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CENTRO UNIVERSITÁRIO BARÃO DE MAUÁ ANTHONY FERREIRA DOS SANTOS FORMAÇÃO DAS LOJAS MAÇÔNICAS EM MOCOCA ENTRE 1890-1922 RIBEIRÃO PRETO 2017 ANTHONY FERREIRA DOS SANTOS FORMAÇÃO DAS LOJAS MAÇÔNICAS EM MOCOCA ENTRE 1890-1922 Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção do título de bacharel em História pelo Centro Universitário Barão de Mauá, sob orientação do Prof. Me. Osmair Severino Botelho. RIBEIRÃO PRETO 2017 Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte. Bibliotecária Responsável: Iandra M. H. Fernandes CRB8 9878 S233f SANTOS, Anthony Ferreira dos Formação das Lojas maçônicas em Mococa entre 1890-1922/ Anthony Ferreira dos Santos - Ribeirão Preto, 2017. 64p. Trabalho de conclusão do curso de História do Centro Universitário Barão de Mauá Orientador: Me. Osmair Severino Botelho 1. Maçonaira 2. Mococa 3. Lojas maçônicas I. BOTELHO, Osmair Severino II. Título CDU 94(815.6) Anthony Ferreira dos Santos Formação das Lojas maçônicas em Mococa entre 1890-1922 Monografia apresentada ao Curso de História Licenciatura Plena do Centro Universitário Barão de Mauá, Ribeirão Preto, como exigência para a obtenção do título de licenciado em História. BANCA EXAMINADORA PRESIDENTE:__________________________________________________________ Prof. Me. Osmair Severino Botelho 1º EXAMINADOR_______________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Nainôra Maria Barbosa de Freitas 2º EXAMINADOR_______________________________________________________ Prof. Me. Ricardo Morais Scatena Ribeirão Preto, ___de_____ __________de 2017 Os princípios capitais da Maçonaria são o Amor Fraterno, a Beneficência e a Verdade. É importante praticá-los todos de forma equilibrada, mas a Verdade é o objetivo final da obra. W. Kirk McNulty Dedico esse trabalho aos meus pais, que tanto me ajudaram nessa caminhada da vida e por terem me permitido seguir o meu caminho e escolher a minha faculdade. Dedico aos meus avós, em especial meus avós maternos que me receberam em sua casa e me permitiram morar nela durante o período da faculdade. A todos os meus parentes e amigos da vida e da faculdade. E em especial a J. K. Rowling, responsável por ter me encantado mais ainda com livros. E aos meus amigos do ônibus que me acompanharam nesta caminhada. Agradecimentos Sou grato ao meu orientador, Prof. Osmair, por ter me ajudado ao longo do ano e por ter me dado uma base teórica na qual me apoiar no desenvolvimento desse trabalho. Agradeço também a todos os professores que me acompanharam ao longo dessa jornada de três anos, em especial a Professora Nainôra que tanto me ajudou ao longo desses anos, se tornando uma mulher que eu admiro academicamente e como pessoa. Obrigado pela atenção e por ser tornar minha amiga. Agradeço aos professores que aceitaram participar da minha banca. Agradeço aos meus colegas de faculdade, em especial a minha amiga Tarsila, companheira de trabalhos da faculdade, etc. Meus sinceros agradecimentos aos membros da Loja Maçônica União Mocoquense, por terem me ajudado e me cedido uma parte da sua história, em especial ao meu amigo Osório e ao Antonino. Resumo O presente trabalho tem como objetivo, traçar uma breve história da Maçonaria em Mococa, porém, também com a apresentação e discussão da origem e o desenvolvimento da instituição no mundo e no Brasil. O uso de documentos, jornais, entre outros, é essencial nessa pesquisa, devido ao fato dos documentos servirem como uma fonte, pois muito da História Maçônica está escrita e não é passada oralmente para não maçons. Podemos perceber que a Maçonaria exerce influência na sociedade seja culturalmente, politicamente ou em outras áreas. Mococa será tratada com um breve resumo de sua História e participação da Maçonaria na vida social da Cidade. Palavras-chave: Maçonaria, Mococa, História do Brasil, Lojas maçônicas. Abstract The present work aims to draw a brief history of Freemasonry in Mococa, but also with presentation and discussion of the origin and development of the institution in the world and in Brazil. The use of documents, newspapers and others is essential in this research. We can see that Freemasonry exerts influence in society whether culturally, politically or other areas. Mococa will be treated with a brief summary of its History and participation of Masonry in the social life of the City. Keywords: Freemasonry, Mococa, History of Brazil, Masonic lodges. Sumário Introdução........................................................................................................................ 12 1. Origem da Maçonaria................................................................................................. 1.1. Lendas......................................................................................................................... 1.2. A Maçonaria na Idade Média...................................................................................... 1.3. A Maçonaria na Modernidade: o surgimento da Grande Loja da Inglaterra............... 1.4. A expansão da Maçonaria........................................................................................... 1.4.1. França....................................................................................................................... 1.4.2. Portugal.................................................................................................................... 1.4.3. Estados Unidos........................................................................................................ 1.5. Objetivos, Estrutura e Hierarquia da Maçonaria........................................................ 1.6. Ações Antimaçônicas: Igreja, acusações de conspiração e a influência de Taxil....... 15 16 17 19 20 20 21 23 24 26 2. A Maçonaria no Brasil: chegada e presença durante o Império e República........ 2.1. 1808: chegada da família real e a institucionalização da Maçonaria em terras brasileiras........................................................................................................................... 2.2. Chegada de D. Pedro ao poder e seu envolvimento com a Maçonaria....................... 2.3. Rumo a Independência................................................................................................ 2.4. Influência da Maçonaria no Período do Império e na Proclamação da República.... 30 31 33 34 36 3. Maçonaria mocoquense de sua fundação a 1922...................................................... 3.1. A cidade de Mococa: da fundação até a década de 1890............................................ 3.2. Primeira reunião e fundação das duas primeiras lojas maçônicas em Mococa.......... 3.2.1. Loja Maçônica Caridade Mocoquense....................................................................3.2.2. Loja Maçônica Honra e Caridade............................................................................ 3.3. Participação dos membros das duas Lojas na sociedade mocoquense....................... 3.3.1. Antonio Muniz Ferreira........................................................................................... 42 43 45 45 46 48 48 3.3.2. Urias Belarmino de Souza....................................................................................... 3.3.3. José Epiphanio Ferraz.............................................................................................. 3.3.4. José Procópio da Silva............................................................................................. 3.3.5. Wenceslau de Almeida............................................................................................. 3.4. Período de estagnação das duas Lojas........................................................................ 3.5. A fundação da Loja Maçônica União Mocoquense em 1922..................................... 3.6. Participação dos membros da Loja Maçônica União Mocoquense na sociedade mocoquense....................................................................................................................... 3.6.1. Euclides Motta......................................................................................................... 3.6.2. Giordano Dal Rio..................................................................................................... 3.6.3. Jacintho Pisani......................................................................................................... 49 49 50 50 51 51 52 53 53 53 Considerações Finais....................................................................................................... 55 Referências bibliográficas............................................................................................... Jornais............................................................................................................................... Referências eletrônicas.................................................................................................... 58 61 63 Introdução 13 Esta monografia tem como objetivo, fazer um breve apanhado de fatos importantes sobre a Maçonaria e também dar base, para maçons e não maçons, lerem e conhecer a influência da Maçonaria em diversos momentos da História. Portanto, intentar incluir mais uma obra acadêmica sobre a Maçonaria no círculo acadêmico. Toda a pesquisa foi realizada tendo como base documentos, livros, artigos, notícias de jornais, websites, entre outros. O interesse pela pesquisa surgiu através do fato de a Maçonaria ser, muitas vezes, disseminada como algo ruim e conspiratório; portanto, através dessa pesquisa, pretendemos entender melhor a História e o funcionamento dessa instituição. O objetivo da presente monografia é traçar um breve histórico da presença da Maçonaria na cidade de Mococa, tendo como base informações cedidas pela Loja Maçônica União Mocoquense, notícias de jornais e livros sobre a cidade. A Maçonaria é um tema que desperta curiosidade de muitas pessoas. Uma Ordem Secreta que aceita somente homens e que, supostamente, detém um grande segredo que somente é revelado aos seus membros; esses fatores despertam a curiosidade de pessoas que não tem nenhuma ligação com essa instituição. A História desta instituição, como nós conhecemos nos dias atuais, começa no século XVIII, porém existem registro dessa Ordem que datam da Idade Média. Muitos buscam entrar nessa Ordem, baseados nos princípios pregados pela ordem: Segundo o Grande Oriente do Brasil, maior instituição maçônica do país, ela é uma organização social “filosófica, filantrópica, educativa e progressista” [...]. A maçonaria é filosófica porque trata de questões éticas, do comportamento do homem e suas relações com o ambiente em que vive. É filantrópica porque promove campanhas de caridade. É educativa e progressista porque promete ensinar as pessoas a se elevarem espiritualmente. A Maçonaria crê na imortalidade, na existência de um criador infinito e na busca da verdade acima de tudo (COHEN, 2015, p. 11). Outro fator que desperta a curiosidade dos que não pertencem a Ordem, é o grande número de códigos, rituais e símbolos, que giram ao redor da Maçonaria, como dito por MacNulty (2014): Mediante elaborados rituais e palestras, eles proporcionam ao maçom as ferramentas e conhecimento necessários para trabalhar em seu desenvolvimento interior, enquanto a atmosfera fraterna da Loja lhe fornece um ambiente favorável para tal. Depois da Iniciação, da Passagem e da Elevação, o Irmão é um Mestre e, junto com todos os outros Mestres, está qualificado para ocupar um dos Cargos da Loja (MACNULTY, 2014, p. 143) 14 A presente monografia busca, no primeiro capítulo, fazer um breve relato da História da Maçonaria, seu surgimento, sua formação e sua organização, bem como influência política; também será explorado suas contradições, atividades contra essa instituição e as acusações de conspiração. Desta forma, será trabalhado também no primeiro capítulo a relação da Maçonaria com a sociedade. A relação entre a Maçonaria e a sociedade em geral sempre foi dúbia. Por um lado, as boas obras e as significativas contribuições caritativas dos maçons foram largamente aplaudidas; por outro, o segredo que envolve a Ordem foi objeto de incompreensão, suspeita e temor. Do mesmo modo, o grande número de maçons eminentes gerou a crença de que a Ordem é dotada de imensa influência política – para o bem e para o mal – e motivou a pecha de exclusivismo, especialmente no que se refere à não-aceitação de mulheres (MACNULTY, 2014, p. 216). No segundo capítulo será discutido a chegada da Maçonaria em terras brasileira e sua influência e participação na política do país até a Proclamação da República. Como dito por Morel (2005): Marcado por luzes e trevas o surgimento das maçonarias no Brasil ainda é pouco conhecido. Super dimensionadas por escritores maçons e banalizados por pesquisadores que não têm acesso a documentos consistentes, as maçonarias, entretanto, estavam entre as mais importantes formas de associação do período da Independência e início da construção do Estado nacional brasileiro e desafiam até hoje o conhecimento histórico (MOREL, 2005, p. 18). O terceiro capítulo terá como base a Maçonaria na cidade de Mococa, desde a sua chegada e fundação das duas primeiras Lojas até a junção delas e formação da Loja Maçônica União Mocoquense. Segundo informações da Loja Maçônica União Mocoquense, muitas atas de registro foram perdidas sobre o período retratado nesse trabalho, por isso fez se necessário o uso de jornais em alguns trechos. A parte ritualística, não foi tratada ao longo desse trabalho, devido ao fato do trabalho ser voltado para a História da Maçonaria sem enfoque no grande número de ritos e simbologias maçônicas. 15 1. Origem da Maçonaria 16 O surgimento da Maçonaria, como dito por Leadbeater, “origens da atuação da Maçonaria se perdem nas névoas da Antiguidade” (LEADBEATER, 2012, p.13). Pelo que se lê, o nascimento desta instituição é cercado por lendas e fatos que serão tratados ao longo desse capítulo. 1.1. Lendas Muitas lendas giram entorno da Maçonaria, porém a mais famosa entre os maçons e que aborda seu surgimento é a lenda de Hiram Abiff, que teria sido o primeiro maçom, quando o rei Salomão tomou decisão de construir um templo em honra a Deus (LEADBEATER, 2012; MACNULTY, 2014). Quando se iniciou a construção, como registrado na bíblia, Salomão entrou em contato com Hirão rei de Tiro, que resolveu ajudar na construçãodo templo, mandado madeira, artesãos, etc. Entre os homens mandados por Hirão estava Hiram Abiff, que era considerado um mestre de obras e apenas ele e o próprio rei Salomão conheciam todos os segredos do templo. Três companheiros em busca de tentar descobrir os segredos do templo e a Palavra do Mestre que lhes conferiria poderes inimagináveis decidiram encontrar Hiram a sós. Cada um desses companheiros se escondeu em uma ala do templo, um no sul, outro no leste e outro no norte. Hiram, como sempre, entrou pela ala oeste e, quando rumou em direção ao sul foi interrompido pelo primeiro homem que lhe pediu a Palavra do Mestre; como Hiram se recusou a falar, o homem o golpeou com um martelo. Ferido, Hiram tenta fugir pela ala norte onde encontrou o segundo homem que também pediu a Palavra do Mestre e, como Hiram recusou novamente, ele recebeu outro golpe, dessa vez com um esquadro. Hiram tentou novamente sair, mas, desta vez, pela ala leste, onde recusou novamente a entregar a Palavra do Mestre ao terceiro companheiro e este o golpeou com um compasso e o matou. Os três companheiros enterraram o corpo de Hiram e colocaram um ramo de acácia sobre a sepultura para reconhecer o local em que estava o corpo. Depois de vários dias sem ver Hiram, Salomão mandou que seus mestres o procurassem, três mestres encontraram o corpo de Hiram. Salomão mandou exumar o corpo que foi sepultado no Templo (ASLAN, 1959; BLANC, 2014; MACNULTY, 2014). Esta lenda influência a Maçonaria até os dias atuais, fazendo parte até mesmo de seus rituais, principalmente os três primeiros rituais, do Aprendiz, Companheiro e Mestre, que serão discutidos nas próximas páginas. Está lenda é tomada por muitos maçons como o início da maçonaria, sendo Hiram Abiff, considerado o primeiro, maçom. Como afirma MacNulty 17 (2014), “a lenda do assassinato de Hiram Abiff comunica um dos ensinamentos centrais da Maçonaria” (MACNULTY, 2014, p. 50). Outra lenda sobre o surgimento da Maçonaria é sua suposta ligação com a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecidos como Cavaleiros Templários (MACNULTY, 2014). Essa ordem tinha como objetivo proteger os cristãos que estavam fazendo peregrinação em direção a Terra Santa; com o tempo essa ordem começou a enriquecer e ter grande poder, gerando desconfiança de reis e até mesmo da própria igreja. Felipe IV, Rei, da França, por estar endividado com a ordem, começa a pressionar o papa Clemente V a tomar medidas contra esta Ordem. Em 1307 fora assinada a ordem de dissolução dos Cavaleiros Templários pelo papa. Acredita-se que alguns cavaleiros sobreviventes fugiram para vários países e começaram a formar o que futuramente tornar-se- ia Maçonaria, como um meio de se manter os seus rituais (LEADBEATER, 2012). MacNulty, no livro A Maçonaria: Símbolos, segredos, significado (2014), nos mostra uma visão cética com relação a ligação da Maçonaria com os Cavaleiros Templários, observando que os Templários podiam sim terem influenciado a Maçonaria, mas não seriam o embrião dessa sociedade, como demonstrado no trecho: Foi no começo do século XVIII que pela primeira vez se aventou a idéia de que os Templários foram os percussores da Maçonaria. Segundo essa teoria, no século XIV, muitos cavaleiros deixaram a França para fugir à perseguição e foram para a Escócia, onde, com o tempo, tornaram se franco-maçons. Não há muitos dados que comprovem essa hipótese, mas é provável que os Templários tenham dado uma contribuição indireta a Ordem Maçônica. (MACNULTY, 2014, p.56) Mesmo com tantas lendas o surgimento da Maçonaria na Idade Média é aceito por muitos maçons e historiadores como veremos a seguir. 1.2. A Maçonaria na Idade Média Antes de começar a falar sobre a relação entre a Maçonaria e a Idade Média cabe, aqui, diferenciar Maçonaria Operativa de Maçonaria Especulativa. Maçonaria Operativa define a ordem no período medieval, pois, neste período, o funcionamento da loja está interligado ao oficio da construção de Igrejas góticas, marcado pela presença entre seus membros de artesãos, pedreiros, etc. A Maçonaria Especulativa, também chamada de 18 Maçonaria Moderna, é definida a partir do momento em que a Ordem passa aceitar membros de outros ofícios como por exemplo políticos, filósofos, entre outros (LEADBEATER, 2012). Alguns historiadores defendem que a Maçonaria surgiu a partir das corporações de ofício na Idade Média, entre essas corporações estava os freemasons (Pedreiros-livres) (LEADBEATER, 2012). Os construtores, na França eram chamados Maçon, na Inglaterra Mason, são os responsáveis pelo surgimento do termo maçom (MACNULTY, 2014; LEADBEATER, 2012). Algumas dessas visões de historiadores, se encontram a seguir: O historiador Hilário Franco Junior em seu livro Idade Média: Nascimento do Ocidente (1986), explica como funcionava as Corporações de Ofício, que com a: Produção industrial nas cidades estava organizada em associações profissionais que chamamos de corporações de ofício, conhecidas na Idade Média apenas por “ofícios” (métiers na França, ghilds na Inglaterra, Innungen na Alemanha, arti na Itália). Suas origens são controvertidas, mas as razões para o agrupamento são claras: religiosa, daí muitas vezes ter derivado de confrarias, isto é, de associações que desde o século X existiam para cultuar o santo patrono de uma determinada categoria profissional e para praticar caridade recíproca entre seus membros; econômica, procurando garantir para eles o monopólio de determinada atividade; político-social, com a plebe de artesãos tentando se organizar diante do patriciado mercador que detinha o poder na cidade. [...] sua organização interna, cada corporação era constituída por várias oficinas, as únicas que podiam produzir uma determinada mercadoria na cidade. Cada oficina pertencia a um indivíduo conhecido por mestre, dono da matéria-prima, das ferramentas e do resultado econômico gerado pela produção. Os vários mestres formavam um colegiado que dirigia a corporação, isto é, fiscalizava o respeito aos regulamentos corporativos. O mais importante destes era impedir qualquer diferenciação de produção (e portanto concorrência) entre as oficinas [...]. Em cada oficina o mestre trabalhava com alguns outros artesãos. Os jornaleiros (ou companheiros) eram assalariados que ganhavam em dinheiro e em espécie, pois viviam na casa do mestre. Os aprendizes, apenas um ou dois por oficina, eram adolescentes que procuravam iniciar-se nos segredos da profissão, vivendo para isso ao lado do mestre e pagando a ele pelo aprendizado, pelo alojamento e pela alimentação (FRANCO JR., 1986, pp.54-55). O historiador, e também maçom, José Castellani defende que a Maçonaria surgiu na Idade Média como apresenta em sua obra, A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial (2012): Na Idade Média é que iria florescer, através do grande poder da época, a Igreja, a hoje chamada Maçonaria Operativa, ou Maçonaria de Ofício, para a preservação da Arte Real entre os mestres construtores da Europa. Assim, a partir do século VI, as Associações Monásticas, formadas, principalmente, por clérigos, dominavam o segredo da arte de construir, que ficou restrita aos conventos, já que, naquela época de barbárie, quando a Europa estava em ruínas, graças às sucessivas invasões dos 19 bárbaros, e quando as guerras, os roubos e os saques eram frequentes e até encarados como fatos normais, os artistas e arquitetos encontraram refúgio seguro nos conventos. Posteriormente, pela necessidade de expansão, os frades construtores começaram a preparar e a adestrar os leigos, proporcionando, a partir do século X, a organização das Confrarias Leigas, que, embora formadas por leigos, recebiam forte influência do clero, do qual haviam aprendido a arte de construir e o cunho religioso dado ao trabalho (CASTELLANI, 2000,pp.5-6). MacNulty (2014) também nos apresenta às ligações entre a Maçonaria e às corporações de ofício: Na Idade Média, a Loja dos maçons era um barracão no canteiro de obras, onde os construtores trabalhavam, descansavam, organizavam suas atividades e, às vezes, dormiam. As corporações de pedreiros tinham palavras passe que permitiam aos artesãos viajar e identificar-se como maçons, de modo que pudessem trabalhar em obras em locais remotos. A atual Maçonaria especulativa deriva a maior parte de seus símbolos da arte operativa (MACNULTY, 2014, p. 61). Após anos de existência a Maçonaria viria a ter um viés filosófico, deixando de ter caráter operativo e se tornando a Maçonaria especulativa que tem como marco inicial a formação da primeira Grande Loja, como discutiremos no próximo tópico. 1.3. A Maçonaria na Modernidade: o surgimento da Grande Loja da Inglaterra A Maçonaria como a conhecemos nos dias atuais nasceu no dia 24 de junho de 1717, dia de São João Batista, considerado protetor desta instituição pelos seus membros. Essa data é considerada por historiadores e maçons como o marco inicial da Maçonaria Moderna ou Maçonaria Especulativa, entres estes podemos citar, Castellani (2000), Leadbeater (2012) e MacNulty (2014). Castellani (2000) faz uso da Constituição de Anderson, documento escrito pelo Dr. James Anderson, mestre maçom e publicado em 1728. Considerado a base da Maçonaria Moderna para referenciar a Criação da Grande Loja da Inglaterra no dia 24 de junho de 1717: A 20 de setembro de 1714, o rei George I fez em Londres magnífica entrada. Após o fim da rebelião em 1716 as poucas Lojas de Londres, julgando-se negligenciadas por sir Christopher Wren, julgaram oportuno fundirem-se sob a autoridade de um Grão Mestre, como centro de união e harmonia. E as Lojas que assim se encontraram eram: 20 A da Cervejaria “The Goose and Gridiron” (O Ganso e a Grelha), no pátio da Catedral de São Paulo; A da Cervejaria “The Crown” (A Coroa), em Parker’s Lane, próximo de Drury Lane; A da Taberna “The Apple Tree” (A Macieira), em Charles Street, no Covent Garden; A da Taberna “The Rummer and Grapes” (O Copázio e as Uvas), em Chanell Row, no Westminster. Essas Lojas, assim como antigos irmãos reuniram-se na “A Macieira”, tendo, em seguida, designado, como Venerável, o mais antigo mestre, constituíram-se em uma Grande Loja “pro tempore”, na devida forma e, desde logo, a reunião trimestral das oficinas das Lojas estava reconstituída. Depois, decidiram realizar uma assembleia anual com festa e escolher, naquela ocasião, entre eles, um Grão Mestre, até que conseguissem a honra de serem dirigidos por um irmão nobre. No dia de São João Batista, durante o terceiro ano do reinado de George I (Ano Dei 1717), a Assembleia e a Festa dos Maçons Livres e Aceitos realizaram-se na Cervejaria “O Ganso e a Grelha”. Antes do jantar, o mais antigo mestre que presidia propôs uma lista de candidatos convenientes. Os irmãos presentes, levantando as mãos, designaram Sr. Anthony Sayer, gentil homem, Grão Mestre dos Franco- Maçons – Jacob Lamball, carpinteiro, e Joseph Elliot, capitão, Grandes Vigilantes – o qual, imediatamente, foi investido, pelo citado mais antigo mestre, com as insígnias do ofício e do poder, e instalado (ANDERSON, 1738. Apud CASTELLANI, 2012, pp.13-14). Antes da Criação da Grande Loja existiam Lojas modestas que geralmente faziam os seus trabalhos em Albergues e não possuíam normas a serem seguidas e uma forma ritualística e organizacional padronizada, portanto, cada loja divergia nesses pontos de acordo com a sua necessidade e contexto social (LEADBEATER, 2012; MACNULTY, 2014). A partir da criação da Grande Loja, a Maçonaria tem seu estabelecimento formal com as Lojas sendo subordinadas a Grande Loja que as representa e padronizando se certas regras, rituais e sua organização. Após a criação da Grande Loja a Maçonaria sofre uma expansão rápida se espalhando por toda Europa. 1.4. A Expansão da Maçonaria Nesse subtítulo será brevemente tratado à História da Maçonaria em alguns países da Europa e América. 1.4.1. França A Maçonaria Moderna, também chamada de Maçonaria Especulativa, chega na França no ano de 1725, a partir disso a Maçonaria se espalharia rapidamente por todo território francês. Influenciando movimentos franceses, que viriam a acontecer ao longo do 21 século XVIII, como por exemplo a Revolução Francesa e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (ASLAN, 1959; Castellani, 2012; Leadbeater, 2012; MacNulty, 2014). Castellani (2012), defende que a Maçonaria funcionou como um veículo político das ideias liberais, que encontraram um terreno fértil no descontentamento social, econômico e políticos que levaram a revolução de 1789. Não se sabe ao certo qual foi a participação da ordem nessa revolução, mas sabe-se que muitos ideais iluministas circularam dentro das lojas maçônicas. Eric Hobsbawn, conta sobre essa circulação de ideias em sua obra, A Era das Revoluções: [...] Não obstante, um surpreendente consenso de ideias gerais entre um grupo social bastante coerente deu ao movimento revolucionário uma unidade efetiva. O grupo era a “burguesia”; suas ideias eram as do liberalismo clássico, conforme formuladas pelo “filósofos” e “Economistas” e difundidas pela maçonaria e associações informais (HOBSBAWN, 2016, p.105). O lema Liberté, Egalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade, Fraternidade) não foi criado pela maçonaria, mas foi idealizado na Revolução Francesa; o lema original era “Liberdade, Igualdade, Fraternidade ou a Morte”, esse tema viria a ser adotado pelos maçons na França no período da República (MACNULTY, 2014) . A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada em 1789, teria recebido grande influência da Maçonaria, por meio dos parlamentares maçons e pelo pensamento iluminista e maçom que estava em alta nesse período. 1.4.2. Portugal Oliveira Marques (1990) historiador português defende que a Maçonaria chegou a Portugal em 1727, pelo fato das grandes ligações de Portugal com a Inglaterra, a primeira loja foi fundada por comerciantes ingleses que moravam em Portugal. Devido às fortes ligações do governo português com a Igreja Católica e o crescente números de bulas publicadas pelo Papa contra a Ordem, que foram acatadas pelo governo português, de modo a influenciar o funcionamento e a vida de maçons em Portugal como veremos a seguir. 22 A Maçonaria foi perseguida por muitos anos em Portugal, tendo seus membros sido presos e até mesmo mortos, esta perseguição ocorreu por conta do regime de padroado, vivido por Portugal neste período. O sistema de padroado consistia basicamente em dar poder aos monarcas católicos, de administrar e organizar a Igreja católica. A partir dessas perseguições os irmãos maçons passaram a mudar seus locais de reuniões e até mesmo a fazerem reuniões em navios como demonstrado por A. M. Gonçalves, que a maçonaria, “industriaria os maçons portugueses a serem argutos no desenvolvimento das suas actividades, mudando frequentemente o local das sessões, disfarçando a sua natureza secreta e aproveitando, mesmo os barcos colocados no estuário do Tejo para reuniões dessa natureza” (GONÇALVES, 2016, Online). A. M. Gonçalves também resume de forma breve a História da Maçonaria em Portugal: Os primeiros setenta anos da maçonaria portuguesa são marcados, em primeiro lugar, por uma dependência particular à Grande Loja de Inglaterra, responsável pelo funcionamento das lojas situadas em Portugal como um distrito dependente da Grande Loja, facto que se pode explicar quer pelo reduzido número de Mestres portugueses, quer por razões de legitimidade na transmissão da regularidade maçónica. Grande parte destes anos foi marcada pela perseguição mais ou menos aberta das actividades maçónicas, consideradascontrárias aos interesses da Igreja e do Papado e das dinastias por direito divino europeias, não obstante a participação, desde sempre, de prelados católicos nas actividades rituais. O patrocínio que a maçonaria encontraria no governo do Marquês de Pombal seria mais tarde usado contra a maçonaria, acusada de participar em actividades anticatólicas, fundando ainda a alegação do envolvimento da organização maçónica na constituição da Carbonária e na conspiração que conduziu ao derrube da monarquia e à instituição da Republica em 5 de Outubro de 1910 (GONÇALVES, 2016, Online). Os fatos relacionados a Maçonaria em Portugal vieram a influenciar os fatos da História Maçônica no Brasil, como, por exemplo, através da participação de grande parte da nobreza portuguesa, na Maçonaria, portanto, fazendo com que a Maçonaria venha a se institucionalizar no Brasil oficialmente, a partir de 1808 com a chegada da Família Real. Porém, a vestígios de maçons em terras brasileiras desde o século XVIII vinculados aos movimentos libertários. 23 1.4.3. Estados Unidos O Estados Unidos é marcado pela forte presença da Maçonaria em sua história, está chegou ao país no início do século XVIII não tendo uma data oficial, porém a primeira Loja a ser fundada nos Estados Unidos é a Grande Loja da Pennsylvania. Podemos ver a grande influência da Maçonaria no país, como, por exemplo, da Independência dos Estados Unidos, muitos dos líderes dessa revolta eram maçons (BLANC, 2014; MACNULTY, 2014). Um primeiro exemplo dessa liderança é Samuel Adams que liderou a população de Massachusetts no chamado "Massacre de Boston" quando a população se revolta contra as últimas atitudes e leis que a coroa inglesa impunha nas suas colônias. Outro evento de grande influência foi a "Boston Transporte Party" (Festa do Chá de Boston), gerada pela insatisfação dos colonos perante a "Tea Act" (Lei do Chá), que viria a influenciar terminantemente os rumos dá independência (SELLERS, 1990). Em setembro de 1774 acontece o Primeiro Congresso da Filadélfia e a medida tomada durante o congresso seria que o comércio com a Inglaterra seria suspenso até que a leis fossem revogadas. O pedido dos colonos não fora atendido. No mês seguinte ocorreu o Segundo Congresso da Filadélfia, que designou George Washington, que era maçom, como comandante das forças rebeldes e Benjamin Franklin, também maçom, iria para Paris em busca de ajuda. Os colonos foram convocados para o combate contra os ingleses. E em 1776 as 13 colônias se unem proclamando a independência e criando os Estados Unidos da América (SELLERS, 1990). A Declaração da Independência foi redigida por Thomas Jefferson com forte influência iluminista e maçônica. Podemos ver a forte influência do pensamento maçônico no trecho a seguir: “[...] que todos os homens são criados iguais, dotados pelo seu criador de certos Direitos inalienáveis, que entre estão a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade” (JEFFERSON, 1776 Apud HUNT, 2016, p.219). O primeiro presidente do Estados Unidos foi George Washington que era maçom e foi Grão-mestre (BLANC, 2014; MACNULTY; 2014). Não só o primeiro presidente como diversos políticos viriam a participar da história dos Estados Unidos entre eles podemos citar: James Monroe, Andrew Jackson, James Knox Polk, James Buchanan, Andrew Johnson, James Abram Garfield, William McKinley, Theodore Roosevelt, William Howard Taft, 24 Warren Gamaliel Harding, Franklin Delano Roosevelt, Harry S. Truman, Gerald R. Ford e Lyndon Baines Johnson (CASTELLNI, 2012). 1.5. Objetivos, Estrutura e Hierarquia da Maçonaria A Maçonaria é uma instituição que tem como princípios a filantropia, auxílio, amor fraterno e busca constante da verdade. Lourivaldo Perez Baçan defini a Maçonaria, como: [...] é uma ordem cujas doutrinas básicas são amor fraterno, auxílio mútuo, filantropia e busca constante da verdade. Os maçons esforçam-se para desfrutar da companhia de seus irmãos, ajudando-se em tempos de dificuldade pessoal e reforçando valores morais essenciais. Um antigo provérbio maçom diz que "a Maçonaria ensina os homens a serem bons e os que já o são, ela os torna melhores" (BAÇAN, 2013, p.5). Segundo o Padre Paulo Ricardo, nos mostra a visão católica dos objetivos da Maçonaria; “ao objetivo de secularizar o Estado e a sociedade. Ressaltou em particular a exclusão do ensino religioso das escolas públicas e o conceito de que “o Estado, que deve ser absolutamente ateu, tem o inalienável direito e dever de formar o coração e os espíritos de seus cidadãos” ( Dall’Alto dell’Apostolico Seggio, n. 6). Também denunciou abertamente o desejo maçônico de tirar da Igreja qualquer forma de controle ou influência sobre escolas, hospitais, instituições de caridade públicas, universidades e outra associação que servisse ao bem comum” (RICARDO, 2017, Online). A Maçonaria também é considerada uma sociedade elitista, aceitando membros de classes sócias e econômicas mais altas e, também por permitir ingressar somente homens. Entretanto, a caso de mulheres que participaram da Maçonaria. Algumas das conspirações de, que a Maçonaria é acusada de realizar será tratada futuramente neste texto (LAZARETTI, 2016; MACNULTY, 2012). O escritor MacNulty (2014) define a Maçonaria como uma ordem e não como uma religião, mesmo pelo fato de, para se entrar na ordem, o pretendente não deve ser ateu e sim acreditar em um ser supremo; a Maçonaria não possui uma doutrina, não administra sacramentos, não possui uma teologia (pelo fato de seus membros virem de várias crenças) e também não oferece nem um meio de se obter a salvação após a morte. 25 O Dicionário Aurélio (2001) define a Maçonaria como “Sociedade semissecreta que tem por fim principal o desenvolvimento do princípio da fraternidade e da filantropia e que usa como símbolos os instrumentos de arquiteto e pedreiro (o compasso e o esquadro)” (HOLANDA, 2001, p. 469). Porém, a maçonaria é considerada comumente uma Ordem elitista, por possuir em sua maioria membros de classe média e alta, esse fato é defendido dentro da maçonaria, pois tendo a necessidade de se manter a Loja, os eventos e os projetos, é cobrada uma taxa todo mês dos membros da Loja, entretanto esse dinheiro não dever afetar o estilo de vida do membro (COHEN, 2015; MACNULTY, 2014). Cada Loja Maçônica é independente uma da outra e, geralmente, elas respondem a um Grande Oriente ou Grande Loja. Estas duas são as entidades que congregam e organizam as diversas lojas maçônicas existentes; geralmente a Grande Loja ou Grande Oriente é estadual ou nacional. Essas lojas podem adotar diversos do Ritos maçônicos existentes, entres esses Ritos podemos citar o de York; Escocês Antigo e Aceito; Schröder; Adonhiramita; Moderno; Brasileiro; Clermont; Rito Inglês; etc. E cada um desses ritos possuem diferentes graus e seus nomes podem variar de acordo com o país em que se pratica, entretanto, os 3 primeiros graus, que são chamados de Graus Simbólicos se dividem em Aprendiz, Companheiro e Mestre. Os Graus Simbólicos, são iguais em todos os ritos, porém a partir do 4º grau varia de acordo com o tipo de rito adotado e o país (BLANC, 2014; LEADBEATER, 2012). No Brasil os Ritos mais comuns são Rito de York e o Rito Escocês Antigo e Aceito (BLANC, 2014). O Rito de York também é chamado de Rito Americano; ele foi criado no ano de 1799 por Thomas Smith Webb. Este rito se divide em 10 Graus Filosóficos mais os 3 Graus Simbólicos, totalizando 13 Graus, que são: Aprendiz; Companheiro; Mestre; Mestre de Marca; Mestre Virtual; Mui Excelente Mestre; Maçom do Arco Real; Mestre Real; Mestre Eleito; Mestre Superexcelente; Ordem da Cruz Vermelha; Ordem dos Cavaleiros de Malta e Ordem dos Cavaleiros Templários (LAZARETTI, 2016, p. 19). O Rito Escocês Antigo e Aceito foi criado em 1804 a partir da junção dos ritosAntigo Aceito e o Perfeição; este rito também é chamado através da sigla R. E. A. A.; parte da ritualística tem influência da lenda de Hiram Abiff citada anteriormente. Este rito possui 30 Graus Filosóficos mais os 3 Graus Simbólicos, totalizando 33 Graus, que são: Aprendiz; Companheiro; Mestre; Mestre Secreto; Mestre Perfeito; Secretário Íntimo; Preboste e Juiz; 26 Intendente dos Edifícios; Mestre Eleito dos 9; Mestre Eleito dos 15; Cavaleiro Eleito dos 12; Grão-mestre Arquiteto; Mestre do 9º Arco; Grão-eleito Perfeito e Sublime; Cavaleiro do Oriente; Príncipe de Jerusalém; Cavaleiro do Oriente e do Ocidente; Cavaleiro Rosacruz; Grão-pontífice; Mestre ad Vitam; Patriarca Noaquita; Príncipe do Líbano; Chefe do Tabernáculo; Príncipe do Tabernáculo; Cavaleiro da Serpente de Bronze; Príncipe da Mercê; Comendador do Templo; Cavaleiro do Sol; Cavaleiro de Santo André; Cavaleiro Kadosh; Grão-inspetor Inquisidor; Sublime Príncipe do Real Segredo; Soberano Grão- inspetor Geral (LAZARETTI, 2016, p. 18). O 33º Grau é um grau honorário que nem todos os membros da Maçonaria o recebem. Com relação as Loja Maçônicas todas possuem um desenho semelhante e que sofre alterações de acordo com a situação. A Loja geralmente precisa de 7 membros para ser formada, cada um destes membros assumem um cargo dentro da Loja e se responsabilizam pelo andamento da Loja, estes cargos são: Mestre; Primeiro Vigilante; Segundo Vigilante; Primeiro Diácono; Segundo Diácono; Guarda do Templo; Cobridor (MACNULTY, 2014). 1.6. Ações Antimaçônicas: Igreja, acusações de conspiração e a influência de Taxil O primeiro impactado sofrido pela Maçonaria, ocorreu em 1738, com a publicação da Bula Papal In Eminenti Apostolatus Specula, do Papa Clemente XII. Essa Bula viria a abalar a base da maçonaria, ou seja, os seus membros, pois muitos deles eram católicos que vieram a sair da ordem, portanto, também os países onde o catolicismo era predominante gerou-se uma perseguição a Maçonaria (BLANC, 2013; LEADBEATER, 2012; MACNULTY, 2014). A seguir a Bula transcrita na sua íntegra: Clemente, Bispo, servo dos servos de Deus, a todos os fiéis de Jesus Cristo, saúde e Bênção Apostólica. Elevado ao trono pontifício pela Divina Providência, temos levado todos os sentidos, e com todo o zelo de nossa solicitude, sobre o que pode, cerrando a porta aos erros e aos vícios, servir para conservar a integridade da religião ortodoxa, e banir do mundo católico o perigo das perturbações, nestes dificílimos tempos que atravessamos. Sabemos que por aí se desenvolvem, progredindo cada dia, certas sociedades, assembléias, reuniões, corrilhos ou conventículos, que se chamam vulgarmente de franco-maçons — ou que têm outra denominação, segundo a variedade das línguas — nas quais se ligam homens de todas as religiões e seitas, sob aparência de honestidade natural, por um pacto estreito e impenetrável, conforme leis e estatutos 27 por eles criados, obrigando-se debaixo de juramento e sob penas graves a ocultar por um silêncio inviolável tudo o que praticam nas sombras do segredo. Mas, como é da natureza do crime trair a si mesmo, deixando escapar vozes que descubram e denunciem, as sociedades, ou conventículos supracitados, geraram no espírito dos fiéis suspeitas tão sérias, que quem faz parte delas fica, aos olhos das pessoas de probidade e de prudência, marcado com o ferrete da malícia e da perversidade. E estas suspeitas cresceram em tanta maneira que, em vários Estados, as ditas sociedades foram proscritas e banidas, como elemento perigoso à segurança dos reinos. Eis por que nos, ponderando os grandes males, que por via de regra resultam dessas espécies de sociedade ou conventículos, não somente para a tranqüilidade dos Estados temporais, mas ainda para a salvação das almas, pois de maneira alguma podem harmonizar-se com as leis civis e canônicas; considerando onosso dever de velar dia e noite, como servo prudente e fiel, para que esse gênero de homens não forcem a casa, como ladrões, ou, quais raposas, não estraguem a vinha do Senhor, pervertendo os corações simples, e varando-os com seus dardos envenenados; para obstruirmos a larga estrada, por onde poderiam advir-nos muitas iniquidades cometidas impunemente, e por outras causas justas e razoáveis por nós conhecidas, de conformidade com o parecer de nossos Veneráveis Irmãos, os Cardeais da Santa Igreja Romana, com conhecimento certo, e depois de madura deliberação de nosso pleno poder apostólico, resolvemos e decretamos condenar e proibir as mencionadas sociedades, assembléias, reuniões, corrilhos ou conventículos de franco-maçons, como de fato os condenamos e proibimos por esta nossa Constituição válida para sempre. Proibimos, portanto, seriamente e em nome da Santa Obediência a todos e a cada um dos fiéis de Cristo, de qualquer estado, posição, condição, classe, dignidade e preeminência que sejam; leigos ou clérigos, seculares, ou regulares, ousar ou presumir entrar por qualquer pretexto, debaixo de qualquer cor, nas sociedades de franco-maçons, propagá-las, sustentá-las, recebê-las em suas casas, ou dar-lhes abrigo e ocultá-las alhures, ser nelas inscrito ou agregado, assistir às suas reuniões, ou proporcionar-lhes meios para se reunirem, fornecer-lhes o que quer que seja, dar- lhes conselho, socorro ou favor às claras ou em secreto, direta ou indiretamente, por si ou por intermédio de outro, de qualquer maneira que a coisa se faça, como também exortar a outros, provocá-los, animá-los a se instruírem nessas sortes de sociedade, a se fazerem membros seus, a auxiliarem-nas, ou protegerem-nas de qualquer modo. E ordenamos-lhes absolutamente que se abstenham por completo dessas sociedades, assembléias, reuniões, corrilhos ou conventículos, e isto debaixo de pena de excomunhão, na qual se incorre pelo fato e sem outra declaração, e da qual ninguém pode ser absolvido senão por nós, ou pelo Pontífice Romano reinante, exceto em artigo de morte. Dada em Roma, em Santa Maria Maior, aos 28 de Abril do ano da Encarnação de Nosso Senhor 1738, e 8* de nosso pontificado (CLEMENTE, 1738 Apud KLOPPENBERG, 1956 p.323-324). Após a publicação desta Bula, todo membro dá Igreja Católica e seus seguidores foram proibidos de participar dá Maçonaria. A partir da leitura do documento podemos considerar que a única acusação que a Igreja possui contra a Ordem são os supostos segredos desta, portanto não se sabe ao certo quais são os motivos que levaram a Igreja a emitir essa Bula. Alguns historiadores e maçons, entre eles MacNulty (2014) e Castellani (2012), defendem que o provável motivo da publicação foi o crescimento rápido e o aumento da influência da Maçonaria, principalmente com algumas famílias reais e membros da nobreza, 28 aumentando assim o poder dessa instituição, podendo gerar, futuramente, uma rival à altura dá Igreja em poder. A Bula de Clemente XII viria a influenciar a visão antimaçônica futuramente, não só da Igreja como de muitas outras pessoas; também as próximas bulas que viriam a ser publicadas contra a Ordem, entre as quais, podemos citar a Qui Pluribus publicada, em 1846 pelo Papa Pio IX, a Etsi multa luctuosa, publicada, em 1873, pelo Papa Pio IX, a Humanum Genus publicada, em 1886, pelo Papa Leão XIII, entre outras. Mas a Igreja Católica não foi a única a tomar medidas contra a Maçonaria; há registros de religiões protestantes que, também, vieram a agir contra a Ordem. (ASLAN, 1959; CASTELLANI, 2012; LEADBEATER, 2012; MACNULTY, 2014) Outro grande influenciador da visão antimaçônica foram os livros publicados por Léo Taxil, que foi membro da Maçonaria e, por passar por problemas financeiros, depois da expulsão, ele começou a publicar livros com teor antimaçônico. Taxil foi o responsável por desenvolver a ideia de que os maçons adoram Baphomet e também difundiu ideias de rituaisviolentos, etc. Entretanto em 1897, Taxil revelou em uma palestra que tudo que ele escreveu contra a Maçonaria foi inventado, porém, isto não fez com que suas publicações continuassem a ser usada contra a instituição (MACNULTY, 2014). Em 1828 foi fundado nos Estados Unidos um Partido Antimaçônico, que tinha por objetivo erradicar a Maçonaria no país chegando a eleger governadores em alguns estados. Porém, com o tempo, o poder do partido começou a enfraquecer com a influência de outros partidos. Em 1836 o partido se extinguiu (MACNULTY, 2014). A Maçonaria ao longo de sua história foi acusada de várias conspirações entre elas podemos citar, a Nova Ordem Mundial, muita difundida nos dias atuais, como veremos a seguir. (COHEN, 2015; MACNULTY, 2014) Podemos ver o caso de conspiração presente na nota de um dólar do Estados Unidos, na qual podemos ver uma pirâmide com um olho que tudo vê, presente, logo acima da pirâmide formando o seu cume. MacNulty (2014), resume essa teoria e a rejeita como verdadeira: Os teóricos da conspiração costumam apontar o desenho da nota de um dólar – especificamente, o reverso do Grande Selo ali representado – como prova da influência maçônica nos altos escalões do governo americano. Apontam, em 29 particular, o Olho que Tudo Vê – que dizem ser um símbolo maçônico – e a legenda abaixo dele, “Novus Ordo Seclorum”, que se costuma traduzir por “Nova Ordem Mundial”. E concluem que os maçons estão, assim, proclamando seu desejo de criar uma Nova Ordem Mundial. O argumento é falho em suas duas partes. Em primeiro lugar, embora os maçons usem o “Olho que Tudo Vê” para lembrar-se da onipresença de Deus, ele não é um símbolo maçônico; antes, é uma antiqüíssima representação da Divindade. Tampouco a pirâmide é um símbolo maçônico. Visto que o desenho do Grande Selo data do final do século XVIII, a pirâmide inacabada tem treze fileiras de pedras – uma para cada Estado da União na época. Neste contexto, o Olho que Tudo Vê está aí para indicar que o povo dos EUA dependerá da orientação divina para desenvolver seu novo país. E “Novus Ordo Seclorum” deve ser traduzida, de modo muito mais benigno, como “Uma Nova Ordem para as Eras” – uma nota de otimismo que acompanha a fundação de um novo país e de um governo democrático (MACNULTY, 2014, 262). Essa conspiração de que a Maçonaria estaria apoiando uma Nova Ordem Mundial, é tão famosa nos dias atuais que podemos encontrar inúmeras páginas na internet, vídeos no Youtube, livros e revista, entre outros; discutindo o tema de conspiração. A Maçonaria também é famosa, por ser atribuída a ela a participação em vários movimentos revolucionários, em diversos países e momentos (BLANC, 2013). Podemos concluir a partir do que já foi escrito, que o início da Maçonaria sempre estará perdido e as visões de diversos historiadores que escrevem sobre o tema e divergem com relação a esse fato, portanto cada um demonstra sua verdade naquilo que defende. A Maçonaria, como visto anteriormente, participa direta ou indiretamente dos fatos, que estão acontecendo no seus país em determinados momentos, essa participação será vista também no Brasil, no capítulo a seguir. 30 2. A Maçonaria no Brasil: chegada e presença durante o Império e República 31 A Maçonaria viria a ter grande influência na História do Brasil. Não se sabe ao certo quanto ela chegou em terras brasileiras, mas alguns maçons defendem que as primeiras aparições maçônicas no Brasil começaram a ocorrer na segunda metade do século XVIII. Rizzardo da Camino é um dos que defendem essa teoria, como demonstrado no trecho: Temos notícias da existência de clubes e academias literárias, cujos membros e ideais se confundiam com as idéias libertário-maçônicas. Podemos citar a “Associação Literária dos Selectos”, do Rio de Janeiro, em 1752: da “”Academia dos Renascidos”, na Bahia, em 1759; a “Scientífica” no Rio de Janeiro, em 1772 e a “Arcádia Ultramarina” do Rio de Janeiro, em 1786, e quem sabe quantas mais (CAMINO, 1972, p. 29). A Maçonaria no Brasil viria ser influente, principalmente, em movimentos libertários. O primeiro movimento que vemos a influência Maçônica foi a Conjuração Mineira, que tinha como objetivo a separação do Brasil de Portugal, esse movimento foi conduzido por maçons, alguns deles iniciados na Europa (CARVALHO, 2005; DURÃO, 2008). A Ordem continuaria exercendo sua influência, mesmo com problemas com a lei e até mesmo com a Igreja, devido ao fato do Brasil, também fazer parte do sistema de padroado, seguido por Portugal, como veremos a seguir. 2.1. 1808: a chegada da Família Real e a institucionalização da Maçonaria em terras brasileiras Em 1808 a Família Real chega em terras brasileiras; estavam presentes entre os membros a Rainha D. Maria I, de Portugal, o Príncipe Regente D. João, além de outros membros da família e da nobreza. D. João, viria a tomar medidas para transformar o Rio de Janeiro na nova capital do seu Império (SCHWARCZ; STARLING, 2015). Nesse período, começou a circular no Brasil clandestinamente, o jornal Correio Braziliense, escrito por Hipólito José da Costa. Impresso em Londres e enviado para o Brasil, foi publicado durante o período de 1808 a 1822. Este jornal tinha tendências liberais, como por exemplo estipular uma monarquia constitucionalista e também a libertação dos escravos. Hipólito era maçom em Londres e foi responsável por publicações com a relação à maçonaria em seu jornal (BENTO, 2005). 32 Juntamente com a Família Real, vieram diversos maçons, gerando assim uma maior presença deles em terras brasileiras. No ano de 1813 foi criada na Bahia o primeiro Grande Oriente Brasileiro, porém este viria a desaparecer durante a Revolução Pernambucana (DURÃO, 2008). A Maçonaria também passaria por problemas com a família real, como, por exemplo, o Alvará emitido por D. João VI, em março de 1818, proibindo as sociedades secretas de exercerem atividades no Brasil. O Alvará encontra-se transcrito a seguir, como publicado no Correio Braziliense em 1818: Alvará , porque se prohibem as sociedades secretas. Eu El Rey faço saber aos que este Alvará com força de ley virem, que tendo-se verificado pelos acontecimentos que saõ bem notórios, o excesso de abuso, a que tem chegado as sociedades secretas, que com diversos nomes de ordens ou associaçoens, se tem convertido em conventiculo e conspiraçoens contra o Estado; naõ sendo bastante os meios correcionais, com que se até agóra procedido, segundo as leys do Reyno, que prohibem qualquer sociedade, congregação ou associação de pessoas, com alguns estatutos, sem que sejam primeiramente por mim authorizadas, e os seus estatutos aprovados; e exigindo por isso a tranquilidade dos povos, e a segurança que lhes devo procurar e manter, que se evite a occasiaõ e a causa de se precipitarem muitos vassalos, que antes podiam ser uteis a si e ao Estado, se forem separados delles, e castigados os perversos, como as suas culpas merecem; e tendo sobre ésta matéria ouvido o parecer de muitas pessoas doutas e zelosas do bem do Estado, e da felicidade dos seus concidadaõs; e de outras do meu Conselho, e constituidos em grandes empregos, tanto civis como militares, com as quaes me conformei; sou servido declarar por criminosas e prohibidas todas e quaes quer sociedades secretas, de qualquer denominação que elas sejam; ou com os nomes e formas ja conhecidas, ou debaixo de qualquer nome ou fórma, que de novo se disponha ou imagine; pois que todas e quaesquer deveraõ ser consideradas, de agora em adiante, como feitas para conselho e confederação contra o Rey, e contra o Estado. Pelo que ordeno, que todos aquelles, que forem compreendidos em assistirem loges, clubs, committés, ou qualquer outro ajunctamento de sociedade; aquelles que para as dictas loges, ou clubs,ou ajunctamentos convocarem a outros; e aquelles que assistirem á entradas ou recepçaõ de algum sócio, ou ella seja com juramento ou sem ele, fiquem incursos nas penas da Ordenação, Livro V, Tit. VI, §§ 5º. e 9º.; as quaes penas lhes seraõ impostas pelos juízes, e pelas formas e processo estabelecidos nas leys, para punir os réos de Lesa Majestade. Nas mesmas penas incorreraõ os que forem chefes ou membros das mesmas sociedades, qualquer que seja a denominação que tiverem, em se provando que fizéram qualquer acto, persuasão ou convite de palavra ou por escripto, para estabelecer de novo, ou para renovar, ou lojas, clubs, ou committés, dentro dos meus Reynos e seus domínios; ou para a correspondência com outras fóra delles; ainda que sêjam factos practicados individualmente, e naõ em associação de lojas, clubs, ou committes. Nos outros casos seraõ as penas moderadas a arbítrio dos juízes, na forma adiante declarada. As casas em que se congregarem seraõ confiscadas, salvo provando seus proprietários, que naõ soubéram, nem podîam saber, que a este fim se destinavam. As medalhas, sêllos, symbolos, estampas, livros, catechismos ou instrucçoens, 33 impressos ou manuscriptos, naõ poderaõ mais publicar-se ne fazer-se delles uso algum, despacharam-se nas affandegas , venderem-se, darem-se, emprestarem-se, ou de qualquer maneira passarem de uma a outra pessoa, não sendo para immediata entrega ao magistrado; debaixo da pena de degredo para um presidio, de quatro até de annos de tempo, conforme a gravidade da culpa e circumstancias dela. Ordeno outrosim, que neste crime, como excepto, naõ se admitta privilegio, isenção, ou concessão alguma, ou sêja de fôro ou de pessoa, ainda que sêjam dos privilegios incorporados em direito, ou os réos sêjam nacionaes ou estrangeiros, habitantes no meu Reyno e dominios, e que recebem: nem possa haver seguro, fiança, homenagem, ou fieis carcereiros, sem minha especial autoridade. E os ouvidores, corregedores, e justiças ordinárias todos os annos devassaraõ deste crime na devassa geral, e constando-lhe que se fez loja, se covidam ou congregam taes sociedades, procederaõ logo á devassa especial; e á apprehensão e confisco, remetendo os que fôrem réos e a culpa á Relaçaõ do Districto, ou ao Tribunal competente, e a copia dos autos será tambem remettida á minha Real Presença. E este se cumprirá tam inteiramente como nelle se contém, sem embargo de quaesquer leys ou ordens em contrario, que para este effeito hey por derogadas, como se delas se fizesse expressa menção. E mando á Meza do Desembargodo Paço, Presidente do meu Real Erario, Regedor das Justiças, Conselho da Fazenda, Tribunaes, Governadores, Justiças, e mais pessoas; a quem p conhecimento nelle se contém, e façam muito inteiramente cumprir e guardar sem duvida ou embargo algum. E aos Doutores Manuel Nicoláo Esteves Negraõ, Chanceller Mor dos Reynos de Portugal e Algarves e Pedro Machado de Miranda Melheiros, Chanceller Mor do Reyno do Brazil, mando que o façam publicar e passar pela Chancellaria, e enviem os exemplares debaixo do meu sêllo e seu signal a todas as estaçoens, aonde se custuman remeter similhantes Alvarás; registrando-se na formado estylo, e mandando-se o original para o meu Real Archivo da Torre do Tombo. Dado no Palacio da Real Fazenda de Sancta Cruz, em 30 de Março, 1818. Rey. Thomas Antonio de Villanova Portugal. (COSTA, H. 2002, p.144 ). Mesmo com a emissão deste Alvará, D. João VI não conseguiu parar com a atuação de algumas sociedades secretas; porém as atuações delas diminuíram e elas continuaram existindo, como no caso da Maçonaria que continuaria influente como veremos a seguir (BARATA, 2008; COSTA, 2009; DURÃO, 2008). 2.2. Chegada de D. Pedro ao poder e seu envolvimento com a Maçonaria Em 1821, devido a revoltas em Portugal, D. João VI se vê obrigado a retornar ao seu país, porém ele deixou seu filho D. Pedro, como regente do Brasil, que assumiu o Brasil em meio a uma crise financeira deixada por D. João VI, ao levar todas as reservas econômicas do Banco do Brasil (DURÃO, 2008; SCHWARCZ; STARLING, 2015). Algumas províncias do Norte e Nordeste não reconheciam a autoridade do príncipe. Nesse contexto as forças militares que permaneciam fiéis a Portugal se revoltaram no Rio de 34 Janeiro e fizeram D. Pedro jurar fidelidade a Constituição que estava sendo feita em Portugal. Deputados brasileiros foram enviados para Portugal para participarem da elaboração da Constituição, entretanto, antes mesmo de chegarem lá, os deputados portugueses aprovaram decretos que anulavam a autoridade de D. Pedro no Brasil (DURÃO, 2008; SCHWARCZ; STARLING, 2015). No final de 1821, a corte portuguesa começa a tomar medidas, para recolonização do Brasil e o retorno imediato de D. Pedro para Portugal. Com o risco de o príncipe herdeiro retornar para Portugal e, o Brasil voltar a ser colônia portuguesa, medidas começaram a ser tomadas para D. Pedro permanecer no Brasil. Entre as medidas citadas podemos usar como exemplo o Dia do Fico, como demonstrado no trecho a seguir: No dia 9 de janeiro, d. Pedro recebeu no Paço — numa audiência do Senado da Câmara — um requerimento tomado por mais de 8 mil assinaturas, que pediam a ele que não deixasse o Brasil. O objetivo era claro: garantir a presença do herdeiro na colônia e assim suspender a maré recolonizadora que dominara a metrópole. E, se d. Pedro não se fez de rogado, até hoje pairam suspeitas acerca das famosas palavras declaradas pelo príncipe; o tão famoso “Diga ao povo que fico”. O auto dessa sessão única apresenta uma declaração complementar que aparece em dois editais sucessivos do Senado. Segundo o primeiro edital do próprio dia 9, a resposta do príncipe teria sido: “Convencido de que a presença da minha pessoa no Brasil interessa ao bem de toda a nação portuguesa, e conhecido que a vontade de algumas províncias assim o requer, demorei a minha saída até que as Cortes e meu Augusto Pai e Senhor deliberem a este respeito, com perfeito conhecimento das circunstâncias que têm ocorrido”. O mesmo auto diz, porém, no postscriptum, que os termos não foram exatamente esses, devendo ser substituídos pelos seguintes: “Como é para bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto; diga ao povo que fico” (SCHWARCZ; STARLING, 2015, pp. 211-212). 2.3. Rumo a Independência A partir do momento que passou o Fico, vários acontecimentos políticos nacionais e internacionais, começaram a encaminhar o Brasil, para sua independência de Portugal. Entre esses fatos podemos citar como exemplo, tropas militares que permaneceram leais a Portugal, que participaram de planos contra essas decisões políticas, em terras brasileiras; entretanto essas tropas foram rechaçadas por militares leais a D. Pedro. Outro exemplo em maio do mesmo ano D. Pedro, decretou que nenhuma ordem enviada pela Corte Portuguesa deveria ser acatada no Brasil, sem sua permissão. Estes gestos de D. Pedro não agradaram a Portugal, que tomou providências para que D. Pedro, fosse preso e mandado de volta para Portugal; porém os Maçons que pertenciam a Clube de Resistência 35 se uniram e incitaram o povo a favor do príncipe. O exército português, presente no Brasil, não tinha homens suficientes para suprimir essa revolta, fugiram para Niterói a espera de reforços, que não chegaram (DURÃO, 2008). D. Pedro convocou uma Assembleia Geral Constituinte para 03 de junho de 1822. Todos esses fatores levaram a D. Pedro a ser iniciado na Maçonaria, como demonstrado a seguir: “Atraído por Gonçalves Ledo, com o apoio de ‘última hora’ de José Bonifácio, o príncipe regente aceitou ser iniciado na Maçonaria, o que foi feito ritualisticamente, na Loja Comércio e Artes, em 2 de agosto de 1822 [...], recebendo o nome heróico de ‘Guatimosin’.” (DURÃO, 2008, p. 125). A ascensão de D. Pedro na Maçonariafoi rápida. Com a ameaça de uma revolta em São Paulo, D. Pedro parte para esse estado para apaziguar e manter a lealdade desses locais à causa brasileira, deixando sua esposa D. Leopoldina como chefe do Conselho de Estado e princesa regente interina do Brasil. No dia 07 de setembro de 1822, mensageiros enviados por D. Leopoldina encontraram D. Pedro próximo ao Riacho do Ipiranga. A mensagem continha ordens de Portugal, mensagens de José Bonifácio, entre outras informações. A reação de D. Pedro foi imediata como veremos a seguir: Às quatro e meia da tarde, montado em sua besta, assoberbado pelo mal-estar, fatigado pela viagem, mas convocado pelo momento, d. Pedro formalizou o que já era realidade: arrancou a fita azul-clara e branca (as cores constitucionais portuguesas) que ostentava no chapéu, lançou tudo por terra, desembainhou a espada, e em alto e bom som gritou: “É tempo!… Independência ou morte! […] Estamos separados de Portugal…” (SCHWARCZ; STARLING, 2015, pp. 251-252). Após a Independência, D. Pedro foi declarado Imperador do Brasil, assumindo assim o nome de D. Pedro I, Imperador do Brasil. Muitos maçons, não queriam que o Brasil se tornasse uma Monarquia e defendiam a República. Fazendo assim com que D. Pedro suspendesse os trabalhos do Grande Oriente do Brasil que, em 25 de outubro de 1822, fecha as suas portas. O Grande Oriente do Brasil só viria a ser ativado no ano 1831, novamente no Brasil, após a abdicação do trono brasileiro por D. Pedro I (DURÃO, 2008). 36 2.4. Influência da Maçonaria no período do Império e na Proclamação da República A Maçonaria continuaria seus trabalhos no Brasil, vindo a se tornar influente novamente nas atividades contra a escravidão e nas atividades republicanas, como será discutido a seguir. O escritor William Almeida Carvalho nos mostra em seu artigo “A Maçonaria e a República no Brasil” alguns dos antecedentes da república no Brasil: Como antecedentes remotos e recentes da implantação da República no Brasil podem ser citados os seguintes: i) o conflito maçônico e político entre José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência do Brasil e Joaquim Gonçalves Ledo, líder maçônico no Rio de Janeiro; ii) o Manifesto Republicano de 1870; iii) a Convenção de Itu de 1873; iv) a Questão Religiosa; v) a Abolição da Escravatura e vi) a Questão Militar (CARVALHO, 2005, pp. 2-3). A partir desse trecho podemos discutir alguns acontecimentos que podem ter levado a república. O primeiro é o conflito entre José Bonifácio e Joaquim Gonçalves, cada um tinha sua visão. Enquanto José Bonifácio era conservador e monarquista, Joaquim Gonçalves era líder dos maçons radicais e liberais, formado principalmente por republicanos, no Rio de Janeiro. Porém, a Maçonaria conservadora conseguiu impor seus ideais (DURÃO, 2008). Entretanto, “a idéia republicana, contudo, foi sendo acalentada, por um pequeno grupo de maçons, durante todo o Império e crescia com o tempo a cada crise vivida pelo regime monárquico” (CARVALHO, 2005, p. 3). O ideal republicano voltou em alta no país, após a publicação do Manifesto Republicano em 1870, que possuía influência maçônica e que foi liderado pelo maçom Joaquim Saldanha Gama e teve como redator o maçom Quintino Bocaiúva. A transcrição do Manifesto Republicano: Aos Nossos Concidadãos É a voz de um partido que se alça hoje para fallar ao paiz. E esse partido não carece demonstrar a sua legitimidade. Desde que a reforma, alteração, ou revogação da carta outhorgada em 1824, está por ella mesma prevista e auctorisada, é legitima a aspiração que hoje se manifesta para buscar em melhor origem o fundamento dos inauferiveis direitos da nação. Só a opinião nacional cumpre acolher ou repudiar essa aspiração. Não reconhecendo nós outra soberania mais do que a soberania do povo, para ella apellamos. Nenhum 37 outro tribunal póde julgar-nos: nenhuma outra auctoridade póde interpôr-se entre ella e nós. Como homens livres e essencialmente subordinados aos interesses da nossa patria não é nossa intenção convulcionar a sociedade em que vivemos. Nosso intuito é esclarecê-la. Em um regimen de compressão e de violencia, conspirar seria o nosso direito. Mas nos regimen das ficções e da corrupção, em que vivemos, discutir é o nosso dever. As armas da discussão, os instrumentos pacificos da liberdade, a revolução moral, os amplos meios do direito, postos ao serviço de uma convicção sincera, bastam, no nosso entender, para a victória da nossa causa, que é a causa do progresso e da grandeza da nossa patria. A bandeira da democracia, que abriga todos os direitos, não repelle, por erros ou convicções passadas, as adesões sinceras que se lhe manifestem. A nossa obra é uma obra de patriotismo e não de exclusivismo, e acceitando a comparticipação de todo o concurso leal, repudiamos a solidariedade de todos os interesses illegitimos (CASTELLANI, 2000, pp. 12-13). A partir dessa transcrição podemos notar influências maçônicas, no manifesto republicano como no trecho: As armas da discussão, os instrumentos pacificos da liberdade, a revolução moral, os amplos meios do direito, postos ao serviço de uma convicção sincera, bastam, no nosso entender, para a victória da nossa causa, que é a causa do progresso e da grandeza da nossa patria (CASTELLANI, 2000, p. 12). A Convenção de Itu, também exerceu sua influência na Proclamação da República, como veremos a seguir: A Província de São Paulo congregava um número expressivo de maçons republicanos. Em 10 de novembro de 1871, 47 partidários da república federativa reuniram-se na cidade de Itu, da mesma província, sob a liderança do maçom João Tibiriçá Piratininga (nome indígena que as principais famílias patrícias usavam para expressar o espírito nativista), criando um clube republicano que servisse de núcleo com a finalidade de organizar o futuro Partido Republicano. Como corolário desse movimento, a 18 de abril de 1873, na residência de Carlos Vasconcelos de Almeida Prado realizou-se a primeira Convenção Republicana no Brasil, que viria a ser conhecida como Convenção de Itu. Participaram dessa Convenção com expressiva liderança os seguintes maçons que viriam a ser a elite da futura república: Américo Brasiliense de Almeida Melo, Francisco Rangel Pestana, Manoel Ferraz de Campos Sales (futuro Presidente da República), Américo de Campos, Bernardino de Campos, Ubaldino do Amaral Fontoura, Francisco Glicério, Manoel de Moraes Barros, Venâncio Aires, Prudente de Moraes Barros (também futuro presidente da República) etc. Ao todo a Convenção de Itu contou com 134 convencionais em sua grande maioria das cidades da Província de São Paulo. A cidade do Rio de Janeiro, capital do Império, se fez representar também pela sua delegação (CARVALHO, 2005, p.3). 38 Não somente fatores políticos influenciaram, mas também fatores religiosos como veremos a seguir. A Questão Religiosa, foi um conflito entre a Igreja Católica e a Maçonaria. O principal motivo do conflito foi um discurso, do padre José Luís de Almeida Martins, que enaltecia a Maçonaria e a Grande Oriente do Brasil, pelo seu empenho em defesa da emancipação dos escravos. O bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda advertiu o padre e pediu que este abandonasse a Maçonaria, porém; com a recusa, o bispo o suspendeu, baseado na fala de Pio IX durante o Consistório de 1865 (CARVALHO, 2005). Diante desse fato, as lojas maçônicas brasileiras se uniram, como visto no trecho: Diante da reação do bispo, as duas Obediências, do Lavradio e dos Beneditinos, saíram em defesa do Irmão atingido, mostrando, pelo menos aí, uma união, que era precária em outras ocasiões. Isso ficou consumado através de uma assembléia do Lavradio, a 15 de abril de 1872, complementada por outra, dos Beneditinos, a 27 de abril,quando foi lançado o Manifesto da Maçonaria do Brasil, redigido por Saldanha Marinho, um notório anticlerical. Esse manifesto, pela violência dos termos, iria contribuir para azedar as relações da Maçonaria com o alto clero, colocando-a numa questão que não era sua (CASTELLANI, 2000, p. 25). Consequentemente, através dos fatores citados acima, D. Vital é nomeado bispo do Recife, retornando para o Brasil com ideias antimaçônicas de influência principalmente do papa Pio IX. Entre suas medidas contra a maçonaria, suspendeu todos os padres maçons do Recife e mandou expulsar todos os pedreiros-livres das irmandades religiosas. Diante desse interdito, os maçons apelaram para a Coroa que, através do Conselho de Estado lhes deu razão. O governo então ordenou, em 12 de junho de 1873, que o bispo levantasse o interdito, pois este era funcionário público, para que os maçons permanecessem nas irmandades. O bispo se recusou a cumprir a ordem alegando uma incompatibilidade entre a Igreja e a Maçonaria (CARVALHO, 2000, p. 4). Devido ao fato de, nesse período, as ligações entre Igreja e Estado no Brasil serem fortes e devido ao Brasil já estar passando por problemas abolicionistas, que influenciavam a base do Império, este embate entre Estado e Igreja desestabilizou mais um pouco a monarquia. A abolição da escravidão, também motivou a Proclamação da República. Pois a influência externa com relação a abolição, vinda principalmente da França e da Inglaterra, 39 juntamente com as ideias abolicionistas, que estavam circulando em terras brasileiras. Algumas lojas maçônicas começaram a tomar medidas antiescravagistas, como vistos a seguir: i) a Loja Perseverança III em 7 de setembro de 1869 cria a caixa de Emancipação para libertação de crianças do sexo feminino de 2 a 5 anos; e ii) projeto da Loja América da Província de São Paulo (SP) apresentado por Rui Barbosa (futuro Ministro das Finanças do governo republicano) em 4 abril de 1870 ao Grande Oriente do Brasil dos Beneditinos (dissidência do GOB) abrindo verba especial para alforriamento de crianças, e preceituando que só poderia ser iniciado na maçonaria o profano que declarasse livres todas as crianças do sexo feminino. Quanto aos já iniciados deveriam assinar termo compromentendo-se a libertar as crianças do sexo feminino, filhas de suas escravas (CARVALHO, 2005, p. 4). Outro exemplo, que mostra como os membros da Maçonaria queriam o fim da escravidão, é uma carta escrita em ata na Loja Piratininga de São Paulo: O expediente constou de uma prancha do Gr.: Secr.: Ger.: da Ord.:, datada de 16 de Setembro proximo passado, communicando a esta Aug.: Loj.: que o Sap.: Gr.: Or.:, em sess.: de 9 do mesmo mez deixou de attender a proposta de um dde seus membros, no sentido de estabelecer certo prazo fatal, alem do qual nenhum maçon poderia mais possuir escravos = = Que a isso foi levado o mesmo Gr.: Or.: pela unica consideração de que, já tendo o Estado feito quanto julgou sufficiente em relação a abolição gradual do elemento servil, abolição hoje auxiliada tanto pela iniciativa individual como até pelo empenho do clero que entendeu oportuno associar-se agora ao movimento emancipador, só compete a Maçonaria, collocando- se na sua verdadeira posição, cooperar na medida de suas forças, para que o empenho do Estado e o concurso sempre generoso da iniciativa individual tornem-se cada vez mais fecundos, attendidas em todo o caso as condições especiaes do pais e á necessidade de não desorganizar de chofre o trabalho agricola, fonte abundante da riqueza nacional == Seguem-se outros trechos constantes da alludida prancha que não deixam de ser importantes, e conclue em recommendar que se lhe trasnmitta, com a possivel brevidade, a franca opinião desta Aug.: e Resp.: Offic.: A Loj.: inteirada autorizou ao Resp.: Ir.: Ven.: para trasnmittir a opinião desta Aug.: Offic.: pelo modo que elle julgar mais conveniente” (CASTELLANI, 2000, p. 39). No dia 28 de setembro de 1871, José Maria da Silva Paranhos, conhecido como Visconde do Rio Branco, escreveu a lei n.º 2.040, chamada Lei do Ventre-livre, que foi promulgada pela Princesa Regente D. Isabel; essa lei declara livre todos os filhos de mulheres escravas nascidos após 28 de setembro. Em 28 de setembro de 1875 foi aprovada a Lei dos Sexagenários, que declarava livre todo escravo com mais de 60 anos de idade. E, enfim, em 13 de maio de 1888, foi aprovada a Lei Áurea, que libertava todos os escravos. Porém, como a escravidão era um dos fatores que ligavam a monarquia brasileira aos grandes proprietários de terra, pois, neste período, a economia era principalmente agrária, 40 necessitando assim de mão-de-obra escrava. Ao ser abolida a escravidão gerou se um descontentamento e um afastamento entre monarquia e grandes proprietários de terras, fazendo com que a monarquia ruísse (CARVALHO, 2005). Como último fato influenciador da Proclamação da República temos a questão militar, quando, após a Guerra do Paraguai, o exército passou a influenciar mais as decisões políticas da nação. Os dois partidos políticos dominantes no Império – o Liberal e o Conservador – diante de suas rivalidades políticas sempre procuraram respaldo nas Forças Armadas, principalmente no Exército. Tanto assim, que o Marechal Manoel Luiz de Osório, marquês do Herval, maçom iniciado na Província do Rio Grande do Sul, se tornou prócer do Partido Liberal e o Duque de Caxias – Luiz Alves de Lima e Silva, futuro Patrono do Exército e Grão-Mestre Honorário do Grande Oriente do Brasil – era líder político do Partido Conservador, chegando mesmo a ser Primeiro-Ministro por esse partido. Com a morte desses dois grandes chefes militares e políticos, os partidos dominantes trataram de substituí-los. O Partido Liberal marchou para o General Correia da Câmara, visconde de Pelotas e senador pela Província do Rio Grande do Sul. Os conservadores buscaram aliciar o general Deodoro da Fonseca, maçom que posteriormente ocupou o Grão-Mestrado do Grande Oriente do Brasil e Proclamador da República no Brasil (CARVALHO, 2005, pp. 5-6). Em linhas gerais, a questão militar consistiu numa série de atritos, ocorridos entre 1883 e 1889, entre os políticos e os militares, causados pelo brio destes e pela inabilidade daqueles. Esses atritos iriam criar a atmosfera propícia, nos últimos anos do regime monárquico, para o levante militar final, o qual resultaria na implantação da República no Brasil (CASTELLANI, 2000, p. 40). O levante que levou fim ao Império e, a Proclamação da República foi feito e preparado pela elite, por republicanos e maçons, sem a participação do povo. O levante foi preparado para ser feito no dia 20 de novembro de 1889, porém com os boatos, de que o governo mandaria prender o Marechal Deodoro, o evento foi adiantado para 15 de novembro com as tropas começando a se preparar na madrugada do mesmo dia (CARVALHO, 2005). Em reunião secreta realizada na casa de Benjamin Constant, numa espécie de conclave maçônico, decidiu-se a queda do Império. O único obstáculo, por incrível que parece, era a afeição do velho general Deodoro ao Imperador. [...] A pressão afetiva e sentimental para demover Deodoro de suas lealdades ficou por conta de Benjamin Constant, o grande instigador do movimento. O argumento decisivo de Benjamin foi de que o Imperador desejava nomear como novo presidente do Conselho de Ministros o senador Silveira Martins, também maçom, desafeto e inimigo de Deodoro (CARVALHO, 2005, p 6). 41 Realizada a Proclamação da República, Marechal Deodoro se autonomeou chefe do governo provisório com um ministério maçônico e filiado ao Grande Oriente do Brasil. Os membros do ministério são: “Eduardo Campos Sales na Justiça, Wandenkolk na Marinha, Benjamin Costant na Guerra (Exército), Rui Barbosa na Fazenda (Finanças), Demétrio Ribeirana Agricultura, Quintino Bocaiúva nos Transporte e Aristides Lobo no Interior” (CARVALHO, 2005, p. 6). Portanto, com tudo o que foi discutido anteriormente, podemos concluir que a Maçonaria exerceu grande influência ao longo da História do Brasil, no período que compreende o final do Império e início da República, principalmente na política, tendo muito políticos, envolvidos na Maçonaria. É nesse contexto, pós Proclamação da República que a Maçonaria chegaria na cidade de Mococa, como veremos no capítulo a seguir. 42 3. Maçonaria mocoquense de sua fundação a 1922 43 Ao longo desse capítulo será discutido a formação das Lojas maçônicas na cidade de Mococa e a participação dos seus membros na sociedade, com breves relatos sobre a História da cidade de Mococa. 3.1. A cidade de Mococa: da fundação até a década de 1890 Já havia vestígios de pessoas, no início do século XIX, na região que hoje chamamos de Mococa, com alguns fazendeiros que já possuíam grandes terras na região, entre os quais podemos citar Urias Emídio Nogueira de Barros, D. Thomaz Molina e Venerando Ribeiro da Silva. Os primeiros relatos históricos sobre nossa região nos informam que, em 1820, o sertanista Urias Emídio Nogueira de Barros, dizendo-se procurador de seu pai, tomou posse de uma grande área, limitada pela Serra da Borda da Mata e pelos rios Pardo e Canoas e pelos ribeirões das Areias e da Boiada, dando-lhe o nome de Sesmaria da Zabelônia, que dominava grande parte do Município de Mococa (PALADINI, 2008, p. 16). Estas terras seriam vendidas por Urias Emídio Nogueira de Barros para D. Thomaz Molina, espanhol e amigo de D. Pedro I, após tomar posses da Sesmaria da Zabelônia; estas terras passaram a se chamar Alegria. Diogo Garcia da Cruz, mineiro, pertencente a uma família de fazendeiros mineiros, viria a negociar e comprar terras na região como vemos a seguir: Em 1833, comprou, pela importância de 12 contos e 462 mil réis, de D. Thomaz Molina, no Curato de São Bento do Cajuru, “uma fazenda de campos de criar e de matos de cultura, denominada Alegria”, cuja área era limitada pelo Ribeirão das Areias, pelos Rios Canoas e Pardo, pelo Ribeirão da Boiada e pela Serra da Borda da Mata (PALADINI, 2008, p. 24). A partir do aumento da população começou a se formar um povoado na região. Antônio José Francisco e sua esposa Catarina Gomes, moradores da região do Ribeirão do Meio, promoviam constantemente atos em louvor a São Sebastião; estes atos de fé ocorriam em suas terras. 44 Com o tempo, e com o aumento da população, Catarina sugeriu ao seu marido a construção de uma ampla capela; então Antônio doou, em 1839, 16 alqueires de terras às margens do Ribeirão do Campo para a Igreja Católica. Porém José Gomes de Lima faz uma permuta das terras doadas por Antônio José Gomes, em 1843; a troca de terras foi realizada por uma área maior, às margens do Ribeirão do Meio. Todavia a permuta foi realizada com a condição de ser construída nesta área uma capela em louvor a São Sebastião. Assim, passou a ser constituído o patrimônio do futuro povoado, que contou com outras pequenas doações – feitas por José Pereira dos Santos, Salvador Pedro de Moraes, Emídio Antônio de Jesus, dona Teodora, Joaquim Gonçalves de Moraes e Domingos Antônio de Couto -, atingindo uma área de 33 alqueires, avaliada, na época, em 333 mil réis; o auto de posse judicial foi realizado no dia 4 de dezembro de 1847. [...] O ato de posse foi julgado por sentença do dia 15 de dezembro de 1847, recebendo aprovação do presidente da Província – brigadeiro José Pinto Galvão Peixoto (PALADINI, 2008, p. 25). Venerando Ribeiro da Silva, vindo de Caconde, adquiriu terras na região em 1840, a terras da Fazenda da Prata. Venerando tomou iniciativas para ajudar na fundação do povoado “conseguiu a criação oficial do povoado em 1841. O povoado foi reconhecido e elevado a Capela Curada pelo bispo D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, com o nome de São Sebastião da Boa Vista” (PALADINI, 2008, p. 26). O primeiro nome da cidade, São Sebastião da Boa Vista, foi mantido até 1875, quando o povoado, já chamado de Vila, foi elevado a condição de cidade e município, com o nome de Mococa. O nome Mococa está relacionado com um fato ocorrido com o capitão-mor Custódio José Dias que, Ao passar pela povoação nascente, exclamou [...]: “Olhem ai essas mocoquinhas” – apontando para as pequenas casas, existentes à margem do Ribeirão do Meio e pertencentes a agregados, que prestavam serviços avulsos nas imediações do povoado. [...] Os moradores do lugar gostaram da denominação e, apesar de ele oficialmente haver sido criado, em 1841, com o nome de São Sebastião da Boa Vista, passou a se chamar “arraial das Mococas”. O povo, sempre soberano, não aceitou a denominação oficial: para os moradores, seria sempre Mococa a nova povoação (PALADINI, 2008, p. 41). Com a Proclamação da República, Mococa se dividiu em dois lados liderados por Dr. Antônio Muniz Ferreira, que era republicano, e por Dr. Augusto Freire de Mattos Barretto, monarquista; “surpresos com a nova estrutura político-administrativa imposta à nação, os políticos de Mococa sentiam se incapazes para reorganizar os partidos, de maneira a atender os interesses da nova situação” (PALADINI, 2008, p. 46). Antônio Muniz Ferreira, foi membro fundador da Loja Maçônica Honra e Caridade, como veremos futuramente. 45 Em 1890 foram dissolvidas, pelo Governo Federal, as Câmaras Municipais, e foram criadas em seu lugar os Conselhos de Intendência, ocorrendo a transição política de Império a República em Mococa. É nesse contexto pós Proclamação da República e, com mudanças políticas ocorrendo em vários lugares que vai ser realizada em local desconhecido, a primeira reunião maçônica na cidade de Mococa. 3.2. Primeira reunião e fundação das duas primeiras lojas maçônicas em Mococa. A primeira reunião veio a ser realizada em Mococa no ano de 1890, com local, mês e dia desconhecido, essa hipótese é defendida por membros da Loja Maçônica União Mocoquense. 3.2.1. Loja Maçônica Caridade Mocoquense. A primeira Loja só viria a ser criada no dia 6 de agosto de 1892, tendo seu estatuto somente em 1893, com o nome de Loja Maçônica Caridade Mocoquense. A Ata de Fundação da Loja foi assinada por José Epiphanio Ferraz, Victor Antonio Ottero, Avelino Ottero, Salvador Messina, Emilio de Toledo, Manuel Mathias Duarte, Luís Vattine, Domenico Pinto, André De Lucca e Vicente Emmanuelle. A primeira diretoria foi estabelecida por: Venerável Mestre: José Epiphanio Ferraz; Primeiro Vigilante: Victor Antonio Ottero; Segundo Vigilante: Avelino Ottero; Orador: Salvador Messina; Tesoureiro: Domingo Pinto; Mestre de Cerimônias: Vincente Emmanuelle; Cobridor: André De Lucca; Diácono: Luiz Watime; Hospitaleiro: Manoel Mathia Duarte (SILVA, 2016, p. 6). Urias Berlamino de Souza foi o primeiro iniciado na loja, em 09 de janeiro de 1893. No ano de 1894 inicia-se a arrecadação para a construção do Templo da Loja, que viria a ser inaugurado no dia 23 de junho de 1897, na esquina da rua XV de novembro com a Coronel Diogo. Atualmente esse prédio não existe mais. 46 3.2.2. Loja Maçônica Honra e Caridade A segunda Loja Maçônica criada em Mococa, e denominada Honra e Caridade, foi fundada no dia 1 de maio de 1895. Os membros criadores dessa Loja pertenciam a Caridade Mocoquense que, mesmo após a criação da nova Loja, continuaram a frequentar ambas as Lojas (SILVA, 2016), portanto não existe especificações escritas liberadas a não maçons, sobre o porquê da criação de uma nova Loja. A Ata de fundação da Loja foi assinada por Antonio Muniz Ferreira, Joaquim Silvério do Amaral, Antonio Gomes de Meirelles Junior, Augusto Ernesto Lages, André De Lucca, Domingos Giudice, Antonio Domingos Martins,Wenceslau de Almeida, Luiz Rodrigues de Oliveira Figueiredo, Antonio Padilha, José Victor dos Santos, Braz Giudice, José Zambrotta, Ottoni Luciano Evangelista e Benedicto de Assis Toledo. A primeira diretoria foi estabelecida por: Venerável Mestre; Antonio Muniz Ferreira; Primeiro Vigilante: Joaquim Silvério do Amaral; Segundo Vigilante: Antonio Gomes de Meirelles Jr.; Orador: Augusto Ernesto Lages; Secretário: José Victor dos Santos; Tesoureiro: Antonio Domingues Martins; Cobridor: Ottoni Luciano Evangelista; Mestre de Cerimônias: André De Lucca; 1º. Diácono: Wenceslau de Almeida; 2º. Diácono: Antonio Padilha; 1º. Experto: Luiz Rodrigues de O. Figueiredo; 2º. Experto: Braz Giudice; Hospitaleiro: José Zambrotta; Arquiteto: Benedito de Assis Toledo; Chanceler: Domingos Giudice (SILVA, 2016, p. 8). O primeiro iniciado na Loja foi Francisco Mauricio D’Aquino, no dia 4 de outubro de 1895. No dia 28 de Janeiro de 1897, foi publicado no jornal A Mococa a concorrência para a construção da dita loja, como transcrito a seguir: Concurrencia De ordem superior, chamo a concurrencia publica para a construção do edifício onde tem de funcionar a Loj∴,, Honra e Caridade”, podendo ver, os srs. Pretendentes a planta que se acha em meo poder, na Pharmacia Moderna, à rua Quintino Bocayuva n. 34. 47 O praso para apresentação das propostas é limitado até o dia 15 de Fevereiro, próximo futuro. Mocóca, 28 de Janeiro de 1897. Carlos da Silva Loureiro (BARRETTO, J. G. Concurrencia. A Mococa. Mococa - SP, p. 10, 30 jan. 1897). Em 04 de abril de 1897, é assentada a primeira, pedra do templo como demonstrado através do convite, publicado no jornal A Mococa, no dia 3 de abril de 1897: RESP∴ LOJ∴ CAP∴1 “Honra e Caridade” Domingo, 4 de Abril, ás 2 horas da tarde, assentar-se á a primeira pedra do Templo desta Aug∴ e Resp∴ Loj∴ Cap∴ Honra e Caridade, e como não ha tempo para se comunicar a todos os Il∴ deste Or∴, por cartas, se faz por este meio, convidando-os afim de assistirem a esse acto de progresso e adiantamento social. Mocóca, 3 de Abril de 1897. Domingos Lacreta. Gr∴ 30∴ (BARRETTO, J. G. RESP∴ LOJ∴ CAP∴. A Mococa. Mococa -SP, p. 10, 03 abr. 1898). No dia 30 de abril de 1898 é inaugurado o templo da Loja Honra e Caridade, como demonstrado no convite para a inauguração publicado no dia 19 de abril de 1898 no jornal A Mococa: A’ Gl∴ do Sup∴ Arch∴ do Uni∴ Secretaria da Aug∴ e Resp∴ Loj∴ Cap∴ “Honra e Caridade” São convidados todos os Ilrr∴ deste[∴] para a sessão de inauguração do novo Templo e baptismo maç∴ que terão logar no dia 30 do corrente ás 7 horas da noite. 1 Os três pontos em forma de triângulo, presente no texto acima, faz parte do código de escrita dos Maçons. 48 Previne-se desde já ao Ilrr∴ deste [∴] e de outros , que só poderão assistir maçons e suas famílias, não podendo ter ingresso homens estranhos a ordem e nem irmãs, filhas, etc., de maçons que sejam casadas com homens estranhos a ordem e bem assim amasiados e maçons do Or∴ Paulista. Or∴ de Mocóca, 19 de Abril de 1898. (E∴ V∴) O Secret∴ S∴ M∴ 18∴ (BARRETTO, J. G. A’ Gl∴ do Sup∴ Arch∴ do Uni∴. A Mococa. Mococa -SP, p. 10, 23 abr. 1898). No dia da inauguração também foi publicado no jornal A Mococa: LOJA MAÇONICA Inaugura-se hoje com toda solenidade o novo templo da loja maçônica Honra e Caridade, tendo de chegar hoje, comissões de diversas lojas afim de assistirem á essa festa (BARRETTO, J. G. Loja Maçonica. A Mococa. Mococa -SP, p. 10, 30 abr. 1898). O uso dos artigos de jornais nos demonstra que, mesmo sendo a Maçonaria uma Instituição fechada, ela, quando necessário, na cidade de Mococa, se comunicava com os seus membros através de meios públicos como o jornal A Mococa, facilitando a disseminação das informações e dos avisos necessários referentes a eventos das Lojas. 3.3. Participação dos Membros das duas Lojas na sociedade mocoquense Vários membros das duas Lojas, participaram ativamente da vida social na cidade de Mococa, seja na saúde, na política, entre outros. 3.3.1. Antonio Muniz Ferreira Médico nascido na Bahia, chegou em Mococa no dia 1 de março de 1885. Participou ativamente no desenvolvimento da cidade. Vinha ele exercer, aqui, suas atividades de médico, o que fez com paciente bondade, atendendo principalmente aos menos favorecidos – sempre despido de qualquer ambição financeira. Paralelamente a seu trabalho médico, envolveu-se, com 49 entusiasmo na vida política da Cidade, desenvolvendo intensa atividade – inclusive ocupando o cargo de prefeito. Além de republicano histórico, foi, por largos anos, chefe do partido dissidente em Mococa, fazendo uma sistemática e intransigente política de oposição às forças republicanas conservadoras: inclusive fundou o jornal “O Município”, que usou para fortalecer sua política de oposição (PALADINI, 2008, p. 62). Através do jornal O Município, fundado por ele, foi usado como um meio de transmitir ideal de oposição política a monarquia; “No dia 04 de janeiro de 1902, circulou o primeiro número de ‘O Município’, editado por Dr. Antonio Muniz Ferreira, médico e político de prestígio – líder da oposição [...]. Marcou, desde seus primeiros momentos sua posição de órgão de luta, essencialmente a serviço da oposição (PALADINI, 2008, p. 242). Foi Intendente da Câmara Municipal de Mococa de 1896 a 1901. Participou da construção da Santa Casa de Misericórdia, fazendo parte dos primeiros membros da primeira mesa da Santa Casa; atuou também na comissão encarregada de escolher o local, para a construção. Antonio Muniz Ferreira, foi Grão-Mestre da Loja Maçônica Honra e Caridade, em diversos momentos: 1895-1897; 1901-1904; 1914-1915. Ferreira veio a falecer no ano de 1919. 3.3.2. Urias Belarmino de Souza Foi o primeiro Maçon iniciado na cidade de Mococa, participou ativamente na política mocoquense, pós Proclamação da República, sendo Intendente da cidade de 1892 a 1896. Foi Grão-Mestre na Loja Maçônica Caridade Mocoquense de 1894 a 1896. 3.3.3. José Epiphanio Ferraz Membro fundador da Corporação Musical Filarmônica Mocoquense, juntamente com outros três homens influentes na cidade, no final do século XIX: 50 [...] no ano de 1891, três homens entusiastas e idealista – sempre à frente dos mais importantes acontecimentos sociais de Mococa daquele tempo – reuniram-se numa fria noite de maio, no “Hotel Terraço”. Entre um copo e outro de generoso vinho importado da região da Toscana, acompanhado de um picante “fornaggio”, discutiam e estudavam a possiblidade e necessidade de se fundar uma “banda” na Cidade, que já alcançava alto índice de progresso. Eram eles: Carmo Taliberti, Benjamim Moreira Coelho de Magalhães e José Epifânio Ferraz (PALADINI, 2008, p. 257). Ferraz, participou do primeiro grupo de musicistas da Filarmônica e também fez parte do primeiro corpo diretor desta, no cargo de presidente. Foi membro fundador da Loja Caridade Mocoquense, sendo Grão-Mestre da dita Loja de 1892 a 1894 (Silva, 2016, p. 6). 3.3.4. José Procópio da Silva Médico e político, participou da política local como, também foi um dos membros fundadores da Santa Casa de Misericórdia de Mococa. Membro do primeiro grupo administrativo da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Mococa. Foi um dos responsáveis em arrecadar fundos para a construção da Santa Casa. E também fez parte do primeiro grupo de médicos da dita instituição. Foi Grão-Mestre da Loja Caridade Mocoquense de 1907 a 1908 (SILVA, 2016, p. 7). 3.3.5. Wenceslau de Almeida Foi membro fundador da Loja Maçônica Honra e Caridade e também fundador do jornal Monitor Paulista, primeiro periódico a circular em Mococa (PALADINI, 2008; Silva, 2016). A imprensa periódica de Mococateve, como seu primeiro jornal, o “Monitor Paulista” – de propriedade e direção de Wenceslau de Almeida -, cujo primeiro número foi editado em 15 de janeiro de 1888. Durante oito anos, o “Monitor Paulista” prestou, ao Município, relevantes serviços – sempre justo em seus conceitos – atuando como grande impulsionador do progresso e da cultura 51 mocoquense. Em 1896, o “Monitor Paulista” encerrou suas atividades em Mococa (PALADINI, 2008, p. 242). 3.4. Período de estagnação das duas Lojas Não se sabe se as estagnações ocorridas nas duas Lojas foram motivadas pela 1ª Guerra Mundial ou pela Gripe Espanhola, devido ao fato de muitas Atas de registros das Lojas desse período terem sidos perdidas.2 A Loja Caridade Mocoquense, desde sua criação, manteve formalmente seus trabalhos. Porém a partir de 1913 não existe o registro de livros de atas existentes, não sabendo assim se ela suspendeu seus trabalhos até 1922. A Loja Honra e Caridade, depois de sua criação, passou por vários períodos de estagnação: “de 29/01/1903 até 28/05/1903; 30/06/1903 até 26/11/1903 e 03/12/1903 até 17/08/1908 quando os trabalhos foram reencetados através de Diretoria Interina” (SILVA, 2016, p. 8). A última reunião dessa Loja, ocorreu no dia 1º de setembro de 1915, entrando em um período de estagnação (SILVA, 2016). 3.5. A Fundação da Loja Maçônica União Mocoquense em 1922 Em 1922 o Grão-Mestre do Grande Oriente do Estado de São Paulo tomou medidas para que o trabalho maçônico voltasse a ocorrer na cidade de Mococa, devido a estagnação das duas Lojas existentes na cidade. No dia 26 de outubro de 1922, foi realizada uma reunião comandada por Luiz Navarro; nesta reunião se encontravam membros das duas Lojas existentes. Nesta reunião foi fundada a Loja Maçônica União Mocoquense, a partir da junção das duas Lojas anteriores. Os participantes dessa reunião e membros fundadores Loja são Luiz Navarro, Luiz Irineu dos Santos, Emilio de Toledo, Miguel Siano, Francisco Manoel da Silva, Antenor Augusto da Silva, João Costal Chavarria, Manoel Flores, Donato Tambascia, Alfredo Tudda, Sérgio Mastropasqua, Manoel O’ca, Domingos Elias, Manoel Prado, Alipio Elias, Miguel Nicolau, Joaquim Dias de Toledo, Vincente Monteiro e Antonio Criscuolo. 2 Teoria levantada por Antonino da Silva, membro da Loja Maçônica União Mocoquense. 52 A primeira diretoria foi estabelecida por “Venerável Mestre: Luiz Navarro; Primeiro Vigilante: Luiz Irineu dos Santos; Segundo Vigilante: Emilio de Toledo; Orador: Miguel Siano; Secretário: Francisco Manoel da Silva; Tesoureiro: Antenor Augusto da Silva” (SILVA, 2016, p. 13). Ficou decidido que as reuniões passariam a ser realizadas na sede da antiga Loja Honra e Caridade, onde são realizadas as reuniões da União Mocoquense até os dias atuais. O prédio pertencente a Caridade Mocoquense passou a ser alugado para terceiros. A Loja Capitular “União Mocoquense”, recebeu o “brevet” constitutivo de n° 447 pertencente à Loja Capitular “Caridade Mocoquense” e a data da fundação da Loja “Honra e Caridade”, isto é, 1° de maio de 1895. Não sabemos se foi erro cometido ou não. Entretanto, a data correta da fundação da Loja Capitular “União Mocoquense” é 26 de outubro de 1922 sendo que a data de 6 agosto de 1892 é considerada como a data da instalação da Maçonaria em Mococa (SILVA, 2016, p. 13). Devido ao fato do Grande Oriente de São Paulo, tomar como data oficial da criação da Loja Maçônica União Mocoquense, a data de fundação da Loja Maçônica Honra e Caridade, portanto, através desse fato se fala que a União Mocoquense tem 125 anos e não 95 anos, como nos explicado por Silva (2016), “o Grande Oriente de São Paulo, em 2003, por aprovação do seu Il∴ Conselho Deliberativo reconhecendo a Loj∴ União Mocoquense como sucessora de ambas as LLoj∴ e a data de 6 de agosto de 1892 (E∴ V∴) como data de sua fundação” (SILVA, 2016, p. 13). 3.6. Participação dos membros da Loja Maçônica União Mocoquense na sociedade mocoquense Após a criação da Loja Maçônica União Mocoquense seus membros continuaram a participar ativamente na vida social da cidade de Mococa. 53 3.6.1. Euclides Motta Político mocoquense, foi vereador de 1952 a 1959, participando ativamente da política na cidade. Também foi grão-mestre da União Mocoquense de 1958 a 1961. 3.6.2. Giordano Dal Rio Filho de imigrantes italianos, continuou o serviço do pai após sua morte, ajudando sua mãe na administração do Armazém Casa Viúva Dal Rio, foi um membro influente na sociedade mocoquense durante sua vida. Paladini (2008) faz um breve resumo de sua vida social em Mococa: Consolidando sua empresa comercial como uma das mais sólidas da região sustentava ainda uma torrefação de café e uma fábrica de bebida que produzia o excelente guaraná “Mocoquense” e a cerveja “Pacaembu” [...]. Giordano Dal Rio foi um homem simples, bom e generoso; foi respeitado no meio social, por sua personalidade íntegra de homem justo e progressista. Assim sua vida está vinculada a inúmeras iniciativas, envolvendo trabalhos em benefício da cidade. Como homem ligado ao esporte, prestou ao “Radium Futebol Clube” relevantes serviços: como jogador [...] e como diretor do clube. Participou ativamente da vida da “Filarmônica Mocoquense”, como músico [...] e, posteriormente, dedicou-se à banda, com seu trabalho, como dirigente e benfeitor. Colocando sua generosidade a serviço do próximo, desenvolveu intensa atividade em benefício do Asilo de Mendicidade “Dr. Adolpho Coelho de Mattos Barretto”. Por suas qualidades pessoais de homem íntegro, foi chamado a ocupar o cargo de delegado de polícia substituto, desenvolvendo suas funções com sobriedade e justiça (PALADINI, 2008, pp. 46- 47). Participou ativamente não só da vida social na cidade, como, também participou intensamente na Loja Maçônica União Mocoquense sendo Grão-Mestre de 1942 a 1945, de 1946 a 1947 de 1948 a 1954 e de 1963 a 1965. 3.6.3. Jacintho Pisani Membro influente da sociedade mocoquense, filhos de imigrantes italianos envolvidos com o comércio na cidade. 54 Participou da vida política de Mococa, tendo sido vereador de 1948 a 1951 e de 1960 a 1963, atuou como prefeito da cidade de 1956 a 1959. Participou também da vida comercial da cidade. Jacintho por suas excelsas qualidades humanas e profissionais, teve uma participação ativa na vida comunitária de Mococa: como comerciante, empresário e cidadão. Começou sua vida de trabalho como comerciante de secos e molhados, conduzindo a “Casa Pisani” – estabelecimento comercial de tradição no comércio local. Nas atividades industriais, gerenciou a “Usina de Beneficiamento de Algodão Pisani” e, a partir de 1946, a “Indústria Irmãos Nicola” [...]. Jacintho Pisani teve sua vida vinculada a várias entidades e empreendimentos; todavia, sua extraordinária personalidade se completa no nobre trabalho de amor ao próximo, desprendimento e idealismo com que conduziu como presidente, os trabalhos assistenciais do Asilo da Mendicidade “Dr. Adolpho Coelho de Mattos Barretto” (PALADINI, 2008, p. 48). Foi Grão-Mestre da Loja Maçônica União Mocoquense de 1954 a 1955. A Loja Maçônica União Mocoquense, após sua criação continuou com seus trabalhos, estando ativa até os dias atuais. Portanto, esse ano está comemorando os seus 125 anos, já que em 2003, o Grande Oriente de São Paulo tomou o ano da fundação da Loja Maçônica Caridade Mocoquense como ano de fundação da Loja Maçônica União Mocoquense. A partir do que já foi discutido anteriormente, podemos concluir que a Maçonaria e seus membros estão interligados com o desenvolvimento, seja política, cultural ou na área da saúde; na cidade de Mococa. 55 Considerações Finais 56 Podemos perceber, ao longo detoda a monografia, que a História da Maçonaria, vem se entrelaçando com momentos de mudança política e de ideais filosóficos que estavam em alta no período e no contexto histórico a partir do Século XVIII, tendo muitas vezes a Maçonaria como uma de suas disseminadoras. O primeiro capítulo teve como base a História da Maçonaria, sua influência em diversos países e atividades antimaçônicas. Este capítulo teve suas dificuldades de ser escrito devido ao fato de que a Maçonaria tem uma história longa que se mistura com lendas, existem muitos livros, porém, as fontes documentais são escassas ou fazem parte do acervo privado de diversas lojas. Devido ao fato de algumas informações divergirem, como, por exemplo, alguns maçons defendem que o primórdio da Maçonaria remonta as suas lendas e outros defendem que a maçonaria começou na Idade Média, portanto os dois lados são tratados aqui. O segundo capítulo discute a História da Maçonaria no Brasil desde de sua chegada até a Proclamação da República. A Maçonaria exerceu forte influência política no Brasil ao longo desse período; entretanto, devido ao fato de termos um grande número de obras sobre a Maçonaria no Brasil, muito dos autores que tratam desse tema são historiadores maçons, porém, devido à falta de documentos fica difícil de se traçar a fase inicial da Maçonaria no Brasil. Entretanto, no período do Império e da República a fonte documental é maior, portanto, podemos perceber que essa presença de fonte documental influencia o grande número de obras sobre a Maçonaria no Brasil nesse período. O terceiro capítulo trata da Maçonaria mocoquense, desde sua chegada até aproximadamente 1922, discutindo a participação de membros das Lojas maçônicas da cidade na vida social mocoquense, seja na política, na vida cultural ou na saúde. O acesso a documentos foi difícil, devido ao fato de que as Lojas Maçônicas não liberam seus acervos a não-maçons, porém alguns documentos foram liberados. Entretanto, mesmo quando vemos os grandes números de obras publicadas sobre a Maçonaria, podemos perceber que muitas delas, são demarcadas pelo contexto de quem as escreve, os autores maçons glorificam a maçonaria, os autores antimaçons escrevem textos, criticando a Ordem. São poucos os autores que trabalham os dois lados. Entretanto, escrever sobre a maçonaria é uma faca de dois gumes, pois toda uma documentação sobre a Maçonaria pertence as Lojas que dificilmente liberam esses documentos ao público não maçom, alguns documentos dessas Lojas, foram liberados a público através da publicação de livros sobre a História da Maçonaria, feita por membros desta instituição, que tiveram acesso a esses documentos e tiveram a permissão de liberá-los através das suas publicações. 57 Por fim, com a conclusão desse trabalho, e a partir das leituras para a realização dessa monografia, podemos perceber que a Maçonaria tem suas controvérsias, porém, participou muitas vezes na política mundial, no Brasil e em Mococa, direta ou indiretamente. 58 Referências bibliográficas 59 ALENCAR, Renato de. Enciclopédia histórica do mundo maçônico. Rio de Janeiro: Editora Maçônica, 1979. ASLAN, Nikola. História da Maçonaria. Rio de Janeiro: Espiritualista, 1959. AZEVEDO, Célia M. Marinho de. Maçonaria: História e Historiografia. 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