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PORTUGUÊS TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o conto “A cartomante”, de Lima Barreto (1881-1922), para responder à(s) questão(ões). [...] Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira a convicção de que aquela sua vida vinha sendo trabalhada pela mandinga de algum preto-mina3, a soldo do seu cunhado Castrioto, que jamais vira com bons olhos o seu casamento com a irmã. (8º parágrafo) Arranjou, com o primeiro conhecido que encontrou, o dinheiro necessário, e correu depressa para a casa de Madame Dadá. (9º parágrafo) O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A abastança voltaria à casa; compraria um terno para o Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar na memória como passageiro pesadelo. (10º parágrafo) Pelo caminho tudo lhe sorria. Era o sol muito claro e doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos transeuntes; e o mundo, que até ali lhe aparecia mau e turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce. (11º parágrafo) Entrou, esperou um pouco, com o coração a lhe saltar do peito. (12° parágrafo) O consulente saiu e ele foi afinal à presença da pitonisa4. Era sua mulher. (13º parágrafo) (Contos completos, 2010.) 1pistolão: recomendação de pessoa influente; indivíduo que faz essa recomendação. 2calceta: argola de ferro que, fixada no tornozelo do prisioneiro, ligava-se à sua cintura por meio de corrente de ferro. 3preto-mina: indivíduo dos pretos-minas (povo que habita a região do Grand Popo, no Sudoeste da África). 4pitonisa: profetisa. 1. (Uefs) Expressa sentido hipotético a forma verbal sublinhada no seguinte trecho: a) “Arranjou, com o primeiro conhecido que encontrou, o dinheiro necessário” (9º parágrafo) b) “A abastança voltaria à casa” (10º parágrafo) c) “Pelo caminho tudo lhe sorria” (11º parágrafo) d) “esperou um pouco, com o coração a lhe saltar do peito” (12º parágrafo) e) “e ele foi afinal à presença da pitonisa” (13º parágrafo) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionadas ao texto abaixo. Não faz muito que 1temos esta nova TV com controle remoto, 2mas devo dizer que se trata agora de um instrumento sem 3o qual eu não saberia viver. Passo os dias sentado na velha poltrona, mudando de um canal para o outro – uma tarefa que antes exigia certa movimentação, 4mas que agora ficou muito fácil. Estou num canal, não gosto – 5zap, mudo para outro. 6Eu 7gostaria de ganhar em dólar num mês o número de vezes que você troca de canal em uma hora, diz minha mãe. 8Trata-se de uma pretensão fantasiosa, 9mas pelo menos 10indica 11disposição para o humor, admirável nessa mulher. 12Sofre minha mãe. Sempre 13sofreu14: infância carente, pai cruel, etc. Mas o seu sofrimento aumentou muito quando meu pai a deixou. Já faz tempo; foi logo depois que eu nasci, e estou agora com treze anos. Uma idade em que se vê muita televisão, e em que se muda de canal constantemente, ainda que minha mãe ache 15isso um absurdo. Da tela, uma moça sorridente pergunta se o caro telespectador já conhece certo novo sabão em pó. 16Não conheço nem quero conhecer, de modo que – 17zap – mudo de canal. “Não me abandone, Mariana, não me abandone18!”. Abandono, sim. Não tenho o menor 19remorso, e agora é um desenho, que eu já vi duzentas vezes, e – 20zap – um homem 21falando. Um homem, abraçado _____1_____ guitarra elétrica, fala _____2_____ uma entrevistadora. É um roqueiro. É meio velho, tem cabelos grisalhos, rugas, falta-lhe um dente. É o meu pai. É sobre mim que 22ele fala. Você tem um filho, não tem?, pergunta a apresentadora, e ele, meio 23constrangido – situação pouco admissível para um roqueiro de verdade –, diz que sim, que tem um filho só que não vê há muito tempo. Hesita um pouco e acrescenta: você sabe, eu tinha que fazer uma opção, era a família ou o rock. A entrevistadora, porém, insiste (24é chata, ela): mas o seu filho gosta de rock25? Que você saiba, seu filho gosta de rock26? Ele se mexe na cadeira; o microfone, preso _____3_____ desbotada camisa, roça-27lhe o peito, produzindo um desagradável e bem audível rascar. Sua angústia é compreensível; aí está, num programa local e de baixíssima audiência – e ainda tem de passar pelo vexame de uma pergunta que o embaraça e à qual não sabe responder. E então ele me olha. 28Vocês dirão que não, que é para a câmera que ele olha; aparentemente é isso; mas na realidade é a mim que ele olha, sabe que, em algum lugar, diante de uma tevê, estou a fitar seu rosto atormentado, as lágrimas me correndo pelo rosto; e no meu olhar ele procura a resposta _____4_____ pergunta da apresentadora: você gosta de rock? Você gosta de mim? Você me perdoa? – mas aí comete um engano mortal29: insensivelmente, automaticamente, seus dedos começam a dedilhar as cordas da guitarra, é o vício do velho roqueiro. Seu rosto se ilumina e 30ele vai dizer que sim, que seu filho ama o rock tanto quanto ele, mas nesse momento – 31zap – aciono o controle remoto e ele some. 32Em seu lugar, uma bela e sorridente jovem que está – à exceção do pequeno relógio que usa no pulso – nua, completamente nua. Adaptado de: SCLIAR, M. Zap. In: MORICONI, Í. (Org.) Os cem melhores contos brasileiros. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 547-548. 2. (Ufrgs) Assinale a afirmativa correta acerca dos usos das formas verbais no texto e dos seus sentidos. a) O emprego de temos (ref. 1) faz referência ao passado em que o narrador-personagem e sua mãe viveram a experiência de possuir uma televisão com controle remoto. b) O emprego de gostaria (ref. 7), no futuro do pretérito, faz referência ao desejo do narrador-personagem de ganhar mensalmente muitos dólares, assim como as muitas vezes em que troca os canais da televisão. c) Os empregos de Trata-se (ref. 8) e indica (ref. 10) fazem referência ao presente em que o narrador-personagem apresenta a sua opinião sobre a pretensão e a disposição de sua mãe. d) Os empregos de sofre (ref. 12) e sofreu (ref. 13), no presente e no pretérito, fazem referência, respectivamente, ao presente e ao passado, momentos em que o narrador-personagem vive com sua mãe. e) A forma verbal falando (ref. 21) revela a ação de falar do pai do narrador-personagem no passado em que o narrador-personagem brincava de trocar os canais da televisão com controle remoto. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto, a seguir, atentando para responder à(s) questão(ões). Médico debocha de paciente na internet e é demitido Pacientes e internautas ficaram indignados com a postura do funcionário Um médico plantonista do hospital público Santa Rosa de Lima, administrado pela Santa Casa de Serra Negra, em São Paulo, foi afastado do trabalho após ter uma foto divulgada em seu Facebook em que debocha de um paciente que não falou corretamente as palavras “pneumonia” e “Raio-X” em uma consulta. O médico em questão publicou em sua rede social a imagem de um receituário em que se lê: “Não existe peleumonia e nem raôxis”. A postagem foi comentada pelas funcionárias do hospital, que também foram demitidas. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) informou que vai instaurar uma sindicância para avaliar a postura do profissional. O caso ganhou repercussão depois que a denúncia foi publicada na coluna “Comentando”, e outros pacientes e internautas ficaram indignados com a postura do clínico geral. A diretoria do Hospital Santa Rosa de Lima publicou uma nota em que repudia o comportamento dos ex-funcionários. Texto adaptado. Disponível em: <http://noticias.band.uol.com.br/cidades/noticia/100000816630/medico-debocha-depaciente-na-internet-e-e-demitido-de-hospital.html>. Acesso em: 07 nov. 2016. 3. (Ucpel) Nos enunciados: “O médico em questão publicou em sua rede social a imagem de um receituário...” e “A diretoria do Hospital Santa Rosa de Lima publicou uma nota...”, o verbo publicar é classificado respectivamente, segundo sua regência, como: a) transitivo indireto - transitivo direto b) transitivo indireto - transitivo indireto c) transitivo diretoe indireto - transitivo direto d) transitivo direto - transitivo direto e) transitivo direto - transitivo bitransitivo TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Envelhecer Arnaldo Antunes 1A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer Não quero morrer pois quero ver Como será que deve ser envelhecer Eu quero é viver pra ver qual é E dizer venha pra o que vai acontecer 2Eu quero que o tapete voe No meio da sala de estar 3Eu quero que a panela de pressão pressione E que a pia comece a pingar 4Eu quero que a sirene soe E me faça levantar do sofá 5Eu quero pôr Rita Pavone No ringtone do meu celular 6Eu quero estar no meio do ciclone Pra poder aproveitar E quando eu esquecer meu próprio nome Que me chamem de velho gagá 7Pois ser eternamente adolescente nada é mais démodé Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr Disponível em https://www.vagalume.com.br/arnaldoantunes/envelhecer.html. Acesso: 22/9/17. 4. (Uece) Sobre as locuções verbais presentes na primeira estrofe da canção (“vai descendo”, “vão caindo”, “vão crescendo”, “vai dizendo”, “vão morrendo”), NÃO é lícito afirmar que a) nestas locuções verbais formadas com o verbo “ir”, é comum que elas expressem algo que ocorrerá antes do momento da fala. b) são locuções formadas pelo verbo auxiliar “ir” somado a um verbo principal no gerúndio. c) o último verbo destas locuções representa a ação que se quer expressar, enquanto o primeiro verbo exprime o modo e o tempo em que ela se realiza. d) o verbo auxiliar, além de expressar o modo e o tempo em que a ação se realiza, faz também referência à duração da ação verbal.