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! 
. I 
I 
publicot;oo ol:loJ' 
www.atlasnet.com.br 
. ~-. 
ISBN: 85-224-3351-8 
1,..,,,1 "" 
EDITORA ATLAS S.A. 
Rua Conselheiro l'\ebias, 1384 (Campos Elisios) 
01203-904 Sao Paulo (51' J 
TeL: W __ 11J 335-"-9144 (PABX) 
www.atlasnet.col11.br 
SYLVIA CONSTANT VERGARA 
Projetos e 
Relat6rios de Pesquisa 
em Administra~ao 
PAllLO 
EDlTORA ATLAS SA 2003 
© 1997 by EDITORA ATLAS S.A. 
1. ed. 1997; 2. ed. 1998: 3. ed. 2000: 4. ed. 2003 
Capa: Roberto de Castro Poiisel 
Composiciio: Time A11es Graficas 
Dados Internacionais de Cataloga~ao na Publica~ao (CIP) 
(Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
Vergara. Svlvia Constant 
Projetos e relat6rios de pesquisa em auministrac'lo :' Syh'ia Constant Vergara. 
"f. ed. Sao Paulo : Atlas. 2003. 
Bibliogmfia. 
ISB:-i 85·224·3351·8 
1. Adminis!ra.;:ao Pesquisa 2. Pesquisa - :\letodologia 3. Redac'lo de traba-
lhos de pesquisa I. Titulo. 
97-1806 CDD-001.'12 
indices para catalogo sistematico: 
1. Projetos de pesquisa \letodologia 001.4.2. 
2. Relat6rios de pesquisa \letodolngia 00 L'!2 
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - E proibi(\a a reproducilo total ou parcial, de 
qualquer fnnna ou par qualquer meio. A violar;ao do;; direitos de autor (Lei n~ 9.610/98) 
e crime estabelecido pdo artigo 184 do C6digo Penal. 
DepOsito legal na Biblioteca !\acional conforme Decreto n" 1.82), 
de 20 de dezembro cle 1907. 
Impresso no Brasil! Printed in Brctzit 
As minhas JUhas Tania, Elaine e Syluinha que me 
prOL'ocam a aprendizagem da complexa artt! de 
renascer a cada dia. 
Aos melts alunos, que me let'am a construir, rever e 
reconstntir as praticas do melt oflcio. 
SUMARIO 
Apresentac;ao, 9 
1 DELIMITANDO 0 TRABALHO CIENTIFICO, 11 
1.1 Demarca~ao cientlfica, 11 
1.2 Metodo cientifico, 12 
1.3 Formaliza<;ao da pesquisa cientffica, 15 
2 COME<::O DO PRO]ETO DE PESQUISA, 17 
2.1 Modelo, 17 
2.2 Folha de rosto, 18 
2.3 Sumario, 19 
2.4 Introdu<;ao, 20 
2.5 0 problema de pesquisa cientifica, 20 
2.6 Objetivo final e objetivos intermediarios, 25 
2.7 Questoes a serem respondidas, 26 
3 DO PROBLEMA AO REFERENCIAL TEORICO, 28 
3.1 Hip6teses ou suposi<;oes, 28 
3.2 Delimita<;ao do estudo, 30 
3.3 Relevancia do estudo, 32 
3.4 Definis;ao dos termos, 34 
3.5 Referencial teorico, 35 
4 COME<::ANDO A DEFINIR A METODOLOGIA, 46 
4.1 Tipo de pesquisa, 46 
4.2 Universo e amostra, 50 
4.3 Sele<;ao dos sujeitos, 53 
5 TERMINANDO 0 PRO]ETO DE PESQUISA, 54 
5.1 Coleta de dados, 54 
8 
6 
j; 
PRO]ET IS E RELH6RIOS DE PE5Ql;JSA EM ADMI'\'ISTRACAO 
~ 
5. 2 Tra~Amentos dos dados, 59 
5.3 Limi a<;:oes do metodo, 61 
5.4 Cro ograma, 63 
5.5 BiblEgrafia, 64 
5.6 Ane os, 67 
5.7 Tra~mento verbal na reda<;:ao e numera<;:ao das paginas, 68 
5.8 Sug stoes adicionais, 68 
o RELA 6RIO DA PESQUISA, 70 
6.1 Agr~~ecimentos, 70 
6.2 APrisenta<;:ao, 70 
6.3 Resmo, 72 
6.4 ,de stmbolos e abreviaturas, 74 
6.5 de ilustra<;:oes, 74 
6.6 rio, 75 
6.7 Intr du<;:ao, 77 
6.8 Des nvolvimento, 77 
6.9 Res tados, 78 
6.10 Co 80 
6.11 Su 
o das pessoas as quais se devem os exemplos apresentados, 87 
Rejerencias ihliograjicas, 89 
Bibliograjia, 91 
fndice remi 'ivo, 95 
APRESENTA~AO 
Em 1991, consolidei uma nota didatica denominada Sugestiio para es-
trutura~iio de 'um projeto de pesquisa, na qual apresentava urn modele de 
projeto e ° discriminava. As partes fundamentais do modelo eram em numero 
de tres: 0 problema, 0 referendal te6rico, a metodologia. 
A nota destinava-se a meus alunos de Metodologia da Pesquisa. Sua 
natureza era de ardem pratica; nao tinha a inten<;:ao de discutir questoes onto-
16gicas e epistemo16gicas, nem as decisoes metodo16gicas dat decorrentes. 
Motivou-a minha percep<;:ao de que os alunos nem sempre tinham facilidade 
em concatenar um projeto de pesquisa e ficariam satisfeitos se alguem mais se 
dispusesse a ajuda-Ios. 
o texto incorporava conceitos e exemplos, a partir da cren,.:a de que 
estes sao uteis para darificar aqueles. Os exemplos foram retirados de exerd-
cios, de projetos e de disserta<;:oes de mestrandos com os quais tinha convivi-
do desde 1988, seja em situa,.:oes de dasse, em orienta<;:ao de projetos e 
disserta<;:5es ou em bancas examinadoras de disserta<;:5es. Mestrandos foram 
todos co-autores. 
Ate onde posso admitir, durante esses anos a nota tem sido uti! nao s6 
para meus alunos, como tambem para outras pessoas. 13 claro que seu carater 
pratico nao exime 0 usuario do estudo de quesWes epistemol6gicas e metoda-
16gicas, e par conta dessa exigencia a utiliza<;:ao da nota deixa de ter carater 
de "receita de bolo". 
A nota esta aqui agora revista no que concerne a estrutura<;:ao de 
tos de pesquisa e ampliada, pois passou a induir sugest6es para elabora<;:ao 
de relat6rio de pesquisa. Assume 0 formato de livro, mas nao s6 continua 
tendo carater pratico, como tambem utiliza a mesma linguagem para a comu-
nica<;:ao com 0 lei tor: simples, praticameme coloquial. E como se fora uma 
conversa com 0 leitor. Tambem continua valendo-se da contribuis,:ao de mes-
trandos e ex-mestrandos, aos quais acrescentei a de doutorandos e ex-douto-
10 PROJETOS E RELATORIOS DE PESQUISA E~l ADMIKISTRA<;:AO 
randos. Seus nomes aparecem no texto e suas institui~oes tern seus nomes 
apresentados no Anexo. Todos sao co-autores. 
Seus capitulos sao em numero de seis. 0 primeiro pretende apenas 
contextualizar os que the seguem, fazendo certa demarca<;ao no que se refere 
a urn trabalho cientifico. Nao tern pretensoes maiores. 0 segundo capItulo 
apresenta, como sugestao, 0 modele para estrutura<;ao de urn projeto de pes-
quisa, composto de tres grandes partes, e da inrcio a discrimina<;ao do mode-
10. No terceiro capitulo, e finalizada a discrimina~ao da primeira parte do 
modelo, referida ao problema de investiga<;ao e apresentada a segunda, con-
cernente ao referendal te6rico. Questoes que dizem respeito a terceira parte 
do modelo, isto e, a metodologia de pesquisa, come<;am a ser abordadas no 
quarto capitulo. Tais questoes sao finalizadas no quinto capitulo que encerra, 
entao, a discrimina<;ao do modelo proposto para 0 projeto de pesquisa. 0 
sexto capitulo apresenta conceitos e dicas para 0 relat6rio da pesquisa, deixan-
do de discutir 0 que ja 0 foi nos capitulos concernentes ao projeto e privile-
giando aquilo que e acrescentado no re1at6rio. Uma palavra final e, entao, 
dirigida aos leitores. 
A Au70RA 
1 
DELIMITANDO 0 TRABALHO 
CIENTIFICO 
Este capitulo levanta questoes como a demarca<;ao dentifica. 0 que e 
cientffico? Tambem trata da metodologia cientifica. Temos op<;oes? Finaliza 
com a sinaJiza<;ao para os momentos de formaliza<;ao da pesquisa dentffica. 
1.1 DEMARCA(:AO CIENTlFICA 
Nao sao poucas as defini~oes e discussoes em torno do que seja cien-
cia. Este livro nao tern a inten<;ao de reacender 0 debate. David Bohn, Edgar 
Morin, Ernest Cassirer, Pritjof Capra, Gaston Bachelard, Ilya Prigogine, Jurgen 
Habermas, Karl Popper, Robert Pirsig, Thomas Kuhn e outros tao conhecidos 
de quem se dedica a fazer cH~ncia brindam-nos com fecunda e provocante 
discussao. Conhece-Ios e aqui tornado como fato. Acessa-Ios sempre que ne-
cessario e tornado como pratica. 
Para efeito do que no momenta se pretende, basta recordar que ciencia 
e uma das formas de se ter acesso ao conhecimento. Outras formas sao a 
mosona, a mitologia, a religiao, a arte, 0 senso comum, por exemplo. Em 
muitos pontos essas formas interagem, mas sao diferentes em seu nucleo central. 
A atividade basica da cH~ncia e a pesquisa. Todavia, convem nao es-
quecer que as lentes do pesquisador, como as de qualquer mortal, estao impreg-
nadas de cren~s, paradigmas, valores. Negar !sso e negar a pr6pria condi<;ao 
humana de existir. Refuta-se, portanto, a tao decantada "neutralidade cientifica". 
Para fins do que aqui se pretende, basta tambem recordar que a dencia 
busca oferecer explica~oes acerca de urn fenomeno, mas nao e dogma; logo, 
e discutivel. E a efervescencia de reflex5es, discussoes, contradi<;oes, siste-
matiza<;oes e ressistematiza;;;oesque Ihe dao vitali dade. 
Cienda e urn processo. Urn processo permanente de busca da verdade, 
de sinaliza;;;ao sistematica de erros e corre;;;oes, predominantemente radonaL 
12 PRO)ETOS E REUT6RIOS DE PESQCISA EM AD~Ill'ISTRN;Ao 
Nao que intui~ao, sentimento e sensa.;:oes nao estejam presentes. Eles estao. 
Afinal, como nos ensinou lung, eles sao nossas funr,;:6es psfquicas basicas. Mas 
o que pre domina e a busca da racionalidade. 
Como distinguir essa forma de se ter acesso ao conhecimento das outras 
formas? Nao e tarefa faeil, mas existem algumas caracterfsticas que vem em 
nosso auxHio. Popper (972) enfatizou a questao da falseabilidade. Uma con-
clusao cientifica e aquela passiveJ de refutar,;:ao. Outra caracteristica levantada 
pel os estudiosos e a consistencia. Urn trabalho cientifico tern de resistir it 
falseabilidade apontada por Popper. Tem tambem de ser coerente. Pode 
discutir as ambigiiidades, as contradir,;:oes, as incoerencias de seu objeto de 
estudo, mas sua dicussao tern de tef coerencia, obedecer a certa 16gica. 
19ualmente, nao se imagina um trabalho cientifico que nao seja a revelar,;:ao de 
um estudo profundo. Aqui, nao vale surfar. Caracterfsticas como essas 
confor111am 0 rigor metodo16gico, na busca incessante de lidar corretamente 
com a subjetividade do pesquisador. E mais: urn trabalho cientifico tern de ser 
aceito como tal pela comunidade cientifica. Ela 0 legitima, portanto. 
Ciencia e tambem uma construr,;:ao que revela nossas suposir,;:oes acerca 
do que se esta construmdo. Para Burrell e Morgan (979), temos quatro tipos de 
suposir,;:oes: onto16gicas, epistemo16gicas, da natureza humana e metodol6gicas. 
Suposir,;:oes ontol6gicas sao aquelas que dizem respeito it pr6pria essen-
cia dos fenomenos sob investiga<;ao. Suposir;:oes epistemo16gicas estao referi-
das ao conhecimento, a como ele pode ser transmitido. Pode 0 conhecimento 
ser transmitido de forma tangfve1, concreta, rna is objetiva? Ou pode se-lo de 
forma mais espirirnal, mais transcendental, mais subjetiva, mais baseada na ex-
perH~ncia pessoal? Suposi<;6es relativas a natureza humana dizem respeito it 
visao que se tern do Homem. It ele produto do ambiente? Ou e seu produtor? 
As suposir,;:6es antol6gicas, epistemo16gicas e da natureza humana tern 
implica<;6es diretas de ordem metodol6gica, vale dizer, encaminham 0 pes-
quisador na dire<;:ao dessa au daquela metodologia. 
1.2 METODO CIENTIFICO 
Metodo e urn caminho, uma forma, uma 16gica de pensamento. Basica-
mente, ha tres grandes metodos: (a) hipotetico-dedutivo; (b) fenomenol6gico; 
(c) dialetico. Para usar uma metafora, estes seriam metodos de venda por atacado. 
Outros, como a grounded-theory, a etnografia, a analise de conteudo, a tecnica 
Delphi, 0 metodo comparativo, a sistemlco, aqueles que se utilizam de tecnicas 
estatfsticas descritivas ou inferenciais e tantos outros, sedam de vendas a varejo. 
o metodo hipotetico-dedutivo e a heran<;a da corrente epistemol6gica 
denominada positivismo, que ve 0 mundo como existindo, independentemen-
DEUMITANDO 0 TRABALHO CIEl'TfFICO 13 
te da apreciar,;:ao que alguem fa<;:a dele, independentemente do olho do obser-
vador. Deduz alguma coisa a partir da formula<;:ao de hip6teses que sao testadas 
e busca regularidades e relacionamentos causais entre elementos. A causaIida-
de e seu eixo de explica<;:ao cientifica. Enfatiza a relevancia da tecnica e da 
quantifica<;:ao, dar serem os procedimentos estatfsticos sua grande for~a. 
Questionarios estruturados, testes e escalas sao seus principals instrumentos 
de coleta de dados. Eles permitem que os dados coletados sejam codificados 
em categorias numericas e visualizados em graficos e tabelas que revelam a 
fotografia de urn momento espedfico, ou de urn perfodo de tempo. 
Segundo Popper (1975), toda discussao cientffica deve surgir com base 
em urn problema ao qual se deve oferecer uma solu<;:aa provis6ria a que se 
deve criticar, de modo a eliminar 0 erro. 0 problema surge por conta de 
conflitos entre as teorias existentes. A solw;:ao deve ser submetida ao teste de 
falseamento, geralmeme utilizando observar,;:ao e experimentar,;:ao. Se a 
hip6tese resistir aos testes, fica provisoriamente corroborada, isto e, confirmada 
enquanto nao apare<;:a urn novo teste que a derrube; se nao, e refutada, 
exigindo nova formula<;:ao da hip6tese. Falseada ou nao, a hip6tese desencadeia 
urn processo que se renova, dando surgimento a novos problemas. Sobre este 
ponto, Pirsig (1987) ja alertou. 
o metoda fenomenol6gico opoe-se a corrente positivista, para afirmar 
que algo s6 pode ser entendido a partir do ponto de vista das pessoas que 0 
estao vivendo e experimentando; tern, portanto, carater transcendental, subje-
tivo ou, como diria Pirandello no tItulo de sua famosa pe<;:a teatral, Assim ti, se 
vos parece. Na visao de Hussed, 0 mestre da fenomeno!ogia, e pr6prio do 
metoda a abandono, pelo pesquisador, de ideias preconcebidas. 
Se e pr6prio do metodo fenomenol6gico 0 abandono de tais ideias, 
vale alertar que 0 Homem nao e tabula rasa; logo, suas crenr,;:as, suas suposi-
<;:oes, seus paradigmas, seus val ores estao presentes no olhar que lanr,;:a ao 
fen orne no estudado. Com base em sua hist6ria de vida, ele busca entender 0 
fenomeno, interpreta-lo, perceber seu significado, tirar-lhe uma radiografia. It 
assim que 0 metodo fenomenol6gico pratica a hermeneutica, uma corrente 
metodol6gica influenciada por Heidegger. 
Etimologicamente, hermeneutic a vern de Hermes, da mitologia grega. 
Para transmitir a mensagem dos deuses, Hermes tioha dupla tarefa: entender-
lhes a linguagem, assim como ados mortais, para quem as mensagens se 
destinavam. Urn olbar hermeneutico busca, entao, a compreensao de significados, 
muitos deles ocultos. A compreensao exige a leitura do contexto. Dl<"irios, bio-
grafias, relatos centrados no cotidiano, estudos de caso, observa<;:ao, conteudo 
de textos para analise sao as principais fontes de dados para 0 pesquisador. 
Como 0 fenomenol6gico, a metodo dialetico igualmente op6e-se a cor-
rente positivista e sua linearidade, e ve as coisas em constante fluxo e transfor-
14 PRO]ETOS E RELAT6RIOS DE PESQUISA EM ADMINISTRA<;:Ao 
mac;;:ao. Seu foco e, portanto, 0 processo. Dentro dele, 0 entendimento de que a 
sociedade constr6i 0 homem e, ao mesmo tempo, e por ele construida. 
Conceitos como totalidade, contradic;;:ao, mediac;;:ao, superac;;:ao Ihe sao 
proprios. Longe de isolar um fenomeno, estuda-o dentro de um contexto, que 
configura a totalidade. Nesta, observa que tudo, de alguma forma, mutuamen-
te se relaciona e que ha forc;;:as que se atraem e, ao mesmo tempo, contradito-
riamente, se repelem. E a contradh;,:ao que permite a superac;;:ao de determina-
da situac;;:ao, ou seja, a mudanc;;:a. 
Tanto no metodo fenomenoI6gico, quanta no dialetico, 0 pesquisador 
obtem os dados de que necessita na observac;;:ao, em entrevistas e questionarios 
nao estmturados, nas hist6rias de vida, em conteudos de textos, na hist6ria de 
paises, empresas, organizac;;:oes em geral; eruim, em tudo aquilo que Ihe per-
mita refletir sobre processos e interac;;:oes. 
Os metodos "de varejo" sao inumeros e 0 leitor interessado pode con-
sultar a literatura, que e farta. Bibliotecas, bases de dados especiaJizados e 
Internet estao a disposic;;:ao do pesquisador. Vale citar, aqui, apenas algumas 
indicac;;:oes e conceituac;;:oes, arbitrariamente escolhidas. 
Grounded theory, por exempIo, e um metodo que objetiva captar 0 
simbolico e gerar teoria com base nos dados coletados pelo pesquisador, no 
campo. E, portanto, um metoda indutivo. E no processo de investigac;;:ao que 
conceitos e hip6teses sao formulados, nao a priori. 0 pesquisador busca a 
emergenda de categorias e as relac;;:oes entre elas, notadamente no que diz 
respeito a diferenc;;:as, de modo a poder constmir uma teoria. A estrutura do 
metodo e flexlvel; funciona como num jogo de em que cada passo 
depende do anterior. 
Etnografico e a metoda que, apropriado da Antropologia,exige do 
pesquisador contato direto e prolongado com seu objeto de estudo. Vale-se, 
predominantemente, da observac;;:ao participante e da entrevista nao estruturada . 
para obter dados sobre pessoas, espa~os, interac;;:oes, sfmbolos e tudo 0 mais 
que interessar a sua investiga~ao. Embora parta de algum referencial teo rico, 
o pesquisador nao e a ele escravizado. Confronta teoria e pratica 0 tempo 
todo e val reconstruindo a teoria. 
Analise de conteudo refere-se ao estudo de textos e documentos. E 
uma tecnica de analise de comunicac;;:oes, tanto associada aos significados, 
quanto aos significantes da mensagem. Utiliza tanto procedimentos sistematicos 
e ditos objetivos de descri~ao dos conteudos, quanto inferendas, dedu~oes 
16gicas. Pratica tanto a hermeneutica, quanta as categonas numericas. 
A tecnica Delphi busca fazer emergir consenso entre especialistas, 
geralmente em tomo de 10 a 30 pessoas, sobre algum assunto. Os especia!istas 
atuam sem que um salba da existencia do outro. E realizada em rounds, 
geralmente de dois a cinco. Um questionario e aplicado aos especialistas no 
DELIMITANDO 0 TRAllALHO CIE:-rr!F!CO 15 
primeiro round; os demais 0 sao nos rounds seguintes. 0 primeiro ques-
tiona rio e elaborado previamente pelo pesquisador; a elabora~ao dos demais 
val depender do resultado obtido na analise do anterior. Os julgamentos indi-
viduals sao agregados e deles tomam conhecimento rodos as especialistas, a 
cada round. Sao usadas medidas que expressem a tendenda central e descre-
yam 0 grau de dispersao ou de polarizac;;:ao. 
o metodo comparativo busca ressaltar similaridades e diferen<;,:as entre 
pessoas, padroes de comportamento e fenomenos. Nao sao raros estudos que 
comparam, par exemp]o, semelhanc;;:as e diferenc;;:as entre cuituras, como a 
americana e a japonesa, ou padroes de comportamento entre empresas do 
lnklo e deste fim de seculo. 
o metodo sistemico procura identificar as reIac;;:oes do todD com as 
partes e das partes entre si. 0 todo pode sec, por exemplo, um ambiente de 
negocios e as partes, as empresas que 0 viabilizam; ou pode sec uma empresa 
e suas partes internas. 0 metodo privilegia process os e seu movimento na 
direc;;:ao de uma evoluc;;:ao. Descarta, no entanto, a possibilidade de contradic;;:oes 
como forma de superac;;:ao de uma situa;,;:ao. 
Conforme 0 metodo escolhido, utiliza-se tal ou qual procedimento de 
coleta de dados no campo. Questionario, entrevista, formulario, observac;;:ao 
sao procedimentos gerais. Mas veja-se, par exemplo, que, se 0 metodo eleito 
tiver sido 0 fenomenol6gico, ou 0 dialetico, 0 questionario fechado e inapro-
priado. 
1.3 FORMA.LIZA(::AO DA PESQUISA CIENTIFlCA 
No que conceme a formalizac;;:ao, a pesquisa dentifica tem uma fase 
antecedente e outra consolidadora. A fase antecedente revela-se no projeto 
de pesquisa; a consolidadora, no relat6rio. 
Qualquer pesquisa, para ser desenvo!vida, necessita de um projeto, e 
bem-feito, que a orieme. Ele pode nao garantir 0 sucesso da investigac;;:ao, mas 
sua lnadequac;;:ao, ou sua ausenda, certamente, garantem 0 insucesso. 
Um projeto e, em ultima instancia, uma carta de intenc;;:oes. Se e assim, 
deve definir com claceza 0 problema motivador da 0 referendal 
teorico que a suportara e a metodologia a ser empregada. Tambem nao pode 
deixar de apresentar 0 cronograma da pesquisa, bem como a bibliografia. 
Todos Esses elementos estarao presentes novamente no relat6rio da pes-
quisa, relatados na maneira como foram efetivamente trabalhados e utilizados. 
Aqui, ja nao se trata de uma carta de inten~oes, do verbo no futuro; antes, do 
relato do realizado, do verba no preterito. Aos elementos que fizeram parte do 
16 PROJETOS E RELAT6RIOS DE PESQGISA DI AD)IfNISTR-\CAO 
projeto serao adicionados OS resultados e conclusoes a que a investiga.,:ao per-
mitiu chegar, bern como sugestoes para outras pesquisas sobre 0 mesmo tema. 
Vale acrescentar que a formaliza.,:ao, tanto do projeto quanto do rela-
torio, deve obedecer as normas prescritas pela Associac;:ao Brasileira de Nor-
mas Tecnicas (ABNT). Algumas delas sao lembradas no capitulo seguinte, 
referente ao Projeto de Pesquisa, e outras mais sao relacionadas na bibliogra-
fia deste livro. 
Neste capitulo, busquei oferecer algumas caracterfsticas da ciencia, de-
limitando seu campo de a.,:ao. Dado que para a realiza.,:ao de qualquer trabalho 
cientffico hi de se tel' urn metodo, procurei alertar que sua escolha recai em 
suposi.,:6es que temos a respeito da essencia dos fenomenos sob investiga.,:ao, 
de como 0 conhecimento pode ser transmitido, bern como da natureza huma-
na. Apresentei tres grandes metodos de pensamento e outros da! decorrentes. 
Finalmente, mendoneL que a pesquisa cientifica tern uma fase antecedente, 
consubstanciada no projeto, e outra, consolidadora, revelada no relatorio. 
2 
COME(:O DO PRO]ETO DE 
PESQUISA 
Como elaborar urn projeto de pesquisa? Nao hi! urn modelo unico para 
tal. A escolha entre as virias opc;:6es possiveis depende da natureza do 
problema, do metodo pelo qual se desenvolveri 0 trabalho, do tipo de pes-
quisa, da visao de mundo do pesquisador e de tantos outros fatores. No entan-
to, hi certos Hens que nao podem deixar de ser contemplados em qualquer 
prOjeto, a despeito das diferen.,:as entre eles. 0 que vai variar e 0 conteudo 
desses itens. Por ser assim, este capitulo dedica-se a sugestao de urn projeto. 
E estruturado a partir de UIp. modelo que, em seguida, e discriminado neste e 
nos capftulos seguintes. 
2.1 MODELO 
o modelo proposto esti assim definido: 
(FOLHA DE ROSTO) 
SUMARIO 
o PROBLEMA 
1.1 Introdw;:ao 
1.2 Objetivos (final e intermediarios) 
1.3 Questoes a serem respondidas (se for 0 caso) 
1.4 Hip6teses, ou suposiyi5es (se for 0 caso) 
1.5 Delimitayao do estudo 
1.6 Relevfmcia do estudo 
1.7 Definigao dos termos (se for 0 caso) 
2 REFERENCIAL TEORICO 
2.1 
2.2 
18 PRO)ETOS E RELAT6RIOS DE PESQUlSA E~I AD:VllNI5TRACAo 
2.3 
2.4 
etc. 
3 METODOLOGIA 
3.1 Tipo de pesquisa 
3.2 Universo e amostra (se for 0 casal 
3.3 Sele!(80 des sujeitos (se for e casal 
3.4 Coleta de dados 
3.5 Tratamento dos dados 
3.6 Limita!(oes do metodo 
4 CRONOGRAMA 
5 BIBLIOGRAFIA 
ANEXOS (se for e casal 
Cada um dos itens do modelo sera, a seguir, explicitado. Alguns estao 
mais detalhadosdo que outros. Nao e aleatorio. Talvez esteja nesses itens a 
maior parte dos equivocos dos que tem de elaborar um projeto. Logo, parece 
pertinente dar a esses itens aten<;:ao especiaL 
2.2 FOLHA DE ROSTO 
Seguindo-se a capa, que e a prote<;:ao externa do projeto, a folha de 
rosto e a primeira do projeto e nao e numerada. Dela deverao constat" as 
informa<;:oes: a titulo do projeto, 0 nome do autor, a quem sera 
apresentado, 0 nome do orientador do projeto (se tiver) e 0 mes e ana de sua 
conclusao. 
THuio e "palavra, expressao ou Frase que designa 0 assunto ou 0 
conteudo de um documento" (ABNT, NBR 6023:2000). Eie deve dar ao leitor 
a ideia do que sera desenvolvido. Nao faz mal se for um pouco extenso. 
Importante e que 0 leitor perceba com facilidade do que trata 0 projeto. E 
bom lembrar que e 0 tftulo que promove 0 primeiro contato do lei tor com 
qualquer obra. Veja 0 exemplo a seguir: 
COME';:O DO PRO)ETO DE PESQUISA 
OS IMPACTOS DA TENTATIVA DE MUDANCA DE CULTURA DE UM 
BANCO DE VAREJO 
per 
Sandra Regina da Rocha Pinto 
Projeto de pesquisa apresentado ao Instituto de Administray80 e Gerencia da 
Pontificia Universidade Catolica do Rio de Janeiro. Orientadora: Professora 
Sylvia Constant Vergara. 
Mar!(o de 1992 
19 
No exemplo apresentado, 0 mes esta com letra maiuscula porque come-
<;:a uma indica<;:ao; todavia, se estivesse no meio de uma Frase sena escrito 
com minuscuia. 
2.3 suMARIo 
Trata-se de uma indica<;:ao que muitos confundem com in dice e que 
aparece imediatamente antes do texto. Indice, conforme alerta a ABNT (NBR-
6027:2000), e uma "enumeracao detalhada dos assuntos, nomes de pessoas, 
nomes geograficos, acontecimentos, com a indica<;:aode sua 10caJiza<;:ao no 
texto" (ABl'.'T, NBR 6034:1989). Vem ao final do relat6rio, se 0 pesquisador 
desejar inclui-lo. Sumario e uma enumera<;:ao "das principais divisoes, 
e outras partes de um documento, na mesma ordem em que a materia nele se 
sucede" (ABNT, NBR 6027:1989), e respectivas paginas correspondentes. Vern 
no inkio. Veja um fornecido por Fernando Hor-Meyll Alvares: 
SUMARIO 
o PROBLEMA 
1.1 Introduyao .......................................................................................................... 3 
1.2 Objetivos ............................................................................................................ 7 
1.3 Suposi!(ao .......................................................................................................... 7 
1.4 Delimita9ao do estudo ....................................................................................... 8 
1.5 Ralevancia do estudo ........................................................................................ 9 
1.6 Defini!(ao dos termos ....................................................................................... 10 
20 PRO]ETOS E RELATQRlOS DE PESQUISA 1:.'1 ADMINlSTRA<;:AO 
2 REFERENCIAL TEORICO 
2.1 Tipos de aquisi<;ao ........................................................................................... 11 
2.2 Motivos que levam empresas e bancos a realizar fusoes e aquisi90es ..... 15 
2.3 Riscos e cuidados em fus6es e aquisi<;5es ................................................. 20 
3 METODOLOGIA 
3.1 Tipo de pesquisa ............................................................................................. 41 
3.2 Universo e amostra ......................................................................................... 43 
3.3 Coleta de dad os .............................................................................................. 45 
3.4 Tratamento dos dados .................................................................................... 48 
3.5 Limitat,;5es do metodo .................................................................................... 51 
4 CRONOGRAMA ........................................................................................................ 52 
5 REFERENCIAS BIBLlOGMFICAS .......................................................................... 53 
6 BIBLIOGRAFIA ~ ........................................................................................................ 55 
ANEXO .......................................................................................................................... 59 
Questionario 
2.4 INTRODU\=AO 
Introduc;:ao e uma parte do Capitulo I do projeto - 0 PROBLEMA -, na 
qual se the faz 0 marketing. Dito de outra maneira, e uma se~ao na qual se 
aguc;:a a curiosidade do leitor, na qual se tenta "vender-lhe" 0 projeto. A 
introduc;:ao deve ser curta, proporcional ao numero de paginas do projeto. E 
adequado terminar com a formulac;:ao do problema, sob a forma de pergunta. 
A formulac;:ao do problema e ponto vital na constru~ao do projeto. Por 
esse motiv~, abro neste texto urn espa;;;o s6 para tratar dele. 
2.5 0 PROBLEMA DE PESQUISA CIENTiFICA 
Ha pessoas que ja estiio com seu problema de pesquisa c1aramente 
definido. Mas nem sempre e assim. Nao e raro, por exemplo, encontrar mes-
tfandos e doutorandos as voltas com a dificuldade na formulac;:ao de urn 
problema cientffico, do qual depende sua dissertac;:aa e sua tese. 
Dissertac;;ao e tese sao as denominac;:oes que 0 Parecer nQ 977/65 do 
extinto Conselho Federal de Educac;:ao da as monografias de mestrado e de 
doutorado, respectivamente. Vale aqui .alertar que tais denominac;:oes sao urn 
tanto inapropriadas, uma vez que uma tese e dissertativa e uma dissertac;:ao 
pode apresentar uma tese. Mas como sao as denominac;:oes legais, aqui assim 
sao apresentadas. Para a legisla~ao, "a disserta;;;ao do mestrado devera eviden-
COME<;O DO PROjETO DE PESQlJISA 21 
ciar conhecimento da literatura existente e a capacidade de investiga~ao do 
candidato, podendo ser baseada em trabalho experimental, projeto especial 
ou contribui~ao tecnica", enquanto "a tese de doutorado devera ser elaborada 
com base em investiga~ao original, devendo representar trabalho de real con-
tribuic;:ao para 0 tema escolhido" (Parecer nQ 977/65 do Conselho Federal de 
Educa~ao). 
A afiimac;:ao de que da formulac;:ao de urn problema cientffico depende 
a construc;:ao de dissertac;:6es e teses significa que: (a) dissertac;:oes e teses, 
bern como relat6rios de pesquisa em geral,_5urgem da exist~!l<;:j,u:k Rroblemas 
cientifi<::.9.§, p<;)fque teses, monografias,. relat6.rios d.e p~;q~isa em" 
ger;}l sao as resR()stas a e$.~es (b) a formulac;:ao de 'p;;;ble~~~-" 
cientfficos nao e tarefa das mais faceis, mas estrategica. 
Problemas formulados de maneira inadequada podem colocar por terra 
todo urn trabalho que, em geral, consome bastante tempo e energia de seu 
realizador. Como mencionado, se a definic;:iio adequada de urn problema, por 
si s6, nao garante 0 exito de uma prodw;:ao cientffica, a defini~ao inadequada, 
certamente, garante seu insucesso. 
Problema e uma quesrao nao resolvida, e algo para 0 qual se vai buscar 
resposta, via pesquisa. Uma questao nao resolvida pode estar referida a algu-
rna lacuna epistemol6gica ou metodologica percebida, a alguma duvida quan-
to a sustentac;:ao de uma afirmac;:ao geralmente aceita, a alguma necessidade 
de por a prova uma suposic;:ao, a interesses praticos, a vontade de compreender 
e explicar uma situa~ao do cotidiano ou outras situas;oes. 
Urn policial diria: "Quem saqueou 0 supermercado?" Urn cientista, pro-
vavelmente, diria: "Ate que ponto 0 saque de supermercados pode estar 
associado aos niveis de desemprego?" Quase sempre problemas apresentam 
relac;:oes entre variaveis. 
Veja os exemplos a seguir: 
a Qual a correla~ao entre produtividade e iluminar;ao do local de 
trabalbo? (Elton Mayo. Teoria das Re/ar,:6es Humanas.) 
a Como 0 clima organizacional a/eta 0 desempenho administrati-
vol (FREDERIKSEN, N., JENSEN, 0., BEATON, E. A. Organizatio-
nal climates and administrative peiformance. Princeton, N. J. : 
Educational Testing Service, 1968.) 
a Que tipo de organizarao deve a empresa ter, para tratar com varias 
condiri5es economicas e de mercado? (LAWRENCE, P. R., LORSCH, 
J. W. As empresas e 0 ambiente. Petr6palis : Vozes, 1973.) 
a A Eil1ATER tomou-se, de Jato, uma instituir;ao? Se Jot esse 0 caso, 0 
que aconteceu, (j"ettvamente, no processo de sua modernizar;:ao e 
Favoretto
Highlight
Favoretto
Highlight
22 PROjETOS E REtAT6RIOS DE PESQUfSA E)'l ADMINISTRA<;Ao 
instituciona!tzafCto? (CARA V ANTES, Geraldo. kfudanfa e avaliar;ao 
de estrategtas de renovafao institudonal. Porto Alegre: FDRH, 1982.) 
Cl 0 ensino de administrar;ao no Brasil e, predominantemente, basea-
do em material de ensino americano. Essa utilizafao de conhecimen-
tos oriundos de outro ambiente sera adequada? (BETHLEM, Agrico-
la. Gerencia it brasileira. Sao Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1989.) 
1:1 Como se pode explicar, cientijicamente, 0 jenomeno marketing? 
(HUNT, Shelby D. Modem marketing theory: critical issues in the phi-
losophy of marketing science. Cincinnati, Ohio: South Western, 1991.) 
Veja mais esses exemplos, todos de ex-mestrandos em Administrac;ao: 
1:1 E passive! medir a eficiencia e a eficacia da administrar;ao de ma-
terial? Como ejetuar tal medir;ao? Que tratamento dar aos indica-
dores produzidos para obler para metros tnterpretativos? (Renaud 
Barbosa da Silva) 
o Quais as vantagens e desvantagens de haver a obrigatoriedade le-
gal de realizar;ao de rating em certas atividades do mercado ji-
nanceiro? (Antonio Felipe de Almeida Pinto) 
o Ate que ponto 0 Banco Central se aproxima ou se ajasta do que 
se caracteriza como uma organizar;ao de aprendizagem? (Maria 
Gloria Marques S. Mota) 
o Ate que ponto a pratica do projeto Brasil 500 Anos, da Rede Glo-
bo, insere-se no conceito de organizar;ao humanizada?(Viviane 
Narducci) 
o Quais as pOSSibilidades e diftculdades da implantar;ao da Gestao 
pela Qualidade Total no Servir;o de Recursos Humanos - Serec, 
da Petrobrds? (Tamil Moyses FHho) 
o Quais os jatores determinantes das politicas do meio ambiente im-
plantadas no Brasil, no seculo XIX, pelos dijerentes governos? (Re-
gina Clara Simoes Lopes) 
o Qual a correlar;ao entre a atuafao das trading companies japo-
nesas Sogo Shosha, e 0 sucesso do Japao no periodo que suce-
deu a Segunda Guerra Mundial? (Ubyrajara Brasil dar Bello) 
o Quais as jormas das relar;oes entre organizafoes do terceiro se-
tor, as pertencentes ao Estado e as do mercado, na busca de solu-
yao para problemas sociais? (Elvira Cruvinel Ferreira Ventura) 
E posslvel levantar algumas regras praticas para a formulac;ao do pro-
blema. Por exemplo: 
a. Verificar, antes de tudo, se 0 que se pensou e, real mente, urn 
problema cientffico. E diffcil imaginar, por exemplo, soluc;:ao cien-
COME<;O DO PRO]ETO DE PESQUlSA 23 
tifica para 0 seguinte problema: "Como fazer para que Cairn se 
arrependa de ter matado Abel?" Se soluC;ao cientlfica e impossl-
vel, daro esta que 0 problema nao e cientuico. 
b. Como nos ensinou KerIinger (1980), 0 problema deve ser formula-
do sob a forma de pergunta. Logo se percebera como esse recurso 
vai darificar para 0 autor do projeto - e, naturalmente, para 0 leitor 
- 0 que, de fato, 0 pesquisador quer saber. As vezes, corre-se 0 
risco de, em urn primeiro momento, confundir tema com proble-
ma, mas a formulat,;ao deste sob a forma de pergunta ajuda a distin-
guir urn do outro. Adiante cuidarei dessa distinc;ao. 
c. A pergunta deve ser redigida de forma dara e concisa. Palavras a 
mais ou a menos podem confundir 0 pesquisador e 0 leitor. E utH 
que se encontre 0 equilfurio desejado. 
d. 0 problema deve ser definido de tal forma que a solut,;ao seja 
posslveL Se um estelionatario engendra crimes cuja soluc;ao. seja 
extremamente diflcil ou ate impossivel para a polkia, urn cientis-
ta competente, ao contrario, formula problemas cuja soluc;:ao seja 
possivel para ele e para outras pessoas, mais cedo ou mais tarde. 
Contudo, M. problemas que merecem ser descartados caso nao 
seja possivel obter os dados de que se necessita, ou caso nao se 
domine a metodologia adequada ao tratamento dos dados e a 
analise de resultados. Ap6s conduir a formulac;:ao de um proble-
ma, e pertinente que voce se pergunte: tenho como encontrar a 
soluC;ao? Nesse ponto, voce percebera, com niiidez, a relac;ao 
entre problema a investigar e metodologia de investigac;ao. 
e. a problema deve ser colocado dentro de urn tamanho que contri-
bua para a factibilidade da soluc;:ao. Dito de outra maneira, e 
preciso seledonar variaveis, definir a perspectiva temporal-es-
pacial e outros elementos com os quaiS se possa lidar, colocando 
a tarefa, portanto, em proporc;oes acessfveis. 
Listadas as regras, vale a pena lembrar que ha diferenc;:a entre problema 
e tema. Do tema procede 0 problema a ser investigado. Urn tema pode suscitar 
varios problemas. Tern, portanto, car:'iter mais geral, mais abrangente do que 0 
problema. Veja esses exemplos: 
o Tema: 
Cultura organizacional 
Problema: 
Como a dimensao simb6lica permeia as relaft5es de trabalho na Metodo 
Engenharia? 
24 PROjETOS E RELUORlOS DE PESQGISA EM ADy1!NlSTRA<;AO 
[J Tema: 
. Marketing de Servi(:o 
Problemas: 
[J Tema: 
a. Ha congruencia entre as expectativas e as percepr;oes dos usua-
rios do Servi(:o de Cardiologia do Hospital Miguel Couto quanta it 
qua/idade dos servi{:os prestados? Se ba congruencia, 0 que a ex-
plica? Se nao ba, 0 que explica a ausencta? 
b. No ambito da presta{:ao de servi(:os de informatica e telecomuni-
cat;:oes por parte do Servi(:o de Recursos da Informa(:ao Serinf -
da Petrobras, existe diferenr;a entre os fatores que levam 0 cliente 
a classificar 0 encontro de servir;o como satisfat6rio ou insatisfa-
t6rio e os fatores que 0 prestador julga que levam 0 cliente a tal 
satisfat;:ao? (Jorge Manoel Teixeira Carneiro) 
Ensino de Administrat;:ao Publica 
Problemas: 
o Tema: 
a. Os cursos de p6s-graduat;:ao em administra{:ao publica, existentes 
no Brasil, atendem quantitativa e qualitativamente it. demanda do 
mercado? 
b. Qual a rela{:ao da formar;ao em administra{:ao publica e eficacia 
na pratica gerencial dos gerentes da Petrobras? . 
Acidentes de trabalbo 
Problemas: 
[J Tema: 
a. Como reduzir 0 indice de acidentes de trabalbo na construfao civil? 
b. Em que ramo da industria ba a ocorrencia do maior {ndice de 
acidentes de trabalbo? A que se pode atribuir tal {ndice? 
c. Qual a injluencia dos programas de qua/idade total na redur;ao 
dos acidentes de trabalbo? 
Franchising 
Problemas: 
a. Como 0 mercado brasileiro tem-se comportado em rela{:ao a es-
trategia do franchising? 
b. Por que 0 mercado b;asileiro se tem mostrado atraente para a 
pratica do franchising? 
o Tema: 
COME<;O DO PRO]ETO DE PESQlJ1SA 25 
c. Quais as vantagens e as desvantagens do franchising para uma 
pequena indUstria de roupa feminina? 
Autonomia universitaria 
Problemas: 
a. Quais ayoes universitarias podem indicar autonomta das ttniver-
sidades em relafao ao Estado? 
b. Qual 0 grau de autonomia das universidades federais brasileiras? 
c. Como avaliar 0 grau de autonomia das universidades? 
d. A autonomia das unidades da universidade em relayiio a toda a 
universidade depende da autonomia da universidade em reiayao 
ao Estado? Se depende ou nao, em que medida isso se da? 
e. Universidades fundacionais tem mats ou tem menos autonomia 
que universidades autarquicas? 
f Universidades federais tem mais au tem menos autonomia que as 
estaduais? 
2.6 OB}ETIVO FINAL E OB}ETIVOS INTERMEDlARIOS 
Se 0 problema e uma questao a investigar, objetivo e urn resultado a 
alcan~ar. 0 objetivo final, se alcan~ado, da resposta ao problema. Objetivos 
intermedh'irios sao metas de cujo atingimento depende 0 alcance do objetivo 
finaL Objetivos devem ser redigidos com 0 verbo no infinitivo. Veja os exem-
plos fornecidos por Jose Luis Felicio dos Santos de Carvalho e por Dourival de 
Souza Carvalho Junior, respectivamente: 
o Problema: 
Como compreender 0 fenomeno organizac/onal da administrafao da 
comunicafao interativa nos encontros de servifos por meio da metafora de um 
espetaculo teatral? 
Objetivo final: 
Desenvolver uma referenda para observafao e tratamento da 
administrayao de servifOS, a partir da abmura do dia/ogo entre artes cenicas 
e marketing de serviyos. 
Objetivos intermediarios: 
analisar as sitttafOes de comunica{:ao interativa em servi};os; 
investigar a teoria de palco e bastidores, sud origem, aspectos con-
ceituais e ap/icados; 
26 PRO]ETOS E RELATORIOS DE PESQUISA EM ADyIlNISTRA<;:AO 
examinar principios e tecnicas teatrais passiveis de aplicafao ao pro-
blema; 
ampliar os fundamentos de conjunfaO entre tealro e servifos. 
[J Problema: 
Alguns autores tem afirmado que a produfao cientijica brasileira em 
organizafoes esta fortemente calcada em referendal estrangeiro, sobretudo no 
de origem americana. Quais as possiveis conseqaencias desse fato para a ad-
ministrafao no Brasil? 
Objetivo final: 
Apresentar a consolidafao de riflexi5es sobre as possiveis consequencias, 
para a administrafao no Brasil, das rejerenctas utilizadas por nossos autores. 
Objetivos intermediarios: 
levantar as nacionalidades das referenctas utilizadas por auto res 
brasileiros de analise organizacional; 
levantar as principais razoes que levam esses autores a utilizafao 
do tipo de referencial indicado e, dessa forma, explicar tal uso. 
2.7 QUESTOES A SEREM RESPONDIDAS 
Sao algumas quest6es que se levantam e que deverao ser respondidas 
no estudo. As quest6es funcionam como urn roteiro de pesquisa. Podem subs-
tituir a formular;ao de objetivos intermediarios. Veja os exemplos fornecidos 
por David Ricardo Moreira Ramos e Lauro Antonio Lacerda d'Avila, re:50I~ctl­
vamente: 
IJ Problema: 
que? 
Quais as possibilidades e as limitafoesde universidades corporativas? Por 
Questoes a serem respondidas: 
Que e uma universtdade corporativa? 
Quais as razi5es que levam uma empresa a criar uma universida-
de corporativa? 
Que contribuifoes sao esperadas de uma universidade corpora-
tiva? 
COME<;:O DO PRO]ETO DE PESQUISA 27 
:l Problema: 
Na epoca em que estamos vivendo, em que bd tanta redw;ao nos pos-
tos de trabalbo, que importancia e dada a lealdade institucional no contrato 
pstcol6gico que se estabelece entre os trabalbadores formalmente empregados 
e as empresas que os empregam? 
Questoes a serem respondidas: 
Quais sao as evidencias de redufao nos postos de trabalho? 
- Que e lealdade institucional? 
Que sdo e como sao levados a efeito os contratos psicol6gicos? 
Um lembrete: se a opr;ao for pel a formula<,;:ao de questCies, em vez de 
se-lo pela formular;ao de objetivos intermediarios, nao se esquer;a de tal 
como faria com estes, a correlar;ao das quest6es com os modos pelos quais 
voce conseguira responde-las. Dito de outra maneira, e utH correlacionar ques-
toes com coleta e tratamento dos dados. 
Este capitulo apresentou 0 modelo sugerido para a estruturar;ao do 
projeto de pesquisa, esclareceu como deve ser a folha de rosto, procurou 
deixar claro que indice e sumario nao sao sinonimos, sugeriu que na introdur;ao 
do projeto voce formule 0 problema sob a forma de pergunta e buscou 
esclarecer 0 que e urn problema de pesquisa cientffica, apresentando varios 
exemplos. 0 capitulo tambem tratou de conceituar 0 que e objetivo final e 
alertar que ele e alcanr;ado via atingimento de objetivos intermediarios, bern 
como esclareceu que a formular;ao destes ultimos pode ser substitufda pela 
formalizar;ao de questoes a serem respondidas. 
3 
DO PROBLEMA AOREFERENCIAL 
TEORICO 
Neste capitulo, sao apresentados os conceitos referentes a hip6teses, 
suposir;:oes, delimitar;:ao do estudo, relevancia do estudo e definir;:ao dos ter-
mos, bern como exemplos pertinentes. Esses itens encerram a prime ira parte 
do modelo, aqui configurada como seu primeiro capitulo, conforme visto. 
Tambern e discutido 0 conceito de referencial te6rico e sua funcionalidade, 
bern como sao apresentadas algumas dicas para sua elaborar;:ao. 
3.1 HlPOTESES OU SUPOSI{:OES 
Hip6teses, ou suposir;:5es, sao a antecipar;:ao da resposta ao problema. 
Se este e formulado sob a forma de pergunta, a hip6tese, ou a suposir;:ao 0 sao 
sob a forma de afirmar;:ao. A investigar;:ao e realizada de modo que se possa 
confirmar ou, ao contrario, refutar a hip6tese, ou a suposir;:ao. 
Ern geral, 0 termo bip6tese esta associado a investigar;:5es rna is na linha 
positivista ou neopositivista; nessa situar;:ao, implica testagem, quase sempre 
de relar;:5es, via procedimentos estatfsticos. Ha dois tipos de hip6tese: consti-
tutiva e operacional. Vma hip6tese constitutiva define palavras corn outras 
palavras, como nos dicionarios. A operacional especifica operar;:5es necessarias 
para medir ou manipular urn conceito (ou constructo). Hip6teses estatisticas 
sao formuladas ern formas nula eHo) e alternativa (HI' Hz etc.). Por exemplo: 
Nao ba relafao signijicativa entre marca e desejo de compra por 
parte do adolescente. 
H
1
- Ha relafao significativa entre marca e desejo de compra por 
parte do adolescente. 
As hip6teses sao redigidas no capitulo referente ao problema, mas a 
informa<;:ao de como ela sera testada e dada no capitulo referente a metodolo-
gia, mais precisamente, na parte que se refere a tratamento dos dados. 
DO PROBL"''IA AO REFERENClAL TE6ruco 29 
Para trabalhar corn hip6teses e testes, e indispensavel 0 conhecimento 
de estatfstica. Atualmente, esse trabalho esta bastante facilitado pela quantida-
de de softwares colocada a disposir;:ao do pesquisador. 
Suposir;:5es est:ao mais associadas a pesquisas chamadas qualitativas. 
Nao implicam testagem; apenas, confirma<;:ao ou nao, via mecanismos nao 
estatlsticos. Veja 0 exemplo de Paula Chimenti e de Claudia Marquesi Prala: 
o Problema: 
De que jorma a teoria do caos pode ajudar a explicar 0 sucesso ou 0 
insucesso da estrategia de lanfamento de um produto? 
Suposir;:ao: 
A teoria do caos pode atuar de jorma significativa para explicar 0 su-
cesso ou jracasso de um novo produto, pela possibilidade que eria de um mo-
delo mais aberto, que introduza ° conceito de imprevisibilidade nas estrategias 
de marketing para lanf;amentos de produtos. 
o Problema: 
Que medidas poderao ser adotadas pelo Banco Central do Brasil no 
atendimento a seu publico externo, no sentido de proporcionar-lhe satisjaf;ao? 
Suposir;:ao: 
Embora, como nos alerta Albrecht (1992), seja perigoso levantar supo-
sifoes quando se trata de conbecer 0 cliente, presumimos que as medidas a 
seguir relacionadas poderao estar incluidas entre aquelas que nossa pesquisa 
identificar: 
• melboria das instalafOes dos setores de atendimento; 
• melbor equacionamento dos sistemas tecnol6gicos de apoio a es-
ses setores; 
• maior enjase no treinamento do pessoal de eontato direto com 0 
publico; 
• ador;ao de atividades anti-stress para esses fimcionariosj 
• aumento do numero de juneionarios, dtminuindo ° tempo de es-
pera do publico; 
• implantafao de um sistema de turnos para ° atendimento que, 
associado ao item anterior, traria como resultados: menor desgas-
te dos juncionarios, aumento do horario de atend/mento, maior 
disponibilidade para reali:t:ar;ao permanente de treinamento e 
atualizafao dos juncionarios. 
30 PRO]ETOS E RELATORIOS DE PESQUISA EM Am!I:-I1STM<;:A.O 
E esperado, e mesmo desejado, que a pesquisa traga-nos algumas sur-
presas, acrescentando muitos itens a essa !ista, ou subtraindo alguns. 
3.2 DELIMITAc;;AO DO ESTIJDO 
Delimita\;ao do estudo refere-se a moldura que 0 autor coloca em seu 
estudo. E 0 momento em que se explicitam para 0 leitor 0 que fica dentro do 
estudo e 0 que fica fora. ]a que a realidade e extremamente complexa, por 
urn lado, e historica, por outro, nao se pode analisa-la em seu todo; logo, 
cuida-se apenas de parte dessa realidade. 
DeIimitac;ao nao pode ser confundida com a definic;ao do universo e da 
amostra de pesquisa. Delimitac;ao trata de fronteiras concernentes a variaveis, 
aos pontos que serao abordados, ao corte (transversal ou longirudinal), ao 
perfodo de tempo objeto da investigac;ao, como, por exemplo, series hist6ri-
cas, perfodos de mudanc;a planejada e outros. Veja os exemplos a seguir, para 
os quais contribufram Rosangela Vianna Alves da Silva e Helio Arthur Reis 
Irigaray: 
I:l Problema: 
Ate que ponto a complexa teta da conjuntura nacional desencadeou 
as mudant;as no padriio organizacional da Fundap'io Getulio Var.gas (FGV) 
durante 0 periodo 1990-1998 e quais os impactos dessas mudam;;as no padrao 
organizacional da Escola Brasi/etra de Administrat;ao Publica (EBAP)? 
Delimitas,:ao do estudo: 
o estudo, ora em projeto, pretende abordar, a luz da teo ria dos siste-
mas dinamicos (CAPRA, 1996), 0 processo de mudant;a organizacional ocor-
rido na FGV no periodo 1990-1998. Para tanto, fixar-se-a atent;ao no estabe-
lecimento da configurar;ao que determina as caracteristicas essenciais do siste-
ma, antes e depois da reestruturat;ao, bem como nas re/ar;oes processuais da 
mudanr;a. A estrutura, em bora apresentando carater secundario no estudo, 
tambem sera necessariamente foco, uma vez que pode ser entendida como a 
incorporat;ao jisica do padrao do sistema. 
o estudo ficara restrito as relar;oes existentes em toda a FGVe, mais es-
pecificamente, as relat;oes intemas da Ebap, que formam um subsistema de 
dina-mica propria que, no entanto, dependem das interat;oes com 0 sistema 
maior, a FGV. Nao serao objeto de estudo os processos de reestruturat;ao ocor-
ridos no interior das demais unidades constituintes da FGV. 
As possiveis alterar;oes no ciima e cu/tura or.ganizacionais decorrentes 
do processo de mudanr;a tambem nao serao alvo de estudo, pelo menos a prin-
cipio. 
tivos: 
DO PROBLEMA AO REFERENCIAL TE6ruco 31 
No que conceme ao periodoescolhido, a delimitar;ao deve-se a dois mo-
• 1990 foi 0 ana no qual se desencadeou 0 processo de reestrutura-
t;ao da FGV; 
• 1998 e 0 tempo-limite para que se possam .acessar dados e con-
cluir 0 estudo no tempo previsto. 
Cl Problema: 
Quais as sirnilaridades entre a mitologia afro-brasileira e a vida das or-
ganizat;oes? 
Delimitac;ao do estudo: 
Muito dificilmente um projeto se constitui como um corpo ideal que en-
globa todos os aspectos e facetas abrangentes da analise de determinado tema. 
No deli rio do processo criativo exteriorizamos inumeras pretensoes, muitas ve-
zes desconsiderando as enormes dificuldades a serern enfrentadas, entre elas a 
luta contra palavras que levam a redundiincia e ao esvaziamento\ 
\ 
Neste trabalbo, a maior dificuldade a ser enfrentada e a delimitat;ao na 
abordagem de urna cultura tao vasta e .rica como a afro-brasileira. E preciso 
selecionar aqueles orixas que, compondo 0 amplo panteao mitologlco africa-
no, mais adequadarnente instrumentalizam a analogia a ser feila e, principal-
mente, a articular;ao de todos esses elementos. 
Entre as dezenas de nat;oes africanas que foram trazidas para 0 Brasil, 
o estudo tomara como base de analise a cultura Nagi5lYoruba, por ser a mais 
desenvolvida tecnologicamente e a que mats injluenciou a cultura brasileira. 
Os Nag6s refletem em sua manifestar;ao cultural a grandeza do Reino 
: de Oyo, que, sob a regencia do Principe Alafin, se tomou uma potenciade 
877.000 quilometros quadrados, com 3 mtlboes de babitantes. Os Yorubas 
eram urbanos e viviam uma autocracia teocratica, dominavam com perfei-
t;ao a tecn%gia de construr;ao de altos fomos, ferro fundido e utilizat;ao de 
bronze. A mitologia deles e corn posta por um panteao de deuses principais e 
intermediarios, os Ori.:WlS. 
A analogia entre a estrutura dos terreiros de candomble e as empresas 
privilegiara questi5es relativas as relar;i5es de poder. 
Talvez 0 bottom line da delimitat;ao do estudo possa ser traduzido pelo 
aforisma 2.0121 do Tractatus Logico-Philosophicus de Ludwig Wittgenstein.2 
Assirn como nao podemos pensar de modo algum em objetos es-
paciais fora do espar;o, objetos temporais fora do tempo, tambem nao 
podemos pensar em nenhum objeto fora da possibilidade de sua li-
gat;ao com outros. 
32 PRO]ETOS E RELU6ruos DE PESQUISA Ill'I,;Drill?-;lSTRA<;:A.O 
3.3 RELEVANCIA DO ESTIJDO 
Relevancia do estudo e a resposta que 0 autor do projeto da a seguinte 
indaga~ao do lei tor: em que 0 estudo e importante para a area na qual voce 
esta atuando, ou para a area na qual busca forma~ao academica, ou para a 
saciedade em geral? Em autras palavras, nessa se\;aa a autor justifica seu 
estuda, apontando-lhe contribui~5es de ardem pratica au ao estado da arte na 
area. Como a fizeram Kaffi Djima Amauzou e Joao Luiz Gondomar de Olivei-
ra. Veja: 
Q Problema: 
Como solucionar os principais estrangulamentos do sistema de transpor-
te urbano das gran des cidades da Africa Ocidental? 
Relevancia do estudo: 
Os govern os da Africa e, particulannente aqueles da Africa Ocidental, 
enfrentam atualmente 0 desafio de se desenvolver e buscar nfveis de qualida-
de de vida similares aos dos parses economicamente avanrados. Todavia, esse 
desenvolvimento deve incluir, necessaria mente, um adequado sistema de trans-
porte urbano que pennita as populap5es das cidades exercer, facilmente, em 
tempo nonnal e sem risco, suas atividades cotidianas de trabalho, educarao e 
lazer. 
o tempo e um elemento ativo do processo de desenvolvimento. Em mui-
tas cidades da Africa, e sobretudo da Africa Ocidental, as pessoas perdem mui-
to tempo para chegar ao trabalho, para ir a escola, enfim, para poder exercer 
suas atividades e sati::if'azer necessidades cotidianas. Essa perda de tempo e, em 
grande parte, devida a falta de um sistema de trans porte adequado e coerente 
com 0 crescimento da popularao e ao surgimento de atividades modernas que 
sao levadas a efeito em areas bem ajastadas da casa do cidadao e que the exi-
gem um sistema de deslocamento rapido. 
Muitas vezes ocorre que, para resolver esse problema de transito inte-
rurbano das grandes cidades, os administradores publicos sao obrigados a to-
mar decisoes de maneira rapida, sem qualquer pesquisa especifica no domf-
nio que lhes pennita analisar as causas profundas do problema. E, entao, 
ocorrem consequencias graves para a sociedade, tais como: conjlitos entre os 
motoristas e os usuarios de transporte coletivo, entre motoristas e pedestres, po-
/fda e moradores. Esses eonjlitos sodais devem-se ao aumento do pref-o dos 
transportes coletivos, ao estacionamento dos meios de transporte coletivos em 
lugares proibidos e a congestao. Tambem se devem ao fato de que as pessoas, 
sem meta pr6priO ou eoletivo de deslocamento, ficam obrigadas a veneer a pe 
as grandes distancias nas calqadas pequenas, quase inexistentes, para cbegar 
ao lugar desejado, todas cansadas. 
. l_ 
DO PROBLEMA AO REFERENCIAL TE6ruco 33 
Essa populaqao a pe e exposta a poeira das ruas, a poluiqao do ar, a 
insolaqao, e perde sua energia andando, em vez de usa-la para 0 trabalbo. 
Isso provoea efeitos sobre a eeonomia global do pais, tais como: baixa de ren-
da do trabalhador, redurao do rendimento do estudante, redurao de tempo 
de lazer, que sao alguns dos fatores importantes no processo de desenvolvimen-
to de um pais. As pessoas possuidoras de meios pr6Prios de des/ocamento, ou 
as que utilizam os meta coletivos, perdem seu tempo de trabalho ou de lazer 
enquanto estao no engarrafamento do transito interurbano provocado pelo 
aumento do m"tmero de vefculos e motos em circulaqao e peZa falta de infra-
estrutura rodovidria adequada. 
Por tudo isso, um estudo que de tratamento especial a questao de um 
sistema racional e adequado de trans porte urbano, coerente com a moderni-
zaqao dos paises da Africa Ocidental, certamente contribuira para um desen-
volvimento duravel e para melbor qua/idade de vida futura dos habitantes, si-
milar ados paises economicamente desenvolvidos. 
Q Problema: 
Quais sao os fatores considerados motivacionais pela Gerarao Baby 
Boomers e pela Geraf-ao X, de funcionarios do Banco Central do Brasil (Ba-
cen)? 
Relevancia do estudo: 
Admitido 0 poder da motivaqao no desempenho profissional dos fun-
cionarios de qualquer empresa, possuir instrumentos para provocar tal moti-
vaf-ao passa a ser um dos principais objetivos perseguidos por seus gestores. No 
entanto, para buscar, e preciso primeiro saber 0 que buscar. No que diz res-
petto ao objeto do presente estudo, identificar os fatores motivacionais que pos-
sam impulstonar os funcionarios do Bacen no desempenbo de suas tarefas e 
primordial para sua gestao. 
Alem de poder auxiliar no curto prazo a fonnulaf-ao de polfticas de re-
cursos humanos do Banco, 0 estudo, pOl' lanf-ar um olbar prospectivo a ques-
tao, podera tambem auxiliar a medio prazo. Convem lembrar que, dentro em 
breve, a Gera~ao X compora, de fonna majoritaria, a forqa de trabalbo do 
Bacen. Segundo 0 Departamento de Planejamento do Banco Central do Brasil 
- Depla, ate 0 ana 2010 0 quadro de pessoal da autarquia sera, praticamente, 
composto por funcionarios que ingressaram em 1990, ou seja, a Geras;iio X. 
Subsidiariamente, 0 resultado desse estudo podera tambem eontribuir 
para avaliar possiveis mudan{;as na cultura organizacionaJ. 
Considere-se, ainda, que estudos que fomeqam subsfdios para mais ade-
quadamente administrar 0 Bacen, em razao do amplo alcance de suas ativi-
dades na economia do pais, sao de interesse de nossa sociedade que deve, cada 
vez mais, exigir serviqos de qualidade . 
34 PRO)ETOS E RELAT6RIOS DE PESq1.7ISA Ey! ADMINISTRA<;:AO 
Alem da possibilidade de aplicar;oes praticas para a gestao do Bacen e 
da contribuir;ao aos anseios da sociedade brasileira, a pesquisa pro posta pode-
ra agregar descobertas aos estudos organizacionais, iT, medida que confronta-
ra as diversas teorias sabre motivar;ao, Gerar;ao Baby Boomers e Gerar;ao X, 
com os dados obtidos noBacen. 
3.4 DEFINIc;AO DOS TERMOS 
Defini<;ao dos termos refere-se a uma pequena lista de termos-chaves 
do estudo, com suas defini<;oes, como se faz em dicionarios. Considerando-se 
que um mesmo termo pode ter significados diferentes para diferentes pessoas 
e contextos, 0 autor do projeto deve alertar 0 leitor para como determinado 
termo deve ser entendido em seu texto. Veja os exemplos fornecidos por Hum-
berto Falcao Martins e por Liesel Mack Filgueiras: 
Q Titulo do projeto: 
A relar;ao jlexibilidade e modelo de gestao: uma analise de experien-
cias recentes de jlexibilizar;ao na administrar;ao publica brasileira. 
Defini<;ao de termos: 
Flexibilidade ampliar;ao da autonomia gerencial, capacidade de au-
todefinir;ao de regras de gestao. 
Modelo de gestao con junto de variaveis, tais como: estrutura, padrao 
de lfderanr;a, padrao de comunicar;ao, padrao de comprometimento, concep-
r;oes de planejamento e de controle, que definem a forma como uma organi-
zar;ao e estruturada e gerida. 
Alinhamento do modelo de gestao - congruencta entre a grau de com-
plexidade de contexto organizacional eo grau de jlexibtlidade do modelo de 
gestao. 
Q Titulo do projeto: 
Promor;ao e propaganda na Igreja Universal do Reino de Deus. 
Defini<;;ao de termos: 
Propaganda - 0 termo propaganda e utilizado nesse trabalho como "su-
gestao de massa ou injluencia por meio da mantpular;ao de sfmbolos e da psi-
cologia do indiufduo" (ARONSON, 1992, p. 26). 
Consumo 0 termO consumo exige, aqui, uma conceitua!izar;ao mais 
aprofundada. Segundo Baudrillard (1970, p. 21) "0 miraculado do consumo 
serve de todo um dispositivo de objetos simulacros e de sinais caracteristicos 
DO PROBLEMA AO REfERENCIAL TE6R1CO 35 
da felicidade, esperando em segutda (no desespero, diria um moralista) que a 
felicidade ali venha pousar-se. Esta seria a mentalidade de consumo privada e 
coletiva, governada pe/o pensamento magico, ou seja, a crenr;a na onipoten-
cia dos signos". 
o consumo na Iurd nao poderia encaixar-se melbor nessa definir;ao. A 
Iurd parece vender milagres, vender a cum de doent;:as, vender a ascensao 
economica, ou seja, parece vender a fe/icidade completa e absoluta - Deus e 
dono de todas as coisas, esta em tudo e pode satisfazer a todas as necessidades 
e desejos. Os fieiS devem apenas pagar; quanta mats, mais verdadetra a fe, mais 
eficiente 0 milagre. A Iurd ilustra literalmente a definir;ao de Baudrillard. 
Uma observa<;ao: se a lista de termos for extensa, ou tecnica, pode ser 
transformada em glossario e colocada apos as referencias bibliograficas. 
3.5 REFERENCIAL TEORICO 
Denomina-se referendal teorico 0 capitulo do projeto que tem por 
objetivo apresentar os estudos sobre 0 tema, ou especificamente sobre 0 
problema, ja realizados por outros autores. Faz, portanto, uma revisao da 
literatura existente, no que concerne nao so ao acervo de teodas e a suas 
crlticas, como tambem a trabalhos realizados que as tomam como referencia. 
Dessa forma, 0 autor do. projeto e 0 leitor - cada um em seu tempo - tomam 
conhecimento do que ja existe sobre 0 assunto, ou seja, sobre 0 estado da 
arte, oferecendo contextualiza~ao e consistencia a investiga<;ao. 
Alem de visitar e revisitar a Iiteratura, e no capitulo destinado ao 
referendal teorico que 0 autor do projeto revela suas preocupa<;oes e prefe-
rencias, aponta para 0 leitor as lacunas que percebe na bibliografia consulta-
da, ou as discordancias que com e1a tem au as pontos que considera que 
precisam ser confirmados. Lacunas percebidas, discordancias existentes ou 
pontos a ratificar permitem novas propostas, reconstru<;oes, dao vida ao 
trabalho dentffico. 
o referencial te6rico tem tambem outras fun<;oes. Por exemplo: 
a) permite que 0 autor tenha maior clareza na formula<;ao do pro-
blema de pesquisa; 
b) facilita a formula~ao de hip6teses e de suposi<;oes; 
c) sinaliza para 0 metodo mais adequado a solu<;ao do problema; 
d) permite identificar qual 0 procedimento rna is pertinente para a 
coleta e 0 tratamento dos dados, bem como 0 conteudo do proce-
dimento escolhido; 
36 PROJETOS E RELAT6ruos DE PESQt;ISA E.'I AD:VIlo.1STM<;Ao 
e) e a sua luz que, durante 0 desenvolvimento do projeto, sao inter-
pretados os dados que foram coletados e tratados. 
Os insumos para a constrw;,::ao do referendal podem ser obtidos: 
a) na midia eletr6nica; 
b) em livros, peri6dicos, teses, disserta<;:6es, relat6rios de pesquisa 
e outros materiais escritos; 
c) com outras pessoas. 
E relevante ler os autores chissicos do campo no qual se insere 0 
problema. Tambem a bibliografia recente, digamos, dos ultimos cinC? anos. E 
sabio procurar fontes primarias e evitar tradu<;:6es, sempre que posslve!. Fon-
te primaria e, como 0 nome diz, a prime ira fonte, aquela que pode desenca-
dear outras. 
E uti! fazer 0 levantamento do acervo sobre 0 assunto, disponlvel na 
mfdia eletr6nica e nas bibliotecas. Selecionar as obras que, a priori, parecem 
pertinentes. Ler 0 sumario au 0 resuma dessas obras para abandonar as que 
nao agregarao valor a solw;,::ao do problema. Ler tambem a b~bli?gra!ia, as 
notas de rodape e as notas e comentarios que podem oferecer mdlca<;:oes de 
outras obras. Igualmente, ler-lhes 0 indice ou 0 abstract e seleciona-Ias. Fazer 
leitura explorat6ria das obras que restaram. Abandonar mais algumas, se .for 0 
caso. Ler com profundidade as obras que ja sofreram as filtragens antenores. 
Fazer anotac;:6es, referendando nome e sobrenome do autor, nome da obra, 
local, eclitora, ana da publicac;:ao, numero da pagina de que foi transcrita a 
informac;:ao, ou endere<;:o e data se 0 trabalho foi obtido na Internet. Se a 
anota<;:ao e a transcri<;:ao de algum trecho da obra, coloca-Ia entre aspas, para 
mais tarde lembrar que aquelas palavras foram ditas por outra pessoa que nao 
voce. Tambem e importante, importantissimo, registrar conclusoes pessoais. 
Entrevistas com especialistas, profess ores e outros profissionais da area, 
ou nao, bern como com colegas e amigos com interesses comuns, podem ser 
de extrema valia na constru<;:ao do referendal te6rico. Pessoas familiarizadas 
com 0 tema podem aprofundar as discussoes, polemizar. Pessoas nao familia-
rizadas podem fazer as chamadas "perguntas inocentes", nao raro provocado-
ras de reflexao. 
Na constru<;:ao do referencial te6rico, e interessante levantar 0 que ja 
foi publicado a respeito do que esta sendo objeto de sua investiga<;:ao, apre-
sentando varias posi<;:oes te6ricas. E born lembrar que tal apresenta<;;ao nao 
significa fazer 0 resume de varias obras. As varias posi<;;oes te6ricas nao devem 
ser apenas relatadas de forma resumida; antes, devem ser ~nali~adas e con:ro~­
tadas. Lacunas que voce tenha percebido nesses trabalhos, IStO e, pontos fragels 
DO PROBLE.'vlA AO REFERBlCL-\l. TE6ruco 37 
ou nao discutidos, bern como conclusoes com as quais voce concorda ou 
discorda, devem ser mencionadas e justificadas. E instigante dialogar (por 
escrito, e claro) com os autores apresentados. A argumenta<;:ao direcionada 
para 0 problema deve ser construfda com profundidade, coerencia, clareza e 
elegancia. 
o uso parcimonioso de metaforas, de hist6rias ou de poesias para 
ilustrar determinada ideia e interessante. Elas tern 0 merito de quebrar urn 
pouco a aridez da linguagem cientifica e de tornar mais facilmente inteligivel 
pontos que queremos destacar. Weick (1995)' por exemplo, ao discutir a 
questao do sensemaking nas organiza<;;oes, cita poemas de Pablo Neruda. 
Quanto aos adjetivos, esque<;:a-os de modo vez de escrever, 
por exemplo, "Como diria 0 grande ·Weber. .. ", escreva apenas: "Como diria 
Weber ... " 
Ja que estamos falando de reda~ao, vale aqui outra dica. Desde a pri-
meira pagina de seu projeto e, posteriormente, de seu relat6rio, evite para-
grafos-jumbo, aqueles que, quando 0 leitor Ie a ultima palavra, ja se esqueceu 
do que se trata, tao grande e1e e. Voce me dim que ja leu Bourdieu & Passe-
ron e que eles, como outros autores, fazem paragrafos de rnais de uma pagi-na. E verdade. Mas lembre-se: autores como esses sao deuses do Olimpo, 
formuladores de grandes teorias. Concessoes esteticas tern de lhes ser feitas. 
Mas n6s ... N6s somos vis mortais. Temos de conquistar nossos leitores por 
muitas vias. 
Voltemos ao referendal te6rico. 0 capitulo deve ser dividido em se-
~oes, cada uma com seu titulo. No sumido deste livro, voce tern urn exemplo. 
Na abertura capitular, os tftulos devem vir em destaque no alto da pagina, iSlO 
e, em caixa-alta (letras maiusculas), normalmente, em negrito. Nao e estetico 
grifar as palavras de urn titulo, nem colocar-lhe urn ponto ao final. Nos subtf-
tulos, de urn destaque diferente. Por exemplo: use letra maiuscula apenas na 
primeira letra da primeira palavra, ou nas letras iniciais de todas as palavras. 
Mantenha 0 negrito. Use sua cdatividade de modo a ajudar 0 leitor. 
Ao utilizar numeros para destacar subtftulos, lembre-se do que inforrna 
a ABNT (NBR 6024:1989): sao empregados algarismos ambicos seguidos do 
tftulo ou do subtitulo. 
Veja 0 exemplo de Joaquim Rubens Fontes Filho: 
1 Fundos de pensao 
1.1 Fundos de pensao como investidores institucionais 
1.2 Estrnturas de propriedade, estrategia e prtiticas de gestao 
Na reda~ao, nao abuse de transcri<;:ao de dta~oes diretas, ou "trans-
cric;:ao textual dos conceitos do autor consultado" (ABNT, NBR 10520:2001). 
38 PROJETOS E RELAT6ruos DE PESQU1SA EM ADMINISTRA<;Ao 
Citac;:ao e menc;:ao de uma informa~ao eolhida em outro autor. Pode ser para-
fraseada ou transerita. Seja parcimonioso com transcri\;oes, para valoriza-las. 
Tambem nao fa\;a eita~oes para apoiar uma ideia, se nao tiver certeza da linha 
de raciocfnio ou ideol6giea do autor. 19ualmente, nao cite uma fonte de se-
gunda mao, fazendo de eonta que leu 0 original. 
Se a transeric;:ao tiver ate tres linhas, fica esteticamente bonito apre-
senta-la dentro do pr6prio paragrafo, mas nao se esquep de colocar as 
aspas. Caso a transcric;:ao comece com letra minuscula, depois das aspas 
finais coloea-se ponto; caso comece com maiusculas, as aspas finais e que 
veem depois do ponto. Se a transcric;:ao tiver mais de tres linhas, mude de 
linha, mude 0 espac;:o (por exemplo, de 2 para 1) e eomeee a escrever com 
reeuo de 4 em da margem esquerda, em letra menor que a do texto e sem 
aspas CABNT, NBR 10520:2001) Observe que, ao fazer a transeri\;ao, voce 
deve informar a seu lei tor 0 numero da pagina da obra de on de 0 trecho foi 
tirado. Veja 0 exemplo de (a) Maria Helena Silva Costa Sleutjes, (b) 0 de Luis 
Felipe Chateaubriand Baracho Ferreirinha Amador e (c) 0 de Isao Iamamoto, 
todos diferentes entre si: 
a) Para Durham (1988, p. 113), "cabe ao MEC promover de todas as 
Jonnas as experiencias de auto-avaliafaO, colocando a disposifao 
das instituit;oes recursos e subsidios para que realizem esta tareja ". 
b) "56 uma teoria revoluctonaria cria uma at;aO revo!ucionaria", 
aJirma Lenin, mencionado por Pereira (1988, p. 81). 
c) Aiem disso, a Jorte identidade dos japoneses com a comunidade 
ou com 0 grupo a que pertencem vem produzindo, htst6rica e 
antropologicamente, 0 coletivismo, deixando a independencia do 
individuo para segundo plano. Okada (1993, p. 22) analisa este 
ponto: 
Se eventos obrigam os japoneses a safrem pelo mundo aJora, eles 
carregam consigo status e obrigat;Oes como membro da comuni-
dade e os mantem permanentemente. Durante a vida inteira, 0 
destino de urn individuo esta atrelado ao da propria comunidade. 
Caso voce suprima alguma parte da transcri(,;ao, ponha colchete, ponti-
nhos e colchete. Assim: 
As incertezas [.. J sao vistas pela administrat;ao como risco de neg6cio 
(SPIRO, 1991, p. 118). 
o texto suprimido e: que tornam as previsoes urn trabalho tao perigoso. 
Voce pode tambem fazer citac;:oes parafraseadas e transcritas de informa-
(,;oes obtidas em simp6sios, seminarios, conversas, vale dizer, qualquer meio de 
comunica~ao oral. Nesse caso, escreva entre parenteses: (informa<;;iio oral). 
DO PROBLEMA AO REFERE:<CIAL TE6ruco 39 
Se voce leu urn texto em Ifngua estrangeira, e natural que, ao trans cre-
ver urn trecho, queira faze-Io nessa Hngua. Esta correto. No entanto, e possi-
vel que nem todos os seus leitores dominem tal lfngua. Se voce quer que seu 
trabalho seja lido pelo maior numero possivel de pessoas, como resolver 0 
impasse? Ha saidas. Voce pode, por exemplo, fazer a transcri<;;ao na Hngua 
estrangeira e depois, ou antes, parafrasea-Ia em portugues. Assim: 
"In . other words, thoughts, cause-effect, stimulus-response, and suject-
object are simply deSCriptions oj moment in a process" (WEICK, 1995, p. 33). 
Como se pode depreender, Weick alerta-nos para que vejamos pensa-
mento e relat;oes de causa e eJeito, estimulo e res posta, sujeito e objeto como 
momentos de um processo, nao como resultados. 
Outra possibilidade para lidar com a questao de textos em Hngua que 
nao a nossa e esc rever a tradu<;;ao na nota de rodape, informando que a 
tradu<;;3.o e sua. Por exemplo: 
"In other words, thoughts, cause-effect, stimulus-response, and 
suject-object are simply descriptiOns oj moment in a process" (WEICK, 
1995, p. 33).1 
No rodape: 
1. Em outras paiavras, pen.samentos, causa-ifeito, estimulo-resposta e sujeito-objeto sao sim-
plesmente descrir:Oes de um momento em um processo. (Tradur:ao livre do autor deste 
projeto) 
E possivel que voce considere ser meIhor nao transcrever 0 trecho na 
lfngua estrangeira, mas traduzi-Io logo. Tudo bem, desde que voce far;:a uma 
nota de rodape informando 0 leitor de que a traduc;:ao e sua. 
Se a menc;:ao nao for transcric;:ao, devem aparecer 0 sobrenome do 
autor e 0 ana da obra. Por exemplo: (MORIN, 1977). Se for transcric;:ao, a 
esses dados deve ser acrescentado 0 numero da pagina de onde se retirou 0 
trecho. Por exemplo: (MORIN, 1977, p. 48). Observe que a abreviatura da 
palavra pagina e p. Veja a exemplo retirado da ABNT (NBR 1052.0:2001): 
A produr;ao de !itio comet;a em Searles Lake, Calif6rnia, em 1928 
(MUMBORD, 1949, p. 513). 
Se a menr;:ao referir-se a varios autores, coloque-lhes 0 sobrenome em 
ordem alfabetica e 0 ana da obra. Par exemplo: 
Sobre isso ja discorreram longamente Guerreiro Ramos (1981), 
Habermas (1963), Horkheirner (1947), Radnitzky (1970) e tantos 
outros. 
40 PRO]ETOS E RELATOruOS DE PESQI'ISA E;'[ ADMI:'IISTRAcAO 
o nome do autor, 0 ano da obra e a pagina podem vir escritos no texto 
como nos exemplos fornecidos. Mas pode ser usado tambem um sistema 
numerico. As cita~oes sao sequencialmente numeradas. Os numeros devem 
vir entre parenteses, entre colchetes, alinhados ao texto ou um pouco acima. 
Por exemplo: 
"Uma tese estuda um objeto por meio de determinados instrumentos. "2 
Na referencia bibliogrifica, a fonte e explicitada com a numerar;:ao 
correspondente. Assim: 
2. EGO, Umberto. Como se faz uma tese. Sao Paulo: Perspectiva, 
1988. 
Se voce river optado pelo sistema autor-data, use-o todo 0 tempo; se 
escolheu 0 sistema numerico, use-o tambem a tempo todo. Nao os misture. 
Urn detalhe: se voce citar dois ou mais autores com 0 mesmo sobreno-
me, acrescente a inicial de seu prenome. Dessa forma: 
Motta, P. (1989) 
Motta, F. (1992) 
Se um autor tiver duas obras no mesmo ano, acrescente letras minuscu-
las. Assim: Giuliano (1996a), Giuliano (1996b). 
No que concerne ao uso de abreviaturas, seja tambem parcimonioso. 
Elas devem ser evitadas, a nao ser que ja sejam consagradas, como: N.T (nota 
do tradutor), op. cit. Cobra citada) e outras. 
Quanto ao uso de siglas, alguns cuidados devem ser observados. Por 
exemplo: na primeira vez que voce citar uma organizar;:ao, escreva sew nome 
por extenso, ao final coloque um trar;:o e, depois, a sigla. Assim: Fundar;:ao 
Getulio Vargas (FGV). No restante do texto, basta que voce escreva a sigla: 
FGV. 
Ha 0 caso tambem de abreviaturas do nome de uma organizaS;ao, que 
formam palavras. Nesse caso, elas sao escritas com inicial maiuscula. Exem-
plos: Petrobras, Embratel, Telebras. 
. E possivel que no corpo do referencialte6rico voce queira colocar 
notas de rodape. Elas tern a fun<;ao de fazer uma referencia a alguma obra 
mencionada e podem vir acompanhadas de comentarios. As notas de rodape 
devem vir separadas do texto por uma pequena linha horizontal a .esquerda da 
folha e numeradas em algarismos arabicos, em ordem sequencia!. Esse nume-
ro tambem deve vir no texto. Exemplo: 
DO PROBLE2Vt ... AO REFERE;\'OAL TEORIeO 41 
Aktouf entende por administrar;:ao tradicional aquela cujas ba-
ses conceituais se revelam como a doutrina desencadeada nos USA 
do pas-guerra, da qual estao impregnadas empresas e pessoas. 
1. Veja-se A administrafito entre a tradtfito e a renovat;ito, publicado pela Atlas 
. em 1996. Omar Aktouf Ii professor, pesquisador e consultor do Canada. 
Se, no rodape, voce esta mencionando uma obra pela prime ira vez, 
ponha a referenda bibliografica completa. Nas dta.-;:oes subsequentes da mes-
rna obra, voce pode usar as expressoes ibidem (na mesma obra), ou idem ou 
id, Ogual a anterior), opus citatum ou op. cit. Cobra citada). Uma ressalva, 
porem: nao podem aparecer obras diferentes do mesmo autor, intercaladas 
com aque\a primeira mencionada. Se aparecer, voce tem de recomer;:ar com a 
referencia. Por exemplo: 
1. HA WKlNG, Stephen w. Uma breve bist6ria do tempo. Rio de 
janeiro: Rocco, 198B. 
2. Ibidem. 
3.HAWKING, Stephen W. Buracos negros, universos-bebes. Rio 
de janeiro: Rocco, 1995. 
4. HA WKING, Stephen W. Uma breve bist6ria do tempo. Op. cit. 
Se voce fizer uso de ilustra<;oes, como tabelas, figuras, formulas e 
sfmbolos, alguns cuidados devem ser observados. Eles devem vir 0 mais 
pr6ximo posslvel da parte do texto na qual sao citados e devem ter numera-
<;ao aribica sequenciaL A numerar;:ao de tabela, todavia, e uma; a de figura, 
outra. Figuras, conforme a ABNT (NBR 10719/1989), sao imagens visuais, 
como mapas, fotografias, desenhos, esquemas, diagramas. Tabelas combi-
nam palavras e mlmeros. A numerar;:ao, segue-se Q titulo da ilustra<;:ao. Veja 
os exemplos fornecidos por Joao Paulo Vieira Tinoco e por Frederico Anto-
nio Vignati Scarpati, respectivamente: 
42 PRO]ETOS E RELAT6R10S DE PESQlHSA EM ADMli'1STRA(AO 
Necessidades da 
ger~ncia e usuarios 
Interesses pessoais 
e motivayees 
Objetlvos 
Interay6es 
Observa90es 
sabre passoal 
Situa¢as novas 
_ fluxodecontrole 
--oooooj ... fluxo de dados 
'-----------------------~ .... --.--.. 
Figura 1 Os seis passos do processo pol{tico. 
DO PROBLEMA AO REFEREN(lAL TE6R1(O 43 
Tabela 3 Distribuic;ao regional das chegadas turisticas em 1997. 
Regiao Chegadas de turistas Varia9ao 
(milhOes) 96195 (%) 97/96 (%) 
Europa 360.8 4.5 3.4 
-----. 
Americas 119.9 5.8 2.7 
Asia 90.2 9.6 1.1 
OrientallPacffico 
Africa 23.2 7.1 7.9 
Oriente Medio 14.8 4.3 4.8 
f-----... --.... 
Asia Meridional 4.6 5.6 4.8 
Mundo 613.5 5.6 3.1 
····-1 
Fonte: M.T. - Tourism Highlights. 1997. 
E possivel que uma tabela inteira nao caiba em uma pagtna. Nesse 
caso, continue na pagina seguinte, porem ha urn detalhe a cumprir: nao ponha 
qualquer tra<;o horizontal no local em que a tabela for interrompida; escreva a 
palavra continua. Na pagina seguinte, coloque a palavra continua<;ao, repita 0 
titulo e continue a tabela. 
Vma dica: nao escreva "na tabela adma (ou abaixo)" se nao tiver certe-
za da localizac;:ao porque, diagramado 0 te'Xto, tal tabela (ou tal figura) pode 
nao estar acima (ou abaixo). Para evitar confusoes, mendone 0 numero da 
tabela ou da figura. Assim: "Conforme pode ser visualizado na Tabela 3 ... " 
Repare que, ao referir-me no texto a tabela (ou a figura) , escrevo com inicial 
maiuscula. 
Se a tabela ou a Figura for de outro autor que nao voce, escreva abaixo 
a palavra Fonte e fac;:a a referenda. 
E possIve! que voce fac;:a usa de al1neas no texto. 0 rrecho que as 
antecede deve terminar com dois-pontos; elas devem sec ordenadas por letras 
minusculas seguidas de parenteses; cada aHnea deve come~ar com letra mi-
nuscula e terminar com ponto-e-virgula, excec;:ao feita a ultima, que ganha urn 
ponto, e a segunda linha e seguintes da aHnea devem cornec;:ar sob a primeira 
letra da materia da alfnea. Assim: 
o Projeto EeT-ano 2000 teve os seguintes objetivos: 
a) fomecer a diretorla da empresa uma visao idealizada da organi-
zac;ao para a ana 2000; 
44 PROJETOS E RELATORIOS DE PESQUlSA EiVl ADMl?-ilSTRACAo 
b) estabelecer um plano estrategico abrangendo a decada de 90, 
contendo as linhas de arri'io necessarias a concretizafaO do objeti-
vo anterior; 
c) sintetizar 0 pensamento do corpo dirigente, tecnico e representa-
tivo dos empregados, relativo a situafao da BeT no ana 2000; 
d) levar ao conhecimento de todos as empregados 0 papel e a mis-
sao pretendidos para a BCT-ano 2000. 
No que diz respeito it reda<;:ao em geral, vale a pena dar-lhe algumas 
dicas. Por exemplo: 
a) ao escrever alguma palavra estrangeira, fa<;:a-o em italico, caso 
esteja usando letra normal, ou use negrito, ou sublinhe. Nao utili-
ze aspas. Reserve-as para a transcri<;:ao de cita<;:Oes; 
b) numeros cardinais ate nove devem vir escritos por extenso; a 
partir dar, em algarismos; 
c) jamais eomece uma frase com numeros, a nao ser que sejam 
escritos por extenso; 
d) mlmeros na ordem de milhar que se refiram a unidades devem 
vir separados por pontos. Exemplo: R$ 7.000,00; 5.000 candida-
tos; 1.000 kg. No entanto, quando esse numero indicar ano, nao 
se usa 0 ponto. Exemplo: 1997; 
e) quando quiser indicar seculo, use algarismos romanos. Par exem-
plo: Estamos no seculo XXI; 
f) escreva com minusculas nomes derivados. Exemplos: A premissa 
weberiana ... ; nao sao poucas as criticas ao keynesianismo; discu-
te-se, en tao, a geometria euclidtana; 
g) "bloque" as panigrafos, isto e, de urn espas;o maior entre a ultima 
linha de urn paragrafo e a prime ira de outro. Essa disposi<;:ao 
descansa a vista do leitor; 
h) evite palavras inteiras com maiusculas no meio do texto, au em 
negrito, ou sublinhada, como forma de chamar a aten<;:ao do lei-
tor. Esta deve ser agus;ada pelo eonteudo do texto, mais do que 
pela forma; 
i) evite 0 usa de parenteses, que cansam 0 leitor; 
j) evite 0 uso da expressao etc., porque nela cabe tudo e seu traba-
lho perde muito da precisao perseguida; se usar, nao Ihe ponha 
virgula antes; 
I) cuidado com a palavra onde. Ela deve ser usada quando referir-
se a local. 
DO PROBLEMA AO REFERE:-fCIAL TEORlCO 45 
Outras dicas voce descobrira na leitura atenta de diferentes e compe-
tentes autores enos comentarios que pessoas fazem a respeito do estilo desse 
ou daquele autor. Provavelmente, eles the provocarao insights que tomarao 
seu trabalho mais agradavel de ser lido. 
Este capitulo foi dedicado a explicitar 0 que sao hip6teses e suposi-
~oes, vistas como respostas antecipadas ao problema, a alertar que 0 leitor 
deve ser informado sobre quais sao os limites de seu estudo, bern como por 
qual motivo ele e importante e esclarece que alguns termos-chaves do estudo 
podem ser previamente definidos. Menciona que 0 referencial te6rico busca 
nao s6 apresentar 0 estado da arte sabre 0 assunto, como tambem informar 0 
leitor sobre as lacunas que voce pereebeu na literatura existente e que pre-
tende suprir com seu estudo, ou pontos com as quais voce nao eoncorda e 
tenciona discutir. Varias sugestoes referentes it forma de apresenta<;:ao do 
referencial te6rieo sao apresentadas. 
4 
COME\=ANDO A DEFINIR A 
METODOLOGIA 
Existem varios tipos de pesquisa e descreve-Ios e 0 objetivo deste 
capitulo. Tambem e seu objetivo apresentar conceitos e exemplos sobre po-
pula~ao, amostra e seleCao dos sujeitos. 
4.1 TIPO DE PESQUISA 
o leitor deve ser inforrnado sobre 0 tipo de pesquisa· que sera realiza-
da, sua conceitua~ao e justificativa a luz da investiga~ao espedfica. 
Ha varias taxionomias de tipos de pesquisa, conforme os criterios utili-
zados pelos autores. Aqui, proponho dois criterios basicos: 
a) quanta aos fins; 
b) quanta aos meios. 
Quanto aos fins, uma pesquisa pode ser: 
a) explorat6ria;b) descritiva; 
c) explicativa; 
d) metodol6gica; 
e) aplicada; I f"'U1 c::r? 
f) intervencionista. 
Quanto aos meios de investigaCilo, pode ser: 
a) pesquisa de campo; 
b) pesquisa de laborat6rio; 
c) documental; 
d) bibliografica; 
e) experimental; ..# 
f) ex post facto; 
g) participante; 
h) pesquisa-aeao; 
i) estudo de caso. 
_A investigacao eXElorat6m, que nao deve ser confundida com leitura 
explorat6ria, e realizada em area na qual ha pouco conhecimento acumulado e 
sistematizado. Por sua natureza de sondagem, nao comporta hip6teses que, 
todavia, poderao surgir durante ou ao fInal da pesquisa. 
A pesquisa descritiva expoe caracterlsticas de determinada populaCao 
ou de determinado fenomeno. Pode tambem estabeIecer correlaeoes entre 
variaveis e definir sua natureza. Nao tem compromisso de explicar os feno-
menos que descreve, embora sirva de base para tal explicao;:ao. Pesquisa de 
opiniao insere-se nessa classificao;:ao. 
A investigao;:ii.o explicativa tem como principal objetivo tomar algo in-
teligfvel, justificar-Ihe os motivos .. Visa, portanto, esclarecer quais fatores con-
tribuem, de alguma forma, para a ocorrencia de determinado fenomeno. Por. 
exemplo: as razoes do sucesso de determ,inado empreendimento. Pressupoe 
pesquisa descritiva como base para suas explicacoes. 
Pesquisa metodol6gica e 0 estudo que se refere a instrumentos de 
captaeao ou de manipulao;:ii.o da realidade. Esta, portanto, associada a cami-
nhos, formas, rnaneiras, procedimentos para atingir determinado fim. Construir 
um instrumento para avaliar 0 grau de descentralizacao decis6ria de uma 
organiza~o e exemplo de pesquisa metodol6gica. 
A pesquisa aplicada e fundamentalrnente motivada pela necessidade 
de resolver problemas concretos .. mais imediatos, ou nao. Tern, portanto, fina-
lidade pratica, ao contrario da pesquisa pura, motivada basicamente pela cu-
riosidade intelectual do pesquisador e situada sobretudo no nlvel da especuIa-
Ca~. Exemplo de pesquisa aplicada: proposta de mecanismos que diminuam a 
infeq;:ao hospitalar. 
. A investigaeao intervencionista tem como principal objetivo interpor-
se, interferir na realidade estudada, para rnodifica-Ia. Nao se satisfaz, portanto, 
em apenas expHcar. Distingue-se da pesqujsa aplicada peJa campromjssa de 
nao somente propor resoJllc6es de problemas mas tambPm de resolve-los 
efetiva e participatjyamente. 
Pesquisa de campo e investigaCao empirica realizada no local onde 
ocorre ou ocorreu um fen6meno ou que dispoe de elementos para explica-lo. 
4H PHOJETUS E RELXfOl:{f()S DE PE~(~LbA £::1\1 AlJ{vHN1STHACAO 
Pode inciuir entrevista.s, aplicH,;ao de que.stion~irio.s, testes e observ~\(;:1o parti-
cipante Oll n:1o. Exemplo: levant:lr com os usuarios do Banco X ;:t percep~ao 
que rem sobre 0 atendimento ;:to cliente. 
Pesquisa de laborat6rio e experienci:l realiz:lda em local circunscrito, j{l 
que no campo seri:l praticamente impasslvel realiza-Ia. Simula~6es em com-
putador situam-se nessa classifica~ao. 
Investiga~ao documental e a realizada em documentos conservados no 
interior de 6rgaos publicos e privados de qualquer natureza, ou com pessoas: 
registros, anais, regulamentos, circuiares, oficios, memorandos, balancetes, comu-
nicar,;oes informais, filmes, microfilmes, fotografias, videoteipe, informa<;oes em 
disquete, diarios, carras pessoais e outros. 0 Hvro editado pela Funda<;ao Getulio 
Vargas c pe;a Siciilano eHl 1993 sobre a 'fida de Gctulio Vargas e, 
apoiado em pesquisa documental, notadamente, 0 diario de Vargas. 
Pesquisa bibliografica e 0 estudo sistematizado desenvolvido com base 
em material publicado em Iivros, revistas, jornais, redes eletronicas, isto e, 
material acesslvel ao publico em geral. Fornece instrumental analftico para 
qua\quer outro tipo de pesquisa, mas tambem pode esgotar-se ern si mesma. 
o material publicado pode ser fonte primaria OLi secundiiria. Por exemplo: 0 
Uvro Princfpios de administrat;ao cientifica, de Fredetick W. Taylor, publica-
do pela Editora Atlas, e fonte primaria se cotejado com obras de OLitroS autores 
que descrevem ou analisam tais principios. Estas, por sua vez, sao Fontes 
secundarias. 0 material publicado pode tambem ser fonte de primeira au de 
segunda mao. Par exemplo: se David Bohn escreveu urn anigo, ele e fonte de 
primeira mio. No entanto, se esse anigo aparece na reele eletronica editado, 
isto e, com cortes e altera<;6es, e fonte de segunda mao. 
~ui.sa experimental e investigacao empirica na gual ,0 12esquisador 
m:mi\2ula e controla variaveis independentes e Qhserya as variacoes ~ue .. ta!s 
mani\2ula<,:ao e controle produzem em variaveis dependentes. Variavel e urn 
valor que pode ser dado por quantidade, qualidade, caracterlstica, magnitude, 
variando em cada caso individual. Exemplo: na expressao sociedade globali-
zada, globalizacla e a variiivel do conceito sociedade. Variavel independente 
e aque/a que int1uencia, determina ou afeta a de pendente. E conhecida, apa-
rec~ antes, e 0 antecedente. Variavel dependente e aquela que vai ser 
afetacla peJa independente. E descoberta, e 0 consequente. A pesquisa ex-
perimental permite observar e analisar urn fenomeno, sob condi<;oes cleter-
minadas. 0 estudo de Elton Mayo, em Hawthorne, e urn born exemplo de 
pesquisa experimental no campo. Todavia, tarnbem se pode fazer investiga-
experimental no laborat6rio. 
Investigar,;ao ex post jC:lcto refere-se a urn fato ja pcorricio, Aplica-se 
quando 0 pesquisado[ nao pode controlar ou manipular vari[lVeis. seja porque 
suas manifesta<;6es je\ ocorrera!l1, seja porque as vari:iveis nao sao controh'i-
COMEC\:'4D')\ lJEFINIR A METO!)OLO(;[A "19 
veis. A impossibilidade de manipuJa<;:ao e controle cbs variaveis distingue, 
entao, a pesquisa experimental da ex post facto, 
\ A pesquisa partidpant~lnf\o se esgota na Figura do pesquisador. Dela 
tomani-parre-pessoas ~impjicadas no problema sob inve.stiga.,;ao, fazendo com 
que a fronteira pesquisador/pesquisado, 410 contdrio do que ocorre na pes-
quisa tradicional, seja tenlle. 
Pesquisa-a<;ao e um tipo particular de pesquisa panicipante e de pes-
quisa apJicada que supoe interven<;:ao participativa na realidade social. Quan-
to aos fins e, portanto, intervencionista. 
Estudo de caso e 0 circunscrito a uma 01.1 poucas uniclades, entendidas 
essas como pessoa, famIlia, produto, empresa, 6rgao p(ibHco, comunidade ou 
me'imn palS. Tem car:iter de profllodidade p dpt'llhamento. Pode 011 nao "er 
realizado no campo. 
Uma observas;ao: os tipos de pesquisa, como voce, certamente, ja per-
nao sao mutuamente excludentes. Por exemplo: uma pesquisa pode 
ser, ao mesmo tempo, bibliogr:ifica, documental, de campo e estudo de caso. 
Veja os exemplos de Leticia Silva de Oliveira Freitas e de Luis Alexan-
dre Grubits de Paula Pessoa: 
o Problema: 
Quais as percepfoes, expectativas e sugestoes dos trabalhadores em edu-
cafiio da UFR] quanta a sua polftica de qualijicm;ito para esse segmento? 
Tipo de pesquisa: 
Para a classif1cClfao da pesquisa, toma-se como base a taxionomia apre-
sentada por Ver;gara (1990), que a qualiflca em relar,-ao a dois aspectos: quanto 
aos fins e quanta aos meios, 
Quanta aDs jins, a pesquisa sera explorat6ria e descritiva. Ex:plorat6ria por-
que, embom a UFR} seja uma instituifao com tradi(:ao e alva de pesquisas em di-
verst-IS areas de inuestigafito, nita Sf? veriJtcou a e_"C'..stencia de estudos que abordem 
a politica de qualijica(:ao de seu quadro de fimcionallos com 0 ponto de vista pelo 
qual a pesquisa tem a intenrao de abordti-lo. Descritiva, porque visa descrel'er per-
cep<;6es. e:xpectativclS e sugest6es do pe!J:~oal tecnico-administrativo de niwl supe-
rior cia (]FR], acerca de sua politica de qual(ficar,-ao de pessoal. 
Quanto aos meios, a pesquisa sera bibliografica, documental e de cam-
po, Bibliogrcijlca, porque para a fundamenta<;ao te6rico-metodo/6gica do tra-
balbo sen'i realizada irwestigafao soh're os seguintes tlSsuntoS. el..'olw;ao das or-
guuizClf(ies e recursos bumanos, setorde recursos humanos. planejamento e 
administrafr..lO de pessoai, qualificC!(:clo de pessoat. politica eciucacional, mis-
SclO cia unicersidade, quaciro de pessoal de uma universidade. A inL'estigar,-do 
sere!. tam bern. documental. porqtte se t.:alera de doclImentos internos d UFR] 
50 PROJETOS E RELATORIOS DE PESQUISA HI AD;.,nt-<lSTRA<:J,.O 
que digam respeito ao objeto de estudo. A pesquisa sera de campo, porque co-
letara dados primarios na UFRJ. 
a Problema: 
Tendo em vista a analise cia gerar;:ao de emprego direto e indireto, quais 
as metodologias de balanr;:o social atualmente utilizadas? 
Tipo de pesquisa: 
Considerando-se 0 criterio de classificafao de pesquisa proposto por Ver-
gara (1990), quanta aos fins e quanta aos meios, tem-se: 
a) quanta aos fins - trata-se de uma pesquisa descritiva, POi~ preten-
de expor as caracteristicas das metodologias de balanfo sonal atual-
mente utilizadas; 
b) quanta aos meios trata-se de pesquisa, ao mesmo tempo, biblio-
grafica e documental. 
Classifica-se como pesquisa bibliografica, POis se recorrera ao ~o. d~, ma-
terial acess{vel ao publiCO em geral, como livros, artigos e balanf:os SOCtalS Ja pu-
blicados, embora estes sejam apresentados de forma excessivamente agregada. 
A pesquisa e tambem documental, porque sera feito uso de documen-
los de trabalbo e relat6rios de consultorias privadas, nao dispon{veis para con-
sultas publicas. 
4.2 UNlVERSO E AMOSTRA 
Trata-se de definir toda a popula~ao e a popula\;ao amostral. Entenda-
se aqui por popula\;ao nao 0 numero de habitantes de um local, como e 
largamente conhecido 0 termo, mas um conjunto de elem~n:os (empres~s, 
produtos, pessoas, por exemplo) que possuem as ,caractenstlcas que .serao 
objeto de estudo. Populas;:ao amostral o~ ,a~ostra e uma p~rr.e do UnIverso 
(popula<;ao) escolhida segundo algum cnteno de representahvldade. 
Existem do is tipos de amostra: probabiHstica, baseada em procedimen-
tos estatisticos, e nao probabillstica. Da amostra probabillstica sao aqui desta-
cadas a aleat6ria simples, a estratificada e a por conglomerado. Da amostra 
nao probabilfstica destacam-se aqui aquelas selecionadas por acessibilidade e 
por tipicidade. Eis como podemos entende-Ias: 
a) aleat6ria simples: cada eIemento da populas;:ao tem uma chance 
determinada de ser selecionado. Em geral, atribui-se a cada ele-
mento da popula<;ao um numero e depois faz-se a sele<;ao aleato-
ria mente , casual mente; 
, 
" 
COMECA.'mo A DEFINIR A METODOLOGIA 51 
b) estratificada: seleciona uma amostra de cada grupo da popula~ao, 
por exemplo, em termos de sexo, idade, profissao e outras varia-
veis. A amostragem estratificada pode ser proporcional ou nao. A 
amostra proporcional define para a amostragem a mesma propor-
~ao observada na popula<;ao, com referenda a uma propriedade. 
Por exemplo: suponhamos que, na popula<;ao global de mestran-
dos, 65% tenham entre 21 e 34 anos e 35% tenham entre 35 e 45 
anos. A amostra devera obedecer a essa mesma propor~ao no 
que se' refere a idade dos mestrandos; 
c) por conglomerados: seleciona conglomerados, entendidos esses 
como empresas, ediffcios, famflias, quarteiroes, universidades e 
outros elementos. E indicada quando a identifica<;ao dos elemen-
tos da amostra e multo dificil, quando a !ista de tals elementos e 
pouco pratica; 
d) por :y;:~s1i!J?i!idade: longe de qualquer procedimento estatistico, 
-~~fe~iona ele;nentos pela facilidade de acesso a eles; 
e) por tipicidade: constituida pel a seles;:ao de elementos que 0 pes-
quisador considere representativos da popula<;ao-alvo, 0 que re-
quer profundo conhecimento des sa popula\;ao. 
Existem outros tipos de amostra e facilmente voce podera descobri-los. 
Aqui, destaco os exemplos fornecidos por Angela Guiomar Nogueira e por 
Vera Lucia de Almeida Correa, respectivamente: 
o Titulo do relat6rio: 
Competencias gerenciais - 0 caso Telet] 
Universo e amostra: 
o universo da pesquisa de campo fot 0 C01pO gerencial da Telerj, que 
inclui Diretores, Cbtifes de Departamento, de Divisao e de Sef:ao, respectiva-
mente, 0 primeiro, segundo, terceiro e quarto nfveis gerenciais, peifazendo um 
total de 608 gerentes. Os n{veis nao privilegiados no estudo referem-se ao dos 
supervisores de servifoS, por terem como atribuifao apenas a coordenafao de 
tarefas, e ao dos supervisores de setor, por terem atribuifoes muito proximas 
as dos supervisores de servir;;o. 
A amostra foi definida pelo criterio de acessibilidade (Gil, 1987), sendo 
composta por 62 gerentes, representando 10,19% do universo de 608 pessoas, 
da seguinte forma: 100% do universo do primeiro n{vel (sets diretores) e 9,30% 
do segundo, terceiro e quarto n{veis (56 gerentes). 
52 PRO]ETOS E RELAT6RIOS DE PESQtJlSA EM ADMINISTRA~AO 
. A amostra fot constituida de tres maneiras conjugadas: 
a) indiw9ilo do grupo de foco e dos proprios entrevistados sobre os 
gerentes que deveriam ser ouvidos na pesquisa; 
b) seie9ilo de gerentes de areas-chaves relacionadas ao lema da pes-
quisa, tais como: planejamento estrategico, planejamento tlknico 
(engenharia de telecomunicafoes), gestao de clima organizacio-
nal, administra9ilo de recursos bumanos, desenvolvimento de re-
cursos humanos, escrit6rio de qua/idade, telefonia celular, aten-
dimento ao cliente; 
c) representafilo proporctonal de gerentes entrevistados e a totalida-
de de gerentes de cada diretoria. 
D Titulo do projeto: 
Sistema alternativo e sistema convencional de ensino: uma analise de 
custo-ejiciencia 
Universo e amostra: 
No il4unicipio de Porto Alegre, no periodo 1985/1988, foram implanta-
dos 19 Centros lntegrados de Educafilo Municipal- ClEMs - sendo cinco espe-
ciais isto e dedicados ao atendimento escolar de crian9as excepcionais. Dos 14 
restdntes, t~es estilo localizados em Vila Restinga, onde e alta a concentrar;ilo da 
popula9ilo de baixa renda. Para compor a amostra aleat6ria simples d~ pesqui-
sa, selectonou-se 0 ClEM Larry jose Ribeiro Alves, localizado naquela Vtla. 
No Municipio do Rio de janeiro, a pro posta de construfilo de 500 Cen-
tros lntegrados de Educafilo Publica - CIEPs - nilo fat alcan9ada. Segundo 
dados da Unicamp (1989), ha 124 ClEPs em funcionamento. Desses, somente 
o do bairro do Catete permanece com a proposta original. Asstm, ele fot sele-
cionado para compor a amostra. 
Para a comparafilo com as escolas convencionais, buscaram-se aque-
las que apresentassem a/guma pro posta em comum com os ClEPS/ClEllls. No 
Rio de janeiro, existem tres dessas escolas, a saber: Lucia Miguel Pereira, em 
Silo Conrado, Golda Meir, na Barra da Tijuca, e Edmundo Bittencourt, em Silo 
Crist6vilo. Escolheu-se esta ultima, que atende a populafilo do con junto babi-
tacional Mendes de Morais, para tambem compor a amostra. 
Por inexistir pro posta semelhante no Municipio de Porto Alegre, optou-
se por investigar, tambem no Rio de janeiro, a Escola Municipal Lucia Miguel 
Pereira, que atende a alunos da Favela da Rocinba. 
Cabe aqui justificar 0 tamanho da amostra, com a opiniao de Castro 
(1980, p. 93): 
(. . .) em uma rede escolar governamental, padronizada, com niueis 
ftxos de sa/arios e construr;oes feitas segundo os mesmos m6dulos, a 
COME~NDQ A DEFlNIR A METODOLOGIA 53 
mera amostragem de uma ou duas escolas pode produzir estimati-
vas de custos que tenham um grau sujiciente de representativiciade 
para esse tipo de escola. 
4.3 SELE9\O DOS SUJEITOS 
Sujeitos da pesquisa sao as pessoas que fornecerao os dados de que 
voce necessita. As vezes, confunde-se com "universo e amostra", quando 
estes estiio relacionados com pessoas. Veja os exemplos de Denize Alves e 
de Andrea Ferraris Pignataro: 
Q Titulo: 
Cultura da qualidade e quaJidade de vida: as percepri5es dos trabalha-
dores inseridos em programas de quaUdade 
Sele~ao dos sujeitos: 
Os sujeitos da pesquisa serilo os trabalhadores participantes de progra-
mas de qua/idade, bem como assistentes sociais que trabalham em empresas 
que possuem programas de quaUdade ha mais de dois anos. Esse tempoe rele-
vante porque, de acordo com' Falconi (1992), a cultura da qua/idade, que in-
sere novas tecnicas de padronizafilo e rotina de trabalho, no prazo maximo 
de dois a tres anos pode oferecer a empresa excelentes resultados. Como as 
mudan9as vilo ocorrendo a medida que novos valores silo disseminados, e ne-
cessario ceno tempo para tal disseminafao e absorfilo. Nao e por outra razao 
que os sujeitos da pesquisa deverilo estar vinculados a uma mesma empresa, 
no minima, ha um ano. 
D Titulo: 
lnformafao computadorizada: resistencia, recupera9ilo e disseminafao 
Sele~ao dos sujeitos: 
Os sujeitos cia pesqutsa serao os tecnicos em informatica e os juncionari-
os nilo especialistas em informatica, pertencentes a Diretoria de Admintstrafilo 
e ao Centro de lnformafilo Cient(ftea e Tecnol6gica da Funciafao Oswaldo Cruz. 
Os exemplos apresentados encerram este capitulo, que tratou de des-
crever uma taxionomia de tipos de pesquisa, esclarecendo que nem sempre 
eles sao mutuamente excludentes. Ofereceu indica~oes sabre popula~ao e 
amostra, entendida esta como parte daquela, bern como sobre sujeitos da 
pesquisa, entendidos como pessoas que fornecem os dados de que voce 
precisa. 
5 
TERMINANDO 0 PRO]ETO DE 
PESQUISA 
Conceitos relativos a coleta e ao tratamento dos dados, assim como os 
lembretes sobre as limitas;:oes que qualquer metodo possui sao aqui apresenta-
dos. 0 capitulo indui regras de indicas;:ao da bibliografia consultada e dos 
anexos. Sugestoes adicionais sao tambem oferecidas. 
5.1 COLETA DE DADOS 
Na coleta de dados, 0 leitor deve ser informado como voce pretende 
obter os dados de que precisa para responder ao problema. Nao se esque~a, 
portanto, de correlacionar os objetivos aos meios para a1can~a-Ios, bern como 
de justificar a adequa~ao de urn a outro. Se voce optar pel a formula;;:ao de 
questoes, em vez da definis;:ao de objetivos intermediarios, a correla;;:ao devera 
ser feita entre quest6es e meios para responde-las. Em se tratando de pesquisa 
de campo, por exemplo, esses meios podem ser a observa~ao, 0 questionario, 
o formulario e a entrevista. Os dados tambem podem ser coletados por meio de 
tecnicas interativas diversas, como os workshops, por exemplo, ou por meio de 
desenhos feitos pelos sujeitos da pesquisa ou por outros meios que sua criati-
vida de permita visualizar. . 
A observa~ab pode sec simples, ou participante. Na observas;:ao sim-
ples, voce mantem certo distanciamento do grupo ou da situa~ao que tendona 
estudar; e urn espectador nao interativo. Na observa;;:ao participante, voce ja 
esta engajado ou se engaja na vida do grupo ou na situa~ao; e urn ator ou urn 
espectador interativo, como no caso em que voce usa 0 metodo etnografico, 
por exemplo. 
o questiollllrio caracteriza-se por uma serie de questoes apresentadas 
ao respondente, por escrito. As vezes, e chamado de teste, como e comum 
em pesquisa psicol6gica; outras, e designado por escala, quando quantifica 
cespostas. 0 questionario pode ser aberto, pouco ou nao estruturado, ou fe-
TEIUvllNANDO 0 PRO)ETO DE PESQLJ1SA 55 
chado, estruturado. No questionario aberto, as reSpostas Iivres sao dadas pelos 
respondentes; no fechado, 0 respondente faz escolhas, ou pondera, diante de 
alternativas apresentadas. Urn questiomhio nao deve ter mais do que tres tipos 
de questoes, para nao confundir 0 respondente. Por exemplo: urn grupo de 
perguntas que 0 leve a atribuir grau, outro que 0 leve a marcar sim ou nao 
outro que 0 leve a ordenar t6picos. 0 ideal e um unieo tipo, mas as vezes iss~ 
e limitador. 0 questionario tambem precisa ter urn numero de questoes que 
seja adequado 11 obten~ao da resposta ao problema que se busca, mas que nao 
canse 0 respondente. 0 questionario pode ser enviado pelos Correios por 
alguem que se disponha a faze-Io ou po de ser apresentado na midia e1e;roni-
ca. ~as len:bre-se: nao e facil a obten~ao de questionarios respondidos. Se 
voce quer te-Ios de volta em numero que seja significativ~, trate de acompa-
nh~r sua apHca~ao. Telefone para as pessoas, passe telegrama, use 0 e-mail, 
enfIm, fac;a algo que provoque 0 maior retorno possive!. 
o formul~rio e urn meio-termo entre questionario e entrevista. E apre-
sentado par escnto, como no questionario, mas e voce quem assinala as res-
postas que 0 respondente da oralmente. Como se faz no censo do IBGE, por 
exemplo. 
A entrevista e urn procedimento no qual voce faz perguntas a alguem 
que, oralmente, the responde. A presenfa ffsica de ambos e necessaria no 
momenta da entrevista, mas, se voce dispoe de midia interativa e1a se torna 
d~spe~savel. A entrevista pode ser informal, focalizada au por ~autas. Entre-
VIsta mfoJmal ou aberta e quase uma "conversa jogada fora", mas tern urn 
objetivo especifico: coletar os dados de que voce necessita. Entrevista focali-
zada tam.bem e tao pouco estruturada quanta a informal, porem ja ai voce na~ 
pode delXar que seu entrevistado navegue pelas ondas de multiplos mares; 
antes, apenas urn assunto deve ser focalizado. Na entrevista por pauta, o. 
entrevistador agenda varios pontos para serem explorados com 0 entrevista-
do. Tern maior profundidade. Voce pode gravar a entrevista, se 0 entrevistado 
permitir, ou fazer anotac;oes. De quaJquer forma, depois de transcreve-Ia, apre-
sent~ a transCric;a~ .ao entrevistado, para que a confirme ou fa~a as altera;;:oes 
que Julgar necessanas. Esse comportamento nao s6 e gentil, como evita muitos 
dissabores. . 
Tecnicas interativas sao uteis em pesquisa participante, mas lembre-se 
de elencar as conclusoes do grupo e a ele apresenta-Ias, para que as aprove. 
Uma observaC;ao: urn meio de coleta de dados, mesmo no campo, nao 
exclui ~UtrO. 
Cada urn dos procedimentos aqui relacionados apresenta vantagens e 
~esva~tag~ns, ,nao de modo absoluto, mas re1ativamente a seu problema de 
mvestIga~ao. E este que Ihe did qual 0 procedimento mais pertinente como, 
de resto, qual 0 tipo de pesquisa mais adequado. Observe, portanto, que 
todos os ilens de urn projeto de pesquisa estao intimamente relacionados. 
56 PRO)ETOS E RElAT6ruos DE PESQUISA EM ADMI;-';I5TRA<;AO 
Para fins diditicos, pode-se separa-Ios, mas eles devem formar um todo 
integrado. 
Ha quem realize grupos de foco, antes de redigir um roteiro de entrevis-
ta ou um questionirio. Trata-se de um grupo reduzido de pessoas com as quais 
o pesquisador discute sobre 0 problema a ser investigado, de modo a obter mais 
informac;:oes sobre ele, dar-Ihe urn foco, urn afunilamento, bem como uma 
dire~ao ao conteudo dos instrumentos de coleta de dados. E bastante util. 
Uti! e necessario e tambem submeter 0 questionario e 0 formulario a 
testes previos, que antecedam a aplica~ao. Urn deles e oferecer-Ihes a apre-
cial,:ao, ao julgamento de cerca de cinco pessoas de reconhecida competencia 
no assunto. 0 julgamento refere-se nao s6 a correr;:ao do conteudo que e 
apresentado ao respondente, como tambem a forma pela qual 0 e. Submetido 
o questionirio (ou 0 formulario) a seus apreciadores, faz-se a correfao e se 
lhes solicita que, novamente, 0 julguem, ja agora refounulado. 
Reformulado 0 instrumento de coleta de dados, e interessante fazer-Ihe 
urn pre-teste. Escolhem-se algumas poucas pessoas representativas da popula-
r;:ao e se lhes ap/ica 0 questionirio, solicitando que tambem fa~m seu julga-
mento a respeito dele. Avaliar;:oes dos respondentes sao, enta~, incorporadas, 
permitindo a formata~ao final do instrumento. E lembre-se: a tais pessoas nao se 
podera aplicar 0 questionario definitivo. Elas ficarao, portanto, fora da amostra. 
Vale mencionar que qualquer questionario deve ser acompanhado de 
uma carta de sua apresentar;:ao aos respondentes, bern como instrur;:oes para 
seu preenchimento. Na carta, esclarecem-se 0 objetivo do questionario e sua 
finalidade, garante-se 0 anonimato do respondente, bern como se revela a 
forma pela qual 0 questionario devera ser devolvido ao pesquisador. Se for 0 
caso de usaf os Correios, nao se esque~a de mandaf urn envelope com selo 
para aremessa. Quanto as instrur;:oes, deve-se deixar bastante claro para 0 
respondente como ele devera responder ao questionario. 
Ha quem imagine que coleta de dados s6 se faz pelos instrumentos 
mencionados. Nao e correta tal afirma~ao. Esses instrumentos estao referidos a 
pesquisa feita no campo. Mas quando a pesquisa e bibliogrifica, por exem-
plo? Nesse caso, a coleta e feita na literatura que, direta ou indiretamente, 
trata do assunto: livros, artigos, anais de congresso, teses, disserta\=oes, jornais, 
Internet. 
Sobre coleta de dados, veja os exemplos de Dich:'~ia Barroso Vargas e 
de Marcelo Pomeraniec Carpilovsky: 
Q Tftulo: 
Politicas de recursos humanos versus desempenho profissional. Em des-
taque 0 Estado do £SPirito Santo 
Coleta de dados: 
TER.\!lNANOO 0 PRO]ETO DE PESQUlSA 57 
Os dados seriio coletados por meta de: 
a) Pesquisa bibliografica em !ivros, dicionarios, reuistas espectaliza-
das, jornais, teses e dissertaroes com dados pertinentes ao assun-
to. Atem de serem fe/las consultas a algumas bibliotecas, preten-
de-se pesquisar no Arquivo Pttb/ico Estadual do Espirito Santo. 
Serao levantadas as diretrizes e os programas de governo do Estado do 
Espfrito Santo, mensagens de leis, decretos, portarias e outros documentos of 1-
dais publicados no Diario Oficial, a fim de que sejam identificadas e analisa-
das as politicas de recursos humanos definidas para os servidores da adminis-
trarao direta do Poder Executivo do Estado, no periodo compreendido entre 
1971 e 1990. 
b) Pesquisa documental nos arquivos da Secreta ria de Estado de Ad-
ministrarao e da Junta Estadual de Politica Sa/aria!. Certamente, 
nesses locais serao encontrados regulamentos internos circulares 
pareceres, despachos em processos, relatorios e outro~ documen~ 
tas nao publicados. 
As pesquisas bibliagrcifica e documental justificam-se, it medida que 
contribuiraa para 0 levantamento das possiveis divergencias entre a fonnula-
rao e a implementafao das politicas de recursos humano$. 
c) Pesquisa de campo, com entrevistas semi-estruturadas com os ocu-
pantes dos cargos indicados na serao Selerao dos Sujeitos, bem 
como com questionarios aplicados aos sewidores publicos, selecio-
nados de acordo com 0 especificado na sefao Universo e Amos-
tra. Para efeito de minimizafao de tempo, os questionarlos pode-
rao ser ap/icados na Escola de Serviros Publicos que congrega, 
constantemente, grande amostra de sewidores. 
Caso haja necessidade, poderao tambem ser utiltzados dados coletados 
no Semifo de Atend/mento ao Cidadao, denominado Projeto Sad. Esse Semi-
ro tem 0 proposito de ouvir as reclamafoes e solicitafoes da comunidade fei-
tas par tetefone ou por um serviro eletr6nico. 
Com base nas conclusoes alcanfadas pelas pesquisas bibliografica, do-
cumental e de campo, procurar-se-a estabelecer a comparafao entre fonnu-
lafao de politiCas, implementafao e desempenho do sem/dor. 
:J Tftulo: 
Estudo das atitudes dos fonnandos da PUC-Rio em relafiio it tecnologia 
58 PRO]ETOS E RElA T6RIOS DE PESQlJ1SA HI ADMll'ISTRA<;AO 
Coleta de dados: 
Na pesquisa bibliografica, buscar-se-ao estudos sobre atitudes, aprendi-
zado, mudant;as e relar;ao entre pessoas e tecnologia. Serao pesquisados /tvros, 
peri6dicos, teses e dissertm;i5es. Como resultado dessa pesquisa, espera-se uma 
compreensao maior do fenomeno da relat;ao entre 0 bomem e a tecnologia, 
bem como a gerar;ao de um quadro de referenda para 0 levantamento no 
campo. 
No campo, serao realizadas entrevistas semi-estruturadas com as estu-
dantes selecionados, de forma que de cada um deles possa obter as seguintes 
informar;i5es: 
a) qual sua visao de tecnologia: 0 que e, qual sua importancia, que 
impactos gera na sociedade e na vida das pessoas; 
b) como a tecnologia afeta sua vida cotidiana; 
c) que experiendas passadas foram significattvas no trato com a tec-
nologia; 
d) quais sao suas crenfas e sentimentos em relar;ao a tecnologia; 
e) como funciona seu processo de aprendizado, e como se relacio-
na com mudanfas; 
!J 0 que em sua re/ar;ao com a tecnologia nao e como gostaria, que 
sentimentos sao gerados, e 0 que e feito para mudar. 
Antes de cada entrevista ser iniciada, sera explicado ao entrevistado 0 
objetivo e a relevancia da pesquisa, a importancia de sua colaborat;ao, bem 
como sera garantida a confidenciabilidade. Nas entrevistas, serao feitas pergun-
tas abertas, buscando captar as nuanr;as da relat;ao dos entrevistados com a 
tecnologia. Sera dada atent;ao ao discurso dos entrevistados, bem como sobre 
sua expressao corporal, gestos, tonalidade da voz e enfase em determinadas 
palavras ou expressoes. 
Os entrevistados serao encorajados a entrar em detalbes, a exprimfr sen-
timentos e crenr;as, a relatar caracteristicas pessoais e experiencias passadas. 
Buscar-se-a compreender 0 universo vivido pelos respondentes. Com Boteff 
(1984:57), considera-se que 
( .. .) e importante compreender C.') qual e 0 ponto de vista dos in-
dividuos ou grupos sociais estudados acerca das situat;oes que vi-
vem. Qual a percepr;ao destes sobre tais situar;i5es? Como eles a in-
terpretam? Qual seu sistema de va 10 res? Quais seus problemas? 
Quais suas preocupat;oes? E preciso aprender qual e a 16gica dos 
pesquisados C.'). 
TER:>IINANDO 0 PRO]ETO DE PESQUISA 59 
Por ser assim, 0 metoda empregado tanto para a coleta quanta para 0 
tratamento dos dados sera 0 fenomenol6gico. Segundo Bogdan e Taylor 
(1975), este metodo permite entender 0 comportamento bumano a partir do 
proprio ator. Permite conbecer as pessoas pessoalmente ever como etas estao 
desenvolvendo suas pr6prias visi5es de mundo. Possibilita explorar conceitos 
cujas essencias estao perdidas em Outras abordagens de pesquisa, tais como be-
leza, sofrimento, confianr;a, dor, frustrar;ao, desejo, amoT, a partir de suas de-
finir;i5es e vivencias por pessoas reais. 
5.2 TRATAMENTOS DOS DADOS 
Tratamento dos dados refere-se aquela na qual se explicita para 
o lei tor como se pretende tratar os dados a coletar, justificando por que tal 
tratamento e adequado aos prop6sitos do projeto. Objetivos sao alcant;ados 
com a coleta, 0 tratamento e, posteriormente, com a interpreta~ao dos dados; 
portanto, nao se deve esquecer de fazer a correlat;ao entre objetivos e formas 
de atingi-Ios. 
Os dados podem ser tratados de forma quantitativa, isto e, utilizando-se 
procedimentos estatlsticos, como 0 teste de hip6teses. Ha dois grandes grupos 
de testes estatfsticos: parametricos e nao parametricos. Entre os parametricos, 
e posslve! destacar: analise de variancia, correlat;ao, teste t de Student, qui-
quadrado, regressao, propOrt;ao. Testes naa parametricos induem: Mann-Whit-
ney, Kruskall-Wallis, Wilcoxon. 
Os dados tambem podem ser tratados de forma qualitativa como, par 
exemplo, codificanda-as, apresentando-os de forma mais estruturada e anali-
sando-os. Existem outras estrategias. Em verdade, elas sao muito variadas e 
esco!her a apropriada e tarefa do pesquisador. 
E possive! tratar os dados quantitativa e qualitativamente no mesmo 
estudo. Par exemp!o, pode-se usar estatfstica descritiva para apoiar uma inter-
pretat;aO dita subjetiva au para desencadea-!a. 
A seguir, voce tern exemplos de tratamento nao estatfstico, oferecidos 
par Claudio Gurgel e Paulo Durval Branco, respectivamente: 
o Problema: 
Como abordar os objetivos de eficiencia e efict'icia na administta~ao pu-
blica brasileira? 
Tratamento dos dados: 
Os dados com os quais trabalharemos sao, essencialmente, levantados 
por terceiros e trazem rejlexoes, argumentafoes, interpretaj;oes, analise e con-
60 PRO]ETOS E RElAT6RIOS DE PESQUISA EM ADMlI'ISTRA<;AO 
clusoes desses autores. Extrairemos de nossa observa(:ilo ativa elementos prati-
cos de analise, mas estaremos trabalbando na mats sistematizada parte do tem-
po com publica(:oes. 
o tratamento dos dados exige um metodo de consideravel complexida-
de, de modo que possamos trabalbar com alguma seguranra no terreno ideo-
logizado em que se transfonna, jrequentemente, aliteratura das ctencias sociais. 
Exige um metoda que compreenda os problemas e suas formulat;oes, como de-
limitados pelas condit;oes de existencia. Portanto, permeados por interesses, re-
presentari5es da realidade e ambigtUdade, que correspondem ao perene movi-
mento da sociedade, suas lutas e seus acordos. Em outras palavras, 0 tratamento 
dos dados exige um metoda que nos permita ir atem do fenomeno da comu-
nicap?io e da linguagem, distinguindo aparencia de essencia; que nos cbame 
a aten(:Cio para 0 carater contradltorio das coisas e das afirmat;oes do pensa-
mento; e que nos leve a olhar para os objetos e as produfoes humanas como 
coisas que se relacionam e constituem um processo totalizante. 0 metoda es-
colhldo e, pois, 0 diatetico. 
Estaremos trabalbando com as leis da unidade e luta dos contrarios, das 
transformaroes quantitattvas em qualttativas, do desenvolvimento progressivo 
(negarCio da negarilo). Estaremos trabalbando com as categorias de fenome-
no e essencia, conteiido e forma, necessidade e causalidade, causa e ejeito, pos-
sibilidade e realidade, singular e universal. Estaremos trabalbando com os con-
ceitos de contradirilo antagontca e nCio antagonica, dominancia e hegemonia 
e, principalmente, com 0 conceito fundamental de totalidade. 
Destacamos 0 conceito de totalidade, ou seja, a visilo de que tudo e parte 
de um todo e com este se relaciona, em movimentos contrarios. Este destaque 
tem a ver com 0 fato de que, como disse Lukiics,49 e 0 ponto de vista da totalida-
de que distingue a diaietica. Antes, ja dissera LeninJo que a totalidade e a essen-
cia eta diaJetica, de certo modo repetindo a frase de Hegel5! de que "a verdade e 
o todo". 
o tratamento dos dados pelo metoda dtatetico tem dijiculdades e riscos. 
Entre as dijiculdades esta a propria complextdade que the da consistencia, mas 
que tambem exige do pesqutsador mator rigor. Entre os riscos, conta-se a ten-
dencia a simplif/caroes, principalmente ao desvio mecanicista, que as vezes 
confunde dialetica com abordagens positivistas. Entretanto, nao ha 0 melhor 
sem ousadia. Tampouco existe ousadia sem risco. 
o Problema: 
Ate que ponto os programas de treinamento e desenvolvimento ofereci-
dos pelas empresas tem-se voltado para a formarilo e 0 aperjeiroamento de 
gestores capazes de responder as demandas boje postas pelo ambiente de ne-
goc/os? 
L 
TERMINANDO 0 PRO)ETO DE PESQUISA 61 
Tratamento dos dados: 
Ao se discutir a escolha de uma metod%gia de pesquisa, e fundamental 
fer em mente 0 que se pretende pesquisar, e 0 que se espera descobrir e apren-
der com a pesquisa. Pensar nessas questoes conduz, necessariamente, a necessi-
dade de explicitarilo db paradigma que se escolbe para olbar 0 mundo. Segun-
do Bogdan e Taylor (975), pode-se faZar em duas principais escolas de pensa-
mento no cenario da ciencia social: a positivista e a fenomenologica, as quais 
apresentam pontos de vista pr6prios e levam a escolha de diferentes metodolo-
gias de pesquisa. 
Para 0 fenomenologista, a principal preocuparao e entender 0 compor-
tamento bumano, a partir da propria pessoa. Nesse sentido, procura exami-
nar como.o mundo e liivido e considera a realidade como aquilo que as pes-
soas tmagmam que seja. 
Em funrCio da natureza do presente problema e cia visilo de mundo com 
a qual 0 autor deste trabalbo se tdentijica, a escolba se volta para uma aborda-
gem fenomenol6gica, a qual privilegia procedimentos qualitativos de pesquisa. 
De acordo com os objetivos estabelecidos para este estudo, serCio e/en-
cadas as caracteristicas atuais do ambiente de negocios, identijicadas as trans-
fonnaroes que vem sendo sofridas pe/as organizaroes e, em seguida, descritas 
as competencias que estCio sendo requeridas dos gestores. 
Reveladas essas competencias, sera feila sua confrontarilo com os pro-
gramas de !&D desenvo!vidos, 0 que permitira verificar ate que ponto os pro-
gramas estao a elas adequados. Esse confronto e baseado num olhar herme-
neutico que, comprometido com a intetpretat;Cio, busca explicar acordos e de-
sacordos entre os elementos apresentados. 
NCio parece leviano afirmar que todo pensar e hermeneutico, ja que 
tudo no mundo silo sfgniftcaroes; tudo depende de como tntetpretar. Quando 
se esta desenvolvendo uma investigarCio a partir do relato de pessoas e eta lei-
tura de documentos por elas produzidos, torna-se, portanto, fundamental uma 
postura intetpretativa. Atraves de/a, sera possivel chegar ao significado a ser 
compreendido, ao que esta "por tras" de expressoes exteriorizadas. Provavel-
mente venha dai a expressCio popular "estar por dentro n. 
Se for levada em conta a enorme influencia da cultura gerada nas em-
presas sobre as pessoas que nelas trabalbam, a ponto de definir jargoes e ou-
tras formas de expressilo, fica ainda mats evidente a contribuirilo que um o/bar 
hermeneutico podera frazer it pesquisa. 
5.3 LIMITA~OES DO METODO 
Todo metodo tern possibilidades e limitas,:oes. E saudavel antecipar-se as 
crfticas que 0 leitor podera fazer ao trabalho, explicitando quais as Iimitas,:oes 
62 PRO]ETOS E RELAT6RlOS DE PESQtJlSA EM ADMll'llSTRA<:AO 
que 0 metodo escolhido oferece, mas que ainda assim 0 justificam como 0 mais 
adequado aos prop6sitos da investigas;3.o. Veja os exemplos a seguir, fornecidos 
par Ricardo Nolla Ruiz e por Hasenc1ever Silva Martinelli: 
o Titulo do relatorio: 
Clubes de futebol um desafio as teorias da gestao 
Limita~oes do metodo: 
o metodo escolhido para 0 estudo apresenta certas limitafoes. Elas sao 
apresentadas a seguir. 
A limita~ao da abrangencia da pesquisa ao Departamento de Futebol, 
deixando a parte outras areas importantes e tradic.ionais do Clube, como 0 
remo, por exemplo, em fUnfaO do tempo disponivel e da limitac;ao de recur-
sos para a pesquisa, nao permitira generaliza~ao das conclusoes extraidas do 
estudo. 
Ii possivel que os grupos selecionados para a entrevista nao tenham sido 
os mais representativos do universo estudado, mas esse e um risco de qua/quer 
processo de investiga~ao. 
Outro aspecto a considerar e que, quando da coleta de dados, para a 
obtem;ao de melhores resultados 0 pesquisador deve ser experiente e madu-
ro no sentido de captar aspectos relevantes que, as vezes, nao sao explicita-
mente revelados e devem ser tnferidos dos discursos dos entrevistados. Ii pos-
sivel que nem sempre se consiga. Os entrevistados, por sua vez, podem for-
necer respostas faisas, que nao traduzam suas opinioes rea is, por razoes 
conscientes (medo, por exemplo) ou inconscientes. Tambem alguma Jalha 
na habilidade do entrevistador pode injluenciar as respostas dos entrevista-
dos ou nao lhes transmitir a conftanfa necessaria para que eles exponham 
seus reais sentimentos. Outra limita~ao a considerar eo tempo que entrevis-
tas requerem, fazendo com que menos pessoas sejam ouvidas. Busca-se, con-
tudo, neutralizar esses aspectos. 
Quando do tratamento dos dados coletados, uma limitac;ao diz respeito 
a propria historia de vida do pesquisador, injluindo em sua interpretarao. Con-
tudo, procura-se certo distanciamento, embora admita-se a inexistencta da 
neutralidade cientifica. 
I::J Titulo do projeto: 
Responsabilidade social da empresa publica: a Petrobras e 0 ambiente 
Limita~oes do metodo: 
A metod%gia escolhida para a futura pesquisa apresenta as seguintes 
dificuldades e limitac;oes quanta a coleta e ao tratamento dos dados: 
TER.'VllNA,,\DO 0 PROjETO DE PESQT.:lSA 63 
o metoda estara limitado pe/a selet;ao dos atores para as entrevis-
tas, tendo em vista a impossibilidade de serem entrevistados todos 
os gerentes e lfderes comunitarios envolvidos com 0 assunto. 
Outro Jator limitante esta relacionado ao tamanho da Petrobras. 
Sua distribuit;ao espacia/ em varias unidades dificultara a obten-
fao de informa~oes a respeito do assunto. 
Um terceiro fator limitador diz respeito a pesquisa documental, 
dado que pretendemos levantar documentos internos em 6rgaos 
governamentais e na Petro bras. Antecipamos eventuais dificulda-
des emconseguir autoriza~ao para tanto. 
Um quarto fator diz respeito ao tratamento dos dados pelo meto-
do dialetico, devido a sua complexa aplica~ao, inerente a sua con-
sistencia te6rica. Sua utiltzat;ao exige capacidade de abstra9ao 
Jrente ao objeto a ser pesquisado, fundamental para a compreen-
sao dos fenomenos a serem analisados, que requer do pesquisa-
dor grande rigor academico. Portanto, a Jragilidade a que se ex-
poe esse trabalho esta relacionada a possibilidade de negafao do 
proprio metodo dialetico, escolhido, em fun~ao de des1Jios positi-
vistas, na abordagem dos problemas a serem pesquisados. Toda-
via, mesmo diante das limita90es reJerenciadas, consideramos ser 
o metodo mais apropriado para alcanc;ar 0 objetivo final da pes-
quisa. 
5.4 CRONOGRAMA 
Cronograma refere-se a discrimina<;:ao das estapas do trabalho com seus 
respectivos prazos. Veja os exemplos de Jorge Luiz Cantarelli Sahione e de 
Ivanildo Izaias de Macedo, respectivamente: 
I::J Titulo: 
Gestao democratica no seruifo publico: 0 caso Fiocruz 
Cronograma: 
A pesquisa desenvolver-se-a em seis etapas basicas distribuidas em 12 
meses de trabalho, como segue: 
• 1!J etapa: pesquisa bibliografica e documenta~ que permitira a coleta 
de dados necessarios a estruturat;ao dos questionarios e entreuistas; 
• 2!J etapa: elaborafaO das perguntas da entrevista e constru~ao do 
questionario, incluindo pre-teste; 
• 3!J etapa: realizartao das entrevistas e aplica~ao dos questionarios; 
64 PROJETOS E RELA T6ruos DE PESQUlSA EM ADMlNISTRA<;:AO 
• 4£1 etapa: tratamento dos dados, sistematiza~iio e ancUise das in-
Jorma~{jes; 
• 51J etapa: critica do trabalho por meio de sua apresenta~iio a va-
rias pessoas; 
• 6£1 etapa: reda~iio final do relat6rio, incluindo revisiio do texto. 
MESES 
Etapas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 
l' Etapa x x x x 
2' Etapa x x x 
3' Etapa x x 
4' Et~a x x 
5> Et~a x x 
6" Etapa x x x 
.-~.- -~~. 
I:J Titulo: 
Educa(:iio no trabalho: retendo talentos na organiza(:iio 
Cronograma: 
ATIVIOAOE PREVISAO 
INiclO TERMINO 
1. Aprovac;ao do projeto 2-1-97 28-2-97 
1.1 Entrega do projeto ao orlentador 
1.2 Aceitac;ao pelo oMentador 
1.3 Aceitacao pela comissao examinadora 
2. Coleta de dados 1-3-97 
30
0J 2.1 Pesquisa bibliografica e documental 2.2 Preparacao do questionario/teste-piloto 2.3 Aplicac;ao dos questionarios 
2.4 Preparac;ao das entrevistas 
2.5 Entrevistas 
I 
3. Tratamento dcs dados 1-7-97 31-8-97 
3.1 Analise dos dados bibliograficos e documentais 
3.2 Analise dos dados de campo 
1 300"0.7 
3.3 Comparac;ao dos resultados 
4. Redacao e aprovac;ao da dissertac;ao 1-9-97 
4.1 Redacao da versao prelimlnar 
4.2 Aceitac;ao pelo orientador 
4.3 Aceitac;ao pela comissao examinadora 
4.4 Aceitagao da versao final 
4.5 Encaminhamento a comissao examinadora 
4.6 Apresentagao/julgamento da dissertagao 
'1 
I 
I 
~ , 
I 
TERMINANDO 0 PRO.TETO DE PESQUISA 65 
5.5 BIBLIOGRAFIA 
Voce pode optar por apresentar somente referencias bibliograficas, 
somente bibliografia, ou ambas. 
Referencias bibliognificas sao a !ista das obras cicadas no texto, as 
vezes apresentadas com algum tipo de comentario. Podem vir no final do 
projeto ou no final de cada capitulo e, nesses casos, com esse titulo (referen-
cias bibliograJicas); ou podem vir em partes, nas notas de rodape, sem qual-
quer titulo. Se vierem no final do projeto, ou no final de cada capItulo, voce 
pode apresenta-las, pelo menos, de duas maneiras, dependendo da forma 
pela qual voce redigiu 0 texto. Assim, se no texto foi utilizada numerac;ao, em 
vez de ano da obra, nas referencias bibliograficas voce deve apresentar a lista 
dos autores na mesma ordem da numerac;ao apresentada no texto, colocando a 
numeraC;ao. Exemplo: 
No texto: 
Alertar 0 pesquisador para a importancia de se Jazer ciencia com 
consciencia Ii 0 prop6sito de Morin. I 
Chanlat! aJirma que ... 
Nas referencias bibliograficas: 
1. MORIN, Edgard. Cil!ncia com consciencia. Rio de janeiro: Ber-
trand Brasil, 1996. 
2. CHANLAT, jean-Frant;ois. 0 individuo na organizafiio. Sao 
Paulo: Atlas, 1992. 
Todavia, se no corpo do trabalho voce escreveu 0 ano de pubJicac;ao 
da obra, em vez da numera<;ao, nas referencias bibliograficas a !ista deve ser 
apresentada pelo sobrenome dos autores em ordem alfabetica e sem numera-
<;ao. Exemplo: 
No texto: 
Alertar 0 pesquisador para a importanCia de se Jazer cU?ncia com 
consciencia e 0 prop6sito de Morin (1996). 
Chan/at (1996, p. 27) afirma que ... 
Nas referencias bibliogrificas: 
ANDERSON, Bengt-Erik, NILSSON, SUg Goran. Studies in the reliabi-
lity and validity of the Critical incident technique. Journal of Ap-
plied Psychology, v. 48, nf' 6, p. 398-403, 1964. 
66 PRO]ETOS E RELAT6RIOS DE PESQUlSA EM ADMI1'<lSTRA<;AO 
BROWN, Stephen lV., SWAR7Z, Teresa A. A gap analysis of profes-
sional services quality. Journal of Marketing. 53, p. 92-98, Apr. 
1989. 
CHANIAT, jean-Franfois. 0 individuo na organiztlfao. Sao Paulo: 
Atlas, 1992. 
MORIN, Edgard. Ciencia com consciencia. Rio de janeiro: Ber-
trand Brasil, 1996. 
YIN, Robert K. Case study research: design and methods. 2. ed. 
Londres: Sage, 1994. 
No que se refere a uti1iza~ao de numerar;;:ao, ou de ano de publica~ao 
da obra, a regra e a mesma se voce optar por apresentar as referendas 
bibliograficas em partes, como notas de rodape. A numera~ao e seguida, par 
todo 0 texto. A obra referendada por ana 0 e na ordem em que aparece em 
cada pagina. 
Bibliografia refere-se a listagem das obras a que voce fez referenda no 
texto, acrescida das que voce apenas consultou. E, portanto, mais ampla do 
que as referencias bibliograficas. A bibliografia deve ser apresentada sem 
qualquer numera~ao e por ardem alfabetica dos sobrenomes dos autores. Por 
uma questao de coerencia, se voce s6 apresenta bibliografia no corpo do 
trabalho, a referenda deve vir pelo ana de publicar;;:ao da obra. 
Em quaisquer dos casos, a regra basica e aquela segundo a qual as 
obras devem ser dtadas come~ando-se pelo sobrenome do autor seguido de 
vlrgula, 0 prenome, ponto, a nome do livro ou em negrito, ou sublinhado, ou 
em italico, pomo, local da editora, dois-pontos, nome da editara sem a palavra 
editora, vlrgula, ano de publica~ao da obra, ponto. Caso a obra nao mendone 
o ana da publica~ao, em seu lugar escreva a seguinte abreviatura: s.d. (sem 
data). Se se trata da primeira edir;;:ao de um livro, voce nao deve fazer qual-
quer referenda a isso; contudo, se se trata da segunda, terce ira e outras, voce 
deve mendonar qual a edir;;:ao, entre 0 titulo da obra e 0 local de sua edir;;:ao. 
Por exemplo: 
PRIGOGiN.E: Ilya. 0 Jim das cerlezas. Sao Paulo: Unesp, 1996. 
CAPRA, Fritjof 0 tao dafisica. 2. ed. Sao Paulo: Cultrix, 1989. 
Quando a referencia e um artigo publicado em peri6dico, 0 que vem 
grifado, em negrito ou em italico e 0 nome do peri6dico, nao 0 do artigo. Este 
e apresemado em !etra normal. E incorreto colodi.-lo entre aspas. Estas devem 
. ser reservadas para transcrir;;:ao de dta<,;:oes, as vezes de falas, ou para destacar 
palavras fora do contexte da reda<;:ao em pauta. 
,,---~~--­
~- .. ----,-. --
TER.>llNA;-';DO 0 PRO]ETO DE PESQUlSA 67 
Se essa e a regra basica, ha, todavia, inumeros detalhes. E, entao, 
indispensavel consultar as regras da ABNT. Qualquer trabalho publicado no 
Brasil deve seguir as normas da ABNT, diferentes, par exemplo, das america-
nas. A Norma Brasileira NBR 6023 de agosto/2000 informa como devem ser 
referenciadas monografias Clivros, folhetos, separatas, disserta~oes), seriados 
(revistas, jornais), referenda legislativa, obras de responsabilidade de pessoas 
fisicas e de entidades coletiva,s, alem de outras pequenas infarma<;:oes. Con-
sulta-la e tarefa que se impoe. 
Quando voce apresentar duas obras do mesmo autar, da segunda vez 
nao predsa escrever-Ihe 0 nome nem 0 sobrenome. Basta urn tra<;:o horizontal 
e ponto, completado pelos demais elementos da referenda, isto e, nome da 
obra, local, editora, data. Assim: 
MORGAN, Gareth. Imagesof organization. Beverly Hills: Sage, 1986. 
. Riding the waves of change: developing managerial 
competences for a turbulent world. San Francisco: jossey-Bass, 1988. 
Se uma obra river mals de tres autores, escreva somente 0 nome do primeiro 
e, em seguida, a expressao et al, abreviatura de et alii, que significa "e outros". 
Se a obra tiver sido captada em' meio eletronico, acrescente onde esta 
disponivel e quando foi acessada. Veja exemplo da ABNT (NBR 6023/2000, p. 5): 
RIBEIRO, P. S. G. Ador;;:ao a brasileira: uma analise s6do-jurfdica. Datavenia, Sao 
Paulo, ana 3, nQ 18, ago. 1998. Disponfvel em: <http://www.datavenia.inf.br/ 
frameartig.httml>. Acesso em: 10 set. 1998. 
. Urn lembrete: nao separe as indica~oes de determinada obra em duas 
. folhas. As vezes em uma folha s6 da para escrever 0 nome do autor e a obra. 
Ficam de fora 0 local da edi<;:ao, a editora e 0 ana de publica~ao. Nesse caso, 
passe tudo, desde 0 nome do autor, para a folha seguinte. 
5.6 ANEXOS 
Deve vir anexo tudo aquilo que voce julgar elucidador r .. ra a com pre-
ensao do estudo. Por exemplo: c6pia dos questionarios, dos roteiros de entre-
vistas, de algum documento interessante, calculos intermediarios estatl:::ticos e 
outros. No entanto, embora tenha a fun~ao de enriquecer, clarificar, eO{empli-
ficar, confirmar pontos apresentados no texto, anexo e alguma coisa que 0 
leitor consulta, ou nao. Assim, se algo e fundamental para 0 entendimento do 
estudo, deve vir no corpo do trabalho, nao anexoo 
Anexos sao indicados por letras, seguidas do titulo. Por exemplo: 
68 PROJETOS E RELA T6RIOS DE PESQUISA EM ADi\IlNISTR-I.<;:Ao 
Anexo A - Contrato de teletrabalho da Paris Computation 
Anexo B - Questionarioaplicado 
Se houver somente um anexo, a letra e dispensavel. 
5.7 TRATAMENTO VERBAL NA REDA(:AO E NUMERA(:AO DAS 
PAGINAS 
Voce pode optar por usar a terceira pessoa do singular, que e a forma 
mais tradicional, uma vez que esta associada it ideia de neutralidade contida 
na corrente de pensamento positivista, tao largamente aceito. Pode usar a 
primeira pessoa do plural, um tom majestatico. Pode tambem utilizar a primei-
fa pessoa do Singular, nem tao usada, mas fortemente sugerida par aqueles 
que enfatizam 0 fato de que na pesquisa esta toda a hist6ria de vida do 
pesquisador; logo, ele deve assumir isso na redat;:ao. 0 que voce nao pode e 
misturar as pessoas verbais. Escolha uma e seja coerente todo 0 tempo. 
Voce pode tambem optar por usaf 0 verbo no tempo pass ado ou no 
presente. Exemplo: Em 1930, Var.gas assumiu a poder. Ou, se preferir: Em 
1930, Var.gas assume 0 poder. Nao deve misturar os tempos; escolha um, por-
tanto. Ainda aqui, a coerencia e requisito de adequada redas,:ao. 
Quanto it numerat;:ao das paginas, a regra esta definida pela ABNT 
(NBR 10719:1989). As paginas devem ser numeradas seqiiencialmente em 
algarismos arabicos colocados no canto superior direito da folha. A numerat;:ao 
comet;:a na Introdut;:ao, mas, por elegancia, omite-se 0 numero 1. Tambem par 
elegancia omite-se a numera):ao na pagina em que come):a um capitulo. 
5.8 SUGESTOES ADICIONAIS 
Quando se termina 0 primeiro rascunho do projeto, e util isolar e 
comparar 0 titulo do projeto, 0 problema, os objetivos e as hip6teses ou as 
suposit;:oes. Verificar se estao coerentes entre si. Nunca e demais enfatizar 
que todas as partes do projeto e, posteriormente, do relat6rio referente ao 
projeto desenvolvido devem estar intima mente articuladas, imbricadas, como 
uma teia. Nao se pode, por exemplo, levantar 0 referendal te6rico, guarda-Io 
numa gaveta, depois construir 0 questionario para coleta de dados dissociado 
daquele referendal. 
Por outro lado, para que voce nao se perea em discussoes 'que, embora 
ate podendo ser relevantes, nao conduzirao a resposta do problema, e de sig-
nificativa utilidade durante toda a formula~ao do projeto e do relat6rio escre-
I 
TER."IlNAKOO 0 PROJETO DE PESQUISA 69 
ver em um papel 0 problema desencadeador da pesquisa e te-Io sempre a sua 
frente. Fundonara como um farol que ilumina 0 caminho para os navios. 
Um alerta: forma e conteudo sao - ambos - relevantes. Uma bela forma 
com conteudo miope nao dara relevancia ao estudo. Por outro lado, e neces-
saria uma forma adequada, coerente, consistente, esteticamente bonita, para 
que 0 conteudo seja mais facilmente transmitido e "eomprado" pelo leitor. 
o projeto e de responsabilidade do autor. Este Ihe dara 0 "tom", 0 que 
significa dizer que decidira se deve construir um projeto "aguado" ou cons is-
tente, superficial ou de profundidade. Decidira, portanto, 0 nivel de sua rele-
vanda. No entanto, iS50 nao quer dizer que se deva tratar de grandes ques-
toes, necessariamente. 0 escopo pode ser pequeno, mas deve ser bem cuida-
do, acrescentando alguma coisa ao acervo existente, seja em termos de abor-
dagem ou de conteudo. 
o poeta D. Mallock alertou-nos um dia: 
Se voce nao puder ser uma arvore frondosa 
No alto de unra montanha 
Seja um pequeno arbusto na beira do rio 
Mas seja 0 melhor arbusto que voce puder ser. 
Parodiando 0 poeta, 0 projeto nao precisa ser uma arvore no topo de 
uma montanha; pode ser um arbusto na beira do rio. Mas deve ser 0 melhor 
arbusto possive!. 
Este capitulo procurou enfatizar a coleta e 0 tratamento dos dados, 
apresentando varios instrumentos para a coleta de dados no campo e esclare-
cendo que os dados coletados podem ser tfatados de forma quantitativa ou 
qualitativa ou de ambas as fornras. Procura esclarecer que qualquer metodo 
tem seus limites e que voce devera explicitar quais os que voce identifica em 
seu trabalho. Um exemplo de cronograma e descrito, bern como varios alertas 
referentes a bibliografia sao explicitados. 0 capitulo trata tambem de anexos 
e da algumas dicas finais. 
6 
o RELATORIO DA PESQUISA 
Relat6rio e 0 relato do que desencadeou a pesquisa, da forma pela qual 
ela foi realizada, dos resultados obtidos, das conclusoes a que se chegou e das 
recomenda~oes e sugestoes que 0 pesquisador faz a outros. 
Neste capitulo, serao abordadas as questoes nao privilegladas no proje-
to, como, por exemplo, as folhas que antecedem 0 relat6rio propria mente dito 
e aquelas pr6prias do relatorio. Sao consideradas folhas precedentes: a capa, 
a falha de rosto, a pagina de agradecimentos, a apresenta~ao, 0 resumo, a lista 
de slmbolos e abreviaturas, a lista de ilustra~oes e 0 sumario, nesta ordem. 
QuestOes proprias do relatorio incluem a introdu~ao, a defmis;:ao do problema 
objeto da investigas;:ao, a metodologia empregada, 0 referendal teorico, os 
resultados, as conclusoes e as sugestoes para uma nova agenda de pesquisa. 
Seguem-se-Ihe as referencias bibliograficas, a bibliografia e os anexos. 
A capa, a folha de rosto, 0 sumario, 0 problema, a metodologia, 0 
referendal teorico foram objeto de exame no capitulo referente ao projeto da 
pesquisa. Vamos revisitar 0 sumario ever agora os outros itens. 
6.1 AGRADECIMENTOS \ 
Ninguem faz um trabalho sem ajuda de alguem. Assim, cabe agradecer 
. a quem prestou ajuda relevante arealiza~ao da pesquisa. E uma pagina orien-
tada, sobretudo, peIo cora.;;:ao. 
H~ quem, antes da pagina que registra os agradecimentos, introduz a 
que dedica 0 trabalho a alguem, como fiz neste livro. 
6.2 APRESENTA(:AO 
Apresentas;:ao e a parte antecedente ao relatorio propriamente dito, 
que apresenta ao leitor 0 trabalho realizado. Fala do que 0 motivou, qual seu 
'.~ 
1 
o RELAT6RIO DA PESQUISA 71 
objetivo e como esta organizado, vale dizer, fala do que, basicamente, contem 
cada capitulo. Veja 0 exemplo forneddo por Celso de Oliveira Bello Caval-
canti e por Alberto Trope: 
CJ Titulo do trabalho: 
Impactos da reJorma administrativa do Governo Collor na modelagem 
organizacional do DlvER 
Apresenta~ao: 
Esta dissertafiio de mestrado e 0 resultado de estudos elaborados sobre 
a reJorma administrativa do Governo Collor de Mello, no ambito do Departa-
mento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) objetivando responder a se-
guinte questiio:Quais as conseqilencias da reJorrna administrativa do Gover-
no Collor na modelagem organizacional do DNER? 
o tema reJorma administratit-'a Joi escolhido devido a sua importancia 
para 0 conhecimento da Jormafiio do Estado administrativo brasileiro, que teve 
seu inicio na decada de 30 com a reJorma de Getulio Vargas e, desde entiio, 
tern soJrido intervenr;oes de maior ou menor intensidade. Manter acesa a dis-
cussao sobre 0 tema e tareJa que se impoe, pots s6 assim haverd possibilidade 
de melhoria da administrar;iio publica do pais. 
Estudar a reJorma administrativa do DNER a partir de um olhar her-
meneutico Jot uma decisao com 0 objetivo de buscar a compreensiio da pole-
mica reJorma do orgao. 
o estudo estd estruturado em sete capitulos. 0 primeiro explicita seus 
objetivos, a metodologia empregada e sua relevancia. 0 segundo revisita as re-
Jormas administrativas brasileiras, a Jim de encontrar os reJerenctais que in-
jluenctaram 0 modelo organizacional do DNER. No terceiro capitulo e expli-
citado 0 surgimento do DNER. 0 quarto mostra a grande transJormar;iio do 
DNER e como atingiu 0 sucesso. 0 quinto apresenta 0 processo de declinio do 
DNER e 0 momenta da reJorma administrativa do Governo Collor. 0 sexto pro-
cura demonstrar como Jicou 0 DiVER apos a reJorma Collor. 0 selimo e ulti-
mo capitulo consolida as conclusoes do estudo e apresenta algumas sugestoes 
para uma agenda de Juturos estudos sobre 0 tema. . 
Cl Titulo do trabalho: 
Organizar;iio Virtual: impactos do teletrabalho nas organizar;oes buro-
craticas 
ApresentaC;iio: 
Este estudo J01 motivado pela percepr;ao das proftmdas transJormafoes 
que 0 teletrabalbo, vitivel devido as novas tecnologias da inJormar;ao e da co-
municafiio, estti causando nas tradicionais organizar;i5es burocrtiticas. Desven-
dar tais transJormar;oes tornou-se, entiio, seu objetivo. 
72 PROJETOS E RELAT6RIOS DE PESQllSA EM ADMI:-'lSTRAcAo 
o estudo esta estruturado em nove capitulos. No Capitulo 1, sao apresen-
tados 0 problema que desencadeou 0 estudo, sua delimUar;:ao, a metod%gta 
empregacia e 0 contexto que originou 0 surgimento das organtzar;:oes virtuais. 
o Capftulo 2 apresenta as caracteristicas e premissas das organiza~oes 
burocraticas, enquanto 0 Capitulo 3 aborda os mesmos aspectos em relar;:ao 
as organiza~oes virtuais. 
No Capftulo 4 iff discutida a mudanr;:a de paradigma ocorrida entre a 
Revolu~ao Industrial e a sociedade da informar;:ao. 
o Capitulo 5 inida a descrir;:ao dos impactos causados pelo teletrabalho 
nas organizar;:6es burocraticas. Analisa os tmpactos psico/6gicos no teletrabalha-
dor, a melhoria de sua qualidade de vida, bem como os impactos do teletraba-
lho na sociedade. 
No Capitulo 6, sao abordadas as questoes do controle organizacional 
na organiza~aovirtual, a relar;ao entre tecnologia e estrutura organizacional 
e a tendencia a descentralizar;ao a partir da implantar;ao do teletrabalho. 
o Capitulo 7 disc ute as consequencias do distanciamento fistco dos 
membros da organizar;:ao virtual na organizar;ao informal e na difusao e ma-
nutenr;ao da cultura organizacional. Tambem registra as restrir;:oes nas formas 
de comunicar;ao que surgem nesse tipo de organizar;:ao. 
fa no Capitulo 8, os jogos de poder, uma metafora da organizarao 
como sistema politico, e 0 processo decis6rio na organizar;:ao sao abordados. 
o ultimo capitulo e dedicado as conclusoes do estudo e it apresentar;:ao 
de sugestiies para futuras pesquisas. 
6.3 RESUMO 
Resumo e um item que sumariza 0 relat6tio, enfatizando objetivo, me-
todologia, resultados e conclusoes. Deve ser escrito em uma sequencia de 
frases, nao de t6picos. A linguagem deve ser bem clara, de modo que 0 leitor 
tenha adequada ideia do que se trata. Conteudo e linguagem devem atrair 0 
leitor para 0 relat6rio. Segundo a ABNT (NBR 6028:2000), deve conter no 
maximo 500 palavras. 
E recomendado que 0 resume tambem seja apresentado em uma Hngua 
estrangeira. E comum que 0 seja em ingles. Veja os exemplos de Dourival de 
Souza Carvalho Junior e de Yara Consuelo Cintra: 
Cl Titulo do relat6rio: 
Utilizar;:ao de referencial estrangeiro na produr;:ao cientifica em admi-
nistrar;ao no Brasil 
1 
1 
o REL~T6R!O DA PESQL1SA 73 
Resumo: 
o· estudo objetivou verificar ate que ponto a produr;:ao cientifica brasi-
Jeira em analise organizacional esta calcada em referencial estrangeiro, so-
bretudo no de origem americana, bem como as razoes e as principais conse-
quencias dessa utilizar;ito. Considera-se que as referencias bibliograficas utili-
zadas por um autor constituem um de seus suportes de argumentar;ao e que a 
produr;:ao cientfjica e a pratica administrativa nito estao dissociadas cia cultu-
ra de determinada sociedade. Foram analisadas as publicar;:6es de autores bra-
sileiros em um periodo de cinco anos e consultados esses autores. As rejlexoes 
sobre as consequencias do procedimento atual leva ram a conclusao de que 
nao se desenvolveu uma admintstrar;:ao propria no Brasil. 
Abstract: 
The study has the propose to verify in what extension the cientific brazilian 
organizational analysis is sustained by foreign references, particulary by ameri-
can niferences, the reasons and consequences of this utilization. The assumption 
is that the bibliography references utilized by an author constitues one of the su-
pports of his arguments, and the cientific production and the administrative prac-
tice are not dissociated from culture. The cientific production publtshed in five 
years by brazilian autbors was analysed and those authors consulted. The rejlec-
tions about the consequences of the actual procedures sent to the conclusion that 
an own administration has not been developed in Brazil. 
Cl Titulo do relat6rio: 
o papel do executivo financeiro na organizar;ao modema 
Resumo: 
o objetivo deste estudo explorat6rio e gerar algum conhecimento sobre 
o papel dos executivos financeiros no contexto das organizar;oes modemas, to-
madas do ponto de v~ta holistico. 
Usualmente consider ados "contadores de tostoes" um tanto bitolados, 0 
estudo pretende verificar se estas opinioes sao de fato aplicaveis ao peifil do 
gerente financeiro. 0 estudo inclui uma descrir;ao do estado-da-arte em varia-
dos campos da ciencia, que constitui seu panG de fundo. 
Os resultados mostram um momenta de transir;:ao, coerente com a mu-
danfa de paradigmas que esta ocorrendo na teoria das organizar;:oes. Tambem 
revela alguns problemas, tais como a dificuldade de comunicar;ao e um peifil 
tradicional injluenciando fortemente a atitude dos executivos financeiros. 
Abstract: 
The main objective of this exploratory study is to provide some know-
ledge on the finance executive's role, framed in the context of modern organi-
zations, considered from the holistic ViewpOint. 
74 PRO]ETOS E RELATORIOS DE PESQUISA EM ADMINlSTR.\y\O 
Commonly regarded as "bean counters", somewhat "narrow-minded" 
executives, the study aims to verify if those beliefs are applicable to the finance 
manager's proJile. It comprises a state oj the art portrait on various science fields, 
which constitutes the background Jor the development oj the present research. 
The results show a moment oj transition, which is coherent with the 
theory oj organizations' current change oj paradigms. Tbey also show some 
problems like poor communication skills and a strong traditional proJile 
influencing the financial executive's attitude. 
6.4 llSTA DE SOOOLOS E ABREVIATIJRAS 
Se voce achar pertinente, inclua uma Hsta com os simbolos e as abre-
viaturas utilizadas no corpo do trabalho, com seus respectivos significados, 
como no exemplo fornecido por Aquiles de Andrade Pereira: 
CJ Titulo do relat6rio: 
Produ{:iio descentralizada de medicamentos essen cia is no Instituto de 
Tecnologia em Farmacos - Far Manguinhos do Estado do Rio de Janeiro: um 
diagnostico de sua implementa{:iio 
Lista de abreviaturas: 
ABIFARMA - Associa{:iio Brasileira da Industria Farmaceutica 
AIS - Afoes Integradas de Saiide 
AL4NAC - Associa{:iiodos Laborat6rios Farmaceuticos Nacionais 
ALFOB - Associa{:iio dos Laboratorios Farmaceuticos Oficiais do Brasil 
CEME - Central de Medicamentos 
DST - Doenfas Sexualmente Transmissiveis 
FDA - Food and Drug Administration 
IPROMED Instituto de Produfiio de Medicamentos 
OMPI - Organizas;iio Mundial de Propriedade Industrial 
OMS - Organiza{:iio Mundial de Saude 
PREV-SAUDE Programa Nacional de Servi{:os Basicos de Saude 
RENAME - Reias;iio Nacional de Medicamentos Essenciais 
6.5 llSTA DE n..USTRAC;OES 
Tambem, se considerar pertinente, fas,:a uma \ista das tabelas e das 
figuras apresentadas, separadamente, na ordem em que aparecem no texto e 
o RELATOruo DA PESQUISA 75 
com a indica<;i'io da pagina na qual podem ser encontradas. Veja 0 exemplo de 
Jose Roberto Gomes da Silva: 
CJ Titulo do relat6rio: 
Comunica{:iio e mudans;a em organizas;oes brasileiras: desvendando 
um quadro de reJerencia sob a optica do sUjeito e da reconstrttS;iio de identi-
dades. 
Lista de tabelas: 
Tabela 1 - Pessoas entrevistadas em cada uma das 
organizas;oes estudadas 164 
Tabela 2 - Hist6rico das mudans;as de controle acionario 
da CONCESSIONARlA C 251 
Tabela 3 Hist6rico dos principais eventos que caracterizam 
a evoluS;iio da E111PRESA M-R 334 
Lista de figuras: 
Figura 1 
Figura 2 
Figura 3 -
Figura 4-
Um mapa mental para ajudar na mudans;a 
o modelo de estratificas;iio do agente 
Caracteristicas do discurso organizacional nos 
niveis da interar;iio e da estrutura 
As mudanr;as em termos da ideo!ogia das 
organiza{:oes estudadas 
Figura 5 - 0 conjunto de relas;oes que afetam 0 processo de 
subjetivas;ao e a reconstru{:iio das identidades dos 
individuos 
6.6 Sl1MARIO 
26 
57 
105 
386 
402 
o sumario obedece as mesmas regras do projeto. Contudo, seu conteu-
do nao e iguaJ, uma vez que 0 do projeto indica as inten<;oes de pesquisa e 0 
do relat6rio, 0 realizado. Ursula Wetzel Brandao dos Santos nos brinda com 
um exemplo: 
i:l Titulo do re1at6rio: 
Metodos qualitativos para pesquisa em administrar;iio caracterizas;iio 
e relacionamento aos paradigmas para pesquisa 
76 PROJEIOS E RELAWRlOS DE PESQUISA EM ADMlNISTRA<;:Ao 
SUMA.RIO 
1 0 PROBLEMA 
1.1 Introdur;iio........ ................................................................................ 1 
1.2 Formulafiio da situar;iio-problema .................................................. 2 
1.3 Objetivos ............................................. :. ... .... .... ......... ........ ... ..... ......... 4 
1.4 Delimitar;iio do estudo....................................................................... 4 
1.5 Relevancia do estudo......................................................................... 9 
1.6 DeJinir;iio dos termos ......................................................................... 10 
2 METODOLOGIA 
2.1 Hist6ria pessoal e metodologia .......................................................... 14 
2.2 Tipo de pesquisa ................................................................................ 16 
2.3 Coleta de dados ............... _................................................................. 17 
2.4 Limitar;oes do metodo ........................................................................ 18 
3 PARADIGMAS PARA A PESQUISA CIElvTiFICA 
3.1 A escolba dos paradigmas ................................................................. 19 
3.2 Dimensoes caracteristicas de urn paradigma .. ................................. 22 
3.3 Principais caracteristicas do paradigma p6s-posittvista.................... 23 
3.4 Principais caracteristieas do paradigma da teoria critica ................ 25 
3.5 Principais earaeteristieas do paradigma construtivista ................ .... 27 
3.6 Comparando os paradigmas ............................ ..... ............................ 29 
4 METODO ETNOGRAFICO 
4.1 DeJinir;iio ........................................................................................... 32 
4.2 Breve deserir;iio do metodo .................. : ............................................ 32 
Principais tecnicas de coleta de dados: obseroar;iio parlicipante e 
entrevista ........................................................................................... 37 
4.4 Exemplos de ap/iear;iio do metoda na pesquisa em administrar;iio. 45 
5 PESQUISA-Ar;AO 
5.1 DeJinir;iio ........................................................................................... 60 
5.2 Pesquisa-ar;ao e pesquisa partieipante .............................................. 61 
5.3 Caraeteristieas da pesquisa-ar;iio ...................................................... 62 
5.4 Breve descrir;iio do metoda .............................................................. . 
5.5 Exemplos de apliear;iio do metoda na pesquisa em administrar;iio. 72 
6 HISTORIA ORAL 
6.1 DeJinir;iio ........................................................................................... 78 
6.2 Importancia da bist6ria oral............................................................. 89 
6.3 Papel da entrevista, do entrevistador e do entrevistado ...... .-............ 90 
6.4 Breve descrir;iio do metodo............................................................... 93 
6.5 Exemplos de aplicar;iio do metoda na pesquisa em administrar;iio. 97 
o RELAT6RlO DA J>ESQt:1SA 77 
7 GROUNDED-THEORY 
7.1 DeJinir;ao ........................................................................................... 101 
7.2 Caracteristicas da grounded-theory .................................................... 101 
7.3 Breve descrir;iio do metodo ............................................................... 106 
7.4 Exemplos de aplicar;iio do metodo na pesquisa em administrar;iio . 115 
8 RELACIONAMENTO DOS METODOS AOS PARADIGMAS PARA 
PESQUISA Elf ADML'VISTRAr;.JO 
8.1 Por que relacionar metodos a paradigmas para pesquisa ............... 129 
8.2 Metodo etnograJico ............................................................................ 130 
8.3 Pesquisa-ar;iio .................................................................................... 132 
8.4 Hist6ria oral ............................................................................. .......... 135 
8.5 Grounded-theory ................................................................................... 135 
8.6 Classijicapio dos metodos segundo sua predominancia em 
determinado paradigma ................................................................... 140 
9 CONCLUSOES E SUGESTOES 
9.1 Conclus6es ......................................................................................... 142 
9.2 Nova agenda de pesquisa .................................................................. 145 
10REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ............................................................. 148 
11 BIBLIOGRAFIA ......................................................................................... 158 
6.7 INTRODUcA.O 
Aqui come;;a 0 relatorio propriamente dUo e os lembretes sao pratica-
mente iguais aos feitos para 0 projeto, porem ha de se cuidar que 0 tamanho 
seja maior eo conteudo mais elaborado. Vale lembrar que e aqui tambem que 
come;;a a numera;;ao das paginas do relat6rio. 
6.8 DESENVOLVlMENTO 
o desenvolvimento do relat6rio e a que sucede a introdu~ao e antece-
de a conclusao. E composto de varios capftulos, cada um dos quais come;;an-
do em uma nova pagina e devendo ser subdividido em se;;oes. A se~ao, se for 
o caso, tambem pode ser subdividida, apresenrando se;;oes secundarias. 
Conforme a ABNT (NBR 6024:1989)' cada capitulo deve rer sua nume-
ra;;ao sequencial em algarismos arabicos (1, 2, 3 etc.) e e tambem possiveJ 
numerar as se;;6es (1.1, 1.2, 1.3 etc.) e as se<;6es secundarias (1.1.1, 1.1.2, 
1.1.3 etc.). De qualquer forma, e preciso destacar os tftulos, sejam os dos 
78 PRO)CTOS E RELAT6ruos DE PESQ1J1SA EM ADMINISTRA.;;Ao 
capftulos ou das Se{;Oes. Recursos como caixa-alta (letras maiusculas), negrito, 
grifo, italico estao a disposi{;ao de sua imagina{;ao.Mas lembre-se: jamais se 
separa um titulo do que the segue, vale dizer, voce nao deve colocar 0 titulo 
na ultima linha de uma pagina e come~ar 0 texto na pagina seguinte. 
Ha quem opte por tftulos tradicionais e outros, por: criativos, sob : 
alega~ao de que eles dao toque diferenciado ao trabalho. E verdade, mas e 
preciso ter cuidado para que nao desviem 0 leitor do que sera tratado. Afinal, 
titulos devem sintetizar uma reda~ao. 
o desenvolvimento inclui referencial teorico, coleta e tratamento dos 
dados. No que concerne it coleta e ao tratamento dos dados, vale aqui mencio-
nar que, em pesquisas ditas qualitativas, dificilmente eles sao abordados separa-
damente; antes, formam um conjunto. 
Uma dica para ajudar seu leitor: antes de come~ar um capitulo, fa~a 
uma pequena introdu~ao esclarecendo sabre a que vai ser tratado. Ao termi-
na-Io, fa\;a um pequeno resumo, lembrando 0 que foi discutido. Voce reparou 
que isto foi feito neste livro? 
6.9 RESULTADOS 
Os resultados da pesquisa podem compor um capitulo it parte se e 
feita pesquisa de campo. Veja 0 exemplo de Maria Angelica Oliveira Luque-
ze: 
t:I Titulo do relata rio: 
A tnflat;iio brasileira e a administrariio do capital de giro 
Resultados: 
o estudo do questionario foi iniciado levando-se em conta 0 percentual 
de respostas em cada questiio para apurar-se a incidencia de cada uma delas. 
A seguir temos os resultados. 
Questiio nil 1 
Ao realizar 0 planejamf!!lto financeiro de sua empresa, em que prazo 
voce considera que as projer;oes ocorreriio pr6ximas a realidade? 
9% - 1 ana 
9% - 6 meses 
31% 3 meses 
41% 1 mes 
7% 15 dias 
3% - outros 
o RELAroRIO DA PESQUISA 79 
Esta questiio apresentou um resultado bem definido, ou seja, a ma/oria 
absoluta, cerca de 72% dos executivos financeiros das empresas acreditam que 
suas projefoes seriio veriftcadas na prtitica, num peri ado entre um mes (41% 
das respostas) e tres meses (31%). Esta tendencia e muito representativa do con-
texto econ6mico brasileiro, ou seja, tendo em vista as attas taxas de inflafiio 
com as quais os executivos convivem e sua obriga;;:iio de gerenciar 0 capital 
circulante de suas empresas, eles conseguem projetar suas varitiveis do fluxo 
de caixa com um bom grau de certeza num periodo maximo de tres meses. 
ISlo significa que 0 horizonte de planejamento e extrema mente estreito 
e, notadamente, essa visiio de curt{ssimo prazo e que dificulta as empresas a, 
efetivamente, se programarem com a devida antecedencia para implementa-
rem seus novas projetos. Os demats itens tiveram percentuais baixos de respos-
las, como 18% dos executivos acreditando que as proje;;:oes ocorreriio pr6xi-
mas a realidade entre sets meses e um ano; 3% citando outros periodos e 7% 
utilizando um horizonte de previsibilidade ainda menor, ou seja, 15 dfas. Ape-
nas a titulo de ilustra;;:iio, vale a pena mencionar as empresas que, entre as 
pesqutsadas, se encontram neste ultimo gmpo: Petro bras, Cia. Suzano de Pa-
pel e Celulose, Cia. Petroqu{mica de Camar;ari e Cresal Exportadora. 
Deixam, aqui, de ser transcritos todos as resultados apresentados por 
Maria Angelica, porque ocupariam urn numero enorme de paginas. Mas voce 
ja percebeu que, para cada uma das questoes do questionario que aplicou, ela 
apresentou os resultados obtidos e os comentou. 
Vale fazer, contudo, uma ressalva importante. Esta nao e a unica ma-
neira de se apresentar resultados. Eles podem tambem diluir-se nos capitulos 
em geral, se a que se apresenta sao resultados de nossa reflexao. E a caso, 
par exemplo, de pesquisa bibliografica ou documental nao quantitativa ou 
daquela que se utiliza do metoda dialetico au do hermeneutico, sem ir a 
campo. Ha situa\;oes tambem em que 0 autor apresenta resultados obtidos no 
campo e os faz acompanhar de suas pr6prias reflexoes te6ricas. Se voce for 
as bibliotecas, ficad extremameme enriquecido com a multiplicidade de pos-
sibilidades que se Ihe oferece. Por enquanto, veja a exemplo fomecido par 
Mario Couto Soares Pinto: 
Q Titulo do relat6rio: 
Telerj: cultura e mudanr;a 
Resultados: 
Os questiontirios revelam ( . .). 
Dessa forma, parece-nos que, no caso da Telerj, existe um exercicfo 
quase secular, conforme detalhamos no htst6rico da empresa, de ~mia valori-
zar;iio da ordem, da hierarquia e da disciplina, que the confere um aspecto es-
tmtural significativainente semelhante ao da rigidez militar. 0 movimento cir-
80 PRO]ETOS E RElAT6RlOS DE PESQUISA EM ADMli'<1STRA.;;AO 
cular causado pe/a retroalimenta{:do da inteiferencia do grupo no conjunto 
jOi, e continua sen do, jortemente desestimulado, 0 que sugere Ulna verticali-
za{:do profunda dos padroes de comportamento tradicionalmente aceitos. 0 
novo, que irrompe, deve ser abortado em tempo bdbi/, posto que amea{:a 0 
status quo que redime e garante a estabilidade. A movimenta{:do e a mudan-
{:a, quando sdo inevitaveis, apresentam-se, dialeticamente, apenas para asse-
gurar a conjormidade; muda-se 0 artejatual para que os paradigmas sejam 
preservados. 
Mario continua fazendo suas reflexoes, acompanhadas dos dados obti-
dos no campo. Elas nao sao aqui reproduzidas porque, como no exemplo 
anterior, demandariam grande numero de paginas. Ah~m do mais, voce ji 
captou a mensagem, nao e verda de? 
6.10 CONCLUSOES 
Hi duas partes muito importantes no trabalho: a definic;ao do problema 
sob investiga~ao e a resposta que of ere cern os ao leitor. Esta e a condusao. 
S6 se pode conduir sobre aquilo que se discutiu; logo, tudo 0 que voce 
apresentar na condusao deveri ter side discutido anteriormente. Dito de outra 
maneira: nao escreva no capitulo referente as conclusoes nada que nao tenha 
sido discutido antes. A redproca e verdadeira. Sobre tudo 0 que voce tiver 
estudado, a uma condusao devera chegar. 
Imagine que no desenvolvimento do trabalho voce tenha escrito: "0 
Tratado de Tordesilbas fixou 0 meridiano localizado a 370 Ieguas a oeste do 
Cabo Verde como 0 divisor de dominio das novas terras descobertas por Por-
tugal e Espanba." Uma de suas posslveis conclusoes e a de que "As novas 
terras descobertas ficaram divididas entre portugal e Espanba." Urna conclusao 
impossivel e aquela segundo a qual "0 rei de Portugal era mais audacioso que 
o de Espanba ", porque nada na afirmativa contida no desenvolvimento a ela 
conduz. 
Para dar inkio as condusoes, resgate a pergunta-problema que desen-
cadeou 0 estudo e fac;a urn brevlssimo resumo do que foi apresentado e 
discutido nos capltulos anteriores,' apenas para refrescar a lembran~a do leitor. 
Feito isso, 0 passo seguinte e dizer 0 que voce concluiu a esse respeito, ou 
seja, oferecer a resposta a pergunta-problema. 
Hi uma dica interessante: quando voce estiver pensando sobre 0 traba-
lho ou ji 0 redigindo, va anotando, em [ugar a parte, conc1usoes parciais. 
Depois, e s6 reuni-Ias. 
Citac;oes devem' ser evitadas nas condusoes, a menos que sejam para 
dar uma finaliza~ao de impacto, ou charmosa. Por que? Porque a conc1usao e 0 
I 
I 
i 
o RELATORIO DA PF_,QUISA 81 
resultado de uma reflexao sua, nao de outra pessoa. E sua contribui~ao ao 
acervo existente. 
Veja, como exemplo, parte das conclusoes a que cheguei quando pes-
quisei a experiencia da Empresa Brasileira de Correios e Telt~grafos na busca 
da modemidade (994): 
Duas joram as questoes jundamentais instigadoras da investigar;ao: 
a) Qual 0 papel dos funcionarios na sustentafdo do sucesso da Em-
presa Brasileira de Correios e Tetegrafos - ECI? 
b) QualOs) paradigma(s) organizacional(is) vem(vem) ancorando 
esse sucesso? 
•••••• ~ ••••••••••••••• •• , •••••••• + ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ,. • ••••••• ,. ••• ,. •• ,.. 
Com a criar;do da BeT, investiu-se multo na forma{:do e treinamento 
de pessoal. Ate onde se pode concluir, esta opfao foi de grande importancia 
para a EeT, na sua busca de modernidade. (. . .) E lfcito presumir que ao trei-
namento se devem as transjorniar;oes culturais, tecnol6gicas e organizacionais 
pe/as quaispassou a Bmpresa. Se e possivel identificar 0 paradigma organico 
no privilegiamento de pessoas, tambem e possivel identificar 0 mecanicista. 
Observa-se, por exemplo, que certos treinamentos tem carater de adestramen-
to, it medida que se alega que para tarefas rotineiras ndo cabem improvisa-
foes, sob pena de perder-se agilidade e qua/idade dos servir;:os. 
A motiva{:ao dos empregados, pode-se concluir, tambem Jot elemento 
relevante na constru{:ao do sucesso da BCT. Bles sentem orgulho da Bmpresa. 
Sete foram os presidentes da BCT ( . .). 
Rosado e Mattos, jalecidos, e Botto, residente na Sui{:a (. .. ), joram indi-
ca{:oes do regime militar implantado no pais em marfo de 1964 e que se es-
tendeu ate 1984.(. . .) Com Mattos a aura dos Correios expandiu-se; com Botto 
bouve a explosdo. Botto deu continuidade a gestdo de Mattos, algo nao usual na 
administrafdo publica brasileira. Ambos joram nomes de grande expressdo e sig-
nificado para a EeT. Bram centralizadores. Tratavam a disctplina, a ordem, as 
regras, a bierarquia rigida como atributos inerentes a Empresa que dirigiam. 
Pode-se concluir que, devido, princtpalmente, it forma{:do militar desses dirigen-
tes, 0 paradigma mecanicista ancorou a administrafdo da Empresa, bem como 
as praticas dos juncionarios. Todavia, 0 organico suportava a visao do neg6cio. 
Neste ana de 1994, a BCT comemora seu jubileu de prata. Foram 25 
anos de uma hist6ria exitosa, com oportunidades aproveitadas, amear;as neu-
tralizadas e ousadia para disputar com outras empresas, mercado de servi{:os 
ndo monopolizados. Bscreveram essa hist6ria juncionarios, do presidente ao 
carteiro. Conclut-se que a partictpa{:do deles jot de jundamental relevancia. 
-,,'-------------
82 PRO]ETOS E RELAT6ruos DE PESQUlSA EM ADMINlSTRA<;AO 
Os estudos realizados tambem permitem concluir que a ECT ancorou-
se no paradigma mecanicista e no organico para construir seu sucesso. 0 su-
porte em mais de um paradigma demonstra aquilo que Max Weber ensinou: 
nao existem tipos puros no. realidade social. Cabe, porem, mencionar que, ate 
onde as informafoes coletadas permitiram perceber, 0 paradigma do cerebro 
humano nao esteve presente. 
6.11 SUGESTQES E RECOMENDA(;QES 
Quando se esta estudando urn assunto, vai-se descobrindo a enormida-
de de outros assuntos aos quais ele esta ligado. Nao e possiveJ, no entanto, 
tratar deles todos. 0 reIat6rio ficaria inconcluso, porque passariamos a vida 
toda percorrendo rios e seus afluentes. Entao, anote em espafO 11 parte esses 
assuntos e depois, na parte referente as sugestoes, recomende-os para outros 
pesquisadores estudarem. Sao assuntos que voce nao pode explorar, mas que 
o mereceriam, seja pelo mesrno ou por outro angulo de visao, seja pel a 
mesma ou por outra abordagem. Veja 0 exemplo que Cfntia de Melo Moraes e 
Pedro Lins Palmeira Filho nos fomecem: 
o Titulo do relat6rio: 
A cultura brasileira revelada no barracao de uma escola de samba - 0 
caso do. Familia Imperatriz 
Sugestoes: 
Um trabalho de pesquisa, contudo, nao se esgota em sf mesmoj antes, pro-
voca outros trabalhos. Pode-se, par exemplo, vislumbrar um estudo sobre a ques-
tao da lideranfa no Brasil, enfacada apenas residualmente nesse estudo. 
Uma leitura psicanalftica de Macunaima permite que se diga que a per-
sonagem oscila entre 0 Principio de Prazer e 0 Principio de Realidade, pro-
postos por Freud. De forma similar, essa serio. tambem uma analogia frutifera 
para 0 estudo de uma escola de samba. Pode-se inferir que a escola atua no 
Principio de Prazer quando vista sob a 6tica de seus objetivos festivos; ja 0 Prin-
cipio de Realidade marco. todas as suas atividades produtivas e mercadol6gi-
cas. Esse aspecto dual poderia ate ser enfocado sob 0 contraste entre barracao 
e quadra. 
Sua interessante dinamica organizacional, que eng/oba quadra, barra-
cao e alas tambem apresenta excelente material a ser desvelado a luz do. rela-
fao entre centralizafao versus descentralizafao, em uma pesquisa mais apro-
fundada sobre as caracteristicasdo que Da Matta (1990) chama de estrutura 
cometa. 
o RELAT6Rlo DA PESQUlSA 83 
Uma agenda tambem interessante seria tentar localizar as caracteristi-
cas do. cultur~ brasileira em empresas tradicionais, como multinacionais que 
operam no pats, empresas estatais e familiares. 
Gutras possibilidades de estudo certamente foram vtslumbradas pelo lei-
tor .. Provavelmente, elas despertarao no estudioso 0 mesmo prazer que a pes-
qUlsa em uma escola de samba causou it autora desta dissertafao. 
IJ Titulo do relat6rio: 
A qua/idade do samba: um estudo do. organizafao do trabalho no bar-
racao da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense a luz dos conceitos do. 
gestao pela qualidade total 
Sugestoes: 
Um trabalho de pesquisa nunca se esgota em si mesmo. Atem de procu-
rar responder a um .questionamento, abre espafo para outros estudos. 
A presente dtssertcli;iio nao foge a regra. As limitafoes impostas 0.0 pes-
quisador impediram a explorafao de outras dimensoes relevantes 0.0 objeto de 
estudo. Algumas lacunas se apresentaram, mas niio puderam ser preenchidas. 
Nesse contexto, vislumbram-se algumas sugestoes para fitturas pesqui-
sas, conforme descritas a seguir: 
• Ate que ponto os problemas enfrentados por organizafoes brasi-
teiras na implementafao de programas de qua/idade correspon-
dem a interpretafoes reducionistas do modelo GQY? Essas dificul-
dades indicariam a necessidade de adaptafiio do modelo a reali-
dade brasileira? Que adaptafoes seriam essas? 
• Representariam os valores e atitudes percebidos no barracao do. 
Imperatriz Leopoldinense um espelho do. organizafao do fogo do 
bicho no Rio de Janeiro? 
• 0 clima de satiifafao erealizafao no traba/ho, percebido no dis-
curso dos ocupantes das funfoes-chaves serio. tambem encontra-
do caso a pesquisa abrangesse todos os participantes do barracao? 
• Serio. possivel corroborar 0 modelo proposto por GUerreiro Ramos 
sobre a diversidade dos desenhos socia is a partir de pesquisas em 
organizar;;oes nao convencianais, como, por exemplo, 0 circo, as 
torcidas organizadas, as associafi5es de moradores e os circulos de 
candombJe? 
Esta dissertafao, bem como as questoes aqui sugeridas, sinalizam para 
a possibilidade de trilhar caminhos ate entao nao muito iluminados. Questio-
naT, eventualmente, posifoes dogmiiticas ou paradigmaticas e realizar a uto-
pia possive!. 
84 PRO]ETOS E RELATORIOS DE PESQUISA EM ADMINlSTRA<;AO 
Com este exemplo termino 0 capitulo. Ele tratou do relatorio da pes-
quisa, abordando pontos que deixaram de se-Io na discussao do projeto. 
Lembrou sobre a pertinencia de uma palavra de agradecimento a quem, de 
alguma forma, prestou algum tipo de ajuda e ate de dedicar 0 trabalho a 
aIguem importante para nos; alertou sobre a necessidade de apresentar-se 
urn resumo do estudo; lembrou que, as vezes, e pertinente a tela~ao de 
slmbolos, abreviaturas e ilustra~oes; apresentou urn exemplo de sumario de 
relatorio para que voce compare com 0 exemplo apresentado de sumario de 
projeto; esclareceu sobre as partes do relat6rio, que incluem conclusoes e 
sugestoes para novas pesquisas. UMA PALAVRA FINAL 
Este livro e a revisao e a ampliar,;:ao de uma nota didatica redigida em 
1991 e oferecida a meus alunos de Metodologia da Pesquisa. Motivou a elabo-
ra~ao de tal nota 0 desejo de ser-lhes, de alguma forma, utH. A nota, ate onde 
tenho informa~ao, tern sido usada tambem por outras pessoas. 
Vejo 0 livro como composto por tres grandes partes: uma, que introduz 
o lei tor ao texto e contextualiza 0 que vern a seguir; outra, expressa em varios 
capltulos, que apresenta uma sugestao para urn modele de estrutura~ao de urn 
projeto de pesquisa e 0 discrimina; e outra, ainda, que apresenta sugestoes 
para elabora<;:ao de relat6rios de pesquisa. 
Para a constru<;:ao do texto, vaH-me de minha experiencia como profes-
sora de Metodologia da Pesquisa, bern como da experiencia que adquiri como 
orientadora e membro de bancas examinadoras de dissertar,;:oes e deteses. 
Vali-me, tambem, de meus proprios alunos, meus colaboradores, ja que, entre 
1988 e 2002, ofereceram os exemplos que ilustram os conceitos. Iluminando 
tudo isso, vieram em meu auxflio inumeros autores que, com suas obras, 
ofereceram-me informa<;:oes, provocaram-me concordancias e discordancias 
e, principalmente, instigaram-me a reflexao. 
o Hvro tern carater pratico. Todavia, pressupoe estar-se dirigindo a 
pessoas que reconhecem e conhecem as grandes questoes te6ricas referentes 
ao trabalho cientifico. 
Espero que ele tenha sinalizado para a relevancia da pesquisa no pro-
cesso cientifico de gera<;:ao, renovar,;:ao e uso do conhecimento, para a com-
preensao da responsabilidade do pesquisador, bern como tenha oferecido 
insumos para 0 desenvolvimento de habilidades relativas it defini<;ao clara do 
problema a investigar, a busca, ao tratamento e a interpretas;ao de dados e 
informas;oes conducentes a solu~ao de problemas, bern como a consolida~ao 
de condusoes. Espero tambem que tenha sinalizado para 0 leitor a importan-
cia da forma, na transmissao de uma mensagem. 
86 PRO]ETOS E RELA TORlOS DE PESQUlSA EM ADMIl>USTlt,,<;:AO 
Estou certa de que muitas outras dicas e informa;;:oes poderiam ter sido 
dadas e nao 0 foram. Estou certa tambem de que outra poderia ter sido a 
abordagem do tema. E assim mesmo. Conhecimento e constrw;ao e cons:rw;~o 
e processo que admite multiplos conteudos e variados e~foques. Arbltra~la­
mente, escolhi 0 meu. Certamente, outras pessoas escolherao 0 seu e susclta-
rao novas discussoes. E a efervescencia de possibilidades que da vida aos 
empreendimentos humanos. 
ANEXO 
RELAc;A.O DAS PESSOAS As QUAIS SE DEVE A 
MAIOR PARTE DOS EXEMPLOS APRESENTADOS, 
TODOS OBTIDOS ENTRE 1988 E 2002 NAS 
INSTITUIc;OES APONTADAS 
Alberto Trope ................................................................................................... IAGIPUC-Rio 
Andrea Ferraris Pignataro ................................................................................. EBAPElFGV 
Angela Guiomar Nogueira ................................................................................ DES 
Antonio Felipe de Almeida Pinto ..................................................................... IAGIPUC-Rio 
Aquiles de Andrade Pereira .............................................................................. EBAPElFGV 
Celso de Oliveira Bello Cavalcanti ................................................................... EBAPEIFGV 
Cfntia de Melo Moraes ...................................................................................... IAGIPUC-Rio 
Claudia Marquesi Prata ..................................................................................... EBAPElFGV 
Claudio Gurge\ .................................................................................................. EBAPElFGV 
Darci Vicente de Souza .................................................................................... EBAPElFGV 
David Ricardo Moreira Ramos .......................................................................... EBAPElFGV 
Denize Alves' .................................................................................................... IAG/PUC-Rio 
DicIeia Barroso Vargas ...................................................................................... EBAPElFGV 
Dourival de Souza Carvalho ............................................................................. IAG/PUC-Rio 
Elvira CruvineJ Ferreira Ventura ....................................................................... EBAPE/FGV 
Fernando Hor-Meytl Alvares ............................................................................. IAGIPUC-Rio 
Frederico Antonio Vignati Scarpati ................................................................... IAG/PUC-Rio 
Hasenclever Silva Martinelli ............................................................................. EBAPEIFGV 
Helio Arthur lrigaray ......................................................................................... IAG/PUC-Rio 
Humberto Falcao Martins ................................................................................. EBAPElFGV 
Isao lamamoto .................................................................................................. IAGIPUC-Rio 
Ivanildo lzaias de Macedo ................................................................................ EBAPElFGV 
Jamil Moyses Filho ............................................................................................ EBAPE/FGV 
Joao Luiz Gondomar de Oliveira ...................................................................... EBAPElFGV 
JUdO Paulo Vieira Tinoco .................................................................................. IAGIPUC-Rio 
Joaquim Rubens Fontes Filho ........................................................................... EBAPEIFGV 
Jorge Luiz Cantarelli Sahione ............................................................................ EBAPElFGV 
Jorge Manoel Teixeira Carneiro ........................................................................ IAG/PUC-Rio 
Jose Luis Felicia dos Santos de Carvalho ......................................................... IAG/PUC-Rio 
Jose Roberto Gomes da Silva ........................................................................... IAG/PUC-Rio 
Koffi Djima Amouzou ....................................................................................... EBAPEIFGV 
Lauro Antonio Lacerda d'Avila .......................................................................... Unisinos 
88 PRO]ETOS E REL>\T6RIOS DE PESQl.HSA E~[ ADMINISTRA(:Ao 
Leticia Silva de Oliveira Freitas ........................................................................ EBAPE/FGV 
Liesel Mack Filgueiras ....................................................................................... IAG/PUC-Rio 
Luis Alexandre Grubits de Paula Pessoa .......................................................... IAG/PUC-Rio 
Luis Felipe Chateaubriand Baracho Ferreirinha Amador .................................. EBAPE/FGV 
Marcelo Pomeraniec Carpilovsky ..................................................................... IAG/PUC-Rio 
Maria Angelica Oliveira Luqueze ...................................................................... lAG/PUC-Rio 
Maria Gloria Marques S. Mota ........................................................................... EBAPE/FGV 
Maria Helena Silva Costa Hentjes .................................................................... EBAPElFGV 
Mario Couto Soares Pinto ................................................................................. IAG/PUC-Rio 
Paula Chimenti .................................................................................................. IAG/PUC-Rio 
Paulo Durval Branco ......................................................................................... IAG/PUC-Rio 
Pedro Lins PaImeira Filho ................................................................................. IAG/PUC-Rio 
Regina Clara SimOes Lopes .............................................................................. EBAPEIFGV 
Renaud Barbosa da Silva .................................................................................. EBAPElFGV 
Ricardo Nolla Ruiz ............................................................................................ IAG/PUC-Rio 
Rosilngela Vianna Alves da Silva ...................................................................... EBAPElFGV 
Sady Monteiro junior ........................................................................................ EBAPElFGV 
Sandra Regina da Rocha Pinto .......................................................................... IAG/PUC-Rio 
Ubirajara Brasil dal Bello ................................................................................... Unisinos 
Ursula Wetzel Branclao dos Santos ................................................................... IAGIPUC-Rio 
Vera Lucia de Almeida Correa ..........................................................................EBAPEIFGV 
Viviane Narducci ............................................................................................... EBAPElFGV 
Yara Consuelo Cintra ........................................................................................ IAG/PUC-Rio 
Washington Pinto da Silva ................................................................................ IAG/PUC-Rio 
EBAPE/FGV - Escola Brasileira de Administra<;ao Publica de Empresas da Funda<;ao Ge-
tulio Vargas 
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INDICE REMISSIVO 
Abreviaturas - 39, 40 
Adjetivos - 37 
Agradecimentos 70 
Alfnea -43 
Amostra 30, 50, 51, 56 
Analise de conteudo - 4 
Anexos 67, 87 
Apresenta~ao -70,71,72 
Argumenta~ao 37 
Aspas - 38, 44 
Bibliografia 65, 66, 67 
Capitulos 78 
Cita~ao 37, 38, 80 
Colchete 38 
Coleta de dados 36, 56 
Conclusoes - 80,81,82 
Cronograma 63 
Dedicatoria 70 
Defini<;ao de termos 34 
Delimita<;ao do estudo - 30 
Desenhos - 54 
Desenvolvimento 77, 78 
Disserta~ao 19 
Entrevista 36, 55 
Estudo de caso - 49 
Figura - 41, 42, 43 
Folha de rosto 18 
Fonte - 43 
Fonte primaria - 36 
Formulario 55, 56 
Glossario - 35 
Grounded tbeory- 14 
Grupos de foco 55 
Hermeneutica 13 
Hip6tese 13, 28, 35 
Hist6rias - 37 
I1ustra}:oes - 41 
fndice 19 
Introdw;:ao - 20, 77 
Leitura explorat6ria - 36 
Limita~oes do metodo - 61,62 
Lingua estrangeira 38, 39 
Lista de tabel;ls e figuras - 74, 75 
Lista de simbolos e abreviaturas 74 
Metiforas - 37 
Metodo comparativo - 15 
Metodo dialetico - 13, 14 
Metodo etnografico 14 
Metodo fenomenol6gico - 13 
Metodo hipotetico-dedutivo - 12 
Metodo sistemico 15 
Nomes derivados - 44 
Notas de rodape - 40 
96 PROjETOS E RElAT6RIOS DE PESQUISA EM ADMlNISTRA<;:AO 
Numera~ao das paginas - 68 
Numera~ao dos tftulos - 37, 77 
Numeros - 44 
Objetivo - 25 
Observa~ao - 54 
Palavra estrangeira - 44 
Panigrafo - 37 
Pesquisa-a\;iio - 49 
Pesquisa aplicada - 47 
Pesquisa bibliografica - 48 
Pesquisa de campo - 47,48 
Pesquisa de laborat6rio - 48 
Pesquisa descritiva - 47 
Pesquisa documental - 48 
Pesquisa experimental - 48 
Pesquisa e.x: post Jacto - 49 
Pesquisa explicativa - 47 
Pesquisa explorat6ria - 47 
Pesquisa intervencionista - 47 
Pesquisa metodo16gica - 47 
Pesquisa participante - 49 
Poesias 37 
Popula~ao 50 
Problema - 13, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 35, 80 
Projeto de pesquisa - 15,17 
Questoes 26, 27, 54, 55, 56 
Ke<:orrleneJa<;oes - 82, 83 
Reda~ao - 44 
Referendal te6rieo - 28, 35, 36, 37 
Referendas bibliograficas 65, 66, 67 
Relat6rio 16, 70 
Relevfmcia 32 
Resultados - 78, 79, 80 
Resumo 72, 73, 74, 80 
Seeulo- 44 
Sujeitos 53, 68, 69, 82, 83 
Sumario - 19, 75 
Suposic,:ao - 28, 35 
Tabela - 41,43 
Teenicas Delphi - 14 
Tecnicas interativas - 55 
Tema - 23, 24, 25 
Tese - 20,21 
Tipo de pesquisa - 46,47, 48, 49, 50 
Titulo -18 
Transcri\;iio - 37, 38 
Tratamento dos clados 36, 59 
Tratamento verbal - 68 
Universo - 30, 50 
Variaveis - 21, 23, 48

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