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e IndIvIdual
Prof.ª Etienne Alessandra Hafemann 
Prof.ª Talita Cristiane Sutter
TerapIas ColeTIvas
Indaial – 2022
1a Edição
Impresso por:
Elaboração:
Prof.ª Etienne Alessandra Hafemann 
Prof.ª Talita Cristiane Sutter
Copyright © UNIASSELVI 2022
 Revisão, Diagramação e Produção:
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
Núcleo de Educação a Distância. HAFEMANN, Etienne Alessandra.
Terapias Coletivas e Individual. Etienne Alessandra Hafemann; Talita Cristiane 
Sutter - SC: UNIASSELVI, 2022.
216p.
ISBN 978-65-5466-182-9
ISBN Digital 978-65-5466-183-6
“Graduação - EaD”.
1. Terapias Coletivas 2. Terapia Individual 3. Centro Universitário Leonardo da Vinci
CDD 616.89
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
Na Unidade 1, abordaremos sobre as Práticas Integrativas e Complementares de 
Saúde (PICS) e sua inserção no Sistema Único de Saúde (SUS) como política de saúde, 
seus avanços e desafios. Os principais pilares teóricos da Medicina Tradicional Chinesa 
(MTC) serão explicados, sendo eles: a teoria do Yin-Yang, a teoria dos Cinco Elementos 
e a teoria do Qi. Essas teorias são importantes para a compreensão da racionalidade 
Oriental no seu modo de entender o processo saúde-doença. 
Além disso, acadêmico, estudaremos as PICS que são utilizadas individualmente, 
sendo elas: acupuntura, auriculoterapia, moxaterapia e ventosaterapia. Estas práticas 
são realizadas em todo o Brasil, e há um aumento de interesse profissional e pelas 
pessoas que apresentam problemas de saúde na busca por essas terapias orientais. 
Dessa forma, abordaremos, além de suas teorias, sua aplicabilidade em diversos 
contextos. Destacamos que elas não invalidam, de forma alguma, o conhecimento 
científico em saúde Ocidental, e sim o complementam. 
Ao final da Unidade 1, aprenderemos sobre as práticas de dança que possuem 
inúmeros benefícios para a saúde, além do exercício físico realizado durante os 
encontros: a Dança Circular e a Biodança. Ambas possuem fundamentação filosófica 
e elementos simbólicos que são imprescindíveis para a realização dessas PICS. Essa 
abordagem será explicada detalhadamente na unidade a seguir.
Na Unidade 2 abordaremos sobre o Ayurveda, sistema científico de medicina, 
considerado o mais antigo da humanidade. Seus fundamentos filosóficos e principais 
conceitos para o diagnóstico e intervenção serão descritos ao longo do texto: a teoria 
dos três doshas, os seis sabores (ou rasas), a dinacharya (rotina diária) e a abhyanga 
(massagem ayurvédica).
Em seguida, estudaremos sobre o Yoga, prática oriental mente-corpo de origem 
indiana amplamente difundida no Ocidente na atualidade. Abordaremos brevemente 
sua origem histórica na Índia ancestral, a chegada do Yoga no Brasil com sua inserção 
SUS através da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares de Saúde 
(PNPICS). Assim como, os fundamentos teóricos e filosóficos das práticas de Yoga, 
enfatizando o Sistema Clássico de Patanjali, que apresenta uma estrutura de oito 
passos a serem seguidos pelos praticantes de Yoga para conquistar o desenvolvimento 
humano através do equilíbrio mente-corpo-espírito.
Além disso acadêmico, estudaremos sobre o Tai Chi Chuan, expressão corpo-
ral e arte marcial de origem Chinesa, utilizada atualmente como um recurso terapêutico 
que exercita o corpo e a mente. O processo de desenvolvimento do Tai Chi será abor-
APRESENTAÇÃO
dado, assim como seus cinco estilos, ou “famílias”, e as principais orientações para a 
prática. A forma de exercício chinesa denominada Qi Gong também será descrita, am-
bas favorecem a circulação do Qi (energia) e promovem diversos benefícios para os 
seus praticantes.
Na Unidade 3, aprenderemos sobre a Bioenergética, uma técnica terapêutica 
que promove o reencontro com o nosso próprio corpo por intermédio da autodescoberta. 
De acordo com essa abordagem, os processos energéticos do corpo originam o que 
acontece na mente e no próprio corpo. Existem estruturas de caráter (padrões tanto 
psicológicos como musculares) que são classificados em cinco tipos, cada um deles 
será descrito neste tópico. 
A prática do Reiki, seus níveis e símbolos também serão descritos na Unidade 
3, perpassando pela história da prática e aplicabilidade como PICS. Além disso, aborda-
remos sobre as PICS constelações familiares sistêmicas e a terapia comunitária, seus 
princípios filosóficos e métodos terapêuticos. 
Por fim, estudaremos sobre a arteterapia, uma forma de expressar a criativi-
dade, pensamentos e sentimentos. Mais especificamente na abordagem Junguiana, 
refletiremos que por intermédio dela, símbolos pessoais podem emergir e auxiliar no 
processo terapêutico, com pessoas de todas as idades. As linguagens, materiais, utili-
dade e indicações da arteterapia serão descritos, sendo recursos para atuação e meio 
de propiciar que o psiquismo se revele. 
Bom estudo!
 
Profª. Etienne Alessandra Hafemann
Profª. Talita Cristiane Sutter
GIO
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – 
e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR 
Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite 
que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, 
é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meiodela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
QR CODE
SUMÁRIO
UNIDADE 1 — BASES CONCEITUAIS DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS 
DE SAÚDE E AS DANÇAS TERAPÊUTICAS ......................................1
TÓPICO 1 — PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES DE SAÚDE.......... 3
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 3
2 HISTÓRICO – O QUE SÃO AS PICS? .................................................................... 3
2.1 POLÍTICA NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES ..........5
3 PRÁTICAS INDIVIDUAIS ..................................................................................... 6
3.1 MEDICINA TRADICIONAL CHINESA ..................................................................................6
3.1.1 Teoria Yin-Yang ............................................................................................................9
3.1.2 Teoria dos Cinco Elementos ....................................................................................11
3.1.3 Teoria do Qi .................................................................................................................12
4 ACUPUNTURA ................................................................................................... 14
5 AURICULOTERAPIA ........................................................................................... 18
6 VENTOSATERAPIA ............................................................................................. 21
7 MOXATERAPIA ...................................................................................................24
RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................30
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 31
TÓPICO 2 — DANÇA CIRCULAR ............................................................................33
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................33
2 HISTÓRIA DA DANÇA CIRCULAR ......................................................................33
3 ELEMENTOS SIMBÓLICOS ................................................................................35
3.1 A RODA E O CENTRO ......................................................................................................... 36
4 O FOCALIZADOR ................................................................................................38
5 A DANÇA CIRCULAR COMO PRÁTICA INTEGRATIVA E COMPLEMENTAR 
DE SAÚDE ........................................................................................................... 41
5.1 BENEFÍCIOS DA DANÇA CIRCULAR ...............................................................................41
5.2 POSSIBILIDADES E DESAFIOS PARA A DIFUSÃO DA PRÁTICA .............................44
RESUMO DO TÓPICO 2 ..........................................................................................46
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 47
TÓPICO 3 — BIODANÇA .........................................................................................49
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................49
2 HISTÓRIA DA BIODANÇA ...................................................................................49
3 FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS E BENEFÍCIOS DA BIODANÇA ....................... 51
4 LINHAS DE VIVÊNCIA ........................................................................................52
LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................56
RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................62
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................63
REFERÊNCIAS .......................................................................................................65
UNIDADE 2 — PRÁTICAS INTEGRATIVA ORIENTAIS: AYURVEDA, 
YOGA E TAI CHI CHUAN ................................................................. 73
TÓPICO 1 — AYURVEDA – MEDICINA CLÁSSICA INDIANA ................................... 75 
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 75
2 A AYURVEDA E SEU HISTÓRICO ....................................................................... 75
3 OS DOSHAS ....................................................................................................... 79
4 ALIMENTAÇÃO NO AYURVEDA .........................................................................83
5 DINACHARYA – ROTINA AYURVÉDICA ............................................................86
6 MASSAGEM AYURVÉDICA – ABHYANGA ..........................................................88
RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................93
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................94
TÓPICO 2 — YOGA ................................................................................................. 97
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 97
2 BREVE HISTÓRIA DO YOGA .............................................................................. 97
3 PRINCIPAIS RAMOS DO YOGA .........................................................................102
3.1 BHAKTI YOGA – O YOGA DA DEVOÇÃO ...................................................................... 102
3.2 KARMA YOGA – O YOGA DA AÇÃO COMUNITÁRIA .................................................. 102
3.3 JÑANA YOGA – O YOGA DO CONHECIMENTO ......................................................... 103
3.4 RAJA YOGA, ASHTANGA YOGA OU YOGA DE PATAÑJALI ................................... 103
3.4.1 O CAMINHO DE OITO PASSOS DO RAJA YOGA DE PATANJALI ................. 104
4 PRÁTICAS DE YOGA NA CONTEMPORANEIDADE – SUS ............................... 110
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................ 114
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................115
TÓPICO 3 — TAI CHI CHUAN – MEDICINA CHINESA ...........................................117
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................117
2 HISTÓRICO E FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DO TAI CHI CHUAN .................117
3 TAI CHI CHUAN NA PRÁTICA ........................................................................... 122
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................128
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................ 135
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 136
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 139
UNIDADE 3 — TERAPIAS COMPLEMENTARES EM SAÚDE ............................... 147
TÓPICO 1 — BIOENERGÉTICA E REIKI ................................................................149
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................149
2 O DESENVOLVIMENTO DA BIOENERGÉTICA .................................................149
2.1 FUNDAMENTOSBÁSICOS ...............................................................................................152
2.1.1 Energia ........................................................................................................................152
2.1.2 Grounding ................................................................................................................ 153
2.1.3 Estruturas de Caráter ............................................................................................ 155
3 REIKI – BASES HISTÓRICAS ........................................................................... 159
3.1 OS 7 CHAKRAS ................................................................................................................. 162
4 APLICAÇÃO DE REIKI ...................................................................................... 165
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................ 167
AUTOATIVIDADE .................................................................................................168
TÓPICO 2 — CONSTELAÇÕES FAMILIARES SISTÊMICAS E TERAPIA 
COMUNITÁRIA INTEGRATIVA .........................................................171
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................171
2 CONSTELAÇÕES FAMILIARES SISTÊMICAS E SUAS ORIGENS .....................171
3 AS LEIS DO AMOR ............................................................................................ 172
4 O MÉTODO TERAPÊUTICO DA CONSTELAÇÃO FAMILIAR ............................ 173
5 A TERAPIA COMUNITÁRIA INTEGRATIVA ...................................................... 176
5.1 OS PILARES DA PRÁTICA ............................................................................................... 180
6 ETAPAS E CONDUÇÃO DO PROCESSO ...........................................................182
6.1 ACOLHIMENTO .................................................................................................................. 183
6.2 ESCOLHA DO TEMA ........................................................................................................ 183
6.3 CONTEXTUALIZAÇÃO .................................................................................................... 183
6.4 PROBLEMATIZAÇÃO ...................................................................................................... 183
6.5 ENCERRAMENTO ............................................................................................................ 184
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................185
AUTOATIVIDADE .................................................................................................186
TÓPICO 3 — ARTETERAPIA ................................................................................189
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................189
2 A ARTETERAPIA E SEU HISTÓRICO ................................................................189
3 O ARTETERAPEUTA ......................................................................................... 193
4 ARTETERAPIA DE ABORDAGEM JUNGUIANA ............................................... 195
5 ARTETERAPIA NA ÁREA DA SAÚDE ............................................................... 196
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................... 200
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................207
AUTOATIVIDADE ................................................................................................ 208
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 211
1
UNIDADE 1 — 
BASES CONCEITUAIS DAS 
PRÁTICAS INTEGRATIVAS 
DE SAÚDE E AS DANÇAS 
TERAPÊUTICAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer o processo de inserção das Práticas Integrativas de Saúde no Sistema 
Único de Saúde;
•	 refletir	sobre	o	contexto	atual	das	Práticas	Integrativas	de	Saúde;
•	 entender	a	teoria	e	aplicabilidade	de	práticas	complementares	individuais;	
•	 compreender	as	práticas	integrativas	que	envolvem	a	dança:	dança	circular	e	
biodança.
	 A	cada	tópico	desta	unidade	você	encontrará	autoatividades	com	o	objetivo	de	
reforçar	o	conteúdo	apresentado.
TÓPICO 1 – PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES DE SAÚDE
TÓPICO 2 – DANÇA CIRCULAR
TÓPICO 3 – BIODANÇA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E 
COMPLEMENTARES DE SAÚDE
TÓPICO 1 — UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
Prezado	acadêmico,	no	Tópico	1	estudaremos	sobre	as	Práticas	Integrativas	e	
Complementares	de	Saúde	(PICS),	assim	como	o	processo	de	inserção	delas	no	Sistema	
Único	de	Saúde	(SUS).	Além	disso,	abordaremos	especificamente	sobre	PICS	que	po-
dem	ser	aplicadas	individualmente,	e	são	usadas	hoje	em	todo	o	Brasil.
Algumas	 práticas	 individuais	 são	 de	 origem	 ocidental,	 como	 a	 Medicina	
Tradicional	Chinesa	e	a	Acupuntura.	Aspectos	referentes	à	aplicabilidade	dessas	PICS	
no	território	brasileiro,	a	discussão	entre	a	medicina	convencional	e	sua	relação	com	
práticas	integrativas	serão	considerados	ao	longo	do	texto.	
 
Neste	tópico,	abordaremos	a	teoria	e	alguns	exemplos	de	problemas	de	saúde	
em	que	podem	ser	utilizadas	as	terapias	individuais:	acupuntura,	auriculoterapia,	vento-
saterapia,	moxaterapia.	Lembramos	que	o	conhecimento	prático	também	é	imprescin-
dível	para	aqueles	que	desejarem	atuar	com	tais	abordagens.	
2 HISTÓRICO – O QUE SÃO AS PICS? 
São	consideradas	PICS	os	tratamentos	terapêuticos	que	se	baseiam	em	uma	
visão	abrangente	do	ser	humano	e	do	processo	saúde-doença,	elas	podem	prevenir	
ou	 tratar	 enfermidades,	 assim	 como	 serem	 utilizadas	 como	 cuidado	 paliativo	 para	
algumas	doenças	crônicas	 (BRASIL,	 2020a).	Conforme	podemos	observar	na	própria	
nomenclatura,	essas	práticas	são	complementares,	e	não	substituem	os	tratamentos	
convencionais.	
A	 integralidade	 da	 atenção	 em	 saúde,	 como	 um	 dos	 princípios	 do	 SUS,	
corrobora	com	a	visão	global	que	as	PICS	têm	sobre	o	 indivíduo,	considerando	a	sua	
singularidade.	Essa	abordagem	contribui	para	a	ampliação	do	protagonismo	do	usuário	
e	sua	corresponsabilização	pelo	seu	estado	de	saúde	(BRASIL,	2015).	
 
Tais	sistemas	e	recursos	envolvem	abordagens	que	buscam	estimular	
os	 mecanismos	 naturais	 de	 prevenção	 de	 agravos	 e	 recuperação	
da	 saúde	por	meio	de	 tecnologias	 eficazes	e	 seguras,	 com	ênfase	
na	escuta	acolhedora,	no	desenvolvimento	do	vínculo	terapêutico	e	
na	 integração	do	ser	humano	com	o	meio	ambiente	e	a	sociedade	
(BRASIL,	2006a).
4
AS	PICS	se	enquadram	no	que	a	Organização	Mundial	de	Saúde	(OMS)	chama	
de	 medicina	 tradicional	 e	 medicina	 complementar	 alternativa	 (MT/MCA).	 A	 MT	 e	 a	
MCA	foram	incentivadas	pela	OMS	já	nos	anos	1970,	por	 intermédio	do	“Programa	de	
Medicina	 Tradicional,	 que	 possibilitou	 a	 criação	 do	 documento	 “Estratégias	 da	 OMS	
para	a	Medicina	Tradicional	para	2002-2005”.	Esse	documento	se	propôs	a	 respaldar	 
os países de modo a: 
•	 integrar	a	MT/MCA	nos	sistemas	nacionais	de	saúde,	desenvolvendo	e	implementan-
do	políticas	e	programas	nacionais;
•	 promover	 a	 segurança,	 eficácia	 e	 qualidade	 da	 MT/MCA,	 ampliando	 a	 base	 de	
conhecimento	 sobre	 essas	 medicinas	 e	 fomentando	 a	 orientação	 sobre	 pautas	
normativas	e	de	controle	de	qualidade;
•	 aumentar	a	disponibilidade	e	acessibilidade	da	MT/MCA,	com	ênfase	ao	acesso	pelas	
populações	pobres;	e
•	 fomentar	o	uso	racional	da	MT/MCA	tanto	pelos	provedores	quanto	pelos	consumi-dores	(OMS,	2002).
Conforme	 dados	 de	 2020,	 no	 Brasil	 já	 existiam	 9.350	 estabelecimentos	 de	
saúde	ofertando	56%	dos	atendimentos	individuais	e	coletivos	de	PICS	nos	municípios,	
a	maioria	deles,	8.239	mil,	são	na	Atenção	Básica	em	saúde.	A	distribuição	dos	serviços	
por	nível	de	complexidade	ocorre	da	seguinte	forma:	Atenção	Básica	78%;	Média	18%;	
Alta	 4%	 (BRASIL,	 2020a).	 O	 que	 corrobora	 com	 a	 recomendação	 da	 OMS	 aos	 seus	
Estados,	para	que	haja	políticas	voltadas	à	 integração	ou	 inserção	de	MT	e	MTC	aos	
sistemas	oficiais	de	saúde,	principalmente	na	Atenção	Primária	(BRASIL,	2012).	Contudo,	
no	Brasil,	 o	 caminho	percorrido	para	que	 as	PICS	 fossem	 reconhecidas	desta	 forma	
iniciou	bem	antes	de	2020.	O	Quadro	1	destaca	alguns	marcos	desse	trajeto.	
Quadro 1 – Histórico das PICS no Brasil
Meados dos 
anos 1970
Início	do	debate	sobre	as	PICS	após	a	declaração	de	Alma	Ata.
1986
8ª	Conferência	Nacional	de	Saúde	valida	ainda	mais	o	debate,	sendo	um	
espaço	legítimo	de	visibilidade	das	demandas	e	necessidades	da	população	
por	uma	nova	cultura	de	saúde.
1996
10ª	Conferência	Nacional	de	Saúde	que,	em	seu	relatório	final,	aprovou	a	
"incorporação	ao	SUS,	em	todo	o	País,	de	práticas	de	saúde	como	a	fitoterapia,	
acupuntura	e	homeopatia,	contemplando	as	terapias	alternativas	e	práticas	
populares".
1999
Inclusão	das	consultas	médicas	em	homeopatia	e	acupuntura	na	tabela	de	
procedimentos	do	SIA/SUS	(Portaria	nº	1230/GM	de	outubro	de	1999).
2000
11ª	Conferência	Nacional	de	Saúde	que	recomenda	"incorporar	na	atenção	
básica:	Rede	PSF	e	PACS	práticas	não	convencionais	de	terapêutica	como	
acupuntura	e	homeopatia;
5
Fonte: adaptado de Brasil (2020a); Brasil (2018); Brasil (2006b); Brasil (2017)
2006 
As	PICS	foram	institucionalizadas	no	Sistema	Único	de	Saúde	(SUS)	por	
intermédio	da	Política	Nacional	de	Práticas	Integrativas	e	Complementares	
(PNPIC),	aprovada	por	meio	de	Portaria	GM/MS	no	971,	de	3	de	maio	de	2006,	
aprovando	cinco	práticas.
2013
Aprovação	da	Portaria	nº	2.761/GM/MS,	que	institui	a	Política	Nacional	de	
Educação	Popular	em	Saúde	no	âmbito	do	Sistema	Único	de	Saúde	(PNEPS-SUS).
2014
Aprovação	da	Portaria	nº	2.446/GM/MS,	que	redefine	a	Política	Nacional	de	
Promoção	da	Saúde	(PNPS)	que	tem	como	um	dos	objetivos	específicos:	
valorizar	os	saberes	populares	e	tradicionais	e	as	práticas	integrativas	e	
complementares.
2017
A	PNPIC	foi	ampliada	em	14	outras	práticas	a	partir	da	publicação	da	Portaria	
GM	nº	849/2017.	
A	seguir,	descreveremos	sobre	as	PNPIC	e	sua	contribuição	para	a	aplicabilida-
de	das	PICS	no	SUS.	
2.1 POLÍTICA NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E 
COMPLEMENTARES 
Sabemos	 da	 importância	 da	 obtenção	 da	 PNPIC	 para	 a	 consolidação	 das	
práticas	 nos	 territórios,	 porém,	mesmo	 com	 as	 conquistas,	 ainda	 podemos	 avançar.	
Consideramos	ela	uma	política	sempre	em	construção.
A	PNPIC	é	transversal	em	suas	ações	no	SUS,	e	está	presente	em	
todos	os	níveis	de	atenção,	prioritariamente	na	Atenção	Primária	à	
Saúde	 (APS).	Dentre	os	seus	objetivos,	se	propõe	a	contribuir	com	
o	aumento	da	resolubilidade	do	Sistema	e	ampliação	do	acesso	às	
PICS,	garantindo	qualidade,	eficácia,	eficiência	e	segurança	no	uso	
(BRASIL,	2020b,	p.	3).
Em 2018, foi lançado o manual de implantação de serviços de 
práticas integrativas e complementares no SUS, com o objetivo 
de sugerir aos gestores um modelo de plano de implantação das 
PICS, e que também descreve os passos de cadastramento nos 
serviços. Acesse em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/
publicacoes/manual_implantacao_servicos_pics.pdf. 
DICA
6
Foram	duas	portarias	aprovadas,	que	hoje	totalizam	19	PICS	a	serem	disponibi-
lizadas	no	SUS:
•	 A	Portaria	GM/MS	nº	971/2006	contempla	diretrizes	e	responsabilidades	institucionais	
para	 oferta	 de	 serviços	 e	 produtos	 de:	 homeopatia,	medicina	 tradicional	 chinesa/
acupuntura,	 plantas	 medicinais	 e	 fitoterapia,	 além	 de	 constituir	 observatórios	 de	
medicina	antroposófica	e	termalismo	social/crenoterapia	(BRASIL,	2006c).	
•	 A	portaria	GM/MS	nº	849/2017,	aprova	outras	práticas:	Arteterapia,	Ayurveda,	Biodan-
ça,	 dança	 circular,	 Meditação,	 Musicoterapia,	 Naturopatia,	 Osteopatia,	 Quiropraxia,	
Reflexoterapia,	Reiki,	Shantala,	Terapia	Comunitária	Integrativa	e	Yoga	(BRASIL,	2017).
Em 2021 a PNPIC completou 15 anos de criação. No link a seguir, você 
tem acesso a lista de experiências no SUS com as PICS registradas na 
plataforma do Banco de Práticas e Soluções em Saúde e Ambiente 
– IdeiaSUS. Acesse em: http://observapics.fiocruz.br/conheca-as-129-
experiencias-com-pics-registradas-no-ideiasus/. 
DICA
Muitos	avanços	foram	conquistados	nessa	trajetória	desde	a	criação	das	PICS,	
mas	muitos	desafios	ainda	estão	presentes.	O	acesso	aos	usuários	para	essa	variedade	
de	 práticas	 legitimadas	 pelo	 SUS,	 dependem	 de	 investimentos	 para	 a	 formação	 de	
profissionais	para	a	atuação	na	rede.	Identificar	o	potencial	na	equipe	e	ampliar	a	oferta	
das	práticas	é	imprescindível	para	a	disseminação	das	PICS	na	saúde	pública.
3 PRÁTICAS INDIVIDUAIS 
Vários	 tipos	 de	 PICS	 somente	 podem	 ser	 utilizadas	 em	 grupo,	 como	 a	
dança	 circular,	 que	 depende	 de	mais	 participantes	 para	 formar	 uma	 roda.	 A	 seguir,	
descreveremos	 PICS	 que	 não	 necessitam	 de	 um	 grupo	 para	 sua	 aplicação,	 ou,	 em	
alguns	casos,	que	podem	ser	aplicadas	somente	de	forma	individual.	
3.1 MEDICINA TRADICIONAL CHINESA
Não	 se	 sabe	 ao	 certo	 quando	 a	 Medicina	 Tradicional	 Chinesa	 (MTC)	 foi	
desenvolvida	 ao	 longo	 da	 história.	 Contudo,	 evidências	 arqueológicas	 demonstram	que	
a	maioria	das	técnicas	oriundas	dessa	abordagem	surgiram	no	Oriente	há	milhares	de	
anos,	alguns	exemplos	de	técnicas	são:	moxaterapia,	fitoterapia	chinesa	e	a	acupuntura.	 
Todas	 essas	 práticas	 têm	 fundamento	 nessa	 teoria	 de	 saúde	 milenar,	 com	 pilares	
definidos,	sendo	eles:
7
•	 A	teoria	do	Yin-Yang.
•	 A	teoria	dos	Cinco	Elementos.
•	 A	teoria	do	Qi	(MACIOCIA,	2017).
A	 partir	 do	 conhecimento	 desses	 pilares,	 o	 especialista	 consegue	 realizar	 o	
diagnóstico,	 tratando	 o	 indivíduo	 em	 sua	 totalidade	 e	 não	visando	 somente	 a	 parte	
doente	ou	a	doença	em	si,	como	é	evidenciado	na	Medicina	Ocidental.	É	 importante	
ressaltar	 que	 não	 temos	 a	 pretensão	 de	 abordar	 esses	 conceitos	 de	 forma	 a	 serem	
profundamente	discutidos	neste	tópico,	pois	 isso	não	seria	possível	em	um	primeiro	
debate,	 mas	 sim	 desvelar	 a	 base	 de	 seus	 conhecimentos	 para	 que	 você	 possa	
compreender	o	suficiente	da	teoria	geral	para	refletir	sobre	o	modo	de	racionalização	
da	MTC.	
No Brasil, a Regulamentação para o exercício profissional da 
acupuntura foi aprovada através do Projeto de Lei nº 5983/2019 
em todo território nacional. Este documento especifica quem 
pode exercer a profissão, além de outras diretrizes. Acesse em: 
https://bit.ly/3rBepG5.
IMPORTANTE
Atualmente,	muitas	categorias	profissionais	da	área	da	saúde,	além	da	medi-
cina,	 já	se	manifestaram	a	favor	dessa	prática	 respaldando	seus	profissionais,	como:	
Conselho	Federal	de	Enfermagem,	Conselho	Federal	de	Farmácia,	Conselho	Federal	de	
Fisioterapia,	Conselho	Federal	de	Psicologia,	entre	outras.	Dessa	forma,	para	atuar	com	
a	acupuntura,	o	profissional	de	saúde	necessita	realizar	uma	especialização	–	nível	de	
pós-graduação	–	na	área,	e	estar	ativo	em	seu	Conselho	Regional.
 
A	partir	do	conhecimento	das	teorias	e	da	relação	dela	com	o	que	o	indivíduo	
traz	como	demanda	clínica,	é	que	o	especialista	determinará	o	diagnóstico	energético.	
Depois	desta	etapa,	as	práticas	terapêuticas	são	escolhidas	e	aplicadas,	de	forma	indi-
vidual	ou	conjunta,	a	depender	do	caso.	Além	disso,	como	destacamos,	a	MTC	considera	
o	ser	em	sua	integralidade.	Nesse	caso,	a	relação	das	teorias	acontece	também	através	
da	anamnese	que	o	especialista	utiliza	na	consulta	clínica	para	compreender	o	caso	em	
sua	totalidade.	
Tratar	 é	 aplicar	 as	 técnicas	 apropriadas	 (...)O	 diagnóstico	 pas-
sa	 pela	 tomada	 dos	 pulsos,	 detalhada	 e	 sutil;	 pela	 palpação	 do	
abdômen	 ou	 de	 outras	 partes	 do	 corpo;	 pelo	 exame	 da	 pupi-
la,	 da	 tez,	 da	 língua,	 da	 vascularização	 superficial,	 das	 atitudes,	
do	 jeito	 de	 andar.	 Questionamos	 sobre	 o	 que	 entra	 e	 sai	 do	 cor-
po,	 sobre	 os	 movimentos	 orgânicos,	 as	 sensações	 internas,	 so-
bre	 os	 sentimentos	 e	 as	 disposições	 interiores.	 Inspecionamos	 
o	ambiente	físico	e	moral	do	paciente”	(DE	LA	VALLÉE,	2019,	p.	19).
8
Sobre	a	avaliação	do	pulso,	não	existe	uma	regra	de	do	que	pode	ser	um	“pulso”	
normal	 para	 um	 indivíduo	 e	 patológico	 para	 outro.	 É	 importante	 que	 o	 profissional	
determine	o	padrão	do	pulso,	considerando	a	anamnese	e	os	seus	conhecimentos	que	
se	correlacionam	com	o	quadro	em	estudo.	
Mann	 (1971)	 ressalta	 que	 é	 normal	 para	 algumas	 pessoas	 se	 sentirem	 com	
energia	e	ter	agilidade,	o	que	se	refletirá	na	qualidade	da	artéria,	perceptível	na	tomada	
do	pulso.	Dessa	forma,	o	pulso	trará	mais	dados	sobre	o	estado	de	saúde	do	paciente,	
auxiliando	no	diagnostico	energético	e	plano	de	tratamento	com	a	acupuntura.	“Seja	
qual	 for	 a	 sua	 origem,	 física,	 fisiológica	 ou	 mental,	 as	 doenças	 revelam-se	 através	
do	pulso,	 desde	que	provoquem	efeitos	fisiológicos”	 (MANN,	 1971,	 p.	 104).	 Os	 efeitos	
fisiológicos	alteram	o	processo	orgânico	de	funcionamento	do	corpo.	Assim,	qualquer	
alteração	no	organismo	irá	refletir	através	do	pulso.
 
Se	tratando	da	mudança	de	padrão	de	pulso	conforme	o	clima,	Mann	(1971,	p.	
106),	esclarece	que:
•	 Os	pulsos	tornam-se	mais	profundos	no	inverso	e	em	casos	de	doenças	relacionadas	
ao	frio	ou	a	processos	de	enrijecimento.
•	 Os	pulsos	tornam-se	mais	superficiais	no	verão	e	em	casos	de	doenças	 ligadas	a	
estados	febris.
Assim,	o	especialista	necessita	ter	um	vasto	conhecimento	em	medicina	chi-
nesa,	considerando	todos	os	fundamentos	que	estão	envolvidos	nessa	racionalidade	 
de	saúde	para	atuar	com	qualidade	e	trazer	resolubilidade	para	o	problema	do	paciente.	
Cada	aspecto	clínico	é	avaliado	minuciosamente	antes	de	escolher	a	técnica	adequada.	
Por	exemplo,	a	tomada	de	pulso	da	MTC	é	feita	de	forma	manual,	e	para	realizar	a	análise	
do	aspecto	da	língua,	há	um	arcabouço	teórico	que	o	especialista	necessita	compreen-
der	para	poder	avaliar	da	maneira	correta.	
Um livro que trata especificamente do assunto é o “Diagnóstico pela 
língua na medicina chinesa”, de Giovanni Maciocia (2013), sendo que 
este é um dos mais preciosos métodos na medicina chinesa.
DICA
Outra	categoria	de	sentidos	bastante	abrangente	utilizada	na	MTC	é	a	de	“Shen”:
É	o	mais	 sutil	 e	 não	 substancial	 tipo	de	Qi	 ...	Acredito	que	 'Mente'	
é	 uma	 tradução	 mais	 precisa	 para	 Shen;	 o	 que	 no	 Ocidente	
chamaríamos	de	 'espírito',	 trata-se	do	complexo	de	todos	os	cinco	
aspectos	mentais	e	espirituais	do	ser	humano,	 isto	é,	Alma	Etérea	
(HUN),	Alma	Corpórea	(PO),	Inteligência	(YI),	Força	de	Vontade	(ZHI)	e	
Mente	(SHEN)	(MACIOCIA,	1996,	p.	201).
9
	 O	 Shen,	 (espírito/mente)	 pré-natal	 é	 derivado	 dos	 pais	 e	 o	 Shen	 pós-natal	
derivado	e	manifestado	pela	 essência	 (Jing)	 e	pela	 energia	 (Qi).	 Enquanto	o	 sangue	
(Xue)	do	coração	(Xin)	e	Yin	do	coração	fornecem	moradia	para	o	Shen,	visto	que	na	
concepção	da	MTC,	a	consciência	não	reside	tanto	no	cérebro,	mas	sim	no	coração.	
Shen	 é,	 portanto,	 totalmente	 associado	 à	 concepção,	 à	 organização	
inata	e	adquirida	no	meio	do	desenvolvimento,	a	própria	transformação	
de	 um	 ser	 particular,	 ele	 é	 ao	mesmo	 tempo	 o	 aspecto	mais	 sutil	
daquilo	que	anima,	colore	a	consciência	individual	e	determina	todos	
os	 níveis	 de	 surgimento	 desse	 indivíduo,	 até	 os	 mais	 concretos	
(EYSSALET,	2003,	p.	82).
O	 Shen	vitaliza	 o	 corpo	 e	 a	 consciência	 e	 fornece	 a	 força	 da	 personalidade.	
Esta	concepção	implica	na	existência	material	do	Shen,	que	é	diferente	do	pensamento	
ocidental	de	espírito.	Na	MTC,	Shen	é	uma	parte	 integral	do	corpo	e	não	um	aspecto	
separado	dele	(ROSS,	2019).
 
A	partir	desse	texto	introdutório	sobre	a	MTC,	a	seguir,	abordaremos	sobre	os	
pilares	teóricos	dessa	medicina	milenar.
3.1.1 Teoria Yin-Yang 
Conceituar	o	Yin-Yang	é	 imprescindível,	e	essa	teoria	é	possivelmente	uma	das	
mais	 importantes	da	MTC.	São	duas	qualidades	opostas,	porém	complementares:	 “cada	
objeto	ou	fenômeno	poderia	ser	ele	próprio	ou	seu	contrário.	Além	disso,	Yin	contém	
a	semente	de	Yang,	de	forma	que	o	primeiro	pode	transformar-se	no	segundo,	e	vice-
versa”	(MACIOCIA,	2017,	p.	3).
Figura 1 – Símbolo yin-yang
Fonte: https://bit.ly/3UarhA3. Acesso em: 21 jun. 2022.
10
O	 círculo	 exterior	 representa	 o	 próprio	 universo,	 o	 infinito,	 o	 todo	
energético,	 do	 qual	 tudo	 e	 todos	 fazemos	 parte.	 As	 duas	 esferas	
dentro	do	símbolo	representam	a	união	dos	opostos,	sendo	que	a	li-
nha	ondulada	no	interior	indica	o	equilíbrio	constante	entre	as	forças	
contrárias.	O	círculo	branco	pequeno	no	lado	preto	significa	que	o	Yin	
possui	o	Yang	e	o	círculo	pequeno	preto	no	lado	branco,	significa	que	
o	Yang	possui	o	Yin	(BUCHO,	2016,	p.	2).
Para	exemplificar	melhor,	pensemos	que	após	a	noite	vem	o	dia,	que	depois	do	
verão	chega	o	 inverno,	e	essas	mudanças	são	ciclos	da	vida	que	atingem	a	todos	os	
seres	(MACIOCIA,	2017).	
Yin	 e	 Yang	 representam	 esse	 ciclo.	 Ilustram	 essas	 contínuas	
mudanças,	os	 ritmos	da	existência.	Yin	é	o	polo	negativo,	passivo,	
profundo,	feminino.	A	noite	e	o	 inverno	são	Yin.	Yang	representa	o	
polo	positivo,	ativo,	superficial,	masculino.	O	dia	e	o	verão	são	yang.	
Esses	 conceitos	 não	 são	 estáticos.	 Representam	 dois	 polos	 de	
uma	mesma	energia.	Yin	está	sempre	se	tornando	Yang,	e	Yang	se	
tornando	Yin	(JAHARA-PRADIPTO,	1986,	p.	16).
Eles	se	configuram	como	expressões	do	Qi	(energia	vital).	Estudaremos	sobre	
o	Qi	 ainda	neste	 tópico.	 Importante	 ressaltarmos	que	os	 conceitos	de	polo	negativo	
e	positivo	não	tem	a	ver	com	o	bem	e	o	mau,	ou	o	que	é	bom	ou	 ruim.	Ambos	são	
essenciais,	 e	 é	 importante	 manter	 um	 equilíbrio	 entre	 as	 energias.	 Dessa	 forma,	
podemos	dizer	que	uma	pessoa	é	mais	Yin,	em	um	estado	mais	fisicamente	passivo	ou	
mais	Yang	fisicamente	ativo,	entre	outras	características	que	podem	ser	consideradas	
(JAHARA-PRADIPTO,	1986).
O	 antagonismo	 de	 Yin-Yang	 estende-se	 a	 todos	 os	 fenômenos	 e	
objetos	do	universo,	isto	é,	a	tudo	que	pode	ser	perceptível	pelo	ser	
humano.	Assim:	Yang:	positivo,	 forte,	dinâmico,	quente,	claro,	 leve,	
homem.	Yin:	negativo,	fraco,	estático,	frio,	obscuro,	pesado,	mulher.	
A	 MTC	 incorporou	 o	 princípio	 Yin-Yang	 para	 explicar	 a	 fisiologia	
e	 patologia	 humana,	 considerando	 o	 corpo	 um	 todo	 organizado,	
composto	de	duas	partes,	porém	opostas.	Os	órgãos	vitais	são	Yin,	
enquanto	 suas	 funções	 são	 Yang.	 Por	 exemplo,	 o	 coração,	 como	
estrutura	anatômica	é	Yin,	enquanto	os	batimentos	e	a	circulação	do	
sague	são	Yang;	a	massa	muscular	é	Yin	e	a	força	muscular	é	Yang,	
assim	por	diante	(PAI,	2005,	p.	71).
As	doenças	para	a	MTC	são	resultantes	de	uma	desordem	nas	nossas	trocas	
e	 ritmos	Yin-Yang	 (DE	 LA	VALLÉE,	 2019).	 O	 estado	 normal	 seria	 o	 equilíbrio,	 porém,	
existem	quatro	quadros	possíveis	de	desequilíbrio	entre	Yin-Yang:
Predomínio	de	Yin.
Predomínio	de	Yang.
Fraqueza	de	Yin.
Fraqueza	de	Yang	(MACIOCIA,	2017,	p.	7).
 
11
Pela	 racionalização	 da	 teoria	 do	 Yin-Yang,	 o	 especialista	 irá	 identificar	 as	
manifestações	 clínicas	 de	 um	 possível	 desequilíbrio	 entre	 essas	 duas	 energias,	 e	 por	
intermédio	de	estratégias	de	tratamento,	aplicar	as	técnicas	da	MTC	para	equilibrá-las.	 
As	estratégias	se	resumem	em	quatro:
Tonificar	Yang.
Tonificar	Yin.
Eliminar	Yang	em	excesso.
Eliminar	Yin	em	excesso	(MACIOCIA,	2017,	p.	7).
O	especialista	pode,	por	exemplo,	utilizar	pontos	de	acupuntura	para	eliminar	
acessos	de	Yang	em	determinado	local	do	corpo,	ou	utilizar	a	moxabustão	para	tonificar	 
o	Yin,	a	dependerde	cada	caso,	como	afirma	Ross	(2019,	p.	27),	“de	modo	geral,	se	o	
corpo	está	saudável	e	forte,	o	Yin	e	o	Yang	estão	em	equilíbrio”.	
3.1.2 Teoria dos Cinco Elementos
Na	 visão	 desta	 teoria,	 o	 mundo	 natural	 é	 constituído	 por	 cinco	 elementos:	
madeira,	 fogo,	 terra,	 metal	 e	 água.	 Cada	 um	 destes	 elementos	 tem	 suas	 próprias	
características	 individuais	 e	 simbolizam	 também	 as	 cinco	 direções	 diferentes	 de	
movimentos	dos	fenômenos	naturais	(MACIOCIA,	2017).	
Os	antigos	chineses,	observando	os	fenômenos	da	natureza	e	seu	
comportamento,	 identificaram	 a	 madeira,	 o	 fogo,	 a	 terra,	 o	 metal	
e	 a	 água	 como	 os	 “Cinco	 Elementos	 da	 Natureza”,	 básicos	 para	 a	
existência	da	vida	no	planeta.	Verificaram	também	que	entre	esses	
“Cinco	Elementos	da	Natureza”	existia	uma	íntima	relação,	dinâmica	
e	 interdependente:	 a	 madeira,	 quando	 queima,	 transforma-se	 em	
cinza,	misturando-se	com	a	terra.	Dentro	desta,	há	depósito	de	metal	
que,	por	sua	vez,	submetido	a	altas	temperaturas,	torna-se	líquido.	A	
água,	que	é	parte	desse	 líquido,	faz	a	árvore	crescer	e	esta	fornece	
a	madeira	para	ser	queimada,	e	assim	por	diante,	de	forma	infinita	e	
cíclica	(PAI,	2005,	p.	73).
As teorias de Yin-Yang e dos Cinco Elementos representam um salto 
histórico da medicina – a visão da doença como algo causado por 
espíritos malévolos deu lugar a uma visão naturalista das doenças 
como algo associado ao estilo de vida (MACIOCIA, 2017, p. 16).
ATENÇÃO
Esses	 elementos	 representam	 o	 as	 energias	 do	Yin-Yang,	 que,	 como	vimos,	
se	manifestam	nos	ciclos	de	transformação	da	natureza.	Dessa	forma,	órgãos	estão	
relacionados	aos	cinco	elementos,	por	intermédio	de	um	sistema	de	analogia	e	dedução.
 
12
No	diagrama	que	 representa	 os	 cinco	 elementos	 existe	um	órgão	 (zang)	Yin	
e	uma	víscera	(Fu)	Yang	para	cada	elemento.	Cada	par	de	órgãos	é	representado	pelo	
elemento	em	questão:	
•	 Madeira:	o	fígado	e	a	vesícula	biliar.
•	 Fogo:	o	coração	e	o	intestino	delgado.
•	 Terra:	o	estômago	e	o	baço-pâncreas.
•	 Metal:	o	intestino	grosso	e	o	pulmão.
•	 Água:	o	rim	e	a	bexiga	(PAI,	2005,	p.	75).
Dessa	forma,	“a	 interação	de	Yin	e	Yang	gera	as	cinco	fases	(...).	A	teoria	das	
cinco	 fases	 ou	 dos	 cinco	 movimentos	 postula	 que	 todos	 os	 fenômenos	 naturais	
correspondem	a	uma	de	cinco	faixas	associativas:	Madeira,	Fogo,	Terra,	Metal	e	Água”	
(LUZ,	2012,	p.	110-111).
Para saber mais sobre a teoria dos cinco elementos, assista ao 
vídeo: “Os cinco Elementos da Medicina Tradicional Chinesa”. Acesse 
em: https://www.youtube.com/watch?v=HM8dBzmND6k.
DICA
A	 teoria	 dos	 cinco	 elementos	 possui	 sua	 origem	na	 observação	da	natureza	
e	em	todo	o	processo	que	ela	se	constitui,	 assim	foi	compreendida	e	comparada	às	
influências	desses	fenômenos	naturais	com	a	restauração	do	equilíbrio	energético	da	
pessoa	com	problemas	de	saúde.
3.1.3 Teoria do Qi 
O	Qi	(ou	Chi),	pode	ser	conceituado	em	português	pela	expressão	“sopro	vital”,	
sendo	que	na	literatura	chinesa	ele	é	muito	relacionado	ao	vento,	respiração,	ao	ar	e	ao	
vapor	(LUZ,	2012).	Outros	autores	também	denominam	o	Qi	como	“energia	vital”,	sendo	
a	força	que	produz	a	vida.	“Se	enumerarmos	as	necessidades	da	vida:	alimento,	abrigo,	
vestimenta,	água	e	ar;	faltará	alguma	coisa?	Sim,	o	Qi,	algo	tão	básico	para	a	vida	que	
frequentemente	nos	esquecemos	dele”	(TOHEI,	2000,	p.	9).
 
Essa	 “energia”	 percorre	 pelos	 “meridianos”,	 que	 são	 canais	 por	 onde	 o	 fluxo	
energético	 circula	 pelo	 corpo.	 Há,	 inclusive,	 mapas	 que	 demonstram	 os	meridianos	
existentes	no	corpo	humano	segundo	a	MTC.	
A	energia	vital	(Qi)	flui	através	dos	doze	meridianos	em	vinte	e	quatro	
horas,	na	seguinte	ordem:	Pulmões,	intestino	grosso,	estômago,	baço,	
coração,	intestino	delgado,	bexiga,	rins,	circulação-sexo	(pericárdio), 
13
triplo	aquecimento	(triplo aquecedor),	vesícula	e	fígado.	É	este	fluxo	
de	energia	que	conserva	o	homem	vivo.	Quando	cessa,	sobrevém	a	
morte	 (...).	Não	existe	prova	científica	absoluta	da	existência	de	Qi.	
Na	linguagem	característica	dos	antigos,	para	expressar	o	seu	ponto	
de	vista,	Qi	teve	origem	na	ação	simultânea	do	céu	e	da	terra,	cujo	
resultado	 foi	 a	 criação	do	homem,	 -	 a	 dádiva	dos	 céus	gerada	no	
útero	da	terra”	(MANN,	1971,	p.	45-46)
Quando	um	ponto	do	corpo	está	dolorido,	pode	ser	indicação	de	um	bloqueio	
da	circulação	de	energia,	que	poderá	estar	em	excesso	ou	em	deficiência	no	organismo	
(ANDRADE,	2009).	Existem	técnicas	para	normalizar	o	fluxo	de	Qi	através	dos	meridia-
nos,	como	a	acupuntura	e	a	prática	do	Qi Gong	 (exercícios	que	procuram	melhorar	a	
circulação	de	Qi	no	corpo).
O	Qi	Gong	é	o	resultado	de	alguns	milhares	de	anos	de	experiência	
do	homem	no	desenvolvimento	do	uso	da	energia	vital	para	vários	
propósitos	 definidos.	 Os	 antigos	 mestres	 desenvolveram	 a	 arte	
da	 energia	 para	 curar	 doenças,	 promover	 a	 saúde,	 a	 longevidade,	
melhorar	 as	 habilidades	de	 luta,	 expandir	 a	mente,	 alcançar	 níveis	
diferentes	da	consciência	e	atingir	a	espiritualidade.	Essas	artes	de	
cultivo	da	energia	desenvolveram-se	separadamente,	apesar	de,	às	
vezes,	 terem	 influenciado	umas	às	outras	e	serem	conhecidas	por	
nomes	diferentes.	Porém,	todas	elas	tinham	em	comum	a	prática	de	
exercitar	os	fluxos	de	energia:	o chi ou qi.	Desde	a	década	de	1950,	
essas	 artes	 ficaram	 conhecidas	 como	 Qi	 Gong,  a	 arte	 da	 energia	
(LIVRAMENTO;	FRANCO;	LIVRAMENTO,	2010,	p.	82).
Faça você mesmo uma rotina de antigos exercícios chineses de Qi-Gong, 
através do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Z2n4WfwIXnk
DICA
Assim,	podemos	afirmar	que	a	MTC	busca	normalizar	a	circulação	do	Qi	no	corpo	
para	que	não	haja	desequilíbrios	energéticos.	Esse	equilíbrio	perpassa	pela	teoria	Yin	e	
Yang,	que,	conforme	estudamos	anteriormente,	são	duas	energias	opostas.	O	Qi	que	
circunda	pelos	meridianos	necessita	estar	equiparado	de	acordo	com	o	Yin	e	Yang,	em	
quantidade	aceitável	para	fluir	sem	bloqueios	e	na	direção	certa	(CENTRO	DE	ESTUDOS	
DE	TERAPIAS	NATURAIS,	2022).	
As	 energias	de	Yin	 e	Yang	circulam	pelo	 corpo	 sem	parar.	Com	o	estudo	do	
estado	dessas	energias	nos	12	meridianos,	poderemos	determinar	a	origem	da	doença	e	
se	há	energia	em	demasia	ou	em	deficiência.	Dessa	forma,	a	localização	dos	distúrbios	é	
possível.	Com	os	conhecimentos	acerca	dos	locais	onde	podemos	incitar	a	alteração	de	
energia	entre	os	diferentes	meridianos,	poderemos	equilibrar	novamente	o	Yin	e	Yang	
(NEI	JING	apud WANG,	2001).
14
A citação supracitada é advinda do livro, “Os Princípios de Medicina 
Interna do Imperador Amarelo”, considerado um livro clássico Oriental 
e o primeiro a citar a técnica da acupuntura. Ele traz o relato das 
conversas do Imperador com o seu ministro, e desvela a filosofia 
oriental em que se baseia a acupuntura, como o Yin e Yang.
IMPORTANTE
A	seguir,	descreveremos	algumas	das	técnicas	mais	utilizadas	para	equilibrar	
o	 fluxo	 de	 Qi	 pelo	 corpo:	 acupuntura,	 auriculoterapia,	 ventosaterapia	 e	moxaterapia.	
Ressaltamos	que	elas	têm	como	base	as	teorias	da	MTC	citadas	anteriormente	
4 ACUPUNTURA 
A	palavra	"acupuntura"	vem	do	latim,	acus	significa	agulha	e	punctura se refere 
à	punção.	É	uma	técnica	que	utiliza	agulhas	finas	e	específicas	para	este	fim	a	serem	
introduzidas	em	pontos	distribuídos	no	corpo	humano.	Além	das	agulhas,	esses	pontos	
também	podem	ser	estimulados	por	ventosas	ou	moxas,	conforme	estudaremos	a	seguir.	
 
A	Figura	2	 ilustra	 alguns	objetos	para	comparação	de	espessuras.	Um	palito	
tem	3mm,	a	agulha	de	 injeção,	no	centro	da	 imagem,	tem	0,70mm	e	uma	agulha	de	
acupuntura	 tem	 apenas	 0,25mm,	 ou	 seja,	 referente	 a	 dois	 fios	 de	 cabelo	 humano.	
Ressaltamos	que	as	agulhas	não	podem	ser	reaproveitáveis,	dessa	forma,	após	o	uso,	
o	descarte	deve	ser	realizado	em	coletores	específicos	para	serviços	de	saúde,	sendo	
recolhidos	por	empresas	de	coleta	e	transporte	de	resíduos	perfurocortantes.
Figura 2 – Espessura da agulha de acupuntura
Fonte:as autoras
15
Existem	divergências	sobre	o	período	de	origem	e	desenvolvimento	da	acupun-
tura	na	história,	porém,	dados	arqueológicos	apontaram	que	pode	ser	originária	da	China	
entre	8.000	e	3.000	a.C.	 (LIANG,	 2001).	 É	 considerada	uma	das	 terapias	mais	 antigas	 
do	mundo.	Há	indícios	da	sua	prática	na	época	da	Idade	da	Pedra	(aproximadamente	
4500	a.c.),	quando	as	“agulhas”	eram	feitas	de	pedra	polida,	e	muitas	vezes	utilizadas	
com	a	terapia	através	do	calor	(moxa),	aquecendo	as	pedras	e	colocando-as	em	locais	
doloridos	do	corpo	(WEN,	2014).
 
Os	 chineses,	 ao	 longo	 de	 milhares	 de	 anos,	 descreveram	 cerca	
de	 1.000	 pontos	 de	 acupuntura,	 dos	 quais	 361	 (clássicos)	 foram	
classificados	 em	 catorze	 grupos	 principais.	 Todos	 os	 pontos	 que	
pertencem	a	um	desses	grupos	são	ligados	na	superfície	do	corpo	
por	uma	 linha	 imaginária	denominada	meridiano.	 (...)	Os	pontos	de	
acupuntura	ao	 longo	desses	meridianos	estão	 relacionados	com	o	
órgão	mencionado,	mas	 não	 necessariamente	 da	mesma	maneira	
que	a	medicina	ocidental	(PAI,	2005,	p.	57-58).
O	objetivo	da	acupuntura	é	tratar	o	indivíduo	em	sua	integralidade,	partindo	do	
pressuposto	da	MTC	de	tratar	a	pessoa	doente	e	não	a	doença.	Os	pontos	são	escolhidos	
pelo	acupunturista	de	acordo	com	o	diagnóstico	realizado	com	base	nos	fundamentos	
da	 MTC,	 anamnese,	 sinais	 e	 sintomas	 do	 indivíduo.	 Ela	 estimula	 a	 circulação	 de	 Qi	
(energia)	e	Xue	(sangue)	pelo	organismo	buscando	o	equilíbrio	do	corpo.	No	Ocidente,	os	
acupontos	(pontos	de	acupuntura)	receberam	numerações	para	facilitar	a	aprendizagem.	
Na	 tradicional	medicina	 chinesa,	mestres	 antigos	 ensinavam	 ser	 a	
doença	 uma	 alteração	 das	 funções	 do	 corpo	 ou	 desgaste	 deste,	
provocado	 por	 fatores	 externos,	 como	 frio,	 calor,	 umidade,	 fatores	
emocionais,	nutricionais	ou	envelhecimento.	Por	meio	da	acupuntura	
seria	possível	a	recuperação	da	saúde	(PAI,	2005,	p.	5).
Ao numerarmos os pontos de acupuntura, perdemos uma riqueza de 
informações quando os termos chineses são esquecidos. Por exemplo, 
“o Zan-san-li” (três milhas da perna), tratado com acupuntura, faz 
aumentar a energia o suficiente para caminhar mais três milhas de 
distância. Entretanto, no ocidente ele foi designado como “E-36”, que 
significa “trigésimo sexto acuponto do Canal de Energia do Estômago”. 
As informações dos termos chineses poderiam ser interpretadas e 
usadas no tratamento (INADA, 2006).
INTERESSANTE
O	ponto	IG20	é	muito	utilizado	para	obstrução	nasal.	A	Figura	6	demonstra	esse	
ponto	sendo	utilizado	bilateralmente	das	narinas,	para	alívio	dos	sintomas	de	sinusite.
16
Figura 3 – Aplicação de acupuntura para desobstrução nasal
Fonte: as autoras
O	Quadro	2	descreve	os	mecanismos	de	ação	da	acupuntura:	
Quadro 2 – Mecanismos de ação da acupuntura
Fonte: WEN (2014, p. 17-18)
Altera a 
circulação 
sanguínea
A	partir	da	estimulação	de	certos	pontos,	pode-se	alterar	a	dinâmica	
da	circulação	regional	proveniente	de	microdilatações.	Outros	pontos	
promovem	o	relaxamento	muscular,	sanando	o	espasmo,	diminuindo	a	
inflamação	e	a	dor.
Libera hormônios
O	estímulo	de	certos	pontos	promove	a	liberação	de	hormônios,	como	o	
cortisol	e	as	endorfinas,	promovendo	analgesia.
Aumenta a 
resistência à 
doença
A	acupuntura	ajuda	a	aumentar	a	resistência	do	hospedeiro.	Quando	há	
agressão	externa,	alguns	sistemas	orgânicos	são	prejudicados.	Há	uma	
regulação	interna	para	oferecer	resistência	à	doença.	A	acupuntura	
exacerba	esses	mecanismos	para	que,	em	menos	tempo,	o	equilíbrio	e	
a	saúde	sejam	restabelecidos.	
Regula e 
normaliza 
as funções 
orgânicas
As	diversas	funções	no	homem	são	inter-relacionadas.	Se	há	algum	
distúrbio	alternando	esse	inter-relacionamento,	ocorre	a	manifestação	
de	sintomas	e	a	doença	se	estabelece.	A	acupuntura	pode	dinamizar	e	
restabelecer	os	relacionamentos	anteriores	e	apressar	a	recuperação.
Promove o 
metabolismo
O	metabolismo	é	fundamental	na	manutenção	da	vida.	Em	certas	
condições	de	doença,	há	alteração	do	metabolismo	dos	diversos	
órgãos,	com	consequente	prostração	e	deficiência	do	organismo.	A	
acupuntura	permite	a	recuperação	desse	metabolismo,	importante	no	
processo	de	cura.
A	acupuntura	pode	ser	aplicada	de	forma	sistêmica	e	microssistêmica,	podendo	
as	agulhas	serem	inseridas	em	pontos	ao	longo	do	corpo,	com	duração	em	média	de	28	
min	e	em	tratamentos	que	possuem	duração	de	até	10	sessões,	conforme	cada	caso.	No	
caso	da	acupuntura	microssistêmica,	ela	torna-se	mais	comum	na	prática	ambulatorial,	
17
geralmente	 procurada	 por	 queixas	 de	 dores	 crônicas.	 Nesses	 casos,	 as	 agulhas	 são	
inseridas	em	pontos	de	reflexo	das	funções	do	corpo	humano.	Muitos	acupunturistas	
utilizam	da	craniopuntura	de	Yamamoto,	a	acupuntura	do	Mestre	Tung	e	Método	Balance	
de	Richard	Tan.	Esses	métodos	ampliam	o	conhecimento	do	acupunturista,	permitindo	
obter	ainda	mais	recursos	para	atuar	na	qualidade	de	vida	do	paciente.
No	município	de	Campinas,	com	a	 implantação	da	prática	da	técnica	da	Cra-
niopuntura	de	Yamamoto,	observou-se	uma	redução	de	12,5%	nos	primeiros	8	meses	
e	de	20%	após	1	ano	da	emissão	de	receitas	de	anti-inflamatórios	(BRASIL,	2009),	com	
uso	da	acupuntura	na	prática	clínica,	principalmente	envolvendo	os	casos	de	dores	são	
surpreendentes,	pois,	geralmente,	o	paciente	relata	melhora	considerável	da	dor	com	o	
uso	dessa	técnica.
A	acupuntura	denominada	Craniopuntura	de	Yamamoto	se	refere	à	aplicação	
da	 técnica	 no	 couro	 cabeludo,	 correspondente	 ao	 córtex	 cerebral.	 Ela	 não	 apresen-
ta	efeitos	colaterais	e	diminui	o	consumo	de	medicamentos	(YAMAMOTO;	YAMAMOTO,	
1998).	Silva	et al.,	(2011,	p.	290)	realizaram	um	estudo	envolvendo	a	craniopuntura	de	
Yamamoto	e	constataram	que	ela	foi	efetiva	no	“alívio	da	dor,	na	amplitude	de	movi-
mento,	qualidade	de	vida	e	funcionalidade	de	paciente	com	osteoartrite	de	joelho”.
Além	dos	quadros	de	dores,	a	acupuntura	também	é	uma	técnica	reconhecida	e	
aliada	na	intervenção	de	problemas	emocionais.	No	estudo	de	Silva	(2010),	foi	aplicada	a	
acupuntura	para	o	transtorno	de	ansiedade.	Neste	caso,	essa	prática	também	demonstrou	
ser	efetiva,	diminuindo	os	sintomas	e	melhorando	a	qualidade	de	vida	da	paciente.
O Do-in,	que	é	a	massagem	com	os	dedos	em	pontos	de	acupuntura,	também	
pode	ser	utilizado,	 inclusive	no	autocuidado.	Cançado	 (1993)	desenvolveu	o	primeiro	
livro	de	primeiros	socorros	voltados	para	a	técnica	do	Do-In,	que	consiste	na	acupressão	
nos	pontos	de	acupuntura	com	os	dedos,	na	busca	terapêutica	através	do	processo	
do	autocuidado.	“Quando	o	primeiro	homem	massageou	o	próprio	pé	na	tentativa	de	
aliviar	a	dor,	a	idéia	do	Do-in	já	estava	formada”	(CANÇADO,	1993,	p.	13).	Assim,	ao	logo	
da	história	o	homem	pôde	perceber	que,	além	da	prática	 lhe	causar	algum	conforto,	
também	era	terapêutica,	principalmente	nos	quadros	que	envolviam	dores.
No Do-In,	os	pontos	relacionados	recebem	a	massagem	indutiva	energética,	e,	
para	obter-se	maior	aproveitamento	dessa	técnica,	é	importante	colocar	o	corpo	numa	
condição	de	 relaxamento	 (CANÇADO,	 1993).	Essa	técnica	da	MTC,	não	possui	contra	
indicações,	exceto	para	pessoas	que	estejam	com	a	integridade	da	pele	prejudicada	no	
local	da	prática.	
Qualquer	indivíduo	pode	realizar	a	massagem	nos	pontos	de	acupuntura,	esse	
conhecimento	 é	muito	 útil	 em	casos	 que	 ocorrerem	 situações	de	 algum	desconfor-
to	físico	ou	dores	e	não	ter	acesso	a	nenhum	atendimento	de	saúde	por	perto,	como	 
em	viagens.
18
A	técnica	de	tratamento	com	o	Do-in,	segundo	Cançado	(1993,	p.	26),	consiste:
a)	 Em	 caso	 de	 distúrbios	 causados	 pelo	 excesso	 de	 energia	 é	
preciso	 sedar	 o	 ponto.	 Para	 isso,	 pressionar	 profundamente	 e	
continuamente	o	ponto	indicado	durante	um	a	cinco	minutos.
b)	 Em	caso	de	deficiência,	é	preciso	tonificar	o	ponto,	pressionan-
do-o	repetidamente	em	intervalos	de	um	segundo	durante	cinco	
minutos.
Dessa	forma,	podemos	inferir	nos	sintomas	que	são	frequentes	como	enxaque-
cas,	ansiedade,cólicas,	congestão	nasal,	constipação,	dores	na	coluna,	entre	outros.
5 AURICULOTERAPIA
Outra	técnica	muito	utilizada,	principalmente	por	não	ser	invasiva	e	ter	mais	fácil	
aceitação	é	a	auriculoterapia,	ou	a	acupuntura	auricular.	A	auriculoterapia	faz	parte	da	
MTC,	assim	como	a	acupuntura.	Sua	base	é	a	utilização	de	punção	no	pavilhão	auricular,	
relacionando-o	com	os	diversos	órgãos	e	regiões	do	corpo.	
Por	 volta	 de	 1950,	 o	 médico	 francês	 Paul	 Nogier	 deu	 importante	
contribuição	 para	 o	 uso	 terapêutico	 do	 pavilhão	 auricular.	 Com	
estudos	que	partiram	dos	pontos	auriculares	chineses	e	da	criação	
de	novos	métodos	de	mapeamento	e	estimulação	dos	pontos,	Nogier	
estabeleceu	a	relação	do	pavilhão	auricular	com	a	figura	de	um	feto	
na	 posição	 invertida	 e	 batizou	 sua	 descoberta	 de	 auriculoterapia	
(NEVES,	2018,	p.	8).
A	figura	do	feto	 invertido	é	a	base	para	a	 localização	dos	pontos	auriculares,	
estabelecendo	 os	 pontos	 reativos	 de	 determinada	 região	 do	 corpo	 e	 que	 se	 situam	
no	reflexo	da	imagem	de	um	bebê	invertido.	Nessa	projeção,	a	cabeça	está	localizada	
na	altura	do	 lóbulo	da	orelha	e	os	pés	na	região	superior	do	pavilhão	da	orelha,	mais	
aproximado	da	fossa	triangular.	Segundo	Senna,	Silva	e	Bertan	 (2012,	p.	 27)	 “pontos	
auriculares	 são	 zonas	 específicas	 distribuídas	 na	 superfície	 do	 pavilhão	 auditivo	 (...)	
Essas	zonas	refletem	fielmente	a	atividade	funcional	de	todo	o	nosso	corpo”.
 
Os	pontos	são	estimulados	com	diferentes	tipos	de	materiais,	podemos	utilizar	
agulhas	de	acupuntura	que	permanecem	por	alguns	minutos,	agulhas	semipermanen-
tes,	ou	até	mesmo	sementes	(vacaria	ou	mostarda),	esferas	(douradas,	prateadas	ou	de	
cristais),	que	são	fixadas	no	ponto	com	micropore,	e	podem	permanecer	por	uma	sema-
na	realizando	o	efeito	terapêutico	em	um	prazo	mais	longo.	No	caso	de	aplicação	com	o	
uso	das	sementes,	é	importante	estar	atento	a	sinais	de	mudança	de	coloração	na	área	
ou	queixas	de	dor,	neste	caso	é	importante	orientar	a	retirada	dos	pontos	da	orelha.	As	
sementes,	por	serem	materiais	orgânicos,	possuem	maior	risco	de	causar	algum	proble-
ma	na	terapêutica.	O	especialista	necessita	estar	atento	e	avaliando	cada	caso.
19
Figura 4 – Auriculoterapia com agulha
Fonte: as autoras
A	princípio,	os	benefícios	da	auriculoterapia	baseiam-se	na	facilidade	
de	 acesso	 aos	 acupontos,	 na	 possibilidade	 da	 prática	 clínica	 não	
invasiva,	 nas	 alterações	 auriculares	 de	 interesse	 diagnóstico,	 na	
produção	 de	 estímulos	 bioenergéticos	 auriculares	 (mesmo	 fora	 do	
consultório)	e	nos	seus	 resultados	 já	comprovados	 (SENNA;	SILVA;	
BERTAN,	2012,	p.	26).
Mesmo	com	os	mapas	definindo	os	pontos	de	maneira	objetiva,	o	diagnóstico	
em	auriculoterapia	perpassa	por	uma	 inspeção	minuciosa	da	orelha,	avaliando	se	há	
manchas,	 escamações,	 aumento	 da	 vascularização	 em	 determinados	 locais,	 entre	
outros	sinais.	Esse	exame	visual	é	realizado	antes	de	tocar	a	orelha,	para	que	os	sinais	
não	 sejam	 alterados	 pela	 palpação.	 Nem	 sempre	 há	 alterações	 aparentes,	 porém	
é	 importante	atentar-se	a	elas.	Após	esse	exame	 inicial,	 a	apalpação	é	 realizada	em	
diferentes	 pontos	 para	 revelar	 os	 pontos	 que	 são	 reagentes	 à	 dor,	 e	 possivelmente	
necessitam	dos	estímulos	da	auriculoterapia	(NEVES,	2018).
Figura 5 – Tratamento de auriculoterapia com esferas
Fonte: as autoras
20
Na	Figura	5,	observamos	que	não	há	muitos	sinais	evidentes	de	alterações	au-
riculares,	a	não	ser	alguns	vasos	aparentes	na	região	superior	da	orelha.	Essa	imagem	é	
importante	para	ilustrar	que,	se	o	paciente	possui	alargadores	ou	piercings,	não	impede,	
de	forma	alguma,	o	tratamento,	o	que	acontece,	principalmente	no	uso	de	alargadores,	
é	a	perda	de	pontos	que	poderiam	ser	estimulados	caso	houvesse	necessidade,	como	a	
região	dos	olhos	que	é	perdida	no	caso	do	uso	de	alargadores.
Contam lendas que os piratas utilizavam brincos de ouro no lóbulo 
da orelha, no ponto do olho, a fim de melhorar sua acuidade visual 
quando utilizavam lunetas para mirar o horizonte. 
INTERESSANTE
O	quadro	a	seguir	demonstra	as	possíveis	alterações	auriculares	e	seu	diagnóstico.
Quadro 3 – Alterações e diagnóstico em auriculoterapia
Fonte: Neves (2018, p. 28)
Alteração Diagnóstico
Manchas	vermelhas Disfunções	agudas
Manchas	brancas Disfunções	crônicas
Vasos	vermelhos Disfunções	recentes
Vasos	azulados Disfunções	antigas
Escamações Disfunções	crônicas
Nódulos Disfunções	crônicas	e	provavelmente	degenerativas
Existem	alguns	riscos	na	auriculoterapia,	como	a	fadiga	ocular,	que	acontece	
quando	são	realizadas	muitas	sessões,	neste	caso	a	orelha	pode	apresentar	algum	sinal	
negativo	(como	pequenas	lesões),	por	isso,	é	importante	manter	um	tempo	de	repou-
so	durante	as	sessões	para	evitar	esse	processo.	Além	disso,	pode	ocorrer	uma	infla-
mação	na	cartilagem,	expressados	por	pequenos	nódulos	que	doem	e	tem	coloração	
vermelha	nos	 locais	de	aplicação,	neste	caso	é	contraindicada	a	estimulação	desses	
pontos.	Quando	 são	utilizadas	 agulhas	 semipermanentes,	 também	é	 importante	nos	
atentarmos	a	sinais	de	 infecção,	caso	o	paciente	não	mantenha	uma	boa	higiene	no	
local	(NEVES,	2018).
21
Um	estudo	envolvendo	essa	técnica	demonstrou	que	ela	é	eficaz	envolvendo	
quadro	 de	 estresse	 psicológico	 e	 sintomas	 de	 depressão	 e	 ansiedade	 durante	 a	
pandemia	da	COVID-19,	sendo	aplicada	em	profissionais	de	enfermagem.	Nesse	estudo,	
Oliveira	et al.	 (2021,	 p.	 7)	 concluíram	que	 em	apenas	uma	 sessão	de	 auriculoterapia	
tiveram	diminuições	significativas	no	“nível	de	estresse	e	na	pontuação	das	medianas	
de	ansiedade	e	depressão	dos	profissionais	de	enfermagem	que	atuaram	na	linha	de	
frente	de	enfrentamento	à	pandemia	do	coronavírus”.	
Na	 dor	 cervical	 crônica,	 a	 prática	 pode	 ser	 realizada	 como	 tratamento	 com-
plementar,	sendo	um	método	eficaz	para	alívio	da	dor	(SANT'ANNA	et al.,	2021).	Res-
saltamos	que,	além	do	exame	visual	e	de	palpação	da	orelha,	é	 imprescindível	que	a	
anamnese	seja	realizada	para	avaliar	a	queixa	da	pessoa	em	tratamento.	Assim	como,	
os	pontos	auriculares	se	baseiam	na	mesma	base	teórica	da	MTC	para	definir	os	pontos	
mais	eficazes	para	cada	caso.
6 VENTOSATERAPIA
O	tratamento	com	ventosas	é	bastante	antigo,	assim	como	as	outras	práticas	
citadas,	ele	iniciou	em	países	orientais	e	difundiu-se	para	o	ocidente	ao	longo	do	tempo.	
Consiste	em	aplicar,	por	intermédio	de	pistolas	de	sucção	de	ar,	copos	de	ventosas	de	
plástico	em	diversas	partes	do	corpo.	Também	é	realizada	a	prática	com	ventosas	de	
vidro,	que	necessitam	que	o	oxigênio	do	“copo”	de	ventosa	seja	retirado	por	intermédio	
do	calor,	 e,	 logo	após,	 inserido	no	corpo	da	pessoa	em	tratamento.	As	Figuras	6	e	 7	
demonstram	a	utilização	desses	materiais,	porém,	ressaltamos	que	existem	outros	tipos	
atualmente	no	mercado,	como	as	de	silicone.
Figura 6 – Utilização de ventosas de plástico
Fonte: as autoras
22
A	 ventosaterapia	 promove	 a	 limpeza	 do	 corpo,	 ela	 age	 na	 troca	 de	 gases,	
purificando	o	corpo,	podemos	dizer	que	ela	elimina	a	toxidade	que	afeta	o	organismo.	
Esse	tipo	de	tratamento	também	é	muito	utilizado	para	aliviar	tensões	e	proporcionar	
relaxamento	físico.	Na	MTC,	ela	é	principalmente	um	meio	de	diagnóstico	clínico,	pois	
através	dos	aspectos	e	características	das	manchas,	o	especialista	consegue	definir	o	
padrão	de	desequilíbrio	provocado	por	algumas	doenças.	Essa	prática	é	indicada	como	
foco	terapêutico	para	desintoxicar	o	organismo,	além	de	auxiliar	no	equilíbrio	energético,	
aliviando	os	sintomas	emocionais.
Tem	 como	 objetivo	 ocasionar	 um	 vácuo	 e	 fazer	 uma	 sucção	 da	
pele	 gerando	 uma	 pressão	 negativa,	 para	 estimular	 a	 circulação	
sanguínea,	 liberar	 as	 toxinas	 existentes	 no	 sangue.	 Também	 atua	
limpando	 o	 sangue,	 o	 que	 faz	 com	 que	 aumente	 a	 resistência	 do	
organismo	às	doenças,	melhor	respiração	da	pele.	A	ventosa	drena	as	
áreas	de	congestão	e	 liberta	o	corpo	do	excesso	de	energianegativa	
(AMARO	et al.,	2015	apud RIBEIRO et al.,	2019).
Após	 a	 sessão	 de	 ventosaterapia,	 é	 muito	 comum	 permanecerem	 algumas	
marcas	por	algum	tempo,	a	área	tratada	pode	inclusive	ficar	arroxeada,	e	quando	isso	
acontece,	é	a	demonstração	de	que	há	estagnações	no	corpo	e/	ou	pontos	de	tensão	
no	 corpo,	 ocasionados	 pelo	 estresse	 físico	 e	 apresentando	 desconforto	 muscular.	
Cabe	 ao	 especialista	 avaliar	 o	 nível	 e	 interpretar	 os	 sinais,	 conforme	 o	 quadro	 de	
comprometimento	do	paciente,	para	intervir	com	segurança.	
 
Nos	casos	em	que	há	estagnação	de	energia	nesses	locais,	a	aplicação	da	téc-
nica	correta	de	ventosaterapia	promoverá	a	movimentação	e	 liberação	da	energia	blo-
queada.	Com	a	circulação	ativada,	o	fluxo	de	sangue	favorece	a	nutrição	dos	múscu-
los,	aliviando	as	tensões,	dores	musculares	e	articulares.	O	tempo	de	aplicação	é	muito	 
importante,	sendo	o	especialista	capaz	de	avaliar	e	intervir	sem	desconforto	e	riscos.
Figura 7 – Marcas de ventosaterapia
Fonte: as autoras 
23
As	ventosas	de	vidro	são	bastante	utilizadas,	e	seu	diferencial	é	a	presença	de	
calor	no	interior	do	copo,	resultante	da	chama	do	fogo	que	deve	ser	inserida	dentro	dele	
antes	 de	 aplicar	 no	 corpo	 da	 pessoa.	 Essa	 técnica	 somente	 deverá	 ser	 realizada	 por	
pessoas	habilitadas,	pois	há	o	risco	de	provocar	queimaduras	no	paciente.	Outra	prática	
muito	utilizada	é	a	ventosa	“deslizante”,	neste	caso,	o	terapeuta	desliza	a	ventosa	pelo	
corpo,	ainda	em	sucção,	o	que	promove	o	relaxamento	muscular.	
Figura 8 – Utilização de ventosa de vidro
Fonte: as autoras 
A	Aplicação	de	ventosas	fixas	antes	ou	durante	a	sessão	de	acupuntura	é	uma	
terapêutica	que	pode	ser	aliada	na	sessão	com	outras	técnicas	da	Medicina	Tradicional	
Chinesa,	sendo	eficaz	para	o	alívio	da	dor	muscular,	desbloqueio	dos	pontos	energéti-
cos,	na	restauração	do	fluxo	de	energia	e	na	melhora	da	circulação	sanguínea.	
Figura 9 – Aplicação de ventosaterapia com acupuntura
Fonte: as autoras 
24
O	local,	a	intensidade	da	sucção	e	a	duração	das	ventosas	no	corpo	são	ava-
liadas	pelo	especialista	com	base	nos	sintomas	e	queixas	do	indivíduo,	desenvolvendo	 
um	protocolo	de	atendimento	para	cada	caso.	
7 MOXATERAPIA 
A	moxaterapia	 (podemos	encontrar	a	moxaterapia	descrita	tanto	com	a	palavra	
moxabustão	quanto	moxibustão)	é	utilizada	nos	pontos	de	acupuntura,	mas,	ao	invés	de	
agulhas,	é	o	calor	proveniente	da	queima	da	erva	chamada	Artemísia	(Artemísia Vulgaris) 
que	estimula	os	pontos.	
A	moxabustão	é	um	método	 terapêutico	que	visa	utilizar	 determi-
nadas	substâncias	ou	ervas	para	aquecer	pontos	de	acupuntura	ou	
áreas	do	corpo	a	serem	tratadas.	O	calor	resultante	deste	processo	
produz	estímulos	que	regularizam	as	funções	fisiológicas,	por	inter-
médio	dos	meridianos.	A	matéria	prima	mais	utilizada	para	se	fazer	a	
moxa	é	a	folha	da	planta	Artemísia	vulgaris,	que	possui	propriedade	
antiinflamatória,	 cicatrizante,	 dispersa	 o	 frio	 e	 a	 umidade,	 regula	 a	
circulação	e	a	energia.	Existem	várias	técnicas	para	a	utilização	da	
moxabustão,	desde	a	aplicação	de	cones	acesos	colocados	direta-
mente	sobre	os	pontos	ou	áreas	selecionadas,	até	bastões	de	moxa	
de	vários	tamanhos	que	são	posicionados	sobre	a	região	a	ser	trata-
da,	sem	tocá-la	(YAMAMURA,	2001	apud WEGNER et al.,	2013).
Ela	 pode	 ser	 utilizada,	 inclusive,	 em	 conjunto	 com	 a	 acupuntura,	 como	
demonstra	a	Figura	10.
Figura 10 – Aplicação de moxa com acupuntura
Fonte: as autoras 
25
É	 costumeiramente	 utilizada	 em	pontos	 onde	há	 deficiência	 de	Yang,	 pois	 o	
calor	estimula	essa	energia,	equilibrando	o	corpo.	Vários	tipos	de	materiais	são	utilizados	
na	moxaterapia,	desde	bastões	mais	finos,	chamadas	Mogussá-ko,	como	ilustra	a	figura	
a	seguir,	como	bastões	mais	grossos	e	até	mesmo	caixas	de	madeiras,	denominadas	
“berços	para	moxa”,	que	são	colocadas	sobre	o	corpo	da	pessoa	em	tratamento	com	a	
erva	para	que	o	calor	permaneça	nos	pontos	por	mais	tempo.	
 
Essa	variedade	de	materiais	pode	ser	observada	na	Figura	11.
Figura 11 – Materiais utilizados na moxaterapia
Fonte: as autoras 
A	aplicação	do	“martelo”	com	moxa	é	demonstrada	na	Figura	12.
Figura 12 – Utilização do martelo de moxa
Fonte: as autoras 
26
É	preciso	ter	cuidado	com	o	tempo	e	a	proximidade	do	bastão	de	Artemísia	junto	
à	pele	do	indivíduo	em	tratamento,	pois	pode	provocar	queimaduras	quando	utilizada	
indevidamente.	Outro	aspecto	a	ser	considerado	é	a	observação	da	cinza	quente	prove-
niente	da	queima,	que	deve	ser	sempre	descartada	em	ambiente	propício,	pois	também	
pode	causar	lesão	se	entrar	em	contato	com	a	pele.
 
Cada	vez	mais	 as	 PICS	 estão	 ganhando	 adesão	 dos	 usuários	 e	 profissionais	
frente	a	sua	eficácia	e	benefícios.	Muitos	municípios	no	Brasil	através	da	PNPICS	im-
plantaram	as	práticas	integrativas,	aproximando	com	diversos	serviços	ofertados	para	a	
população,	como	é	o	caso	das	UBS,	aplicação	das	PICS	na	Visita	Domiciliar,	Ambulató-
rios,	Hospitais,	Programas	de	Extensão	com	Universidades	entre	outros	espaços.
A	seguir,	abordaremos	alguns	exemplos	de	boas	práticas	na	aplicação	das	PICS	
na	saúde	pública	realizada	nos	municípios	do	Brasil.
No	Nordeste	 a	 prática	 da	 auriculoterapia	 foi	 implantada	 como	PICS	 para	 ser	
realizada	 durante	 a	 visita	 domiciliar.	 Este	 trabalho	 amplia	 o	 acesso	 da	 população,	
principalmente	no	caso	dos	 idosos	vulneráveis	ou	pessoas	acamadas,	que	possuem	
dificuldades	na	locomoção	até	a	UBS.	
Observamos	 no	 início	 da	 implementação	 da	 Auriculoterapia,	 as	
mudanças	na	qualidade	de	vida	dos	Idosos,	ajudando	a	tratar	muitos	
problemas	 emocionais	 e	 físicos	 relacionadas	 ao	 envelhecimento,	
como	 a	 ansiedade,	 sintomas	 de	 depressão,	 equilibra	 o	 sono,	 o	
humor,	fortalece	o	organismo,	melhora	o	convívio	social,	entre	outros	
(FIOCRUZ,	2021,	p.	1).
A	 iniciativa	 de	 incluir	 uma	 PICS	 como	 oferta	 ao	 cuidado	 do	 idoso	 durante	 a	
visita	domiciliar,	agrega	benefícios	além	do	cuidado	à	saúde,	 já	que	o	 idoso	recebe	o	
profissional	na	sua	casa	e	possibilita,	assim,	o	estabelecimento	de	vínculo,	visto	que	o	
idoso,	geralmente,	reduz	o	seu	convívio	social	conforme	o	avanço	da	idade.
A	auriculoterapia	é	uma	prática	considerada	versátil,	pois	pode	ser	aplicada	em	
qualquer	lugar,	por	não	apresentar	riscos	ao	usuário.	Em	um	Programa	de	Extensão	de	
uma	Universidade,	essa	prática	foi	 inclusa	também	na	visita	domiciliar	da	população	
inscrita	na	UBS,	beneficiando,	inclusive,	as	pessoas	cadeirantes.	Os	acadêmicos	da	área	
da	saúde	foram	capacitados	para	atuar	com	essa	PICS	e	puderam	aplicá-la	durante	a	
prática	de	estágio.	
É	 um	 tratamento	 que	 promove	 imunidade	 e	melhora	 o	 emocional	
em	 questões	 como	 ansiedade,	 nervosismo	 e	 depressão.	 Para	 os	
estudantes	 envolvidos	 também	 são	 vários	 os	 benefícios,	 entre	 os	
quais,	 o	 aprendizado	 prático	 da	 aplicação	 de	 técnicas	 de	 terapias	
complementares	 e	 a	 compreensão	 da	 humanização	 em	 saúde	
pública	(SABELA,	2017,	s.	p.). 
27
As	PICS	necessitam	ser	amplamente	difundidas	na	formação	do	profissional	de	
saúde,	sendo	inclusas	no	currículo	dos	Cursos	e	viabilizadas	nos	Projetos	de	Extensão	
que	aproximam	a	Universidade,	o	campo	de	estágio	e	a	comunidade.
Cada	país	possui	uma	variedade	própria	de	práticas	de	saúde	–	quer	
sejam	próprias	 da	 cultura	 local	 ou	 importadas	 de	 outras	 tradições	
–	 reconhecidas	com	base	nos	aspectos	socioculturais	e	diferentes	
graus	 de	 integração	 com	 a	 medicina	 convencional	 de	 cada	 país	
(BRASIL,	2020c,	p.	6).
A	 Prefeitura	 do	 Rio	 de	 Janeiro	 implantou	 várias	 PICS	 na	 saúde	 pública,	
estimulando	o	acesso	da	população	com	essas	práticas	terapêuticas.	A	estruturação	
e	 o	 fortalecimento	 da	 atenção	 em	 Práticas	 Integrativas	 e	 Complementares	 (PIC)	 na	
rede	de	atenção	da	cidade	do	Rio	de	Janeiro	 é	um	dos	principais	 objetivos	da	Área	
Técnica	de	Práticas	e	Complementares	da	Secretaria	Municipal	de	Saúde.	A	 intenção	
é	estimular	o	usode	mecanismos	naturais	de	prevenção	de	agravos	e	recuperação	da	
saúde	por	meio	de	tecnologias	eficazes	e	seguras,	com	ênfase	na	escuta	acolhedora,	
no	desenvolvimento	do	vínculo	terapêutico	e	na	integração	do	ser	humano	com	o	meio	
ambiente	e	a	sociedade	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	JANEIRO,	2022).
Os	serviços	ofertados	para	a	população	envolvendo	as	PICS	no	município	do	Rio	
de	Janeiro	são:	
•	 Homeopatia
◦	 assistência	médica realizada	por	médicos	homeopatas,	distribuídos	em	unidades	
de	saúde	(nível	ambulatorial)	cobrindo	as	10	Áreas	de	Planejamento	(APs)	da	rede	
municipal;
◦	 ações	de	educação	permanente envolvendo	capacitação	dos	homeopatas	e	dos	
oficiais	e	acadêmicos	bolsistas	da	farmácia	homeopática;
◦	 assistência	farmacêutica: farmácia	de	homeopatia	na	Prefeitura	do	Rio,	implantada	
na	 Policlínica	 Hélio	 Pellegrino	 (Praça	 da	 Bandeira)	 com	 o	 objetivo	 de	 prestar	
assistência	farmacêutica	em	homeopatia	na	rede	municipal	e	garantir	a	qualidade	
do	medicamento	oferecido	aos	usuários.
◦	 ações	de	Divulgação	da	Homeopatia: dirigido	a	profissionais	de	saúde	da	rede	e	
eventos	externos	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	JANEIRO,	2022).
•	 Plantas	Medicinais	/	Fitoterapia
◦	 cultivo	 de	 espécies	medicinais	 no	 horto	 da	 Fazenda	Modelo	 com	 o	 objetivo	 de	
fornecer	matéria-prima	vegetal	para	a	produção	de	fitoterápicos,	implantação	de	
hortas	e	para	a	realização	de	oficinas	de	cultivo,	promoção	de	saúde	e	geração	de	
renda	em	unidades	de	saúde;
◦	 produção	de	cremes	fitoterápicos	pela	Farmácia	de	Manipulação	de	Fitoterápicos	
do	município	do	Rio	de	Janeiro;
◦	 prescrição	de	fitoterápicos	industrializados	e	dos	cremes	fitoterápicos	nas	unida-
des	de	saúde	por	profissional	de	saúde	habilitado;
28
◦	 assistência	 farmacêutica	 nas	 unidades	 de	 saúde	 a	 partir	 da	 dispensação	 aos	
usuários	dos	fitoterápicos	industrializados	e	dos	cremes	fitoterápicos	nas	unidades	
de saúde; 
◦	 educação	 permanente	 dos	 profissionais	 de	 saúde	 através	 da	 apresentação	 dos	
fitoterápicos	disponíveis	para	a	prescrição; 
◦	 ações	de	promoção	de	saúde	e	geração	de	renda	a	partir	das	plantas	medicinais,	
oferta	do	curso	básico	de	cultivo	e	oficinas	com	plantas	medicinais	voltadas	para	
profissionais	das	unidades	de	saúde	e	para	a	comunidade	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	
JANEIRO,	2022).
As	ações	com	as	Plantas	Medicinais	na	Atenção	Básica	à	Saúde	do	município	do	
Rio	de	Janeiro	com	a	Rede	de	Saúde	Ambiental	promoveram	um	Projeto	denominado	
Viva	Rio	Saúde,	ofertando	através	de	cartilhas	e	capacitações	desenvolver	espaços	de	
“aprendizagem	 contínua	 nos	 territórios,	 com	 atividades	 de	 promoção	 de	 saúde,	 aulas	
e	oficinas	de	 jardinagem,	horticultura	e	plantas	medicinais,	fortalecendo	o	trabalho	em	 
rede	e	as	parcerias	institucionais”	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	JANEIRO,	2015,	p.	9).
Vantagens	no	uso	de	plantas	medicinais:
•	 valorização	e	resgate	da	cultura	popular;	
•	 fácil	acesso	às	plantas	pela	população;
•	 possibilidade	de	preparo	caseiro;
•	 baixo	custo	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	JANEIRO,	2015,	p.	12).
É	necessário	considerar	que	se	deve	ter	cuidado	e	atenção	tanto	no	preparo	
como	no	consumo	da	terapêutica	utilizada	com	as	plantas	medicinais.	É	imprescindível	
ter	atenção	nas	seguintes	orientações	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	JANEIRO,	2015):
•	 Existem	plantas	que,	mesmo	sendo	conhecidas	como	medicinais,	são	tóxicas.	
•	 Os	Fitoterápicos	são	medicamentos,	portanto,	devem	ser	mantidos	fora	do	alcance	
das	crianças.
•	 O	Armazene	as	plantas	secas	em	local	arejado,	sem	incidência	de	luz	e	umidade.	
•	 Os	Remédios	caseiros	são	indicados	em	sintomas	comuns	e	de	pouca	intensidade.	
Se	não	houver	melhoras,	procure	sua	equipe	de	saúde.
Quanto	à	segurança	na	administração	da	medicação	fitoterápica,	as	seguintes	
informações	devem	ser	consideradas	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	JANEIRO,	2015,	p.	13):
1.	 Procure	sempre	orientação	do	profissional	de	saúde	para	obter	um	
diagnóstico correto;
2.	 Informe	ao	profissional	de	saúde	sobre	todos	os	medicamentos,	
plantas	medicinais	e	fitoterápicos	que	estiver	usando;	
29
3.	 Nunca	 substitua	 seu	 medicamento	 por	 plantas	 medicinais	 ou	
produtos	fitoterápicos	sem	consultar	previamente	um	profissional	
de saúde; 
4.	 Em	gestantes	e	mães	em	fase	de	amamentação	não	é	recomen-
dado	o	uso	de	plantas	medicinais.	
5.	 Apenas	são	seguras	e	eficazes	na	dosagem	e	forma	recomendada;	
6.	 Esteja	seguro	de	ter	entendido	as	informações	dadas	pelo	médico	
sobre	o	uso	e	preparo	das	plantas	medicinais.
Mesmo	sendo	uma	terapia	natural,	é	 importante	salientar	que	podem	ocorrer	
efeitos	adversos,	caso	as	recomendações	do	profissional	de	saúde	não	forem	seguidas.
	Verifique	sempre,	ao	adquirir	plantas	e	chás	medicinais:
•	 a	data	de	validade	do	produto;	o	rótulo	com	o	nome	científico	da	planta;	procedência	
ou	laboratório;	nome	do	responsável	técnico.	
•	 não	adquirir	se	estiver	com	aparência	de	mofado	ou	coloração	alterada,	se	tiver	com	
a	presença	de	insetos	ou	com	a	embalagem	violada.	
•	 verificar	se	a	parte	utilizada	da	planta,	cascas,	flores,	folhas,	raiz,	confere	com	o	que	
está	na	embalagem	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	JANEIRO,	2015).
As	orientações	chamam	atenção	também	para	a	coleta	de	folhas	de	árvores	que	
estão	situadas	perto	de	estradas,	esgotos,	áreas	agrícolas	tratadas	com	agrotóxicos,	
pois	essas	plantas	não	são	recomendáveis	para	o	uso	de	chás,	sendo	descartadas	para	
o	uso	terapêutico	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	JANEIRO,	2015).
 
Intervenções	 que	 se	 referem	 à	 Medicina	 Tradicional	 Chinesa,	 Acupuntura	 e	
Práticas Corporais:
•	 assistência	com	acupuntura:	realizada	por	profissionais	acupunturistas,	distribuídos	
em	unidades	de	saúde	(nível	ambulatorial	primário	e	secundário);
•	 auriculoterapia:	oferecida	em	várias	unidades,	inclusive	como	recurso	complementar	
aos	usuários	em	tratamento	de	tabagismo,	sobrepeso	e	obesidade;
•	 reflexologia	podal:	como	prevenção	e	promoção	ao	pé	diabético;
•	 atividade	 física:	 os	 exercícios	 orientais	 auxiliam	 a	 necessária	 movimentação	 da	
energia	pelo	corpo,	são	suaves	e	relaxantes,	estratégias	para	prevenção	e	promoção	
de	saúde	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	JANEIRO,	2022).
Na	cidade	do	Rio	de	Janeiro,	foram	implantadas	88	UBS	com	a	oferta	das	PICS	
na	 rede	municipal,	contribuindo	dessa	forma,	para	a	saúde	 integral	da	população	do	
município	(PREFEITURA	DO	RIO	DE	JANEIRO,	2022).
30
Neste tópico, você aprendeu:
•	 São	consideradas	PICS	os	tratamentos	terapêuticos	que	se	baseiam	em	uma	visão	
abrangente	do	ser	humano	e	do	processo	saúde-doença,	elas	podem	prevenir	ou	
tratar	 enfermidades,	 assim	 como	 serem	 utilizadas	 como	 cuidado	 paliativo	 para	
algumas	doenças	crônicas.
•	 As	PICS	 se	enquadram	no	que	a	Organização	Mundial	 de	Saúde	 (OMS)	 chama	de	
medicina	tradicional	e	medicina	complementar	alternativa	(MT/MCA).
•	 A	 aprovação	 na	 PNPIC	 aconteceu	 em	 2006,	 e	 em	 2017	 mais	 14	 práticas	 foram	
integradas	a	essa	política.
•	 A	MTC	é	um	conhecimento	milenar	que	 tem	como	pilares	definidores:	 a	 teoria	do	 
Yin-Yang.	a	teoria	dos	Cinco	Elementos	e	a	teoria	do	Qi.
•	 Meridianos	são	canais	invisíveis	por	onde	circulam	os	fluxos	de	Qi.
•	 A	 acupuntura	 é	 uma	 técnica	 que	 utiliza	 agulhas	 finas	 e	 específicas	 para	 este	 fim	
a	 serem	 introduzidas	 em	 pontos	 distribuídos	 no	 corpo	 humano,	 mapeados	 pelos	
chineses	a	milhares	de	anos.
•	 A	auriculoterapia	faz	parte	da	MTC	e	sua	base	é	a	utilização	de	punção	de	agulhas,	
esferas	ou	sementes	no	pavilhão	auricular,	relacionando-o	com	os	diversos	órgãos	e	
regiões	do	corpo.	
•	 O	 objetivo	 da	 ventosaterapia	 é	 ocasionar	 um	 vácuo	 e	 fazer	 uma	 sucção	 da	 pele	
gerando	 uma	 pressão	 negativa,	 para	 estimular	 a	 circulação	 sanguínea,	 liberar	 as	
toxinas	existentes	no	sangue.
•	 A	moxabustão	é	um	método	terapêutico	que	visa	utilizar	determinadas	substâncias	
ou	ervas	para	aquecer	pontos	de	acupuntura	ou	áreas	do	corpo	a	serem	tratadas.	
O	 calor	 resultante	 deste	 processo	 produz	 estímulos	 que	 regularizam	 as	 funções	
fisiológicas,por	intermédio	dos	meridianos.
RESUMO DO TÓPICO 1
31
AUTOATIVIDADE
1	 Com	base	nos	pilares	de	conhecimentos	da	Medicina	Tradicional	Chinesa:	a	teoria	do	
Yin-Yang,	a	teoria	dos	Cinco	Elementos	e	a	e	teoria	do	Qi.	Sobre	o	exposto,	assinale	a	
alternativa	CORRETA:
(			)	O	Yin	e	Yang	são	duas	energias	opostas	que	se	configuram	como	expressões	do	Qi.	
(			)	Os	meridianos	são	caminhos	por	onde	o	sangue	percorre,	e,	quando	há	bloqueios	
nessa	circulação,	na	visão	da	MTC	podemos	considerar	a	pessoa	doente.
(			)	Os	cinco	elementos	não	possuem	relação	direta	com	a	teoria	do	Yin	e	Yang.
(			)	A	doença	é	o	foco	maior	do	tratamento	na	racionalidade	da	MTC.
2	 Considera-se	 como	 parte	 da	 MTC	 diversas	 práticas	 que	 buscam	 o	 equilíbrio	 da	
energia	que	circula	pelo	corpo.	Quando	há	equilíbrio	podemos	dizer	que	a	pessoa	é	
saudável.	Com	base	nas	técnicas	estudadas,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 A	moxaterapia	acontece	pelo	calor	da	queima	da	erva	Artemísia	sendo	aproximada	
de	pontos	de	acupuntura,	costumeiramente	utilizadas	em	locais	com	deficiência	de	
Yang.
II-	 A	 acupuntura	 é	 uma	 terapia	 milenar	 que	 pode	 tratar	 e	 prevenir	 doenças,	
desbloqueando	e	normalizando	o	fluxo	de	Qi	pelo	organismo.
III–	 O	livro	de	Nei	Jing	-	Nei	Jin,	o	Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo,	
considerado	um	livro	clássico	Oriental	e	o	primeiro	a	citar	a	prática	da	acupuntura.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	I	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	II	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 Na	visão	da	teoria	dos	cinco	elementos	o	mundo	natural	é	constituído	de:	madeira,	
fogo,	terra,	metal	e	água.	Sobre	essa	teoria,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	
e	F	para	as	falsas:
(			)	É	 justamente	 a	 interação	 do	 Yin	 e	 Yang	 que	 gera	 as	 cinco	 fases	 (ou	 os	 cinco	
elementos).
(			)	Existe	órgãos	relacionados	ao	cinco	elementos,	e	todos	são	relacionados	à	energia	
Yang.
(			)	Cada	 um	 desses	 elementos	 tem	 suas	 próprias	 características	 individuais	 e	
simbolizam	também	as	cinco	direções	diferentes	de	movimentos	dos	fenômenos	
naturais.
32
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 A	PNPIC	foi	um	marco	para	as	PICS	serem	consideradas	como	práticas	seguras	e	
viáveis	a	serem	adotadas	inclusive	no	SUS.	Sobre	essa	política,	disserte	sobre	seus	
principais	marcos	evolutivos	de	2006	a	2017.
5	 As	doenças	para	a	MTC	são	resultantes	de	uma	desordem	nas	nossas	trocas	e	ritmos	
Yin-Yang.	 O	 estado	 normal	 e	 saudável	 seria	 o	 equilíbrio,	 porém,	 existem	 quatro	
quadros	possíveis	de	desequilíbrio	entre	Yin	e	Yang.	Cite-os	e	disserte	exemplos	de	
características	das	energias	Yin	e	Yang.
33
DANÇA CIRCULAR
UNIDADE 1 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO 
A	Dança	Circular	pode	ser	compreendida	como	uma	prática	de	dança	em	roda,	
sendo	uma	vivência	grupal	que	possibilita	o	despertar	de	emoções	saudáveis	e	de	bem-
estar.	 Sua	 formação	 remete	à	manifestação	ancestral	 e	 simbólica	dos	povos	na	 sua	
condição	da	busca	de	sintonia	com	as	pessoas	e	com	o	sagrado.	
 
Essa	 prática	 é	 também	 conhecida	 em	 alguns	 países	 como	 Dança	 Sagrada,	
sendo	mundialmente	difundida	através	de	um	vilarejo	 chamado	Findhorn,	 localizado	
na	Escócia.	 Esse	 lugar,	 além	de	 ser	moradia	para	 algumas	pessoas,	 também	 recebe	
visitantes	de	toda	parte	do	mundo	para	uma	“experiência	ímpar	de	amorosa	convivência	
e	de	interesse	comum	pelo	estabelecimento	de	valores	mais	humanos	na	vida	pessoal	
e	coletiva”	(RAMOS,	1998,	p.	5).	
 
Considera-se	a	Dança	Circular	como	uma	prática	terapêutica,	capaz	de	difundir	
energia	através	dos	movimentos	manifestados	na	roda,	promotora	de	cultura	de	paz	a	
nível	individual,	comunitário	e	universal.
2 HISTÓRIA DA DANÇA CIRCULAR
Quando	referimos	a	Dança	Circular	da	forma	como	a	conhecemos	nos	tempos	
atuais,	o	nome	Bernhard	Wosien	é	certamente	a	referência	que	repercute.	Esse	bailarino	
nascido	na	 cidade	de	Passenheim,	 na	Prússia	Oriental,	viajou	por	 toda	 a	Europa	em	
busca	de	danças	 e	música	de	 aldeias	 remotas,	 tomado	pelo	 interesse	nas	 formas	 e	
simbolismo	dos	movimentos	(BARTON,	2012;	WOSIEN,	2015).	
O	 homem	 sempre	 dançou	 para	 expressar	 diferentes	 emoções	 –	
felicidade,	tristeza,	alegria,	pesar	ou	êxtase.	Antes	de	ter	instrumentos	
musicais,	o	homem	tinha	o	seu	corpo	–	para	bater	palmas	e	marcar	
o	ritmo	com	seus	pés,	para	usar	sua	voz	para	cantar	uma	melodia,	e	
todo	o	seu	corpo	para	expressar	a	emoção	que	ele	estava	sentindo,	
e	 agradecer	 imitando	 os	 pássaros,	 os	 animais,	 as	 árvores	 e	 os	
diferentes	elementos	da	natureza	(BARTON,	2012,	p.	12).	
Bernhard	 Wosien	 é	 considerado	 mundialmente	 como	 o	 pai	 da	 Dança	 Circular,	
aquele	que	pesquisou,	reuniu	e	compôs	coreografias	que	remetiam	à	cultura	dos	povos,	
iniciando,	assim,	a	difusão	dessa	prática	na	contemporaneidade.	Considerando	que	a	
dança	em	forma	de	roda	sempre	esteve	presente	na	história,	Bernhard	se	aproximou	
de	diferentes	povos	para	aprender	seus	rituais	e	significados.	Além	de	bailarino,	ele	era	
pintor	e	desenhista.	No	ano	de	1976,	Bernhard	foi	convidado	para	compartilhar	os	seus	
34
conhecimentos	das	tradições	dessas	danças	na	Fundação	Findhorn.	Ele	 regressou	a	
Findhorn	várias	vezes,	quase	todos	os	anos	seguintes,	compartilhando	mais	coreografias.	
O	montante	das	danças	foi	intitulado	pelo	seu	criador	de	Danças	Sagradas,	na	tentativa	
de	expressar	a	espiritualidade	contida	nelas.	Mais	tarde,	também	se	popularizou	pelo	
mundo	como	Dança	Circular	(RAMOS	et al.,	2002;	BARTON,	2012).
 
A	Comunidade	de	Findhorn	cresceu,	e	passou	a	desenvolver	propostas	edu-
cacionais	para	o	desenvolvimento	da	paz,	além	de	treinamentos	de	autoconhecimen-
to	e	desenvolvimento	pessoal.	Inclusive,	no	ano	de	1997,	foi	aceita	como	membro	da	U 
NESCO	(Organização	das	Nações	Unidas	para	a	Educação,	a	Ciência	e	a	Cultura)	Planet	
Society	Network	(BERNI,	2002a).
 
A	Dança	Circular	se	estabelece	como	um	instrumento	de	cultura	de	paz.	Essa	
prática	contribui	para	disseminação	de	valores,	atitudes	e	comportamentos	que	condu-
zem	ao	diálogo,	promovendo	a	aproximação	de	culturas	e	prevenindo	a	violência.	Essa	
prática	propicia	a	integração	em	roda,	formando	um	grupo	com	várias	singularidades	e	
diferentes	modos	de	se	manifestar	no	círculo.	A	prática	aproxima	os	participantes	no	
objetivo	comum	de	dançar	e	de	participar	de	uma	vivência	que	mobiliza	o	corpo	e	a	
mente.	“Foi	através	dessas	danças	que	Bernhard	Wosien	encontrou	meios	de	trabalhar	
uma	expressão	corporal	que	pudesse	transmitir	organicamente	um	estado	espiritual	de	
alegria	e	amor”	(RAMOS	et al.,	2002,	p.	179).	
 
A	 Dança	 Circular	 é	 uma	 atividade	 que	 favorece	 a	 integração,	 união,	 apoio	
mútuo,	a	percepção	do	outro	e	de	si,	possibilitando	o	autoconhecimento	e	expressão	
de	sentimentos.	Até	os	dias	atuais	a	Comunidade	de	Findhorn	oferece	vivências	que	
incluem	a	Dança	Circular	Sagrada,	seguindo	os	preceitos	de	Bernhard	Wosien	e	de	sua	
filha	Maria-Gabriele	Wosien,	que	mais	tarde	tornou-se	referência	mundial	em	Danças	
Sagradas,	como	o	seu	pai.	Além	da	sua	popularização	com	outros	nomes,	diferentes	
propostas	para	a	utilização	da	Dança	Sagrada	surgiram,	conforme	ocorreu	o	movimento	
de	expansão	da	Dança	Circular	pelo	mundo	(SUTTER;	HAFEMANN,	2021).	
Figura 13 – Encontro de dança circular
Fonte: as autoras
35
No	contexto	urbano,	os	grupos	que	praticam	as	Danças	Circulares	
também	parecem	variar.	Há	os	que	a	utilizam	como	forma	de	lazer,	
outros	 parecem	 buscá-la	 como	 uma	 forma	 terapêutica	 de	 toda	
ordem:	quer	psicológica,	como	forma	de	autoconhecimento,	quer	na	
cura	de	doenças	ou,	ainda,	numa	perspectiva	mais	 religiosa,	como	
busca	pela	transcendência	(BERNI,	2002a,	p.	21).
A	 vivência	 com	 as	 Danças	 Circulares	 geralmente	 vem	 repleta	 de	 intenções,	
como	o	autoconhecimento,	convivência,aprendizado	sobre	a	arte	e	a	outras	culturas,	
aprofundamento	 espiritual	 ou	 por	 prazer,	 por	 indicação	 de	 profissionais	 da	 saúde	
ou	ainda	com	o	propósito	de	se	tornar	focalizador	 (COSTA,	2015).	A	presença	de	um	
focalizador	 é	 imprescindível	 nos	 encontros	 de	 Dança	 Circular,	 sobre	 o	 desempenho	
deste	protagonista,	abordaremos	adiante.
3 ELEMENTOS SIMBÓLICOS
Os	elementos	simbólicos	que	constituem	a	Dança	Circular	são	fundamentais	
para	a	aplicabilidade	desta	prática	com	grupos	de	todas	as	idades,	pois	suprimindo	tais	
fundamentos,	se	anula	o	processo	da	proposta	na	sua	origem,	estabelecendo-se	apenas	
como	uma	dança	de	roda.	Por	isso,	é	importante	que	o	mediador	dessa	prática	tenha	
passado	pela	formação,	proporcionando	conhecimentos	e	habilidades	necessárias	para	
a	condução	de	um	grupo	de	Dança	Circular.
(...)	 a	 dança	 é,	 em	 tempo	 e	 espaço,	 um	 signo,	 um	 acontecimento	
visível,	uma	forma	cinética	para	o	invisível.	Na	dança,	transmite-se,	
por	signos,	uma	tradição	de	interioridade	objetiva,	que	aponta	para	
o	seu	conteúdo.	Podemos	questionar	estes	signos.	Contudo,	temos	
que	começar	pelo	homem	em	sua	totalidade.	O	homem	vivencia	na	
dança	 a	 transfiguração	 de	 sua	 existência,	 em	 uma	 metamorfose	
transcendente	de	seu	interior,	relativa	a	ser	e,	também,	à	elevação	ao	
seu	eu	divino	(WOSIEN,	2015,	p.	27).
A	dança	é	uma	manifestação	simbólica	do	corpo,	e	os	passos	da	Dança	Circular	
podem	trazer	muitas	formas	de	expressão.	Por	exemplo,	as	mãos	direcionadas	para	o	
centro	podem	representar	a	busca	ou	entrega	da	energia,	os	passos	para	trás	podem	
representar	o	passado	e	para	frente	o	futuro.	Geralmente,	os	movimentos	contêm	um	
sentido	simbólico	que	formam	a	coreografia	(SUTTER;	HAFEMANN,	2021).
 
A	construção	da	dança,	o	processo	coreográfico,	o	ritmo	presente	que	necessita	
estar	de	acordo	com	os	passos	e,	por	fim,	a	mensagem	que	se	quer	transmitir	com	os	
movimentos,	é	um	meio	de	se	conectar	com	o	propósito	do	que	está	sendo	dançado	
em	grupo.	É	uma	vibração	intensa	e	muitas	vezes	podemos	sentir	a	energia	circulante	
no	ambiente.
36
3.1 A RODA E O CENTRO
A	 humanidade	 se	 reunia	 desde	 a	 antiguidade	 para	 rituais	 e	 celebrações	 em	
forma	de	círculo,	sendo	o	centro	considerado	como	um	altar	simbólico	e	de	referência	
para	a	manifestação	com	o	sagrado.	“O	círculo	tem	um	centro	invisível,	um	fogo	sagrado	
no	centro	de	uma	 lareira	 redonda.	Os	antigos	gregos	chamavam	essa	fonte	de	 luz	e	
calor	de	Héstia,	a	divindade	feminina	no	centro,	Deusa	da	Lareira	e	do	Templo”	(BOLEN,	
2003,	p.	97).	
 
Na	Dança	Circular,	o	focalizador	providencia	um	centro	físico	e	o	situa	no	meio	
da	 roda,	na	 intenção	de	simbolizar	elementos	que	se	aproximem	com	a	temática	do	
encontro,	e	com	os	fundamentos	dessa	prática.
Figura 14 – Exemplo de centro
Fonte: as autoras
Preparar	 o	 espaço,	 estabelecer	 um	 centro	 faz	 parte	 do	 ritual	 das	
danças	sagradas.	Tal	como	o	círculo,	tudo	converge	para	o	centro.	É	
nele	que	está	simbolizada	a	fonte,	a	criação,	a	luz,	o	ponto	comum	
que	une	a	todos.	É	ao	redor	de	um	centro	que	a	roda	gira.	Este	centro	
pode	 ser	 imaginário	 ou	 concretamente	 delimitado	 com	 toalhas,	
lenços	coloridos,	velas,	flores,	incensos	e	outros	arranjos	com	objetos	
ou	símbolos	diversos	(OSTETTO,	2014,	p.	68).
O	 significado	 simbólico	 do	 centro	 está	 atrelado	 ao	 centro	 de	 energia,	 como	
nos	costumes	da	antiguidade.	Nele,	podemos	 incluir	objetos	para	compor	a	 intenção	
desejada,	como	 imagens,	 fotos,	mensagens,	cristais,	flores	e	velas.	Em	um	encontro	
destinado	particularmente	à	Dança	Circular,	geralmente,	os	participantes	já	dançaram	
ou	 tem	 algum	 conhecimento	 prévio	 sobre	 a	 prática.	 Eles	 manifestam	 a	 alegria	 por	
estarem	 presentes	 desfrutando	 da	 companhia	 de	 amigos	 dançantes	 em	 estado	 de	
união	e	paz	(SUTTER;	HAFEMANN,	2021).
 
37
Atualmente,	percebemos	cada	vez	mais	pessoas	buscando	a	prática	da	Dança	
Circular,	 atribuímos	 como	 fator	 o	 estresse	 e	 ansiedade,	 e	 essa	 prática	 pode	 auxiliar	
através	de	seus	benefícios,	que	serão	descritos	ao	longo	do	conteúdo.	É	uma	prática	
que	não	 exige	 que	 o	 participante	 saiba	 dançar,	 o	 interessado	necessita	 somente	 se	
colocar	presente	na	vivência,	desfrutando	do	encontro	na	sua	totalidade.
 
Para	dançar,	os	participantes	em	formação	de	círculo,	iniciam	de	mãos	dadas.	
A	palma	da	mão	direita	fica	voltada	para	cima,	encontrando	a	mão	esquerda	do	parceiro	
ao	lado	que	está	voltada	para	baixo	e	assim	por	diante.	“Ao	dançar,	o	mundo	é	de	novo	
circulado	e	passado	de	mão	e	mão.	Cada	ponto	na	periferia	do	 círculo	 é	 ao	mesmo	
tempo	um	ponto	de	retorno”	(WOSIEN,	2015,	p.	120).
Figura 15 – Formação em círculo
Fonte: as autoras
Essa	disposição	facilita	a	movimentação	de	energia	pelo	organismo,	conforme	
os	meridianos	mapeados	pelo	corpo.	Conforme	afirma	Berni	(2002b),	é	possível	sentir	
o	calor	emanando	pelas	mãos	em	direção	ao	corpo,	já	que	a	mão	que	está	para	cima	
recebe	a	energia,	e	a	que	está	voltada	para	baixo	doa	a	energia.	“Foi	também	através	da	
Dança	que	o	Homem	encontrou	a	si	mesmo	e	ao	outro,	que	rompeu	fronteiras	e	deu	as	
mãos	na	roda	de	ser.	De,	simplesmente,	‘Ser	Humano’”	(BERNI,	2002a,	p.	59).
 
Assim,	 a	 união	 do	 grupo	 através	 da	 forma	 estabelecida,	 possibilitará	 a	
movimentação	 de	 uma	 única	 energia	 enquanto	 se	 dança,	 formando	 uma	 totalidade	
constituída	por	cada	um.	O	círculo	tem	como	simbologia	original	a	eternidade,	e	cada	
ponto	dele	possui	a	mesma	distância	para	com	o	centro,	assim	todos	na	roda	possuem	
o	mesmo	centro	visual	comum	(WOSIEN,	2015).
 
O	Círculo	conjuga	o	grupo	como	uma	unidade,	assim	todos	são	pertencentes	
ao	campo	energético	criado	pelas	danças.	Os	movimentos	gerados	pelo	grupo	esta-
belecem	um	padrão	vibratório	na	 roda	da	Dança	Circular,	que	podem	ser	percebidos	 
pelos	dançantes.
38
4 O FOCALIZADOR
O	termo	“focalizador”	é	utilizado	para	designar	o	instrutor,	mediador	ou	aquele	
que	conduz	o	grupo	de	Dança	Circular.	É	uma	designação	oriunda	da	Comunidade	de	
Findhorn.	No	Brasil,	as	danças	vieram	através	de	pessoas	que	se	formaram	em	Findhorn,	
1984	esteve	por	seis	meses	na	comunidade,	e	mais	tarde,	nos	anos	1990,	a	professora	
Renata	Ramos	(SUTTER;	HAFEMANN,	2021).
 
Na	configuração	das	Danças	Circulares,	o	focalizador	é	a	pessoa	que	realiza	a	
mediação	do	grupo,	porém,	suas	atribuições	vão	além	disso.	Ele	é	o	eixo	central	dessa	
prática,	já	que	é	nele	que	se	concentra	a	atenção	e	a	liderança	na	condução	da	dança.	
Pode	ser	considerado	como	um	condutor	de	energia,	que,	com	seu	magnetismo,	guia	o	
grupo	e	une	os	integrantes	a	um	sentimento	de	pertencimento	ao	todo.	Na	formação	para	
focalizadores,	serão	apresentados	vários	estilos	coreográficos	e,	depois,	ele	descobrirá	
quais	tipos	de	dança	possui	preferência	para	incluir	no	repertório,	traçando	o	seu	próprio	
modo	de	estar	conectado	com	a	prática	e	conduzindo	os	demais	integrantes	na	roda.
Eu	cuido	para	que	a	maioria	do	grupo	aprenda	os	passos	antes	de	
eu	 tocar	 a	 música.	 Isso	 exige	 algum	 malabarismo	 para	 ajudar	 os	
lentos	e	não	deixar	os	rápidos	se	entediarem.	Portanto,	posicionar-
se	 ao	 lado	 de	 alguém	 que	 precisa	 de	 ajuda	 e	 sugerir	 que	 outro	
aprendiz	 lento	 observe	 o	 dançarino	 (dizer	 o	 nome)	 que	 pegou	 os	
passos,	 invariavelmente	 faz	 com	 que	 a	 pessoa	 que	 você	 chamou	
conscientemente	ajude	o	outro	e,	 portanto,	 não	 se	entedie.	Tendo	
aprendido	 os	 passos	 na	 velocidade	 real	 da	 música,	 lá	 vamos	 nós	
(BARTON,	2012,	p.	51).
Ramos	(2002,	p.	7)	enfatiza	a	criação	de	cursos	de	Danças	Sagradas	no	Brasil	dos	
anos	1980	em	diferentes	âmbitos,	como	“clínicas,	 institutos,	escolas,	empresas,	órgãos	
públicos,	praças,	universidades,	congressos	e	centros	de	cultura”.	A	partir	daí,	o	movi-
mento	das	danças	circulares	se	expande	e	focalizadores	de	vários	estados	brasileiros	se	
habilitam	para	ofertar	a	mediação	com	os	fundamentos	originários	dessa	prática.
Se	é	o	focalizador	que	apresenta	a	coreografia,demonstra	os	passos	
e	acompanha	o	grupo	no	seu	processo	de	crescimento,	seja	numa	
única	sessão	ou	numa	série	de	encontros,	é	ele	também	que	está	
com	 a	 responsabilidade	 de	 “ler”	 os	movimentos	 do	 grupo,	 dando-
lhe	 continente	 quando	 necessário.	 Na	 medida	 que	 fica	 atento	 ao	
desenvolvimento	da	roda,	pode	criar	e	garantir	um	ambiente	propício,	
aberto	ao	fluir	leve	e	flexível	da	dança,	para	que	o	encontro	aconteça	
da	forma	mais	plena	possível	(OSTETTO,	2014,	p.	69).
Na	 Dança	 Circular,	 é	 possível	 perceber	 a	 aplicação	 de	 diferentes	 estilos	 de	
coreografias.	Com	o	tempo,	o	focalizador	vai	desenvolvendo	uma	dinâmica	única	que	
imprime	o	seu	modo	de	conduzir	a	roda	e	infundir	o	seu	magnetismo	da	presença	que	
se	diferencia	dos	demais.	O	dançante	pode,	 inclusive,	frequentar	diferentes	rodas	de	
dança	circular	que	contenha	a	mesma	coreografia	daquela	determinada	música,	sendo	
mediada	por	focalizadores	distintos	e	será	evidente	a	composição	única	do	estilo.	Tal	
vivência	reverberará	de	modo	diferente	em	cada	participação	e	entrega	no	círculo.
 
39
A	Dança	Circular	é	expressa	de	forma	orgânica,	ou	seja,	flui	naturalmente.	Há	
uma	 nova	 consciência	 que	 se	 adquire	 ao	 vivenciar	 a	 experiência	 da	 Dança	 Circular	
quando	 nos	 entregamos	 ao	 movimento	 dela.	 A	 cristalização	 de	 outros	 formatos	 de	
dança	nessa	prática	está	equivocada.	(BARTON,	2012).	
 
É	importante	não	confundir	outros	estilos	de	dança	com	essa	prática	ancestral.	
São	atribuições	do	focalizador,	a	escolha	do	repertório	e	coreografias,	a	elaboração	do	
centro,	o	ensino	das	coreografias	de	forma	simplificada	aos	participantes,	assim	como	
acolher	o	grupo	frente	às	demandas	que	surgirem.	
 
Espera-se	 que	 durante	 a	 dança	 não	 haja	 interrupções,	 mesmo	 que	 ocorra	
“erro”	dos	passos	ou	outra	distração	entre	os	integrantes.	As	orientações	necessárias	
podem	ser	repassadas	ao	final	da	coreografia,	para	que	não	aconteçam	interferências	
constantes	na	vivência.
 
É	comum	que	o	encontro	de	Dança	Circular	seja	iniciado	por	uma	dança	me-
ditativa,	mais	calma,	para	que	o	participante	possa	se	tranquilizar	e	estar	“presente”	na	
roda.	Dessa	forma,	a	primeira	dança	tem	como	objetivo	a	conexão	com	os	dançantes	e	a	
inteireza	da	presença	deles	nesse	momento.	Assim	como	a	música	inicial	é	geralmente	
de	caráter	meditativo,	no	término	do	encontro	também	é	indicado	uma	dança	que	pos-
sui	a	intenção	de	acalmar	e	introspectar,	para	que	os	participantes	finalizem	a	prática	
em	estado	de	harmonia	e	paz	(SUTTER;	HAFEMANN,	2021).
“A	dança	circular	pode	ser	considerada	como	uma	dança	social,	já	que	possibili-
ta	o	despertar	para	a	promoção	do	bem-estar	geral	do	indivíduo”	(TABORDA,	2015,	p.	61).	
Essa	sensação	é	manifestada	e	percebida	pelos	participantes,	sendo	comum	relatarem	
ao	final	de	cada	repertório	e	coreografia	dançada	e	compartilhada	em	grupo.
 
Com	 a	 disseminação	 do	 movimento	 da	 Dança	 Circular,	 várias	 músicas	
coreografadas	passaram	a	 ser	 regionais,	 não	 fazendo	parte	 do	 repertório	 de	danças	
folclóricas	(RAMOS,	2002).	Assim,	as	músicas	contemporâneas	podem	ser	utilizadas	no	
repertório	das	Danças	Circulares,	porém	o	seu	significado	necessita	ser	analisado	para	
que	não	se	distancie	dos	fundamentos	dessa	prática.	 “Atualmente,	 existem	músicas	
clássicas	de	Bach	ou	Vivaldi,	por	exemplo,	coreografadas	para	um	propósito	específico,	
direcionando	as	pessoas	da	roda	a	compartilharem	uma	mesma	atitude,	que	unifica	a	
linha	de	pensamentos”	(RAMOS,	2002,	p.	180).	
 
À	medida	que	as	experiências	dançantes	acontecem,	a	compreensão	sobre	o	
contexto	da	Dança	Circular	é	ampliada.	Cada	encontro	é	único	e	promove	uma	baga-
gem	de	conhecimentos	que	podemos	e	devemos	utilizar	a	favor	de	novas	vivências.	
Quando	o	grupo	é	formado	por	idosos,	provavelmente	o	focalizador	terá	a	necessidade	
de	adaptar	algumas	coreografias	para	esse	público.	A	adaptação	de	coreografias	con-
forme	o	público	que	se	constitui	no	grupo,	além	de	outras	demandas	específicas,	abor-
daremos	adiante	no	subtópico	“Possibilidades	e	Desafios	para	a	Difusão	da	Prática	da	
Dança	Circular”.		
 
40
As	músicas,	 elencadas	 para	 o	 contexto	 da	 Dança	 Circular,	 promovem	 bem-
estar,	diminuem	o	estresse	e	a	ansiedade.	Caberá	ao	focalizador	selecionar	o	repertório	
de	acordo	com	a	intenção	desejada	para	ser	aplicada	no	encontro.	Na	Dança	Circular	
o	repertório	 inclui,	principalmente,	as	danças	étnicas,	pertencentes	a	uma	nação	e	à	
cultura	de	um	determinado	povo,	simbolizando	a	sua	expressão	musical	e	corporal.	Elas	
possuem	os	 passos	 originais,	 dançados	 até	 hoje	 da	mesma	 forma	que	 antigamente	
(SUTTER;	HAFEMANN,	2021).
 
	 É	 comum,	 na	 prática	 da	 Dança	 Circular,	 a	 oferta	 de	 vivências	 através	 de	
encontros	 temáticos,	 como:	Danças	Meditativas,	 Danças	 dos	Povos	 antigos,	 Danças	
de	Celebrações,	Danças	alusivas	à	mudança	das	estações,	Danças	folclóricas,	Dança	
Circular	para	a	criança	 interior,	Danças	com	repertórios	terapêuticos	(florais	de	Bach,	
chakras,	 conexão	 com	 o	 sagrado,	 nessa	 categoria	 poderia	 ser	 incorporada	 também	
as	danças	meditativas.),	Danças	Circulares	em	cadeiras,	sendo	inclusiva	e	integrando	
pessoas	com	deficiências	motoras	e	idosos	com	problemas	de	equilíbrio.
 
As	 temáticas,	 geralmente,	 são	 aplicadas	 também	 na	 oferta	 de	 oficinas,	 que	
podem	ser	 incorporadas	na	programação	com	um	conteúdo	mais	abrangente,	sendo	
intercaladas	 danças	 e	 reflexões	 sobre	 determinado	 assunto.	 Caracteriza-se,	 dessa	
forma,	 um	 encontro	 em	 grupo,	 unidos	 pelo	 círculo,	 que	 se	 interrelaciona	 com	 suas	
memórias,	percepções	e	sentimentos	que	são	compartilhados	na	roda.	Nesse	desvelar	
coletivo,	 os	 participantes	 dançam	 na	 vibração	 íntima	 do	 que	 foi	 trabalhado	 com	 o	
repertório	 pré-selecionado	 pelo	 focalizador	 que,	 de	 antemão,	 já	 possui	 um	 objetivo	
específico	para	alcance	com	a	vivência	aplicada.
 
Como	 citado	 por	 Barton	 (2012,	 p.	 17),	 as	 danças	 também	 são	 “usadas	 com	
crianças,	com	pessoas	com	deficiência,	em	hospitais	e	igrejas,	em	celebrações	e	para	
ajudar	pessoas	a	adquirir	confiança	em	si	com	o	apoio	de	seus	grupos”.
 
A	Dança	Circular	com	crianças	é	um	meio	de	levar	os	benefícios	terapêuticos	
dessa	prática	também	para	essa	faixa	etária.	As	rodas	aplicadas	pela	focalizadora	e	psi-
cóloga	Debora	Dubner,	refletem	a	sua	vivência	com	a	prática	infantil.	A	autora	relata	que	
eles	se	aproximam	também	das	danças	com	repertório	meditativo,	e	que	o	resultado	é	
surpreendente	(DUBNER,	2015).		
 
Dubner	(2015)	enfatiza	que	no	início	é	comum	as	crianças	estranharem	certas	
melodias	que	nunca	ouviram,	mas	é	algo	esperado,	e	deve	ser	tratado	naturalmente	
pelo	focalizador.	Essa	situação	também	é	comum	com	os	adultos,	quando	ouvem	uma	
música	pela	primeira	vez,	numa	melodia	que	geralmente	não	é	de	escolha	ou	acesso	
habitual.	Ela	relata	que	depois	de	algumas	rodas,	as	músicas	desconhecidas	tornam-se	
grandes	amigas	das	crianças,	sendo	importante	repetir	a	coreografia	várias	vezes	para	
o	repertório	se	tornar	familiar.	
 
As	rodas	de	Dança	Circular	já	são,	inclusive,	aplicadas	há	muitos	anos	em	alguns	
espaços	educacionais	pelo	Brasil,	e	ofertadas	no	contraturno	escolar	das	crianças.
41
5 A DANÇA CIRCULAR COMO PRÁTICA INTEGRATIVA E 
COMPLEMENTAR DE SAÚDE
Em	2017,	 a	Dança	Circular	 foi	 implantada	 como	uma	PICS	pelo	Ministério	 da	
Saúde	dentro	SUS,	sendo	contemplada	como	uma	vivência	terapêutica	dentro	da	PNPIC	
(BRASIL,	2017).	A	partir	da	inclusão	da	dança	circular	na	Portaria	nº	849/2017,	esta	foi	
reconhecida	como	uma	prática	integrativa	e	complementar	de	saúde,	sendo	legitimada	
para	sua	aplicação	no	SUS.	
Atualmente,	 é	 utilizada	 como	 um	 recurso	 de	 intervenção	 à	 saúde,	 não	
medicamentoso	que	promove	a	conexão	de	mente	e	corpo,	viabilizando	o	relaxamento,	
concentração	e	conscientização	corporal	(ALMEIDA,	2005).
Nesse	sentido,	a	aplicabilidade	da	Dança	Circular	no	SUS	poderá	ser	 inserida	
nos	Grupos	de	Educaçãoem	Saúde,	através	da	sua	introdução	com	algumas	danças	
nos	grupos	específicos	de	atuação	com	o	usuário	na	Unidade	Básica	de	Saúde	(UBS).	
Os	grupos	de	diabéticos,	de	hipertensos	também	podem	ser	uma	estratégia	de	atuação	
aliando	a	prática	da	Dança	Circular	no	espaço	de	saúde.	Outra	possibilidade	é	ofertar	
um	Grupo	de	Dança	Circular	na	UBS,	promovendo	as	ações	em	conjunto	com	a	área	da	
saúde	e	usuários.	
 A	cidade	de	São	Paulo	foi	a	primeira	capital	a	 inserir	as	práticas	 integrativas	
e	 complementares	 de	 saúde	 como	 estratégia	 de	 oferta	 no	 âmbito	 do	 SUS,	 sendo	
utilizada	como	recurso	terapêutico.	No	estudo	de	Rodrigues	et al.	(2009),	identificou-se	
que	19	indivíduos	apresentaram	melhora	no	aspecto	emocional,	no	padrão	do	sono	e	
diminuição	de	dores	com	essa	prática.
A	dança	circular	promove	efeitos	positivos	em	todos	os	aspectos,	promovendo	
a	saúde	de	forma	integral	ao	praticante.	
5.1 BENEFÍCIOS DA DANÇA CIRCULAR
Os	benefícios	da	Dança	Circular	são	amplos,	e	muitos	participantes	percebem	
seus	efeitos	positivos	na	adesão	continuada	dessa	prática,	como:	
• desperta a atenção ao ritmo e coordenação motora;
•	 aprimora	o	equilíbrio;	
•	 melhora	a	circulação	sanguínea	e	oxigenação;
•	 viabiliza	a	integração	em	grupo;
•	 possibilita	o	autoconhecimento	e	autoconfiança;
•	 promove	a	melhora	da	concentração	e	memória	(auxiliando	na	função	cognitiva);
•	 desperta	a	sensação	de	bem-estar	e	de	emoções	saudáveis;	
•	 promove	a	meditação	e	o	relaxamento.
42
A	dança	é	também	usada	como	uma	ferramenta	para	canalizar	a	energia	de	cura	
para	os	dançarinos	e	para	o	restante	do	planeta.	Nós	não	estamos	apenas	aprendendo	
danças	como	indivíduos,	mas	estamos	nos	unindo	para	criar	alguma	coisa	a	mais	em	
um	nível	emocional,	mental	e	espiritual”	(BARTON,	2012,	p.	17).
 
Desse	modo,	a	Dança	Circular	atua	além	da	promoção	da	saúde	e	da	prevenção	
de	 doenças,	 ela	 reverbera	 amor	 coletivamente!	 É	 utilizada	 em	 diferentes	 locais	 de	
atuação	e	na	sua	aplicação	em	grupos,	possibilitando	a	qualquer	pessoa	participar!
A	 Dança	 Circular	 pode	 ser,	 inclusive,	 implantada	 em	 hospitais.	 Santos	 et al. 
(2021),	conduziram	essa	prática	integrativa	em	uma	maternidade	pública	na	Bahia.	As	
pesquisadoras	ressaltaram	em	seu	estudo	que	realizaram	visitas	para	ambientação,	e	
que	os	setores	estavam	aptos	para	receber	as	ações	propostas,	sem	causar	prejuízos	
à	 rotina	do	serviço.	O	espaço	destinado	à	atividade	permitia	o	uso	de	som	em	baixo	
volume	e	a	realização	das	coreografias.	A	programação	contou	com	a	colaboração	da	
equipe	de	saúde,	que	se	mostrou	receptiva	à	prática	de	Dança	Circular	nesse	ambiente.	
A	Dança	Circular	foi	considerada	como	uma	estratégia	de	cuidado	satisfatória,	
de	 forma	 humanizada,	 capaz	 de	 promover	 o	 bem-estar,	 integração,	 relaxamento,	
benefícios	físicos,	espirituais	e	psicológicos	para	gestantes,	puérperas,	acompanhantes,	
equipe	de	saúde,	discentes	e	docentes	(SANTOS	et al.,	2021).
No	município	de	Blumenau/SC,	tivemos	a	oportunidade	de	ofertar	um	encontro	
de	Dança	Circular	para	os	profissionais	de	saúde	de	um	hospital	público.	A	ação	dirigida	
para	uma	roda	com	um	público	específico,	possibilitou	trabalhar	de	uma	forma	pontual	
nas	demandas	das	queixas	do	grupo,	como	o	estresse,	ansiedade	e	cansaço.	O	repertório	
utilizado	 foi	 fundamentado	 nas	 danças	meditativas	 para	 promover	 o	 acolhimento,	 o	
relaxamento	e	bem-estar.	
Outro	 exemplo	 bem-sucedido,	 aproximando	 a	 Dança	 Circular	 no	 cenário	 da	
saúde,	 foi	 o	 resultado	 da	 pesquisa	 de	 Silva	 et al.	 (2019),	 envolvendo	 um	 projeto	 de	
extensão	universitária	no	Estado	de	Goiás.	A	aplicação	da	ação	envolvendo	a	PICS	da	
Dança	Circular	foi	ampliada	para	vários	 locais	de	acesso	aos	universitários,	docentes,	
profissionais	de	saúde	e	usuários	do	SUS,	como	o	CAPS	–	Centro	de	Atenção	Psicossocial	
–,	ESF	–	Estratégia	de	Saúde	da	Família	–,	UBS	–	Unidades	Básicas	de	Saúde	–,	entre	
outros	espaços	de	convivência	na	Universidade.	Os	usuários	relataram	que	as	vivências	
com	a	Dança	Circular	proporcionaram	alegria,	conexão	com	as	pessoas	na	roda	e	uma	
sensação	de	bem-estar.	Os	autores	do	estudo	ressaltam	a	importância	da	implantação	
dessa	prática	em	vários	ambientes,	proporcionando	qualidade	de	vida	para	a	população	 
e	como	uma	estratégia	para	reduzir	gastos	na	saúde	pública.
43
As	 PICS,	 em	 comparação	 a	 outros	 custos	 de	 despesas	 no	 SUS,	 possui	 um	
percentual	de	menos	de	1%	para	o	Ministério	da	Saúde.	“A	 implantação	das	PICS	nos	
municípios	 tem	 registrado	 diminuição	 no	 uso	 de	 analgésicos,	 anti-inflamatórios	 e	
encaminhamentos	 para	 exames	de	 alta	 complexidade,	 ou	 seja,	 promove	 economia	 nas	
unidades	 de	 saúde,	 além	 de	melhorias	 na	 qualidade	 de	vida	 da	 população	 beneficiada	
(CARVALHO,	2018,	p.	1).
Os	 estudos	 que	 temos	 realizado,	 principalmente	 em	 atendimentos	
especializados,	demonstram	que	a	 relação	entre	o	 investimento	e	a	
efetividade	das	PICS	é	de	muito	bom	retorno,	visto	que	uma	consulta	
em	PICS	não	costuma	gerar	outras	demandas	na	sequência.	Ou	seja,	
normalmente,	 o	 terapeuta	 consegue	 resolver	 a	maioria	 dos	 casos	 
sem	 precisar	 enviar	 para	 outros	 especialistas	 ou	 realizar	 novos	
exames,	o	que	geraria	mais	gastos	e	estresse	aos	usuários	do	SUS	
(CARVALHO,	2018,	p.	1).
Ressalta-se	que	a	Dança	Circular	é	uma	Prática	Integrativa	e	Complementar	de	
Saúde,	neste	caso,	não	possui	o	objetivo	de	substituir	os	tratamentos	convencionais	
de	 saúde.	 Todos	 os	 benefícios	 já	 conhecidos	 e	 constatados	 dessa	 prática,	 acabam	
contribuindo	para	a	qualidade	de	vida	do	praticante,	 sendo,	 inclusive,	uma	aliada	na	
terapêutica	para	a	manutenção	da	saúde	das	pessoas.
 
Para	 o	 público	 idoso,	 os	 benefícios	 da	Dança	Circular	 tornam-se	 ainda	mais	
evidentes.	Para	Silva	et	al.	(2021,	p.	10),	essa	prática	para	as	pessoas	acima	de	60	anos	
possibilita	 resgatar	 um	 ser	mais	 saudável,	 ou	 seja,	 “um	 ser	 que	 sente	menos	 dores,	
se	 relaciona	melhor	com	as	outras	pessoas,	 se	sente	mais	tranquilo,	paciente,	 solto,	
falante,	participativo	e	otimista,	sendo	capaz	de	aprender	coisas	novas,	resgatar	boas	
lembranças	do	passado	para	viver	um	presente	mais	feliz”.
 
A	pessoa	idosa	se	beneficia	ainda	mais	com	a	prática	da	Dança	Circular,	inclusi-
ve	no	âmbito	social,	pois	os	encontros	favorecem	a	interação	com	outras	pessoas,	pos-
sibilitam	a	criação	de	vínculos	e	momentos	de	descontração	e	amizade.	Tais	aspectos,	
muitas	vezes,	não	são	mais	estimulados	após	a	aposentadoria,	condicionando	o	idoso	a	
restringir	seu	círculo	afetivo	e	social.	
 
O	 envelhecimento	 ativo	 é	 uma	 iniciativa	 a	 ser	 seguida,	 de	 fomento	 a	 uma	
vida	saudável	e	de	protagonismo	da	pessoa	idosa	frente	à	garantia	dos	seus	direitos.	
O	 atendimento	 integral	 à	 saúde	 do	 idoso	 inclui	 ações	 de	 prevenção,	 promoção,	
proteção	e	recuperação	da	saúde.	Também	prevê	a	participação	em	grupos	de	terapias	
complementares	e	programas	de	atividades	físicas	 (ZUCCO,	2017).	A	Dança	Circular	ainda	
necessita	ser	mais	difundida	entre	os	profissionais	de	saúde,	para	que	se	aproximem	
dessa	prática	e	a	reconheçam	como	possibilidade	de	atuação	com	os	usuários.	
44
5.2 POSSIBILIDADES E DESAFIOS PARA A DIFUSÃO DA 
PRÁTICA
É	 comum	muitos	 focalizadores,	mesmo	 com	 a	 formação	 em	Dança	Circular,	
possuírem	 dificuldades	 na	 aplicabilidade	 da	 DC	 em	 grupo.	 Esta	 situação	 ocorre	 por	
diversos	 fatores,	 como	 a	 insegurança	 de	 conduzir	 um	 grupo,	 exposição	 e	 receio	
de	 julgamentos,	 dificuldades	 na	 memorização	 e	 aplicação	 da	 coreografia	 na	 roda,	
diversidades	no	processo	de	ensino	das	coreografias	para	os	participantes,	fragilidades	
no	conhecimento	dos	fundamentos	da	DC	e	dificuldades	de	desempenhar	o	seu	papel	
como	focalizador	na	sua	totalidade.	
Além	disso,	como	já	dito	anteriormente,	cada	encontro	de	DC	se	configura	numa	
vivência	única.	Nesse	caso,	se	os	participantes	nunca	tiveram	contato	com	a	prática,	
caberá	ao	focalizador	explicar,ainda	no	 início	da	formação	da	 roda,	os	fundamentos	
da	DC	e	como	o	encontro	acontecerá.	Essa	iniciação	é	importante	para	sanar	dúvidas	
e	garantir	que	os	integrantes	se	integrem	de	forma	natural	ao	processo,	pois	é	comum	
ocorrer	um	estranhamento	no	primeiro	contato	com	a	Dança	Circular.	
O	centro	geralmente	é	alvo	de	questionamentos,	por	 isso,	antes	de	 iniciar	as	
danças	 realiza-se	 esse	momento	 introdutório,	 esclarecendo	 que	 a	 prática	 da	Dança	
Circular	não	está	ligada	a	nenhuma	religião.	É	possível	também	que	algumas	pessoas	
solicitem	 ensaios	 para	 “acertar”	 a	 coreografia,	 remetendo	 a	 exigência	 intrínseca	 de	
“não	errar”,	se	preocupando	com	a	técnica	coreográfica.	Dessa	forma,	enfatiza-se	no	
grupo	que	na	Dança	Circular	não	há	uma	exigência	de	acerto	dos	passos.	A	vivência	é	
considerada	mais	importante	do	que	a	coreografia	perfeita.	
As	 coreografias	 voltadas	 para	 públicos	 com	 alguma	 dificuldade	 envolvendo	
equilíbrio,	costumam	ter	passos	básicos,	por	exemplo:	dois	passos	e	dois	balanços	em	
direção	à	roda.	Músicas	meditativas	aderem	a	essa	configuração	de	passos	e	possibilitam	
a	execução	sem	grandes	dificuldades,	já	os	giros	e	os	passos	cruzados	devem	ser	evita-
dos.	O	focalizador	poderá	identificar	essas	especificidades	na	medida	que	for	aplicando	 
as	coreografias	para	os	grupos,	tendo	atenção	para	prevenir	possíveis	acidentes.	
 
O	cuidado	na	escolha	do	repertório	é	uma	atenção	básica	para	a	vivência	ser	
bem-sucedida.	 No	 caso	 dos	 idosos,	 poderão	 ocorrer	 dificuldades	 de	 coordenação	
motora,	 dessa	 forma,	 passos	 simples	 e	 possíveis	 de	 serem	 executados	 são	 mais	
indicados.	 As	 coreografias	 devem	 evitar	 os	 giros	 quando	 os	 participantes	 relatarem	
tonturas.	Ressalta-se	que	essas	condições	não	são	consideradas	como	regra	em	todos	
os	grupos,	mas	a	atenção	a	elas	é	indispensável.	Geralmente,	os	idosos	que	participam	
dos	grupos	de	Dança	Circular	recebem	bem	as	músicas	 instrumentais	e	aquelas	que	
marcaram	época,	principalmente	a	deles,	já	que	trazem	à	tona	momentos	particulares	
que	eles	se	recordam	(SUTTER;	HAFEMANN,	2021).
 
45
A	formação	de	um	grupo	de	Dança	Circular	misto,	com	faixas	etárias	diferentes,	
também	se	torna	uma	possibilidade	de	vivências	interessantes,	já	que	essa	é	a	formação	
da	 raiz	 da	Dança	Circular,	 que	 promove	 a	 união	 de	 pessoas	 sem	 a	 preocupação	 de	
categorizar	por	idade,	sexo	ou	etnias.	Essa	configuração	na	prática	de	um	grupo	aberto	
acaba,	muitas	vezes,	sendo	um	meio	facilitador	para	algumas	dificuldades	encontradas	
pelos	dançantes	mais	idosos	na	roda,	por	exemplo.	Dessa	forma,	aquele	integrante	que	
possui	mais	fluidez	nos	passos,	 pode	ficar	 ao	 lado	do	que	 tem	mais	dificuldades,	 se	
tornando	um	espelho	para	o	outro	realizar	o	movimento.
 
Barton	(2012,	p.	31)	traz	uma	reflexão	sobre	a	questão	dos	passos	e	o	“acerto”	
coreográfico,	 já	 que,	 segundo	 ela,	 não	 devemos	 ser	 rígidos	 quanto	 a	 isso	 na	 Dança	
Circular,	pois	“corre-se	o	risco	de	perder	o	andamento	orgânico	e	natural	das	danças”.	
A	autora	enfatizava	que	oscilava	nas	rodas	como	um	pêndulo,	de	rígida	a	complacente,	
várias	vezes.
 
O	 movimento	 na	 Dança	 Circular	 necessita	 despertar	 de	 forma	 orgânica	 em	
cada	um.	No	primeiro	momento,	talvez	isso	não	ocorra	de	forma	natural,	mas	ao	logo	
da	prática	esse	reconhecimento	da	singularidade	de	cada	um	na	roda	é	tomado	pela	
consciência	e	considerada	no	grupo.
46
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A	Dança	Circular	pode	ser	compreendida	como	uma	prática	de	dança	em	roda,	sendo	
uma	vivência	grupal	que	possibilita	o	despertar	de	emoções	saudáveis	e	de	bem-
estar.	
•	 Considera-se	 a	 Dança	 Circular	 como	 uma	 prática	 terapêutica,	 capaz	 de	 difundir	
energia	através	dos	movimentos	manifestados	na	roda,	promotora	de	cultura	de	paz	
a	nível	individual,	comunitário	e	universal.
•	 Bernhard	Wosien	é	considerado	mundialmente	como	o	pai	da	Dança	Circular,	aquele	
que	 pesquisou,	 reuniu	 e	 compôs	 coreografias	 que	 remetia	 a	 cultura	 dos	 povos,	
iniciando	assim	a	difusão	dessa	prática	na	contemporaneidade.	
•	 Os	elementos	simbólicos	que	constituem	a	Dança	Circular	são	fundamentais	para	
a	aplicabilidade	desta	prática	com	grupos	de	todas	as	 idades,	pois	suprimindo	tais	
fundamentos,	 se	 anula	 o	 processo	 da	 proposta	 na	 sua	 origem,	 estabelecendo-se	
apenas	como	uma	dança	de	roda.	
•	 O	termo	“focalizador”	é	utilizado	para	designar	o	professor,	mediador	ou	aquele	que	
conduz	o	grupo	de	Dança	Circular.	É	uma	designação	oriunda	da	Comunidade	de	
Findhorn.
•	 É	importante	não	confundir	outros	estilos	de	dança	com	essa	prática	ancestral.	São	
atribuições	do	focalizador,	 a	escolha	do	 repertório	e	coreografias,	a	elaboração	do	
centro,	 o	 ensino	 das	 coreografias	 de	 forma	 simplificada	 aos	 participantes,	 assim	
como	acolher	o	grupo	frente	às	demandas	que	surgirem.
•	 Enfatiza-se	no	grupo	que	na	Dança	Circular	não	há	uma	exigência	de	acerto	dos	
passos.	A	vivência	é	considerada	mais	importante	do	que	a	coreografia	perfeita.	
•	 A	 partir	 da	 inclusão	 da	 dança	 circular	 na	 Portaria	 849/2017,	 esta	 foi	 reconhecida	
como	uma	prática	 integrativa	e	complementar	de	saúde,	sendo	 legitimada	para	sua	 
aplicação	no	SUS.
RESUMO DO TÓPICO 2
47
AUTOATIVIDADE
1		 A	Dança	Circular	é	compreendida	como	uma	prática	terapêutica,	e	reconhecida	como	
uma	PICS.	Dessa	forma,	sobre	o	exposto,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 A	Dança	Circular	possui	efeitos	benéficos	para	o	corpo	e	a	mente	do	praticante.
b)	 (			)	 A	 origem	 da	 Dança	 Circular	 é	 oriental,	 sendo	 difundida	 através	 da	 prática	
meditativa.	
c)	 (			)	 O	círculo	presente	nas	rodas	é	um	simbólico	do	budismo.
d)	 (			)	 A	prática	da	dança	circular	não	é	recomendável	para	os	idosos.
2	 O	termo	“focalizador”	é	utilizado	para	designar	o	professor,	mediador	ou	aquele	que	
conduz	o	grupo	de	Dança	Circular.	É	uma	designação	oriunda	da	Comunidade	de	
Findhorn.	Com	base	nas	suas	atribuições,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 As	músicas,	elencadas	para	o	contexto	da	Dança	Circular	promovem	bem-estar,	
diminuem	o	estresse	e	a	ansiedade.	Caberá	ao	focalizador	selecionar	o	repertório	de	
acordo	com	a	intenção	desejada	para	ser	aplicada	no	encontro.
II-	 Para	 ser	 focalizador	 é	 necessário	 ser	 habilitado,	 dessa	 forma,	 o	 mediador	 terá	
garantias	de	não	apresentar	dificuldades	em	conduzir	o	grupo	de	Dança	Circular.
III-	 O	focalizador	é	o	eixo	central	da	Dança	Circular,	 já	que	é	nele	que	se	concentra	
a	atenção	e	a	 liderança	na	condução	da	dança.	Pode	ser	considerado	como	um	
condutor	de	energia.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 A	dança	em	forma	de	roda	é	considerada	uma	expressão	humana	que	sempre	esteve	
presente	 na	 história.	 Atualmente	 a	 Dança	 Circular	 reúne	 vários	 tipos	 de	 danças	
tradicionais	 de	 diferentes	 culturas	 e	 locais	 do	mundo.	 Sobre	 os	 fundamentos	 da	
Dança	Circular,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(			)	Bernhard	 Wosien	 é	 referência	 na	 história	 da	 Dança	 Circular,	 sendo	 nascido	 na	
Prússia	Oriental,	viajou	por	toda	a	Europa	em	busca	de	danças	e	música	de	aldeias	
remotas.
(			)	O	Vilarejo	de	Findhorn	foi	o	local	de	origem	de	diversas	práticas	terapêuticas,	além	
das	danças	circulares,	também	ofertavam	a	acupuntura,	o	shiatsu	e	o	reiki.
48
(			)	Na	 Dança	 Circular	 há	 um	 centro	 físico	 no	meio	 da	 roda,	 que	 possui	 elementos	
simbólicos	que	se	aproximam	com	a	temática	do	encontro	e	com	os	fundamentos	
dessa	prática.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 Os	 benefícios	 da	 Dança	 Circular	 são	 amplos	 e	 muitos	 participantes	 percebem	
seus	efeitos	positivos	na	adesão	continuada	dessaprática.	Descreva	os	benefícios	
apontados	no	estudo.	
5	 Atualmente,	a	Dança	Circular	é	utilizada	como	um	recurso	terapêutico,	não	medica-
mentoso	e	que	promove	muitos	benefícios	à	saúde.	Nesse	contexto,	disserte	sobre	 
a	sua	aplicabilidade	no	SUS.
49
TÓPICO 3 — 
BIODANÇA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico,	 no	 Tópico	 3	 abordaremos	 sobre	 a	 PICS	 Biodança,	 difundida	 em	
diversos	 espaços	 no	 Brasil.	 Assim	 como	 a	 Dança	 Circular,	 a	 Biodança	 possui	 bases	
filosóficas	que	 serão	descritas	 ao	 longo	deste	Tópico.	 Ela	 é	 considerada	um	sistema	
terapêutico	que	promove	o	bem-estar	dos	praticantes,	 como	prática	 social,	 instaura	
vivências	singulares	e	pode	ser	transformadora.
 
A	Biodança	ou	“dança	da	vida”,	é	fundamentada	no	Princípio	Biocêntrico,	que	
sugere	a	visão	de	que	o	universo	é	organizado	em	função	da	vida,	nesse	caso,	a	vida	
tem	o	maior	valor	e	deve	ser	respeitada.	A	utilização	do	termo	“vivência”	também	é	uma	
de	suas	características,	valorizando	a	espontaneidade	e	ineditismo	de	cada	encontro.	
 
Sabemos	que	o	ser	humano	é	relacional	por	natureza,	um	encontro	de	Biodança	
é	 caracterizado	 pela	 relação	 consigo,	 com	 o	 outro	 e	 com	 o	 universo.	 Possibilita	 a	
afetividade	e	promove	os	potenciais	saudáveis	de	cada	integrante,	por	 intermédio	da	
música	e	da	dança	em	um	encontro	grupal.
2 HISTÓRIA DA BIODANÇA
A	Biodança	foi	criada	na	década	de	1960	por	Rolando	Toro,	um	psicólogo	chileno	
que	viveu	de	1924	a	2010.	Toro	(2002,	p.	33)	estabelece	que	esta	metodologia	"consiste	
em	 induzir	vivências	 integradoras	por	meio	da	música,	do	canto,	do	movimento	e	de	
situações	de	encontro	em	grupo".	Os	exercícios	desenvolvidos	por	Toro	são	propostos	
pelo	facilitador	do	grupo,	ressaltando	a	essência	da	prática	como	movimento	integrativo,	
com	base	no	conceito	de	viver	“o	aqui	e	o	agora”.	
E	 a	 Biodança	 nasceu	 nestes	 primeiros	 anos,	 entre	 1968	 e	 1973,	
quando	 Rolando	 Toro	 assumiu	 como	 docente	 na	 Cátedra	 de	
Psicologia	de	Arte	e	Expressão,	no	Instituto	de	Estética,	da	Pontifícia	
Universidade	Católica	do	Chile	e,	também,	como	professor	do	Centro	
de	Antropologia	Médica	da	Escola	de	Medicina	da	Universidade	do	
Chile.	A	Biodança	teve	suas	primeiras	experiências	ao	ser	aplicada	
por	Rolando	Toro	no	Hospital	Psiquiátrico	do	Chile	e	no	Instituto	de	
Estética	 em	que	ele	 atuava	como	docente.	As	pesquisas	 realizadas	
durante	 este	 período	 permitiram-lhe	 estruturar	 um	 modelo	 teórico	
que	possibilitava	ao	psicólogo	um	novo	horizonte	de	trabalho.	De	fato,	
em	 1970,	 foi	 criada	 no	 Departamento	 de	 Estética	 da	 Universidade	
Católica	 do	 Chile	 a	 primeira	 disciplina	 de	 Psicodanza.	 Em	 1976,	 a	
denominação	 inicial	 foi	 substituída	 por	 Biodanza,	 modificação	 na	
qual	o	fundador	inspirou-se	no	conceito	de	“dançar	a	vida”	proposto	
pelo	filósofo	Roger	Garaudy,	 justificando	o	termo	Psicodança	(REIS,	
2009,	p.	75).
50
Acadêmico, antes de continuar com a leitura, convidamos você a assistir ao 
vídeo que demonstra como ocorre um encontro de Biodança. Acesse em: 
https://www.youtube.com/watch?v=ACRFGEU7IJQ.
DICA
Toro	 estudou	 a	 antropologia	 e	 história	 da	 dança,	 e	 observou	 que	 o	 sentido	
original	da	dança	é	ser	movimento	de	vida.	Esse	conhecimento,	inclusive,	antecede	a	
palavra	como	forma	de	se	relacionar	com	o	outro	(REIS,	2009).	Ele	também	se	inspirou	
no	movimento	oriental	do	sufismo,	nas	poesias	de	Rûmî,	um	teólogo	e	poeta	sufi.	Assim	
como	para	Bernhard	Wosien	na	Dança	Circular,	a	dança	dos	sufis,	caracterizada	por	uma	
espécie	de	oração	em	movimento,	onde	os	derviches	realizam	movimentos	giratórios	
para	 entrar	 em	 comunhão	 com	 o	 sagrado,	 foi	 fonte	 de	 inspiração	 para	 a	 Biodança	
(WOSIEN,	2002).
 
A	experiência	de	Toro	em	hospitais	psiquiátricos,	envolvendo	música	e	dança	
deu	espaço	para	a	experimentação	de	 suas	técnicas,	pensando	na	humanização	da	
medicina.	 Ele	 trabalhava	 com	 psicoterapia	 de	 grupo,	 arteterapia,	 psicodrama,	 entre	
outros.	 Com	 a	 observação	 dos	 pacientes,	 foi	 possível	 constatar	 que	 a	 música	 tem	
influência	no	psiquismo,	pois	alguns	deles	chegavam	a	entrar	em	“transe”.	O	trabalho	
de	Toro	 foi	 estruturado,	 então,	 pela	música,	 os	movimentos	 e	 o	 contato	 afetivo	 dos	
integrantes.	 Ele	 criou	 os	 exercícios	 da	 Biodança	 a	 fim	 de	 potencializar	 a	 vitalidade,	
criatividade,	o	erotismo	e	a	comunicação	afetiva	(NOUSIAINEN,	2007).
 
No	Brasil,	foi	criada	a	Rede	Biodanza	Brasil,	conceituada	como
(...)	 uma	 Associação	 civil	 juridicamente	 constituída,	 sem	 fins	
lucrativos,	composta	por	Escolas	de	Biodanza.	Nossas	Escolas	estão	
localizadas	em	diferentes	Estados	do	país:	Rio	Grande	do	Sul,	Santa	
Catarina,	Rio	de	Janeiro,	São	Paulo,	Bahia	e	Paraíba.	A	Associação	
é	 filiada	 à	 International	 Biodanza	 Federation,	 uma	 instituição	 que	
congrega	o	movimento	de	Biodanza	mundialmente.	O	objetivo	maior	
é	 contribuir	 para	 o	 fortalecimento	 mundial	 da	 Biodanza	 através	
de	 práticas	 colaborativas	 que	 envolvam	 Associações,	 Escolas	 de	
Formação,	 facilitadores/as,	 alunos/as	 de	 formação,	 assim	 como	
pessoas	e	instituições	interessadas	na	área.	A	Rede	Biodanza	Brasil	
está	estruturada	a	partir	do	legado	deixado	pelo	criador	da	Biodanza,	
Rolando	Toro	Arañeda	(REDE	BIODANZA	BRASIL,	2022,	s.	p.).
Para	se	tornar	um	facilitador	de	grupos	de	Biodança,	o	curso	de	formação	tem	
a	 duração	mínima	 de	 três	 anos,	 além	 disso,	 as	 escolas	 recomendam	 ser	 participante	
de	um	grupo	sistemático,	necessitando	possuir	pelo	menos	50h	de	vivência	na	prática.	
Ressalta-se	também	que	o	professor	esteja	vinculado	à	Associação	Brasileira	de	Esco-
las	de	Biodanza.	“Atualmente,	a	Biodança	está	presente	em	38	países,	com	aproxima-
damente	200	escolas	de	formação	de	facilitadores,	sendo	23	no	Brasil	e	quatro	no	Rio 
Grande	do	Sul”	(SECRETARIA	ESTADUAL	DA	SAÚDE	DO	RIO	GRANDE	DO	SUL,	2018,	p.	7).	
https://www.youtube.com/watch?v=ACRFGEU7IJQ
51
3 FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS E BENEFÍCIOS DA 
BIODANÇA
Podemos	 dizer	 que	 a	 Biodança	 é	 uma	 forma	 de	 meditação,	 conforme	 Toro	
(2002,	p.	13),	
A	base	conceitual	da	Biodanza	provém	de	uma	meditação	sobre	a	
vida;	do	desejo	de	 renascermos	de	nossos	gestos	despedaçados,	de	
nossa	vazia	e	estéril	estrutura	de	repressão;	provém,	com	certeza,	da	
nostalgia	do	amor.	(...)	A	Biodanza	é	por	isso	uma	ampla	transgressão	
dos	valores	culturais	contemporâneos,	das	imposições	de	alienação	
da	 sociedade	 de	 consumo	 e	 das	 ideologias	 totalitárias.	 Propõe-
se	restaurar	no	ser	humano	o	vínculo	original	com	a	espécie	como	
totalidade	biológica,	e	com	o	universo	como	totalidade	cósmica”.
Segundo	o	poeta	sufi	Rûmî,	citado	por	Toro	Araneda	e	Acuña	(2010,	p.	13),	“todo	
o	universo	está	dançando”:	
“Oh	dia,	te	levanta!...	os	átomos	dançam,
as	almas,	arrebatadas	de	êxtases,
dançam,	a	abóboda	celeste,	por	causa
desse	ser,	também	dança.	
Te	direi	ao	ouvido	para	onde	conduz	sua	dança:
Todos	os	átomos	que	existem	no	ar
e	no	deserto,	entendes	bem,
estão	apaixonados	como	nós,
e	cada	um	deles,	feliz	ou	desgraçado,
se	encontra	deslumbrado	pelo	sol
da	alma	livre”	.
“Uma	sessão	de	Biodança	é	um	convite	para	entrar	na	dança	do	Universo.	Todos	
os	 seres	nascem	com	um	 impulso	para	dançar	 e	para	desfrutar	 a	música,	 porque	o	
Cosmos	é	musical”	(TORO	ARANEDA,	ACUÑA,	2010,	p.	13).
 
Em	uma	vivência,	o	contato	com	o	outro	é	essencial	e	promove	a	afetividade	
e	emoções	positivas.	A	violência	existente	na	sociedade	faz	com	que	o	ser	humano,	
muitas	vezes,	se	distancie	do	amor,	da	empatia,	e	a	Biodança	procura	estimular	esse	
amor	a	si	mesmo,	ao	outro	e	ao	universo.	Assim,	a	Biodança:
Não	tem	o	sentido	clássico	de	dança.	Quanto	às	áreas	de	aplicação	
a	 Biodança	 é	 aplicada	 em	 Educação;	 Biodança	 para	 a	 saúde	
(complementação	terapêutica)	e	Biodança	para	organizações.	Uma	
característica	metodológica	da	Biodança	é	 sua	ação	sobre	a	parte	
saudável	 do	 indivíduo.	Utiliza	 uma	metodologia	 cujos	mecanismos	
induzem	 mudanças	 orgânicase	 existenciais,	 muito	 embora,	 para	
muitas	 pessoas	 os	 efeitos	 da	 Biodança	 são	 inexplicáveis.	 Danças	
e	 exercícios	 curam	 enfermidades	 psicossomáticas	 e	 elevam	 a	
qualidade	de	vida	(VECCHIA,	2005,	p.	1).	
52
Seus	benefícios	são	inúmeros.	Dentre	eles,	podemos	citar:	
•	 Na	biodança	acredita-se	que,	por	meio	das	lentes	da	afetividade	
do	mundo	intrapsíquico,	a	pessoa	poderá	valorizar	de	forma	menos	
traumática	os	conflitos	 íntimos,	 suas	frustrações	e	 sentimentos	
de	perdas.
•	 As	 cerimônias	 de	 encontro	 despertam	 a	 sensibilidade	 elevando	
qualidade	 da	 saúde,	 para	 desenvolver	 potenciais	 herdados	
geneticamente	e	 restabelecer	o	vínculo	afetivo	de	nós	mesmos	
com	o	próximo	e	com	a	natureza.
•	 A	troca	de	calor	e	afeto,	e	ao	som	da	música	o	corpo	passa	por	
uma	dança	de	hormônios	(substâncias	produzidas	por	glândulas	
de	 secreção	 externa)	 e	 de	 neurotransmissores,	 de	 forma	que	 o	
centro	 regulador	 límbico-hipotalâmico	 (centro	 das	 emoções	 e	
instintos)	pode	gerar	entre	outras	coisas	a	resistência	ao	estresse	
e	um	melhor	funcionamento	dos	órgãos	internos.
•	 Por	meio	 dos	movimentos	 e	músicas	 vigorosas	 a	 noradrelina	 e	 
dopamina	(neurotransmissores)	podem	ter	sua	produção	estimu-
lada	provocando	uma	reação	adrenérgica	no	organismo,	propor-
cionando	energia	e	disposição.
•	 Por	 meio	 da	 dança,	 da	música	 e	 de	movimentos	 específicos	 o	
indivíduo	pode	entrar	em	contato	consigo	mesmo,	 integrando	o	
psíquico	e	o	somático,	de	forma	a	interferir	positivamente	no	seu	
pensar	sentir	e	agir.
•	 Esse	processo	de	renovação,	por	meio	da	vivência,	(re)	conduz	o	
participante	ao	papel	de	principal	personagem	da	sua	própria	vida,	
fortalecendo	sua	identidade,	ao	mesmo	tempo	em	que	desenvol-
ve	sua	vinculação	com	a	espécie.	Somos	todos	iguais,	nas	emo-
ções,	nos	desejos,	na	alegria	e	no	sofrimento	(CANTOS,	SCHÜTZ,	
2007,	p.	1).
 
Observamos	que	a	prática	da	Biodança,	além	de	ser	benéfica	para	a	saúde,	pode	
ser	utilizada	em	diversos	contextos	e	com	todas	as	 idades.	"A	dança	é	espontânea	e	
livre,	sem	uma	coreografia	ou	técnica	específica.	O	objetivo	é	deixar	o	praticante	livre	
para	se	expressar	a	sua	maneira.	Apesar	disso,	existe	uma	proposta	que	envolve	o	tema	
sugerido	pelo	facilitador,	que	serve	como	um	norte	para	os	dançarinos"	(RODRIGUES,	
2012,	 p.	 1).	A	 ausência	 de	 formatação	 de	 uma	 coreografia,	 permite	 que	 o	 praticante	
imprima	 seu	 próprio	modo	 de	 dançar	 no	 grupo,	 sem	 especificações	 técnicas	 e	 com	
liberdade	para	os	movimentos.
4 LINHAS DE VIVÊNCIA
Toro	criou	cinco	 linhas	de	vivência	em	Biodança,	sendo	que	cada	 linha	 repre-
senta	a	expressão	de	potencialidades	genéticas	que	podem	ou	não	se	desenvolver	no	
organismo	(REIS,	2009).	A	expressão	desse	potencial	genético	se	dá	através	das	linhas	 
de	vivência,	que	serão	descritas	no	quadro	a	seguir:
53
Quadro 4 – Linhas de vivência da Biodança
Fonte: adaptado de Biodanzario (2022)
V
IT
A
L
ID
A
D
E
A	vitalidade	se	caracteriza,	em	termos	gerais,	por	harmonia	orgânica	e	um	bom	nível	de	saú-
de.	Do	ponto	de	vista	existencial,	vitalidade	é	possuir	fortes	motivações	para	viver	e	possuir	
energia	disponível	para	a	ação	(ímpeto	vital).	Sentimentos	de	alegria	interior,	entusiasmo,	
plenitude	existencial	são	características	de	uma	pessoa	vital.
A	vitalidade	está	vinculada	ao	humor	endógeno	(estados	de	ânimo,	eufórico	ou	depressivo).	
A	integração	das	cinco	linhas	de	vivência	reforça	a	vitalidade	devido	à	elevação	global	das	
motivações	para	viver.
O	amor	à	natureza,	os	 jogos	e	o	vínculo	com	os	próprios	 instintos	são	características	do	
“homem	ecológico”	–	homem	integrado	a	si	mesmo,	às	pessoas	e	ao	universo.	A	qualidade	
da	vida	não	provém	do	êxito	social	ou	econômico,	mas	sim	dos	vínculos	profundos	de	co-
nexão	com	a	vida.
S
E
X
U
A
L
ID
A
D
E
Em	seu	sentido	mais	amplo,	 a	 sexualidade	é	o	conjunto	de	características	particulares	
que	distinguem	física	e	emocionalmente	o	macho	da	fêmea,	tanto	nos	animais	como	nos	
vegetais.	Isto	significa	que	na	sexualidade	participam	componentes	genéticos	diferentes	
(exceto	nas	flores	hermafroditas).	É	a	diferenciação	sexual	que	permite	o	processo	de	fe-
cundação.	A	sexualidade	possui,	portanto,	um	papel	basilar	na	reprodução	das	espécies	e	
na	continuidade	da	vida.
Sexualidade	e	vida	estão	 indissoluvelmente	unidas.	O	desejo	 sexual	 constitui	uma	forte	
motivação	para	viver.	No	ser	humano,	a	sexualidade	está	associada	ao	prazer,	possivelmente	
como	um	recurso	da	natureza	para	assegurar	a	continuidade	da	espécie.
A	sexualidade	humana	adquire	expressões	emocionais,	afetivas	e	de	refinamento	de	gran-
de	importância,	é	um	modo	de	ser	e	de	crescer,	no	qual	a	sensualidade	desempenha	um	
papel	importante.	A	sensualidade	é	a	sensibilidade	global	aos	estímulos	de	prazer	e	não	só	
ao	estímulo	genital.	A	pessoa	sensual	tem	uma	grande	receptividade	ao	contato	corporal.	
Sensualidade	é	sentir	prazer	pelos	alimentos,	pelo	banho,	pela	brisa	a	e	pela	chuva,	pelas	
carícias	e	beijos.
C
R
IA
T
IV
ID
A
D
E Criatividade	é	uma	atividade	que	forma	parte	 integrante	da	transformação	cósmica,	um	
caminho	do	Caos	a	ordem.	A	atividade	criativa	organiza	uma	linguagem	única	e	partir	da	
vivência.	O	ser	humano	se	manifesta	como	impulso	de	inovação	frente	à	realidade.
A	obra	de	criação	é	sempre	o	expressivo	resultado	do	ato	de	viver.	A	criação	é	uma	função	de	
auto	transcendência,	uma	extensão	do	processo	de	vida.	A	forma	mais	elevada	de	expressão	
da	criatividade	é	a	criatividade	existencial	que	se	traduz	nos	atos	do	cotidiano.
A
F
E
T
IV
ID
A
D
E
Afetividade	é	um	estado	de	afinidade	profunda	para	com	os	seres,	capaz	de	originar	senti-
mentos	de	amor,	amizade,	altruísmo,	maternidade,	paternidade,	companheirismo.	No	entanto,	
sentimentos	opostos	como	a	ira,	os	ciúmes,	a	insegurança,	a	inveja,	podem	ser	considerados	
integrantes	do	complexo	fenômeno	da	afetividade.
Através	da	afetividade	nos	identificamos	com	outras	pessoas	e	somos	capazes	de	com-
preendê-las,	amá-las	e	protegê-las,	mas,	também,	de	 recusá-las	e	agredi-las.	Segundo	
Ortega	e	Gasset,	a	afetividade	abarca	qualquer	das	paixões	do	ânimo,	em	especial	o	amor,	
o	carinho	e	o	ódio.
A	linha	de	Afetividade	tem	em	Biodanza	sua	expressão	privilegiada	no	amor,	manifestada	
através	dos	sentimentos	de	empatia,	solidariedade	e	comunhão	com	a	espécie.	A	afetividade	
pode	ter	a	dimensão	do	“amor	diferenciado”,	dirigido	a	uma	só	pessoa,	e	a	do	“amor	indiferen-
ciado”,	dirigido	à	humanidade.	As	formas	patológicas	da	afetividade	se	expressam	na	des-
trutividade,	na	discriminação	social,	no	racismo,	na	injustiça	e	nos	impulsos	autodestrutivos.
T
R
A
N
S
C
E
N
D
Ê
N
C
IA Em	Biodanza	o	conceito	de	transcendência	consiste	na	função	natural	do	ser	humano	de	
vinculação	essencial	com	tudo	o	que	existe:	seres	humanos,	animais,	vegetais,	minerais;	
em	síntese,	com	a	totalidade	cósmica.
Em	Biodanza,	o	conceito	de	transcendência	se	refere	a	superar	a	força	do	Ego	e	ir	para	além	
da	autopercepção,	para	 identificar-se	com	a	unidade	da	natureza	e	com	a	essência	das	
pessoas.	Transcender	é	superar	um	limite.	Quem	não	pode	abandonar	a	consciência	de	si	
mesmo,	não	tem	a	possibilidade	de	ingressar	à	experiência	transcendente.
54
Para	cada	linha	de	vivência,	o	mediador	propõe	exercícios	que	contemplem	o	
despertar	do	objetivo	do	que	se	quer	trabalhar	em	cada	categoria	dessa	metodologia.
O	Modelo	Teórico	de	Biodanza	estrutura,	então,	a	forma	como	esta	
opera	 e	 tem	 na	 sua	 base	 um	 eixo	 vertical	 ascendente	 e	 um	 eixo	
horizontal	 pulsante.	 Esta	 pulsação	 horizontal	 dá-se	 no	 trânsito	
renovador	e	integrativo	(transe)	entre	a	consciência	intensificada	de	si	
mesmo	e	do	mundo	(vivência/consciência)	e	a	regressão	(dissolução	
com	o	todo,	indiferenciado)	(GAROUPA,	2018,	p.	39).
A	biodança	pode	ser	considerada	como	um	meio	de	estímulo	para	sensações	
que	muitas	vezes	são	esquecidas	ou	estão	adormecidas.	Através	da	dança,	os	partici-
pantes	podem	se	libertar	de	padrões	ou	dos	papéis	que	desempenhame	se	expressar	
na	sua	singularidade.	O	repertório	utilizado	para	a	vivência	proporciona	muitos	efeitos	
no	organismo,	como	a	regulação	dos	sistemas	simpático	e	parassimpático.	Os	movi-
mentos	podem	alterar	a	pressão	arterial,	induzir	o	sono,	despertar	a	vigília	e	viabilizar	a	
harmonia	íntima	(GAROUPA,	2018).
Os	encontros	são	momentos	que	promovem	relaxamento	e	autoconhecimento.	
Os	movimentos	são	livres,	orgânicos	e	que	possibilitam	conectar-se	com	o	próprio	ser.	
BioMúsica	 é	 o	 termo	 denominado	 para	 o	 repertório	 utilizado	 na	 Biodança.	 Para	 que	
tenha	os	efeitos	indicados,	elas	necessitam	conter	os	seguintes	aspectos:
 
•	 A	coerência	entre	a	prolepse	e	o	desenvolvimento	musical;
•	 Um	conteúdo	emocional	definido	e	intenso;	
•	 A	presença	de	um	tema	musical	estável;	
•	 A	presença	de	um	tema	musical	que,	além	do	mais,	expresse	um	
estado	de	ânimo	elevado	(TORO,	2002,	p.130).
Toro	(1991	apud	GAROUPA,	2018,	p.	50)	define	o	Grupo	de	Biodanza	como	um	
Biogerador,	um	centro	gerador	de	vida.	Dessa	forma,	a	energia	sutil	produzida	no	grupo	
estabelece	 um	 campo	 magnético	 onde	 manifestam	 e	 refletem	 emoções,	 desejos	 e	
sensações	físicas	intensas.	No	grupo	ocorre	uma	vivência	encantadora	de	ternura,	sob	
o	efeito	transformador	da	música.
As	músicas	 são	 selecionadas	 em	 suas	 especificidades	 de	 forma	 que	 integre	
a	 proposta	 do	 encontro.	 Na	 prática	 da	 Biodança	 “experimentam-se	 sensações	 de	
harmonia,	calor	e	voluptuosidade.	A	sensibilidade	extrema	é	tão	intensa	que	música	e	
corpo	são	um	só:	o	dançarino	“é”	a	música”	(GAROUPA,	2018,	p.	54).
Fica	 evidenciado	 na	 vivência	 com	 a	 Biodança	 a	 imersão	 da	 experiência	 do	
dançarino	 com	 a	música	 e	 a	manifestação	 de	 suas	 emoções.	 Tudo	 se	 integra,	 sem	
muitas	vezes	conseguir	separar	o	que	está	entregue	no	momento	presente.	É	intenso	
e	 transformador.	 “O	 efeito	 harmonizador	 orgânico	 derivado	 dos	 estados	 de	 transe	 e	
de	regressão	possibilita	aos	participantes	de	Biodanza	a	adopção	de	um	estilo	de	vida	
mais	 equilibrado	 e	 uma	 profunda	vivência	 de	 renovação”	 (SARPE,	 2017,	 p.	 146	apud 
GAROUPA,	2018).
55
É	a	dança	da	vida.	Um	movimento	pleno	de	 intensidade,	em	que	a	
pessoa	está	íntegra	neste	movimento.	Quando	uma	pessoa	salta	na	
praia,	quando	uma	mulher	embala	uma	criança	em	seu	colo,	quando	
um	homem	cava	na	 terra;	 quando	dois	 amigos	 se	 abraçam,	 todos	
estão	dançando.	Quando	um	par	faz	amor,	no	êxtase	da	paixão,	estão	
realizando	a	mais	cósmica	das	danças	eróticas.	Os	átomos	dançam;	
as	galáxias	avançam	pelos	espaços	siderais,	em	um	ritmo	sintonizado	
com	a	música	das	esferas,	 o	mar	embalando-se	de	acordo	com	o	
ritmo	da	lua,	sua	polifonia	infinita,	são	as	formas	mais	profundas	da	
dança	cósmica	(TORO,	1991,	p.	70	apud	GAROUPA,	2018,	p.	46).
O	contato	do	homem	com	a	sua	natureza,	a	conexão	que	se	estabelece	com	
a	energia	universal,	a	dança	que	movimenta	o	corpo	e	equilibra	os	polos,	as	emoções	
desveladas	em	grupo,	um	processo	de	catarse	que	possibilita	descobrir-se.	Os	exercícios	
de	Biodança,	através	da	unidade	música,	movimento,	vivência	e	encontros,	promovem	
e	estimulam	esse	processo	evolutivo,	 reforçando	a	diferenciação	da	 identidade	rumo	
a	sua	 integração	plena,	a	comunhão	com	a	totalidade	 (TORO,	2002).	A	conexão	com	
o	sagrado	é	um	dos	aspectos	que	as	danças	meditativas	proporcionam,	viabilizando	a	
total	entrega	nos	movimentos	que	ocorrem	durante	o	encontro,	expandindo	a	mente	e	
relatando	efeitos	benéficos	de	bem-estar.
56
LEITURA
COMPLEMENTAR
INTEGRATIVAS COMPLEMENTARES EM ABRIGOS TEMPORÁRIOS 
NO CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19
Jorgeane	Pedrosa	Pantoja
Maria	Elenilda	do	Milagre	Alves	dos	Santos
Adna	Vivianne	Rocha	Freire
Alessa	de	França	Cunha	Medeiros
Anne	Louise	de	Souza	Soares
Carlos	Roberto	Monteiro	de	Vasconcelos	Filho
Jessyca	Alves	das	Neves	Costa
INTRODUÇÃO
 
Em	março	de	2020,	 foi	 declarado	pela	Organização	Mundial	 da	Saúde	 (OMS)	
o	 início	do	período	pandêmico,	em	função	do	COVID-19,	que	se	relaciona	à	síndrome	
respiratória	 aguda	 grave	 (SARS-CoV-2),	 chamado	 como	 “novo	 coronavírus”	 (OMS,	
2020).	Em	função	desse	fato,	medidas	de	segurança	decorreram,	como	isolamento	e	
distanciamento	social,	uso	de	máscaras,	“toque	de	recolher”	e	lockdown	–	paralisação	
de	atividades	com	aglomeração	–,	com	permanência	apenas	dos	serviços	considerados	
essenciais	como	saúde	e	segurança	pública	(OMS,	2020;	BRASIL,	2020).
 
Dessa	 forma,	 os	 limites	das	políticas	públicas	no	Brasil	 foram	 refletidos	 e	 se	
tornaram	 mais	 aparentes:	 pandemia,	 alto	 índice	 de	 desemprego	 e	 queda	 na	 renda	
da	população	e	aumento	da	população	em	situação	de	rua	(PSR).	A	PSR	é	um	grupo	
heterogêneo,	 composto	 por	 pessoas	 com	 diferentes	 realidades,	 grau	 variado	 de	
vulnerabilidade,	vínculos	interrompidos	e/ou	fragilizados,	excluídos	do	acesso	aos	bens	
e	serviços,	como	trabalho,	educação,	habitação,	transporte,	lazer	e	saúde,	compelido	a	
utilizar	a	rua	como	espaço	de	moradia	e	sustento,	por	contingência	temporária	ou	de	
forma	permanente	(BRASIL,	2009;	LIRA	et al.,	2019).	
Baseado	em	dados	 fornecidos	pelo	 Instituto	de	Pesquisa	Econômica	Aplicada	
(Ipea),	em	março	de	2020,	o	Brasil	 registrava	221.869	pessoas	em	situação	de	rua.	No	
Estado	do	Pará,	a	Fundação	Papa	João	XXIII,	estima	que	na	capital	Paraense,	cerca	de	
1200	pessoas	vivem	em	situação	de	rua	em	Belém	(IPEA,	2020;	FUNPAPA,	2020).	
 
O	governo	do	Estado	do	Pará	instituiu	em	março	de	2020	locais	destinados	a	
abrigar	pessoas	que	já	se	encontravam	em	situação	de	rua	antes	da	Pandemia,	como	
para	os	que	se	tornaram	desabrigados	(PARÁ,	2020).	De	forma	geral,	o	público	dos	abri-
57
gos	se	divide	em	dois	grupos:	pessoas	em	situação	de	rua	anteriormente	à	pandemia	
e	pessoas	em	situação	de	 rua	em	consequência	da	pandemia,	 em	diversos	âmbitos	
(financeiro,	social,	desemprego	e	por	adoecimento).	Apesar	das	disparidades	de	contex-
tos,	um	fator	que	aproxima	os	dois	grupos	é	o	uso	abusivo	de	substâncias	psicoativas	
e	álcool.	Além	disso,	outro	fator	que	merece	destaque	é	a	presença	de	alterações	psí-
quicas	e	emocionais	nos	abrigados,	como	ansiedade,	abstinência,	alterações	de	humor,	
episódios	depressivos,	relacionados	à	ociosidade	na	rotina	do	abrigo.
 
Com	 o	 avanço	 da	 Pandemia,	 no	 mês	 de	 março	 de	 2021,	 formaram-se	 três	
abrigos	 em	 funcionamento,	 situados	 em	 escolas	 da	 rede	 de	 ensino	 público	 da	
capital	 paraense.	 Aulas	 presenciais	 na	 rede	 estavam	 suspensas	 em	 decorrência	 da	
pandemia,	assim	as	escolas	passaram	a	ser	espaço	para	os	abrigados.	Um	dos	locais	
funcionou	exclusivamente	para	triagem,	cadastro	e	isolamento	para	casos	suspeitos	e	
confirmados	de	COVID-19	e	de	outras	patologias	infectocontagiosas.	Um	outro	local	era	
destinado	para	famílias	constituídas	e	mulheres	cisgênero	e,	por	fim,	um	que	abrigava	
exclusivamente	homens	e	mulheres	transgênero.	Logo,	entendeu-se	que	não	bastava	
apenas	oferecer	espaço	físico	a	esse	segmento,	foi	necessário	 incrementar	proposta	
governamental	para	oferecer	assistência	e	cuidados	de	saúde	para	pessoas	em	situação	
de	rua,	durante	o	contexto	da	pandemia	da	COVID-19.	Para	fortalecer	esse	suporte,	a	
Secretaria	de	Estado	de	Assistência	Social,	Trabalho,	Emprego	e	Renda	(SEASTER),	com	
apoio	de	diversos	órgãos,	entre	eles,	a	Secretária	Municipal	de	Saúde	(SESMA)	de	Belém	
e	a	Universidade	do	Estado	do	Pará	(UEPA)	estiveram	à	frente	para	direcionar	as	ações	
de	cuidados.	
 
Frente	a	esse	contexto,	o	Programa	de	Residência	multiprofissional	da	Saúde	
da	Universidade	do	Estado	do	Pará,	com	objetivo	promover	especialização	de	diferentes	
categorias	 profissionais	 para	 atuar	 no	 contexto	 de	Atenção	 Primária	 à	 Saúde	 (APS),	
voltado	 ao	Sistema	Único	 de	Saúde	 –	 SUS	–	 (BRASIL,	 2012),	 precisou	 reformular	 os	
cenários	 de	 treinamento	 em	 serviço	 do	 programa	 Saúde	 da	 Família	 e,	 assim,	 foram	
inseridos	os	abrigos	temporários	para	campo	de	prática	dos	residentes	sob	a	supervisão	
dos	preceptores,servidores	da	SESMA,	que	foram	designados	a	atuarem	nos	consultórios	
de	Práticas	Integrativas	e	Complementares	(PIC).
 
Aprovada	pela	portaria	GM/	MS	nº	971,	de	3	de	maio	de	2006,	as	PICS	foram	
institucionalizadas	no	Sistema	Único	de	Saúde	(SUS)	por	intermédio	da	Política	Nacional	
de	Práticas	Integrativas	e	Complementares	(PNPIC),	que	visa	a	prevenção	de	agravos	
e	da	promoção	e	recuperação	da	saúde,	com	ênfase	no	cuidado	continuado,	humanizado	 
e	integral	em	saúde	(BRASIL,	2006).
 
Diante	do	contexto	pandêmico	e	com	o	novo	campo	de	treinamento	em	serviço	
para	a	aprimoração	dos	residentes	da	Saúde	da	Família	da	UEPA	e	o	fortalecimento	das	
políticas	das	práticas	integrativas	e	completares	no	Estado	do	Pará,	gerou-se	a	pergunta	
norteadora	da	pesquisa:	quais	os	 resultados	da	aplicação	das	práticas	 integrativas	e	
complementares	no	contexto	de	abrigamento?	
 
58
Embora	a	política	tenha	sido	inserida	em	2006,	no	momento,	o	Estado	do	Pará	
encontra-se	na	fase	de	implementação	de	consultórios	especializados	em	promover	as	
PIC.	Sendo	de	extrema	relevância	abordar	sobre	os	impactos	que	as	práticas	ocasionam	
nos	usuários	e,	assim,	compartilhar	a	experiência.	Então,	para	transcorrer	na	pesquisa,	
elencou	 como	 objetivo:	 Identificar	 as	 repercussões	 das	 intervenções	 das	 Práticas	
Integrativas	e	Complementares	(PCI)	em	Saúde	no	contexto	de	abrigamento	de	pessoas	
em	situação	de	rua	na	pandemia	da	Covid-19	na	capital	paraense.
TRAJETÓRIA METODOLOGICA
 
Trata-se	 de	 um	 relato	 de	 experiência	 gerado	 a	 partir	 de	 vivências	 de	 dois	
Terapeutas	Ocupacionais	e	dois	Fisioterapeutas	residentes	do	Programa	de	Residência	
Multiprofissional	em	Saúde	da	Universidade	do	Estado	do	Pará,	área	de	concentração	
Saúde	da	Família	em	abrigo	temporário	na	capital	paraense,	durante	o	período	de	março	
a	maio	de	2021.
 
Durante	esse	período	de	três	meses,	o	abrigo	temporário	foi	cenário	de	prática	
da	residência,	no	qual	realizava	atendimento	de	segunda	a	sexta	no	período	da	manhã	
e	tarde,	totalizando	60	horas	semanais	conforme	o	regimento	do	programa.	Cada	resi-
dente	realizava	acerca	de	quatro	atendimentos	por	turno,	cerca	de	8	atendimentos/dia,	
40	semanal,	aproximadamente	200	mensais,	sempre	sob	supervisão	duas	preceptoras	
da	residência	multiprofissional,	servidoras	da	secretaria	de	saúde.	
 
As	 atividades	 descritas	 neste	 relato	 estão	 divididas	 em	 duas	 seções:	 1.	
Implantação	 e	Ambientação	 do	Atendimento	 com	uso	 de	PICS	 e	 2.	Atendimento	 do	
Público	pelos	Residentes	Terapeutas	Ocupacionais	e	Fisioterapeutas.
1.	 Implantação	 e	 Ambientação	 do	 Atendimento	 com	 uso	 de	 PICSA	 implantação	 do	
atendimento	 com	o	uso	de	PICS	 teve	 como	princípio	 a	 necessidade	de	promover	
qualidade	de	vida	e	saúde	aos	abrigados,	 sendo	 inédita,	no	contexto	dos	abrigos,	
a	 iniciativa	 do	 uso	 de	Auriculoterapia,	Ventosaterapia	 e	 Guasha	 como	 estratégias	
de	 melhora	 das	 inúmeras	 demandas	 álgicas	 relatadas	 pela	 população	 em	
questão.	 Inicialmente,	houve	a	necessidade	de	explanar	os	tipos	de	atendimentos,	
contextualizar	a	população	na	compreensão	do	uso	das	Práticas	Complementares,	
além	de	estabelecer	e	organizar	os	atendimentos	a	partir	da	demanda	espontânea	
dos	abrigados.	O	acolhimento	era	efetuado	através	do	preenchimento	dos	prontuários	
físicos	individuais,	contendo	dados	da	anamnese,	avaliação	e	evolução,	facilitando	a	
continuidade	do	cuidado.	Os	prontuários	eram	compostos,	 inicialmente,	dos	dados	
de	 identificação	 como	 nome	 completo,	 nome	 da	mãe,	 idade	 e	 número	 do	 cartão	
SUS.	No	primeiro	contato,	eram	investigadas	as	queixas	principais	do	indivíduo,	sua	
história	pregressa	clínica	e	pessoal.
2.	 Atendimento	do	Público	pelos	Residentes	Terapeutas	Ocupacionais	e	Fisioterapeu-
tas.	Os	atendimentos	ocorriam	de	forma	simultânea,	sendo	os	pacientes	divididos	
entre	os	profissionais	residentes	a	partir	da	demanda.	As	principais	queixas	estavam	
59
relacionadas	a	demandas	físicas	e	psicoemocionais,	como	algias	de	coluna,	articu-
lações,	consequências	de	lesões	por	violência	doméstica	e	das	ruas,	pela	realização	
de	atividades	físicas	sem	orientação	profissional,	déficit	no	funcionamento	típico	de	
órgãos	e	crises	de	ansiedade	e	depressão.	Os	atendimentos	tinham	duração	média	
de	30	a	40	minutos,	nos	quais	cada	paciente	era	atendido	por	um	profissional	e	com	
uma	das	práticas	anteriormente	citadas,	 entretanto,	por	vezes,	 eram	solicitados	o	
uso	de	outras	técnicas	complementares,	assim	como	eram	realizadas	 interconsul-
tas	entre	os	profissionais.	Ao	fim	de	cada	atendimento,	eram	realizados	os	registros	
em	prontuários	físicos	individuais	que	ficavam	armazenados	na	sala	de	atendimento.	
Os	pacientes	rotineiramente	repetiam	as	sessões	de	Ventosaterapia,	Auriculoterapia	
e	Guasha,	pois	eles	relataram	melhoras	na	qualidade	e	quantidade	do	sono,	assim	
como	no	alívio	das	dores	musculares	e	na	melhora	dos	quadros	de	ansiedade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Inicialmente,	o	estádio	de	futebol	da	capital	foi	habilitado	para	abrigar	as	pes-
soas	em	situação	de	rua.	A	chegada	delas	até	o	local	foi	realizada	por	demanda	espon-
tânea	e	busca	ativa	do	Programa	de	Consultório	de	Rua.	Com	aproximadamente	mil	
pessoas	abrigadas	pelo	Estado,	entre	homens,	mulheres,	casais	com	crianças,	idosos	
e	 população	gays,	 lésbicas,	 bissexuais	 e	 transgêneros	 (LGBTQI+)	 (PARÁ,	 2020).	 Esta	
população	demanda	especial	atenção,	pois	para	o	Ministério	da	Saúde	(MS),	esta	tem	
como	uns	dos	agravantes	na	saúde:	vírus	da	imunodeficiência	humana	(HIV),	gravidez	
de	alto	risco,	consumo	abusivo	de	álcool	e	outras	drogas,	tuberculose,	problemas	res-
piratórios,	além	de	diabetes	mellitus	e	hipertensão	arterial.	Dentre	estas,	algumas	se	
enquadram	como	risco	de	gravidade	na	Covid-19	(BRASIL,	2012).	
 
À	medida	que	se	expande	a	demanda	por	cuidados	e	práticas	que	promovam	
a	promoção	da	saúde,	a	prevenção	de	doenças	e	a	melhoria	do	bem-estar	físico,	psi-
cológico	e	social	dos	usuários	abrigados,	utilizou	a	técnica	da	aplicação	das	práticas	
integrativa	complementares.	Com	29	práticas	existentes,	no	abrigo	temporário	foram	
ofertadas	mais	de	10.	A	pesquisa	se	deterá	em	abordar	a	vivência	dos	Residentes	da	
UEPA	com	três	práticas:	Ventosaterapia,	Auriculoterapia	e	Guasha,	pois	os	profissionais	
residentes	desenvolveram	a	prática	por	apresentarem	formação	prévia	à	aplicação	das	
PIC,	e	buscaram	fundamentar	e	treinar	mais	sobre	a	aplicação	onde	ocorreu	trocas	entre	
os	profissionais	que	manejavam	as	práticas,	e,	assim,	alcançar	a	proposta	da	residência	
quando	busca	um	novo	cenário	de	prática	para	o	treinamento	em	serviço.
Com	 aproximadamente	 600	 atendimentos	 realizados	 no	 consultório	 das	 PIC	
pelos	profissionais	residentes	e	preceptores,	observou-se	melhora	na	qualidade	de	vida	
dos	abrigados,	por	meio	dos	discursos	realizados	por	eles	nos	momentos	de	avaliação	
dos	atendimentos	e	dos	retornos	ao	consultório.	
 
Embora,	a	PICS	tenha	algumas	práticas	milenares	e	tenha	sido	 implementada	no	
SUS	em	2006,	são	poucos	os	profissionais	que	apresentam	habilitação	para	exercê-las.	
A	aproximação	dos	residentes	da	Universidade	do	Estado	do	Pará	com	os	profissionais	
60
da	Secretária	de	Saúde	possibilitou	trocas	de	qualificações	no	uso	das	técnicas.	E	como	
resultado,	da	aplicação	das	PICS	os	abrigados	relataram	melhora	do	quadro	clínico,	ou	
seja,	diminuição	das	queixas	álgicas,	ganho	na	flexibilidade	muscular	e	prevenção	de	
lesões.	Proporcionando,	portanto,	benefícios	 imediatos	e	a	 longo	prazo	na	saúde	dos	
indivíduos	atendidos,	no	aspecto	físico.	Assim	como	no	estudo	de	Rodrigues,	Galdino	
e	Polaz	(2018),	observou-se,	ao	 longo	das	sessões	realizadas,	a	redução,	estagnação	
ou	o	fim	das	queixas	de	dores	nos	joelhos,	ombros,	coluna	vertebral	e	dores	de	cabeça.
 
	Além	dos	aspectos	físicos,	as	práticas	de	auriculoterapia	realizadas	possibilita-
ram	a	intervenção	em	aspectos	da	saúde	mental,	como	ansiedade,	depressão,	insônia	
e	estresse,	entre	outros.	No	que	diz	 respeito	aos	efeitospsicoemocionais,	os	 relatos	
dos	abrigados	corroboram	com	o	estudo	de	Jales	et al.	(2019),	que	observaram	em	seis	
estudos	analisados	os	benefícios	da	aplicação	da	auriculoterapia,	constataram	que,	em	
todas	as	pesquisas,	a	utilização	do	manejo	da	prática	teve	resultado	positivo	em	relação	
ao	controle	de	ansiedade	e/ou	depressão.	No	estudo	de	Beckman,	Christovam	e	Pitta	
(2018),	os	autores	relataram	ter	melhorado	o	quadro	clínico	com	diminuição	da	ansie-
dade	e	insônia.	
 
A	utilização	da	ventosaterapia	nos	 abrigados	 estava	 relacionada	principalmente	
às	questões	álgicas	musculares,	em	região	da	coluna	lombar	e	coxas,	mas	em	alguns	
casos	também	era	utilizada	para	drenagem	em	regiões	edemaciadas.	Após	aplicação	
da	técnica,	os	usuários	relataram	redução	do	quadro	álgico	e	melhora	da	mobilidade.	
De	acordo	com	o	estudo	de	Moura	et al.	(2018),	que	avaliou	as	evidências	da	literatura	
a	 respeito	dos	efeitos	da	ventosaterapia	 sobre	a	dor	crônica	nas	costas	em	adultos,	
concluiu-se	que,	na	maioria	dos	estudos,	houve	redução	na	intensidade	da	dor,	melhora	
da	capacidade	física	e	da	qualidade	de	vida.	
 
A	 aplicação	 do	 Gua-sha,	 assim	 como	 a	 ventosaterapia,	 foi	 direcionada	 às	
queixas	musculoesqueléticas,	o	 instrumento	utilizado	no	deslizamento	era	composto	
de	 aço	 inox,	 favorecendo	 a	 higienização.	 Por	 sua	 simples	 aplicação	 e	 baixo	 custo,	
favoreceu	a	sua	combinação	com	as	outras	intervenções,	alcançando	resultados	mais	
eficazes.	Em	seu	estudo,	Artioli	e	Bertolini	 (2019),	por	meio	de	revisão	sistemática	da	
literatura,	buscaram	analisar	a	aplicação	do	Gua-sha	e	seus	resultados	no	tratamento	
das	condições	dolorosas	musculoesqueléticas	concluem	que,	essa	técnica	se	destaca	
como	opção	no	tratamento	de	queixas	álgicas	relacionadas	à	coluna	vertebral	e	regiões	
adjacentes.
CONCLUSÃO
 
Com	 as	 mudanças	 ocasionadas	 com	 a	 pandemia	 da	 COVID-19,	 foi	 necessário	
reformular	as	práticas	de	assistência	à	saúde,	entre	elas,	atuar	nos	abrigos	temporários,	
no	qual	buscou-se	favorecer	aspectos	físicos,	psíquicos,	emocionais	e	sociais,	por	meio	
de	práticas	complementares	ao	modelo	convencional,	enfatizando,	assim,	a	promoção	
61
global	 do	 cuidado	 humano.	 Vale	 destacar	 a	 importância	 das	 parcerias	 dos	 órgãos	
públicos,	principalmente	com	a	Universidade,	para	o	aprimoramento	na	formação	dos	
profissionais	do	programa	de	 residência	em	saúde	vinculados	à	 secretaria	de	saúde.	
Dessa	forma,	foi	possível	traçar	estratégias	de	intervenções	e	ampliar	as	possibilidades	
de	cuidados.
 
Assim,	foi	concebível	perceber	os	resultados	das	aplicações	das	PICS	com	no	
cuidado	 a	 saúde	desse	 segmento	 populacional.	 Por	meio	 de	 relatos	 sobre	 as	 reper-
cussões	das	práticas	que	refletiam	diminuição	nas	dores	físicas	e	emocionais,	a	busca	
pelos	atendimentos	superou	as	expectativas,	obtendo	curas	de	dores	crônicas	e	ainda	
resgatou	a	possibilidades	de	cuidados	consigo.	A	partir	desta	vivência	sugere-se	maior	
aproximação	da	universidade	com	o	serviço	de	saúde,	sobretudo	com	as	práticas	in-
tegrativas,	onde	possa	fortalecer	as	interações	em	prol	da	melhoria	da	população	em	
situação	de	rua	com	uma	assistência	baseada	na	medicina	no	ajuste	do	organismo	e	
não	apenas	na	enfermidade,	na	doença.	Possibilitando	um	olhar	mais	individual	na	sua	
singularidade,	entendendo	o	contexto	e	suas	emoções,	e	não	apenas	a	doença.	As	PICS	
proporcionam	uma	nova	cultura	de	cuidado,	empoderando	o	indivíduo	no	processo	de	
cura.	Logo,	precisam	ser	mais	difundidas	na	atenção	à	saúde	e	a	universidade	como	
formadora	de	profissionais	de	saúde	precisa	ser	protagonista	desse	entrelace.
Fonte: https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/revise/article/view/2437/1645. Acesso em: 5 jul. 2022. 
62
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A	Biodança	foi	criada	na	década	de	1960,	por	Rolando	Toro,	um	psicólogo	chileno.
•	 Os	exercícios	desenvolvidos	por	Toro	são	propostos	pelo	facilitador	do	grupo,	ressal-
tando	a	essência	da	prática	como	movimento	integrativo,	com	base	no	conceito	de	
viver	“o	aqui	e	o	agora.
•	 Para	ser	um	facilitador	de	grupos	de	Biodança,	o	curso	de	formação	tem	a	duração	
mínima	de	três	anos.
•	 Em	 uma	vivência,	 o	 contato	 com	 o	 outro	 é	 essencial,	 e	 promove	 a	 afetividade	 e	
emoções	positivas.
•	 Toro	criou	cinco	 linhas	de	vivência	em	Biodança,	sendo	que	cada	 linha	representa	
a	 expressão	 de	 potencialidades	 genéticas	 que	 podem	 ou	 não	 se	 desenvolver	 no	
organismo:	vitalidade,	sexualidade,	criatividade,	afetividade	e	transcendência.
•	 Os	exercícios	de	Biodança,	por	meio	da	unidade	música,	movimento,	vivência	e	en-
contros,	promovem	e	estimulam	esse	processo	evolutivo,	reforçando	a	diferenciação	
da	identidade	rumo	a	sua	integração	plena,	a	comunhão	com	a	totalidade.
RESUMO DO TÓPICO 3
63
AUTOATIVIDADE
1	 A	biodança	é	uma	PICS	que	promove	a	sensação	de	bem-estar	através	da	realização	
dos	movimentos	de	dança	que	acontecem	nas	vivências.	Além	do	exercício	corporal	
em	si,	a	Biodança	apresenta	diversos	benefícios	aos	seus	participantes.	De	acordo	
com	eles,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Por	 meio	 dos	 movimentos	 e	 músicas	 vigorosas	 a	 noradrelina	 e	 dopamina	
(neurotransmissores)	podem	ter	sua	produção	diminuída	durante	as	vivências.
b)	 (			)	 A	troca	de	calor	e	afeto,	e	ao	som	da	música	o	corpo	passa	por	uma	dança	de	
hormônios	e	de	neurotransmissores,	de	forma	que	o	centro	regulador	límbico-
hipotalâmico	 pode	 gerar,	 entre	 outras	 coisas,	 a	 resistência	 ao	 estresse	 e	 um	
melhor	funcionamento	dos	órgãos	internos.
c)	 (			)	 Os	passos	da	Biodança	são	chamados	de	exercícios,	estes	devem	ser	realizados	de	
forma	correta	e	sem	espontaneidade	para	que	os	benefícios	sejam	assegurados.
d)	 (			)	 Na	Biodança	acredita-se	que	a	pessoa	deve	se	desapegar	do	outro	para	promover	
o	amor	a	si	mesmo,	fortalecendo	a	identidade	do	participante.
e)	 (			)	 Os	benefícios	desta	prática	só	podem	ser	sentidos	após	anos	de	vivências.
2	 A	Biodança	possui	como	característica	promover	vivências,	que	são	pautadas	no	aqui	
e	agora,	espontaneidade	e	 ineditismo.	De	acordo	com	as	cinco	linhas	de	vivências	
elaboradas	por	Toro,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 O	 desejo	 sexual	 constitui	 uma	 forte	 motivação	 para	 viver.	 No	 ser	 humano,	 a	
sexualidade	está	associada	ao	prazer,	possivelmente	como	um	recurso	da	natureza	
para	assegurar	a	continuidade	da	espécie.
II-	 A	vitalidade	se	caracteriza	em	termos	gerais	por	desarmonia	orgânica,	comum	aos	
seres	humanos,	e	um	bom	nível	de	saúde.
III-	 A	atividade	criativa	organiza	uma	linguagem	única	e	partir	da	vivência.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 Através	da	afetividade,	nos	identificamos	com	outras	pessoas	e	somos	capazes	de	
compreendê-las,	 amá-las	 e	 rotege-las,	mas,	 também,	 de	 recusá-las	 e	 agredi-las.	
De	acordo	com	a	 linha	de	vivência	da	afetividade,	classifique	V	para	as	sentenças	
verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
64
(			)	Afetividade	 é	 um	 estado	 de	 afinidade	 profunda	 para	 com	 os	 seres,	 capaz	 de	
originar	 sentimentos	 de	 amor,	 amizade,	 altruísmo,	 maternidade,	 paternidade,	
companheirismo.
(			)	Na	prática	da	Biodança,	a	afetividade	não	tem	um	papel	central,	visto	que	como	as	
pessoas	do	grupo	não	se	conhecem,	esse	vínculo	não	é	estabelecido.
(			)	Existem	 formas	 patológicas	 de	 afetividade,	 que	 se	 expressão	 na	 discriminação	
social,	no	racismo,	na	injustiça	e	os	impulsos	autodestrutivos.	
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 Rolando	 Toro	 foi	 um	 professor,	 antropólogo,	 psicólogo,	 pintor	 e	 poeta	 de	 origem	
chilena.	Na	década	de	1960	ele	desenvolveu	o	Sistema	da	Biodança,	ele	também	foi	
o	criador	dos	conceitos	do	Princípio	Biocêntrico.	Dissertesobre	a	experiência	de	Toro	
em	hospitais	psiquiátricos	que	possibilitaram	a	criação	da	Biodança.
5	 Atualmente,	 a	 Biodança	 é	 difundida	 em	 vários	 estados	 do	 Brasil,	 sendo	 utilizada	
inclusive	em	Unidades	Básicas	de	Saúde	por	intermédio	do	SUS.	Disserte	sobre	os	
requisitos	para	ser	um	facilitador	desta	prática.
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PRÁTICAS INTEGRATIVA 
ORIENTAIS: AYURVEDA, 
YOGA E TAI CHI CHUAN
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
•	 conhecer	as	bases	filosóficas	do	Yoga	e	suas	principais	linhas,	especialmente	o	Raja	
Yoga	e	suas	oito	etapas;
 
•	 entender	conceitos	de	Ayurveda	que	são	utilizados	como	base	para	o	diagnóstico	e	
intervenção;
•	 compreender	a	prática	de	Tai	Chi	Chuan	e	seus	benefícios;
 
•	 refletir	sobre	a	utilização	das	práticas	de	Yoga,	Ayurveda	e	Tai	Chi	Chuan	na	área	da	
saúde.
	 A	cada	tópico	desta	unidade	você	encontrará	autoatividades	com	o	objetivo	de	
reforçar	o	conteúdo	apresentado.
TÓPICO	1	–	AYURVEDA	–	MEDICINA	CLÁSSICA	INDIANA
TÓPICO	2	–	YOGA
TÓPICO	3	–	TAI	CHI	CHUAN	–	MEDICINA	CHINESA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
74
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
Acesse o 
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75
TÓPICO 1 — 
AYURVEDA – MEDICINA CLÁSSICA INDIANA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico,	o	Ayurveda	é	um	sistema	científico	de	medicina,	considerado	o	mais	
antigo	da	humanidade.	Ele	é	proveniente	dos	textos	clássicos	nomeados	 “samhitas”,	
desenvolvido	durante	milhares	de	anos	por	médicos	indianos,	e	transmitidos	de	geração	
em	 geração.	 Essa	 racionalidade	médica	 não	 dicotomiza	 corpo	 e	 mente,	 aliás,	 inclui	
também	o	espírito	na	sua	compreensão	da	totalidade	da	vida.	Mesmo	tendo	 relação	
com	o	hinduísmo,	o	Ayurveda	não	é	considerado	religião,	pessoas	de	qualquer	crença	
podem	estudar	e/ou	se	favorecerem	dos	seus	tratamentos.		
 
No	Brasil,	o	Ayurveda	se	popularizou	somente	a	partir	dos	anos	1980,	e	em	2017	
foi	considerado	uma	Prática	 Integrativa	e	Complementar	de	Saúde	(PICS),	que	pode	ser	
utilizada	no	Sistema	Único	de	Saúde	 (SUS)	brasileiro.	Atualmente,	seus	tratamentos	são	
reconhecidos	como	eficazes	pela	Organização	Mundial	da	Saúde	(OMS).
 
Neste	Tópico,	abordaremos	sobre	as	bases	conceituais	do	Ayurveda,	enfatizan-
do	a	teoria	dos	três	doshas,	que	é	a	base	para	a	intervenção	e	diagnóstico	nesse	siste-
ma	de	saúde.	Também	estudaremos	sobre	os	hábitos	alimentares	de	rotina	diária	que	
favorecem	a	saúde,	ou	na	visão	ayurvédica,	promovem	a	harmonia	e	o	equilíbrio	do	ser.	
Por	fim,	conheceremos	a	abhyanga	(massagem	ayurvédica)	e	seus	benefícios.	
2 A AYURVEDA E SEU HISTÓRICO
A	 palavra	 Ayurveda	 é	 denominada	 em	 sânscrito:	 “ayus”	 =	 vida	 e	 “veda” = 
conhecimento”.	Neste	caso,	significa	literalmente	“conhecimento	da	vida”.	É	considerado	
um	 sistema	médicoque	 existe	 há	 aproximadamente	 cinco	mil	 anos	 (GOKANI,	 2014).	
Mesmo	com	uma	quantidade	considerável	de	materiais	para	pesquisa	sobre	o	tema,	
inclusive	 textos	 antigos	 preservados,	 não	 se	 sabe	 ao	 certo	 as	 suas	 fontes	 iniciais	
(DEVEZA,	 2013a).	 No	 entanto,	 é	 de	 consenso	 entre	 diversos	 autores	 que	 “algumas	
práticas	 médicas	 estiveram	 presentes	 durante	 todo	 o	 desenvolvimento	 da	 cultura	
indiana,	 desde	 os	mais	 remotos	 tempos	 e	 que	 essas	 ideias	 foram	 se	 organizando	 e	
tornando	o	Ayurveda	um	corpo	de	doutrina	unificado	e	organizado”	(WUJASTYK,	1998	
apud DEVEZA,	2013a	p.	157).		
76
A	medicina	ayurvédica	é	a	mais	antiga	ciência	da	saúde,	originária	na	Índia	a	
partir	 dos	 ensinamentos	 existentes	 nos	 “Vedas”.	 Os	Vedas	 são	 quatro	 obras	 escritas	
em	sânscrito	e	consideradas	a	mais	antiga	literatura	do	mundo	e	a	base	das	escrituras	
sagradas	do	hinduísmo.	Durante	muito	tempo,	a	Ayurveda	foi	ensinada	de	mestre	para	
discípulo,	e,	a	partir	dela,	outras	racionalidades	médicas	se	desenvolveram	ao	longo	da	
história	(ROCHA,	2022a).	Conforme	afirma	Carneiro	(2009),	não	se	tem	memória	da	não	
existência	do	Ayurveda,	sendo	assim,	é	considerado	eterno,	com	intensa	ligação	com	a	
cultura	indiana.
 
Ao	contrário	da	medicina	alopática	(ou	tradicional)	moderna,	que	se	transforma	
com	frequência,	o	Ayurveda	não	perde	sua	essência.	É	recomendado	pela	OMS	como	
um	sistema	efetivo	e	comprovado	cientificamente	(DE	LUCA,	2008).	Compreendemos	
o	Ayurveda	como	um	sistema	naturopático	e	antropológico,	e	está	associado	à	religião	
hinduísta.	
 
A	medicina	alopática	trata	os	 sintomas	por	 intermédio	de	medicamentos.	Já	
a	medicina	ayurvédica	foca	na	possibilidade	de	a	pessoa	mudar	seu	estilo	de	vida	e	
equilibrar	o	corpo	para	obter	a	resolutividade	dos	sintomas.	
Nossa	 atual	 visão	 ocidental	 da	medicina	 alopática	 é	 basear	 o	 tra-
tamento	 nos	 sintomas	 apresentados.  Medicamentos	 e	 injetáveis			
são	 frequentemente	 usados	 		para	 tratar	 os	 sintomas,	 permitindo	
o	 alívio	 dos	 sintomas	 em	 questão.  Medicamentos	 preventivos	 são	
administrados	para	diminuir	 a	gravidade	da	doença	e	aliviar	 a	 sin-
tomatologia	aguda. A	abordagem	oriental,	especificamente	ayurvé-
dica,	 oferece	uma	nova	camada	ao	modelo	alopático. Nessa	abor-
dagem,	curar	a	mente	e	o	corpo	envolve	tomar	medidas	ativas	para	
entender	como	alcançar	um	estado	de	equilíbrio	mudando	o	estilo	
de	vida,	os	hábitos	alimentares	e	o	uso	de	ervas. Nesta	abordagem,	
são	tomadas	medidas	para	criar	uma	fisiologia	equilibrada,	que,	 se	
completamente	equilibrada,	deve	permitir	a	resolução	dos	sintomas	 
(GOKANI,	2014,	p.	1103).
 
Percebemos	 que	 a	 abordagem	 terapêutica	 do	 Ayurveda	 é	 baseada	 na	
possibilidade	 do	 autocuidado,	 sendo	 este	 o	 principal	 tratamento	 (BRASIL,	 2017).	 As	
medidas	que	são	tomadas	para	a	mudança	de	estilo	de	vida	decorrem	da	observação	
de	hábitos	adequados	em	busca	de	uma	vida	saudável.	Esses	hábitos	perpassam	por	
uma	dieta	específica,	a	prática	de	Yoga,	entre	outros	(DE	LUCA,	2009).		Aliás,	o	Yoga	e	
o	Ayurveda	são	frequentemente	chamados	de	“ciências	irmãs”,	ambos	têm	conceitos	
e	 técnicas	 em	 comum,	 por	 exemplo:	 “tanto	 o	 Ayurveda	 quanto	 o	 Yoga	 afirmam	
convictamente	a	unidade	 interativa	que	existe	entre	a	mente	e	o	corpo.	As	doenças	
físicas	podem	afetar	 adversamente	 a	mente,	 e	 o	 desequilíbrio	mental	 pode	produzir	
77
doenças	de	todo	tipo”	(FEUERSTEIN,	2006,	p.	122).	Em	outras	palavras,	essas	terapias	
consideram	a	unificação	mente-corpo,	o	corpo	influencia	a	mente	e	vice-versa.	O	espírito	
também	é	considerado,	dessa	forma,	o	equilíbrio	da	tríade	mente-corpo-espírito	resulta	
em	uma	boa	saúde.
 
Sobre	suas	bases	filosóficas,	uma	filosofia	antiga	da	Índia	(Samkhya Darçana),	
proveniente	de	um	dos	textos	mais	antigos	de	Ayurveda,	o	Susruta Samhita,	descreve	
o	que	afirma	ter	sido	o	processo	de	criação	do	universo:
 
O	universo	surgiu	quando	o	Criador,	saindo	de	um	estado	de	profundo	
silêncio	e	meditação	decidiu	manifestar-se	em	múltiplos	indivíduos.	
O	processo	que	teria	se	originado	com	o	rompimento	do	silêncio	da	
Consciência	Absoluta	do	Criador	manifestou-se	primariamente	como	
Consciência	Individual	(vyakti,	que	significa	“o	que	se	manifesta”),	no	
emanar	do	Seu	desejo	de	se	manifestar.	Da	consciência	 individual	
ou	desejo	de	criação	surgiu	a	inteligência	pura,	que	reconhece	o	que	
deve	ser	criado,	 também	chamado	de	 Intelecto	ou	Mahat	que,	 em	
sânscrito,	 literalmente	significa	“o	grande”.	Assim	que	a	 inteligência	
pura	determinou	com	precisão	o	plano	da	criação,	surgem	as	mais	
variadas	 formas	 de	 existência	 em	 diferentes	 indivíduos,	 ou	 Egos	
pessoais,	ahamkara	na	língua	original,	responsáveis	pela	memória	e	
pelo	 instinto	de	sobrevivência	de	cada	ser	criado.	A	criação	dessas	
múltiplas	 formas	 de	 existência	 tornou	 necessários	 também	 um	
aparelho	 de	 percepção	 (para	 que	 cada	 indivíduo	 criado	 pudesse	
perceber	o	restante	da	existência,	além	de	si	próprio)	e	também	de	
órgãos	com	capacidade	de	ação	(para	que	os	indivíduos	pudessem	
interagir	mutuamente).	Para	a	interação	adequada	entre	o	sentir	e	o	
agir,	se	fez	necessário	um	centro	de	processamento	que,	recebendo	
as	 informações	 do	 aparelho	 de	 percepção,	 comandasse	 as	 ações	
adequadas	 para	 cada	 momento.	 Assim,	 os	 cinco	 sentidos	 são	
nossos	órgãos	de	percepção	 (visão,	audição,	paladar,	olfato	e	tato)	
e	são	chamados	de	Jñanendriya;	os	órgãos	de	ação,	Karmendriya,	
representam	 a	 capacidade	 de	 atuação	 no	 mundo:	 comunicação,	
preensão,	 locomoção,	 reprodução	 e	 excreção;	 por	 fim,	 Manas	 ou	
mente	 pensante,	 literalmente,	 “a	 função	 de	 pensar”,	 recebe	 as	
informações	 dos	 cinco	 sentidos	 e	 decide	 a	 ação	 que	 melhor	 nos	
adapta	ao	meio	a	cada	instante	(BHISHAGRATNA,	1996 apud	DEVEZA,	
2013a,	p.	158).
 
Na	visão	descrita	anteriormente,	nós	somos	parte	do	Criador.	A	partir	do	desejo	
Dele	de	se	manifestar,	houve	a	quebra	o	silêncio	da	Consciência	Absoluta.	Assim,	com	
o	surgimento	de	uma	Consciência	Individual	foi	possível	a	criação	de	diversas	formas	
de	existência	em	diferentes	seres.	Além	disso,	o	Ayurveda	acredita	que	toda	a	forma	
de	existência,	animada	ou	inanimada,	é	composta	por	alguns	elementos,	descritos	no	
quadro	a	seguir:	
78
Quadro 1 – conjunto de elementos que compõem a existência dos seres
Fonte: Deveza (2013a, p. 158)
Elemento Descrição
Consciência	Absoluta	
ou	Corpo	Espiritual
A	presença	do	criador	em	cada	criatura.
Consciência	Individual
Fruto	do	desejo,	e	que	representa	o	papel	de	cada	um	na	história	da	
criação.
Intelecto
Inteligência	sem	emoções	com	capacidade	de	discernimento	entre	o	
certo	e	o	errado	no	cumprimento	do	papel	individual	de	cada	criatura.
Ego
Memórias	de	experiências	vividas	em	cada	existência	 e	 instinto	de	
sobrevivência
Mente	Pensante Responsável	pelas	emoções,	dúvidas,	fantasias	e	desejos.
Órgão	dos	sentidos Percepção	dos	cinco	sentidos.
Corpo	Físico Responsável	pelas	ações.
Quando	a	relação	entre	todos	esses	elementos	é	harmônica	e	não	há	conflitos	entre	eles,	
desfrutamos	um	estado	de	plena	saúde.	Por	outro	lado,	a	desarmonia	da	relação	de	qualquer	
um	desses	componentes	desencadeia	as	doenças.
O “Charaka-Samhita” de Agnivesa, o “Susruta-Samhita” de Susruta e 
o “Ashtanga-Hrdrayam” de Vagbhata são considerados textos clássicos 
de Ayurveda, os “tratados” desse sistema. Destes, o Charaka- Samhita é 
considerado a maior autoridade, a “bíblia” do Ayurveda.
NOTA
Destacamos	três	objetivos	do	Ayurveda:
•	 Preservar	a	saúde	das	pessoas	saudáveis	e	prevenir	doenças;
•	 Promover	e	lapidar	a	saúde	das	pessoas	saudáveis;
•	 Contribuir	para	a	rearmonização	das	pessoas	enfermas	(CARNEIRO,	
2009	p.	25).
No	Brasil,	 a	medicina	 ayurvédica	 chegou	no	 ano	de	 1985,	 por	 intermédio	 de	
um	convênio	com	o	 Instituto	Nacional	de	Assistência	e	Previdência	Social	 (o	extinto	
INAMPS),	do	Ministério	da	Saúde,	 com	o	 Instituto	de	Ciência	e	Tecnologia	Maharishi.	
Apartir	 desse	 convênio,	 os	 estados	 de	 Pernambuco,	 Rio	 de	 Janeiro	 e	 Goiás	 foram	
os	primeiros	a	aceitarem	a	 inserção	da	prática.	Contudo,	somente	em	Goiás	houve	o	
desenvolvimento	do	projeto	ao	longo	dos	anos,	sendo	que	em	1986	e	1987	ocorreu	um	
curso	de	fitoterapia	ayurvédica	para	profissionais	da	saúde	da	rede	pública	e	estadual.	
No	 ano	 de	 1988,	 o	 governo	 do	 estado	 de	 Goiás	 instituiu	 um	 centro	 ambulatorial	 de	
79
referência	 em	 fitoterapia	 ayurvédica,	 instalado	 em	 Goiânia.	 No	 Rio	 de	 Janeiro,	 nos	
anos	de	 1995,	 1998	e	 1999	houve	a	 oferta	de	 cursos	de	Ayurveda,	 e	pelo	 crescente	
interesse	dos	alunos	e	outros	profissionais	na	prática,	foi	criada	a	Associação	Brasileira	
de	Ayurveda	 (ABRA)	 (CARNEIRO,	 2009).	 Em	2017,	 o	Ayurveda	 foi	 incluído	 na	Política	
Nacional	de	Práticas	Integrativas	e	Complementares	(PNPIC),	por	intermédio	da	Portaria	
nº	849/2017,	que	descreve	a	prática	da	seguinte	forma:	
 
•	 É	 considerado	uma	das	mais	 antigas	abordagens	de	cuidado	do	
mundo,	foi	desenvolvido	na	Índia	durante	o	período	de	2000-1000	
a.C.	Utilizou-se	de	observação,	experiência	e	os	recursos	naturais	
para	desenvolver	um	sistema	único	de	cuidado.	Ayurveda	significa	
a	Ciência	ou	Conhecimento	da	Vida.	Este	conhecimento	estrutura-
do	agrega	em	si	mesmo	princípios	relativos	à	saúde	do	corpo	físico,	
de	forma	a	não	desvinculá-los	e	considerando	os	campos	energé-
tico,	mental	e	espiritual.
•	 A	OMS	descreve	sucintamente	o	Ayurveda,	reconhecendo	sua	uti-
lização	para	prevenir	e	curar	doenças,	e	reconhece	que	esta	não	é	
apenas	um	sistema	terapêutico,	mas	também	uma	maneira	de	viver.
•	 No	 Ayurveda	 a	 investigação	 diagnóstica	 leva	 em	 consideração	
tecidos	corporais	afetados,	humores,	local	em	que	a	doença	está	
localizada,	resistência	e	vitalidade,	rotina	diária,	hábitos	alimenta-
res,	gravidade	das	condições	clínicas,	condição	de	digestão,	deta-
lhes	pessoais,	sociais,	situação	econômica	e	ambiental	da	pessoa.	
Considera	que	a	doença	inicia-se	muito	antes	de	ser	percebida	no	
corpo,	aumentando	o	papel	preventivo	deste	sistema	terapêutico,	
tornando	possível	tomar	medidas	adequadas	e	eficazes	com	an-
tecedência.	Os	tratamentos	no	Ayurveda	 levam	em	consideração	
a	singularidade	de	cada	pessoa,	de	acordo	com	o	dosha	(humo-
res	biológicos)	 do	 indivíduo.	Assim,	 cada	 tratamento	é	planejado	
de	forma	individual.	São	utilizadas	técnicas	de	relaxamento,	mas-
sagens,	plantas	medicinais,	minerais,	posturas	corporais	(ásanas),	
pranayamas	 (técnicas	 respiratórias),	 mudras	 (posições	 e	 exercí-
cios)	e	o	cuidado	dietético	(BRASIL,	2017	p.	1).
Com	 base	 no	 texto	 da	 Portaria	 nº	 849/2017,	 observamos	 que	 a	 investigação	
para	o	diagnóstico	no	Ayurveda	é	complexa.	Nela,	é	realizada	a	análise	de	vários	fatores	
e	 integra-se	 os	 conceitos	 próprios	 da	 prática	 para	 associar	 com	 as	 características	
individuais	de	cada	pessoa.	Assim,	a	seguir,	falaremos	sobre	a	teoria	dos	“doshas”,	de	
suma	importância	para	essa	prática,	descrevendo	cada	um	deles.
3 OS DOSHAS 
A	teoria	do	tridosha,	ou	“três	doshas”,	é	o	princípio	de	diagnóstico	e	intervenção	
no	 Ayurveda.	 Ela	 parte	 da	 ideia	 de	 que	 todo	 o	 organismo	 é	 composto	 pelos	 cinco	
elementos:	terra,	água,	ar,	 fogo	e	éter,	em	seus	diferentes	estados	de	manifestação,	
ou	seja:	 sólido,	 líquido,	 ígneo,	gasoso	e	espaço	 (eles	estão	descritos	no	Quadro	2).	A	
combinação	 e	 proporção	 desses	 elementos	 em	 cada	 corpo	 é	 singular,	 dessa	 forma,	
pode	haver	predominância	de	um	ou	mais	deles,	o	que,	segundo	o	Ayurveda,	afeta	o	
corpo	e	mente,	diferencia	as	pessoas	em	termos	fisiológicos	e	até	mesmo	em	tipo	de	
personalidade	(ELIAS,	2014).	
80
Na medicina indiana, o corpo é visto como o microcosmo que 
reflete as mesmas propriedades do universo (macrocosmo). O 
universo é constituído de cinco elementos fundamentais que 
são terra, água, fogo, ar e éter ou espaço. Sendo assim, o corpo 
reflete a mesma combinação de elementos em sua estrutura 
(CARNEIRO, 2009, p. 32).
IMPORTANTE
Quadro 2 – Os cinco elementos e suas manifestações no corpo
Fonte: Las (1997) apud Elias (2014, p. 2-5)
Elemento
Manifestação do Elemento nos 
diferentes estados da matéria
Manifestação do elemento no corpo
Terra
O	elemento	terra	representa	a	matéria	
no	seu	estado	sólido.	Manifesta	as	
qualidades	de	estabilidade,	imobilidade,	
dureza,	peso,	massa,	opacidade,	frio	e	
possui	forma	bem	definida.
Presentifica-se	nas	estruturas	sólidas	
do	corpo	como	os	ossos,	músculos,	
tendões,	cartilagens,	unhas,	pele,	
cabelos	e	tecidos.
Água
O	elemento	água	representa	a	matéria	
em	seu	estado	líquido.	Manifesta	as	
qualidades	de	estabilidade,	peso,	
massa	e	frio,	porém	diferente	do	estado	
sólido,	o	qual	tende	a	ser	duro,	imóvel	
e	apresentar	forma,	os	líquidos	são	
menos	densos,	mais	voláteis,	macios	e	
não	apresentam	forma	definida.
Presentifica-se	nas	secreções,	sucos	
digestivos,	glândulas	salivares,	
membranas	mucosas,	plasma	(parte	
líquida	do	sangue)	e	citoplasma,	além	
de	ser	a	base	dos	fluídos	sexuais,	
daí	o	seu	vínculo	com	a	fertilidade	e	
sexualidade.
Fogo
O	elemento	fogo	representa	a	energia	
de	calor	e	luz.	Manifesta	as	qualidades	
do	movimento,	da	ignição,	da	leveza	
e	secura,	da	potência	para	queimar,	
consumir,	aquecer	e	iluminar.	Uma	
característica	marcante	da	luz	e	do	
calor	é	a	sua	irradiação,	ou	seja,	o	
atributo	penetrante.
Se	faz	presente	no	metabolismo	do	
corpo,	que	é	a	fonte	de	todo	o	calor.	
Concentra-se	no	sistema	digestivo,	
ativa	o	funcionamento	das	retinas	e	
a	inteligência	(luz)	proveniente	das	
células	nervosas.	Todo	o	metabolismo	
e	sistema	de	enzimas	são	controlados	
por	este	elemento.
Ar
O	elemento	ar	representa	a	matéria	
em	seu	estado	gasoso,	como	vento	
ou	simplesmente	como	impulso,	
movimento.	Manifesta	as	qualidades	da	
instabilidade,	inquietude,	pulsatilidade,	
leveza,	sutileza,	secura,	adaptação,	
tendência	a	subir,	flutuar.
O	espaço	em	movimento	é	o	que	
chamamos	de	ar.	No	corpo	humano,	
está	presente	no	movimento	dos	
músculos,	nas	batidas	do	coração,	na	
expansão	e	contração	dos	pulmões,	
nas	contrações	do	estômago	e	
intestinos.
Éter (ou 
espaço)
O	elemento	éter	é	o	que	chamamos	
de	espaço	ou	vácuo.	Consiste	no	
“campo”	onde	repousam	todos	os	
outros	elementos	e	possui	os	atributos	
da	vastidão,	do	ilimitado,	do	amorfo,	
imóvel	e	imperceptível.
No	corpo	humano	há	muitos	espaços,	
tais	como	as	cavidades	da	boca,	nariz,	
trato	gastrintestinal,	trato	respiratório,	
abdome,	tórax,	vasos	capilares,	
linfáticos,	tecidos	e	células.	Estes	
espaços	presentificam	o	elemento	éter	
do	corpo.
81
A	partir	da	observação	da	combinação	dos	cinco	elementos	(que	estão	presen-
tes	em	tudo)	o	Ayurveda	enumera	três	biotipos	essenciais,	que	são	os	doshas	presentes	
no	corpo:	kapha, pitta e vata.	
 
“Doshas”	 são	 substâncias	 materiais	 presentes	 em	 cada	 célula	 do	 corpo,	 e	
atuam	nas	diversas	funções	dele	(CARNEIRO,	2009).	O	equilíbrio	deles	resulta	em	uma	
boa	saúde:	“o	ponto	principal	dos	tratamentos	em	Ayurveda	é	restabelecer	as	funções	
adequadas	dos	doshas”	(DEVEZA,	2013a	p.	163).	
 
Em	síntese,	sobre	os	doshas:	
 
Todas	 as	 funções	 físicas	 e	 mentais	 do	 corpo	 são	 governadas	
pelos	 três	 princípios	 vitais	 ou	 tridosha	 –	 vata,	 pitta	 e	 kapha.	 Um	
funcionamento	 coordenado	 e	 equilibrado	 dos	 três	 princípios	 vitais	
sustenta	a	vida	e	ajuda	a	manter	a	boa	saúde.	Seus	desequilíbrios	
causam	 a	 decadência	 no	 corpo	 e	 problemas	 na	 personalidade.	 A	
variação	 humana	 na	 forma	 física,	 nos	 traços	 de	 personalidade	 e	
nas	reações	biológicas	são	devido	à	predominância	de	um	ou	mais	
destes	princípios	vitais	(VERMA,	2003	p.	45).	
A	teoria	do	tridosha	pode	ser	entendida	como	a	integração	dos	cinco	elementos	
que	constituem	o	universo	no	campo	biológico,	 ou	 seja,	 no	 corpo.	Para	o	Ayurveda,	
existem	cinco	doshas,	dois	da	mente	e	três	do	corpo.		A	seguir,	definimos	quais	elementos	
são	predominantes	em	cada	dosha	do	corpo:
•	 O	doshavata	é	uma	combinação	de	elementos	do	ar	e	do	espaço.
•	 O	dosha	pitta	é	uma	combinação	dos	elementos	Fogo	e	Água. 
•	 O	kapha	dosha	é	uma	combinação	dos	elementos	Terra	e	Água.
Cada	um	desses	tipos	de	dosha	se	manifesta	de	maneira	única,	com	
base	nos	elementos	que	os	compõem	(GOKANI,	2014,	p.1104).		
 
Cada	dosha	possui	características	 ligadas	aos	elementos	que	o	constitui,	 ou	
seja,	suas	funções	no	corpo	são	semelhantes	à	natureza	desses	elementos.	A	seguir	
descreveremos	mais	detalhadamente	cada	um	deles.	
• Vata, união de Espaço e Ar 
	 Origem	do	termo:	“Vata	é	derivado	do	radical	va,	que	significa	movimento	e	sensação	
de	estímulo”	(CARNEIRO,	2009,	p.	38).	
	 Função:	“sua	função	é	colocar	a	energia	em	movimento	e	dar-lhe	uma	direção.	Diz	
respeito	principalmente	ao	sistema	nervoso.	É	responsável	por	pensamento,	atividade	
neuromuscular,	respiração,	circulação	e	movimentos	peristálticos.	Está	diretamente	
conectado	ao	tecido	ósseo”	(DE	LUCA;	BARROS,	2007,	p.	119).
	 Qualidades	físicas:	 “maciez,	 leveza,	frieza,	sutileza,	secura,	delicadeza,	volatilidade,	
aspereza,	mobilidade,	instabilidade,	insidiosidade”	(CARNEIRO,	2009,	p.	37).
	 Estilo	de	vida:	“indivíduos	(...)	do	tipo	vata,	geralmente	tendem	a	ter	a	necessidade	
de	 permanecer	 ativos.  As	 personalidades	vata	 são	 entusiasmadas	 e	vivazes,	mas	
também	tendem	a	ser	muito	excitáveis”	(GOKANI,	2014,	p.	1104).
82
	 Pelas	 características	 citadas,	 pessoas	 com	 predominância	 de	 vata	 são	 menos	
propensas	a	manter	uma	rotina,	podendo	desenvolver	quadros	de	ansiedade.	Nesse	
caso,	 uma	 boa	 forma	 de	 equilibrar	 esse	 dosha	 são	 práticas	 de	 meditação,	 Yoga,	
mindfulness	etc.	
• Pitta, união de Fogo e Água
	 Origem	 do	 termo:	 “Pitta	 é	 derivado	 do	 radical	 tap,	 que	 pode	 significar	 santapa 
(produzir	calor),	daha	(queimar,	digerir,	metabolizar)	ou	aisvarya (dotar	com	elevadas	
atividades	mentais)”	(CARNEIRO,	2009,	p.	38).
	 Função:	 “sua	 função	 é	 gerar	 energia.	 Diz	 respeito,	 principalmente,	 aos	 sistemas	
digestivos,	 endócrino	 e	 enzimático.	 É	 responsável	 por	 clareza	 mental,	 percepção	
visual,	 digestão,	 metabolismo	 e	 regulagem	 de	 temperatura.	 Está	 diretamente	
conectado	ao	tecido	do	sangue”	(DE	LUCA;	BARROS,	2007,	p.	119).
	 Qualidades	 físicas:	 “leveza,	 calor,	 sutileza,	 secura,	 ardência,	 leve	 untuosidade,	
agudeza,	profunda	penetração”	(CARNEIRO,	2009,	p.	37).
	 Estilo	de	vida:	“os	tipos	pitta	tendem	a	ser	perfeccionistas,	organizados	e	determina-
dos.	Essas	personalidades	tendem	a	ficar	com	raiva	e	irritadas	se	ficarem	estressa-
das”	(GOKANI,	2014,	p.	1104).
• Kapha, união de Água e Terra 
	 Origem	do	termo:	 “os	textos	védicos	dizem:	“O	dosha	que	se	expande	através	dos	
elementos	aquosos	é	chamado	kapha”	(CARNEIRO,	2009,	p.	39).
	 Função:	 “sua	 função	 é	 regular	 a	 energia.	 Diz	 respeito,	 principalmente,	 ao	 sistema	
linfático.	É	responsável	por	dar	suporte	e	nutrir	o	sistema	nervoso,	lubrificar	o	trato	
digestivo,	as	articulações	e	o	trato	 respiratório,	 regular	água	e	gordura”	 (DE	LUCA;	
BARROS,	2007,	p.	120).
	 Qualidades	físicas:	“maciez,	liquidez,	frieza,	oleosidade,	letargia,	viscosidade,	dureza,	
estabilidade,	peso,	grossura,	densidade	etc”.	(CARNEIRO,	2009,	p.	37).
	 Estilo	de	vida:	“Os	tipos	kapha	tendem	a	ser	compassivos,	calmos	e	relaxados. Essas	
personalidades	 são	 as	 menos	 afetadas	 pelo	 estresse.  Indivíduos	 kapha	 podem	
ficar	 pesados	 		e	 congestionados	 facilmente,	 então	 para	 eles	 é	 essencial	 adicionar	
movimento	ao	seu	dia”	(GOKANI,	p.	1104).
Ressaltamos	que	todos	nós	somos	constituídos	pelos	cinco	elementos,	sendo	
assim,	pelos	três	doshas.	O	que	varia	é	a	quantidade	e	a	combinação	desses	elementos.	
“Prakriti”,	conceito	utilizado	no	Ayurveda,	é	resultado	disso,	ou	seja,	a	nossa	constitui-
ção	singular,	a	especificidade	de	cada	ser	humano	nos	âmbitos	emocionais,	psíquicos,	
físicos	e	de	saúde,	o	que	é	determinado	já	no	nascimento.	Prakriti	pode	ser	assemelha-
do	ao	DNA,	e	a	partir	dele	é	que	nossas	características	se	manifestam.	No	decorrer	da	
vida,	de	acordo	com	nossos	hábitos	alimentares,	condições	sociais,	ambientais	etc.	o	
prakriti	pode	ser	modificado	para	vikriti,	uma	alteração	da	nossa	constituição	natural	do	
tridosha	para	que	nos	adaptemos	às	transformações	existentes	na	vida.	Caso	as	dife-
renças	entre	os	dois	sejam	muito	enfáticas,	poderá	haver	desequilíbrios	e	doenças,	pois	
estamos	nos	distanciando	da	nossa	natureza	básica	(MARINO,	DAMBRY,	2004).
83
4 ALIMENTAÇÃO NO AYURVEDA 
O	Ayurveda	afirma	que	é	possível	determinar	os	alimentos	mais	adequados	para	
cada	pessoa	de	acordo	com	o	seu	dosha	predominante.		Destacamos	que	as	estações	
do	ano	 influenciam	nessa	escolha,	há	alimentos	adequados	para	cada	uma	delas.	O	
poder	digestório	(fogo	digestivo	ou	agni,	em	sânscrito)	de	cada	um	varia,	inclusive,	de	
acordo	com	as	estações,	“afirma-se	que	no	 inverno	e	na	 juventude	a	capacidade	di-
gestiva	é	maior	que	no	verão	e	na	velhice”	(ÁGORA,	2017	p.1).	Outro	fator	que	influencia	
na	alimentação	e	que	deve	ser	observado	é	a	faixa	etária	do	indivíduo,	em	função	do	
metabolismo	que	se	altera	conforme	a	idade	(BARBOSA,	s. d.).	
O agni é considerado em todos os momentos quando 
pensamos em uma alimentação saudável, para o Ayurveda, 
pois nosso “fogo digestivo” determina a capacidade que 
temos em metabolizar os alimentos.
IMPORTANTE
A	 nutrição	 ayurvédica	 significa	 que	 você	 deve	 comer	 de	 acordo	
com	 a	 sua	 constituição	 ayurvédica	 básica.	 Por	 exemplo,	 se	 você	
tem	predominância	 de	 pitta,	 deve	 evitar	 alimentos	 que	 promovam	
este	 princípio	 vital	 e,	 se	 ingeri-los,	 deverá	 equilibrá-lo	 com	 outros	
nutrientes	que	diminuam	pitta	para	que	o	 equilíbrio	dos	princípios	
vitais	do	corpo	seja	mantido	(VERMA,	2003,	p.	185).
Seguir	uma	 rotina	alimentar	 segundo	o	Ayurveda	 requer	conhecimentos	que	
perpassam	pelos	cinco	elementos,	os	doshas,	os	“seis	sabores”	ou	“rasas”	em	sânscrito,	
entre	outros.	Lembramos	que	cada	constituição	de	tridosha	é	única	em	cada	pessoa,	
então,	a	dieta	será	descrita	de	acordo	com	o	“prakriti”	ou	constituição	individual.	Neste	
tópico,	descreveremos	de	forma	ampla	a	associação	dos	alimentos	aos	doshas,	sendo	
que	o	diagnóstico	e	orientação	sobre	uma	mudança	de	hábitos	alimentares	deve	ser	
realizada	por	um	profissional	Ayurveda,	através	de	exames,	anamnese,	entre	outros.
84
Quadro 3 – Os seis sabores ou rasas
Fonte: Barbosa (s. d., p. 8)
Sabor + Elementos Alimentos
DOCE	terra	+	água
Presente	nos	carboidratos,	amidos,	como	os	cereais,	grãos,	raízes	
(batatas,	arroz,	milho,	inhame,	mandioca,	trigo,	entre	outros)	e	no	
açúcar.	
ÁCIDO	terra	+	fogo Alimentos	fermentados	e	frutas	ácidas.
SALGADO	água	+	fogo
Os	únicos	alimentos	salgados	por	natureza	são	as	algas	marinhas	
e	alguns	frutos	do	mar.	Esse	sabor	é	obtido	pela	adição	do	sal	na	
comida.
AMARGO	ar	+	éter Vegetais	verdes	e	plantas	medicinais	(boldo,	carqueja).
PICANTE	fogo	+	ar
Geralmente	presente	nas	especiarias,	como	gengibre	e	pimentas	
em	geral.
ADSTRINGENTE	terra	+	ar Alguns	legumes	e	vegetais	e	frutas	ainda	não	maduras,	com	cica.
Cada	 sabor	 é	 constituído	 por	 dois	 elementos	 específicos.	 Ao	 analisarmos	 a	
associação	do	Quadro	3	com	os	doshas,	concluímos	os	sabores	mais	adequados	para	
cada	um.	Por	exemplo,	o	sabor	doce	é	constituído	pelos	elementos	terra	+	água,	sendo	
assim,	 pessoas	 predominantemente	 kapha	 devem	 consumir	 pequenas	 quantidades	
desse	 sabor,	 sendo	 que	 a	 própria	 constituição	 do	 biotipo	 kapha	 é	 naturalmente	
terra	 +	 água.	 Nesse	 caso,	 se	 a	 pessoa	 consumir	 muito	 doce,	 esse	 dosha	 poderá	
entrar	 em	 desequilíbrio.	 O	 doce	 deve	 ser	 consumido	 como	 pacificador	 por	 pessoas	
predominantemente	vata,	já	que	elas	não	possuem	maior	proporção	desses	elementos.
 
O	Quadro	4	demonstra	os	impactos	dos	sabores	em	cada	dosha.	
Quadro 4 – Os seis sabores e os doshas
Fonte: adaptado de Rodrigues (2015)
Sabor Impacto nos doshas
Doce Aumenta	kapha	e	reduz	pittae vata.
Ácido Aumenta,	sobretudo,	pitta,	mas	também	kapha,	reduzindo	vata.
Salgado Tende	a	agravar	kapha e pitta,	reduzindo	vata.
Amargo Agrava	naturalmente	vata,	reduzindo	pitta e kapha.
Picante
Muito	quente,	é	o	sabor	que	mais	aumenta	pitta.	É	composto	por	fogo	e	ar,	
agravando	também	vata	por	sua	qualidade	seca.	Ao	esquentar	e	secar	é	o	
mais	eficaz	para	reduzir	kapha.
Adstringente Aumenta	vata,	reduz	pitta e kapha. 
85
Observamos	 no	 Quadro	 4	 que	 cada	 sabor	 influencia	 os	 doshas.	 Eles	 podem	
“aumentar”	ou	“desarmonizar”	os	doshas,	assim	como	“diminuir”	ou	“harmonizá-los”.	Em	
outras	palavras:
•	 Pitta	é	harmonizado	pelo	sabor	doce,	depois	pelo	amargo	e	final-
mente	 pelo	 adstringente,	 sendo	 irritado,	 pelos	 sabores	 picantes,	
ácidos	e	salgado.
•	 Vata	é	harmonizado	primeiramente	pelo	 sabor	doce,	depois	pelo	
ácido	e	por	último	pelo	salgado,	mas	é	desarmonizado	(ou	irritado)	
pelo	sabor	picante,	amargo	e	adstringente.	
•	 Kapha	 é	 harmonizado	 pelos	 alimentos	 de	 sabor	 picante,	 em	
segundo	 lugar	 pelos	 amargos	 e	 por	 último	 pelos	 adstringentes,	
sendo	 desarmonizado	 primeiramente	 pelo	 sabor	 doce,	 depois	
pelo	ácido	e,	por	fim,	pelo	salgado	(LAD,	2004	apud	DE	GASPERI;	
RADUNS;	GHIORZI,	2008	p.	501).
Dessa	 forma,	 ao	 escolher	 a	 alimentação	 diária	 em	 quantidades	 maiores	 ou	
menores	de	cada	sabor,	favorecemos	o	equilíbrio	dos	doshas,	juntamente	com	outros	
hábitos	da	rotina	ayurvédica.		
Para aprofundar mais o estudo sobre os seis sabores no Ayurveda, 
os benefícios de cada um deles, suas relações com os doshas 
e uma forma de memorizá-las, assista ao vídeo no link a seguir: 
https://www.youtube.com/watch?v=3bp0xTfnjXg.
DICA
De	 acordo	 com	 o	 Charaka Samhita,	 citado	 anteriormente,	 a	 quantidade	
apropriada	de	 comida	que	devemos	 consumir	 é	 a	 que	não	perturbe	 o	 equilíbrio	 dos	
doshas,	e	o	processo	de	digestão	ocorre	no	tempo	certo,	“por	exemplo:	se	nós	jantarmos	
de	 forma	 compatível,	 pela	 manhã	 a	 comida	 já	 terá	 sido	 digerida	 e	 teremos	 fome	
novamente”	(ÁGORA,	2017,	p.	1).	É	essencial	respeitarmos	o	tempo	de	digestão,	“uma	
refeição	somente	deve	ser	tomada	depois	da	completa	digestão	da	refeição	anterior,	a	
qual	deve	ser	adequada	em	quantidade	e	qualidade	à	constituição	da	pessoa	e	ao	seu	
estado	de	saúde	atual”	(CARNEIRO,	2009,	p.	112).
 
O	Ayurveda	ensina	que	não	é	 adequado	comermos	além	da	 saciedade,	mas	
sim	“sair	da	mesa	com	um	pequeno	espaço	no	estômago.	Durante	a	refeição	podemos	
usar	um	pouco	de	água,	jamais	ser	gelada,	ou	até	uma	pequena	quantidade	de	chá	de	
ervas	digestivas	como	o	funcho	ou	erva	doce”	(ÁGORA,	2017,	p.	2).		A	seguir,	destacamos	
alguns	ensinamentos	do	Ayurveda	para	uma	alimentação	saudável:
86
•	 “Tomar	 café	 como	 um	 príncipe,	 almoçar	 como	 um	 rei	 e	 jantar	
como	um	mendigo”.	 Esta	 postura	 pode	 ser	 utilizada	 aqui,	 pois	 o	
nosso	Agni	segue	as	forças	da	natureza:	o	sol	é	o	grande	doador	
de	Agni	e	está	na	sua	plenitude	no	meio	do	dia,	quando	devemos	
fazer	a	principal	refeição.	Já	no	final	do	dia	o	poder	digestório	está	
diminuído	e	a	refeição	deve	ser	mais	leve.
•	 o	Ayurveda	 recomenda	usarmos	 os	 6	 sabores	 na	 dieta,	 ou	 seja,	
quanto	mais	variada	a	nossa	comida,	melhor	será.	Devemos	evitar	
os	 alimentos	 que	 nós	 não	 conseguimos	 imaginar	 crescendo	 na	
natureza,	pois	não	são	de	fontes	naturais	e	tornam-se	inadequados	
a	saúde	do	corpo,	como	exemplo	pode-se	citar	as	margarinas,	os	
refrigerantes	e	os	achocolatados.
•	 Nesta	 filosofia	 médica	 indiana	 acredita-se	 que	 na	 região	 e	 na	
estação	 do	 ano	 que	 nós	vivemos	 é	 onde	 achamos	 os	melhores	
alimentos	para	a	nossa	saúde.	Estes	são	encontrados	nas	feiras	
orgânicas	(ÁGORA,	2017,	p.	2).
 
Em	síntese,	a	partir	do	conhecimento	do	nosso	Prakriti	poderemos	adequar	os	
nossos	hábitos	alimentares.	Para	o	Ayurveda,	a	alimentação	mais	adequada	é	aquela	
que	favorece	o	equilíbrio	dos	seis	sabores,	sem	exagerar	no	consumo	de	nenhum	de-
les,	e	relacionando-os	com	as	condições	do	organismo	que	os	consome.	Dessa	forma,	
como	recurso	terapêutico,	essa	dieta	individualizada	pode	prevenir	e	tratar	doenças	(DE	
GASPERI;	RADUNS;	GHIORZI,	2008).
5 DINACHARYA – ROTINA AYURVÉDICA 
Dinacharya	quer	dizer	“rotina	diária”,	são	hábitos	de	autocuidado	que	o	Ayurveda	
ensina	para	 integrarmos	ao	nosso	dia	a	dia,	obtendo	seus	benefícios	à	saúde.	A	seguir,	
descreveremos	alguns	destes	hábitos.
•	 Acordar	antes	do	nascer	do	sol,	praticar	as	rotinas	espirituais	e	de	limpeza	com	calma.	
•	 Tomar	 um	 copo	 de	 água	 morna	 com	 algumas	 gotas	 de	 limão,	 o	 que	 auxilia	 na	
evacuação	(DE	LUCA;	BARROS,	2007).
•	 Limpeza	da	Boca,	dentes	e	língua:	a	higiene	destas	partes	é	de	suma	importância,	a	
boca	deve	estar	sempre	limpa.	Além	de	lavá-la	após	cada	refeição,	a	escova	de	dentes	
não	deve	ser	dura.	É	recomendado	o	uso	de	pós	de	erva	e	sal	para	limpar	os	dentes,	já	
que	a	maioria	das	pastas	dentais	contêm	químicos	que	podem	ser	prejudiciais.	Outro	
hábito	para	a	 limpeza	da	boca	é	o	de	usar	 raspadores	de	 língua	todas	as	manhãs	
para	retirar	a	sujeira	acumulada,	eles	podem	ser	de	prata,	ouro,	bronze,	sendo	mais	
utilizado	o	de	cobre	(VERMA,	2003).		Ressaltamos	que,	atualmente,	existem	pastas	
dentais	que	são	produzidas	a	base	de	plantas	e	escovas	super	macias,	que	seriam	
ideais	para	a	escovação	adequada	(CARNEIRO,	2009).
87
Para saber mais sobre o processo de higiene bucal no Ayurveda, assista 
ao vídeo a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=kmaphM_pT_g.
DICA
•	 Realizar,	pela	manhã,	os	ciclos	de	surya namaskar	 (saudação	ao	sol),	pranayamas 
(técnicas	 de	 respiração),	 assim	 como	 um	 tempo	 de	 meditação	 “a	 meditação	 faz	
uma	espécie	de	faxina	geral.	A	mente	apaziguada	auxilia	na	prevenção	de	doenças,	
acelera	a	recuperação	física	e	pode	até	curar”	(DE	LUCA;	BARROS,	2007,	p.	211).
Figura 1 – Postura de meditação
Fonte: https://br.freepik.com/fotos-gratis/full-shot-mulher-meditando_12810627.
htm#query=ayurveda&position=34&from_view=search. Acesso em: 1° set. 2022.
Aprenda a realizar surya namaskar assistindo ao vídeo através do 
link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=5jCyt5KXT10.
DICA
•	 Realizar	técnicas	de	automassagem,	tomar	banho	sem	pressa.
•	 O	café	da	manhã	deve	ser	desfrutado	de	forma	que	mate	a	fome,	sem	exageros.	Toda	
a	refeição	deve	ser	realizada	com	atenção,	sem	estímulos	externos	como	a	TV	ligada	
ou	o	uso	do	celular.	
88
•	 À	noite,	a	meditação	também	é	bem-vinda,	assim	como	uma	alimentação	leve,	de	
preferência	até	no	máximo	às	19h.	
•	 Estar	na	cama	antes	das	22h,	não	comer	e	nem	ver	TV	na	cama	(DE	LUCA;	BARROS,	
2007).
•	 O	óleo	de	gergelim	é	muito	utilizado	no	Ayurveda,	tanto	para	as	automassagens	antes	
do	banho,	como	para	realizar	um	gargarejo	que	beneficia	a	saúde	das	gengivas	e	da	
mandíbula.	
•	 Os	exercícios	físicos	são	fundamentais	na	visão	ayurvédica,	porém,	é	 importante	não	
exceder	a	prática	para	além	das	nossas	capacidades	físicas	atuais	(CARNEIRO,	2009).	
Cada	dosha	tem	o	seu	horário	específico	do	dia,	o	Ayurveda	ensina	a	utilizar	
esse	conhecimento	para	organizarmos	nossa	rotina	diária.	O	Quadro	5	demonstra	os	
horários	de	cada	dosha	e	as	orientações	do	dinacharya:
Quadro 5 – Rotina diária Ayurveda
Fonte: adaptado de Ayusante (2019)
Horário Dosha Rotina
10:00	às	14:00 Pitta
Realizar	trabalhos	que	exigem	desafios	da	mente.	 
Hora	em	que	o	agni	está	mais	forte,	almoçar	bem.
14:00	às	18:00 Vata
Criatividade.	Planejar	coisas	para	o	próximo	dia.	 
Prática	de	exercícios.
18:00	às	22:00 Kapha Jantar	leve.	Bem-estar.	Relaxamento.
22:00	às	02:00 Pita Dormir.	Processar	e	metabolizar	alimentos	e	pensamentos	do	dia.
02:00	às	06:00 Vata Sonhos.	Acordar.	Eliminação.	Meditação.	Exercício	Físico.
06:00	às	10:00 Kapha Café	da	manhã	leve.	Hora	de	trabalhar.	Produção.	Realização.
Observamos	no	Quadro	5	que	a	hora	vata	do	dia	é	das	2h	às	6h.	Esse	é	o	perío-
do	em	que	há	mais	Sattva	(ou	qualidade	do	ar).	Além	disso,	esse	momento	é	chamado	
de	Brahma-muhurta,ótimo	para	aprendizados,	considerada	a	hora	mais	pura	do	dia	
(AYUSANTE,	2019).	Por	isso,	é	recomendado	acordar	antes	do	nascer	do	sol.	Diversas	
associações	são	possíveis	de	serem	realizadas	com	base	nos	horários	dos	doshas	e	das	
orientações	do	dinachaya.
6 MASSAGEM AYURVÉDICA – ABHYANGA
Como	vimos	anteriormente,	a	automassagem	é	um	dos	hábitos	integrados	no	
dinacharya,	sendo	assim,	o	 ideal	é	realizá-la	diariamente.	As	massagens	ayurvédicas	
de	forma	geral	são	feitas	passando	óleos	vegetais	no	corpo,	como	o	óleo	de	girassol	
ou	 de	 coco:	 “o	 termo	 abhyanga	 vem	 do	 sânscrito	 e	 significa	 untar,	 friccionar	 com	
óleo.	Conhecido	 também	como	snehana externo	ou	popularmente	como	massagem	
ayurvédica”	(CARNEIRO,	2009	p.	162).	
89
Figura 2 – Óleo vegetal de coco
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/composition-with-natural-organic-coconut-oil-cosme-9EFR446. 
Acesso em: 1° set. 2022.
Os	óleos	geralmente	são	aquecidos	para	serem	utilizados	mornos,	e	são	dife-
rentes	para	cada	tipo	de	dosha.	Durante	a	massagem,	também	podem	ser	usadas	ervas.
Figura 3 – Utilização de óleo vegetal na massagem ayurvédica
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/woman-getting-ayurvedic-massage-with-organic-oil-o-83CLMN2. 
Acesso em: 1° set. 2022.
A	seguir,	apresentamos	alguns	benefícios	dessa	prática:
•	 Consegue	equilibrar	corpo-mente-energia.
•	 Reequilibra	os	doshas.
•	 Fortalece	o	sistema	imunológico,	ajudando	o	indivíduo	a	criar	re-
sistência	e	flexibilidade	internas	e	externas	para	se	defender	e	se	
adaptar	às	mudanças	e	intempéries.
•	 Promove	o	aumento	da	circulação	periférica	nos	vasos	capilares,	o	
que	auxilia	na	redução	da	pressão	arterial	e	contribui	para	aumen-
tar	a	oxigenação	dos	tecidos.
90
•	 Sendo	um	tratamento	de	rejuvenescimento	(rasayana)	do	Ayurve-
da,	o	abhyanga	aumenta	a	força	do	tecido,	melhora	a	circulação	do	
sangue,	rejuvenesce	os	tecidos,	remove	celulite,	embeleza	a	pele,	
atrasa	a	velhice,	induz	ao	sono	saudável,	promove	a	vitalidade,	pa-
cifica	desarmonias	dos	doshas	(especialmente	vata),	reduz	toxinas	
e	remove	stress	(CARNEIRO,	2009,	p.	163).
As	regiões	do	corpo	em	que	podem	ser	feitas	o	abhyanga	são:
• Mukhabhyanga	=	massagem	facial
• Padabhyanga	=	massagem	nos	pés	
• Pristhabhyanga	=	massagem	nas	costas
• Shiroabhyanga	=	massagem	na	cabeça	(CARNEIRO,	2009,	p.	163)
O	 Ayurveda	 nos	 ensina	 que	 as	 dores	 são	 consequências	 de	 acúmulos	 de	
energia,	e	obstruem	o	fluxo	dela	pelo	corpo.	A	massagem	ayurvédica	favorece	o	fluir	
do	fluxo	energético	e	desobstrui	a	dor.	Para	a	automassagem	do	dia	a	dia,	quando	não	
disponibilizamos	de	muito	tempo,	recomenda-se	massagear	os	pés	por	2	a	3	minutos,	o	
couro	cabeludo	com	movimentos	circulares	curtos,	a	testa,	atrás	das	orelhas,	a	nuca	e	
o	pescoço.	Após,	pode-se	tomar	um	banho	e	lavar	o	cabelo	(ROCHA,	2022b).				
A	shirodhara	é	outra	técnica	de	massagem	que	consiste	em	derramar	gentil-
mente	um	óleo	vegetal	confeccionado	especificamente	para	cada	prakriti	na	testa	(lo-
calização	do	ajna chakra)	da	pessoa	em	tratamento.	O	período	dessa	massagem	é	de,	
no	mínimo	30	e	no	máximo	60	minutos	(CARNEIRO,	2009).
Figura 4 – Aplicação de massagem shirodhara
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/ayurveda-massage-alternative-healing-therapy-beaut-WG2KHR2. 
Acesso em: 1° set. 2022.
A	 massagem	 da	 cabeça	 realizada	 com	 as	 mãos	 é	 chamada	 de	 champi,	 é	
importantíssima	no	Ayurveda.	Além	de	aliviar	dores	de	cabeça,	favorece	a	memória	e	
promove	a	longevidade.	Pode	ser	realizada	com	a	pessoa	sentada	em	uma	cadeira	mais	
baixa,	não	causando	desconforto	para	quem	irá	massagear.	O	óleo	deve	ser	aplicado	na	
91
ponta	dos	dedos	e	é	feita	uma	unção	do	couro	cabeludo,	esfregando	suavemente.	Após	
o	couro	cabeludo	estar	untado,	a	massagem	começa	com	o	movimento	dos	dedos	por	
todas	as	partes	da	cabeça,	depois	os	lóbulos	das	orelhas.	Esse	processo	se	repete	de	
forma	mais	vigorosa,	dependendo	da	tolerância	da	pessoa	(VERMA,	2003).
Figura 5 – Técnica de massagem na cabeça
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/young-woman-doing-healthcare-indian-traditional-tr-XJBHBGU. 
Acesso em: 1° set. 2022.
A	shantala	 corresponde	a	uma	técnica	de	massagem	específica	para	bebês,	
no	Ayurveda	é	nomeada	como	kumara abhyanga.	É	muito	parecida	com	o	abhyanga,	
o	que	muda	é	a	duração	da	massagem,	tipo	de	óleo	e	a	aplicação	em	alguns	pontos	do	
corpo	(CARNEIRO,	2009).	
Figura 6 – Massagem em bebê
Fonte: https://bit.ly/3T7YdYP. Acesso em: 1° set. 2022.
92
Existe diversas técnicas manuais no Ayurveda que não 
foram citadas. Para aprofundar seus conhecimentos 
sobre a abhyanga, assista a entrevista no vídeo a seguir: 
https://www.youtube.com/watch?v=lB281ivCEjc.
DICA
Ressaltamos	que	as	terapias	corporais	de	massagem	do	Ayurveda	são	trata-
mentos	de	saúde,	realizados	por	um	terapeuta	com	formação	que	vai	selecionar	a	forma	
de	terapia	mais	indicada	para	cada	caso.	
93
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A	“medicina	ayurvédica”	é	a	mais	antiga	ciência	da	saúde,	originária	da	Índia.
•	 Que	a	abordagem	terapêutica	do	Ayurveda	é	baseada	na	possibilidade	do	autocuida-
do,	sendo	esse	o	principal	tratamento.
•	 Na	medicina	 indiana,	 o	 corpo	é	visto	 como	o	microcosmo	que	 reflete	 as	mesmas	
propriedades	do	universo.
•	 A	abordagem	terapêutica	da	Ayurveda	é	baseada	na	possibilidade	do	autocuidado.
•	 “Doshas”	são	substâncias	materiais	presentes	em	cada	célula	do	corpo,	e	atuam	nas	
diversas	funções	dele.
•	 Ao	escolher	a	nossa	alimentação	diária,	em	quantidades	maiores	ou	menores	de	cada	
um	dos	seis	sabores	(ou	rasas),	favorecemos	o	equilíbrio	dos	doshas.
•	 O	dinacharya	nos	ensina	que,	pela	manhã,	o	ideal	é	acordar	cedo	e	praticar	uma	série	
de	atividades	que	envolvem	limpeza	do	corpo,	automassagem,	meditação,	exercícios	
físicos	e	um	café	da	manhã	leve.
•	 O	abhyanga	ou	massagem	ayurvédita	é	 realizada	com	óleos	vegetais	friccionados	 
no	corpo.	
•	 As	 regiões	do	corpo	em	que	podem	ser	 feitas	o	abhyanga	 são:	massagem	facial;	
massagem	nos	pés;	massagem	nas	costas;	massagem	na	cabeça.
RESUMO DO TÓPICO 1
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AUTOATIVIDADE
1	 Ayurveda	quer	dizer,	 literalmente,	 “conhecimento	da	vida”,	é	considerado	um	sistema	
médico	que	existe	há	aproximadamente	cinco	mil	anos.	Com	base	nos	fundamentos	
desta	racionalidade,	assinale	a	alternativa	CORRETA:	
a)	 (			)	 Os	conhecimentos	do	Ayurveda	estão	presentes	nos	Vedas,	4	obras	escritas	em	
sânscrito.	
b)	 (			)	 O	 Ayurveda	 se	 assemelha	 à	 medicina	 alopática,	 por	 suas	 constantes	
transformações	ao	longo	do	tempo.
c)	 (			)	 Para	o	Ayurveda,	o	melhor	tratamento	para	a	saúde	é	consultar	periodicamente	
um	terapeuta	com	formação	nesse	sistema	médico.	
d)	 (			)	 No	tratamento	a	partir	da	visão	ayurvédica,	o	foco	é	somente	no	corpo-mente.		
2	 Considera-se	 a	 teoria	 do	 tridosha,	 ou	 “três	 doshas”,	 o	 princípio	 de	 diagnóstico	 e	
intervenção	no	Ayurveda.	Restabelecer	as	funções	adequadas	dos	doshas	é	o	ponto	
principal	do	tratamento.	Com	base	nas	definições	desta	teoria,	analise	as	sentenças	
a	seguir:
I-	 A	proporção	dos	doshas	em	cada	corpo	é	igual	para	todos.
II-	 O	dosha	pitta	é	uma	combinação	dos	elementos	Ar	e	Água.
III-	 Cada	dosha	possui	características	ligadas	aos	elementos	que	o	constitui.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 A	partir	da	observação	da	combinação	dos	cinco	elementos,	o	Ayurveda	enumera	três	
doshas	presentes	no	corpo:	kapha, pitta e vata.	 	De	acordo	com	as	características	
dos	doshas,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(   )	A	função	do	dosha	pitta	é	colocar	a	energia	em	movimento	e	dar-lhe	uma	direção.
(   )	Os	tipos	kapha	tendem	a	ser	compassivos,	calmos	e	relaxados.
(   )	 Indivíduos	 do	 tipo	vata,	 geralmente	 tendem	a	 ter	 a	 necessidade	 de	 permanecer	
calmos	e	parados.
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Assinale	a	alternativa	que	apresentaa	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 O	Ayurveda	 afirma	 que	 é	 possível	 determinar	 os	 alimentos	mais	 adequados	 para	
cada	pessoa	de	acordo	com	o	seu	dosha	predominante.	Disserte	o	que	são	os	seis	
sabores	e	cite	dois	alimentos	que	devem	ser	consumidos	em	pequenas	quantidades	
por	pessoas	com	predominância	do	dosha	kapha.	
5	 Dinacharya	quer	dizer	rotina	diária,	são	hábitos	de	autocuidado	que	o	Ayurveda	nos	
ensina.	Um	ponto	 importante	desta	 rotina	é	a	 limpeza	da	boca.	Disserte	 sobre	os	
cuidados	com	a	higiene	bucal	de	acordo	com	os	ensinamentos	do	Ayurveda.
96
97
YOGA
UNIDADE 2 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO 
O	 Yoga	 é	 uma	 tradição	 espiritual	 milenar	 da	 Índia,	 sua	 origem	 consta	 nos	
antigos	escritos	dos	Vedas.	Não	é	possível	entender	sua	verdadeira	natureza	somente	
pela	leitura	de	um	texto	ou	de	livros	sobre	esse	tema,	pois	muito	da	compreensão	do	
Yoga	é	advinda	da	experiência	prática.	Nesse	sentido,	os	ensinamentos	presentes	nas	
escrituras	nos	mostram	a	direção	que	devemos	seguir.	
 
Vastamente	difundido	no	ocidente,	no	Brasil,	o	Yoga	é	considerado	uma	PICS	
e	pode	ser	realizado	no	SUS.	Suas	posturas	físicas	(asanas),	frequentemente	reconhe-
cidas	pela	sua	popularidade,	se	configuram	como	um	dos	métodos	de	Yoga	diante	de	
tantos	outros	que	guiam	ao	mesmo	objetivo	principal,	o	samadhi.	
 
No	Tópico	2,	 descreveremos	uma	breve	história	do	Yoga	e	 suas	 subdivisões.	
Também	abordaremos	sobre	as	suas	principais	 ramificações,	aprofundando	o	estudo	
no	Raja	Yoga	de	Patañjali,	seus	princípios	e	práticas.	Por	fim,	discutiremos	sobre	o	Yoga	
na	 contemporaneidade,	 referenciando	 estudos	 atuais	 sobre	 a	 integração	 da	 prática	 
no	SUS.
2 BREVE HISTÓRIA DO YOGA
Yoga	significa	união,	pode	ser	designado	como	qualquer	método	prático	que	
guie	ao	samadhi,	podemos	classificá-lo	como	uma	filosofia	prática	(DE	ROSE,	2007).	
Samadhi é o estado de hiperconsciência e autoconhecimento 
que o Yoga proporciona (DE ROSE, 2007, p. 51).
NOTA
Tanto	no	oriente	quanto	no	ocidente	 “o	Yoga	é	a	técnica	da	 junção	ou	união	
da	alma	individual	com	o	Espírito	absoluto.	É	um	meio	de	libertação.	É,	por	isso,	ígneo,	
quente,	intenso,	extático.	Vai	levar	você	além	de	você	mesmo;	alguns	dizem	que	pode	
levá-lo	ao	infinito”	(WILBERT,	2005,	p.	14).	Em	outras	palavras,	“da	raiz	sânscrita “yug”,	
que	significa	unir,	o	Yoga	diz	respeito	à	junção	de	corpo,	mente	e	espírito	e	um	contínuo	
98
único,	que,	por	sua	vez,	se	conecta	ao	espírito	ou	consciência	universal”	 (DE	LUCAS,	
BARROS,	 2007,	 p.	 239).	Conforme	afirma	o	grande	mestre	Paramahansa	Yogananda,	
“o	objetivo	do	caminho,	que	é	a	realização	divina,	faz	com	que	tudo	seja	possível,	pois	
ensina	a	tornar	imortal	o	que	é	mortal”	(YOGANANDA,	2014,	p.	320).	
 
Desde	 a	 antiguidade,	 o	 ser	 humano	 possui	 uma	 aspiração	 a	 obter	 o	 estado	
hiperconsciência	de	transcender	a	condição	humana	para	conectar-se	a	algo	“maior”.	
Podemos	citar	exemplos	de	fenômenos	de	diversas	partes	do	mundo,	como	nas	pinturas	
rupestres	da	Europa	Meridional	e	nos	túmulos	paleolíticos	do	Oriente	Médio.	Entretanto,	
a	 Índia	foi	berço	da	maior	variedade	de	crenças,	as	práticas	espirituais	da	população	
indiana	têm	como	objeto	uma	dimensão	de	realidade	que	vai	além	do	que	percebemos,	
chamada	de	Deus,	Ser	supremo,	o	Eterno,	o	Espírito,	o	Si	Mesmo	(transcendental)	entre	
outros	(FEUERSTEIN,	2001).
 
A	Realidade	última,	que	é	imutável,	a	pura	consciência,	é	chamada	de	Brahma,	
quando	o	“eu”	individual	se	une	a	ela	o	espírito	se	liberta	do	sentido	de	separação	“o	ser	
humano	liberta-se	de	maya,	a	 ilusão	de	tempo,	espaço	e	causa,	e	atinge	o	samadhi,	
que	é	o	estado	de	autoconsciência	e	felicidade	plena	objetivado	pelo	Yoga	(DE	LUCA,	
BARROS,	2007,	p.	239).	Nessa	visão,	tudo	no	mundo	que	é	percebido	pelos	sentidos	é	
maya	 (ou	 ilusão),	como	se	a	vida	fosse	somente	um	filme	visto	por	nossa	verdadeira	
essência,	estamos	“presos”	a	um	corpo	 limitado,	enquanto	o	espírito	é	 isolado	dessa	
realidade	alternativa,	causa	do	processo	de	reencarnações	sucessivas	(ou	samsara).
Para compreender mais sobre o conceito de samsara, assista ao 
vídeo a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=X3ZbasRw2vk.
DICA
Os	pensadores,	sábios	e	místicos	(não	somente	da	Índia),	que	procuram	explicar	
a	Deus	(ou	Realidade	última)	e	sua	relação	com	o	universo,	concordam	quase	que	em	
unanimidade	sobre	três	coisas	relacionadas	a	ele:
1.	 É	único	–	isto	é,	um	Todo	indivisível	e	completo	em	si	mesmo,	fora	
do	qual	nada	existe;
2.	 Tem	um	grau	mais	alto	de	realidade	do	que	o	mundo	da	multiplici-
dade	que	se	reflete	para	nós	através	dos	sentidos;	e
3.	 É	o	nosso	bem.	 (...)	 isto	é,	o	mais	desejável	de	todos	os	valores	
possíveis	(FEUERSTEIN,	2001	p.	26).	
Percebemos	 que	 o	 Yoga	 tem	 uma	 forte	 ligação	 com	 a	 busca	 humana	 pela	
conexão	com	algo	maior,	porém,	não	é	uma	 religião,	e	sim	a	espiritualidade	da	 Índia	
(FEUERSTEIN,	2001).	Em	resumo,	“o	Yoga	é	a	disciplina	física,	mental	e	espiritual	que	se	
originou	na	Índia	antiga,	cujo	objetivo	último	é	a	realização	do	máximo	potencial	do	ser	
99
humano”	(VILLEGAS;	PUJOL,	2017,	p.	15).	Também	não	é	uma	forma	de	ginástica,	mas	
sim:	“o	caminho	e	o	caminhar	que	conduzem	a	Deus	(...)	Religação	da	alma	individual	
com	a	Alma	Universal,	 do	homem	finito	 com	o	 Infinito,	 do	homem	 imperfeito	 com	a	
Perfeição	(...)”	(HERMÓGENES,	1980,	p.	32).
 
O	Yoga,	assim	como	a	Ayurveda	e	o	Tai	Chi	Chuan	 (TCC),	são	práticas	que	o	
homem	ocidental	está	“começando	a	experienciar,	transitar,	usufruir	e	descobrir	novas	
dimensões	de	si	mesmo,	a	partir	de	uma	perspectiva	holística	que	o	enxerga	cada	vez	
mais	como	um	ser	“bio-psico-social-espiritual””	(THRÉSKEIA,	2014,	p.	146).
 
A	origem	do	Yoga	é	datada	há	cinco	mil	anos.	No	vale	do	rio	Indo	(atual	território	
do	 Paquistão),	 houve	 descobertas	 arqueológicas	 que	 demonstraram	 figuras	 em	
posturas	 de	Yoga	 em	fósseis	 de	pedra	 (de	3	mil	 a.C).	 Já	 as	 ideias	 práticas	 surgiram	
primeiramente	nos	Vedas	(citados	no	tópico	anterior),	mais	precisamente	na	parte	das	
escrituras	denominada	“Upanishads”.	A	tradição	do	Yoga	conta	que	seu	criador	foi	Shiva 
(divindade	do	hinduísmo),	Brahma	(o	criador	do	universo)	e	Vishnu	(o	preservador)	(DE	
LUCA,	BARROS,	2007).	
Upanishad significa, literalmente, “sentar-se junto”, mas normal-
mente é traduzido como “comentário”. É que as Upanishads são 
os comentários dos Vedas e, por isso, estão situadas no final dele” 
(DE ROSE, 2007, p. 45).
NOTA
Ao	 longo	de	sua	história,	o	Yoga	 incluiu	 “um	grande	número	de	abordagens,	
escolas,	mestres,	textos,	práticas	e	termos	técnicos”	(FEUERSTEIN,	2005a,	p.	7).	Assim,	
é	dividido	em	dois	grandes	grupos:
•	 Yoga	Antigo:	que	se	subdivide	em	Pré-clássico	e	Clássico.
•	 Yoga	Moderno:	que	se	subdivide	em	Medieval	e	Contemporâneo.		
Essas	 subdivisões	 podem	 ser	 chamadas	 de	 “troncos,	 já	 que	 se	 diferenciam	
em	 suas	 características,	 e	 a	 partir	 delas	 surgiram	vários	 ramos	 de	Yoga.	 Os	 troncos	
determinam	a	fundamentação	filosófica	global	e	postura	comportamental	genérica.	Por	
outro	lado,	os	ramos	definem	que	técnicas	vão	ser	utilizadas	e	em	que	proporção”	(DE	
ROSE,	1996,	p.	19).	Os	quatro	troncos	são:
• Sámkhya	(Yoga	Antigo)	–	teórico,	naturalista.
• Vêdantá	–	(Yoga	Moderno)	teórico,	espiritualista.
• Tantra –	(Yoga	Pré-Clássico	e	Contemporâneo)	comportamental.
• Brachmácharya	–	(Yoga	Clássico	e	Medieval)	comportamental	(DE	ROSE,	1996).
100
A	seguir,	apresentamos	o	Quadro	6,	que	demonstra	a	cronologia	histórica	do	
Yoga	com	os	troncos	(antigo	e	moderno)	e	suas	divisões	(ou	ramos)	em	cada	época,	
seus	mestres	e	livros	clássicos.
Quadro 6 – Cronologia do yoga
Fonte: De Rose (1996, p. 23)
Divisão Yoga	Antigo Yoga	Moderno
Tendência Sámkhya Vêdantá
Período Pré-Clássico Clássico Medieval Contemporâneo
Época +	de	5	mil	anos
+/-	
século	
III	AC
+/-	século	
VIII
+/-	
século	XI
Antes	de	
1950
Depois	de	1950
Mestre ShivaPátañjali	 Shankara
Gôraskha	
Ramana
Ramakrishna
Vivêkánanda
Shivánanda
Aurobindo
Yogêndra
Krishnánanda
Satyánanda
Chidánanda
Vishnudêvánanda
Muktánanda
Livro Upanishad
Yoga	
Sútra
Vivêka-
Chudamani
Hatha-Yoga
Fase Proto-histórica Histórica
Fonte Shruti Smriti
Povo Drávida Árya
Sistema Tantra Brahmacharya
Observamos	no	Quadro	6	que	as	evidências	sobre	a	existência	do	Yoga	podem	
ser	constatadas	no	desenvolvimento	da	cultura	védica:
principalmente	 no	 período	 pré-clássico,	 representados	 no	Gita e nos 
Upanishads.	Estes	indícios	do	Yoga	se	consolidam	no	período	clássico,	
com	Patañjali,	e	são	desenvolvidos	no	período	pós-clássico,	com	as	
descrições	anatômicas	e	fisiológicas	nos	textos	sobre	Hatha-Yoga”	
(SIEGEL,	2010,	p.	28).
O Bhagavag Gita, é um livro sagrado do hinduísmo, a obra relata o 
diálogo do príncipe Arjuna e seu mestre Krishna em um campo de 
batalha. Nele há lições que fazem alusões com os ramos de Yoga. 
NOTA
101
O	 Yoga	 chegou	 ao	 Ocidente	 por	 intermédio	 de	 Swami	 Vivikenanda,	 que	 o	
apresentou	no	Parlamento	das	Religiões	(Chicago,	1983)	(SIEGEL;	FILICE	DE	BARROS,	
2014).	Ele	é	considerado	fundamental	na	integração	do	Yoga	e	do	Vedanta	no	Ocidente.	
No	Brasil,	Caio	Miranda	começa	a	ensinar	Yoga	em	1940,	na	Sociedade	
Teosófica	do	Rio	de	Janeiro.		Em	1960	publica	a	primeira	obra	sobre	
o	 assunto	 no	 país,	 intitulada	 Libertação	 pelo	 Yoga.	 	 Contudo,	 a	
prática	 se	 propagou	 no	 país	 durante	 os	 anos	 70,	 juntamente	 com	
outras	 terapias	 alternativas,	 introduzidas	 durante	 o	movimento	 de	
contracultura.	 	Nos	 anos	 	 	 80,	 o	Yoga	 se	 institucionalizou	 e	várias	
organizações	foram	criadas	para	 regular	os	professores	de	Yoga:	a	
Federação	de	Yoga	do	Brasil;	a	Associação	de	Yoga	do	Estado	de	São	
Paulo;	a	Associação	Brasileira	de	Professores	de	Yoga	e	a	Associação	
Brasileira	de	Yoga,	 responsável	pela	criação	do	código	e	ética	para	
professores	de	Yoga	(SIEGEL;	FILICE	DE	BARROS,	2013,	p.	173).
Nos	textos	sobre	Yoga	Clássico,	a	palavra	“doença”	é	raramente	citada,	já	que	
a	prática	era	mais	voltada	para	a	área	espiritual.	Todavia,	podemos	pressupor	que	suas	
técnicas,	quando	realizadas	de	forma	adequada,	favorecem	a	saúde	(DEVEZA,	2013b).	
Dessa	forma,	as	principais	áreas	em	que	o	Yoga	permeia	são:	a	da	saúde	e	a	espiritual.	
Muitas	pessoas	iniciam	a	prática	simplesmente	para	buscar	a	melhora	das	condições	
físicas,	outras	para	fins	espirituais	(ou	ambos).	Nesse	caso,	“o	Yoga	pode	se	configurar	
como	uma	atividade	secular,	espiritual	ou	mista”	(SIEGEL;	FILICE	DE	BARROS,	2014,	p.	
33).	Na	PNPIC,	 por	 exemplo,	 a	 definição	de	Yoga	é	 focada	mais	na	parte	 física	 e	 de	
meditação:
É	uma	prática	que	combina	posturas	físicas,	técnicas	de	respiração,	
meditação	e	relaxamento.	Atua	como	uma	prática	física,	respiratória	
e	 mental.	 Fortalece	 o	 sistema	 músculoesquelético,	 estimula	 o	
sistema	endócrino,	 expande	a	capacidade	 respiratória	 e	 exercita	o	
sistema	cognitivo.	Um	conjunto	de	ásanas	(posturas	corporais)	pode	
reduzir	a	dor	lombar	(...).	Para	harmonizar	a	respiração,	são	praticados	
exercícios	 de	 controle	 respiratório	 denominados	 de	 prânâyâmas.	
Também,	 preconiza	 o	 autocuidado,	 uma	 alimentação	 saudável	 e	 a	
prática	de	uma	ética	que	promova	a	não-violência.
A	 prática	 de	Yoga	melhora	 a	 qualidade	 de	 vida,	 reduz	 o	 estresse,	
diminui	a	frequência	cardíaca	e	a	pressão	arterial,	alivia	a	ansiedade,	
depressão	 e	 insônia,	melhora	 a	 aptidão	 física,	 força	 e	 flexibilidade	
geral	(BRASIL,	2017,	p.	1).
Em	 síntese,	 sobre	 a	 parte	 histórica,	 a	 base	 do	Yoga	 provém	 dos	Vedas,	 e	 a	
maioria	dos	 livros	 identificam	o	Yoga	descrevendo	a	 raiz	da	palavra,	 ou	 seja,	 “união”.	
Eles	discorrem	que	essa	união	acontece	entre	o	Eu	individual	com	Deus,	o	Si	Mesmo,	a	
Consciência	Cósmica,	entre	outros	nomes	utilizados	para	nos	referirmos	a	“algo	maior	
ou	além	de	nós”.	Além	disso,	também	é	relacionado	ao	samadhi,	o	estado	de	êxtase,	
de	 autorrealização.	 O	 Yoga,	 nas	 divisões	 dos	 “troncos”,	 abriu	 espaço	 para	 diversas	
ramificações	e	escolas	diferentes,	que	são	descritas	a	seguir.	
102
3 PRINCIPAIS RAMOS DO YOGA
A	retirada	da	consciência	do	mundo	externo	para	conectar-se	com	algo	“além”	
dos	sentidos,	é	possível	a	partir	do	controle	do	corpo	físico,	de	forma	que	a	energia	cós-
mica	possa	chegar	a	ele.	Isso	ocorre	por	intermédio	de	práticas	que	podem	ser:	exercí-
cios	físicos	e	respiratórios	(do	ramo	Hatha	Yoga);	por	meio	de	repetição	de	palavras	ou	
frases	para	a	mente	(Mantra	Yoga),	pelo	controle	de	nossas	ações	(Karma	Yoga),	entre	
outros	(SLATER,	2008).	Nesse	caso,	observamos	que	os	diversos	ramos	ou	métodos	do	
Yoga	buscam	o	mesmo	objetivo,	com	um	conjunto	de	técnicas	específicas.	A	seguir,	
descreveremos	alguns	dos	principais	ramos	de	Yoga.
3.1 BHAKTI YOGA – O YOGA DA DEVOÇÃO
O	significado	de	Bhakti	é	devoção.	Entretanto,	esse	tipo	de	Yoga	não	é	somente	
espiritualista.	 Ressaltamos	 que	 o	 mesmo	 conjunto	 de	 técnicas	 pode	 ser	 executado	
considerando	uma	interpretação	cultural	absolutamente	diferente,	como,	por	exemplo,	
o Bhakti	Yoga	possui	 a	 linha	Vedanta,	 que	 é	 espiritualista	 e	 cultua	 santos	 e	Deuses	
(DE	ROSE,	1982).	Assim	como	a	linha	Sámkhya,	antiga	e	autêntica,	pré-clássica,	com	
fundamentação	 naturalista,	 que	 reverenciará	 as	 forças	 da	 Natureza,	 o	 sol,	 a	 lua,	 as	
árvores,	os	rios	etc.	(DE	ROSE,	2007).	O	Bhakti	Yoga,
É,	 até	 hoje,	 o	 mais	 popular	 na	 Índia.	 Consiste	 em	 uma	 prática	
espiritual,	 que	preconiza	o	 reconhecimento	do	divino	em	todos	os	
seres	e	formas.	Por	meio	de	oração,	veneração	e	rituais	o	praticante	
se	rende	ao	Divino,	canalizando	e	transmutando	suas	emoções	em	
amor	incondicional	e	devoção.	Os	mantras	são	uma	das	partes	mais	
importantes	desse	treinamento	(CARNEIRO,	2009,	p.	182).
No Bhakti	Yoga,	o	amor	à	Deus	e	sua	criação	é	desenvolvido	“através	de	oração,	
adoração,	ritual	e,	finalmente,	rendição	de	si	mesmo	a	Deus,	ele	transmuta	suas	emo-
ções	em	amor	incondicional	ou	devoção”	(OBEROM,	2014,	p.	133).
3.2 KARMA YOGA – O YOGA DA AÇÃO COMUNITÁRIA
O	significado	de	Karma	é	ação.	Nesse	caso,	a	ação	é	induzida	por	esse	tipo	de	
Yoga,	e	se	refere	ao	trabalho,	à	realização.	Todavia,	a	ação	não	deve	ter	fins	egoístas	(DE	
ROSE,	2007).
São	todos	os	atos	do	dia	a	dia,	feitos	em	benefício	do	outro,	sem	visar	
a	qualquer	ganho	próprio.	Purifica	o	coração,	ensinando	a	agir	sem	
egoísmo.	O	desapega	dos	frutos	das	ações	ensina	a	sublimar	o	ego	
e	ajuda	a	manter	a	mente	focada,	mesmo	em	meio	a	um	turbilhão	
(CARNEIRO,	2009,	p.	182).
103
O	 Karma	 Yoga	 é	 baseado	 “no	 sentido	 de	 que	 o	 serviço	 purifica	 o	 coração,	
ensinando	 a	 pessoa	 a	 agir	 de	 forma	 desinteressada,	 sem	 pensar	 em	 ganho	 ou	
recompensa.	Ao	retirar-se	dos	frutos	das	ações	e	oferecer	a	Deus,	sublima-se	o	ego,	
dando	lugar	à	humildade	(...)”	(OBEROM,	2014,	p.	133).
3.3 JÑANA YOGA – O YOGA DO CONHECIMENTO
O	 significado	 de	Jñana	 é	 conhecimento.	A	 resposta	 para	 a	 pergunta	 “quem	
sou	eu”,	criada	pelo	nosso	próprio	psiquismo,	é	fonte	de	meditação	para	os	praticantes	
desse	Yoga	(DE	ROSE,	2007).
Consiste	na	busca	do	conhecimento	universal:	como	o	universo	foi	
criado,	o	sentido	da	vida,	como	cada	um	de	nós	se	encaixa	no	todo.	
É	a	modalidade	mais	difícil,	que	requer	uma	enorme	força	de	vontade	
e	intelecto.	O	praticante	utiliza	sua	mente	para	refletir	sobre	sua	pró-
pria	natureza	e	chegar	ao	Divino	–	ou	à	melhor	versão	de	si	mesmo,	
para	quem	preferir.	Antes	de	praticar	Jñana	Yoga,	o	aspirante	deve	
ter	integrado	as	outras	lições	dos	outros	caminhos	de	Yoga	(CARNEI-
RO,	2009,	p.	182).
Esse	ramo	do	Yoga	“busca	reconhecer	a	identidade	divina	do	ser,	e	experimentar	
assim	a	unidade	com	Deus	pelo	empenho	da	 investigação	que	dissipa	a	 ignorância”	
(OBEROM,	2014,	p.	133).	
3.4 RAJA YOGA, ASHTANGA YOGA OU YOGA DE PATAÑJALI 
O	significado	de	Raja	é	 real	 (dos	reis).	Considerado	o	Yoga	Clássico,	sua	obra	
de	referência	é	o	Yoga	Sutra	(DE	ROSE,	2007).	Podemosdizer	que	“o	Raja	oferece	um	
método	abrangente	para	controlar	as	ondas	do	pensamento,	transformando	a	nossa	
mente	e	energia	física	em	energia	espiritual”	(OBEROM,	2014,	p.	133).	
É	 o	 Yoga	 do	 controle	 físico	 e	 mental,	 do	 qual	 derivam	 todas	 as	
demais	modalidades	que	trabalham	corpo	e	que	foram	se	adaptando	
para	 suprir	 as	 necessidades	 dos	 seres	 humanos.	 É	 o	 chamado	
“caminho	real”	e	oferece	um	método	para	controlar	a	oscilação	dos	
pensamentos	e	transformar	nossa	energia	física	e	mental	em	energia	
espiritual	(CARNEIRO,	2009,	p.	183).
 
O	Raja	Yoga	foi	sistematizado	pelo	sábio	Patañjali,	sendo	desenvolvido	por	rishis 
da	Índia	antiga.	
104
Rishis foram sábios da Índia antiga, a quem os Vedas foram 
intuitivamente revelados.
NOTA
No	entanto,	Patañjali	não	“inventou”	o	Yoga,	mas	compilou	as	técnicas	a	partir	
de	trabalhos	já	existentes.	A	obra	deste	sábio	foi	composta	em	sutras	sendo	que	o	Yoga	
Sutra	é	dividido	em	quatro	capítulos:
• Samadhi Pada:	 que	 trata	 da	 definição	 de samadhi,	 um	 estado	
meditativo	da	mente	e	dos	processos	para	alcançar	este	estado.
• Sadhana Pada:	que	trata	da	prática	que	leva	ao	estado	meditativo,	
a	disciplina	que	dissolve	os	obstáculos	que	podem	ser	encontrados.
• Vibhuti Pada:	 que	 trata	 dos	 resultados	 obtidos	 com	 a	 prática	
da	 meditação	 profunda	 (samyama);	 é	 conhecimento	 que	 pode	
resultar	em	habilidades	especiais	ou	poderes.	
• Kaivalya Pada:	que	trata	do	objetivo	final	do	Yoga	proposto	nos	su-
tras,	 o	 estado	 de	 desidentificação	 e	 a	 dissolução	 do	 praticante	 no	 
Universo,	produzindo	a	liberação	(kaivalyam)	(OBEROM,	2014,	p.	135).
Os “sutras” são um tipo de composição literária sânscrita, cuja 
finalidade é facilitar a memorização de um assunto complexo. 
Extremamente concisos, apresentam o assunto de forma linear, 
sendo que cada aforismo decorre naturalmente do anterior 
(OBEROM, 2014, p. 135).
NOTA
O	Raja	Yoga	“combina	as	formas	mais	elevadas	de	outras	Yogas:	devoção,	ação	
correta,	autocontrole	físico	e	mental	e	comunhão	divina	por	meio	de	técnicas	científicas	
de	concentração	e	meditação”	(YOGANANDA,	2014,	p.	320).	Ressaltamos	que	o	Hatha 
Yoga,	conhecido	por	sua	popularidade	no	ocidente,	foi	desenvolvido	a	partir	do	Yoga	de	
Pañtajali	(OBEROM,	2014).
3.4.1 O CAMINHO DE OITO PASSOS DO RAJA YOGA DE 
PATANJALI 
O	Raja	Yoga	é	constituído	por	um	sistema	de	oito	partes,	chamado	Ashtanga 
Yoga,	mencionadas	 no	Yoga	 Sutra	 no	 capítulo	 II,	 sutra	 29,	 são	 eles:	Yama; Niyama; 
Ásana; Pranayama; Pratyahara; Dharana; Dhyana; Samadhi,	 estes	 serão	 descritos	 
a	seguir.	
105
1.	 Yama	 –	 O	 que	 não	 fazer.	 São	 cinco	 proscrições	 morais,	 subdivididos	 em	 cinco	
diretrizes:
• Ahimsa	–	o	princípio	da	não	violência:	As	ações	englobam	também	as	palavras	e	o	
pensamento.	 É	 o	 princípio	 de	 não	 realizar	 quaisquer	 ações	violentas	 em	qualquer	
momento,	 por	 qualquer	motivo	 e	 com	 qualquer	 ser,	 o	 que	 inclui	 os	 animais	 “isso	
inclui	uma	ação	correta	em	relação	aos	animais,	que	envolve	a	abolição	das	diversas	
atividades	e	diferentes	usos	a	que	foram	submetidos	pelo	homem”	(OBEROM,	2014,	
p.	165).
• Satya	–	o	princípio	da	veracidade:	dizer	sempre	a	verdade.	As	palavras	têm	um	gran-
de	poder,	quando	a	pessoa	não	mente,	tudo	o	que	fala	é	verdadeiro	e	seus	desejos	
são	realizados	(JOIS,	2020).	Melhor	dizendo,	“quando	o	indivíduo	assume	o	compro-
misso	interno	de	ater-se	à	verdade,	ela	o	protegerá”	(OBEROM,	2014,	p.	166).
• Asteya	–	o	princípio	do	não	roubar:	além	de	não	roubar	nada	que	seja	posse	de	outra	
pessoa,	Asteya	quer	dizer	não	ter	inveja,	ressentimento,	não	enganar	(JOIS,	2020).
• Brahmacharya	 –	 o	 princípio	 da	 continência,	 da	 não	 promiscuidade:	 este	 yama	
frequentemente	é	compreendido	como	celibato,	“mas	pode	ser	visto	simplesmente	
como	a	não	promiscuidade	ou	até	a	observação	da	fidelidade	conjugal”	 (OBEROM,	
2014,	p.	169).	A	prática	de	brahmacharya	tem	obstáculos,	principalmente	atualmente	
já	que	estamos	repletos	de	estímulos	sensoriais	externos.	Contudo,	podemos	adquirir	
um	certo	grau	deste	yama	 ao	não	conviver	com	pessoas	vulgares,	não	mentir	no	
relacionamento	 etc.	 (JOIS,	 2020).	 Uma	 pessoa	 que	 faz	 o	 voto	 de	 brahmacharya 
chama-se	brahmachari,	“a	escritura	hindu	afirma	que,	“pela	prática	do	brahmacharya,	
aumentam	a	longevidade,	a	glória,	a	força,	o	vigor,	o	conhecimento,	a	riqueza,	a	fama	
imorredoura,	as	virtudes	e	a	devoção	à	verdade””	(STONE,	2006).	
• Aparigraha	–	o	princípio	do	desapego,	da	não	possessividade:	Aparigraha	engloba	
a	alimentação,	os	alimentos	devem	ser	puros	e	frescos,	consumidos	em	quantidade	
suficiente	para	nutrir	o	corpo,	sem	excessos	ou	desejando	coisas	supérfluas	(JOIS,	
2020).	Neste	caso,	engloba	“a	abnegação	do	prazer	no	paladar,	especialmente	aquele	
que	gera	violência”	(OBEROM,	2014,	p.	173).	
Estas	cinco	ações	de	autocontrole	em	relação	com	o	meio	externo	criam	um	
ambiente	favorável	para	que	os	objetivos	das	práticas	sejam	alcançados,	ou	seja,	falar	
sempre	a	verdade,	não	se	apropriar	de	nada	que	não	 lhe	pertence,	não	acumular	ou	
cobiçar,	entre	outros	(DEVEZA,	2013b).	
2. Niyama	–	Cinco	prescrições	éticas.	São	o	controle	em	relação	a	si	mesmo,	também	
divididos	em	cinco	pontos:
• Saucha	–	pureza:	são	dois	tipos	de	Saucha:	a	purificação	externa	e	interna.	A	pureza	
refere-se	a	cuidados	com	o	corpo	externo,	com	a	alimentação	e	 inclusive	com	as	
condutas	sociais.
106
• Santosha	–	contentamento:	contentamento	não	no	sentido	momentâneo	por	causas	
externas	que	são	finitas,	mas	sim,	advindo	do	próprio	ser,	de	forma	a	não	sentir	mais	
nenhum	tipo	de	pesar.	O	estado	de	felicidade	interno	é	o	contentamento,	sendo	que	
os	fenômenos	da	vida	não	são	vistos	como	“positivos”	ou	“negativos”,	e	sim	chances	
de	aprender.
• Tapas	–	austeridade,	disciplina,	autossuperação:	a	autodisciplina	requer	comprome-
timento,	tapas	sugere	que	você	faça	algo	que	não	quer	visando	as	consequências	
positivas	dessa	experiência.	Um	exemplo	de	“tapas”	é	a	prática	do	jejum,	pois	refe-
re-se	a	nos	privarmos	de	algo	que	é	hábito	cotidiano	em	nossas	vidas,	dessa	forma	
podemos	perceber	a	nossa	dependência	em	coisas	externas.
• Svadhyaya	–	autoestudo,	estudo	espiritual:	O	autoestudo	é	relacionado	aos	textos	
estudados	sobre	a	natureza	essencial	do	ser,	e	a	observação	da	própria	experiência	
que	a	prática	do	Yoga	traz	(DEVEZA,	2013b).
• Ishvarapranidhana –	entrega	a	Deus,	confiança	e	dedicação	ao	Divino:	A	auto	entrega	
a	Deus	faz	parte	da	devoção,	o	 Ishvarapranidhana	nos	ensina	a	entregar	 inclusive	
nossas	ações	a	uma	vontade	superior	a	nossa.	
Os	Niyamas	são	“observâncias”,	ou	seja,	referentes	à	relação	do	Yogue	consigo	
mesmo.	O	autoestudo	é	relacionado	aos	textos	estudados	sobre	a	natureza	essencial	do	
ser,	e	a	observação	da	própria	experiência	que	a	prática	do	Yoga	traz	(DEVEZA,	2013b).	
3. Asanas	–	São	chamadas	de	“posturas	psicofísicas”,	por	quê:	
além	de	promoverem	alongamentos	de	grupos	musculares	para	 re-
laxamento	físico,	associam	visualizações	e	movimentos	respiratórios	
específicos	que	alteram	também	estados	de	consciência.	Uma	boa	
prática	de	posturas	deve	 incluir	conforto	e	estabilidade	na	posição	
final	do	corpo,	relaxamento	de	todo	esforço	desnecessário	para	sua	
execução	e	a	etapa	psíquica	da	postura	que	segundo	Patañjali	é	a	
fusão	da	consciência	com	o	ilimitado	(DEVEZA,	2013b,	p.	208).
De	acordo	com	a	história,	o	sentido	proposto	por	Patañjali	nos	asanas	 “seria	
estar	assentado	de	forma	estável	e	confortável.	Posteriormente,	os	documentos	trazem	
variadas	formas	de	posturas	que,	inclusive,	são	intensas	e	fortes,	e	trabalham	o	equilíbrio	
do	 corpo	 e	 da	mente”	 (OBEROM,	 2014,	 p.	 137).	 Nesse	 caso,	 no	 princípio	 do	Yoga,	 as	
posturas	praticadas	eram	o	padmasana	(posição	de	lótus	completa)	ou	o	siddhasana 
(posição	 de	 lótus	 simplificada).	 Estes	 dois	 asanas	 mantém	 a	 coluna	 ereta,	 o	 que	 é	
condição	básica	para	a	realização	de	exercícios	respiratórios	e	da	meditação.	Contudo,	
“com	o	passar	 dotempo,	 os	mestres	Yogins	 sentiram	a	necessidade	de	 fortalecer	 o	
corpo	para	melhor	atingir	o	objetivo	final	do	Yoga.	A	saúde	é	um	fator	indispensável	para	
se	conseguir	evoluir	na	prática”	(CARNEIRO,	2009,	p.	186).
107
Figura 7 – Exemplo de Asana - Postura psicofísica de Yoga
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/girl-practicing-yoga-on-fitness-mat-in-yard-NSNYTWR. 
Acesso em: 1° set. 2022.
Todo	asana	tem	três	estágios:	Entrada	na	postura,	permanência	e	sa-
ída.	O	verdadeiro	trabalho	é	feito	durante	a	permanência.	Com	o	pas-
sar	do	tempo,	o	Yogin	chega	a	um	ponto	em	que	pode	permanecer	
em	determinada	postura	sem	qualquer	flutuação	da	mente.	É	nesse	
momento	 que	 ele	 de	 fato	 pratica	 um	 asana,	 definido	 por	 Patañjali	
como	“a	postura	tão	firme	e	tão	controlável	que	se	pode	permanecer	
nela	enquanto	se	medita	no	infinito”	(CARNEIRO,	2009,	p.	187).
Os	asanas	preparam	o	corpo	para	a	meditação.	Durante	a	prática,	a	respiração	é	
controlada	em	cada	movimento.	As	posturas	podem	ser	desde	as	mais	simples	até	mais	
complexas.	Elas	promovem	maior	estabilidade	e	flexibilidade	do	corpo.
O	mais	importante	é	que	as	posturas	são	somente	a	“pele”	do	Yoga.	
Por	trás	delas	se	oculta	a	“carne	e	o	sangue”	do	controle	da	respiração	
e	 das	 técnicas	 mentais	 que	 são	 ainda	 mais	 difíceis	 de	 aprender,	
além	de	práticas	morais	que	exigem	toda	uma	vida	de	perseverante	
aplicação	 e	 correspondem	 ao	 esqueleto	 do	 corpo	 (FEUERSTEIN,	
2005b,	p.	19).
	Os	asanas	são	frequentemente	confundidos	com	“ginástica”,	o	que	é	um	erro.	
Os	yamas e niyamas	 são	 o	 seu	 apoio,	 e,	 além	do	 físico,	 elas	 impactam	nos	 nossos	
pensamentos	e	emoções,	mantendo	a	calma.	
4.	Pranayama	–	Domínio	da	bioenergia	através	de	exercícios	 respiratórios:	o	objetivo	
principal	 desta	 prática	 é	 a	 retenção	 da	 respiração,	 preparando	 a	 pessoa	 para	 as	
técnicas	de	concentração	(DEVEZA,	2013b).	
Um	exemplo	de	pranayama	é	o	Nadi-shodana	 (Nadi	=	conduto	energético	e	
shodhana	=	limpeza).	O	passo	a	passo	para	a	realização	do	exercício	é	o	seguinte:
108
Sentar-se	com	a	coluna	e	os	olhos	fechados.
Unindo	polegar	e	 indicador	da	mão	direita,	usar	o	dedo	médio	para	
obstruir	a	narina	direita	e	inspirar	pela	esquerda.
Reter	o	ar	com	os	pulmões	cheios	e,	ainda	com	os	pulmões	cheios,	
trocar	 a	 narina	 em	atividade,	 obstruindo	 a	 narina	 esquerda	 com	o	
mesmo	dedo	e	expirar	pela	direita.
Reter	o	ar	com	os	pulmões	vazios	e	inspirar	novamente	pela	narina	
direita	–	ou	seja,	a	mesma	narina	que	acabou	de	fazer	a	expiração.
Reter	 o	 ar	 com	os	 pulmões	 cheios,	 trocar	 a	 narina	 em	atividade	 e	
expirar	pela	narina	esquerda	(DE	LUCA,	BARROS,	2007,	p.	266).
Figura 8 – Demonstração de Nadi-shodana
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/fit-woman-practicing-yoga-pranayama-breath-control-T8GM6PZ. 
Acesso em: 6 set. 2022.
Recomenda-se	 que,	 inicialmente,	 seja	 realizado	 três	 ciclos	 completos	 do	
exercício,	aumentando	o	tempo	até	10	minutos	(DE	LUCA,	BARROS,	2007).
5.	Pratyahara	 –	 “Ahara”	 significa	 em	 sânscrito	 “alimento”	 no	 sentido	 de	 coisas	 que	
consumimos	 de	 fontes	 externas	 (ar,	 água,	 pensamentos,	 emoções...),	 e	 “prati” 
significa	“controle”	ou	“afastado”	(THAKUR;	SINGH;	TRIPATHI,	2019).	Pratyahara	é	a	
abstração	dos	sentidos	externos,	uma	forma	de	introspecção	para	a	maior	atenção	
às	experiências	psíquicas	 (DEVEZA,	2013b).	É	uma	forma	de	 “recolher	os	sentidos	
para	não	 ser	 afetado	pelos	 estímulos	 externos,	 que	poluem	a	busca	pelo	 silêncio	
interno”	(OBEROM,	2014,	p.	186).	
6.	Dharana	–	Concentração	mental,	focar	a	atenção	do	pensamento	somente	em	uma	
coisa,	frequentemente	essas	práticas	incluem:	“atenção	em	partes	do	corpo,	(...)	fi-
guras	de	divindades	ou	seus	atributos,	na	própria	respiração,	num	som	ou	num	dia-
109
grama	místico	(mantras	e	yantras,	respectivamente)	ou	na	observação	dos	próprios	
pensamentos”	(DEVEZA	2013b,	p.	209).	Esses	métodos	auxiliam	no	desenvolvimento	
do	poder	de	atenção.	
7.	 Dhyana	 –	 Meditação:	 os	 limites	 dessas	 três	 últimas	 partes	 são	 difíceis	 de	 serem	
explicados,	sendo	que	“a	passagem	de	uma	para	outra	é	muito	sutil	e	não	tem	uma	
marca	 distintiva	 explícita”	 (DEZEVA,	 2013b,	 p.	 209).	 A	 meditação	 também	 exige	
concentração,	sendo	um	resultado	“espontâneo	da	consciência	quando	firmada	em	
si	mesma,	sem	oscilações,	concentrada,	assim	constitui	a	postura	perfeita	para	gerar	
a	pressão	que	desperta	e	condiciona	o	florescimento	do	estado	transcendental,	livre	
de	barreiras”	(OBEROM,	2014,	p.	189).
 
Os	benefícios	da	prática	frequente	de	meditação	são	muitos,	entre	eles	estão:	
“acalmar	o	sistema	nervoso;	controlar	a	tendência	ao	medo	e	à	ansiedade;	contraba-
lançar	a	hipersensitividade	e	hiperatividade;	ajuda	na	conciliação	do	sono;	melhorar	a	
digestão;	otimiza	o	sistema	imunológico”	(CARNEIRO,	2009,	p.	206).
8.	Samadhi	–	Estado	de	hiperconsciência,	de	integração.	Como	já	citado	anteriormente,	
é	o	objetivo	maior	do	Yoga	“o	estado	de	integração	ocorre	quando	a	concentração	
no	objeto	de	meditação	é	tal	que,	a	consciência	individual	do	observador	e	do	objeto	
observado	 paulatinamente	 se	 fundem	 em	 etapas	 sucessivas	 de	 concentração”	
(DEVEZA,	2013b,	p.	209).
Os	 quatro	 ramos	 do	Yoga	 citados	 anteriormente,	 se	 desdobraram	 em	várias	
modalidades,	sendo	populares,	entre	tantas	outras,	os	seguintes	tipos:
 
•	 Hatha	Yoga:	forte	nas	posturas	corporais
•	 Swasthya	Yoga:	a	prática	em	forma	de	coreografia
•	 Iyengar	Yoga:	privilegia	o	trabalho	de	alinhamento	corporal
•	 Ashtanga	Vinyasa	Yoga:	privilegia	o	movimento	acoplado	à	respiração
•	 Kundalini	Yoga:	trabalha	a	energia	dando	ênfase	aos	respiratórios	
(CARNEIRO,	2009,	p.	199).
Em	síntese,	o	Yoga	é	dividido	em	diversos	ramos,	citamos	alguns	dos	principais	
tipos,	 porém	 existem	 outros,	 e	 não	 há	 um	 consenso	 sobre	 o	 número	 de	 escolas	
existentes	na	atualidade.	As	abordagens	podem	ser	mais	relacionadas	ao	corpo	físico,	
mais	devocionais.	Podem	ser	utilizadas	individualmente	ou	em	conjunto.	O	Raja	Yoga	
contempla	as	formas	mais	elevadas	de	outros	Yogas,	seus	ensinamentos	perpassam	
pelo	 exercício	 do	 autocontrole	 físico	 e	mental,	 a	 comunhão	 com	 o	 divino.	 Ensinam	
também	as	ações	adequadas	para	lidarmos	com	o	mundo	exterior,	os	yamas e niyamas.	
As	 experiências	 individuais	 advindas	das	práticas	 (asana,	meditação,	pranayama	 ou	
outra	qualquer),	se	transformam	em	sabedoria	aplicável	no	dia	a	dia.	
110
4 PRÁTICAS DE YOGA NA CONTEMPORANEIDADE – SUS
A	partir	da	 inserção	do	Yoga	na	PNPIC,	foi	possível	de	se	ofertar	esta	prática	
para	as	comunidades	no	Brasil,	sendo	constituinte	de	uma	política	pública	na	atenção	
primária	 à	 saúde.	 A	 partir	 desse	 momento,	 conheceremos	 alguns	 exemplos	 de	
experiências	de	implantação	do	Yoga	no	SUS,	convidando	à	reflexão	sobre	sua	aplicação	 
na	contemporaneidade	a	partir	da	sua	inserção	na	PNPIC.
A	Universidade	Federal	de	Minas	Gerais	(MG),	através	do	seu	programa	de	ex-
tensão,	em	parceria	com	a	Prefeitura	de	Ituiuaba	–	MG	–	capacitaram	profissionais	de	
saúde	para	promoverem	a	prática	da	Sahaja	Yoga	no	SUS	desse	município,	com	a	im-
plantação	de	meditação	gratuita	para	a	comunidade	em	geral,	especialmente	aos	ido-
sos.	O	Sahaja Yoga	é	um	método	de	meditação	que	permite	ao	participante	vivenciar	a	
prática	com	a	mente	consciente	no	presente.	Essa	técnica	promove	a	tranquilidade	à	
medida	que	se	desperta	o	silêncio	interior,	atua	na	redução	do	estresse,	atenção	focada	
e	relaxamento	(STUCHI;	FREIRE;	CALABRIA,	2020).	
O	yoga	também	é	visto	como	uma	ferramenta	útil	na	saúde	mental,	
especialmente	 para	 tratar	 os	 transtornos	 mentais	 comuns	 em	
pacientes	que	não	se	adequam	ao	tratamento	medicamentoso.	Além	
disso,	um	dos	subtipos	do	yoga,	que	é	o	Nidra,	tem	revelado	bons	
resultados	contra	os	distúrbios	do	sono	(SIEGEL,	2010,	p.	90).
No	município	de	Niterói	 –	RJ	–,	 o	Yoga	foi	 ofertado	para	mães	que	estavam	
cadastradas	 no	 Banco	 de	 Leite	 Humano	 e	 amamentando	 de	 forma	 exclusiva.Um	
estudo	mostrou	que	as	emoções	negativas	relatadas	pelas	participantes	no	processo	
do	 aleitamento	 materno	 foram	 minimizadas	 pela	 prática	 do	 Yoga	 como	 recurso	
terapêutico,	 assim	como	houve	modificação	do	 enfrentamento	das	 inseguranças	no	
amamentar,	 além	do	 suporte	 e	 rede	de	 apoio	 com	as	 outras	mulheres	 participantes	
da	 prática	 de	Yoga	 (AGUIAR	 et al.,	 2021).	 Nesse	 caso,	 o	Yoga	 aplicado	 às	mulheres	
lactantes	demonstrou	ser	uma	prática	importante	e	com	muitos	benefícios	para	esse	
público-alvo.	Nesse	momento	da	vida,	de	dedicação	quase	que	exclusiva	ao	bebê,	o	
Yoga	promove	um	momento	de	relaxamento	para	as	mães,	sendo	utilizado	como	um	
recurso	terapêutico.
O	Yoga,	 inclusive,	 demonstrou	 resultados	 como	 tratamento	 para	 dor	 crônica	
e	aguda	em	adultos	e	 idosos,	principalmente	em	relação	à	dor	 lombar	e	cervical.	Um	
estudo	 demonstrou	 que	 “a	 qualidade	 de	 vida	 e	 o	 humor	melhoraram	 com	Yoga	 em	
relação	a	cuidados	habituais”	(RIBEIRO	et al.,	2019,	p.	2).
Entre	os	principais	benefícios	obtidos	por	meio	da	prática	do	yoga	
estão	 a	 redução	 do	 estresse,	 a	 regulação	 do	 sistema	 nervoso	 e	
respiratório,	o	equilíbrio	do	sono,	o	aumento	da	vitalidade	psicofísica,	
o	 equilíbrio	 da	 produção	 hormonal,	 o	 fortalecimento	 do	 sistema	
imunológico,	 o	 aumento	 da	 capacidade	 de	 concentração	 e	 de	
criatividade	e	a	promoção	da	reeducação	mental	com	consequente	
melhoria	dos	quadros	de	humor,	o	que	reverbera	na	qualidade	de	vida	
dos	praticantes	(PINTO,	2021	p.	17).
111
Outra	perspectiva	contemporânea	é	a	 implantação	das	PICS	nos	espaços	da	
escola,	atuando	com	alunos	e	professores.	O	Yoga,	por	exemplo,	foi	incluído	numa	escola	
pública	em	Santa	Catarina	com	o	objetivo	de	contribuir	para	a	diminuição	do	estresse	
e	a	inibição	das	crianças	em	sala	de	aula,	aumentar	a	autoconfiança	e	a	concentração	
(SILVA,	2008).	
 
A	aplicação	do	Yoga	no	espaço	escolar	com	as	crianças	buscou	se	aproximar	
dos	 ensinamentos	 do	 Yoga	 de	 Patañjali	 e	 suas	 etapas,	 conforme	 descrito	 a	 seguir	
(SILVA,	2008):
a)	 Viver	juntos:	O	objetivo	é	conseguir	que	a	criança	viva	a	sensação	
de	pertencer	a	um	grupo	que	viaja	num	mesmo	barco.	Pretende	
se	 formar	 o	 espírito	 de	 equipe,	 desenvolvendo	 o	 sentido	 de	
responsabilidade	 diante	 do	 contexto.	 Os	 educadores	 são	 os	
capitães	responsáveis	pelo	ambiente	e	pelo	estado	de	ânimo	de	
toda	a	tripulação.
b)	 Eliminar	 toxinas	 e	 pensamentos	 negativos:	 Limpar	 a	 casa:	 Este	
segundo	ponto	refere	se	ao	pensamento	positivo,	ao	cultivá-lo,	a	
mente	acalmasse	e	aliviasse	de	seu	fardo	de	temores	e	angústias.	
Os	exercícios	de	desbloqueio,	de	abertura,	de	irrigação	do	cérebro	
são	partes	da	higiene	básica	da	vida	em	sala	de	aula.	
c)	 Adotar	 postura	 correta:	 A	 coluna	 vertebral	 foi	 denominada	 de	
"árvore	da	vida".	Seu	endireitamento	e	cuidado	diário	terão	uma	
influência	 decisiva	 sobre	 o	 nosso	 comportamento	 psíquico	 e	
saúde	física.	
d)	 Respirar	 bem,	 ter	 calma:	 Aqui	 são	 equilibradas	 as	 energias	
através	de	um	bom	domínio	da	respiração.	É	possível	sentir	que	
respiramos	com	todo	o	corpo	e	não	só	com	os	pulmões.	Exercícios	
respiratórios	 adequados	 conseguem	 tanto	 acalmar	 aos	 alunos	
quanto	energizá	-los.	Quando	experimentamos	essa	sensação	em	
cada	uma	das	fibras	de	nosso	ser,	nos	invade	um	profundo	bem-
estar.	A	tomada	de	consciência	de	uma	respiração	amplificada	é	o	
segredo	de	um	domínio	potencial	sobre	nossos	órgãos.	Portanto,	
é	um	fator	essencial	para	manter	a	saúde.	
e)	 Relaxamento:	Tal	como	as	fotos	são	desenvolvidas	em	uma	câ-
mara	 escura,	 as	 informações	 são	 gravadas	 na	 massa	 cerebral	
graças	ao	descanso.	Por	isso	a	pausa	é	tão	importante	na	apren-
dizagem.	Se	concedermos	pausas	em	nosso	tempo	pedagógico,	
permitiremos	que	o	aluno	processe	a	informação	que	acabamos	
de	entregar	lhes.	Pequenos	espaços	de	relaxamento	injetados	no	
curso	sob	diferentes	formas	tornam-se	grandes	no	caminho	que	
permite	ao	cérebro	digerir	e	assimilar	as	informações	recebidas.	
f)	 Concentração:	É	neste	nível	que	se	 joga	a	qualidade	de	apren-
dizagem	 em	nosso	 ensino:	 concentrar	 se,	 ser	 capaz	 de	 prestar	
atenção,	escutar	para	reter	o	que	devemos	guardar	na	cabeça.	É	
aqui	que	nos	é	de	grande	ajuda	o	cultivo	dos	sentidos	interiores.	
Por	exemplo,	posso	suscitar	em	mim	a	imagem	de	algo	percebi-
do	no	exterior,	evocar	um	som,	um	cheiro	ou	voltar	a	encontrar	
uma	sensação	táctil.	De	tal	modo,	os	conhecimentos	que	são	in-
cutidos	não	serão	 letra	morta	e	sim	um	saber	VIVO.	A	criatividade	
tirará	muito	 proveito	 desse	 cultivo	 intenso	 dos	 sentidos	 interiores	 
(SILVA,	2008,	p.	3).
112
O	Yoga	 (assim	como	as	outras	terapias	 inclusas	na	PNPIC)	possui	ainda	muitos	
territórios	para	chegar.	A	área	da	educação	é	um	campo	necessário	para	a	atuação,	há	
muito	a	ser	feito	se	tratando	de	promoção	da	saúde	nesses	espaços.
São	inúmeros,	igualmente,	os	benefícios	do	Yoga	integrado	à	Educa-
ção	nas	escolas.	Embora	este	campo	de	atuação	esteja	só	brevemente	
florescendo,	as	experiências	que	existem	são	suficientes	para	a	de-
monstração	de	uma	melhora	no	aprendizado,	um	apaziguamento	de	
crianças	hiperativas,	uma	melhora	no	relacionamento	com	os	colegas	
e	professores	em	classe,	pois	as	crianças	aprendem	a	lidar	melhor	com	
suas	dores	físicas	e	emocionais,	a	se	mover	com	maior	agilidade	no	
espaço	e	tempo	escolar	através	de	uma	percepção	mais	adequada	de	
si	mesma,	do	outro	e	do	seu	entorno	(VÉRAS,		2004,	p.	33).
Em	São	Paulo,	o	Yoga	foi	implantado	em	uma	escola	da	rede	pública	de	ensino,	
localizada	em	uma	periferia.	O	grupo	foi	constituído	por	crianças	entre	sete	e	onze	anos	
de	idade.	Os	resultados	do	estudo	demostraram	que	os	participantes	tiveram	interesse	
pelas	 aulas,	 com	 frequência	 acima	 de	 70%.	Os	 pais	 relataram	que	 perceberam	 seus	
filhos	 mais	 felizes,	 calmos,	 concentrados	 e	 relacionando-se	 melhor	 com	 familiares	
e	 amigos,	 observaram	 também	 que	 despertaram	 a	 autoconfiança	 e	 estavam	 mais	
seguros.	As	crianças	relataram	que	se	sentiram	mais	calmas	e	com	sensação	de	bem-
estar	(CORRÊA;	COSTA,	2021).
 
A	prática	do	Yoga	também	é	benéfica	para	a	pessoa	idosa.	Durante	a	pandemia	
da	COVID-19,	ela	foi	aplicada	de	forma	remota	via	teleatendimento	para	o	público	acima	
de	60	anos,	com	o	objetivo	de	“ter	o	acesso	ao	cuidado,	sem	que	necessitasse	sair	de	
suas	casas	se	expondo	ao	risco	de	contaminação”	(FERREIRA,	2020,	p.	1).	
A	 pandemia	 da	 COVID-19	 teve	 impactos	 significativos	 em	 diversos	 âmbitos,	
causando	 uma	 diminuição	 da	 qualidade	 de	 vida,	 sobretudo	 das	 pessoas	 idosas.	 A	
reclusão	imposta	e	os	riscos	à	saúde	das	pessoas	mais	vulneráveis	à	doença	colocaram	
essa	população	em	uma	situação	de	perda	de	seus	direitos,	de	falta	de	convivência	com	
os	amigos	e	familiares,	algumas	vezes	até	proibição	de	circulação	(direito	de	ir	e	vir),	e	
de	acesso	a	diversos	serviços.
O	Yoga	é	uma	ferramenta	importante	para	o	cuidado	da	pessoa	ido-
sa,	pois,	durante	esta	atividade,	são	trabalhados	aspectos	físicos	im-
portantes	para	promoção	da	 saúde	do	 idoso	como	a	 lateralidade,	 o	
ritmo,	o	equilíbrio	e	a	consciência	corporal,	além	da	melhora	de	as-
pectos	psicológicos,	já	que	o	Yoga	prestigia	valores	como	simplicida-
de,	ingenuidade,	pureza,	contentamento,	verdade,	retidão,	amor,	paz	
e	não	violência.	Valores	estes	que	são	de	muita	 importância	em	um	 
momento	tão	difícil	como	o	da	Pandemia”	(FERREIRA,	2020,	p.	1).
113
A	prática	do	Yoga,	como	citado	anteriormente,	é	voltada	tanto	para	a	mente	
quanto	 para	 o	 corpo.	 Pode	 abranger	 técnicas	 fisiológicas	 e	 psíquicas,	 e	 visa	 uma	
conexão	íntima	com	a	sua	essência	(SIEGEL,	2010).	Dessa	forma,	permite	a	comunhão	
com	o	corpo	através	das	posturas,	a	ampliação	da	consciência	pelo	estado	meditativo	
que	a	prática	promove,	assim	como	o	autoconhecimento,	sendo	que	o	Yoga	é	praticado	
em	silêncio,	em	um	momento	de	interiorização.	
O	 yoga	 chegou	 ao	 Ocidente	 há	 pouco	 mais	 de	 umséculo	 e	
rapidamente	se	espalhou	às	principais	capitais	do	mundo	ocidental,	
daí	a	importância	de	pesquisá-lo	com	suas	aplicações	para	o	campo	
da	saúde.	No	que	tange	aos	diferentes	tipos	de	yoga,	todos	aqueles	
que	chegaram	até	a	 atualidade	 incluem	variações	dos	oito	passos	
do	 yoga	 Clássico,	 temperados	 com	 algumas	 técnicas	 menores	
diferentes,	 tendendo	 mais	 para	 a	 devoção,	 o	 estudo,	 o	 serviço,	
a	 prática	 de	 posturas	 físicas,	 a	 recitação	 de	 mantras,	 ou	 uma	
combinação	 de	 algumas	 ou	 todas	 as	 técnicas	 anteriores	 (SIEGEL,	
2010	p.	29).
A	partir	da	implantação	do	Yoga	como	PICS,	e	sendo	cada	vez	mais	inserido	nos	
espaços	do	SUS	para	a	população,	percebemos	o	quanto	essa	prática	se	popularizou,	
sendo	reconhecida	pelos	seus	benefícios	e	melhora	da	qualidade	de	vida	dos	usuários.	
A	 inserção	 do	 Yoga	 no	 SUS	 demonstra	 eficácia	 diante	 de	 vários	 estudos	 que	 já	
comprovaram	seus	benefícios	para	a	comunidade.
114
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A	palavra	Yoga	quer	dizer	“união”,	e	sua	origem	é	datada	há	cinco	mil	anos.	As	ideias	
práticas	surgiram	primeiramente	nos	Vedas.	
•	 Ao	longo	da	história	foi	incluído	no	Yoga	várias	abordagens,	escolas,	mestres,	textos,	
práticas	e	termos	técnicos.
•	 Os	quatro	principais	ramos	do	Yoga	citados	neste	tópico	são:	Bhakti	Yoga	–	o	Yoga	
da	devoção;	Karma	Yoga	–	o	Yoga	da	ação	comunitária;	Jñana	Yoga	–	o	Yoga	do	
Conhecimento;	Raja	Yoga	–	o	Yoga	de	Patañjali.	
•	 Os	diversos	ramos	ou	métodos	do	Yoga	buscam	o	mesmo	objetivo,	o	samadhi.
• Samadhi	é	o	estado	de	hiperconsciência	e	autoconhecimento	que	o	Yoga	proporciona.
•	 O	significado	de	Raja	é	real	(dos	reis)	e	é	considerado	o	Yoga	Clássico.
•	 O	Raja	Yoga	não	foi	inventado	por	Patañjali,	mas	este	sábio	compilou	as	técnicas	a	
partir	de	trabalhos	já	existentes	no	seu	“Yoga	Sutra”.		
•	 O	Raja	Yoga	é	constituído	por	um	sistema	de	oito	partes,	chamado	Ashtanga Yoga.	
•	 Os	asanas	são	posturas	psicofísicas	de	Yoga.	Durante	cada	movimento,	a	respiração	
deve	ser	controlada.
•	 A	 inserção	do	Yoga	no	SUS	demonstra	ser	efetiva	diante	de	vários	estudos	que	 já	
comprovaram	seus	benefícios	e	suas	eficácias	para	a	comunidade.
RESUMO DO TÓPICO 2
115
AUTOATIVIDADE
1	 O	Yoga	é	uma	prática	milenar	originaria	no	oriente	e	difundida	pelo	ocidente.	Ele	é	di-
vidido	em	dois	“troncos”:	Yoga	Antigo	e	Yoga	Moderno.	Com	base	nessas	subdivisões,	
assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 O	Yoga	Antigo	se	subdivide	em	Pré-clássico	e	Clássico.
b)	 (			)	 Os	troncos	definem	que	técnicas	que	serão	utilizadas	e	em	que	proporção,	 já	
os	 ramos	 de	 Yoga	 determinam	 a	 fundamentação	 filosófica	 global	 e	 postural	
comportamental	genérica.
c)	 (			)	 O	Yoga	Tantra	é	um	sistema	Clássico	de	Yoga.		
d)	 (			)	 Mesmo	 com	 abordagens	 práticas	 diferentes	 provenientes	 dos	 troncos,	 são	
poucas	as	escolas	de	Yoga.	
2	 O	Raja	Yoga	é	constituído	por	um	sistema	de	oito	partes,	chamado	Ashtanga Yoga,	
mencionadas	no	Yoga	Sutra	no	capítulo	II,	sutra	29.	Sobre	este	sistema,	analise	as	
sentenças	a	seguir:
I-	 Os	yamas	são	proscrições	morais.	Nos	indicam	o	que	não	fazer.	Entre	seus	princí-
pios	está	a	não	violência	contra	qualquer	ser,	inclusive	os	animais.	
II-	 O	princípio	do	desapego,	aparigraha,	engloba	a	alimentação,	os	alimentos	devem	
ser	consumidos	em	quantidade	suficiente	para	nutrir	o	corpo,	sem	excessos.
III-	 O	princípio	de	satya	ensina	o	total	celibato	para	manter	a	força	vital.	
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 Os	niyamas	 são	 “observâncias”	 referentes	à	 relação	do	Yogue	consigo	mesmo,	ou	
seja,	seu	autocontrole.	A	partir	dos	cinco niyamas citados,	classifique	V	para	as	sen-
tenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(   )	A	pureza	refere-se	a	cuidados	com	o	corpo	externo,	com	a	alimentação	e	inclusive	
com	as	condutas	sociais.
(   )	A	 auto	 entrega	 a	Deus	 faz	 parte	 da	devoção,	 o	 ishvarapranidhana	 nos	 ensina	 a	
entregar,	inclusive,	nossas	ações	a	uma	vontade	superior	à	nossa.
(   )	Tapas	sugere	que	você	faça	tudo	o	que	quer,	visando	as	consequências	positivas	
dessa	experiência.	
116
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	V	–	V.
c)	 (			)	 V	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 Os	asanas	são	posturas	psicofísicas,	cujo	sentido	proposto	seria	estar	assentado	de	
forma	estável	e	confortável.	Com	o	passar	do	tempo,	os	mestres	Yogins	sentiram	a	
necessidade	de	fortalecer	o	corpo	para	melhor	atingir	o	objetivo	final	do	Yoga.	Disser-
te	sobre	os	asanas	e	porque	não	podem	ser	comparados	a	simplesmente	ginástica.	
5	 É	possível	ofertar	Yoga	no	SUS	a	partir	da	sua	integração	na	PNPIC.	A	sua	inserção	na	
rede	de	saúde	promove	diversos	benefícios	para	os	usuários,	principalmente	na	rede	
de	atenção	primária.	Nesse	contexto,	disserte	os	trabalhos	científicos	publicados	que	
discorrem	sobre	estes	benefícios.	
117
TÓPICO 3 — 
TAI CHI CHUAN – MEDICINA CHINESA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico,	o	TCC	é	considerado	uma	arte	milenar	oriunda	do	Oriente.	Durante	a	
prática,	ocorre	a	circulação	do	Qi	(energia),	manifestado	através	do	corpo	em	movimento	
em	determinadas	posturas	e	sequências.	O	silêncio	e	a	atenção	plena	existentes	em	
sua	condução	permitem	acessar	um	estado	meditativo	e	viabilizar	a	transmutação	de	
emoções.	 Essa	 prática	 corporal	 favorece,	 entre	 outros	 benefícios:	 alívio	 do	 estresse,	
fortalecimento	dos	músculos,	autoconhecimento	e	longevidade.
 
O	 TCC	 foi	 inserido	 na	 PNPIC	 como	 prática	 corporal	 da	 Medicina	 Tradicional	
Chinesa	 (MTC),	 assim	 como	 o	 Lian Gong e o Chi Gong	 (que	 também	 promovem	 a	
circulação	do	Qi).	Atualmente,	todos	são	ofertados	como	recursos	terapêuticos	para	os	
usuários	do	SUS.
 
Neste	 tópico,	 abordaremos	sobre	o	TCC,	 seu	processo	histórico	e	 fundamentos	
filosóficos,	e	suas	ações	terapêuticas	e	de	atuação	na	área	da	saúde.	Outras	práticas	
corporais	da	MTC	também	serão	destacadas.	
2 HISTÓRICO E FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DO 
TAI CHI CHUAN
O	TCC	é	considerado	uma	expressão	corporal	e	arte	marcial	de	origem	Chinesa,	
que	exercita	o	corpo	e	a	mente,	 suas	bases	filosóficas	 são	oriundas	do	Tao	 (palavra	
chinesa	que	significa	“caminho”),	ou	seja,	enraizada	no	Taoísmo.
Taoísmo é uma antiga filosofia chinesa e foi ensinada por Lao Tze nos 
séculos 5 e 4 a.C. A doutrina taoísta está focada na tranquilidade da 
mente, e seu objetivo é alcançar a longevidade pela meditação e mo-
dificação do estilo de vida (LAN et al., 2013 p. 1).
NOTA
118
O	TCC	“tem	seu	trabalho	interior	e	energético	baseado	nos	conceitos	e	técnicas	
da	Alquimia	Interior	Taoísta”.	A	alquimia	Interior	ou	Alquimia	Espiritual	“é	um	caminho	de	
reintegração,	ou	seja,	de	restauração	da	integridade	do	ser”	(CHERNG,	1998,	p.	52).	
 
Na	corrente	filosófica	do	confucionismo,	o	homem	deve	ser	simples	e	de	não	
centralidade,	 resultando	 como	 conceito	 o	 eixo,	 o	 caminho,	 a	 visão	 e	 a	 naturalidade	
do	centro.	O	eixo	no	TCC	é	a	essência	de	todas	as	coisas	e	essa	prática	simboliza	a	
transformação	 ideal	 do	 corpo	 e	 do	 espírito	 numa	 existência	 vigorosa	 e	 unificada	
(CHERNG,1998;	SOHN,	1989).
 
Podemos	considerar	o	TCC	como	uma	técnica	de	Yoga	Taoísta,	assim,	não	foca	
somente	no	corpo	físico	 (SOHN,	1989).	Os	Alquimistas	têm	uma	visão	de	união	entre	
opostos.	Dessa	forma,	o	Tai	Chi	busca	essa	união,	seus	praticantes	não	vivem	a	vida	
entre	extremos,	o	físico	é	tão	 importante	quanto	o	 intelecto	e	vice-versa.	Em	outras	
palavras,	a	prática	busca	o	equilíbrio	entre	o	Yin	e	Yang	(opostos).	Em	cada	movimento,	
a	 respiração	 é	 controlada	 de	 forma	 adequada,	 “a	 conscientização	 do	 movimento	 e	
da	 respiração	 estimula,	 de	modo	 automático	 e	 ao	mesmo	 tempo,	 o	 corpo	 físico	 e	 o	
energético,	para	um	equilíbrio	integral	corpo-energia-mente”	(CHERNG,	1998,	p.52).	
Yin (negativo) e Yang (positivo) são duas energias opostas que 
se complementam. Na visão da MTC, todas as manifestações do 
universo são resultantes de Yin e Yang. 
NOTA
Figura 9 – Prática de TCC ao ar livre
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/mature-chinese-woman-do-tai-chi-outdoor-in-the-par-7D78RWQ. 
Acesso em: 8 set. 2022.
119
Sobre	o	desenvolvimento	do	TCC,	Chu	(2004)	destaca:
•	 Há	1700	anos,	o	médico	chinês	Huo	To,	ressaltou	exercícios	físicos	e	mentais	como	
meio	de	melhorar	a	saúde.	Em	seus	exercícios,	os	movimentos	dos	animais	eram	imi-
tados,	como	pássaros,	tigres,	cobras	e	ursos,	com	o	objetivo	de	recuperar	habilidades	
originais	da	vida	que	foram	perdidas.	A	organização	dos	exercícios	era	em	uma	arte	
de	luta	folclórica,	chamada	Cinco	Jogos	dos	Animais.	Esta	foi	a	primeira	arte	marcial	
sistematizada	na	China.
•	 Por	volta	de	475	d.C,	Ta	Mo	(Bodhidharma)	veio	da	Índia	para	a	China	com	o	objetivo	
de	difundir	seus	ensinamentos	religiosos.	Ele	residia	no	templo	Shaolin	no	Tang	Tung,	
norte	da	China.	Além	do	culto	religioso	e	da	meditação,	ele	ensinou	o	treinamento	
físico	na	rotina	diária.	Ele	expandiu	o	“Cinco	Jogos	dos	Animais”	para	a	arte	marcial	
conhecida	Shaolin.	Este	foi	o	início	do	desenvolvimento	sistemático	das	artes	mar-
ciais	externas	na	China.
•	 Em	1200	d.C,	um	monge	taoísta,	Chang	San-Feng,	fundou	um	templo	nas	montanhas	
Wudang,	para	a	prática	do	taoísmo.	Ele	acentuou	a	importância	da	harmonia	do	Yin-
-Yang	como	meio	de	desenvolver	a	capacidade	mental	e	física.	Além	disso,	encorajou	
a	meditação	e	o	movimento	do	corpo	impulsionado	por	um	poder	interno,	chamado	
Qi.	Um	conjunto	original	de	13	movimentos	para	exercícios	foi	compilado,	imitando	os	
movimentos	naturais	dos	animais.	Este	sistema	de	arte	marcial	foi	chamado	de	Tai	
Chi,	ou	arte	marcial	interna,	enfatizando	a	desenvolvimento	da	força	interna	como	Qi,	
em	oposição	à	arte	marcial	externa,	dando	importância	ao	desenvolvimento	da	força	
externa	(Li).
•	 O	Tai	Chi	foi	passado	de	geração	em	geração.	Muitos	sobrenomes	familiares	foram	
associados	a	diferentes	estilos	de	Tai	Chi,	como	o	estilo	Wu,	estilo	Yang	e	estilo	Chen.	
•	 Por	volta	de	meados	de	1600,	os	“Manchus”	invadiram	a	China	e	estabeleceram	a	di-
nastia	Ch'ing.	Os	construtores	do	império	pediram	ao	mais	famoso	mestre	Tai	Chi	de	
todos	os	tempos	Yang	Lu	Chang	(1799-1872)	para	ensinar	a	prática	na	corte	real.	Ele,	
relutante	em	ensinar	aos	Manchus,	modificou	deliberadamente	o	sistema	de	Tai	Chi	
em	um	tipo	de	exercício	físico	exterior	–	desprovido	de	filosofia	interior	e	exercícios	
mentais.	Este	estilo	de	exercício	de	Tai	Chi	foi	encorajado	e	praticado	por	membros	
da	a	Corte	 Imperial.	Tornou-se	uma	moda	da	classe	ociosa	na	China	até	o	fim	da	 
dinastia	Ch'ing.
•	 Quando	a	dinastia	Ch'ing	foi	derrubada	em	1910,	muitas	famílias	nobres	espalharam-
-se	por	toda	a	China.	A	prática	viajou	com	eles.	Nesse	caminho,	a	forma	modificada	
do	Tai	Chi	tornou-se	o	TCC	de	hoje.
Não	 há	 um	 consenso	 entre	 os	 pesquisadores	 sobre	 a	 história	 do	 TCC.	 Por	
exemplo,	 alguns	 consideram	 o	monge	 Bodhidharma	 persa,	 outros	 indiano.	 Em	 suas	
biografias,	 não	 consta	 que	 ele	 criou	 uma	 técnica	 de	 combate.	 Entretanto,	 alguns	
tratados	de	artes	marciais	referem-se,	igualmente,	a	Bodhidharma	(DESPEUX,	2011).
Sobre	 a	 história	 do	 TCC,	 a	 Sociedade	 Brasileira	 de	 Tai	 Chi	 Chuan	 e	 Cultura	
Oriental	(2022,	p.	1)	salienta:
120
Foi	lendariamente	criado	por	um	monge	taoísta	de	nome	Chang	San	
Feng.	Conta	a	lenda	que	este	monge	era	versado	em	diversas	artes	
marciais	 e	 queria	 reunificar	 os	 princípios	 filosóficos	 e	 os	 princípios	
físicos	que	na	época	estavam	dissociados	devido	a	muitas	guerras	
na	China.	Chang	San	Feng,	observando	a	luta	entre	uma	garça	(grou)	
e	 uma	 serpente	 idealizou	 os	movimentos	 do	Tai	 Chi	 Chuan.	 Outra	
versão	da	origem	do	Tai	Chi	Chuan	descreve	seu	nascimento	no	seio	
da	família	Chen	com	o	Mestre	Chen	Wanting	há	300	anos	atrás.
	O	que	se	sabe	é	que	de	uma	forma	ou	de	outra,	as	técnicas	indianas	influencia-
ram	a	China,	e	Zhang Sanfeng	(ou	Chang San-Feng)	é,	geralmente,	referenciado	como	
o	criador	do	Tai	Chi,	segundo	diferentes	lendas	(DESPEUX,	2011).
 
As	“habilidades	originais	da	vida”	são	compreendidas	na	visão	do	TCC	como	o	
movimento	espontâneo,	aquele	que	possuímos	quando	criança	e	é	esquecido	ao	longo	
dos	anos.	O	treino	pode	favorecer	o	praticante	a	reencontrar	esse	movimento,	ou	sua	
“sintonia	com	o	movimento	cósmico,	universal”.	Os	movimentos	do	Tai	Chi	são	inspirados	
na	Natureza:	nos	animais,	na	água,	no	vento,	no	próprio	homem	etc.	(VINITSKY,	1992).
	 Sobre	os	aspectos	éticos	da	prática,	Severino	(1994,	p.	93-94)	aponta:
•	 Eticamente,	do	ponto	de	vista	dos	participantes	do	TCC	em	relação	
à	vida,	é	a	síntese	do	Confucionismo,	Taoísmo	e	Zen	Budismo	e	é	a	
mais	profunda	realização	do	povo	chinês.
•	 No	TCC,	 as	posturas	 foram	compostas	 com	o	propósito	 de	 lutar	
com	o	meio	ambiente	hostil,	em	defesa	pessoa,	com	pressões	de	
todas	as	forças	inimigas.	Mas,	em	princípio,	o	que	se	enfatiza	é	a	
não-agressão,	não	violência,	não-resistência	ou	não-oposição	e	o	
triunfo	da	suavidade	sobre	a	força	bruta.
•	 Acredita-se	 que	 um	 conflito,	 seja	 de	 qualquer	 tipo,	 acarreta	 a	
destruição	de	cada	criatura	envolvida.	O	fruto	do	conflito	é	apenas	
a	 morte.	 O	 amor	 tende	 a	 destruir	 a	 morte	 e	 substituí-la	 pela	
imortalidade.
•	 No	sistema	do	TCC,	enfatiza-se	a	dedicação	espiritual,	dedicação	à	
uma	causa	nobre	e	humanitária	para	o	Amor	Cósmico.
•	 De	 acordo	 com	 o	 TCC,	 pretende-se	 dominar	 a	 atividade	 com	 a	
inatividade,	 a	 força	 bruta	 com	a	 suavidade	 e	 fazer	 uso	 da	 força	
de	ataque	do	oponente	para	devolver-lhe	o	golpe:	isto	equivale	a	
receber	 calmamente	 qualquer	 força	 inimiga	 e	 criar	 as	 situações	
favoráveis	para	agir.	
•	 Para	 os	 adeptos	 seguidores	 do	 Zen	 Budismo,	 o	 segredo	 da	
longevidade	daqueles	que	praticam	TCC,	 reside	não	apenas	nos	
exercícios,	mas	também	na	dedicação	para	a	educação	altruísta	do	
gênero	humano	e	o	cultivo	da	paz	de	espírito.	
Ressaltamos	também	o	valor	dessa	arte	marcial	para	fins	de	defesa	pessoal.	
A	prática	de	TCC	é	eficiente	em	termos	de	combate,	e	basta	que	o	praticante	aprenda	
alguns	padrões	de	 luta	para	poder	defender-se	de	agressões,	 “é	um	sistema	de	 luta	
conciso	e	abrangente,	que	cobre	todas	as	quatro	principais	categorias	de	ataque,	ou	
seja:	bater,	chutar,	derrubar	e	agarrar”	(KIT,	1996,	p.	17).	
 
121
Citamos	três	vantagens	do	estilo	do	TCC	como	técnica	de	autodefesa:
1.	 É	possível	se	utilizar	menos	força	para	se	defender	de	um	ataque	
dotado	de	força,	e	então	concentrar	no	contra-ataque	ao	adversá-
rio	de	modo	a	dar	fim	ao	combate;
2.	 Na	medida	em	que	se	reduz	a	força	utilizada	e	a	energia	consu-
mida	é	possível	manter	o	corpo	em	boa	forma	 lutando	por	mais	
tempo,	derrotando	assim	o	adversário;
3.	 Preparar	 pessoas	 que	 possam	 utilizar	 estes	 princípios	 para	 se	
proteger	contra	oponentes	mais	fortes	(MACEDO,	2015,	p.	3).	
Diversas	artes	marciais	da	China	são	divididas	em	“externas	e	internas”.	Entre	
as	 externas	 podemos	 citar	 o	 Kung	 Fu,	 Tae	 Kwon	 do	 e	 o	 Karatê.	 Suas	 técnicas	 de	
treinamento	destacam	a	construção	do	corpo,	dependem	da	força	bruta	do	praticante	
para	o	combate.	Já	as	artes	marciais	 internas	enfatizam	a	edificação	de	Qi	no	corpo	
para	aplicá-lo	nas	técnicas	físicas	de	autodefesa.	A	maioria	das	artes	marciais	possuem	
ambos	os	estilos,	o	que	muda	é	a	ênfase	e	preferência	de	cada	uma	delas	(SHOU-YU,	
JWING-MING,	HSING	YI;	1990	apud	CHU,	2004).
O	tai	 chi	 chuan	é	uma	arte	una e trina:	marcialidade,	 alquimia	e	a	
corporalidade	 unem-se	 para	 formar	 uma	 joia	 com	 que	 a	 cultura	
chinesa	 presenteia	 o	 ocidente.	 A	 depender	 do	 perfil	 de	 cada	 pra-
ticante,	uma	ou	ambas	as	facetas	do	tai	chi	chuan	podem	ser	ex-
ploradas	 para	 se	 alcançar	 aquilo	 que	 desejar,	 da	 flexibilidade	 cor-
poral	à	transcendência,	não	há	limites	para	a	colheitade	resultados	 
(THRÉSKEIA,	2014,	p.	158).
Existem	cinco	estilos	de	TCC,	ou	 “famílias”	 sendo	que	 levam	o	nome	do	seu	
criador,	conforme	a	Sociedade	Brasileira	de	Tai	Chi	Chuan	e	Cultura	Oriental	(2022,	p.	1):	
• Estilo Chen:
◦	 Nome	do	local	original	de	nascimento: Vila	Chenjagou,	Condado	
Wen,	província	Hunan.
◦	 Criador: Mestre	Chen	Wanting.
◦	 Características	especiais:  alterna	movimentos	 lentos	e	 rápidos,	
inclui	saltos	e	explosões	nos	movimentos	e	pisadas	vigorosas.	A	
Velha	Forma,	foi	desenvolvida	a	partir	da	17ª	Geração	da	Família	
Chen.
Estilo Yang: 
◦	 Nome	do	 local	original	de	nascimento: cidade	Guangfuzhen	na	
área	de	Guangpingfu;	Condado	de	Yongnian,	província	de	Hebei	
+-	200	anos	atrás.
◦	 Criador: Mestre	Yang	Lu	chan	que	aprendeu	com	Mestre	Chen	
Changxing	14ª	geração	da	Família	Chen.
◦	 Características	especiais: movimentos	suaves,	lentos,	velocidade	
homogênea,	 sem	 alteração	 de	 alturas,	 movimentos	 longos	 e	
grandes.
• Estilo Wu/Hao:
◦	 Nome	 do	 local	 original	 de	 nascimento:  cidade	 de	 Guangfu,	
condado	de	Yongnian.	Província	Hebei.
◦	 Criador: Mestre	Wu	Yuxiang	que	aprendeu	com	os	Mestres	Yang	
Luchan	+	Yang	Banhou	+	Chen	Qingping.
◦	 Características	especiais: lento,	suave,	com	posturas	pequenas	e	
altas.	Sua	forma	é	menor.
122
• Estilo Wu:
◦	 Nome	do	local	original	de	nascimento: desconhecido.
◦	 Criador:  Mestre	Wu	 Jian	 Quan	 que	 aprendeu	 com	 seu	 pai	 Wu	
Quanyu	que	aprendeu	com	Yang	BanHou.
◦	 Características	especiais: Eles	inclinam	o	corpo	para	o	lado,	mas	
quando	inclinam,	pensam	em	estar	eretos.
• Estilo Sun:
◦	 Nome	do	local	original	de	nascimento: desconhecido.
◦	 Criador:  Mestre	 Sun	 Lutang	 que	 aprendeu	 com	 o	 Mestre	 Hao	
Weijian.
◦	 Características	especiais: seus	movimentos	combinam	3	estilos	
de	artes	marciais:	Estilo	Wu	de	Tai	Chi	Chuan	+	Hsing	I	+	Ba	Gua.
Outra	forma	de	exercício,	originário	da	China,	que	faz	parte	da	MTC,	é	o	Chi	Kung	
ou	Qi	Gong.	Chi	 (ou	QI)	significa	energia	e	Kung	(que	pode	ser	escrito	Gong)	significa	
treinar	 ou	 cultivar,	 então,	 Chi	 Kung	quer	 dizer	 “a	 arte	 de	 treinar	 e	 cultivar	 a	 energia”	
(MACEDO,	2015).	Segundo	Chu	(2004),	não	há	um	registro	de	quando	o	Qi	Gong	foi	criado.	
Assim	como	o	TCC,	seus	exercícios	 imitam	os	animais	e	a	natureza	que	favorecem	o	
desenvolvimento	de	Qi	e	a	longevidade.	Existem	de	sete	a	oito	mil	conjuntos	diferentes	
de	exercícios	de	Qi	Gong,	sendo	que	alguns	deles	podem	ser	específicos	para	certas	
doenças	(CHU,	2004).	
Acesse o vídeo a seguir, que contém uma rotina diária de exer-
cícios de Qi Gong, denominado Oito peças de brocado de seda. 
https://www.youtube.com/watch?v=cwlvTcWR3Gs&t=2s.
DICA
Em	síntese,	ao	praticar	Tai	Chi,	a	mente	é	“esvaziada”,	essa	expressão	corporal	
objetiva	que	encontremos	o	nosso	eixo,	a	união	dos	opostos	(harmonia,	equilíbrio)	uti-
lizando	o	Chi	e	não	a	força	física.	Cada	movimento,	associado	à	respiração,	é	um	meio	
de	transmutação	na	busca	por	saúde	e	longevidade.	Além	disso,	é	uma	arte	marcial	útil	
para	a	autodefesa.	
3 TAI CHI CHUAN NA PRÁTICA
No	Brasil,	 o	TCC	é	considerado	pela	PNPIC	uma	prática	corporal	 que	 integra	
as	atividades	de	atenção	à	saúde	da	MTC	 (BRASIL,	2006).	Denominamos	como	prá-
tica	 corporal	 a	 “manifestação	 cultural	 em	 que	 o	 corpo	 e	 os	 gestos	 possuem	 papel	
preponderante	na	expressão	de	sentidos	significados”	(SANTOS,	BRAGANÇA,	2018,	p.	
38).	A	PNPIC	orienta	a	desenvolver	estratégias	de	qualificação	em	MTC	para	profissio-
nais	no	SUS,	 por	 intermédio	dos	princípios	 e	diretrizes	da	Educação	Permanente	no	 
SUS,	enfatizando:
123
Incentivo	 à	 capacitação	 para	 que	 a	 equipe	 de	 saúde	 desenvolva	
ações	 de	 prevenção	 de	 agravos,	 promoção	 e	 educação	 em	 saúde	
-	 individuais	 e	 coletivas	 -	 na	 lógica	 da	 MTC,	 uma	 vez	 que	 essa	
capacitação	 deverá	 envolver	 conceitos	 básicos	 da	MTC	 e	 práticas	
corporais	e	meditativas.	Exemplo:	Tuí-Na,	Tai	Chi	Chuan,	Lian	Gong,	
Chi	Gong,	e	outros	que	compõem	a	atenção	à	saúde	na	MTC	(BRASIL,	
2006	p.	29-30).
Dessa	 forma,	várias	 cidades	 do	 país	 integraram	práticas	 corporais	 como	 o	TCC	
em	suas	ações	ofertadas	para	a	comunidade.	No	município	de	Brumadinho,	em	Minas	
Gerais,	os	usuários	da	rede	pública	de	saúde	possuem	acesso	as	PICS,	inclusive	para	
participar	do	grupo	de	TCC.	Para	integrar	o	grupo,	não	é	preciso	encaminhamento	de	
um	profissional	de	saúde.		A	pessoa	interessada	pode	se	inscrever	diretamente	no	local	
com	 o	 cartão	 SUS.	 Podem	 participar	 pessoas	 de	 qualquer	 idade,	 inclusive	 crianças	
(PREFEITURA	MUNICIPAL	 DE	 BRUMADINHO,	 2019).	 Iniciativas	 como	 essa	 facilitam	 o	
acesso	e	promovem	uma	maior	integração	da	comunidade	na	prática.
 
A	técnica	de	TCC	pode	ser	realizada	por	pessoas	de	todas	as	idades,	a	área	de	
prática	pode	ser	relativamente	pequena,	em	ambientes	fechados	ou	espaços	abertos.	
As	roupas	utilizadas	em	um	treinamento	devem	ser	confortáveis	e	o	calçado	flexível.	
Durante	os	exercícios,	é	importante	manter	um	estado	de	quietude	mental	de	forma	que	
os	pensamentos	não	interfiram	no	foco	nos	movimentos.	
 
Tanto	o	TCC	como	o	Qi	Gong	se	diferenciam	dos	exercícios	físicos	tradicionais	
em	alguns	aspectos,	citados	a	seguir:
•	 Lentidão:	 Deve-se	 realizar	 exercícios	 de	 Qi	 Gong	 ou	 Tai	 Chi	
lentamente.	O	mais	lentamente	se	realiza	Qi	Gong	ou	Tai	Chi,	mais	
eficazes	são	os	exercícios	são.
•	 Foco:	A	concentração	total	é	necessária	nos	exercícios	de	Qi	Gong	
ou	Tai	Chi.	Pode-se	realizar	os	exercícios	com	os	olhos	fechados	
para	evitar	distrações.	
•	 Respiração:	Praticantes	de	Qi	Gong	e	Tai	Chi	aprendem	a	incorporar	
os	movimentos	físicos	com	a	respiração.	
•	 Relaxamento:	Relaxar	é	um	dos	fatores	mais	importantes	na	práti-
ca	do	Qi	Gongo	e	Tai	Chi.	Foi	dito	no	Tai	Chi	Clássico,	ao	praticar	Qi	
Gong,	é	preciso	estar	solto	e	relaxado	e	não	permitir	nem	mesmo	o	
a	menor	tensão,	o	que	reduz	a	velocidade	do	fluxo	de	Qi.	A	tensão	
resulta	em	contração	muscular,	prejudica	o	fluxo	sanguíneo	e	di-
minui	o	fluxo	de	Qi	nomeados	por	Chu	(CHU,	2004,	p.	774).
Para	 um	 praticante	 iniciante,	 é	 importante	 prestar	 atenção	 redobrada	 para	
realizar	 os	 movimentos	 de	 forma	 perfeita.	 O	 mestre	 eventualmente	 pode	 corrigir	 a	
postura,	 ajustando	 a	 posição	 do	 corpo	 (DESPEUX,	 2011).	 Alguns	 princípios	 a	 serem	
observados	na	execução	dos	movimentos	podem	auxiliar,	sendo	explicados	pelo	mestre:
124
•	 A	cabeça:	Durante	a	execução	dos	movimentos,	talvez	convenha	
imaginar	que	a	cabeça	esteja	suspensa	por	um	fio,	a	fim	de	mantê-
la	bem	ereta,	sem,	todavia,	enrijecê-la	por	um	esforço	voluntário.	
Essa	posição	da	cabeça	dá	ao	resto	do	corpo	e	mais	particularmente	
ao	 tronco,	 a	 liberdade	 de	 adotar	 igualmente	 uma	 postura	 ereta,	
evitando	o	arqueamento	das	costas,	 liberando	a	caixa	torácica	e	
melhorando,	por	conseguinte,	a	respiração	do	praticante.
•	 Os	ombros	e	os	cotovelos:	Se	não	conseguirmos	relaxar	os	ombros,	
haverá	preponderância	da	caixa	torácica,	arqueamento	das	costas,	
o	que	acarretará	um	embaraço	na	circulação	do	sangue	e	do	sopro.	
•	 As	costas.	Dizem	os	mestres:	 “Mantenham	o	cóccix	no	centro	e	
no	eixo”.	A	coluna	vertebral	comporta	naturalmente	duas	curvas,	
uma	ao	nível	do	pescoço	e	outra	na	região	das	vértebras	lombares.	
Cumpre	visar	a	uma	atenuação	das	duas	curvas,	esticando	a	colu-
na	para	evitar	o	amontoamento	das	vértebras	nesses	dois	níveis.
•	 A	 cintura:	 Todos	 os	 movimentos	 do	 TCC	 partem	 da	 cintura	 e	
são	dirigidos	por	ela.	O	menor	movimento	da	mão	é,	de	fato,	um	
movimento	da	cintura.	“A	cintura	deve	estar	relaxada	e	os	quadris,	
puxados	para	baixo”.
•	 As	pernas:	Nunca	estão	completamente	estendidas	nem	comple-
tamente	dobradas;	em	geral,	os	joelhos	não	ultrapassam	a	ponta	
dos	pés.	Entretanto,	as	pernas	são	mais	ou	menos	fletidas	segun-
do	as	escolas	e	segundo	a	habilidade	de	cada	participante	(DES-
PEUX,	2011,	p.129-133).
Os	 aspectos	 técnicos	 citados	 anteriormente	 são	 fundamentais.	 Os	movimentos	
do	Tai	Chi	sãoleves,	graciosos,	fluidos,	com	o	objetivo	de	favorecer	um	senso	de	unidade	
com	 o	 cosmos,	 “a	 base	 da	 graciosidade	 e	 da	 verdadeira	 espiritualidade	 é	 a	 harmonia	
entre	o	ego	e	o	corpo	[...]	a	ioga	ou	o	tai	chi	chuan	refletem	o	interesse	da	pessoa	pelos	 
aspectos	espirituais	do	corpo”	(LOWEN,	1997,	p.	22-23	apud	THRÉSKEIA,	2014,	p.	147).	
Percebemos	 através	 de	 pesquisas	 que	 o	 Tai	 Chi	 é	 considerado	 uma	 prática	
benéfica,	 especialmente	 para	 a	 população	 idosa.	 Isso	 é	 particularmente	 importante	
no	Brasil,	pois	o	aumento	da	longevidade	média	da	população	global	é	um	fato,	e	no	
Brasil	ele	ainda	maior,	estima-se	que	em	2100	o	número	de	idosos	deverá	chegar	a	72,4	
milhões,	ou	seja,	40,1%	do	total	de	habitantes	do	país	(ALVES,	2019)	
O	TCC	é	uma	atividade	terapêutica,	promove	a	socialização	e	a	manutenção	de	
um	estilo	de	vida	ativo,	reduz	a	incidência	de	quedas,	entre	outros	ganhos	para	a	pessoa	
idosa	(MARINHO	et al,	2007).	Durante	a	prática	de	TCC	com	pessoas	idosas,	é	importante	
observar	 se	 o	 ambiente	 possui	 desníveis	 no	 chão	 ou	 objetos	 que	 possam	 causar	
quedas.	“Em casos	de	pacientes	com	limitações	de	marcha	e	equilíbrio	importantes ou	
com	histórico	de	mais	de	duas	quedas	no	ano	anterior,	orienta-se que	passem	em	uma	
avaliação	médica	para	a	liberação”	(DOREA,	2020,	p.1).
Conhecer	o	perfil	dos	praticantes	é	primordial	para	a	eficácia	de	qualquer	terapia	
corporal	em	grupo,	ainda	mais	quando	envolve	movimentos	e	posturas.	O	público	idoso	
requer	atenção	especializada	com	cuidados	a	serem	analisados	tanto	na	adequação	do	
125
ambiente	como	na	observação	da	condução	da	prática,	pois	ela	não	deverá	ser	realiza-
da	em	um	nível	de	esforço	que	 impacte	negativamente	no	bem-estar,	tão	pouco	de	 
forma	dolorosa.
O	 Tai	 Chi	 é	 o	 movimento	 que	 mantém	 a	 vida	 em	 equilíbrio;	 um	
aprendizado	 da	 natureza	 onde	 não	 há	 competição,	 não	 se	 almeja	
quebrar	 recorde,	 derrubar	 barreiras	 ou	 superar	 limites.	 De	 acordo	
com	Harvard,	o	Tai	Chi	pode	ser	a	atividade	perfeita	para	o	resto	da	
vida,	por	 ser	uma	técnica	segura;	é	uma	suave	forma	de	exercício	
que	 pode	 prevenir	 ou	 aliviar	muitos	males	 do	 envelhecimento;	 ele	
oferece	 grandes	 ganhos	 sem	 dores	 e	 não	 deixa	 as	 pessoas	 sem	
fôlego	(ROBERTO,	2016,	p.	1).
Como	prática	complementar,	 o	Tai	Chi	 tem	potencial	para	atuar	em	doenças	
neurológicas,	reumatológicas,	ortopédicas,	cardiopulmonares	entre	outras	(LAN,	et al.,	
2013).	Entre	os	motivos	para	recomendá-lo,	enfatizamos:
Primeiro,	o	Tai	Chi	não	precisa	de	 instalações	especiais	ou	equipa-
mentos	caros,	e	pode	ser	praticado	a	qualquer	hora	e	em	qualquer	
lugar. Em	segundo	 lugar,	o	Tai	Chi	é	eficaz	no	aumento	da	capaci-
dade	aeróbica,	força	muscular	e	equilíbrio	e	na	melhoria	dos	fatores	
de	 risco	cardiovascular.  Terceiro,	 o	Tai	Chi	 é	um	exercício	de	baixo	
custo	 e	 baixa	 tecnologia,	 e	 pode	 ser	 facilmente	 implementado	 na	 
comunidade	(LAN	et al.,	2013,	p.	12).
O	TCC	também	é	utilizado	na	promoção	de	saúde,	sendo	um	ótimo	programa	
de	 exercícios	 para	 pessoas	 saudáveis	 e	 para	 aquelas	 com	 doenças	 crônicas	 não	
transmissíveis	 (DCNT)	 (LAN	et al.,	2013).	As	DCNT	são	consideradas	um	problema	de	
saúde	pública	que	causam	impacto	na	qualidade	de	vida	das	pessoas.	Atualmente	as	
PICS	são	recomendadas	para	pessoas	com	DCNT	com	o	objetivo	de	ampliar	os	recursos	
terapêuticos	disponíveis	pelo	sistema	de	saúde	(OLIVEIRA	et al.,	2021).	Como	forma	de	
prevenção	dessas	doenças,	o	TCC	vem	se	mostrando	uma	prática	de	auxílio	inclusive	
para	quadros	de	hipertensão,	fibromialgia,	ansiedade	e	depressão	(HARVARD,	2009).
Um	estudo	realizado	pela	Fundação	Oswaldo	Cruz	(Fiocruz)	buscou	conhecer	
quais	 as	 PICS	 que	 a	 população	 aderiu	 nos	 tempos	 da	 pandemia	 pela	 COVID-19.	
Participaram	do	estudo	 12.531	brasileiros	que	 recorreram	às	práticas	como	forma	de	
autocuidado,	manejo	 do	 estresse,	 insegurança	 e	 ansiedade	 durante	 o	 ano	 de	 2020	
(BOCCOLINI,	2021).
De	acordo	com	a	pesquisa,	as	práticas	integrativas	e	complementares	
em	 saúde	 mais	 utilizadas	 em	 2020	 foram	 plantas	 medicinais	 e	
fitoterapia	(28%),	meditação	(28%),	reiki	(21,6%);	aromaterapia	(16,4%);	
homeopatia	 (14,5%);	 terapia	 de	 florais	 (14%);	 yoga	 (13%),	 apiterapia	
(11%),	 imposição	 de	 mãos	 (10%)	 e	 medicina	 tradicional	 chinesa/
acupuntura	(7,8%).	Foi	registrada	maior	adesão	da	população	a	essas	
terapias	 nas	 regiões	 Centro-Oeste	 (71%)	 e	 Sul	 (70,8%),	 seguidas	
de	Sudeste	 (63,4%),	Norte	 (52,3%)	e	Nordeste	 (45,6%)	 (BOCCOLINI,	 
2021	p.	1). 
126
Neste	estudo,	é	possível	perceber	que	as	práticas	de	expressão	como	o	Tai	Chi	
e	o	Qi	Kong	não	foram	apontadas	nos	resultados.	Como	estão	constituídas	como	PICS	
que	integram	as	terapias	coletivas,	ou	seja,	frequentemente	realizadas	de	forma	grupal,	
não	foram	referidas	como	praticadas	pelos	participantes	da	pesquisa	durante	a	pan-
demia	da	COVID-19.	No	entanto,	o	TCC	foi	um	aliado	para	muitos	profissionais	de	saúde	
que	atuaram	em	um	hospital	durante	a	pandemia	da	COVID-19.
Uma	das	categorias	que	mais	tem	sentido	isso	na	pele	–	e	na	mente	–	 
é	a	dos	profissionais	de	saúde	que	estão	na	linha	de	frente	do	combate	
ao	coronavírus.	Confrontados	com	a	realidade	do	que	acontece	nos	
postos	 de	 saúde,	 clínicas	 e	 hospitais	 de	 todo	 o	 país;	 pressionados	
por	situações	limite	e	jornadas	exaustivas;	muitas	vezes	optando	por	
se	afastar	da	família	para	evitar	o	risco	do	contagiar	a	quem	amam;	
vendo	crescer	o	número	de	colegas	de	trabalho	infectados	e	mortos	 
pelo	 vírus,	 esses	 profissionais	 –	 médicos,	 enfermeiros,	 técnicos	 e	
equipes	de	apoio	–	precisam	de	um	suporte	extra	para	manter	seu	
equilíbrio	físico	e	mental	(SANCHES,	2020,	p.	1).
Os	profissionais	de	 saúde	que	participaram	dos	encontros	de	TCC	durante	a	
pandemia	 relataram	 ter	 percebido	 essa	 PICS	 como	 um	 suporte	 importante,	 como	
uma	 “válvula	 de	 escape”.	 Destacaram	 esses	 momentos	 como	 essenciais	 para	 ter	
paz,	tranquilidade	e	equilíbrio,	possibilitar	o	encontro	consigo	mesmo	através	de	uma	
meditação	em	movimento.	Também	houve	o	apontamento	com	relação	ao	benefício	
físico,	trazendo	o	alívio	para	as	dores	do	corpo,	já	que	foi	exigido	desses	profissionais	
horas	de	trabalho	exaustivos	em	pé	(SANCHES,	2020).
 
Outro	efeito	causado	pela	pandemia	foi	o	desenvolvimento	de	sintomas	físicos	
e	emocionais	em	relação	ao	estresse,	ansiedade,	pânico	e	outros	problemas	que	não	se	
manifestavam	com	tanta	frequência	e	que	a	partir	dessa	situação,	se	tornou	parte	da	
vida	da	população.	Anos	após	o	início	da	pandemia	e	com	a	imunização	já	disponível	
com	vacinas,	as	PICS	tiveram	um	aumento	na	procura.	As	pessoas	buscam	equilíbrio	
mental,	manejo	de	uma	série	de	sintomas	que	ainda	estão	presentes	em	suas	rotinas,	e	
autocuidado	de	forma	geral.
Já	é	uma	tendência	global	as	práticas	integrativas fazerem	parte	do	
contexto	de	prevenção	da	saúde	e	do	bem-estar	físico	e	emocional.	
E,	 durante	 a	 pandemia,	 isso	 ficou	 ainda	mais	 evidente,	 ocupando	
um	papel	de	importância	na	saúde	mental,	na	redução	do	estresse	
e	 no	 aumento	 da	 imunidade,	 fatores	 que	 possibilitam	 ampliar	 o	
processo	preventivo	e	de	recuperação	de	cada	indivíduo	na	Covid-19	
(FERREIRA,	2021,	p.	1).
O	contexto	pandêmico	trouxe	à	tona	a	importância	de	conservar	a	saúde	física	e	
mental,	mantendo	caminhos	que	favoreçam	um	estilo	de	vida	saudável.	Com	o	avanço	
da	longevidade	da	população	brasileira	essa	preocupação	é	cada	vez	mais	 importante,	
tanto	como	forma	de	prevenir	doenças	como	favorecendo	maior	qualidade	de	vida.	
 
127
A	pandemia	também	trouxe	à	tona	a	reflexão	sobre	a	situação	dos	profissionais	
de	 saúde	 que	 atuaram	 na	 linha	 de	 frente	 contra	 a	 COVID-19.	 Compreendendo	 esse	
cenário,	várias	instituições	de	saúde	atualmente	ofertam	rede	de	suporte	para	os	seus	
colaboradores.	 Um	 exemplo	 dessa	 iniciativa,	 é	 do	 Hospital	 Universitário	 de	 Brasília	
(HUB),	que	promove	grupo	de	TCC	para	os	profissionaisde	saúde	(BACELAR;	MEIRA;	
CASTRO,	2021).
 
O	desgaste	 físico	e	psicológico	é	uma	consequência	possível	 no	 trabalho	dos	
profissionais	da	saúde	que	atuaram	e	que	atuam	na	pandemia,	principalmente	no	início	
dela.	Havia	o	anseio	e	medo	de	serem	infectados	e	em	ter	que	lidar	com	o	sentimento	
de	 impotência	 frente	 ao	 óbito	 de	 um	 paciente.	 Também	 há	 a	 preocupação	 em	
contaminar	alguém	próximo,	a	perda	de	familiares	e	amigos,	esses	fenômenos	podem	
impactar	 inclusive	o	desempenho	do	trabalho.	Os	problemas	de	saúde	levantados	pelo	
Departamento	de	Psicologia	do	HUB	que	os	profissionais	de	saúde	manifestavam,	foram:	
“ansiedade,	 depressão	 e	 estresse	 pós-traumático”,	 sendo	 eles	 recorrentes	 durante	 o	
cenário	pandêmico,	o	estudo	 ressalta	ainda	que	 “uma	pessoa	que	está	tomada	pelo	
medo	não	consegue	trabalhar”	(BACELAR;	MEIRA;	CASTRO,	2021,	p.	1).	Exemplos	como	
esse	do	HUB,	promovendo	um	grupo	de	TCC	para	os	colaboradores,	são	imprescindíveis	
como	estratégias	para	garantir	o	acolhimento	e	momentos	de	relaxamento	e	bem-estar	
no	local	de	trabalho	dos	profissionais	de	saúde.
 
Um	documento	elaborado	pelo	Governo	do	Paraná	 intitulado	“Recomendações	
aos	Gestores	de	Saúde	sobre	os	Cuidados	à	Saúde	Mental	dos	Trabalhadores	da	área	da	
Saúde	em	razão	da	pandemia	da	COVID-19”	traz	o	levantamento	dos	impactos	físicos	
e	mental	desses	profissionais	e	reconhece	a	 importância	da	criação	de	espaços	para	 
o	acolhimento.
Recomenda-se	como	medidas	protetivas	a	construção	de	espaços	
para	ações	individuais	e	coletivas	que	deem	apoio	aos	trabalhadores,	
oportunizando	um	olhar	singular	a	cada	caso	e	oferecendo	escuta	
para	 que	 esses	 possam	 elaborar	 e	 ressignificar	 as	 experiências	
vividas,	 seja	 no	 âmbito	 pessoal,	 seja	 no	 profissional.	 Cada	 serviço	
terá	a	 sua	forma	de	estruturar	e	oferecer	atenção	à	 saúde	mental	
de	 seus	 trabalhadores,	 no	 entanto,	 para	 isso	 é	 importante	 que	 se	
esteja	sensibilizado	para	as	possíveis	situações	que	se	apresentem	
(SECRETARIA	DE	SAÚDE	DO	ESTADO	DO	PARANÁ,	2020,	p.	5).
 
O	 documento	 ainda	 sugere	 a	 criação	 de	 grupos	 de	 apoio	 e	 momentos	 de	
relaxamento	 voltado	 aos	 colaboradores,	 priorizando	 a	 estabilização	 emocional	 dos	
profissionais	de	saúde	(SECRETARIA	DE	SAÚDE	DO	ESTADO	DO	PARANÁ,	2020).	Dessa	
forma,	 ações	 de	 promoção	 da	 saúde	 em	 espaços	 ocupacionais,	 principalmente	 por	
meio	das	PICS,	consolidam	um	novo	olhar	de	atenção	à	saúde	e	qualidade	de	vida	para	
os	funcionários.
128
LEITURA
COMPLEMENTAR
YOGA: UM DIÁLOGO COM A SAÚDE COLETIVA
Marina	Lima	Daleprane	Bernardi
Maria	Helena	Costa	Amorim
Luciane	Bresciani	Salaroli
Eliana	Zandonade
INTRODUÇÃO
O	 yoga	 apresenta	 uma	 proposta	 indiana	 de	 conhecimentos	 e	 práticas	 para	
exploração	 dos	 domínios	 da	 mente.	 A	 inserção	 dessa	 prática	 ao	 cotidiano	 permite	
aos	 indivíduos	 desenvolverem	 suas	 possibilidades	 naturais	 e	 relacionarem-se	
harmonicamente	 com	 o	 meio	 que	 os	 rodeia,	 na	 medida	 em	 que	 se	 libertam	 das	
inquietações	que	lhes	tolhem	a	liberdade.	Patanjali,	mítico	responsável	pela	codificação	
do	yoga,	organizou	esse	sistema	em	oito	partes:	yamas, nyamas, asana, pranayama, 
pratyahara, dharana, dhyana e samadhi. Yamas	representam	os	cinco	valores	morais	e	
proibitivos	a	serem	praticados:	não	violência,	compromisso	com	a	verdade,	honestidade,	
continência	 nos	 prazeres	 sensuais,	 desapego.	 Nyamas	 referem-se	 às	 cinco	 práticas	
disciplinares	 e	 construtivas:	 purificação,	 contentamento,	 esforço	 sobre	 si	 mesmo,	
estudo,	 consagração	 a	 Deus.	 Juntos,	 yamas e nyamas	 representam	 um	 código	 de	
conduta	ética	destinado	a	eliminar	perturbações	mentais	e	emocionais	dos	praticantes	
e	destiná-los	a	viver	de	forma	virtuosa.	Asana	corresponde	à	postura	física	estável	e	
confortável,	na	qual	se	trabalha	gradualmente	o	relaxamento	do	esforço.	Pranayama 
consiste	no	controle	da	respiração.	
Na	sequência,	os	conceitos	de	pratyahara	(emancipação	da	atividade	sensorial),	
dharana (concentração)	 e	 dhyana	 (meditação),	 aprofundam	 o	 desenvolvimento	 da	
concentração	 e	 da	 percepção	 interna	 e	 se	 encerram	 em	 samadhi	 (integração),	 que	
representa	uma	imersão	nas	camadas	mais	profundas	da	consciência.	A	repercussão	
do	yoga	na	racionalidade	ocidental	se	deu	em	um	contexto	de	crise	em	seu	pensamento	
racional	 e	 ético,	 concomitante	 à	 busca	 por	 valores	 e	 às	 práticas	 de	 bem-estar.	 A	
apropriação	 dessa	 e	 de	 outras	 tradições	 orientais	 em	 outro	 contexto	 sociocultural	
implica	a	hibridização,	o	desenvolvimento	de	novos	comportamentos	e	de	uma	nova	
consciência	ética.	
Na	atualidade,	a	prática	de	yoga	é	 reconhecida	no	mundo	como	modalidade	
terapêutica	tradicional	em	ascensão,	coadjuvante	à	medicina	convencional,	destinada	
a	promover	saúde	e	longevidade	aos	indivíduos.	A	incorporação	dessa	tradição	no	terri-
129
tório	brasileiro	tem	contribuído	no	processo	de	ressignificação	de	“saúde”	e	corroborado	
com	a	integralidade	no	cuidado,	orientada	pela	conduta	ética	e	pelo	emprego	de	téc-
nicas	autoadministráveis,	tais	como:	posturas	físicas,	exercícios	respiratórios,	controle	
das	percepções	orgânicas	e	meditação.	Considerando	esse	 legado	em	sua	grandeza	
milenar	e	 implicações	para	o	campo	da	saúde	no	Brasil	 e	no	mundo,	 realizamos	um	
ensaio	teórico	fundamentado	na	revisão	da	literatura.	Nosso	objetivo	é	discutir	a	reper-
cussão	do	yoga	como	prática	de	saúde	na	racionalidade	ocidental.
 
INSERÇÃO DO YOGA COMO PRÁTICA DE SAÚDE DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE 
(SUS):
Atualmente,	 qualquer	 discussão	 relativa	 à	 saúde	 como	 saber	 interdisciplinar,	
construído	 nas	 últimas	 décadas,	 não	 escapa	 à	 necessidade	 de	 compreensão	 da	
influência	das	dinâmicas	do	Capitalismo	sobre	os	valores	da	sociedade.	Desde	então,	
essas	dinâmicas	influenciam	o	modo	de	compreender	“saúde”	e	alocam	a	utilidade	de	
suas	práticas	dentro	das	regras	e	da	lógica	de	mercado.	Arouca,	ao	estabelecer	relações	
entre	as	regras	do	discurso	da	medicina	preventiva	e	o	modo	de	produção	capitalista,	
evidencia	 as	 contradições	 fundamentadas	 no	 modelo	 de	 saúde	 fragmentado,	
assistencialista	 e	 capitalizado,	 marcado	 pelo	 fortalecimento	 de	 ações	 médicas	
individuais	 mediante	 a	 quitação	 de	 um	 valor.	 Diante	 das	 necessidades	 instauradas	
pelo	Capitalismo	na	cultura	da	saúde	–	cuja	lógica	propõe	a	priorização	da	doença,	a	
fim	de	que	se	tenha	mais	doentes,	mais	consultas	e	exames,	e	mais	 lucros	–,	faz-se	
inevitável	a	insuficiência	do	sistema	de	saúde	em	saná-las.	Essa	incapacidade	consiste	
no	 comprometimento	 da	 assistência	 e,	 consequentemente,	 na	 resolubilidade	 e	 na	
humanização	dos	atendimentos,	que	passam	a	ser	proporcionais	ao	tempo	de	consulta.	
Ao	longo	das	décadas,	novas	concepções	vêm	trazendo	progressos	ao	contra-
por	a	obsessão	pelo	lucro	a	uma	maior	preocupação	com	bem-estar,	qualidade	de	vida	
e	melhorias	sociais.	Assim,	a	inserção	do	yoga	vai	ao	encontro	dos	ideais	propostos	por	
importantes	teóricos	na	construção	de	uma	visão	ampliada	em	Saúde.	Campos	retrata	
essa	situação	ao	reforçar	a	necessidade	da	compreensão	ampliada	do	processo	saú-
de-doença	e	da	construção	de	abordagens	compreensivas	no	redimensionamento	da	
gestão	em	Saúde	à	luz	do	método	Paideia.	Essa	proposta	demanda	o	compartilhamen-
to	de	conhecimentos	e	poderes	com	a	finalidade	de	produzir	saúde,	e	concretiza-se	à	
medida	que	permite	o	empoderamento	dos	indivíduos	a	intervir	no	mundo,	conscientes	
de	seus	próprios	desejos	e	interesses,	de	sua	relação	com	a	cultura	e	as	organizações	
dominantes;	e	aptos	a	incorporar	intervenções	sobre	si	mesmo	ou	sobre	a	coletividade.	
O	yoga	integra	o	conjunto	de	sistemas	terapêuticos	que	se	fizeram	oportunos	a	
partir	da	década	de	1960,	em	meio	à	crise	médica	e	sanitária,	e	configuraram	um	cenário	
de	 rejeição	ao	modelo	de	saúde	proposto.	Apoiados	no	movimento	de	contracultura,	
esses	sistemas	fundamentados	em	concepções	holístico-integrativas	 representaram	
uma	alternativapara	atenuar	o	individualismo	atribuído	ao	padrão	hegemônico.	A	busca	
por	essas	terapias	tem	 influenciado	o	processo	de	 ressignificação	de	saúde,	doença,	
130
tratamento	e	cura.	Ao	discorrer	sobre	essa	mudança	de	paradigmas,	Campbel	afirma	a	
adesão	a	esses	sistemas	como	um	processo	gradual,	traduzido	pela	ampla	aceitação	
das	crenças	há	muito	tempo	estabelecidas	e	confinadas	a	uma	minoria	influente,	que	
compunha	o	movimento	de	contracultura.	
No	Brasil,	 esse	movimento	 sucedeu	em	meio	à	 fase	mais	 crítica	da	ditadura	
militar,	 o	 que	 contribuiu	 com	 a	 fragmentação	 dessas	 ideologias	 em	 campos	
apartados	pelo	regime	opressor.	As	terapias	que	o	constituíram	apresentavam	caráter	
menos	 invasivo	 e	 menos	 iatrogênico	 que	 o	 modelo	 médico	 predominante,	 e	 foram	
frequentemente	 associadas,	 de	 forma	desdenhosa,	 ao	movimento	hippie.	Apesar	 da	
tendência	 à	marginalização	 desse	movimento,	 houve	 ampla	 difusão	 dessas	 práticas	
e	 a	 consequente	 afirmação	 de	 um	 novo	 paradigma	 a	 contrapor	 o	 modelo	 médico	
hegemônico.	 A	 proposta	 desse	 padrão	 alternativo	 é	 fundamentada	 na	 valorização	
da	saúde;	no	 reposicionamento	do	 indivíduo	 (paciente)	como	centro	de	 investigação	
e	 da	 prática	 terapêutica;	 na	 relação	 médico-paciente	 como	 estratégia	 essencial	 da	
terapêutica;	na	busca	de	meios	terapêuticos	mais	simples	e	menos	onerosos,	com	igual	
ou	maior	eficácia	em	termos	curativos	nas	situações	de	adoecimento;	e	na	autonomia	
dos	indivíduos.	
A	 partir	 da	 década	 de	 1980,	 com	 o	 restabelecimento	 da	 democracia	 e	 a	
conquista	de	direitos	sociais,	como	a	concretização	do	Sistema	Único	de	Saúde	(SUS),	
essas	 propostas	 terapêuticas	 alternativas	 passaram	a	 ser	 cada	vez	mais	 difundidas,	
e	em	2006	foram	categorizadas	como	Práticas	Integrativas	e	Complementares	(PICs)	
do	SUS.	A	devida	regulamentação	do	yoga	nessa	categoria	é	muito	recente,	por	meio	
da	 portaria	 849,	 em	 27	 de	 março	 de	 2017.	 Assim	 como	 em	 outras	 modalidades	 de	
PIC,	 a	 compreensão	 do	yoga	 como	prática	 de	 saúde	 na	 racionalidade	 ocidental	 não	
foge	à	necessidade	de	ponderar	o	conceito	de	saúde	de	forma	holística,	em	todos	os	
aspectos	da	vida	humana.	Com	a	pretensão	de	explorar	as	percepções	de	 influentes	
líderes	de	yoga	da	cidade	de	São	Paulo	acerca	das	contribuições	dessa	filosofia	prática	
para	o	sistema	de	saúde,	Siegel	e	Barros	identificaram	extensões	em	que	foi	percebida	
como	relevante	a	efetivação	de	importantes	contribuições	sintetizadas	nos	seguintes	
aspectos:	totalidade,	consciência,	virtudes	e	espiritualidade.	
A	 concepção	 de	 totalidade	 refere-se	 à	 integração	 de	 corpo-mente-alma-
universo	e	corresponde	à	abrangência	dos	cuidados	de	saúde.	O	cultivo	da	consciência,	
seja	corporal,	emocional,	mental,	seja	espiritual,	não	tem	correspondência	direta	com	
os	princípios	do	sistema	nacional,	mas	as	consequências	de	sua	construção	reforçam	
valores	 como:	 autonomia,	 liderança,	 corresponsabilidade,	 racionalização,	 controle	 e	
participação.	A	prática	de	virtudes	–	verdade,	honestidade,	cultura	de	paz,	fraternidade,	
tolerância,	abstenção	do	que	não	traz	benefício,	disciplina,	universalidade	de	conceitos,	
integração	de	grupos	étnicos,	gêneros	e	culturas	–,	que	tem	como	base	os	yamas e 
nyamas,	foi	almejada	como	valor	na	mudança	de	paradigmas	em	saúde	por	meio	dos	
movimentos	de	contracultura,	e	serviu	como	orientação	para	a	construção	de	símbolos	
e	valores	da	política	de	saúde	atual.	
131
Finalmente,	a	consciência	espiritual	–	correspondente	à	harmonia,	conexão	e	
purificação	–,	apesar	de	não	estar	explicitamente	representada	como	política	de	saúde,	
já	 é	 compreendida	 como	 importante	por	 alguns	profissionais	 de	 saúde	 empenhados	
na	 criação	 de	 estratégias	 para	 sua	 aplicabilidade.	 Desse	 modo,	 o	 yoga	 pode	 ser	
compreendido	 como	 um	 conjunto	 de	 práticas	 físicas,	 sociais	 e	 filosóficas	 úteis	 para	
o	 campo	 da	 Saúde.	 Há	 um	 crescente	 empenho	 científico	 em	 publicar	 estudos	 que	
reconheçam	benefícios	físicos	e	psicológicos	advindos	da	prática	de	yoga	ou	de	suas	
técnicas	 isoladas	em	 indivíduos	com	diferentes	condições	de	saúde.	Todavia,	apesar	
das	 evidências	 de	mudanças	 terapêuticas	 positivas,	 a	 assimilação	 de	 suas	 técnicas	
é	 diferente	 entre	 indivíduos,	 grupos	 e	 sociedades.	As	 investigações	devem	 levar	 em	
conta	 essas	 diferenças	 sem	 perder	 de	 vista	 a	 complexidade	 subjetiva	 e	 social	 das	
potencialidades	humanas.	Esse	campo	ainda	é	emergente,	especialmente	no	Brasil,	e	
necessita	ser	explorado	de	forma	mais	sistemática	em	diferentes	grupos	em	associação	
com	outras	ciências.		
A ÍNDIA ANTIGA NO CONTEXTO GLOBALIZADO
O	diálogo	intercultural	que	qualifica	o	mundo	globalizado	advém,	entre	outros	
fatores,	 do	 desenvolvimento	 econômico,	 político,	 científico,	 industrial	 e	 das	 comuni-
cações	 no	mundo.	A	 liberdade	 de	 expressão	 e	 de	 opinião	 e	 o	 avanço	 dos	meios	 de	
comunicação	ofereceram	às	pessoas	a	oportunidade	de	reinventar	seus	modos	de	vida	
e	produzir	culturas	heterogêneas,	baseadas	em	um	diálogo	de	troca	com	múltiplos	re-
ferenciais	culturais.
Desse	 modo,	 indivíduos	 tornaram-se	 menos	 restritos	 às	 imposições	 de	 sua	
tradição	e	das	organizações,	e	mais	autônomos	para	criticar	e	recriar	valores	e	costumes.	
A	 Índia,	 como	 lar	 de	 trajetórias	 civilizacionais	 tão	 antigas,	 caracteriza-se	 na	 atualidade	
por	ser	um	território	de	grandes	contrastes	e	disparidades	sociais,	como	um	verdadeiro	
caleidoscópio.	 Ao	 longo	 de	 sua	 história	 assimilou	 as	 mais	 diversas	 culturas	 que	
culminaram	em	um	cenário	de	heterogeneidade	cultural,	social	e	religiosa,	e	fortalecem	
o	 regime	 democrático	 liberal.	 Seus	 grandes	 avanços	 científicos	 possibilitaram	 um	
maior	desenvolvimento	tecnológico	e	a	configuraram	como	uma	potência	econômica	
emergente	no	âmbito	global.	
Esse	grande	território,	por	outro	lado,	está	em	constantes	conflitos	e	disputas	
geopolíticas,	o	que	somado	ao	sistema	de	castas	impacta	o	desenvolvimento	econômico	
e	 social.	 Essa	 compreensão	 se	 contrasta	 com	 o	 produto	 vendido	 pelo	 turismo	 ao	
imaginário	 ocidental,	 em	 seus	 repertórios	 de	 espiritualidade,	 exotismo	 e	 bem-estar,	
que	colocam	a	Índia	em	um	plano	atemporal	e	idílico	de	um	Oriente	criado	para	e	pelo	
Ocidente,	ou	mesmo	ao	encontro	da	 invenção	do	Oriente	pelo	próprio	Oriente.	Nesse	
território,	a	prática	de	yoga	é	vendida	como	bem-estar	e	ganha	conotação	singular	ao	
ser	veiculada	com	autenticidade	indiana,	irreprodutível	em	outro	local.	Em	sua	análise	
sobre	 diferenças	 culturais,	 Zimmer	 esclarece	 que	 os	 indianos	 em	 sua	 percepção	
histórica	e	filosófica,	assim	como	os	indivíduos	incursos	na	racionalidade	ocidental,	têm	
132
suas	próprias	disciplinas	psicológicas,	éticas,	físicas	e	teoria	metafísica;	e	que,	por	isso,	
a	Índia	também	se	utiliza	da	estrutura	e	das	potências	mensuráveis	da	psique,	analisa	
as	faculdades	intelectuais	do	homem	e	as	operações	de	sua	mente,	avalia	as	teorias	do	
entendimento	humano,	estabelece	os	métodos	e	as	leis	da	lógica,	classifica	os	sentidos	
e	 estuda	 os	 processos	 pelos	 quais	 aprendemos,	 assimilamos,	 compreendemos	 e	
interpretamos	as	experiências.	Entretanto,	enquanto	a	racionalidade	ocidental,	em	seu	
pensamento	crítico,	aponta	a	informação	como	objeto	de	interesse	para	o	progresso	das	
ciências	racionais,	a	Índia	Antiga	aponta	a	transformação	como	base	para	a	mudança	
radical	na	natureza	humana,	na	compreensão	do	mundo	e	da	própria	existência.	
APROPRIAÇÃO DO YOGA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
 A	apropriação	do	yoga	por	outras	culturas	é	resultado	de	sua	popularização,	
e	 faz	parte	um	processo	contínuo	e	gradual	de	 interpretação	 relativa	ao	meio	a	que	
está	inserido.	Tal	processo	é	baseado	na	lógica	de	uma	tradição,	mas	está	longe	de	ser	
algo	rígido	ou	imutável.	Ao	contrário,	gera	ampla	interpretação,	ultrapassando	os	limites	
do	concreto	ao	possibilitar	que	diferentes	indivíduos	de	várias	procedênciasalcancem	
uma	maior	compreensão	da	realidade	que	os	cerca,	e	por	 isso	os	níveis	de	realidade	
alcançados	são	proporcionais	ao	entendimento	e	à	entrega	dos	praticantes.	Em	sua	
proposta	pedagógica,	baseada	no	respeito	à	autonomia	dos	indivíduos,	Freire	alude	a	
questão	da	inconclusão	como	parte	da	natureza	humana,	da	necessidade	do	indivíduo	
em	reconhecê-la	em	si	próprio	e	adentrar-se	em	uma	permanente	busca:	“Inacabado,	
sei	que	sou	um	ser	condicionado,	mas	consciente	do	 inacabamento	sei	que	posso	 ir	
mais	além	dele”	(FREIRE,	2016,	p.	52-3).	
O	autor	condena	a	absolutização	de	um	ponto	de	vista	e	afirma	a	obrigação	
de	se	ter	ética,	respeito	e	 lealdade	para	criticar	o	ponto	de	vista	alheio.	Com	base	na	
crise	de	valores	em	que	se	encontra	nossa	sociedade,	faz-se	urgente	a	instauração	de	
um	sentido	ético	que	torne	os	indivíduos	livres	e	soberanos,	e	contenha	a	reprodução	
espasmódica	dos	gestos	impostos	nos	moldes	de	seu	campo	social	e	histórico:	Ganhar	
dinheiro,	consumir	e	quando	possível	gozar.	Pinto	Jesus	retrata	essa	busca	como	uma	
necessidade	de	integração	de	dicotomias,	de	reencontro	dos	homens	consigo	mesmos	
e	 com	seus	 semelhantes:	 trata-se	mais	de	um	paralelismo,	no	qual	 o	Ocidente	está	
acordando	para	pontos	há	milhares	de	anos	 levantados	pelo	Oriente,	do	que	de	uma	
influência	direta.	Não	é	questão	de	 importar	o	zen	do	extremo	oriente,	mas	perceber	
o	que	podemos	aprender	com	ele.	Nesse	sentido,	há	uma	íntima	relação	entre	a	visão	
zen	 e	 a	 atual	 evolução	 do	 pensamento	 homem	 ocidental	 em	 relação	 a	 seu	 corpo,	
desencadeada	pela	penetração	desse	novo	paradigma	em	nossa	sociedade.	
	A	tal	propósito,	o	yoga	oferece	às	pessoas,	em	sua	prática	regular	e	persistente,	
ferramentas	 necessárias	 para	 atingir	 níveis	 mais	 profundos	 da	 consciência.	 O	
autoconhecimento	 adquirido	 nesse	 processo	 de	 busca	 pela	 sua	 essência	 permite	 a	
esses	praticantes	alcançar	maior	visão	da	realidade	e	o	estado	de	autorrealização	sem	
perder	de	vista	o	ideal	maior.	Em	meio	a	modismos	e	apelos	comerciais,	a	popularização	
133
do	yoga	também	favorece	as	distorções	dos	princípios	dessa	tradição.	Em	tal	acepção,	
essa	tradição	milenar	é	frequentemente	identificada	na	cultura	Ocidental	como	prática	
de	 relaxamento	do	estresse	ou	esporte,	o	que	dificulta	a	apreensão	de	sua	natureza	
dicotômica,	entre	corpo	e	espírito.	
Essa	 sociedade,	 que	 idealiza	 o	 culto	 ao	 corpo	 como	 elemento	 central	 das	
relações	 sociais,	 apresenta	 dificuldades	 na	 compreensão	 do	 yoga	 como	 prática	
espiritual.	 O	 relatório	mundial	 da	 Unesco,	 ao	 descrever	 a	 importância	 de	 se	 investir	
na	 diversidade	 cultural	 e	 no	 diálogo,	 aponta	 como	 um	 dos	 principais	 efeitos	 da	
globalização	a	fragilização	do	vínculo	entre	um	fenômeno	cultural	e	a	sua	circunstância	
geográfica.	Desse	modo,	 cautela	e	vigilância	epistemológica	 são	 indispensáveis	para	
não	 descaracterizar	 uma	 tradição	milenar	 e	 desnaturar	 seus	 princípios.	 O	 diálogo	 é	
o	primeiro	passo	para	 superação	das	 interpretações	 limitadas	e	 inadequadas	acerca	
dessa	filosofia	prática	milenar	oriental.	
Partindo	 dessa	 premissa,	 a	 educação	 auxilia	 os	 indivíduos	 a	 adquirir	 as	
competências	interculturais,	permite-lhes	conviver	com	as	diferenças	culturais	e	não	
apesar	delas,	e	contribui	com	o	exercício	da	cidadania	e	da	democracia.	Trata-se	da	
busca	pela	verdade	com	base	em	diferentes	apreensões	da	realidade.	No	entanto,	essa	
construção	apresenta	princípios	 intangíveis	e	 inacabados,	com	opiniões	sobrepostas	
tornando	o	conteúdo	mais	rico	e	englobante,	e,	portanto,	sem	palavra	final.	Santos	reforça	
essa	ideia	ao	propor	o	conceito	de	ecologia	de	saberes,	movimento	que	reconhece	os	
saberes	 como	 heterogêneos,	 autônomos	 e	 articulados	 entre	 si,	 assentados	 em	 um	
sistema	aberto	em	processo	constante	de	criação	e	 renovação.	Danucalov	e	Simões	
apontam	essa	 cooptação	de	 conceitos	no	yoga	 e	na	meditação,	 advinda	do	diálogo	
com	 essa	 tradição,	 como	 importante	 no	 desenvolvimento	 da	 humanidade.	Yoga	 e	 a	
meditação	parecem	estar	em	constante	transmutação.	
Analisando	se	coerentemente	suas	histórias	evolutivas,	percebe-se	que	essas	
escolas	vêm	sofrendo	constantes	transformações	e	adaptações	através	dos	tempos.	
Impedir	reinterpretações	saudáveis	dos	antigos	textos,	assim	como	futuras	adaptações	
de	 âmbito	 sociocultural,	 é	 restringir	 o	 crescimento	 de	 sistemas	 que	 supostamente	
nasceram	da	mais	sincera	e	íntima	necessidade	investigativa	do	ser	humano.	Restringir	
tais	questionamentos	é	impedir	o	avanço	da	ciência	e	a	continuidade	do	crescimento	
social,	cultural	e	espiritual	do	homem.	A	transdisciplinaridade,	por	sua	vez,	representa	
uma	tentativa	de	superação	da	disciplinaridade	na	configuração	do	saber.	Ela	oferece	
uma	 compreensão	 mais	 abrangente	 de	 um	 determinado	 problema	 a	 ser	 resolvido	
uma	 vez	 que	 permite	 trocas	 de	 saberes	 entre	 conhecimentos	 ditos	 científicos,	 que	
seguem	 regras	 teóricas	 metodológicas,	 como	 também	 inferência	 ao	 conhecimento	
holístico	mais	abrangente	e	avançado.	Essa	busca	implica	autoanálise	e	identificação	
do	homem	como	ser	integrante	de	um	sistema	maior.	A	mudança	que	opera	permite	a	
reorganização	no	saber,	o	restabelecimento	de	relações	entre	os	diversos	aspectos	da	 
realidade	e	o	reposicionamento	dos	dados	complexos	e	contraditórios	no	 interior	de	um	
sistema	global	e	hierarquizado,	sem	fronteiras	estáveis	entre	as	disciplinas	e	os	sujeitos.
134
CONCLUSÃO
	 Usufruir	 do	 legado	 indiano	 por	 meio	 do	 yoga	 conduz	 o	 desenvolvimento	
dos	 indivíduos	 em	 todos	 os	 sentidos	 da	 personalidade	 humana,	 permitindo-lhes	 o	
autoconhecimento	 e	 a	 aproximação	 do	 que	 lhes	 é	 essencial.	 Esse	 sistema	filosófico	
e	prático	os	torna	mais	críticos	e	autônomos	na	busca	de	seu	bem-estar,	na	melhoria	
de	 suas	 vidas	 e	 na	 construção	 de	 uma	 sociedade	 mais	 saudável	 e	 consciente.	 A	
interpretação	 do	 yoga	 é	 diferente	 entre	 os	 indivíduos,	 grupos,	 sociedades	 e	 na	
racionalidade	ocidental,	e	vai	ao	encontro	do	conceito	ampliado	de	saúde	construído	
ao	 longo	da	história	que	envolve:	valorização	do	componente	subjetivo,	 integralidade	
do	empoderamento	dos	indivíduos,	novas	perspectivas	de	reflexão	e	ações	individuais	
e	coletivas.	O	conteúdo	oferecido	pela	tradição	do	yoga	vai	de	encontro	à	 influência	
dos	valores	 impostos	pelo	Capitalismo	nas	sociedades	contemporâneas	sob	a	 lógica	do	
consumo,	da	acumulação,	da	 individualidade	e	da	competitividade.	Para	maior	usufruto	
desse	legado	é	preciso	contextualizar	e	flexibilizar	o	yoga	estabelecendo	pontes	culturais	
com	a	contemporaneidade,	sem	descaracterizá-lo	em	seus	princípios	éticos,	filosóficos	
e	 práticos.	 Essa	 discussão	 contribui	 para	 o	 aprofundamento	 dos	 debates	 no	 campo	
da	Saúde	Coletiva	e	 requer	uma	postura	criativa	e	arrojada	em	 ressignificar	 saúde	e	
fortalecer	a	proposta	de	integralidade	que	fundamenta	o	SUS.
Fonte: https://bit.ly/3Co7yER. Acesso em: 6 set. 2022. 
135
Neste tópico, você aprendeu:
•	 O	TCC	é	considerado	uma	expressão	corporal	e	arte	marcial	de	origem	Chinesa,	que	
exercita	o	corpo	e	a	mente,	suas	bases	filosóficas	são	oriundas	do	Tao.	
•	 A	prática	do	TCC	busca	o	equilíbrio	entre	o	Yin e Yang	(dois	polos	opostos).	Em	cada	
movimento,	a	respiração	é	controlada	de	forma	adequada.
•	 Além	dos	benefícios	de	redução	do	estresse,	aumento	da	longevidade,	fortalecimento	
do	tônus	muscular,	o	Tai	Chi	também	tem	potencial	como	arte	marcial	para	fins	de	
defesa	pessoal.
•	 Outra	forma	de	exercício	originário	da	China	que	faz	parte	da	MTC	é	o	Chi Kung	ou	Qi 
Gong.	que	significa	treinar	ou	cultivar,	então,	Chi Kung	quer	dizer	“a	arte	de	treinar	e	
cultivar	a	energia”.
•	 O	TCC	pode	ser	realizado	por	pessoas	de	todas	as	idades,	e	seus	movimentos	devem	
respeitar	 alguns	aspectos,	 como:	a	 lentidão	nos	movimentos,	 foco	nos	exercícios,	
respiração	adequada,	relaxamento	durante	a	prática	para	favorecer	o	fluxodo	Qi.	
•	 Conhecer	o	perfil	dos	praticantes	do	grupo	é	primordial	para	a	eficácia	de	qualquer	
terapia	corporal	em	grupo,	ainda	mais	quando	envolve	movimentos	e	posturas.
•	 As	formas	de	utilização	da	PICS	nas	comunidades	para	diversos	fins.	Pesquisas	 já	
demonstram	 seus	 benefícios	 para	 pessoas	 com	 DCNT,	 sintomas	 de	 depressão	 e	
estresse,	doenças	cardiovasculares,	na	prevenção	de	queda	de	idosos,	entre	outros.	
RESUMO DO TÓPICO 3
136
AUTOATIVIDADE
1	 O	TCC	é	uma	prática	corporal	referenciada	na	PNPIC	como	parte	das	atividades	da	
MTC.	Pode	ser	utilizado	tanto	prevenção	como	auxiliar	no	tratamento	de	doenças.	
Sobre	 a	 sua	 atuação	 em	 diferentes	 problemas	 de	 saúde,	 assinale	 a	 alternativa	
CORRETA:
a)	 (			)	 As	 pessoas	 idosas	 se	 beneficiam	 da	 prática	 somente	 por	 ser	 uma	 atividade	
oferecida	em	grupo,	o	que	estimula	as	conexões	sociais	nessa	fase	da	vida.
b)	 (			)	 As	DCNT	são	consideradas	um	problema	de	saúde	pública	no	Brasil.	Contudo,	
nestes	casos,	a	prática	de	TCC	não	é	utilizada	de	forma	preventiva.
c)	 (			)	 O	Tai	Chi	 tem	potencial	 para	atuar	em	doenças	neurológicas,	 reumatológicas,	
ortopédicas,	cardiopulmonares	entre	outras.
d)	 (			)	 Não	é	recomendado	que	crianças	menores	participem	de	grupos	de	TCC.	
2	 O	 TCC,	 assim	 como	 a	 prática	 de	 QI-Gong,	 se	 diferencia	 dos	 exercícios	 físicos	
tradicionais	 por	 alguns	 aspectos.	 A	 partir	 dos	 pontos	 citados	 no	 texto	 sobre	 a	
realização	dos	movimentos,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 Um	dos	pontos	principais	para	a	realização	dos	movimentos	do	TCC	é	a	rapidez	na	
execução	deles.
II-	 Praticantes	de	Qi	Gong	e	Tai	Chi	aprendem	a	incorporar	os	movimentos	físicos	com	
a	respiração.
III-	 A	concentração	total	é	necessária	nos	exercícios	de	Qi	Gong	ou	Tai	Chi.	Pode-se	
realizar	os	exercícios	com	os	olhos	fechados	para	evitar	distrações.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	II	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 Não	há	um	consenso	entre	os	pesquisadores	sobre	a	criação	do	TCC,	porém,	existem	
algumas	 teorias	 bastante	 conhecidas.	 Sobre	 o	 desenvolvimento	 histórico	 do	TCC,	
classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
137
(   )	Sobre	 a	 origem	 do	 TCC,	 uma	 das	 teorias	 mais	 conhecida	 é	 a	 de	 que	 quem	 o	
desenvolveu	 foi	 monge	 Taoísta	 Chang	 San-feng,	 que	 fundou	 um	 templo	 na	
Montanha	Wudang	para	a	prática	do	Taoísmo.
(   )	 Foi	Bodhidharma	que	acentuou	a	 importância	da	harmonia	do	Yin-Yang	como	meio	 
de	desenvolver	a	capacidade	mental	e	física.	
(   )	O	TCC	 foi	 passado	de	geração	em	geração.	Muitos	 sobrenomes	 familiares	 foram	
associados	 a	 diferentes	 estilos	 de	Tai	 Chi,	 como	o	 estilo	Wu,	 estilo	Yang	 e	 estilo	
Chen.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 O	TCC	é	 especialmente	 recomendado	para	 as	 pessoas	 idosas,	 citadas	 em	diversos	
estudos	sobre	o	tema.	Disserte	sobre	os	benefícios	desta	prática	para	essa	população	
e	os	cuidados	na	condução	de	grupos	em	que	idosos	participem.	
5	 As	 bases	 do	 TCC	 partem	 da	 “Alquimia	 Interior	 Taoísta”.	 Disserte	 sobre	 o	 que	 é	 o	
Taoísmo,	“Alquimia	Interior”	e	sua	relação	com	o	TCC.
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145
VILLEGAS,	L.;	PUJOL,	Ò.	Diccionario del Yoga:	História,	práctica,	filosofía	y	mantras.	
Barcelona:	Herder,	2017.	
VINITSKY,	S.	Manual Básico de Tai Chi Chuan.	São	Paulo:	Ed.	C.A.T.A.M,	1992.
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Filosofia	e	Prática.	São	Paulo:	Pensamento,	2001,	p.	13-14.
YOGANANDA,	P.	Jornada para a Autorrealização.	Como	perceber	Deus	na	vida	
diária.	Coletânea	de	Ensaios	e	Palestras.	Volume	III.	Califórnia:	Self-Realization	
Fellowship,	2014.	
146
147
TERAPIAS 
COMPLEMENTARES EM 
SAÚDE
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
•	 identificar	a	terapia	bioenergética	e	seus	principais	conceitos;
•	 entender	os	princípios	do	Reiki	e	a	sua	prática;
•	 conhecer	o	processo	terapêutico	das	constelações	familiares	sistêmicas	e	da	terapia	
integrativa	comunitária;
•	 explicar	sobre	a	história	e	a	prática	profissional	da	arteterapia.
	 A	cada	tópico	desta	unidade	você	encontrará	autoatividades	com	o	objetivo	de	
reforçar	o	conteúdo	apresentado.
TÓPICO	1	–		BIOENERGÉTICA	E	REIKI
TÓPICO	2	–	CONSTELAÇÕES	FAMILIARES	SISTÊMICAS	E	TERAPIA	COMUNITÁRIA	
INTEGRATIVA
TÓPICO	3	–	ARTETERAPIA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
148
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
Acesse o 
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149
TÓPICO 1 — 
BIOENERGÉTICA E REIKI
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico,	no	Tópico	1,	abordaremos	sobre	duas	práticas	integrativas	e	com-
plementares	de	saúde	(PICS),	a	bioenergética	e	o	Reiki.	O	objetivo	é	que	você	conheça	
essas	PICS	e	entenda	alguns	de	seus	conceitos	centrais.	Ressaltamos	que	é	necessária	
a	realização	de	cursos	específicos	de	bioenergética	e	Reiki	para	utilizar	essas	práticas	
profissionalmente.
 
A	bioenergética	é	um	modo	de	entender	a	personalidade	e	baseia-se	na	pro-
posição	da	unificação	de	corpo	e	mente.	Parte	da	premissa	de	que	a	energia	que	flui	
pelo	corpo	é	produzida	pela	respiração	e	pelos	processos	metabólicos,	e	sua	descar-
ga	acontece	pelos	movimentos	corporais	e	expressões	de	 sentimentos.	Nesse	caso,	
durante	a	terapia,	os	possíveis	bloqueios	energéticos	serão	dissipados	por	exercícios	 
inerentes	à	prática	e	pelo	processo	de	autoconhecimento	do	indivíduo.
 
O	 Reiki	 também	 traz	 em	 seus	 ensinamentos	 o	 conceito	 de	 energia,	 porém,	
o	objetivo	da	prática	é	 a	 canalização	da	energia	universal	 pelo	 terapeuta	 (ou	Qi),	 no	
intuito	de	repassá-la	à	pessoa.	Essa	passagem	de	energia	acontece	por	intermédio	da	
imposição	de	mãos,	que	perpassam	pelos	sete	chakras	e	que	vibram	em	pontos	vitais	
do	corpo.	
2 O DESENVOLVIMENTO DA BIOENERGÉTICA 
A	bioenergética	foi	baseada	nos	estudos	do	psiquiatra	e	psicanalista	Wilhelm	
Reich,	 percursor	 da	 psicologia	 corporal,	 sendo	 desenvolvida	 pelo	 também	médico	 e	
psicanalista	Alexandre	Lowen,	que	foi	aluno	de	Reich	(1940-1952),	além	de	seu	professor,	
Reich	 foi	 o	 seu	 analista	 durante	 três	 anos	 (1942-1945)	 (LOWEN,	 1982).	 Dessa	 forma,	
podemos	 dizer	 que	 a	 análise	 bioenergética	 teve	 como	 base	 também	 a	 psicanálise,	
abordagem	teórica	desenvolvida	por	Sigismund	Schlomo	Freud	sobre	o	funcionamento	
da	mente	humana.	
 
Reich,	no	entanto,	nos	apresenta	uma	nova	perspectiva,	utilizando	como	base	
principalmente	 a	 proposiçãode	 que	 o	 corpo	 e	 a	 mente	 são	 uma	 unidade	 (BRASIL,	
2018a).	O	que	Reich	nos	traz	é	a	teoria	de	que	toda	experiência	humana	é	“impressa”	
em	nosso	corpo	e	em	nossa	mente,	e,	como	são	uma	unidade,	as	experiências	de	vida	
afetam	ambos.
 
150
A	análise	bioenergética	(AB)	adota	dois	princípios	reichianos	básicos:
1.	 Limitações	do	movimento	frequentemente	são	resultados	de	difi-
culdades	emocionais.	Elas	surgem	como	resultado	de	um	conflito	
histórico,	 antigo,	 não	 resolvido,	mas	 é	 a	 persistência	 da	 tensão	
no	presente	que	cria	dificuldades	emocionais	atuais	que	colidem	
com	a	realidade	do	adulto.
2.	 Restrições	da	respiração	natural	são	associadas	com	ansiedade.	A	
ansiedade,	vivida	em	situações	de	infância,	perturba	a	respiração	
natural	atual	(WEIGANT,	2005,	p.	10).
No	ano	de	1953,	Lowen	firmou	parceria	com	John	C.	Pierrakos,	também	segui-
dor	de	Reich,	e	após	com	Willian	B.	Walling,	ambos	médicos.		Em	1956,	ele	funda	o	Inter-
national Institute for Bioenergetic Analyses	(IIBA),	instituição	sem	fins	lucrativos	com	o	
objetivo	de	ensinar	aos	terapeutas	os	conceitos	básicos	do	trabalho	com	o	corpo.	Após	
a	morte	de	Reich,	Lowen	iniciou	a	terapia	com	Dr.	Pierrakos,	e	a	partir	dela,	no	trabalho	
com	o	seu	próprio	corpo,	ele	desenvolveu	posições	e	exercícios	que	são	considerados	
padrões	da	bioenergética,	assim	como	conceitos	únicos	a	esta	abordagem,	como	o	de	
Grounding (LOWEN,	 1982).	 Lowen	 aprofundou	 o	marco	 descritivo	 do	 indivíduo	 como	
mente-corpo,	descrito	por	Reich,	 incluindo	nele	a	sua	forma	e	mobilidade,	ou	seja,	o	
corpo	da	pessoa	como	um	aspecto	a	ser	considerado	na	análise	(BRASIL,	2018a).	Se-
gundo	a	Sociedade	Brasileira	de	Análise	Bioenergética	(2022,	p.	1),	Alexandre	Lowen:
Ao	estruturar,	desenvolver	e	aprofundar	a	descrição	do	funcionamento	
dos	 tipos	 caracterológicos	 descritos	 por	 Wilhelm	 Reich,	 introduziu	
a	 leitura	 corporal.	 Esta	 ferramenta	 permite	 que	 o	 psicoterapeuta	
entenda	a	dinâmica	energética	dos	bloqueios	 ligada	à	compreensão	
da	história	do	paciente.	
Assim,	 os	 aspectos	 corporais	 são	 enfatizados	 nesse	 tipo	 de	 análise,	 seus	
pressupostos	perpassam	pela	“importância	do	corpo	como	forma	de	reconhecimento	
do	 percurso	 de	 desenvolvimento	 emocional	 do	 paciente	 e	 instrumento	 de	 trabalho	
terapêutico”	 (OLIVEIRA	 JÚNIOR,	 2016,	 p.	 29-30).	 Sendo	 uma	 psicoterapia	 analítica-
relacional-corporal	 profunda,	 a	 análise	 bioenergética	 (AB)	 busca	 promover	 a	 saúde	
integral	do	 indivíduo,	nela,	o	terapeuta	considera	as	 linguagens	corporal	e	verbal	nos	
atendimentos	clínicos,	expressadas	através	de	exercícios	corporais	e	outros	recursos	
utilizados	durante	os	atendimentos	(BRASIL,	2018a).
A	bioenergética	é	uma	técnica	terapêutica	que	ajuda	o	 indivíduo	a	
reencontrar-se	com	o	seu	corpo,	e	a	tirar	o	mais	alto	grau	de	proveito	
possível	 da	 vida	 que	 há	 nele.	 Essa	 ênfase	 dada	 ao	 corpo	 inclui	 a	
sexualidade,	que	é	uma	das	suas	funções	básicas.	Mas	inclui	também	
as	mais	elementares	funções	da	respiração,	movimento,	sentimento	
e	 autoexpressão.	 O	 indivíduo	 que	 não	 respira	 corretamente	 reduz	
vida	 do	 seu	 corpo.	 Se	 não	 se	movimenta	 livremente,	 limita	 o	 seu	
corpo.	Se	não	se	sente	inteiramente,	estreita	a	vida	de	seu	corpo	e,	
se	sua	autoexpressão	é	reduzida,	o	indivíduo	terá	a	vida	de	seu	corpo	
restringida	(LOWEN,	1982,	p.	38).
151
No	Brasil,	a	psicóloga	Myrian	de	Campos,	fascinada	pelo	trabalho	de	Lowen	e	
após	ler	vários	de	seus	livros,	pode	conhecê-lo	pessoalmente	e	formar-se	por	intermé-
dio	do	treinador	internacional	de	AB.	Em	1981,	a	Sociedade	Brasileira	de	Análise	Bioe-
nergética	(SOBAB)	foi	criada	em	São	Paulo,	e	a	partir	dos	anos	1990	outras	instituições	
abriram	com	a	mesma	finalidade	em	outras	cidades	do	país	 (CAMPOS,	2009).	Dessa	
forma,	Myrian	foi	precursora,	introduzindo	a	Bioenergética	na	América	Latina.	
Em	 1989,	 Lowen	visita	 o	 Brasil	 e	 outros	 países	 da	América	 Latina,	
difundindo	 ainda	mais	 seu	 trabalho	 no	 continente	 Sul-Americano.	
Atualmente	no	Brasil	há	seis	entidades	filiadas	ao	IIBA,	três	no	estado	
de	São	Paulo,	e	as	demais	no	Rio	de	Janeiro,	Brasília	e	Recife	(atuando	
em	diversas	localidades	do	Nordeste).	Além	do	Brasil,	a	comunidade	
ativa	de	profissionais	da	AB	com	sociedades	filiadas	ao	IIBA	encontra-
se	em	todos	os	continentes	do	mundo,	atuando	em	diversos	países	
como:	 Alemanha,	 Argentina,	 Áustria,	 Bélgica,	 Canadá,	 China,	
Dinamarca,	Espanha,	Estados	Unidos,	França,	Holanda,	Israel,	Itália,	
Noruega,	Nova	Zelândia,	Polônia,	Portugal,	Rússia,	Suécia	e	Suíça.	No	
Brasil,	 de	 um	modo	 geral,	 as	 informações	 e	 estudos	 acerca	 deste	
campo	 encontram-se	 escassamente	 difundidos	 e	 sistematizados,	
percebendo-se	 também,	 a	 presença	 de	 impressões	 limitadas	 e	
preconceituosas	acerca	da	AB,	que	podem	ser	desmistificadas	com	
o	acesso	às	produções	na	área	(BARRETO;	SANTOS;	SILVA,	2020,	p.	
78-79).
No	contexto	do	SUS,	no	ano	de	2018	a	AB	foi	considerada	uma	prática	integra-
tiva	e	complementar	de	saúde,	compondo	oficialmente	a	Política	Nacional	de	Práticas	
Integrativas	e	Complementares	(PNPIC)	(BRASIL,	2018b).	
 
Segundo	Weigant	(2005,	p.	9),	a	AB	é	uma	técnica	para:
•	 Entender	a	personalidade	em	termos	do	corpo.
•	 Melhorar	as	funções	da	mente,	aumentando	a	energia	corporal.
•	 Aumentar	a	capacidade	de	um	indivíduo	para	experimentar	prazer	
liberando	as	atitudes	crônicas	estruturadas	no	corpo.	
A	AB	pode	ser	aplicada	em	diversas	áreas,	tais	como:	“psicoterapia	individual,	
de	 grupo,	 de	 casal	 e	 hospitalar,	 clínica	 social	 em	 comunidades	 e	 em	 programas	 de	
saúde,	apoio	a	estudantes	de	vestibulares	e	demais	concursos,	integração	de	grupos	e	
desenvolvimento	da	cidadania”	(INSTITUTO	DE	ANÁLISE	BIOENERGÉTICA	DO	CENTRO	
OESTE	DO	BRASIL,	2018,	p.	1).	No	Brasil,	a	AB	é	relacionada	a	diversas	demandas	de	
saúde,	como:	na	saúde	mental	e	no	tratamento	de	transtornos	psiquiátricos,	com	grupos	
específicos	 (gestantes,	 idosos),	 aplicações	 da	 bioenergética	 em	 doenças	 crônicas	
não	transmissíveis	e	autoimunes,	no	cuidado	de	profissionais	do	SUS	e	na	educação	
permanente,	entre	outros	(BRASIL,	2018a).		
152
2.1 FUNDAMENTOS BÁSICOS
Acadêmico,	constatamos	anteriormente	que	a	AB	tem	como	uma	de	suas	ba-
ses	a	unificação	mente-corpo,	considerando,	a	partir	dos	estudos	de	Lowen,	sua	forma	
e	mobilidade.	Assim,	cada	experiência	humana	interfere	diretamente	em	todos	esses	
elementos.	Mas	como?	E,	quais	consequências	dessa	interferência	no	nosso	corpo	ma-
terial?	Essas	perguntas	serão	respondidas	a	seguir,	pois	para	compreendermos	melhor	
a	AB,	é	preciso	aprofundarmos	os	estudos	em	alguns	conceitos	da	teoria.
2.1.1 Energia
A	bioenergética	procura	entender	a	personalidade	do	 indivíduo,	perpassando	
pelos	seus	processos	energéticos	(BRASIL,	2018a)	A	“energia”	na	bioenergética	é	a	força	
que	está	envolvida	em	todos	os	processos	da	vida:
A	Bioenergética	acredita	que	a	energia	está	envolvida	em	todos	os	
processos	da	vida,	movimentos,	sentimentos	e	pensamentos	–	e	que	
se	manifesta	numa	unidade,	representada	pela	carga	e	pela	descarga,	
ou,	em	outros	termos,	pelo	ritmo	natural	de	se	abrir,	ir	ao	encontro	de	
algo/alguém	e	afastar-se,	fechar-se	(VOLPI;	VOLPI,	2012,	p.	6).
Podemos	 compará-la	 com	 o	 conceito	 de	 “Chi”	 da	Medicina	 Chinesa,	 porém,	
conforme	Lowen	(1982,	p.	40-41)	afirma:
Não	acredito	que	seja	importante	para	o	estudo	presente	determinar	
com	precisão	o	caráter	real	da	energia	da	vida.	(...)	Podemos,	porém,	
aceitar	 a	 proposta	 fundamental	 de	 que	 a	 anergia	 está	 envolvida	
em	 todos	 os	 processos	 da	 vida,	 nos	 movimentos,	 sentimentos	 e	
pensamentos,	 e	 que	 os	 mesmos	 chegariam	 ao	 fim	 se	 a	 fonte	 de	
energia	 para	 o	 organismo	 se	 esgotasse.	 Uma	 falta	 de	 alimentos,	
por	 exemplo,	 haveria	 de	 esgotar	 a	 energia	 do	 organismo	 de	 uma	
forma	tão	severa	que	poderia	inclusive	sobrevir	a	morte;	um	corte	na	
entrada	do	oxigênio	necessário	ao	organismo	interfere	no	processo	
normalda	respiração,	conduzindo	o	 indivíduo	à	morte.	Os	venenos	
que	bloqueiam	as	atividades	metabólicas	do	corpo,	reduzindo	assim	
sua	energia,	provocam	o	mesmo	efeito.
Nesse	 caso,	 a	 energia	 chega	 ao	 ser	 humano	 por	 intermédio	 do	 oxigênio,	 de	
alimentos	 etc.	 Ela	 é	 disseminada	no	 corpo	 pelos	 seus	fluídos,	 com	destaque	para	 o	
sangue.	O	“fluxo”	é	um	dos	conceitos	da	bioenergética	que	explica	esse	processo.
Na	 medida	 em	 que	 o	 sangue	 flui	 através	 do	 corpo,	 transporta	
metabólicos	e	oxigênio	para	os	 tecidos,	 fornecendo	a	eles	energia	
e	removendo	os	produtos	residuais	da	combustão.	Mas	o	sangue	se	
constitui	em	mais	do	que	um	simples	veículo;	é,	na	verdade,	o	fluido	
energeticamente	carregado	do	corpo.	Sua	chegada	a	qualquer	parte	
do	corpo	significa	vida,	calor	e	excitação	para	aquela	parte	(...)	Além	
do	sangue,	existem	outros	fluidos	energéticos	no	corpo:	a	 linfa,	os	
fluidos	intersticiais	e	os	intracelulares	(LOWEN,	1982,	p.	45).
153
Assim,	produzimos	energia	por	mediação	da	respiração	e	do	metabolismo,	e	a	
“descarga”	da	energia	gerada	acontece	por	intermédio	dos	movimentos	corporais,	“isto	
quer	dizer	que,	a	quantidade	de	energia	que	uma	pessoa	tem	e	como	a	usa,	determinam	
o	modo	como	responde	às	situações	da	vida”	(BRASIL,	2018a,	p.	12).
Quando	se	fala	em	"energia"	no	âmbito	da	abordagem	bioenergéti-
ca,	a	 referência	é	exatamente	à	energia	biológica,	que	é	dinâmica,	
fluindo	e	pulsando.	Esta	energia	é	sentida	pelo	corpo	como	um	mo-
vimento	interno	que,	em	estado	de	equilíbrio,	é	tido	como	agradável,	
expressando-se	em	bem-estar	(VOLPI;	VOLPI,	2012,	p.	6).
	Em	outras	palavras,	a	forma	como	nosso	corpo	desenvolve	a	energia	vai	 in-
fluenciar	diretamente	em	nossos	sentimentos	e	ações.	Poderá	haver	bloqueios	ener-
géticos,	estes,	por	sua	vez,	impactam	negativamente	na	saúde	como	um	todo.	Para	a	
AB,	as	tensões	dos	músculos	são	costumeiramente	decorrentes	da	supressão	de	senti-
mentos.	Durante	as	sessões	esses	pontos	são	desbloqueados	por	intermédio	do	toque	
e	outros	exercícios	inerentes	à	prática.	
2.1.2 Grounding 
Grounding	 significa	 “enraizamento”.	 É	 uma	 técnica	 que	 Lowen	 e	 Piekarros	
desenvolveram	em	suas	sessões	de	terapia,	na	busca	pela	melhoria	da	 respiração	e	
liberação	de	emoções	e	de	tensões	que	bloqueavam	os	fluxos	de	energia	do	corpo,	eles	
determinam	que	 as	 pernas,	 além	do	 contato	mecânico	 com	o	 chão,	 podem	originar	
sentimentos	(WEIGANT,	2008).		Durante	a	realização	dos	exercícios	de grounding,	por	
intermédio	da	atenção	plena	às	sensações,	podemos	experienciar	novas	formas	de	nos	
reconhecermos	em	nosso	corpo.	
 
Bioenergeticamente	 falando,	 grounding	 serve	 para	 o	 sistema	
energético	 do	 organismo	 da	 mesma	 forma	 que	 para	 um	 circuito	
elétrico	de	alta	tensão	e	é	constituído	de	uma	válvula	de	segurança	
para	 a	 descarga	 de	 excessos	 de	 excitação.	 Num	 sistema	 elétrico,	
o	acúmulo	súbito	de	carga	pode	queimar	uma	parte	da	 instalação	
ou	 provocar	 um	 incêndio.	 Na	 personalidade	 humana,	 o	 acúmulo	
de	 energia	 também	poderá	 ser	 perigoso	 caso	 a	 pessoa	não	 tenha	
contato	 com	o	chão.	A	pessoa	pode	 fragmentar-se,	ficar	histérica,	
sentir	ansiedade	ou	entrar	em	depressão	(LOWEN,	1982,	p.	171).
Lowen	 se	 propõe	 a	 trabalhar	 na	 vertical	 com	 o	 seu	 cliente,	 e	 não	 mais	 na	
horizontal	como	acontecia	na	terapia	reichiana.	Nessa	posição,	o	indivíduo	pode	sentir	
o	chão	e	o	eixo	de	seu	corpo,	 lembrando	que	o	 “chão”	aqui	descrito,	tem	significado	
material	e	simbólico	(PIAUHY,	2014).	Manter	os	pés	no	chão	provoca	o	“enraizamento”	
da	pessoa,	isto	é,	o	contato	com	a	realidade	no	momento	presente.	Para	isso,	há	uma	
ênfase	no	cuidado	quanto	 à	 respiração	e	 como	a	postura	do	 corpo	está	na	vertical,	
“a	pessoa	estabelece	o	contato	com	a	terra	através	de	suas	pernas	e	pés,	e	também	
se	conecta	com	as	realidades	básicas	de	sua	existência”	(LOWEN,	1985	apud	BRASIL,	
154
2018a,	p.	19).	Nesse	caso,	“estar	grounding”,	nos	termos	da	bioenergética,	quer	dizer:	
“estar	aterrado,	assentado,	fundamentado,	é	estar	conectado,	com	seu	próprio	corpo	
e	sua	sexualidade,	com	a	realidade	e	com	o	solo	onde	pisa”	(BORGES	DA	FRONCESCA,	
2011,	p.	82).
No	Quadro	1,	destacamos	experiências	de	pessoas	que	vivenciaram	o	grounding,	
que	sentiram	a	energia	fluir	através	de	seus	corpos	para	baixo,	para	a	terra:
Quadro 1 – Vivências de grounding
Fonte: Lowen (1982, p. 172-173)
Tristeza
Em	geral,	 uma	das	primeiras	experiências	quando	se	deixa	 “ir	 para	baixo”	 é	a	
tristeza.	Se	a	pessoa	puder	aceitar	e	ceder	a	este	sentimento,	começará	a	chorar.	
Dizemos	que	“rompemos”	em	lágrimas.	Há	em	todas	as	pessoas	uma	tristeza	muito	
profunda	e	em	suspenso	(“obsessão”)	e	muitos	prefeririam	continuar	em	suspen-
so	a	enfrentar	tal	sentimento,	dado	que	estão	prestes	ao	desespero,	em	muitos	
casos	(...)	A	tristeza	e	o	choro	estão	contidos	na	barriga	que	também	é	a	câmara	
onde	acumula-se	a	energia	para	a	irrupção	da	descarga	sexual	e	da	satisfação.	O	
caminho	para	a	alegria	invariavelmente	atravessa	o	desespero.	
Sensações 
sexuais 
pélvicas
Sensações	sexuais	pélvicas	profundas	também	ameaçam	muitas	pessoas.	Estas	
conseguem	suportar	 a	 excitação	 limitada	da	carga	genital	 que	é	 superficial	 e	
facilmente	descarregada,	dado	que	não	exige	uma	entrega	total	às	convulsões	
orgásticas.	As	 sensações	doces	e	 ternas	da	 sexualidade	pélvica	 levam	a	este	
tipo	de	 rendição,	evocando	o	medo	de	perder	o	controle,	um	dos	aspectos	da	
ansiedade	de	cair.	O	problema	por	nós	enfrentado	na	terapia	não	é	a	genitalidade;	
é	a	sexualidade,	o	medo	de	se	derreter	ou	de	permitir-se	afundar	na	paixão	que	
queima	a	barriga	e	a	pelve.
Ansiedade
Há	a	ansiedade	de	se	ficar	em	pé	sobre	seus	dois	pés,	o	que	denota	o	estado	de	a	
pessoa	permanecer	só.	Quando	adultos,	permanecemos	sós	(...).	Mas	a	maioria	das	
pessoas	reluta	em	aceitar	tal	realidade.	(...)	Por	trás	de	uma	fachada	de	indepen-
dência,	apegam-se	a	relacionamentos	e	ficam	obcecadas	por	estes.	Quando	ficam	
dependentes	da	relação,	destroem	o	seu	valor	e,	não	obstante,	temem	deixá-la	
seguir	seu	curso	e	então	serem	responsáveis	por	si	mesmas.	Mas,	se	o	fazem,	
ficam	surpresas	por	descobrirem	que	não	estão	sozinhas,	na	medida	em	que	a	
relação	melhora	a	ponto	de	tornar-se	uma	fonte	de	prazer	para	ambos	os	lados.	
A	dificuldade	reside	na	transição,	pois	no	intervalo	de	tempo	que	decorre	entre	
abandonar	a	obsessão	e	sentir	os	pés	firmemente	plantados	no	chão	passa-se	
pela	sensação	de	cair	e	pela	ansiedade	assim	evocada.
Em	 síntese,	 identificamos	 o	 exercício	 de	 grounding	 como	 uma	 maneira	 de	
promover	a	independência,	de	deixar	fluir	sentimentos	e	sensações	de	forma	equilibrada.	
Esse	enraizamento	ocorre	pela	relação	dos	pés	com	o	chão,	mas	muito	mais	do	que	
isso,	estar	realmente	“de	pé”,	envolve	um	profundo	autoconhecimento.		
155
2.1.3 Estruturas de Caráter
O	“caráter”	para	a	bioenergética	é	conceituado	como	um	padrão	de	comporta-
mento,	um	modo	de	estar	no	mundo	a	fim	de	evitar	a	ansiedade.	Cada	pessoa	possui	
um	caráter	dominante,	por	mais	que	possa	ter	traços	de	outras	estruturas.	O	caráter	
predominante	é	formado	desde	a	concepção	até	a	primeira	infância,	e	segue	pelo	resto	
da	vida.	Ele	é	“marcado”	no	corpo	por	tensões	musculares	que	bloqueiam	o	fluxo	dos	
impulsos	energéticos.	Podemos	dizer	que	a	história	de	cada	um	é	registrada	no	psiquis-
mo	e	no	corpo,	de	acordo	com	o	processo	de	envelhecimento	singular	a	cada	pessoa.	
Conforme	afirmam	Volpi	e	Volpi	(2002,	p.	6)	“a	identidade	funcional	do	caráter	psíquico	
com	a	estrutura	corporal	ou	atitude	muscular	é	a	chave	da	compreensão	da	personali-
dade,	já	que	nos	permite	ler	o	caráter	a	partir	do	corpo	e	explicar	uma	atitude	corporal	
por	meio	de	seus	representantes	psíquicos	e	vice-versa”.
 
Vimos	que	a	AB	consiste	na	teoria	de	que	qualquer	problema	que	passamos	
se	manifestará	também	no	corpo,	dessa	forma,	podemos	“enxergar”	os	problemas	pela	
forma	do	corpo	e	sua	linguagem	corporal.	Nesse	caso,	o	terapeuta	consegue	aprofun-dar	a	análise	identificando	o	caráter	predominante	e	auxiliar	o	indivíduo.	A	seguir,	des-
creveremos	sobre	as	estruturas	de	caráter	propostas	pela	bioenergética.
• Estrutura de caráter esquizoide 
Inicialmente,	 ressaltamos	que	há	uma	diferença	entre	a	estrutura	de	caráter	
esquizoide	 e	 uma	 pessoa	 esquizofrênica,	 sendo	 a	 questão	 de	 grau	 o	 ponto	 a	 ser	
demarcado	para	avaliar	se	a	pessoa	possui	a	patologia	esquizofrenia.	Nesse	caso,	um	
esquizoide	poderá	se	tornar	esquizofrênico	ou	não,	por	mais	que	as	tendências	estejam	
presentes	 em	 sua	 personalidade	 (LOWEN,	 1982).	 As	 tendências	 destacadas	 são	 as	
seguintes:
1.	 Cisão	 no	 pensamento	 unitário	 da	 personalidade.	 Por	 exemplo,	
o	 pensamento	 tende	 a	 dissociar-se	 dos	 sentimentos;	 o	 que	 a	
pessoa	pensa	parece	 ser	uma	pequena	 ligação	com	aquilo	que	
sente	ou	com	o	modo	pelo	qual	se	comporta;
2.	 Refúgio	dentro	de	si	mesmo,	 rompendo	ou	perdendo	o	contato	
com	a	realidade	externa	(LOWEN,	1982,	p.	132).
Nesse	caso	não	há	espontaneidade,	pois	ela	é	 resultante	das	emoções,	e	há	
uma	desconsideração	das	emoções.	O	contato	com	o	corpo	e	com	o	meio	externo	é	
impactado	negativamente	em	um	conflito	interno	entre	existir	e	ter	necessidades:	“um	
bebê	que	não	 tem	necessidades,	 principalmente	 físicas,	 não	 corre	 o	 risco	de	 se	ver	
abandonado	à	própria	sorte	e	ter	sua	existência	ameaçada”	(VOLPI;	VOLPI,	2012,	p.	8).	
 
156
A	 seguir,	 descreveremos	 alguma	 características	 físicas	 que	 esse	 “padrão	 de	
comportamento”	resulta:
•	 Na	 maioria	 dos	 casos,	 o	 corpo	 é	 estreito	 e	 contraído.	 Frente	 à	
existência	de	elementos	paranóides	na	personalidade,	o	corpo	fica	
mais	cheio	e	mais	atlético.
•	 A	face	tem	uma	aparência	de	máscara.	Os	olhos,	embora	não	se-
jam	vagos	como	os	dos	esquizofrênicos,	não	têm	a	vivacidade	nor-
mal	e	nem	contatuam	com	os	demais.
•	 Os	 braços	 pendem	 como	 apêndices	 mais	 do	 que	 como	
extremidades	extensivas	do	corpo.
•	 Os	pés	estão	contraídos	e	frios;	é	comum	os	pés	serem	revirados;	
o	peso	do	corpo	está	jogado	nas	bordas	externas	dos	mesmos.
•	 Frequentemente,	 há	 uma	 discrepância	 marcante	 entre	 as	 duas	
metades	do	corpo	(LOWEN,	1982,	p.	134).
Não	há	conexão	consigo	mesmo	no	caráter	esquizoide,	a	não	 identificação	com	
o	corpo	faz	com	que	a	pessoa	tenha	um	senso	de	si	inadequado.	Esse	caráter	é	muito	
sensível	 e	 pode	 evitar	 relacionamentos	 íntimos	 (LOWEN,	 1982).	A	AB	 poderá	 auxiliar	
a	 reestabelecer	o	contato	com	o	corpo,	 suas	necessidades,	 autoexpressão	e	o	meio	
externo	(VOLPI;	VOLPI,	2012).
• Estrutura de caráter Oral
Na	pessoa	em	que	predomina	a	estrutura	de	caráter	oral,	há	uma	sensação	de	
carência	afetiva,	muitas	vezes	de	vazio.	Podemos	comparar	suas	características	com	
traços	da	primeira	infância,	quando	necessitamos	de	apoio	e	cuidado.	É	exatamente	a	
falta	de	satisfação	na	primeira	infância	que	inscreve	essa	estrutura	no	ser.	Pode	ser	que	
o	indivíduo	procure	compensar	esse	fato	com	a	demonstração	de	independência	exa-
cerbada,	porém	em	situações	de	tensão,	tal	condição	não	é	sustentada.	Identifica-se	
nessa	estrutura	um	estado	de	baixa	carga	energética,	que	flui	até	a	periferia	do	corpo,	
mas	de	forma	fraca,	principalmente	na	parte	inferior.	Há	a	tendência	a	miopia	e	o	nível	
de	excitação	genital	é	diminuído	(LOWEN,	1982).	Características	físicas:
•	 Corpo	tende	a	ser	esguio	e	fino.
•	 A	musculatura	é	subdesenvolvida	(...)	a	falta	de	desenvolvimento	
evidencia-se	mais	nitidamente	nos	braços	e	pernas.
•	 Pernas	compridas	e	magricelas	são	um	sinal	comum	deste	tipo	de	
estrutura.
•	 Os	pés	também	são	estreitos	e	pequenos.
•	 As	 pernas	 não	 dão	 a	 impressão	 de	 sustentarem	devidamente	 o	
corpo	todo.
•	 Os	joelhos	estão	normalmente	encolhidos,	fornecendo	apoio	extra.
•	 A	respiração	é	superficial,	o	que	explica	o	baixo	nível	energético	em	
seu	corpo.
•	 Frequentemente	 encontramos	 sinais	 físicos	 de	 imaturidade.	 A	
pelve	é	menos	que	o	normal.	(...)	O	pelo	do	corpo	é	esparso	(LOWEN,	
1982,	p.	137).
157
O	esforço	continuado	é	muito	difícil	para	uma	pessoa	com	essa	estrutura	de	
caráter,	que	vive	muito	abaixo	de	suas	verdadeiras	potencialidades.	
O	 indivíduo	de	 caráter	 oral	 é	 reprimido.	 (...).	 Come	mal	 e	 a	 comida	
não	 lhe	 apetece.	 (...)	 Morde	 os	 lábios,	 engole	 com	 frequência,	 e	 é	
propenso	a	ficar	de	mau	humor.	 (...).	 	É	muito	sensível	e	se	magoa	
a	 troco	 de	 nada.	 Precisa	 de	 elogios	 e	 encorajamentos	 contínuos.	
Espera	 ser	 compreendido	 e	 amado	 sem	 qualquer	 esforço	 de	 sua	
parte	 (...).	 Tende	 a	 lutar	 por	 objetivos	 que	 não	 tem	 a	 energia	 para	
atingir	ou	sustentar	(BACKER,	1980,	p.	161-162)
Nesse	caso,	para	esse	tipo	de	caráter,	é	como	se	o	mundo	 lhe	devesse	algo.	
Isso	pode	ser	resultado	de	alguma	ausência	materna	na	infância,	como	a	necessidade	
de	a	mãe	trabalhar,	ou	até	mesmo	por	motivo	de	doença	ou	morte	(LOWEN,	1982).	Em	
tratamento,	 essa	pessoa	necessita	de	encorajamento,	 de	enxergar	 seu	potencial	 e	 se	
sentir	digno,	deixando	de	lado	seus	objetivos	muito	grandiosos,	nesse	caso	a	energia	do	
indivíduo	deve	ser	aumentada	(BACKER,	1980).
• Estrutura de caráter Psicopática
Essa	 estrutura	 de	 caráter	 é	 complexa,	 nela	 há	 a	 atitude	 de	 negação	 dos	
sentimentos.	Existe	um	acúmulo	de	energia	na	própria	 imagem,	ou	seja,	no	seu	ego.	
Nesse	 caso,	 ocorre	 uma	 grande	 necessidade	 de	 controle.	 Uma	 estratégia	 desses	
indivíduos	 é	 de	 alguma	 forma	 fazer	 com	 que	 precisem	 dele,	 assim	 ele	 não	 precisa	
expressar	suas	próprias	necessidades,	estando	“acima”	dos	outros	(LOWEN,	1982).	
A	defesa	psicopática	se	estrutura	na	fase	anal,	mais	especificamente	
na	etapa	de	expulsão	descrita	por	Freud	(Abraham,	1970)	e	surgimento	
do	controle,	aproximadamente	entre	os	18	e	os	30	meses.	Percebe-
se	 que	 a	 questão	 básica	 dessa	 estrutura	 permeia	 os	 temas	 de	
sedução	e	controle.	O	indivíduo	psicopata	foi	traído	em	sua	essência	
e	manipulado	na	fase	de	desenvolvimento	da	sua	autonomia.	Para	
ser	 aceito	 e	 reconhecido,	 desenvolve	 a	 característica	 de	 atender	
às	 expectativas	 que	 os	 outros	 projetam	 nele.	 Por	 essa	 habilidade,	
é	 considerado	 um	 indivíduo	 sedutor	 e/ou	 manipulador.	 Isso	 foi	
aprendido	 na	 relação	 sedutora	 com	 seus	 genitores,	 em	especial	 o	
genitor	do	sexo	oposto	(LOWEN,	1982,	1976	apud	OLIVEIRA	JÚNIOR,	
2016,	p.	119).	
 
Existe	dois	tipos	de	estrutura	psicopática:	o	tipo	tirânico	(que	oprime	os	outros)	
e	o	tipo	sedutor	(debilita	a	pessoa	por	meio	de	aproximações	sedutoras),	Lowen	(1982,	
p.	140)	descreve	as	características	físicas	deles:
•	 O	corpo	do	tirânico	mostra	um	desenvolvimento	desproporcional	
da	metade	superior,	passando	a	 impressão	de	estar	cheio	de	ar;	
isto	corresponde	à	imagem	do	ego	da	pessoa,	toda	cheia	de	si.	A	
parte	de	baixo	é	mais	estreita	e	poderá	evidenciar	a	fraqueza	típica	
da	estrutura	oral	de	caráter.
158
•	 O	corpo	do	segundo	tipo,	(...)	sedutor	ou	debilitador,	é	mais	regular	
e	 não	 apresenta	 a	 aparência	 inflada.	 Em	 geral,	 as	 costas	 são	
hiperflexíveis.
Tornar-se	 adulto	 antes	 do	 tempo	 por	 essa	 “sedução”	 por	 um	 dos	 genitores,	
consequentemente	 faz	 com	 que	 indivíduo	 com	 essa	 estrutura	 de	 caráter	 seja	
exatamente	 como	 o	 seu	 genitor	 desenha	 sua	 imagem,	 especial,	 melhor	 que	 todos.	
Na	terapia,	há	a	importância	em	resgatar	os	sentimentos	e	abandonar	a	manipulação	
(VOLPI;	VOLPI,	2012).	
• Estrutura de caráter Masoquista
Uma	pessoa	masoquista	está	em	sofrimento	e	é	incapaz	de	alterar	essa	situa-
ção,	nesse	caso	há	a	dedução	que	se	deve	ficar	nela,	possui	alto	nível	de	energia,	mas	
esta	é	presa	ao	organismo	–	não	flui	 –	 “a	 estrutura	masoquista	de	caráter	descreve	
aquele	que	sofre	e	lamenta-se,	que	se	queixa	e	permanece	submisso.	A	tendência	ma-
soquista	predominante	é	a	submissão”	(Lowen,	1974,	p.	142-143).
 
Esse	tipo	de	pessoa	“não	aguenta	mais”,	está	constantemente	sobrecarregada	
e	renuncia	a	sua	 independência,	sente	que	os	outrosé	que	devem	lhe	dar	a	direção	
(VOLPI;	VOLPI,	2012).		Pelo	seu	bloqueio	de	caráter,	busca	o	prazer,	mas	não	o	obtém,	
pois	o	inibe	quando	chega	a	um	estágio	em	que	ocorre	sentimentos	de	ameaça,	culpa	
e	punição	(BACKER,	1980).	Características	físicas:
•	 O	corpo	típico	do	masoquista	é	curto,	grosso,	musculoso.
•	 Há	um	crescimento	acentuado	de	pelos	no	corpo.
•	 É	particularmente	característico	um	pescoço	curto	e	grosso,	que	
denota	um	atarracamento	da	cabeça.
•	 A	cintura	é	mais	curta	e	mais	grossa	também.
•	 Outra	marca	importante	é	a	projeção	da	pelve	à	frente,	que	seria	
mais	precisamente	descrita	como	um	encurtamento	para	cima	e	
um	achatamento	para	das	nádegas.	A	postura	recorda	a	figura	de	
um	cão	com	o	rabo	entre	as	pernas.
•	 A	pele	de	todas	as	pessoas	de	estruturas	masoquistas	tende	a	um	
tom	acastanhado	devido	à	estagnação	de	energia	(LOWEN,	1982,	 
p.	144).
 
Neste	 tipo	 de	 caráter,	 há	 o	medo	 de	 ser	 abandonado,	 sendo	 que	 o	 amor	 é	
aclamado	em	excessividade	(BACKER,	1980).	Os	sentimentos	reprimidos	de	hostilidade	
e	 negativismo	 devem	 ser	 liberados	 para	 que	 a	 pessoa	 possa	 agir	 de	 forma	 mais	
descontraída	em	sua	vida	(LOWEN,	1982).	
• Estrutura de caráter Rígida
A	 rigidez	 dessa	 estrutura	 de	 caráter	 evidencia-se	 no	 sentimento	 de	 orgulho	
como	 forma	 defensiva,	 há	 o	 medo	 de	 ceder,	 então	 são	 pessoas	 eretas,	 rígidas	 de	
orgulho.	Desconfiadas,	tem	medo	de	ser	enganadas,	e	de	tanto	defenderem-se,	contém	
159
os	impulsos	de	“abrir-se”	para	o	exterior.	A	contenção	da	energia	ocorre	na	periferia	do	
corpo,	sendo	assim,	por	mais	que	a	carga	energética	seja	boa	e	flui,	manifesta-se	de	
forma	limitada	(LOWEN,	1982).	Características	físicas:
•	 O	 corpo	 do	 indivíduo	 de	 caráter	 rígido	 é	 proporcional	 e	 mostra	
harmonia	entre	as	partes.	
•	 Uma	 característica	 importante	 é	 a	 vivacidade	 do	 corpo:	 olhos	
brilhantes,	boa	cor	de	pele,	leveza	nos	gestos	e	movimentos.
•	 Se	a	rigidez	for	grave,	haverá	uma	redução	correspondente	no	nú-
mero	de	elementos	positivos	notados	acima	(LOWEN,	1982,	p.	147).
Por	 não	 querer	 demonstrar	 fraqueza,	 tem	 dificuldade	 em	 demonstrar	 seus	
sentimentos,	pois	a	pessoa	vê	essa	abertura	como	uma	forma	de	ser	vulnerável.	Nessa	
estrutura	observamos	um	medo	de	deixar-se	 levar,	de	se	entregar	às	sensações,	por	
isso,	em	terapia,	deverá	ser	tratada	a	entrega	e	a	expressão	(VOLPI;	VOLPI,	2012).
Agora	 que	 conhecemos	 as	 estruturas	 de	 caráter,	 grifamos	 dois	 pontos	
importantes:
1.	 As	características	de	cada	um	dos	tipos	acima	descritos	devem	
ser	respeitadas;	as	couraças	são	vistas,	segundo	a	Bioenergética,	
como	a	melhor	solução	que	a	criança	encontrou	no	momento	em	
que	se	sentiu	ameaçada.	As	couraças	têm	valor	de	sobrevivência	
e	conferem	a	identidade.	A	proposta	desta	modalidade	terapêuti-
ca	é	dissolver	as	couraças	nos	espaços	em	que	ela	se	tornou	des-
necessária.	Segundo	Alexander	Lowen,	um	guerreiro	precisa	de	
sua	armadura	para	enfrentar	a	guerra,	mas	não	necessariamente	
para	viver	todos	os	momentos	de	sua	vida,	seu	dia	a	dia	(VOLPI;	
VOLPI,	2012	p.	10).
2.	 Os	terapeutas	não	tratam	de	tipos	de	caráter	e	sim	de	pessoas.	
A	 terapia	 centraliza-se	 na	 pessoa	 e	 em	 seus	 relacionamentos	
imediatos:	com	o	corpo,	com	o	chão	onde	pisa,	com	os	indivídu-
os	com	quem	está	evoluindo,	com	o	terapeuta.	Estes	elementos	
compõem	a	primeira	linha	de	interesses	da	abordagem	terapêuti-
ca	(LOWEN,	1974,	p.	149).
Sendo	 assim,	 o	 terapeuta	 avaliará	 cada	 caso	 individualmente,	 considerando	 
todos	os	dados	obtidos	sobre	o	paciente,	como:	postura	do	corpo,	padrões	de	compor-
tamento	e	história	de	vida,	analisando	e	construindo	a	melhor	forma	de	condução	para	 
a	terapia.
3 REIKI – BASES HISTÓRICAS
O	 Reiki	 é	 uma	 terapia	 de	 energia	 vibracional	 (ou	 sutil),	 esta	 palavra	 tem	 a	
seguinte	origem:	
•	 Rei	significa	universal	e	refere-se	ao	aspecto	espiritual,	à	Essência	
Energética	Cósmica	que	permeia	todas	as	coisas	e	circunda	tudo	 
o	que	existe.
160
•	 Ki	é	a	energia	vital	individual	que	flui	em	todos	os	organismos	vivos	
e	os	mantém.	Quando	a	energia	Ki	sai	de	um	corpo	ela	deixa	de	ter	
vida.	
•	 A	energia	Reiki	é	um	processo	de	encontro	dessas	duas	energias,	a	
Energia	Universal	e	a	nossa	energia	física	(DE’CARLI,	2017,	p.	28).
 
Para	a	aplicação	da	energia	cósmica	universal	do	Reiki,	primeiramente	passamos	
pelos	 cursos	 e	 iniciações	 específicos	 da	 técnica,	 neles	 aprendemos	 seu	 histórico,	
utilização	e	os	símbolos	que	“sintonizam”	essa	energia.	O	Reiki	pode	ser	utilizado	tanto	
em	outras	pessoas	como	no	auto	tratamento,	também	em	animais	e	plantas.	É	uma	
prática	complementar	que	não	é	baseada	em	uma	religião	ou	credos	específicos.	
 
O	descobridor	do	Reiki	foi	o	japonês	Mikau	Usui,	que	viveu	entre	1865	e	1926.	
Não	 há	 registros	 oficiais	 de	 sua	 história,	 ela	 foi	 repassada	 de	 Mestre	 a	 discípulo.	
Importante	 salientar	que,	principalmente	 sua	 formação	 religiosa	cristã,	 pode	ter	 sido	
inserida	propositalmente	na	história	de	Usui	quando	o	Reiki	 chegou	ao	Ocidente,	de	
forma	que	fosse	mais	bem	aceito.	Sendo	assim,	de	acordo	com	a	lenda	sobre	a	vida	de	
Usui,	destacamos:
•	 Mikao	Usui	tornou-se	um	padre	católico.	Além	de	sacerdote	cristão,	
teria	 lecionado	e	sido	 reitor	de	uma	pequena	universidade	cristã	
em	Kyoto	(Japão),	a	Doshisha	University.
•	 Usui	ouvia	e	lia	muitas	histórias	sobre	Jesus	que,	no	passado,	pelo	
uso	das	mãos	e	uma	técnica	específica,	proporcionava	milagres	e	
ajudava	outras	pessoas	com	suas	habilidades	metafísicas.
•	 Curioso,	observava	que	grande	parcela	das	pessoas	eram	infelizes	
e	 improdutivas,	 elas	 eram	 assoladas	 por	 estados	 depressivos	 e	
doentios,	situações	que	o	introduziram	ardentemente	a	conhecer	
também	habilidades	terapêuticas.
•	 Em	 1898,	 Mikao	 viajou	 para	 os	 Estados	 Unidos	 onde	 estudou	 o	
Cristianismo	e	a	Bíblia	e,	após	anos	de	estudos,	doutorou-se	em	
Teologia.	
•	 Estudou	línguas	arcaicas	para	ler	as	antigas	escrituras,	inclusive	o	
chinês	e	o	sânscrito,	a	mais	antiga	língua	indiana.	
•	 Mestre	Usui	resolveu	retornar	ao	Japão	e	pesquisar	mais	sobre	as	
curas	realizadas	por	Buda.
•	 Peregrinou	 à	 procura	 das	 antigas	 escrituras	 nas	 bibliotecas	 de	
monastério	em	monastério.	
•	 Mikao	decidiu	que	ia	estudar	os	sutras	no	Tibete	e	já	que	dominava	
bem	o	sânscrito,	viajou	para	a	Índia.
•	 Em	uma	de	suas	pesquisas	num	antigo	manuscrito	de	um	discípulo	
anônimo	de	Buda,	em	sânscrito,	conforme	a	 lenda	encontrou	os	
quatros	símbolos	sagrados	da	fórmula	usada	por	Buda	para	tratar	
e	recuperar	a	saúde	das	pessoas.
•	 Os	 sutras,	 escritos	 a	 mais	 de	 2.500	 anos,	 acionavam	 uma	
energia	poderosíssima	que	poderia	 levar	a	um	ilimitado	poder	de	
recuperação	das	disfunções	(DE’	CARLI,	2017,	p.	44-47-48-49).
161
A	história	oficial	do	Reiki	nos	conta	que	em	março	de	1922	Mikao	Usui	decidiu	
iniciar	um	tempo	de	jejum	e	meditação	de	21	dias,	em	busca	de	purificação	e	esperando	
receber	visões	que	indicassem	esclarecimentos.	Ele	subiu	o	Monte	Karuma	no	Japão,	
conhecido	como	montanha	sagrada,	e	levou	consigo	os	sutras	encontrados,	água	e	21	
pedras	para	contar	os	dias.	No	21º	dia	teve	uma	visão	de	símbolos	sagrados	e	recebeu	
também	 a	 compreensão	 dos	 seus	 significados	 e	 utilização	 deles	 (DE’CARLI,	 2017).	
Estes	símbolos	canalizam	a	Energia	Universal	para	repassá-la.	Sendo	assim,	o	Reiki	foi	
“descoberto”	e	não	“criado”.	Essa	experiência	pode	ser	vista	como	uma	revelação,	uma	
manifestação	do	sagrado.	
O	 dr.	 Usui	 meditou	 durante	 três	 semanas	 no	 Monte	 Karuma.	 (...)	
Então,	na	última	noite,	quando	já	acreditava	que	voltaria	para	casa	
na	 manhã	 seguinte	 sem	 alcançar	 seu	 objetivo,	 de	 repente	 viu	 à	
distância	uma	luz	que	se	aproximava.	Quando	a	luz	o	alcançou,	ele	
entrou	em	transe	(...).	Essa	foi	a	realização	de	um	sonho	longamente	
acalentado.	Agora	ele	podia	não	apenas	aplicar	o	Reiki,	mas	também	
iniciar	outras	pessoas	no	Reiki	(HOSAK,	LÜBECK,	2010,	p.	203).O Monte Karuma tem aproximadamente 600m de altura e 
localiza-se na cidade de Quioto. “Hoje é possível ir até a base 
do Karuma de trem. Desse ponto, a subida da montanha é 
uma caminhada agradável. Entretanto na época do Dr. Usui, o 
acesso era muito difícil” (HOSAK, LÜBECK, 2010, p. 198). 
NOTA
A	aplicação	do	Reiki	iniciou-se	no	próprio	Usui	como	auto	tratamento,	depois	foi	
repassada	a	seus	familiares.	Mais	tarde,	em	abril	de	1922,	a	associação	Usui	Reiki	Ryoho	
Gakkai	foi	formada	para	ensinar	o	método	de	tratamento	(MAGALHÃES,	2015).	No	Brasil,	 
o	Reiki	foi	instituído	no	SUS	em	2017,	pela	ampliação	da	PNPIC	(BRASIL,	2017).	
 
Existem	três	níveis	 de	 iniciação	em	Reiki,	 sendo	que	o	nível	 3	 é	dividido	em	
nível	3A	e	3B,	este	último	é	direcionado	à	 iniciação	no	nível	de	Mestre	Reiki,	ou	seja,	
quem	poderá	ministrar	os	cursos	e	iniciar	outros	interessados	na	prática.	Em	cada	nível	
conhecemos	símbolos	que	atuam	em	campos	determinados:	nível	1	–	corpo	físico;	nível	
2	–	corpo	emocional	e	mental;	nível	3	–	corpo	espiritual.	 	 Importante	salientar	que	a	
iniciação	ou	sintonização	procura	ativar	no	aluno,	em	cada	nível,	a	energia	Reiki,	e	é	
realizada	pelo	Mestre	Reiki.		
 
Os	“reikianos”,	como	são	chamados	os	iniciados	em	Reiki,	passam	a	incorporar	e	
vivenciar	no	seu	dia	a	dia	os	cinco	princípios	do	Reiki,	sendo	eles:
162
Só	por	hoje...
•	 Não	se	zangue.
•	 Não	se	preocupe.
•	 Expresse	sua	gratidão.
•	 Seja	aplicado	em	seu	trabalho.
•	 Seja	gentil	com	os	outros	(USUI,	s.d.	apud	DE’CARLI,	2017).
Estes	 princípios,	 quando	 adotados	 em	 nossa	 postura	 da	 vida	 diária,	 podem	
evitar	doenças	e	desequilíbrios	energéticos	(DE’CARLI,	2017).
3.1 OS 7 CHAKRAS
Para	compreendermos	melhor	o	método	Reiki,	é	importante	ampliarmos	a	visão	
para	uma	dimensão	holística	do	corpo,	nesse	caso,	compreender	os	chakras.
Os	chakras	são	centros	de	energia	que	existem	no	interior	do	corpo	
fluídico	do	Espírito,	que,	em	sânscrito,	significa	círculos.	São	vórtices	
de	 energia	 sutis	 que	 têm	 movimentos	 circulares	 de	 expansão	 e	
concentração,	nos	sentidos	vertical	e	horizontal.	Esses	movimentos	
podem	 ocorrer	 de	 forma	 lenta	 ou	 rápida,	 dependendo	 do	 nível	 de	
energia	 que	 está	 impregnando	 o	 chakra.	 Fisiologicamente	 atuam	
como	transformadores	de	energia,	tornando-a	mais	condensada	para	
poder	ser	utilizada	no	corpo	físico.	Cada	chakra	liga-se	aos	demais	
por	meio	de	fios	de	energia	chamados	nadis.	E	por	meio	desses	fios	
que	eles	se	ligam	aos	plexos	nervosos	e	às	glândulas.	Assim	como	
temos	 no	 corpo	 físico	 uma	 rede	 de	 nervos,	 vasos	 sanguíneos	 e	
linfáticos,	 no	 corpo	fluídico	 existe	 uma	 rede	 de	 nadis	 (CERQUEIRA	
FILHO,	2015,	p.	13-14-15).
Em	 outras	 palavras,	 “os	 chakras	 são	 centros	 ou	 órgãos	 superfísicos	 através	
dos	quais	as	energias	dos	diferentes	campos	são	sincronizadas	e	distribuídas	ao	corpo	
físico”	 (KARAGULLA,	 KUNZ,	 2014,	 p.	 35).	 Possuímos	 sete	 chakras	 maiores,	 quando	
eles	 funcionam	 sem	bloqueios,	 estão	 “abertos”	 e	 giram	na	 direção	 dos	 ponteiros	 do	
relógio	para	metabolizar	as	energias	do	campo	universal,	que	entram	no	corpo.	Caso	
o	 movimento	 esteja	 acontecendo	 ao	 contrário,	 a	 corrente	 flui	 para	 fora	 do	 corpo,	
influenciando	no	metabolismo,	dessa	forma,	o	chakra	está	“fechado”	para	as	energias	
que	entram	(BRENNAN,	2005).	O	Quadro	2	busca	sinterizar	algumas	características	dos	
sete	chakras:
163
Quadro 2 – Os sete chakras
Fonte: Hosak e Lübeck (2010, p. 424-431)
Chakra Localização Funções
7º – Chakra 
Coronário
Topo	da	cabeça.	
O	sétimo	chakra	
irradia	para	cima,	
em	direção	ao	céu.
Integra	em	si	os	estados	dos	seis	chakras	principais	
abaixo	dele	e	os	organiza	para	que	trabalhem	
juntos;	abertura	para	o	divino;	trabalhar	para	o	
benefício	de	toda	a	Criação;	realizar	nossa	própria	
divindade	etc.
6º – Chakra 
Frontal
Ponto	entre	as	
sobrancelhas.	
O	sexto	chakra	
irradia	para	a	
frente.
Percepção	do	nosso	caminho	no	contexto	cósmico;	
capacidade	de	encontrar	o	lugar	apropriado	na	
vida;	pensamento	holístico,	intuitivo	e	perspicácia;	
transmissão	e	controle	de	energias	espirituais;	criar	
a	realidade	pelo	poder	do	pensamento,	entre	outras.
5º – Chakra 
Laríngeo
Na	garganta.	O	
quinto	chakra	
irradia	para	a	
frente.
Individualidade;	autoexpressão;	inspiração;	
expansividade	mental;	clareza	mental	e	sabedoria;	
transformação	do	medo	e	de	outros	sentimentos	
opressivos	em	ações	apropriadas,	construtivas;	
criatividade	prática;	comunicação,	carisma	etc.
4º – Chakra 
Cardíaco
Região	do	
coração.	O	quarto	
chakra	irradia	para	
a	frente.	
Amor	(com	a	expectativa	de	receber	amor	em	
retribuição);	tolerância;	compaixão;	gratidão;	
diplomacia;	harmonia;	amor-próprio;	capacidade	de	
dizer	“sim”	com	sinceridade;	unir	conscientemente	o	
espiritual	e	o	material	entre	outras.
3º – Chakra Plexo 
Solar
Cerca	de	4	cm	
abaixo	do	esterno.	
O	terceiro	chakra	
irradia	para	a	
frente.
Poder;	medo;	habilidades	organizacionais;	
pensamento	analítico;	dizer	“não”;	sabedoria	
intelectual;	autoconfiança	e	autoestima;	
transformação	da	matéria	em	energia	etc.
2º – Chakra 
Sexual (ou 
Sacro/Umbilical)
Aproximadamente	
4	cm	acima	do	
osso	pubiano.	O	
segundo	chakra	
irradia	para	a	
frente.
Alegria	na	vida;	sentimentos	expressos	diretamente,	
sem	reflexão;	sexualidade	em	geral;	distribuição	
das	forças	vitais;	percepção	instintiva;	relação	
com	o	corpo;	criatividade;	energia	para	atividades	
prolongadas,	entre	outras.
1º – Chakra Raiz 
(ou básico)
Base	da	espinha	
dorsal.	O	primeiro	
chakra	irradia	para	
baixo,	para	terra,	a	
partir	do	períneo.	
É	a	fonte	de	poder	vital	para	o	organismo	inteiro	e	
para	o	sistema	de	energia.	É	o	centro	da	vontade,	
da	energia	para	atividades	de	curta	duração	e	da	
manifestação	de	todos	os	tipos	de	circunstâncias	
da	vida.	
164
A	Figura	1	demonstra	a	localização	dos	chakras	no	corpo	humano:
Figura 1 – Localização dos chakras
Fonte: adaptado de https://br.freepik.com/vetores-premium/contorno-do-corpo-masculino-e-
feminino_26577888.htm. Acesso em: 9 ago. 2022.
Acadêmico, para conhecer com mais profundidade os 
Chakras e suas funções, assista ao vídeo no link a seguir: 
https://www.youtube.com/watch?v=F6p060Zeg_w. Nele, 
você compreenderá, além do que já foi visto, quais são 
os órgãos vinculados a cada um dos sete chakras.
DICA
O	método	Reiki	atua	nos	sete	chakras,	dessa	forma,	uma	sessão	de	Reiki	pro-
cura	equilibrar	os	chakras	de	forma	que	estejam	alinhados,	desobstruindo	bloqueios	e	
proporcionando	a	livre	passagem	da	energia.		
165
4 APLICAÇÃO DE REIKI
A	aplicação	do	Reiki	pode	ser	realizada	tanto	de	forma	presencial	como	a	dis-
tância,	esta	última	é	ensinada	ao	reikiano	a	partir	do	nível	2.	A	energia	que	flui	a	partir	do	
método	é	de	frequência	alta,	que	flui	pelo	corpo	da	pessoa	em	tratamento,	limpando	e	
equilibrando	os	centros	de	energia.
A	representação	simbólica	do	método	Reiki	é	o	bambu:
O	 bambu	 que,	 em	 sua	 simplicidade,	 resistência	 (quando	 enverga),	
vazio,	 retidão	 e	 perfeição,	 podem	 representar	 metaforicamente	 o	
funcionamento	da	energia.	O	bambu	é	flexível,	apesar	de	ser	forte.	
Ele	reverencia	o	vento	que	o	toca	soprando,	ele	se	dobra	mostrando-
nos	que	quanto	menos	um	ser	se	opuser	à	realidade	da	vida,	mais	
resistente	 se	 tornará	 para	 viver	 em	 plenitude.	 (...)	 Entre	 um	 nó	 e	
outro,	o	bambu	é	oco,	vazio,	como	vazio	é	o	espaço	entre	o	céu	e	
a	 terra,	 representando	 os	 que	 escolheram	 ser	 canais	 de	 energia	
Reiki,	que	passam	a	funcionar	nesse	vazio	como	verdadeiros	“tubos”	
direcionadores	de	Energia	Cósmica”	(DE’CARLI,	2013,	p.	144).
Por	intermédio	dessa	metáfora,	os	reikianos	são	representados	como	“bambus”,	
eles	sintonizam	a	Energia	Cósmica	(que	está	disponível	em	todos	os	lugares)	e	repas-
sam	para	a	pessoa	em	tratamento.	A	aplicação	possui	posições	próprias	que	são	ensi-
nadas	nos	cursos,	porém,	há	vários	sistemas	de	Reiki.	O	método	de	Mikao	Usui	é	o	mais	
popular	no	Ocidente,	mas	existem	outros	sistemas	“queagem	de	maneira	diferente	no	
tratamento	completo,	o	que	não	torna	um	sistema	menos	eficaz	que	o	outro”	(DE’CARLI,	
2013,	p.	294).
Uma	sessão	de	Reiki	pode	iniciar	com	o	terapeuta	explicando	resumidamente	
como	 funciona	 o	método	 para	 aqueles	 que	 estão	 em	 tratamento	 pela	 primeira	 vez.	
Costumeiramente	 a	 aplicação	 começa	 com	 a	 pessoa	 deitada	 de	 barriga	 para	 cima,	
após	sintonizar	a	energia,	o	terapeuta	a	repassa	para	os	pontos	energéticos	do	corpo,	
a	destacar	a	localização	dos	sete	chakras.	Depois,	pede	que	a	pessoa	vire,	pois	como	a	
energia	circula	o	corpo,	é	necessário	realizar	o	processo	nos	dois	lados.	Frequentemente	
uma	sessão	de	Reiki	dura	em	média	30	minutos,	e	em	cada	 localização	o	terapeuta	
envia	a	energia	de	aproximadamente	3	minutos.	Há	músicas	que	podem	ser	utilizadas	
nas	sessões	que	“marcam”	o	tempo	de	3	minutos	com	um	sino	ou	outro	tipo	de	sinal,	
porém,	caso	o	terapeuta	intua	que	é	necessário	passar	mais	tempo	em	um	determinado	
chakra	ou	ponto	do	corpo,	esse	tempo	pode	aumentar.
166
Figura 2 – Sessão de Reiki
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/cropped-view-of-woman-putting-hands-above-body-whi-8XRUZHC. 
Acesso em: 9 ago. 2022
Pode	haver	ou	não	o	toque	durante	a	sessão,	porém,	frequentemente,	as	mãos	
ficam	a	uma	distância	de	alguns	centímetros	da	pessoa.	O	terapeuta	sintoniza	a	energia	
a	partir	 da	visualização	dos	 símbolos	 sagrados	 recebidos	nos	níveis	pelo	 seu	Mestre	
Reiki.	 Durante	 uma	 aplicação,	 é	 normal	 a	 pessoa	 em	 tratamento	 sentir	 sensações,	
como:	arrepios,	leveza,	frio	ou	calor,	e	até	mesmo	despertar	sentimentos	que	provocam	
o	choro.	Por	não	ter	efeitos	colaterais	ou	riscos	para	a	saúde,	o	Reiki	é	indicado	como	
tratamento	complementar	para	todas	as	pessoas.
167
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Os	aspectos	corporais	são	enfatizados	na	análise	bioenergética,	seus	pressupostos	
perpassam	pela	importância	do	corpo	como	forma	de	reconhecimento	do	percurso	
de	desenvolvimento	emocional	do	paciente	e	instrumento	de	trabalho	terapêutico.
• Grounding	significa	“enraizamento”.	É	uma	técnica	que	Lowen	e	Piekarros	desenvol-
veram	em	suas	sessões	de	terapia,	na	busca	pela	melhoria	da	respiração	e	liberação	
de	emoções	e	de	tensões	que	bloqueavam	os	fluxos	de	energia	do	corpo.	
•	 A	estrutura	de	caráter	predominante,	segundo	a	bioenergética,	é	formada	desde	a	
concepção	até	a	primeira	infância,	e	segue	pelo	resto	da	vida.
•	 O	Reiki	é	uma	terapia	de	energia	vibracional,	descoberta	por	Mikao	Usui,	que	se	utiliza	
de	símbolos	sagrados	para	sintonizar	a	Energia	Cósmica	e	repassá-la	a	pessoa	em	
tratamento.	
• Rei	significa	universal	e	refere-se	à	Essência	Energética	Cósmica	que	permeia	todas	
as	coisas	e	circunda	tudo	o	que	existe,	Ki	é	a	energia	vital	individual.
•	 Uma	sessão	de	Reiki,	entre	outros	aspectos,	procura	equilibrar	os	sete	chakras	do	
corpo.
RESUMO DO TÓPICO 1
168
AUTOATIVIDADE
1	 Com	base	no	desenvolvimento	histórico	 da	Bioenergética,	 desde	 os	 estudos	 rea-
lizados	pelo	psicanalista	Wilhelm	Reich,	precursor	da	psicologia	corporal,	até	o	seu	
desenvolvimento	por	Alexandre	Lowen,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Durante	o	desenvolvimento	da	Bioenergética,	Lowen	procurou	se	“desvencilhar”	
dos	estudos	de	Reich,	a	fim	de	criar	uma	terapia	inovadora.
b)	 (			)	 Lowen	 foi	 aluno	 de	 Reich,	 além	 de	 seu	 professor,	 Reich	 também	 foi	 o	 seu	
terapeuta	por	alguns	anos.
c)	 (			)	 Freud,	desenvolvedor	da	psicanálise,	já	estudava	a	unificação	do	corpo	e	mente,	
a	partir	dessa	influência	é	que	Reich	se	interessou	pela	psicologia	corporal.
d)	 (			)	 No	Brasil,	a	Análise	Bioenergética	foi	 instituída	no	SUS	em	2018,	porém,	ainda	
são	poucos	os	campos	em	que	esse	tipo	de	prática	pode	ser	utilizada.
2	 A	Bioenergética	acredita	que	a	energia	está	envolvida	em	todos	os	processos	da	vida.	
Com	base	na	definição	do	conceito	de	“Energia”,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 A	energia	chega	ao	ser	humano	por	intermédio	do	oxigênio,	de	alimentos	etc.	Ela	é	
disseminada	no	corpo	pelos	seus	fluídos,	com	destaque	para	o	sangue.
II-	 Não	há	influência	significativa	dos	processos	energéticos	no	corpo	humano.
III-	 A	energia	é	 sentida	pelo	 corpo	como	um	movimento	 interno	que,	 em	estado	de	
equilíbrio,	é	tido	como	agradável,	expressando-se	em	bem-estar.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 O	“caráter”	para	a	bioenergética	é	conceituado	como	um	padrão	de	comportamento,	
um	modo	de	estar	no	mundo,	a	fim	de	evitar	a	ansiedade.	Cada	pessoa	possui	um	ca-
ráter	dominante,	por	mais	que	possa	ter	traços	de	outras	estruturas.	De	acordo	com	
as	estruturas	de	caráter	definidas	pela	Bioenergética,	classifique	V	para	as	sentenças	
verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
169
(			)	Na	 pessoa	 em	 que	 predomina	 a	 estrutura	 de	 caráter	 oral,	 há	 uma	 sensação	 de	
carência	afetiva,	muitas	vezes	de	vazio.
(			)	A	estrutura	masoquista	de	caráter	descreve	aquele	que	sofre,	porém	não	se	lamenta	
nem	se	queixa	pelo	seu	sofrimento.
(			)	Na	estrutura	de	caráter	 rígida,	há	um	medo	de	deixar-se	 levar,	de	se	entregar	às	
sensações.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 O	Reiki	é	um	método	de	canalização	e	transferência	da	Energia	Universal,	que	foi	
descoberto	 pelo	 japonês	 Mikao	 Usui.	 Foi	 difundido	 no	 Ocidente,	 sendo	 utilizado,	
inclusive,	no	contexto	do	SUS	no	Brasil.	Disserte	sobre	como	a	história	conta	que	
Usui	descobriu	o	método.
5	 Para	se	tornar	um	“reikiano”,	o	interessado	deve	passar	por	cursos	que	são	divididos	
em	níveis,	em	cada	um	deles	há	uma	iniciação	diferente.	Disserte	sobre	os	níveis	e	
cite	sobre	o	que	cada	um	deles	aborda.		
170
171
CONSTELAÇÕES FAMILIARES SISTÊMICAS 
E TERAPIA COMUNITÁRIA INTEGRATIVA
UNIDADE 3 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico,	 no	 Tópico	 2,	 abordaremos	 sobre	 as	 Constelações	 Familiares	
Sistêmicas,	terapia	que	pode	ser	utilizada	tanto	em	grupos	quanto	de	forma	individual.	
Conheceremos	 a	 sua	 origem,	 seus	 principais	 conceitos	 teóricos	 e	 o	 processo	 de	
aplicação	desta	prática.	
 
Além	disso,	haverá	um	breve	debate	 sobre	 temas	contemporâneos	envolvendo	 
as	constelações	familiares.	Abordaremos	sobre	a	sua	utilização	na	área	 jurídica	e	na	
área	da	saúde,	assim	como	a	discussão	sobre	a	sua	eficácia	terapêutica.
 
Em	seguida,	estudaremos	sobre	a	Terapia	Comunitária	 Integrativa	 (TCI),	 seus	
objetivos,	 suas	 “regras”	 para	 que	 estes	 objetivos	 sejam	 alcançados,	 o	 processo	 de	
formação	e	perfil	do	terapeuta	comunitário.	Também	descreveremos	as	bases	teóricas	
que	serviram	de	alicerce	para	a	criação	da	TCI.	Por	fim,	apresentaremos	as	etapas	que	
fazem	parte	do	processo	da	terapia,	destacando	os	principais	pontos	de	cada	uma	delas.	
2 CONSTELAÇÕES FAMILIARES SISTÊMICAS E SUAS 
ORIGENS
A	constelação	 familiar	 (CF)	 ou,	 em	alemão,	 “Familienstellen”,	 foi	 fundada	 por	
Bert	Hellinger,	sobre	a	vida	do	seu	autor,	destacamos:
•	 Bert	Hellinger	nasceu	na	Alemanha	em	1925.
•	 Com	20	anos,	ele	se	prepara	para	se	tornar	padre.	
•	 Trabalha	como	missionário	na	África	do	Sul	entre	os	zulus	durante	
dezesseis	anos.
•	 Depois	de	25	anos	como	padre,	ele	deixa	sua	congregação	religiosa,	
volta	à	Alemanha,	parte	para	uma	formação	em	psicanálise	e	se	
casa.
•	 Hellinger	 estuda	 inúmeras	 abordagens	 terapêuticas	 (...)	 hoje	 se	
define	como	filósofo	(MANNÉ,	2008).
No	 ano	 de	 1978	 ele	 iniciou	 seus	 estudos	 sobre	 o	 fenômeno	 da	 representa-
ção,	descobriu	em	suas	pesquisas	as	ordens	básicas	da	vida,	ele	as	chamou	de	“Or-
dens	do	Amor”,	estas	ordens	são	os	alicerces	da	CF	criada	por	Hellinger	 (HELLINGER	 
SCHULE,	2022).
 
172
A	CF	é	baseada	na	terapia	familiar	sistêmica.	Nesse	tipo	de	terapia,	a	família	é	
vista	como	uma	unificação,como	se	cada	comportamento	de	um	de	seus	membros	
repercutisse	em	todo	o	sistema	familiar	(STONE,	2006).	A	técnica	da	constelação	fami-
liar	facilita	a	identificação	no	sistema	familiar	se	“existe	alguém	que	esteja	emaranhado	
nos	destinos	de	membros	anteriores	da	família	(..)	trazendo	à	luz	os	emaranhamentos,	a	
pessoa	consegue	se	libertar	facilmente	deles”	(HELLINGER,	HÖVEL,	2007	p.	10).	
Chamamos de “destino” as forças que, a partir do passado, vinculam-nos 
necessariamente aos efeitos, bons ou maus, de acontecimentos. Esses 
efeitos nos são “destinados” independentemente de nossa vontade. Por 
outro lado, estamos sujeitos a uma “sorte”, isto é, a acontecimentos que 
nos atingem casualmente, sem que possamos escapar (SCHNEIDER, 
2007 p. 11).
NOTA
As	constelações	familiares	podem	ser	praticadas	individualmente	ou	em	grupo,	
elas	 promovem	 intensas	 experiências	 e	 descobertas	 humanas,	 segundo	 Schneider	
(2007,	p.	9)	 “a	solução	de	problemas	psíquicos	associa-se	à	descoberta	das	 ligações	
da	alma,	em	conexão	com	as	ocorrências	e	os	destinos	familiares	e	com	os	grupos	e	os	
contextos	maiores	que	os	abrangem”.
 
Durante	a	prática,	sentimentos	e	traumas	relacionadas	ao	histórico	familiar	vem	
à	tona	por	intermédio	de	representações	dos	familiares	por	outras	pessoas	no	encontro,	
assim,	a	pessoa	em	tratamento	pode	expor	suas	sensações.	Nesse	caso,	há	um	aspecto	
teatral	nesse	tipo	de	terapia,	em	que	pessoas	assumem	papéis	 representativos	para	
aquele	em	tratamento.	Podemos	dizer	que	situações	vividas	são	recriadas	e	há	a	busca	
pela	transformação	delas	para	ressignificar	esses	momentos.	
3 AS LEIS DO AMOR 
Hellinger	associou	às	constelações	familiares	três	leis	que	promovem	equilíbrio	 
no	 sistema	 familiar	 quando	 são	 respeitadas,	 da	mesma	 forma,	 se	 ignoradas,	 poderá	
haver	 desarmonia	 neste	 mesmo	 sistema,	 são	 elas:	 Lei	 do	 pertencimento	 –	 Lei	 da	
hierarquia	–	Lei	do	equilíbrio.	O	Quadro	3	descreve	cada	uma	delas.
173
Quadro 3 – As leis do amor
Fonte: Gonçalves e Tescarolli ([20--?], p. 1-3)
Lei do 
pertencimento
Cada	pessoa	que	nasce	ou	é	vinculada	a	um	sistema,	necessita	ser	
reconhecida	como	membro	integrante	e	respeitada	no	seu	lugar	e	papel	
dentro	desse	mesmo	sistema.	No	Sistema	Familiar	os	membros	são	únicos	
e	todos	têm	o	direito	de	pertencer.	Isso	equivale	dizer	que	ninguém	pode	
ser	excluído,	não	importando	suas	características,	dificuldades	ou	virtudes	
pessoais.	Todos	são	importantes	para	o	Sistema.	Quando	ocorre	uma	
exclusão	no	sistema	familiar	acontece	um	desequilíbrio.	Essa	situação	
passa	a	ser	vivida	por	um	descendente,	sem	que,	necessariamente,	ele	
tenha	conhecimento	ou	afinidade	com	o	antepassado	excluído.
Lei da 
Hierarquia
A	Hierarquia	ou	Ordem	de	Chegada,	diz	respeito	a	quem	chegou	primeiro	
na	família.	Portanto,	os	mais	velhos	merecem	ser	olhados	com	muito	
respeito	e	cuidado,	pois	foi	através	deles	que	a	família	veio	se	mantendo.	
(...)	Eles	chegaram	primeiro!
Lei do 
Equilíbrio
A	Lei	do	Dar	e	Receber,	também	chamada	de	Lei	do	Equilíbrio	de	Troca,	
foi	observada	nos	grupos	sociais	por	Bert	Hellinger,	como	algo	de	
fundamental	importância	para	o	funcionamento	e	manutenção	dos	
sistemas	de	uma	forma	geral.	Todo	ser	é	dotado	da	capacidade	de	troca,	
oferecendo	a	outros	seus	dons,	capacidades	e	habilidades	e	recebendo	
daqueles	o	que	for	importante	para	satisfazer	suas	necessidades	de	
sobrevivência,	crescimento	e	desenvolvimento.	Uma	relação	equilibrada,	
quando	ambas	as	pessoas	compartilham	mutuamente,	dando	e	
recebendo	aquilo	que	cada	um	é	capaz,	é	uma	relação	que	promove	o	
amadurecimento	a	liberdade	e	o	bem-estar.
Com	base	no	Quadro	3,	identificamos	que	para	Hellinger,	na	estrutura	familiar,	
a	 prioridade	 é	 de	 quem	 chegou	 primeiro,	 pela	 lei	 da	 hierarquia,	 ou	 seja,	 pais	 sobre	
filhos,	avós	sobre	pais	etc.	Nesse	os	mais	velhos	têm	poder	de	decisão	e	devem	ser	
considerados.	 O	 vínculo	 entre	 os	 familiares	 é	 percebido	 na	 lei	 do	 pertencimento,	
e	 é	 tão	 importante	 que,	 quando	um	membro	 é	 excluído,	 ocorre	 um	desequilíbrio	 no	
sistema.	O	“equilíbrio”	ou	a	“lei	do	dar	e	receber”,	descreve	sobre	a	nossa	capacidade	de	
manter	relações	em	um	compartilhamento	mútuo	para	a	satisfação	das	necessidades,	
crescimento	e	desenvolvimento.
4 O MÉTODO TERAPÊUTICO DA CONSTELAÇÃO FAMILIAR
A	maior	parte	das	constelações	familiares	são	realizadas	por	um	grupo.	 Inicia	
com	o	terapeuta	esclarecendo	a	questão	 levantada	pela	pessoa	em	tratamento.	Após,	
os	representantes	são	escolhidos	no	grupo,	estes	darão	“vida”	aos	membros	familiares	
sobre	 quem	é	 o	 foco	 da	 constelação.	A	 constelação	 se	 desenrola	 progressivamente	
até	que	haja	uma	solução	para	a	questão	levantada,	mesmo	que	essa	seja	“a	solução	
é	 impossível”.	Ao	final	pode	haver	uma	espécie	de	 ritual	de	encerramento	da	sessão	
(MANNÉ,	2008).
174
O vídeo disponível no link a seguir, demonstra a prática da conste-
lação familiar, e uso das representações na relação de mãe e filho: 
https://www.youtube.com/watch?v=gawPa91wGxQ. 
DICA
No	ano	de	2006,	o	Hospital	de	Clínicas	da	Universidade	Federal	de	Goiás	criou	
um	grupo	para	atender	pacientes	com	dor	pélvica	crônica	em	tratamento	no	ambu-
latório	de	ginecologia.	A	terapia	das	constelações	familiares	foi	 incluída	como	prática	
integrativa	nos	encontros	mensais.	Em	2018	já	tinham	sido	atendidas	1.440	pessoas	in-
teressadas	na	abordagem.	A	equipe	é	formada	por	profissionais	de	áreas	distintas	como:	
medicina,	enfermagem,	administração,	direito,	musicoterapia	e	serviço	social.	A	médica	
que	media	os	encontros	esclarece	que:
É	 importante	 que	 se	 compreenda	 que	 a	 constelação	 familiar	 não	
substitui	a	terapia	médica	e/ou	psicológica.	O	método	deve	ser	con-
cebido	como	um	recurso	adicional	para	a	melhoria	da	qualidade	de	
vida	 das	 pessoas	 consteladas.	 Para	 os	 casais,	 esse	método	 pode	
contribuir	com	o	‘amor	à	segunda	vista’,	pois	a	constelação,	muitas	
vezes,	possibilita	uma	nova	chance.	De	qualquer	modo,	quando	não	é	
mais	possível	manter	o	relacionamento,	a	abordagem	contribui	para	
que	o	casal	possa	se	despedir	e	seguir	suas	vidas	em	paz	(CAMPOS,	
2020,	s.	p.).
A	 Terapia	 das	 Constelações	 Familiares	 teve	 a	 sua	 implantação	 no	 SUS	 em	
2018	após	ser	legitimada	através	da	Política	Nacional	das	PICS,	porém	sua	abordagem	
também	é	utilizada	na	área	jurídica.
 
Muitas	vezes	o	processo	jurídico	do	direito	da	família	torna-se	demorado	e	é	cada	
vez	mais	comum	a	busca	de	métodos	alternativos	que	auxiliem	a	mediação	e	resolução	
de	conflitos.	A	Terapia	das	Constelações	Familiares	vem	sendo	estudada	e	aplicada	por	Tri-
bunais	de	Justiça	com	o	 intuito	de	facilitar	esse	processo	e	preservar	os	vínculos	afeti-
vos	familiares	 (FIGUEIREDO;	PAIVA,	2021).	Tais	 recursos	auxiliam	na	análise	do	processo	 
como	um	todo	e	podem,	muitas	vezes,	contribuir	para	a	tomada	de	decisão	do	juiz.
No	interior	do	Estado	de	Minas	Gerais,	essa	prática	integrativa	foi	implantada	em	
uma	Unidade	Básica	de	Saúde	(UBS),	que	acolhia	demandas	dos	usuários	referentes	
a	 saúde	 mental.	 Também	 é	 comum	 a	 procura	 desse	 serviço	 por	 dores	 físicas	 sem	
explicação,	 difusas	 e	 crônicas.	 Os	 problemas	 trabalhados	 com	 os	 participantes	 no	
grupo	da	Terapia	das	Constelações	Familiares	foram:	problemas	na	família,	ansiedade,	
problemas	 no	 trabalho,	 depressão,	 problemas	 no	 relacionamento	 e	 insônia.	 Após	 o	
término	das	sessões,	foi	possível	verificar	a	satisfação	dos	usuários	e	relatos	da	melhoria	
das	 relações	 interpessoais	 e	 familiares,	 assim	 como	 identificar	 que	 eles	 possuíam	
dificuldade	de	encontrar	apoio	para	seus	problemas	emocionais	que	trazem	prejuízo	à	
saúde	(RESENDE	et	al.,	2020,	p.	2016).
175
Contudo,	a	Terapia	das	Constelações	Familiares	tornou-se	atualmente	centro	
de	estudos	e	debates	com	análises	divergentes	sobre	esse	método	aplicado	em	grupo.	
Algumas	reflexões	são	levantadas	questionando	essa	prática,	são	elas:
•	 Influência	 da	 formação	 religiosa	 do	 criador

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