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Curso Como Vencer a Obesidade: Mudando a 
cabeça para mudar o corpo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 01 – Introdução à obesidade: definição, causas e impacto na saúde, 
incluindo a relação entre a obesidade e a saúde mental; 
 
Os processos de saúde e adoecimento são influenciados por fatores 
biológicos, psicológicos e sociais. A obesidade é comumente associada aos 
transtornos mentais, como depressão e ansiedade. Esta associação é 
constatada em ambas as direções. Transtornos mentais, como os 
alimentares, a depressão e ansiedade, favorecem o desenvolvimento da 
obesidade, assim como a obesidade aumenta a incidência dos transtornos 
mentais. 
Muitos estudos investigaram a relação entre a obesidade e a depressão. 
Luppino e colaboradores observaram que 55% das pessoas obesas 
possuem maior risco de desenvolverem depressão ao longo da vida, 
enquanto 58% das pessoas deprimidas tendem a se tornar obesas. 
Mas quais seriam os aspectos deste processo mais especificamente 
presentes na obesidade? A obesidade é vista pelo corpo como um 
processo inflamatório, uma vez que o ganho de peso ativa as vias 
inflamatórias e a inflamação ativa citoquinas pró-inflamatórias que 
contribuem para o quadro depressivo. A obesidade, ao desregular o eixo 
hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA), produz um aumento na secreção de 
cortisol, o que provoca oscilações do humor. A obesidade central, 
relacionada principalmente às doenças cardiovasculares, está associada 
diretamente a distúrbios emocionais, pesadelos e uso de antidepressivos. 
Além disso, a medida da circunferência abdominal e o índice de massa 
corporal (IMC) de pessoas com sobrepeso e obesas vêm sendo associados 
à maior probabilidade de sintomas do transtorno depressivo maior, 
moderado e grave. Como já citado, a relação depressão-obesidade é 
bidirecional, e é presenciada principalmente em mulheres. 
Porém, como a associação existente é bidirecional, a obesidade também 
predispõe à depressão e alguns de seus mecanismos são os efeitos 
negativos da autoimagem, os comentários pejorativos sobre o peso e as 
consequências somáticas desta doença. Nos dias atuais, a magreza, para 
os padrões sociais e culturais, é considerada o padrão de beleza. Assim, a 
obesidade pode contribuir para insatisfação corporal e baixa autoestima, 
ambas consideradas fatores de risco para depressão. 
Também a depressão, na maioria dos casos, causa diminuição da 
motivação e da sensação de falta de energia, muda os hábitos alimentares 
e acarreta despreocupação com a saúde da pessoa que a vivencia. O 
indivíduo deprimido realiza menos esportes, seu engajamento em 
atividades físicas é menor, o que favorece o desequilíbrio entre ingestão 
alimentar e gasto calórico. As complicações clínicas podem ser explicadas 
em parte pelo estilo de vida não saudável, presente geralmente nos 
transtornos depressivos e ansiosos e em pessoas obesas. 
A associação entre os demais transtornos mentais e a obesidade revelou 
também uma alta frequência de quadros de ansiedade entre obesos. 
Outros transtornos mentais mais graves tais como os transtornos 
bipolares e os alimentares têm sido menos estudados na sua associação 
com a obesidade, com exceção do transtorno do comer compulsivo (TCC), 
pela sua associação com gravidade nos quadros de obesidade. 
Os transtornos ansiosos são mais prevalentes em pacientes com 
obesidade do que com sobrepeso. Ser diagnosticado com ansiedade 
aumenta a probabilidade deste paciente tornar-se obeso em, pelo menos, 
12 meses. Sabe-se que essa associação se encontra principalmente em 
mulheres, igualmente quando comparada ao transtorno de depressão 
maior. 
O diagnóstico da depressão é feito na presença de uma combinação de 
sintomas, que incluem alterações do sono e apetite, humor depressivo, 
crenças de menos valia e principalmente a falta de interesse e motivação, 
além dos dois sintomas centrais da depressão que são a tristeza (humor 
depressivo, muitas vezes manifesto por choro fácil) e a perda de prazer 
nas atividades que valorizava em sua vida. Diversas queixas físicas, entre 
elas as dores musculoesqueléticas e disfunções sexuais, que podem ser 
consideradas queixas somáticas do sobrepeso, também estão presentes 
na depressão e costumam ser valorizadas em sua possível origem 
orgânica, dificultando a detecção do transtorno mental. 
Da mesma forma, a ansiedade se apresenta por queixas físicas por vezes 
inexplicáveis e por sintomas genéricos como impaciência, irritação e 
inquietação, além da alteração do sono e do apetite. Devido a esta 
mistura com queixas somáticas, é fundamental que seja ativamente 
pesquisada a presença de sofrimento emocional, rastreando-se esses 
sintomas e indagando sobre como o paciente se sente emocionalmente. 
Quanto aos dois transtornos alimentares mais associados à obesidade 
(TCC e BN), em ambos se encontra o consumo excessivo e repetido de 
grandes quantidades de comida, em curto período de tempo, 
acompanhado pela sensação subjetiva de perda de controle, seguidos de 
culpa. Na BN, os episódios de compulsão alimentar provocam 
comportamentos compensatórios inapropriados, como a indução de 
vômitos. Estes comportamentos têm o objetivo de evitar o ganho de peso 
pelo excesso calórico ingerido. 
 
Aula 02 – Compreendendo nossas emoções e comportamentos 
alimentares: como nossas emoções podem afetar nossos hábitos 
alimentares e nos levar a escolhas pouco saudáveis; 
A forma como nos relacionamos com a comida/alimentos está muito 
associada com nossos pensamentos e emoções. Talvez você já tenha se 
sentido muito feliz ou muito triste e aí resolveu comer muito mais do que 
de costume; ou o inverso, perdeu a fome e não comeu ou comeu bem 
menos do que costuma. 
O comportamento alimentar tem duas principais funções: manter a 
quantidade de nutrientes necessárias a nossa sobrevivência (processos 
fisiológicos) e o prazer que o ato de comer nos proporciona, liberando 
neurotransmissores (serotonina e dopamina) responsáveis pelo prazer e 
bem estar. Ambas as funções só podem ser realizadas se houver 
motivação, ou seja, se existir impulsos internos que levem o indivíduo a 
realizar ajustes para se adaptar ao corpo e ao comportamento. 
O hipotálamo tem duas regiões que interferem/regulam a ingestão de 
alimentos, a região lateral e a ventromedial. 
 A região lateral está relacionada com o centro da fome e uma lesão nessa 
área faz com que a pessoa não sinta fome e perca peso constantemente. A 
região ventromedial está relacionada com a saciedade e uma lesão nessa 
área faz com que a pessoa coma compulsivamente, nunca atingindo a 
saciedade. 
Todas as regiões do hipotálamo estão sob a influência do Sistema Límbico, 
e qualquer alteração nesse sistema interfere na fome. 
 
Pesquisas demonstram que lesões no núcleo amidalóide (localizado no 
Sistema Límbico) provocam alterações na ingestão de alimentos. 
Dependendo da área lesionada pode ocasionar um aumento ou inibição 
na ingestão. O principal efeito das lesões no núcleo amidalóide é a 
“cegueira psíquica”, na qual o indivíduo perde controle sobre o tipo e a 
quantidade de alimento ingerido, isso acontece com pacientes com lesões 
nessa área que se tornam menos seletivos e ingerem alimentos que antes 
não suportavam. 
Mas qual a função da fome? 
Fisiologicamente, a fome sinaliza quando é necessário ingerir alimentos, a 
fim de promover o aporte de energia e nutrientes necessários para a 
sobrevivência do organismo. Contudo, atualmente essa palavra passou a 
ter uma nova conotação. A comida sempre foi parte essencial das relações 
humanas, estando associada com momentos de confraternização e com 
sensações prazerosas, tendo um papel importante na cultura de uma 
população. Dessa forma, muito mais que o aporte nutricional, a busca por 
alimento passou a ser uma estratégia para buscar conforto e sensações 
agradáveis, por essa razão esse comportamento pode ser diretamente 
influenciado pelo estado emocional do indivíduo.Aula 03 – O que é uma alimentação emocional? 
Esse tipo de fome busca a ingestão de alimentos a fim de suprir 
necessidades psicológicas, promovendo uma necessidade repentina de 
comer algo específico que, muitas vezes, não resulta na sensação de 
saciedade após sua ingestão. Os alimentos desejados normalmente são 
fontes de carboidratos simples e, ao serem ingeridos, promovem aumento 
da glicose (açúcar) na circulação sanguínea, o que pode gerar a sensação 
de prazer e a compensação das decepções, tristezas, inquietações, perdas 
e ansiedade. Mas, por que isso acontece? 
Sentimentos negativos como frustração, ansiedade, raiva, cansaço, tédio, 
tristeza, depressão e baixa autoestima, promovem o estresse, alterando o 
humor e afetando o comportamento alimentar. Esse estresse emocional 
contribui para o aumento do apetite e da ingestão de alimentos, uma vez 
que propicia uma justificativa para a necessidade de recompensa, como, 
por exemplo em situações que pensamos: “hoje foi difícil, eu mereço”, ou 
“estou muito estressada, mereço um chocolate”. No entanto, quando 
cedemos a esses pensamentos com frequência surgem os sentimentos de 
culpa, que agravam ainda mais os quadros de estresse e ansiedade. Ainda, 
as alterações no comportamento alimentar - como motivação para 
comer, ingestão além das necessidades diárias do organismo, escolha de 
alimentos, bem como digestão e metabolismo - favorecem o ganho de 
peso corporal - fator que agrava ainda mais os quadros de baixa 
autoestima, depressão e compulsão alimentar. 
Alguns alimentos possuem nutrientes capazes de estimular o hipotálamo – 
região cerebral que modula a síntese e liberação de hormônios e 
neurotransmissores relacionados com a regulação do apetite e humor, 
promovendo diversos efeitos que se assemelham ao uso de 
medicamentos que atuam no sistema nervoso central. Por exemplo, a 
ingestão de carboidratos aumenta a liberação de insulina que, por sua vez, 
facilita a passagem do aminoácido triptofano para o cérebro, favorecendo 
a síntese de serotonina, hormônio responsável por regular o humor e a 
promover sensação de bem-estar. Já a ingestão de açúcar com gordura – 
combinação presente nos alimentos utilizados para saciar a fome 
emocional – estimula a síntese de dopamina e noradrenalina, que 
melhoram o estado de humor e motivação, além de reduzir os 
sentimentos associados à ansiedade e depressão. 
Uma pessoa faminta emocionalmente deseja alimentos peculiares, como 
doces e carboidratos. Tais desejos são imediatos, como se essas opções 
fossem as únicas capazes de saciar sua fome. 
Já ao sentir fome física, o organismo se satisfaz com alimentos variados, 
incluindo os mais saudáveis, como frutas, grãos ou proteínas. Por isso é 
tão importante diferenciar o que é fome e o que é alimentação por 
aconchego (fome emocional) quando o sintoma de ansiedade aparece 
disfarçado de sorvete ou frituras – principalmente se ele surge quando 
você acabou de fazer uma refeição. 
Enquanto fome física é sentida no estômago, com fincadas ou barulhos 
característicos que começam aos poucos e aumentam gradualmente. 
Normalmente, a fome emocional induz à ingestão mais rápida, sem 
degustar, sem apreciar a comida direito. É comer compulsivamente. Além 
de comer rápido, sem pensar, e de exagerar na dose, este imediatismo 
leva a escolhas pouco nutritivas, mais práticas e nada saudáveis, podendo 
gerar culpa logo após a ingestão. 
 
 
 
Aula 04 – O que liberamos quando comemos: explorando as emoções que 
estão por trás da comida e como essas emoções afetam nossos hábitos 
alimentares; 
Quem nunca sentiu aquela sensação de prazer instantânea ao saborear 
um chocolate? 
Pode acreditar: não é lenda dizer que a alimentação pode afetar 
diretamente o nosso humor. E mais: muitas vezes, o bem-estar 
proporcionado pelos alimentos não vem apenas do sabor que agrada o 
paladar. A explicação para isso é muito mais científica do que parece. 
Alguns alimentos têm nutrientes capazes de aumentar a produção de 
quatro neurotransmissores: dopamina, serotonina, endorfina e ocitocina. 
Os neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelos 
neurônios que auxiliam o cérebro na realização de suas funções, 
transmitem os impulsos nervosos e causam as sensações de prazer e bem 
estar. 
Como os hormônios da felicidade funcionam e o que comer para ativá-los 
Os hormônios da felicidade não estão disponíveis o tempo todo – mesmo 
porque, em excesso, essas substâncias podem causar diversos problemas, 
desde diarreia e tremores e até comportamento agressivo. 
Dessa forma, depois de cumprir seu papel, eles param de ser liberadas. E 
para que elas voltem a agir, é preciso fornecer um novo estímulo, que 
varia para cada uma dessas substâncias. 
A boa notícia é que existem formas de ativar esses hormônios de maneiras 
simples e naturais, como dando preferência a determinados tipos de 
alimentos. Saiba mais sobre cada um deles: 
1. Endorfina 
As endorfinas são um conjunto de substâncias que têm uma estrutura 
química similar à da morfina e funcionam como analgésicos naturais, além 
de conferir uma sensação de euforia discreta. 
Com isso, as endorfinas nos deixam mais dispostos e aumentam nossa 
tolerância à dor, como as dores musculares depois de um exercício físico 
intenso. Inclusive, uma das melhores formas de estimular a liberação 
desse neurotransmissor é por meio dos exercícios, mas também vale 
cantar, dançar ou trabalhar em equipe. 
O que comer para ativar a endorfina: esse neurotransmissor é estimulado 
pelo consumo de alimentos picantes e ricos em capsaicina, como pimenta-
malagueta, pimenta-dedo-de-moça, pimenta-caiena, jalapeño e chili. 
2. Serotonina 
O papel da serotonina no cérebro é promover o bem-estar e o 
relaxamento, que estão intimamente ligados à sensação de felicidade e 
tranquilidade. A insuficiência da serotonina (junto com a de dopamina) é 
um dos principais mecanismos bioquímicos por trás da depressão e da 
ansiedade. 
A liberação da serotonina acontece quando você se sente valorizado ou 
importante e logo após uma atividade que seja fonte de prazer – seja ter 
uma relação sexual, dar risada com os amigos ou comer seu prato 
preferido. 
O que comer para ativar a serotonina: além do seu prato preferido, é 
importante consumir alimentos ricos em triptofano, pois esse aminoácido 
é um precursor dessa substância. Portanto, invista em laticínios, lentilha, 
feijão, grão-de-bico, aveia, centeio, nozes, castanhas, banana, abacate, 
frutas secas, brócolis, espinafre e chocolate amargo. 
3. Dopamina 
A dopamina está muito ligada à motivação, ou seja, aquilo que nos faz 
perseguir um objetivo – e ela é liberada quando damos o primeiro passo e 
quando atingimos aquilo que desejávamos, seja conquistar uma promoção 
no trabalho ou entrar em uma calça antiga. 
Por isso, podemos dizer que a dopamina tem um lado viciante, pois 
sempre nos incentiva a buscar novas recompensas – por outro lado, sem 
ela, fica muito mais difícil seguir nossas próprias metas. 
O que comer para ativar a dopamina: não há um alimento específico que 
estimule a liberação dessa substância, pois isso depende dos gostos de 
cada um. Dessa forma, aquela pizza no sábado à noite depois de fazer 
dieta a semana toda vale tanto quanto os alfaces que você mesmo 
cultivou – desde que eles representem uma recompensa pelo seu esforço. 
4. Ocitocina 
Conhecida com o hormônio do amor, a ocitocina é responsável pelos 
vínculos que estabelecemos com as pessoas – por isso ela tem tanta 
importância na hora do parto e da amamentação, facilitando a conexão 
entre a mãe e o bebê. 
Inclusive, defende-se que esta é a substância mais importante entre os 
quatro hormônios da felicidade, pois, sem ela, não conseguimos 
estabelecer relações de confiança. 
Para elevar o nível de ocitocina, o melhor a fazer é ter contato com 
pessoas próximas, trocar presentes e até mesmo dar um abraço em 
alguém querido. 
O que comer para ativar a ocitocina: novamente, não existem alimentosespecíficos para estimular a produção desse hormônio. Em vez disso, o 
que vai funcionar é fazer uma refeição com pessoas queridas e comer 
aquele prato que só a sua mãe sabe fazer, evocando sua memória afetiva. 
 
Aula 05 – Por que se alimentar tem a ver com prazer e como a 
alimentação influencia nas emoções; 
A comida é vista por muitos como algo que vai além da sobrevivência. 
Provar novos sabores, seja em uma visita a um restaurante ou no preparo 
de uma refeição em casa, é também uma fonte de satisfação e lazer. Há 
partes do cérebro que identificam mensagens de recompensa - 
especialmente ao comer alimentos ricos em gordura e açúcar. E mais de 
uma década de pesquisa psicológica sugere que qualquer comportamento 
recompensado provavelmente se repetirá.1 É assim que surge a 
alimentação emocional - quando as pessoas usam a comida como uma 
forma de lidar com os sentimentos, em vez de saciar a fome. 
O que é a alimentação emocional ou fome emocional? 
Existem diversos fatores que podem interferir nos sinais e sintomas 
normais da fome - como aspectos genéticos, questões de saúde física e 
mental e até influências do meio ambiente. A alimentação emocional é 
quando uma pessoa come mesmo sem fome, em resposta ao 
aparecimento de emoções específicas. 
A comida se torna uma fonte imediata de conforto emocional para lidar 
com sentimentos difíceis, como angústia, vergonha, raiva e estresse. Essa 
associação entre a comida e o conforto ficam programados no cérebro, o 
que desencadeia a fome emocional toda vez que alguns sentimentos 
aparecem. 
No entanto, a alimentação emocional não é a solução para os problemas 
da vida, de forma que esse sistema de recompensa funciona apenas 
temporariamente. Em longo prazo, causa descontrole alimentar e ganho 
de peso, que por sua vez podem agravar os sentimentos ruins ao trazer a 
sensação de frustração e fracasso. 
Nem sempre a fome emocional está relacionada a sentimentos negativos, 
pode estar ligada a sentimentos positivos como o amor, em que se 
saboreia uma sobremesa de Dia dos Namorados ou a celebração de um 
banquete aos finais de semana. 
Recompensa alimentar: por que a comida proporciona sensação de 
prazer? 
A fome emocional se baseia em um sistema de recompensa alimentar, 
que envolve diversos mensageiros químicos do organismo, como a 
serotonina e a dopamina, substâncias neurotransmissoras relacionadas à 
sensação de bem-estar, prazer e felicidade. 
Composição do sistema de recompensa 
 O sistema de recompensa alimentar é composto por três 
componentes: 
 O componente hedônico (liking), a motivação / incentivo (wanting) e 
a aprendizagem (learning). 
 Hedônico (liking): representa, por exemplo, a antecipação do prazer 
que um indivíduo tem em comer um alimento de elevada palatabilidade. 
 Motivação (wanting): ocasionada pelos sinais de recompensa que o 
indivíduo tem em comer um alimento, levando-o a buscar mais alimentos 
de alta palatabilidade e densidade calórica. 
 Aprendizado (learning): significa o indivíduo repetir o ato, até ficar 
habitual sua busca por esses alimentos. 
Como reconhecer comportamentos da alimentação emocional? 
É preciso, inicialmente, identificar o que desperta o desejo de comer e se 
houve alteração no padrão de alimentação. Algumas perguntas podem 
guiar esse processo, como por exemplo: 
 ✓ Estou comendo porções maiores do que antes? 
 ✓ Estou me alimentando em horário incomuns? 
 ✓ Sinto uma perda de controle em relação a minha alimentação? 
 ✓ Houve algo em minha vida recentemente que eu estou tendo 
dificuldades de lidar? 
 ✓ Estou me sentindo ansioso(a) em relação a algo ou alguém? 
 ✓ Outras pessoas da minha família utilizam a comida como fonte de 
conforto? 
 ✓ Estou com sobrepeso ou houve alguma alteração considerável em 
meu peso recentemente? 
 ✓ Estou buscando saciar um desejo forte por texturas, gostos e cheiros 
específicos? 
 ✓ Estou buscando conforto e prazer nos alimentos? 
 
 
Aula 06 – Alimentação saudável e prazerosa: é possível equilibrar uma 
alimentação saudável com o prazer de comer? 
Começar uma dieta com o intuito de emagrecer pode ser um grande 
desafio. Isso porque alguns hábitos devem ser mudados. Entretanto, a 
alimentação saudável representa muito mais do que somente um 
caminho para perder peso. Na verdade, nutrir-se com equilíbrio e fazer 
escolhas alimentares conscientes ajuda a melhorar a qualidade de vida e 
prevenir uma série de complicações de saúde. Além disso, a nutricionista 
Fernanda Dal’ Mora explica que é possível encontrar prazer na dieta e 
pontua dicas de alimentação saudável para que o processo seja leve. 
Acima de tudo, a profissional defende que para ter uma vida saudável, é 
necessário uma relação feliz e prazerosa com a comida. “O prazer de 
comer não deveria nos deixar com culpa. Liberte-se do ‘peso das dietas’”, 
destaca. 
Também vale entender que os alimentos significam muito mais do que 
apenas calorias em um prato. Eles esbarram, sobretudo, em questões 
sociais e afetivas que vão além da necessidade básica de consumir 
determinados nutrientes. Assim, as experiências prazerosas 
proporcionadas, muitas vezes, por meio de um alimento, não devem ser 
descartadas. Mas Fernanda ressalta a importância de se auto-observar 
para não utilizar a comida como um refúgio, servindo de reforço para a 
fome emocional. 
Dicas de alimentação saudável 
Na maioria das vezes, a motivação não é suficiente para manter a dieta 
em dia. Isso porque existe um longo processo de mudanças para que a 
alimentação saudável se torne um hábito natural. Fernanda aponta 
algumas dicas que podem facilitar essa trajetória rumo a uma vida mais 
saudável e equilibrada: 
1. Entenda que é um processo 
Em primeiro lugar, a nutricionista reforça a importância de entender que a 
alimentação saudável é um processo. Por isso, é necessário paciência, 
muito foco, determinação e constância. “Fuja dos terrorismos alimentares 
e busque prazer em se alimentar bem”, reforça. 
2. Procure um bom profissional 
Antes de começar uma dieta, busque um bom profissional. É necessário 
que o especialista entenda quais são os seus objetivos e as melhores 
estratégias para alcançá-los. Tudo isso de forma individualizada e com 
bastante escuta. 
3. Identifique os seus gatilhos 
“Tente identificar os gatilhos físicos e emocionais que têm te atrapalhado 
no processo. A partir dessa identificação ficará mais fácil alcançar seus 
objetivos”, comenta. 
4. Escolha uma atividade física 
Você não precisa passar horas na musculação ou se aventurar em aulas 
de crossfit se não quiser. O importante é encontrar uma atividade física 
que te dê prazer. Assim, além de cuidar da saúde do corpo, você se sente 
mais motivado a continuar o processo. 
5. Cuide do seu sono 
Outro aspecto importante e, por vezes, negligenciado, é o sono. Fernanda 
ressalta a necessidade de um sono reparador para ter sucesso no processo 
de emagrecimento. 
6. Dicas de alimentação saudável: Organize-se 
Além disso, criar uma rotina alimentar e anotar as suas metas e afazeres 
para o dia também é interessante para manter-se focado. 
7. Faça o seu melhor! 
“Nunca se esqueça: faça o seu melhor. Mesmo que a perda de peso da 
balança não seja tão rápida, você estará melhorando sua qualidade de 
vida!”, declara a profissional. 
Prazer na dieta: preciso tirar todos os alimentos que gosto? 
É preciso excluir todos os alimentos gostosos, por exemplo, chocolate, 
hambúrguer e pizza, para ter sucesso na dieta? Essa é uma dúvida 
recorrente nas consultas da nutricionista, mas ela explica que cada 
estratégia é individualizada e pautada conforme o objetivo do paciente. A 
melhor estratégia é não praticar o terrorismo alimentar. “Nenhum 
alimento sozinho será capaz de prejudicar o processo de emagrecimento”, 
diz. 
Como encontrar equilíbrio no processo? 
Viagens, restaurantes, bares, festas com amigos. A comida faz parte da 
maioria dos momentosde socialização e, durante uma dieta, pode ser 
difícil saber como conciliar esses períodos e encontrar equilíbrio. 
Não é preciso recusar todos os convites para sair ou passar vontade nos 
lugares. Na verdade, a nutricionista defende que a organização facilita 
esses momentos “fora da dieta”. “A beleza da alimentação equilibrada e 
organizada é que ela pode ser flexível e, mesmo assim, dar um ótimo 
resultado”, afirma. 
 
Aula 07 – Estilo de vida e hábitos alimentares: alimentação saudável, 
atividade física e hábitos de sono; 
Vamos falar sobre o tripé da longevidade? Sono, alimentação e exercícios. 
Sono, alimentação balanceada e exercícios físicos são os três elementos 
que compõem a pirâmide da qualidade de vida, sendo essenciais para 
uma vida saudável. Por isso, devem ser mantidos em equilíbrio. 
Grande exemplo disso é que, se você se alimenta mal, e não pratica 
atividades físicas, sua noite de sono pode ser prejudicada. Quando os três 
elementos andam juntos, a disposição aumenta e todas as áreas da vida 
podem colher benefícios. Afinal, corpo são, mente sã. 
Por esse motivo, é importante focar na melhora constante de cada um 
destes pilares. Neste momento, vamos explicar a importância do equilíbrio 
entre eles e como trabalhá-los em harmonia. 
A importância de ter uma boa noite de sono 
É muito comum que, com a rotina diária de trabalho, muitas pessoas 
durmam mal durante a semana, tentando compensar o sono atrasado aos 
sábados e domingos. Porém, uma noite mal dormida pode afetar 
negativamente no bom funcionamento do organismo, principalmente em 
recorrência. Então, não espere o fim de semana para colocar seu sono em 
dia: esse plano é ineficaz. 
O sono é o momento no qual o corpo entra em repouso e renova as 
energias para o próximo dia. Mesmo durante uma noite de sono, o 
organismo continua trabalhando. Exemplo disso é que, enquanto 
dormimos, os tecidos corporais são reparados e as toxinas acumuladas 
durante o dia são eliminadas do corpo. 
Existem duas fases do sono: o profundo e o ativo (REM). O nosso cérebro 
é o responsável por determinar quanto tempo passamos em cada uma 
dessas fases – considerando o estado emocional, físico e a alimentação de 
cada pessoa. 
O sono é um hábito natural e, por isso, não estamos acostumados a 
pensar com afinco nos benefícios que traz. Contudo, dormir bem ajuda a 
prevenir obesidade, diminui a resistência do corpo à insulina, fortalece a 
memória e melhora o condicionamento físico. 
O que é o ciclo circadiano? 
Ciclo circadiano é o nome dado ao ritmo em que o organismo realiza suas 
funções ao longo de um dia. Embora ele também se relacione a fatores 
como temperatura e atividade física ou social, o elemento que exerce 
maior influência no ciclo circadiano é a luz. 
Assim, o ciclo circadiano é diretamente ligado ao dia e à noite e se 
manifesta em plantas e animais de diferentes espécies. Entre as pessoas, o 
ciclo circadiano coordena os sistemas mentais e físicos. 
De forma resumida: a claridade do amanhecer estimula a liberação de 
cortisol, o hormônio que nos deixa despertos. Ao anoitecer, inicia-se a 
produção de melatonina, o hormônio que induz ao relaxamento e ao 
sono. Entre os dois polos, encontramos nossos picos de energia e de 
cansaço. 
 
Quando alinhado à rotina, o ciclo circadiano permite a produção hormonal 
adequada e o sono consistente e reparador. Consequentemente, ele tem 
impacto positivo na saúde física e mental. 
A duração do ciclo de sono-vigília pode variar de acordo com a idade. Os 
bebês têm uma necessidade de horas diárias de sono muito superior à dos 
idosos, por exemplo. 
Relação entre sono e saúde mental 
O sono é necessário para funções cognitivas e comportamentais 
adequadas. A falta de sono pode incapacitar a capacidade de tomar 
decisões, concentrar e processar informações e causar lapsos de atenção 
e mudanças de humor. Diferentes faixas etárias precisam de várias horas 
de sono por noite para manter um estilo de vida saudável. Quanto mais 
jovem o ser humano, maior é a necessidade de sono. 
A National Sleep Foundation, América, recomenda as seguintes horas de 
sono diário para diferentes faixas etárias. 
Faixa etária: horas de sono recomendadas: 
0-3 meses  14-17 horas 
4-11 meses 12-15 horas 
1-2 anos  11-14 horas 
3-5 anos 10-13 horas 
6-13 anos  9-11 horas 
13-17 anos  8-10 horas 
18-25 anos  7-9 horas 
65 anos e mais 7-8 horas 
Além disso, a falta de sono tem sido associada a um risco aumentado de 
várias condições médicas, como obesidade, diabetes, doenças cardíacas, 
derrame, problemas de saúde mental e até morte prematura. 
Recupere o sono 
Todos nós sabemos e já experimentamos como o sono afeta nosso humor. 
Nós nos sentimos mentalmente cansados, nossa consciência situacional 
fica fraca e ficamos irritados. Provavelmente, o idioma “acordou do lado 
errado da cama” surgiu por causa desses aspectos comportamentais. Mas 
tudo isso é diversão e brincadeira até que a privação do sono se torne 
uma parte regular de sua vida. 
O sono afeta nossa saúde mental e emocional e, portanto, está 
relacionado a condições graves, como depressão, ansiedade, etc. O sono e 
a saúde mental compartilham uma relação recíproca. Os transtornos 
mentais dificultam que uma pessoa durma bem e a falta de sono piora a 
condição. A situação também pode ser diferente. Um horário de sono 
adequado ajuda a manter as doenças mentais sob controle e pode ajudar 
durante o processo de recuperação. 
Tanto o sono quanto a saúde mental são questões complexas afetadas por 
uma infinidade de fatores, mas, dada sua estreita associação, é plausível 
acreditar que manter a higiene do sono tem um impacto positivo na saúde 
mental e pode ser um componente da recuperação de doenças 
psiquiátricas. 
Dicas para manter a higiene do sono 
1. Aumente sua exposição à luz do dia 
A exposição regular à luz solar ajuda nosso corpo a manter um 
cronômetro eficiente de 24 horas próprio, chamado ritmo circadiano. Ela 
afeta o cérebro, o corpo e os hormônios, mantendo um cronograma 
oportuno de quando acordar e quando é hora de dormir. A luz forte 
mantém o ritmo circadiano saudável, melhorando a energia diurna e 
afirmando um sono de qualidade à noite. 
2. Limitar a exposição da tela após o pôr do sol 
Novamente, isso tem a ver com o ritmo circadiano. As telas eletrônicas 
emitem uma luz azul especial que faz com que o cérebro pense que ainda 
é dia. Usar óculos ou instalar filtros de lente azul nos dispositivos é uma 
forma de resolver a situação, mas é melhor evitar a visualização de telas 
pelo menos uma hora antes de dormir. 
3. Controle a vontade de tirar cochilos durante o dia 
Tirar cochilos curtos de 15 a 20 minutos durante o dia é considerado 
benéfico para o corpo e a mente. No entanto, cochilos mais longos do que 
isso durante o dia interferem na sua noite de sono. Isso pode confundir 
seu relógio interno, fazendo com que você tenha dificuldade em dormir à 
noite. 
4. Crie a atmosfera 
A atmosfera do quarto é um fator chave na qualidade do sono. A 
temperatura ambiente, a posição e o posicionamento dos itens, a 
disposição geral, a luz e o ruído externos compõem todo o clima. 
Otimizar o ambiente onde você dorme pode ter resultados 
surpreendentes. Minimize os distúrbios externos e as luzes artificiais dos 
dispositivos eletrônicos. Tente manter a temperatura ambiente agradável. 
Certifique-se de que seu colchão e travesseiro estejam pessoalmente 
confortáveis. E lembre-se de sempre tirar o pó da cama antes de dormir. 
5. Aumente seu consumo de melatonina 
A melatonina é um hormônio indutor do sono produzido no corpo quando 
ele começa a escurecer. No entanto, o estilo de vida atual interrompe seu 
ciclo de produção. O consumo de alimentos ricos em melatonina, como 
cereja azeda, nozes, banana, aveia, gengibre, etc. por pelo menos 2 horas 
antes de dormir pode ajudá-lo a dormir melhor. 
6. Evite cafeína e álcool no final da noite 
O que comemos e quando comemos têm um efeito diretoem nossos 
corpos. A cafeína bloqueia os receptores que se ligam à proteína indutora 
do sono. Estimula o sistema nervoso, dificultando que você durma quando 
quiser. 
O álcool dificulta a produção do hormônio do sono em seu corpo e é uma 
causa comprovada de sintomas de apneia do sono e padrões de sono 
interrompidos. Em uma escala maior, ele instiga a produção noturna de 
melatonina, atrapalhando o ritmo circadiano do corpo. 
Benefícios de manter uma boa alimentação 
Uma alimentação balanceada oferece os nutrientes, fibras e antioxidantes 
necessários para o bom funcionamento do organismo. Por esse motivo, é 
importante equilibrar a alimentação e consumir cada componente 
nutricional na quantidade certa. 
Um prato colorido e nutritivo proporciona melhora no funcionamento do 
sistema imunológico e dos intestinos. Além disso, eleva a qualidade de 
sono, humor, metabolismo e concentração. 
Lembre-se: a rotina alimentar está diretamente ligada à saúde e bem-
estar físico e mental. Quanto mais saudável for, o corpo fica menos 
propenso ao surgimento de doenças. 
Alimentação e depressão 
Um estudo publicado na BMC Medicine, dos Estados Unidos, mostrou que 
os sintomas de pessoas com depressão moderada a severa diminuiram 
após 12 semanas de uma alimentação mais saudável. De fato, a melhora 
foi tanta, que 32% dos participantes atingiram o critério de remissão 
(momento em que a doença deixa de avançar ou de apresentar sinais). 
O nosso cérebro precisa de certas vitaminas para funcionar normalmente. 
Ao privá-lo destes nutrientes por muito tempo é provável que um 
indivíduo comece a experimentar uma série de problemas neurológicos e 
emocionais. Esses nutrientes, são responsáveis por auxiliar na produção 
de alguns neurotransmissores – que realizam a comunicação entre os 
neurônios – como serotonina e dopanima, diretamente relacionados ao 
humor. 
Pratique exercícios físicos 
É sempre importante frisar que a prática regular de atividades físicas é 
essencial para manter o bom funcionamento do organismo – inclusive em 
tempos de distanciamento social. Esse hábito oferece inúmeros 
benefícios, que vão além da perda de peso e prevenção de doenças. 
Os exercícios físicos também podem influenciar na concentração, humor e 
na qualidade do sono. 
Quando praticamos atividades, nosso organismo se transforma em uma 
fábrica de substâncias químicas; entre elas estão os neurotransmissores. 
Sendo assim, em poucos minutos, a serotonina, endorfina e noradrenalina 
– hormônios responsáveis pela estabilização do humor – começam a 
correr pelo corpo. 
Além dos benefícios hormonais, da aceleração de metabolismo e gasto 
calórico durante os exercícios, os vasos capilares se dilatam, 
proporcionando melhor oxigenação do sangue, já que o coração bate mais 
rápido. Tais fatores proporcionam sensação de bem-estar físico e mental. 
Independente da atividade física que você pratique, haverá muitos 
benefícios. . Exercícios de alongamento, que trabalham a flexibilidade 
muscular, por exemplo, são benéficos para uma boa noite de sono, já que 
tranquilizam o corpo e o deixam mais relaxado. Os aeróbicos melhoram o 
condicionamento físico e o funcionamento do sistema cardiorespiratório. 
Quer ter uma vida longa e saudável? Então, não abra mão de nenhum 
desses pilares – aliás, estimule-se a perseguir a excelência em cada um 
deles. 
A importância dos exercícios físicos na saúde mental 
Na saúde mental, a história é parecida. A atividade física regular não reduz 
apenas medidas. Ela melhora a capacidade cognitiva, reduz os níveis 
de ansiedade e estresse, fornece mais energia e aumenta autoestima. 
Além disso, os movimentos motores realizados durante as atividades 
liberam endorfinas no cérebro. Apesar de ser popularmente conhecida 
como o hormônio da felicidade, a endorfina traz muitos outros benefícios, 
como: 
 Melhora da memória 
 Elevação do humor 
 Aumento da disposição física e mental 
 Melhora da concentração 
 Fortalecimento o sistema imunológico 
 Alívio de dores e tensões musculares 
 Melhor qualidade do sono 
A serotonina, neurotransmissor responsável pelo bom humor e regulação 
do sono, entre outras funções, também é liberada. 
Todos esses fatores exercem impactos positivos em diversos transtornos 
mentais, como a ansiedade, a depressão, a síndrome do pânico e o déficit 
de atenção e hiperatividade (TDAH). 
O papel dos exercícios físicos no tratamento de transtornos mentais 
Acredita-se que as atividades físicas combatam aspectos específicos dos 
transtornos mentais, podendo, dessa forma, catalisar o tratamento 
psicológico. Para exemplificar lembre-se ou, se nunca teve o hábito de 
praticar exercícios, visualize você mesmo executando movimentos. 
É comum, neste momento, que a nossa atenção esteja plena no que 
estamos fazendo. Caso contrário, acaba-se lesionando algum músculo ou 
agravando desvios posturais. Com a mente ocupada com o exercício, 
temos uma folga de nossas preocupações e emoções negativas. É por isso 
que muitas pessoas utilizam o exercício físico como uma forma de 
terapia. 
A sensação de controle é outro aspecto que contribui para o tratamento 
de transtornos mentais, pois normalmente a pessoa com um distúrbio 
acredita que não possui controle sobre a própria mente e corpo. Com a 
prática contínua, começa a construir mais segurança em si mesma. 
Outra explicação bastante simples de entender é a quebra de rotina. A 
depressão, a ansiedade, o pânico, o transtorno de estresse pós-traumático 
e o estresse crônico são paralisantes. Eles conseguem nos manter 
estagnados, com medo de tudo e de todos, mas, principalmente, de 
situações novas. 
Ao deixar a segurança do lar para praticar uma atividade física ou um 
esporte, é possível quebrar esse ciclo de estagnação. Para a pessoa com 
transtorno mental, são esses pequenos passos dados em direção à 
recuperação que contribuem para a sua qualidade de vida e felicidade. 
A atividade física também possui papel importante na prevenção 
de doenças variadas que debilitam o corpo e a mente. 
 
 
 
Aula 08 – Fome emocional: por que descontamos sentimentos na comida; 
O alimento está poderosamente conectado com as emoções. A pessoa 
come o que gosta, o que sua cultura prescrito, mas também existe 
marcante influência das emoções. 
O contato bucal com o seio é a primeira conexão de prazer do bebê com o 
mundo. Para muitas pessoas, o simples fato de pensar em um prato 
favorito evoca associações que combinam imagens, emoções, sentidos e 
memória numa mistura onde é quase impossível separar os diferentes 
componentes. 
Muitas pessoas que tentam mudar seus hábitos alimentares, mas 
pensando apenas na mudança em bases racionais, caem numa armadilha, 
pois a alimentação tem significados que vão bem além da mera função 
nutritiva; ela pode, por exemplo, representar um “prazer imediato” e, 
portanto, servir para aliviar e compensar sentimentos tidos por negativos, 
como tristeza, angústia, ansiedade e medo. É frequente percebermos o 
uso de determinados alimentos (sobretudo doces) com a finalidade de 
mitigar conflitos existenciais que a pessoa considera insolúveis. Desta 
forma, o alimento pode ser um condutor de afeto, mas torna-se problema 
quando está substituindo confrontos, rejeições etc. 
Somos habituados a pensar em comida durante quase todas as horas, 
todos os dias. Nos fins de semana, almoçar ou jantar fora é programa 
familiar quase obrigatório para as famílias de todas as classes sociais. 
Comer não é somente uma questão de subsistência, é um programa 
social, que revela costumes, posição sócio-econômica, psicologia, 
educação. 
As mulheres, muito ou pouco restritivas do ponto de vista alimentar, têm 
preocupações gerais com relação aos seus corpos e aos tipos de alimentos 
que consomem. Gattellari & Huon (1997) estudaram o hábito alimentar de 
41 mulheres jovens que costumavam fazer dieta, tendo observado que: 
 1) as comidas tidas como “proibidas” foram associadas com maior prazer, 
sociabilidadee relaxamento do que as comidas “permitidas”, mas também 
se mostraram mais carregadas de culpa e ansiedade. As comidas 
“proibidas” foram consideradas menos saudáveis, mais promotoras de 
doenças e associadas com sofrimento maior do que as comidas 
“permitidas”. Isto poderia, segundo as autoras, refletir o fato de que 
comidas “proibidas” (e frequentemente mais calóricas) tendem a produzir 
desconforto físico, especialmente se consumidas em grandes quantidades, 
ou o fato de que comer alimentos “proibidos” causa angústia em 
mulheres que sentem que necessitam “comer lightly” 
O significado da alimentação: 
 Contato bucal com o seio: primeira conexão de prazer do bebê com 
o mundo; 
 Comer é sinônimo de crescer, ficar forte e saudável; 
 As refeições são associadas a união, cuidado e carinho; 
 A alimentação tem significados que vão além da função nutritiva; 
 A alimentação é o “prazer imediato”; 
 Serve para aliviar e compensar sentimentos como tristeza, angústia, 
ansiedade e medo. 
 
 
Aula 09 – Bloqueios mentais que impedem seu emagrecimento; 
Emagrecer e ter uma vida saudável é um objetivo muito buscado, porém 
para se ter êxito, a disciplina vai muito além dos planos alimentares e dos 
exercícios constantes. Os inimigos ocultos na mente são os principais 
vilões de quem tenta alcançar a meta do emagrecimento. Conjunto de 
pensamentos, sentimentos, padrões de fala, de crenças limitantes e 
hábitos que são realizados de forma inconsciente, são os principais fatores 
que atrapalham esse processo. Por fazer parte de atitudes impensadas, é 
difícil identificar, ou perceber a real armadilha que eles produzem. 
O nosso cérebro possui dois sistemas: o racional e o emocional. O 
primeiro representa escolhas conscientes, é a razão, e traz uma 
recompensa tardia positiva. Quando ele é dominante, o emagrecimento 
acontece sem sofrimento. Já o segundo, de acordo com a neurociência, 
representa o emocional e as escolhas que fazemos são feitas a partir das 
emoções. Nesse sistema, a emoção domina tudo e traz uma recompensa 
de prazer imediato de satisfação ao comer, mas gera uma recompensa 
tardia desastrosa. 
Existem diversas atitudes que podem levar alguém que está acima do 
peso a sabotar o emagrecimento. Todas estão dentro da mente, e acabam 
acontecendo sem que a própria pessoa se dê conta. Já foram descobertos 
23 sabotadores do emagrecimento, porém a grande questão é saber o 
quão presentes eles estão na vida de cada pessoa. Um exemplo claro de 
um sabotador que pode ser desenvolvido já na vida adulta é o de uma 
mulher que está casada há anos e, de repente, se separa, após a 
descoberta de uma traição. Esse fato se torna um gatilho mental capaz de 
trazer à tona o desejo de nunca mais se entregar para nenhum homem, 
por acreditar que todos serão absolutamente iguais. Com isso, passa a 
utilizar a comida como refúgio de sentimentos e como forma de afastar-se 
dos homens, engordando para não ser desejada por eles, mesmo de 
forma inconsciente. 
Esses autossabotadores dialogam com as pessoas o tempo todo. O 
processo nada mais é do que um sistema de defesa utilizado para 
sobreviver aos desafios da vida. Isso acontece desde a infância, quando a 
criança aprende a manter sua zona de segurança. É comum usar essas 
"defesas" para lidar com os desafios da vida, mas, também, para justificar 
suas falhas e motivações. Por isso, os sabotadores sempre têm um ganho 
secundário. 
Confira três pontos em que o cérebro pode tornar-se "vilão": 
Colocar-se no lugar de fracasso: A forma como pensamos reflete 
diretamente nas nossas ações. Quando idealizamos uma imagem negativa 
de nós mesmos, nos colocamos no lugar do fracasso, de tudo aquilo que 
dá errado. E, então, simplesmente estacionamos. Ao ficarmos estagnados, 
deixamos de realizar nossos sonhos, simplesmente por não acreditarmos 
em nós mesmos, e no que somos capazes de alcançar. Essa pode ser 
chamada de primeira "armadilha" do cérebro. 
Fazer escolhas baseadas na emoção: Como são feitas as suas escolhas 
alimentares: pela razão ou pela emoção? Você já se pegou comendo 
alguma besteira para compensar algum estresse, ou algo que deu errado 
no seu dia? Se a sua resposta for sim, você é uma pessoa que faz escolhas 
a partir da emoção. Isso significa que, de algum modo, as carências 
emocionais daquela pessoa acabam sendo "supridas" pela comida. É como 
se a comida fosse a recompensa por algo que deu de errado no seu dia. 
Esse é outro grande erro que o cérebro nos leva a cometer, e compromete 
todo o processo. 
Resistir em mudar de comportamento: Quem está tentando perder peso 
há um tempo provavelmente está cansado de ouvir que deve construir 
metas e traçar estratégias para chegar aonde quer. Mas o que muita 
pouca gente diz é que, antes de tudo, é preciso mudar a forma de se 
comportar. É preciso treinar a mente diariamente para "quebrar" 
determinados padrões de comportamento, que provavelmente já se 
tornaram hábitos. Por exemplo, se a pessoa escolhe o que vai comer a 
partir das emoções, como explicado no tópico anterior, isso 
provavelmente já se tornou um hábito e precisa ser mudado. 
 
 
 
Aula 10 – Trauma pessoal ou infantil e o transtorno alimentar; 
O trauma é definido por Harris (2009) como um evento avassalador que 
ameaça a identidade do eu, sendo ainda mais devastador na infância, 
quando o complexo do ego está em fase de estruturação. O trauma na 
infância, que ocorre durante o desenvolvimento físico e psíquico da 
criança, foi chamado por Van der Kolk (2005) de “trauma complexo”. Este 
descreve a exposição sucessiva da criança a eventos traumáticos 
múltiplos, crônicos e prolongados, usualmente tais eventos são de 
natureza interpessoal e acabam causando alterações no desenvolvimento 
neurobiológico, nas capacidades sensoriais, afetivas e cognitivas da 
criança (RAMOS; MATTA, 2018; VAN DER KOLK, 2005). Além da esfera 
emocional e intelectual, o trauma infantil pode ter importantes efeitos, 
sobre as capacidades imaginativas do indivíduo e a forma como este 
compreende o mundo. 
O que significa Trauma? 
O trauma infantil ocorre, quando uma pessoa é sobrecarregada por uma 
situação além do seu controle, sendo os seus recursos e sistema de 
controle, cuidado é significado insuficientes. 
O sistema de controle é responsável pelo autocontrole e autorregulação, 
os quais ficam prejudicados em decorrência da experiência traumática, 
ocasionando rompantes de agressividade e reações irracionais e 
incontroláveis. Já o sistema de cuidado é responsável pela capacidade do 
indivíduo em engajar-se e conectar-se com o ambiente e com as pessoas à 
sua volta de maneira ativa. Quando este fica danificado, o indivíduo pode 
ora desesperadamente desejar e pedir afeto, ora apavora-se com a 
possibilidade da presença de afeto. Por fim, o sistema que apresenta um 
significado e sentido para a vida do indivíduo é lesado, levando a uma 
perda de sentido no viver. 
A experiência do trauma na infância é tão adversa, que há um 
congelamento dos afetos e subsequente perda na capacidade de modulá-
los, por isso, o trauma na infância pode ser considerado uma ferida na 
capacidade de sentir. 
Tal experiência esmagadora e insuportável interrompe a narrativa da vida 
e fica registrada em forma de: emoções, sons, imagens, pensamentos e 
sensações físicas. Estes elementos não se apresentam de maneira coesa, 
mas sim de forma desintegrada e desconecta, podendo invadir o indivíduo 
traumatizado a qualquer momento (flashbacks), fazendo que a 
experiência traumática seja revivida. 
Como resultado disso, o indivíduo traumatizado pode apresentar um 
discurso fragmentado; aparentar estar distraído, distante ou 
desconectado; permanecer em permanente impressão de perigo; 
apresentar-se hipervigilante, isto é, preparado para ser agredido e violado 
a qualquer momento, por fim, assusta-se facilmente com acontecimentos 
corriqueiros. 
Assim, a experiência do presente fica nebulosa e embotada, enquanto 
alguns elementos das memóriasfragmentadas e intrusivas do passado 
traumático são intensos e vívidos. A pessoa sente-se presa e congelada em 
um lugar que deseja desesperadamente sair, a vivência traumática. 
Entretanto, é importante destacar que muitos indivíduos traumatizados, 
devido ao descolamento do afeto e imagem traumática, não fazem 
relação entre o elemento intrusivo e o evento traumático (VAN DER KOLK, 
2015). 
Quando o indivíduo vivencia um trauma na infância, segundo Bromberg 
(2001), a estrutura dissociativa é ativada. A dissociação é definida pela 
American Psychiatric Association (2014) como uma cisão ou separação de 
componentes intrapsíquicos ou uma desconexão entre uma ideia e uma 
emoção e, usualmente, se apresenta em indivíduos que possuem um 
trauma psíquico. Partes da personalidade do indivíduo traumatizada ficam 
dissociadas a fim de restringir e de suprimir determinados pensamentos 
insuportáveis. A dissociação causa danos severos na função integrativa do 
indivíduo, isto porque ele pode apresentar declínio das funções pessoais e 
profissionais, além de consequente atrofia nas capacidades psicológicas 
que foram suprimidas. Entretanto, a dissociação protege o traumatizado 
contra a completa fragmentação da personalidade e evita o contato com a 
memória traumática (HARRIS, 2009; VAN DER KOLK, 2015). 
Além da dissociação, pode ocorrer a supressão de pensamentos; 
minimização, negação; e alteração da percepção e senso de realidade, em 
que o indivíduo refugiase na fantasia, evitando defensivamente o contato 
com o mundo real. Um exemplo disso seria a sensação de que o evento 
traumático não está acontecendo com a própria pessoa, que observa de 
fora seu corpo toda a situação ou que tudo não passa de um sonho. É 
comum, o uso de fantasia de onipotência como proteção para a vivência 
de rejeição ou humilhação, seja esta real ou temida. 
O abuso ou a negligência emocional podem ser tão devastadoras quanto o 
abuso físico e sexual. Isto porque usualmente ocorrem de maneira 
sistemática por parte dos cuidadores principais das crianças, sendo estes 
cuidadores e estas relações primárias que servirão de modelo para a 
internalização de características afetivas e cognitivas. 
Para que uma situação seja vivenciada como traumática, devem ser 
considerados: grau de exposição e intensidade do evento; fatores 
socioculturais; características psicológicas; qualidade do apoio social; 
fatores biológicos e percepção do indivíduo perante o evento. 
O trauma infantil desencadeia efeitos de ordem cognitiva, emocional, 
física e interpessoal no indivíduo adulto. No que se refere aos efeitos 
cognitivos e emocionais, o indivíduo pode apresentar: pensamentos 
intrusivos; apatia; irritabilidade; estreitamento perceptual; ansiedade; 
alerta permanente; perturbação da memória; tristeza; culpa e vergonha. 
Em relação aos efeitos físicos e interpessoais, observa-se os seguintes: 
arrepio; fadiga; tontura; transpiração, aumento ou diminuição da 
frequência cardíaca; dificuldades sexuais; conflitos em relacionamentos 
sociais e isolamento. 
Além do indivíduo traumatizado apresentar dificuldades em discriminar e 
em descrever reações fisiológicas, isso também ocorre no âmbito das 
reações emocionais. Por conta disso, o indivíduo traumatizado registra as 
reações emocionais como físicas, isto é, sentem fome, dor nos músculos, 
enxaqueca, ataque de asma, irregularidades no intestino e entre outros 
sintomas somáticos em vez de sentir-se triste ou com raiva. O que faz que 
apresente dificuldade em cuidar de si mesmo e decidir o que é melhor 
para si, podendo acarretar diversos tipos de transtornos, sendo um deles 
o TCA . 
 
Aula 12 – Comendo de forma consciente, longe das distrações; 
Por que comemos o que comemos? O processo de seleção do tipo e 
quantidade de alimentos que ingerimos no nosso dia a dia é influenciado 
por importantes determinantes fisiológicos, psicológicos, sociais, culturais 
e contextuais. Assim, comemos por diversos motivos: porque sentimos 
fome; para sentir prazer; por preferência alimentar; por tradição e 
crenças; para comemorar e socializar; pelo preço e disponibilidade do 
alimento; por influência da mídia e pelo marketing da indústria de 
alimentos; pelo padrão de beleza e saúde aceito pela sociedade; pelo 
significado afetivo do alimento em nossas vidas; pelas nossas experiências 
negativas e positivas em relação a comida; dentre outros fatores. 
Alimentação Consciente como forma de melhorar nosso comportamento 
alimentar. A Alimentação Consciente é uma abordagem que orienta 
comer com atenção plena, focando no presente, percebendo os sinais de 
fome e saciedade do corpo. 
Atenção plena à comida 
 Preste atenção no alimento. 
 Esteja em um ambiente tranquilo, sem estímulos de televisão, 
celular, computador, tablets, revistas, jornal,música, etc. 
 Se possível, sente-se à mesa para realizar suas refeições. 
Comer devagar 
 Matigue bem os alimentos, até perceber que estão bem triturados. 
 Descanse os talheres sobre a mesa entre as garfadas. 
 Caso tenha dificuldade em comer devagar, tente comer com a mão 
não dominante (ex: se você é destro, use a mão esquerda de vez 
enquando para comer). 
Apreciar e saborear o alimento 
 Use os 5 sentidos enquanto se alimenta (visão, olfato, paladar, 
audição e tato) 
 Ouça o som do alimento enquanto mastiga, perceba a cor, 
aparência, aroma, sabor e textura. 
 Tenha prazer ao se alimentar. 
Perceber a fome e a saciedade 
 Sinta os sinais de fome e saciedade que o seu corpo emite. 
 Observe a escala da fome e saciedade, o ideal é se manter entre os 
números 3 e 6. 
 Faça pausas enquanto consome suas refeições para perceber os 
sinais do seu corpo (se ainda sente fome ou se já está satisfeito). 
 
 
Aula 13 – Combate à compulsão alimentar: identificação dos sintomas da 
compulsão alimentar e compreensão dos fatores que podem levar a esse 
comportamento. 
A característica essencial do transtorno de compulsão alimentar são 
episódios recorrentes de compulsão alimentar que devem ocorrer, em 
média, ao menos uma vez por semana durante três meses. 
Um “episódio de compulsão alimentar” é definido como a ingestão, em 
um período determinado, de uma quantidade de alimento 
definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria em um 
mesmo período sob circunstâncias semelhantes. 
Ao lado de anorexia e bulimia, a compulsão alimentar faz parte da tríade 
clássica dos transtornos alimentares. Nela, a questão é o exagero mesmo: 
a pessoa devora uma quantidade enorme de comida. Alguns chegam a 
ingerir de 4 mil a 15 mil calorias em poucos minutos — a média 
recomendada para um adulto saudável são 2 mil calorias por dia. 
Aqui, não acontece nenhuma tentativa para eliminar esses alimentos, 
como vômitos ou remédios. Esses ataques súbitos de gulodice são 
motivados por dilemas emocionais, como ansiedade e estresse. 
É importante diferenciar também episódios isolados de algo mais crônico 
e preocupante: exagerar vez ou outra no rodízio de pizzas ou na 
churrascaria não é reflexo de uma doença psiquiátrica. 
O transtorno da compulsão alimentar é um transtorno 
alimentar caracterizado pelo consumo repetido de quantidades 
excepcionalmente grandes de alimentos (comer compulsivamente) 
acompanhados de um sentimento de perda de controle durante o 
episódio de compulsão alimentar. Os episódios de alimentação 
compulsiva não são seguidos por tentativas de compensar a ingestão 
excessiva de alimentos, por exemplo, livrando o corpo do excesso de 
alimento consumido (purgação). 
 O transtorno da compulsão alimentar periódica é mais comum em 
pessoas com sobrepeso ou obesas. 
 A pessoa come grandes quantidades rapidamente, não purga e seu 
comportamento lhe causa muita angústia. 
 O médico faz o diagnóstico com base no modo pelo qual a pessoa 
descreve seu comportamento. 
 O tratamento visa ajudar a pessoa a controlar a compulsão 
alimentar e inclui terapia cognitivo-comportamental, inibidores 
seletivosde recaptação da serotonina (ISRS, um tipo de 
antidepressivo) e medicamentos estimulantes. 
 Programas de perda de peso, alguns medicamentos para redução 
de peso e medicamentos estimulantes podem ajudar a controlar o 
peso. 
Via de regra, aproximadamente 3,5% das mulheres e 2% dos homens têm 
transtorno da compulsão alimentar periódica. Mas o transtorno se torna 
mais comum com o aumento do peso corporal. Em alguns programas de 
redução de peso, 30% das pessoas obesas ou mais têm o transtorno. 
A maioria das pessoas com o transtorno da compulsão alimentar periódica 
é obesa e o transtorno contribui para o consumo excessivo de calorias. Ao 
contrário, a maioria das pessoas com bulimia nervosa tem um peso 
normal e as pessoas com anorexia nervosa são magras. As pessoas com 
transtorno da compulsão alimentar tendem a ser mais velhas que as que 
sofrem de anorexia ou bulimia e quase a metade é do sexo masculino. 
É possível que a pessoa com transtorno da compulsão alimentar periódica 
também: 
 Coma bem mais rápido que o normal 
 Coma até se sentir desconfortável 
 Coma grandes quantidades de alimentos, mesmo estando sem 
fome 
 Coma sozinha para não ficar constrangida 
 Sinta-se desgostosa, deprimida ou culpada após um episódio de 
alimentação excessiva 
O transtorno da compulsão alimentar periódica causa angústia à pessoa 
que o tem, sobretudo se ela estiver tentando perder peso. Essas pessoas 
estão mais propensas a ter depressão ou ansiedade em comparação 
àquelas que não apresentam o transtorno. Além disso, as pessoas obesas 
com transtorno da compulsão alimentar periódica são mais propensas a 
ter preocupação com a forma física, com o peso ou ambos, que as pessoas 
obesas que não comem compulsivamente. 
 
A característica essencial do transtorno de compulsão alimentar são 
episódios recorrentes de compulsão alimentar que devem ocorrer, em 
média, ao menos uma vez por semana durante três meses. 
Um “episódio de compulsão alimentar” é definido como a ingestão, em 
um período determinado, de uma quantidade de alimento 
definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria em um 
mesmo período sob circunstâncias semelhantes. 
Ao lado de anorexia e bulimia, a compulsão alimentar faz parte da tríade 
clássica dos transtornos alimentares. Nela, a questão é o exagero mesmo: 
a pessoa devora uma quantidade enorme de comida. Alguns chegam a 
ingerir de 4 mil a 15 mil calorias em poucos minutos — a média 
recomendada para um adulto saudável são 2 mil calorias por dia. 
Aqui, não acontece nenhuma tentativa para eliminar esses alimentos, 
como vômitos ou remédios. Esses ataques súbitos de gulodice são 
motivados por dilemas emocionais, como ansiedade e estresse. 
É importante diferenciar também episódios isolados de algo mais crônico 
e preocupante: exagerar vez ou outra no rodízio de pizzas ou na 
churrascaria não é reflexo de uma doença psiquiátrica. 
O transtorno da compulsão alimentar é um transtorno 
alimentar caracterizado pelo consumo repetido de quantidades 
excepcionalmente grandes de alimentos (comer compulsivamente) 
acompanhados de um sentimento de perda de controle durante o 
episódio de compulsão alimentar. Os episódios de alimentação 
compulsiva não são seguidos por tentativas de compensar a ingestão 
excessiva de alimentos, por exemplo, livrando o corpo do excesso de 
alimento consumido (purgação). 
 O transtorno da compulsão alimentar periódica é mais comum em 
pessoas com sobrepeso ou obesas. 
 A pessoa come grandes quantidades rapidamente, não purga e seu 
comportamento lhe causa muita angústia. 
 O médico faz o diagnóstico com base no modo pelo qual a pessoa 
descreve seu comportamento. 
 O tratamento visa ajudar a pessoa a controlar a compulsão 
alimentar e inclui terapia cognitivo-comportamental, inibidores 
seletivos de recaptação da serotonina (ISRS, um tipo de 
antidepressivo) e medicamentos estimulantes. 
 Programas de perda de peso, alguns medicamentos para redução 
de peso e medicamentos estimulantes podem ajudar a controlar o 
peso. 
Via de regra, aproximadamente 3,5% das mulheres e 2% dos homens têm 
transtorno da compulsão alimentar periódica. Mas o transtorno se torna 
mais comum com o aumento do peso corporal. Em alguns programas de 
redução de peso, 30% das pessoas obesas ou mais têm o transtorno. 
A maioria das pessoas com o transtorno da compulsão alimentar periódica 
é obesa e o transtorno contribui para o consumo excessivo de calorias. Ao 
contrário, a maioria das pessoas com bulimia nervosa tem um peso 
normal e as pessoas com anorexia nervosa são magras. As pessoas com 
transtorno da compulsão alimentar tendem a ser mais velhas que as que 
sofrem de anorexia ou bulimia e quase a metade é do sexo masculino. 
É possível que a pessoa com transtorno da compulsão alimentar periódica 
também: 
 Coma bem mais rápido que o normal 
 Coma até se sentir desconfortável 
 Coma grandes quantidades de alimentos, mesmo estando sem 
fome 
 Coma sozinha para não ficar constrangida 
 Sinta-se desgostosa, deprimida ou culpada após um episódio de 
alimentação excessiva 
O transtorno da compulsão alimentar periódica causa angústia à pessoa 
que o tem, sobretudo se ela estiver tentando perder peso. Essas pessoas 
estão mais propensas a ter depressão ou ansiedade em comparação 
àquelas que não apresentam o transtorno. Além disso, as pessoas obesas 
com transtorno da compulsão alimentar periódica são mais propensas a 
ter preocupação com a forma física, com o peso ou ambos, que as pessoas 
obesas que não comem compulsivamente. 
 
Aula 14 – Superando a compulsão alimentar: estratégias eficazes para 
lidar com a compulsão alimentar e recuperar o controle sobre os hábitos 
alimentares; 
Como deve ser o tratamento 
Assim como os demais distúrbios alimentares, nos quadros de compulsão 
alimentar o tratamento deve ser multidisciplinar. 
O indivíduo deve receber acompanhamento por médico, psicológico e 
nutricionista. O médico deve orientar o paciente e ser o responsável por 
prescrever os medicamentos, caso o paciente necessite. 
É muito importante ressaltar que o tratamento não deve se resumir 
apenas ao uso de medicação. É importante que o paciente trabalhe sua 
mente, buscando ampliar a consciência que tem sobre si. Por isso é 
importante o tratamento psicológico. O psicólogo e o paciente devem 
trabalhar para compreender todos os gatilhos de ansiedade e estabelecer 
estratégias de controle. 
Trabalhamos a mente e agora precisamos apresentar um plano alimentar, 
e devemos procurar um nutricionista. 
O nutricionista e o paciente irão estudar e elaborar uma comida rica com 
todos os nutrientes necessários para controlar a compulsão e atingir os 
objetivos. E recomenda-se também a prática de exercícios físicos e 
atividades relacionadas à atenção, como a meditação e yoga. Além de 
manterem o corpo saudável, também ajudam na produção de endorfina e 
no controle da ansiedade. 
Dicas para ajudar a superar a Compulsão alimentar 
Entenda porque você come descontroladamente 
Da próxima vez que você atacar a geladeira, pense o que você está 
sentindo. Só assim você vai começar o processo para controlar a 
compulsão alimentar. 
Não coma de 3 em 3 horas 
Espere a fome chegar para se alimentar. Mas não passe muito tempo sem 
se alimentar. 
Coma alimentos ricos em fibras 
Priorize comer frutas, verduras, hortaliças e gorduras boas, pois são 
opções que te deixarão saciado por mais tempo. 
Beba água 
É uma dica valiosa e que serve para manter seu corpo saudável. Para 
quem tem compulsão alimentar, essa é também uma forma de controlar a 
fome e o desejo de comer. 
Não coma alimentos industrializados 
Os industrializados são pobres em fibras e, por isso, acabam não saciando. 
Para quem tem compulsão alimentar, não estar saciado é um perigo para 
cair na tentação. 
Pratique alguma atividade física 
Os exercícios físicos ajudam a controlar a compulsão alimentar, pois 
fornecem uma sensação de prazer ebem-estar. 
 
Aula 15 – Superando a Bulimia Nervosa: estratégias eficazes para lidar 
com a bulimia nervosa e recuperar o controle sobre os hábitos 
alimentares 
Na bulimia, há dois momentos: primeiro, um exagero no consumo de 
determinados produtos. Na sequência, o sujeito se sente culpado por ter 
ingerido tudo aquilo e encontra alguma maneira de expurgar aquelas 
calorias. 
O método mais utilizado para eliminar esse excesso costuma ser a indução 
do vômito. Mas existem outras maneiras encontradas para fazer essa 
compensação. 
Desde a primeira descrição da Bulimia Nervosa (BN) por Gerald 
Russell22 (1979), o conhecimento deste quadro como entidade nosológica 
distinta tem avançado rapidamente, graças à proliferação de grupos de 
pesquisa em vários países. 
A BN é caracterizada, em sua forma típica, pela ingestão compulsiva e 
rápida de grande quantidade de alimento, com pouco ou nenhum prazer, 
alternada com comportamento dirigido para evitar o ganho de peso 
(como vomitar, abusar de laxantes e diuréticos ou períodos de restrição 
alimentar severa) e medo mórbido de engordar. 
O vômito auto induzido é extremamente comum, sendo encontrado em 
até 95% dos pacientes, provavelmente pelo seu efeito de redução 
imediata da ansiedade. É interessante lembrar que o comportamento de 
forçar o vômito é muito antigo e pode ser encontrado precocemente na 
história de diferentes povos da Antiguidade. 
 No antigo Egito, por exemplo, grande parte do papiro de Eber é 
dedicado ao estímulo e às virtudes do ato de vomitar. Segundo 
Heródoto, os egípcios vomitavam e usavam purgativos todo mês, 
por três dias consecutivos, julgando que "todas as doenças dos 
homens são oriundas da comida". 
 Na medicina grega é sabido que Hipócrates também recomendava a 
indução de vômitos por dois dias consecutivos todo mês como um 
método de prevenir diferentes doenças. 
 Os romanos criaram o vomitorium, que lhes permitia alimentar-se 
em excesso durante os banquetes, e posteriormente vomitar em 
local reservado para esta finalidade, às vezes usando uma pena de 
ave para estimular o reflexo do vômito na garganta. 
O termo bulimia tem uma história muito antiga; deriva do grego "bous" 
(boi) e "limos" (fome), designando assim um apetite tão grande que seria 
possível a um homem comer um boi, ou quase. 
A BN tem como sintoma principal o episódio de compulsão alimentar e 
costuma surgir no decorrer de uma dieta para emagrecer. No início, pode 
se achar relacionado à fome, mas posteriormente, quando o ciclo 
compulsão alimentar-purgação já está instalado, ocorre em todo tipo de 
situação que gera sentimentos negativos (frustração, tristeza, ansiedade, 
tédio, solidão). Inclui um aspecto comportamental objetivo que seria 
comer uma quantidade de comida considerada exagerada se comparada 
ao que uma pessoa comeria em condições normais; e um componente 
subjetivo que é a sensação de total falta de controle sobre o seu próprio 
comportamento. 
Estes episódios ocorrem às escondidas na grande maioria das vezes e são 
acompanhados de sentimentos de intensa vergonha, culpa e desejos de 
autopunição. A quantidade de calorias ingerida por episódio pode variar 
enormemente, muito embora em média oscile entre 2 mil e 5 mil calorias. 
O vômito auto induzido ocorre na grande maioria dos casos, sendo 
portanto o principal método compensatório utilizado. O efeito imediato 
provocado pelo vômito é o alívio do desconforto físico secundário à 
hiperalimentação e principalmente a redução do medo de ganhar peso. A 
sua frequência é variável, podendo ser de um até 10 ou mais episódios por 
dia, nos casos mais graves. No começo, a paciente necessita de manobras 
para induzir o vômito, como a introdução do dedo ou algum objeto na 
garganta. Algumas bulímicas mais graves, com vários episódios de vômitos 
por dia, podem apresentar até ulcerações no dorso da mão pelo uso da 
mesma para induzir a emese (ação de vomitar), o que se chama de sinal 
de Russell. Com a evolução do transtorno, a paciente aprende a vomitar 
sem necessitar mais de estimulação mecânica. 
Há relatos da ocorrência de bulimia nervosa em frequências relativamente 
similares na maioria dos países industrializados, incluindo Estados Unidos, 
Canadá, muitos países europeus, Austrália, Japão, Nova Zelândia e África 
do Sul. 
A bulimia nervosa é bem mais comum em indivíduos do sexo feminino do 
que nos do masculino. Os últimos estão especialmente sub-representados 
nas amostras que buscam. 
O risco de suicídio é alto na bulimia nervosa. A avaliação completa de 
indivíduos com esse transtorno deverá incluir determinação de ideação e 
comportamentos suicidas, bem como outros fatores de risco para suicídio, 
incluindo história de tentativas de suicídio. 
Pacientes com bulimia nervosa apresentariam pensamentos e emoções 
desadaptativas, autoestima flutuante, sendo comum encontrar aqueles 
que apresentam atitudes caóticas, não somente no tocante aos hábitos 
alimentares, mas também em outros aspectos da vida, como os estudos, a 
vida profissional e as relações amorosas. Para alguns autores os principais 
aspectos emocionais dos pacientes com anorexia nervosa seriam: baixa 
autoestima; ansiedade alta, perfeccionismo, pensamento do tipo “tudo ou 
nada”, incapacidade de encontrar formas de satisfação, alta exigência e 
incapacidade de ser feliz. 
 
 
Aula 16 – Como a TCC pode ajudar no tratamento; 
A TCC tornou-se aceita como uma das principais abordagens para o 
tratamento dos transtornos alimentares. Mas mesmo amplamente 
utilizada atualmente, esse ainda é um referencial relativamente novo, 
especialmente no Brasil. 
A TCC é uma abordagem de intervenção semiestruturada, objetiva, que 
busca identificar e corrigir as condições que favorecem o desenvolvimento 
e manutenção das alterações cognitivas e comportamentais. Para este 
referencial, o sistema de crenças de um indivíduo exerce papel 
determinante em seus sentimentos. 
Para os transtornos alimentares, os programas de tratamento da TCC 
baseiam-se principalmente nas técnicas para a redução da ansiedade, 
automanejo do comportamento e modificação de cognições 
desadaptadas. Comparados com a terapia para alguns transtornos - por 
exemplo, a depressão - os componentes comportamentais dos 
transtornos alimentares recebem maior ênfase no tratamento. Isto ocorre 
porque as perturbações comportamentais (como jejuns ou vômitos) são 
fatores centrais dessas doenças que devem ser controlados. 
Um dos principais representantes do modelo cognitivo-comportamental 
para os transtornos alimentares é Fairburn (1991). Sua abordagem 
relaciona pensamento, emoção e comportamento manifesto, e o 
tratamento tem como objetivo fazer com que o paciente examine a 
validade de suas crenças no presente e mude comportamentos 
disfuncionais. Os processos cognitivos mais frequentes nestes quadros 
(abstração seletiva, supergeneralização, magnificação, pensamento 
dicotômico, personalização e pensamento supersticioso) são definidos e 
examinados cuidadosamente, a fim de modificar os pensamentos e 
pressupostos automáticos. 
Por exemplo, esses pacientes tendem a pensar em termos incondicionais 
e extremos (pensamento dicotômico). Assim, adotam regras dietéticas 
rígidas e inflexíveis, nas quais pequenos desvios são percebidos como 
evidência de fracasso e autocontrole pobre e podem ser seguidos de um 
abandono temporário do domínio sobre a alimentação. Não é raro que 
eles pensem: "se não estou completamente com o controle, isso significa 
que perdi todo o controle, que está tudo perdido e que posso então me 
fartar". Em geral, em vez de perceber que são as regras que estão 
distorcidas e considerar outras situações em que demonstram bom 
autocontrole, atribuem as falhas de autocontrole a deficiências pessoais, 
reforçando, então, a baixa autoestima (Fairburn, 1991). 
Atualmente, as estratégias sugeridas pela TCC para o tratamento dos 
transtornos alimentares têm como objetivo a diminuição da restrição 
alimentar, dacompulsão alimentar, dos episódios bulímicos e da 
frequência de atividade física, a diminuição do distúrbio da imagem 
corporal, a modificação do sistema disfuncional de crenças associadas à 
aparência, peso e alimentação e o aumento da autoestima. 
O compromisso do paciente com a terapia é o objetivo principal no 
começo do tratamento e pode ser dividido sinteticamente nos seguintes 
objetivos: expectativas, intenções e esperança. Salienta-se a importância 
de construir as expectativas positivas sobre a terapia, tanto sobre o papel 
(o que é esperado do terapeuta e do paciente) como sobre os resultados. 
Outro objetivo desta primeira fase consiste no controle da ingestão. Para 
evitar que o paciente faça o "movimento pendular" de passar de uma 
dieta restritiva que lhe provoque fome para um episódio bulímico, é 
indicado um programa alimentar fixo, com técnicas comportamentais, 
como evitar as situações de estresse, contextos de hábito ou de tentação, 
geralmente precipitadores dos empanturramentos. 
A segunda fase é voltada para a reestruturação cognitiva, e consiste em 
procurar modificar as crenças irracionais que mantêm e reforçam os 
padrões disfuncionais. Exploram-se então métodos alternativos de 
solução de problemas. Segundo Fairburn (1991), para estas pessoas os 
valores e crenças não são apenas sintomáticos, mas essenciais para a 
manutenção deste transtorno. Dessa forma, modificá-los é pré-requisito 
para a evolução e recuperação do paciente. 
Também é fundamental que os pacientes entendam a interação entre 
seus pensamentos, sentimentos e disfunções de comportamentos. Devem 
compreender que o peso não é o problema real, mas que outros 
problemas mais importantes estão dirigindo e mantendo o transtorno 
alimentar. 
Por fim, a terceira etapa se preocupa em manter as conquistas das fases 
anteriores e fazer um plano de prevenção de recaídas, por meio de 
antecipação e preparação para o enfrentamento de situações de estresse 
que anteriormente ativavam os padrões disfuncionais. Mas além do 
seguimento adequado de um plano de tratamento, a TCC considera a 
qualidade da relação terapêutica, ou seja, o vínculo entre paciente e 
terapeuta, como fundamental. Já em um primeiro momento é importante 
deixar claro para o doente que há um interesse autêntico em ajudá-lo, 
que não se vai enganá-lo e que os sintomas podem ser manejados. 
 
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Psicoterapias : abordagens atuais [recurso eletrônico]/ Organizadores, 
Aristides Volpato Cordioli, Eugenio Horacio Grevet. – 4. ed. – Porto Alegre: 
Artmed, 2019. E-pub.

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