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DESCRIÇÃO
A importância da pesquisa de modelos qualitativo e quantitativo para a produção acadêmica. A pesquisa de campo e a análise de dados nas abordagens quantitativa e qualitativa.
PROPÓSITO
Compreender as características da pesquisa de abordagens qualitativa e quantitativa, bem como suas possíveis interfaces. Perceber que a análise de dados, proveniente da pesquisa de campo, pode tornar-se instrumento eficaz na pesquisa acadêmica, em ambas as abordagens.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Distinguir pesquisa quantitativa de pesquisa qualitativa a partir da relevância da pesquisa de campo para a produção acadêmica
MÓDULO 2
Reconhecer a importância da análise de dados para a pesquisa acadêmica no âmbito das análises quantitativa e qualitativa
INTRODUÇÃO
DEPOIMENTO (PROFESSORA MIRIAN GOLDENBERG)
Quando inicio um curso presencial de metodologia de pesquisa, noto no semblante de meus alunos uma profunda desconfiança. Costumo perguntar sobre suas experiências anteriores com a disciplina e, salvo raríssimas exceções, eles são unânimes em afirmar que a matéria foi muito desinteressante em suas experiências anteriores. Com essa recepção, não é fácil iniciar um curso de dezenas de horas, semanas ou meses. Ao final do curso, no entanto, sempre encontro alunos entusiasmados, empolgados com seus projetos, e não raro com manifestações de carinho e gratidão. Aqui quero compartilhar um pouco dessa experiência prazerosa em sala de aula e mostrar que a pesquisa científica não é algo de apenas alguns eleitos, podendo ser exercida em qualquer campo de estudo.
Metodologia científica é muito mais do que algumas regras de como fazer uma pesquisa; ela auxilia a refletir e propicia um “novo” olhar sobre o mundo: um olhar científico, curioso, indagador e criativo. Portanto, a pesquisa não se reduz a certos procedimentos metodológicos. A pesquisa científica exige criatividade, disciplina, empatia, flexibilidade, humildade, interesse genuíno, organização e sensibilidade, baseando‐se no confronto permanente entre o possível e o impossível, entre o conhecimento e o desconhecimento.
Nenhuma pesquisa é totalmente controlável, com início, meio e fim previsíveis. A pesquisa é um processo em que é impossível prever todas as etapas. O pesquisador está sempre em estado de tensão porque sabe que seu conhecimento é parcial e limitado — o “possível” para ele. Nesse mesmo sentido, não existe um único modelo de pesquisa. Neste tema veremos um dos caminhos possíveis: aquele que tenho buscado seguir nas últimas quatro décadas e com diferentes abordagens de acordo com o tema escolhido.
Todos os pesquisadores precisam estar abertos para um verdadeiro debate de ideias. É a discussão dos nossos achados que pode contribuir para o amadurecimento de nosso trabalho. A pesquisa científica exige um exercício permanente de crítica e autocrítica. Por isso, aceite o estudo desse tema como um prazeroso desafio: um exercício para aprender a pensar cientificamente, com clareza, criatividade, organização e, acima de tudo, sabor.
MÓDULO 1
Distinguir pesquisa quantitativa de pesquisa qualitativa a partir da relevância da pesquisa de campo para a produção acadêmica
CONSTRUINDO O PROBLEMA DA PESQUISA
Fazer uma pesquisa significa aprender a pôr ordem nas próprias ideias. Não importa tanto o tema escolhido, mas a experiência de trabalho de pesquisa. Trabalhando‐se bem, não existe tema que seja tolo ou pouco importante. A pesquisa deve ser entendida como uma ocasião singular para fazer alguns exercícios que servirão por toda a vida. O trabalho de pesquisa deve ser instigante, mesmo que o objeto não pareça ser tão interessante. O que o verdadeiro pesquisador busca é o jogo criativo de aprender como pensar e olhar cientificamente.
COMENTÁRIO
Aqui falamos em objeto da pesquisa e não objetivos. Em Metodologia Científica, o que chamamos objeto da pesquisa é exatamente aquilo que será pesquisado. Já os objetivos de uma pesquisa dependerão de muitos fatores, inclusive do tipo de objeto pesquisado.
Fonte: fizkes | Shutterstock
QUALQUER TEMA OU ASSUNTO DA ATUALIDADE PODE SER OBJETO DE UMA PESQUISA CIENTÍFICA.
É preciso ter estudado muito, possuir uma sólida bagagem teórica e muita experiência de pesquisa para enxergar o que outros não conseguem ver. O pesquisador experiente descobre assuntos que podem parecer banais e os transforma em pesquisas fecundas.
O desejo de reconhecimento não só leva o cientista a comunicar os seus resultados, mas também o influencia na escolha de temas e métodos que tornem seu trabalho mais aceitável por seus pares. Quanto maior a consciência de suas motivações, mais o pesquisador é capaz de evitar os desvios (ou bias) próprios daqueles que trabalham com a ilusão de serem orientados apenas por propósitos científicos.
Existe uma hierarquia de legitimidade dentro do campo científico traçada de acordo com os temas que dão prestígio, recursos para a pesquisa, cargos universitários, publicações em editoras prestigiadas etc. Assim, falar de “liberdade de escolha” nesse campo é desconsiderar as pressões (evidentes ou sutis) às quais o pesquisador permanentemente se submete. Tendo consciência de tais pressões, muitas dificuldades e contradições podem ser mais bem compreendidas na escolha de um assunto e na sua formulação como um projeto de pesquisa.
Nessa “arte” de fazer pesquisa, o jogador precisa ter alguns atributos para poder entrar no campo científico. Alguns podem ser vistos como internos, atributos pessoais que devem fazer parte do indivíduo que deseja ser um pesquisador:
Clareza
Concentração
Criatividade
Curiosidade
Delicadeza
Disciplina
Empatia
Equilíbrio
Flexibilidade
Humildade
Iniciativa
Interesse real
Objetividade
Organização
Paciência
Paixão
Respeito ao entrevistado
Saber escutar
Tranquilidade
Outras qualidades podem ser chamadas de externas, porque dependem da formação científica do pesquisador. São elas:
BOM DOMÍNIO DA TEORIA
DOMÍNIO DAS TÉCNICAS DE PESQUISA
ESCREVER BEM
EXPERIÊNCIA COM PESQUISA
RELACIONAR OS DADOS EMPÍRICOS COM A TEORIA
As principais etapas da pesquisa científica envolvem a concepção de um tema de estudo, a coleta de dados, a apresentação de um relatório com os resultados e, em alguns casos, a aplicação dos resultados. O passo inicial está ligado à formulação do problema e consequente definição do objeto da pesquisa.
O primeiro passo é tornar o problema concreto e explícito mediante:
autor/shutterstock
Imersão sistemática no assunto
autor/shutterstock
Estudo da literatura existente
autor/shutterstock
Discussão com pessoas que acumularam experiência prática no campo de estudo
A boa resposta depende da boa pergunta. O pesquisador deve estar consciente da importância da pergunta que faz e deve saber colocar as questões necessárias para o sucesso de sua pesquisa.
O pesquisador, ao escolher seu objeto de estudo, deve pensar em como:
PRIMEIRO PASSO
Identificar um tema preciso (recorte do objeto).
SEGUNDO PASSO
Escolher e organizar o tempo de trabalho.
TERCEIRO PASSO
Realizar a pesquisa bibliográfica (revisão da literatura).
QUARTO PASSO
Organizar e analisar o material selecionado.
Fonte:Shutterstock
QUINTO PASSO
Fazer com que o leitor compreenda o seu estudo e possa recorrer aos resultados caso queira dar continuidade à pesquisa.
Para tanto, o objeto de estudo deve responder aos interesses do pesquisador e ter as fontes de consulta acessíveis e de fácil manuseio. Quanto mais se recorta o tema, com mais segurança e criatividade se trabalha. O estudo científico deve ser claro, interessante e objetivo, tanto para as pessoas familiarizadas com o assunto quanto para as que não são. Muitos acadêmicos se perdem em parágrafos herméticos que não são compreendidos nem pelos seus pares. O pesquisador não precisa utilizar termos obscuros para se mostrar profundo. A profundidade e a seriedade do estudo podem ser mais bem percebidas se o pesquisador utilizar uma linguagem compreensível para o maior número de alunos e leitores.
A PESQUISA APRESENTA DIFERENTES FASES.
Veremos a seguir:
FASE EXPLORATÓRIA
A fase inicial, que pode serchamada de exploratória, lembra uma “paquera” de dois adolescentes. É o momento em que se tenta descobrir algo sobre o objeto de desejo, quem mais escreveu (ou se interessou) sobre ele, como poderia haver uma aproximação, qual a melhor abordagem (ou metodologia) dentre todas as possíveis para conquistar esse objeto.
FASE DE ELABORAÇÃO
Em seguida, vem a fase que equivale ao “namoro”, quando há maior compromisso e que exige um conhecimento mais profundo, uma dedicação quase exclusiva ao objeto de paixão. É a fase de elaboração do projeto de pesquisa, quando o estudioso mergulha profundamente no tema estudado.
FASE DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS
A terceira fase é o “casamento”, em que a pesquisa exige fidelidade, dedicação, atenção ao seu cotidiano, que é feito de altos e baixos. O pesquisador deve resolver os problemas que vão aparecendo, desde os mais simples (como se vestir para realizar as entrevistas) até os mais cruciais (como garantir a verba para a execução da pesquisa).
FASE DE DIAGNÓSTICO
Por último, a fase de “separação”, em que o pesquisador precisa se distanciar do seu objeto para escrever o relatório final da pesquisa. É o momento em que é necessário olhar o mais criticamente possível para o objeto estudado, quando é preciso fazer rupturas, sugerir novas pesquisas. É o momento de ver os defeitos e as qualidades do objeto amado.
METODOLOGIA
Quando se fala de metodologia, trata-se de um caminho possível para a pesquisa científica. O que determina a técnica escolhida é o problema que se quer trabalhar: só se escolhe o caminho quando se sabe aonde quer chegar.
A importância da pesquisa na vida acadêmica
PESQUISA QUANTITATIVA X PESQUISA QUALITATIVA
Durante muito tempo, as ciências se pautavam por um modelo quantitativo de pesquisa, em que a veracidade de um estudo era constatada pela quantidade de pesquisados. Muitos pesquisadores, no entanto, questionaram a representatividade e o caráter de objetividade com que a pesquisa quantitativa se revestia.
É PRECISO ACEITAR O FATO DE QUE, MESMO NAS PESQUISAS QUANTITATIVAS, A SUBJETIVIDADE DO PESQUISADOR ESTÁ PRESENTE.
Na escolha do tema, dos entrevistados, no roteiro de perguntas, na bibliografia consultada e na análise do material coletado, existe um autor, um sujeito que decide os passos a serem dados.
Na pesquisa qualitativa, a preocupação do pesquisador não é com a quantidade de indivíduos, mas com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, de uma instituição, de uma trajetória etc.
Fonte:ShutterstockFonte: Arthimedes | Shutterstock
Ao se pensar nas origens da pesquisa qualitativa em ciências sociais, corre‐se o risco de se perder em um caminho longo demais que, procurando as origens das origens, não chega jamais ao fim. Poderia chegar a Heródoto (495 a.C.-425 a.C.) que, descrevendo a guerra entre a Pérsia e a Grécia, dedicou-se a esboçar os costumes, as vestimentas, as armas, os barcos, os tabus alimentares e as cerimônias religiosas dos persas e povos circunvizinhos.
HERÓDOTO
Uma boa reflexão sobre a importância de Heródoto nesse contexto, bem como um ótimo exemplo de pesquisa podem ser encontrados no artigo O selvagem e a História: Heródoto e a questão do Outro, de Klaas Woortmann. Pesquise-o na plataforma SciELO.
Fonte: sianstock | Shutterstock
COMENTÁRIO
Não pretendendo fazer um caminho tão longo, mas, para situar a questão do uso de técnicas e métodos qualitativos de pesquisa nas ciências sociais dentro de uma discussão mais ampla, elucidaremos o debate entre a sociologia positivista e a sociologia compreensiva.
Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa em pesquisa se opõem ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para todas as ciências, baseado no modelo de estudo das ciências da natureza. Esses pesquisadores se recusam a legitimar seus conhecimentos por processos quantificáveis que venham a se transformar em leis e explicações gerais. Afirmam que as ciências sociais têm sua especificidade, o que pressupõe uma metodologia própria. Vamos conhecê-los?
COMTE
Os pesquisadores qualitativistas recusam o modelo positivista aplicado ao estudo da vida social. O fundador do positivismo, Augusto Comte (foto), defendia a unidade de todas as ciências e a aplicação da abordagem científica na realidade social humana. Com base em critérios de abstração, complexidade e relevância prática, Comte estabeleceu uma hierarquia das ciências, em que a Matemática ocupava o primeiro lugar e a Sociologia ou “física social”, o último, precedida, em ordem decrescente, por Astronomia, Física, Química e Biologia. Para Comte, cada ciência dependia do desenvolvimento da que a precedeu. Portanto, a Sociologia não poderia existir sem a Biologia, que não existiria sem a Química, e assim por diante.
Augusto Comte. Fonte: wikimedia.org
Segundo a perspectiva de que o objeto das ciências sociais deve ser estudado como o das ciências físicas, a pesquisa é uma atividade neutra e objetiva, que busca descobrir regularidades ou leis, em que o pesquisador não pode fazer julgamentos nem permitir que seus preconceitos e suas crenças contaminem a pesquisa.
DURKHEIM
Émile Durkheim. Fonte: wikimedia.org
Émile Durkheim (foto), como Comte, preocupado com a ordem na sociedade e com a primazia da sociedade sobre o indivíduo, também se posicionou a favor da unidade das ciências. Tomando “os fatos sociais como coisas”, Durkheim (1985) defendia que o social é real e externo ao indivíduo, ou seja, o fenômeno social, como o fenômeno físico, é independente da consciência humana e verificável pela experiência dos sentidos e da observação.
Durkheim acreditava que os fatos sociais só poderiam ser explicados por outros fatos sociais, e não por fatos psicológicos ou biológicos, como pretendiam alguns pensadores de seu tempo. Defendendo a visão da ciência social como neutra e objetiva, na qual sujeito e objeto do conhecimento estão radicalmente separados, Durkheim teve uma influência decisiva para que as ciências sociais adotassem o método científico das ciências naturais.
DILTHEY
Na segunda metade do século passado, alguns pensadores, influenciados pelo idealismo de Kant, reagiram criticamente ao modelo positivista de conhecimento aplicado às ciências sociais, acreditando que o estudo da realidade social por meio de métodos de outras ciências poderia destruir a própria essência dessa realidade, já que esquecia a dimensão de liberdade e individualidade do ser humano.
Fonte:ShutterstockWilhelm Dilthey. Fonte: wikimedia.org
A sociologia compreensiva, distinguindo “natureza” de “cultura”, mostrou que era necessário, para estudar os fenômenos sociais, um procedimento metodológico diferente daquele utilizado nas ciências físicas e matemáticas. O filósofo alemão Wilhelm Dilthey (foto) foi um dos primeiros a criticar o uso da metodologia das ciências naturais pelas ciências sociais, em função da diferença fundamental entre seus objetos de estudo. Nas primeiras, os cientistas lidam com objetos externos passíveis de serem conhecidos de forma objetiva, enquanto nas ciências sociais lidam com emoções, valores, subjetividades. Essa diferença se traduz em diferenças nos objetivos e nos métodos de pesquisa.
Para Dilthey, os fatos sociais não são suscetíveis de quantificação, já que cada um deles tem um sentido próprio, diferente dos demais, e isso torna necessário que cada caso concreto seja compreendido em sua singularidade. Portanto, as ciências sociais devem se preocupar com a compreensão de casos particulares e não com a formulação de leis generalizantes, como fazem as ciências naturais.
WEBER
Fonte:ShutterstockMax Weber. Fonte: wikimedia.org
O maior representante da chamada sociologia compreensiva é Max Weber (foto). Para ele, o principal interesse da ciência social era o comportamento significativo dos indivíduos engajados na ação social, ou seja, o comportamento ao qual os indivíduos agregam significado considerando o comportamento de outros indivíduos.
Os cientistas sociais, que pesquisam os significados das ações sociais de outros indivíduos e deles próprios,são sujeito e objeto de suas pesquisas. Nessa perspectiva – que se opõe à visão positivista de objetividade e de separação radical entre sujeito e objeto da pesquisa – é natural que cientistas sociais se interessem por pesquisar aquilo que valorizam. Esses cientistas buscam compreender os valores, as crenças, as motivações e os sentimentos humanos, compreensão que só pode ocorrer se a ação for colocada dentro de um contexto de significado.
FUNDADOR DO POSITIVISMO
A origem do positivismo é atribuída ao francês Augusto Comte (1798-1857), autor dos famosos Sistema de Filosofia Positiva (1830-1842) e Catecismo Positivista (1852), além de outras publicações. A relação que se estabelece entre a filosofia do francês Comte – chamada de filosofia positiva ou positivismo – e as várias correntes denominadas de "positivismo" baseia-se em diversas possibilidades: a primeira, claro, é a identidade de nome em diversas situações; em seguida, alguns vínculos históricos (teóricos e políticos) entre eles; por fim, mera extensão ou ampliação de sentido (LACERDA, 2009).
ÉMILE DURKHEIM
David Émile Durkheim (1858-1917) foi um sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo francês. Formalmente, tornou a Sociologia uma ciência e, com Karl Marx (1818-1883) e Max Weber (1864-1920), é comumente citado como o principal arquiteto da ciência social moderna e pai da Sociologia.
WILHELM DILTHEY
Wilhelm Christian Ludwig Dilthey (1833‐1911) foi um filósofo hermenêutico, psicólogo, historiador, sociólogo e pedagogo alemão. Dilthey lecionou Filosofia na Universidade de Berlim.
MAX WEBER
Maximilian Karl Emil Weber (1864‐1920) foi um intelectual, jurista e economista alemão considerado um dos fundadores da Sociologia. Seu irmão foi o também famoso sociólogo e economista Alfred Weber.
PESQUISA DE CAMPO
A discussão apresentada anteriormente, que diferencia as ciências sociais das demais ciências físicas, contextualiza o surgimento e o desenvolvimento das técnicas e dos métodos qualitativos de pesquisa social.
LE PLAY
Frédéric Le Play (foto), contemporâneo de Comte, foi um dos primeiros a estudar a realidade social dentro de uma perspectiva científica que considerava a observação direta, controlável e objetiva da sociedade como o método mais adequado à pesquisa social. Em La Réforme Sociale en France (1864), Le Play expõe o método das monografias, que se caracteriza por ser uma técnica, ordenada e metódica, de observação direta da sociedade.
Frédéric Le Play. Fonte: wikimedia.org
Trouxe de sua experiência de mineralogista, na qual estava habituado a colher amostras de jazidas para serem analisadas, a preocupação de observar diretamente e analisar sistematicamente as famílias operárias localizadas nos diferentes países da Europa onde pesquisou. De seus registros minuciosos e ordenados, resultou um conjunto de monografias reunidas em Les ouvriers européens (1855).
MORGAN, BOAS E MALINOWSKI
No final do século XIX e início do século XX, os estudos dos antropólogos nas sociedades chamadas então de “primitivas” foram determinantes para o desenvolvimento das técnicas de pesquisa que permitem recolher diretamente observações e informações sobre a cultura nativa. As sociedades estudadas diretamente por esses antropólogos eram sociedades sem escrita, longínquas, isoladas, de pequenas dimensões, com reduzida especialização das atividades sociais, tendo sido classificadas como “simples” ou “primitivas” em contraste com a organização “complexa” das sociedades dos pesquisadores.
Fonte:ShutterstockLewis Henry Morgan. Fonte: wikimedia.org
O primeiro antropólogo a conviver com os nativos foi o americano Lewis Henry Morgan (foto), um dos mais expressivos representantes do pensamento evolucionista. Jurista de formação, em 1851 publicou The League of Hodénosaunee, or Iroquois, considerado o primeiro tratado científico de etnografia.
Fonte:ShutterstockFranz Boas. Fonte: wikimedia.org
Fonte:ShutterstockBronislaw Malinowski. Fonte: wikimedia.org
Mas foram os trabalhos de campo de Franz Boas e Bronislaw Malinowski (respectivamente retratados acima), entre 1883 e 1902, e, particularmente, a expedição às ilhas Trobriand, que consagraram a ideia de que os antropólogos deveriam passar um longo período na sociedade que estão estudando para encontrar e interpretar seus próprios dados, em vez de depender dos relatos dos viajantes, como faziam os chamados “antropólogos de gabinete”.
Nos primeiros trinta anos do século XX, o trabalho de campo passou a orientar as pesquisas antropológicas. Boas, um geógrafo de formação, crítico radical dos antropólogos evolucionistas, ensinou que no campo tudo deveria ser anotado meticulosamente e que um costume só tem significado se estiver relacionado ao seu contexto particular. Ensinou também o “relativismo cultural”: o pesquisador deveria estudar as culturas com um mínimo de preconceitos etnocêntricos.
Para Boas, o que constitui o “gênio próprio” de um povo repousa sobre as experiências individuais e, portanto, o objetivo do pesquisador é compreender a vida do indivíduo dentro da própria sociedade em que vive.
A primeira experiência de campo de Malinowski foi em 1914, entre os mailu, na Melanésia. Impedido de voltar à Inglaterra no início da Primeira Guerra Mundial, ele começou sua pesquisa nas ilhas Trobriand, de 1915 a 1916, retornando em 1917 para viver com os nativos por mais um ano. Essa longa convivência com os nativos teve uma influência decisiva na inovação do método de pesquisa antropológica.
Malinowski demonstrou que o comportamento nativo não é irracional, mas se explica por uma lógica própria que precisa ser descoberta pelo pesquisador. Colocou em prática a observação participante, criando um modelo do que deve ser o trabalho de campo: o pesquisador, por meio de uma estada de longa duração, deve mergulhar profundamente na cultura nativa, impregnando‐se da mentalidade nativa. Deve viver, falar, pensar e sentir como os nativos.
Grande parte da renovação das ciências sociais se deve às influências (diretas ou indiretas) dos métodos de pesquisa de Malinowski. Argonauts of the Western Pacific provocou uma verdadeira ruptura metodológica na Antropologia, priorizando a observação direta e a experiência pessoal do pesquisador no campo.
FRÉDÉRIC LE PLAY
Frédéric Le Play (1806-1882) teve uma grande influência no desenvolvimento da sociologia aplicada devido às metodologias que propôs para estudar determinados fenômenos sociais; considerava a família e o orçamento familiar fundamentais para estudar as condições sociais da sociedade em que se encontravam.
LEWIS HENRY MORGAN
Lewis Henry Morgan (1818-1881) foi um antropólogo, etnólogo e escritor norte-americano. Considerado um dos fundadores da antropologia moderna, fez pesquisa de campo entre os iroqueses, de onde retirou material para sua reflexão sobre cultura e sociedade.
FRANZ BOAS
Franz Uri Boas (1858-1942) foi um antropólogo teuto-americano e um dos pioneiros da antropologia moderna que tem sido chamado de "Pai da Antropologia Americana". Estudando na Alemanha, Boas foi premiado com um doutorado em Física em 1881, enquanto estudava Geografia.
BRONISLAW MALINOWSKI
Bronislaw Kasper Malinowski (1884-1942) foi um antropólogo polonês. É considerado um dos fundadores da Antropologia social. Atuando na London School of Economics, fundou a Escola Funcionalista. Suas grandes influências incluíam James Frazer e Ernst Mach.
Malinowski, considerado o pai do funcionalismo, acreditava que cada cultura tivesse como função a satisfação das necessidades básicas dos indivíduos que a compõem, criando instituições capazes de responder a essas necessidades. A análise funcional consiste em verificar todo fato social do ponto de vista das relações de interdependência que ele mantém, sincronicamente, com outros fatos sociais no interior de uma totalidade.
INOVAÇÃO DO MÉTODO DE PESQUISA ANTROPOLÓGICA
Argonauts of the Western Pacific, publicado em 1922, é um verdadeiro tratado sobre o trabalho de campo. A convivência íntima com os nativos passou a ser considerada o melhor instrumentode que o antropólogo dispõe para compreender “de dentro” o significado das lógicas particulares características de cada cultura.
 SAIBA MAIS
Boas foi o grande mestre da antropologia americana na primeira metade do século XX. Formou toda uma geração de antropólogos importantes no campo, como Ralph Linton, Ruth Benedict e Margaret Mead, considerados representantes da antropologia cultural americana, que utiliza métodos e técnicas de pesquisa qualitativa somados a modelos conceituais próximos da Psicologia e da Psicanálise.
RALPH LINTON
Ralph Linton (1893-1953) foi um respeitado antropólogo americano de meados do século XX, particularmente lembrado por seus textos O Estudo do Homem e A Árvore da Cultura. Uma das principais contribuições de Linton para a Antropologia foi definir uma distinção entre status e papel.
RUTH BENEDICT
Ruth Benedict (1887-1948) foi uma antropóloga americana, iniciou sua graduação na Universidade de Columbia em 1919. Lá, entrou em contato com Franz Boas e se tornou PhD. Em 1923, tornou-se membro da mesma universidade. São de autoria de Boas muitos trabalhos clássicos, inclusive Raça, Linguagem e Cultura – provavelmente o mais veemente texto antirracista a surgir do mundo acadêmico em sua época.
MARGARET MEAD
Margaret Mead (1901-1978) foi uma antropóloga cultural norte-americana. Nasceu na Pensilvânia, criada na localidade de Doylestown por um pai professor universitário e uma mãe ativista social. Graduou-se no Barnard College em 1923 e fez doutorado na Universidade de Columbia em 1929.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
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1. SOBRE O CONCEITO DE PESQUISA ESTUDADO NESTE TEMA, É CORRETO AFIRMAR, EXCETO:
A pesquisa não é uma ação isolada, mas uma oportunidade de fazer exercícios que servirão por toda a vida.
O autêntico pesquisador compreende a pesquisa como um jogo que lhe proporciona a criatividade e o desenvolvimento do olhar científico.
Ainda que o objeto não seja ou não pareça interessante, é preciso que o trabalho do pesquisador seja instigante.
Não é qualquer tema ou assunto da atualidade que pode ser objeto de uma pesquisa científica.
Mesmo temas do cotidiano e banais, dependendo da experiência do pesquisador, podem se tornar grandes e profundas pesquisas.
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2. PARA ESTE PENSADOR, OS FATOS SOCIAIS SOMENTE PODEM SER EXPLICADOS POR OUTROS FATOS SOCIAIS E NÃO POR EXPLICAÇÕES PSICOLÓGICAS OU BIOLÓGICAS, DIFERENCIANDO-SE DE MUITOS OUTROS PENSADORES DE SUA ÉPOCA. A ADOÇÃO DO MÉTODO CIENTÍFICO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS TEM, COM CERTEZA, A SUA INFLUÊNCIA DIRETA E DETERMINANTE. ESSE PENSADOR É:
Durkheim
Comte
Malinowski
Dilthey
Weber
Parte inferior do formulário
GABARITO
1. Sobre o conceito de pesquisa estudado neste tema, é correto afirmar, exceto:
A alternativa "D " está correta.
Qualquer tema ou assunto da atualidade pode ser objeto de uma pesquisa científica. A pesquisa não é uma ação isolada, mas uma oportunidade de fazer exercícios que servirão por toda a vida. O autêntico pesquisador compreende a pesquisa como um jogo que lhe proporciona criatividade e o desenvolvimento do olhar científico. Ainda que o objeto não seja ou não pareça interessante, é preciso que o trabalho do pesquisador seja instigante. Mesmo temas do cotidiano e banais, dependendo da experiência do pesquisador, podem se tornar grandes e profundas pesquisas.
2. Para este pensador, os fatos sociais somente podem ser explicados por outros fatos sociais e não por explicações psicológicas ou biológicas, diferenciando-se de muitos outros pensadores de sua época. A adoção do método científico nas ciências sociais tem, com certeza, a sua influência direta e determinante. Esse pensador é:
A alternativa "A " está correta.
É fato social toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda a maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independentemente de suas manifestações individuais. O fato social é tudo o que se produz na e pela sociedade, ou ainda, aquilo que interessa e afeta o grupo de alguma forma (DURKHEIM, 1985).
MÓDULO 2
Reconhecer a importância da análise de dados para a pesquisa acadêmica no âmbito das análises quantitativa e qualitativa
ANÁLISE DOS DADOS: DA FASE DA COLETA À INTERPRETAÇÃO
Agora vamos nos aprofundar um pouco mais na pesquisa de campo e como ela acontece. Isso possibilitará que você encontre a melhor metodologia para realizá-la quando estiver elaborando seu próprio projeto de pesquisa ou mesmo já buscando os dados de seu objeto. Para isso, continuaremos aproveitando a experiência antropológica citada.
Malinowski sugeriu três questões para o trabalho de campo:
Por meio do contato íntimo com a vida nativa, exaustivamente registrado no diário de campo, Malinowski buscou as respostas dessas questões preocupando‐se em compreender o ponto de vista nativo.
Para Malinowski, a Antropologia era o estudo segundo o qual, compreendendo o “primitivo”, poderíamos chegar a compreender melhor a nós mesmos. A rica experiência de campo de Malinowski, assim como suas propostas metodológicas, influenciaram decisivamente a aplicação de técnicas e métodos de pesquisa qualitativa em ciências sociais.
Fonte:ShutterstockMalinowski em pesquisa de campo com nativos das Ilhas Trobriand. | Fonte: scihi.org
Na década de 1970, surge nos EUA, inspirada na ideia weberiana de que a observação dos fatos sociais deve levar à compreensão (e não a um conjunto de leis), a antropologia interpretativa. Um dos principais representantes da abordagem interpretativa é Clifford Geertz, que propõe um modelo de análise cultural hermenêutico: o antropólogo deve fazer uma descrição em profundidade (descrição densa) das culturas como “textos” vividos, como “teias de significados” que devem ser interpretados.
De acordo com Geertz (1978), os “textos” antropológicos são interpretações sobre as interpretações nativas, já que os nativos produzem interpretações de sua própria experiência. Essa perspectiva se traduz em um permanente questionamento do antropólogo a respeito dos limites de sua capacidade de conhecer o grupo que estuda, e na necessidade de expor, em seu texto, suas dúvidas, perplexidades e os caminhos que levaram à sua interpretação, percebida sempre como parcial e provisória.
CLIFFORD GEERTZ
Clifford James Geertz (1926-2006) foi um antropólogo estadunidense, professor emérito da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Seu trabalho no Institute for Advanced Study de Princeton se destacou pela análise da prática simbólica no fato antropológico.
Geertz inspirou a tendência atual da chamada antropologia reflexiva (ou pós‐interpretativa), que propõe uma autorreflexão a respeito do trabalho de campo nos seus aspectos morais e epistemológicos. Essa antropologia questiona a autoridade do texto antropológico e propõe que o resultado da pesquisa não seja fruto da observação pura e simples, mas de um diálogo e de uma negociação de pontos de vista entre pesquisador e pesquisados.
Fonte:ShutterstockClifford Geertz. Fonte: wikimedia.org
Partindo do princípio de que o ato de compreender está ligado ao universo existencial humano, as abordagens qualitativas não se preocupam em fixar leis para se produzir generalizações. Os dados da pesquisa qualitativa objetivam uma compreensão profunda de certos fenômenos sociais apoiados no pressuposto da maior relevância do aspecto subjetivo da ação social. Contrapõem‐se, assim, à incapacidade da estatística de dar conta dos fenômenos complexos e da singularidade dos fenômenos que não podem ser identificados por meio de questionários padronizados.
ATENÇÃO
Enquanto os métodos quantitativos supõem uma população de objetos comparáveis, os métodos qualitativos enfatizam as particularidades de um fenômeno em termos de seu significado para o grupo pesquisado. É como um mergulho em profundidade dentro de um grupo “bom para pensar” questões relevantes para o tema estudado.
Fonet: GrAl | ShutterstockO reconhecimento da especificidade das ciências sociais conduz à elaboração de um método que permita o tratamento da subjetividade e da singularidade dos fenômenos sociais. Com esses pressupostos básicos, a representatividade dos dados na pesquisa qualitativa em ciências sociais está relacionada à sua capacidade de possibilitar a compreensão do significado e a “descrição densa” dos fenômenos estudados em seus contextos e não à sua expressividade numérica.
A quantidade é, então, substituída pela intensidade, pela imersão profunda — através da observação participante por um longo período, das entrevistas em profundidade, da análise de diferentes fontes que possam ser cruzadas — que atinge níveis de compreensão que não podem ser alcançados por meio de uma pesquisa quantitativa.
O pesquisador qualitativo buscará casos exemplares que possam ser reveladores da cultura em que estão inseridos. O número de pessoas é menos importante do que a insistência em enxergar a questão sob várias perspectivas. Observar aspectos diferentes, sob enfoques diversos, pode não só contribuir para reduzir o bias da pesquisa, como também propiciar uma compreensão mais profunda do problema estudado.
Fonte: IR Stone | Shutterstock
Grande parte dos problemas metodológicos da pesquisa qualitativa é decorrente da tentativa de se ter como referência o modelo positivista das ciências naturais, não se levando em conta a especificidade dos objetos de estudo das ciências sociais. Os dados qualitativos consistem em descrições detalhadas de situações, com o objetivo de compreender os indivíduos em seus próprios termos. Esses dados não são padronizáveis como os dados quantitativos, obrigando o pesquisador a ter flexibilidade e criatividade no momento de coletá‐los e analisá‐los.
Duas pesquisadoras destacam-se nesse cenário:
RUTH CARDOSO
Fonte:ShutterstockRuth Cardoso. Fonte: wikimedia.org
Ruth Cardoso (1986) apontou para a falta de uma crítica teórico‐metodológica consistente no campo das ciências sociais e para algumas das armadilhas e limitações das pesquisas qualitativas. A autora descreve um “indisfarçado pragmatismo”, que dominou as ciências sociais contemporâneas e desqualificou o debate sobre os compromissos teóricos que cada método exige.
EUNICE DURHAM
Fonte:ShutterstockEunice Durham. Fonte: wikimedia.org
Eunice Durham (1986) concorda com essa crítica e mostra a preocupação dos pesquisadores em descobrirem uma aplicação imediata e direta dos resultados de sua pesquisa que beneficie a população estudada. Sem deixar de ver como necessária a identificação do pesquisador com seu objeto, porque sem ela é impossível a compreensão “de dentro”, Durham adverte para o risco de se explicar a sociedade por meio das categorias “nativas”, sem uma análise científica sobre elas e sem uma reflexão teórica e metodológica sobre a postura do cientista social.
RUTH CARDOSO
Na área da Antropologia, Ruth Cardoso (1930-2008) recebeu alguns títulos acadêmicos pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Em 1952, formou-se em bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais, continuando, em 1959, o mestrado em Sociologia e, em 1972, concluindo o doutorado em Ciências Sociais. Em 1988, obteve pós-doutorado pela Columbia University e New York University, em Nova York, nos Estados Unidos.
EUNICE DURHAM
Graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1954), instituição onde também cursou o mestrado em Ciência Social (Antropologia Social) em 1964 e o doutorado em Ciência Social (Antropologia Social) em 1967.
Aaron Cicourel e Mariza Peirano apresentam dois importantes alertas:
AARON CICOUREL
Aaron Victor Cicourel, professor emérito de Sociologia da Universidade da Califórnia, San Diego, é especializado em Sociolinguística, comunicação médica, tomada de decisão e socialização infantil. No início de sua carreira, ele foi intelectualmente influenciado por Alfred Schütz (1899-1959), Erving Goffman (1922-1982) e Harold Garfinkel (1917-2011).
MARIZA PEIRANO
Formou-se em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1970. Em 1975, concluiu o mestrado em Antropologia Social na Universidade de Brasília, realizando um estudo em uma comunidade na costa do Ceará. Em 1980, Mariza Peirano concluiu o doutorado em Antropologia na Universidade de Harvard. Sua tese de doutorado, The anthropology of Anthropology: the brazilian case, foi orientada por David Maybury-Lewis (1929-2007).
Fonte: sociology.ucsd.edu
Cicourel (1980) já havia advertido para o perigo de o pesquisador ficar tão envolvido com o grupo estudado que poderia se tornar um “nativo”, sem compreender as consequências desta “conversão” para os objetivos da pesquisa, como, por exemplo, “tornar‐se cego para muitas questões importantes cientificamente”. Cicourel aponta para as faltas de regras processuais claras que definam o papel do pesquisador no campo desde o momento de sua inserção.
Fonte: wikimedia.org
Mariza Peirano (1995), em A favor da etnografia, afirma que não se pode ensinar a fazer pesquisa de campo como se ensinam os métodos estatísticos, as técnicas de surveys (tipo de investigação quantitativa, baseada principalmente na coleta de dados), a aplicação de questionário. A pesquisa qualitativa depende da biografia do pesquisador, das opções teóricas, do contexto mais amplo e das imprevisíveis situações que ocorrem no dia a dia da pesquisa.
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Um dos principais problemas a ser enfrentado na pesquisa qualitativa diz respeito à possível contaminação dos seus resultados em função da personalidade do pesquisador e de seus valores. O pesquisador interfere nas respostas do grupo ou do indivíduo que pesquisa. A melhor maneira de controlar essa interferência é ter a consciência de como sua presença afeta o grupo e até que ponto esse fato pode ser minimizado ou, inclusive, analisado como dado da pesquisa.
Maria Isaura Pereira de Queiroz (1983) enfatiza que a omissão de fatos, de ocorrências, de detalhes pode ser tão significativa quanto a sua inclusão nos depoimentos. Para a autora, o importante não é verificar se o entrevistado conhece ou não o fato, mas sim buscar saber por que razão ele o havia esquecido, ou o havia ocultado, ou simplesmente dele não tivera registro.
Fonte:ShutterstockMaria Isaura Pereira de Queiroz
MARIA ISAURA PEREIRA DE QUEIROZ
Maria Isaura Pereira de Queiroz (1918-2018) foi uma socióloga brasileira e escritora premiada com o Prêmio Jabuti de 1967. Reconhecida nacional e internacionalmente por seus trabalhos com Ciências Sociais, foi professora da Universidade de São Paulo.
RESUMINDO
O pesquisador deve estabelecer um difícil equilíbrio para não ir além do que pode perguntar, mas, também, não ficar aquém do possível. Além disso, a memória é seletiva, a lembrança diz respeito ao passado, mas se atualiza sempre a partir de um ponto do presente.
As lembranças não são falsas ou verdadeiras, simplesmente contam o passado através dos olhos de quem o vivenciou. Um trabalho de negociação e compromisso, como afirma Michael Pollak (1896), que consiste em interpretar, ordenar ou rechaçar (temporária ou definitivamente) toda experiência vivida de maneira a torná‐la coerente com uma identidade construída.
Fonte:ShutterstockMichael Pollak. Fonte: wikimedia.org
MICHAEL POLLAK
Michael Pollak (1948-1992) estudou Sociologia na Universidade de Linz e escreveu uma tese sob a orientação de Pierre Bourdieu (1930-2002). Em 1982, trabalhou nas condições de vida em campos de concentração e conduziu entrevistas com sobreviventes. Ele também estudava o estilo de vida dos homossexuais. Em 1985, lançou a primeira pesquisa sobre AIDS na França. No final da década de 1980, desenvolveu estudos sobre a história das tecnologias de pesquisa em colaboração com Alain Desrosières (1940-2013), com foco nas pesquisas realizadas por Max Weber na Prússia Oriental.
Fonte:ShutterstockPaul Thompson. Fonte: wikimedia.org
Existem algumas qualidades essenciais que o pesquisador deve possuir para ter sucesso em suas entrevistas: interesse real e respeito pelosseus pesquisados, flexibilidade e criatividade para explorar novos problemas em sua pesquisa, capacidade de demonstrar compreensão e simpatia por eles, sensibilidade para saber o momento de encerrar uma entrevista ou “sair de cena” e, como lembra Paul Thompson (1992), principalmente, disposição para ficar calado e ouvir.
PAUL THOMPSON
Paul Thompson é professor aposentado de Sociologia da Universidade de Essex; é um dos pioneiros da história oral na Grã-Bretanha e atualmente uma das autoridades mundiais na reflexão e na utilização desse método para o registro histórico. Dirige a National Life Story Collection, da Biblioteca Nacional de Londres.
ATENÇÃO
Thompson, ao analisar a situação de entrevista, afirma que quem não consegue parar de falar nem resistir à tentação de discordar do informante e de impor suas próprias ideias, obterá informações inúteis ou enganosas.
Howard Becker admite que, no lugar de procedimentos uniformes, prefere um modelo artesanal de ciência, no qual cada pesquisador produz as teorias e técnicas necessárias para o trabalho que está sendo feito.
HOWARD BECKER
Howard Saul Becker é um sociólogo norte-americano que fez grandes contribuições à sociologia do desvio, sociologia da arte e sociologia da música. Becker também escreveu extensivamente sobre estilos e metodologias de escrita sociológica. O livro de Becker, Outsiders, de 1963, forneceu as bases para a teoria da rotulagem.
Becker (1997) alerta que a escolha das teorias que orientam a pesquisa também está contaminada pelas preferências e dificuldades do pesquisador, já que uma organização ou um grupo pode ser visto de muitas maneiras diferentes, nenhuma delas certa ou errada, visto que são alternativas possíveis e talvez complementares. Não é possível formular regras precisas sobre as técnicas de pesquisa qualitativa porque cada entrevista ou observação é única: depende do tema, do pesquisador e de seus pesquisados.
Howard Becker. Fonte: wikimedia.org
A delimitação do objeto de estudo deve ser claramente explicitada pelo pesquisador para que outros pesquisadores analisem as conclusões obtidas. A escolha do objeto está relacionada a um problema central deste tipo de abordagem: a questão da representatividade do caso escolhido.
Ao contrário das pesquisas quantitativas, em que a representatividade se estabelece através de procedimentos claros, não existem regras precisas para a escolha de um caso a ser estudado de maneira aprofundada pelo cientista social. A exemplaridade de um indivíduo ou grupo e a possibilidade de explorar um problema em profundidade em uma instituição ou família são alguns dos motivos que levam à escolha do objeto de estudo. Essa escolha depende, fortemente, da sensibilidade e experiência do pesquisador e não apenas de características objetivas do grupo estudado.
O pesquisador deve:
Apresentar claramente as características do indivíduo, da organização ou do grupo que foram determinantes para sua escolha, de tal forma que o leitor possa tirar suas próprias conclusões sobre os resultados e a sua possível aplicação em outros grupos ou indivíduos em situações similares.
Explicitar as dificuldades e os limites da pesquisa, as pessoas que o ajudaram em sua entrada no campo (que são determinantes para a construção da identidade do pesquisador pelo grupo estudado), as pessoas que se recusaram a dar entrevistas, as perguntas que não foram respondidas pelos pesquisados, as contradições apresentadas, a (in)consistência das respostas, possibilitando uma visão ampla do estudo e não apenas dos aspectos que “deram certo”.
O fato de ter uma convivência profunda com o grupo estudado pode contribuir para que o pesquisador “naturalize” certas práticas e alguns comportamentos que deveria “estranhar” para compreender. Malinowski chama a atenção para a “explosão de significados” no momento de entrada no campo, em que cada fato observado na cultura nativa é significativo para o pesquisador. O olhar que “estranha”, em um primeiro momento, passa a “naturalizar” em seguida e torna‐se “cego” para dados valiosos.
É comum que pesquisadores se vejam em situações delicadas com o indivíduo ou grupo pesquisado que extrapolam os limites da pesquisa, como pedido de dinheiro ou de favores, convites inapropriados, telefonemas após o término da pesquisa etc. Todos esses problemas, decorrentes do envolvimento intenso com o objeto de estudo, precisam ser administrados pelo pesquisador para que sua pesquisa não fique comprometida.
QUANTO MAIS INTENSA A RELAÇÃO, MAIOR A NECESSIDADE DE UM “DISTANCIAMENTO” DO PESQUISADOR, QUE TORNE POSSÍVEL A SUA REFLEXÃO SOBRE CADA DIFICULDADE QUE, COM CERTEZA, TERÁ DE ENFRENTAR.
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RESUMINDO
A questão do relacionamento entre pesquisador e objeto, da possível dependência ou disputa de poder, é um dos maiores problemas que devem ser enfrentados. O pesquisador necessita ter bom senso e criatividade para encaminhar as soluções para cada situação. A experiência e a maturidade do pesquisador são fatores determinantes para que a pesquisa seja bem‐sucedida.
INTEGRAÇÃO DOS DADOS DA ANÁLISE QUANTITATIVA E QUALITATIVA
Muitos pesquisadores que utilizam métodos de pesquisa qualitativos consideram que os surveys apenas servem para dar legitimidade ao senso comum, visto que não contribuem para a compreensão dos fenômenos sociais. Para esses cientistas sociais, os métodos quantitativos simplificam a vida social limitando‐a aos fenômenos que podem ser enumerados. Afirmam que as abordagens quantitativas sacrificam a compreensão do significado em troca do rigor matemático.
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Max Weber acreditava que se podia tirar proveito da quantificação na Sociologia, desde que esse método se mostrasse fértil para a compreensão de determinado problema e não obscurecesse a singularidade dos fenômenos que não poderia ser captada por meio da generalização. Como nenhum pesquisador tem condições para produzir um conhecimento completo da realidade, diferentes abordagens de pesquisa podem projetar luz sobre distintas questões. É o conjunto de diversos pontos de vista e de maneiras de coletar e analisar os dados (qualitativa e quantitativamente) que permite uma ideia mais ampla e inteligível da complexidade de um problema.
A integração da pesquisa quantitativa e qualitativa permite que o pesquisador faça um cruzamento de suas conclusões de modo a ter maior confiança de que seus dados não são produto de um procedimento específico ou de alguma situação particular. Ele não se limita ao que pode ser coletado em uma entrevista: pode entrevistar repetidamente, pode aplicar questionários, pode investigar diversas questões em diferentes ocasiões, pode utilizar fontes documentais e dados estatísticos.
A MAIOR PARTE DOS PESQUISADORES EM CIÊNCIAS SOCIAIS ADMITE QUE NÃO HÁ UMA ÚNICA TÉCNICA, UM ÚNICO MEIO VÁLIDO DE COLETAR OS DADOS EM TODAS AS PESQUISAS.
Há uma interdependência entre os aspectos quantificáveis e a vivência da realidade objetiva no cotidiano. A escolha de trabalhar com dados estatísticos ou com um único grupo ou indivíduo, ou com ambos, depende das questões levantadas e dos problemas que se quer resolver.
É o processo da pesquisa que determina as técnicas e os procedimentos necessários para as respostas que se quer alcançar. Cada pesquisador deve estabelecer os procedimentos de coleta de dados que sejam mais adequados para o seu objeto particular. O importante é ser criativo e flexível para explorar todos os possíveis caminhos e não reificar a ideia positivista de que os dados qualitativos comprometem a objetividade, a neutralidade e o rigor científico.
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A combinação de metodologias diversas no estudo do mesmo fenômeno tem por objetivo abranger a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do objeto de estudo. Parte de princípios que sustentam que é impossível conceber a existência isolada de um fenômeno social. Enquanto os métodos quantitativos pressupõem uma população de objetos de estudocomparáveis, que fornecerá dados que podem ser generalizáveis, os métodos qualitativos poderão observar, diretamente, como cada indivíduo, grupo ou instituição experimenta, concretamente, a realidade pesquisada.
A pesquisa qualitativa é útil para identificar os conceitos e as variáveis relevantes de situações que podem ser estudadas quantitativamente. É inegável a riqueza que pode ser explorada nos casos desviantes da “média” que ficam obscurecidos nos relatórios estatísticos. Também é evidente o valor da pesquisa qualitativa para estudar questões difíceis de quantificar, como os sentimentos, as motivações, as crenças e as atitudes individuais.
COMENTÁRIO
A premissa básica da integração repousa na ideia de que os limites de um método poderão ser contrabalançados pelo alcance de outro. Os métodos qualitativos e quantitativos, nessa perspectiva, deixam de ser percebidos como opostos para serem vistos como complementares.
Um exemplo de integração de observação participante e survey é o estudo de Neuma Aguiar no Cariri, uma região no sul do Ceará, sobre os modos de organização social da produção e na transformação de três tipos de matéria‐prima.
NEUMA AGUIAR
Neuma Figueiredo de Aguiar possui graduação em História pela PUC-Rio (1960), mestrado em Sociologia e Antropologia pela Boston University (1962), doutorado em Sociologia pela Washington University (1969) e doutorado em Ciências pela University of Wisconsin-Madison (2003). Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em gênero e sociedade, atuando principalmente nos seguintes temas: gênero e patriarcado, movimentos de mulheres, estratificação e mobilidade social, sociologia internacional comparada e sociologia dos usos do tempo.
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A pesquisadora procurou observar as atividades envolvidas na produção do milho, do barro e da mandioca, assim como as representações elaboradas pelos próprios trabalhadores. Aguiar (1978) afirma que os dados da observação participante são profundos na medida em que atingem níveis de compreensão dos fatos sociais não alcançados pelos surveys. Por outro lado, os dados dos surveys atingem um nível de mensuração que a observação participante não pode atingir. A autora propõe que um modo de superar a dificuldade de generalização dos dados qualitativos e a dificuldade de interpretação das correlações alcançadas pelos surveys seja tentar integrar os dois métodos.
Para aumentar a variabilidade dos dados a fim de situar o fenômeno estudado em um contexto mais abrangente, Aguiar propõe que as categorias relevantes, selecionadas por meio do processo de observação participante, sejam empregadas de modo amplo e sistemático com a utilização do questionário. Durante seis meses, a autora estudou, através da observação participante, duas indústrias de produtos cerâmicos e duas indústrias de farinha de milho. Também recolheu, por intermédio de entrevistas e documentos, dados sobre uma fábrica de fécula de mandioca que havia fechado. Foram aplicados, depois disso, 250 questionários.
ATENÇÃO
A autora afirma que a generalização não é o único objetivo de sua pesquisa, e que a observação participante foi de fundamental importância para explorar o tema e levantar as hipóteses, para questionar as categorias de seu vocabulário (que não foram compreendidas pelos trabalhadores), para especificar os conceitos e as perguntas de seus questionários. Aguiar demonstra que a combinação do survey com a observação participante possibilitou ir além das generalizações sobre o processo de industrialização na região, e permitiu a compreensão das representações dos trabalhadores sobre suas atividades.
DEPOIMENTO
Outro exemplo de integração de dados qualitativos e quantitativos é a minha pesquisa sobre amantes de homens casados (GOLDENBERG, 1990). Fiz entrevistas em profundidade com oito mulheres, em um primeiro estudo. Em seguida, entrevistei nove homens casados que refletiram sobre as suas experiências extraconjugais. Por fim, realizei um estudo de caso, em que entrevistei o homem casado, sua amante e toda a sua família (pai, mãe, duas irmãs e um irmão). Além desses dados qualitativos, foram fundamentais para as minhas conclusões as análises demográficas feitas por Elza Berquó, a partir dos dados do censo de 1980.
ELZA BERQUÓ
Elza é uma das fundadoras da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP), da qual foi presidente e na qual tem ativa participação. Também é membro da International Union for the Scientific Study of Population, da Population Association of America e da Associación Latinoamericana de Población.
Berquó (1989) percebeu que, entre a população com mais de 65 anos, somente 32% das mulheres estavam casadas enquanto 76% dos homens estavam casados. A maior mortalidade dos homens — e o fato de o homem brasileiro se casar com mulheres mais jovens que ele — gera esse desequilíbrio. As mulheres teriam, assim, chances iguais aos homens somente até os 30 anos, no máximo. Berquó levanta a hipótese de que no Brasil exista uma poligamia disfarçada, já que as mulheres sem possibilidades de casamento acabam se unindo a homens casados.
Nesse caso, apenas para ilustrar, os dados quantitativos revelam uma realidade demográfica e as entrevistas em profundidade retratam como cada mulher vivencia essa situação. É interessante como minhas entrevistadas se queixam que “falta homem no mercado”, constatação que pode ser facilmente verificada pelos dados do censo.
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Os dados do IBGE sobre idade, sexo e estado civil foram usados para pensar situações complexas, não quantificáveis, como a situação de ser amante de um homem casado. Esses dados ajudaram a interpretar o discurso e a compreender a situação de uma forma mais ampla.
Interpretados à luz da minha questão, concluo que as mulheres têm menos chances de casar e essa pode ser uma possível explicação para a situação da amante. Sem os dados do IBGE, poderia me restringir às explicações dos pesquisados: a ideia de que o fato de ser amante deve corresponder a um tipo determinado de personalidade de mulher “que não se valoriza” ou que “não quer compromisso”. A integração dos dados quantitativos e qualitativos permite verificar a tensão existente entre a “escolha individual” e o “campo de possibilidades” das mulheres que são amantes de homens casados.
RESUMINDO
Mediante essa análise concreta, é possível demonstrar que a análise e a interpretação dos dados quantitativos e qualitativos podem proporcionar uma melhor compreensão do problema estudado. O conflito entre a pesquisa qualitativa e a quantitativa é artificial. Cada vez mais os pesquisadores estão descobrindo que devem utilizar todos os recursos e as técnicas existentes que possam contribuir para o entendimento do problema estudado.
Pesquisa quantitativa x Pesquisa qualitativa
VERIFICANDO O APRENDIZADO
Parte superior do formulário
1. ESTE PENSADOR MARCOU A HISTÓRIA E A CONCEITUAÇÃO DA PESQUISA AO APRESENTAR SUA TEORIA DE QUE É NO TRABALHO DE CAMPO, NO CONTATO ÍNTIMO COM O COTIDIANO DOS NATIVOS, NA VIVÊNCIA DIÁRIA E COM OS REGISTROS DE TODAS AS ATIVIDADES QUE SERÁ POSSÍVEL OBTER AS RESPOSTAS PARA AS PRINCIPAIS QUESTÕES QUE ENVOLVEM AS INTERROGAÇÕES ACERCA DA VIDA DOS NATIVOS. ESSE PENSADOR É:
Durkheim
Comte
Malinowski
Dilthey
Weber
Parte inferior do formulário
Parte superior do formulário
2. ESTE PENSADOR NÃO ACEITAVA A GENERALIZAÇÃO NA COMPREENSÃO DOS FENÔMENOS. POR ISSO, ELE AFIRMAVA QUE O MÉTODO QUANTITATIVO DEFENDIDO PELO POSITIVISMO SOMENTE PODERIA SER PROVEITOSO SE NÃO OBSCURECESSE A COMPREENSÃO. AFIRMA ELE EM SEU LIVRO METODOLOGIA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS (2001): “NÃO HÁ UM ‘AGIR RACIONAL’ SEM A EXPERIMENTAÇÃO DE REGRAS REFERENTES AO DECURSO HISTÓRICO QUE APENAS PODEM SER PERCEBIDAS E ELABORADAS MEDIANTE UMA ‘PERCEPÇÃO E OBSERVAÇÃO OBJETIVANTES’. ESSE PENSADOR É:
Malinowski
Durkheim
Comte
Weber
Dilthey
Parte inferior do formulário
GABARITO
1. Este pensador marcou a história e a conceituação da pesquisa ao apresentar sua teoria de que é no trabalhode campo, no contato íntimo com o cotidiano dos nativos, na vivência diária e com os registros de todas as atividades que será possível obter as respostas para as principais questões que envolvem as interrogações acerca da vida dos nativos. Esse pensador é:
A alternativa "C " está correta.
Para Malinowski, o trabalho de campo possibilita a compreensão do estado mais primitivo do objeto de estudo. Malinowski influenciou decisivamente a pesquisa ao apresentar sua proposta investigativa de campo com a aplicação de técnicas específicas de pesquisa, principalmente no diário de campo, que deve conter o relato das observações. Ele é um dos representantes da pesquisa qualitativa em ciências sociais.
2. Este pensador não aceitava a generalização na compreensão dos fenômenos. Por isso, ele afirmava que o método quantitativo defendido pelo positivismo somente poderia ser proveitoso se não obscurecesse a compreensão. Afirma ele em seu livro Metodologia das Ciências Sociais (2001): “Não há um ‘agir racional’ sem a experimentação de regras referentes ao decurso histórico que apenas podem ser percebidas e elaboradas mediante uma ‘percepção e observação objetivantes’. Esse pensador é:
A alternativa "D " está correta.
Max Weber defendia a pesquisa qualitativa e, por isso, questionou a validade do método positivista das metodologias das ciências sociais como uma física social capaz de compreender os fenômenos sem generalizá-los.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Antes de finalizarmos, gostaria de trazer uma informação que talvez lhe ajude a compreender a importância de tudo que aqui estudamos. Minha primeira experiência com pesquisa científica foi em 1978, aos 21 anos, quando ingressei no Mestrado de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Após dois anos e meio defendi minha dissertação O deficiente auditivo no mundo do trabalho: um estudo sobre a satisfação profissional. Com a pressão da minha orientadora, que cobrava relatórios semanais, fui a primeira da turma a defender a dissertação.
É preciso registrar a importância dos nossos primeiros orientadores, que nos ensinam a pensar, ter disciplina e escrever corretamente.
A minha verdadeira formação como pesquisadora, no entanto, iniciou-se dez anos depois, em 1988, com o meu doutoramento. Em um ambiente de intensas e calorosas discussões, de professores e alunos brilhantes, encontrei solo fértil para começar a fazer pesquisa na área das chamadas Ciências Humanas ou Ciências Sociais. Desde então, contagiada pelo vírus do “olhar científico”, não consegui parar de pesquisar.
E é exatamente assim que você deve estar se sentindo! Ao trazer toda a reflexão feita em nosso tema para a sua prática de estudante (e futuro pesquisador), você já deve identificar a seriedade de uma pesquisa acadêmica e a importância da utilização de modelos qualitativos e quantitativos – ou a integração deles – de acordo com objeto pesquisado e seus objetivos. E, quem sabe, já esteja contagiado pelo brilho nos olhos, mantendo sempre acesa a chama do olhar científico.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
AGUIAR, N. Observação participante e “survey”: uma experiência de conjugação. In: A aventura sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
BECKER, H. Métodos de pesquisa em ciências sociais. São Paulo: Hucitec, 1997.
BERQUÓ, E. A família no século XXI. In: Ciência Hoje. v. 10, n. 58, outubro 1989.
CARDOSO, R. Aventuras de antropólogos em campo ou como escapar das armadilhas do método. In: A aventura antropológica. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1986.
CICOUREL, A. Teoria e método em pesquisa de campo. In: Desvendando máscaras sociais. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980.
DURHAM, E. A pesquisa antropológica com populações urbanas. In: A aventura antropológica. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1986.
DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. São Paulo: Nacional, 1985.
GEERTZ, E. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
GOLDENBERG, M. A Out,/. Rio de Janeiro: Record, 1990.
LACERDA, G. B. Augusto Comte e o "positivismo" redescobertos. In: Revista de Sociologia e Política, Curitiba, v. 1, n. 34, p. 319-343, out. 2009.
MALINOWSKI, B. Argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
PEIRANO, M. A favor da etnografia. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1995.
POLLAK, M. Le Témoignage In: Actes de la recherche en sciences sociales. L’illusion biographique. v. 62-63, jun. 1986.
QUEIROZ, M. I. P. Variações sobre a técnica de gravador no registro da informação viva. (Col. Textos, 4). São Paulo: CERU e FFLCH/USP, 1983.
THOMPSON, P. A voz do passado: história oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
EXPLORE+
· A obra A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em ciências sociais (1997) apresenta elementos importantes para o aprofundamento do conteúdo aqui apresentado. Vale conferir.
· Leia sobre Émile Durkheim, considerado o pai da Sociologia, no artigo que analisa seu legado, 100 anos sem Durkheim. 100 anos com Durkheim, de R. Weiss e R. Benthien.
· Leia sobre Wilhelm Dilthey no artigo que destaca o centenário de sua morte, Wilhelm Dilthey em novas traduções, de L. Waizbort.
· Conheça um pouco mais e a atualidade de Max Weber no artigo Apresentação: Max Weber, hoje, de L. Waizbort.
· Leia o artigo A família na obra de Frédéric Le Play, de T. Botelho, e saiba um pouco mais sobre o sociólogo Frédéric Le Play e seu método de pesquisa.
· No artigo O parentesco como consciência humana, de P. Gow, conheça um dos principais conceitos do antropólogo Lewis H. Morgan.
· Conheça uma pesquisa realizada a partir da fundamentação teórica de Franz Boas e Bronislaw Malinowski no artigo A questão alimentar na trajetória do pensamento antropológico clássico, de L. Santos.
· Para saber mais sobre a importância de Ralph Linton, Ruth Benedict e Margaret Mead, leia o texto Cultura e Personalidade, de R. Oliven.
· Leia sobre a perspectiva de Clifford Geertz no texto Pode realmente haver uma ciência natural da ação humana?, de S. Oliveira.
· Conheça a importância de Ruth Cardoso e Eunice Durham no artigo Ruth Corrêa Leite Cardoso, de Gilberto Velho, publicado em 2008 na Revista DADOS (IESP-UERJ).
· No artigo Pesquisa Etnográfica com crianças: participação, voz e ética, de R. Marchi, é possível perceber a contribuição de Aaron Cicourel e Mariza Peirano.
· Conheça um pouco mais do trabalho de Maria Isaura Pereira de Queiroz, no artigo Amizade e memória: Maria Isaura Pereira de Queiroz e Roger Bastide, de G. Villas Boas.
· Leia o artigo Memória, esquecimento, silêncio, de Michael Pollak, sociólogo e historiador austríaco, e conheça um pouco mais sobre um importante conceito: memória.
· Em seu artigo História Oral e contemporaneidade, o sociólogo britânico Paul Thompson desenvolve esse importante conceito em sua produção acadêmica.
· A resenha do livro Truques da escrita: para começar e terminar teses, livros e artigos, de Howard Becker (1928), realizada por C. Lima, mostra como o sociólogo norte-americano preocupa-se com a temática da produção científica e escrita acadêmica.
· Em seu trabalho Qual a contribuição dos métodos quantitativos em Ciências Sociais para o conhecimento da sociedade brasileira?, apresentado no XXV Encontro Anual da ANPOCS, a pesquisadora Neuma Aguiar já se preocupava com a integração entre a abordagem quantitativa e a qualitativa.
DEFINIÇÃO
Apresentação de conceito de pesquisa e definição de projeto de pesquisa, com os elementos necessários à sua elaboração. Estratégias para revisão bibliográfica e para a construção escrita de um embasamento teórico na apresentação da pesquisa. Regras gerais para formatação de trabalhos e normas técnicas.
PROPÓSITO
Compreender como se inicia e se encaminha uma pesquisa científica, refletindo sobre os conceitos, elementos e as normas fundamentais para a realização e apresentação de projetos e demais trabalhos acadêmicos de pesquisa.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Descrever projeto de pesquisa e seus elementos fundamentais
MÓDULO 2
Aplicar estratégias para a construção de um embasamento teórico coerente no trabalhode pesquisa
MÓDULO 3
Identificar as normas técnicas que devem ser consideradas ao elaborar um trabalho acadêmico
INTRODUÇÃO
Uma das etapas mais significativas do processo formativo é a pesquisa. Para muitos, a produção de TCC, artigos, monografias, entre outros, é um momento árduo e de instabilidade durante um curso de graduação. Muitas vezes, a dificuldade aparece porque não se tem familiaridade com a prática investigativa sistemática. É preciso conceber o ato de pesquisar como um processo presente em toda a sua trajetória pessoal, profissional e acadêmica.
Desde criança, criamos ferramentas para pesquisar e testar hipóteses. Formulamos perguntas, investigamos a partir de dúvidas, lançamos mão de diferentes procedimentos com a finalidade de encontrar respostas, descobrir fenômenos e fatos. Porém, essas pesquisas do nosso cotidiano, muitas vezes, nem são planejadas ou contextualizadas, pelo menos, não de forma consciente. É uma prática mais genérica, um ato de pesquisar de maneira menos organizada.
A formalização da pesquisa em um ambiente acadêmico também se alimenta de perguntas, dúvidas, hipóteses etc. Porém, precisa ter caráter científico, com sistematização das informações e aplicação de metodologias próprias.
Imagine se você fosse escrever uma pesquisa somente partindo da sua vivência cotidiana, sem contextualização, normas ou embasamento teórico. Você acha que ela teria rigor acadêmico e poderia apresentar resultados mais sistematizados? É provável que sua resposta seja não. Por quê? O que falta e o que diferencia a pesquisa cotidiana da científica? Veremos alguns aspectos ao longo da exploração deste tema.
Compreender-se como um sujeito capaz de produzir pesquisa é condição que o destaca e o aproxima da prática investigativa, rompendo com a ideia que se construiu culturalmente de que para fazer pesquisa é preciso estar em um laboratório, vestir jaleco branco e demais estilos clássicos.
O que, então, o define como um pesquisador, como um produtor de conhecimento? Além dos aspectos já citados, é preciso evidenciar a intencionalidade, a busca de procedimentos, normas e fundamentações teóricas que possam organizar a sua pesquisa, atribuindo caráter acadêmico e científico, validando seus dados e, possivelmente, contribuindo para pesquisas futuras.
Ao se matricular em um curso de nível superior, você inicia o contato mais direto com o ato de pesquisar de modo planejado. Desde os primeiros períodos, você se prepara para, ao final, lançar mão de normas, embasamentos teóricos e técnicas em favor de um objeto de pesquisa.
MÓDULO 1
Descrever projeto de pesquisa e seus elementos fundamentais
PESQUISA E CIÊNCIA
Ao iniciar a reflexão para a construção de um projeto de pesquisa, você pode se deparar com questionamentos do tipo:
	1
	Como iniciar?
	2
	O que é uma pesquisa?
	3
	Quais são os passos para se desenvolver pesquisa?
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COMENTÁRIO
O ato de pesquisar não se limita aos cientistas. A pesquisa, a dúvida e a necessidade de se buscar respostas para questões realmente relevantes são incorporadas ao nosso dia a dia.
Fonte: Andrey_Popov/Shutterstock
A PESQUISA CIENTÍFICA É UM PROCESSO RACIONAL E PLANEJADO, QUE SE ORGANIZA POR MEIO DE METODOLOGIAS PRÓPRIAS E SE ANCORA NA LITERATURA DISPONÍVEL SOBRE O FENÔMENO QUE SE QUER PESQUISAR.
A pesquisa é o centro da prática científica, visando responder a perguntas ou problemas propostos. Ela se torna uma indicação quando não se encontra informações suficientes ou conclusivas na literatura sobre o problema proposto e observado.
Produzir pesquisa é um processo contínuo, que visa responder ao fato pesquisado e verificar uma hipótese, bem como sua articulação com outros fatos e hipóteses. Dessa maneira, o conhecimento é produzido e compartilhado nas escolas e universidades.
Demo (1985) afirma que é preciso conceber o conhecimento produzido sempre buscando sair dos extremos:
CITAÇÃO COMPLETA DE DEMO
“Pesquisa é a atividade científica pela qual descobrimos a realidade. Partimos do pressuposto de que a realidade não se desvenda na superfície. Não é o que aparenta à primeira vista. Ademais, nossos esquemas explicativos nunca esgotam a realidade, porque esta é mais exuberante que aqueles.
A partir daí, imaginamos que sempre existe o que descobrir na realidade, equivalendo isto a aceitar que a pesquisa é um processo interminável, intrinsecamente processual. É: um fenômeno de aproximações sucessivas e nunca esgotado, não uma situação definitiva, diante da qual já não haveria o que descobrir.”
(DEMO, 1985, p. 23)
Dogmatismo indiscutível
O conhecimento precisa ser dialogado sempre.
Relativismo
Torna tudo mais subjetivo e inconclusivo.
É preciso destacar que toda pesquisa, para ter relevância, precisa se articular com problemas reais que nos afetam, lançando luz sobre sua utilidade e relação com a vida prática. A separação entre teoria e prática não é possível no contexto da pesquisa, pois uma se faz com a outra, em uma profunda relação de complementaridade.
O profissional que não possui o hábito de pesquisar corre o risco de ir separando gradativamente a teoria da prática em sua vida, até um ponto em que ele não observa mais sua complementaridade. A pesquisa é um elemento-chave necessário ao profissional para sua constante formação e aperfeiçoamento.
DICA
Para começar uma pesquisa científica, deve-se iniciar a reflexão sobre o assunto e, de maneira organizada, elaborar um projeto de pesquisa.
O PROJETO DE PESQUISA
Para realizar uma investigação sistemática, são necessários elaboração, definição de objetivos, recorte e metodologias adotadas para responder às perguntas de pesquisa. Esses itens, entre outros, são organizados em um projeto, que é um importante processo de reflexão do autor sobre o que se pretende investigar.
Um projeto de pesquisa bem escrito pode eliminar problemas futuros de insegurança e transtornos para finalizar o trabalho e dar ao pesquisador mais clareza e segurança sobre a realidade da qual quer buscar compreensão.
FAZEMOS UM PROJETO DE PESQUISA PARA MAPEAR UM CAMINHO A SER SEGUIDO DURANTE A INVESTIGAÇÃO. BUSCAMOS, ASSIM, EVITAR MUITOS IMPREVISTOS NO DECORRER DA PESQUISA QUE PODERIAM ATÉ INVIABILIZAR A SUA REALIZAÇÃO. OUTRO PAPEL IMPORTANTE É ESCLARECER PARA O PRÓPRIO INVESTIGADOR OS RUMOS DO ESTUDO (O QUE PESQUISAR, COMO, POR QUANTO TEMPO ETC.).
(MINAYO, 2009, p. 35)
A elaboração do projeto é, também, uma maneira de transmitir à comunidade científica os seus propósitos e fazer com que eles sejam aceitos e discutidos. Em outras palavras, a concretização do planejamento da pesquisa ocorre por meio da escrita do projeto.
A escrita do projeto de pesquisa pode ser requerida nos cursos de graduação, como etapa necessária ao planejamento da pesquisa de conclusão de curso. Para fins de acesso a cursos de pós-graduação, o projeto de pesquisa pode ser, inclusive, uma etapa de seleção, de modo que o aluno ingresse no curso já com a pesquisa em fase de planejamento. Em outros momentos, o projeto pode ser apresentado para buscar financiamento que viabilize a investigação.
Em todos os casos, ter um projeto bem estruturado é o caminho para se conseguir desenvolver bem seu trabalho. Um exemplo de roteiro seria:
	1
	Você sabe o que seria necessário incluir no projeto?
	2
	O que é preciso comunicar?
	3
	Como comunicar suas intenções de pesquisa de maneira clara e coerente?
	4
	Quais seriam os elementos necessários ao projeto?
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Embora não se tenha um consenso ou uma receita única para a elaboração do projeto, alguns elementos são definidos como primordiais. A seguir, refletiremos sobre cada item que precisa estar presente nesse roteiro da pesquisa.
DEFINIÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
O tema é a área de interesse da pesquisa. É fundamental que o autor tenha um pouco de familiaridade com essa área para que isso lhe dê motivação. Para definir bem o tema, o pesquisador deve verificar quais são as considerações teóricasjá feitas a respeito do assunto e identificar sua relevância.
Após definir o tema, é preciso que o autor se pergunte o que deve pesquisar naquela área, pois o tema em si mesmo é um caminho em aberto, com uma perspectiva ampla da pesquisa, e precisa de um recorte para direcionamento. Por exemplo: se o tema da sua pesquisa for “Alfabetização e letramento”, você já definiu a área onde se pretende atuar, mas faltam algumas respostas.
	1
	O que deseja saber?
	2
	O que é alfabetização e o que é letramento?
	3
	Alfabetização de adultos ou crianças?
	4
	Sua investigação é sobre métodos aplicados nesse processo?
	5
	Seria alfabetização e letramento apenas em língua portuguesa ou em outras áreas de conhecimento?
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A pesquisa pode seguir muitas direções de investigação, o que precisa ser pontuado no seu projeto. Minayo (2009) sinaliza que as indagações feitas acerca do que se quer saber sobre o tema é que acabam por definir o objeto ou problema de pesquisa, estabelecendo um recorte, em sentido mais restrito que o tema propriamente dito. Logo, a problematização é um aprofundamento do tema.
Confira o esquema a seguir:
Alfabetização e letramento
Como observado no esquema, o tema apresenta muitos recortes possíveis. É a definição do problema que restringe o campo de pesquisa, indicando a direção e evitando desvios do seu foco. Muitas vezes, um pesquisador se atém ao tema, mas perde de vista o seu problema de pesquisa. Você precisa escrever e pesquisar aquilo que, dentro do seu tema, possui relação com o problema proposto.
No exemplo, foram selecionados três recortes (objetos de pesquisa) possíveis dentro do tema “Alfabetização e letramento”. A partir desses três recortes, abrem-se duas possibilidades (ou mais) de investigação em cada. É preciso ter clareza desse percurso para fazer a problematização, direcionando o olhar para aquilo que, de fato, é pertinente para o desenvolvimento do seu trabalho.
Em relação à escrita desse item, você pode construir o problema de pesquisa a partir de uma pergunta. Inclusive, a elaboração de perguntas é uma importante estratégia interna em todas as etapas da sua pesquisa.
A indagação sobre aspectos do tema gera a problematização e deve, ainda, ser clara, com resposta viável e uma dimensão possível de pesquisa. Na perspectiva do exemplo, a formulação do problema poderia ocorrer a partir da pergunta: O currículo da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro – anos iniciais do Ensino Fundamental – favorece a prática do letramento matemático? Observe que o direcionamento foi todo encaminhado na pergunta: a área de conhecimento, o tema, a etapa escolar que se quer pesquisar, a abrangência da pesquisa e a dúvida em si.
Rudio (2000) afirma que a definição do problema deve ser fruto de algumas indagações do autor:
É UM PROBLEMA ORIGINAL? É RELEVANTE? É ADEQUADO PARA MIM? TENHO REAIS POSSIBILIDADES PARA REALIZAR ESTE ESTUDO? PRECISAREI DE RECURSOS FINANCEIROS? O TEMPO QUE TENHO DISPONÍVEL É SUFICIENTE PARA ESTA PESQUISA?
Assim, as perguntas anteriores levam o pesquisador a considerar uma série de fatores que se apresentam durante a execução da pesquisa, auxiliando no processo de delimitação do problema.
RESUMINDO
A definição do tema e a formulação do problema de pesquisa são profundamente articuladas e complementares. Elas comunicam diretamente o que se quer investigar. Quando se elabora uma pergunta de pesquisa, é comum já ter hipóteses sobre ela, o que nos leva à formulação da próxima etapa da pesquisa.
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESE
Você já passou por alguma situação em que tinha uma dúvida sobre como proceder em algum aspecto, mas com possibilidades de resolução já encaminhadas? Como fez para escolher a solução? Possivelmente, você testou ou pesquisou qual seria a melhor alternativa.
Na pesquisa científica, quando se elabora um problema de pesquisa, formula-se também uma ou mais hipóteses, que são soluções possíveis e testáveis para o seu problema. Quanto mais conhecemos o tema e o problema de pesquisa, mais possibilidades de hipóteses ele tem condições de apresentar.
ATENÇÃO
É preciso destacar que, na etapa anterior, foi mencionado que o problema de pesquisa precisa ser algo viável, solucionável. Nesse contexto, a hipótese seria uma possibilidade de solução, ancorada nas reflexões já encaminhadas sobre o tema e problema.
Fonte: fran_kie/Shutterstock
Segundo Gil (2002), as hipóteses podem surgir de diferentes fontes:
OBSERVAÇÃO
RESULTADOS DE OUTRAS PESQUISAS
TEORIAS
INTUIÇÃO
A hipótese deve ser organizada a partir de um enunciado claro, pautada em um referencial teórico, com linguagem explicativa. Ao final da pesquisa, sua hipótese poderá ser rejeitada ou comprovada, de maneira que o problema de pesquisa possa apresentar solução. Caso a hipótese não seja de possível verificação, consequentemente, o problema de pesquisa não terá solução conclusiva. Nesse caso, a hipótese poderá ser reformulada ou substituída por outra.
A elaboração da hipótese é fruto de um processo reflexivo e criativo, pois visa responder algo que ainda ninguém respondeu, o que supõe o pensamento inovador. Todo o desenho do trabalho está ancorado na confirmação ou não da hipótese inicial. Nesse cenário, a hipótese se articula ao objetivo da pesquisa.
DEFINIÇÃO DE OBJETIVOS
Para entender melhor de que modo os objetivos da pesquisa são desenhados, você deve ter em mente a pergunta: esta pesquisa se desenvolve para quê?
Tomando como base o tema, problema e as hipóteses já definidos, o autor da pesquisa precisa se ocupar em definir objetivos claros, articulados ao todo e que representem a finalidade do trabalho.
Em geral, os objetivos são iniciados com verbos no infinitivo que indiquem a ação, a meta da pesquisa. Por exemplo: analisar, produzir, realizar, comparar etc. É indispensável que os seus objetivos sejam possíveis de atingir. A organização dos objetivos no trabalho deve ser dividida em duas dimensões:
Objetivo geral
Em sentido amplo, você deverá definir um objetivo geral, que “diz respeito ao conhecimento que o estudo proporcionará em relação ao objeto” (MINAYO, 2009, p. 45), tornando-se um tipo de resultado intelectual articulado à hipótese inicial. O objetivo geral é de longo alcance, correspondendo a uma ação mais ampla.
EXEMPLO
Objetivo específico
Em sentido mais restrito, esses objetivos consistem no desdobramento das ações necessárias para se atingir o objetivo geral. É como se fossem os degraus de uma escada. O pesquisador deve, considerando o objetivo geral, localizar e cumprir cada pequena ação que colabore para o atingimento do objetivo mais amplo. São ações de curto alcance e devem estar articuladas umas com as outras.
EXEMPLO
EXEMPLO
Analisar as práticas de alfabetização e letramento matemático nas turmas de anos iniciais da Rede Municipal de Educação.
EXEMPLO
Investigar os currículos de Matemática da Rede Municipal de Educação; comparar as práticas de letramento matemático, a partir do referencial teórico, com o currículo da Rede Municipal de ensino; entre outros.
A PARTIR DOS OBJETIVOS, SÃO DEFINIDOS OS MÉTODOS E INSTRUMENTOS, DE MANEIRA QUE O CAMINHO METODOLÓGICO VIABILIZE A EXECUÇÃO DE CADA OBJETIVO.
JUSTIFICATIVA
Você já leu um trabalho ou projeto e depois acabou comprando a ideia, reconhecendo a relevância da investigação lida? Por que será que isso aconteceu? Faça uma breve reflexão acerca dos itens que o autor descreveu, que o encantaram e despertaram seu interesse para a investigação do tema. Provavelmente, foram utilizados argumentos muito coerentes e que fizeram sentido na sua prática profissional, de modo que você, de fato, conseguiu articular e incorporar à sua vivência a necessidade daquela pesquisa.
Considerando que um projeto de pesquisa apresente o planejamento e a sistematização inicial de uma investigação, é importante ter um espaço destinado à justificativa, feita por meio de argumentos favoráveis que apontem a necessidade da sua pesquisa. É esperado que, ao final da leitura do seu projeto, o leitor estejaconvencido sobre a necessidade de pesquisar o tema ou problema proposto por você.
A relevância da sua pesquisa deve ser expressa pela justificativa. As seguintes perguntas norteadoras podem auxiliar na construção desse item:
	1
	Por que pesquisar esse tema?
	2
	O que justifica essa escolha?
	3
	Quais são os benefícios que esse estudo irá apresentar futuramente?
	4
	Quais são os motivos que me levam a pesquisar?
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A justificativa precisa estar articulada ao problema de pesquisa dos pontos de vista prático e conceitual. Os argumentos empregados devem se ancorar em relevância técnica, social e científica. Minayo (2009) esclarece que a justificativa deve possuir argumentos que:
PONTOS DE VISTA PRÁTICO E CONCEITUAL
· A justificativa de ordem prática é a descrição da relevância da pesquisa para a modificação da sua prática, ancorada em demandas sociais.
· A justificativa de ordem pessoal é a que ajudou a definir aquele problema e faz uma breve argumentação do impacto da pesquisa na trajetória profissional e biográfica do pesquisador.
	1
	Evidenciem as lacunas no nível de conhecimento desenvolvido na temática proposta.
	2
	Apresentem potencial para ampliar os conhecimentos na área.
	3
	Mostrem a relevância do problema, do ponto de vista social e de promessas de avanço metodológico.
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METODOLOGIA
Imagine que você já definiu tema, problema, hipótese e objetivos, bem como organizou todos os argumentos que justificam a sua pesquisa. Agora você deve se perguntar: como vou encaminhar a pesquisa? Que caminhos vou seguir?
QUAIS SERÃO OS PROCEDIMENTOS ADOTADOS?
Essa deve ser uma interrogação permanente.
Por: StepanPopov/Shutterstock
Leia o conceito de metodologia, por Demo:
METODOLOGIA É UMA PREOCUPAÇÃO INSTRUMENTAL. TRATA DAS FORMAS DE SE FAZER CIÊNCIA. CUIDA DOS PROCEDIMENTOS, DAS FERRAMENTAS, DOS CAMINHOS. A FINALIDADE DA CIÊNCIA É TRATAR A REALIDADE TEÓRICA E PRATICAMENTE. PARA ATINGIRMOS TAL FINALIDADE, COLOCAM-SE VÁRIOS CAMINHOS. DISTO TRATA A METODOLOGIA.
(DEMO, 1985, p. 19)
Metodologia é o caminho que se quer ou se necessita percorrer até que sua pesquisa atinja os objetivos propostos. Para tal, o pesquisador deve fazer uso de métodos e técnicas, bem como articular seus procedimentos com concepções teóricas, aproximando-as da prática. Não se pretende propor uma série de técnicas desprovidas de sustentação teórica, da mesma forma que não deve ser puramente teoria, sem desenhá-la de maneira clara e coerente a serviço dos desafios encontrados na prática.
Para definir seus caminhos metodológicos, você deve considerar que o pensamento criativo é um pilar. Flexibilizar, observar caminhos alternativos e reconstruir são tarefas que enriquecem a pesquisa, desde que caminhem ao encontro dos objetivos traçados.
É importante você ter em mente que o método é o conjunto de atividades racionais e sistemáticas que visam ao alcance do objetivo da pesquisa. As técnicas são procedimentos que operacionalizam os métodos a partir de instrumentos adequados. Nesse contexto, é preciso definir métodos e técnicas adequados para cada objetivo de pesquisa: o tipo de pesquisa que irá desenvolver, o campo de observação, os procedimentos de coleta de dados.
ATENÇÃO
É importante você conceber a pesquisa como um todo: existem procedimentos mais recorrentes e pertinentes em determinado tipo de pesquisa, outros que não se enquadrariam tão bem.
EXEMPLO
EXEMPLO
É comum adotar o estudo de caso ou a pesquisa bibliográfica em estudos exploratórios, pois se busca levantar dados sobre grupos ou sujeitos. Porém, você deve ser criativo e inovar, sempre justificando suas escolhas dos pontos de vista teórico e prático. Nessa perspectiva, desde que de modo bem fundamentado, você pode e deve colocar os procedimentos técnicos disponíveis a serviço da sua pesquisa. Lembre-se de que eles existem para auxiliar a realização de seu trabalho.
No vídeo a seguir, a professora Monise aborda os principais aspectos da metodologia de pesquisa:
CRONOGRAMA E EXECUÇÃO
Tendo como base os objetivos e procedimentos que você vai adotar para fazer a sua pesquisa, é preciso pensar em um importante recurso: o tempo. É a perspectiva do “quando”.
O pesquisador deve indicar o tempo para a execução de cada etapa da pesquisa, inclusive, considerando que algumas ações podem ser realizadas simultaneamente. Geralmente, a escrita desse item aparece em forma de quadro ou tabela, indicando cada tarefa a ser realizada nas linhas e o tempo para a sua execução ao lado, na coluna correspondente.
Fonte: Lallanan/Shutterstock.
DICA
É importante que o pesquisador:
· Faça o planejamento das ações ao longo dos meses: isso ajuda a antecipar dificuldades e facilidades, trabalhar com prazos e ter compreensão de todas as tarefas articuladas, em uma perspectiva geral de dependência entre elas.
· Pense em questões como o orçamento da pesquisa (caso o projeto seja apresentado para pleitear um financiamento).
· Inclua no projeto as referências, contendo as fontes relativas às obras citadas, e tenha uma parte do planejamento dedicada ao seu embasamento teórico, contextualizando o tema e realizando uma revisão bibliográfica – assunto que será detalhado no próximo módulo.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
Parte superior do formulário
1. JÁ SABEMOS DA IMPORTÂNCIA DE UM PROJETO DE PESQUISA BEM ELABORADO, A FIM DE QUE O PROCESSO E O RESULTADO DA PESQUISA SEJAM EFETIVADOS. POR ISSO, É FUNDAMENTAL COMPREENDER BEM SEU CONCEITO. ASSINALE A OPÇÃO QUE APRESENTA A DEFINIÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISA:
É a etapa de planejamento não sistemática, que compreende uma reflexão particular do pesquisador para, somente depois, iniciar a escrita de sua investigação.
É a materialização do planejamento da sua pesquisa, que possui a indicação de dois elementos: o tema e os autores que irão compor o embasamento teórico.
É a concretização do planejamento da pesquisa, feito para mapear o caminho a ser percorrido durante a investigação.
É um documento apresentado apenas quando se busca financiamento para uma pesquisa.
Parte inferior do formulário
Parte superior do formulário
2. CONSIDERE A SEGUINTE SITUAÇÃO: UM PESQUISADOR, AO ESTABELECER SEU TEMA PARA INVESTIGAÇÃO, COMEÇOU A SE FAZER INDAGAÇÕES PARA DEFINIR UM RECORTE DENTRO DO TEMA, POIS AINDA SERIA MUITO ABRANGENTE. NESSA PERSPECTIVA, O AUTOR COMEÇOU A FAZER UM APROFUNDAMENTO DO ASSUNTO ATÉ CHEGAR A UMA QUESTÃO A SER INVESTIGADA, O QUE RESTRINGIU E DIRECIONOU MELHOR O CAMPO DE PESQUISA. A SITUAÇÃO VIVENCIADA PELO PESQUISADOR CORRESPONDE A QUE ELEMENTO DO PROJETO DE PESQUISA?
Definição de objetivos
Delimitação do problema
Escolha da metodologia
Definição da justificativa
Parte inferior do formulário
GABARITO
1. Já sabemos da importância de um projeto de pesquisa bem elaborado, a fim de que o processo e o resultado da pesquisa sejam efetivados. Por isso, é fundamental compreender bem seu conceito. Assinale a opção que apresenta a definição de um projeto de pesquisa:
A alternativa "C " está correta.
De acordo com Demo (1985), o projeto de pesquisa é feito para mapear o caminho a ser seguido. É o instrumento de planejamento da pesquisa. As demais opções de resposta apresentam outras fases ou características da pesquisa.
2. Considere a seguinte situação: um pesquisador, ao estabelecer seu tema para investigação, começou a se fazer indagações para definir um recorte dentro do tema, pois ainda seria muito abrangente. Nessa perspectiva, o autor começou a fazer um aprofundamento do assunto até chegar a uma questão a ser investigada, o que restringiu e direcionou melhor o campo de pesquisa. A situação vivenciada pelo pesquisador corresponde a que elemento do projeto de pesquisa?
A alternativa "B " está correta.
O processo que delimita o campo de investigação e estabelece um recorte do tema é o exposto na letra B: delimitação do problema. É nessa etapa que se aprofunda o tema e se elabora a questão da pesquisa.
MÓDULO 2
Aplicar estratégiaspara a construção de um embasamento teórico coerente no trabalho de pesquisa
PREMISSA
No módulo anterior, descrevemos alguns elementos básicos que você precisa definir ao fazer uma pesquisa. É importante que esses elementos estejam articulados de maneira coerente com a perspectiva teórica que você vai adotar para encaminhar seu trabalho. É necessário buscar o conhecimento já produzido sobre o seu tema e lançar luz sobre as questões que colaboram para a compreensão do seu problema.
A apresentação de cada item do projeto foi feita separadamente, mas é preciso evidenciar a relação profunda de complementaridade entre eles. A perspectiva teórica pode ser entendida como o fio condutor, a linha que costura todos os elementos do projeto de modo coerente. Assim, você lança mão de justificativas teóricas sempre que pertinentes, valoriza e demonstra conhecimento sobre o seu tema e revela quais são as lacunas na teoria que sugere e justifica sua pesquisa.
Ou seja, mesmo que você escreva um capítulo separado para expor seu referencial teórico, as citações e ideias dos autores de referência na área podem estar presentes em todo o seu projeto, desde a introdução até as suas considerações finais.
Fonte: jakkaje879/Shutterstock
COMENTÁRIO
Neste módulo, você irá refletir sobre como organizar o levantamento bibliográfico e o embasamento teórico no projeto de pesquisa, o que possibilitará um diálogo lógico e bem fundamentado entre a teoria e a realidade que se busca entender.
TEORIA
Diversos termos buscam definir o que aqui estamos chamando de levantamento bibliográfico e embasamento teórico. É possível encontrar termos como “revisão bibliográfica” (MINAYO, 2009), “revisão de literatura” (LAVILLE; DIONNE, 1999), “estado da arte” (GERHARDT; SILVEIRA, 2009), entre outros.
Mas, em todas essas formas de nomear, há uma característica comum: buscar as bases teóricas e conceituais que sejam compatíveis com o problema de pesquisa e com a linha de raciocínio desenvolvida ao longo do trabalho.
O LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO É O CAMINHO PARA SE TER UM BOM EMBASAMENTO TEÓRICO.
Fonte: alphaspirit/Shutterstock
VOCÊ SABE O QUE É TEORIA?
VERIFICAR
Minayo (2009, p. 16) define teoria como “conhecimentos que foram construídos cientificamente sobre determinado assunto, por outros estudiosos que o abordaram antes de nós e lançam luz sobre a nossa pesquisa”.
Para que seu projeto tenha um bom embasamento teórico, é importante fazer uma revisão bibliográfica para mapear tudo o que já foi ponderado por outros autores e esteja diretamente relacionado ao seu problema, evitando um discurso muito floreado, que visa apenas ao volume de informações, porém, desconectadas entre si. Nisto consiste o trabalho: conseguir evidenciar o que, de fato, é relevante para o seu problema de pesquisa, no meio de tudo que já foi produzido.
Minayo (2009) afirma que a teoria cumpre algumas funções relevantes:
• Colabora para evidenciar o objeto de investigação
• Ajuda a delimitar o problema e suas hipóteses de maneira mais eficaz
• Possibilita organização dos dados
• Conduz a análise dos dados
A busca pela perspectiva teórica a ser considerada no trabalho surge antes mesmo da sua escrita e se estende até a leitura dos seus dados. Ela passa a ser o eixo em que todos os itens do projeto deverão estar organizados.
Existem as grandes teorias, desenvolvidas por autores clássicos e que compreendem um conjunto de ideias articuladas que, muitas vezes, revolucionam o modo de pensar em determinado contexto histórico. Essas grandes teorias são chamadas de fontes primárias.
Há, também, os autores que passaram a produzir conhecimento inspirado nas grandes teorias, problematizando-as e colaborando com novos olhares. Ao elaborar seu projeto de pesquisa, tenha em mente que o conhecimento científico não é dogmático. Ao contrário, ele passa por mudanças ao longo dos anos e, ao fazer uma pesquisa, é necessário que você esteja atento também ao que se produziu de novidade sobre o seu tema nos últimos anos.
IDEIAS REVOLUCIONADORAS
Por exemplo, a Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin, revolucionou a forma como alguns conceitos eram explorados, ainda no século XIX.
CONHECIMENTO CIENTÍFICO NÃO É DOGMÁTICO
É preciso compreender a ciência como um conhecimento dinâmico, inacabado e passível de mudanças. Embora seja organizado e legítimo, o conhecimento científico é, também, questionável e pode sofrer alterações ao longo dos anos, mediante novos questionamentos.
DICA
Reflita sobre o seu problema de pesquisa considerando os autores clássicos e os mais contemporâneos. Esteja atento à mudança na perspectiva teórica que diz respeito ao seu tema ao longo dos anos.
TEORIA X PRÁTICA
Você já parou para pensar nas frases que ouvimos repetidamente: “teoria é diferente da prática”, “isso é só na teoria”, entre outras, que acabam por desvalorizar o ato de produzir conhecimento acadêmico cientificamente?
Essas frases são repetidas, muitas vezes, por pessoas que não conseguiram ainda enxergar a complementaridade entre teoria e prática e como uma ocorre em função da outra. Se, por um lado, devemos assumir que o conhecimento prático, cotidiano, é resultado de interrogações teóricas anteriores; por outro, é preciso assumir, também, que não se produz pesquisa e “teoria” sem um olhar prático.
A teoria é fruto da busca constante por explicar e melhorar a realidade. Vamos entender isso:
Veiga-Neto (2012) propõe uma reflexão significativa nesse contexto quando, a partir da metáfora da casa (BACHELARD, 2003), destaca que é preciso ir aos porões das casas em que habitamos.
Se partirmos dessa metáfora, a casa é o piso intermediário, onde acontecem as relações cotidianas (práticas).
O sótão da casa é o local para aonde iremos, no futuro, em que estão nossos objetivos e sonhos.
Já os porões consistem no lugar em que mora a memória, a história. Nessa perspectiva, aqui se entende o porão como o lugar onde se pode compreender quem somos, por meio das memórias. Podemos, inclusive, entender essas memórias como todas as contribuições dos autores que chegaram antes de nós e refletiram sobre o tema que estamos a buscar compreensão.
REFLEXÃO DE VEIGA-NETO:
“Sem o acolhimento da casa e sem as memórias de que ela é a fonte primeira, seríamos seres desenraizados; seres sem imaginação porque sem história, e sem história porque sem memória. Mas, mesmo que acolhidos pela casa, corremos sempre o risco de viver bloqueados, viver no alheamento, isto é, alienados no mundo e do mundo.
Isso será assim se não soubermos ocupar toda a casa, se nos mantivermos confinados apenas no espaço intermediário, nesse espaço das experiências imediatas em que se desenrola o que chamamos de vida concreta e de realidade. Se nos deixarmos prender nos andares intermediários, sem habitar o sótão e o porão, perderemos boa parte de nossa própria condição humana, pois, enquanto lá no sótão se dão as experiências da imaginação e da sublimação, é lá no porão que estão as raízes e a sustentação racional da própria casa”
(VEIGA-NETO, 2012. p. 269).
Agora, podemos nos perguntar:
	1
	De que maneira você poderia ir aos porões para construir e articular bem a sua pesquisa?
	2
	No que consiste essa tarefa, se você considerar a elaboração do seu projeto?
	3
	Como seriam os porões do seu problema de pesquisa?
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal
É possível conceber o piso intermediário como aquela realidade que você busca compreender e o sótão como a melhoria esperada por você, profissional que busca formação para viabilizá-la.
MAS E OS PORÕES?
COMO VOCÊ PODERIA BUSCAR CONHECER ONDE FINCA OS PÉS?
Se você não estabelecer uma relação entre essas “partes da casa”, corre um grande risco de viver sujeito aos limites impostos pelos outros e pelos seus próprios, o que, consequentemente, vai impossibilitar sua “ida ao sótão”, os seus voos mais altos.
Em síntese, as três dimensões estão articuladas: o futuro que se deseja e trabalha para construir, as práticas cotidianas e os aspectos teóricos, as memórias. O profissional,para desenvolver uma postura efetivamente coerente e promissora, precisa saber habitar todos os níveis da “casa” em que está inserido. O contrário disso indica uma postura limitada e conformada.
CONSTRUINDO UM BOM EMBASAMENTO TEÓRICO
Agora que você refletiu sobre a relevância e relação de complementaridade entre aspectos teóricos, práticos e a realidade que se busca, exploraremos algumas maneiras de construir um embasamento teórico de forma coerente.
É prudente considerar a reflexão teórica em duas perspectivas:
PRIMEIRA PERSPECTIVA: CONTATO INICIAL
A primeira perspectiva seria a do primeiro contato com o tema, para construir a revisão bibliográfica que possibilita iniciar a organização do projeto, delimitando o problema, os objetivos e as hipóteses.
Ao escolher o tema para a pesquisa, você deve fazer um levantamento bibliográfico para analisar quais foram as considerações já feitas sobre o seu problema de pesquisa. Esse levantamento consiste em consultar, nos diferentes bancos de dados, o que já existe sobre determinado assunto. Considere livros, artigos, periódicos e demais fontes confiáveis de pesquisa.
Esteja atento ao recorte temático. Um equívoco muito comum é fazer um levantamento bibliográfico baseado somente no seu tema, em uma perspectiva macro. Lembre-se de que, ao definir um problema de pesquisa, você estabeleceu um recorte que indica o que você quer analisar, dentro de um tema maior. Evite informações irrelevantes para a sua pesquisa.
Para auxiliar na busca pela produção bibliográfica, é fundamental adotar uma estratégia de pesquisa. A partir daí, você terá mais segurança para iniciar a escrita do seu projeto, pois será capaz de elaborar, antecipar questões, criticar, formular. Seus argumentos e suas ponderações serão pautados em autores de referência, fortalecendo seu projeto e sua pesquisa com um embasamento teórico coerente.
SEGUNDA PERSPECTIVA: ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL TEÓRICO
A primeira perspectiva seria a de organização desse referencial teórico e a exposição das principais ideias e citações em uma parte dedicada a isso no seu projeto.
Uma vez feita a pesquisa bibliográfica, como os teóricos podem ser incorporados ao seu trabalho? É justo ressaltar que a pesquisa bibliográfica não se resume a esse momento inicial de contato com o tema e o problema de pesquisa. Ela passa a ser uma ação recorrente e necessária ao bom encaminhamento do seu trabalho. Ela é a base do processo investigativo. Portanto, é preciso estar atento a tudo que está sendo publicado relacionado à sua problemática.
Depois, é necessário considerar que os autores de referência não estão limitados ao capítulo dedicado ao embasamento teórico. Ao contrário, eles deverão ser a base que norteia o estabelecimento das hipóteses, do problema, dos objetivos e do trabalho como um todo. Porém, em seu projeto, você terá uma parte dedicada à contextualização e à exposição teórica do problema de pesquisa. A seguir, serão exploradas algumas formas de organizar esse capítulo no trabalho.
Agora, iremos explorar as estratégias de pesquisa:
Fonte: BongkarnGraphic/Shutterstock
O QUE CONSIDERAR AO ESCREVER O SEU EMBASAMENTO TEÓRICO?
Após fazer o levantamento bibliográfico sobre o tema e o problema de pesquisa, você deve se perguntar: por onde eu começo para registrar, no projeto, todas as informações encontradas?
É comum, ao fazer a revisão e ter contato com múltiplas possibilidades de abordagem do seu tema, que você se sinta instigado a incluir tudo no seu capítulo mais teórico. Também é possível você se perguntar o que deve ser destacado no trabalho. O que, de tudo o que descobriu com a pesquisa, é relevante para a sua questão?
Imagine que você esteja fazendo uma filtragem de todas as informações obtidas. O filtro deverá ter critérios para cumprir sua tarefa, que é selecionar informações. Como estabelecer esses critérios e eleger o que serve inicialmente e o que deve ser guardado para um momento posterior? Você pode pensar nesses critérios de filtragem como o problema de pesquisa. Lembre-se de que, dentro do seu tema, você estabeleceu um recorte para pesquisar de maneira mais focada determinada questão.
Inicie uma escrita coerente, que possa evidenciar tudo aquilo que reforça e sustenta os seus argumentos. Esteja atento aos seguintes fatores ao escrever:
CONTEXTUALIZAÇÃO E PESQUISA
Adote uma escrita com exposição linear das ideias. Você pode fazer isso partindo de um contexto mais amplo (do seu tema propriamente dito) para o mais específico (aquilo que compete ao seu problema de pesquisa), ou pode fazer uma descrição das principais contribuições dos autores de forma cronológica, por exemplo.
É possível, também, partir de uma perspectiva mais global sobre como o seu tema é discutido em diversos países e, no segundo momento, restringir para a discussão local do tema. Ou seja: situe o leitor, torne evidente a organização lógica no seu texto.
CRIAÇÃO DE TÓPICOS
Introduza questões, articule cada uma por vez e finalize com seus argumentos em um parágrafo que sintetize a ideia. O texto pode parecer confuso se você não demonstrar essa organização das ideias. Escreva, espere um ou dois dias e leia o que escreveu. Perceba se faz sentido, se falta informação ou se uma argumentação é repetida desnecessariamente.
APROFUNDAMENTO DE CONCEITOS
Dê atenção aos conceitos abordados em sua justificativa ou definição do problema de pesquisa. No capítulo de embasamento teórico, você deve viabilizar a ampliação do entendimento do leitor sobre o conceito que sustenta seu argumento introdutório.
REFERENCIAL TEÓRICO COM CITAÇÕES
É fundamental demonstrar que os argumentos apresentados são sustentados por outros autores. As citações valorizam o seu trabalho e evidenciam questões relevantes.
Existem dois tipos de citação: direta ou indireta. Dentro de cada tipo, existem normas específicas para incorporar a citação ao seu texto.
O trecho a seguir exemplifica a citação direta recuada:
Nas citações diretas, você inclui a escrita do autor tal como está na obra consultada, nas mesmas palavras do autor. Elas devem ser incorporadas ao corpo do texto, caso tenham menos de três linhas, apenas separadas por aspas. Ou seguir o exemplo destacado nestas linhas, caso seja uma citação maior. Nesse caso, ela deverá ter uma letra menor, um espaçamento simples e um recuo esquerdo de 4cm. Em ambos os casos, devem ser indicados o autor, o ano e a página do trecho utilizado.
Em citações indiretas, você inclui as ideias do autor em suas próprias palavras, no corpo do texto, indicando o nome do autor e o ano de publicação da obra em que se encontra aquele argumento.
PRODUÇÃO AUTORAL
Essa é uma importante tarefa nesse momento da escrita. Não é porque você baseia seus argumentos em autores de referência que seus próprios argumentos estão inibidos. A tarefa consiste em “costurar” seus argumentos com os dos autores, que validarão o que você está refletindo. É preciso articular suas ideias com as dos autores, bem como as ideias de um autor com outro autor. Tudo isso faz do seu trabalho um conteúdo autoral, é a teia de relações entre assuntos que você estabeleceu, com o seu olhar.
Muitos temas podem ser tratados por pessoas diferentes de um modo bem similar, mas cada um estabelece as relações com o tema de um jeito particular. O embasamento teórico é organizado a partir de seu ponto de vista. É preciso respeitar e preservar as ponderações dos autores, tal como foram feitas, evitando distorcer o que disseram. Ao mesmo tempo, é preciso deixar a sua marca, comentar os posicionamentos dos autores, complementar quando necessário, sempre de forma coerente.
RESPEITO AOS DIREITOS AUTORAIS
Durante o processo de construção do embasamento teórico, é fundamental estar atento ao plágio. Informe quem é o responsável pelas ideias citadas por você. Respeite um limite para fazer as citações. Elas reforçam seus argumentos e dão bases teóricas ao seu trabalho, mas o conteúdo maior deve ser seu, elaborado em suas palavras.
Moraes (2004) considera o plágio como a imitação de uma obra, ocorrendo um atentado aosdireitos do autor quanto à integridade e à autoria de sua criação. Atualmente, com a facilidade de acesso à informação, o plágio passou a ser uma ação ainda mais recorrente. As buscas na internet constituem um avanço proporcionado pela tecnologia, mas devem ser feitas preservando a autoria de cada trabalho publicado.
Apresente um conteúdo original, contendo argumentos desenhados por você, mesmo que inspirados em obras anteriores, cite quais são essas obras. Dê os créditos ao autor da ideia, ou da citação.
APRESENTAÇÃO DO ESTADO DA QUESTÃO
Após fazer todas as ponderações que julgar necessárias à contextualização e abordagem do seu assunto, apresente o estado da questão. Como, atualmente, a questão abordada em sua pesquisa está sendo vista ou desenvolvida. Quais foram as mudanças de perspectiva ao longo dos anos, que possibilitaram a atual abordagem do tema. Evidencie em que momento e complexidade encontra-se o seu recorte.
Essas considerações assumem a forma de sugestões que devem orientar a escrita do seu trabalho, mas não pretendem se concretizar em um passo a passo demasiadamente hermético. Muitos são os caminhos possíveis e as demandas de cada investigação. Porém, considerando as questões anteriormente abordadas, sua pesquisa terá melhor embasamento, reflexão e organização.
Todas as orientações feitas nos módulos 1 e 2 consistem em ações necessárias ao planejamento da sua pesquisa, pontos a serem destacados. Conceitualmente, esses elementos ajudam o pesquisador a contemplar os requisitos básicos em uma investigação científica. Entretanto, são necessárias aplicações de normas técnicas para a apresentação do projeto.
COMENTÁRIO
No próximo módulo, serão exploradas as normas que você precisa adotar como padrão de organização gráfica e de informações no seu projeto e nos demais trabalhos acadêmicos.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
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1. CONSIDERE A SEGUINTE SITUAÇÃO:
UM PESQUISADOR INICIOU AS CONSULTAS PARA A CONSTRUÇÃO DO EMBASAMENTO TEÓRICO DE SUA INVESTIGAÇÃO. ELE FOI ATÉ A BIBLIOTECA E SELECIONOU OS PRINCIPAIS AUTORES CLÁSSICOS QUE DISCORREM SOBRE O SEU PROBLEMA DE PESQUISA. COM AS OBRAS SELECIONADAS, CONSEGUIU MONTAR UM BOM ACERVO. AO INICIAR A PRODUÇÃO CORRESPONDENTE À EXPOSIÇÃO DE SEU REFERENCIAL TEÓRICO, ELE ESCREVEU OS ARGUMENTOS DE MODO CONTEXTUALIZADO, ESTABELECENDO UMA LÓGICA ENTRE AS INFORMAÇÕES APRESENTADAS, COM CITAÇÕES INDICADAS DE MANEIRA PERTINENTE, SITUANDO E ENVOLVENDO O LEITOR. COM ISSO, ELE FINALIZOU AS PÁGINAS MÍNIMAS SOLICITADAS PELO ORIENTADOR QUE, AO LER O TEXTO, INDICOU O ACRÉSCIMO DE INFORMAÇÕES AO CAPÍTULO, MESMO TENDO ATINGIDO O NÚMERO MÍNIMO DE PÁGINAS PROPOSTO.
DE ACORDO COM O QUE FOI DISCUTIDO NESTE MÓDULO, O QUE PODE TER MOTIVADO O ORIENTADOR A PEDIR A REVISÃO DO CAPÍTULO?
O orientador quer que ele inclua mais autores clássicos, pois é preciso mapear todos, mesmo que não possuam relação direta com o problema estipulado, pois esses autores são fundamentais em qualquer pesquisa acadêmica do tema.
O orientador não compreendeu bem seus argumentos, por esse motivo o texto precisa ser revisto.
O número de páginas pode ser ampliado, já que o texto ficou tão bom.
O orientador pediu para revisar o capítulo porque o aluno não apresentou o estado atual da questão investigada, como ela é vista pelos autores que publicaram recentemente, mesmo que inspirados nos clássicos.
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2. NO PLANEJAMENTO E NA APRESENTAÇÃO DE UMA PESQUISA, O EMBASAMENTO TEÓRICO NORTEIA A CONSTRUÇÃO DO(S) ITEM(NS):
Capítulo dedicado à escrita do embasamento e ao referencial teórico.
Deve fortalecer os argumentos apresentados na justificativa, parte onde se destaca a relevância do trabalho. Incluir argumentos teóricos aqui é fundamental.
Deve estar disposto como fio condutor de todo o trabalho, sendo evidenciado, sempre que pertinente, para justificar as escolhas, os recortes, a relevância do tema até a análise dos dados. Encontra lugar privilegiado na seção dedicada à exposição da revisão bibliográfica e do embasamento teórico.
Tema. É por meio do embasamento teórico que se define um tema; em um segundo momento, é feito um aprofundamento do tema para delimitar o problema, a questão a ser investigada.
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GABARITO
1. Considere a seguinte situação:
Um pesquisador iniciou as consultas para a construção do embasamento teórico de sua investigação. Ele foi até a biblioteca e selecionou os principais autores clássicos que discorrem sobre o seu problema de pesquisa. Com as obras selecionadas, conseguiu montar um bom acervo. Ao iniciar a produção correspondente à exposição de seu referencial teórico, ele escreveu os argumentos de modo contextualizado, estabelecendo uma lógica entre as informações apresentadas, com citações indicadas de maneira pertinente, situando e envolvendo o leitor. Com isso, ele finalizou as páginas mínimas solicitadas pelo orientador que, ao ler o texto, indicou o acréscimo de informações ao capítulo, mesmo tendo atingido o número mínimo de páginas proposto.
De acordo com o que foi discutido neste módulo, o que pode ter motivado o orientador a pedir a revisão do capítulo?
A alternativa "D " está correta.
Ao escrever a parte teórica da pesquisa, é fundamental demonstrar conhecimento sobre os clássicos e as últimas produções sobre o tema/problema. É indispensável apresentar o estado da questão, como ela está sendo analisada no contexto atual. Muitos conceitos sofrem mudanças na perspectiva de como são vistos ao longo dos anos, por isso demonstrar que entende essa trajetória é condição essencial.
2. No planejamento e na apresentação de uma pesquisa, o embasamento teórico norteia a construção do(s) item(ns):
A alternativa "C " está correta.
O embasamento teórico norteia todo o trabalho, até as conclusões. Existe também um espaço destinado especialmente ao aprofundamento das questões teóricas relevantes para a pesquisa.
MÓDULO 3
Identificar as normas técnicas que devem ser consideradas ao elaborar um trabalho acadêmico
AS NORMAS E A SOCIEDADE
A sociedade está organizada a partir de normas, que são compartilhadas entre grupos e organizações sociais. As normas influenciam a economia, no modo como são produzidos os alimentos, a qualidade de produtos e serviços. Elas estão presentes no dia a dia mais do que imaginamos e possuem a finalidade de organizar, garantir qualidade, facilitar o acesso à informação, dentre outros benefícios.
Fonte: Paul Vasarhelyi/Shutterstock
As normas fazem parte da organização social. Quando surge a necessidade de criação de uma norma, é porque um grupo, de algum jeito, já percebeu que a ausência de diretrizes tende a dificultar a execução de uma tarefa ou a produção de algo.
No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui os comitês técnicos responsáveis pela elaboração, aprovação e verificação da relevância das diferentes normas que são utilizadas como padrão para a realização de atividades nos diversos níveis da organização social.
NO CONTEXTO DA PRODUÇÃO DE PESQUISA E CONHECIMENTO, A ABNT APRESENTA AS NORMAS PARA PRODUÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS DOS DIFERENTES TIPOS.
Você possui o hábito de formatar seus trabalhos acadêmicos de acordo com normas técnicas? Geralmente segue a formatação recomendada pela universidade? Se você já está familiarizado com tais práticas, certamente compreende um pouco da relevância dessas normas.
Com o intuito de formalizar a apresentação das pesquisas, são consideradas algumas orientações que norteiam a formatação padronizada das informações necessárias, seja no projeto, na monografia, artigo, entre outros.
Muito se comenta sobre a aplicação das normas ABNT, mas imagine se não houvesse norma e os trabalhos pudessem ser apresentados da maneira que os pesquisadores quisessem!
Quais seriam as vantagens? Certamente, você pensa em flexibilidade, autonomia de formatação, facilidade. Agora, pense sob uma nova ótica: você já fez busca de trabalhos acadêmicos na internet, ou em uma biblioteca? Como ocorreu essa busca? Você consideroupalavras-chave? Categorização por áreas? Resumo? O que tornou possível o acesso ao acervo desejado?
É possível que você tenha usado termos conhecidos como “palavras-chave” para buscas na internet e consultado resumos de publicações antes de fazer a leitura completa, entre outros procedimentos que viabilizam a sua busca.
Fonte: Autor/Shutterstock
Se você consegue acessar determinado acervo bibliográfico de maneira eficaz, é porque existem procedimentos de catalogação, o que facilita as buscas e organização das publicações. Além disso, as normas técnicas tendem a evitar o plágio e garantir a autoria das publicações ao pesquisador. Por esses motivos, todos os trabalhos acadêmicos devem se basear, em sua organização, pelas normas disponibilizadas pela instituição e pela ABNT.
EM QUE CONSISTEM ESSAS NORMAS TÉCNICAS?
VERIFICAR
As normas formalizam a apresentação dos elementos constituintes do seu projeto de pesquisa, monografia, artigo etc. Elas também apresentam quais deverão ser as configurações gráficas da apresentação (tamanho de fonte, espaçamento, margens, entre outras configurações). Esse padrão de apresentação dos trabalhos é adotado por diferentes instituições no Brasil. É importante ter familiaridade com os procedimentos de formatação, adotando o padrão até mesmo em trabalhos menores, pois garante organização e proximidade do autor com procedimentos e normas.
ATENÇÃO
Aqui apresentamos os procedimentos mais comuns e presentes na maioria dos formatos de trabalhos acadêmicos. Mas você deverá ficar atento também às orientações técnicas que receberá de seu curso ou de sua instituição, que possuem liberdade de – obedecidas as normas gerais – definir normas que marquem a especificidade da pesquisa por eles determinada.
ELEMENTOS BÁSICOS DE UM TRABALHO ACADÊMICO
A seguir, serão explorados os elementos básicos de todos os trabalhos acadêmicos (monografias, dissertações, entre outros). Um trabalho científico deve se apresentar organizado da seguinte forma:
PARTE EXTERNA
· Capa
· Lombada
ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS
· Folha de rosto
· Errata
· Folha de aprovação
· Dedicatória
mais...
ELEMENTOS TEXTUAIS
· Introdução
· Desenvolvimento
· Conclusão
ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS
· Referências
· Glossário
· Apêndice
· Anexos
ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS
 Folha de rosto
 Errata
 Folha de aprovação
 Dedicatória
 Agradecimentos
 Epígrafe
 Resumo
 Resumo em língua estrangeira
 Lista de ilustrações
 Lista de tabelas
 Lista de abreviaturas e siglas
 Sumário
AGORA VAMOS ESPECIFICAR CADA ÁREA APRESENTADA.
Fonte: Tero Vesalainen/Shutterstock
PARTE EXTERNA
Como pudemos perceber, costuma ser a menor parte do documento, contendo apenas dois elementos:
CAPA
Deve conter as informações na seguinte ordem: nome da instituição, nome do autor, título e subtítulo (se houver), número do volume (se houver), cidade e ano. Consiste na apresentação inicial do trabalho. O texto deve estar em negrito, letras maiúsculas e centralizado, conforme a figura abaixo:
Fonte: Autor/Shutterstock
LOMBADA
Elemento opcional que contém em impressão longitudinal (do alto para baixo) as informações na seguinte ordem: nome do autor, título do trabalho e informações numéricas, como volume (se houver). As letras devem estar centralizadas e em negrito. A lombada é indicada quando o trabalho é impresso para encadernação.
ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS
A parte interna do trabalho inicia com os elementos pré-textuais, que devem estar posicionados anteriormente ao texto principal e oferecem informações relevantes para a identificação e utilização do trabalho. Os elementos são:
FOLHA DE ROSTO
Semelhante à capa. Apresenta as informações na seguinte ordem: instituição, nome(s) do(s) autor(es); título e subtítulo (se houver); número do volume (se houver); natureza da pesquisa e aprovação ou grau pretendido com ela; nome do orientador, coorientador (se houver); local (cidade) da entidade onde a pesquisa deve ser apresentada; ano de entrega.
Todas as informações devem estar centralizadas na página, exceto a natureza da pesquisa, grau e aprovação pretendidos, bem como nome do orientador. Essas informações devem estar justificadas a partir do meio da página, ocupando o lado direito e abaixo do título, conforme imagem abaixo. O verso da folha de rosto conterá a ficha catalográfica, elemento que deverá ser solicitado na biblioteca da instituição, após a finalização da pesquisa.
ERRATA
Elemento opcional inserido após a conclusão da escrita do trabalho, que visa citar possíveis erros que ocorreram, seguidos de suas respectivas correções. Geralmente, indica-se número da folha, linha, local do erro e correção, por meio dos termos “onde se lê…”, “leia-se…”.
FOLHA DE APROVAÇÃO
Obrigatória apenas em teses e dissertações.
DEDICATÓRIA
Página opcional em que o autor pode prestar uma homenagem ou dedicar o trabalho a uma ou mais pessoas.
AGRADECIMENTOS
Elemento opcional para fazer agradecimentos a todos que contribuíram para a sua trajetória durante a pesquisa. É importante agradecer ao orientador e à banca (se houver).
EPÍGRAFE
Elemento opcional em que o autor faz uma citação que vá ao encontro de sua pesquisa, indicando o nome do autor da frase citada.
RESUMO
É importante destacar, em frases objetivas, a síntese do trabalho: objetivos, ideia central, perspectiva teórica, metodologia e resultados obtidos. É orientado que o resumo seja uma construção breve, por isso, geralmente, possui indicação de quantidade de linhas ou palavras. É necessário ser direto e destacar os elementos essenciais. Ao final, são indicadas as palavras-chave (que resumem as ideias principais da pesquisa).
RESUMO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Consiste na versão do seu resumo em uma língua estrangeira (geralmente em inglês). Em inglês: ABSTRACT, em espanhol: RESUMEN, em francês: RÉSUMÉ, por exemplo. Obrigatório em dissertações e teses.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Elemento opcional que consiste em uma relação das ilustrações contidas no trabalho de maneira sequencial e sua página correspondente. Devem ser consideradas figuras, desenhos, esquemas, fluxogramas, fotografias, gráficos, mapas, entre outros, podendo haver recomendação de lista separada para cada um desses tipos de ilustração. Deve conter o nome da ilustração seguido da página em que se encontra. O título desse item deve estar em letras maiúsculas, centralizado no início da página e em negrito.
LISTA DE TABELAS
Elemento opcional elaborado de acordo com a ordem das tabelas apresentadas no texto. Deve conter cada item com seu nome específico, seguido da indicação da página em que está inserido. O título desse item deve estar em letras maiúsculas, centralizado no início da página e em negrito.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
Item opcional que consiste na apresentação em ordem alfabética de todas as abreviaturas e siglas utilizadas no texto, seguidas das expressões correspondentes. O título deste item deve estar em letras maiúsculas, centralizado no início da página e em negrito.
SUMÁRIO
Elemento obrigatório que consiste na enumeração sequencial dos capítulos, seções e demais formas de subdividir o trabalho, acompanhadas de suas respectivas páginas. Deve seguir a numeração e subdivisão propostas no corpo do texto, iniciando pelos elementos textuais. Deve haver uma linha pontilhada que ligue o nome do capítulo à página correspondente. Observe a figura a seguir:
ELEMENTOS TEXTUAIS
Os elementos textuais consistem na apresentação da pesquisa em si. Sua organização é subdividida em três partes distintas: introdução, desenvolvimento e conclusão. Esses elementos podem estar organizados em capítulos, dependendo do formato e objetivo do trabalho apresentado, e podem ter diversos títulos. Por exemplo, a parte do desenvolvimento do trabalho pode ter um ou mais títulos criados, com nomes que correspondam à pesquisa em sua abordagem.
Os títulos precisam ser numerados sequencialmente, com a numeração correspondente à seção alinhada à esquerda, antecedendo o nome do título, separados por espaço. Dessa forma, a página que inicia um capítulo deve conter a numeração correspondentee o nome do título alinhados à esquerda, em negrito. Em seguida, inicia-se a escrita do capítulo e se discorre sobre ele. Havendo necessidade de subdivisões, a numeração deverá ser adotada também, mas seguindo a ordem de seção secundária (adotar 1.1. para a primeira subdivisão do capítulo 1; 1.2. para a segunda e assim por diante).
INTRODUÇÃO
O texto introdutório deve conter alguns elementos que apresentem sua pesquisa. É importante fazer uma breve exposição sobre a escolha do tema, delimitando o recorte, bem como a relação do tema com outros, quando pertinente. É necessário evidenciar o problema de pesquisa, a justificativa, os objetivos e a hipótese. Você pode fazer isso por meio de subseções no texto introdutório ou de maneira corrida, mas é importante que o leitor consiga perceber a presença desses elementos. Geralmente, também é na Introdução que a metodologia deve ser evidenciada, com a descrição de cada técnica e procedimento de pesquisa.
Os seus argumentos expostos na Introdução também devem estar pautados em seu referencial teórico. Evidencie isso, mesmo que rapidamente, podendo ser um assunto retomado de maneira mais ampla quando estiver escrevendo o seu embasamento teórico.
A parte dedicada à exposição da sua revisão bibliográfica pode ser organizada em capítulo separado (como parte do desenvolvimento) ou como uma subseção da introdução, dependendo do formato do trabalho acadêmico em questão.
DESENVOLVIMENTO
O desenvolvimento é a exposição de todo o corpo da pesquisa. Deve conter a articulação ordenada dos assuntos. Apresenta-se como a parte mais extensa, em geral. Os tópicos iniciados na introdução devem ser desenvolvidos de modo mais detalhado. Nessa parte, também são apresentados os dados observados, a análise feita e a ótica sob a qual essa análise foi proposta, destacando como os dados foram interpretados.
A ótica da análise deve estar delineada pelas inspirações presentes no embasamento teórico. Se a perspectiva teórica adotada em sua pesquisa é a inspiração para elaboração de hipóteses, é a mesma perspectiva que vai possibilitar melhor compreensão dos resultados. O desenvolvimento deve ser organizado em seções e subseções.
CONCLUSÃO
Parte final do texto, em que são expostas as considerações finais. Muitas vezes, não se chega a uma conclusão fechada, pois o conhecimento científico é dinâmico e aberto a novas investigações. Pode-se adotar o termo “considerações finais” para articular os resultados da sua pesquisa, tendo em vista objetivos, hipóteses e resposta para o problema proposto.
FORMATO DO TRABALHO ACADÊMICO
Em projetos de pesquisa, por exemplo, Gil (2002) sugere que a revisão de literatura seja apresentada como parte da introdução, podendo ser um subitem. Em trabalhos maiores, geralmente, a revisão é apresentada em capítulo próprio.
ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS
São elementos que finalizam e completam o trabalho. Consistem na apresentação das referências, glossário, apêndice, anexos e índice.
REFERÊNCIAS
Apresenta-se como elemento obrigatório. Reúne as informações sobre todas as fontes de consulta citadas durante o trabalho, permitindo a identificação de cada obra. Deve conter as seguintes informações das obras citadas, organizadas por ordem alfabética: autor, título da obra, edição, local, editora e data de publicação. Quando houver informação adicional, deve estar evidenciada (volume, total de páginas). Para consultas via internet, deve-se indicar também o endereço e a data de acesso do documento.
VEJA ALGUNS EXEMPLOS DE COMO ORGANIZAR AS INFORMAÇÕES DAS REFERÊNCIAS!
GLOSSÁRIO
Elemento opcional que apresenta eventuais expressões ou palavras de uso restrito a determinado grupo ou de significado não muito conhecido e suas respectivas definições.
APÊNDICE
Elemento opcional que apresenta os documentos escritos pelo autor que complementam a pesquisa, sem que represente um prejuízo à compreensão do trabalho. Devem ser identificados por letras maiúsculas em sequência, seguidas de travessão, com o título do documento ao lado (APÊNDICE A – Análise dos dados).
ANEXOS
São elementos facultativos e consistem na inclusão de documentos não elaborados pelo autor, que complementam a sua pesquisa. São identificados por letras maiúsculas sequenciais, seguidas de travessão, com seus respectivos títulos (ANEXO A – Ficha de Anamnese).
As regras anteriormente apresentadas constituem as especificidades de cada parte que deve estar contida na maioria dos trabalhos acadêmicos. A seguir, serão exploradas as regras gerais e recomendações para configuração gráfica do texto como um todo. Também aqui optamos por apresentar, exatamente, regras gerais; aquelas mais específicas (ou ainda qualquer alteração nessas aqui apresentadas) permanecem por conta do tipo de trabalho acadêmico e da orientação das instituições.
OS EXEMPLOS A SEGUIR SÃO AS REFERÊNCIAS MAIS RECORRENTES:
Para obras que possuem um autor:
SOBRENOME, Nome. Título. Subtítulo da obra. Edição. Local: editora, ano de publicação.
Para obras que possuem mais de um autor:
SOBRENOME, Nome; SOBRENOME, Nome. Título. Subtítulo da obra. Edição. Local: editora, ano de publicação.
Para obras que possuem mais de três autores:
SOBRENOME, Nome et alii. Título. Subtítulo da obra. Edição. Local: editora, ano de publicação.
Para trabalhos acadêmicos:
SOBRENOME, Nome. Título do trabalho. Ano da publicação. Número do volume, total de folhas. Graduação/Dissertação/Tese (nome do curso - graduação/mestrado/doutorado) – Universidade, local, ano.
Para autor - entidade
NOME DA ENTIDADE. Título da obra. Local, ano. Número de páginas.
Para artigos e periódicos online
SOBRENOME, Nome. Título da obra. Nome da revista em que foi publicado o artigo. Cidade, volume, número, período (meses). Ano. Disponível em: http//www.google.com/exemplo. Acesso: inserir data de acesso.
Para referências legislativas:
É possível que você precise citar documentos de outras fontes, não exemplificadas aqui. Consulte as normas da ABNT NBR 6023:2018 ou o documento com as orientações próprias da instituição em que ocorre a pesquisa. Elas têm liberdade, inclusive, de definir se as referências dizem respeito apenas às obras citadas na pesquisa, àquelas que foram consultadas. E, ainda, se utilizadas como citação direta, ou também em citação indireta.
NORMAS TÉCNICAS GERAIS
Seu trabalho deve ter:
	1
	Folhas configuradas em tamanho A4
	2
	Texto digitado com fonte de cor preta e tamanho 12
	3
	Fonte do texto em Times New Roman ou Arial
	4
	Corpo do texto justificado, alinhado às margens direita e esquerda
	5
	O espaçamento entre as linhas deve ser configurado para 1,5
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal
DICA
· Para as citações com mais de três linhas, notas de rodapé, referências, legendas de ilustrações e tabelas, o espaçamento entre as linhas deve ser simples;
· Para as notas de rodapé, legendas, paginação e citações com mais de três linhas, recomenda-se uma fonte menor do que a do corpo do texto (utilizar tamanho 11 ou 10 para as citações e 10 para nota de rodapé).
A configuração de margem deve atender às seguintes orientações:
	1
	Margem superior e esquerda com 3cm
	2
	Direita e inferior com 2cm
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal
A numeração das páginas deve considerar a seguinte lógica:
	1
	Indicar, no canto superior direito da folha, a numeração sequencial expressa em algarismos arábicos.
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal
Os trabalhos são divididos em:
	1
	Elementos pré-textuais
	2
	Textuais
	3
	Pós-textuais
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal
A numeração visível na folha é indicada a partir dos elementos textuais, até os pós-textuais. Os elementos pré-textuais devem ser contados (exceto a capa), porém não numerados.
Para organização das seções, é recomendada a numeração dos títulos e subtítulos (seções primárias, secundárias etc.). Considere o exemplo a seguir, de acordo com ABNT NBR 6024:2003.
	1
	SEÇÃO PRIMÁRIA (CAIXA ALTA,NEGRITO, TAMANHO 12)
	1.1
	Seção secundária (Caixa baixa, negrito, tamanho 12)
	1.1.1
	Seção terciária (Caixa baixa, itálico, negrito, tamanho 12)
	1.1.1.1
	Seção quaternária (Caixa baixa, itálico sem negrito, tamanho 12)
	1.1.1.1.1
	Seção quinária (Caixa baixa, sem negrito, tamanho 12)
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal
Na imagem, é observado um exemplo de aplicação de todas as orientações anteriores: texto justificado, margens configuradas conforme orientação, fonte configurada na cor e tamanho adequados, espaçamento entre linhas, exemplo de citação recuada (com fonte menor, espaçamento simples e recuo), nota de rodapé (com fonte menor e espaçamento simples) e paginação.
No vídeo a seguir, conheceremos os elementos básicos do trabalho acadêmico:
VERIFICANDO O APRENDIZADO
Parte superior do formulário
1. CONSIDERE O TRECHO A SEGUIR:
“ESTE TRABALHO TEM COMO OBJETIVO REFLETIR SOBRE A AVALIAÇÃO EDUCACIONAL, ESTABELECENDO COMO RECORTE OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DA REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO. É FEITA UMA CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E INVESTIGAÇÃO DAS FORMAS COMO ESSA PRÁTICA VEM SENDO PROPOSTA NAS ROTINAS ESCOLARES. AS CONSIDERAÇÕES DE ESTEBAN (2003), PERRENOUD (1999) E LUCKESI (2009) DÃO SUSTENTAÇÃO TEÓRICA A ESTA PESQUISA.
SÃO ADOTADOS COMO PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A ANÁLISE DOCUMENTAL DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO E RELATÓRIOS, OBSERVAÇÃO DIRETA NO COTIDIANO DAS TURMAS SELECIONADAS E ENTREVISTAS COM OS PROFISSIONAIS SOBRE PRÁTICAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO. OS RESULTADOS PARCIAIS SUGEREM UMA PRÁTICA TRADICIONAL QUE TENDE A LIMITAR A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM A MOMENTOS ESTANQUES, ATRAVÉS DE POUCOS E PONTUAIS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO, EXCLUINDO-SE AS OBSERVAÇÕES COTIDIANAS DE DESEMPENHO DOS ALUNOS.
ESTE MODELO APRESENTA-SE COMO INSUFICIENTE E EXCLUDENTE, POIS A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA PERSPECTIVA DESTA PESQUISA É CONCEBIDA COMO UM PROCESSO CONTÍNUO E INCLUSIVO, QUE LANÇA MÃO DE DIFERENTES INSTRUMENTOS E CRITÉRIOS CLAROS.
O TRECHO ANTERIOR É UM EXEMPLO DE QUAL ELEMENTO DE UM TRABALHO ACADÊMICO?
Introdução, contida nos elementos textuais.
Introdução, contida nos elementos pré-textuais.
Resumo, contido nos elementos textuais.
Resumo, contido nos elementos pré-textuais.
Parte inferior do formulário
Parte superior do formulário
2. SÃO CONFIGURAÇÕES GERAIS SUGERIDAS PELAS NORMAS DA ABNT:
Espaçamento entre linhas simples no corpo do texto, fonte tamanho 13 (Arial ou Times), cor preta, papel tamanho A4, com margens superior e esquerda com 3cm; direita e inferior com 2cm.
Espaçamento entre linhas 1,5 no corpo do texto, fonte tamanho 12 (Arial ou Times), cor preta, papel tamanho ofício, com margens superior e esquerda com 3cm; direita e inferior com 2cm.
Espaçamento entre linhas 1,5 no corpo do texto, fonte tamanho 12 (Arial ou Times), cor preta, papel tamanho A4, com margens superior e esquerda com 3cm; direita e inferior com 2cm.
Espaçamento entre linhas 1,5 no corpo do texto, fonte tamanho 12 (Arial ou Times), cor preta, papel tamanho A4, com margens superior e esquerda com 2cm; direita e inferior com 3cm.
Parte inferior do formulário
GABARITO
1. Considere o trecho a seguir:
“Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a Avaliação Educacional, estabelecendo como recorte os anos iniciais do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro. É feita uma contextualização do tema e investigação das formas como essa prática vem sendo proposta nas rotinas escolares. As considerações de Esteban (2003), Perrenoud (1999) e Luckesi (2009) dão sustentação teórica a esta pesquisa.
São adotados como procedimentos metodológicos a análise documental dos instrumentos de avaliação e relatórios, observação direta no cotidiano das turmas selecionadas e entrevistas com os profissionais sobre práticas e critérios de avaliação. Os resultados parciais sugerem uma prática tradicional que tende a limitar a avaliação da aprendizagem a momentos estanques, através de poucos e pontuais instrumentos de avaliação, excluindo-se as observações cotidianas de desempenho dos alunos.
Este modelo apresenta-se como insuficiente e excludente, pois a avaliação da aprendizagem na perspectiva desta pesquisa é concebida como um processo contínuo e inclusivo, que lança mão de diferentes instrumentos e critérios claros.
O trecho anterior é um exemplo de qual elemento de um trabalho acadêmico?
A alternativa "D " está correta.
O resumo faz parte dos elementos pré-textuais. Na sequência, o resumo é definido como aquele que contém, em frases objetivas, a síntese do trabalho: os objetivos, a ideia central, perspectiva teórica, metodologia e os resultados obtidos.
2. São configurações gerais sugeridas pelas normas da ABNT:
A alternativa "C " está correta.
As configurações devem seguir o exposto na letra C, em relação a espaçamento, espaço entre linhas, fonte, margens.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os conceitos explorados no módulo 1 colaboram para a escrita do seu projeto de pesquisa, fase fundamental de reflexão e estabelecimento de diretrizes. O módulo 2 possibilitou um contato com estratégias de leitura e construção dos argumentos teóricos, bem com a forma como esses argumentos devem delinear sua pesquisa, desde o planejamento até a análise dos dados e conclusão. Ao final deste tema, você refletiu sobre as vantagens de se adotar normas técnicas para a apresentação das pesquisas e como isso facilita o acesso à informação, a diminuição do plágio e a catalogação de pesquisas acadêmicas. A partir disso, foram apresentadas e exemplificadas as normas da ABNT que servem de padrão para a apresentação da sua pesquisa.
A partir das reflexões aqui propostas, estabeleça seu cronograma de estudos, inicie as leituras, a revisão bibliográfica e escrita do seu projeto. Realizar essas ações de maneira antecipada garante que você faça o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de forma mais tranquila, segura e leve.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6023: informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6024: informação e documentação: numeração progressiva das seções de um documento escrito: apresentação. Rio de Janeiro, 2003.
BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
DEMO, Pedro. Introdução à Metodologia da Ciência. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1985.
GERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo. Métodos de pesquisa. Porto Alegre: UFRGS, 2009.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
MINAYO, Maria Cecília de Sousa (Org.) Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 28. ed. Petrópolis: Vozes, 2009.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed; Belo Horizonte: UFMG, 1999.
MORAES, Rodrigo. O plágio na pesquisa acadêmica: a proliferação da desonestidade intelectual. In: Revista Diálogos Possíveis. Bahia, ano 3. N. 01, p. 91-109. Jan/Jun 2004.
ROMANOWSKI, Joana Paulim, Romilda Teodora Ens. As pesquisas denominadas do tipo “Estado da arte” em educação. In: Diálogo Educacional, Curitiba, v.6, n.19, 37-50, 2006.
RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.
VEIGA-NETO, Alfredo. É preciso ir aos porões. In: Revista Brasileira de Educação. Rio de Janeiro, v.17, n.50, p.267-492, maio/ago. 2012.
EXPLORE+
Como vimos ao longo da exploração deste tema, a pesquisa é uma importante via para se produzir conhecimento e buscar a compreensão da realidade. Para ampliar seus conhecimentos sobre a complementaridade entre as práticas educativas e a pesquisa, é importante ver como Pedro Demo articula o tema em seu livro Educar pela Pesquisa.
Conforme explorado no módulo 3, é orientado que se adote normas técnicas para a apresentaçãoda sua pesquisa. Para melhor apropriação dessas normas e de como elas são propostas, explore o catálogo da ABNT. Além das normas apresentadas, confira, especialmente: NBR 6027, NBR 6028, NBR 6034, NBR 10520, NBR 12225, NBR 14724, NBR 15287.
Como essas normas geralmente sofrem atualização, e são muito detalhadas, você deve pesquisar uma versão digital que apresente todas as normas de modo organizado. Uma boa opção é o Manual de Normalização do Trabalho Acadêmico do IFB (Instituto Federal de Brasília).
DEFINIÇÃO
Identificação dos instrumentos úteis ao desenvolvimento da pesquisa. Características dos trabalhos acadêmicos mais recorrentemente utilizados. Estruturação e componentes do artigo científico. Características específicas dos trabalhos de conclusão: monografias, dissertações e teses.
PROPÓSITO
Compreender os diferentes tipos de trabalhos acadêmicos, com suas características comuns e nuances, bem como quando se espera que cada um seja utilizado no decorrer de uma pesquisa, algo fundamental para o desenvolvimento do pesquisador.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Identificar os conceitos e as funções do fichamento, do resumo e das resenhas acadêmicas
MÓDULO 2
Reconhecer os artigos científicos por meio de sua estrutura e de seus conteúdos
MÓDULO 3
Identificar as expectativas com relação às monografias, dissertações e teses com base em suas definições
INTRODUÇÃO
O mundo acadêmico pode ser caracterizado pela produção de conhecimento, mas não qualquer um: o saber elaborado neste meio demanda metodologias, regras e critérios bem definidos. Chamamos tal saber de conhecimento científico e podemos apontar, pelo menos, duas aplicações para ele.
Por um lado, o conhecimento científico contribui para o desenvolvimento da sociedade como um todo, seja na esfera social, seja nas esferas econômica, cultural etc. Assim, sua contribuição vai desde a análise dos problemas que afetam a sociedade até o desenvolvimento de produtos que possam melhorar a qualidade de vida da população, como as vacinas, por exemplo.
Por outro lado, o conhecimento científico serve de base para sua própria renovação dentro da comunidade acadêmica, o que, por sua vez, levará à reprodução do processo de criação de novos conhecimentos. É para esta segunda aplicação que voltaremos nossas atenções a partir de agora.
NO ENTANTO, DE QUE MANEIRA PODEMOS ATESTAR A CONFIABILIDADE DO CONHECIMENTO GERADO A PARTIR DA EXECUÇÃO DE UMA PESQUISA?
De acordo com Mueller (2000), essa confiança provém da divulgação dos resultados obtidos e de sua aprovação por outros acadêmicos da área, ou seja, os chamados “pares”. Somente assim, determinado estudo passa a usufruir do status de saber confiável. 
O processo pelo qual as conclusões de uma pesquisa passam até serem consideradas aceitáveis pela comunidade acadêmica é chamado de sistema de comunicação científica. A capacidade de redigir trabalhos acadêmicos segundo esse sistema é uma das competências que se espera do pesquisador.
Porém, como veremos a seguir, os trabalhos não são iguais. Não são produzidos da mesma maneira, nem com as mesmas finalidades, embora seja comum se inter-relacionarem.
MÓDULO 1
Identificar os conceitos e as funções do fichamento, do resumo e das resenhas acadêmicas
Autor: fizkes / Fonte: Shutterstock
FICHAMENTO
Múltiplo e bastante diversificado, o fichamento pode ser de várias modalidades. É possível que esteja voltado à reunião apenas de citações presentes em um texto ou ser redigido exclusivamente para reunir comentários realizados pelo pesquisador, por exemplo.
Igualmente, o pesquisador é capaz de produzir fichas temáticas. Assim, é possível juntar, em somente um documento, as posições de diversos autores sobre determinado tema.
Contudo, voltaremos nossas atenções para o tipo mais comumente utilizado, conhecido como fichamento de leitura.
O fichamento é um instrumento de grande valia para o desenvolvimento de uma pesquisa. Ele é ainda mais útil quando se tem por objetivo produzir um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): monografia, dissertação ou tese. Afinal, a pesquisa, seja ela da área do conhecimento que for, demanda do investigador o conhecimento sobre a bibliografia produzida acerca do assunto estudado.
Todo trabalho acadêmico conta, em algum momento, com uma revisão bibliográfica. É um item obrigatório por demonstrar, em linhas gerais, o que já foi produzido sobre determinado assunto, destacando, assim, que a pesquisa desenvolvida é necessária.
Apenas com conhecimento do que já foi produzido, dá para perceber lacunas e realizar uma investigação com perspectiva original. Porém, a contribuição do fichamento não termina aí. Ele também auxilia com os referenciais teóricos e as metodologias. Enfim, praticamente tudo o que é lido e útil para o trabalho a ser realizado pode ser fichado.
A necessidade de se elaborar fichas vem, por um lado, da quantidade de artigos, livros, trabalhos de conclusão etc. reunidos em um levantamento bibliográfico que o estudioso se vê compelido a ler. Nesse sentido, o fichamento acaba sendo uma consequência que preserva o tempo do estudioso (MEDEIROS, 2006), uma vez que não precisa ficar retornando ao texto completo a todo momento.
Por outro lado, o fichamento surge da corriqueira demanda pela consulta a obras guardadas em bibliotecas ou arquivos.
Eco (2007) afirma que o cenário ideal seria aquele onde teríamos todas as obras que precisássemos ao longo do desenvolvimento de um trabalho dentro de casa, mas esta não é a realidade. Em alguns casos – ou mesmo em muitos, dependendo da investigação realizada –, as obras sequer podem ser emprestadas. Em tais circunstâncias, o fichamento funciona como uma espécie de substituto para o texto cujo acesso não é tão fácil.
De maneira sucinta, essa ferramenta pode ser compreendida como uma compilação dos tópicos importantes de determinado texto. Os benefícios decorrentes de sua prática são vários.
Ao fichar um trabalho acadêmico, o pesquisador consegue reunir em um único documento – cujo tamanho é sensivelmente menor que o original – informações que, espera-se, serão úteis a ele ao longo de toda a pesquisa. Além de identificar a obra fichada e sintetizar seu conteúdo, esses dados podem englobar citações, análises, comentários ou críticas, por exemplo (GIL, 2002; MARCONI; LAKATOS, 2017).
Assim, segundo Lima (2015), os efeitos práticos de tal iniciativa são: evitar releituras de textos já lidos – e fichados –, bem como facilitar a subsequente utilização das informações em um trabalho escrito. Por essas razões, Eco (2007) considera a prática do fichamento indispensável ao ofício da investigação acadêmica.
A construção – “como fazer” –, porém, é diversificada. Isso é assim porque não há uma maneira única de elaborar um fichamento. O que podemos constatar é que alguns componentes são mais mencionados pelos autores que se ocuparam do assunto e, por isso, podem ser tratados como itens obrigatórios.
LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO
Material reunido pelo investigador que serve de base para o estudo que está sendo realizado
Nesse sentido, Hühne (1995 apud LIMA, 2015) propõe um modelo “compacto” de fichamento, composto por cinco itens básicos:
01
02
03
04
05
01
Referência bibliográfica do texto a ser fichado.
02
Resumo indicativo.
03
Citações consideradas mais importantes para a pesquisa.
04
Comentários ou críticas.
05
Ideias ou problemas deixados em aberto no texto.
Desses cinco quesitos, os três primeiros precisam, necessariamente, estar presentes: referência bibliográfica, resumo e citações. A ausência de algum desses elementos acarretaria a descaracterização do fichamento. Cabe, portanto, algumas palavras sobre tais itens.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
A referência bibliográfica é o primeiro ponto a ser registrado no fichamento. Ela tem uma dupla serventia: por um lado, identifica a ficha (a que obra ela se dedica); por outro, antecipa a necessidade futura que o pesquisador terá de produzir a listagem com as referências utilizadas em seus trabalhos acadêmicos. Por isso, como enfatiza Hühne (1995 apud LIMA, 2015), as referências devemser feitas de acordo com a norma NBR 6023 (ABNT, 2018).
RESUMO
O segundo tópico obrigatório é o resumo. Apesar de Hühne (1995 apud LIMA, 2015) apontar o tipo indicativo, Lima (2015) defende que o quesito seja uma escolha de quem está fichando. Como veremos no próximo item, o resumo (indicativo ou informativo) deve apresentar concisamente:
· As ideias do autor da obra.
· O objeto.
· A metodologia.
· Os critérios.
· As conclusões alcançadas.
O pesquisador decidirá como cada aspecto será tratado. Não podemos esquecer que o fichamento é um instrumento auxiliar da pesquisa. Portanto, é de uso eminentemente pessoal.
CITAÇÃO
O terceiro elemento que não pode faltar, segundo Lima (2015), é a citação, que deve ser produzida de acordo com a norma NBR 10520 (ABNT, 2002). Neste momento, transcrevemos para o fichamento aqueles trechos que julgamos ser fundamentais para a compreensão das ideias do autor apresentadas em um texto acadêmico.
RESUMO
O resumo é, provavelmente, a modalidade mais disseminada dentre aquelas que compõem o gênero textual acadêmico. Ele se faz presente desde o começo da trajetória do pesquisador e nunca mais o abandona.
O resumo pode ser realizado para:
01
A apresentação de uma comunicação em algum congresso – as inscrições costumam, quase em sua totalidade, cobrar um resumo do que será apresentado.
02
A redação de um artigo científico – a maioria dos periódicos científicos exige do autor um resumo sobre o texto encaminhado.
03
A produção de um trabalho de conclusão – em que o resumo também é um componente obrigatório.
A presença praticamente universal do resumo, em consequência da demanda por seu emprego, encontra explicação naquele que é seu objetivo final: proporcionar, em poucas palavras, uma visão ampla e suficientemente informativa sobre o conteúdo da obra resumida.
Há duas formas de se alcançar esse objetivo nos seguintes textos:
TEXTO DE PRÓPRIA AUTORIA
Nestes casos, somos impelidos a sintetizar as informações que são mais comumente exigidas em um trabalho acadêmico. Em outras palavras, tratando-se do resumo de um texto pertencente ao gênero acadêmico, espera-se que ele informe determinada gama de aspectos.
Nesse sentido, Medeiros (2006) e Severino (2002) destacam alguns dos itens que costumeiramente são esperados, já mencionados antes, como: objeto tratado, objetivo(s), metodologia(s), critérios adotados e conclusões alcançadas. O resumo precisa ser capaz de proporcionar ao leitor subsídios para que este decida se vale a pena ou não ler o texto completo.
TEXTO DE AUTORIA ALHEIA
Aqui, embora o objetivo final seja o mesmo, o resumo é, primordialmente, um esforço de leitura e interpretação feito sobre outro trabalho. Trata-se da “apresentação concisa e, frequentemente, seletiva do texto, destacando-se os elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais ideias do autor da obra” (MARCONI; LAKATOS, 2017, p. 74).
Severino (2002, p. 131) afirma que o “resumo do texto é, na realidade, uma síntese das ideias, e não das palavras do texto”. Em outros termos, resumir é fazer uma exposição concisa e seletiva das ideias presentes em determinado texto.
Assim, para além daqueles itens destacados anteriormente, Medeiros (2006) acrescenta a necessidade de o resumo também apresentar a articulação de ideias, isto é, como elas são dispostas e conectadas dentro do texto. Esse tipo de resumo é mais comum de ser feito quando produzimos uma resenha, como veremos no próximo tópico.
Podemos perceber, portanto, que a redação de um resumo não é tarefa das mais fáceis. Visando facilitar esse procedimento, várias iniciativas foram e vêm sendo adotadas. Estas visam, sobretudo, padronizar a maneira de redigir um resumo.
Nesse sentido, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elaborou, em 2003, uma norma voltada exclusivamente para o resumo: a NBR 6028. Em linhas gerais, essa norma define resumo como “apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento” (ABNT, 2003b, p. 1) e o classifica em três tipos: indicativo, informativo e crítico. Cada um deles representa um grau de aprofundamento.
Além disso, a referida norma ocupa-se, ainda, em indicar algumas orientações – chamadas de regras gerais de apresentação – sobre a construção do resumo. Por fim, determina os tamanhos:
01
02
01
Resumos de artigos científicos – de 100 a 250 palavras.
02
Resumos de trabalhos de conclusão e de relatórios técnico-científicos – de 150 a 500 palavras
Essa norma tem servido de base para as reflexões de diversos autores interessados na temática. Por exemplo, Marconi e Lakatos (2017) apontam que os resumos chamados de indicativos são aqueles que se referem apenas às partes principais do texto, descrevendo sua natureza, forma e finalidade. Esses resumos não dispensam a consulta ao texto completo. Outra maneira de mencionar esse tipo é intitulando-o resumo descritivo.
Com relação ao resumo informativo, Pereira (2013) pondera que sua aparência lembra a de um pequeno trabalho, e que sua apresentação pode ser estruturada ou não estruturada. Ambas possuem o mesmo conteúdo, variando apenas na forma.
Autor: Dmitry Dorodniy / Fonte: Shutterstock
No primeiro caso (apresentação estruturada), o resumo é constituído de partes precedidas por subtítulos, que costumam ser designados, de modo padronizado, pelo veículo de publicação – os periódicos científicos são os mais comuns – e remetem, quase sempre, àqueles aspectos esperados de um resumo de texto do gênero acadêmico: objetivo(s), metodologia(s), conclusões etc.
No segundo caso (apresentação não estruturada), todas as informações são dispostas em texto corrido.
Em tese, o resumo informativo dispensa a necessidade de consulta do texto completo. Já o resumo crítico será visto mais adiante – trata-se da resenha.
Confira, a seguir, dois exemplos de resumos:
EXEMPLO 1
Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. Examina os textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem, que buscam erigir uma gramática do texto, uma teoria do texto. São objeto de seu estudo a coesão, o clichê, a frase feita, o “não texto” e o discurso indefinido. Parte de conjecturas e indagações, apresenta os critérios para a análise, as informações sobre o candidato, o texto e farta exemplificação.
Resumo indicativo. Fonte: MEDEIROS,2006, p. 153-154. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981. 
EXEMPLO 2
Examina 1.500 redações de candidatos a vestibulares (1978), obtidas da FUVEST. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de 1981. Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na linguagem escrita, particularmente desses indivíduos. Escolheu redações de vestibulandos pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. Sua hipótese inicial é da existência de uma possível crise na linguagem e, por meio do estudo, estabelecer relações entre os textos e o nível de estruturação mental de seus produtores. Entre os problemas, ressaltam-se a carência de nexos, de continuidade e quantidade de informações e a ausência de originalidade. Também foram objeto de análise condições externas, como família, escola, cultura, fatores sociais e econômicos. Um dos critérios de análise é a utilização do conceito de coesão. A autora preocupa-se, ainda, com a progressão discursiva, com o discurso tautológico, as contradições lógicas evidentes, o nonsense, os clichês, as frases feitas. Chegou à conclusão de que 34,8% dos vestibulandos demonstram incapacidade de domínio dos termos relacionais; 16,9% apresentam problemas de contradições lógicas evidentes. A redundância ocorreu em 15,2% dos textos. O uso excessivo de clichês e frases feitas aparece em 69% dos textos. Somente em 40 textos, verificou-se a presença de linguagem criativa. Às vezes, o discurso estrutura-se com frases bombásticas, pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade, valorizando o devaneio.
Fonte: Resumo informativo.Medeiros (2006, p. 138-139). ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981. 
Autor: Lamai Prasitsuwan / Fonte: Shutterstock
Um último ponto, mas não menos importante, diz respeito ao emprego das palavras-chave. De acordo com Curty e Boccato (2005), elas representam o conteúdo do texto e devem ser registradas logo abaixo do resumo.
Quando nos referimos a resumos inseridos em artigos, as palavras-chave tornam-se elemento obrigatório e contribuem para a indexação do trabalho nas bases de dados. Sua quantidade varia, mas, geralmente, restringe-se a três.
Outra característica que pode oscilar é a liberdade para sua escolha. Em determinadas áreas, como as Ciências da Saúde, as palavras-chave – chamadas de descritores – são de uso controlado, ou seja, há uma lista já pronta, e o autor escolhe aquelas que mais interagem com seu trabalho. Na área de Humanidades, a seleção das palavras-chave fica a critério do próprio autor. Apenas a quantidade é predeterminada (PEREIRA, 2013). 
Autor: ZoFot / Fonte: Shutterstock
RESENHAS ACADÊMICAS
Embora de natureza completamente distinta, a resenha acadêmica cumpre uma função que é semelhante ao papel do fichamento, ou seja, busca-se poupar o tempo do pesquisador. Essa necessidade é uma das consequências do fenômeno chamado explosão bibliográfica.
O objetivo principal da resenha é proporcionar ao leitor uma quantidade suficiente de informações para que este possa, de maneira embasada, decidir sobre a leitura – ou não – do texto completo.
Nesse sentido, Severino (2002) observa que a resenha auxilia o estudioso no processo de seleção das leituras que deverão ser feitas, seja para o desenvolvimento da investigação, seja para a subsequente produção dos trabalhos acadêmicos. Em outras palavras, a resenha serve para poupar o investigador de leituras desnecessárias – para sua pesquisa – e, com isso, otimizar seu tempo.
EXPLOSÃO BIBLIOGRÁFICA
De acordo com Mueller (2000), entende-se por essa expressão o aumento da quantidade, em grande velocidade, do número de trabalhos acadêmicos produzidos ao redor do mundo. Este não é um fato recente – teve início em fins do século XVII –, mas o advento da internet e sua difusão no início do século XXI deu maior intensidade ao processo.
Com a rapidez com que o conhecimento se renova, aparece a dificuldade de atualização ou o acompanhamento das novidades relacionadas ao saber científico por parte do pesquisador ou do interessado em geral.
EXPLOSÃO BIBLIOGRÁFICA
De acordo com Mueller (2000), entende-se por essa expressão o aumento da quantidade, em grande velocidade, do número de trabalhos acadêmicos produzidos ao redor do mundo. Este não é um fato recente – teve início em fins do século XVII –, mas o advento da internet e sua difusão no início do século XXI deu maior intensidade ao processo.
Com a rapidez com que o conhecimento se renova, aparece a dificuldade de atualização ou o acompanhamento das novidades relacionadas ao saber científico por parte do pesquisador ou do interessado em geral
O QUE É UMA RESENHA?
DE ACORDO COM A NBR 6028 (ABNT, 2003B), TRATA-SE DA MODALIDADE DE RESUMO CHAMADA RESUMO CRÍTICO, CUJA DEFINIÇÃO CONSISTE NA ANÁLISE CRÍTICA DE DETERMINADO TEXTO REALIZADA POR UM ESPECIALISTA. PORÉM, TAL ACEPÇÃO NÃO É SUFICIENTEMENTE ESCLARECEDORA A PONTO DE RESPONDER A NOSSA PERGUNTA SATISFATORIAMENTE. DESSE MODO, CABE IDENTIFICAR COMO ALGUNS AUTORES A CARACTERIZAM.
Marconi e Lakatos (2017) entendem a resenha como uma descrição pormenorizada do conteúdo de um texto, na qual o resenhista resume, critica e formula um juízo de valor sobre a obra. No entanto, a resenha também deve ser entendida como uma redação técnica dotada de sequências textuais que não se restringem à descrição, mas também englobam narração e dissertação.
Como afirmamos antes, a finalidade das resenhas é possibilitar a seu leitor elementos para que consiga, de maneira fundamentada, decidir se a leitura do texto completo lhe é pertinente ou não (SEVERINO, 2002).
Por isso mesmo, elas configuram uma modalidade específica de trabalho acadêmico, estando presentes no sistema de comunicação científica. Podemos encontrá-las, com relativa frequência, publicadas em seções especialmente destinadas a elas nos periódicos científicos. Porém, não são todas as revistas acadêmicas que publicam resenhas.
NARRAÇÃO E DISSERTAÇÃO
“Estruturalmente, [a resenha] descreve as propriedades da obra (descrição física da obra), relata as credenciais do autor, resume a obra, apresenta suas conclusões e metodologia empregada, bem como expõe um quadro de referências em que o autor se apoiou (narração) e, finalmente, apresenta uma avaliação da obra e diz a quem a obra se destina (dissertação).”
Fonte:: MEDEIROS, 2006, p. 153-154.
QUAIS SÃO AS SUAS VARIAÇÕES?
DO MESMO MODO QUE PODEMOS ENCONTRAR DIFERENTES TIPOS DE RESUMOS E FICHAMENTOS, AS RESENHAS TAMBÉM PODEM SER CATEGORIZADAS. EMBORA NÃO HAJA UNANIMIDADE ENTRE OS AUTORES SOBRE ISSO, OPTAMOS PELA POSIÇÃO DE MEDEIROS (2006), QUE INDICA A EXISTÊNCIA DE DUAS MODALIDADES: A DESCRITIVA E A CRÍTICA.
RESENHA DESCRITIVA
Segundo Fiorin e Savioli (2003, p. 426), redigir uma resenha descritiva significa “fazer uma relação das propriedades de um objeto, enumerar cuidadosamente seus aspectos relevantes, descrever as circunstâncias que o envolvem”.
Nesse tipo de resenha, prevalece, evidentemente, a sequência textual da descrição. Porém, é possível encontrar também partes narrativas. De acordo com esses autores, o objeto resenhado pode ser tanto um acontecimento quanto textos ou outras obras culturais.
Os estudiosos do assunto salientam, ainda, que o principal a ser observado é que toda resenha descritiva é seleção. Isso decorre do fato de as características e conjunturas que circundam o objeto serem múltiplas, tornando inviável descrever cada uma delas. Em outros termos, impossível não é.
MAS A RESENHA NÃO BUSCA POUPAR O TEMPO DO ESTUDIOSO?
A DESCRIÇÃO PORMENORIZADA DE TODOS OS ELEMENTOS VAI CONTRA TAL PRERROGATIVA, POR ISSO A NECESSIDADE DE SELECIONAR ASPECTOS. ESSA SELEÇÃO DEVE SER FEITA LEVANDO EM CONTA OS OBJETIVOS DO RESENHISTA, COMO TAMBÉM QUE TIPOS DE LEITOR PRETENDE ALCANÇAR.
RESENHA CRÍTICA
Já a resenha crítica, conforme Medeiros (2006) aponta, caracteriza-se pelo acréscimo de elementos dissertativos àqueles que já constam na resenha descritiva. Em outras palavras, nessa modalidade, aparece, para além das descrições, considerações que defendem determinado ponto de vista sobre o objeto e que são sustentadas por argumentos ou dados.
Por isso, esse autor enfatiza que o leitor demanda um posicionamento por parte do resenhista, que precisa ser claro, uma vez que incidirá diretamente sobre os pontos considerados positivos e negativos da obra resenhada.
Nesse sentido, os elogios e as críticas tecidas precisam ser bem ponderados pelo resenhista, pautados em argumentos ou dados, como já salientamos, devendo sempre estar circunscritos à obra e jamais se estender aos autores.
Marconi e Lakatos (2017) observam, ainda, que o resenhista também está proibido de, por quaisquer motivos, deturpar o pensamento do autor. Por essas razões, espera-se que uma resenha crítica seja elaborada por um especialista na área, pois é desejado que ele possua certas características, como (SALVADOR, 1980, p. 139 apud MARCONI; LAKATOS, 2017, p. 282):
ETAPA 01
ETAPA 02
ETAPA 03
ETAPA 04
ETAPA 05
ETAPA 06
01
Conhecimento completo da obra.
02
Competência na matéria.
03
Capacidade de juízo de valor.
04
Independência de juízo.
05
Correção e urbanidade.
06
Fidelidade ao pensamento do autor.
Um último ponto importante são os elementos que constituem a resenha, como vemos na tabela a seguir:
	Itens de uma resenha
	Componentes
	Referência bibliográfica
	• Autor(es).
• Título e subtítulo.
• Elementos de imprensa (local, editora e data).
• Número de páginas.
	Credenciais do autor
	• Informações gerais.
• Papel exercido no meio científico/acadêmico.
	Conhecimento (conteúdo)
	• Resumo das ideias principais.
• Tema.
• Abordagem.
	Conclusãodo autor
	• Presença ou não de conclusões e quais foram.
• Local em que aparecem (a cada capítulo ou reunidas no final da obra).
	Quadro de referências do autor
	• Teoria que embasou o texto.
• Metodologia utilizada.
	Apreciação
	• Avaliação da obra – como se insere nas correntes científicas, filosóficas ou culturais,
e perante as circunstâncias culturais, socioeconômicas e históricas.
• Mérito da obra – contribuição dada ao campo, presença de ideias originais, novas abordagens etc.
• Estilo – concisão, objetividade, clareza, precisão, coerência etc.
• Forma – organização lógica, sistematizada, equilíbrio entre as partes.
• Indicação da obra – público-alvo (estudantes, especialistas, público em geral etc.).
Estrutura de resenha crítica Fonte: Marconi & Lakatos (2017, p. 282)
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Esta também pode ser a estrutura de uma resenha descritiva, desde que se exclua o último item da tabela (Apreciação).
VÍDEO
Neste vídeo, você conhecerá um pouco sobre os processos de fichamento.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
Parte superior do formulário
1. OS RESUMOS SÃO UMA IMPORTANTE FERRAMENTA NA PRODUÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS. ELES AJUDAM O PESQUISADOR A ACESSAR AS INFORMAÇÕES QUE MAIS CORRIQUEIRAMENTE PROCURAM EM UM TEXTO.
ASSINALE A ALTERNATIVA QUE APRESENTA UMA CARACTERÍSTICA NÃO EXIGIDA DE QUEM FAZ O RESUMO:
Capacidade de síntese.
Apresentação de informações como metodologia, critérios e conclusões.
Organização.
Críticas ou comentários.
Parte inferior do formulário
Parte superior do formulário
2. EM UMA RESENHA DESCRITIVA, A SELEÇÃO DEVE SER REALIZADA PELO RESENHISTA DE ACORDO COM:
A afinidade entre suas ideias e as ideias do autor da obra.
As possibilidades de descrever todos os aspectos relacionados a um objeto.
Os objetivos da resenha, como a quem pretende alcançar.
O tipo de objeto resenhado.
Parte inferior do formulário
GABARITO
1. Os resumos são uma importante ferramenta na produção de trabalhos acadêmicos. Eles ajudam o pesquisador a acessar as informações que mais corriqueiramente procuram em um texto.
Assinale a alternativa que apresenta uma característica não exigida de quem faz o resumo:
A alternativa "D " está correta.
Não se espera que um resumo apresente críticas, comentários ou quaisquer outros juízos de valor. O resumo deve ocupar-se do fornecimento – organizado e sintético – de informações úteis ao pesquisador, como metodologia, critérios e conclusões, entre outros possíveis, de determinado texto. Críticas ou comentários podem ser encontrados tanto nos fichamentos quanto nas resenhas acadêmicas. Isso foi explicado quando apresentamos a estrutura básica proposta para o fichamento, na primeira parte deste módulo, e quando discorremos sobre a resenha crítica, na parte final.
2. Em uma resenha descritiva, a seleção deve ser realizada pelo resenhista de acordo com:
A alternativa "C " está correta.
O resenhista fará a seleção necessária de acordo com seus objetivos, e estes estão diretamente associados ao público-alvo. A redação de uma resenha independe da concordância, por parte do resenhista, com as ideias presentes na obra resenhada. Além disso, em uma resenha descritiva, é inevitável fazer seleções, uma vez que o objeto resenhado sempre possuirá, independentemente de sua tipologia, grande quantidade de características e circunstâncias que o rodearão. Isso impedirá a produção de uma síntese total que seja satisfatória para uma resenha.
MÓDULO 2
Reconhecer os artigos científicos por meio de sua estrutura e de seus conteúdos
Autor: PolyPloiid / Fonte: Shutterstock
ARTIGO CIENTÍFICO
Como vimos, a correta produção e utilização de fichamentos, resumos e resenhas acadêmicas pode contribuir bastante para o andamento de uma investigação. Com o emprego desses instrumentos, o estudo avança, e o pesquisador começa a se deparar com considerações mais completas em relação ao objeto analisado.
É a partir deste momento que, habitualmente, toma forma um tipo bastante específico de trabalho acadêmico: o artigo científico.
Um dos objetivos de tal modalidade consiste na divulgação dos resultados de uma pesquisa, mesmo parciais, isto é, cujo estudo ainda esteja em andamento. Contudo, o registro de resultados não é a única motivação que pode levar o pesquisador a produzir um artigo.
As razões para isso podem ser várias. Elas podem surgir em consequência das demandas da pesquisa que vem sendo realizada ou para discutir uma questão antiga, mas de forma inovadora. O artigo pode servir, ainda, para refutar um erro ou ponto controverso para o qual outros pesquisadores não tenham dado a devida atenção.
Sua concepção também pode ser vinculada a questões de ordem prática. É assim, por exemplo, quando os resultados obtidos ainda não são robustos o suficiente para justificar a redação de um livro, ou quando, no decorrer da investigação, o estudioso se depara com pontos relevantes, mas secundários.
O artigo científico pode ser uma opção para apresentar tais pontos, uma vez que eles não aparecerão muito no trabalho completo. Este é o caso, por exemplo, de aspectos que atravessam, mas não são o objeto principal de um Trabalho de Conclusão de Curso.
ARTIGO CIENTÍFICO
“Trabalhos breves, porém completos, que tratam de uma questão científica. Apresentam o resultado de estudos ou pesquisas e distinguem-se dos diferentes tipos de trabalhos científicos pela sua reduzida dimensão e conteúdo.”
Fonte: Marconi & Lakatos (2017, p. 276).
ATENÇÃO
Quando falamos “artigo científico”, podemos passar a impressão de que estamos nos referindo a algo único, o que não é o caso. As características dos artigos são múltiplas e variam não apenas entre as diferentes áreas do conhecimento, mas também no interior de uma mesma área. Isso é assim porque os objetivos por trás de cada artigo, bem como seus conteúdos, estão diretamente vinculados às escolhas tomadas pelo investigador em sua pesquisa ou ao estágio em que ela se encontra.
Devemos levar em conta que aqui também não há unanimidade na classificação e delimitação de um artigo. Assim, há autores que chegam a apresentar sete tipos diferentes de artigos, caso de Curty e Boccato (2005):
01
02
03
04
05
06
07
01
Artigo científico.
02
Artigo original.
03
Artigo de revisão.
04
Artigo de atualização.
05
Relato de caso clínico.
06
Nota prévia.
07
Comunicação.
Contudo, como a própria autora Boccato (2006) observa, muitas daquelas modalidades apresentadas são subitens de outras. Seja como for, para os fins deste módulo, podemos nos ater à classificação proposta pela norma NBR 6022 da ABNT:
1
ARTIGO CIENTÍFICO
Parte de uma publicação com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento.
ARTIGO DE REVISÃO
Parte de uma publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas.
2
3
ARTIGO ORIGINAL
Parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais. Fonte: ABNT (2003a, p. 2).
Cabe uma observação a partir das definições apresentadas por essa norma. Podemos reparar que não há, de fato, uma ruptura entre o artigo científico e o artigo original. Pelo contrário, com a exceção dos artigos de revisão, espera-se que todos os outros produzidos na atualidade sejam originais.
Já abordamos, no módulo 1, o fenômeno da explosão bibliográfica e das dificuldades que dela decorrem. Nesse sentido, não há razão para a produção de trabalhos que não sejam originais – a não ser os já mencionados de revisão. É nessa linha que Boccato (2006) se situa ao indicar apenas dois tipos de artigo: o original (que se divide em subitens) e o de revisão.
Outro ponto relevante que precisamos destacar é a possível confusão gerada pelas nomenclaturas. Isso ocorre porque o termo artigo científico pode ser aplicado em dois sentidos, designando tanto a totalidade de artigos quanto uma tipologia específica, que, como vimos, constitui uma parte dentro da categoria “artigo original” ao lado de outras modalidades. Por isso, não estranhe quando se deparar com textos que tratemo artigo de revisão como artigo científico, porque, afinal, é isso mesmo!
ESTRUTURA DOS ARTIGOS
ELEMENTOS OBRIGATÓRIOS E OPCIONAIS
Seja original, seja de revisão, o artigo científico precisa apresentar uma gama de elementos obrigatórios. Outros componentes, opcionais, podem vir a ser acrescentados.
A já mencionada norma NBR 6022 (ABNT, 2003a) apresenta quais são esses elementos compulsórios. A utilização dos opcionais dependerá das normas indicadas pelos periódicos científicos ou dos congressos que publicarão os textos em seus anais. É preciso ficar atento!
As categorias opcionais sempre se somarão às essenciais, mas nunca as substituirão. A estrutura do artigo também deve respeitar uma ordem de apresentação. Assim, os componentes dividem-se, tradicionalmente, em elementos:
01
02
03
01
Pré-textuais.
02
Textuais.
03
Pós-textuais.
Consideradas essas questões, os itens que compõem um artigo científico são os seguintes:
	Partes
	Componentes
	
	Obrigatórios
	Opcionais
	Elementos pré-textuais
	• Título e subtítulo (se houver).
• Autor(es).
• Resumo no idioma em que o texto está redigido.
• Palavras-chave.
	• Informações sobre o(s) autor(es).
	Elementos textuais
	• Introdução.
• Desenvolvimento.
• Conclusão.
	
	Elementos pós-textuais
	• Título e subtítulo (se houver) em língua estrangeira.
• Versão do resumo do texto em língua estrangeira.
• Palavras-chave em língua estrangeira.
• Referências bibliográficas.
	• Glossário.
• Apêndice(s).
• Anexo(s).
Título: Itens de artigos científicos Fonte: Adaptado de ABNT, Norma 6022, 2003.
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Os componentes obrigatórios pós-textuais que aparecem em vários periódicos como elementos pré-textuais são:
01
02
03
01
Título e subtítulo (se houver) em língua estrangeira.
02
Versão do resumo do texto em língua estrangeira.
03
Palavras-chave em língua estrangeira.
Nesses casos, o leitor depara-se com o título no idioma do texto seguido pelo título em língua estrangeira. O mesmo acontece com o resumo e as palavras-chave, que são seguidos pelas versões traduzidas para outro idioma.
Já com relação aos elementos opcionais, o pré-textual informações sobre o(s) autor(es) é bastante difundido, constando junto ao nome do autor ou em nota.
Enquanto isso, os pós-textuais podem se fazer presentes, sobretudo o(s) apêndice(s) e o(s) anexo(s), embora não sejam tão comuns assim nos artigos científicos. O glossário é ainda mais raro de aparecer. É mais fácil localizá-los em trabalhos de conclusão ou em livros.
Autor: everything possible / Fonte: Shutterstock
CONTEÚDO
Embora os elementos pré-textuais e pós-textuais sejam importantes em um artigo científico, são os elementos textuais (conteúdo) que exercem a função de carro-chefe da publicação.
Por isso, são necessários ao pesquisador atenção e cuidado na hora de redigi-lo. Isso decorre de alguns fatores, como a forma de estruturar o conteúdo, que, dependendo da área, pode variar, e também o tipo de conteúdo a se registrar. Cabe um olhar mais atento sobre as peculiaridades referentes a esses dois pontos.
Em primeiro lugar, temos a estruturação do texto dentro do artigo. Desde já, destacamos que não é comum haver um controle rígido sobre como deve acontecer por parte dos periódicos e dos anais de eventos. Afinal, cada área do conhecimento já espera que o artigo seja redigido de determinada maneira. É algo subentendido.
EXEMPLO
Um artigo original na área das Ciências da Saúde é, desde a década de 1980, habitualmente dividido em quatro partes, a saber: introdução, métodos, resultados e discussão (PEREIRA, 2012).
Na área de Humanidades, por sua vez, o texto é arquitetado conforme apresentado pela norma NBR 6022 (ABNT, 2003a), isto é, dividido em: introdução, desenvolvimento e conclusão. Embora a estrutura seja diferente, os elementos que constituem cada parte não o são.
Assim, tanto em um quanto no outro, é esperado que haja a apresentação da metodologia utilizada, das conclusões alcançadas ou que conste uma argumentação, por exemplo. As diferenças, nesses casos, ocorrem por conta das especificidades de cada área, e não devido à maneira como são organizadas.
Em segundo lugar, há a questão do tipo de conteúdo a constar. Aqui, cabe retomar a tipologia dos artigos. Vimos que estes se distinguem em original e de revisão.
Como já sabemos, o artigo original é composto de várias modalidades.
EXEMPLO
Um texto pode se dedicar a fazer relatos de casos clínicos ou atualizar as informações de determinada especialidade, como são comuns nas Ciências da Saúde (BOCCATO, 2006).
EM OUTRAS ÁREAS DO CONHECIMENTO, COMO NAS CIÊNCIAS HUMANAS, QUAIS AS VARIAÇÕES POSSÍVEIS DO CONTEÚDO?
Em geral, quando atentamos para a História e suas áreas correlatas, os artigos produzidos visam, na maioria das vezes, realizar análises sobre determinado objeto ou mesmo de um aspecto dele. Contudo, as maneiras como essas análises podem ser feitas são múltiplas e não possuem contornos bem definidos.
Assim, é mais vantajoso ocuparmo-nos aqui das informações e dos elementos que, geralmente, constam no conteúdo de tais artigos. Nesse sentido, reunimos, na tabela a seguir, aqueles que julgamos serem os dados e as orientações mais relevantes que o conteúdo de um texto produzido na área de História deve conter:
	Partes do conteúdo
	Componentes
	Introdução
	Visão de conjunto de:
  • Tema – que deve se desdobrar na delimitação do assunto.
  • Problema.
  • Hipótese(s).
  • Objetivo(s).
  • Corpus documental – é necessário identificar as fonte(s) analisada(s) e como foram levantadas.
  • Perspectiva teórico-metodológica – também pode ser feita no desenvolvimento.
  • Vinculação com uma pesquisa maior – se houver.
  • Forma de estruturação do texto.
	Desenvolvimento
	Apresentação da perspectiva teórico-metodológica – quando não constar na introdução.
  Análise e argumentação – as seguintes questões podem ajudar a desenvolvê-la:
  • O que a documentação analisada diz sobre o problema levantado?
  • O que os autores dizem?
  • O que os autores dizem faz sentido quando confrontado com o que a documentação diz?
	Conclusão
	Considerações (parciais ou finais) correspondentes ao(s) objetivo(s) e à(s) hipótese(s). É o momento de finalizar o texto, apresentando as conexões entre a análise/pesquisa e o tema estudado, e de retomar as ideias principais.
Título: Componentes de conteúdo de artigos científicos Fonte: Adaptado de ABNT (2003ª).
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FONTE(S)
Em outras áreas do conhecimento, o item “fontes” também pode ser chamado de “dados”
Do mesmo modo, tais apontamentos também podem ser úteis a outras áreas das Humanidades. Outros pontos podem ser acrescidos, mas um texto com esses componentes contemplará, de maneira satisfatória, os principais requisitos esperados em um artigo pertencente a tal área.
Cabe, aqui, uma reflexão sobre o item “vinculação com uma pesquisa maior”. Como vimos, uma das motivações para a escrita de um artigo pode ser redigir sobre um ponto secundário da pesquisa realizada pelo estudioso ou ser parte constitutiva daquela, mas que ainda não é completa o suficiente para ser registrada em um trabalho de conclusão, por exemplo.
Autor: ZoFot / Fonte: Shutterstock
Há também os casos de uma investigação individual que está vinculada a outra maior, geralmente desenvolvida coletivamente. Nessas situações, é indicado situá-las brevemente no início do trabalho.
O artigo de revisão consiste em uma grande discussão bibliográfica que tem por objetivo, como o nome sugere, proporcionar uma revisão de determinado segmento da literatura científica.
Os componentes apresentados na tabela anterior também podem valer para esses artigos. Há, inclusive, componentes ali que não só podem, como devem aparecer nesses trabalhos. São os casos, por exemplo, de:
1
TEMA
O artigo de revisão deve ser circunscrito a um tema.
METODOLOGIA
 Aqui entendida como os critérios para a seleção da bibliografia utilizada:
Por que, dentro de tal tema, estas obras foramescolhidas?
Outras ficaram de fora? Quais? Por quê?
2
3
AUTORIA DE TAIS MATERIAIS
Quem escreveu, quando e com quais motivações.
CONSIDERAÇÕES
Balanço sobre o que foi produzido até aqui acerca do tema, bem como apontamento das lacunas existentes, ou seja, os pontos que ainda carecem de estudos por parte da comunidade científica.
4
Autor: PIC SNIPE / Fonte: Shutterstock
ESTILO E CITAÇÕES
Há outros dois pontos que estão diretamente relacionados com a parte do conteúdo, mas tratam da forma como é apresentado. São eles: o estilo e as citações.
Para que o texto produzido seja reconhecido como pertencente ao gênero acadêmico, ele deve, além de atender às observações que fazemos ao longo deste módulo, cumprir com certas exigências no que tange à forma da redação.
Marconi e Lakatos (2017) apontam que adjetivos supérfluos, explicações inúteis e rodeios – ou seja, digressões desnecessárias – devem ser evitados. Do mesmo modo, gírias e apelidos, a não ser em casos muito específicos e diretamente atrelados ao objeto da pesquisa, também devem ser deixados de lado no momento de escrever um texto acadêmico.
ESTILO
O estilo com que se deve redigir tais textos é consenso entre os autores ocupados com a metodologia científica. Nesse sentido, espera-se que o pesquisador dote o artigo de:
· Concisão.
· Objetividade – isto é, evitar aquelas digressões.
· Precisão – ir direto ao ponto, sem muitos preâmbulos, a menos que sejam necessários para a compreensão.
· Correção ortográfica.
· Uso do vocabulário correto.
Volpato (2007) sugere, ainda, o uso de palavras simples e frases curtas, que se redijam na ordem direta. Um texto escrito atentando para esses quesitos é capaz de expressar suas ideias com clareza. O objetivo de toda escrita, inclusive a acadêmica, é proporcionar um texto no qual os diversos itens lá reunidos se apresentem como um todo coerente para o leitor.
CITAÇÕES
As citações são elementos imprescindíveis a um texto do gênero acadêmico. Podemos afirmar, inclusive, que, sem elas, não há um trabalho científico, porque qualquer pesquisa realizada não começa “do nada”. Ela parte de algum ponto do conhecimento já desenvolvido pela comunidade científica. Se tal investigação vai aprofundar ou buscar refutar tal conhecimento, isso é outra história.
O que importa é que o estudo terá como ponto de partida outros já realizados, exceto em casos cujo objeto investigado não tenha sido alvo do interesse de nenhum pesquisador antes, mas, mesmo aqui, o uso da literatura científica relacionada é fundamental.
TODA PESQUISA É, NO FUNDO, UM TRABALHO COLETIVO.
A PESQUISA NÃO SE INICIA E SE EXTINGUE NO TRABALHO REALIZADO PELO ESTUDIOSO. COMO AFIRMAMOS NO INÍCIO DESTE MÓDULO, SEUS FRUTOS SERVIRÃO DE BASE PARA NOVAS INVESTIGAÇÕES, NAS QUAIS SERÃO CITADOS.
De modo bastante sucinto, a finalidade da citação é conferir o devido crédito ao autor do qual se utiliza uma ideia, um método, uma teoria ou outra informação qualquer.
ATENÇÃO
Sua falta, quando nos valemos de dados retirados de terceiros, configura plágio. As consequências disso podem resultar desde a não publicação de um artigo à cassação de um título obtido, quando isso é verificado em um trabalho de conclusão. Em certos casos, sobretudo nos estudos envolvendo a produção de patentes, pode virar uma questão judicial.
Por isso, seja em um artigo científico, seja em outro trabalho acadêmico qualquer, é esperado do pesquisador que sua produção interaja com o conhecimento científico que já foi e está sendo produzido, e que confira o crédito a quem de direito é devido.
Atentando para a importância desse quesito, a ABNT conta com uma norma exclusiva para citações: a NBR 10520 (ABNT, 2002). Lá, encontramos as diferentes maneiras de fazer a citação no corpo do texto.
A citação pode ser direta e indireta.
CITAÇÃO DIRETA
A citação direta acontece quando reproduzimos fidedignamente – isto é, usando as palavras do próprio autor – algum trecho de outra obra. Trata-se da transcrição.
CITAÇÃO INDIRETA
Já a citação indireta ocorre quando expressamos as ideias de outro pesquisador com as nossas próprias palavras.
A norma NBR 10520 (ABNT, 2002) contém as regras de apresentação para cada tipo de citação. Contudo, adentrar nesse ponto fugiria ao propósito deste módulo. Algumas indicações, porém, podem ser dadas. É o caso, por exemplo, das fornecidas por Matos (1985). Este autor aponta oito princípios para citar, que reproduzimos a seguir:
1
Cite com um propósito bem claro, definido, relevante.
Seja parcimonioso (como cientista) e breve como citador.
2
3
Atribua às suas citações um valor razoável.
Faça citações integradas ao seu próprio texto.
4
5
Cite diretamente da fonte, quando tal procedimento der mais força à sua argumentação do que a estratégia da paráfrase (dizer em suas próprias palavras).
Cite com exatidão.
6
7
Traduza as citações em língua estrangeira, para facilitar o “processamento” de seus leitores.
Identifique sempre o(s) autor(es) transcrito(s) ou mencionado(s).
8
ATENÇÃO
Sempre que houver traduções, registre o original, em língua estrangeira, na nota de rodapé. É uma maneira que o leitor tem de se certificar de que a tradução foi feita corretamente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
As referências bibliográficas consistem no elemento pós-textual mais importante de um artigo. São nelas que os dados referentes às citações empregadas ao longo do texto são registrados.
O lugar onde se situam pode variar. Elas podem aparecer nas notas de rodapé das páginas, conforme vão sendo mencionadas no corpo do texto, bem como em uma listagem após o fim, na qual se reúnem todas as referências citadas no trabalho.
Uma vez mais, isso dependerá das normas de publicação dos periódicos científicos ou dos anais de determinado congresso. Há, ainda, aqueles que exigem em ambos os lugares: durante e depois.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
“Maneira pela qual o autor presta a quem lê uma satisfação quanto à sua seriedade e competência, permitindo, assim, a localização de documentos no todo ou em partes, segundo normas específicas.”
Fonte: Curty & Boccato (2005, p. 66).
QUAL A RAZÃO PARA SE REGISTRAR AS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS? ELAS SÃO APENAS O COMPLEMENTO NECESSÁRIO DAS CITAÇÕES?
Ao registrar as referências bibliográficas das obras mencionadas ao longo do texto, o pesquisador permite que o leitor refaça seus passos. Com isso, quem está lendo o texto consegue constatar se as informações utilizadas foram realmente retiradas de onde o investigador disse que as retirou, e, principalmente, se tais ideias foram aplicadas corretamente. Portanto, esta parte serve para pôr à prova a qualidade do trabalho acadêmico.
Sua utilização não se restringe aos artigos. Elas devem constar também nos Trabalhos de Conclusão de Curso e nas resenhas acadêmicas, por exemplo. Por essas razões, como vimos, sugere-se registrá-las nos fichamentos preparados ao longo do percurso de pesquisa.
COMO AS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SÃO FEITAS?
Basta seguir outra norma produzida pela ABNT: a NBR 6023 (2018). Nela, encontramos orientações para fazer os registros bibliográficos de vasta gama de materiais: livros, artigos, anais de congressos, jornais, leis, filmes, trilhas sonoras, materiais iconográficos, sites etc.
ATENÇÃO
Uma referência feita incorretamente pode inviabilizar a possibilidade de o leitor chegar ao texto e acabar comprometendo aquela que é sua razão de existir.
VÍDEO
Neste vídeo, você conhecerá um pouco sobre o processo de desenvolvimento de artigos científicos.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
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1. ABEMOS QUE OS ARTIGOS – COMO FONTE OU PRODUTO – SÃO CRIAÇÕES DAS MAIS COMUNS E PRESENTES NA VIDA ACADÊMICA DE TODO PESQUISADOR. EXATAMENTE POR ISSO, É IMPORTANTE IDENTIFICAR AS ESPECIFICIDADES DE CADA UM DELES.
O ARTIGO ORIGINAL DEDICA-SE, PRINCIPALMENTE, A:
Apresentar os resultados alcançados no decorrer da pesquisa.
Compilar os dados coletados em uma investigação.
Desenvolver novas teorias ou metodologias.
Extinguir a necessidade de novas pesquisas sobre o assunto.
Parte inferior do formulário
Parte superiordo formulário
2. A DISPOSIÇÃO DE ALGUNS ITENS NO ARTIGO PODE VARIAR, DEPENDENDO DAS NORMAS DE PUBLICAÇÃO DE UM PERIÓDICO OU DOS ANAIS DE ALGUM CONGRESSO. TER CLAREZA DISSO OFERECE CONDIÇÕES AO PESQUISADOR PARA A REALIZAÇÃO EFETIVA DESSE PRODUTO.
É UM EXEMPLO DE ITEM QUE PODE APARECER EM UM LUGAR OU OUTRO DO ARTIGO:
Resumo no idioma do texto.
Citações.
Anexo.
Título em idioma estrangeiro.
Parte inferior do formulário
GABARITO
1. abemos que os artigos – como fonte ou produto – são criações das mais comuns e presentes na vida acadêmica de todo pesquisador. Exatamente por isso, é importante identificar as especificidades de cada um deles.
O artigo original dedica-se, principalmente, a:
A alternativa "A " está correta.
Como vimos no início deste módulo, é a necessidade de comunicar e testar os resultados obtidos com o andamento da pesquisa que impulsiona o investigador a redigir um artigo e submetê-lo à avaliação de seus pares. O artigo não consiste em um inventário. É preciso apontar o problema, a(s) hipótese(s), o(s) objetivo(s), argumentar em favor de cada um etc. O desenvolvimento de teorias ou metodologias é consequência do desenvolvimento avançado de uma pesquisa. É isso que se espera em Trabalhos de Conclusão de Curso. Além disso, os artigos servem para contribuir com o surgimento ou avanço de outros estudos.
2. A disposição de alguns itens no artigo pode variar, dependendo das normas de publicação de um periódico ou dos anais de algum congresso. Ter clareza disso oferece condições ao pesquisador para a realização efetiva desse produto.
É um exemplo de item que pode aparecer em um lugar ou outro do artigo:
A alternativa "D " está correta.
Tanto o resumo na língua em que o texto é redigido quanto as citações e o anexo possuem lugares determinados dentro do artigo, que não são alterados. Nesse sentido, o resumo no idioma do texto é um elemento pré-textual, devendo aparecer antes do texto em si. Já as citações compõem os elementos textuais, podendo estar presentes na introdução, no desenvolvimento ou mesmo na conclusão. Por fim, o anexo, quando existir, deve ser colocado após o texto, uma vez que se trata de um elemento pós-textual. Elementos como “título em idioma estrangeiro”, “resumo em idioma estrangeiro” ou “palavras-chave em idioma estrangeiro” podem constituir elementos pós-textuais, como define a ABNT, ou pré-textuais, como habitualmente é empregado no âmbito dos periódicos científicos da área de Humanas. Discorremos sobre esse ponto quando identificamos os elementos obrigatórios e opcionais de um artigo.
MÓDULO 3
: Identificar as expectativas com relação às monografias, dissertações e teses com base em suas definições
Autor: GaudiLab / Fonte: Shutterstock
TRABALHOS DE CONCLUSÃO
No primeiro módulo, discorremos sobre fichamentos, resumos e resenhas – ferramentas que, como vimos, auxiliam e acompanham o pesquisador desde seus primeiros passos na investigação.
Logo depois, voltamos nossas atenções para os artigos científicos, que consistem na etapa intermediária do desenvolvimento do estudo, uma vez que são responsáveis por divulgar os resultados, muitas vezes parciais, de determinada pesquisa.
Então, finalmente, alcançamos a etapa em que se faz necessária a produção de um trabalho específico, capaz de sistematizar a própria investigação ou, pelo menos, aqueles pontos fundamentais que possibilitaram sua realização: os trabalhos de conclusão. Estes podem ser considerados os desfechos de tudo aquilo que viemos discutindo até aqui.
Como acontece nos outros trabalhos acadêmicos que apresentamos, sua natureza também pode variar. Neste sentido, Rey (1978 apud MARCONI; LAKATOS, 2017) aponta aqueles que seriam os três tipos mais comuns de trabalhos científicos:
1
OBSERVAÇÕES OU DESCRIÇÕES ORIGINAIS
De fenômenos da natureza, espécies, estruturas etc.
TRABALHOS EXPERIMENTAIS
Que submetem o objeto analisado às condições de controle exercidas pela experiência.
2
3
TRABALHOS TEÓRICOS
Caracterizados pelo estudo ou pela síntese de conhecimentos que proporcionam novos conceitos, apresentação de hipóteses, teorias etc.
Seja qual for a modalidade, há elementos que se deve esperar de todo trabalho de conclusão. Afinal:
“[…] QUALQUER QUE SEJA A FORMA DO TRABALHO CIENTÍFICO, É PRECISO RELEMBRAR QUE TODO TRABALHO DESTA NATUREZA TEM POR OBJETIVO INTRÍNSECO A DEMONSTRAÇÃO, O DESENVOLVIMENTO DE UM RACIOCÍNIO LÓGICO. ELE ASSUME SEMPRE UMA FORMA DISSERTATIVA, OU SEJA, BUSCA DEMONSTRAR, MEDIANTE ARGUMENTOS, UMA TESE, QUE É UMA SOLUÇÃO PROPOSTA PARA UM PROBLEMA. FATOS LEVANTADOS, DADOS DESCOBERTOS POR PROCEDIMENTOS DE PESQUISA E IDEIAS AVANÇADAS SE ARTICULAM JUSTAMENTE COMO PORTADORES DE RAZÕES COMPROVADORAS DAQUILO QUE SE QUER DEMONSTRAR. E É ASSIM QUE A CIÊNCIA SE CONSTRÓI E SE DESENVOLVE”.
Fonte: Severino (2002, p. 149).
De acordo com Marconi e Lakatos (2017), esses trabalhos precisam, ainda, funcionar como um modelo ou, pelo menos, fornecer subsídios para outras pesquisas.
Já Salvador (1980 apud MARCONI; LAKATOS, 2017) destaca que as informações registradas devem possibilitar a outro pesquisador:
01
02
03
01
Reproduzir os procedimentos, de modo que obtenha os resultados apontados.
02
Avaliar as conclusões indicadas a partir das observações registradas.
03
Examinar se as análises e o raciocínio lógico empregados pelo autor para alcançar os resultados foram feitos corretamente.
Há uma constatação fundamental decorrente do que foi apresentado até aqui: os trabalhos de conclusão, assim como a maioria dos trabalhos acadêmicos, não consistem em uma produção particular e de compreensão restrita àquele que o redigiu.
Pelo contrário, suas respostas – e os caminhos percorridos para se chegar até elas – devem servir a outros pesquisadores, de modo a contribuir efetivamente para o avanço do conhecimento científico.
Quando tal trabalho é produzido no âmbito de uma instituição de ensino com vistas à obtenção de um título, é comum receber nomes específicos.
Autor: fotoinfot / Fonte: Shutterstock
Assim, se sua produção ocorre ao final de uma graduação, como requisito para a obtenção de grau, costumamos chamá-la de Trabalho de Conclusão de Curso ou monografia.
Caso seja resultado de uma investigação realizada durante o mestrado, cujo objetivo do pesquisador é obter o título de mestre, então o trabalho produzido é conhecido como dissertação.
Agora, se for fruto de uma pesquisa desenvolvida ao longo de um doutorado, para receber o título de doutor, então estamos falando de uma tese.
Um ponto que merece ser destacado quanto às terminologias utilizadas é a confusão no emprego de cada um desses termos. Não raro, encontramos referências como “tese de mestrado”, por exemplo.
Uma explicação para esses casos pode ser encontrada no fato de que a associação entre monografia e graduação, dissertação e mestrado, tese e doutorado, costumeiramente adotada no Brasil, não é de uso universal. Assim, enquanto a palavra tese é empregada de forma generalizada na Grã-Bretanha, o vocábulo dissertação é difundido nos Estados Unidos e na Europa continental (CAMPELLO, 2000).
Esses tratamentos chegaram até aqui por diversos caminhos, dois deles principais:
01
Pela leitura de bibliografia estrangeira, que aponta tal uso.
02
Pela própria formação do pesquisador, que pode tê-la realizado, em determinada etapa, em algum desses outros lugares.
Mesmo no Brasil, onde há um consenso sobre o emprego dos termos, alguns autores atentam para as nuances existentes em meio a tal classificação. Severino (2002), por exemplo, observa que todos os referidos trabalhos são exemplos de monografias científicas, isto é, são caracterizados pela unidade e pela delimitação temática, além da profundidade da análise dispensada ao objeto em estudo.
Medeiros (2006) segue pela mesma linha. Além de corroborar com as posições de Severino (2002) no que tange ao caráter englobante das monografias, destaca que tanto dissertações quanto teses consistem em textos dissertativos, nos quais pode haver a defesa de uma ou mais teses. O autor ainda pontua que seria mais adequado chamar asdissertações de monografias para obtenção do grau de mestre e as teses de monografias para obtenção do grau de doutor. Isso sem se esquecer das monografias redigidas nas graduações para bacharelado e licenciatura.
Este problema é apenas o reflexo de outro, mais complicado, que é estabelecer a diferenciação entre monografias, dissertações e teses. Como podemos observar, o ponto de tensão incide, principalmente, sobre os trabalhos produzidos no âmbito da pós-graduação. Isso decorre de sua própria natureza.
Segundo Severino (2002), a pós-graduação foi criada com o escopo de proporcionar as condições necessárias para a produção de pesquisas rigorosas nas mais distintas áreas do conhecimento científico. Por conseguinte, a exigência sobre o pós-graduando é ainda maior em termos de disciplina, rigor, domínio sobre métodos e procedimentos etc. Espera-se, com isso, que tal pesquisador possa ser capaz de desenvolver um texto que contemple, a um só tempo, tais características.
Esses atributos são esperados tanto nos níveis de mestrado quanto de doutorado. Em consequência disso, a tarefa de encontrar os limites que caracterizam esses trabalhos torna-se bem complexa. A necessidade de tantas qualidades semelhantes finda por suscitar desencontros na hora de estabelecer quais delas as distingue.
EXEMPLO
Por exemplo, um ponto controverso diz respeito à questão da presença da originalidade. Por um lado, Medeiros (2006) sustenta que todos os trabalhos de conclusão precisam ser inéditos e originais. Por outro, Severino (2002) considera a originalidade uma demanda estritamente vinculada à produção de uma tese, o que seria, inclusive, um dos fatores para diferenciá-la da dissertação.
DIANTE DE TAL QUADRO, NO QUAL PARECE ESTAR TUDO MISTURADO, COMO DIFERENCIAR OS TRABALHOS PRODUZIDOS NOS DISTINTOS NÍVEIS DE FORMAÇÃO?
1. PRIMEIRO CRITÉRIO
O primeiro consiste na classificação pelo grau de ênfase com que as dimensões teórica, metodológica e empírica são abordadas em cada trabalho. Esse grau varia de acordo com cada nível de formação.
Assim, em uma monografia, espera-se a introdução aos métodos de pesquisa e de escrita; nas dissertações, a capacidade de formular problemáticas e hipóteses, bem como utilizar adequadamente os conceitos; nas teses, a ênfase reside em maior aprofundamento teórico, que seja capaz de gerar reflexões de maior densidade. 
2. SEGUNDO CRITÉRIO
O segundo critério é a diferenciação segundo o grau de autonomia esperado no momento da elaboração dos trabalhos de conclusão. Nesse sentido, o nível de autonomia observado para a produção dos trabalhos varia de acordo com o estágio no qual é produzido.
3. TERCEIRO CRITÉRIO
Outro ponto a destacar é a atuação do orientador em cada caso. Assim, ao desenvolver uma monografia, o pesquisador iniciante estaria situado no campo da heteronomia, ou seja, não se espera que seu trabalho apresente nenhuma autonomia, sendo acompanhado de perto pelo orientador, que cumpre a função de tutor.
4. QUARTO CRITÉRIO
Na confecção da dissertação de mestrado, por sua vez, o estudioso deve realizar um progressivo distanciamento com relação ao estágio da heteronomia, dando os primeiros passos rumo à autonomia. Aqui, as intervenções do orientador são reduzidas: seu papel se restringe a apenas orientar.
5. QUINTO CRITÉRIO
Enfim, de uma tese de doutorado, deseja-se, da parte do pesquisador, plena autonomia na elaboração da proposta, na construção do trabalho, nas questões teórico-metodológicas etc. A função do orientador, nesses casos, é a de um interlocutor.
Entendemos que esses critérios são os mais indicados para avaliar os trabalhos de conclusão hoje em dia. Como veremos a seguir, a estrutura e os conteúdos de cada um não variam tão significativamente de um para outro. Desse modo, a adoção de quaisquer critérios rígidos e estritamente objetivos não seria capaz de caracterizar e, principalmente, de diferenciar monografias, dissertações e teses.
ESTRUTURA DOS TRABALHOS DE CONCLUSÃO
Assim como nos demais trabalhos acadêmicos que apresentamos nos módulos anteriores, a ABNT também conta com uma normativa para elaborar trabalhos de conclusão: a NBR 14724 (ABNT, 2011).
De acordo com essa norma, a organização de monografias, dissertações e teses depreende uma estrutura bastante similar à dos artigos científicos, mas com uma diferença: nos trabalhos de conclusão, há uma parte externa e outra interna.
EXTERNA
A parte externa é composta pela capa e, opcionalmente, pela lombada.
INTERNA
Já a parte interna engloba componentes que também constatamos nos artigos, isto é, os elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais.
Há também, no âmbito dos trabalhos de conclusão, os itens que são considerados obrigatórios, enquanto outros, opcionais, podem ser acrescidos de acordo com os objetivos do autor.
Autor: Lipik Stock Media / Fonte: Shutterstock
MONOGRAFIA
As monografias de graduação são os trabalhos de conclusão mais difundidos no meio acadêmico brasileiro, e, talvez, até no mundo. Como já afirmamos, elas também são chamadas de Trabalhos de Conclusão de Curso e costumam ser exigidas pela maioria dos cursos como contrapartida para a obtenção do grau de bacharel ou licenciado. É, portanto, uma etapa pela qual a maioria dos profissionais em atividade já passaram.
Dependendo do curso e da instituição de ensino, pode-se exigir que o concluinte apresente sua monografia para uma banca de professores, que tecerão comentários e críticas, além de perguntas sobre o trabalho. O grau só é obtido mediante a aprovação nesse processo.
Essa arguição é chamada de defesa de monografia. No entanto, tal procedimento é mais comum na pós-graduação – defesa de dissertação e defesa de tese –, na qual é uma etapa indispensável para a obtenção dos graus conferidos.
Um dado curioso chama a atenção sobre as monografias. Embora seja uma exigência que, habitualmente, impõe-se ao aluno no fim da graduação, o Trabalho de Conclusão de Curso é o momento em que acontece, de fato, a iniciação à pesquisa (NEVES, 1996; MARCONI; LAKATOS, 1992).
Cabe, então, desde já, a pergunta:
O QUE É MONOGRAFIA?
A norma NBR 14724 define monografia como:
“DOCUMENTO QUE APRESENTA O RESULTADO DE ESTUDO, DEVENDO EXPRESSAR CONHECIMENTO DO ASSUNTO ESCOLHIDO, QUE DEVE SER OBRIGATORIAMENTE EMANADO DA DISCIPLINA, MÓDULO, ESTUDO INDEPENDENTE, CURSO, PROGRAMA E OUTROS MINISTRADOS”.
Fonte: ABNT (2011, p. 4).
De maneira complementar, Severino (2002) e Marconi e Lakatos (2017) apontam que também se deve levar em consideração três fatores, os quais devem estar presentes em todos os trabalhos de conclusão: unidade temática, problema e metodologia. Além disso, nas monografias, o enfoque está na qualidade da análise, e não na quantidade de páginas.
ATENÇÃO
As formas como os elementos textuais da monografia são estruturadas também é uma questão fundamental para que os propósitos do trabalho de conclusão possam ser plenamente satisfeitos.
DISSERTAÇÃO
O mestrado consiste na primeira etapa dentro da pós-graduação, excetuando-se as especializações. Por isso, está situado em um meio termo no que tange à formação do pesquisador.
Em outras palavras, o mestrando é aquele que já concluiu uma graduação, tendo, muito provavelmente, escrito uma monografia. Porém, ainda não chegou, em sua área de formação, à etapa do doutorado. No ponto em que se encontra, para obter o título de mestre, esse pesquisador precisará redigir uma dissertação e defendê-la na chamada defesa de dissertação.
De acordo com a norma NBR 14724, dissertação é o:
ESPECIALIZAÇÕES
Esta modalidade de pós-graduação, também conhecida como lato sensu, não confere grau a seu concluinte.
“DOCUMENTO QUE APRESENTA O RESULTADO DE UM TRABALHO EXPERIMENTAL OU EXPOSIÇÃO DE UM ESTUDO CIENTÍFICO RETROSPECTIVO, DE TEMA ÚNICO E BEM DELIMITADO EM SUA EXTENSÃO, COM O OBJETIVO DE REUNIR, ANALISAR E INTERPRETAR INFORMAÇÕES. DEVE EVIDENCIAR O CONHECIMENTO DE LITERATURA EXISTENTE SOBRE O ASSUNTO E A CAPACIDADE DE SISTEMATIZAÇÃO DO CANDIDATO”.
Fonte: ABNT (2011, p. 2).
Nesse sentido, por um lado, espera-se que o texto apresente maioraprofundamento com relação àqueles pontos típicos da monografia, como a metodologia, por exemplo. Por outro, deseja-se que conte com aspectos próprios de uma tese, como uma reflexão mais sólida e embasada sobre o problema levantado.
Marconi e Lakatos (2017) compreendem a dissertação como um estudo teórico e reflexivo, que requer que os dados sejam sistematizados, ordenados e interpretados. Esse estudo deve, ainda, apresentar uma metodologia própria. Contudo, tal característica não deve ser confundida com a simples reprodução de textos produzidos por terceiros. Como Severino (2002) destaca, a dissertação precisa ser propositiva, e não apenas expositiva.
As dissertações também podem ser divididas em mais de um tipo quanto ao conteúdo. Medeiros (2006) e Salvador (1980 apud MARCONI; LAKATOS, 2017) identificam a existência de dois tipos de trabalho: o expositivo e o argumentativo.
TRABALHO EXPOSITIVO
No trabalho expositivo, o autor realiza grande levantamento de materiais – das mais diversas fontes – relacionados ao tema da pesquisa. O que é avaliado aqui é a capacidade para coletar e organizar tudo o que foi reunido.
TRABALHO ARGUMENTATIVO
Já o trabalho argumentativo exige a interpretação das ideias apresentadas e um posicionamento por parte do autor. Os argumentos servem de sustentação tanto à interpretação quanto à posição adotada pelo pesquisador.
No que diz respeito à forma, também há mais uma classificação aplicável às dissertações: elas também podem ser categorizadas de acordo com a maneira que resolvem proceder. Nesse sentido, Medeiros (2006) aponta que há três “movimentos” que uma dissertação pode adotar: para fora, para dentro e “zigue-zague”.
No movimento para fora, o texto parte de algo próximo, específico, e vai em direção ao geral, em um processo tipicamente indutivo. Em outras palavras, procede do particular para o universal.
No movimento para dentro, o sentido vai na direção oposta, ou seja, trata-se de uma dedução. Aqui, o ponto de partida é uma generalização qualquer. Avança-se até alcançar um caso específico.
Por fim, no chamado “zigue-zague”, o autor utiliza contraposições e comparações tanto de ideias quanto de fatos e contextos.
TESE
As teses são trabalhos de conclusão produzidos com vistas à obtenção de dois títulos:
DOUTOR
Grau que se conquista após a conclusão de um curso de doutorado.
LIVRE DOCENTE
Grau de titulação acadêmica mais alto a que se pode chegar (apenas pesquisadores que já tenham o título de doutor podem consegui-lo).
Assim como a dissertação, para a obtenção de tais títulos, exige-se o rito chamado defesa de tese.
As teses consistem em um grande esforço de sistematização de uma pesquisa em um trabalho acadêmico. Espera-se do investigador que está concluindo esta etapa que seja capaz de proporcionar uma descoberta ou contribuição significativa para a ciência (MEDEIROS, 2006). Por isso, alguns autores afirmam que se deve esperar a originalidade apenas em uma tese de doutorado.
ORIGINALIDADE
Como frisa Severino (2002), para sustentar sua posição, originalidade nada tem a ver com novidade, mas, sim, com um retorno às origens. De acordo com o autor:
“[...] [explicita-se], assim, um esclarecimento original ao assunto, até então não percebido. A descoberta original lança novas luzes sobre o objeto pesquisado, superando seja o desconhecimento, seja, então, a ignorância”. Fonte: Severino (2002, p. 148).
A tese é descrita pela NBR 14724 como:
“DOCUMENTO QUE APRESENTA O RESULTADO DE UM TRABALHO EXPERIMENTAL OU EXPOSIÇÃO DE UM ESTUDO CIENTÍFICO DE TEMA ÚNICO E BEM DELIMITADO. DEVE SER ELABORADO COM BASE EM INVESTIGAÇÃO ORIGINAL, CONSTITUINDO-SE EM REAL CONTRIBUIÇÃO […]”.
Fonte: ABNT (2011, p. 4).
Para além da definição técnica, Marconi e Lakatos (2017) destacam que é esperado que tais trabalhos contemplem três pontos em especial. O primeiro deles é que sejam precisos, ou seja, os dados apresentados precisam ser exatos, sem erros ou inconstâncias. O segundo é a exaustão: a tese deve exaurir o assunto ao qual se dedica. Por fim, o terceiro aspecto diz respeito à clareza, isto é, a tese precisa ser inteligível e transparente.
Você se lembra do que vimos no início deste módulo?
O trabalho de conclusão é feito para o outro, e não para si mesmo.
VÍDEO
Neste vídeo, você conhecerá um pouco sobre o processo de desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
Parte superior do formulário
1.
INDEPENDENTEMENTE DE SUA MODALIDADE, OS TRABALHOS DE CONCLUSÃO DE CURSO, GERALMENTE, COSTUMAM ASSUSTAR O PESQUISADOR NESTA FASE DE SEU PROCESSO ACADÊMICO. É CLARO QUE, SEM NECESSIDADE DE PÂNICO, DEVEMOS ESTAR ATENTOS A ALGUNS PONTOS ESSENCIAIS. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE NÃO APRESENTA UM DESSES PONTOS:
Permitir a outro pesquisador reproduzir os procedimentos nele realizados.
Contribuir para o desenvolvimento de outras pesquisas.
Desenvolver o trabalho em linguagem clara e simples.
Apresentar resultados de uma pesquisa ainda em andamento.
Parte inferior do formulário
Parte superior do formulário
2. DEVIDO AOS DISTINTOS ENTENDIMENTOS DE CADA AUTOR, UM FATOR CONSEGUE GERAR DESENCONTROS NO MOMENTO DE SE DELIMITAR O QUE SÃO MONOGRAFIAS, DISSERTAÇÕES E TESES. QUE FATOR É ESSE?
A divisão dos elementos textuais em introdução, desenvolvimento e conclusão.
A questão do nível de autonomia esperado.
A demanda para que o trabalho seja original.
O seguimento das normas da ABNT.
Parte inferior do formulário
GABARITO
1.
Independentemente de sua modalidade, os Trabalhos de Conclusão de Curso, geralmente, costumam assustar o pesquisador nesta fase de seu processo acadêmico. É claro que, sem necessidade de pânico, devemos estar atentos a alguns pontos essenciais. Assinale a alternativa que não apresenta um desses pontos:
A alternativa "D " está correta.
Apresentar os resultados de uma pesquisa em andamento, ou seja, conclusões ainda parciais, é esperado em artigos científicos, e não em trabalhos de conclusão. Nestes, espera-se o registro dos resultados relativos a uma pesquisa. Todos os demais pontos apresentados são essenciais a um trabalho de conclusão.
2. Devido aos distintos entendimentos de cada autor, um fator consegue gerar desencontros no momento de se delimitar o que são monografias, dissertações e teses. Que fator é esse?
A alternativa "C " está correta.
Como vimos, a originalidade é ponto conflitante entre os autores consultados. Enquanto, para uns, ela deve estar presente em todos os trabalhos de conclusão, para outros, é uma exigência que deve ser circunscrita às teses de doutorado. A divisão do texto em introdução, desenvolvimento e conclusão é esperada em todos os trabalhos, não influenciando no processo de classificação dos trabalhos de conclusão. A verificação do nível de autonomia serve justamente como um dos mecanismos adotados para superar o problema da delimitação, não contribuindo para possíveis confusões. Além disso, espera-se que todos os trabalhos sejam realizados obedecendo às orientações das normas da ABNT.
CONCLUSÃO
Autor: jakkaje879 / Fonte: Shutterstock
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esperamos que você tenha percebido a importância de darmos atenção a toda estrutura necessária à organização de um trabalho acadêmico. Se, de um lado, isso permite que os pesquisadores comuniquem os resultados de suas investigações, de outro, possibilita que se atualizem sobre os avanços alcançados por seus pares.
Porém, para que isso aconteça, é imprescindível que os resultados de suas pesquisas sejam registrados de alguma maneira coerente e que permitam tal compreensão. Estamos nos referindo aos trabalhos acadêmicos: artigos científicos, livros, resenhas, trabalhos de conclusão (monografias, dissertações e teses).
Finalizamos, então, com a palavra de duas autoras que muito nos ajudaram no itinerário percorrido neste tema, esperando que tenhamos contribuído com sua formação:
“A ELABORAÇÃO DE UM TEXTO DE FORMA BEM ESTRUTURADA, COM SUAS CITAÇÕES E REFERÊNCIAS SEGUINDO REGRAS ESTABELECIDAS POR UMA NORMA, CONFERE A ELE UM CARÁTER DE CIENTIFICIDADE E CONFIABILIDADE, FUNDAMENTAL PARA ASERIEDADE DO TRABALHO PROPOSTO”.
Fonte: Curty & Boccato (2005, p. 96).
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: Informação e documentação – Artigo em publicação periódica científica impressa – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2003a.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: Informação e documentação – Referências – Elaboração. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6028: Informação e documentação – Resumo – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2003b.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: Informação e documentação – Citações em documentos – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação. 3. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
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CURTY, M. G.; BOCCATO, V. R. C. O artigo científico como forma de comunicação do conhecimento na área de Ciência da Informação. Revista Perspectivas em Ciências da Informação, Belo Horizonte, v. 10, n. 1, p. 94-107, 2005.
ECO, U. Como se faz uma tese em Ciências Humanas. 13. ed. Lisboa: Editorial Presença, 2007.
FIORIN, J. L; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto: leitura e redação. 16. ed. São Paulo: Ática, 2003.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
LIMA, M. H. T. de F. Sobre fichamento: dicas práticas. Rio de Janeiro: Academia.edu, 2015.
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1992.
MATOS, F. G. de. O cientista como citador. Ciência e Cultura, Campinas, v. 37, n. 12, p. 42-44, 1985.
MEDEIROS, J. B. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
MUELLER, S. P. M. A ciência, o sistema de comunicação científica e a literatura científica. In: CAMPELLO, B. S.; CENDÓN, B. V.; KREMER, J. M. (org.). Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2000.
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PEREIRA, M. G. O resumo de um artigo científico. Epidemiologia e Serviços de Saúde, Brasília, v. 22, n. 4, p. 707-708, 2013.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
VOLPATO, G. L. Como escrever um artigo científico. Anais da Academia Pernambucana de Ciência Agrária, Recife, v. 4, p. 97-115, 2007.
EXPLORE+
Levando em conta que saber escrever de maneira clara e inteligível é uma demanda imposta a qualquer pesquisador, para aprofundamento da produção textual, indicamos as seguintes leituras:
· Argumentação, de José Luiz Fiorin.
· Escrita e práticas comunicativas, de Ingedore Villaça Koch & Vanda Maria Elias.
· Escrever melhor: guia para passar os textos a limpo, de Dad Squarisi & Arlete Salvador.

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