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PSICOPATOLOGIA GERAL – AVA TEMA 01 1 MÓDULO 01 1 VERIFICANDO O APRENDIZADO: 3 MÓDULO 02 3 VERIFICANDO O APRENDIZADO: 4 MÓDULO 03 4 VERIFICANDO O APRENDIZADO: 5 MÓDULO 04 6 VERIFICANDO O APRENDIZADO: 7 TEMA 02 8 MÓDULO 01 8 VERIFICANDO O APRENDIZADO: 10 MÓDULO 02 11 VERIFICANDO O APRENDIZADO: 13 MÓDULO 03 13 VERIFICANDO O APRENDIZADO: 16 MÓDULO 04 17 VERIFICANDO O APRENDIZADO: 19 TEMA 01 MÓDULO 01 · INTRODUÇÃO · O campo da Psicopatologia pode ser entendido como o conjunto de conhecimentos acerca do processo de adoecimento mental em seres humanos. · O CAMPO DA PSICOPATOLOGIA · Campbell define a Psicopatologia como um campo científico que trata a natureza da doença mental incluindo suas causas, mudanças de estrutura e funções, em conjunto com a forma pela qual a doença se manifesta. · Dalgalarrondo descreve a Psicopatologia como um conjunto de conhecimentos referentes ao fenômeno do adoecimento mental do ser humano. · Ao estudarmos esse campo, estamos nos deparando com vivências, estados mentais e padrões de comportamento que apresentam, ao mesmo tempo, características disfuncionais e conexões complexas com a existência e o funcionamento psíquico cotidiano. · Foucault e o conceito de loucura · Fala sobre a estigmatização e mecanismos de controle e de poder · Loucura associada a comportamentos socialmente indesejáveis · Para Karl Jaspers, a Psicopatologia é uma ciência básica que serve de auxílio à técnica clínica, tanto na Psiquiatria como na Psicologia. · Embora o objeto de estudo seja o paciente em sua totalidade, nunca é possível reduzir por completo o ser humano a conceitos psicopatológicos. · Sujeito biopsicossocial (OMS) · HISTÓRIA DA PSICOPATOLOGIA · Kraepelin traz a ideia de que existe um órgão por trás do sofrimento psíquico, e esse órgão seria o cérebro · Classificar esses quadros de sofrimento, visto que cada um demonstrava um padrão de sintomas e de evolução da doença. · Freud e o método psicanalítico · Estudo da histeria · Causa para as doenças da mente, e que essas deveriam ser causas psicodinâmicas · A ideia de que acontecimentos na vida de uma pessoa podem alterar o psiquismo · Clínica em Psicologia · Trazer à tona esses acontecimentos traumáticos passados poderia reverter suas consequências indesejadas no presente · Diagnóstico na clínica psicológica · Dentro da abordagem de Freud, o diagnóstico deveria ser feito pelo acesso ao inconsciente do sujeito, elaborado ao longo da análise · Transferência e escuta do discurso do analisando · A Teoria Comportamental migra também para a clínica · Compreensão do comportamento · Passa a ser nomeada de Teoria Cognitiva Comportamental - Aaron Beck · Deixa de estudar apenas o comportamento para investigar também os aspectos cognitivos. · O pensamento é a base para o trabalho na clínica · O diagnóstico para a TCC é a conceituação cognitiva com o reconhecimento dos pensamentos automáticos, das crenças nucleares e intermediárias · Abordagens humanistas · Abordagem Centrada na Pessoa (Carl Rogers) · Forte rejeição ao modelo diagnóstico médico e psicométrico. · O diagnóstico era considerado algo que rotulava as pessoas. · O adoecimento psíquico é entendido como um bloqueio na tendência atualizante · Ninguém poderia saber mais sobre o cliente do que ele mesmo – autoconhecimento = evolução do cliente · Gestalt-terapia (Fritz Perls) · O adoecimento psíquico ocorreria quando a capacidade de ajustamento criativo da pessoa fosse interrompida. · O diagnóstico veio voltado para o reconhecimento de padrões de evitação de contato · Diagnosticar padrões em que essas pessoas estão “presas” · O processo de diagnóstico se dá simultaneamente ao processo terapêutico · Uma mesma pessoa pode apresentar determinado padrão de evitação de contato, e na outra sessão ela já pode manifestar outros padrões · Abordagens: · Sindrômica = Apresenta uma visão descritiva dos sintomas e tem uma clínica pautada na eliminação dos sintomas · Nosológica = Busca compreender a doença pela observação e caracterização nosográfica do quadro, visando à intervenção mais investigativa e supostamente mais profunda. · Diagnóstico psicodinâmico = Preocupa-se em compreender a origem e a dinâmica do transtorno. · CORRENTES DE ESTUDO DA PSICOPATOLOGIA · Psicopatologia descritiva = estudo das alterações psíquicas e da estrutura dos sintomas. As formas importam mais. · Psicopatologia dinâmica = conteúdo da vivência patológica e normal, nos movimentos internos dos afetos, desejos, temores do indivíduo, ou seja, em sua experiência individual. · Psicopatologia médica = o adoecimento é visto como desregulação do cérebro. · Psicopatologia existencial = O sujeito que adoece é entendido como uma existência singular, como um ser lançado a um mundo que é apenas natural e biológico na sua dimensão elementar, mas fundamentalmente histórico e humano. · Perspectiva cognitiva = homem visto como conjunto de comportamentos, que podem ser observados e condicionados por estímulos · Postura psicodinâmica = homem como ser determinado e dominado por pulsões, desejos, e conflitos inconscientes · Sinais e sintomas observados são considerados como forma de expressão de conflitos inconscientes recalcados, desejos que não podem ser realizados · Sofre influência de Freud · Ideia dimensional do sintoma: doenças como compostas por dimensões (espectros) - diferentes graus de comprometimento VERIFICANDO O APRENDIZADO: 1) (Adaptado de: Prefeitura de Itambaracá - PR - 2020 - Prefeitura de Itambaracá - PR – Psicologia) Com base na conceituação de Psicopatologia, sua história e seus fenômenos, assinale a alternativa que define esse campo do conhecimento: A) É o ramo da ciência que trata da natureza essencial da doença mental, suas causas, as mudanças estruturais e funcionais associadas a ela e suas formas de manifestação. B) Como conhecimento que visa ser científico, baseia-se apenas na observação de comportamentos e normas sociais. C) A Psicopatologia pode julgar moralmente o seu objeto, além de buscar observar, identificar e compreender os diversos elementos da doença mental. D) A Psicopatologia não é uma ciência interdependente de outros saberes; é um prolongamento da neurologia ou da psicologia, apenas. E) A Psicopatologia, como ciência, exige um pensamento unicamente conceitual, que seja sistemático e que possa ser comunicado de modo inequívoco. 2) (Adaptado de MS CONCURSOS - 2021 - Prefeitura de São Francisco do Guaporé - RO – Psicólogo) Qual conceito mais se aproxima da Psicopatologia? A) É um campo clínico e de investigação teórica da psique humana, independente da Psicologia, com origem na Medicina. B) É uma área do conhecimento que objetiva estudar os estados psíquicos relacionados ao sofrimento mental. É a área de estudos que está na base da Psiquiatria e Psicologia C) É uma abordagem específica, ágil e orientada no problema atual do paciente. D) Dá ênfase às interações entre emoções, pensamentos, comportamentos e estados fisiológicos. E) Constitui o estudo unicamente clínico do comportamento do paciente. MÓDULO 02 · NORMATIVIDADE E ANORMALIDADE - CANGUILHEM · O conceito de normalidade tem a ver com o conceito de normatividade, o que está dentro da média. · Portanto, é um conceito coletivo, já que analisando apenas um indivíduo em suas particularidades, ele próprio seria a média e, portanto, normal. · A definição de normal vem a partir de um valor, e não de um fato · A anormalidade seria o desvio dessa normatividade, desses valores. · Sinal de patologia que depende do contexto em que se apresenta · CONTINUIDADE ENTRE OS FENÔMENOS DA SAÚDE E PATOLOGIA · Encontrar a diferença de qualidade entre o estado de saúde ou doença · Saúde = bem-estar biopsiossocial, logo, desequilíbrio no bem-estar = estado psicopatológico · Normatividade vital = continuidade entre os fenômenos da saúde e da patologia · Momentos da vida e diferentes “normais” · Ex: momentos de luto, a tristeza é normal, uma forma de resposta ao ambiente. · A normalidade ou a patologia, ao contrário do que o senso comum aponta, não são dois polosou conceito opostos, mas duas faces de uma mesma moeda · Tristeza para depressão – alteração dos fenômenos psíquicos normais para patológicos · A visão de doença como uma variação · VIDA E SAÚDE COMO PROCESSO CRIATIVO · Visão dinâmica: definições de normal e patológico não podem ser consideradas de forma estanque · Focar apenas a dimensão chamada patológica e seus sinais pode sacrificar o paciente · Compreender a condição do indivíduo em relação à sua totalidade · Normatividade vital: substituto da ideia de normalidade · Adoção do vitalismo contra o mecanicismo como premissa básica para explicitação da natureza dos fenômenos biológicos. VERIFICANDO O APRENDIZADO: 1) Canguilhem propõe que o estado patológico não é a ausência de uma norma, pois não existe vida sem normas de vida, e o estado patológico também é uma forma de se viver. Considerando essa afirmativa e seus estudos acerca do âmbito da Psicopatologia, assinale a afirmativa correta acerca do conceito de patologia e anomalia para o autor. A) A patologia constitui tudo aqui que foge do comportamento socialmente aceitável. B) Não existe diferença entre normalidade e patologia. C) Os estados patológicos podem ser definidos a partir da implicação que esse desvio tem, o valor positivo ou negativo que se impõe sobre o processo de preservação e reprodução da vida. D) Os estados de normalidade ou patologia não dependem de critérios psicopatológicos, mas, única e exclusivamente, de normas sociais. E) O estado patológico implica, invariavelmente, em desvio social. 2) (Agente Técnico de Assistência à Saúde (SAP SP) /2018) O conceito de normal e patológico é extremamente relativo. Não é possível discutir a questão da normalidade e da patologia sem retomar as contribuições de Canguilhem para a questão. Para esse autor, o que é normalidade? Assinale a alternativa correta. A) Normalidade é a ausência de sintomas, de sinais ou de doenças. Nesse sentido, normal é o indivíduo não portador de um transtorno mental definido. B) Completo bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente como ausência de doença. C) A definição se fundamenta sobre o conceito de normal e seu oposto, o anormal constitui um problema conceitual sem solução. D) O que em uma sociedade é considerado normal, adequado, aceito ou mesmo valorizado, em outra sociedade ou em outro momento histórico pode ser considerado anormal, desviante ou patológico, assim, o normal e o patológico são variantes históricas, apenas. E) É uma questão de grau e não apenas de natureza, isto é, nos indivíduos normais e nos anormais existem traços funcionais e disfuncionais de personalidade e de conteúdo, que, se mais ou menos ativadas, são responsáveis pelo desequilíbrio e abertura de quadros patológicos. MÓDULO 03 · SEMIOLOGIA PSICOPATOLÓGICA · Semiologia médica: estudo dos sintomas e sinais das doenças · Semiologia psicopatológica: É o estudo dos diversos sinais e sintomas relativos aos transtornos mentais. · O signo como “elemento nuclear” da semiologia - o signo é um sinal com um significado · Os sintomas são as experiências descritas pelo paciente · Enquanto o sinal é o comportamento observável e classificável, o sintoma se liga à experiência vivida e sentida pelo paciente · Doença: prejuízo das funções de um órgão ou do organismo como um todo, resultando na evidência de sintomas e sinais característicos · Critérios: · Precisa ter uma causa conhecida. · Precisa se manifestar por meio de sinais e sintomas específicos. · Precisa provocar alterações também características no organismo. · Obs: não se fala mais em doença mental, mas em transtorno mental. · Transtorno: uma alteração na saúde, nem sempre associada a uma doença propriamente dita · Não apresentam uma etiologia determinada · Sintomas mais variados · Síndrome: representa um conjunto de sinais e sintomas que, sem causa específica, resultam em vários processos patológicos, com manifestações clínicas de uma ou mais doenças e/ou transtornos · Não se fala de uma etiologia determinada, mas é possível observar uma série de moléstias e problemas · Distúrbio: não necessariamente aponta para um diagnóstico fechado, e apresenta anormalidades funcionais de um órgão ou de um sistema · Construção das características semiológicas: · etiologia; · curso temporal; · desfechos típicos; · mecanismos psicológicos e psicopatológicos; · antecedentes genéticos e de desenvolvimento; · repostas aos tratamentos mais e menos previsíveis. · Fenômenos psicopatológicos – sintomas: · Fenômenos semelhantes – em todas as pessoas · Fenômenos parcialmente semelhantes – ex: tristeza e humor deprimido · Fenômenos qualitativamente novos – próprios de uma doença ou estado mental · Validade de sistemas classificatórios de sintomas: · DSM-V · CID-11 · OMS · American Psychiatric Association · Existem seis modos diferentes com os quais a cultura pode contribuir para os transtornos mentais: · EFEITOS PATOGÊNICOS: situações nas quais a cultura é um fator de efeito direto na formação da doença. Isso se dá quando a síndrome que ocorre tende a ser relacionada à vivência cultural. · EFEITOS SELETIVOS: tendência de algumas pessoas, diante de acontecimentos vitais, de selecionar certos padrões de reação determinados pela cultura que resultam na manifestação de certos transtornos. · EFEITOS PLÁSTICOS: como a organização social contribui para a modelagem das manifestações da patologia · EFEITOS ELABORADORES: reações exageradas em algumas culturas, por meio do reforçamento cultural · EFEITOS FACILITADORES: Incidências de transtornos por meio de costumes · EFEITOS REATIVOS: Entendimento dos membros de uma cultura acerca de uma síndrome e/ou transtorno VERIFICANDO O APRENDIZADO: 1) Assinale a alternativa que contém a conceituação de semiologia psicopatológica: A) É o estudo dos sinais e sintomas dos transtornos mentais. B) É o estudo dos sintomas e sinais das doenças tanto físicas como mentais. C) São observações e descobertas objetivas sobre transtornos mentais. D) É um campo mais amplo, que estuda “a vida dos signos no seio da vida social”. E) Estudo de sinais providos de significação. 2) O problema da classificação de síndromes e transtornos na Psicopatologia está ligado a uma série de variáveis, mas principalmente à validade. Assinale a alternativa que contém o conceito correto de validade: A) Subgrupos específicos de sintomas que sejam evidentes e facilmente identificáveis por clínicos experientes. B) Determinação se um transtorno mental é real. C) Normatividade da categoria classificatória. D) Verificação se os sintomas se agrupam de maneira uniforme por todas as ocorrências do transtorno, e se a categoria apoia inferências sobre o tratamento. E) É um construto diagnóstico cuja estrutura interna corresponde a como os sintomas são estruturados na população. MÓDULO 04 · EXAME PSÍQUICO · Possui como objetivo a hipotetização de um diagnóstico, a formulação de um prognóstico e a formulação de um projeto terapêutico · Início: entrevista – rapport e vínculo · Importante que a entrevista aconteça em um ambiente seguro, agradável e no qual a obrigação de sigilo possa ser mantida. · Recomenda-se que o psicólogo se apresente e explicite de maneira clara para o paciente o motivo da entrevista e do exame psíquico · Paciente precisa entender o objetivo e dar explicitamente seu consentimento. · Caso necessário, familiares podem ser entrevistados também · Crianças e adolescentes: só é possível prosseguir com qualquer processo diagnóstico e terapêutico caso haja autorização de pelo ao menos um dos responsáveis · É preciso se preparar antes de cada atendimento, treinar a capacidade de observação da linguagem falada e corporal do paciente · Processo: · Deixar o paciente falar livremente, e só depois perguntar de modo mais específico · Saber quando e como interromper o paciente: sem cortar o fluxo da comunicação, mas sem deixar que a minuciosidade prejudique a obtenção da história clínica · Evitar perguntas muito sugestivas, fechadas, que podem ser respondidas com um simples sim ou não · Não aceitar jargões fornecidospelos pacientes, como nervoso, deprimido, tenho pânico: pedir que ele explique o que quer dizer com essas palavras. · Certificar-se de que o paciente compreende as perguntas: utilizar linguagem acessível · PONTOS BÁSICOS DO EXAME PSÍQUICO: · Anamnese: segue-se um roteiro preestabelecido, do qual o estudante ou profissional deve se lembrar · O uso desse roteiro não deve afetar a espontaneidade e a naturalidade do processo de condução de uma entrevista clínica · Itens essenciais: · Identificação - dados pessoais · Queixa principal - foco na história da doença atual · Motivo do atendimento - quando não há consciência sobre a morbidade · História da doença atual - época do início dos sintomas até o presente momento · História patológica pregressa - estados mórbidos anteriores que não se relacionam com a patologia atual · História fisiológica - gestação (da mãe), nascimento, aleitamento, desenvolvimento psicomotor, menarca, catamênios, atividade sexual, gestações, partos, abortamentos, menopausa, padrões de sono e de alimentação. · História pessoal - pode ser fundido com a história pregressa e elementos da identificação · História social · História familiar. · Além da anamnese, completo exame psíquico e a conduta terapêutica. · Construção e desenvolvimento de uma hipótese diagnóstica · Exame psíquico · Alterações presenciais e detectáveis no momento da entrevista · Na redação de prontuário são descritas as condições diante das quais foi realizado o exame, como, por exemplo, número de sessões; local; demanda etc. VERIFICANDO O APRENDIZADO: 1) Assinale a alterativa que conceitua corretamente exame psíquico: A) É a realização da anamnese do paciente. B) É a realização da primeira entrevista diagnóstica com o paciente. C) É o exame do estado mental, no qual é necessário o estabelecimento de rapport e vínculo com o paciente. D) É a escuta livre do paciente, sem objetivos prévios. E) É a realização de um questionário estruturado com o paciente. 2) Os principais requisitos para que um bom exame psíquico ocorra são o treino e o estudo. É preciso se preparar antes de cada atendimento. Assinale a característica que descreve uma afirmativa verdadeira acerca dos requisitos para um bom exame psíquico: A) É preciso saber conduzir dinamicamente o diálogo com o paciente, gerenciando o fluxo da comunicação, sem deixar que a minuciosidade ou a prolixidade (alterações da forma do pensamento) prejudiquem o contexto, a narrativa ou discurso pertencente ao contexto clínico. Sempre administrar e dirigir a entrevista. B) O diálogo deve ser tão formal e estruturado o quanto possível. C) Optar por questões sugestivas, fechadas, que podem ser respondidas com um simples sim ou não. D) Solicitar que o paciente classifique com jargões como deprimido, ansioso, com síndrome do pânico. E) Utilizar sempre uma linguagem técnica. TEMA 02 MÓDULO 01 · ALTERAÇÕES DA CONSCIÊNCIA · Consciência: · Estado vígil, estado de vigilância, acordado, lúcido · Sistema Ativador Reticular Ascendente (SARA) · Consciência subjetiva: o modo como ele percebe e conhece a sua realidade · Consciência objetiva: pode ser definida como a soma total das experiências de um sujeito · Alterações normais da consciência: os ritmos circadianos, o sono e o sonho · Ritmos circadianos (relógio biológico): oscilações fisiológicas naturais que organizam a temporalidade do nosso corpo para que ele consiga executar suas diversas funções · O sono: estado especial da consciência, que ocorre de forma recorrente e cíclica nos organismos superiores · É endógeno = seus motivos são internos do próprio organismo · É cíclico · Restabelecimento de funções orgânicas e cognitivas · O sonho: do ponto de vista neuropsicológico, o sonho tem por função manter o sono · Alterações patológicas da consciência · Alterações quantitativas: rebaixamento da consciência · Perdas graduais · Obnubilação – leve ou moderada. Sonolência, turvo, lentidão · Torpor ou sorpor – profunda. Inibição da motricidade · Coma – perda completa da consciência. · Perdas abruptas · Causas: hipoglicemia, crise dissociativa, crises convulsivas · Lipotimia – perda parcial e rápida da consciência e experimentada como uma sensação de desmaio · Síncope - colapso que provoca uma perda completa e abrupta da consciência · Alterações sindrômicas: alterações psicopatológicas associadas ao rebaixamento do nível da consciência · Delirium/amência – causa sempre fisiopatológica! O paciente aparenta estar confuso, seus pensamentos ambíguos e com conteúdo ilógico · Estado onírico - o paciente percebe uma turvação semelhante a um sonho muito real · Alterações qualitativas da consciência: · Constructos: · Foco - parte central da consciência, a parte iluminada. · Margem - parte da franja da consciência, não iluminada. · Comportamentos automáticos e mensagens subliminares · Estados crepusculares – estado transitório onde o foco da consciência fica estreito · Comportamentos explosivos e violentos · Quadros de epilepsia, intoxicações por álcool · Estado segundo – o indivíduo não consegue interpretar suas ações motoras como da sua personalidade · Choques emocionais intensos · Dissociação da consciência – o paciente perde o senso de unidade de sua personalidade, perdendo, assim, o senso da realidade · Crise histérica, diagnóstico de personalidade histriônica e borderline · Transe – o sujeito altera a margem com o foco, de modo que a sua personalidade se move para a margem, enquanto uma entidade toma-lhe o foco · Estado hipnótico – aumento da atenção concentrada do indivíduo e estreitamento do seu foco · A personalidade permanece no foco da consciência, mas, dessa vez, estreitada e concentrada · ALTERAÇÕES DA ATENÇÃO · Atenção: · É a direção voluntária da consciência · Envolve o funcionamento de uma série de funções mentais elementares: selecionar, organizar, filtrar, inibir, alternar · Funções psicológicas da atenção: · Natureza: · Voluntária – intencionalidade do sujeito em direcionar sua atenção para um objeto · Espontânea – Interesse momentâneo · Direção: · Interna - se dirige para dentro do próprio sujeito · Externa - interesse maior está no mundo · Amplitude: · Atenção focal - mantém um objeto no centro da consciência · Atenção dispersa - se dedica ao campo da margem ao foco, menor delimitação · Alterações quantitativas da atenção: · Diminuição global da atenção · Hipoprosexia – diminuição global da capacidade da atenção · Hiperprosexia – aumento global da capacidade da atenção · Fixação mental ou mania · Aprosexia – abolição total da capacidade da atenção · Demência/acidentes isquêmicos · Alterações qualitativas da atenção · Conceitos: · Tenacidade - capacidade de alguém sustentar sua atenção em um estímulo por determinado tempo · Hipotenacidade e hipertenacidade · Vigilância/mobilidade - capacidade de mudar o foco da atenção diante da variação dos estímulos · Hipovigilância e hipervigilância · Alterações: · Distração ou rigidez da atenção - estado de hipertenacidade com hipomobilidade da atenção · Superconcentração ativa da atenção sobre determinados conteúdos com inibição de tudo o mais · Distraibilidade ou labilidade da atenção - estado de hipotenacidade com hipermobilidade da atenção · O indivíduo não consegue manter por longo tempo sua atenção sobre um objeto · ALTERAÇÕES DE ORIENTAÇÃO · Orientação: · Capacidade de situar a si mesmo com relação ao ambiente, ao tempo, à sua atividade mental e sua experiência diante de estímulos internos e externos · Funções da orientação psíquica: · Orientação alopsíquica - perceber o tempo e espaço em que vive · Orientação espacial - capacidade de o paciente situar-se no local exato em que está e sua geografia mais detalhada possível · Orientação temporal - capacidade de situar-se com relação à percepção do tempo · Orientação autopsíquica - conhecimento que o indivíduo é capaz de emitir sobre si mesmo · Orientação somatopsíquica - capacidade do indivíduo se referir como ele é afetado em relação ao espaço em que vive · Integridade corporal · Alterações da orientação: · Sentido da desorientação:Tempo Espaço Si mesmo · Desorientação por redução do nível da consciência - decorrente da turvação da consciência, impossibilitando o sujeito de compreender a realidade, manter a atenção, utilizar a memória de curto prazo e a memória de trabalho · Desorientação apática - Decorrente de uma apatia, o indivíduo apresenta um desinteresse profundo, falta de motivação e pouca resposta aos estímulos · Depressão grave · Desorientação histérica - Casos de dissociação. É comum que aconteçam alterações na identidade e é marcada pelo exagero, e pela incoerência dos sintomas · Desorientação por desagregação - desagrega os conceitos das palavras, inviabilizando com isso a formação e a fluidez dos pensamentos · Esquizofrenia e estado crônico/avançado VERIFICANDO O APRENDIZADO: 1) A consciência é dotada de alterações normais e patológicas; da mesma forma que ninguém está o tempo inteiro consciente de tudo, o ciclo de vida também possui oscilações que são endógenas, cíclicas e úteis para a manutenção da vida. Quais são as alterações normais da consciência? A) Os ritmos circadianos, o sono e a estado onírico. B) Os ritmos circadianos, o sono e o sonho. C) O sono, o estado onírico e o supor. D) Estado crepuscular, o sono e o estado onírico. E) Estado hipnótico, estado onírico e sono. 2) Atualmente, as demandas clínicas sobre a atenção têm comparecido aos consultórios de Psicologia por duas causas distintas: dificuldades escolares e síndromes de pós-infecção por covid-19. Em ambos os casos, a queixa desatenção é marcante. Em uma visão clínica, diagnosticar os aspectos psicopatológicos que envolvem a desatenção impactará diretamente na conduta psicoterapêutica, demandando do avaliador uma segurança no valor diagnóstico. No que se refere à falta de atenção, qual conceito psicopatológico sobre a atenção está correto? A) A distração é um estado de labilidade e hipotenacidade com hipermobilidade da atenção. B) Tenacidade é a capacidade de mudar o foco da atenção diante da variação dos estímulos. C) A distração é causada pela rigidez da atenção, sendo um sinal de superconcentração com hipertenacidade e hipomobilidade da atenção. D) A vigilância é a capacidade de alguém sustentar sua atenção em um estímulo por determinado tempo. E) Disprosexia são os padrões de normalidade da atenção. MÓDULO 02 · ALTERAÇÕES DA VIVÊNCIA DE TEMPO E ESPAÇO · Vivência de tempo e espaço: · A percepção que um indivíduo tem do tempo e o seu senso de realidade · A capacidade de compreender o que é uma memória e de distingui-la de uma fantasia · Tempo: · Tempo subjetivo – experiência pessoal e é uma vivência interior do indivíduo. · Tempo objetivo – tempo cronológico e é exterior ao sujeito. · Percepção do espaço: · Espaço profano - caracterizado pela liberdade de ações e comportamentos, prevalência da informalidade e presença de regras mínimas para favorecer a convivência · Espaço sagrado - significativo, desligado da realidade exterior e tende a acompanhar a sensação de que se está em outro lugar muito diferente · Alterações da vivência de tempo e ritmo: · Ilusão da duração de tempo - descaracterização exagerada da percepção de tempo · Intoxicação por alucinógenos, psicoestimulantes · Atomização do tempo - perda da capacidade de perceber a fluidez temporal com o estreitamento do registro das margens do passado e do futuro · Sequência de pontos presentes que não se conectam entre si · Inibição da sensação de fluir do tempo - comprometimento na sensação do avanço subjetivo no tempo, de modo que não consegue sincronizar o tempo cronológico com o seu tempo interior · Pessoas ansiosas e depressivas · Desintegração do tempo - desvinculação da vivência com o tempo, de modo que o passado se apresenta como fragmento estranho à própria pessoa · Alterações da vivência de espaço: · Dimensões do espaço: · Exterior – demarca o limite espacial que o paciente habita com relação ao outro · Interior – espaço do ego da pessoa com relação à distância e vivência de espaço físico · ALTERAÇÕES DA SENSOPERCEPÇÃO · Sensopercepção: · Forma de registro das estimulações e se estende para o modo como as pessoas vivenciam e interpretam o tempo e o espaço · Sensação: · Estimulação de um receptor sensorial produzindo a consciência básica dos sentidos · Percepção: · Processo de se tornar consciente de objetos, relacionamentos e eventos por meio dos sentidos · Estímulos: · Imagem – designa que a percepção é real. O estímulo que causa a sensação é externo e presente · Representação - estímulo que não está real, é oriundo da memória e que representa alguma coisa que já foi apresentada como uma imagem à nossa sensação · Imaginação - uma atividade mental geralmente voluntária, que utiliza representações para produzir ou criar novos objetos · Alterações da sensopercepção: · Alterações quantitativas da sensopercepção: · Hiperestesia – sensação anormalmente aumentada na intensidade e/ou na duração · Hipoestesia – caracterizada pela sensação anormalmente rebaixada · Anestesia – perda da sensação, normalmente experimentada nas funções táteis · Analgesia – perda da sensação dolorosa de áreas da pele e parte do corpo · Disestesia – sensação anormal de dor ou formigamento em alguma parte do corpo da pessoa, a partir de estímulos externos · Parestesia – reação desproporcional e inadequada ao estímulo, sem presença de estímulos externos · Marcante nos transtornos de personalidade · Alterações qualitativas na sensopercepção: · Ilusão: percepção deformada da imagem de um objeto real e presente · Imagens eidéticas - formadas por poucos indivíduos, de modo voluntário que repete toda a nitidez e clareza como se estivesse presente · Pareidolia - formada voluntariamente a partir de estímulos imprecisos do ambiente. Percepção de sósias e criar imagens nas nuvens · Imaginação - imagens voluntárias que ganham movimentos, produção e criação apenas no campo da representação · Fantasia - processo inconsciente de realização de um desejo que não pode ser cumprido na realidade · Alucinação: percepção clara e definida de um objeto sem que esteja presente e seja real · Auditivas – simples (zumbidos) ou complexas (vozes) · Musicais – tons e melodias que não estão presentes · Visuais – pontos, manchas, pessoas, cenas · Olfativa e gustativa – cheiros e gostos sem a presença do estímulo · Cenestésicas e cinestésicas – sensações incomuns de parte do corpo/ movimentos corporais inexistentes · Autoscópica – enxergar a si mesmo como fora do próprio corpo · Hipnagógicas e hipnopômpicas – despertar/dormir. Paralisia do sono, catalepsia · Alucinose: tem uma associação direta com lesões neurológicas · Imediatamente criticadas pelo indivíduo, que passa conceber o fenômeno como estranho · Síndrome do membro fantasma · Pseudoalucinação: indica que a alucinação acontece apenas no espaço subjetivo interno paciente, de modo que abre o precedente da dúvida de o paciente estar ou não alucinando VERIFICANDO O APRENDIZADO: 1) Quais são as alterações quantitativas da sensopercepção? A) Hiperestesia e hipoestesia. B) Ilusão e alucinação. C) Hipnagógica e hipnopômpicas. D) Espaço exterior e espaço interior. E) Eidéticas e pareidolias. 2) Qual a diferença entre alucinose e alucinação? A) Nas alucinoses, o indivíduo tem a sensação de isso só acontecer dentro da sua mente. B) Nas alucinoses, a percepção da imagem de um objeto é deformada, mesmo estando ele presente. C) Na alucinação, o objeto está presente, e na alucinose, o objeto está apenas na cabeça. D) Na alucinação, são realizados os desejos inconscientes impedidos pelas condições morais. E) Nas alucinoses, há uma associação direta ao orgânico e o sujeito tem um estranhamento diante das percepções. MÓDULO 03 · ALTERAÇÕES DO PENSAMENTO · Elementos do pensamento: · Conceitos – Surgem das percepções e representações, mas são totalmente cognitivos · Juízo – novos conhecimentos sem nenhuma relação com as sensações, mas totalmente desenvolvidos pela linguagem · Raciocínio – argumentos e as narrativas que justificam as relações entre os juízos e garantem o encadeamento de conhecimentos· Alteração dos elementos do pensamento: · Alterações do pensamento com causa nos conceitos · Desintegração dos conceitos - quando acontece a perda ou transformação anormal do conceito que as palavras trazem sobre o seu sentido original · Condensação dos conceitos - junção de um ou vários conceitos sobre alguma coisa ou palavra que diverge do original. · Alterações do pensamento com causa nos juízos · Juízo deficiente - juízos falsos, provenientes de uma cognição empobrecida, por deficiência intelectual ou retardo mental · Juízo de realidade - juízos que formam os delírios nos portadores do espectro esquizofrênico e as ideias deliroides daqueles que nunca romperam surtos psicóticos ou possuem transtornos de personalidade · Alterações do pensamento com causa no raciocínio · Pensamento mágico – associações subjetivas entre as ideias, comumente envolvendo atributo de causalidade · Pensamento deirístico – frontalmente opostos ao pensamento crítico e realista, costumam ser tendenciosos aos desejos do sujeito que os emite · Pensamento inbido – velocidade reduzida e número de conceitos, juízos e raciocínios rebaixados · Pensamento vago – formam juízos e encadeamentos confusos, sem clareza · Pensamento prolixo – não conseguir chegar à conclusão sobre o tema que está no foco do assunto, geralmente margeia o tema o tempo inteiro · Pensamento concreto – pessoas que não conseguem compreender figuras de linguagens, ironias ou duplo sentido · Pensamento deficitário – pensamentos com arquitetura pobre, com carência de conceitos e com profunda limitação nos raciocínios que exigem abstrações · Pensamento demencial – deficiência nas elaborações de forma homogênea, tornando-se cada vez menos congruente e desorganizado · Pensamento confusional – decorrente do rebaixamento do nível da consciência, em que o pensamento aparece incoerente e tortuoso · Pensamento desagregado – não consegue manter uma coerência lógica entre os conceitos e os juízos · Pensamento obsessivo – ideias repetitivas que afligem a consciência do sujeito, não são facilmente removidas do seu foco, exceto se cumprirem um ritual · Pensamento ruminativo perseverativo – pensamentos repetitivos marcados por preocupações, pensamentos negativos e sem uma imposição de um ritual para reduzir a angústia · Processos do pensamento · Curso do pensamento – a velocidade e o ritmo com que o pensamento flui · Forma do pensamento – a estrutura do pensamento que dá sustentação para o interesse da pessoa · Conteúdo do pensamento – o tema ou o assunto do pensamento · Alterações dos processos do pensamento · Alterações quantitativas: · Curso do pensamento · Aceleração – ideias trocadas rapidamente · Lentificação – pensamento lento · Interceptação – interrupção sem estímulos externos e/ou internos coerentes · Roubo – percepção de que o pensamento foi retirado da mente · Fuga de ideias – aceleração do fluxo com dificuldade na associação de conceitos e juízos · Alterações qualitativas: · Forma do pensamento · Afrouxamento - se apresenta desarticulado · Descarrilamento - troca de um assunto importante para outro menos importante · Dissociação - incoerência do pensamento, é a perda das associações dos juízos · Desagregação - Perda das associações, restando fragmentos de pensamentos irreconhecíveis · Conteúdo do pensamento · Persecutórios - pensamento recorrente e intenso de estar sendo perseguido · Depreciativos - pensamento com o conteúdo de ataques à autoestima · Grandeza - desejos intensos e desproporcionais de poder · Religioso - predominam percepções de misticismo ou mágicos · Erótico - ciúmes extremos, desejos sexuais incomuns ou pensamentos eróticos · Hipocondríaco - preocupação de estar doente sem sintoma nenhum aparente · ALTERAÇÕES DO JUÍZO · Erros do juízo: · Erro simples - normal, pode acontecer sob as condições de pressa no julgamento · Juízo delirante - caracterizado pela presença de ideia prevalente com supervalorização das ideias errôneas, forte convicção, alto grau de emoção e afeto, e a superestimação afetiva favorecendo a fixação obstinada · Erros psicopatológicos - presença de ideias prevalentes · Ideias supervaloradas e com superestimação afetiva · Toma os erros delirantes como convicções semelhantes aos dogmas religiosos · Ideias egossintônicas (admissíveis para os valores do sujeito) · Delírios – o conteúdo do delírio é impossível, incomum e impróprio · Egodistônicas (não são admissíveis para os valores do sujeito) · Delírios · Dimensão: · Grau de convicção · Extensão · Bizarrice · Desorganização · Pressão · Resposta afetiva · Comportamento · Veracidade · Estrutura: · Simples - monotemáticos, isto é, todo o delírio está em apenas um tema · Complexos - pluritemáticos, possuem vários temas ao mesmo tempo · Não sistematizados - aplicados para os pacientes que sofrem com quadros confusionais, demenciais e com deficiência intelectual · Sistematizados - Comuns em quadros de paranoia, são típicos em pessoas com altos níveis de inteligência, pois são ideias marcadas com vários detalhes e justificativas para encadear as ideias delirantes · Temas: · Delírios de perseguição · Delírio persecutório: o sujeito tem uma convicção de que está sendo perseguido por alguém ou algum grupo · Delírio de referência: a pessoa experimenta como se tudo o que acontecesse no mundo fosse referente a si mesmo, acreditando que falam dela ou dirigem palavras ofensivas · Mecanismo de projeção · Delírio de relação: provoca conexões inexistentes, intensas e implausíveis entre os fatos vivenciados ou sabidos. · Delírio de influência: sensação intensa de que está sendo controlado ou influenciado por forças externas. · Delírio de grandeza: a pessoa apresenta autoestima exageradamente aumentada. · Delírio místico: ou delírio religioso. É dotado de um tema que envolve sacralidade, religiosidade ou mística. · Delírio de ciúmes: atribui crueldade e intensidade no modo em que ocorrem as traições e infidelidades do seu cônjuge. · Delírio erótico: ou erotomania. O sujeito afirma que tem um relacionamento com alguma pessoa famosa ou de grande importância para si mesmo. · Delírio de falsa identificação: o paciente acredita que pessoas com quem se relaciona foram trocadas por seus duplos ou sósias que o enganam para alguma intenção adversária. · Delírios depressivos · Delírio de reinvindicação: o paciente afirma ser vítima de terríveis injustiças e discriminações, briga por seus direitos em intermináveis disputas. · Delírio de ruínas: o sujeito acredita que o mundo está imerso em desgraças, misérias ou alvo de um apocalipse. · Delírio de culpa: a pessoa afirma ser culpada de tudo o que possa ter acontecido de ruim no mundo e na vida das pessoas. · Delírio de negação de órgãos: o indivíduo alucina que seu corpo está morto ou algum órgão está destruído, seco ou apodrecendo. · Delírio hipocondríaco: a pessoa tem convicção de que está com uma doença incurável e de que os exames estão errados ou adulterados. · Tipos menos frequentes · Delírio de reforma: percepção delirante de que veio fazer uma grande alteração no mundo ou na sociedade. · Delírio de invenção: o indivíduo afirma ter realizado uma descoberta incrível que poderá mudar o mundo ou fazer coisas inimagináveis. · Delírio cenestopático: é experimentado um conjunto de sensações desagradáveis nos órgãos internos, por meio de alteração de temperatura, peso e dor. · Delírio de infestação: paciente apresenta uma crença delirante em que está sendo invadido por vermes, piolhos, pulgas, ácaros, insetos ou pequenos organismos (vivos ou robóticos), através da sua pele. · Delírio mitomaníaco: a pessoa descreve situações fantásticas, narrativas fabulosas e impossíveis, dotado de convicção, riqueza de detalhes, porém claramente inverossímeis. VERIFICANDO O APRENDIZADO: 1) As alterações que ocorrem nos elementos do pensamento são A) aceleração e lentificação do pensamento. B) interceptação e roubo do pensamento. C) desintegração e condensação dos conceitos. D) fuga de ideias e dissociação. E) desagregação e descarrilhamento. 2) O juízo falso pode ser um errosimples, um juízo delirante ou um delírio. A diferença de um juízo delirante para um erro simples é A) presença de angústia e sentimento de tristeza que se manifesta por uma supervalorização das ideias corretas, emoção e afeto de medo, e a superestimação afetiva que desfavorecem a fixação obstinada. B) interceptação e roubo do pensamento durante conversas, defesa de tese e explicações conceituais originais. C) ausência de ideia prevalente, desvalorização das ideias, falta de convicção, baixo grau de emoção e afeto. D) presença de ideia prevalente, supervalorização das ideias errôneas, forte convicção, alto grau de emoção e afeto, e a superestimação afetiva que implicará na fixação obstinada. E) são vivências claras e óbvias de representações que ninguém vê, apenas o esquizofrênico. MÓDULO 04 · ALTERAÇÕES DA AFETIVIDADE · Afetividade · A fronteira entre a percepção e a afeição, entre a sensação e o sentimento, entre o saber e o sentir, é a mesma fronteira entre o Eu e o não Eu · Tipos de Vicência afetiva · Humor – Estado de ânimo, síntese de todos os afetos · Difuso, pode oscilar entre alegria e tristeza · Tem base somática · Emoção – Reação afetiva súbita de curta duração · Sentimento – Estado afetivo com menor intensidade e menores reações somáticas · Afeto – forma de sentir-se afetado emocionalmente diante de uma ideia ou representação mental · Paixão – estado afetivo intenso, atenção voltada para somente um objeto · Alterações da afetividade · Alterações do humor (distimia): · Disforia – mau humor · Hipotimia – estado depressivo · Hipertimia – humor dos estados maníacos (extrema alegria, euforia) · Euforia – alegria intensa e desproporcional · Elação – características da euforia, além de expansão do ego, sensação de grandeza · Irritabilidade – reatividade acima do normal, hostilidade · Puerilidade – humor infantilizado, rudimentar e regredido · Alterações da emoção: · Medo – Reação fisiológica normal a um risco de vida · Está no presente, é preciso e proporcional · Sintomas de fuga ou luta. · Fobia – Reação fisiológica do medo eliciado por um objeto que não causa risco · Objeto é visto como mais terrível que o normal · Sintomas de fuga ou luta. · Fobia social: é o medo desproporcional a interações sociais. · Agorafobia: é o medo desproporcional de aglomeração e multidão, que possa impossibilitar sua mobilidade e de encontrar a saída. · Claustrofobia: medo desproporcional de espaços apertados e fechados. · Ansiedade – Estado de humor desconfortável, negativo e inquieto (futuro) · Reações fisiológicas como dispneia, taquicardia e inquietação · Pânico: são crises agudas e intensas de ansiedade · Angústia – Reação associada à condição humana e sua existência, liberdade, escolhas de vida (passado) · Aperto no peito e na garganta · Alterações dos sentimentos: · Apatia – Diminuição da capacidade de excitar-se ou reagir emocionalmente a afetos · Anedonia – Percepção de ter perdido a capacidade de sentir prazer · Sensação de falta de sentimento – Percepção de incapacidade para sentir emoções, inclui sofrimento · Alterações da paixão: · Ciúmes – medo de perder a pessoa ou o objeto amado · Inveja – raiva e desconforto emocional por outra pessoa ter o que se desejaria para si mesmo · Dependência amorosa – estado afetivo da paixão, instável e marcado pelo excesso de tolerância · ALTERAÇÕES DA VOLIÇÃO · Processos da vontade: · Intenção – inclinação e interesse sob um objeto · Deliberação – avaliação consciente para decidir algo · Decisão – escolha consciente · Execução – processo psicomotor decorrente da decisão · Alterações da vontade · Hipobulia – Diminuição da vontade do sujeito · Abulia – Perda ou suspensão da vontade · Impulsividade – Atos psicomotores automáticos sem deliberação e decisão · Compulsividade – Atos psicomotores impulsivos, que são egodistônicos (o indivíduo tenta resistir, refrear ou adiar) · incapacidade de interromper a ação em andamento · Transtornos mentais relacionados aos atos compulsivos: · Transtorno obsessivo-compulsivo · Transtorno dismórfico corporal · Transtorno de acumulação ou colecionismo · Tricotilomania · Transtorno de escoriação · Transtornos mentais relacionados aos atos impulsivos: · Uso e dependência de substâncias · Uso e dependência de jogos e internet · Transtorno da personalidade borderline · Transtorno explosivo intermitente · Transtorno de personalidade antissocial · Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade · Transtorno disruptivo de regulação do humor · Comportamento de impulsividade e compulsividade: · Impulsos e compulsões agressivas auto/heterodestrutivas: · Automutilação: impulso de machucar-se. · Frangofilia: impulsividade intensa de destruir coisas. · Piromania: impulsividade em atear fogo. · Impulsos e compulsão de ingestão: · Bulimia: impulso de comer de forma rápida e grande quantidade de alimento, seguido do sentimento de culpa, que faz expelindo tudo. · Dipsomania: impulso de ingerir de forma rápida grande quantidade álcool até que fique desacordado ou a ponto de amnésia. · Potomania: compulsão de beber água sem que tenha sede exagerada. · Impulsos e compulsões relacionados ao comportamento sexual (transtornos parafílicos): · Pedofilia: impulso sexual com crianças ou púberes. · Gerontofilia: impulso sexual com idosos, de modo desproporcional à idade. · Exibicionismo: impulso de mostrar os órgãos sexuais. · Voyerismo: impulso de obter prazer sexual olhando outra pessoa no ato da relação sexual. · Fetichismo: impulso sexual em partes de vestimentas ou partes do corpo. · Sadismo e masoquismo: excitação sexual causando ou sofrendo dor ou humilhação/dominação no parceiro. · Zoofilia: impulso sexual dirigido a animais. · Necrofilia: impulso sexual dirigido a cadáveres. · Coprofilia: impulso sexual que obtém prazer com o uso de excrementos no ato sexual. · Uso de clisteres: utilização de objetos bizarros introduzidos nos órgãos sexuais. · Ninfomania ou satiríase: impulso sexual aumentado na mulher ou no homem geralmente causado pela fase maníaca em um transtorno bipolar. · OBS: No exibicionismo, voyerismo, fetichismo, uso de clisteres e no sadismo e masoquismo, o ato sexual se esgota na atuação do transtorno parafílico e não no contato sexual direto. · Outros impulsos e compulsões: · Cleptomania: impulso de furtar objetos sem objetivo econômico. · Jogo patológico: compulsão em jogos de azar, apesar do prejuízo financeiro e social. · Compulsão por compras: impulso de comprar sem considerar a utilidade e possiblidade financeira, normalmente, associado à busca de um alívio para a ansiedade e seguido de sentimento de culpa. · Outras alterações da vontade: · Negativismo: comportamento opositor ou de resistência automática e obstinada a todos os pedidos dirigidos a ele, não colabora com condutas médicas e se opõe a relacionamentos interpessoais. · Obediência automática: o sujeito atende a todas as solicitações de pessoas à sua volta, chegando a perder autonomia e vontade. · Fenômenos de eco: impulso em repetir a última sílaba do interlocutor (ecolalia), gestos e atos (ecopraxia), fazer reações mímicas ao outro (ecomimia) ou repetir sua escrita (ecografia). · Automatismo: é o impulso psicomotor automático e involuntário, como o movimento de lábios, e se ajeitar com alguma estereotipia. VERIFICANDO O APRENDIZADO: 1) A afetividade diz respeito a algo que afeta a totalidade do indivíduo, e saber distinguir os conceitos que circundam cada afeto é de extrema importância. Sobre as alterações nas emoções, existe a angústia que se caracteriza por A) não saber ao certo o objeto de causa, mas sabe-se que está no passado. B) ser uma reação normal diante de um risco de vida que afeta o fisiológico. C) ser acompanhado pelo sintoma de luta ou fuga. D) ser explicado pela ansiedade de desempenho e pela ansiedade antecipatória. E) ser dividido em pânico e agorafobia. 2) Vontade não é coisa que dá e passa! Na verdade, o ato volitivo é um processo que acontece em quatro etapas. Assinale a alternativa que corresponde ao passo da deliberação da vontade: A) Éo interesse da pessoa. B) É o momento em que inicia o processo psicomotor. C) É a avaliação consciente dos prós e contras. D) É a escolha consciente para a realização da vontade E) É o desinteresse do objeto que não será escolhido 2