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Autor: Prof. Antônio Palmeira de Araújo Neto Colaboradores: Prof. Fábio Teixeira Arten Prof. Rogério Carlos Traballi Profa. Iza Melão Tecnologia da Informação Aplicada à Área Financeira Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Professor conteudista: Antônio Palmeira de Araújo Neto Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Paulista (UNIP), concluído em 2013. Especialista em Gestão da Tecnologia da Informação pelo Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau) em Pernambuco, concluído em 2010. Engenheiro de Telecomunicações pela Universidade de Pernambuco, concluído em 2008. Profissional certificado em Itil V3 Foundation e Cobit v4.1 Foundation. Professor de disciplinas de Tecnologia da Informação dos cursos de graduação (presencial e a distância) em Gestão de TI do Centro Universitário Senac. Professor de disciplinas de Tecnologia da Informação e Redes de Computadores para os cursos superiores de tecnologia na UNIP. Professor de disciplinas do curso Técnicas de Telecomunicações e coordenador do curso técnico do Instituto Técnico de Barueri na Fundação Instituto de Educação de Barueri. Atualmente é coordenador do curso de pós‑graduação em Tecnologia da Informação para Estratégia de Negócios na modalidade EAD da UNIP. Tem experiência de mais de dez anos em Gestão e Governança de TI e na prestação de serviços de TI a empresas do segmento financeiro e concessionárias de serviços de telecomunicações. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) A663t Araújo Neto, Antônio Palmeira de. Tecnologia da Informação Aplicada à área Financeira / Antônio Palmeira de Araújo Neto. ‑ São Paulo: Editora Sol, 2018. 152 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIV, n. 2‑130/18, ISSN 1517‑9230. 1. Tecnologia de informação. 2. Sistemas de informação. 3. Ferramentas de TI. I. Título. CDU 658.011.56 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona‑Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Aline Ricciardi Carla Moro Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Sumário Tecnologia da Informação Aplicada à Área Financeira APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................ 10 Unidade I 1 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO PARA ESTRATÉGIA DE NEGÓCIOS ............................................ 11 1.1 Infraestrutura de Tecnologia da Informação (TI)..................................................................... 11 1.1.1 Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) ..................................................................11 1.1.2 O hardware ................................................................................................................................................ 14 1.1.3 O software ................................................................................................................................................. 17 1.1.4 O banco de dados ................................................................................................................................... 20 1.1.5 Tipos de banco de dados ...................................................................................................................... 22 1.1.6 As redes de computadores e as telecomunicações ................................................................... 25 1.1.7 Gestão da Infraestrutura de TI .......................................................................................................... 28 1.1.8 Serviços de TI e gerenciamento de serviços de TI ...................................................................... 29 1.1.9 Aplicações da Infraestrutura de TI ................................................................................................... 32 1.2 Uso estratégico da Tecnologia da Informação (TI) ................................................................. 33 1.2.1 Evolução da Tecnologia da Informação (TI) nas organizações ............................................. 33 1.2.2 O papel estratégico da Tecnologia da Informação (TI) ............................................................ 34 1.2.3 Fatores Críticos de Sucesso (FCS) ..................................................................................................... 36 1.2.4 O alinhamento estratégico da Tecnologia da Informação (TI) ............................................. 38 1.2.5 A gestão estratégica da Tecnologia da Informação (TI) .......................................................... 40 1.2.6 Governança de Tecnologia da Informação (TI) ........................................................................... 43 1.2.7 Modelos de governança de Tecnologia da Informação (TI) ................................................... 47 1.2.8 Modelo Cobit ............................................................................................................................................ 49 1.2.9 Cobit 5 ......................................................................................................................................................... 52 1.2.10 Tendências e realidades em Tecnologia da Informação (TI) ................................................ 54 2 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO ....................................................................................................................... 56 2.1 Conceitos de Sistemas de Informação (SI)................................................................................. 56 2.1.1 Conceito de sistema .............................................................................................................................. 56 2.1.2 Dado, informação e conhecimento ................................................................................................. 57 2.1.3 Sistemas de Informação....................................................................................................................... 58 2.2 Tipos de sistemas de informação ................................................................................................... 60 2.2.1 Sistemas de informação nas organizações .................................................................................. 60 2.2.2 Classificação dos sistemas de informação quanto à abrangência ..................................... 60 2.2.3 Classificação dos sistemas de informação quanto ao nível decisório .............................. 61 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 3 PLANEJAMENTO DE RECURSOS EMPRESARIAIS (ERP) ....................................................................62 3.1 Integração de Sistemas ...................................................................................................................... 62 3.1.1 Sistema de Processamento de Transações (SPT) ........................................................................ 62 3.1.2 A falta de integração e a existência de silos ............................................................................... 64 3.1.3 Conceito e histórico do Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) .......................... 64 3.2 Operação de um Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) ..................................... 66 3.2.1 Arquitetura de um Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) .................................... 66 3.2.2 Módulos de um Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) ......................................... 66 3.2.3 Vantagens e desvantagens de um Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) ...................67 4 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GERENCIAL (SIG) ................................................................................... 69 4.1 Tomada de decisão .............................................................................................................................. 69 4.1.1 Decisões: conceitos e tipos ................................................................................................................. 69 4.1.2 Processo de tomada de decisão ........................................................................................................ 71 4.2 Funcionamento de um Sistema de Informação Gerencial (SIG) ....................................... 72 4.2.1 Sistema de Informação Gerencial (SIG) ......................................................................................... 72 4.2.2 Características e aspectos funcionais de um Sistema de Informação Gerencial (SIG) ............76 4.2.3 Sistemas de Apoio à Decisão (SAD) ................................................................................................. 80 Unidade II 5 SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL (SIC) ......................................................................................... 85 5.1 Introdução ao Sistema de Informação Contábil (SIC) ........................................................... 85 5.1.1 Conceito de Sistema de Informação Contábil (SIC).................................................................. 85 5.1.2 Funcionalidade do Sistema de Informação Contábil (SIC) .................................................... 86 5.1.3 Componentes do Sistema de Informação Contábil (SIC) ....................................................... 88 5.2 Sistema de Informação Contábil (SIC) e a tomada de decisão .......................................... 91 5.2.1 O Sistema de Informação Contábil (SIC) e o fluxo da informação .................................... 91 5.2.2 O Sistema de Informação Contábil (SIC) e o processo de gestão ....................................... 92 6 USO DE FERRAMENTAS DE TI NA GESTÃO DE DADOS FINANCEIROS ........................................ 93 6.1 Uso estratégico das redes de computadores e da internet ................................................. 93 6.1.1 As redes de computadores na sociedade ...................................................................................... 93 6.1.2 A segurança da informação e as redes de computadores ..................................................... 93 6.1.3 A internet ................................................................................................................................................... 94 6.1.4 Videoconferência .................................................................................................................................... 95 6.1.5 Tecnologia de voz sobre o Protocolo de Internet (IP) .............................................................. 95 6.1.6 Telefonia móvel celular ........................................................................................................................ 96 6.2 Mineração de dados ............................................................................................................................ 97 6.2.1 O banco de dados ................................................................................................................................... 97 6.2.2 Business Intelligence (BI) ..................................................................................................................... 98 6.2.3 Data Mining .............................................................................................................................................. 99 6.2.4 Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados (SGBD) ......................................................... 99 7 PLANILHAS ELETRÔNICAS (PARTE 1) .....................................................................................................100 7.1 Conceitos de planilhas eletrônicas ..............................................................................................100 7.1.1 Introdução ao Excel 2016 ..................................................................................................................100 7.1.2 Abertura do programa e criação de pastas ................................................................................101 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 7.2 Iniciando o uso de planilhas ..........................................................................................................104 7.2.1 Guias ..........................................................................................................................................................104 7.2.2 Barra de Ferramentas de Acesso Rápido e barra de títulos .................................................109 7.2.3 Outros componentes ...........................................................................................................................109 8 PLANILHAS ELETRÔNICAS (PARTE 2) .....................................................................................................111 8.1 Uso básico e intermediário do MS‑Excel ..................................................................................111 8.1.1 Pastas e células .......................................................................................................................................111 8.1.2 Planilha .....................................................................................................................................................113 8.1.3 Dados e células ......................................................................................................................................115 8.2 Uso avançado do MS‑Excel ............................................................................................................120 8.2.1 Fórmulas .................................................................................................................................................. 120 8.2.2 Funções .................................................................................................................................................... 123 9 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 APRESENTAÇÃO O objetivo desta disciplina é trazer os principais conceitos de Tecnologia da Informação (TI) no que tange a ferramentas e gestão e relacioná‑la à área financeira. A proposta deste material não é torná‑lo especialista em TI, a ideia é fazer com que você perceba a importância estratégica de TI para o negócio e, claro, para a área financeira. O recorte‑escopo definido deste livro‑texto não permite avançar mais profundamente em TI, até porque exigiria muito de você e fugiria um pouco da ideia do profissional moderno de gestão. Por isso, tópicos como programação e uso de ferramentas avançadas de tecnologia não são abordados. Ao ler este livro‑texto, espera‑se que você compreenda a evoluçãodas tecnologias da informação e da comunicação e como as empresas e a sociedade de forma geral evoluíram depois da aplicação dessas ferramentas no dia a dia das pessoas. De maneira detalhada, os objetivos da disciplina são: compreender o uso estratégico da TI no ambiente organizacional; obter um entendimento sobre os sistemas de informação e o seu uso nas mais diversas áreas de negócio; conhecer os tipos de sistemas de informação e a sua aplicação na área financeira e desenvolver habilidades na utilização de ferramentas de TI aplicadas à Gestão Financeira. Inicialmente, o grande foco será apresentar as tecnologias da informação, toda a sua infraestrutura e uma visão geral da TI como um serviço. Depois, serão mencionados modelos de gestão de TI para que agreguem ainda mais valor ao negócio. Também serão abordados os sistemas de informações, seus conceitos, suas características, sua evolução e o seu uso estratégico nos negócios. Será mencionada a ideia de uso de TI aplicado ao negócio. Serão apresentados sistemas de informação contábeis, sua utilização, constituição e aplicabilidade. Será ressaltado o uso das redes de computadores, da internet e da gestão de dados como fator crítico de sucesso no delinear das estratégias e para alcançar as metas organizacionais. O livro‑texto será encerrado com uma exposição da planilha eletrônica Excel, uma das mais utilizadas pelo mercado. Serão apresentadas as planilhas de uso básico, intermediário e também avançado. Espero que você tenha uma boa leitura e se sinta motivado a ler e conhecer mais sobre Tecnologia da Informação Aplicada à Área Financeira. Boa leitura! 10 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 INTRODUÇÃO Um caminho sem volta! Essa é a forma como se enxerga o uso de TI nos negócios, na sociedade e na vida das pessoas. É até difícil conceber hoje uma corporação que funcione sem o uso das tecnologias de informação e comunicação, independentemente do porte da empresa: pequena, média ou grande. Não são poucos os recursos tecnológicos oferecidos a partir de toda uma infraestrutura composta de hardware, software, bancos de dados e redes de computadores. A chave do sucesso é descobrir como utilizar todas essas peças de modo estratégico, a fim de agregar valor ao negócio. Embora pareça simples, o uso no dia a dia das ferramentas de TI não é algo fácil, porque, nessa área, tudo se atualiza muito rápido. Logo as tecnologias ficam obsoletas. Por isso a importância da busca constante pelo conhecimento em TI. Os futuros gestores, administradores, analistas e profissionais são sempre chamados a compreender como empregar TI da melhor maneira em seu dia a dia e, assim, manterem‑se constantemente atualizados. Isso ocorre principalmente na área financeira, que não pode ser concebida sem tecnologias e encontra nelas um aumento substancial na eficiência e eficácia de seus processos, além de uma total automatização das suas atividades. 11 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Unidade I 1 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO PARA ESTRATÉGIA DE NEGÓCIOS 1.1 Infraestrutura de Tecnologia da Informação (TI) 1.1.1 Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) O conceito de tecnologia, a princípio, não tem uma associação direta com informática, computadores, internet etc. A tecnologia é compreendida como um conjunto de procedimentos, inovações, processos, métodos, ferramentas e conhecimentos por meio dos quais as capacidades humanas de uma sociedade podem ser ampliadas. As tecnologias estão presentes na indústria, na medicina, no setor de serviços, na informática, na sociedade como um todo e expressas na forma de inovações, o que tem contribuído para o aumento da produtividade e para o bem‑estar da sociedade. Sem falar em toda a mudança na maneira como se vive nos dias de hoje, com estilos tão diferentes dos do passado. Observação É comum, em algumas bibliografias, a distinção entre tecnologia e técnicas. Tecnologia é o conhecimento da técnica. Técnica envolve a aplicação de conceitos. Existe um considerável número de estudiosos que associam crescimento tecnológico às grandes guerras, quando aqueles que detêm poder militar na sociedade utilizam aparatos para se defenderem e atacarem as ameaças aos seus planos. No entanto, em tempos de paz, essa sociedade desfruta da mesma tecnologia usada para matar. Tigre mostra uma ligação muito forte entre tecnologia e economia, principalmente ao detalhar informações sobre a evolução tecnológica mundial: As grandes mudanças tecnológicas são acompanhadas de transformações econômicas, sociais e institucionais, pois a tecnologia não se difunde no vácuo, necessitando de regimes jurídicos, motivação econômica e condições político‑institucionais adequados para se desenvolver. O processo de acumulação primitiva de capital, associado às revoluções burguesas europeias a partir do século XVI, criou as condições necessárias para as inovações técnicas que deram origem à manufatura. Do ponto de vista 12 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I tecnológico, a revolução industrial se caracteriza pela substituição da habilidade e do esforço humano pelas máquinas, pela introdução de novas fontes inanimadas de energia e pelo uso de matérias‑primas novas e muito mais abundantes, sobretudo a substituição de substâncias vegetais ou animais por minerais. Além dessas inovações técnicas, ocorreram importantes inovações organizacionais, a exemplo da divisão de trabalho. Cabe lembrar que as inovações dessa época não eram ainda produtos da ciência, mas sim de observações, especulações e experimentação prática. Adam Smith e David Ricardo foram pioneiros na análise das causas e consequências da automação da manufatura, tendo em vista suas preocupações em identificar a origem da riqueza das nações e seus impactos sobre renda e trabalho. A identificação da tecnologia como fator de dinamismo econômico contrasta com o pensamento dos fisiocratas, que sustentavam que somente a terra ou a natureza seria capaz de produzir algo novo. As demais atividades, como a indústria e o comércio, não fariam mais do que transformar os produtos da terra (TIGRE, 2006, p. 15). Saiba mais Para conhecer mais sobre evolução tecnológica e suas relações com a economia, leia o livro a seguir: TIGRE, P. B. Gestão da inovação: a economia da tecnologia do Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. Já por volta de 1960, com o crescimento da indústria da computação, começou‑se a perceber uma verdadeira revolução que impulsionou uma grande mudança no cotidiano das pessoas e na sociedade de forma geral. Em Eleutério (2015), esse fenômeno é chamado de revolução da informação, encontrando todo o seu suporte em tecnologias digitais. Contudo, essa tecnologia baseada em recursos de informática foi precedida de um desenvolvimento tecnológico pelo qual o mundo passara. Isso desde a Revolução Industrial, passando pelas tecnologias utilizadas pelas grandes guerras mundiais até chegar ao que conhecemos hoje por Tecnologia da Informação (TI) ou Tecnologias Digitais. Alguns autores mencionam essas Tecnologias Digitais como Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), porque elas não apenas informam, mas comunicam. Não obstante é mais comum chamá‑las simplesmente de Tecnologia da Informação (TI). Borschiver e Silva (2016) afirmam que a TI trouxe um novo paradigma social, chamado de sociedade da informação. Essa nova sociedade é baseada em um conjunto de recursos formado por hardwares, softwares, bancos de dados e redes de computadores, associados a procedimentos, inovações e métodos, 13 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA o que recriou o fluxo da informação, criando novas oportunidades e até exterminandoe tornando obsoletos outros processos, hoje não mais vistos. Reynolds e Stair (2011) mencionam que esses recursos formam a infraestrutura de TI, que é a base dos sistemas computadorizados, além de suportar as soluções e aplicações desejadas pelas áreas de negócios das empresas e os seus processos, dentro da perspectiva do alinhamento estratégico. Ross e Weill (2006) afirmam também que essa infraestrutura de TI é o alicerce planejado de TI em toda a sua capacidade (no que diz respeito a questões técnicas como recursos humanos), disponibilizada por meio de serviços compartilhados e confiáveis para todo o negócio e utilizado por aplicações múltiplas. A figura a seguir apresenta esse conceito de infraestrutura de TI, composta de componentes de TI, recursos humanos de TI, serviços compartilhados de TI e aplicações de TI compartilhadas. Aplicações de negócio Infraestrutura de TI Aplicações de TI compartilhadas e padronizadas Serviços compartilhados de Tecnologia da Informação Componentes de TI Recursos humanos Figura 1 14 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I É fundamental pontuar outra contribuição da TI: a eficiência na tomada de decisão. Essa contribuição se dá por meio de suas ferramentas, que propiciam maior rapidez e flexibilidade, além de favorecer o bom andamento dos processos de gestão de uma empresa, seja em seu planejamento, direção, organização ou controle. Observação Alguns autores da área de TI apresentam opiniões divergentes quanto ao número de recursos de infraestrutura de TI. Não obstante, de forma geral, eles podem ser compostos de: hardware, software, bancos de dados e redes. 1.1.2 O hardware Reynolds e Stair (2011) afirmam que o hardware é qualquer maquinário (utilizando circuitos digitais) que auxilia nas tarefas de entrada, saída, processamento e armazenamento de um sistema de informação. O hardware na verdade é nada mais do que o próprio computador. A figura a seguir apresenta uma visão geral do hardware. UCP Vídeo IMPRESSORAS Jato de tinta Laser Matricial COMPUTADOR Processador Memória RAM Disco rígido No‑break, placa de rede, modem/fone Automação de processos e procedimentos Figura 2 O computador é o dispositivo que realiza operações por meio de instruções primitivas, denominadas linguagem de máquina. A linguagem de máquina remete ao primeiro nível de uma estrutura de computador, que não é compreensível pelo usuário. A percepção do usuário está voltada para a linguagem de alto nível do computador, um pouco mais simpática e atraente, e que está separada e distante da linguagem de baixo nível ou linguagem de máquina. Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre computadores, leia o livro Arquitetura e Organização de Computadores: STALLINGS, W. Arquitetura e organização de computadores. São Paulo: Prentice Hall, 2010. 15 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA A ideia que se tem dos computadores modernos utilizados nos dias de hoje passou por uma grande evolução, primeiro suprimindo um desejo do ser humano em calcular números de modo fácil e rápido e, depois, executando operações complexas, dificilmente executadas com sucesso por um homem. Foram diversas gerações nesse processo evolutivo sempre associado ao desenvolvimento da Engenharia Eletrônica, que desenvolveu microchips e circuitos integrados capazes de realizar operações numa rapidez impressionante. Os primeiros computadores eram enormes, caros, pesavam toneladas; mas evoluíram para equipamentos menores, mais baratos, leves e que cabem na palma de uma mão, por exemplo, os smartphones, favorecidos pela miniaturização. Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre a evolução dos computadores, leia o livro Organização Estruturada de Computadores: TANENBAUM, A. S. Organização estruturada de computadores. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. A estrutura básica de um computador é formada pelos seguintes componentes: • Unidade central de processamento ou CPU (sigla de Central Processing Unit): responsável por controlar a operação do computador e realizar as funções de processamento de dados. • Memória primária e secundária: responsável por armazenar os dados manipulados pela CPU. • Dispositivos de Entrada/Saída (E/S): responsável por mover os dados entre o computador e seu ambiente externo. • Barramento: mecanismo que oferece a comunicação entre a CPU, dispositivos de E/S e memórias. A figura a seguir mostra a estrutura básica do sistema computacional. Barramento Entrada e saída Memórias primária e secundária CPU Figura 3 16 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Considerando que o conceito de computador está associado a um dispositivo que processa os dados e supre as necessidades de informatização, encontra‑se em uso pelas pessoas e pelas organizações uma grande variedade dessas máquinas, dentre as principais, há desktop (computadores pessoais), notebooks, mainframes, supercomputadores, tablets e smartphones. O termo desktop quer dizer computador de mesa e também é usado como computador pessoal, conhecido pela sigla PC, do termo em inglês Personal Computer. Projetado por John Blankenbaker em 1971, o primeiro desktop recebeu o nome de Kenbak‑1. Segundo o Computer History Museum (2018), ele não possuía processador, sendo formado por chips numa placa de circuito. Foram comercializados apenas 40 equipamentos. Em 1973, foi projetado o Micral, primeiro computador pessoal com um processador (utilizou o processador Intel 8080). Desenvolvido por Thi Truong, foi comercializado por U$ 1.750,00, nunca penetrou no mercado americano. O Altair 8800 foi lançado em 1975 com uma capacidade bem mais superior que o anterior, projetado por Ed Roberts, que cunhou pela primeira vez o termo computador pessoal. Ele custava U$ 297,00 e teve alta penetração no mercado americano. Por volta de 1976, Steve Jobs e Steve Wozniak fundaram a Apple e projetaram o Apple I e, logo após, em 1977, o Apple II, computador pessoal um pouco mais parecido com a ideia de desktop que se tem hoje. O Apple III foi o PC projetado para concorrer com a IBM em 1981, que já comercializava os seus PCs. Em 1984, a Apple lança o Macintosh, o primeiro computador com interface gráfica. Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre a história dos computadores pessoais, acesse o site do Computer History Museum e conheça a linha do tempo da evolução dos PCs: <http://www.computerhistory.org>. Ainda é perceptível o uso do desktop por usuários domésticos e também nos ambientes organizacionais. No entanto, ele tem perdido cada vez mais espaço para os tablets, notebooks e até para os smartphones de última geração. Dentro de um contexto corporativo e organizacional, a grande necessidade de mobilidade tem substituído o desktop pelo notebook. Este, que surgiu pela primeira vez em 1981 pelas mãos de Adam Osborne, recebeu o nome de Osborne 1 e não se parece muito com os modelos mais modernos e parrudos de hoje em dia. 17 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Assim como os notebooks, os tablets são computadores portáteis, bem mais leves, permitindo que se trabalhe de modo semelhante a uma prancheta; pode ser utilizado com uma caneta ou com a simples ponta dos dedos. Os tablets alcançaram muita popularidade por meio dos iPads da Apple, lançados no início desta década. Os mainframes são computadores potentes de alto desempenho e capacidade, desenvolvidos nos anos 1960 pela IBM para muitas corporações, mas hoje restrito a um número menor de modelos de negócios, tais como: bancos, varejistas, seguradoras, companhias aéreas, empresas de cartões de crédito, governos, entre outros. Normalmente são mantidos em centros de dados com acesso restrito e processamgrandes quantidades de transações. Os supercomputadores são também potentes, com altíssimo desempenho, mas, diferentemente dos mainframes, são utilizados em aplicações específicas que exigem capacidades computacionais extensas e rápidas. Entre as aplicações do mainframe, encontram‑se pesquisas militares, previsão de desastres naturais, pesquisas nas áreas de saúde, dentre outros. Saiba mais Acesse o site a seguir e conheça a lista dos mais potentes supercomputadores do mundo. O maior supercomputador do Brasil está em Salvador e ocupa a posição 95º do ranking. <www.top500.org>. 1.1.3 O software O software é indispensável a qualquer sistema de computador e às pessoas que o utilizam. Sem o software de sistema, os computadores não seriam capazes de dar entrada aos dados através do teclado, fazer cálculos ou imprimir resultados. O software de aplicação é a chave para ajudá‑lo a atingir as metas de sua carreira. Os vendedores utilizam software para dar entrada nos pedidos de compras e ajudam seus clientes a obter o que desejam. Operadores de ações e títulos utilizam o software para tomar decisões em frações de segundo, que envolvem milhões de dólares. Os cientistas utilizam software para analisar a ameaça do aquecimento global. Independentemente de seu trabalho, você também provavelmente utilizará software para ajudá‑lo a avançar em sua carreira e ganhar melhores salários. Hoje muitas organizações não poderiam funcionar sem software de contabilidade para imprimir cheques de pagamento, dar entrada em pedidos de compra e enviar faturas. Pode‑se usar o software para ajudar na preparação de seu imposto de renda, manter um orçamento e jogar jogos divertidos (REYNOLDS; STAIR, 2011, p. 122). 18 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Os softwares são os programas que comandam a operação do computador e disponibilizam para o usuário aplicações para serem utilizadas em suas tarefas diárias. Esses programas são um conjunto de instruções que dizem o que, quando e como devem ser realizadas as operações pelo sistema computacional. Os softwares podem ser classificados de modo geral em: • Softwares de sistemas: utilizados para comandar o hardware, gerenciando e coordenando as suas funcionalidades, fazendo a interface entre as aplicações (software de aplicação) e todo o aparato de hardware. O melhor exemplo de software de sistemas são os sistemas operacionais. • Softwares de aplicação: auxiliam na execução das tarefas de negócios, ou seja, são voltados para expectativas específicas dos usuários atendendo finalidades gerais e específicas. Entre os exemplos de software de aplicação, estão os processadores de texto, planilhas eletrônicas, softwares de e‑mail, geradores de apresentação etc. Observação O software (principalmente de aplicação) pode ser considerado um dos recursos de informática imprescindíveis para o trabalho na área financeira. É impossível imaginar uma área financeira que não utilize, por exemplo, planilhas eletrônicas. A figura a seguir ilustra bem as relações entre os softwares de sistemas, softwares de aplicação e o hardware. Software de aplicação Software de sistemas Hardware • Processadores de textos • Planilhas eletrônicas • Geradores de apresentação • Sistema operacional • Memórias • Processador • Dispositivos de entrada e saída Figura 4 19 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Lembrete Os recursos de infraestrutura de TI são hardware, software, bancos de dados e redes de computadores. Conforme já mencionado anteriormente, o software aplicativo, também chamado de software de aplicação, é dedicado ao atendimento das necessidades gerais e específicas dos usuários. Segundo Reynolds e Stair (2011), os softwares de aplicação interagem com os softwares de sistemas para utilizar os recursos de hardware necessários a sua operação e, assim, exercer as suas funcionalidades. Os softwares de aplicação podem ser divididos em: • Software vertical: específicos de uma indústria. • Software horizontal: destinados a qualquer negócio. Os softwares verticais executam tarefas comuns a um determinado ramo de negócio, como: construção civil, área financeira e contábil, educação, dentre outros. Esse tipo de software nasce das necessidades específicas de cada indústria ou ramo da indústria; é por isso que eles não são dedicados a um mercado de massa e tem uma estratégia de vendas e disseminação diferente dos softwares de uso geral. Os softwares horizontais são dedicados a todos os ramos de negócio por automatizarem processos comuns a todas as indústrias. A competitividade entre empresas que comercializam esse tipo de software é maior devido ao custo relativamente menor que os verticais. Os softwares de aplicação também podem se dividir em softwares proprietários e softwares de prateleira. O software proprietário é desenvolvido para atender a uma necessidade específica da organização. Pode ser desenvolvido internamente (pelos profissionais de TI) ou por empresas terceirizadas com expertise suficiente. Quando esse desenvolvimento ocorre internamente na organização, permite maior controle sobre os processos de desenvolvimento e, consequentemente, sobre os resultados. As principais vantagens do software proprietário são: • Conseguir exatamente o que se necessita, no que tange a características de relatórios. • Estar envolvido no processo de desenvolvimento com eventual controle de resultados. • Facilitar a modificação de características que precisem contrapor‑se a uma iniciativa dos concorrentes. 20 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I As principais desvantagens do software proprietário são: • Pode consumir muito tempo e recursos significativos para o desenvolvimento de características necessárias. • Funcionários que trabalham no desenvolvimento normalmente recebem forte pressão para fornecer os níveis exigidos. • Há um risco potencial de desempenho limitado. Os softwares de prateleira são adquiridos diretamente da prateleira da loja por meio de empresas especializadas que desenvolvem soluções‑padrão e pré‑formatadas com as melhores práticas e costumes das organizações para apoio aos processos de negócios. A opção pelo uso dos softwares de prateleira requer do profissional de TI e da organização uma análise detalhada das funcionalidades e das características do software a se adquirir versus a necessidade e as solicitações das diversas áreas e dos setores da organização. As principais vantagens do software de prateleira são: • Custo inicial de desenvolvimento mais baixo. • Atendimento aos requisitos básicos apresentados, normalmente. • Pacotes de software de alta qualidade. As principais desvantagens do software de prateleira são: • Em muitas situações, as organizações pagam por características não requisitadas. • Pode não ter características importantes, exigindo futuras modificações ou personalizações. • Pode não atender aos processos atuais de trabalho. 1.1.4 O banco de dados Os dados representam a matéria‑prima para a geração da informação completa e precisa. Conforme visto em seções anteriores, eles podem se apresentar de diversas formas, obedecendo a uma hierarquia que se inicia na menor porção de dados manipulável por um sistema computacional: o bit. O bit é um sinal digital 0 ou 1 que representa a ausência ou a presença de um sinal elétrico. Um conjunto de 8 bits formam um byte, que representa um caractere, que pode ser uma letra minúscula, maiúscula, um número ou caractere especial. Vários caracteres organizados formam o campo. Um conjunto de campos agrupados forma um registro. Registros inter‑relacionados formam arquivos que, se relacionados entre si, formam uma base de dados. 21 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIADA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Um banco de dados, também conhecido por base de dados, é uma coleção organizada de fatos e informações, consistindo em dois ou mais arquivos de dados relacionados. Auxiliam as empresas a gerir informações para reduzir custos, aumentar lucros, acompanhar atividades anteriores do negócio e criar novas oportunidades de negócios. Nos sistemas legados e antigos, cada aplicação tinha o seu arquivo de dados, em que eles eram armazenados. Essa abordagem tradicional contrasta com a vigente nos dias de hoje, chamada de abordagem gerenciada, em que múltiplos programas compartilham o mesmo conjunto de dados relacionados. As principais vantagens dos bancos de dados são: • Utilização estratégica aperfeiçoada dos dados corporativos. • Redução na redundância de dados • Melhoria na integridade dos dados. • Modificação e atualização mais fáceis. • Independência dos programas. • Melhor acesso nos dados e informações. • Padronização no acesso de dados. • Estrutura para desenvolvimento de programas. • Melhor proteção dos dados. • Compartilhamento do recurso de dados. A eficiente tomada de decisões em uma corporação tem que ser baseada em dados, em vez de palpites ou opiniões subjetivas sem qualquer embasamento técnico. É justamente no banco de dados que se encontra esse “ouro” das corporações. O entendimento da importância que os dados têm para as corporações pode e deve gerar a necessidade de maior valorização destes. No entanto trabalhar com todos os dados de forma bruta, com todo o conjunto de informações que os acompanham, pode limitar as ações do processo de tomada de decisão em vez de ajudar. Dessa necessidade é que emerge o conceito de Data Warehouse (DW), que nada mais é que um subconjunto de dados correntes e históricos de potencial interesse para os tomadores de decisão de toda a empresa. Os DWs podem ser ainda mais segmentados em grupos menores chamados de Data Mart, que é um subconjunto do DW. 22 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Uma vez que os dados foram colhidos e estão disponíveis nos DWs e Data Mart, eles ficam livres para análises dentro do contexto da estratégia de negócios. Para isso, há uma série de ferramentas conhecidas como ferramentas de inteligência de negócios. A inteligência de negócios, em inglês Business Intelligence – BI, é um conjunto de ferramentas que consolida, analisa e acessa vastas quantidades de dados para ajudar os usuários a tomar as melhores decisões empresariais. As principais ferramentas de BI são: • Processamento Analítico On‑line (Olap): é uma ferramenta não orientada à descoberta que permite a análise multidimensional de dados, de forma que os usuários vejam os mesmos dados de diferentes maneiras, pois é usada a múltipla dimensão. • Data Mining (Mineração de Dados): é uma ferramenta orientada à descoberta, fornecendo percepções dos dados corporativos, não podendo ser obtidas com o Olap, descobrindo padrões e relacionamentos ocultos em grandes bancos de dados e inferindo regras a partir deles para prever comportamentos futuros. 1.1.5 Tipos de banco de dados Os bancos de dados com características modernas têm sido desenvolvidos desde 1960 e dividem‑se em banco de dados hierárquico, banco de dados do tipo rede, banco de dados relacional e banco de dados orientado a objeto. O banco de dados hierárquico é aquele cuja estrutura de registros é formada como uma árvore e suas ligações. Os registros são organizados de forma que um registro é considerado pai e outros registros denominados de filhos ficam hierarquicamente conectados a esse registro‑pai. Um registro‑pai, ou possuidor, pode estar ligado a diversos registros‑filhos, mas um registro‑filho pode somente estar conectado a um registro‑pai. Esse tipo de banco de dados foi muito utilizado nos primeiros sistemas computacionais de alta plataforma, apresentando diversas restrições, haja vista que no mundo real nem sempre existe essa limitação de conexão de registros e é difícil trabalhar sempre apenas com estruturas hierárquicas. Dessa forma, os bancos de dados hierárquicos atendem às necessidades cujas entidades envolvidas correspondem fielmente a uma estrutura hierárquica, criando uma solução muito fácil para responder a algumas questões, mas tornando‑se muito difícil para dar respostas a outras questões do mundo real. Quando aparecem relacionamentos “muitos‑para‑muitos”, são necessárias outras formas de banco de dados. O banco de dados do tipo rede é semelhante ao hierárquico, mas com a diferença de que não há a limitação no qual cada registro poderia ter apenas um pai. Ou seja, cada registro‑filho pode ser ligado a mais de um registro‑pai. Essa limitação do modelo hierárquico acabava criando sistemas complexos, com vários links, a fim de obter as relações necessárias. 23 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Este tipo de banco é composto de uma estrutura mais completa, possui as propriedades básicas de registros, conjuntos e ocorrências e utiliza a Linguagem de Definição de Dados (DDL – Data Definition Language) e a Linguagem de Manipulação de Dados (DML – Data Manipulation Language), além de permitir evolução mais eficiente do modelo. Tanto o modelo hierárquico quanto o de rede são chamados de sistemas de navegação, pois as aplicações devem ser construídas para atravessar um conjunto de registros interligados previamente. O banco de dados relacional é aquele que organiza os dados em tabelas bidimensionais (denominadas relações) com colunas e linhas. Toda informação nesse banco de dados é representada por valores em relações ou tabelas. Assim, as relações não são interligadas umas às outras no momento do projeto. Entretanto, os projetistas utilizam o mesmo domínio em várias relações, e se um atributo for dependente de outro, essa dependência será garantida através da integridade referencial. Nesse tipo de campo, trabalha‑se com o conceito de campo e registro. O campo (coluna) é o atributo específico das entidades de um banco de dados relacional. O registro (linha) é a informação específica sobre uma entidade. A figura a seguir mostra uma tabela de um banco de dados relacional contendo quatro registros e cinco campos. Quadro 1 Número_Fornecedor Nome_Fornecedor Endereço_Fornecedor Cidade_Fornecedor Estado_Fornecedor 0001 Papelaria Correia Avenida Paulista, 335 São Paulo SP 0002 BKL Informática Avenida dos Autonomistas, 206 Osasco SP 0003 Turin Serviços de Infraestrutura Rua Grupo Bandeirantes, 23 Barueri SP 0004 Atacadão Silva Avenida São José, 190 Santo André SP Outro conceito importante nesse tipo de banco de dados é o de chave primária, também conhecida como campo‑chave, que na verdade é um campo que identifica exclusivamente um registro. Na figura anterior, afirma‑se que a chave primária é o campo Número_Fonecedor. A lógica de trabalho do banco de dados relacional é o uso do relacionamento, pelo fato de determinar o modo como cada registro de cada tabela se associa a registros de outras tabelas. O relacionamento indica a ligação entre os participantes das entidades de dados em um determinado banco de dados e permite aos seus projetistas criarem um modelo lógico consistente da informação a ser armazenada. No entanto, só existirá um relacionamento se houver um campo de pesquisa específico de uma tabela chamado de chave estrangeira. A figura a seguir mostra um relacionamento entre duas tabelas de um banco de dados relacional. A primeira é uma tabela de fornecedores com a chave primária igual ao campo Número_Fornecedor. A segunda, é uma tabela de produtos com a chave primária igual ao campo Número_Produto. A chave estrangeira encontra‑se na tabela de produtos, é o campo Número_Fornecedor. 24 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Número_ Fornecedor Nome_Fornecedor Endereço_Fornecedor Cidade_ Fornecedor Estado_ Fornecedor 0001 Papelaria Correia Avenida Paulista, 335 São Paulo SP 0002 BKL Informática Avenida dos Autonomistas, 206 Osasco SP 0003 Turin Serviços de Infraestrutura Rua Grupo Bandeirantes, 23 Barueri SP 0004 Atacadão Silva Avenida São José, 190 Santo André SP Número_Produto Descrição_Produto Preço unitário Número_Fornecedor 130 Resma de papel sulfite R$ 13,00 0001 141 Cartucho para impressora R$ 25,00 0002 156 Pastas plásticas para documentos R$ 5,00 0003 160 Kit de limpeza R$ 35,00 0004 Figura 5 – Relacionamento em um banco de dados relacional Os relacionamentos podem ser de três tipos: • Relacionamento um para um: quando um registro de uma tabela se relaciona apenas com um registro de outra tabela. • Relacionamento um para muitos: quando um registro de uma tabela se relaciona com muitos registros de outra tabela. • Relacionamento muitos para muitos: quando muitos registros de uma tabela se relacionam com muitos registros de outra tabela. Na figura anterior, encontra‑se um relacionamento um para muitos, porque temos um registro de fornecedor que aparece muitas vezes na tabela de produtos. Nada mais normal, pois um fornecedor pode comercializar muitos produtos. Os sistemas de banco de dados orientados a objetos começaram a ser desenvolvidos no início da década de 1960. No entanto, somente em meados da década de 1980, surgiram aplicações específicas com a necessidade real de uma tecnologia que superasse os limites existentes nos bancos de dados relacionais para o tratamento de dados complexos e para a representação mais clara e próxima do mundo real. Esse banco de dados integra a tecnologia de orientação a objeto com aptidões de banco de dados, que consiste nos usuários poderem obter o estado em que os objetos se encontram e vários usuários poderem ao mesmo tempo compartilhar a mesma informação. 25 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA O modelo orientado a objeto foi concebido e desenvolvido para uma geração de tecnologias baseadas na web, estabelecendo que um objeto consiste em valores de dados que descrevem os atributos de uma entidade, somando a isso as operações realizadas pelos dados. 1.1.6 As redes de computadores e as telecomunicações As redes de computadores consistem no componente que proporciona a comunicação de dados, voz e imagem dentro do negócio, por meio de uma transmissão eletrônica de sinais. Essa comunicação a distância entre computadores por meio da transmissão de sinais é também conhecida como telecomunicações, que abrange não somente processos comunicacionais digitais, mas também analógicos. Um sistema básico de telecomunicações é formado por três componentes básicos, que podem ser observados na figura a seguir. Emissor Receptor Canal de comunicação Figura 6 O emissor é responsável pela geração do sinal que precisa ser transmitido. O receptor é aquele que recebe o sinal. O canal de comunicação, também chamado de meio físico, é aquele que conduz a mensagem da origem até o destino. Um sistema básico de telecomunicações pode operar de três modos distintos: simplex, half‑duplex e full‑duplex. No modo simplex, a transmissão acontece apenas em uma direção. Um bom exemplo é o sinal de rádio AM ou FM, em que os receptores dos usuários apenas recebem o sinal. No modo half‑duplex, a transmissão acontece em ambas as direções, mas não de maneira simultânea. Por exemplo, o sinal transmitido por rádios walkie talkie, em que só um usuário pode falar de cada vez. No modo full‑duplex, a transmissão acontece em ambas as direções de maneira simultânea. Por exemplo, as transmissões de telefonia fixa e móvel, em que as duas pontas da comunicação podem transmitir ao mesmo tempo. Os sistemas de telecomunicações provêm a comunicação dos computadores em redes. Há diversos sistemas de telecomunicações; dentre eles, os principais são: • Satélite: opera por meio de um grande repetidor de sinal (satélite) que, a partir de seus transponders, amplifica sinais de rádio de diferentes frequências. Os satélites mais modernos 26 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I pesam aproximadamente 4.000 Kg e consomem vários quilowatts de energia elétrica produzida pelos painéis solares. • Fibras ópticas: opera por meio de um cabo de fibra de vidro extremamente transparente que transporta um sinal de luz. • Telefonia fixa: opera em sua grande maioria por meio de cabos de pares metálicos na transmissão de sinais de voz de telefonia comutada. • Telefonia móvel celular: destinado à transmissão de voz por meio de um sinal de rádio que se propaga de uma estação rádio‑base até uma estação móvel, conhecida por telefone celular. • Rádio broadcasting: responsável pelas transmissões de TV e rádio AM e FM. Funciona por meio de uma transmissão em radiofrequência em broadcasting. • Linha de comunicação de força: transporta o sinal de comunicação de dados por meio dos cabos da rede elétrica. Muito conhecido pelo acrônimo de seu nome em inglês, PLC (Power Line Communication). • Radiovisibilidade: transporta um sinal de radiofrequência entre duas antenas, em que uma antena obrigatoriamente “vê” a outra. As redes de computadores podem ser classificadas de acordo com a sua abrangência geográfica e, consequentemente, com as suas finalidades. A divisão mais comum é: • LAN (Local Area Network): também conhecida como rede local, ela é responsável por interligar dispositivos dentro de uma área de pequena abrangência. Normalmente as LANs estão em prédios de escritórios ou fábricas. • MAN (Metropolitan Area Network): também conhecida como rede metropolitana, ela é responsável por interligar dispositivos dentro de uma área geográfica maior que as das LANs, ou seja, em um campus ou em uma cidade. • WAN (Wide Area Network): também conhecida como rede de longa distância, ela é responsável pela interligação de LANs e abrange uma grande área geográfica. As redes de computadores são formadas por quatro elementos distintos: regras, meio físico, mensagens e dispositivos. O primeiro elemento de uma rede são as regras, também conhecidas por protocolos. Eles são importantíssimos no processo comunicacionais, pois permitem a interoperabilidade dos sistemas computacionais e os sistemas de telecomunicações. Os protocolos são um acordo entre as pontas que se comunicam, estabelecendo a maneira que se dará a comunicação. 27 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA O principal conjunto de protocolos que operam nas redes de computadores é o conjunto TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol), formado por uma pilha de regras que normatizam desde os meios físicos até o formato das mensagens que precisam ser transmitidas. Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre a pilha de protocolos TCP/IP, leia: KUROSE, J. F.; ROSS, K. W. Redes de computadores e a internet. 3. ed. São Paulo: Pearson, 2006. O segundo elemento das redes são os meios físicos que provêm o caminho para que a mensagem saia da origem e se encaminhe para o destino. Eles podem se dividir em: • Meio confinado: quando se utiliza um meio “palpável”, como um cabo, para a transmissão de sinais. Os meios físicos confinados são: cabo de pares metálicos, cabo de fibra óptica e o cabo coaxial. • Meio não confinado: quando a transmissão é feita por sinais de rádio através do meio sem fio. O meio físico não confinado é o ar. Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre meio físicos, leia: TANENBAUM, A. S.; WETHERALL, D. J. Redes de computadores. 5. ed. Rio de Janeiro: Person Prentice Hall, 2011. O terceiro elemento das redes são as mensagens, que são o motivo de existir das redes. O quarto elemento são os dispositivos utilizados nas operações das redes para fazercomutação, roteamento, chaveamento etc. Os principais dispositivos de redes são: roteadores, swtiches, hubs, modens, dentre outros. Saiba mais O site da consultoria Teleco mantém uma série de tutoriais sobre redes de computadores e telecomunicações no endereço eletrônico a seguir: TELECO. Tutoriais. EUA, 2018. Disponível em: <http://www.teleco.com. br/tutoriais.asp>. Acesso em: 9 abr. 2018. 28 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I 1.1.7 Gestão da Infraestrutura de TI A fim de que a infraestrutura de TI entregue o valor que os negócios desejam, é preciso que ela seja bem gerenciada em seus componentes, isto é, na forma de serviços. Magalhães e Pinheiro (2007) mencionam que a gestão de infraestrutura é composta de cinco atividades: • Desenho: consiste na elaboração da arquitetura de TI que deverá ser utilizada no ambiente organizacional. • Planejamento: consiste no planejamento das aquisições, instalações e disponibilizações dos componentes da infraestrutura TI. • Implementação: consiste na instalação e disponibilização para uso dos componentes da infraestrutura de TI. • Operação: consiste na operação da infraestrutura disponível para o negócio. • Suporte: consiste nas resoluções dos incidentes e problemas na infraestrutura de TI. Para proporcionar o alinhamento estratégico entre TI e negócio, surgiu uma série de frameworks com foco no gerenciamento da infraestrutura. Esses frameworks e modelos são o conjunto de boas práticas que elevam a maturidade da gestão da TI. Um dos mais conhecidos modelos de gestão de serviços, que inclui infraestrutura de TI, é o Itil (Information Technology Infrastructure Library). O Itil é um conjunto de boas práticas, que não é regra obrigatória, para a gestão dos serviços de TI dentro de um ciclo de vida (FREITAS, 2013). Saiba mais Para conhecer mais sobre o Modelo Itil, leia: FREITAS, M. A. S. Fundamentos do gerenciamento de serviços de TI. 2. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2013. É possível dizer que no que tange às questões voltadas para a gestão de infraestrutura, os custos com todo o aparato tecnológico são uma intensa preocupação. Isso porque, além do custo com a aquisição de um recurso de infraestrutura de TI (seja ele hardware, software ou redes ou bancos de dados), há outro custo denominado de Custo Total de Propriedade conhecido pela sigla TCO, que se refere ao inglês Total Cost of Ownership. Por exemplo, um computador pessoal pode ter um TCO que represente três vezes o custo com a sua aquisição. E por quê? Porque há custos com energia elétrica, manutenção, instalação, dentre outros. 29 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Laudon e Laudon (2013) mencionam os seguintes itens que compõem o TCO de um recurso da infraestrutura de TI: • Aquisição de hardware: custo com a aquisição do equipamento ou sistema computacional, incluindo computadores, notebook, tablets etc. • Aquisição de software: custo com a compra ou licença de software para cada usuário. • Instalação: custos com a instalação dos sistemas. • Treinamento: custos com treinamento de especialistas e usuários. • Suporte: custos com suporte técnico continuado. • Manutenção: custos de atualização da plataforma tecnológica. • Espaço e energia: custos imobiliários e com energia elétrica para alimentação dos equipamentos. Quando o administrador de TI utiliza o TCO, ele tem condições de: • Auditar os resultados para apontar pontos fortes e fracos dos custos de TI. • Criar uma estrutura ideal de TI, baseada em custos aderentes às estratégias de negócios. • Fornecer simulação de custos e benefícios dos recursos de TI. • Conhecer os conceitos de apuração de custos. • Explorar situações e variáveis ligadas aos custos com infraestrutura de TI. • Reduzir os custos. • Desenvolver orçamentos confiáveis. • Quantificar e priorizar alternativas de infraestrutura de TI. 1.1.8 Serviços de TI e gerenciamento de serviços de TI As necessidades e expectativas dos clientes frequentemente são muito diferentes. Na maioria dos casos, as necessidades são muito mais fáceis de satisfazer do que as expectativas. Os clientes tendem a comunicar e a preparar as suas especificações de serviços e produtos de TI a serem adquiridos baseados em suas necessidades, mas medem o desempenho da área de TI que os atende baseado em suas expectativas. Por exemplo, quando se pergunta a um cliente o que ele precisa em um determinado serviço de e‑mail, ele irá responder que necessita da disponibilidade e da sua capacidade de armazenamento de mensagens, mas o que ele espera, além disso, é velocidade no acesso, rápido suporte técnico em caso 30 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I de necessidade de ajuda e um baixo tempo de reparo, quando se fizer necessária uma ação corretiva, não importando se no ambiente do servidor ou em sua estação local, independentemente de onde estejam localizados. O atendimento das necessidades é frequentemente verificado pela criação de indicadores de desempenho associados às variáveis de desempenho importantes para as necessidades existentes, fixando‑se metas com uma faixa de variação determinada, mas o que realmente deseja o cliente é que todas as interações estejam próximas da média estabelecida, e não apenas dentro da faixa de tolerância, garantindo a uniformidade de resposta a sucessivas interações, o que pode ser traduzido como previsibilidade (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007, p. 54). Um serviço de TI é entregar valor por meio de ferramentas e recursos de infraestrutura de TI em vista da satisfação dos clientes. Bons exemplos de serviços de TI são os atendimentos de suporte de qualquer nível, automação de escritórios, serviços de acesso à internet, serviços de integração via ERP (Enterprise Resource Planning), dentre outros. Esses serviços são prestados normalmente por provedores de serviços de TI, que podem ser terceirizados ou internalizados, executados por uma área de TI interna das empresas. Esses provedores possuem um portfólio de serviços que se colocam como disponíveis aos clientes. O gerenciamento de serviços de TI é uma composição especializada de habilidades organizacionais que, na forma de serviços de TI, entregam valor aos clientes. As habilidades assumem formato de um conjunto de processos de gestão de serviços de TI e suas respectivas funções. O termo entregar valor não é o mesmo que agregar valor. Entende‑se que agregar valor remete a um acessório anexado a algo entregue. Entregar valor é muito mais que agregar valor, por transformar o elemento ao valor em si próprio. É possível encontrar no framework Cobit, em sua versão 4.1, observações importantes sobre a entrega de valor: Entrega de valor é a execução da proposta de valor de TI através do ciclo de entrega, garantindo que TI entrega os prometidos benefícios previstos na estratégia da organização, concentrando‑se em otimizar custos e provendo o valor intrínseco de TI (ITGI, 2007, p. 9). Adiante, será detalhado um pouco sobre governança de TI e o modelo Cobit. O objetivo principal do gerenciamento de serviços de TI é efetuar a transformação de recursos de TI em serviços que agregam valor aos negócios de uma corporação. Assim, temos habilidades unidas a recursos que atendem às necessidades do ambiente organizacional em vista de atingir suas metas. É por meio da administração adequada desses serviços que o provedor (área de TI que entrega serviços) entende os requisitos de negócios e garante a continuidade no uso das ferramentas tecnológicas, gerenciando adequadamente os custos e riscos associados a esses serviços. 31 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA É necessário também destacar os desafios para a concretização desse objetivo.O primeiro deles é a natureza intangível dos serviços que o diferencia, principalmente, de um produto. Outros desafios não menos importantes são: demanda totalmente aderente aos ativos do cliente, natureza perecível da saída dos serviços, capacidade e continuidade dos serviços, dentre outros. Observação No gerenciamento de serviços, é fundamental equilibrar requisitos de clientes, capacidade disponível e custos. O gerenciamento de serviços de TI é praticamente uma área de conhecimento dentro da gestão da TI. Desse modo, é necessário entender o significado específico de algumas palavras que comumente se encontram em sua literatura. Dentre elas, é possível citar: • Função: equipe ou grupo de pessoas dotadas de especialização e recursos utilizadas em processos e atividades. • Provedora de serviços: organização ou área que entrega serviços para um ou mais clientes externos ou internos. • Cliente: aquele que recebe os serviços e remunera o provedor. • Negócio: entidade ou organização composta por unidades de negócios. • Processo: conjunto de atividades relacionadas combinadas com recursos e habilidades em vista da criação de valor para o cliente. • Papel: conjunto de responsabilidades e autoridades delegado a uma pessoa ou grupo de pessoas. Observação Na gestão de serviços, o usuário é chamado de cliente. É possível encontrar uma série de boas práticas na gestão de serviços de TI agrupadas em frameworks e em modelos bem conhecidos no mercado. Dentre eles, destacam‑se o Itil e a ISO 20.000. O Itil é modelo mais apropriado aos profissionais, possuindo um esquema de certificação que promove um itinerário no conhecimento nas boas práticas de gestão de serviços de TI. A ISO 20.000 é mais apropriada para as empresas, porque comprova que o seu sistema de gestão de serviços de TI está de acordo com as melhores práticas de mercado. Não obstante há outras normas que também promovem o uso de boas práticas de gestão de serviços de TI, tais como o modelo CMMI‑SVC (Capability Maturity Model Integration for Services), 32 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I criado pelo SEI (Software Engineering Institute), e o MOF (Microsoft Operations Framework), criado pela Microsoft. 1.1.9 Aplicações da Infraestrutura de TI Existem diversas aplicações que podem utilizar a infraestrutura de TI. Dentre elas, tem‑se: inteligência artificial, sistemas de gestão do conhecimento, identificações por radiofrequência, dentre outras. A inteligência artificial é o termo utilizado para referir‑se a sistemas computacionais capazes de simular e duplicar as funções de um cérebro humano e os comportamentos e padrões humanos. Os principais autores da área de TI colocam que os sistemas de inteligência artificial representam o conjunto de pessoas, procedimentos, hardwares, softwares, dados e conhecimento necessários a fim de desenvolver sistemas computacionais e máquinas que demonstram características inteligentes. A inteligência artificial abarca diversas especialidades, sendo por isso considerada multidisciplinar. Os principais ramos da inteligência artificial são: robótica, sistemas de visão, processamento da linguagem natural, reconhecimento de voz, sistemas de aprendizagem, sistemas de lógica difusa, algoritmo genéticos e redes neurais. Outra aplicação que utiliza a infraestrutura de TI é o sistema de gestão do conhecimento, que representa um conjunto organizado de pessoas, procedimentos, software, bancos de dados e dispositivos utilizados para a criação, o armazenamento, o compartilhamento, a estruturação, a aplicação do conhecimento e a experiência da empresa. Os sistemas de gestão do conhecimento trabalham visando à transformação do conhecimento tácito e semiestruturado em um conhecimento explícito. Alguns autores mencionam que os sistemas devem trabalhar, em primeiro lugar, na criação; em um segundo momento, no armazenamento; depois, no compartilhamento e, por fim, na aplicação. Algumas tecnologias apoiam os sistemas de gestão de conhecimento. Dentre eles, pode‑se citar: Data Mining, processamento analítico on‑line, intranets, ERP, DW. Essas tecnologias visam integrar todo o conhecimento da empresa e fazer com que o sucesso das corporações dependa menos das pessoas e das tecnologias e mais do conhecimento estruturado. Os sistemas que operam com identificação por radiofrequência são também outra aplicação que utilizam a infraestrutura de TI. São também conhecidos por RFID (Radio‑frequency Identification) e denotam um conjunto de tecnologias que operam por meio de ondas de rádio com o intuito de identificar de forma automática pessoas e objetos. O RFID foi criado pelos ingleses no período da 2ª Guerra Mundial e essa tecnologia foi utilizada para diferenciar aviões britânicos de aviões inimigos. Hoje é empregada em diversas aplicações comerciais, como: sistemas antifurto, documentação digital, bibliotecas, redes varejistas, empresas de logísticas, vigilância eletrônica de produtos, pagamentos, automação industrial, dentre outros. 33 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA No segmento de Logística, o RFID agrega maior valor que a tecnologia de código de barras, também utilizada na identificação de objetos, haja vista a maior eficiência, superação de limitações e maior rapidez nos processos. Ela utiliza transponders com um conjunto de transmissor e receptor de microchip com cerca de um milímetro quadrado e uma pequena antena, que se comunica com receptores e emissores de radiofrequência. No processo de utilização do RFID, há um código eletrônico de produto gerado e gravado em sua tag (etiqueta inteligente do RFID). Esse número é único e utilizado na identificação de um objeto específico em uma cadeia de suprimentos. Desse modo, quando essa tag se aproxima de um leitor de RFID, ocorre uma transmissão de radiofrequência com os dados do objeto. 1.2 Uso estratégico da Tecnologia da Informação (TI) 1.2.1 Evolução da Tecnologia da Informação (TI) nas organizações A era da tecnologia, em que vivemos, é resultante do conjunto de inovações e descobertas que a ciência já produziu ou vem produzindo. As consequências das novas tecnologias são inúmeras, e seu poder multiplicador tem‑se voltado a quase todos os campos da esfera humana, seja no lar, na escola, na indústria, no comércio, na fábrica, na igreja, na cultura ou no lazer. Em todas essas áreas, a tecnologia tem trazido novas linguagens, novas possibilidades, novos conhecimentos, novos pensamentos, novas formas de exploração e sua intensificação aumenta com o incremento tecnológico, por outro lado, se pode afirmar que a humanidade passa a ter condições para uma melhora da qualidade de vida, resultando, por exemplo, em uma média de vida muito maior quando comparada ao início do século XX (VELOSO, 2011, p. 32). Ao observar o uso da TI atualmente, corre‑se o risco de achar que tudo surgiu de um modo meio automático. Mas não foi assim. Voltando‑se para a década de 1960, observam‑se os primeiros passos no uso do computador ainda com dimensões gigantescas, extremamente caro e com poucas opções de tecnologias aderentes a sua operação. Nesse período, a TI ainda era um pouco rudimentar e conhecida como a famosa área do CPD (Centro de Processamento de Dados). Caracterizado por uma estrutura muito tímida e mão de obra escassa, o CPD tinha o objetivo de manter o aparato tecnológico funcionando. As aplicações desenvolvidas tinham como objetivo a automação de rotinas manuais, mais especificamente as administrativas e financeiras. Então, na década de 1970, surge a ideia da implementação de sistemas de informação, trazendo, assim, grande importância à área de TI. O desenvolvimento de software começa a adquirir alguma importância, iniciando a era do processamento de dados. Em 1980, a TI começa a se perceber como uma área de prestação de serviços aos negóciosda empresa, impulsionando o processo de terceirização da TI. As grandes redes de computadores, a integração dos sistemas, a ênfase na arquitetura dos sistemas e o uso maciço das telecomunicações impactam significativamente nos processos de negócio. 34 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Na década de 1990, a TI começa a assumir um caráter mais estratégico, transformando e recriando negócios, além de criar uma grande dependência entre o ambiente corporativo e as ferramentas tecnológicas. Nesse momento, consegue‑se já perceber o valor da informação e da TI para as corporações. Neste milênio (ano 2000), com o acentuado uso da internet e a sua ubiquidade, as plataformas de comércio eletrônico vão tomando maior corpo, inclusive por meio de smartphone, quebrando paradigmas e estabelecendo uma nova forma de obter e entregar as informações organizacionais. 1.2.2 O papel estratégico da Tecnologia da Informação (TI) Nos dias de hoje, é quase impossível imaginar uma operação de negócio sem o emprego da TI. Seja na manufatura, nos serviços, ou no comércio, o uso de ferramentas tecnológicas tem sido primordial para o sucesso das empresas. A TI tem um papel fundamental nos negócios, na verdade, um papel estratégico. Muitas das vantagens competitivas são suportadas pela TI, quando ela mesma não é a própria vantagem competitiva. No entanto, para que a TI cumpra o seu papel, é necessário que ela seja eficiente e eficaz. Para entender um pouco melhor esses conceitos, Laurindo (2008) toma como exemplo a eficácia e eficiência de uma aplicação de TI como um sistema de informação. Pode‑se entender eficiência no uso da TI como implantar o sistema ao menor custo, desenvolver o sistema de acordo com o levantamento efetuado, usando os recursos da melhor forma possível, no menor tempo e com o melhor desempenho da aplicação no computador. Assim, uma empresa estaria conseguindo aumento de eficiência ao adotar uma nova metodologia de desenvolvimento de sistemas, conseguindo que houvesse menos erros de programação, e, portanto, melhor qualidade e precisão de resultados... Eficácia no uso da TI consiste em implantar ou desenvolver os sistemas que melhor se adaptem às necessidades dos usuários, da área de negócio e da empresa, e que sejam consistentes com a estratégia global da corporação e que melhor contribuam para aperfeiçoar as atividades e as funções desempenhadas pelos usuários e, ainda, que tragam ganhos em competitividade e produtividade para a empresa (LAURINDO, 2008, p. 74). Laurindo (2008) afirma que se pelo menos uma de cinco questões básicas sobre a TI e a corporação for respondida positivamente, é um claro sinal de que a TI é estratégica para a empresa. As questões são as seguintes: • Barreiras à entrada de novos concorrentes podem ser estabelecidas pela TI? • A troca de fornecedores ou o poder de barganha podem ser influenciados pela TI? • A base de competição (custo, diferenciação ou enfoque) pode ser alterada pela TI? 35 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA • O poder de barganha nas relações com os clientes pode ser alterado pela TI? • Novos produtos podem ser gerados pela TI? Observe que o número de respostas positivas ditará o tamanho do impacto que a TI exerce sobre a estratégia da corporação, fazendo com que umas empresas dependam mais de TI do que outras. Observação Observe que todas as perguntas têm uma relação direta com alguma força competitiva do modelo das cinco forças estabelecido por Michael Porter. Laurindo (2008) aponta um grid estratégico que possibilita o entendimento de como a TI está relacionada à estratégia e à operação do negócio, fazendo uma análise do impacto no presente e no futuro, conforme pode ser visto na figura a seguir. Fábrica Suporte Estratégico Transição Alto AltoBaixo Baixo Impacto futuro Impacto presente Figura 7 Os quatro quadrantes resultantes dessa análise demonstram a situação da TI na empresa, como: suporte, fábrica, transição e estratégia. O quadrante suporte indica uma TI que tem pouca influência nas estratégias atual e futura da corporação. Empresas situadas nesse quadrante não têm a área de TI em destaque na empresa, muitas vezes, a TI é até terceirizada. No quadrante fábrica, a TI e suas aplicações são fundamentais para as operações atuais do negócio, mas, em uma visão de futuro, a TI não é tão decisiva para a estratégia. No quadrante transição, a TI tem grande destaque na estratégia, mas o impacto presente (operacional) é relativamente baixo. Empresas nesse quadrante tendem a colocar a área de TI em uma posição maior na hierarquia. O quadrante estratégico remete a empresas em que a TI é decisiva tanto na estratégia, nas táticas, quanto na realidade do dia a dia das operações do negócio. Empresas nesse quadrante não têm perenidade em seus negócios sem o uso das ferramentas de TI. 36 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I 1.2.3 Fatores Críticos de Sucesso (FCS) O impacto do método dos Fatores Críticos de Sucesso transcende a área de TI. Embora originariamente concebido para definir sistemas de informação, em especial sistemas de informações gerenciais e executivas, o método FCS teve um impacto muito importante nas práticas de gestão e de planejamento estratégico em geral. É utilizado não somente no planejamento de sistemas de informação e na gestão de projetos de TI, mas também no planejamento estratégico do negócio e na implementação de estratégia, gestão de mudanças e como técnica de análise competitiva (LAURINDO, 2008, p. 86). Surgido na década de 1970, o método dos Fatores Críticos de Sucesso (FCS) foi uma das primeiras tentativas de vincular o uso da TI aos objetivos e às estratégias corporativas. Segundo Laurindo (2008) e Abreu e Fernandes (2012), os fatores críticos de sucesso são aqueles nos quais os resultados, se satisfatórios, garantirão o sucesso da corporação. Abreu e Fernandes (2012) classificam os FCS em: • Fatores Críticos de Sucesso Estruturais: aqueles inerentes a cada ramo de negócio. • Fatores Críticos de Sucesso de Construção: relacionados às metas de construção de produto, de infraestrutura e de novas competências. • Fatores Críticos de Sucesso Temporais: referem‑se a eventos aleatórios. Laurindo (2008) coloca que os FCS têm, em geral, as seguintes características: • são poucos; • têm importância vital para a empresa; • são diferenciadores entre as organizações; • têm grande influência sobre as relações da empresa com o ambiente; • são relacionados às características de produto. O esquema do método pode ser visualizado na figura a seguir. 37 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Ambiente competitivo da indústria Competências, pontos fortes e fracos Estratégia competitiva da empresa FCS Indicadores para os FCS Executivos e gerentes Aplicações de TI/SI Priorização das aplicações de TI Figura 8 Segundo Laurindo (2008), o método dos fatores críticos de sucesso devem seguir os seguintes passos: • Análise do negócio da empresa e de sua natureza. • Identificação dos FCS. • Definição de indicadores para os FCS. • Determinação dos requisitos de negócios para TI a partir dos FCS. O quadro a seguir mostra o relacionamento entre FCS e os requisitos de negócio para a TI. Quadro 2 Fator Crítico de Sucesso Requisitos de Negócio para a TI Time‑to‑marker Velocidade do processo de produto, desde a sua concepção até o seu lançamento no mercado. Forte necessidade de reutilização de conhecimento disponível na organização. Forte comunicação entre equipes. Gestão do processo de desenvolvimento do produto. Design do produto Mecanismos de suporte ao design. Retenção e reutilização de conhecimento Suporte à retençãoe disseminação de conhecimento. Adaptado de: Abreu; Fernandes (2012, p. 65). 38 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I 1.2.4 O alinhamento estratégico da Tecnologia da Informação (TI) O alinhamento estratégico entre TI e negócio é o processo mais importante para uma empresa que quer gerenciar estrategicamente a TI. É considerado, nos dias de hoje, como um processo bidirecional, porque deve haver uma reciprocidade, ou seja, um caminho de duas vias, em que não somente o negócio gera iniciativas (na forma de objetivos estratégicos) para a TI, mas também a TI gera iniciativas (na forma de soluções e de vantagens competitivas) para os negócios. Henderson e Venkatraman (1993) expressam a bidirecionalidade no alinhamento entre TI e negócio, em que se demonstra onde a estratégia de TI influencia e é influenciada pela estratégia de negócio. O alinhamento estratégico da TI também foca o grau em que os investimentos de ações habilitadas por TI estejam aderentes aos objetivos estratégicos. Para caminhar alinhada com o negócio, a área de TI precisa atender aos requisitos solicitados, o que vai depender da estratégia empresarial adotada. A corporação pode adotar um dos três tipos de estratégia, que é consequência da estrutura do negócio. São elas: • Foco no cliente. • Foco na diferenciação. • Foco no custo. Se a estratégia empresarial tem como foco o cliente, a TI deve trabalhar pela flexibilização dos processos relacionados ao cliente. Se o foco for a diferenciação, a TI deve suportar o desenvolvimento e a operação de produtos únicos. Caso o foco seja no custo, a TI deve auxiliar em processos de negócio que aumentem a eficiência organizacional. O alinhamento estratégico tem um caráter dinâmico e não apenas estático. Ocorre continuamente desde o planejamento estratégico até o dia a dia das operações de TI, quando novas demandas são criadas para área de TI ou, de outro modo, quando oportunidades e ameaças que têm relação com a TI surgirem. A figura a seguir demonstra o esquema de alinhamento estratégico: 39 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Situação atual do negócio Objetivos de negócios desejados Objetivos de negócios atingidos Alinhamento dinâmico da TI Alinhamento estático da TI Linha do tempo imaginada Linha do tempo realizada Figura 9 O alinhamento estratégico deve ser algo dinâmico e estático a partir de um modelo criado por Abreu e Fernandes (2012), em que: • alinhamento estático: deriva da estratégia de TI a partir do plano estratégico da corporação. • alinhamento dinâmico: consequência das mudanças da estratégia de TI em virtude de alterações na estratégia de negócios. Luftman (2001 apud Laurindo, 2008) demonstra, por meio de um modelo, a maturidade no alinhamento estratégico baseado no CMMI. O modelo consiste em cinco estágios evolutivos: • Nível 1 (inicial): baixo alinhamento estratégico, com muita dificuldade de alcançar bons resultados mesmo com significativos investimentos habilitados por TI. • Nível 2 (comprometimento com o processo): processos começam a ser estruturados e há conscientização da importância do alinhamento entre TI e negócio. • Nível 3 (processos estabilizados): TI já tem um bom entendimento sobre o negócio, além de existir boa maturidade concentrada em governança. • Nível 4 (melhora no gerenciamento de processos): investimentos em TI são convertidos em lucros e o negócio já entende a TI e vice‑versa. • Nível 5 (processos otimizados): existe um alto grau de alinhamento estratégico, em que o planejamento estratégico de TI é integrado ao planejamento estratégico do negócio. Para avaliar os níveis de maturidade, são analisados os seguintes critérios e atributos: • Comunicações. • Medição de competência e de valor. 40 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I • Governança. • Parceria. • Escopo e arquitetura. • Habilidades. 1.2.5 A gestão estratégica da Tecnologia da Informação (TI) A gestão estratégica da TI se refere à administração de todos os recursos de TI (sejam eles hardware, software, redes, bancos de dados, pessoas) da empresa a partir de um referencial estratégico (BEAL, 2004). Uma área de TI que se propõe a ser gerenciada de modo estratégico precisa ter processos segmentados em três etapas: • Planejamento. • Execução. • Avaliação e ação corretiva. Na fase de planejamento, as estratégias de informação e de TI são pensadas, os princípios da TI são revisitados, mas tudo é feito a partir da ótica da estratégia empresarial. Nessa etapa, é importantíssimo que o alinhamento estratégico entre TI e negócio já tenha acontecido e os trabalhos de planejamento estratégico da TI e o seu respectivo plano já estejam em andamento. Na etapa de execução, são implementadas as estratégias de TI associadas aos objetivos estratégicos do negócio, conforme estabelecido no planejamento estratégico de TI. Os planos táticos, como consequência do plano estratégico, estão em andamento e todas as subáreas da TI estão empenhadas em atingir as metas estabelecidas pela alta direção. Os planos operacionais, como consequência dos planos táticos, também já se encontram em execução com o intuito de deixar toda á área de TI aderente à estratégia. Na etapa de avaliação e ação corretiva, os planos estratégicos, táticos e operacionais são continuamente acompanhados e realinhados à estratégia estabelecida que foi desdobrada a partir das áreas de negócios. Deve existir aqui um processo de melhoria contínua dos planos. A partir do entendimento da gestão estratégica de recursos de TI, as organizações de qualquer porte enxergam o planejamento como peça fundamental para o sucesso de seus negócios. No entanto, o planejamento estratégico não pode ser algo estático, mas um processo extremamente dinâmico, capaz de atender e suportar o alcance de uma situação desejada de um modo eficiente, eficaz e efetivo. 41 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Quando se afirma que o planejamento estratégico não é algo estático, é importante mencionar também que os seus desdobramentos precisam ser uma realidade em todas as áreas de uma corporação, e a área de TI não está alheia a essa realidade. De outro modo, a área de TI, assim com as outras áreas da corporação, demanda recursos e esforços que exigem planejamento, sob pena de arruinar o tão desejado alinhamento estratégico. Acreditando que o planejamento estratégico tem que ser desdobrado para a TI e que a TI precisa ser planejada para suportar os requisitos de negócios, é que nasceu a necessidade do planejamento estratégico de TI. Pode‑se definir Planejamento Estratégico de TI (a sigla é Peti) como o processo de determinação das ações de TI que suportarão o planejamento estratégico da empresa. Observação Planejamento estratégico é um processo. Plano estratégico é um documento resultante do processo de planejamento estratégico. Segundo Abreu e Fernandes (2012), o Peti é uma das principais consequências do alinhamento estratégico e do processo de planejamento estratégico empresarial. Ele deve suportar as operações de negócio, fazendo com que a TI ofereça novas soluções, aplicativos e serviços de TI que atendam às necessidades da corporação. A figura a seguir mostra o plano estratégico de TI dentro dessa realidade. Estratégia corporativa Plano estratégico de marketing Plano estratégico de operações Plano estratégico de vendas Plano estratégico de TI Plano estratégico corporativo Processo de planejamento estratégico empresarial Figura 10 42 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Um Peti só pode ser iniciado quando já se tem os objetivos e estratégias do negócio. No entanto,é comum que a área de TI, representada nos processos de planejamento estratégico pela alta direção de TI ou gerência da TI, participe e trabalhe na construção de metas e objetivos de negócios suportados pela TI. O Peti resulta num documento que contextualiza as atividades futuras de TI em função dos objetivos de negócio da empresa e inclui: • Princípios da TI. • Arquitetura da TI. • Necessidades de aplicações. • Portfólio de projetos da TI. • Portfólio de serviços de TI. • Inovações habilitadas por TI. • Portfólio de investimento habilitados por TI. • Planos estratégicos de TI. • Planos táticos de TI. Antes de iniciar a elaboração do plano estratégico da TI, é necessário determinar os princípios de TI. Segundo Ross e Weill (2006), os princípios de TI são um conjunto de declarações de alto nível sobre o papel da TI no negócio. Eles são uma ferramenta que ajuda a educar os executivos sobre a estratégia de tecnologia, sendo a partir deles que outras decisões fundamentais são tomadas dentro da TI, tais como: • Arquitetura da TI. • Infraestrutura da TI. • Investimentos em TI. • Necessidades de aplicações de negócios. Caso os princípios de TI já existam, é importante revisitá‑los, para que, a partir deles, as resoluções do Peti sejam orientadas. De posse dos princípios de TI, Abreu e Fernandes (2012) propõem uma estrutura para elaboração de um Peti, conforme a figura a seguir. 43 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Análise estratégica da organização Análise e definição das necessidades de negócio Definição da estratégia de serviço Definição de objetivos e metas de TI Entendimento da dinâmica do negócio Análise e definição da arquitetura de TI Definição da arquitetura de processos de TI e organização Definição da estratégia de segurança da informação Consolidação da portfólio preliminar de TI Definição do orçamento Priorização de investimentos Portfólio aprovado Plano de TI ‑ negócios Plano de TI ‑ internos Definição da estratégia de sourcing Análise do portfólio de TI atual Figura 11 1.2.6 Governança de Tecnologia da Informação (TI) As empresas de melhor desempenho têm sucesso onde as outras fracassam porque implementam uma Governança de TI eficiente para sustentar suas estratégias. Por exemplo, firmas com uma Governança de TI acima da média que seguiam uma estratégia específica (a intimidade com o cliente, por exemplo) tiveram lucros mais de 20% superiores aos de firmas com má governança que seguiam a mesma estratégia. Definimos a Governança de TI como a especificação dos direitos decisórios e do framework de responsabilidades para estimular comportamentos desejáveis na utilização da TI. A Governança de TI não consiste na tomada de decisões específicas sobre Tecnologia da Informação – a administração já faz isso –, mas determina quem sistematicamente toma tais decisões e contribui para elas. Reflete princípios mais amplos da governança corporativa, ao mesmo tempo em que se concentra na administração e utilização da TI para concretizar metas de desempenho corporativo. A Governança de TI eficaz estimula e amplifica a engenhosidade dos funcionários no emprego da TI e assegura a observância da visão e dos valores gerais da empresa (ROSS; WEILL, 2006, p. 2). 44 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Com o seu surgimento motivado não somente por questões financeiras, a governança de TI desponta como uma das áreas mais importantes que tem relação com a gestão de TI e com a gestão de sistemas de informação. Becker, Lunardi e Macada (2012) pontuam em seu artigo intitulado “Um estudo empírico do impacto da governança de TI no desempenho organizacional” que a performance das empresas que adotam práticas de governança de TI é muito superior àquelas que não adotam. Com uma visão um pouco mais abrangente, Abreu e Fernandes (2012) estabelecem alguns motivadores da governança de TI. A figura a seguir reproduz esses motivadores. Ambiente de negócios Marcos de regulação Integração tecnológia TI como prestadora de serviços Dependência do negócio em relação a TI Governança de TI Segurança da informação Figura 12 Considerando esses motivadores verificados na figura anterior e ao passo que se observa a evolução da área de TI, percebe‑se a perda da imagem de uma simples provedora de infraestrutura para se tornar uma provedora de serviços. Isso, inevitavelmente, resulta na consciência de que as áreas de negócio não mais dependem do ferramental que a TI provê, mas do valor agregado de seus serviços entregues. Contudo, se os seus serviços não forem bem gerenciados e governados, impactos negativos incidirão sobre as estratégias dos negócios. Também a utilização contínua e sistemática de ferramentas tecnológicas integradoras nas áreas de negócios tem contribuído decisivamente para a extinção de aplicativos legados, motivadores da existência de verdadeiras ilhas de informação, gerando integração entre as funções administrativas, os fornecedores, os clientes, dentre outros stakeholders. Não obstante, não se associando o uso dessas ferramentas a mecanismos eficazes de governança de TI, essa integração tecnológica poderá aumentar consideravelmente os riscos que a TI representa para a disponibilidade dos negócios. Voltando à perspectiva financeira, Becker, Lunardi e Macada (2012) mencionam a percepção de que o ferramental da governança de TI aumenta de modo marcante a eficiência das organizações por meio de redução de custos ou com a melhor utilização dos ativos. No entanto, ainda na mesma 45 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA pesquisa, uma comparação entre executivos brasileiros e de outros países aponta que os oriundos de organizações brasileiras ainda veem benefícios da TI mais ligados a processos operacionais do que estratégicos. Ainda sobre motivadores que justificam a importância da governança de TI para as corporações, Ross e Weill (2006) mencionam algumas razões que justificam a necessidade de sua implementação, dentre elas: • Compensações financeiras altas: há consideráveis diferenças nos resultados financeiros entre as empresas que têm e as que não têm governança de TI implementada. Aquelas que possuem governança têm um incremento no retorno de seus investimentos de até 20%. • Altos custos relacionados à TI: os investimentos em TI das empresas caminham, nos dias de hoje, em torno de 6% a 7% da receita anual, requisitando, naturalmente, grande atenção da alta direção, gerando a necessidade de governar bem a TI. • Oportunidades e ameaças: quando a TI não é considerada e dela não são extraídas as oportunidades, é possível que ela se torne uma ameaça. Isso porque, ao ignorar os ganhos com TI, desperdiça‑se uma oportunidade, entregando à concorrência esse ganho e, consequentemente, transformando a oportunidade em ameaça. Também este é um motivo para governar a TI: para que ela seja melhor utilizada. • Capacidade limitada da alta gerência: a alta gerência das corporações não consegue, eficientemente, atender a todas as necessidades de gestão das mais diversas áreas do ambiente organizacional, inclusive da TI, gerando gargalos indesejáveis. Por isso, estabelecer governança de TI proporciona um processo decisório de gestão mais claro e transparente. Os principais conceitos mais aceitos de governança de TI apresentam‑na como um sistema composto de aspectos de liderança, estruturas organizacionais e de processos que garantam que a área de TI apoie e desdobre os objetivos da organização (ITGI, 2007). Assim como a governança corporativa, a governança de TI é de responsabilidade da alta direção e dos executivos, além de precisar de sua total adesão ao processo de implementação. Isso se dá porque ter governança é necessariamente ter direçãoe controle a fim de regular o uso futuro e atual da TI (ABNT, 2008). Ainda segundo Ross e Weill (2006), a governança de TI é a especificação de direitos de decisão e determinação de responsabilidades no estímulo de comportamentos desejáveis na utilização da TI. Esses comportamentos desejáveis, que geram valor para as empresas, associadas às estratégias, interligam a governança corporativa da empresa e a governança corporativa de TI. O alinhamento estratégico da TI é o principal objetivo da governança de TI, porque ele contribui para o desdobramento dos objetivos de negócios em objetivos de TI. É possível encontrar outros objetivos não menos importantes, tais como: posicionamento esclarecido da TI em relação às outras áreas das organizações, estabelecimento de responsabilidades relacionadas às decisões críticas da TI, implementação de um conjunto de processos e controles que habilite a gestão de riscos e compliance, 46 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I alinhamento de iniciativas de infraestrutura, arquitetura, aplicações e investimentos de TI com as estratégias empresariais. Ross e Weill (2006) afirmam que a eficácia na governança de TI é alcançada quando três questões específicas são tratadas. São elas: decisões inter‑relacionadas de TI, arquétipos decisórios e mecanismos para a tomada de decisão. As decisões inter‑relacionadas de TI são compostas de princípios de TI, arquitetura da TI, infraestrutura de TI, necessidades de aplicações de negócios e investimentos e priorização da TI. Os arquétipos decisórios são definidos como os tomadores dessa decisão e podem ser enquadrados como monarquia de negócios, monarquia de TI, feudalismo, duopólio de TI e anarquia. Os mecanismos para a tomada de decisão tratam do modo e com quais mecanismos essas decisões devem ser tomadas e monitoradas. São eles: estruturas e comitês de tomada de decisão, processos de alinhamento e abordagens de comunicação. Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre tomada de decisão em TI, leia o livro Governança de TI: ROSS, J. W.; WEILL, P. Governança de TI: como as empresas com melhor desempenho administram os direitos decisórios de TI na busca por resultados superiores. São Paulo: M. Books, 2006. Segundo ITGI (2007), é possível também afirmar que a governança de TI pode ser percebida a partir de cinco áreas de foco, consideradas como os pilares que suportam o núcleo da governança de TI. Essas áreas de foco estão descritas na figura a seguir. Governança de TI Ali nh am ent o est rat égi co Gerenciamento de recursos M ensuração de desem penho Ge re nc ia m en to de ri sc os Entrega de valor Figura 13 47 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA A primeira área de foco é o alinhamento estratégico, que tem como prioridade o relacionamento entre o planejamento de negócio e de TI no alinhamento das operações de TI com as do negócio, visando à definição e manutenção da proposta de valor. A segunda área de foco é a entrega de valor, responsável por executar a proposição de valor de TI, de forma a garantir os benefícios prometidos pela TI para o negócio. Essa área de foco também se concentra em processos de gestão e otimização dos custos. A terceira área de foco é a gestão de recursos, que é responsável pela maximização da eficiência dos recursos críticos da TI, além de otimização de investimentos, conhecimento e manutenção de competências. A quarta área de foco é a gestão de riscos, que é totalmente concentrada na formação da consciência da alta direção da empresa em relação aos riscos, além do entendimento claro dos requisitos de compliance, inclusão de responsabilidades no gerenciamento dos riscos na organização e a mensuração de desempenho com foco na monitoração da implantação da estratégia, do andamento dos projetos, do uso de recursos e do desempenho dos processos. 1.2.7 Modelos de governança de Tecnologia da Informação (TI) Existem diversos requisitos para implementar adequadamente a governança de TI, como: liderança para executar mudanças, envolvimento da alta direção, equipe qualificada e adoção de um modelo de governança de TI. A adoção de um modelo de governança de TI é fundamental para o alcance dos objetivos de TI alinhados aos negócios. Dentre os modelos e frameworks de TI, aqueles com foco exclusivo na governança são o modelo Cobit (Control Objectives for Information and Related Tecnologies) e a norma da ISO 38500. Ross e Weill (2006) propõem também um framework para governança de TI. Neste, apresenta‑se uma harmonização entre as estratégias organizacionais, os arranjos de governança de TI e as métricas de desempenho do negócio. Tudo é colocado por meio de práticas de organização da TI e de comportamentos desejáveis. Abreu e Fernandes (2012) apresentam também um modelo de governança de TI genérico que pode ser aplicado em qualquer organização. Consiste em um framework de componentes que podem ser encaixados, como que em um clássico jogo de crianças chamado Lego. A ideia desse modelo é que ele possa ser implementado de acordo com as necessidades, prioridades e disponibilidades da organização. 48 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Saiba mais Para conhecer um pouco mais esse modelo de governança de TI, leia o livro a seguir: ABREU, V. F. de; FERNANDES, A. A. Implantando a governança de TI. Rio de Janeiro: Brasport, 2012. A área de TI pode ser concebida como um ambiente com diversas subdivisões. Dentre essas subdivisões, encontram‑se: projetos de TI, processos de TI, operações de TI, negócios de TI, riscos de TI, qualidade de TI, desenvolvimento de software, terceirizações em TI, arquitetura de TI, infraestrutura de TI e serviços de TI. Quando se defende a ideia de que a governança de TI é o desdobramento da governança corporativa, pode‑se concluir que é necessário um desdobramento também da governança de TI para as outras subáreas da TI. Então, da mesma forma que é crítico para o sucesso da governança de TI a implementação de um framework, também assim o é a implementação de frameworks e modelos que suportem a governança de TI especificamente nessa subárea. Ao pensar, por exemplo, na subárea de projeto de TI, encontram‑se pelo menos três modelos que podem suportá‑la. São eles os mais conhecidos: PMBOK (Project Management Body of Knowledge), Prince2 e Scrum. O quadro a seguir mostra algumas das subáreas de TI e alguns dos modelos que suportam a governança de TI em cada uma dessas subáreas. Quadro 3 Subárea de TI Modelos de suporte a governança de TI Projetos de TI PMBOK (Project Management Body of Knowledge) Prince2 Scrum Processos de TI Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócio – Corpo Comum de Conhecimento (BPM CBOK) Operações de TI Itil (Information Technology Infrastructure Library) Negócios de TI BABOK (Business Analysis Body of Knowledge) Riscos de TI Risk IT Qualidade Software CMMI (Capability Maturity Model – Integration) Serviços de TI Itil (Information Technology Infrastructure Library) Arquitetura de TI The Open Group Architecture Framework (TOGAF) Terceirizações em TI eSourcing Capability Model (eSCM) 49 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA 1.2.8 Modelo Cobit A governança de TI integra e institucionaliza boas práticas para garantir que a área de TI da organização suporte os objetivos de negócios. A governança de TI habilita a organização a obter todas as vantagens de sua informação, maximizando os benefícios, capitalizando as oportunidades e ganhando em poder competitivo. Esses resultados requerem um modelo para controle de TI que se adeque e dê suporte ao COSO (“Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission’s InternalControl – Integrated Framework”), um modelo para controles internos amplamente aceitos para governança e gerenciamento de riscos empresariais, e outros modelos similares. As organizações devem satisfazer os requisitos de qualidade, guarda e segurança de suas informações, bem como de todos seus bens. Os executivos devem também otimizar o uso dos recursos de TI disponíveis, incluindo os aplicativos, informações, infraestrutura e pessoas. Para cumprir essas responsabilidades bem como atingir seus objetivos, os executivos devem entender o estágio atual de sua arquitetura de TI e decidir que governança e controles ela deve prover. O Control Objectives for Information and Related Technology (CobiT®) fornece boas práticas através de um modelo de domínios e processos e apresenta atividades em uma estrutura lógica e gerenciável. As boas práticas do CobiT representam o consenso de especialistas. Elas são fortemente focadas mais nos controles e menos na execução. Essas práticas irão ajudar a otimizar os investimentos em TI, assegurar a entrega dos serviços e prover métricas para julgar quando as coisas saem erradas (ITGI, 2007, p. 7). O Modelo de Governança de TI chamado Cobit foi criado em 1994 para a Isaca (Information Systems Audit and Control Association). A ideia inicial, já reformulada nos dias de hoje, foi desenvolver um conjunto de práticas e controles para a área de TI, em vista de uma maior aderência às necessidades de negócio. O modelo foi constituído a partir do framework Coso (Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission), utilizado em controles de governança corporativa, mas também recebeu incrementos originados de vários padrões internacionais e práticas de gestão de TI, oriundas de diversas instituições que trabalham padronizações em gestão. Hoje, o Cobit é mantido pelo Instituto de Governança de TI, conhecido pelo acrônimo ITGI, que nada mais é que um “braço” criado pela Isaca para manter o modelo, preservar sua missão e trabalhar um processo de melhoria contínua e atualização a partir de novas necessidades e requisitos existentes e demandados pelas áreas de negócios. Segundo ITGI (2007), a missão do Cobit é: [...] pesquisar, desenvolver, publicar e promover um framework de controle para governança de TI que seja embasado, atualizado, internacionalmente 50 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I aceito para a adoção pelas organizações e usado no dia a dia pelos gerentes de negócio, profissionais de TI e profissionais de auditoria. A partir da missão estabelecida, o modelo é destinado à governança de TI e precisa auxiliar a alta direção das organizações relacionadas a riscos, valor e controle, estabelecendo uma metodologia segura para o alinhamento estratégico entre TI e negócio, maximizando benefícios alcançados através dos recursos de TI. A partir desse entendimento, o Cobit evoluiu decisivamente, conforme é possível verificar no quadro a seguir. Quadro 4 Ano Versão Foco 1996 1 Auditoria 1998 2 Controle 2000 3 Gerenciamento 2005 4 Governança 2007 4.1 Governança 2012 5 Governança e Gestão As mais importantes características do modelo Cobit são: foco voltado para o negócio, orientação clara a processos, gerenciados por métricas e fundados em controles. O foco voltado para o negócio é a principal característica. Isso se dá porque a TI precisa ser percebida e concebida na perspectiva do negócio, ou seja, as expectativas e os objetivos empresariais precisam ser traduzidos em ações concretas na área de TI, de modo que haja alinhamento entre TI e negócio. A característica do foco voltado para os negócios do Cobit estabelece fundamentações básicas para o uso do framework nas empresas. Assim, o modelo Cobit tem como fundamento que os requisitos de negócios direcionem investimentos de TI, mais especificamente em recursos, que são utilizados pelos processos de TI com o objetivo de gerar a informação organizacional necessária para o negócio. A orientação clara a processos é colocada como característica, porque o Cobit tem as suas atividades baseadas completamente em processos e com uma linguagem comum, de modo que a organização visualize e gerencie a área de TI. Os processos dividem‑se em quatro domínios e permeiam as áreas de responsabilidade da TI: planejamento, construção, processamento e monitoramento. O Cobit também é um modelo gerenciado por métricas. Essa característica traduz o nível de performance da área de TI, avaliando a sua maturidade e o desempenho dos processos e das atividades. O Cobit também é fundado em controles. Há controles devido ao uso de qualquer um dos seus processos e atividades da TI. Por meio deles, são definidas políticas, procedimentos, práticas e estruturas 51 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA organizacionais, garantindo que metas de negócios sejam atingidas ou, de certo modo, evitando ou corrigindo situações não desejadas. O framework Cobit tem em sua composição três elementos fundamentais: os processos, os requisitos de negócios e os recursos de TI. Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre o Cobit, acesse o site: INFORMATION SYSTEMS AUDIT AND CONTROL ASSOCIATION (ISACA). ITGI: EUA, 2018. Disponível em: <https://www.isaca.org/ITGI/Pages/default. aspx>. Acesso em: 9 abr. 2018. Considerados o componente básico do modelo, os processos trazem praticamente todas as atividades‑padrão de uma área de TI. Eles são em número de 34, divididos em 4 domínios: Planejar e Organizar (PO), Adquirir e Implementar (AI), Entregar e Suportar (ES) e Monitorar e Avaliar (MA). Os requisitos de negócios também são conhecidos como critérios de informação, que são critérios de controle que objetivam adequar as informações ao atendimento dos objetivos de negócios. Os recursos de TI representam o suporte para os processos e atividades de TI, de modo a ser possível a entrega de valor que o negócio necessita. Segundo o ITGI (2007), os recursos de TI são: aplicativos, informações, infraestrutura e pessoas. Os aplicativos são sistemas de software destinados aos usuários e processos. As informações representam o conjunto de dados relacionados utilizados em qualquer formato a ser utilizado pelos negócios. A infraestrutura é composta de recursos tecnológicos, tais como: hardware, sistemas operacionais, bancos de dados, redes de computadores e os ambientes que os abrigam, a fim de possibilitar o processamento dos aplicativos. As pessoas são aquelas que planejam, organizam, adquirem, implementam, entregam, suportam, monitoram e avaliam os sistemas de informação e serviços de TI, podendo ser internos, terceirizados ou contratados, conforme necessidade. O modelo de maturidade para o gerenciamento e controle dos processos de TI, segundo o Cobit, baseia‑se em uma metodologia de avaliação originada do SEI (Software Engineering Institute). Essa metodologia avalia a maturidade de cada processo do Cobit dentro de uma escala que vai de 0 a 5. Os níveis são: • Nível 0: inexistente – completa falta de um processo reconhecido, além de a corporação não reconhecer a necessidade de processos. 52 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I • Nível 1: inicial – existem evidências de que a empresa reconheceu a existência de questões a serem trabalhadas. Nesse nível, não há processo padronizado. • Nível 2: repetível, porém intuitivo – processos sofreram uma evolução para procedimentos seguidos por diferentes pessoas. No entanto, não há treinamento e comunicação formal, sendo a responsabilidade atribuída a cada indivíduo. • Nível 3: processo definido – procedimentos não são sofisticados, mas foram padronizados, documentados e comunicados através de treinamento. Processos são seguidos, no entanto, desvios não são detectados. • Nível 4: gerenciado e mensurável – há aderênciaa procedimentos e ações corretivas são tomadas, quando necessário, fornecendo boas práticas e constantes aprimoramentos. • Nível 5: otimizado – processos encontram‑se refinados considerando as melhores práticas, baseados em um resultado de contínuo aprimoramento e modelagem da maturidade com outras organizações. 1.2.9 Cobit 5 Por ser um modelo bem estruturado, o Cobit na versão 5 agrega valores e benefícios para a organização no qual ele foi implantado. Porém, esses benefícios só serão possíveis se todo o processo de implementação for realizado de forma correta e posteriormente ter um acompanhamento diário. Todo processo que visa à qualidade necessita de atenção e dedicação constante, é passível de ajustes visando sempre à melhoria continuada. Com a utilização contínua do Cobit 5 como modelo de governança de TI, os benefícios são inúmeros, tais como: • Apresentar uma visão clara dos facilitadores da TI e suas vulnerabilidades. • Maior assertividade na tomada de decisão; uma vez que existam processos definidos, estruturados e controlados, será obtida mais transparência nas informações e melhor visibilidade do negócio. • Gerenciar informações de alta qualidade para suportar as decisões de negócios. • Atingir metas estratégicas e entregar benefícios de negócio por meio do efetivo uso da TI, gerando assim ganho de valor dos investimentos em TI. • Tanger a excelência operacional por intermédio da aplicação confiável e eficiente da TI. • Reduzir a exposição a riscos relacionados com a TI. • Aperfeiçoar e equilibrar os custos de serviços de TI. • Manter a conformidade com leis, regulamentos, acordos contratuais e políticas. 53 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA • Reduzir os custos operacionais e do acervo de TI. • Aumentar significativamente a visibilidade de todos os níveis da organização em decorrência dos esforços de melhoria implantados pelos processos. • Maior solidez no planejamento estratégico, pois possuem dados mais confiáveis e íntegros. A família de produtos Cobit 5 é composta de: • Cobit 5: o modelo, que contempla uma visão geral entre a área de negócios e a gestão e governança de TI, apresentando os princípios do Cobit 5, seus passos e diretrizes; também descreve de forma resumida o guia de implementação e expõe os modelos de mapeamentos para objetivos corporativos e de TI. • Guia Habilitador de Processos (Cobit 5 Enabling Process): um guia de referência detalhado de cada processo a ser definido, também inclui modelo cascata, objetivos e referências. • Guia Habilitador de Informações (Cobit 5 Enabling Information): um guia que explica detalhadamente o modelo de informação e fornece exemplos de entidades de informação totalmente elaboradas. É complemento para o guia de processos. • Guia Profissional de Implementação (Cobit 5 Implementation): fornece uma abordagem de boas práticas para a implementação da governança de TI com base no ciclo de vida de melhoria contínua, devendo ser adaptado às necessidades específicas da empresa. • Guia Profissional para Segurança da Informação (Cobit 5 for Information Security): a segurança da informação é essencial nas operações diárias das empresas, portanto deve ser assegurada a fim de manter a confidencialidade e a integridade das suas informações, proporcionando simultaneamente a disponibilidade às pessoas que possuem direitos a elas. • Guia Profissional para Risco (Cobit 5 for Risk): visa orientar de forma específica sobre os riscos de informação em relação ao Cobit para os componentes de risco de informação da Isaca. O guia é complemento do guia de segurança da informação. • Guia Profissional para Garantia (Cobit 5 for Assurance): tendo como base o quadro Cobit 5, esse guia centra‑se na garantia e fornece orientações mais detalhadas e práticas para os profissionais de certificação e outras partes interessadas em todos os níveis da empresa sobre como utilizar Cobit 5 para suportar as atividades de garantia de TI. • Guia Profissional de Programa de Avaliação (Cobit 5 Assessment Programme): é base para a avaliação dos processos de uma empresa para a governança e gestão de tecnologia da informação e serviços relacionados, conforme descrito no Cobit 5; possui guias relacionados como: Guia de Autoavaliação, Guia do Avaliador e Modelo de Avaliação de Processos. 54 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I 1.2.10 Tendências e realidades em Tecnologia da Informação (TI) É possível encontrar diversas tendências e realidades no uso das tecnologias da informação. Dentre elas, temos: redes sociais, computação nas nuvens, internet das coisas, Big Data, dentre outros. As redes sociais são grupos de pessoas formados numa mesma estrutura que possibilita a troca de interesses e informações. Elas surgiram por volta da década de 1990 com grande sucesso e destaque para as redes classmates e ICQ; atualmente, alcançam praticamente todos os usuários da internet através de conhecidas plataformas como Facebook, Linkedin, Twitter, Google+, Instagram. Embora seja praticamente uma realidade, o uso das redes sociais apresenta‑se como uma tendência. Isso porque: • As suas influências não estão completamente esgotadas no delinear das estratégias de negócios. • É perceptível um aumento de sua penetração nas camadas mais baixas da população, principalmente aqueles que têm um acesso precário à infraestrutura de telecomunicações. • Quebra de paradigmas, fazendo com que o usuário pouco a pouco substitua o uso de navegadores de internet (Google Chrome, Internet Explorer, dentre outras) pelos aplicativos de redes sociais. • Redução das resistências de corporações e organizações conservadoras ao uso de ferramentas de redes sociais. A computação nas nuvens é uma tecnologia que permite o compartilhamento de capacidades de armazenamento, cálculos e aplicativos centralizados que podem ser acessados por qualquer computador com internet. O termo computação nas nuvens é também muito conhecido pelo seu termo em inglês clould computing, apresentando‑se como um modelo computacional que revolucionou o modo como se concebe a infraestrutura de TI. O Google Drive é um bom exemplo do uso de ferramentas de computação nas nuvens. Vieira e Meirelles (2015) apresentam como benefícios da computação nas nuvens: • Diminuição de custos com infraestrutura própria de TI. • Aumento do foco de negócio por parte de empresas, principalmente aquelas que não têm a TI como core business. • Reutilização flexível de infraestrutura de TI tanto interna quanto externamente. • Escalabilidade considerável que permite o aumento ou a diminuição de recursos computacionais atrelados às demandas do cliente. • Grande acessibilidade e mobilidade, permitindo o acesso any where and any time. • Monitoramento da infraestrutura 24 x 7, aumentando a segurança do ambiente computacional. 55 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Dentre as tendências em computação nas nuvens para os próximos anos, é possível mencionar a expansão de nuvens híbridas, que mistura o uso de recursos computacionais em nuvens públicas e nuvens privadas. Como uma segunda tendência, aponta‑se a popularização do Conteiners‑as‑a‑Service (CaaS), também denominado de conteiners como serviço, que virtualiza de modo eficiente sistemas operacionais inteiros. Dentre diversas tendências, a Internet das Coisas, conhecida também pelo seu acrônimo IoT (Internet of Things), é a que certamente revolucionará a humanidade. A ideia da IoT é conectar à internet todos os objetos e itens utilizados no nosso dia a dia. A partir do uso de protocolos de comunicação que visam à interoperabilidade e padronização, a IoT interliga “coisas” que são participantes dos processos de negócios, informacionais e sociais. Assim, as “coisas” começama adquirir a capacidade de interação e comunicação com o ambiente. Pesquisas recentes de respeitados institutos divulgaram que já existem 6,4 bilhões de dispositivos conectados até 2016. As tecnologias de IoT utilizadas para monitorar frotas em edifícios inteligentes e operação de manufatura movimentaram aproximadamente 1,7 bilhões de dólares no Brasil em 2016. Outra grande tendência é o uso de Big Data, que se refere ao arcabouço de problemas e soluções de TI que tratam grandes massas de dados, de modo a entregar valor para as organizações a partir de interpretação desses dados. Observação O termo entregar valor é muito comum no uso estratégico da tecnologia da informação. O termo agregar valor é considerado ultrapassado e nem sequer é mencionado nos modelos de governança de TI. Embora muito se comente sobre a tendência do uso do Big Data, muitas organizações ainda não conseguem trabalhar de modo estratégico com esse conjunto de tecnologias. Em muitas situações, há uma completa ausência de visão estratégica da TI, que impede o uso de tendências extraordinárias como essa. Dentre outras tendências, é possível ainda apontar: • Crescimento exponencial da mobilidade e do uso de aplicativos em smartphones. • Impressão 3D. • Arquitetura de segurança adaptável. • Aplicativos em malha. • Colaboração avançada. • Grande utilização de Datacenter e containers. 56 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I • Realidade aumentada. • Mais dispositivos conectados à internet. • Uso cada vez mais estratégico da TI nos negócios • Integração total entre TI e marketing. 2 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO 2.1 Conceitos de Sistemas de Informação (SI) 2.1.1 Conceito de sistema Define‑se sistema como um conjunto de elementos interconectados, de modo a formar um todo organizado. Etimologicamente, a palavra sistema vem do grego systema, que significa combinar, ajustar, formar um conjunto. Os elementos de um sistema são conhecidos também por objetos geralmente arranjados de modo que possam interagir para executar um ou mais objetivos determinados pelas pessoas. A figura a seguir mostra os componentes de um sistema. Objeto Objeto Objeto Objeto Figura 14 Esses objetos podem ser classificados como inerentes ou transientes. Os objetos são inerentes quando permanecem dentro do sistema. Eles são considerados transientes quando penetram no sistema, passam por um processo de transformação e depois são retirados. As principais características dos sistemas são: • Objetivo: todo sistema possui um objetivo, ou seja, é criado para atingir uma meta. • Totalidade: todo sistema tem uma natureza orgânica pela qual uma ação que produza mudança em uma das unidades do sistema, provavelmente, deverá produzir alterações em todas as suas demais unidades. 57 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA • Entropia: todo sistema tem uma tendência ao desgaste, à desintegração, contribuindo para o aumento da aleatoriedade. • Homeostasia: todo sistema opera com um equilíbrio dinâmico entre os seus objetos, onde há uma tendência à adaptabilidade visando a um equilíbrio interno. É possível classificar os sistemas em abertos ou fechados. Sistemas abertos são adaptativos e orgânicos, ao passo que os sistemas fechados são estáveis e mecânicos. Quanto mais fechado for o sistema, menos ele interage com o ambiente externo; portanto, seus objetos de maior interesse são os inerentes. Também quanto mais fechado for o sistema, mais as interações entre os objetos são estáveis e previsíveis, fazendo com que as operações tendam a ser altamente estruturadas e rotineiras. De outro modo, um sistema aberto interage continuamente com seu meio ambiente para reabastecimento de material, energia e informação. Nesse caso, tanto as entidades internas quanto as externas são de interesse. A operação de um sistema aberto tende a ser menos estruturada e rotineira que a de um sistema fechado. Observação É rara a existência de sistemas totalmente fechados ou abertos. Na área de TI, diz‑se que os sistemas de informação são, na maior parte dos casos, relativamente abertos ou fechados. 2.1.2 Dado, informação e conhecimento Dado é qualquer elemento identificado em sua forma bruta que, por si só, não conduz a uma compreensão de determinado fato ou situação. É a representação de algo que não está estruturado (JAMES; O´BRIEN, 2002). Como bom exemplo de dado, temos uma sequência de números sem qualquer relação uns com os outros: 1,0; 2,0; 3,0; 5,0. Outros exemplos poderiam ser um determinado valor de temperatura (20 ºC) e um valor de velocidade do vento (30 Km/h). Observe que a sequência de números nada revela por si só, poderia ser uma sequência de notas ou tempo em minutos etc. Da mesma forma, a temperatura de 20 ºC nada revela, porque não podemos afirmar que está quente ou frio, abafado ou fresco. Informação é um conjunto de dados organizados com valor adicional, que podem representar algo estruturado. Gordon e Gordon (2006) definem informação como um conjunto de dados processados, que foram analisados, filtrados, organizados, formatados e finalizados. 58 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I A informação pode exercer três papeis fundamentais nas organizações: • Recurso: quando servir como um insumo, ou um recurso a ser utilizado no processo produtivo de bens ou serviços. • Ativo: quando ela se torna uma propriedade de uma pessoa ou organização que agrega valor ao resultado das corporações. • Produto: quando ela é o resultado do processo produtivo. Observação A informação tem muito valor nos dias de hoje para as corporações. No entanto, o seu valor está diretamente associado ao modo como ela suporta a tomada de decisão nas empresas. Conhecimento é a compreensão sobre o valor das informações e a consciência sobre a maneira de utilizá‑las no apoio a tarefas específicas ou para chegar à decisão. Como são sabidos, os dados são fatos brutos que podem ser processados, organizados em conjunto com valor a fim de obter a informação. Por meio das informações, alcança‑se o conhecimento. A figura a seguir ilustra o conceito hierárquico de dados, informação e conhecimento. Conhecimento Informação Dados Figura 15 2.1.3 Sistemas de Informação A principal ideia de um sistema de informação pode ser observada na figura a seguir, que apresenta‑se como um conjunto inter‑relacionado de pessoas, hardwares, softwares, redes de computadores e recursos de armazenamento de dados que coletam, transformam e disseminam informações em uma organização. 59 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Entrada Processamento Realimentação Saída Figura 16 Além de coletar, processar e apresentar resultados, os sistemas de informação também produzem uma realimentação controlada de informações de saída e entrada de forma que o sistema atinja objetivos desejados. Observação A expressão sistema de informação também é utilizada para descrever a área de conhecimento encarregada do estudo de sistemas de informação, TI e suas relações com as organizações. Dentre os importantes papéis dos sistemas de informação, é possível mencionar: • Suporte aos processos de operação do negócio, contribuindo para eficiência, produtividade e atendimento ao cliente. • Suporte à tomada de decisão de seus funcionários e gerentes. • Suporte a estratégias em busca de vantagens competitivas para desenvolver novos produtos e serviços ou novas oportunidades de aumento de market share. Os sistemas de informações podem ser percebidos e estudados a partir de três perspectivas ou dimensões: organizacional, tecnológica e humana. Referindo‑se à dimensão organizacional, é possível afirmar que os sistemas de informação são moldadospelas organizações, e elas impõem procedimentos formais e regras de acordo com a sua cultura própria. Sobre a dimensão humana, afirma‑se que os sistemas de informação são manipulados por pessoas, que precisam ser treinadas e que são fundamentais nas definições da interface homem/máquina. A dimensão tecnológica é aquela que permitiu a automatização dos sistemas de informações porque agregou aos sistemas todos os recursos tecnológicos de hardware, redes, software e bancos de dados. 60 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I 2.2 Tipos de sistemas de informação 2.2.1 Sistemas de informação nas organizações Para as organizações, as principais funções dos sistemas de informação são: favorecer o aumento da excelência operacional, melhorar a qualidade no processo de tomada de decisão, aprimorar as relações com clientes e fornecedores, além de cooperar para a sustentabilidade dos negócios. Tomando por base esses objetivos, é possível dividir os sistemas de informação por abrangência e por nível decisório. Na abrangência, encontra‑se uma classificação funcional (departamentalizada) atendida pelos sistemas, ao passo que, no nível decisório, encontra‑se o nível funcional no processo de tomada de decisão. É comum também dividir os sistemas entre aqueles que apoiam as operações do negócio e os sistemas que apoiam as decisões gerenciais em todos os níveis hierárquicos. Os sistemas que apoiam as operações de negócio, também conhecidos como sistemas empresariais, são dedicados às atividades internas e externas na empresa. A ideia é que, por meio desses sistemas, as informações sejam compartilhadas por todas as funções da corporação. Os principais sistemas que apoiam as operações de negócio são: • SPT (Sistemas de Processamento de Transações): são sistemas responsáveis por captar e processar dados detalhados necessários para a atualização dos registros das operações de negócios. • ERP (Entrerprise Resource Planning): são sistemas que gerenciam as operações vitais do negócio de uma empresa. • Sistemas de Gerenciamento de Relacionamento com o Cliente: são os sistemas que suportam e gerenciam os aspectos da relação entre o negócio e o cliente. Esses sistemas têm relação com a customização em massa de produtos para clientes, personalização de produtos, publicidade e promoções. • Sistema de Gestão da Cadeia de Suprimentos: são sistemas que apoiam as empresas a administrar suas relações com os fornecedores, em vista de levar eficientemente a quantidade certa de produtos da fonte para o ponto de consumo. Os sistemas que apoiam as decisões são aqueles que suportam as decisões gerenciais em vista da solução de problemas. A meta desses sistemas é a eficácia no processo de tomada de decisão, sejam elas estruturadas, semiestruturadas ou não estruturadas. 2.2.2 Classificação dos sistemas de informação quanto à abrangência Partindo do pressuposto da abrangência, os sistemas de informação podem ser divididos em três tipos: sistemas departamentais, sistemas integrados e sistemas inteorganizacionais. Essa classificação pode ser vista na figura a seguir: 61 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Departamentais (funcionais) Integrais (ERPs) Sistemas de informações empresariais Interorganizacionais (IOSs) Quanto à abrangência Destinam‑se a suprir as demandas de um departamento específico Integram as informações de todas as áreas de uma organização Integram informações de várias empresas Figura 17 A fim de atender a determinada área ou departamento, os sistemas departamentais são implementados, de forma isolada, respondendo à demanda de processos específicos. Esses sistemas têm os seus próprios bancos de dados, que não são compartilhados com outros sistemas. Os sistemas integrados são aqueles que servem diversos departamentos de forma integrada, com um mesmo banco de dados. Eles são conhecidos pelo seu acrônimo ERP ou sistemas de planejamento de recursos empresariais. A ideia do ERP é fornecer um acesso totalmente integrado de forma automatizada para os departamentos, por meio de módulos de softwares específicos. Os sistemas interorganizacionais são aqueles utilizados de forma conjunta por mais de uma organização com titularidades e gerências independentes. 2.2.3 Classificação dos sistemas de informação quanto ao nível decisório Quanto ao nível decisório, os sistemas podem ser classificados em: operacional, tático e estratégico. A figura a seguir apresenta essa classificação. Sistemas de processamento de transações (SPTs) Sistemas de informações gerenciais (SIGs) Sistemas de informações empresariais Sistemas de informações estratégicas (SISs) Sistemas de apoio à decisão (SADs) Sistemas de apoio aos executivos (SAEs) Quanto ao nível decisório Registro dos dados produzidos pela operação Informações gerenciais, planejamento e gestão da operação Apoio às decisões complexas, simulações, modelagem de problemas Visão estratégica dos negócios, indicadores críticos de desempenho Figura 18 62 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I A figura a seguir apresenta a disposição desses sistemas considerando a pirâmide do conhecimento. Sistemas de processamento de transaçãos Sistemas de informações gerenciais Sistemas de apoio à decisão Alta gestão Gerência sênior Gerência intermediária Nível operacionalSPTs SIGs SADs SAEs Sistemas de apoio aos executivos Conhecimento Informações Dados Nível estratégico SISs Figura 19 Observação Os sistemas de informação são sustentados pela infraestrutura de TI das organizações. Exemplo de aplicação Pesquise exemplos de sistemas de informações funcionais associados ao nível operacional. 3 PLANEJAMENTO DE RECURSOS EMPRESARIAIS (ERP) 3.1 Integração de Sistemas 3.1.1 Sistema de Processamento de Transações (SPT) Os Sistemas de Processamento de Transações (SPTs), também conhecidos por seu acrônimo em inglês TPS (Transation Processing System), são sistemas de informação responsáveis pelo processamento de uma transação em um processo organizacional. Observação É comum o uso indiscriminado das siglas TPS ou SPT para expressar o mesmo sistema. 63 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Os SPTs são responsáveis por coletar, guardar, modificar e recuperar as transações de uma organização. Essas transações podem ser acordos, comunicações, movimentos ou qualquer ação realizada entre entidades diferentes ou objetos, muitas vezes, envolvendo a troca de itens de valor, como informações, bens, serviços e dinheiro. Os principais componentes de um SPT podem ser vistos na figura a seguir. Armazenamento Entrada de dados Processamento Documentos e relatórios Figura 20 A entrada de dados ocorre a partir da digitação do usuário, e os documentos/relatórios são as saídas. Também é possível ocorrer o armazenamento no banco de dados. A necessidade de TI que as organizações tinham no início do desenvolvimento da informática era provida por esses sistemas que atendiam a processos específicos dos departamentos e das áreas. Como exemplo, é possível citar a área financeira com os sistemas de contas a pagar ou os de contas a receber, considerados como sistemas que processavam transações. Os SPTs podem ser classificados em batch e on‑line. Os SPTs batch processam as suas atualizações em lote e não se apresentam com resultados em tempo real. Os SPTs on‑line processam dados de forma simultânea e imediata, ou seja, em tempo real. É importante também dizer que os SPTs batch não acessam o seu banco de dados em tempo real, diferente dos SPTs on‑line que o fazem, permitindo uma maior rapidez e precisão nos seus resultados. Os SPTs têm um caráter departamental (funcional), ou seja,são implementados em vista de um processo de um departamento ou área com o seu banco de dados específico. Assim, no início da era da informática, o departamento financeiro tinha o seu SPT, e todos os outros departamentos também tinham um específico utilizado em suas operações. Lembrete Os sistemas departamentais são implementados em uma organização de forma isolada, atendendo à demanda de processos específicos, com seus próprios bancos de dados, que não são compartilhados com outros sistemas. 64 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I 3.1.2 A falta de integração e a existência de silos As organizações foram percebendo a importância da TI e dos sistemas de informações. Assim, constatou‑se a utilização de muitas aplicações com suas próprias bases de dados, sem uma integração entre departamentos e setores, de forma que a multiplicidade de sistemas reinasse em uma mesma empresa. Uma tomada de decisão eficiente envolvendo mais de uma área dentro do ambiente organizacional gerava a necessidade dos mais variados dados relacionados a diversos SPTs. Esses dados, em muitas situações, não apresentavam consistência, além de serem imprecisos, resultando em um material inadequado para a tomada de decisão. É nesse contexto de falta de integração entre sistemas que se menciona o conceito de silos organizacionais como entidades isoladas e sem comunicação. Há vários tipos de silos que acabam limitando as tarefas das organizações, comprometendo o atingimento de seus objetivos de negócio. Por natureza, os silos apresentam‑se como verticais, numa perspectiva totalmente diferente ao atendimento a qualquer cliente, o que requer uma visão horizontal. As organizações precisam combater estes silos percebidos na falta de integração tecnológica, a fim de se tornarem‑se mais ágeis, flexíveis, resilientes e eficazes, além de prover de forma efetiva o relacionamento entre clientes, usuários e outros atores envolvidos nos processos. Nos dias de hoje, não é mais concebível aplicações isoladas. A exigência de interface entre as aplicações para atender a uma necessidade de negócios é mandatária, requerendo que uma comunicação, isto é, uma integração, seja capaz de lidar com diversos desafios. Entre os desafios, é possível citar redes de comunicações com baixa confiabilidade e apresentando lentidões, aplicações desenvolvidas em diferentes formatos e linguagens, plataformas que não atendem às necessidades de negócio, dentre outras. Tudo isso torna a integração da empresa por meio de um sistema de informação uma tarefa complexa. 3.1.3 Conceito e histórico do Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) Diante do contexto exposto anteriormente, convém dizer ainda que três grandes problemas surgem em consequência da falta de integração dos sistemas de informação utilizados pelas empresas: redundância de dados, retrabalho e falta de integridade nas informações. A redundância de dados é verificada quando da existência de diversas bases de dados repetidas devido a vários processos de negócios operando com os mais diversos SPTs. Assim, por exemplo, informações que estão nos sistemas da área financeira também se encontram nos sistemas de recursos humanos. O retrabalho é uma consequência direta de processos interligados e sistemas independentes. Dessa forma, a saída de um sistema precisa ser digitada como entrada do outro sistema, gerando o retrabalho e o consumo de uma mão de obra que poderia ser substituída por uma integração eficiente. 65 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA A falta de integridade de informações surge a partir da redundância e do retrabalho mencionados como o problema mais crítico. A sua criticidade reside no desencontro e na inconsistência de informações utilizadas pelos processos de negócios. A fim de resolver todos esses problemas, é possível o desenvolvimento dos sistemas integrados de gestão. Esses sistemas trazem diversos benefícios tangíveis e intangíveis. Dentre os benefícios tangíveis, estão: redução de pessoal, aumento de produtividade, aumento de receitas/lucros e entregas pontuais. Dentre os benefícios intangíveis, é possível citar: aprimoramento dos processos, padronização dos processos, flexibilidade e agilidade. Os sistemas integrados de gestão também são conhecidos como sistemas de planejamento de recursos empresariais ou pelo seu acrônimo em inglês ERP, que significa Enterprise Resource Planning. Os sistemas ERPs são um conjunto integrado de programas que gerenciam as operações vitais dos negócios de uma empresa para uma organização global com múltiplas localizações. O ERP é uma solução capaz de gerar uma integração de toda a corporação, com banco de dados único, abrangendo todos os setores e os processos vitais do negócio. Eles se fundamentam a partir de um conjunto de módulos de software integrados e dedicados a cada uma das áreas do ambiente organizacional. A figura a seguir apresenta essa ideia de integração: Vendas e marketing Recursos humanos Finanças e contabilidade Manufatura e produção Banco de dados centralizado • Dinheiro em caixaq • Contas a receber • Crédito ao cliente • Receita • Horas trabalhadas • Custos do trabalho • Requisitos de cada cargo • Pedidos • Previsões de venda • Pedidos de devolução • Alterações de preço • Matérias‑primas • Programações de produção • Datas de expedição • Capacidade de produção • Compras Figura 21 66 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I A integração promovida pelos sistemas ERP pode ser vista sob a perspectiva funcional (sistemas de finanças, contabilidade, recursos humanos, fabricação, marketing, vendas, compras etc.) e sob a perspectiva sistêmica (sistema de processamento de transações, sistemas de informações gerenciais, sistemas de apoio à decisão – SAD etc.). Os sistemas ERP começaram a ser utilizados mundialmente no início da década de 1990. No Brasil, as primeiras implementações ocorreram por volta de 1997 e 1998. Em razão do alto valor, eram viáveis apenas para grandes corporações e multinacionais. Podemos caracterizar os sistemas ERP como uma evolução do MRP – Material Requirement Planning, cuja principal função é calcular as necessidades de materiais em manufatura, e dos MRP II – Material Resource Planning, que envolvem o planejamento de recursos de manufatura, abrangendo todos os processos de produção (CAIÇARA JUNIOR, 2015, p. 98). O conceito integrativo que cerca o ERP foi desenvolvido pela empresa alemã SAP quando lançou o seu primeiro produto chamado de R/2 na década de 1990, que foi atualizado para o R/3, dotado de arquitetura mais moderna. 3.2 Operação de um Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) 3.2.1 Arquitetura de um Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) A fim de atender à integração de dados em tempo real, o ERP trabalha com um único banco de dados compartilhado por todos os módulos conforme perfis de acesso configurados pelo administrador do sistema. Dessa forma, o ERP opera com uma arquitetura cliente‑servidor dividida em três camadas: camada de apresentação, camada de aplicação e base de dados. A camada de apresentação provê a interação com o usuário por meio de um software de interface simpática, que permite a inserção de dados, consulta e exclusão de dados do sistema. A camada de aplicação permite a integração de módulos e o seu adequado processamento. A base de dados é responsável pelo gerenciamento de dados armazenados no banco. 3.2.2 Módulos de um Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) O ERP é formado por módulos de software para atender às mais diversas demandas de processamento e de integração de dados e informação em uma organização. A figura a seguir esboça essa ideia. 67 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃOAPLICADA À ÁREA FINANCEIRA Módulo de vendas Módulo financeiro Módulo de recursos humanos Módulo de compras Módulo de produção Módulo de controle de estoque ERP Figura 22 Entretanto, a composição de um ERP varia de empresa para empresa, mesmo que elas sejam do ramo de negócio, porque normalmente demandam funcionalidades e apresentam processos operacionais, administrativos e produtivos diferentes entre si. Os módulos do ERP são agrupamentos de funcionalidades e podem se dividir em dois tipos distintos: • Módulos horizontais: são os módulos básicos comuns a todos os ramos de negócios. Bons exemplos seriam os módulos financeiro, de compras, de produção, dentre outros. • Módulos verticais: são os módulos específicos de cada ramo de negócio. Bons exemplos seriam os módulos de empresas de call center, de empresas de agronegócio, universidades, dentre outros. Na implementação de um ERP, é possível que uma corporação comece com a implantação de módulos básicos de vendas, contabilidade e finanças. Quando o sistema e a organização ganham maturidade em seu uso, outros módulos podem ser implantados sem prejuízo para os módulos em produção e sem grandes atropelos para a corporação. 3.2.3 Vantagens e desvantagens de um Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) O ERP é formado por módulos de software para atender às mais diversas demandas. As principais vantagens encontradas na implementação de sistemas ERP são: • Acesso aprimorado de dados que fornecem subsídio para a tomada de decisão operacional, devido ao uso de um banco de dados integrado que produz consistência nas informações que auxiliam as operações de negócio. 68 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I • Supressão de SPTs legados inflexíveis e que geram aumentos avassaladores de custos. • Aperfeiçoamento dos processos operacionais de negócio, devido ao desenho dos módulos ser aderente às melhores práticas de mercado. • Modernização da infraestrutura tecnológica da informação para que os sistemas ERP sejam implantados. Observação O termo SPT legado expressa os sistemas de informação antigos, desenvolvidos em códigos desalinhados aos padrões modernos. Os sistemas ERP também vêm acompanhados de algumas desvantagens, dentre elas: • Custos de implantação muito altos que, em muitos casos, não são bem traduzidos em matéria de investimento pelos gestores de TI. • Muito tempo para ser implementado por completo até a maturidade desejada pelas corporações. • Dificuldade em implantar mudanças devido a questões de cultura organizacional e problemas de dimensão humana. • Dificuldade de interação com outros SPT legados. • Risco de falha na implantação. Observação As ferramentas de TI juntam informações certas e suficientes no momento correto e podem ser utilizadas em conjunto com um ERP. A implementação de um sistema ERP é necessariamente um projeto e, para ser implementado, precisa seguir boas práticas de gerenciamento de projetos, como o Project Management Body of Knowledge, conhecido pelo acrônimo PMBOK de propriedade do Project Management Institute, conhecido pelo acrônimo PMI (PMI, 2008). Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre o PMBOK e as boas práticas de gerenciamento de projeto, acesse: <www.pmi.org>. 69 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA 4 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GERENCIAL (SIG) 4.1 Tomada de decisão 4.1.1 Decisões: conceitos e tipos Decidir é uma ação à qual pessoas e entidades estão permanentemente submetidas. As decisões podem variar das mais simples, como “que camisa usarei hoje”, às mais complexas, como a de uma grande organização que deve optar se compra ou não os ativos de uma outra empresa, com todas as vantagens e dificuldades que isso pode representar. A este respeito, dois pontos devem ser comentados desde já. O primeiro diz respeito à tendência que muitos executivos têm de confiar cegamente na sua capacidade de decidir com base na experiência ou na intuição, sem levar em conta informações e metodologias que lhes permitam ter muito mais clareza e eficácia naquilo sobre o que decidem. É evidente que, em muitos desses casos, o resultado pode ser adverso, para desagradável surpresa dessas sumidades. O segundo ponto a deixar claro é que nem sempre a melhor decisão conduz ao melhor resultado. Isto decorre de que, muitas vezes, há informações e realidades que não estão disponíveis ao decisor no momento em que faz a sua opção. Ou seja, em geral influi no resultado de uma decisão o famoso “fator sorte”, que pode agir positiva ou negativamente, e que em última análise, embute os efeitos de diversos fatos desconhecidos, devido às causas ditas aleatórias, impedindo uma tomada de decisão perfeita e isenta de erros. Não se deve, portanto, avaliar a qualidade de uma decisão e do método em que foi baseada apenas em consequência dos seus resultados. Uma coisa, entretanto, se pode afirmar: é muito mais provável que se colham melhores resultados com decisões tomadas com o amparo de técnicas adequadas, em condições favoráveis, do que através daquelas feitas sem esses devidos cuidados (COSTA NETO, 2007, p. 1). Cada nível hierárquico dentro de uma corporação demanda um tipo de decisão diferente, tendo como base os diversos tipos de informação resultante dos sistemas de informação. A figura a seguir mostra os níveis hierárquicos de uma corporação. 70 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Nível estratégico Nível tático ou gerencial Nível operacional Figura 23 Para cada nível hierárquico, há um tipo de decisão diferente. Para o nível estratégico (mais alto de gerência), temos as decisões não estruturadas. Para o nível tático, temos as decisões semiestruturadas. Para o nível operacional (mais baixo de gerência), temos as decisões estruturadas. As decisões não estruturadas são normalmente inusitadas, importantes e não rotineiras. A classificação não estruturada quer dizer que os problemas enfrentados ao tomar esse tipo de decisão são aqueles em que pouco se conhece sobre suas causas e relações. Por isso ela é mais comum aos níveis mais altos de gerência, que são normalmente estratégicos. Observação O nível estratégico sempre nos remete ao futuro e a questões de longo prazo. As decisões estruturadas são normalmente repetitivas e rotineiras. Elas sempre envolvem procedimentos predefinidos e bem comuns aos níveis mais baixos de gerência. Essas decisões relacionam‑se à resolução de problemas estruturados, ou seja, aqueles em que se conhecem as suas causas e efeitos. As decisões semiestruturadas têm as características das estruturadas e das não estruturadas, sendo associadas aos níveis táticos. 71 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA As decisões precisam também ser baseadas em fatos e dados, em vez de palpites ou opiniões subjetivas sem qualquer embasamento técnico. No processo de tomada de decisão, é importante transformar os dados em informações, bem como transformar as informações em conhecimento. É justamente daí que nasce a necessidade dos sistemas que suportam as decisões para, assim, tomar as melhores, resolver problemas e ajudar as corporações a atingir os seus objetivos. O desempenho desses sistemas depende da qualidade das decisões e da complexidade dos problemas. Os SADs são ferramentas fundamentais para a evolução do processo de tomada de decisão dentro dessa nova realidade empresarial, pois as atividades empresariais e necessidades dos clientes estão em constante mutação, o que torna as decisões um fator de suma importância. Os sistemas de suporte e decisão podem se dividir em dois tipos: • Sistema de Informação Gerencial (SIG): é um conjunto integrado de pessoas, procedimentos, bancos de dadose dispositivos que fornece aos gerentes e aos tomadores de decisão informações que ajudam a alcançar os objetivos organizacionais. É projetado para problemas estruturados. • Sistema de Apoio à Decisão (SAD): é semelhante ao SIG, mas é projetado para decisões não estruturadas. 4.1.2 Processo de tomada de decisão A tomada de decisão não é algo fácil: é um processo efetuado de modo racional, em que devem ser utilizadas técnicas por meio das quais atingem‑se os objetivos organizacionais. Alguns fatores devem ser considerados para que as decisões sejam tomadas com alto grau de qualidade. Por isso, Costa Neto (2007) estabelece que as decisões precisam ser tomadas de forma racional, como fruto de um cuidadoso processo de reflexão, baseadas na experiência, visando ao futuro, e também baseadas em indicadores, sem deixar de ser criativas e inovadoras. A presteza na tomada de decisão é fundamental no dia a dia de um empreendedor devido a toda incerteza associada aos cenários com que ele se depara. Por isso, o processo de tomada de decisão e a resolução de problemas deve acontecer em cinco fases: • 1ª Fase (inteligência): consiste em descobrir, identificar e entender os problemas (organizacionais, tecnológicos e humanos) que estão ocorrendo na organização. • 2ª Fase (projeto): envolve a identificação e investigação das várias soluções possíveis para o problema. • 3ª Fase (escolha): consiste em escolher uma das alternativas para solução. 72 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I • 4ª Fase (implementação): envolve fazer a alternativa escolhida funcionar. • 5ª Fase (monitoração): envolve o monitoramento da solução escolha. A figura a seguir apresenta a ideia desse processo. Inteligência Escolha Projeto Implantação Monitoração Tomada de decisão Solução do problema Figura 24 4.2 Funcionamento de um Sistema de Informação Gerencial (SIG) 4.2.1 Sistema de Informação Gerencial (SIG) O propósito principal do Sistema de Informação Gerencial é auxiliar uma organização a alcançar seus objetivos, fornecendo aos gestores uma percepção detalhada das operações regulares da organização para que possam controlar, organizar e planejar de forma eficaz (REYNOLDS; STAIR, 2011, p. 443). O sistema de informação gerencial é conhecido pelo seu acrônimo SIG e representa um grande apoio de gestão empresarial, amparando o processo de tomada de decisão tática. É comum alguns autores se referirem aos SIGs pelo seu acrônimo em inglês MIS (Management Information System), de forma a ser possível utilizar indiscriminadamente SIG ou MIS para expressar o mesmo tipo de sistema. A figura a seguir mostra a ideia geral do papel dos SIGs, além do fluxo de informações de uma organização. 73 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Relatórios detalhados Relatórios de exceções Relatórios solicitados Relatórios sobre os indicadores‑chave Relatórios agendados Inserções e listas de erros Sistemas de informações especializadas Sistemas de apoio às informações executivas Sistema de informação Sistemas ERP e TPSs Cadeia de fornecimento e transações empresariais Sistemas de apoio à decisão Funcionários Fornecedores e outros interessados Intranet corporativa Extranet corporativa Banco de dados internos corporativos Banco de dados com transações válidas Banco de dados de aplicativos Banco de dados operacional Banco de dados externos Figura 25 As informações utilizadas e geradas pelo SIG para a tomada de decisão da organização são estruturadas com base nas informações recebidas da operação e alinhadas à estratégia empresarial. Os dados e as transações do nível operacional são processados e se transformam em informações gerenciais e/ou táticas, que serão utilizadas principalmente pela alta direção. Esses sistemas utilizam dados sintetizados ou de forma agrupada das funções empresariais da organização e dos setores ou departamentos da organização, estando em sinergia com as demais unidades de negócio caso a organização tenha filiais ou departamentos separados que trabalhem de forma individualizada. É comum afirmar que os SIGs auxiliam a média gerencial por justamente estar no nível tático, que está entre o estratégico e o operacional, trazendo assim o suporte para tomada de decisão estruturada. Dessa forma, os gerentes são auxiliados nos processos relacionados a problemas estruturados, ou seja, aqueles em que se reconhecem as suas interconexões. Esse suporte ocorre a partir de relatórios gerados que mostram o desempenho da empresa nas mais diversas áreas ou setores, a fim de controlar e monitorar melhor a performance da operação do negócio como um todo, atuando de maneira proativa. 74 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Os SIGs se interligam aos sistemas que trabalham no nível de operação (um sistema de processamento de transações, por exemplo) ou diretamente ligado ao ERP. As saídas dos sistemas que se situam na camada de operação são entradas utilizadas pelos SIGs, que podem possuir um banco de dados próprio. Para a entrada, os SIGs também utilizam fontes externas de informações, incluindo clientes, fornecedores, concorrentes e acionistas, além de outros dados que não são entregues pelos SPTs e pelo ERP. Como saídas, os SIGs são um conjunto de relatórios para os gestores. Observação Se o gerente precisa de uma informação, por que não a colher diretamente no sistema de processo de transações ou no ERP? O problema é que os relatórios fornecidos por esses sistemas apresentam muitas informações necessárias e não necessárias, retardando a tomada de decisão. A figura a seguir apresenta um exemplo da ideia de funcionamento do SIG. SIG SIGSIG Relatórios Sistema de processamento de pedidos Sistema de planejamento de recursos materiais Sistema de livro‑razão Gerentes Painéis e displays on‑line Sistemas de processamento de transações Sistemas de informações gerenciais Arquivos do SIGArquivos de pedidos Dados de vendas Dados de custo unitário de produto Dados de despesas Dados de modificação de produtos Arquivos de contabilidade Arquivos‑mestre de produção Figura 26 No exemplo descrito na figura, é possível verificar que há três sistemas de processamento de transações. O primeiro deles opera com processamento de pedidos, tendo um banco de dados próprio. O segundo opera com planejamento de recursos de materiais e com um banco de dados contendo arquivos‑mestre de produção. O terceiro opera o processamento do livro‑razão com arquivos da contabilidade. 75 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Esses três sistemas entregam saídas de dados para a montagem dos arquivos trabalhados pelo SIG em seu banco de dados próprio. Assim, o SIG consegue executar a geração de relatórios direcionados para a tomada de decisão tática ou até em displays ou dashboards. Os relatórios podem apresentar comparações de produtos, resultados de vendas, relação entre matéria‑prima adquirida e produtos fabricados, dentre diversas outras informações importantes para os gerentes de camada mediana, ou seja, que operam no nível tático. Tudo isso é gerado por meio de rotinas relativamente simples, sem o uso de modelos matemáticos avançados. Por isso, os SIGs têm um desempenho analítico relativamente reduzido quando comparado a sistemas que suportam decisões não estruturadas, como os SADs. Dentre os principais benefícios dos SIG, é possível citar: • Relatórios que proporcionam à organização estudar melhor as suas forças e fraquezas a partir da análise dos seus recursos, identificando aspectos que podem ajudar a empresa a melhorar seus processos de negócios e operações. • Disponibilidade dos dados do clientee feedback, auxiliando a empresa a alinhar seus processos de negócio de acordo com as necessidades dos clientes. • Eficácia e eficiência na gestão de dados contribuindo com o trabalho de diversas áreas da estrutura organizacional. • Velocidade na tomada de decisão tática, contribuindo para a boa definição das ações operacionais e suportando as estratégias de negócios. Os relatórios produzidos pelos SIGs podem ser classificados em: • Programados: produzidos numa periodicidade diária, semanal ou mensal. • Indicadores‑chaves: resumem as tarefas fundamentais do dia anterior e fica disponível no início de cada dia de trabalho. • Sob demanda: criados para o fornecimento de informações requisitadas. • De exceção: automaticamente gerados ao ocorrer uma situação incomum ou se requerer uma ação de gestão. • Detalhado: gerados para detalhar situações particulares. 76 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I 4.2.2 Características e aspectos funcionais de um Sistema de Informação Gerencial (SIG) Dentre as principais características de um SIG, é possível citar emissão de relatórios em formatos fixos, padronizados, tanto em formas digitais como em papel. Outra função interessante dos SIGs é o uso de dados internos (alojados nos sistemas computacionais) e externos (oriundos de fora do negócio). Devido à própria característica dos ambientes organizacionais, os SIGs podem ser divididos segundo aspectos funcionais, por exemplo, na área financeira, de produção, comercial, de recursos humanos, dentre outros. Os relatórios desses SIGs são adaptados às funções individuais da organização. A figura a seguir apresenta os sistemas de informações gerenciais concebidos a partir dos aspectos funcionais. Relatórios detalhados Relatórios de exceções Relatórios sob demanda Relatórios de indicadores‑chave Relatórios programados Relatórios detalhados Relatórios de exceções Relatórios sob demanda Relatórios de indicadores‑chave Relatórios programados Relatórios detalhados Relatórios de exceções Relatórios sob demanda Relatórios de indicadores‑chave Relatórios programados Relatórios detalhados Relatórios de exceções Relatórios sob demanda Relatórios de indicadores‑chave Relatórios programados Relatórios detalhados Relatórios de exceções Relatórios sob demanda Relatórios de indicadores‑chave Relatórios programados Outros MISs MIS de recursos humanos MIS do comercial MIS financeiro MIS financeiro Cadeia de suprimentos e transações empresariais Cadeia de suprimentos e transações empresariais Cadeia de suprimentos e transações empresariais Sistemas ERP e TPSs Extranet Intranet Banco de dados externos Banco de dados com transações válidas O MIS de uma organização Figura 27 Não por acaso, mas alinhado à maturidade percebida na gestão das finanças das organizações, o SIG financeiro é um dos mais importantes, devido ao fato de fornecer informações financeiras para as 77 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA partes interessadas de forma geral na empresa. Os relatórios gerados por esse SIG podem auxiliar em pedidos de compras, pedidos de vendas, decisões simples relativas a investimentos e ofertas de ações, dentre outros. Segundo Reynolds e Stair (2011), o SIG financeiro executa tarefas como: • Integração de informações financeiras e operacionais das mais variadas origens. • Fornecimento de acesso facilitado a informações financeiras para os mais diversos usuários especializados ou não na área financeira, reduzindo o tempo de análise de dados. • Monitoramento e controle de informações relativas a fundos numa linha do tempo. • Disponibilidade imediata de dados financeiros, permitindo análises multidimensionais. A figura a seguir apresenta a ideia de um SIG financeiro. Demonstrativos financeiros Utilização e gestão de fundos Estatíticas financeiras para controle Sistemas especiliazados de informação financeira GSS financeirosMIS financeiroSistemas ERP e TPSs Cadeia de suprimentos e transações empresariais Cadeia de suprimentos e transações empresariais Cadeia de suprimentos e transações empresariais DSS financeiros Internet ou extranet Banco de dados internos corporativos adicional Banco de dados com transações válidas de cada TPS Banco de dados de aplicação financeira Banco de dados operacional Banco de dados externos Clientes fornecedores Sistemas de custo e lucro/perda Auditoria Utililização e gestão de fundo Contas a receber Contas a pagar Ativo Gestãode faturamento Livre‑razão Figura 28 Os principais relatórios fornecidos pelo SIG financeiro são: demonstrativos financeiros, utilização e gestão de fundos e estatísticas financeiras para controle. Os principais subsistemas desse SIG são: custo e lucro/preço, auditoria, utilização e gestão de fundos. 78 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Outro tipo de SIG é o que se dedica à fabricação de produtos, conhecido como SIG de fabricação. Ele é destinado ao monitoramento e controle de fluxo de materiais, produtos e serviços por toda a organização. A figura a seguir a apresenta a ideia de um SIG de fabricação. Sistemas de informações especializados para a fabricação ESS de fabricaçãoMIS de fabricaçãoSistemas ERP e TPSs Cadeia de fornecimento e transações empresariais Cadeia de fornecimento e transações empresariais DSS de fabricação Internet ou extranet Banco de dados internos Transações de negócios e TPS de transações válidas de cada TPS Banco de dados de aplicativos da fabricação Banco de dados operacional Banco de dados externos Clientes fornecedores Projeto e engenharia Programação de produção Controle de estoque MRP (Sistema de planejamento de pedidos de material) e MRPII Just‑in‑time Controle de processo Controle de qualidade Recepção e inspeção de estoque Pessoal Produção Processamento de pedido Relatórios do controle de qualidade Controle do processo Relatórios JIT Relatórios MRT Programação da produção Produção do CAD Figura 29 Os principais subsistemas do SIG de fabricação são: projeto e engenharia, cronograma‑mestre da produção, controle de estoque, requisição de material, controle de processo e controle de qualidade e testes. Os principais relatórios fornecidos por esse SIG são: relatórios de controle de qualidade, controle de processo, just in time, MRP (Material Requirement Planning), programação de produção e produção de CAD (Computer‑aided Design). Com grande importância nos dias de hoje, o SIG de marketing, também conhecido como SIG comercial, é aquele que apoia tarefas relativas à administração no desenvolvimento do produto, decisões de preços, além de medir a eficácia da publicidade realizada pela organização. 79 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA A figura a seguir mostra um SIG comercial ou de marketing. Sistemas especiliazados de informação comerciais GSS comercialMIS comercialSistemas ERP e TPSs Cadeia de suprimentos e transações empresariais DSS comercial Banco de dados internos Base de dados de transações válidas de cada TPS Banco de dados com aplicativos comerciais Banco de dados operacional Banco de dados externos Pesquisa comercial Desenvolvimento do produto Promoção e publicidade do produto Preços de produtos Sistemas de processamento de pedidos Vendas por cliente Vendas por vendedor Vendas por produto Relatório de preços Total de camadas do serviço Satisfação do cliente Figura 30 Os subsistemas do SIG comercial são: pesquisa comercial, desenvolvimento do produto, promoção e publicidade do produto e preços de produtos. Os relatórios gerados por esse SIG são: vendas por cliente, vendas por vendedor, vendaspor produto, preços, satisfação do cliente e total de camadas de serviço. Complementando os SIG por aspectos funcionais, tem‑se o SIG de recursos humanos, também conhecido como SIG de pessoal, que está relacionado a tarefas da área de recuros humanos e de departamento pessoal. A figura a seguir apresenta a visão geral de um SIG de recursos humanos. 80 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Sistemas especiliazados de informações para de recursos humanos GSS de recursos humanos MIS de recursos humanos Sistemas ERP e TPSs Cadeia de suprimentos e transações empresariais DSS de recursos humanos Banco de dados internos Base de dados de transações válidas de cada TPS Banco de dados para os recursos humanos Banco de dados operacional Banco de dados externos Necessidades e avaliações de planejamento Recrutamento Desenvolvimento de treinamentos e habilidades Programação e designação Benefícios do funcionário Recolocação Folha de pagamento Sistemas de processamento de pedidos Pessoal Relatórios de benefícios Pesquisas salariais Relatórios de programas Treinamento marcação de teste Perfis de solicitação de trabalho Relatórios de necessidades e planejamento Figura 31 4.2.3 Sistemas de Apoio à Decisão (SAD) Embora seja um pouco parecido com os SIGs, os SADs suportam decisões estratégicas de negócio, contribuindo para a solução de problemas não estruturados e não rotineiros, ou seja, aqueles em que não se conhece bem os relacionamentos e as consequências. As entradas utilizadas nesses sistemas são provenientes de SIGs e de SPTs, além de dados e informações oriundas do ambiente externo da organização, combinando assim fatores endógenos e exógenos ao negócio. Os SADs atuam na resolução de problemas únicos e que sofrem alterações rápidas. Esses problemas não têm uma solução preconcebida, sendo justamente este o motivo de sua utilização. A figura a seguir apresenta o exemplo de um SAD de estimativa de transportes de uma subsidiária de uma grande empresa global. 81 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA Arquivo sobre o navio (por exemplo, capacidade de carga e velocidade) Arquivo de restrições de atracamento Arquivo de custos de consumo de combustível Arquivo de histórico de custo de fretamento do navio Arquivo de aduana Banco de dados de modelos analíticos Consultas on‑line PC Figura 32 A empresa que utiliza o SAD descrito na figura anterior opera com transporte de cargas a granel de carvão, petróleo, minérios e produtos acabados para a empresa‑mãe. Esse exemplo está descrito em Laudon e Laudon (2013), que mostra o SAD responsável pelos detalhes financeiros e técnicos do transporte, incluindo uma relação de custo por navio/período de fretamento e taxas de frete para cada tipo de carga. A operação desse SAD utiliza um computador potente interligado ao banco de dados de modelos analíticos que colhem informações sobre navios, restrições de atracamento, custos de consumo de combustível, histórico de custo de fretamento do navio e de aduana. De forma geral, para cumprir o seu papel, os SADs precisam de regras de negócio e funções bem definidas no processo de tomada de decisão, além de necessitarem de contextos adequados para as decisões específicas. O SAD opera com uma base de conhecimento, ou base de modelos, que contém informações, subprogramas administrativos e sistemas geradores de relatórios. Resumo Foi apresentada a visão geral da TI e como ela deve ser utilizada de forma estratégica pelas organizações dos mais diferentes segmentos, além de apresentar os tipos de sistemas de informação. O foco maior se deu nos sistemas ERP e de tomada de decisão. Foi abordado o conceito de infraestrutura de TI e como ela sustenta as estratégias de negócios. Enfatizou‑se a composição dessa infraestrutura em hardware, software, banco de dados e redes de computadores. 82 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I Definiu‑se infraestrutura de TI como o alicerce planejado de TI em toda a sua capacidade (tanto no que diz respeito a questões técnicas como as de recursos humanos) disponibilizada por meio de serviços compartilhados e confiáveis para todo o negócio e utilizado por aplicações múltiplas. Mencionou‑se o uso estratégico da TI, abordando o seu papel na empresa moderna, o alinhamento estratégico e sua gestão, concluindo com uma secção sobre tendências e realidades em TI. Em seguida, foi apresentada a teoria de sistemas de informações, remetendo a um conjunto inter‑relacionado de pessoas, hardwares, softwares, redes de computadores e recursos de armazenamento de dados que coletam, transformam e disseminam informações em uma organização. Foi mencionada uma classificação dos sistemas de informação quanto à abrangência (sistemas departamentais, sistemas integrados, sistemas inteorganizacionais) e quanto ao nível decisório (operacional, tático e estratégico). Depois, foram abordados os sistemas ERPs. Os conceitos de integração de sistemas e todos os outros motivadores para o surgimento dos sistemas ERP e como eles rapidamente substituíram os sistemas de processamento de transações, devido as suas grandes vantagens, foram apresentados. Por último, o processo de tomada de decisão e os SIGs encerraram o estudo. Exercícios Questão 1. (Cesgranrio 2018) Em uma empresa, está sendo desenvolvido um projeto cujos objetivos são realizar o rastreamento dos produtos ali comercializados e aumentar a produtividade em todos os setores que necessitam de conferência nas movimentações dos produtos. Uma das soluções em análise refere‑se à técnica em que ondas de rádio emitidas por leitores, através de antenas, atingem etiquetas inteligentes, as Tags, que, por sua vez, respondem informando um número único. . A solução técnica analisada é denominada: A) QR Code B) PEPS 83 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À ÁREA FINANCEIRA C) RFID D) VMI E) WMS Resposta correta: alternativa C. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: o QR Code é um código de barras bidimensional, que pode ser facilmente escaneado pela maioria dos celulares modernos equipados com câmera. Esse código é convertido em um texto (interativo), um endereço URI, um número de telefone, uma localização georreferenciada, um e‑mail, um contato ou um SMS. B) Alternativa incorreta. Justificativa: o critério PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair), também conhecido em sua nomenclatura em inglês FIFO (first‑in, first‑out), dá destaque à ordem cronológica das entradas dos produtos no estoque. Dessa forma, à medida que as vendas ocorrem, as baixas que vão sendo minutadas na gestão de estoque são feitas de modo a dar vazão às primeiras unidades adquiridas, ou seja, os produtos que chegaram primeiro são igualmente os primeiros a serem despachados para alguma eventual produção de uma mercadoria beneficiada ou para a efetivação das vendas. C) Alternativa correta. Justificativa: a tecnologia de RFID (radio frequency identification – identificação por radiofrequência) nada mais é do que um termo genérico para as tecnologias que utilizam a frequência de rádio para captura de dados. Por isso existem diversos métodos de identificação, mas o mais comum é armazenar um número de série que identifique uma pessoa ou um objeto, ou outra informação, em um microchip. Tal tecnologia permite a captura automática de dados para a identificação de objetos com dispositivos eletrônicos, conhecidos como etiquetas eletrônicas, tags, RF tags ou transponders, que emitem sinais de radiofrequência para leitores que captam essas informações. Ela existe desde a década de 1940 e veio para complementar a tecnologia de código de barras,bastante difundida no mundo. D) Alternativa incorreta. Jusitificativa: o Vendor Managed Inventory (VMI), ou estoque gerenciado pelo fornecedor, é um sistema para otimizar o desempenho da cadeia de suprimento, em que o fornecedor se responsabiliza pela gestão dos níveis de estoque nos clientes. 84 Re vi sã o: A lin e - Di ag ra m aç ão : J ef fe rs on - 1 9/ 04 /1 8 Unidade I E) Alternativa incorreta. Justificativa: os sistemas Warehouse Management System (WMS), ou Sistema de Gerenciamento de Armazém, utilizam tecnologias de Auto ID Data Capture, como código de barras, dispositivos móveis e redes locais sem fio para monitorar eficientemente o fluxo de produtos. Questão 2. (FCC 2010) Sobre data mining, é correto afirmar: A) É o processo de descoberta de novas correlações, padrões e tendências entre as informações de uma empresa, por meio da análise de grandes quantidades de dados armazenados em bancos de dados usando técnicas de reconhecimento de padrões, estatísticas e matemáticas. B) Não requer interação com analistas humanos, pois os algoritmos utilizados conseguem determinar de forma completa e eficiente o valor dos padrões encontrados. C) Na mineração de dados, encontrar padrões requer que os dados brutos sejam sistematicamente “simplificados”, de forma a desconsiderar aquilo que é genérico e privilegiar aquilo que é específico. D) É um grande banco de dados voltado para dar suporte necessário nas decisões de usuários finais, geralmente gerentes e analistas de negócios. E) O processo de descobrimento realizado pelo data mining só pode ser utilizado a partir de um data warehouse, onde os dados já estão sem erros, sem duplicidade, são consistentes e habilitam descobertas abrangentes e precisas. Resposta desta questão na plataforma.