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Tipos de cálculos logísticos: Taxa Cambial, medição (perímetro, área, volume, capacidade, peso, dimensão e tempo) e custo de transporte Neste tópico iremos conversar um pouco sobre uma atividade muito importante para a logística, os cálculos logísticos. Conhecer os processos que apuram taxas cambiais, medições (perímetro, área, volume, capacidade, peso, dimensão e tempo) e custo de transporte são fundamentais, pois, as cargas a serem arranjadas (combinadas e organizadas) em um armazém – ou a serem transportadas por meio de um transporte – têm características ou fatores de mensuração e análise, os quais precisam ser controlados. Estes fatores devem ser observados para uma escolha mais assertiva do melhor arranjo de estoque, aproveitando ao máximo o perímetro disponibilizado no armazém, assim como, do modal – ou dos modais – de transporte utilizados, assegurando maior qualidade na atividade de transporte. Existem diversos tipos de cálculos logísticos. O primeiro que iremos detalhar será sobre a taxa cambial. Taxa cambial Toda vez que uma empresa importa ou exporta um determinado tipo de produto, ela acaba se deparando com a questão da taxa cambial. Fazer a conversão de uma taxa de câmbio para outra significa efetuar uma troca de moedas, sendo uma nacional por outra moeda estrangeira e vice-versa. Vejamos um exemplo de conversão de moeda no processo de importação de uma bola de plástico inflável que está sendo ofertada em um site pelo valor de $209.99 dólares. Figura 1 – Bolas de plástico infláveis Fonte: <https://www.amazon.com/Happybuy-Inflatable-Bumper-Diameter-Bubble/dp/B01M61H0X3>. Acesso em: 15 de janeiro de 2018. · A moeda que será utilizada para cálculo será o dólar e a data de verificação do câmbio foi 07 de dezembro de 2017. O valor de 1 (uma) unidade de dólar estava custando R$ 3,2322. · Conversão do valor $ 209,99 x 3,2322 = R$ 678,73 (valor aduaneiro convertido). · O contrário também é possível, isto é, converter real em dólar. O cálculo com base nos mesmos valores seria: Conversão do valor R$ 678,73 ÷ 3,2322 = $ 209,99 (valor aduaneiro convertido). Utilizando o simulador do tratamento tributário e administrativo das importações, disponível no site da Receita Federal, e informando a Nomenclatura Comum do Mercosul Código (NCM), igual a 9506.62.00 (mercadorias infláveis), temos como realizar a simulação dos gastos com a importação do produto. Valor aduaneiro $ 209,99 Taxa de câmbio - 07/12/2017 R$ 3,2322 Valor aduaneiro - convertido R$ 678,73 Alíquota II 20% Tributo II R$ 135,75 Alíquota IPI 0% Tributo IPI R$ - Alíquota PIS 2,10% Tributo PIS R$ 14,25 Alíquota COFINS 10,65% Tributo COFINS R$ 72,28 Subtotal R$ 901,01 Base de Cálculo R$ 1.098,79 ICMS 18% R$ 197,78 Total R$ 1.098,79 Neste exemplo, temos o valor aduaneiro que representa o valor da mercadoria a ser importada em moeda estrangeira. Após converter o valor aduaneiro para Real (R$) encontramos a base de cálculo para apurar o valor devido de imposto de importação (II), de imposto sobre produtos industrializados (IPI), de programa de integração social (PIS) e de contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS). O valor de R$ 678,73 deve ser multiplicado pelos percentuais: Alíquota II 20% Tributo II R$ 135,75 Alíquota IPI 0% Tributo IPI R$ - Alíquota PIS 2,10% Tributo PIS R$ 14,25 Valor aduaneiro R$ 678,73 Tributo II 135,75 Tributo PIS 14,25 Tributo COFINS 72,28 Subtotal R$ 901,01 Alíquota COFINS 10,65% Tributo COFINS R$ 72,28 Em seguida, os valores são somados: Cálculo por dentro: subtotal ÷ 82% = base de cálculo ICMS = base de cálculo x alíquota de ICMS Cálculo por dentro: R$ 901,01 ÷ 82% = R$ 1.098,79 ICMS = R$ 1.098,79 x 18% ICMS = R$ 197,78 Lembrando que o valor simulado no site da Receita Federal não inclui a apuração do gasto com ICMS, o qual tem variação de percentual cobrado de acordo com cada estado. Além disso, o simulador também não considera outros gastos comuns do processo de importação, tais, como: · Depreciação (transporte) · Mão de obra (motorista, maquinista, piloto ou capitão do transporte utilizado na importação) · Seguro de transporte (nacional e/ou internacional) · Taxas aduaneiras · Custos administrativos · Manutenção da frota de transporte · Peças e acessórios utilizados na manutenção · Combustível usado no trajeto etc. Como você deve ter percebido existem diversos cálculos que precisam ser realizados em apenas um processo de importação de um produto. Assim como, diversos gastos que são gerados por essa transação devem ser observados e controlados. Medições: perímetro, área, volume, capacidade, peso, dimensão e tempo Existem vários parâmetros ou fatores de preocupação que devem ser observados no processo de medição, visando sempre a busca pela melhor relação entre custo e benefício. Clique ou toque nos botões para visualizar o conteúdo. Perímetro O perímetro nada mais é do que a forma geométrica que corresponde ao local de armazenamento dos produtos, mercadorias ou carga transportada. Um perímetro pode assumir diversas formas. Por exemplo, o formato de um quadrado, de um retângulo etc. Nos exemplos acima temos duas formas geométricas. A primeira delas tem perímetro de 16 metros, ou seja, é a soma da medição de todos os lados. A segunda figura, por sua vez, tem perímetro de 28 metros. Cada perímetro representa um tipo deferente de espaço ou meio de transporte. Pode ser o perímetro de um armazém, de uma carreta de veículo, do espaço de carga de um navio, de um vagão de trem ou do espaço interno de um avião. É importante saber o perímetro exato de um espaço físico ou móvel (transporte) visando o melhor aproveitamento do espaço de armazenagem, ajudando na reformulação do leiaute para o melhor aproveitamento do espaço. Área A área de um espaço representa uma extensão do perímetro, pois, a partir dele, é possível calcular a área de um local. Vamos partir dos mesmos exemplos anteriores: O cálculo da área é muito simples, pois basta medir os lados e depois multiplicar a largura pelo comprimento para então encontrar a área desejada. Fórmula da área = largura x comprimento Identificar o perímetro é o primeiro passo. Depois, basta seguir para a fórmula da área e encontrar a metragem quadrada do espaço. Esse tipo de cálculo é importante para sabermos quantos materiais ou mercadorias cabem no espaço analisado. Supondo que uma mercadoria tenha as seguintes medidas: Como saber quantas mercadorias cabem no armazém? É simples, basta calcular as áreas e depois dividir a área maior (armazém) pela área menor (mercadoria). Capacidade de mercadorias = 4.440 ÷ 8 = 550 Portanto a capacidade de armazenamento é aproximadamente de 550 mercadorias de 8m². É necessário saber que pode haver a necessidade de separação por corredores e também da distância mínima entre as seções, além de um espaço para manobrar o maquinário que irá fazer a carga e descarga de mercadorias no setor. Além disso, não consideramos a altura, que é um fator importante para descobrir a capacidade de um determinado espaço. Esse exemplo serve mais para você poder entender como funciona a mecânica de cálculo. Desta forma, quando chegarmos no cálculo de volume e capacidade estes conhecimentos já estão apropriados. Lembre-se de que existem diversas formas geométricas, e que cada uma delas pode ter uma fórmula diferente de cálculo, mas o padrão é encontrar espaços de armazenagem ou de carga para transporte quadrados ou retangulares. Contudo, caso você encontre uma exceção, basta procurar em um livro de matemática como calcular uma área específica (triângulo, trapézio etc.) Volume É uma continuação dos cálculos e das análises anteriores. Esse fator representa um item importante de verificação em relação ao problema de aproveitamento e utilização do espaço útil do modal escolhido ou do espaço de armazenagem. Quando temos um transporte de produtos ou mercadorias com baixa densidade, isto é, levíssimas, por exemplo: polímeros (isopor),papelão, garrafas de plástico etc., pode acontecer de a mercadoria ocupar totalmente o espaço/volume disponível no transporte (ocupação de 100%) e o peso transportado não atingir o limite do veículo. Isso acontece devido ao produto ou mercadoria apresentar um volume grande, mas, uma pesagem muito baixa. Já o contrário seria um produto extremamente pesado que antes mesmo de preencher toda a capacidade do transporte ou do espaço de armazenagem já ultrapassou o limite de peso. Nesse exemplo, temos o problema das cargas fracionadas, em que a cubagem do transporte não pode ser completamente utilizada, em virtude da alta densidade do produto ou da mercadoria. Voltando ao exemplo anterior, agora temos a altura da mercadoria e do armazém, o que nos permite calcular com mais assertividade a quantidade de mercadorias ou a capacidade de mercadorias que o espaço é capaz de assimilar/aguentar. Fórmula da volume = largura x comprimento x altura Capacidade de mercadorias = 26.400 ÷ 16 = 1.650 Portanto, a capacidade de armazenamento é de 1.650 mercadorias, aproximadamente. Conforme mencionado antes, cada caso deve ser analisado de forma específica, isto é, desconsiderando o espaço destinado para corredores, racks, maquinário, outras mercadorias (com diferentes dimensões que devem ser igualmente calculadas) e também o espaço para manobrar e permitir a entrada e a saída das mercadorias e dos funcionários no setor. Se tratando de um transporte, como, por exemplo, um veículo, devemos desconsiderar o que foi mencionado e focar na capacidade máxima da carreta, por exemplo, respeitando o limite de peso que ela é capaz de aguentar ou até mesmo o limite suportado pela estrada, a qual também sofre depreciação por excesso de peso das carretas utilizadas no transporte logístico. Capacidade Já mencionamos nos tópicos anteriores que a capacidade de um transporte ou de um espaço depende não somente do volume das mercadorias. Por isso, devemos sempre ponderar as restrições da atividade de transporte e da atividade de armazenagem, para podermos determinar a capacidade de um espaço ou de um modal de transporte. O volume é o ponto de partida para sabermos o quanto determinado espaço consegue assimilar de determinadas mercadorias. Contudo, não podemos esquecer das restrições (espaços para corredores, maquinários, racks e para o trânsito de entrada e saída de mercadorias) e, se tratando de espaço ou capacidade de um modal de transporte, é essencial ponderar o peso ou a densidade das mercadorias transportadas (cubagem). Peso É um fator importante que não deve ser menosprezado e que representa uma das principais restrições de armazenamento (empilhamento ou arranjos de mercadorias para carga e descarga) ou permissões para transporte por órgãos fiscalizadores, os quais visam respeitar o limite de peso de determinadas estradas, portos, aeroportos ou ferrovias. Vejamos um exemplo de cálculo de peso suportado por um transporte. A figura 2 mostra um caminhão com tara de 10 toneladas, referente à cabine, e tara de 14 toneladas, referente à traseira do caminhão. A cabine aguenta 7,5 toneladas; as rodas do meio aguentam 22 toneladas e as rodas traseiras suportam 40 toneladas. O PBTC (peso bruto total combinado) é igual a 69,5 toneladas e a lotação é a subtração do PBTC – tara. Temos, então, 69,5 toneladas – 24 toneladas da tara, resultando um peso suportado por este veículo de 45,5 Toneladas. Figura 2 – Capacidade ou lotação de um veículo Fonte: <http://www.cargadeprojeto.com.br/noticiaid.asp?id=30207>. Acesso em: 16 de janeiro de 2018. Nesse exemplo, verificamos a tara do veículo que compreende o peso do próprio transporte (caminhão). Depois, verificamos as especificações do fabricante quanto ao limite suportado em cada eixo do veículo, descontado o peso inicial do transporte sem carga. Com base nessa verificação, conseguimos descobrir o peso total combinado do veículo (peso do veículo + peso da carga transportada), assim, descobrimos se o peso total durante o trajeto não excederá o limite suportado pela via de acesso. Também, é possível controlar se o limite suportado em cada eixo está sendo respeitado. Nesse ponto, é essencial um equilíbrio para que a carga mais pesada fique centralizada nos últimos eixos (que aguentam mais peso), pois, se for realizada uma inversão (colocar o maior peso da carga no meio), poderá ocorrer um acidente no trajeto. Além disso, a manutenção periódica do transporte é fator essencial para que o limite de peso especificado pelo fabricante possa ser usado em 100% ou o mais próximo disso. Peças, como, por exemplo, eixos em mau estado de conservação poderão aguentar menos do que inicialmente esperado, o que novamente implica na possibilidade de acidentes ou no não aproveitamento máximo da capacidade do veículo, por causa das péssimas condições das peças. Dimensão A dimensão representa o volume de um espaço. Se você lembrar, o volume representa a profundidade, a largura e a altura (P x L x A) de um objeto ou espaço. Determinar a dimensão de um espaço representa um grande desafio, pois exige verificar ou calcular o espaço disponível de um determinado modal e os possíveis arranjos, ou seja, as dimensões de uma determinada carga têm uma relação direta com as dimensões do(s) modal(is) escolhido(s). O dimensionamento do transporte utilizado depende muito do dimensionamento dos produtos. Quando temos um meio de transporte totalmente ocupado, que não leva em consideração a dimensão do veículo em sintonia com a preservação da mercadoria transportada, com certeza ela sofrerá avarias durante o percurso. Deve-se também levar em consideração a segurança do transporte durante o trajeto, inclusive quanto ao peso suportado pelo veículo. Um produto de dimensões grandes não necessariamente poderá ter uma pesagem elevada, assim como, um produto de dimensões pequenas pode tranquilamente ter uma densidade extremamente alta. Nesse sentido, dimensionar o tamanho de espaço disponível é apenas o primeiro passo a ser realizado, devendo em seguida ser considerado o fator de cubagem. que é um número constante a ser ponderado. O fator de cubagem representa volume e peso ideal para uma carga de acordo com o dimensionamento de cada tipo de transporte. Vejamos um exemplo: Na imagem abaixo temos um caminhão que suporta 27 toneladas e tem 90 m³. Se dividirmos as 27t por 90 m³ da carreta, encontraremos como resposta 0,3. Basta, em seguida, multiplicar por 1.000 (por ser metros cúbicos) e encontrar os 300 m³ de cubagem suportada pelo veículo. Entretanto, sabemos que não tem como medir todos os caminhões existentes e variados na frota de uma transportadora. Nesse caso, visando facilitar a vida das empresas a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) definiu esse padrão como média. Vejamos os exemplos mais comuns de Cubagem: · Rodoviário: 1m³ = 300kg · Aéreo: 1m³ = 166,66kg · Aquaviário: 1m³ = 1.000kg Figura 3 – Fator de cubagem no transporte rodoviário Fonte: <https://pt.linkedin.com/pulse/fator-de-cubagem-saiba-o-que-%C3%A9-e-aprenda-calcular-na-hora-rodrigues> Acesso em: 16 de janeiro de 2018. Agora, se analisarmos a mercadoria que será transportada neste veículo, supondo que ela tem a seguinte dimensão: 0,60m altura x 0,30m largura x 0,10m profundidade = 0,018 m³. Logo, podemos afirmar que a carga transportada está dentro do limite de dimensão suportado pelo veículo por cada metro cúbico. Contudo, e quanto ao peso da carga, de que forma podemos calculá-lo? Seguindo o mesmo exemplo da mercadoria com dimensões de: 0,60m altura x 0,30m largura x 0,10m profundidade = 0,018 m³. O fator de cubagem que iremos considerar nesse exemplo será o padrão de 300kg para transporte Rodoviário. O peso cubado será de: 0,60 x 0,30 x 0,10,0 x 300 = 5,4Kg por m³ (que está dentro do limite suportado de 300 kg para caminhões). A grande problemática vivenciada atualmente é a de manter um bom controle quando se faz a coleta ou o envio de cargas fracionadas. Nesse caso, algumas transportadores, por segurança, preferem adotar um número menor de cubagem, já que nessetipo de situação são transportadas várias mercadorias, de inúmeros tamanhos e pesos. Isso obriga completar o transporte abaixo dos 300kg/m³ médio suportado pelo veículo, implicando em espaços vazios que não podem ser preenchidos. É bom lembrar que na hora de realizar estes cálculos é preciso observar com cuidado as unidades de medida de volume e dimensionamento especiais de cada tipo de veículo ou até mesmo o reforço nas peças que compõem o eixo de um veículo para aguentar maior peso. Tempo O grande objetivo de qualquer atividade é fazer bem feito e no menor tempo possível. No caso do transporte de mercadorias, a busca pelo menor trajeto (menor distância) é um fator de constante análise, o qual apresenta inúmeras restrições, sendo uma das principais delas o peso transportado, pois ele interfere no tempo de deslocamento. Exemplo Um caminhão pesando 20 toneladas e precisando percorrer 1.000 km para entregar sua carga levaria quanto tempo para chegar em seu destino? Para resolvermos este problema precisamos saber a velocidade média que será adotada, respeitando o limite de velocidade de cada via e o peso transportado pelo veículo. Ou seja: De acordo com o exemplo, se o caminhão for a uma velocidade média de 80 km/h, para sabermos o tempo, basta dividirmos a quantidade a ser percorrida pela velocidade por hora. Ou seja: 1.000 km ÷ 80 km/h Resposta: 12,5 horas ou 12 horas e 30 minutos. Contudo, se o veículo for a uma velocidade de 110 km/h, ele levará 9 horas e 5 minutos, aproximadamente, referente ao cálculo de 1.000 km ÷ 110 km/h. Resposta: 9,09 horas ou 9 horas e 5 minutos. Lembre-se de que devemos considerar algumas restrições durante o trajeto: peso elevado da carga, bloqueios, engarrafamentos, desvios, pedágios, intervalo para descanso do motorista etc. Estes fatores poderão aumentar o tempo de percurso consideravelmente. Conforme mencionamos, caso haja alguma restrição durante o trajeto (peso, bloqueios, pedágios etc.), o tempo poderá ser maior. Por exemplo, por mais que o veículo mantenha uma velocidade média de 110 km/h, ele poderá chegar nas mesmas 12 horas e 30 minutos, devido aos problemas encontrados durante o trajeto, o que cria a necessidade de acrescentar o tempo gasto com estas restrições ao tempo total do trajeto. Custo de transporte Os custos relativos à atividade de transporte representa todas as despesas realizadas na movimentação e distribuição de determinado produto ou mercadoria, desde a sua origem até ao destino final. Estes gastos são considerados como um dos mais pesados custos da logística, tendo um grande impacto no preço de venda de produtos e mercadorias. Por exemplo, em alguns casos são transportadas cargas de alta densidade, as quais possuem um valor baixo, por peso (exemplo: areia, carvão, ferro, material de construção etc.). Nesse caso, os custos do transporte são elevados e, em contrapartida, produtos ou mercadorias de peso baixo, mas com alto valor, tem um custo de transporte mais barato ou reduzidos (exemplo: joias e pedras preciosas). Existem diversas variáveis que influenciam nos custos relacionados com a atividade de transporte, podendo ou não estar vinculados ao produto, por exemplo, a baixa densidade de um produto e sua facilidade de movimentação (manuseio). O contrário disso, faz a empresa perder tempo no processo, o que aumenta o ciclo do pedido dos clientes e gera maiores custos. Além disso, o mercado também pode influenciar no custo do transporte, por exemplo, a boa localização de centros de distribuição, o que reduz o tempo de entrega e o valor gasto com combustível, principalmente durante o transporte. O oposto dessa situação causa maior tempo de deslocamento da frota e aumento dos gastos inerentes à atividade, principalmente com combustível. Variáveis relacionados com o produto · A densidade do produto, isto é, a analogia entre o peso e o volume do produto (cubagem) · A embalagem e armazenagem utilizada para transporte · A facilidade de manuseamento · A responsabilidade legal Variáveis relacionados com o mercado · Nível de competição no modal escolhido ou em meio alternativo de transporte · Localização do mercado a ser atendido, o que especifica a distância que os produtos e/ou mercadorias terão que realizar · Busca por equilíbrio na movimentação e distribuição de mercadorias para fora e para dentro do mercado escolhido · Transporte de mercadorias somente em algumas épocas do ano Uma grande problemática da gestão de custos está exatamente no equilíbrio entre custos isolados. A ideia é sempre buscar a harmonia entre os custos específicos de diversas áreas. Por exemplo, cortar gastos no setor de estoque pode acabar indiretamente afetando os custos de transporte e vice-versa. Conforme o custo de uma atividade específica reduz, ela pode acabar aumentando o custo de outras áreas. Se a empresa decidir manter um nível de produtos estocados por mais tempo do que o necessário, pensando em distribuí-las depois, então, o custo de transporte com certeza poderá diminuir, pois, a distribuição dos produtos irá ser realizada em trajetos reduzidos. Contudo, também irá ocasionar um aumento nos custos de estoques por causa do maior período que os produtos permanecerão estocados. O contrário também procede, pois manter as mercadorias estocadas por menos tempo, por meio de uma distribuição mais frequente, levará a elevação dos custos de transporte e a diminuição dos custos relativos ao estoque. Entre os principais custos de transporte existentes está o gasto com recursos humanos (mão de obra), com capital (combustível, pneus etc.) e depreciação. Clique ou toque nos títulos para visualizar o conteúdo. Recurso Humano Os serviços de mão de obra são contratados para diferentes finalidades dentro da atividade de transporte, tipo: operação de veículos, supervisão, manutenção e reparos do modal de transporte escolhido etc. Capital Temos diversos exemplos de recursos de capital que são utilizados durante a atividade de transporte. Um bom exemplo seria o combustível usado durante o trajeto. Também, temos a utilização de pneus, lubrificantes, peças, acessórios, entre outros itens. Depreciação Por último, temos a depreciação de máquinas, equipamentos e veículos utilizados durante a atividade de transporte. Uma vez, que ela representa a desvalorização que um bem sofre em decorrência do seu uso, do tempo ou da obsolescência gradual. Quanto às etapas de custeio, devemos sempre observar alguns fatores básicos, como: definir os itens de custo, classificar os custos em fixos e variáveis, calcular/apurar o custo de cada item e definir o custeio dos trajetos de entrega e coleta. Definição dos itens de custo 1. Depreciação 2. Mão de obra (motorista, maquinista, piloto ou capitão) 3. Seguro de transporte (nacional e/ou internacional) 4. Taxas aduaneiras 5. Custos administrativos 6. Manutenção 7. Peças e acessórios 8. Combustível Classificação dos custos em fixos e variáveis Custos Variáveis 1. Combustível 2. Manutenção 3. Peça e Acessórios 4. Taxas Aduaneiras Custos Fixos 1. Depreciação 2. Mão de obra (motorista, maquinista, piloto ou capitão) 3. Custos administrativos 4. Seguro de transporte (nacional e/ou internacional) Cálculo/Apuração do custo de cada item Para entender como funciona o controle de apuração de custos devemos primeiramente listar todos os custos de uma determinada atividade, conforme pode ser observado na tabela abaixo. Nela foram listados todos os custos fixos e variáveis de entrada referente à atividade de transporte. Entrada de dados – custos fixos e variáveis Custos da empresa com a atividade Salário do motorista R$/mês R$ 750,00 Horas de trabalho/mês h/mês 176 Encargos e benefícios do motorista R$/mês R$ 562,50 Custos administrativos R$/mês R$ 500,00 Dados do veículo Consumo de combustível km/litro 2,53 Intervalo entre troca de óleo km 10.000 Intervalo entre troca de óleo km 10.000 Litros de óleo por troca litro 30 Número de pneus 18 Intervalo entre troca de pneu/recapagem km 80.000 Número de recapagens 2 Custosde manutenção R$/km 0,13 Intervalo entre lubrificações km 2.000 Dados do mercado Valor de aquisição do veículo R$ R$ 165.000,00 Vida útil do veículo meses 120 Valor residual do veículo R$ R$ 65.000,00 Preço do óleo R$/litro R$ 2,70 Preço do combustível R$/litro R$ 0,65 Preço do pneu R$ R$ 620,00 Preço da recapagem R$ R$ 180,00 IPVA/seguro obrigatório R$/ano R$ 1.200,00 Mas, você deve estar se questionando: de que forma entrar todos esses valores e quais elementos da tabela representam custos fixos e quais representam custos variáveis. Primeiramente, a tabela acima faz uma descrição dos gastos de uma empresa com a atividade de transporte, analisando três filtros: · 1.º Custos da empresa com a atividade de transporte · 2.º Dados do veículo · 3.º Dados do mercado Todos estes dados e informações podem ser apurados e verificados com os setores envolvidos na atividade de transporte, isto é, trata-se inicialmente de um trabalho de garimpar dados que irão subsidiar os cálculos que virão mais a frente, como, por exemplo: verificar com o setor de recursos humanos (RH) o salário dos motoristas; questionar a setor de manutenção sobre a quantidade de pneus que foram trocados no mês; perguntar para o setor de compras o valor pago na aquisição de um pneu etc. Esta análise é fundamental para a segregação e a apuração dos custos. Esta é a etapa seguinte desta nossa reflexão. Devemos agora separar ou segregar os elementos em fixos e variáveis, assim como, usar os dados disponíveis na tabela anterior para calcular os custos Fixos. Observe: Agora, observe a tabela abaixo. Nela temos todos os itens que foram calculados anteriormente e detalhados um a um. Somando a depreciação, a mão de obra, o IPVA/seguro obrigatório encontramos o total de custos fixos diretamente alocados à atividade de transporte, totalizando R$ 2.245,83 (R$ 833,33 + R$ 1.312,50 + R$ 100,00 = R$ 2.245,83). Depois, temos os custos fixos, indiretamente relacionados à atividade, que representam R$ 500,00 reais e que, somado ao valor apurado anteriormente, indica um total de custos fixos de R$ 2.745,83. Saída de dados – custos fixos Itens de custo fixo ( 1 ) Depreciação R$/mês R$ 833,33 ( 2 ) Mão de obra R$/mês R$ 1.312,50 ( 3 ) IPVA/seguro obrigatório R$/mês R$ 100,00 ( 4 ) Custo fixo - CF ( 1 ) + ( 2 ) + ( 3 ) R$/mês R$ 2.245,83 ( 5 ) Custos administrativos R$/mês R$ 500,00 ( 6 ) CF c/ custos administrativos ( 4 ) + ( 5 ) R$/mês R$ 2.745,83 O custo fixo por hora é muito simples de ser apurado. Basta pegar o valor de R$ 2.745,83, o qual representa o total dos custos fixos acrescido dos custos administrativos e, então, dividir pelas horas de trabalho no mês com a atividade de transporte, totalizando 176 horas. As horas que estão sendo consideradas referem-se as horas de trabalho realizadas no mês pelo motorista do veículo e que representam um custo da empresa com a atividade de transporte. Se tivessem mais veículos e mais funcionários envolvidos na análise, a apuração de horas seria a mesma, isto é, todos as horas de prestação de serviço realizadas pelos colaboradores devem ser apuradas, servindo de divisor para o total de custo fixo que foi apurado. Ao calcularmos o valor de R$ 2.745,83 divididos pelas 176 horas (horas realizadas de serviço), encontramos o valor hora de R$ 15,60 referente aos custos fixos. Custos fixos R$/hora R$ 15,60 Saída de dados – custos variáveis Itens de custo variável ( 7 ) Combustível R$/km R$ 0,26 ( 8 ) Óleo R$/km R$ 0,01 ( 9 ) Pneu R$/km R$ 0,22 ( 10 ) Manutenção R$/km R$ 0,13 ( 11 ) Custo variável - CV (7) + (8) + (9) + (10) R$/km R$ 0,62 Feita a apuração dos custos fixos, agora, devemos segregar os custos variáveis. Para isso, iremos utilizar os dados disponíveis na tabela de entrada de dados. Observe a tabela abaixo. Temos todos os itens que foram calculados anteriormente detalhados um a um. Começamos pelo valor gasto com combustível, depois com óleo, pneu e, por último, com manutenção. No somatório encontramos o total de custos variáveis diretamente alocados na atividade de transporte, totalizando R$ 0,62 centavos por quilometro rodado (R$ 0,26 + R$ 0,01 + R$ 0,22 + R$ 0,13 = R$ 0,62). Custos variáveis R$/km R$ 0,62 Resumindo, temos a apuração dos custos fixos por hora e dos custos variáveis por quilometro rodado. Estes servem de indicadores ou parâmetros de controle para buscar comparar dados passados com os atuais, e, com isso, propor ações para melhorar os valores calculados, ao mesmo tempo em que a qualidade do transporte seja mantida e o tempo de entrega reduzido. Demonstrando os custos fixos e os custos variáveis apurados teremos: Custos fixos R$/hora R$ 15,60 Custos variáveis R$/km R$ 0,62 Os diversos tipos de cálculos logísticos que demonstramos ao longo desse material são de grande importância para uma maior qualidade na execução das atividades logística. Percebemos que na atividade de compra, podemos nos deparar com situações em que necessitaremos trazer materiais ou mercadorias de fora do país por meio de importação, nesse caso, os cálculos envolvidos precisam ser desenvolvidos e apropriados pelo profissional de gestão. O objetivo é decidir mais assertivamente no momento da compra. Quanto aos demais cálculos logísticos relacionados com medição (perímetro, área, volume, capacidade, peso, dimensão e tempo), você, com certeza, lembrou dos conhecimentos matemático sobre geometria que aprendeu na escola. Conforme apresentado neste material, estes saberes são importantes e muito utilizados no cotidiano das atividades de logística, sobretudo, com relação àqueles que envolvem cálculos para definir o melhor arranjo de estoque ou o melhor custo/benefício na atividade de transporte. Agora, cabe a você continuar aprimorando seus conhecimentos e habilidades técnicas nestes saberes, para conseguir efetuar estes cálculos logísticos com assertividade no seu cotidiano profissional. Dica: acesse no link o material com o resumo das fórmulas apresentadas para realização dos cálculos logísticos.