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População brasileira – distribuição e dinâmica demográfica Mapa de densidade demográfica do Brasil: ❖ De acordo com o censo de 2022, o Brasil possui atualmente uma população de 203 milhões de pessoas; o crescimento populacional caiu drasticamente comparado aos últimos censos de 2010 e 2000 (de 2000 para 2010, a população cresceu de 169 milhões para 200 milhões – mais de 30 milhões; enquanto de 2010 para 2022, o número caiu para 13 milhões, ou seja, menos da metade das métricas anteriores). ❖ A população brasileira ainda é muito litorânea, por motivos históricos (ocupação litorânea e estrutura agrícola latifundiária). ❖ Na região Sul e em São Paulo, o grau de concentração no litoral já não é tão nítido – temos interiores mais densamente ocupados; esse interior mais ocupado também pode ser associado ao processo histórico. Em relação à região Sul, essa composição se relaciona com a estrutura fundiária – a ocupação na região Sul por parte de imigrantes não ibéricos se inicia por volta da década de 1920, sendo baseada na pequena propriedade familiar. No pampa sulino, entretanto, a ocupação é mais antiga e é uma ocupação latifundiária (seguiu a “regra do Brasil” de ocupação). O caso de São Paulo se explica pela criação de ferrovias no período cafeicultor, o que facilitou a ocupação do interior. ❖ A sétima cidade mais populosa do Brasil é Manaus – atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Salvador e Belo Horizonte (em ordem – censo de 2022). ❖ O eixo Brasília-Goiânia liga duas metrópoles, e não é um absurdo pensar na formação de uma megalópole na região. Existe também um eixo de ocupação entre Cuiabá e Porto Velho (com construção de rodovia pelo governo Militar – BR364), Cuiabá-Rio Branco, Cuiabá-Santarém. ❖ O interior do sertão nordestino também possui áreas de adensamento maior. ❖ O projeto geopolítico de ocupação do Centro-Oeste instalou uma agricultura moderna – que usa muito território e coloca pouca população. Um modelo latifundiário e mecanizado. ❖ Vinte milhões de brasileiros moram na Amazônia legal – 10% da população atualmente. Há algumas décadas, essa proporção era de apenas 2% da população total. A ocupação amazônica, entretanto, enfrenta uma grande pressão internacional – por conta da questão do desmatamento. ❖ Para além do movimento de interiorização associado a um projeto geopolítico do governo brasileiro, temos também o movimento da economia e a tendência à desmetropolização, com indústrias que, aproveitando-se do desenvolvimento tecnológico, saem da região metropolitana para regiões interioranas (reduzindo custos e criando cidades médias). Porcentagem da população das regiões 1872-2022 Densidade demográfica das Grandes Regiões – Censo 2022 (da maior para a menor) → Sudeste (91,77) → Sul (51,9) → Nordeste (35,21) → Centro-Oeste (10,14) → Norte (4,51) ❖ Sudeste e Nordeste são as duas regiões mais populosas; o Nordeste, embora se mantenha como a segunda região mais populosa do país, teve drástica redução em sua participação demográfica ao longo das décadas, caindo de 45% para 26% (de acordo com o censo de 2022) da população brasileira vivendo nessa área. ❖ Norte e Centro-Oeste continuam sendo as regiões menos populosas, entretanto, a proporção da população brasileira vivendo nessas áreas cresceu ao longo dos anos. ❖ De acordo com o censo de 2022, o Centro-Oeste foi a região que apresentou maior taxa de crescimento anual (1,23), enquanto a menor taxa foi a do Nordeste (0,24%). O crescimento relativamente maior das Regiões Norte e Centro-Oeste ao longo das últimas décadas, fez com que a concentração da população nessas regiões aumentasse relativamente às demais. Em 2022, a Região Sul também apresentou aumento relativo na participação de sua população no total do Brasil, invertendo a tendência de redução na participação total observada até 2010. O Nordeste e o Sudeste apresentaram os menores crescimentos populacionais, menor que a média do Brasil. ❖ A distribuição da população nos estados retrata que os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro continuam sendo os mais populosos, concentrando quase 40% da população residente no país. ❖ O Estado de Roraima foi o que apresentou maior taxa de crescimento no censo de 2022 (2,92%) ❖ A maioria dos municípios brasileiros cresceu ao longo dos anos; alguns cresceram muito rapidamente (de 50% a 300%) – esses municípios de rápido e intenso crescimento normalmente se encontram em fronteiras agrícolas ou são cidades médias e periferias de metrópoles. Transição demográfica brasileira ❖ É importante notar a diferença entre o crescimento natural (vegetativo) e outros fatores de crescimento, como a imigração. Durante o século XX, o Brasil viu um grande aumento no número de imigrantes em seu território (resultado de uma transição importante da força de trabalho), o que gerou crescimento populacional (independente do modelo de crescimento vegetativo). ❖ O primeiro censo realizado no Brasil foi o censo imperial de 1872, realizado pela Direção Geral de Estatística. ❖ Até os anos 1930, o Brasil vivia a fase 1 da transição demográfica (as taxas de natalidade e mortalidade eram ambas altas, e a população não crescia tanto). Nessa fase, o crescimento natural é limitado, e é um momento típico de sociedades rurais pré-modernas. A base tecnológica é limitada, a oferta de alimentos oscila ao longo do tempo e o custo de vida é relativamente mais baixo em comparação a sociedades modernas. Dessa forma, a natalidade alta é, na prática, uma compensação da alta mortalidade; por conta das altas taxas de mortalidade infantil, as famílias têm muitos filhos, para compensar aqueles que não chegam à idade adulta. ❖ Os anos 1930 observam uma queda no padrão de crescimento populacional do Brasil, sobretudo por conta da redução das entradas migratórias. Uma das razões para tal queda foi a política migratória do governo Vargas, bastante restrita; outra explicação está relacionada ao fato de que a maioria dos imigrantes que chegavam ao Brasil até então eram de origem europeia, e a guerra no continente europeu dificultou a travessia marítima e a chegada ao Brasil. Dessa forma, partir daí, o crescimento populacional se dá majoritariamente por conta do crescimento natural da população. ❖ A partir dos anos 1940, o Brasil entra na fase 2, com explosão demográfica; quando a taxa de mortalidade começa a cair e a taxa de natalidade ainda se mantém mais alta. Essa explosão demográfica se deve ao processo de urbanização do Brasil, à transição de uma economia agrária para uma economia industrial, e que reflete não só economicamente como socialmente na população brasileira. O espaço urbano facilita o acesso à saúde, à saneamento básico e às tecnologias mais modernas, o que reduz a taxa de mortalidade. A queda da mortalidade não imediatamente se reflete na queda da natalidade – a taxa de natalidade cai numa velocidade bem menor do que a taxa de mortalidade, sobretudo porque tem influências culturais e sociais. ❖ Nos anos 1980, o Brasil entra na fase 3. Essa fase também é chamada de fase transicional – uma transição entre um período de forte crescimento para um período de crescimento reduzido ou mesmo encolhimento da população. Depois de algumas décadas de mortalidade mais baixa, as mulheres que tinham muitos filhos começam a reduzir o número de filhos3. Além disso, essa transição demográfica também se relaciona com a urbanização – no campo, esses filhos serão trabalhadores rurais, enquanto o custo de vida nas cidades é relativamente mais caro, o que consequentemente reduz o número de filhos nas famílias, além de questões como segurança, qualidade de vida, necessidade de trabalhar fora de casa, etc. É, portanto, impulsionada por mudanças sociais e comportamentais. ❖ Atualmente, a demografia nacional vive uma fase de bônus demográfico – ou seja, um cenário de redução da dependência jovem na pirâmide demográfica (uma base maisestreita) e de uma ainda reduzida dependência dos idosos (topo ainda estreito), de forma que a população em idade ativa é mais numerosa do que as duas outras. O bônus demográfico é, portanto, um cenário em que a redução da dependência jovem ainda não é compensada pelo aumento da dependência idosa. Os dados do IBGE apontavam que o Brasil atingiu em 2017 o ápice do bônus demográfico, ou seja, a menor razão de dependência possível. Daí em diante, ia-se acelerar, gradualmente, a dependência idosa. ❖ Isso significa dizer que o Brasil ainda possui um prazo até o envelhecimento. Embora o impacto da pandemia tenha sido maior na população idosa, pode ter havido também impactos na decisão de natalidade, no saldo migratório, etc. Há, portanto, chances de que esse envelhecimento seja antecipado para antes de 2040. ❖ Vale ainda destacar que, a população que sai do país é uma população em idade ativa, de forma que, se o ritmo de saída for mantido, isso também aceleraria o fechamento da janela demográfica. ❖ A população brasileira está a caminho da fase 4. A população ainda não está encolhendo, entretanto, o crescimento tem sido muito baixo. ❖ A partir de um dado momento da fase 4, a população entrará no que se chama de “inverno demográfico”, ou seja, um efetivo declínio. Alguns chamam esse inverno demográfico de fase 5 da transição. As projeções indicavam que o Brasil entraria em seu inverno demográfico a partir de 2040. Com a redução da capacidade de reposição nacional cada vez maior e as taxas de crescimento cada vez menores, há possibilidade de que esse encolhimento populacional aconteça antes do esperado. Ano do censo Crescimento anual4 1890 2,01 1900 1,98 1920 2,91 1940 1,49 1950 2,39 1960 2,99 1970 2,89 1980 2,48 1991 1,93 2000 1,64 2010 1,17 2022 0,52 3 É mais compreensível ter sete, oito filhos quando apenas vingam três. Entretanto, com a redução da mortalidade, as mulheres passam a ter menos filhos. 4 A porcentagem de crescimento anual registrada em 1940 reflete a população da década de 1930 (é sempre da década anterior). ❖ Vale notar que, embora até 1940 o Brasil estivesse na fase 1, observa-se elevado crescimento demográfico no censo de 1900 – isso se deve à intensa imigração da última década do século XIX. Obviamente, os ritmos de crescimento da população brasileira têm impacto na estrutura etária. Durante o período de explosão demográfica (fase 2), temos uma base larga – que ilustra as altas taxas de natalidade, e o topo estreito, que ilustra uma expectativa de vida baixa. Na fase três, temos uma base estreitando e o corpo e o topo alargando. Se tem menos gente na faixa de 0-4 do que de 5-9 ou 14-19, quer dizer que nos cinco anos nasceram menos pessoas do que há 5 ou 14 anos atrás. A taxa de fecundidade é determinante para analisar o ritmo de crescimento da população brasileira. A taxa de reposição de 2,1 filhos por mulher em idade fértil determina a taxa de reposição populacional. Uma taxa de fecundidade mais alta que 2,1 representa um crescimento vegetativo, e mais baixa, encolhimento. Em 2005, pela primeira vez, o IBGE mensurou uma taxa de fecundidade menor que 2,1. A projeção é que por volta de 2040 a nossa população comece a encolher. A demografia é parte essencial do planejamento público e territorial, com impactos nos sistemas educacionais e de saúde, além, é claro, do sistema de previdência social. Até mesmo a estrutura eleitoral é impactada pela demografia; a título de exemplo, recentemente o Congresso americano realizou uma reforma eleitoral de modo a adequar a distribuição no Congresso de acordo com a população de cada região – um debate que certamente ganha força à medida que novas regiões ganham maior proeminência populacional. O IBGE foi criado na virada dos anos 1930 para os anos 1940 exatamente com o intuito de otimizar o planejamento territorial no Brasil (vale lembrar que o IBGE não cria o censo, ele já existia). Censo 2022: A população brasileira apresentou, até a década de 1940, altos níveis de fecundidade e mortalidade. Com o início do processo de redução dos níveis da mortalidade, a partir de meados dos anos 1940, e a manutenção dos altos níveis de fecundidade vigentes à época, o ritmo do crescimento populacional aumentou e apresentou seu maior pico na década de 1950, com uma taxa média de crescimento anual de 2,99%. No começo dos anos 1960, inicia-se lentamente o declínio dos níveis de fecundidade, e, a partir de 1970, já é possível verificar, por meio dos dados dos Censos Demográficos, a redução do crescimento populacional. Em comparação com o Censo Demográfico 2010, a população do Brasil cresceu 6,5% (ou 12.306 713 pessoas) o que resulta em um crescimento médio anual de 0,52%, a menor taxa observada na série em análise. É interessante notar que, uma pirâmide etária com a base muito larga não é economicamente confortável, visto que a população em idade ativa precisa bancar muitas crianças. Da mesma forma, uma pirâmide com topo largo e base estreita também não é, pois a população em idade ativa precisa bancar o sistema previdenciário. Ainda que não fosse confortável, a base larga é melhor que o topo largo – isso porque criança é potencial de futuro; em algum momento, essa base se tornaria população em idade ativa. Obs: Uma onda de crescimento econômico proporcionaria um aumento de imigrantes, elevando o crescimento total da população, e muito provavelmente também teria efeitos positivos no comportamento reprodutivo desses imigrantes, o que elevaria o crescimento vegetativo. Obs: o movimento de desmetropolização pode, de alguma maneira, sustentar a fecundidade mais alta por um período maior – isso porque as famílias que estão se mudando das grandes cidades para cidades menores do interior podem estar mais abertas a ter mais filhos do que quando estavam nas metrópoles. Há flutuação da taxa de fecundidade por unidades da federação; a região norte se mantém pouco acima da taxa de reposição populacional (média de 3 filhos), enquanto o Sudeste se encontra abaixo. Entretanto, em todos os Estados observa-se uma tendência de queda da taxa de natalidade. Obs: é óbvio que numa situação em que o topo da pirâmide demográfica é mais largo, há um aumento da taxa de mortalidade (porque há mais idosos). Entretanto, o que é determinante para o encolhimento da população é a taxa de natalidade – mais precisamente, a queda da fecundidade. A razão de dependência e o bônus demográfico (ou janela de oportunidade) Razão de dependência é a relação entre a população em idade inativa e a população em idade ativa (15-64 anos). A janela de oportunidade acontece quando a queda da natalidade é mais expressiva que o crescimento do número de idosos, de forma que há maior população em idade ativa. O bônus demográfico, portanto, ocorre quando a razão de dependência se encontra na casa dos 50%. Esse é o momento para enriquecer – há predominância de adultos em idade ativa. Censo 2022 e TPS 2023 → A população brasileira continua crescendo, mas a taxas bem menores do que esperadas (esperava-se 213 milhões de pessoas, e o resultado foi de 203 milhões) – ritmo de crescimento menor que esperado (que vem acontecendo desde os anos 70, com as quedas da taxa de natalidade – movimento normal e que era esperado); ou seja, o ritmo menor era esperado, o que não era esperado era a taxa. Isso tem algumas explicações: a taxa de fecundidade está ainda menor do que a taxa de reposição da população (as mulheres estão tendo ainda menos filhos que esperado), grande movimento de saída de brasileiros do país, pandemia (inclusive com morte de mulheres em idade fértil). Essa lacuna de 10 milhões de pessoas também pode ter sido influenciada por problemas práticos e metodológicos no recolhimento de dados, devido ao esvaziamento de recursos do IBGE nos últimos anos e ao alto número de domicílios fechados. Por fim, o IBGE não realizou a tradicional contagem de população, que costumaser realizada entre censos, que impediu o ajuste das projeções e a análise do real impacto de certos eventos ao longo da última década, como a pandemia de COVID, a epidemia de zika e o nascimento de crianças com hidrocefalia, o que pode ter impactado decisões de natalidade e taxas de mortalidade, além dos impactos crise política e econômica na expectativa de renda e no saldo migratório. → Não houve mudança no ranking dos Estados de acordo com a população: SP permanece o mais populoso, seguido de MG e RJ, etc. Também não houve troca de posição de regiões, embora tenha ocorrido aumento da fatia de umas em detrimento de outras. → O Estado de Roraima foi o que mais cresceu (41% de crescimento em 12 anos) – é ainda o estado menos populoso do Brasil; o crescimento de Roraima se relaciona diretamente com o aumento do número de refugiados venezuelanos → A região Centro-Oeste continuou crescendo bem acima da média de crescimento brasileira (0,5%), superando a região Norte – é, portanto, a região que mais cresce no Brasil. Vale destacar também o crescimento dos centros urbanos na região Centro-Oeste (cidades do agro, etc) e, obviamente, a migração interna em direção à região. → A região Nordeste é a que menos cresce – a taxa de fecundidade da mulher nordestina é inferior a taxa de reposição já há alguns anos (CUIDADO COM OS PRECONCEITOS E AS IDEIAS DE QUE MAIS POBRES TEM MAIS FILHOS) → A taxa média de crescimento das regiões tem diminuído ao longo do tempo, mas elas continuam crescendo. A taxa da região Norte caiu bastante desde o último censo, e foi ultrapassada pela taxa do Centro-Oeste. → Acentuou-se a tendência à desmetropolização, que já vinha sendo observada há um tempo. → Pela primeira vez na história, aparece um dado de encolhimento da população de metrópoles – capitais brasileiras que encolheram: Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Belém → São Paulo não encolheu, mas o ritmo de crescimento diminuiu muito → A desmetropolização passa a dialogar com o encolhimento das populações nas metrópoles, pelo menos no Rio de Janeiro → antes era relacionada apenas a um ritmo de crescimento menor, mas agora tem sim relação com o encolhimento da população nessas grandes cidades → Aumento da periferização: saída das metrópoles para as periferias na região metropolitana – ao redor das metrópoles (ex: BH, Porto Alegre) → Brasília cresceu muito, assim como Manaus e Goiânia (interiorização da população) → Manutenção do crescimento das cidades médias → A conclusão desses dados se relaciona a necessidade de ajustes no planejamento – territorial, etário, eleitoral, de políticas públicas, etc. Estimativas das comunidades brasileiras no exterior Essas estimativas são realizadas pelo MRE desde 2009; em 2009, o número de brasileiros no exterior é de pouco mais de 3 milhões, caindo a partir de 2010 e que volta a crescer em 2013, oscilando entre os dois e três milhões. Em 2020, esse número atinge 4 milhões. O aumento do número de brasileiros saindo do Brasil em 2013 provavelmente tem relação com os efeitos da crise econômica de 2008, que passam a influenciar o Brasil a partir de 2012. Ainda que o número de imigrantes venezuelanos no Brasil tenha aumentado nos últimos anos, o Brasil continua a ter um saldo migratório negativo. A última estimativa do MRE aponta que as maiores comunidades brasileiras no exterior se localizam, respectivamente, nos EUA, Portugal, Paraguai, Reino Unido e Espanha. Os EUA lideram o destino das migrações brasileiras há muitos anos, e apresenta quase que metade do total de brasileiros no exterior. Muito disso se deve às ideias do “American dream”, da romantização da vida na “América”, mas também do fato de os EUA serem o país desenvolvido mais próximo ao Brasil, comparando com a Europa e a Ásia. O destaque de Portugal se deve não somente à língua, mas à recuperação econômica de Portugal pós-crise e também às facilidades migratórias concedidas aos falantes de língua portuguesa. Vale destacar também a política migratória mais receptiva do governo português em comparação a outros países europeus. No Paraguai, essa presença brasileira se relaciona muito à expansão da fronteira agrícola brasileira na região desde os anos 1970. O recente endurecimento das políticas migratórias do Reino Unido tem diminuído a migração brasileira para o país, que é bastante tradicional. O Japão e o Canadá também possuem importantes comunidades brasileiras, atreladas a políticas migratórias específicas desses países. No caso do Japão, a presença brasileira se insere numa política de atração de imigrantes (no contexto de uma população cada vez mais envelhecida), que privilegia imigrantes de origem japonesa; a população nipo-brasileira é um desses alvos. Existem outros focos de comunidades brasileiras em países fronteiriços, como a Guiana Francesa, e que se dá por motivos óbvios de vizinhança.