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Monitoria Fisiologia T5- 22/04/2025 Monitora: Larissa Resende Oliveira RA: 12326268 Professor: Carlos Alberto Silva Controle glicêmico Glicose → sangue as células captam substratos para metabolização Exemplo: a captação da glicose ocorre via transportadores de glicose (GLUT) Glicose e Transportadores GLUT -A glicose entra nas células através de “portas” chamadas GLUTs (transportadores de glicose). -Quando o corpo precisa de mais energia (como durante exercícios), ele aumenta a quantidade dessas portas (isso se chama upregulation). -Quando tem açúcar demais no sangue por muito tempo, o corpo pode diminuir essas portas (downregulation) como forma de proteção. E os Gluts tem sua especifidade. No epitélio intestinal: transportadores de glicose, frutose, proteínas. Três tipos principais de transportadores de aminoácidos nas células: - transporte ativo: dependentes de sódio, tem gasto energético, contra o gradiente de concentração. Ex: bomba de sódio e potássio. Joga sódio pra fora da célula e potássio para dentro. - difusão facilitada: independentes de sódio, são substâncias com carga que utilizam ajuda de proteínas pra entrar (glicose- GLUT) menor concentração → maior concentração - transportadores de peptídeos (PEPT1) Pâncreas tem duas funções: →Exócrina: libera enzimas digestivas. •AMILASE: Digestão de carboidratos, ex. amido •LIPASE: Digestão de gorduras •QUIMOTRIPSINOGÊNIO: Forma a quimotripsina, que digere proteínas •NUCLEASES: Digestão de ácidos nucleicos →Endócrina: controla o açúcar no sangue através das ilhotas pancreáticas, que têm: - Células beta: produzem insulina (baixa o açúcar). - Células alfa: produzem glucagon (aumenta o açúcar). - Células delta (D): somatostatina - Células PP (F): secreta um polipeptídeo pancreático Quando comemos e o nível de açúcar sobe, as células beta liberam insulina. A insulina ajuda a glicose a entrar nas células, especialmente nos músculos e fígado. Isso ajuda a armazenar energia e reduzir o açúcar no sangue. OBS! Como o pâncreas “sente” a glicose aumentando? A glicose entra na célula beta pelo GLUT2, é quebrada e vira ATP, os canais de potássio K+ dependentes de ATP (K_ATP). O aumento do ATP fecha esses canais impedindo o potássio de sair, a célula fica despolarizada (mais positiva por dentro). A despolarização abre canais de cálcio (Ca²⁺). O cálcio entra na célula estimula a liberação de insulina que está armazenada em vesículas dentro da célula. Medicamentos: Remédios como glibenclamida, glimepirida e outros estimulam as células beta a liberar mais insulina. Atuam fechando canais de potássio, o que gera uma “corrente elétrica” que ativa os canais de cálcio — e isso leva à liberação de insulina. A insulina se conecta a um receptor na membrana da célula. Isso ativa várias “cascatas” dentro da célula que aumentam o uso e o armazenamento de glicose, estimulam a síntese de proteínas e gorduras, reduzem a quebra de proteínas e gorduras. FUNÇÕES DA INSULINA 1. AUMENTA A CAPTAÇÃO DE GLICOSE A insulina é como uma “chave” que abre a porta da célula para a glicose entrar. ➡ Quando a insulina se liga à célula, ela faz os transportadores GLUT4 irem até a membrana e puxarem a glicose do sangue pra dentro da célula. 2. AUMENTA A FORMAÇÃO DE RESERVAS DE GLICOGÊNIO- gliconeogênese Depois que a glicose entra, a insulina ajuda a guardar o excesso como glicogênio, que é uma forma de “estoque de açúcar” no fígado e nos músculos. 3. AUMENTA A GERAÇÃO DE ENERGIA - ATP Com a glicose dentro da célula, ela é quebrada e vira energia (ATP). ➡ A insulina facilita esse processo ajudando a glicose a entrar e ser usada para produzir energia. 4. AUMENTA A FORMAÇÃO DE TRIGLICERÍDEOS Se tiver glicose demais, o corpo entende que é hora de armazenar energia em forma de gordura (triglicerídeos). ➡ A insulina ativa enzimas que transformam a glicose em gordura para ser guardada no tecido adiposo (gordura do corpo). 5. AUMENTA A CAPTAÇÃO DE AMINOÁCIDOS A insulina também faz com que as células puxem mais aminoácidos do sangue. ➡ Isso é importante para crescimento muscular e reparo dos tecidos. 6. AUMENTA A SÍNTESE PROTEICA Com mais aminoácidos dentro da célula, a insulina ativa o sistema que constrói proteínas novas. ➡ Isso ajuda no crescimento, na regeneração e no fortalecimento dos músculos e outros tecidos. GLUCAGON Baixo nível de glicose no sangue (hipoglicemia) ex :Quando você está em jejum, dorme, ou fica muito tempo sem comer As células beta diminuem a liberação de insulina, e isso remove o “freio” sobre as células alfa, que então começam a liberar glucagon. As células alfa sentem a falta de glicose e recebem sinais (como menos ATP). Glicose baixa → Pouco ATP → Canais K_ATP ficam abertos parcialmente, mas outros canais iônicos entram em jogo. Nessa situação, a célula alfa pode ficar em um estado de oscilação elétrica que permite a entrada de cálcio, mesmo com menos ATP. Essa entrada de cálcio desencadeia a liberação de glucagon. →vai pra corrente sanguínea, fígado é o principal alvo. Efeitos no fígado (hepáticos): O glucagon ativa receptores específicos (acoplados à proteína G) e gera efeitos como: Glicogenólise: Quebra do glicogênio (reserva de glicose) em moléculas de glicose que vão para o sangue. Gliconeogênese:Produção de glicose nova a partir de aminoácidos, lactato e glicerol. Lipólise (indiretamente): Estimula a quebra de gordura para gerar energia. Assim, a glicose no sangue aumenta, energia é mantida em períodos de jejum. Quando a glicose sobe de novo, a secreção de glucagon diminui, e o corpo entra em equilíbrio novamente. QUESTÕES 1. Qual dos transportadores de glicose está presente nas células beta pancreáticas e é essencial para o reconhecimento da glicose? A) GLUT1 B) GLUT2 C) GLUT3 D) GLUT4 2. A insulina é produzida por quais células nas ilhotas pancreáticas? A) Células alfa B) Células delta C) Células beta D) Células PP 3. A função da insulina inclui todas as alternativas abaixo, exceto: A) Estimular a lipogênese B) Aumentar a gliconeogênese hepática C) Estimular a síntese proteica D) Inibir a proteólise 4. Em relação aos canais de potássio (K⁺) nas células beta, qual das alternativas está correta? A) A abertura desses canais leva à liberação de insulina B) O fechamento desses canais reduz a entrada de cálcio C) O fechamento dos canais K⁺ causa despolarização da célula D) Esses canais não são influenciados pelos níveis de ATP 5. O hormônio glucagon é secretado por qual tipo celular? A) Células delta B) Células beta C) Células alfa D) Células PP 6. O que desencadeia a liberação de insulina nas células beta pancreáticas? A) Entrada de sódio na célula B) Abertura dos canais de potássio C) Aumento da concentração de ATP e fechamento dos canais K⁺ D) Ativação direta do receptor de glucagon 7. Qual o efeito da insulina sobre os transportadores de glicose GLUT4? A) Inibe sua produção B) Remove GLUT4 da membrana C) Promove a translocação de GLUT4 para a membrana D) Estimula a degradação dos GLUTs 8. A ação da insulina não inclui: A) Inibição da glicogenólise B) Aumento da lipólise C) Estímulo à captação de aminoácidos D) Promoção da síntese de glicogênio 9. Qual enzima é responsável por digerir carboidratos na função exócrina do pâncreas? A) Lipase B) Tripsina C) Amilase D) Nuclease 10. Qual dos medicamentos abaixo age bloqueando os canais K_ATP nas células beta, promovendo a liberação de insulina? A) Diazóxido B) Repaglinida C) Somatostatina D) Insulinase 11. Qual substância promove o fechamento dos canais de potássio dependentes de ATP nas células beta? A) Glucagon B) ADP C) Glicose D) ATP 12. Em relação ao efeito intracelular da insulina, qual é o papel da via IRS-PI3K-AKT? A) Aumentar a lipólise B) Inibir a translocação do GLUT4 C) Estimular transporte de glicose e síntese de proteínas D) Promover secreção de glucagon13. Qual a principal ação do glucagon durante o jejum? A) Estimular a captação de glicose pelas células musculares B) Promover a lipogênese no fígado C) Estimular glicogenólise e gliconeogênese hepática D) Inibir a secreção de insulina pelas células beta 14. A insulina ativa receptores do tipo: A) Receptores G-proteína acoplados B) Receptores tirosina-quinase C) Receptores ionotrópicos de sódio D) Receptores acoplados ao cAMP 15. Qual é o efeito das sulfonilureias nas células beta pancreáticas? A) Atuam como agonistas do receptor de glucagon B) Aumentam a secreção de somatostatina C) Fecham canais K_ATP e promovem liberação de insulina D) Inibem a glicose de entrar na célula Casos clínicos 1.João, 23 anos, estudante universitário, acordou atrasado e saiu de casa sem tomar café da manhã. Sua primeira refeição foi apenas às 13h, quando almoçou arroz, feijão, bife e suco. Após o almoço, ele voltou para a aula e passou a tarde estudando, sem fazer exercícios físicos. Com base nesse cenário, responda: Qual hormônio teve predominância no organismo de João durante a manhã, em jejum?Explique como esse hormônio é liberado. Qual hormônio foi ativado após o almoço? Explique como esse hormônio é liberado. 2.Paciente: Marina, 56 anos, diabética tipo 2 controlada com dieta e metformina. Ela está em consulta de rotina e relata que, nos últimos dias, tem feito atividades físicas em jejum pela manhã (caminhada leve de 40 minutos). Após o exercício, toma um café da manhã rico em carboidratos (pão francês, suco e frutas). Durante o exame, relata que sentiu tontura e sudorese ao final da caminhada de hoje, mas melhorou após comer. Com base nesse quadro, analise as fases metabólicas e hormonais de Marina: Qual hormônio predominava durante o exercício em jejum? Qual hormônio teve aumento de secreção após o café da manhã? Qual o mecanismo fisiológico provável para os sintomas relatados ao fim da caminhada? 3.Juliana, 42 anos, fez uma dieta cetogênica nas últimas 48 horas, com baixa ingestão de carboidratos e jejum intermitente de 16 horas. Durante esse período, apresentou sintomas leves como tremores, cansaço e fome intensa. A glicemia de jejum foi de 68 mg/dL. Explique: O que acontece com os níveis de glucagon nesse contexto? Quais são os mecanismos fisiológicos ativados pelo glucagon no fígado? Por que a liberação de glucagon é importante nesse tipo de dieta? Gabarito 1.B 2.C 3.B 4.C 5.C 6.C 7.C 8.B 9.C 10.B 11.D 12.C 13.C 14.B 15.C Caso 1:Pela manhã (jejum): glicose baixa → liberação de glucagon para manter a glicemia via glicogenólise e gliconeogênese. Após o almoço: glicose sobe → liberação de insulina para reduzir a glicemia e armazenar energia. A glicose entra na célula beta por GLUT2, é metabolizada, gera ATP, que fecha os canais K⁺ ATP-dependentes, despolariza a membrana, abre canais de cálcio e leva à secreção de insulina. A insulina aumenta a captação de glicose (via GLUT4) em tecidos como músculo e tecido adiposo e estimula a síntese de glicogênio no fígado, promovendo redução da glicemia. Caso 2:Durante o exercício em jejum, Marina apresenta baixa disponibilidade de glicose, então o corpo aumenta o glucagon para manter a glicemia via glicogenólise e gliconeogênese. Após o café rico em carboidratos, a glicose sobe e o pâncreas libera insulina. A tontura e sudorese são sinais clássicos de hipoglicemia leve, causada provavelmente pela diminuição das reservas hepáticas de glicogênio (comuns em jejum + exercício), especialmente em uma pessoa com diabetes tipo 2. Caso 3:O jejum e a baixa ingestão de carboidratos causam redução da glicose plasmática, o que estimula a secreção de glucagon pelas células alfa do pâncreas. O glucagon ativa receptores no fígado que promovem glicogenólise (quebra do glicogênio) e gliconeogênese (produção de glicose a partir de aminoácidos e outras fontes). A liberação de glucagon é crucial para manter níveis mínimos de glicose no sangue e fornecer energia ao cérebro, especialmente em dietas com restrição severa de carboidratos.