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Setor energético brasileiro 
LER BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL 2023 
 
A matriz energética brasileira oscila em 48% de energias renováveis, enquanto a matriz energética mundial é bastante 
suja, com média de 13% de energias renováveis. 
A matriz energética brasileira já foi mais limpa, mas a participação de renováveis na matriz energética foi marcada 
pela queda da oferta de energia hidráulica, associada à escassez hídrica e ao acionamento de usinas termelétricas. 
Além disso, o Brasil era um país mais rural, o que beneficiava o maior uso de energias renováveis. O que surpreende 
é que hoje o Brasil é um país muito urbano e ainda assim possui alta participação de renováveis na matriz energética. 
 
Nos momentos de expansão econômica, há uma tendência de uso maior de fontes de energia não renováveis. 
Durante o período de crescimento econômico do Brasil na primeira década dos anos 2000, apresentou-se uma 
queda no uso de energias renováveis, ao passo que, a partir de 2014, com a estagnação econômica, esse número 
voltou a crescer. Isso, assim como questões climáticas e outras questões, trata-se de fatores conjunturais. 
Em 2022, houve aumento da oferta de energia hidráulica, associada à melhoria do regime hídrico e à redução do uso 
das usinas termelétricas a partir de combustíveis fósseis como gás natural, carvão e derivados do petróleo. 
 
 
 
A maior fonte de energia usada no Brasil é o petróleo, seguido pela biomassa da cana; a energia hidráulica é a principal 
fonte de energia elétrica, e disputa o terceiro lugar com o gás natural. A explicação para o destaque do petróleo e da 
biomassa tem a ver com o predomínio do sistema de transporte rodoviário. 
O carvão mineral bate 5% por conta do parque siderúrgico brasileiro. 
Os maiores consumidores de energia no Brasil são, sobretudo, o setor industrial e o transporte de carga e de 
passageiros, respondendo em 2021 por aproximadamente 65% do consumo de energia do país. 
 
Matriz elétrica brasileira 
Mais da metade da eletricidade do país é gerada através de energia hidráulica. A matriz elétrica brasileira possui em 
torno de 80% de energias renováveis. Fatores conjunturais, como a escassez hídrica, provoca variação no uso da 
energia hidráulica para geração de eletricidade. A escassez de chuvas em 2021 provocou uma redução no nível dos 
reservatórios das principais hidrelétricas do país e a consequente redução da oferta de eletricidade. Essa queda foi 
compensada pelo aumento da oferta de outras fontes, como o carvão, gás natural, energia éolica e solar fotovoltaica. 
O gás natural e a biomassa também tem participação importante; a energia éolica tem ganhado espaço, e a solar 
também tem crescido. 
 
O grau de renovabilidade da matriz elétrica brasileira é muito acima da média mundial. 
 
 
Evolução da capacidade instalada de produção de energia elétrica 
De 2020 para 2021, a capacidade instalada da hidrelétrica e da nuclear continuaram a mesma; vale destacar o aumento 
expressivo da capacidade instalada éolica e da solar. 
 
1. Petróleo 
A produção histórica de petróleo no Brasil é de petróleo offshore – o recôncavo baiana era a principal área de 
produção. Com o choque do Petróleo, em 1973, o Brasil – que já fazia pesquisas na área marítima, avançou pela 
plataforma continental, e o polo de produção passou a ser o Rio de Janeiro; mais pra frente, descobriu-se ainda o Pré-
Sal. Em 2005 o Brasil atingiu a autossuficiência; o Brasil produz hoje uma quantidade de petróleo maior do que 
consome, entretanto, continua importando petróleo – isso por conta da questão do refino. 
O Brasil se consolidou como grande exportador de petróleo. 
 
2. Biomassa 
O uso tradicional da biomassa se relaciona com as sociedades rurais; quanto mais se volta no tempo, maior a 
participação da biomassa na matriz energética brasileira por conta da estrutura predominantemente rural do passado. 
Entretanto, o Brasil se urbanizou e industrializou e a biomassa ainda assim continua sendo importante fonte de 
energia, por conta do desenvolvimento de novas tecnologias no setor – o Proálcool, o biodiesel, etc. 
Instituto do Açúcar e do Álcool – governo Vargas 
O Brasil é um país que tem grande potencial para produção agropecuária – sobretudo por conta da geografia plana. 
O II PND do governo Geisel tem grande foco energético (contexto de choque do petróleo) – é o momento do avanço 
na plataforma continental e também do Proálcool. São Paulo produz sozinho metade da cana de açúcar brasileira, 
seguido de Goiás, Minas Gerais e Paraná. Embora seja comum associar a cana de açúcar ao Nordeste, por questões 
históricas, hoje o primeiro Estado produtor de cana do Nordeste é o Alagoas, em sétimo lugar na produção nacional. 
A produção de cana no centro-sul é uma produção mais agroindustrial que no Nordeste. 
O uso de fontes renováveis é um aliado no combate ao aquecimento global; se houver desmatamento para a realização 
do cultivo da cana, a vantagem é jogada fora. A situação do Brasil é vantajosa pois não há desmatamento para o plantio 
da cana, e como o Brasil não utiliza mais que 10% do seu território para cultivo, não há risco de insegurança alimentar 
causada pela substituição do plantio de alimentos pelo plantio da cana. 
O crescente consumo de biodiesel no Brasil é favorecido pela política de adição deste combustível no diesel fóssil. Em 
relação a produção, o Brasil está entre os maiores produtores desse biocombustível. A matéria prima mais usada para 
sua fabricação é o óleo de soja. 
 
3. Hidroeletricidade 
A vantagem das usinas hidrelétricas está no menor custo de geração de energia, ao passo que a construção dessas 
usinas tem custo elevado. Da mesma forma que a biomassa, a hidroeletricidade contribui na luta contra o aquecimento 
global, ao passo que transforma negativamente o ecossistema com o alagamento. 
A maior parte das hidrelétricas do Brasil se encontra na Bacia do Paraná; o maior potencial hidrelétrico do Brasil se 
encontra na Bacia Amazônica, mas esse potencial ainda não foi aproveitado. 
Para evitar grandes alagamentos, novas usinas – como a de Belo Monte, são construídas com técnica do fio d’água: 
uma espécie de hidrelétrica sem reservatório, que depende do nível de chuvas para a produção elétrica. 
 
 
4. Gás natural 
O gás natural disputa com a energia hidráulica o terceiro lugar na matriz energética brasileira. É um combustível fóssil 
que não sofre tanta resistência por parte de movimentos ambientalistas (menos poluente e multiplicidade de usos). 
Nos anos 90, durante o governo FHC, foi construída uma importante estrutura de engenharia, o Gásbol. 
Durante muito tempo a Bolívia foi o principal fornecedor de gás natural para o Brasil, que passou a aumentar sua 
participação na matriz brasileira nos anos 90. O gás natural se consolidou como importante fonte de energia no Brasil, 
e a Bolívia continua sendo importante exportador, mas não é mais o principal fornecedor, justamente por conta da 
produção do pré-sal. 
 
5. Energia éolica e solar 
Concentra-se no pampa do RS e no Nordeste brasileiro. A usina éolica se concentra em regiões que possuem ventos 
com regularidade; no RS, o pampa tem potencial eólico por ser uma região baixo-plano. O maior potencial eólico 
brasileiro, entretanto, se encontra notadamente no litoral nordestino. 
Quanto à energia solar, fotovoltaica, o maior potencial solar se encontra no polígono das secas; Minas Gerais é o maior 
produtor de energia solar brasileiro. A umidade menor favorece a produção de energia solar. 
 
6. Carvão mineral 
O carvão mineral brasileiro é proveniente da região sul, sendo Santa Catarina o principal produtor. É um carvão de má 
qualidade. 
 
 
Integração energética sul-americana 
Uma das maneiras de territorialização a política sul-americana (ou de qualquer outra região) é através do setor 
energético. 
A matriz energética mundial é bastante suja, enquanto na América do Sul, há um uso expressivo de fontes de energia 
limpa. Juntamente com a Europa, a América do Sul éa região com maior uso de energias renováveis, e as perspectivas 
futuras são de aumento desse consumo. 
 
(Verde=petróleo; vermelho=gás natural; cinza=carvão; amarelo=nuclear; azul=energia hidráulica; laranja=energias renováveis) 
 
Uma dos protagonistas da integração energética sul-americana é a energia hidráulica – a região possui diversas usinas 
hidrelétricas binacionais, como é o caso de Itaipu. A questão das hidrelétricas binacionais está muito relacionada ao 
histórico de estabelecimento de fronteiras na região, no qual o princípio das fronteiras naturais foi muito utilizado 
(rios usados como marcadores de limites). 
Segurança energética é a garantia da existência de energia para atender a população e as atividades econômicas no 
território de um Estado; por muitos motivos os Estados usam a integração regional para garantir a segurança 
energética. Tal ação inviabiliza, entretanto, a soberania energética – que é a segurança energética garantida pela 
produção unicamente nacional. 
O Brasil possui segurança energética, mas não possui – e não buscou – soberania energética. A opção pela integração 
energética regional é uma opção política e econômica; no caso do Brasil, essa opção é, sobretudo, por motivos políticos 
(para atrair os países sul-americanos para sua zona de influência), mas além disso, existem também motivos 
territoriais: há, na região, uma complementariedade no potencial energético dos países. A Bolívia, por exemplo, é um 
país pequeno, com uma população reduzida e uma economia não tão dinâmica, mas que possui alto potencial 
energético em gás natural; o vizinho imediato, o Brasil, é um país de dimensões territoriais, com alto dinamismo 
econômico e densidade populacional, que se beneficia do excedente do gás boliviano. 
A política externa brasileira para os vizinhos sul-americanos busca a integração regional de várias maneiras (por 
decisões políticas) e, uma dessas maneiras, é construindo próteses no território para gerar energia – destaque para a 
hidráulica, gás natural e energias alternativas. 
 
Pode-se dizer que houve dois momentos de maior investimento na integração energética da América do Sul, o primeiro 
se iniciando na década de 70, fortemente influenciado pelos choques do Petróleo, e o segundo a partir da década de 
90, caracterizado por maior investimento privado, aproveitando o momento de desregulamentação do setor elétrico 
na América do Sul. 
O Brasil é o protagonista nos projetos de integração na América do Sul, por conta do peso da economia (maior 
produção e maior consumo de energia), tamanho do território (fronteira com todos os países da América do Sul, com 
exceção de Chile e Equador) e capacidade técnica de construção e financiamento. 
 
Desafios para a integração energética: 
❖ Assimetrias institucionais e de informação entre os Estados 
❖ Diferenças de arcabouço legal e regulatório entre os Estados 
❖ Opção por menor soberania energética 
❖ Incerteza política (crises em outros países podem afetar o abastecimento, ex: Venezuela) 
❖ Conflitos históricos 
❖ Necessidade de altos investimentos iniciais 
Benefícios da integração energética: 
❖ Potencialização da segurança energética 
❖ Promoção do desenvolvimento econômico 
❖ Promoção da eficiência sistêmica 
❖ Ampliação do atendimento e maior acesso à energia 
❖ Promoção da modicidade de preços 
❖ Incorporação dos benefícios socioambientais 
❖ Criação de ganhos de sinergia com outros projetos estratégicos 
 
Energia elétrica 
O Brasil é o maior importador de energia elétrica na América do Sul, enquanto o Paraguai é o maior exportador; a 
exportação paraguaia supera a importação brasileira. 
 
A energia hidráulica tem destaque na região não somente por ter grande participação na matriz energética, mas 
também pelo alto potencial ainda não utilizado. 
 
Interconexões existentes e estudos 
Interligações em operação do Brasil com países vizinhos: 
▪ Paraguai: Itaipu binacional 
▪ Paraguai: Acaray (desligada) 
▪ Uruguai: Rivera 
▪ Argentina: Garabi 
▪ Venezuela: El Guri (Boa Vista) 
No rio Uruguai, existem três usinas hidrelétricas: Itaipu binacional (Paraguai-Brasil), Yacyretá (Paraguai-Argentina) e 
Salto Grande (Argentina-Uruguai). Todas estão em funcionamento. 
 
Com o Peru, existem projetos para construção de hidrelétricas com o Brasil. O Peru tem alto potencial hidrelétrico e o 
Brasil possui linhas de transmissão que chegam até Rondônia. 
 
Foi assinado, em 2010, um acordo bilateral de energia entre os dois países, com 50 anos de duração, exigindo do Peru 
a produção de energia hidrelétrica em grande parte para ser exportada ao Brasil. Grupos da sociedade civil se 
opuseram ao acordo porque para gerar essa quantidade de energia seria necessário permitir que as empresas 
brasileiras construam barragem em rios na selva amazônica do Peru, além de remover grupos indígenas e outros 
povos. Tudo indica que esses projetos não sairão do papel. 
Sobre a complementariedade energética: 
 
OBS: não confundir binacional, construída na fronteira, com a transmissão de energia de usinas nacionais. 
 
Na importante fronteira entre Brasil-Argentina, no rio Uruguai, há o projeto de construção do Complexo Binacional de 
Garabi. Novamente, a oposição da sociedade civil travou a implementação desse complexo. 
 
Gás natural 
O Gasbol – gasoduto Brasil-Bolivia foi construído nos anos 90 durante o governo FHC. Na época, a Bolívia chegou a 
fornecer 40% do gás consumido no Brasil. Atualmente, a Bolívia ainda é importante fornecedora de gás, mas já não é 
tão expressivo, porque a produção de gás no Brasil (com o gás vindo do pré-sal) aumentou. A Bolívia também 
fornece gás para Argentina e Chile. 
 
Fontes alternativas de energia 
Embora sejam menos relevantes em termos quantitativos, as fontes alternativas parecem ser muito relevantes e 
promissoras para o futuro; isso por conta das condições climáticas da região. 
Os maiores potenciais solares da região se concentram no Deserto do Atacama, no norte da Argentina e no Sertão 
nordestino brasileiro. A energia fotovoltaica demanda áreas de menor umidade. A questão da integração energética 
a partir da complementariedade regional pode ser observada usando o exemplo da energia fotovoltaica na Argentina, 
que poderia ser exportada para o sul/sudeste do Brasil, por questões de proximidade. 
 
O litoral brasileiro tem grande potencial de energia eólica, assim como o Uruguai – que tem grande potencial e menor 
consumo, algo que também beneficiaria a integração energética. Em 2015, foi inaugurado o parque eólico de Artilleros 
no Uruguai, primeiro empreendimento da Eletrobrás a gerar energia no exterior, fruto da parceria com a companhia 
elétrica uruguaia UTE. Artilleros amplia as perspectivas de intercambio energético em âmbito regional e faz parte da 
estratégia de internacionalização da empresa brasileira, que busca melhorar a competitividade e a geração de valor. 
O desenvolvimento do projeto eólico teve origem no “Acordo para Avaliação e Desenvolvimento Conjunto de Parques 
Eólicos de Geração de Energia Elétrica Instalados na República Oriental do Uruguai”, assinado em abril de 2012 pelos 
presidentes da Eletrobrás e UTE.

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