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Indaial – 2021 digital Prof. Arthur Gonçalves Ferreira Prof.a Fernanda Helena Rosa Pereira Prof. Jackson Luis Schirigati Prof. Paulo Sergio Padua de Lacerda Prof. Melquezedech de Lyra Moura Prof.a Rita de Cassia Cordeiro de Castro 1a Edição CertifiCação Elaboração: Prof. Arthur Gonçalves Ferreira Prof.a Fernanda Helena Rosa Pereira Prof. Jackson Luis Schirigati Prof. Paulo Sergio Padua de Lacerda Prof. Melquezedech de Lyra Moura Prof.a Rita de Cassia Cordeiro de Castro Copyright © UNIASSELVI 2021 Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: F383c Ferreira, Arthur Gonçalves Certificação digital. / Arthur Gonçalves Ferreira et.al. – Indaial: UNIASSELVI, 2021. 174 p.; il. ISBN 978-65-5663-890-4 ISBN Digital 978-65-5663-891-1 1. Documentos eletrônicos. – Brasil. I. Ferreira, Arthur Gonçalves. II. Pereira, Fernanda Helena Rosa. III. Schirigati, Jackson Luis. IV. Lacerda, Paulo Sergio Padua de. V. Moura, Melquezedech de Lyra. VI. Castro, Rita de Cassia Cordeiro de. VII. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 004 Acadêmico, seja bem-vindo à disciplina de Certificação digital! Na Unidade 1, abordaremos os fundamentos da certificação digital e o seu funcionamento, identificando os seus benefícios e vantagens para os emissores e receptores das informações, tanto para pessoas físicas como para jurídicas. Também serão abordados os tipos de certificado digital e as etapas que constituem o ciclo de vida de um certificado digital. Em seguida, na Unidade 2, estudaremos a legislação, as normas e os padrões da certificação digital, ou seja, os aspectos jurídicos e normativos necessários para que haja o estabelecimento de uma rede de confiança entre emissores e receptores das informações. Estudaremos, também, as formas de utilização, os meios certificadores e os exemplos de certificações correlatas. Por fim, na Unidade 3, aprenderemos os aspectos tecnológicos da certificação digital como a assinatura digital, as chaves criptográficas (públicas e privadas) e a cadeia hierárquica de confiança da assinatura digital. Bons estudos! Prof. Arthur Gonçalves Ferreira Prof.a Fernanda Helena Rosa Pereira Prof. Jackson Luis Schirigati Prof. Paulo Sergio Padua de Lacerda Prof. Melquezedech de Lyra Moura Prof.a Rita de Cassia Cordeiro de Castro APRESENTAÇÃO Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos. GIO QR CODE Olá, eu sou a Gio! No livro didático, você encontrará blocos com informações adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender melhor o que são essas informações adicionais e por que você poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto estudado em questão. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual – com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Preparamos também um novo layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os seus estudos com um material atualizado e de qualidade. ENADE LEMBRETE Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, acessando o QR Code a seguir. Boa leitura! SUMÁRIO UNIDADE 1 — CERTIFICAÇÃO DIGITAL ................................................................................. 1 TÓPICO 1 — FUNDAMENTOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL ...................................................3 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3 2 CONCEITOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL ..........................................................................3 2.1 AUTENTICIDADE DE UMA INFORMAÇÃO ........................................................................................4 2.2 INTEGRIDADE DA INFORMAÇÃO .......................................................................................................7 2.3 CERTIFICAÇÃO DIGITAL .....................................................................................................................8 3 APLICAÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL ........................................................................ 15 RESUMO DO TÓPICO 1 .........................................................................................................18 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................. 19 TÓPICO 2 —BENEFÍCIOS E TIPOS DE CERTIFICAÇÃO DIGITAL ........................................ 21 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 21 2 BENEFÍCIOS DA UTILIZAÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL ........................................... 21 2.1 VALOR JURÍDICO .................................................................................................................................22 2.2 EFICIÊNCIA E QUALIDADE NOS SERVIÇOS ..................................................................................23 3 TIPOS DE CERTIFICAÇÃO DIGITAL ................................................................................. 24 3.1 TIPOS DE CERTIFICAÇÃO DIGITAL: TIPOS, MÍDIAS E PÚBLICO ................................................25 3.2 PROTEÇÃO PELO PROTOCOLO SSL ...............................................................................................28 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................30 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................. 31 TÓPICO 3 — CICLO DE VIDA E CARACTERÍSTICAS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL .............. 33 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 33 2 ETAPAS E O CICLO DE VIDA DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL ............................................. 33 3 EMISSÃO E GERENCIAMENTO DE CERTIFICADOS .........................................................37 4 CARACTERÍSTICAS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL .......................................................... 39 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 43 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 50 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................. 51 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 53 UNIDADE 2 — LEGISLAÇÃO, NORMAS E PADRÕES DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL ............57 TÓPICO 1 — ASPECTOS JURÍDICOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL.....................................59 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................59 2 ASPECTOS JURÍDICOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL .................................................... 60 2.1 LEGISLAÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL ...................................................................................60 2.2 REQUISITOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL ......................................................................................64 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 69 AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................70 TÓPICO 2 — ASPECTOS NORMATIVOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL ................................73 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................73 2 NORMAS E PADRÕES DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL .........................................................73 2.1 POLÍTICAS DE ASSINATURA DA ICP-BRASIL ............................................................................... 77 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 82 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 83 TÓPICO 3 — FORMAS DE UTILIZAÇÃO E OS MEIOS CERTIFICADORES ........................... 85 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 85 2 USO E MEIOS CERTIFICADORES ..................................................................................... 85 3 APLICAÇÕES ESPECÍFICAS E CORRELATAS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL .................. 88 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................. 91 RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................................97 AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................99 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 101 UNIDADE 3 — ASPECTOS TECNOLÓGICOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL .......................105 TÓPICO 1 — FUNDAMENTOS DA ASSINATURA DIGITAL ..................................................107 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................107 2 FUNDAMENTOS DA ASSINATURA DIGITAL ...................................................................108 2.1 ASSINATURA DIGITAL ......................................................................................................................109 2.2 PADRÕES DE REFERÊNCIA PARA ASSINATURA DIGITAL ........................................................112 3 PRINCÍPIOS DE SEGURANÇA DA ASSINATURA DIGITAL ............................................. 115 RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 121 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................123 TÓPICO 2 — CRIPTOGRAFIA DE DADOS ...........................................................................125 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................125 2 CRIPTOGRAFIA DE DADOS.............................................................................................125 3 CHAVES CRIPTOGRÁFICAS SIMÉTRICAS E ASSIMÉTRICAS ......................................134 3.1 CIFRAS DE BLOCO E CIFRAS DE FLUXO ..................................................................................... 135 3.2 CRIPTOGRAFIA SIMÉTRICA OU DE CHAVE SECRETA .............................................................. 136 3.3 CRIPTOGRAFIA ASSIMÉTRICA OU DE CHAVE PRIVADA ......................................................... 139 4 CHAVES CRIPTOGRÁFICAS PÚBLICA E PRIVADA .......................................................142 4.1 CHAVES ASSIMÉTRICAS OU CHAVES PÚBLICAS ..................................................................... 143 4.2 CHAVES SIMÉTRICAS OU CHAVES SECRETA ............................................................................ 145 RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................... 147 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................149 TÓPICO 3 — EMISSÃO DE ASSINATURA DIGITAL ............................................................. 151 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 151 2 EMISSÃO DA ASSINATURA DIGITAL .............................................................................. 151 2.1 EMISSÃO DO CERTIFICADO DIGITAL ............................................................................................. 154 2.2 CICLO DE VIDA DE UMA ASSINATURA DIGITAL ......................................................................... 155 2.3 TIPOS E USOS DE ASSINATURAS DIGITAIS ................................................................................ 156 2.4 COMO USAR UMA ASSINATURA DIGITAL .................................................................................... 157 3 CADEIA HIERÁRQUICA DE CONFIANÇA NA ASSINATURA DIGITAL ............................159 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................162 RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................169 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................171 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 173 1 UNIDADE 1 - CERTIFICAÇÃO DIGITAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender o conceito e funcionamento da certificação digital; • entender sobre a certificação direta e arbitrada; • identificar os benefícios da utilização dos certificados digitais; • analisar a forma de aplicação dos certificadosdigitais nos cartórios; • identificar os benefícios da utilização dos certificados digitais; • compreender os tipos de certificados; • compreender as etapas da certificação digital; • compreender as características da certificação digital; • compreender o ciclo de vida da certificação digital. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – FUNDAMENTOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL TÓPICO 2 – BENEFÍCIOS E TIPOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL TÓPICO 3 – CICLO DE VIDA E CARACTERÍSTICAS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 1! Acesse o QR Code abaixo: 3 FUNDAMENTOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 1 - UNIDADE 1 Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos o conceito e a importância dos princípios de segurança da informação (autenticidade e integridade), da certificação digital e de suas aplicações nos mais diversos serviços que exigem uma comunicação de dados confiáveis em uma rede de comunicação. Veremos que a autenticidade é um processo intrínseco no conceito de certificação digital, no qual garante que uma comunicação seja autêntica, ou seja, que a origem de uma mensagem é proveniente da fonte segura para o receptor. Já a integridade é um processo que está relacionado à preservação do estado original da informação, no qual a informação não poderá haver rompimentos, alterações indevidas ou exclusões totais e parciais. Atualmente, há muitas artimanhas e pessoas mal-intencionadas forjando documentos e assinaturas. No mundo digital, não é diferente. Os ataques a redes de computadores de organizações financeiras e a sites governamentais e privados acontecem frequentemente. Assim, é de grande importância compreender o uso dos certificados digitais para a implantação dos princípios de segurança da informação. Falaremos, por fim, sobre as aplicações específicas da certificação digital. 2 CONCEITOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL Existem diversos conceitos de certificação digital na literatura. A certificação tem como principal foco garantir a segurança entre as transações, visto que somente o próprio portador do certificado poderá fazer uso de tal ferramenta, não podendo ser transferível, a menos que esse portador autorize, por meio de uma procuração, que outras pessoas utilizem seu próprio certificado. Uma vez comprovada a identidade da pessoa no mundo digital, com seu próprio certificado ela poderá fazer uso de portais de assinaturas, fazer as devidas assinaturas, ou acompanhamento com base em log de rastreamentos (ZUNINO, 2017, p. 68). A criptografia de um certificado digital é estabelecida essencialmente por meio de uma codificação algorítmica (Figura 1), um programa de computador, o qual estabelece uma forma de cifragem das informações enviadas entre emissor e receptor. 4 FIGURA 1 – CRIPTOGRAFIA POR MEIO DE CODIFICAÇÃO FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/programming-code-abstract- technology-background-software-1467043322>. Acesso em: 26 jul. 2021. Vamos recordar alguns princípios da segurança da informação para compreendermos melhor o que são as certificações digitais e suas aplicações. Os princípios que estão relacionados à certificação da informação são a autenticidade e a integridade. Vejamos como eles funcionam. 2.1 AUTENTICIDADE DE UMA INFORMAÇÃO Dentro de um processo de acesso, após a identificação do usuário em um meio computacional, deve-se confirmar que ele é realmente mesmo quem diz ser por meio de senhas de acesso, ou seja, pela averiguação e confirmação da identificação. Para Pegorini (2019, p. 16), autenticidade é “[...] quem se responsabiliza por registrar um usuário que está enviando uma informação. Ela se refere à segurança da origem de toda e quaisquer informação, e possui a tarefa de garantir que uma pessoa é quem ela diz ser”. Em resumo, a autenticidade da informação nada mais é que, a partir do momento que a informação existe esta manterá sua originalidade, podendo ser alterada apenas para quem possuir permissão. O processo de autenticação é uma combinação de hardware, software, política e procedimentos de segurança da informação que permitem que os usuários tenham acesso aos objetos e recursos computacionais. Teixeira (2019, p. 17) exemplifica os tipos de autenticidade que podem ser utilizadas pelo usuário, sendo elas, “[...] algo que o usuário sabe; algo que o usuário tem; algo que o usuário é”. A Figura 2 traz o diagrama que ilustra os tipos de autenticações de usuários e suas características. 5 FIGURA 2 – DIAGRAMA DOS TIPOS DE AUTENTICAÇÃO FONTE: O autor • Autenticação baseada no conhecimento Uma autenticação por conhecimento pode ser uma senha de acesso (password), um código reduzido Personal Identification Number (PIN) ou uma combinação de segredos que o usuário saiba, como nome da mãe ou perguntas randômicas que possa informar. Para Galvão (2015), umas das soluções mais populares de autenticação do usuário por conhecimento é a senha ou password, uma sequência de caracteres baseada em alguma coisa que somente o usuário saiba, mas também é possível se utilizar de programas ou rotinas geradoras de senhas que criar as senhas para os usuários. Os geradores de senha evitam que os usuários não gerem senhas simples, no entanto, geram senhas complexas de difícil memorização para os usuários. Um token ou chave eletrônica pode ser um hardware ou software. No caso de hardware, é considerado um gerador de senhas que possui um display de Liquid Crystal Display (LCD) (tipo um chaveiro) ou um pequeno teclado numérico. No caso do token software, gera-se aproximadamente uma nova senha a cada 30 segundos nos dispositivos móveis como smartphones. Uma política de senhas deve também ser definida como estratégia (no controle de acesso) para o excesso de tentativas de senhas fracassadas. A ideia é que após três tentativas de senhas inválidas o usuário seja bloqueado, procurando, assim, o administrador ou um método de recuperação de senha para obtê-la novamente. Outro aspecto importante na autenticação por conhecimento é a utilização de senhas fortes, 6 quando criadas pelos usuários: uma combinação de caracteres numéricos, com letras minúsculas e maiúsculas e caracteres especiais. Esse critério deve ser definido nas políticas de controle de acesso da organização ou na regra do aplicativo. • Autenticação baseada na propriedade Autenticidade baseada na propriedade “[...] é relativo a itens físicos, como tokens, smart cards e cartões” (TEIXEIRA, 2019, p. 17). Atualmente, o uso combinado de autenticação por propriedade e a autenticação por senhas é aplicado em cartões de débito ou crédito com a senha de acesso. • Autenticação por característica Para Teixeira (2019, p. 17), a autenticidade por característica, “abrange as características físicas e são realizadas as identificações através do reconhecimento de íris, reconhecimento facial ou biometria”. Sendo assim, é realizada por meio de um aspecto físico comportamental, podendo ser baseada no reconhecimento de uma ação de uma determinada pessoa, por estudos biométricos. Autenticar uma informação significa averiguar se ela é verdadeira e se derivam de fontes seguras ou averiguar a identidade do emissor da informação. Uma forma de confirmar a autenticidade é por meio da biometria, por exemplo, com um chip eletrônico de um cartão de crédito/débito ou de um código de segurança. A autenticidade fortalece a confiabilidade e a integridade da informação. A Figura 3 representa a autenticidade por biometria a partir de outros dispositivos, como um autenticador em um smartphone, fortalecendo integridade da informação. FIGURA 3 – AUTENTICIDADE POR BIOMETRIA FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/business-man-using-magnifying-review-balance-19>. Acesso em: 26 jul. 2021. 7 Existem vários métodos de identificação e/ou “identificação + autenticação”, sendo que as definições de identificação, autenticação e autorização são próximas e complementares, cada uma tem uma finalidade bem diferente como a identificação que diz quem é o usuário, a autenticação que verifica e a autorização libera o acesso. Alguns desses métodos de identificação e autenticação segundo Kolbe Júnior (2017) são: • Login simples: usuário + senha (identificação + autenticação). • Biométrica: proporciona a recognição e autenticação segura de determinada pessoa utilizando atributos físicos como impressão digital, íris e reconhecimento facial. • Smart card: cartões com chips, que assuem o identificador de um usuário e informações adicionais ou ainda certificados digitais (identificação/autenticação). • Tokens: pequenos dispositivos que podem ser aplicados para armazenamento de certificados digitais e gerador de senhas (autenticação). • Senhas de acesso único: senhas aleatórias que são geradas a um determinado período (30 segundos, aproximadamente), permitindo que o usuário se conecte naquele instante (autenticação). • Radio Frequency IDentification (RFID): é um device de radiofrequência que utiliza sinais de rádio. Um RFID é uma pequena antena de transmissão de dados que pode ser colocada em uma pessoa, animal ou objeto. • Assinatura digital: garante os mesmos atributos de segurança quando assinamos um documento de papel com uma caneta esferográfica. É uma forma de ter garantias de que, em um meio virtual/digital, a autoria da assinatura é realmente autêntica (identificação + autenticação). Isso pode ser realizado por intermédio de métodos de procedimentos de criptografia, utilizados determinados arquivos virtuais. É fato que são colocadas algumas exigências, tais como credenciamentos e certificações. 2.2 INTEGRIDADE DA INFORMAÇÃO A integridade é a segurança de que a informação não será adulterada após seu armazenamento. Ela é a garantia da precisão dos dados ou informações e dos métodos de tratamento cujo conjunto de instrumentos (hardware, software e comunicações) deve funcionar no processamento e na manutenção correta dessas informações. A integridade é a salvaguarda da exatidão e da confidencialidade de informações e sistemas, isto é, visa certificar que não ocorrerão modificações não autorizadas de dados. A integridade está relacionada ao estado original da informação, ou seja, a segurança da informação deve proteger as informações contra falsificações, rompimentos, alterações indevidas e exclusões totais e parciais. Para verificar a existência de integridade das informações, é necessária a verificação do seu estado original. A Figura 4 apresenta pessoal especializado na tarefa de verificação da originalidade (integridade) das informações. 8 FIGURA 4 – VERIFICAÇÃO DA INTEGRIDADE DOS DADOS FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/business-man-using-magnifying-review- balance-1941276847>. Acesso em: 26 jul. 2021. Assim, a integridade faz parte de um processo de certificação digital que promove a garantia de que os dados transmitidos estarão íntegros, ou seja, que os dados transmitidos de um site para o seu navegador sejam os mesmos originais que se encontram no servidor Web, por exemplo. 2.3 CERTIFICAÇÃO DIGITAL O certificado digital é um documento eletrônico que contém um nome e uma chave pública, assim, a certificação digital é um documento digital eletrônico que possui dados ou informações sobre pessoas físicas ou jurídicas que a utilizam para a comprovação mútua de autenticação, igual à realizada em um cartório. No cartório que realizam tarefas notariais (Figura 5), você levaria um documento assinado para conferir sua autenticidade, ou do documento ou da assinatura (tipo “firma reconhecida”). A certificadora digital funciona como se fosse um cartório digital. 9 FIGURA 5 – TAREFAS NOTARIAIS FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/girl-puts-stamp-on-documents- office-772178092>. Acesso em: 26 jul. 2021. Uma Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP) no Brasil tem sido muito empregada nas rotinas da declaração do imposto de renda pela Receita Federal, alienação judicial relacionada a leilões e bens penhorados na internet, procedimentos e informações ao contribuinte pessoa física e jurídica por meio do portal ‘e-CAC’ da Receita Federal e prefeituras. A infraestrutura de chaves públicas no Brasil é um conjunto de normas, padrões, procedimentos e entidades que tem por objetivo sustentar uma estrutura segura para a geração/armazenamento de Certificados Digitais (CD). Essa infraestrutura é implementada pela ICP-Brasil, que é constituída por um comitê gestor (autoridade gestora de políticas de certificação digital) e formada por uma estrutura hierárquica com instituições e entidades públicas ou privadas. Para Melo Jr. et al. (2019), existem três papéis que regulamentam os sistemas relacionados às assinaturas digitais: • Certificador Raiz (AC-Raiz) – está localizada no topo da hierarquia sendo a primeira autoridade que tem a incumbência de padronizar, supervisionar e auditar as autoridades certificadoras. • Autoridades Certificadoras (AC) – que têm a atribuição de averiguar se o proprietário do certificado tem a chave privada e sua equivalente chave pública, além de gerar e rubricar digitalmente o certificado digital (emissão do CD). • Autoridades de Registro (AR) – que detêm a atribuição de efetuar o interfaceamento presencial entre o futuro proprietário e a Autoridade Certificadora (AC), não sendo necessariamente presença física, mas sim remota. A ICP-Brasil é uma cadeia hierárquica de confiança que promove a geração/ armazenamento de certificados digitais para a identificação virtual do cidadão. O modelo dessa estrutura de certificação é denominado de “AC-Raiz”, realizado pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI, 2017). 10 Para se adquirir os certificados digitais pelas Autoridades Certificadoras (AC) por meio da autoridade de registro, é necessário seguir as etapas conforme a ITI (2017): 1- Proceder a definição de uma autoridade certificadora. 2- Proceder a definição do tipo de certificado digital pelo site da AC, que pode ser do tipo A1 (validade de um ano e de armazenamento no computador) e A3 (validade de até cinco anos de armazenamento em chip por meio de cartão ou token criptográfico). 3- Proceder o agendamento de comparecimento à Autoridade Registradora (AR), que irá efetuar a validação dos dados de solicitação e cadastramento biométrico (validação presencial). 4- Na sequência, é efetuada a geração do certificado digital para a instalação em dispositivos de utilização do usuário. Para Wykes (2016), os certificados digitais são documentos eletrônicos criados com a finalidade de responder a uma única pergunta: “a quem pertence a chave pública?” Para isso, é imprescindível a associação de informações de identificação pessoal ou de alguma entidade proprietária do par de chaves (privada e pública). Essas informações podem ser consideradas: endereço de e-mail, endereço Internet Protocol (IP) de um dispositivo, registro civil ou Cadastro de Pessoa Física (CPF) (procedimento realizado no terceiro passo da emissão do cerificado digital). Em um processo de certificação digital, a certificadora evita que aconteçam invasões por meio de uma interceptação mal-intencionada (ações indevidas na decifragem de chaves ou devolução de chaves públicas forjadas). A certificadora disponibiliza uma infraestrutura física e de autenticação para armazenar e garantir que as chaves privadas sejam geradas/armazenadas apenas para seus proprietários. A autoridade certificadora realiza a emissão de certificados de chave pública, cujo documento eletrônico possui dados pessoais do emissor e do receptor (credenciais) utilizados para a comprovação reciproca de autenticidade. Assim, a autoridade certificadora é responsável por: • Difundirinformações sobre os certificados não mais confiáveis ou não válidos por meio de uma “lista de certificados revogáveis”. A Figura 6 representa a verificação de informações confiáveis através da verificação de listas de cerificados revogáveis localizados em servidores ou máquinas da autoridade certificadora. 11 FIGURA 6 – VERIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES CONFIÁVEIS FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/search-hacked-warning-on-laptop- concept-1978834034>. Acesso em: 6 jul. 2021. • Construir o certificado digital utilizando-se dos dados pessoais do solicitante. A autoridade certificadora irá validar os documentos pessoais do proprietário do certificado digital que será gerado e armazenado em mídias. A Figura 7 representa ludicamente que a assinatura digital tem equivalência a uma assinatura normal como em documentos pessoais. FIGURA 7 – ASSINATURA DIGITAL FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/isometric-electronic-signature-concept- document-digital-1412609024>. Acesso em: 26 jul. 2021. • Atestar a veracidade dos dados pessoais dos interlocutores que estão trocando informações. A veracidade é a certificação de que as informações e documentos digitais são verdadeiros. Uma forma de atestar a veracidade é o uso da certificação digital por autenticação dos proprietários, por exemplo, a biometria digital, como ilustra a Figura 8. 12 FIGURA 8 – VERACIDADE DOS DADOS POR AUTENTICAÇÃO DOS PROPRIETÁRIOS FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/access-connection-internet-technology- concept-526644838>. Acesso em: 26 jul. 2021. A identificação biométrica é uma identificação única e pessoal, sendo um dos métodos atuais mais eficazes de verificação de identificação. A biometria se baseia no fato de que o ser humano possui características físicas únicas, incluindo impressões digitais, traços faciais, voz, assinaturas manuscritas etc. A identificação biométrica do olho pode ocorrer por meio da leitura da retina de uma pessoa, da verificação dos padrões dos vasos sanguíneos da retina que ficam no fundo do olho ou da leitura da íris (em torno da pupila), parte colorida do olho que possui um padrão único. O reconhecimento pela retina é o mais preciso dentre todos os métodos. Um sistema de leitura da íris do olho (parte colorida) de uma pessoa verifica um padrão único (Figura 9). Após ser esse padrão ser cadastrado no sistema, é possível realizar identificação posterior. FIGURA 9 – RECONHECIMENTO FACIAL FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/future-face-detection-technological-3d- scanning-1628451412>. Acesso em: 26 jul. 2021. 13 Os dispositivos biométricos hoje já realizam o reconhecimento da face de uma pessoa a partir de softwares que executam o mapeamento da geometria e das proporções da face, por meio da delimitação de pontos, distâncias, tamanhos e formas dos elementos da face. Já no reconhecimento da palma da mão, é feita uma captura de imagem com um scanner (ou interface), com a leitura do desenho das linhas e saliências das mãos. No futuro, será possível desenvolver sistemas que realizam a identificação biométrica com base na análise do Ácido Desoxirribonucleico (DNA), em odores do corpo humano e imagens térmicas, dentre outros padrões de reconhecimento físico. Cada reconhecimento possui uma precisão própria, dependendo das características físicas para uma representação numérica. Essa representação numérica da imagem é processada e armazenada. Quanto mais simplificada for essa representação, mais rápido será o processamento de identificação. Existem outros métodos de identificação e/ou “identificação + autenticação”, sendo que as definições de identificação, autenticação e autorização são próximas e complementares, mas cada uma tem uma função bem distinta: lembrando que a identificação diz quem é o usuário, a autenticação averigua e a autorização permite o acesso. Alguns desses métodos de identificação e de autenticação seriam: • Um log on simples – que é a identificação, corresponde ao ‘nome ou código de usuário’ + ‘autenticação: senha’. • A biometria – que possibilita o reconhecimento e a autenticação segura, ao mesmo tempo, de determinado indivíduo, utilizando características físicas como a impressão digital, a íris e o reconhecimento facial. É o caso da Figura 10, em que uma pessoa se utiliza do reconhecimento facial para acesso a determinado aplicativo. FIGURA 10– BIOMETRIA POR RECONHECIMENTO FACIAL FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/female-scans-face-using-facial- recognition-1658387542>. Acesso em: 26 jul. 2021. 14 • Smart card: O smart card é um dispositivo físico que armazena informações pessoais do usuário, bem como informações pertinentes à chave privada que ele representa, incluindo dados do certificado como data de emissão, serial, emissor etc. O smart card é semelhante ao cartão de crédito ou débito utilizado pelos bancos hoje em dia. Na verdade, a analogia da utilização à aplicação do smart card é a mesma do cartão de débito com o certificado digital. O smart card possui um microchip com um microcontrolador integrado para processamento e armazenamento das informações (ASSUNÇÃO, 2017, p. 11-12). • Dispositivos tokens: O token é também um dispositivo físico para armazenamento do certificado e de informações dos usuários, assim como o smart card, mas o que o diferencia do smart card é a sua segurança e sua capacidade. Enquanto o smart card possui capacidade de até 128 Kbits, o token consegue armazenar até 72 KBytes. Ou seja, se 128 Kbits são 16 KBytes, o token tem capacidade de armazenamento de quase 5 vezes mais que o smart card (ASSUNÇÃO, 2017, p. 12). • Senhas de acesso único: são senhas aleatórias geradas a cada período (30 segundos), possibilitando que o usuário se conecte naquele instante (autenticação). Essas senhas são criadas por algum dispositivo eletrônico ou aplicativo. • RFID: é um dispositivo de radiofrequência que utiliza sinais de rádio. Um RFID é uma antena que pode ser colocada em uma pessoa, animal, produto etc. • Assinatura digital: A assinatura digital, como o próprio nome diz, consiste em assinar determinado documento de forma digital. O processo utiliza exclusivamente o certificado e-CPF A3, pois se faz necessário o uso de chave pública e privada com a segurança SHA. O processo constitui basicamente em assinar um documento e encaminhar ele para alguém ou alguma empresa. Após assinado, o documento ganha informações que poderão e deverão ser utilizadas pelo destinatário para conferência e validação da informação, para garantir a autenticidade daquele documento (ASSUNÇÃO, 2017, p. 14). Entretanto, são necessárias algumas exigências, tais como o credenciamento pelas autoridades certificadoras e a geração de certificações. A assinatura digital também pode ser combinada com uma assinatura desenhada com uma caneta digitalizadora (assinatura eletrônica/digitalizada), como ilustra a Figura 11, condicionada a uma assinatura digital em chaves criptográficas, autenticando e assegurando integridade do documento entre emissor e receptor. 15 FIGURA 11– ASSINATURA ELETRÔNICA E DIGITAL FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/woman-hand-holds-stylus-puts- electronic-1967572615>. Acesso em: 26 jul. 2021. Os cerificados digitais possuem “veracidade” por autenticação de seus proprietários por meio da identificação/autenticação por parte deles. Contudo, esses certificados podem perder sua validade, como um documento pode expirar sua validade. Quando discutimos em certificados “não mais confiáveis” ou “não válidos”, são aqueles cuja data de validade expirou. Para Wykes (2016), a data de validade condiz a um, dois ou cinco anos após a geração do certificado. Após o vencimento, a chave privada pode ser apagada, pois não terá mais uso. Já com relação a chave pública, o conceito de validade é distinto, pois é provável que alguém queira efetuar a validação de uma assinatura digital antiga, a qualquermomento, mesmo após o vencimento do certificado. 3 APLICAÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL A aplicabilidade da certificação atualmente é muito vasta, devido à grande disseminação e utilização de dispositivos e aplicações digitais/móveis em plataformas computacionais Web e aplicativos (APPs) para smartphones. Assim, as finalidades da certificação digital estão presentes em serviços privados e do governo, tais como: • emissão de notas fiscais eletrônicas; • acesso a serviços da Receita Federal; • proteção de serviços web em um servidor de internet; • sites do governo para serviços de empresas; • serviços do sistema público de escritura digital; • serviços de bancos do governo. 16 No caso da emissão de Notas Fiscais eletrônicas (NF-e) e sua impressão, a certificação digital de pessoa jurídica ou física serve como uma espécie de identidade virtual e proporciona que as transações eletrônicas sejam realizadas com segurança em termos de autenticidade (validade jurídica), evitando fraudes e agilidade nos processos, tornando-os sem burocracias (SEBRAE, 2020). A emissão de uma NF-e pode ser realizada sem a certificação digital, por meio de uma automatização emitida pela Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento. O acesso pode ser realizado por meio de um usuário, senha e validação Captcha (“eu não sou um robô”). Ao acessar o sistema web de emissão de NF-e, é solicitada a entrada de um certificado digital, caso não exista o acesso por usuário/ senha/validação é solicitado. Na aplicação em sítios do governo federal, por exemplo, o portal e-CAC (Centro Virtual de Atendimento Eletrônico) ou Centro de Atendimento ao Contribuinte da Receita Federal – na qual os contribuintes utilizam serviços como cadastro do contribuinte, certidões negativas, cobrança e fiscalização, declarações, consulta a dívidas da União, pagamentos e parcelamentos, restituição e compensação, Simples Nacional e outros serviços – a autenticação é realizada com o uso do certificado digital ou do número do CPF/CNPJ, do código de acesso e senha. O código de acesso é obtido por meio de informações (código de entrega) dos dois últimos recibos de entrega da Receita Federal. Outro uso dos certificados digitais são aplicações em servidores web, denominados de Certificados de servidores web. Esses certificados fornecem uma espécie de chave digital pública do servidor web, assim gera chaves secretas de forma compartilhada, por meio da verificação da identidade de um site para os usuários/ clientes. Para Agra e Barboza (2018, p. 38), os certificados são: [...] assinados digitalmente usando a chave privativa de um terceiro confiável, conhecido como Autoridade de Certificação (CA, do inglês Certification Authority). O proprietário de um site obtém um certificado submetendo uma requisição de certificação para uma CA e pagando uma taxa. Um certificado de servidor é um atestado do emissor (CA) sobre determinada organização, proprietária do site, e contém vários campos, como: nome da Autoridade de Certificação, que emitiu o certificado; número serial, identificador; data de vencimento do certificado; nome de domínio do site; organização que opera; identificador do criptossistema de chave pública usado no servidor; chave pública usada pelo servidor no protocolo HTTPS; identificador da função hash de chave pública usada pela CA para assinar o certificado; assinatura digital em todos os outros campos do certificado. A Figura 12 ilustra as informações do certificado digital para um servidor web, no qual é possível verificar informações sobre a sua aplicação e proprietário de emissão na aba ‘Geral’, além de outras informações na aba ‘Detalhes’ e ‘Caminho de certificação’. 17 FIGURA 12 – CERTIFICADO DIGITAL PARA AS REQUISIÇÕES EM SERVIDORES WEB FONTE: Agra e Barboza (2018, p. 38) O certificado digital se destina à verificação de componentes de sistema Windows, verificação de driver de hardware do Windows, permite que os dados no disco sejam criptografados, permite a comunicação protegida na Internet e permite que o usuário assine digitalmente uma lista de certificados confiáveis. ATENÇÃO É importante lembrar que uma assinatura digitalizada/escaneada é diferente de uma assinatura digital. A assinatura digitalizada/ escaneada por uma mesa digitalizadora/scanner não tem amparo legal/ jurídico, já que é mera cópia da assinatura e suscetível manipulação por terceiros. Contudo, é possível promover a autenticidade por meio do acompanhamento de outras formas digitais, como e-mail e sua troca de informações (remetente/destinatário), caracterizando assim a vontade manifestada. 18 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • É preciso saber compreender princípios de segurança da informação como a autenticidade e integridade, bem como os diversos métodos e tipos de autenticação. • É necessário compreender a diferença entre identificação, autenticação e validação de uma informação e que estas, em conjunto, correspondem a uma certificação digital. • É possível estabelecer os passos para a obtenção da certificação digital. • São aplicadas as cerificações digitais para segurança e agilidade no uso das informações. • O processo de autenticação é uma combinação de hardware, software, política e procedimentos de segurança da informação podendo ser dividida em conhecimento, propriedade e característica. A identificação biométrica é uma identificação única e pessoal, sendo um dos métodos atuais mais eficazes de verificação de identificação. • Além da identificação por biometria, existem diversos outros métodos de identificação e/ou “identificação + autenticação” através de dispositivos eletrônicos ou softwares de autenticação, sendo estes próximas e complementares. • Os certificados digitais possuem diversas aplicações, uma delas é que são utilizados em servidores web, na identidade de um site para os usuários/clientes, denominados de Certificados de servidores web. RESUMO DO TÓPICO 1 19 1 A certificação digital é um documento digital, sendo um processo que possui dados e contempla em uma de suas etapas os dados (ou informações) sobre pessoas físicas ou jurídicas que a utilizam para a comprovação mútua de autenticação, igual à realizada em um cartório. Tendo em vista essas informações, assinale a alternativa CORRETA que corresponde à definição de certificação digital: a) ( ) É um certificado de transmissão de comunicação direta entre receptor e emissor para comprovar a qualidade de transmissão. b) ( ) É um mecanismo eletrônico de arbitragem realizado pela autoridade certificadora. c) ( ) É um documento eletrônico e em papel emitido pela autoridade certificadora do setor público. d) ( ) É um cerificado gerado por qualquer pessoa que necessite enviar uma mensagem criptografada. 2 Considera-se que a autenticação é uma forma de certificar se a informação é verdadeira e que provém de fontes seguras (dos seus proprietários originais), ou também verificar a identidade de quem está enviando a informação. Com base nos princípios e métodos da segurança da informação, analise as sentenças a seguir: I- A identificação é uma informação que deve ser sigilosa. No ambiente computacional, a identificação pode ser uma senha, cartão token ou uma característica física-biométrica. II- A senha é o recurso mais utilizado em função da facilidade de construção da solução, do baixo custo envolvido e do bom nível de proteção que pode alcançar. Se o seu uso for bem implementado, ele possui um nível de segurança aceitável. III- A certificação digital se utiliza da autenticação, como a autenticação de assinaturas no mundo real, o qual é realizada por cartórios convencionais. No mundo virtual, a validação da autenticação do usuário é feita utilizando um terceiro elemento confiável, o cartório digital. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.d) ( ) As sentenças II e III estão corretas. 3 O uso de certificado pode ser restrito a qualquer organização, de forma única ou pode utilizar o sistema brasileiro, que já tem prévia validade legal (o ICP – Infraestrutura de Chaves Públicas/Brasil). De acordo com a estrutura hierárquica de confiança, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 20 ( ) Autoridades de registro (AR) – têm a função de verificar se o dono do certificado tem a chave privada e sua correspondente chave pública, além de criar e assinar digitalmente o certificado digital (emissão do CD). ( ) Autoridades de certificação (AC) – têm a função de realizar o interfaceamento presencial entre o usuário e a autoridade certificadora (AC), não sendo necessariamente presença física, mas sim remota. ( ) Certificador Raiz (AC-Raiz) – situa-se no topo da hierarquia sendo a primeira autoridade que tem a função de normalizar, fiscalizar e auditar as autoridades certificadoras. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 O certificado associa a identidade do usuário, seus dados e a sua chave pública correspondente. O certificado é garantido pela assinatura digital do certificador que funciona como um cartório eletrônico. Disserte sobre qual é o objetivo do certificado digital, de que tipo de informações o certificado digital é constituído e onde essas informações certificadoras devem estar armazenadas para a sua segurança. 5 O certificado digital é um arquivo eletrônico com dados de uma pessoa ou empresa, que comprova sua identidade para oferecer segurança à comunicação. Nesse contexto, disserte sobre os princípios de segurança que fundamentam a certificação digital. 21 BENEFÍCIOS E TIPOS DE CERTIFICAÇÃO DIGITAL 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 1 TÓPICO 2 - Acadêmico, no Tópico 2, trabalharemos com os principais benefícios da certificação digital, como o valor jurídico da autenticidade digital em documentos eletrônicos e a eficiência e qualidade dos serviços que utilizam o certificado digital, como os cartórios e tabelionatos. Assim, veremos que a certificação digital possui valor jurídico, eficiência e qualidade para os serviços notariais. Quanto ao valor jurídico, a certificação digital promove o mesmo valor para os papéis assinados de forma manual. Quanto à eficiência e à qualidade dos serviços notariais, a certificação digital estabelece a redução de recursos diretos e agilidade nas tarefas notariais. Veremos os tipos de certificados digitais que são gerados para as diversas mídias de armazenamento. Essas mídias são aplicadas em computadores, mobiles e servidores que hospedam sites e blogs para autenticação e proteção dos seus serviços. Também daremos um enfoque relacionado ao protocolo de rede SSL, utilizado nos certificados digitais Secure Sockets Layer (SSL), para proteção em servidores web. Veremos que o protocolo SSL estabelece uma criptografia de e-mails, banco de dados e informações digitais de valor jurídico equivalente a assinatura de documentos de forma manual. 2 BENEFÍCIOS DA UTILIZAÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL Já sabemos que o certificado digital é a identidade do indivíduo na web e que também é um arquivo de computador que identifica o usuário e confere autenticidade aos documentos eletrônicos (AC NOTARIAL, 2021). Os benefícios da certificação digital estão baseados, como vimos no tópico anterior, em princípios de segurança da informação, como a autenticidade e integridade, preservando a identificação e a originalidade dos dados. Contudo, novos valores são creditados no processo de certificação digital, tais como: segurança jurídica, redução de custos, comodidade, agilidade, mobilidade, assinatura digital, facilidade da obtenção e visualização de diversos documentos de forma digital, eliminando o formato papel e colaborando para a preservação ambiental. Vejamos em detalhes cada um dos benefícios. 22 2.1 VALOR JURÍDICO Com o certificado digital, a pessoa física ou jurídica mantém o valor jurídico dos documentos, ou seja, o certificado digital promove o mesmo valor jurídico de um documento de papel assinado ou autenticado em cartório, como ilustra a Figura 13, para um documento digital. Os cartórios também estão garantindo que a segurança jurídica prevaleça entre as relações oficiais entre pessoas jurídicas, físicas e instituições, por meio do certificado digital e atuação Notarial. “Nada mais natural que cartórios deem fé e validem os certificados digitais, [ou seja, verifique a veracidade aos documentos], uma vez que se encontram com uma imagem de confiabilidade histórica junto a população” (AC NOTARIAL, 2021, p. 2). FIGURA 13 – ASSINATURA – VALOR JURÍDICO FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/businessman-executive-manager-hand- filling-paper-1687192501>. Acesso em: 26 jul. 2021. Segundo o AC Notarial (2021), pela Resolução n° 47 da ICP-Brasil, os cartórios poderão atuar como Instalações Técnicas de (IT) na forma de Autoridades de Registros (AR) de sua entidade representativa, por exemplo, o Colégio Notarial do Brasil, que também tem o papel de Autoridade Certificadora (AC). As diversas vantagens da certificação digital para os cartórios podem ser: • Validade jurídica nas transações virtuais. • Autenticação segura nos sistemas do Poder Judiciário. • Transmissão da DOI à Receita Federal via Internet. • Maior segurança nas operações eletrônicas. • Resolução de trâmite de papéis/documentos. 23 2.2 EFICIÊNCIA E QUALIDADE NOS SERVIÇOS Com o credenciamento dos cartórios e tabelionados como IT para certificação digital, como ilustra a Figura 14, os envolvidos terão vantagens na eficiência nos serviços notariais, ou seja, na redução de recursos notariais diretos, como redução do papel, tinta, pessoal, cópias, carimbos, bem como na agilidade serviços sendo executados em tempo real. Já a integridade das informações no processo de certificação digital oferece a qualidade dos dados trocados entre emissor e receptor e na velocidade processo promovendo a satisfação do cliente. FIGURA 14 – O CARTÓRIO UTILIZANDO SERVIÇOS DIGITAIS FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/gavel-justice-scales-lawyer-working- on-1926492176>. Acesso em: 26 jul. 2021. • Redução de custos operacionais. • Otimização do tempo no atendimento ao cliente. • Satisfação do cliente. • Responsabilidade socioambiental. • Valorização da imagem dos cartórios para a sociedade. Assim, os cartórios credenciados como IT, além de poderem realizar a validação, verificação e conferências de documentos, análise de contratos e qualificação de forma presencial, podem se utilizar da certificação digital otimizando o tempo, reduzindo custos com o mesmo valor jurídico/legal. 24 Além da redução dos recursos diretos que a certificação digital traz, existe a otimização dos recursos indiretos, como a ausência de mobilidade, ou seja, ausência de transporte, viagens, correios e demais burocracias, para que os emissores e receptores, examinem, assinem e autentiquem com validade jurídica em qualquer lugar da cidade, país ou do planeta. Assim, na certificação digital, temos uma redução de tempo e dinheiro relacionado ao deslocamento entre os emissores e receptores para que o documento possa ser assinado e validado. O benefício da otimização indireta da certificação digital pode chegar a todos os envolvidos no processo de certificação de um documento. Além de que a redução de mobilidade nas grandes cidades é um fator socioeconômico- ambiental, reduzindo o trânsito e a emissão de poluentes na atmosfera. INTERESSANTE Uma assinatura digital é diferente de uma assinatura eletrônica. Segundo o portal de assinaturas da Certsign (2021a), a assinatura digital se utiliza de um certificado digital ICP-Brasil para comprovar a autoria da assinatura por meio da autenticidade, integridade e não repúdio. Já uma assinatura eletrônica coleta evidênciaspara comprovar a autoria da assinatura em um documento e não utiliza a certificação digital. Essas evidências são coletadas no momento da assinatura, como a grafia do signatário, com o uso de uma caneta touch, dedo, mouse ou imagem digitalizada, IP da máquina e geolocalização. 3 TIPOS DE CERTIFICAÇÃO DIGITAL O certificado digital é requisitado por pessoas físicas jurídicas e instituições. Segundo Zunino (2017, p. 68): A certificação tem como principal foco garantir a segurança entre as transações, visto que somente o próprio portador do certificado poderá fazer uso de tal ferramenta, não podendo ser transferível, a menos que esse portador autorize, por meio de uma procuração, que outras pessoas utilizem seu próprio certificado. Assim, a partir de programas de computadores, o documento eletrônico é criptografado de acordo com a chave pública do destinatário e só poderá ser acessado pelo receptor com uma chave privada (exclusiva do receptor). Para gerar e armazenar esses documentos eletrônicos, existem formas diferentes que criam tipos de certificação. 25 3.1 TIPOS DE CERTIFICAÇÃO DIGITAL: TIPOS, MÍDIAS E PÚBLICO O certificado digital é um documento eletrônico que contém dados pessoais do requerente, informações numéricas da chave pública e privada, além do nome da certificadora que o emitiu. Esse documento eletrônico pode ser gerado de diversas formas eletrônicas, assim, podemos classificá-los conforme a sua geração/armazenamento das chaves criptografadas. Esses dispositivos de autenticação podem estar na forma de arquivos, dispositivos token, smart card, RFID e outros, assim, a geração/armazenamento das chaves criptografadas que compõem o certificado digital podem estar nessas formas. Tipos de certificados da ICP-Brasil A ICP-Brasil oferece duas categorias de certificados digitais: A e S, sendo que cada uma se divide em quatro tipos: A1, A2, A3 e A4; S1, S2, S3 e S4. A categoria A é direcionada para fins de identificação e autenticação, enquanto o tipo S é direcionado a atividades sigilosas. Vejas as características que tornam as versões de ambas as categorias diferentes entre si:A1 e S1: geração das chaves é feita por software; chaves de tamanho mínimo de 1024 bits; armazenamento em dispositivo de armazenamento (como um HD); validade máxima de um ano; A2 e S2: geração das chaves é feita por software; chaves de tamanho mínimo de 1024 bits; armazenamento em cartão inteligente (com chip) ou token (dispositivo semelhante a um pen drive); validade máxima de dois anos; A3 e S3: geração das chaves é feita por hardware; chaves de tamanho mínimo de 1024 bits; armazenamento em cartão inteligente ou token; validade máxima de três anos; A4 e S4: geração das chaves é feita por hardware; chaves de tamanho mínimo de 2048 bits; armazenamento em cartão inteligente ou token; validade máxima de três anos. Os certificados A1 e A3 são os mais utilizados, sendo que o primeiro é geralmente armazenado no computador do solicitante, enquanto o segundo é guardado em cartões inteligentes (smart cards) ou tokens protegidos por senha, e-CPF e e-CNPJ. Falar de certificação digital no Brasil frequentemente remete a duas importantes iniciativas: o e-CPF e o e-CNPJ. O primeiro é essencialmente um certificado digital direcionado a pessoas físicas, sendo uma espécie de extensão do Cadastro de Pessoa Física (CPF), enquanto o segundo é um certificado digital que se destina a empresas ou entidades, de igual forma, sendo um tipo de extensão do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Ao adquirir um e-CPF, uma pessoa tem acesso pela internet a diversos serviços da Receita Federal, muitos dos quais até então disponíveis apenas em postos de atendimento da instituição. É possível, por exemplo, transmitir declarações de imposto de renda de maneira mais segura, consultar detalhes das declarações, pesquisar situação fiscal, corrigir erros de pagamentos, entre outros. No caso do e-CNPJ, os benefícios são semelhantes. O e-CPF e o e-CNPJ estão disponíveis nos tipos A1 e A3 (ITI, 2017). Contudo, com a atualização das tecnologias, os tipos de certificação podem chegar a 12 tipos, sendo oito relacionados com a assinatura digital (A1, A2, A3, A4, T3, T4, A CF-e-SAT e o OM-BR) e quatro com sigilo (S1, S2, S3 e S4). Assim, os tipos A, 26 os mais populares, são relativos à assinatura digital, que tem como objetivo realizar a assinatura digital, identificando o titular e atestando a autenticidade. Esses certificados do tipo A são mais utilizados para a Conectividade Social, emissão de Notas Fiscais Eletrônicas, transporte de cargas, obtenção da CNH Digital e Leilões Digitais na RFB (CERTSIGN, 2021a). Os certificados do tipo S são utilizados para a garantia do sigilo da transação, podendo realizar a criptografia de e-mails, banco de dados e informações digitais de valor. Os certificados do tipo T, também são do tipo sigilo, contudo são mais conhecidos como carimbo do tempo, que atestam a existência de um documento eletrônico ou da assinatura digital em um determinado momento do tempo, garantindo temporalidade e veracidade das informações, ou seja, que não houve adulterações em um intervalo de tempo. Os certificados A CF-e-SAT são emitidos para equipamentos integrantes do Sistema de Autenticação e Transmissão do Cupom Fiscal, seguindo as regulamentações do CONFAZ. Já os certificados OM-BR são denominados certificados de objetos metrológicos, gerados para equipamentos metrológicos regulados pelo INMETRO (CERTSIGN, 2021a). Além dos certificados de assinaturas digitais, de sigilo, de autenticações específicas como as de autenticação de cupom e metrológicos, temos o tipo Secure Sockets Layer (SSL), muito utilizado para a segurança de informações trocadas entre servidores web e clientes. Veremos a seguir mais detalhes sobre este tipo de certificado. A Figura 15 ilustra uma representação do selo de segurança Secure Sockets Layer (SSL). FIGURA 15 – SELO DE SEGURANÇA SSL FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/ssl-100-safety-guarantee-119349946>. Acesso em: 26 jul. 2021. Portanto, no mercado, encontramos diversos tipos de certificados digitais, contudo os principais tipos de geração/armazenamento são apresentados, por meio de seus códigos, como ilustra o Quadro 1. Observe que os tipos de certificação digital podem atender públicos específicos como pessoas físicas, jurídicas, governo e tecnologias específicas. 27 QUADRO 1 – TIPOS DE CERTIFICAÇÃO DIGITAL FONTE: Adaptado de Certisign (2021b) Observe no Quadro 2 os tipos principais são A1, A3 e SSL. O tipo A1 está relacionado com uma geração/armazenamento em arquivo para computadores e mobiles e serve tanto para pessoas físicas como para empresas. O tipo de certificação A3 está relacionado a uma geração/armazenamento em mídias físicas como o cartão smart card e sua leitora e dispositivo token. Esse tipo é utilizado tanto para pessoas físicas e jurídicas, contudo, existem benefícios para certas profissões e o meio de certificação é realizado também pelos órgãos de classe desses profissionais. O tipo A3 também é utilizado por advogados. Outro tipo de específico de certificação A3, é o A3 – nuvem, que pode ser utilizada por pessoas físicas e jurídicas. O tipo A3 é mais seguro do que o tipo A1, devido à técnica utilizada, sendo no A1 é utilizada uma criptografia simétrica e o A3 utiliza-se da criptografia simétrica. Outro tipo de certificação digital é a proteção aplicada em servidores web que hospedam sites, blogs e comércio eletrônico, propiciando a segurança ao ambiente para compra e inserção de dados. Para compreendermos um pouco mais sobre o protocolo de segurança SSL, veja o Subtópico 2.1 a seguir. ESTUDOS FUTUROS Mais adiante em nossos estudos, a partir da explicação sobre a criptografia, o conceito de criptografia simétrica e assimétrica ficará ainda mais claro. 28 3.2 PROTEÇÃO PELO PROTOCOLO SSL O comércio eletrônico (eletronic commerce - e-commerce) estácada vez mais sendo utilizado a partir dos dispositivos móveis, especificamente por meio dos aplicativos de smartphones (m-business), como ilustra a Figura 16. FIGURA 16 – COMÉRCIO ELETRÔNICO M-BUSINESS FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/smart-phone-online-shopping-man- hand-335123132>. Acesso em: 26 jul. 2021. Nas redes de comunicação, em suas mais diversas camadas, existe uma diversidade de protocolos e serviços de comunicação, que tratam da transferência de arquivos, comunicação web/e-mail, segurança de dados etc. Esses protocolos são criados para funcionarem entre si, nos variados serviços propostos para as aplicações. Os protocolos são coleções de normas que declaram como poderá ser efetuada a comunicação entre as partes. Já os serviços ou operações associam a interface entre as camadas de um modelo de referência. Cabe enfatizar que, sem eles, não há comunicação entre os computadores ou entre as aplicações. Existem protocolos empregados para navegar pela internet (HyperText Transfer Protocol – HTTP), para enviar e-mails (serviço de envio de e-mail), (Simple Mail Transfer Protocol – SMTP), para transferir arquivos (serviço de transferência), (File Transfer Protocol – FTP) etc. A utilização de certificado digital em navegadores é possível por meio do protocolo SSL, que, para Sousa (2017, p. 11-12): O SSL é responsável por estabelecer um link criptografado entre um navegador e um servidor web. Esse link garante que tudo dado passado por ele tenha integridade e confidencialidade, sendo dois tripés de Segurança da Informação, sendo o padrão mais utilizado em todo mundo, sendo referência em proteção de transações online. Para se criar uma conexão SSL é necessário que o servidor web tenha um certificado SSL, em que o servidor preenche várias informações sobre sua identidade, site e empresa. Nessa conexão o servidor cria duas chaves criptografadas, uma chave pública e uma chave privada. 29 QUADRO 2 – REPRESENTAÇÃO DA PILHA DE PROTOCOLOS (EMPILHAMENTO DE PROTOCOLOS) FONTE: Adaptado de Stallings (2015, p. 413) O protocolo SSL atua acima do TCP/IP e abaixo de protocolos de mais alto nível como o HTTP e Internet Message Access Protocol (IMAP), protocolo aplicado para o recebimento de e-mail), determinando a autenticação a um cliente habilitado com SSL e vice-versa e proporciona uma conexão criptografada entre os dispositivos. Essa autenticação admite que receptor e emissor confirmem a identidade de ambos. A certificação digital se utiliza dos protocolos de segurança na camada de apresentação, especificamente o protocolo SSL, como serviço de criptografia entre máquinas. Quando é realizado o envio de dados pelas camadas de transporte, o protocolo SSL criptografa dos dados (cifra), para que não possa ser lida por terceiros não autorizados. Para se utilizar do certificado SSL é necessária a obtenção do certificado de tipos SSL. O certificado irá validar o domínio e dependendo do tipo de certificado, poderá validar também a entidade registradora do certificado. 30 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Devido às características de autenticidade e de integridade da informação na certificação digital, os benefícios do uso são inúmeros, podendo apresentar uma redução direta e indireta, ou seja, podendo chegar a uma otimização até o cliente. • Os cartórios credenciados podem realizar a certificação digital, como Instalações Técnicas (IT) e Autoridades de Registros (AR) por meio dos Colégio Notarial do Brasil, podendo autenticar documentos digitais com validade jurídica de forma eficiente e segura. • Existem diversos tipos de certificados digitais que são gerados/armazenados em arquivos ou em mídias físicas como smart card e token, bem como na própria nuvem, podendo ser utilizados para pessoas físicas e jurídicas. • O tipo de certificação SSL é baseado em um protocolo de rede SSL, aplicado em servidores que hospedam sites, blogs e comércio eletrônico, para a alta proteção das informações, utilizando a criptografia de chaves entre máquinas. 31 1 “Na cadeia de certificação digital, a figura da Autoridade de Registro (AR) é responsável por identificar uma pessoa jurídica ou física interessada em obter um certificado digital. O processo de identificação é presencial e consiste em solicitar e coletar os documentos comprobatórios necessários para garantir que a pessoa é realmente quem diz ser” (CARISSIMI; ROCHOL; GRAVILLE, 2009, p. 354). Nesse sentido, os cartórios e tabelionatos notariais podem ser credenciados para o registro da certificação digital. Assinale a alternativa CORRETA relacionada aos benefícios de ser uma autoridade (AR): a) ( ) Redução de custos diretos como impressão, tinta e cópias. b) ( ) Eliminação de custos de autenticação por parte dos clientes. c) ( ) Aumento do valor jurídico dos documentos por parte do cartório. d) ( ) Otimização das tarefas de verificação dos documentos. 2 Normalmente, as autoridades certificadoras são organizadas em uma estrutura hierárquica em árvores na qual cada nodo depende de um nodo pai para garantir sua identificação. Assim, o certificado digital de uma entidade certificadora é assinado por outra entidade certificadora de mais alto nível hierárquico e assim sucessivamente até chegar à raiz da árvore. Com base nas definições das hierarquias certificadoras, analise as sentenças a seguir: I- As entidades notariais quando credenciadas como instituições técnicas promovem benefícios da validade jurídica nas transações virtuais e na resolução de trâmite de papéis/documentos. II- A Associação Brasileira dos Advogados (AOB) pode ser credenciada como uma autoridade credenciadora que é responsável pela emissão, renovação e administração dos certificados digitais. III- O Colégio Notarial do Brasil tem o papel de Autoridade de Registro (AR) e poderá realizar o credenciamento do certificado digital para pessoas físicas e jurídicas. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. AUTOATIVIDADE 32 3 O certificado Digital pode ser concedido a uma pessoa física, e-CPF ou a uma pessoa jurídica, e-CNPJ. Dentro desse nicho, também podem ser concedidos certificados digitais de forma a obter mais benefícios para advogados, médicos, dentistas e diversos outros profissionais. De acordo com os tipos de certificado digital, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A1 é o tipo de certificado digital que tem validade de um ano e fica armazenado em um token eletrônico. ( ) A3 é o tipo de certificado digital que tem validade de um a três anos e fica armazenado em mídias físicas como um cartão (smart card). ( ) A certificação SSL é baseada no protocolo de segurança SSL para autenticação de documentos digitais e podem ser armazenados em qualquer tipo de mídias. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 A segurança e confiabilidade de um e-commerce é fundamental para o sucesso empresarial. Por esse motivo, existem os certificados de segurança Secure Sockets Layers (SSL). Disserte sobre a o certificado digital SSL, sobre os benefícios proporcionados e a sua localização na estrutura de protocolos de comunicação de rede. 5 O Secure Socket Layer (SSL) é um certificado digital, ou seja, um selo de segurança digital, com padrão tecnológico de segurança de aceitação global, que cria um canal criptografado, isto é, codificado entre um servidor web e um navegador, garantindo que os dados trocados em uma transação comercial eletrônica. Nesse contexto, disserte sobre quais são os principais tipos de certificação SSL. 33 TÓPICO 3 - CICLO DE VIDA E CARACTERÍSTICAS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 1 Acadêmico, no Tópico 3, trabalharemoscom as etapas que compõem o ciclo de vida da certificação digital entre o requerente e emissor, o objetivo de cada etapa no processo de certificação digital e veremos como é realizada a emissão e o gerenciamento de certificados e suas principais características. A ideia é apresentar quais são as tarefas e os procedimentos do ciclo de vida da certificação digital e como cada etapa é necessária para que o processo seja efetivado de forma segura e com qualidade. Além da importância de compreendermos como a emissão da certificação digital ocorre, dentro de um ciclo de vida, é necessário o entendimento de sua organização e controle, firmando os princípios de segurança da informação após o processo de emissão dos certificados. Compreenderemos também que a certificação digital promove a segurança a todo o processo, através de princípios de confiabilidade e integridade das informações trocadas entre os emissores e receptores de informações digitais. 2 ETAPAS E O CICLO DE VIDA DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL O processo de certificação digital se encontra dentro de um ciclo de vida, ou seja, desde a sua aquisição até a sua expiração, que confere: • a aquisição (compra); • solicitação do certificado e agendamento para a validação documental; • processo de identificação por meio de uma unidade técnica certificadora; • geração/armazenamento do certificado digital; • instalação/uso na máquina ou dispositivo; • finalização do certificado pelo tempo de uso (expiração da validade). Menezes (2018) divide a emissão de certificado digital em três etapas, sendo elas: Módulo Púbico (MP), Autoridade de Registro (AR) e, por último, Autoridade Certificador (AC): 34 O Módulo Público fornece uma interface para que o usuário final possa fazer a solicitação de um Certificado Digital. O MP é um portal que mantém o controle de acesso e os links para os sistemas que contém a inteligência de tramitação e fluxo de informações de operações dos processos, que podem ser: • Interface para o cadastramento de novos usuários. • Interface para solicitação de Certificado Digital. • Interface para instalação de Certificado Digital. • Possibilitar o acompanhamento através de interface do status do processo de emissão do Certificado Digital (MENEZES, 2018, p. 28-29). Os Módulos Públicos são basicamente os portais de acesso em que serão possíveis a emissão dos certificados digitais que serão solicitados pelo requerente, como exemplo, podemos citar portais das empresas que emitem certificados digitais como Certsing, Serasa, VALID, Soluti etc. As ACs são instituições credenciadas junto ao ICP-Brasil, nelas podem ser efetuadas a emissão de certificado digitais. Zatarin, Silva e Piacente (2020, p. 7), define as AC como: Uma AC é uma entidade, pública ou privada, subordinada à hierarquia da ICP-Brasil, responsável por emitir, distribuir, renovar, revogar e gerenciar certificados digitais. Tem a responsabilidade de verificar se o titular do certificado possui a chave privada que corresponde à chave pública que faz parte do certificado. Cria e assina digitalmente o certificado do assinante, onde o certificado emitido pela AC representa a declaração da identidade do titular, que possui um par único de chaves (pública/privada). As ARs são instituições credenciadas que podem efetuar verificações junto aos que solicitam emissão de certificado digital para verificações de documentos na presença do solicitante, O ITI, (2021a), define as AR como: As ARs são entidades públicas ou pessoas jurídicas de direito privado credenciadas pela AC-Raiz e que sempre serão vinculadas operacionalmente à determinada Autoridade Certificadora. De acordo com o Art. 7° da MP 2.200-2, as ARs têm a competência de “identificar e cadastrar usuários na presença destes; encaminhar solicitações de certificados às AC e manter registros de suas operações. Além das três etapas citadas anteriormente, existe também a Autoridade Certificadora Raiz (AC-Raiz), que é o órgão responsável por aplicar as políticas, regulamentações e verificações que as MPs, ACs e ARs devem seguir. Para Matos (2021, p. 24), “Compete à AC-Raiz a emissão de certificados digitais às Autoridades Certificadoras, não sendo autorizada a emitir a certificação diretamente ao usuário final. É o pilar da estrutura do certificado digital”. 35 Atualmente, a AC-Raiz é mantida pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, que possui o ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras), “[...] é uma cadeia hierárquica de confiança que viabiliza a emissão de certificados digitais para identificação virtual do cidadão” (ITI, 2021b). A seguir, na Figura 17, é apresentada a hierarquia de certificação no Brasil. FIGURA 17 – HIERARQUIA ICP-BRASIL FONTE: Pavanati et al. (2018, p. 7) O ciclo de vida da certificação digital, ilustrado na Figura 18, também é denominado de “Cadeia de Custódia”. Para a realização do processo de certificação digital, devem ser estabelecidos procedimentos e normas seguras. FIGURA 18 – CICLO DE VIDA DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL FONTE: O autor 36 A etapa de ‘Aquisição’ compreende a compra do certificado digital por meio da Unidade Certificadora credenciada, as ACs, por exemplo, as lojas virtuais, como do Serpro, Certsign, Serasa, Receita Federal, Casa da Moeda, Banco do Governo e outros, escolhendo o certificado digital específico para pessoas físicas, jurídicas, governo etc. Será necessário também escolher o tipo de certificado digital podendo ser A1 ou A3, que para Zatarin, Silva e Piacente (2020, p. 4): O certificado A1 é um arquivo executável que pode ser armazenado diretamente no computador da empresa requisitora, e possui a validade de um ano. O modelo de certificado A3 é armazenado em uma mídia especifica, podendo ser cartão ou token e sua validade varia de um até três anos. O cartão possui um chip e tem a aparência de um carão de crédito, já o token é idêntico a um pen drive. Nessa primeira etapa, é realizado um cadastro com log in e acesso, assinatura de contrato e pagamento pela aquisição. Após o pagamento confirmado, passa-se para a próxima etapa, a solicitação do certificado e o agendamento para validação na Unidade certificadora (AC). Em uma terceira etapa, é realizada a “identificação do usuário” e a comprovação de documentos que, segundo Certsing (2021b), pode ser efetuada por: • Atendimento por vídeo conferência. • Atendimento Presencial (Figura 19). • Atendimento em domicílio. • Atendimento no exterior. Assim se estabelece a autorização para obtenção do certificado digital (proprietário da chave privada). Em seguida, é realizada a geração/armazenamento do certificado em arquivo ou mídia física. Em uma última etapa, é realizada a instalação do certificado na máquina, mobile, servidor ou outro dispositivo que expira até a sua data de validade. 37 FIGURA 19 – IDENTIFICAÇÃO POR MEIO DE DOCUMENTOS PESSOAIS FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/september-10-2019-brazil-man- holds-1500906683>. Acesso em: 26 jul. 2021. O ciclo de vida do processo de certificação deve se estender além da expiração do prazo de validade do certificado digital, ou seja, a “cadeia de custódia” deve promover a manutenção do processo de certificação pelo gerenciamento de certificados, para evitar a obsolescência das tecnologias e de intervenções não autorizadas, ocasionando a adulteração e a destruição das informações. Segundo Meirelles e Cunha (2020, p. 587): O modelo adotado pelo Brasil foi o de certificação com raiz única, Autoridade Certificadora Raiz (AC-Raiz), que tem o papel de credenciar e descredenciar os demais participantes da cadeia de custódia de documentos digitais, supervisionar e fazer auditoria dos processos das Autoridades Certificadoras (AC) da ICP-Brasil, Autoridades de Carimbo do Tempo (ACT) da ICP-Brasil, Prestadores de Serviço Biométrico (PSBio), Prestadores de Serviço de Confiança (PSC), Prestadores de Serviço e Suporte (PSS), Autoridades de Registro(AR) da ICP-Brasil. Vejamos agora como é realizada a emissão e o gerenciamento de certificados digitais. 3 EMISSÃO E GERENCIAMENTO DE CERTIFICADOS De maneira geral, as AC (Certsing, Soti, Valid etc.) seguem basicamente o mesmo processo de emissão de certificado digital. É efetuada a solicitação junto a uma AC, após isso, existe o processo de validação junto à AR, que acontece de forma presencial ou por videoconferência. Logo após a confirmação de identidade, é efetuado o cadastramento das credenciais e senha de emissão. Após isso, poderá ser efetuado o download no site da AC, o software assistente de emissão de certificados. O software realiza a instalação do certificado a partir das 38 credenciais e senhas obtidas da emissão inicial, para a instalação do certificado digital, como ilustra a Figura 20. O certificado é do tipo A1 é gravado na forma de um arquivo em uma pasta qualquer do computador, contudo, quando o tipo de certificado é A3, tipo token, a codificação numérica é inserida quando solicitada. FIGURA 20 – INSTALAÇÃO DE PROGRAMAS FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/identification-authorization-permission- accessible-concept-450890428>. Acesso em: 26 jul. 2021. Com relação ao gerenciamento dos certificados, estão relacionadas as questões de novas aquisições, atualização, suspensão e revogação dos certificados digitais, os quais devem sempre ser atualizados com as novas tecnologias para evitar a obsolescência e prejudicar o processo de certificação digital. Com relação às tarefas de atualização, revogação emissão e distribuição de certificados, segundo Baldissera e Silveira (2017, p. 29), “[...] a AC-Raiz tem a função de emitir, distribuir, revogar e gerenciar certificados das ACs imediatamente subsequentes, assim como executar atividades de fiscalização e auditoria”. A suspensão de certificados corresponde à suspensão temporária dentro de um prazo de validade, de acordo com a vontade do usuário de anular a validade jurídica do certificado digital. Já a revogação definitiva está relacionada à expiração do prazo de validade do uso do certificado digital que perderá validade jurídica. 39 4 CARACTERÍSTICAS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL Como vimos, o processo de certificação digital tem como elemento principal o certificado digital, que é um simples arquivo de computador com características específicas de segurança e que carrega dados pessoais do utilizador ou de determinada entidade a qual foi emitido. Além dos dados pessoais, o documento eletrônico possui informações da chave pública do assinante ou sujeito. Um exemplo de modelo de certificação digital é dado na Figura 21 que contém as informações do certificado como versão, número serial do certificado, identificador do algoritmo de assinatura e demais informações referentes à chave pública, do emissor e do receptor o exemplo contém as informações do site google. FIGURA 21 – INFORMAÇÕES DE CERTIFICADO DIGITAL FONTE: O autor 40 Outra característica peculiar da certificação digital está relacionada à criptografia dos dados pessoais do documento eletrônico digital, cujo conteúdo do certificado digital é cifrado. A cifragem corresponde à ocultação da informação na forma de um texto incompreensível, denominado de texto cifrado. O processo de cifragem transforma um texto claro e simples em um texto cifrado não entendível. Já o processo de descriptação transforma um texto cifrado em texto claro, simples e entendível. Segundo Juraski e Nunes (2021, p. 2): Com toda dificuldade para a encriptação de mensagens na antiguidade, o processo de criptografia evoluiu e o estágio de decifrar passou a se tornar mais precisos e de certa forma mais rápidos. Sendo assim o processo de criptografia se dividiu em dois: o processo simétrico e o assimétrico. A Figura 22 ilustra a chave pública de privada ou chave assimétrica de chave simétrica, respectivamente. FIGURA 22 – CHAVE PÚBLICA E CHAVE PRIVADA (SECRETA) FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/public-private-secret-key- infrastructure-encryption-1859414428>. Acesso em: 26 jul. 2021. O primeiro modelo é denominado de chave simétrica ou de chave secreta ou de chave única. A criptografia de chave simétrica é utilizada tanto para cifrar ou decifrar uma informação. Já a criptografia de chave assimétrica também chamada de chave pública, utiliza duas chaves distintas: uma chave é para cifrar (chave pública) e outra chave é para decifrar (chave privada), ou seja, são necessárias duas chaves diferentes. Similar a uma porta, nesse método, é necessária uma chave para abrir e outra para fechar a porta. Algumas vantagens da criptografia simétrica, segundo Amaro (2021, p. 5), são: • velocidade, pois os algoritmos são muito rápidos, permitindo cifrar uma grande quantidade de dados em pouco tempo; • as chaves são relativamente pequenas e relativamente simples, permitindo gerar cifradores extremamente robustos; • atinge aos objetivos de confidencialidade e de privacidade, mantendo os dados seguros. 41 Já as desvantagens da utilização da criptografia simétrica, para Amaro (2021, p. 5), são: • a chave secreta deve ser compartilhada, o que pode complicar a gerência de chaves; • não permite autenticação do remetente, uma vez que qualquer pessoa poderá enviar uma mensagem criptografada com qualquer chave que esteja em seu domínio; • não permite o não repúdio do remetente, o que é decorrência direta do item anterior. Algumas vantagens da utilização da criptografia assimétrica, conforme Amaro (2021, p. 8), são: • a chave secreta não é compartilhada, uma vez que basta a chave pública – de conhecimento geral – para a troca segura de mensagens; • provê autenticação, já que é possível validar assinatura com a chave privada através da chave pública, partindo-se do princípio que a chave privada não foi distribuída (uma vez que isso não é necessário) para ninguém; • permite o não repúdio, pois é possível verificar as chaves; • é escalável, possibilitando que exista uma hierarquia de controle e distribuição de chaves, que pode ser facilmente ampliada. Já as desvantagens da utilização da criptografia simétrica, por Amaro (2021, p. 5), são: • é lenta, pois os algoritmos, pela sua natureza matemática, são computacionalmente intensivos; • requer uma autoridade de certificação, para que se possa garantir a identidade e ter-se chaves públicas confiáveis. INTERESSANTE As chaves públicas dos usuários são divulgadas e as chaves privadas são mantidas em segredo pelos usuários. Uma mensagem enviada cifrada com a chave pública só pode ser decifrada com a chave privada do usuário receptor. As chaves privadas são os números primos que multiplicados entre si produzem o número composto que é a chave pública (SOUSA, 2009, p. 150). Assim, podemos compreender que a criptografia é o ponto central de segurança da certificação digital, por meio do conceito de chaves simétricas e assimétricas, chaves privadas e públicas e métodos de criptografia. Contudo, é importante compreender que nada adianta um eficiente método criptográfico se o processo de certificação não segue de forma segura as etapas de emissão, identificação/validação, armazenamento 42 e gerenciamento do certificado digital (cadeia de custódia). Uma falha no processo de certificação digital pode prejudicar todo a autenticidade e integridade da informação, como a facilitação da interceptação de pessoas mal-intencionadas, adulterando e danificando as informações. 43 CERTIFICADO DIGITAL E ARQUIVOLOGIA: BENEFÍCIOS E APLICAÇÕES Tatiane Rodrigues do Nascimento Kátia Viana Cavalcante Felipe Vlaxio RESUMO A sociedade da informação abriu novos campos e oportunidades e a informação nas redes digitais ganhou dimensões sem fronteiras, surgindo a necessidade de políticas de segurança para garantir a autenticação, privacidade, autorização e integridade dos dados. A solução encontrada para solucionar esses problemas foi a utilização de um sistema decriptografia. O governo brasileiro criou padrões técnicos para suportar um sistema criptográfico, chamado de Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), com o objetivo de regulamentar o uso de certificados digitais. Com o surgimento e crescimento intenso desse novo formato de documento, a Arquivologia sentiu necessidade de incorporar essa ferramenta. Se por um lado a assinatura digital confere autenticidade e integridade à informação, por outro, os avanços não garantem a sua preservação no longo prazo. O valor legal da autenticidade desse documento está relacionado às assinaturas digitais. Sob a ótica da arquivística e da diplomática, a autenticidade dos documentos não depende apenas da assinatura, mas de um conjunto de elementos. O presente trabalho tem por objetivo analisar o mercado de certificado digital na cidade de Manaus, sob a ótica da Arquivologia, ou seja, da autenticidade e sigilo nos documentos digitais. Metodologicamente, refere-se a uma pesquisa de natureza qualitativa, com caráter exploratório descritivo, realizada por meio de um estudo de caso e por possuir um objetivo definido. Buscou-se avaliar se as autoridades certificadoras possuem estruturas para garantir a segurança e transação dos documentos digitais na cidade de Manaus/AM. Como resultado, observou-se que o setor financeiro foi o primeiro a utilizar o certificado digital, seguido pelo setor fiscal, que ganhou destaque com a nota fiscal eletrônica e, mais tarde, pelo judiciário, com o processo eletrônico, que ao mesmo tempo foi responsável por aumentar o número de advogados utilizando a assinatura digital. Foi constatado que a aplicação da certificação digital sobre informações registradas em suportes digitais garante a autenticidade, confidencialidade e integridade. No entanto, para que isso aconteça, é necessário que sejam observadas as normas e padrões estabelecidos pela ICP-Brasil. O uso do certificado digital para a Arquivologia agrega valor tanto para a gestão documental como para a preservação dos documentos permanentes. PALAVRAS-CHAVE: Arquivologia. Certificação digital. Documento digital. Assinatura digital. LEITURA COMPLEMENTAR 44 1 INTRODUÇÃO O advento da internet, intensificado no início dos anos 1990, bem como o aumento do uso de computadores na vida das pessoas e nos processos institucionais contribuíram e contribuem para o crescimento de transações de bens, serviços e informações realizadas no ambiente digital. As relações nessa nova sociedade da informação abriram novos campos e oportunidades, a informação nas redes digitais ganhou dimensões, surgindo a necessidade de políticas de segurança para garantir a autenticação, privacidade, autorização, integridade dos dados. A solução encontrada para solucionar esses problemas foi a utilização de um sistema de criptografia. A criptografia passou a ser estudada e usada por vários países que possuem leis, normas e padrões diferentes. O governo brasileiro criou, em 2001, padrões técnicos para suportar um sistema criptográfico, chamado de Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), com o objetivo de regulamentar o uso de certificados digitais. O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) é o responsável por manter a ICP-Brasil e executar as políticas de certificados e normas. Possui um Comitê Gestor que estabelece a política, os critérios e as normas para licenciamento de Autoridades Certificadoras (AC), Autoridades de Registro (AR) e demais prestadores de serviços de suporte em todos os níveis da cadeia de certificação, credenciando as respectivas empresas na emissão de certificados no meio digital. Com a adoção do sistema de emissão de nota fiscal eletrônica NF-e pelas empresas, o volume de emissões e procura por certificados digitais foram mais intensos entre companhias de pequeno e médio porte. Desta feita, a tendência é que esse crescimento se torne mais acelerado com a utilização de certificados digitais em outras aplicações de empresas e setor público. Atualmente, vários setores da sociedade estão utilizando a certificação digital, assim, pode-se citar como exemplo: os Governos Federal, Estadual e Municipal; Sistema Judiciário; Cartório Eletrônico; Sistema de Saúde, entre outros. O Instituto Tecnologia da Informação (2014) revela que a emissão de certificados digitais no Brasil nos últimos dez anos foi de seis milhões de certificados digitais e que somente no ano 2013 foram emitidos mais de dois milhões deles. Com o surgimento e crescimento intenso do uso do documento digital, a Arquivologia sentiu necessidade de incorporar essa ferramenta. Se por um lado a assinatura digital confere autenticidade e integridade à informação, por outro, os avanços tecnológicos – incluindo avanços criptográficos, revogação e expiração da assinatura digital – não garantem sua preservação a longo prazo. O valor legal da autenticidade 45 desse documento está relacionado às assinaturas digitais. Sob a ótica da arquivística e da diplomática, a autenticidade dos documentos não depende apenas da assinatura, mas de um conjunto de elementos. Entretanto, do ponto de vista jurídico, a assinatura ocupa um papel chave. As assinaturas digitais e seu uso em documentos digitais, em justaposição a todos os pré-requisitos de segurança, são equiparados às assinaturas convencionais. Todavia, no caso da assinatura digital, essa ligação entre o documento e o autor é feita por um algoritmo de autenticação. Tanto as assinaturas manuscritas quanto as assinaturas digitais estabelecem os mesmos objetivos e finalidades, ou seja, a de possibilitar ao criador que o documento criado não seja alterado ou violado. Nesse sentido, o trabalho buscou responder à seguinte pergunta: os mecanismos usados são capazes de confirmar a autenticidade e o sigilo das informações? Para tanto, traçou-se como objetivo analisar o mercado de certificado digital na cidade de Manaus, sob a ótica da Arquivologia, ou seja, da autenticidade e sigilo nos documentos digitais. [...] 2 DOCUMENTO DIGITAL E A ARQUIVOLOGIA No ambiente digital, o documento não possui os padrões mais conhecidos como a linguagem alfabética, o suporte de papel e a leitura direta. Ocorre que, no ambiente digital, tudo é codificado em linguagem binária, que, para ser traduzida, necessita da intermediação de programas computacionais codificados em bits. Nos últimos anos, várias pesquisas estão sendo feitas por profissionais da Arquivologia, na área da diplomática e da tecnologia da informação, para definir o conceito de documento na era digital. No Brasil, a questão do documento digital é alvo de estudos e discussões que são desenvolvidos com base na literatura arquivística e projetos como o InterPARES (2014) e InterPARESTrust. As discussões permeiam uma hierarquia conceitual, partindo das definições de documento, documento digital, documento arquivístico e documento arquivístico digital (CÂMARA..., 2010; CONSELHO..., 2011; RONDINELLI, 2011). Ao abordar o assunto na diplomática, Rondinelli (2011) afirma que os documentos arquivístico digitais se constituem de determinadas partes, como forma documental, anotações, contexto, suporte, atributos e componentes digitais. Rondinelli (2011, p. 236, grifos do autor) descreve cada parte como: Forma documental que se divide em: a) Elementos intrínsecos, são as cincos pessoas (autor, redator, destinatário, originador e produtor), data cronológica, data tópica, indicação e descrição da ação ou assunto e atestação. E os elementos extrínsecos, que são as características de apresentação geral, características de apresentação específica; assinatura digital, marcas d’água, logomarca. 46 b) Anotações: indicação de prioridades, data e hora de envio e do recebimento, indicação de anexo. c) Contexto: jurídico administrativo, de proveniência, de procedimentos, documental e tecnológico. d) Atributos: nome do autor, destinatário, formato. e) Componentes digitais: dados de forma,de conteúdo e de composição. O documento digital tem suas especificidades e complexidades. Tem, pois, a necessidade de manutenção da autenticidade em toda a cadeia de custódia, acesso em longo prazo e consequente preservação. O documento apresenta especificidades que podem comprometer sua autenticidade, devido à rápida obsolescência das tecnologias e de intervenções não autorizadas que podem ocasionar adulteração e destruição. O uso de tecnologia digital para produzir documentos reconfigurou os elementos formais tradicionais por meio dos quais eles eram reconhecidos autênticos. Durante séculos, a autenticidade dos documentos baseou-se em elementos como selos, assinaturas, carimbos e em vários procedimentos para gerar e transmitir, usar e manter os documentos. A perspectiva da Arquivologia e o uso da ferramenta do certificado digital na pesquisa se concentram no modo como esses documentos digitais estão garantindo autenticidade e segurança às informações prestadas. O Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos recomenda serviços de segurança apoiados em criptografia. Esses requisitos de segurança só são aplicáveis a organizações em que há elevada necessidade de garantia de sigilo. Os requisitos de assinatura digital e certificação digital são necessários para aquelas organizações em que documentos são assinados digitalmente ou para as verificações eletrônicas de autenticidade. Entretanto, adverte que os requisitos só são aplicáveis quando há necessidade de utilizar assinaturas digitais para assegurar autenticação, imputabilidade e irretratabilidade. Assim, em relação à autenticidade, considera-se que o documento eletrônico arquivístico autêntico é aquele que é transmitido de maneira segura, cujo status de transmissão pode ser determinado, que é preservado de maneira segura e cuja proveniência pode ser verificada (RONDINELLI, 2005). O uso de documentos digitais é um dos fenômenos da sociedade da informação e seus impactos no cotidiano já é sentido de maneira muito prática. O Governo e os órgãos públicos são os grandes geradores de demanda da certificação digital e as empresas usufruem dessa tecnologia para assinar, enviar documentos e para se identificar em diversos sistemas destas instituições. [...]. 47 3 RESULTADOS E ANÁLISES O uso de Certificado Digital tem aumentado nos últimos anos e acompanhado o desenvolvimento tecnológico e econômico das cidades brasileiras. A cidade de Manaus consta entre as principais capitais do país, possuindo o 6° maior Produto Interno Bruto (PIB), além de ser o 7° município mais populoso do Brasil, segundo estimativas do Censo 2010/IBGE. O seu desenvolvimento nas últimas décadas foi impulsionado em grande parte pelo Polo Industrial de Manaus (PIM), que é um fator importante para a economia local e o crescimento do mercado do certificado digital na cidade devido aos fiscos. Em razão da legislação atual e da necessidade de se ter um ambiente digital seguro e dinâmico, a certificação digital passou a ser integrada nos setores públicos e privados na cidade de Manaus. O crescimento das instituições atuando no mercado e utilizando a certificação digital em Manaus cresceu nos últimos cinco anos, o que de certa forma contribui para a existência na cidade das principais Autoridades Certificadoras (Serasa Experian, Certisign, Fenacon e Valid), que são entidades que emitem certificados digitais para empresas e indivíduos. A seguir, será apresentado um panorama das autoridades certificadoras e usuárias localizadas na cidade e, posteriormente, a análise das informações advindas das entrevistas com os gestores: a) Serasa Experian – Serviços e Assessoria S/A: tornou-se Autoridade Certificadora e Registradora em 2002, fornecendo todos os tipos de certificados digitais em operação no Brasil. A Serasa Experian provê todos os tipos de certificados digitais, bem como soluções customizadas para a utilização da tecnologia de certificação digital e de Notas Fiscais Eletrônicas. Esta fornece segurança dos certificados digitais para quase todos os grupos financeiros participantes do sistema de pagamentos brasileiro (SPB). A Autoridade Certificadora Serasa Experian – Manaus emite mensalmente a média de 600 certificados digitais, além de possuir representantes autorizados na cidade, como a Caixa Econômica, Correios, CDL e outros, que são responsáveis por maximizar as vendas no segmento. b) Câmara dos Dirigentes Lojistas – CDL Manaus: é uma entidade sem fins lucrativos, voltada para o desenvolvimento da atividade mercantil, mediante prestação de serviços nas áreas de Proteção ao Crédito (SPC), Telemarketing, Cobrança e Protesto de Títulos, Capacitação e Publicação de Informações Institucionais e Comerciais, Certificação Digital e CDL Celular. A CDL Manaus é uma Autoridade de Registro para emissão da certificação digital modelo ICP-Brasil. Os produtos oferecidos são principalmente para as empresas que são obrigadas a emitir nota fiscal eletrônica (NF-e). Pessoas físicas que precisam validar suas transações eletrônicas, como advogados, contadores ou empresários (e-CPF). Pessoas jurídicas que precisam 48 validar transações eletrônicas (e-CNPJ). A entidade possui grande importância para a implantação da NF-e mediante realização das atividades em parceria com a SEFAZ/ AM. A cidade de Manaus foi a primeira capital a emitir a NF-e. O fato ocorreu no dia 1° de março de 2013, sendo possível mediante Protocolo de Cooperação entre Secretaria de Fazenda do Estado do Amazonas (SEFAZ) e a Secretaria Municipal de Finanças, Tecnologia da Informação e Controle Interno (SEMEF). A Câmara de Dirigentes Lojistas disponibiliza programas gratuitos à disposição dos lojistas: são pacotes de emissores com as funções básicas para a empresa emitir a NF-e em um caixa. [...] As certificadoras capacitam regularmente seus usuários sobre as medidas de segurança que devem ser adotadas ao utilizar o certificado digital e sobre o status da legislação vigente. O Instituto Tecnologia da Informação (2014) realiza anualmente auditoria que verifica se todas as normas e exigências impostas pela legislação estão sendo cumpridas pelas certificadoras. Ainda, segundo os entrevistados, a falta de segurança no uso do certificado digital acontece quando seu uso é feito por terceiros, ou seja, o dono do certificado autoriza que outra pessoa utilize sua identidade digital, configurando um crime de falsificação de identidade. Com relação ao custo, a aplicação da certificação digital foi responsável por diminuir vários custos para as instituições. Os gestores afirmaram que o uso de certificado digital além de diminuir a burocracia, foi responsável por reduzir a utilização de papel, amortizando custos com tramitação de documentos. Outro ganho citado foi redução de custos com espaço físico para arquivamento. Com relação à infraestrutura tecnológica, as instituições investiram em Tecnologia da Informação (TI) devido às novas exigências do mercado e à rápida obsolescência de hardware e software. Ressalta-se que os gastos com os novos equipamentos de TI já eram esperados por parte das instituições, uma vez que eram necessários para o funcionamento [...] [delas]. Identificou-se também que as certificadoras possuem profissionais capacitados para a instalação do certificado digital, além de disponibilizarem canal de suporte técnico para solução de possíveis dúvidas/problemas. A certificação digital foi incorporada rapidamente às atividades do trabalho e foi classificada como de fácil compreensão e uso. 49 4 CONCLUSÃO Diante da popularização da internet, das TICs e do novo formato de transações no ambiente digital, surgiu a necessidade de tecnologias para garantir autenticidade e segurança nas informações e documentos que circulam no ambiente digital. Atualmente, existe a necessidade de equiparar os documentos digitais com os documentos convencionais (papel), usufruindo dos mesmos benefícios, mas com as diferençasque existem em cada suporte. Nesse sentido, a pergunta que norteou este trabalho é respondida com a utilização do Certificado Digital ICP-Brasil. Uma vez que a aplicação da certificação digital sobre informações registradas em suportes digitais garante a autenticidade, confidencialidade e integridade. No entanto, para que isso aconteça, faz-se necessário o uso das normas e padrões estabelecidos pela ICP-Brasil. O uso do certificado digital para a Arquivologia agrega valor tanto para a gestão documental como para a preservação dos documentos permanentes. E, nesse contexto, ressalta-se o importante papel que o certificado digital tem para os documentos digitais e para a Arquivologia. No entanto, são escassos os estudos da área voltados para o documento digital. Nesse sentido, recomenda-se para futuros trabalhos de pesquisa os desafios que o uso de assinatura digital de longa duração apresenta. FONTE: Adaptado de: http://arquivologiauepb.com.br/racin/edicoes/v3_n1/racin_v3_n1_artigo02.pdf. Acesso em: 7 out. 2021. 50 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • O processo de certificação digital é constituído de diversas etapas que definem uma cadeia de custódia desde a necessidade/emissão até a expiração do certificado digital, a falha ou falta de manutenção pode prejudicar o processo. • A etapa de ‘Aquisição’ compreende a compra do certificado digital por meio da unidade AC – Unidade certificadora credenciada. • A segunda etapa do processo de certificação digital compreende a ‘solicitação do certificado e o agendamento para validação na AC – Unidade certificadora’ para que se possa realizar a identificação/geração do certificado digital. • As principais características da certificação digital estão relacionadas à geração do certificado digital por meio de um documento eletrônico e relacionados à criptografia da informação em chaves simétricas e assimétricas. 51 RESUMO DO TÓPICO 3 1 A autoridade certificadora Raiz da ICP-Brasil é a primeira autoridade da cadeia de certificação. É executora das Políticas de Certificados e normas técnicas e operacionais aprovadas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil. Nesse sentido, com relação à Autoridade certificadora (AC), assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) É uma autoridade governamental que realiza o descarte dos certificados digitais após a sua expiração. b) ( ) É uma autoridade que realiza somente a venda dos diversos tipos de certificados digitais em um site. c) ( ) É uma instituição governamental que valida a conformidade da criptografia dos certificados digitais. d) ( ) É uma instituição privada ou pública que identifica/valida os dados pessoais do proprietários do certificado. 2 A criptografia é a forma de prever possibilidades de embaralhar ou cifrar mensagens visando torná-las inelegíveis e que, posteriormente, possa-se obter a mensagem original. Com base nas definições de criptografia e chaves criptográficas, analise as sentenças a seguir: I- A criptografia simétrica se utiliza de duas chaves distintas, uma pública e outra privada. II- A criptografia assimétrica é composta de uma chave pública que é divulgada e a chave privada que é mantida em segredo. III- Em um sistema de criptografia simétrica, qualquer pessoa que escutar ou interceptar a chave em trânsito poderá ler, modificar e forjar qualquer mensagem cifrada ou autenticada pela chave. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. AUTOATIVIDADE 52 3 Como os certificados geralmente são utilizados para estabelecer identidade e criar relações de confiança para a troca segura de informações, as autoridades de certificação podem emitir certificados para pessoas, dispositivos (como computadores) e serviços que estejam sendo executados em computadores. De acordo com as relações de confiança para as trocas de informações, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A última etapa de um processo de certificação digital é quando o documento eletrônico digital é gerado e armazenado na mídia. ( ) A etapa de identificação do proprietário do certificado digital é realizada pela Autoridade Certificadora credenciada. ( ) Quando se expira o certificado digital, é necessário realizar a comunicação imediata para a AC-Raiz, para a inviabilização da validade jurídica. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – V – F. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 O processo de certificação digital também pode ser denominado de “Cadeia de Custódia”, pois se cria uma relação de confiança desde a aquisição até a manutenção da certificação digital. Disserte sobre essa cadeia de confiança, explicando as tarefas e as relações criadas entre os envolvidos no processo de certificação digital. 5 Um dos aspectos mais relevantes da certificação digital, do ponto de vista da credibilidade, é o reconhecimento legal dos documentos e assinaturas digitais. Quando o certificado expira, o valor jurídico também é inutilizado. Para isso, é necessário atualizar o certificado. Disserte sobre o que ocorre quando o certificado é atualizado. 53 REFERÊNCIAS AC NOTARIAL. Certificado Digital AC Notarial: a fé pública no documento eletrônico. c2021. Disponível em: http://www.notariado.org.br/docs/instalacao_tecnica.pdf. 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ISSN: 2525-8397. 56 57 LEGISLAÇÃO, NORMAS E PADRÕES DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL UNIDADE 2 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • apresentar a legislação e os requisitos do certificado digital; • descrever as normas e os padrões para certificação; • demonstrar as formas de utilização e os meios certificadores; • relacionar a aplicabilidade do certificado digital tanto para pessoas físicas quanto para jurídicas; • exemplificar certificações correlatas; • demonstrar exemplos de certificações. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – ASPECTOS JURÍDICOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL TÓPICO 2 – ASPECTOS NORMATIVOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL TÓPICO 3 – FORMAS DE UTILIZAÇÃO E OS MEIOS CERTIFICADORES Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 58 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 2! Acesse o QR Code abaixo: 59 TÓPICO 1 — ASPECTOS JURÍDICOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO O volume de dados circulando pelo mundo aumentou consideravelmente com a explosão da internet no início do século XXI. Esse fato potencializou os debates sobre o tema da segurança de dados, que passou a ser pauta de fóruns mundiais. A segurança dos dados envolve informação baseada em três pilares: integridade dos dados, confidencialidade dos dados e disponibilidade dos dados (STALLINGS, 2015). Na Era Digital, a segurança de dados interfere em negócio, determinando planejamentos estratégicos em organizações, domínio de mercados e permite a abertura de novos mercados, além de impulsionar inovações. Essa preocupação com dados traz benefícios aos novos modelos de negócio e profissionais liberais, tais como médicos, advogados, contadores. A internet tem sido um dos vetores que impactou a condução de negócios. Essa nova forma de conduzir os negócios possibilita aos seus usuários amplo acesso a serviços, informações e recursos (VERA et al., 2021). Em modelos de negócio para internet, há a necessidade de uma garantia entre as partes que ali transacionam. Essa garantia é dada pela certificação digital. A certificação digital pode garantir autenticação, integridade e privacidade nas informações trocadas pela Internet. Esses três aspectos da certificação digital envolvem a proteção ao direito da informação, algo já encontrado na Constituição de Brasil. Nessa Carta Magna, está consignado esse direito, que é garantido e protegido como cláusula pétrea no Art. 5°, Inciso XIV, da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988). Somente no ano de 2001 esse direito foi concretizado com a criação do sistema de certificação digital brasileiro, instrumento usado para garantir validade para as transações ocorridas na internet, impulsionando cada vez mais o comércio digital e promovendo inclusão digital para os pequenos negócios. Portanto, esse sistema de certificação digital, efetivado no certificado digital, é útil tanto para pessoas físicas quanto pessoas jurídicas. Acadêmico, nesse Tópico 1, você será apresentado aos aspectos jurídicos que envolve o certificado digital com destaque para a legislação associada a ela, além da identificação dos requisitos necessários para uma certificação digital. 60 2 ASPECTOS JURÍDICOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL O Brasil, como uma República Federativa, possui um documento que determina leis, normas e regras para a população brasileira. Esse documento é a Constituição Federal. A última constituição foi promulgada durante o período do presidente José Sarney em 1988. Essa Carta Magna determina diretrizes para leis e assegura os direitos primordiais da nação brasileira, que estão associados diretamente aos direitos individuais de cada cidadão do Brasil como direitos sociais, políticos e jurídicos (BRASIL, 1988). Dentre os direitos individuais está a proteção ao direito à informação. O Capítulo I da Constituição da República Federativa do Brasil destaca os direitos e deveres individuais e coletivos dos cidadãos brasileiros. No seu Parágrafo 5°, é descrito: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.” (BRASIL, 1988). A segurança abrange a informação, enquanto a propriedade diz respeito a proteção da informação privada. Então, a Constituição chancela a liberdade do acesso à informação e garante alguns direitos como no Inciso XII do 5° caput. “XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicaçõestelefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal” (BRASIL, 1988). Dessa forma, a Constituição torna os dados e as comunicações invioláveis, fechando o ciclo de proteção ao direito à informação. 2.1 LEGISLAÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL A Constituição, assim como outras leis, surgiu a partir do desejo do Poder Legislativo de criar leis. Para um país de estado democrático de direito como o Brasil, as leis fazem parte de processos econômicos, sociais e políticos ocorridos em uma sociedade (SARAIVA, 2020). Essas leis visam garantir soberania e justiça a indivíduos, instituições governamentais e empresas privadas. Nesse contexto, uma lei é a garantia de valor jurídico das suas diretrizes e limites para assegurar o equilíbrio nas relações sociais entre cidadãos, organizações e governo (SARAIVA, 2020). Na busca por esse equilíbrio, o governo publicou a Medida Provisória n° 2.200/2001, que instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), como certificadora raiz, transformando o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação em autarquia vinculada à Casa Civil. Essa medida visa para autenticidade, integridade e validade jurídica de documentos que utilizem certificados digitais. 61 ATENÇÃO O Comitê Gestor Brasil que determina as regras que devem ser seguidas pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação com relação a manter e auditar a Infraestrutura de Chaves Públicas é formado por representantes dos poderes públicos, da sociedade civil e do mundo acadêmico indicados pelo Presidente da República. Esse Comitê Gestor Brasil foi promulgado em 14 de outubro de 2008 sob o n° 6.605, Decreto n° 6.605 e formado por 12 membros da Casa Civil da Presidência da República, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ministério da Economia, Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações destinados pelo Presidente da República e cinco membros representantes da sociedade civil (BRASIL, 2008). Segundo a Portaria n° 20 de 2020, são algumas funções do ITI: • Executar as políticas de certificação e as normas técnicas e operacionais aprovadas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil. • Propor a revisão e a atualização das normas técnicas e operacionais aprovadas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil. • Gerenciar os certificados das Autoridades Certificadoras (AC) de nível imediatamente subsequente ao seu, incluindo emissão, expedição, distribuição e revogação desses certificados. • Gerenciar a lista de certificados emitidos, revogados e vencidos. • Executar as atividades de fiscalização e de auditoria das AC, das Autoridades de Registro (AR) e dos prestadores de serviços habilitados na ICP-Brasil, em conformidade com as diretrizes e as normas técnicas estabelecidas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil. • Aplicar sanções e penalidades, na forma da lei. • Credenciar as AC, as AR e os prestadores de serviço de suporte da ICP-Brasil. • Promover o relacionamento com instituições congêneres no País e no exterior. • Celebrar e acompanhar a execução de convênios e de acordos internacionais de cooperação, no campo das atividades de infraestrutura de chaves públicas e áreas afins, ouvido o Comitê Gestor da ICP-Brasil. • Estimular a participação de universidades, de instituições de ensino e da iniciativa privada em pesquisa e desenvolvimento, nas atividades de interesse da área da segurança da informação e da infraestrutura de chaves públicas. • Estimular e articular projetos de pesquisa científica e de desenvolvimento tecnológico voltados à ampliação da cidadania digital, por meio da utilização de certificação e assinatura digitais ou de outras tecnologias que garantam a privacidade, a autenticidade e a integridade de informações eletrônicas. • Executar outras atribuições que lhe forem cometidas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil. • Fomentar o uso de certificado digital por meio dispositivos móveis para toda a administração pública federal (BRASIL, 2020a). 62 Uma AC é responsável por garantir ao titular do certificado digital a chave privada correta correspondente à chave pública do certificado digital emitido. Para esse propósito, uma AC tem responsabilidades como emissão, distribuição e renovação. A Lei Federal n° 14.063 (BRASIL, 2020b) determina novos tipos de documentos que podem ser validados via Certificado Digital com valor legal perante a justiça. O objetivo dessa lei é ampliar o leque de opções aos cidadãos brasileiros podendo este assinar transações eletrônicas (documentos públicos). Essa mesma Lei Federal ressalta alguns aspectos nesse processo, tais como: a) De acordo com o Art. 1°: Esta Lei dispõe sobre o uso de assinaturas eletrônicas em interações com entes públicos, em atos de pessoas jurídicas e em questões de saúde e sobre as licenças de softwares desenvolvidos por entes públicos, com o objetivo de proteger as informações pessoais e sensíveis dos cidadãos, com base nos incisos X e XII do caput do Art. 5° da Constituição Federal e na Lei n° 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), bem como de atribuir eficiência e segurança aos serviços públicos prestados sobretudo em ambiente eletrônico (BRASIL, 2020b). b) Já o Art. 2°, Inciso II determina regras e procedimentos sobre o uso de assinaturas digitais eletrônicas, por exemplo, no âmbito entre “[...] interação entre pessoas naturais ou pessoas jurídicas de direito privado e os entes públicos” (BRASIL, 2020b). c) O Art. 3° considera para efeito da lei: I- autenticação: o processo eletrônico que permite a identificação eletrônica de uma pessoa natural ou jurídica; II- assinatura eletrônica: os dados em formato eletrônico que se ligam ou estão logicamente associados a outros dados em formato eletrônico e que são utilizados pelo signatário para assinar, observados os níveis de assinaturas apropriados para os atos previstos nesta Lei; III- certificado digital: atestado eletrônico que associa os dados de validação da assinatura eletrônica a uma pessoa natural ou jurídica; IV- certificado digital ICP-Brasil: certificado digital emitido por uma Autoridade Certificadora (AC) credenciada na Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), na forma da legislação vigente (BRASIL, 2020b). ATENÇÃO O ITI possui uma estrutura hierárquica, ou seja, é subdividido em Autoridades Certificadoras (ACs), sendo que a AC no topo da estrutura é conhecida como Autoridade Certificadora Raiz (AC-Raiz), abaixo dela duas outras Autoridades Certificadoras, mas de Nível 1, AC Caixa e AC Certisign. Em seguida, as Autoridades Certificadores Nível 2 e, por fim, as Autoridades de Registros. 63 d) Com relação as classificações, o Art. 4° classifica as assinaturas eletrônicas em: I- assinatura eletrônica simples: a) a que permite identificar o seu signatário; b) a que anexa ou associa dados a outros dados em formato eletrônico do signatário; c) não possui certificado digital; II- assinatura eletrônica avançada: a que utiliza certificados não emitidos pela ICP-Brasil ou outro meio de comprovação da autoria e da integridade de documentos em forma eletrônica, desde que admitido pelas partes como válido ou aceito pela pessoa a quem for oposto o documento, com as seguintes características: a) está associada ao signatário de maneira unívoca; b) utiliza dados para a criação de assinatura eletrônica cujo signatário pode, com elevado nível de confiança, operar sob o seu controle exclusivo; c) está relacionada aos dados a ela associados de tal modo que qualquer modificação posterior é detectável; III- assinatura eletrônica qualificada: a que utiliza certificado digital, nos termos do § 1° do art. 10 da Medida Provisória n° 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 (BRASIL, 2020b). Durante o período depandemia, o governo flexibilizou a lei transferindo a responsabilidade para os chefes dos estados federativos no tocante ao nível de exigência mínima de segurança associados às transações eletrônicas. Assim, a lei determina que assinatura de níveis inferiores são aceitas nas transações comerciais, via internet, a fim de minimizar os contatos físicos de acordo com os protocolos exigido de cada estado federativo. Outra questão importante, o governo também flexibilizou o uso obrigatório de assinaturas qualificadas em situações envolvendo sigilo constitucional, legal ou fiscal (BRASIL, 2020b). Por outro lado, a lei obriga o uso de um certificado digital na emissão de notas fiscais eletrônicas para empresas de porte grande, médio, pequena e micro. Já para os considerado Microempreendedor Individual (MEI), esse processo torna-se opcional (SERASA, 2021). NOTA MEI é um tipo de pessoa jurídica com diversos benefícios, não pode ter sociedade, pois é individual, pode ter até um funcionário e a arrecadação não pode ultrapassar R$ 81.000 reais por ano. Esse tipo de pessoa jurídica é muito utilizado por profissionais liberais. 64 Uma aplicação obrigatória está na prescrição médica, há etapas associadas ao tratamento médico do paciente quando este faz uma consulta em unidade de Saúde, hospital, clínica, por exemplo. Nesses casos, a lei determina a obrigatoriedade de certificado digital para validação das prescrições médicas eletrônicas para atestados de saúde e medicamentos especiais, como os medicamentos de uso controlado (CFF, 2001). Por fim, o certificado digital traz inúmeros benefícios tanto ao cidadão quanto às empresas, pois facilita a transação eletrônica; evita processos burocráticos; facilita a obtenção de novos de forma totalmente eletrônica (nova carteira nacional de trânsito, por exemplo); concede mais credibilidade nas transações eletrônicas (e-commerce, operações bancárias, por exemplo); além de garantir princípios de segurança da informação – confiabilidade, integridade, disponibilidade, autenticidade e irrevogabilidade. ATENÇÃO A segurança da informação considera alguns princípios, a saber: confiabilidade, integridade, disponibilidade, autenticidade e irrevogabilidade. O primeiro princípio consiste em que apenas as pessoas autorizadas tenham acesso ao conteúdo das informações. O segundo visa garantir que as informações são corretas, são verdadeiras e não foram alteradas, ou seja, intactas. O terceiro tem por objetivo que as pessoas autorizadas sempre tenham acesso às informações quando solicitar. A autenticidade busca assegurar a veracidade da fonte da informação e da própria informação. Enquanto a irrevogabilidade busca que não seja possível negar o ato que criou a informação (GALVÃO, 2015, p. 15). As certificações digitais são regidas por esses princípios por tratarem de trânsito de informações. 2.2 REQUISITOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL Em 2000, a Electronic Signatures in Global National Commerce Act, autoridade mundial no assunto de assinatura digital, colocou a assinatura digital no mesmo patamar da assinatura escrita, proporcionando um meio de associar a informação ao remetente. O processo da certificação digital usa uma terceira parte (autoridade certificadora) para validar a identidade de um usuário por meio de um certificado digital (LAUDON, 2004). Quais são os requisitos necessários para aquisição de um certificado digital? Para responder a esse questionamento, vamos dividir o assunto em duas partes: a aquisição por parte de uma pessoa física ou uma pessoa jurídica. Antes, vamos explicar quais os passos para a obtenção de certificação digital. Para obtenção dessa certificação, são necessários alguns passos (CERTISIGN, 2021). 65 a) A compra do certificado digital: é realizada on-line diretamente em um site de uma Autoridade Certificadora (AC). No site, o interessado deve escolher o tipo de validade (12 meses, 24 meses, 36 meses), o tipo de mídia (cartão token), e realizar a compra. Todos os certificados são ilustrados com um símbolo de um cadeado, símbolo de segurança conforme a Figura 1. Lembre-se de sempre fazer uma análise de qual tipo de certificado digital é necessário para seu dia a dia. FIGURA 1 – SITE AUTORIDADE CERTIFICADORA FONTE: <https://bit.ly/3mCnqvz>. Acesso em: 7 out. 2021. Acadêmico, note que a imagem da Figura 1 simboliza um certificado digital que é emitido por uma Autoridade Certificadora (AC), como a empresa CertiSign. No site da CertiSign, você encontrará valores para certificados de pessoas jurídicas tipo MEI. Por exemplo, há valores acessíveis às pessoas tipo MEI, como certificado a R$ 4,00 ao ano, uso ilimitado nas transações, a validade 12 meses e o tipo e-CPF MEI. DICA Acadêmico, caso você não consiga compreender qual o tipo adequado de certificado digital seu uso, procure um profissional da área de contabilidade. Esse profissional irá te orientar na tomada de decisão para o certificado digital mais adequado ao seu perfil. 66 b) Identificação: esse processo é presencial, ou seja, o interessado deve comparecer a uma Autoridade de Registro em posse de toda a documentação para a identificação presencial. Esse processo é por meio de agendamento no próprio site da Autoridade de Registro. c) Verificação e validação dos documentos: nessa etapa, os documentos apresentados pelo interessado no Certificado Digital são conferidos ou verificados e validados. O processo é realizado pela Autoridade de Registro e se tudo estiver em conformidade, o fluxo de solicitação passa para o processo de emissão da certificação digital. d) Emissão do certificado digital: essa etapa é a última etapa do processo e representa a emissão do certificado digital. Nessa fase, o par de chaves criptográficas são geradas, por exemplo, Rivest-Shamir-Adleman (RSA) de 2048 bits de tamanho, além do Secure Hash Algorithm de 256 bits de tamanho (SHA-256) na mídia do cliente. O RSA e um algoritmo de criptografia considerado seguro é utilizado na assinatura digital. Já o algoritmo SHA é um padrão de segurança projetado pela Agência Nacional do Estados Unido e lançado no mercado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (ITI, 2017). A obtenção dessa Certificação por parte de pessoa física também é possível. Nesse contexto, pessoa física é definida como um indivíduo que possui somente Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Nesse caso, os documentos necessários para solicitação de um certificado digital por parte de uma pessoa física são (CERTISIGN, 2021): • Identificação (obrigatório): o interessado deve apresentar um documento de identificação pessoal original. São documentos válidos: carteira de identidade, carteira de habilitação, passaporte, carteira de entidade profissional como Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Regional de Medicina (CRM). • Apesentar o CPF, documento obrigatório. • Um comprovante de endereço em nome do interessado no certificado digital. Esse documento deve ter a data de emissão há no máximo três meses. Serve como documento de comprovantes de endereço a conta de luz, conta de gás, extratos bancários, conta de água. • Uma foto do interessado no formato 3 x 4. Há outros documentos de status não obrigatório que podem também ser apresentados à Autoridade de Registro, como o título de eleitor, inscrição no Programa de Integração Social (PIS), ou no Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) ou, ainda, no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), desde que haja interesse do requisitante do certificado. Esse serviço é acessado pelo CPF eletrônico (e-CPF). Além do Cadastro do Específico do INSS (CEI), necessário para acesso ao serviço Conectividade Social da Caixa Econômica Federal via e-CPF. Cabe aqui destacar que é vetada a procuração, representante legal, por parte de qualquer pessoa física. 67 Para efeito dessa certificação, as pessoas jurídicas são as empresas quepossuem o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), ou seja, toda e qualquer empresa registrada, além dos indivíduos cadastrados como Microempreendedor Individual (MEI). Nesse caso, outros documentos são exigidos pela Autoridade de Registro na solicitação de uma certificado digital. NOTA O CNPJ compreende as informações cadastrais das entidades de interesse das administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A administração do CNPJ compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (RECEITA FEDERAL, 2018). FONTE. RECEITA FEDERAL. Instrução Normativa RFB n° 1.863, de 27 de dezembro de 2018. Dispõe sobre o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ link.action?visao=anotado&idAto=97729. Acesso em: 7 out. 2021. Esses documentos são: • O documento que constitui a empresa. Para esse fim, são considerados válidos o estatuto, contrato social ou requerimento de empresário. Caso tenha ocorrido alguma alteração nesses documentos, uma cópia da alteração deve ser apresentada, mas todos os documentos registrados nos órgãos competentes. Em caso de empresas que possuem diretoria eleita, uma cópia dos documentos que elegeram a diretoria vigente. • Quando se constitui uma empresa, um cartão de CNPJ é gerado. É obrigatório a apresentação desse cartão atualizado. Caso tenha, inscrição no Cadastro Específico do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), mas essa documentação é opcional (RECEITA FEDERAL, 2021). Com relação à empresa, um representa legal é admissível, desde que cadastrado na Receita Federal. Os documentos necessários do representante legal são (RECEITA, 2021): • Um documento de identificação como carteira de identidade, carteira de habilitação, passaporte e carteira de entidade profissional como CREA, CRM etc. • O cadastro de Pessoa Física (CPF). • Comprovantes de endereço. São válidos documentos como conta de luz, água, gás, contrato de aluguel desde que o titular da conta seja o representante legal. • Uma foto no formato 3 x 4. • Como documentos opcionais inscrição PIS/PASEP/CNIS, título de eleitor e Cadastro Específico do INSS (CEI). 68 A Autoridade de Registro pode solicitar, caso seja necessário, documentos de extras de comprovação e com relação ao representante legal cadastrado na Receita Federal, a presença física é obrigatória, sendo vedada procurações. 69 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A legislação que rege o uso dos certificados digitais, a Medida Provisória n° 2.200- 2/2001, que institui o ICP-Brasil, mas também a Lei Federal n° 14.063/2020. O objetivo desses regulamentos é ampliar o conjunto de opções para o cidadão brasileiro a respeito de uma Certificado Digital. • Os órgãos ICP e ITI vinculados à Casa Civil são instituições governamentais que controlam todo o processo da Infraestrutura de Certificação Digital Brasileira. • A infraestrutura de certificados digitais é composta por uma Autoridade Certificadora Raiz, Autoridade Certificadora de Nível 1, Autoridade Certificadora de Nível 2 e Autoridade de Registro. Os Certificados são requisitados nos sites as Autoridade Certificadora. • O processo de emissão de um certificado digital passa por etapas: compra dos tipos de certificado no site da Autoridade Certificadora, apresentação da documentação na Autoridade de Registro, verificação, validação da documentação e emissão do certificado digital. • Para a emissão de notas fiscais eletrônicas por parte das empresas, o uso de uma certificado digital torna-se necessário, exceto para o tipo Microempreendedor Individual (MEI), que é opcional. • O uso de um certificado digital traz benefícios ao indivíduo desde a garantia de transações eletrônicas, a validação de novos tipos de documentos, além de diminuir os processos burocráticos. • Alguns princípios da segurança da informação são assegurados com o uso de uma certificado digital como confiabilidade, integridade, disponibilidade, autenticidade e irrevogabilidade. • Os requisitos necessários para solicitação de um certificado digital são associados ao tipo de pessoa, física ou jurídica. Para pessoas físicas, os documentos obrigatórios são CPF, documento de identificação, por exemplo, carteira de identidade ou passaporte, comprovante de endereço (conta de luz) e uma foto 3 x 4. Já para as pessoas jurídicas, empresas, o cartão do CNPJ, documento como contrato social da empresa, comprovante de endereço (conta de água). Para empresas, um representante legal registrado na Receita pode solicitar a emissão do Certificado Digital desde que conste no contrato social da empresa. 70 1 O certificado digital é um mecanismo utilizado para validar transações eletrônicas. Com o crescimento de transações comerciais na internet, por exemplo, e-commerce, operações bancárias, validação de documentos eletrônicos, entre outros, o certificado digital é uma garantia para as partes participantes do processo de uma operação sem fraude. Sendo assim, assinale a alternativa CORRETA sobre o certificado digital: a) ( ) O certificado digital garante autenticidade, não repúdio, disponibilidade e integridade das informações. b) ( ) A lei n° 2.200-2 de agosto de 2020, definiu regras para operação do ICP-Brasil e Instituto da Tecnologia da Informação. c) ( ) O CNPJ é um documento obrigatório a ser apresentado a Autoridade Certificadora por uma empresa na requisição de um certificado digital. d) ( ) No Brasil, a infraestrutura da certificação digital é composta de uma Autoridade Certificadora e uma Autoridade de Registro. 2 Uma característica de segurança nos sistemas computacionais é a vulnerabilidade. A vulnerabilidade está associada à fraqueza do ativo da informação. Hackers exploram as vulnerabilidades dos sistemas para ações mal-intencionadas. O certificado digital é um dos mecanismos existentes utilizados para combater ameaças ou ataques de hackers. Com base nas definições sobre o conceito de vulnerabilidade na segurança, analise as sentenças a seguir: I- O princípio da autenticidade é garantido com o certificado digital, pois o receptor da mensagem, através do certificado digital, consegue validar a origem e o proprietário da mensagem. II- O princípio de não repúdio aplicado pelo uso do certificado digital, garante a não alteração do conteúdo da informação enviada. III- A disponibilidade da informação está associada à característica de segurança da informação que determina que a informação ou dado está disponível somente a quem é de direito, ou seja, ao usuário que tem permissão de acesso, por exemplo, leitura, escrita e informação. AUTOATIVIDADE 71 Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 Os requisitos para aquisição de um certificado digital é divido em etapas. A etapa inicial é a escolha do tipo de Certificado a ser usado. Nessa etapa, elementos como tempo de validade e tipo de certificado são determinados para escolha. A compra é realizada diretamente no site de uma Autoridade Certificadora. De acordo com os requisitos para uma aquisição de um certificado digital, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O Cadastro de Pessoas Físicas é um documento obrigatório na solicitação para aquisição de um certificado digital por parte de um indivíduo sem CNPJ. ( ) Um documento de identificação, por exemplo, carteira estudantil, deve ser utilizado como documento obrigatório comprobatório de identificação pessoal para aquisição de um certificado digital. ( ) A conta de luz pode ser utilizada como comprovante de residência tanto para pessoa física ou jurídica, desde que o titular seja o indivíduo interessado no certificado digital. Assinale a alternativa que apresenta a sequênciaCORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 A infraestrutura de certificação digital pública é subdivida em áreas. A primeira entidade Certificadora é o ICP-Brasil. Essa Autoridade Certificadora Raiz AC-Raiz tem responsabilidades determinadas pelas políticas criadas pelo Comitê Gestor do ICP- Brasil. Dentre as responsabilidades, estão a de emitir os certificadores das Autoridades Certificadoras de Nível 1. Disserte sobre a infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). 5 Na internet, um e-commerce, por exemplo, quando acessado via https (protocolo de transferência de hipertexto seguro), faz uso de um certificado digital. O par de chave públicas e privadas protegem tanto as informações do usuário quanto as informações da loja virtual. Nesse contexto, disserte sobre os princípios da segurança da informação associados a um certificado digital. 72 73 ASPECTOS NORMATIVOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 2 TÓPICO 2 - Os aspectos jurídicos apresentados anteriormente vão além da legislação consignada em leis. As instruções normativas são atos administrativos usado em complemento dessa legislação. Essas instruções devem contemplar os preceitos especificado em legislação. Assim, uma instrução normativa sempre estará abaixo da legislação, ou seja, nunca haverá contradições ou apresentará inovações quanto ao ordenamento jurídico da legislação, pois sempre as instruções normativas estarão em conformidade com a lei. Além das instruções normativas, existem as políticas. Uma política direciona ações, procedimentos e a elaboração de regimentos que serão seguidos por uma organização. O ICP-Brasil possui algumas políticas relacionadas à certificação digital, por exemplo. Essas políticas buscam uma padronização de chaves públicas para a interoperabilidade (capacidade de se comunicar de forma transparente) entre os sistemas e preservando as chaves por um prazo maior. Essa padronização advém de modelos pré-definidos para facilitar o uso ou aplicação de normas. O ICP-Brasil criou padrões que ajudam os usuários finais a utilizar suas Políticas de Assinatura de chaves públicas. Com isso, todos as instruções normativas, políticas e padrões seguidos pelos aplicativos tem a responsabilidade de verificar a assinatura e as chaves utilizadas nas transações garantindo, portanto, a segurança e a validação dos documentos. Acadêmico, nesse Tópico 2, você será apresentado a algumas instruções normativas públicas do ICP-Brasil, identificará os tipos de políticas definidas para Infraestrutura de Chaves Públicas Brasil e os padrões especificados por esse órgão público. 2 NORMAS E PADRÕES DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL O ICP-Brasil, como Autoridade Certificadora Raiz (AC-Raiz), publica diversas instruções normativas. Essas instruções são publicadas no Diário Oficial da União. Essas instruções alteram atos anteriores publicados e visam a melhoria do processo com relação à emissão de certificados digitais. Essas normativas tratam de melhorias contínuas do modelo já existente de infraestrutura de chaves pública, aperfeiçoando os controles e o processo de auditoria por parte da Autoridade de Certificação Raiz (ITI, 2021). 74 NOTA O Diário Oficial da União é um documento oficial do governo no qual as leis, normas, decretos, atos normativos, ementas constitucionais, contratos se tornam pública para consulta de qualquer cidadão brasileiro. Em resumo, o meio de comunicação do governo brasileiro com sua população. Diversos atos normativos são publicados no Diário Oficial da União e padronizado com as siglas Instrução Normativa (IN), número do ato e o ano de publicação, por exemplo, IN n° 12-2021, ou seja, é a Instrução Normativa 12, publicada no ano de 2021. A Instrução Normativa n° 12 de 20 de maio de 2021 tem como objetivo principal: “Aprova a versão revisada e consolidada do documento Padrões e Procedimentos Técnicos para Processos de Homologação de Softwares de Bibliotecas Criptográficas e Softwares Provedores de Serviços Criptográficos na ICP-Brasil – DOC-ICP-10.06” (BRASIL, 2021c). Via de regra, essas instruções podem fazer referências a documentos especificados pelo ICP-Brasil (BRASIL, 2021c). Portanto, as normativas são somente atos administrativos, assim, não podem sobrepor-se às leis. As normativas são documentos associados a elementos cuja responsabilidade é da ICP-Brasil, por exemplo, as instruções normativas sobre Política de Assinatura (PA) Digital. A Figura 2 ilustra como é organizada as normativas associadas ao tema Política de Assinatura digital. FIGURA 2 – ORGANIZAÇÃO DE INSTRUÇÕES NORMATIVAS FONTE: Adaptado de Repositório ICP-Brasil (2016) 75 A Figura 2 ilustra os documentos associados à Política de Assinatura Digital. Esses documentos são instruções normativas que detalham os conceitos, procedimentos e fundamentos das Políticas de Assinatura, quais sejam: a) Visão geral sobre assinaturas digitais na ICP-Brasil – DOC-ICP-15. Esse documento detalha uma visão geral sobe assinatura digitais, além de definir conceitos fundamentais e listar os demais documentos que compõem as normativas da ICP- Brasil sobre o assunto. b) Requisitos mínimos para geração e verificação de assinaturas digitais. c) Na ICP-Brasil – DOC-ICP-15.0. Nesse documento, são estabelecidos os requisitos dados como obrigatórios que devem ser analisados no momento da criação e verificação de assinaturas digitais na ICP-Brasil. Esse documento é composto de um anexo: Tipos de compromisso para uso em assinaturas digitais. d) Perfil de uso geral para assinaturas digitais na ICP-Brasil – DOC-ICP-15.02. Esse documento traz detalhes sobre os requisitos a serem usados na geração de assinaturas digitais no âmbito da ICP-Brasil. Há anexo ao documento: Manual de implementação. e) Requisitos mínimos para Políticas de Assinatura Digital na ICP-Brasil. f) DOC-ICP-15.03. Esse documento tem como objetivo principal definir o formato, estrutura e sintaxes a serem adotadas pelas entidades ao criar Políticas de Assinatura Digital. Há dois anexos: Políticas de Assinatura-Padrão para a ICP-Brasil e Gerenciamento de Políticas de Assinatura Digital na ICP-Brasil. Esses documentos foram criados para garantir a interoperabilidade entre os sistemas de organizações que estão associadas ao ICP-Brasil. Essas organizações necessitam trocar diversos arquivos. Esses arquivos podem ser gerados em diferentes formatos (‘.pdf’, ‘.docx’, ‘.xlsx’, ‘mp3’, ‘mp4’, por exemplo). Cada sistema gera tipos de arquivos diferentes, tornando o processo de validação muito complexa. Com o intuito de diminuir a complexidade na validação dos diversos tipos de formatos de arquivos, o ICP-Brasil criou padrões que são utilizados para validação e confiabilidade do processo digital de assinatura. Os padrões são a aplicação das Políticas de Assinatura e seus documentos vinculados. ESTUDOS FUTUROS As políticas de assinaturas da ICP-Brasil serão discutidas no Subtópico 2.2.3 da Unidade 2, Tópico 2. Para tanto, o ICP-Brasil (2016) definiu três tipos de padrões: 76 1- Padrão CMS Advanced Electronic Signature (CAdEs) Esse padrão está especificado no documento DOC ICP 15.04, Política de Assinatura. Esse tipo de padrão recebe um Objeto Identificador (OID) valor de 2.16.76.1.5.1.1.1. Esse OID é um número atribuído pelo ITI. Esse número é usado para identificar um objeto num espaço de nomes hierárquico através de padrões como ANSI.1 e ITT-T. Esses padrões são definidos por empresas como American National Standards Institute (ANSI) americano e Telecommunication Standardization Sector que no domínio da engenharia e computação especificam diversos tipos de padrões. No Brasil, o órgão equivalente é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). No campo de aplicação, o padrão CAdEs faz uso de políticas tipo A1, A2, A3, A4 e uso dos algoritmos RSA/SHA256 e RSA/SHA-1. Esse padrão é muito utilizado em transações eletrônicas, ou seja,na maior parte dos arquivos digitais, incluindo ‘.pdf’, que transitam pela rede mundial. Todo arquivo assinado digitalmente utilizando o padrão CAdES gera um arquivo com extensão ‘.p7s’. Esse tipo de padrão permite validação a longo prazo e faz uso de chaves públicas. Há serviços on-line que assinam digitalmente o arquivo com base do padrão especificado. Esses serviços possuem diversas funcionalidades como uma maior flexibilidade, segurança, faz uso do padrão ICP-Brasil e outras funções como visualizam dos arquivos assinados. Você pode encontrar um exemplo de assinador digital no endereço eletrônico registrador.org.br que assinam digitalmente um arquivo. A Figura 3 simboliza a função de um assinador digital. FIGURA 3 – ASSINADOR DIGITAL FONTE: <https://bit.ly/2WSKNIw>. Acesso em: 7 out. 2021. 77 2- Padrão PAdES – PDF Advanced Electronic Signatures No caso do padrão PAdES, o armazenamento da assinatura digital do arquivo está vinculado ao próprio arquivo ou armazenado em separado. Quando armazenado, é unificado ao arquivo original, faz-se necessário o uso de um programa verificador de assinatura para visualização do arquivo. 3- Padrão XML Advanced Electronic Signatures (XAdES) Esse tipo de padrão é específico para um tipo de arquivo conhecidos como eXtensible Markup Language (XML), mas também permitem assinatura de arquivos tipo texto e binários. O formato XML é muito utilizado em documentos associados a prefeituras e outros órgãos públicos como sistema de imposto de renda da Receita Federal. O formato XML é um formato de arquivo usado para operação entre sistemas com formatos de arquivos diferentes de diferentes plataformas como Mac OS X, Windows e Linux. O padrão XAdES também permite assinatura a longo prazo, mas somente se o formato escolhido da assinatura contenha dados adicionais. 2.1 POLÍTICAS DE ASSINATURA DA ICP-BRASIL As Políticas de Assinatura (PA) descritas na normativa n° 3, de 12 de fevereiro de 2021, na verdade, são regras que foram criadas baseadas em perfis gerais com o objetivo de gerar e validar uma assinatura. Segundo a Request For Comments (RFC) 3125 (2001): As assinaturas eletrônicas podem ser usadas para qualquer transação entre um indivíduo e uma empresa, entre duas empresas, entre um indivíduo e um órgão governamental etc. Este documento é independente de qualquer ambiente. Pode ser aplicado para qualquer ambiente, por exemplo, cartões inteligentes, cartões SIM GSM, programas especiais para assinaturas eletrônicas etc. NOTA O formato de extensão de arquivo ‘.pdf’ é um formato aberto, normatizado através da ISO 32.000-1 de 2008. 78 O objetivo de uma PA é a especificação das regras de validação, pois essas regras serão utilizadas pelas aplicações para assinadores e pelos sistemas verificadores na análise de um determinado arquivo resultando em uma segurança técnica e jurídica. As etapas para validação de uma assinatura digital são: • 1a etapa – Ao assinar digitalmente um arquivo por meio de um dos três padrões, XAdES, PAdES, CAdES, então, uma política será aplicada. De acordo com Instrução Normativa ITI, n° 3, de 12 de fevereiro de 2021 (BRASIL, 2021d), são cinco tipos de políticas com referência nos padrões: 1- Assinatura Digital com Referência Básica (AD-RB) – esse tipo de assinatura é formado por um OID de assinatura e dados da assinatura. O OID é usado na geração e validação da assinatura digital do ICP-Brasil, já os dados fazem referência a informações informado pelo signatário (a data de criação da assinatura, por exemplo), além do sequenciamento de código. Usada para validação em prazo muito curto (BRASIL, 2021d). 2- Assinatura Digital com Referência do Tempo (AD-RT) – esse tipo de assinatura pode ser utilizado quando o cenário necessita de um longo prazo. Nessa assinatura, é acrescido um carimbo de tempo cuja emissão é de responsabilidade de uma Autoridade de Carimbo de Tempo (ACT). Essa entidade tem o papel de validar na transação comercial a data e hora da transação digital (quando um documento é emitido ou assinado, por exemplo). O credenciamento de uma ACT (ACT CAIXA, ACT SERPO, ACT CERTISIGN, por exemplo) na Infraestrutura do ICP-Brasil é feito pela AC- Raiz (BRASIL, 2021d). 3- Assinatura Digital com Referências para Validação (AD-RV) – quando há necessidade de validar uma assinatura, porém todas as informações necessárias para essa validação estejam disponíveis, a Assinatura Digital com Referências para Validação (AD-RV) é a mais adequada. Na verdade, é uma junção de uma AD-RT, o carimbo de tempo, e os cerificados de chave pública acrescidos na AD-RT, a lista de Certificados Revogados (LCR) ou respostas Online Certificate Status Protocol (OCSP) (BRASIL, 2021d). A LCR é mantida por uma AC. Essa lista consta de todo os tipos de certificados que consta como não válidos. Já o OCSP é um protocolo de internet. Esse protocolo é usado para resgatar o status de revogação de um certificado digital X.509. A RFC 6960 descreve o protocolo que foi criado como uma alternativa a LCR. O ICP-Brasil faz uso do protocolo X.509 V3 (BRASIL, 2021d). NOTA Um Request For Comments é um documento técnico criado por pessoas ou empresas mantido pela Internet Engineering Task Force (IETF) que definem característica para padrões utilizados no meio da computação como protocolos de internet, protocolos de segurança etc. 79 4- Assinatura Digital com Referências Completas (AD-RC) – essa assinatura é referenciada pela AD-RV, mas acrescida de todos os campos necessários para validação de uma assinatura digital por exemplo, CRL, OCSP, AC-RT, dados para validação (BRASIL, 2021d). 5- Assinatura Digital com Referências para Arquivamento (AD-RA) – esse tipo de assinatura é usado quando o signatário precisa manter a assinatura digital por um longo período. Nesse tipo de assinatura, é possível adicionar carimbos para garantir a segurança, pois ao longo do tempo, os algoritmos podem ser modificados ou enfraquecidos (BRASIL, 2021d). O Quadro 1 exibe um resumo das Políticas de Assinaturas associadas aos padrões estabelecidos por ICP-Brasil. QUADRO 1 – RESUMO DE PADRÕES E POLÍTICAS DE ASSINATURA FONTE: Adaptado de ICP-Brasil (2016) Note que há 14 Políticas de Assinatura especificadas pelo ICP-Brasil e subdividia de acordo com os padrões. Cabe ao signatário analisar o cenário e aderir aquela que melhor se adequa a sua necessidade de assinatura digital. Sendo assim, o tipo de cenário determinará qual o padrão, o tipo de assinatura, e formato específico mais adequado. Vamos a exemplos: O ramo imobiliário de aluguéis de imóveis está em crescimento, os contratos desse tipo de serviço não precisam de uma escritura pública e, portanto, a assinatura digital do tipo simples é mais adequada. Outros tipos de documentos também podem fazer uso desse tipo simples de assinatura digital, como contratos de prestação de serviços por profissionais liberais (advogados, engenheiros, contadores, psicólogos, por exemplo). ATENÇÃO A RFC 5280 descreve o protocolo X.509. Desenvolvido pela ITI-T como um padrão de protocolo para Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP). Esse protocolo especifica, por exemplo os formatos certificados digitais, campos os campos do certificado, extensões usadas nos certificados, mas também CRL. 80 Outro exemplo, ao trocar moeda brasileira (Real) por moedas estrangeiras (Dólar, Euro, por exemplo) em casas de câmbio, os contratos de câmbio poderão ser assinados digitalmente por usuários que utilizam o padrão CAdES com políticas AD-RB, AD-RT para validar o documento. Um último exemplo, os prontuários de pacientes assinados digitalmente são documentos estritamente confidenciais e, portanto, poderão ser validados por usuários que utilizam os padrões CAdES e XAdES. • 2a etapa – Após especificar o tipo de assinatura e assinado digitalmente, esse documento receberá um Identificador de Objetos (OID), pois, na validação, esse OID é extraído, verificado evalidado de acordo com a Política de Assinatura especificada pelo OID. Esse OID é atribuído pelo ITI. O Quadro 2 exibe alguns valores de OID. QUADRO 2 – VALORES DE OID FONTE: Adaptado de ICP-Brasil (2016) Os valores apresentados no Quadro 2 são os tipos de certificados digitais, são 12, sendo oito tipos relacionados à assinatura digital (A1, A2, A3, A4, T3, T4, A CF-e-SAT, OM-BR) e mais quatro relacionados ao sigilo (S1, S2 S3, S4). Os números definem escala de segurança entre os tipos de certificados digitais, pois os certificados marcados com 1 são os menos rigorosos em segurança, já os do tipo 4, mais rigorosos. No Brasil, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2019), os tipos A1 e A3 de certificados digitais são comercialmente utilizados. A diferente básica entre esses certificados está no armazenamento do próprio certificado digital. O tipo A1 armazena o certificado digital fica no próprio dispositivo. Já o tipo A3 fica armazenado em mídias como tokens Universal Serial Bus (USB) ou em cartões com chip. 81 Os certificados tipos A1 tem uma validade pequena, apenas 1 ano, e a senha é opcional, já o do tipo A3 possui em prazo mais longo de validade, até cinco anos, e a senha é de status obrigatório, além de poder utilizar em vários dispositivos, sendo necessário somente a instalação do software. Ambos, A1 e A3, podem ser utilizados tanto para e-CPF quanto para e-CNPJ e NF-e. Para o Certising (2019b), a maioria dos certificados emitidos são do tipo A3, cerca de 63%, sendo o restante atribuído a emissão do tipo A1. Os certificados do tipo A são indicados para documentos com Conectividade Social, emissão de Notas Fiscais, Transporte de Cargas, Carteira de habilitação, participação de Leilões eletrônicos etc. Já os certificados tipo S1 servem para garantir o sigilo dos dados na transação. Úteis para uso em e-mails. A proteção garante a confidencialidade e integridade dos dados perante uma ameaças de hackers e torna a informação inacessível a uma pessoa não autorizada. A aplicação desse tipo ocorre em cenário em que há necessidade proteger o conteúdo da informação. Conforme a documentação da AC Certisign (2019a), alguns tipos de certificado digital emitidos no Brasil são exclusivos para determinadas áreas. Por exemplo, as empresas que trabalham com transportes tanto intermunicipal e interestadual devem possuir o certificado digital tipo Sistema de Autenticação e Transmissão de Cupom Fiscal Eletrônico (SAT-CF-e). Já as empresas associadas a objetos metrológicos devem possuir certificados tipo Objetos Metrológicos-Brasil (OM-BR), como o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). Caso uma determinada empresa não se encaixe em nenhum tipo de certificado, essa deve pedir a emissão desse novo certificado, cuja aprovação deve ser feita pelo Comitê Gestor Brasil. Os certificados do tipo A1, A2 e S1, S2 usam chaves de tamanho de 1024 bits. Já os tipos A3, S3, T3 fazem uso de chaves de tamanho de 2048 bits. Os formatos A4 e T4 4096 bits. 3a etapa – Leva em consideração: ◦ o tipo de certificado emitido pelo ICP-Brasil; ◦ o identificador da política, por exemplo, 2.16.76.1.7.1.2.2.2; ◦ o algoritmo de encriptação como sha256WithRSAEncryption (1.2.840.113549.1.1.11); ◦ o tamanho da chave em bits; ◦ por fim, vínculo com o Carimbo do Tempo emitido por uma Autoridade de Carimbo do Tempo ICP-Brasil (BRASIL, 2021c). Portanto, as instruções normativas e padrões estão intrinsicamente relacionados, pois os padrões são definidos com base nas Políticas de Assinatura descritas por instruções normativas públicas pelo Diário Oficial da União e especificada pelo ITI sobre as ICP-Brasil. 82 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • As instruções normativas são atos administrativos que servem para tratar melhorias contínuas de atos anteriormente publicados e são realizados pela Autoridade Certificadora Raiz e publicado no Diário Oficial da União. • A nomenclatura das Instruções Normativas segue um padrão, por exemplo, IN n° 12-2021, sendo que a sigla IN indica Instruções Normativa, o n° 12 faz referência ao índice da instrução no ano, a 12ª IN, e 2021 faz referência ao ano. • Uma Instrução Normativa não se sobrepõe a uma lei, sempre estão em conformidade com a lei como atos puramente administrativos em relação a aspectos da ICP-Brasil. • O ICP-Brasil definiu alguns padrões que são utilizados no Brasil para cenários diferentes de uso de um certificado digital. Os padrões definidos forma PAdES que é usado em documentos puramente de extensão ‘.pdf’, o padrão XAdES que é usado em documentos puramente no formato XML, e o padrão CAdES que é usado nos outros formatos de documentos como ‘.xls’, ‘.doc’, etc. • Os padrões definidos para uso nos certificados digitais foram definidos baseados em Políticas de Assinatura. As Políticas de Assinatura são regras gerais definidas para gera e validar assinaturas digitais. São cinco Políticas de Assinatura, Assinatura Digital com Referência Completa (AD-RC), Assinatura Digital com Referência para Validação (AD- RV), Assinatura Digital com Referência do Tempo, Assinatura Digital com Referência Básica (AD-RB), Assinatura Digital com Referências para Arquivamento (AD-RA) e aplicadas aos três tipos de padrões de Certificado Digital, CAdES, PAdES, XAdES. • Há tipos de certificados digitais, a verdade, 12 tipos, oito utilizados para assinatura digital e quatro para a sigilo. A diferença entre os tipos está na aplicação, ou seja, no cenário de uso, pois cada tipo tem uma característica diferente, por exemplo, o tipo A1 é menos rigoroso, tamanho de criptografia de 1024 bit, pois o tipo A4 é mais rigoroso e tem tamanho de criptografia de 4096 bits. • Um atributo de um certificado digital é o Objeto Identificador (OID), ou seja, um número como sha256WithRSAEncryption (1.2.840.113549.1.1.11) que faz referência a um tipo de objeto nesse caso, ao tipo de criptografia. 83 1 As transações eletrônicas na Internet devem utilizar um certificado digital, pois esse garante a autenticidade da transação. Os certificados digitais possuem um padrão, ou seja, uma série de regras que são aplicadas de acordo com o tipo de documento a ser validado baseado nas especificações das Políticas de Assinatura. Sendo assim, assinale a alternativa CORRETA sobre os padrões de certificado digital: a) ( ) O CAdES é um tipo de padrão de certificado digital mais utilizado comercialmente, pois valida diversos tipos de documento. b) ( ) O padrão XAdES é muito utilizado pelos órgãos públicos brasileiros pela facilidade de validar documentos do tipo ‘.pdf’. c) ( ) O padrão PAdES é um padrão que valida documentos no formato de linguagem e marcação de texto conhecida como XML. d) ( ) Uma Autoridade Certificadora pode, sem consulta prévia, criar um padrão de certificado digital para uso comercial. 2 As Políticas de Assinatura são especificações declaradas que âmbito geral usada para gerar e validar assinatura digital. Os padrões de certificado digital são baseados em uma Política de Assinatura. Com base nas definições sobre o conceito de Política de Assinatura, analise as sentenças a seguir: I- A Política de Assinatura conhecida com AD-RB é usado para uma validação de certificado digital a longo prazo. II- A Política de Assinatura referenciada como AD-RA é usada para validação de certificado digital a curto prazo. III- A Política de Assinatura AD-RT faz uso de um carimbo de tempo emitido por um Autoridade de Carimbo de Tempo (ACT). Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. AUTOATIVIDADE 84 3 As leis são criadas para determinar como será o comportamento de um indivíduo perante uma sociedade. Na computação, leis são criadas para determinar as regrasde utilização dos objetos como um certificado digital. Instruções normativas são atos administrativos utilizados para diretrizes, normatizar métodos e procedimentos internos, por exemplo, especificações a respeito de Políticas de Assinatura. De acordo o texto anterior, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) As Instruções Normativas devem ser publicadas no Diário Oficial da União. O D.O.U. é o meio de comunicação oficial da Federação Brasileira. ( ) Na verdade, uma Instrução Normativa cria novas leis para serem aplicadas a processos mantendo uma melhoria contínua. ( ) Muitas Instruções Normativas revogam outras Instruções Normativas, além de validar melhorias no ato contínuo de adequação aos novos tempos. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Com a nova era, Era Digital, a internet torna-se o meio de comunicação mais utilizado entre os indivíduos e empresas ao redor do mundo. Por elas trafegam diversos tipos de dados provenientes dos mais variados tipos de transações comerciais entre pares (indivíduos e organizações públicas e privadas). O certificado digital garante a autenticidade e integridade dessas transações comerciais realizadas via internet. Disserte sobre os tipos de padrões de certificados digital que podem ser usados no Brasil. 5 Nem sempre o mesmo tipo de certificado é adequado para determinados cenários. Há tipos diferentes definidos pelo ICP-Brasil como A1, A2, A3 e A4, por exemplo. Esses tipos são definidos de acordo com a rigorosidade de proteção com relação ao documento a ser assinado digitalmente. Nesse contexto, disserte sobre assinatura digital usada nos documentos de contrato imobiliário. 85 TÓPICO 3 - FORMAS DE UTILIZAÇÃO E OS MEIOS CERTIFICADORES 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 2 Por longo período, os documentos e acordos entre pessoas físicas e jurídicas eram validados via carimbo, selos ou qualquer outro meio que garantiam a autenticidade da informação. Com o passar dos tempos, principalmente depois da internet comercial, iniciada em meados da década de 1980, e a explosão dela no início do século XXI, novos modelos de negócio surgiram e os antigos foram atualizados. Um dos principais ganhos para as empresas em seus modelos de negócio foi a capacidade de pode realizar transações comerciais em meios digitais, via a grande rede mundial (CAMPOS, 2006). Entretanto, essas transações comerciais precisam ser validadas para garantir a aplicação dos princípios da segurança da informação. Com os certificados digitais, as transações realizadas via meios digitais podem ser validadas. Esses certificados são diferenciados pelo propósito de uso, ou seja, a aplicação do certificado digital pode influenciar no tipo de certificado a ser usado, por exemplo, token ou cartão, além de outras características como o tempo de uso. Sendo assim, há certificados específicos para cada situação, a exemplo de contratos de aluguéis, proteção de informação por e-mail, instrumentos financeiros, uso de documentos de acesso a serviços governamentais entre outros. Acadêmico, neste Tópico 3, você poderá observar a necessidade de uso de um certificado digital, as diferentes formas de aplicações, bem como os meios de armazenamento das informações desse tipo de certificado. 2 USO E MEIOS CERTIFICADORES O crescimento das transações digitais tem sido exponencial nos tempos modernos. Segundo pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN, 2021), o volume de transações bancárias chegou atingiu a marca de R$103,5 bilhões, sendo que, 50% desse volume foi realizado via meios digitais, aplicativos bancários via plataforma WEB ou Mobile, por exemplo. Esse crescimento é acompanhado pelos números de emissão de certificados digitais. Segundo o ANCD (2021), existem cerca de 10 milhões de certificados ativos e uma projeção para 2021 de quase 7 milhões de novas emissão, um crescimento de 67% em relação ao ano anterior. Diante desse cenário, é possível comprovar que o certificado digital se tornou uma garantia de transações confiáveis via meio digital. 86 Uma das principais aplicações desses certificados é a emissão de Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). Esse certificado permite as Secretaria de Fazenda Estaduais e Distritais apurar de forma fidedigna as transações que possuem incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Esse imposto que é cobrado pelos estados e Distrito Federal pelas operações associadas à circulação de mercadorias, serviços de transportes interestadual e municipal e comunicação. Outra aplicação desses certificados é o seu uso para cumprimentos de obrigações trabalhistas e previdenciárias por parte das empresas e dos funcionários por meio do eSocial (BRASIL, 2001). NOTA O eSocial é serviço disponibilizado pelo Governo Federal que integra algumas obrigações trabalhistas como recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Contribuição da Previdência Social (CPS), e permite que o empregador utilize somente o sistema para cumprir com suas obrigações trabalhistas perante uma contratação de um colaborador. Esse sistema minimiza a burocracia que tanto limita o setor empresarial. No caso de pessoas físicas, nesses certificados estão contidas informações, como nome, data de nascimento, CPF, e-mail, Número de Identificação Social – NIS (PIS, PASEP ou CI), número do registro geral do titular, estado de origem (UF) do RG, Cadastro Específico do INSS (CEI) Enquanto para pessoas jurídicas, acrescenta-se o número CNPJ e razão social da empresa. Para armazenar esses dados, destacam-se as seguintes formas: • No computador: tipo de Certificado A1 armazena no navegador de internet ou em dispositivos móveis o certificado digital emitido diretamente no computador ou em dispositivos móveis, pois uma cópia é gerada com o número do pedido na área de trabalho. A compra do certificado tipo A1 pode ser feita diretamente na internet através de uma empresa credenciada como Certisign, SERASA entre outras. Geralmente, o certificado A1 tem uma garantia de 1 ano. O certificado A1 apresenta as seguintes características (CERTISIGN, 2019a): ◦ Não exige senha (opcional). ◦ Não exige mídias físicas, como cartão ou token. ◦ Pode ser instalado em qualquer sistema operacional. 87 • Cartões Inteligentes ou tokens: o armazenamento é feito por cartão inteligentes ou tokens. Os certificados Tipo A3 é um exemplo de certificado que faz uso dessas mídias. Esse tipo de certificado possui uma validade de 60 meses e é protegido por senha. São características de um certificado digital tipo A3 (CERTISIGN, 2019a): ◦ Uso de dispositivos de mídias como cartão e token. ◦ É protegido por senha. ◦ Não pode haver cópias do certificado para outros computadores. ◦ O dispositivo que receberá a instalação do certificado deverá ser preparado previamente. • No servidor: para armazenamento nessa modalidade, esses servidores necessitam suportar os protocolos de segurança Secure Sockets Layer/Transport Layer Security (SSL/TLS), como servidores de páginas WEB (Apache), Servidores de e-mail (Exchange), WebService entre outros. Um servidor SSL/TSL é um computador que oferece serviços de rede de computadores, como permitir que um usuário envie e receba e-mails ou acesse uma página de banco de forma segura. Os protocolos SSL/ TSL foram projetados para permitir uma comunicação segura entre duas partes, geralmente computadores pessoais e servidores, de forma segura aplicando os conceitos de autenticidade e integridade dos dados (FOROUZAN, 2007). DICA Mesmo constatando de senha e cifrado por um algoritmo, por segurança, boas práticas sugerem que você faça uma cópia para um local seguro de armazenamento como um repositório on-line. ATENÇÃO A navegação segura pela Internet passa pelo uso do protocolo SSL/TSL associado ao protocolo Hypertext Transfer Protocol (HTTP) resultando em HTTPs, sendoque a letra ‘s’ indica de uso do protocolo SSL/TSL e consequentemente navegação segura. 88 • Hardware: conhecido como Hardware Secure Module (HSM), esse tipo de armazenamento é um hardware (placa ou servidor lacrado) que serve para gerar, guardar e manter a segurança das chaves criptográficas. O uso de um HSM impede que dados confidenciais sejam acessados por agentes não credenciados (autorizados). O dispositivo de hardware é conhecido popularmente como cofre digital. Esse dispositivo para ser instalado em qualquer software desde que façam uso de um sistema de criptografia para proteção dos dados de uma transação ou de um armazenamento em disco (FOROUZAN, 2007). O procedimento é bem simples, o HSM armazena as chaves criptográficas e quando há uma transação eletrônica, a aplicação acessa o HSM para cifrar e decifrar os dados. Geralmente, esse tipo de segurança é aplicado por instituições bancárias (PINHEIRO et al., 2020). • Nuvem: nesse tipo de armazenamento, o acesso pode ocorrer de qualquer local por dispositivo com acesso à internet. Esse tipo tem uma validade de cinco anos. A grande diferença entre esse tipo de armazenamento e os demais é o remoteID (remoteIdentification), identificador remoto de usuário. Esse tipo permite um total gerenciamento de uso do certificado digital como acompanhar a validade e o histórico de uso nos dispositivos (CERTISIGN, 2019a). 3 APLICAÇÕES ESPECÍFICAS E CORRELATAS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL A projeção para os próximos anos é que o certificado digital se transforme num documento necessário como um CPF para pessoas físicas ou CNPJ para pessoas jurídicas (HINTZBERGEN et al, 2018). Gradativamente, o certificado digital está sendo inserido em diversas transações on-line. Para que isso ocorra efetivamente, é necessário identificar e perceber os principais benefícios do uso de um certificado digital, tais como (BENEFICIOSCD, 2013): • Contratação autenticada de serviços on-line (serviços de contabilidade, por exemplo): as empresas jurídicas com o uso de um certificado digital garantem princípios como autenticidade e integridade na comunicação entre a própria empresa e a Receita Federal do Brasil (RFB). Por exemplo, uma empresa de contabilidade em posse de um certificado digital pode acessar serviços digitalmente como cadastros de contribuintes e obter certidões da RFB (CERTISIGN, 2019a). ATENÇÃO O IC-Brasil para garantir uma qualidade no uso de Certificado Digital ICP-Brasil possui uma série de instruções para instalação das cadeias de Autoridade Certificadora Raiz para Adobe Reader, Google Chrome, Google Chromium (Linux), Internet Explorer, Java, Microsoft Edge, Mozilla Firefox. 89 • Segurança nas transações via meios digitais: com a pandemia da infecção respiratória aguda (Covid-19) resultante da ação do coronavírus SARS-CoV-2, descoberta em dezembro de 2019 em Wuhan, na China, as compras on-line tiveram aumento significante desde o início de 2020 (R7, 2021). Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e Serviço de Proteção ao Crédito (CNDL/SPC Brasil), em parceria com o Sebrae, apontou que houve um aumento de fraudes em torno de 28% em relação ao ano de 2019. Em números concretos equivale a 167 milhões de brasileiros. Cerca de 6 brasileiros em 10 que fazem transações comerciais, via meios eletrônicos, como a internet, foram lesados por algum tipo de fraude eletrônica (R7, 2021). Com o uso do certificado digital, a tendência é de uma diminuição nas fraudes digitais. • Economia de tempo e comodidade: uma transação que precise de uma validação de uma assinatura por meio físico poderá ser totalmente validada via um certificado digital. O princípio de autenticidade garante a validade jurídica da assinatura e validando a transação eletrônica. Esse processo é feito totalmente na Internet, sem a necessidade de ir pessoalmente a um cartório, economizando tempo (CERTISIGN, 2019a). • Automatização de tarefas: as plataformas, cujas tarefas foram automatizadas pelo certificado, terão como resultado em diminuição de possíveis erros e maior eficácia nos procedimentos. Muito documentos são invalidados devido a erros humanos cometidos no preenchimento. O ser humano é o elo mais fraco da segurança da informação. Quando o procedimento é realizado com validação de um certificado digital, a integridade das informações é preservada garantindo a veracidade dos dados e consequentemente mais eficiência e eficácia na transação eletrônica (CAMPOS, 2006). • Redução dos custos operacionais: a transformação dos processos burocráticos operacionais (contratação de funcionários, por exemplo) em processos eletrônicos resulta em otimização do trabalho, reduzindo a quantidade de funcionários necessária para realizar esses processos. Menos funcionários exercendo funções operacionais reduz os custos, além de diminuição de fraudes provocadas pelo funcionário (CAMPOS, 2006). • Potencializa privacidade e segurança das transações eletrônicas: sistemas quando são informatizados e protegido por criptografia preserva a integridade, a autenticidade e a privacidade da informação. O princípio da privacidade garante que as informações pessoais, de transações comerciais, da empresa sejam preservadas (CAMPOS, 2006). Além dos benefícios apresentados, o certificado digital permite a pessoas físicas ou jurídicas realizar um enorme leque de transações digitalmente validando-as, a saber (BENEFICIOSCD, 2013): 90 • Assinar um documento e enviá-lo pela Internet através da assinatura digital. • Emitir notas fiscais eletrônicas. • Fazer transações bancárias. • Fazer declarações de empresa e enviá-las com segurança pela Internet. • Fazer login em ambientes seguros. • Autenticar NF-e, escriturações contábeis e fiscais. • Acessar alguns tipos de serviços como Cadastro Nacional de Entidades Sindicais (CNES) ou e- Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (CAC) da Receita Federal onde o usuário pode realizar serviços via Internet com parcelar débitos. • Usar a carteira de habilitação eletrônica (e-CNH). • Poder participar de leilões eletrônicos. • Fazer procurações eletrônicas. Esses certificados digitais vêm sendo adotado em serviços públicos ofertados pelo governo (Receita Federal, Programa Juros Zero, INSS, por exemplo). Outras esferas públicas como prefeituras também vêm implantando os certificados digitais em serviços como Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e inventários. Além do contexto público, outros contextos (privado) também adotam o uso de um certificado digital como carteira estudantil, carteira profissional de identidade e sistema de saúde. Ante o exposto, o uso de um certificado digital tornou-se o presente e o futuro de pessoas físicas e jurídicas, pois as transações comerciais tendem a ser realizada no mundo digital, bem como os serviços públicos, carecendo de autenticação, o que impulsiona a utilização das garantias da segurança advindas da utilização do certificado digital. 91 UMA PRIMEIRA ANÁLISE DO ECOSSISTEMA HTTPS NO BRASIL Thiago Paim Escarrone Diego Kreutz Maurício M. Fiorenza 1 NAVEGAÇÃO SEGURA (?) NA INTERNET COM HTTPS A maioria dos usuários acredita que está utilizando um canal de comunicação seguro quando navega na Internet utilizando o Hyper Text Transfer Protocol Secure (HTTPS), isto é, HyperText Transfer Protocol (HTTP) sobre Secure Sockets Layer (SSL) / Transport Layer Security (TLS). Na verdade, os próprios navegadores contribuem para esta sensação de segurança quando apresentam um cadeado verde ao lado do endereço eletrônico, mais conhecido como Uniform Resource Locator (URL), que o usuário está acessando. Entretanto, pesquisas demonstram que, muitas vezes, o ecossistema do HTTPS e diferentemente do imaginado (ou do senso comum), inseguro (BOKSLAG, 2016, SAMARASINGHE; MANNAN, 2019). Os desafios e problemas de segurança sãomuitos e podem ocorrer em diferentes partes do ecossistema, incluindo falhas na especificação ou implementação ao dos protocolos, falhas na configuração ao dos certificados digitais nos servidores Web, falhas na geração dos certificados digitais, vulnerabilidades na Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP), entre outras vulnerabilidades (BOKSLAG, 2016; FROST et al. 2019; SAMARASINGHE; MANNAN 2019; MATSUMOTO; REISCHUK 2015; MERZDOVNIK et al. 2016). Quando o navegador inicia uma conexão HTTPS, é realizado o handshake do TLS entre navegador e o servidor Web. Em seguida, o servidor apresenta o seu certificado digital X.509, que é utilizado para atestar que uma organização e realmente quem ela se diz ser através de uma chave pública. Um certificado é atestado e emitido por uma Autoridade Certificadora (AC), que gera a assinatura digital. As ACs fazem parte das ICPs (DURUMERIC et al., 2013). No Brasil, há infraestruturas de chaves públicas mantidas por instituições como o SERPRO (https://www.serpro.gov.br/) e a RNP (https://www.rnp.br). Considerando um serviço on-line que utiliza HTTPS, como é possível obter mais informações sobre a segurança do certificado digital e das futuras conexões com o site? Que versões do SSL/TLS o site suporta? As versões suportadas pelo site possuem vulnerabilidades conhecidas? Existem estudos que tentam responder a este tipo de questões em contextos específicos, como sites da China, sites do Alexa Top 1 milhão e aplicativos bancários no Reino Unido (SAMARASINGHE; MANNAN, 2019; VRATONJIC et al. 2013; HUANG et al. 2019; CHOTHIA et al. 2017). Resultados das pesquisas apontam que ainda há um número significativo de sites e sistemas com vulnerabilidades relacionadas aos certificados digitais e versões de protocolos suportados e utilizados na prática. LEITURA COMPLEMENTAR 92 O objetivo deste trabalho é realizar estudos similares sobre o ecossistema HTTPS no contexto do Brasil. Além disso, identificar as principais ferramentas disponíveis livremente para realizar as análises dos certificados digitais e protocolos suportados por sites governamentais e da iniciativa privada. Por exemplo, diferentemente dos trabalhos relacionados citados anteriormente, neste trabalho, foram utilizadas ferramentas que proporcionam um diagnóstico mais detalhado, como a Geekflare TLS Scanner e a testssl.sh, que permitem identificar e catalogar falhas dos protocolos. Existem diferentes ferramentas projetadas especificamente para analisar problemas na instalação de certificados digitais em sites e detectar falhas de protocolos. Todas elas apresentam informações gerais a respeito da AC que emitiu o certificado, a sua validade e o algoritmo utilizado para assinar o certificado. Algumas ferramentas analisam também as propriedades específicas dos certificados, como a validade da cadeia do certificado e falhas conhecidas dos protocolos. Neste trabalho foram selecionadas seis ferramentas, cujas análises automatizadas e resultados são complementares, incluindo: SSL Labs, SSL Checker, Digicert, Wormly, Geekflare TLS Scanner e testssl.sh. O quadro aeguir resume o modo de operação e os parâmetros que são analisados por cada uma das ferramentas. QUADRO – RESUMO DAS FERRAMENTAS UTILIZADAS O restante do trabalho está organizado como segue. Os resultados das análises são apresentados na Seção 2. Na sequência, as considerações finais e os trabalhos futuros são apresentados na Seção 3. 2 ANÁLISE DO ECOSSISTEMA HTTPS NO BRASIL As ferramentas relacionadas na anteriormente, foram executadas em 44 sites, selecionados para esta primeira análise do ecossistema HTTPS no Brasil, divididos em quatro conjuntos: (a) sites importantes do Governo Federal (e.g., Presidência da República); (b) site oficial dos 26 estados da federação mais o Distrito Federal; (c) principais sites da Prefeitura Municipal de Alegrete/RS; e (d) sites dos principais bancos e algumas fintechs brasileiras. Na primeira etapa, foram identificados que, aproximadamente, 33% dos sites (todos eles governamentais) não utilizam HTTPS. Para os 34 sites remanescentes, foram realizadas diferentes análises, conforme discriminado a seguir. 93 2.1 ANÁLISE DOS CERTIFICADOS Um certificado digital somente é considerado como confiável quando ele apresenta: a) o nome da AC que o assinou; b) o domínio ao qual pertence; c) a data de validade (VRATONJIC et al. 2013). Obviamente, as três informações devem estar corretas. As análises realizadas mostram que 26,47% dos sites quebram a cadeia de certificado, ou seja, a AC que assinou o certificado não é reconhecida pelo navegador como uma entidade confiável. Esse é o caso dos sites governamentais que utilizam ACs de ICPs não reconhecidas pelos navegadores, como é o caso das ICPs do SERPRO e da RNP. A cadeia do certificado também é quebrada quando a própria empresa assina o certificado, caracterizando-o como um certificado autoassinado. Em 14,70% dos sites não existe uma AC confiável que assine o certificado, o que impede os navegadores de validar de forma automática e transparente a autenticidade do certificado. Quando o nome do domínio do certificado difere do nome do domínio do site, o certificado também é identificado como não confiável. Esse caso ocorre em 20,58% dos certificados analisados. Já a data de validade do certificado também está contida no certificado e é apresentada da seguinte forma: Not before and Not after. Se for identificada qualquer data fora desse intervalo explícito, o certificado é considerado como expirado, como foi o caso de 8,82% dos certificados analisados. Em resumo, 70,57% dos sites analisados, todos eles governamentais, apresentam algum problema relacionado ao certificado digital. Considerando a nova Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), n° 13.709, que entra em vigor em 2020, fica evidente a urgência no processo de revisão e atualização dos certificados digitais utilizados nas instituições governamentais. 2.2 VERSÕES DOS PROTOCOLOS SSL/TLS A ferramenta testssl.sh foi utilizada para identificar as versões dos protocolos SSL/TLS suportadas por cada site. Como pode ser observado no quadro a seguir, apesar de a versão mais recente do TLS (1.3) não apresentar nenhum tipo de ataque conhecido, 95,5% dos sites analisados ainda aceitam conexões utilizando as versões mais antigas e vulneráveis do protocolo. Novamente, o cenário apresentado é crítico pelo fato de a maioria dos sites (82,35%) ainda suportar versões bastante antigas do SSL/TLS, como a TLS 1.0. 94 QUADRO – VERSÕES DOS PROTOCOLOS E RESPECTIVAS VULNERABILIDADES 2.3 ALGORITMOS E FUNÇÕES CRIPTOGRÁFICAS A segunda parte do estudo consistiu em analisar os algoritmos e funções criptográficas utilizadas pelas unidades certificadoras para emissão dos certificados, incluindo algoritmos de assinatura, tamanho das chaves Rivest, Shamir, and Adelman (RSA) e funções de hash criptográfica. A figura a seguir resume os algoritmos hash e os tamanhos das chaves RSA que as ACs utilizam para assinar os certificados analisados. Como pode ser observado, 91,17% certificados utilizam a combinação do algoritmo de hash SHA-256 (SHA2) com o tamanho da chave RSA recomendada de 2048 bits. Os demais certificados utilizam chaves RSA de 1024 bits, i.e., fora do tamanho recomendado. Além disso, 5,88% dos certificados utilizam ainda SHA1, o que e fortemente desaconselhado pela comunidade de segurança desde 2010. FIGURA – ALGORITMOS DE ASSINATURA 95 2.4 SITES GOVERNAMENTAIS VERSUS INICIATIVA PRIVADA Tantos sites de órgãos governamentais como de empresas privadas permitem conexões utilizando versões dos protocolos SSL/TLS com vulnerabilidades conhecidas, expondo os usuários (e seus respectivos dados) a incidentes de segurança e privacidade. Sites do Governo Federal – De um total de 44 sites analisados, seis deles são sites importantes do Governo Federal, como o site da Presidência da República. As análises demonstram que 50% dos sites quebram acadeia de certificado e, em 16,66% deles, o domínio do certificado não corresponde com o domínio acessado. Além disso, 83,33% dos sites são vulneráveis aos ataques BEAST e POODLE e 100% deles são suscetíveis ao ataque Logjam. Sites dos Governos Estaduais – No contexto estadual, o cenário é ainda pior. Primeiro, 37,03% dos sites sequer utilizam HTTPS. Segundo, 22,22% possuem problemas relacionados ao domínio indicado no certificado, que não corresponde ao domínio acessado. Outros 22,22% dos sites possuem a cadeia de certificados quebrada e a maioria deles são certificados autoassinados. Não bastasse isso, mais de 50% dos sites suportam TLS 1.0, ou seja, são vulneráveis a ataques como o BEAST. Sites da iniciativa privada. O cenário na iniciativa privada, considerando que foram analisados apenas sites de bancos e fintechs, também é bastante preocupante. Dos nove sites analisados, 1 permite conexões utilizando o protocolo SSLv3, que possui várias vulnerabilidades conhecidas. Em 55,55% dos sites, os usuários podem estar em risco devido ao fato de suportar versões do SSL/TLS vulneráveis a ataques como o BEAST e o POODLE. De forma análoga ao cenário do Governo Federal, 100% dos sites analisados são suscetíveis ao ataque Logjam. Finalmente, apenas 22,22% dos sites suportam TLS 1.3, o que aumenta a segurança das comunicações para os usuários e instituições. 2.5 IMPACTOS DOS RESULTADOS APRESENTADOS Os profissionais de tecnologia responsáveis pela manutenção ao dos certificados digitais devem compreender os riscos de segurança de um certificado mal configurado ou de baixa qualidade. Resumidamente, na Seção 2.1, foram discutidos os diferentes problemas de certificados de baixa qualidade ou mal configurados, o que impacta severamente a segurança do ecossistema HTTPS. Além disso, como apresentado no quadro anterior, há diferentes ataques conhecidos relacionados às diferentes versões do SSL/TLS, por exemplo. A maioria absoluta dos sites analisados são vulneráveis ao ataque POODLE. Esse ataque permite aos agentes maliciosos roubar cookies de autenticação e obter informações sensíveis de usuários autenticados (MOLLER et al. 2014). Um atacante pode também decifrar cookies do navegador do usuário e, consequentemente, roubar informações privadas através do ataque BEAST (SARKAR; FITZGERALD, 2013), o que ocorre em grande parte dos sites analisados. além disso, 65,90% dos sites investigados suportam o TLS 1.2, o que os torna suscetíveis a ataques que comprometem a integridade da comunicação (BOKSLAG, 2016), isso é, ataques que permitem ao agente malicioso ler e modificar dados em trânsito. 96 RESUMO DO TÓPICO 33 DISCUSSÃO E TRABALHOS FUTUROS A utilização de certificados digitais, para viabilizar conexão HTTPS, por si só não garante segurança e privacidade aos usuários e instituições. Como visto nos resultados apresentados, a maioria absoluta dos sites analisados são vulneráveis a ataques conhecidos. Os problemas vão desde falhas de configuração dos sistemas até problemas mais específicos, inerentes à geração dos certificados digitais. Os profissionais de tecnologia, responsáveis pela instalação dos certificados e manutenção dos sites, precisam estar minimamente cientes da importância e criticidade das suas tarefas. Por exemplo, um certificado digital qualquer, instalado sem o mínimo de cuidados técnicos, não traz segurança aos usuários do sistema. Como ocorre frequentemente, o uso de HTTPS leva a uma falsa sensação de segurança aos usuários e instituições. As análises realizadas neste trabalho, observando a utilização de certificados digitais e protocolos suportados nas conexões HTTPS do ecossistema da internet do Brasil, mostram que ainda há um longo caminho pela frente para oferecer, efetivamente, segurança e privacidade aos usuários e instituições. Alternativas gratuitas para geração de certificados validos e de qualidade, como o Let’s Encrypt (https://letsencrypt. org/), podem representar uma alternativa atrativa para entidades que não possuem o conhecimento técnico ou os recursos financeiros para adquirir e gerenciar certificados de ACs tradicionais, reconhecidas pelos navegadores. Certificados emitidos pelo Let’s Encrypt são reconhecidos e autenticados por quase todos os navegadores. Como trabalhos futuros, podem ser destacados: a- aumentar a abrangência do estudo, investigando um número maior de sites e setores da sociedade; b- avaliar e comparar tecnicamente a qualidade das ferramentas existentes, como as listadas anteriormente, entre outras; c- analisar os principais sites do comércio eletrônico do Brasil. FONTE: Adaptado de ESCARRONE, T.; KREUTZ, D.; FIORENZA, M. Uma primeira análise do ecossistema HTTPS no Brasil. In: ESCOLA REGIONAL DE REDES DE COMPUTADORES (ERRC), 17., 2019, Alegrete. Anais [...]. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Computação, 2019. p. 130-135. Disponível em: https://sol.sbc.org.br/index.php/errc/article/view/9226. Acesso em: 8 out. 2021. 97 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • O volume de emissão de certificados digitais comprova o aumento das transações comerciais realizadas no mundo digital, principalmente a internet. • Em um certificado digital, há diversas informações para pessoas físicas e para pessoas jurídicas. • Diversos meios físicos são disponibilizados para armazenamento das informações como tokens, arquivos, cartões inteligentes, servidores, hardwares e Nuvem para garantir a proteção e a segurança das informações. • O certificado digital possui benefícios como comodidade, redução de custos, potencializa a privacidade e segurança dos dados, bem como economia de tempo. • O certificado digital pode ser usado em contexto público e privado. • Para pessoas físicas, o certificado digital é usado como um CPF digital, conhecido como e-CPF, e suas variações para carteira profissional da OAB, médicos e contadores. Esse certificado assina digitalmente qualquer documento validando os seus dados de identificação, permitindo, por exemplo, a um advogado acessar dados de processo via Internet. • Para as pessoas jurídicas, empresas, torna-se obrigatório, pois essas empresas emitem notas fiscais eletrônicas, além de permitir diversas operações burocráticas como recolhimento de FGTS via Internet com validação e segurança de transação. • O e-Médico é a variação do conhecido e-CPF. O e-Médico é o certificado emitido exclusivamente para o médico, regularmente registrado no Conselho Regional de Medicina (CRM). Portanto, o e-Médico ou eMédico é o certificado digital de pessoa física, exclusivo para médicos regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina (CRM). Existem outras variações para carteira profissional da OAB (advogados), assim como para contadores • O Conhecimento de Transporte eletrônico (CT-e) é o novo modelo de documento fiscal eletrônico, instituído pelo AJUSTE SINIEF 09/07, de 25/10/2007. • O CT-e pode ser definido como um documento de existência exclusivamente digital, emitido e armazenado de forma eletrônica, com o objetivo de documentar uma prestação de serviços de transportes, cuja validade jurídica é garantida pela assinatura digital do emitente e a Autorização de Uso fornecida pela administração tributária do domicílio do contribuinte. 98 • O CT-e pode ser utilizada para substituir documentos fiscais como de Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, modelo 8; Conhecimento de Transporte Aquaviário de Cargas, modelo 9; Conhecimento Aéreo, modelo 10; Conhecimento de Transporte Ferroviário de Cargas, modelo 11; Nota Fiscal de Serviço de Transporte Ferroviário de Cargas, modelo 27; Nota Fiscal de Serviço de Transporte, modelo 7, quando utilizada em transporte de cargas. Além disso, ele ser utilizado como documento fiscal eletrônico no transporte dutoviário e, atualmente, nos transportes Multimodais. 99 1 Progressivamente, as empresas estão adotando o modelo de validação de transação eletrônica com ouso de certificado digital. O ICP-Brasil é a Autoridade Certificadora Raiz que mantém toda a infraestrutura necessária para emissão e validação de um certificado digital. Sendo assim, assinale a alternativa CORRETA sobre o uso do certificado digital no Brasil: a) ( ) No Brasil, há uma crescente no volume de emissão de certificados digitais, são mais de 10 milhões de certificados digitais ativos. b) ( ) O e-CPF pode ser utilizado no Brasil tanto por pessoas jurídicas quanto por pessoas físicas. c) ( ) Um certificado digital tem diversas informações como nome do titular, nome do cônjuge, nome de pai, mãe, número de CPF (Cadastro de Pessoas Físicas). d) ( ) Um e-CNPJ é emitido somente para as empresas acessarem os serviços públicos criados pelo governo como eSocial. 2 Todo indivíduo possui um Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) junto à Receita Federal. Esse número é único e identifica o indivíduo como um cidadão brasileiro perante a União. O e-CPF é o CPF pessoal, porém, de identificação no meio digital. Com base nas definições sobre o conceito de e-CPF, analise as sentenças a seguir: I- O e-CPF é usado por uma pessoa comum para comprovar sua identidade no mundo digital em uma transação eletrônica. II- Com e-CPF, uma pessoa pode participar de leilões eletrônicos e fazer o imposto de renda eletronicamente. III- O recolhimento eletrônico do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) só é possível devido ao e-CPF. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 A segurança é uma preocupação por parte do mundo científico, principalmente, com relação aos dados. Hoje, com o negócio centrado na informação, sendo realizado diretamente no mundo digital, indivíduos e empresas precisam de mecanismos que validem as transações comerciais digitais. Os certificados digitais são necessários, pois garantem a segurança da informação no meio digital. De acordo o texto anterior, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 100 ( ) Tokens diferente dos cartões inteligentes são usados tanto para tipo A1 e A3 de certificado digitais. ( ) Servidores com protocolos SSL/TSL são usados para garantir o armazenamento de certificado digital, por exemplo, de um servidor de páginas Web. ( ) Os certificados que usam o armazenamento em nuvem são usados somente por empresas especializadas com CNPJ. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Um certificado digital guarda diversas informações que são utilizadas na autenticação quando há necessidade de comprovação tanto de identidade quanto origem dos dados. Essas informações são nome do titular, e-mail, número de registro geral, número do CPF, data de nascimento entre outras informações. Há diversos tipos de dispositivos que armazenam esses dados, entre eles o próprio computador. Disserte sobre a questão de segurança de armazenamento quando o certificado digital é armazenado no computador. 5 Há diversos tipos de certificado digital. A escolha de uso de uma certificado digital depende do cenário de uso. Tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas podem obter um certificado digital. Hoje, uma empresa praticamente é obrigada a ter um certificado digital, pois emitem nota fiscais de transações realizadas. Nesse contexto, disserte sobre certificado digital NF-e utilizado por pessoas jurídicas. 101 REFERÊNCIAS ANCD. ICP-Brasil supera 10 milhões de certificados digitais ativos. ANCD, 12 abr. 2021. Disponível em: https://ancd.org.br/icp-brasil-supera-10-milhoes-de-certificados- digitais-ativos/. Acesso em: 8 out. 2021. BENEFICIOSCD. 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Desafio On- line, v. 9, n. 2, maio/ago. 2021. 105 ASPECTOS TECNOLÓGICOS DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL UNIDADE 3 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender o que é uma assinatura digital; • identificar os tipos de chaves criptográficas; • reconhecer a cadeia hierárquica de confiança que viabiliza a emissão de assinaturas digitais; • descrever os tipos e os usos de assinaturas digitais. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – FUNDAMENTOS DA ASSINATURA DIGITAL TÓPICO 2 – CRIPTOGRAFIA DE DADOS TÓPICO 3 – EMISSÃO DA ASSINATURA DIGITAL Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 106 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 3! Acesse o QR Code abaixo: 107 TÓPICO 1 — FUNDAMENTOS DA ASSINATURA DIGITAL UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Olá, acadêmicos! Dentre os avanços tecnológicos do nosso século, a expansão dos serviços e aplicações proporcionados pela infraestrutura da internet mudaram a forma como consumimos informações, serviços, praticamos o comércio de produtos e nos relacionamos com as pessoas. Em suma, as tecnologias baseadas no mundo digital, vem substituindo de forma irrevogável procedimentos, antes possibilitados apenas de forma física e presencial, como a autenticação de documentos em um cartório, para sua realização no espaço virtual, via aplicações e softwares. Diante desse novo cenário, a proteção dos dados passa a ser uma preocupação constante das empresas, e a segurança da informação como disciplina regente nesse domínio ganha importância. Diante deste cenário, esta unidade tem como objetivo apresentar os aspectos tecnológicos da certificação, focando no uso da assinatura digital como mecanismo de autenticação e elemento que agrega confiabilidade as transações on-line. A meta é proporcionar um aprofundamento nas normativas e modelo arquitetônico das tecnologias subjacentes às aplicações de certificação digital. Dessa forma, a compreensão dos elementos que compõe a infraestrutura das assinaturas digitais, sua aplicabilidade, funcionalidade e modelos serão abordados de maneira que você, acadêmico, compreenda a importância dos padrões e normas na compatibilidade entre as mais diversas aplicações. Esta unidade, auxiliará, você a compreender o Sistema Nacional de Certificação digital e a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), que, ao completar 20 anos de sua implementação, consolida-se como o padrão público de certificação digital no país. Estabelecendo um sistema nacional de assinatura eletrônica, respaldada pelos modelos de referência internacional, estando disponível para a sociedade como um todo, cidadãos, empresas e demais entidades. Assim, você será capaz de entender e colocar em prática os conceitos sobre fundamentos da assinatura digital, bem como avaliar o processo de auxílio de sistemas de informação e segurança da informação relacionados à utilizaçãoe ação da assinatura digital. Bons estudos! 108 2 FUNDAMENTOS DA ASSINATURA DIGITAL Não é de hoje que a utilização de tecnologias se tornou comum no cotidiano de muitas pessoas. Tecnologias essas que auxiliam na realização de ações simples, como pagar contas on-line, assinar documentos sem a necessidade de registrar em cartório, enviar informações por e-mail etc. Sem tecnologias, como computador, celular e internet essas ações poderiam ser feitas de outras formas, mas tomariam muito mais tempo. Existem muitas pessoas que ainda são resistentes quanto à utilização de tecnologias porque questionam se, de fato, é seguro realizar ações tão importantes que envolvem dados, mecanismos complexos de comunicação e ambientes que podem conter vulnerabilidades diversas. De que forma seria possível resolver questões que envolvem a identificação inequívoca de uma entidade, pessoa ou serviço digital ou, ainda, se uma informação foi enviada por uma fonte legítima? Como prover legitimidade aos processos de autenticação de serviços, pessoas e demais entidades no âmbito digital? Respeitando os princípios da segurança da informação e resguardando os dados em trânsito e o respaldo jurídico das transações on-line. Para resolver esses e outros questionamentos, advindos dos processos de autenticação e certificação no mundo cibernético, veremos a seguir que diversas entidades responsáveis por estabelecer padrões de referência para ambientes digitais, desenvolveram tecnologias para suportar tais processos. O National Institute of Standards and Technology (NIST), instituto federal para padronização do uso de tecnologias dos Estados Unidos da América (EUA), em sua Publicação Especial 800- 63-3 (GRASSI; GARCIA; FENTON, 2017, p. 6), define a identidade digital como: A identidade digital é a persona on-line de um assunto e uma única definição é amplamente debatida internacionalmente. O termo persona é apropriado, pois um sujeito pode se representar on-line em várias maneiras. Um indivíduo pode ter uma identidade digital para e-mail e outra para pessoal finanças. Um laptop pessoal pode ser o servidor de streaming de música de alguém, mas também um robô trabalhador em uma rede distribuída de computadores realizando cálculos complexos do genoma. Sem contexto, é difícil pousar em uma única definição que satisfaça a todos. Segundo Grassi, Garcia e Fenton (2017, p. 7), a natureza da “[...] identidade digital, como uma identidade legal, complica ainda mais a sua significação, pois está relacionada à capacidade de usa-lá em uma variedade de casos, de uso sociais a econômicos”. A dificuldade também está em provar que alguém é quem diz ser, especialmente de forma remota por meio de um serviço digital. O ambiente digital está repleto de oportunidades para um invasor se passar por alguém. O que podemos constatar pelas inúmeras notícias de golpes utilizando plataformas digitais, que vemos todos os dias no noticiário. Por esse motivo, é preciso criar e implementar diretrizes que forneçam mitigações para as 109 vulnerabilidades inerentes on-line, reconhecendo e encorajando que, ao acessar alguns serviços digitais de baixo risco, “você prove que é quem diz ser“. Por outro lado, os serviços digitais de alto risco, como assinatura de documentos eletrônicos e processos judiciais, reconhecidamente, precisam de um nível de confiança mais robusto e confiável para a autenticação de sua identidade digital. Veremos, a seguir, que a assinatura digital é um instrumento que garantirá a autenticidade e a integridade de documentos eletrônicos e demais processos no ambiente cibernético, assegurando que somente determinada pessoa poderia ter gerado determinada informação, e que a informação não sofreu modificações desde sua geração (SANTOS, 2018). 2.1 ASSINATURA DIGITAL A assinatura digital é uma técnica que utiliza criptografia e função de hash para conferir segurança e integridade a documentos eletrônicos. É por meio de uma avaliação jurídica que verificamos se os documentos estão inalterados e podem ser considerados verdadeiros e autênticos. Fora dos meios digitais, a autenticidade de documentos pode ser garantida por meio de assinaturas, iniciais e marcas especiais como selos e carimbos. Já com relação ao mundo digital, os documentos podem ser protegidos por meio de assinaturas digitais. Caso seja constado que uma assinatura digital sofreu algum tipo de alteração, qualquer ação se tornará inválida pela impossibilidade do reconhecimento da assinatura digital, isso se deve ao fato desse tipo de assinatura estar contida em certificado digital e se relacionar ao documento eletrônico "assinado". Dessa forma, a assinatura digital permite a verificação da autoria do documento e da integridade de seu conteúdo, pois qualquer alteração (como inserir um espaço entre duas palavras) invalidará a assinatura digital. Uma das entidades de referência para a implantação de uma infraestrutura de chaves públicas é a Organização Internacional de Padronização (em inglês – International Organization for Standardization – ISO), em parceria com o International Electrotechnical Commission (IEC), que formam o sistema especializado para padronização mundial. A norma ISO/IEC 14.888-1:2008, revisada em 2019, especifica mecanismos de assinatura digital, seus princípios e requisitos gerais, assim como os meios que estão disponíveis para obter uma cópia confiável da chave de verificação pública, por exemplo, um certificado de chave pública (BOAVIDA; BERNARDES, 2019). Segundo a ISO/IEC 14.888-1 (2008), “[...] os mecanismos de assinatura digital são técnicas criptográficas assimétricas que podem ser usadas para fornecer autenticação de entidade, autenticação de origem de dados, integridade de dados e serviços de não repúdio”. Segundo a mesma norma, existem dois tipos de mecanismos de assinatura digital: 110 • Quando o processo de verificação necessita da mensagem como parte da entrada, o mecanismo é denominado “mecanismo de assinatura com apêndice”. Uma função hash é usada no cálculo do apêndice. • Quando o processo de verificação revela toda ou parte da mensagem, o mecanismo é denominado “mecanismo de assinatura para recuperação da mensagem”. Uma função hash também é usada na geração e verificação dessas assinaturas ISO/IEC 14.888-1 (2008). A Figura 1 apresenta o processo de aplicação da assinatura digital em documentos eletrônicos. Os elementos constantes do processo são: o documento eletrônico, onde será aplicada uma função hash, por meio do algoritmo SHA-512; utilizando a chave privada do signatário (veremos nos próximos tópicos as formas de obtenção de uma chave privada), vinculada ao algoritmo criptográfico Rivest-Shamir- Adleman (RSA) como cifrador assimétrico; o resultado dos processos da função de hash aliada ao cifrador criptográfico resulta no apêndice de hash cifrado, caracterizado como a assinatura digital propriamente dita. FIGURA 1 – ASSINATURA DIGITAL DE DOCUMENTO ELETRÔNICO FONTE: O autor DICA Acadêmico, para saber um pouco mais sobre padrões de referência sobre assinatura digital, segue a dica: os mecanismos de assinatura digital com apêndice são especificados na ISO/IEC 14.888; os mecanismos de assinatura que fornecem recuperação de mensagem são especificados na ISO/IEC 9.796 e as funções de hash são especificadas na ISO/IEC 10.118. 111 Os elementos constantes da cadeia de aplicação de uma assinatura digital são (ISO/IEC 14.888-1, 2008): • Função hash – função que mapeia sequências de bits para sequências de bits de comprimento fixo, satisfazendo as duas propriedades a seguir: ◦ Para uma determinada saída, é computacionalmente inviável encontrar uma entrada que mapeie para essa saída. A viabilidade computacional depende dos requisitos de segurança e ambiente específicos. ◦ Para uma determinada entrada, é computacionalmente inviável encontrar uma segunda entrada que mapeie para a mesma saída. Esta definição de função hash é conhecida como funçãohash unilateral. • Par de chaves – par que consiste em uma chave de assinatura e uma chave de verificação, ou seja, um conjunto de elementos de dados que deve ser total ou parcialmente mantidos em sigilo, para uso exclusivo do signatário. Nos modelos de criptografia assimétrica, conhecemos o par de chaves como chave pública e chave privada. A chave pública, disponibilizada em “chaveiros públicos” na internet pode ser usada por qualquer verificador. Veremos no decorrer desta unidade a geração de chaves públicas e privadas. • Mensagem ou documento eletrônico – sequência de bits de qualquer comprimento. Mensagem assinada – é conjunto de elementos de dados consistindo na assinatura, a parte da mensagem que não pode ser recuperada da assinatura e um campo de texto opcional. • Assinatura – um ou mais elementos de dados resultantes do processo de assinatura. Processo de assinatura – é processo que leva como entrada a mensagem, a chave de assinatura e os parâmetros de domínio, e que dá como saída a assinatura. • Chave de assinatura – conjunto de elementos de dados privados específicos para uma entidade e utilizáveis apenas por esta entidade no processo de assinatura. • Chave de verificação – conjunto de elementos de dados públicos matematicamente relacionados à chave de assinatura de uma entidade e que é usado pelo verificador no processo de verificação ESTUDOS FUTUROS Fique ligado, no Tópico 3 desta unidade, nós vamos realizar um estudo relacionado aos tipos de assinaturas digitais, e você aprenderá a diferença entre assinatura digital e assinatura eletrônica. 112 2.2 PADRÕES DE REFERÊNCIA PARA ASSINATURA DIGITAL Padrões de referência para uso de tecnologias garantem a compatibilidade e interoperabilidade entre dispositivos (hardware) e software. Tais normas resultam dos esforços de grupos trabalho e consórcios de pesquisadores, fabricantes, agências de regulamentação, dentre outros. No caso da rede mundial de computadores, a principal entidade é o Internet Engineering Task Force (IETF), grupo com abrangência internacional que desenvolve os padrões para a internet. O IETF atua em parceria com as principais entidades que compõe o comitê gestor da internet, como o Internet Assigned Numbers Authority (IANA), responsável pela gestão das atribuições dos endereços do protocolo Internet Protocol (IP) e demais serviços da internet e o World Wide Web Consortium e ISO/IEC. Segundo Boavida e Bernardes (2019), dentre as diversas atribuições do IETF, está a publicação e o gerenciamento de documentos conhecidos como Request for Comments (RFC). Os RFCs são publicações sobre informações técnicas e padrões que serão implementados na internet. Para compreender o que é um RFC, imagine como desenvolvedor de aplicativos para a Web, no qual você buscaria informações técnicas sobre o funcionamento dos protocolos de comunicação que rodam, subjacentes, na infraestrutura da internet. Nas documentações dos RFCs, constantes na página do IETF. org. O primeiro RFC publicado (RFC 1) foi há 52 anos, em 1969, que continua disponível para consulta, a título de pesquisa histórica dos padrões da internet, pois, é claro, que se trata de especificações de uma tecnologia hoje obsoleta. Como estamos falando de padrões tecnológicos para ambientes computacionais, podemos encontrar na página do ietf.org RFCs, que especifica padrões para implementação de assinatura digital, segue algumas delas: • RFC 8692 (2019) – Algorithms and Identifiers for the Internet X.509 Public Key Infrastructure Certificate and Certificate Revocation List (CRL) Profile. • RFC 5816 (2010) – Internet X.509 Public Key Infrastructure Time-Stamp Protocol (TSP). • RFC 5126(2008) – Electronic Signature Formats for long term electronic signatures. • RFC 8399 (2018) – Internet X.509 Public Key Infrastructure Certificate and Certificate Revocation List (CRL) Profile. A Figura 2 apresenta o cabeçalho da RFC 3280, atualizada para a RFC 8399, note que as informações sobre versões anteriores (obsoletas) continuam acessíveis, bem como o nome dos autores da RFC. 113 FIGURA 2 – CABEÇALHO DE UM RFC FONTE: <https://datatracker.ietf.org/doc/html/rfc5280>. Acesso em: 30 set. 2021. Outro padrão de referência importante para o uso de assinaturas digitias é estabelecido pelo European Telecommunications Standards Institute (ETSI) por meio da norma ETSI TS 119 312 v1. 4.1 (ETSI, 2021), que fornece orientação sobre a seleção de suítes criptográficas com particular ênfase na interoperabilidade. O ETSI possui um comitê téncico, denominado Electronic Subscriptions and Infrastructure (ESI), específico sobre pesquisa e publicação de normativas a respeito do uso de assinaturas digitais. Segundo a norma ETSI (2021, p. 10), “[...] a seleção de suítes criptográficas para aplicação em assinaturas digitais é um parâmetro de negócios importante para produtos e serviços de implementação de assinaturas digitais”. O comitê Técnico do ETSI, sobre Assinaturas Eletrônicas e Infraestruturas (ESI), utiliza como referência, na definição de normas e padrões o atendimento aos requisitos para os serviços de confiança, consistindo na criação, verificação e validação de assinaturas eletrônicas, selos eletrônicos e carimbos de hora eletrônicos, serviços de entrega registrados eletrônicos e certificados (ETSI, 2021). Segundo a norma ETSI (2021, p. 12): 114 A assinatura digital relaciona-se a dados associados a uma transformação criptográfica de uma unidade de dados que: a) permite comprovar a origem e integridade da unidade de dados; b) permite proteger a unidade de dados contra falsificações; e c) permite apoiar o não repúdio do signatário à assinatura da unidade de dados. No Brasil, a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil “[...] é uma cadeia hierárquica de confiança que viabiliza a emissão de certificados digitais para identificação virtual do cidadão” (ICP-BRASIL, 2016). O ICP-Brasil é uma iniciativa do governo brasileiro para consolidar como o padrão público de Certificação digital no país, provendo a assinatura eletrônica qualificada à sociedade, tanto para o cidadão quanto para as empresas. Veremos um pouco mais sobre o ICP-Brasil no Tópico 3. A Figura 3, apresenta os padrões nos quais o ICP-Brasil se baseou para criar a Infraestrutura de chaves públicas para o governo brasileiro. FIGURA 3 – PADRÃO BRASILEIRO DE ASSINATURA DIGITAL FONTE: Adaptada de ICP-Brasil (2016) 115 3 PRINCÍPIOS DE SEGURANÇA DA ASSINATURA DIGITAL As assinaturas digitais são usadas para detectar modificações não autorizadas nos dados e para autenticar o identidade do signatário. Além disso, o destinatário dos dados assinados pode usar uma assinatura digital como evidência para demonstrar a um terceiro que a assinatura foi, de fato, gerada pelo reivindicado signatário (NIST, 2013, p. 10). Isso é conhecido como não repúdio, uma vez que o signatário não pode repudiar facilmente a assinatura em um momento posterior. Veremos adiante que o não redúpio é um dos príncipios ligados à segurança do processo de assinaturas digitais. A norma FIPS PUB 186-4 (NIST, 2013) especifica um conjunto de algoritmos que podem ser usados para gerar uma assinatura digital. Já o padrão especifica um conjunto de algoritmos que podem ser usados para gerar uma assinatura digital e garantir os requisitos de segurança esperados. Lembrando que um dos elementos que compõe a infraestrutura tecnologica das assinaturas digitais é a função hash, que, segundo a NIST (2013, p. 12), “[...] é uma função que mapeia uma sequência de bits de comprimento arbitrário para um comprimento fixo string de bits”. As funções hash aprovadas são especificadas no FIPS 180 e são projetadas para satisfazer as seguintes propriedades: 1- Unilateral, ou seja, é computacionalmente inviável encontrar qualquer entrada que mapeia para qualquer nova saída pré-especificada. 2- Resistente à colisão. É computacionalmente inviável encontrar qualquer duas entradasdistintas que mapeiam para a mesma saída. A Figura 4 representa o processo de aplicação de um algoritmo criptográfico em um documento eletrônico. 116 FIGURA 4 – O PROCESSO DE HASH CRIPTOGRÁFICO FONTE: O autor As assinaturas digitais são baseadas em técnicas matemáticas, por meio dos algoritmos criptográficos que compõem o processo de autenticidade, integridade e não repúdio – seus princípios básicos. Tais propriedades garantem a autenticidade da persona digital, concedendo a assinatura digital mecanismos que fornecem o não repúdio da transação. Em outras palavras, assinatura digital serve como prova legal de que o intercâmbio de dados ocorridos é seguro e confiável. Como assinaturas digitais usam criptografia assimétrica? Veremos a seguir. 117 Os sistemas de chave pública, criptografia assimétrica, são caracterizados pelo uso de um algoritmo criptográfico com duas chaves, uma mantida privada e uma disponível publicamente, veremos mais detalhadamente esse assunto no Tópico 3. No caso das assinaturas digitais, a autenticação do emissor é requerida, este utiliza sua chave privada, ou a chave pública do receptor, ou ambas, para realizar o processo de autenticação e certificação. Segundo Stallings (2015, p. 205), os sistemas de chave pública utilizados nas aplicações de assinatura digital podem ser classificados em três categorias: Encriptação/decriptação: o emissor encripta uma mensagem com a chave pública do destinatário. • Assinatura digital: o emissor “assina” uma mensagem com sua chave privada. A assinatura é feita por um algoritmo criptográfico aplicado à mensagem ou a um pequeno bloco de dados que é uma função da mensagem. • Troca de chave: dois lados cooperam para trocar uma chave de sessão. Várias técnicas diferentes são possíveis, envolvendo a(s) chave(s) privada(s) de uma ou de ambas as partes. Alguns algoritmos são adequados para todas as três aplicações, enquanto outros”. Tendo ainda as seguintes características: • Autenticidade – Uma assinatura não pode ser falsificada e oferece prova de que o signatário, e ninguém mais, assinou o documento (STALLINGS, 2015, p. 7). • Inalterável – Após assinar um documento, ele não pode ser alterado. • Não reutilizável – Uma assinatura não pode ser transferida para outro documento. • Não repúdio – O documento assinado é considerado o mesmo que um documento físico. Uma assinatura é a prova de que o documento foi assinado pela pessoa real (STALLINGS, 2015, p. 205). A assinatura acontece por meio da geração do hash da informação a ser transmitida e da encriptação desse hash com a chave secreta. Um terceiro que queira verificar se a assinatura digital pertence à determinada pessoa terá que utilizar a chave pública dessa mesma pessoa. Com isso, são garantidos a autenticidade, a integridade e o não repúdio. O processo para a autenticação utilizando assinatura digital se inicia com a encriptação de uma mensagem ou documento, usando a chave privada do emissor. Em seguida, a mensagem ou documento é encriptado novamente, com a chave pública do receptor ou por uma função de hash. O texto cifrado final só pode ser decriptado pelo receptor, que tem a chave privada equivalente (STALLINGS, 2015 p. 205). A Figura 5 apresenta o esquema desse processo. 118 FIGURA 5 – ASSINATURA DIGITAL – PROCESSO DE UTILIZAÇÃO FONTE: O autor A segurança da informação reúne alguns princípios que estão ligado diretamente com a assinatura digital. São eles: • Disponibilidade: esse princípio está diretamente associado à infraestrutura de rede de computadores e dos sistemas, ou seja, a característica de eficácia de funcionamento, pois os dados armazenados com segurança precisam ser acessados por quem é de direito acessá-los em qualquer momento (STALLIGNS, 2015, p. 7). Logo, precisam estar disponíveis a pessoas autorizadas ao acesso. • Integridade: esse princípio diz respeito à consistência dos dados, ou seja, a preservação dos dados conforme eles vão se originando ao longo do seu ciclo de vida (STALLIGNS, 2015, p. 7). Logo, algumas importantes medidas devem ser tomadas pelas empresas para garantir esse princípio como redundância, controles de acesso aos usuários, permissões aos arquivos, checksum, backups, entre outros. ATENÇÃO O termo checksum vem do inglês e seu significado é soma de checagem ou verificação. Um checksum tem o objetivo de validar a integridade dos dados de um arquivo. O uso de checksum é muito comum para validar arquivos baixados da internet por processo de download. Algoritmos de criptografia como SHA são usados para gerar um hash (uma cadeia de caracteres) na origem e verificado também no destino. Quando os hash são iguais, é sinal de que a integridade dos dados foi preservada, ou seja, não houve nenhuma alteração dos dados. 119 • Confidencialidade: dados podem ser classificados como secretos, sigilosos, públicos ou privados, dependendo da organização. O princípio de segurança da informação conhecido como confidencialidade está associado à privacidade dos dados (STALLIGNS, 2015, p. 7). O princípio da confidencialidade, então, garante que dados confidenciais não sofram qualquer tipo de ameaças resultantes de ataques de hackers, espionagem etc. • Autenticidade: os dados geralmente são originados de algo local e produzidos por alguém ou algum sistema. A autenticidade garante que os dados sejam autênticos, ou seja, preservem as condições originais de quando eles foram criados e armazenados. Independentemente do processo utilizado na manipulação, os dados permanecem intactos, preservando todos os aspectos originais de criação (STALLIGNS, 2015, p. 7). • Não repúdio: esse princípio da segurança da informação garante que qualquer usuário ou sistema não negue a autoria da criação ou assinatura de um documento. Esses sistemas também são conhecidos como irretratabilidade (SILVA, 2020, p. 93). A assinatura digital se relaciona ao conceito de autenticidade e deve garantir ao receptor do serviço de autenticação que qualquer mensagem enviada seja de fato da origem informada no conteúdo. Assim, a assinatura digital também se faz presente como uma ferramenta da segurança da informação, já que possui o objetivo de garantir que um determinado princípio básico da segurança da informação de fato ocorra. Um aspecto importante das assinaturas digitais relaciona se com os algoritmos criptográficos que são utilizados em todo o processo. A Figura 6 mostra esse aspecto importante na infraestrutura tecnológica das assinaturas digitais, os algoritmos. FIGURA 6 – ALGORITMOS UTILIZADOS EM UMA ASSINATURA DIGITAL FONTE: Stallings (2015, p. 206) DICA Leia mais sobre segurança da informação e sistemas de informação no artigo intitulado de Segurança dos sistemas de informação e o comportamento dos usuários. Esse artigo aborda o desafio de garantir a segurança da informação em uma sociedade cada vez mais global. FONTE: <https://www.scielo.br/j/jistm/a/ n6HBtP6htxYkTKKrjt9VsRz/?format=pdf&lang=pt>. Acesso em: 8 out. 2021. 120 O protocolo Document Security Store (DSS) é um padrão de assinatura digital que faz uso de um algoritmo baseado no algoritmo Digital Signature Algorithm (DSA) como padrão de assinatura digital. Esse tipo de padrão é um Federal Information Processing Standard (FIPS). O DSS associado a um Algoritmo de Segurança Hash (SHA ) é usado para autenticação dos documentos em formato eletrônico. Esse tipo de padrão só tem função para assinatura digital, já que não fornece estratégias de troca de chaves, ou seja, não pode ser usado como algoritmo de criptografia de dados. A ideia de usar um sistema tipo DSS é garantir a um terceiro que a assinatura é, de fato, originada pelo signatário reivindicado. Esse conceito é conhecido como não repudio, ou seja, a garantia do princípio da irretratabilidade. O padrão DSS especifica três técnicas usadas para criar e validar assinaturas digitais, sendo elas: DSA, Elliptic Curve Digital Signature Algorithm(ECDSA) e RSA. DSA: padrão federal de processar informações associadas a assinaturas digitais e tem referências no modelo matemático de exponenciação modular e no problema de logaritmo discreto. Esse padrão foi proposto, em 1991, pelo National Institute of Standards and Technology (NIST), Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, e adotado como um padrão pelo FIPS em 1993 (NIST, 2013). 121 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A identidade digital é a persona on-line de um assunto e uma única definição é amplamente debatida internacionalmente. O termo persona é apropriado, pois um sujeito pode se representar on-line em várias maneiras. Um indivíduo pode ter uma identidade digital para e-mail e outra para pessoal finanças. Um laptop pessoal pode ser o servidor de streaming de música de alguém, mas também um robô trabalhador em uma rede distribuída de computadores realizando cálculos complexos do genoma. Sem contexto, é difícil pousar em uma única definição que satisfaça a todos. • A assinatura digital é um instrumento que garantirá a autenticidade e a integridade de documentos eletrônicos e demais processos no ambiente cibernético. Assegurando que somente determinada pessoa poderia ter gerado determinada informação e que a informação não sofreu modificações desde sua geração (SANTOS, 2018). Que é considerada uma técnica que utiliza criptografia e função de hash para conferir segurança e integridade a documentos eletrônicos. • A assinatura digital é um instrumento de avaliação jurídica para verificamos se os documentos eletrônicos estão inalterados e podem ser considerados verdadeiros e autênticos. Fora dos meios digitais, a autenticidade de documentos pode ser garantida por meio de assinaturas, iniciais e marcas especiais como selos e carimbos. • A Organização Internacional de Padronização (em inglês, International Organization for Standardization – ISO), é uma das entidades de referência para a implantação de uma infraestrutura de chaves públicas internacionalmente. • No Brasil, a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil é uma cadeia hierárquica de confiança que viabiliza a emissão de certificados digitais para identificação virtual do cidadão. O ICP-Brasil é uma iniciativa do governo brasileiro para consolidar como o padrão público de certificação digital no país, provendo a assinatura eletrônica qualificada à sociedade, tanto para o cidadão quanto para as empresas. • As assinaturas digitais são baseadas em técnicas matemática, por meio dos algoritmos criptográficos que compõe o processo de autenticidade, integridade e não repúdio, seus princípios básicos. Que tais propriedades garantem a autenticidade da persona digital, concedendo a assinatura digital mecanismos que fornecem o não repúdio da transação. 122 • Os sistemas de chave pública, criptografia assimétrica, são caracterizados pelo uso de um algoritmo criptográfico com duas chaves, uma mantida privada e uma disponível publicamente. Que no caso das assinaturas digitais, onde a autenticação do emissor é requerida, este utiliza sua chave privada, ou a chave pública do receptor, ou ambas, para realizar o precoce de autenticação e certificação. • A Assinatura digital se relaciona ao conceito de autenticidade e deve garantir ao receptor do serviço de autenticação que qualquer mensagem enviada seja de fato da origem informada no conteúdo. Que a assinatura digital também se faz presente como uma ferramenta da segurança da informação, já que possui o objetivo de garantir que um determinado princípio básico da segurança da informação. • Assinatura digital se fundamenta nos algoritmos criptográficos de chave assimétrica, tais RSA, DSS, DAS e Diffie e Hellman. 123 1 Em documentos com assinatura digital, é realizada uma avaliação para saber se esses documentos estão inalterados e podem ser considerados verdadeiros e autênticos. A autenticidade dos documentos fora dos meios digitais pode ser garantida por meio de assinaturas, iniciais e marcas especiais, como selos e carimbos. Já com relação ao mundo digital, os documentos podem ser protegidos por meio de assinaturas digitais. Com base nos conceitos relacionados à assinatura digital, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A técnica de assinatura digital possui validade jurídica e é uma forma eficaz de garantir autoria de documentos eletrônicos. b) ( ) A assinatura digital não é um meio seguro e muito menos regularizado, não existe lei ou medida provisória que autorize sua utilização. c) ( ) A assinatura digital é recomendada para casos específicos, por exemplo, documentos de menor riscos de negócio. d) ( ) Um dos maiores motivos da utilização da assinatura digital está na baixa crescente na utilização de transações que requeiram o uso de tecnologia. Dessa forma, o governo busca aquecer essa área beneficiando quem passa a utilizar uma assinatura digital. 2 A utilização de tecnologias se tornou comum para muitas pessoas. Essas tecnologias auxiliam na realização de ações simples, do cotidiano, como pagar contas on-line, assinar documentos sem a necessidade de registrar em cartório, enviar informações por e-mail etc. Sem tecnologias como computador, celular e internet, essas ações poderiam ser feitas de outras formas, mas tomariam muito tempo. Com base nas definições relacionadas à assinatura digital, analise as sentenças a seguir: I- Assinatura digital tem como objetivo criar um código, de modo que a pessoa ou entidade que receber uma mensagem contendo este código possa verificar se o remetente é mesmo quem diz ser e identificar qualquer mensagem que possa ter sido modificada. II- A assinatura digital é conhecida apenas pelo seu proprietário. III- A assinatura digital é presente na segurança da informação e está presente no conceito de disponibilidade. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença I está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. AUTOATIVIDADE 124 3 A segurança da informação é uma área do conhecimento dedicada à proteção de ativos da informação contra acessos não autorizados, alterações indevidas ou sua indisponibilidade. Essa área reúne alguns princípios que estão ligado diretamente à assinatura digital. De acordo com os princípios básicos da segurança da informação, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A disponibilidade possui o objetivo de proteger os serviços de um sistema, fazendo com que as informações sempre estejam disponíveis e, desta, os usuários sempre tenham acesso aos seus dados quando precisarem. ( ) A autenticidade tem relação direta com a identificação do usuário. Qualquer serviço de autenticação sempre deve garantir ao receptor que a mensagem seja de fato da origem informada no conteúdo. ( ) A integridade tem como objetivo proteger dados e informações de modificações ilegais, não autorizadas e sem permissão de maneira explícita do proprietário das informações. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – V – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Um sistema de informação tem por objetivo auxiliar as pessoas no processo de tomada de decisões dentro de empresas. Isso porque o maior bem de uma empresa é a informação que deve estar disponível em qualquer lugar. Dentro desse contexto, surge um questionamento: não seria perigoso que as informações pudessem ser roubadas e utilizadas por pessoas erradas? Disserte sobre a área que auxilia um sistema de informação com relação à proteção de informações e dados. 5 A assinatura digital é muito conhecida e utilizada por pessoas que realizam transações on-line, e transações entre empresas. Essa ferramenta é facilmente confundida com outra ferramenta também muito utilizada: a assinatura eletrônica. Nesse contexto, disserte sobre a diferença entre assinaturadigital e assinatura eletrônica, com base nos conceitos e definições apresentadas. 125 CRIPTOGRAFIA DE DADOS 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 3 TÓPICO 2 - Não é de hoje que temos a necessidade de proteger informações, claro que em períodos de grande turbulência para o mundo, como em tempos de guerras, essa necessidade se torna um fator essencial para o fim do confronto. Neste tópico, vamos estudar sobre a criptografia e como ela se tornou um mecanismo essencial para prover segurança ao trânsito e comunicação de dados. Veremos que, ao contrário do que pensamos, a criptografia é utilizada desde a antiguidade, quando o ser humano, ao criar símbolos para se comunicar, inventa a escrita. Com isso, surge uma forma nova de comunicação e a ideia de transmitir mensagens a interlocutores em lugares distantes fisicamente. Logo surge um problema, como enviar mensagens secretamente sem que caia nas mãos do inimigo? Ocultando ou tornando a mensagem ininteligível. Assim, surge as primeiras técnicas de criptografia. Veremos um pouco da história da criptografia e como ela se tornou uma ciência, tão importante atualmente. Por se tratar de um tema amplo e complexo, pois dependendo do tipo de criptografia, é necessário conhecimento em teoria dos números, fatoração de números primos e operações matemáticas complexas. Por fim, daremos ênfase aos tipos de criptografia amplamente utilizados em ambientes computacionais, suas funcionalidades e algoritmos que as representa. O objetivo deste tópico é iniciar o acadêmico nos estudos das técnicas criptográficas para compreensão de suas funcionalidades e aplicações, em um sistema que possui como pré-requisito à segurança de seus dados. Portanto, apresentaremos os conceitos, aplicabilidades e funcionalidade da criptografia de dados, entendendo seu funcionamento e seus objetivos fundamentais e importantes. Bons estudos! 2 CRIPTOGRAFIA DE DADOS Segredos sempre fascinaram os humanos, desvendar enigmas e charadas causa encanto nos seres mais curiosos, seja para se superar ou sentir o contentamento da conquista de um desafio. Quando o assunto é guardar ou transportar esse segredo, a capacidade de invenção do ser humano nos leva a soluções que envolve técnicas de ocultação e disfarce da mensagem, especificamente na forma escrita. Assim, veremos que a criptografia surge dessa necessidade, de ocultar ou disfarçar mensagens em trânsito, entre o emissor e o receptor. Primeiramente, vamos a um pouco de história. 126 Segundo Pietro (2020, p. 15), “[...] o primeiro registro de uso de criptografia data de quase 4.000 anos, de aproximadamente 1900 a.C. É um objeto do antigo Egito, um gravura em pedra feita no túmulo de um nobre na cidade de Menet Khufu, próximo ao Nilo”. No Egito Antigo, era costume, por parte dos sacerdotes, o uso de recursos criptográficos ao utilizar a escrita hieroglifica. No decorrer dos séculos, com os avanços da escrita regular, os mesopotamios desenvolvem os sinais cuneiformes, que segundo Pietro (2020, p. 16): [...] foram modificados em algumas ocasiões e, nesse caso, o objetivo já coincidia com o da criptografia como a conhecemos: ou seja, escondendo informações de certos olhos. É curioso que já foi detectado nas escritas cuneiformes da Mesopotâmia, que são considerados uma das primeiras formas de escrita da humanidade, destinada a ocultar o texto simples. Como dissemos, essa necessidade, esse apego ao sigilo e confidencialidade nas comunicações é tão antigo quase como o próprio ser humano. No caso da Mesopotâmia, o que se pretendia escrever para que não foi perdido ou esquecido, embora se desejasse mantê-lo em segredo, não foi nada mais do que uma fórmula para fazer um esmalte usado em cerâmica. Afinal, o que vem a ser criptografia? Etimologicamente, a palavra criptografia tem sua origem nas raízes gregas kryptos, que significa secreto, e a palavra graphos, que significa escrita. A partir da junção dos termos, podemos afirmar que Criptografia signifca “escrita escondida” ou “escrita secreta” (SILVA, 2020, p. 5). A criptografia não é o único método para transmissão de mensagens secretas, podemos encontrar na literatura especializada muitas referências às técnicas de esteganografia. O que diferere a criptografia da esteganografia é que nesta última a mensagem é oculta sem qualquer tratamento para torná-la ininelegível. Ou seja, a esteganografia preocupasse em esconder a mensagem sem a aplicação de qualquer algoritmo de embaralhamento. Um exemplo clássico do uso da esteganografia faz referência ao historiador Heródoto (484 a.C. – 426 a.C.). Segundo Pietro (2020, p. 18): No primeiro livro, Heródoto conta como Hárpago, general grego, que, para salvar seu neto, Cyrus, da tirania do rei Astiages, desejava enviar-lhe uma mensagem pessoal. Porém as estradas eram vigiadas por homens de Astiages e não era possível que a comunicação fosse feita sem chegar aos ouvidos de seu rei, a quem ele iria trair. Ele então pegou uma lebre e, após abri-la, colocou a carta para Cyrus em seu interior. Ele então deu o animal a um de seus homens, que deveria se passar por caçador e assim alcançar o Persa, pedindo-lhe ainda para contar a Cyrus, quando ele chegar ao seu destino que ele deveria abri-lo com suas próprias mãos. A carta revelou ao seu destinatário o mau momento durante o reinado de seu avô, Astiages, que havia perdido a fidelidade de seu generais, então um ataque tirando vantagem dessa fraqueza teria como resultado uma vitória. Cyrus, sem surpresa, lançou o ataque e venceu. Outra referência clássica aos primórdios da ocultação por meio da prática da esteganografia, também é registrada por Heródoto, no Livro V da mesma obra. Segundo Pietro (2020, p. 18), Heródoto apresenta a: 127 [...] narração da História, de um ateniense que era tirano de Mileto, conhecido como Histieus, que enviou uma mensagem a Ristágoras para que ele se rebelasse contra os persas. A história é parecida com a de Harpago e a lebre, mas, nesse caso, é um pouco mais literário e interessante. Histieus raspou a cabeça de um escravo fiel e marcou no couro cabeludo a mensagem. Ele esperou que seu cabelo crescesse o suficiente para tornar a pele invisível e então enviou o escravo a Aristágoras, que recebeu o pedido do escravo para que ele raspar suas cabeças. Esse método pode certamente ser eficaz, mas não é muito prático se a mensagem tem que ser enviada com certa rapidez. No decorrer dos eventos históricos, podemos observar o papel de destaque na aplicação de técnicas criptográficas para proteger segredos. Podemos citar a saga do matemático e criptólogo inglês Alan Turing, considerado o pai da computação, que decifrou o código da máquina enigma, dispositivo de criptografia mecânica similar a uma máquina de escrever, usada pelos alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. A história da quebra do código da enigma foi retrada pelo filme O jogo da imitação (2014). Para saber mais sobre o pai da computação, o livro O homem que sabia demais: Alan Turing e a invenção do computador (2011), de autoria de David Leavitt, é uma boa narrativa de sua trajetória. A Figura 7 apresenta um infográfico do funcionamento da máquina enigma. 128 FI G U RA 7 – F U N CI O N AM EN TO D A M ÁQ U IN A EN IG M A FO N TE : < ht tp s: // ze ro ho ra .c lic rb s. co m .b r/ rb s/ im ag e/ 14 47 00 80 .jp g? w =7 00 >. A ce ss o em : 8 o ut . 2 02 1. 129 Na criptografia clássica, encontraremos basicamente duas formas de “trabalhar” a mensagem, aplicando uma técnica de substituição ou de transposição. Exemplificaremos a técnica de substituição utilizando a Cifra de César. Segundo Stallings (2015, p. 25), uma técnica de substituição “[...] é aquela em que as letras do texto claro são substituídas por outras letras, números ou símbolos. Se o texto claro for visto como uma sequência de bits, então a substituição envolve trocar padrões de bits de texto claro por padrões de bits de texto cifrado”.O uso mais antigo de uma cifra de substituição é conhecida como Cifra de César, e a mais simples foi feita por Júlio César (100 a.C. – 44 a.C.), general na Roma Antiga. Na Cifra de César, cada letra do alfabeto no texto original era substituída por um número definido de letras à frente de sua sequência no alfabeto da língua em que a mensagem era cifrada (SILVA, 2020). Na Figura 8, a Cifra de César utiliza a substituição por três letras à frente na sequência do alfabeto. A frase emboscada no penhasco seria substiuida por hpervfdgd qr shqkdvfr. FIGURA 8 – A CIFRA DE CÉSAR FONTE: Silva (2020, p. 6) A Cifra de César é vulnerável à análise de frequência, que pode ser utilizada para identificar a chave da cifra de substituição, o que torna muito simples a descoberta da chave com o método (SILVA, 2020). Na análise de frequência, busca-se por palavras comuns na linguagem do texto criptografado, sendo assim, uma técnica de criptoanálise. Antes de prosseguirmos, vamos abordar os aspectos da criptoanálise. A criptoanálise possui suas raízes na palavra grega Kryptos mais a palavra Analysis (descomposição). A partir da junção dos dois termos, podemos afirmar que criptoanálise é a ciência responsável por decifrar ou “quebrar” os códigos criptográficos. Então, quando se percebe que a Cifra de César é propensa à criptoanálise é por que está vulneravel a uma intervenção de força bruta, pois basta experimentar todas as 25 chaves possíveis, a quantidade de letras do alfabeto. Stallings (2015, p. 26) apresenta três características importantes da Cifra de César que permitiram usar a criptoanálise pela força bruta: 130 1- “Os algoritmos de encriptação e decriptação são conhecidos. 2- Existem apenas 25 chaves para experimentar. 3- A linguagem do texto claro é conhecida e facilmente reconhecível”. Ainda, com relação às cifras de substituição, podemos encontras as cifras monoalfabéticas, como a Cifra de César, vulnerável a um ataque de criptoanálise por meio da força bruta, e as cifras polialfabéticas, desenvolvidas para dificultar a análise de frequência e os ataques já citados. Segundo Stallings (2015, p. 33), “[...] outra forma de melhorar a técnica monoalfabética simples é usar diferentes substituições monoalfabéticas enquanto se prossegue pela mensagem de texto claro. O nome geral para essa técnica é cifra por substituição polialfabética”. Tendo as seguintes características: 1. Um conjunto de regras de substituição monoalfabéticas é utilizado; e 2. Uma chave define qual regra em particular é escolhida para determinada transformação. A Cifra de Vigenère é a cifra polialfabética mais conhecida. Essa cifra foi proposta por Blaise Vigenère ao rei Henrique III no século XVII. No entanto, Blaise Vigenère não foi seu criador, originalmente, a cifra foi descrita por Giovan Battista Bellaso no seu livro datado de 1553 com o título La Cifra del Sig. A cifra passou a ser conhecida por esse nome a partir do século XIX (KASPERSKY, 2015). As cifras polialfabéticas utilizam diferentes quantidades de alfabetos em ciclos, nesse caso, o padrão usa como base a Cifra de César, compilada em uma tabela que apresenta todos os possíveis valores de troca. Nesse esquema, o conjunto de regras de substituição monoalfabéticas consiste nas 26 Cifras de César, com deslocamentos de 0 a 25. Cada cifra é indicada por uma letra da chave, que é a letra do texto cifrado que substitui a letra do texto-base (STALLINGS, 2015, p. 33). A Figura 9 apresenta a tabela que é a base dos caracteres a ser substiutidos. 131 FIGURA 9 – TABELA DA CIFRA DE VEGENÈRE FONTE: Kaspersky (2015) Com base na tabela de Vigenère (Figura 9), vamos explicar o princípio da substituição utilizando uma frase-chave, esse é o segredo para tornar a decodificação da cifra muito mais difícil. No exemplo, utilizaremos a palavra VINTAGE como nossa palavra-chave (KASPERSKY, 2015). De modo a encriptar uma frase como “THINK ABOUT” (PENSE NISSO). A dinâmica é repetir a frase-chave até que se alcance o tamanho do texto original, conforme a Figura 10. FIGURA 10 – PROCESSO DE CIFRAGEM – CIFRA VEGENÈRE FONTE: Kaspersky (2015) 132 Cada letra do texto-base (Text) corresponderá a uma letra da palavra-chave. O próximo passo é transpor cada letra do texto-base, que terá como referência a primeira coluna vertical, buscando sua interseção com a coluna que dê referência da letra da palavra-chave (Key), na linha horizontal do alto da tabela. Por exemplo, a primeira letra é substituída pelo caractere localizado no cruzamento da coluna T e da linha V, que, nesse caso, é o “O”. A Figura 11 apresenta o resultado da cifragem completa para a frase “THINK ABOUT IT”. FIGURA 11 – RESULTADO DA CIFRAGEM FONTE: Kaspersky (2015) Para descobrir o código, o processo é o oposto: encontramos as linhas que correspondem às letras da palavra-chave, encontrada a cifra nessa linha, o texto-base corresponderá à letra da coluna (KASPERSKY, 2015). A título de curiosidade, encontramos como referência na história das cifras, que o primeiro que realizou a decodificação da Cifra de Vigenère, em 1854, foi Charles Babbage, pioneiro da computação, porém a análise foi publicada por outro pesquisador, Friedrich Kasiski, nove meses depois (KASPERSKY, 2015). Na atualidade, a criptografia é utilizada em uma infinidade de aplicações computacionais. Segundo Silva (2020, p. 6), a “[...] criptografia é utilizada em praticamente todos os ambientes computacionais, como no processo de autenticação de um usuário em uma rede de computadores coorporativa, e-mail ou em uma rede social”. Os usuários das tecnologias que envolvem troca de mensagens e comunicação de dados, como redes móveis, com toda certeza, já utilizou algum tipo de criptografia. No entando, os algoritmos criptográficos rodam de forma totalmente transparente para usuários finais. Para compreender melhor as funcionalidades da criptografia e os padrões existentes no mercado, o National Institute of Standards and Technology (NIST), em sua Publicação Especial 800-175B, define uma diretriz para usar padrões criptográficos. Primeiramente, vamos a definição dada pela norma 800-175-B, “A criptografia é um ramo da matemática que se baseia na transformação de dados e pode ser usado para fornecer vários serviços de segurança: confidencialidade, autenticação de identidade, autenticação de integridade de dados, autenticação de origem e suporte para não repúdio” (BARKER, 2020, p. 9). A definição dada pela norma 800-175-B para cada serviço de segurança que são fornecidos pelos padrões criptográficos são: 133 • Confidencialidade: propriedade pela qual as informações confidenciais não serão divulgadas para entidades não autorizadas. Um serviço de confidencialidade pode ser fornecido por um sistema criptográfico processo denominado criptografia. • Autenticação de identidade: é usado para fornecer garantia da identidade de uma entidade interagindo com um sistema. • Autenticação de integridade de dados: (também chamado de verificação de integridade) é um serviço que é usado para determinar que os dados não foram alterados de maneira não autorizada, uma vez que foi criado, transmitido ou armazenado. • Autenticação de origem: a autenticação da fonte é usada para fornecer garantia da fonte de informação para uma entidade receptora (ou seja, a identidade da fonte). Um caso especial de fonte de autenticação é chamada de não repúdio, pelo qual o suporte para a garantia do fonte da informação é fornecida a um terceiro. • Não repúdio: um serviço que usa uma assinatura digital que é usada para apoiar um determinação de se uma mensagem foi realmente assinada por um dada entidade. Além de está relacionado a um emissor de uma mensagem, que não poderá negar a informação enviada, após autenticada (BARKER, 2020, p. 9). Uma compreensão importante ao lidar com algoritmos criptográficos está ligada ao relaciolamento entre serviços de segurança e os mecanismos de segurança. Os serviços desegurança, para alacançar seus objetivos de garantir um ambiente seguro, utilizam-se de mecanismos, que se encarregam de prover as funcionalidades requeridas. Os mecanismos de segurança podem ser implementados em softwares, hardwares ou por meio da implementação de política de uso seguro. A Figura 12 representa os serviços de segurança e os mecanismos que prover as funcionalidades requeridas. FIGURA 12 – SERVIÇOS E MECANISMOS DE SEGURANÇA FONTE: Stallings (2015, p. 16) 134 A criptografia moderna surgiu a partir do desenvolvimento e popularização dos computadores, que possibilitaram rapidamente o armazenamento e transmissão de informações. Um marco importante no desenvolvimento dos sistemas criptográficos modernos é atribuído ao matemático e criptógrafo Clifford Cocks, que, nos laboratórios do Government Communications Headquarters (GCHQ), na Inglaterra, descobriu uma função que permitia a criptografia assimétrica, em 1973 (PIETRO, 2020, p. 242). Função esta que mais tarde seria aperfeiçoada pelos matemáticos Ron Rivest, Adi Shamir e Leonard Adleman, tornando-se o algoritmo Rivest Shamir Adleman (RSA). Veremos algumas funções do algoritmo RSA no Subtópico 3. No início da década de 1970, várias agências de segurança e empresas de tecnologia, como a IBM, procuravam desenvolver algoritmos criptográficos. Sendo que os primeiros a ser desenvolvidos eram baseados em cifras de blocos (SILVA, 2020, p. 28), como o Data Encryption Standard (DES), que veremos com mais detalhe adiante. A evolução dos algoritmos criptográficos culmina em dois grandes grupos de cifras, que se diferencia na forma como as chaves criptográficas (senhas) são gerenciadas e distribuídas. Assim, surgem os algoritmos baseados em chaves criptográficas simétricas e as assimétricas. 3 CHAVES CRIPTOGRÁFICAS SIMÉTRICAS E ASSIMÉTRICAS Segundo Stalligns (2015, p. 6), os algoritmos e protocolos de criptografia podem ser agrupados em quatro áreas principais: • Encriptação simétrica: utilizada para ocultar o conteúdo dos blocos ou fluxos contínuos de dados de qualquer tamanho, incluindo mensagens, arquivos, chaves de encriptação e senhas. • Encriptação assimétrica: usada para ocultar pequenos blocos de dados, como valores de função de hash e chaves de encriptação, que são usados em assinaturas digitais. • Algoritmos de integridade de dados: usados para proteger blocos de dados, como mensagens, de possíveis alterações. • Protocolos de autenticação: esses são esquemas baseados no uso de algoritmos criptográficos projetados para autenticar a identidade de entidades. Neste subtópico, abordaremos os algoritmos de encriptação simétrica e os de encriptação assimétrica. Segundo a norma 800-175-B (BARKER, 2020, p. 12), algoritmo criptográfico é “[...] um procedimento computacional bem definido que, baseado em variáveis de entradas, incluindo uma chave criptográfica (se aplicável), produz uma saída”. Esse processo criptográfico baseia se em funções matemáticas para obtenção do texto cifrado. Para Silva (2020, p. 12-13): Diferentemente dos métodos empregados historicamente, nos quais a cifra era obtida manualmente ou através de máquinas, em sistemas criptográficos obtidos por computadores, o texto cifrado é obtido por algoritmos que, em resumo, realizaram cálculos para obtenção das cifras. A notação matemática nesse processo é dada por DK (CK (P)) = P, em que C e D são, respectivamente, as funções matemáticas para criptografia e descriptografia. 135 Na qual a letra P representa o texto claro, e as chaves são determinadas pelo k. Na Figura 13, o processo de criptografia é dado pela notação matemática e demostrado por meio de fluxo. Neste ponto, vamos introduzir alguns elementos essenciais para a compreensão da notação matemática representada anteriormente, começaremos pela representação dos algoritmos simétricos e suas principais representações e aplicações. 3.1 CIFRAS DE BLOCO E CIFRAS DE FLUXO Os algoritmos de encriptação são projetados com base em duas formas de processamento dos dados e aplicação dos processos de cifragem. As duas formas de implementação são conhecidas como cifras de blocos e cifras de fluxo, os métodos também são conhecidos como stream (SILVA, 2020, p. 14). A cifra de fluxo é aquela que encripta um fluxo de dados digital um bit ou um byte por vez. As cifras de fluxo geram a criptografia bit a bit de um texto claro. Geralmente, a cifra é gerada através da operação lógica XOR, também conhecida como Exclusiva (STALLINGS, 2015, p. 46). Exemplos de cifras de fluxo incluem o protocolo RC4 e A5, que é usado para criptografar comunicações de telefone celular Global System for Mobile GSM. A Figura 13 apresenta o modo de operação de uma cifra de fluxo. FIGURA 13 – CIFRA DE FLUXO FONTE: O autor Os cifradores em bloco quebram a mensagem em blocos de tamanho fixo. O algoritmo é aplicado no bloco de texto claro, produzindo um bloco de texto cifrado do mesmo tamanho ou de tamanho variado. Normalmente, um tamanho de bloco de 64 ou 128 bits é utilizado. Assim como a cifra de fluxo, os dois usuários compartilham uma chave de encriptação simétrica. As cifras de bloco são adequadas a uma gama maior de aplicações do que as cifras de fluxo. A maioria das aplicações de criptografia simétrica baseadas em rede utiliza cifras de bloco (STALLINGS, 2020, p. 46). A Figura 14 mostra o esquema de encriptação em blocos de bits. 136 FIGURA 14 – CIFRA DE BLOCO FONTE: O autor Podemos encontrar alguns modos de operação das cifras de bloco. Abordaremos aqui duas delas: o Eletronic Code Book (ECB) (em português, livro eletrônico de código) e o Cipher-Block Chaining (CBC) (em português, criptografia de blocos encadeados). No ECB, as mensagens são divididas em blocos, que são criptografados separadamente. Segundo Silva (2020, p. 16-17), esse modo é recomendado para criptografar textos curtos, pois sua característica limita a produção de um mesmo texto cifrado, quando aplicada a criptografia em textos claros iguais. Já no CBC, seu funcionamento baseia- se na realimentação comum entre os blocos, formando um encadeamento. Se aplica a operação lógica XOR no bloco atual de texto claro junto com o bloco anterior. Dessa forma, o bloco à frente ficará dependente do bloco anterior na execução do processo de criptografia, não sendo possível realizar a descriptografia parcial dos blocos. 3.2 CRIPTOGRAFIA SIMÉTRICA OU DE CHAVE SECRETA Inicialmente, antes do desenvolvimento dos algoritmos de chave assimétrica, que veremos mais adiante neste tópico, dispúnhamos apenas de sistemas criptográficos baseados em técnicas de substituição e permutação, sendo aperfeiçoados com os sistemas computacionais. Os conhecidos algoritmos simétricos, ou de chave secreta, levam esse nome devido ao fato de ser baseado em apenas uma chave para criptografar e descriptografar dados, apresentavam um grande problema, justamente o gerenciamento dessa única chave. Como fazer com que o emissor e receptor, que supostamente estão em localidades distintas, tenham acesso à “chave” de forma segura? Esse questionamento gerou o desenvolvimento da criptografia de chave assimétrica, proposta em 1976 pelos matemáticos Whitfield Diffie e Martin Helmann (STALLINGS, 2015, p. 201), que trabalharam para resolver o problema da distribuição de chaves. A Figura 15 apresenta o esquema de encriptação de um algoritmo de criptografia simétrica. 137 FIGURA 15 – ESQUEMA DE ENCRIPTAÇÃO CRIPTOGRAFIA SIMÉTRICA FONTE: O autor O modelo de cifra simétrica possui cinco elementos essenciais, representados na Figura 15: • Texto claro (P): é a mensagem ou dados originais, inteligíveis, que servem como entrada do algoritmo de encriptação. • Algoritmo de encriptação (C): processo que realiza diversas substituições e transformações no texto claro. • Chave secreta (K): é o elemento que garante a segurança de todo o processo. Sendo uma entrada para o algoritmo de encriptação. A chave é um valor independente dotexto claro e do algoritmo. O algoritmo produzirá uma saída diferente, dependendo da chave usada no momento. As substituições e transformações exatas realizadas pelo algoritmo dependem da chave. • Texto cifrado: é a mensagem embaralhada, produzida como saída do algoritmo de encriptação. Ela depende do texto claro e da chave secreta. Para determinada mensagem, duas chaves diferentes produzirão dois textos cifrados distintos. O texto cifrado é um conjunto de dados aparentemente aleatório e, nesse formato, ininteligível. • Algoritmo de decriptação (C): esse é basicamente o algoritmo de encriptação executado de modo inverso. Ele apanha o texto cifrado e a chave secreta e produz o texto claro original. A Figura 16 apresenta o esquema do algoritmo de criptografia de chave secreta (simétrica). Os elementos essenciais estão presentes, tais como: o texto claro, a chave secreta compartilhada pelo emissor e o receptor, o algoritmo de encriptação, nesse caso, o Advanced Encryption Standard (AES) é a chave K. 138 FIGURA 16 – ESQUEMA DE ENCRIPTAÇÃO DE CRIPTOGRAFIA SIMÉTRICA FONTE: Stallings (2015, p. 21) Cabe ressaltar uma característica predominante dos algoritmos, a chave pré- compartilhada para criptografar e descriptografar dados, que é do conhecimento dos envolvidos, emissor e receptor. Para ajudar a ilustrar como a criptografia simétrica funciona, considere um exemplo em que Alice e Bob, personagens clássicos dos exemplos sobre criptografia, vivem em localidades diferentes, tento a necessidade de trocar mensagens confidenciais entre si por meio de e-mails. Nesse exemplo, Alice enviará uma mensagem para Bob. Eles já estão em posse da chave secreta (senha), trocada previamente. Lembrando que a senha é a mesma para ambos. Alice redige o texto da mensagem, aplica o algoritmo de encriptação e envia a mensagem. Bob, ao receber a mensagem, esta está ininteligível. Para ter acesso ao conteúdo legível, Bob precisa inserir a senha na aplicação de descriptografia utilizada. FIGURA 17 – PROCESSO DE CRIPTOGRAFIA COM CHAVE SECRETA FONTE: O autor Veremos no próximo subtópico exemplos de algoritmos que utilizam chaves simétrica. De antemão, cabe ressaltar que são utilizados para criptografia de tráfego de Redes Virtuais Privadas, a chamadas VPN, e outras aplicações, inclusive, em associação com algoritmos de chave assimétrica. 139 3.3 CRIPTOGRAFIA ASSIMÉTRICA OU DE CHAVE PRIVADA Os algoritmos assimétricos, ou de chave pública, foram desenvolvidos a partir de duas questões consideradas problemáticas na aplicação dos algoritmos simétricos: a destruição das chaves secretas que precisam ser compartilhada entre os dois comunicantes com antecedência, anulando o sigilo; o outro relacionava-se com a evolução e popularização da criptografia, que até então era utilizada no âmbito militar, mas que poderia ser utilizada para autenticação de documentos eletrônicos, o que seria equivalente a uma assinatura em um documento em papel. Então, em 1976, dois cientistas, Diffie e Hellman, apresentaram publicamente os conceitos da criptografia de chave pública (STALLINGS, 2015). Até o desenvolvimento dos algoritmos assimétricos, praticamente todos os sistemas criptográficos eram baseados nas ferramentas elementares da substituição e permutação. A Figura 18 apresenta o esquema de utilização da criptografia assimétrica, quando há a necessidade de fornecer confidencialidade, sem o pré-compartilhamento de uma senha. O objetivo de confidencialidade dos algoritmos assimétricos é iniciado quando o processo de criptografia é iniciado com a chave pública (STALLINGS, 2015, p. 201). Conforme apresentado na Figura 18, quando Alice necessita enviar uma mensagem confidencial para Bob, ela procura a chave pública de Bob no servidor de chaves da Rede Nacional de Pesquisa (RNP), na qual Bob previamente configurou seu par de chaves. Alice criptografa a mensagem com a chave pública de Bob e envia por e-mail. Ao receber a mensagem criptografada por Alice, Bob utiliza sua chave privada, armazenada em seu computador e tem acesso ao texto claro da mensagem. FIGURA 18 – CONFIDENCIALIDADE NA CRIPTOGRAFIA ASSIMÉTRICA FONTE: O autor 140 Todo o processo apresentado anteriormente, pode ser resumido usando a expressão representada na Figura 19. FIGURA 19 – CONFIDENCIALIDADE NOS ALGORITMOS ASSIMÉTRICOS FONTE: O autor Quando uma chave pública é usada para criptografar os dados, uma chave privada deve ser usada para descriptografar os dados. Apenas um host tem uma chave privada, portanto, a confidencialidade é alcançada. Quando o objetivo a assegurar é a autenticação, como no caso das assinaturas digitais, o processo de criptografia é iniciado com a chave privada, representado na Figura 20. FIGURA 20 – PROCESSO DE AUTENTICAÇÃO FONTE: O autor Quando uma chave privada é usada para criptografar os dados, uma chave pública correspondente deve ser usada para descriptografar os dados. Quando um host descriptografa uma mensagem com êxito usando uma chave pública, é confiável que uma chave privada criptografou uma mensagem, o que verifica quem é o remetente. Essa é uma forma de autenticação utilizada pelas assinaturas digitais. A Figura 21 mostra o processo geral para se alcança a autenticidade na utilização da criptografia assimétrica. 141 FIGURA 21 – PROCESSO PARA AUTENTICAÇÃO NA CRIPTOGRAFIA ASSIMÉTRICA FONTE: O autor Para se alcançar a integridade, é possível combinar os processos de confidencialidade, autenticidade e integridade, conforme mostra a Figura 22, representando as seguintes ações: 1- Alice cifra uma mensagem utilizando a chave pública do Bob. Em seguida, Alice aplica um hash cifrado com sua chave privada, fornecendo, assim, confidencialidade, autenticidade e integridade. 2- Bob, ao receber a mensagem, descriptografa o hash com a chave pública de Alice, armazenada no servidor da RNP. 3- Bob aplica sua chave privada para descriptografar a mensagem envida por Alice. FIGURA 22 – PROCESSO DE INTEGRIDADE FONTE: O autor 142 Segundo Stallings (2015, p. 199), os algoritmos de chaves assimétricas têm a seguinte característica: É computacionalmente inviável determinar a chave de decriptação dado apenas o conhecimento do algoritmo de criptografia e da chave de encriptação. Além disso, alguns algoritmos, como RSA, também exibem esta característica: qualquer uma das duas chaves relacionadas pode ser usada para encriptação, com a outra para a decriptação. Possuindo as etapas essenciais: 1- Cada usuário gera um par de chaves a ser usado para a encriptação e a decriptação das mensagens. 2- Cada usuário coloca uma das duas chaves em um registrador público ou em outro arquivo acessível. Essa é a chave pública. A chave acompanhante permanece privada. O usuário pode manter uma coleção de chaves públicas obtidas de outros servidores de chaves. 3- Se Bob deseja enviar uma mensagem confidencial para Alice, ele a encripta usando a chave pública de Alice. 4- Quando Alice recebe a mensagem, ela a decripta usando sua chave privada. Nenhum outro destinatário pode decriptar a mensagem, pois somente Alice conhece a chave privada dela. Com essa técnica, todos os participantes têm acesso às chaves públicas; as chaves privadas são geradas localmente por cada participante e, portanto, nunca precisam ser distribuídas. Desde que a chave privada de um usuário permaneça protegida e secreta, a comunicação que chega está protegida. 4 CHAVES CRIPTOGRÁFICAS PÚBLICA E PRIVADA Conforme vimos anteriormente, na criptografia de dados, existem dois tipos de chaves criptográficas: as chaves públicas, conhecidas também como chaves assimétricas, e chaves secretas, conhecidas também como chaves simétricas. Essas chaves auxiliam no processo de proteção da informação enviada a um determinado receptor. Em outras palavras, as chaves criptográficas são pedaços de informações que vão controlar operações de algoritmo de criptografia. Na criptografia, uma determinada chave,basicamente, transforma um texto puro em um texto cifrado, codificado. É importante fazermos referência à relevância do tamanho da chave criptográfica. Segundo Stallings (2015, p. 200), “[...] a segurança de qualquer esquema de criptografia depende do tamanho da chave e do trabalho computacional envolvido para quebrar uma cifra. Não há nada em princípio sobre a criptografia simétrica ou de chave pública que torne uma superior à outra, do ponto de vista de resistência à criptoanálise”. Ou seja, o tamanho da chave e de bits, está diretamente relacionado ao número de chaves possíveis. Por exemplo, um algoritmo que utiliza chaves de 16 bits, então existem 216 = 65.536 chaves possíveis. Suscetível a um ataque de força bruta, que testaria as possibilidades de chaves rapidamente. 143 Veremos a seguir os principais algoritmos criptográficos em operação no mercado, utilizados por aplicações como certificados digitais, assinaturas digitais, tráfego seguro, como as VPNs, dentre outros. 4.1 CHAVES ASSIMÉTRICAS OU CHAVES PÚBLICAS A criptografia de chave assimétrica, também conhecida como criptografia de chave pública, usa duas chaves separadas: uma pública, que é divulgada gratuitamente, e uma privada, que deve ser secreta e conhecida apenas por seu proprietário. Quando a informação é codificada com uma dessas chaves, apenas uma chave do par pode decodificá-la. Segundo Silva (2020, p. 41), “[...] todos os processos de certificação e autenticidade digital utilizados atualmente são baseados em criptografia assimétrica”. Um ponto relevante na utilização da criptografia de chave pública, o fato dessa chave ser distribuída sem restrições, pois fica armazenada em servidores públicos na web. Então, quando alguém precisar se comunicar, deve usar a chave pública do seu destinatário. Devido a sua aplicabilidade na emissão de certificados e assinaturas digitais, seguem os principais algoritmos em operação na atualidade. A Tabela 1 apresenta as principais características dos algoritmos de chave simétrica em operação no mercado. NOTA Algoritmos são códigos, instruções, conjunto de regras bem definidas que levam à solução de um determinado problema. Os algoritmos são muito utilizados em linguagens de programação, seja para desenvolvimento desktop, seja para desenvolvimento web. 144 QUADRO 1 – PRINCIPAIS ALGORITMOS DE CRIPTOGRAFIA ASSIMÉTRICA FONTE: Adaptado de Stallings (2015) Na era atual, em que as informações são transferidas pela internet e novos conceitos surgem no mercado ou crescem em uso, como Internet of Things (IoT), Internet da Coisas, esse tipo de algoritmo é mais o adequado. Isso porque os dispositivos de IoT geralmente possuem hardware com baixa potência. O NIST e a Agência Nacional de Segurança (ANS), ambos americanos, endossam o uso desse algoritmo aplicado a documentos ultrassecretos e com tamanho de chaves de 384 bits. IMPORTANTE Na comunicação segura em duas partes, A e B, o processo de troca de chaves deve ser feito por um canal seguro. O método de troca de chaves conhecido como Diffie-Hellman é usado para que um sistema de criptografia compartilhe uma chave secreta por meio de um canal de comunicação sem qualquer segurança, ou seja, inseguro ou público. Esse método é aplicado em qualquer situação, mesmo que as partes (A e B) não tenham entendimento preliminar uma da outra. A chave secreta, então, pode ser usada em um tempo futuro para sistema de criptografia simétrico. 145 4.2 CHAVES SIMÉTRICAS OU CHAVES SECRETA A distribuição de chaves simétricas (secretas) é necessária para que o emissor e o receptor possam realizar o processo criptográfico fim a fim (criptografar e descriptografar) (SILVA, 2020, p. 36). No entanto, como vimos anteriormente, o problema do gerenciamento desta chave única para um grupo com diversos usuários de tornou um problema. Surgindo, assim, os algoritmos de chave pública. No entanto, a criptografia com chave simétrica, por exigir menor poder computacional, ainda é muito utilizada, principalmente para garantir a confidencialidade dos dados, garantindo o princípio da segurança da informação. O Quadro 2 apresenta os principais algoritmos de chave simétrica em operação no mercado. QUADRO 2 – ALGORITMOS DE CHAVE SIMÉTRICA FONTE: Adaptado de Stallings (2015) É importante ressaltar que existem outros métodos de criptografia que usam chaves simétricas, por exemplo, o Blowfish, descrito a seguir: • Blowfish: é um tipo de algoritmo de criptografia que pode ser usado como substituto dos algoritmos Data Encryption Standard (DES) e International Data Encryption Algorithm (IDEA). Esse tipo de algoritmo é simétrico, ou seja, faz uso de uma chave secreta para criptografar e gerar a cifra simétrica. O tamanho da chave simétrica varia entre 32 e 448 bits. Esse tipo de algoritmo é muito usado em processadores mais modernos. O ponto interessante desse algoritmo de criptografia é não ter patente, ou seja, não pertence a nenhuma empresa pública ou privada, sua licença de uso é gratuita e está à disposição para uso para todos que desejarem. A eficiência de uso desse algoritmo é aumentada pelo fato de ser usadas funções simples XOR, adição multiplicação modular para uso em microprocessadores (SOPRANI, 2019). 146 A Figura 23 apresenta algumas diferenças entre os algoritmos de chave simétrica e os algoritmos de chave assimétrica. FIGURA 23 – DIFERENÇAS ENTRE CIFRAS SIMÉTRICA E ASSIMÉTRICAS FONTE: O autor Qualquer que seja o tipo de algoritmo criptográfico, simétrico ou assimétrico, o objetivo é prover segurança aos dados, seja em trânsito ou em dispositivos de armazenamento. Veremos no próximo tópico algumas particularidades de cada tipo de cifra criptográfica. 147 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • No decorrer dos eventos históricos, o papel de destaque na aplicação de técnicas criptográficas para proteger segredos foram evoluindo, passando pelos esforços do matemático e criptólogo inglês Alan Turing, considerado o pai da computação, que decifrou o código da máquina enigma, dispositivo de criptografia mecânica similar a uma máquina de escrever, usada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Até os dias atuais, em que a mais simples aplicação é provida por um algoritmo criptográfico. • Na criptografia clássica, a forma de modificação da mensagem se dá basicamente de duas formas, aplicando uma técnica de substituição ou de transposição. Uma técnica de substituição, é aquela em que as letras do texto claro são substituídas por outras letras, números ou símbolos. Se o texto claro for visto como uma sequência de bits, então a substituição envolve trocar padrões de bits de texto claro por padrões de bits de texto cifrado. • A famosa Cifra de Vigenère foi proposta por Blaise Vigenère ao rei Henrique III no século XVII. No entanto, Blaise Vigenère não foi seu criador, originalmente, a cifra foi descrita por Giovan Battista Bellaso no seu livro datado de 1553 com o título La Cifra del Sig. • A criptografia é utilizada em praticamente todos os ambientes computacionais, como no processo de autenticação de um usuário em uma rede de computadores coorporativa, e-mail ou em uma rede social. Os usuários das tecnologias que envolvem troca de mensagens e comunicação de dados, como redes móveis com toda certeza já utilizou algum tipo de criptografia. • O não repúdio é um serviço que usa uma assinatura digital que é usada para apoiar uma determinação se uma mensagem foi realmente assinada por um dada entidade. Além de está relacionado a um emissor de uma mensagem, que não poderá negar a informação enviada, após autenticada. • Os algoritmos e protocolos de criptografia podem ser agrupados em quatro áreas principais: ◦ Encriptação simétrica: utilizada para ocultar o conteúdo dos blocos ou fluxos contínuos de dados de qualquer tamanho, incluindo mensagens, arquivos, chaves de encriptação e senhas. ◦ Encriptação assimétrica: usada para ocultarpequenos blocos de dados, como valores de função de hash e chaves de encriptação, que são usados em assinaturas digitais. 148 ◦ Algoritmos de integridade de dados: usados para proteger blocos de dados, como mensagens, de possíveis alterações. ◦ Protocolos de autenticação: esses são esquemas baseados no uso de algoritmos criptográficos projetados para autenticar a identidade de entidades. • A cifra de fluxo é aquela que encripta um fluxo de dados digital um bit ou um byte por vez. As cifras de fluxo geram a criptografia bit a bit de um texto claro. • Os cifradores em bloco quebram a mensagem em blocos de tamanho fixo. O algoritmo é aplicado no bloco de texto claro, produzindo um bloco de texto cifrado do mesmo tamanho ou de tamanho variado. Normalmente, um tamanho de bloco de 64 ou 128 bits é utilizado. • Conhecidos algoritmos simétricos, ou de chave secreta, levam esse nome devido ao fato de ser baseado em apenas uma chave para criptografar e descriptografar dados, apresentavam um grande problema, justamente o gerenciamento dessa única chave. • Característica predominante dos algoritmos, a chave pré-compartilhada para criptografar e descriptografar dados, é do conhecimento dos envolvidos, emissor e receptor. • A criptografia de chave assimétrica, também conhecida como criptografia de chave pública, usa duas chaves separadas: uma pública, que é divulgada gratuitamente, e uma privada, que deve ser secreta e conhecida apenas por seu proprietário. Quando a informação é codificada com uma dessas chaves, apenas uma chave do par pode decodificá-la. 149 1 A criptografia de dados é uma importante área da tecnologia da informação que auxilia nos processos da segurança da informação. Sobre a criptografia de dados, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A criptografia é um mecanismo eficaz de segurança, sendo entendida como a modificação de uma determinada informação ou mensagem em outra. Assim, a informação passa a ser ilegível para pessoas não autorizadas, garantido a privacidade e a integridade da informação. b) ( ) A criptografia, segundo sua origem latina, define-se como uma arte ou até mesmo ciência de se comunicar através da escrita não codificada, com técnicas que acabam tornando a informação compreensível para quem não conhece a linguagem codificada. c) ( ) Apesar do nome e de sua origem europeia, a criptografia de dados auxilia no processo de comunicação direta, sem a necessidade códigos complexos, dessa forma, qualquer informação é transmitida diretamente, sem ser codificada. d) ( ) A criptografia de dados é o processo de enviar uma mensagem de uma determinada origem de linguagem para outra linguagem, por exemplo, enviar uma mensagem em inglês, que originalmente estava em português. 2 A criptografia de dados possui três fases que auxiliam no processo de envio e recebimento de informações ou mensagens de maneira segura, garantido a existência dos princípios da segurança da informação. Com base nas definições da criptografia de dados e de suas fases, analise as sentenças a seguir: I- Na Fase 1, inicia-se a transformação da informação, ou seja, a transformação ocorre antes que essa mensagem seja enviada para o receptor. II- Na Fase 2, a mensagem transmitida, se for interceptada antes de chegar ao destinatário, não será decifrada ou decodificada. III- Na Fase 3, ocorre o processo final, em que a mensagem chega ao seu destino e será decodificada. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença I está correta. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) Somente a sentença III está correta. d) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas. AUTOATIVIDADE 150 3 A criptografia de dados utiliza chaves assimétricas ou chaves públicas, além de chaves simétricas ou chaves privadas para envio de mensagens, mas é importante ressaltar que existem outros métodos de criptografia que usam chaves simétricas ou assimétricas. De acordo com esses métodos, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Diffie-hellman não é um método de criptografia, mas é um sistema para troca de chave secreta compartilhada por meio de um canal de comunicação público. ( ) O RSA é um método criptográfico que utiliza a chave privada. Utilizando criptografia em blocos, o RSA possui uma segurança muito fraca, isso porque, para quebrar uma chave RSA, não é necessário um alto poder computacional. ( ) O Blowfish é um algoritmo de domínio público, de criptografia em bloco, rápido, compacto e simples. Permite a utilização de uma chave de tamanho variável, de até 448 bits, e é otimizado para executar em processadores de 32 ou 64 bits. Não é patenteado. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Na criptografia de dados, existem dois tipos de chaves criptográficas, as chaves públicas, ou assimétricas e as chaves privadas ou chaves simétricas. Essas chaves auxiliam no processo de proteção da informação enviada a um determinado receptor. Em outras palavras, as chaves criptográficas são pedaços de informações que vão controlar operações de algoritmo de criptografia. Disserte sobre diferença entre chaves assimétricas e chaves simétricas. 5 É importante compreender os conceitos e as características de criptografia de dados, pois o entendimento sobre a forma de envio das informações pode garantir os princípios da segurança da informação. Nesse contexto, disserte sobre a relação em criptografia de dados e a segurança da informação. 151 TÓPICO 3 - EMISSÃO DE ASSINATURA DIGITAL 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 3 Neste tópico, você vai estudar sobre a emissão da assinatura digital e a importância da definição de normativas para viabilizar a emissão de certificados digitais para identificação virtual do cidadão. Veremos que a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira, o ICP-Brasil, é uma importante iniciativa do governo brasileiro para consolidar um padrão público de certificação digital no país, provendo a assinatura eletrônica qualificada à sociedade, tanto para o cidadão quanto para as empresas. Apresentaremos os elementos da cadeia hierárquica de confiança que viabiliza a emissão de assinaturas digitais, para compreensão da emissão e utilização da certificação digital de documentos. Neste tópico, veremos, ainda, os tipos e usos e ciclo de vida de uma assinatura digital. Além de compreender todos os conceitos relacionados aos aspectos tecnológicos da certificação, seus objetos e a importância das assinaturas digitais relacionadas ao ambiente da segurança da informação. Após realizar o estudo deste tópico, você será capaz de entender e colocar em prática os conceitos sobre emissão da assinatura digital, bem como avaliar sua importância na segurança da informação, relacionando sua utilização com a ação da assinatura digital. Bons estudos! 2 EMISSÃO DA ASSINATURA DIGITAL A Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil “[...] é uma cadeia hierárquica de confiança que viabiliza a emissão de certificados digitais para identificação virtual do cidadão” (ICP-BRASIL, 2016). Segundo a Normativa DOC-ICP-15 (ITI, 2021, p. 8), “A utilização de formatos padronizados de assinatura digital no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil é essencial para a confiabilidade e credibilidade do processo de criação e validação da assinatura”. A não utilização desse formato compromete a interoperabilidade e pode acarretar a utilização de formatos de assinatura inadequados para o tipo de documento ou para o tipo de compromisso que está sendo selado com aquela assinatura. O ICP-Brasil é uma iniciativa do governo brasileiro para consolidar o padrão público de certificação digital no país, provendo a assinatura eletrônica qualificada à sociedade, tanto para o cidadão quanto para as empresas. 152 A criação de normativas para o estabelecimento de uma Infraestrutura de ChavesPúbicas, insere o país no contexto da validação dos documentos e transações eletrônicas. Segundo Pinheiro (2021, p. 122): [...] a assinatura digital possibilita o reconhecimento da origem de um ato e identifica um usuário aceito e permitido em determinada transação. Um exemplo cotidiano é seu uso em empresas com redes de computadores interligados: as senhas de segurança limitam ou abrem o acesso de certos funcionários a determinadas áreas da empresa; analogicamente, é como se só alguns funcionários tivessem as chaves de determinadas salas da sede física da empresa, só que aqui estamos falando de dados virtuais. Diante do cenário de dependência dos recursos tecnológicos e o aumento do uso das tecnologias em um contexto de pandemia mundial, a revisão de normativas se torna essencial. O ICP-Brasil estruturou uma cadeia de emissão de certificados e de assinaturas digitais para prover seguranças às operações de emissão e certificação de documentos on-line. Se você tem interesse em obter uma assinatura digital, você deve procurar uma empresa credenciada que emite os documentos de identificação digital, como o e-CPF e o e-CNPJ, também chamados assinaturas digitais ou certificados digitais. Tais empresas são denominadas Autoridades Certificadoras Habilitadas, conhecidas também como AC. As autoridades certificadoras habilitadas possuem como objetivo, de maneira geral, verificar a identidade de um usuário e aliar a ele uma chave. Esse conjunto de informações é introduzido em um documento denominado certificado digital. Existem algumas autoridades certificadoras, como a Serasa Experian e a Infraestrutura Chaves Públicas brasileiras (ICP-Brasil). Todas as unidades certificadoras seguem a instrução Normativa n° 1.994 de 24 de novembro de 2020 (RFB, 2020). Essa normativa trata de como deve funcionar o processo de certificação digital, a fim de facilitar o relacionamento de pessoas físicas e jurídicas com a Receita Federal do Brasil (RFB, 2020). Segundo DOC-ICP-15 (ITI, 2021, p. 15), as seguintes entidades estão envolvidas no processo de assinatura digital: a- Signatário ou assinante é uma entidade que cria a assinatura digital. b- Verificador é uma ou mais entidades que validam a assinatura digital. c- Mediador ou árbitro é uma pessoa ou entidade que pode ser chamada para arbitrar a disputa entre o signatário e o verificador sobre a validade da assinatura digital. d- Prestadores de Serviços de Confiança (PSC) são uma ou mais entidades que ajudam a construir uma relação de confiança entre o assinante e o verificador. Eles apoiam o signatário e o verificador por meios de serviços de suporte, como emissão de certificados digitais, de Listas de Certificados Revogados (LCR) ou de respostas de On-line Certificate Status Protocol (OCSP), emissão de carimbos do tempo. 153 Os princípios da segurança da informação são garantidos quando uma pessoa jurídica ou pessoa física faz uso de um certificado digital que são a autenticação e o não repúdio. Sendo assim, diversas informações compõem o certificado digital e tem como referência a Infraestrutura de Chaves Pública Brasil (ICP-Brasil). Então, um certificado digital, além das informações referenciadas pelo ICP-Brasil, é composto de outras informações que regem o processo de autenticação do signatário, como: 1- Nome, endereço e empresa do solicitante. 2- Chave pública do solicitante. 3- Validade do certificado. 4- Nome e endereço da Autoridade Certificadora (CA). 5- Política de utilização (limites de transação etc.). Os documentos sobre assinaturas digitais na ICP-Brasil são relacionados na Normativa DOC-ICP-15, o documento que estabelece as diretrizes e normativas para regulamentar a geração e verificação de assinaturas digitais no âmbito da ICP-Brasil (ITI, 2021, p. 14), relacionados a seguir: a- Visão geral sobre assinaturas digitais na ICP-Brasil – DOC-ICP-15, aprovado pela Resolução n° 62, de 9 de janeiro de 2009, atualizado em 18 de fevereiro de 2021. b- Requisitos para geração e verificação de assinaturas digitais na ICP-Brasil, regulamento editado por instrução normativa da AC- Raiz. c- Perfil de uso geral para assinaturas digitais na ICP-Brasil, regulamento editado por instrução normativa da AC-Raiz. d- Requisitos das políticas de assinatura digital na ICP-Brasil, regulamento editado por instrução normativa da AC-Raiz. A Figura 24 apresenta a organização dessas normativas de acordo com o ICP-Brasil. 154 FIGURA 24 – ORGANIZAÇÃO DAS NORMATIVAS SOBRE ASSINATURA DIGITAL NO ICP-BRASIL FONTE: Adaptada de ITI (2021) 2.1 EMISSÃO DO CERTIFICADO DIGITAL Segundo a Normativa n° 1.994 de 24 de novembro de 2020, em seu Capítulo II, Art. 3°, que trata da emissão do certificado digital, o usuário poderá obter os certificados digitais e-CPF ou e-CNPJ mediante solicitação, realizada pela internet, a qualquer Autoridade Certificadora Habilitada. § 1° Para fins do disposto no caput: I- a lista de Autoridades Certificadoras Habilitadas e seus respectivos endereços na Internet estarão disponíveis no sítio da RFB, no endereço eletrônico <receita.economia.gov.br>; II- a identificação dos usuários será realizada mediante seu comparecimento a uma das Autoridades de Registro vinculadas à Autoridade Certificadora Habilitada escolhida para emissão do certificado; e III- o custo do processo de emissão do certificado será arcado pelo usuário. Art. 4° Não poderão ser emitidos certificados digitais: I- e-CPF, para a pessoa física cuja situação cadastral perante o CPF esteja enquadrada na condição de cancelada ou nula; e II- e-CNPJ, para a pessoa jurídica cuja situação cadastral perante o CNPJ esteja enquadrada na condição de suspensa, inapta, baixada ou nula (BRASIL, 2020). 155 Portanto, a Normativa n° 1.994 indica a forma correta de solicitar a emissão de certificado e da assinatura digital. O documento DOC-ICP-15 (ITI, 2021, p.17), apresenta, de forma simplificada, o processo criptográfico de verificação de uma assinatura digital, após a emissão do certificado digital: a- o documento eletrônico e a assinatura digital associada são disponibilizados para o verificador, junto ao certificado digital do signatário; b- o verificador calcula novamente o resumo criptográfico do documento eletrônico; c- o verificador decifra a assinatura digital com a chave pública do signatário, contida no certificado digital, obtendo o resumo criptográfico gerado e cifrado pelo signatário no momento da assinatura; d- o verificador compara os resumos criptográficos obtidos nos passos b) e c). Se forem iguais, significa que o documento eletrônico está íntegro e que é possível identificar o signatário por meio do certificado digital. Caso contrário, a assinatura digital é inválida. 2.2 CICLO DE VIDA DE UMA ASSINATURA DIGITAL O documento DOC-ICP-15 (ITI, 2021, p.16), “[...] define que as assinaturas digitais sejam criadas com características apropriadas à finalidade e longevidade esperada”, pois incorporam elementos, como algoritmos criptográficos, que possibilitam uma validação confiável a longo prazo, o que, em contrapartida, aumenta o tamanho do arquivo e o tempo gasto na geração da assinatura. A Figura 25 apresenta os processos do ciclo de vida de uma assinatura digital. FIGURA 25 – CICLO DE VIDA DE UMA ASSINATURA DIGITAL FONTE: ITI (2021, p. 16) 156 Tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, uma assinatura digital permite os processos de autenticação de documentos que podem ser de diversos formatos como ‘.pdf’. Com o uso de uma assinatura digital, os processos eletrônicos recebem validação jurídica, os signatários podem ser identificados, mas também há proteção às informações. Portanto, diversas vantagens são resultantes do uso de uma assinatura digital tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, por exemplo, a otimização de tempo, pois do modo convencional, qualquer pessoa que deseja validar um documento deve ir até o local de validação de documento, geralmente,um cartório de registros. Lá, o cartório consegue validar e legitimar a veracidade de uma assinatura. Com o uso de uma assinatura digital, o signatário não precisa fazer o descolamento, somente assinar o documento eletronicamente com o suporte de um certificado digital. Esse processo, além de otimizar o tempo de assinatura do documento, paralelamente, minimiza os custos envolvidos. A Serasa é uma organização privada que gerencia informações para tomada de decisões de crédito, por exemplo, restrição de cadastro de pessoa física (CPF). No Brasil, é a maior empresa de referência para informações bancárias. 2.3 TIPOS E USOS DE ASSINATURAS DIGITAIS Você já aprendeu que é por meio do certificado digital que a assinatura digital é utilizada. Agora, você vai aprender quais os tipos de assinaturas digitais existem e como elas são utilizadas. Assim, é possível compreender todas as características, aplicabilidades e funcionalidades da assinatura digital, verificando o porquê de ela ser aliada da segurança da informação, garantindo seus princípios básicos. Você já deve ter ouvido falar sobre o termo assinatura eletrônica, certo? Não podemos confundir assinatura eletrônica com assinatura digital. Basicamente, existem dois tipos de assinaturas digitais: as eletrônicas e as digitais. Toda assinatura digital é eletrônica, mas nem toda assinatura eletrônica é digital. Assinatura eletrônica usa meios eletrônicos como verificação. Um exemplo dessa tecnologia são as transações bancárias. A assinatura digital é um tipo de assinatura eletrônica, porém a assinatura digital envolve formas de assinaturas reconhecidas para transações específicas. Um dos motivos da necessidade da existência da assinatura digital, além da crescente utilização das tecnologias existentes, é que a assinatura digital se tornou muito necessária devido ao crescimento do número de pessoas físicas e pessoas jurídicas que realizam operações pela internet, em muitos casos devido à praticidade e à comodidade. 157 O documento DOC-ICP-15 (ITI, 2021, p. 15) esclarece a diferença entre assinatura digital e assinatura eletrônica. Como segue, “uma assinatura eletrônica representa um conjunto de dados, no formato eletrônico, que é anexado ou, logicamente, associado a outro conjunto de dados, também no formato eletrônico, para conferir-lhe autenticidade ou autoria”, podendo ser obtida por meio de diversos dispositivos ou sistemas, como log in/senha, biometria etc. Já a assinatura digital é um tipo de assinatura eletrônica. Vimos no Tópico 1, que a assinatura digital, DOC-ICP-15 (ITI, 2021, p.15), “[...] utiliza um par de chaves criptográficas associado a um certificado digital. Uma das chaves – a chave privada – é usada durante o processo de geração de assinatura e a outra – chave pública, contida no certificado digital – é usada durante a verificação da assinatura”. Além de operações financeiras pela internet, muitas empresas emitem nota fiscal eletrônica e, por esse motivo, torna-se necessária a utilização da assinatura digital, sendo um meio que garante a autenticidade de todas as operações eletrônicas. Entenda melhor a diferença entre assinatura eletrônica e assinatura digital no Quadro 2. QUADRO 2 – ASSINATURA DIGITAL X ASSINATURA ELETRÔNICA FONTE: O autor 2.4 COMO USAR UMA ASSINATURA DIGITAL Um documento no formato ‘.pdf’ é um arquivo gerado e lido pelo software da empresa Adobe como Adobe Writer e Reader, embora haja no mercado outros softwares que podem ler arquivos no formato em pdf como o navegador Foxit Reader, mas também outros programas possuem a capacidade de gravar como formato em pdf, a exemplo do Microsoft Word. O certificado digital pode ser inserido em documentos tanto no formato ‘.pdf’ quanto em outros formatos como os gerados pelo software Microsoft Word e BrOffice. Vamos verificar um passo a passo de como utilizar uma assinatura digital. A Figura 26 apresenta o diagrama para simplificado para criação de uma assinatura digital: 158 • Passo 1: verificar a versão do Adobe Reader instalada no computador, algumas versões do Adobe Reader não aceitam a utilizam de uma assinatura digital. • Passo 2: abrir o documento em PDF. Todas as ferramentas necessárias para assinar digitalmente constam no programa. Basicamente, basta acessar a opção preencher e assinar. • Passo 3: assinar. Sempre que a opção “Assinar” for selecionada, o cursor do mouse muda para o formato de cruz quando estiver na área do documento. Essa alteração indica que é o momento de demarcar a área em que deve constar a assinatura digital. Clique e segura o botão do mouse para arrastar a assinatura por toda a extensão que deve ocupar. Só então, solte o botão. • Passo 4: selecione o certificado. Logo após a seleção da área onde a assinatura digital deverá ficar, surge a tela de seleção do certificado. FIGURA 26 – CRIAÇÃO DE UMA ASSINATURA DIGITAL FONTE: ITI (2021, p. 17) Seguindo esses passos, você conseguirá utilizar um certificado digital, mediante a assinatura digital. Os passos realizados anteriormente foram baseados no programa Adobe Reader, que utiliza arquivos em PDF, porém, como foi dito, você consegue utilizar a assinatura digital e o certificado digital em vários outros programas, por exemplo, Word e o Writer. 159 3 CADEIA HIERÁRQUICA DE CONFIANÇA NA ASSINATURA DIGITAL Para que um certificado digital possa ser validado perante as instituições, é necessário que exista uma infraestrutura. Essa infraestrutura chama-se cadeia hierárquica e é ela que gera a confiança na assinatura digital. A Figura 27, mostra a cadeia de certificados no âmbito da ICP-Brasil. FIGURA 27 – CADEIA DE CERTIFICADOS FONTE: ITI (2021, p. 12) 160 A cadeia hierárquica trata de uma hierarquia de autoridades certificadoras, na estrutura temos: • Os usuários e as demais autoridades dentro da infraestrutura de chaves públicas são certificados pelas Autoridades Certificadoras (AC). • No topo da infraestrutura de árvore da ICP-Brasil, está a AC-Raiz que, nesse caso, é o próprio Instituto da Tecnologia da Informação (ITI). • O ITI é o órgão do governo sob a regência da Casa Civil responsável pela implantação das diretivas sobre certificado digital no Brasil. • A AC-Raiz é responsável pela certificação das ACs de 1° nível e 2° nível. Uma AC é responsável por operações associados ao certificado digital. Uma AC pode ser uma empresa privada ou pública e tem obrigações como emitir o certificado digital, mas também fazer a distribuição, a revogação e a renovação de um certificado digital, gerenciando os certificados digitais dos requerentes, mas também de AC de nível inferior. Toda documentação usada para solicitar um certificado digital deve ser entregue a uma autoridade de registro que confere a documentação antes de submetê-la a uma autoridade certificadora (ITI, 2021). A desvantagem da cadeia hierárquica de confiança na assinatura digital é o custo associado à infraestrutura, pois a segurança deve ser implantada em toda a árvore hierárquica do ICP-Brasil. Caso ocorra um incidente de segurança, por exemplo, a violação de uma chave de uma Autoridade Certificadora, todos os certificados emitidos por essa chave terão sua veracidade comprometida. A Figura 28 mostra a estrutura da cadeia hierárquica. 161 FIGURA 28 – CADEIA HIERÁRQUICA DE ASSINATURA DIGITAL FONTE: O autor De acordo com a imagem da Figura 28, a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP-Brasil) é uma cadeia hierárquica e confiança e tem-se: a- No topo da estrutura, a Autoridade Certificadora Raiz. Essa entidade é a própria ICP-Brasil. Tem responsabilidade de executar as políticas sobre o certificado digital no Brasil. A AC-Raiz também tem a responsabilidade de operações como emissão, expedição, distribuição, revogação e gerenciamento dos certificado digitais emitidos no Brasil, mas também certifica as ACs de Nível 1 e 2. No Brasil, a AC-Raiz é o próprio Instituto da Tecnologia da Informação (ITI, 2012, p. 39). Esseórgão é regido pela Casa Civil (ITI, 2021, p. 9). b- Autoridade Certificadora de Nível 1 e 2. Essas ACs tem a responsabilidade de validar toda a documentação para emissão de um certificado digital realizada por uma pessoa física ou jurídica. Além de fazer o credenciamento da Autoridades de Registro (ITI, 2021, p. 11). c- Autoridade de registro. Através de uma Autoridade de Registro que o cliente (pessoa física ou pessoa jurídica) entrega os documentos solicitados para solicitação de um certificado digital (ITI, 2021, p. 15). Autoridade Certificadora Raiz (ICP-Brasil) Autoridade Certificadora de 10 Nível (AC-Caixa) Autoridade Certificadora de 2° Nível (AC-Caixa PF) Autoridade Certificadora de 2° Nível (AC-Caixa PJ) Autoridade de Registro (AR - Caixa) Autoridade de Registro (AR - Caixa) ... 162 A CERTIFICAÇÃO DIGITAL Eleno Florindo da Silva O presente artigo tratará da certificação digital introduzida em nosso ordenamento jurídico pelo Decreto n ° 3.996/2001, sendo que, posteriormente, pela Medida Provisória 2.200-2, a Lei brasileira passou a determinar que, qualquer documento digital tem validade legal se for certificado pela ICP-Brasil. Diante disso, trata-se o presente trabalho de abordar aspectos legais, doutrinários e jurisprudenciais acerca da certificação digital como meio de reconhecimento da veracidade de documentos, o que agilizará e dará segurança aos negócios jurídicos firmados entre particulares ou estes e a administração pública. PALAVRAS-CHAVE: Certificação digital. Assinatura Digital. Ciberdireito. Segurança Jurídica. INTRODUÇÃO A noção de dar certificação a alguma coisa é antiga na história, o reconhecimento, a demarcação, através de sinais de uma propriedade, é matéria antiga, tendo em vista que há tempos as pessoas utilizam assinaturas a canetas, carimbos, selos e outros recursos para comprovar a autenticidade de documentos, expressar concordância com determinados procedimentos, declarar responsabilidade etc. Hoje, muitas dessas atividades podem ser feitas por meio da internet, o que nos denota um grande problema, ou seja, como garantir autenticidade, expressar concordância ou declarar responsabilidade no "mundo digital"? É aí que entra em cena a certificação digital e recursos relacionados, como a assinatura digital, o que será delineado de forma mais aprofundada nas próximas linhas, em que se fará, brevemente, uma explicação acerca do conceito e do histórico do tema, bem como quais os principais pontos que envolvem esses conceitos, concluindo-se, ao final, pela inegável exigência da dinamização que a certificação digital trouxe. 1 CONCEITO E HISTÓRICO A internet hoje nos permite realizar uma série de procedimentos e transações de maneira rápida e precisa. Diante disso, é possível a dinamização de vários procedimentos, tais como: fechar negócios, emitir ou receber documentos, acessar ou disponibilizar informações sigilosas, diminuir processos burocráticos, entre outros. LEITURA COMPLEMENTAR 163 No entanto, da mesma forma que o mundo virtual nos oferece meios para todas essas coisas, também permitirá o aparecimento de fraudes, o que impõe a necessidade de segurança neste contexto socioeconômico. Desse modo, percebe-se que a certificação digital é capaz de atender a essa necessidade. Assim, podemos, em um primeiro instante, determinar que a certificação digital, na essência, é um tipo de tecnologia de identificação que permite que no decorrer das transações eletrônicas, nos mais variados contextos, por sua integridade, sua autenticidade e sua confidencialidade, possa-se evitar adulterações, captura de informações privadas ou quaisquer tipos de ações, que possam eivar o negócio jurídico tomado por meios virtuais. Nesse desiderato, o Decreto n° 3.996/2001, passou a dispor sobre a prestação de serviços de certificado digital no âmbito da Administração Pública Federal. Desta feita, conforme se depreende da análise do Art. 2°, do referido Decreto, as entidades da Administração Pública poderão prestar ou contratar serviço por certificação digital, devendo tais serviços serem prestados nos termos da infraestrutura das chaves públicas brasileiras. Diante de tais disposições, pela Medida Provisória 2.200-2, a Lei brasileira passou a determinar que qualquer documento digital tem validade legal se for certificado pela ICP-Brasil. Ressalta-se, nesse sentido, que a citada medida provisória, também prevê a utilização de certificados emitidos por outras infraestruturas de chaves públicas, desde que as partes que assinam reconheçam previamente a validade destes. Portanto, pode-se perceber que a MP 2.200-2 tão somente outorga à ICP-Brasil, a fé pública, necessária para a certificação de documentos públicos ou particulares, considerando que o certificado emitido a qualquer documento digital, assinado digitalmente, poderá ser considerado assinado pela própria pessoa. Resultado igual também poderá ser obtido se o usuário de um certificado emitido por outra ICP qualquer, depositar em cartório de registro o reconhecimento dela como sua identidade digital. O que se quer preservar é o princípio da irrefutabilidade do documento assinado, assim sendo, o registro em cartório de um documento no qual o usuário reconhece como sendo seu, um determinado certificado digital é prova mais que suficiente para vincular a ele qualquer documento eletrônico assinado com aquele certificado. Desse modo, de acordo com a legislação pátria, certificação digital dará vida a um documento eletrônico, autenticado por uma assinatura digital, que certificará a titularidade de uma chave pública e a sua validade. 164 Esse documento, que receberá o nome de certificado digital, será emitido por uma entidade certificadora que além de criá-lo, também o assinará, ou seja, passará a ser um documento eletrônico que associa inequivocamente a identidade de um indivíduo ou organização a uma chave pública assegurando a sua legalidade e fiabilidade. Por isso, usando metodologias, processos e critérios bem definidos e públicos, a Entidade Certificadora regula a gestão dos certificados através da emissão, renovação e revogação deles, por aprovação individual. Por fim, e sem esgotar o tema do certificado digital, que será tratado a seguir, destaca-se que ele, para ser criado, dependerá de que a Entidade Certificadora crie um Código Hash com, entre outros dados, a informação da identidade do utilizador e a sua chave pública. Portanto, a entidade certificadora assina essa informação ao utilizar a sua chave privada, criando um Código Hash cifrado, sendo que tal informação é incluída no certificado a emitir. Se a informação da identidade do utilizador ou a chave pública contida no certificado digital for alterada de qualquer forma, o certificado será detectado como inválido. 2 BREVES PONDERAÇÕES ACERCA DA CERTIFICAÇÃO DIGITAL Por tudo o que se viu, resta delinear alguns apontamentos mais detalhados de como se dá o funcionamento da certificação digital. Diante disso, tem-se que a certificação digital funciona com base em um documento eletrônico chamado de certificado digital, mas também de um recurso denominado assinatura digital. É conveniente compreender primeiro este último, para a devida assimilação da ideia. Com relação à assinatura digital, deve-se, para compreender melhor o tema, tomar como exemplo o seguinte fato: Ciclano está em uma viagem de negócios e precisa enviar documentos sigilosos à matriz de sua empresa. Dada a distância, o jeito mais rápido de fazer isso é utilizando a internet. No entanto, se Ciclano optar por enviar esses documentos em papel, certamente os assinaria à caneta para comprovar a autenticidade e a sua responsabilidade sobre eles. Além disso, provavelmente utilizaria um serviço de entrega de sua confiança e o instruiria a deixar os documentos apenas com a pessoa de destino. Percebido tal fato, mas percebendo que o meio mais ágil é o eletrônico, como colocar em prática tais medidas? Adianta-seque a digitalização da assinatura de Ciclano, através de scanner não é o meio mais adequado, haja vista qualquer pessoa poder alterar a assinatura nesses termos em programas de edição de imagem. O envio dos documentos, nesse caso, sem qualquer proteção via e-mail, trará sérios riscos, tendo como base o fato de alguém poder interceptá-los. 165 Tais fatos impuseram a necessidade de, no mundo moderno, cada vez mais informatizado e dinâmico, a criação de mecanismos como a assinatura digital. Assim, a assinatura digital é um mecanismo eletrônico que faz uso de determinada criptografia para destacar e diferenciá-la de outra, mais precisamente, de chaves criptográficas. Conforme visto anteriormente, por chaves criptográficas pode-se entender, em poucas palavras, como sendo um conjunto de bits, baseado em um determinado algoritmo, capaz de cifrar e decifrar informações. Para isso, usam-se chaves simétricas ou chaves assimétricas, sendo que no caso destas últimas, elas também são conhecidas como chaves públicas. Por tudo isso, as chaves simétricas podem ser destacadas como sendo mais simples, pois com elas o emissor e o receptor, utilizam a mesma chave para, respectivamente, cifrar e decifrar uma informação. Ademais, o esquema assimétrico, por sua vez, trabalha com duas chaves: a chave privada e a chave pública. Nesse desiderato, uma pessoa ou uma organização deve utilizar uma chave, disponibilizando-se a quem for enviar informações a ela. Esta é a chave pública. Contudo, outra chave deverá ser usada pelo receptor da informação, ou seja, a denominada chave privada, essa que é sigilosa e individual. No entanto, em que pesem a separação entre chave pública e chave privada, ambas são geradas de forma conjunta, ou seja, uma está associada à outra. Por esse método demonstrado de se chegar à assinatura digital, são considerados dois importantes aspectos: a confidencialidade e a autenticidade. Resumidamente, tem-se que o primeiro consistirá em fazer com que as informações se tornem acessíveis somente àquelas pessoas ou organizações autorizadas, sendo que o segundo, em fornecer a certeza de que a informação provém da origem e forma esperadas, de forma que o receptor reconheça isso. No que se refere à confidencialidade, faz-se necessário que o emissor tenha a chave pública de seu destinatário, de modo que, por meio de algoritmos apropriados, o documento será cifrado conforme esta chave pública, sendo que a partir daí o receptor passará a usar sua correspondente chave privada para decifrar e, consequentemente, obter sua informação. Destaca-se, nesses termos, que qualquer pessoa, que de algum modo venha a possuir a chave pública delineada, poderá emitir a informação. 166 Como saber que a mensagem realmente vem da origem querida? Para isso, ou seja, para o aspecto da autenticidade, é necessário o uso de um procedimento, por onde o emissor fará uso de sua chave privada para cifrar a informação em questão. Com base nisso, o receptor deverá utilizar a chave pública do emissor para decifrá-la, sendo que, com isso, o destinatário terá, de fato, a certeza de que a informação chegada tem a origem esperada, pois somente esta possui a chave privada que gerou o conteúdo cifrado. Conforme visto anteriormente, no tocante à realização da assinatura digital e ao entorno desse tema, faz-se necessário considerar o uso do que é conhecido como Código de Hash, para o aspecto da integridade. Resumidamente, tal código é um recurso criptográfico pelo qual deve passar a informação a ser transmitida, de modo que o resultado obtido será único, conhecido como resumo ou hash, possuindo, contudo, sempre o mesmo tamanho, independente do volume de dados. Por fim, no tocante à assinatura digital, pode-se destacar que ela consiste no uso do Código de Hash junto ao documento a ser transmitido, bem como na aplicação do esquema de chaves explicado anteriormente. De outro lado, visto o que se entende por assinatura digital, tem-se agora, que desenvolver algumas ponderações acerca do certificado digital, o que fechará a abordagem no tocante à certificação digital, proposta neste trabalho. Portanto, o certificado digital, basicamente, é um documento eletrônico com assinatura digital que contém uma série de dados, tais como: o nome do utilizador, pessoa física ou jurídica, a entidade emissora, prazo de validade e chave pública. Com a obtenção desse certificado digital, para a parte interessada, nascerá a certeza de estar se relacionando com a pessoa ou com a entidade de seu desejo. Assim, tem-se que o certificado digital, trata-se de um arquivo eletrônico que contém dados de uma pessoa ou instituição, utilizados para comprovar sua identidade, de modo que referido arquivo poderá estar, ou não, armazenado em computador ou diversa mídia, tais como: um token ou smart card. Exemplos semelhantes a um certificado digital são o CNPJ, RG, CPF e CNH de uma pessoa. Cada um deles contém um conjunto de informações que identificam a instituição ou pessoa e a autoridade (para estes exemplos, órgãos públicos) que garante sua validade. 167 Para aluviar a visão de um certificado digital destaca-se, dentre outros, os seguintes dados informativos da pessoa certificante: os dados que identificam o dono (nome, número de identificação, estado etc.), o nome da Autoridade Certificadora (AC) que emitiu o certificado e, ao fim, o número de série e o período de validade do certificado. Desta feita, percebe-se que o objetivo precípuo da assinatura digital posta no certificado, é indicar que outra entidade (a Autoridade Certificadora), que não aquele que dá a informação efetivamente, garante a veracidade dos dados contidos nas referidas informações. Acerca dos certificados digitais ocorre nos bancos quando uma pessoa acessa sua conta corrente pela internet, certificados digitais são usados para garantir ao cliente que ele está realizando operações financeiras com o seu banco. Se o usuário clicar no ícone correspondente no navegador de internet, poderá obter mais detalhes do certificado. Se algum problema ocorrer com o certificado – prazo de validade vencido, por exemplo –, o navegador alertará o usuário. Assim, para ser aceito, bem como utilizado por pessoas, empresas e governos, os certificados digitais precisam ser emitidos por entidades apropriadas. Sendo assim, o primeiro passo é procurar uma Autoridade Certificadora (AC) ou uma Autoridade de Registro (AR) para obter um certificado digital. Acerca das mencionadas figuras que atuam na realização da certificação digital, destaca-se que uma Autoridade Certificadora tem como função associar uma identidade a uma chave, inserindo esses dados em certificado digital. Por outro lado, uma Autoridade de Registro possui função intermediária, pois pode solicitar certificados digitais a uma AC, não podendo, contudo, emitir o certificado digital diretamente. Com relação a tais autoridades que aparecem dentro do processo de certificação digital, a ICP-Brasil, órgão estatal responsável por regulamentar a certificação digital, trabalha com uma hierarquia onde a AC-Raiz. Diante disso, a instituição que gera as chaves das Autoridades Certificadoras, bem como que regulamenta as atividades de cada uma, é o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI). A título de exemplificação, a ICP-Brasil tem considerado como autoridade certificadora, entidades como: Caixa Econômica Federal, Receita Federal, Imprensa Oficial, Casa da Moeda do Brasil, Serasa, dentre outras. Citadas instituições são que deverão ser acionadas por aqueles que desejarem a obtenção de um certificado digital legalmente reconhecido no Brasil. Acerca de tais determinações, deve-se ressaltar, ainda, que cada uma dessas entidades poderá ter critérios distintos para a concessão e emissão dos certificados digitais, o que inclusive resultará, muito provavelmente, em preços diferentes. 168 RESUMO DO TÓPICO 3CONCLUSÃO Assim, vê-se que a dita certificação digital, consubstanciadapela assinatura digital, bem como pelo certificado digital, não é mais novidade no cenário negocial brasileiro, sendo que, com o avanço tecnológico no âmbito da ciberciência, a ciência do Direito, mais precisamente o direito da propriedade industrial e intelectual, deverá acompanhar os avanços tecnológicos, sob pena na legislação atual como freio das novas descobertas. Diante de tais fatos, o certificado digital funciona como uma espécie de documento de identidade, que comprovará a autenticidade das informações daqueles que fazem as transações. Por enquanto, apenas algumas instituições exigem o uso do documento eletrônico para determinados serviços, haja vista que a popularização do certificado só deverá ocorrer mesmo nos próximos anos, quando mais serviços on-line utilizarem o referido e delineado sistema. Por fim, das mais variadas autoridades que podem oferecer certificados digitais, deve-se, como ideal, procurar instituição credenciada na infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). Criada em 2001, a ICP-Brasil é um conjunto de entidades que atuam de acordo com as diretrizes e normas técnicas estabelecidas por um comitê gestor. Assim, os procedimentos são fiscalizados e auditados e a não concordância com as regras impostas para as autoridades certificadoras, implicará, para estas, penalidades que poderão ser, inclusive, o seu descredenciamento. FONTE: SILVA, H. F. da. A certificado digital, Conteúdo Jurídico, 6 jul. 2011. Disponível em: https:// www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/24952/a-certificacao-digital. Acesso em: 5 ago. 2021. 169 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil é uma cadeia hierárquica de confiança que viabiliza a emissão de certificados digitais para identificação virtual do cidadão. • A normativa DOC-ICP-15 estabelece a utilização de formatos padronizados de assinatura digital no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil – que é essencial para a confiabilidade e credibilidade do processo de criação e validação da assinatura. • As seguintes entidades estão envolvidas no processo de assinatura digital: Signatário ou assinante é uma entidade que cria a assinatura digital; Verificador é uma ou mais entidades que validam a assinatura digital; Mediador ou árbitro é uma pessoa ou entidade que pode ser chamada para arbitrar a disputa entre o signatário e o verificador sobre a validade da assinatura digital; Prestadores de Serviços de Confiança (PSC) são uma ou mais entidades que ajudam a construir uma relação de confiança entre o assinante e o verificador. Eles apoiam o signatário e o verificador por meios de serviços de suporte, como emissão de certificados digitais, de Listas de Certificados Revogados (LCR) ou de respostas de On-line Certificate Status Protocol (OCSP), emissão de carimbos do tempo. • O processo criptográfico de verificação de uma assinatura digital, após a emissão do certificado digital: a) o documento eletrônico e a assinatura digital associada são disponibilizados para o verificador, junto ao certificado digital do signatário; b) o verificador calcula novamente o resumo criptográfico do documento eletrônico; c) o verificador decifra a assinatura digital com a chave pública do signatário, contida no certificado digital, obtendo o resumo criptográfico gerado e cifrado pelo signatário no momento da assinatura; d) o verificador compara os resumos criptográficos obtidos nos passos b) e c). Se forem iguais, significa que o documento eletrônico está íntegro e que é possível identificar o signatário por meio do certificado digital. Caso contrário, a assinatura digital é inválida. • A diferença entre assinatura digital e assinatura eletrônica é que esta última representa um conjunto de dados, no formato eletrônico, que é anexado ou, logicamente, associado a outro conjunto de dados, também no formato eletrônico, para conferir- lhe autenticidade ou autoria. Podendo ser obtida por meio de diversos dispositivos ou sistemas, como log in/senha, biometria etc. Já a assinatura digital é um tipo de assinatura eletrônica. 170 • A emissão da assinatura digital se dá por meio de uma entidade conhecida como Autoridade Certificadora (AC). Documentos como nome, endereço e empresa do solicitante, chave pública do solicitante, validade do certificado, nome e endereço da Autoridade Certificadora (CA), Política de utilização (limites de transação etc.) entre outros são exigidos para emissão assinatura digital. • O processo de emissão de uma certificado digital ou assinatura digital passa por uma cadeia hierárquica confiável definida pela Instituto Nacional da Tecnologia da Informação (ITI). Essa cadeia é constituída de uma Autoridade Certificadora Raiz, o próprio ITI, e de diversas Autoridades Certificadoras de Níveis 1 e 2. • As Autoridades Certificadoras são responsáveis por regulamentação da assinatura digital no Brasil podendo revogar, emitir, distribuir entre outras tarefas a assinatura digital. Entretanto, o credenciamento das Autoridade Certificadora de Níveis 1 e 2 é somente papel da Autoridade Certificadora Raiz. • A assinatura digital tem validade jurídica utilizada no processo de autenticação e validação da assinatura por meio de criptografia. Hoje, com as novas aplicações usadas pelos clientes via internet ou aplicações móveis garantir a autenticidade e integridade dos dados é necessidade básica, por isso, o mercado passa a usar a validação das assinaturas eletronicamente. 171 AUTOATIVIDADE 1 Se você tem interesse em obter uma assinatura digital, você deve procurar uma empresa credenciada que emite os documentos de identificação digital, como o e-CPF e o e-CNPJ, também chamados assinaturas digitais ou certificados digitais. Tais empresas são denominadas Autoridades Certificadoras Habilitadas, conhecida também como AC. Sobre as autoridades certificadoras, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Possuem como objetivo, de maneira geral, a verificação da identidade de um usuário e aliar a ele uma chave. b) ( ) A assinatura digital é introduzida em um documento denominado pen drive. c) ( ) Uma AC é regulada pela Normativa n° 1.996 de 28 de novembro de 2020. d) ( ) Uma Ac não precisa de regulamentação. 2 Uma assinatura digital elimina a necessidade de emissão de papéis, gera sustentabilidade nos processos, além de otimização nos processos de autenticação de documentos em uma empresa. Então, o uso de uma assinatura digital resulta em diversos benefícios. Com base no contexto anterior sobre a importância do uso de uma assinatura digital, analise as sentenças a seguir: I- A assinatura digital otimiza o tempo, ou seja, evita que uma pessoa ou empresa se desloque até um cartório de registros. II- A produtividade é uma consequência do uso de uma assinatura digital, pois com a redução do tempo, há uma otimização do fluxo de trabalho. III- O fato de não emitir papéis, o uso de uma assinatura digital é associado ao conceito de sustentabilidade, além da economia do tempo e do custo. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença I está correta. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) Somente a sentença III está correta. d) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas. 172 3 Com o certificado digital, você pode inserir a sua assinatura digital tanto em documentos no formato PDF usando o Adobe Reader (programa gratuito para ler arquivos em PDF) quanto em documentos criados com programas de edição de texto, como o Word e o BrOffice. Todos esses programas têm ferramentas para inserir a assinatura digital usando o certificado que você possui. Com base nesse assunto, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Em se tratando do Adobe Reader, o primeiro passo para utilizar uma assinatura digital é a verificação da versão desse programa instalado no computador, já que algumasversões do Adobe Reader não aceitam uma assinatura digital. ( ) Em se tratando do Adobe Reader, o segundo passo para utilizar uma assinatura digital seria abrir o documento em PDF. Todas as ferramentas necessárias para assinar digitalmente constam no programa. Basicamente, basta acessar a opção, preencher e assinar. ( ) Em se tratando do Adobe Reader, o terceiro passo para utilizar uma assinatura digital seria escolher a opção assinar. Sempre que a opção “Assinar” for selecionada, o cursor do mouse muda para o formato de cruz quando estiver na área do documento. Essa alteração indica que é o momento de demarcar a área em que deve constar a assinatura digital. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – V – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 A assinatura digital auxilia muito no processo de realização de operações que envolvem transações on-line, transações entre empresas e outras transações que necessitam de segurança de dados e comprovação de identidade. Por esses e outros motivos, é muito importante que a pessoa jurídica ou a pessoa física tenha uma assinatura digital. Disserte sobre importância de uma assinatura digital. 5 A assinatura digital é muito conhecida e utilizada por pessoas que realizam transações on-line e transações entre empresas. Essa ferramenta é facilmente confundida com outra ferramenta também muito utilizada, a assinatura eletrônica. Nesse contexto, disserte sobre a diferença entre assinatura digital e assinatura eletrônica, com base nos conceitos e definições apresentados. 173 REFERÊNCIAS BARKER, E. 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