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CONSTRUÇÃO CIVIL Alessandra Martins Cunha Concretagem: dimensionamento e efeitos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar os tipos de dosagem de concreto: empírico e experimental. � Relacionar a normatização específica para dosagem de concreto. � Reconhecer possíveis causas de uma dosagem de concreto incorreta. Introdução Você sabia que para todos os tipos de estruturas se faz necessário o dimensionamento/dosagem do concreto? Esse processo é utilizado tanto para o concreto usado em uma simples calçada quanto para o concreto utilizado em um prédio, uma ponte ou outras estruturas mais robustas/ complexas. A dosagem interfere diretamente na vida útil da estrutura. Uma dosagem deficitária causa inúmeros problemas, como fissuras, infiltração, deslocamentos, corrosão das armaduras/ferragens. Em casos mais graves, pode gerar potenciais desmontes ou demolição prematura. Neste texto, você aprenderá sobre a dosagem de concreto e os efeitos de uma dosagem incorreta. Dosagem de concreto O concreto é um composto monolítico resultante de uma mistura (cimento, água, pedra, areia e aditivos). Essa mistura forma uma massa com plasticidade sufi- ciente para que possa ser manuseada, transportada e lançada, a fim de garantir a resistência necessária ao elemento a ser concretado. A dosagem do concreto estabelece a quantidade, de modo racional, de cada componente. Esse processo obedece aos requisitos de resistência necessária e de moldabilidade do concreto fresco. Existem vários tipos de dosagem de concreto: a empírica e as experimen- tais. A dosagem empírica, realizada sem procedimentos experimentais, é a chamada “receita de bolo”. Ela não leva em consideração as características dos ingredientes da massa, apenas a prática do construtor. Ainda é utilizada em obras pequenas e sua utilização, em geral, proporciona um gasto maior de materiais e não garante boa qualidade. Já as dosagens experimentais ou racionais, como o próprio nome já diz, são realizadas em laboratórios (ou nas centrais de concreto). Nesses locais, se calcula racionalmente (e, por que não dizer, economicamente) cada elemento a ser utilizado no concreto. Figura 1. Preparo de concreto dosado em laboratório. Fonte: IvanRiver/Shutterstock.com Construção civil2 Dosagem ou traço do concreto O traço de concreto nada mais é do que a expressão da proporção dos ma- teriais a ser utilizada para um determinado concreto com uma determinada resistência. Pode-se obter traço de concreto em volume de todos os materiais, só em volume dos agregados e em peso de todos os materiais. De acordo com a ABNT NBR 12655:2015, [...] a composição de cada concreto de classe C15 ou superior, a ser utilizado na obra, deve ser definida, em dosagem racional e experimental, com a devida antecedência em relação ao início da concretagem da obra. O estudo de dosagem deverá ser realizado com os mesmos materiais e condições semelhantes àquelas da obra, tendo em vista as prescrições de projeto e as condições de execução. A dosagem do concreto deverá ser refeita sempre que houver mudança de marca, tipo ou classe de cimento, na procedência dos agregados e demais materiais. Ao fazer um traço de concreto, você deve levar em consideração as condi- ções de preparo do concreto, definidas pela ABNT NBR 12655:2015. Observe a classificação: � Condição A: ■ Aplicável às classes C10 a C80. O cimento e os agregados são medidos em massa; a água é medida em massa ou volume com dispositivo dosador e corrigida em função da umidade dos agregados. � Condição B: ■ Aplicável às classes C10 até C25. O cimento e os agregados são medi- dos em massa; a água é medida em massa ou volume com dispositivo dosado e os agregados medidos em massa combinada com volume. ■ Aplicável às classes C10 até C20; O cimento e os agregados são medidos em massa; a água é medida em massa ou volume com dispositivo dosador e os agregados medidos em volume. A umidade do agregado miúdo é corrigida por meio da curva de inchamento estabelecida para o material utilizado. � Condição C: ■ Aplicável às classes C10 e C15. O cimento é medido em massa; os agregados e a água são medidos em volume. A quantidade de água é corrigida em função da estimativa de umidade dos agregados e da determinação da consistência do concreto. 3Concretagem: dimensionamento e efeitos Para a condição C, você deve adotar consumo mínimo de 350 kg de cimento. Conceitos Você já deve ter ouvido alguém falar uma frase como esta: “O concreto 25 MPa será utilizado na laje”. Mas você sabe o que ela quer dizer? E sabe o que são MPa, Fck, Mpa, resistência, corpo de prova, slump test e desvio padrão? Antes de prosseguir com os estudos, você irá conhecer e entender o que esses conceitos significam. � Resistência: propriedade mecânica que o concreto tem de resistir à força, podendo ser à tração ou à compressão, atendendo ainda ao módulo de elasticidade. � Fck: resistência característica do concreto à força de compressão/tração quando atinge a idade média de 28 dias. � N (Newton): unidade de medida de força de pressão, distribuída uni- formemente sobre uma área plana 1 m2. � Pa (Pascal): 1 N = força aplicada a um corpo de massa igual a 1 kg a uma aceleração de 1 m/s² no mesmo sentido. 1 Pa = 1 kg f/m � MPa: (Mega Pascal) = 1.000.000 Pa = unidade utilizada para medir a resistência do concreto. � Corpo de prova: no Brasil, é uma peça moldada em formato cilíndrico, de 30 cm de altura por 10 cm de diâmetro, no momento da concretagem. É nessa peça que será aplicada a força necessária para que se tenha a ruptura, e, portanto, a comprovação da resistência do concreto. � Slump test: teste de abatimento de tronco de cone = é um teste realizado para verificar a consistência, a fluidez do concreto e a uniformidade da trabalhabilidade. Geralmente é realizado poucos instantes antes do início da concretagem. � 25 Mpa: (usando o exemplo) esse valor (25) é o “tamanho” da força média a ser aplicada sobre o corpo de prova. Pode variar de acordo com Construção civil4 o SD (desvio padrão) utilizado para a amostragem. Em função desse desvio padrão, pode-se aceitar uma amostra com uma porcentagem maior ou menor (em torno de 5% do Fck esperado). Amostras fora dessa porcentagem devem ser descartadas. � SD (desvio padrão): utilizado para indicar o grau de variação do Fck nas amostras de concreto (corpo de prova). O desvio padrão, nas dosagens experimentais, tem uma tabela com valores aceitáveis. O desvio padrão é um tipo de controle de qualidade do concreto. É calculado em laboratório após a cura das amostras de concreto. Dosagem Para obter concreto resistente, você deve levar em consideração não só a qualidade dos materiais que irão compor a massa, mas também a dosagem. Ela é de suma importância, pois interfere diretamente no resultado do processo. Existem basicamente dois tipos de dosagem: empírica e experimental. De acordo com a ABNT NBR 6118:2014, ao se fazer uma dosagem, se deve atender aos seguintes requisitos: � Classe de agressividade � Fator água/cimento � Desvio padrão Classe de agressividade ambiental A classe agressividade depende do tipo de ambiente em que será construída a edificação, e pode ser classificada como fraca, moderada, forte ou muito forte. Isto pode ser visto na Tabela 1. 5Concretagem: dimensionamento e efeitos Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2014). Classe de agressividade ambiental Agressividade Classificação geral do tipo de ambiente para efeito de projeto Risco de deterioração da estrutura I Fraca Rural Insignificante Submersa II Moderada Urbana a,b Pequeno III Forte Marinha a Grande Industrial a,b IV Muito forte Industrial a,c Elevado Respingos de maré Pode-se admitir um microclima com uma classe de agressividade mais branda (um nível acima) para ambientes internos secos (salas, dormitórios, banheiros, cozinhas e áreasde serviço de apartamentos residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes com concreto revestido com argamassa e pintura). Pode-se admitir um microclima com uma classe de agressividade mais branda (um nível acima) em obras em regiões de clima seco, com umidade relativa do ar menor ou igual a 65%, partes das estruturas protegidas de chuvas em ambientes predominantemente secos ou regiões onde chove raramente. Ambientes quimicamente agressivos, tanques industriais, galvanoplastia, branqueamento em indústrias de celulose e papel, armazéns de fertilizantes e indústrias químicas. Tabela 1. Classe de agressividade ambiental. Fator água/cimento É a quantidade de água da pasta em relação à massa de cimento. Essa quan- tidade influencia diretamente as propriedades do concreto (trabalhabilidade, permeabilidade, porosidade, durabilidade e resistência à compressão). Quanto menor a relação água/cimento, maior a durabilidade da estrutura. Esse fato é dado pela expressão: FAC: a/c Construção civil6 Em que: � FAC = Fator Água Cimento (resultado em porcentagem) � A = Água (em volume) � C = Cimento (em kg) Desvio padrão De acordo com a ABNT NBR 12655:2015, o desvio padrão é utilizado para indicar o grau de variação do Fck nas amostras de concreto (corpo de prova). Desvio padrão desconhecido: utilizado quando não se tem referências estatísticas. Adota-se a condição C como condição de preparo do concreto, com consumo mínimo de 350 kg de cimento por m³, para concreto Classe = C15. Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2015). Condição SD – Desvio padrão em MPa A 4 B 5,5 C 7,0 Tabela 2. Desvio padrão a ser adotado em função da condição de preparo de concreto, de acordo com a ABNT NBR 12655:2015. Desvio padrão conhecido: Quando o concreto for elaborado com os mes- mos materiais, mediante equipamentos similares e sob condições equivalen- tes, o valor do desvio padrão deve ser fixado com no mínimo 20 resultados consecutivos obtidos no intervalo de até 30 dias. Em nenhum caso o SD pode ser menor que 2 MPa (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2015). Dosagem empírica Esse método utiliza o volume dos componentes como unidade de medida. Assim, a unidade pode ser baseada no volume de latas, carrinhos de mão ou padiolas e tem um traço fixo que é passado de construtor para construtor. Esse tipo de dosagem ainda é utilizado em pequenas obras. 7Concretagem: dimensionamento e efeitos Dosagem experimental Existem diversos tipos de dosagens experimentais. Elas levam esse nome pois foram desenvolvidas em laboratório e se baseiam em estudos realizados por profissionais da área. O traço é desenvolvido por meio da avaliação da resistência e da trabalhabilidade. Assim, se gera um menor desvio padrão nas amostras e um menor custo final do concreto. As dosagens experimentais de concreto mais conhecidas no Brasil são a ABCP e a IPT. Dosagem ABCP: A dosagem ABCP foi desenvolvida na década de 1980 pela Associação Brasileira de Cimento Portland. Devido a evoluções dos ma- teriais desde aquela época, já não é um método utilizado para a determinação de um traço de concreto. A dosagem ABCP leva em consideração: tipo, massa específica e nível de resistência aos 28 dias do cimento (ex.: CP II 32 – 32 MPa aos 28 dias); análise granulométrica e massa específica dos agregados; dimensão máxima característica do agregado graúdo; consistência desejada do concreto fresco; e resistência de dosagem do concreto (fcj). Exemplo da aplicação da dosagem ABCP: Construção civil8 Solução: 1. Determinação da relação do fator água/cimento: Para Fc28 = 25 Mpa → a relação do fator água/cimento se consegue por meio da curva de Abrams, que está em função da idade e da resistência mecânica desejada, assim como você pode ver na Figura 2: Material Tipo Peso específico = γ (kg/m³) Massa específica = γ (kg/m³) Cimento CPII – 32 3.150,00 Areia Areia média bem graduada 1.620 2.640 Brita Brita 1 (Dmáx = 19 mm) 1500 2.280 Concreto Idade Resistência à compressão (Mpa) Consistência do concreto fresco 28 dias 25 Mole Tabela 3. Definição das características do concreto a ser dosado. 9Concretagem: dimensionamento e efeitos Portanto, o fator água/cimento é igual a 0,58. 2. Determinação do consumo de água: Adotando um abatimento do tronco de cone de 90 mm e Dmáx de 19 mm, você pode obter o consumo aproximado de água a partir da tabela abaixo: Figura 2. Gráfico de Abrams: relação do fator água/cimento em função da resistência à compressão. Consumo de água aproximado, em l/m³ Abatimento (mm) Dmáx de agregado graúdo 9,5 19,0 25,0 32,0 38,0 40 a 60 220 195 190 185 180 60 a 80 225 200 195 190 185 80 a 100 230 205 200 195 190 Tabela 4. Consumo de água. Construção civil10 3. Determinação do consumo de cimento: Você pode obter a determinação do consumo de cimento por meio da fórmula: Cc = Ca a / c Assim: Cc = 200 0,58 Cc = 344,83 kg/m3→ Em que: Cc= consumo de cimento (kg/m³) Ca= consumo de água (tabelado) (l/m³) a/c = fator água/cimento 4. Determinação do consumo dos agregados: Depende do teor ótimo, da dimensão máxima do agregado graúdo e do módulo de finura da areia. Você pode obter o consumo dos agregados por meio da tabela abaixo: 11Concretagem: dimensionamento e efeitos Módulo de Finura Dimensão máxima (mm) 9,5 19,0 25,0 32,0 38,0 1,8 0,645 0,770 0,795 0,820 0,845 2,0 0,625 0,750 0,775 0,800 0,825 2,2 0,605 0,730 0,755 0,780 0,805 2,4 0,585 0,710 0,735 0,760 0,785 2,6 0,565 0,690 0,715 0,740 0,765 2,8 0,545 0,670 0,695 0,720 0,745 3,0 0,525 0,650 0,675 0,700 0,725 3,2 0,505 0,630 0,655 0,680 0,705 3,4 0,485 0,610 0,635 0,660 0,685 3,6 0,465 0,590 0,615 0,640 0,665 Tabela 5. Consumo de agregado miúdo. Adotando o agregado miúdo, com módulo de finura = 2,6 e diâmetro máximo para o agregado graúdo = 19 mm, você obtém, na tabela acima, um volume de 0,690 m³. Assim, você pode calcular o consumo do agregado graúdo: Cb = Vb × Mb Cb = 0,690 × 1500 → Cb = 1035 kg/m3 Em que: Cb = consumo de brita, em kg/m³ Vb = volume de brita (tabelado) (l/m³) Mb = peso específico da brita (kg/m³) A obtenção do consumo do agregado miúdo se dá por: Cálculo do volume a ser utilizado Construção civil12 Vareia = 1 – + Cc γc Cb γb Ca γa + Vareia = 1 – + 344,83 3150 1035 2280 + 200 1000 Vareia = 1 – 0,760 → Vareia = 0,24 m3 Cálculo do consumo da areia: Careia = Vareia × Mareia Careia = 0,240 × 2660 Careia = 638,40 kg/m3→ Em que: Vareia Cc = consumo de cimento Cb = consumo de brita Ca = consumo de água ga = massa específica da água gb = massa específica da brita gc = peso específico do cimento 5º – Apresentação do traço: Cim : Areia : Brita : A/C : Careia Cc Ca/c Cc Cb Cc : 1 : 638,40 344,83 : 1035 344,83 : 200 344,83 → 1 : O traço definitivo é: 1 : (1,85) : (3,00) : (0,58) Dosagem IPT É um método simples, eficiente e muito divulgado no Brasil. Ele aceita a utilização do agregado disponível em obra, dispensando o estabelecimento de composição granulométrica geralmente estipulada por modelos teóricos. Além disso, leva em consideração a resistência característica do concreto aos 28 dias (fck), do diâmetro máximo dos agregados e da consistência do concreto. A 13Concretagem: dimensionamento e efeitos partir desses valores, obtém as proporções de areia e pedra britada para cada unidade de cimento, além da obtenção do fator água/cimento. Exemplo de aplicação da dosagem IPT: Material Tipo Peso específico = γ (kg/m³) Massa específica = γ (kg/m³) Observação Cimento CPII – 32 3.150,00 Areia Areia média bem graduada 1.620 2.640 Módulo de finura: Mf = 2,6 Brita Brita 1 (Dmáx = 19 mm) 1.500 2.280 Concreto Idade Resistência à compressão (Mpa) 28 dias 25 Tabela 6. Definição das características do concreto a ser dosado. Solução: Por meio das tabelas a seguir, você pode obter o teor de argamassa e o fator água/cimento. Construção civil14 Dmáx do agregado graúdo Módulo de finura do agregadomiúdo Menor do que 2,4 Entre 2,4 e 2,6 Maior do que 2,8 9,5 55 57 59 19 50 52 54 25 46 48 50 38 43 44,5 46 50 37 39 41 76 333 34,5 36 102 30 31 32 152 27 28 29 Tabela 7. Valores estimados para o teor de argamassa seca (α). Fcj (MPa) Cimentos do tipo CP I, II, III e IV CP V ARIClasse 25 Classe 32 Classe 40 10 0,79 0,89 0,96 0,96 15 0,64 0,74 0,81 0,81 20 0,53 0,63 0,71 0,71 25 0,45 0,55 0,62 0,62 30 0,38 0,48 0,56 0,56 35 0,32 0,42 0,50 0,50 Tabela 8. Valores estimados para o fator água/cimento – x (l/kg). 15Concretagem: dimensionamento e efeitos Teor de argamassa → α = 53% (valor aproximado) Fator água/cimento → x = 0,55 1º – Determinação do traço inicial (1:5) Determinação da consistência →A consistência é definida pela relação água/ materiais secos (H), que pode ser relacionada com os termos do traço da seguinte maneira: 783 × (148 – Dmáx) + (163 – Dmáx) × S 4410 × γb H = × 100 Em que: S = abatimento do tronco do cone. Para o exemplo, se adotou S= 80 mm. 783 × (148 – 19) + (163 – 19) × 80 4410 × 2.280 H = × 100 H = 9% Determinação do traço inicial 1 = : x α × x H – 1 : x H × (100 – α) 1 = : x 53 × 0,55 9,0 – 1 : 0,55 9,0 × (100 – 53) 1 : 2,2 : 2,8 : 0,55 → Traço inicial 2º – Traço pobre (1: 3,5) → 1 : 1,6 : 1,9 : 0,55 3º – Traço rico (1: 6,5) → 1 : 2,4 : 2,9 : 0,55 Para saber mais sobre o processo, leia o capítulo 19 “Dosagem” do livro Tecnologia do Concreto (NEVILLE, 2013, p. 375-391). Construção civil16 Efeitos As falhas na fase de concretagem comprometem o desempenho da estrutura. Armadura exposta e vazios são os problemas mais comuns. Eles interferem diretamente na resistência e na durabilidade das estruturas. Porém, essas falhas só são detectadas quando ocorre a desforma da estrutura. Falhas severas comprometem a estrutura e podem causar o seu desmoronamento antes mesmo do término da obra. No entanto, quando não ocorre o comprometimento da estrutura, ela pode ser recuperada por meio de ações reparadoras. Bicheiras ou nichos: são espaços vazios detectados após a desforma de uma estrutura de concreto armado. São ocasionados por várias causas. As mais comuns são falta de vibração ou falta de espaço suficiente para passagem dos agregados entre armaduras e formas. Figura 3. Bicheira no concreto com exposição das ferragens. Fonte: Ajay PTP/Shutterstock.com A não observância de alguns fatores contribui para a existência de falhas na execução da concretagem. A seguir, você pode ver os exemplos mais comuns: 17Concretagem: dimensionamento e efeitos � Erro na definição do traço do concreto e/ou não atenção ao traço de- finido em projeto. � Erro de projeto no detalhamento da armadura. � Perda da nata do concreto, causada por não se conferir a vedação da forma. � Adensamento do concreto em excesso, que segrega os componentes do concreto. O tipo e a frequência de vibração são estipulados de acordo com o tipo de agregado e a armadura utilizada. � Excesso de água na dosagem antes da aplicação do concreto fresco e no acabamento (cura). No primeiro, causa a perda da resistência na qual foi dosado. Já no segundo causa a segregação dos materiais. � Retirada das escoras e formas prematuramente. � Cura inadequada. � Erro na execução das ferragens, não utilizando a bitola adequada, o espaçamento e o cobrimento especificados em projetos. Pode-se utilizar grautes e argamassas a fim de restaurar os espaços vazios e, em alguns casos, até mesmo fazer o cobrimento das armaduras que ficaram expostas. A adoção de procedimentos específicos e boas práticas definem o sucesso ou não de uma concretagem. É preciso, por exemplo: definir qual o tipo de concreto a ser utilizado, a data da concretagem, a peça e o volume a ser executado; contratar alguns serviços necessários para uma boa concretagem (bomba lançadora de concreto, vibrador, concreto bombeável); ou, em alguns casos, evitar a realização da concretagem com concreto virado inlocco (como era feito antigamente e ainda hoje ocorre em pequenas construções). Construção civil18 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6118:2014. Projetos de estruturas de concreto – Procedimentos. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR12655:2015. Concreto de cimento Portland –- Preparo, controle, recebimento e aceitação –- Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. LIMA, C. I. P. Tabela concreto. [S.l.]: Carlos Irapuama de P. Lima, [2010?]. Disponível em: <http://irapuama.dominiotemporario.com/doc/ TABELAS_CONCRETOS_E_ARGA- MASSAS.pdf>. Acesso em: 05 mar. 2017. NEVILLE, A. M. Dosagem. In: NEVILLE, A. M. Tecnologia do concreto. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013. cap. 19, p. 375-394. Leituras recomendadas ALLEN, E. Construções em concreto. In: ALLEN, E. Fundamentos da engenharia de edificações: materiais e métodos. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013. cap. 13, p. 524-527. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Concreto: relação água/cimento. [S.l.]: ABCP, [2010?]. Disponível em: <http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/ upload/ativos/75/anexo/2relac.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2017. CASTRO, M. Dosagem de concreto. [S.l.]: Castro, [2010?]. Disponível em: <http://mo- emacastro.weebly.com/ uploads/5/7/9/8/57985191/cap_5_dosagem.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2017. CIMENTO.ORG. Efeito da qualidade da água no concreto. 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