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GESTÃO DE CAPITAL DE GIRO Me. Gabriel Sarmento Eid GUIA DA DISCIPLINA 1 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 1. CONCEITUANDO CAPITAL DE GIRO, SUA DINÂMICA E CARACTERÍSTICAS Introdução Toda empresa é a soma de seus valores econômicos, sejam eles direitos ou deveres, créditos ou débitos, ou seja, uma empresa é um patrimônio e esse patrimônio é composto de Ativos e Passivos. A questão da gestão do capital do giro faz parte de uma temática maior e mais complexa, a gestão dos ativos e passivos da empresa, ou seja, a busca pelo equilíbrio entre Direitos e Deveres de maneira a permitir que a empresa gerencie seus recursos (Ativos), que são escassos, da maneira mais eficiente e lucrativa possível. Tudo isso, faz parte do Planejamento Estratégico da empresa e de seu programa Orçamentário. Diante disso, veremos separadamente, alguns conceitos fundamentais que serão utilizados ao longo de todo o material e da disciplina, tais como capital de giro e capital fixo, capital circulante líquido e necessidade de capital de giro, entre outros. 1.1. Capital Fixo e Capital de Giro Líquido e Capital de Giro Bruto O ativo de uma empresa é dividido, majoritariamente, em dois tipos: Fixo e Giro. Os fixos são representados pelos bens e investimentos realizado pela empresa para a sua constituição e funcionamento, mediante à aquisição de Imóveis, Máquinas e Equipamentos, Veículos, Instalações e Propriedade Intelectual. Todo esse exemplo tem em comum o fato de demandarem um aporte inicial – e muitas vezes imediato – elevado que, após alocado, ficará imobilizado ou intangível, ou seja, não será – em via de regra – revertido novamente em dinheiro, pois são necessários para o funcionamento da empresa, além de apresentarem baixa liquidez. Mas nem só de máquinas e imóveis é feita uma empresa, em seu processo produtivo Mão de obra é utilizada, Matérias Primas são beneficiadas, Insumos são consumidos, Tributos precisam ser pagos enfim, além do dinheiro “parado” temos também um dinheiro “rodando” dentro da empresa. Assim, temos o giro que são aqueles recursos que giram dentro da empresa, passando pelo seu processo produtivo e ganhando valor agregado, ao término desse processo são então convertidos em dinheiro – mediante a venda de produtos 2 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância ou serviços – e, após as devidas deduções, volta ao caixa da empresa e, espera-se que, volte com valorização, ou seja, giram 1 e voltam 2, mais comumente conhecido como lucro. Claramente, o giro é bem mais complexo e dinâmico do que o fixo, motivo pelo qual é preciso ser gerenciado muito bem, com planejamento, controle e acompanhamento, da mesma maneira, é preciso ser analisado constantemente para se verificar a sua eficiência dentro do processo produtivo e financeiro. Dessa forma temos, então, que a empresa é resultado de dois aportes de recursos: o fixo, que é aquele investimento em ativos que vão servir de base para a empresa funcionar; e o giro, que são os recursos que a empresa precisa ter disponível para arcar com seus custos e despesas de funcionamento. Resumindo, o capital de giro representa a quantidade mínima de recursos necessários para atender às operações fundamentais1 de um negócio. Enquanto o capital fixo representa a quantidade necessária para instalar a empresa. Esses recursos que giram são o dinheiro, propriamente dito, necessário para pagar as despesas e outras obrigações resultantes do processo produtivo da empresa, tais como, salários, conta de luz, fornecedores, tributos e são seus estoques de matéria-prima e produtos acabados que serão alienados posteriormente. O Capital de giro é, portanto, a quantidade de recursos que a empresa vai precisar para garantir as suas operações. Além do Capital de Giro O capital de giro é uma medida da liquidez, eficiência operacional e saúde financeira de curto prazo de uma empresa. Se uma empresa possui capital de giro substancial, ela deve ter o potencial de investir e crescer. Se os ativos com alta liquidez de uma empresa não excederem seu passivo circulante, ela poderá ter problemas para crescer ou pagar seus credores, em casos extremos, até falir. 1Os gastos com manutenção dos ativos fixos podem, inclusive, aumentar o valor de um capital de giro. 3 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Outra definição de Capital de Giro, sob a perspectiva da contabilidade gerencial, é que a quantidade de recursos necessários para arcar com os gastos fixos de uma empresa dentro de um ciclo produtivo ou de um mês, muitas vezes, é usado como referência de quanto a empresa de faturar no mínimo para sobreviver. Tendo definido o conceito geral de capital fixo e de giro, vamos às duas definições de Capital de Giro: Bruto e Líquido. O capital de giro bruto é a soma de todos os ativos circulantes de uma empresa (ativos que são conversíveis em dinheiro dentro de um ano ou menos). O capital circulante bruto inclui ativos como caixa, contas a receber, estoques, aplicações financeiras e títulos e valores mobiliários de liquides alta ou imediata. O capital de giro bruto menos o passivo circulante é igual ao capital de giro líquido, ou simplesmente "capital de giro", uma medida mais útil para a análise do balanço patrimonial. O capital de giro bruto ou capital circulante bruto (CCB), na prática, não é útil. É apenas uma metade de uma imagem da saúde financeira de curto prazo de uma empresa e a capacidade de usar recursos de curto prazo com eficiência. A outra metade é o passivo circulante. O capital circulante bruto, ou ativo circulante, menos o passivo circulante é igual ao capital de giro líquido ou capital de giro, apenas. O capital de giro, também é conhecido como capital circulante líquido (CCL) que é a diferença entre o ativo circulante de uma empresa (como caixa, contas a receber e estoques) e seus passivos circulantes (contas a pagar e empréstimos e financiamentos de curto prazo). Resumindo temos os três primeiros conceitos chave: I. Capital Fixo: Aporte de recursos necessários à instalação da empresa que, após alocados, ficam imobilizados; II. Capital de Giro Bruto: Recursos disponíveis para a empresa em um ano ou menos; III. Capital de Giro Líquido: Recursos necessários para a empresa funcionar adequadamente, expresso pela diferença entre Ativo Circulante e Passivo Circulante. 4 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância O conceito de capital de giro líquido também facilita a determinação da solidez e solvência financeira de curto prazo da empresa. Ao comparar o montante do passivo circulante com o valor do ativo circulante, podemos verificar a capacidade da empresa de cumprir suas obrigações de curto prazo do ponto de vista de liquidez. Quando os ativos circulantes representam um valor de pelo menos o dobro do valor do passivo circulante são considerados como padrão em muitas empresas, mas há também as empresas com paridade de ativos circulantes em relação ao passivo circulante que estão funcionando sem problemas e são consideradas financeiramente sólidas, logo, apesar da expectativa de que os ativos circulantes sejam superiores aos passivos circulantes, isso não é uma regra de ouro nas empresas, vai depender muito de fatores relacionados à sua gestão. 1.2. Natureza do Capital de Giro A natureza do capital de giro é resumida abaixo: I. Fundamental: é usado para compra de matérias-primas, pagamento de salários e despesas. II. Dinâmico: ele muda de forma constantemente para manter as rodas dos negócios em movimento. III. Líquido: o capital de giro mede a liquidez, a solvência, a credibilidade e a reputação da empresa. IV. Conveniente:Permite que a empresa aproveite as facilidades de desconto oferecidas por seus fornecedores ou utilize deles como fonte de financiamento. V. Potencial: Uma gestão eficiente e lucrativa do capital de giro permite financiar os programas de expansão da empresa e ajuda na manutenção da eficiência operacional dos ativos fixos. O Capital de Giro Líquido pode ser positivo ou negativo. Um capital de giro líquido positivo surge quando os ativos circulantes excedem os passivos circulantes e ocorre um capital de giro negativo quando os passivos circulantes excedem os ativos circulantes. Isso mostra uma posição ruim de liquidez. Este é um conceito qualitativo que destaca o caráter das fontes das quais os fundos foram adquiridos para sustentar a parcela dos ativos circulantes que excede o passivo circulante. 5 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância A importância do capital de giro: I. Ajuda a medir a lucratividade de uma empresa. Na sua ausência, não haveria produção nem lucro. II. Sem capital de giro adequado, uma entidade não pode cumprir suas obrigações de curto prazo no tempo, incorrendo em multas e juros. III. Uma empresa com uma posição de capital de giro saudável pode obter empréstimos facilmente do mercado devido à sua reputação positiva. IV. O capital de giro suficiente ajuda a manter um fluxo ininterrupto de produção, fornecendo matérias-primas e pagamento de salários. V. Capital de giro sólido ajuda a manter o nível ideal de investimento em ativos circulantes. VI. Aumenta a liquidez, a solvência, o valor do crédito e a reputação da empresa. VII. Fornece fundos necessários para atender a contingências imprevistas e, assim, ajuda a empresa a operar com sucesso durante os períodos de crise. Além desses aspectos, o Capital de Giro Líquido pode ser posicionado: • Capital de Giro Positivo: Refere-se ao superávit do saldo entre os ativos circulantes e os passivos circulantes. • Capital de Giro Negativo: O capital de giro negativo refere-se ao déficit resultante do saldo entre passivos circulantes e os ativos circulantes. • Capital de Giro Neutro: Quando o saldo de ativos circulantes é igual ao de passivos circulantes. Para encontrar a posição de capital de giro, calcula-se o Índice de Capital de Giro, que se dá pela Divisão do Ativo Circulante pelo Passivo Circulante, sendo o resultado maior do que 1 temos posição Positiva, menor do que 1, Negativa e igual à 1 Neutro. Conforme as atividades da empresa oscilam ao longo do seu ciclo anual, com as idas e vindas da economia e suas sazonalidades, o montante do capital de giro também oscila, essa é a chamada Natureza Dinâmica do Capital de giro. Por conta disso, temos mais duas definições para Capital de Giro: • Capital de Giro Permanente: A quantidade mínima de capital de giro que é exigida para manutenção das atividades da empresa na época de menor atividade. 6 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância • Capital de Giro Temporário ou Variável: Representa os ativos circulantes adicionais necessários em diferentes momentos durante o ano operacional para atender a estoques adicionais, dinheiro extra, etc. Pode-se dizer que o capital de giro permanente representa o montante mínimo dos ativos atuais necessários ao longo do ano para a produção normal, enquanto capital de giro temporário é o capital adicional exigido em diferentes épocas do ano para financiar as flutuações na produção devido a mudanças sazonais. Uma empresa com produção anual constante também terá constante capital de giro permanente e apenas variações de capital de giro variável devido a mudanças na produção causadas por mudanças sazonais. A diferença entre o Capital de Giro Mínimo ou Permanente e o período de maior atividade do ano, em que o Capital de Giro é o mais alto possível ou máximo, representa a parcela variável do capital de giro. Ou seja, temos uma parcela fixa de capital de giro, parcela mínima necessária para manutenção da atividade produtiva em seu nível mínimo, enquanto, a diferença entre isso e o que de fato é necessário de ser mantido de capital de giro, a cada período, por conta das sazonalidades, é a parcela variável ou máxima, por conta disso, dizemos que o capital de giro tem uma natureza dinâmica e fundamental, entre outras. Da mesma forma, uma firma em crescimento é a empresa com capacidade não utilizada, no entanto, a produção e a operação continuam a crescer naturalmente. Como seu volume de produção aumenta com a passagem do tempo, também aumenta o quantum do capital de giro permanente. Isso reforça a questão da natureza dinâmica do capital de giro, tanto o capital de giro mínimo ou permanente quanto o capital de giro temporário podem mudar ao longo do tempo, a principal diferença entre eles é que enquanto o Capital de Giro Permanente tem uma taxa de evolução (positiva ou negativa), o Capital de Giro Temporário oscila ao longo do ano (positiva e negativamente) sendo, portanto, mais volátil. 7 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Capital de Giro também é uma medida de desempenho Empresas comparam seu nível de Capital Circulante Líquido (Capital de Giro) com as de seus concorrentes ou semelhantes, se o nível de CCL da empresa está igual ou acima da média de seu setor, é um bom sinal de solidez financeira e liquidez, mas, caso esteja abaixo da média é um mal sinal, podendo se traduzir em risco de perda de mercado ou falta de iliquidez, levando à inadimplência. Essa comparação é feita de duas maneiras: números absolutos (qual o montante de capital de giro da empresa) e saldo relativo (qual a relação de capital de giro da empresa e se é positivo, neutro ou negativo). Porém, o excesso ou a falta de capital de giro, também podem ser bons ou ruins, a depender da maneira com a qual a empresa gerencia seu capital ocioso (custo de oportunidade) e de suas relações com seus credores (taxas de juros de empréstimos e financiamentos). Excesso de capital de giro pode reduzir o potencial de lucratividade e ter um custo de oportunidade, enquanto a falta dele, pode resultar em maiores custos de capital com o pagamento de juros. 1.3. Componentes do Capital de Giro Recapitulando, no sentido Bruto o capital de giro significa o total dos ativos circulantes e, em sentido líquido, é a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante, logo, é fundamental saber em detalhes a composição de ambos. O capital de giro é composto por vários ativos circulantes e passivos circulantes, os quais são os seguintes: 8 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância (A) Ativo Circulante: Estes ativos são geralmente realizados dentro de um curto período de tempo, ou seja, dentro de um ano e tem liquidez elevada ou imediata. Os ativos circulantes incluem: (a) Estoques (I) Matérias-primas (II) Produtos Inacabados (III) Insumos Consumíveis (IV) Produtos acabados (b) Devedores Diversos (direitos) (c) Contas a Receber (Clientes) (d) Despesas Antecipadas (e) Aplicações de liquidez imediata ou quase imediata (f) Caixa e Saldos Bancários (B) Passivo Circulante: Esses passivos são aqueles que geralmente são pagos no curso normal dos negócios em um curto período de tempo, ou seja, um ano. Os passivos circulantes incluem: (a) Dívidas Diversas e Contingenciais (b) Fornecedores a pagar (c) Despesas Diversas a pagar (d) Juros Financeiros (e) Empréstimos e Financiamentos a CP (f) Dividendos a distribuir (g) Salários a pagar (h) Impostos a pagar 1.4. Equações de Capital de Giro A soma total de todos os ativos correntes de uma empresa é denominada capital de giro bruto. Assim, temos: Capitalcirculante bruto = Estoques + Devedores + Recebíveis + Caixa e Equivalentes de Caixa 9 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Capital de giro líquido: A diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante de uma empresa é denominada capital de giro líquido. Consequentemente, temos Capital de Giro Líquido = Estoque + Devedores + Recebíveis + Caixa e Equivalentes - Credores - Contas a pagar. Ou Capital de Giro Líquido = Contas a Receber + Estoques - Contas a Pagar A divisão do total do Ativo Circulante pelo total do Passivo Circulante nos permite visualizar a relação entre esses dois, sendo essa relação superior 1 dissemos que a Posição de Capital de Giro é Positiva, se for menor do que 1 a Posição de Capital de Giro é Negativa e, se igual à 1 é Neutra: Posição de Capital de Giro = AC / PC • Se AC/PC = 1, Neutro • Se AC/PC > 1, Positivo • Se AC/PC < 1, Negativo 1.5. O que é o giro do capital de giro? O giro do capital de giro é uma relação que mede a eficiência com que uma empresa está usando seu capital de giro para suportar um determinado nível de vendas. Também referida como vendas líquidas para capital de giro, a rotatividade de capital de trabalho ATIVO NÃO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE e Patrimônio Líquido ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE Capital de giro bruto Capital Fixo Fontes de Capital de Terceiros de Curto Prazo Fontes de Capital de Terceiros de Longo Prazo E Capital Próprio CCL Neutro ATIVO NÃO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE e Patrimônio Líquido ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE CCL Positivo CCL ATIVO NÃO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE e Patrimônio Líquido ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE CCL Negativo CCL 10 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância mostra a relação entre os fundos usados para financiar as operações de uma empresa e as receitas que uma empresa gera como resultado. O índice de capital de giro, calculado como ativo circulante dividido pelo passivo circulante, é considerado um indicador-chave da saúde financeira fundamental de uma empresa, pois indica a capacidade da empresa de cumprir com sucesso todas as suas obrigações financeiras de curto prazo. Embora os números variem por setor, um índice de capital de giro abaixo de 1,0 é geralmente indicativo de uma empresa com problemas para cumprir suas obrigações de curto prazo. Os índices de capital de giro de 1,2 para 2,0 são considerados desejáveis, mas uma proporção superior a 2,0 pode indicar que uma empresa não está efetivamente usando seus ativos para aumentar as receitas. A fórmula para o giro do capital de giro é Rotatividade do Capital de Giro = ROL / Capital de Giro Médio (AC – PC) O que o índice de giro do capital de giro lhe diz? O índice de rotatividade de capital de giro é calculado dividindo as vendas anuais líquidas pelo valor médio do capital de giro - ativo circulante menos passivo circulante - durante o mesmo período de 12 meses. Por exemplo, a empresa A tem $ 12 milhões em vendas líquidas nos últimos 12 meses. O capital de giro médio durante esse período foi de $ 2 milhões. O cálculo de sua taxa de rotatividade de capital de giro é de $ 12.000.000 / $ 2.000.000 = 6. Uma alta taxa de rotatividade mostra que a administração está sendo muito eficiente no uso de ativos e passivos de curto prazo de uma empresa para suportar vendas (ou seja, está gerando uma quantidade maior de vendas em dólar para cada dólar do capital de giro usado). Em contrapartida, uma baixa relação pode indicar que uma empresa está investindo em muitas contas a receber e estoque para suportar suas vendas, o que poderia levar a uma quantidade excessiva de dívidas incobráveis ou estoque obsoleto. 11 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Para avaliar a eficiência de uma empresa em usar seu capital de giro, os analistas também comparam os índices de capital de giro com os de outras empresas do mesmo setor e analisam como a proporção vem mudando ao longo do tempo. No entanto, tais comparações não têm sentido quando o capital de giro se torna negativo porque o índice de giro do capital de giro também se torna negativo. 12 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2. A GESTÃO DO CAPITAL DE GIRO E A GESTÃO DE CAIXA 2.1. A importância do capital de giro O capital de giro é uma necessidade diária para as empresas, pois elas exigem uma quantia regular de dinheiro para fazer pagamentos rotineiros, cobrir custos inesperados e comprar materiais básicos usados na produção de mercadorias. O capital de giro é um conceito facilmente compreensível, porém, complexo, pois está ligado ao custeio de uma empresa, portanto, pode ser entendido como a quantidade de dinheiro que as empresas precisam manter disponível cobrir as despesas diárias, contas e outros custos fixos. O capital de giro é uma medida predominante para a eficiência, liquidez e saúde geral de uma empresa. É um reflexo dos resultados de várias atividades da empresa, incluindo coleta de receita, gerenciamento de dívidas, gerenciamento de estoques e pagamentos a fornecedores. Isso porque inclui estoques, contas a pagar e receber, caixa, parcelas de dívidas vencidas no período de um ano e outras contas de curto prazo. As necessidades2 de capital de giro variam de setor para setor e podem até variar entre empresas similares. Isso se deve a vários fatores, incluindo diferenças nas políticas de cobrança e pagamento, o momento da compra de ativos, a probabilidade de uma empresa cancelar algumas de suas contas a receber vencidas e, em alguns casos, os esforços de captação de recursos que uma empresa está realizando. Uma empresa usa capital de giro em suas operações diárias; capital de giro é a diferença entre o ativo circulante de uma empresa e o passivo circulante ou dívidas. O capital de giro serve como uma métrica de quão eficientemente uma empresa está operando e quão financeiramente estável ela é no curto prazo. O índice de capital de giro3, que divide o ativo circulante pelo passivo circulante , indica se uma empresa possui fluxo de caixa adequado para cobrir débitos e despesas de curto prazo. 2 Esse conce i to será v is to na au la segu in te 3 Conce i to que será v is to em deta lhes na au la sobre mét r icas de aná l ise de cap i ta l de g i ro 13 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2.2. Gerenciamento de capital de giro e suas várias facetas O gerenciamento do capital de giro é essencialmente uma estratégia contábil e financeira com foco na manutenção de um equilíbrio ideal entre os ativos e passivos circulantes de uma empresa, garantindo assim, sua capacidade de pagamento e maximizando o potencial de lucro. Por um lado, é uma questão Contábil pois lida com dados do balanço patrimonial – ativos circulantes e passivos circulantes – e, também, com demonstrativo de resultados – lucro e despesas –, ambos usam o regime de competência e, por conta disso, acarretam numa lapso temporal entre pagamentos e recebimentos, motivo pelo qual é preciso ficar atento também às informações do demonstrativo de fluxo de caixa, para saber quanto dinheiro está saindo dia a dia e quanto dinheiro está entrando dia a dia, havendo diferença positiva ou negativa entre esses dias, será necessário, em caso de negativo, ter reservas de caixa e, em caso de positivo, aplicar os excedentes para renderem juros (custo de oportunidade), por conta disso, também é uma questão econômica ou Financeira. Um sistema eficaz de gerenciamento de capital de giro ajuda as empresas a não apenas cobrir suas obrigações financeiras, mas também aumentarseus ganhos pois o dinheiro parado em conta corrente para pagar as contas, se for em excesso, está deixando de render para empresa, por outro lado, a falta de dinheiro para pagar as obrigações acarreta no pagamento de multa e juros de mora, em ambos os casos, havendo desequilíbrio haverá redução do lucro da empresa. Gestão de capital de giro significa gestão de estoques, caixa, contas a pagar e contas a receber. Um sistema eficiente de gerenciamento de capital de giro geralmente utiliza índices-chave de desempenho, como a taxa de capital de giro, a taxa de rotatividade de estoque e a taxa de arrecadação, para ajudar a identificar áreas que exigem foco para manter liquidez e rentabilidade. 14 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Por que fazer gerenciamento de capital de giro O gerenciamento adequado do capital de giro é essencial para a saúde financeira fundamental e o sucesso operacional de uma empresa como um negócio. Uma característica da boa gestão de negócios é a capacidade de utilizar a gestão de capital de giro para manter um sólido equilíbrio entre crescimento, lucratividade e liquidez. Quando uma empresa não tem capital de giro suficiente para cobrir suas obrigações, a insolvência financeira pode resultar em problemas legais, liquidação de ativos e potencial falência. Assim, é vital que todas as empresas tenham uma gestão adequada do capital de giro. O gerenciamento do capital de giro lida com duas problemáticas com óticas opostas, de um lado, é preciso decidir como gerenciar as disponibilidades da empresa, ou seja, gerir o ativo circulante, ao mesmo tempo, é preciso lidar com as obrigações da empresa, portanto, gerir o passivo circulante. Consequentemente, o gerenciamento de capital de giro se mistura com outros gerenciamentos todos estes fazendo parte de um objetivo maior: manter a Liquidez da empresa no nível ideal, equilibrando lucratividade e risco de inadimplência. Isso ocorre porque os recursos que as empresas detêm são escassos, além disso, há uma disparidade temporal entre os recebimentos em dinheiro e os pagamentos em dinheiro, se mal gerenciada essa disparidade pode levar à inadimplência da empresa, se bem gerenciado pode maximizar o potencial de lucro da entidade. Como consequência, a gestão do capital de giro envolve: gestão de caixa, política de crédito com clientes, gestão de aplicações de recursos ociosos, gestão de estoques, do lado do Ativo circulante. Também envolve do lado do Passivo circulante: gestão de contas a pagar, política de crédito com fornecedores e gestão financeira estratégica4. 4 Este tóp ico é tão ex tenso que é abordado como uma d isc ip l ina a pa r te , envo lve matemát ica f inance i ra , f inanças corporat ivas e mercado f inance i ro , po is envo lve a ges tão das fontes de f inanc iamento de cur t o e longo prazo que serão u t i l i zadas pe la empresa. 15 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância • Ativo Circulante ◦ Caixa ◦ Aplicações ◦ Recebíveis ◦ Estoques ◦ Títulos e Valores • Passivo Circulante ◦ Contas a pagar ◦ Fornecedores a pagar ◦ Salários e Encargos ◦ Tributos a Pagar ◦ Juros a Pagar O gerenciamento do capital de giro geralmente envolve o monitoramento do fluxo de caixa, ativos e passivos por meio da análise da proporção dos principais elementos das despesas operacionais, incluindo a índice de giro do capital de giro, índice de arrecadação e giro de estoque A gestão eficiente do capital de giro ajuda a manter o bom funcionamento do ciclo operacional (o tempo mínimo necessário para converter ativos e passivos circulantes líquidos em caixa) e também pode ajudar a melhorar os lucros e a lucratividade da empresa. A gestão de capital de giro inclui gerenciamento de estoques e gerenciamento de contas a receber e contas a pagar. Os principais objetivos da gestão do capital de giro incluem a manutenção do ciclo operacional do capital de giro, do ciclo de caixa (o tempo que leva para converter os estoques em dinheiro, tempo entre a venda e o efetivo recebimento) e a garantia de sua operação ordenada, minimizando o custo do capital empregado no capital de giro e maximizando o retorno sobre os investimentos em ativos correntes. 2.3. Gestão de Caixa e recebíveis A Administração de caixa refere-se à cobrança, manuseio, controle e investimento do caixa e equivalentes de caixa da organização, para assegurar a utilização ideal dos recursos líquidos da empresa. O dinheiro é a linha vital do negócio e, portanto, é essencial manter uma posição sólida de fluxo de caixa na organização. 16 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Administração de caixa e recebíveis Qualquer quantia que a empresa ganhou, mas ainda não recebida, isto é, seus direitos e notas promissórias que espera-se que sejam recebidos no futuro, é conhecida como contas a receber. Uma organização deve gerenciar seus recebíveis para manter a entrada de caixa excedente. Ela ajuda a empresa a cumprir suas necessidades imediatas de caixa. Os recebíveis de caixa devem ser planejados de tal forma que a organização possa realizar seus recebíveis rapidamente e permitir um curto período de crédito aos clientes. 2.4. Objetivos do Gerenciamento de Caixa O principal é cumprir o requisito de capital de giro. A organização precisa manter um caixa líquido suficiente para atender às suas despesas rotineiras, o que é possível apenas por meio de uma administração de caixa eficaz. 1. Planejamento de Gastos de Capital: Auxilia no planejamento de gastos de capital e na determinação do índice de endividamento e patrimônio para obter financiamento para esse fim. 2. Lidando com custos não organizados: Há momentos em que a empresa encontra circunstâncias inesperadas, como o colapso do maquinário, que são despesas imprevistas para enfrentar, o excedente de caixa é um salva-vidas nessas condições. 3. Inicia o investimento: O outro objetivo da administração de caixa é investir os fundos ociosos na oportunidade certa e na proporção correta. 4. Melhor utilização de fundos: garante a utilização ideal dos fundos disponíveis, criando um equilíbrio adequado entre o caixa e o investimento. 5. Evitar a Insolvência: Se a empresa não planeja uma administração de caixa eficiente, a situação de insolvência pode surgir, seja por falta de liquidez ou por não obter lucro com o dinheiro disponível. 17 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Gestão de contas a pagar As contas a pagar referem-se ao pagamento que não é pago à vista pela organização e deverá ser pago em breve. A organização deve planejar sua saída de caixa de tal maneira que possa adquirir um longo período de crédito com seus credores. Isso ajuda a empresa a manter seus recursos de caixa por um período mais longo para atender aos requisitos de curto prazo e despesas repentinas. Até mesmo a organização pode investir esse dinheiro em uma oportunidade lucrativa para esse período de crédito específico para gerar renda adicional. 2.5. Modelos de gerenciamento de caixa O gerenciamento de caixa requer uma abordagem prática e uma base forte para determinar a necessidade de caixa pela organização para cobrir suas despesas diárias. Para este propósito, alguns modelos foram projetados para determinar o nível de caixa em diferentes parâmetros. Os dois modelos mais importantes são discutidos em detalhes a seguir. O modelo LEC da Baumol Com base na Economic Ordering Quantity (LEC), William J. Baumol forneceu esse modelo de gerenciamento de estoque que também influencia a administração de caixa da empresa. Esse modelo enfatiza a manutençãodo saldo de caixa ideal em um ano para atender às despesas de negócios, por um lado, e aproveitar as oportunidades de investimento rentáveis do outro lado. A ideia do modelo é definir o momento ideal de se desfazer dos equivalentes de caixa para cobrir as despesas correntes da empresa, isso porque certos investimentos têm custos de transação e tributação quando são encerrados, ao mesmo tempo, a captação de crédito também, no fim, é uma conta complexa de custo de oportunidade. A seguinte fórmula do Modelo LEC da Baumol determina o nível de caixa que deve ser mantido pela organização: 𝐶 = √ 2𝐹𝑇 𝑖 18 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Onde, 'C' é o melhor saldo de caixa; 'F' é o custo de transação fixo; 'T' é o requisito de caixa total para esse período; 'i' é a taxa de juros durante o período O Modelo de Baumol serve apenas quando as entradas de caixa são periódicas e as saídas contínuas, e, ambos, previsíveis com alto grau de certeza. Em suma, é uma análise do Custo de Oportunidade de manter o dinheiro parado ou investido, determinado pelas taxas de juros que uma empresa deixará de receber por não aplicar esses recursos em equivalentes de caixa e o custo de obtenção do dinheiro pela conversão desses títulos negociáveis em caixa. O modelo de Miller - Orr ' Segundo Merton H. Miller e Daniel Orr, o modelo de Baumol determina apenas a retirada de caixa; no entanto, o dinheiro é o elemento mais incerto do negócio. Pode haver ocasiões em que a organização tenha excedentes de caixa, desencorajando assim as retiradas, em vez disso, pode ser necessário fazer investimentos. Portanto, a empresa precisa decidir o ponto de retorno ou o nível de caixa a ser mantido, em vez de determinar o valor da retirada. Este modelo enfatiza a retirada do dinheiro somente se o fundo disponível estiver abaixo do ponto de retorno do dinheiro enquanto se investe o excedente excedendo esse nível. Dada a seguir é a representação gráfica deste modelo: 19 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Onde, 'Z' é o spread de dinheiro; 'UL' é o limite superior ou nível máximo 'LL' é o limite inferior ou o nível mínimo 'RP' é o ponto de retorno de dinheiro Como podemos ver, o gráfico acima indica um limite inferior que é o mínimo que um negócio requer para funcionar, somando o spread de caixa (Z) a este limite inferior nos dá o ponto de retorno ou o requerimento de caixa médio. No entanto, a empresa não deve investir a quantia até atingir o limite máximo, para garantir o máximo retorno sobre o investimento. Este limite superior é derivado pela adição do limite inferior aos três tempos de propagação (Z). O movimento do dinheiro é geralmente visto através do limite inferior e do limite superior. Vamos agora discutir a fórmula do modelo de Miller-Orr 'para descobrir o ponto de retorno do dinheiro e o spread ao longo do nível mínimo e do nível máximo: 𝑍 3√ 3𝑇𝑉 4𝑖 Onde, 'Ponto de Retorno' é o ponto em que o dinheiro deve ser investido ou retirado; 'Nível Mínimo' é o caixa mínimo requerido para a sustentabilidade do negócio; 'Z' é o spread entre o nível mínimo e o nível máximo; 'T' é o custo de transação por transferência; 20 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 'V' é a variação do fluxo de caixa diário por ano; 'i' é a taxa de juros diária Ambos os modelos são estimativas, aproximações que servem de orientação a empresa definir o que fazer com seu caixa quando este está elevado ou reduzido, afinal, nem todo o capital de giro da empresa precisa estar imediatamente disponível, líquido, logo, esses valores são passíveis de serem investidos para dar uma rentabilidade mínima à empresa para compensar esse custo de oportunidade. 2.6. Funções do gerenciamento de caixa O gerenciamento de caixa é exigido por todos os tipos de organizações, independentemente de seu tamanho, tipo e localização. A seguir estão as múltiplas funções gerenciais relacionadas ao gerenciamento de caixa: 1. Investir dinheiro ocioso: A empresa precisa procurar várias alternativas de investimento de curto prazo para utilizar os fundos excedentes. 2. Controle Fluxos de Caixa: Restringir a saída de caixa e acelerar o fluxo de caixa é uma função essencial do negócio. 3. Planejamento de Caixa: A administração de caixa é toda sobre planejamento e tomada de decisão em termos de manter dinheiro suficiente em mãos e fazer investimentos sábios. 4. Gerenciamento de fluxos de caixa: Manter o fluxo adequado de caixa na organização por meio de corte de custos e geração de lucros de investimentos é necessário para obter um fluxo de caixa positivo. 5. Otimizando o nível de caixa: "O negócio nunca deve ficar sem dinheiro", mantendo esse princípio em mente, a organização deve funcionar continuamente para manter o nível de liquidez necessário e dinheiro para operações comerciais. 21 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2.7. Estratégias de Gerenciamento de Caixa O gerenciamento de caixa envolve a tomada de decisões a cada passo. Não é uma solução imediata, mas uma abordagem estratégica para problemas financeiros. A seguir estão as estratégias de gerenciamento de caixa: 1. Linha de negócios de crédito: A organização deve optar por uma linha de crédito comercial em um estágio inicial para atender às necessidades urgentes de caixa e despesas inesperadas. 2. Aplicações financeiras em títulos públicos: O caixa excedente ocioso – o que vai depender dos ciclos operacional e financeiro – deve ser aplicado em títulos públicos federais, pois rendem bem a curto e médio prazo, além de ter liquidez quase imediata. 3. Certificados de Depósito Bancário (CDBs): Se a empresa tiver uma posição financeira sólida e puder prever bem as despesas e aproveitar-se de um longo período, poderá investir o excedente de dinheiro nos depósitos em dinheiro. Esses CDBs geram bons juros, mas as retiradas antecipadas estão sujeitas a penalidades. 2.8. Técnicas de Gerenciamento de Fluxo de Caixa Gerir o fluxo de caixa é um processo cuidadoso e requer muito pensamento analítico. As várias técnicas ou ferramentas usadas pelos gerentes para praticar o gerenciamento de fluxo de caixa são as seguintes: • Acelerando a Cobrança de Contas a Receber: Uma das melhores maneiras de melhorar a entrada de caixa e aumentar o caixa líquido, cobrando as dívidas e dívidas dos devedores prontamente. • Alongamento de contas a pagar: Por outro lado, a empresa deve tentar estender o pagamento das dívidas, adquirindo um longo período de crédito dos credores. • Redução de custos: A empresa deve procurar maneiras de reduzir seu custo operacional para gerar um bom fluxo de caixa no negócio e melhorar a lucratividade. • Monitoramento Regular do Fluxo de Caixa: De olho no fluxo de entrada e saída de caixa, priorizando as despesas e reduzindo as dívidas a serem recuperadas, torna-se sólida a posição financeira da organização. 22 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância • Sabiamente Usando Serviços Bancários: Os serviços como uma linha de crédito comercial, depósitos em dinheiro, conta de cofre e conta de sweep devem ser usados de forma eficiente e inteligente. • Atualizando com Tecnologia: A digitalização torna conveniente para as organizações manter o banco de dados financeiro e as planilhas a serem avaliadas de qualquer lugar a qualquer momento. 2.9. Limitações do gerenciamento de caixa O gerenciamento de caixa é uma parte inevitável das organizações empresariais. No entanto, tem algumas deficiências que o tornam inadequado para pequenas organizações; estes são os seguintes: • Ogerenciamento de caixa é uma atividade muito demorada e habilidosa que deve ser realizada regularmente. • Como requer experiência financeira, a empresa pode precisar contratar consultores ou outros especialistas para realizar a tarefa, pagando taxas administrativas e de consultoria. • Entidades de pequenas empresas que são gerenciadas apenas enfrentam problemas como falta de habilidades, conhecimento, tempo e capacidade de assumir riscos para praticar o gerenciamento de caixa. 2.10. O que são equivalentes de caixa Equivalentes de caixa são títulos de investimento, mas que não realizados para investimento, eles devem ter curto prazo, até 90 dias, e têm alta liquidez e baixo risco. Equivalentes de caixa, também conhecidos como "dinheiro e equivalentes", são uma das três principais classes de ativos circulantes, juntamente com estoques e recebíveis. A questão dos Equivalentes reside na sua liquidez e baixo risco de prejuízo, logo, significa que esses equivalentes podem ser rapidamente e facilmente convertidos em dinheiro para a empresa, se necessário, e, sem perdas significativas – até mesmo com valorização. Equivalentes de caixa também servem como um dos indicadores de saúde mais importantes do sistema financeiro de uma empresa. Os analistas também podem estimar se é bom investir em uma determinada empresa por meio de sua capacidade de gerar caixa e equivalentes de caixa, já que reflete como uma empresa é capaz de pagar suas contas ao longo de um curto período de tempo. Empresas com grandes quantidades de caixa e 23 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância equivalentes a dinheiro são alvos principais de empresas maiores que planejam adquirir empresas menores. Na definição de equivalentes de caixa, além do disposto nos itens 7 a 10 do CPC 03, deve ser observado que: (Res 3604 art. 3º) (a) para ser considerado equivalente de caixa, um investimento deve ter, na data de aquisição, prazo de vencimento igual ou inferior a noventa dias; (b) investimentos em instrumentos de capital não são considerados equivalentes de caixa, a menos que, em essência, preencham os requisitos previstos no CPC 03 e neste Plano Contábil. (BC, 2019). Tendo em vista o disposto em lei, alguns desses investimentos em renda fixa, podem ser considerados equivalentes de caixa: títulos públicos federais, debêntures, CDBs, Fundos de Renda Fixa e Comercial Papers. Títulos do Tesouro Os títulos do Tesouro são comumente chamados de “tesouro direto”, títulos emitidos pelo governo federal, que remuneram com juros e/ou deságio no preço de compra do título, ou, ainda, com correção monetária dos títulos, de qualquer maneira, eles têm liquidez diária e, na maioria dos casos, quando vendidos antecipadamente no mercado secundário resultam em lucro, sendo assim, são uma alternativa para os excedentes de caixa. Comercial Papers Os papéis comerciais ou comercial papers são usados por grandes empresas para receber fundos para atender obrigações de dívida de curto prazo, como a folha de pagamento de uma corporação. É apoiado por bancos emissores ou empresas que prometem cumprir e pagar o valor nominal na data de vencimento designada fornecida na nota. Têm seu rendimento atrelado às taxas Di e/ou Selic e boa liquidez. Letras de Crédito e CDBs CDBs são títulos de dívida emitidos por instituições financeiras, podem ter liquidez diária ou ser negociados em mercado secundário, rendem proporcional às taxas Di e Selic. As letras de crédito têm isenção fiscal, mas liquidez limitada pela falta de mercado secundário, em alguns casos, e por vezes pela exigência de prazo mínimo de aplicação. 24 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Fundos de renda fixa Os fundos de renda fixa são uma modalidade de investimento, muito comum em bancos e algumas corretoras, em suma, o capital é aplicado em ativos de renda fixa, ou seja, há uma probabilidade baixa de perdas, além disso, os valores a serem aplicados inicialmente podem ser baixos, tem liquidez diária, na sua maioria, e custos que variam de alto à baixo. Se houver uma boa pesquisa por parte da empresa, podem resultar em retornos aceitáveis à curto prazo. Debêntures Os títulos de dívida privada, ou debêntures, apresentam uma rentabilidade, na maioria das vezes, superior dentre os vários ativos de renda fixa, porém, muitas delas têm uma limitação de prazo de venda que chega há 1 ano, reduzindo sua liquidez. As finalidades de cada alternativa Existem várias razões pelas quais uma empresa pode armazenar seu capital em equivalentes de caixa. Um deles, fazem parte do capital de giro líquido da empresa (ativo circulante menos passivo circulante), que ele usa para comprar estoques, cobrir despesas operacionais e fazer outras compras. Eles também fornecem uma reserva de segurança para a empresa rapidamente converter em dinheiro se os tempos se tornarem enxutos. Finalmente, eles podem ser usados para financiar uma aquisição. As empresas geralmente armazenam dinheiro nesses títulos prontamente conversíveis, a fim de obter juros enquanto esperam para usá-lo, aproveitando assim, o custo de oportunidade do dinheiro ocioso. 25 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 3. CICLO OPERACIONAL E CICLO DE CAIXA 3.1. Introdução O Ciclo Operacional (OC) refere-se ao tempo necessário (em dias) para que um negócio receba seu estoque ou matérias-primas (produtos inacabados), realize a atividade produtiva (se houver), venda os estoques de mercadorias (produtos acabados) e receba o dinheiro proveniente da venda desse estoque. O ciclo desempenha um papel importante na determinação da eficiência de um negócio. A equação base do Ciclo Operacional é: 𝐶𝑂 = 𝑃𝑀𝑅𝐸 + 𝑃𝑀𝑅𝑉 onde, CO = Ciclo Operacional; PMRE = Prazo Médio de Renovação de Estoques PMRV = Prazo Médio de Recebimento de Vendas Importância do Ciclo Operacional O ciclo operacional oferece uma visão sobre a eficiência operacional de uma empresa. Um ciclo mais curto é o preferido e indica um negócio mais eficiente e bem-sucedido, com alto giro de capital. Um ciclo mais curto indica, também, que uma empresa poderá recuperar seu investimento rapidamente e possui dinheiro suficiente para cumprir suas obrigações. Se por outro lado, o ciclo operacional de uma empresa é longo, isso indica um tempo maior para uma empresa transformar suas compras em estoque em dinheiro, o que pode implicar uma maior necessidade de caixa e num maior risco de crédito da empresa por falta de liquidez. Porém, encontrar o PMRE e o PMRV exigem mais algumas contas e análises de dados do balanço patrimonial e demonstrativo de resultados do exercício. A equação do Prazo Médio de Renovação de Estoques se dá: 𝑃𝑀𝑅𝐸 = 360 𝐺𝑖𝑟𝑜⁄ 𝑑𝑒𝐸𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒𝑠 Logo, temos que o Giro de Estoques se dá pela equação: 𝐺𝑖𝑟𝑜𝑑𝑒𝐸𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒𝑠 = 𝐶𝑀𝑉 𝐸𝑀⁄ onde, 26 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância CMV = Custo da Mercadoria Vendida (pode ser obtido na DRE) EM = Estoque Médio (Média da variação dos estoques entre o início e fim do BP) Aritmeticamente podemos deduzir a equação do PMRE para: 𝑃𝑀𝑅𝐸 = (𝐸𝑀 𝐶𝑀𝑉⁄ ) ∗ 360 Quaisquer das duas equações adotadas, o resultado nos dirá quantos dias levam para que os estoques da empresa sejam renovados ou repostos, isso considerando uma visão geral sem distinções entre matérias-primas, insumos e produtos inacabados, também é uma estatística crua, ou seja, se a empresa tiver uma variedade de produtos e apenas um ou dois deles que se renovam constantemente, eles irão afetar o resultado do indicador, logo, dependendo da empresa, será necessário um cálculo mais detalhado, porém, o PMRE para compreensão do Ciclo Operacionalé uma estatística válida. Assim sendo, quanto menor o giro de estoques ou maior o estoque médio maior será o PMRE e, logo, maior será o ciclo operacional. Isso pode se dar por conta da estratégia produtiva adotada pela empresa, quanto mais rápido uma empresa atende aos pedidos de seus clientes, maior será seu giro de estoque, o que pode implicar em maiores custos para empresa em comparação com um giro de estoque menor. Tudo irá depender do custo de oportunidade entre a manutenção de um elevado nível de estoques com a alternativa de um estoque reduzido e caixa disponível, ou ainda, estoques baixos e vendas a prazo com tempo de entrega do produto final estendido, dando margem para a produção trabalhar, é como se a empresa produzisse apenas depois de vender o produto ao invés de vender o produto já pronto e em estoque. Resumindo, quanto maior o PMRE maior poderá vir a ser o Ciclo Operacional – existem diversos motivos para o aumento do PMRE – e isso não é, necessariamente, algo positivo ou negativo. Definidos o PMRE, vamos ver a segunda parte da equação do ciclo operacional: o Prazo médio de recebimento de vendas. 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 360 𝑅𝑅⁄ onde, RR = Rotatividade de Recebíveis, logo, temos: 𝑅𝑜𝑡𝑎𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑑𝑒𝑅𝑒𝑐𝑒𝑏í𝑣𝑒𝑖𝑠 = 𝑅𝑂𝐿 𝐷𝑅𝑀 onde, ROL = Vendas Líquidas ou ROL (obtida na DRE) 27 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância DRM = Duplicatas a Receber ou Contas a Receber Médias (diferença a conta Clientes ou Duplicatas a Receber no começo e final do período do BP) Assim, podemos unir aritmeticamente as equações para: 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 𝐷𝑅𝑀 ∗ 360 𝑅𝑂𝐿⁄ Agora, com todas as suas ramificações, podemos elaborar melhor a equação do Ciclo Operacional: 𝐶𝑂 = 360 𝐶𝑀𝑉 𝐸𝑀⁄ + 360 𝑅𝑂𝐿 𝐷𝑅𝑀⁄ ou 𝐶𝑂 = 360∗𝐸𝑀 𝐶𝑀𝑉 + 360∗𝐷𝑅𝑀 𝑅𝑂𝐿 → 𝐶𝑂 = 360 ( 𝐸𝑀 𝐶𝑀𝑉 + 𝐷𝑅𝑀 𝑅𝑂𝐿 ) Uma empresa pode reduzir seu CO de duas maneiras: 1. Acelerar a venda de seu estoque: aumento do giro de estoque 2. Reduzir o tempo necessário para coletar recebíveis: política de crédito mais rígida. Dinheiro, contas a receber, estoques e contas a pagar são frequentemente discutidos juntos porque representam as partes móveis envolvidas no ciclo operacional da empresa (um termo sofisticado que descreve o tempo que leva, do início ao fim, de comprar ou produzir estoque, vendê-lo, e coletar dinheiro para isso). Por exemplo, se um revendedor de eletrodomésticos levar 60 dias em média para vender o seu estoque e outros 30 dias em média para coletar o pós-venda em dinheiro, o ciclo operacional será de 90 dias. 28 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Em outras palavras, levam 90 dias entre o momento de compra – não necessariamente o pagamento por ele que pode vir a ser a prazo – do estoque até o recebimento do pagamento pela venda desse estoque – da mesma maneira que o pagamento do estoque para o fornecedor pode ser postergado, as vendas podem ser feitas à crédito, à prazo. Conceitualmente, o ciclo operacional é a quantidade de dias que leva entre o momento da decisão de compra de compra de estoque e/ou matérias-primas até o recebimento do dinheiro referente à venda das mercadorias/estoque, esse período englobará todo o processo produtivo, o tempo que leva entre o recebimento dos estoques/matérias-primas e o seu pagamento, a venda das mercadorias – à vista e/ou a prazo – e seu efetivo pagamento. Da mesma maneira que as empresas vendem à crédito para seus clientes, elas também buscam comprar seu estoque com crédito, dessa forma, um conceito relacionado é o ciclo operacional líquido (ou ciclo de conversão de caixa), que influencia na compra e venda a crédito. Em nosso exemplo, se o varejista comprar o estoque a crédito junto ao fornecedor, para pagar daqui há 30 dias, mas, sabendo que ele leva 90 dias para receber o dinheiro referente as suas vendas, logo, ele precisará ter dinheiro disponível com pelo menos 60 dias de antecedência. Ou seja, o tempo do ciclo operacional subtraído do tempo de crédito que ele tem junto aos fornecedores, 90 – 30 = 60 dias. 3.2. Ciclo Operacional Líquido (Ciclo de Caixa) vs Ciclo Operacional O ciclo operacional (CO) é frequentemente confundido com o ciclo operacional líquido (COL), que também é conhecido como ciclo de conversão de caixa (CCC) ou, apenas, ciclo financeiro. Ele indica quanto tempo leva para a empresa receber o dinheiro da venda de seu estoque. Para diferenciar os dois: • Ciclo Operacional Bruto: O período de tempo entre a compra do estoque e o dinheiro coletado da venda do estoque. • Ciclo Operacional Líquido: O período de tempo entre o pagamento do estoque e o dinheiro coletado da venda do estoque. Além disso, a fórmula para o CCC é a seguinte: 𝐶𝐶𝐶 = 𝑃𝑀𝑅𝐸 + 𝑃𝑀𝑅𝑉 − 𝑃𝑀𝑃𝐶 29 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância A diferença entre as duas fórmulas está no PMPC, o prazo médio de contas a pagar. Isso é feito porque o CCC está preocupado apenas com o tempo entre o pagamento do fornecedor e o efetivo recebimento pelas vendas, ou seja, da primeira saída efetiva de dinheiro até a primeira entrada efetiva de dinheiro, por isso o nome ciclo de caixa. O ciclo de conversão de caixa (CCC) é uma métrica que expressa o tempo (medido em dias) necessário para uma empresa converter seus investimentos em estoque e outros recursos em fluxos de caixa de vendas. Também chamado de Ciclo Operacional Líquido ou simplesmente Ciclo de Caixa, o CCC tenta medir por quanto tempo cada centavo de entrada líquido é amarrado no processo de produção e vendas antes de ser convertido em dinheiro recebido. Essa métrica leva em conta quanto tempo a empresa precisa para vender seu estoque, quanto tempo leva para coletar recebíveis e quanto tempo tem para pagar suas contas sem incorrer em penalidades. Assim sendo, é preciso calcular o PMPC, esse indicador refere-se ao número médio de dias que uma empresa leva para pagar suas contas a pagar (Fornecedores). Portanto, os dias a pagar pendentes medem quão bem uma empresa está gerenciando suas contas a pagar. Um PMPC de 20 significa que, em média, a empresa leva 20 dias para pagar seus fornecedores, quanto melhor o relacionamento da empresa com seus fornecedores maiores os prazos para pagamento acertados, logo, menor será o tempo em que a empresa precisará ter de caixa disponível para manter seu giro. Se tal política de crédito com os fornecedores for planejada em conjunto com a política de crédito aos consumidores, a empresa conseguirá reduzir o tempo que ficará dependente do caixa resultante das suas vendas, agora, se o prazo de crédito ofertado aos seus clientes for muito extenso, o cenário muda. A fórmula do PMPC envolve calcular o quanto de Compras foram efetuados no período, a média de contas a pagar (Fornecedores) e multiplicar isso pelo período em questão. 30 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Vejamos as equações: 𝑃𝑀𝑃𝐶 = 𝐹𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑀 𝐶 ∗ 360, onde, Fornec M = Média da variação de contas a pagar (Fornecedores) do início ao fim do BP. C = Compras = Diferença de Estoques entre o final e o início do BP somado ao CMV 𝐶 = 𝐶𝑀𝑉 + (𝐸𝑓 − 𝐸𝑖) Assim sendo, podemos fazer a aritmética e elaborar a equação em detalhes: 𝐶𝐶𝐶 = 360∗𝐸𝑀 𝐶𝑀𝑉 + 360∗𝐷𝑅𝑀 𝑅𝑂𝐿 − 360∗𝐹𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑀 𝐶 → 𝐶𝑂 = 360 ( 𝐸𝑀 𝐶𝑀𝑉 + 𝐷𝑅𝑀 𝑅𝑂𝐿 − 𝐹𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑀 𝐶 ) A imagem a seguir ilustra a diferença entre os dois ciclos: Adicionalmente a esses dois ciclos temos o econômico, que visa apenas avaliar o tempo que leva entre a entrada e a saída das mercadorias do estoque da empresa, ou seja, o processo produtivo, sem considerar os fluxos de caixa, porisso, o ciclo econômico é igual ao Prazo Médio de Estocagem. 31 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Entre esses vários ciclos temos os indicadores, as equações que demonstram o tempo de estocagem (PME e Giro de Estoque), a política de crédito com fornecedores (PMPC e Giro de Débitos) e política de vendas (PMRV e Giro de crédito). Vejamos um gráfico representando em detalhes o Ciclo Operacional, Ciclo Econômico e Ciclo de Caixa, com seus respectivos indicadores: Prazo médio de renovação de estoques, Prazo médio de recebimento de vendas e Prazo médio de pagamentos de compras. 32 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Agora, temos um fluxo temporal dos ciclos: 3.3. Inferências Possíveis sobre o CCC e CO Quando analisamos os prazos médios que compõem o ciclo operacional e ciclo de conversão de caixa, podemos fazer algumas inferências com relação como a atividade da empresa está sendo financiada, sua necessidade de capital de giro e assim por diante. Quanto ao financiamento das operações, podem ocorrer situações diversas: 1. Se o PMPC for maior do que o PMRE, os fornecedores financiarão as fases de produção, a estocagem e parte das vendas da empresa; 2. Se o PMPC for menor do que o PMRE, a empresa deve obter financiamentos para operacionalizar suas vendas e para parte do tempo em que a mercadoria fica no estoque. Vejamos as ilustrações possíveis: Cenário 1: Os fornecedores financiam totalmente os estoques e uma parte das vendas 33 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Cenário 2: Os fornecedores financiam apenas parte dos estoques Notem como é afetado o Ciclo de Caixa, por isso, a gestão de estoques e compras a pagar é fundamental na definição do capital de giro da empresa e na gestão de caixa, normalmente, o PMRV é a referência base para o cálculo de definição de necessidade de capital de giro, mas quando o PMPC é muito curto, isso impacta o Ciclo de Caixa, aumentando ele, consequentemente, aumentando a necessidade de capital de giro. Logicamente, temos outros fatores envolvidos, mas, como veremos na próxima unidade, o ciclo operacional e de caixa são os principais fatores na definição das necessidades de capital de giro mínimo. 34 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 3.4. O que o ciclo de conversão de caixa lhe diz? Aumentar as vendas de estoque para obter lucro é a principal forma de uma empresa gerar mais lucros. Mas como alguém vende mais coisas? Se o dinheiro é facilmente disponível em intervalos regulares, pode-se produzir mais vendas para lucro, pois a disponibilidade frequente de capital leva a mais produtos para fabricar e vender. Uma empresa pode adquirir estoque a crédito, o que resulta em contas a pagar (Fornecedores). Uma empresa também pode vender produtos a crédito, o que resulta em contas a receber (Clientes). Portanto, o caixa não é um fator até que a empresa pague as contas a pagar e receba as contas a receber. Assim, o timing é um aspecto importante do gerenciamento de caixa. O CCC rastreia o ciclo de vida do dinheiro usado para uma atividade comercial. Ele segue o dinheiro à medida que é convertido em estoque e contas a pagar, em seguida, em despesas de desenvolvimento de produtos ou serviços, através de vendas e contas a receber, e depois de volta ao dinheiro em mãos. Essencialmente, a CCC representa a rapidez com que uma empresa pode converter o caixa investido de inicial (investimento) para final (retorno). Quanto menor o CCC, melhor. Gerenciamento de estoques, realização de vendas e contas a pagar são os três principais ingredientes de um negócio. Se qualquer um desses itens for feito de maneira aleatória - por exemplo, gerenciamento incorreto do estoque, restrições de vendas ou contas de pagamento aumentando em número, valor ou frequência - o negócio está prestes a sofrer. Além do valor monetário envolvido, a CCC contabiliza o tempo envolvido nesses processos que fornece outra visão da eficiência operacional da empresa. Além de outras medidas financeiras, o valor da CCC indica a eficiência com que a administração de uma empresa está usando os ativos e passivos de curto prazo para gerar e remanejar o caixa e dá uma olhada na saúde financeira da empresa em relação à administração de caixa. A figura também ajuda a avaliar o risco de liquidez vinculado às operações de uma empresa. Se uma empresa atingiu todas as notas certas e está atendendo com eficiência às necessidades do mercado e de seus clientes, ela terá um valor CCC menor. 35 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância O CCC não pode fornecer inferências significativas como um número independente para um determinado período. Os analistas o utilizam para acompanhar um negócio em vários períodos de tempo e para comparar a empresa com seus concorrentes. O rastreamento da CCC de uma empresa em vários trimestres mostrará se ela está melhorando, mantendo ou piorando sua eficiência operacional. Ao comparar empresas concorrentes, os investidores podem analisar uma combinação de fatores para selecionar o melhor ajuste. Se duas empresas tiverem valores semelhantes para retorno sobre o patrimônio líquido (ROI) e retorno sobre ativos (ROA), pode valer a pena investir na empresa que tiver um valor de CCC menor. Isso indica que a empresa é capaz de gerar retornos semelhantes mais rapidamente. A CCC também é usada internamente pela administração da empresa para ajustar seus métodos de pagamento de compras de crédito ou cobranças de devedores em dinheiro. CCC aplica-se a setores selecionados A CCC tem uma aplicação seletiva para diferentes setores industriais com base na natureza das operações de negócios. A medida tem um grande significado para os varejistas como Walmart, Magazine Luiza ou Casas Bahia, que estão envolvidos na compra e gestão de estoques e vendê-los aos clientes. Todas essas empresas podem ter um valor positivo alto de CCC. No entanto, o CCC não se aplica a empresas que não têm necessidade de gerenciamento de estoque. Empresas de software que oferecem programas de computador por meio de licenciamento, por exemplo, podem realizar vendas (e lucros) sem a necessidade de gerenciar estoques. Da mesma forma, empresas de seguros ou de corretagem não compram itens por atacado para o varejo, então a CCC não se aplica a elas. As empresas podem ter CCCs negativos, como os varejistas on-line Mercado Livre e Amazon. Geralmente, os varejistas on-line recebem fundos em suas contas para vendas de mercadorias que realmente pertencem e são servidas por vendedores terceirizados que usam a plataforma on-line. No entanto, essas empresas não pagam os vendedores imediatamente após a venda, mas podem seguir um ciclo de pagamento mensal ou baseado em limites. Esse mecanismo permite que essas empresas mantenham o dinheiro por um período de tempo mais longo, de modo que muitas vezes acabam com um CCC negativo. Além disso, se as mercadorias forem fornecidas diretamente pelo 36 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância vendedor terceirizado ao cliente, o varejista on-line nunca manterá nenhum estoque internamente. Um artigo da Harvard Business Magazine atribui o CCC negativo como um fator-chave na sobrevivência da Amazon da bolha pontocom de 2000. Operar com um CCC negativo se tornou uma fonte de caixa para a empresa, em vez de ser um custo para ela. Por outro lado, quando o ciclo de conversão de caixa (CCC) aumenta, isso levará ao declínio da rentabilidade de uma empresa típica. Assim, os proprietários/gerentes podem criar um valor positivo para os proprietários do negócio,manipulando o ciclo adequado de conversão de caixa (CCC) e mantendo cada componente diferente em um nível. Estudos empíricos anteriores resumem um resultado misto, alegando que há uma forte relação negativa entre a lucratividade, medida pelo lucro operacional bruto, e o ciclo de conversão de caixa. O CCC é uma das várias medidas quantitativas que ajuda a avaliar a eficiência das operações e gerenciamento de uma empresa. Uma tendência de valores CCC decrescentes ou constantes ao longo de vários períodos é um bom sinal, enquanto os crescentes devem levar a mais investigações e análise com base em outros fatores. Deve- se ter em mente que o CCC se aplica apenas a setores selecionados, dependentes do gerenciamento de estoques e operações relacionadas, o CCC diferirá pelo setor industrial com base na natureza das operações de negócios. Empresas em setores econômicos mais dinâmicos deveram ter ou buscar ter um CCC menor, empresas de ambientes menos dinâmicos por outro lado, um CCC maior não será, necessariamente, algo ruim. Resumindo, o ambiente de inserção da empresa importa muito na definição do que é ou não é um CCC adequado. 37 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 4. NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO E FONTES DE CAPITAL DE GIRO 4.1. Necessidade de Capital de Giro O capital de giro desempenha um papel vital nos negócios. Esse capital permanece bloqueado em matérias-primas, trabalhos em andamento, produtos acabados e com clientes. A necessidade de capital de giro é determinada, entre outros fatores, pela diferença entre o momento do pagamento do fornecedor e os recebimentos efetivos resultantes das vendas, logicamente, os valores recebidos à vista são deduzidos do cálculo, assim como, outros ajustes podem vir a ser feitos. A Necessidade de Capital de Giro é obtida mediante a compreensão e cálculo dos ciclos Operacional e de Conversão de Caixa, como visto na unidade anterior, assim sendo, quanto maior o CCC maior será a necessidade de capital de giro da empresa, afinal, mais tempo vai levar para ela receber o dinheiro das vendas, só que, as despesas e custos não esperam o dinheiro da vendas cair na conta da empresa, assim sendo, a empresa precisa ter à sua disposição dinheiro e equivalentes de caixa com alta liquidez à sua disposição durante esse período, motivo pelo qual o PMPC – o relacionamento da empresa com seus fornecedores – impacta na necessidade de capital de giro. Por outro lado, buscar a redução do CCC a qualquer custo pode não ser algo positivo para empresa, uma elevada necessidade de capital de giro apenas indica que a empresa precisa ter uma margem de segurança maior, reduzir o CCC para reduzir a necessidade de capital de giro implica em pelo menos duas mudanças estratégicas: 1. Alteração do ritmo produtivo para reduzir o Giro de Estoque, reduzindo o impacto do PMPC; ou 2. Enrijecer às políticas de crédito aos clientes para reduzir o PMRV. Essas são as duas alternativas de impacto mais imediato sobre o CCC e consequentemente, sobre a necessidade de capital de giro, é logico e evidente que tais medidas tem um impacto direto sobre os custos e faturamento da empresa, o que envolve, 38 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância portanto, uma discussão mais ampla, de âmbito estratégico e de longo prazo para a empresa e sua gestão, motivo pelo qual, a definição do montante de capital de giro não é algo trivial, de fato, é uma das questões chave na sobrevivência das empresas. As necessidades de capital de giro são as seguintes: I. É necessário capital de giro adequado para manter um suprimento regular de matérias-primas, o que, por sua vez, facilita o funcionamento do processo de produção. II. O capital de giro assegura o pagamento regular e pontual de salários e vencimentos, melhorando assim a moral e a eficiência dos empregados. III. O capital de giro é necessário para o uso eficiente dos ativos fixos. IV. Para aumentar a boa vontade, é necessário um nível saudável de capital de giro. É necessário construir uma boa reputação e fazer pagamentos aos credores a tempo. V. O capital de giro ajuda a evitar a possibilidade de subcapitalização. VI. Realização de compras planejadas, para obter descontos, ou pagamentos adiantados. VII. O capital de giro é necessário para pagar uma taxa justa de dividendos e juros no tempo, o que aumenta a confiança dos investidores na empresa. Uma ferramenta mais útil para determinar suas necessidades de capital de giro é o ciclo operacional. O ciclo operacional analisa os ciclos de contas a receber, estoques e contas a pagar em termos de dias. Em outras palavras, as contas a receber são analisadas pelo número médio de dias necessários para coletar uma conta. O estoque é analisado pelo número médio de dias necessários para entregar a venda de um produto (do ponto em que ele chega até o ponto em que é convertido em dinheiro ou em uma conta a receber). As contas a pagar são analisadas pelo número médio de dias necessários para pagar uma fatura do fornecedor. A maioria das empresas não pode financiar o ciclo operacional (dias de contas a receber + dias de estoque) apenas com financiamento de contas a pagar. Consequentemente, é necessário financiamento de capital de giro. Esse déficit é normalmente coberto pelos lucros líquidos gerados internamente ou por fundos externos emprestados ou por uma combinação dos dois. A maioria das empresas precisa de capital de giro de curto prazo em algum momento de suas operações. Por exemplo, os varejistas precisam encontrar capital de giro para 39 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância financiar o acúmulo sazonal de estoque entre setembro e novembro para as vendas de Natal. Mas mesmo um negócio que não é sazonal ocasionalmente experimenta os meses de pico quando os pedidos são excepcionalmente altos. Isso cria uma necessidade de capital de giro para financiar o estoque resultante e o acúmulo de contas a receber. Algumas pequenas empresas têm reservas de caixa suficientes para financiar as necessidades sazonais de capital de giro. No entanto, isso é muito raro para um novo negócio. Se o seu novo empreendimento tiver necessidade de capital de giro de curto prazo durante seus primeiros anos de operação, você terá várias fontes potenciais de financiamento. O importante é planejar com antecedência. Se você for pego de surpresa, você pode perder a única grande encomenda que poderia colocar o seu negócio sobre a corcunda. Assim sendo, podemos definir a equação geral de Necessidade de Capital de Giro como: NCG = Ativo Circulante Operacional – Passivo Circulante Operacional Por sua vez, isso pode ser expresso por: NCG = Contas a Receber + Estoques – Contas a Pagar Outra maneira de obter a NCG se dá pela conta do Capital de Giro: Capital de Giro Líquido = Ativo Circulante Total* – Passivo Circulante Total* * Retiramos desse valor os Empréstimos Tomados pela Empresa, uma vez que estes vão para o Caixa da empresa para financiar suas atividades, da mesma forma, retiramos o Caixa e Equivalentes de Caixa da Equação. NCG = Capital de Giro Líquido + Empréstimos Além disso, podemos obter essa resposta em dias: NCG = PMRV – PMPC Após esses cálculos, vamos obter três possíveis resultados, NCG positivo, negativo e neutro: • NCG Positivo nos diz que a empresa consegue gerar o caixa necessário para financiar suas atividades, isso significa dizer que o lapso temporal entre as 40 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância obrigações e direitos da empresa é suficiente para que entre caixa suficiente e no tempo hábil para realizar os pagamentos. Ou, que as recentes entradas de caixa mediante empréstimos foram suficientespara suprir a necessidade de capital de giro e, ainda, sobrar caixa disponível. • NCG Neutro nos diz que há um equilíbrio entre as saídas e entradas de caixa da empresa em tempo hábil, e/ou, que os empréstimos e financiamentos tomados pela empresa foram exatamente suficientes para suprir suas necessidades de caixa, pagando todas as obrigações em tempo hábil. • NCG Negativo nos diz que há falta de capital de giro para cumprir com as obrigações da empresa, logo, ela terá de tomar medidas para obter financiamento, buscando fontes internas ou externas, se a empresa fez empréstimos nesse cenário, significa também que estes foram mal provisionados pois não foram suficientes. ◦ Interessante mencionar que esse cenário é o mais comum, muitas vezes as empresas não têm capital de giro suficiente e precisam recorrer a empréstimos, o problema é que muitos gestores não têm um conhecimento adequado de finanças corporativas, logo, esquecem que os juros provenientes desses empréstimos vão aumentar a necessidade de capital de giro da empresa, isso num país com as maiores taxas de juros do mundo pode ser fatal para a empresa. Como podemos ver, o NCG é uma variável dinâmica, assim como o capital de giro é, logo, precisa ser calculado periodicamente e constantemente revisto. 4.2. Fontes de financiamento de capital de giro Aqui estão as cinco fontes mais comuns de financiamento de capital de giro de curto prazo: 1. Capital Social: O Capital Social refere-se aos aportes de capital feito pelos sócios- fundadores da empresa, normalmente é a principal fonte de capital de giro e de capital fixo, também, nas empresas em seus primeiros anos. Além disso, em determinados momentos de crise os “donos” da entidade podem vir a atuar financeiramente para evitar a inadimplência ou falência da empresa fazendo novos aportes de capital. 41 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2. Crédito junto aos Fornecedores: A empresa pode buscar junto aos seus fornecedores uma dilatação do prazo de pagamento pelas mercadorias, insumos e/ou serviços adquiridos, essa dilatação pode ser essencial para evitar redução da liquidez da empresa, uma vez que esse tempo a mais para pagar suas obrigações junto aos seus fornecedores pode ser exatamente o tempo que falta para os recebimentos dos clientes serem depositados. Essa estratégia pode ocorrer de duas maneiras distintas: ◦ A primeira é decorrente de um bom relacionamento entre Empresa e seu Fornecedor, se houver um histórico passado de pagamentos sucessivos e no prazo, o Fornecedor pode estar mais disposto a conceder dilatações no prazo de pagamento para manter o cliente – lembre-se que o fornecedor também é uma empresa, com concorrentes e capital de giro, vivenciando as mesmas dificuldades – podendo, inclusive, conceder essa dilatação sem custos adicionais ou condicionantes como um seguro fiança ou promissória. ◦ A segunda é decorrente de uma relação financeira e comercial, qualquer empresa no mundo de hoje precisa estar disposta a ceder na relação de pagamento, ou seja, fornecer crédito direto ao seu cliente (CDC) sem intermédios, dessa forma, haverá a seguinte situação: preço à vista com desconto ou preço a prazo. Isso abre uma questão do lado da empresa, ela deverá avaliar financeiramente se pagar à vista vale a pena ou não comparando a Taxa de Desconto aplicada pelo Fornecedor com a Taxa de Juros Bancária de Curto Prazo, sendo a Taxa de Desconto Maior do que a Taxa de Juros do banco para um empréstimo no mesmo prazo, vale a pena pegar o empréstimo e comprar a mercadoria à vista com desconto, em caso contrário, é conveniente pagar a mais com um prazo dilatado. 3. Antecipação de Recebíveis: Em muitos casos, o lapso temporal entre Contas a Receber e Contas a Pagar – aliado à falta de planejamento financeiro da empresa – ou em momentos de crise econômica – que reduzem muito as vendas à vista da empresa e a forçam a conceder mais crédito aos seus consumidores do que a sua capacidade financeira permite – forçam a empresa a Antecipar seus recebíveis, isso significa que a empresa vai ter que ir no mercado financeiro bancário e realizar uma operação chamada de Desconto Bancário. Nessa operação à empresa “vende” suas Contas a receber, após uma dedução de juros – com base numa taxa de juros negociável e no prazo de vencimento desses recebíveis –, ela recebe à vista o 42 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância dinheiro – logicamente, menos do que se espera-se o vencimento – e o utiliza para quitação de suas obrigações imediatas. Venda a prazo e Antecipação de recebíveis – uma aposta da empresa Quando uma empresa vende a prazo é gerado uma nota fiscal referente à venda e, em contrapartida, uma dívida é gerada entre o cliente e empresa – chamado de Recebível. Tal processo pode ser feito mediante a intermediação de uma instituição financeira, como cartão de crédito ou emissão de boletos, ou, pode ser feita independentemente pela empresa com carnês ou cheques. Se feita mediante carnê – uma forma de crédito direto ao consumidor em que a loja é a fiduciária e financeira por trás – o cliente terá de fazer um cadastro na empresa ou loja, dados serão coletados, e um documento entre as partes emitido, é um compromisso do cliente para com a empresa. Se feito mediante Cheque, a empresa assume5 que o banco avaliou o cliente antes de lhe conceder o cheque, ao aceitar o cheque do cliente um compromisso entre ambos é estabelecido. Em ambos os casos, é uma estratégia de altíssimo risco tendo em vistas o risco de inadimplência do cliente e a falta de uma instituição financeira intermediando o processo6, pois todo o risco de crédito dessa operação fica para a empresa. Sendo assim, o ideal é se certificar de que o cliente tem um bom histórico de pagamento ou que haja uma forte relação de confiança entre cliente e empresa. Se feito mediante utilização de Cartão de Crédito ou Emissão de Boletos, o risco é ligeiramente menor, pois há um intermediário atuando junto, da mesma maneira, uma nota fiscal é emitida e um compromisso de pagamento gerado mediante o Boleto ou Fatura do Cartão de Credito, em ambos os casos, se for pago à vista o dinheiro é recebido após o pagamento ser efetuado pelo cliente, dentro de até 3 dias úteis, em caso de pagamento parcelado, a empresa vai recebendo conforme os pagamento são realizados pelo cliente, em caso de atraso ou não pagamento a empresa não recebe o dinheiro e precisará executar a dívida do cliente 5 E r roneamente mui t as vezes , uma vez que a ve r i f i cação de r i sco de c réd i to no Bras i l é bas tante f a lha, se não fosse o caso não es tar íamos batendo reco rdes de inad implênc ia ano após ano. E o cheque não es ta r i a em ex t inção como es tá ho je , cada vez menos empresas ace i tam a sua u t i l i zação. 6 O Banco d i f i c i lmente assume o r i sco de inad implênc ia de seus c l ien tes qu ando es tes u t i l i zam Cheque, Car t ão de Créd i to ou Bo le tos . 43 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância ◦ Antecipação de Recebíveis via Factorings ou Bancos: Factorings são intermediadores financeiros de fomento que atuam com desconto de recebíveis. Quando uma empresa quer fazer a antecipação de suas contas a receber, ela deve separar os valores que tem a receber de seus clientes, levar à Factoring e esta irá descontar cada Recebível individualmente com uma Taxa de Desconto (%) e no prazo de vencimento, quanto maior o prazo de vencimento, maior o desconto. Sendo assim, é preferido que a empresa comece por descontar os recebíveis com menor prazo e menor valor até chegar o mais próximo da quantidade de capital necessário para suas necessidades imediatas. Quando utilizar umaFactoring a empresa precisa estar ciente de as taxas de desconto serão maiores do que as praticadas pelos bancos, porém, ao contrário dos bancos, as Factorings assumem o risco de inadimplência. Cuidados com a Antecipação de Recebíveis Por se tratar de uma redução direta do faturamento da empresa, a antecipação de recebíveis deve ser uma das últimas alternativas da empresa na busca por fontes de financiamento de seu capital de giro, as taxas de juros praticadas nos descontos costuma ser elevadas por conta do risco de inadimplência brasileiro, além disso, quando a política de preços e de vendas da empresa é estabelecida fatores como custos, despesas e necessidade de capital de giro são contabilizados, o excesso da utilização da antecipação de recebíveis irá levar ao um aumento do preço de venda dos produtos da empresa – para compensar as perdas com descontos – e isso, com certeza, será prejudicial a longo prazo para o ritmo de venda da empresa e seu marketshare. 4. Linhas de crédito: Linhas de crédito geralmente não são dadas pelos bancos a novos negócios. No entanto, se o novo negócio for bem capitalizado e tiver uma boa garantia7, a empresa poderá se qualificar para um. Uma linha de crédito permite que se empreste fundos para necessidades de curto prazo quando elas surgirem. Os fundos são pagos quando são coletadas as contas a receber resultantes do pico de vendas de curto prazo. As linhas de crédito normalmente são feitas para um ano de 7 At ivos F ixos , Car te i ra de Recebíve is ex tensa ou Capi ta l Soc ia l e levado como garant i a . 44 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância cada vez e espera-se que sejam pagas por 30 a 60 dias consecutivos em algum momento durante o ano para garantir que os fundos sejam usados somente para necessidades de curto prazo. ▪ Essas linhas de crédito costumam ser chamadas de Empréstimo de Capital de Giro, justamente por que ao longo do mês, o banco cobre as necessidades de capital de giro da empresa, quando despesas caem na sua conta corrente e não há fundos o banco cobra – até um certo limite estabelecido em contrato – em troca disso haverá o pagamento de juros no mês seguinte. ▪ Outra forma de linha de crédito para cobrir as necessidades de capital de giro da empresa é a Conta Garantida, uma espécie de Cheque Especial da empresa, é um limite de crédito pré-aprovado que fica disponível na conta corrente da empresa, havendo qualquer pagamento e falta de recursos em conta, esse limite é utilizado, incorrendo, posteriormente, em pagamentos elevados de juros. • Em ambos os casos, a empresa pode vir a renegociar esses débitos juntos ao banco e pagá-los em parcelas acrescidas de juros. 5. Empréstimo a curto prazo: Na incapacidade de obter uma linha de crédito ou no caso de os limites da linha de crédito serem insuficientes em um dado momento, a empresa pode precisar recorrer à empréstimos de curto prazo para financiar seu capital de giro, tais fundos deverão ser pagos, posteriormente, com acréscimo de juros, normalmente, maiores do que os praticados nas linhas de crédito, logo, tal estratégia deve ser muito bem planejada ou poderá levar a empresa à sérios problemas financeiros e, até mesmo, acarretar na sua falência ou execução judicial Empréstimos de Longo Prazo: Em empresas com elevado grau de planejamento financeiro e estratégico, o recurso do empréstimo de longo prazo (mais de um ano) pode ser uma alternativa de financiamento do capital de giro, com o prazo elevado, as taxas de juros podem vir a ser menores, além disso, o capital emprestado pode ser maior, a empresa terá de conceder garantias ao banco para conseguir tais valores, mas, se planejar bem, será uma alternativa interessante por um tempo, até que ela consiga equilibrar seu ciclo operacional com seu ciclo de caixa, passando a financiar seu capital de giro por conta própria. 45 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Resumo das Fontes de Capital de Giro Fontes Internas Fontes Externas Fontes Excepcionais Caixa e Depósitos Contas a Pagar Créditos de Fomento Contas a Receber Empréstimos de CP Aporte de Capital Social Equivalentes de Caixa Empréstimos de LP Alienação de Ações Reservas de Lucros Debêntures e Comercial Papers Liquidações Judiciais Lucro menor com vendas à vista com desconto do que pagar Juros O velho ditado de que " dinheiro é rei " é tão importante para os investidores que avaliam as qualidades de investimento de uma empresa quanto para os gerentes que administram o negócio. Um aperto de liquidez é pior do que um aperto de lucro. Uma função-chave de gerenciamento é garantir que os recebíveis e posições de estoque de uma empresa sejam gerenciados de maneira eficiente. Isso significa garantir que haja um nível adequado de produto disponível e condições de pagamento adequadas, ao mesmo tempo em que se garante que os ativos de capital de giro não afetam valores indevidos em dinheiro. Este é um importante equilíbrio para os gestores, porque com alta liquidez, uma empresa pode tirar proveito de descontos de preço em compras em dinheiro, reduzir empréstimos a curto prazo, se beneficiar de uma classificação de crédito comercial superior. E aproveitar as oportunidades de mercado. O CCC e seus componentes são indicadores úteis da verdadeira liquidez de uma empresa. Além disso, o desempenho do PMRE e do PMRV é um bom indicador da capacidade da administração de lidar com os ativos importantes de estoque e recebíveis. 46 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 5. POLÍTICAS DE GERENCIAMENTO DE CAPITAL DE GIRO E INDICADORES 5.1. Introdução A questão do gerenciamento do capital de giro é de importância estratégica, tem efeitos imediatos (curto prazo) sobre a manutenção da atividade da empresa, assim como efeitos sobre decisões de investimento e/ou posicionamento de mercado – política de crédito e de vendas – que vão gerar efeitos de longo prazo. Assim, a empresa precisa levar em consideração sua capacidade de geração de caixa, o saldo mínimo de caixa, a capacidade de obtenção de caixa, compreensão de seu ciclo operacional e financeiro, aplicação de caixa ocioso, gestão de estoques e gestão de contas a pagar e a receber. 5.2. Saldo Mínimo de Caixa, Capacidade de Obtenção e de Geração de Caixa Esses três fatores básicos vão influenciar muito os limites dentro das políticas de gestão de capital de giro, uma empresa que tem um alto nível de obrigações de curto prazo (uma empresa em fase de liquidação judicial por exemplo ou altamente endividada) não poderá tomar determinadas estratégias, como manter um nível de capital de giro baixo. Da mesma maneira, uma empresa com o “nome sujo na praça” não vai ter acesso à créditos de longo prazo, nem de alto valor, prejudicando sua capacidade de financiamento de capital de giro e a obrigando a buscar outras formas de se financiar. Vamos então ver esses conceitos: Saldo Mínimo de Caixa Refere-se à quantidade mínima de dinheiro que a empresa precisa ter a sua disposição periodicamente para atender às suas obrigações essenciais e periódicas, como pagamento de juros mensais, salários, reposição de estoques, manutenção de máquinas e equipamentos, e assim por diante. Consequentemente, mesmo se tratando de um valor mínimo, trata-se de um valor dinâmico que irá variar conforme o ano e a atividade da empresa, suas sazonalidades etc. Independentemente disso, a gestão financeira da empresa precisa ter esse valor calculado, mesmo que aproximadamente, mensalmente se possível, pois o Saldo Mínimo de Caixa impacta diretamente a definição de quanto do capital de giro da empresa precisa 47 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distânciaestar na forma de Caixa (Disponibilidades) e Equivalentes de Caixa (Aplicações de Liquidez Imediata). Isso, por sua vez, impacta indiretamente as decisões sobre caixa ocioso, política de investimentos e linhas de crédito que a empresa irá buscar. Capacidade de Obtenção de Caixa Refere-se ao relacionamento da empresa com os fornecedores de créditos (terceiros) como Bancos e Governo, assim como a sua capacidade de obter financiamento por meio de mercado de capitais (Investidores), seja pela emissão de debêntures, eurobonds ou comercial papers. Também quer dizer com qual facilidade e qual o montante de capital que ela consegue levantar por si mesma (capital próprio) vendendo ações (Investidores/acionistas), realizando aportes de capital social (proprietários injetando mais dinheiro na empresa) ou utilizando suas reservas de lucros. Ou seja, a capacidade da empresa de conseguir empréstimos, financiamentos e investimentos para garantir as suas operações. Essa informação é primordial para a sobrevivência da empresa, ela serve como um limite máximo de até quanto a empresa pode se endividar ou se alavancar, isso quer dizer que se a empresa se endividar além da sua capacidade de obtenção de caixa ela estará correndo sérios riscos de inadimplência e, como terá esgotado sua capacidade de buscar financiamento, ela vai depender totalmente de sua capacidade de gerar caixa (lucratividade e faturamento) para pagar todas as suas obrigações e, se isso não for suficiente, ela não vai ter pra quem recorrer. Capacidade de Geração de Caixa Eis um ponto fundamental e complexo dentro da gestão financeira, quando se fala em caixa ou dinheiro e geração de caixa em uma empresa, a primeira conclusão é que uma empresa lucrativa gera caixa, ou seja, se a empresa lucro $100 no período, o seu caixa no final do período deveria aumentar em $100. Não é a realidade. Isso porque o Lucro é uma medida contábil pelo regime de competência, a DRE utiliza o regime de competência, logo, lucro de $100 não significa que a empresa vai ter esses $100 à sua disposição no próximo período. Então, a segunda conclusão é a de que basta utilizar o DFC, que usa o regime de caixa, para determinar a capacidade de geração de caixa da empresa, se no saldo final do DFC o valor for um aumento do caixa, é sinal de que a empresa gerou caixa a mais do que o período passado. 48 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância De fato, podemos afirmar que se na comparação entre saldo inicial do DFC e saldo final, houve um aumento, certamente, haverá um aumento do caixa da empresa no próximo período, MAS, isso não representa a Capacidade de Geração de Caixa da empresa. O motivo reside no fato de que o DFC avalia três fontes de movimentação de caixa: atividades operacionais, investimentos e financiamentos. Logo, esse aumento do saldo do DFC no período pode ter pelo menos três motivações: houve um aporte de capital mediante um empréstimo ou financiamento que aumentou a quantidade de dinheiro da empresa, logo, ela não gerou caixa ela captou; houve uma alienação de algum ativo fixo como um imóvel ou máquina, logo, ela gerou caixa ela recebeu caixa, não é algo que ocorreu por conta de sua atividade produtiva, foi um evento isolado, inclusive podendo ser evidência de algo ruim com impactos negativos no futuro, pois representa uma redução do ativo total da empresa; por fim, a empresa pode ter recebido juros ou lucros acima do esperado provenientes de investimentos financeiros, algo que também não representa geração de caixa. O método mais simples para avaliar a Capacidade de Geração de Caixa da empresa é avaliar a variação do Saldo do DFC subtraindo do resultado o valor do saldo de fluxo de caixa de financiamentos, uma vez que o caixa proveniente de financiamentos terá, em algum momento, de ser devolvido, logo, ele não pertence à empresa, ela não o gerou mediante suas operações, no caso dos valores provenientes de fluxo de caixa de investimentos, se forem negativos é sinal de que a empresa teve Despesas de Capital, ou seja, investiu parte de seu caixa em si mesma, logo, seu impacto no saldo final do DFC é valido, no caso de ser positivo, será por conta de sucesso nos investimentos da empresa e, mesmo que não represente geração de caixa, naquele período específico ele gerou caixa para empresa, então seu impacto no resultado do saldo final do DFC também é valido, mas, é interessante que a empresa abata esse valor, se possível, ou tome nota do valor, para que não o considere como relevante. Existem, porém, diversas outras métricas de cálculo da capacidade de geração de caixa da empresa, algumas, semelhantes com diferenças pontuais de acordo com a ótica desejada, elas são: o EBITDA, o Fluxo de Caixa, Fluxo de Caixa Livre, Fluxo de Caixa Livre para os Acionistas e Fluxo de Caixa Livre para a Empresa. 49 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância • O EBITDA – inglês para LAJIRDA, Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização – é o indicador mais criticado por utilizar as informações da DRE como base de cálculo, logo, ele termina por cair na questão dos regimes de caixa e competência. Resumidamente sua fórmula é: EBITDA = Lucro Líquido + Juros + Impostos + Depreciação + Amortização ou EBITDA = Lucro Operacional + Depreciação + Amortização • O Fluxo de Caixa é apenas a avaliação de quanto se alterou o Saldo de Caixa da empresa, visualizando a alteração do saldo inicial e final do DFC na aba Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais, é uma aproximação razoável, pois desconsidera as atividades de financiamento e lucros com investimentos, ao mesmo tempo, essa é sua falha, pois se empresa teve Despesas de Capital (Investimentos para sua manutenção ou expansão) isso representou uma saída de caixa da empresa, impactando diretamente na sua capacidade de produzir caixa, além disso, o Fluxo de Caixa das Operações contabiliza a Depreciação, que é um valor hipotético e contábil que não representa de fato o quanto a empresa gastou. • O Fluxo de Caixa Livre ou FCL é um ajuste feito sobre o Fluxo de Caixa, é uma das métricas mais aceitas para definição da capacidade de geração de caixa da empresa pois considera os Fluxos de Caixa das atividades operacionais subtraídos das Despesas de Capital (Investimentos que a empresa faz, muitas vezes, expresso pelo saldo de Fluxo de Caixa de Investimentos). Assim temos: Fluxo de Caixa Livre = Fluxo de Caixa Operacional – Despesas de Capital • O Fluxo de Caixa para os acionistas é exatamente igual ao resultado do DFC, ou seja, a oscilação entre o saldo inicial e final do DFC, ele considera todas as saídas e entradas de caixa na empresa, serve apenas para os acionistas e credores da empresa, uma vez que mostra quanto caixa a empresa tem no todo, considerando suas obrigações, dividendos e afins. • Fluxo de Caixa Livre não alavancado: essa é uma métrica financeira que calcula a capacidade hipotética da empresa de gerar fluxos de caixa, sua utilização se dá em operações de Avaliação de Empresas, como Valuation, assim como para Projeções de Investimentos, cálculo de VPL e TIR, ele leva em consideração todas as variáveis já mencionadas, para tentar determinar de fato, quanto caixa foi gerado 50 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância na empresa ao longo do período desconsiderando os efeitos da sua estrutura de capital: Fluxo de Caixa Livre não Alavancado = EBIT (Lucro Líquido + Juros + Impostos) – Impostos Ajustados (Recálculo tributário sem deduzir os gastos com juros, ou seja, calcula-se a tributação sobre o lucro operacional) + Depreciação e Amortização – Despesas de Capital – Aumentos no Capital de Giro Líquido sem considerar Caixa e Juros (Contas a Receber + Inventário - Contas a Pagar) 5.3.Políticas de gestão de capital de giro A política de capital de giro pode ser melhor descrita como uma estratégia que fornece a diretrizes para a empresa gerenciar seus ativos e passivo circulante de forma a minimizar riscos de liquidez ou inadimplência. A política de capital de giro se concentra principalmente na liquidez dos ativos circulantes para atender às obrigações atuais, ou seja, de que maneira, em termos gerais, a empresa vai financiar seu capital de giro bruto. Por conta disso, as políticas de gestão de capital de giro afetam direta e indiretamente as políticas de financiamento (contas a pagar), crédito/vendas (contas a receber), a gestão de caixa e de estoques. A política de capital de giro de uma empresa refere-se ao nível de investimento em ativos circulantes para atingir suas vendas planejadas. Pode ser de três tipos: restrito, relaxado e moderado. A política mais relaxada tem níveis mais altos e restritos de ativos circulantes, enquanto os moderados se colocam no meio entre ativos circulantes e passivos circulantes, enquanto restritos financiam parte de seu ativo circulante com capital próprio ou de terceiros. Comumente, essas políticas também são nomeadas como políticas agressivas, conservadoras e de hedge. A liquidez é muito importante porque, se o seu nível for muito alto, a empresa poderá ter um custo elevado na manutenção de muitos recursos ociosos. No entanto, se a liquidez for muito baixa, a empresa poderá enfrentar uma falta de recursos para cumprir seus atuais passivos financeiros (Arnold, 2008). Nesse sentido, a literatura de finanças classifica a 51 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância política de capital de giro em três categorias descritas abaixo. Política de capital de giro defensiva ou de cobertura, política agressiva e política conservadora (Arnold, 2008): Política defensiva ou relaxada: Na política defensiva, a empresa se utiliza dívida de longo prazo e capital próprio para financiar os seus ativos fixos e a maior parte dos ativos circulantes. Sob essa abordagem, a empresa costuma adotar um plano financeiro que corresponda à vida esperada dos ativos com a vida esperada das fontes de recursos captados para financiar ativos. Se seu estoque, no todo, leva em média 120 dias para ser vendido ele será financiado com um empréstimo bancário de 120 dias; uma máquina que deverá durar 5 anos será financiada com um financiamento de 5 anos; e assim por diante. A política defensiva reduz o risco reduzindo o passivo circulante ou equalizando-o ao ativo circulante, mas também afeta diretamente a rentabilidade da empresa. Isso porque, a dívida de longo prazo possui uma alta taxa de juros mais elevada se comparada às fontes de financiamento de curto prazo, o que aumenta o custo do financiamento total, além disso, a utilização de capital próprio também tem seu custo, a taxa mínima de atratividade de seus investidores/proprietários – que, normalmente, costuma ser superior às taxas básicas de juros (SELIC). Geralmente, nessa situação, a empresa não está disposta a assumir riscos e considera apropriado manter caixa ou equivalentes de caixa (Gestão de Caixa), níveis de estoques mais elevados (Gestão de Estoques) e condições de crédito (Políticas de Vendas) generosas com seus clientes. Principalmente, as empresas que estão operando em um ambiente incerto vão preferir adotar essa política por não terem certeza sobre os preços futuros, demanda e taxa de juros de curto prazo. Em tal situação, é melhor ter um alto nível de ativos circulantes. O que significa manter um maior nível de mercadorias e matérias- primas no estoque, para atender a um aumento repentino na demanda e evitar o risco de paralisações na produção, manter uma quantidade elevada de caixa e equivalentes de caixa, se possível, para não haver atrasos nos seus pagamentos de obrigações, mesmo diante de alterações repentinas de preços (Política de Pagamentos). Essa abordagem oferece um ciclo de conversão de caixa mais longo para a empresa. E apesar do custo financeiro elevado do financiamento de longo prazo, ele também fornece um escudo contra o estresse financeiro criado pela falta de fundos para atender a responsabilidade de curto prazo. Da mesma forma, os fundos amarrados em um negócio por causa da generosa política de crédito da empresa e também têm custos de oportunidade. Portanto, essa política pode reduzir a lucratividade e o custo de seguir essa política pode exceder os benefícios da política. 52 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Além disso, a utilização de capital próprio implica num aumento da taxa mínima de atratividade sobre a lucratividade da empresa, logo, impactando no longo prazo os preços praticados pela empresa – ou seja, para atender às exigências de lucratividade mínima de seus investidores, a empresa precisará sustentar altos níveis de preços ou vendas e faturamento para dar conta de pagar os dividendos exigidos em troca do capital próprio. Ou ainda, ao se utilizar de capital próprio para se financiar a empresa pode basear seu planejamento financeiro com base nos lucros e reservas provenientes, o que pode estender os prazos de realização desses planejamentos, uma vez que seu futuro fica dependente de seus lucros, a empresa não se arrisca ao buscar se alavancar com crédito para expandir, isso a deixa “lenta” e, ao mesmo tempo, o contínuo uso dessa estratégia, por conta dos custos de oportunidade do dinheiro ocioso e elevados níveis de estoques, acabam a deixando mais “pesada” ainda. Política agressiva ou restrita: Na política agressiva, as empresas financiam seus ativos circulantes com dívidas de curto prazo, pois percebem vantagem no seu baixo custo do financiamento, já que elas oferecem uma taxa de juros baixa. No entanto, o risco associado à dívida de curto prazo é maior do que a dívida de longo prazo. Nas políticas agressivas, toda a estimativa de ativos circulantes deve ser financiada por fontes de curto prazo e até mesmo uma parte do financiamento de ativos fixos deve ser financiada por fontes de curto prazo. Essa abordagem torna o mix das finanças mais arriscado, menos custoso e mais lucrativo, a empresa fica mais alavancada. Isso leva a posição do capital de giro para o lado negativo. Os gestores tentam aumentar a rentabilidade pagando uma taxa de juros menor, mas essa abordagem pode ser muito arriscada se a taxa de juros de curto prazo flutuar ou a entrada de caixa não for suficiente para cumprir o passivo. Portanto, tal política é adotada pela empresa que está operando em uma economia estável e tem bastante certeza sobre os fluxos de caixa futuros. Uma empresa com política agressiva de capital de giro oferece um curto período de crédito aos clientes, mantém estoque mínimo e tem uma pequena quantidade de dinheiro em mãos. Essa política aumenta o risco de inadimplência porque uma empresa pode enfrentar falta de recursos para cumprir as obrigações de curto prazo, mas também gera um alto retorno, pois o alto retorno está associado a alto risco, além disso, seu custo de oportunidade é baixo, o custo de manutenção de estoques também, aumentando o potencial de retorno. Em contrapartida, havendo um aumento exagerado da demanda a empresa pode não ser capaz de atender as expectativas do mercado, havendo inadimplência de seus clientes seu equilíbrio de capital de giro será muito abalado, o que implica numa política de 53 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância cobrança forte, para se proteger desse risco, é recomendável que a empresa tenha uma boa política de crédito junto aos seus fornecedores. Política conservadora ou hedge: Para as empresas que não querem ser agressivas, reduzindo o nível de ativos circulantes em relação ao passivo circulante, e nemdefensivas, aumentando o nível de ativos circulantes em relação ao passivo circulante, a estratégia utilizada, a fim de se equilibrar o seu risco e retorno, é a conservadora. Ou, uma mistura entre abordagens defensiva e agressiva. Nessa abordagem, os ativos que aparecem no balanço patrimonial por curto período serão financiados pelos empréstimos de curto prazo e as dívidas de longo prazo são usadas para financiar ativos fixos e ativos circulantes. É o chamado conceito de “baixo risco e baixo retorno”, tal que as empresas que seguem essa abordagem irão manter um nível moderado de capital de giro com risco e retorno moderados. Além disso, essa política não apenas reduz o risco de inadimplência, como também reduz o custo de oportunidade de investimentos adicionais nos ativos atuais. Por outro lado, além dos pontos levantados acima na descrição de cada abordagem, o nível de capital de giro também depende do nível de vendas, isso porque as vendas são a fonte de receita para todas as empresas. As três maneiras em que as vendas podem influenciar o capital de giro de acordo com Arnold, 2008 são: • À medida que as vendas aumentam, o capital de giro também aumenta na mesma proporção. Mantendo-se, portanto, a mesma duração do ciclo de conversão de caixa. • À medida que as vendas aumentam, o aumento do capital de giro cresce a uma taxa mais lenta. • À medida que as vendas aumentam, o nível de capital de giro aumenta de forma inadequada, ou seja, o capital de giro pode crescer a uma taxa maior do que a taxa de crescimento das vendas. A empresa com venda estável ou venda em crescimento pode adotar a política agressiva porque tem confiança em suas entradas de caixa futuras e tem confiança para pagar suas obrigações de curto prazo no vencimento. 54 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Por outro lado, uma empresa com venda instável ou com flutuação na venda não consegue pensar em adotar a política agressiva, pois não possui certeza sobre suas entradas futuras de caixa. Em tal situação, a adoção de políticas agressivas é semelhante a cometer um suicídio. Assim, procurar outro método pode ser a melhor escolha. O investimento excessivo em ativos circulantes (caixa e títulos negociáveis, contas a receber e estoques) pode reduzir o valor de uma empresa e também diminuir a sua lucratividade. Em paralelo, um nível suficiente de ativos correntes é necessário para satisfazer os pagamentos e as obrigações do passivo circulante. Além disso, se os ativos de curto prazo forem mal administrados, os custos de oportunidade poderão ser altos. A manutenção de uma quantidade excessiva de estoque pode fornecer um retorno menor que a de outro investimento, por exemplo. Isso, considerando que a produção e as vendas não são impactadas por este excedente de estoque. De uma maneira geral, isso significa que o retorno sobre o investimento em ativos correntes deve ser sempre maior que a taxa de retorno exigida para cobrir todas as obrigações comerciais. 5.4. Indicadores de Capital de Giro8 Ao longo do processo de gestão do capital de giro, diversos cálculos de indicadores são necessários para as definições de necessidade de capital de giro, monitoramento e gerenciamento das necessidades de capital de giro e avaliação da eficiência da política de capital de giro. Prazo médio de renovação de estoques/inventário (PMRE) O prazo médio de renovação de estoques, ou PMRE, representa o período em que os estoques são mantidos pelas empresas até serem vendidos. No sentido de se reduzir o ciclo de conversão de caixa e aumentar a eficiência da gestão do capital de giro, quanto menor este número, melhor. Assaf Neto (2003) define o PMRE por “prazo médio necessário para a completa renovação dos estoques das empresas”. Pela fórmula, o valor do estoque médio é obtido pela soma do saldo inicial e final do estoque por um ano e dividida por dois para obter a média. A quantidade média de estoque 8 Equações es tão desc r i t as na Unidade 3 55 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância é então dividida pelo custo dos produtos vendidos (CMV) para se obter a parcela do custo das vendas que vem do estoque. Para obter o resultado do ciclo de conversão de caixa em dias, o valor dado é multiplicado pela quantidade média de dias de um ano. Existe uma relação negativa significativa entre a receita operacional bruta e o número de estoques do dia. Isso explica que um aumento dos estoques é um efeito de uma redução nas vendas, o que leva a um menor lucro para as empresas. Para gerenciar inventário, existem vários gerentes operacionais de manufatura para aplicar, como; procedimentos just-in-time, procedimentos de produção sob encomenda, iniciativas de manufatura enxuta para melhorar seus processos operacionais, programas de qualidade para reduzir o número de peças e racionalização de fornecedores para reduzir o número de fornecedores. Giro de Estoques ou Rotatividade de Estoques A rotatividade de estoque é uma relação que mostra quantas vezes uma empresa vendeu e substituiu o estoque durante um determinado período. Uma empresa pode então dividir os dias do período pela fórmula de giro do estoque para calcular os dias necessários para vender o estoque disponível. O cálculo do giro de estoque pode ajudar as empresas a tomar melhores decisões sobre preços, fabricação, marketing e compra de novos estoques. Prazo médio de recebimento das vendas (PMRV) O prazo médio de recebimento das vendas, ou PMRV, é usado como uma medida da política de contas a receber e representa o número médio de dias que a empresa usa para receber pagamentos de seus clientes. Semelhante ao inventário, quanto menor o número de dias a receber, melhor é para se manter o ciclo de conversão de caixa curto. Assaf Neto (2003) assim define o PMRV: “é o prazo que revela o tempo médio (meses ou dias) que a empresa despende para receber suas vendas realizadas a prazo”: Essa métrica é resultado da divisão da soma do saldo inicial e final dos recebíveis por dois, seguida da divisão com as vendas líquidas anuais. E, por fim, multiplica-se o resultado com o número médio de dias de um ano. 56 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Índice de Rotatividade de Contas a Receber O índice de rotatividade de contas a receber é uma medida contábil usada para quantificar a eficácia de uma empresa na cobrança de seus recebíveis ou dinheiro devido pelos clientes. O índice mostra quão bem uma empresa usa e gerencia o crédito que se estende aos clientes e com que rapidez essa dívida de curto prazo é cobrada ou paga. O índice de rotatividade de recebíveis também é chamado de taxa de rotatividade de contas a receber. Cálculo da taxa de rotatividade de contas a receber 1. Adicione o valor de contas a receber no início do período desejado ao valor no final do período e dívida a soma por dois. O resultado é o denominador na fórmula. 2. Divida o valor das vendas líquidas de crédito do período pelo recebimento médio de contas durante o mesmo período. 3. As vendas líquidas de crédito são a receita gerada pelas vendas que foram feitas com crédito menos os retornos dos clientes. Inferências da taxa de rotatividade de contas a receber As empresas que mantêm contas a receber indiretamente estendem empréstimos sem juros a seus clientes, uma vez que as contas a receber são o dinheiro em dívida sem juros. Se uma empresa gera uma venda para um cliente, ela pode estender termos de 30 ou 60 dias, o que significa que o cliente tem de 30 a 60 dias para pagar pelo produto. O índice de volume de negócios de contas a receber mede a eficiência com que uma empresa recolhe os respetivos valores a receber ou o crédito quetinha estendido aos seus clientes. O índice também mede quantas vezes os recebíveis de uma empresa são convertidos em dinheiro em um período. Ele pode ser calculado numa base anual, trimestral ou mensal. Uma taxa de rotatividade de contas a receber altas Uma alta taxa de rotatividade de recebíveis pode indicar que a coleção de contas a receber de uma empresa é eficiente e que a empresa tem uma alta proporção de clientes 57 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância de qualidade que pagam suas dívidas rapidamente. Uma alta taxa de rotatividade de recebíveis também pode indicar que uma empresa opera em regime de caixa. Uma alta proporção também pode sugerir que uma empresa é conservadora quando se trata de estender crédito a seus clientes. Uma política de crédito conservadora pode ser benéfica, já que pode ajudar a empresa a evitar a concessão de crédito a clientes que talvez não consigam pagar a tempo. Por outro lado, se a política de crédito de uma empresa for muito conservadora, ela poderá afastar potenciais clientes da concorrência, que os estenderão ao crédito. Se uma empresa está perdendo clientes ou sofrendo um crescimento lento, pode ser melhor afrouxar sua política de crédito para melhorar as vendas, mesmo que isso possa levar a uma menor taxa de rotatividade de contas a receber. Uma baixa taxa de rotatividade de contas a receber Uma baixa taxa de rotatividade de recebíveis pode ser devida a uma empresa com um processo de cobrança deficiente, más políticas de crédito ou clientes que não são financeiramente viáveis ou com capacidade de obtenção de crédito. Normalmente, uma baixa taxa de rotatividade implica que a empresa reavalie suas políticas de crédito para garantir a cobrança oportuna de seus recebíveis. No entanto, se uma empresa com um rácio baixo melhora o seu processo de cobrança, pode levar a um influxo de dinheiro da cobrança em créditos antigos ou contas a receber. Acompanhando a taxa de rotatividade de contas a receber A taxa de rotatividade de recebíveis de uma empresa deve ser monitorada e rastreada para determinar se uma tendência ou padrão está se desenvolvendo ao longo do tempo. Além disso, as empresas podem rastrear e correlacionar a cobrança de recebíveis aos lucros para medir o impacto das práticas de crédito da empresa na lucratividade. Para os investidores, é importante comparar o giro de contas a receber de várias empresas dentro do mesmo setor para ter uma noção do que é a taxa de rotatividade normal ou média desse setor. Se uma empresa tiver uma taxa de rotatividade de recebíveis muito maior que a outra, ela pode se revelar um investimento mais seguro. 58 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Prazo médio de pagamento de compras (PMPC) O prazo médio de pagamento de contas, ou PMPC, é usado como uma medida da política do contas a pagar e representa o número médio de dias que a empresa leva para pagar seus fornecedores. Embora as duas métricas anteriores indiquem uma preferência do empresário para manter os indicadores baixos, no caso do PMPC, um número maior no prazo de pagamento de suas contas é considerado melhor para períodos mais curtos de conversão de caixa. Assaf Neto (2003) define o PMPC: “é o prazo que revela o tempo médio (em meses ou dias) que a empresa tarda em pagar suas dívidas de fornecedores”: Existe uma relação negativa entre o número médio de contas a pagar e a lucratividade, o que indica que a lucratividade tem um efeito na política de contas a pagar, uma vez que uma empresa com menos lucros adquire um período de pagamento mais longo (Deloof, 2003). No caso das empresas belgas, os fornecedores oferecem aos seus clientes um desconto substancial para o cliente de pagamento em dinheiro, o que leva ao aumento do lucro da empresa (Deloof, 2003). No estudo de Boisjoly (2009), o resultado mostra um aumento no giro da conta a pagar no período de 15 anos, o que contraria a expectativa, já que as grandes empresas estenderam o prazo de pagamento aos fornecedores de 45 para 60 dias ou 60 para 90 dias. As explicações são de que apenas poucas empresas conseguiram aumentar suas condições de pagamento, aumentando em quantidade de contas a pagar ou diminuindo em fundo para capital de giro (Boisjoly, 2009). Índice de Rotatividade de Contas a Pagar O índice de rotatividade de contas a pagar é uma medida de liquidez de curto prazo usada para quantificar a taxa na qual uma empresa paga seus fornecedores. O volume de negócios das contas a pagar mostra quantas vezes uma empresa paga suas contas a pagar durante um período. Seu uso se dá levando em contrapartida o Índice de Rotatividade de Contas a Receber. O índice de rotatividade de contas a pagar mostra a eficiência de uma empresa em pagar seus fornecedores e dívidas de curto prazo. Sua conta se dá dividindo a conta Fornecedores pela Contas a Pagar Média no período. Quanto maior o resultado mais tempo leva para a empresa pagar suas obrigações, o que mostra eficiência na gestão de obrigações, isso significa que mais dinheiro está ocioso, podendo ser aplicado em equivalentes de caixa. 59 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 5.5. Índices de Lucratividade, Rentabilidade e Liquidez O índice de lucratividade é uma medida do lucro gerado a partir do negócio e é medido em termos percentuais como, por exemplo, percentual de vendas, percentual de investimentos, percentual de ativos. Uma alta porcentagem de lucratividade desempenha um papel vital para trazer financiamento externo aos negócios, pois na percepção dos credores, dos investidores e dos fornecedores é mais seguro investir seu dinheiro e apoiar um negócio desse tipo do que uma empresa com baixa lucratividade. Algumas das medidas de rentabilidade que podem ser utilizadas para avaliar um negócio são discutidas abaixo: Margem líquida Calcula a porcentagem de cada Real das vendas que se converte em lucro após a dedução de juros, dividendos, impostos, despesas e custos. Em outras palavras, calcula o percentual de lucro que uma empresa está ganhando em relação à sua venda por Real. Melhor desempenho é dado pelo retorno sobre as vendas. 𝑀𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑎 = 𝐿𝑂𝐿 𝑅𝑂𝐵 ∗ 100 Retorno sobre o ativo (ROA) Os investidores e administradores geralmente estão mais interessados nos lucros auferidos sobre o capital investido do que no nível dos lucros como porcentagem das vendas. As empresas que operam em indústrias intensivas em capital geralmente têm margens de lucro atrativas, mas geralmente são menos inspiradoras quando a quantidade de capital absorvida é considerada. Portanto, é útil examinar o nível e a tendência dos lucros operacionais da empresa como uma porcentagem do total de ativos. A fim de melhorar as comparações com outras empresas e durante a curva do tempo, é comum se utilizar o lucro operacional ou lucro antes de juros após impostos (LAJIR). Com isso, é possível analisar a lucratividade das operações sem nenhum dos efeitos da maneira como os ativos são financiados ou variações no imposto. O intuito do ROA é expor a eficiência de uma empresa na utilização de seus ativos para gerar lucro. Quanto maior valor de ROA, melhor desempenho e é calculado da seguinte forma: 𝑅𝑂𝐴 = 𝐿𝑎𝑗𝑖𝑟 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙𝑀é𝑑𝑖𝑜 ∗ 100 60 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Retorno do investimento (ROI) Para Assaf Neto (2009), o ROI “é uma alternativa ao uso do ROA para avaliar o retorno produzido pelo total dos recursos aplicados por acionistas e credores nos negócios”. No entanto, como não é independente da forma como os ativos são financiados, é necessário ter cautela ao comparar as ROIs entre empresas com estruturas financeiras muitodiferentes O ROI pode ser obtido pela seguinte fórmula, em que Investimento Médio pode ser dado por Passivo Oneroso + Patrimônio Líquido ou Ativo Total – Passivo de Funcionamento. 𝑅𝑂𝐼 = 𝐿𝑎𝑗𝑖𝑟 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜𝑀é𝑑𝑖𝑜 ∗ 100 Além das medidas de desempenho por lucro, têm-se também os índices que medem a solvência de curto e longo prazo da posição financeira de uma empresa. Esses índices, medem a liquidez das empresas e são calculados para comentar a capacidade de pagamento ou capacidade da empresa de cumprir com suas obrigações atuais. Índice de liquidez Corrente É definida como a relação entre o ativo circulante e o passivo circulante. É uma medida de liquidez geral e é a mais amplamente usada para fazer a análise da posição financeira de curto prazo ou liquidez de uma empresa. Índice de liquidez Geral Indica a liquidez econômica em longo prazo. Assaf Neto, (2007, p. 191) afirma que, “Esse indicador revela a liquidez, tanto a curto como a longo prazo. De cada $ 1 que a empresa tem de dívida, o quanto existe de direitos e haveres no circulante e no realizável a longo prazo. ” Com o relato do autor, entende- se que esse índice aponta quanto a empresa possui em dinheiro, bens e direitos realizáveis a curto e longo prazo. É relevante esclarecer que esses índices são globais, que existe um fator muito importante a ser considerado, quando se avalia a capacidade de pagamento que é a estrutura de prazos 61 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância (prazos de recebimentos e pagamentos) e do ciclo operacional. Exemplo: um supermercado compra a prazo e vende quase tudo à vista. A mera comparação entre ativo e passivo pode assustar o investidor, mas será um susto infundado: esses números são normais no setor, pois os estoques giram com muita rapidez e os fornecedores são pagos em dia, geralmente. 62 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 6. POLÍTICAS APLICADAS DE GESTÃO DE CAPITAL DE GIRO Introdução Além das regras gerais de gestão do capital de giro, outras políticas, mais específicas ou aplicadas, podem ser definidas para a gestão do capital de giro, na realidade, são premissas e orientações sobre como proceder especificamente em cada um dos componentes do capital de giro: Disponibilidades (ou Dinheiro), Contas a Receber, Contas a Pagar e Estoques. 6.1. Políticas de Caixa Ocioso O caixa ocioso é, como a frase indica, dinheiro parado ou que não está sendo usado de maneira a aumentar o valor de um negócio. Isso significa que o dinheiro não está ganhando juros de uma poupança ou de uma renda fixa, e não está gerando lucro na forma de compras de estoques ou investimentos de ativos. Além disso, devido à inflação, os retornos reais ajustados do caixa ocioso podem ser negativos. Em outras palavras, não apenas o dinheiro ocioso não é apreciado como pode também representar uma perda de dinheiro real, por conta da inflação, isso sem falar na questão do custo de oportunidade, em outras palavras, esse dinheiro poderia estar rendendo um pouco na renda fixa, logo, dinheiro parado é de fato um prejuízo econômico, financeiro e real. Diante disso a empresa pode buscar alocar de maneira mais eficiente esse capital ocioso, parte dele, logicamente, deve ficar em ativos com alta liquidez, chamados de equivalentes de caixa, para, quando necessário, possam ser convertidos em dinheiro para cobrir o capital de giro, mas o que fazer com o dinheiro ocioso além da necessidade de capital de giro? Uma empresa pode querer usar seus fundos ociosos para comprar novas máquinas, expandir fábricas ou galpões de armazenamento, ampliar uma frota de transporte ou outros investimentos em ativos fixos que possam aumentar a capacidade de produção, nesse caso, tratar-se-ia de uma decisão de investimentos, com projeções e cálculos de VPL e TIR e TMA, não se trata, portanto de gestão de caixa, mas, sim, finanças corporativas. 63 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Via de regra, duas decisões podem ser tomadas com os capitais excedentes e/ou ociosos, uma parte, deve ser aplicada em equivalentes de caixa como títulos públicos, CDBs e Fundo de Renda Fixa, pelo menos assim, o dinheiro estará rendendo alguma coisa até o momento e que precisar ser utilizado. Além disso, o departamento financeiro pode vir calcular as vantagens econômicas na antecipação de despesas ou custos, como pagamento adiantado à fornecedores em troca de um desconto, adiantamento de obrigações financeiras como parcelas de empréstimos e financiamentos em troca da redução dos juros naquele período ou antecipação da amortização dessas dívidas, o que vai reduzir o número de parcelas ou juros cobrados. Além disso, se a empresa emitiu ações preferenciais, poderá avaliar se vale a pena resgatar as ações em circulação e canalizar os pagamentos de dividendos para os investidores em ações ordinárias, mediante a recompra dos papéis no mercado. Uma empresa também pode aplicar excesso de caixa a programas que podem melhorar a retenção, como bônus, opções de ações, participação nos lucros e serviços de saúde em grupo. Por fim, a empresa pode avaliar opções de investimentos de renda variável para o excedente de caixa, como é um dinheiro que supera a necessidade de capital de giro, uma parcela desse capital pode até ser posto em risco em busca de retornos maiores. Por fim, eles podem utilizados para dar suporte financeiro, a chamada margem, para futuras operações com derivativos, úteis para a empresa se proteger de flutuações de preços de commodities e câmbio. 6.2. Políticas de Contas a Receber A política aplicada para Contas a Receber se resume a dois pontos: Política de Vendas a Crédito – que afetará diretamente o PMRV – e Política de Cobranças – que envolve análise de crédito, risco de inadimplência, margem de segurança etc. Adicionalmente, a empresa deve considerar avaliar a política de Antecipação de Recebíveis – Desconto de Duplicatas ou Factoring. 64 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Política de Vendas a Crédito Num modelo ideal todos os clientes da empresa iriam realizar suas compras à vista, resultando em um fluxo de caixa imediato para a empresa, em contrapartida, a empresa também pagaria seus compromissos à vista junto aos seus fornecedores – afinal a empresa também é cliente de seu fornecedor – mas, em vistas de que existem lapsos temporais e estratégias de marketing envolvidas, boa parte do que é vendido no mundo é pago a prazo, pago com dívida. Ao “jogar” o comprometimento do pagamento por um produto para o futuro o consumidor fica mais disposto a realizar tal compra, além disso, se puder realizar esse pagamento de maneira fracionada – parcelado – o impacto da compra em seu orçamento fica menor e diluído no tempo, incentivando-o ainda mais a comprar. Pelo lado da empresa em relação ao seu fornecedor, a mesma lógica procede, ambos são empresas, ambos têm seus respectivos fluxos de caixa e logo, quanto mais puderem estender seus compromissos, mais fácil fica para um organizar seu caixa (empresa/cliente), porém, mais custoso se torna para a contraparte gerenciar seu caixa (fornecedor/empresa). Em ambientes com baixa concorrência a predisposição do fornecedor/vendedor a vender à crédito é reduzida, assim como, em ambientes com mais clientes do que produtores. Por outro lado, em ambientes com elevado nível de concorrência ou com número reduzido de consumidores/clientes – o que pode ocorrer em qualquer setor em vistas de uma potencial crise – a predisposição em vender à crédito se eleva. Além desses fatores genéricos, outros podem motivar uma empresa/fornecedor a recorrer às vendas a prazo – gerando assim,mais contas a receber/contas a pagar – como o posicionamento de mercado ou expansão das vendas, uma empresa que oferece melhores condições de crédito a seus clientes tem maior probabilidade de vender seu produto – afinal, é mais fácil vender um celular de R$3.000 em 12 parcelas de R$300 do que à vista. Porém, para toda decisão na economia temos um lado positivo e um lado negativo, é aí que reside a problemática da Contas a Receber e a sua necessidade de ser gerenciada. Mais Contas a Receber gera mais vendas, logo, um faturamento (ROB) maior, mas, aumenta-se também o Risco de Inadimplência, logo, maiores Reservas para Devedores Duvidosos devem ser constituídas, também aumenta o risco de devoluções e perdas de produtos, resultando em Abatimentos sobre o ROB, assim sendo, ao subtrairmos um pelo outro (ROB – Abatimentos) temos o Faturamento líquido (ROL), o que de fato a empresa 65 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância espera receber – mesmo realizando tais ajustes, ROB e ROL são calculados pelo regime de competência, logo, ainda há incerteza quanto ao resultado de caixa final. Ao definir sua política de crédito, que irá impactar no PMRV, a empresa deve levar tudo isso em conta, estimar os riscos9, custos de transação10, calcular o ganho potencial com o aumento potencial de vendas, obter o faturamento líquido esperado e, por fim, avaliar se os ganhos a mais compensam os riscos adicionais – isso por sua vez, irá forçar um aumento sobre o preço de vendas, não dá pra vender a prazo com o mesmo valor do produto à vista, deve haver uma correção para compensar o lapso temporal, o custo de oportunidade da venda a crédito. Finalmente, ela deve avaliar se a extensão de seu PMRV compensa sob a ótica da necessidade de capital de giro, o que significa, levar em conta sua política de pagamentos o PMPC. Política de Cobranças A empresa que adota as vendas a prazo deve ter ciência dos riscos associados à tal política, sendo o risco de crédito do cliente o principal deles – o risco de pagamento com atraso ou inadimplência do cliente. Para minimizar esses riscos, critérios devem ser estabelecidos, o time de vendas precisa estar alinhado com o time de produção e o time financeiro. Ou seja, a equipe de vendas sempre vai exercer pressão sobre a concessão de crédito, para vender cada vez mais, sem se importar com os riscos potenciais, já o time financeiro e de compras, vai evitar a todo custo venda a prazo e buscar os ganhos à vista, é preciso buscar um equilíbrio entre essas frentes. Algumas regras básicas podem ser citadas: • Imposição de limite total de crédito por cliente – enquanto uma dívida não for quitada o limite de crédito do cliente não será reestabelecido, senão, ele iria fazer uma compra a prazo todo mês e acumular diversas dívidas. 9 Podem ser d iminuídos com impos ição de Prazos , L im i tes de Créd i to , Cadas t ro pos i t i vo , Ent rada à v is ta , mas , jamais mi t igados ; 10 Vender à c réd i to tem um cus to para a empresa, se e la for a sua c redora – c red iár i o – e la f i ca com todo o r i sco de c réd i t o , se e la usar um in te rmediár io – car t ão de c réd i to de banco, por exemplo – e la i rá pagar uma taxa sob re seu fa tu ramento. 66 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância • Acompanhamento constante dos clientes à crédito, principalmente, dos que pagam em atraso – recorrer a renegociações antes que se tornem inadimplência é uma boa estratégia, antes ganhar menos do que perder tudo. • Avalie o perfil de crédito do cliente antes de lhe fornecer crédito. • Imposição de Multas e Juros de Mora sobre pagamentos atrasados servem para compensar o custo de oportunidade da empresa e reduzir os riscos de crédito – mas cuidado com os limites legais. • Feche acordos de renegociação de dívidas sai mais barato do que causas judiciais, mas não deixe de atualizar o perfil de crédito do cliente para mau pagador. Política de Antecipação de Recebíveis Por diversas vezes as empresas brasileiras padecem pela falta de capital de giro para financiar suas operações, outras, por falhas de planejamento financeiro precisam recorrer constantemente à um recurso chamado de Antecipação de Recebíveis, uma operação financeira realizada por Bancos e Factorings. A antecipação de recebíveis como medida paliativa e eventual para sanar pequenas necessidades de capital de giro é uma saída financeiramente aceitável, isso por que a empresa irá “vender” suas contas a receber para uma instituição financeira, logicamente, recebendo menos do que iria receber se esperasse o prazo de recebimento. O problema quando tal medida se torna habitual, jogando todo o planejamento financeiro no lixo – se é que houve algum – e levando a empresa, num futuro próximo, a falência por falta de capital de giro. O nome desse produto financeiro é Desconto Comercial ou Desconto Financeiro, se realizado com Bancos, normalmente, o risco de crédito fica com a empresa, ou seja, se eu cliente não pagar ou atrasar, a empresa terá de ressarcir o banco. Se feita mediante uma Factoring, o risco de crédito não fica mais com a empresa, logo, a taxa de desconto aplicada pela Factoring costuma ser maior do que a Taxa cobrada pelos bancos. Em qualquer um dos cenários, em um país com altas taxas de juros, como é o Brasil, essa é uma alternativa de financiamento bem custosa e prejudicial. 6.3. Políticas de Estoques e Contas a Pagar O elemento final da gestão de capital de giro é o gerenciamento de estoques e contas a pagar. Para operar com a máxima eficiência e manter um nível de capital de giro confortavelmente alto, a empresa deve balancear cuidadosamente o nível de estoque suficiente para atender às necessidades dos clientes, evitando estoques desnecessários 67 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância que prendem o capital de giro por um longo período antes de serem convertidos em dinheiro. A questão da gestão de estoques é um tema complexo dentro a gestão estratégica da empresa, primeiro porque é uma decisão que precisa ser tomada em conjunto com, ao menos, três departamentos da empresa: produção, compras e vendas. Normalmente, os estoques são controlados e gerenciados por alguém de fora da área financeira e de capital de giro, mas sua gestão eficiente, em conjunto com a gestão de compras e vendas, tem um impacto direto sobre o capital de giro da empresa e seu resultado operacional. Assim sendo, ao gerenciar os estoques a empresa também está tomando decisões pertinentes à Compras, Fornecedores, Vendas, Crédito à clientes, entre outros. Da mesma maneira, decidir quanto comprar, como pagar e quando pagar são decisões que devem ser tomadas em conjunto de forma planejada e ordenada. Pagamento à vista ou a Prazo? Essa é uma pergunta bastante recorrente para as empresas quando lidam com seus fornecedores, mas a resposta é relativamente simples, ao pagar a prazo a empresa está estendendo seu PMPC o que ajuda no equilíbrio entre contas a pagar e a receber, porém, isso terá um custo, pois o pagamento à vista junto ao fornecedor terá um desconto. Para decidir se deve ou não realizar a compra à vista a empresa deve comparar a Taxa de Desconto do Fornecedor com a Taxa de Juros de Curto Prazo junto aos seus credores, se a Taxa de Desconto for maior compensa pegar um empréstimo de prazo equivalente e comprar à vista, dessa forma, a diferença entre o preço à vista com desconto com o fornecedor e os juros pagos aos credores será positiva para a empresa. Em caso contrário, é melhor realizar a compra a prazo sem financiamento bancário. A mesma lógica pode ser aplicada ao pagamento Adiantado à fornecedores, havendo um desconto considerável e acima da taxa de jurosde curto prazo, compensa a empresa adiantar seus pagamentos quando tiver disponibilidades em excesso, sendo pequeno o valor do desconto, é melhor deixar o caixa aplicado em renda fixa e ir pagando a prazo mesmo. 68 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Empréstimos e financiamentos como fazer direito? Da mesma maneira que as contas a pagar devem ser calculadas e pensadas, os empréstimos e financiamentos também, ou seja, as decisões com relação às fontes de financiamento devem ser especialmente planejadas, tanto que sua compreensão completa exige uma disciplina inteira, chamada de Finanças Corporativas. Mas, em via de regra, podemos estabelecer que: (1) Buscar a menor taxa de juros possível e prazos compatíveis com sua estratégia de risco e orçamento – prazo além do planejado elimina as vantagens das taxas de juros menores; (2) Conheça a fundo os riscos, limites e exigências de cada fonte de financiamento; (3) Equilibrar custos de capital e exigência mínima de rentabilidade dos investidores – conceitos chamados de WACC e TMA; (4) Toda empresa vai precisar, eventualmente, de dívidas para funcionar, portanto, que sejam realizadas de forma planejada e dentro do orçamento de caixa; (5) As regras de antecipação de fornecedores são semelhantes quando antecipam-se pagamentos de dívidas, a diferença reside na comparação, se o desconto de juros pela antecipação superar a taxa média de rentabilidade dos ativos de renda fixa, compensa realizar a antecipação. 6.4. Lote Econômico de Compras O Modelo de Lote Econômico de Compras busca determinar a quantidade ideal de pedido que uma empresa deve comprar para seu estoque, dado um custo de produção definido, uma determinada taxa de demanda e outras variáveis. Isso é feito para minimizar os custos de manutenção de estoque e os custos relacionados a pedidos. A equação para LEC também leva em conta os custos de manutenção de estoque, como armazenamento, custos de pedidos e custos de escassez. Este modelo de programação de produção foi desenvolvido em 1913 pela Ford W. Harris e foi aperfeiçoado ao longo do tempo. A fórmula pressupõe que a demanda, a ordem e os custos de manutenção permanecem constantes. O LEC é a quantidade ideal de pedidos de uma empresa que minimiza seus custos totais relacionados a pedidos, recebimento e manutenção do estoque. A fórmula LEC é melhor usada em situações em que a demanda, o pedido e os custos de manutenção permanecem constantes ao longo do tempo. 69 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância A fórmula para a quantidade de ordem econômica é 𝑄 = √ 2𝐷𝑆 𝐻 Detalhes Onde: Q= Unidades LEC D=Demanda em unidades (tipicamente em uma base anual) S=Custo do pedido (por ordem de compra) H=Custo de Armazenagem (por unidade, por ano) O que a quantidade de ordem econômica lhe diz? O objetivo da fórmula LEC é identificar o número ideal de unidades de produto a serem encomendadas para que uma empresa possa minimizar seus custos relacionados à compra, recebimento e armazenamento das unidades. A fórmula de quantidade de ordem econômica (LEC) pode ser modificada para determinar diferentes níveis de produção ou intervalos de ordem, e empresas com grandes cadeias de suprimento e altos custos variáveis usam um algoritmo em seu software para determinar LEC. O LEC é uma importante ferramenta de fluxo de caixa para a administração, a fim de minimizar o custo do estoque e o montante de caixa atrelado ao saldo do estoque. Para muitas empresas, o estoque é o maior ativo de propriedade da empresa, e esses negócios precisam ter estoque suficiente para atender às necessidades dos clientes. Se o LEC puder ajudar a minimizar o nível de estoque, a economia de caixa poderá ser usada para algum outro propósito comercial ou investimento. A fórmula LEC pode ser usada para calcular o ponto de reabastecimento de estoque de uma empresa, que é um nível específico de estoque que aciona a necessidade de fazer um pedido para mais unidades. Ao determinar um ponto de reabastecimento, a empresa evita a falta de estoque e é capaz de preencher todos os pedidos dos clientes. Se a empresa ficar sem estoque, há um custo de escassez, que é a receita perdida porque a empresa não preenche um pedido. Ter uma escassez de estoque também pode significar que a empresa perde o cliente ou as ordens do cliente menos no futuro. Exemplo de Uso do LEC O LEC leva em conta o tempo de reordenamento, o custo incorrido para fazer um pedido e os custos para armazenar mercadorias. Se a empresa está constantemente 70 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância fazendo pedidos pequenos para manter um nível de estoque específico, os custos de pedido são mais altos, junto com a necessidade de espaço de armazenamento adicional. Suponha, por exemplo, que uma loja de roupas de varejo tenha uma linha de jeans masculinos e que a loja venda 1.000 pares de jeans a cada ano. Custa à empresa R$ 5 por ano para manter um par de jeans no estoque, e o custo fixo para fazer um pedido é de R$ 2. A fórmula LEC é a raiz quadrada de (2 x 1.000 pares x custo de pedido de R$ 2) / (custo de manutenção de R$ 5) ou 28,3 com arredondamento. O tamanho ideal do pedido para minimizar custos e atender a demanda do cliente é pouco mais de 28 pares de jeans. Uma parte mais complexa da fórmula LEC fornece o ponto de reabastecimento. Limitações do uso do LEC As entradas da fórmula LEC fazem uma suposição de que a demanda do consumidor é constante. O cálculo também pressupõe que os custos de manutenção e manutenção permaneçam constantes, o que dificulta ou impossibilita que a fórmula contabilize eventos de negócios, como alteração da demanda do consumidor, mudanças sazonais nos custos de estoque, perda de receita de vendas devido à falta de estoque ou descontos na compra. Uma empresa pode conseguir comprar estoques em quantidades maiores. 71 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 7. ESTUDO DE CASO I Introdução Qualquer tipo do empreendimento econômico exige uma certa aplicação de capital. O volume do capital empregado normalmente é decomposto em duas porções básicas: uma destinada à aplicação em ativos fixos e outra destinada ao giro. Os exemplos utilizados são extremamente simplificados para facilitar o entendimento do processo de formação do capital de giro. A discussão de casos mais complexos, como os de empresas industriais, depende da clareza com que se tenha compreendido tal processo. Imaginemos como exemplo uma fábrica de moveis, este tipo de investimento exige um determinado volume de capital para a aquisição do terreno, construção dos imóveis industriais e administrativos, compra de maquinas e equipamentos, de veículos para entrega, de instalações telefônicas, de escrivaninhas, armários, estantes, máquinas de escrever, etc. Todo o dinheiro aplicado nesses itens constitui o capital fixo. Visto sob outro angulo, temos uma empresa praticamente montada, pronta para operar. Porém, apenas esse montante investido em máquinas, equipamentos, imóveis e instalações não bastam para colocar a empresa para funcionar. É necessário um aporte adicional para comprar e estocar matérias primas, para pagar salários e demais despesas do ciclo de produção, cuja duração pode atingir algumas semanas, para financiar o estoque de produtos acabados e, ainda, para financiamento das vendas, já que dificilmente se consegue vender esses produtos à vista. Este aporte adicional para os fins explicitados é que constitui o que chamamos de CAPITAL DE GIRO, ou ainda capital de trabalho ou capital circulante. Ele se distingue do capital fixo fundamentalmente pelo prazo de suaconversão em dinheiro novamente. Enquanto o capital fixo necessita de um largo período de tempo - 5, 10, 20 anos - para sua reconversão em dinheiro, o capital de giro se recompõe muito mais rapidamente, amiúde em alguns meses, ou, quando muito, um ano. 72 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Uma vez caracterizado, podemos definir capital de giro como o montante de recursos necessários para o funcionamento da empresa. Embora seja uma definição bastante simples ela explicita claramente a destinação que se dá a essa porção do capital, em contraposição à outra porção, destinada ã instalação da empresa. Em resumo, portanto, ternos: • Capital fixo - montante de recursos necessários à instalação da empresa; • Capital de giro - montante de recursos necessários ao funcionamento da empresa. 7.1. Dimensionamento do capital de giro: um caso simples É relativamente fácil o cálculo do volume necessário para as aplicações em ativo fixo. Já para o capital de giro os cálculos são mais complexos, portanto, que não dependem apenas dos valores absolutos correspondentes a determinadas aplicações, mas, em grande parte, do prazo correspondente ao financiamento que se concede ou que se obtém. Há várias maneiras de se dimensionar o capital de giro; umas mais imediatas como a simples dedução de componentes do balanço patrimonial, e outras mais detalhadas. Em todo caso, os valores encontrados serão sempre uma aproximação, menos ou mais confiável, da média de recursos necessários durante um certo período de tempo. Vamos iniciar com um caso bastante simples para que se firme muito bem a conceituação de capital de giro. Suponhamos uma pessoa cuja atividade seja comprar e vender diariamente, inclusive sábado e domingo, uma certa quantidade de mercadorias (peixes, verduras, frutas, etc). É uma atividade que, por hipótese, não exige qualquer investimento em capital fixo; admitamos que o veículo necessário (uma caminhoneta, por exemplo) possa ser alugada. Vamos supor, ainda, que não há geração de lucro, ou seja, que a receita das vendas diárias é apenas suficiente para cobrir os custos diários, cujos valores são os seguintes: 73 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Custo das mercadorias R$ 2.000/dia Aluguel do veículo R$ 300/dia Combustível R$ 200/dia Salário do ajudante R$ 100/dia Salário próprio R$ 400/dia Total das despesas R$ 3.000/dia Valor das vendas R$ 3.000/dia Advertimos novamente que não há geração de lucros. O "salário próprio" é apenas suficiente para cobrir as necessidades médias diárias, suas e de sua família, correspondentes a alimentação, vestuário, habitação, educação, etc. São esses, portanto, os valores envolvidos nas transações diárias. Agora faltam as hipóteses relativas aos prazos de pagamento das despesas e de recebimento das receitas. 1ª Hipótese – Fluxo de Caixa Correspondente no Quadro 1 em anexo. O comerciante não obtém financiamento algum; quer dizer, paga tudo à vista. Já para seus clientes ele concede um prazo de 7 dias, ou seja, as vendas efetuadas na segunda feira só são recebidas na segunda feira seguinte, as efetuadas na terça-feira são recebidas na terça-feira seguinte; e assim por diante. Qual é o montante de recursos necessários para o comerciante trabalhar nessas condições? Ou seja, qual é o capital de giro requerido? Para encontrar a resposta calculamos o financiamento concedido e dele deduzimos o valor do financiamento obtido. O financiamento concedido é igual ao valor diário das vendas ponderado pelo prazo de recebimento. 74 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Temos: Valor diário das vendas = R$ 3.000 Prazo de recebimento = 7 dias Financiamento concedido = R$ 3.000 x 7 dias= R$ 21.000 O financiamento obtido é calculado da mesma forma, isto é, ponderando-se o valor diário das despesas pelos respectivos prazos de pagamento. Como neste caso as despesas são pagas à vista, o prazo de pagamento é igual a zero e, em consequência, o financiamento obtido também é zero. Valor das despesas diárias = R$ 3.000 Prazo de pagamento = 0 dia Financiamento obtido = R$ 3.000 x 0 = R$ 0 Pelo exposto, a Necessidade de Capital de Giro é dada por: NCG = Financiamento Concedido (PMRV) – Financiamento Obtido (PMPC + Empréstimos) Temos, então, Capital de giro = R$ 21.000 – R$ 0 = R$ 21.000 Podemos confirmar o acerto desta solução através da construção de um fluxo de caixa como apresentado no quadro 1, pode-se notar que a necessidade de recursos expressa pela linha "saldo acumulado", vai aumentando até o 7º dia, onde se estabiliza no limite de R$ 21.000 negativos, já que a partir desse dia o comerciante passa a receber o dinheiro correspondente às vendas realizadas na semana anterior. QUADRO 1 Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom Seg Ter Qua Qui Entradas R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 Saída R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 Saldo do dia -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 Saldo Acumulado -R$ 3.000 -R$ 6.000 -R$ 9.000 -R$ 12.000 -R$ 15.000 -R$ 18.000 -R$ 21.000 -R$ 21.000 -R$ 21.000 -R$ 21.000 -R$ 21.000 75 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2ª Hipótese Admitamos agora que o comerciante consegue credito para as compras das mercadorias, que passarão a ser pagas num prazo de 7 dias. As demais condições permanecem as mesmas: as outras despesas são pagas à vista e as vendas são financiadas por 7 dias. Neste caso, o financiamento concedido continua sendo igual a R$ 21.000, pois não houve modificações quanto às vendas. Para o cálculo do financiamento obtido temos que separar as despesas em duas parcelas. A primeira, de R$ 2.000, correspondente à compra de mercadorias, deve ser ponderada por 7, que é seu prazo de pagamento. A segunda parcela, correspondente às demais despesas, totalizando R$ 1.000, deve ser ponderada por 0 (zero), já que são despesas pagas à vista. Assim sendo, temos: 1 2 3 2 x 3 Item de despesa Valor/dia Prazo de pagamento Financiamento obtido Mercadorias R$ 2.000 7 dias R$ 14.000 Outras R$ 1.000 0 dias R$ 0 Totais R$ 3.000 R$ 14.000 O valor do capital de giro necessário é dado pela diferença entre o financiamento concedido e o financiamento obtido. Numericamente temos, nesta 2a hipótese: Financiamento concedido = R$ 21.000 Financiamento obtido = R$ 14.000 Capital de giro necessário = R$ 7.000 O mesmo resultado encontramos com a utilização de um fluxo de caixa, conforme expresso no quadro nº 2. 76 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância QUADRO 2 Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom Seg Ter Qua Qui Entradas R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 Saídas: Mercadorias R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 Outras R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 Saldo do dia -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 1.000 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 Saldo Acumulado -R$ 1.000 -R$ 2.000 -R$ 3.000 -R$ 4.000 -R$ 5.000 -R$ 6.000 -R$ 7.000 -R$ 7.000 -R$ 7.000 -R$ 7.000 -R$ 7.000 Nele percebemos que a necessidade de recursos cresce dia a dia até atingir o patamar de R$ 7.000, que se torna constante. 3ª Hipótese – Fluxo de Caixa Correspondente no Quadro 3 em anexo. Suponhamos agora as seguintes condições: As vendas continuam sendo recebidas após 7 dias. Portanto, nada muda em relação ao financiamento concedido (permanece R$21.000).Com exceção dos salários (próprio e do ajudante) as despesas não são pagas à vista. Os prazos estabelecidos para o pagamento são os seguintes: Mercadorias: 2 dias Aluguel do veículo: 4 dias Combustível: 3 dias Teremos que calcular, então, o novo valor do financiamento obtido: 1 2 3 2 x 3 Item de despesa Valor/dia Prazo de pagamento Financiamento obtido Mercadorias R$ 2.000 2 dias R$ 4.000 Aluguel do Veículo R$ 300 4 dias R$ 1.200 Combustível R$ 200 3 dias R$ 600 Totais R$ 3.000 R$ 5.800 77 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Numericamente temos, nesta 3a hipótese: Financiamento concedido = R$ 21.000 Financiamento obtido = R$ 5.800 Capital de giro necessário = R$ 15.200 Mais uma vez observamos que o saldo acumulado, é negativo e, portanto, expressa a necessidade de recursos (dinheiro). Irá crescer até atingir o valor de R$ 15.200, onde estaciona. Assim ocorre porque a partir do 8º dia o dinheiro recebido é suficiente para cobrir todos os pagamentos do dia (conforme expresso no quadro 3, fluxo de caixa). QUADRO 3 Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom Seg Ter Qua Qui Entradas R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 Saídas: Mercadorias R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 Aluguel R$ 300 R$ 300 R$ 300 R$ 300 R$ 300 R$ 300 R$ 300 Gasolina R$ 200 R$ 200 R$ 200 R$ 200 R$ 200 R$ 200 R$ 200 R$ 200 Salários R$ 500 R$ 500 R$ 500 R$ 500 R$ 500 R$ 500 R$ 500 R$ 500 R$ 500 R$ 500 R$ 500 Saldo do dia -R$ 500 -R$ 500 -R$ 2.500 -R$ 2.700 -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 Saldo Acumulado -R$ 500 -R$ 1.000 -R$ 3.500 -R$ 6.200 -R$ 9.200 -R$ 12.200 -R$ 15.200 -R$ 15.200 -R$ 15.200 -R$ 15.200 -R$ 15.200 4ª Hipótese Vejamos o que acontece ao assumirmos as seguintes condições: 1. As despesas relativas à compra de mercadorias e ao salário próprio são pagas à vista; 2. As demais despesas diárias são pagas, sempre aos domingos, inclusive as realizadas no próprio domingo; 3. As vendas diárias são recebidas também aos domingos, inclusive aquelas realizadas no próprio domingo. O primeiro problema a ser resolvido é o do prazo médio de recebimento das vendas. Não se deve cair no erro de imaginar que o prazo de recebimento é de 7 dias. 78 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Para cada dia de vendas, o prazo e diferente. Assim, a venda realizada na segunda- feira tem 6 dias de prazo; as da terça feira têm 5 dias; as da quarta-feira têm 4 dias. As realizadas no sábado têm apenas 1 dia de prazo e, finalmente, as realizadas no domingo são recebidas a vista. Em resumo, temos: Dia da semana valor das vendas Prazo concedido: Segunda R$ 3.000,00 6 dias Terça R$ 3.000,00 5 dias Quarta R$ 3.000,00 4 dias Quinta R$ 3.000,00 3 dias Sexta R$ 3.000,00 2 dias Sábado R$ 3.000,00 1 dias Domingo R$ 3.000,00 0 dias TOTAL R$ 21.000,00 - Para calcular o prazo médio, primeiro devemos ponderar o valor das vendas diárias pelos prazos respectivos constituindo uma 4ª coluna. Em seguida, somamos os valores ponderados e dividimos essa soma pelo total de vendas da semana. Assim, os resultados são: Dia da semana Valor das vendas Prazo Concedido Valor ponderado Segunda R$ 3.000,00 6 dias R$ 18.000 Terça R$ 3.000,00 5 dias R$ 15.000 Quarta R$ 3.000,00 4 dias R$ 12.000 Quinta R$ 3.000,00 3 dias R$ 9.000 Sexta R$ 3.000,00 2 dias R$ 6.000 Sábado R$ 3.000,00 1 dias R$ 3.000 Domingo R$ 3.000,00 0 dias R$ 0 TOTAIS R$ 21.000,00 - R$ 63.000 Prazo Médio de Recebimento de Vendas = 63000 21000 = 3 dias As despesas diárias mencionadas também são pagas no domingo. 79 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Portanto, o prazo médio de pagamento (PMPC) referente a essas despesas também será de 3 dias. O restante das despesas, mencionadas no item a, são pagas à vista; portanto, o prazo é 0 (zero). Temos, por conseguinte, os dados necessários para calcular o capital de giro. Inicialmente, calculemos o financiamento concedido. Financiamento concedido= vendas diárias x prazo médio de recebimento Financiamento concedido= R$ 3.000 x 3 dias = R$ 9.000. O financiamento obtido e dado por: 1 2 3 ( 4 ) = ( 2 ) x ( 3) Item despesas Valor/dia Prazo de pagamento Financiamento obtido mercadoria R$ 2.000,00 0 dias R$ 0,00 salário próprio R$ 400,00 0 dias R$ 0,00 aluguel do veículo R$ 300,00 3 dias R$ 900,00 combustível R$ 200,00 3 dias R$ 600,00 salário ajudante R$ 100,00 3 dias R$ 300,00 Totais R$ 3.000,00 - R$ 1.800,00 O capital de giro necessário é, portanto: Financiamento concedido = R$ 9.000 Financiamento obtido = R$ 1.800 Capital de giro = R$ 7.200 Colocando os dados num fluxo de caixa obtemos o resultado demonstrado no quadro: 80 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Quadro 4 Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom Seg Ter Entradas: R$ 21.000 Saídas: Mercadorias R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 Aluguel R$ 2.100 Gasolina R$ 1.400 Salário Ajudante R$ 700 Salário Próprio R$ 400 R$ 400 R$ 400 R$ 400 R$ 400 R$ 400 R$ 400 R$ 400 R$ 400 Saldo do dia -R$ 2.400 -R$ 2.400 -R$ 2.400 -R$ 2.400 -R$ 2.400 -R$ 2.400 R$ 14.400 -R$ 2.400 -R$ 2.400 Saldo Acumulado -R$ 2.400 -R$ 4.800 -R$ 7.200 -R$ 9.600 -R$ 1.200 - R$ 14.400 R$ 0 -R$ 2.400 -R$ 800 Como se pode notar, ao contrário dos casos anteriores o déficit acumulado não se estabiliza. Ele assume valores diferentes durante os dias da semana, repetindo esses mesmos valores em ciclos semanais. O valor de R$ 7.20011, determinado pela diferença entre o financiamento concedido e o financiamento obtido, constitui-se por tanto, num valor médio, t. O importante a ser observado é que o fluxo de caixa e o único instrumento que nos dá uma ideia exata dos recursos necessários nos diferentes momentos. Os outros processos de cálculo nos levam a um valor médio dessas necessidades. A determinação do valor exato que a empresa precisa ter de capital de giro no período e diariamente, somente é identificado pela construção de um fluxo de caixa diário detalhado, pela subtração do Saldo Acumulado no Sábado pelo Caixa Acumulado no Domingo, obtemos o valor de R$ 14.400, ou seja, a quantidade mínima de capital de giro que a empresa precisa ter em caixa para seguir a semana seguinte sem problemas. 5ª Hipótese – Fluxo de Caixa Correspondente no Quadro 5 em anexo. Talvez a suposição mais simples seja a de que tanto as vendas quanto as despesas sejam realizadas a vista. Se isso ocorrer o capital de giro necessário deverá ser igual a 11 Mera co inc idênc ia o fa to de o déf ic i t acumulado, no f luxo de ca ixa, assumi r o mesmo va lor (R$7.200) num dos d ias da semana, de fa to , nota -se que a empresa va i prec isar , na p r imei ra semana, de um cap i t a l de g i ro d isponíve l equ iva lente ao dobro da necess idade de cap i t a l de g i ro (7200 x 2 = 14400) . 81 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância zero, porque tanto os valores das vendas quanto os das despesas serão ponderados pelo prazo zero. O fluxo de caixa correspondente também seria extremamente simples, como demonstra o quadro nº 5: QUADRO 5 Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom Seg Ter Entradas R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 Saídas -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 -R$ 3.000 Saldo do dia R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 Saldo Acumulado R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 Não obstante, uma pessoa mais meticulosa poderia questionar esse resultado. Se o capital de giro, por definição, representa o volume de dinheiro necessário para se operar um determinado negócio, e se as condições de operação são as descritas na página 2, complementadas pela suposição de que tanto as vendas quanto as despesas são realizadas a vista, então o resultado não é zero. Isto se explica pelo fato de que, obrigatoriamente, a compra das mercadorias antecede a sua venda e, portanto, como ela deve ser paga à vista, há necessidade de pelo menos R$ 2.000 a título de capital de giro. Com o item "combustível" ocorre coisa semelhante, pois é razoável supor que uma das primeiras providencias seria abastecer o veículo, e só depois "fazer a praça". Os demais itens de despesa (aluguel e salários) podem ser pagos ao final do dia, sem que percam sua natureza decorações a vista. Para eliminar esse tipo de "problema" poderíamos admitir que todas as transações são pagas com cheque. Se assim for, os cheques emitidos para pagamento das despesas serão compensados por depósitos correspondentes as vendas. 6ª Hipótese – Fluxo de Caixa Correspondente no Quadro 6 em anexo. Se o prazo de recebimento das vendas for de 3 dias - as vendas da segunda-feira são recebidas na quinta-feira, as da terça-feira, na sexta-feira, e assim por diante - e se os prazos de pagamento das despesas forem Para mercadoria e salário do ajudante = 7 dias Demais despesas = a vista 82 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Qual é o capital de giro correspondente? Fazendo os cálculos, obtemos: Financiamento concedido = R$ 3.000 x 3 dias = R$ 9.000 Financiamento obtido = R$ 2.100 x 7 dias =R$ 14.700 R$ 900 x 0 dia = R$ 0 R$ 14.700 Financiamento concedido – Financiamento obtido = R$ 9.000 - R$ 14.700 = -R$ 5.700 O resultado negativo significa que, com as condições propostas esta atividade não requer capital de giro para ser "tocada". Muito pelo contrário, o comerciante retém consigo permanente o montante de R$ 5.700 que não é seu, mas sim de terceiros. O fluxo de caixa correspondente evidencia melhor esta situação como demonstra o quadro 6: QUADRO No 6 Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom Seg Ter Qua Qui Entradas R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 Saídas R$ 2.100 R$ 2.100 R$ 2.100 R$ 2.100 demais Despesas R$ 900 R$ 900 R$ 900 R$ 900 R$ 900 R$ 900 R$ 900 R$ 900 R$ 900 R$ 900 R$ 900 Saldo do dia -R$ 900 -R$ 900 -R$ 900 R$ 2.100 R$ 2.100 R$ 2.100 R$ 2.100 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 Saldo Acumulado -R$ 900 -R$ 1.800 -R$ 2.700 -R$ 600 R$ 1.500 R$ 3.600 R$ 5.700 R$ 5.700 R$ 5.700 R$ 5.700 R$ 5.700 O saldo acumulado, deficitário nos primeiros dias, torna-se superavitário e aumenta até o valor de R$5.700. Como se pode notar pelo quadro, a origem desse superávit está no fato de se receber antecipadamente um valor que deve cobrir despesas a serem pagas alguns dias depois. Como esse processo é constante ao longo do tempo, o superávit se estabiliza ao nível de R$ 5.700. Isso demonstra a importância de se equalizar os pagamentos e recebimentos, assim como, uma boa relação com os fornecedores pode vir a ser uma vantagem financeira eliminando a necessidade de capital de giro, chega a parecer algo estranho, mas, em 83 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância determinadas estratégias, pode ser muito mais vantajoso pagar um pouco mais caro ao fornecedor, mas a prazo, do que à vista – é que já foi diversas vezes debatido no curso, a liquidez e solvência da empresa é mais importante do que o lucro. 7ª hipótese Imaginemos agora que todas as despesas são pagas no sábado, inclusive as do próprio sábado, e todas as vendas são recebidas no domingo, inclusive as realizadas nesse dia. Tanto o prazo médio de pagamento quanto o prazo médio de recebimento são de 3 dias, conforme vimos na 4ª hipótese. Como as vendas diárias são iguais às despesas diárias e ambas vão ser ponderadas por prazos iguais, o valor do financiamento obtido será igual ao do financiamento concedido. A diferença entre eles evidentemente é nula e, por consequência, o capital de giro, nessas condições, e igual a zero. Construamos agora o fluxo de caixa que retrata essas condições: QUADRO No 7 Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom Seg Ter Qua Qui Entradas R$ 21.000 Saídas R$ 18.000 Saldo R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 -R$ 18.000 R$ 21.000 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 Saldo Acumulado R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 -R$ 18.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 Este caso confirma a advertência feita na hipótese nº 4. O resultado encontrado (zero) é simplesmente a média. O fluxo de caixa nos demonstra que todo sábado há uma necessidade de se tomar um empréstimo, por um dia, no valor de R$ 18.000. O dinheiro que entra no domingo é suficiente para resgatar o empréstimo e ainda sobram R$ 3.000 até a sexta-feira. Esse comportamento é repetido semanal mente. Em outras palavras, a cada semana o saldo de caixa é negativo por um dia, no valor de - R$ 18.000, e positivo nos 6 dias restantes, no valor de R$ 3.000: em média o saldo do caixa é 0 (zero). 84 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Esse é um cenário em que a gestão de caixa ocioso se faz essencial ao longo da semana para aumentar a lucratividade da empresa, além disso, uma linha de crédito de conta garantida ou cheque especial, ou ainda, capital de giro, com prazo de 1 dia pode ser tudo o que a empresa vai precisar para equalizar suas necessidades de caixa no sábado. 8ª Hipótese – Adicionando os Estoques na conta Essas 7 hipóteses tiveram como objetivo demonstrar que, embora os valores das despesas permaneçam constantes, os diferentes prazos concedidos e obtidos influem decisivamente no capital de giro. Um outro item que entra na composição do capital de giro é o estoque. No caso de empresas comerciais são compreendidas basicamente as mercadorias, mas no caso de empresas industriais entram as matérias primas, os materiais secundários, as embalagens, os produtos semiacabados e os produtos acabados. Para o dimensionamento do capital de giro, o valor dos estoques deve ser simplesmente adicionado ao total até então obtido. Assim sendo, se o comerciante do exemplo que estamos considerando achar que o conveniente é manter um estoque de mercadorias suficiente para 2 dias de vendas, o acréscimo ao capital de giro será de R$ 4.000 = R$ 2.000/dia x 2 dias. Retomando a 2a das hipóteses e adicionando o estoque temos Financiamento concedido = R$ 21.000 (-) Financiamento obtido = R$ 14.000 Subtotal = R$ 7.000 (+) Estoques = R$ 4.000 Capital de giro necessário = R$ 11.000 85 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância QUADRO No 8 Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom Seg Ter Qua Qui Entradas R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 3.000 Saídas: Mercadoria R$ 6.000* R$ 2.000 R$ 2.000 R$ 2.000 Outras R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 1.000 Saldo -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 1.000 -R$ 4.000 R$ 0 R$ 0 R$ 0 Saldo Acumulado -R$ 1.000 -R$ 2.000 -R$ 3.000 -R$ 4.000 -R$ 5.000 -R$ 6.000 -R$ 7.000 -R$ 11.000 -R$ 11.000 -R$ 11.000 -R$ 11.000 * Aquisição de R$4000 em estoques, aumentam a necessidadede capital de giro 86 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 8. Estudo de Caso II 8.1. Compreensão dos Ciclos Operacionais e de Caixa Primeiro precisamos das informações básicas do Balanço Patrimonial (BP) e do Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE). Será preciso o BP do começo do ano e do final do ano, além da DRE Consolidada Anual (DRE para o ano todo). Relembrando Para calcular o Ciclo Operacional e Ciclo de Caixa precisamos calcular diversos indicadores: Estoques Médios, Giro de Estoques (GE), Prazo Médio de Renovação de Estoques (PMRE), Duplicatas a Receber Média, Rotatividade de Duplicatas a Receber (RDR), Prazo Médio de Recebimento de Vendas (PMRV), Compras no período e Prazo Médio de Pagamento de Compras. Tabela 1 – Balanço Patrimonial no início e fim do período (ano) Ativos/Passivos Balanço Patrimonial Item do BP 01/01/20XX 31/12/20XX Média Estoques R$ 2.450.000,00 R$ 3.000.000,00 R$ 2.725.000,00 Duplicatas a Receber R$ 5.210.000,00 R$ 6.500.000,00 R$ 5.855.000,00 Contas a Pagar R$ 3.600.000,00 R$ 4.252.000,00 R$ 3.926.000,00 Tabela 2 – Demonstrativo de Resultados do Exercício no Ano DRE ROL R$ 29.200.000,00 CMV R$ 21.560.000,00 O Giro de Estoques considera o Custo da Mercadoria Vendida (CMV) sobre a variação média dos Estoques no ano (Estoque no começo do ano mais o Estoque no final 87 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância do ano, dividido por 2), esse indicador nos diz quantas vezes, em média, a empresa vende todo seu estoque e, depois, repõe ele ao longo do ano. CMV/EM CMV Estoque Médio GE Giro de Estoque R$ 21.560.000,00 R$ 2.725.000,00 7,9 Com o Giro de Estoque, podemos calcular o Prazo Médio de Renovação de Estoques – PMRE. Esse indicador leva em conta o Giro de Estoques e os dias do ano civil (que no Brasil é de 360 dias), seu resultado nos diz quantos dias levam, em média, para a empresa vender e renovar totalmente seus estoques, ou seja, 46 dias. PMRE = 360/GE Período do Ano Giro de Estoques PMRE em dias PMRE 360 7,9 46 Com o PMRE calculado já temos o nosso primeiro Ciclo, o Econômico. Agora, vamos calcular o PMRV, o prazo médio de recebimento de vendas, que vai nos dizer quanto tempo leva para a empresa realizar e receber o dinheiro referente às vendas, ou seja, é uma estimativa do tempo em que a empresa oferece de financiamento aos seus clientes. A soma do PMRE com o PMRV nos dará o Ciclo Operacional, que vai da compra e recebimento das mercadorias/estoques até o recebimento do dinheiro referente às vendas. Sendo assim, precisamos calcular a média de Duplicatas a Receber (ou Contas a Receber), que se dá pela soma da subconta do Ativo Circulante, Duplicatas a Receber no começo do ano e no fim do ano, depois, dividir por 2, obtendo, assim o DRM. Em seguida, vamos utilizar o valor das vendas líquidas da empresa (ROL) obtido na DRE e dividir esse valor pelo DRM que calculamos há pouco, o resultado vai nos o RDR – Rotatividade de Duplicatas a Receber – esse indicador vai nos dizer quantas vezes a empresa recebe pelas suas vendas a prazo ao longo do ano. 88 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância RDR = ROL/DRM ROL DRM RDR Rotatividade de DR R$ 29.200.000,00 R$ 5.855.000,00 5,0 Em seguida, com o valor de RDR podemos calcular o prazo médio de recebimento de vendas da empresa em dias, o PMRV, ou seja, quanto tempo, em média, a empresa leva para receber os pagamentos referentes às suas vendas realizadas a prazo. Em outras palavras, é o período em que a empresa fica a descoberto, o período que ela fornece de crédito aos seus clientes (financiamento concedido) logo, vende a mercadoria, mas não recebe por ela – por isso o termo a descoberto, nesse período ela depende de seu caixa para arcar com os gastos operacionais. A conta é bem simples, basta dividir 360 (período do ano) pela RDR, o resultado será em dias. PMRV = 360/RDR Período do Ano RDR PMRV em dias PMRV 360 5 72 Assim, temos agora o PMRV e o PMRE, somando os dois valores, vamos ter o tempo referente ao ciclo operacional: 46 dias (PMRE) + 72 dias (PMRV) = 118 dias de Ciclo Operacional. Com esse valor sabemos, portanto, o tempo que leva para a empresa receber seus estoques, vendê-los, entregá-los e receber o dinheiro das vendas. Mas, apenas essa informação não nos é suficiente, ela é a base, pois nos diz o período total, poderíamos, inclusive, cair no erro de assumir que o período de necessidade de capital de giro da empresa é igual ao ciclo operacional, afinal, é o período em que a empresa vende, mas não recebe, logo, nesse meio tempo ela vai ter que ter uma reserva de caixa para arcar com seus gastos e pagar pelos estoques adquiridos no começo do ciclo. Tal pensamento está correto, mas não totalmente, pois, da mesma maneira que a empresa vende a prazo, ela pode vir a comprar a prazo junto aos seus fornecedores, ou seja, parte desse período do ciclo operacional ela não terá os gastos com fornecedores, assim sendo, precisamos descontar esse tempo do ciclo operacional para encontrarmos o Ciclo de Conversão de Caixa, ou, Ciclo Financeiro. 89 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância A conta envolve calcular o PMPC – Prazo Médio de Pagamento de Compras – que, por sua vez, envolve calcular o quanto a empresa gastou com Compras ao longo do período, o que exige uma conta prévia. Calcular o Montante de Compras envolve calcular a variação de Estoques no Período, ou seja, o saldo entre Estoque no início do BP e Estoque no final, além disso, soma-se o valor de CMV e o resultado é o montante de Compras. C= CMV + Ei – Ef CMV Ei – Ef Compras Compras R$ 21.560.000,00 -R$ 550.000,00 R$ 21.010.000,00 Em seguida, devemos calcular o saldo médio de Contas a Pagar (ou Fornecedores) mediante uma soma dos valores de Contas a Pagar no BP do início e do fim e depois dividindo por 2, assim obtendo o CPM. Por fim, basta multiplicar o CPM por 360 (período do ano) e dividir o resultado montante de Compras, assim, obtendo o PMPC em dias. Esse valor nos diz, em média, quanto tempo a empresa leva para pagar suas obrigações a prazo, ou seja, o período que ela recebe de financiamento de seus fornecedores (financiamentos obtidos). CPM*360/Compras CPM Compras PMPC em dias PMPC R$ 3.926.000,00 R$ 21.010.000,00 67 Agora sim, temos todas as informações necessárias para calcular o período de Necessidade de Capital de Giro, ou seja, o Ciclo Financeiro pela fórmula: PMRE+PMRV – PMPC 46 dias + 72 dias – 67 dias = 51 dias. Ou seja, a empresa precisa ter dinheiro a sua disposição por 51 dias, o chamado Ciclo de Caixa positivo. 90 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Ciclo Positivo vs. Ciclo Negativo do Capital de Giro No exemplo acima, vimos um exemplo de um ciclo de capital de giro positivo ou ciclo de caixa positivo. Às vezes, porém, as empresas desfrutam de um ciclo de capital de giro negativo, em que elas coletam dinheiro mais rapidamente do que pagam as contas. Continuando com o exemplo acima, imagine agora que a empresa decide se tornar um negócio “somente em dinheiro” com seus clientes. Ao aceitar apenas dinheiro (sem cartões de crédito ou condições de pagamento), seus dias de contas a receber se tornam 0. Usando a mesma fórmula para calcular o Ciclo de Conversão de Caixa: PMRE = 46 PMRV = 0 PMPC = 67 CCC = 46 + 0 – 67 = – 21 Agora, isso significa que a empresa recebe pagamento de clientes 21 dias antes de pagar seus fornecedores/obrigações. Capital de Giro Líquido e o Demonstrativo de Fluxo de Caixa Já discutimos ao longo do curso que existem diversos nomes para capital de giro e sua relação com o caixada empresa, porém, alguns analistas têm o hábito de montar o DFC com uma subcategoria Alterações no Capital de Giro. Embora a definição de capital de giro para o livro didático seja o ativo circulante menos o passivo circulante, os profissionais de finanças também se referem ao subconjunto de capital de giro vinculado a atividades operacionais no DFC como capital de giro não monetário ou capital de giro líquido (aquele que desconsidera empréstimos e caixa). Os itens de capital de giro do balanço patrimonial incluem ativos e passivos operacionais e não operacionais, enquanto a seção “mudanças no capital de giro” da demonstração do fluxo de caixa inclui apenas ativos e passivos operacionais e a seção informalmente denominada “mudanças no capital de giro” da demonstração do fluxo de caixa incluirá alguns ativos e passivos não circulantes (e, portanto, excluídos para a definição de capital de giro), desde que estejam associados às operações. 91 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Assim como o nome sugere, o capital de giro é o dinheiro que a empresa precisa "trabalhar". Portanto, qualquer caixa utilizado ou fornecido pelo capital de giro é incluído na seção "fluxos de caixa das atividades operacionais". • Se o saldo de um ativo aumentar, o fluxo de caixa das operações diminuirá. • Se o saldo de um ativo diminuir, o fluxo de caixa das operações aumentará. • Se o saldo de um passivo aumentar, o fluxo de caixa das operações aumentará. • Se o saldo de um passivo diminuir, o fluxo de caixa das operações diminuirá. Assim sendo, quando estiverem analisando um DFC, tenham ciência de que a categoria alterações no capital de giro considera apenas as alterações em: Estoques, Contas a Receber e Contas a Pagar. Enquanto Investimentos (que vão reduzir o Caixa e Disponibilidades) em equivalentes de caixa ou CaPex vão surgir na aba Fluxo de Caixa de investimentos. Por fim, na aba Fluxo de Caixa Atividades de financiamento vão evidenciar os empréstimos e financiamentos (que também fazem parte do capital de giro). Concluindo, a DFC sofre as alterações do capital de giro, mas sem a devida atenção, pode ser, erroneamente, utilizado para o cálculo de capital de giro. 92 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 9. ORÇAMENTO DE CAIXA Introdução Orçamento de caixa é a previsão para um determinado período futuro do fluxo de entradas e saídas de dinheiro na empresa. Incluem-se nesta previsão todos os ativos de liquidez imediata: dinheiro em caixa, saldos disponíveis em bancos e aplicações a curto prazo em Letras do Tesouro Nacional (por serem de liquidez imediata). Os objetivos da previsão de caixa são: 1) assegurar a disponibilidade de fundos em qualquer situação para fazer frente ao pagamento das despesas correntes: 2) informar eventuais faltas de dinheiro com tempo suficiente para procurar as fontes de financiamento mais convenientes; 3) informar de futuros excessos de dinheiro para planejamento de aplicações com o máximo proveito possível. O controle e previsão dos fluxos e do nível de caixa é essencial à empresa, pois, é com dinheiro que se culmina o ciclo de transações comerciais, e qualquer transação em qualquer setor da empresa afetará diretamente o caixa em um maior ou menor tempo 12 . Cada venda representará uma entrada imediata ou futura e cada compra ou compromisso assumido, um desembolso imediato ou futuro. Isto pois, uma empresa realiza uma série de atividades cíclicas que começam e acabam pelo caixa (compras, produção, vendas, cobrança, pagamentos). Existe uma íntima ligação entre alterações nos níveis ou na composição do capital de giro e o comportamento dos fluxos d entrada e saída do caixa 13 . Uma redução do prazo de vendas levará a uma aceleração do fluxo de entradas provocando excesso de caixa. Efeito contrário, temos com um aumento no prazo de vendas. Uma redução no prazo de compras leva a um aumento das saídas em determinado período, causando falta de caixa. Um aumento no prazo de compras “atrasa” as saídas levando a excesso de caixa. Ou seja, os fatores que tendem a diminuir a necessidade de capital de giro (do ponto de vista dinâmico) causam sobra de caixa. Aqueles que tendem a aumentar a necessidade de capital de giro causam falta de caixa. É necessário lembrar que o capital de giro em certo 12 Como ún ica exceção poder í amos pensar na t roca ent re duas merc ador ias , e l im inando -se ass im a in termediação do d inhe i ro . 13 - Laé rc io B isseto – “Noções Bás icas de Capi ta l de G i ro ” - CTAE – UNICAMP, mímeo, 1982. 93 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância instante não é somente composto de dinheiro. Portanto, alterações na composição do capital de giro que alterem o prazo de transformação dos seus componentes em dinheiro mudam o fluxo de entradas. Por exemplo, dada uma certa necessidade constante de capital de giro, uma alteração da sua composição com um aumento dos níveis de estoque compensado com uma redução do saldo de contas a receber levará à falta de caixa no curto prazo.14 Reforçando Por meio da gestão do capital de giro, o gestor financeiro tenta administrar os ativos circulantes, o passivo circulante e avaliar a inter-relação existente entre eles, ou seja, envolve a relação entre os ativos de curto prazo de uma empresa e o passivo de curto prazo. O objetivo da gestão de capital de giro é implantar essa quantidade de ativos circulantes e passivo circulante, de modo a maximizar a liquidez de curto prazo, isso envolve gerir de estoques, contas a receber, contas a pagar, assim como caixa ocioso. Assim sendo, tentar prever as saídas e entradas de caixa na empresa é primordial para poder realizar um planejamento e gestão do capital de giro eficiente. Os dois fluxos que compõem o movimento de caixa são chamados: 1) fluxo positivo, ou de embolso ou de entradas e 2) fluxo negativo, ou de desembolso ou de saídas. Estes dois fluxos obedecem primeiramente a razões operacionais determinadas pelos níveis e composição do capital de giro (entradas e saídas de dinheiro causados pelo ciclo operacional da empresa). Primeira razão, exemplo: • Fluxo de entradas: - vendas à vista; ◦ recebimento (cobrança) de vendas a prazo; ◦ outros pequenos recebimentos. • Fluxo de saídas: - pagamento a funcionários; ◦ pagamentos a fornecedores; ◦ pagamento ao governo (IAPAS, impostos); 14 - Ver t ambém Bac ic M. – “Carac ter iz ação do Capital de Giro”, CTAE, UNICAMP, mímeo, 1982. 94 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância ◦ pagamentos normais aos sócios (pró-labore) ◦ pagamento de seguros; ◦ pagamento de despesas diversas. Uma segunda razão de movimentação de caixa tem haver com a formação ou liberação de ativo fixo. • Fluxo de entradas: - venda de ativo fixo • Fluxo de saídas: - pagamento de ativo fixo. Finalmente uma terceira razão de movimentação do caixa surge da composição da estrutura de capital da empresa e da forma em que é financiada. • Fluxo de entradas: - aumento de capital ◦ empréstimos bancários ◦ descontos de duplicatas ◦ recebimento de juros ◦ recebimento de dividendos • Fluxos de saídas: - pagamento de dividendos ◦ distribuição de lucros aos sócios ◦ pagamento de juros bancários ◦ pagamento do principal empréstimo bancário A previsão do fluxo de caixa é realizada utilizando-se três cortes temporais: 1. Curto prazo: previsão normal com temporalidade diária para a primeira semana e semanal para as próximas 4 semanas. 2. Médio prazo: previsão anual, com temporalidade mensal que permite prever grandes oscilações do caixa durante o ano. Esta previsão é realizada conjuntamente ao orçamento anual da empresae abrange todo o período orçamentário; 3. Longo prazo: previsão quinquenal que faz parte da estratégia de investimento e expansão da empresa, manifestada nos planos a longo prazo. Esta previsão permite detectar necessidades de fundo a longo prazo permitindo planejar cuidadosamente a melhor forma de captar recursos. Este fluxo é auxiliar para 95 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância determinação do que pode ser feito na empresa e que programas podem ser mantidos, iniciados ou abandonados.15 9.1. Fluxo de Caixa de Curto Prazo É realizado alocando os fluxos conhecidos e previstos de entradas e saídas em dois mapas: 1) cronograma de entradas (anexo I); 2) cronograma de desembolsos (anexo II). A divisão temporal consiste numa previsão diária para os próximos 5 dias, e uma semanal para as próximas 4 semanas. Temos então um horizonte temporal máximo de 5 dias (A, B, C, D, E) e 5 semanas (1 a 5). Uma vez transcorrido o primeiro dia (dia A) os valores reais são atualizados: o segundo dia (dia B) toma o lugar do dia anterior deslocando- se os outros 3 dias uma posição para frente. O quinto espaço (dia E) é ocupado pelo primeiro dia da semana 2 (o valor desse dia é reduzido do valor total da semana 2). Uma vez transcorridos os 5 dias da semana A, a semana B toma o seu lugar e a semana 3 ocupa o lugar da 2, ocorrendo sucessivos deslocamentos abrindo espaço para entrada dos dados de mais uma semana. Tendo preenchido os dados do cronograma de entradas e saídas elabora-se a previsão do fluxo de caixa (anexo III). As filas desta previsão são: • saldo anterior: corresponde ao saldo em caixa ou banco (contas disponíveis) do dia da semana anterior; • entradas: valor obtido do cronograma de entradas; • (-) saídas: valor obtido do cronograma de saídas; • (-) duplicatas descontadas: entradas que deveriam acontecer no dia ou semana, porém que não afetarão o fluxo de caixa dado que foram descontadas no passado; • disponível no dia: fluxo líquido diário ou semanal que se compara com o valor de saídas do dia (saldo anterior + entradas – duplicatas descontadas); • entrada por desconto: caso o fluxo do dia seja negativo (disponível – saídas) desconta-se duplicatas para equilibrar o fluxo; juros pagos: são alocados os juros ao ser descontada uma duplicata; 15 - Nes te t raba lho não t ra t aremos da técn ica de p reparação des te f luxo. 96 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância • (-) saídas por investimentos: lançam-se as saídas por aplicações em LTNs quando da existência de excesso de caixa; resgate investimento: representa o momento em que são resgatadas as LTNs; juros recebidos por aplicações: alocam-se aqui os juros ganhos por investimentos em LTNs. Exemplo: suponhamos a seguinte situação: Saldo anterior 1.000 Entradas 3.000 (-) duplicatas descontadas (-) 2.000 Disponível do dia 2.000 (-) Saídas (-) 3.000 Déficit (-) 1.000 Para cobrir o déficit decide-se descontar uma duplicata a vencer em 30 d.d. (na semana 5) com um custo (juro + IOF) de 13% ao mês. O valor mínimo a descontar tem que cobrir o déficit e o custo do desconto, pois, este é pago adiantado. Valor a ser descontado: 1.000 = 1.136,37 1 - 0,12 Efetuam-se então os seguintes lançamentos: Entrada por desconto 1.136,37 (no dia) (-) Duplicatas descontadas 1.136,37 (na semana 5) Juros pagos 136,37 (no dia) Estas informações permitem manter uma previsão e um controle histórico das receitas e despesas financeiras (anexo IV). O horizonte temporal coberto por este mapa é superior a 30 dias, tempo mais que suficiente para a provisão de fundos e custos razoáveis, dado que as informações são geradas com antecedência suficiente para iniciar negociações com instituições financeiras, dando tempo, inclusive, a constituir saldos médios para obtenção das linhas de financiamentos desejadas. Por outra parte, a informação diária com horizonte de 5 dias 97 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância permite a programação detalhada, minimizando-se o risco de quebra ou de ociosidade de caixa. Quanto ao saldo diário final em caixa (dinheiro ou bancos conta disponível), o ideal é tentar minimizá-lo dado o custo implícito de desvalorização pela inflação16 . Como os fluxos de caixa a curto prazo são bem previsíveis, a melhor forma de operar é planejar um saldo diário em caixa e bancos extremamente reduzidos, investindo os ativos ociosos em ativos líquidos que geram algum rendimento (Letras do Tesouro Nacional) 17. Para dar cobertura a alguma defasagem inesperada entre os fluxos de entrada e saída é aconselhável manter em algum banco limites de crédito para poder operar a descoberto no curtíssimo prazo. Estes limites funcionam como reserva de dinheiro da empresa e devem ser administrados de forma tal que o juro acumulado pago aos bancos pela utilização dos limites seja menor que o rendimento acumulado das aplicações. Se chamamos: p: o período (em dias) de utilização do capital de terceiros; p’: período (em dias) de aplicações em LTNs; i: taxa diária de juros cobrados pelos bancos. a: taxa de rendimento diário obtido pela aplicação Mesmo sendo normalmente i > a, a condição favorável deverá ser: - p i < p’ a Pois, espera-se que p’ > p de forma que p.i < p’ Para operar com o sistema é necessário ter controladas as contas de movimento dos bancos, as contas a pagar e as contas a receber, constituindo-se um completo sistema de informações financeiras. Um excelente exemplo de um sistema desse tipo consta em um trabalho de Bisetto, Massei e Souza (1977)1, razão pela qual reproduzimos. 9.2. Movimento do Caixa (anexo V) Esse controle é bastante simples e deve ser preenchido diariamente. 16 - Ver : Mar t i ns E . e Assaf f Neto , Admin is t ração F inance i ra , A t las – 1985 e Bac ic M. Cons iderac iones Sobre la Admin is t rac ión Del Cap i ta l de Gi ro En Un Per iodo I n f lac ionar io . Esc r i tos Contab les , 1982. 17 - Nota-se que não é necessár io que as LTNs gerem rend im ento ac ima da in f l ação, o impor t ante é que gerem a lgum rend imento, dado que t ra ta -se da ap l i cação de a t i vos momentaneamente oc iosos que normalmente não ge ra r iam rend imento nenhum. Caso os recu rsos oc iosos não fossem momentâneos . E s im def in i t i vos , devem se r desv iados para out ras ap l i caç ões de cará ter produt ivo (que espera -se gerem um re to rno bem maior que as LTNs) . Não é is to que acontece a tua lmente no nosso país , onde as LTNs oferecem um rend imento super io r à i n f lação abso rvendo i nc lus i ve ap l i cações que de ver iam ter s ido enc aminhadas à es fera produt iva . 98 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Para facilidade de arquivamento, o cabeçalho contém, além da data, o número de ordem do controle. O preenchimento é simples, devendo-se registrar todo acontecimento que implique em entrada ou saída de dinheiro. No final tem-se os totais de entradas e de saídas. Para se obter o saldo atual deve-se somar o total de entradas com o saldo anterior e diminuir o total das saídas. À parte é feito o detalhamento do saldo atual, mencionando-se a parcela que está em dinheiro, em cheque, em vales, etc. 9.3. Controle de Bancos - Contas de Movimento (anexo VI) Esse modelo de ficha serve para controlar as contas de movimento dos bancos com os quais a empresa opera. Cada banco deve ter uma ficha e o controle deve ser fechado mensalmente. Os lançamentos devem ser feitos por ocasião de saques de cheques, recibos de depósitos,descontos de duplicatas, crédito de títulos em cobrança, débitos de contas, etc., ou seja, de todo e qualquer fato que altere o saldo da conta no banco em questão. Deve-se anotar a data do lançamento, o número do documento que serve de comprovante do lançamento, uma breve descrição do fato e depois colocar o valor na coluna de débito (quando a operação resulta num aumento do saldo) ou de crédito (quando a operação resulta numa diminuição do saldo). Imediatamente após deve-se calcular o novo saldo. Dessa forma a empresa tem, a qualquer momento, a posição de seu saldo em conta corrente em qualquer dos bancos com os quais opera. 9.4. Boletim Financeiro Diário (anexo VII) Esse é um controle típico da gerência da empresa; quer dizer, deve ser preparado pelo “Caixa” e remetido ao Gerente Financeiro. Constitui-se de uma sintetização dos movimentos diários de caixa e bancos e fornece à gerência as seguintes informações: 99 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância • posição dos recursos financeiros (caixa e bancos) nos dias de ontem e de hoje; • resumo das diferentes causas que motivaram entradas e saídas de dinheiro; • resumo do movimento diário de cada banco, inclusive com saldos. 9.5. Controle de Contas a Pagar (anexo VIII) Os compromissos da empresa devem ser controlados por mês de vencimento. Dessa forma, o controle proposto tem por fim colocar, numa mesma relação, todos os compromissos da empresa cujos vencimentos ocorram num mesmo mês. O preenchimento desse controle se dá em três momentos diferentes. O primeiro é quando a empresa assume o compromisso. Por exemplo, quando se efetua uma compra a prazo. Deve-se, então, anotar a data da emissão da duplicata, o seu número, o nome do credor, a data de vencimento e o respectivo valor. Num segundo momento a empresa é informada que o título deverá ser pago num determinado banco. Anota-se, portanto, na coluna “localização”, o nome do banco e o tipo de cobrança (título descontado, caucionado ou cobrança simples). Por último, quando o título for pago, anota-se a data do pagamento. 9.6. Controle de Duplicatas a receber (anexo IX) Da mesma forma que os compromissos, as duplicatas a receber devem ser controladas por mês de vencimento. Assim sendo, toda vez que a empresa emitir uma duplicata deverá anotar na ficha de controle do respectivo mês de vencimento, a data da emissão, o nome do cliente, o número da duplicata, o valor e o dia do vencimento. Se a empresa remeter o título para desconto, caução ou cobrança, deverá fazer as anotações nas colunas referentes à cobrança bancária. No caso de o título ser descontado, a empresa deverá registrar sua “baixa”, anotando a data da remessa; o motivo será o “desconto”. O controle desse título passará a ser feito através do “Controle de Duplicatas Descontadas”. 100 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Em caso contrário, isto é, quando a empresa não descontar o título, a baixa será dada quando o cliente efetuar o pagamento. 9.7. Controle de Duplicatas Descontadas (anexo X) Como foi mencionado no item anterior, as duplicatas descontadas são controladas separadamente das outras. Deve haver uma ficha para cada banco, de cujo cabeçalho consta também o limite para descontos. Por ocasião da remessa do borderô deverão ser anotados a data da remessa, o nome do cliente, o número da duplicata, o valor e o vencimento. Quando o banco devolver o borderô deve ser preenchida a coluna destinada ao número do banco. Quando o cliente saldar a duplicata, o fato deve ser registrado com a anotação da data do pagamento. As últimas duas colunas do impresso são destinadas ao controle do saldo (em valor) das duplicatas descontadas. Basta que, a cada remessa ou baixa, anote-se a data e o novo saldo. Esse controle é interessante porque, comparando-se o saldo atual com o limite para desconto, a diferença indicará o valor máximo que a empresa ainda dispõe para desconto no referido banco. 9.8. Informações Financeiras (anexo XI) Esse controle deve ser feito mensalmente pela contabilidade e enviado ao gerente financeiro. Seu objetivo é mostrar, com algum detalhamento, a atual situação financeira da empresa. A primeira parte demonstra a situação referente a duplicatas a receber, tanto vencidas quanto a vencer. Os dados devem ser obtidos no controle de duplicatas a receber (anexo IX). A segunda parte procura demonstrar a movimentação de pedidos de clientes. 101 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância A terceira parte refere-se aos compromissos da empresa, tanto vencidas quanto a vencer. Os dados são obtidos no controle de contas a pagar) anexo VIII). Depois, as informações referentes ao dinheiro disponível, tanto em caixa como nos bancos. O boletim financeiro diário (anexo VII) contém os dados necessários para o preenchimento dessa parte. Por último, as indicações referentes às operações de desconto de duplicatas. Para cada banco devem ser mencionados o limite operacional, a parcela já utilizada e o limite que ainda está disponível para desconto. Os dados devem ser obtidos no controle de duplicatas descontadas (anexo X). 9.9. Fluxo de Caixa no Médio Prazo (Previsão Anual) É preparado em conjunto com o orçamento de operação da empresa para o próximo ano. Tem divisões mensais (vide exemplo do anexo XII) 1 e mostra a previsão das oscilações de caixa em função das operações previstas pela empresa. Serão relevantes nas necessidades de caixa as seguintes variáveis: • nível de operações previstas; • composição de carteira de produtos (marketing mix); • prazo médio de compra; • prazo médio de vendas e recebimento das vendas; • prazo médio de produção; • política de estocagem (matéria prima, produtos acabados); • nível de despesas operacionais previstas. Trimestralmente será necessário efetuar revisões da previsão anual para atualizar e corrigir os dados. Esta revisão trimestral serve como elo de ligação com a previsão de caixa a curto prazo (mensal) pois, no primeiro trimestre de cada revisão entrarão os mesmos dados utilizados para efetuar a previsão mensal. Ao mesmo tempo, serve para alongamento do horizonte temporal da previsão mensal. 102 Gestão de Capital de Giro Universidade Santa Cecília - Educação a Distância ARNOLD, Glen; Corporate financial management Pearson, 4. edição. ASSAF NETO, Alexandre. Finanças corporativas e valor. São Paulo: Atlas, 2003. ASSAF NETO, Alexandre. SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do capital de giro. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2002. ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, Cesar Augusto Tibúrcio. Administração do Capital de Giro. Editora Atlas. 1995. BACIC, Miguel Juan. Complemento de análise econômico-financeira para estudantes de economia. Campinas. 2004 BERTI, Anélio. Análise do capital de giro: teoria e prática. São Paulo: Ícone, 1999. BISETTO, Laércio. Noções básicas de capital de giro Bacic M. – Caracterização do Capital de Giro, CTAE, DEPE, UNICAMP, (mimeo) 1980 Bacic M. – Consideraciones sobre la Administración del Capital de Giro en un Periodo Inflacionario, Escritos Contables n. 29, Universidad Nacional del Sur, Argentina, 1982. Bisetto L. Massei W., Souza M. – Estudo de Caso Fábrica de Móveis Vila Rica Ltda., CTAE, DEPE, UNICAMP, mímeo, 1977.; Bisetto L. – Noções Básicas de Capital de Giro, CTAE, UNICAMP, mímeo, 1982; Cherry, R. - Introdução à Administração Financeira, Atlas. 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