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Fundamentos da educação - conteudo web 1 1

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INTRODUÇÃO
A teoria do conhecimento é uma disciplina �losó�ca que busca compreender como acontece a complexa
relação entre o sujeito que aprende e o objeto que ele busca aprender, além de esclarecer quais são os
múltiplos fatores que estão envolvidos nesse processo.
Sendo um dos pilares mais fundamentais da prática pedagógica, entre os seus temas de estudo estão os
relacionados à origem dos saberes, isto é, à forma como o ser humano se apropria do conhecimento sobre o
mundo físico e social.
Por ser uma teoria que trata de elementos mais subjetivos do que objetivos, não é possível encontrarmos uma
única abordagem nesse campo de estudo, pois nesse território convivem múltiplas e antagônicas concepções.
Assim, o objetivo central dessa disciplina é analisar a questão do conhecimento contido nas práticas
pedagógicas do ponto de vista da Filoso�a, a partir das perspectivas de alguns de seus principais epistemólogos
(estudiosos do conhecimento).
A ORIGEM DO CONHECIMENTO
Aula 1
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO
A teoria do conhecimento é uma disciplina �losó�ca que busca compreender como acontece a
complexa relação entre o sujeito que aprende e o objeto que ele busca aprender.
29 minutos
FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO
 Aula 1 - Conhecimento e educação
 Aula 2 - Antropologia �losó�ca
 Aula 3 - O papel da história na formação do sujeito
 Aula 4 - Os pressupostos �losó�cos e a educação
 Referências
112 minutos
Como sabemos o que sabemos, ou conhecemos aquilo que julgamos conhecer? Essa é uma questão que ocupa
a mente dos �lósofos desde a Antiguidade, e desde então eles vêm tentando desvendar os aspectos que
envolvem a interação do ser humano com o ambiente social, físico e cultural.
A Idade Moderna é o marco histórico que de�ne o início da teoria do conhecimento como disciplina autônoma,
pois, na Antiguidade e na Idade Média, este tipo de estudo estava vinculado à metafísica (área da Filoso�a que
se ocupa de questões como a existência do ser, a causa e o sentido da realidade e a natureza).
Na Idade Moderna, portanto, Descartes, Locke e Hume Kant, procuraram sistematizar questões sobre a gênese,
a essência e a verdade sobre o conhecimento apontando algumas questões, como por exemplo:
• Qual o critério fundamental para se chegar ao conhecimento;
• o sujeito pode apreender o objeto?
• o conhecimento investigado é fechado deixando brecha para a descrença?
• a fonte (origem) do conhecimento seria a experiência ou a razão?
Como consequência dessas indagações, durante a Idade Contemporânea, surgem outras teorias, de natureza
menos cientí�ca e de caráter mais próximo do existencialismo, pois percebemos que responder a toda essa
complexa estrutura, que envolve o ser humano e o conhecimento, não é tão somente uma possibilidade
objetiva. Assim, em decorrência dessa relação imbricada, que envolve o ser humano e suas interações com o
meio natural e social, outros estudiosos se posicionam, dando origem a novas formas de entendimento dessa
questão.
Nesse contexto, um dos estudos teóricos mais complexos é o de Sigmund Freud, considerado o “pai” da
Psicanálise. Para este epistemólogo, o ser humano trava, desde o seu nascimento, uma incessante e complexa
batalha entre o seu consciente (a parte visível) e o inconsciente (volume invisível).
Segundo Freud, a mente consciente é caracterizada pela presença de pensamentos e sentimentos, que
possibilitam ao ser humano a capacidade de raciocinar. O pré-consciente seria composto pela memória não
acessada pela mente consciente. E o inconsciente é composta por instintos reprimidos, sentimentos e impulsos.
Além dessa importante contribuição teórica acerca do conhecimento, destacam-se os estudos da Escola
Soviética de Psicologia de L. S. Vygotsky, Luria e Leontiev. De acordo com essa concepção, por meio de uma
abordagem semiótica, os estudiosos russos pesquisaram sobre as formas como o ser humano interage com o
mundo social no qual nasce e gradativamente se apropria dos elementos da cultura (instrumentos físicos e
simbólicos), transformando-os de maneira própria, processo que Vygotsky e seus discípulos chamaram de
intersubjetividade e subjetividade.
Ainda nesse campo de estudo teórico, um outro epistemólogo que muito in�uenciou a prática pedagógica
contemporânea é Jean Piaget, estudioso nascido na Suíça, que elaborou a teoria conhecida por epistemologia
genética. De acordo com essa abordagem, o ser humano constrói o próprio conhecimento em interação
contínua com o meio, de acordo com os estímulos que esse lhe coloca.
COMO SABEMOS O QUE SABEMOS?
A origem do conhecimento sempre foi um enigma para o ser humano. A �loso�a “do ser humano”,
praticamente iniciada por Sócrates na Grécia Antiga, já trazia no seu nascedouro a clássica formulação
epistemológica “sujeito-objeto”, ou seja, desde que começou a ter consciência de sua existência como algo
autônomo em relação aos elementos da natureza, o ser humano passou a se preocupar com a busca da
verdade (conhecimento).
Esse fato, ocorrido aproximadamente no século V antes de Cristo, passou a ocupar as mentes dos �lósofos da
época. Naquele contexto, Sócrates perguntou-se “o que é a verdade”, e ao fazê-lo consultou o famoso oráculo
de Delfos, local onde os �lósofos frequentavam para consultarem os deuses.
Conduzido pela �gura de Pítia (ou Pitonisa), uma mulher que ali �cava para verbalizar a voz dos deuses,
Sócrates observou letras escritas por algumas pedras esparramadas por ali, que �cavam como registro de
visitas de outros que por lá passaram para também se consultar. Juntando as referidas letras, o �lósofo
construiu a máxima “conhece-te a ti mesmo”, que se tornaria um divisor de águas entre a �loso�a da natureza e
a �loso�a do ser humano.
Naquele cenário marcado pela dúvida e pelo conteúdo da fala dos deuses vocalizada pela Pítia, Sócrates saiu do
oráculo com mais perguntas do que respostas acerca da origem do conhecimento (verdade), a ponto de ter
chegado a uma conclusão, que é expressa por uma outra máxima também conhecida dos �lósofos ao longo dos
séculos, qual seja “só sei que nada sei”.
Dali em diante, Platão, um discípulo contemporâneo de Sócrates, a partir da máxima “conhece-te a ti mesmo”,
faz uma re�exão sistemática, rigorosa e de conjunto (como deve ser a verdadeira re�exão �losó�ca) e se
pergunta: “se a verdade (conhecimento) está dentro de mim, quem a colocou ali”?
Na sequência, buscando a resposta a essa pergunta que ele mesmo formulou, elabora sua cosmogonia
(estrutura do universo) e cosmologia (funcionamento do universo), apoiando-se numa narrativa que ele cria
(alegoria das charretes), a�rmando que o ser humano (condutor), ao procurar a verdade, terá de ir até os céus
(Olimpo), utilizando-se de uma charrete conduzida por dois cavalos: a razão e a vontade. Se ao longo do
caminho ele perde seu foco e deixa-se guiar pelo cavalo da vontade, perderá a chance de chegar ao Olimpo e
voltará à terra na condição eterna de escravo.
Ao contrário, se o condutor se guiar pelo cavalo da razão e mantiver o foco na busca da verdade, ele chegará ao
Olimpo e, com isso, conhecerá a verdade. Nesse caminho, como consequência, ele retornará à terra na
condição de �lósofo e retirará o véu que encobre o conhecimento (descobrirá) e o passará para os que ali
�caram. Ou seja, para Platão, o mundo da razão (inteligível) é mais consistente que o mundo da experiência
(sensível) e, para chegar até a verdade, o ser humano deve buscar o mundo das ideias e evitar o mundo da
matéria física (experiência).
No mesmo contexto, Aristóteles, um outro �lósofo grego, defendeu a tese de que a verdade (conhecimento) só
pode ser desvelada se, além da razão, o ser humano também considerar a sua experiência vivida no mundo
real.
En�m, esse conjunto de teorias �losó�cas se alastraram pelo Ocidente e in�uenciaram por todos os séculos
subsequentes a maneira de se entender a origem do conhecimento na mente humana e, como consequência,
in�uenciaram fortemente a educação.A RESPEITO DOS “ISMOS”
A área educacional é marcada pelos “ismos”, isto é, se analisarmos os projetos curriculares de várias escolas,
veremos que eles não são idênticos, e em alguns casos, chegam a ser até profundamente divergentes.
Quem de nós já não ouviu falar em positivismo, behaviorismo, construtivismo, gestaltismo, entre tantos outros?
No cotidiano da vida familiar, quando a criança chega à idade de matrícula na escola, é comum ouvirmos os pais
ou responsáveis preocupados em saber em qual escola irão colocar os seus �lhos, pois sabem que há
diferenças e que os “ismos”, muitas vezes, determinam a qualidade da educação oferecida e a construção da
personalidade de suas crianças.
O �lósofo pragmatista John Dewey a�rmava que “em vez de se perder em ‘ismos’, em discussões abstratas que
levam do nada a lugar nenhum, a pedagogia deveria se orientar por pesquisas abrangentes e construtivas sobre
necessidades, problemas e possibilidades reais dos aprendizados”, e frequentemente vemos que isso é bem
verdadeiro, pois muitas crianças vão às escolas e não aprendem o essencial (DEWEY, 1979, p 17)
Tomemos como exemplo dois fragmentos de projetos curriculares de duas instituições, a �m de analisarmos o
quão é forte a presença das in�uências epistemológicas na prática educativa. Manteremos o sigilo da fonte por
questões éticas:
Referencial 1: “As concepções de criança e infância adotadas por esse Referencial, em consonância com as
DCNEIs, orientam as práticas pedagógicas que favorecem a aprendizagem e impulsionam o desenvolvimento de
bebês, crianças bem pequenas e pequenas. Mais do que uma fase provisória, a infância é uma idade em que a
criança, além da intensa capacidade de aprendizagem e desenvolvimento em seus vários campos de atividade,
também está em processo de estruturação nos domínios afetivo, cognitivo e motor que constituem sua
evolução psíquica”.
Referencial 2: “A concepção behaviorista deixa evidente que o professor é visto como peça-chave no processo
educativo, pois cabe a ele identi�car o repertório existente, planejar o que precisa ser realizado de acordo com
os objetivos almejados; cabe a este promover a transmissão do conhecimento, que tem como foco a
preparação para o futuro, e espera-se do aluno a apropriação do que foi transmitido. Espera-se que o professor
seja capaz de criar condições que proporcionem a efetivação da aprendizagem. Acrescenta-se que, cabe
também ao educador, utilizar reforçadores (positivos e negativos) como estratégias necessárias à
aprendizagem. O reforço positivo visando ao fortalecimento de comportamentos desejáveis e ao reforço
negativo, tendo como propósito a extinção de comportamentos indesejáveis”.
VÍDEO RESUMO
Neste módulo, faremos uma re�exão sobre a origem do conhecimento na mente humana. Veremos que, desde
a Antiguidade, os �lósofos se preocuparam em responder a essa questão, algumas vezes apoiando-se na
experiência (empirismo) e, em outras, na razão (racionalismo). Dessas formas variadas de busca dessa resposta
surgiram as diferentes concepções de educação e de metodologias de ensino, que ao longo da história da
educação estiveram presentes na prática dos educadores e ainda estão até hoje.
 Saiba mais
https://blog.mackenzie.br/vestibular/materias-vestibular/o-que-e-epistemologia/
https://sociologialiquida.org/o-que-e-epistemologia/
CORTELLA, M. S. A escola e o conhecimento. Fundamentos epistemológicos e políticos. São Paulo, SP:
Cortez, 1996.
INTRODUÇÃO
Dentre os muitos ramos do saber humano que têm por objeto o próprio ser humano, é especialmente
importante a antropologia �losó�ca. Esse campo de conhecimento constitui-se como uma re�exão sistemática e
bem fundamentada sobre a vida humana e o seu destino, sobre as suas faculdades e operações, suas relações
interpessoais, referidas à totalidade do seu ser. As ciências particulares a respeito do ser humano não
conseguem dar resposta à pergunta: “O que é o ser humano?”. E a falta de resposta adequada a essa questão é
desorientada, pois os estudos são parciais e especializados, daí a importância da antropologia �losó�ca.
ENTRE O ESSENCIAL E O NATURAL
A forma como pensamos hoje foi moldada durante milhares de anos, e ainda que falemos no singular (a forma),
sabemos que não existe uma única forma de pensar, pois, ao se relacionar com a natureza e viver em grupo, o
ser humano vai se deparando com diferentes estímulos e interações, o que o faz desenvolver inúmeras e
variadas maneiras de tentar entender e de explicar o funcionamento do mundo físico e social no qual ele está
inserido.
Aula 2
ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA
Dentre os muitos ramos do saber humano que têm por objeto o próprio ser humano, é
especialmente importante a antropologia �losó�ca.
26 minutos
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Nesse contexto, inúmeras concepções surgem, estando, entre elas, a essencialista e a naturalista. De acordo
com ambas as concepções, há que se contemplar o princípio da diversidade, e a educação, como consequência,
consiste em realizar o que o ser humano deve vir a ser.
Um dos primeiros pensadores essencialistas da Antiguidade que realizou uma grande sistematização �losó�ca
foi Platão (428 ou 427-347 a.C.), que contribuiu com uma discussão acerca de importantes temas relacionados à
perspectiva humana.
Entre as perguntas que este �lósofo fazia, havia a que se referia à possibilidade de superação do nível empírico,
aquele que circunda o mundo da experiência, a�rmando que havia a necessidade de se alcançar a esfera das
essências, ou seja, da verdade.
Nessa direção, Platão estabeleceu uma divisão entre o mundo das ideias e o mundo das sombras, dividindo o
ser humano entre o “eu empírico” (corpo) e o “eu essencial” (alma). No mundo do corpo, do desejo e dos
sentidos, tudo é imperfeito, sombrio e transitório, enquanto, no mundo da alma (ou o espírito pensante), tudo é
verdadeiro, necessário, belo, puro e bom.
Além de Platão, um outro pensador essencialista, já na Idade Média, Tomas de Aquino (1225-1274), entendia
que educação servia para educar o indivíduo na fé e para a vida após a morte. Segundo a tese desse �lósofo, a
alma é a forma essencial do corpo, responsável por dar vida a este. A alma é imortal e única, e por isso, o ser
humano se volta naturalmente para Deus. Conhecida como “ética tomista” (de caráter aristotélico), os estudos
de Tomás de Aquino se concentram no movimento do ser para Deus, culminando na visão ou contemplação
imediata do criador.
No mesmo contexto dessa forma essencialista de conceber a relação do ser humano com o mundo físico e
social, surge o �lósofo Kant (1724-1804), que procurou demonstrar que, a despeito do peso da experiência
sobre a construção do conhecimento, aquela nunca ocorre de maneira neutra, pois a ela são impostas, a priori,
a sensibilidade que é determinante na estruturação da cognição humana.
Do lado oposto ao essencialismo, surge, na Idade Média, a concepção naturalista. Para essa perspectiva,
contribuem os estudos do britânico Francis Bacon (1561-1626), que elaborou uma metodologia racional para o
trabalho cientí�co, delimitando a linha entre  o pensamento medieval e o moderno.
Finalmente, há que se destacar ainda, no campo da concepção naturalista, o �lósofo e matemático René
Descartes (1596-1650), que, com o seu método �losó�co, trouxe ao campo �losó�co o rigor da matemática com
a criação de um plano de coordenadas que até contemporaneamente permite uma  aior precisão nos estudos
da geometria analítica e da espacial.
PENSAR OU SENTIR?
Uma das áreas do saber humano que pode contribuir muito para o trabalho dos professores, é a Antropologia.
O ser humano produz e transmite cultura para as próximas gerações, garantindo assim um permanente
movimento de socialização; no entanto, a aquisição do conhecimento é algo singular, sendo que cada indivíduo
o constrói à sua maneira.
No entanto, a dinâmica desse rico e complexo processo precisa ser desvelada pela Antropologia, que, ao reunir
elementos para a análiseda interação do homem com o mundo circundante, trará à educação importantes
contribuições.
Nesse sentido, a antropologia �losó�ca promove a re�exão sobre os conteúdos que são apresentados aos
estudantes por meio do projeto curricular, considerando o contexto cultural, a história de vida e o seu universo
simbólico, fatores fundamentais para a aprendizagem, contemplando também, as capacidades oriundas da
infância, quais sejam incorporação de experiências, a habilidade sensório-motora, a capacidade de locomoção,
função imitativa,  lúdica,  linguística,  intelectual e a estética.
O ser humano, desejante por natureza, busca tornar-se participante do seu grupo social, porém esse desejo de
participar do mundo dos adultos pode ser estimulado ou bloqueado durante a socialização da criança durante o
processo pedagógico.
O movimento de internalização do espaço social estruturado, conhecido como socialização, se dá em constante
interação entre a história individual e a convivência coletiva. E é esse processo que traz à educação a
necessidade de um olhar antropológico.
A antropologia e a educação devem ser internalizadas por emoções e crenças. Cabe ao educador uma
sensibilidade sobre a diversidade cultural dos educandos, a �m de que possa ter empatia com eles mediante a
detecção de suas necessidades que são construídas na interação entre o estudante e sua comunidade de
origem.
Nesse sentido, a Antropologia histórica traz uma contribuição ao trabalhando docente, pois possibilita uma
análise sobre a cultura e os valores dos educandos.
QUE PESSOA QUEREMOS/PRECISAMOS FORMAR?
A Pedagogia é uma área de atuação humana responsável pela formação das novas gerações. Por não ser
propriamente uma ciência, ela se apoia em vários campos do conhecimento, como a Filoso�a, a Antropologia, a
Sociologia, a Psicologia, entre outras.
Apesar de ser um campo próprio e distinto das demais ciências, há uma forte e estreita relação entre ela e os
diferentes campos epistemológicos. Uma das relações mais básicas é a tentativa de compreender a natureza
humana e suas formas de aprendizagem.
Assim, é possível a�rmar que toda teoria pedagógica ou prática educacional tem em seu bojo uma determinada
concepção de ser humano, ou seja, toda pedagogia pressupõe uma visão de ser humano como sujeito do
processo educativo, isto é, toda educação é uma antropologia.
A Pedagogia encontra na Filoso�a uma fonte inesgotável de saberes acerca do ser humano e a dinâmica de
funcionamento da sociedade.
Desde sua origem o saber �losó�co esteve voltado para a preocupação de desvelar os mistérios da existência
humana, além a de encontrar o grau zero do conhecimento (Epistemologia).
A Filoso�a contempla no escopo de sua produção uma intencionalidade educativa, voltada para a formação e
do desenvolvimento do caráter humano.
Entre as escolas �losó�cas que contribuíram no passado para essa intenção, destaca-se a Paideia grega, a
educação formadora, pois para os gregos educar é humanizar, tendo portanto, um sentido coletivo e
comunitário.
Os pedagogos encontram na Filoso�a um forte amparo teórico, que lhes fornece segurança para o
desenvolvimento da prática de ensino. Nesse sentido, essa área fornece para a educação importantes
elementos antropológicos que auxiliam os educadores a compreenderem os contextos culturais dos estudantes
e assim desenvolverem estratégias de ensino pedagogicamente sensíveis a esse universo.
No início de sua busca pela razão, o ser humano desenvolveu a mitologia, pois ele acreditava ser dependente
das forças cósmicas; posteriormente, aplicando a razão em suas análises, de maneira mais radical, rigorosa e de
conjunto, construiu a �loso�a, e assim caminhou até culminar no desenvolvimento do conhecimento cientí�co.
Essas formas de tentar entender racionalmente a dinâmica de funcionamento da vida trouxeram
historicamente re�exos nas formas de ele educar seus sucessores. Educação, portanto, signi�ca formar o ser
humano de acordo com o que se espera que ele possa ser. 
VÍDEO RESUMO
Neste módulo, faremos uma re�exão sobre as diversas abordagens acerca da prática educacional.
Perceberemos que, dentre os muitos campos das ciências humanas, é especialmente importante a antropologia
�losó�ca. Essa disciplina nos apresenta elementos sólidos para uma re�exão sistemática e bem fundamentada
sobre a natureza do ser humano e as formas como ele aprende. Tentando nos responder à questão “o que é o
ser humano?”, a antropologia �losó�ca nos dá uma excelente orientação, a qual é fundamental para nossa
prática docente.
 Saiba mais
Explore mais o naturalismo e o essencialismo através dos materiais disponíveis nos links abaixo:
• https://ensaiosenotas.com/2019/01/09/fundamentos-de-antropologia-
�loso�ca/#:~:text=A%20antropologia%20�los%C3%B3�ca%20lida%20com,%2C%20mente%2C%20dentre%
20outros%20t%C3%B3picos
• https://www.youtube.com/watch?v=kYMad5xsucc
• https://www.stoodi.com.br/blog/historia/antropologia-o-que-e/
Aula 3
O PAPEL DA HISTÓRIA NA FORMAÇÃO DO SUJEITO
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INTRODUÇÃO
A história é uma ciência humana que estuda o desenvolvimento do homem no tempo, analisando processos
históricos, personagens e fatos para promover uma melhor compreensão dos períodos históricos, das
diferentes culturas e civilizações.
Um dos seus principais objetivos é o resgate dos aspectos culturais de um determinado povo ou região para o
entendimento do processo de desenvolvimento.
O aprendizado da história traz uma forte contribuição para a formação do sujeito, tendo como objetivo principal
a formação cidadã do ser humano, pois essa disciplina apresenta dados sobre o contexto global e multicultural
onde se inserem os indivíduos.
A HISTÓRIA QUE NOS CONTAM
Todo ser humano tem em seu interior uma espécie de “moldura”, semelhante à de um quadro, que dá forma à
sua forma de ver e entender o mundo.
Essa “moldura” começa a ser formada desde o nascimento, quando o seu cérebro começa a receber estímulos,
inicialmente sensoriais, vindos do meio natural, social e cultural no qual ele se encontra.
A partir de uma raiz biológica (cérebro), portanto, vão sendo formadas as estruturas de seu pensamento, que
ao longo da vida, por meio das interações com o ambiente externo, vão dando os contornos culturais à sua
mente.
Nesse contexto, inicialmente familiar, os elementos históricos que caracterizam o grupo social no qual o sujeito
nasceu, passam a fazer parte da sua existência, sendo que de acordo com pesquisadores como Piaget e
Vygotsky, a mente do sujeito é fruto das ricas interações ocorridas entre ele e os membros do seu grupo social.
Nesse sentido, como não poderia ser de outra forma, os diferentes sujeitos, imersos em diferentes contextos
sociais e históricos, vão dando voz à suas formas de pensar, dando origem assim a inúmeras e diversas
concepções de mundo.
Portanto, pensadores em diferentes épocas, por estarem imersos em diferentes contextos culturais e sociais,
foram dando forma às maneiras de entender e de explicar o funcionamento e os processos dessa rica dinâmica.
Dentre as diferentes “molduras, portanto dos pensadores, �lósofos e pesquisadores destacam-se a concepção
essencialista e a naturalista, sendo que para ambas, é necessário que a educação do ser humano deve
considerar o princípio da diversidade, uma vez que as “molduras” humanas são diferentes sendo que o
processo educacional, teria como consequência, a realização do ser humano como um “vir a ser”.
A história é uma ciência humana que estuda o desenvolvimento do homem no tempo,
analisando processos históricos.
30 minutos
O �lósofo pioneiro da concepção de educação essencialista da Antiguidade foi Platão (428 ou 427-347 a.C.), que
pavimentou o pensamento posterior sobre os principais temas relacionados à perspectiva humana. Entre as
suas principais preocupações estava a de formular respostas às perguntassobre a superação do mundo da
experiência, defendendo a tese de que seria necessário o alcance da esfera das essências, pois só assim seria
possível desvelar a verdade.
Numa sequência histórica a essa construção de “molduras”, na Idade Média, há o destaque para o pensador
cristão Tomás de Aquino (1225-1274), que entendia a educação como um processo de vivência do sujeito na fé e
preparo para a vida pós morte.
No contexto dessa “moldura” essencialista, o �lósofo Kant (1724-1804), mostrou que, apesar de experiência
estar presente na formulação do conhecimento, ela não é neutra, pois o ser humano dotado dos sentidos da
experiência, carrega para a sua cognição essas formas da sensibilidade o que de�ne a sua forma de entender o
mundo (a sua “moldura
Como consequência desse processo de “emolduramento”, do lado oposto ao essencialismo, no contexto da
Idade Média, emerge a concepção naturalista. De acordo com Francis Bacon (1561-1626), um dos mais
importantes �lósofos dessa perspectiva, seria necessária uma metodologia racional para a atividade cientí�ca,
tornando-se um marco entre o Ser humano da Idade Média e o Ser humano moderno. 
Finalmente, no contexto da “moldura” naturalista, René Descartes (1596-1650), �lósofo e matemático, propôs o
uso da racionalidade para a Filoso�a, tentando despi-la dos elementos metafísicos que até então
predominavam nesse campo, contribuindo com suas re�exões para o avanço dos estudos da geometria
analítica e da geometria espacial.
RAZÃO OU VONTADE?
Até o século XVII predominou nas teorias pedagógicas, o modelo cienti�cista, fato que incomodou pensadores
como Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que no século seguinte deslocou o foco central do processo
educacional do mestre para o educando.
Jean-Jacques Rousseau provocou uma grande revolução na pedagogia e colocou a emoção e a moral no
epicentro de sua visão do homem. Segundo o pensador, o homem nasce bom e a sociedade o corrompe. Nesse
sentido idealizou a �gura de um educando que seria livre das in�uências sociais
Hegel (1770-1831) dá mais uma contribuição ao processo de construção da �loso�a romântica, pois, ao
desenvolver a �loso�a do devir; concebe o ser como processo, como vir-a-ser. A dialética colocada como eixo de
sua �loso�a transforma o conceito de verdade, não mais um fato, uma essência, uma realidade, mas o
resultado de um desenvolvimento do espírito.
A própria concepção de contradição como motor interno da história faz com que Karl Marx (1818-1883) inverta
o sistema hegeliano e sustente o primado da matéria sobre o espírito, estabelecendo assim a base da
construção do materialismo histórico. Só será possível compreender o que os homens fazem e pensam a partir
da forma como os homens produzem os bens materiais necessários.
Nesse contexto da concepção histórico-social de sujeito, uma outra contribuição às fundamentações do
conceito de educação relacionado com a consciência humana é a  antropologia sartreana. Esses conceitos
foram formulados pelo �lósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980). Na elaboração desses o conceito de Nada,
considerado a base para as obras de Sartre, recebeu forte in�uência de outros �lósofos, entre os quais,
Descartes, Kant, Hegel, Russerl e Heidegger.
Nesse caso, a concepção de natureza humana defendida por Sartre, está intrinsecamente vinculada ao conceito
de Nada como o elemento de�nidor do homem, ou seja, ao mesmo tempo em que é pelo homem que o nada
vem ao mundo, o Nada, também, se constitui na essência do homem. Nesse sentido, o Nada habita a
consciência humana como aquilo que o constitui como homem. Ainda mais quando uma educação é bem
orientada a outro homem com a �nalidade de revelar a realidade da liberdade que todos os humanos se
encontram, mas que muitos se negam em aceitá-la e logo vivê-la com responsabilidade.
Em síntese, a grande contribuição da concepção histórica social resulta em três aspectos: a preocupação com o
processo (nada é estático), com a contradição (não há linearidade no processo) e com o caráter social do
engendramento humano (o ser do homem se faz presente nas relações entre os homens ao longo da história).
Ainda no conjunto desses fundamentos, porém com ênfase na consciência humana e sua relação com o
conhecimento, aparecem as in�uências da crítica de Kant, �lósofo alemão do século XVIII, que abordou
questões relevantes que abrangem o campo educacional.
Compreender o projeto pedagógico da Modernidade, numa perspectiva kantiana, nos faz re�etir sobre
problemas educacionais que atravessaram séculos, e que em plena contemporaneidade ainda não foram
solucionados, como por exemplo a questão da indisciplina, como questionamentos acerca da razão e
moralidade.
Para Kant, a disciplina é o momento de maior tensão no processo pedagógico, por apresentar ao homem uma
situação diversa da vida a partir da natureza do ser que muda completamente o seu caminho de vida natural e
selvagem para o caminho do pensamento autônomo, levando-o à conquista da sua verdadeira liberdade.   
CONHECIMENTO É CONSTRUÇÃO SOCIAL E HISTÓRICA
O conhecimento pedagógico é uma construção social, e é feita pelos especialistas.
É pressuposto que alguém formado na área seja indicado para a função. A realidade, no entanto, nos mostra
que tem muita gente fora de área na educação brasileira em geral e na história, em particular. Não seria esse
um dos fatores por que os alunos, em geral, não gostem de História da Educação? Ou um dos motivos da baixa
qualidade do da formação de pedagogos no Brasil?
A história da educação é um tipo de conhecimento muito especializado; pensemos por exemplo na seguinte
situação: como era uma sala de aula na Idade Média? Será que há semelhanças com a sala de aula
contemporânea? Em que aspectos são semelhantes e quais são diferentes?
Quando pensamos nessas questões, não sobra dúvidas de que um leigo não conseguirá fazer uma
interpretação adequada e isso ocorre porque ele não tem os instrumentos teóricos e metodológicos que
permitem essa análise. Portanto, em termos de conhecimento sobre a história da educação, não pode haver
“achismos”, mas existe uma interpretação que apresenta certa coerência com o real. O cidadão comum pode
até saber que o fato aconteceu, mas não saberá dizer por que ele aconteceu. Esse é um trabalho do
especialista, do pro�ssional das ciências humanas, em geral, e, mais precisamente, do pedagogo. Portanto, a
história é uma ciência que tem os seus métodos, suas técnicas e sua orientação teórica, que sofre interferência
política, porque é humana.
O estudo da história da educação nos possibilita entender as formas como outros povos lidam com o
encaminhamento educacional de seu povo, e mais especi�camente no Brasil, esse estudo nos esclarece que
mesmo que o país tenha avançado de forma substancial no século XX e XXI, a educação nacional ainda sofre de
problemas graves e urgentes.
A precariedade de infraestrutura de escolas, a falta de quali�cação de professores, as diferenças regionais na
qualidade educacional, o ainda presente analfabetismo, a situação do analfabetismo funcional e o fosso
existente entre o ensino público e o ensino privado, são graves problemas sociais, que fazem com que o Brasil
esteja nas piores colocações quando o assunto é avaliação internacional do nível de aprendizado dos alunos.
Portanto, quando analisamos as de�ciências educacionais na base da população brasileira contemporânea, que
provocam sequelas que se estendem a outras esferas, como a econômica, a social e a cultural e escancara as
desigualdades entre ricos e pobres, agravando os problemas sociais como violência urbana e corrupção,
percebemos que essa problemática tem raízes históricas, ou seja, são a culminância de todo um processo de
políticas púbicas mal administradas ao longo do tempo.
Nesse sentido, é mister que a formação de educadores no Brasil seja feita com cautela, de forma que os futuros
professores, ao se apropriarem do conhecimento do passado da realidade nacional da educação,e ainda das
políticas educacionais de outras nações ao longo do tempo, possam olhar para a realidade da sala de aula com
referenciais teóricos e históricos sólidos, mudando o paradigma de que o estudo da História da educação é
inútil ou “chato”.
VÍDEO RESUMO
Neste módulo faremos uma re�exão sobre a história, uma ciência humana que estuda o desenvolvimento do
homem no tempo, analisando processos históricos, personagens e fatos para promover uma melhor
compreensão das diferentes culturas e civilizações.
A história ajuda a resgatar os aspectos culturais de um determinado povo ou região para o entendimento do
processo de desenvolvimento humano.
Aprender história é fundamental para a formação da cidadania, pois essa disciplina nos apresenta dados sobre
o contexto global e multicultural onde se inserem os indivíduos.
 Saiba mais
Para complementar os seus estudos, o material a seguir explora mais detalhadamente a biogra�a de Eric
Hobsbawm.
• Arquivo - Eric Hobsbawn
INTRODUÇÃO
A educação é uma prática mediadora das práticas históricas sob as quais o ser humano constrói sua existência
subjetiva e social, por isso, é fundamental que haja uma re�exão mais elaborada sobre os pressupostos
�losó�cos da formação e da atuação prática docente. A qualidade da prática pedagógica só poderá ser
garantida se, ao longo de sua formação, o educador tiver acesso a um conjunto articulado de elementos
formativos que lhe garantam no futuro uma competência técnica e cientí�ca a ser desenvolvida com
criatividade, sensibilidade ética e criticidade política. Nesse sentido, compete à sua formação a presença de
subsídios fornecidos pela �loso�a.      
PRÁTICA MEDIADORA
O ser humano, ao interagir com seu grupo social, vai se modi�cando, o que o caracteriza como um ser em
construção.
No âmago dessa interação está a contradição, pois a atividade humana é política por natureza, tendo no con�ito
o alimento para sua manutenção.
Nesse sentido, a historicidade das experiências humanas torna-se elemento fundamental para o entendimento
da natureza humana, pois a todo momento o homem interage de forma dialética com a sua própria história e a
estrutura social na qual está inserido. Portanto, o saber produzido num dado momento histórico é edi�cado a
partir do pavimento da base material da sociedade na qual se insere.
Nesse sentido, vários �lósofos buscam relacionar os fatos históricos e sociais com seus re�exos sobre a
educação. Assim, por exemplo, para o �lósofo Theodor Adorno, a questão da emancipação no processo da
educação deve, simultaneamente, evitar a “barbárie” e buscar a emancipação pessoal.
Aula 4
OS PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS E A EDUCAÇÃO
A educação é uma prática mediadora das práticas históricas sob as quais o ser humano constrói
sua existência subjetiva e social.
26 minutos
https://web.archive.org/web/20131008051740/http://www.spartacus.schoolnet.co.uk/HIShobsbawm.htm
O �lósofo entende como barbárie, o impulso humano destrutivo, que se manifesta nas diversas formas de
agressividade percebidas no cotidiano, podendo chegar a situações extremas, como por exemplo os campos de
extermínio nazistas. Nesse sentido, Adorno propõe uma educação “emancipatória”, pois formas autoritárias de
educação não conseguem evitar esse caráter impulsivo destrutivo.
Uma educação nesse modelo (emancipatório) é preventivo à repressão, e distante da reprodução tecnicista, que
mantém o caráter produtivo da vida humana. De acordo com essa perspectiva, o processo educacional pode
favorecer a formação de sujeitos críticos e livres, capazes de educar o próprio impulso destrutivo, fortalecendo
a autonomia e contribuindo para a extinção da barbárie.
Uma outra contribuição nessa perspectiva crítica da educação é da Escola de Frankfurt, surgida no início do
século XX. Seus representantes elaboraram importantes teses �losó�cas e sociológicas. Seus pensadores eram
marxistas do Instituto para Pesquisa Social, vinculado à Universidade de Frankfurt, na Alemanha.
Dentre as principais contribuições produzidas pela Escola de Frankfurt estão a Teoria Crítica e o conceito de
Indústria Cultural.
A Teoria Crítica se posiciona em relação à construção cartesiana do pensamento positivista e pela leitura crítica
acerca do pensamento de Karl Marx e o conceito de indústria cultural, diz respeito à padronização de produtos
da cultura.
Portanto, ambas as re�exões se dirigem criticamente ao sistema capitalista. No interior de seu conteúdo é
observável a denúncia das formas de dominação presentes na política, economia, cultura e psicologia da
sociedade desde a modernidade.
A Escola de Frankfurt surge no contexto de acontecimentos importantes da história mundial. No século XX,
(1920), aconteceu a Primeira Guerra Mundial e, ao �nal da década, aconteceu a crise de 1929.
Portanto, os fundamentos �losó�cos da educação cumprem o importante papel de promotores da discussão
dos graves e históricos temas sociais, sendo um conjunto de conhecimentos necessários aos professores.
O SÉCULO DA MORTE
Ao longo do século XX, vários �lósofos buscaram relacionar os fatos históricos e sociais aos seus re�exos sobre
a educação.
O historiador Eric Hobsbawn referiu-se ao século XX como “breve” no subtítulo de sua obra Era dos Extremos.
Os “extremos” de Hobsbawn fazem alusão à formação de ideologias extremadas próprias desse período, que
foram implementadas por meio de ditaduras de diversas tendências políticas (comunismo soviético e chinês,
militarismos repressores de extrema-direita na América Latina, totalitarismos nacionalistas do fascismo
europeu).
A impressão que dá ao lermos os textos da “era dos extremos” é a de que o ser humano voltou para o tempo da
barbárie, quando ainda não havia nascido a organização social que conhecemos como “civilização”.
Naquele contexto, ganharam relevância o nacionalismo, representado pelo regime nazista de Hitler, na
Alemanha; o genocídio armênio, praticado pelo Império Turco-Otomano em 1915 (e até hoje não reconhecido
pelo governo turco); a Guerra da Bósnia (1992-1995), no território da ex-Iugoslávia, com fatores marcados por
discursos nacionalistas; na África, em Ruanda, com os massacres praticados pela maioria hutu contra a minoria
tutsi.
No Brasil, Getúlio Vargas tomou diversas medidas contra estrangeiros, em decretos durante o “Estado Novo”
que os equiparavam a indigentes, vagabundos, ciganos, estabelecendo regras rígidas para concentração e
assimilação de estrangeiros. Além disso, violou direitos de imigrantes e descendentes de italianos, alemães e
japoneses após a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em 1942, ao lado dos Aliados, con�scando os
bens de pessoas dessas descendências.
Hobsbawn, a�rma ainda que o século XX foi considerado por ele como a “era dos extremos” devido aos
acontecimentos ocorridos no período como um todo.
Portanto, levando em consideração todo esse cenário de horrores, dá para se compreender o teor das teorias
sobre a educação e a emancipação social de Adorno, a Escola de Frankfurt e a perspectiva crítica da educação,
que esclarece conceitos sociais importantíssimos, como Indústria Cultural, en�m, os fundamentos �losó�cos da
educação cumprem o importante papel de promotores da discussão dos graves e históricos temas sociais,
sendo um conjunto de conhecimentos necessários aos professores.
NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS
No �lme brasileiro Nós que aqui estamos por vós esperamos, de Marcelo Masagão, há a sobrepondo imagens
com a �nalidade de mostrar o pensamento dos personagens e a memória do século XX.
No documentário o autor aborda mudanças mundiais no cotidiano humano no período entre guerras
mostrando revoluções, golpes, ditaduras, movimentos e nascimento do atual modelo tecnológico.
O autor se inspirou na obra “Era dos Extremos”, do historiador britânico Eric Hobsbawm, mostrando em sua
produção, por meio da montagem das imagens produzidas no século XX, ambientadas pelo fundo musical de
Wim Mertens, o período de contrastes de um mundoenvolvido em duas guerras, colocando ênfase na
banalização da violência, no desenvolvimento tecnológico, na esperança e na loucura humanas.
Para a construção de sua narrativa, Masagão utilizou imagens que ligaram fatos acontecidos e histórias de
pessoas anônimas com toda a revolução e os acontecimentos históricos do tempo em que elas viveram.
O título do �lme foi inspirado num letreiro de um cemitério da cidade de Paraibuna (SP), "Nós que aqui estamos
por vós esperamos", tentando enfatizar as mortes banalizadas, dos anônimos que ajudaram a escrever a
história.
Entre os temas principais estão a banalização da morte, a industrialização, as mudanças na comunicação após a
invenção do telefone, do rádio e da energia elétrica, a independência feminina, a igualdade dos sexos, a busca
dos sonhos e ideais.
O �lme revela a vida de pessoas comuns e de celebridades, com a �nalidade de levar ao interlocutor a
importância individual para a construção da história.
O documentário foi premiado no Festival de Gramado, em 1999, por sua montagem, e no Festival do Recife,
como melhor �lme, melhor roteiro e melhor montagem.
VÍDEO RESUMO
Neste módulo, faremos uma incursão pelo documentário de Marcelo Masagão, que tem o título de Nós que
aqui estamos por vós esperamos, com a �nalidade de visitarmos o complexo século XX, que o historiador
Hobsbawn chamou de “breve”. Trata-se de um �lme brasileiro que, por meio de imagens e músicas (sem texto
escrito nem falado), o autor nos transporta para um cenário de morte (com a Primeira e a Segunda Guerra
Mundial), marcado pelo surgimento da sociedade industrial e pelo cenário de barbárie.
 Saiba mais
Para mais informações, acesse:
Igreja de São Francisco / Convento de São Francisco de Évora  
Revisitando Charles Chaplin: tempos modernos na Enap 
Aula 1
ARANHA, M. G. A. Filosofando. Introdução à Filoso�a. São Paulo, SP: Moderna, 1993.
DEWEY, John. Experiência e Educação. Tradução: Anísio Teixeira. São Paulo, SP: Companhia Editora Nacional,
1979.
JAPIASSU, H. Introdução à epistemologia da psicologia. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1977.
JAPIASSU, H. Nascimento e morte das ciências humanas. Rio de Janeiro, RJ: Francisco Alves, 1978.
JAPIASSU, H. O mito da neutralidade cientí�ca. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1975.
KANT, l. Crítica da razão pura. São Paulo, SP: Abril Cultural, 1980.
Aula 2
ARANHA, M. G. A. Filosofando. Introdução à Filoso�a. São Paulo, SP: Moderna, 1993.
REFERÊNCIAS
1 minutos
http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/SIPA.aspx?id=2724
https://repositorio.enap.gov.br/handle/1/4398
Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.
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MONDIN, B. O ser humano. Quem é ele? São Paulo, SP: Paulus, 2021.
Aula 3
HOBSBAWM, et al. Era dos extremos. Ed. Companhia das letras, 1995.
LUZURIAGA, L. História da educação e da Pedagogia, ED. Nacional, 1983.
Aula 4
ALTHUSSER, L. Aparelhos Ideológicos de Estado. 10. ed. São Paulo, SP: Graal, 2007.
BOURDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. São Paulo, SP: Perspectiva, 2007.
NOGUEIRA, M. A. Bourdieu e a Educação. 3. ed. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2009.
SILVA, T. T. da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 3. ed. Belo Horizonte, MG:
Autêntica, 2010.
https://storyset.com/
https://www.shutterstock.com/pt/

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