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APOSTILA-COMPLETA-GEOMORFOLOGIA-GERAL

Aula de Geomorfologia Geral: história e evolução de conceitos sobre relevo; aborda teoria da pediplanação, equilíbrio dinâmico, teoria probabilística e processos exógenos, endógenos e tectônicos na modelagem do relevo.

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GEOMORFOLOGIA GERAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olá! 
 
 
 
 
A Geomorfologia é uma área das Ciências da Terra responsável pelo estudo das 
formas superficiais de relevo, tanto em suas fisionomias atuais quanto em seu 
processo geológico e histórico de formação e transformação. Entender os ciclos da 
geomorfologia e suas magnitudes é essencial para a análise dos processos ligados à 
configuração do relevo e para a compreensão da sua evolução. Os ciclos também são 
fundamentais para sistematizar dados e informações sobre a complexidade das 
formas do planeta. É um conteúdo importante para revelar informações e aprender 
sobre esse campo instigante da geografia física. 
 
Nesta aula, você vai conhecer os principais componentes e ideias desenvolvidos ao 
longo do tempo para o entendimento dos ciclos da geomorfologia e suas magnitudes. 
Também serão tratados os principais processos superficiais, exógenos e endógenos 
do planeta Terra, assim como os processos da geomorfologia tectônica para a 
compreensão das dinâmicas de formação de relevo e das formas geológicas 
terrestres. 
 
BONS ESTUDOS! 
 
GEOMORFOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
Mait Bertollo 
Histórico, evolução dos 
conceitos e perspectivas 
de estudo II 
 
 
Objetivos de aprendizagem 
 
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: 
 
◼ Definir a teoria da pediplanação. 
 
◼ Listar os processos teóricos do equilíbrio dinâmico. 
 
◼ Explicar a teoria probabilística. 
 
 
Introdução 
 
Os conceitos e as perspectivas de estudos que orientam o exame sobre o 
relevo do planeta são fundamentais para fazer uma organização sobre os 
dados e as variáveis presentes na constituição dos inúmeros tipos de 
formas. Eles estabelecem ligações sobre as dinâmicas terrestres consi-
derando dinâmicas antigas e recentes para entendermos a modelagem do 
aspecto da crosta terrestre como ela é hoje. 
Neste capítulo, você vai estudar a teoria da pediplanação e sua 
aplicação para análise das dinâmicas que formam relevos aplainados. 
Também serão abordados os processos teóricos do equilíbrio 
dinâmico e as influências para o estudo geomorfológico. A teoria 
probabilística será tratada a fim de compreender a importância da 
quantificação para reconhecer os inúmeros fatores que atuam na 
evolução do relevo. Essas teorias orientam a compreensão da 
magnitude das transformações da crosta terrestre. 
2 Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 
 
A teoria da pediplanação 
 
Ao longo do tempo, muitos cientistas e autores desenvolveram teorias para 
entender a evolução da paisagem sob a óptica da geomorfologia. Para com-
preender esses processos complexos e de grande magnitude, foi necessário 
representar as dinâmicas da paisagem a partir de modelos e teorias, consi-
derando os dados e as informações obtidas, e interpretar as formas vistas no 
presente. 
As transformações do relevo terrestre como vemos hoje ocorreram pela ação 
exercida por processos chamados morfogenéticos, que são responsáveis pela 
esculturação das formas da crosta terrestre. Esses processos estão ligados 
à modelagem do relevo por influências naturais, associados a sedimentação, 
erosão ou processos tectônicos. 
A paisagem que vemos hoje está sempre se transformando devido a 
diversos agentes erosivos. Eles agem diariamente, há milhões de anos, de 
modo incessante, configurando as formas de relevo. Para esclarecer como 
ocorre a evolução das formas terrestres, cada teoria tenta elucidar os fatos 
com a organização de dados e com um vocabulário específico, por isso, é 
importante conhecê-las para serem empregadas em investigações no ramo da 
geomorfologia. 
Cada teoria está ligada aos momentos históricos de cada período. Aque-
las ligadas à geomorfologia possibilitam a construção de vários modelos 
com uma lógica para serem testados (CHRISTOFOLETTI, 1974). Assim, as 
teorias desenvolvidas têm relação com os pensamentos e construções 
também de outras ciências. Como cada período histórico reflete também os 
pensamentos dos cientistas, as teorias são o conjunto de conceitos e regras 
que adequam o trabalho científico, permitindo ao pesquisador estruturar seu 
trabalho e orientar seu modelo que explica a dinâmica evolutiva da paisagem 
geomorfológica. 
Entre as principais teorias e modelos em geomorfologia, destaca-se a teoria 
do ciclo geográfico, apresentada por Willian Morris Davis (1850–1934) em 
1899, que considera a evolução do relevo em três fases principais, denomi-nadas 
juventude, maturidade e senilidade. Também se destaca a teoria do equilíbrio 
dinâmico, que considera a constituição do relevo terrestre como 
Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 3 
 
 
 
um sistema aberto, em contínua troca de matéria e energia com os demais 
sistemas. Assim, as formas resultam de um contínuo ajuste e não são 
estáticas, pois estão sempre em transformação, condicionadas por 
transformações endógenas e exógenas. 
 
 
 
 
 
 
A teoria de Willian Morris Davis sobre a evolução do relevo engloba as mudanças ocor-
ridas durante a evolução da paisagem, principalmente, a partir das dinâmicas fluviais. As 
três etapas sucessivas desse ciclo — definidas em analogia às fases da vida — são 
caracterizadas pela redução da inclinação do relevo, em uma ordem decrescente ligada 
 
à erosão, denominadas, respectivamente, como juventude, maturidade e 
senilidade. A última etapa ocorre quando a erosão aplaina totalmente o relevo. 
 
 
 
Outra teoria é a da probabilística da evolução do modelado, que considera a 
existência de incontáveis fatores que atuam na evolução do relevo. Por meio 
dessa ideia, são apresentadas maneiras de se organizar esses fatores para 
compreender as probabilidades das formas a serem esculpidas de uma maneira 
ou de outra. Outra perspectiva de estudo é a teoria da pediplanação, com os 
princípios teóricos propostos por Willian Morris Davis. Ela parte do princípio da 
evolução das vertentes, ou seja, como reagem as elevações que possuem 
declives e inclinações, como as montanhas. Considera-se, também, as 
transformações relacionadas ao nível de base dessas estruturas, evoluindo, 
gradualmente, para um relevo mais aplainado. 
 
A teoria da pediplanação parte do conceito de superfície de erosão ou 
superfície de aplainamento para entender e interpretar as formas e os proces-
sos que evoluem para um relevo mais plano. Primeiramente, as formas eram 
explicadas somente pelos processos, sem considerar a sucessão de fases de 
evolução do relevo, ou seja, nem todas as variáveis que conduzem a essa 
forma de relevo eram avaliadas. A pediplanação, em suma, é o processo que 
produz, em regiões de clima árido e semiárido, áreas aplainadas ou 
superfícies de aplainamento (Figura 1). 
4 Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1. Formação da pediplanação. 
 
Fonte: Adaptada de Encyclopaedia Britannica (c1994). 
 
 
O geógrafo Willian Morris Davis estabeleceu a primeira dinâmica da 
evolução geral do relevo em 1889, utilizando as noções de ciclo de erosão 
ou ciclo geográfico. 
A evolução dos estudos geomorfológicos realizados pelo geógrafo Whalter 
Penck fez oposição à teoria davisiana, criando a teoria da pediplanação em 1924. 
Penck propôs que a modelagem da superfície do planeta é determinada pela 
relação entre a intensidade das forças endógenas, ou seja, do interior do planeta, 
e a denudação. O processo de denudação é a remoção da superfície de 
Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 5 
 
 
 
uma região por efeitos erosivos de várias naturezas, por forças exógenas, ou seja, 
fenômenos que ocorrem no exterior do planeta Terra, como chuvas e ventos.Opondo-se a Davis, Walther Penck (1888–1923) acreditava que não 
havia a ocorrência do soerguimento, ou seja, a elevação da superfície 
terrestre por movimentos tectônicos. Para Penck, ocorria uma lenta ascensão 
de uma massa terrestre que estava ligada à intensidade de denudação, que 
significa a remoção da superfície de uma região por erosão, não havendo, 
segundo suas observações, nenhuma elevação da superfície. A degradação 
do relevo, então, efetuava-se de forma paralela, resultando na formação de 
uma superfície primária, que denomina uma superfície baixa (CHRIS-
TOFOLETTI, 1974). 
Para a teoria defendida por Davis, ocorre um rebaixamento contínuo e 
generalizado das vertentes com gradativa diminuição das declividades. Para 
o modelo de Penck, ocorre uma regressão e uma evolução das verten-tes por 
mecanismos de denudação junto à força da gravidade (CASSETI, 1990; 
CHRISTOFOLETTI, 1974; VARAJÃO, 1998). Assim, os elementos 
considerados por essas teorias baseiam-se nas dinâmicas de movimento do 
planeta ligadas à erosão e também à gravidade, alterando as formas que 
vemos na paisagem. 
Subsequentemente, a Escola Anglo-Americana apresenta a teoria geral 
de sistemas, destacando os cientistas Lester Charles King (1907–1989), em 
1955, e John Tilton Hack em 1960 (CHRISTOFOLETTI, 1974). Nesse con-
texto, foram desenvolvidos os conceitos de períodos rápidos e intermitentes 
de soerguimento, separados por longos períodos de estabilidade tectônica. 
A escola Anglo-Americana fundamenta-se, até a Segunda Guerra Mundial 
(1939–1945), nos paradigmas propostos por Willian Morris Davis, em que o 
relevo se define por sua estrutura geológica e pelo tempo de 
desenvolvimento do relevo e de sua estrutura. Nessa escola, destacam-se o 
geógrafo Arthur Newell Strahler (1918–2002), o cientista de solos Robert 
Elmer Horton (1875–1945) e o geólogo John Tilton Hack (1913–1991). 
King também estabeleceu os limites do processo de moldagem do relevo 
em função do clima (CASSETI, 1990). Assim, ele deduziu, em 1953, que o 
fenômeno dos aplainamentos ocorre por processos de degradação em 
condições de clima semiárido, a partir da chamada coalescência de 
pedimentos, formando o pediplano. Isso significa que ocorre a junção de 
partes que se encontravam separadas dos materiais trazidos pelas águas dos 
rios, principalmente, em lugares de clima árido quente ou semiárido. 
6 Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 
 
 
 
 
 
 
Glossário específico do conteúdo de geomorfologia: 
◼ Pedimento: formação típica de áreas de clima árido quente ou 
semiárido, composto de material trazido pelos rios. 
◼ Pediplano: superfície inclinada formada pela junção de pedimentos. Nos 
pediplanos, podem ser encontrados relevos residuais, ou seja, inselbergues. 
 
◼ Inselbergue: resíduo de pediplanação que ocorre em climas áridos 
quentes e se-miáridos e possui pequena elevação, pouco alongada e 
ilhada, e a sua evolução é em função do intemperismo. 
◼ Intemperismo: processos físicos, químicos e biológicos que desintegram 
e de-compõem as rochas. 
 
 
 
Em condições de clima úmido, predominam o intemperismo e o 
movimento de deslizamento do solo. Ressalta-se que, se há cobertura 
vegetal, pode-se impedir a chamada evolução da vertente, ou seja, o 
deslizamento do solo. Dessa maneira, os fenômenos erosivos são menos 
importantes, diferente-mente de áreas de clima semiárido que, por terem 
poucas chuvas, contam com o domínio dos processos erosivos, confirmando 
a teoria de pediplanação (VARAJÃO, 1998). 
A partir da proposição de pediplanação proposta por King, definiu-se que as 
superfícies de erosão são áreas de dimensões continentais, planas ou levemente 
onduladas, que segmentam rochas e estruturas geológicas de origem e resis-
tência diferentes (CORRÊA; MENDES, 2002; PASSOS; BIGARELLA, 2001). 
 
Processos teóricos do equilíbrio dinâmico 
 
A teoria do equilíbrio dinâmico resultou dos princípios relacionados à teoria 
geral dos sistemas. Com base na correlação entre os elementos da ciência 
geográfica, a teoria do equilíbrio dinâmico é uma evolução dos estudos geomor-
fológicos que se baseiam nos princípios sistêmicos. Essa teoria fundamenta-se 
na concepção sistêmica do meio ambiente, ou seja, considera-se que o ambiente 
natural está em estado de equilíbrio, mas não é estático. Há vários mecanismos 
que resultam na entrada de fluxo de energia no sistema e isso produz modifi-
cações no relevo. Sua base está sob um comportamento balanceado entre os 
processos ligados à resistência das rochas, e também leva em consideração as 
influências da formação de montanhas e outras transformações no relevo. 
Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 7 
 
 
 
 
 
 
A teoria geral de sistemas foi proposta pelo biólogo austríaco Ludwig Von Bertalanffy 
(1901–1972), com trabalhos publicados entre 1950 e 1968, como A teoria geral do sistema, 
de 1968, e Teorias modernas do desenvolvimento: uma introdução à biologia teórica, de 
1933. Essa teoria preconiza a produção de formulações conceituais para aplicação em 
pesquisas, integrando ciências naturais e sociais por meio de uma visão do todo e não 
somente em setores, identificando o maior número de variáveis possíveis, externas e 
internas, que influenciam todo o processo que se quer investigar. 
 
 
O geólogo J. T. Hack defende que as teorias do ciclo geomórfico de Davis, a 
teoria de Penck (em 1953) e a teoria da pediplanação de King (em 1953) são 
também conceitos cíclicos e abordam o desenvolvimento da paisagem em 
estágios dependentes e fechados. Para Hack (1960), o equilíbrio é um modelo 
geomorfológico fundamental independentemente do tempo. Ele defende que o 
ambiente está balanceado, e não estagnado, dadas as energias que entram e saem 
por meio dos vários elementos desse sistema (HACK, 1960). 
 
A teoria do equilíbrio dinâmico foi sistematizada por Hack em 1960, 
ainda que esse enfoque sistêmico já tivesse sido discutido muito antes por 
naturalistas como Humboldt, em 1877, que já sinalizava a importância dos 
sistemas. O equilíbrio dinâmico de um sistema remete a uma análise das 
teorias sobre o desenvolvimento das formas de relevo. Em bibliografias 
estrangeiras, vários trabalhos discorrem sobre essa teoria. Assim, além das 
pesquisas e textos de Hack (1960) e Gilbert (1877), há vários autores 
considerados importantes para o entendimento dessa teoria. 
Os autores que contribuíram para o desenvolvimento dessa teoria a fim 
de entender a evolução das formas na superfície terrestre influenciam a 
geomor-fologia até hoje. Entre eles, destacam-se: Davis, que publicou, 
principalmente, no ano de 1899, a obra The geographical cycle; Gilbert, nos 
anos de 1877 e 1890, com Outlines of the theory of electromagnetism; Hack, 
em 1960, com Interpretation of erosional topography in humid temperate 
regions (HACK, 1960); Higgins, em 1975, com Theories of landscape 
development: a pers-pective; e Schumm, em 1975, com The fluvial system. 
Por meio dessa teoria, o estudo da paisagem tem como base o princípio 
do equilíbrio dinâmico. Isso significa que são consideradas as dinâmicas do 
sistema de drenagem, que é o escoamento de águas do terreno na su-perfície 
ou nas camadas subterrâneas. Também são utilizados os dados da erosão 
sobre os elementos da topografia. Esses elementos são considerados 
8 Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 
 
 
estáveis em suas diferentes formas e sob a ação natural de desgastes e 
transformações. 
Hack (1960) propõe que o princípio do equilíbrio dinâmico é aplicado 
para o estudo das formas nas paisagens, o que requere um estado de ba-
lanço entre forças opostas operando em taxas iguais para que seus efeitos se 
anulem reciprocamente. Assim, há uma tendência natural da busca pelo 
equilíbrio das formas de relevo, de forma a se estabilizar. Essa dinâmica 
produz uma situação estável durante aentrada e saída de energia do sistema, 
ininterruptamente, como ações erosivas e movimentos internos do planeta. 
As forças opostas devem ser de vários tipos, por exemplo, a vertente pode 
ficar em equilíbrio quando o material que a compõe é lavado pela chuva, 
removendo os sedimentos do topo e depositando-os em sua base, ao mesmo 
tempo em que conteria a erosão dessa região, balanceando esse fenômeno 
(HACK, 1960). Dessa forma, a força de um fenômeno pode ser compensada 
pela magnitude de outro. 
Segundo Gilbert (1890), a evolução das formas sobre aplainamento la-
teral, ou seja, tornando o relevo mais plano, envolve o equilíbrio dinâmico 
das forças sobre as rochas, que estão em constante contato buscando es-
tabilidade. Na teoria de Davis, o aplainamento lateral ocorre em qualquer 
base de drenagem com a passagem do tempo, sem levar em consideração o 
citado equilíbrio dinâmico. A Figura 2 apresenta um gráfico sobre a teoria 
do equilíbrio dinâmico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2. Teoria do equilíbrio dinâmico. Litologia: rochas, suas camadas 
e seus processos ao longo do tempo. Friável: frágil. 
 
Fonte: Fierz (2015, documento on-line). 
Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 9 
 
 
 
O modelo desenvolvido por Hack (1960) fundamenta-se no princípio de 
que as formas representam o balanço entre a resistência do material que 
sofre a erosão e a energia da ação da erosão dos processos químicos ou 
físicos, em uma oposição entre o material e a atividade da erosão. A teoria 
do equilíbrio dinâmico está ligada aos processos constantes que acontecem 
na evolução do relevo em suas diversas formas, provocando sua variação e 
dinâmica naturais. Essa proposição concebe que um sistema na paisa-gem 
está sempre orientado a um estado de equilíbrio dinâmico e estável, 
independentemente do tempo, em uma adequação entre massas e energias, 
resultando em um sistema de relevo estável. Assim, de modo natural, esse 
processo busca uma estabilidade entre as forças que modelam o relevo e o 
material a ser modelado. 
Dessa maneira, a premissa básica da teoria do equilíbrio dinâmico é que 
as paisagens e os processos que as formam são parte de um sistema aberto, 
que se encontra sempre em um estado estável de equilíbrio e pro-porção, 
pois há um balanço entre os processos de erosão e resistência das rochas. 
Hack (1960) sugere que todos os elementos são erodidos na mesma 
proporção e defende que as diferenças e características da forma de relevo 
são explicáveis pelas relações espaciais dos elementos citados: erosão e 
resistência das rochas. 
Assim, a teoria do equilíbrio dinâmico é um princípio universal, que 
pode ser empregado para explicar feições e atributos específicos da paisa-
gem, admitindo que a paisagem se desenvolve durante um longo período de 
contínuo desgaste. O equilíbrio dinâmico também é chamado de estado 
estável (steady state), e a provável distribuição da energia em certos 
sistemas geomórficos pode ser equilibrada, supondo que este é um sistema 
aberto em estado estável. 
Hack (1960) desenvolveu suas ideias para modelos de desenvolvimento 
da paisagem admitindo que há ajustes recíprocos de todos os elementos 
topográ-ficos, e que esses elementos se erodem na mesma taxa. Essa taxa de 
erosão pode variar conforme o tipo de material, e as formas e os processos 
buscam um estado estável de balanço independentes do tempo. Assim, o 
equilíbrio dinâmico do relevo acontece ao se buscar, naturalmente, uma 
constância e uma estabilidade no assentamento dos materiais. 
Os estudos sobre o relevo e sobre as relações entre os processos e a re-
sistência das rochas à ação modeladora do relevo consideram importação e 
exportação de massa e energia, além da noção de equilíbrio. Isso significa 
10 Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 
 
 
que há um ajustamento contínuo entre o comportamento do processo e as 
suas resultantes da troca de massas e energia. 
A teoria do equilíbrio dinâmico indica que as formas espaciais da Terra, 
ou seja, seu relevo e paisagem, representam o resultado contínuo de um 
ajuste do comportamento da resistência oferecido pelo material que está 
sendo traba-lhado, no caso, as rochas e a crosta terrestre. As formas, então, 
não são estáticas e têm uma tendência a se ajustar aos processos, o que 
resulta no aparecimento de diferentes formas. Logo, essa perspectiva 
sistêmica que considera a análise do conjunto de processos e formas nos 
remete à verificação de que o relevo e sua evolução dependem de diversos 
fatores que são representados em diferentes escalas espaciais e temporais. 
 
 
Teoria probabilística 
 
Desde o final do século XIX, cientistas do mundo todo oferecem contribui-
ções para a compreensão da gênese e evolução das paisagens por meio da 
geomorfologia. Além da preocupação em restabelecer a história dos 
ambientes em períodos antigos, há o problema da predição em relação ao 
futuro das formas que são vistas nos dias atuais. Nesse contexto, surgiram os 
modelos já discutidos, como a teoria da pediplanação, a teoria do equilíbrio 
dinâmico e a teoria probabilística. Cada modelo repercute as tendências 
inerentes à geomorfologia, mas também as influências externas ligadas às 
ciências e às tendências filosóficas e políticas de cada período histórico em 
que as teorias foram desenvolvidas. Cada uma delas ofereceu importantes 
subsídios que estão presentes nos trabalhos realizados pelos cientistas da 
geografia física, da geomorfologia e da geologia ao quantificar os processos 
que conduziram o relevo às características que vemos atualmente. 
A teoria probabilística está sob influência de uma tendência particular da 
década de 1960 dentro da geomorfologia fluvial, que é o estudo sobre os 
cursos de água e as bacias hidrográficas, tendo como principais 
representantes o geomorfólogo Luna Bergere Leopold (1915–2006) e o 
hidrólogo Walter B. Langbein (1907–1982). O fundamento filosófico dessa 
linha de pensamento é descrito no artigo de Leopold e Langbein, de 1962, 
denominado O conceito de entropia na evolução da paisagem (LEOPOLD; 
LANGBEIN, 1962) utilizando o conceito de entropia. 
Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 11 
 
 
 
A entropia é um princípio definido pelas leis da termodinâmica que descreve 
as formas de distribuição da energia em determinado sistema e suas possíveis 
respostas, considerando aquela que é utilizada e também a parte que não foi 
transformada em trabalho, ou seja, que não transformou a matéria. 
 
 
 
 
 
 
 
De acordo com a segunda lei da termodinâmica, o trabalho pode ser convertido 
em calor, ou seja, em energia térmica. Entretanto, energia térmica não pode ser 
comple-tamente convertida em trabalho. Por meio da entropia, é possível 
mensurar a parcela de energia que não pôde ser transformada em trabalho. 
Assim, a entropia pode ser a magnitude (grandeza) física termodinâmica que 
possibilita medir a parte não utilizável da energia contida em um sistema, e 
essa parte da energia não pode ser usada para produzir um trabalho. 
Acesse o link a seguir para ver um típico sistema termodinâmico. 
 
https://qrgo.page.link/zSHZ3 
 
 
 
A partir dessa ideia, como objeto de análise da geomorfologia fluvial, a 
entropia é expressa em termos de probabilidade, ou seja, a condição mais 
pro-vável existe quando a energia contida em um sistema fluvial é 
uniformemente distribuída e permitida pelas restrições físicas. A entropia e a 
geomorfologia fluvial se relacionam, pois se referem às noções ligadas à 
energia, aos fluxos de massas e às tendências de equilíbrio a fim de 
compreender o comportamento do relevo e dos rios e corpos d’água. 
A partir dessas considerações, são modeladas equações para descrever os 
perfis do comprimento (longitude) dos rios, mas ainda são insuficientes para 
determinar sua velocidade, profundidade e inclinação. Por isso, a introduçãodo conceito de que a distribuição de energia vai em direção ao mais provável 
conduziu a uma definição teórica de que a geometria hidráulica dos canais 
de drenagem estaria de acordo com as observações de campo. 
Essa concepção originou várias análises quantitativas, principalmente, dos 
fenômenos fluviais, ficando conhecida como teorética ou quantitativa. Essa linha 
de estudos teve importância após a Segunda Guerra Mundial (1939–1945) na 
geomorfologia e em outros campos da ciência, auxiliando e legitimando 
12 Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 
 
 
ações geopolíticas no contexto da Guerra Fria (1945–1991), período histórico de 
disputas geopolíticas, militares, tecnológicas e econômicas entre os Esta-dos 
Unidos e a União Soviética. Dessa maneira, o uso de instrumentos para 
quantificar os fenômenos sociais e também os naturais é utilizado até hoje como 
uma forma de garantir o controle sobre essas dinâmicas. 
 
Para a geomorfologia, a abordagem teorética proporcionou a 
quantificação das informações, diferenciando-se dos modelos evolutivos, 
predominante-mente, teóricos. Também foi potencializado o uso de 
ferramentas estatísticas para análise dos dados, possibilitando indagações e 
questionamentos sobre a representatividade dos processos investigados. A 
partir disso, os levantamentos de campo e a definição das amostragens 
tornaram-se fundamentais para a metodologia dos estudos de caso. 
Para o geólogo Keith Tinkler, que publicou A short history of geomor-
phology (1985), tal teoria não responde as questões ligadas à geomorfologia 
regional e cíclica, pois as escalas temporais dos respectivos campos de 
estudos são muito diferentes: uma é sensível às oscilações diárias em relação 
aos fluxos a serem investigados, usando registros históricos de algumas 
centenas de anos; e o outro campo aborda períodos de milhares a milhões de 
anos. Assim, apesar de a metodologia ter o mérito de quantificar os estudos 
de evolução das paisagens, há também limitações em não oferecer meios 
para outras escalas temporais de atuação dos fenômenos. 
No Brasil, a abordagem metodológica da teoria probabilística na geo-
morfologia foi amplamente difundida pelo geógrafo Antônio Christofoletti 
(1936–1999) na década de 1970, criando uma escola de geomorfólogos 
dentro dessa linha conceitual relacionada, principalmente, à dinâmica 
fluvial, divul-gando métodos de mensuração. Com influência da Escola 
Anglo-Americana, Aziz Ab’Saber (1924–2012) foi o primeiro a classificar o 
território brasileiro em domínios morfoclimáticos e a desenvolver pesquisas 
em âmbito da geo-morfologia. O geógrafo Antônio Teixeira Guerra auxiliou 
o desenvolvimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 
e o geógrafo Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro também tem 
influências até os dias atuais nos estudos e no ensino de geomorfologia. 
Esses são os principais modelos que orientaram a geomorfologia desde o 
início do século XX, quando ela foi instituída como uma disciplina acadêmica 
com objeto próprio. A geomorfologia passou por transformações e foi influen-
ciada por tendências filosóficas e políticas de cada época, contribuindo com 
importantes elementos presentes direta ou indiretamente, em maior ou menor 
proporção, em pesquisas e trabalhos realizados atualmente. 
Histórico, evolução dos conceitos e perspectivas de estudo II 13 
 
 
 
 
 
 
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Processos endógenos 
e formas da superfície 
terrestre 
 
 
Objetivos de aprendizagem 
 
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: 
 
◼ Perceber o tectonismo como processo estrutural que 
provoca falhas e desdobramentos. 
 
◼ Identificar o vulcanismo como modo de extravasamento do 
magma à superfície. 
 
◼ Descrever os terremotos como movimentos propagados 
pela crosta terrestre através de vibrações. 
 
 
Introdução 
 
Os vulcões e terremotos demonstram o funcionamento dos movimentos e 
dinâmicas do interior do planeta. Eles são condicionados pelas altas 
pressões e temperaturas exercidas sobre os materiais sólidos e líquidos 
de várias composições químicas presentes da crosta até o núcleo. 
Conhecer as principais características desse mecanismo permite 
testemunhar a contínua atividade e transformação do planeta Terra, 
desde a sua cons-tituição até os dias atuais. 
Neste capítulo, você vai estudar o tectonismo como um processo 
ligado às dinâmicas das placas tectônicas cujo movimento resulta em 
tremores, falhas, dobramentos e modificações no relevo, além de con-
sequências estruturais e sociais nos locais onde ocorrem. O vulcanismo 
também é um fenômeno que se relaciona com esses processos endóge-
nos da Terra, resultando no extravasamento de magma para a superfície 
e transformando de modo relevante a paisagem. 
2 Processos endógenos e formas da superfície terrestre 
 
 
Tectonismo como fator de 
falhas e desdobramentos 
 
O planeta Terra sofre vários tipos de influências dos movimentos realizados 
pelas placas tectônicas, que são imensos fragmentos da crosta terrestre que 
movem-se sob o manto. Esses movimentos provocam tremores, dobramentos 
(formação de montanhas), fraturas e falhas na crosta terrestre, além de ativi-
dades vulcânicas. O mecanismo resultante desse deslocamento dá-se pelas 
diferenças de temperatura dessa camada, também chamado de correntes de 
convecção. Para compreender esse processo, é importante considerar que esses 
movimentos decorrem dos fluidos internos, ou seja, rochas fundidas em estado 
pastoso ou líquido que estão no manto, abaixo da crosta terrestre. 
Cientificamente, a hipótese mais aceita é que os deslocamentos desses 
fluidos são os principais responsáveis pelos numerosos processos de transfor-
mação do relevo de origem endógena, ou seja, aqueles que ocorrem na parte 
interna do planeta. Esses eventos são conhecidos como terremotos ou abalos 
sísmicos, vulcões ou vulcanismos e tectônica de placas, que são os movimentos 
de grande escala que acontecem no manto e na crosta (STRAHLER, 1989). A 
estrutura do planeta Terra é composta por três principais camadas, a crosta, o 
manto e o núcleo. O manto terrestre é composto de magma, que são rochas que 
apresentam uma consistência pastosa por causa do calor interno elevado e, por 
isso, essa camada fluida está em constantemovimento. 
 
Os continentes que estão sobre as placas tectônicas tiveram outras formas no 
passado e movimentaram-se ao longo de milhões de anos até chegar à 
configuração atual. Esses movimentos ainda não cessaram, e os continentes 
deslocam-se, aproximadamente, 3 centímetros por ano (TEIXEIRA et al., 2000). 
No momento em que as placas tectônicas sob os continentes deslizam umas 
sobre as outras, acontecem os terremotos ou abalos sísmicos. Isso quer dizer que 
toda a tensão acumulada durante o tempo em que uma placa tectônica pressiona 
e comprime a outra é liberada em pouco tempo, causando tremores e variados 
resultados, como falhas, dobramentos e fraturas na crosta terrestre. 
 
Ao se acomodarem, as placas liberam grande quantidade de energia, e os 
terremotos propagam-se por toda a crosta. Naqueles pontos, estão afastados do 
epicentro, que é o lugar exato do encontro das placas na crosta e do foco ou 
hipocentro, que é o local de onde partiu a energia do interior do planeta. Onde as 
placas se tocaram, os abalos podem ser muito pequenos ou nem são sentidos pelas 
pessoas e pelas estruturas. Já no epicentro, os impactos são de imensa magnitude e 
força, com sérias e trágicas consequências sociais e econômicas (TEIXEIRA et al., 
2000). A Figura 1 traz uma representação da atividade sísmica. 
Processos endógenos e formas da superfície terrestre 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1. Atividade sísmica. 
 
Fonte: Terremoto ([201–?], documento on-line). 
 
 
 
Os movimentos das crostas continental e oceânica que ocorrem pela con-
vecção do manto no interior da Terra geram e transformam grandes formas 
estruturais do relevo, como os dobramentos, chamados também de orogênese, e 
os falhamentos, também denominados epirogênese. Os processos denominados 
tectonismo ou diastrofismo abrangem todos os movimentos que deslocam e 
deformam as rochas que constituem a crosta terrestre. 
 
Orogênese ou dobramento 
 
A palavra orogênese expressa o nascimento das montanhas, já que oros tem 
origem grega e significa montanha. As montanhas são enormes estruturas que se 
formam ao longo de milhões de anos em consequência dos movimentos 
tectônicos que geram deformação e soerguimento (ou o enrugamento) da crosta 
terrestre, resultando no surgimento de cadeias montanhosas, que também são 
chamadas de dobramentos modernos ou recentes. 
 
Os dobramentos modernos também são denominados cadeias orogênicas ou 
cinturões orogênicos (Figura 2). Eles constituem as maiores elevações e as áreas 
mais instáveis da superfície terrestre, pois a sua gênese está associada ao choque 
entre placas tectônicas, ou seja, essas regiões estão localizadas nos limites 
convergentes das placas. Esse processo teve início durante o Período Terciário, 
ao fim da Era Mesozoica e início da Era Cenozoica. Outra caracte-rística 
importante é que esse tipo de formação encontra-se, geralmente, nas bordas dos 
continentes, onde estão localizadas as grandes cadeias de monta-nhas, 
conhecidas como: Andes, na região Leste da América do Sul, nos países 
4 Processos endógenos e formas da superfície terrestre 
 
 
Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Argentina e Venezuela; Alpes, na 
Europa, abrangendo a Eslovénia, Áustria, Liechtenstein, Alemanha, Suíça, 
Itália, Mônaco e França; Himalaia, no território dos países Paquistão, Índia, 
China, Tibete, Nepal e Butão (nessa cordilheira, encontra-se a montanha 
mais alta do planeta, o Monte Everest, com 8.850 metros acima do nível do 
mar); e Montanhas Rochosas, que passam pelo Canadá e pelos Estados 
Unidos, na América do Norte. Essas regiões caracterizam-se por frequentes 
e intensos abalos sísmicos e vulcanismos (STRAHLER, 1989). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cadeia de 
montanhas 
 
 
 Crosta continental 
Crosta continental 
Litosfera 
Litosfera 
Astenosfera 
Astenosfera Antiga crosta oceânica 
Figura 2. Dinâmicas do dobramento moderno. 
Fonte: Adaptada de corbac40/Shutterstock.com. 
 
 
 
Epirogênese ou falhamento 
 
Epirogênese ou falhamento são movimentos verticais ou horizontais que provo-
cam soerguimento, rebaixamento ou deslocamento de parte da crosta terrestre. A 
palavra epirogênese provém do grego, em que os termos epeiros e genesis 
significam, respectivamente, continente e formação. Ela designa um conjunto de 
processos que movimentam a crosta terrestre, no sentido ascendente ou 
descendente. Quando ocorre no sentido para cima, o deslocamento é chamado de 
soerguimento e, quando ocorre para baixo, é denominado subsidência (Figura 3). 
O movimento de epirogênese abrange vastas áreas continentais lentamente, 
causando transformações também no relevo marinho (STRAHLER, 1989). 
Processos endógenos e formas da superfície terrestre 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3. (a) Esquema de um movimento epirogenético de soerguimento. (b) 
Esquema de um movimento epirogenético de subsidência. 
 
Fonte: Pena ([2019], documento on-line). 
 
 
 
 
 
 
 
 
O território brasileiro está situado sobre rochas antigas e muito erodidas, ou seja, 
desgastadas. Outro fato é que o Brasil não tem em seu relevo dobramentos modernos 
— relevos resultantes do encontro de placas tectônicas —, pois está 
localizado no meio da Placa Sul-americana, que compreende todos os 
países da América do Sul. Essa placa tem a extensão de 32 milhões de 
quilômetros quadrados. Outra característica que corrobora essa dinâmica é 
o predomínio de baixas altitudes no relevo brasileiro (ROSS, 2011). 
 
 
 
 
Vulcanismo e extravasamento do 
magma à superfície 
 
O vulcanismo, ou atividades vulcânicas, manifesta-se nos limites das placas 
tectônicas, com destaque para as zonas de subducção, ou seja, áreas de conver-
gência de placas tectônicas em que uma placa desliza para debaixo da outra. 
Esse processo resulta na maioria dos vulcões visíveis do planeta, com cerca de 
1.300 montanhas, também conhecidas como cones vulcânicos da Terra. Entre 
essas estruturas, cerca de 600 são consideradas ativas, porque tiveram, pelo 
menos, uma erupção vulcânica registrada na história. Há também um tipo de 
vulcanismo no interior das placas tectônicas, que corresponde a um número 
6 Processos endógenos e formas da superfície terrestre 
 
 
muito pequeno de vulcões visíveis, também chamados de pontos quentes ou hot 
spots, em que canais individuais de magma acendem até a crosta terrestre e 
extravasam até a superfície através de fissuras presentes nas placas tectônicas. 
Alguns exemplos desse fenômeno são as ilhas vulcânicas do Havaí, do Parque 
Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos (PRESS et al., 2006). A Figura 4 
apresenta um mapa com os vulcões ativos no planeta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4. Mapa de vulcões ativos no planeta. 
 
Fonte: Goulart (2016, documento on-line). 
 
 
 
Por encontrar-se no meio da Placa Sul-Americana, que é uma estrutura geo-
lógica muito antiga, o Brasil não possui vulcões ativos atualmente. Entretanto, 
na Era Mesozoica, entre 250 e 65 milhões de anos atrás, aproximadamente, 
aconteceram diversos eventos ligados ao vulcanismo em regiões correspon-
dentes ao território brasileiro. As principais formações geológicas vulcânicas 
desse período estão localizadas nos Estados da região Sudeste e Sul. 
O derramamento de magma pelos vulcões gerou terras muito férteis nessas 
áreas, como é o caso da conhecida terra roxa, de cor vermelho escuro e de 
origem basáltica. Outros eventos vulcânicos ocorridos na Era Cenozoica, 
especificamente, no Período Terciário (de 65 a 2,6 milhões de anos atrás), 
acarretaram erupções vulcânicas oceânicas, originando algumas ilhas no litoral 
brasileiro, como São Pedro, São Paulo, Trindade e Fernando de Noronha. O que 
viria a ser a região amazônica brasileira também recebeu derramamentos de 
vulcões de origem basáltica. O magma é um material viscoso exposto a uma 
elevada temperatura sob a crosta terrestre. Sua temperatura varia de 800 aProcessos endógenos e formas da superfície terrestre 7 
 
 
 
1.200ºC, com o predomínio de minerais fundidos que podem ser mais ou menos 
viscosos ou líquidos. Esse material apresenta cristais em suspensão e bolhas de 
gás e, quando é lançado para a superfície, recebe o nome de lava. Quando a lava 
resfria e se solidifica, originam-se as rochas magmáticas ou ígneas. 
Conhecer as propriedades físicas do magma é relevante para saber sua composi-
ção, para analisar o interior da Terra, para avaliar resultados na crosta terrestre e nas 
estruturas atingidas e para entender como ele pode deformar materiais. Os principais 
fatores que afetam o comportamento dos magmas são a temperatura, a densidade e a 
viscosidade. A ascensão do magma em direção à crosta terrestre pode variar de 
grande velocidade e força, trazendo para a superfície magmas provenientes do manto 
superior, a velocidades lentas, em que o magma se aloja temporariamente em 
câmaras situadas em porções da crosta mais ou menos profundas. 
 
Quando os vulcões entram em erupção de forma explosiva, gigantescas colunas 
de cinzas se formam, além dos chamados fluxos piroclásticos, compostos por gases 
com temperaturas de 100 a 800ºC, expelindo cinzas e rochas em alta velocidade. Os 
vulcões também podem extravasar lentamente, formando fluxos de lava. A 
velocidade pela qual o magma extravasa tem a ver com o tipo de conduto vulcânico, 
considerando tamanho, resistência e diâmetro do conduto que leva o magma para 
fora da crosta. Também está relacionada com a pressão existente na zona de onde sai 
o magma. O magma tende a sair em direção à superfície através de falhas ou fraturas. 
Ocorrem também fenômenos em que o magma não consegue atingir a superfície 
terrestre, cristalizando-se e esfriando em uma estrutura mais profunda, podendo 
sofrer erosão com chuvas e ventos, o que pode revelá-lo eventualmente. Na Figura 5, 
é possível observar a estrutura de um vulcão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5. A estrutura de um vulcão. 
 
Fonte: Vulcão ([201–?]), documento on-line). 
8 Processos endógenos e formas da superfície terrestre 
 
 
Terremotos: movimentos 
propagados por meio de vibrações 
 
Terremotos ou abalos sísmicos — sismo é uma palavra de origem grega, sinô-
nimo de terremoto — têm como principal característica a liberação repentina da 
tensão acumulada pelo movimento das placas tectônicas quando se tocam. 
Quando essa tensão atinge o ponto de resistência das rochas, acontece uma 
ruptura. Dessa forma, o evento dos terremotos está ligado ao movimento das 
placas tectônicas e, em particular, ao chamado falhamento ou falha geológica, 
que é a ruptura de uma rocha no interior da Terra. Muitas vezes, essa falha não é 
visível e está a muitos quilômetros abaixo da superfície. A intensidade da 
interação entre diferentes placas tectônicas resulta nas zonas de tensão, onde o 
contato entre corpos rochosos é muito intenso, gerando um sucessivo esforço. 
Quando essa tensão excede os limites de resistência das rochas, acontecem 
rompimentos que liberam enormes quantidades de energia que se manifestam 
em forma de tremores e vibrações no interior da Terra, podendo ser sentidas no 
relevo em pequenas ou grandes intensidades. 
 
O hipocentro também é chamado de foco sísmico de um abalo sísmico ou 
terremoto. Esse ponto é o local no interior do planeta onde começa a ruptura do 
material rochoso. Isso acarreta a liberação de energia em forma de ondas 
sísmicas. O hipocentro pode ser localizado na superfície, e os hipocentros mais 
profundos já registrados foram encontrados a cerca de 700 km de profundidade. 
O epicentro é o ponto da superfície da Terra que está exatamente acima 
do hipocentro do terremoto, geralmente, o mais afetado pelo abalo sísmico. 
Essas ondas e a sua magnitude podem ser captadas por equipamentos 
chamados sismógrafos (equipamento que detecta, amplifica e registra as 
vibrações do solo do planeta geradas pelas ondas sísmicas, que podem 
ocorrer por processos naturais ou pela ação humana). 
A teoria da deriva continental apresenta os movimentos dos continentes 
ao longo do tempo geológico do planeta, que tinham outras formas e 
situavam-se em outras localidades, em um contexto em que a crosta terrestre 
é formada por vários blocos, que são as placas litosféricas ou placas 
tectônicas. Esses gigantescos blocos estão em movimento constante, ora 
afastando-se, pro-duzindo a chamada zona de divergência, ora aproximando-
se, originando a zona de convergência. Nas zonas de convergência, acontece 
a colisão entre as placas tectônicas ou a subducção, processo em que uma 
placa mais densa imerge sob uma menos densa. Esses acontecimentos 
produzem acumulação de pressão e descarga de energia. Isso faz com que se 
propaguem as ondas sísmicas que caracterizam o terremoto. 
Processos endógenos e formas da superfície terrestre 9 
 
 
 
O local onde as placas tectônicas se tocam no interior da Terra é denomi-
nado hipocentro, de onde partem as ondas sísmicas. As decorrências podem ser 
sentidas dependendo da proximidade do hipocentro e da magnitude do 
terremoto, ou seja, da quantidade de energia liberada no foco do terremoto. Essa 
magnitude é medida a partir da chamada Escala Richter, e a intensidade 
é entendida como a consequência da ação do sismo ou a destruição 
provocada por esse fenômeno. A escala utilizada para classificar a 
intensidade é a Mercalli (TEIXEIRA et al., 2000). 
A escala Richter mede a intensidade das vibrações das ondas sísmicas, que varia 
do abalo sísmico de grande magnitude, que destrói cidades inteiras, àque-les mais 
brandos, captados somente pelos sismógrafos (Quadro 1). Essa escala também 
compara as intensidades entre si, dando uma noção relativa da força de um abalo 
sísmico em relação a outro. Os tremores muito fracos têm grau menor, e aqueles 
mais fortes têm uma graduação maior. Essa escala mede a magnitude de um 
terremoto da seguinte forma: um terremoto de grau 6,0 libera dez vezes mais energia 
que um de grau 5,0, e cem vezes mais energia que um de grau 4,0. Por exemplo, no 
Brasil, há registros de terremotos em vários momentos do ano, porém não 
ultrapassam 2 graus na escala Richter e, muitas vezes, não são sentidos. Já no Japão, 
são identificados vários tremores que podem ultrapassar os 6 graus na escala Richter, 
que são sentidos e causam danos às pessoas e às estruturas. 
 
 
 
Quadro 1. Escala Richter (1935). Desenvolvida por Charles Richter e Breno 
Gutemberg. Maior registro: 9,5 (Chile, 1960) 
 
Descrição Magnitude Efeitos Frequência 
 
Micro < 2,0 Micro tremor de terra, não ~ 8000 por dia 
 se sente. 
 
Muito 2,0–2,9 Geralmente, não se ~ 1000 por dia 
pequeno sente, mas é detectado/ 
 registrado. 
 
Pequeno 3,0–3,9 É sentido com frequência, ~ 49000 por ano 
 mas raramente causa 
 danos. 
 
Ligeiro 4,0–4,9 Tremor notório de objetos ~ 6200 por ano 
 no interior de habitações, 
 ruídos de choque entre 
 objetos. Danos importantes 
 pouco comuns. 
 
10 Processos endógenos e formas da superfície terrestre 
 
 
Quadro 1. Escala Richter (1935). Desenvolvida por Charles Richter e Breno 
Gutemberg. Maior registro: 9,5 (Chile, 1960) 
 
Descrição Magnitude Efeitos Frequência 
 
Moderado 5,0–5,9 Pode causar danos maiores 800 por ano 
 em edifícios mal conce- 
 bidos em zonas restritas. 
 Provoca danos ligeiros em 
 edifícios bem construídos. 
 
Forte 6,0–6,9 Pode ser destruidor em 120 por ano 
 áreas habitadas, em um raio 
 de até 180 km. 
 
Grande 7,0–7,9 Pode provocar danos gra- 18 por ano 
 ves em zonas mais vastas. 
 
Importante 8,0–8,9 Pode causar danos sérios 1 por ano 
 em um raio de centenas de 
 quilômetros. 
 
Excepcional 9,0 < Devasta zonas em um raio 1 a cada 20 anos 
 de milhares de quilômetros. 
 
 
Fonte: Adaptado de Apollo 11.com (2019). 
 
 
 
 
A Escala de Mercalli é qualitativa, usadapara determinar a intensidade 
de um sismo com base nos efeitos sobre as pessoas e sobre as estruturas 
cons-truídas e naturais. Para essa escala, a intensidade de um sismo é um 
padrão que distingue os efeitos produzidos nas pessoas, nas estruturas 
construídas, nos objetos e no meio ambiente em determinado local. Assim, 
são avaliados os efeitos do sismo sobre cada ponto do território, 
considerando a distância do epicentro, as características estruturais dos 
terrenos que são atravessados pelas ondas sísmicas e o tipo de ocupação 
humana e de construções. Essas variáveis espaciais dos efeitos possibilitam 
traçar as áreas onde o sismo foi sentido com mesma intensidade. 
Há numerosos efeitos de um terremoto de grande magnitude em áreas que 
são povoadas, como a destruição de infraestruturas — prédios, casas, pontes, 
ruas, estradas — e morte de pessoas. Quando os sismos ocorrem nos oceanos, o 
resultado é a formação de ondas gigantes chamadas tsunamis, que podem 
Processos endógenos e formas da superfície terrestre 11 
 
 
 
atingir os continentes e destruir cidades inteiras. Geralmente, um tsunami 
ocorre a partir do deslocamento de uma enorme massa de água por causa de 
terremotos, seja na massa continental ou no assoalho oceânico. Ele também 
pode ocorrer por meio de erupções vulcânicas, surgindo repentinamente na 
superfície marinha, fazendo deslizar de forma vertical a massa de água, com 
ondas de até 30 metros de altura, atingindo cidades litorâneas e próximas ao 
litoral, causando mortes e destruição (Figura 6). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6. Efeitos causados por um tsunami em uma cidade. 
 
 
 
Inúmeros terremotos são constatados todos os dias no planeta, podendo 
causar tsunamis ou extravasamento de magma, no caso dos vulcões. A 
maioria dos terremotos detectados são de baixa intensidade, pouco 
percebidos na superfície, com o hipocentro muito profundo. Alguns 
exemplos de países atingidos por centenas de terremotos diariamente são 
Japão, México, Tur-quia, Indonésia, Índia, Filipinas, Nova Guiné, Estados 
Unidos, Haiti e Chile, todos situados em zonas de convergência de placas. A 
Figura 7 demonstra a destruição de uma cidade atingida por um terremoto. 
12 Processos endógenos e formas da superfície terrestre 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7. Efeitos do terremoto em uma cidade. 
 
 
 
 
 
 
 
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