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PLANO DE AULA APOSTILADO 
Escola Superior de Teologia do Espírito Santo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SociologiaSociologiaSociologiaSociologia 
Estudo do homem e sua vida em sociedade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Escola Superior de Teologia do ES 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Escola Superior de Teologia do Espírito Santo – ESUTES, é amparada pelo disposto no 
parecer 241/99 da CES (Câmara de Ensino Superior) – MEC 
O ensino superior à distância é amparado pela lei 9.394/96 – Artº 80 e é considerado um dos 
mais avançados sistemas de ensino da atualidade. 
Sistema de ensino: Open University – Universidade aberta em Teologia 
O presente material apostilado é baseado nos principais tópicos e pontos salientes da matéria 
em questão. 
A abordagem aqui contida trata-se da “espinha dorsal” da matéria. Anexo, no final da apostila, 
segue a indicação de sites sérios e bem fundamentados sobre a matéria que o módulo aborda, 
bem como bibliografia para maior aprofundamento dos assuntos e temas estudados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 3 
 __________ 
 SSSSSSSSuuuuuuuummmmmmmmáááááááárrrrrrrriiiiiiiioooooooo 
 ____________________________ 
 
 
 
 
 
 
O Que é Sociologia............................................................................................................................04 
Karl Marx............................................................................................................................................05 
Dialética - Há muito o que dizer e em que refletir sobre a Dialética; mencionamos apenas dois 
pontos...............................................................................................................................................05 
Durkheim e “As Regras”....................................................................................................................06 
Weber – A Jaula de Ferro do Capitalismo..........................................................................................06 
Georg Lukács.....................................................................................................................................06 
Escola de Frankfurt..... ......................................................................................................................06 
Teologia da Libertação.......................... ..........................................................................................06 
O Estudo da Sociedade.....................................................................................................................08 
Ciencias Sociais, História e Filosofia ................................................................................................14 
Estrutura Social, Sociedades e Civilizações .....................................................................................21 
Família e Parentesco.........................................................................................................................27 
Grupos e Classes Sociais .................................................................................................................33 
Religião e Moralidade........................................................................................................................38 
Educação...........................................................................................................................................42 
Fatores de Mudança Social ...............................................................................................................47 
A Natureza Biológica do Homem ......................................................................................................51 
A Família............................................................................................................................................52 
Bibliografia.........................................................................................................................................56 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 4 
 
 
 
OO QQuuee éé SSoocciioollooggiiaa 
 
 Europa, final da Idade Média, crise do Modo de Produção Feudal. Classicamente, se 
diz que o Modo de Produção entrou em contradição com os interesses das Forças Produtivas. 
Naquele caso, embora a densidade demográfica crescesse assustadoramente, de nada 
adiantava produzir mais porque o excedente não iria para aqueles deles necessitados; iria 
engordar ainda mais os cofres da Nobreza. 
 As pessoas começam a se rebelar, fogem dos feudos (a que eram “presas” por laços de 
honra) e passam a roubar ou com parcos recursos comprar bens baratos a grandes distâncias 
vendendo-os mais caro onde eram desejados – ressaltem-se as famosas “especiarias” , ou seja, 
na Europa. A prática do lucro era condenada pela Igreja Católica, a maior potência do mundo 
à época. Mas para os fugitivos dos feudos, fundadores de burgos, que serão mais tarde 
chamados de “burgueses”, não restava outra alternativa exceto a atividade comercial voltada 
ao lucro, tida como “desonesta” por praticamente todas as culturas e civilizações do mundo a 
partir de todos os pontos de vista éticos. 
 
 O capitalismo era como um pequenino câncer que surgiu no final da sociedade feudal. 
Foi crescendo, crescendo e hoje, a burguesia e seus interesses comerciais se sobrepõem ao ser 
humano numa infecção que contamina todo o planeta. Aquelas sociedades que buscam a cura 
para este mal são “reconvertidas” ao satanismo pagão de holocaustos ao deus-mercado 
através de diversas formas de pressão e, no limite, uso da força física, como ocorreu no Chile 
de Salvador Allende e, mais recentemente, no Afeganistão – um com proposta socialista, 
outro com proposta islâmica; ambos intoleráveis hereges dentro do fundamentalismo de 
mercado. 
 Era fundamental reorganizar a sociedade de maneira a que os novos donos da riqueza 
fossem também os donos do poder. Surge uma nova religião para reforçar uma ética mais 
consentânea com os tempos cambiantes: surge o protestantismo. Os padres diziam nas missas 
– embora sua prática fosse bem outra... – ser “mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma 
agulha do que um rico entrar no reino dos céus”, reiterando serem pecaminosos aqueles que 
praticavam a cobrança de juros, lucros... “Usurários”, enfim, eram todos enfileirados no 
caminho que conduz ao fogo do inferno. Por outro lado começam a surgir ex-padres, agora 
pastores que passam a informar: “se a mão de Deus estiver sobre a sua cabeça, você 
prosperará imensamente nesta terra; nisso você verá um sinal de estar sendo por ele 
abençoado”... Se você tivesse enriquecido à beçana base do comércio lucrativo, ou do 
empréstimo a juros, preferiria o discurso do padre (vale repetir, em contradição com a sua 
prática) ou o do pastor? Assim cresceram as seitas protestantes pelo mundo afora. 
 Politicamente a burguesia endinheirada sentia-se lesada tendo de pagar tributos à 
antiga nobreza, agora praticamente falida. No início compravam títulos de nobres aos de 
antiga linhagem – que os discriminavam! – a seguir passaram a pensar em alternativas mais 
radicais (ser radical é ir à raiz e a burguesia foi radical no período de suas glórias 
revolucionárias!) como convocar os trabalhadores a uma aliança contra a nobreza e implantar 
um novo tipo de regime político, muito mais interessante e lucrativo para a burguesia, a 
“república”. Os burgueses convocaram seus empregados, desempregados e desesperados, 
superiores em número, para uma aliança contra a nobreza ou “antigo regime” e, após muitos 
percalços, saem-se vitoriosos. Agora, “duque”, “king” e “marquesa” passam a ser nomes de 
animais domésticos da burguesia! O passo seguinte foi agradecer e condecorar trabalhadores, 
desempregados e desesperados e mandá-los de volta a seus trabalhos, a seus desempregos e a 
seu desespero. 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 5 
 Estes, à medida que se conscientizavam de que foram usados para uma troca de poder 
que em absolutamente nada lhes beneficiou começam a organizar-se em sindicatos e outras 
agremiações classistas, por vezes secretas, maçônicas mesmo, por vezes aberta mas sempre e 
imediatamente proclamadas ilegais ou heréticas e perseguidas por todo o aparato estatal e 
religioso que a burguesia podia colocar em marcha! 
 
 Karl Marx 
 Um pedaço da enorme colcha de retalhos que mais tarde constituiria a Nação Alemã, 
filho de burgueses e educado no mais rigoroso protestantismo, incrivelmente perspicaz, cedo 
percebeu que enquanto houver neste mundo gente que se alimenta e gente que passa fome, 
enquanto houver opressores e oprimidos a espécie humana inteira estará refém da insânia. 
Chegou à conclusão de que somente a partir do ponto de vista de quem não tem 
absolutamente nada a perder se pode almejar a vislumbrar a verdade. Adotando o ponto de 
vista dos trabalhadores, criou uma ferramenta intelectual inédita e até hoje imbatível para a 
compreensão do Real. Com base no socialismo chamado “utópico” dos franceses, da filosofia 
clássica alemã (em particular o materialismo de Feuerbach e a dialética de Hegel) e a 
economia clássica inglesa construiu o MATERIALISMO DIALÉTICO, filosofia voltada não 
apenas à ascensão da classe trabalhadora ao poder, mas à libertação de toda a espécie humana 
de toda a classe de opressão e exploração. 
 
Dialética - Há muito o que dizer e em que refletir sobre a Dialética; mencionamos apenas dois pontos: 
Movimento: Tudo está em movimento, tudo se transforma, freqüentemente em seu contrário... É 
como as nuvens no céu: você olha, está de um jeito; olha novamente, a configuração já mudou 
completamente. 
 A essência é mais significativa que a aparência: Este postulado fez com que a Dialética ficasse 
conhecida como “Filosofia Negativa”, pois buscava a compreensão do que está para além da superfície, 
do “Positivo”, da mera aparência fenomênica de alguma coisa. 
 Evidentemente era necessário que a burguesia também produzisse uma teoria em 
defesa de seus pontos de vista e poucos foram tão brilhantes – e influenciaram tanto a nossa 
combalida Nação – quanto o positivismo. 
 Era necessário olvidar a essência e trabalhar com o que é perceptível aos sentidos 
físicos mais grosseiros e imediatos. Era necessário esquecer a “filosofia negativa” e, voltando 
ao reino das aparências criar uma filosofia capaz de compreender o social com tanta precisão 
quanto a matemática ou a física – que hoje sabemos também serem imprecisas... 
 Eivado de motivos nobres, impregnado de boas intenções, aquelas mesmas que 
pavimentam todas as estradas do inferno, Comte pregava a necessidade de “libertar o 
conhecimento social de toda a ingerência filosófica”, como se isso fosse possível... Mas... Se o 
fosse? Seria desejável? Se a filosofia responde a muitas questões que dizem respeito ao ser do 
homem no mundo, qualquer ciência que se volte a compreender o homem “afastando a 
ingerência filosófica” tende mais a falsear a compreensão do ser humano do que a 
compreendê-lo. Falando claramente: para que uma ciência humana mereça ser chamada de 
“científica”, tem de ser filosófica! O oposto disso é simplesmente fechar os olhos ao que 
constitui o SER do homem. 
 Mas Comte e seus discípulos criaram um sistema “científico” voltado a conciliar o 
inconciliável: a Luta de Classes. Olvidando totalmente a existência concreta de interesses 
antagônicos na Sociedade Burguesa, a Luta de Classes, busca integrar a todos em torno do 
ideal ou meta burguesa – “integralismo”, por sinal, tem esta raiz... –; crescendo por etapas ou 
degraus seria possível chegar-se a uma precisão “científica”, não filosófica, acerca da 
sociedade e do ser do homem. Os positivistas contemporâneos, que já percebem as falhas do 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 6 
positivismo clássico, mantêm suas mesmas raízes, suas mesmas motivações – “conciliar 
Capital e Trabalho”, “que os ricos sejam mais ricos para que, através deles os pobres sejam 
menos pobres”, e outras idiotices só críveis porque repetidas em altos brados e ad nauseam... 
Durkheim e “As Regras” 
 Discípulo genial de Comte, Émile Durkheim sistematizou algumas de suas idéias e foi 
o primeiro a usar efetivamente a expressão “Sociologia” para referir-se ao estudo em pauta, 
que seu mestre ainda chamava de “Física Social”. 
 
 O que é fato social? Tudo o que é coletivo, exterior ao indivíduo e coercitivo, em linhas 
gerais. Como compreender o fato social? Primeiro passo: “Afastar sistematicamente as pré-
noções”. Como se fosse possível ao ser humano estar acima de todos os sentimentos, emoções, 
e “juízos de valor”... Como se a própria colocação da questão – seja ela qual for – não traga 
nela embutidos os juízos ou as pré-noções... Posição hoje indefensável, Durkheim tem 
contudo enorme valor para a Sociologia contemporânea. 
Weber – a jaula de ferro do capitalismo 
 Max Weber, um dos maiores gênios do século XX, filho de pastor evangélico, lutou na 
Primeira Guerra Mundial como capitão do exército prussiano chegou à conclusão de que é 
necessário não tomar partido, separar o “lugar da teoria” do “lugar da prática” em ciência 
política. Segundo o capitão evangélico, a inteligência deve ser livre de vínculos (em alemão, 
Freischwebend Intelligenz). Sua posição de professor conservador, liberal, militar e evangélico 
talvez explique os motivos do “acidente de trabalho” que o conduziu a uma profundíssima 
crise depressiva que durou quatro longos anos em que até a alimentação era levada à sua boca 
pela esposa. Quatro anos em que, consta, não pronunciou uma única palavra, não escreveu uma 
única linha. De repente, o gênio adormecido desperta para o espanto de todos e compõe uma 
das mais geniais obras sociológicas do século XX – “A Ética Protestante e o Espírito do 
Capitalismo”. 
 
Georg Lukács 
 Húngaro, o mais notável discípulo de Weber, percebe-lhe as limitações e conduz os 
avanços sociológicos que esta corrente positivista havia logrado atingir ao marxismo, a que se 
alinha com muito maior conforto. O Clássico “História e Consciência de Classe” é um leitura 
obrigatória a todo aquele que queira compreender o ser humano vivendo em sociedade. O 
peso de sua erudição não tira o interesse do trabalho, ao contrário. Foium dos últimos brilhos 
a ir mais longe que Marx dentro do pensamento marxista. 
 Escola de Frankfurt 
 É fundamental citar o lugar dos teóricos de Frankfurt, particularmente Herbert 
Marcuse, que resgata a Dialética Materialista com grande ênfase à Dialética. Sua grande obra 
ainda é “Razão e Revolução”. É nela que se defende que o grande critério a submeter o Real é 
a Razão Humanista. O Capital é irracional: desiguala os semelhantes e equaliza os 
dessemelhantes. Você vale o quanto é capaz de produzir e é avaliado não pela grandeza de 
sua alma e de seus valores humanos, mas do quanto você tem em bens materiais. Isso é a 
Destruição da Razão (em alemão, “Zerstorung der Vernunft”). 
 
Teologia da Libertação 
 Segundo os grandes filósofos europeus contemporâneos, esta é a grande contribuição 
da América Latina em geral e do Brasil em particular ao Saber Universal. O revolucionário em 
busca de um mundo melhor, como Che Guevara ou o padre Camilo Torres é equiparado aos 
primeiros cristãos. O comunismo nascente comparado ao cristianismo também em processo 
de parturição no Império Romano. Assim como o Império Romano negou o cristianismo por 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 7 
quase 400 anos, proclamando-lhe extinto, acabado, morto e era aterrorizado pelo fantasma de 
seu cadáver insepulto o Capital proclama reiteradas e repetidas vezes a “morte do 
comunismo”. O que Weber chamava de “jaula de ferro” os Teólogos da Libertação chamam 
de “pessimismo defensivo” da burguesia. Em síntese, eles dizem: “não tem jeito”. “Sempre foi 
e sempre será assim” – preenchendo o futuro como se houvesse uma linha invisível a ligar 
todos os tempos, como se a Vontade humana não houvesse sido capaz de proezas 
memoráveis como a transformação do Império Romano num Império Cristão; a travessia do 
“Mar Tenebroso” que todos “sabiam” intransponível e a chegada ao Novo Mundo; os 
exemplos se multiplicam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 8 
 
 
 
OO EEssttuuddoo ddaa SSoocciieeddaaddee 
 
"Contemplar todos os homens do mundo, que se unem em sociedade para trabalhar, lutar e aperfeiçoar-
se, deve-lhe agradar mais do que qualquer outra coisa." 
 ANTÔNIO GRAMSCI, numa carta escrita da prisão ao seu filho Delio. 
 
Durante milhares de anos, os homens observaram e refletiram sobre as sociedades e grupos 
nos quais vivem. Não obstante, a Sociologia é uma ciência moderna, que não tem muito mais 
de um século. Auguste Comte, em sua classificação das ciências, considerou-a, lógica e 
cronologicamente, posterior às demais ciências, como a menos geral e a mais complexa de 
todas. E um dos maiores antropólogos modernos observou que "a ciência da sociedade 
humana está ainda em sua primeira infância". 
É certo que podemos encontrar, nos escritos dos filósofos, pregadores religiosos e legisladores 
de todas as civilizações e épocas, observações e idéias relevantes para a Sociologia moderna. A 
Arthashâstra, de Kautilya, e a Política, de Aristóteles, analisam sistemas políticos de formas que 
ainda interessam ao sociólogo. Não obstante, há um sentido real no qual uma nova ciência da 
sociedade, e não apenas um nome novo, foi criado no século XIX. Vale a pena notar as 
circunstâncias em que isso ocorreu e examinar as características que distinguem a Sociologia 
do pensamento social anterior. 
As circunstâncias nas quais a Sociologia surgiu podem ser distinguidas como intelectuais e 
materiais, e examinarei separadamente cada uma delas. Naturalmente/estavam interligadas, 
e qualquer história sociológica da Sociologia — que ainda não foi escrita — teria de levar em 
conta essas ligações. Nesta rápida introdução, só posso mencionar alguns dos fatores mais 
importantes. 
Os principais antecedentes intelectuais da Sociologia não são difíceis de identificar. "De modo 
geral, podemos dizer que a Sociologia tem uma quádrupla origem: na Filosofia Política, na 
Filosofia da História, nas teorias biológicas da evolução e nos movimentos para a reforma 
social e política, que julgaram necessário empreender levantamentos das condições sociais." 
Duas dessas fontes, a Filosofia da História e o levantamento social, foram particularmente 
importantes, de início. Também elas haviam chegado tarde à história intelectual do homem. 
A Filosofia da História, como ramo distinto de especulação, é uma criação do século XVIII. 
Entre seus fundadores estão o Abade de Saint Pierre e Giambattista Viço. A idéia geral do 
progresso, que ajudaram a formular, influi profundamente na concepção que o homem tem 
da história e se reflete nas obras de Montesquieu e Voltaire na França, de Herder na 
Alemanha, e de um grupo de filósofos e historiadores escoceses de fins do século XVIII, 
Ferguson, Miliar, Robertson e outros. Essa nova atitude histórica se expressa claramente num 
trecho da "Memoir of Adam Smith", de Dugald Stewart: "Quando, num período da sociedade 
como este em que vivemos, comparamos nossas conquistas intelectuais, nossas opiniões, 
costumes e instituições, com os que predominaram entre as tribos selvagens, não podemos 
deixar de indagar uma questão interessante, a dos passos graduais Ia transição, desde os 
primeiros e mais simples esforços da natureza inculta até um estado de coisas tão 
maravilhosamente artificial e complicado." Stewart prossegue, dizendo que faltam 
informações sobre muitas fases desse progresso, e que seu lugar leve ser tomado pela 
especulação baseada nos "princípios conhecidos da natureza humana". "A essa espécie de 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 9 
investigação filosófica, que não tem nome adequado em nossa linguagem, tomarei a liberdade 
de dar o título de História Teórica ou Conatural, expressão que coincide aproximadamente, em 
sentido, com a de História Natural, tal como usada por Hume, e com que certos autores 
franceses chamaram de Histoire Raisonné." 
Em princípios do século XIX, a Filosofia da História exerceu importante influência intelectual, 
através dos escritos de Hegel ; Saint-Simon. Desses dois pensadores brotam as obras de Marx 
e Comte, e portanto algumas das correntes importantes da Sociologia moderna. Podemos 
avaliar rapidamente as contribuições da Filosofia da História à Sociologia considerando-as 
como tendo sido, no aspecto filosófico, as noções de desenvolvimento e progresso, e, no 
aspecto científico, os conceitos dos períodos históricos e tipos sociais. Foram os historiadores 
filosóficos que tiveram, em grande parte, a responsabilidade pela nova concepção da 
sociedade como algo mais do que a "sociedade política" ou Estado. Ocupavam-se de toda a 
gama das instituições sociais estabeleceram uma cuidadosa distinção entre o Estado e o que 
chamavam de "sociedade civil". O Essay on the History of Civil Society (1767), de Adam 
Ferguson, talvez seja o melhor exemplo dessa abordagem; em tradução alemã, essa obra 
parece ter proporcionado a Hegel a sua terminologia, e influenciado sua abordagem, nos 
primeiros trabalhos que escreveu sobre a sociedade. Ferguson, nesse ensaio e outros 
posteriores, discute a natureza da sociedade, população, família e parentesco, as distinções de 
posição hierárquica, propriedade, governo, costumes, modalidade e direito — ou seja, trata a 
sociedade como um sistema de instituições correlatas. Além disso, procura classificar as 
sociedades em tipos e distinguir as fases do desenvolvimento social. Características 
semelhantes encontram-seem muitos dos trabalhos dos autores a que chamei de historiadores 
filosóficos. Eles representam uma unanimidade notável e uma modificação abrupta do 
interesse dos homens pelos estudos da sociedade humana. Essas características reaparecem no 
século XIX, no trabalho dos primeiros sociólogos, Comte, Marx e Spencer. 
Um segundo elemento importante na Sociologia moderna é proporcionado pelo levantamento 
social, que em si mesmo teve duas fontes. Uma foi a crescente convicção de que os métodos 
das Ciências Naturais deviam e podiam ser estendidos ao estudo das questões humanas, que 
os fenômenos humanos podiam ser classificados e medidos. A outra foi a preocupação com a 
pobreza (o "problema social"), conseqüente da aceitação do fato de que, nas sociedades 
industriais, ela já não era um fenômeno natural um castigo da natureza ou da providência, 
mas o resultado da ignorância e da exploração humanas. Sob essas duas influências, o 
prestígio da ciência natural e os movimentos de reforma social, os levantamentos sociais 
passaram a ocupar lugar importante na nova ciência da sociedade. 
Esses movimentos intelectuais, a Filosofia da História e, o levantamento social não estavam 
isolados das circunstâncias sociais dos séculos XVII e XIX na Europa Ocidental. O novo 
interesse pela História e pelo desenvolvimento foi despertado pela rapidez e profundidade da 
transformação social, e pelo contraste das culturas, que as viagens dos descobrimentos 
revelaram atenção do homem. A Filosofia da História não foi apenas ilha do pensamento: 
nasceu também de duas revoluções, a revolução industrial na Inglaterra e a Revolução 
Francesa. Igualmente, o levantamento social não surgiu apenas da ambição de aplicar os 
métodos da ciência natural ao mundo humano, mas de :ma nova concepção dos males sociais, 
também influenciada pelas possibilidades materiais de uma sociedade industrial. Um 
levantamento social da pobreza, ou de qualquer outro problema social, o tem sentido se 
acreditarmos que algo poderá ser feito para remover ou minorar tais males. Creio ter sido a 
existência da pobreza generalizada em meio das grandes e crescentes forças produtivas a 
responsável pela modificação de perspectiva, segundo a qual ela deixou de ser um problema 
natural (ou uma condição natural) para tornar-se um problema social, sujeito a estudo e 
aperfeiçoamento. Essa modificação constituiu, pelo menos, um elemento importante na 
convicção de que o conhecimento exato poderia ser aplicado à reforma social; e, mais tarde, 
que, como o homem estabeleceu um controle cada vez mais completo sobre seu meio físico, 
também poderia controlar seu leio social. 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 10 
Anteriormente consideramos os elementos liberais e radicais no pensamento sociológico que 
vieram diretamente do Iluminismo da Revolução Francesa. Em alguns escritos recentes, 
entretanto, maior importância foi dada às idéias com as quais contribuíram para a Sociologia 
os pensadores da reação conservadora romântica, especialmente de Bonald e de Maistre, 
através da influência sobre Saint-Simon, Comte e de Tocqueville. Robert Nisbet, por exemplo, 
refere-se à reorientação do pensamento social, que permitiu o aparecimento da Sociologia 
como "... uma ação do tradicionalismo contra a razão analítica", e resume sua opinião da 
seguinte maneira: "O paradoxo da Sociologia... rede no fato de que embora se situe, pelos 
objetivos e valores científicos e políticos das suas principais figuras, na corrente do 
modernismo, seus conceitos essenciais e sua perspectiva implícita colocam-na mais próxima, 
em geral, do conservadorismo filosófico. Comunidade, autoridade, tradição, o sagrado, são 
preocupações conservadoras da época..." De acordo com Nisbet, constituem, também, 
importantes "idéias-unidade" da Sociologia. Um argumento semelhante foi proposto por 
Marcuse, o qual contrasta o conservadorismo do positivismo sociológico de Comte com o 
radicalismo da "razão crítica", que ele considera como característica essencial da teoria social 
de Hegel, encontrando sua plena expressão no pensamento marxista. 
A influência dos pensadores conservadores sobre a Sociologia é fora de dúvida, A distinção 
que Saint-Simon faz entre períodos "críticos" e "orgânicos" da História, e sua defesa de uma 
nova doutrina moral para unir os homens na sociedade industrial pós-revolucionária, 
refletem essa influência, e ao mesmo tempo preparam o caminho para a preocupação de 
Comte com o reestabelecimento da "ordem social". Mas Saint-Simon foi também fonte de 
outras idéias, relativas a classe e propriedade, que deram origem a diferentes escolas de 
pensamento no socialismo de seus seguidores e mais tarde de KarI Marx. Há uma dupla 
tradição no pensamento sociológico, e os diversos elementos que vieram a formá-la precisam 
ser cuidadosamente distinguidos. 
Assim, a pré-história da Sociologia pode ser localizada num período de cerca de cem anos, 
mais ou menos entre 1750 e 1850; ou, digamos, da publicação do Esprit dês Lois, de 
Montesquieu, até o trabalho de Comte e os primeiros escritos de Spencer e Marx. O período 
formativo da Sociologia como ciência distinta ocupa a segunda metade do século XIX e inícios 
do nosso século. Podemos ver, pelo breve exame de suas origens, algumas das características 
assumidas inicialmente pela Sociologia. Em primeiro lugar, era enciclopédica —ocupava-se da 
totalidade da vida social do homem e da totalidade da história. Em segundo lugar, sob a 
influência da Filosofia da História, reforçada pela teoria biológica da evolução, era 
evolucionista, procurando identificar e explicar as principais fases da evolução social. Em 
terceiro lugar, era concebida como uma ciência positiva, de caráter idêntico ao das Ciências 
Naturais. No século XVIII, as Ciências sociais eram consideradas, em geral, segundo o modelo 
da Física no século XIX, a Sociologia modelou-se pela Biologia. Isso se vidência pela 
concepção amplamente difundida da sociedade amo um organismo, e pelas tentativas de 
formular leis gerais e evolução social. Em quarto lugar, a despeito da sua pretensão de ser 
uma ciência geral, a Sociologia lidava, em particular, com os problemas sociais provenientes 
das revoluções econômicas e políticas do século XVIII; era, acima de tudo, uma ciência da nova 
sociedade industrial. Finalmente, tinha um caráter ideológico, bem como um caráter científico; 
idéias conservadoras e radicais entraram na sua formação, dando origem a teorias 
conflitantes, e provocando controvérsias que continuam até hoje. 
Essas amplas pretensões despertaram, naturalmente, oposição, em particular entre os que 
trabalhavam em campos mais circunscritos e mais especializados, entre os historiadores, 
economistas e cientistas políticos. É de duvidar que, até o presente, Sociologia tenha 
conseguido realizar totalmente suas pretensões iniciais. Mas devemos distinguir entre as 
diversas pretensões e entre os pretensos âmbitos do assunto e as pretensas descobertas da 
Sociologia. Ninguém acredita mais que Comte ou Spencer tenham descoberto as leis da 
evolução social (embora muitos acreditem que Marx as descobriu). 
A oposição à Sociologia em sua primeira fase foi provocada em grande parte pelo sentimento 
de que ela visava não à coordenação, mas à absorção das outras Ciências Sociais. No trabalho 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 11 
dos sociólogos posteriores, essas ambições são afastadas explicitamente. Hobhouse, por 
exemplo, concebia a Sociologia como ma ciência que tem a totalidade da vida social do 
homem como sua esfera", e não como outro especialismo. Via, porém, sua relação com as 
demais "Ciências Sociais como um intercâmbio e um estímulo mútuos. "... a Sociologia Geral 
não é umaciência separada, completa em si antes que o especialismo comece, nem uma 
simples síntese das Ciências Sociais, constituída da justaposição mecânica de seus resultados. 
É antes um princípio vitalizador que corre por toda a investigação social, alimentando-a e 
sendo por ela alimentado, estimulando a pesquisa, correlacionando resultados, exibindo a 
vida do todo nas partes e voltando do estudo das partes para uma maior compreensão do 
todo". 
Na Alemanha, como Raymond Aron observou, a Sociologia foi rejeitada a princípio, devido 
ao seu caráter enciclopédico. Ali, como em outros lugares, fez-se uma tentativa para definir e 
limitar seu campo, mas nesse caso pela construção de ma ciência abstraía das "formas" da vida 
social, em grande arte sob a influência de Georg Simmel, que formulou a sua concepção de 
uma ciência da sociedade nos seguintes termos: “separar, pela abstração científica, esses dois 
fatores de forma e conteúdo que estão na realidade inseparavelmente unidos; separar, pela 
análise, as formas de interação ou sociação dos seus conteúdos (somente através dos quais 
estas formas tornam-se armas sociais), e colocá-las juntas, sistematicamente, sob um ponto de 
vista científico coerente — esta parece-me a base para única possibilidade de uma ciência 
especial da sociedade como tal”. Mas, juntamente com essas tentativas, houve um interesse 
continuado na interpretação histórica e na Sociologia da cultura, estimulada pelo marxismo. 
Esses vários interesses uniram-se no escritos de Max Weber, em cuja obra, como na de 
Durkheim, vemos a mesma preocupação em promover uma interpretação sociológica dentro 
das disciplinas existentes: História, Direito, Economia, Política, Religião Comparada. 
Assim, os sociólogos clássicos pretendiam estabelecer o âmbito e os métodos da nova 
disciplina, mostrando a sua importância pela investigação e explicação dos fenômenos sociais 
mais importantes, e associá-la intimamente às outras Ciências Sociais. A Sociologia posterior 
divergiu, em certos aspectos, dessas pretensões. Durante as décadas de 1940 e 1950, 
desenvolveu-se, por um lado, uma preocupação com a construção de esquemas conceptuais 
bastante elaborados, exemplificada plenamente pelo trabalho de Talcott Parsons e seus 
seguidores; e, por outro lado. um deslumbramento com as técnicas de pesquisa sociológica 
aplicadas a problemas menores e às vezes triviais. Ao mesmo tempo, os sociólogos 
começaram a mostrar a preferência, nas suas pesquisas, por assuntos "residuais", que não 
estavam claramente dentro da esfera de outras Ciências Sociais e que poderiam, desta forma, 
ser considerados como estritamente sociológicos, num sentido bastante estreito. Um exame da 
Sociologia americana mostra que em 1953-4 os dois principais campos de pesquisa socioló-
gica, em termos do número de projetos, foram os estudos urbanos e de comunidade, e de 
matrimônio e família. A tendência em outros países tem sido semelhante. 
Durante a última década, entretanto, a Sociologia tomou novo rumo, largamente inspirado, no 
começo, pela obra de C. Wright Mills. Nos seus escritos sobre as classes sociais e o poder nos 
Estados Unidos, particularmente em White Collar (1951) e The Power Elite (1956), Mills mostrou 
o valor dos estudos, historicamente orientados, de elementos estruturais fundamentais numa 
sociedade industrial complexa; e em The Sociological imagination (1959) extraiu, da sua própria 
experiência, bem como da tradição sociológica de Marx e Weber, na Europa, de Veblen e 
Lynd, na América, elementos para criticar as tendências predominantes na Sociologia, e 
defender estudos mais ousados, mais imaginativos, dos problemas políticos e sociais do 
mundo de pós-guerra. Desde então, o tipo de Sociologia adotado por Mills renasceu, 
auxiliado pelo aparecimento de uma crítica social mais generalizada. Os sociólogos 
começaram a se interessar novamente pelos aspectos mais amplos da estrutura social e suas 
mudanças; a examinar as características básicas das sociedades industriais, a estudar as 
implicações sociais do rápido progresso, da ciência e da tecnologia, a investigar as origens e 
conseqüências de movimentos sociais e revoluções, a examinar os processos de 
industrialização e desenvolvimento econômico. Assim fazendo, adotaram uma atitude 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 12 
contestadora e polêmica em relação aos acontecimentos sociais, muito mais no espírito dos 
antigos sociólogos; eles não se satisfazem mais com as interpretações prontas das sociedades 
modernas, ou com a mera descrição è classificação de fenômenos sociais como aparecem num 
dado momento. Um indício dessa nova perspectiva é o renovado interesse por problemas 
relacionados ao desenvolvimento da sociedade. Um outro indício intimamente relacionado ao 
primeiro, é o renascimento do marxismo, de uma forma muito menos dogmática e mais 
elaborada, como teoria geral da sociedade. 
Esse desenvolvimento recente levou a uma maior difusão da abordagem sociológica para as 
outras Ciências Sociais. Em Ciência Política existia há muito tempo uma importante área de 
pesquisa sociológica, derivada dos trabalhos de Max Weber, Michels e Pareto, bem como dos 
escritos marxistas, mas ela foi grandemente ampliada por estudos mais intensivos de partidos 
políticos, elites, grupos de pressão, comportamento eleitoral e burocracia, e mais recentemente 
por estudos sobre movimentos sociais (particularmente os novos movimentos radicais da 
década de 60), e sobre mudanças políticas nos países em desenvolvimento. Na Economia, que 
possui o seu próprio sistema teórico altamente desenvolvido, a influência da Sociologia foi 
muito menos marcada após o eclipse da escolha histórica alemã de Economia, mais ou menos 
no fim do século XIX, exceto nos estudos inacabados de Max Weber sobre economia e 
sociedade, e na obra de alguns intelectuais excêntricos como Thorstein Veblen; mas esta 
situação começa a se modificar, à medida que os estudos sociológicos sobre a estrutura das 
sociedades industriais, trabalho e lazer, relações industriais, profissões e educação, 
administração de indústrias fazem importantes contribuições à discussão dos problemas 
econômicos. Além do mais, a extensão da planificação econômica, a preocupação com o 
desenvolvimento econômico e o reconhecimento dos novos problemas que o progresso 
tecnológico e a crescente prosperidade criam ressaltam os aspectos sociais da atividade 
econômica e a conseqüente necessidade de pesquisa sociológica. 
Esses exemplos são utilizados apenas para ilustrar a natureza da abordagem sociológica no 
estudo da sociedade e para auxiliar numa definição mais clara do lugar da Sociologia entre as 
Ciências Sociais. A Sociologia foi, juntamente com a Antropologia Social, a primeira ciência a 
se preocupar explicitamente com a vida social como uma totalidade, com a complexa rede de 
instituições sociais e grupos que constituem a sociedade, ao invés de estudar um aspecto 
particular desta. A concepção básica, ou idéias diretiva, da Sociologia é, portanto, a de 
estrutura social: a inter-relação sistemática de formas de comportamento ou ação em socie-
dades determinadas. Segue-se daí o interesse do sociólogo naqueles aspectos da vida social 
que foram anteriormente estudados superficialmente ou que foram objeto de reflexão filosó-
fica mais do que de pesquisa empírica: família e parentesco, religião e moral, estratificação 
social, vida urbana. Como apontei anteriormente, a preocupação com alguns desses assuntos 
"residuais" pode levar a excessos, mas o estudo de tais fenômenos é parte importante da 
Sociologia e, adequadamente considerados, não podem ser separados do estudo da Economia 
e das instituições políticas. 
Nesse aspecto, os antropólogos sociais têm usufruído de certas vantagens, devidas em parte 
ao caráter das sociedades por eles estudadas.Lidando com pequenas sociedades tribais, tor-
naram-se capazes de vê-las como totalidades e investigar todos os aspectos do 
comportamento, desde o econômico até o sexual, sem o temor de estar penetrando no 
domínio de outras disciplinas especializadas. Ao mesmo tempo, entretanto, sob a influência 
de novas concepções do método antropológico que predominaram uma geração atrás, 
tenderam a ignorar o desenvolvimento histórico das sociedades e rejeitar estudos 
comparativos a fim de se concentrar na descrição minuciosa da vida social de determinadas 
comunidades. Os sociólogos, por outro lado, levando avante os seus estudos, embora 
rodeados de disciplinas estabelecidas — Economia, Ciência Política, Direito, História da Re-
ligião — fizeram uma das maiores contribuições mostrando as ligações entre determinadas 
instituições ou áreas da vida social (por exemplo, entre religião e vida econômica, entre 
propriedade, classe e política), e acentuando a necessidade de estudos comparativos que 
revelassem a constância ou variabilidade dessas ligações em diferentes tipos de sociedades e 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 13 
diferentes períodos históricos. Mais recentemente, os sociólogos e antropólogos sociais têm 
colaborado mais estreitamente. Uma influência importante tem sido o aparecimento de novas 
nações, anteriormente impérios coloniais, e os esforços desses países economicamente 
subdesenvolvidos em atingir um rápido desenvolvimento econômico, o que coloca uma série 
de novos problemas, cujo estudo requer tanto o conhecimento das formas tradicionais da 
sociedade como uma perspectiva histórica e comparativa do processo social de 
industrialização. 
Essas mudanças na situação mundial trouxeram à luz um outro aspecto do estudo da 
sociedade humana. Os grandes sociólogos do século XIX têm sido freqüentemente criticados 
por suas concepções enciclopédicas e por demais ambiciosas da nova ciência. Mas isso tinha 
uma grande vantagem: exigia um amplo conhecimento de diferentes tipos de sociedades e de 
períodos históricos. Mesmo tendo a Sociologia se formado na Europa Ocidental, em grande 
parte como conseqüência do advento da sociedade capitalista industrial, esses intelectuais não 
restringiram o seu interesse às sociedades européias. Consideravam a totalidade das 
sociedades humanas como sendo o objeto de estudo da sua ciência. Em oposição a isto, a 
Sociologia recente tem-se caracterizado por um campo de interesse muito mais restrito. 
Durante as últimas duas ou três décadas, a maioria dos sociólogos tem-se preocupado 
intensamente em estudar pequeníssimos segmentos da sua própria sociedade, e durante esse 
tempo o assunto assumiu um caráter distintamente etnocêntrico, e por vezes mesmo bairrista. 
Houve um grande número de motivos para essa situação. A grande acumulação de 
conhecimento tornou, sem dúvida, mais difícil a vasta erudição demonstrada nas obras de 
Max Weber e Durkheim. 
O recente renascimento dos estudos históricos e comparativos que comentamos anteriormente 
neste capítulo foi em grande parte motivado pelo aparecimento das novas nações 
independentes do Terceiro Mundo. Assim como o historiador é obrigado a considerar a 
História como "História Mundial", à luz do aparecimento das nações asiáticas e africanas, 
também o sociólogo em que conceber agora o seu objeto de estudo em um contexto mais 
amplo. A formação de novas comunidades políticas, o desenvolvimento econômico, a 
urbanização, a transformação da estrutura de classe, nos países em desenvolvimento, 
mostram algumas semelhanças com os primeiros processos de mudança as sociedades 
ocidentais, mas possuem também muitas características próprias que devem ser levadas em 
conta em qualquer teoria geral da estrutura e da mudança social. A difusão de estudos 
sociológicos nos próprios países em desenvolvimento, em resposta à sua necessidade de uma 
visão geral das mudanças radicais através das quais estão passando, provê uma massa de 
material novo e novas idéias que podem contribuir para uma consideração de alguns dos 
problemas fundamentais da Sociologia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 14 
 
 
 
 
 CCiiêênncciiaass SSoocciiaaiiss,, HHiissttóórriiaa ee FFiilloossooffiiaa 
 
A SOCIOLOGIA, EMBORA NÃO pretenda ser mais a ciência capaz de incluir toda a sociedade, 
pretende ser sinóptica. Temos, portanto, de considerar um pouco mais detalhadamente de 
como se relaciona ela, ou se deveria relacionar, com as outras Ciências Sociais e com outras 
disciplinas que se preocupam com a vida social do homem. 
Antropologia Social 
Diz-se hoje com freqüência que, embora a Sociologia e a Antropologia Social tenham origens 
totalmente diferentes (uma na Filosofia da História, pensamento político e no levantamento 
social, a outra na Antropologia Física e, em última análise, na Biologia), elas são praticamente 
indistingüíveis. Essa afirmação expressa uma aspiração e não um fato. Se examinarmos os 
conceitos, métodos de investigação e análise, e as direções de interesse das duas disciplinas, 
torna-se logo evidente que estão ainda muito separadas. Não obstante, examinando a história 
de suas relações, podemos ver que depois de um primeiro período de íntima associação, 
quando não era fácil atribuir a uma ou a outra um determinado trabalho individual. As 
amplas diferenças entre a Sociologia e a Antropologia Social que surgiram durante o período 
de divergência devem ser facilmente relacionadas com as diferenças no objeto de estudo. 
Quando o trabalho prático tornou-se uma exigência fundamental, os antropólogos sociais 
deixaram-se envolver pelo estudo das pequenas sociedades, de caráter muito diverso daquilo 
e se notava em suas próprias sociedades, relativamente imutáveis e sem registros históricos. 
Os métodos foram determinados por essas condições; tais sociedades podiam ser observadas 
como todos em funcionamento, podiam ser descritas e analisadas em termos eticamente 
neutros, já que o antropólogo, sendo alheio elas, não estava relacionado com seus valores e 
aspirações, já que pouco mudavam, não havendo registros de mudanças passadas, a 
abordagem histórica era desnecessária e mais ou menos impossível. A situação modificou-se 
hoje radicalmente; muitas, talvez a maioria, das sociedades primitivas se estão modificando 
sob a influência das idéias e tecnologia ocidental, e os agrupamentos maiores estão 
começando a predominar sobre as sociedades tribais, e os movimentos sociais e políticos 
estão-se envolvendo e levando os antropólogos a enfrentarem os mesmos tipos de problemas 
de valor que os sociólogos enfrentaram estudarem a sua própria sociedade ou sociedades da 
mesma civilização. Em suma, podemos ver que o objeto de estudo, e, são as sociedades em 
processo de desenvolvimento econômico e mudança social, e, portanto, um objeto tanto para 
o sociólogo quanto para o antropólogo social, que trabalham, cada vez mais, na África e Ásia, 
nos mesmos tipos de problemas. Poderíamos acrescentar que como as sociedades primitivas, 
consideradas como terreno do antropólogo social, mais ou menos desapareceram, o mesmo 
ocorreu, até certo ponto, com as prerrogativas especiais do sociólogo no estudo das 
sociedades adiantadas. Há um número cada vez maior de estudos antropológicos nas 
sociedades avançadas; os estudos de "pequenas comunidades", de grupos de parentesco etc. A 
Sociologia e a Antropologia Social estão ainda separadas por diferenças de terminologia, 
abordagem e método (e as incursões mútuas que fazem em seus territórios são, por vezes, 
metodologicamente inadequadas); não obstante, há certa convergência e o desejo de 
intensificá-la. 
A pesquisa sociológica,na Índia, seja sobre o sistema de casta, as comunidades aldeãs, ou o 
processo de industrialização e seus efeitos, é e deve ser realizada pelos sociólogos e pelos 
antropólogos sociais. Há uma grande oportunidade nesses casos de que a tradicional divisão 
entre essas disciplinas seja vencida. É bem verdade que a formação dos sociólogos e 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 15 
antropólogos opõe-se a isso, uma vez que esta se faz, na maioria das vezes, em algum país 
ocidental, onde tal divisão persiste; mas o crescimento das Ciências Sociais nos países em 
desenvolvimento, e a decrescente dependência de instituições educacionais estrangeiras darão 
oportunidade para uma verdadeira integração dos métodos e conceitos dessas duas 
disciplinas, em termos dos problemas e pesquisas relevantes para tais sociedades. 
Psicologia 
O problema da relação entre a Psicologia e a Sociologia, e do status da Psicologia Social em 
relação a ambas, é difícil e não está resolvido. Há duas opiniões extremas. J. S. Mill acreditava 
que uma ciência social geral não poderia considerar-se firmemente estabelecida até que suas 
generalizações obtidas indutivamente tivessem conseguido provar sua capacidade de serem 
também deduzíveis logicamente das leis da mente. "Os seres humanos na sociedade não têm 
propriedades senão as derivadas das leis da natureza do homem individual, e que se podem 
realizar em termos destas." Durkheim, por sua vez, estabeleceu uma distinção radical entre os 
fenômenos estudados pela Psicologia e Sociologia, respectivamente. A Sociologia deveria 
estudar os fatos sociais, definidos como externos às mentes individuais e exercendo sobre elas 
uma ação coatora; a explicação os fatos sociais só se poderia fazer em termos de outros fatos 
leiais, e não em termos de fatos psicológicos. "A sociedade não um simples agregado de 
indivíduos; o sistema formado pela ia associação representa uma realidade específica, com 
características próprias... Em suma, há a mesma descontinuidade entre a Psicologia e a 
Sociologia que se observa entre a Biologia e as Ciências físico-químicas. Consequentemente, 
sempre que um fenômeno social for diretamente explicado por um fenômeno psicológico, 
podemos ter certeza de que a explicação não é válida." 
Apesar desse reconhecimento amplo de que a explicação sociológica e a psicológica se podem 
complementar, as duas disciplinas não estão, na prática, intimamente associadas, e o lugar da 
Psicologia Social, que deveria ser especialmente próximo da Sociologia, ainda é discutido. É 
fácil dizer que a Psicologia Social é a parte da Psicologia Geral que dá particular importância 
aos fenômenos sociais, ou que trata dos aspectos psicológicos da vida social. Na verdade, toda 
Psicologia pode ser considerada como "social" em proporções maiores ou menores, já que 
todos os fenômenos psíquicos ocorrem num contexto social que os afeta até certo ponto. E 
torna-se difícil determinar, mesmo imperfeitamente, os limites da Psicologia Social. Isso 
significa que os psicólogos sociais habitualmente experimentaram uma associação mais íntima 
com a Psicologia Geral do que com a Sociologia, limitaram-se a um método particular (dando 
ênfase à experiência, estudos quantitativos etc.) e com freqüência ignoraram as características 
estruturais do meio social no qual suas investigações são conduzidas. Essa divergência entre a 
Sociologia e a Psicologia Social pode ser ilustrada em muitos campos. No estudo do conflito e 
guerra, tem havido explicações sociológicas e psicológicas mutuamente exclusivas. Nos 
estudos de estratificação social, a abordagem psicológica parece ter produzido uma explicação 
de classe e status em termos subjetivos, que é contraposta pela explicação sociológica em 
termos de fatores objetivos, e não da investigação sistemática dos aspectos psicológicos de um 
elemento significativo na estrutura social. A "Psicologia da Política" nem merece ser 
mencionada, tão remota está das realidades mais óbvias da estrutura e do comportamento 
político. Em quase todo setor de investigação, podemos ver que a Psicologia e a Sociologia 
constituem, em sua maior parte, dois universos separados. 
Tem havido, decerto, muitas declarações a favor de uma maior associação entre as duas 
disciplinas e, o que é mais útil, houve um pequeno número de tentativas de reuni-las. Uma 
das mais valiosas é representada pelo trabalho de Gerth e Mills. Dizem os autores: "O 
psicólogo social procura descrever e explicar a conduta e as motivações do homem em vários 
tipos de sociedades. Também indaga como a conduta externa e a vida interior de uma pessoa 
influem e são influenciadas pelas dos outros. Procura descrever os tipos de pessoas 
habitualmente encontradas em diferentes tipos de sociedades e em seguida explicá-los 
estabelecendo suas inter-relações com as sociedades em que vivem." O campo de estudo da 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 16 
Psicologia Social é, assim, a influência mútua entre o caráter individual e a estrutura social e, 
como dizem Gerth e Mills, pode ser abordada pelo lado da Biologia ou pelo da Sociologia. No 
passado recente, o problema tem sido a ignorância em que cada um dos lados permanecia em 
relação ao que estava sendo feito no outro, e se achava em seu mundo de terminologia e 
método academicamente [provados. Gerth e Mills tentaram eliminar a distância, usando ) 
conceito de "papel" como termo-chave em sua definição da pessoa e em sua definição das 
instituições: 
"O papel social representa o ponto de encontro do organismo individual e da estrutura social, 
sendo usado como conceito central num esquema que possibilita uma análise de caráter e 
estrutura social nos mesmos termos." 
Esta é uma opinião semelhante à de Fromm, mencionada acima; e Gerth e Mills, tal como 
Fromm, retomam o problema fundamental da relação entre o indivíduo e a sociedade, e que 
foi anteriormente examinado por Ginsberg num estudo esclarecedor sobre a influência 
respectiva da razão e do instinto na ida social, com teorias de "mente grupai" e com problemas 
de opinião pública e comportamento de grupo organizado. A Psicologia Social posterior 
abandonou essa linha de estudo para as pesquisas estatísticas e experimentais, que na 
verdade se ocupam demasiado do indivíduo, ou dos simples agregados de indivíduos, e 
portanto perdem contato com a Sociologia. 
Economia 
Alfred Marshall, numa aula inaugural pronunciada em Cambridge, em 1885, referindo-se à 
idéias de Comte de uma ciência social geral, observou: "sem dúvida, se ela existisse, a 
Economia encontraria, satisfeita, proteção sob sua asa. Mas ela não existe; não há mostras de 
que venha a existir. Não há qualquer sentido em esperarmos, de braços cruzados, o seu 
aparecimento; devemos fazer o que pudermos com nossos atuais recursos". Seria tal 
julgamento ainda válido, hoje? Não creio. A Sociologia existe; os sociólogos examinaram 
criticamente as limitações da teoria econômica e fizeram contribuições para o estudo dos 
fenômenos econômicos. Por outro lado, os próprios economistas já se tornaram bastante 
conscientes da freqüência com que surge, na análise econômica, a frase "permanecendo 
idênticos os demais aspectos", e muitos procuraram ir além da descrição (que constitui uma 
grande parte da maioria dos livros didáticos de Economia) de um número reduzido de 
pressuposições sobre o comportamento humano. 
Podemos distinguir os numerosos estudos sociológicos que se ocuparam diretamente com os 
problemas da teoria econômica. Simiand, em Lê salaire, L'évolution sociale et Ia monnaie (Paris, 
1932, 3 vols.), examinou empiricamente a relação entre salário e níveis de preços, e apresentou 
uma teoria sociológica dos salários. Um livro recente sobre omesmo assunto é lhe Social 
foundations of Wage Policy (Londres, 1955), de Barbara Wootton, que analisa primeiro as 
impropriedades da teoria econômica clássica dos salários e em seguida apresenta uma análise 
sociológica dos determinantes dos diferenciais de salários e ordenados, baseada em dados da 
Grã-Bretanha. Numa parte final muito interessante, o livro examina os processos práticos e os 
argumentos das negociações sobre salários, na Grã-Bretanha moderna. Há muitos estudos 
sociológicos parecidos sobre os diferentes aspectos da teoria econômica, sendo talvez os mais 
interessantes os que se ocupam da teoria da firma. Temos, no assunto, o estudo clássico de 
Thorstein Veblen, The Theory of Business Enterprise (Nova York, 1904), e muitos estudos 
posteriores sobre a empresa comercial, especialmente The Modern Corporation and Private 
Property, de A. A. Berle e G. C. Means (Nova York, 1934). 
Temos, em terceiro lugar, os estudos sociológicos relacionados com as características gerais 
dos sistemas econômicos. É nesse setor que a literatura sociológica é mais abundante, e os 
sociólogos exploraram os aspectos do comportamento econômico negligenciados, ou tratados 
de passagem pelos economistas. Entre os estudos gerais que tratam dos sistemas econômicos 
como todos, e escritos por sociólogos e por economistas com preocupações sociológicas, estão 
O Capital, de Marx, grande parte da obra da escola histórica alemã. 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 17 
Além de estudos gerais dos sistemas econômicos, os sociólogos contribuíram para o estudo de 
aspectos particulares da organização econômica como, por exemplo, o sistema de 
propriedade, a divisão do trabalho e das ocupações e a organização industrial. Algumas 
dessas contribuições serão analisadas noutro capítulo, dedicado às instituições econômicas da 
sociedade. 
Podemos argumentar que a Sociologia e a Economia, que em suas origens estavam 
intimamente relacionadas como, por exemplo, na obra de Quesnay e Adam Smith, mas que 
posteriormente e separaram, exceto no trabalho dos economistas históricos alemães, 
aproximaram-se novamente nos últimos anos. Isso ocorreu não só devido ao desenvolvimento 
da Sociologia e sua contribuição direta para os estudos econômicos, mas também devido às 
modificações dentro da própria Economia. Há dois aspectos particulares da Economia 
moderna que devem ser mencionados, no aso. O primeiro é o deslocamento de interesse do 
mecanismo de terçado para o produto nacional total e a renda nacional, que; vou os 
economistas a um exame dos fatores sociais que influem o desenvolvimento econômico. Essa 
mudança de ênfase é vidente em grande parte dos trabalhos recentes sobre problemas o 
desenvolvimento econômico em regiões subdesenvolvidas, onde economista tem de colaborar 
com o sociólogo, ou tornar-se, lê mesmo, um sociólogo. O segundo aspecto é a aplicação da 
teoria dos jogos aos fenômenos econômicos. Isso levou a estudos mais realistas do 
comportamento de firmas e, o que é mais importante, à construção de modelos de um tipo de 
ação social que poderia ser generalizado para aplicar-se a uma variedade de tipos de ação. Se 
isso fosse realizado, significaria que problemas especificamente econômicos, e problemas 
sociológicos mais gerais, seriam passíveis de análise em termos de um único esquema con-
ceptual. Dessa forma, pelo menos certas partes de qualquer teoria econômica e sociológica 
poderiam ser unificadas. 
Tais realizações estão, sem dúvida, ainda muito distantes, mas já houve tentativas 
interessantes de aplicar modelos econômicos à Sociologia e, por outro lado, usar descrições 
sociológicas do comportamento econômico, na teoria econômica, particularmente ao lidar com 
problemas de crescimento econômico. 
Ciência Política 
A Ciência Política tradicional tem três aspectos principais: descritivo (explica a organização 
formal do governo e da administração central e local, e estudos históricos do desenvolvimento 
de tais organizações), prático (estudo dos problemas práticos de organização, processo, etc.) e 
filosófico (fusão das exposições descritivas e avaliativas do que habitualmente se denomina, 
num sentido geral, teoria política). Na maioria dos trabalhos sobre Ciência Política pouco se 
procurou generalizar, além do necessário a uma classificação elementar dos tipos de 
governos, feita em grande parte em termos de características formais. 
A influência da Sociologia no campo dos estudos políticos foi a de dirigir a atenção para o 
comportamento político como um elemento num sistema social, e não apenas nos aspectos for-
mais de sistemas políticos considerados isoladamente, e encorajar tentativas de explicação e 
generalização científica. Esta influência começou a ser sentida nos primeiros estágios de 
desenvolvimento da Sociologia, devida em grande parte ao trabalho dos marxistas, já que, na 
teoria de Marx, as instituições políticas e o comportamento estão intimamente relacionados ao 
sistema econômico e às classes sociais, devendo ser analisados neste contexto social geral. Foi 
o pensamento marxista que originou, no final do século XIX, a Sociologia Política de Micheis, 
Max Weber e Pareto, e assim levou diretamente aos estudos modernos de partidos políticos, 
elites, comportamento eleitoral, burocracia e ideologias políticas. 
Outra influência da Sociologia, bastante diferente, pode ser vista no desenvolvimento do 
behaviorismo na Ciência Política americana. Pode ser datada aproximadamente a partir do 
comunicado do presidente Charles Merriam à Associação Americana de Ciência Política, em 
1925, no qual diz: "Algum dia examinaremos o assunto de um outro ângulo, não apenas do 
ponto de vista formal. .. e começaremos a dar atenção ao comportamento político." Depois 
disso, uma abordagem behaviorista desenvolveu-se rapidamente na Universidade de 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 18 
Chicago, e, embora auxiliada na década de 1930 pela afluência de intelectuais europeus com 
uma orientação sociológica própria, derivada de Micheis e Weber, tomou um rumo bem 
diferente do da Ciência Política européia, não sendo afetado, em grande parte, pelas idéias 
marxistas e tendo como objetivo a criação de uma disciplina estritamente "científica" (e, em 
certa extensão, quantitativa). 
Os estudos do desenvolvimento político das "novas nações", por causa da natureza dos 
problemas que levantam, ocasionaram um trabalho conjunto de sociólogos e cientistas 
políticos (bem como, freqüentemente, de antropólogos também). A força de trabalho e as 
mudanças que ocorrem numa sociedade camponesa, numa sociedade tribal ou numa 
sociedade organizada num sistema de castas pertencem mais à esfera de conhecimento do 
sociólogo ou do antropólogo do que à da maioria dos cientistas políticos; e o estudo dos 
processos políticos em tais sociedades demanda um auxílio dessas duas disciplinas. 
Finalmente, continuou-se e estendeu-se o trabalho aos campos mencionados anteriormente: 
partidos políticos e grupos de pressão, relações entre classe e política, elites, e os processos do 
governo e administração. Uma característica particular desses estudos é que eles levaram cada 
vez mais a comparações, com o intuito de estabelecer constatações gerais acerca de 
organizações políticas e ação política, pelo menos dentro dos limites de um tipo específico de 
sociedade (no caso, as sociedades industriais ocidentais). 
A orientação da teoria e da pesquisa da Ciência Política durante a década passada tornou cada 
vez mais difícil distingui-la da Sociologia Política. A abordagem behaviorista, que era ca-
racterística da Ciência Política americana, foi severamente criticada e em parte abandonada, 
mas outros esquemas gerais de pensamento da Sociologiaforam adotados — inclusive 
aqueles derivados do marxismo — e os objetos de pesquisa são cada vez mais de tipo 
sociológico. Entretanto, restam algumas diferenças. Os cientistas políticos continuam dando 
grande atenção à estrutura formal do governo, coisa que os sociólogos freqüentemente 
esquecem. A teoria política continua sendo vista por muitos como intimamente associada a 
idéias e problemas filosóficos, mas aqui, como argumentamos anteriormente, o caso da 
Sociologia é bem diferente; embora suas conexões filosóficas não tenham, talvez, sido 
completamente reconhecidas. De maneira geral, podemos dizer que a tendência da Ciência 
Política, diferentemente da Economia, tem sido a de uma fusão com a Sociologia em muitos 
dos seus campos de pesquisa mais importantes. 
História 
Num capítulo anterior, fizemos breve exposição da interpretação que atribui às Ciências 
Sociais ou Culturais o mesmo caráter geral da História, ou as considera como uma espécie de 
estudo histórico. Parece-me isso um erro. Sociologia e História podem confundir-se numa 
área, mas divergem acentuadamente noutra. Gostaria, aqui, de examinar rapidamente alguns 
aspectos da sua relação. 
O primeiro ponto, e o mais simples, é que o historiador freqüentemente fornece o material 
usado pelo sociólogo. O método comparativo exige, com freqüência, e a Sociologia histórica o 
exige sempre, dados que somente o historiador pode fornecer. É certo que o sociólogo deve, 
por vezes, ser seu próprio historiador, reunindo informações que não pareciam, antes, dignas 
de serem recolhidas, mas não pode fazê-lo sempre — o tempo não o permite. 
Em segundo lugar, o historiador também usa a Sociologia. Até recentemente, era talvez da 
Filosofia que ele tomava suas pistas para problemas importantes, bem como muitos de seus 
conceitos e idéias gerais; elas são agora tomadas, cada vez mais, da Sociologia. Na verdade, 
podemos ver que a Historiografia moderna e a Sociologia moderna foram, ambas, 
influenciadas de modo semelhante pela Filosofia da História, a qual estabeleceu a concepção 
dos períodos históricos e portanto deu à Historiografia idéias e preocupações teóricas que 
estavam totalmente ausentes da obra dos primeiros historiadores narradores, os cronistas e os 
autores de anais. Deu à Sociologia moderna a noção dos tipos históricos de sociedade, e com 
isso os primeiros elementos de uma classificação das sociedades. Em grande parte da 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 19 
Historiografia e Sociologia contemporâneas parece-me ser empregada a mesma moldura 
básica de referência aos tipos de sociedade. No campo histórico, a ligação é mais evidente 
onde está em jogo a história econômica e social (especialmente a última). Vale a pena notar, 
por exemplo, que os diretores de uma das principais publicações de história social, a 
international Review of Social History, assim definiram as pretensões da revista, no seu primeiro 
número; "A história social significa a história das propriedades, classes, grupos sociais, a 
despeito do nome, vistos tanto isoladamente como em unidades mutuamente dependentes." 
Com pequenas modificações de termos, isso poderia definir também o alcance da história 
sociológica. No momento há, em vários países, exemplos de cooperação e mesmo de pene-
tração no território do outro, por parte dos sociólogos e historiadores sociais. 
De que forma, portanto, diferem a Historiografia e a Sociologia? Costumava-se dizer que o 
historiador descreve feitos únicos, ao passo que o sociólogo generaliza. Isso não é verdade. O 
trabalho de qualquer historiador sério está cheio de generalizações, enquanto que muitos 
sociólogos se ocuparam com a descrição e análise de acontecimentos únicos, ou seqüências de 
acontecimentos. Talvez devêssemos dizer que, enquanto o historiador habitualmente parte 
para o exame de uma determinada seqüência de acontecimentos, o sociólogo quase sempre 
começa com uma generalização que pretende comprovar pelo exame de várias seqüências de 
acontecimentos semelhantes. Em suma, a intenção é diferente. Mas até essa distinção não é 
totalmente certa: depende muito do tipo de historiografia (por exemplo, aplica-se muito à 
história diplomática) e ao tipo de Sociologia (onde é mais válida para os estudos comparados). 
Estabelecendo uma distinção ainda mais fraca, poderíamos dizer, com H. R. Trevor Roper, 
que o historiador se ocupa da influência mútua entre a personalidade e as forças sociais de 
vulto e que o sociólogo está interessado principalmente nessas próprias forças sociais. 
Quanto mais procuramos aperfeiçoar a distinção, para levar em conta o trabalho prático dos 
historiadores e sociólogos, tanto mais claro se torna que a Historiografia e a Sociologia não 
podem ser separadas radicalmente. Tratam do mesmo assunto, os homens vivendo em 
sociedades, por vezes de pontos de vista diferentes, por vezes do mesmo ponto de vista. É da 
maior importância para o desenvolvimento das Ciências Sociais que os dois assuntos sejam 
intimamente relacionados, e que cada um deles use extensivamente o outro, tal como estão 
cada vez mais inclinados a fazer. 
Filosofia 
A Sociologia se originou em grande parte de uma ambição filosófica: explicar o 
desenvolvimento da história humana, explicar as crises sociais do século XIX na Europa e 
proporcionar uma doutrina social que orientasse a política social. Em sua evolução recente, a 
Sociologia abandonou, em grande parte, tais finalidades, e alguns até diriam que abandonou 
demais. 
Primeiro, pode haver, e há, uma filosofia da Sociologia no sentido de uma filosofia da ciência; 
ou seja, um exame dos métodos, conceitos e argumentos usados na Sociologia. E essa análise- 
filosófica é mais comum e mais necessária na Sociologia do que, por exemplo, nas Ciências 
Naturais, devido às dificuldades peculiares experimentadas com os conceitos e o raciocínio 
sociológicos. 
Segundo, há uma relação íntima entre a Sociologia e a Filosofia moral e social. O objeto da 
Sociologia é o comportamento social humano, orientado por valores, bem como por impulsos 
e interesses. Assim, o sociólogo estuda valores e as estimativas humanas dos valores como 
realidades. Mas deveria também ter certo conhecimento da discussão dos valores, em seu 
próprio contexto, na Filosofia moral e social. Ainda mais importante é que os sociólogos (e 
naturalmente outros cientistas sociais) deveriam ser capazes de distinguir entre questões de 
fato e questões de valor, e entre os tipos de discussão e análise apropriados a cada uma. 
Ocorre, porém, freqüentemente, nas Ciências Sociais, que questões e tipos de argumentação 
diferentes são confundidos: julgam-se resolvidos problemas de valores por afirmações 
relacionadas com questões de fato, ao passo que a discussão dessas questões é com freqüência 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 20 
complicada, ou se torna estéril, pela aplicação dos expositores a questões de valores 
particulares, ou opiniões filosóficas gerais. Somente pelo conhecimento da Filosofia Social 
pode o sociólogo tornar-se competente para distinguir os problemas diferentes e, ao mesmo 
tempo, ver as relações que entre eles existem. 
Terceiro, podemos afirmar que a Sociologia leva diretamente ao pensamento filosófico. Essa é, 
por exemplo, a opinião de Durkheim. Escreveu ele, no ensaio sobre "Sociologie religieuse et 
théorie de Ia connaissance": "Acredito que a Sociologia, mais do que qualquer outra ciência, 
tem uma contribuição a fazer à renovação das questões filosóficas... ... A reflexão 
sociológica está destinada a prolongar-se por um progresso natural na forma da reflexão 
filosófica." Np próprio estudo que Durkheim fez da religião, esse prolongamento é visto, na 
transição deuma discussão das influências sociais sobre as categorias de pensamento, para a 
discussão epistemológica. Outros sociólogos adotaram uma opinião semelhante e se 
ocuparam de problemas semelhantes. Kari Mannheim, por exemplo, pensava que sua 
Sociologia do Conhecimento tinha implicações para a Epistemologia e realmente as 
apresentou detalhadamente. Tanto Durkheim como Mannheim pareciam acreditar que a 
Sociologia possa fazer uma contribuição direta para a Filosofia, no sentido de solucionar 
questões filosóficas. Mas isso é um erro; assim, a epistemologia é a base de uma Sociologia do 
Conhecimento, e não o inverso. Tudo o que pretendemos aqui é sugerir que a Sociologia 
suscita, em proporções maiores do que as outras ciências, problemas filosóficos e, 
consequentemente, que o sociólogo que se interessa pelos aspectos mais amplos do seu 
assunto é [evado a considerar os problemas filosóficos que estão sempre no pano-de-fundo da 
reflexão sociológica. Em minha opinião, não há nenhuma desvantagem para a teoria ou a 
pesquisa sociológica que o sociólogo se interesse por esses problemas e busque adquirir um 
conhecimento filosófico que lhe permita examiná-los, 3ois grande parte das fraquezas da 
teoria sociológica se deve à ingenuidade filosófica e grande parte de sua trivialidade vem do 
desconhecimento dos problemas maiores envolvidos em qualquer estudo do homem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 21 
EEssttrruuttuurraa SSoocciiaall,, SSoocciieeddaaddeess ee CCiivviilliizzaaççõõeess 
 “ESTRUTURA SOCIAL" é um dos conceitos centrais da Sociologia, mas não é empregado com 
coerência ou sem ambigüidade. Herbert Spencer, um dos primeiros a usar a expressão, estava 
demasiado fascinado pelas suas analogias biológicas (estrutura orgânica e evolução) para 
deixar claro o que entendia por estrutura de uma sociedade. Durkheim também deixou o 
termo vago. Muitos sociólogos e antropólogos sociais posteriores tentaram dar-lhe um sentido 
mais preciso, mas suas concepções de estrutura social divergem muito. Assim é que Radcliffe 
Brown considera "como parte da estrutura social todas as relações sociais de pessoa a pessoa... 
No estudo da estrutura social, a realidade concreta de que nos ocupamos é o conjunto de 
relações realmente existentes, num determinado momento de tempo, que unem certos seres 
humanos". Porém, diz, ainda, que o objeto que procuramos descrever e analisar é a forma 
estrutural, ou seja, as relações gerais, a despeito de pequenas variações e dos indivíduos 
diferentes que dela participam. É a essa forma estrutural que a maioria dos autores chamou 
de estrutura social. Mas a definição de Radcliffe Brown é muito ampla, como Firth assinalou; 
"Não estabelece nenhuma distinção entre os elementos efêmeros e os mais duradouros na 
atividade social, e torna quase impossível distinguir a idéias de estrutura de uma sociedade 
da idéias de totalidade da própria sociedade." 
Outros autores limitaram o termo às relações mais permanentes e organizadas na sociedade. 
Assim, M. Ginsberg considera a estrutura social como o complexo dos principais grupos e 
instituições que constituem as sociedades. Essa concepção também é importante para a 
conexão, que acentua, entre as relações sociais abstraías e os grupos sociais que dão origem ou 
estão envolvidos nelas. Desse ponto de vista, o estudo da estrutura social pode ser 
empreendido em termos de disposições institucionais, ou das relações entre grupos sociais, ou 
de ambos juntamente. Se limitarmos, assim, a expressão "estrutura social" a essas relações e a 
grupos mais permanentes e importantes, talvez nos seja necessária outra expressão para nos 
referirmos às demais atividades que se desenrolam numa sociedade e que freqüentemente 
representam variações das formas estruturais. R. Firth propôs a expressão "organização 
social", que define como "a ordenação sistemática das relações sociais, por atos de escolha e 
decisão". "No aspecto da estrutura social, encontramos o princípio de continuidade da 
sociedade; no aspecto da organização, encontramos o princípio de variação ou mudança — 
permitindo as avaliações de situações e o aparecimento da escolha individual." 
Uma terceira abordagem, que define a estrutura social de forma ainda mais limitada, é a que 
faz uso da noção de papel social; está exemplificada em dois livros, The Theory of Social Structwe, 
de S. F. Nadei, e Character and Social Structure, de H. Gerth e C. W. Mills. Nadei diz que 
"chegamos à estrutura de uma sociedade pela abstração da população concreta e seu 
comportamento, o padrão ou rede (ou 'sistema') de relações predominando entre afores, em 
sua capacidade de desempenharem os papéis relativos um ao outro". Da mesma forma, Gerth 
e Mills dizem que o conceito de papel é "... a expressão chave em nossa definição de 
instituição", e "tal como o papel é a unidade com a qual construímos nossa concepção de 
instituição, assim a instituição é a unidade com a qual construímos a concepção de estrutura 
social". Essa explicação deixa claro, como está implícito em Nadei, que a análise da estrutura 
social em termos dos papéis sociais não é fundamentalmente diferente de ima análise em 
termos das instituições sociais; pois uma instituição é um complexo ou reunião de papéis. Não 
obstante, há alguma diferença, que me parece ser de ênfase. Há certas vantagens em 
adotarmos o conceito do papel, já que, como observam Serth e Mills, forma um elo importante 
entre o caráter e a estrutura social. Facilita a cooperação necessária entre a Psicologia a 
Sociologia, no estudo do comportamento social. Não obstante, há ênfase sobre os afores 
individuais que desempenham papéis também tem desvantagens. Tende a provocar uma 
concepção demasiado individualista do comportamento social, na qual a sociedade é vista 
como um agregado de indivíduos relacionados penas através do complexo sistema de papéis 
da sociedade como em todo, enquanto os grupos sociais dentro da sociedade são 
negligenciados. Veremos, mais adiante, como isso ocorre em aIgumas teorias mais recentes da 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 22 
estratificação social, em termos e papel e status, e nas quais a existência de grupos sociais 
nítidos (por exemplo, classes sociais) e as relações de competição conflito entre eles recebem 
pouca atenção. Talvez valha a pena notar que o conceito de papel parece ter sido aceito mais 
prontamente pelos psicólogos interessados principalmente no comportamento individual e 
pelos antropólogos sociais que estudam soledades nas quais há pequena diversidade de 
grupos sociais. 
Das diferentes concepções, a mais útil parece-me a relacionada com a estrutura social como o 
complexo das principais instituições e grupos na sociedade. Não há grande dificuldade em 
identificar essas instituições e grupos. Podemos mostrar que a existência da sociedade 
humana exige certas disposições ou processos; ou, como já se disse, que há "pré-requisitos 
funcionais da sociedade". As necessidades mínimas parecem ser; (I) um sistema de 
comunicação; (II) um sistema econômico, tratando da produção e distribuição de mercadorias; 
(III) disposições para a socialização das novas gerações (inclusive disposições de família e 
educação); (IV) um sistema de autoridade e de distribuição de poder; e talvez (V) um sistema 
de ritual, servindo para manter ou aumentar a coesão social e dar reconhecimento social a 
acontecimentos pessoais significativos, como, por exemplo, nascimento, puberdade, namoro, 
casamento e morte. As principais instituições e grupos são os relacionados com tais exigências 
básicas. Delas podem surgir outras, como a estratificação social, que por sua vezas influencia. 
Os sociólogos concordam quase unanimemente sobre as principais instituições, e nos 
capítulos seguintes examinaremos, mais detalhadamente, esses elementos da estrutura social. 
Temos ainda uma dificuldade a enfrentar. Toda sociedade tem uma estrutura social, embora 
diversas sociedades possam ter estruturas sociais semelhantes. Mas como devemos 
determinar o que é uma sociedade, ou, em outras palavras, as proporções de uma 
determinada estrutura social? Era a Grécia uma sociedade, ou eram as várias cidades-Estado 
sociedades distintas? Era a índia, até recentemente, uma única sociedade, ou era um agregado 
de sociedades com uma forma qualquer de unidade proporcionada por uma tradição cultural 
e especialmente pela tradição religiosa? - É difícil, em muitos casos, determinar as tonteiras de 
uma sociedade. R. Firth argumentou que, "... a menos que haja um rígido isolamento físico, 
nenhuma sociedade poderá ser delimitada claramente". A independência política, porém, tem 
sido tomada freqüentemente como o critério de uma sociedade separada. I. Schapera usou-o 
dessa forma; diz ele: 'Entendo, como unidade política, um grupo de pessoas organizado numa 
mesma unidade, administrando seus assuntos independentemente do controle externo... 
Nenhuma comunidade é totalmente isolada... Mas enquanto apenas ela decide sobre as 
questões de preocupação local, enquanto não houver determinações do exterior e enquanto 
suas decisões e atos não possam ser anulados por uma autoridade superior, podemos 
considerar que ela tem independência política". Mesmo assim, surgem dificuldades, já que a 
"independência política" é relativa (há satélites) e devemos decidir que grau de independência 
dará a qualquer grupo a condição de sociedade separada. Além disso, temos lê tratar, em 
muitos casos, da absorção de sociedades em unidades maiores, ou inversamente, do 
aparecimento ou reaparecimento de sociedades separadas dentro de unidades maiores. Esse o 
caso das sociedades feudais resultantes da dissolução do Império Romano. E já vimos como os 
observadores de certos períodos caracterizaram as aldeias indianas como "pequenas 
repúblicas". 
Até agora nos preocupamos com a separação espacial das sociedades, mas o que dizer de sua 
separação no tempo? A Grã-Bretanha é uma sociedade, mas será ela em 1970 a mesma 
sociedade que era em 1870 ou 1770? É a Índia a mesma sociedade e há cem ou duzentos anos? 
Encontramos, no caso, com facilidade um critério, embora suas aplicações práticas possam 
não ;r sempre fáceis. Sempre que houver mudança importante na estrutura social de um 
determinado grupo, devemos considerar a sociedade posterior a essa modificação como uma 
sociedade nova e distinta. Temos de decidir o que constitui uma mudança importante, o que 
não é fácil. Podemos dizer provisoriamente que é importante a mudança que transforma 
todas ou a maioria das instituições da sociedade. Assim, a Grã-Bretanha ou a França 
capitalistas são sociedades diferentes da Grã-Bretanha ou França feudais. A União Soviética é 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 23 
uma sociedade diferente da Rússia nazista. Mas nosso julgamento será influenciado, até certo 
ponto, pelas considerações mais gerais sobre a classificação de sociedades que temos, agora, 
de examinar. 
Tipos de Sociedade 
O primeiro passo na Sociologia, como em qualquer ciência, é a classificação sistemática dos 
fenômenos de que trata. Já discutimos, em capítulos anteriores, a classificação das relações 
sociais e dos grupos sociais. Vamos examinar aqui a classificação das sociedades inclusivas, 
ou estruturas sociais. 
Podemos começar examinando as numerosas classificações dicotômicas que já mencionamos 
em várias ocasiões: por exemplo, a Gemeinschaft e a Geselischaft, de Tõnnies; a "solidariedade 
mecânica" e a "solidariedade orgânica", de Durkheim; o status e o "contrato", de Maine; as 
sociedades "militantes" e "industriais", de Spencer. A primeira coisa a observar é que tais clas-
sificações parecem muito inadequadas para abranger todas as variedades de sociedade 
humana que existem ou existiram. Se examinarmos mais atentamente as classificações, 
verificaremos que, sob aspectos importantes, elas se assemelham entre si. Todos os quatro 
autores contrastam um tipo de sociedade na qual o grupo domina o indivíduo e determina 
para ele uma situação inalterável, com um tipo de sociedade na qual o indivíduo é, 
adequadamente falando, um "indivíduo", e cuja situação na sociedade é, pelo menos 
parcialmente, resultado de um cálculo racional e de relações contratuais com outros 
indivíduos.13 Há distinções importantes entre esses autores, em questões de detalhes, nas 
explicações que dão para a mudança e nas avaliações que desta fazem. Mas a identidade 
essencial das classificações inegável. Resulta do fato de que todos os quatro estavam 
profundamente impressionados pelas características das novas sociedades industriais nas 
quais viviam. Assim, foram levados a contrastá-las com todas as outras sociedades humanas. 
Era essa, na opinião deles, a suprema distinção. 
Spencer e Durkheim têm, naturalmente, consciência de que as sociedades poderiam ser 
classificadas de outras formas. Spencer propunha-se distinguir quatro tipos de sociedades; (I) 
sociedades simples, (II) sociedades compostas, (III) sociedades duplamente compostas, e (IV) sociedades 
triplamente compostas. Os tipos são distinguidos principalmente em termos de escala (ou 
tamanho), mas também em termos de fenômenos associados, como divisão do trabalho mais 
ampla, organização política mais complexa, hierarquia eclesiástica mais desenvolvida, 
estratificação selai etc. Mas a utilidade da classificação parece menor, quando percebemos que 
os três primeiros tipos sociais compreendem apenas sociedades primitivas, enquanto todas as 
sociedades civilizadas estão agrupadas na quarta classe, que, segundo Spencer, inclui o 
México antigo, o Império Assírio, o Império Romano, a Grã-Bretanha, a França, a Alemanha, a 
Itália e a Rússia. Spencer conhecia que essa classificação contraria a distinção entre as 
sociedades militante e industrial, e delineou, na verdade, uma classificação composta de oito 
tipos de sociedade (embora as sociedades industriais se encontrem principalmente entre as 
sociedades triplamente compostas). Além disso, Spencer advertiu que os tipos "puros" são 
difíceis de encontrar, por muitas razões, inclusive as sobrevivências e uma espécie de 
miscigenação de sociedades. 
Durkheim também delineou, em termos semelhantes aos de Spencer, embora criticando o 
esquema deste, uma classificação das sociedades. Distinguiu:. (I) sociedades simples (a horda); 
(II) sociedades simples polissegmentares (por exemplo, as tribos iroquesas); (III) sociedades 
polissegmentares simplesmente compostas (por exemplo, a confederação iroquesa, as três tribos 
que fundaram Roma); (IV) sociedades polissegmentares duplamente compostas (por exemplo, as 
tribos antigas, as tribos germânicas). Durkheim não foi além desses exemplos, mas A. Morei e 
G. Davy tentaram, mais tarde, uma classificação mais complexa, em termos de escala e 
diferenciação interna, em seu livro From Tribe to Empire. 
A maioria dessas classificações implica um esquema evolucionário. Outros evolucionistas 
propuseram classificações em termos de desenvolvimento intelectual. Assim, Comte, tendo 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 24 
formulado sua "lei dos três estágios", segundo a qual o pensamento humano desenvolveu-se 
do estágio teológico, através do metafísico até o estágio positivo, procurou correlacionar a 
vida material, os tipos de unidade social, tipos de ordem e sentimentos predominantes com 
essas fases intelectuais. Hobhouse, de forma semelhante,distingue cinco fases do 
desenvolvimento intelectual: (I) formação dos elementos do pensamento articulado nas 
sociedades primitivas; (II) protociência do antigo Oriente (Babilônia, Egito e China antiga); 
(III) estágio de reflexão no Oriente recente (China, Palestina e Índia); (IV) estágio de 
pensamento crítico e sistemático na Grécia; (V) estágio de "reconstrução experimental", 
representado pela ciência moderna. Em Morais in Evolution (1906), Hobhouse procurou 
correlacionar os tipos de instituição social (formas de organização política, família, pro-
priedade e estratificação social) com esses estágios intelectuais. No mesmo trabalho, porém, 
propõe duas outras classificações: uma classificação das sociedades primitivas, em termos de 
seu nível econômico, e uma classificação geral das sociedades, em termos da natureza do laço 
social. Usando o último critério, Hobhouse distinguiu três tipos de sociedade, baseados no 
parentesco, autoridade e cidadania, respectivamente. Numa obra posterior, Social Deveíopment 
(1924), introduziu outros critérios - escala, eficiência, mutualidade e liberdade — que também; 
vem entrar na classificação das sociedades. 
Outra abordagem para a classificação é a que distingue foras diferentes de uma ou várias 
instituições principais da sociedade. O sistema econômico tem sido tomado com freqüência 
imo a instituição crucial, e a classificação mais conhecida, dentro dessas linhas, é a de Marx. 
No Prefácio à sua Contribuição vá a Crítica da Economia Política (1859), escreveu que, "num 
esboço amplo, podemos designar os modos de produção asiático, antigo, feudal e burguês 
moderno como tantas épocas no progresso da formação econômica da sociedade". Em outro 
local, ele Engels referiram-se ao comunismo primitivo, sociedade antiga, sociedade feudal e 
capitalismo como as principais épocas da história da humanidade. Se combinarmos esses dois 
esquemas, temos os cinco principais tipos de sociedade: primitiva, asiática, antiga, feudal e 
capitalista. Trata-se de uma classificação eliminar valiosa e útil, que na verdade tem sido 
adotada amplamente, tácita ou explicitamente, por muitos sociólogos. Requer, porém, certas 
modificações e qualificações. 
Civilização e Cultura 
 AS palavras "civilização" e "cultura" são amplamente usadas, com vários sentidos, na 
linguagem comum e nas obras sociológicas. O Oxford English Dictionary define "civilizar" 
como retirar do estado de barbárie, instruir nas artes da vida, esclarecer e refinar", e cita como 
ilustração um verso de Addison: civilizar o rude e impelido mundo". "Civilização" é, portanto, 
'a condição ou estado civilizado". "Cultura" é definida como 'o preparo e refinamento da 
mente, dos gostos e maneiras: a condição de ser assim preparado e refinado; o lado intelectual 
a civilização". Tais palavras foram freqüentemente usadas dessa forma nas obras gerais sobre 
os aspectos intelectuais e artísticos da sociedade humana. Clive Bell, em seu Civilization 1928), 
emprega-as para referir-se à condição de refinamento u esclarecimento de uma pequena elite 
na sociedade. 
Muitos dos antigos cientistas sociais usaram essas palavras e modo semelhante, para 
distinguir entre sociedades "selvagens" "civilizadas", ou entre "povos naturais" e "povos 
culturais", sendo como ponto de divisão a invenção da escrita. Há muitos exemplos dessa 
utilização nos trabalhos dos historiadores esconses do século XVIII, já mencionados, e no 
Ancient Society, de H. Morgan (1877), que distinguiu entre "selvajeria", "barbárie" e 
"civilização", e na antiga literatura antropológica. A utilização perdura em nossa habitual 
distinção entre sociedades "primitivas" e "civilizadas", embora a terminologia seja, aqui, 
apenas uma questão de conveniência. 
Posteriormente, uma distinção diferente foi introduzida, não entre "civilização" ou "cultura", 
de um lado, e "selvajaria", do outro, mas entre "civilização" e "cultura", como aplicáveis a 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 25 
todas as sociedades humanas. Tornou-se ainda mais clara e aperfeiçoada por Alfred Weher, 
que distinguiu entre três processos na história humana: processo social, civilização e cultura. 
Por civilização entendia ele principalmente o conhecimento científico e técnico e o controle 
que sobre os recursos naturais proporcionam. Por cultura, entendia os produtos artísticos, 
religiosos, filosóficos, e outros, de uma sociedade. Um emprego semelhante se observa na 
distinção, comum nas obras antropológicas e arqueológicas, entre "cultura material" e "cultura 
não-material". 
Mais recentemente, "cultura" tornou-se um conceito central na Antropologia Social e adquiriu 
um sentido bem mais amplo. A principal contribuição, no caso, foi a de Malinowski, que de-
finiu a cultura como compreendendo "artefatos, bens, processos técnicos, idéias, hábitos e 
valores herdados". Também incluiu a estrutura social dentro da noção de cultura, já que "ela 
não pode ser realmente compreendida, exceto como parte da cultura". Num ensaio posterior, 
Malinowski reiterou tais opiniões: a cultura "evidentemente é o todo integral, consistindo em 
implementos e bens de consumo, cartas constitucionais para os vários agrupamentos sociais, 
idéias e ofícios humanos, crenças e costumes". Além disso, "a realidade essencial da cultura, 
tal como a vivemos e experimentamos, tal como a podemos observar cientificamente, é a 
organização de seres humanos em grupos permanentes". A característica mais importante no 
uso que Malinowski fez da palavra foi sua concepção de cultura copio um todo integral, 
dentro do qual as funções das várias partes (instituições) podiam ser estudadas. 
Em outros trabalhos recentes, a palavra "cultura" foi usada da mesma forma ampla, mas tem 
havido uma tendência para distinguir mais rigorosamente entre cultura e estrutura social, 
especialmente entre os antropólogos sociais britânicos. Assim, R. Firth diz que tais palavras 
representam dois modos de ver o mesmo fenômeno: "estrutura social" refere-se às relações 
entre indivíduos e à forma dessas relações, ao passo que "cultura" se refere "ao componente 
dos recursos acumulados, imateriais e materiais, que as pessoas herdam, empregam, 
transformam, acrescentam a outros e transmitem"; é "todo comportamento aprendido que 
tenha sido socialmente adquirido". Parece ser uma distinção válida e útil, que corresponde de 
modo geral a uma distinção, freqüentemente feita em Sociologia, entre o estudo da estrutura 
social (ou estudo comparado das instituições sociais) e a sociologie de esprit, isto é, o que eu 
denomino de Sociologia da Mente ou Cultura, e que inclui como parte importante a Sociologia 
do Conhecimento. Ao estudar a cultura, ocupamo-nos de idéias e valores tais como se 
encontram nos códigos morais e religiosos, na literatura, ciência, filosofia, arte e música. 
A palavra "civilização" não adquiriu a mesma importância central de "cultura", tanto na 
Sociologia quanto na Antropologia Social, sendo usada de forma muito geral e imprecisa. A 
distinção de Alfred Weber entre civilização e cultura não parece ter sido amplamente adotada, 
embora R. M. Maciver a apresente independentemente e lhe tenha ressaltado o significado. 
Civilização continua sendo, em grande parte, uma expressão de historiador, usada com 
freqüência para o que os antropólogos chamariam de cultura; por exemplo, em A Civilização 
da Renascença na Itália, de Burckhardt. Mas, no trabalho de Arnold Toynbee, a expressão 
"civilização" recebeu um sentido diferente, que pode contribuir para uma concepção 
sociológica mais precisa. Toynbee distingue vinte e uma civilizações independentes (que 
então chama, confusamente, de "sociedades") como "campos inteligíveis de estudo histórico". 
Essas "civilizações" distinguem-se das "sociedades primitivas", ao longo das linhas que já 
mencionamos.Não precisamos ocupar-nos aqui com a opinião de Toynbee de que somente as 
civilizações, e não as sociedades (que ele entende como nações-Estado, cidades-Estado etc.), 
são "campos inteligíveis" de estudo. Do ponto de vista do sociólogo, o oposto é que ocorre: as 
sociedades reais são os campos de estudo mais inteligíveis. Mas a análise de Toynbee é de 
grande interesse, para chamar a atenção para o fato de que sociedades distintas estão 
relacionadas entre si, partilhando uma cultura comum e um tradição cultural. O número de 
sociedades assim relacionadas pode constituir uma característica significativa do 
desenvolvimento social. Devemos notar que uma concepção semelhante de civilização foi 
formulada rapidamente por Durkheim e Mauss, em sua "Note sur Ia notion de civilisation" 
(Année Sociologique, XII, 1913). Observaram que, embora os fenômenos sociais pudessem, via 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 26 
de regra, ser estudados com mais utilidade dentro de unidades bem definidas, como 
determinadas sociedades, havia certos fenômenos que transcendiam tais limites e que eles se 
propunham chamar de "fenômenos de civilização". 
Podemos, agora, sugerir um uso coerente, embora ainda amplo e geral, para os termos cultura 
e civilização. Por cultura entendemos os aspectos ideacionais da vida social, distintos das 
relações reais e das formas de relações entre indivíduos; e por uma cultura, os aspectos 
ideacionais de uma determinada sociedade. A distinção feita por A. Weber entre "cultura" e 
"civilização" pode ser reconhecida como cultura material e não-material. Essa terminologia 
tem certas vantagens, pois isola dois elementos dentro da cultura como um todo, e não se 
presta à seleção rigorosa e superenfática entre dois tipos fundamentalmente diferentes de 
fenômenos. A. Weber fez a distinção porque desejava contrastar o crescimento e difusão da 
ciência e tecnologia com a singularidade e independência dos produtos culturais em cada 
época e lugar. Mas não se demonstrou a inexistência de desenvolvimento na esfera cultural, 
ou que os produtos culturais não podem ser difundidos. Ao mesmo tempo, é evidente que, 
dentro de uma determinada sociedade, os elementos materiais e não-materiais da cultura 
estão intimamente relacionados. 
Finalmente, por uma civilização entendemos um complexo cultural formado pelas 
características culturais idênticas mais importantes de várias sociedades determinadas. 
Poderíamos, por exemplo, descrever o capitalismo ocidental como uma civilização, na qual 
formas específicas de ciência, tecnologia, religião, arte etc. são encontradas em várias 
sociedades distintas. Não procurarei classificar, aqui, as civilizações, mas apenas notar que 
uma classificação sociológica provavelmente diferiria, sob muitos aspectos, da classificação de 
Toynbee, embora esta última seja um guia valioso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 27 
FFaammíílliiaa ee PPaarreenntteessccoo 
 
A Família Nuclear 
FAMÍLIA INDIVIDUAL NUCLEAR é um fenômeno social universal. Como disse Lowie: "Não 
importa se as relações maritais são permanentes ou passageiras; se há poligamia ou poliandria 
ou liberdade sexual; se as condições são complicadas pelo acréscimo de membros não-
incluídos em nosso círculo familiar; o fato que se destaca, entre muitos outros, é que em toda 
parte o marido, a mulher e os filhos pequenos constituem uma unidade à parte do restante da 
comunidade." 
A universalidade da família nuclear pode ser explicada pelas funções indispensáveis que tem 
e a dificuldade de assegurar o desempenho dessas funções por qualquer outro grupo social. 
"Na família nuclear, ou em suas relações constituintes, vemos, assim, reunidas quatro funções 
fundamentais para a vida social humana — a sexual, a econômica, a reprodutiva e a 
educacional." Podemos distinguir entre as funções sociais e psicológicas da família nuclear. 
Kingsley Davis estabeleceu quatro principais funções sociais: reprodução, manutenção (das 
crianças), colocação e socialização. Destas, as duas primeiras e a quarta são as mais impor-
tantes, já que a colocação, no sentido de atribuir uma posição no sistema de ocupações ou na 
hierarquia do status, não é uma função universal — ocorre em sociedades rigidamente 
estratificadas (por exemplo, na sociedade de castas), mas não invariavelmente, e nem mesmo 
de forma predominante, nas sociedades industriais modernas. As funções psicológicas são 
principalmente a satisfação das necessidades sexuais dos que se associam maritalmente, e a 
necessidade de afeição e segurança, tanto para os pais como para os filhos. A família tem, com 
freqüência, outras funções além das mencionadas. Murdock observa que, "como constelação 
social firme, freqüentemente — mas não universalmente — ela atrai para si várias outras 
funções. Assim, é com freqüência o centro do culto religioso, tendo o pai como sacerdote 
familiar. Pode ser a unidade primordial na propriedade da terra, na vingança ou na recreação. 
O status social depende mais da posição da família que da realização individual. E assim por 
diante". 
Os antropólogos acentuaram, coerentemente, as funções econômicas da família nas 
sociedades primitivas. O laço entre o pai e a mãe não é apenas, nem de forma predominante, o 
privilégio sexual concedido aos esposos, já que muitas sociedades primitivas permitem 
relações sexuais pré-maritais sem restrições, e várias outras permitem relações extramaritais, 
quer irrestritas, quer, como ocorre com mais freqüência, com determinados parentes. Um 
importante fator na manutenção da família nuclear é a cooperação econômica baseada na 
divisão do trabalho entre os sexos. Lévi-Strauss deu uma explicação gráfica da situação 
miserável dos indivíduos solteiros nas sociedades mais primitivas; fala do espetáculo de um 
jovem, numa aldeia do Brasil Central, "acocorado por horas a fio no canto de uma choça, 
sombrio, mal cuidado, terrivelmente magro e, ao que parecia, no mais completo abandono... 
raramente saía, exceto para caçar sozinho e, nas refeições da família em volta do fogo, 
habitualmente não se teria alimentado se um parente não colocasse, de tempos em tempos, 
um pouco de alimento ao lado dele, que comia em silêncio. Quando perguntei o que havia, 
acreditando que sofresse de alguma moléstia séria, riram-se de minhas suposições e disseram: 
— É um rapaz solteiro". A cooperação econômica também fortalece os laços entre pais e filhos, 
e entre irmãos. A perda dessas funções de produção, que envolvem o trabalho cooperativo 
pelos membros da família, é uma característica significativa da família nuclear nas modernas 
sociedades industriais, e que examinaremos mais adiante. 
 
A estrutura básica da família nuclear depende dos tabus do incesto; segue-se disso que a 
família nuclear é descontínua no tempo e limitada a duas gerações. Uma terceira geração só 
pode resultar da formação de novas famílias por uma troca de indivíduos masculinos e 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 28 
femininos entre as famílias nucleares existentes. "Em conseqüência... ... todo adulto normal 
numa sociedade humana pertence pelo menos a duas famílias nucleares — a família de 
orientação, na qual nasceu e foi criado, e que compreende seu pai, mãe, irmãos e irmãs, a 
família de procriação, que ele constitui pelo casamento e que inclui seu marido ou esposa, e os 
filhos e filhas." Os tabus do incesto e sua extensão fora da família nuclear, juntamente com as 
regras de descendência, são a fonte de toda a complexidade dos usos de parentesco e da 
terminologiaque examinaremos, rapidamente, mais adiante. Basta notar, aqui, que os tabus 
de incesto ampliados estabeleceram a interdependência entre famílias, clãs e parentes, 
desempenhando assim um papel importante na integração das sociedades primitivas. 
 
Tipos de Estrutura Familiar 
A universalidade da família nuclear não significa que a estrutura familiar seja a mesma em 
toda parte. Pelo contrário, é extremamente variável. Kingsley Davis relacionou alguns dos 
principais aspectos onde há variação, nas relações maritais (número de cônjuges, autoridade, 
força do vínculo, escolha do esposo, residência etc.), nas relações entre pais e filhos e entre 
irmãos. Podemos, porém, estabelecer uma distinção ampla entre os sistemas nos quais a 
família nuclear é relativamente independente e sistemas em que ela será incorporada, ou 
subordinada, a um grupo maior, à família polígama ou à extensa. 
A família nuclear independente é característica das modernas sociedades industriais. Sua 
predominância parece dever-se ao crescimento do individualismo, refletido na propriedade, 
na lei, nos ideais sociais gerais de felicidade e realização individual, e à mobilidade geográfica 
e social. Também foi afetada pela crescente preocupação do Estado com as desgraças 
individuais — o indivíduo já não depende da família em épocas de infortúnio. O acentuado 
predomínio da família nuclear relativamente autônoma é fenômeno recente e surgiu 
principalmente nas sociedades industriais mais adiantadas, em particular nos Estados Unidos. 
A solidariedade desse tipo de família depende em grande parte da atração sexual e do 
companheirismo entre marido e mulher, entre pais e filhos. Isso não parece constituir uma 
base tão firme quanto o complexo mais amplo de direitos e obrigações (econômicas, sexuais 
etc.) que existem na família extensa. A perda de funções econômicas é mais importante do que 
a maioria dos sociólogos admite. O divórcio é freqüente nos Estados Unidos e tem aumentado 
em muitos países ocidentais. A solidariedade da família nuclear independente é maior 
quando inclui crianças pequenas, mas estas crescem e os laços tendem a se enfraquecer 
novamente, primeiro pela influência dos grupos de iguais e em seguida em conseqüência da 
mobilidade social e geográfica. 
As formas compostas de famílias se encontram com freqüência nas sociedades não-
industriais. Na Europa, a forma de família extensa da lugoslávia, a Zadruga, sobreviveu até o 
início do presente século. Tipos diferentes de família extensa são comuns ainda na Ásia, 
mesmo num país industrializado como o Japão. Na Índia, a família conjunta existiu desde os 
tempos mais antigos. Foi, no passado, um órgão corporativo, com propriedade em comum, 
culto comum de um deus tutelar e autoridade exercida pelo chefe da família (habitualmente o 
homem mais velho, na linha masculina mais antiga). Segundo a lei hindu, a propriedade 
familiar não era rigorosamente indivisível, mas a divisão era infreqüente e habitualmente as 
famílias compreendiam três ou quatro gerações que viviam, trabalhavam e comiam juntas. 
Além da propriedade e do trabalho, a religião foi uma força importante para unir a família 
conjunta, pois seus membros incluíam os mortos, os ainda não nascidos e os vivos. Diz 
Prabhu: 
"Os membros vivos da família são, por assim dizer, depositários da casa que pertence aos 
pitus, os ancestrais, no interesse dos putras, membros futuros da família... A idéias central, aqui, 
é o culto da família (Kula), como um templo de tradições sagradas {par ampara)." Um dos 
deveres mais importantes dos membros da família era manter aceso o fogo sagrado. 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 29 
 
Matrimônio 
As formas de matrimônio são tão diversas quanto os tipos de sistema familiar. A estrutura 
básica da família nuclear é pouco afetada pela diversidade dos costumes matrimoniais; são, 
antes, as diferenças entre a família nuclear independente e as formas compostas da família 
que influem sobre o casamento. Quando a família extensa predomina, o casamento plural é 
provável (já que é vantajoso economicamente), a escolha de um esposo será provavelmente 
feita pelo chefe da família, transações econômicas acompanharão o casamento e o divórcio 
será infreqüente. Quando a família nuclear é relativamente independente, o casamento será 
monógamo, as pessoas escolherão seus próprios companheiros, haverá poucas transações 
econômicas relacionadas com o casamento e o divórcio poderá ser freqüente. 
Há, porém, certas uniformidades nos costumes do matrimônio. A monogamia é a forma 
predominante de casamento em todas as sociedades pela boa razão de ser a proporção entre 
os sexos aproximadamente de 1:1, na maioria dos lugares e das épocas. Como disse Samuel 
Johnson: "Nenhum homem pode ter duas mulheres, senão impedindo alguém de ter uma." A 
poliandria (o casamento de uma mulher com dois ou mais homens) é tão rara que, como diz 
Murdock, constitui uma "curiosidade etnográfica". Ocorre esporadicamente em várias 
sociedades, mas quando tem permanência pode ser acompanhada pelo infanticídio feminino, 
como ocorria entre os Toda, do sul da Índia. A poligamia (casamento de um homem com duas 
ou mais mulheres) ocorre mais freqüentemente e é possibilitada pelo excesso de mulheres, 
devido à maior mortalidade entre os homens. Mesmo quando a poligamia é permitida, 
porém, a monogamia é a forma predominante de casamento, e habitualmente somente os 
homens ricos e poderosos têm mais de uma mulher. O divórcio é controlado e limitado, de 
algum modo, em todas as sociedades, já que uma taxa muito alta de divórcios colocaria m 
risco as funções da família, na manutenção e socialização dos filhos. A regulamentação do 
divórcio e sua existência são afetadas por numerosos fatores. A influência da religião tem sido 
muito forte na esfera das relações maritais, e algumas das principais religiões, como o 
hinduísmo e o catolicismo romano, não permitem o divórcio. A existência prática do divórcio 
é influenciada, como já observamos, pela proporção em que a família extensa e os grupos de 
parentesco estão envolvidos, e pelas obrigações econômicas. Também é influenciada pela 
presença alternativa de meios de satisfação sexual e emocional, através do casamento plural 
ou relações extraconjugais permitidas. 
Nas sociedades industriais ocidentais, o divórcio aumentou rapidamente desde o início do 
século XX e grande parte da pesquisa sociológica foi dedicada aos problemas da "instabili-
dade" familiar e à previsão da harmonia conjugal. As causas do aumento do divórcio não são 
bem claras, mas uma comparação com as sociedades primitivas, e com muitas sociedades não-
industriais, é sugestiva. Nestas, o casamento é realizado como uma transação econômica e 
para ter filhos (por motivos econômicos e religiosos), e não simplesmente para a satisfação das 
necessidades sexuais. Além disso, tem o apoio de um grupo mais amplo de parentes, e a 
satisfação pessoal das duas pessoas que se casam não é indevidamente acentuada. Em certas 
sociedades ocidentais, especialmente nos Estados Unidos, uma combinação de casamento 
monógamo, de rígida ética puritana, que condena fortemente as relações sexuais pré-maritais 
e extramaritais, e um ideal de amor romântico, estabeleceram um modelo de relação conjugal 
que é difícil, talvez impossível, de realizar na prática. 
 
Nos Estados Unidos, a taxa de divórcio por 1000 habitantes aumentou de 0,75 em 1900 para 
2,58 em 1960; na Inglaterra e Gales, a taxa passou de 0,02 em 1900 para 0,15 em 1938, e 0,81 em 
1962. O aumento foi semelhante em outros países da Europa Ocidental. 
A expressão "família instável" foi usada pela primeira vez por Lê Play em seu estudo das 
famílias da classe operária na Europa, para referir-se ao tipo de família na qual os filhos 
deixavam a casa ao atingir a maturidadee freqüentemente perdiam contato com a família de 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 30 
origem, de forma que cada família regularmente se decompunha em unidades menores, não 
havendo a solidariedade familiar que existia na família patriarcal. A expressão é hoje usada 
mais amplamente para incluir também a dissolução de famílias pela separação dos cônjuges. 
O casamento deixou de ser uma sociedade econômica, e já não é apoiado em amplos grupos 
de parentesco. Finalmente, o desejo de uma descendência numerosa é substituído pela 
limitação deliberada do tamanho da família. Assim, o laço matrimonial se reduz a uma 
simples relação de atração mútua, menos forte que a rede de ritual econômico e interesses de 
parentesco que unem a família em outras sociedades. Podemos considerar, portanto, a taxa de 
divórcio relativamente alta como uma decorrência do individualismo moderno, da procura de 
felicidade e do controle rigoroso das relações sexuais fora do casamento. Na prática, as 
sociedades ocidentais reduziram muito o controle de seu comportamento sexual nas últimas 
décadas, e tais modificações podem afetar a taxa de divórcio, diminuindo a preocupação 
exclusiva com a felicidade sexual no casamento. 
Parentesco 
Como já observamos, é o tabu do incesto, e o fato dele resultante, de que todo indivíduo 
normal é membro de duas famílias nucleares (família de orientação e família de procriação) 
que dá origem aos sistemas de parentesco cujas ramificações são consideráveis. Cada 
indivíduo tem parentes primários nas famílias nucleares a que pertence. Fora delas, pode ter 
33 tipos de parentes secundários, 151 tipos de terciários, e assim por diante, em números 
ascendentes. Nenhuma sociedade, até entre as tribos australianas onde o parentesco tinha um 
papel muito acentuado, leva em conta todos os graus de parentesco num sistema construído 
sobre essa base. Mas as sociedades podem, proveitosamente, ser classificadas de acordo com 
os tipos de relações a que dão ênfase, tanto na terminologia como no comportamento. Lowie e 
Kirchhoff distinguiram quatro tipos principais de terminologia de parentesco, baseada no 
tratamento da geração dos pais. Murdock estabeleceu uma classificação mais complexa de 
onze "tipos de organização social", na qual seis tipos são diferenciados pela terminologia de 
parentesco e outros cinco (caracterizados pelos termos de parentesco semelhantes aos prece-
dentes) são diferenciados pela descendência. 
Os antropólogos sociais dedicaram grande parte de seu esforço à análise dos sistemas de 
parentesco de determinadas sociedades, e ao seu estudo comparado. Esse interesse reflete o 
fato de ser o parentesco de importância suprema nas sociedades primitivas. É o principal fator 
na manutenção da unidade social, e constitui a moldura da qual o indivíduo recebe funções 
econômica? e políticas, adquire direitos e obrigações, recebe ajuda da comunidade etc. 
Usualmente, portanto, a forma mais efetiva de estudar a estrutura social de uma sociedade 
primitiva é começar com uma análise do parentesco. Os estudos comparativos desses 
sistemas, que foram numerosos no trabalho dos primeiros antropólogos e sociólogos 
evolucionários, recebeu, desde então, muito menor atenção, e como Lowie diz, "quase tudo 
está por fazer nesse campo". Os sistemas de parentesco foram classificados de várias maneiras 
(como em Lowie e Murdock), mas tem sido extremamente difícil encontrar qualquer moldura 
geral de explicação que se aplique à ocorrência de tipos particulares de sistema de parentesco. 
Murdock acentuou a importância da regra de residência e mostrou que esta é, por sua vez, 
influenciada pelos fatores econômicos, políticos e religiosos. Com essas explicações parciais 
nos devemos considerar satisfeitos por enquanto. Recentemente, contudo, houve uma 
renovação da discussão teórica motivada pelo trabalho de Lévi-Strauss e dos antropólogos 
estruturalistas, que tentaram mostrar a estrutura básica do parentesco como um esquema 
lógico, em termos de intercâmbio de mulheres entre grupos sociais. 
Os sociólogos modernos evidenciaram pouco interesse pelo parentesco, pois este desempenha 
reduzido papel na vida das sociedades industriais que estudaram. Pode ser que tenham des-
prezado indevidamente o fenômeno, devido à sua preocupação (especialmente nos Estados 
Unidos) com a família de classe média urbana, que revela de forma mais ostensiva as 
características da família nuclear independente. Na classe trabalhadora industrial, como 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 31 
vários estudos mostram, o parentesco ainda é importante, para controlar o comportamento e 
como sistema de ajuda mútua. Além disso, desempenhou, e continua desempenhando, um 
papel significativo na consolidação da unidade das asses superiores e dos vários tipos de 
elites. Mas, apesar de ido isso, continua sendo certo que o parentesco e a estrutura familiar 
não têm influência fundamental sobre a estrutura social das sociedades modernas. 
Nas sociedades antigas, e nas sociedades não-industriais de hoje, o parentesco é de maior 
significação, como ocorre na Índia, ide apesar da ausência de uma residência comum, e da 
comensualidade em muitos casos, a família conjunta sobrevive como grupo de parentes cujos 
membros tem direitos específicos e obrigações em relação entre si, e ainda altamente 
considerado. Mesmo nesse caso, porém, a casta e a classe são muito mais importantes a que o 
parentesco, na determinação do lugar do indivíduo na sociedade. Sem dúvida, a casta e a 
família conjunta estão intimamente ligadas, mas a casta ainda representa um princípio 
estrutural muito diferente do parentesco. 
A Família e a Sociedade 
No estudo do parentesco e da família, como em outros setores, s primeiros sociólogos e 
antropólogos se ocuparam, em grande parte, com a construção de esquemas evolucionários. O 
casamento e a família eram considerados como tendo evoluído desde promiscuidade 
primitiva através de várias formas de casamento plural até a monogamia. O parentesco era 
considerado como se tendo desenvolvido da descendência matrilinear, através da 
descendência patrilinear e o patriarcado, até um sistema de descendência bilateral, associado 
com a família nuclear independente. . hipótese relacionada com a prioridade da descendência 
matrilinear, e sua ligação com os níveis mais baixos de cultura primitiva, foi apresentada pela 
primeira vez por Bachofen. Foi aceita amplamente, e esquemas evolucionários, igualmente 
amplos, foram propostos, por muitos estudiosos, até o início deste século. 
Nas obras mais recentes, a abordagem evolucionista foi abandonada. Os antropólogos se 
concentraram no estudo funcional ou histórico de determinados sistemas de parentesco e 
formas de família, ao passo que os sociólogos, em sua maioria, limitaram seus interesses aos 
problemas da família nas sociedades industriais contemporâneas. A crença numa única linha 
de desenvolvimento teve de ser abandonada frente à evidência antropológica. Foi ainda mais 
difícil encontrar uma moldura geral de explicação para as variedades de tratamento de 
parentesco e estrutura familiar, ou para as modificações no parentesco e na família. Não 
obstante, como mostramos, é possível estabelecer amplas classificações de sistemas de 
parentesco e tipos de família. Mas os tratamentos de parentesco parecem variar de forma mais 
ocasional e arbitrária do que o casamento e a família. Sobre os tipos de famílias e suas 
modificações, é possível formular várias generalizações úteis que os relacionam com outros 
elementos da estrutura social. 
A primeira generalização refere-se à natureza das relações entre a família e a sociedade. A 
família nuclear, já o dissemos, é um fenômeno universalporque realiza funções sociais indis-
pensáveis. É um grupo de grande importância em qualquer sociedade, mas essa importância é 
muito específica. Os jovens humanos permanecem imaturos por um período que é longo, em 
relação à duração da vida humana; durante esse período, têm de ser mantidos e socializados. 
Essa é a principal função da família nuclear. Sua realização é independente da forma da fa-
mília, das disposições de parentesco, dos hábitos matrimoniais, do tipo de controle do 
comportamento sexual, ou da realização de funções adicionais pela família. Tudo isso varia 
com as variações de outras instituições sociais. Além disso, as formas pelas quais a família 
nuclear desempenha sua principal função também são determinadas por outros elementos da 
sociedade. A família primeiro socializa a criança, mas não cria os valores que transmite; estes 
vêm da religião, nação, casta ou classe. Assim, o caráter específico da família nuclear em 
qualquer sociedade é determinado por outras instituições, ao invés de determiná-las. Da 
mesma forma, as mudanças sociais são originadas nas outras instituições, e não na família; a 
família se modifica em reação a elas. Devemos notar, aqui, que nossas observações sobre a 
família nuclear têm uma aplicação mais ampla aos grupos primários como tais. Um estudo da 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 32 
família nuclear mostra como a proposição é falsa. A família transmite valores determinados 
por outras instituições; é um agente, não um principal. Nos grupos primários, talvez 
possamos estudar mais facilmente os efeitos das grandes "forças sociais", mas não podemos, 
dessa forma, investigar as próprias forças ou explicar sua ação. 
Outra característica das relações entre a família e a sociedade tem sido, com freqüência, 
negligenciada pelos sociólogos modernos. Nenhum outro grupo na sociedade é tão 
influenciado elos códigos morais e religiosos. O fato é surpreendente. A cupidez e a ambição 
de poder parecem ser impulsos individuais tão poderosos quanto o desejo sexual, e tão 
potencialmente desintegradores da comunidade humana. No presente, a sociedade humana 
parece estar mais gravemente ameaçada pela guerra nuclear do que pelo aumento de 
divórcios ou pela difusão das dações sexuais pré-maritais. Não obstante, os códigos religiosos 
morais raramente deram às disposições econômicas e políticas mesma atenção que dão ao 
comportamento sexual e à família. A conexão entre a família e a religião pode ser vista hoje na 
reocupação das sociedades ocidentais com a "promiscuidade" sexual e o divórcio, e na Índia 
com o futuro da família conjunta. Essa conexão tem duas conseqüências importantes: pri-
meiro, que a pesquisa científica sobre o comportamento sexual e a vida familiar era difícil, ou 
impossível, até há bem poucos anos, e segundo, que tem havido mais dificuldade nessa área 
da vida social do que em outras para provocar mudanças racionais. 
Enquanto a influência das religiões tem sido, habitualmente, no sentido de preservar as 
formas de família estabelecidas, as mudanças nas instituições econômicas constituem um 
grande fator para provocar também mudanças na família. Durkheim observou, certa vez, que 
a inadequabilidade da concepção "econômico-materialista" da História era mais evidente no 
estudo da família. Mas isso é duvidoso. Embora os primeiros esquemas evolucionistas, 
inclusive o de Engels, devam ser rejeitados, é inegável que seqüências mais limitadas de 
mudança podem ser descobertas, e que nelas os fatores econômicos são destacados. Os 
antropólogos (especialmente Lowie e Murdock) que realizaram estudos comparados de 
parentesco e família acentuaram esse ponto. A influência do industrialismo moderno sobre a 
família é reconhecida universalmente. As características específicas da moderna família 
ocidental são, muito geralmente, atribuídas ao desenvolvimento da sociedade industrial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 33 
GGrruuppooss ee CCllaasssseess SSoocciiaaiiss 
 
A DIVISÃO DA SOCIEDADE em classes ou estratos, que formam uma hierarquia de prestígio e 
poder, é uma característica quase universal da estrutura social que, através de toda a história, 
atraiu a atenção dos filósofos e teóricos das sociedades. Mas somente com o desenvolvimento 
das modernas Ciências Sociais foi submetida ao estudo e análise críticos. Os sociólogos distin-
guiram comumente quatro principais tipos de estratificação social. 
L. T. Hobhouse definiu o escravo como "um homem ao qual a lei e o costume consideram 
como propriedade de outro. Em casos extremos, é totalmente destituído de direitos, um 
simples instrumento; em outros, pode ser protegido sob certos aspectos, mas também o poder 
ser o boi ou o burro". E continua: "...se [o escravo] tem, pela sua posição, certos direitos 
compensatórios, como, por exemplo, propriedade herdada, da qual não pode (exceto por 
omissão) ser privado, torna-se... ...não mais um escravo, mas um servo". A escravidão 
representa, portanto, uma forma extrema de desigualdade, na qual certos grupos de 
indivíduos estão totalmente, ou quase totalmente, destituídos de direitos. Existiu 
esporadicamente em muitas épocas e lugares, mas há dois principais exemplos de um sistema 
de escravidão: as sociedades do mundo antigo, nele baseadas (especialmente a Grécia e 
Roma), e os estados do Sul dos Estados Unidos, nos séculos XVIII e XIX. H. J. Nieboer faz uma 
excelente exposição da condição social do escravo nesses sistemas: "Primeiro, cada escravo 
tem seu senhor, ao qual está sujeito. E essa sujeição é de um tipo peculiar. Ao contrário da 
autoridade que um homem livre por vezes tem sobre outro, o poder do senhor sobre seu 
escravo é ilimitado, pelo menos em princípio: qualquer restrição sobre o livre exercício do 
poder do senhor é uma mitigação da escravidão, não pertencente à sua natureza, tal como no 
Direito Romano o proprietário pode fazer com sua propriedade o que não for proibido por 
leis especiais. A relação entre senhor e escravo se expressa, portanto, adequadamente, pelo 
fato de ser o segundo considerado 'possessão' ou 'propriedade' do primeiro, expressões que 
encontramos freqüentemente. Segundo, os escravos estão numa condição inferior, 
comparados aos homens livres. O escravo não tem direitos políticos, não escolhe seu governo, 
não comparece a conselhos públicos. Socialmente é desprezado. Em terceiro lugar, sempre 
ligamos a escravidão à idéias do trabalho compulsório. O escravo é obrigado a trabalhar: o 
trabalhador livre pode abandonar o trabalho se desejar, mesmo que venha a passar fome. 
Nem todo trabalho compulsório, porém, é trabalho escravo — este último exige a 'possessão' 
ou 'propriedade', como já dissemos". 
A base da escravidão é sempre econômica; é, como disse Nieboer, um sistema industrial. 
Juntamente com a escravidão, surge, também, alguma forma de aristocracia, que vive do tra-
balho escravo. Mas também, na opinião de alguns autores, a ineficiência do trabalho escravo é 
que é responsável pelo declínio da escravidão. 
Juntamente com isso, porém, há outra influência que tende ao declínio da escravidão, e que 
podemos observar melhor no mundo antigo. Há sempre certo conflito entre a concepção do 
escravo como um objeto dos direitos de propriedade e a concepção dele como um ser humano, 
possuidor de direitos. Vemos, tanto na Grécia como em Roma, que, com o desenvolvimento da 
escravidão por dívidas, se estabelece uma distinção entre os escravos estrangeiros e os 
escravos do próprio grupo. Em Atenas, a escravidão por dívidas foi proibida por Sólon, e 
finalmente abolida em Roma sob a influência dos estóicos. Hobhouse assinalou que "a 
formação dos escravos-devedorestem certa influência amenizadora sobre a instituição da 
própria escravidão, pois enquanto o escravo cativo permanece como um inimigo aos olhos da 
lei e da moral, e portanto é destituído de direito, o devedor ou o criminoso eram 
originalmente membros da comunidade, e em relação a eles podiam surgir certas limitações 
ao poder do senhor". No mundo antigo, a escravidão foi geralmente modificada pela limitação 
progressiva do direito de punição pelo senhor, pela garantia de direitos pessoais ao escravo 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 34 
(casamento, aquisição e herança de propriedade) e a provisão de alforria. Esta última foi 
apoiada e estimulada pela Igreja cristã no Império Romano, e mais tarde na Europa feudal, 
pelo menos no que se relacionava com os cristãos. 
Estados 
Os estados feudais da Europa medieval tinham três características importantes. Em primeiro 
lugar, estavam legalmente definidos: cada estado tinha um status, no sentido preciso de um 
complexo legal de direitos e deveres, privilégios e obrigações. Assim, como se disse, "para 
conhecer a posição verdadeira de uma pessoa, era primeiramente necessário saber a lei pela 
qual vivia". No século XII, quando a servidão crescia e surgia uma teoria legal do estado 
feudal, um jurista inglês, Glanville, relacionou as seguintes restrições ao servo: 
impossibilidade de apelar ao rei por justiça, ausência de direitos sobre seus instrumentos e 
coisas de que se utilizava, sujeição a multa de merchet e heriot. As diferenças entre os estados 
podem ser vistas também nas penalidades diferentes impostas a crimes semelhantes. 
Segundo, os estados representavam uma ampla divisão de trabalho e foram considerados na 
literatura contemporânea como dotados de funções definidas. "A nobreza era constituída para 
defender a todos, o clero para rezar por todos, e os comuns para proporcionar comida para 
todos." 
Terceiro, os estados feudais eram grupos políticos. Stubbs, em sua Constitutional History of 
England, escreveu: "Uma assembléia de estados é uma coleção organizada... de várias ordens, 
estados ou condições do homem que são reconhecidos como dispondo de poder político." 
Nesse sentido, os servos não constituem um estado. O feudalismo conhecia apenas dois esta-
dos, a nobreza e o clero. O declínio do feudalismo europeu depois do século XII está ligado ao 
aparecimento de um terceiro estado, não dos servos ou vilões mas dos burgueses, que se com-
portaram por um longo período como um grupo distintivo, dentro do sistema feudal, antes de 
transformarem ou derrubá-lo. 
O sistema de estados feudais era mais complexo e variado, bem como menos rígido, do que 
esta resumida exposição pode mostrar. Certos historiadores e sociólogos modernos se 
preocuparam muito com as semelhanças entre as sociedades feudais européias e outras 
sociedades que podem ser consideradas como pertencentes ao mesmo tipo. O sistema social 
do Japão do século XII tem sido considerado feudal, com freqüência. 
Casta 
O sistema de castas da Índia é único entre os sistemas de estratificação social. Isso não 
equivale a dizer que seja totalmente impossível compará-lo com outros tipos de estratificação 
ou que nenhum dos elementos da casta se encontra em outras partes. Em primeiro lugar, a 
casta possui a característica comum de estar evidentemente relacionada com a diferenciação 
econômica. Isso é evidente se considerarmos os grupos efetivos de casta (jatis), ou as quatro 
tradicionais varnas de brâmanes, xátrias, vaixas e sudras. As varnas, como Senart observou 
num estudo clássico, se assemelhavam, sob certos aspectos, aos estados feudais. Eram como 
os estados, tanto no caráter como, em grande proporção, na ordenação hierárquica dos grupos 
(sacerdotes, guerreiros e nobres, comerciantes, servos) e também no fato de não serem grupos 
totalmente fechados: as pessoas podiam passar de uma varna para outra, e o casamento entre 
elas era possível. 
 
Os jatis — que se desenvolveram mais tarde e continuaram a crescer em número pela 
ampliação da divisão do trabalho, incorporação de tribos e, em proporções menores, pela 
influência de fatores como a inovação religiosa — são as unidades básicas do sistema 
tradicional de castas. Na Índia moderna, há talvez cerca de 2.500 jatis em cada principal 
região. O jati é um grupo endógamo, e o principal grupo de referência do indivíduo, 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 35 
representando uma forma distintiva de vida e mantendo-o pelo exercício Ias sanções 
tradicionais e, em épocas anteriores, judiciais. A significação econômica dos jatis é evidente: 
são, em sua maior ;arte, grupos ocupacionais, e na tradicional economia aldeã o sistema de 
castas proporciona largamente o maquinismo para a roca de bens e serviços. 
Por outro lado, os elementos de casta podem ser observados em outras sociedades onde uma 
segregação mais ou menos rigorosa de grupos particulares ocorre, como, por exemplo, na 
segregação dos que se empenham em atividades "sujas", ou dos que pertencem a um 
determinado grupo étnico. Mas essas características individuais não constituem um sistema 
de casta. Os únicos casos em que um sistema de casta se estabeleceu fora da Índia hindu são 
os de grupos não-hindus na Índia (por exemplo, os muçulmanos) ou de colônias hindus fora 
da Índia, notadamente no Ceilão. 
O problema sociológico da casta, portanto, explica a existência e persistência desse tipo 
excepcional de estratificação social. Podemos procurar duas formas de explicação, seja em 
termos dos acontecimentos históricos ou em termos de algum fator ou fatores presentes na 
sociedade indiana, e não em outras partes. Qualquer explicação histórica está destinada a ser 
especulativa, no estado presente do conhecimento, e seu valor consistiria principalmente no 
estímulo a novas pesquisas históricas. Uma das explicações mais plausíveis até agora 
proporcionadas foi a de J. H. Hutton, que sugere terem os invasores arianos da Índia, com 
suas classes diferentes, introduzido o princípio de estratificação social numa sociedade já 
dividida em grupos tribais exclusivos por tabus relacionados com alimentos, e que adotaram 
e consolidaram esses tabus como meios de manter a distância social entre eles próprios e a 
população sujeita. Dessa forma, o princípio de grupos exclusivos estratificados foi reforçado e 
dotado de uma sanção poderosa, na forma de uma doutrina religiosa e mágica da poluição 
pela comida e, mais tarde, pelo contato. 
A segunda maneira de explicar a casta, em termos de qualquer outra característica específica 
da sociedade indiana, exige um breve exame da relação entre jati e varna. Os estudiosos 
modernos acentuaram o papel das idéias mágicas e religiosas do sistema de varna, expostas na 
literatura religiosa antiga. M. N. Srinivas observa que as noções de karma, que "ensinam a um 
hindu ter ele nascido numa determinada subcasta porque merecia nascer ali", e dharma, o 
código de deveres (ou regras da casta), "contribuíram muito para o fortalecimento da idéias de 
hierarquia, inerente ao sistema de casta". O conceito de poluição, diz ele, é "fundamental ao 
sistema de casta", e "todos os tipos de relação de casta são governados por ele". K. M. 
Panikkar, porém, argumentou, baseado na distinção entre jati e varna, que o sistema de casta 
não tem fundamento na religião hindu, sendo antes o produto do direito tradicional hindu e 
da fraqueza da autoridade política central durante grande parte da história da Índia. Embora 
isso chame a atenção para outros fatores que podem ser importantes na manutenção da casta, 
constitui, em essência, um desejo de reinterpretação do hinduísmo. Na verdade, as castas e 
subcastas estão diretamente relacionadas com o sistema de varna,que, como Srinivas observa, 
representa um ponto de referência para toda a Índia, uma moldura na qual miríades de 
subcastas de qualquer região podem ser colocadas, e ao mesmo tempo constitui uma escala de 
valores e prestígio aceita por .todos. A distinção feita por Panikkar entre a influência da 
religião e a das leis dificilmente poderá ser defendida, pois o direito tradicional hindu é 
dominado pelas idéias religiosas. As noções de karma, dharma e de poluição figuram com 
destaque tanto no pensamento religioso como no jurídico, e juntas constituem uma doutrina 
que é, sem dúvida, uma das principais forças mantenedoras do sistema de casta. 
Podemos concluir, portanto, que uma explicação do sistema de casta envolveria uma 
referência a alguma teoria geral de estratificação, às características específicas da religião 
hindu, e possivelmente a outros fatores, como a fragmentação da sociedade indiana e a 
manutenção de uma economia tradicional. Essa explicação poderia ser comprovada, talvez 
com dificuldade, por estudos dos efeitos que sobre o sistema de casta tiveram as mudanças 
econômicas e políticas, de longo alcance, em épocas recentes. De fato, estudos nesse setor 
apenas se estão iniciando. Os estudos empíricos da década passada contribuíram para o 
conhecimento mais preciso do sistema de casta tradicional. Quase todos foram realizados em 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 36 
áreas rurais, onde o impacto das mudanças econômicas e políticas é mais fraco; mesmo assim, 
certo número de estudos revela mudanças significativas. A riqueza e a educação tornaram-se 
acessíveis aos membros das classes inferiores, bem como das classes elevadas — embora 
talvez não em igualdade de condições. S. C. Dube mostrou como isso afeta a comunidade 
aldeã. 13 Riqueza, educação ou qualidades pessoais podem dar prestígio e poder a uma 
pessoa, a despeito de pertencer a uma casta inferior. Mas as mudanças foram provocadas por 
forças externas, e não desafiam, de forma séria, a velha ordem. Dube nota que "... o domínio 
do sistema tradicional ainda é firme, e as pessoas das castas inferiores, ou outras com origens 
humildes, devem comportar-se com tato e discrição consideráveis, se quiserem melhorar sua 
influência e importância na comunidade". Da mesma forma, F. G. Bailey, num estudo de uma 
aldeia em Orissa, mostra como as "fronteiras em avanço" da economia e da política provocam 
mudanças. Com o desenvolvimento do comércio, e de uma economia monetária, a terra deixa 
de ser a principal fonte de riqueza; as castas inferiores se enriquecem pelo comércio e em 
seguida usam sua riqueza para comprar a terra e, assim, adquirir prestígio e poder. A 
extensão do governo e administração também modifica o equilíbrio de poder; as castas 
inferiores na aldeia já não são indefensáveis, pois podem recorrer, fora da aldeia, às 
autoridades públicas e aos órgãos administrativos. Mas Bailey também concluiu que a casta 
na aldeia continua poderosa, pois ainda é afetiva para impedir a mobilidade social e, em seu 
aspecto ritual, mantém a hierarquia tradicional. 
 
Devemos esperar que as modificações nas castas sejam maiores nas áreas urbanas do que nas 
aldeias, pois as mudanças econômicas são, ali, maiores, e a anonimidade da vida da cidade 
facilita a mobilidade social, bem como a sua vida intelectual se presta melhor às mudanças. 
Até agora, porém, a escassez de estudos de casta nas áreas urbana e industrial torna 
impossível determinar até que ponto as novas atividades, associações e idéias — sindicatos, 
organizações profissionais ou políticas e ideologias — enfraqueceram a fidelidade à casta. 
Algumas informações sobre o predomínio do sentimento de casta são fornecidas por K. M. 
Kapadia, num estudo sobre professores formados no Estado de Bombaim. Mostra ele que, 
embora uma alta proporção de professores se expresse em favor de casamentos entre as 
castas, até mesmo para seus filhos, há na realidade muitos aspectos que tendem a manter o 
sentimento de casta e a endogamia de casta. Assim, as fundações e associações filantrópicas 
de casta são comuns, e muitas castas mantêm publicações e organizam funções sociais. Um 
terço dos professores assina a publicação de sua casta e gostaria de participar de suas 
atividades sociais. Kapadia conclui que 42% do grupo revelam um sentimento de casta 
bastante intenso. 
 
A falta de estudos urbanos explica, em parte, as incertezas desacordos sobre a possibilidade 
de estar a casta se enfraquecendo ou fortalecendo na sociedade indiana como um todo. Muitos 
sociólogos observaram que as associações de casta se desenvolveram rapidamente, em 
particular nas cidades. M. N. Srinivas diz: "Há boas razões para argumentar que a consciência 
de casta suas organizações aumentaram na Índia moderna. Veja-se, por templo, a proliferação 
de bancos, hotéis, sociedades cooperativas, instituições de caridade, preterias, conferências e 
publicações de casta, nas cidades indianas." A influência da casta na política controvertida e 
certamente varia segundo as regiões. Não há ávida de que ela tem um papel importante, como 
organização eleitoral e como agência coletora de votos, mas os estudos empíricos mostram 
que as castas locais freqüentemente se dividem nas questões políticas e que muitas outras 
considerações influem no partidarismo político. Na esfera da educação e de oportunidades ; 
mobilidade ocupacional, é claro que a casta conserva grande importância: a educação superior 
continua aberta principalmente castas superiores. 
 
Por outro lado, há argumentos gerais sobre os efeitos da legislação, democracia política e 
industrialização, considerados como contrários à casta. Discriminações abertas diminuíram, 
sem dúvida, e a posição dos párias melhorou, mas é duvidoso que os fatores mencionados 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 37 
tenham enfraquecido a consciência e a fidelidade de casta. Podemos pretender que ainda não 
houve tempo para isso, e a industrialização, em particular, ainda não avançou bastante para 
ter uma influência decisiva. Mas os seus efeitos não podem ser previstos com certeza e as 
comparações com os países ocidentais podem levar a erro. Nesses países, que se 
industrializaram durante o século XIX, os novos trabalhadores industriais não estavam presos 
a laços tradicionais tão fechados quanto os da casta e da família conjunta, e não foram 
prejudicados, sob esse aspecto, na formação de associações econômicas e políticas de um tipo 
moderno. 
 
Além do mais, nem os trabalhadores nem os industriais estavam influenciados por uma 
religião tradicional voltada para o outro mundo. As ligações reais entre a industrialização e as 
modificações na casta (e na família conjunta) têm, portanto, de ser estudadas diretamente na 
Índia, e isso exige novos tipos de pesquisa que se focalize sobre as áreas urbanas e não sobre 
as aldeias, sobre os grupos ocupacionais cruciais na moderna sociedade industrial, e não sobre 
as ocupações tradicionais de casta. M. N. Srinivas, no levantamento já mencionado, 18 
especifica vários tópicos que devem ser investigados: a inter-relação entre casta e classe, a 
relação de casta, classe e residência rural-urbana na utilização de facilidades educacionais, o 
papel da casta e classe na burocracia, o papel desempenhado pela casta nos sindicatos e na 
vida política, em níveis diferentes, a urbanização de castas selecionadas em diferentes partes 
do país, a relação entre casta e desenvolvimento econômico, as castas dominantes nas 
diferentes partes do país, castas hipérgamas, e o papel das idéias de pureza e poluição nos 
sistemas de casta do Norte e Sul da Índia. Basta acrescentar que as idéias religiosas que 
apoiam a casta merecem ser estudadas sistematicamente.Vimos que a força da casta e as tendências para a mudança foram estimadas de formas 
diversas e que os dados não são nem abundantes nem claros. Mas, apesar do que se disser 
sobre a força das próprias castas, e a fidelidade do indivíduo à sua casta, podemos afirmar 
que o sistema tradicional de castas foi profundamente alterado. Cada casta individual tinha, 
em tal sistema, um lugar determinado e cooperava com as outras numa economia e num 
ritual tradicionais. Sem dúvida, havia sempre certa competição entre as castas, e houve 
modificações de posição na hierarquia de prestígio, mas não se generalizaram. A situação das 
modernas associações de casta é totalmente diferente, existindo elas para competir pela 
riqueza, oportunidades de educação, e prestígio social, numa sociedade muito mais aberta. 
Essas associações são, na verdade, grupos de interesse de tipo moderno; no sentido de 
Tonnies, são "associações", ao passo que os grupos tradicionais de casta eram "comunidades". 
É fácil compreender que se tivessem constituído à base de castas tradicionais, mas igualmente 
que contrariam o sistema de casta e bem podem dar origem, ou ser absorvidos, pelos grupos 
seculares de uma sociedade moderna — sindicatos, associações profissionais e classes sociais. 
 
 
 
 
RReelliiggiiããoo ee MMoorraalliiddaaddee 
 
 
 
Os PRIMEIROS ESTUDOS SOCIOLÓGICOS da religião tiveram três características metodológicas 
distintas: eram evolucionistas, positivistas e psicólogos. Tais características se ilustram pelo 
trabalho de Comte, Tylor e Spencer. Na sociologia de Comte, uma das concepções 
fundamentais é a chamada "lei dos três estágios", segundo a qual o pensamento humano 
passou, histórica e necessariamente, do estágio teológico (sociedade primitiva antiga) para o 
estágio metafísico (sociedade medieval) e deste para o estágio positivo (sociedade moderna, a 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 38 
partir do século XIX). Comte trata o pensamento teológico como um erro intelectual disperso 
pela ascensão da ciência moderna; traça, dentro do estágio teológico, um desenvolvimento do 
animismo para o monoteísmo e explica as crenças religiosas em termos psicológicos pela 
referência às percepções e processos de pensamento dos homens antigos. É certo que Comte 
mais tarde formulou a sua própria "religião da humanidade" e com isso reconheceu, de 
alguma forma, uma necessidade universal de religião, mas não conseguiu colocar essas idéias 
posteriores em harmonia com suas concepções fundamentais. 
O trabalho de Tylor e Spencer foi muito mais rigoroso e revela com mais clareza as 
características que mencionamos. Ambos os pensadores se empenhavam em explicar, em 
primeiro prefação dos sonhos e da morte; Spencer refere-se à "teoria original das coisas na 
qual, da suposta realidade dos sonhos, resultou a suposta realidade dos fantasmas, e de onde 
se desenvolveram todos os tipos de supostos seres sobrenaturais". A partir daí, Spencer 
descreve o desenvolvimento das instituições religiosas em diferentes estágios da sociedade. 
Como ocorreu com Comte, a explicação dos fenômenos religiosos se faz em termos de 
disposições psicológicas, erro intelectual e evolução da vida social. 
Outros teóricos sociais do século XIX abordaram o estudo da religião de forma semelhante. 
Marx sustentava que a religião se originara no medo e ansiedade provocados pelos 
fenômenos naturais, e que era uma ilusão que acabaria por desaparecer. Mas também abriu 
um caminho novo, considerando o papel das doutrinas religiosas como ideologias em 
diferentes tipos de sociedade — ou seja, o papel desempenhado pela religião no controle 
social. Prazer também abordou o problema do ponto de vista da teoria evolucionária e da 
filosofia positivista ou racionalista. Estabeleceu uma distinção entre magia e religião: a 
primeira envolvia uma afirmação do poder do homem sobre os processos naturais ("um 
sistema espúrio de lei natural, bem como um guia falaz de conduta"), e a segunda, "uma 
crença em poderes mais altos do que o homem e uma tentativa de acalmá-los ou agradar-
lhes". Concebia o progresso intelectual da humanidade como uma passagem da idade da 
magia para a idade da religião, e desta para a idade da ciência. Mas reconhecia que a magia e 
a religião por vezes se confundiam, até nas sociedades civilizadas, e que nas sociedades 
modernas um substrato de crenças mágicas persistia linda. 
Durkheim argumentou que em todas as sociedades há uma distinção entre as coisas 
"sagradas" e "profanas". A religião é um "sistema unificado de crenças e práticas relacionadas 
com coisas sagradas, ou seja, coisas isoladas e proibidas — crenças e práticas que unem numa 
única comunidade moral chamada Igreja todos os que a elas aderem". Na teoria de Durkheim, 
os aspectos coletivos da religião são acentuados; a função dos rituais religiosos é afirmar a 
superioridade moral da sociedade sobre seus membros individuais, e com isso manter a 
solidariedade da sociedade. "O deus do clã pode ser apenas o próprio clã." Durkheim, na 
primeira parte de seu livro, criticou o trabalho dos antropólogos e sociólogos anteriores, sob a 
alegação de que suas explicações da religião eram psicológicas (em termos de sentimentos 
individuais) e não sociológicas, e que fizeram da religião uma ilusão, ao passo que em sua 
opinião uma coisa tão universal e importante na sociedade humana não poderia ser ilusória. 
Não obstante, sua própria teoria faz da religião igualmente uma ilusão, pois como Lowie 
indaga: em que sentido são os fenômenos naturais menos reais do que a sociedade? 
Se, porém, eliminarmos da teoria de Durkheim sua pretensão filosófica de explicar a 
"essência" da religião, e sua rejeição de qualquer contribuição psicológica para a compreensão 
dos fenômenos religiosos, estaremos de posse de uma explicação funcionalista da religião, que 
tem uma utilidade definida, embora limitada. Antropólogos posteriores mostraram em 
estudos práticos como a religião funciona nas sociedades primitivas para manter a coesão 
social e controlar a conduta individual. A ênfase de Durkheim sobre o ritual, em 
contraposição à fé, foi salutar por ter desviado a atenção dos antropólogos da exegese das 
idéias religiosas exóticas, dirigindo-a para a observação e descrição do comportamento 
religioso. 
No estudo das sociedades civilizadas, a teoria de Durkheim teve menor utilidade, pois nesse 
caso a religião tanto pode ser uma força divisiva quanto unificadora. Ou seja, enquanto ela 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 39 
une grupos particulares, pode provocar conflitos entre esses grupos dentro da sociedade. Há, 
decerto, muitos exemplos de sociedades inclusivas que são unificadas pela religião — os 
Estados do cristianismo medieval, alguns Estados islâmicos e a Índia hindu; mas nas mo-
dernas sociedades industriais, particularmente, há considerável diversidade religiosa e certo 
conflito religioso. Segundo, nas sociedades civilizadas, especialmente nas sociedades 
modernas, as crenças e doutrinas têm mais importância do que o ritual, pois os homens 
tendem a se unir ou se dividir em relação a proposições mais do que a sentimentos. 
Essas características significaram que o estudo sociológico da religião divergiu do estudo 
realizado pela Antropologia Social. Caracterizou-se especialmente por uma preocupação com 
as doutrinas éticas das religiões mundiais. A sociologia do primeiro, de modo geral, ocupa-se 
da influência do desenvolvimento intelectual sobre as instituições sociais. 
Em seus estudos posteriores da religião (judaísmo, China, Índia), Weber seguiu a mesma linha 
de pesquisa, examinando as doutrinas religiosas de determinados grupos sociais, e as consc-
iências sociais (especialmente econômicas)de certas atitudes para com a vida, derivadas dos 
sistemas religiosos. É de interesse especial, aqui, examinarmos suas observações sobre a 
religião na Índia. Em primeiro lugar, examina a relação entre a atividade econômica moderna 
e racional e as crenças religiosas, mostrando a atração que têm para os comerciantes e homens 
de negócios cultos religiosos. O hinduísmo ortodoxo, por outro lado, que torna a 
contemplação o valor religioso supremo acessível ao homem, restringe, ao invés de estimular, 
a atividade comercial. Segundo, Weber acentua a importância da casta como a moldura 
institucional do hinduísmo. "A casta, ou seja, os direitos e deveres rituais que ela impõe e dá, e 
a posição dos brâmanes são a instituição fundamental do hinduísmo." As interligações de 
casta e hinduísmo são hoje aceitas por todos. M. N. Srinivas, em seu livro sobre os Coorgs, 
escreve que "a base estrutural do hinduísmo e o sistema de casta que ocasionalmente 
sobrevive até a conversão ao cristianismo ou islamismo". Também observa que a difusão do 
hinduísmo na Índia ocorreu pelo "sincretismo" do ritual e das crenças de tribos ou outros 
grupos não-hindus e ao mesmo tempo pela incorporação de tais grupos como castas ao 
sistema de casta. "A absorção completa de qualquer grupo de pessoas ao sistema hindu é 
indicada pela sua transformação numa casta." 
Desde a obra de Durkheim e Max Weber, poucas contribuições teóricas foram feitas ao estudo 
sociológico da religião. Os antropólogos sociais, como já dissemos, basearam seus estudos em 
grande parte na teoria de Durkheim. Na Sociologia, a influência de Weber foi predominante e 
estimulou duas linhas principais e correlatas de pesquisa: uma, interessada pelas 
características, doutrinas e significação social das seitas religiosas, e outra, com a ligação entre 
as doutrinas religiosas e as classes sociais. 
Assim, na Grã-Bretanha, o Censo de 1951 (o único que incluiu uma pergunta sobre filiação 
religiosa) mostrou que a Igreja oficial, a Igreja Anglicana, perdera muitos membros para as 
Igrejas e seitas não-conformistas, e muitos dos que a abandonaram eram pessoas da classe 
trabalhadora ou da classe média inferior. 
Durante toda a segunda metade do século XIX e durante o século XX, a freqüência às igrejas, 
e, em menores proporções, as crenças religiosas, vêm declinando, e esse declínio foi mais 
acentuado na classe trabalhadora. Um levantamento recente mostra que, enquanto um quinto 
dos informantes da classe média diz que jamais vai à igreja, quase um terço dos informantes 
da classe trabalhadora presta a mesma informação. No outro extremo da escala, a proporção 
dos membros da classe média que declara freqüentar regularmente a igreja é duas vezes e 
meia superior à da classe trabalhadora. O mesmo fenômeno foi observado, de forma mais 
extremada, na França, onde o catolicismo das classes superior e média contrasta com o 
marxismo, como credo dominante da classe trabalhadora. Tanto na Grã-Bretanha como na 
França, o reconhecimento dessa decadência da religião na classe trabalhadora levou à 
organização de missões da classe operária, na Grã-Bretanha especialmente em fins do século 
XIX (por exemplo, o Exército da Salvação) e na França em diferentes épocas, sendo a 
manifestação mais recente o movimento dos padres operários. Essas características do 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 40 
processo de secularização, embora reconhecidas geralmente, ainda não foram estudadas de 
modo sistemático. 
É interessante observar aqui que os Estados Unidos constituem uma exceção no fenômeno de 
secularização. Na sociedade americana, a crença religiosa e a observância dos preceitos reli-
giosos têm tendido para aumentar, e não para declinar, sendo alto o comparecimento às 
igrejas. Ao mesmo tempo, as diferenças de classe na prática religiosa são mínimas. 
Outro tema na Sociologia da Religião de Max Weber era a significação social das seitas 
religiosas. Como notamos, houve vários estudos recentes sobre determinadas seitas, mas uma 
característica geral merece ser mencionada, a da proliferação de seitas em algumas sociedades 
modernas. Na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, durante o último século, surgiram 
numerosas seitas novas, e mulas delas floresceram. Isso pode refletir uma "individualização" a 
crença religiosa, que talvez deva ser examinada juntamente com a secularização, como 
característica destacada da situação religiosa nas sociedades industriais. 
O estudo sociológico da moral teve, desde o seu início, certas características em comum com o 
estudo da religião. Em particular, foi orientado pelas idéias evolucionistas e positivistas. 
Embora divergindo nas suas concepções sobre as fontes e bases das idéias morais, esses dois 
pensadores estão bastante de acordo em suas explicações do desenvolvimento da moral e 
especialmente na conclusão de que a história da humanidade foi marcada pelo progresso 
moral. Hobhouse pretendia mostrar que as idéias morais se desenvolveram no sentido do 
ideal de uma ética racional, e tentou estabelecer uma ampla correspondência entre essa evo-
lução da moral e o desenvolvimento social geral. Westermarck, embora dando maior ênfase à 
semelhança entre as regras morais de sociedades diferentes (primitiva e civilizada), também 
considerou que, no curso da evolução social, as idéias morais se tornaram mais esclarecidas e 
que a influência da razão sobre a moralidade provavelmente aumentará no futuro. Essa 
modificação: a rejeição geral da interpretação evolucionista, o ceticismo sobre o progresso 
social, novas opiniões filosóficas sobre o caráter dos julgamentos morais, e dúvidas sobre o 
valor de associar a Sociologia e a Filosofia Social da mesma forma íntima pela qual o fizera 
Hobhouse, em particular. 
A última dessas questões foi também importante na Sociologia francesa, onde a influência de 
Comte levou a tentativas de construir uma ciência normativa da moral. Foi um aspecto 
importante da sociologia de Durkheim, que em sua totalidade estava, evidentemente, 
dominada por uma preocupação, em fins do século XIX, com os problemas morais e sociais da 
França. Tanto Durkheim como Lévy-Bruhl argumentavam que as regras morais poderiam ser 
derivadas de uma ciência da moral; Lévy-Bruhl no trabalho citado, e Durkheim pequenas 
para serem relacionadas separadamente pelo Registro Geral) aumentou nove vezes; um 
aumento proporcional grande tem ocorrido em qualquer das grandes denominações. 
Sociólogos recentes desistiram da tentativa de formular uma teoria sociológica da moral. Em 
sua maioria, deixaram também de se ocupar com a direção geral do desenvolvimento ou pro-
gresso moral. Uma exceção notável é Morris Ginsberg que, num ensaio, critica os cientistas 
sociais que supuseram uma ligação necessária entre a diversidade dos códigos morais e a 
relatividade ética, e os filósofos que consideraram os julgamentos morais como emotivos e, 
consequentemente, nem como falsos nem como verdadeiros; e em seguida se propõe 
examinar as variações morais em termos de "diferenças de nível". Argumenta, de forma per-
suasiva, que níveis diferentes podem ser distinguidos em termos de tais características como a 
universalidade das regras, o âmbito da experiência representada pelas regras, a racionalidade 
dos princípios subjacentes e as proporções da autocrítica; diz ainda que o desenvolvimento 
dos níveis inferiores para os superiores pode ser acompanhado, embora, como confessa, sejam 
"os do lho que decidem que são do alto". Ginsberg reconhece que a comparação dos códigos 
morais só pode ser feita em termos lê ideais morais muito gerais e abstratos, e que a "vida 
moral", ou modo de vida prático, real, de uma determinada sociedade pode ser extremamente 
complexo e compreender elementos divergentes. Na verdade, quando examinamos os códigos 
morais dessa forma, como oscomplexos efetivos de valores que regulamentam o 
comportamento, torna-se extremamente difícil fazer qualquer classificação em termos de 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 41 
níveis de desenvolvimento. Além do mais, a existência de elementos divergentes nos sistemas 
morais as sociedades complexas torna mais duvidosa a identificação das leias morais 
dominantes. Pode-se argumentar, realmente, que ma das características do desenvolvimento 
da moralidade, pelo ienes em certas sociedades modernas, é a crescente diversidade as 
crenças morais dentro de cada sociedade. 
Sociólogos e antropólogos mais recentes, que fizeram qualquer estudo dos códigos morais, 
limitaram sua atenção a determinadas sociedades. Os antropólogos parecem ter obtido 
relativo êxito na descrição geral, e imparcial, do sistema de controle social, inclusive 
moralidade, das sociedades que estudam, embora devamos notar que poucos estudos 
antropológicos são submetidos à prova de outras observações independentes. Os sociólogos, 
devido à diversidade e conflito dos códigos morais nas sociedades mais complexas, tiveram 
uma tarefa mais difícil, e suas interpretações são notoriamente controvertidas. O que é apre-
sentado como o "sistema de valor central" de uma sociedade pode vir a ser, com freqüência, 
pouco mais do que a própria visão deformada que o sociólogo tem da sociedade em que vive. 
Devemos acrescentar que muitas explicações sociológicas e psicológicas dos valores morais 
não distinguem entre os valores formalmente afirmados e os valores que na realidade guiam o 
comportamento nas situações cotidianas de opção moral. Certos estudos Sociológicos, porém, 
reconhecidamente "interpretativos" em sua abordagem, de fato esclarecem aspectos da 
moralidade nas sociedades industriais adiantadas. Um tema destacado nesses estudos é o 
declínio da ética protestante. 
Essa crescente preocupação com a moralidade social teve duas conseqüências que são mais 
evidentes nas sociedades européias do que na América. A primeira é a maior tolerância da 
diversidade do comportamento individual que não esteja ligado às grandes controvérsias 
sociais. As Ciências Sociais também tiveram nisso seu papel, revelando alguns dos fatores 
externos que influem na conduta e diminuindo, com isso, o alcance do elogio e da condenação 
moral. A segunda conseqüência é que os códigos morais se associaram intimamente às 
doutrinas políticas. As discordâncias morais são hoje, muito freqüentemente, discordâncias 
políticas, e as crenças morais estão grandemente incorporadas às ideologias políticas. Sob 
todos esses aspectos, há muita margem para estudos sociológicos da moralidade, que até 
agora pouco foram tentados. 
 
 EEdduuccaaççããoo 
 
DURKHEIM DEFINIU A EDUCAÇÃO como "a ação exercida pelas gerações mais antigas sobre os 
que ainda não estão prontos para vida social. Seu objetivo é despertar e desenvolver na 
criança estados físicos, intelectuais e morais exigidos dela pela sua sociedade, de modo geral, 
e pelo meio ao qual está especialmente destinada". Essa ação, a socialização das novas 
gerações, necessariamente ocorre em todas as sociedades, mas assume muitas formas 
diferentes em relação aos grupos sociais e instituições em usa e em relação à sua própria 
diversidade e complexidade. 
Podemos considerar, primeiro, as proporções em que a educação é uma atividade social 
especializada. Nas sociedades mais simples, onde há reduzida especialização de funções, a 
educação não é organizada como atividade separada: é proporcionada pela família, pelo 
grupo de parentesco e pela sociedade em geral, aves da participação nas rotinas diárias da 
vida. Mas em muitas sociedades primitivas acima do mais simples nível, a instrução formal é 
dada na puberdade, antes da iniciação como membro adulto da sociedade. Lowie dá como 
exemplo o esquema educacional dos Yaghan (Terra do Fogo): "cada noviço Yaghan recebe dois 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 42 
tutores, que supervisionam sua conduta através dos vários meses de reclusão. Fisicamente, 
cada menino ou menina tem de aprender um rigoroso autocontrole...Para a instrução moral, 
os neófitos ouvem em conjunto as preleções de algum ancião da tribo. Além da instrução em 
massa, cada menino menina é dirigido por algum parente próximo, que tenha observado 
defeitos no caráter do discípulo e se empenha em corrigi-los... Finalmente, há a verdadeira 
preparação vocacional. O treinamento das meninas, na verdade, é pouco mais do que a 
verificação de habilidades previamente adquiridas. Os meninos, porém, são relativamente 
atrasados nas tarefas correspondentes da vida adulta e portanto exigem uma instrução". 
Em sociedades mais desenvolvidas, a educação formal adquire maior importância, aumenta o 
período de instrução sistemática e surge um grupo ocupacional especializado de professores. 
Assim, na Índia antiga, a instrução formal era proporcionada pelos brâmanes. "A primeira 
instrução do discípulo se fazia na idade de cinco anos. Começava aprendendo o alfabeto, 
instrução essa aberta às crianças de todas as idades. Seguia-se então a cerimônia da tonsura, 
que era seguida da cerimônia de iniciação do discípulo, na idade normal de 8 anos para um 
brâmane, 11 para um xátria, e 12 para um vaixá... Todo o sistema educacional era baseado 
nesse antigo sistema de noviciado, que dava maior ênfase à vida do que ao conhecimento ou 
instrução. Baseava-se no constante contato pessoal entre o mestre e o discípulo, unidos por 
um laço espiritual, vivendo na mesma casa... O discípulo, depois de sua iniciação, ingressava 
numa vida nova, pela qual era recriado pelo seu mestre e tinha de submeter-se a um duplo 
curso de disciplina — a física e a espiritual." Esse sistema educacional, porém, só se aplicava a 
uma pequena minoria da população e era realizado por uma classe sacerdotal hereditária, 
preocupada principalmente com a transmissão das doutrinas religiosas e que ignorava, em 
grande parte, a instrução secular. "Durante séculos, os brâmanes, que eram os depositários do 
conhecimento e os diretores da vida hindu, continuaram a estudar e a aperfeiçoar os textos 
sagrados e a transmitir seus estudos pelas instituições religiosas — tols e vidyalayas e 
chatuspathis — às gerações seguintes." As habilidades técnicas eram transmitidas, de modo 
informal e prático, principalmente pela família e pelo grupo ocupacional. Isso ocorria em 
quase todas as sociedades antes da ascensão da ciência e indústria modernas, mas a predo-
minância da educação religiosa era maior na índia do que nas sociedades ocidentais ou 
islâmicas, ou na China. 
A desordem que acompanhou o declínio do Império Mongol provocou a deterioração e 
contração do sistema educacional, e o estabelecimento subsequente do domínio britânico na 
Índia, embora possibilitasse um progresso educacional, criou também novos problemas. A 
princípio, os governantes britânicos apoiaram as escolas hindus tradicionais e promoveram o 
estabelecimento de novas escolas e colégios. Mas em 1835 o Governo resolveu promover a 
literatura e a ciência européias na Índia, adotando como meio de instrução a língua inglesa e 
decidindo que o Fundo de Educação seria totalmente dedicado à educação inglesa. Essa 
política recebeu o apoio de muitos reformadores indianos, entre os quais o Rajá Ram Mohan 
Roy, e também o apoio geral da nova classe média comercial. Mas como D. P. Mukerji 
observa, tal política tendeu a reforçar a separação entre as classes superiores e o resto da 
sociedade," É certo que os responsáveis pela educação reiteravam em despacho de 1854 que 
"nosso objetivo é estender o conhecimento europeu a todas as classes depessoas". Mas 
também se propunham continuar com os mesmos métodos: "Esse objetivo deve ser refletido 
por meio da língua inglesa nos ramos mais elevados da instrução e pelo uso das línguas 
vernáculas da Índia na grande massa do povo." Além disso, na prática, o esforço concentrou-
se na educação das classes superior e média, e relativamente "pouco progresso se fez para 
criar um sistema adequado de educação primária". Assim, em 1881-2, calculava-se que um em 
cada 10 meninos e uma em cada 250 meninas entre as idades de 5 a 12 anos frequentavam 
escola, e a maioria o fazia por períodos tão curtos que não conseguia alfabetizar-se de forma 
definitiva. Em 1939, 90% da população eram ainda analfabetos. Sem dúvida, portanto, o sis-
tema educacional tendia a manter e até aumentar a distância entre as classes superiores e a 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 43 
massa da população e a tornar essa separação mais completa, transformando-a também numa 
distância cultural e de língua. 
Tais divisões, porém, existem em muitas sociedades. Sempre que há um sistema de 
estratificação social, há uma diferenciação correspondente dentro do sistema educacional. Isso 
ocorre até em certas sociedades primitivas: os maoris, por exemplo, tinham escolas para os 
plebeus durante o inverno, mas também "colégios sagrados" abertos exclusivamente à 
nobreza, especialmente aos filhos mais velhos dos chefes. Na maioria das sociedades 
alfabetizadas, o conhecimento da escrita limitava-se às camadas sociais superiores. As 
modernas sociedades industriais, que estabeleceram a alfabetização em massa pela primeira 
vez, não eliminaram com isso as distinções educacionais entre as diferentes camadas sociais. 
Estas foram mantidas pela existência de diferentes tipos de escolas para os vários grupos 
sociais, como as "escolas públicas" inglesas, reservadas para as crianças das classes superiores, 
ou pela distribuição desigual das oportunidades de educação superior. 
A educação superior na maioria dos países ocidentais tradicionalmente compreendia línguas e 
cultura da Grécia e Roma clássicas, e isso reforçava a distinção entre os cavalheiros educados 
e o resto da sociedade. Tais diferenças culturais perduraram, de forma atenuada, no século 
XX; sublinham elas o conflito entre as "duas culturas", a literária e a científica, e em certas 
sociedades constituíram um obstáculo ao desenvolvimento da educação técnica. Como disse 
Lowk: "As circunstâncias históricas atribuíram distinção à facilidade verbal, ao passo que a 
destreza manual e tudo o que tivesse aspecto utilitário foi por muito tempo considerado 
inferior na escala social." 8 Além dessa ampla divisão entre as elites e as massas, entre a 
educação para os intelectuais e as ocupações manuais, existia uma graduação mais sutil das 
facilidades educacionais. Assim, na Inglaterra, antes de 1944, o sistema educacional pode ser 
geralmente caracterizado como proporcionando educação elementar para as crianças da classe 
trabalhadora, educação secundária para as crianças da classe média e educação pública (paga) 
para as crianças das classes superior e média. A Lei de Educação de 1944 modificou, sem 
destruir, essa diferenciação: as crianças da classe superior e da classe média alta continuam 
indo, em grande parte, para as escolas públicas, as crianças da classe média vão para as 
escolas secundárias, e as crianças da classe trabalhadora vão para as escolas secundárias 
vocacionais, e isto está sendo apenas gradualmente mudado pelo desenvolvimento de escolas 
inclusivas. 
Devemos observar que esse tipo de diferenciação educacional existe em todas as sociedades 
modernas, por mais que estas se empenhem em políticas igualitárias e de bem-estar social. )s 
países comunistas pretendem ter obtido êxito em criar a igualdade social, mas, tomando 
apenas um caso, podemos notar que, embora o progresso da educação na União Soviética 
desde 917 tenha sido extremamente rápido, não resultou na eliminação \e privilégios 
educacionais. Durante 1958, vários discursos e memorandos relacionados com a reforma do 
sistema educacional soviético proporcionaram dados, que até então não eram encontráveis, e 
que mostraram que somente 55% das crianças na realidade completavam o curso educacional 
de dez anos, chegando 3 oitavo ano nas escolas, e que nas instituições de educação superior 
em Moscou somente um terço dos alunos era da classe trabalhadora ou de origem camponesa, 
enquanto os outros dois terços vinham de famílias de uma camada social relativamente 
pequena, a intelectualidade. 
Na Índia, o sistema britânico de educação teve, além de suas desvantagens, um efeito 
extremamente positivo, criando, pela primeira vez, oportunidades de educação superior para 
os membros das castas inferiores. O desenvolvimento da ciência e a rapidez da mudança 
social também afetaram os códigos de comportamento ensinados nas instituições 
educacionais, dando-lhes, em certas sociedades modernas, um caráter tolerante ou 
experimental, que pode ter como um dos resultados a falta de objetivos para o adolescente e o 
adulto. Um equilíbrio entre as tradições firmes e os padrões de comportamento, tolerância, 
adaptabilidade à modificação e o espírito de livre indagação é difícil de ser obtido. E alguns 
dos fracassos da educação moderna (exacerbados por outras influências sociais) em sua 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 44 
função primordial de socialização se evidenciam nos problemas juvenis que predominam em 
todas as sociedades industriais. Países como a Índia, que estão começando um período de 
mudanças rápidas, podem experimentar essas dificuldades de forma intensa, e há realmente 
muita evidência de um conflito entre gerações, sobre os valores sociais, expresso na oposição 
aos acordos matrimoniais, na indisciplina dos estudantes e em geral na delinqüência juvenil. 
Tais problemas suscitam uma indagação mais ampla sobre a eficácia da educação formal 
como meio de controle social. Nas sociedades mais antigas, onde a alfabetização era muito 
valorizada como base de prestígio e poder, os professores eram também altamente 
considerados. Além disso, os próprios professores vinham, habitualmente, de famílias de alta 
posição. A educação formal dava a uma minoria destinada a governar e administrar a 
sociedade um código preciso de moral e comportamento. Na China, os exames "testavam se a 
mente do candidato estava ou não impregnada de literatura e se ele possuía ou não os modos 
pensar adequados a um homem culto", e aos olhos da massa lesa, "um candidato a funcionário, 
que tivesse êxito no exame, era de forma alguma um mero solicitante de posto, qualificado 
pelo conhecimento... Era um portador de qualidades mágicas". Sob esse aspecto, embora não 
fosse um sacerdote, assemelhava ao guru hindu, ao mesmo tempo conselheiro espiritual, 
professor e autoridade. Com a realização da alfabetização massa nas modernas sociedades 
industriais, o prestígio social mestre tendia a declinar, pois já não era distinguido como um 
homem alfabetizado. Além disso, os professores primários passaram a ser recrutados entre as 
camadas sociais inferiores. Por vez, o crescimento da economia destacou a riqueza como meio 
prestígio e poder. Disse um educador indiano, falando sobre dia de hoje: "em acentuado 
contraste com o passado, quando os mestres eram honrados, por mais pobres ou sem poder 
que em, a índia contemporânea dá uma importância desproporcional aos padrões 
monetários". Os valores professados pelo mestre não se revestem mais de autoridade: têm de 
competir com os valores apresentados à criança pela sua família, grupo de iguais veículos de 
comunicação de massa. Nem os sociólogos nem os psicólogos sociais deram ainda muita 
atenção aos conflitosentre os diferentes códigos de comportamento e diferentes agências de 
controle social nas sociedades contemporâneas. Não antes, há conflitos manifestos entre a 
família e a escola, provocados pela mobilidade social (por exemplo, em muitas sociedades 
ocidentais o conflito entre os padrões que a classe trabalhadora tem da família e os padrões da 
classe média observados na escola secundária e na universidade), pelo caráter secular da ação 
estatal em contraste com os valores religiosos da família vice-versa), ou de diferenças de 
perspectivas entre as gerações; e há igualmente conflitos sérios entre a escola e o grupo em 
que vive a criança, entre a escola e os meios de comunicação de massa. A educação britânica 
na Índia foi criticada pelo seu caráter secular: "É criticada como alheia ao temperamento 
indiano, essencialmente religioso, e como ofensiva às convicções de que a instrução religiosa e 
moral é parte necessária da educação. A ela são atribuídas as responsabilidades pelo declínio, 
ou desaparecimento, do respeito dos jovens pelos mais velhos, pela negação da autoridade 
'dos pais sobre os filhos, e dos professores sobre os alunos, uma indiferença generalizada 
pelas sanções religiosas e sociais, e a intensificação da lassidão moral." Mas a experiência, 
desde a aquisição da independência, mostra haver influências mais gerais. Embora não se 
observe nenhum conflito geral entre o hinduísmo e a ciência moderna, há certamente um 
choque entre o modo de vida de uma sociedade industrial baseada na ciência e o modo de 
vida tradicional intimamente ligado ao hinduísmo. O planejamento educacional mais recente 
na Índia seguiu, na verdade, o precedente britânico, colocando maior ênfase nos aspectos 
seculares da educação, na comunicação do conhecimento moderno e deixando de lado os 
problemas da instrução moral e religiosa. 
 
A Educação como um Tipo de Controle Social 
Helvécio, referindo-se à educação na França no século XVIII, observou que os "homens 
nascem ignorantes, mas não estúpidos; a educação é que os torna estúpidos". Não é essa a 
opinião moderna. Pode haver ainda sociedades nas quais as mentes dos homens sejam 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 45 
embotadas pela instrução dogmática que os leva a aceitar, sem crítica, as opiniões das 
autoridades políticas ou religiosas; mas o caráter geral da educação formal foi profundamente 
modificado pela ciência e tecnologia modernas. A maior diferença entre as sociedades 
primitivas e antigas e as modernas sociedades industriais talvez esteja no fato de que nas 
primeiras a educação se limitava, em grande parte, a transmitir um modo de vida, enquanto 
na última, devido à massa de conhecimentos; existentes, à aplicação da ciência à produção, e à 
minuciosa divisão Io trabalho, a educação formal hão apenas predomina no processo 
educacional de modo geral, como é também dedicada, em grande parte, à transmissão do 
conhecimento empírico. Um aspecto dessa mudança é indicado pela observação de que nas 
sociedades modernas o conteúdo da educação é menos literário e mais científico. Outra 
grande diferença está em que, enquanto ias sociedades antigas um modo de vida e uma soma 
de conhecimentos relativamente imutáveis eram transmitidos, o conhecimento científico 
comunicado pela educação moderna é passível lê rápida mudança. Além disso, a educação é 
cada vez mais necessária para preparar os indivíduos para um mundo em mudança 
permanente, e não para um mundo estático. 
É sob esse aspecto que devemos considerar a educação formal nas sociedades modernas como 
uma forma de comunicar, independentemente, idéias e valores que desempenham um papel a 
regulamentação do comportamento. Malinowski menciona, acertadamente, essa característica, 
em sua forma rudimentar, nas sociedades primitivas, ao incluir as "regras de artesanato" entre 
s elementos do controle social. A ciência e tecnologia modernas ao são apenas a base de regras 
infinitamente mais complexas e artesanato, mas também uma abordagem racional da 
natureza da vida social, que tem um papel cada vez mais importante 3 estabelecimento e 
manutenção da cooperação social. Além disso, o conhecimento científico, nos três últimos 
séculos, criticou implícita ou explicitamente as idéias defendidas pelas doutrinas religiosas e 
morais e foi, em grande parte, responsável pelas modificações que estas últimas sofreram. 
Toda a racionalização do mundo moderno, com a qual Max Weber se preocupava, está ligada 
ao desenvolvimento da ciência, e como o principal veículo desse desenvolvimento, pelo 
menos durante o último século, foi o sistema educacional, podemos falar, legitimamente, da 
educação formal como tipo de controle social. 
Há, porém, outra forma pela qual a educação contribuiu independentemente para a 
regulamentação da conduta, e é a socialização da criança. O trabalho de reformadores 
educacionais, como Montessori e Froebel, provocou grandes mudanças na educação das 
crianças. Certamente essas reformas refletem, em parte, noções morais externas ao sistema 
educacional, mas em parte também foram influentes na modificação das idéias morais na 
sociedade em geral. À medida que estavam ligadas a estudos científicos do desenvolvimento 
da criança, como os de Piaget, surgiram do desenvolvimento das Ciências Sociais. Além 
disso, sendo baseadas nessa observação e análise do desenvolvimento real das atividades das 
crianças, de suas necessidades e problemas, podem ser consideradas como oriundas, em 
grande parte, da própria esfera educacional, como descobertas independentes. Devemos 
observar, também, que as mudanças no sistema educacional formal provocaram, em si, 
mudanças na socialização da família, ajudadas pela difusão do conhecimento da Ciência 
Social. Nesse sentido, a educação formal das crianças provocou, autenticamente, novas formas 
de regulamentação do comportamento. 
A educação, no sentido amplo, desde a infância até a condição adulta, é assim um meio vital 
de controle social, e sua importância aumentou grandemente nas duas últimas décadas graças 
à rápida expansão da educação em todos os níveis nos países em desenvolvimento, e pelo 
igualmente rápido crescimento da educação secundária e superior nos países industriais. 
Através da educação, as novas gerações aprendem as normas sociais e as punições pela sua 
não-observância; são instruídas, também, sobre sua "posição e deveres" dentro do sistema de 
diferenciação e estratificação social. Nas sociedades modernas, onde a educação formal se 
torna predominante, e onde um grupo ocupacional importante de professores passou a 
existir, a educação é também um dos tipos principais de controle social (como fonte do 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 46 
conhecimento científico) que está em competição, e por vezes em conflito, com outros tipos de 
controle. Tal conflito pode-se tornar particularmente agudo com a extensão da educação 
superior a uma maior proporção da população, como a experiência o demonstrou, durante os 
últimos anos, na Europa e América do Norte; e o sistema educacional pode proporcionar, 
cada vez mais, uma das principais fontes de mudança e inovação nas normas sociais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FFaattoorreess ddee MMuuddaannççaa SSoocciiaall 
 
 
UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA da mudança social exige, em primeiro lugar, um modelo mais 
preciso e menos ambicioso, e que possibilite a formulação de problemas e a apresentação 
sistemática de resultados. 
(I)0 que é que muda? (II) Como muda? (III) Qual a direção da mudança? (IV) Qual o ritmo de 
mudança? (V) Por que ocorre a mudança, ou por que foi ela possível? (VI) Quais os principais 
fatores da mudança social?Ao tratar da primeira dessas perguntas, é útil, creio, definir a mudança social como uma 
mudança na estrutura social (inclusive mudanças no tamanho da sociedade) ou em 
determinadas instituições sociais, ou nas relações entre as instituições. Seguindo as distinções 
propostas antes entre estrutura social e cultura, podemos então empregar a expressão 
"mudança cultural" para as variações dos fenômenos culturais, como o conhecimento, idéias, 
arte, doutrinas religiosas e morais etc. Evidentemente, as mudanças sociais e culturais estão 
intimamente ligadas em muitos casos, como, por exemplo, o crescimento da ciência moderna 
tem estado associado às mudanças na estrutura econômica. Em outros casos, porém, as 
relações podem ser menos íntimas, como nas mudanças da moda, nas formas de criação 
artística. 
As perguntas relativas ao modo, direção e intensidade da mudança exigem, para sua resposta, 
uma descrição e interpretação histórica, tal como as feitas, por exemplo, nas várias análises 
das mudanças populacionais, da crescente divisão do trabalho nas sociedades industriais, nas 
mudanças no caráter da moderna família ocidental, e assim por diante. A discussão da direção 
da mudança não precisa envolver nenhum juízo de valor; a redução no tamanho da família e 
o crescente volume das unidades econômicas são questões da realidade histórica. Mas, em 
outros casos, a direção da mudança pode ser menos evidente e tornar-se passível de 
interpretações divergentes. Além disso, a própria mudança pode ser difícil de observar de 
forma imparcial, imo o aumento da taxa de divórcio ou a ampliação da "burocracia". As 
discussões da direção da mudança podem então relacionar-se com avaliações morais. 
Finalmente, quando se trata ; analisar mudanças na estrutura total de uma sociedade, seja 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 47 
histórica ou atual, a linha de demarcação entre a análise crítica a expressão de uma filosofia 
social se torna obscura e incerta, talvez jamais possa ser rigorosamente estabelecida. Isso é 
evidente se considerarmos as explicações muito divergentes, das edificações que estão 
ocorrendo no Estado do bem-estar social britânico, ou na União Soviética desde a morte de 
Stalin, ou na Índia desde a independência. Ou, em escala maior, as análises contraditórias 
feitas por Marx e Max Weber sobre as tendências predominantes da mudança nas sociedades 
capitalistas. 
O ritmo da mudança sempre interessou aos sociólogos, sendo n lugar-comum mencionar a 
aceleração da mudança social e cultural nos tempos modernos. W. F. Ogburn foi o primeiro 
examinar o fenômeno sistematicamente e a empreender estudos quantitativos da taxa de 
troca, especialmente na esfera das invenções tecnológicas. Também focalizou a atenção sobre 
as discrepâncias entre os ritmos de mudança nos diferentes setores da vida social; a hipótese 
do "retardo cultural" está ligada a uma grande desarmonia entre o rápido desenvolvimento da 
tecnologia, a mudança mais lenta das instituições familiares, políticas e outras, e das crenças e 
atitudes tradicionais (religiosas, morais etc.). Nos últimos anos, esses problemas adquiriram 
maior importância, com o aparecimento da industrialização nos países subdesenvolvidos, 
tomando a forma de uma das principais questões na política mundial. A pesquisa seguiu duas 
linhas principais: os estudos sociológicos das mudanças na estrutura social e na cultura, 
provocadas pela industrialização, e as desarmonias estruturais do período de transição, e os 
estudos psicológicos da adaptação dos indivíduos a rápidas mudanças sociais. Os problemas 
foram estudados, também, nas sociedades industriais; no contexto das mudanças na família, 
da estratificação social, das idéias religiosas e morais, e no Direito etc., e do aspecto das 
atitudes e das reações do indivíduo à mudança social, e as implicações e conseqüências da 
educação, crime e delinqüência, e saúde mental. Por outro lado, houve relativamente poucos 
estudos sobre as diferenças entre sociedades onde a mudança tem sido rápida porém contínua 
e sociedades onde a mudança foi abrupta e revolucionária. 
 A questão da razão das mudanças, ou das circunstâncias que as tornam possíveis, está 
intimamente ligada ao problema geral dos fatores da mudança social e suscita questões muito 
complexas relacionadas com a causação social. Gerth e Mills examinaram rapidamente 
algumas delas, como, por exemplo, o papel dos indivíduos na mudança social e a influência 
relativa dos fatores materiais e das idéias. 
Grande parte da Sociologia recente, sob a influência do funcionalismo, ignorou os problemas 
de mudança, ou os apresentou de modo a sugerir que a mudança social é algo de excepcional. 
A ênfase tem recaído sobre a estabilidade dos sistemas sociais dos sistemas de valores e 
crenças, e sobre o consenso, não sobre a diversidade e conflito dentro de cada sociedade. É 
claro, porém, que todas as sociedades são caracterizadas tanto pela continuidade como pela 
mudança, e uma das principais tarefas da alise sociológica é descobrir como os dois processos 
se relacionam mutuamente. A continuidade é mantida pela força e pelos controles sociais que 
já examinamos, e especialmente pela educação formal e informal, que transmite o legado 
social acumulo às novas gerações. Há também certas condições gerais que estimulam a 
mudança social, as mais importantes das quais são aumento do conhecimento e a ocorrência 
do conflito social. aumento do conhecimento não tem ocorrido no mesmo ritmo em todas as 
sociedades, mas desde o século XVII houve um aumento mais ou menos contínuo que afetou 
agora todas as sociedades. Essa foi uma das principais condições das recentes mudanças 
sociais. O conflito, como condição de mudança social, de ser considerado sob certos aspectos 
diferentes. Em primeiro lugar, o conflito entre as sociedades desempenhou um papel 
importante, historicamente, no aparecimento de unidades sociais dores, no estabelecimento 
da estratificação social ia difusão das inovações sociais e culturais. Nas épocas mornas, o 
conflito internacional influenciou profundamente a estrutura econômica e política das 
sociedades, políticas sociais e normas de comportamento. Mas esses fenômenos não 
receberam a atenção que merecem. Segundo, os conflitos entre grupos dentro da sociedade 
foram e são uma das principais fontes de inovação e mudança. Entre tais conflitos, o que 
ocorre entre as classes sociais, embora não tenha a influência universal e decisiva que lhe foi 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 48 
atribuída pelos marxistas, é um importante agente de mudança, particularmente nos tempos 
modernos. O estabelecimento de uma democracia política na Europa Ocidental foi, em grande 
parte, o resultado da luta de classes. Finalmente, devemos considerar o conflito entre 
gerações, que recebeu atenção muito menor que a merecida, por parte dos sociólogos. A con-
tinuidade na sociedade, como notamos, é mantida pela transmissão da tradição social às 
novas gerações pelo processo de socialização; mas a socialização jamais é completa no sentido 
de que as novas gerações reproduzam, exatamente, a vida social de seus antecessores. Há 
sempre críticas, rejeições de certos aspectos da tradição, e inovação. Nas sociedades 
modernas, essas características se tornam mais destacadas devido às mudanças gerais que 
estão ocorrendo no ambiente e devido à diversidade de normas e valores, que permite à nova 
geração escolher, em certas proporções, entre diferentes "modos de vida", ou recombinar 
diversos elementos da cultura em novas configurações. Uma das características significativas 
das sociedades industriais é o aparecimento de uma cultura juvenil característica e de 
movimentos juvenis, que seopõem, de várias maneiras, aos valores culturais das gerações 
mais antigas. Os fenômenos do conflito entre as gerações são especialmente agudos nas 
sociedades, como a Índia, que estão sofrendo uma passagem extremamente rápida de um tipo 
de sociedade para outro. 
No mundo moderno, Lênin, na Rússia, e o Mahatma Gândi, na Índia (bem como líderes 
políticos mais recentes como Mão Tse-tung), tiveram uma profunda influência, e seria difícil 
demonstrar que nosso mundo teria sido o mesmo se eles não tivessem vivido e agido como 
fizeram. É claro que também eles foram influenciados pelo seu meio, e sua autoridade nasceu 
em parte da capacidade que tiveram de formular e interpretar as aspirações latentes de 
grande número de pessoas. Mas também foram líderes carismáticos, no sentido de Max 
Weber, devendo suas posições de liderança a qualidades pessoais e impondo aos 
acontecimentos a marca de seus próprios valores. 
Outra controvérsia importante está relacionada com o papel dos fatores materiais e das idéias 
na mudança social. Os marxistas, ao que se afirma, atribuem uma influência primordial aos 
fatores materiais e econômicos, ao passo que outros autores (Comte, Hobhouse) dão destaque 
ao desenvolvimento do pensamento. Uma das principais disputas na Sociologia é a que existe 
entre Marx e Weber, sobre as origens do capitalismo moderno, na qual Weber argumentava 
não se tratar de acreditar que "as idéias governam o mundo", mas de que, em certas situações 
históricas, idéias ou doutrinas podem, independentemente, afetar a direção da mudança 
social. Seria um erro, de qualquer modo, estabelecer uma simples oposição entre os fatores 
materiais e idéias, pois os primeiros, como tal, não participam do comportamento social. Na 
própria teoria da mudança de Marx, as "forças produtivas" são um elemento determinante, 
mas essas forças não são mais do que aplicações da ciência e da tecnologia; seu 
desenvolvimento só pode significar o aumento do conhecimento e das idéias científicas e 
técnicas. O problema fundamental é determinar as formas pelas quais o aumento ou 
paralisação do conhecimento e pensamento afeiam a sociedade, seja através da influência da 
ciência sobre as relações econômicas e a estrutura de classes, seja através do aparecimento de 
novas doutrinas religiosas, morais ou filosóficas, e pelas quais as diversas tendências se ligam 
em seqüências de mudança. 
Estudos sociológicos recentes de mudança social se têm ocupado com problemas mais 
limitados, sem procurar encontrar nenhuma explicação geral para a mudança. Mas talvez 
tenham ido demasiado longe no abandono de qualquer esquema conceptual que permitisse 
estudos comparados e explicações parciais. Mais adiante, neste capítulo, vamos examinar a 
possibilidade de construir uma tipologia da mudança social para preencher a lacuna. 
 
Mudança Social nos Países em Desenvolvimento 
O estudo da mudança social nos países em desenvolvimento pode ser abordado de várias 
formas. Seria ideal possuirmos, para este caso particular, uma teoria geral englobando os 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 49 
processos de mudança em todas as sociedades; mas, como já indicamos, não há nenhuma 
teoria geral amplamente aceita, e a abordagem mais comum nos trabalhos recentes tem sido a 
de tratar os países em desenvolvimento como exemplos atuais de um tipo particular de 
mudança da sociedade tradicional para a moderna sociedade industrial. Entretanto, mesmo se 
aceitarmos essa moldura para compreender as mudanças que estão ocorrendo nessas 
sociedades, restam ainda muitas distinções a serem feitas e interpretações alternativas a 
considerar. A estrutura e cultura tradicionais de uma sociedade influenciarão, obviamente, a 
natureza das mudanças que terão lugar, e aqui podemos distinguir amplamente entre quatro 
tipos de países em desenvolvimento em quatro principais regiões: Ásia, África, Oriente Médio 
e América Latina. Novamente, as origens do processo de desenvolvimento — quer a partir de 
uma revolução social, quer a partir de um desenvolvimento mais gradual — afetarão 
profundamente o seu curso. Assim também as relações — econômicas, políticas, culturais — 
entre um país em desenvolvimento e um ou mais países industriais. O reconhecimento ou 
negligência desses fatores caracterizam as diversas interpretações do desenvolvimento, e não 
é difícil criticar algumas teorias econômicas e sociológicas da década passada, que não 
levavam em conta o passado colonial, o domínio econômico e a influência política dos países 
industriais adiantados da atualidade, nem as diferenças entre mudança revolucionária e não-
revolucionária, nas suas explicações do processo de desenvolvimento. Além dos fatores 
característicos de uma civilização tradicional, experiências históricas que afeiam regiões 
inteiras do Terceiro Mundo e atuais relações internacionais, é essencial, finalmente, levar em 
conta elementos particulares em cada país. Assim, qualquer explicação formulada em termos 
de Sociologia geral deve ser complementada por estudos históricos e antropológicos, bem 
como por levantamentos sociológicos minuciosos. 
 
 
Tipos de Mudança Social 
 
A construção de uma tipologia da mudança social teria um grande valor nos dias atuais. Em 
primeiro lugar, colocaria na perspectiva correia os problemas do desenvolvimento no Terceiro 
Mundo e capacitar-nos-ia a evitar pelo menos um erro comum, que consiste em pressupor que 
os países industriais atingiram uma forma definitiva, ao passo que os países em 
desenvolvimento estão simplesmente tentando se igualar a eles. Seria muito mais proveitoso 
considerar o início do século XX como um período durante o qual ocorreu um processo geral 
de mudança excepcionalmente rápida, onde as transformações em uma parte do mundo 
influenciaram profundamente o curso dos acontecimentos em outros lugares. 
Segundo, a elaboração de uma tipologia levar-nos-ia a questões mais gerais relativas à 
mudança social tanto nas sociedades passadas quanto nas atuais; por exemplo, o 
desenvolvimento do capitalismo, a ascensão e declínio de antigos impérios e civilizações. Isso 
forneceria uma ampla base para comparações e generalizações, e daria novamente à 
Sociologia o tipo de conhecimento histórico que tanto tem faltado durante algumas décadas 
passadas. E por último, numa época em que grande número de pessoas estão-se tornando 
mais conscientes das potencialidades de mudança nas sociedades atuais, e em que jovens 
radicais de diversas tendências exigem amplas transformações da cultura e estrutura social, 
seria sem dúvida útil possuir um esquema, mesmo que provisório, de classificação que 
revelaria algumas das causas, limites e conseqüências da mudança social. A formulação de 
um esquema desse tipo parece possível em termos de quatro problemas principais: 
1. Onde se origina a mudança social? Podemos estabelecer inicialmente uma distinção entre 
mudança endógena e exógena, isto é, as originadas dentro ou fora de uma determinada socie-
dade. Na prática, a origem da mudança nem sempre pode ser totalmente atribuída a uma ou 
outra categoria. Mas, citando um exemplo moderno, é evidente que as mudanças que estão 
ocorrendo nas sociedades subdesenvolvidas foram originadas, em grande parte, fora delas, e 
são produto da tecnologia ocidental, introduzida, na maioria dos casos, pela conquista. O 
problema que temos, então, de apresentar, é se há diferenças significativas entre os processos 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 50 
de mudança que sejam provocados interna ou eternamente. Parece provável que tais 
diferenças existam, especialmente nas relações estabelecidas entre os agentes da mudança e o 
resto da população. Um segundo aspecto dessa questão relaciona-secom a questão de onde 
começa a mudança dentro e uma determinada sociedade (a despeito de sua origem mais 
remota), isto é, quais as primeiras instituições a se modificarem. Dois outros problemas estão 
em causa aqui: o dos fatores da mudança social e o problema dos grupos sociais que iniciam a 
mudança. A evidência histórica nos pode permitir classificar os recessos de mudanças, 
segundo as esferas ou grupos em que se iniciam: econômicas, políticas, religiosas etc., e 
estudar mais de perto como a mudança se difunde de uma esfera para outra. É nesse contexto, 
por exemplo, que a teoria da mudança social através do conflito de classes, de Marx, precisa 
ser reconsiderada. 
2. Quais as condições iniciais que dão começo a essas mudanças em grande escala? As 
condições iniciais podem influir profundamente no curso da mudança social; não podemos 
supor, por exemplo, que a mudança de impérios antigos, ou Estados feudais, ou modernas 
sociedades capitalistas, tenha ocorrido da mesma forma ou possa ser explicada em termos de 
uma única generalização. No mundo contemporâneo, a industrialização é um processo muito 
diferente nas sociedades tribais (como na África) e nas sociedades de civilização antiga, como 
a Índia. É diferente, ainda, segundo o tamanho e complexidade da sociedade. A análise 
sociológica da industrialização como processo particular de mudança seria muito auxiliada 
por uma tipologia das próprias sociedades subdesenvolvidas. 
3. Qual o ritmo de mudança? A mudança social pode ocorrer em certos períodos, ou em certas 
esferas, e mais lentamente, talvez imperceptivelmente, em outros. O ritmo de mudança 
também pode estar-se intensificando ou reduzindo. Uma distinção importante é a observada 
entre os processos de mudança gradual e os de mudança revolucionária (como uma forma de 
mudança rápida). Nas esferas econômica e tecnológica não é muito difícil identificar as 
mudanças revolucionárias e traçar-lhes as causas e efeitos. Gordon Childe descreveu 
admiravelmente o que chama de "revolução neolítica", a introdução de uma economia 
produtora de alimentos. E os historiadores econômicos documentaram e analisaram as fases 
da revolução industrial moderna. As revoluções políticas e sociais, porém, foram examinadas, 
em sua maior parte, em termos históricos e descritivos, faltando-lhes estudos analíticos e 
comparativos. Há, decerto, uma teoria marxista da revolução social, mas não foi ainda muito 
eficaz em estimular a pesquisa sociológica. As revoluções sociais e nacionais do século XX 
estiveram intimamente ligadas à guerra, embora as conexões não tenham sido 
sistematicamente exploradas. Ao mesmo tempo, revelaram o importante .papel dos 
intelectuais, bem como das classes sociais, nos movimentos revolucionários. 
 4. Em que proporções a mudança social é fortuita, determinada casualmente, ou 
intencional? A principal distinção, no caso, é a mesma que já discutimos ao examinar a 
planificação social. Em certo sentido, evidentemente, quase todas as mudanças sociais são 
intencionais, pois resultam de atos intencionais de homens, individualmente. Mas esses atos 
podem ter conseqüências imprevistas, porque não são coordenados e podem, na realidade, 
impedir-se ou deformar-se mutuamente, como, por exemplo, nas situações de conflito. Nessas 
condições, que têm sido as da maioria das sociedades até épocas recentes, as mudanças 
podem ser casualmente determinadas, ou pode haver elementos fortuitos nelas, mas não é 
intencional, no sentido de que realiza as intenções de todos ou da maioria dos indivíduos que 
delas participam. 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 51 
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A característica mais notável do desenvolvimento humano é o sistema nervoso, 
particularmente o cérebro. O sistema nervoso do homem é mais organizado do que o de 
qualquer outro animal, e seu cérebro é não somente maior, em proporção ao corpo, mas 
também mais complexo em estrutura. Tal fato possibilita uma grande variedade de reações de 
comportamento e a capacidade de pensar de maneira abstrata, de transmitir idéias pela fala e 
ver relações que animais menos dotados não podem perceber. Depois do sistema nervoso e do 
cérebro, a mão humana é talvez seu atributo mais importante. Sem esse órgão 
extraordinariamente versátil e ágil, o homem jamais teria sido capaz de construir os 
instrumentos e máquinas necessários para o desenvolvimento da cultura humana. 
O homem, no entanto, é anatômica e fisiologicamente igual às outras espécies de animais 
superiores, sendo especialmente semelhante aos macacos antropóides. Comparando-se a 
estrutura de seus ossos, músculos, nervos e órgãos, encontramos apenas pequenas diferenças. 
Até as impressões digitais dos chimpanzés são bastante parecidas com as de seres humanos. 
Descobriu-se, também, que as funções do organismo humano são semelhantes às dos 
macacos. Esses são igualmente suscetíveis a algumas doenças; seu sangue é quase 
indistingüível do do homem; suas glândulas endócrinas revelam semelhança de funções; e, 
em geral, passam por um ciclo de vida similar. 
A NATUREZA PSICOLÓGICA DO HOMEM 
Psicologicamente, também, o homem tem reações semelhantes às de outros animais. Estados 
emocionais como afeição, alegria, raiva, ódio, amor e mesmo coqueteria. Descobriu, também, 
que manifestam alguns processos mentais mais elevados, como curiosidade e concentração, 
aprendizagem por imitação e instrução, manutenção da atenção, e mesmo precaução — todos, 
naturalmente, em grau muito inferior ao dos seres humanos normais. 
O homem conseguiu tanto em suas realizações reside primordialmente no maior 
desenvolvimento de suas capacidades mentais, que, por sua vez, são devidas, como vimos, a 
certas modificações em sua composição física. Outro fato de grande importância é o 
salientado por Linton de que o homem, desde o nascimento, se encontra num ambiente de 
oportunidades superiores para a aprendizagem e para a aquisição de conhecimentos 
acumulados durante muitas gerações. Fosse ele criado em completo isolamento, estaria mais 
próximo de um animal em comportamento do que de seu próprio pai. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 52 
 
AA FFaammíílliiaa 
 
 
 
De todas as instituições estudadas pelo sociólogo, aquela com a qual temos um contato mais 
intimo e, talvez, o maior interesse é a família. Ela tem, por isso, sido submetida a extensas 
análises, principalmente nos últimos anos, quando suas formas e funções na sociedade 
ocidental parecem estar passando por grandes revisões. 
DEFINIÇÃO DE FAMÍLIA E CASAMENTO NA SOCIOLOGIA 
Devemos, em primeiro lugar, estabelecer uma distinção entre "família" e "casamento". A família 
é um tipo de agrupamento ou organização; o casamento é uma relação, que Bronislaw 
Malinowski definiu como "um contrato para a produção e manutenção de filhos". Meyer F. 
Nimkoff, em Marriage and the Family, definiu a família como "uma associação mais ou menos 
durável de marido e mulher, com ou sem filhos". Conforme Sumner e Keller, a família é "uma 
miniatura da organização social, incluindo pelo menos duas gerações, caracteristicamente 
formada sobre vínculo sangüíneo". Assim, pode-se considerar que a família é anterior ao casa-
mento, pois é provável que o homem vivesse em famílias antes de regularizá-las pelo 
casamento. Família é uma palavra de origem latina. Inicialmente designava um grupo 
constituído de pais, filhos, servos e escravos. O termo grego correspondente é oikonomia, do qual 
saiu a palavra economia: isto implica que a família é essencialmente uma organização econômica. 
O tamanho e a composição da família variam muito, dependendoda sociedade e da época. Ela 
varia em tamanho desde uma pessoa vivendo sozinha, que o Serviço de Recenseamento dos 
Estados Unidos reconhece como "família de uma pessoa", até a "grande família", formada de 
várias gerações, com muitas pessoas, ainda encontrada em alguns lugares, notadamente na 
China. O tamanho e a composição da família também variam com o estágio de 
desenvolvimento da sociedade. Em algumas sociedades européias (entre os eslavos sulinos, por 
exemplo), a "grande família" era outrora comum, mas hoje esse tipo desapareceu. Em nossa 
sociedade a família já foi maior, incluindo, além de pais e filhos, parentes por sangue e 
casamento; hoje, porém, pode consistir num casal e seus filhos, um casal sem filhos, ou mesmo 
pessoas solteiras. 
O sociólogo Ernest R. Greves, especialista em casamento e família, definiu o casamento como 
"uma declaração pública e registro legal de uma tentativa de companheirismo". O antropólogo 
Robert H. Lowie, por outro lado, definiu o casamento simplesmente como "um vínculo 
relativamente permanente admitido por um casal". 
Nós sabemos, que biblicamente o “Casamento” é uma instituição divina, e que foi o próprio 
Deus quem fez o primeiro casamento e o abençoou. 
Deus mesmo disse, em uma conversa no Céu que: “... não é bom que o homem esteja só, far-lhe-
ei uma adjutora” (que significa auxiliadora). Por isso preparou Eva para Adão, após ver que 
este estava só, e que Adão após observar os animais no Éden, sentiu tristeza, pois todos os 
animais tinham suas companheiras, mas ele não tinha ninguém Gn.2.18,20. 
Portanto no ato do casamento, ambos se tornam uma só carne Gn.2.22-24. 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 53 
 
FUNÇÕES BÁSICAS DA FAMÍLIA 
No aspecto puramente biológico, a função da família é perpetuar a raça. Na família humana, 
porém, há outras funções um pouco menos importantes do que a básica de propagação da 
espécie. São funções econômicas, religiosas, protetoras, educacionais e de prestígio, que 
recebem maior ou menor ênfase segundo a sociedade e a época. Entre as principais funções da 
família estão, primeiro, a socialização dos indivíduos para que se tornem membros da 
sociedade em que vivem, e, segundo, a perpetuação das realizações culturais do grupo. A 
família preenche tão grande variedade de funções em diferentes sociedades e em diferentes 
épocas que, além da perpetuação da raça e, talvez, das funções econômicas, dificilmente se 
encontrará qualquer outra de aplicação universal. Dependendo da configuração cultural geral 
do grupo e de uma série de condições e circunstâncias muito variáveis, uma ou outra função 
será acentuada. É essa a impressão que temos quando nos afastamos de nossa sociedade e 
observamos as outras, primitivas ou civilizadas, do passado ou do presente. Em nossa própria 
sociedade, as funções da família mudaram ou estão mudando, tendo algumas desaparecido 
totalmente ou estando ainda em processo de desaparecimento. De fato, a própria instituição da 
família, embora básica em todos os tempos, varia de importância segundo as condições. Os 
etnógrafos revelam que, nas sociedades caçadoras, a importância da família aumenta com a 
escassez de suprimento de alimentos, e diminui com sua abundância. Em nossa sociedade, a 
família desempenhou um papel mais significativo no passado, pelo menos no aspecto 
econômico, do que acontece no presente. 
Tudo isso deve ser lembrado quando se considera o estado da família em nossa sociedade, que 
tem sido descrito como de desintegração. Encarada desse ponto de vista, essa desintegração 
pode indicar apenas que a instituição está sofrendo uma mudança e está procurando adaptar-se 
a novas condições; e, se compreendermos essas condições e os processos pêlos quais ocorre a 
mudança, seremos capazes de minimizar seus males, auxiliando o seu ajustamento. Certamente 
não se ganhará nada procurando preservar formas passadas quando novas condições exigem 
mudanças nos objetivos e funções da instituição. 
 
A FAMÍLIA DE HOJE 
A família sofreu mudanças radicais no último século, e ainda está em processo de 
transformação. A antiga família patriarcal está gradualmente desaparecendo. As causas 
subjacentes à desintegração da família patriarcal tradicional são muito complexas. Envolvem 
mudanças radicais em nossa vida econômica, social e principalmente espiritual (valores 
invertidos), que engendraram forças, as quais se combinaram para desafiar o que Reuben Hill 
chamou de tipo de farúlia "familística-patriarcal", e para introduzir o que ele denominou de tipo 
"democrático centralizado na pessoa", ainda em processo de criação. 
Família Rural 
Até uma época relativamente recente a grande maioria dos povos, mesmo no mundo ocidental, 
dedicava-se à agricultura e vivia em comunidades rurais, em que prevalecia a economia 
familiar. Só depois de 1920 é que o recenseamento dos Estados Unidos revelou um total de 
aproximadamente metade da população vivendo em comunidades urbanas. Uma sociedade 
agrícola é propícia a um sistema familiar patriarcal. Numa sociedade rural, além disso, o lar é o 
centro não só das atividades econômicas, mas também de quase todas as outras atividades — 
educacionais, sociais, recreativas e, em grande parte, religiosas. Tudo isso resultava em forte 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 54 
 
coesão da família, pois seus membros ligavam-se por muitos vínculos e eram mutuamente de-
pendentes. 
 
Influência da Urbanização e Industrialização na Família 
A urbanização e industrialização .mudaram radicalmente essa situação. Em 100 anos 
aproximadamente, os Estados Unidos transformaram-se de uma comunidade 
predominantemente rural numa predominantemente urbana. Entre 1890 e 1940, a proporção de 
americanos vivendo em comunidades urbanas subiu de 36 para 56,5%; por volta de 1950, a pro-
porção atingia 64%. A porcentagem de habitantes das cidades aumenta constantemente. A 
mesma ocorrência vem-se revelando na maior parte das regiões do mundo. Algumas nações 
ocidentais, como Inglaterra e Dinamarca, tornaram-se ainda mais urbanizadas do que os 
Estados Unidos. 
Em conseqüência, o lar foi substituído pela fábrica como unidade de produção. Uma após outra 
as funções econômicas da família urbana foram assumidas por estabelecimentos externos. As 
funções restantes, como cozinhar e lavar roupa, são realizadas, numa escala cada vez mais 
reduzida. Isso ocorre principalmente nas famílias de classe média e alta. A liderança do marido 
diminuiu; em muitas famílias, embora o marido continue a exercer a função de prover o 
sustento da casa, ele na realidade deixou de exercer verdadeira autoridade. "O marido" disse 
Ernest R. Mowrer em The Family. "não é mais o chefe da casa em muitas famílias, apesar de 
ainda prover o nome da família, assim como o prenome que sua esposa usa em ocasiões mais 
formais. .. Na verdade, ele ainda tem muita sorte se os filhos o encaram como alguma coisa 
além de um estranho intrometido". Por um lado, numa economia urbana há menos necessidade 
de liderança na família. Além disso, um número cada vez maior de mulheres trabalha fora de 
casa para o sustento da família. Em 1890, segundo o 16" Recenseamento dos Estados Unidos, 
apenas 4,6% de todas as mulheres casadas trabalhavam fora; em 1952, segundo o Women's 
Bureau, 26,8% trabalhavam fora. 
Finalmente, a emancipação das mulheres de muitas de suas antigas incapacidades colocou-as 
numa posição de relativa igualdade perante os homens. Tudo isso contribuiu para formar a 
família democrática ou "igualitária". Por outro lado, como o pai está quase sempre fora de casa, 
ocupado com seus negócios, a mãe se torna o verdadeiro chefe da casa, encarregada de 
praticamente todas as funções familiares. A essas famíliasdeu-se o nome de "matricêntricas". 
Segundo Mowrer, há também tendência para a família "filiocêntrica", isto é, aquela em que os 
filhos desempenham um papel cada vez mais importante, tendendo na realidade a dominar e 
determinar suas ações. 
Em virtude das mudanças nas condições econômicas e sociais, das novas concepções de 
liberdade pessoal, e de modificações na visão religiosa tradicional sobre controle da natalidade, 
o tamanho da família tem declinado continuamente. Folsom, em The Family and Democratic 
Societg. apresentou os seguintes motivos para esse declínio, que tem sido observado em todo o 
mundo ocidental: aumento das necessidades e exigências individuais, falta de oportunidade 
para o aproveitamento do trabalho infantil e divulgação de informações sobre 
anticoncepcionais. O tamanho da família média nos Estados Unidos era de 3,4 em 1950, em 
comparação com 3,8 em 1940, 4,9 em 1890 e 5,7 em 1790. Nas comunidades urbanas é de apenas 
3,26; nas áreas rurais, de 4,02. Ray E. Baber, em Marriage and the Family, calculou que as famílias 
sem filhos aumentaram em 700% desde a época colonial. As famílias, além do mais, tendem a 
incluir agora apenas pais e filhos. Somente 4% das famílias urbanas têm outros parentes 
vivendo na mesma casa. 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 55 
 
Modificação das Funções da Família 
Além das funções econômicas, também outras atividades tradicionais da família foram 
transferidas para estabelecimentos externos, enfraquecendo ainda mais os vínculos que no 
passado mantinham a família unida. Houve uma redução das funções educacionais, recreativas, 
religiosas e protetoras, que foram mais ou menos assumidas por várias instituições e agências 
criadas com esse objetivo. A escola, com seus crescentes serviços, os estabelecimentos 
recreativos comerciais e comunais, a igreja e vários tipos de agências públicas, como tribunais 
de menores, hospitais e clínicas, executam grande parte das tarefas antes realizadas pela família. 
Em conseqüência, as principais funções da família de hoje tendem a girar em torno da 
personalidade. Ernest W. Burgess referiu-se à família moderna como "uma unidade de 
personalidades em interação". As principais preocupações são a afeição entre o casal e o 
desenvolvimento da personalidade dos filhos. Onde não há filhos, a afeição do casal se torna o 
único fator de importância. Quando se enfraquece ou desaparece o elemento afetivo, estabelece-
se a desintegração da relação, o que Wiliard Waller chamou "o processo de alienação" e que, 
freqüentemente, leva à separação e divórcio. 
Clifford Kirkpatrick, em The Family as Process and Institutíon. salientou que o efeito das 
invenções tecnológicas sobre a família não tem sido totalmente negativo. Mencionou artigos 
domésticos, como à máquina de lavar roupa e a de lavar pratos, a máquina de costura elétrica, a 
televisão, etc.. como meios possíveis de voltar às antigas funções. "A tecnologia", escreveu ele, 
"retira do lar, mas pode também restituir". Há dúvidas, entretanto, de que esses artigos possam 
deter tendências resultantes de mudanças radicais na situação sócio-econômica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 56 
 
 
BBiibblliiooggrraaffiiaa 
 
 
• KOENIG, Samuel – ELEMENTOS DA SOCIOLOGIA, 5ª edição, Rio de Janeiro, Ed. Zahar, 
1976. 
• BOTTOMORE, T.B. – INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA, 7ª edição, Rio de Janeiro, Ed. Zahar, 
1978. 
 
 
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AVALIAÇÃO DO MÓDULO - SOCIOLOGIA 
 
 
 
1- Com base em que idéias Karl Marx construiu o materialismo dialético e o que pregava essa 
sua filosofia? 
2- Quem foi o primeiro a utilizar a expressão “Sociologia” e a sistematizar sua próprias idéias 
em torno dessa matéria? 
3- Das diferentes concepções que o autor do texto tem sobre “estrutura social” quais são as 
necessidades mínimas ou os pré-requisitos funcionais para a existência da sociedade? 
4- Qual é a forma predominante de matrimônio em todas as sociedades? Explique também o 
que é poliandria e poligamia. 
5- Segundo Karl Marx de onde se origina a religião? 
6- Como Durkheim define religião? 
7- Segundo Durkheim o que é educação e a que se objetiva? 
8- Dê a definição de Sumner e Keller para Família. 
 
OBS: Não se esqueça de colocar nome em sua avaliação 
 
 
a) O aluno deverá enviar a avaliação para o e-mail: provasprovasprovasprovas@esutes.com.br@esutes.com.br@esutes.com.br@esutes.com.br 
b) O tempo para envio da avaliação corrigida para o aluno é de até 15 dias após o recebimento da avaliação 
Enquanto a prova é corrigida o aluno já pode solicitar NOVO MÓDULONOVO MÓDULONOVO MÓDULONOVO MÓDULO 
c) Alunos que recebem o MÓDULO IMPRESSOMÓDULO IMPRESSOMÓDULO IMPRESSOMÓDULO IMPRESSO podem enviar sua avaliação também para e-mail: 
provasprovasprovasprovas@esutes.com.br@esutes.com.br@esutes.com.br@esutes.com.br 
Caso opte por mandar sua avaliação pelo correio envie para o endereço abaixo: 
Rua Bariri, 716 – Glória - Vila Velha ES - CEP: 29.122-230 
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Após a correção da prova recebida por correio, enviaremos sua NOTANOTANOTANOTA por EEEE----MAILMAILMAILMAIL e a avaliação corrigida 
seguirá com o próximo módulo solicitado 
 
 
 
 
 
 
 
ESUTES – Escola Superior de Teologia do ES 58 
 
 
 DICAS DE ESTUDO ON-LINE 
 
 
1- Procure utilizar em seu computador um protetor de tela para minimizar a 
claridade do monitor. Temos que cuidar de nossa visão 
2- Se for estudar a noite, duas dicas: 
 
a) Não deixe para estudar muito tarde, pois o sono pode atrapalhá-lo em 
sua concentração; 
b) Não deixe a luz do ambiente em que estiver, apagada, pois a claridade 
da tela do computador torna-se ainda maior, provocando dor de cabeça e 
irritabilidade. 
 
3- Pense na possibilidade de imprimir sua apostila, pois pode ser que isso dê a 
 opção, por exemplo, de carregá-la para onde quiser e de grifar com caneta, 
 partes que ache importante.

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