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95 Não estudo, tampouco trabalho. Não só estudo mas também trabalho. Não apenas estudo bem como trabalho. Não somente estudo senão ainda trabalho. Tanto estudo quanto trabalho. Dois mais dois são quatro. Por isso, nós mais vocês formamos um quarteto. BIZURAÇÃO 1. A RESPEITO DA CONJUNÇÃO „e’: além de apresentar a ideia de adição, também pode ter outros valores semânticos, como adversidade (mas, porém) ou conclusão/consequência (portanto, por isso, então). Choveu intensamente, e a cidade ficou inundada. (portanto, por isso – conclusão/consequência) Cumpra suas obrigações e será recompensado. (portanto, por isso – conclusão/consequência) Nós acordamos cedo, e chegamos, infelizmente, atrasados. (mas, porém – adversidade/oposição) Fazemos muitas dietas, e não conseguimos emagrecer. (mas, porém – adversidade/oposição) Depois de ontem, vou chamar-lhe e dar-lhe uma bronca (= para – finalidade) REVISÃO DE BASE 25 BORA PRA CIMA, FILHOTES DE CADETE! CONTINUANDO... Marque a alternativa em que a conjunção coordenativa “e” estabelece somente relação de adição entre as orações. A) Ia telefonar-lhe e desejar-lhe parabéns. B) Ninguém me disse nada, e entendi de imediato. C) d) A chuva caiu pela manhã, e a festa de aniversário ao ar livre não foi cancelada. D) “O sol ardia sobre o pasto maltratado e secava os lameirões da estrada torta.” BIZURAÇÃO: EM: O mundo tornou-se intensamente complexo e as respostas não são diretas nem estáveis *OBS: A RELAÇÃO DE SENTIDO/SEMÂNTICA/ DE SIGNIFICADO da conjunção “e” corresponde à de por isso. BIZURAÇÕES IMPORTANTES: Pode ser usada a conjunção e logo após um ponto ( ) para imprimir ênfase ao conteúdo da oração que a segue: Você é muito importante para mim. E será sempre. A ênfase pode ser conseguida também quando vem após a vírgula: Concordo com ele, e muito! O e, no fim de uma enumeração, pode ser dispensado, colocando-se vírgula em seu Lugar: Comprei maçã, uva, figo e banana. > Comprei maçã, uva, figo, banana. O e repetido (polissíndeto) dá ideia de acúmulo: Eles são abusados, e desbocados, e impertinentes, e aproveitadores, e muito mais! Usa-se a construção e nem quando o nem = a não (neste caso, o e é uma conjunção aditiva e o nem é um advérbio de negação: Sobre este último ponto ainda, podemos enfaticamente usar e nem (= mas não), e nem sequer, e nem assim, e nem por isso etc.: Assistiu à ótima peça e nem (= mas não) aplaudiu. A moça não o cumprimentou e nem sequer olhou para ele. Sobre o nem: Pode ser conjunção aditiva (reforçada por alguns termos), alternativa (JOIA RARA, MAS FIQUE ATENTO!) e advérbio de negação; aparece em outras construções também, todavia veremos isso mais à frente: O homem não come nem tampouco bebe. (ou nem ao menos, nem sequer, nem mesmo) Não sei nem se fico, nem se parto. (alternativa = Não sei se fico ou se parto.) Nem sempre colabora com obras de caridade. (advérbio = não). Nem estudo nem trabalho. (só o segundo nem é uma conjunção aditiva, = e não, o primeiro é um advérbio de negação, = não). BIZURAÇÃO: *Apesar de não haver encontrado gramático ou dicionarista (exceto o professor Sérgio Nogueira) que classificasse tampouco como conjunção aditiva (= nem), leve isso em consideração e abra o olho com a expressão nem tampouco, ambas são polêmicas mas podem aparecer de bobeira por aí, visse? Em “João mais Maria se apaixonaram.”, o mais é uma conjunção aditiva coloquial. As correlações aditivas equivalem ao e, isto é, dizer: “Não só estudo mas trabalho.” equivale a dizer “Eu estudo e trabalho.” *Nas correlações aditivas (ou séries aditivas enfáticas), só as orações iniciadas por mas, como, senão e quanto são consideradas aditivas, o que indica que, os conectivos aditivos, de fato, são o mas, o como, o senão e o quanto. Às vezes, o início da correlação vem implícito, caso em que o mas tem valor aditivo: http://www.elitemil.com.br/ 96 Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. = Não só não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. E, às vezes, os termos da correlação vêm afastados dentro da frase: A conjunção não liga só orações, mas liga termos também. Se a correlação tanto... quanto vier em períodos diferentes, o sentido pode mudar e a análise de tais vocábulos idem: Tanto estudo! Quanto trabalho! Note que agora são advérbios de intensidade. CONJUNÇÕES COORDENATIVAS Não para de comer, mas nunca fica satisfeito. Fuja daqui, porém tome cuidado! O filme agradou ao público, contudo não foi louvado pelos críticos. Perdi todos os meus bens, todavia me alegrei com a separação. Paixão não me faz bem, entretanto não vivo sem ela. Ele está cansado, no entanto terá de trabalhar amanhã cedo. Sorria sem pudor, não obstante se aquietava diante do pai. Atendeu a todas as exigências, só que não foi convocado no fim do processo. Não se dizia um professor, senão um reprodutor de informações. Falar de mim é fácil, agora ser como eu é difícil. O rapaz não estudava, antes devorava os livros. O livro é ruim, ainda assim preciso lê-lo até o fim. CONJUNÇÕES COORDENATIVAS ADVERSATIVAS Dicas topzeras!!! 1. O mas pode apresentar matizes de sentido: Os fariseus oprimiam o povo, mas Jesus exercia seu amor a eles. (contraste/contraposição) Amor, eu sei que eu te traí, mas saiba que eu te amo. (compensação) Casou-se, mas não com a primeira namorada. (restrição) Foi em direção ao beijo, mas desistiu por timidez. (quebra de expectativa) Outra pessoa, mas não eu, deverá cobrir a reportagem. (ressalva) Entre, mas sem fazer barulho. (realce/ressalva) OBSERVE OS EXEMPLOS: 2. De modo diferente da conjunção mas, que não pode ser deslocada na frase, as conjunções: porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante podem: Não pude sair hoje; fiquei assistindo a um filme com minha esposa, porém. / Não pude sair hoje; fiquei, contudo, assistindo a um filme com minha esposa. / Não pude sair hoje; fiquei assistindo, entretanto, a um filme com minha esposa. ... 3. Não obstante pode ser uma locução conjuntiva adversativa (seguida de verbo no indicativo), uma locução conjuntiva concessiva (seguida de verbo no subjuntivo) ou uma locução prepositiva (não seguida de verbo ou seguida de verbo no infinitivo). Veja exemplos: Gasta-se muito aqui, não obstante há compensações. / Não obstante haja compensações, não vale a pena tanto gasto. / Não obstante a doença, mantinha-se firme. / Não obstante ter acordado, voltou a dormir. IMPORTANTE: nada obstante é expressão sinônima = a não obstante. 4. modernamente a expressão só que vem sendo considerada uma locução conjuntiva adversativa, “que promove uma quebra de expectativa e introduz a informação mais importante no enunciado” 5. Sobre as palavras agora, antes e ainda assim, que comumente são encaixados na classe dos advérbios, é bom dizer que alguns gramáticos, já as alistam como termos de valor adversativo. “2. O conectivo ‘Ainda assim’ pode ser substituído por ‘No entanto’ sem que o sentido do texto se altere.”. A partir dessa afirmação, pense: se no entanto é uma locução conjuntiva adversativa e substitui ainda assim, logo, pois, tem valor adversativo. 6. Na definição das adversativas, eu disse que elas realçam o conteúdo da oração que introduzem. Vou dar dois exemplos para isso ficar claro. Imagine um vizinho chegando até você e dizendo assim sobre sua Maria: Ei, eu sei que Maria é carinhosa, mas ela é chatinha e implicante. (Percebe-se o quê?) Agora, outro vizinho: Ei, eu sei que Maria é chatinha e implicante, mas ela é carinhosa. (Percebe-se o quê?) Então: a conjunção adversativa dá relevância ao conteúdo da oração que a segue, de modo que chegamos a conclusões diferentes na fala das dois vizinhos. Veja de http://www.elitemil.com.br/97 novo, com a conclusão/desfecho, o que se subentende na fala delas: Ei, eu sei que Maria é carinhosa, mas ele é chatinha e implicante, então larga ela! Ei, eu sei que Maria é chatinha e implicante, mas ela é carinhosa, então dá uma chance a ela! REVISÃO DE BASE 26 A CONJUNÇÃO: AS SUBORDINATIVAS INTEGRANTES: Introduzem orações subordinadas substantivas; conectam uma oração incompleta a uma oração que, por sua vez, vai completá-la; um antigo e válido bizu nos diz que se conseguirmos substituir uma oração iniciada por uma das integrantes (que ou se) por isto/isso, tais conectivos serão conjunções subordinativas integrantes. Não sei se devo estudar mais. (“Não sei” o quê? Isto: “se devo estudar mais”.) Verifiquei se faltava água aqui. (“Verifiquei” o quê? Isto: “se faltava água aqui”.) Eu o informei de que a prova será amanhã. (“Eu o informei” de quê? Disto: “de que a prova será amanhã”.) Percebe-se que ela é uma boa aluna. (O que “se percebe”? Isto: “que ela é uma boa Aluna”.) CONTINUANDO... BIZURAÇÃO: Tio, então, só há duas conjunções integrantes? Simmmmmmm! E elas são as únicas que, tradicionalmente, não carregam um sentido embutido, apesar de existir uma pequena mudança de significado nestas orações introduzidas por que e por se: “Ela não sabe se ele virá.” (dúvida) “Ela não sabe que ele virá.” (certeza). agora, agorinha, agorita: as conjunções subordinativas adverbiais. São chamadas assim porque introduzem orações subordinadas adverbiais. Nós brigamos não apenas porque temos personalidades diferentes mas também porque não nos amamos mais. Se não nos amamos mais, é porque nunca abrimos concessões. Não é porque eu não te amo que eu vou me separar de você. Porque eu te amo intensamente, muitas pessoas sentem ciúmes de nós. Nunca mataria ninguém, que não é de sua índole. Não almoçou porquanto não tinha fome. A menina não comprou o vestido, pois era muito caro. Como estudamos/estudássemos dia e noite, alcançamos o êxito. (o verbo após o como causal pode ficar no indicativo ou, menos usualmente, no pretérito imperfeito do Subjuntivo) Preciso amar-te, pois que sem ti nada sou. Dado que a metade da população vive na pobreza, precisamos ajudar. Não participarei da aula, visto que não gosto deste professor. Visto como não podia entrar na prefeitura, fez um protesto. Já que lhe ficou proibida a participação, teve de se resignar. Ele deixou de estudar uma vez que teve de começar a trabalhar. Na medida em que não conseguiu resolver a prova, ficou bem nervoso. Sendo que a classe política perde credibilidade a cada dia, aumenta a tendência do voto nulo nas eleições deste ano. BIZURAÇÕES IMPORTANTES: 1. Não confunda porque, que, porquanto e pois causais com explicativas. Sempre que vier um verbo no imperativo antes – nem raciocine! –, essas conjunções sempre explicativas sempre: “Vem, que eu te espero!” (explicativa). 2. Por causa que e por causa de que são coloquialismos. Não usar, please! 3. Não confunda o como causal com o aditivo, comparativo e conformativo: Como fizesse frio, pus um casaco. (causa) / Tanto nado como pedalo. (adição) / Como age o pai, age o filho. (comparação) / Como já dissemos, acalmem-se! (conformidade) 4. Desde que (= uma vez que; causal) é ignorado por alguns estudiosos e abonado por outros: Desde que conseguimos entrar na Faculdade, precisamos agora conquistar nosso diploma. O fato é que tal construção não é nada usual atualmente. CONJUNÇÕES “A locução ‘sendo que’ aparece repetida e condenada em consultórios gramaticais, dicionários de dúvidas de linguagem e manuais de redação, quando a sequência é usada como equivalente à conjunção aditiva ‘e’ ou à adversativa ‘mas’. Só Bechara, considera culta tal locução conjuntiva como aditiva (ou adversativa), os demais a consideram coloquial, nessas acepções. 5. Dado que e Posto que são normalmente locuções conjuntivas concessivas (normalmente http://www.elitemil.com.br/ 98 com verbo no subjuntivo): 6. Dado que/Posto que tenha deixado de estudar, nunca esqueci as explicações do tio Cleyton. 7. Não confunda na medida em que (locução causal) com à medida que (locução proporcional). QUESTÃO PARA ANÁLISE > Observe o período: “Eu desejava mais uma blusa: quem viaja está sempre pensando em alegrias que, de volta, pode dar aos amigos.” Substituindo-se os dois pontos por uma conjunção ou locução conjuntiva, a relação entre as orações estará correta em: A) Eu desejava mais uma blusa, assim quem viaja está sempre pensando… B) Eu desejava mais uma blusa, na medida em que quem viaja está sempre pensando... (a relação entre as orações separadas por dois-pontos é de causa e consequência) C) Eu desejava mais uma blusa, desde que quem viaja está sempre pensando… D) Eu desejava mais uma blusa, à medida que quem viaja está sempre pensando... BIZURAÇÕES IMPORTANTES! 8. Há muitas questões que trabalham relação de causa e consequência e reescritura de frases ao mesmo tempo. VEJAMOS UM EXEMPLINHO: Como Martinha não gostava de ir ao cinema (causa), sua mãe a levava à força. = Martinha não gostava de ir ao cinema de modo que sua mãe a levava à força. (conclusão/consequência) Os irmãos viviam brigando porque sentiam ciúmes terríveis um do outro. (causa) = Os irmãos sentiam ciúmes terríveis um do outro, por isso viviam brigando. (conclusão/consequência). 9. Não confunda por quanto (preposição + pronome; indica quantidade) com porquanto (conjunção causal ou explicativa). 10. Venho acompanhando o progresso da expressão haja vista que (= pois, porque, visto que, já que etc.) como locução conjuntiva causal. As conjunções comparativas em si são as que não estão entre parênteses; os termos entre parênteses só participam da correlação. Outra coisa: lembre-se de que do é facultativo antes do que. VEJAMOS EXEMPLOS: Os homens, tal qual as mulheres, são sentimentais. (comparativo de igualdade) Gosto de cinema tal e qual teatro. (comparativo de igualdade) Corria qual um touro. (comparativo de igualdade) É excelente esportista, tal como o irmão. (comparativo de igualdade) Viva o dia de hoje como se fosse o último. (comparativo de igualdade) Casa é mais confortável do que apartamento. (comparativo de superioridade) Apartamento é menos confortável que casa. (comparativo de inferioridade) OBSERVE MAIS EXEMPLOS: Este apartamento é maior que aquela casa. (comparativo de superioridade) Esta casa é menor do que aquele apartamento. (comparativo de superioridade) Ela sempre será pior pessoa que você. (comparativo de superioridade) A programação da TV aberta é tão interessante como/quanto a da TV a cabo. (comparativo de igualdade) Nenhum atleta treinou tanto ao longo da vida como o Ricardo. (comparativo de igualdade) Acho-o submisso como um cão. (comparativo de igualdade) Assim como chegou, partiu: em silêncio. (comparativo de igualdade) BIZURAÇÕES IMPORTANTINHAS, FILHOTES!!!! 1. Que nem e feito são vistos como conectivos coloquiais, MAS HÁ CASOS DE USO POR GRANDES NOMES: EIS UM EXEMPLO: Ela recendia perfumes que nem um galho de manacá silvestre. / Por que ficou me olhando assim feito boba? (C. Drummond de Andrade) 2. A expressão tal qual, quando varia, é analisada como tal (pronome demonstrativo) e qual (pronome relativo), é por isso que tais vocábulos variam com seus referentes: Os filhos agem tais qual o pai. / O filho age tal quais os pais. / Os filhos agem tais quais os pais. O tal, de tal como, também varia: “As crianças, tais como os idosos, merecem cuidados.”. 3. É normalíssimo verbos das orações iniciadas pelas conjunções estejam elípticos (implícitos): http://www.elitemil.com.br/