além da perda de peso e prevenção de doenças. Os exercícios físicos também podem influenciar na concentração, humor e na qualidade do sono. Quando praticamos atividades, nosso organismo se transforma em uma fábrica de substâncias químicas; entre elas estão os neurotransmissores. Sendo assim, em poucos minutos, a serotonina, endorfina e noradrenalina – hormônios responsáveis pela estabilização do humor – começam a correr pelo corpo. Além dos benefícios hormonais, da aceleração de metabolismo e gasto calórico durante os exercícios, os vasos capilares se dilatam, proporcionando melhor oxigenação do sangue, já que o coração bate mais rápido. Tais fatores proporcionam sensação de bem-estar físico e mental. Independente da atividade física que você pratique, haverá muitos benefícios. . Exercícios de alongamento, que trabalham a flexibilidade muscular, por exemplo, são benéficos para uma boa noite de sono, já que tranquilizam o corpo e o deixam mais relaxado. Os aeróbicos melhoram o condicionamento físico e o funcionamento do sistema cardiorespiratório. Quer ter uma vida longa e saudável? Então, não abra mão de nenhum desses pilares – aliás, estimule-se a perseguir a excelência em cada um deles. A importância dos exercícios físicos na saúde mental Na saúde mental, a história é parecida. A atividade física regular não reduz apenas medidas. Ela melhora a capacidade cognitiva, reduz os níveis de ansiedade e estresse, fornece mais energia e aumenta autoestima. Além disso, os movimentos motores realizados durante as atividades liberam endorfinas no cérebro. Apesar de ser popularmente conhecida como o hormônio da felicidade, a endorfina traz muitos outros benefícios, como: Melhora da memória Elevação do humor Aumento da disposição física e mental Melhora da concentração Fortalecimento o sistema imunológico Alívio de dores e tensões musculares Melhor qualidade do sono A serotonina, neurotransmissor responsável pelo bom humor e regulação do sono, entre outras funções, também é liberada. Todos esses fatores exercem impactos positivos em diversos transtornos mentais, como a ansiedade, a depressão, a síndrome do pânico e o déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). O papel dos exercícios físicos no tratamento de transtornos mentais Acredita-se que as atividades físicas combatam aspectos específicos dos transtornos mentais, podendo, dessa forma, catalisar o tratamento psicológico. Para exemplificar lembre-se ou, se nunca teve o hábito de praticar exercícios, visualize você mesmo executando movimentos. É comum, neste momento, que a nossa atenção esteja plena no que estamos fazendo. Caso contrário, acaba-se lesionando algum músculo ou agravando desvios posturais. Com a mente ocupada com o exercício, temos uma folga de nossas preocupações e emoções negativas. É por isso que muitas pessoas utilizam o exercício físico como uma forma de terapia. A sensação de controle é outro aspecto que contribui para o tratamento de transtornos mentais, pois normalmente a pessoa com um distúrbio acredita que não possui controle sobre a própria mente e corpo. Com a prática contínua, começa a construir mais segurança em si mesma. Outra explicação bastante simples de entender é a quebra de rotina. A depressão, a ansiedade, o pânico, o transtorno de estresse pós-traumático e o estresse crônico são paralisantes. Eles conseguem nos manter estagnados, com medo de tudo e de todos, mas, principalmente, de situações novas. Ao deixar a segurança do lar para praticar uma atividade física ou um esporte, é possível quebrar esse ciclo de estagnação. Para a pessoa com transtorno mental, são esses pequenos passos dados em direção à recuperação que contribuem para a sua qualidade de vida e felicidade. A atividade física também possui papel importante na prevenção de doenças variadas que debilitam o corpo e a mente. Aula 08 – Fome emocional: por que descontamos sentimentos na comida; O alimento está poderosamente conectado com as emoções. A pessoa come o que gosta, o que sua cultura prescrito, mas também existe marcante influência das emoções. O contato bucal com o seio é a primeira conexão de prazer do bebê com o mundo. Para muitas pessoas, o simples fato de pensar em um prato favorito evoca associações que combinam imagens, emoções, sentidos e memória numa mistura onde é quase impossível separar os diferentes componentes. Muitas pessoas que tentam mudar seus hábitos alimentares, mas pensando apenas na mudança em bases racionais, caem numa armadilha, pois a alimentação tem significados que vão bem além da mera função nutritiva; ela pode, por exemplo, representar um “prazer imediato” e, portanto, servir para aliviar e compensar sentimentos tidos por negativos, como tristeza, angústia, ansiedade e medo. É frequente percebermos o uso de determinados alimentos (sobretudo doces) com a finalidade de mitigar conflitos existenciais que a pessoa considera insolúveis. Desta forma, o alimento pode ser um condutor de afeto, mas torna-se problema quando está substituindo confrontos, rejeições etc. Somos habituados a pensar em comida durante quase todas as horas, todos os dias. Nos fins de semana, almoçar ou jantar fora é programa familiar quase obrigatório para as famílias de todas as classes sociais. Comer não é somente uma questão de subsistência, é um programa social, que revela costumes, posição sócio-econômica, psicologia, educação. As mulheres, muito ou pouco restritivas do ponto de vista alimentar, têm preocupações gerais com relação aos seus corpos e aos tipos de alimentos que consomem. Gattellari & Huon (1997) estudaram o hábito alimentar de 41 mulheres jovens que costumavam fazer dieta, tendo observado que: 1) as comidas tidas como “proibidas” foram associadas com maior prazer, sociabilidadee relaxamento do que as comidas “permitidas”, mas também se mostraram mais carregadas de culpa e ansiedade. As comidas “proibidas” foram consideradas menos saudáveis, mais promotoras de doenças e associadas com sofrimento maior do que as comidas “permitidas”. Isto poderia, segundo as autoras, refletir o fato de que comidas “proibidas” (e frequentemente mais calóricas) tendem a produzir desconforto físico, especialmente se consumidas em grandes quantidades, ou o fato de que comer alimentos “proibidos” causa angústia em mulheres que sentem que necessitam “comer lightly” O significado da alimentação: Contato bucal com o seio: primeira conexão de prazer do bebê com o mundo; Comer é sinônimo de crescer, ficar forte e saudável; As refeições são associadas a união, cuidado e carinho; A alimentação tem significados que vão além da função nutritiva; A alimentação é o “prazer imediato”; Serve para aliviar e compensar sentimentos como tristeza, angústia, ansiedade e medo. Aula 09 – Bloqueios mentais que impedem seu emagrecimento; Emagrecer e ter uma vida saudável é um objetivo muito buscado, porém para se ter êxito, a disciplina vai muito além dos planos alimentares e dos exercícios constantes. Os inimigos ocultos na mente são os principais vilões de quem tenta alcançar a meta do emagrecimento. Conjunto de pensamentos, sentimentos, padrões de fala, de crenças limitantes e hábitos que são realizados de forma inconsciente, são os principais fatores que atrapalham esse processo. Por fazer parte de atitudes impensadas, é difícil identificar, ou perceber a real armadilha que eles produzem. O nosso cérebro possui dois sistemas: o racional e o emocional. O primeiro representa escolhas conscientes, é a razão, e traz uma recompensa tardia positiva. Quando ele é dominante, o emagrecimento acontece sem sofrimento. Já o segundo, de acordo com a neurociência, representa o emocional e as escolhas que fazemos são feitas a partir das emoções. Nesse sistema, a emoção domina tudo e traz uma recompensa de prazer imediato de satisfação ao comer, mas gera uma recompensa tardia desastrosa. Existem diversas atitudes que podem levar alguém que está acima do peso a sabotar o emagrecimento. Todas estão dentro da mente, e acabam acontecendo sem que a própria pessoa se dê conta. Já foram descobertos 23 sabotadores do emagrecimento, porém a grande questão é saber o quão presentes eles estão na vida de cada pessoa. Um exemplo claro de um sabotador que pode ser desenvolvido já na vida adulta é o de uma mulher que está casada há anos e, de repente, se separa, após a descoberta de uma traição. Esse fato se torna um gatilho mental capaz de trazer à tona o desejo de nunca mais se entregar para nenhum homem, por acreditar que todos serão absolutamente iguais. Com isso, passa a utilizar a comida como refúgio de sentimentos e como forma de afastar-se dos homens, engordando para não ser desejada por eles, mesmo de forma inconsciente. Esses autossabotadores dialogam com as pessoas o tempo todo. O processo nada mais é do que um sistema de defesa utilizado para sobreviver aos desafios da vida. Isso acontece desde a infância, quando a criança aprende a manter sua zona de segurança. É comum usar essas "defesas" para lidar com os desafios da vida, mas, também, para justificar suas falhas e motivações. Por isso, os sabotadores sempre têm um ganho secundário. Confira três pontos em que o cérebro pode tornar-se "vilão": Colocar-se no lugar de fracasso: A forma como pensamos reflete diretamente nas nossas ações. Quando idealizamos uma imagem negativa de nós mesmos, nos colocamos no lugar do fracasso, de tudo aquilo que dá errado. E, então, simplesmente estacionamos. Ao ficarmos estagnados, deixamos de realizar nossos sonhos, simplesmente por não acreditarmos em nós mesmos, e no que somos capazes de alcançar. Essa pode ser chamada de primeira "armadilha" do cérebro. Fazer escolhas baseadas na emoção: Como são feitas as suas escolhas alimentares: pela razão ou pela emoção? Você já se pegou comendo alguma besteira para compensar algum estresse, ou algo que deu errado no seu dia? Se a sua resposta for sim, você é uma pessoa que faz escolhas a partir da emoção. Isso significa que, de algum modo, as carências emocionais daquela pessoa acabam sendo "supridas" pela comida. É como se a comida fosse a recompensa por algo que deu de errado no seu dia. Esse é outro grande erro que o cérebro nos leva a cometer, e compromete todo o processo. Resistir em mudar de comportamento: Quem está tentando perder peso há um tempo provavelmente está cansado de ouvir que deve construir metas e traçar estratégias para chegar aonde quer. Mas o que muita pouca gente diz é que, antes de tudo, é preciso mudar a forma de se comportar. É preciso treinar a mente diariamente para "quebrar" determinados padrões de comportamento, que provavelmente já se tornaram hábitos. Por exemplo, se a pessoa escolhe o que vai comer a partir das emoções, como explicado no tópico anterior, isso provavelmente já se tornou um hábito e precisa ser mudado. Aula 10 – Trauma pessoal ou infantil e o transtorno alimentar; O trauma é definido por Harris (2009) como um evento avassalador que ameaça a identidade do eu, sendo ainda mais devastador na infância, quando o complexo do ego está em fase de estruturação. O trauma na infância, que ocorre durante o desenvolvimento físico e psíquico da criança, foi chamado por Van der Kolk (2005) de “trauma complexo”. Este descreve a exposição sucessiva da criança a eventos traumáticos múltiplos, crônicos e prolongados, usualmente tais eventos são de natureza interpessoal e acabam causando alterações no desenvolvimento neurobiológico, nas capacidades sensoriais, afetivas e cognitivas da criança (RAMOS; MATTA, 2018; VAN DER KOLK, 2005). Além da esfera emocional e intelectual, o trauma infantil pode ter importantes efeitos, sobre as capacidades imaginativas do indivíduo e a forma como este compreende o mundo. O que significa Trauma? O trauma infantil ocorre, quando uma pessoa é sobrecarregada por uma situação além do seu controle, sendo os seus recursos e sistema de controle, cuidado é significado insuficientes. O sistema de controle é responsável pelo autocontrole e autorregulação, os quais ficam prejudicados em decorrência da experiência traumática, ocasionando rompantes de agressividade e reações irracionais e incontroláveis. Já o sistema de cuidado é responsável pela capacidade do indivíduo em engajar-se e conectar-se com o ambiente e com as pessoas à sua volta de maneira ativa. Quando este fica danificado, o indivíduo pode ora desesperadamente desejar e pedir afeto, ora apavora-se com a possibilidade da presença de afeto. Por fim, o sistema que apresenta um significado e sentido para a vida do indivíduo é lesado, levando a uma perda de sentido no viver. A experiência do trauma na infância é tão adversa, que há um congelamento dos afetos e subsequente perda na capacidade de modulá- los, por isso, o trauma na infância pode ser considerado uma ferida na capacidade de sentir. Tal experiência esmagadora e insuportável interrompe a narrativa da vida e fica registrada em forma de: emoções, sons, imagens, pensamentos e sensações físicas. Estes elementos não se apresentam de maneira coesa, mas sim de forma desintegrada e desconecta, podendo invadir o indivíduo traumatizado a qualquer momento (flashbacks), fazendo que a experiência traumática seja revivida. Como resultado disso, o indivíduo traumatizado pode apresentar um discurso fragmentado; aparentar estar distraído, distante ou desconectado; permanecer em permanente impressão de perigo; apresentar-se hipervigilante, isto é, preparado para ser agredido e violado a qualquer momento, por fim, assusta-se facilmente com acontecimentos corriqueiros. Assim, a experiência do presente fica nebulosa e embotada, enquanto alguns elementos das memóriasfragmentadas e intrusivas do passado traumático são intensos e vívidos. A pessoa sente-se presa e congelada em um lugar que deseja desesperadamente sair, a vivência traumática. Entretanto, é importante destacar que muitos indivíduos traumatizados, devido ao descolamento do afeto e imagem traumática, não fazem relação entre o elemento intrusivo e o evento traumático (VAN DER KOLK, 2015). Quando o indivíduo vivencia um trauma na infância, segundo Bromberg (2001), a estrutura dissociativa é ativada. A dissociação é definida pela American Psychiatric Association (2014) como uma cisão ou separação de componentes intrapsíquicos ou uma desconexão entre uma ideia e uma emoção e, usualmente, se apresenta em indivíduos que possuem um trauma psíquico. Partes da personalidade do indivíduo traumatizada ficam dissociadas a fim de restringir e de suprimir determinados pensamentos insuportáveis. A dissociação causa danos severos na função integrativa do indivíduo, isto porque ele pode apresentar declínio das funções pessoais e profissionais, além de consequente atrofia nas capacidades psicológicas que foram suprimidas. Entretanto, a dissociação protege o traumatizado contra a completa fragmentação da personalidade e evita o contato com a memória traumática (HARRIS, 2009; VAN DER KOLK, 2015). Além da dissociação, pode ocorrer a supressão de pensamentos; minimização, negação; e alteração da percepção e senso de realidade, em que o indivíduo refugiase na fantasia, evitando defensivamente o contato com o mundo real. Um exemplo disso seria a sensação de que o evento traumático não está acontecendo com a própria pessoa, que observa de fora seu corpo toda a situação ou que tudo não passa de um sonho. É comum, o uso de fantasia de onipotência como proteção para a vivência de rejeição ou humilhação, seja esta real ou temida. O abuso ou a negligência emocional podem ser tão devastadoras quanto o abuso físico e sexual. Isto porque usualmente ocorrem de maneira sistemática por parte dos cuidadores principais das crianças, sendo estes cuidadores e estas relações primárias que servirão de modelo para a internalização de características afetivas e cognitivas. Para que uma situação seja vivenciada como traumática, devem ser considerados: grau de exposição e intensidade do evento; fatores socioculturais; características psicológicas; qualidade do apoio social; fatores biológicos e percepção do indivíduo perante o evento. O trauma infantil desencadeia efeitos de ordem cognitiva, emocional, física e interpessoal no indivíduo adulto. No que se refere aos efeitos cognitivos e emocionais, o indivíduo pode apresentar: pensamentos intrusivos; apatia; irritabilidade; estreitamento perceptual; ansiedade; alerta permanente; perturbação da memória; tristeza; culpa e vergonha. Em relação aos efeitos físicos e interpessoais, observa-se os seguintes: arrepio; fadiga; tontura; transpiração, aumento ou diminuição da frequência cardíaca; dificuldades sexuais; conflitos em relacionamentos sociais e isolamento. Além do indivíduo traumatizado apresentar dificuldades em discriminar e em descrever reações fisiológicas, isso também ocorre no âmbito das reações emocionais. Por conta disso, o indivíduo traumatizado registra as reações emocionais como físicas, isto é, sentem fome, dor nos músculos, enxaqueca, ataque de asma, irregularidades no intestino e entre outros sintomas somáticos em vez de sentir-se triste ou com raiva. O que faz que apresente dificuldade em cuidar de si mesmo e decidir o que é melhor para si, podendo acarretar diversos tipos de transtornos, sendo um deles o TCA . Aula 12 – Comendo de forma consciente, longe das distrações; Por que comemos o que comemos? O processo de seleção do tipo e quantidade de alimentos que ingerimos no nosso dia a dia é influenciado por importantes determinantes fisiológicos, psicológicos, sociais, culturais e contextuais. Assim, comemos por diversos motivos: porque sentimos fome; para sentir prazer; por preferência alimentar; por tradição e crenças; para comemorar e socializar; pelo preço e disponibilidade do alimento; por influência da mídia e pelo marketing da indústria de alimentos; pelo padrão de beleza e saúde aceito pela sociedade; pelo significado afetivo do alimento em nossas vidas; pelas nossas experiências negativas e positivas em relação a comida; dentre outros fatores. Alimentação Consciente como forma de melhorar nosso comportamento alimentar. A Alimentação Consciente é uma abordagem que orienta comer com atenção plena, focando no presente, percebendo os sinais de fome e saciedade do corpo. Atenção plena à comida Preste atenção no alimento. Esteja em um ambiente tranquilo, sem estímulos de televisão, celular, computador, tablets, revistas, jornal,música, etc. Se possível, sente-se à mesa para realizar suas refeições. Comer devagar Matigue bem os alimentos, até perceber que estão bem triturados. Descanse os talheres sobre a mesa entre as garfadas. Caso tenha dificuldade em comer devagar, tente comer com a mão não dominante (ex: se você é destro, use a mão esquerda de vez enquando para comer). Apreciar e saborear o alimento Use os 5 sentidos enquanto se alimenta (visão, olfato, paladar, audição e tato) Ouça o som do alimento enquanto mastiga, perceba a cor, aparência, aroma, sabor e textura. Tenha prazer ao se alimentar. Perceber a fome e a saciedade Sinta os sinais de fome e saciedade que o seu corpo emite. Observe a escala da fome e saciedade, o ideal é se manter entre os números 3 e 6. Faça pausas enquanto consome suas refeições para perceber os sinais do seu corpo (se ainda sente fome ou se já está satisfeito). Aula 13 – Combate à compulsão alimentar: identificação dos sintomas da compulsão alimentar e compreensão dos fatores que podem levar a esse comportamento. A característica essencial do transtorno de compulsão alimentar são episódios recorrentes de compulsão alimentar que devem ocorrer, em média, ao menos uma vez por semana durante três meses. Um “episódio de compulsão alimentar” é definido como a ingestão, em um período determinado, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria em um mesmo período sob circunstâncias semelhantes. Ao lado de anorexia e bulimia, a compulsão alimentar faz parte da tríade clássica dos transtornos alimentares. Nela, a questão é o exagero mesmo: a pessoa devora uma quantidade enorme de comida. Alguns chegam a ingerir de 4 mil a 15 mil calorias em poucos minutos — a média recomendada para um adulto saudável são 2 mil calorias por dia. Aqui, não acontece nenhuma tentativa para eliminar esses alimentos, como vômitos ou remédios. Esses ataques súbitos de gulodice são motivados por dilemas emocionais, como ansiedade e estresse. É importante diferenciar também episódios isolados de algo mais crônico e preocupante: exagerar vez ou outra no rodízio de pizzas ou na churrascaria não é reflexo de uma doença psiquiátrica. O transtorno da compulsão alimentar é um transtorno alimentar caracterizado pelo consumo repetido de quantidades excepcionalmente grandes de alimentos (comer compulsivamente) acompanhados de um sentimento de perda de controle durante o episódio de compulsão alimentar. Os episódios de alimentação compulsiva não são seguidos por tentativas de compensar a ingestão excessiva de alimentos, por exemplo, livrando o corpo do excesso de alimento consumido (purgação). O transtorno da compulsão alimentar periódica é mais comum em pessoas com sobrepeso ou obesas. A pessoa come grandes quantidades rapidamente, não purga e seu comportamento lhe causa muita angústia. O médico faz o diagnóstico com base no modo pelo qual a pessoa descreve seu comportamento. O tratamento visa ajudar a pessoa a controlar a compulsão alimentar e inclui terapia cognitivo-comportamental, inibidores seletivosde recaptação da serotonina (ISRS, um tipo de antidepressivo) e medicamentos estimulantes. Programas de perda de peso, alguns medicamentos para redução de peso e medicamentos estimulantes podem ajudar a controlar o peso. Via de regra, aproximadamente 3,5% das mulheres e 2% dos homens têm transtorno da compulsão alimentar periódica. Mas o transtorno se torna mais comum com o aumento do peso corporal. Em alguns programas de redução de peso, 30% das pessoas obesas ou mais têm o transtorno. A maioria das pessoas com o transtorno da compulsão alimentar periódica é obesa e o transtorno contribui para o consumo excessivo de calorias. Ao contrário, a maioria das pessoas com bulimia nervosa tem um peso normal e as pessoas com anorexia nervosa são magras. As pessoas com transtorno da compulsão alimentar tendem a ser mais velhas que as que sofrem de anorexia ou bulimia e quase a metade é do sexo masculino. É possível que a pessoa com transtorno da compulsão alimentar periódica também: Coma bem mais rápido que o normal Coma até se sentir desconfortável Coma grandes quantidades de alimentos, mesmo estando sem fome Coma sozinha para não ficar constrangida Sinta-se desgostosa, deprimida ou culpada após um episódio de alimentação excessiva O transtorno da compulsão alimentar periódica causa angústia à pessoa que o tem, sobretudo se ela estiver tentando perder peso. Essas pessoas estão mais propensas a ter depressão ou ansiedade em comparação àquelas que não apresentam o transtorno. Além disso, as pessoas obesas com transtorno da compulsão alimentar periódica são mais propensas a ter preocupação com a forma física, com o peso ou ambos, que as pessoas obesas que não comem compulsivamente. A característica essencial do transtorno de compulsão alimentar são episódios recorrentes de compulsão alimentar que devem ocorrer, em média, ao menos uma vez por semana durante três meses. Um “episódio de compulsão alimentar” é definido como a ingestão, em um período determinado, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria em um mesmo período sob circunstâncias semelhantes. Ao lado de anorexia e bulimia, a compulsão alimentar faz parte da tríade clássica dos transtornos alimentares. Nela, a questão é o exagero mesmo: a pessoa devora uma quantidade enorme de comida. Alguns chegam a ingerir de 4 mil a 15 mil calorias em poucos minutos — a média recomendada para um adulto saudável são 2 mil calorias por dia. Aqui, não acontece nenhuma tentativa para eliminar esses alimentos, como vômitos ou remédios. Esses ataques súbitos de gulodice são motivados por dilemas emocionais, como ansiedade e estresse. É importante diferenciar também episódios isolados de algo mais crônico e preocupante: exagerar vez ou outra no rodízio de pizzas ou na churrascaria não é reflexo de uma doença psiquiátrica. O transtorno da compulsão alimentar é um transtorno alimentar caracterizado pelo consumo repetido de quantidades excepcionalmente grandes de alimentos (comer compulsivamente) acompanhados de um sentimento de perda de controle durante o episódio de compulsão alimentar. Os episódios de alimentação compulsiva não são seguidos por tentativas de compensar a ingestão excessiva de alimentos, por exemplo, livrando o corpo do excesso de alimento consumido (purgação). O transtorno da compulsão alimentar periódica é mais comum em pessoas com sobrepeso ou obesas. A pessoa come grandes quantidades rapidamente, não purga e seu comportamento lhe causa muita angústia. O médico faz o diagnóstico com base no modo pelo qual a pessoa descreve seu comportamento. O tratamento visa ajudar a pessoa a controlar a compulsão alimentar e inclui terapia cognitivo-comportamental, inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS, um tipo de antidepressivo) e medicamentos estimulantes. Programas de perda de peso, alguns medicamentos para redução de peso e medicamentos estimulantes podem ajudar a controlar o peso. Via de regra, aproximadamente 3,5% das mulheres e 2% dos homens têm transtorno da compulsão alimentar periódica. Mas o transtorno se torna mais comum com o aumento do peso corporal. Em alguns programas de redução de peso, 30% das pessoas obesas ou mais têm o transtorno. A maioria das pessoas com o transtorno da compulsão alimentar periódica é obesa e o transtorno contribui para o consumo excessivo de calorias. Ao contrário, a maioria das pessoas com bulimia nervosa tem um peso normal e as pessoas com anorexia nervosa são magras. As pessoas com transtorno da compulsão alimentar tendem a ser mais velhas que as que sofrem de anorexia ou bulimia e quase a metade é do sexo masculino. É possível que a pessoa com transtorno da compulsão alimentar periódica também: Coma bem mais rápido que o normal Coma até se sentir desconfortável Coma grandes quantidades de alimentos, mesmo estando sem fome Coma sozinha para não ficar constrangida Sinta-se desgostosa, deprimida ou culpada após um episódio de alimentação excessiva O transtorno da compulsão alimentar periódica causa angústia à pessoa que o tem, sobretudo se ela estiver tentando perder peso. Essas pessoas estão mais propensas a ter depressão ou ansiedade em comparação àquelas que não apresentam o transtorno. Além disso, as pessoas obesas com transtorno da compulsão alimentar periódica são mais propensas a ter preocupação com a forma física, com o peso ou ambos, que as pessoas obesas que não comem compulsivamente. Aula 14 – Superando a compulsão alimentar: estratégias eficazes para lidar com a compulsão alimentar e recuperar o controle sobre os hábitos alimentares; Como deve ser o tratamento Assim como os demais distúrbios alimentares, nos quadros de compulsão alimentar o tratamento deve ser multidisciplinar. O indivíduo deve receber acompanhamento por médico, psicológico e nutricionista. O médico deve orientar o paciente e ser o responsável por prescrever os medicamentos, caso o paciente necessite. É muito importante ressaltar que o tratamento não deve se resumir apenas ao uso de medicação. É importante que o paciente trabalhe sua mente, buscando ampliar a consciência que tem sobre si. Por isso é importante o tratamento psicológico. O psicólogo e o paciente devem trabalhar para compreender todos os gatilhos de ansiedade e estabelecer estratégias de controle. Trabalhamos a mente e agora precisamos apresentar um plano alimentar, e devemos procurar um nutricionista. O nutricionista e o paciente irão estudar e elaborar uma comida rica com todos os nutrientes necessários para controlar a compulsão e atingir os objetivos. E recomenda-se também a prática de exercícios físicos e atividades relacionadas à atenção, como a meditação e yoga. Além de manterem o corpo saudável, também ajudam na produção de endorfina e no controle da ansiedade. Dicas para ajudar a superar a Compulsão alimentar Entenda porque você come descontroladamente Da próxima vez que você atacar a geladeira, pense o que você está sentindo. Só assim você vai começar o processo para controlar a compulsão alimentar. Não coma de 3 em 3 horas Espere a fome chegar para se alimentar. Mas não passe muito tempo sem se alimentar. Coma alimentos ricos em fibras Priorize comer frutas, verduras, hortaliças e gorduras boas, pois são opções que te deixarão saciado por mais tempo. Beba água É uma dica valiosa e que serve para manter seu corpo saudável. Para quem tem compulsão alimentar, essa é também uma forma de controlar a fome e o desejo de comer. Não coma alimentos industrializados Os industrializados são pobres em fibras e, por isso, acabam não saciando. Para quem tem compulsão alimentar, não estar saciado é um perigo para cair na tentação. Pratique alguma atividade física Os exercícios físicos ajudam a controlar a compulsão alimentar, pois fornecem uma sensação de prazer ebem-estar. Aula 15 – Superando a Bulimia Nervosa: estratégias eficazes para lidar com a bulimia nervosa e recuperar o controle sobre os hábitos alimentares Na bulimia, há dois momentos: primeiro, um exagero no consumo de determinados produtos. Na sequência, o sujeito se sente culpado por ter ingerido tudo aquilo e encontra alguma maneira de expurgar aquelas calorias. O método mais utilizado para eliminar esse excesso costuma ser a indução do vômito. Mas existem outras maneiras encontradas para fazer essa compensação. Desde a primeira descrição da Bulimia Nervosa (BN) por Gerald Russell22 (1979), o conhecimento deste quadro como entidade nosológica distinta tem avançado rapidamente, graças à proliferação de grupos de pesquisa em vários países. A BN é caracterizada, em sua forma típica, pela ingestão compulsiva e rápida de grande quantidade de alimento, com pouco ou nenhum prazer, alternada com comportamento dirigido para evitar o ganho de peso (como vomitar, abusar de laxantes e diuréticos ou períodos de restrição alimentar severa) e medo mórbido de engordar. O vômito auto induzido é extremamente comum, sendo encontrado em até 95% dos pacientes, provavelmente pelo seu efeito de redução imediata da ansiedade. É interessante lembrar que o comportamento de forçar o vômito é muito antigo e pode ser encontrado precocemente na história de diferentes povos da Antiguidade. No antigo Egito, por exemplo, grande parte do papiro de Eber é dedicado ao estímulo e às virtudes do ato de vomitar. Segundo Heródoto, os egípcios vomitavam e usavam purgativos todo mês, por três dias consecutivos, julgando que "todas as doenças dos homens são oriundas da comida". Na medicina grega é sabido que Hipócrates também recomendava a indução de vômitos por dois dias consecutivos todo mês como um método de prevenir diferentes doenças. Os romanos criaram o vomitorium, que lhes permitia alimentar-se em excesso durante os banquetes, e posteriormente vomitar em local reservado para esta finalidade, às vezes usando uma pena de ave para estimular o reflexo do vômito na garganta. O termo bulimia tem uma história muito antiga; deriva do grego "bous" (boi) e "limos" (fome), designando assim um apetite tão grande que seria possível a um homem comer um boi, ou quase. A BN tem como sintoma principal o episódio de compulsão alimentar e costuma surgir no decorrer de uma dieta para emagrecer. No início, pode se achar relacionado à fome, mas posteriormente, quando o ciclo compulsão alimentar-purgação já está instalado, ocorre em todo tipo de situação que gera sentimentos negativos (frustração, tristeza, ansiedade, tédio, solidão). Inclui um aspecto comportamental objetivo que seria comer uma quantidade de comida considerada exagerada se comparada ao que uma pessoa comeria em condições normais; e um componente subjetivo que é a sensação de total falta de controle sobre o seu próprio comportamento. Estes episódios ocorrem às escondidas na grande maioria das vezes e são acompanhados de sentimentos de intensa vergonha, culpa e desejos de autopunição. A quantidade de calorias ingerida por episódio pode variar enormemente, muito embora em média oscile entre 2 mil e 5 mil calorias. O vômito auto induzido ocorre na grande maioria dos casos, sendo portanto o principal método compensatório utilizado. O efeito imediato provocado pelo vômito é o alívio do desconforto físico secundário à hiperalimentação e principalmente a redução do medo de ganhar peso. A sua frequência é variável, podendo ser de um até 10 ou mais episódios por dia, nos casos mais graves. No começo, a paciente necessita de manobras para induzir o vômito, como a introdução do dedo ou algum objeto na garganta. Algumas bulímicas mais graves, com vários episódios de vômitos por dia, podem apresentar até ulcerações no dorso da mão pelo uso da mesma para induzir a emese (ação de vomitar), o que se chama de sinal de Russell. Com a evolução do transtorno, a paciente aprende a vomitar sem necessitar mais de estimulação mecânica. Há relatos da ocorrência de bulimia nervosa em frequências relativamente similares na maioria dos países industrializados, incluindo Estados Unidos, Canadá, muitos países europeus, Austrália, Japão, Nova Zelândia e África do Sul. A bulimia nervosa é bem mais comum em indivíduos do sexo feminino do que nos do masculino. Os últimos estão especialmente sub-representados nas amostras que buscam. O risco de suicídio é alto na bulimia nervosa. A avaliação completa de indivíduos com esse transtorno deverá incluir determinação de ideação e comportamentos suicidas, bem como outros fatores de risco para suicídio, incluindo história de tentativas de suicídio. Pacientes com bulimia nervosa apresentariam pensamentos e emoções desadaptativas, autoestima flutuante, sendo comum encontrar aqueles que apresentam atitudes caóticas, não somente no tocante aos hábitos alimentares, mas também em outros aspectos da vida, como os estudos, a vida profissional e as relações amorosas. Para alguns autores os principais aspectos emocionais dos pacientes com anorexia nervosa seriam: baixa autoestima; ansiedade alta, perfeccionismo, pensamento do tipo “tudo ou nada”, incapacidade de encontrar formas de satisfação, alta exigência e incapacidade de ser feliz. Aula 16 – Como a TCC pode ajudar no tratamento; A TCC tornou-se aceita como uma das principais abordagens para o tratamento dos transtornos alimentares. Mas mesmo amplamente utilizada atualmente, esse ainda é um referencial relativamente novo, especialmente no Brasil. A TCC é uma abordagem de intervenção semiestruturada, objetiva, que busca identificar e corrigir as condições que favorecem o desenvolvimento e manutenção das alterações cognitivas e comportamentais. Para este referencial, o sistema de crenças de um indivíduo exerce papel determinante em seus sentimentos. Para os transtornos alimentares, os programas de tratamento da TCC baseiam-se principalmente nas técnicas para a redução da ansiedade, automanejo do comportamento e modificação de cognições desadaptadas. Comparados com a terapia para alguns transtornos - por exemplo, a depressão - os componentes comportamentais dos transtornos alimentares recebem maior ênfase no tratamento. Isto ocorre porque as perturbações comportamentais (como jejuns ou vômitos) são fatores centrais dessas doenças que devem ser controlados. Um dos principais representantes do modelo cognitivo-comportamental para os transtornos alimentares é Fairburn (1991). Sua abordagem relaciona pensamento, emoção e comportamento manifesto, e o tratamento tem como objetivo fazer com que o paciente examine a validade de suas crenças no presente e mude comportamentos disfuncionais. Os processos cognitivos mais frequentes nestes quadros (abstração seletiva, supergeneralização, magnificação, pensamento dicotômico, personalização e pensamento supersticioso) são definidos e examinados cuidadosamente, a fim de modificar os pensamentos e pressupostos automáticos. Por exemplo, esses pacientes tendem a pensar em termos incondicionais e extremos (pensamento dicotômico). Assim, adotam regras dietéticas rígidas e inflexíveis, nas quais pequenos desvios são percebidos como evidência de fracasso e autocontrole pobre e podem ser seguidos de um abandono temporário do domínio sobre a alimentação. Não é raro que eles pensem: "se não estou completamente com o controle, isso significa que perdi todo o controle, que está tudo perdido e que posso então me fartar". Em geral, em vez de perceber que são as regras que estão distorcidas e considerar outras situações em que demonstram bom autocontrole, atribuem as falhas de autocontrole a deficiências pessoais, reforçando, então, a baixa autoestima (Fairburn, 1991). Atualmente, as estratégias sugeridas pela TCC para o tratamento dos transtornos alimentares têm como objetivo a diminuição da restrição alimentar, dacompulsão alimentar, dos episódios bulímicos e da frequência de atividade física, a diminuição do distúrbio da imagem corporal, a modificação do sistema disfuncional de crenças associadas à aparência, peso e alimentação e o aumento da autoestima. O compromisso do paciente com a terapia é o objetivo principal no começo do tratamento e pode ser dividido sinteticamente nos seguintes objetivos: expectativas, intenções e esperança. Salienta-se a importância de construir as expectativas positivas sobre a terapia, tanto sobre o papel (o que é esperado do terapeuta e do paciente) como sobre os resultados. Outro objetivo desta primeira fase consiste no controle da ingestão. Para evitar que o paciente faça o "movimento pendular" de passar de uma dieta restritiva que lhe provoque fome para um episódio bulímico, é indicado um programa alimentar fixo, com técnicas comportamentais, como evitar as situações de estresse, contextos de hábito ou de tentação, geralmente precipitadores dos empanturramentos. A segunda fase é voltada para a reestruturação cognitiva, e consiste em procurar modificar as crenças irracionais que mantêm e reforçam os padrões disfuncionais. Exploram-se então métodos alternativos de solução de problemas. Segundo Fairburn (1991), para estas pessoas os valores e crenças não são apenas sintomáticos, mas essenciais para a manutenção deste transtorno. Dessa forma, modificá-los é pré-requisito para a evolução e recuperação do paciente. Também é fundamental que os pacientes entendam a interação entre seus pensamentos, sentimentos e disfunções de comportamentos. Devem compreender que o peso não é o problema real, mas que outros problemas mais importantes estão dirigindo e mantendo o transtorno alimentar. Por fim, a terceira etapa se preocupa em manter as conquistas das fases anteriores e fazer um plano de prevenção de recaídas, por meio de antecipação e preparação para o enfrentamento de situações de estresse que anteriormente ativavam os padrões disfuncionais. Mas além do seguimento adequado de um plano de tratamento, a TCC considera a qualidade da relação terapêutica, ou seja, o vínculo entre paciente e terapeuta, como fundamental. Já em um primeiro momento é importante deixar claro para o doente que há um interesse autêntico em ajudá-lo, que não se vai enganá-lo e que os sintomas podem ser manejados. 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