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TRANSDUÇÃO DE SINAL DA INSULINA A insulina é uma proteína hidrofílica, e seu receptor, portanto encontra-se na superfície celular. Ela é uma proteína de função hormonal, formada por 51 resíduos de aminoácidos distribuídos em duas cadeias polipeptídicas: A – 21 Resíduos e B – 30 resíduos. Essas cadeias são unidas por duas pontes de dissulfeto. A insulina é produzida no pâncreas por um dos três agrupamentos de células endócrinas das ilhotas de Langerhans: as células β-pancreáticas. A insulina é sintetizada a partir de um precursor inativo: a pré-pró-insulina. No Retículo Endoplasmático Rugoso a pré- pró-insulina é convertida em pró-insulina, para isso, um segmento amino-terminal contendo 23 resíduos de aminoácidos, chamado de Sequência Sinalizadora, deve ser removido da molécula, é devem ser formadas as três ligações dissulfeto. No Complexo de Golgi, um segmento correspondente ao Peptídeo-C ou Peptídeo Conector é removido da molécula, formando a Insulina madura. A secreção da insulina pelas células β- pancreáticas ocorre principalmente em resposta à hiperglicemia. Essa liberação ocorre em minutos após a exposição das células β ao aumento da concentração de glicose no sangue. O limiar para a secreção é de aproximadamente 80mg de glicose%. Quando a concentração de glicose no sangue diminui, a insulina é removida do sangue, principalmente pelo fígado, e ali será degradada. Outros fatores podem estimular a secreção da insulina, mas a elevação de glicose no sangue é o principal estímulo. A liberação de insulina pelas células Beta ocorre principalmente em resposta à hiperglicemia. Antes de analisarmos esse processo é preciso entender que as células Beta-pancreáticas expressam um tipo de carreador de glicose chamado Glut-2 que possui baixa afinidade pela glicose. Isso significa que a glicose só vai entrar na célula Beta quando ela estiver em alta concentração no sangue. Além disso as células Beta-pancreáticas expressam a Glicoquinase, que é uma isoformas da Hexoquinase com menor afinidade pela glicose. Hexoquinase e Glicoquinase são enzimas que prendem a glicose dentro da célula pela adição de um fosfato no carbono 6 da glicose. Ou seja, a Glicoquinase só irá fosforilar a glicose quando a glicose estiver em alta concentração no interior das células. Quando a concentração de glicose aumenta no sangue, o transportador de glicose GLUT2, que está expresso nas células Beta-pancreáticas, consegue colocar a glicose para dentro da célula, já que ele é um transportador de baixa afinidade pela glicose. A glicose, uma vez em alta concentração dentro da célula, pode ser fosforilada pela Glicoquinase, que é uma enzima que tem baixa afinidade pela glicose. A Glicose-6- fosfato é o produto dessa reação e ela será direcionada para a via glicolítica; a glicose é oxidada, aumentando a concentração de ATP no interior da célula, e esse aumento de ATP irá fechar canais de potássio (K-) controlados por ATP que estão presentes na membrana plasmática da célula beta, isso provoca uma redução no efluxo de potássio, causando uma despolarização da membrana. A despolarização da membrana irá causar a abertura de canais de Cálcio (Ca2+) que são voltagem dependente, havendo a entrada de Calcio para o interior da célula, aumentando a concentração de Cálcio citosólico. Esse aumento da concentração do Calcio no citosol vai desencadear a liberação de insulina por Exocitose. A Sulfonilureia e o Glinide são drogas usadas no tratamento do diabetes tipo 2, eles ligam-se a uma subunidade do canal de potássio chamada SUR1 fechando esse canal e estimulando a liberação de insulina pelas células Beta-pancreáticas. A insulina é liberada em resposta à Hiperglicemia, e a sua ação é HIPOGLICEMIANTE. Nessa tabela podemos acompanhar os efeitos da insulina sobre a glicose sanguínea. Ela vai por exemplo aumentar a captação da glicose no músculo e no tecido adiposo, aumentando a disponibilidade de transportadores GLUT4 na membrana dass células musculares e nas célula adiposas; Ela vai aumentar a captação de glicose no fígado, aumentando a expressão da Glicoquinase nesse tecido; ela aumenta a síntese de glicogênio no fígado e no músculo, afetando a enzima marcapasso dessa rota; Ela vai aumentar a via glicolítica no fígado e no músculo, afetando as enzimas marcapasso dessa rota metabólica; Ela aumenta a produção de ácidos graxos no fígado a partir do excesso de glicose; E a produção de Triacilglicerol a partir desses ácidos graxos, afetando enzimas marcapasso dessas rotas metabólicas. Estimulação da fosforilação de certas enzimas diferentes das estimuladas pelo glucagon; O Receptor da Insulina é do tipo Tirosina-cinase, Ele pertence à uma família de receptores que possuem atividade catalítica do tipo Cinase, fosforilando substratos em resíduos de Tirosina específicos. O receptor da insulina é formado por duas subunidades α e duas subunidades β. As subunidades Alfa projetam-se para fora da célula e possuem o domínio de ligação para a insulina. As subunidades Beta entrelaçam-se na subunidade Alfa, atravessam a membrana em uma estrutura em α-hélice, e projetam-se para o interior da célula. Os domínios intracelulares é que possuem a atividade catalítica do tipo Tirosina-cinase, podendo fosforilar resíduos específicos de Tirosina das suas proteínas alvo. Quando a insulina se liga à subunidade Alfa, ocorre uma ativação das subunidades Beta, cada cadeia Beta irá fosforilar três resíduos de Tirosina C-terminal da outra subunidade. Esse processo é chamado de Auto fosforilação. Essa auto fosforilação expõe o sítio ativo da enzima, permitindo então que ela fosforile os resíduos de tirosina de suas proteínas alvo. Na figura C podemos ver em detalhe o sítio ativo da subunidade Beta, ele está bloqueado por essa alça que contém os resíduos de Tirosina não fosforilados. Quando ocorre a fosforilação dos resíduos de tirosina, essa alça é deslocada e o sítio ativo é exposto, e a enzima agora está livre para atuar sobre os resíduos de tirosina das suas proteínas alvo. Substrato IRS: Uma vez fosforilado em seus resíduos de Tirosina-específicos pelos domínios catalíticos da subunidade Beta do receptor de Insulina, o IRS poderá ativar três cascatas de transdução de sinal, dependendo da célula e das necessidades da célula. Nós estudaremos a cascata da PI3K-Cinase (Fosfatidil Inositol 3 cinase), que está envolvida por exemplo, com o recrutamento de transportadores GLUT4 nos tecidos onde a entrada de glicose é insulinodependente, bem como com a ativação da síntese de glicogênio no fígado, por exemplo. Uma vez fosforilado o IRS irá ligar-se à enzima PI3K, ativando essa enzima. Ela por sua vez irá associar-se à um lipídio de membrana PIP2 (Fosfatidil Inositol 4,5 Bis- Fosfato) fosforilando esse lipídio e transformando-o em Fosfatidil Inositol 3,4,5 Tris-Fosfato (PIP3). As enzimas PDK1 e PKB irão ligar-se às moléculas de PIP3 na membrana, essa ligação ativa a PDK1 que irá fosforilar e ativar a PKB. A PKB Fosforilada e ativada dissocia-se da membrana, podendo agora fosforilar e ativar seus substratos na célula. Síntese do Glicogênio (Fígado e Músculo) Promovida pela insulina a partir da Cascata da PI-3K PKB. A enzima que regula a síntese do glicogênio é a Glicogênio-sintase, que é uma enzima regulada por fosforilação. Ela estará ativa na forma Defosforilada. A enzima que fosforila e inativa a Glicogênio-sintase é a GSK3. Que também estará ativa na forma defosforilada. Quando a GSK3 fosforila a Glicogênio-sintase, ela inativa essa glicogênio-sintase, não ocorrendo então a síntese do Glicogênio. Quando a Insulina liga-se ao seu receptorocorre a ativação do IRS → PI3K→ PKB (que irá fosforilar e inativar a GSK3) Uma vez inativada a GSK3 ela não poderá fosforilar e inativar a glicogênio-sintase, dessa forma ocorre então a síntese do glicogênio. Células Adiposas, musculares esqueléticas e Cardíacas expressam um tipo de transportador de glicose chamado de GLUT4. Esse transportador é sensível à ação da insulina. Na presença de insulina, há um aumento do número dos GLUT4 na superfície/membrana das células. O recrutamento dos transportadores GLUT4 para a membrana das células adiposas, muscular cardíaca e muscular esquelética ocorre por meio da cascata PI3K. Essa Cascata vai ativar a PKB, e a PKB vai promover a exocitose desses transportadores, eles estão em vesículas membranosas e essas vesículas então se fundem com a membrana plasmática da célula, expondo esses transportadores na superfície, aumentando a sua concentração na membrana. Com isso há um aumento da captação de glicose por essas células. Quando há um aumento da relação Glucagon- Insulina, como no estado de jejum ou no Diabetes, há a endocitose desses Glut4, que vão ficar escondidos dentro das células nas vesículas membranosas, comprometendo assim a captação de glicose por esses tecidos. No caso do diabetes, esse fator irá contribuir para a hiperglicemia, observada desses pacientes.