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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL COMISSÃO DE REVISÃO DO PLANO DE CARGOS, CARREIRAS E SALÁRIOS DE 2012 Portaria nº 180/2018 Ao Sr. Eng. Civil Joel Krüger Presidente do CONFEA A Comissão de Revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários de 2012, designada pela Portaria nº 180/2018, de 09 de maio de 2018, do Presidente do CONFEA, vem apresentar o relatório conclusivo dos seus trabalhos. 1 – APRESENTAÇÃO A Comissão, constituída pelos membros Rodrigo Steinmann Bayer (Coordenador), Eiji Jhoannes Yamasaki (Coordenador Adjunto), Adilson José de Lara, Arisnaldo Dias Brito, Auricélia de Sousa Batista, Brasil Américo Louly Campos, Demétrio Rodrigo Ferronato, Erica Tenille Brito Rodrigues, Maria Antonieta Guedes de Ornellas e Nelson Dafico Ramos Filho, instalou-se no dia 11 de maio de 2018, no prédio da sede do CONFEA. Após formalidades de estilo, foram deliberados inicialmente os institutos-chave que deveriam ser objeto – sem prejuízo de outros – de estudo, análise e eventual modificação por esta Comissão, sendo eles: a) Progressão funcional; b) Cargos comissionados e funções gratificadas; c) Nomenclatura dos cargos e funções; d) Atribuições dos cargos e funções; e) Estrutura dos cargos e funções; f) Retenção de empregados (rotatividade do quadro); g) Organograma; h) Ausência de carreiras; i) Teto remuneratório para fins de progressão; j) Retorno de qualificação profissional. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Fora aberta, conforme registro em ata de instalação, caixa postal própria (pccs@confea.org.br) com a finalidade de receber sugestões e críticas por parte do corpo funcional. As mensagens enviadas encontram-se anexas neste Relatório e, uma a uma, todas foram devidamente analisadas pela r. Comissão. Sucederam-se à reunião de instalação outras 8 (oito) reuniões em um prazo de 7 (sete) semanas, tendo o trabalho sido concluído no prazo total de 57 (cinquenta e sete) dias. As atas das reuniões deliberativas da Comissão encontram-se, igualmente, anexas a este Relatório. Passa-se, então, de forma sintética, à fundamentação das decisões que acarretaram as modificações do Plano de Cargos, Carreiras e Salários de 2012, e deram origem ao documento que, a partir deste momento, denominaremos como “PCS 2018”. É o sucinto introito. 2 – FUNDAMENTAÇÃO Em ordem cronológica e literal do PCCS de 2012, foram analisados os seguintes itens, pontos, conceitos e institutos do normativo ora vigente. 2.1. Extinção do termo “Carreiras” Percebeu-se, tanto pelos correios eletrônicos recebidos, quanto pelos feedbacks fornecidos informalmente pelos membros, que existe atualmente uma alta expectativa em relação à efetivação de um “plano de carreiras” dentro do CONFEA. Tal expectativa não é sem motivo: o atual normativo faz inúmeras remissões à implantação deste expediente, o que, decorridos 6 (seis) anos de vigência do PCCS de 2012, não ocorreu. Esta frustação, contudo, é tanto natural quanto justificada. O CONFEA não possui natureza jurídica privada. Não se assemelha a uma empresa, em tantos aspectos. Um deles encontra-se aqui. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Em que pese a clara inclinação privatista do atual Plano, é notório o fato da proibição de ascensão vertical – ou “ascensão de carreira” – dentro do CONFEA, por flagrante óbice constitucional. A regra do artigo 37 da Carta Magna apenas permite a transposição de cargo (provimento derivado) por meio de concurso público de provas, ou provas e títulos. Desta forma, a título exemplificativo, não há como um empregado ingressar no quadro permanente do CONFEA como Motorista (Auxiliar) e aposentar-se como Contador (Analista), salvo na hipótese de submeter-se a um segundo concurso público, para o cargo e função específicos de Contador. A única progressão possível é a de ordem horizontal, dentro de um mesmo cargo (classe), por mérito ou antiguidade. Não existe a possibilidade jurídica de “carreiras” em órgãos públicos. Sem submissão a um segundo concurso público, o único destino possível, de ordem permanente, é o último nível de sua própria tabela salarial. A decisão desta Comissão, por unanimidade, foi então no sentido de retirada do termo “carreiras”, com o objetivo de adequar a conceituação aos parâmetros constitucionais, e buscar evitar expectativas não passíveis de consolidação perante o quadro permanente de empregados. 2.2. Inclusão de pontos no item “objetivos” Em virtude da análise crítica (a seguir exposta) do atual Plano, decidiu-se pela inclusão de dois pontos neste item. Assim, por unanimidade, decidiu-se pela inclusão dos seguintes objetivos: g) Extinguir incoerências e distorções que possam acarretar desequilíbrios salariais; h) Incentivar a valorização profissional mediante critérios amplos e transparentes para o desenvolvimento profissional e laboral; 2.3. Adequação e inclusão de conceitos SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL No item “definições”, a Comissão deliberou pela alteração de alguns conceitos, ganhando destaque a mudança de nomenclatura de “carreiras” para “classes” (conjunto de cargos de equivalente ou semelhante complexidade técnica organizados em uma mesma tabela salarial) e as subdivisões dos “cargos e funções de livre provimento” em empregos em comissão e funções de confiança gratificadas que, por sua vez, igualmente abarcam subdivisões, o que será objeto de mais detida análise em item próprio. 2.4. Análise crítica O item “Análise Crítica” foi um dos tópicos mais profundamente alterados no projeto apresentado. Tendo como base as mensagens recebidas por empregados e, especialmente, a percepção e olhar crítico dos membros da Comissão, foram traçados os pontos mais problemáticos a serem enfrentados, quais sejam: a) Ausências e distorções de conceitos no glossário de definições; b) Imprecisão de nomenclatura de determinados cargos; c) Incompatibilidade de alguns institutos com o vigente regime celetista do Confea; d) Necessidade de atualização dos parâmetros mercadológicos de outros entes públicos de natureza análoga ou semelhante; e) Impropriedade das atuais definições de cargos de livre provimento, e necessidade de readequá-las com a criação dos institutos de DAS (Direção, chefia e assessoramento superior), FCG (funções comissionadas de gestão), FCT (funções comissionadas técnicas) e FG (funções gratificadas), sendo apenas a primeira categoria de cargos acessível a pessoas de fora do quadro de carreira; f) Inexistência de funções de confiança gratificadas, que dispensam a criação de cargo próprio, e acarretam apenas uma vantagem remuneratória fixa a ser agregada ao salário-base do empregado do quadro permanente; g) Incompatibilidade e desproporcionalidade entre os valores atualmente pagos aos cargos de livre provimento pelo Confea e àqueles praticados pela Administração Pública Federal; h) Quebra de isonomia na ocupação de cargos de livre provimento por empregados do quadro permanente em classes e níveis salariais distintos; i) Necessidade de exclusão da nomenclatura “carreira”, deixando-o como PCS SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL (Plano de Cargos e Salários), em face da impossibilidade de ascensão vertical sem prévia submissão a concurso público na Administração Pública; j) Ausência de requisitos objetivos para ocupação de cargos e respectivas atribuições de função. As propostas de alteração que seguem quase na sua integralidade encontram respaldo em um ou mais destes itens. Aprovou-se assim, por unanimidade, a inclusão destas alíneas ao item em comento. 2.5. Premissas técnicas As premissas técnicas que embasam o atual Plano baseiam-se em, basicamente, dois institutos-chave: meritocracia e flexibilidade funcional. Entendeu-se que tais conceitos, da forma como aplicados, dão azo a significante parcelas das críticas ao atual modelo. A uma, a meritocracianão encontra suficiente respaldo em parâmetros objetivos dentro do Plano em vigor. A subjetividade dos planos de análise em geral dificultam a plena eficácia do instituto. A duas, a flexibilidade funcional, cujo fundamento seria o melhor aproveitamento dos potenciais existentes no corpo funcional terminaram, na prática, acarretando situações de desvio e rebaixamento funcional de empregados. Um dos instrumentos da flexibilidade funcional utilizados foi a unificação de cargos, aonde vários cargos foram aglutinados em uma “ocupação”. Tal premissa conduz à dificuldade de se buscar, por meio de concurso público, profissionais especializados em determinada área de carência profissional desta Autarquia. Um exemplo aqui seria a ocupação de Engenheiro, que hoje está aberta, indiscriminadamente, a qualquer modalidade. É possível assim, que em um momento futuro, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL todos os profissionais neste cargo sejam da mesma modalidade, caso estes ocupem as primeiras colocações nos próximos concursos públicos. Outro problema envolve os empregados que, com formação e regulamentação específica distinta, igualmente encontram-se aglutinados na mesma ocupação. Não há distinção entre jornalistas, publicitários, designers e profissionais de relações públicas, por exemplo. Se por um lado isto é um problema quando da necessidade de um profissional específico (precisa-se de um jornalista, mas o primeiro colocado do certame é designer), por outro pode estender aos demais ocupantes da função aglutinada benefícios privativos de uma categoria profissional: aqui, apenas o jornalista tem direito à jornada de 5 (cinco) horas, criando quebra de isonomia de ocupantes de cargos com idênticas tarefas, como no atual Plano. As modificações, aprovadas por esta Comissão, à unanimidade, visam estabelecer como premissas técnicas a objetividade, impessoalidade, e especificação dos cargos e funções, o que será notório na exposição dos atos decisórios adotados. 2.6. Estrutura e descrições dos cargos A atual divisão de “cargos e ocupações”, na proposta apresentada, fora substituída pelas classificações “classes, cargos e funções”. Os atuais “cargos” transmutam-se em “classes”, as “ocupações” em “cargos” e, dentro deles, ramificam-se as “funções”. Tais modificações: a) restauram a fidedignidade dos cargos originários nos quais os empregados do CONFEA foram contratados; b) trazem maior tecnicidade de conceitos; c) possibilitam a correta identificação das atribuições e atividades outorgadas a cada função, que podem diferir dentro do mesmo cargo; SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL d) permitem ao CONFEA, por meio de concurso público, buscar profissionais especializados em suas áreas de interesse técnico e institucional, em face de alguma carência no atual quadro profissional. A Comissão então, à unanimidade, aprovou inicialmente as classificações dos cargos de “Analista Administrativo” e “Analista Técnico”. O Analista Administrativo condensa as funções cujas atividades sejam, em sua maior parte, de natureza administrativa, posto que tais profissionais não atuam de forma prioritária com atividades privativas de suas formações técnicas, mas agregam conhecimento adquirido em suas formações de origem nas atividades operacionais deste Conselho. O Analista Técnico, por sua vez, atua diretamente na atividade-fim desta Autarquia, e realiza atividade eminentemente técnica dentro do escopo institucional do CONFEA. A ramificação de funções dentro deste cargo guarda consonância com a divisão de grupos e modalidades estabelecida na Resolução 473/2002 do CONFEA, e congrega em cada uma delas o grupo de modalidades ali contidos. O objetivo aqui foi propiciar ao CONFEA a realização de concurso público específico para determinada modalidade, em face da ausência ou insuficiência de profissionais da r. modalidade no quadro permanente. Para fins elucidativos e, por exemplo, a função “Analista Técnico – Elétrica” contemplaria os profissionais graduados nos títulos de Engenheiro Eletricista, Engenheiro de Controle e Automação, Engenheiro de Telecomunicações, dentre vários outros pertencentes à modalidade em análise. Os demais cargos – Auditor, Comunicação Social, Contador, Procurador e Tecnologia da Informação – foram estabelecidos em rubrica própria ante a especificidade das suas atribuições, incluídas, majoritariamente, como atividades privativas nas respectivas profissões neles contidos. Neste item, ainda, acatou-se o pleito da Gerência de Tecnologia da Informação, subdivindo-se as funções do cargo Tecnologia da Informação, a fim de buscar profissionais específicos nas funções “Desenvolvimento de Sistemas” e “Redes”. Os requisitos para tais funções, evidentemente distintos entre si, são explicitados nos descritivos de cargos e funções, objeto do Anexo IV da atual proposta, no campo que estabelece os requisitos da função em tela. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 2.7. Cargos e funções de livre provimento Trata-se de um dos pontos nevrálgicos da presente proposta. O mecanismo hoje é definido como “cargos de livre provimento”, e – teoricamente – divide-se em cargos em comissão e funções de confiança. Na teoria, pois na prática todos são cargos em comissão, e apenas são chamados de função de confiança caso um empregado do quadro permanente o assuma. Tal conceituação técnica é claramente errônea, haja vista que as funções gratificadas de confiança são aquelas que envolvam atividades técnicas, de gestão, supervisão ou controle, ou ainda a realização de tarefas especiais imprescindíveis para as atividades do Conselho, que dispensam a criação de cargos para o seu desempenho, e são destinadas privativamente aos empregados do quadro permanente. Os cargos em comissão – e estes apenas – são aqueles com plexo de atribuição própria, destinados à direção e assessoramento superior, estes sendo passíveis de ocupação por empregados do quadro efetivo do Conselho ou providos por profissionais contratados para esse fim. No novo modelo, aprovou-se a nomenclatura “empregos em comissão”, haja vista o regime celetista do CONFEA, que não comporta a figura de cargos, mas sim de empregos públicos. Desta forma, iniciando-se pelos empregos em comissão, entendeu-se que estes apenas devem conter as atribuições de DAS (direção e assessoramento superior), contemplando assim os cargos com ligação hierárquica direta com a Presidência desta Autarquia, de caráter político- institucional. Entende-se, aqui, que a utilização de empregos em comissão para atividade meramente técnica, contemplada por cargo já existente na estrutura, viola diretamente o Artigo 37 da Constituição Federal, ou seja, constitui-se de artifício para burlar a regra de contratação via concurso público. Ato contínuo, deliberou-se pela proposta de substituição dos cargos de Assessor I, II e III, ante a inexistência de definição clara e divisão funcional entre eles, por funções específicas e, em especial, uma função única de atribuição mais ampla, cuja formação e finalidade atenderão os SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL interesses institucionais da Presidência do CONFEA, sob a nomenclatura “Assessor da Presidência”. Nesta mesma senda, apresenta-se a proposta de alteração na nomenclatura “Gerente Regional” para “Assessor Regional”, haja vista não se tratarem de atividades de cunho gerencial, mas sim de atividades de natureza político-institucionais. Deliberou-se assim pelo estabelecimento de 21 (vinte e um) empregos em comissão na estrutura do CONFEA, contemplando: 12 (doze) Assessores da Presidência, 5 (cinco) Assessores Regionais, 3 (três) Superintendentes e 1 (um) Chefe de Gabinete. Tais decisões quanto ao quantitativo de cargos foram tomadas com base na análise da Portaria nº 220/2015 do CONFEA, em cotejo com a atual política de provimento de cargos em comissãopela gestão deste Conselho. O segundo plano de análise envolve a remuneração dos empregos (atuais cargos) em comissão. Observou-se que a política remuneratória dos cargos de livre provimento destoa sensivelmente dos padrões salariais hoje praticados pela Administração Pública Federal. Nesta temática, utilizou-se como subsídio teórico os seguintes instrumentos normativos: • Lei Federal nº 11.526/07, e suas alterações; • Decreto nº 4.567, de 1º janeiro de 2003; • Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais Civis e dos Ex-Territórios, de 2017; • Tabela de Remuneração de Cargos Comissionados do Sistema de Informações Organizacionais do Governo Federal, de maio de 2018. A pesquisa em comento constatou que a maior remuneração de cargo “DAS” (Direção e Assessoramento Superior) da Administração Pública Federal destina-se à função “DAS 101.6”, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL outorgada às funções de “secretário de órgãos finalísticos, dirigentes de autarquias e fundações, subsecretários de órgãos da Presidência da República”1. A remuneração do cargo é, atualmente, de R$ 16.215,22. As funções de Superintendente e Chefe de Gabinete, no Plano atual, correspondem à remuneração de R$ 29.185,96, ou seja, valor 80% (oitenta por cento) superior à maior remuneração de cargos em comissão do Poder Executivo Federal. Neste ínterim, em que pese a autonomia administrativa-orçamentária dos Conselhos de Fiscalização Profissionais, é fato notório, por meio de diversos acórdãos do Tribunal de Contas da União, que os Conselhos precisam guardar consonância, em seus atos financeiros, com as práticas de despesa de pessoal patrocinados pela Administração Pública Federal, dada a submissão das Autarquias Federais ao regime jurídico-administrativo estabelecido pelo Artigo 37 e demais dispositivos comuns à espécie da Constituição Federal. Neste sentido, esta Comissão buscou adotar parâmetros financeiros que, por um lado, garantam a atração de profissionais qualificados para atividades-chave de caráter institucional, e, por outro, não gerem distorções tão grandes em relação às tabelas salariais de cargos comissionados adotadas pelo Poder Executivo Federal, no qual nos inserimos como Autarquias (STF, ADI 1717-6). Realizando uma analogia simples, buscamos um caminho inverso de parametrização. Incialmente, optamos pela manutenção do equilíbrio financeiro entre as remunerações de Gerentes e os Assessores da Presidência (atual Assessor III). Após isso, estabelecemos critérios para aferir o valor da remuneração dos gerentes do CONFEA. Vamos a eles. O primeiro passo era decidir se a função de Gerente seria qualificada como emprego em comissão ou função gratificada. Optamos pela segunda via. A uma, por entendermos que aqui – via de regra – há a cumulação das atividades técnicas da unidade com as atividades propriamente de gestão, situação típica de função gratificada, na qual apenas deve se conceder um plus 1 Art. 3º, I, do Decreto nº 4.567, de 1º janeiro de 2003. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL remuneratório em virtude do empregado agregar a incumbência de gerir a unidade que a ele fora delegada a supervisão. A duas, por entendermos que os Gerentes não entram no conceito de DAS (direção e assessoramento superior), haja vista não existir vinculação direta à autoridade máxima desta Autarquia. Após, debateu-se o quantum dessa gratificação. Neste ponto, não tivemos tanta dificuldade, dada a previsão expressa do Artigo 62 da CLT, que apenas permite a dispensa de ponto do empregado gerente se este receber, a título de gratificação, 40% (quarenta por cento) do salário de seu cargo de origem. Considerando, então, a inconveniência e risco (em face da quebra de isonomia) de se criar gerentes submetidos e gerentes não submetidos a controle de jornada, a única solução foi utilizar essa rubrica percentual de 40% incidente sobre o último degrau da tabela salarial do CONFEA (R$ 21.298,98). Chegou-se, então, ao valor de R$ 8.519,59 (oito mil, quinhentos e dezenove reais e cinquenta e nove centavos). Este é o valor de referência, que embasa todas as tabelas de funções de confiança gratificadas (FCT, FCG e FGs) e a tabela de empregos em comissão (DAS). Voltando à tabela de DAS, mais especificamente no cargo Assessor da Presidência, retornamos ao ponto de origem: a manutenção do equilíbrio financeiro entre Gerentes e esses Assessores. Ao analisar que os empregos em comissão não são sujeitos à progressão horizontal (por mérito ou antiguidade) – salvo no cargo de origem para os empregados do quadro permanente – utilizou-se o cálculo de soma do salário inicial do Analista na tabela proposta (R$ 9.258,50) com o valor de gratificação dos Gerentes (R$ 8.519,59) para se chegar ao salário do cargo de Assessor da Presidência, de R$ 17.778,09. Equipara-se a ele, como DAS I, o cargo de Assessor Regional (atual Gerente Regional). Para se chegar aos salários dos cargos de DAS II – Superintendente e Chefe de Gabinete –, adotou-se a técnica da proporcionalidade. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Considerando-se a metodologia aplicada, e que houve uma diminuição de 24,8513% (de 23.657,23 para R$ 17.778,09) no salário do Assessor da Presidência (atual Assessor III), aplicou-se o mesmo percentual redutor em relação aos cargos de Superintendente e Chefe de Gabinete, chegando-se ao valor de R$ 21.932,87. Tais salários de DAS I e II, de R$ 17.778,09 e R$ 21.932,87 respectivamente, seguem sendo mais altos que qualquer dos praticados pelo Poder Executivo Federal, mas, pelo menos, diminui-se bastante as diferenças, sendo agora consideradas, na visão desta Comissão, mais compatíveis com os valores pagos pela Administração Pública. Para as funções de confiança gratificadas, utilizou-se de outro parâmetro lógico: um percentual sobre o valor de referência (a gratificação de Gerentes, no valor de R$ 8.519,59). Porém, antes passaremos a discorrer sobre as funções criadas, posto que ou inexistentes, ou antes não regulamentadas nesta Autarquia. Desta forma, foram criadas sob provocação (solicitações acatadas por esta Comissão) as funções de: Cerimonialista (FG2) e Operador(a) de Folha de Pagamento (FG2). E, de ofício, a Comissão entendeu pela regulamentação das funções de: Secretário(a) da Presidência, do Gabinete da Presidência e dos Conselheiros Federais (FG1), Pregoeiro(a) Oficial (FG2), Presidente e Membros da Comissão Permanente de Licitações (FG3 e FG4, respectivamente), e Membros da Comissão Permanente de Sindicância (FG4), dentro da subdivisão funções gratificadas. Na subdivisão funções comissionadas técnicas, aparecem as funções de Assistente de Conselho Diretor, Assistente de Plenário e Assistente de Comissão Permanente (FCT1), Assistente de Comissão Especial (FCT2) e Assistente de Coordenadorias de Câmaras Especializadas (FCT3). A adoção da nomenclatura “Assistente” para todas estas funções guarda relação com a previsão contida nos Artigos 9º, LIV, Artigo 55, XXIX e Artigo 124, XIV do Regimento Interno do CONFEA (aprovado Resolução 1015/2006). E, por fim, na subdivisão funções comissionadas de gestão, além dos Gerentes, e a eles equiparados o Auditor(a)-Chefe, Procurador(a)-Chefe e Controlador(a) (FCG1), foram incluídos na mesma tabela o Chefe de Setor, o Subprocurador-Chefe e o Ouvidor (FCG2). SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL De forma explicativa, expõe-se abaixo o percentual utilizado em cada uma destas funções, incidente sobre o valor de referência (R$ 8.519,59): Tabela I – Funções Comissionadas Técnicas Nível Cargo % FCT1 ASSISTENTE DE CONSELHO DIRETOR ASSISTENTE DE PLENÁRIO ASSISTENTE DE COMISSÃO PERMANENTE 60% FCT2 ASSISTENTE DE COMISSÃO ESPECIAL 30% FCT3 ASSISTENTE DE COORDENADORIA DE CÂMARAS ESPECIALIZADAS15% Tabela II – Funções Comissionadas de Gestão Nível Cargo % FCG1 GERENTE AUDITOR(A)-CHEFE PROCURADOR(A)-CHEFE CONTROLADOR(A) 100% FCG2 CHEFE DE SETOR SUBPROCURADOR(A)-CHEFE OUVIDOR(A) 50% SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Tabela III – Funções Gratificadas Nível Cargo % FG1 SECRETÁRIO(A) DA PRESIDÊNCIA SECRETÁRIO(A) DO GABINETE DA PRESIDÊNCIA SECRETÁRIO(A) DOS CONSELHEIROS FEDERAIS 40% FG2 PREGOEIRO(A) OFICIAL OPERADOR(A) DE FOLHA DE PAGAMENTO CERIMONIALISTA 20% FG3 PRESIDENTE DA COMISSÃO PERMANENTE DE LICITAÇÕES 10% FG4 MEMBRO DA COMISSÃO PERMANENTE DE LICITAÇÕES MEMBRO DA COMISSÃO PERMANENTE DE SINDICÂNCIA 5% Deliberou-se, então, à unanimidade, pela aprovação do novo modelo de cargos e funções de livre provimento ora proposto. 2.8. Progressões e Avaliação de Desempenho Outro ponto fundamental de reforma do modelo vigente, a sistemática atual de progressões é um dos grandes pontos de insatisfação do corpo funcional, e igualmente um dos principais geradores de demandas trabalhistas atualmente no CONFEA. O atual modelo congloba, no mesmo ciclo, as progressões por mérito e – de forma subsidiária a esta – por antiguidade, vinculando o investimento realizado anualmente a no mínimo 1% (um por cento) da totalidade da despesa de pessoal do ano-exercício anterior. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL A falta de clareza de parâmetros e a incerteza do investimento a ser realizado somam-se aqui à paradoxalidade de um ciclo vicioso de despesas: quanto maior a despesa de pessoal, mais se investe na mesma rubrica. A lógica dominante, dentro de uma sustentabilidade financeira, seria o oposto – quanto mais se economiza em despesa de pessoal, mais provisão financeira deve ser aplicada ao corpo funcional. Outra situação de claro desconforto entre os empregados é a falta de proporcionalidade nas progressões por mérito entre os 5 (cinco) grupos abrangidos na atual divisão de recursos para progressão. O primeiro aspecto decisório nesta matéria, portanto, foi a adoção de ciclos alternados de promoção por antiguidade e mérito, nos termos da Portaria nº 2 da DRT, de 25 de Maio de 2006, e de acordo com a prática comum da Administração Pública, em quase todas as suas esferas. Quanto ao ciclo por mérito, entendeu-se por desvincular a progressão da despesa de pessoal realizada no ano antecedente, pelos motivos já expostos. A proposta então adotou um percentual fixo de progressão, dentro de cada classe de empregados, de 66,66% (sessenta e seis vírgula sessenta e seis por cento), ou seja, dois terços dos empregados do quadro permanente habilitados. Assim, à unanimidade, a Comissão optou por adotar um modelo de alternância anual dos ciclos de antiguidade e mérito: aquele contemplando 100% dos empregados habilitados, com base no tempo de serviço, e este 66,66% dos empregados habilitados por mérito, com base na avaliação de desempenho. 2.9. Tabelas Salariais A adequação das tabelas salariais não foi um dos pontos principais de revisão. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Porém, analisando-se com acuidade o principal modelo, percebeu-se a necessidade de realização de pequenas alterações estruturais, no que concerne ao número de padrões (níveis) em cada classe. O grande substrato teórico da proposta é a Decisão Plenária 0635/2018 do CONFEA, que aprova o Relatório da Comissão Temática de Equidade de Gênero e Raça, e remete os autos à Gerência de Recursos Humanos para providências relacionadas à supervisão dos trabalhos relativos ao cumprimento do “Plano de Ação”, constante no Anexo da r. Decisão Plenária. Dentro dos objetivos gerais deste Plano, está “contribuir para a eliminação de todas as formas de desigualdade e discriminação no acesso, remuneração, ascensão e permanência no emprego” (grifou-se). Analisando a tabela salarial atual, vemos que as atuais carreiras (classes) de Assistente e Analista possuem 33 níveis salariais. Ocorre que o Artigo 40, III, a, da Constituição Federal, estabelece como tempo de contribuição para aposentadoria da mulher o período de 30 (trinta) anos2. A existência de 33 degraus salarias, portanto, contempla os homens – cujo tempo de contribuição é de 35 anos – e discrimina as mulheres que, ainda que sejam contempladas com promoções em todos os anos, em situação natural, não terão a possibilidade de atingir o topo da tabela de sua classe. A proposta, portanto, é de diminuição do número de níveis salariais total da tabela de 71 para 65 níveis, sendo de 30 o número de níveis nas classes de Assistente e Analista, e de 27 o número de níveis para a classe Auxiliar (classe em extinção). O enquadramento dar-se-á no step imediatamente superior ao do atual salário praticado, trazendo impactos financeiros muito pequenos. 2 Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. [...] III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições: a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher;” SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL À unanimidade, portanto, a fim de preservar a equidade de gênero do CONFEA, votou- se pela adaptação do número de níveis salariais da tabela de classes, preservando o teto salarial praticado neste Conselho. 2.10. Adicional de Qualificação Profissional A Comissão entendeu que, em algum momento, havia de se trazer algum ponto de atratividade do novo modelo de Plano de Cargos e Salários. Isto porque, nos termos da Súmula 51 do Tribunal Superior do Trabalho, o ato de adesão ao novo Plano é facultativo, ou seja, aqueles que assim desejarem podem ficar vinculados ao atual PCCS de 2012. Evidentemente que a manutenção de modelos diversos de Plano de Cargos e Salários igualmente vigentes, em relação a parcelas diferentes de empregados, trazem dificuldades operacionais e estratégicas imensas. Dentro desta análise, constatamos que nenhum outro ponto traz vantagens claras ao corpo funcional do CONFEA de forma geral, o que gera, frisa-se, o risco de fracasso adesional do modelo. D’outro norte, vislumbra-se a plausibilidade de valorização dos profissionais do quadro permanente que buscam formações que excedem os requisitos mínimos para ocupações de seus cargos, na persecução de desenvolvimento pessoal e profissional. Tal política guarda claro diálogo com o próprio programa de capacitação do CONFEA que, se por um lado, investe nas capacitações e treinamentos, por outro não oferece recompensas para o empregado que investe tempo e esforços na busca de novas diplomações. Destarte, propõe-se uma política de valorização destes profissionais, que além de estimular a capacitação profissional, pode revestir-se de um valoroso mecanismo de retenção de profissionais academicamente qualificados. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Aprovou-se assim, à unanimidade, a aplicação de adicionais sobre valor percentual incidente sobre os inícios de suas respectivas classes, para a realização de cursos de nível superior (para Assistentes), pós-graduação lato sensu, mestrado e doutorado (para Analistas). 3 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Como descrito na fundamentaçãoda Comissão de Revisão do PCCS de 2012 que nos antecedeu (Relatório nº 01/2017), de forma inexitosa, “certamente o trabalho de revisão de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários – PCCS de uma instituição não é uma tarefa fácil”. Acreditamos, contudo, termos cumprido fielmente o múnus que nos foi atribuído. Em um prazo total de 57 (cinquenta e sete) dias, entregamos aqui um modelo normativo que reputamos mais objetivo, simples, transparente, isonômico e compatível com as práticas da Administração Pública. Enfrentamos a totalidade das questões trazidas pelo corpo funcional, e em quase todas elas trouxemos respostas que cremos atender aos anseios das categorias representadas. É importante ressaltar que tais enfrentamentos se deram sem olvidar a necessidade de coerência e economicidade na aplicação de recursos públicos, sempre visando à supremacia do interesse público. Esperamos, por fim, que este documento seja um marco de mudança nos rumos do CONFEA, a fim de que este se torne, cada vez mais, um ente que preza por práticas de isonomia, inclusão e equidade em sua política de pessoal, observando ainda os princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência. 4 – CONCLUSÃO Esta Comissão, neste ato, encerra suas atividades, por meio da entrega de seu relatório final, submetendo-o, junto com a integralidade da redação do modelo de novo Plano de Cargos e Salários proposto, à apreciação dos órgãos superiores deste Conselho. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Brasília, 27 de junho de 2018. Rodrigo Steinmann Bayer Coordenador Eiji Jhoannes Yamasaki Coordenador Adjunto Adilson José de Lara Arisnaldo Dias Brito Auricélia de Sousa Batista Brasil Américo Louly Campos Demétrio Rodrigo Ferronato Erica Tenille Brito Rodrigues Maria Antonieta Guedes de Ornellas Nelson Dafico Ramos Filho