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CENTRO UNIVERSITÁRIO BARÃO DE MAUÁ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANTHONY FERREIRA DOS SANTOS 
 
 
FORMAÇÃO DAS LOJAS MAÇÔNICAS EM MOCOCA 
ENTRE 1890-1922 
 
 
 
 
 
 
 
 
RIBEIRÃO PRETO 
2017 
 
 
ANTHONY FERREIRA DOS SANTOS 
 
 
 
 
 
 
 
FORMAÇÃO DAS LOJAS MAÇÔNICAS EM MOCOCA 
ENTRE 1890-1922 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso para 
obtenção do título de bacharel em História 
pelo Centro Universitário Barão de Mauá, 
sob orientação do Prof. Me. Osmair 
Severino Botelho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RIBEIRÃO PRETO 
2017 
 
 
 
Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio 
convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Bibliotecária Responsável: Iandra M. H. Fernandes CRB8 9878 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
S233f 
SANTOS, Anthony Ferreira dos 
Formação das Lojas maçônicas em Mococa entre 1890-1922/ 
Anthony Ferreira dos Santos - Ribeirão Preto, 2017. 
64p. 
 
Trabalho de conclusão do curso de História do Centro 
Universitário Barão de Mauá 
 
Orientador: Me. Osmair Severino Botelho 
 
1. Maçonaira 2. Mococa 3. Lojas maçônicas I. BOTELHO, Osmair 
Severino II. Título 
 
 CDU 94(815.6) 
 
 
 
Anthony Ferreira dos Santos 
 
 
Formação das Lojas maçônicas em Mococa entre 1890-1922 
 
Monografia apresentada ao Curso de História Licenciatura Plena do Centro Universitário 
Barão de Mauá, Ribeirão Preto, como exigência para a obtenção do título de licenciado em 
História. 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
 
 
PRESIDENTE:__________________________________________________________ 
Prof. Me. Osmair Severino Botelho 
 
 
 
 
1º EXAMINADOR_______________________________________________________ 
Prof.ª Dr.ª Nainôra Maria Barbosa de Freitas 
 
 
 
 
2º EXAMINADOR_______________________________________________________ 
Prof. Me. Ricardo Morais Scatena 
 
 
 
 
 
Ribeirão Preto, ___de_____ __________de 2017 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os princípios capitais da Maçonaria são o 
Amor Fraterno, a Beneficência e a Verdade. É 
importante praticá-los todos de forma 
equilibrada, mas a Verdade é o objetivo final 
da obra. 
W. Kirk McNulty 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico esse trabalho aos meus pais, que tanto 
me ajudaram nessa caminhada da vida e por 
terem me permitido seguir o meu caminho e 
escolher a minha faculdade. Dedico aos meus 
avós, em especial meus avós maternos que me 
receberam em sua casa e me permitiram morar 
nela durante o período da faculdade. A todos 
os meus parentes e amigos da vida e da 
faculdade. E em especial a J. K. Rowling, 
responsável por ter me encantado mais ainda 
com livros. E aos meus amigos do ônibus que 
me acompanharam nesta caminhada. 
 
 
 
Agradecimentos 
 
 Sou grato ao meu orientador, Prof. Osmair, por ter me ajudado ao longo do ano 
e por ter me dado uma base teórica na qual me apoiar no desenvolvimento desse trabalho. 
Agradeço também a todos os professores que me acompanharam ao longo dessa jornada de 
três anos, em especial a Professora Nainôra que tanto me ajudou ao longo desses anos, se 
tornando uma mulher que eu admiro academicamente e como pessoa. Obrigado pela atenção e 
por ser tornar minha amiga. 
 Agradeço aos professores que aceitaram participar da minha banca. 
 Agradeço aos meus colegas de faculdade, em especial a minha amiga Tarsila, 
companheira de trabalhos da faculdade, etc. 
 Meus sinceros agradecimentos aos membros da Loja Maçônica União Mocoquense, 
por terem me ajudado e me cedido uma parte da sua história, em especial ao meu amigo 
Osório e ao Antonino. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resumo 
 
 O presente trabalho tem como objetivo, traçar uma breve história da Maçonaria em 
Mococa, porém, também com a apresentação e discussão da origem e o desenvolvimento da 
instituição no mundo e no Brasil. O uso de documentos, jornais, entre outros, é essencial 
nessa pesquisa, devido ao fato dos documentos servirem como uma fonte, pois muito da 
História Maçônica está escrita e não é passada oralmente para não maçons. Podemos perceber 
que a Maçonaria exerce influência na sociedade seja culturalmente, politicamente ou em 
outras áreas. Mococa será tratada com um breve resumo de sua História e participação da 
Maçonaria na vida social da Cidade. 
Palavras-chave: Maçonaria, Mococa, História do Brasil, Lojas maçônicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abstract 
 
 The present work aims to draw a brief history of Freemasonry in Mococa, but also 
with presentation and discussion of the origin and development of the institution in the world 
and in Brazil. The use of documents, newspapers and others is essential in this research. We 
can see that Freemasonry exerts influence in society whether culturally, politically or other 
areas. Mococa will be treated with a brief summary of its History and participation of 
Masonry in the social life of the City. 
Keywords: Freemasonry, Mococa, History of Brazil, Masonic lodges. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
 
 
 
Introdução........................................................................................................................ 
 
 
12 
1. Origem da Maçonaria................................................................................................. 
1.1. Lendas......................................................................................................................... 
1.2. A Maçonaria na Idade Média...................................................................................... 
1.3. A Maçonaria na Modernidade: o surgimento da Grande Loja da Inglaterra............... 
1.4. A expansão da Maçonaria........................................................................................... 
1.4.1. França....................................................................................................................... 
1.4.2. Portugal.................................................................................................................... 
1.4.3. Estados Unidos........................................................................................................ 
1.5. Objetivos, Estrutura e Hierarquia da Maçonaria........................................................ 
1.6. Ações Antimaçônicas: Igreja, acusações de conspiração e a influência de Taxil....... 
15 
16 
17 
19 
20 
20 
21 
23 
24 
26 
 
 
2. A Maçonaria no Brasil: chegada e presença durante o Império e República........ 
2.1. 1808: chegada da família real e a institucionalização da Maçonaria em terras 
brasileiras........................................................................................................................... 
2.2. Chegada de D. Pedro ao poder e seu envolvimento com a Maçonaria....................... 
2.3. Rumo a Independência................................................................................................ 
2.4. Influência da Maçonaria no Período do Império e na Proclamação da República.... 
 
 
 
30 
 
31 
33 
34 
36 
3. Maçonaria mocoquense de sua fundação a 1922...................................................... 
3.1. A cidade de Mococa: da fundação até a década de 1890............................................ 
3.2. Primeira reunião e fundação das duas primeiras lojas maçônicas em Mococa.......... 
3.2.1. Loja Maçônica Caridade Mocoquense....................................................................3.2.2. Loja Maçônica Honra e Caridade............................................................................ 
3.3. Participação dos membros das duas Lojas na sociedade mocoquense....................... 
3.3.1. Antonio Muniz Ferreira........................................................................................... 
42 
43 
45 
45 
46 
48 
48 
 
 
3.3.2. Urias Belarmino de Souza....................................................................................... 
3.3.3. José Epiphanio Ferraz.............................................................................................. 
3.3.4. José Procópio da Silva............................................................................................. 
3.3.5. Wenceslau de Almeida............................................................................................. 
3.4. Período de estagnação das duas Lojas........................................................................ 
3.5. A fundação da Loja Maçônica União Mocoquense em 1922..................................... 
3.6. Participação dos membros da Loja Maçônica União Mocoquense na sociedade 
mocoquense....................................................................................................................... 
3.6.1. Euclides Motta......................................................................................................... 
3.6.2. Giordano Dal Rio..................................................................................................... 
3.6.3. Jacintho Pisani......................................................................................................... 
49 
49 
50 
50 
51 
51 
 
52 
53 
53 
53 
 
Considerações Finais....................................................................................................... 55 
 
 
Referências bibliográficas............................................................................................... 
 
 
Jornais............................................................................................................................... 
 
 
Referências eletrônicas.................................................................................................... 
 
58 
 
61 
 
63 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Introdução
13 
 
 Esta monografia tem como objetivo, fazer um breve apanhado de fatos importantes 
sobre a Maçonaria e também dar base, para maçons e não maçons, lerem e conhecer a 
influência da Maçonaria em diversos momentos da História. Portanto, intentar incluir mais 
uma obra acadêmica sobre a Maçonaria no círculo acadêmico. 
 Toda a pesquisa foi realizada tendo como base documentos, livros, artigos, notícias de 
jornais, websites, entre outros. O interesse pela pesquisa surgiu através do fato de a Maçonaria 
ser, muitas vezes, disseminada como algo ruim e conspiratório; portanto, através dessa 
pesquisa, pretendemos entender melhor a História e o funcionamento dessa instituição. 
 O objetivo da presente monografia é traçar um breve histórico da presença da 
Maçonaria na cidade de Mococa, tendo como base informações cedidas pela Loja Maçônica 
União Mocoquense, notícias de jornais e livros sobre a cidade. 
 A Maçonaria é um tema que desperta curiosidade de muitas pessoas. Uma Ordem 
Secreta que aceita somente homens e que, supostamente, detém um grande segredo que 
somente é revelado aos seus membros; esses fatores despertam a curiosidade de pessoas que 
não tem nenhuma ligação com essa instituição. 
 A História desta instituição, como nós conhecemos nos dias atuais, começa no século 
XVIII, porém existem registro dessa Ordem que datam da Idade Média. Muitos buscam entrar 
nessa Ordem, baseados nos princípios pregados pela ordem: 
 
Segundo o Grande Oriente do Brasil, maior instituição maçônica do país, ela é uma 
organização social “filosófica, filantrópica, educativa e progressista” [...]. A 
maçonaria é filosófica porque trata de questões éticas, do comportamento do homem 
e suas relações com o ambiente em que vive. É filantrópica porque promove 
campanhas de caridade. É educativa e progressista porque promete ensinar as 
pessoas a se elevarem espiritualmente. A Maçonaria crê na imortalidade, na 
existência de um criador infinito e na busca da verdade acima de tudo (COHEN, 
2015, p. 11). 
 
 Outro fator que desperta a curiosidade dos que não pertencem a Ordem, é o grande 
número de códigos, rituais e símbolos, que giram ao redor da Maçonaria, como dito por 
MacNulty (2014): 
 
Mediante elaborados rituais e palestras, eles proporcionam ao maçom as ferramentas 
e conhecimento necessários para trabalhar em seu desenvolvimento interior, 
enquanto a atmosfera fraterna da Loja lhe fornece um ambiente favorável para tal. 
Depois da Iniciação, da Passagem e da Elevação, o Irmão é um Mestre e, junto com 
todos os outros Mestres, está qualificado para ocupar um dos Cargos da Loja 
(MACNULTY, 2014, p. 143) 
 
14 
 
 A presente monografia busca, no primeiro capítulo, fazer um breve relato da História 
da Maçonaria, seu surgimento, sua formação e sua organização, bem como influência política; 
também será explorado suas contradições, atividades contra essa instituição e as acusações de 
conspiração. Desta forma, será trabalhado também no primeiro capítulo a relação da 
Maçonaria com a sociedade. 
 
A relação entre a Maçonaria e a sociedade em geral sempre foi dúbia. Por um lado, 
as boas obras e as significativas contribuições caritativas dos maçons foram 
largamente aplaudidas; por outro, o segredo que envolve a Ordem foi objeto de 
incompreensão, suspeita e temor. Do mesmo modo, o grande número de maçons 
eminentes gerou a crença de que a Ordem é dotada de imensa influência política – 
para o bem e para o mal – e motivou a pecha de exclusivismo, especialmente no que 
se refere à não-aceitação de mulheres (MACNULTY, 2014, p. 216). 
 
 No segundo capítulo será discutido a chegada da Maçonaria em terras brasileira e sua 
influência e participação na política do país até a Proclamação da República. Como dito por 
Morel (2005): 
 
Marcado por luzes e trevas o surgimento das maçonarias no Brasil ainda é pouco 
conhecido. Super dimensionadas por escritores maçons e banalizados por 
pesquisadores que não têm acesso a documentos consistentes, as maçonarias, 
entretanto, estavam entre as mais importantes formas de associação do período da 
Independência e início da construção do Estado nacional brasileiro e desafiam até 
hoje o conhecimento histórico (MOREL, 2005, p. 18). 
 
 O terceiro capítulo terá como base a Maçonaria na cidade de Mococa, desde a sua 
chegada e fundação das duas primeiras Lojas até a junção delas e formação da Loja Maçônica 
União Mocoquense. 
 Segundo informações da Loja Maçônica União Mocoquense, muitas atas de registro 
foram perdidas sobre o período retratado nesse trabalho, por isso fez se necessário o uso de 
jornais em alguns trechos. 
 A parte ritualística, não foi tratada ao longo desse trabalho, devido ao fato do trabalho 
ser voltado para a História da Maçonaria sem enfoque no grande número de ritos e 
simbologias maçônicas. 
 
 
15 
 
 
 
 
 
1. Origem da Maçonaria
16 
 
 
O surgimento da Maçonaria, como dito por Leadbeater, “origens da atuação da 
Maçonaria se perdem nas névoas da Antiguidade” (LEADBEATER, 2012, p.13). Pelo que se 
lê, o nascimento desta instituição é cercado por lendas e fatos que serão tratados ao longo 
desse capítulo. 
 
1.1. Lendas 
Muitas lendas giram entorno da Maçonaria, porém a mais famosa entre os maçons e 
que aborda seu surgimento é a lenda de Hiram Abiff, que teria sido o primeiro maçom, 
quando o rei Salomão tomou decisão de construir um templo em honra a Deus 
(LEADBEATER, 2012; MACNULTY, 2014). Quando se iniciou a construção, como 
registrado na bíblia, Salomão entrou em contato com Hirão rei de Tiro, que resolveu ajudar na 
construçãodo templo, mandado madeira, artesãos, etc. Entre os homens mandados por Hirão 
estava Hiram Abiff, que era considerado um mestre de obras e apenas ele e o próprio rei 
Salomão conheciam todos os segredos do templo. Três companheiros em busca de tentar 
descobrir os segredos do templo e a Palavra do Mestre que lhes conferiria poderes 
inimagináveis decidiram encontrar Hiram a sós. Cada um desses companheiros se escondeu 
em uma ala do templo, um no sul, outro no leste e outro no norte. Hiram, como sempre, 
entrou pela ala oeste e, quando rumou em direção ao sul foi interrompido pelo primeiro 
homem que lhe pediu a Palavra do Mestre; como Hiram se recusou a falar, o homem o 
golpeou com um martelo. Ferido, Hiram tenta fugir pela ala norte onde encontrou o segundo 
homem que também pediu a Palavra do Mestre e, como Hiram recusou novamente, ele 
recebeu outro golpe, dessa vez com um esquadro. Hiram tentou novamente sair, mas, desta 
vez, pela ala leste, onde recusou novamente a entregar a Palavra do Mestre ao terceiro 
companheiro e este o golpeou com um compasso e o matou. Os três companheiros enterraram 
o corpo de Hiram e colocaram um ramo de acácia sobre a sepultura para reconhecer o local 
em que estava o corpo. Depois de vários dias sem ver Hiram, Salomão mandou que seus 
mestres o procurassem, três mestres encontraram o corpo de Hiram. Salomão mandou exumar 
o corpo que foi sepultado no Templo (ASLAN, 1959; BLANC, 2014; MACNULTY, 2014). 
Esta lenda influência a Maçonaria até os dias atuais, fazendo parte até mesmo de seus 
rituais, principalmente os três primeiros rituais, do Aprendiz, Companheiro e Mestre, que 
serão discutidos nas próximas páginas. Está lenda é tomada por muitos maçons como o início 
da maçonaria, sendo Hiram Abiff, considerado o primeiro, maçom. Como afirma MacNulty 
17 
 
 
(2014), “a lenda do assassinato de Hiram Abiff comunica um dos ensinamentos centrais da 
Maçonaria” (MACNULTY, 2014, p. 50). 
 Outra lenda sobre o surgimento da Maçonaria é sua suposta ligação com a Ordem dos 
Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecidos como Cavaleiros 
Templários (MACNULTY, 2014). Essa ordem tinha como objetivo proteger os cristãos que 
estavam fazendo peregrinação em direção a Terra Santa; com o tempo essa ordem começou a 
enriquecer e ter grande poder, gerando desconfiança de reis e até mesmo da própria igreja. 
Felipe IV, Rei, da França, por estar endividado com a ordem, começa a pressionar o papa 
Clemente V a tomar medidas contra esta Ordem. Em 1307 fora assinada a ordem de 
dissolução dos Cavaleiros Templários pelo papa. Acredita-se que alguns cavaleiros 
sobreviventes fugiram para vários países e começaram a formar o que futuramente tornar-se-
ia Maçonaria, como um meio de se manter os seus rituais (LEADBEATER, 2012). 
MacNulty, no livro A Maçonaria: Símbolos, segredos, significado (2014), nos mostra 
uma visão cética com relação a ligação da Maçonaria com os Cavaleiros Templários, 
observando que os Templários podiam sim terem influenciado a Maçonaria, mas não seriam o 
embrião dessa sociedade, como demonstrado no trecho: 
 
Foi no começo do século XVIII que pela primeira vez se aventou a idéia de que os 
Templários foram os percussores da Maçonaria. Segundo essa teoria, no século XIV, 
muitos cavaleiros deixaram a França para fugir à perseguição e foram para a Escócia, 
onde, com o tempo, tornaram se franco-maçons. Não há muitos dados que comprovem 
essa hipótese, mas é provável que os Templários tenham dado uma contribuição 
indireta a Ordem Maçônica. (MACNULTY, 2014, p.56) 
 
 Mesmo com tantas lendas o surgimento da Maçonaria na Idade Média é aceito por 
muitos maçons e historiadores como veremos a seguir. 
 
1.2. A Maçonaria na Idade Média 
Antes de começar a falar sobre a relação entre a Maçonaria e a Idade Média cabe, 
aqui, diferenciar Maçonaria Operativa de Maçonaria Especulativa. Maçonaria Operativa 
define a ordem no período medieval, pois, neste período, o funcionamento da loja está 
interligado ao oficio da construção de Igrejas góticas, marcado pela presença entre seus 
membros de artesãos, pedreiros, etc. A Maçonaria Especulativa, também chamada de 
18 
 
 
Maçonaria Moderna, é definida a partir do momento em que a Ordem passa aceitar membros 
de outros ofícios como por exemplo políticos, filósofos, entre outros (LEADBEATER, 2012). 
Alguns historiadores defendem que a Maçonaria surgiu a partir das corporações de 
ofício na Idade Média, entre essas corporações estava os freemasons (Pedreiros-livres) 
(LEADBEATER, 2012). Os construtores, na França eram chamados Maçon, na Inglaterra 
Mason, são os responsáveis pelo surgimento do termo maçom (MACNULTY, 2014; 
LEADBEATER, 2012). Algumas dessas visões de historiadores, se encontram a seguir: 
O historiador Hilário Franco Junior em seu livro Idade Média: Nascimento do 
Ocidente (1986), explica como funcionava as Corporações de Ofício, que com a: 
 
Produção industrial nas cidades estava organizada em associações profissionais que 
chamamos de corporações de ofício, conhecidas na Idade Média apenas por “ofícios” 
(métiers na França, ghilds na Inglaterra, Innungen na Alemanha, arti na Itália). Suas 
origens são controvertidas, mas as razões para o agrupamento são claras: religiosa, daí 
muitas vezes ter derivado de confrarias, isto é, de associações que desde o século X 
existiam para cultuar o santo patrono de uma determinada categoria profissional e para 
praticar caridade recíproca entre seus membros; econômica, procurando garantir para 
eles o monopólio de determinada atividade; político-social, com a plebe de artesãos 
tentando se organizar diante do patriciado mercador que detinha o poder na cidade. 
[...] sua organização interna, cada corporação era constituída por várias oficinas, as 
únicas que podiam produzir uma determinada mercadoria na cidade. Cada oficina 
pertencia a um indivíduo conhecido por mestre, dono da matéria-prima, das 
ferramentas e do resultado econômico gerado pela produção. Os vários mestres 
formavam um colegiado que dirigia a corporação, isto é, fiscalizava o respeito aos 
regulamentos corporativos. O mais importante destes era impedir qualquer 
diferenciação de produção (e portanto concorrência) entre as oficinas [...]. Em cada 
oficina o mestre trabalhava com alguns outros artesãos. Os jornaleiros (ou 
companheiros) eram assalariados que ganhavam em dinheiro e em espécie, pois 
viviam na casa do mestre. Os aprendizes, apenas um ou dois por oficina, eram 
adolescentes que procuravam iniciar-se nos segredos da profissão, vivendo para isso 
ao lado do mestre e pagando a ele pelo aprendizado, pelo alojamento e pela 
alimentação (FRANCO JR., 1986, pp.54-55). 
 
O historiador, e também maçom, José Castellani defende que a Maçonaria surgiu na 
Idade Média como apresenta em sua obra, A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial 
(2012): 
 
Na Idade Média é que iria florescer, através do grande poder da época, a Igreja, a 
hoje chamada Maçonaria Operativa, ou Maçonaria de Ofício, para a preservação da 
Arte Real entre os mestres construtores da Europa. Assim, a partir do século VI, as 
Associações Monásticas, formadas, principalmente, por clérigos, dominavam o 
segredo da arte de construir, que ficou restrita aos conventos, já que, naquela época 
de barbárie, quando a Europa estava em ruínas, graças às sucessivas invasões dos 
19 
 
 
bárbaros, e quando as guerras, os roubos e os saques eram frequentes e até encarados 
como fatos normais, os artistas e arquitetos encontraram refúgio seguro nos 
conventos. Posteriormente, pela necessidade de expansão, os frades construtores 
começaram a preparar e a adestrar os leigos, proporcionando, a partir do século X, a 
organização das Confrarias Leigas, que, embora formadas por leigos, recebiam forte 
influência do clero, do qual haviam aprendido a arte de construir e o cunho religioso 
dado ao trabalho (CASTELLANI, 2000,pp.5-6). 
 
MacNulty (2014) também nos apresenta às ligações entre a Maçonaria e às 
corporações de ofício: 
 
Na Idade Média, a Loja dos maçons era um barracão no canteiro de obras, onde os 
construtores trabalhavam, descansavam, organizavam suas atividades e, às vezes, 
dormiam. As corporações de pedreiros tinham palavras passe que permitiam aos 
artesãos viajar e identificar-se como maçons, de modo que pudessem trabalhar em 
obras em locais remotos. A atual Maçonaria especulativa deriva a maior parte de seus 
símbolos da arte operativa (MACNULTY, 2014, p. 61). 
 
Após anos de existência a Maçonaria viria a ter um viés filosófico, deixando de ter 
caráter operativo e se tornando a Maçonaria especulativa que tem como marco inicial a 
formação da primeira Grande Loja, como discutiremos no próximo tópico. 
 
1.3. A Maçonaria na Modernidade: o surgimento da Grande Loja da Inglaterra 
A Maçonaria como a conhecemos nos dias atuais nasceu no dia 24 de junho de 1717, 
dia de São João Batista, considerado protetor desta instituição pelos seus membros. Essa data 
é considerada por historiadores e maçons como o marco inicial da Maçonaria Moderna ou 
Maçonaria Especulativa, entres estes podemos citar, Castellani (2000), Leadbeater (2012) e 
MacNulty (2014). 
Castellani (2000) faz uso da Constituição de Anderson, documento escrito pelo Dr. 
James Anderson, mestre maçom e publicado em 1728. Considerado a base da Maçonaria 
Moderna para referenciar a Criação da Grande Loja da Inglaterra no dia 24 de junho de 1717: 
 
A 20 de setembro de 1714, o rei George I fez em Londres magnífica entrada. Após o 
fim da rebelião em 1716 as poucas Lojas de Londres, julgando-se negligenciadas 
por sir Christopher Wren, julgaram oportuno fundirem-se sob a autoridade de um 
Grão Mestre, como centro de união e harmonia. E as Lojas que assim se 
encontraram eram: 
20 
 
 
A da Cervejaria “The Goose and Gridiron” (O Ganso e a Grelha), no pátio da 
Catedral de São Paulo; A da Cervejaria “The Crown” (A Coroa), em Parker’s Lane, 
próximo de Drury Lane; A da Taberna “The Apple Tree” (A Macieira), em Charles 
Street, no Covent Garden; A da Taberna “The Rummer and Grapes” (O Copázio e 
as Uvas), em Chanell Row, no Westminster. 
Essas Lojas, assim como antigos irmãos reuniram-se na “A Macieira”, tendo, em 
seguida, designado, como Venerável, o mais antigo mestre, constituíram-se em uma 
Grande Loja “pro tempore”, na devida forma e, desde logo, a reunião trimestral das 
oficinas das Lojas estava reconstituída. Depois, decidiram realizar uma assembleia 
anual com festa e escolher, naquela ocasião, entre eles, um Grão Mestre, até que 
conseguissem a honra de serem dirigidos por um irmão nobre. 
No dia de São João Batista, durante o terceiro ano do reinado de George I (Ano Dei 
1717), a Assembleia e a Festa dos Maçons Livres e Aceitos realizaram-se na 
Cervejaria “O Ganso e a Grelha”. Antes do jantar, o mais antigo mestre que presidia 
propôs uma lista de candidatos convenientes. Os irmãos presentes, levantando as 
mãos, designaram Sr. Anthony Sayer, gentil homem, Grão Mestre dos Franco-
Maçons – Jacob Lamball, carpinteiro, e Joseph Elliot, capitão, Grandes Vigilantes – 
o qual, imediatamente, foi investido, pelo citado mais antigo mestre, com as 
insígnias do ofício e do poder, e instalado (ANDERSON, 1738. Apud 
CASTELLANI, 2012, pp.13-14). 
 
 Antes da Criação da Grande Loja existiam Lojas modestas que geralmente faziam os 
seus trabalhos em Albergues e não possuíam normas a serem seguidas e uma forma 
ritualística e organizacional padronizada, portanto, cada loja divergia nesses pontos de acordo 
com a sua necessidade e contexto social (LEADBEATER, 2012; MACNULTY, 2014). 
A partir da criação da Grande Loja, a Maçonaria tem seu estabelecimento formal com 
as Lojas sendo subordinadas a Grande Loja que as representa e padronizando se certas regras, 
rituais e sua organização. Após a criação da Grande Loja a Maçonaria sofre uma expansão 
rápida se espalhando por toda Europa. 
 
1.4. A Expansão da Maçonaria 
Nesse subtítulo será brevemente tratado à História da Maçonaria em alguns países da 
Europa e América. 
 
1.4.1. França 
A Maçonaria Moderna, também chamada de Maçonaria Especulativa, chega na 
França no ano de 1725, a partir disso a Maçonaria se espalharia rapidamente por todo 
território francês. Influenciando movimentos franceses, que viriam a acontecer ao longo do 
21 
 
 
século XVIII, como por exemplo a Revolução Francesa e a Declaração dos Direitos do 
Homem e do Cidadão (ASLAN, 1959; Castellani, 2012; Leadbeater, 2012; MacNulty, 2014). 
Castellani (2012), defende que a Maçonaria funcionou como um veículo político das 
ideias liberais, que encontraram um terreno fértil no descontentamento social, econômico e 
políticos que levaram a revolução de 1789. Não se sabe ao certo qual foi a participação da 
ordem nessa revolução, mas sabe-se que muitos ideais iluministas circularam dentro das lojas 
maçônicas. Eric Hobsbawn, conta sobre essa circulação de ideias em sua obra, A Era das 
Revoluções: 
 
[...] Não obstante, um surpreendente consenso de ideias gerais entre um grupo social 
bastante coerente deu ao movimento revolucionário uma unidade efetiva. O grupo 
era a “burguesia”; suas ideias eram as do liberalismo clássico, conforme formuladas 
pelo “filósofos” e “Economistas” e difundidas pela maçonaria e associações 
informais (HOBSBAWN, 2016, p.105). 
 
O lema Liberté, Egalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade, Fraternidade) não foi criado 
pela maçonaria, mas foi idealizado na Revolução Francesa; o lema original era “Liberdade, 
Igualdade, Fraternidade ou a Morte”, esse tema viria a ser adotado pelos maçons na França no 
período da República (MACNULTY, 2014) . 
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada em 1789, teria 
recebido grande influência da Maçonaria, por meio dos parlamentares maçons e pelo 
pensamento iluminista e maçom que estava em alta nesse período. 
 
1.4.2. Portugal 
Oliveira Marques (1990) historiador português defende que a Maçonaria chegou a 
Portugal em 1727, pelo fato das grandes ligações de Portugal com a Inglaterra, a primeira loja 
foi fundada por comerciantes ingleses que moravam em Portugal. 
Devido às fortes ligações do governo português com a Igreja Católica e o crescente 
números de bulas publicadas pelo Papa contra a Ordem, que foram acatadas pelo governo 
português, de modo a influenciar o funcionamento e a vida de maçons em Portugal como 
veremos a seguir. 
22 
 
 
A Maçonaria foi perseguida por muitos anos em Portugal, tendo seus membros sido 
presos e até mesmo mortos, esta perseguição ocorreu por conta do regime de padroado, vivido 
por Portugal neste período. O sistema de padroado consistia basicamente em dar poder aos 
monarcas católicos, de administrar e organizar a Igreja católica. A partir dessas perseguições 
os irmãos maçons passaram a mudar seus locais de reuniões e até mesmo a fazerem reuniões 
em navios como demonstrado por A. M. Gonçalves, que a maçonaria, “industriaria os maçons 
portugueses a serem argutos no desenvolvimento das suas actividades, mudando 
frequentemente o local das sessões, disfarçando a sua natureza secreta e aproveitando, mesmo 
os barcos colocados no estuário do Tejo para reuniões dessa natureza” (GONÇALVES, 2016, 
Online). 
A. M. Gonçalves também resume de forma breve a História da Maçonaria em 
Portugal: 
 
Os primeiros setenta anos da maçonaria portuguesa são marcados, em primeiro 
lugar, por uma dependência particular à Grande Loja de Inglaterra, responsável pelo 
funcionamento das lojas situadas em Portugal como um distrito dependente da 
Grande Loja, facto que se pode explicar quer pelo reduzido número de Mestres 
portugueses, quer por razões de legitimidade na transmissão da regularidade 
maçónica. Grande parte destes anos foi marcada pela perseguição mais ou menos 
aberta das actividades maçónicas, consideradascontrárias aos interesses da Igreja e 
do Papado e das dinastias por direito divino europeias, não obstante a participação, 
desde sempre, de prelados católicos nas actividades rituais. O patrocínio que a 
maçonaria encontraria no governo do Marquês de Pombal seria mais tarde usado 
contra a maçonaria, acusada de participar em actividades anticatólicas, fundando 
ainda a alegação do envolvimento da organização maçónica na constituição da 
Carbonária e na conspiração que conduziu ao derrube da monarquia e à instituição 
da Republica em 5 de Outubro de 1910 (GONÇALVES, 2016, Online). 
 
Os fatos relacionados a Maçonaria em Portugal vieram a influenciar os fatos da 
História Maçônica no Brasil, como, por exemplo, através da participação de grande parte da 
nobreza portuguesa, na Maçonaria, portanto, fazendo com que a Maçonaria venha a se 
institucionalizar no Brasil oficialmente, a partir de 1808 com a chegada da Família Real. 
Porém, a vestígios de maçons em terras brasileiras desde o século XVIII vinculados aos 
movimentos libertários. 
 
 
 
23 
 
 
1.4.3. Estados Unidos 
O Estados Unidos é marcado pela forte presença da Maçonaria em sua história, está 
chegou ao país no início do século XVIII não tendo uma data oficial, porém a primeira Loja a 
ser fundada nos Estados Unidos é a Grande Loja da Pennsylvania. 
Podemos ver a grande influência da Maçonaria no país, como, por exemplo, da 
Independência dos Estados Unidos, muitos dos líderes dessa revolta eram maçons (BLANC, 
2014; MACNULTY, 2014). 
Um primeiro exemplo dessa liderança é Samuel Adams que liderou a população de 
Massachusetts no chamado "Massacre de Boston" quando a população se revolta contra as 
últimas atitudes e leis que a coroa inglesa impunha nas suas colônias. Outro evento de grande 
influência foi a "Boston Transporte Party" (Festa do Chá de Boston), gerada pela insatisfação 
dos colonos perante a "Tea Act" (Lei do Chá), que viria a influenciar terminantemente os 
rumos dá independência (SELLERS, 1990). 
Em setembro de 1774 acontece o Primeiro Congresso da Filadélfia e a medida tomada 
durante o congresso seria que o comércio com a Inglaterra seria suspenso até que a leis 
fossem revogadas. O pedido dos colonos não fora atendido. No mês seguinte ocorreu o 
Segundo Congresso da Filadélfia, que designou George Washington, que era maçom, como 
comandante das forças rebeldes e Benjamin Franklin, também maçom, iria para Paris em 
busca de ajuda. Os colonos foram convocados para o combate contra os ingleses. E em 1776 
as 13 colônias se unem proclamando a independência e criando os Estados Unidos da 
América (SELLERS, 1990). 
A Declaração da Independência foi redigida por Thomas Jefferson com forte 
influência iluminista e maçônica. Podemos ver a forte influência do pensamento maçônico no 
trecho a seguir: “[...] que todos os homens são criados iguais, dotados pelo seu criador de 
certos Direitos inalienáveis, que entre estão a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade” 
(JEFFERSON, 1776 Apud HUNT, 2016, p.219). 
O primeiro presidente do Estados Unidos foi George Washington que era maçom e foi 
Grão-mestre (BLANC, 2014; MACNULTY; 2014). Não só o primeiro presidente como 
diversos políticos viriam a participar da história dos Estados Unidos entre eles podemos citar: 
James Monroe, Andrew Jackson, James Knox Polk, James Buchanan, Andrew Johnson, 
James Abram Garfield, William McKinley, Theodore Roosevelt, William Howard Taft, 
24 
 
 
Warren Gamaliel Harding, Franklin Delano Roosevelt, Harry S. Truman, Gerald R. Ford e 
Lyndon Baines Johnson (CASTELLNI, 2012). 
 
1.5. Objetivos, Estrutura e Hierarquia da Maçonaria 
A Maçonaria é uma instituição que tem como princípios a filantropia, auxílio, amor 
fraterno e busca constante da verdade. Lourivaldo Perez Baçan defini a Maçonaria, como: 
 
[...] é uma ordem cujas doutrinas básicas são amor fraterno, auxílio mútuo, 
filantropia e busca constante da verdade. Os maçons esforçam-se para desfrutar da 
companhia de seus irmãos, ajudando-se em tempos de dificuldade pessoal e 
reforçando valores morais essenciais. Um antigo provérbio maçom diz que "a 
Maçonaria ensina os homens a serem bons e os que já o são, ela os torna melhores" 
(BAÇAN, 2013, p.5). 
 
Segundo o Padre Paulo Ricardo, nos mostra a visão católica dos objetivos da Maçonaria; 
 
“ao objetivo de secularizar o Estado e a sociedade. Ressaltou em particular a 
exclusão do ensino religioso das escolas públicas e o conceito de que “o Estado, que 
deve ser absolutamente ateu, tem o inalienável direito e dever de formar o coração e 
os espíritos de seus cidadãos” ( Dall’Alto dell’Apostolico Seggio, n. 6). Também 
denunciou abertamente o desejo maçônico de tirar da Igreja qualquer forma de 
controle ou influência sobre escolas, hospitais, instituições de caridade públicas, 
universidades e outra associação que servisse ao bem comum” (RICARDO, 2017, 
Online). 
 
A Maçonaria também é considerada uma sociedade elitista, aceitando membros de 
classes sócias e econômicas mais altas e, também por permitir ingressar somente homens. 
Entretanto, a caso de mulheres que participaram da Maçonaria. Algumas das conspirações de, 
que a Maçonaria é acusada de realizar será tratada futuramente neste texto (LAZARETTI, 
2016; MACNULTY, 2012). 
O escritor MacNulty (2014) define a Maçonaria como uma ordem e não como uma 
religião, mesmo pelo fato de, para se entrar na ordem, o pretendente não deve ser ateu e sim 
acreditar em um ser supremo; a Maçonaria não possui uma doutrina, não administra 
sacramentos, não possui uma teologia (pelo fato de seus membros virem de várias crenças) e 
também não oferece nem um meio de se obter a salvação após a morte. 
25 
 
 
O Dicionário Aurélio (2001) define a Maçonaria como “Sociedade semissecreta que 
tem por fim principal o desenvolvimento do princípio da fraternidade e da filantropia e que 
usa como símbolos os instrumentos de arquiteto e pedreiro (o compasso e o esquadro)” 
(HOLANDA, 2001, p. 469). 
Porém, a maçonaria é considerada comumente uma Ordem elitista, por possuir em sua 
maioria membros de classe média e alta, esse fato é defendido dentro da maçonaria, pois 
tendo a necessidade de se manter a Loja, os eventos e os projetos, é cobrada uma taxa todo 
mês dos membros da Loja, entretanto esse dinheiro não dever afetar o estilo de vida do 
membro (COHEN, 2015; MACNULTY, 2014). 
Cada Loja Maçônica é independente uma da outra e, geralmente, elas respondem a um 
Grande Oriente ou Grande Loja. Estas duas são as entidades que congregam e organizam as 
diversas lojas maçônicas existentes; geralmente a Grande Loja ou Grande Oriente é estadual 
ou nacional. Essas lojas podem adotar diversos do Ritos maçônicos existentes, entres esses 
Ritos podemos citar o de York; Escocês Antigo e Aceito; Schröder; Adonhiramita; Moderno; 
Brasileiro; Clermont; Rito Inglês; etc. E cada um desses ritos possuem diferentes graus e seus 
nomes podem variar de acordo com o país em que se pratica, entretanto, os 3 primeiros graus, 
que são chamados de Graus Simbólicos se dividem em Aprendiz, Companheiro e Mestre. Os 
Graus Simbólicos, são iguais em todos os ritos, porém a partir do 4º grau varia de acordo com 
o tipo de rito adotado e o país (BLANC, 2014; LEADBEATER, 2012). 
No Brasil os Ritos mais comuns são Rito de York e o Rito Escocês Antigo e Aceito 
(BLANC, 2014). 
O Rito de York também é chamado de Rito Americano; ele foi criado no ano de 1799 
por Thomas Smith Webb. Este rito se divide em 10 Graus Filosóficos mais os 3 Graus 
Simbólicos, totalizando 13 Graus, que são: Aprendiz; Companheiro; Mestre; Mestre de 
Marca; Mestre Virtual; Mui Excelente Mestre; Maçom do Arco Real; Mestre Real; Mestre 
Eleito; Mestre Superexcelente; Ordem da Cruz Vermelha; Ordem dos Cavaleiros de Malta e 
Ordem dos Cavaleiros Templários (LAZARETTI, 2016, p. 19). 
O Rito Escocês Antigo e Aceito foi criado em 1804 a partir da junção dos ritosAntigo 
Aceito e o Perfeição; este rito também é chamado através da sigla R. E. A. A.; parte da 
ritualística tem influência da lenda de Hiram Abiff citada anteriormente. Este rito possui 30 
Graus Filosóficos mais os 3 Graus Simbólicos, totalizando 33 Graus, que são: Aprendiz; 
Companheiro; Mestre; Mestre Secreto; Mestre Perfeito; Secretário Íntimo; Preboste e Juiz; 
26 
 
 
Intendente dos Edifícios; Mestre Eleito dos 9; Mestre Eleito dos 15; Cavaleiro Eleito dos 12; 
Grão-mestre Arquiteto; Mestre do 9º Arco; Grão-eleito Perfeito e Sublime; Cavaleiro do 
Oriente; Príncipe de Jerusalém; Cavaleiro do Oriente e do Ocidente; Cavaleiro Rosacruz; 
Grão-pontífice; Mestre ad Vitam; Patriarca Noaquita; Príncipe do Líbano; Chefe do 
Tabernáculo; Príncipe do Tabernáculo; Cavaleiro da Serpente de Bronze; Príncipe da 
Mercê; Comendador do Templo; Cavaleiro do Sol; Cavaleiro de Santo André; Cavaleiro 
Kadosh; Grão-inspetor Inquisidor; Sublime Príncipe do Real Segredo; Soberano Grão-
inspetor Geral (LAZARETTI, 2016, p. 18). 
O 33º Grau é um grau honorário que nem todos os membros da Maçonaria o recebem. 
Com relação as Loja Maçônicas todas possuem um desenho semelhante e que sofre 
alterações de acordo com a situação. A Loja geralmente precisa de 7 membros para ser 
formada, cada um destes membros assumem um cargo dentro da Loja e se responsabilizam 
pelo andamento da Loja, estes cargos são: Mestre; Primeiro Vigilante; Segundo Vigilante; 
Primeiro Diácono; Segundo Diácono; Guarda do Templo; Cobridor (MACNULTY, 2014). 
 
1.6. Ações Antimaçônicas: Igreja, acusações de conspiração e a influência de Taxil 
O primeiro impactado sofrido pela Maçonaria, ocorreu em 1738, com a publicação da 
Bula Papal In Eminenti Apostolatus Specula, do Papa Clemente XII. Essa Bula viria a abalar a 
base da maçonaria, ou seja, os seus membros, pois muitos deles eram católicos que vieram a 
sair da ordem, portanto, também os países onde o catolicismo era predominante gerou-se uma 
perseguição a Maçonaria (BLANC, 2013; LEADBEATER, 2012; MACNULTY, 2014). A 
seguir a Bula transcrita na sua íntegra: 
 
Clemente, Bispo, servo dos servos de Deus, a todos os fiéis de Jesus Cristo, saúde e 
Bênção Apostólica. 
Elevado ao trono pontifício pela Divina Providência, temos levado todos os 
sentidos, e com todo o zelo de nossa solicitude, sobre o que pode, cerrando a porta 
aos erros e aos vícios, servir para conservar a integridade da religião ortodoxa, e 
banir do mundo católico o perigo das perturbações, nestes dificílimos tempos que 
atravessamos. 
Sabemos que por aí se desenvolvem, progredindo cada dia, certas sociedades, 
assembléias, reuniões, corrilhos ou conventículos, que se chamam vulgarmente de 
franco-maçons — ou que têm outra denominação, segundo a variedade das línguas 
— nas quais se ligam homens de todas as religiões e seitas, sob aparência de 
honestidade natural, por um pacto estreito e impenetrável, conforme leis e estatutos 
27 
 
 
por eles criados, obrigando-se debaixo de juramento e sob penas graves a ocultar por 
um silêncio inviolável tudo o que praticam nas sombras do segredo. 
Mas, como é da natureza do crime trair a si mesmo, deixando escapar vozes que 
descubram e denunciem, as sociedades, ou conventículos supracitados, geraram no 
espírito dos fiéis suspeitas tão sérias, que quem faz parte delas fica, aos olhos das 
pessoas de probidade e de prudência, marcado com o ferrete da malícia e da 
perversidade. E estas suspeitas cresceram em tanta maneira que, em vários Estados, 
as ditas sociedades foram proscritas e banidas, como elemento perigoso à segurança 
dos reinos. 
Eis por que nos, ponderando os grandes males, que por via de regra resultam dessas 
espécies de sociedade ou conventículos, não somente para a tranqüilidade dos 
Estados temporais, mas ainda para a salvação das almas, pois de maneira alguma 
podem harmonizar-se com as leis civis e canônicas; considerando onosso dever de 
velar dia e noite, como servo prudente e fiel, para que esse gênero de homens não 
forcem a casa, como ladrões, ou, quais raposas, não estraguem a vinha do Senhor, 
pervertendo os corações simples, e varando-os com seus dardos envenenados; para 
obstruirmos a larga estrada, por onde poderiam advir-nos muitas iniquidades 
cometidas impunemente, e por outras causas justas e razoáveis por nós conhecidas, 
de conformidade com o parecer de nossos Veneráveis Irmãos, os Cardeais da Santa 
Igreja Romana, com conhecimento certo, e depois de madura deliberação de nosso 
pleno poder apostólico, resolvemos e decretamos condenar e proibir as mencionadas 
sociedades, assembléias, reuniões, corrilhos ou conventículos de franco-maçons, 
como de fato os condenamos e proibimos por esta nossa Constituição válida para 
sempre. 
Proibimos, portanto, seriamente e em nome da Santa Obediência a todos e a cada um 
dos fiéis de Cristo, de qualquer estado, posição, condição, classe, dignidade e 
preeminência que sejam; leigos ou clérigos, seculares, ou regulares, ousar ou 
presumir entrar por qualquer pretexto, debaixo de qualquer cor, nas sociedades de 
franco-maçons, propagá-las, sustentá-las, recebê-las em suas casas, ou dar-lhes 
abrigo e ocultá-las alhures, ser nelas inscrito ou agregado, assistir às suas reuniões, 
ou proporcionar-lhes meios para se reunirem, fornecer-lhes o que quer que seja, dar-
lhes conselho, socorro ou favor às claras ou em secreto, direta ou indiretamente, por 
si ou por intermédio de outro, de qualquer maneira que a coisa se faça, como 
também exortar a outros, provocá-los, animá-los a se instruírem nessas sortes de 
sociedade, a se fazerem membros seus, a auxiliarem-nas, ou protegerem-nas de 
qualquer modo. E ordenamos-lhes absolutamente que se abstenham por completo 
dessas sociedades, assembléias, reuniões, corrilhos ou conventículos, e isto debaixo 
de pena de excomunhão, na qual se incorre pelo fato e sem outra declaração, e da 
qual ninguém pode ser absolvido senão por nós, ou pelo Pontífice Romano reinante, 
exceto em artigo de morte. 
Dada em Roma, em Santa Maria Maior, aos 28 de Abril do ano da Encarnação de 
Nosso Senhor 1738, e 8* de nosso pontificado (CLEMENTE, 1738 Apud 
KLOPPENBERG, 1956 p.323-324). 
 
Após a publicação desta Bula, todo membro dá Igreja Católica e seus seguidores 
foram proibidos de participar dá Maçonaria. A partir da leitura do documento podemos 
considerar que a única acusação que a Igreja possui contra a Ordem são os supostos segredos 
desta, portanto não se sabe ao certo quais são os motivos que levaram a Igreja a emitir essa 
Bula. Alguns historiadores e maçons, entre eles MacNulty (2014) e Castellani (2012), 
defendem que o provável motivo da publicação foi o crescimento rápido e o aumento da 
influência da Maçonaria, principalmente com algumas famílias reais e membros da nobreza, 
28 
 
 
aumentando assim o poder dessa instituição, podendo gerar, futuramente, uma rival à altura 
dá Igreja em poder. 
A Bula de Clemente XII viria a influenciar a visão antimaçônica futuramente, não só 
da Igreja como de muitas outras pessoas; também as próximas bulas que viriam a ser 
publicadas contra a Ordem, entre as quais, podemos citar a Qui Pluribus publicada, em 1846 
pelo Papa Pio IX, a Etsi multa luctuosa, publicada, em 1873, pelo Papa Pio IX, a Humanum 
Genus publicada, em 1886, pelo Papa Leão XIII, entre outras. Mas a Igreja Católica não foi a 
única a tomar medidas contra a Maçonaria; há registros de religiões protestantes que, também, 
vieram a agir contra a Ordem. (ASLAN, 1959; CASTELLANI, 2012; LEADBEATER, 2012; 
MACNULTY, 2014) 
Outro grande influenciador da visão antimaçônica foram os livros publicados por Léo 
Taxil, que foi membro da Maçonaria e, por passar por problemas financeiros, depois da 
expulsão, ele começou a publicar livros com teor antimaçônico. Taxil foi o responsável por 
desenvolver a ideia de que os maçons adoram Baphomet e também difundiu ideias de rituaisviolentos, etc. Entretanto em 1897, Taxil revelou em uma palestra que tudo que ele escreveu 
contra a Maçonaria foi inventado, porém, isto não fez com que suas publicações continuassem 
a ser usada contra a instituição (MACNULTY, 2014). 
Em 1828 foi fundado nos Estados Unidos um Partido Antimaçônico, que tinha por 
objetivo erradicar a Maçonaria no país chegando a eleger governadores em alguns estados. 
Porém, com o tempo, o poder do partido começou a enfraquecer com a influência de outros 
partidos. Em 1836 o partido se extinguiu (MACNULTY, 2014). 
A Maçonaria ao longo de sua história foi acusada de várias conspirações entre elas 
podemos citar, a Nova Ordem Mundial, muita difundida nos dias atuais, como veremos a 
seguir. (COHEN, 2015; MACNULTY, 2014) 
Podemos ver o caso de conspiração presente na nota de um dólar do Estados Unidos, 
na qual podemos ver uma pirâmide com um olho que tudo vê, presente, logo acima da 
pirâmide formando o seu cume. MacNulty (2014), resume essa teoria e a rejeita como 
verdadeira: 
 
Os teóricos da conspiração costumam apontar o desenho da nota de um 
dólar – especificamente, o reverso do Grande Selo ali representado – como prova da 
influência maçônica nos altos escalões do governo americano. Apontam, em 
29 
 
 
particular, o Olho que Tudo Vê – que dizem ser um símbolo maçônico – e a legenda 
abaixo dele, “Novus Ordo Seclorum”, que se costuma traduzir por “Nova Ordem 
Mundial”. E concluem que os maçons estão, assim, proclamando seu desejo de criar 
uma Nova Ordem Mundial. 
O argumento é falho em suas duas partes. Em primeiro lugar, embora os 
maçons usem o “Olho que Tudo Vê” para lembrar-se da onipresença de Deus, ele 
não é um símbolo maçônico; antes, é uma antiqüíssima representação da Divindade. 
Tampouco a pirâmide é um símbolo maçônico. Visto que o desenho do Grande Selo 
data do final do século XVIII, a pirâmide inacabada tem treze fileiras de pedras – 
uma para cada Estado da União na época. Neste contexto, o Olho que Tudo Vê está 
aí para indicar que o povo dos EUA dependerá da orientação divina para 
desenvolver seu novo país. E “Novus Ordo Seclorum” deve ser traduzida, de modo 
muito mais benigno, como “Uma Nova Ordem para as Eras” – uma nota de 
otimismo que acompanha a fundação de um novo país e de um governo democrático 
(MACNULTY, 2014, 262). 
 
Essa conspiração de que a Maçonaria estaria apoiando uma Nova Ordem Mundial, é 
tão famosa nos dias atuais que podemos encontrar inúmeras páginas na internet, vídeos no 
Youtube, livros e revista, entre outros; discutindo o tema de conspiração. 
A Maçonaria também é famosa, por ser atribuída a ela a participação em vários 
movimentos revolucionários, em diversos países e momentos (BLANC, 2013). 
Podemos concluir a partir do que já foi escrito, que o início da Maçonaria sempre 
estará perdido e as visões de diversos historiadores que escrevem sobre o tema e divergem 
com relação a esse fato, portanto cada um demonstra sua verdade naquilo que defende. 
A Maçonaria, como visto anteriormente, participa direta ou indiretamente dos fatos, 
que estão acontecendo no seus país em determinados momentos, essa participação será vista 
também no Brasil, no capítulo a seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
2. A Maçonaria no Brasil: chegada e presença durante o 
Império e República 
31 
 
 
A Maçonaria viria a ter grande influência na História do Brasil. Não se sabe ao certo 
quanto ela chegou em terras brasileiras, mas alguns maçons defendem que as primeiras 
aparições maçônicas no Brasil começaram a ocorrer na segunda metade do século XVIII. 
 Rizzardo da Camino é um dos que defendem essa teoria, como demonstrado no trecho: 
 
Temos notícias da existência de clubes e academias literárias, cujos membros e 
ideais se confundiam com as idéias libertário-maçônicas. 
Podemos citar a “Associação Literária dos Selectos”, do Rio de Janeiro, em 1752: da 
“”Academia dos Renascidos”, na Bahia, em 1759; a “Scientífica” no Rio de Janeiro, 
em 1772 e a “Arcádia Ultramarina” do Rio de Janeiro, em 1786, e quem sabe 
quantas mais (CAMINO, 1972, p. 29). 
 
 A Maçonaria no Brasil viria ser influente, principalmente, em movimentos libertários. 
O primeiro movimento que vemos a influência Maçônica foi a Conjuração Mineira, que tinha 
como objetivo a separação do Brasil de Portugal, esse movimento foi conduzido por maçons, 
alguns deles iniciados na Europa (CARVALHO, 2005; DURÃO, 2008). 
 A Ordem continuaria exercendo sua influência, mesmo com problemas com a lei e até 
mesmo com a Igreja, devido ao fato do Brasil, também fazer parte do sistema de padroado, 
seguido por Portugal, como veremos a seguir. 
 
2.1. 1808: a chegada da Família Real e a institucionalização da Maçonaria em terras 
brasileiras 
 Em 1808 a Família Real chega em terras brasileiras; estavam presentes entre os 
membros a Rainha D. Maria I, de Portugal, o Príncipe Regente D. João, além de outros 
membros da família e da nobreza. D. João, viria a tomar medidas para transformar o Rio de 
Janeiro na nova capital do seu Império (SCHWARCZ; STARLING, 2015). 
 Nesse período, começou a circular no Brasil clandestinamente, o jornal Correio 
Braziliense, escrito por Hipólito José da Costa. Impresso em Londres e enviado para o Brasil, 
foi publicado durante o período de 1808 a 1822. Este jornal tinha tendências liberais, como 
por exemplo estipular uma monarquia constitucionalista e também a libertação dos escravos. 
Hipólito era maçom em Londres e foi responsável por publicações com a relação à maçonaria 
em seu jornal (BENTO, 2005). 
32 
 
 
 Juntamente com a Família Real, vieram diversos maçons, gerando assim uma maior 
presença deles em terras brasileiras. No ano de 1813 foi criada na Bahia o primeiro Grande 
Oriente Brasileiro, porém este viria a desaparecer durante a Revolução Pernambucana 
(DURÃO, 2008). 
 A Maçonaria também passaria por problemas com a família real, como, por exemplo, 
o Alvará emitido por D. João VI, em março de 1818, proibindo as sociedades secretas de 
exercerem atividades no Brasil. O Alvará encontra-se transcrito a seguir, como publicado no 
Correio Braziliense em 1818: 
 
Alvará , porque se prohibem as sociedades secretas. 
Eu El Rey faço saber aos que este Alvará com força de ley virem, que tendo-se 
verificado pelos acontecimentos que saõ bem notórios, o excesso de abuso, a que 
tem chegado as sociedades secretas, que com diversos nomes de ordens ou 
associaçoens, se tem convertido em conventiculo e conspiraçoens contra o Estado; 
naõ sendo bastante os meios correcionais, com que se até agóra procedido, segundo 
as leys do Reyno, que prohibem qualquer sociedade, congregação ou associação de 
pessoas, com alguns estatutos, sem que sejam primeiramente por mim authorizadas, 
e os seus estatutos aprovados; e exigindo por isso a tranquilidade dos povos, e a 
segurança que lhes devo procurar e manter, que se evite a occasiaõ e a causa de se 
precipitarem muitos vassalos, que antes podiam ser uteis a si e ao Estado, se forem 
separados delles, e castigados os perversos, como as suas culpas merecem; e tendo 
sobre ésta matéria ouvido o parecer de muitas pessoas doutas e zelosas do bem do 
Estado, e da felicidade dos seus concidadaõs; e de outras do meu Conselho, e 
constituidos em grandes empregos, tanto civis como militares, com as quaes me 
conformei; sou servido declarar por criminosas e prohibidas todas e quaes quer 
sociedades secretas, de qualquer denominação que elas sejam; ou com os nomes e 
formas ja conhecidas, ou debaixo de qualquer nome ou fórma, que de novo se 
disponha ou imagine; pois que todas e quaesquer deveraõ ser consideradas, de agora 
em adiante, como feitas para conselho e confederação contra o Rey, e contra o 
Estado. 
Pelo que ordeno, que todos aquelles, que forem compreendidos em assistirem loges, 
clubs, committés, ou qualquer outro ajunctamento de sociedade; aquelles que para as 
dictas loges, ou clubs,ou ajunctamentos convocarem a outros; e aquelles que 
assistirem á entradas ou recepçaõ de algum sócio, ou ella seja com juramento ou 
sem ele, fiquem incursos nas penas da Ordenação, Livro V, Tit. VI, §§ 5º. e 9º.; as 
quaes penas lhes seraõ impostas pelos juízes, e pelas formas e processo 
estabelecidos nas leys, para punir os réos de Lesa Majestade. 
Nas mesmas penas incorreraõ os que forem chefes ou membros das mesmas 
sociedades, qualquer que seja a denominação que tiverem, em se provando que 
fizéram qualquer acto, persuasão ou convite de palavra ou por escripto, para 
estabelecer de novo, ou para renovar, ou lojas, clubs, ou committés, dentro dos meus 
Reynos e seus domínios; ou para a correspondência com outras fóra delles; ainda 
que sêjam factos practicados individualmente, e naõ em associação de lojas, clubs, 
ou committes. 
Nos outros casos seraõ as penas moderadas a arbítrio dos juízes, na forma adiante 
declarada. As casas em que se congregarem seraõ confiscadas, salvo provando seus 
proprietários, que naõ soubéram, nem podîam saber, que a este fim se destinavam. 
As medalhas, sêllos, symbolos, estampas, livros, catechismos ou instrucçoens, 
33 
 
 
impressos ou manuscriptos, naõ poderaõ mais publicar-se ne fazer-se delles uso 
algum, despacharam-se nas affandegas , venderem-se, darem-se, emprestarem-se, ou 
de qualquer maneira passarem de uma a outra pessoa, não sendo para immediata 
entrega ao magistrado; debaixo da pena de degredo para um presidio, de quatro até 
de annos de tempo, conforme a gravidade da culpa e circumstancias dela. 
Ordeno outrosim, que neste crime, como excepto, naõ se admitta privilegio, isenção, 
ou concessão alguma, ou sêja de fôro ou de pessoa, ainda que sêjam dos privilegios 
incorporados em direito, ou os réos sêjam nacionaes ou estrangeiros, habitantes no 
meu Reyno e dominios, e que recebem: nem possa haver seguro, fiança, 
homenagem, ou fieis carcereiros, sem minha especial autoridade. E os ouvidores, 
corregedores, e justiças ordinárias todos os annos devassaraõ deste crime na devassa 
geral, e constando-lhe que se fez loja, se covidam ou congregam taes sociedades, 
procederaõ logo á devassa especial; e á apprehensão e confisco, remetendo os que 
fôrem réos e a culpa á Relaçaõ do Districto, ou ao Tribunal competente, e a copia 
dos autos será tambem remettida á minha Real Presença. 
E este se cumprirá tam inteiramente como nelle se contém, sem embargo de 
quaesquer leys ou ordens em contrario, que para este effeito hey por derogadas, 
como se delas se fizesse expressa menção. E mando á Meza do Desembargodo Paço, 
Presidente do meu Real Erario, Regedor das Justiças, Conselho da Fazenda, 
Tribunaes, Governadores, Justiças, e mais pessoas; a quem p conhecimento nelle se 
contém, e façam muito inteiramente cumprir e guardar sem duvida ou embargo 
algum. E aos Doutores Manuel Nicoláo Esteves Negraõ, Chanceller Mor dos 
Reynos de Portugal e Algarves e Pedro Machado de Miranda Melheiros, Chanceller 
Mor do Reyno do Brazil, mando que o façam publicar e passar pela Chancellaria, e 
enviem os exemplares debaixo do meu sêllo e seu signal a todas as estaçoens, aonde 
se custuman remeter similhantes Alvarás; registrando-se na formado estylo, e 
mandando-se o original para o meu Real Archivo da Torre do Tombo. 
Dado no Palacio da Real Fazenda de Sancta Cruz, em 30 de Março, 1818. 
Rey. 
Thomas Antonio de Villanova Portugal. (COSTA, H. 2002, p.144 ). 
 
Mesmo com a emissão deste Alvará, D. João VI não conseguiu parar com a atuação de 
algumas sociedades secretas; porém as atuações delas diminuíram e elas continuaram 
existindo, como no caso da Maçonaria que continuaria influente como veremos a seguir 
(BARATA, 2008; COSTA, 2009; DURÃO, 2008). 
 
2.2. Chegada de D. Pedro ao poder e seu envolvimento com a Maçonaria 
Em 1821, devido a revoltas em Portugal, D. João VI se vê obrigado a retornar ao seu 
país, porém ele deixou seu filho D. Pedro, como regente do Brasil, que assumiu o Brasil em 
meio a uma crise financeira deixada por D. João VI, ao levar todas as reservas econômicas do 
Banco do Brasil (DURÃO, 2008; SCHWARCZ; STARLING, 2015). 
Algumas províncias do Norte e Nordeste não reconheciam a autoridade do príncipe. 
Nesse contexto as forças militares que permaneciam fiéis a Portugal se revoltaram no Rio de 
34 
 
 
Janeiro e fizeram D. Pedro jurar fidelidade a Constituição que estava sendo feita em Portugal. 
Deputados brasileiros foram enviados para Portugal para participarem da elaboração da 
Constituição, entretanto, antes mesmo de chegarem lá, os deputados portugueses aprovaram 
decretos que anulavam a autoridade de D. Pedro no Brasil (DURÃO, 2008; SCHWARCZ; 
STARLING, 2015). 
No final de 1821, a corte portuguesa começa a tomar medidas, para recolonização do 
Brasil e o retorno imediato de D. Pedro para Portugal. Com o risco de o príncipe herdeiro 
retornar para Portugal e, o Brasil voltar a ser colônia portuguesa, medidas começaram a ser 
tomadas para D. Pedro permanecer no Brasil. Entre as medidas citadas podemos usar como 
exemplo o Dia do Fico, como demonstrado no trecho a seguir: 
 
No dia 9 de janeiro, d. Pedro recebeu no Paço — numa audiência do Senado da 
Câmara — um requerimento tomado por mais de 8 mil assinaturas, que pediam a ele 
que não deixasse o Brasil. O objetivo era claro: garantir a presença do herdeiro na 
colônia e assim suspender a maré recolonizadora que dominara a metrópole. E, se d. 
Pedro não se fez de rogado, até hoje pairam suspeitas acerca das famosas palavras 
declaradas pelo príncipe; o tão famoso “Diga ao povo que fico”. O auto dessa sessão 
única apresenta uma declaração complementar que aparece em dois editais 
sucessivos do Senado. Segundo o primeiro edital do próprio dia 9, a resposta do 
príncipe teria sido: “Convencido de que a presença da minha pessoa no Brasil 
interessa ao bem de toda a nação portuguesa, e conhecido que a vontade de algumas 
províncias assim o requer, demorei a minha saída até que as Cortes e meu Augusto 
Pai e Senhor deliberem a este respeito, com perfeito conhecimento das 
circunstâncias que têm ocorrido”. O mesmo auto diz, porém, no postscriptum, que 
os termos não foram exatamente esses, devendo ser substituídos pelos seguintes: 
“Como é para bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto; diga ao povo 
que fico” (SCHWARCZ; STARLING, 2015, pp. 211-212). 
 
2.3. Rumo a Independência 
 A partir do momento que passou o Fico, vários acontecimentos políticos nacionais e 
internacionais, começaram a encaminhar o Brasil, para sua independência de Portugal. Entre 
esses fatos podemos citar como exemplo, tropas militares que permaneceram leais a Portugal, 
que participaram de planos contra essas decisões políticas, em terras brasileiras; entretanto 
essas tropas foram rechaçadas por militares leais a D. Pedro. 
 Outro exemplo em maio do mesmo ano D. Pedro, decretou que nenhuma ordem 
enviada pela Corte Portuguesa deveria ser acatada no Brasil, sem sua permissão. Estes gestos 
de D. Pedro não agradaram a Portugal, que tomou providências para que D. Pedro, fosse preso 
e mandado de volta para Portugal; porém os Maçons que pertenciam a Clube de Resistência 
35 
 
 
se uniram e incitaram o povo a favor do príncipe. O exército português, presente no Brasil, 
não tinha homens suficientes para suprimir essa revolta, fugiram para Niterói a espera de 
reforços, que não chegaram (DURÃO, 2008). 
 D. Pedro convocou uma Assembleia Geral Constituinte para 03 de junho de 1822. 
Todos esses fatores levaram a D. Pedro a ser iniciado na Maçonaria, como demonstrado a 
seguir: “Atraído por Gonçalves Ledo, com o apoio de ‘última hora’ de José Bonifácio, o 
príncipe regente aceitou ser iniciado na Maçonaria, o que foi feito ritualisticamente, na Loja 
Comércio e Artes, em 2 de agosto de 1822 [...], recebendo o nome heróico de ‘Guatimosin’.” 
(DURÃO, 2008, p. 125). A ascensão de D. Pedro na Maçonariafoi rápida. 
 Com a ameaça de uma revolta em São Paulo, D. Pedro parte para esse estado para 
apaziguar e manter a lealdade desses locais à causa brasileira, deixando sua esposa D. 
Leopoldina como chefe do Conselho de Estado e princesa regente interina do Brasil. No dia 
07 de setembro de 1822, mensageiros enviados por D. Leopoldina encontraram D. Pedro 
próximo ao Riacho do Ipiranga. A mensagem continha ordens de Portugal, mensagens de José 
Bonifácio, entre outras informações. A reação de D. Pedro foi imediata como veremos a 
seguir: 
 
Às quatro e meia da tarde, montado em sua besta, assoberbado pelo mal-estar, 
fatigado pela viagem, mas convocado pelo momento, d. Pedro formalizou o que já 
era realidade: arrancou a fita azul-clara e branca (as cores constitucionais 
portuguesas) que ostentava no chapéu, lançou tudo por terra, desembainhou a 
espada, e em alto e bom som gritou: “É tempo!… Independência ou morte! […] 
Estamos separados de Portugal…” (SCHWARCZ; STARLING, 2015, pp. 251-252). 
 
 Após a Independência, D. Pedro foi declarado Imperador do Brasil, assumindo assim o 
nome de D. Pedro I, Imperador do Brasil. Muitos maçons, não queriam que o Brasil se 
tornasse uma Monarquia e defendiam a República. Fazendo assim com que D. Pedro 
suspendesse os trabalhos do Grande Oriente do Brasil que, em 25 de outubro de 1822, fecha 
as suas portas. O Grande Oriente do Brasil só viria a ser ativado no ano 1831, novamente no 
Brasil, após a abdicação do trono brasileiro por D. Pedro I (DURÃO, 2008). 
 
 
 
36 
 
 
2.4. Influência da Maçonaria no período do Império e na Proclamação da República 
 A Maçonaria continuaria seus trabalhos no Brasil, vindo a se tornar influente 
novamente nas atividades contra a escravidão e nas atividades republicanas, como será 
discutido a seguir. 
 O escritor William Almeida Carvalho nos mostra em seu artigo “A Maçonaria e a 
República no Brasil” alguns dos antecedentes da república no Brasil: 
 
Como antecedentes remotos e recentes da implantação da República no Brasil 
podem ser citados os seguintes: i) o conflito maçônico e político entre José 
Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência do Brasil e Joaquim 
Gonçalves Ledo, líder maçônico no Rio de Janeiro; ii) o Manifesto Republicano de 
1870; iii) a Convenção de Itu de 1873; iv) a Questão Religiosa; v) a Abolição da 
Escravatura e vi) a Questão Militar (CARVALHO, 2005, pp. 2-3). 
 
 A partir desse trecho podemos discutir alguns acontecimentos que podem ter levado a 
república. O primeiro é o conflito entre José Bonifácio e Joaquim Gonçalves, cada um tinha 
sua visão. Enquanto José Bonifácio era conservador e monarquista, Joaquim Gonçalves era 
líder dos maçons radicais e liberais, formado principalmente por republicanos, no Rio de 
Janeiro. Porém, a Maçonaria conservadora conseguiu impor seus ideais (DURÃO, 2008). 
 Entretanto, “a idéia republicana, contudo, foi sendo acalentada, por um pequeno grupo 
de maçons, durante todo o Império e crescia com o tempo a cada crise vivida pelo regime 
monárquico” (CARVALHO, 2005, p. 3). 
 O ideal republicano voltou em alta no país, após a publicação do Manifesto 
Republicano em 1870, que possuía influência maçônica e que foi liderado pelo maçom 
Joaquim Saldanha Gama e teve como redator o maçom Quintino Bocaiúva. 
 A transcrição do Manifesto Republicano: 
 
Aos Nossos Concidadãos 
É a voz de um partido que se alça hoje para fallar ao paiz. E esse partido não carece 
demonstrar a sua legitimidade. Desde que a reforma, alteração, ou revogação da 
carta outhorgada em 1824, está por ella mesma prevista e auctorisada, é legitima a 
aspiração que hoje se manifesta para buscar em melhor origem o fundamento dos 
inauferiveis direitos da nação. 
Só a opinião nacional cumpre acolher ou repudiar essa aspiração. Não reconhecendo 
nós outra soberania mais do que a soberania do povo, para ella apellamos. Nenhum 
37 
 
 
outro tribunal póde julgar-nos: nenhuma outra auctoridade póde interpôr-se entre 
ella e nós. 
Como homens livres e essencialmente subordinados aos interesses da nossa patria 
não é nossa intenção convulcionar a sociedade em que vivemos. Nosso intuito é 
esclarecê-la. 
Em um regimen de compressão e de violencia, conspirar seria o nosso direito. Mas 
nos regimen das ficções e da corrupção, em que vivemos, discutir é o nosso dever. 
As armas da discussão, os instrumentos pacificos da liberdade, a revolução moral, os 
amplos meios do direito, postos ao serviço de uma convicção sincera, bastam, no 
nosso entender, para a victória da nossa causa, que é a causa do progresso e da 
grandeza da nossa patria. 
A bandeira da democracia, que abriga todos os direitos, não repelle, por erros ou 
convicções passadas, as adesões sinceras que se lhe manifestem. A nossa obra é uma 
obra de patriotismo e não de exclusivismo, e acceitando a comparticipação de todo o 
concurso leal, repudiamos a solidariedade de todos os interesses illegitimos 
(CASTELLANI, 2000, pp. 12-13). 
 
A partir dessa transcrição podemos notar influências maçônicas, no manifesto 
republicano como no trecho: 
 
As armas da discussão, os instrumentos pacificos da liberdade, a revolução moral, os 
amplos meios do direito, postos ao serviço de uma convicção sincera, bastam, no 
nosso entender, para a victória da nossa causa, que é a causa do progresso e da 
grandeza da nossa patria (CASTELLANI, 2000, p. 12). 
 
A Convenção de Itu, também exerceu sua influência na Proclamação da República, 
como veremos a seguir: 
 
A Província de São Paulo congregava um número expressivo de maçons 
republicanos. Em 10 de novembro de 1871, 47 partidários da república federativa 
reuniram-se na cidade de Itu, da mesma província, sob a liderança do maçom João 
Tibiriçá Piratininga (nome indígena que as principais famílias patrícias usavam para 
expressar o espírito nativista), criando um clube republicano que servisse de núcleo 
com a finalidade de organizar o futuro Partido Republicano. Como corolário desse 
movimento, a 18 de abril de 1873, na residência de Carlos Vasconcelos de Almeida 
Prado realizou-se a primeira Convenção Republicana no Brasil, que viria a ser 
conhecida como Convenção de Itu. Participaram dessa Convenção com expressiva 
liderança os seguintes maçons que viriam a ser a elite da futura república: Américo 
Brasiliense de Almeida Melo, Francisco Rangel Pestana, Manoel Ferraz de Campos 
Sales (futuro Presidente da República), Américo de Campos, Bernardino de 
Campos, Ubaldino do Amaral Fontoura, Francisco Glicério, Manoel de Moraes 
Barros, Venâncio Aires, Prudente de Moraes Barros (também futuro presidente da 
República) etc. Ao todo a Convenção de Itu contou com 134 convencionais em sua 
grande maioria das cidades da Província de São Paulo. A cidade do Rio de Janeiro, 
capital do Império, se fez representar também pela sua delegação (CARVALHO, 
2005, p.3). 
38 
 
 
Não somente fatores políticos influenciaram, mas também fatores religiosos como 
veremos a seguir. 
A Questão Religiosa, foi um conflito entre a Igreja Católica e a Maçonaria. O principal 
motivo do conflito foi um discurso, do padre José Luís de Almeida Martins, que enaltecia a 
Maçonaria e a Grande Oriente do Brasil, pelo seu empenho em defesa da emancipação dos 
escravos. O bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda advertiu o padre e pediu que 
este abandonasse a Maçonaria, porém; com a recusa, o bispo o suspendeu, baseado na fala de 
Pio IX durante o Consistório de 1865 (CARVALHO, 2005). 
Diante desse fato, as lojas maçônicas brasileiras se uniram, como visto no trecho: 
 
Diante da reação do bispo, as duas Obediências, do Lavradio e dos Beneditinos, 
saíram em defesa do Irmão atingido, mostrando, pelo menos aí, uma união, que era 
precária em outras ocasiões. Isso ficou consumado através de uma assembléia do 
Lavradio, a 15 de abril de 1872, complementada por outra, dos Beneditinos, a 27 de 
abril,quando foi lançado o Manifesto da Maçonaria do Brasil, redigido por Saldanha 
Marinho, um notório anticlerical. Esse manifesto, pela violência dos termos, iria 
contribuir para azedar as relações da Maçonaria com o alto clero, colocando-a numa 
questão que não era sua (CASTELLANI, 2000, p. 25). 
 
Consequentemente, através dos fatores citados acima, D. Vital é nomeado bispo do 
Recife, retornando para o Brasil com ideias antimaçônicas de influência principalmente do 
papa Pio IX. Entre suas medidas contra a maçonaria, suspendeu todos os padres maçons do 
Recife e mandou expulsar todos os pedreiros-livres das irmandades religiosas. 
 
Diante desse interdito, os maçons apelaram para a Coroa que, através do Conselho 
de Estado lhes deu razão. O governo então ordenou, em 12 de junho de 1873, que o 
bispo levantasse o interdito, pois este era funcionário público, para que os maçons 
permanecessem nas irmandades. O bispo se recusou a cumprir a ordem alegando 
uma incompatibilidade entre a Igreja e a Maçonaria (CARVALHO, 2000, p. 4). 
 
Devido ao fato de, nesse período, as ligações entre Igreja e Estado no Brasil serem 
fortes e devido ao Brasil já estar passando por problemas abolicionistas, que influenciavam a 
base do Império, este embate entre Estado e Igreja desestabilizou mais um pouco a 
monarquia. 
A abolição da escravidão, também motivou a Proclamação da República. Pois a 
influência externa com relação a abolição, vinda principalmente da França e da Inglaterra, 
39 
 
 
juntamente com as ideias abolicionistas, que estavam circulando em terras brasileiras. 
Algumas lojas maçônicas começaram a tomar medidas antiescravagistas, como vistos a 
seguir: 
 
i) a Loja Perseverança III em 7 de setembro de 1869 cria a caixa de Emancipação 
para libertação de crianças do sexo feminino de 2 a 5 anos; e ii) projeto da Loja 
América da Província de São Paulo (SP) apresentado por Rui Barbosa (futuro 
Ministro das Finanças do governo republicano) em 4 abril de 1870 ao Grande 
Oriente do Brasil dos Beneditinos (dissidência do GOB) abrindo verba especial para 
alforriamento de crianças, e preceituando que só poderia ser iniciado na maçonaria o 
profano que declarasse livres todas as crianças do sexo feminino. Quanto aos já 
iniciados deveriam assinar termo compromentendo-se a libertar as crianças do sexo 
feminino, filhas de suas escravas (CARVALHO, 2005, p. 4). 
 
Outro exemplo, que mostra como os membros da Maçonaria queriam o fim da 
escravidão, é uma carta escrita em ata na Loja Piratininga de São Paulo: 
 
O expediente constou de uma prancha do Gr.: Secr.: Ger.: da Ord.:, datada de 16 de 
Setembro proximo passado, communicando a esta Aug.: Loj.: que o Sap.: Gr.: Or.:, 
em sess.: de 9 do mesmo mez deixou de attender a proposta de um dde seus 
membros, no sentido de estabelecer certo prazo fatal, alem do qual nenhum maçon 
poderia mais possuir escravos = = Que a isso foi levado o mesmo Gr.: Or.: pela 
unica consideração de que, já tendo o Estado feito quanto julgou sufficiente em 
relação a abolição gradual do elemento servil, abolição hoje auxiliada tanto pela 
iniciativa individual como até pelo empenho do clero que entendeu oportuno 
associar-se agora ao movimento emancipador, só compete a Maçonaria, collocando-
se na sua verdadeira posição, cooperar na medida de suas forças, para que o 
empenho do Estado e o concurso sempre generoso da iniciativa individual tornem-se 
cada vez mais fecundos, attendidas em todo o caso as condições especiaes do pais e 
á necessidade de não desorganizar de chofre o trabalho agricola, fonte abundante da 
riqueza nacional == Seguem-se outros trechos constantes da alludida prancha que 
não deixam de ser importantes, e conclue em recommendar que se lhe trasnmitta, 
com a possivel brevidade, a franca opinião desta Aug.: e Resp.: Offic.: A Loj.: 
inteirada autorizou ao Resp.: Ir.: Ven.: para trasnmittir a opinião desta Aug.: Offic.: 
pelo modo que elle julgar mais conveniente” (CASTELLANI, 2000, p. 39). 
 
No dia 28 de setembro de 1871, José Maria da Silva Paranhos, conhecido como 
Visconde do Rio Branco, escreveu a lei n.º 2.040, chamada Lei do Ventre-livre, que foi 
promulgada pela Princesa Regente D. Isabel; essa lei declara livre todos os filhos de mulheres 
escravas nascidos após 28 de setembro. Em 28 de setembro de 1875 foi aprovada a Lei dos 
Sexagenários, que declarava livre todo escravo com mais de 60 anos de idade. E, enfim, em 
13 de maio de 1888, foi aprovada a Lei Áurea, que libertava todos os escravos. 
Porém, como a escravidão era um dos fatores que ligavam a monarquia brasileira aos 
grandes proprietários de terra, pois, neste período, a economia era principalmente agrária, 
40 
 
 
necessitando assim de mão-de-obra escrava. Ao ser abolida a escravidão gerou se um 
descontentamento e um afastamento entre monarquia e grandes proprietários de terras, 
fazendo com que a monarquia ruísse (CARVALHO, 2005). 
Como último fato influenciador da Proclamação da República temos a questão militar, 
quando, após a Guerra do Paraguai, o exército passou a influenciar mais as decisões políticas 
da nação. 
 
Os dois partidos políticos dominantes no Império – o Liberal e o Conservador – 
diante de suas rivalidades políticas sempre procuraram respaldo nas Forças 
Armadas, principalmente no Exército. Tanto assim, que o Marechal Manoel Luiz de 
Osório, marquês do Herval, maçom iniciado na Província do Rio Grande do Sul, se 
tornou prócer do Partido Liberal e o Duque de Caxias – Luiz Alves de Lima e Silva, 
futuro Patrono do Exército e Grão-Mestre Honorário do Grande Oriente do Brasil – 
era líder político do Partido Conservador, chegando mesmo a ser Primeiro-Ministro 
por esse partido. Com a morte desses dois grandes chefes militares e políticos, os 
partidos dominantes trataram de substituí-los. O Partido Liberal marchou para o 
General Correia da Câmara, visconde de Pelotas e senador pela Província do Rio 
Grande do Sul. Os conservadores buscaram aliciar o general Deodoro da Fonseca, 
maçom que posteriormente ocupou o Grão-Mestrado do Grande Oriente do Brasil e 
Proclamador da República no Brasil (CARVALHO, 2005, pp. 5-6). 
Em linhas gerais, a questão militar consistiu numa série de atritos, ocorridos entre 
1883 e 1889, entre os políticos e os militares, causados pelo brio destes e pela 
inabilidade daqueles. Esses atritos iriam criar a atmosfera propícia, nos últimos anos 
do regime monárquico, para o levante militar final, o qual resultaria na implantação 
da República no Brasil (CASTELLANI, 2000, p. 40). 
 
 O levante que levou fim ao Império e, a Proclamação da República foi feito e 
preparado pela elite, por republicanos e maçons, sem a participação do povo. O levante foi 
preparado para ser feito no dia 20 de novembro de 1889, porém com os boatos, de que o 
governo mandaria prender o Marechal Deodoro, o evento foi adiantado para 15 de novembro 
com as tropas começando a se preparar na madrugada do mesmo dia (CARVALHO, 2005). 
 
Em reunião secreta realizada na casa de Benjamin Constant, numa espécie de 
conclave maçônico, decidiu-se a queda do Império. O único obstáculo, por incrível 
que parece, era a afeição do velho general Deodoro ao Imperador. [...] A pressão 
afetiva e sentimental para demover Deodoro de suas lealdades ficou por conta de 
Benjamin Constant, o grande instigador do movimento. O argumento decisivo de 
Benjamin foi de que o Imperador desejava nomear como novo presidente do 
Conselho de Ministros o senador Silveira Martins, também maçom, desafeto e 
inimigo de Deodoro (CARVALHO, 2005, p 6). 
 
41 
 
 
Realizada a Proclamação da República, Marechal Deodoro se autonomeou chefe do 
governo provisório com um ministério maçônico e filiado ao Grande Oriente do Brasil. Os 
membros do ministério são: “Eduardo Campos Sales na Justiça, Wandenkolk na Marinha, 
Benjamin Costant na Guerra (Exército), Rui Barbosa na Fazenda (Finanças), Demétrio 
Ribeirana Agricultura, Quintino Bocaiúva nos Transporte e Aristides Lobo no Interior” 
(CARVALHO, 2005, p. 6). 
Portanto, com tudo o que foi discutido anteriormente, podemos concluir que a 
Maçonaria exerceu grande influência ao longo da História do Brasil, no período que 
compreende o final do Império e início da República, principalmente na política, tendo muito 
políticos, envolvidos na Maçonaria. 
 É nesse contexto, pós Proclamação da República que a Maçonaria chegaria na cidade 
de Mococa, como veremos no capítulo a seguir. 
42 
 
 
3. Maçonaria mocoquense de sua fundação a 1922 
43 
 
 
 Ao longo desse capítulo será discutido a formação das Lojas maçônicas na cidade de 
Mococa e a participação dos seus membros na sociedade, com breves relatos sobre a História 
da cidade de Mococa. 
 
3.1. A cidade de Mococa: da fundação até a década de 1890 
 Já havia vestígios de pessoas, no início do século XIX, na região que hoje chamamos 
de Mococa, com alguns fazendeiros que já possuíam grandes terras na região, entre os quais 
podemos citar Urias Emídio Nogueira de Barros, D. Thomaz Molina e Venerando Ribeiro da 
Silva. 
 
Os primeiros relatos históricos sobre nossa região nos informam que, em 1820, o 
sertanista Urias Emídio Nogueira de Barros, dizendo-se procurador de seu pai, 
tomou posse de uma grande área, limitada pela Serra da Borda da Mata e pelos rios 
Pardo e Canoas e pelos ribeirões das Areias e da Boiada, dando-lhe o nome de 
Sesmaria da Zabelônia, que dominava grande parte do Município de Mococa 
(PALADINI, 2008, p. 16). 
 
 Estas terras seriam vendidas por Urias Emídio Nogueira de Barros para D. Thomaz 
Molina, espanhol e amigo de D. Pedro I, após tomar posses da Sesmaria da Zabelônia; estas 
terras passaram a se chamar Alegria. 
 Diogo Garcia da Cruz, mineiro, pertencente a uma família de fazendeiros mineiros, 
viria a negociar e comprar terras na região como vemos a seguir: 
 
Em 1833, comprou, pela importância de 12 contos e 462 mil réis, de D. Thomaz 
Molina, no Curato de São Bento do Cajuru, “uma fazenda de campos de criar e de 
matos de cultura, denominada Alegria”, cuja área era limitada pelo Ribeirão das 
Areias, pelos Rios Canoas e Pardo, pelo Ribeirão da Boiada e pela Serra da Borda 
da Mata (PALADINI, 2008, p. 24). 
 
 A partir do aumento da população começou a se formar um povoado na região. 
Antônio José Francisco e sua esposa Catarina Gomes, moradores da região do Ribeirão do 
Meio, promoviam constantemente atos em louvor a São Sebastião; estes atos de fé ocorriam 
em suas terras. 
44 
 
 
 Com o tempo, e com o aumento da população, Catarina sugeriu ao seu marido a 
construção de uma ampla capela; então Antônio doou, em 1839, 16 alqueires de terras às 
margens do Ribeirão do Campo para a Igreja Católica. 
 Porém José Gomes de Lima faz uma permuta das terras doadas por Antônio José 
Gomes, em 1843; a troca de terras foi realizada por uma área maior, às margens do Ribeirão 
do Meio. Todavia a permuta foi realizada com a condição de ser construída nesta área uma 
capela em louvor a São Sebastião. 
 
Assim, passou a ser constituído o patrimônio do futuro povoado, que contou com 
outras pequenas doações – feitas por José Pereira dos Santos, Salvador Pedro de 
Moraes, Emídio Antônio de Jesus, dona Teodora, Joaquim Gonçalves de Moraes e 
Domingos Antônio de Couto -, atingindo uma área de 33 alqueires, avaliada, na 
época, em 333 mil réis; o auto de posse judicial foi realizado no dia 4 de dezembro 
de 1847. [...] O ato de posse foi julgado por sentença do dia 15 de dezembro de 
1847, recebendo aprovação do presidente da Província – brigadeiro José Pinto 
Galvão Peixoto (PALADINI, 2008, p. 25). 
 
 Venerando Ribeiro da Silva, vindo de Caconde, adquiriu terras na região em 1840, a 
terras da Fazenda da Prata. Venerando tomou iniciativas para ajudar na fundação do povoado 
“conseguiu a criação oficial do povoado em 1841. O povoado foi reconhecido e elevado a 
Capela Curada pelo bispo D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, com o nome de São 
Sebastião da Boa Vista” (PALADINI, 2008, p. 26). 
 O primeiro nome da cidade, São Sebastião da Boa Vista, foi mantido até 1875, quando 
o povoado, já chamado de Vila, foi elevado a condição de cidade e município, com o nome de 
Mococa. O nome Mococa está relacionado com um fato ocorrido com o capitão-mor Custódio 
José Dias que, 
 
Ao passar pela povoação nascente, exclamou [...]: “Olhem ai essas mocoquinhas” – 
apontando para as pequenas casas, existentes à margem do Ribeirão do Meio e 
pertencentes a agregados, que prestavam serviços avulsos nas imediações do 
povoado. [...] Os moradores do lugar gostaram da denominação e, apesar de ele 
oficialmente haver sido criado, em 1841, com o nome de São Sebastião da Boa 
Vista, passou a se chamar “arraial das Mococas”. O povo, sempre soberano, não 
aceitou a denominação oficial: para os moradores, seria sempre Mococa a nova 
povoação (PALADINI, 2008, p. 41). 
 
 Com a Proclamação da República, Mococa se dividiu em dois lados liderados por Dr. 
Antônio Muniz Ferreira, que era republicano, e por Dr. Augusto Freire de Mattos Barretto, 
monarquista; “surpresos com a nova estrutura político-administrativa imposta à nação, os 
políticos de Mococa sentiam se incapazes para reorganizar os partidos, de maneira a atender 
os interesses da nova situação” (PALADINI, 2008, p. 46). Antônio Muniz Ferreira, foi 
membro fundador da Loja Maçônica Honra e Caridade, como veremos futuramente. 
45 
 
 
 Em 1890 foram dissolvidas, pelo Governo Federal, as Câmaras Municipais, e foram 
criadas em seu lugar os Conselhos de Intendência, ocorrendo a transição política de Império a 
República em Mococa. 
 É nesse contexto pós Proclamação da República e, com mudanças políticas ocorrendo 
em vários lugares que vai ser realizada em local desconhecido, a primeira reunião maçônica 
na cidade de Mococa. 
 
3.2. Primeira reunião e fundação das duas primeiras lojas maçônicas em Mococa. 
 A primeira reunião veio a ser realizada em Mococa no ano de 1890, com local, mês e 
dia desconhecido, essa hipótese é defendida por membros da Loja Maçônica União 
Mocoquense. 
 
3.2.1. Loja Maçônica Caridade Mocoquense. 
 A primeira Loja só viria a ser criada no dia 6 de agosto de 1892, tendo seu estatuto 
somente em 1893, com o nome de Loja Maçônica Caridade Mocoquense. 
 A Ata de Fundação da Loja foi assinada por José Epiphanio Ferraz, Victor Antonio 
Ottero, Avelino Ottero, Salvador Messina, Emilio de Toledo, Manuel Mathias Duarte, Luís 
Vattine, Domenico Pinto, André De Lucca e Vicente Emmanuelle. 
 A primeira diretoria foi estabelecida por: 
 
Venerável Mestre: José Epiphanio Ferraz; Primeiro Vigilante: Victor Antonio 
Ottero; Segundo Vigilante: Avelino Ottero; Orador: Salvador Messina; Tesoureiro: 
Domingo Pinto; Mestre de Cerimônias: Vincente Emmanuelle; Cobridor: André De 
Lucca; Diácono: Luiz Watime; Hospitaleiro: Manoel Mathia Duarte (SILVA, 2016, 
p. 6). 
 
 Urias Berlamino de Souza foi o primeiro iniciado na loja, em 09 de janeiro de 1893. 
No ano de 1894 inicia-se a arrecadação para a construção do Templo da Loja, que viria a ser 
inaugurado no dia 23 de junho de 1897, na esquina da rua XV de novembro com a Coronel 
Diogo. Atualmente esse prédio não existe mais. 
 
46 
 
 
3.2.2. Loja Maçônica Honra e Caridade 
 A segunda Loja Maçônica criada em Mococa, e denominada Honra e Caridade, foi 
fundada no dia 1 de maio de 1895. Os membros criadores dessa Loja pertenciam a Caridade 
Mocoquense que, mesmo após a criação da nova Loja, continuaram a frequentar ambas as 
Lojas (SILVA, 2016), portanto não existe especificações escritas liberadas a não maçons, 
sobre o porquê da criação de uma nova Loja. 
 A Ata de fundação da Loja foi assinada por Antonio Muniz Ferreira, Joaquim Silvério 
do Amaral, Antonio Gomes de Meirelles Junior, Augusto Ernesto Lages, André De Lucca, 
Domingos Giudice, Antonio Domingos Martins,Wenceslau de Almeida, Luiz Rodrigues de 
Oliveira Figueiredo, Antonio Padilha, José Victor dos Santos, Braz Giudice, José Zambrotta, 
Ottoni Luciano Evangelista e Benedicto de Assis Toledo. 
 A primeira diretoria foi estabelecida por: 
 
Venerável Mestre; Antonio Muniz Ferreira; Primeiro Vigilante: Joaquim Silvério do 
Amaral; Segundo Vigilante: Antonio Gomes de Meirelles Jr.; Orador: Augusto 
Ernesto Lages; Secretário: José Victor dos Santos; Tesoureiro: Antonio Domingues 
Martins; Cobridor: Ottoni Luciano Evangelista; Mestre de Cerimônias: André De 
Lucca; 1º. Diácono: Wenceslau de Almeida; 2º. Diácono: Antonio Padilha; 1º. 
Experto: Luiz Rodrigues de O. Figueiredo; 2º. Experto: Braz Giudice; Hospitaleiro: 
José Zambrotta; Arquiteto: Benedito de Assis Toledo; Chanceler: Domingos 
Giudice (SILVA, 2016, p. 8). 
 
 O primeiro iniciado na Loja foi Francisco Mauricio D’Aquino, no dia 4 de outubro de 
1895. 
 No dia 28 de Janeiro de 1897, foi publicado no jornal A Mococa a concorrência para a 
construção da dita loja, como transcrito a seguir: 
 
Concurrencia 
De ordem superior, chamo a concurrencia publica para a construção do edifício onde 
tem de funcionar a Loj∴,, Honra e Caridade”, podendo ver, os srs. Pretendentes a 
planta que se acha em meo poder, na Pharmacia Moderna, à rua Quintino Bocayuva 
n. 34. 
47 
 
 
O praso para apresentação das propostas é limitado até o dia 15 de Fevereiro, 
próximo futuro. 
Mocóca, 28 de Janeiro de 1897. 
Carlos da Silva Loureiro (BARRETTO, J. G. Concurrencia. A Mococa. Mococa -
SP, p. 10, 30 jan. 1897). 
 
 Em 04 de abril de 1897, é assentada a primeira, pedra do templo como demonstrado 
através do convite, publicado no jornal A Mococa, no dia 3 de abril de 1897: 
 
RESP∴ LOJ∴ CAP∴1 
“Honra e Caridade” 
Domingo, 4 de Abril, ás 2 horas da tarde, assentar-se á a primeira pedra do Templo 
desta Aug∴ e Resp∴ Loj∴ Cap∴ Honra e Caridade, e como não ha tempo para se 
comunicar a todos os Il∴ deste Or∴, por cartas, se faz por este meio, convidando-os 
afim de assistirem a esse acto de progresso e adiantamento social. 
Mocóca, 3 de Abril de 1897. 
Domingos Lacreta. Gr∴ 30∴ (BARRETTO, J. G. RESP∴ LOJ∴ CAP∴. A Mococa. 
Mococa -SP, p. 10, 03 abr. 1898). 
 
 No dia 30 de abril de 1898 é inaugurado o templo da Loja Honra e Caridade, como 
demonstrado no convite para a inauguração publicado no dia 19 de abril de 1898 no jornal A 
Mococa: 
 
A’ Gl∴ do Sup∴ Arch∴ do Uni∴ 
Secretaria da 
Aug∴ e Resp∴ Loj∴ Cap∴ 
“Honra e Caridade” 
São convidados todos os Ilrr∴ deste[∴] para a sessão de inauguração do novo 
Templo e baptismo maç∴ que terão logar no dia 30 do corrente ás 7 horas da noite. 
 
1 Os três pontos em forma de triângulo, presente no texto acima, faz parte do código de escrita dos Maçons. 
48 
 
 
Previne-se desde já ao Ilrr∴ deste [∴] e de outros , que só poderão assistir maçons e 
suas famílias, não podendo ter ingresso homens estranhos a ordem e nem irmãs, 
filhas, etc., de maçons que sejam casadas com homens estranhos a ordem e bem 
assim amasiados e maçons do Or∴ Paulista. Or∴ de Mocóca, 19 de Abril de 1898. 
(E∴ V∴) 
O Secret∴ 
S∴ M∴ 18∴ (BARRETTO, J. G. A’ Gl∴ do Sup∴ Arch∴ do Uni∴. A Mococa. 
Mococa -SP, p. 10, 23 abr. 1898). 
 
 No dia da inauguração também foi publicado no jornal A Mococa: 
 
LOJA MAÇONICA 
Inaugura-se hoje com toda solenidade o novo templo da loja maçônica Honra e 
Caridade, tendo de chegar hoje, comissões de diversas lojas afim de assistirem á 
essa festa (BARRETTO, J. G. Loja Maçonica. A Mococa. Mococa -SP, p. 10, 30 
abr. 1898). 
 
 O uso dos artigos de jornais nos demonstra que, mesmo sendo a Maçonaria uma 
Instituição fechada, ela, quando necessário, na cidade de Mococa, se comunicava com os seus 
membros através de meios públicos como o jornal A Mococa, facilitando a disseminação das 
informações e dos avisos necessários referentes a eventos das Lojas. 
 
3.3. Participação dos Membros das duas Lojas na sociedade mocoquense 
 Vários membros das duas Lojas, participaram ativamente da vida social na cidade de 
Mococa, seja na saúde, na política, entre outros. 
 
3.3.1. Antonio Muniz Ferreira 
 Médico nascido na Bahia, chegou em Mococa no dia 1 de março de 1885. Participou 
ativamente no desenvolvimento da cidade. 
 
Vinha ele exercer, aqui, suas atividades de médico, o que fez com paciente bondade, 
atendendo principalmente aos menos favorecidos – sempre despido de qualquer 
ambição financeira. Paralelamente a seu trabalho médico, envolveu-se, com 
49 
 
 
entusiasmo na vida política da Cidade, desenvolvendo intensa atividade – inclusive 
ocupando o cargo de prefeito. Além de republicano histórico, foi, por largos anos, 
chefe do partido dissidente em Mococa, fazendo uma sistemática e intransigente 
política de oposição às forças republicanas conservadoras: inclusive fundou o jornal 
“O Município”, que usou para fortalecer sua política de oposição (PALADINI, 
2008, p. 62). 
 
 Através do jornal O Município, fundado por ele, foi usado como um meio de transmitir 
ideal de oposição política a monarquia; “No dia 04 de janeiro de 1902, circulou o primeiro 
número de ‘O Município’, editado por Dr. Antonio Muniz Ferreira, médico e político de 
prestígio – líder da oposição [...]. Marcou, desde seus primeiros momentos sua posição de 
órgão de luta, essencialmente a serviço da oposição (PALADINI, 2008, p. 242). 
 Foi Intendente da Câmara Municipal de Mococa de 1896 a 1901. 
 Participou da construção da Santa Casa de Misericórdia, fazendo parte dos primeiros 
membros da primeira mesa da Santa Casa; atuou também na comissão encarregada de 
escolher o local, para a construção. 
 Antonio Muniz Ferreira, foi Grão-Mestre da Loja Maçônica Honra e Caridade, em 
diversos momentos: 1895-1897; 1901-1904; 1914-1915. 
 Ferreira veio a falecer no ano de 1919. 
 
3.3.2. Urias Belarmino de Souza 
 Foi o primeiro Maçon iniciado na cidade de Mococa, participou ativamente na política 
mocoquense, pós Proclamação da República, sendo Intendente da cidade de 1892 a 1896. Foi 
Grão-Mestre na Loja Maçônica Caridade Mocoquense de 1894 a 1896. 
 
3.3.3. José Epiphanio Ferraz 
 Membro fundador da Corporação Musical Filarmônica Mocoquense, juntamente com 
outros três homens influentes na cidade, no final do século XIX: 
 
50 
 
 
[...] no ano de 1891, três homens entusiastas e idealista – sempre à frente dos mais 
importantes acontecimentos sociais de Mococa daquele tempo – reuniram-se numa 
fria noite de maio, no “Hotel Terraço”. Entre um copo e outro de generoso vinho 
importado da região da Toscana, acompanhado de um picante “fornaggio”, 
discutiam e estudavam a possiblidade e necessidade de se fundar uma “banda” na 
Cidade, que já alcançava alto índice de progresso. Eram eles: Carmo Taliberti, 
Benjamim Moreira Coelho de Magalhães e José Epifânio Ferraz (PALADINI, 2008, 
p. 257). 
 
 Ferraz, participou do primeiro grupo de musicistas da Filarmônica e também fez parte 
do primeiro corpo diretor desta, no cargo de presidente. 
 Foi membro fundador da Loja Caridade Mocoquense, sendo Grão-Mestre da dita Loja 
de 1892 a 1894 (Silva, 2016, p. 6). 
 
3.3.4. José Procópio da Silva 
 Médico e político, participou da política local como, também foi um dos membros 
fundadores da Santa Casa de Misericórdia de Mococa. 
 Membro do primeiro grupo administrativo da Irmandade da Santa Casa de 
Misericórdia de Mococa. Foi um dos responsáveis em arrecadar fundos para a construção da 
Santa Casa. E também fez parte do primeiro grupo de médicos da dita instituição. 
 Foi Grão-Mestre da Loja Caridade Mocoquense de 1907 a 1908 (SILVA, 2016, p. 7). 
 
3.3.5. Wenceslau de Almeida 
 Foi membro fundador da Loja Maçônica Honra e Caridade e também fundador do 
jornal Monitor Paulista, primeiro periódico a circular em Mococa (PALADINI, 2008; Silva, 
2016). 
 
A imprensa periódica de Mococateve, como seu primeiro jornal, o “Monitor 
Paulista” – de propriedade e direção de Wenceslau de Almeida -, cujo primeiro 
número foi editado em 15 de janeiro de 1888. Durante oito anos, o “Monitor 
Paulista” prestou, ao Município, relevantes serviços – sempre justo em seus 
conceitos – atuando como grande impulsionador do progresso e da cultura 
51 
 
 
mocoquense. Em 1896, o “Monitor Paulista” encerrou suas atividades em Mococa 
(PALADINI, 2008, p. 242). 
 
3.4. Período de estagnação das duas Lojas 
 Não se sabe se as estagnações ocorridas nas duas Lojas foram motivadas pela 1ª 
Guerra Mundial ou pela Gripe Espanhola, devido ao fato de muitas Atas de registros das 
Lojas desse período terem sidos perdidas.2 
 A Loja Caridade Mocoquense, desde sua criação, manteve formalmente seus 
trabalhos. Porém a partir de 1913 não existe o registro de livros de atas existentes, não 
sabendo assim se ela suspendeu seus trabalhos até 1922. 
 A Loja Honra e Caridade, depois de sua criação, passou por vários períodos de 
estagnação: “de 29/01/1903 até 28/05/1903; 30/06/1903 até 26/11/1903 e 03/12/1903 até 
17/08/1908 quando os trabalhos foram reencetados através de Diretoria Interina” (SILVA, 
2016, p. 8). A última reunião dessa Loja, ocorreu no dia 1º de setembro de 1915, entrando em 
um período de estagnação (SILVA, 2016). 
 
3.5. A Fundação da Loja Maçônica União Mocoquense em 1922 
 Em 1922 o Grão-Mestre do Grande Oriente do Estado de São Paulo tomou medidas 
para que o trabalho maçônico voltasse a ocorrer na cidade de Mococa, devido a estagnação 
das duas Lojas existentes na cidade. No dia 26 de outubro de 1922, foi realizada uma reunião 
comandada por Luiz Navarro; nesta reunião se encontravam membros das duas Lojas 
existentes. Nesta reunião foi fundada a Loja Maçônica União Mocoquense, a partir da junção 
das duas Lojas anteriores. 
 Os participantes dessa reunião e membros fundadores Loja são Luiz Navarro, Luiz 
Irineu dos Santos, Emilio de Toledo, Miguel Siano, Francisco Manoel da Silva, Antenor 
Augusto da Silva, João Costal Chavarria, Manoel Flores, Donato Tambascia, Alfredo Tudda, 
Sérgio Mastropasqua, Manoel O’ca, Domingos Elias, Manoel Prado, Alipio Elias, Miguel 
Nicolau, Joaquim Dias de Toledo, Vincente Monteiro e Antonio Criscuolo. 
 
2 Teoria levantada por Antonino da Silva, membro da Loja Maçônica União Mocoquense. 
52 
 
 
 A primeira diretoria foi estabelecida por “Venerável Mestre: Luiz Navarro; Primeiro 
Vigilante: Luiz Irineu dos Santos; Segundo Vigilante: Emilio de Toledo; Orador: Miguel 
Siano; Secretário: Francisco Manoel da Silva; Tesoureiro: Antenor Augusto da Silva” 
(SILVA, 2016, p. 13). 
 Ficou decidido que as reuniões passariam a ser realizadas na sede da antiga Loja 
Honra e Caridade, onde são realizadas as reuniões da União Mocoquense até os dias atuais. O 
prédio pertencente a Caridade Mocoquense passou a ser alugado para terceiros. 
 
A Loja Capitular “União Mocoquense”, recebeu o “brevet” constitutivo de n° 447 
pertencente à Loja Capitular “Caridade Mocoquense” e a data da fundação da Loja 
“Honra e Caridade”, isto é, 1° de maio de 1895. Não sabemos se foi erro cometido 
ou não. Entretanto, a data correta da fundação da Loja Capitular “União 
Mocoquense” é 26 de outubro de 1922 sendo que a data de 6 agosto de 1892 é 
considerada como a data da instalação da Maçonaria em Mococa (SILVA, 2016, p. 
13). 
 
 Devido ao fato do Grande Oriente de São Paulo, tomar como data oficial da criação da 
Loja Maçônica União Mocoquense, a data de fundação da Loja Maçônica Honra e Caridade, 
portanto, através desse fato se fala que a União Mocoquense tem 125 anos e não 95 anos, 
como nos explicado por Silva (2016), “o Grande Oriente de São Paulo, em 2003, por 
aprovação do seu Il∴ Conselho Deliberativo reconhecendo a Loj∴ União Mocoquense como 
sucessora de ambas as LLoj∴ e a data de 6 de agosto de 1892 (E∴ V∴) como data de sua 
fundação” (SILVA, 2016, p. 13). 
 
3.6. Participação dos membros da Loja Maçônica União Mocoquense na sociedade 
mocoquense 
 
 Após a criação da Loja Maçônica União Mocoquense seus membros continuaram a 
participar ativamente na vida social da cidade de Mococa. 
 
 
53 
 
 
3.6.1. Euclides Motta 
 Político mocoquense, foi vereador de 1952 a 1959, participando ativamente da política 
na cidade. Também foi grão-mestre da União Mocoquense de 1958 a 1961. 
 
3.6.2. Giordano Dal Rio 
 Filho de imigrantes italianos, continuou o serviço do pai após sua morte, ajudando sua 
mãe na administração do Armazém Casa Viúva Dal Rio, foi um membro influente na 
sociedade mocoquense durante sua vida. Paladini (2008) faz um breve resumo de sua vida 
social em Mococa: 
Consolidando sua empresa comercial como uma das mais sólidas da região 
sustentava ainda uma torrefação de café e uma fábrica de bebida que produzia o 
excelente guaraná “Mocoquense” e a cerveja “Pacaembu” [...]. Giordano Dal Rio foi 
um homem simples, bom e generoso; foi respeitado no meio social, por sua 
personalidade íntegra de homem justo e progressista. Assim sua vida está vinculada 
a inúmeras iniciativas, envolvendo trabalhos em benefício da cidade. Como homem 
ligado ao esporte, prestou ao “Radium Futebol Clube” relevantes serviços: como 
jogador [...] e como diretor do clube. Participou ativamente da vida da “Filarmônica 
Mocoquense”, como músico [...] e, posteriormente, dedicou-se à banda, com seu 
trabalho, como dirigente e benfeitor. Colocando sua generosidade a serviço do 
próximo, desenvolveu intensa atividade em benefício do Asilo de Mendicidade “Dr. 
Adolpho Coelho de Mattos Barretto”. Por suas qualidades pessoais de homem 
íntegro, foi chamado a ocupar o cargo de delegado de polícia substituto, 
desenvolvendo suas funções com sobriedade e justiça (PALADINI, 2008, pp. 46-
47). 
 
 Participou ativamente não só da vida social na cidade, como, também participou 
intensamente na Loja Maçônica União Mocoquense sendo Grão-Mestre de 1942 a 1945, de 
1946 a 1947 de 1948 a 1954 e de 1963 a 1965. 
 
3.6.3. Jacintho Pisani 
 Membro influente da sociedade mocoquense, filhos de imigrantes italianos envolvidos 
com o comércio na cidade. 
54 
 
 
 Participou da vida política de Mococa, tendo sido vereador de 1948 a 1951 e de 1960 a 
1963, atuou como prefeito da cidade de 1956 a 1959. Participou também da vida comercial da 
cidade. 
 
Jacintho por suas excelsas qualidades humanas e profissionais, teve uma 
participação ativa na vida comunitária de Mococa: como comerciante, empresário e 
cidadão. Começou sua vida de trabalho como comerciante de secos e molhados, 
conduzindo a “Casa Pisani” – estabelecimento comercial de tradição no comércio 
local. Nas atividades industriais, gerenciou a “Usina de Beneficiamento de Algodão 
Pisani” e, a partir de 1946, a “Indústria Irmãos Nicola” [...]. Jacintho Pisani teve sua 
vida vinculada a várias entidades e empreendimentos; todavia, sua extraordinária 
personalidade se completa no nobre trabalho de amor ao próximo, desprendimento e 
idealismo com que conduziu como presidente, os trabalhos assistenciais do Asilo da 
Mendicidade “Dr. Adolpho Coelho de Mattos Barretto” (PALADINI, 2008, p. 48). 
 
 Foi Grão-Mestre da Loja Maçônica União Mocoquense de 1954 a 1955. 
 A Loja Maçônica União Mocoquense, após sua criação continuou com seus trabalhos, 
estando ativa até os dias atuais. Portanto, esse ano está comemorando os seus 125 anos, já que 
em 2003, o Grande Oriente de São Paulo tomou o ano da fundação da Loja Maçônica 
Caridade Mocoquense como ano de fundação da Loja Maçônica União Mocoquense. 
 A partir do que já foi discutido anteriormente, podemos concluir que a Maçonaria e 
seus membros estão interligados com o desenvolvimento, seja política, cultural ou na área da 
saúde; na cidade de Mococa. 
 
 
 
 
 
55 
 
 
Considerações Finais 
56 
 
 
 Podemos perceber, ao longo detoda a monografia, que a História da Maçonaria, vem 
se entrelaçando com momentos de mudança política e de ideais filosóficos que estavam em 
alta no período e no contexto histórico a partir do Século XVIII, tendo muitas vezes a 
Maçonaria como uma de suas disseminadoras. 
 O primeiro capítulo teve como base a História da Maçonaria, sua influência em 
diversos países e atividades antimaçônicas. Este capítulo teve suas dificuldades de ser escrito 
devido ao fato de que a Maçonaria tem uma história longa que se mistura com lendas, existem 
muitos livros, porém, as fontes documentais são escassas ou fazem parte do acervo privado de 
diversas lojas. Devido ao fato de algumas informações divergirem, como, por exemplo, 
alguns maçons defendem que o primórdio da Maçonaria remonta as suas lendas e outros 
defendem que a maçonaria começou na Idade Média, portanto os dois lados são tratados aqui. 
 O segundo capítulo discute a História da Maçonaria no Brasil desde de sua chegada 
até a Proclamação da República. A Maçonaria exerceu forte influência política no Brasil ao 
longo desse período; entretanto, devido ao fato de termos um grande número de obras sobre a 
Maçonaria no Brasil, muito dos autores que tratam desse tema são historiadores maçons, 
porém, devido à falta de documentos fica difícil de se traçar a fase inicial da Maçonaria no 
Brasil. Entretanto, no período do Império e da República a fonte documental é maior, 
portanto, podemos perceber que essa presença de fonte documental influencia o grande 
número de obras sobre a Maçonaria no Brasil nesse período. 
 O terceiro capítulo trata da Maçonaria mocoquense, desde sua chegada até 
aproximadamente 1922, discutindo a participação de membros das Lojas maçônicas da cidade 
na vida social mocoquense, seja na política, na vida cultural ou na saúde. O acesso a 
documentos foi difícil, devido ao fato de que as Lojas Maçônicas não liberam seus acervos a 
não-maçons, porém alguns documentos foram liberados. 
 Entretanto, mesmo quando vemos os grandes números de obras publicadas sobre a 
Maçonaria, podemos perceber que muitas delas, são demarcadas pelo contexto de quem as 
escreve, os autores maçons glorificam a maçonaria, os autores antimaçons escrevem textos, 
criticando a Ordem. São poucos os autores que trabalham os dois lados. Entretanto, escrever 
sobre a maçonaria é uma faca de dois gumes, pois toda uma documentação sobre a Maçonaria 
pertence as Lojas que dificilmente liberam esses documentos ao público não maçom, alguns 
documentos dessas Lojas, foram liberados a público através da publicação de livros sobre a 
História da Maçonaria, feita por membros desta instituição, que tiveram acesso a esses 
documentos e tiveram a permissão de liberá-los através das suas publicações. 
57 
 
 
 Por fim, com a conclusão desse trabalho, e a partir das leituras para a realização dessa 
monografia, podemos perceber que a Maçonaria tem suas controvérsias, porém, participou 
muitas vezes na política mundial, no Brasil e em Mococa, direta ou indiretamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
58 
 
 
Referências bibliográficas
59 
 
 
 
ALENCAR, Renato de. Enciclopédia histórica do mundo maçônico. Rio de Janeiro: 
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