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ÉTICA 
Atualizado 01.2020 
 
Professor 
_____________________________ 
 
_____/____/_____ Início 
 
Previsão de término 
____/_____/____ 
 
“A construção da postura 
de um bom técnico de 
enfermagem, requer um 
embasamento ético, a 
educação de condutas, 
deveres, direitos e 
proibições da profissão, 
é parte da construção de 
um profissional 
tecnicamente 
capacitado. Além da 
educação doméstica, o 
profissional de 
enfermagem adquire 
uma postura imparcial, 
técnica e legal que só o 
estudo dessa gama 
conhecimentos trás”. 
 
 
Elaboração 
Prof Enfª Prof Adriana 
Márcia 
 
Formatação, Edição e 
Revisão 
Prof Enfª Juliana Targino 
 
Direção 
 Enfª Mônica de Moraes 
 
 
 
 
 
 
3 Não importa que você nunca tenha 
participado de um debate sobre ética e que nunca 
tenha parado para entender o significado dessa 
palavra. 
Todos os dias de nossas vidas, nossas 
relações pessoais e profissionais, nossas atitudes 
são moldadas por ideias e conceitos que “moram” 
dentro de nós. 
Antes do nascimento de Jesus Cristo, há 
muitos anos, importantes pensadores - os filósofos 
- ocuparam suas vidas, preocupados em perguntar 
e em responder sobre o que 
é o bem e o que é ser bom. 
Nós, brasileiros, 
fomos colonizados pelos 
portugueses que também 
sofreram influência dos 
pensadores gregos. 
Portanto, nós, brasileiros, 
somos também herdeiros 
do pensamento desses 
homens. 
Ou seja, vivemos 
em uma sociedade que 
admite como certo um código de valores que é 
reconhecido e legitimado por outras sociedades 
que, como a nossa, foram influenciadas pelos 
filósofos gregos. 
 
O que é ética? 
Pode-se dizer que, no cotidiano, a ética 
aparece por meio de nossas ações e atitudes, as 
quais são classificadas como “boas” ou “ruins” 
pela sociedade. Isto é, nossas atitudes são 
aprovadas ou reprovadas socialmente, uma vez 
que são reconhecidas como adequadas ou não aos 
valores morais que norteiam nossa sociedade. 
É preciso observar, no entanto, que há 
valores morais próprios de outras sociedades e 
que, muitas vezes, esses valores são diferentes dos 
nossos. 
A intolerância de um povo em relação aos 
valores de outros povos, frequentemente, acaba em 
luta, briga ou guerra. 
Se olharmos à nossa volta e se 
conversarmos com familiares, com pessoas de 
gerações passadas e de diferentes classes sociais, 
vamos perceber que os valores e as regras do bem 
agir variam de lugar para lugar e se modificam ao 
longo do tempo. 
Um exemplo bastante conhecido de 
mudanças de valores através do tempo diz respeito 
às relações conjugais. 
Há 30 ou 40 anos o 
conceito de casamento 
era apenas um, o 
tradicional casamento 
com a benção 
apostólica, qualquer 
que fora desse padrão 
era motivo de 
discriminação social 
para as mulheres. 
Hoje, relacionamentos 
de diversas formas são aceitos e não causam 
espanto. 
Os hábitos e os valores morais, nesse caso, 
modificaram-se tanto, que exigiram uma reforma 
leis. Hoje os direitos da companheira são os 
mesmos da mulher casada oficialmente. 
É interessante observar que as leis são 
pensadas, escritas e entram em vigor sempre 
depois que uma determinada situação já se 
estabeleceu socialmente. 
Os valores morais se modificam no 
tempo, e o que poderia ser visto como uma atitude 
inadequada – o mal agir – ontem, pode ser hoje 
interpretado como perfeitamente aceitável e de 
acordo com o bem agir. 
Há situações em que fica fácil 
reconhecermos a falta de ética. Algumas são tão 
evidentes que existe uma unanimidade em 
condená-las socialmente. 
ÉTICA PROFISSIONAL 
 
Ética 
 
Data ___/___/____ 
 
Ciclo Básico 
 
 
4 
A história de nosso país tem, infelizmente, 
muitos exemplos evidentes de condenação 
unânime: juízes corruptos; utilização de cargos 
públicos para favorecimento próprio ou de 
parentes e amigos; erros médicos; troca de votos 
por benefícios diretos ou indiretos (dentaduras, 
óculos, ligadura de trompas, bica-d’água para a 
comunidade, etc). 
A nossa conduta ética também está 
relacionada às proibições e às permissões dos 
grupos corporativos aos quais pertencemos 
enquanto categoria profissional. 
Nesse caso estamos falando da ética das 
profissões, que podemos definir como sendo um 
conjunto de regras que regem a conduta do 
trabalho profissional. A ética de um grupo 
corporativo busca também a humanização do 
trabalho organizado e se coloca a serviço da 
promoção social humana. Não está, portanto, 
relacionada apenas a um conjunto de normas. 
Os conselhos de classe, por exemplo, 
agrupam as pessoas de uma mesma profissão e 
definem os limites de atuação profissional e as 
normas éticas para o exercício da profissão. É o 
caso dos Conselhos de Enfermagem, Medicina, 
Engenharia, Serviço Social, Nutrição, dentre 
outros. 
É claro que existem temas muito polêmicos, 
que acabam por misturar, no calor da discussão, 
valores morais, com valores religiosos e culturais, 
sem que se estabeleça com clareza uma distinção 
entre eles. Para exemplificar, basta lembrar de 
debates realizados em torno do aborto. 
Existem situações que se repetem tanto em 
nossa vida profissional, que viram “lugar comum”. 
Tornam-se situações “normais” e vão estar 
relacionadas com os conceitos ou (pré)conceitos 
que “moram” em nós e na sociedade em que 
vivemos. Por exemplo: é comum considerar que as 
mães das crianças atendidas por profissionais de 
saúde, ou as pessoas que acompanham os 
pacientes “só servem para atrapalhar”, porque 
“perguntam demais”, ou “são nervosas demais”. 
Às vezes, nem se consegue perceber que essas 
pessoas podem ser grandes aliadas na recuperação 
dos doentes e nas ações de saúde que estão sendo 
realizadas ou propostas. 
Escolhas 
Quando escolhemos trabalhar na área da 
saúde, escolhemos nos aproximar de outros seres 
humanos, em todos os sentidos, de um jeito que 
não acontece em nenhuma outra atividade 
profissional. A natureza de nosso trabalho nos 
obriga a uma proximidade que, dependendo de 
como é feita, pode ser muito positiva para a 
conquista da confiança da clientela. 
Mesmo que não estejamos pensando nisso 
a cada instante, nosso trabalho está o todo o tempo 
submetido às tensões causadas entre o que o 
usuário espera, e o que os serviços de saúde são 
capazes de oferecer. 
E hoje é preciso concordar: os usuários 
diversas vezes demonstram não estar contentes 
com esses serviços. E nós? Estamos satisfeitos com 
o que oferecemos? 
É verdade que, muitas vezes, trabalhamos 
em instituições onde faltam equipamentos e 
materiais considerados básicos para o 
desenvolvimento de nossas atividades. Por vezes, 
somos obrigados a realizar nosso trabalho de uma 
maneira diferente da que desejaríamos. 
Frequentemente somos excluídos das 
decisões, ou nem mesmo sabemos que podemos 
participar das definições sobre nosso trabalho. 
São comuns nas instituições normas e 
regras rígidas, que de tão impositivas bloqueiam 
qualquer iniciativa mais criativa do profissional. 
Podem ser esses os fatores que nos 
oprimem, determinando em nós um afastamento, 
isto é, uma certa insensibilidade em relação às 
nossas ações o que, é claro reflete no nosso trato 
com o cliente. 
Podemos também, sem intenção, estar 
provocando nos usuários uma reação de 
afastamento, e até de rejeição a nós e aos serviços. 
 
5 
Como podemos, então, encontrar o melhor 
caminho para que, cumprindo com nossas 
responsabilidades, tenhamos a certeza de que 
nossas ações eram o que de melhor poderia ser 
feito? 
Estamos fazendo a nossa parte? Estamos 
dando o melhor que podemos? 
Reflexão 
 Todas as ações de saúde 
devem, obrigatoriamente, ser 
ações inquestionáveis do ponto de 
vista ético. Tanto os procedimentos 
que são dirigidos diretamente ao corpo 
dos pacientes, por exemplo, ministrar um 
medicamento, realizar um exame complementar 
ou uma intervenção cirúrgica, quantoàs atividades 
de educação em saúde, as visitas domiciliares ou 
mesmo o repasse de informações. 
 Chamamos a atenção para o fato de que o 
trabalho em saúde se realiza por meio do ouvir, do 
olhar e do tocar. 
 Na equipe de saúde, a especificidade do 
trabalho faz com que os profissionais de 
enfermagem fiquem, com mais frequência, mais 
próximos das dores e feridas dos seres humanos 
que buscam alívio por meio de nossos serviços. 
 Se entendermos que faz parte de nosso 
papel acolher, ficará fácil entender que a acolhida 
se realiza ou não, através da maneira como 
escutamos, olhamos e tocamos. 
 Se são especiais nosso olhar e nossa escuta, 
certamente o nosso toque será mais confortador, 
ficando possível ir além nos sentimentos e nas 
emoções daqueles que atendemos. Estaremos 
tocando mais que o corpo. A ação realizada por 
meio de uma assistência mais dialogada com o 
cliente pode trazer-lhe outras mensagens. Pode 
levá-lo a refletir sobre as mudanças necessárias 
para sua cura ou restabelecimento. 
 Vamos pensar nas pessoas que chegam até 
nós. São indivíduos que podem estar doentes nos 
hospitais, ambulatórios ou em casa. Podem, ainda, 
estar em fase de recuperação ou reabilitação. 
 Por vezes, são doentes terminais querendo 
conforto. Podem desejar a prevenção de doenças, 
ou estar buscando informações sobre saúde. 
 A forma como nos relacionamos com essas 
pessoas, certamente influência no resultado da 
ação de saúde. Os que nos procuram têm coisas 
importantes a nos dizer sobre eles mesmos e sobre 
aquilo que estão sentindo e buscando. 
 Quando não há a possibilidade de falarem 
conosco, como é o caso de doentes em coma, de 
crianças, ou de certos casos de deficiência física 
e/ou mental, devemos considerar as informações 
dadas por quem os acompanha e estarmos atentos 
para as possibilidades da comunicação não verbal. 
 Muitas vezes, mesmo que o doente não 
esteja tentando se comunicar, o seu corpo, através 
da posição que assume, pode estar sinalizando 
uma série de informações valiosas. Seu rosto pode 
estar demonstrando dor, tristeza, desconforto, 
alívio e espera que nós valorizemos aquilo que diz 
e que, assim, realizemos nosso trabalho de maneira 
mais adequada. 
 Nós, profissionais, temos coisas 
importantes a dizer e a fazer, e é fundamental que 
as pessoas entendam aquilo que dizemos e 
fazemos, para que possam cumprir com sua parte 
da melhor forma. 
 Então, se há acordo sobre esse raciocínio, 
chegamos à conclusão de que uma boa relação dos 
profissionais de saúde com a clientela requer a 
existência de uma troca de saberes. Isso quer dizer 
que eu, profissional de saúde, entendo que o outro, 
cliente, tem um saber para me ensinar que 
desconheço. Da mesma forma, que eu, profissional 
de saúde, tenho um saber para ensinar que o outro 
desconhece. A troca é recíproca. 
 Então, quando nossa clientela reconhece 
que nos interessamos pelo que ela tem a dizer, e 
que somos capazes de escutá-la e de olhá-la para 
além dos órgãos e dos membros de seu corpo, 
logicamente fica mais aberta a nos ouvir e a 
perguntar. 
 Consequentemente, não terá vergonha de 
demonstrar desconhecimento em relação a 
determinado assunto. A confiança e o respeito se 
estabelecem mais rapidamente, o que é 
fundamental para a obtenção da cooperação tão 
desejada durante um tratamento, ou para as ações 
de prevenção e de promoção de saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
Preconceitos 
 
 
 
 
 
 
 Nós, profissionais de saúde, convivemos 
com pessoas que têm valores morais diferentes dos 
nossos, isto é, pensam e agem de forma diferente 
da nossa; no entanto, isso não pode nem deve 
definir nossa forma de atendimento às pessoas. 
 Estamos nos serviços com o propósito de 
realizar ações de saúde em benefício de quem nos 
procura e, portanto, não nos cabe (nem a ninguém) 
julgar seus atos. Agindo de acordo com os 
princípios éticos da profissão, portanto, com 
responsabilidade, sabemos que não nos é 
permitido criticar atitudes ou gestos de quem 
chega até nós. Temos obrigação de não permitir 
que ninguém o faça. 
 Não cabe a nós, por exemplo, condenar ou 
dar a entender que reprovamos uma mulher que 
tenha procurado assistência com complicações 
resultantes de um aborto, ou fazer insinuações, e 
até perguntas sobre fatos que nada auxiliam na 
ação que vamos realizar. 
 Obviamente, não nos cabe abandoná-la, ou 
deixá-la esperando sem tomar atitudes que lhe 
propiciem algum alívio. 
 É sempre bom lembrar que, sejam lá quais 
forem os motivos que levaram uma mulher a 
provocar um aborto, essa decisão nunca é tomada 
sem conflitos e é um momento de muito 
sofrimento para a mulher e, por vezes, para quem 
a acompanha (quando ela está acompanhada). 
 Outra situação bastante comum se refere à 
reprovação de adolescentes que estão grávidas. E, 
novamente, não nos cabe repreendê-las ou tratá-las 
como se fossem nossas filhas ou sobrinhas. Elas 
não o são. E talvez esperem de nós a compreensão 
que dos seus familiares não tiveram. Melhor seria 
alargar nossa escuta (lembra?), estimular sua 
autoestima e o cuidado consigo mesma durante o 
período de gravidez. 
 Outra situação em que o preconceito não 
pode estar presente ocorre quando do atendimento 
a um assassino que acabou de ser baleado. Não nos 
cabe definir se ele merece ou não ser atendido, pois 
nos serviços de saúde todos devem ser atendidos. 
 Nós temos um compromisso com a 
confidencialidade. Todos os dias vemos e ouvimos 
coisas que traduzem os sofrimentos e os conflitos 
mais íntimos das pessoas. Não temos o direito de 
revelar o que vemos e ouvimos a quem quer que 
seja, nem dar ouvidos a boatos que podem 
prejudicar a vida das pessoas, sejam elas famosas 
ou não. 
 Ao longo dos últimos 15 anos, com o 
aparecimento da AIDS, temos sido levados a 
refletir sobre nossa capacidade de discutir sobre 
situações que mobilizam os tabus mais antigos da 
humanidade e enfrentá-las. A existência da AIDS 
impôs novos desafios a toda a sociedade, 
colocando em evidência toda a incapacidade dos 
serviços de saúde para lidar principalmente com 
questões relacionadas à sexualidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 Os serviços de saúde 
fazem parte de uma 
sociedade que encontra muitas dificuldades em 
lidar com tabus e preconceitos relacionados à 
sexualidade. 
 Ora, esses serviços têm profissionais que 
pertencem à coletividade. Sendo assim, somos 
obrigados a enfrentar questões que, por vezes, 
eram ignoradas, ou nunca admitimos que 
existissem, como o homossexualismo, o sexo anal, 
o sexo oral, que eram e continuam sendo, para 
muitos, problemas dos outros. 
 É necessário lutar contra a rejeição ao 
doente de AIDS e o medo da contaminação. 
Finalmente começamos a exigir de nós o respeito 
às normas universais - elementares - de segurança 
para acidentes com material biológico. 
 Tem sido necessário aprender a situar 
nosso sentimento diante de pacientes 
contaminados. Piedade ou desprezo? Amor ou 
ódio? Afastamento ou aproximação? 
 A situação não é fácil e, de certa forma, a 
existência da doença AIDS tem permitido que os 
profissionais de saúde, mesmo que por caminhos 
transversos, falem sobre temas que nunca antes 
foram considerados importantes, como 
autoestima, prazer, desejo. 
E é claro que isso 
tinha que 
acontecer! Pense 
bem. 
 
 
7 
 Hoje, mais do que nunca, precisamos 
aprender a lidar com os preconceitos. 
O que não falamos 
 A prática do 
autoritarismo está 
tão presente nos 
serviços de saúde, 
que poucos se 
questionam, por 
que, em quase 
todos os hospitais, 
ambulatórios e 
postos de saúde, o 
primeiro profissional com quem o usuário entra 
em contato é um “guarda”, um “segurança”, um 
policial. Seja por falta de pessoal para recepcionar 
os clientes, seja por “necessidade” de transmitir 
uma ideia de ordem e autoridade aos serviços de 
saúde, invariavelmentenão proporcionamos uma 
entrada confortável aos usuários. 
 Delegamos aos agentes da ordem pública 
um trabalho que cabia aos agentes de ações de 
saúde. 
 É importante entender o porquê de 
aprovarmos essa forma de lidar com quem chega 
até nos, já que algumas vezes entendemos que são 
os clientes que atrapalham nossas funções. 
 No momento de nosso primeiro contato 
com a clientela, estamos enviando-
lhe um recado, mesmo sem 
dizer uma palavra. Será 
que essa recepção aos 
serviços aproxima ou 
nos afasta? 
E então, cabe a pergunta: 
como a clientela se sente? 
 Ultrapassada a 
porta de entrada, vamos nos 
deter no interior dos serviços. 
 Seria ingênuo e mesmo cruel imaginar que 
alguém sente prazer em estar dentro de hospitais e 
consultórios, seja porque está doente, seja porque 
acompanha alguém. De uma maneira geral, o 
cliente ou o acompanhante está triste, tenso e com 
medo. 
 Temos também aqueles que vão às 
unidades básicas de saúde (postos ou centros de 
saúde), sem parecer doentes, mas que estão à 
procura de alguma coisa: uma palavra, atenção, 
orientação ou acolhimento. E é possível que, por 
puro preconceito (que muitas vezes nem 
percebemos), essas pessoas sejam recebidas como 
se fossem menos importantes, como se o motivo 
que as levou a procurar o posto não fosse 
importante porque muitas vezes se acredita que ela 
esteja “tirando a vaga de quem está doente e 
precisa”. 
O que podemos 
fazemos para que 
elas se 
sintam acolhidas? 
Quantas vezes, 
durante nossa 
jornada de 
trabalho, olhamos 
nos olhos daqueles 
de quem cuidamos? Quantas vezes sorrimos e 
paramos para escutar o que têm a nos dizer ou a 
perguntar? 
 O que você pensa do profissional que , ao 
ser perguntado sobre os níveis tensionais que 
acabou de verificar num paciente, não responde 
nada ou diz: “está bom”, ou “não posso falar” O 
que você pensa ao ver uma mulher que sofreu uma 
cesariana, levantar-se sozinha , sem ajuda de um 
profissional, para ir ao banheiro ou para tomar o 
bebê nos braços, seja para amamentar, ou para 
acalmá-lo? 
 O que você pensa de ter que esperar horas 
a fio numa sala de espera, aguardando 
por informações sobre a saúde de 
um ente querido, 
principalmente nas 
antessalas das UTI? 
 Talvez muitos de nós nunca 
se tenham feito 
essas perguntas e é possível 
que, num primeiro momento, 
você tenha respostas como as 
que seguem, retiradas da fala de 
profissionais como nós : “também, pelo salário que 
a gente ganha...”; “a gente tem tanto trabalho, que 
não dá pra pensar nessas coisas...”; “não é só o 
profissional que atende mal, a clientela também 
não obedece, reclama...”. Se pararmos para 
interpretar o significado dessas frases, logo vamos 
perceber que elas se apoiam em ideias e 
argumentos que não se sustentam. São fruto do 
preconceito e de uma relação de poder que 
submete o outro. Senão, vejamos... 
 
8 
 Será que as pessoas que chegam até nos têm 
culpa dos salários e da quantidade de trabalho que 
realizamos? Se é verdade que nossa remuneração 
frustra nossas expectativas, o nosso cliente não 
deve ser o alvo do nosso descontentamento. Pelo 
contrário, seria importante que a população fosse 
esclarecida sobre seus direitos e pudesse se aliar ao 
profissional na luta por melhores condições nos 
serviços de saúde. 
 É desejável e primordial que os as 
auxiliares de enfermagem possam discutir sobre a 
falta de estrutura e organização dos serviços e 
percebam que isso as penaliza porque são eles / 
esses profissionais que mantêm um contato mais 
estreito e direto com a clientela, e enfrentam de 
perto, seu sofrimento e suas reais necessidades. 
 Sabemos que é o técnico de enfermagem 
que responde de imediato pela falta de 
medicamentos; de materiais e equipamentos; pela 
ausência de vagas para internação e / ou 
atendimento e, por isso, é alvo do 
descontentamento, percebe as angústias e os 
sofrimentos do que procuram os serviços de saúde. 
 Fica clara a importância de discutirmos e 
estimularmos a participação da comunidade nos 
espaços onde se decide o uso dos recursos, por 
exemplo, nos Conselhos Municipais e Distritais de 
Saúde. Hoje, no Brasil, as possibilidades de 
participação são maiores em alguns casos, como no 
Programa de Saúde da Família – PSF. 
Precisamos reconhecer que a passividade não 
é a melhor forma de encarar os problemas. Eles 
também interessam à comunidade e não são 
fatalidades, isto é, não acontecem por obra do 
destino, ou porque “tem que ser assim”. 
 É preciso desenvolver as discussões e trocar 
ideias com nossos colegas. Se pudermos discutir 
em nossos espaços de trabalho, ótimo! Se não, 
vamos tentar criar condições para que seja possível 
no futuro. 
 Podemos nos reunir nos sindicatos e em 
outros espaços corporativos. 
 Será também proveitoso contar com o 
apoio das pessoas que atendemos. E isso é possível 
se, ao mesmo tempo em que lutamos pela melhoria 
das condições de trabalho, de remuneração e pela 
maior participação na definição dos recursos, 
prestamos mais atenção na forma de receber e de 
nos relacionar com a clientela. Os frutos de uma 
mudança de atitude frente à clientela seriam o 
reconhecimento e a valorização de nosso trabalho. 
 É preciso responder a algumas perguntas 
que ficam no ar: se o trabalho que realizamos foi 
uma escolha, quem ou o que nos obriga a cuidar 
dos outros? 
 Existem vários trabalhos que não requerem 
tanta proximidade com as pessoas... É importante 
que fiquemos atentos para a alegada “falta de 
tempo para pensar nessas coisas”. 
 A falta de reflexão deixa nosso trabalho 
muito mecânico, automático. Acaba sendo, ao 
mesmo tempo, causa e consequência de um 
sentimento de desvalorização do 
nosso trabalho, por nós mesmos. 
 Finalmente, chamamos sua atenção para o 
fato de que, se o profissional reconhece que atende 
mal, expõe seus preconceitos com relação à 
clientela e está revelando o seu descompromisso e 
descaso com aqueles a quem deveria dedicar sua 
atenção. Revela seu desprezo e desvalorização pelo 
outro. 
 Ao mesmo tempo, quando espera que a 
população obedeça, admite uma relação de 
autoritarismo e de infantilização dos clientes. Ora, 
não temos que esperar a obediência de ninguém. 
 As pessoas que chegam até nós, devem ser 
bem informadas e entender o que falamos, para 
avaliar se concordam com as ações que propomos 
ou se discordam delas. 
 É possível que você nunca tenha parado 
para pensar nisso. 
 No entanto, há princípios básicos de 
cidadania que precisam ser respeitados. As 
pessoas têm autonomia, isto é, têm independência, 
têm liberdade para decidir o que querem para si, e 
têm o direito de serem bem informadas, inclusive, 
para dizer não ao que estamos propondo. Quando 
são privadas dessa autonomia, em geral, terão um 
acompanhante para assumir as decisões (pais, 
filhos, irmãos, cônjuges). 
 Então, não há motivos para ficarmos 
aborrecidos pelo fato de nossos clientes fazerem 
perguntas. Uma explicação que só use termos 
técnicos em nada ajuda o seu questionamento 
sobre o medicamento que lhe oferecemos, a 
necessidade de urinar na comadre, e não no vaso 
sanitário, o seu pedido de informações sobre a 
realização ou o resultado de exames. 
 É sempre bom ter em mente que o corpo 
com que estamos lidando ou sobre o qual estamos 
falando, não nos pertence. Quando achamos que a 
clientela precisa se submeter a nossas ações 
 
9 
estamos, novamente, diante dos ingredientes 
básicos da violência: poder, arrogância e 
autoritarismo. 
O que a gente fala 
 
 
Existem situações que, 
de tão presentes em nosso 
cotidiano, não causam mais 
espanto ou constrangimento. 
As frases ditas nos espaços 
hospitalares e ambulatoriais pelos profissionais 
de saúde (não importando a categoria a que 
pertençam), podem ser muito duras. Podem até 
arrepiar, por revelarem grosseiras que envolvem 
os preconceitosmais escondidos! 
Quem nunca ouviu falar durante um 
trabalho de parto ou um aborto: “na hora de 
fazer, você gostou, não foi?” 
Diante de uma mulher que engravidou 
outra vez: “mas, outra vez?” ou “a senhora não 
tem televisão em casa?” 
Diante de uma mãe segurando a criança 
para uma injeção: “segura direito essa criança, 
mãe, ou ela vai ficar sem vacinar!” 
Diante de um alcoólatra: “lá vem aquele 
bêbado outra vez!” 
Diante de uma mulher ansiosa: “isso é 
chilique” 
Diante de paciente cirúrgico: “Isso não é 
nada, é lógico que o senhor tem que sentir dor”. 
Diante de uma pessoa em estado terminal: 
“pra que mudar o decúbito? vai morrer mesmo”. 
Diante de um homossexual: “lá vem a 
amiguinha (homem) dele!” 
Certamente existem outros exemplos que 
você será capaz de lembrar. 
O que parece claro é que os responsáveis por 
frases como as citadas esquecem que, na situação 
em que se encontram, cada um desses pacientes 
está fragilizado e submetido às normas dos 
serviços que nós, profissionais de saúde, estamos 
impondo. 
Certamente, não gostam do que ouvem; no 
entanto, muitas vezes não reagem ou permanecem 
passivas uma vez que, na situação, sentem-se 
desiguais, inferiorizados. 
Não se deve esquecer também qual é a 
clientela que, em geral, frequenta os serviços de 
saúde. São mulheres. Mulheres que levam as 
crianças, que vão às consultas de pré-natal, que vão 
dar à luz. Mulheres que vão buscar o remédio que 
acabou. Os homens, quando vão aos serviços de 
saúde, já estão sem condições de trabalhar, porque 
estão doentes, ou são idosos. 
A clientela a que fazemos referência 
corresponde, em geral, à parcela da população 
desvalorizada socialmente. E nós, dentro dos 
serviços de saúde, muitas vezes sem perceber, 
contribuímos para reforçar sua desvalorização. 
Trabalho em Equipe 
 
 
O trabalho em saúde é, sempre, um trabalho 
de equipe e exige, sempre, respeito entre os 
membros do grupo. Cada um dos membros de 
uma equipe que trabalha com saúde, reconhece 
que o trabalho que cada profissional realiza é 
importante e contribui para o conjunto e por isso 
todos precisam se encontrar para refletir sobre sua 
atuação. 
No entanto, embora haja consenso sobre essa 
necessidade, no cotidiano, os encontros não se 
verificam. Queremos, no entanto, estimular essa 
discussão por entender que a responsabilidade 
ética de que tanto falamos, passa pela existência de 
uma relação com outras pessoas, também 
profissionais de saúde que, como nós, têm um 
compromisso com a defesa da vida. 
O trabalho de equipe precisa ser entendido 
como um trabalho de parcerias. Numa equipe, 
todos têm uma função importante que será 
realizada da melhor forma possível, na medida 
em que os profissionais estejam integrados. 
Mas... Como fazer para que a integração 
aconteça? 
É evidente que a instituição onde estamos 
trabalhando, precisa reconhecer a importância do 
trabalho do grupo, a fim de que os profissionais 
tenham espaço para se reconhecer como tal. 
 
10 
Uma equipe de saúde trabalha bem, 
quando integra os papéis de seus membros. A 
integração é sempre muito proveitosa e não pode 
ser confundida com a sujeição de um membro da 
equipe por outro. 
Isso não quer dizer que os trabalhos nas 
equipes dispensem uma hierarquia, 
principalmente se são atividades relacionadas à 
realização de tratamentos ou de procedimentos 
curativos. 
É importante que cada um reconheça seus 
limites e os limites da atuação profissional dos 
membros de uma equipe, a fim de se aperfeiçoar, 
cada vez mais, naquilo que sabe e que foi 
preparado para realizar. 
O nosso enfoque diz respeito, basicamente, 
às relações interpessoais nos grupos. Portanto, 
relaciona- se a todos os seus membros. 
Queremos afirmar a necessidade de 
diálogo e de respeito entre as pessoas que 
trabalham juntas. Consideramos que é dever de 
todos nós contribuir para que nosso ambiente de 
trabalho seja agradável, para que cada um de nós 
também se sinta acolhido em nosso espaço de 
trabalho, seja ele o hospital, os consultórios e 
ambulatórios, ou os espaços onde discutimos as 
ações que vamos realizar nas casas das pessoas. 
Na verdade, é difícil dedicarmos algum 
momento da nossa jornada de trabalho, para 
pensarmos e conversamos sobre o quanto esta ou 
aquela situação mexeu conosco. Quantas vezes 
ficamos com um nó na garganta diante de uma 
situação (e são muitas!) de morte, ou diante da 
dor de alguém que recebe a notícia de que vai 
ficar com alguma deficiência? 
Quantas vezes nos fazem perguntas cujas 
respostas desconhecemos ou conhecemos, mas 
não podemos ou nos falta preparo para fornecer 
(como quando sabemos de um diagnóstico ou de 
um prognóstico ruim)! Situações assim geram em 
nós reações que não controlamos, como tremores, 
suores, frio na barriga, dor de cabeça. 
Quantas vezes somos obrigados a estar em 
contato com situações que nos causam 
aborrecimento e vergonha, como é o caso de 
doentes ou acompanhantes que fazem 
insinuações grosseiras apelando para temas que 
têm a ver com a sexualidade! Quantos já não 
presenciaram pacientes se masturbando? 
E quando estamos diante de situações que 
fogem ao controle do paciente, mas que somos 
obrigados a vivenciar diante de outros 
profissionais, como é o caso de estar cuidando do 
asseio de um doente no leito, e ocorrer uma 
ereção do pênis? 
E quando nos aborrecemos com outros 
colegas de trabalho? 
Você não acha que seria bom poder falar 
desses sentimentos com outras pessoas que 
também passam pelas mesmas situações? Que 
seria bom que encontrássemos, entre nossos 
pares, aquele olhar de compreensão diante de 
uma impossibilidade nossa? Que pudéssemos 
contar com a crítica construtiva das pessoas com 
as quais trabalhamos? Que não precisássemos ter 
medo de demonstrar nossa fragilidade em 
relação a determinadas situações? 
Então, é preciso que nos olhemos mais e 
nos escutemos mais. Principalmente porque o 
que nos une é estar lidando tão de perto com o 
sofrimento humano. É preciso parceria, seja para 
entender melhor do trabalho que vamos realizar, 
seja para reafirmar uma cumplicidade solidária, 
diante das situações de tensão, de tristezas e de 
alegrias, experimentadas no dia a dia de nosso 
trabalho. 
A cumplicidade solidária pode nos aliviar, 
fazer com que percebamos que nossa experiência 
guarda semelhanças com a experiência de outros 
colegas. Permite que nosso sentimento seja de 
inclusão num espaço que é coletivo, mas 
entendendo que temos necessidades individuais. 
Cria o conhecimento através da experiência 
coletiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
Um pouco de história 
 
Diariamente, todos 
construímos, de maneira 
individual e coletiva, a história 
do grupo social a que 
pertencemos. Em nosso meio, 
contribuímos ativamente para as 
transformações e para a 
consolidação de aspectos sociais, 
culturais e psicológicos. 
O estudo da história é 
importante para descobrirmos e 
entendermos os caminhos 
trilhados por nossos pais e 
antepassados, responsáveis pela 
atual realidade. Da mesma forma, o futuro será 
uma consequência ou reflexo da situação presente. 
Para compreender melhor os caminhos que, 
na sociedade brasileira, levam à construção da 
categoria profissional de enfermagem, 
precisaremos conhecer um pouco sobre o curso 
dos acontecimentos históricos. 
Este texto é um convite para uma viagem no 
tempo e na história. 
 
A ORIGEM DA PROFISSÃO 
 A profissão surgiu do desenvolvimento e 
evolução das práticas de saúde no decorrer dos 
períodos históricos. As práticas de saúde 
instintivas foram as primeiras formas de prestação 
de assistência. 
Num primeiro estágio da civilização, estas 
ações garantiam ao homem a manutenção da sua 
sobrevivência, estando na sua origem, associadas 
ao trabalho feminino, caracterizado pela prática do 
cuidar nos grupos nômades primitivos,tendo 
como pano-de-fundo as concepções evolucionistas 
e teológicas, Mas, como o domínio dos meios de 
cura passaram a significar poder, o homem, 
aliando este conhecimento ao misticismo, 
fortaleceu tal poder e apoderou-se dele. 
Quanto à Enfermagem, as únicas referências 
concernentes à época em questão estão 
relacionadas com a prática domiciliar de partos e a 
atuação pouco clara de mulheres de classe social 
elevada que dividiam as atividades dos templos 
com os sacerdotes. 
As práticas de saúde mágico-sacerdotais, 
abordavam a relação mística entre as práticas 
religiosas e de saúde primitivas desenvolvidas 
pelos sacerdotes nos templos. Este período 
corresponde à fase de empirismo, 
verificada antes do surgimento da 
especulação filosófica que ocorre 
por volta do século V a.C. 
Inicia-se no século V a.C., 
estendendo-se até os primeiros 
séculos da Era Cristã. 
A prática de saúde, antes 
mística e sacerdotal, passa agora a 
ser um produto desta nova fase, 
baseando-se essencialmente na 
experiência, no conhecimento da 
natureza, no raciocínio lógico que 
desencadeia uma relação de causa e 
efeito para as doenças e na especulação filosófica, 
baseada na investigação livre e na observação dos 
fenômenos, limitada, entretanto, pela ausência 
quase total de conhecimentos anátomo 
fisiológicos. 
 Mas não havia caracterização nítida da 
prática de Enfermagem nesta época. As práticas de 
saúde monástico-medievais focalizavam a 
influência dos fatores sócio econômicos e políticos 
do medievo e da sociedade feudal nas práticas de 
saúde e as relações destas com o cristianismo. Esta 
época corresponde ao aparecimento da 
Enfermagem como prática leiga, desenvolvida por 
religiosos e abrange o período medieval 
compreendido entre os séculos V e XIII. 
Foi um período que deixou como legado 
uma série de valores que, com o passar dos tempos, 
foram aos poucos legitimados a aceitos pela 
sociedade como características inerentes à 
Enfermagem. A abnegação, o espírito de serviço, a 
obediência e outros atributos que dão à 
 
12 
Enfermagem, não 
uma conotação 
de prática 
profissional, 
mas de 
sacerdócio. 
As 
práticas de 
saúde pós-
monásticas 
evidenciam a 
evolução das 
ações de saúde e, em especial, do exercício da 
Enfermagem no contexto dos movimentos 
Renascentistas e da Reforma Protestante. 
Corresponde ao período que vai do final do século 
XIII ao início do século XVI. A retomada da 
ciência, o progresso social e intelectual da 
Renancença e a evolução das universidades não 
constituíram fator de crescimento para a 
Enfermagem. 
 Enclausurada nos hospitais religiosos, 
permaneceu empírica e desarticulada durante 
muito tempo, vindo desagregar-se ainda mais a 
partir dos movimentos de Reforma Religiosa e das 
conturbações da Santa Inquisição. O hospital, já 
negligenciado, passa a ser um insalubre depósito 
de doentes, onde homens, mulheres e crianças 
utilizam as mesmas dependências, amontoados 
em leitos coletivos. 
Sob exploração deliberada, considerada um 
serviço doméstico, pela queda dos padrões morais 
que a sustentava, a prática de enfermagem tornou-
se indigna e sem atrativos para as mulheres de 
casta social elevada. Esta fase tempestuosa, que 
significou uma grave crise para a Enfermagem, 
permaneceu por muito tempo e apenas no limiar 
da revolução capitalista é que alguns movimentos 
reformadores, que partiram, principalmente, de 
iniciativas religiosas e sociais, tentam melhorar as 
condições do pessoal a serviço dos hospitais. 
As práticas de saúde no mundo moderno 
analisam as ações de saúde e, em especial, as de 
Enfermagem, sob a ótica do sistema político-
econômico da sociedade capitalista. Ressaltam o 
surgimento da Enfermagem como atividade 
profissional institucionalizada. Esta análise inicia-
se com a Revolução Industrial no século XVI e 
culmina com o surgimento da Enfermagem 
moderna na Inglaterra, no século XIX. 
 
ENFERMAGEM MODERNA 
O avanço da Medicina favoreceu a 
reorganização dos hospitais. É na reorganização da 
Instituição hospitalar, que vamos encontrar as 
raízes do processo de disciplina e seus reflexos na 
Enfermagem, ao ressurgir da fase sombria em que 
esteve submersa até então. 
Naquela época, os ricos continuavam a ser 
tratados em suas próprias casas, enquanto os 
pobres, além de não terem esta alternativa, 
tornavam-se objeto de instrução e experiências que 
resultariam num maior conhecimento sobre as 
doenças em benefício da classe abastada. É neste 
cenário que a Enfermagem passa a atuar, quando 
Florence Nightingale é convidada pelo Ministro da 
 
13 
Guerra da Inglaterra para trabalhar junto aos 
soldados feridos em combate na Guerra da 
Criméia. 
 
PERÍODO FLORENCE NIGHTINGALE 
 Nascida a 12 de maio de 1820, em Florença, 
Itália, era filha de ingleses. 
Possuía inteligência incomum, tenacidade 
de propósitos, determinação e perseverança o que 
lhe permitia dialogar com políticos e oficiais do 
Exército, fazendo prevalecer suas ideias. 
Dominava com facilidade o inglês, o francês, o 
alemão, o italiano, além do grego e latim. 
No desejo de realizar-se como enfermeira, 
passa o inverno de 1844 em Roma, estudando as 
atividades das Irmandades Católicas. 
Em 1849 faz uma viagem ao Egito e decide-
se a servir a Deus, trabalhando em Kaiserswert, 
Alemanha, entre as diaconisas. Decidida a seguir 
sua vocação, procura completar seus 
conhecimentos que julga ainda insuficientes. 
Visita o Hospital de Dublin dirigido pela 
Irmãs de Misericórdia, Ordem Católica de 
Enfermeiras, fundada 20 anos antes. Conhece as 
Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo, na 
Maison de la Providence em Paris. 
Aos poucos vai se preparando para a sua 
grande missão. Em 1854, a Inglaterra, a França e a 
Turquia declaram guerra à Rússia: é a Guerra da 
Criméia. Os soldados acham-se no maior 
abandono. A mortalidade entre os hospitalizados é 
de 40%. Florence partiu para Scutari com 38 
voluntárias entre religiosas e leigas vindas de 
diferentes hospitais. 
Algumas enfermeiras foram despedidas por 
incapacidade de adaptação e principalmente por 
indisciplina. A mortalidade decresce de 40% para 
2%. Os soldados fazem dela o seu anjo da guarda e 
ela será imortalizada como a "Dama da Lâmpada" 
porque, de lanterna na mão, percorre as 
enfermarias, atendendo os doentes. Durante a 
guerra contrai tifo e ao retornar da Criméia, em 
1856, leva uma vida de inválida. 
 Dedica-se porém, com ardor, a trabalhos 
intelectuais. Pelos trabalhos na Criméia, recebe um 
prêmio do Governo Inglês e, graças a este prêmio, 
consegue iniciar o que para ela é a única maneira 
de mudar os destinos da Enfermagem - uma Escola 
de Enfermagem em 1959. Após a guerra, Florence 
fundou uma escola de Enfermagem no Hospital 
Saint Thomas, que passou a servir de modelo para 
as demais escolas que foram fundadas 
posteriormente. 
 A disciplina rigorosa, do tipo militar, era 
uma das características da escola nightingaleana, 
bem como a exigência de qualidades morais das 
candidatas. 
O curso, de um ano de duração, consistia em 
aulas diárias ministradas por médicos. Nas 
primeiras escolas de Enfermagem, o médico foi de 
fato a única pessoa qualificada para ensinar. A ele 
cabia então decidir quais das suas funções 
poderiam colocar nas mãos das enfermeiras. 
Florence morre em 13 de agosto de 1910, 
deixando florescente o ensino de Enfermagem. 
 
14 
Assim, a Enfermagem surge não mais como uma 
atividade empírica, desvinculada do saber 
especializado, mas como uma ocupação 
assalariada que vem atender a necessidade de 
mão-de-obra nos hospitais, constituindo-se como 
uma prática social institucionalizada e específica. 
 
Primeiras Escolas de Enfermagem 
 
Apesar das dificuldades que as pioneiras da 
Enfermagem tiveram que enfrentar, devido à 
incompreensão dos valores necessários ao 
desempenhoda profissão, as escolas se 
espalharam pelo mundo, a partir da Inglaterra. 
Nos Estados Unidos a primeira Escola foi 
criada em 1873. Em 1877 as primeiras enfermeiras 
diplomadas começam a prestar serviços a 
domicílio em New York. 
As escolas deveriam funcionar de acordo 
com a filosofia da Escola Florence Nightingale, 
baseada em quatro idéias-chave: 
1- O treinamento de enfermeiras deveria ser 
considerado tão importante quanto qualquer 
outra forma de ensino e ser mantido pelo dinheiro 
público. 
2- As escolas de treinamento deveriam ter uma 
estreita associação com os hospitais, mas manter 
sua independência financeira e administrativa. 
3- Enfermeiras profissionais deveriam ser 
responsáveis pelo ensino no lugar de pessoas não 
envolvidas em Enfermagem. 
4- As estudantes deveriam, durante o período de 
treinamento, ter residência à disposição, que lhes 
oferecesse ambiente confortável e agradável, 
próximo ao hospital. 
Com o sistema Nightingale de ensino as 
escolas conseguiram sobreviver graças aos pontos 
essenciais estabelecidos: 
1º. Direção da escola por uma Enfermeira. 
2º. Mais ensino metódico, em vez de apenas 
ocasional. 
3º. Seleção de candidatos do ponto de vista 
físico, moral, intelectual e aptidão profissional. 
 
 
História da Enfermagem no Brasil 
A organização da Enfermagem na Sociedade 
Brasileira começa no período colonial e vai até o 
final do século XIX. 
A profissão surge como uma simples 
prestação de cuidados aos doentes, realizada por 
um grupo formado, na sua maioria, por escravos, 
que nesta época trabalhavam nos domicílios. 
Desde o princípio da colonização foi incluída 
a abertura das Casas de Misericórdia, que tiveram 
origem em Portugal. 
A primeira Casa de Misericórdia foi fundada 
na Vila de Santos, em 1543. Em seguida, ainda no 
século XVI, surgiram as do Rio de Janeiro, Vitória, 
Olinda e Ilhéus. Mais tarde Porto Alegre e Curitiba, 
esta inaugurada em 1880, com a presença de D. 
Pedro II e Dona Tereza Cristina. 
No que diz respeito à saúde do povo 
brasileiro, merece destaque o trabalho do Padre 
José de Anchieta. Ele não se limitou ao ensino de 
ciências e catequeses. Foi além. Atendia aos 
necessitados, exercendo atividades de médico e 
enfermeiro. 
Em seus escritos encontramos estudos de 
valor sobre o Brasil, seus primitivos habitantes, 
clima e as doenças mais comuns. A terapêutica 
empregada era à base de ervas medicinais 
minuncioasamente descritas. Supõe-se que os 
Jesuítas faziam a supervisão do serviço que era 
prestado por pessoas treinadas por eles. 
Não há registro a respeito. Outra figura de 
destaque é Frei Fabiano Cristo, que durante 40 
anos exerceu atividades de enfermeiro no 
Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro (Séc. 
XVIII). 
Os escravos tiveram papel relevante, pois 
auxiliavam os religiosos no cuidado aos doentes. 
Em 1738, Romão de Matos Duarte consegue fundar 
no Rio de Janeiro a Casa dos Expostos. Somente em 
1822, o Brasil tomou as primeiras medidas de 
proteção à maternidade que se conhecem na 
 
15 
legislação mundial, graças a atuação de José 
Bonifácio Andrada e Silva. 
A escola de parteiras da Faculdade de 
Medicina diplomou no ano seguinte a célebre 
Madame Durocher, a primeira parteira formada no 
Brasil. 
Assim sendo, na enfermagem brasileira do 
tempo do Império, raros nomes de destacaram e, 
entre eles, merece especial menção o de Anna 
Nery. 
 
Anna Nery 
Aos 13 de dezembro de 1814, nasceu Ana 
Justina Ferreira, na Cidade de Cachoeira, na 
Província da Bahia. Casou-se com Isidoro Antonio 
Nery, enviuvando aos 30 anos. Seus dois filhos, um 
médico militar e um oficial do exército, são 
convocados a servir a Pátria durante a Guerra do 
Paraguai (1864-1870), sob a presidência de Solano 
Lopes. 
O mais jovem, aluno do 6º ano de Medicina, 
oferece seus serviços médicos em prol dos 
brasileiros. 
Anna Nery não resiste à separação da família 
e escreve ao Presidente da Província, colocando-se 
à disposição de sua Pátria. Em 15 de agosto parte 
para os campos de batalha, onde dois de seus 
irmãos também lutavam. Improvisa hospitais e 
não mede esforços no atendimento aos feridos. 
Após cinco anos, retorna ao Brasil, é acolhida 
com carinho e louvor, recebe uma coroa de louros 
e Victor Meireles pinta sua imagem, que é colocada 
no edifício do Paço Municipal. 
O governo imperial lhe concede uma pensão, 
além de medalhas humanitárias e de campanha. 
Faleceu no Rio de Janeiro a 20 de maio de 1880. A 
primeira Escola de Enfermagem fundada no Brasil 
recebeu o seu nome. 
Anna Nery que, como Florence Nightingale, 
rompeu com os preconceitos da época que faziam 
da mulher prisioneira do lar. 
 
 
 
 
Desenvolvimento da Educação em 
Enfermagem no Brasil (Séc. XIX e XX) 
 
Ao final do século XIX, apesar de o Brasil 
ainda ser um imenso território com um contigente 
populacional pouco e disperso, um processo de 
urbanização lento e progressivo já se fazia sentir 
nas cidades que possuíam áreas de mercado mais 
intensas, como São Paulo e Rio de Janeiro. 
As doenças infecto-contagiosas, trazidas 
pelos europeus e pelos escravos africanos, 
começam a propagar-se rápida e 
progressivamente. 
A questão saúde passa a constituir um 
problema econômico-social. Para deter esta 
escalada que ameaçava a expansão comercial 
brasileira, o governo, sob pressões externas, 
assume a assistência à saúde através da criação de 
serviços públicos. A formação de pessoal de 
Enfermagem para atender inicialmente aos 
hospitais civis e militares e, posteriormente, às 
atividades de saúde pública, principiou com a 
criação, pelo governo, da Escola Profissional de 
Enfermeiros e Enfermeiras, no Rio de Janeiro, junto 
ao Hospital Nacional de Alienados do Ministério 
dos Negócios do Interior. 
 Esta escola, que é de fato a primeira escola 
de Enfermagem brasileira, foi criada pelo Decreto 
Federal nº 791, de 27 de setembro de 1890, e 
denomina-se hoje Escola de Enfermagem Alfredo 
Pinto, pertencendo à Universidade do Rio de 
Janeiro - UNI-RIO. 
 
16 
No início do século XX o ensino profissional 
ainda com traços assistencialistas, tinha objetivo de 
formar operários, trabalhadores, assistindo aos 
pobres e visando à diminuição da vagabundagem 
e da criminalidade (BRASIL, 1999). 
A formação profissionalizante na área da 
enfermagem seguiu a mesma lógica das demais 
categorias profissionais. Assim, o curso de Auxiliar 
de Enfermagem emergiu em 1949, articulado ao 
contexto sócio-econômico, com a industrialização e 
a urbanização crescente, aumentando a demanda 
de profissionais de enfermagem, com menor 
tempo de escolarização, para assistência no setor 
hospitalar (GEOVANINI, 1995). O curso técnico 
em enfermagem foi criado somente em 1966 para 
atender a demanda posta pelos avanços 
tecnológicos na área hospitalar (RODRIGUES, 
2007). O técnico em enfermagem trabalha 
integrado à equipe de enfermagem e é encarregado 
de proporcionar os cuidados diários necessários 
para a assistência ao doente (AVELLO; GRAU, 
2003)10. 
TEORIAS DE ENFERMAGEM 
Uma teoria científica é uma explicação de 
um aspecto do mundo natural que pode ser 
repetidamente testado e verificado de acordo com 
o método científico, usando protocolos aceitos de 
observação, medição e avaliação de resultados. 
Atualmente, a Enfermagem não é somente 
arte, mas uma ciência, pois baseia-se em princípios 
científicos1. 
As Teorias de Enfermagem, longe de serem 
meros conteúdos teóricos, traduzem em seus 
conceitos e modelos o infinito do trabalho da 
Enfermagem, fundamentado na ciência do 
conhecimento e do saber, cultural, social, 
comportamental, envolvendo o indivíduo não 
apenas como pessoa, mas enquanto família, social, 
profissional, comunidade, cultura e instituição1. 
As teorias de Enfermagem nos indicam, 
sugerem, apontam uma direção de como ver fatos 
e eventos para,assim, direcionar o planejamento e 
determinação das intervenções de Enfermagem. 
São teorias orientadas para tese das necessidades e 
problemas (POTTER;PERRY, 2004). 
O estudo das teorias de enfermagem, para 
o técnico de enfermagem, ajuda a compreender o 
cuidado de enfermagem como ciência, 
fundamentada em referenciais teóricos, de grandes 
cientistas da enfermagem, que regem a assistência 
de enfermagem focada no indivíduo de modo 
holístico. Entender o motivo de o cuidar ser de um 
ou de outro jeito, para diferentes indivíduos. 
 Existem dezenas de teorias de enfermagem, 
vamos conhecer as principais delas. 
 
TEORIA AMBIENTAL 
(FLORENCE NIGHTNGALE 
1920-1910) 
Foco principal da Teoria: 
Ambiente 
Homem: Indivíduo cujas 
defesas naturais são 
influenciadas por um ambiente 
saudável ou não; 
Saúde: Processo reparador 
Ambiente: Condições externas capazes de 
prevenir doenças, suprimi-las ou contribuir para 
ela. 
Enfermagem: Modificar os aspectos não-
saudáveis do ambiente a fim de colocar o paciente 
na melhor condição para ação da natureza. 
 
 
 
 
 
 
17 
TEORIA DAS NECESSIDADES BÁSICAS 
(Virginia Henderson -
1897) 
Foco: Necessidades Básicas 
Homem: Indivíduos com 
necessidades humanas com 
significado e valor singular a 
cada pessoa 
Saúde: Capacidade para 
satisfazer as necessidades humanas (Físicas, 
Psicológicas e Sociais) 
Ambiente: Cenário em que o indivíduo aprende 
padrões singulares de vida. 
Enfermagem: Assistência temporária a um 
indivíduo que possua dificuldades para satisfazer 
uma ou mais necessidades básicas. 
 
 TEORIA DO AUTOCUIDADO 
Dorothea Orem (1914) 
 
Foco: Autocuidado 
Homem: Indivíduo que utiliza o 
autocuidado para manter a vida e 
a saúde, recupera-se da doença e 
consegue enfrentar seus defeitos. 
Saúde: Resultado das práticas aprendidas pelos 
indivíduos para manter a vida e o bem- estar. 
Ambiente: Os elementos externos com os quais o 
homem interage em sua luta para manter o 
autocuidado. 
Enfermagem: Auxilia o indivíduo a maximizar, 
progressivamente, seu potencial para o 
autocuidado. 
Consiste basicamente na ideia de que os 
indivíduos, quando capazes, devem cuidar de si 
mesmos; quando existe incapacidade, a 
enfermagem interage no processo do cuidar. 
Uma das características que compõem a 
Teoria do Autocuidado é a Teoria do Déficit, 
compostas por três teorias inter-relacionadas: 
Teoria do Déficit do Auto, Cuidado, Teoria do 
Cuidado, Teoria dos Sistemas de Enfermagem. 
 
TEORIA DA ADAPTAÇÃO 
Sister Calista Roy (1939) 
 
Foco: Homem em adaptação 
Homem: Ser social, mental, 
espiritual e físico, afetado por 
estímulos do ambiente interno e 
externo. 
Saúde: Capacidade do indivíduo para adaptar-se a 
mudanças no ambiente. 
Ambiente: Forças internas e externas em um 
estado de contínua mudança. 
Enfermagem: Arte humanitária e ciência em 
expansão que manipula e modifica os estímulos de 
modo a promover e facilitar a capacidade 
adaptativa do homem. 
Neste processo a enfermagem como componente 
da equipe multidisciplinar que mais está perto do 
paciente, tem a responsabilidade de ajudar o 
cliente a passar por adaptações, fruto de um estado 
de doença, perda de um membro, uma nova 
condição patológica, todo esse processo de 
adaptação é importante para o processo de saúde 
física ou mental do próprio indivíduo. 
 
18 
 
 TEORIA DAS RELAÇÕES 
INTERPESSOAIS 
Hildegard Peplau (1952) 
 
Foco: Relação interpessoal 
Enfermeiro/Cliente 
Homem: Indivíduo que luta 
para reduzir a tensão gerada 
pelas necessidades. 
Saúde: É um símbolo que implica movimentos 
adiante da personalidade e outros processos 
humanos em curso, na direção de uma vida 
criativa, produtiva, pessoal e comunitária 
Ambiente: Considera cultura e costumes do cliente 
no ambiente hospitalar 
Enfermagem: Processo interpessoal, significativo e 
terapêutico, onde o enfermeiro é capaz de 
reconhecer a necessidade de ajudar o cliente a 
reagir a ela. 
 
Sua teoria teve como principal contribuinte 
para a reforma da lei da saúde mental, ela abriu o 
caminho para o tratamento humano de pacientes 
com distúrbios de comportamento e 
personalidade. Peplau via a enfermagem como 
uma profissão educativa que promove a saúde do 
indivíduo. 
 
TEORIA DAS NECESSIDADES HUMANAS 
BÁSICAS 
Wanda Horta (1970) 
 
Foco: O ser humano e as 
necessidades humanas 
básicas. 
Homem: O ser humano faz 
parte de um sistema familiar e 
social. E visto pela Teoria das Necessidades 
Humanas Básicas como um ser holístico, um todo, 
em interação com seu ambiente. 
Enfermagem: A Enfermagem tem como propósito 
assistir o ser humano no atendimento de suas 
necessidades básicas e, para isso, busca sempre 
acumular conhecimentos e técnicas empíricas, 
relacionadas entre si, que procuram explicar os 
fatos a luz do universo natural. 
Horta inspira-se no desenvolvimento de 
seus estudos, na Teoria da Motivação Humana de 
Maslow, fundamentada nas necessidades 
humanas básicas. 
Elaborou sua teoria sobre a motivação 
humana, fundamentado nas necessidades 
humanas básicas assim descritas: 
- Necessidades fisiológicas; 
- Segurança; 
- Amor; 
- Estima; 
- Autorrealização. 
CONFLITOS ÉTICOS 
 
Nas últimas décadas, com o progresso da 
tecnociência, tornou-se possível prolongar a vida 
de uma Pessoa portadora de doença irreversível e 
com prognóstico reservado, alterando o 
paradigma da morte e a percepção da sociedade, 
 
19 
focada na cultura e na religião, face às questões de 
fim de vida. 
Sendo os cuidados de fim de vida, um 
assunto delicado, as Pessoas doentes, famílias, 
enfermeiros e médicos tendem a atrasar ou adiar 
as conversas sobre o prognóstico e as opções de 
tratamento de fim de vida, podendo levar à 
implementação de tratamentos desnecessários, ou 
seja, à obstinação terapêutica. A obstinação 
terapêutica consiste no uso e manutenção de 
procedimentos diagnósticos ou terapêuticos, não 
eficazes na sobrevida da Pessoa ou na melhoria da 
qualidade de vida, possibilitando o 
prolongamento da vida, causando, 
frequentemente, sofrimento para a Pessoa e seus 
familiares, tornando o final de vida num momento 
solitário e doloroso. 
O paciente e o profissional estão inseridos 
nas esferas humana, ética e social com dilemas e 
ambiguidades no agir e no pensar, por isso o 
discernimento, a reflexão em relação às atitudes, 
crenças e valores devem fundamentar o agir livre, 
consciente e responsável2. 
A enfermagem por trabalhar em equipe, 
convive com pessoas que possuem aspectos 
culturais e sociais diversos, levando a ocorrência 
dos dilemas éticos pela diferença de valores, 
crenças e experiências, bem como da formação 
ética, humana e profissional de cada indivíduo. 
Oguisso diz que “os dilemas éticos são situações 
em que a pessoa se vê “forçada” (tem que decidir) 
a tomar decisão entre duas ou mais alternativas de 
ação2. 
Neste sentido a pessoa ao decidir deve ser 
o mais imparcial possível, pois muitas vezes as 
soluções dos dilemas éticos exigem um 
compromisso vinculado à responsabilidade pela 
escolha da ação” 2. 
Como os valores não são absolutos e as 
questões éticas não contém fórmulas matemáticas 
com respostas exatas e fechadas é preciso 
compreender e refletir sobre os princípios éticos e 
utilizar além das leis e orientações do código de 
deontologia, a autonomia e a experiência para 
caminhar às vezes na incerteza, mas nunca se 
omitindo da responsabilidade de cuidar o paciente 
e dos membros de sua equipe2. 
- A história da legislação 
básica de Enfermagem 
A Lei nº 775, de 6 de agosto de 1949, ao 
dispor sobre o ensino de enfermagem, criou 
oficialmente o curso de auxiliar de enfermagem, 
em dezoito meses, aberto para homens e mulheres. 
De acordo com a lei, a principal atividade dessa 
nova categoria deveria ser a de auxiliar o 
enfermeiro em suas atividades de assistência 
curativa.Não previa, portanto, o trabalho do 
auxiliar de enfermagem nos serviços de saúde 
pública. 
Em 1959, líderes da enfermagem, através 
da ABEn, fizeram um sério estudo sobre a situação 
e publicaram o Levantamento de Recursos e 
Necessidades de Enfermagem no Brasil, que 
mostrou, além das enormes diferenças existentes 
nos currículos dos cursos de auxiliar de 
enfermagem em todo o país, a insuficiência nos 
conteúdo das disciplinas, pois, na prática, os 
auxiliares de enfermagem estavam executando 
 atividades mais complexas que as 
previstas no ensino, e na maior parte das vezes sem 
supervisão ou orientação de enfermeira 
O estudo também comprovou a existência 
de grande número de pessoas realizando 
atividades de enfermagem sem título ou preparo 
formal em curso reconhecido. Eram os atendentes 
de enfermagem que, na verdade, constituíam mais 
da metade do pessoal que trabalhava nos serviços 
de saúde. Embora fosse um grupo enorme, era 
marginalizado dentro da enfermagem. O preparo 
de atendentes de enfermagem havia sido feito, 
muitas vezes, em instituições hospitalares 
privadas ou filantrópicas ou através de cursos não 
reconhecidos pelas Secretarias de Educação. 
A promulgação ou aprovação e publicação 
da Lei nº 4.024/61, de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional (LDB), em dezembro desse ano 
e em vigor a partir de 1962, foi de grande 
importância na regulamentação dos cursos na área 
de enfermagem, anos mais tarde. Essa lei definiu a 
educação nacional em três faixas de ensino: 
primário, médio (ginasial e colegial) e superior, e a 
necessidade de formação de técnicos em nível 
colegial em qualquer ramo de atividade, como 
condição para o progresso da Nação. 
Com os dados obtidos no levantamento 
citado, a ABEn fez diversas recomendações ao 
Ministério da Educação e Cultura, que respondeu 
 
20 
ao apelo baixando a Portaria nº 106/65, para fixar 
normas reguladoras do curso de auxiliar de 
enfermagem, já agora com base na LDB. 
Entretanto, por essa portaria o currículo deveria 
ser desenvolvido em dois anos letivos, e incluir 
cinco disciplinas de cultura geral correspondentes 
às duas primeiras séries do curso ginasial. 
Em 1967, os enfermeiros conseguiram a 
aprovação, em caráter experimental, da criação de 
um curso intensivo de auxiliar de enfermagem, 
com a redução do currículo para onze meses 
letivos, mas tendo como 
requisito de ingresso o 
certificado de conclusão do 
curso ginasial. Com isso, os 
alunos não teriam que 
estudar as cinco disciplinas 
do ginásio e poderiam 
dedicar-se em tempo integral 
às matérias específicas de 
enfermagem. 
Na época, havia um 
movimento entre enfermeiros para criar outra 
categoria intermediária, a do Técnico de 
Enfermagem, prevista pela própria Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Era uma 
tentativa de formar um maior número de 
profissionais de enfermagem, com um poder de 
atuação mais amplo que o do auxiliar e com 
capacidade para substituir, em algumas situações, 
o profissional de nível superior. Assim, em 1966, 
embora nem todos os profissionais da área 
estivessem plenamente convencidos e de acordo, 
foi criado um curso intermediário que formaria o 
Técnico de Enfermagem, o mais novo membro da 
equipe de enfermagem. 
Alguns anos depois, em 1972, o governo 
federal aprovou uma nova Lei de Diretrizes e 
Bases, a Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1972, sobre 
o ensino de 1o e 2o graus, unificando o antigo 
primário e ginasial para formar o ensino de 1o 
grau, e o antigo colegial passou a ser curso de 2o 
grau. Com isso, a LDB alterou completamente o 
sistema de ensino e criou os cursos supletivos, 
inclusive o supletivo profissionalizante. Essa nova 
legislação federal provocou a necessidade de 
adaptação da legislação do ensino de enfermagem, 
o que foi feito pelas Resoluções nos 7/77 e 8/77, do 
Conselho Federal da Educação, que 
regulamentaram o ensino de ambos os níveis de 
enfermagem, determinando novo currículo e 
número de horas de estudo e estágios necessários 
para cada curso. 
No mesmo período, a Associação Brasileira 
de Enfermagem (ABEn), depois de mais de 20 anos 
de lutas, conseguiu a aprovação, pelo Congresso 
Nacional, da Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, 
criando o Conselho Federal de Enfermagem 
(COFEN) e os conselhos regionais de enfermagem 
(COREN), em cada estado do país. Conforme 
estabelece a lei, o COFEN e os COREN “são órgãos 
disciplinadores do exercício da profissão de 
enfermeiro e das demais 
profissões compreendidas nos 
serviços de enfermagem”. 
Como órgão 
disciplinador, o COREN deve 
fiscalizar o exercício 
profissional e, nele, todas as 
pessoas que exercem a 
enfermagem são obrigadas a 
estar devidamente inscritas. 
Além dos enfermeiros, 
técnicos de enfermagem e auxiliares de 
enfermagem, existem outras categorias - como 
obstetrizes e parteiras que também fazem parte do 
pessoal de enfermagem. Para fiscalizar o exercício 
profissional, o COREN funciona como um tribunal 
de ética e, como tal, tem por função: 
-Verificar quem pode exercer a profissão; 
-Averiguar os trabalhadores de enfermagem que 
estiverem exercendo ilegalmente sua profissão; 
-Avaliar se os profissionais que exercem 
legalmente a profissão estão cumprindo 
corretamente suas obrigações; -Aplicar as 
penalidades previstas às pessoas que ferem a ética 
profissional. 
A legislação atual 
 
Como parte de suas 
funções, o COFEN tratou de 
criar um código de ética 
profissional para orientar todos 
os membros da equipe de 
enfermagem sobre como agir 
quando no exercício de suas 
atividades. Está, atualmente, em 
vigor o Código de Ética dos 
Profissionais de Enfermagem, ao 
qual todos os trabalhadores da 
 
21 
área estão obrigados a respeitar. Além de dar as 
linhas gerais do comportamento ético, o COFEN 
procurou também atualizar a legislação do 
exercício profissional. Para tanto, conseguiu a 
aprovação da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, 
regulamentada pelo Decreto-Lei nº 94.406, de 8 de 
junho de 1987. 
É importante destacar que a Lei nº 7.498 não 
reconheceu como categoria profissional os 
atendentes de enfermagem, estabelecendo em seu 
artigo 23 que os profissionais que executavam 
tarefas de enfermagem sem possuir formação 
específica seriam autorizados pelo COFEN a 
exercer atividades elementares de enfermagem, 
sempre sob a supervisão do enfermeiro. Ao mesmo 
tempo, determinou que essa autorização seria 
concedida durante o prazo de dez anos, a fim de 
que os trabalhadores que se encontrassem nessa 
condição viessem a se qualificar formalmente 
como auxiliar de enfermagem. 
Findo o prazo estipulado em Lei, o COFEN, 
no uso de suas atribuições legais passou a fiscalizar 
os trabalhadores que não estavam devidamente 
habilitados, enquadrando-os no exercício ilegal da 
profissão. Para escapar dessa fiscalização, algumas 
instituições usaram – e continuam usando até hoje 
– a estratégia de não registrar adequadamente os 
“atendentes de enfermagem” não qualificados, 
induzindo-os a uma relação informal de emprego, 
ou então, registrando-os em outras funções, tais 
como auxiliares de serviços gerais ou braçais, 
auxiliares de saúde, dentre outros. 
Legalmente, o ténico de enfermagem pode 
executar as seguintes atividades: 
- Preparar o paciente para consultas, exames 
e tratamentos; 
- Observar, reconhecer e descrever sinais e 
sintomas, ao nível de sua qualificação; 
- Executar tratamentos especificamente 
prescritos, ou de rotina, além de outras atividades 
de enfermagem, tais como: 
a) ministrar medicamentos por via oral e 
parenteral; 
b) realizar controle hídrico; c) fazer curativos; 
d) aplicar oxigenoterapia, nebulização, 
enteroclisma, enema e calor ou frio; 
e) executar tarefas referentes à conservação e 
aplicação de vacinas; 
f) efetuar o controle de pacientes e de 
comunicantes em doenças transmissíveis; 
g)realizar testes e proceder à sua leitura, para 
subsídio de diagnósticos; 
h) colher material para exames laboratoriais; 
i) prestar cuidados de enfermagem no pré e 
pós-operatório; 
j) circular em sala de cirurgia e, se necessário, 
instrumentar; 
l) executar atividades de desinfecção e esterilização 
- Prestar cuidados de higiene e conforto ao 
paciente e zelar por sua segurança, inclusive: 
a) alimentá-lo ou auxiliá-lo a alimentar-se; 
b) zelar pela limpeza e ordem do material, dos 
equipamentos e das dependências de unidades de 
saúde; 
- Integrar a equipe de saúde; 
- Participar de atividades de educação em 
saúde, inclusive: 
a) orientar os pacientes na pós-consulta, 
quanto ao cumprimento das prescrições de 
enfermagem e médicas; 
b) auxiliar o Enfermeiro e o Técnico de 
Enfermagem na execução dos programas de 
educação para a saúde ; 
- Executar os trabalhos de rotina vinculados 
à alta de pacientes ; 
- Participar dos procedimentos pós-morte; 
Para finalizar este tópico, ainda é preciso assinalar 
que a legislação educacional em vigor, a nova LDB, 
Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, 
estabeleceu novas diretrizes e bases da educação 
nacional e re-definiu os níveis de educação básica. 
O antigo primeiro grau passou a chamar-se ensino 
fundamental e o segundo grau, ensino médio. 
Além disso, foi estabelecida nova caracterização 
para a educação profissional. 
Desse modo, ficou instituído pelo Decreto 
nº 2.208, de 17 de abril de 1997 que a Educação 
Profissional das profissões técnicas se compõe de 
três níveis, relacionando-se com a educação geral, 
conforme descrito abaixo: 
Básico - destinado à qualificação, requalificação e 
reprofissionalização de trabalhadores, 
independentemente de escolaridade prévia; 
Técnico - com o fim de proporcionar habilitação 
profissional a alunos egressos do ensino médio; 
Tecnológico - que corresponde aos cursos de nível 
superior na área tecnológica, destinados a egressos 
do ensino médio e técnico. 
Especificamente sobre a Qualificação Profissional 
para a área de Enfermagem, o Parecer nº 10/2000 
da Câmara de Educação Básica do Conselho 
 
22 
Nacional de Educação estipula que o requisito para 
entrar no curso de auxiliar de enfermagem é a 
conclusão do ensino fundamental. E o curso de 
Auxiliar de Enfermagem faz parte do itinerário 
para a formação de técnicos, representando um 
módulo ou um primeiro patamar dessa formação. 
CÓDIGO DE ÉTICA DOS 
PROFISSIONAIS DE 
ENFERMAGEM 
O Código de Ética dos Profissionais de 
Enfermagem (CEPE) contém normas, princípios, 
direitos e deveres pertinentes à conduta ética do 
profissional, que deverão ser assumidos por todos. 
Além do código de ética, o exercício 
profissional é limitado pelo Código Penal 
Brasileiro (CPB). O Código de Ética Profissional de 
Enfermagem está relacionado às ações dos 
profissionais de enfermagem e o Código Penal 
Brasileiro se relaciona ao profissional como 
cidadão. 
Diante disso, destacamos a abordagem em 
ambos os códigos de alguns temas polêmicos tais 
como bioética, aborto, eutanásia, imperícia, 
imprudência e negligência, porque todos os 
profissionais poderão responder a estas duas 
instâncias. 
BIOÉTICA 
Bioética pode ser definida como a ética 
aplicada aos problemas da vida e da saúde dos 
indivíduos e das coletividades. Preocupa-se com 
os problemas éticos que envolvem a vida tais como 
métodos de fecundação, pesquisas em seres 
humanos, transplantes, eutanásia, aborto entre 
outros. 
A bioética surgiu no início dos anos 1970, 
nos Estados Unidos e ao Brasil, tardiamente, em 
meados da década de 90. Porém, neste curto 
espaço de tempo, o seu crescimento foi 
significante, conquistando admiração e 
respeitabilidade internacional. Nesse caminhar, 
em meio a esta expansão da bioética no Brasil, às 
mudanças ocorridas na política de saúde brasileira 
e às novas demandas de cuidados em saúde, 
devido principalmente às transformações 
ocorridas no perfil epidemiológico da população 
brasileira, houve a necessidade de formar novos 
perfis profissionais e de incluir os conteúdos da 
bioética no currículo de formação dos profissionais 
da saúde e, consequentemente, da enfermagem4. 
Falar em bioética como uma parte da ética, 
significa focalizar questões que se referem à vida 
humana. De acordo com a Encyclopedia of 
Bioethics, bioética pode ser conceituada como "o 
estudo sistemático do comportamento humano na 
área das ciências da vida e dos cuidados da saúde, 
quando se examina esse comportamento à luz dos 
valores e dos princípios morais". (Bellino, 1997, 
p.21)5. 
Então, a bioética se preocupa com as 
questões referentes à vida humana, desde o seu 
início até o seu final, à pesquisa com seres 
humanos, à engenharia genética, métodos de 
fecundação, transplante de órgãos, manutenção da 
vida, pacientes terminais, dentre outros temas5. 
ABORTO 
É abortamento a expulsão do ovo antes de 
sua vitabilidade. De acordo com a Organização 
Mundial de Saúde, abortamento é a expulsão ou a 
extração do concepto pesando menos de 500g, que 
equivalem aproximadamente, a 20-22 semanas 
 
23 
completas. O abortamento pode ser espontâneo ou 
provocado. Qualquer doença materna grave, ou 
traumatismo pode levar ao abortamento. 
Tipos de aborto6: 
- Aborto espontâneo: acontece sem intervenção 
humana; 
- Aborto provocado: é desencadeado por atitude 
humana intencional ou não. 
 
INDICAÇÕES MÉDICAS6. 
1. Quando certos testes (amniocentese) acusa feto 
com anomalia, malformação severa (espinha 
bífida), ou outro defeito genético grave. 
2. Quando coloca a vida da mãe em risco. 
3. No Brasil, além dos motivos citados, o estupro 
(Violência Sexual), também constitui indicação 
para aborto (respaldo da lei). 
 
DEONTOLOGIA E O ABORTAMENTO6 
No artigo 45 do CEPE é vedado aos 
profissionais de enfermagem “provocar aborto, ou 
cooperar em prática destinada a interromper a 
gestação”. Entretanto, nos casos previstos em Lei, 
fica a critério do profissional de enfermagem a 
participação no ato abortivo. 
O código penal brasileiro tem como duas 
situações legais: 
a) Salvar a vida da mãe; 
b) Gravidez resultante de estupro. 
 
EUTANÁSIA 
É a prática pela qual se abrevia, sem dor ou 
sofrimento, a vida de um enfermo incurável. A 
eutanásia representa atualmente uma questão de 
bioética6. 
Independentemente da forma de Eutanásia 
praticada, seja ela legalizada ou não, é considerada 
como um assunto controverso, existindo sempre 
prós e contras – teorias eventualmente mutáveis 
com o tempo e a evolução da sociedade, tendo 
sempre em conta o valor de uma vida humana6. 
Na América Latina, o Uruguai tolera a 
eutanásia, porém, segundo cada caso, sendo que a 
análise é feita por um juiz. No país, existe a 
possibilidade de cancelar a pena quando o 
homicídio é feito em função de pedidos insistentes 
do paciente e considerando o seu histórico de 
vida7. 
Já no Brasil, a eutanásia é enquadrada como 
homicídio, podendo ainda ser tipificada como 
auxílio ao suicídio no caso do paciente solicitar 
ajuda para terminar com sua vida. Pode haver uma 
diminuição na pena ao homicídio privilegiado, 
quando o ato acontece sob domínio de violenta 
emoção ou por valor social ou moral. Desde o 
ponto de vista da ética médica, a eutanásia é uma 
prática antiética. No entanto, o Conselho Federal 
de Medicina aceita a prática da ortotanásia desde 
20107. 
O CEPE, em seu artigo 46, proíbe que o 
profissional de enfermagem promova ou coopere 
na prática destinada a antecipar a morte do cliente 
e o CPB, em seu artigo 121, considera como 
homicídio culposo. 
 
DISTANÁSIA 
É o oposto de eutanásia. A distanásia 
defende que devem ser utilizadas todas as 
possibilidades para prolongar a vida de um ser 
humano, ainda que a cura não seja uma 
possibilidade e o sofrimento se torne 
demasiadamente penoso. 
Os avanços tecnológicos e científicostiveram sua importância na visão atual do que 
significa morrer. "Esta tecnologia permitiu um 
controle sem igual das funções fisiológicas do 
paciente, podendo prolongar sua vida nos 
momentos finais" (Moreira e Biehl, 2004, p.26). 
Ou sejam a distanásia significa 
prolongamento exagerado do processo de morte. 
 
24 
Pode também ser empregado como sinônimo de 
tratamento inútil. 
No mundo europeu fala-se de 
"obstinação terapêutica", e nos Estados 
Unidos de "futilidade médica" (medical 
futility). 
Para você, até que ponto se deve 
prolongar o processo de morrer quando não 
há mais esperança de reverter o quadro? 
 
ORTOTANÁSIA 
De acordo com os princípios éticos, tão logo 
seja definido que o paciente não é mais “salvável”, 
nossos esforços devem ser dirigidos no sentido de 
promover e priorizar o seu conforto, bem-estar e 
qualidade de vida, para diminuir o seu sofrimento 
e evitar o prolongamento de sua vida "a qualquer 
custo"9. 
 Essa postura está muito distante da 
promoção do óbito, como proposto pela eutanásia 
que, à luz dos conhecimentos atuais, não se 
enquadra nem no princípio da beneficência nem 
no da não maleficência6. 
No que se refere a ortotanásia, esta, 
opondo-se a Distanásia, defende que se reconheça 
o momento natural da morte de um indivíduo, não 
se procedendo a qualquer tipo de meio para 
manter ou prolongar a sua vida. Significa que se 
deve deixar o ser humano morrer em paz, sem que 
se promova e acelere esse processo de deixar a 
vida6. 
 
A resolução do (CFM) possibilita a ortotanásia nos 
hospitais do País. Para doentes terminais e com 
enfermidades graves ou incuráveis, é permitido ao 
médico, com autorização do cliente ou de algum 
responsável, limitar procedimento ou tratamento que 
prolonguem a vida do doente. A prática é diferente da 
eutanásia, que antecipa uma morte inevitável6. 
Apesar de polêmica, a medida recebeu o apoio da 
Igreja Católica6. 
 
Ordem de Não Reanimar 
(ONR), (DNR). 
Ao falar-se de final de vida, pressupomos uma 
paragem cardiorrespiratória (PCR) e, segundo o 
princípio básico da reanimação, todas as vítimas 
de uma PCR devem ser reanimadas, a menos que 
haja uma decisão prévia para não reanimar, ou 
seja, exista uma Ordem de Não Reanimação (ONR) 
ou (DNR) decisão de não reanimação do inglês Do 
Not Resuscitate. Esta decisão é baseada no 
contexto e situação da Pessoa com doença terminal 
ou incurável e define que, em caso de paragem 
cardiorrespiratória, não se deverão tomar medidas 
de ressuscitação, uma vez que não existem 
quaisquer procedimentos que visem a cura3. 
Nesse caso, estaríamos a ser cúmplices no 
prolongar do desconforto da Pessoa doente3. 
Ordem de Não Reanimar (ONR) consiste na 
expressa autorização do paciente ou, quando 
pertinente, do cônjuge, companheiro, 
representante ou dos familiares para a não adoção 
de medidas de reanimação em caso de parada 
cardiorrespiratória na fase terminal de doença 
 
25 
incurável ou em circunstâncias que tornem 
irreversível sua recuperação. A decisão de não 
reanimar é adotada pelo médico assistente após 
ponderação e discussão com a equipe clínica sobre 
a inutilidade das manobras. Eticamente e segundo 
o código deontológico, o médico não pode 
prescrever a ONR sem conhecimento e aprovação 
da Pessoa e respetiva família3. 
A implementação da ONR não limita os 
cuidados de saúde e de conforto, pois as pessoas 
sujeitas a ONR continuam a receber fluídos 
intravenosos, medicação para conforto e alívio da 
dor, antibióticos e outros cuidados paliativos. 
Continuam a ser aplicadas terapêuticas focadas na 
patologia e efetuados cuidados diferenciados 
numa perspectiva holística, tendo em conta o bem-
estar da pessoa e família3. 
Existem quatro dimensões a ter em conta na 
ONR3. 
1 - Dimensão Clínica – a DNR deve ser tomada 
tendo em conta: diagnóstico; prognóstico; tempo 
de paragem cardiorrespiratória que decorre até à 
chegada da equipa de emergência; sobrevida da 
pessoa; qualidade de vida; 
2 - Dimensão Ética – a Decisão de Não Reanimar 
deve ter em consideração: a idade da pessoa; evitar 
sofrimento humano; evitar a distanásia e futilidade 
terapêutica; Decisão do doente; Decisão da família; 
dignificação da morte; envolvimento da família na 
tomada de decisão; 
3 - Dimensão legal, ética e deontológica – deve ser 
uma decisão tomada pela equipa multidisciplinar; 
não deve ser confundida com eutanásia; deve fazer 
parte da formação dos profissionais; 
4 - Dimensão pessoal – existe ainda a referência a 
uma tomada de decisão baseada num pressuposto 
da formação pessoal. 
 
TRANSFUSÃO SANGUÍNEA 
 
Apesar das diferenças, o sangue é o mais 
facilmente partilhado dos tecidos humanos, 
salvando milhares de vida, a cada ano, por meio de 
transfusões. Uma transfusão é a transferência de 
sangue total, ou de componentes sanguíneos para 
a corrente sanguínea. Uma transfusão é feita, com 
maior frequência, para aliviar a anemia ou quando 
o volume de sangue estiver diminuído, após uma 
hemorragia grave, por exemplo. 
Tipos de transfusões: 
1. Concentrado de hemácias= Usado para correção 
de anemias; 
2. Concentrado de plaquetas= Usado para correção 
de deficiência plaquetária, evitando e tratando 
hemorragias; 
3. Crioprecipitado= Componente rico em fatores de 
coagulação, utilizados para tratamento de 
hemofílicos A. 
4. Plasma fresco congelado= Reposição de 
proteínas e fatores de coagulação, usado em 
clientes com infecção generalizada. 
 
Recusa por convicção religiosa 
Embora a prescrição de sangue seja 
atribuição médica, sua aplicação quando 
necessária, muitas vezes fica a cargo da 
enfermagem. Neste momento, às vezes, surge o 
impasse, pois há clientes que impedem a 
transfusão de sangue em seus filhos ou familiares, 
mesmo que disso sobrevenha à morte. Trata-se da 
religião Testemunhas de Jeová que considera a 
transfusão de sangue proibida pela Bíblia. 
A Sociedade Brasileira de Hematologia e 
Hemoterapia estudou a questão e expressou-se 
oficialmente em um documento cujas conclusões 
Os Conselhos Regionais de Medicina aceitam e 
 
26 
sugerem ser adotada, mas não impõem. O 
documento reduz o problema a três aspectos: 
1. O adulto consciente; 
2. O adulto inconsciente; 
3. A criança, o menor de idade, ou incapaz. 
• O adulto consciente: sugere-se respeitar 
suas convicções, mas exige-se que ele assine uma 
declaração isentando de responsabilidade à 
instituição, o médico e quem dele cuidar. 
O adulto inconsciente: o documento admite 
que o sangue possa ser aplicado, desde que nem o 
cliente nem seus familiares venham, a saber. O 
problema básico é evitar o trauma psicológico e 
espiritual, enquanto a vida é salva; 
A criança menor de idade, o incapaz: aqui, 
o problema está nos pais e tutores que impõe sua 
convicção aos filhos e tutelados sob o amparo de 
pátrio poder. A orientação do documento é de que 
se respeite sua decisão, mas deve-se exigir deles a 
assinatura do termo de responsabilidade. 
• De todas as sugestões, salienta-se o 
respeito pelas convicções religiosas, embora 
possam ser consideradas radicais. 
NEGLIGÊNCIA X IMPRUDÊNCIA 
X IMPERÍCIA 
 
 
Imperícia refere-se à falta de conhecimento 
técnico científico para a realização de determinada 
ação. Exemplo: a realização da cateterização 
vesical pelo auxiliar de enfermagem sem o devido 
treinamento, colocando em risco a saúde da pessoa 
sob seus cuidados. 
Negligência trata-se de descuido e/ou 
desatenção na realização de uma atividade. 
Exemplos: a administração de uma medicação ao 
cliente errado; ou não elevar as grades das camas 
de pacientes confusos ou com agitação 
psicomotora. 
Imprudência está relacionada à 
precipitação, ou seja, à realização de ações de 
enfermagem sem cautela, não respeitando as 
normas de segurança. Exemplo, ministrar uma 
medicação sem que haja a confirmação da presença 
de fatores alérgicos.O CEPE, em seu capítulo sobre as 
responsabilidades, no artigo 16, prevê “assegurar 
ao cliente uma Assistência de Enfermagem livre de 
danos decorrentes de imperícia, negligência ou 
imprudência”, sendo fundamental que os 
profissionais saibam o significado desses conceitos 
com a finalidade de se defender de uma possível 
acusação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
ANEXO DA RESOLUÇÃO COFEN Nº 0564/2017 
 
PREÂMBULO 
O Conselho Federal de Enfermagem, ao revisar o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem – CEPE, 
norteou•se por princípios fundamentais, que representam imperativos para a conduta profissional e consideram que a 
Enfermagem é uma ciência, arte e uma prática social, indispensável à organização e ao funcionamento dos serviços de 
saúde; tem como responsabilidades a promoção e a restauração da saúde, a prevenção de agravos e doenças e o alívio 
do sofrimento; proporciona cuidados à pessoa, à família e à coletividade; organiza suas ações e intervenções de modo 
autônomo, ou em colaboração com outros profissionais da área; tem direito a remuneração justa e a condições 
adequadas de trabalho, que possibilitem um cuidado profissional seguro e livre de danos. Sobretudo, esses princípios 
fundamentais reafirmam que o respeito aos direitos humanos é inerente ao exercício da profissão, o que inclui os 
direitos da pessoa à vida, à saúde, à liberdade, à igualdade, à segurança pessoal, à livre escolha, à dignidade e a ser 
tratada sem distinção de classe social, geração, etnia, cor, crença religiosa, cultura, incapacidade, deficiência, doença, 
identidade de gênero, orientação sexual, nacionalidade, convicção política, raça ou condição social. 
Inspirado nesse conjunto de princípios é que o Conselho Federal de Enfermagem, no uso das atribuições 
que lhe são conferidas pelo Art. 8º, inciso III, da Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, aprova e edita esta nova 
revisão do CEPE, exortando os profissionais de Enfermagem à sua fiel observância e cumprimento. 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
A Enfermagem é comprometida com a produção e gestão do cuidado prestado nos diferentes contextos 
socioambientais e culturais em resposta às necessidades da pessoa, família e coletividade. 
O profissional de Enfermagem atua com autonomia e em consonância com os preceitos éticos e legais, 
técnico-científico e teórico-filosófico; exerce suas atividades com competência para promoção do ser humano na sua 
integralidade, de acordo com os Princípios da Ética e da Bioética, e participa como integrante da equipe de Enfermagem 
e de saúde na defesa das Políticas Públicas, com ênfase nas políticas de saúde que garantam a universalidade de acesso, 
integralidade da assistência, resolutividade, preservação da autonomia das pessoas, participação da comunidade, 
hierarquização e descentralização político•administrativa dos serviços de saúde. 
O cuidado da Enfermagem se fundamenta no conhecimento próprio da profissão e nas ciências humanas, sociais 
e aplicadas e é executado pelos profissionais na prática social e cotidiana de assistir, gerenciar, ensinar, 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO I – DOS DIREITOS 
Art. 1º Exercer a Enfermagem com liberdade, segurança técnica, científica e ambiental, autonomia, e ser tratado sem 
 
28 
discriminação de qualquer natureza, segundo os princípios e pressupostos legais, éticos e dos direitos humanos. 
Art. 2º Exercer atividades em locais de trabalho livre de riscos e danos e violências física e psicológica à saúde do 
trabalhador, em respeito à dignidade humana e à proteção dos direitos dos profissionais de enfermagem. 
Art. 3º Apoiar e/ou participar de movimentos de defesa da dignidade profissional, do exercício da cidadania e das 
reivindicações por melhores condições de assistência, trabalho e remuneração, observados os parâmetros e limites da 
legislação vigente. 
Art. 4º Participar da prática multiprofissional, interdisciplinar e transdisciplinar com responsabilidade, autonomia e 
liberdade, observando os preceitos éticos e legais da profissão. 
Art. 5º Associar•se, exercer cargos e participar de Organizações da Categoria e Órgãos de Fiscalização do Exercício 
Profissional, atendidos os requisitos legais. 
Art. 6º Aprimorar seus conhecimentos técnico•científicos, ético•políticos, socioeducativos, históricos e culturais que 
dão sustentação à prática profissional. 
Art. 7º Ter acesso às informações relacionadas à pessoa, família e coletividade, necessárias ao exercício profissional. 
Art. 8º Requerer ao Conselho Regional de Enfermagem, de forma fundamentada, medidas cabíveis para obtenção de 
desagravo público em decorrência de ofensa sofrida no exercício profissional ou que atinja a profissão. 
Art. 9º Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, de forma fundamentada, quando impedido de cumprir o 
presente Código, a Legislação do Exercício Profissional e as Resoluções, Decisões e Pareceres Normativos emanados 
pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem. 
Art. 10 Ter acesso, pelos meios de informação disponíveis, às diretrizes políticas, normativas e protocolos institucionais, 
bem como participar de sua elaboração. 
Art. 11 Formar e participar da Comissão de Ética de Enfermagem, bem como de comissões interdisciplinares da 
instituição em que trabalha. 
Art. 12 Abster•se de revelar informações confidenciais de que tenha conhecimento em razão de seu exercício 
profissional. 
Art. 13 Suspender as atividades, individuais ou coletivas, quando o local de trabalho não oferecer condições seguras 
para o exercício profissional e/ou desrespeitar a legislação vigente, ressalvadas as situações de urgência e emergência, 
devendo formalizar imediatamente sua decisão por escrito e/ou por meio de correio eletrônico à instituição e ao Conselho 
Regional de Enfermagem. 
 
Art. 14 Aplicar o processo de Enfermagem como instrumento metodológico para planejar, implementar, avaliar e 
documentar o cuidado à pessoa, família e coletividade. 
Art. 15 Exercer cargos de direção, gestão e coordenação, no âmbito da saúde ou de qualquer área direta ou indiretamente 
relacionada ao exercício profissional da Enfermagem. 
Art. 16 Conhecer as atividades de ensino, pesquisa e extensão que envolvam pessoas e/ou local de trabalho sob sua 
responsabilidade profissional. 
Art. 17 Realizar e participar de atividades de ensino, pesquisa e extensão, respeitando a legislação vigente. 
Art. 18 Ter reconhecida sua autoria ou participação em pesquisa, extensão e produção técnico• científica. 
 
Art. 19 Utilizar•se de veículos de comunicação, mídias sociais e meios eletrônicos para conceder entrevistas, ministrar 
cursos, palestras, conferências, sobre assuntos de sua competência e/ou divulgar eventos com finalidade educativa e de 
interesse social. 
 
Art. 20 Anunciar a prestação de serviços para os quais detenha habilidades e competências técnico•científicas e legais. 
Art. 21 Negar•se a ser filmado, fotografado e exposto em mídias sociais durante o desempenho de suas atividades 
profissionais. 
 
29 
Art. 22 Recusar•se a executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética e legal ou que não 
ofereçam segurança ao profissional, à pessoa, à família e à coletividade. 
Art. 23 Requerer junto ao gestor a quebra de vínculo da relação profissional/usuários quando houver risco à sua 
integridade física e moral, comunicando ao Coren e assegurando a continuidade da assistência de Enfermagem. 
 
CAPÍTULO II – DOS DEVERES 
Art. 24 Exercer a profissão com justiça, compromisso, equidade, resolutividade, dignidade, competência, 
responsabilidade, honestidade e lealdade. 
Art. 25 Fundamentar suas relações no direito, na prudência, no respeito, na solidariedade e na diversidade de 
opinião e posição ideológica. 
Art. 26 Conhecer, cumprir e fazer cumprir o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e demais normativos 
do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.Art. 27 Incentivar e apoiar a participação dos profissionais de Enfermagem no desempenho de atividades em 
organizações da categoria. 
 
Art. 28 Comunicar formalmente ao Conselho Regional de Enfermagem e aos órgãos competentes fatos que infrinjam 
dispositivos éticos•legais e que possam prejudicar o exercício profissional e a segurança à saúde da pessoa, família e 
coletividade. 
 
Art. 29 Comunicar formalmente, ao Conselho Regional de Enfermagem, fatos que envolvam recusa e/ou demissão 
de cargo, função ou emprego, motivado pela necessidade do profissional em cumprir o presente Código e a legislação 
do exercício profissional. 
Art. 30 Cumprir, no prazo estabelecido, determinações, notificações, citações, convocações e intimações do 
Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem. 
Art. 31 Colaborar com o processo de fiscalização do exercício profissional e prestar informações fidedignas, 
permitindo o acesso a documentos e a área física institucional. 
Art. 32 Manter inscrição no Conselho Regional de Enfermagem, com jurisdição na área onde ocorrer o exercício 
profissional. 
Art. 33 Manter os dados cadastrais atualizados junto ao Conselho Regional de Enfermagem de sua jurisdição. 
 
Art. 34 Manter regularizadas as obrigações financeiras junto ao Conselho Regional de Enfermagem de 
sua jurisdição. 
Art. 35 Apor nome completo e/ou nome social, ambos legíveis, número e categoria de inscrição no Conselho 
Regional de Enfermagem, assinatura ou rubrica nos documentos, quando no exercício profissional. 
 
§ 1º É facultado o uso do carimbo, com nome completo, número e categoria de inscrição no Coren, devendo 
 
30 
constar a assinatura ou rubrica do profissional. 
§ 2º Quando se tratar de prontuário eletrônico, a assinatura deverá ser certificada, conforme legislação vigente. Art. 
36 Registrar no prontuário e em outros documentos as informações inerentes e indispensáveis ao processo de cuidar 
de forma clara, objetiva, cronológica, legível, completa e sem rasuras. 
Art. 37 Documentar formalmente as etapas do processo de Enfermagem, em consonância com sua competência 
legal. 
Art. 38 Prestar informações escritas e/ou verbais, completas e fidedignas, necessárias à continuidade da assistência e 
segurança do paciente. 
Art. 39 Esclarecer à pessoa, família e coletividade, a respeito dos direitos, riscos, benefícios e intercorrências acerca da 
assistência de Enfermagem. 
Art. 40 Orientar à pessoa e família sobre preparo, benefícios, riscos e consequências decorrentes de exames e de outros 
procedimentos, respeitando o direito de recusa da pessoa ou de seu representante legal. 
Art. 41 Prestar assistência de Enfermagem sem discriminação de qualquer natureza. 
 
Art. 42 Respeitar o direito do exercício da autonomia da pessoa ou de seu representante legal na tomada de decisão, livre 
e esclarecida, sobre sua saúde, segurança, tratamento, conforto, bem• estar, realizando ações necessárias, de acordo com 
os princípios éticos e legais. 
Parágrafo único. Respeitar as diretivas antecipadas da pessoa no que concerne às decisões sobre cuidados e tratamentos 
que deseja ou não receber no momento em que estiver incapacitado de expressar, livre e autonomamente, suas vontades. 
Art. 43 Respeitar o pudor, a privacidade e a intimidade da pessoa, em todo seu ciclo vital e nas situações de morte e 
pós•morte. 
Art. 44 Prestar assistência de Enfermagem em condições que ofereçam segurança, mesmo em caso de suspensão das 
atividades profissionais decorrentes de movimentos reivindicatórios da categoria. 
Parágrafo único. Será respeitado o direito de greve e, nos casos de movimentos reivindicatórios da categoria, deverão 
ser prestados os cuidados mínimos que garantam uma assistência segura, conforme a complexidade do paciente. 
Art. 45 Prestar assistência de Enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência. Art. 46 
Recusar•se a executar prescrição de Enfermagem e Médica na qual não constem assinatura e número de registro do 
profissional prescritor, exceto em situação de urgência e emergência. 
 
§ 1º O profissional de Enfermagem deverá recusar•se a executar prescrição de Enfermagem e Médica em caso de 
identificação de erro e/ou ilegibilidade da mesma, devendo esclarecer com o prescritor ou outro profissional, registrando 
no prontuário. 
§ 2º É vedado ao profissional de Enfermagem o cumprimento de prescrição à distância, exceto em casos de urgência e 
emergência e regulação, conforme Resolução vigente. 
Art. 47 Posicionar•se contra, e denunciar aos órgãos competentes, ações e procedimentos de membros da equipe de 
saúde, quando houver risco de danos decorrentes de imperícia, negligência e imprudência ao paciente, visando a proteção 
da pessoa, família e coletividade. 
Art. 48 Prestar assistência de Enfermagem promovendo a qualidade de vida à pessoa e família no processo do nascer, 
viver, morrer e luto. 
Parágrafo único. Nos casos de doenças graves incuráveis e terminais com risco iminente de morte, em consonância 
com a equipe multiprofissional, oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis para assegurar o conforto físico, 
psíquico, social e espiritual, respeitada a vontade da pessoa ou de seu representante legal. 
 
Art. 49 Disponibilizar assistência de Enfermagem à coletividade em casos de emergência, epidemia, catástrofe e 
desastre, sem pleitear vantagens pessoais, quando convocado. 
Art. 50 Assegurar a prática profissional mediante consentimento prévio do paciente, representante ou responsável legal, 
 
31 
ou decisão judicial. 
Parágrafo único. Ficam resguardados os casos em que não haja capacidade de decisão por parte da pessoa, ou na 
ausência do representante ou responsável legal. 
Art. 51 Responsabilizar•se por falta cometida em suas atividades profissionais, independentemente de ter sido praticada 
individual ou em equipe, por imperícia, imprudência ou negligência, desde que tenha participação e/ou conhecimento 
prévio do fato. 
Parágrafo único. Quando a falta for praticada em equipe, a responsabilidade será atribuída na medida do(s) ato(s) 
praticado(s) individualmente. 
Art. 52 Manter sigilo sobre fato de que tenha conhecimento em razão da atividade profissional, exceto nos casos 
previstos na legislação ou por determinação judicial, ou com o consentimento escrito da pessoa envolvida ou de seu 
representante ou responsável legal. 
§ 1º Permanece o dever mesmo quando o fato seja de conhecimento público e em caso de falecimento da 
pessoa envolvida. 
§ 2º O fato sigiloso deverá ser revelado em situações de ameaça à vida e à dignidade, na defesa própria ou em 
atividade multiprofissional, quando necessário à prestação da assistência. 
§ 3º O profissional de Enfermagem intimado como testemunha deverá comparecer perante a autoridade e, se for o 
caso, declarar suas razões éticas para manutenção do sigilo profissional. 
§ 4º É obrigatória a comunicação externa, para os órgãos de responsabilização criminal, independentemente 
de autorização, de casos de violência contra: crianças e adolescentes; idosos; e pessoas incapacitadas ou sem 
condições de firmar consentimento. 
§ 5º A comunicação externa para os órgãos de responsabilização criminal em casos de violência doméstica e familiar 
contra mulher adulta e capaz será devida, independentemente de autorização, em caso de risco à comunidade ou à 
vítima, a juízo do profissional e com conhecimento prévio da vítima ou do seu responsável. 
 
Art. 53 Resguardar os preceitos éticos e legais da profissão quanto ao conteúdo e imagem veiculados nos 
diferentes meios de comunicação e publicidade. 
Art. 54 Estimular e apoiar a qualificação e o aperfeiçoamento técnico•científico, ético•político, 
socioeducativo e cultural dos profissionais de Enfermagem sob sua supervisão e coordenação. 
Art. 55 Aprimorar os conhecimentos técnico•científicos, ético•políticos, socioeducativos e culturais, em 
benefício da pessoa, família e coletividade e dodesenvolvimento da profissão. 
Art. 56 Estimular, apoiar, colaborar e promover o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e 
extensão, devidamente aprovados nas instâncias deliberativas. 
 
Art. 57 Cumprir a legislação vigente para a pesquisa envolvendo seres humanos. 
 
Art. 58 Respeitar os princípios éticos e os direitos autorais no processo de pesquisa, em todas as etapas. 
Art. 59 Somente aceitar encargos ou atribuições quando se julgar técnica, científica e legalmente apto para 
o desempenho seguro para si e para outrem. 
Art. 60 Respeitar, no exercício da profissão, a legislação vigente relativa à preservação do meio ambiente no 
gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. 
 
32 
CAPÍTULO III – DAS PROIBIÇÕES 
 
 
 
Art. 61 Executar e/ou determinar atos contrários ao Código de Ética e à legislação que disciplina o exercício da 
Enfermagem. 
Art. 62 Executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética e legal ou que não ofereçam 
segurança ao profissional, à pessoa, à família e à coletividade. 
Art. 63 Colaborar ou acumpliciar•se com pessoas físicas ou jurídicas que desrespeitem a legislação e princípios que 
disciplinam o exercício profissional de Enfermagem. 
 
Art. 64 Provocar, cooperar, ser conivente ou omisso diante de qualquer forma ou tipo de violência contra a pessoa, família 
e coletividade, quando no exercício da profissão. 
Art. 65 Aceitar cargo, função ou emprego vago em decorrência de fatos que envolvam recusa ou demissão motivada pela 
necessidade do profissional em cumprir o presente código e a legislação do exercício profissional; bem como pleitear 
cargo, função ou emprego ocupado por colega, utilizando•se de concorrência desleal. 
 
Art. 66 Permitir que seu nome conste no quadro de pessoal de qualquer instituição ou estabelecimento congênere, quando, 
nestas, não exercer funções de enfermagem estabelecidas na legislação. 
 
Art. 67 Receber vantagens de instituição, empresa, pessoa, família e coletividade, além do que lhe é devido, como 
forma de garantir assistência de Enfermagem diferenciada ou benefícios de qualquer natureza para si ou para outrem. 
Art. 68 Valer•se, quando no exercício da profissão, de mecanismos de coação, omissão ou suborno, com pessoas físicas 
ou jurídicas, para conseguir qualquer tipo de vantagem. 
Art. 69 Utilizar o poder que lhe confere a posição ou cargo, para impor ou induzir ordens, opiniões, ideologias políticas 
ou qualquer tipo de conceito ou preconceito que atentem contra a dignidade da pessoa humana, bem como dificultar o 
exercício profissional. 
Art. 70 Utilizar dos conhecimentos de enfermagem para praticar atos tipificados como crime ou contravenção penal, 
tanto em ambientes onde exerça a profissão, quanto naqueles em que não a exerça, ou qualquer ato que infrinja os 
postulados éticos e legais. 
Art. 71 Promover ou ser conivente com injúria, calúnia e difamação de pessoa e família, membros das equipes de 
Enfermagem e de saúde, organizações da Enfermagem, trabalhadores de outras áreas e instituições em que exerce sua 
atividade profissional. 
 
Art. 72 Praticar ou ser conivente com crime, contravenção penal ou qualquer outro ato que infrinja postulados éticos e 
 
33 
legais, no exercício profissional. 
Art. 73 Provocar aborto, ou cooperar em prática destinada a interromper a gestação, exceto nos casos permitidos pela 
legislação vigente. 
Parágrafo único. Nos casos permitidos pela legislação, o profissional deverá decidir de acordo com a sua consciência 
sobre sua participação, desde que seja garantida a continuidade da assistência. 
Art. 74 Promover ou participar de prática destinada a antecipar a morte da pessoa. 
 
Art. 75 Praticar ato cirúrgico, exceto nas situações de emergência ou naquelas expressamente autorizadas na legislação, 
desde que possua competência técnica•científica necessária. 
Art. 76 Negar assistência de enfermagem em situações de urgência, emergência, epidemia, desastre e catástrofe, desde 
que não ofereça risco a integridade física do profissional. 
 
Art. 77 Executar procedimentos ou participar da assistência à saúde sem o consentimento formal da pessoa ou de seu 
representante ou responsável legal, exceto em iminente risco de morte. 
 
Art. 78 Administrar medicamentos sem conhecer indicação, ação da droga, via de administração e potenciais riscos, 
respeitados os graus de formação do profissional. 
Art. 79 Prescrever medicamentos que não estejam estabelecidos em programas de saúde pública e/ou em rotina aprovada 
em instituição de saúde, exceto em situações de emergência. 
Art. 80 Executar prescrições e procedimentos de qualquer natureza que comprometam a segurança da pessoa. 
Art. 81 Prestar serviços que, por sua natureza, competem a outro profissional, exceto em caso de emergência, ou que 
estiverem expressamente autorizados na legislação vigente. 
 
Art. 82 Colaborar, direta ou indiretamente, com outros profissionais de saúde ou áreas vinculadas, no descumprimento 
da legislação referente aos transplantes de órgãos, tecidos, esterilização humana, reprodução assistida ou manipulação 
genética. 
 
Art. 83 Praticar, individual ou coletivamente, quando no exercício profissional, assédio moral, sexual ou de qualquer 
natureza, contra pessoa, família, coletividade ou qualquer membro da equipe de saúde, seja por meio de atos ou 
expressões que tenham por consequência atingir a dignidade ou criar condições humilhantes e constrangedoras. 
Art. 84 Anunciar formação profissional, qualificação e título que não possa comprovar. 
 
Art. 85 Realizar ou facilitar ações que causem prejuízo ao patrimônio das organizações da categoria. 
 
Art. 86 Produzir, inserir ou divulgar informação inverídica ou de conteúdo duvidoso sobre assunto de sua área 
profissional. 
Parágrafo único. Fazer referência a casos, situações ou fatos, e inserir imagens que possam identificar pessoas ou 
instituições sem prévia autorização, em qualquer meio de comunicação. 
Art. 87 Registrar informações incompletas, imprecisas ou inverídicas sobre a assistência de Enfermagem prestada à 
pessoa, família ou coletividade. 
Art. 88 Registrar e assinar as ações de Enfermagem que não executou, bem como permitir que suas ações sejam assinadas 
por outro profissional. 
Art. 89 Disponibilizar o acesso a informações e documentos a terceiros que não estão diretamente envolvidos na 
prestação da assistência de saúde ao paciente, exceto quando autorizado pelo paciente, representante legal ou responsável 
legal, por determinação judicial. 
Art. 90 Negar, omitir informações ou emitir falsas declarações sobre o exercício profissional quando solicitado pelo 
Conselho Regional de Enfermagem e/ou Comissão de Ética de Enfermagem. 
 
34 
Art. 91 Delegar atividades privativas do(a) Enfermeiro(a) a outro membro da equipe de Enfermagem, exceto nos casos 
de emergência. 
Parágrafo único. Fica proibido delegar atividades privativas a outros membros da equipe de saúde. 
Art. 92 Delegar atribuições dos(as) profissionais de enfermagem, previstas na legislação, para acompanhantes e/ou 
responsáveis pelo paciente. 
 
Parágrafo único. O dispositivo no caput não se aplica nos casos da atenção domiciliar para o autocuidado apoiado. 
Art. 93 Eximir•se da responsabilidade legal da assistência prestada aos pacientes sob seus cuidados 
realizados por alunos e/ou estagiários sob sua supervisão e/ou orientação. 
Art. 94 Apropriar•se de dinheiro, valor, bem móvel ou imóvel, público ou particular, que esteja sob sua responsabilidade 
em razão do cargo ou do exercício profissional, bem como desviá•lo em proveito próprio ou de outrem. 
Art. 95 Realizar ou participar de atividades de ensino, pesquisa e extensão, em que os direitos inalienáveis da pessoa, 
família e coletividade sejam desrespeitados ou ofereçam quaisquer tipos de riscos ou danos previsíveis aos envolvidos. 
 
Art. 96 Sobrepor o interesse da ciência ao interesse e segurança da pessoa,família e coletividade. 
Art. 97 Falsificar ou manipular resultados de pesquisa, bem como usá•los para fins diferentes dos objetivos previamente 
estabelecidos. 
 
Art. 98 Publicar resultados de pesquisas que identifiquem o participante do estudo e/ou instituição envolvida, sem a 
autorização prévia. 
Art. 99 Divulgar ou publicar, em seu nome, produção técnico•científica ou instrumento de organização formal do qual 
não tenha participado ou omitir nomes de coautores e colaboradores. 
Art. 100 Utilizar dados, informações, ou opiniões ainda não publicadas, sem referência do autor ou sem a sua autorização. 
Art. 101 Apropriar•se ou utilizar produções técnico•científicas, das quais tenha ou não participado como autor, sem 
concordância ou concessão dos demais partícipes. 
Art. 102 Aproveitar•se de posição hierárquica para fazer constar seu nome como autor ou coautor em obra 
técnico•científica. 
 
CAPÍTULO IV – DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES 
Art. 103 A caracterização das infrações éticas e 
disciplinares, bem como a aplicação das respectivas 
penalidades regem•se por este Código, sem prejuízo das 
sanções previstas em outros dispositivos legais. 
Art. 104 Considera•se infração ética e disciplinar a ação, 
omissão ou conivência que implique em desobediência e/ou 
inobservância às disposições do Código de Ética dos 
Profissionais de Enfermagem, bem como a inobservância das 
normas do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem. 
 
Art. 105 O(a) Profissional de Enfermagem responde pela infração ética e/ou disciplinar, que cometer ou contribuir para 
sua prática, e, quando cometida(s) por outrem, dela(s) obtiver benefício. 
Art. 106 A gravidade da infração é caracterizada por meio da análise do(s) fato(s), do(s) ato(s) praticado(s) ou ato(s) 
omissivo(s), e do(s) resultado(s). 
Art. 107 A infração é apurada em processo instaurado e conduzido nos termos do Código de Processo Ético•Disciplinar 
 
35 
vigente, aprovado pelo Conselho Federal de Enfermagem. 
Art. 108 As penalidades a serem impostas pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, conforme o que 
determina o art. 18, da Lei n° 5.905, de 12 de julho de 1973, são as seguintes: 
 
I – Advertência verbal; 
 
II – Multa; 
 
III – Censura; 
 
IV – Suspensão do Exercício Profissional; 
 
V – Cassação do direito ao Exercício Profissional. 
 
§ 1º A advertência verbal consiste na admoestação ao infrator, de forma reservada, que será registrada no prontuário do 
mesmo, na presença de duas testemunhas. 
§ 2º A multa consiste na obrigatoriedade de pagamento de 01 (um) a 10 (dez) vezes o valor da anuidade da categoria 
profissional à qual pertence o infrator, em vigor no ato do pagamento. 
§ 3º A censura consiste em repreensão que será divulgada nas publicações oficiais do Sistema Cofen/Conselhos 
Regionais de Enfermagem e em jornais de grande circulação. 
§ 4º A suspensão consiste na proibição do exercício profissional da Enfermagem por um período de até 90 (noventa) dias 
e será divulgada nas publicações oficiais do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, jornais de grande 
circulação e comunicada aos órgãos empregadores. 
§ 5º A cassação consiste na perda do direito ao exercício da Enfermagem por um período de até 30 anos e será divulgada 
nas publicações do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem e em jornais de grande circulação. 
§ 6º As penalidades aplicadas deverão ser registradas no prontuário do infrator. 
 
§ 7º Nas penalidades de suspensão e cassação, o profissional terá sua carteira retida no ato da notificação, em todas as 
categorias em que for inscrito, sendo devolvida após o cumprimento da pena e, no caso da cassação, após o processo de 
reabilitação. 
Art. 109 As penalidades, referentes à advertência verbal, multa, censura e suspensão do exercício profissional, são da 
responsabilidade do Conselho Regional de Enfermagem, serão registradas no prontuário do profissional de Enfermagem; 
a pena de cassação do direito ao exercício profissional é de competência do Conselho Federal de Enfermagem, conforme 
o disposto no art. 18, parágrafo primeiro, da Lei n° 5.905/73. 
 
Parágrafo único. Na situação em que o processo tiver origem no Conselho Federal de Enfermagem e nos casos de 
cassação do exercício profissional, terá como instância superior a Assembleia de Presidentes dos Conselhos de 
Enfermagem. 
Art. 110 Para a graduação da penalidade e respectiva imposição consideram•se: I – A gravidade da infração; 
II – As circunstâncias agravantes e atenuantes da infração; III – O dano causado e o resultado; 
IV – Os antecedentes do infrator. 
 
Art. 111 As infrações serão consideradas leves, moderadas, graves ou gravíssimas, segundo a natureza do ato e a 
circunstância de cada caso. 
§ 1º São consideradas infrações leves as que ofendam a integridade física, mental ou moral de qualquer pessoa, sem 
causar debilidade ou aquelas que venham a difamar organizações da categoria ou instituições ou ainda que causem danos 
patrimoniais ou financeiros. 
 
36 
 
§ 2º São consideradas infrações moderadas as que provoquem debilidade temporária de membro, sentido ou função na 
pessoa ou ainda as que causem danos mentais, morais, patrimoniais ou financeiros. 
§ 3º São consideradas infrações graves as que provoquem perigo de morte, debilidade permanente de membro, sentido 
ou função, dano moral irremediável na pessoa ou ainda as que causem danos mentais, morais, patrimoniais ou 
financeiros. 
§ 4º São consideradas infrações gravíssimas as que provoquem a morte, debilidade permanente de membro, sentido ou 
função, dano moral irremediável na pessoa. 
Art. 112 São consideradas circunstâncias atenuantes: 
I – Ter o infrator procurado, logo após a infração, por sua espontânea vontade e com eficiência, evitar ou minorar 
as consequências do seu ato; 
 
II – Ter bons antecedentes profissionais; 
 
III – Realizar atos sob coação e/ou intimidação ou grave ameaça; IV – Realizar atos sob emprego real de força 
física; 
V – Ter confessado espontaneamente a autoria da infração; 
 
VI – Ter colaborado espontaneamente com a elucidação dos fatos. 
 
Art. 113 São consideradas circunstâncias agravantes: I – Ser reincidente; 
II – Causar danos irreparáveis; 
 
III – Cometer infração dolosamente; 
 
IV – Cometer a infração por motivo fútil ou torpe; 
 
V – Facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou a vantagem de outra infração; 
 
VI – Aproveitar-se da fragilidade da vítima; 
 
VII – Cometer a infração com abuso de autoridade ou violação do dever inerente ao cargo ou função ou 
exercício profissional; 
 
VIII – Ter maus antecedentes profissionais; 
 
IX – Alterar ou falsificar prova, ou concorrer para a desconstrução de fato que se relacione com o apurado 
na denúncia durante a condução do processo ético. 
CAPÍTULO V – DA APLICAÇÃO DAS PENALIDADES 
Art. 114 As penalidades previstas neste Código somente poderão ser aplicadas, cumulativamente, 
quando houver infração a mais de um artigo. 
Art. 115 A pena de Advertência verbal é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos:, 26, 
28, 29, 30, 31, 32, 33, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 46, 48, 
47, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57,58, 59, 60, 61, 62, 65, 66, 67, 69, 76, 77, 78, 79, 81, 82, 
83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 98, 99, 100, 101 e 102. 
 
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Art. 116 A pena de Multa é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos: 28, 29, 30, 31, 
32, 35, 36, 38, 39, 41, 42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 57, 58, 59, 61, 62, 
63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 
88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 100, 101 e 102. 
Art. 117 A pena de Censura é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos: 31, 41, 42, 43, 44, 
45, 50, 51, 52, 57, 58, 59, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67,68, 69, 70, 71, 
73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81,82, 83, 84, 85, 86, 88, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 97, 99, 100, 
101 e 102. 
 
Art. 118 A pena de Suspensão do Exercício Profissional é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido 
nos artigos: 32, 41, 42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 59, 61, 62, 63, 64, 68, 69, 70, 
71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78,79, 80, 81, 82, 83, 85, 87, 89, 90, 91, 92, 93, 94 e 95. 
 
Art. 119 A pena de Cassação do Direito ao Exercício Profissional é aplicável nos casos de infrações ao que está 
estabelecido nos artigos: 45, 64, 70, 72, 73, 74, 80, 82, 83, 94, 96 e 97.
 REFERÊNCIA 
1. MEDEIROS, A, Juliane. TEORIAS DE ENFERMAGEM. Instituto de Tecnologia da Paraíba. 
2. Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/enfermagem/a-
enfermagem-e-a-acao-etica/38468 
3. Maria Assunção, Maria Ferreira, Isabel Lucas. O contributo do enfermeiro na decisão da 
equipe de saúde de não reanimação. REVISTA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DA ESSCVP. Vol.10 – 
Dezembro 2018. 
4. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v19n2/19.pdf 
5. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v51n4/v51n4a10.pdf 
6. COLÉGIO TÉCNICO SÃO BENTO, ÉTICA PROFISSIONAL. 
Disponível em: http://www.colegiotecnicosaobento.com.br/apostilas/enfermagem/modulo-
profissional-1/etica-profissional.pdf 
7. Disponível em: https://www.mundoadvogados.com.br/artigos/o-que-e-a-eutanasia-e-por-
que-no-brasil-ela-e-proibida 
8. Moreira, E. C., & Biehl, J. G. (2004). Práticas médicas de aceitação da morte na UTI de um 
hospital geral no Nordeste do Brasil. Bioética,12(1), 22-28. 
9. Jeferson Piva. Análise de Possíveis Condutas Frente ao Paciente Terminal – Revista Bioética v.1 
n.2. 1993. 
10. Disponível em: http://www.fiepbulletin.net/index.php/fiepbulletin/article/viewFile/2818/5491 
 
 
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