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Radiologia Veterinária Aula 2

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DEFINIÇÃO
Planos e eixos anatômicos do corpo animal, os componentes do seu sistema locomotor e dos diferentes
sistemas orgânicos.
PROPÓSITO
Compreender a estrutura do corpo dos animais vertebrados é importante para identificar os componentes
anatômicos e distinguir alterações morfofuncionais em exames de imagem.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Identificar os conceitos e nomenclaturas especiais em anatomia animal
MÓDULO 2
Descrever anatomicamente o esqueleto dos animais domésticos
MÓDULO 3
Caracterizar as particularidades anatômicas das vísceras em animais
INTRODUÇÃO
A anatomia é a ciência que estuda a forma e a localização das estruturas que compõem o corpo dos
organismos. O estudo anatômico pode ser realizado com auxílio de instrumentos de aumento, como
microscópios, sendo denominado de anatomia microscópica, ou por meio de práticas de dissecção de
cadáveres e observação a olho nu, sendo chamado de anatomia macroscópica. Caso o estudo das estruturas
tenha por objetivo analisar as transformações ocorridas durante o período de formação do corpo do animal,
será denominado de embriologia.
A análise das estruturas anatômicas pode ser realizada de modo:
Regional: baseado nas relações das estruturas presentes em determinada região do corpo do animal.
Sistêmico: baseado nas relações das estruturas pertencentes a determinado sistema orgânico.
Topográfico: baseado no posicionamento das estruturas.
Aplicado: relacionado à aplicação prática da ciência anatômica com a filogenia, clínica médica, cirúrgica
ou diagnóstica, por exemplo.
Para que os termos de denominação das estruturas anatômicas sejam únicos e universais, devem respeitar o
disposto na Nômina Anatômica Veterinária, publicado em 1968. Esse documento visa garantir que os termos
utilizados sejam descritivos, instrutivos, exclusivos, curtos e simples. Além disso, estruturas relacionadas devem
receber nomes semelhantes e os epônimos devem ser evitados. Os termos devem ser escritos em latim e
podem ser traduzidos para os diferentes idiomas.
O estudo comparado das estruturas que compõem o corpo das diferentes espécies animais é chamado
anatomia comparada e será a base do nosso estudo neste tema.
EPÔNIMOS
Nomeação das estruturas com nomes e sobrenomes de pessoas.
MÓDULO 1
 Identificar os conceitos e nomenclaturas especiais em anatomia animal
PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO CORPÓREA EM
VERTEBRADOS
O estudo do desenvolvimento do corpo dos animais fornece informações úteis ao estudo anatômico, pois a
formação do corpo animal observada durante o período de embriogênese e organogênese segue princípios
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comuns que regem a construção de todos os organismos vertebrados.
Esses princípios permitem perceber que existe um padrão de desenvolvimento do corpo comum a todos esses
animais, auxiliando a identificar semelhanças e divergências entre as estruturas anatômicas presentes em
diversas espécies.
A construção do corpo dos animais vertebrados, que ocorre durante o desenvolvimento embrionário, segue
quatro princípios básicos chamados de princípios de construção corpórea.
São eles:
Antimeria ou Zigomorfismo
O corpo pode ser dividido em duas metades simétricas chamadas de antímero direito e antímero esquerdo.
 Antímeros esquerdo e direito em cão.
A partir desse princípio, pode ser observada a existência de órgãos pares ou homótopos, presentes
igualmente nos dois antímeros do animal, como os olhos, orelhas e pulmões. Contudo, essa simetria não é
perfeita, podendo sua posição, forma e tamanho variarem em um mesmo indivíduo, o que é considerado
normal.
 EXEMPLO
Os mamíferos podem apresentar tetas opostas com tamanhos diferentes, e uma teta pode até produzir mais
leite que a outra sem que isso signifique a ocorrência de uma anomalia estrutural ou funcional.
Também pode ser observada a existência de órgãos ímpares ou únicos e que, portanto, estão localizados em
apenas um antímero do animal, como fígado, baço e pâncreas. A presença desse tipo de órgão também
colabora para que a simetria entre os antímeros não seja perfeita.
Metameria
As estruturas presentes no corpo animal seguem uma disposição longitudinal da cabeça em direção à cauda,
formando segmentos chamados metâmeros. Isso quer dizer que as estruturas anatômicas se localizam em
segmentos distribuídos ao longo do corpo entre os polos cranial e caudal.
 Metâmeros cranial e caudal em equino.
Assim, pode-se perceber que, no polo cranial do corpo do animal, existe uma concentração de estruturas do
sistema nervoso e que, no polo caudal, há uma concentração de estruturas do sistema reprodutor, por exemplo.
Paquimeria ou Tubulação
O organismo é composto por três tubos (paquímeros), um dorsal (neural), um ventral (visceral) e outro que
envolve os dois primeiros (superficial).
Paquímero dorsal em equino.
Paquímetro ventral em equino.
Paquímetro superficial em equino.
TUBO DORSAL
Forma a cavidade craniana, que contém estruturas do encéfalo, como o cérebro e o cerebelo, e a cavidade
vertebral, que contém a medula espinhal.
TUBO VENTRAL
Forma as cavidades torácica e abdominopélvica, contendo órgãos diversos dos sistemas cardiovascular e o
digestório, por exemplo.
TUBO SUPERFICIAL
É composto por tegumento, músculos, articulações e esqueleto, que envolvem todas as cavidades corpóreas do
animal.
Estratimeria ou estratificação
As estruturas que compõem o corpo animal estão dispostas em camadas. Elas podem ser superficiais, como o
tegumento, ou profundas, como os pulmões. A organogênese ocorre a partir dos três folhetos embrionários
(endoderma, mesoderma e ectoderma) que se dispõem em diferentes estratos.
Qual a importância prática desses princípios?
 RESPOSTA
Conhecer esses princípios torna possível a identificação de estruturas homólogas entre as diferentes espécies
animais. Estruturas homólogas são aquelas que, apesar de apresentarem mesma origem embrionária e
conformação básica, possuem funções diferentes.
Podemos citar como exemplo a estrutura dos membros das diversas espécies animais, que apresentam
diferentes funções, como a caminhada, o nado e o voo.
 Membros anteriores de vertebrados representando estruturas homólogas.
A análise de estruturas homólogas pode revelar a ocorrência de órgãos vestigiais ou rudimentares, que são
aqueles que não se desenvolvem apenas em algumas espécies. Esses órgãos podem ser afuncionais, como o
cóccix dos humanos, que seria um remanescente da cauda presente na maioria dos demais mamíferos, não
apresentando função além da inserção de músculos.
Podem também apresentar uma função adaptativa, como as pequenas asas dos avestruzes, que não permitem
o voo, mas auxiliam no equilíbrio do animal.
A existência de estruturas homólogas entre diferentes espécies animais denota um ancestral comum,
remetendo ao processo de irradiação adaptativa.
IRRADIAÇÃO ADAPTATIVA
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Trata-se de um processo evolutivo em que ocorre rápido aumento no número de espécies com grande
diversidade morfológica e ecológica, originadas a partir de um ancestral comum. Tais diversificações são
provenientes da adaptação dos organismos às novas condições ecológicas. Estima-se que esse processo de
irradiação adaptativa se iniciou há 66 milhões de anos, a partir de um grupo de mamíferos que teve seus
componentes anatômicos adaptados a diferentes funções de acordo com o ambiente em que viviam, como
correr, pular, escalar, nadar ou voar.
 EXEMPLO
As aves da família dos fringilídeos são conhecidas como tentilhões. Fazem parte dessa família os canários, os
pintassilgos e os pardais, por exemplo. Entre os anos de 1831 e 1836, Darwin observou que os tentilhões que
viviam na Ilhas de Galápagos, apesar de muito parecidos entre si, tinham a estrutura anatômica de seus bicos
bem diferentes, de acordo com o local em que viviam. Ele concluiu que essas espécies de tentilhões teriam um
ancestral comum, cuja estrutura do bico passou por diversas mudanças ao longo do tempo, talvez por
escassez de alimento, precisandose adaptar a ingerir o tipo de alimento presente em cada região das Ilhas.
DARWIN
Darwin (1809-1882): Naturalista inglês considerado o pai da teoria da evolução das espécies. Ele anteviu os
mecanismos genéticos e fundou a Biologia moderna. Fonte: Ebiografia.
ANCESTRAL COMUM
Essa observação foi publicada em seu livro A Origem das Espécies, em 1859, que abordava a seleção natural e
a ancestralidade comum das espécies.
É possível também identificar estruturas análogas entre as espécies animais. Estruturas análogas são aquelas
que, apesar de desempenharem funções semelhantes, possuem origem embrionária e conformação básica
diferentes. Um exemplo são as asas presentes em insetos e em morcegos. Essas estruturas denotam a
inexistência de um ancestral comum, remetendo ao processo de convergência adaptativa.
CONVERGÊNCIA ADAPTATIVA
Trata-se de um processo evolutivo em que espécies diferentes desenvolvem estruturas corpóreas parecidas por
viverem em condições ambientais similares, sem que tenham evoluído de um ancestral comum.
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 EXEMPLO
Adaptação sensorial de ecolocalização em morcegos e cetáceos.
 Homologia e analogia observada entre as asas de diferentes espécies animais.
Percebemos então que o estudo anatômico comparado das espécies animais permite identificar analogias e
homologias, incluindo a presença de órgãos vestigiais. Porém, além disso, durante o estudo da anatomia
animal, podem ser observadas ectopias, anomalias e monstruosidades:
ECTOPIA
Variação congênita da localização anatômica de determinada estrutura corpórea, com ou sem alteração de
função, como a criptorquidia. Quando um órgão se encontra em sua localização anatômica comum,
chamamos de ortotopia.
 Ectopia do testículo direito em cão, localizado no canal inguinal, e ortotopia do testículo esquerdo,
localizado na bolsa escrotal.
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CRIPTORQUIDIA
Localização do testículo fora da bolsa escrotal.
ANOMALIA
Variação congênita da morfologia de determinada estrutura corpórea com alteração de função, como a fenda
palatina.
 Fenda palatina em gato neonato.
FENDA PALATINA
Fechamento incompleto do palato duro que permite comunicação entre as cavidades oral e nasal, favorecendo
a ocorrência de broncoaspiração, ou seja, da entrada de alimentos na traqueia.
MONSTRUOSIDADE
Variação congênita da morfologia de determinada estrutura corpórea com incompatibilidade com a vida, como a
anencefalia.
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 Anencefalia (A) acompanhada de macroglossia (B) em cão neonato.
ANENCEFALIA
Desenvolvimento incompleto do encéfalo e da calota craniana, sendo incompatível com a vida.
 COMENTÁRIO
Quando essas variações ocorrem em até 2% dos indivíduos de uma espécie, são caracterizadas como
raridades. Outras variações são consideradas comuns, como as decorrentes da idade (tamanho do timo,
maior na infância), do sexo (tamanho das mamas, maior em fêmeas) e da raça (formato do crânio em cães,
mais curto em buldogues e mais longo em labradores).
Para que essas variações anatômicas sejam observadas, examinamos a constituição corpórea de um animal a
partir de três princípios básicos:
HOLOTOPIA
Relação da posição de um órgão em relação ao corpo, por exemplo, os pulmões estão localizados na cavidade
torácica de mamíferos.
SINTOPIA
Relação da posição de um órgão em relação a outro, por exemplo, o estômago está localizado à esquerda do
fígado em cães.
IDIOTOPIA
Relação de partes de um órgão com ele mesmo, por exemplo, o ápice cardíaco é caudal à base cardíaca.
PLANOS ANATÔMICOS
Os planos anatômicos correspondem a linhas imaginárias que cortam o corpo do animal e auxiliam o estudo
detalhado das estruturas anatômicas presentes. Para traçarmos esses planos, precisamos considerar o animal
em posição anatômica, ou seja, em estação, sobre quatro apoios, com os membros esticados e apoiados no
solo, o pescoço posicionado em um ângulo de 145° em relação ao dorso, cabeça erguida, narinas e olhos
dirigidos frontalmente e orelhas eretas.
 Posição anatômica animal.
Plano mediano ou longitudinal: linha imaginária que divide o corpo em duas metades, seguindo o princípio da
antimeria, denominadas de antímero direito e esquerdo. As estruturas anatômicas mais próximas ao plano
mediano são chamadas de mediais; e as mais distantes, de laterais. Esse plano institui o eixo medial e lateral.
 EXEMPLO
O nariz é considerado uma estrutura medial em relação aos olhos enquanto os olhos são estruturas laterais em
relação ao nariz.
Plano transversal ou segmentar: linha imaginária que divide o corpo em duas metades seguindo o princípio
da metameria, denominadas metâmeros cranial e caudal. As estruturas anatômicas mais próximas da cabeça
são chamadas craniais e as mais distantes caudais.
 EXEMPLO
O estômago é cranial em relação à vesícula urinária enquanto a vesícula urinária é dita caudal em relação ao
estômago.
No caso das estruturas anatômicas localizadas na própria cabeça, chamá-las de craniais seria redundante,
portanto, utilizamos os termos rostral para as estruturas mais próximas à face e caudal para as mais distantes.
Nesse caso, o nariz é rostral em relação às orelhas e elas são caudais em relação ao nariz.
Como os animais não humanos são quadrúpedes, todo seu tronco está na mesma altura, sendo incorreto
denominar esses metâmeros de superior e inferior.
Plano frontal: linha imaginária que divide o corpo em duas metades seguindo o princípio da paquimeria,
denominadas paquímeros dorsal e ventral. As estruturas anatômicas mais próximas da coluna vertebral são
chamadas de dorsais; e as mais distantes, de ventrais.
O reto (última porção do intestino grosso) é dorsal em relação à vesícula urinária, enquanto a vesícula urinária é
ventral em relação ao reto.
QUADRÚPEDES
Apoiam no solo os quatro membros para locomoção.
Os animais quadrúpedes têm as metades formadas pelo plano frontal voltadas para “cima” e para “baixo” e não
para “frente” e para “trás”, sendo, portanto, incorreto chamá-las de anterior e posterior.
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No que diz respeito aos membros, os termos dorsal e ventral não se aplicam, já que essas estruturas não estão
no tronco do animal. Por isso, utilizamos o termo proximal para as estruturas mais próximas ao tronco e distal
para as mais distantes. O fêmur, por exemplo, é proximal em relação à tíbia enquanto a tíbia é distal em relação
ao fêmur.
Ao invés de utilizarmos o termo ventral nas regiões de mãos e pés, optamos pelos termos palmar e plantar,
respectivamente.
Planos de secção do corpo animal. A: Plano mediano. B: Plano transversal. C: Plano frontal.
Planos anatômicos e eixos de direção do corpo animal.
Qual a aplicação prática desses princípios?
 RESPOSTA
Os eixos e planos anatômicos são essenciais para que possamos localizar as estruturas presentes no corpo
animal e assim realizar o estudo da anatomia comparada.
Os planos traçados paralelamente ao plano mediano são chamados de sagitais, os traçados paralelamente ao
plano transversal são chamados de axiais e os traçados paralelamente ao plano frontal são chamados de
coronais. Esses planos são bastante utilizados em estudos anatômicos aplicados aos exames de imagem,
como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.
CAVIDADES CORPÓREAS
Como vimos, o princípio da paquimeria institui que o corpo dos animais vertebrados é composto
anatomicamente por três tubos: dorsal, ventral e superficial.
O tubo dorsal forma a cavidade corpórea dorsal, que inclui as cavidades craniana e vertebral (ou
espinhal).
O tubo ventral forma a cavidade corpórea ventral, que inclui as cavidades torácica e abdominopélvica.
O tubo superficial reveste as duas primeiras cavidades e inclui o tegumento, os músculos, as articulações e
o esqueleto.
As cavidades corpóreas têm a função de proteger e acomodar as estruturas anatômicas presentes nelas.
 Cavidades corpóreas em equino. Vista lateral esquerda.
Como sabemos ondecomeçam e onde terminam as cavidades corpóreas?
Pense nas cavidades corpóreas como espaços que contêm estruturas anatômicas, assim como há uma cama,
uma escrivaninha e um guarda-roupas em um quarto. Esse cômodo também precisa de paredes que limitem
seu interior, do mesmo modo as cavidades anatômicas apresentam limites que demarcam seu espaço, os
chamados limites anatômicos.
A cavidade craniana é limitada pelos diversos ossos do crânio e alguns da face. Já a cavidade vertebral é
limitada pelas vértebras.
A cavidade torácica é limitada dorsalmente pelas vértebras torácicas, ventralmente pelo osso esterno,
lateralmente pelas costelas e músculos da parede lateral do tórax, cranialmente pelos músculos da base do
pescoço e caudalmente pelo músculo diafragma.
Já a cavidade abdominopélvica é limitada dorsalmente pelas vértebras lombares e sacrais, ventralmente e
lateralmente pelos músculos da parede abdominal, cranialmente pelo músculo diafragma e caudalmente o osso
coxal.
Você já deve ter ouvido falar da cavidade abdominal e da cavidade pélvica, que seria uma divisão da
cavidade abdominopélvica em duas. Contudo, a limitação entre essas cavidades é questionável, pois ambas se
comunicam diretamente e seu conteúdo pode, inclusive, variar de localização entre uma e outra, dependendo
do estado fisiológico do animal.
 COMENTÁRIO
O útero alcança a cavidade abdominal quando a fêmea está gestante e permanece na pélvica na ausência de
gestação.
Para evitarmos essas incertezas, abordaremos aqui a cavidade abdominal sob uma perspectiva mais
generalizada, ou seja, contendo a cavidade pélvica, sendo denominada de cavidade abdominopélvica.
 Cavidades torácica e abdominopélvica em cão – vista ventral. 1. Coração 2. Diafragma 3. Fígado 4.
Intestino 5. Baço 6. Vesícula urinária 7. Pulmões
Como podemos localizar as estruturas anatômicas dentro de cada cavidade corpórea?
Usando o quarto novamente como exemplo, sabemos que nele há uma cama, uma escrivaninha e um guarda-
roupas, mas não definimos exatamente onde e como esses móveis estão colocados.
Para imaginarmos esse cômodo, precisamos saber como esses móveis estão posicionados, ou seja, se a cama
está à direita, a escrivaninha à esquerda e se o guarda-roupas está encostado na parede. Precisamos de uma
descrição completa!
Isso vale também para as estruturas anatômicas presentes nas cavidades corpóreas. Para conhecermos a
cavidade abdominopélvica, precisamos saber a localização de órgãos como baço, o fígado, os rins e o
estômago, tendo uma real noção de sua disposição anatômica.
Os eixos anatômicos são utilizados para localizar as estruturas no interior da cavidade corpórea. É importante
lembrar que, de um modo geral, em todas essas cavidades, existem nervos, vasos sanguíneos, vasos linfáticos
e linfonodos (somente em mamíferos), além das estruturas que serão citadas a seguir.
Na cavidade craniana, por exemplo, estão presentes o cérebro, o tronco cerebral e o cerebelo. Ela é subdividida
em calota craniana (região dorsal) e em base do crânio (região ventral).
A base do crânio é uma região mais extensa, sendo novamente subdivida em fossa rostral, média e caudal.
Na fossa rostral, estão presentes estruturas importantes como o lobo frontal do cérebro e o bulbo olfatório. Na
fossa média, estão presentes a hipófise e os lobos temporais do cérebro. Por fim, a fossa posterior contém o
tronco cerebral.
Agora, podemos imaginar melhor a disposição das estruturas anatômicas presentes na cavidade craniana.
 Órgãos da cavidade craniana e espinhal em cão – vista lateral esquerda. 1. Bulbo olfatório 2. Cérebro
3. Cerebelo 4. Tronco cerebral 5. Medula espinhal
A cavidade espinhal, por sua vez, contém a medula espinhal.
Na cavidade torácica, estão presentes os pulmões, o coração, o timo, a traqueia e o esôfago. Para facilitar a
localização dessas estruturas, a cavidade torácica é subdividida virtualmente em três regiões: lateral torácica
esquerda, lateral torácica direita e mediastino.
Cada pulmão ocupa quase que totalmente sua respectiva região lateral. Enquanto a região cranial, ou pré-
cardíaca do mediastino, é ocupada pelo timo, traqueia e esôfago. Esses dois últimos também ocupam o
mediastino médio ou cardíaco, juntamente com o coração. Já sua região caudal ou mediastino pós-cardíaco
corresponde à área que integra o espaço entre o coração e o músculo diafragma.
 Órgãos da cavidade torácica em cão – vista ventral. 1. Coração 2. Pulmões 3. Timo
Na cavidade abdominopélvica, estão presentes o esôfago, o estômago, os intestinos, os rins, as glândulas
adrenais, o pâncreas, o fígado, a vesícula biliar (ausente em equinos), o baço, o ureter, a uretra e a vesícula
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urinária.
No caso dos mamíferos machos, as glândulas anexas ao sistema reprodutor masculino também estão
presentes na cavidade abdominal, como a próstata. Já em relação às mamíferas fêmeas, a cavidade abdominal
também alberga os ovários, a tuba uterina, o útero e a vagina. Alguns órgãos do sistema reprodutor são
extracavitários, isto é, estão localizados fora das cavidades corpóreas, como os testículos e o pênis nos
machos, e a vulva nas fêmeas.
A URETRA E A VESÍCULA URINÁRIA
Essas duas estruturas são ausentes em aves.
 Cavidade dorsal (cerebral e espinhal) e disposição geral dos órgãos nas cavidades torácica (cranial
ao músculo diafragma) e abdominopélvica (caudal ao músculo diafragma) em felinos – vista lateral
esquerda.
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 Órgãos da cavidade abdominal em cão – vista ventral. 1. Fígado 2. Estômago 3. Baço 4. Intestino 5.
Vesícula Urinária.
Para facilitar a localização dessas estruturas, a cavidade abdominopélvica é subdividida em nove regiões
denominadas quadrantes abdominais e delimitadas por duas linhas imaginárias verticais e duas horizontais:
hipocôndrio direito, hipocôndrio esquerdo, xifoidal, lateral esquerda, lateral direita, umbilical, inguinal
direita, inguinal esquerda e pélvica ou púbica.
Como a localização das estruturas anatômicas nesses quadrantes varia em função das características
anatômicas particulares de cada espécie, deixaremos para aprofundar o assunto mais adiante, ao estudarmos a
anatomia de cada sistema orgânico isoladamente.
 Quadrantes abdominais em cão – vista ventral.
Em todas as espécies domésticas existem as mesmas cavidades corpóreas?
 RESPOSTA
As aves, os anfíbios, os répteis e os peixes não apresentam o músculo diafragma, logo não há divisão entre
as cavidades torácica e abdominopélvica nesses animais. Nesses animais, encontramos a cavidade
celomática, a qual aloja todos os órgãos encontrados nas demais espécies, com algumas particularidades, já
que eles não apresentam uretra ou próstata. A vesícula urinária está presente apenas em anfíbios e alguns
répteis (exceto serpentes, crocodilos e alguns lagartos), por exemplo. Os testículos dessas espécies são
intracavitários, ou seja, localizam-se no interior da cavidade celomática. Em contrapartida, apresentam órgãos
ausentes em mamíferos, como sacos aéreos das aves e a bexiga natatória dos peixes, por exemplo.
Disposição geral dos órgãos na cavidade celomática em répteis – vista ventral. Note a ausência do
músculo diafragma.
Disposição geral dos órgãos na cavidade celomática em anfíbios – vista ventral. Note a ausência do
músculo diafragma.
Disposição geral dos órgãos na cavidade celomática em aves – vista lateral esquerda.Note a ausência
do músculo diafragma.
Planos e eixos em radiologia veterinária
EXISTE ALGUMA DIFERENÇA ENTRE AS ESTRUTURAS
ANATÔMICAS PRESENTES NO INTERIOR DESSAS
CAVIDADES CORPÓREAS?
SIM NÃO
SIM
Exatamente! As estruturas anatômicas correspondem aos elementos orgânicos visíveis que somos capazes de
distinguir a olho nu, ou seja, correspondem aos órgãos que integram os sistemas do corpo animal. Assim, as
estruturas anatômicas, os órgãos, assumem diversas formas e funções diferentes.
NÃO
Na verdade, a resposta certa é: sim! As estruturas anatômicas correspondem aos elementos orgânicosvisíveis
que somos capazes de distinguir a olho nu, ou seja, correspondem aos órgãos que integram os sistemas do
corpo animal. Assim, as estruturas anatômicas, os órgãos, assumem diversas formas e funções diferentes.
De acordo com o princípio da estratimeria, os órgãos em geral são compostos por três camadas:
Tecido externo: túnicas serosa, adventícia e fibrosa
Tecido médio: túnica muscular
Tecido interno: túnica mucosa
Do ponto de vista morfológico, esses órgãos podem ser classificados em ocos, parenquimatosos ou
pseudoparenquimatosos. Esse critério inclui a observação da existência ou não de um espaço no interior da
estrutura anatômica, denominado de luz ou lúmen.
Os órgãos que apresentam luz são denominados de ocos, podendo ser tubulares ou cavitários. Os tubulares
são aqueles cuja luz é circular e restrita, como o esôfago, a traqueia e os intestinos. Já os cavitários são
aqueles cuja luz é ampla, como o coração e o estômago.
 VOCÊ SABIA
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Alguns autores não consideram o estômago como um órgão cavitário, e sim tubular. Isso porque, uma vez que
ele compõe o tubo digestório, sua luz mais ampla seria apenas uma área de dilatação desse tubo. Os órgãos
formados por tecido compacto, logo não apresentam luz, são chamados de parenquimatosos, como o fígado,
baço e pâncreas.
Alguns órgãos de aparência compacta, na verdade, apresentam espaços diminutos formados por túbulos
(pequenos tubos) que os percorrem. Esses são classificados como pseudoparenquimatosos, como, por
exemplo, os testículos, os rins e os pulmões. Podemos concluir então que o corpo animal é composto por
quatro grandes cavidades delimitadas e divididas didaticamente em diferentes regiões, nas quais estão
localizados os órgãos, que, por sua vez, apresentam formas e funções diferenciadas, integrando os diferentes
sistemas corpóreos presentes nos animais.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 2
 Descrever anatomicamente o esqueleto dos animais domésticos
O estudo comparado do esqueleto dos animais inclui a observação e a análise macroscópica dos seus ossos
(osteologia), que apresentam funções individuais importantes, mas que atuam em conjunto com as
articulações e os músculos. Esse fato permite que os animais se locomovam, estando as respectivas estruturas
adaptadas ao habitat e ao comportamento característico de cada espécie.
O desenvolvimento e o aperfeiçoamento das estruturas anatômicas do aparelho locomotor dos vertebrados
permitiram a eficiência do deslocamento terrestre, aéreo ou aquático desses animais. As barbatanas dos peixes
e os quatro apêndices de répteis, anfíbios, aves e mamíferos são bons exemplos de adaptação do sistema
locomotor ao meio.
As diferenças observadas entre os apêndices dos animais terrestres permitem perceber estruturas direcionadas
ao voo ou a velocidade de corrida, por exemplo. Muitas vezes, a evolução do sistema locomotor promove
mudanças em outros sistemas orgânicos, como nas aves, por exemplo.
O tamanho e o número de ossos de um esqueleto variam, uma vez que alguns ossos estão presentes apenas
em determinadas espécies. Por exemplo, suínos possuem um esqueleto com 223 ossos; caninos, 215; bovinos,
288; equinos, 289; e aves têm em torno de 150 ossos. Esse número também varia entre indivíduos da mesma
espécie em função da idade (indivíduos mais velhos apresentam algumas fusões entre ossos) e da raça
(tamanho variado da cauda).
Além disso, mesmo que diferentes espécies apresentem o mesmo osso, esse pode apresentar adaptações que
modificam sua morfologia.
Os ossos são responsáveis por sustentar o corpo animal, auxiliar na locomoção, micção, defecação e
reprodução, proteger órgãos nobres, produzir células sanguíneas e servir como reserva de cálcio. Devido à
grande diversidade observada entre a anatomia do esqueleto das diferentes espécies animais, focaremos
nossos estudos na anatomia de animais domésticos, como algumas espécies de aves e mamíferos (caninos,
felinos, equinos e bovinos). Vamos começar!
OS OSSOS SÃO TODOS IGUAIS?
Podemos dizer que a composição de todos os ossos dos animais vertebrados obedece ao padrão matriz
orgânica + matriz inorgânica. Contudo, os ossos apresentam diferentes formatos, de acordo com a
localização no corpo e com a função que exercem.
Portanto, podemos concluir que, apesar de apresentarem uma estrutura microscópica padronizada, os ossos
possuem diferentes formas! Isso permite classificá-los em planos (ou laminares ou chatos), longos, alongados,
curtos e irregulares. Esse tipo de classificação obedece às dimensões altura, largura e espessura do osso.
 Crânio de gato.
OSSO PLANO
Apresentam largura maior que comprimento e pouca espessura. Sua função principal é a proteção de órgãos
internos. É o caso dos ossos que formam o crânio. Também são chamados de ossos laminares ou ossos
chatos.
OSSO LONGO
O comprimento é a maior dimensão desses ossos, que apresentam espessura desenvolvida. Sua principal
função é a locomoção e o movimento de partes do corpo. Estão presentes nos membros, como o fêmur, por
exemplo.
OSSO ALONGADO
São ossos que apresentam dimensões intermediárias entre os ossos longos e os planos, possuindo
comprimento maior que largura, porém pouca espessura. Sua principal função é a sustentação e proteção de
estruturas corpóreas, como as costelas por exemplo.
OSSO CURTO
Sua altura, largura e seu comprimento se equivalem. Sua principal função é a absorção de impactos. Estão
presentes nos membros, e, quando estão associados a tendões, são chamados de sesamoides. Um bom
exemplo desse tipo de osso é a patela.
OSSO IRREGULAR
Não é possível estabelecer relação entre as três dimensões, já que sua forma não é definida, sendo muito
adaptada à função que exercem. As vértebras são seu melhor exemplo.
Além dessa classificação, baseada nas dimensões dos ossos, características especiais apresentadas por
alguns deles os classificam como viscerais e pneumáticos.
OSSOS VISCERAIS
São os ossos que se localizam no interior de algumas vísceras, como, por exemplo, o osso peniano dos cães e
o osso cardíaco dos bovinos, localizados, respectivamente, no interior do pênis e do coração desses animais.
OSSOS PNEUMÁTICOS
São ossos que apresentam espaços contendo ar em seu interior. Nos mamíferos, esses espaços ósseos que
contêm ar são chamados de seios ósseos e podem estar presentes nos ossos frontal, maxilar e esfenoidal. Nas
aves, os ossos pneumáticos apresentam pequenas cavidades preenchidas por ar e podem possuir uma
cavidade maior chamada forâmen pneumático ou pneumatoporo, pela qual parte dos sacos aéreos penetram e
deixam as aves mais leves para o voo. Esse tipo de osso está localizado no crânio, nas vértebras e nos
membros.
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 Osso de ave mostrando a presença de cavidades pneumáticas.
SACOS AÉREOS
Nove bolsas de ar presentes nas aves com a função de auxiliar a respiração e deixar o corpo da ave mais leve,
facilitando o voo.
Os ossos podem ainda ser classificados anatomicamente como esponjosos e compactos.
OSSOS ESPONJOSO
Ossos ou porções ósseas que apresentam cavidades visíveis a olho nu.
OSSOS COMPACTOS
Ossos ou porções ósseas que não apresentam cavidades visíveis a olho nu.
 Osso esponjoso e compacto.
ACIDENTES ÓSSEOS
A superfície externa dos ossos não é totalmente lisa, apresentando proeminências (apófises ou processos) e
depressões consideradas acidentes ósseos, que estão relacionadas ao estabelecimento de junções entre
ossos, com a fixação de músculos e seus tendões, e com a passagem de nervos e vasos.
As cabeças, os côndilos e as trócleas, por exemplo, são proeminências esféricas ou ovoides que estão
relacionadas à articulação entre os ossos. Apesar de desempenharem a mesma função, a superfície dos
côndilos e das trócleas é separada por uma depressão denominada sulco, enquanto a superfície da cabeça não
é separada. As trócleas se diferem dos côndilos por serem menores.
 SAIBA MAIS
As proeminências ósseas não relacionadas comarticulações podem ser arredondadas ou longas e afiladas. As
arredondas podem ser denominadas tuberosidade ou protuberância, trocânter e tubérculo. A diferença entre
elas é que a tuberosidade é maior que o trocânter, que, por sua vez, é maior que o tubérculo. Já as
proeminências longas e afiladas podem ser denominadas cristas, linhas e espinhas, sendo as espinhas mais
proeminentes que as cristas, que são mais proeminentes que as linhas.
Algumas prominências não articulares são expansões bem destacadas dos ossos e recebem nomes variados
conforme sua forma. Assim, essas apófises têm denominações tiradas de sua analogia com objetos comuns,
tais como o processo estiloide do osso temporal pela sua forma de estilete, o processo mastoide do mesmo
osso pela forma de mamilo, o processo espinhal das vértebras pela forma de espinhos, dentre outros.
 VOCÊ SABIA
As depressões ósseas, assim como as proeminências, podem estar relacionadas às articulações ou não. As
relacionadas podem ser classificadas como cavidades glenoides e cavidades cotiloides, sendo as glenoides
mais rasas que as cotiloides.
Já as depressões ósseas não relacionadas com articulações podem ser classificadas como ranhuras
(depressões rugosas), sulcos (depressões largas e rasas) ou fossas (depressões profundas). As aberturas
podem ser classificadas como forâmens (circulares) ou hiatos (formato irregular).
O esqueleto dos animais apresenta a mesma divisão do esqueleto dos humanos?
Nos vertebrados, o esqueleto é dividido em axial, apendicular e visceral.
ESQUELETO AXIAL
Composto pelos ossos que formam o crânio, a coluna vertebral e a caixa torácica.
ESQUELETO APENDICULAR
Composto pelos ossos que formam os membros, chamados anatomicamente de apêndices torácico e pélvico.
ESQUELETO VISCERAL OU ESPLÂNCNICO
Composto pelos ossos situados no tecido de vísceras.
Divisão do esqueleto de cão em axial, apendicular e visceral.
Localização dos principais ossos presentes no esqueleto dos vertebrados.
ESTUDO ANATÔMICO DO ESQUELETO AXIAL
O esqueleto axial é composto pelos ossos que formam o crânio, além das vértebras, das costelas e do esterno.
COMO É A ANATOMIA DO CRÂNIO DOS ANIMAIS
DOMÉSTICOS?
O formato da cabeça de alguns animais, como cão, equídeos, ruminantes e suínos, lembra uma pirâmide, cuja
base está voltada para cima, enquanto a cabeça de felinos e primatas apresenta um formato mais arredondado.
 Crânio de Cão.
Os ossos do crânio são responsáveis por proteger as estruturas encefálicas e sustentar os órgãos dos sentidos.
São classificados em ossos crânicos (neurocrânio) e faciais (esplancnocrânio ou viscerocrânio).
Neurocrânio (ossos crânicos)
Ossos relacionados ao encéfalo e ouvido. São os ossos occipital, parietal, interparietal, esfenoidal, pterigoide,
temporal, frontal, etmoidal e vômer. Dentre eles, os ossos occipital, interparietal, esfenoidal, etmoidal e vômer
são ímpares, enquanto os demais são pares. Os ossos do crânio não apresentam mobilidade.

Viscerocrânio (ossos faciais)
Ossos relacionados aos sistemas respiratório, digestório e sensorial. São os ossos nasal, lacrimal, palatino,
incisivo e zigomático, além da maxila, da mandíbula e do aparelho hioideo. Excluindo o aparelho hioideo, que é
formado por vários ossos articulados entre si, a mandíbula é o único osso ímpar e móvel da face.
A forma e o tamanho do crânio variam entre as espécies animais e mesmo entre suas raças. As aves, por
exemplo, apresentam uma projeção da mandíbula e do osso incisivo para formação do bico (ranfoteca). Animais
dessa espécie apresentam ainda o osso quadrado entre mandíbula e o osso temporal, possibilitando maior
amplitude de abertura da ranfoteca.
Existem vários formatos de ranfoteca de acordo com os hábitos alimentares e comportamentais de cada
espécie de ave! Além disso, suas órbitas oculares são grandes em relação às dos mamíferos. Já cães e gatos
não apresentam o fechamento completo de suas órbitas.
OBSERVE NAS FIGURAS A SEGUIR O FORMATO DO CRÂNIO E
DOS OSSOS QUE O COMPÕE NAS DIFERENTES ESPÉCIES
ANIMAIS.
 Ossos do crânio e mandíbula do cão (A) e do suíno (B) (vista lateral, representação esquemática), segundo
Ellenberger e Baum, 1943.
 Ossos do crânio e mandíbula do bovino (A) e do equino (B) (vista lateral, representação esquemática),
segundo Ellenberger e Baum, 1943.
 Esquematização dos ossos docrânio em diferentes espécies domésticas em vista caudal, segundo
Ellenberger e Baum (1943).
 Ossos do crânio de arara, vista lateral.
 Crânio de ave, evidenciando estruturas ósseas formadoras da rinoteca e da gnatoteca.
 Radiografia de crânio em projeção latero-lateral direita e ventrodorsal, mostrando detalhes anatômicos.
O osso frontal de ruminantes projeta-se formando o processo cornual, que origina o corno, popularmente,
chamado de chifre. Já no osso temporal de aves e mamíferos, está presente um espaço oco chamado
cavidade timpânica, que abriga os ossículos da audição: bigorna, martelo e estribo. Essa cavidade se
comunica com a nasofaringe através da tuba auditiva.
Em equinos, a tuba auditiva apresenta um divertículo chamado bolsa gutural. Essa estrutura é alvo de
inúmeras intervenções médicas, sendo bastante solicitado o seu estudo por imagem. As figuras a seguir
mostram a sua localização anatômica e a imagem radiográfica de uma bolsa gutural com empiema.
DIVERTÍCULO
Saco cego presente em diversas estruturas anatômicas do corpo animal.
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EMPIEMA
Acúmulo de exsudato purulento em cavidade anatômica.
 Estruturas anatômicas das vias aéreas craniais em equino, evidenciando localização da bolsa
gutural.
 Radiografia latero-lateral esquerda de região da articulação atlanto-occipital. As setas indicam
radiopacidade na região da bolsa gutural, sugestiva de empiema.
COLUNA VERTEBRAL
A coluna vertebral dos animais é dividida em cinco porções:
Cervical;
Torácica;
Lombar;
Sacral;
Coccígea
É formada por ossos irregulares denominados vértebras, que recebem a mesma classificação da porção na
qual está localizada.
 Distribuição das vértebras na coluna vertebral de cão.
A quantidade total de vértebras varia entre os animais, assim como a quantidade de vértebras em cada
segmento da coluna vertebral. A padronização ocorre apenas na quantidade de vértebras cervicais em
mamíferos, sempre em número de sete.
Observe o quadro a seguir e identifique essa diferença.
ANIMAL
VÉRTEBRAS
CERVICAIS
VÉRTEBRAS
TORÁCICAS
VERTEBRAS
LOMBARES
VÉRTEBRAS
SACRAIS
VÉRTEBRAS
COCCÍGEAS
Caninos 07 12-14 07 03 20-23
Felinos 07 13 07 03 20-24
Equinos 07 18 05-07 05 15-21
Bovinos 07 13-16 06 05 18-20
Suínos 07 13-16 05 04 20-23
Ovinos/Caprinos 07 13 06 04-05 20-23
Galinha 13 07 11-14
Fusionadas
às lombares
05-06
Ganso 17-18 09 11-14
Fusionadas
às lombares
08
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
As vértebras de cada segmento da coluna vertebral são enumeradas sequencialmente em ordem crescente no
sentido craniocaudal. Dessa forma, são designadas pela letra inicial do seguimento seguida da ordem numeral.
As únicas vértebras que recebem nomes especiais são C1 (primeira vértebra cervical) e C2 (segunda vértebra
cervical), denominadas, respectivamente, de atlas e áxis
TODAS AS VÉRTEBRAS SÃO IGUAIS?
Observe a imagem a seguir, que mostra a estrutura anatômica padrão básica das vértebras. Os processos
articulares (craniais e caudais) permitem o encaixe entre as vértebras, enquanto os processos espinhosos
(dorsais) e transversos (laterais) servem de pontos para a inserção de diversos músculos. O canal vertebral é
um espaço presente no corpo da maioria das vértebras e que, em conjunto, aloja a medula espinhal.
 Anatomia geral da vértebra (vista cranial).
CONTUDO, HÁ ALGUMAS CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS
PRESENTES EM CADA TIPO DE VÉRTEBRA.
 Vértebras cervicais de cão (vista dorsal). Adaptado de König e Liebich (2016).
Vértebras cervicais: apresentam os processos articulares mais desenvolvidosque os espinhosos e
transversos. Além disso, as duas primeiras vértebras, o atlas (C1) e o áxis (C2), apresentam morfologia
diferenciada, para permitir a articulação do atlas tanto com o osso occipital (articulação antlanto-occipital)
quanto com o áxis (articulação atlanto-axial), que unem a cabeça ao pescoço.
 Esqueleto de ave, ressaltando coluna cervical.
Em aves, as vértebras cervicais apresentam maior mobilidade do que em mamíferos e formam um “S”,
diminuindo o impacto da cabeça sobre a coluna no momento do pouso. Além disso, o osso occipital se articula
tanto com o atlas quando com o áxis (articulação atlanto-occipital-axial), conferindo maior movimento de
cabeça nesses animais.
Os processos transversos das últimas vértebras cervicais das aves apresentam ainda as apófises costais, que
são vestígios de costelas cervicais encontradas em seus ancestrais.
 Vértebra torácica de cão (vista lateral), adaptado de Dyce, Sack e Wensing (2010).
Vértebras torácicas: apresentam o processo espinhoso mais desenvolvido que o articular e o transverso, seu
corpo é maior que o das vértebras cervicais e menor que o das lombares. Apresentam facetas costais, que são
superfícies para articulação com as costelas.
 Esqueleto de ave, ressaltando localização do osso notário.
Em aves, somente as primeiras e últimas vértebras torácicas são livres; as intermediárias são fusionadas,
formando o osso dorsal ou notário. Essa união das vértebras confere pouca mobilidade a esse segmento da
coluna vertebral, porém melhora a estabilidade para o voo.
 Vértebras lombares de gato (vista dorsal), adaptado de König e Liebich (2016).
Vértebras lombares: apresentam o processo transverso mais desenvolvido que o articular e o espinhoso. Em
mamíferos domésticos, a última vértebra lombar é articulada ao sacro.
 Esqueleto de ave, ressaltando localização do sinsacro.
Nas aves, as vértebras lombares estão fusionadas entre si e com as vértebras sacrais, formando o sinsacro,
que, assim como o notário, reduz a mobilidade dessa região da coluna, mas melhora a estabilidade para o voo.
 Vértebras sacrais de equino (vista dorsal), adaptado de König e Liebich (2016).
Vértebras sacrais: são vértebras fusionadas, cujos processos espinhoso e transverso diminuem
progressivamente. Em aves, são fusionadas entre si e com as vértebras lombares.
 Vértebras coccígeas de cão, adaptado de König e Liebich (2016)..
Vértebras coccígeas: forma a cauda dos animais; seus processos diminuem progressivamente, até
desaparecerem, permanecendo apenas o corpo nas últimas vértebras desse segmento. Além disso, não
apresentam o canal vertebral.
 Esqueleto de ave, ressaltando localização do pigóstilo.
Nas aves, as primeiras vértebras coccígeas são fusionadas ao sinsacro, enquanto as últimas são fusionadas
entre si, formando o pigóstilo, região de inserção dos músculos e das penas da cauda.
ESTERNO
O esterno corresponde ao osso ventral da caixa torácica, formado pela união de esternebras. Apresenta
estrutura anatômica padrão, composta pelo manúbrio (extremidade cranial), corpo e apêndice xifoide
(extremidade cartilaginosa caudal).
Assim como na coluna vertebral, a quantidade de esternebras varia de espécie para espécie. Porém, a maioria
dos mamíferos domésticos tem seu esterno composto por oito esternebras fusionadas, com exceção dos
suínos, que contam com sete.
 Esterno e cartilagens costais de cão (A) e de cavalo (B), vistas ventral e lateral esquerda. 1. Manúbrio. 2.
Primeira costela. 3. Esternebra. 4. Articulação costocondral. 5. Cartilagem xifoide. 6. Arco costal. 7. Costela
flutuante, adaptado de Dyce, Sack e Wensing (2010).
O ESTERNO DE TODOS OS ANIMAIS É IGUAL?
Não, além de variar de tamanho, o esterno varia também de formato. Em mamíferos, esse osso é plano; nas
aves, é côncavo em sua face dorsal (visceral) e convexo na ventral (parietal), que possui uma crista bem
desenvolvida chamada de crista esternal, carina ou quilha. Quanto mais desenvolvida for essa crista, maior
será a capacidade de voo da ave. Além dessas diferenças, o esterno das aves é um osso pneumático.
 Esqueleto de ave, ressaltando esterno, em vermelho.
COSTELAS
As costelas são ossos alongados que ajudam a proteger as estruturas anatômicas presentes na cavidade
torácica.
Assim como as vértebras, as costelas apresentam estrutura anatômica padrão básica. Contam com
extremidade dorsal ou vertebral (localização da cabeça e da tuberosidade, que se articulam com as vértebras
torácicas), corpo e extremidade ventral ou esternal (localização da cartilagem condral, que se articula com o
esterno).
 Costela de equino, adaptado de König e Liebich (2016).
DE ACORDO COM A FORMA COMO AS COSTELAS SE
ARTICULAM OU NÃO COM O ESTERNO, ELAS SÃO
CLASSIFICADAS EM:
COSTELAS VERDADEIRAS OU ESTERNAIS
Costelas unidas diretamente ao esterno por meio de uma cartilagem denominada condral.
COSTELAS FALSAS OU ASTERNAIS
Unidas indiretamente ao esterno por meio da cartilagem condral de costelas verdadeiras.
COSTELAS FLUTUANTES
Não apresentam articulação com o esterno, nem direta nem indiretamente.
Nos mamíferos, as primeiras costelas são esternais, e as últimas, flutuantes. Já nas aves, ocorre o contrário.
A borda caudal das costelas das aves, exceto a primeira e a última, possui uma projeção caudal em forma de
gancho chamada de processo uncinado, que confere maior rigidez ao tórax desses animais e auxilia na
respiração. Esses processos diferem de tamanho entre as diferentes espécies de aves, estão presentes em
alguns répteis (porém são cartilaginosos) e já foram encontrados em fósseis de algumas aves primitivas e de
alguns dinossauros.
 Esqueleto de ave, evidenciando processo uncinado em costelas.
A QUANTIDADE DE COSTELAS É A MESMA EM TODOS
OS ANIMAIS?
 RESPOSTA
Não, a quantidade de costelas varia entre as espécies, e essa variação não é apenas em relação ao seu
número total, mas também em relação ao número específico de cada tipo.
Observe o quadro a seguir e note essa diferença.
ANIMAL
COSTELAS
ESTERNAIS
COSTELAS
ASTERNAIS
COSTELAS
FLUTUANTES
Caninos 8-10 3-4 1
Felinos 8-10; 3-4 1
Equinos 8 10 0
Bovinos 8 4-5 0-1
Suínos 7-8 6-8 0-1
Ovinos/Caprinos 8 4 0-1
Galinha 5-6 0 2
Ganso 7 0 2
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
ESTUDO ANATÔMICO DO ESQUELETO
APENDICULAR
O esqueleto apendicular é composto pelos ossos que compõem os membros dos animais, denominados
apêndices. Os apêndices mais craniais são denominados apêndices torácicos, enquanto os mais caudais se
chamam apêndices pélvicos. Os mamíferos e as aves são conhecidos como tetrápodes, ou seja, possuem
quatro apêndices (dois torácicos e dois pélvicos).
OS APÊNDICES TORÁCICOS SÃO IGUAIS AOS
PÉLVICOS?
Apesar de desempenharem as mesmas funções gerais, suspender corpo, sustentar o peso corporal e permitir a
locomoção do animal, os apêndices torácico e pélvico se diferenciam pelos ossos que os compõem e pela
quantidade de ossos em cada um deles. Diferenças podem ser encontradas também entre um mesmo tipo de
apêndice em espécies diversas, principalmente devido à adaptação evolutiva.
COMO É A ESTRUTURA ANATÔMICA DO APÊNDICE
TORÁCICO?
O esqueleto apendicular torácico é constituído pelos ossos do cíngulo torácico, do braço, do antebraço e
da mão.
CÍNGULO TORÁCICO
O cíngulo torácico ou escapular tem a função de ancorar o apêndice torácico no tronco do animal e é formado
pela escápula, pelo osso coracoide e pela clavícula. Como os mamíferos domésticos não apresentam
clavícula e o osso coracoide é vestigial, sendo reduzido a um processo da escápula, seu cíngulo escapular é
incompleto.
A escápula é um osso plano que, em mamíferos domésticos, está disposto em um ângulo oblíquo ao segmento
torácico da coluna vertebral, articulando-se distalmente com o úmero por meio da cavidade glenoide, permitindo
o movimento dos membros.
Nas aves, a escápula se dispõe paralelamente à coluna vertebral, facilitando o voo. Nos animais quepossuem
clavícula, a escápula se articula com ela em sua região proximal. Contudo, na ausência de clavícula, a escápula
é fixada proximalmente por meio de uma forte musculatura localizada na região do tórax. Apresenta uma
espinha e uma superfície rugosa (face serrátil) que auxiliam a inserção de diversos músculos da região.
 Escápula de cão.
A clavícula, presente em aves, encontra-se cranialmente à escápula, limitando a entrada da cavidade
celomática. As clavículas direita e esquerda se unem ventralmente, formando a fúrcula; essa união gera o que
muitos conhecem como “osso da sorte”. O osso coracoide, também presente nas aves, é pneumático e se
articula distalmente com o esterno e proximalmente forma a cavidade glenoide com a escápula, articulando-se
também com a clavícula.
 Esqueleto de ave, evidenciando ossos do cíngulo torácico.
BRAÇO E ANTEBRAÇO
 Úmero de cão
O braço é formado exclusivamente pelo úmero, enquanto o antebraço é constituído pelo rádio e pela ulna.
O úmero é um osso longo que se articula proximalmente com a escápula e distalmente com o rádio e a ulna,
apresenta um formato cilíndrico e torcido, possuindo acidentes ósseos que auxiliam a inserção de músculos.
Em sua epífise distal, está presente a fossa do olécrano, que ajuda a estabilizar a articulação do cotovelo.
O úmero das aves é um osso longo, pneumático e encurvado, situado paralelamente à escápula e articulado
proximalmente com o osso coracoide e com a escápula, na cavidade glenoide.
 Radiografia de úmero de cão em projeção latero-lateral.
O rádio e a ulna também são considerados ossos longos. Apresentam-se fusionados nas suas regiões proximal
e distal, com a presença de um espaço interósseo entre as diáfises desses ossos. O tamanho desse espaço
varia entre as espécies, sendo pequeno em equinos e ruminantes e maior nos suínos e carnívoros.
 Rádio e ulna de cão.
O rádio e a ulna se articulam proximalmente com o úmero e distalmente com os ossos do carpo, que formam o
punho.
No antebraço, enquanto o rádio é mais medial, a ulna é mais lateral, sendo mais desenvolvida em sua região
proximal, formando o olécrano, que se insere na fossa do olécrano do úmero, conferindo maior estabilidade à
articulação. No cão, a ulna é maior e mais longa que em outras espécies. Assim como o úmero, esses ossos
contam com acidentes que facilitam a inserção de músculos.
Radiografia de rádio e ulna de cão em projeção latero-lateral e crânio-caudal.
Nas aves, quanto mais desenvolvidos forem o rádio e a ulna, maior será a capacidade de voo do animal. Eles
estão dispostos paralelamente ao úmero. A ulna é mais longa que o rádio, sendo encurvada e apresentando
projeções ósseas em sua borda lateral para inserção das penas das asas.
A disposição praticamente paralela entre vértebras torácicas, clavícula, úmero, rádio e ulna das aves permite
que elas consigam fechar e abrir suas asas. Além disso, o formato encurvado do úmero e da ulna promove
melhor aerodinâmica para o voo.
MÃO
A mão é formada pelos ossos do carpo, pelos metacarpos e pelos dígitos.
O carpo é formado por um grupo de ossos curtos e cúbicos, dispostos em duas fileiras transversais, uma
fileira proximal e uma fileira distal, formando o punho. Os ossos da fileira proximal se articulam com o rádio e a
ulna, e os da fileira distal se articulam com o metacarpo.
De modo geral, a fileira proximal do carpo conta com quatro ossos: os ossos carporradial, carpo intermédio,
carpoulnar e carpo acessório. Já a fileira distal conta com quatro ossos, que são numerados de medial para
lateral, em vez de receberem nomes: o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto ossos cárpicos.
O CARPO DE TODOS OS ANIMAIS APRESENTA ESSES
OSSOS?
SIM NÃO
SIM
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javascript:void(0)
Na verdade, a resposta certa é: não! Existe grande variação em relação ao número de ossos do carpo entre as
espécies domésticas, conforme você vai perceber ao observar a próxima figura.
NÃO
Exatamente! Não, existe grande variação em relação ao número de ossos do carpo entre as espécies
domésticas, conforme você vai perceber ao observar a próxima figura.
 EXEMPLO
Nas aves, por exemplo, os ossos da fileira distal do carpo estão totalmente fusionados ao metacarpo, formando
o osso carpometacárpico.
Os metacarpos são ossos longos articulados proximalmente com os ossos da fileira distal do carpo e
distalmente com a falange proximal dos dígitos. Estão em número máximo de cinco, sendo numerados de
medial para lateral em metacarpos I, II, III, IV e V. São responsáveis por ampliar a capacidade de apreensão
de objetos pela mão. O número de metacarpos varia entre as espécies. Nas galinhas, por exemplo, o
metacarpo I é rudimentar, o II é pouco desenvolvido, o III é fusionado ao IV, e o V é fusionado ao osso
carpoulnar.
 Esquematização dos ossos da mão em diferentes espécies domésticas, segundo Ellenberger e Baum
(1943).
Os dígitos formam os dedos dos animais e estão em número máximo de cinco, sendo numerados de medial
para lateral em dígitos I, II, III, IV e V. De modo geral, são compostos por três segmentos ósseos denominados
falange proximal, falange média e falange distal.
Da mesma forma que os ossos do carpo e do metacarpo, há grande variação entre os dígitos das diferentes
espécies. Observe a figura a seguir e perceba que, enquanto o cão conta com os cinco dígitos, o equino só
apresenta o dígito III. O dígito I presente em carnívoros é vestigial e conta apenas com duas falanges, uma
proximal e outra distal. Nas galinhas, encontramos três dígitos, o II é mais desenvolvido (álula) e apresenta
duas falanges, o III possui apenas uma, e o I é rudimentar.
 Esqueleto de ave, evidenciando ossos da mão.
 Radiografia da mão esquerda de cão em projeção dorso-palmar.
A forma como os animais apoiam seus apêndices diverge entre as espécies. Os ursos, por exemplo, apoiam
totalmente as mãos no solo, sendo classificados como plantígrados. Os carnívoros apoiam apenas os dígitos,
sendo conhecidos como digitígrados. Já equinos, suínos e ruminantes apoiam seus cascos no solo, sendo
denominados ungulígrados.
Os plantígrados têm um caminhar mais lento, enquanto os digitígrados e ungulígrados alcançam maiores
velocidades de corrida.
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CASCOS
Placa queratinizada que envolve toda a falange distal, sendo considerada uma forma de proteção do dígito, de
amortecimento da passada e de defesa do animal.
 Anatomia comparada do esqueleto apendicular torácico de mamíferos e forma de apoio dos membros.
COMO É A ESTRUTURA ANATÔMICA DO APÊNDICE
PÉLVICO?
O esqueleto apendicular pélvico é constituído pelos ossos do cíngulo pélvico, da coxa, da perna e do pé.
CÍNGULO PÉLVICO
O cíngulo pélvico ou pelve apresenta variadas funções, como a proteção de vísceras, a locomoção do animal
e a manutenção da estática corporal, contribuindo também com o parto, a cópula, a micção e a defecação.
 Ossos coxais de cão.
É formado pelo osso coxal, pelo sacro e pelas três primeiras vértebras coccígeas. Como já estudamos as
vértebras, vamos nos ater ao estudo do osso coxal.
Esse osso irregular é formado pela junção de três ossos planos: ílio, ísquio e púbis. O ílio é situado
cranialmente no coxal, articulando-se dorsalmente com o sacro; o ísquio se situa caudalmente, e o púbis,
ventralmente.
Os três juntos compõem a superfície articular que se encaixa ao fêmur, denominada acetábulo. Além disso, o
coxal direito se une ao coxal esquerdo por meio da sínfise pélvica observada no púbis. Apresentam também
acidentes ósseos que facilitam a inserção de músculos.
Nas aves, os dois ossos púbis são voltados caudalmente, não havendo uma sínfise pélvica ventral. Isso ocorre
para facilitar a passagem dos ovos.
 Esqueleto de ave, evidenciando ossos do coxal
COXA E PERNA
A coxa é formada por um único osso longo chamado fêmur, que se articula proximalmente com o coxal e
distalmente com a tíbia e a patela, osso curto e sesamoide que auxilia a passagem e inserção de tendões eligamentos na articulação do joelho. O fêmur também apresenta acidentes ósseos que facilitam a inserção de
músculos.
 Fêmur de diferentes espécies, vista craniolateral.
 VOCÊ SABIA
Em mamíferos, o fêmur é o maior e mais pesado osso do corpo; já em aves, seu tamanho é ultrapassado pelo
tibiotarso.
A perna é formada medialmente pela tíbia e lateralmente pela fíbula, dois ossos longos. A tíbia se articula
proximalmente com o fêmur, enquanto a fíbula se funde à tíbia nessa região, formando um espaço interósseo.
Distalmente, a tíbia se articula com os ossos do tarso. A fíbula de equinos, bovinos e aves não se estende até o
final da tíbia.
 Tíbia e fíbula de diferentes espécies, vista craniolateral.
 Radiografia de pelve, fêmur e joelho de gato em projeção ventrodorsal.
PÉ
O pé é formado pelos ossos do tarso, pelos metatarsos e pelos dígitos.
O tarso é formado por um grupo de ossos curtos e cúbicos, dispostos em três fileiras transversais, uma fileira
proximal, uma fileira central e uma fileira distal, constituindo o tornozelo. Os ossos da fileira proximal se
articulam com a tíbia, e os da fileira distal, com o metatarso.
A fileira proximal do tarso conta com dois ossos, tarsotibial (talo) e tarsofibular (calcâneo), enquanto a
fileira central conta com apenas um osso, o osso central do tarso. Já a fileira distal conta com até quatro
ossos, que são numerados de medial para lateral, em vez de receberem nomes: o primeiro, o segundo, o
terceiro e o quarto ossos társicos.
O TARSO DE TODOS OS ANIMAIS APRESENTA ESSES
OSSOS?
SIM NÃO
SIM
Você acertou! Apesar de apresentar menos variações que o carpo, o tarso apresenta algumas diferenças em
relação à forma e ao número de ossos entre as espécies domésticas, conforme você vai perceber ao observar a
próxima figura. Equinos não possuem o osso társico I. Bovinos têm seu osso cárpico IV fusionado ao osso
central do tarso e o II fusionado ao III.
NÃO
Não é bem assim! Apesar de apresentar menos variações que o carpo, o tarso apresenta algumas diferenças
em relação à forma e ao número de ossos entre as espécies domésticas, conforme você vai perceber ao
observar a próxima figura. Equinos não possuem o osso társico I. Bovinos têm seu osso cárpico IV fusionado ao
osso central do tarso e o II fusionado ao III.
Observe também que os metatarsos são ossos longos articulados proximalmente com os ossos da fileira distal
do tarso e distalmente com a falange proximal dos dígitos. Estão em número máximo de cinco, sendo
numerados de medial para lateral em metatarso I, II, III, IV e V. O número de metatarsos varia entre as
espécies.
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 Esquematização dos ossos do tarso em diferentes espécies domésticas, segundo Ellenberger e Baum
(1943).
 Radiografia de tarso de gato em projeção latero-lateral e planto-dorsal.
As diferenças mais marcantes ficam com as aves. Nesses animais, os ossos da fileira proximal do tarso são
unidos à tíbia, formando o osso tibiotarso. O osso central do tarso é inexistente, e os ossos da fileira distal se
unem aos metatarsos, formando o osso tarsometatarso. Dessa forma, consideramos que as aves não
possuem tarso.
Entre as espécies de aves, há variações em relação aos tarsometatarsos, nas galinhas, por exemplo, o
tarsometatarso I é rudimentar e fusionado ao dígito I, enquanto os tarsometatarsos II, III e IV são fusionados.
 Processo calcaris do tarsometatarso e esporão.
Além disso, em algumas aves, há uma proeminência no tarsometatarso chamada processo calcaris, que
corresponde a uma projeção de apoio ao esporão, mais desenvolvido em machos e utilizado para lutar.
 Esqueleto de ave, evidenciando ossos da coxa, perna e pé.
 SAIBA MAIS
A estrutura anatômica dos dígitos do apêndice torácico se repete no pélvico, com exceção das aves, que podem
apresentar de dois a quatro dígitos. A diferença entre os apêndices torácico e pélvico nas aves se dá pela
adaptação do torácico ao voo e do pélvico à caminhada. Nesses animais, o número de falanges por dígito
aumenta progressivamente, ou seja, há duas falanges no dígito I, três no II, quatro no III e cinco no IV. Além
disso, o dígito I é voltado caudalmente, e a falange distal de todos eles é revestida externamente por uma garra
córnea.
O próprio eixo dos dígitos é diferente entre as espécies de aves, sendo classificados como anisodáctilo,
zigodáctilo, sindáctilo, pamprodáctilo e heterodáctilo, conforme a figura a seguir.
 Tipos de pés de aves segundo eixo dos dígitos.
ESTUDO ANATÔMICO DO ESQUELETO VISCERAL
O esqueleto visceral é composto pelos ossos situados no interior de vísceras, estando presentes em
pouquíssimas espécies. Em bovinos adultos, podem ser encontrados de 1 até 3 ossos dentro do coração, na
base da artéria aorta, denominados osso cardíaco, que servem como uma estrutura de sustentação de fibras
do músculo cardíaco (miocárdio) e das válvulas cardíacas.
Em cães, gatos e em outras espécies de mamíferos, como alguns primatas não humanos, é observada a
presença do osso peniano dorsalmente à uretra peniana. Esse osso tem a função de auxiliar na cópula,
ajudando a manter a ereção peniana e a direcionar o pênis até a vulva da fêmea. O equivalente feminino do
osso peniano é o osso clitoriano, presente no clitóris de cadelas e gatas, mantendo essas estruturas rígidas e
eretas.
 Radiografia lateral de cão, com marcação do osso peniano.
Podemos perceber que o esqueleto dos animais estudados apresenta uma estrutura padrão, porém, há
peculiaridades relacionadas aos seus hábitos de vida e ao ambiente em que vivem. As características
morfológicas, portanto, são resultado do processo de adaptação ao meio, estando apropriadas à locomoção dos
animais nos ambientes terrestre, aquático e aéreo.
Diferenças ósseas entre as espécies
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 3
 Caracterizar as particularidades anatômicas das vísceras em animais
PARTICULARIDADES ANATÔMICAS
O estudo anatômico comparado dos sistemas viscerais dos animais inclui a observação e análise macroscópica
de seus órgãos (esplancnologia), estruturas que apresentam funções individuais importantes, e que atuam em
conjunto para a manutenção da homeostase do organismo animal.
Os órgãos estão localizados no interior das cavidades corpóreas craniana, torácica e abdominopélvica dos
mamíferos e, no interior, das cavidades craniana e celomática das aves, répteis, anfíbios e peixes.
HOMEOSTASE
Estado de equilíbrio dinâmico das funções corporais, estabelecido através de diversos sistemas de controle
locais e sistêmicos a partir da ativação e/ou inibição de fatores que influenciam a atividade das células e, com
isso, dos órgãos, dos sistemas, em suma, do organismo como um todo.
O tamanho e o número de órgãos que compõem os sistemas orgânicos dos animais variam conforme as
espécies. Por exemplo, os ruminantes contam com quatro estômagos, as aves com dois e os mamíferos com
um.
Além disso, mesmo que diferentes espécies apresentem o mesmo órgão, esse pode ter adaptações que
modificam sua morfologia. Por exemplo, o coração de aves e mamíferos possui quatro câmaras, enquanto o de
répteis e anfíbios apresenta três e o de peixes duas. Devido à grande diversidade observada entre a anatomia
dos sistemas orgânicos das diferentes espécies animais, focaremos nossos estudos na anatomia de aves e
mamíferos domésticos (caninos, felinos, equinos e bovinos).
Abordaremos apenas as diferenças observadas na anatomia dos componentes dos sistemas cardiovascular,
respiratório, linfático, endócrino, digestório e geniturinário desses animais em comparação com a anatomia
humana.
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SISTEMA CARDIOVASCULAR
No sistema cardiovascular, a morfologia interna e externa do coração animal, assim como a de seu saco
pericárdico, é parecida com a humana, respeitando as diferenças de tamanho e posicionamento anatômico. O
coração de equinos é bem maior que o de cães, por exemplo.
 Posicionamento anatômico do coração em cão.
Em mamíferos, o coraçãoestá localizado na cavidade torácica, mais especificamente, no mediastino médio,
entre a terceira e a sexta costela. Já em aves, está localizado na cavidade celomática, entre os lobos hepáticos.
Observe no esquema e nas imagens radiográficas a localização anatômica do coração.
 Radiografia ventrodorsal e latero-lateral esquerda de cavidade torácica de cão.
O coração apresenta uma face auricular e uma face atrial, anterior e posterior em humanos, respectivamente.
Já em quadrúpedes, a face auricular é voltada para a esquerda, enquanto a atrial, para a direita.
Nesse sistema, as maiores diferenças estão relacionadas com os vasos sanguíneos. As veias cavas superior e
inferior de humanos são denominadas de veias cavas cranial e caudal em quadrúpedes. As aves, por sua vez,
contam com duas veias cavas craniais.
As artérias coronárias, primeiro ramo da artéria aorta que irriga o próprio coração, também apresenta
variações. Em equinos, a artéria coronária direita percorre a porção direita do sulco coronário, como artéria
circunflexa cardíaca direita, e segue pelo sulco interventricular subsinuoso, como artéria interventricular
subsinuosa, irrigando a porção direita do coração. Enquanto a artéria coronária esquerda percorre a porção
esquerda do sulco coronário, como artéria circunflexa cardíaca esquerda, e segue pelo sulco interventricular
paraconal, como artéria interventricular paraconal, irrigando a porção esquerda do coração.
 VOCÊ SABIA
Em bovinos e carnívoros, a artéria coronária direita percorre apenas parte da porção direita do sulco coronário,
enquanto a esquerda percorre sua porção esquerda e parte da direita, seguindo pelos sulcos interventriculares
subsinuoso e paraconal, irrigando as porções direita e esquerda do coração. Desse modo, o coração é
praticamente irrigado apenas pelos ramos da artéria coronária esquerda.
Os ramos aórticos que emergem do arco aórtico apresentam diferenças importantes quando comparados com
os dos humanos, conforme pode ser observado nas figuras a seguir.
 Comparação entre os vasos da base do coração de mamíferos domésticos, segundo Ghetie, 1967.
 Coração e vasos da base em ave.
 Comparação entre os principais ramos da artéria aorta e seus locais de irrigação da aorta de mamíferos
domésticos.
SISTEMA LINFÁTICO
Os órgãos linfoides são classificados em primários (medula óssea e timo) e secundários (linfonodos, placas de
Peyer, tonsilas e baço, além do tecido linfoide difuso e da bolsa cloacal presente apenas em aves).
O timo está, geralmente, localizado no mediastino cranial e apresenta de dois a cinco lobos, dependo da
espécie e da idade do indivíduo, já que diminui gradativamente a partir da adolescência. Há uma grande
variação de localização, forma e lobação entre as espécies. O timo é envolto por uma cápsula de tecido
conjuntivo e, em ruminantes e aves, pode se estender até a altura da glândula tireoide.
 Lobos do timo em bezerro.
 Posicionamento anatômico do baço em cão.
O baço de carnívoros e equinos está localizado no hipocôndrio esquerdo ao longo da curvatura maior do
estômago; em ruminantes, na face parietal do rúmen imediatamente caudal ao retículo; e em aves, está dorsal
ao pró-ventrículo, em contato com o fígado.
 Comparação entre baços de mamíferos domésticos.
O baço apresenta diferentes formas entre as espécies, sendo alongado em mamíferos e arredondado (galinhas)
ou triangular (patos) em aves.
 Sistema linfático e componentes em cão, segundo Budras, Fricke e Richter, 1996.
Os linfonodos agrupam-se formando aglomerados denominados de linfocentros. Em equinos, linfonodos são
menores e em grande quantidade, enquanto em carnívoros e ruminantes são maiores e em pequenas
quantidades. Os principais linfocentros do corpo animal são descritos na figura.
A imagem a seguir mostra a localização anatômica dos componentes do sistema linfático em bovino.
 Sistema linfático e componentes em bovino, segundo McCracken e Kainer, 1999.
A bolsa cloacal, presente apenas em aves, é um importante órgão repleto de folículos linfoides, chamados de
folículos da bolsa, que participam da diferenciação de linfócitos B. Assim como o timo, a bolsa clocal reduz com
a idade, a partir do terceiro mês de vida. Está localizada na cloaca, próxima ao proctodeo (abertura intestinal
das aves, que abordaremos quando estudarmos o sistema digestório).
CLOACA
Cavidade caudal na qual estão presentes os óstios do canal intestinal, urinário e reprodutor, encontrada em
aves, répteis, dos anfíbios, alguns peixes e mamíferos, como o ornitorrinco.
O tecido linfoide difuso também é presente somente em aves e é distribuído de maneira desorganizada
quando comparado ao dos mamíferos. Assim, as aves não apresentam linfonodos, com exceção do ganso e do
pato. O tecido linfoide difuso está presente no pâncreas, nos pulmões, nos rins, na orofaringe e nos cecos.
SISTEMA RESPIRATÓRIO
O sistema respiratório dos animais apresenta as porções condutoras cranial, caudal e respiratória.
Porção condutora cranial: em mamíferos, é constituída pelo nariz (narinas e cavidade nasal) e nasofaringe;
em aves, pela rinoteca (narinas e cavidade nasal) e cavidade orofaríngea.
Porção condutora caudal: em mamíferos, é constituída pela laringe, traqueia, brônquios e bronquíolos; em
aves, pela traqueia, brônquios, sacos aéreos e pulmões.
Porção respiratória: constituída pelos pulmões em mamíferos e pelos parabrônquios nas aves.
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 Componentes do sistema respiratório em cão.
Com exceção dos equinos, no ápice nasal dos mamíferos, está presente a glabra, cuja localização determina o
plano respiratório do animal.
GLABRA
Pele mais espessa e sem a presença de pelos.
Plano nasal: presença da glabra no ápice do nariz, ocorre em carnívoros e pequenos ruminantes. Nesses
animais, há um sulco na linha mediana entre o ápice nasal e o lábio maxilar, denominado de filtro nasal.
Plano rostral: presença da glabra apenas na superfície mais rostral do ápice nasal, ocorre em suínos. No nariz
dos suínos, há a presença de um osso chamado osso rostral.
Plano nasolabial: presença da glabra no ápice nasal e lábio maxilar, ocorre em grandes ruminantes.
 Morfologia do nariz de várias espécies.
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Lateralmente ao nariz, estão presentes as vibrissas (popularmente, conhecidas como bigodes), que são pelos
longos e espessos que auxiliam em algumas funções sensoriais dos animais, como as vibrissas dos gatos, por
exemplo.
 Vibrissas em gato.
A cavidade nasal de equinos apresenta o divertículo nasal. Nas aves, as narinas podem apresentar uma
cobertura córnea chamada de opérculo.
OPÉRCULO
Barreira contra a entrada de corpos estranhos e água.
 Corte mediano da cabeça de caprino com o septo nasal removido. a. Seio frontal b. Concha nasal dorsal c.
Conchas etmoidais d. Concha nasal ventral e. meato nasal dorsal f. Meato nasal médio g. Meato nasal ventral
h. Vestíbulo nasal i. Mandíbula j. Cavidade oral k. Palato duro l. Língua m. Palato mole n. Nasofaringe o. Cripta
tonsilar p. Orofaringe q. Vestíbulo da laringe r. Cérebro s. Tronco cerebral t. Cerebelo u. Atlas v. Áxis.
Os seios paranasais frontal, maxilar e esfenoidal são cavidades ósseas que se comunicam com a cavidade
nasal dos animais. Nos animais que possuem cornos, como os bovinos, o seio frontal projeta-se para seu
interior.
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 Radiografia lateral de cabeça de gato, com evidenciação dos seios frontal e esfenoidal.
As aves não apresentam nasofaringe, pois sua cavidade oral incorpora a faringe, formando uma única cavidade
denominada de orofaríngea. Na laringe, a cartilagem cricoide de equinos e carnívoros apresenta o processo
cuneiforme (ou rostral). Nas aves, a laringe é formada apenas pelas cartilagens aritenoides e cricoide.
 Anatomia da laringe em equino – vista lateral esquerda.
 Anatomia da laringe em ave – vista dorsal. * Li = Língua;
* G = Glote;
* EL = Eminência laríngea.
A traqueia de aves apresenta seus anéis traqueais completos.Em mamíferos, a forma do anel traqueal varia
conforme a espécie, sendo arredondado em carnívoros, levemente achatado dorsalmente em equinos e em
forma de gota nos ruminantes. A região final da traqueia é denominada de carina, onde, nas aves, está
localizada a siringe, seu órgão fonador. Quanto aos brônquios, em bovinos, existe um brônquio traqueal, ou
acessório, situado cranialmente à carina.
 Vista dorsal da traqueia com visualização do brônquio traqueal.
Os sacos aéreos são estruturas membranáceas finas e em forma de saco cego presentes na cavidade
celomática das aves, podendo penetrar alguns ossos. Esses nove sacos, além de auxiliarem na respiração,
promovendo a passagem do ar, também conferem leveza ao corpo das aves e ajudam na estabilidade do voo.
 Disposição anatômica dos componentes anatômicos do sistema respiratório no corpo da ave.
Os pulmões são divididos em lobos pelas fissuras lobares e cada espécie apresenta peculiaridades em sua
lobação pulmonar. Os pulmões das aves não apresentam lobos, não se expandem e não estão laterais ao
coração, localizando-se contra as vértebras torácicas e as costelas. Observe na figura a seguir as diferenças
entre os pulmões de animais.
Em aves, estão presentes os parabrônquios, derivados da ramificação dos brônquios segmentares nas aves,
que são o local onde ocorre a hematose.
 Comparação entre pulmões de mamíferos domésticos.
SISTEMA ENDÓCRINO
O sistema endócrino é constituído por todas as glândulas que lançam suas secreções na corrente sanguínea,
como a hipófise, a epífise, a tireoide, as paratireoides, as ultimobranquiais, o timo, as adrenais, o pâncreas, os
testículos e os ovários.
Estudaremos agora apenas as glândulas exclusivas do sistema endócrino, ou seja, aquelas que não fazem
parte de nenhum outro sistema orgânico. As glândulas presentes em sistemas específicos são abordadas
durante o estudo de cada um deles. Dentre essas glândulas, a hipófise apresenta diferentes formas entre os
animais, conforme mostrado na figura a seguir.
 Comparação entre hipófises de mamíferos domésticos.
Outra glândula com particularidades anatômicas é a tireoide, que apresenta dois lobos laterais conectados
ventralmente por um istmo. A forma dos lobos varia conforme a espécie animal, sendo triangular nos bovinos,
alongada em carnívoros, arredondada em equinos e oval em aves. Nelas, a tireoide é um órgão par e está
localizada caudalmente ao inglúvio (conhecido, popularmente, como papo), na entrada da cavidade celomática.
 Comparação entre tireoides de mamíferos domésticos.
As adrenais, assim como a tireoide, apresentam formatos variados, segundo a espécie, conforme a imagem a
seguir.
 Comparação entre adrenais de mamíferos domésticos.
As glândulas ultimobranquiais são pares e estão localizadas posteriormente às paratireoides das aves,
produzindo calcitonina.
SISTEMA DIGESTÓRIO
Em mamíferos, o sistema digestório é composto pelas porções pré e pós-diafragmáticas, além das glândulas
anexas (fígado, pâncreas e glândulas salivares).
 Posicionamento anatômico dos componentes do sistema digestório de equino.
Os animais apresentam lábio maxilar e mandibular, os quais equivalem, respectivamente, aos lábios superior
e inferior dos humanos. Na língua de bovinos, é observado o tórus lingual com a fossa lingual. A ranfoteca
substitui os lábios das aves, cuja língua apresenta pouca mobilidade. São observadas ainda papilas com função
gustativa e mecânica na superfície da língua dos animais.
A fórmula dentária apresenta peculiaridades segundo as espécies domésticas devido aos hábitos alimentares
específicos de cada uma delas, conforme pode ser observado no quadro a seguir.
ANIMAL DENTIÇÃO DECÍDUA DENTIÇÃO PERMANENTE
Caninos
Felinos
Equinos
Bovinos
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal
 Comparação entre arcadas dentárias de cão e suíno.
 VOCÊ SABIA
Nas aves, a faringe e a cavidade oral formam uma única estrutura chamada de cavidade orofaríngea.
Esses animais não possuem palato mole e, em seu palato duro, estão as coanas, que se comunicam com a
cavidade nasal, e a fenda infundibular, que se comunica com o ouvido médio por meio da tuba auditiva. Caudal
à língua, está presente a elevação laríngea, onde há uma abertura chamada de glote.
O esôfago das aves pode apresentar uma dilatação ventral voltada para a direita, denominada de inglúvio
(conhecido popularmente como papo). O inglúvio apresenta glândulas mucosas que lubrificam o bolo alimentar.
I C PM M
3
3
1
1
3
3
0
0
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 Componentes do tubo digestório de ave. A. Localização anatômica B. Tudo digestório ampliado.
 Imagem tomográfica destacando posicionamento anatômico do estômago monocavitário simples de gato.
Em mamíferos, o estômago pode ser classificado como monocavitário simples (carnívoros), monocavitário
complexo (equinos), bicavitário (aves) ou policavitário (bovinos).
 Posicionamento anatômico do estômago monocavitário complexo de equino.
O estômago monocavitário simples é similar ao estômago de humanos. Embora o estômago monocavitário
composto seja parecido com o simples, possui uma região aglandular próxima à cárdia.
 Posicionamento anatômico do estômago bicavitário de ave.
O estômago bicavitário é composto pelo pró-ventrículo (estômago químico) e pelo ventrículo (estômago
mecânico).
O estômago policavitário é composto por rúmen, retículo, omaso e abomaso.
 Posição anatômica do estômago policavitário de ruminantes.
RÚMEN Maior dos compartimentos, ocupa todo o antímero esquerdo da cavidade abdominal dos
ruminantes, sendo um estômago mecânico. RETÍCULO Situado craniodorsalmente à esquerda do
rúmen, sendo um estômago mecânico. OMASO Localizado cranioventralmente à direita do rúmen, sendo
um estômago mecânico. ABOMASO É a única das cavidades que realiza digestão química e se parece
anatomicamente com o estômago monocavitário simples, porém com a presença de um tórus pilórico.
O intestino delgado de carnívoros é relativamente curto, com o duodeno ocupando a região lateral direita do
abdômen. Em carnívoros, o jejuno ocupa a porção ventral do abdômen, e o íleo está na região lateral direita. O
ceco de carnívoros é rudimentar e está localizado na região lateral direita do abdômen.
O cólon é dividido em ascendente, transverso e descendente, sendo composto por alças únicas em
carnívoros. O cólon ascendente de carnívoros está localizado na região lateral direita da cavidade
abdominopélvica, o transverso cruza o plano mediano da direita para a esquerda e o descendente está
localizado na região esquerda da cavidade.
 A. Omento maior removido B. Alças jejunais removidas
Em equinos, o intestino delgado está localizado dorsalmente na cavidade abdominopélvica, caudalmente ao
fígado e ao estômago, dorsalmente ao colón maior e cranialmente ao cólon menor. O ceco dos equinos ocupa a
lateral direita da cavidade abdominal. Em equinos, o cólon ascendente é chamado de maior e o descendente de
menor. O colón maior ocupa toda a região ventral do abdômen, e o menor está situado caudodorsalmente à
esquerda do abdômen.
 Posicionamento anatômico do intestino de equino.
Nos bovinos, o intestino delgado percorre dorsalmente na lateral direita do abdômen, estando caudodorsal ao
omaso e ao rúmen. O ceco é bem desenvolvido e está localizado na região lateral direita do abdômen. Bovinos
apresentam um cólon ascendente contando com uma alça proximal, uma espiral e uma distal. O cólon
ascendente está relacionado com a face visceral do rúmen, já o transverso e o descendente estão caudodorsais
a ele.
 Posicionamento anatômico do intestino de bovino.
Nas aves, o duodeno e o jejuno estão localizados caudais ao ventrículo, na região lateral esquerda da cavidade
celomática,

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