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O SERVIÇO SOCIAL E O SETOR SUCROALCOOLEIRO Segundo Netto (2011), o Serviço Social nasce vinculado com a chamada questão social, e que não há dúvidas em relacionar o surgimento da profissão com as mazelas próprias da ordem burguesa. O espaço sócio-ocupacional do Serviço Social é demarcado por práticas assistencialistas e filantrópicas. Conforme Netto (2011), a classe trabalhadora com o passar do tempo queria algo a mais que a ajuda, a caridade e a filantropia, e passou a reivindicar por melhores condições de vida, de salário e de trabalho, e com isso a questão social, e o Estado como estratégia para conter os conflitos cria as políticas sociais, o trabalhador passou a ter acesso mesmo que de forma mínima a saúde, educação, entre outras políticas públicas. Netto (2011) afirma que as políticas sociais são precarizadas desde a sua gênese, o assistente social atua diretamente com as políticas públicas, e, pelo fato, das mesmas serem precarizadas desde o seu surgimento, acaba afetando e tornando também precarizado o espaço sócio-ocupacional do assistente social. A sociedade é dinâmica, e por conta disto o Serviço Social para acompanhar a realidade social sofreu várias modificações e aprimoramento para atender as demandas apresentadas no cotidiano profissional. Netto afirma (Sant’Ana apud, 2012), que a renovação do Serviço Social fez a partir de três direções: uma hegemônica até o final dos anos 1970, é denominada modernizadora e realiza um esforço para que o Serviço Social modernize-se de maneira a tender as demandas do projeto desenvolvimentista que estava em curso no pais, a outra tenta recuperar os traços mais conservadores do Serviço Social, mas requisita para si a inspiração fenomenológica, e por fim, a corrente que vai ganhar maior destaque a partir do fim da década de 1970, cuja inspiração teóricas vai se dar a partir das fontes marxianas (Sant’Ana, 2012, p. 144 e 145). Sant’Ana (2012) relata que o desenvolvimento agrário tem que se adaptar as relações capitalistas, ou seja, aos interesses da classe dominante que é o lucro. O trabalho do assistente social com a questão agrária pode ocorrer de forma direta quando o foco do trabalho profissional tem como objetivo as relações decorrentes da estruturação do modelo agrário, sejam expressas na cidade ou no campo. Quando o assistente social atua em agroindústria, especialmente no setor sucroalcooleiro, que via de regra, tem programas de assistência social, ou quando atua em órgãos responsáveis pela efetivação de reforma agrária, como é o caso do Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA). Desta maneira, se faz necessário o assistente social para atender as estas demandas e requisições [...] à medida que reconfigura de forma significativa o campo das políticas, mediante as tendências de privatização, mercantilização e refilantropização das formas de enfrentamento da “questão social” (ALENCAR, 2009). Sant’Ana (2012) afirma que o trabalhador rural é o principal usuário da política de assistência, seja na condição de migrante que não consegui trabalho, que quer transferir benefícios sociais, que chega ao município sem nenhum pertence e necessita de recurso até receber salário, seja na condição de trabalhador residente e desempregado, idoso ou doente, ou mesmo que não está conseguindo trabalho para sua reprodução social, tamanho o nível de exploração vivenciada. Segundo Sant’Ana (2012) com o crescimento da política de assistência social os profissionais ficam responsáveis pelos encaminhamentos burocráticos de programas de transferência de renda estaduais e federais, e o desafio do assistente social é que o seu trabalho não seja uma pratica mecanicista resumida apenas ao burocrático, o profissional assistente social tem que ser articulado e atender as demandas não só do seu campo de trabalho, mas também atender aos interesses principalmente da coletividade, que são os que mais sofrem com os embates entre capital x trabalho. Conforme Sant’Ana (2012), é o assistente social tem que compreender a totalidade do usuário, sem pré-julgamento e sem culpabilizá-lo por sua condição de vida e pobreza, a questão social deve ser apreendida a partir de suas manifestações. A particularidade da questão agrária fica também subsumida ás expressões singulares manifestas no cotidiano profissional: o desemprego, a miséria, a doença, etc. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES PROVISÓRIAS Apesar da modernização do setor sucroalcooleiro em Alagoas, as condições dos trabalhadores no que se refere à vida, trabalho, saúde e escolaridade não tiveram modificações, pois continuam submetidos a condições degradantes de trabalho (condições de desgaste físico e jornada de trabalho excessiva) e com baixos índices de escolaridade, onde são culpabilizados por esta sociedade. As condições degradantes de trabalho no setor sucroalcooleiro são marcadas pela intensificação da produtividade que é exigida pelas usinas e para responder as necessidades do mercado contratam trabalhadores em sua maioria jovens e do sexo masculino. Durante a jornada de trabalho excessiva esses trabalhadores cortam o máximo de cana possível para garantir a sua sobrevivência e de sua família, como também preservar os seus empregos. O trabalho neste setor é feito ao ar livre e os trabalhadores ficam expostos ao sol forte por muito tempo, causando doenças e até mesmo acidentes de trabalho que podem estar ligados às condições de trabalho como também a carga horária definida pela agroindústria. O cansaço físico, alimentação inadequada e as condições precárias vividas pelos trabalhadores das indústrias sucroalcooleiras contribuem para o seu adoecimento. A superexploração da força de trabalho é camuflada pelos capitalistas que são detentores do controle do processo produtivo e pelos trabalhadores, devido à alienação sofrida por medo e pressão da perda do emprego. O que importa para o capitalista são os lucros, o mesmo não se importa com as condições de vida e de trabalho da classe trabalhadora. O capitalista é detentor dos meios de produção e o trabalhador só tem a oferecer na sociedade capitalista a venda da sua força de trabalho, e para sobreviver na sociedade capitalista o trabalhador vende a sua força de trabalho por um baixo salário que mal dá para sua subsistência na sociedade vigente. A questão social e suas expressões visíveis, como: a pauperização e a miserabilidade da população, o desemprego estrutural, a flexibilização, a precariedade das relações de trabalho, as condições degradantes, as políticas públicas fragilizadas aumentam ainda mais as desigualdades sociais que são inerentes ao capitalismo. Sendo assim, compreendemos que está exploração sofridas por todos os trabalhadores só será possível com a superação desta sociedade através da emancipação humana. Na visão de Marx (2013) seria uma sociedade sem classe, sem exploração do homem pelo homem, sem divisão da propriedade privada, onde a riqueza será distribuída para todos, com a finalidade de proporcionar uma vida mais justa e sem distinção. REFERÊNCIAS ALENCAR, Mônica Maria Torres. O trabalho do assistente social nas organizações privadas não lucrativas. Serviço Social: direitos e competências profissionais - Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009, p. 449 a 460. AMARAL, Virgínia Borges. A memória colonial da agroindústria canavieira no brasil. 2010. AMARAL, Maria Virgínia Borges. Serviço Social na Indústria Canavieira de Alagoas: pontos para o debate. IN: COSTA, M. Gilmaisa; SOUZA, Reivan; PRÉDES, Rosa (orgs.). Crise Contemporânea e o Serviço Social. Maceió. EDUFAL, 2010. ANDRADE, Manoel Correia, 1922-. A terra e o homem no Nordeste: Contribuição ao estudo da questão agrária no Nordeste. 8. ed.- São Paulo: Cortez, 2011. ANDRADE, Manuel Correia de Andrade. 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