Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1
1. TRANSMISSÕES POR CORRENTES 
 
1.1 - Introdução 
 
As correntes fazem parte das transmissões flexíveis, conjuntamente com as 
correias. Apresentam menor capacidade de absorção de choques em virtude 
de sua constituição. 
Aplicada em locais em que a transmissão através de engrenagens ou 
correias não seja possível. 
Quando houver a necessidade de acionamento de vários eixos por um único 
eixo motor. Neste caso torna-se de fundamental importância que todas as 
rodas dentadas pertençam a um mesmo plano. 
 
 
Exemplo de acionamento de vários eixos 
 
1.2 – Tipos de correntes 
 
Entre os diversos tipos de correntes existentes, as mais usadas são: 
 
1.2.1 - Corrente de rolos 
 
 
1) roda dentada, 2) pino; 3) bucha; 4) rolo; 5) tala. 
 
 2
 
 
Onde: 
dR – diâmetro do rolo 
S – Espessura 
t – passo da corrente 
bz – largura do dente 
bi – largura interna da corente 
b – largura externa da corrente 
dB – diâmetro do pino 
dH – diâmetro da bucha 
 
 
1.2.2 - Corrente de buchas 
 
São correntes constituídas por buchas e pinos, suportam mais carga, porém 
se desgastam com maior facilidade. 
 
 
 
Onde: 
t – passo da corrente 
ba – largura da corrente 
 
1.2.3 – Corrente de dentes 
 
Nesse tipo de corrente, as talas se dispõem sobre os rolos, podendo construir 
correntes mais largas. 
 
 
 
 
 3
1.2.4 – Correntes com elos fundidos 
 
De aplicação rudimentar, são utilizadas em baixas velocidades ( v < 2m/s), 
aparecendo com freqüência em máquinas agrícolas, consistindo em elos 
fundidos em forma de correntes com pinos de aço. 
 
 
 
 
 
 
1.3 – Rodas dentadas para Correntes 
 
 
Onde: 
Diâmetro primitivo: 
αsen
t
do = 
Mas 
z
180
=α , com z=número de dentes 
 4
Então: 
z
sen
t
do
180
= 
 
Diâmetro de base: dg = docosα 
 
Espessura axial do dente medida do primitivo l = 0.95b – 0,25 dr 
 
Onde : 
b – largura interna da corrente (mm) 
dr – diâmetro do rolo (mm) 
l – espessura axial (mm) 
 
Diâmetro interno: df = do – 1,01dr 
 
Diâmetro externo: dk = do + 0,7 dr (Z<12) 
 dk = do + 0,83 dr (12<Z<25) 
 dk = do + 0,87 dr (25<Z<38) 
 dk = do + 0,90 dr (Z>38) 
 
γ = ângulo dos flancos 
 
1.4 – Rendimento 
 
O rendimento das transmissões por correntes varia de 0,98 a 0,99 
 
1.5 – Dimensionamento 
 
1.5.1 – Critério de desgaste 
 
O desgaste é o principal critério que deve ser levado em conta nas 
transmissões por corrente. 
 
Durabilidade: Considera-se a transmissão desgastada quando ocorrer 
alongamento provocado pelo estiramento das talas e o desgaste das 
articulações. No momento em que o alongamento atingir 3% do comprimento 
original. 
 
1.5.2 – Número mínimo de dentes 
 
A utilização de um número mínimo reduzido de dentes na engrenagem menor 
e diminui a vida da corrente e aumenta sensivelmente o ruído. 
Para que não ocorre esse inconveniente, utiliza-se a tabela a seguir que 
determina o número de dentes da engrenagem menor através da relação de 
transmissão. 
 
 
 
 
 
 5
Tabela: Número de dentes do pinhão 
Tipo de Corrente Relação de transmissão 
1 2 3 4 5 6 
Corrente de rolos 31 27 25 23 21 17 
Corrente Silenciosa 40 35 31 27 23 19 
 
Observação: 
 
Se for necessário utilizar em algum projeto engrenagem com número de 
dentes inferior aos valores indicados na tabela, devemos utilizar os limites a 
seguir: 
 
- Número mínimo de dentes 
Corrente de rolos – Zmin ≥ 9 
Corrente silenciosa - Zmin ≥ 13 
 
- Número máximo de dentes 
Corrente de rolos – Zmax ≤ 120 
Corrente silenciosa - Zmax ≤ 140 
 
1.5.3 - Passo da Corrente 
 
Quanto menor for o passo, melhor para a transmissão ( choques, força 
centrífuga e atrito) que tem diminuída a sua intensidade. O número de dentes 
da engrenagem e o passo da corrente limitam a rotação da engrenagem 
menor. 
 
1.5.4 - Correntes dentadas 
 
A rotação máxima do pinhão para o passo correspondente será: 
 
Tabela: Rotação máxima do pinhão 
passo ½” 5/8” ¾” 1” 1 ¼” 
rpm máx 3300 2650 2200 1650 1300 
 
A velocidade periférica não poderá exceder os limites a seguir: 
Corrente de rolos – vp = 12m/s 
Corrente dentada - vp = 16m/s 
 
1.5.5 - Carga máxima na corrente 
 
Corrente de Rolos 
kn
P
P
s
rup
máx
⋅
= 
 
Corrente dentada 
kn
P
P
s
rup
máx
⋅⋅
=
10
 
 
 6
Onde: 
 
Pmáx – carga máxima que deve atuar na corrente [kgf] 
Prup – Carga de ruptura da corrente (para correntes dentadas é a carga de 
ruptura atuante em 10mm da largura) [kgf] 
ns – coeficiente de segurança [adimensional] 
k – fator de operação [adimensional] 
b – largura da corrente [cm] 
 
Tabela: Coeficiente de segurança ns 
Passo rpm da engrenagem menor 
50 200 400 600 800 1000 1200 1600 2000 
Corrente de Rolos 
½” – 5/8” 7,0 7,8 8,6 9,4 10,2 11,0 11,7 13,2 14,8 
¾” – 1” 7,0 8,2 9,4 10,3 11,7 12,9 14,0 16,3 ---- 
1 ¼” – 1 ½” 7,0 8,6 10,2 13,2 14,8 16,3 19,5 ---- ---- 
Correntes dentadas 
½” – 5/8” 20,0 22,2 24,4 28,7 29,0 31,0 33,4 37,8 42,0 
¾” – 1” 20,0 23,4 26,7 30,0 33,4 36,8 40,0 46,5 53,5 
 
1.5.6 - Fator de Operação k 
 
k= ks * kl * kpo 
 
ks= fator de serviço 
ks=1,0 (carga constante, operação intermitente) 
ks=1,3 (com impactos, operação contínua) 
ks=1,5 (impactos fortes, operação contínua) 
 
kl=fator de lubrificação 
kl=1,0 ( lubrificação contínua) 
kl=1,3 ( lubrificação periódica) 
 
kpo=fator de posição 
kpo=1,0 ( quando a linha de centro da transmissão é horizontal ou possui 
uma inclinação de até 45 graus com a horizontal 
kpo=1,3 ( quando alinha de centro da transmissão possui uma inclinação 
superior a 45 graus em relação a horizontal) 
 
Tabela: Máximo de rotações [rpm] 
Tipo de 
Corrente 
N. de dentes do 
pinhão 
Passo da corrente 
12 15 20 25 30 
Rolos 
Cilíndricos 
15 2300 1900 1350 1150 1000 
19 2400 2000 1450 1200 1050 
23 2500 2100 1500 1250 1100 
27 2550 2150 1550 1300 1100 
30 2600 2200 1550 1300 1100 
 12,70 15,87 19,05 25,40 31,75 
Elos Dentados 17 a 35 3300 2650 2200 1650 1300 
 7
 
1.5.7 - Distância entre centros (estimativa) 
 
 
 
A = ( 30 a 50 ) t 
Onde: 
A = distância entre centros [mm] 
t = passo da corrente [mm] 
 
1.5.8 - Número de elos 
 
O número de elos é determinado através da expressão: 
 













 −
++
+
=
A
tZZ
t
AZZ
y
2
2
122
2
21
π
 
 
Onde: 
y= número de elos [admensional] 
Z1= número de dentes do pinhão 
Z2= número de dentes da coroa 
t= passo [mm] 
A= distância entre centros [mm] 
 
1.5.9 - Distância entre centros correta: 
 













 −
−




 +
−+
+
−=
22
2
12
8
2
21
2
21
4 π
ZZZZ
y
ZZ
y
t
A 
 
O valor de A pode ser diminuído de 2 a 5 mm para ajuste da transmissão. 
 
Força Tangencial na corrente: 
vc
N
Ft
75
= ou 
do
Mt
Ft
2
= 
 
 
 8
Onde: 
Ft= força tangencial [kgf] 
N= Potencia transmitida [CV] 
vc= velocidade periférica da corrente [m/s] 
Mt= torque[kgf cm] 
do= diâmetro primitivo da engrenagem [cm] 
 
1.5.10 - Velocidade da corrente 
 
100060
11
⋅
⋅⋅
=
ntZ
vc 
 
Onde: 
vc= velocidade periférica da corrente [m/s] 
Z1= número de dentes do pinhão [adimensional] 
t= passo da corrente[mm] 
n= rotação [rpm] 
 
Observações: 
As transmissões por corrente devem ser utilizadas somente em eixos 
paralelos. A relação de transmissão máxima a ser utilizada i≤10, sendo a 
faixa ideal i≤10. 
 
A potência máxima que se tem conhecimento, que foi transmitida até hoje por 
corrente é de 5000CV e a rotação de 5000rpm. 
 
1.5.11 - Lubrificação 
 
Ainda que a pressão sobre os pinos das correntes seja relativamente 
elevada, as superfícies de trabalho para uma corrente corretamente 
calculada são amplamente suficientes desde que se providencie que estas 
sejam regularmente lubrificadas. 
As articulações onde falta o lubrificante desgastar-se-ão muito rapidamente. 
Por outro lado, o atrito entre as articulações faz crescer bastante a perda de 
energia sob a forma de calor, que se traduz numa perda de potência e num 
rendimento fraco. 
O lubrificante mais aconselhável é um óleo mineral puro com viscosidade 
escolhida de acordo com a temperatura ambiente. Na tabela seguinte, 
indicam-seos tipos de óleos ( classificação SAE) em função da temperatura 
ambiente. 
 
Tabela 6 – Tipos de óleos em função da temperatura ambiente 
 
 
 
 9
Apresenta-se na tabela seguinte os quatro tipos básicos de lubrificação, com 
indicação dos respectivos campos de aplicação. A figura exemplifica estes 
quatro tipos de lubrificação. 
 
Tabela 7 – Tipos de lubrificação 
 
 
 
 
 
Figura - Modos de Lubrificação de correntes: a) Manual; b) Gota a Gota; C) 
banho de óleo; d) Spray. 
 
1.5.12 - Pressão admissível: 
 
Rolos Cilíndricos: 
Padm= 3,5 kgf/mm2 para n<50 rpm (pinhão) 
Padm= 1,37 kgf/mm2 para n<2800 rpm (pinhão) 
 
Elos Dentados 
Padm= 0,78 kgf/mm2 para n<2800 rpm (pinhão) 
 
Área da superfície de contato 
 10
Para articulação simples -> As= 0,5 dr br 
Onde: 
As= área da superfície de contato [mm2] 
dr= diâmetro do rolo [mm] 
br= largura do rolo [mm] 
 
Para corrente duplex -> As=0,76 dr br 
 
1.5.13 - Carga Atuante no eixo 
 
A carga atuante no eixo-árvore, é determinada por: 
Parv=Ft + 2 *ko*q*A 
 
Onde 
Parv = carga atuante no eixo [kgf] 
Ft = carga tangencial [kgf] 
ko = fator de posição [adimensional] 
q = peso da corrente [kgf/m] 
A = distância entre centros [m] 
 
Fator de posição ko 
 
Ko= 1 ( na posição vertical) 
Ko=2 ( à 45 graus) 
Ko=4 ( na posição horizontal) 
 
 
Apêndices: 
 
 
APENDICE A 
 
Catálogos de Correntes GKW Frdenhagem S/A 
 
Correntes de rolo série S 
 11
 
 
 12
Engrenagens Standard para Correntes de Rolo, passo ½” 
 
 
 13
 
Engrenagens Standard para Correntes de Rolo, passo 5/8” 
 
 
 
 14
 
Engrenagens Standard para Correntes de Rolo, passo ¾” 
 
 
 15
Engrenagens Standard para Correntes de Rolo, passo 1” 
 
 
 
 16
 
Engrenagens Standard para Correntes de Rolo, passo 1 ¼” 
 
 
 17
Engrenagens Standard para Correntes de Rolo, passo 1 ½” 
 
 
 
 18
Correntes de Rolos fixos Série B

Mais conteúdos dessa disciplina