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Cláusulas Pétreas (art 60. par 4) 1 Cláusulas Pétreas (art 60. par 4) PASSEI DIRETO - CONCURSOS PÚBLICOS FELIPE CESAR) não será objeto de deliberação a proposta tendente a abolir: I – a forma federativa de Estado; Não se permite o direito de secessão (separação), pois a característica central de uma Federação é a união indissolúvel de seus membros. Aliás, ideias separatistas autorizam o uso da intervenção federal, por violar um dos princípios sensíveis de nossa Constituição – artigo 34, VII. Ainda dentro do tema, alguns Estados questionaram a lei federal que fixou o piso nacional para profissionais da educação. Em outras palavras, uma lei editada pela União estabeleceu o valor mínimo que os Estados, o DF e os Municípios deveriam pagar aos seus professores. Ao julgar o caso, o STF entendeu que não haveria ofensa à forma federativa de Estado (STF, ADI 4.167). II – o voto direto, secreto, universal e periódico; A primeira coisa a pontuar é que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. Para que o voto passe a ser facultativo, bastaria a promulgação de EC nesse sentido. Seguindo, foi com base no voto secreto que se declarou a inconstitucionalidade de lei federal a qual previa a utilização de impressoras junto às urnas eletrônicas. A ideia da lei era permitir um maior controle sobre a segurança das urnas, diante dos questionamentos acerca de possíveis fraudes. Previa-se que, por I – a forma federativa de Estado; II – o voto direto, secreto, universal e periódico; III – a separação dos Poderes; IV – os direitos e garantias individuais. Cláusula Pétreas Implícitas Cláusulas Pétreas (art 60. par 4) 2 amostragem, o resultado de algumas urnas eletrônicas seria confrontado com os votos impressos, depositados num coletor junto à própria impressora. Contudo, prevaleceu a ideia segundo a qual o voto impresso acabava permitindo a possibilidade de acesso humano aos votos já depositados nas urnas, sob o pretexto, por exemplo, de corrigir algum defeito na impressora (STF, ADI 4.543). Ah, fique atento, pois o voto secreto é assegurado nas eleições diretas. Nas eleições indiretas, poderia o voto ser aberto. Foi o que aconteceu, por exemplo, no Estado de Tocantins, que teve de realizar eleições indiretas, sendo a escolha do novo Governador e do Vice a cargo da Assembleia Legislativa (STF, ADI 4.298). III – a separação dos Poderes; A CF/1988, em seu art. 2º, diz que os poderes são independentes e harmônicos. Isso quer dizer que ‘um não é maior que o outro’, ou seja, cada um pode controlar (frear) a atuação do outro EX1: o presidente da República encaminha um projeto de lei prevendo a criação de novo tributo. O Congresso Nacional (Legislativo) pode aprovar a proposta, criando a lei, ou rejeitá-la, arquivando. Havendo a sanção, promulgação e publicação, nada impede que o Judiciário a declare inconstitucional. EX 2: Processo de escolha de Ministros do STF (Judiciário). O presidente da República (Executivo) indica um nome, que deve ser submetido à aprovação por maioria absoluta dos Senadores (Legislativo). Esse sistema em que cada poder fiscaliza a atuação do outro é a chamada teoria dos freios e contrapesos. 📌 ATENÇÃO: mesmo sendo o Executivo o gestor dos recursos para o sistema prisional, pode o Judiciário determinar a realização de obras emergenciais nos presídios. NÃO há violação à separação dos Poderes; Cláusulas Pétreas (art 60. par 4) 3 SISTEMA CARCERÁRIO → Determinado que não pode haver o contingenciamento (bloqueio) de verbas destinadas ao FUNPEN (Fundo Penitenciário Nacional), de modo a diminuir os problemas estruturais encontrados (STF, ADPF n. 347). POSICIONAMENTO CONSTITUCIONAL MP, DP, TC NENHUMA dessas instituições está em relação de subordinação aos Poderes acima citados TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO → atua como auxiliar do Congresso Nacional, mas mantém independência e ausência de subordinação hierárquica MINISTÉRIO PÚBLICO → fala-se em independência e inexistência de subordinação DEFENSORIA PÚBLICA → STF se posicionou no sentido de que a autonomia da Defensoria Pública seria um preceito fundamental da nossa Constituição Em resumo, podemos afirmar que a Defensoria Pública, o Ministério Público e o Tribunal de Contas são dotados de autonomia administrativa, funcional e orçamentária, não se subordinando ao Executivo ou a qualquer outro Poder. OUTROS JULGADOS antes, porém, um alerta: na maioria das vezes, o defeito está no fato de se exigir a participação do Legislativo em um assunto que seria próprio aos outros Poderes. Veja: 1. viola a separação de Poderes lei estadual que condiciona todas as desapropriações feitas a prévia aprovação do Legislativo. O defeito aqui seria o fato de essa tarefa – desapropriar – caber ao Executivo (STF, ADI n. 106); 2. viola a separação de Poderes lei estadual que exija a sabatina de nomes de lista tríplice ao cargo de Procurador-Geral de Justiça (PGJ). A razão da inconstitucionalidade nesse caso consiste na ausência de previsão da sabatina na Constituição Federal. E, na escolha do PGJ, o Chefe do Executivo já fica restringido por conta da lista tríplice, elaborada pelo próprio MP (STF, ADI n. 3.888); Cláusulas Pétreas (art 60. par 4) 4 3. no mesmo sentido do item anterior, também seria inconstitucional norma estadual que previsse a aprovação, pela Assembleia Legislativa, dos integrantes da lista tríplice do quinto constitucional para preenchimento de vaga de Desembargador do TJ (STF, ADI n. 4.150); 4. viola a separação de Poderes lei estadual que preveja sabatina do Legislativo para os integrantes de Diretorias das entidades da Administração Indireta (empresas públicas e sociedades de economia mista). A exceção ficaria por conta das autarquias e das fundações públicas, pois, em relação a elas, a Constituição Federal prevê a aprovação do Senado. Assim, em simetria, a Constituição Estadual também poderia prever (STF, ADI n. 2.225); 5. viola a separação de Poderes a convocação de Magistrado, por CPIs, para prestar esclarecimentos sobre ato jurisdicional praticado. Como você sabe, contra decisão judicial cabe recurso, e não CPI (STF, HC n. 86.581). IV – os direitos e garantias individuais. Segundo o STF, estão inclusos aqui o Art. 5° (direitos e deveres individuais e coletivos); Art. 16° (princípio da anterioridade eleitoral); e Art. 150° (limitações ao poder de tributar). 📌 ATENÇÃO: direitos e garantias individuais =/= direitos e garantias fundamentais (todo titulo II, art. 4° a 17) Cláusula Pétreas Implícitas Será que haveria outras, implícitas no texto constitucional? A doutrina entende que sim! Cláusulas Pétreas (art 60. par 4) 5 Ilustrativamente, Gilmar Mendes e Paulo Gonet, no seu Curso de Direito Constitucional citam os Princípios Fundamentais (artigos 1º a 4º) como cláusulas pétreas implícitas. Isso faz bastante sentido, uma vez que eles abrem a Constituição, servindo como parâmetro para outros dispositivos do texto