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TECNOLOGIAS APLICADAS A SEGURANÇA PUBLICA

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Prévia do material em texto

Presidência da República 
Luiz Inácio Lula da Silva 
Ministério da Justiça e Segurança Pública 
Flávio Dino de Castro e Costa 
 
Secretaria Nacional de Segurança Pública 
Francisco Tadeu Barbosa de Alencar 
 
Diretoria de Ensino e Pesquisa 
Michele Gonçalves dos Ramos 
 
Coordenação-Geral de Ensino 
Ana Claudia Bernardes Vilarinho de Oliveira 
 
Coordenação Pedagógica 
Joyce Cristine da Silva Carvalho 
 
Coordenação de Ensino a Distância 
Renata Guilhões Barros Santos 
 
Gerente de Curso 
Danilo Bruno Moreira 
 
Conteudistas 
Módulo 1 - Rafael Zanatta 
Módulos 2 e 3 - Daniel Edler Duarte 
Módulo 4 – Aulas 1 e 4: Marcio Julio da Silva Santos 
Módulo 4 – Aulas 2 e 3: Pedro CL Souza 
Módulo 5 - Marcio Julio da Silva Santos 
Módulo 6 - Erivelton Pires Guedes, Murilo Goes de Almeida, Ana Cecilia Gonzalez 
Galvão Ferreira 
 
Revisão 
Ana Paula Santos Meza 
Luciana Costa Jatahy de Castro 
 
Revisão Textual 
Daniele Rosendo dos Santos 
 
Revisão Pedagógica 
Ardmon dos Santos Barbosa 
 
Programação e Edição 
Fabio Nevis dos Santos 
Renato Antunes dos Santos 
 
Design Instrucional 
Wagner Henrique Varela da Silva 
 
Colaboração dos profissionais da DGI no Módulo 5: 
Alan Cardek Milhomes Marques 
Alan Cordeiro Rodrigues 
 
 
Aline Brígida Barata da Silva 
André Guedes Leandro 
Armando Slompo Filho 
Carlos Magno Delegado Costa de Oliveira 
Clodoaldo Bandeira da Silva 
Daniel Caixeta Barroso 
Flavio Soares da Silva 
Francisco Carlilton Morais de Queiroz 
Gabriela Marcondes Cruz 
Giovanni Markus Barroso 
Jackson da Silva dos Santos 
Jefferson Pereira da Silva 
Julia Mitiko Sakamoto 
Kleber Maciel de Farias Junior 
Natanael Silva de Oliveira 
Niura de Lourdes Norberto 
Pholiane Jannaine Reis Ferreira 
Rafael Pereira de Souza 
Rafael Rodrigues de Sousa 
Railana Berenice Amoras Oliveira 
Renato Mendes Fonseca 
Robson Niedson de Medeiros Martins 
Sione Guilhermina Interaminense 
Willijeans Batista de Souza 
 
 
SUMÁRIO 
APRESENTAÇÃO DO CURSO ............................................................................................ 8 
OBJETIVOS DO CURSO .................................................................................................... 18 
ESTRUTURA DO CURSO .................................................................................................. 18 
MÓDULO 1: INTRODUÇÃO ÀS TECNOLOGIAS E SEGURANÇA PÚBLICA ................ 19 
APRESENTAÇÃO .............................................................................................................. 19 
OBJETIVOS DO MÓDULO ................................................................................................. 22 
ESTRUTURA DO MÓDULO ............................................................................................... 22 
AULA 1. O QUE É ÉTICA? ............................................................................................. 23 
AULA 2. O QUE É A ÉTICA NO USO DE TECNOLOGIAS? .......................................... 28 
AULA 3. ÉTICA DA PRECAUÇÃO E SUA APLICABILIDADE PARA SEGURANÇA 
PÚBLICA ..................................................................................................................................... 32 
FINALIZANDO ................................................................................................................ 40 
MÓDULO 2 - OS USOS DE SISTEMAS DE RECONHECIMENTO FACIAL NO CAMPO 
DA SEGURANÇA PÚBLICA ........................................................................................................... 41 
APRESENTAÇÃO .......................................................................................................... 41 
OBJETIVOS DO MÓDULO ............................................................................................. 42 
ESTRUTURA DO MÓDULO ........................................................................................... 42 
AULA 1. O FUNCIONAMENTO DOS SISTEMAS DE RECONHECIMENTO FACIAL .. 43 
AULA 2. PANORAMA DO USO DE TECNOLOGIAS DE RECONHECIMENTO FACIAL 
NO BRASIL E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A ATIVIDADE POLICIAL .................................... 50 
AULA 3. OS RISCOS RELACIONADOS AO RECONHECIMENTO FACIAL NO 
CONTEXTO DA SEGURANÇA PÚBLICA .................................................................................. 57 
FINALIZANDO ................................................................................................................ 63 
MÓDULO 3 - SISTEMAS DE ANÁLISE CRIMINAL E POLICIAMENTO PREDITIVO ...... 64 
APRESENTAÇÃO .......................................................................................................... 64 
OBJETIVOS DO MÓDULO ............................................................................................. 65 
ESTRUTURA DO MÓDULO ........................................................................................... 65 
AULA 1. ANTECEDENTES DO USO DA ANÁLISE ESTATÍSTICA NO 
PLANEJAMENTO OPERACIONAL DAS POLÍCIAS ................................................................. 66 
AULA 2. COMO OPERAM OS SISTEMAS ATUAIS DE POLICIAMENTO PREDITIVO?
 ..................................................................................................................................................... 72 
AULA 3. LIMITAÇÕES TÉCNICAS E DILEMAS ÉTICOS.............................................. 80 
FINALIZANDO ................................................................................................................ 85 
MÓDULO 4 - CÂMERAS CORPORAIS E SEGURANÇA PÚBLICA ................................ 86 
 
 
APRESENTAÇÃO .......................................................................................................... 86 
OBJETIVOS DO MÓDULO ............................................................................................. 86 
ESTRUTURA DO MÓDULO ........................................................................................... 87 
AULA 1. HISTÓRICO DAS CÂMERAS CORPORAIS EM SEGURANÇA PÚBLICA .... 88 
1.1 DEFINIÇÕES SOBRE CÂMERAS CORPORAIS .................................................................... 88 
1.2 LINHA DE TEMPO DAS CÂMERAS CORPORAIS EM SEGURANÇA PÚBLICA ............................ 93 
AULA 2. METODOLOGIAS UTILIZADAS E QUALIDADE DA AVALIAÇÃO ................ 98 
AULA 3. EFEITOS DO USO DE CÂMERAS CORPORAIS .......................................... 104 
AULA 4. PROJETO NACIONAL DE CÂMERAS CORPORAIS ................................... 112 
FINALIZANDO .............................................................................................................. 119 
MÓDULO 5 – FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS MJSP ............................................... 123 
APRESENTAÇÃO ........................................................................................................ 123 
OBJETIVOS DO MÓDULO ........................................................................................... 127 
ESTRUTURA DO MÓDULO ......................................................................................... 127 
AULA 1. SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS SINESP ....................................................... 128 
1.1 OBJETIVOS DO SINESP ............................................................................................... 131 
1.2 FINALIDADES DO SINESP ............................................................................................ 141 
1.3 INTEGRAÇÃO E ATUAÇÃO OPERACIONAL DOS ÓRGÃOS DE SEGURANÇA PÚBLICA .......... 142 
1.4 AFERIÇÃO DAS ATIVIDADES DE POLÍCIA OSTENSIVA E PRESERVAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA
 ................................................................................................................................................... 143 
1.5 ANÁLISE PREDITIVA E O PLANEJAMENTO OPERACIONAL ............................................... 144 
1.6 ADOÇÃO DE PADRÕES DE INTEGRIDADE, DISPONIBILIDADE, CONFIDENCIALIDADE, 
CONFIABILIDADE E TEMPESTIVIDADE DOS SISTEMAS INFORMATIZADOS DO GOVERNO FEDERAL ....... 145 
1.7 INTEGRANTES DO SINESP........................................................................................... 146 
1.8 SINESP SEGURANÇA .................................................................................................. 150 
1.8.1 Funcionalidades Chave do Sinesp Segurança ................................................ 151 
1.9 SINESP CAD (CENTRAL DE ATENDIMENTO E DESPACHO) ............................................ 153 
1.9.1 Funcionalidades Chave do Sinesp Segurança ................................................ 155 
1.10 SINESP PPE (PROCEDIMENTOS POLICIAIS ELETRÔNICOS) ......................................... 156 
1.11 SINESP DEVIR (DELEGACIA VIRTUAL) ...................................................................... 159 
1.12 SINESP INFOSEG ..................................................................................................... 162 
1.12.1 Missão do Sinesp INFOSEG ......................................................................... 164 
1.12.2 Funcionalidades do Sinesp Infoseg ............................................................... 165 
1.12.3 Acesso Restrito para a Segurança Pública ................................................... 165 
1.12.4 Impacto e Reconhecimento ........................................................................... 165 
1.12.5 Resultados Concretos ................................................................................... 166 
1.13 SINESP AUDITORIA .................................................................................................. 166 
1.14 SINESP INTEGRAÇÃO ............................................................................................... 168 
1.15 SINESP DW ANÁLISE ............................................................................................... 172 
 
 
1.16 SINESP AGENTE DE CAMPO ...................................................................................... 174 
1.17 SINESP CIDADÃO ..................................................................................................... 175 
1.18 SINESP JC/VDE ...................................................................................................... 179 
1.18.1 Sinesp VDE .................................................................................................... 180 
1.19 SINESP GEOINTELIGÊNCIA ........................................................................................ 184 
AULA 2. ADESÃO ÀS SOLUÇÕES DO SINESP ............................................................ 188 
AULA 3. CÓRTEX E OUTRAS SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS ..................................... 190 
3.1 CÓRTEX .................................................................................................................... 190 
3.1.1 Integração entre Sistemas ............................................................................... 191 
3.1.2 Orientações Iniciais de Acesso ao Sistema Córtex e Principais Funcionalidades 
do Cercamento Eletrônico ..................................................................................................... 192 
3.2 BRASIL MAIS ............................................................................................................. 199 
3.3 PESQUISA PERFIL DAS INSTITUIÇÕES DE SEGURANÇA PÚBLICA (PISP) ........................ 203 
3.4 IDENTIDADE FUNCIONAL ............................................................................................. 206 
FINALIZANDO .............................................................................................................. 208 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 211 
 
 
 
 
 
8TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
APRESENTAÇÃO DO CURSO 
 
Olá discentes, 
Sejam bem-vindos e bem-vindas ao curso de Tecnologias Aplicadas à 
Segurança Pública. 
É com grande satisfação que disponibilizamos um conteúdo inteiramente 
pensado para você - profissional que integra o Sistema Único de Segurança Pública 
(Susp), que tem buscado se atualizar frente às novas Tecnologias da Informação 
e Comunicação - as TICs. 
Trata-se de capacitação que pretende identificar oportunidades e 
benefícios quanto ao emprego das ferramentas tecnológicas na gestão da 
segurança pública e defesa social, bem como discutir desafios relativos à 
implementação desses recursos pelas instituições que compõem o Sistema Único 
de Segurança Pública (Susp). 
Você será apresentado aos recursos e sistemas tecnológicos 
atualmente disponíveis aos operadores e operadoras da segurança pública no país. 
 
Contudo, antes de prosseguir, propomos alguns questionamentos 
relevantes: 
 Como você classifica a sua familiaridade com os sistemas e 
equipamentos tecnológicos disponíveis na atualidade (fluência 
digital)? 
 Como você avalia a disponibilidade e o emprego dos recursos digitais 
pelos gestores e operadores da segurança pública? 
 A sua organização faz uso adequado dos instrumentos informatizados 
explorando as potencialidades das Tecnologias da Informação e 
Comunicação (TICs)? 
 
 
9TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 Você seria capaz de enumerar algumas ferramentas tecnológicas que 
poderiam ser mais bem exploradas na prevenção e no enfrentamento 
à criminalidade? 
Após refletir sobre essas questões, avancemos a leitura sobre o tema... 
Sistemas modernos de gestão de segurança têm como base a utilização 
intensiva de indicadores pelas organizações, tanto no planejamento e 
desenvolvimento de estratégias, quanto no monitoramento e avaliação de seus 
resultados. 
Atendimentos, registros de ocorrências, acompanhamento de processos 
e diligências culminam na produção e armazenamento de uma elevada quantidade 
de dados, distribuídos entre os inúmeros setores que atuam na preservação da 
ordem e investigação criminal. 
Esses dados, quando adequadamente utilizados, se revelam como rica 
fonte de pesquisa e apontam tendências para a atuação dos agentes de 
segurança pública. 
 
DADOS e INFORMAÇÕES devem ser os insumos básicos (inputs) a 
serem considerados pelas organizações de segurança para uma atuação técnica, 
eficiente e de qualidade. O modo como elas produzem, organizam, disponibilizam 
e utilizam esses recursos é que determinarão a natureza e efetividade das 
atividades desenvolvidas. Logo, atuar de forma preventiva e proativa está 
diretamente relacionada à capacidade de gestão do conhecimento pelas 
instituições. 
 
Sites, e-mails, tablets e computadores...o que esses itens possuem em 
comum? 
Além de serem populares, todos compõem o grupo das Tecnologias da 
Informação e Comunicação (TIC) que, apesar de terem surgido em nosso dia 
a dia há relativamente pouco tempo, alteraram significativamente o modo 
 
 
10 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
como trabalhamos e nos relacionamos. De igual modo, têm conquistado 
espaços públicos e privados, transformando consideravelmente ambientes 
residenciais e corporativos. 
 
Pense bem... tarefas repetitivas e cálculos matemáticos, por exemplo, 
têm encontrado nas TICs novos métodos de resolução - mais práticos e eficientes. 
Ademais, o registro e a análise de diversas ações policiais, como o controle de 
pessoal, estoque de materiais e despachos de ocorrências fazem uso frequente de 
tais soluções. 
Inúmeras outras funções - administrativas e operacionais, passaram a 
ser executadas com apoio das TICs, assim como os procedimentos para 
identificação de padrões criminais; os relacionamentos entre pessoas, locais e 
objetos; histórico e antecedentes de suspeitos; o planejamento de operações e 
execução de projetos - só para citarmos alguns. 
Enfim, é fácil observar que centenas de tarefas que podem usufruir das 
facilidades do progresso digital. 
Noutra ponta, práticas consideradas obsoletas, executadas 
manualmente por meio de processos físicos e com o emprego de sistemas 
analógicos já não atendem mais às exigênciasdas pessoas e instituições. Assim, 
a Administração Pública não comporta práticas ultrapassadas, fundadas na 
impressão aleatória de papéis ou no preenchimento de requerimentos manuscritos 
– por exemplo. A manutenção desses serviços baseada em alegações de que “há 
necessidade de se verificar a veracidade dos dados ou das informações prestadas” 
já não fazem jus à realidade. Há algum tempo é possível prestar serviços, verificar 
a autenticidade de pessoas e documentos mediante o emprego das TICs e o 
melhor: sem abrir mão da segurança e da privacidade dos envolvidos. 
 Talvez você não se sinta apto a experimentar os benefícios que a 
inovação tecnológica pode trazer para o seu trabalho ou sua casa, seja por 
insegurança, desconhecimento ou até mesmo por preferir “não mexer naquilo que 
 
 
11 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
está dando certo”. Então, se esse for o seu caso, está matriculado no curso exato 
para superar essa(s) barreira(s). 
Resistir às mudanças é, até certo ponto, natural de qualquer ser humano, 
porém é importante perceber que “o novo sempre vem” e cabe a cada um de nós 
aceitar o desafio e se adaptar. Dessa forma, é sempre bom lembrar: tantos se 
agarraram à máquina de escrever, mas nada impediu o avanço do computador. 
Figura 1: Frase proferida por Leon C. Meidison, professor da Louisiana State University, 
Durante discurso proferido em 1963, onde apresenta a sua interpretação da 
"A Origem das Espécies" de Charles Darwin. 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Pensador (2023) 
 
 
 
Você já parou para pensar como é fácil se sentir ultrapassado ou até 
mesmo excluído do processo de inovação tecnológica atual? 
 
Nesse ponto, chamamos atenção para a velocidade como as TICs 
crescem e se multiplicam, ocupando espaços de forma cada vez mais acelerada, 
despertando, na maioria das vezes, sentimento de impotência e despreparo para a 
sua utilização. 
É importante destacar, porém, que não se trata de uma sensação que 
deva causar estranheza. Na verdade, é um fenômeno considerado bastante comum 
e que aflige um número muito maior de pessoas do que você imagina - sobretudo 
Vamos Refletir 
 
 
12 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
aquelas que não têm o dever funcional ou o hábito de empregar novas tecnologias 
no dia a dia. 
O excesso de informações e o volume de recursos disponibilizados 
atualmente podem dificultar a familiarização e compreensão das novidades 
divulgadas pelo mercado. Ou seja, o lançamento diário de soluções tecnológicas 
pode fazer com que a tarefa de se manter atualizado seja considerada até mesmo 
exaustiva. 
 
 
A diversidade de ferramentas existentes no mercado pode, inclusive, 
despertar efeito contrário no indivíduo que, ao invés se guiar rumo à melhor 
escolha, se afasta das TICs e aprofunda o seu estranhamento. 
Perder o lançamento de um dispositivo que esteja causando barulho 
nas redes sociais pode gerar pensamentos de se estar atrasado e fora do 
cenário da tecnologia por anos, simplesmente, porque você não 
acompanhou as novidades da última semana. No entanto, isso não pode ser 
motivo de desespero! 
Ademais, por mais que haja a intenção de se manter atualizado, é 
comum não querer saber tudo o que é publicado acerca de determinado 
item. A experiência tecnológica deve ser uma prática prazerosa, um facilitar 
para necessidades do usuário e não uma obrigação incômoda. 
 
 
Como vimos, as tecnologias têm inaugurado novas formas de 
relacionamento, comunicação e trabalho. Grandezas como tempo e espaço; 
distância e velocidade têm impactado diretamente as noções históricas de bens e 
valores. 
 
 
 
13 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Sigamos... 
Proprietários de terra, outrora detentores quase que exclusivos do capital, 
deram lugar àqueles ligados à tecnologia e à inovação. Fenômeno de uma 
sociedade que experimenta a Era do Conhecimento. 
Hoje, as maiores fortunas do mundo estão concentradas, em grande 
parte, entre investidores e empresários ligados ao ramo da tecnologia (ainda que 
indiretamente, por ocasião da influência e dependência desse setor). Grandes 
organizações já não comercializam produtos ou serviços relacionados à 
manufatura de outrora; elas passaram a dispor e negociar dados e informações 
– ativo pouco explorado anteriormente, cuja valorização representa uma ruptura 
de paradigmas na economia mundial. 
Essa trajetória ainda se encontra em desenvolvimento com promessas e 
desafios típicos da relação homem e máquina. 
 
Estudo recente do Comitê Gestor da Internet no Brasil trouxe números 
importantes e considerações acerca do uso das Tecnologias da Informação e 
Comunicação (TICs) tanto sobre a prestação de serviços públicos ofertados 
remotamente no país quanto os hábitos do brasileiro de acesso à internet. 
 
 
Nos últimos dois anos, a prestação de serviços digitais no país e a população 
conectada às redes registraram crescimento em todas as esferas do setor público 
brasileiro. 
Você sabia? 
 
 
14 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 2: Domicílios com acesso à Internet, por região – 2021 
Fonte: CGI.BR (2022). 
 
Em 2022, três de cada quatro órgãos federais (75%) declararam 
disponibilizar de forma digital o serviço público mais procurado pelos cidadãos, 
cenário bem diferente daquele obtido em 2019, quando pouco mais da metade 
desses órgãos afirmaram a intenção de utilizar os serviços em formato online. 
 
Nas entidades estaduais, a oferta pela Internet do serviço mais 
procurado cresceu de 31%, em 2019, para 45%, em 2021. Observou-se ainda 
uma diminuição de órgãos públicos que reportaram não oferecer o serviço 
mais buscado pela internet, como nos órgãos federais (de 8% para 2%) e 
estaduais (de 20% para 13%). 
 
A pesquisa demonstra um aumento na adoção de chats em websites, seja 
com atendentes humanos ou de forma automatizada. No âmbito federal, o uso de 
chats com atendentes em tempo real passou de 8%, em 2019, para 30%, em 2021. 
Nos órgãos estaduais, o uso que era de 5% em 2019 alcançou 18% em 2021 
(CGI.Br, 2022). 
 
 
15 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Gráfico 1: Perfis dos usuários de internet que recorrem aos serviços públicos nos últimos 
12 meses (%) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: CGI.br (2022). Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e 
comunicação nos domicílios brasileiros – TIC Domicílios 2021. 
 
De acordo com o estudo, a adoção de soluções tecnológicas ainda ocorre 
de forma tímida no setor público brasileiro e, entre as iniciativas pesquisadas, as 
tecnologias ligadas à Inteligência Artificial (IA) apareceram como as mais utilizadas 
(no entanto representando uma pequena quantidade no país). Já a Internet das 
Coisas (IoT) e o blockchain foram soluções empregadas por menos de 20% das 
organizações federais e estaduais dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e 
Ministério Público. 
 
Em se tratando da segurança pública, os serviços ofertados 
remotamente alcançaram apenas 14% das instituições analisadas (Gráfico 2): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Vamos Refletir 
Gráfico 2: Tipos de Informações referentes a serviços públicos procuradas ou serviços 
públicos realizados em 2021. 
Fonte: CGI.Br (2022). 
 
 
Diante dessa porcentagem - abaixo da média obtida em outros segmentos, 
reflita: 
 
Em sua opinião, quais fatores contribuem para esse cenário? 
Por que o número de serviços ofertados digitalmente na segurança 
pública é menor que nos demais setores? Você acredita que há espaço para 
crescimento? 
Em sua instituição, o registro de ocorrências, o atendimento aos 
cidadãos e acompanhamento de processos poderiam, em determinados 
casos, ser ofertados remotamente? 
 
 
 
17 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Verifica-se na segurança pública que as TICs ainda são pouco exploradas, 
revelando inúmeras alternativas para a aplicação.Iniciativas focadas na predição de ambientes, correlação de agentes e 
análise de infrações têm despontado como ferramentas potencialmente relevantes 
para o enfrentamento à criminalidade. Ações de monitoramento, investigação e 
inteligência também têm se beneficiado do avanço tecnológico. As perspectivas, 
todavia, exigem necessariamente capacitação. 
 
É difícil imaginar uma polícia que faz uso intensivo de dados sem 
treinamento específico para isso. Usar mais dados e tecnologia é uma 
mudança de visão do trabalho policial que deve ser fomentada nas academias 
de polícias, algo ainda incipiente em muitas polícias do Brasil. (IBRE, 2022) 
 
Por fim, o material apresenta outras questões relevantes, como a difusão da 
internet em praticamente todos os segmentos do setor público, a adesão maciça 
da comunicação eletrônica e o emprego de ferramentas digitais para análise de 
dados em um considerável número de organizações. Essas constatações serão 
abordadas nas próximas páginas. 
 
 
 
Você está preparado para avançar? Vamos lá! 
 
 
 
 
 
18 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
OBJETIVOS DO CURSO 
Este curso tem como objetivo capacitar os profissionais que compõem o 
Sistema Único de Segurança Pública (Susp) a fim de que possam (re)conhecer os 
benefícios do emprego e do investimento em soluções tecnológicas que despontam 
na atividade de gestão e execução para a defesa da cidadania, de direitos e defesa 
da ordem pública. Ademais, pretende-se que o discente seja capaz de adotar 
recursos adequados, utilizando-se eticamente das funcionalidades e dispositivos 
destinados ao aprimoramento das atividades de segurança pública. 
 
 
ESTRUTURA DO CURSO 
Esse curso possui carga-horária de 50 horas, distribuídas em cinco módulos: 
 Módulo 1 - Introdução às Tecnologias e Segurança Pública. 
 Módulo 2 - O Uso de Sistemas Reconhecimento Facial no Campo da 
Segurança Pública. 
 Módulo 3 - Policiamento preditivo. 
 Módulo 4 - Câmeras Corporais. 
 Módulo 5 - Ferramentas Tecnológicas MJSP. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
MÓDULO 1: INTRODUÇÃO ÀS TECNOLOGIAS E SEGURANÇA 
PÚBLICA 
APRESENTAÇÃO 
Neste módulo trataremos do uso ético de tecnologias na segurança pública. 
Para tanto, abordaremos o que significa ética, quais as preocupações do campo da 
ética da tecnologia, quais os princípios éticos desenvolvidos por profissionais de 
segurança pública e policiamento em países democráticos e no que consiste uma 
ética da precaução no uso de novas tecnologias da informação na segurança 
pública. 
 
Antes de avançar, leia a manchete abaixo: 
Figura 3: Câmera de segurança em banheiro de colégio estadual 
Fonte: Bom dia, Paraná - RPC Cascavel (2022). 
 
 
 
A instalação de câmeras em banheiros e vestiários, o uso de 
microfones em alojamentos e as revistas íntimas no trabalho. Tudo vale a 
pena em nome da segurança?
 
 
20 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
 
Quais os limites para a implantação de medidas de proteção? 
Até que ponto é legal e ético o emprego das tecnologias? 
 
 
 
A seguir, algumas notícias que tratam do emprego das tecnologias e 
consequências quanto ao seu uso. 
 
Figura 4: Imagens de reportagens sobre o uso e consequências do emprego das tecnologias nas 
ações de segurança e investigação policial (Parte1) 
 
Fonte: Montagem COED (O GLOBO (2023) 
https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2023/08/07/gravida-e-presa-por-engano-quem-e-a-
mulher-acusada-de-roubo-por-erro-em-tecnologia-de-reconhecimento-facial-nos-eua.ghtml; 
AfirmATIVA (2023) - https://revistaafirmativa.com.br/reconhecimento-facial-prisoes-no-carnaval-
reacendem-o-debate-de-uma-tecnologia-com-altas-taxas-de-erros/ ; 
Olhar Digital (2020) - https://olhardigital.com.br/2020/12/30/noticias/reconhecimento-facial-
falha-e-homem-inocente-passa-10-dias-na-cadeia/; e G1 Bahia (2023) - 
https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2023/09/01/com-mais-de-mil-prisoes-na-ba-sistema-de-
reconhecimento-facial-e-criticado-por-racismo-algoritmico-inocente-ficou-preso-por-26-dias.ghtml ). 
 
 
 
21 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 5: Imagens de reportagens sobre o uso e consequências do emprego das 
tecnologias nas ações de segurança e investigação policial (Parte2) 
Fonte: TILT UOL (2023) - https://www.uol.com.br/tilt/reportagens-especiais/como-os-
algoritmos-espalham-racismo/ ; LAW Innovatin (2021); e O DIA (2019) - https://odia.ig.com.br/rio-
de-janeiro/2019/07/5662023-reconhecimento-facial-falha-e-mulher-e-detida-por-engano.html 
 
VOCÊ PERCEBE OS DILEMAS ÉTICOS E COMO DEVE SE DAR ESSA 
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AS PRÓXIMAS AULAS. 
 
 
22 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
OBJETIVOS DO MÓDULO 
 Fomentar a reflexão sobre o significado da ética para profissionais da 
segurança pública; 
 Diferenciar as discussões sobre conduta ética individual da discussão 
sobre usos éticos de tecnologias e desenvolver habilidades para 
reflexões éticas em novas tecnologias; e 
 Desenvolver habilidades analíticas para se pensar a utilização de 
novas tecnologias do ponto de vista de uma ética da precaução, 
focada em identificar incertezas, riscos e mitigações possíveis. 
 
ESTRUTURA DO MÓDULO 
Aula 1. O que é ética? 
Aula 2. O que é ética no uso de tecnologias? 
Aula 3. Ética da precaução e sua aplicabilidade na segurança pública. 
 
 
 
23 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 1. O QUE É ÉTICA? 
 
A ética, desde sua formulação na Grécia Antiga, é uma área do saber que 
diz respeito ao conceito de boa vida. O que é viver uma boa vida? Como viver uma 
boa vida em sociedade? Como devemos nos tratar e como devemos decidir o que 
é certo e errado a partir de certos valores? 
É importante fazermos uma diferenciação básica entre ética e moralidade. A 
ética é um ramo da filosofia que lida com questões de comportamento humano, 
valores, moralidade, certo e errado. Ela envolve o estudo e a reflexão sobre o que 
é considerado bom, justo e correto em diferentes contextos e situações. A ética 
busca estabelecer princípios e diretrizes que orientem as ações e decisões das 
pessoas de maneira a promover o bem-estar geral e a justiça na sociedade. 
A moralidade refere-se às normas, valores e princípios que uma sociedade, 
cultura ou grupo específico considera adequados. Ela determina o que é certo ou 
errado dentro de um contexto social particular. A moralidade muitas vezes é 
influenciada pela ética, mas pode variar significativamente entre diferentes culturas 
e comunidades. 
A ética está intrinsecamente ligada à busca de uma boa vida. A ideia é que 
a ética fornece um conjunto de princípios e valores que podem guiar as pessoas 
em direção a uma vida que seja considerada valiosa, significativa e justa. Para 
muitos filósofos éticos, a boa vida envolve não apenas a busca da felicidade 
pessoal, mas também a consideração do bem-estar dos outros e a promoção do 
bem comum. 
Este é um ponto muito importante para as reflexões de ética para 
profissionais de segurança pública, considerando que as atividades policiais e de 
segurança pública voltam-se à promoção do bem-estar da comunidade e das 
pessoas. A obediência e a hierarquia não são os únicos valores em jogo quando se 
trata de uma ética da segurança pública. 
Essa preocupação com a comunidade, e a promoção de seu bem-estar, é 
um princípio ético de longa data das atividades policiais e de segurança pública. 
Por exemplo, em 1957, a Associação Internacional dos Chefes de Polícia, nos 
 
 
24 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Estados Unidos da América, aprovou o seu primeiro Código de Ética para Agentes 
de Lei, que diz o seguinte no seu primeiro parágrafo: 
 
 
Como agente da lei, o meu dever fundamental é servir a 
comunidade; para salvaguardar vidas e propriedades; proteger os 
inocentes contra o engano, os fracoscontra a opressão ou 
intimidação e os pacíficos contra a violência ou desordem; e 
respeitar os direitos constitucionais de todos à liberdade, igualdade 
e justiça. 
Acesse e confira o original: 
https://www.theiacp.org/resources/law-enforcement-code-of-ethics 
 
 
Possuir ética e estabelecer padrões éticos significa basicamente fazer a 
coisa certa, na hora certa e da maneira certa. Os cidadãos esperam que os 
responsáveis pela aplicação da lei tenham um conjunto de valores e normas pelos 
quais vivam. Consequentemente, sem um conjunto de âncoras para medir o 
comportamento, teríamos uma situação ética confusa. 
Em 1992, o Instituto Josephson de Ética propôs os “seis pilares” para 
decisões éticas, que são usados pela Indiana Law Enforcement Academy para 
formação de profissionais de policiamento nos EUA*. 
*Acesse e saiba mais: https://www.in.gov/ilea/files/Police_Ethics_I.pdf 
 
 
 
 
 
 
 
25 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Os “seis pilares” éticos são: 
1 Confiabilidade – integridade, honestidade, cumprimento de 
promessas, lealdade 
2 Respeito – cortesia, autonomia, diversidade 
3 Responsabilidade – dever, prestação de contas, busca pela 
excelência 
4 Justiça/equidade – abertura, consistência, imparcialidade 
5 Cuidado – bondade, compaixão, empatia 
6 Virtudes cívicas/cidadania – licitude, bem comum, ambiente 
 
Em 1995, o “Comitê de Padrões para Vida Pública”, do Reino Unido, 
formulou um conjunto de princípios para um policiamento ético e para profissionais 
de segurança pública. O Código diz que toda pessoa trabalhando para a polícia 
deve desempenhar um trabalho honesto e ético. O público espera que a polícia 
faça a coisa certa da forma certa. Os princípios auxiliam na tomada de decisão para 
profissionais de segurança pública. Em 2014, em reedição do Código de Ética para 
Policiamento,1 esses princípios foram reafirmados e eles dizem o seguinte: 
 
 
1 Ver https://www.college.police.uk/ethics/code-of-ethics 
 
 
26 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
No Brasil, também possuímos Códigos de Ética que regulam atividades de 
profissionais da segurança pública e que abordam valores para a conduta ética. A 
Polícia Federal, por exemplo, aprovou em 2015 um Código de Ética que define o 
seguinte: 
 
 
São princípios e valores éticos que devem nortear a conduta 
profissional do agente público do Departamento de Polícia Federal: 
a dignidade, o decoro, o zelo, a probidade, o respeito à hierarquia, 
a dedicação, a cortesia, a assiduidade, a presteza e a disciplina; e 
a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade, a 
eficiência e o interesse público*. 
* Resolução n. 004 CSP/DPF, 2015, Código de Ética da Polícia Federal. 
 
 
Princípios de Policiamento Ético 
 (College of Policing, 2014) 
 
Responsabilidade: Você é responsável por suas decisões, ações e 
omissões. 
Justiça: você trata as pessoas de maneira justa. 
Honestidade: Você é verdadeiro e confiável. 
Integridade: Você sempre faz a coisa certa. 
Liderança: Você lidera pelo bom exemplo. 
Objetividade: Você faz escolhas com base em evidências e seu melhor 
julgamento profissional. 
Abertura: Você é aberto e transparente em suas ações e decisões. 
Respeito: Você trata a todos com respeito. 
Altruísmo: você age no interesse público. 
 
 
27 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Este Código de Ética também diz que é dever do agente público zelar pela 
utilização adequada dos recursos de tecnologia da informação. Esse compromisso 
ético tem uma profunda conexão com o dever de respeito à dignidade da pessoa 
humana, que é um dos valores do Estado Democrático de Direito da República 
Federativa do Brasil.2 
Até o momento, analisamos o que é ética e quais os princípios que ajudam 
a compreender ações motivadas por valores éticos no campo da segurança pública. 
A seguir, vamos analisar o problema específico da ética no uso das tecnologias, 
considerando as grandes transformações que estamos passando nos últimos anos 
com a sociedade da informação, da expansão dos computadores e tecnologias da 
informação e a facilidade de uso de dispositivos tecnológicos com capacidade de 
captação, tratamento e armazenamento de dados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 Constituição Federal da República Federativa do Brasil, Art. 1º A República Federativa do 
Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se 
em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a 
dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo 
político. 
 
 
28 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 2. O QUE É A ÉTICA NO USO DE TECNOLOGIAS? 
 
A discussão sobre ética e transformação tecnológica é bastante rica, pois 
remonta ao período de início do surgimento da computação e das primeiras 
pesquisas sobre Inteligência Artificial nas décadas de 1950 e 1960. 
As décadas de 1950 e 1960 foram um período crucial para os debates sobre 
ética e tecnologia, especialmente com o surgimento da cibernética e os trabalhos 
de Norbert Wiener e Joseph Weizenbaum, dois importantes filósofos da ética no 
uso de novas tecnologias. 
A cibernética, um campo interdisciplinar que estudava sistemas de controle 
e comunicação, trouxe à tona questões éticas relacionadas ao controle e à 
automação. O matemático Norbert Wiener, professor de cibernética do MIT, 
explorou como as máquinas poderiam ser usadas para controlar processos naturais 
e artificiais, o que levantou preocupações sobre o uso responsável dessa 
tecnologia. 
 
Figura 6: Professor Norbert Wiener, conhecido como o pai da cibernética. 
 
Fonte: Alfred Eisenstaedt, 1949 
 
 
Wiener estava preocupado com o aumento da automação e da tecnologia, 
especialmente em contextos industriais e militares. Ele via a automação como uma 
força potencialmente desumanizadora e argumentava que a tecnologia poderia ser 
 
 
29 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
usada para ampliar o controle sobre as pessoas, levando à alienação e à perda de 
autonomia. Uma das soluções que Wiener propôs para suas preocupações foi a 
ideia de um “controle ético” da tecnologia. Ele argumentou que as decisões sobre 
o desenvolvimento e o uso de tecnologias avançadas deveriam ser influenciadas 
por considerações éticas e morais, e que deveria haver uma supervisão adequada 
para garantir que os avanços tecnológicos fossem compatíveis com valores 
humanos. Wiener também promoveu a ideia de uma abordagem interdisciplinar 
para abordar as questões éticas relacionadas à tecnologia. Ele argumentava que a 
ética cibernética deveria ser uma disciplina que reunisse especialistas de diversas 
áreas para abordar os desafios éticos da tecnologia. 
As ideias de Wiener, formuladas na década de 1960, são bastante atuais ao 
pensarmos o uso ético de novas tecnologias na segurança pública. Vou fornecer 
um exemplo concreto de como o "controle ético" de tecnologias, conforme 
defendido por Norbert Wiener há décadas, poderia ser aplicado no campo do uso 
de novas tecnologias na segurança pública. 
Suponha que uma agência de segurança pública esteja considerando a 
implementação de sistemas de reconhecimento facial para auxiliar na identificação 
de suspeitos em áreas públicas. 
Para aplicar o controle ético nesse contexto, a agência pode seguir as 
seguintes diretrizes: 
 
Transparência e Escrutínio Público: 
Antes de implementar qualquer sistema de reconhecimento facial, a 
agência deve ser transparente sobre sua intenção de usá-lo e envolver o público 
em discussões sobre os riscos e benefícios. Isso inclui consultas públicas, 
debates abertos e avaliações independentes dos sistemas; 
 
Limitação de Uso: 
A agência deve definir claramente os casos de uso do reconhecimento 
facial e estabelecer limitespara sua aplicação. Por exemplo, pode ser usado 
apenas em investigações criminais específicas, e não para monitorar 
rotineiramente cidadãos em espaços públicos; 
 
 
30 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Proteção da Privacidade e dos Dados Pessoais: 
É necessário implementar salvaguardas rigorosas para proteger a 
privacidade das pessoas e para proteger o direito fundamental à proteção de 
dados pessoais. Isso inclui a identificação da base legal para tratamento dos 
dados pessoais, a identificação de finalidade específica, o respeito ao princípio 
da minimização, a anonimização de dados, o armazenamento seguro e o acesso 
restrito aos registros de reconhecimento facial; 
 
Prevenção de Viés e Discriminação: 
A agência deve garantir que os sistemas de reconhecimento facial sejam 
treinados e testados de maneira a minimizar viés e discriminação racial, étnica 
ou de gênero. É importante monitorar e ajustar constantemente os algoritmos 
para evitar resultados injustos; 
 
Acesso Legalmente Autorizado: 
O acesso aos dados de reconhecimento facial deve ser restrito e requerer 
autorização legal adequada, como mandados judiciais, para evitar o uso 
indevido; 
 
Supervisão e Responsabilidade Humana: 
Os sistemas de reconhecimento facial devem ser supervisionados por 
pessoal treinado em ética e direitos humanos, que possa intervir em caso de 
erros ou uso inadequado; 
 
Avaliação Ética Contínua: 
A agência deve realizar avaliações regulares da ética do uso da tecnologia, 
considerando as preocupações levantadas pela comunidade e atualizando suas 
políticas e práticas de acordo com as normas éticas estabelecidas; 
 
 
 
31 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Alternativas e Mitigação de Riscos: 
A agência deve considerar alternativas ao reconhecimento facial, como 
métodos de identificação menos invasivos e implementar medidas de mitigação 
de riscos, como treinamento de pessoal e avaliação de impacto à privacidade e 
à proteção de dados pessoais. 
Essas diretrizes representam um exemplo de como o controle ético pode ser 
aplicado ao uso de tecnologia, como o reconhecimento facial, na segurança 
pública. A ideia-chave é que a tecnologia deve ser usada com responsabilidade, 
considerando os princípios éticos e respeitando os direitos fundamentais dos 
cidadãos, com supervisão e transparência adequadas para garantir a confiança do 
público. Isso também significa que uma tecnologia pode não ser utilizada, se for 
julgado que as violações éticas são significativas. 
Abordaremos, a seguir, o que é uma “ética da precaução” no uso das novas 
tecnologias em segurança pública a partir do pensamento do filósofo Hans Jonas, 
um pensador bastante conhecido na filosofia da ciência e que nos ajuda a pensar 
por um viés precaucionário, que busca analisar e discutir os efeitos a longo prazo 
no uso de uma nova tecnologia. 
Como veremos, a ética da precaução também tem valores democráticos 
profundos, pois busca exercitar uma reflexão sobre incertezas e efeitos a longo 
prazo que afetam não só uma comunidade, mas também as gerações futuras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Saiba mais 
Acesse: 
https://www2.iel.unicamp.br/litpos/2020/06/12/ap
rendizagem-e-inteligencia-na-obra-cibernetica-e-
sociedade-de-norbert-wiener/ 
 
 
32 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 3. ÉTICA DA PRECAUÇÃO E SUA APLICABILIDADE PARA 
SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Hans Jonas, um filósofo alemão, é conhecido por seu trabalho sobre ética e 
responsabilidade na era da tecnologia. Em seu livro "O Princípio Responsabilidade: 
Ensaio de uma Ética para a Civilização Tecnológica", do final da década de 1970, 
ele apresenta argumentos fundamentais sobre como devemos abordar a ética em 
um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia. 
 
Figura 7: Retrato do Professor Alemão Hans Jonas. 
 
Foto: Effigie / Bridgeman Images 
 
Jonas argumenta que o avanço da tecnologia moderna concedeu à 
humanidade um poder sem precedentes sobre a natureza e a vida. Esse novo 
poder traz consigo a responsabilidade de considerar cuidadosamente as 
consequências de nossas ações tecnológicas. Existe um processo de 
“autonomização” das forças tecnológicas, que apresenta um novo grau de risco à 
humanidade. Podemos considerar aqui as junções das transformações das 
energias atômicas com as transformações na computação e nos sistemas de 
inteligência artificial. 
O conceito central de Jonas é o "Princípio da Responsabilidade", que exige 
que consideremos as implicações de longo prazo de nossas ações tecnológicas. 
 
 
33 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Vamos Refletir 
Ele enfatiza que devemos tomar decisões que não prejudiquem as gerações 
futuras, a biosfera ou a humanidade como um todo. Por isso, precisamos de uma 
ética intergeracional, que considere também os efeitos para o futuro. Há uma 
necessidade de uma ética orientada para o futuro, em contraste com uma ética 
tradicional que se concentra principalmente nas relações humanas presentes. 
Jonas defendeu a adoção do princípio de precaução como parte integrante 
da tomada de decisões tecnológicas no campo da ética. Isso significa que, quando 
enfrentamos incertezas significativas sobre os resultados de uma ação, devemos 
adotar uma abordagem mais cautelosa e evitar riscos graves. 
A ética da precaução enfatiza a importância do dever de cuidado para com a 
natureza e a humanidade, o que também se relaciona com um valor ético básico 
de “cuidado”, como vimos anteriormente. Isso implica que devemos agir com 
prudência e responsabilidade ao usar tecnologias que possam afetar a vida na 
Terra. A ética da precaução nos coloca em situação semelhante a de um pai ou 
uma mãe que está cuidando de uma criança: há um dever de responsabilidade com 
o futuro de toda a humanidade. Por isso, o uso de novas tecnologias não deve estar 
relacionado a um efeito imediato e concreto. É preciso pensar: 
 
 
Essas tecnologias modificam nosso comportamento? Quais seus 
efeitos a longo prazo? Elas fazem com que sejamos menos autônomos e 
menos conectados com nossa natureza humana? 
 
 
As novas tecnologias não devem ser usadas para fins que 
ameacem a existência de outras espécies ou que prejudiquem o bem-estar 
humano de maneira irreversível. Na ética da precaução, reconhece-se a 
importância do diálogo ético e da conscientização pública sobre as questões 
tecnológicas. A sociedade como um todo deve estar envolvida na discussão 
e na tomada de decisões relacionadas às novas tecnologias, especialmente 
o uso de drones, sistemas de reconhecimento facial e softwares de análise 
preditiva de crimes com base em Inteligência Artificial. 
 
 
34 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
A ética da precaução sugere que, quando enfrentamos incertezas 
significativas sobre as consequências de uma tecnologia, devemos adotar uma 
abordagem mais cautelosa e tomar medidas para evitar possíveis danos. 
 
Vamos tomar como exemplo a decisão sobre uso de drones (veículos aéreos 
não tripulados) na segurança pública: 
 
1 Identificação do problema: 
• O problema é o potencial uso de drones (veículos aéreos não 
tripulados) na segurança pública, como para patrulhamento, vigilância e 
resposta a emergências. 
 
2 Avaliação das incertezas: 
• Identificar as incertezas significativas relacionadas ao uso de 
drones, como o impacto na privacidade das pessoas, riscos de segurança 
cibernética, possibilidade de uso indevido e riscos para a segurança aérea. 
 
3 Estabelecimento de cenários negativos: 
• Imaginar cenários negativos possíveis decorrentes do uso de 
drones, como abusos de poder, violações de privacidade em massa, 
acidentes aéreos ou ataques cibernéticos que comprometem a segurança dos 
drones. 
 
4 Identificação de medidas de precaução: 
• Com base nas incertezas e nos cenários negativos, identificar 
medidas de precaução que possam ser implementadas para mitigarou evitar 
esses riscos. Isso pode incluir: 
• Limitar estritamente as situações em que os drones podem ser 
usados, garantindo que seja apenas para fins legítimos e bem definidos, como 
busca e salvamento em desastres naturais. 
 
 
35 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
• Estabelecer regulamentos rígidos para a privacidade e a coleta de 
dados, com salvaguardas para proteger informações pessoais. 
• Exigir treinamento adequado para operadores de drones para 
evitar acidentes e garantir a segurança. 
• Desenvolver protocolos de segurança cibernética para proteger os 
sistemas de drones contra-ataques. 
• Implementar supervisão e fiscalização rigorosas do uso de drones 
para evitar abusos. 
 
5 Responsabilidade e supervisão: 
• Definir claramente quem é responsável pela supervisão e 
fiscalização do uso de drones na segurança pública. Garantir que haja 
responsabilidade e prestar contas em caso de uso indevido ou acidentes. 
 
6 Acompanhamento e avaliação constante: 
• Implementar um sistema de monitoramento e avaliação contínua 
para revisar regularmente o uso de drones, avaliar os resultados e ajustar as 
medidas de precaução conforme necessário. 
 
7 Envolvimento público e debate ético: 
• Envolver o público, incluindo especialistas em ética, defensores da 
privacidade e comunidades afetadas, em um debate ético contínuo sobre o 
uso de drones na segurança pública. Incorporar comentários e preocupações 
do público nas políticas e regulamentações. 
 
Essa abordagem exemplifica como a ética da precaução pode ser aplicada 
para analisar os efeitos ao longo prazo do uso de drones na segurança pública, 
destacando a importância de tomar medidas cuidadosas e responsáveis para evitar 
possíveis danos antes que eles ocorram. 
 
 
36 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
A ética da precaução pode auxiliar profissionais da segurança pública a 
estabelecer rotinas e processos que auxiliam nas definições de cenários de 
mitigação de riscos, diante de novas decisões que precisam ser tomadas diante da 
possibilidade sociotécnico de uso de novos dispositivos. 
 
Um segundo exemplo que podemos mencionar de como aplicar a ética da 
precaução neste setor é o debate sobre câmeras corporais usadas em segurança 
pública, explorando cenários negativos de usos secundários de dados obtidos por 
essas câmeras.3 
 
1 Identificação do problema: 
• O problema é o uso de câmeras corporais por policiais para 
documentar interações com o público, visando a transparência e a prestação 
de contas. No entanto, há preocupações sobre os usos secundários dos 
dados pessoais capturados por essas câmeras, que são armazenados e 
podem ser reutilizados de forma secundária. 
 
2 Avaliação das incertezas: 
• Identificar as incertezas significativas relacionadas ao uso de 
câmeras corporais, como quem terá acesso aos dados, como eles serão 
armazenados e por quanto tempo e como podem ser usados posteriormente. 
Identificar possibilidades de ataques cibernéticos e grau de incerteza de 
invasão de sistemas informáticos que podem habilitar a reutilização das 
imagens ou corromper os arquivos armazenados. 
 
 
 
 
3 Para uma análise em profundidade neste tópico, ver a contribuição da Data Privacy Brasil 
na audiência pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública: 
https://www.dataprivacybr.org/documentos/cameras-corporais-nota-tecnica-audiencia-publica-e-a-
contribuicao-da-data-privacy-brasil/?idProject=2481 
 
 
37 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
3 Estabelecimento de cenários negativos: 
• Imaginar cenários negativos possíveis decorrentes dos usos 
secundários dos dados das câmeras corporais, como: 
• Uso indevido de imagens e áudio capturados para chantagem ou 
assédio. 
• Vazamento de dados sensíveis para terceiros, incluindo 
informações de vítimas, testemunhas ou suspeitos. 
• Monitoramento indiscriminado ou vigilância em massa de grupos 
específicos. 
• Discriminação racial ou étnica baseada na análise dos dados das 
câmeras. 
• Pressões políticas para uso dos dados em processos seletivos ou 
promoções de policiais. 
 
4 Identificação de medidas de precaução: 
• Com base nas incertezas e nos cenários negativos, identificar 
medidas de precaução que possam ser implementadas para mitigar ou evitar 
esses riscos. Isso pode incluir: 
• Limitar estritamente o acesso aos dados das câmeras corporais a 
pessoal autorizado, para fins legais. 
• Estabelecer políticas claras sobre a retenção e a eliminação segura 
de dados (política de ciclo de vida dos dados), incluindo prazos específicos. 
• Implementar medidas de segurança rigorosas, como criptografia, 
para proteger os dados contra vazamentos e criar mecanismos de auditorias 
para o princípio da segurança da informação conforme Lei Geral de Proteção 
de Dados Pessoais. 
• Realizar auditorias independentes regulares para garantir a 
conformidade com políticas e regulamentações. 
 
 
38 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
5 Responsabilidade e supervisão: 
• Definir claramente quem é responsável pela supervisão e 
fiscalização do uso secundário de dados das câmeras corporais. Garantir que 
haja responsabilidade e prestação de contas em caso de violações. 
 
6 Acompanhamento e avaliação constante: 
• Implementar um sistema de monitoramento e avaliação contínuo 
para revisar regularmente o uso secundário de dados das câmeras corporais, 
avaliar os resultados e ajustar as medidas de precaução conforme necessário. 
 
7 Envolvimento público e debate ético: 
• Envolver o público, incluindo organizações especializadas em 
proteção de dados pessoais, grupos de direitos civis e comunidades afetadas, 
em um debate ético contínuo sobre o uso secundário de dados das câmeras 
corporais. Incorporar comentários e preocupações do público nas políticas e 
regulamentações. 
 
Essa abordagem exemplifica como a ética da precaução pode ser aplicada 
para analisar os cenários negativos de usos secundários de dados obtidos por 
câmeras corporais na segurança pública, destacando a importância de tomar 
medidas cuidadosas e responsáveis para evitar possíveis danos decorrentes do 
uso inadequado desses dados. 
Como vimos até aqui, a adoção da ética da precaução ajuda a minimizar os 
riscos associados à implementação de novas tecnologias na segurança pública. 
Isso significa que as autoridades podem evitar tomar medidas que, mesmo que 
pareçam benéficas, possam ter consequências não previstas e potencialmente 
prejudiciais para a sociedade. A implementação cuidadosa de tecnologias com 
base na ética da precaução ajuda a construir e manter a confiança do público. 
Quando as pessoas veem que as autoridades estão tomando medidas para evitar 
danos potenciais, elas estão mais propensas a apoiar a adoção dessas tecnologias. 
 
 
39 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
A ética da precaução ajuda a evitar abusos de poder que podem ocorrer 
quando tecnologias são usadas de maneira inadequada ou excessiva. Ela incentiva 
a supervisão, a prestação de contas e a responsabilidade nas operações de 
segurança pública. Ao considerar cuidadosamente os riscos e os potenciais 
impactos negativos das novas tecnologias, as agências de segurança pública 
podem melhorar sua eficácia na prevenção e resposta a crimes e emergências. 
Isso ocorre porque as tecnologias são implementadas de formas mais informativas 
e direcionadas. 
A ética da precaução é fundamentada no respeito pelos princípios éticos de 
justiça, dignidade humana e respeito pelos direitos fundamentais, que estão 
previstos na Constituição Federal da República Federativa do Brasil. A adesão a 
esses princípios ajuda a manter a integridade e a legitimidade das operações de 
segurança pública. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
FINALIZANDO 
Neste módulo, você aprendeu: 
 A ética é um ramo dosaber que diz respeito a sistemas de valores e 
crenças sobre a condução de uma boa vida. A ética abrange não 
apenas valores para uma boa vida individual, mas também os valores 
para boa vida em comunidade. 
 O surgimento de valores éticos para profissionais da segurança 
pública e o modo como eles são estruturados para garantir o bem-
estar da comunidade, o respeito aos direitos fundamentais e uma 
conduta respeitosa, no sentido de fazer a coisa certa do jeito certo. 
 O modo como a ética da precaução desenvolvida por Hans Jonas 
possui relação com a noção de controle ético da tecnologia de Norbert 
Wiener e o modo como ela atribui força aos valores humanos dos 
usos de novas tecnologias. 
 Como uma ética da precaução leva a uma avaliação de longo prazo 
dos usos das tecnologias e como podemos utilizar de procedimentos 
de identificação de riscos e de mitigação como parte de nossa 
conduta ética na utilização de novas tecnologias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
MÓDULO 2 - OS USOS DE SISTEMAS DE RECONHECIMENTO 
FACIAL NO CAMPO DA SEGURANÇA PÚBLICA 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Nos últimos anos, instituições de segurança pública têm investido cada vez 
mais em tecnologias digitais como forma de aumentar sua eficiência na 
manutenção da ordem e no controle da violência. Os avanços na indústria de 
monitoramento urbano, nos algoritmos de análise de risco e nos sistemas de gestão 
policial afetaram decisivamente tanto na oportunidade para que crimes sejam 
cometidos, quanto para a capacidade da polícia de registrar ocorrências e se 
antecipar à ação criminosa. Travas de segurança, sistemas de alarmes e 
dispositivos de rastreio, por exemplo, levaram à queda nos índices de roubos de 
veículos (Farrel et al., 2011). 
Se os efeitos dissuasórios de sistemas de vigilância em espaços públicos e 
privados são ainda incertos, ao menos o acesso às imagens tem aumentado a 
capacidade investigativa da polícia, produzindo evidências que melhoram a 
qualidade dos inquéritos e reduzem a impunidade nos tribunais (Norris, 2011). Do 
mesmo modo, a produção massiva de dados georreferenciados tem levado ao 
aprimoramento dos softwares de análise criminal, o que permite a alocação de 
patrulhas em áreas de maior incidência de delitos (Sherman, 2013). Os avanços 
nas tecnologias de comunicação e gerenciamento dos serviços de despacho de 
viaturas (o serviço do 190, por exemplo) lograram ainda reduzir o tempo médio de 
resposta em atendimentos emergenciais, aumentando tanto o apoio às vítimas 
quanto as chances de prisão em flagrante (Vidal & Kirchmaier, 2018). 
 
 
 
 
 
 
42 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
OBJETIVOS DO MÓDULO 
 Apresentar o panorama do desenvolvimento e uso de sistemas de 
reconhecimento facial, sobretudo as aplicações recentes na 
preservação da lei e da ordem nos estados brasileiros; e 
 Além disso, o módulo vai debater alguns dos limites desses sistemas 
e os riscos que acarretam tanto em termos de discriminação racial 
quanto nos potenciais abusos de sua instalação em um contexto de 
escassa regulação. 
 
ESTRUTURA DO MÓDULO 
Aula 1 - O Funcionamento dos Sistemas de Reconhecimento Facial. 
Aula 2 - Panorama do uso de tecnologias de reconhecimento facial no Brasil 
e sua contribuição para a atividade policial. 
Aula 3 - Os riscos relacionados ao reconhecimento facial no contexto da 
segurança pública. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 1. O FUNCIONAMENTO DOS SISTEMAS DE RECONHECIMENTO 
FACIAL 
Tecnologias biométricas são usadas para identificar indivíduos a partir de 
características fisiológicas, que podem ser mensuradas e autenticadas com base 
em atributos morfológicos (traços de aparência externa) ou análises biológicas (por 
exemplo, por DNA). Tecnologias de reconhecimento facial (TRFs) são um tipo 
específico de sistema biométrico e podem ser implementadas com múltiplas 
funções, incluindo a simples detecção de rostos humanos em imagens, a 
classificação de rostos a partir de diferentes categorias (sexo, raça, idade) e a 
busca por marcadores de expressão e emoção (sorriso, felicidade, raiva). Embora 
esses usos tenham suas próprias trajetórias de desenvolvimento e suscitem 
diferentes controvérsias, neste módulo, nos debruçamos sobre o emprego de TRFs 
particularmente em dois processos: 
 
Figura 8: Sistemas Biométricos 
 
Fonte: Image by macrovector on Freepik 
 
 
44 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
1 Autenticação de identidade: 
Processo em que se verifica se uma pessoa é realmente quem diz ser, 
por exemplo, ao tentar acessar uma conta de banco (comparação 1:1). Nesse 
caso, o sistema já “sabe” quem está procurando. Portanto, a pergunta que a 
tecnologia busca responder é: a pessoa que está acessando a conta é, de 
fato, o “José da Silva” (nome fictício do titular)? Em outras palavras, a 
autenticação é uma busca fechada, o que “indica que o universo a consultar 
é único e direcionado dentro do banco de dados” (Kanashiro, 2011, p. 27). 
 
2 Identificação de indivíduos: 
Processo mais complexo de comparação de duas ou mais fontes de 
dados (comparação 1:N), o que ocorre, por exemplo, quando a polícia cruza 
imagens capturadas por câmeras de vídeo com galerias de fotos de suspeitos. 
Nesse caso, o sistema de videomonitoramento captura a imagem de uma 
pessoa cometendo um crime, por exemplo, e precisa fazer a identificação. 
Portanto, a pergunta que a tecnologia busca responder é: quem é a pessoa 
da imagem? Em outras palavras, esta forma de autenticação é uma pesquisa 
aberta, na qual o sistema “busca todos os registros do banco de dados e 
retorna uma lista de registros com características suficientemente similares à 
característica biométrica apresentada” (Kanashiro, 2011, p. 27). 
 
A busca por formas de identificação através da parametrização de atributos 
faciais tem uma longa história. Ainda no século XIX, a criminologia recorreu à 
medicina para determinar marcadores biométricos que poderiam distinguir um 
indivíduo dos demais (o sistema de Bertillon, por exemplo), além de desenvolver 
técnicas forenses para compreender as supostas determinações físicas de pessoas 
violentas ou propensas ao crime (Pavlich, 2009). Já na década de 1960, pioneiros 
do campo da visão computacional aplicaram métodos ainda embrionários de 
aprendizado de máquina (machine learning) para interpretar imagens e identificar 
padrões faciais. Essa tecnologia, no entanto, só começou a se disseminar a partir 
dos anos 1990, quando o avanço na capacidade de processamento computacional 
 
 
45 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
e a disponibilização de amplas bases de dados para treinamento dos algoritmos 
levaram ao ganho de precisão e à redução de custos, permitindo o desenvolvimento 
de sistemas comercialmente viáveis. 
 
 
Algoritmo é um termo amplo usado para nomear o conjunto de etapas 
necessárias na realização de determinada tarefa. Uma receita de bolo, por 
exemplo, é um algoritmo, pois define uma série de ações que precisam ser 
realizadas de forma sequencial para que o alimento fique pronto (quebrar 
ovos, separar claras e gemas, bater a clara em neve, adicionar xícaras de 
açúcar etc.). No campo da ciência da computação, especificamente, o 
algoritmo é um processo matemático preciso e padronizado utilizado para 
solucionar determinado problema. 
Em nossas atividades rotineiras estamos cercados por algoritmos, mesmo 
que estes não sejam sempre visíveis. Algoritmos são essenciais, por exemplo, 
em sistemas de recomendação de conteúdos em redes sociais e serviços de 
streaming, como a Netflix. Nesses casos, os sistemas recebem nossos dados 
de uso (digamos, filmes assistidos) e realizam uma série de operações para 
identificar nosso padrão de interesse e sugerir conteúdos que podem nos 
agradar. 
Para entender mais sobre ofuncionamento de algoritmos e sua 
influência atual na sociedade contemporânea, ver: Amadeu (2019) 
 
 
A partir de então, diversas instituições passaram a implementar dispositivos 
capazes de fazer a autenticação de identidade (1:1) a partir de bases reduzidas de 
dados (por exemplo, profissionais credenciados a acessar determinados espaços, 
como usinas nucleares ou zonas militares). Também datam desse período os 
primeiros experimentos em redes de videomonitoramento urbano. No entanto, 
naquele período, a identificação em tempo real e em espaços abertos ainda 
representava um desafio técnico. Devido à baixa qualidade da captura do vídeo e 
Saiba mais 
 
 
46 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
do processamento da imagem para cruzar com as informações armazenadas nas 
bases de dados, era necessário que o indivíduo a ser identificado estivesse em um 
ambiente com farta iluminação, se posicionasse em frente à câmera por alguns 
segundos e que o sistema se limitasse a buscas fechadas. Além disso, mesmo 
nesses casos, pequenas mudanças, como corte de cabelo e pelos faciais, 
envelhecimento, maquiagem, ganho ou perda de peso e adereços (óculos, chapéu 
etc.) podiam impossibilitar a identificação. Portanto, foi apenas na última década, 
com a popularização das redes neurais convolucionais (CNN), que TRFs deram um 
salto de qualidade e se popularizaram. 
 
 
Como explica David Leslie (2020, p. 8), diretor do Instituto Alan Turing do 
Reino Unido: “Quando uma imagem digital é apresentada a um algoritmo de 
visão computacional, o que ele, de fato, “enxerga” é apenas uma matriz de 
valores de pixels (linhas e colunas de números indicando intensidade de cor 
e brilho).” Para identificar um rosto na matriz, o algoritmo precisa ter sido 
treinado para aprender os padrões numéricos que representam a classe 
“rosto”. No caso das CNNs, ocorre um processo chamado de aprendizado 
supervisionado, ou seja, o algoritmo identifica os padrões referentes aos 
rostos a partir da análise repetitiva de bases de dados pré-rotulados (em geral, 
esse processo envolve a análise de milhões de exemplos de rostos humanos 
retirados de redes sociais, cadastros públicos e outras fontes). 
Para uma explicação mais detalhada sobre o funcionamento técnico de 
redes neurais nas TRFs, ver: Leslie (2020). 
 
Os principais sistemas de reconhecimento facial disponíveis atualmente 
funcionam a partir da codificação de determinados aspectos nas imagens, incluindo 
a seleção do rosto e a codificação deste em vetores, para produzir uma digital da 
face, ou faceprint. Neste processo, a análise biométrica é reduzida a alguns 
marcadores faciais, que permitem o armazenamento de informações e seu rápido 
processamento. Deste modo, os sistemas não comparam imagens inteiras ou 
Saiba mais 
 
 
47 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
fenótipos, mas apenas uma representação numérica – uma codificação binária 
(sequências de 0s e 1s) – dos pixels que compõem certas partes da imagem. 
Especificamente, o que a maioria dos sistemas faz é uma avaliação de intensidade 
e direção de luz e sombra em cada pixel que, uma vez agregados, podem compor 
partes do rosto, como formato de olhos, traçado de maxilar, linha frontal do nariz, 
distância entre orelhas etc. Alguns sistemas mais apurados são capazes de 
capturar linhas faciais tênues, poros, diferenças de temperatura, covas e rugas, 
mas o nível de detalhamento depende da resolução das imagens capturadas. 
Apesar das variações técnicas dos produtos disponíveis no mercado, as 
TRFs atuais funcionam, em geral, a partir de alguns passos específicos. 
 
1 Imagens são capturadas por instituições públicas ou privadas (forças 
policiais, departamentos de trânsito, agências de identificação civil, 
empresas privadas de segurança, bancos etc.) 
2 As imagens são convertidas em códigos alfanuméricos que conferem 
unicidade aos dados, que passam então a integrar as bases com as 
quais serão feitas as análises, por exemplo, o Banco Nacional de 
Mandados de Prisão (BNMP) mantido pelo Conselho Nacional de 
Justiça (CNJ) 
3 Na fase operacional, uma nova imagem é capturada (por exemplo, 
pelo sistema de videomonitoramento da polícia). Essa nova imagem 
passa pelo mesmo processo de parametrização (mensuração de 
alguns traços faciais e diferenças de luminosidade nos pixels) e é 
comparada com o arquivo mantido na base de dados para verificação 
de identidade. No caso da segurança pública, esse processo pode 
ocorrer ainda durante uma abordagem, quando o policial fotografa o 
indivíduo suspeito e envia a imagem para o centro de operações para 
que essa seja cruzada com a base do CNJ. 
4 O resultado do sistema algorítmico não é uma resposta definitiva (sim 
ou não), mas um cálculo de probabilidade (uma porcentagem de 
certeza) que afere a chance de que a nova imagem seja da pessoa 
cujo dado biométrico estava no arquivo. 
 
 
48 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 9: Como funciona o reconhecimento facial? 
 
 
 
Fonte: BBW (2018, p. 7). 
 
 
Dependendo do contexto de implementação, as probabilidades usadas para 
a identificação variam tanto no que afeta a comodidade, a eficiência e a segurança 
do sistema. Por exemplo, dispositivos que buscam verificar se a pessoa que requer 
acesso a um aplicativo bancário é, de fato, o titular da conta precisam ter alto grau 
de certeza de que não se trata de uma fraude. No entanto, se o sistema tiver um 
limiar muito alto para a identificação, é possível que alguns clientes percam acesso 
ao aplicativo, o que pode gerar prejuízos e reclamações. Já os sistemas utilizados 
pelas forças de segurança, em sua maioria, oferecem ao operador uma série de 
opções de “match” (indivíduos com algum grau de semelhança ao suspeito 
procurado) e porcentagens da probabilidade de cada comparação. Nesse caso, um 
limiar baixo vai gerar muitos “falsos positivos” – alertas de identificação para 
pessoas que não estão no BNMP, por exemplo –, mas um limiar muito alto fará o 
inverso, gerando “falso negativos” em abundância – o software falha em reconhecer 
 
 
49 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
uma pessoa procurada que se encontra na imagem. Há, portanto, uma escolha a 
ser feita na definição do limiar de identificação (ou seja, qual é o grau de certeza do 
sistema sobre o qual os operadores devem agir) que se resolve a partir do contexto 
de uso da ferramenta e, fundamentalmente, a partir das consequências do erro (se 
o sistema disparar um número excessivo de alertas falsos isso afetará 
negativamente a capacidade de atuação da polícia). 
Atualmente, a identificação biométrica tem múltiplas funções no campo da 
segurança. O controle de acesso a serviços digitais, como sistemas do governo ou 
aplicativos de celular, exige, com frequência, que indivíduos escaneiem seus rostos 
para autenticação de identidade. O trabalho de controle de fronteiras passa pelo 
mesmo processo de automatização, com a instalação de totens eletrônicos em que 
passageiros tiram fotografias do rosto para comparação com documentos 
cadastrados. Mecanismo semelhante ocorre no monitoramento de catracas em 
sistemas de transporte público, na identificação de torcedores em estádios 
esportivos, no combate a cambistas em festivais de música, no controle de 
ambientes de trabalho e na segurança do espaço doméstico (em portarias 
eletrônicas, por exemplo). Segundo projeções da indústria, esses múltiplos usos 
devem ainda se expandir nos próximos anos. 
 
Estimativas apontam um mercado global de tecnologias de 
reconhecimento facial de quase 13 bilhões de dólares em 2027, um salto de 
297% em relação a 2019 (Fortune Business Insights, 2019). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 2. PANORAMA DO USO DE TECNOLOGIAS DE RECONHECIMENTO 
FACIAL NO BRASIL E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A ATIVIDADE POLICIAL 
 
Tecnologias de reconhecimentofacial são cada vez mais comuns em meio 
ao conjunto de equipamentos de monitoramento à disposição das instituições 
policiais brasileiras. 
 
 
Patrulhas de diversos estados ganharam aplicativos de 
verificação de identidade a serem utilizados durante abordagens e as 
câmeras de monitoramento passaram a ter a possibilidade de realizar 
a identificação biométrica em tempo real, cruzando as imagens 
registradas com bases de dados mantidas pelos sistemas de justiça 
criminal. 
 
 
Até pouco tempo, as bases de imagens eram fragmentadas (em muitos 
casos, fitas de vídeo específicas para as diferentes câmeras, que se mantinham 
estáticas e gravavam imagens de baixa qualidade) e raramente eram vistas 
(gravações precisavam ser feitas em cima de imagens antigas e só eram 
recuperadas com ordens judiciais após os eventos criminais). Ao transformar os 
vídeos em dados estruturados que podem ser integrados e classificados, as TRFs 
prometem superar essas limitações. Por exemplo, se antes para a investigação de 
um crime era necessário destacar uma equipe para coletar fitas e observar as 
milhares de horas de vídeo de diferentes câmeras, atualmente há softwares que 
permitem selecionar dinâmicas ou indivíduos de especial interesse, reduzindo em 
muito o material que precisa ser de fato analisado por policiais. 
Em São Paulo, o governo do estado inaugurou em 2020 o Laboratório de 
Identificação Biométrica - Facial e Digital, que conta com cerca de 30 milhões de 
registros biométricos. Integrado a circuitos de videomonitoramento, bancos de 
dados sobre suspeitos, e registros geolocalizados de ocorrências, o laboratório tem 
como objetivo prover “maior celeridade, confiabilidade e capacidade de 
Na Prática 
 
 
51 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
processamento na produção de provas técnicas, dando mais agilidade a diversas 
investigações conduzidas pela Polícia Civil” (Governo de São Paulo, 2020). O 
laboratório permite ainda o aprimoramento da capacidade de vigilância dos agentes 
de segurança, que já contam com projetos de monitoramento em tempo real como 
o Detecta e o City Câmeras. 
 
Figura 10: Reconhecimento facial por celular 
Fonte: Freepik Image. 
 
 
 
Apresentado como o “sistema nervoso” das forças de segurança do 
estado de São Paulo, o Detecta foi planejado para integrar diferentes bases 
de dados com o objetivo de apoiar operações em tempo real de policiamento 
ostensivo, mas também permitir buscas por eventos recentes que auxiliem na 
investigação de crimes. Especificamente, a plataforma foi desenvolvida para 
realizar análises algorítmicas de imagens coletadas no espaço urbano e 
cruzar com bancos de dados, como o Infocrim (registros de ocorrência) e o 
FotoCrim (identificação biométrica de suspeitos). 
Para uma análise detalhada do processo de desenvolvimento e 
implementação do Detecta em São Paulo, ver: Peron & Alvarez (2019). 
 
Saiba mais 
 
 
52 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
 
Na Bahia, a secretaria de segurança investiu inicialmente na instalação de 
câmeras com reconhecimento facial em Salvador, cobrindo o centro histórico, 
estações de metrô e o aeroporto. O sistema é alimentado por um banco de dados 
com fotos de suspeitos e indivíduos com passagens pela polícia e levou, nos 
primeiros quatro anos de uso, a pelo menos 600 prisões, além de inúmeras 
abordagens que não resultaram no encaminhamento dos indivíduos à delegacia 
(Falcão, 2021). Após esta primeira etapa, o governo decidiu investir na expansão 
do sistema. 
 
A expectativa é que nos próximos anos a polícia baiana tenha a 
seu dispor mais de 4 mil câmeras em 77 cidades, incluindo cidades menores 
de zonas rurais (Falcão, 2021). 
 
No Rio de Janeiro, o governo anunciou testes com sistemas de 
reconhecimento facial no carnaval de 2019. Inicialmente, foram instaladas 34 
câmeras em Copacabana que, segundo dados da polícia militar do estado, 
detectaram oito mil indivíduos suspeitos, mas poucos foram abordados e levados à 
delegacia (Silva, 2019). Em uma segunda fase, além da expansão do parque de 
câmeras em Copacabana, o sistema foi instalado no entorno do Maracanã, 
totalizando cerca de 140 câmeras. No período de testes foram realizadas mais de 
350 prisões. A polícia militar previa testes com outras ferramentas, mas críticas da 
sociedade civil, a falta de recursos e o início da pandemia de COVID-19 levaram 
ao adiamento do cronograma. A partir de 2022, no entanto, as TRFs voltaram à 
pauta do governo do estado com o anúncio da instalação de 22 câmeras no 
Jacarezinho, favela da zona norte do Rio de Janeiro. Estão previstos ainda 
investimentos nos próximos anos em câmeras capazes de detectar expressões 
faciais, tipo e cor de roupas, idade aparente e formas de caminhar a serem 
instaladas em viaturas, delegacias e diversas repartições públicas. 
 
 
Os casos de São Paulo, da Bahia e do Rio de Janeiro servem para 
ilustrar um processo que tem dimensão nacional. Embora não haja um 
 
 
53 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
levantamento consolidado de todas as forças de segurança que fazem uso de 
TRFs, mapeamento realizado pela equipe do Centro de Estudos de 
Segurança e Cidadania (CESeC) aponta que a tecnologia já é usada 
cotidianamente por forças de segurança em praticamente todos os estados. 
 
 
Figura 11: Mapeamento do uso de tecnologias de reconhecimento facial pelas forças de 
segurança brasileiras. 
 
Fonte: Nunes, 2023, p. 49. 
 
A rápida expansão das TRFs entre as polícias brasileiras foi estimulada por 
uma série de fatores, que passam pela disseminação do uso de tecnologias digitais 
 
 
54 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
de uma forma geral, o que reduziu a resistência entre os agentes e as melhorias 
nos próprios sistemas de identificação biométrica, que contam com mais bases de 
dados, algoritmos mais precisos e custos menores. Cabe destacar, no entanto, dois 
pontos centrais: o incentivo institucional por parte do governo federal e as 
demandas por formas mais eficazes e objetivas de controle que partem de dentro 
das instituições policiais, mas também da sociedade civil. 
O uso de TRFs em atividades de patrulhamento rotineiro e investigação 
policial ganhou mais atenção da administração federal após a publicação da 
portaria nº 793/2019 do Ministério da Justiça e Segurança Pública que regulamenta 
formas de incentivo financeiro para ações de “enfrentamento à criminalidade 
violenta” (Brasil, 2019). A portaria prevê que recursos do Fundo Nacional de 
Segurança Pública (FNSP) devam ser destinados à disseminação de dispositivos 
de inteligência artificial, incluindo “o fomento à implantação de sistemas de 
videomonitoramento com soluções de reconhecimento facial” (Brasil, 2019). Nessa 
mesma direção, a Polícia Federal (PF) implementou, em 2021, o sistema ABIS 
(Solução Automatizada de Identificação Biométrica). Este visa, entre outros 
atributos, a unificação das bases de dados biométricos das secretarias de 
segurança de todo o país, podendo chegar ao armazenamento de registros faciais 
de até 200 milhões de pessoas. A construção de uma base biométrica nacional 
serve para organizar e integrar dados antes dispersos e coletados de forma pouco 
sistemática, o que auxiliaria na resolução de crimes, mas também na identificação 
de pessoas desaparecidas (Polícia Federal, 2021). Além disso, deputados federais 
passaram a designar emendas parlamentares para o investimento nessa tecnologia 
em seus estados, o que impulsionou o processo de implementação mesmo em 
cidades menores. 
Em termos de ganhos de eficácia e objetividade das políticas de controle da 
criminalidade, as TRFs são mecanismos para a redução de erros e injustiças 
cometidos através de identificação de suspeitos pelo “faro policial” ou pelo 
reconhecimento fotográfico nas delegacias. Em outras palavras, entusiastas do uso 
de TRFs no âmbito da segurança públicanão negam que estas são capazes de 
cometer erros, levando a abordagem de pessoas inocentes (basta lembrar do 
debate sobre “falsos positivos” e “falsos negativos” da primeira parte deste módulo), 
 
 
55 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
mas apontam que os algoritmos têm desempenho muito superior ao olhar clínico 
de policiais, vítimas e testemunhas quando se trata de identificar suspeitos. 
Diversas pesquisas apontam que o racismo é elemento definidor da 
seletividade penal no Brasil, onde negros têm maior chance de serem abordados, 
presos e mortos pela polícia (Sinhoretto et al., 2022). Essa constatação tem 
alimentado demandas por mudanças no processo de formação policial (incluindo, 
por exemplo, disciplinas de direitos humanos), mas também por novas estratégias 
de patrulhamento e novas tecnologias que possam reduzir a discricionariedade dos 
policiais e aumentar a supervisão sobre suas ações. Nessa perspectiva, ao 
direcionar as abordagens apenas para indivíduos com mandados de prisão em 
aberto (o caso do BNMP do CNJ), as TRFs diminuiriam as abordagens indevidas, 
aumentando a eficiência e a legitimidade da ação policial. 
 O mesmo ocorreria com a substituição do reconhecimento de suspeitos nas 
delegacias por algoritmos de identificação biométrica. Os números comprovam que, 
no dia a dia, a prática de reconhecimento fotográfico enfrenta sérios problemas, 
tanto em termos de produção de evidências juridicamente robustas, quanto em 
termos de proteção dos direitos individuais. Em alguns casos, o inquérito policial é 
incapaz de levantar um conjunto amplo de provas para sustentar pedidos de 
condenação pelo Ministério Público e acaba se pautando principalmente no 
reconhecimento feito por vítimas ou testemunhas a partir de catálogos fotográficos. 
No entanto, preocupa a falibilidade desse método, que não tem regras claras e 
padronizadas para a construção das bases de dados (são usadas, por exemplo, 
fotos de redes sociais), que cataloga imagens de baixa qualidade, e que nem 
sempre segue as normas para o reconhecimento definidas no art. 226 do Código 
de Processo Penal, o que gera anulações posteriores pelos tribunais de justiça 
(Salomão Junior, 2022). 
 
Entre 2012 e 2020, apenas no estado do Rio de Janeiro, 73 pessoas 
inocentes foram presas após erros de identificação fotográfica. Estas 
passaram, em média, 9 meses no cárcere (em alguns casos, inocentes 
passaram mais de dois anos presos) (CNJ, 2022). 
 
 
56 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Observando esse cenário, diversos especialistas apontam que TRFs 
representam solução adequada para alguns dos problemas operacionais e 
administrativos enfrentados pelas instituições que cuidam do policiamento 
ostensivo e das práticas investigativas (Marques Neto, 2022). Nessa perspectiva, 
os algoritmos não são apenas mais eficientes e tecnicamente superiores às 
análises realizadas por humanos, mas oferecem ferramentas de tomada de decisão 
que não dependem da discricionariedade individual. O pressuposto é que as 
câmeras veem sem inferência subjetiva ou interpretação, de modo que o 
monitoramento pela polícia se despiria de qualquer preconceito. 
Para os entusiastas, portanto, trata-se de uma tecnologia que não apenas 
reduz a violência, mas que ainda contribui para dirimir o histórico problema da 
discriminação na atividade policial. Assim, a sociedade e as autoridades deveriam 
se concentrar no aprimoramento técnico dos sistemas e dos procedimentos de uso 
por parte das polícias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
57 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 3. OS RISCOS RELACIONADOS AO RECONHECIMENTO FACIAL NO 
CONTEXTO DA SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Como vimos nas partes anteriores desse módulo, tecnologias de 
reconhecimento facial têm transformado práticas policiais no Brasil. Nos últimos 
anos, diversos estados fizeram investimentos em dispositivos de monitoramento 
que identificam cidadãos em espaços públicos e disparam alertas para a polícia 
sobre potenciais suspeitos. O trabalho de investigação também passou a ser 
auxiliado por sistemas integrados de imagens capazes de fazer pesquisas por 
pessoas específicas, o que contribui na produção de evidências para os inquéritos 
criminais. As promessas de redução da impunidade e da violência, no entanto, 
escondem alguns riscos inerentes ao uso dessas tecnologias no contexto da 
segurança pública. Erros na identificação biométrica têm levado à prisão de 
inocentes e podem, ao contrário do que se esperava inicialmente, acabar 
aprofundando precisamente as características dos procedimentos de abordagem 
que precisariam ser revertidas, apoiadas pela tecnologia. Além disso, a 
disseminação desses dispositivos nos centros urbanos cria uma capacidade inédita 
de monitoramento que, sem regulação ou transparência, pode contribuir com 
práticas autoritárias de controle. 
Ainda faltam estudos mais detalhados sobre os efeitos das TRFs na 
segurança pública no Brasil, de modo que grande parte das análises guarda forte 
caráter especulativo. Enquanto algumas instituições policiais se mostram 
refratárias a avaliações independentes de impacto, diversas organizações da 
sociedade civil denunciam casos de erros nos sistemas causados por vieses nos 
algoritmos. De uma forma geral, críticos apontam que as câmeras com TRF não 
contribuem de forma decisiva para manutenção da ordem, violam direitos dos 
cidadãos e ainda geram custos desnecessários para a polícia, já que recursos 
escassos são empenhados em operações pouco efetivas. Diante dessas críticas, 
foram lançadas campanhas pelo banimento do uso de TRFs no país e diversos 
projetos de lei já foram apresentados para restringir seu uso. A última aula desse 
módulo vai discutir justamente os dilemas do uso de TRFs no campo da segurança 
pública, enfatizando os riscos de discriminação pelo algoritmo e os prejuízos 
 
 
58 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
gerados pela ausência de mecanismos externos de supervisão do uso de sistemas 
de identificação biométrica. 
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em vigor desde 2020, prevê maior 
controle para o processamento de “dados pessoais sensíveis”, entre eles, as 
características biométricas dos indivíduos. No entanto, o uso desses sistemas por 
parte das polícias está em um limbo jurídico. Em seu artigo 4º, a LGPD prevê que 
atividades de investigação criminal, uso repressivo por parte das polícias militares 
e mesmo questões ligadas à defesa nacional e segurança do Estado, seriam 
regulados por lei complementar, a “LGPD penal”. Enquanto esta lei não é aprovada, 
não há regulação clara sobre os limites dos usos de TRFs por forças de segurança. 
E é nesse cenário de incerteza jurídica que diversos estados têm investido na 
tecnologia. 
 
 
A lei 13.709, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados, tem 
como objetivo criar um enquadramento regulatório amplo para as atividades 
de coleta, tratamento, armazenamento e compartilhamento de dados 
pessoais por entes públicos e privados. Um dos atributos centrais da lei é a 
separação entre “dados pessoais” - informações como nome, RG e CPF (mas 
também dados identificáveis como endereço de IP e geolocalização) - e 
“dados pessoais sensíveis”, que se referem, por exemplo, à origem racial ou 
étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a 
organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde 
ou à vida sexual, dado genético ou biométrico. A LGPD entende, portanto, que 
determinados dados, como a biometria facial, envolvem mais riscos para os 
direitos individuais e devem ser protegidos com maior cautela. 
Para uma análise mais profunda do marco regulatório criado pela 
LGPD, bem como de suas limitações, ver: Mulholland (2020) 
 
 
Saiba mais 
 
 
59 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
As denúncias acerca dos erros cometidospor TRFs contra negros ganharam 
destaque após o lançamento do documentário Coded Bias (2020). No 
documentário, Joy Buolamwini, pesquisadora do Massachusetts Institute of 
Technology (MIT), apresenta os resultados de um estudo de avaliação de precisão 
de sistemas de reconhecimento facial oferecidos pelas principais empresas do 
mercado, incluindo IBM, Microsoft e Face++. Buolamwini aponta que a maioria das 
TRFs carrega erros de identificação que chegam a 1% em casos de homens 
brancos, 12% em casos de homens negros e 35% em casos de mulheres negras. 
Após essa constatação, algumas empresas adotaram moratórias para a 
comercialização de seus produtos. 
 
 
O viés algoritmo pode ser causado por uma série de fatores, entre eles 
a escolha equivocada dos parâmetros que compõem o modelo analítico. No 
caso das TRFs, o viés se dá, em geral, por problemas na fase de treinamento 
dos algoritmos. A discrepância identificada por Buolamwini se dá pois o 
espectro de luminosidade usado pela maioria dos sistemas é ajustado para 
peles brancas, o que faz com que pixels de peles negras sejam vistos como 
iguais. Mais precisamente, o sistema identifica pequenas 
variações/gradações em peles brancas, mas não em peles negras, o que 
atrapalha a identificação desses rostos. Outra dificuldade se revela nos 
padrões geométricos faciais. Quando os sistemas são treinados com rostos 
caucasianos, os modelos algorítmicos formulados carregaram parâmetros 
(por exemplo, distância dos olhos, formato da mandíbula, traços do nariz) que 
se adequam à amostra usada. No entanto, se estes parâmetros não são 
ajustados para outros rostos, podem gerar resultados flagrantemente racistas, 
como o algoritmo do Google Photos que confundiu rostos de homens negros 
com gorilas, ou das câmeras Nikon que confundiram olhos alongados 
(fenótipo comum no leste asiático) com pessoas piscando.Para entender 
melhor o processo de produção de vieses em sistemas algorítmicos e seu 
impacto nocivo para determinados grupos sociais, ver: Silva (2021). 
Saiba mais 
 
 
60 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
As moratórias, no entanto, começam a ser suspensas com o argumento de 
que as TRFs têm se aperfeiçoado com o tempo. É importante, contudo, ponderar 
os argumentos sobre os avanços tecnológicos. Mesmo que os sistemas de 
identificação biométrica tenham melhorado, eles nunca chegarão a 100% de 
precisão. Trata-se de uma tecnologia que funciona por aferição probabilística, ou 
seja, um “match” perfeito entre a imagem capturada na rua e àquela armazenada 
no banco de dados é indicação de fraude (exatamente a mesma imagem foi usada 
na verificação de identidade). Além disso, mesmo 0.01% de erro pode representar 
um nível de falha com consequências sociais indesejáveis, seja pelo volume de 
rostos analisados todos os dias, seja por indicar uma total inoperância do sistema. 
 
No primeiro caso: 
podemos pensar nos usos correntes dessa tecnologia nas grandes 
cidades brasileiras. Se as câmeras de monitoramento capturarem cinco 
milhões de rostos por dia (nas ruas, sistemas de transportes, entradas de 
espaços públicos etc.), uma taxa de erro de 0.01% indica que, em média, 500 
pessoas sofrerão com abordagens equivocadas. 
 
No segundo caso: 
podemos pensar em um grande evento, como um festival de música, 
que chegue a 100 mil pessoas. Se dentro desse grupo existirem 10 homicidas 
procurados pela justiça, o sistema de monitoramento pode não identificar 
ninguém e ainda assim afirmar que possui acurácia de 99.99%. 
 
Além dos problemas com viés algorítmico, organizações da sociedade civil 
têm apontado que TRFs causam prejuízos para os direitos civis e políticos. O 
videomonitoramento tradicional já registra fluxos nos centros urbanos, mas as TRFs 
fazem com que todas as movimentações, hábitos e interações de um indivíduo 
possam ser documentadas e catalogadas sem grande esforço operacional. Não é 
necessário seguir um suspeito para flagrar atividades ilegais. Basta fazer uma 
pesquisa em um banco de dados para ter acesso a todas as imagens em que 
 
 
61 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
determinado indivíduo aparece. E esses registros não são possíveis apenas para 
alvos de investigação, mas estão disponíveis para absolutamente todos os 
cidadãos. Em questão de segundos, policiais pode descobrir, por exemplo, todas 
as vezes em que uma pessoa foi a um bar, visitou amigos, chegou atrasada no 
trabalho, frequentou uma casa de prostituição, fumou na calçada, participou 
reuniões dos alcóolicos anônimos ou traiu seu parceiro conjugal. Ou seja, a 
monitoramento biométrico carrega um potencial de controle que pode constranger 
comportamentos rotineiros, sejam esses ilegais ou não. 
 
Lançada, em 2022, e apoiada por mais de 50 organizações da 
sociedade civil, a campanha “Tire meu rosto da sua mira” argumenta que as 
TRFs representam enorme risco de violação do direito à privacidade e 
carregam vieses contra determinados grupos populacionais, o que agrava o 
problema da discriminação social. Segundo a campanha, as TRFs são 
“capazes de identificar, seguir, destacar individualmente e rastrear pessoas 
em todos os lugares aonde elas vão, podendo violar direitos como: 
privacidade, proteção de dados, liberdade de reunião e de associação, 
igualdade e não-discriminação”. Indo além, as organizações argumentam que 
“nenhuma proteção técnica ou legal pode eliminar totalmente a ameaça que 
essas tecnologias representam... [O] potencial de abuso é muito grande e as 
potenciais consequências, muito graves... [de modo que] elas nunca devem 
ser usadas em atividades de segurança pública”. 
Para mais informações sobre a articulação de grupos da sociedade civil para 
barrar o desenvolvimento e uso de TRFs pelas instituições policiais, 
Acesse: https://tiremeurostodasuamira.org.br/ 
 
No Brasil, a ausência de lei específica sobre o uso de marcadores 
biométricos para fins de segurança pública e defesa nacional contribui para um 
cenário de incerteza e aumenta as preocupações acerca de abusos. O limbo 
jurídico e a indefinição sobre regras e limites para o uso de TRFs são especialmente 
Saiba mais 
 
 
62 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Vamos Refletir 
problemáticos pois não estão claros os limites que o direito à privacidade impõe à 
vigilância biométrica. 
 
 
Os indivíduos têm direito de saber que seus dados estão sendo 
capturados? Há possibilidade de recusar esse monitoramento? É possível saber 
quais dados estão armazenados? Como um cidadão pode apontar erros e exigir 
mudanças nos dados? Quando são presos a partir da identificação biométrica, 
os indivíduos e seus advogados devem ser informados disso? Podem ter acesso 
(ou contestar) o resultado do reconhecimento facial? Como avaliar a precisão 
dos sistemas utilizados e corrigir o problema dos vieses algorítmicos? 
 
 
Essas são algumas questões centrais para as quais a legislação ainda não 
apresenta respostas claras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
63 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
FINALIZANDO 
 
Neste módulo, você aprendeu: 
 
 Sistemas de reconhecimento facial funcionam através da análise 
automatizada de traços faciais e que podem servir para autenticação 
(1:1) e identificação (1:N). A precisão desses sistemas depende tanto 
da qualidade das câmeras, quanto dos algoritmos que fazem as 
análises e das bases de dados com as quais são feitos os 
cruzamentos. 
 As TRFs já estão disseminadas no país, servindo como mecanismo 
de segurança em espaços públicos e privados. No caso da segurança 
pública, também há uma crescente adesão por parte das forças 
policiais, que as utilizam no policiamento ostensivo, guiando 
abordagens, e em investigações, auxiliando no processo de 
identificação de suspeitos. 
 Se as TRFs podem conferir enormes ganhos de eficiência ao trabalho 
de policial, diminuindo a impunidade e fazendo justiçapara as vítimas, 
há também alguns riscos em termos de direitos individuais. Sem 
regulação clara, os sistemas de reconhecimento facial podem gerar 
formas invasivas monitoramento e agravar o problema da 
discriminação através dos vieses algorítmicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
MÓDULO 3 - POLICIAMENTO PREDITIVO 
 
APRESENTAÇÃO 
Na última década houve enorme aumento da quantidade de softwares 
desenvolvidos com a promessa de somar-se à atividade policial a partir do 
fornecimento de análises preditivas. Esses sistemas, em geral, têm o objetivo de 
trazer inteligência estratégica às ações da polícia, usando dados sobre o local de 
crimes, padrões de delito, identidade de suspeitos e perfis de vítimas para auxiliar 
no trabalho de prevenção. 
Há diferentes definições para o policiamento preditivo, mas estas costumam 
convergir para dois pontos centrais: 
 1 Trata-se de uma estratégia de policiamento que se vale de ferramentas 
que aplicam modelagem estatística para prever a atividade criminal no 
futuro próximo; 
 2 As previsões que resultam dos métodos quantitativos informam os 
processos de tomada de decisão, guiando o emprego de recursos 
humanos e materiais. 
Portanto, a introdução destes softwares não visa apenas a reorientar 
políticas de controle do crime (de um princípio reativo para a antecipação de 
tendências), mas promove também a implementação de um modelo de gestão no 
qual a atividade policial passa a se basear no uso de indicadores de desempenho 
para controle de resultados, emprego racional de recursos, descentralização 
administrativa, incorporação de medidores de qualidade do serviço, enxugamento 
de pessoal, entre outros (Batitucci, 2019). O pressuposto é que estatísticas 
criminais informam práticas de gestão mais técnicas, objetivas e neutras, 
aumentando o accountability e a eficiência das instituições policiais. Assim, estes 
softwares se tornaram símbolo do processo de modernização da polícia, sendo seu 
uso visto como responsável pela queda em índices de criminalidade e aumento no 
número de prisões. 
 
 
65 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Neste módulo, serão apresentados alguns dos pressupostos criminológicos 
e das técnicas utilizadas no policiamento preditivo. Mais especificamente, o módulo 
busca explicar de que forma tecnologias de predição de crimes incorporam 
perspectivas teóricas acerca da distribuição desses eventos no tempo e no espaço, 
atribuindo as causas do comportamento criminal ao cálculo de custos e benefícios 
de potenciais infratores e seus determinantes situacionais (por exemplo, como a 
configuração do território influência nas taxas de criminalidade em determinado 
local). Além disso, serão debatidos alguns dos limites técnicos dos softwares de 
análise criminal, incluindo os dilemas éticos do uso de sistemas preditivos para a 
construção de perfis de suspeição e para a determinação das áreas prioritárias de 
patrulhas. 
 
OBJETIVOS DO MÓDULO 
 
Apresentar o panorama do desenvolvimento e uso de sistemas de 
policiamento preditivo, sobretudo no trabalho de prevenção exercido no 
policiamento ostensivo. Além disso, o módulo vai ainda debater alguns dos limites 
técnicos desses sistemas e os riscos que eles acarretam ter na reprodução de 
padrões enviesados de policiamento. 
 
 
ESTRUTURA DO MÓDULO 
Aula 1 - Antecedentes do uso da análise estatística no planejamento 
operacional das polícias. 
Aula 2 - Como operam os sistemas atuais de policiamento preditivo? 
Aula 3 - Limitações técnicas e dilemas éticos. 
 
 
 
66 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 1. ANTECEDENTES DO USO DA ANÁLISE ESTATÍSTICA NO 
PLANEJAMENTO OPERACIONAL DAS POLÍCIAS 
 
É comum ouvirmos que ferramentas de predição de crimes representam “a 
transformação mais radical da história do policiamento” (Dodd, 2014), substituindo 
o “faro policial” por modelos matemáticos capazes de estimar a incidência futura de 
crimes e riscos de vitimização. No entanto, coleta de dados, análises estatísticas e 
mapeamento de ocorrências remetem a uma longa trajetória de quantificação do 
crime e gerenciamento da atividade policial. 
A produção de conhecimento estatístico está ligada ao próprio surgimento 
de instituições policiais modernas ainda no século XIX, quando o objetivo de 
antecipar ações criminosas para prevenir ocorrências já ditava a lógica da atividade 
policial. Ainda nas décadas de 1820 e 1830, Adolphe Quetelet, Adriano Balbi e 
André-Michel Guerry, expoentes do movimento que ficou conhecido como “escola 
cartográfica”, começaram a coletar informações sobre população prisional e a 
relacionar a incidência de crimes com dados demográficos (pobreza, níveis 
educacionais, composição étnica dos bairros, consumo de álcool etc.), 
comprovando ser possível identificar padrões recorrentes de criminalidade (Eck & 
Weisburd, 1995). Já se percebia, portanto, que o conhecimento estatístico permitia 
extrapolar a experiência do passado para tendências futuras. Assim, crimes não 
eram mais vistos como eventos peculiares, atos divinos ou “acidentes”, mas como 
regularidades que poderiam ser previstas e alteradas a partir de ações do Estado. 
 
 
Os primeiros autores da “Escola Cartográfica” desenvolveram técnicas 
de visualização de dados, como “mapas coropléticos”, gráficos e tabelas, 
produzindo conhecimento sobre o crime e informando ações das instituições 
policiais. Esta perspectiva teve grande influência na criminologia até os anos 
1880. Ao comparar estatísticas criminais com informações do censo francês, 
Balbi e Guerry concluíram, por exemplo, que áreas com maior incidência de 
crimes contra a propriedade apresentavam índices baixos para crimes contra 
pessoas. Análises demográficas de períodos mais longos realizadas por 
Saiba mais 
 
 
67 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Quetelet revelaram ainda que alguns fenômenos apresentavam incidência 
relativamente estável, incluindo taxas de crimes, nascimentos e suicídios, o 
que contribuiu para o planejamento de gestores públicos, incluindo 
instituições policiais. 
Outros momentos de proximidade entre técnicas cartográficas e a 
criminologia surgiram com a influência dos mapas de zonas concêntricas 
desenvolvidos pela “Escola de Chicago” nos anos 1920, e com as grandes 
mudanças advindas dos avanços computacionais e dos sistemas de 
informação geográfica, principalmente a partir dos anos 1980. Apesar dos 
avanços e recuos na relação entre a cartografia e criminologia, é importante 
notar que departamentos de polícia mantiveram esforços de mapeamento 
durante todo esse período, enfrentando os desafios de visualizar a 
distribuição espacial e temporal do crime. 
Para mais, ver: Eck & Weisburd (1995) 
 
Recuperando suas raízes mais recentes, o policiamento pautado em 
modelos algorítmicos aprofunda uma tendência no campo da segurança pública 
cujos contornos são claros desde os anos 1980, quando propostas de reforma nas 
doutrinas e práticas policiais passaram a se debruçar de forma sistemática sobre o 
registro de eventos e a identificação de padrões normais de distribuição, agindo 
para prevenir a ocorrência de crimes em locais e horários de maior concentração. 
Neste período, dois fatores foram fundamentais: 
1 Avanços computacionais, que permitiram a popularização de sistemas 
automatizados de informação geográfica (SIG) e a digitalização das bases 
de dados policiais (por exemplo, os registros georreferenciados de 
ocorrências criminais); 
2 Transformação no pensamento criminológico, que passou a privilegiar 
iniciativas de engenharia situacional para a redução de condições 
criminógenas. Em outras palavras, a ação criminosa deixou de ser vista 
apenas como consequência de psicopatias ou privações socioeconômicas 
e se tornou produto da ação racional, derivada de cálculos de custo-
 
 
68 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇAPÚBLICA 
benefício e fruto de situações oportunas (como preconizava, por exemplo, 
a famosa teoria das “janelas quebradas”). 
 
 
Segundo a famosa formulação de James Wilson e George Kelling 
(1982), espaços com “janelas quebradas” são um convite à desordem e 
acabam por reunir grande parte dos crimes violentos. Ou seja, os autores 
constatam que áreas urbanas degradadas (sem cuidado com manutenção de 
parques e ruas, por exemplo) concentram pequenos delitos e esses, com o 
tempo, tenderiam a evoluir para crimes violentos. Nesse sentido, tão 
importante quanto as minuciosas investigações de assassinatos em série, por 
exemplo, seria a repressão ao uso de drogas, prostituição, pichação e 
destruição do patrimônio público. Caberia à polícia, portanto, redirecionar 
seus esforços para a identificação de áreas de risco e distribuir recursos de 
forma a gerar desincentivos a atividade criminal. 
Para uma apresentação mais detalhada dos pressupostos da teoria das 
“janelas quebradas”, ver: Wilson & Kelling (1982) 
 
 
A relevância dos avanços computacionais não pode ser subestimada. 
Dificuldades técnicas eram obstáculos formidáveis ao uso de mapas e abordagens 
estatísticas. Mesmo em países desenvolvidos, a coleta de dados não era 
sistemática e padronizada, o que impedia estudos comparativos e gerava grande 
imprecisão em análises criminais com largas escalas temporais. Profissionais de 
segurança pública e estatísticos trabalhavam com bases incompletas e não tinham 
técnicas para compensar o problema de subnotificação (Santos, 2013). Além disso, 
a produção de mapas requeria investimento de tempo, mão de obra e espaço 
(geralmente, paredes inteiras), recursos escassos na maioria das instituições 
policiais. 
Saiba mais 
 
 
69 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Os primeiros mapas eram representações em papel de áreas de atuação 
dos departamentos de polícia, onde crimes eram geolocalizados com alfinetes 
coloridos. No entanto, na medida em que mais crimes eram cometidos, a 
visualização de sua distribuição geográfica tornava-se confusa, dificultando a 
distinção de padrões e séries de eventos relacionados. A análise de tendências 
também não era tarefa simples, já que mapas precisavam ser atualizados de 
tempos em tempos e informações sobre diferentes períodos só estavam 
disponíveis em fotos de arquivo. Em resumo, as polícias não dispunham de dados 
georreferenciados detalhados – a atualização das bases era analógica, o que 
gerava erros e tomava muito tempo – e os métodos de visualização não eram muito 
sofisticados. 
Figura 12: Análise georreferenciada de crimes pela Scotland Yard em 1964 
 
Fonte: https://www.alamy.com/stock-photo/crime-map-history.html?sortBy=relevant 
 
 
Transformações na pesquisa criminológica também tiveram papel de 
destaque. Estudos sobre ocorrências em microrregiões começaram a mostrar que 
crimes estão concentrados em poucas áreas (esquinas e segmentos de ruas) e que 
os níveis de adensamento variam pouco ao longo do tempo (Eck & Weisburd, 
1995). Análises sobre vitimização e perfis de suspeição também começaram a 
 
 
70 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
encontrar padrões de repetição de vítimas (roubos de domicílio, por exemplo, 
tendem a ocorrer em áreas próximas de residências roubadas no passado próximo) 
e concentrações de crimes em certos grupos populacionais (algumas poucas redes 
representam grande parte de criminosos e vítimas). 
Caberia, então, às autoridades públicas investir no desenvolvimento de 
mecanismos de prevenção situacional. Ao invés de distribuir policiais 
aleatoriamente pelas ruas e torcer para que estes flagrem ações criminosas, os 
comandantes deveriam mapear a incidência de crimes e “colocar os policiais nos 
pontos [de concentração]” (Braga et al., 2019, p. 544). Como resultado, a demanda 
por respostas rápidas e investigação reativa foi, aos poucos, substituída nos 
manuais modernos de operação por um novo consenso em torno do “policiamento 
baseado em evidências” (Ratcliffe, 2016). 
Portanto, foi a soma desses fatores - a preocupação acerca da ecologia do 
crime como forma de guiar a alocação de recursos policiais, os avanços em 
técnicas de mapeamento e modelagem estatística, e o desenvolvimento de 
computadores com alta capacidade de processamento com custos acessíveis à 
maioria das instituições policiais - que permitiu a popularização de softwares de 
informação geográfica, a digitalização das bases de dados de ocorrências 
criminais, e, fundamentalmente, a popularização dos sistemas modernos de análise 
criminal. 
Esse processo encontrou contornos mais claros no CompStat, a ferramenta 
computacional de georreferenciamento de ocorrências e gestão de recursos 
implementada em 1994 pela polícia de Nova York. Cortes no orçamento público, 
aliados a demandas por mais transparência nas ações policiais, levaram a NYPD a 
reestruturar cadeias de comando, descentralizar processos de tomada de decisão 
e a estabelecer metas de desempenho. Em reuniões periódicas, os comandantes 
de diferentes unidades eram instados a apresentar os dados criminais de suas 
circunscrições, analisar padrões, selecionar táticas e definir a alocação de recursos. 
Nesse ambiente, informações eram trocadas, “boas práticas” ganhavam escala e 
resultados positivos rendiam ganhos pecuniários para os agentes. 
 
 
71 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Entre 1993 e 1998, taxas de criminalidade caíram em quase todas as 
regiões da cidade, incluindo: 
homicídios (-67%), 
invasões de domicílio (-53%) e 
roubos de rua (-54%) (Police Executive Research Forum, 2013). 
 
Desde o sucesso do CompStat, instituições policiais ao redor do mundo têm 
investido cada vez mais na previsão de crimes, de modo que o policiamento reativo 
abre espaço para uma estratégia preventiva cujo objetivo final é dissuadir a ação 
criminal antes que essa ocorra, “tornando a bala obsoleta” (Coldewey, 2017). No 
entanto, há ainda certa confusão conceitual acerca do que é policiamento preditivo, 
das diferenças entre as várias ferramentas disponíveis e, fundamentalmente, de 
seu impacto na rotina policial. Esses temas serão abordados na próxima aula. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 2. COMO OPERAM OS SISTEMAS ATUAIS DE POLICIAMENTO 
PREDITIVO? 
 
Como vimos na aula anterior, cabe certo ceticismo acerca do discurso de que 
análises algorítmicas representam “uma revolução que mudará tudo [nas polícias]”, 
sendo mais exato entender os softwares atuais como “aprimoramentos 
incrementais” nas atividades já exercidas pelas forças de segurança há várias 
décadas (Hollywood, 2012, p. 33). 
 
Além disso, é importante estar atento às diferenças entre os sistemas 
disponíveis no mercado, uma vez que o termo “policiamento preditivo” 
funciona como uma espécie de guarda-chuva sob o qual lógicas algorítmicas 
distintas são agrupadas. Ou seja, técnicas de predição, apesar de partirem da 
identificação de correlações estatísticas entre os múltiplos fatores que incidem 
sobre a dinâmica criminal, têm pressupostos e implicações para as operações 
policiais que podem variar, servindo para prever o perfil de vítimas, potenciais 
criminosos ou locais de concentração de crimes. 
 
Dessa forma, os bancos de dados utilizados para o treinamento dos 
diferentes sistemas também podem variar. Enquanto alguns sistemas têm como 
base os registros de vitimização, perfis de redes sociais, dados de secretarias de 
assistência social, dados bancários e censitários etc., outros se valem de bases os 
registros criminais agregados, dados meteorológicos e informações geográficas 
(por exemplo, a localização de bares, condomínios, pontos de ônibus, favelas, 
parques, escolas etc.) para identificar tendências de eventos criminais em células 
urbanas (microrregiões da cidade, como esquinas e segmentos de ruas). 
Além disso,as próprias técnicas de análise preditiva têm funcionamentos 
distintos, sendo comuns softwares que se valem de modelagens de risco de terreno 
(RTM), processos de auto excitação de pontos (SEPP), análises de repetição 
próxima (NR), análises geoestatísticas com cadeias de Markov, estimativas de 
densidade Kernel (KDE), entre outros. 
 
 
 
73 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Softwares de policiamento preditivo se amparam em um conjunto de 
técnicas responsáveis por moldar os processos decisórios de máquina, e 
incorporam pressupostos e teorias correntes acerca de como é entendido o 
fenômeno criminal. Em regra, a predição é baseada em pessoas quando o 
intuito primário é o de detectar indivíduos que apresentem maior risco de 
cometer crimes (por exemplo, a partir da criação e identificação de perfis 
criminais e listas de potenciais suspeitos) e baseada em lugares quando o 
intuito é detectar padrões criminais no tempo-espaço. Nos dois casos, as 
predições focam em determinados fatores de risco. No caso de predições 
baseadas em lugares, são comuns a inclusão de fatores como a ausência de 
iluminação pública adequada, pouco comércio e circulação urbana, além do 
histórico de eventos criminais no local. No caso de predições baseadas em 
indivíduos, alguns dos parâmetros considerados nos modelos matemáticos 
são: condenação prévia, estrutura familiar, local de residência, emprego, 
histórico de uso de drogas etc. 
Para entender mais sobre as variadas técnicas de análise da 
concentração de crimes no espaço, no tempo, em determinados grupos 
populacionais ou mesmo em perfis de suspeição criminal, ver: Perry et al. 
(2013) 
 
Podemos perceber, portanto, que há inúmeros sistemas preditivos, já que os 
diferentes objetivos seguem os diferentes escopos dos órgãos de segurança. 
 
As polícias investigativas: 
As polícias investigativas, por exemplo, costumam ter maior interesse 
em sistemas que analisam perfis de suspeição, guiando o trabalho de coleta 
de evidências. 
 
 
 
Saiba mais 
 
 
74 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Ministério Público Federal: 
Já órgãos responsáveis por reprimir crimes financeiros, como o 
Ministério Público Federal, tendem a buscar algoritmos que identifiquem 
transações que fujam da normalidade, alertando para possíveis fraudes ou 
práticas de lavagem de dinheiro. 
 
Além das funcionalidades descritas acima, há sistemas no mercado que 
fazem avaliação de risco de reincidência para informar decisões de juízes sobre 
progressão de pena, que avaliam o perfil de requerentes de vistos de entrada no 
país, que apontam os locais mais prováveis de futuros acidentes de carro, que 
monitoram dados sobre ações da própria polícia para apontar indícios de má 
conduta. O que todos esses sistemas têm em comum é que são pautados por 
modelos algorítmicos de análise de padrões que “buscam conhecimento [sobre 
práticas criminais], não a partir de processos dedutivos ou de evidências levantadas 
em investigações, mas a partir da indução estatística” (Guzik, 2009, p. 7) 
Para organizar um pouco esse complexo campo, pode-se dizer que, em 
geral, os sistemas de policiamento preditivos utilizados pelas forças policiais se 
dividem em quatro grupos, delimitados a partir dos alvos de intervenção (indivíduos 
ou espaços) e das técnicas analíticas implementadas. 
 
Tabela 1: Diferentes modelos de previsão de crimes (exemplos de sistemas de predição) 
 
 FATORES DE RISCO HISTÓRICO DE EVENTOS 
Indivíduos 
Perfilamento criminal 
(Compass) 
Análises de redes de 
suspeitos 
Espaços 
Modelagem de risco de 
terreno (RTM) 
(HunchLab) 
SEPP (PredPol) 
Fonte: https://www.chicagomag.com/city-life/August-2017/Chicago-Police-Strategic-
Subject-List/ Adaptado pelo conteudista 
 
 
 
75 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Fora do Brasil, são comuns os sistemas que se valem de dados pessoais e 
do entorno social (incluindo passagens pela polícia, informações sobre 
desempenho escolar etc.) para a identificação de indivíduos que venham a cometer 
crimes ou a participar de grupos violentos, como a Strategic Subject List de Chicago 
e a Gangs Violence Matrix de Londres. No Brasil, contudo, a maioria dos sistemas 
atualmente em uso contribui para o policiamento ostensivo e se debruça sobre os 
padrões espaço-temporais do crime. 
Como apontamos anteriormente, esses sistemas estão baseados em dois 
pressupostos: 
1 Padrões criminais do passado servem como forma de inferir a 
distribuição de crimes no futuro; 
2 A configuração territorial é fator central para compreender a incidência 
de crimes em microrregiões. 
 
Enquanto a análise criminal pautada em “áreas quentes” (hot spots) costuma 
incluir apenas um parâmetro de análise - “[crime futuro] ≅ f [crime passado]” (crime 
futuro é uma função do crime passado) - os algoritmos mais sofisticados tendem a 
testar múltiplos fatores que influenciam na dinâmica criminal, construindo 
estimativas mais precisas e mais maleáveis (adaptáveis a diferentes contextos). 
Em termos de modelos matemáticos, esses pressupostos se expressam como: 
“[crime futuro] ≅ f [crime passado, outros tipos de crime, informações sobre eventos 
de desordem no local, registros sobre atividade suspeita; informações 
demográficas; dados econômicos; previsões do tempo; etc...]”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
76 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 13: Fluxograma do funcionamento de sistemas de predição de crimes 
 
Fonte: adaptado de Hardyns & Rummens (2018, p. 205) 
 
 
 
 
Figura 14: Interface operacional do sistema de previsão de crimes da HunchLab 
(destacando áreas prioritárias de patrulhamento para determinado turno e indicando o risco de 
diferentes tipos de delitos em cada região 
 
Fonte: Arrigue et al (2019, p. 5). 
 
 
 
 
 
77 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Infelizmente, como costuma ocorrer no campo da segurança pública, são 
raros os estudos de avaliação de impacto do policiamento preditivo, problema 
agravado por ainda “não haver consenso entre pesquisadores sobre as melhores 
formas de avaliar e comparar novos métodos”, o que torna análises sistemáticas 
do uso de diferentes softwares em ambientes operacionais virtualmente 
inexistentes (Adepeju et al., 2016, p. 2135). 
Em geral, as avaliações se resumem a análises desenvolvidas pelas próprias 
empresas que comercializam os softwares. 
 
 
A PredPol, por exemplo, realizou ensaios controlados randomizados 
(RCTs) que apontaram maior precisão nas abordagens policiais (Mohler et al., 
2015). A empresa afirma que seu sistema é capaz de prever de 1.4 a 2.2 vezes 
mais crimes se comparado aos métodos utilizados até então por analistas 
criminais em Los Angeles (EUA) e Kent (Reino Unido). Além disso, o uso do 
software causou a queda média de 7.4% em crimes durante o período de 24 
semanas de testes nessas cidades. Outro estudo da mesma empresa afirma 
que o uso do algoritmo levou a números de prisões entre grupos minoritários 
igual ou menor nas áreas testadas do que nas áreas de controle (Brantingham 
et al., (2018). Em resumo, o software otimizaria a ação repressiva da polícia, 
diminuindo as críticas acerca da natureza discriminatória de seu trabalho. 
 
 
De fato, segundo os estudos das próprias empresas, a aplicação de modelos 
estatísticos na decisão sobre a alocação de patrulhas e na prevenção do 
comportamento criminal tem apresentado resultados satisfatórios em termos de 
redução da violência urbana. 
 
 
Na Prática 
 
 
78 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Pearsall (2010) indica, por exemplo, que um dos primeiros 
testes com algoritmos preditivos, realizado em Richmond (EUA) no 
dia do réveillon, levou à queda de 47% dos tiroteios. 
 
Contudo, estas conclusões não estão livres de dúvidas. 
 
Rachel Santos (2014): 
Afirma que as evidências disponíveis impedem uma avaliação 
criteriosa acerca dos efeitosde sistemas preditivos. 
 
 
Perry et al., 2013; Hunt et al., 2014; Meijer & Wessels, 2019: 
Apontam que estes sistemas apresentam ganhos pouco significativos 
em relação a métodos convencionais de análise criminal. 
 
De fato, avaliar o impacto destes softwares não é simples, uma vez que eles 
oferecem diagnósticos de incidência criminal, mas não determinam a estratégia 
policial em si. As avaliações, portanto, dependem de uma série de fatores, incluindo 
a disposição das patrulhas de seguir rigorosamente as recomendações para 
alocação de recursos. Contribui para esta incerteza o fato desses sistemas 
raramente serem implantados de forma avulsa, mas integrarem, em geral, um 
conjunto de inovações (por exemplo, novos protocolos de abordagem, sistemas de 
videomonitoramento, câmeras corporais etc.) 
É central, ainda, a deficiência em termos de transparência. Muitos dos 
sistemas utilizados atualmente são serviços contratados de empresas privadas que 
não revelam detalhes dos modelos empregados. A opacidade dos softwares, 
protegidos por patentes, garante a vantagem competitiva das empresas e o valor 
comercial dos algoritmos. Logo, estes raramente são auditáveis por organizações 
 
 
79 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
da sociedade civil e agências reguladoras. Temos então um cenário em que as 
próprias instituições policiais são, em geral, incapazes de avaliar a precisão dos 
sistemas ou a qualidade dos modelos que influenciam sua tomada de decisão. 
 
 
Meta-análises, estudos que coletam resultados de avaliações de 
impacto de sistemas de policiamento preditivo, apresentam resultados pouco 
consistentes, de modo que não há consenso sobre os benefícios advindos de 
sua implementação. 
Para uma análise mais detalhada dos resultados, bem como dos 
variados métodos de seleção e análise dos estudos de impacto, ver: Moses & 
Chan (2016); Fitzpatrick et al. (2019), Kounadi et al. (2020). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Saiba mais 
 
 
80 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 3. LIMITAÇÕES TÉCNICAS E DILEMAS ÉTICOS 
 
Nas aulas anteriores, discutimos o desenvolvimento de sistemas de análise 
criminal e alertamos para a necessidade de explorar as diferenças entre os 
softwares de policiamento preditivo disponíveis no mercado. Como apontado, 
técnicas de predição, apesar de partirem da identificação de correlações 
estatísticas entre os múltiplos parâmetros que incidem sobre a dinâmica criminal, 
têm pressupostos analíticos e implicações operacionais que podem variar. 
Nesta última aula do módulo, abordaremos criticamente o impacto de 
estratégias de gerenciamento de risco e antecipação de eventos no policiamento 
contemporâneo. Mapas de crimes futuros advêm da automatização de formas de 
classificar, mensurar e visualizar o fenômeno criminal. Estes, portanto, codificam e 
reproduzem muitos dos padrões de atuação já arraigados na cultura policial. Ainda 
assim, desenvolvedores de softwares preditivos costumam negligenciar os vieses 
de origem das bases de dados que alimentam seus algoritmos. 
Os padrões tradicionais de distribuição das patrulhas influenciam nos locais 
onde crimes são mais registrados (em geral, onde há maior presença de policiais, 
há maior quantidade de registros de ocorrências). Do mesmo modo, as prioridades 
estabelecidas nas políticas de segurança pública determinam quais crimes serão 
mais reprimidos (por exemplo, roubos à propriedade e tráfico de drogas, etc.). 
Desse modo, as bases de registros de ocorrências utilizadas pelos sistemas 
preditivos refletem um padrão anterior de policiamento que tenderá a ser reforçado 
nas análises algorítmicas, o que especialistas chamam de “feedback loop”. O 
resultado, como alguns críticos apontam, é que os sistemas não trazem um 
conhecimento novo sobre a distribuição espaço-temporal do crime, mas sim mapas 
que refletem os padrões de distribuição das próprias patrulhas policiais (Lum & 
Isaac, 2016). 
 
 
 
81 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 15: O processo de reprodução dos padrões iniciais de policiamento nas previsões 
de crimes (feedback loops) 
 
Fonte: do conteudista. 
 
Esta crítica é central para entender os efeitos do policiamento preditivo tanto 
sobre a eficácia geral da polícia, quanto a repressão a grupos populacionais 
específicos. A lógica dos sistemas preditivos é que o futuro se torna previsível a 
partir da apreciação de regularidades do passado, uma racionalidade tautológica 
segundo a qual certos lugares são criminógenos porque crimes foram lá registrados 
(Jefferson, 2020). Portanto, em um cenário no qual as estatísticas estejam 
condicionadas por padrões discriminatórios de policiamento, o que o algoritmo faz 
é reforça-los. 
 
Se há acusações de que “faro policial” leva a um perfil de suspeição marcado 
por forte caráter racial (por exemplo, jovens negros), o que os sistemas fazem não 
é corrigir o foco das abordagens, mas treinar os modelos estatísticos para 
automatizar o alvo da repressão, o que os críticos chamam de “discriminação 
algorítmica” (Richardson et al., 2019) 
 
 
82 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Outra crítica recorrente ao uso de softwares de policiamento preditivo está 
na falta de articulação dessas ferramentas com estratégias mais amplas de 
contenção da atividade criminal. Ao melhorar a eficiência da alocação de patrulhas, 
os softwares tendem a diminuir a incidência de crimes em micro-regiões, mas, sem 
o uso da inteligência investigativa para desorganizar os grupos que cometem 
crimes, o que tende a ocorrer é um “espalhamento da mancha”. Ou seja, criminosos 
se adaptam aos novos padrões de policiamento e buscam novas áreas de atuação. 
Mesmo que o resultado final seja uma redução nos índices gerais de crimes (afinal, 
nem sempre os criminosos encontram novos espaços de atuação), as quedas 
costumam ser bem menores do que aquelas identificadas inicialmente e 
propagandeadas pelas empresas privadas. Jerry Ratcliffe (2016), ex-policial da 
Polícia Metropolitana de Londres (MET) e professor da Universidade de Temple, 
compara essa estratégia ao jogo “acerte a toupeira” (whack-a-mole), em que o 
animal sai da toca e a pessoa deve acertá-lo na cabeça, fazendo-o retornar 
temporariamente ao seu lugar. 
 
Para Ratcliffe, sozinha, a estratégia de policiamento preditivo não 
seria mais do que um paliativo, já que o crime pode diminuir em uma esquina 
apenas para ressurgir em outra mais à frente. 
 
 Isso nos leva para outra crítica corrente. O fim do interesse pela causalidade 
do crime (por exemplo, os fatores que levam alguém a cometer delitos) tem uma 
implicação social mais profunda: a redução das políticas de segurança pública à 
ação repressiva da polícia, ignorando um conjunto mais amplo de ações do Estado 
e da sociedade que podem levar à construção de cidades menos violentas. Dito de 
outro modo, estratégias de redução do crime acabam se tornando sinônimos de 
estratégias punitivas, jogando toda a responsabilidade para as polícias. Nesse 
processo, o policiamento preditivo pode levar a um aumento do encarceramento 
enquanto reduz a atenção ou interesse por atingir as raízes complexas do 
fenômeno criminal. Na medida em que se consolida uma visão instrumental da 
 
 
83 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
polícia, reflexões mais amplas sobre as causas do crime e agendas públicas com 
políticas sociais de amplo espectro tendem a ser abandonadas. 
 
 A falta de transparência dos algoritmos: 
Por fim, a falta de transparência dos algoritmos, como discutido na 
última aula, também representa um problema. A opacidade dos sistemas 
dificulta a interpretação dos analistas criminais, o que tem, em geral, dois 
efeitos: policiais passam a ignorar os resultados apresentados pelos 
softwares, mantendo as práticas convencionais, ou, ao contrário, delegam a 
decisão, distribuindo recursos policiais de formaacrítica e automática. 
 
O primeiro caso é bem documentado. A introdução de novas tecnologias e 
projetos de transformação gerencial nas polícias não segue uma lógica linear. 
Diversas pesquisas demonstram que a cultura institucional e a rotina das operações 
acabam por transformar os usos de novas tecnologias, podendo gerar 
repercussões inesperadas ou, até mesmo, impactos nulos. Ao observar a 
implementação de ferramentas de mapeamento e análise estatística nos Estados 
Unidos, Manning (2011, p. 251), por exemplo, argumenta que, apesar das 
demandas por patrulhas mais eficientes, pouca coisa mudou, pois, “a penetração 
da tecnologia na rotina de trabalho depende totalmente da utilidade percebida 
[pelos policiais] na base”. 
 
Ou seja, se os policiais não compreendem a racionalidade por trás desses 
sistemas, podem evitar seu uso, resistindo às ordens de comando ou empregando 
estratégias em suas rotinas para adaptar a patrulha a outros padrões. Deste modo, 
a eficácia do sistema é reduzida. 
 
 
 
 
84 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Por outro lado, é comum também que policiais deleguem todo o trabalho de 
análise criminal para o software, tornando-se meros burocratas que seguem os 
ditames da máquina. Na medida em que isso ocorre, policiais perdem o 
conhecimento especializado que caracteriza o profissional de segurança pública, 
ficando sem a capacidade de avaliar criticamente os sistemas preditivos e propor 
correções de rumo. Assim, sem incorporar a experiência local, os sistemas 
algorítmicos podem apresentar mais dificuldade de adaptação. Isto é, não 
identificam padrões diversos, pois são incapazes de incluir novos parâmetros nos 
modelos preditivos. Uma disputa entre gangues ou mesmo estratégias 
concomitantes de policiamento impactam na dinâmica criminal e, se não se 
tornarem variáveis nos modelos matemáticos, podem gerar distorções. Há então o 
risco de os sistemas ficarem ultrapassados e produzirem resultados cada vez 
menos precisos, até se tornarem, porventura, obsoletos. 
É neste contexto que é possível diferenciar os softwares de policiamento 
preditivo das análises de evidências que são recomendadas para a produção de 
políticas de segurança pública de qualidade. As análises de dados diversos - da 
segurança pública e de outras áreas - são cruciais e requerem, por exemplo, ampla 
capacidade de processamento e interpretação de dados. Contudo, o que a maior 
parte dos pesquisadores aponta é que esta produção e análise de informações 
deve estar unida a uma ampla gama de conhecimentos dos profissionais da 
segurança pública, gestores e sociedade civil para que levem à construção de 
políticas que, ainda que possam falhar, passarão pelo crivo do debate e 
questionamento dos atores envolvidos. Podem, ainda, ser escrutinadas e ajustadas 
de forma mais transparente do que os softwares de predição permitem até o 
momento, e talvez tenham maior probabilidade de sucesso por incorporarem a este 
amplo processamento de grandes bases de dados elementos de conhecimento 
qualitativo com potencial para identificar e reverter as diversas tendências 
negativas que os softwares podem estar reproduzindo. 
 
 
 
 
 
85 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
FINALIZANDO 
 
Neste módulo, você aprendeu: 
 
 Sistemas de policiamento preditivos são uma contribuição aos 
métodos de análise estatística e cartográfica da atividade criminal. 
 Existem diversos modelos de policiamento preditivo, que podem ser 
divididos tanto pelo foco da predição (por exemplo, indivíduos 
propensos ao crime ou espaços criminógenos) quanto pelas técnicas 
algorítmicas empregadas. 
 Em geral, o trabalho de policiamento ostensivo faz uso de sistemas 
preditivos voltados para a identificação de padrões de distribuição 
espaço-temporal do crime (onde o crime se concentra em cada 
momento). 
 Não há consenso acerca do impacto de ferramentas preditivas na 
redução de crimes. Enquanto diversas pesquisas apontam efeitos 
positivos (em geral, financiadas pelas empresas que desenvolvem os 
sistemas), outras pesquisas apontam efeitos muito reduzidos ou 
nulos. 
 Críticos apontam que a maioria dos sistemas preditivos atualmente 
no mercado sofrem com “feedback loops”. Ou seja, são análises 
estatísticas comprometidas por vieses de origem das bases de 
registros criminais. Isso contribui também para que padrões 
discriminatórios de policiamento não sejam eliminados, mas 
reproduzidos pelos sistemas algorítmicos. 
 Os sistemas não devem ser empregados de forma automática. Para 
evitar que erros passem despercebidos e padrões discriminatórios 
sejam reproduzidos, é preciso que o analista criminal mantenha uma 
postura crítica em relação aos mapas apresentados pelos softwares. 
 
 
 
 
86 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
MÓDULO 4 - CÂMERAS CORPORAIS 
 
APRESENTAÇÃO 
Até o momento atual, mais de cento e cinquenta publicações se dedicaram 
à análise do impacto das câmeras corporais da polícia em suas atividades 
operacionais. O objetivo deste capítulo é fornecer um resumo crítico e conciso das 
principais conclusões retiradas da extensa literatura sobre as implicações mais 
significativas da adoção das câmeras corporais para o trabalho policial. Para ilustrar 
isso com exemplos, a literatura internacional demonstra que as câmeras corporais 
têm tido um efeito na redução de reclamações de conduta, tais como 
procedimentos administrativos e sindicâncias. 
Além disso, é importante destacar o que não foi observado. Por exemplo, 
várias suposições plausíveis foram minuciosamente investigadas, como a ideia de 
que as câmeras poderiam levar os policiais a adotar uma postura mais passiva. No 
entanto, essas conjecturas não encontraram respaldo nos dados disponíveis. 
 
OBJETIVOS DO MÓDULO 
 
 Conhecer e compreender os principais marcos da utilização das 
soluções de câmeras corporais em perspectiva histórica; 
 Refletir sobre a evolução da utilização de soluções de câmeras 
corporais enquanto inovações tecnológicas; 
 Conhecer o Projeto Nacional de Câmeras Corporais; 
 Para entender adequadamente a rica literatura sobre esse tema, é 
fundamental começar compreendendo a metodologia utilizada para 
avaliar o impacto dessas câmeras no passado. Isso nos permitirá 
distinguir entre evidências de qualidade variável, que vão desde baixa 
até alta qualidade, e identificar os problemas metodológicos que 
dificultaram a avaliação dessas políticas no passado. 
 
 
87 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
A seguir, apresentamos um resumo das principais descobertas da literatura 
em relação às diversas dimensões da atividade policial que podem ser afetadas 
pelo uso de câmeras corporais. Essas dimensões incluem, por exemplo, a redução 
de incidentes de uso excessivo da força, o impacto nas interações com o público e 
o aumento da responsabilidade e da transparência policial. 
 
Figura 16: Policiamento e Uso de Câmeras 
 
Fonte: MJSP 
 
 
ESTRUTURA DO MÓDULO 
 
Aula 1 - Histórico das câmeras corporais em segurança pública. 
Aula 2 - Metodologias utilizada e qualidade da avaliação. 
Aula 3 - Efeitos do uso de câmeras corporais. 
Aula 4 - Projeto Nacional de Câmeras Corporais. 
 
 
 
 
 
 
88 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
AULA 1. HISTÓRICO DAS CÂMERAS CORPORAIS EM SEGURANÇA PÚBLICA 
 
1.1 Definições sobre câmeras corporais 
 
As câmeras corporais ganharam atenção das organizações de segurança 
pública desde o início dos anos 2000. As inovações tecnológicas têm redefinido as 
formas de realização do policiamento em diferentes níveis e formas (Mattos, 2021). 
Desde a utilização de sistemas computacionais para a análise de dados, 
tecnologias de transmissão embarcada de dados, até a utilização de soluções nos 
próprios uniformes. Esse é o caso das câmeras corporais. De uma maneira geral e 
introdutória, esta seção apresentará uma visão geraldo uso de câmeras corporais 
ao longo do tempo, com foco em características centrais, como seu impacto, 
benefícios, desafios e principais estágios de desenvolvimento. 
 
 
 
Mas, antes de começarmos, você sabe o que são câmeras corporais? 
 
 
 
Tecnicamente, são dispositivos portáteis que captam registros audiovisuais 
(imagens e sons) das interações com o ambiente e outras pessoas e que são 
acoplados nos uniformes dos profissionais. As câmeras são comumente fixadas no 
colete, no capacete ou no ombro. Existem diferentes mecanismos de fixação e que 
influenciam a utilização dos equipamentos. As câmeras compõem um conjunto de 
soluções de gerenciamento, controle e compartilhamento dos registros. Essas 
soluções são comumente softwares desenvolvidos para garantir que os registros 
sejam confiáveis, auditáveis, úteis e seguros para os diferentes fins que serão 
utilizados. Ou seja, as câmeras são apenas parte das soluções de registro 
audiovisuais, devendo ser acompanhadas de instrumentos para manusear as 
evidências produzidas ao longo de sua utilização. 
Vamos Refletir 
 
 
89 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 17: Fixação no ombro 
 
Fonte: GEEKBLOG. 
 
 
 
Figura 18: Fixação no peito 
 
Fonte: City of Twin Falls Idaho. 
 
 
Existem diferentes tipos de câmeras, com designs e funcionalidades que 
variam de acordo com o fabricante. Além disso, essas características evoluem e se 
modificam ao longo do tempo. De uma forma geral, as câmeras apresentam 
funcionalidades principais como as descritas na imagem abaixo: teclas de volume, 
microfone, tecla de acionamento, tecla de início, lentes, porta usb, visores das 
gravações e teclas de manuseio dos registros. 
 
 
 
 
 
90 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 19: Tipo de câmera corporal 
 
Fonte: AXON, Tradução livre pela COED. 
 
 
 
A diversidade dos equipamentos disponíveis aumenta a necessidade de que 
sejam definidas diretrizes e procedimentos gerais a serem seguidos na 
implementação de câmeras corporais. De uma forma geral, os principais pontos a 
serem destacados incluem: 
 
Tabela 2: Tipos de categorias de diretrizes e exemplos de recomendações 
 
Item Descrição Exemplos 
Público-alvo 
Definições sobre as 
circunstâncias e os 
profissionais que 
utilizarão as câmeras 
corporais 
Todos os policiais em 
atividades de 
policiamento ostensivo 
ou 
Uso vedado durante 
operações de 
inteligência 
 
 
91 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Posicionamento no 
uniforme 
Descrição inequívoca 
dos locais de fixação 
dos equipamentos de 
registro 
Os equipamentos 
deverão ser fixados na o 
centro da parte superior 
do colete de proteção 
balística 
Direitos de 
privacidade 
Circunstâncias e limites 
na utilização dos 
equipamentos 
Vedação da utilização 
em situações que 
exponham a 
constrangimento de si 
ou de outrem; ou 
Durante a realização 
de refeições ou 
necessidades 
fisiológicas, os 
equipamentos deverão 
ser removidos mediante 
informação prévia ao 
supervisor imediato 
Protocolo de Registro 
Definições sobre 
quando os profissionais 
devem ou não registrar 
as interações; como 
deve ser o aviso sobre a 
gravação 
Todas as interações 
deverão ser registradas; 
ou 
As interações que 
envolvam ocorrências 
policiais deverão ser 
registradas em nível 
mais elevado de 
qualidade; ou 
Antes do início do 
registro, o profissional 
deverá avisar as demais 
pessoas da interação 
 
 
92 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Armazenamento 
Definições sobre as 
características do 
armazenamento dos 
registros audiovisuais 
(por exemplo, o tempo e 
a qualidade do 
armazenamento) 
Todos os registros 
serão armazenados por 
período mínimo de 60 
dias; ou 
Os registros de 
ocorrências que 
envolvam uso da força 
deverão ser 
armazenados por 
período mínimo de 1 
ano. 
Integridade dos dados 
 
 
 
 
 
 
 
Definições sobre os 
critérios de acesso, as 
regras de custódia e de 
compartilhamento dos 
registros audiovisuais 
O acesso ao sistema 
de evidência de 
registros das câmeras 
corporais será realizado 
mediante login e senha, 
de acordo com a 
necessidade 
institucional; ou 
O compartilhamento 
de registros 
audiovisuais será 
autorizado mediante 
solicitação formal 
deferida pelo 
responsável de gestão 
de inteligência da 
organização, sendo 
concedida prioridade às 
solicitações do 
Ministério Público, 
 
 
93 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Tribunais e Defensorias 
em casos em curso. 
Treinamento 
Diretrizes sobre os 
conteúdos e as rotinas 
de treinamento na 
formação e capacitação 
continuada para 
operação das soluções 
de registro tecnológico 
Apenas profissionais 
previamente treinados 
para operação das 
soluções tecnológicas e 
na doutrina de uso 
diferenciado da força 
poderão utilizar câmeras 
corporais 
Avaliação de impacto 
 
 
Definições sobre 
formas e instrumentos 
de avaliação das 
medidas de 
implementação e 
operacionalização das 
câmeras corporais 
O programa de 
câmeras corporais 
deverá ser avaliado 
anualmente e de forma 
independente quanto ao 
impacto sobre as 
interações com a 
população, à 
produtividade da 
organização e às 
percepções dos 
profissionais 
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Miller et al (2014). 
 
1.2 Linha de tempo das câmeras corporais em segurança pública 
 
Agora que já sabemos a definição das câmeras corporais e conhecemos os 
principais tipos de diretrizes das organizações, passaremos ao seu histórico de 
utilização em segurança pública. Para isso, propomos a divisão em três momentos 
distintos: o período inicial (1995-2005), o período experimental (2006-2015) e o 
período de expansão (2016 até os dias atuais). 
 
 
94 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
A. Período inicial (1995-2005) 
 
O uso das câmeras corporais começou no final da década de 1990, com o 
primeiro caso documentado no Reino Unido (GOODALL, 2007). A polícia de Devon 
e Cornwall começou a fazer experimentos com esses dispositivos em 1998. Já em 
2005, foram realizados os primeiros estudos piloto em Plymouth, na Inglaterra 
(HARRIS, 2010). De uma maneira geral, as câmeras corporais podem ser 
compreendidas a partir de sua relação com as câmeras de circuitos fechados de 
televisão (CFTV) e as câmeras embarcadas em viaturas (dashcams). Nesse 
sentido, as câmeras corporais são uma extensão do objetivo de registrar o trabalho 
policial e, especialmente, as suas interações cotidianas de forma mais próxima, 
contínua e detalhada. Nesse período inicial, a utilização das câmeras corporais foi 
registrada de forma ainda incipiente em polícias do Reino Unido. As suas 
características eram ainda limitadas. A qualidade das gravações não permita o 
detalhamento dos registros e a geolocalização. 
 
B. Período experimental (2006-2014) 
 
No início dos anos 2000, vários departamentos de polícia nos Estados 
Unidos e no Reino Unido realizaram programas-piloto para testar a eficácia das 
câmeras corporais. Esses testes iniciais tinham como objetivo avaliar seu impacto 
no comportamento dos policiais, nas interações com os cidadãos e na coleta de 
evidências para processos criminais. Esse período ficou conhecido pelo avanço 
tecnológico e o acúmulo de evidências de estudos científicos. Em relação ao 
avanço tecnológico, os equipamentos se tornaram mais leves, seguros e 
acumularam novas funcionalidades, como a capacidade de transmissão de dados 
por rede de dados telefônicos, a geolocalização e o rastreamento, a transmissão 
em tempo real de áudio e vídeo, além de características de segurança, como a 
criptografia ponta a ponta das comunicações. Em particular esse último aspecto 
está relacionado às condições de integridade das evidências em casos criminais. 
 
 
95 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Por outrolado, o crescente acúmulo das evidências de estudos científicos 
mostrou uma incomum realidade em políticas públicas na área de segurança: a 
quantidade e a qualidade dos dados para subsidiar a elaboração de novas medidas 
por agências governamentais. Nem sempre foi assim. Por vezes, na ausência de 
informações qualificadas, as organizações de segurança pública iniciavam a 
implantação das câmeras corporais sem evidências sobre os resultados possíveis 
das novas tecnologias. Em última medida, não se sabia ao certo se as câmeras 
poderiam atender às elevadas expectativas geradas em torno do aumento da 
transparência, controle e accountability das polícias. As evidências científicas são 
elementos decisivos para a tomada de decisão em políticas públicas e, em relação 
às câmeras corporais, o cenário é bastante promissor. Por exemplo, a imagem 
abaixo reproduz a quantidade de estudos existentes e analisados a partir das 
principais revisões sistemáticas na área (BWC TTA, 2023; LUM et al., 2019, 2015; 
MASKALY et al., 2017; WHITE, 2014). 
 
Figura 20: Resumo de referências sobre câmeras corporais em série histórica 
 
 
Fonte: do conteudista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
White 
(2014): 
5 
estudos
Lum et 
al 
(2015): 
14 
estudos
Maskaly 
(2017): 
24 
estudos
Lum et 
al 
(2019): 
70 
estudos
BWC 
TTA 
(2023) 
137 
estudos
 
 
96 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
C. Período de expansão (2015 até os dias atuais) 
 
A partir de meados dos anos 2000, as câmeras corporais ganharam 
popularidade entre organizações de segurança pública em todo o mundo. Nesse 
período, as câmeras passaram a fazer parte das rotinas dos policiais e a compor o 
seu conjunto de equipamentos básicos. O rápido avanço das câmeras corporais 
está associado ao papel do Governo Barack Obama na área de segurança Pública. 
Na época foi instituída uma comissão composta por acadêmicos, gestores e 
policiais para propor mudanças no modelo de policiamento do país. Uma das 
políticas incentivadas foi a adoção das câmeras corporais. 
 
 
 
A Força-Tarefa Presidencial para o Policiamento do Século XXI, 
criada pelo Presidente Barack Obama em dezembro de 2014, 
desempenhou um papel significativo na formação de políticas de 
aplicação da lei, incluindo a adoção de câmeras corporais nos Estados 
Unidos. A força-tarefa tinha como objetivo fortalecer o policiamento 
comunitário e a confiança entre as agências de aplicação da lei e as 
comunidades que elas atendiam. De forma retrospectiva, os principais 
fatos sobre a Força-Tarefa foram: 
1. Criação da força-tarefa (dezembro de 2014): em resposta a 
casos de violência policial, o Governo Federal dos EUA criou a Força-
Tarefa para identificar as melhores práticas e fazer recomendações 
para aprimorar as estratégias de policiamento, a responsabilização e a 
transparência das organizações policiais. Um dos casos mais 
conhecidos foi a morte de Michael Brown, em Ferguson, no Estado de 
Missouri em agosto de 2014. 
2. Divulgação do relatório da força-tarefa (maio de 2015): A força-tarefa 
divulgou seu relatório final em maio de 2015, delineando recomendações 
Saiba mais 
 
 
97 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
abrangentes para as polícias. Uma das principais recomendações foi a 
implementação de câmeras corporais como uma ferramenta para aumentar a 
transparência, a responsabilidade e a confiança da comunidade nas polícias. 
3. Financiamento e apoio federal (2015-2016): em resposta às 
recomendações da força-tarefa, o Departamento de Justiça (DOJ) forneceu 
financiamento e apoio às polícias em todo o país para ajudá-los a adquirir e 
implementar programas de câmeras corporais. No lançamento do programa, 
o Governo Federal dos EUA destinou 75 milhões de dólares para a 
implementação de mais de 50 mil câmeras corporais em todo o país (WHITE; 
MALM, 2020). 
 
A expansão nos Estados Unidos foi rapidamente captada em estudos 
científicos. De acordo com levantamento realizado em 2015 pelo Police Executive 
Research Forum mais de 35% dos chefes de polícia que responderam ao 
questionário já possuíam programas de câmeras corporais, sendo que 47% 
registraram o planejamento de implementar no futuro (FORUM, 2018). Logo, mais 
de 80% das polícias tinham ou planejavam adquirir câmeras corporais nos Estados 
Unidos em 2015. Segundo dados de levantamento realizado em 2015, cerca de 
135.000 câmeras corporais foram vendidas para organizações policiais no mundo, 
principalmente na Europa Ocidental e nos Estados Unidos (Flight, 2019). 
No Brasil, as câmeras corporais também avançaram de forma rápida nesse 
período. Não se sabe exatamente, qual foi a organização de segurança pública 
brasileira que iniciou a utilização de câmeras corporais. Contudo, as principais 
iniciativas de implementação e avaliação de resultados foram conduzidas no Rio 
de Janeiro (MAGALONI et al., 2019), em Santa Catarina (BARBOSA et al., 2021) e 
em São Paulo (MONTEIRO et al., 2022). Segundo levantamento realizado pela 
Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça e 
Segurança Pública (MJSP) em agosto de 2023, 26 das 27 unidades da federação 
realizavam testes ou estudos ou já possuíam projetos de câmeras corporais em 
curso (MATTOS; MACEDO; BRASIL, 2023). 
 
 
 
98 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 2. METODOLOGIAS UTILIZADAS E QUALIDADE DA AVALIAÇÃO 
 
Há na literatura uma ampla quantidade de estudos sobre câmeras corporais, 
em sua maioria realizados em contextos em países desenvolvidos como os Estados 
Unidos ou Reino Unido. É seguro dizer que os contextos nos quais as câmeras são 
inseridas diferiram, nestes estudos iniciais, da relevância do caso brasileiro ou de 
outros países em desenvolvimento, em particular nos quais os desafios de 
policiamento são maiores e mais complexos do que naqueles onde as câmeras 
haviam anteriormente sido avaliadas. 
Além da importância de o contexto requerer estudos em múltiplos locais, é 
importante ressaltar que a metodologia dos estudos foi, no passado, díspar. 
Em linhas gerais, os estudos podem ser divididos em três grandes 
categorias: 
 
A. Sem grupo de controle e/ou testes estatísticos: 
Para avaliar adequadamente o impacto das câmeras corporais, é 
fundamental estabelecer um grupo de controle, que atua como um ponto de 
referência para entender o que teria acontecido em ocorrências policiais ou 
em atividades da corporação caso as câmeras não tivessem sido usadas. 
Claro que medir diretamente esse cenário alternativo é impossível, já que se 
trata de uma suposição sobre uma situação que não ocorreu - ou seja, o que 
teria acontecido nas ocorrências com câmeras se as câmeras não tivessem 
sido utilizadas. Em resumo, o grupo de controle possibilita a reconstrução 
desse cenário alternativo e, em muitos casos, permite identificar o efeito das 
câmeras. 
No entanto, existem estudos que não conseguem estabelecer um 
cenário de controle claro. Isso significa que não é possível afirmar com 
segurança o que teria ocorrido na ausência das câmeras, ou seja, qual seria 
o efeito das câmeras. Um exemplo disso são os estudos que comparam os 
resultados "antes" e "depois" da adoção das câmeras. Esses estudos não 
 
 
99 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
incluem um grupo de controle efetivo, porque não é possível determinar o que 
teria ocorrido no período "depois" se as câmeras não tivessem sido utilizadas. 
Para ilustrar esse ponto, considere o caso em que câmeras corporais 
são adotadas para o patrulhamento em áreas turísticas logo antes do verão. 
Sabe-se que há um padrão sazonal no comportamento dos turistas, com mais 
visitantes durante os meses mais quentes e isso está relacionado à atividade 
criminal nessas áreas. Ou seja, existe uma variação sazonal na atividade 
criminosa que não está diretamente ou indiretamente ligada às câmeras 
corporais. No entanto, se fizermos uma comparação "antes-depois"após a 
adoção das câmeras, é possível que sejam detectados aumentos na 
criminalidade. No entanto, esses efeitos são, na verdade, coincidentes com o 
padrão sazonal, e não causados pelas câmeras. Em outras palavras, a 
comparação "antes-depois" não permite construir um cenário de controle para 
entender o que teria ocorrido durante o verão caso as câmeras não tivessem 
sido utilizadas, pois não controla os efeitos sazonais e não permite separá-los 
do efeito das câmeras. 
Outra situação que dificulta a criação de um grupo de controle é 
conhecida como o problema de seleção. Isso ocorre quando indivíduos ou 
grupos optam por adotar uma política (como o uso de câmeras) com base em 
seus próprios interesses, características ou expectativas de resultados. Para 
ilustrar esse desafio metodológico, considere a seguinte situação: suponha 
que batalhões em áreas com alta atividade criminal decida usar câmeras 
corporais por conta própria, enquanto outros batalhões recebem essa decisão 
de forma externa, por exemplo, por ordem do comando central da Polícia 
Militar. Em ambos os casos, ao comparar batalhões com e sem câmeras, 
poderia ser erroneamente sugerido um aumento na criminalidade quando as 
câmeras são usadas. Isso ocorreria porque, nesse cenário hipotético, as 
câmeras teriam sido alocadas aos batalhões localizados em áreas mais 
violentas e não porque as câmeras aumentaram a criminalidade nesses 
locais. Em outras palavras, os batalhões sem câmeras não seriam um grupo 
de controle apropriado. 
 
 
100 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Além disso, existem outras razões que constituem problemas 
metodológicos, como estudos que não realizam os testes estatísticos 
apropriados, tornando impossível determinar se as diferenças observadas 
podem ser atribuídas às câmeras ou a flutuações estatísticas. 
Por fim, muitos trabalhos fazem uso de dados agregados, que são 
resumos estatísticos de informações mais detalhadas. Em contraste, os 
"microdados" são observações individuais detalhadas. Por exemplo, para 
avaliar o impacto das câmeras na atividade criminal, os dados agregados 
seriam o número de crimes registrados em uma determinada área geográfica 
em um determinado período. No entanto, os microdados incluiriam 
informações detalhadas de cada incidente criminal. O uso de microdados 
oferece vantagens, como maior precisão estatística devido ao tamanho da 
amostra maior e a capacidade de controlar para efeitos contextuais e 
sazonais. 
 
 
B. Estudos experimentais ou quase-experimentais com problema de 
contaminação: 
Muitos estudos nesta categoria adotam abordagem experimentais, isto 
é, a determinação aleatória sobre um grupo de tratamento e um grupo de 
controle. Este tipo de estudo é conhecido como "estudo de controle aleatório" 
e é o padrão-ouro na avaliação de políticas públicas. Em linhas gerais, os 
estudos de controle aleatório permitem estabelecer o efeito de políticas com 
maior confiança porque controlam para efeitos de seleção. Isto ocorre porque 
a designação de quais unidades utilizam as câmeras corporais se dá por meio 
aleatório e, por isso, não é contaminada por fatores externos (como, no 
exemplo acima, a correlação entre designação de câmeras e intensidade da 
atividade criminal). 
Alguns estudos nesta categoria utilizam abordagens quase-
experimentais. Esse termo é empregado quando os pesquisadores não 
aplicam diretamente um processo de aleatorização, mas em vez disso, fazem 
 
 
101 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
uso de fontes de variação que ocorrem naturalmente e que podem ser 
exploradas para fins de pesquisa. 
Em outras palavras, em um estudo quase-experimental, os 
pesquisadores não têm controle direto sobre a atribuição das condições de 
estudo, como no caso de um experimento randomizado típico, onde os 
participantes são aleatoriamente designados para grupos de tratamento e 
controle. Em vez disso, eles observam situações da vida real onde as 
condições variam de forma não planejada, usam essa variação natural para 
tirar conclusões sobre os efeitos da intervenção, como o uso de câmeras 
corporais. 
Essa abordagem permite que os pesquisadores investiguem o impacto 
das câmeras em um ambiente do mundo real, embora não tenham controle 
completo sobre a alocação das câmeras. Embora não seja tão rigorosa quanto 
a aleatorização, a abordagem quase-experimental ainda fornece evidências 
valiosas sobre os efeitos das câmeras corporais em situações em que a 
aleatorização completa não é viável. 
Embora esses estudos ofereçam promissoras oportunidades de 
pesquisa, frequentemente enfrentam problemas metodológicos que 
complicam a avaliação precisa do impacto das câmeras. Esses problemas são 
conhecidos como efeitos de contaminação e podem assumir várias formas, 
como ilustrado a seguir. 
Vamos supor que um pesquisador selecione aleatoriamente alguns 
policiais para usar câmeras e outros para não usar. No contexto de estudos 
experimentais, o primeiro grupo é chamado de grupo de tratamento, enquanto 
o segundo é chamado de grupo de controle. Suponha que o pesquisador 
deseje avaliar se as câmeras corporais afetam o uso da força policial. Nesse 
cenário, é muito provável que a comparação entre o uso de força pelos 
policiais no grupo de tratamento e no grupo de controle não revele o 
verdadeiro efeito das câmeras, devido a problemas de contaminação. 
Isso acontece porque, na maioria dos casos, o atendimento a 
ocorrências não é feito por um único policial. Na realidade, muitas Polícias 
 
 
102 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Militares operam com guarnições compostas por um par de policiais. Suponha 
que nessa guarnição hipotética haja um policial no grupo de tratamento (com 
câmera) e outro no grupo de controle (sem câmera). Nessa situação, é 
evidente que toda a dinâmica operacional será afetada pela presença de pelo 
menos uma câmera. Portanto, o policial no grupo de controle também está 
indiretamente exposto à influência das câmeras, já que a situação em que ele 
se encontra é amplamente afetada pelo uso do dispositivo. O resultado 
estatístico é que a comparação entre o grupo de tratamento e o grupo de 
controle pode não refletir o verdadeiro impacto das câmeras. Isso pode 
ocorrer mesmo que as câmeras sejam dispositivos que, em teoria, reduzam o 
uso da força. O que acontece nesse caso é que a diferença entre o grupo de 
tratamento e o grupo de controle não é representativa do efeito real do uso de 
câmeras, uma vez que ambos os grupos sofreram, mesmo que de forma 
indireta, com o uso do equipamento. 
Uma outra variação do problema de contaminação ocorre quando o uso 
da câmera é aleatorizado entre diferentes turnos de um mesmo policial, 
alternando entre turnos de tratamento (com câmera) e turnos de controle (sem 
câmera). Nesse caso, a preocupação é que o policial passe a se comportar 
de maneira diferente mesmo nos turnos em que não estiver portando a 
câmera, devido a efeitos relacionados à memória e atrasos. Esse efeito 
sugere que os turnos de controle não seriam um contrafactual adequado para 
os turnos de tratamento na ausência do uso da câmera. 
 
C. Sem grupo de controle e/ou testes estatísticos: 
Esse tipo de estudo visa controlar os efeitos de contaminação, existem 
duas abordagens principais para fazê-lo: 
Em contextos experimentais, a abordagem ideal é considerar a unidade 
de análise como sendo a própria ocorrência em si, em vez de focar nos 
policiais individuais ou nos turnos de trabalho dos policiais. Isso ocorre porque 
é intuitivo pensar que a presença de pelo menos uma câmera em uma 
situação pode afetar todos os policiais envolvidos e até mesmo as interações 
 
 
103 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
com os cidadãos. Para implementar essa abordagem, é necessário utilizar 
dados detalhados e granulares ou agregar os dados de forma cuidadosa, de 
modo a não propagar os efeitosde contaminação. Um exemplo disso é o 
desenho experimental adotado para avaliar o uso das câmeras corporais no 
Estado de Santa Catarina (Barbosa, Fetzer, Soto e Souza, 2022), que será 
discutido posteriormente na seção que aborda os estudos realizados no 
Brasil. 
A segunda abordagem pode considerar que todas as unidades dentro 
de uma determinada área geográfica (por exemplo, um batalhão) sejam 
tratadas de maneira uniforme, ou seja, todas adotam o uso das câmeras. Essa 
abordagem pode ser viável quando não há interações frequentes entre as 
diferentes áreas geográficas (por exemplo, quando as guarnições de um 
batalhão atendem principalmente ocorrências dentro desse mesmo batalhão). 
Em certas condições específicas, essa abordagem pode permitir a 
identificação dos efeitos das câmeras. Isso é exemplificado nos estudos 
realizados em São Paulo. (Monteiro, Fagundes, Guerra, e Piquet, 2022; 
Monteiro, Fagundes e Souza, 2023) 
Essas duas abordagens buscam minimizar os problemas de 
contaminação ao considerar a unidade apropriada de análise e as condições 
específicas de interação entre as unidades geográficas, tornando possível a 
avaliação mais precisa dos efeitos das câmeras corporais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
104 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 3. EFEITOS DO USO DE CÂMERAS CORPORAIS 
 
A partir da leitura da literatura, pode-se dizer que, até a presente data, já há 
consenso sobre algumas áreas nas quais as câmeras têm efeitos comprovados, 
outras onde há comprovação da ausência de efeitos e dimensões nas quais o efeito 
não foi comprovado e necessita de estudos posteriores. 
 
A seguir, estes efeitos serão revisados, um a um, de acordo com a 
literatura internacional: 
 
 Acionamento e Protocolo: 
A primeira medida de resultado no uso de câmeras corporais diz 
respeito à sua ativação durante interações entre policiais e cidadãos. Nesse 
aspecto, há uma considerável variação entre diferentes contextos, casos e 
protocolos de ativação. Para ilustrar essa diversidade, apresentaremos alguns 
exemplos. 
Em Phoenix, durante o período de 2010 a 2015, evidências iniciais 
sugeriram que a gravação ocorria em uma faixa que variava entre 13,2% e 
42% dos incidentes (Katz et al., 2015; Hedberg, Katz e Choate, 2017). Em 
Londres, no Reino Unido, estudos prévios indicaram que cerca de 42% dos 
policiais registravam pelo menos dez vídeos em um mês (Grossmith et al., 
2015). Em contraste, um estudo em Santa Catarina (Barbosa, Fetzer, Soto e 
Souza, 2022), realizado antes da implementação das câmeras corporais em 
todo o estado, relatou uma taxa de ativação de aproximadamente 23%. Essa 
variação significativa se deve, em parte, aos diferentes protocolos de ativação 
adotados pelas várias agências policiais. 
Um dos protocolos mais abrangentes atualmente é aquele que envolve 
a gravação contínua durante todo o turno de serviço, como ocorre no projeto 
Olho Vivo em São Paulo. Nesse caso, as câmeras gravam vídeo de forma 
ininterrupta, e o acionamento manual é necessário para registrar o áudio, 
 
 
105 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
aumentar a qualidade e resolução do vídeo ou marcar pontos específicos. Em 
contraste, o protocolo atual em Santa Catarina é misto, com ativação 
automática quando a guarnição está em deslocamento para atender a uma 
ocorrência, acionada por um sinal eletrônico enviado para as câmeras. Por 
outro lado, algumas agências policiais adotam um protocolo de ativação 
manual durante interações entre policiais e cidadãos. Nesse cenário, há 
diretrizes claras que exigem a gravação em certos cenários, mas o 
acionamento propriamente dito ainda é feito manualmente pelo policial. 
 
Essa diversidade de protocolos de ativação contribui para as diferenças 
nas taxas de acionamento das câmeras corporais e, consequentemente, 
impacta a quantidade e a qualidade dos dados de vídeo disponíveis para 
análise em estudos sobre o uso desses dispositivos. Outros protocolos, 
embora não recomendáveis, deixam o acionamento das câmeras à 
discricionariedade completa dos policiais. 
 
 
Uso de Força: 
Vários estudos têm analisado o impacto das câmeras corporais na 
incidência de uso de força policial. Alguns desses estudos não encontraram 
efeito significativo, mas em muitos casos, esses resultados estão associados 
a estudos experimentais ou quase-experimentais que enfrentam problemas 
de contaminação. Isso significa que esses estudos podem oferecer 
informações limitadas sobre o verdadeiro impacto do uso das câmeras no uso 
da força policial. 
No entanto, nos estudos que conseguem controlar adequadamente o 
efeito de contaminação, especialmente no contexto brasileiro, é possível 
afirmar com segurança que as câmeras corporais têm um impacto muito 
significativo na redução do uso de força. Por exemplo, em um estudo realizado 
em Santa Catarina, que adotou uma definição abrangente de uso de força 
abrangendo todas as variações, desde as menos letais até as mais letais, foi 
 
 
106 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
observada uma redução de 61,2% no uso de força em ocorrências registradas 
com câmeras corporais (Barbosa, Fetzer, Soto e Souza, 2022). Em São Paulo, 
outro estudo revelou uma redução de 57,1% na letalidade policial, além de 
uma diminuição ainda mais expressiva na vitimização de pessoas negras, 
chegando a 79,1%. Além disso, estima-se que as lesões corporais resultantes 
de intervenção policial tenham diminuído em cerca de 62,3%. (Monteiro, 
Fagundes, Guerra, e Piquet, 2022; Monteiro, Fagundes e Souza, 2023) 
É importante notar que a redução no uso de força não necessariamente 
implica uma diminuição no uso de força abusiva ou excessiva pela polícia. Os 
resultados desses estudos podem ser explicados, em parte, pela redução do 
uso de força dentro dos limites estabelecidos pelos protocolos de operação 
policial. Isso pode ocorrer se as câmeras induzirem um comportamento mais 
pacífico por parte de todos os envolvidos ou se houver uma maior 
conformidade com os protocolos existentes. É provável que os efeitos 
observados nos estudos de Santa Catarina e São Paulo sejam resultado de 
uma combinação de fatores, incluindo a redução da força em situações 
previstas pelo protocolo, mas que anteriormente envolviam força 
desproporcional (excesso de força), bem como o uso de força em situações 
não previstas pelo protocolo (abuso de força). 
Por fim, é importante destacar que as câmeras corporais também têm 
demonstrado eficácia na redução do uso de força policial em situações de 
baixo risco. Isso sugere que essas câmeras desempenham um papel crucial 
na prevenção do escalonamento de situações potencialmente perigosas. 
Além disso, há evidências sólidas de que as câmeras são particularmente 
eficazes em áreas onde o uso de força era previamente elevado antes de sua 
implementação, apontando para efeitos positivos de redistribuição ao longo 
do tempo no patrulhamento policial. 
 
 
 
 
 
 
107 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
 Vitimização do policial: 
Até o momento, não existem estudos conclusivos sobre esse tópico, 
tanto no Brasil quanto internacionalmente. A literatura apresenta resultados 
variados, com alguns estudos apontando para efeitos substanciais, como uma 
redução na vitimização do policial em até 60%, enquanto outros não 
encontram nenhum efeito significativo ou produzem resultados incertos (Kim, 
2020). Essa diversidade de resultados pode ser atribuída a diferentes 
metodologias utilizadas nos estudos, bem como a questões de contaminação 
metodológica, como mencionado anteriormente. 
Embora a questão da vitimização dos policiais ainda não tenha sido 
totalmente esclarecida na literatura, é seguro afirmar que situações que 
envolvem o uso de força tendem a representar um risco mais elevado também 
para os policiais. Portanto, a redução no uso de força, quando ocorre, pode 
estar associada a um possívelefeito protetor para os policiais, embora mais 
pesquisas sejam necessárias para compreender completamente essa 
dinâmica. 
 
 
Reclamações de conduta: 
Existe um consenso na literatura de que o uso de câmeras corporais 
por policiais reduz significativamente o número de reclamações contra a 
conduta policial, em torno de 50%. Essa redução é geralmente considerada 
substancial e duradoura. 
Essa diminuição no número de reclamações pode ser interpretada de 
várias maneiras. Uma explicação possível é que a presença das câmeras 
esteja desencorajando reclamações falsas contra a conduta policial, o que é 
uma preocupação comum em muitas instituições policiais e órgãos de 
segurança pública. Em alguns casos, reclamações falsas podem ser usadas 
como forma de pressão ou intimidação contra a polícia. Além disso, os vídeos 
registrados pelas câmeras podem esclarecer mal-entendidos sobre a conduta 
 
 
108 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
policial, levando a uma redução nas reclamações. Por fim, a redução nas 
reclamações também pode ser resultado do cumprimento mais rigoroso dos 
protocolos de conduta policial quando as câmeras estão em uso. 
É importante ressaltar que estudos anteriores, principalmente nos 
Estados Unidos (Braga et al., 2017), analisaram o custo-benefício das 
câmeras corporais em relação às reclamações de conduta. Embora seja 
relativamente fácil quantificar os custos associados à aquisição e operação 
das câmeras, os benefícios são multifacetados e difíceis de serem traduzidos 
em termos monetários. No entanto, esses estudos sugerem que a redução 
nas reclamações de conduta, juntamente com a aceleração dos processos de 
investigação quando as reclamações ocorrem, pode ser suficiente para cobrir 
os custos associados à implementação das câmeras. Isso ocorre porque as 
reclamações de conduta geralmente desencadeiam investigações que 
consomem recursos, como o tempo dos funcionários encarregados de 
conduzi-las. 
 
 
 Investigações e classificação de ocorrências: 
Evidências recentes sugerem que o uso de câmeras corporais por 
policiais tem um impacto significativo na maneira como os eventos são 
registrados e classificados. Um estudo baseado em dados de Santa Catarina, 
conduzido por Barbosa, Fetzer, Soto-Vieira e Souza (2022), demonstra que a 
quantidade de casos não classificados cai em cerca de 6% quando as 
câmeras estão em uso. Além disso, os pesquisadores analisaram quais tipos 
de ocorrências passaram a ser mais frequentemente registrados e 
identificaram um aumento notável nos casos de violência doméstica, 
totalizando um aumento de 69% em relação aos casos em que as câmeras 
não foram utilizadas. Esses resultados sugerem que a presença das câmeras 
melhora a qualidade e a precisão dos dados registrados. 
É importante destacar que a classificação adequada das ocorrências é 
fundamental para várias finalidades, como identificar áreas de alto risco, 
 
 
109 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
conscientizar as autoridades policiais sobre padrões de ocorrências e, por fim, 
desenvolver e implementar políticas direcionadas para a segurança da 
população em situações específicas. Efeitos semelhantes foram observados 
em estudos realizados em São Paulo, onde o aumento na incidência de dados 
relatados sobre violência doméstica foi ainda maior, correspondendo a um 
aumento de mais de 100%. 
Esses estudos, tanto no Brasil quanto em outros lugares, sugerem que 
o uso das câmeras corporais pode levar a um aumento na frequência com que 
as ocorrências são encaminhadas para órgãos de investigação, como a 
Polícia Civil no caso brasileiro. A magnitude desse efeito foi estimada em 
cerca de 9% no caso de Santa Catarina. Em São Paulo, observou-se um 
aumento substancial nos casos de porte ilegal de drogas e armas. No entanto, 
essa tendência também levanta preocupações em relação ao potencial 
aumento na carga de trabalho e nas demandas logísticas para outras 
entidades de segurança pública, além da possibilidade de criminalizar casos 
de menor gravidade, como pequenos portes de drogas. Portanto, é 
fundamental monitorar os efeitos secundários do uso das câmeras nas demais 
agências de segurança pública e, a partir desse ponto, considerar ajustes nas 
regras, regulamentos, protocolos e leis para mitigar esses possíveis riscos. 
 
 
 Passividade e despoliciamento: 
Inicialmente, havia preocupações de que o uso de câmeras corporais 
poderia ter efeitos indesejados, como levar os policiais a patrulharem áreas 
diferentes ou adotarem uma postura mais passiva durante o serviço. Por 
exemplo, acredita-se que os policiais com câmeras poderiam escolher atuar 
em áreas onde há menos ocorrências de uso da força, ao contrário da ideia 
de que o uso da força seria reduzido sem mudanças no local de 
patrulhamento. Para avaliar essa possibilidade, vários estudos analisaram a 
localização das patrulhas com e sem câmeras corporais, usando dados de 
GPS, por exemplo. 
 
 
110 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Os estudos, em geral, concluem que as câmeras corporais não 
afetaram o local de patrulhamento dos policiais. Não houve diferenças 
significativas nas coordenadas geográficas, no tempo de resposta às 
ocorrências, ou nas características das áreas patrulhadas, como a frequência 
de uso da força antes da adoção das câmeras corporais ou a renda das áreas. 
Portanto, não foi encontrada evidência de que as câmeras corporais 
levam a um fenômeno conhecido na literatura como "despoliciamento", onde 
os policiais, devido ao uso das câmeras, reduzem seu envolvimento ou 
esforço, por medo ou preocupação de que suas ações não sejam 
interpretadas adequadamente nas gravações. Pelo contrário, a evidência 
apresentada, como o aumento nas investigações e na classificação de 
ocorrências, sugere que, se houver algum efeito, ele é de aumento na 
atividade policial quando as câmeras corporais estão em uso. 
 
 
 Demais efeitos: legitimidade e confiança na polícia e acesso à Justiça: 
É seguro dizer que, apesar do número de trabalhos já existentes na 
literatura, o estudo sobre o efeito de câmeras corporais policiais ainda não se 
exauriu. Entre as margens que merecem destaque na literatura futura, 
ressaltam-se os efeitos sobre legitimidade e confiança na polícia, efeitos sobre 
o sistema judiciário, e corrupção policial. Ainda se carece de estudos nestas 
áreas por dificuldades de diversas ordens. 
É seguro afirmar que câmeras corporais policiais tem como principal 
foco o estabelecimento e fortalecimento das relações entre polícia e 
sociedade, instigando a confiança da população nas forças do Estado; e 
transmitindo legitimidade e legalidade às suas ações. Estudos preliminares 
apoiam esta noção: Grossmith et al (2015) sugere forte apoio da população 
londrina, atingindo mais de 90% de concordância como frases tais como 
"câmeras me asseguram que a polícia faz a coisa certa.” Números similares 
foram reportados em outros locais, como no estado norteamericano de 
Washington (White, Todak, Gaub, 2016), e redução de menções negativas 
 
 
111 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
relativas à polícia em mídias sociais (Kim, 2020). Em todo caso, neste tópico, 
apesar de contar com evidências sugestivas, ainda tem espaço para a 
produção de evidências no Brasil. 
Ademais, os efeitos no sistema judiciário são intuitivos e 
potencialmente claros: é razoável supor que as câmeras, além de um 
dispositivo policial, têm efeito em cascata no sistema judiciário na medida que 
os dispositivos geram vídeos com valor comprobatório. Os efeitos se dão em 
múltiplas dimensões, dado que a produção de vídeos não apenas aumenta a 
produção de evidências, mas também provê celeridade aos processos e, em 
alguns casos, pode tornar o andamento dos processos mais eficientes. No 
entanto, estudos existentes esbarram na dificuldade técnica de traçar todo o 
trajeto que começano atendimento de uma ocorrência até o sistema judiciário. 
Sendo assim, mais estudos são necessários para compreender os efeitos 
nesta dimensão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
112 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 4. PROJETO NACIONAL DE CÂMERAS CORPORAIS 
 
No contexto nacional, o Ministério da Justiça e Segurança Pública tem 
conduzido o Projeto Nacional de Câmeras Corporais. Trata-se de uma política 
pública que tem como objetivo geral o estímulo à profissionalização das 
organizações de segurança pública por meio da melhoria de processos de proteção 
dos profissionais, treinamento, doutrina operacional, comunicação e controle, 
impulsionados pela utilização de soluções de gestão e registro audiovisuais. Com 
isso, espera-se ainda: 
 
1 melhorar a legitimidade e a transparência das organizações; 
2 proteger profissionais e cidadãos em suas interações cotidianas; 
3 qualificar as evidências criminais tornando mais efetiva a persecução 
criminal; 
4 oferecer melhores condições de controle formal e informal e prestação 
de contas das organizações; 
5 estimular o reconhecimento social e a confiança nas organizações. 
 
Para tanto, estão em curso atividades de sete eixos distintos de estruturação 
do Projeto Nacional de Câmeras Corporais. São processos que, em conjunto, 
convergem para o atingimento dos objetivos citados. Os eixos são os seguintes: 
 
 
 
 
 
 
 
113 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 21: Eixos de estruturação do Projeto Nacional de Câmeras Corporais 
 
Fonte: MJSP. 
 
 
 
1. Diagnóstico: 
Reúne atividades de avaliação quantitativa e qualitativa sobre 
diferentes aspectos das câmeras corporais no Brasil. Dentre eles: os 
diferentes estágios de implementação nas organizações estaduais e 
municipais; as percepções dos gestores e operadores; a compreensão de 
diferentes modelos de implementação e suas potencialidades; realização de 
eventos e seminários para discussão de resultados e trocas de experiência. 
Estão sendo contratados consultores e firmadas parcerias com universidades 
para a realização dessas atividades. As duas primeiras entregas do Projeto 
foram a realização do 1º Encontro Técnico Nacional sobre Câmeras 
Corporais, realizado em Brasília-DF nos dias 26, 27 e 28 de agosto de 2023, 
além da publicação do Diagnóstico Nacional sobre Câmeras Corporais no 
Brasil, o qual está em fase de diagramação. 
 
 
 
 
 
 
114 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
A publicação do Diagnóstico Nacional sobre Câmeras Corporais no 
Brasil é um passo importante na compreensão do estado da arte em relação 
ao tema nas organizações de segurança pública do país. Dentre os resultados 
mais relevantes, podemos destacar que: 
• Mais de 30 mil câmeras corporais estão em uso pelas organizações 
de segurança pública brasileiras; 
• A maior quantidade de câmeras corporais está na Polícia Militar do 
Rio de Janeiro, com mais de 13 mil unidades, sendo que a maioria das 
instituições possuem menos de 50 unidades em uso; 
• Os projetos de câmeras corporais são comumente geridos por 
setores de tecnologia da informação e não pelas áreas responsáveis pelas 
rotinas operacionais; 
• Dentre os principais usos dos registros das câmeras corporais, 
estão a avaliação do trabalho, treinamento, comunicação social e controle 
interno; 
• Na maior parte dos casos, o acionamento das câmeras é realizado 
automaticamente e não mediante ação dos profissionais. Além disso, o 
modelo prevalente registra todo o turno de serviço 
• A maior parte dos custos de contratação dos serviços é referente 
ao armazenamento. 
 
 
2. Amparo legal e diretrizes de atuação: 
Reúne atividades de nivelamento conceitual, administrativo e legal 
sobre a utilização das câmeras corporais em segurança pública no país. Para 
tanto, foi composto grupo de trabalho com representação de todas as 
organizações de segurança pública estaduais e municipais para a proposição 
de minuta de portaria com as Diretrizes Nacionais de Utilização das Câmeras 
Saiba mais 
 
 
115 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Corporais. O planejamento é concluir as atividades e publicar o normativo 
ainda em 2023. Além disso, serão elaborados e publicados cadernos de 
referências para a padronização de procedimentos sobre processos básicos, 
como a gravação, o armazenamento, a disponibilização, a gestão e a custódia 
dos registros audiovisuais. 
 
3. e 4. Padronização e certificação: 
Reúne atividades de normalização dos equipamentos e das soluções 
de câmeras corporais no contexto brasileiro. Para tanto, serão publicadas as 
normas de ensaio e certificação desses equipamentos, conferindo um elevado 
nível de qualidade de forma específica para os usos em segurança pública. 
Serão contemplados desde as câmeras até os softwares associados aos 
processos de armazenamento, gestão e custódia dos registros. Em termos 
práticos, será definido um conjunto de critérios para a avaliação e a 
certificação dos equipamentos que serão utilizados na segurança pública. O 
planejamento dessa ação prevê a sua conclusão ainda em 2023 e está sendo 
conduzida no âmbito do projeto Pró-Segurança. 
 
 
 
 
 
 
O Pró-Segurança é o Programa Nacional de Normalização e 
Certificação de Produtos de Segurança Pública. Ele tem o objetivo de conferir 
o adequado grau de qualidade e segurança quanto ao uso, além de 
desempenho aos equipamentos, produtos e serviços utilizados na segurança 
pública, por meio da normatização e posterior certificação destes itens. 
Essas normas técnicas são construídas de forma participativa e 
transparente, com participação dos órgãos de segurança pública de todo o 
Brasil, além de empresas e especialistas. Essa participação é realizada em 
audiências e consultas públicas. Há um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) 
com o Inmetro para tal, além da produção de materiais de referência e de 
colaboração técnica. 
Saiba mais 
 
 
116 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Em 2023, foram certificados 6 modelos de coletes de proteção balística 
provenientes da indústria brasileira com padrão internacional de qualidade, 3 
placas balísticas, mais 2 Armas Eletroeletrônicas de Incapacitação 
Neuromuscular (AINM) e 1 fuzil, sendo essas as primeiras certificadas no 
mundo. 
Foram publicadas 3 normas técnicas em 2023: 
- NT-Senasp nº007/2023-1 - Granadas Policiais – Explosivas; 
- NT-Senasp nº007/2023-2 Granadas Policiais - Não Explosivas; 
- NT-Senasp nº007/2023-3 Granadas Policiais - De lançamento por 
artefato próprio. 
Ainda em 2023, devem ser publicadas mais 6 normas técnicas: as NT-
Senasp de Avaliação da Conformidade de Lote aplicável em certames de 
Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) de Vestimentas, Botas, Luvas, 
Balaclavas e Capacetes, bem como a inédita NT-Senasp de Câmeras 
Corporais para emprego na Segurança Pública. 
Mais informações estão disponíveis em: https://www.gov.br/mj/pt-
br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/pro-seguranca 
 
 
5. Treinamento: 
Reúne atividades de qualificação profissional sobre o uso das câmeras 
e das suas soluções, além da oferta de cursos sobre uso diferenciado da 
força. Este curso que você está realizando se insere nesse eixo do projeto. 
Além dele, haverá formações específicas para utilização dos equipamentos 
(em nível básico e avançado), operação dos softwares (em nível básico e 
avançado), inclusão de conteúdos em matrizes de formação e 
aperfeiçoamento, além de cursos práticos de simulações reais utilizando 
funcionalidades das câmeras corporais. Serão contemplados desde as 
câmeras até os softwares associados aos processos de armazenamento, 
 
 
117 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
gestão e custódia dos registros. Em termos práticos, será definido um conjunto 
de critérios para a avaliação e a certificação dos equipamentos que serão 
utilizados na segurança pública. O planejamentodessa ação prevê a sua 
conclusão ainda em 2023 e está sendo conduzida no âmbito do projeto Pró-
Segurança. 
 
6. Aquisições: 
Reúne medidas de incentivo à aquisição e à manutenção das soluções 
de registro audiovisual, além de equipamentos de menor potencial ofensivo. 
Nesse sentido, em 04 de agosto de 2023, foi publicada a Portaria MJSP nº 
439, que regulamenta as áreas temáticas e o rol de itens financiáveis com 
recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública. As câmeras corporais (art. 
5º, VIII) e os equipamentos de menor potencial ofensivo (art. 5º, X) estão 
objetivamente previstos dentre os itens financiáveis. Além disso, a 
SENASP/MJSP iniciou processo de registro de ata para a contratação desses 
equipamentos, os quais serão ofertados para adesão a instituições de todo o 
país. 
 
 
 
A Portaria MJSP nº 439/2023 pode ser acessada no link: 
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/10736/2/PRT_GM_2023_439.html 
 
 
7. Avaliação de impacto: 
Reúne atividades de acompanhamento e avaliação do projeto, além de 
análises sobre o impacto das medidas adotadas em diferentes aspectos, tais 
como a produtividade das organizações, as percepções dos profissionais e da 
população, o impacto sobre os custos econômicos e a confiança da 
Saiba mais 
 
 
118 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
população. Estas atividades serão realizadas em conjunto com universidades 
e centros de pesquisa nacionais e internacionais. 
 
 
O Projeto Nacional de Câmeras Corporais é uma política pública dinâmica e 
em constante evolução. A realidade com a qual lidamos em segurança pública não 
permite iniciativas que não tenham a capacidade de se adaptar às diferentes 
condicionantes e contingências. Com isso, foi elaborada uma página que reunirá 
as informações sobre o projeto, com o objetivo de servir de consulta e orientação 
para as organizações em nível local. O link é o seguinte: https://www.gov.br/mj/pt-
br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/susp/susp 
 
 
 
Você chegou ao final do módulo! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
119 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
FINALIZANDO 
 
Neste módulo, você aprendeu: 
 
 As câmeras corporais ganharam atenção das organizações de 
segurança pública no início dos anos 2000 e compõem um conjunto 
de soluções de gerenciamento, controle e compartilhamento dos 
registros. Ou seja, as câmeras são apenas parte das soluções de 
registro audiovisuais, devendo ser acompanhados de instrumentos 
para manusear as evidências produzidas ao longo de sua utilização. 
 
 Existem diferentes tipos de câmeras, com designs e funcionalidades 
que variam de acordo com o fabricante. A diversidade dos 
equipamentos disponíveis aumenta a necessidade de que sejam 
definidas diretrizes e procedimentos gerais a serem seguidos na 
implementação de câmeras corporais. 
 
 As evidências científicas são elementos decisivos para a tomada de 
decisão em políticas públicas e, em relação às câmeras corporais, o 
cenário é bastante promissor. 
 
 De acordo com levantamento realizado pelo Police Executive 
Research Forum mais de 35% dos chefes de polícia que responderam 
ao questionário já possuíam programas de câmeras corporais, sendo 
que 47% registraram o planejamento de implementar no futuro. Logo, 
mais de 80% das polícias tinham ou planejavam adquirir câmeras 
corporais nos Estados Unidos. 
 
 Segundo levantamento realizado pela Secretaria Nacional de 
Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública em 
agosto de 2023, 26 das 27 unidades da federação realizavam testes 
ou estudos ou já possuíam projetos de câmeras corporais em curso. 
 
 
120 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
 Estudos de controle aleatório permitem estabelecer o efeito de 
políticas com maior confiança porque controlam para efeitos de 
seleção. Isto ocorre porque a designação de quais unidades utilizam 
as câmeras corporais se dá por meio aleatório e, por isso, não é 
contaminada por fatores externos. 
 
 A primeira medida de resultado no uso de câmeras corporais diz 
respeito à sua ativação durante interações entre policiais e cidadãos. 
Em Londres, no Reino Unido, estudos prévios indicaram que cerca de 
42% dos policiais registravam pelo menos dez vídeos em um mês. 
Em contraste, um estudo em Santa Catarina, realizado antes da 
implementação das câmeras corporais em todo o estado, relatou uma 
taxa de ativação de aproximadamente 23%. Em contraste, o protocolo 
atual em Santa Catarina é misto, com ativação automática quando a 
guarnição está em deslocamento para atender a uma ocorrência, 
acionada por um sinal eletrônico enviado para as câmeras. Essa 
diversidade de protocolos de ativação contribui para as diferenças nas 
taxas de acionamento das câmeras corporais e, consequentemente, 
impacta a quantidade e a qualidade dos dados de vídeo disponíveis 
para análise em estudos sobre o uso desses dispositivos. Outros 
protocolos, embora não recomendáveis, deixam o acionamento das 
câmeras à discricionariedade completa dos policiais. 
 
 Vários estudos têm analisado o impacto das câmeras corporais na 
incidência de uso de força policial. Alguns desses estudos não 
encontraram efeito significativo, mas em muitos casos, esses 
resultados estão associados a estudos experimentais ou quase-
experimentais que enfrentam problemas de contaminação. 
 
 Estudo realizado em Santa Catarina, que adotou uma definição 
abrangente de uso de força abrangendo todas as variações, desde as 
 
 
121 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
menos letais até as mais letais, foi observada uma redução de 61,2% 
no uso de força em ocorrências registradas com câmeras corporais. 
Os resultados desses estudos podem ser explicados, em parte, pela 
redução do uso de força dentro dos limites estabelecidos pelos 
protocolos de operação policial. É provável que os efeitos observados 
nos estudos de Santa Catarina e São Paulo sejam resultado de uma 
combinação de fatores, incluindo a redução da força em situações 
previstas pelo protocolo, mas que anteriormente envolviam força 
desproporcional, bem como o uso de força em situações não previstas 
pelo protocolo. 
 
 Existe um consenso na literatura de que o uso de câmeras corporais 
por policiais reduz significativamente o número de reclamações contra 
a conduta policial, em torno de 50%. Uma explicação possível é que 
a presença das câmeras esteja desencorajando reclamações falsas 
contra a conduta policial, o que é uma preocupação comum em muitas 
instituições policiais e órgãos de segurança pública. Além disso, os 
vídeos registrados pelas câmeras podem esclarecer mal-entendidos 
sobre a conduta policial, levando a uma redução nas reclamações. 
Por fim, a redução nas reclamações também pode ser resultado do 
cumprimento mais rigoroso dos protocolos de conduta policial quando 
as câmeras estão em uso. 
 
 Estudo baseado em dados de Santa Catarina, demonstra que a 
quantidade de casos não classificados cai em cerca de 6% quando as 
câmeras estão em uso. Além disso, os pesquisadores analisaram 
quais tipos de ocorrências passaram a ser mais frequentemente 
registrados e identificaram um aumento notável nos casos de 
violência doméstica, totalizando um aumento de 69% em relação aos 
casos em que as câmeras não foram utilizadas. Esses resultados 
sugerem que a presença das câmeras melhora a qualidade e a 
precisão dos dados registrados. 
 
 
 
122 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 Estudos, tanto no Brasil quanto em outros lugares, sugerem que o uso 
das câmeras corporais pode levar a um aumento na frequência com 
que as ocorrências são encaminhadas para órgãos de investigação, 
como a Polícia Civil no caso brasileiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
123 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
MÓDULO 5 – FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS MJSP 
 
APRESENTAÇÃO 
Nestemódulo, o profissional do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) 
conhecerá as soluções tecnológicas oferecidas pelo MJSP bem como conceitos e 
práticas da coleta, operação e integração de dados em segurança pública. 
Pretende-se demonstrar como tais ferramentas podem ajudar na prevenção 
e redução da violência, propiciando uma atuação policial mais efetiva e segura a 
partir do uso adequado de dados e ferramentas operacionais. Serão vistos 
exemplos de uso de tais sistemas e como eles ajudam a reduzir a criminalidade. 
É importante recordar que este curso se articula com outros oferecidos pelo 
MJSP. Assim, eventualmente, outras capacitações da Rede EaD Senasp serão 
recomendadas. 
 
Antes de iniciar seus estudos, leia o parágrafo a seguir: 
 
Você sabia que o MJSP desenvolve e fornece diversos sistemas para os 
profissionais do SUSP? E que tais sistemas são oferecidos sem custo às forças 
policiais? 
 
Assista ao vídeo a seguir... 
 
 
 
 
 
124 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 22: Vídeo Sinesp Segurança 
Fonte: Sinesp. 
O uso de sistemas integrados e interoperáveis tem o poder de aumentar 
muito a eficiência e eficácia da segurança pública no país. O compartilhamento de 
dados em tempo real, de forma automatizada e confiável, traz mais efetividade para 
o trabalho policial, bem como propicia um ambiente de trabalho mais seguro para 
todos. 
 
Reflita sobre o tema abordado acima partindo das seguintes questões: 
 Por que estatísticas são importantes para instituições de 
segurança pública? 
 Quais os custos e dificuldades você percebe no cotidiano de sua 
instituição que dificultam o uso de sistemas informatizados 
colaborativos? 
 Você saberia comparar a situação do feminicídio no DF e no 
estado de MG? 
 Após a reflexão, guarde as respostas para uso ao longo do 
estudo do módulo. 
 
 
125 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Por fim, acompanhe a história a seguir que, apesar de verídica, será 
relatada com nomes fictícios. 
 
A narrativa se passou no Rio de Janeiro, entre os meses de março e junho 
de 2006 e foi protagonizada por três pessoas que se viram juntas em meio ao acaso 
da vida. 
Entre os personagens que compõem a trama, é preciso conhecer o primeiro 
vértice deste triângulo, a gentil e carente Maria Morena - mulher balzaquiana, 
casada há 5 anos com José dos Anzóis com quem dividia pacotes de sal. 
A harmonia do casal foi abalada quando Morena foi fisgada pelas frases 
bonitas e intenções misteriosas de seu novo vizinho, Felício Felino. 
A paquera logo avançou para a fase dos encontros, que apesar de discretos, 
não passaram despercebidos pelos olhares mais atentos e curiosos de alguns 
moradores. A fofoca cumpriu sua sina e alcançou José, que àquela altura era o 
último a saber. 
O que sabia, no entanto, era que, apesar de viver outros dois romances 
extraconjugais simultâneos, precisava se vingar e partiu à procura de Felício. 
Para azar de ambos, o encontro ocorreu quando José, de tocaia no escuro, 
qual bicho do mato, enxergou um Felino, desprevenido e despreocupado, num beco 
que não dispunha de uma parede sequer em que pudesse se esconder. 
Anzóis, descontrolado e com a cabeça cheia, não tinha planos para o ato 
seguinte. Em um curto instante, o marido traído desferiu dois disparos e acertou 
precisamente o rival, que caiu desfalecido. Já não havia Felício e em breve também 
não haveria mais José. 
E agora, José? 
Sem saber para onde fugir, José estava só. Sem mulher e sem carinho, 
pensou em ir para Minas, mas decidiu começar uma nova vida no Ceará. 
 
 
126 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Anos se passaram e José acabou, mas não virou um sem nome. Adotou 
uma outra identidade. Não sem antes conseguir uma certidão de óbito para dar fim 
a tudo que houve antes. 
Na busca pelo criminoso, a polícia do Rio de Janeiro tomou conhecimento 
da certidão de óbito do foragido, emitida em 2019, no Ceará. O documento tinha a 
assinatura de um médico e a informação de que ele teria sido sepultado. Apesar 
disso, tanto o médico, o hospital e os dois cemitérios do município negaram terem 
registros de uma pessoa com o nome de José dos Anzóis. 
Conforme apurado posteriormente, o antigo José se estabeleceu em outra 
cidade e iniciou uma nova vida com outros documentos e abriu um negócio. 
Trabalhando apenas localmente, a polícia do RJ não conseguia avançar nas 
investigações. No entanto, com a evolução dos sistemas, a polícia obteve êxito ao 
descobrir que havia conseguido nova identidade. 
Uma cooperação entre a Polícia Federal e os bancos nacionais de 
mandados de prisão encontraram indícios de que nos últimos 10 anos passou a se 
apresentar como Tristonho dos Santos. 
Diante das desconfianças e a partir da confirmação obtida mediante 
reconhecimento biométrico, José, há uma década Tristonho, recebe uma visita 
inesperada: _ Toc, Toc, Toc… era a Polícia Federal que batia à porta. 
E tudo isso graças à integração de sistemas e bases de dados que 
permitiram a comparação e correspondência biométrica do passaporte de 
Tristonho, que há 10 anos escondia José. 
 
 
 
 
 
 
 
127 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
OBJETIVOS DO MÓDULO 
 
Apresentar os sistemas oferecidos pelo MJSP para entidades do SUSP, 
abordando seu potencial de uso e principais funcionalidades. É importante lembrar 
que alguns destes sistemas são de uso obrigatório por todos os componentes do 
SUSP, enquanto outros são de uso opcional. Entretanto, caso o ente escolha outros 
sistemas, deve haver uma interoperabilidade entre todos. 
 
 
Importante: este curso possui forte relação com o curso de Análise Criminal. 
 
 
ESTRUTURA DO MÓDULO 
 
Aula 1 - Soluções Tecnológicas – SINESP. 
Aula 2 - Adesão às Soluções SINESP. 
Aula 3 - Córtex e Outras Soluções. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
128 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 1. SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS SINESP 
 
As “Soluções tecnológicas do SINESP” são ferramentas produzidas pelo 
MJSP, voltadas ao cumprimento da missão do SINESP. 
Neste módulo trataremos destas soluções. De forma geral, elas possuem o 
nome de “SINESP” + “nome da solução específica”. Ou seja, cada solução 
tecnológica trata, em geral, de apenas um problema em particular da segurança 
pública. 
Figura 23: Soluções tecnológicas fornecidas pelo MJSP 
Fonte: Sinesp 
 
Estas soluções são mantidas e hospedadas em ambiente adequado para 
suportar o volume e a criticidade de tais dados. Além disso, conta com sistemas de 
segurança e auditoria planejados para o uso da segurança pública, entregando as 
informações de forma facilitada aos agentes. 
 
 
 
129 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 24: Implantações das soluções Sinesp. 
 
Fonte: DGI/Sinesp. 
 
 
Custos das soluções 
É importante destacar que tais soluções apresentam custo elevado, 
tanto para desenvolvimento e manutenção quanto para hospedagem. No 
entanto, tais custos são suportados pelo governo federal, sem nenhum tipo de 
cobrança para os entes que se utilizam de tais sistemas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
130 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
IMPORTANTE! 
Não confunda “Soluções tecnológicas do Sinesp” com SINESP! 
O SINESP, em sua concepção original é um sistema - na sua 
compreensão mais abrangente - que visa ordenar o conjunto de ações, 
políticas, recursos e informações relacionadas à segurança pública. Neste 
módulo abordamos o SINESP para que todos possam compreender o 
conjunto das ações e, assim, entender melhor o papel de cada um nos 
processos. 
 
 
SINESP (Lei 12.681/2012) x Sinesp (Lei 13.675/2018)  
O Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais, 
de Rastreabilidade de Armas e Munições, de Material Genético, de Digitais e 
de Drogas (Sinesp) é um sistema utilizado no Brasil para coletar e fornecer 
dados e informações, bem como disponibilizar serviçosrelacionados à 
segurança pública. Seus primórdios remetem a Lei nº 12.681, de 2012, a qual 
foi a responsável por instituir o Sistema Nacional de Informações de 
Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas - SINESP no âmbito nacional, 
estabelecendo as diretrizes gerais do sistema e definindo as informações que 
seriam disponibilizadas aos órgãos de segurança pública e aos cidadãos. No 
entanto, a Lei 13.675, de 2018, também conhecida como a “Lei do Susp”, 
revogou a “Lei do SINESP” do Artigo 1º ao 8º, e instituiu o “Sinesp” no seu 
Artigo 35.  
A Lei nº 13.675, de 2018 (Susp), trouxe algumas modificações e 
aprimoramentos ao instituir o Sistema Nacional de Informações de Segurança 
Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas e Munições, de Material 
Genético, de Digitais e de Drogas (Sinesp). Essa lei alterou dispositivos da lei 
anterior e ampliou as possibilidades de consulta e acesso às informações pelo 
sistema. Além disso, ela estabeleceu a obrigatoriedade de integração entre 
Saiba mais 
 
 
131 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
os órgãos de segurança pública para o compartilhamento de dados e 
informações.  
A Lei do Susp também trouxe a previsão de que o acesso ao Sinesp 
poderia ser estendido a outros órgãos públicos e entidades privadas, desde 
que fosse de interesse da segurança pública.  
Em resumo, a Lei nº 12.681, de 2012, foi a responsável por instituir o 
“SINESP”, enquanto a Lei nº 13.675, de 2018 o revogou e instituiu o “Sinesp”, 
trazendo alterações e ampliações ao sistema, permitindo um acesso mais 
amplo às informações de segurança pública e estabelecendo a obrigação de 
integração entre os órgãos de segurança. 
 
1.1 Objetivos do Sinesp 
 
De acordo com o Artigo 36 da Lei do Susp, os objetivos do Sinesp são: 
 
 I - Realizar a coleta, análise, atualização, sistematização, integração 
e interpretação de dados e informações relacionados às políticas de 
segurança pública e defesa social: 
Esse objetivo estabelece a importância do Sinesp como um sistema 
abrangente e centralizado para coletar, analisar e interpretar dados e 
informações relevantes às políticas de segurança pública e defesa social. O 
objetivo é fornecer subsídios para o desenvolvimento e aprimoramento 
dessas políticas, bem como para a formulação de estratégias eficazes de 
combate à criminalidade e promoção da segurança na sociedade.  
Através da coleta e análise desses dados, o Sinesp busca gerar 
informações atualizadas e sistematizadas que possam ser interpretadas e 
utilizadas de forma inteligente na tomada de decisões, no planejamento e no 
acompanhamento das políticas de segurança pública e defesa social. Isso 
contribui para uma atuação mais eficiente e embasada dos órgãos e 
 
 
132 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
instituições responsáveis por essas áreas, visando à proteção da população 
e à promoção de um ambiente seguro no país. 
 
 
 II - Disponibilizar estudos, estatísticas, indicadores e outras 
informações para auxiliar na formulação, implementação, execução, 
monitoramento e avaliação de políticas públicas: 
Esse objetivo legal destaca a importância do Sinesp como um sistema 
que visa disponibilizar informações relevantes para a formulação, 
implementação, execução, monitoramento e avaliação de políticas públicas 
relacionadas à segurança. O sistema tem a finalidade de fornecer estudos, 
estatísticas, indicadores e outras informações que possam subsidiar a tomada 
de decisões e o desenvolvimento de estratégias eficazes na área da 
segurança pública.  
Ao disponibilizar essas informações, o Sinesp contribui para o 
embasamento das políticas públicas, permitindo que sejam desenvolvidas 
com base em dados concretos e atualizados. Isso facilita o acompanhamento 
e a avaliação dos resultados dessas políticas, auxiliando na identificação de 
medidas bem-sucedidas e na correção de eventuais problemas ou desafios 
enfrentados.  
Em resumo, o objetivo do Sinesp é não apenas coletar e analisar 
informações, mas também disponibilizá-las de forma acessível para que 
sejam utilizadas na formulação de políticas públicas mais efetivas e 
embasadas, contribuindo para a melhoria da segurança e defesa social no 
país. 
 
 
 
 
 
 
133 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
 III - Promover a integração das redes e sistemas de dados e 
informações de segurança pública e defesa social, criminais, do sistema 
prisional e sobre drogas: 
Este objetivo enfatiza a importância do Sinesp como um sistema que 
busca a integração das redes e sistemas de dados e informações 
relacionados à segurança pública, defesa social, questões criminais, sistema 
prisional e informações sobre drogas.  
A integração das redes e sistemas é essencial para garantir o 
compartilhamento eficiente e seguro de informações entre os diferentes 
órgãos e entidades responsáveis pela segurança pública. Ao promover essa 
integração, o Sinesp facilita o acesso e a troca de informações relevantes, 
proporcionando uma visão mais abrangente e completa das questões 
relacionadas à segurança, crime, sistema prisional e drogas.  
Essa integração também permite uma atuação mais coordenada e 
sinérgica dos órgãos e instituições envolvidos, facilitando a identificação de 
padrões, a análise de tendências e o desenvolvimento de estratégias 
conjuntas para enfrentar os desafios nessas áreas.  
Em resumo, o objetivo do Sinesp é promover a integração das redes e 
sistemas de dados e informações relacionados à segurança pública, defesa 
social, sistema prisional, questões criminais e drogas, visando aprimorar a 
cooperação entre os órgãos e a eficácia das ações e políticas de segurança 
no país. 
 
 
 
134 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 25: Soluções por público-alvo 
Fonte: Diretoria de Gestão e Integração de Informações (DGI/Senasp) 2023 
 
 
 IV - Garantir a interoperabilidade dos sistemas de dados e 
informações, conforme os padrões definidos pelo conselho gestor: 
Esse objetivo ressalta a importância de assegurar a interoperabilidade dos 
sistemas de dados e informações dentro do âmbito do Sinesp. A 
interoperabilidade refere-se à capacidade dos sistemas e redes de 
compartilhar e trocar dados de forma eficiente e integrada, 
independentemente das suas estruturas ou plataformas tecnológicas.  
O objetivo é estabelecer padrões e diretrizes definidos pelo conselho 
gestor do Sinesp para garantir a compatibilidade e a interconexão dos 
diversos sistemas de dados e informações relacionados à segurança pública, 
prisional, rastreabilidade de armas e munições, material genético, digitais e 
drogas.  
 
 
135 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Essa interoperabilidade é fundamental para viabilizar a troca ágil e precisa 
de informações entre os diferentes órgãos e instituições envolvidos no âmbito 
do Sinesp. Ela permite uma visão mais abrangente e integrada dos dados, 
facilitando a análise, o compartilhamento de conhecimentos, a tomada de 
decisões e a formulação de políticas públicas mais eficazes no campo da 
segurança.  
Ao garantir a interoperabilidade dos sistemas de dados e informações, o 
Sinesp busca superar barreiras técnicas e promover a colaboração entre os 
diversos atores envolvidos na segurança pública, possibilitando uma atuação 
mais coordenada e eficiente no enfrentamento dos desafios relacionados à 
segurança e defesa social. 
 
 
 V - Produzir dados sobre a qualidade de vida e a saúde dos 
profissionais de segurança pública e defesa social: 
Essa adição à lei enfatiza a importância de monitorar e produzir dados 
sobre a qualidade de vida e a saúde dos profissionais que atuam na área de 
segurança pública e defesa social. Reconhece-se que esses profissionais 
enfrentam desafios específicos e podem estar expostos a riscos e situações 
que afetam sua saúde e bem-estar.  
Produzir dados nessa área permite obter informaçõesrelevantes sobre 
aspectos como condições de trabalho, saúde mental, estresse ocupacional, 
acidentes de trabalho e demais fatores que impactam a qualidade de vida 
desses profissionais. Esses dados podem subsidiar a implementação de 
ações e políticas voltadas para a melhoria das condições de trabalho, a 
prevenção de doenças e a promoção da saúde e bem-estar dos profissionais 
de segurança pública.  
Ao incluir esse objetivo, o Sinesp amplia seu escopo para além das 
questões criminais e da segurança em si, reconhecendo a importância de 
cuidar e acompanhar a saúde dos profissionais que atuam nessa área 
fundamental para a sociedade.  
 
 
136 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Essa adição demonstra o compromisso com o bem-estar dos profissionais 
de segurança pública e defesa social, buscando não apenas garantir a 
segurança da população, mas também promover condições adequadas de 
trabalho e cuidado com a saúde dos servidores que desempenham um papel 
essencial na proteção da sociedade.   
 
 
 VI - Produzir dados sobre a vitimização dos profissionais de 
segurança pública e defesa social, inclusive fora do horário de trabalho: 
Essa adição à lei ressalta a importância de coletar e produzir dados sobre 
a vitimização dos profissionais que atuam na área de segurança pública e 
defesa social. Reconhece-se que esses profissionais podem ser alvo de 
violência e vitimização, tanto no exercício de suas funções quanto em 
momentos fora do horário de trabalho.  
Produzir dados nessa área permite obter informações relevantes sobre a 
incidência de violência e vitimização enfrentadas pelos profissionais de 
segurança pública. Esses dados podem subsidiar a implementação de ações 
e políticas voltadas para a prevenção da vitimização, o fortalecimento das 
medidas de proteção e o suporte adequado aos profissionais que sofreram 
violência.  
Essa adição reforça o compromisso com a segurança e bem-estar dos 
profissionais de segurança pública, reconhecendo os riscos e desafios que 
eles enfrentam no exercício de suas atividades. Ao produzir dados sobre a 
vitimização, o Sinesp busca fornecer subsídios para a implementação de 
medidas efetivas de proteção, aprimoramento das condições de segurança e 
atendimento adequado aos profissionais que foram vítimas de violência.  
Dessa forma, o Sinesp amplia seu escopo para além das estatísticas de 
criminalidade, contemplando também a realidade da vitimização dos próprios 
profissionais de segurança pública e defesa social.  
 
 
 
137 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 VII - Produzir dados sobre os profissionais de segurança pública e 
defesa social com deficiência em decorrência de vitimização na 
atividade: 
Essa adição à lei ressalta a importância de coletar e produzir dados sobre 
os profissionais de segurança pública e defesa social que adquiriram 
deficiência em decorrência de vitimização durante o exercício de suas 
atividades. Reconhece-se que esses profissionais podem sofrer lesões ou 
desenvolver deficiências físicas, mentais ou sensoriais como resultado de 
eventos violentos ou traumáticos relacionados ao trabalho.  
Produzir dados nessa área permite obter informações relevantes sobre a 
ocorrência de deficiências em decorrência da vitimização dos profissionais de 
segurança pública. Esses dados podem subsidiar a implementação de ações 
e políticas voltadas para a prevenção de vitimização, o fortalecimento das 
medidas de proteção, a reabilitação e o suporte adequado aos profissionais 
com deficiência.  
Reforça o compromisso com a segurança, bem-estar e inclusão dos 
profissionais de segurança pública que sofreram vitimização e adquiriram 
deficiência como resultado disso. Ao produzir dados sobre os profissionais 
com deficiência em decorrência da vitimização, o Sinesp busca fornecer 
subsídios para a implementação de medidas efetivas de prevenção, proteção 
e apoio aos profissionais que passaram por essa situação.  
Dessa forma, o Sinesp amplia seu escopo para contemplar a realidade 
das pessoas com deficiência que atuam na segurança pública e defesa social, 
levando em consideração suas necessidades específicas e promovendo a 
inclusão e a garantia de direitos desses profissionais.  
 
 VIII - Produzir dados sobre os profissionais de segurança pública e 
defesa social que sejam dependentes químicos em decorrência da 
atividade: 
Destaca a importância de coletar e produzir dados sobre os profissionais 
de segurança pública e defesa social que desenvolvem dependência química 
 
 
138 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
em decorrência das atividades relacionadas ao trabalho. Reconhece-se que 
esses profissionais podem estar sujeitos a situações de estresse, traumas e 
pressões que podem levar ao uso abusivo de substâncias químicas.  
Produzir dados nessa área permite obter informações relevantes sobre a 
ocorrência de dependência química entre os profissionais de segurança 
pública. Esses dados podem subsidiar a implementação de ações e políticas 
voltadas para a prevenção do uso abusivo de substâncias, a promoção da 
saúde mental, o tratamento e o suporte adequado aos profissionais que 
desenvolveram dependência química.  
Demonstra o reconhecimento dos riscos específicos que os profissionais 
de segurança pública enfrentam em relação à dependência química e ressalta 
a importância de oferecer suporte adequado a esses profissionais. Ao produzir 
dados sobre os profissionais dependentes químicos em decorrência da 
atividade, o Sinesp busca fornecer subsídios para a implementação de 
medidas de prevenção, tratamento e acompanhamento para aqueles que 
necessitam de apoio nesse sentido. 
Dessa forma, o Sinesp amplia seu escopo para além das questões de 
segurança e criminalidade, contemplando também a saúde mental e a 
dependência química dos profissionais que atuam na segurança pública e 
defesa social. Essa inclusão visa garantir o bem-estar e o cuidado com a 
saúde dos profissionais, oferecendo as medidas adequadas para lidar com a 
dependência química que possa surgir em decorrência da atividade.  
 
 
 IX - Produzir dados sobre transtornos mentais e comportamento 
suicida dos profissionais de segurança pública e defesa social: 
Essa adição à lei ressalta a importância de coletar e produzir dados sobre 
os transtornos mentais e o comportamento suicida dos profissionais de 
segurança pública e defesa social. Reconhece-se que esses profissionais 
podem estar sujeitos a altos níveis de estresse, traumas e desafios 
 
 
139 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
emocionais decorrentes do trabalho, o que pode levar ao desenvolvimento de 
transtornos mentais e ao risco de comportamento suicida.  
Produzir dados nessa área permite obter informações relevantes sobre a 
prevalência e as características dos transtornos mentais, bem como sobre o 
comportamento suicida entre os profissionais de segurança pública. Esses 
dados podem subsidiar a implementação de medidas e políticas de 
prevenção, promoção da saúde mental, suporte psicológico e intervenção 
adequada para aqueles que estejam enfrentando essas situações.  
Esse objetivo reflete a preocupação em garantir o bem-estar e a saúde 
mental dos profissionais de segurança pública e defesa social. Ao produzir 
dados sobre transtornos mentais e comportamento suicida, o Sinesp busca 
fornecer subsídios para a implementação de ações de prevenção, detecção 
precoce, tratamento e suporte psicossocial, a fim de melhorar a qualidade de 
vida e reduzir os riscos enfrentados por esses profissionais.  
Dessa forma, o Sinesp amplia seu escopo para incluir a saúde mental dos 
profissionais que atuam na segurança pública e defesa social, reconhecendo 
os desafios específicos que eles enfrentam em relação a transtornos mentais 
e comportamento suicida. A coleta de dados nessa área possibilita uma 
compreensão mais abrangente das necessidadesdesses profissionais e 
contribui para a implementação de políticas e práticas que visam à promoção 
da saúde mental e à prevenção do suicídio. 
Além dos objetivos do Sinesp definidos na Lei do Susp, ao analisar todo 
o conteúdo do marco legal depreende-se a amplitude de ação do Sinesp, que 
engloba desde coleta e tratamento de dados para auxiliar na formulação e 
avaliação das políticas de segurança pública, até mesmo a integração das 
informações de segurança pública de forma operacional.  
 
 
 
 
 
 
140 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 26: Soluções Sinesp 
 
Fonte: DGI/Sinesp. 
 
 
 
 
 
 
 
 
141 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
1.2 Finalidades do Sinesp 
A Lei nº 13.675, de 11 de junho de 2018, estabelece a criação do Sistema 
Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de 
Armas e Munições, de Material Genético, de Digitais e de Drogas (Sinesp). O artigo 
35 da referida lei institui o Sinesp com o objetivo principal de armazenar, tratar e 
integrar dados e informações que auxiliem na formulação, implementação, 
execução, acompanhamento e avaliação de políticas relacionadas às seguintes 
áreas: 
1 Segurança pública e defesa social;  
 
2 Sistema prisional e execução penal;  
 
3 Rastreabilidade de armas e munições;  
 
4 Banco de dados de perfil genético e digitais; e 
 
5 Enfrentamento do tráfico de drogas ilícitas.  
 
A partir dessa disposição legal, o Sinesp é reconhecido como um 
instrumento essencial para o compartilhamento e a gestão de informações 
relevantes nessas áreas. O sistema visa integrar dados de diversas fontes, 
permitindo uma visão abrangente e estruturada das questões relacionadas à 
segurança pública, sistema prisional, rastreabilidade de armas e munições, perfil 
genético e digitais, bem como o combate ao tráfico de drogas.  
Ao armazenar, tratar e integrar essas informações, o Sinesp busca oferecer 
subsídios para a tomada de decisões, o desenvolvimento de políticas públicas mais 
eficazes e a avaliação do impacto das ações implementadas. Além disso, o sistema 
contribui para a coordenação entre os órgãos responsáveis pela segurança pública 
 
 
142 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
e justiça criminal, promovendo uma atuação mais eficiente e integrada no 
enfrentamento dos desafios nessas áreas. 
Passaremos a discorrer sobre alguns destes dispositivos: 
 
1.3 Integração e Atuação Operacional dos Órgãos de Segurança Pública 
 
A atuação operacional recebe destaque no Plano Nacional de Segurança 
Pública e Defesa Social, sobretudo quanto a eficiência e integração na prestação 
dos serviços. 
O Art. 4º estabelece como princípio do PNSPDS a eficiência na prevenção, 
controle, e repressão das infrações penais (Inc IV, V e VI), bem como em 
emergências e desastre, além de preconizar a otimização de recursos (Inc. XIII). 
Já o Art. 5º estabelece como Diretriz do PNSPDS o Atendimento Imediato 
ao Cidadão (Inc. I), a atuação integrada nas ações de segurança pública, através 
da coordenação, cooperação e colaboração dos órgãos e racionalização dos meios 
(Inc IV e V), além da Unidade de Registro Policial (Inc. XXII) e uso do Sistema 
Integrado de Informações (Inc. XXIII). 
O Artigo 6º, por sua vez, define como objetivos do plano o fomento à 
Integração Estratégica e Operacional (Inc I) e a Padronização de Tecnologia dos 
órgãos de segurança pública (inc. III). 
Neste mesmo diapasão, o Art. 10 estabelece como meio para a integração 
e coordenação dos órgãos as operações integradas (Inc. I) e o compartilhamento e 
a integração das informações de segurança pública (Inc. IV e V cominado com § 
4º). 
Por fim, cabe destacar que a PNSPDS, Artigo 14, inciso I, estabelece como 
responsabilidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública disponibilizar 
sistema padronizado, informatizado e seguro que permita o intercâmbio de 
informações entre os integrantes do Susp. 
Para permitir esta importante integração operacional, ao longo dos anos 
muitos Estados investiram em Centros Integrados de Operações, mantendo em um 
mesmo espaço físico agentes, gestores e despachantes de diversas agências. 
 
 
143 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Entretanto, nem sempre esta integração física é possível, seja por questões 
administrativas ou de recursos. 
Desta forma, o que o PNSPDS busca é uma integração sistematizada por 
meios eletrônicos, disponibilizada pelo Sinesp, que seja interoperável, eficiente e 
transparente, permitindo aos órgãos integrados compartilhar informações 
relevantes que ocorrem em tempo real em suas circunscrições e arredores e 
solicitar os respectivos auxílios quando for necessário. 
Além da integração operacional, o sistema deve permitir um atendimento 
imediato ao cidadão. 
 
1.4 Aferição das Atividades de Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública 
 
A lei estabelece que o Ministério da Justiça e Segurança Pública deve aferir 
as atividades de polícia ostensiva e de preservação da ordem pública por meio de 
parâmetros do Sinesp: 
Art. 12. A aferição anual de metas deverá observar os seguintes parâmetros: 
 
 
 
III - as atividades de polícia ostensiva e de preservação da ordem pública 
serão aferidas, entre outros fatores, pela maior ou menor incidência de infrações 
penais e administrativas em determinada área, seguindo os parâmetros do Sinesp; 
 
 
 
Neste sentido, é necessário considerar a dualidade organizacional existente 
no Brasil, que separa as atividades de polícia judiciária das atividades de polícia 
ostensiva. Esta separação é refletida no registro dos eventos atinentes à segurança 
pública, tendo em vista que nem todas as ocorrências registradas pela polícia 
ostensiva são efetivamente registradas como boletim de ocorrência na polícia 
judiciária. 
 
 
144 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Além disso, embora ainda não definidos pelo Sinesp, entre os outros 
parâmetros previstos no Art. 12, Inciso III, é inegável a importância de aferir as 
atividades preventivas da polícia ostensiva e de preservação da ordem pública, 
como abordagens, patrulhamentos, averiguações, entre outras. 
Desta forma, os parâmetros para definir a atividade de polícia ostensiva 
certamente devem ser balizados a partir dos dados dos atendimentos emergenciais 
realizados e registrados pela polícia ostensiva em suas centrais de operações. 
 
1.5 Segurança Pública baseada em evidências e o Planejamento Operacional 
 
Dentre os objetivos do Sinesp estabelecidos pela PNSPDS, o inciso II do 
artigo 36 prevê a disponibilização de estatísticas e indicadores para formulação e 
execução de políticas públicas. Além disso, o inciso XX do artigo 5º estabelece 
como diretriz a distribuição de efetivos através de critérios técnicos. 
Em outras palavras, os dispositivos legais preveem que seja realizado o 
planejamento operacional dos órgãos de segurança pública através da análise 
criminal com base no maior número possível de informações disponíveis, buscando 
descobrir tendências espaciais e temporais nos dados de criminalidade, para 
empregar os recursos disponíveis de forma eficiente para prevenção da ação 
delituosa. 
 
Disto tudo se depreende que o Sinesp, além de realizar a coleta e 
tratamento dos dados do policiamento ostensivo, deve permitir, através da 
análise de dados diversos, a recomendação do policiamento inteligente 
orientado para a resolução do problema, através do emprego adequado dos 
recursos, formando um verdadeiro ciclo completo de informações. Ou seja, 
através de um Agente Policial os dados são coletados, e a própria solução 
devolve a informação através de propostas de ações de policiamento, como 
áreas a serem patrulhadas com o efetivo disponível. 
 
 
 
145 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
1.6 Adoção de Padrões de Integridade, Disponibilidade, Confidencialidade, 
Confiabilidade e Tempestividadedos Sistemas Informatizados do Governo Federal 
 
O parágrafo único do Artigo 36 da Lei do Susp estabelece que o Sinesp deve 
adotar os padrões de integridade, disponibilidade, confidencialidade, confiabilidade 
e tempestividade dos sistemas informatizados do governo federal.  
Essa disposição ressalta a importância de garantir a segurança e a eficácia 
dos sistemas de informação utilizados pelo Sinesp. Os padrões mencionados, 
como integridade, disponibilidade, confidencialidade, confiabilidade e 
tempestividade, são critérios fundamentais para assegurar a qualidade e a robustez 
dos sistemas de informação governamentais.  
A adoção desses padrões implica em assegurar que os dados e as 
informações armazenadas e processadas pelo Sinesp sejam: 
1 precisos, completos e não sofram alterações indevidas (integridade), 
estejam acessíveis quando necessários (disponibilidade), 
2 sejam protegidos contra acessos não autorizados 
(confidencialidade), 
3 sejam consistentes e confiáveis (confiabilidade) e 
 
4 estejam disponíveis de forma oportuna para atender às 
necessidades dos usuários (tempestividade).  
Esses padrões são cruciais para garantir a confiabilidade e a segurança das 
informações no âmbito do Sinesp, especialmente quando se trata de dados 
sensíveis e estratégicos relacionados à segurança pública, prisional, 
rastreabilidade de armas, material genético, digitais e drogas.  
Ao adotar esses padrões, o Sinesp demonstra o compromisso em cumprir 
requisitos de segurança e confiabilidade exigidos pelo governo federal, contribuindo 
para a proteção dos dados e das informações e para a efetividade das políticas e 
ações relacionadas à segurança pública.  
Portanto, o parágrafo único do Artigo 36 da Lei do Susp enfatiza a 
importância de assegurar a adoção dos padrões adequados de segurança e 
 
 
146 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
confiabilidade nos sistemas de informação do Sinesp, a fim de garantir a qualidade 
e a proteção das informações e dados utilizados no âmbito desse sistema. 
 
1.7 Integrantes do Sinesp 
 
O Artigo 37 da Lei nº 13.675, de 11 de junho de 2018, estabelece que todos 
os entes federados devem integrar o Sinesp por meio de órgãos criados ou 
designados para esse propósito.  
Essa disposição destaca a necessidade de participação de todos os entes 
federados - União, estados, Distrito Federal e municípios - no Sinesp. Para isso, é 
esperado que cada ente federado estabeleça órgãos específicos que serão 
responsáveis por integrar e contribuir com o sistema.  
 
A integração de todos os entes federados no Sinesp é fundamental 
para promover a cooperação, a troca de informações e o compartilhamento 
de dados entre as diversas esferas governamentais. Isso permite uma visão 
mais abrangente e integrada da segurança pública, contribuindo para o 
desenvolvimento de políticas mais eficazes, a coordenação de ações 
conjuntas e a otimização dos recursos disponíveis.  
 
Ao estabelecer essa integração, a lei busca fortalecer a articulação e a 
cooperação entre os diferentes níveis de governo no que diz respeito à segurança 
pública, prisional, rastreabilidade de armas, material genético, digitais e drogas. 
Essa colaboração é essencial para enfrentar os desafios e as demandas 
relacionados à segurança, bem como para promover a eficiência e a eficácia das 
políticas e ações nessa área.  
O Artigo 37 da Lei do Susp estabelece a obrigatoriedade de participação de 
todos os entes federados no Sinesp, por meio de órgãos específicos, com o objetivo 
de promover a integração e a cooperação na área de segurança pública. Essa 
medida busca potencializar a efetividade das ações e o compartilhamento de 
 
 
147 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
informações entre os diferentes níveis de governo, visando a um sistema mais 
abrangente e eficiente. 
Dessa forma, o organograma do Sinesp, segundo o Art. 37 da Lei nº 13.675, 
de 11 de junho de 2018, está disposto da seguinte maneira:  
 
 
a) Nível Federal: 
Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP):  
Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp)  
Departamento de Polícia Federal (DPF)  
Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF)  
Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen)  
Outros órgãos federais relacionados à segurança pública e controle de  
drogas.  
 
 
 
b) Nível Estadual: 
Secretaria de Segurança Pública Estadual:  
Polícia Civil  
Polícia Militar  
Corpo de Bombeiros Militar  
Departamento de Trânsito Estadual (Detran)  
Órgão de Administração Penitenciária Estadual  
Outros órgãos estaduais relacionados à segurança pública e controle de  
drogas.  
 
 
 
 
 
 
148 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
c) Nível Municipal: 
Secretaria de Segurança Pública Municipal:  
Guarda Municipal  
Secretaria de Trânsito Municipal  
Órgão de Administração Penitenciária Municipal  
Outros órgãos municipais relacionados à segurança pública e controle de  
drogas.  
 
 
É importante destacar que os integrantes do Sinesp, previstos no Art. 
37 da Lei do Susp, não se confundem com os integrantes do Susp, dispostos 
no Art. 9º do mesmo dispositivo. 
 
Portanto, embora tanto o Sinesp quanto o Susp estejam relacionados à 
segurança pública, eles possuem características distintas em termos de seus 
integrantes. O Sinesp é composto por representantes específicos de determinadas 
entidades, conforme mencionado no Art. 37, enquanto o Susp abrange um conjunto 
mais amplo de órgãos e entidades envolvidos na segurança pública, conforme 
estabelecido no Art. 9º. É fundamental compreender essa diferença para uma 
correta interpretação e aplicação das disposições legais relacionadas à segurança 
pública no Brasil. 
A Lei nº 13.675/2018, de 11 de junho de 2018, que “Disciplina a 
organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, 
nos termos do § 7º do art. 144 da Constituição Federal; cria a Política Nacional de 
Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS); institui o Sistema Único de 
Segurança Pública (Susp); altera a Lei Complementar nº 79, de 7 de janeiro de 
1994, a Lei nº 10.201, de 14 de fevereiro de 2001, e a Lei nº 11.530, de 24 de 
outubro de 2007; e revoga dispositivos da Lei nº 12.681, de 4 de julho de 2012.” 
 
 
149 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
O ponto importante desta lei, para o tema que estamos estudando, é a 
criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Esta lei reafirma que a 
segurança pública é dever do Estado e responsabilidade de todos, compreendendo 
a União, os Estados, o Distrito Federal e os Munícipios. Esta lei induz tais entes 
realizar integração e coordenação de esforços em prol da segurança pública. 
Um aspecto muito importante desta coordenação nacional é a integração e 
interoperabilidade das informações e sistemas. 
Por outro lado, produzir sistemas informatizados é custoso para o estado por 
vários motivos: 
1 existe um custo de concepção; 
 
2 existe um custo de criação; 
 
3 existe um custo de manutenção; 
 
4 existe um custo de hospedagem e ambiente; e 
 
5 existe um custo operacional de contratação e segurança. 
 
 
Assim, em função dos ganhos de escala no desenvolvimento de sistemas de 
alcance nacional e em função da necessidade de padrões de bancos de dados, o 
MJSP passou a investir na criação de tais soluções. 
 
Vamos conhecer cada uma das ferramentas disponíveis para os agentes e 
para as instituições? 
Ademais, na Aula 2, verificaremos como ocorre a adesão para utilização nos 
estados e municípios. 
 
 
 
 
150 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
1.8 Sinesp Segurança 
 
O sistema Sinesp Segurança é uma solução abrangente voltada para prover 
serviços essenciais relacionados à autenticação, autorização e gestão de usuários, 
perfis e papéis, máquinas e Estruturas Organizacionais – EO para todas asaplicações do Sinesp e ferramentas integradas dos órgãos parceiros, com o 
objetivo de fornecer informações cruciais no contexto da segurança pública nas 
esferas administrativas federal, estadual e municipal. 
Por se tratar de um sistema de autenticação e autorização de usuários 
focado na segurança da informação desempenha um papel fundamental na 
proteção dos dados e sistemas do Sinesp e de qualquer organização, garantindo a 
integridade, confidencialidade e disponibilidade das informações. 
O serviço de autenticação forte assegura que apenas usuários autorizados 
tenham acesso aos dados sensíveis da organização. Isso impede que informações 
pessoais e profissionais dos usuários, assim como àquelas fornecidas por sistemas 
como o Sinesp Infoseg caiam nas mãos erradas. 
Já o serviço de autorização controla o que os usuários podem fazer após a 
autenticação. Isso evita que indivíduos não autorizados executem ações indevidas 
nos sistemas ou aplicativos integrados.  
Juntos os dois serviços dificultam o sucesso de ataques cibernéticos, como 
invasões por força bruta e tentativas de phishing, garantindo resiliência para os 
sistemas, mitigando riscos internos e externos, garantindo que os servidores 
acessem apenas os recursos necessários para as suas funções, evitando 
congestionamentos da infraestrutura e mantendo a disponibilidade de sistemas 
críticos, sendo, portanto, a primeira linha de defesa na segurança da informação do 
Sinesp, garantindo a conformidade com regulamentações de segurança de dados 
do Governo Federal. 
Além de prover serviços como assinatura eletrônica e autenticação 
documental para todas as aplicações de segurança pública que forem integradas, 
o Sinesp Segurança possibilita realizar a integração de qualquer sistema dos 
órgãos de segurança pública permitindo o Single Sign-On (SSO), simplificando o 
gerenciamento de autenticação e melhorando a experiência dos usuários. O SSO 
é uma funcionalidade que permite que os usuários acessem múltiplos sistemas ou 
 
 
151 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
aplicativos com apenas uma única autenticação, simplificando a gestão de 
identidades, economizando tempo e esforço que seriam gastos em logins repetidos, 
e proporcionando benefícios significativos em termos de segurança, produtividade 
e eficiência para as organizações. 
 
Por se tratar de uma aplicação que dispõe de uma base de dados 
biográficas e biométricas dos servidores das diversas instituições do Sistema 
Único de Segurança Pública, essa ferramenta pode ser utilizada em apoio no 
fornecimento e gerenciamento dessas informações para vários projetos e 
programas da Política de Segurança Pública como o Sistema de Gestão de 
Identidades Funcionais e o Programa Nacional de Segurança Pública com 
Cidadania – Pronasci. 
 
 
1.8.1 Funcionalidades Chave do Sinesp Segurança 
 
1) Autenticação e Autorização: 
O Sinesp Segurança oferece mecanismos seguros para autenticação de 
usuários, garantindo que apenas pessoas autorizadas tenham acesso às 
informações sensíveis. Isso é essencial para proteger dados críticos e garantir 
a integridade das operações realizadas nos sistemas de segurança pública 
providos pelo Sinesp. 
  
 
2) Gestão de Usuários, Perfis e Papeis: 
A plataforma permite a administração eficiente de usuários, perfis e 
papéis, garantindo que cada membro da equipe de segurança tenha o nível 
apropriado de acesso e responsabilidades.  
 
 
 
152 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
3) Máquinas e Estruturas Organizacionais: 
O Sinesp Segurança gerencia não apenas os usuários humanos, mas 
também máquinas e estruturas organizacionais (organograma das 
instituições), facilitando a coordenação de recursos e informações em grande 
escala.  
 
4) Assinatura Eletrônica e Autenticação Documental: 
A capacidade de assinatura eletrônica e autenticação de documentos é 
crucial para garantir a validade e autenticidade de registros e documentos 
utilizados nos sistemas do Sinesp ou integrados.  
 
5) Acesso a Aplicações da Plataforma Sinesp: 
O sistema oferece acesso a uma variedade de aplicações e serviços que 
apoiam as atividades de segurança pública, tornando-o uma ferramenta 
central para os profissionais dessa área.  
 
6) Integração de Sistemas: 
O Sinesp Segurança é projetado para se integrar perfeitamente com 
sistemas de órgãos de segurança pública em diferentes níveis 
administrativos, promovendo uma comunicação eficaz e compartilhamento de 
informações críticas.  
 
7) Single Sign-On (SSO): 
Trata-se de uma tecnologia que permite aos usuários fazerem login uma 
única vez em um sistema central, a partir desse ponto acessar diversos outros 
sistemas e aplicativos sem a necessidade de autenticação repetida.  
 
 
 
 
 
153 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
8) Painel de acompanhamento: 
O Sinesp Segurança disponibiliza aos gestores painéis com informações 
sobre as atividades dos sistemas integrados, possibilitando uma gestão 
eficiente dos usuários e recursos dos sistemas.  
 
 
 
1.9 Sinesp CAD (Central de Atendimento e Despacho) 
 
O Sinesp CAD – Central de Atendimento e Despacho – é uma das soluções 
do Sinesp, gerenciada pela Diretoria de Gestão e Integração das Informações (DGI) 
da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). 
A solução dá suporte aos serviços públicos emergenciais, permitindo a 
integração do atendimento de instituições de segurança pública (Polícia Militar, 
Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Rodoviária Federal, Guardas 
Municipais etc.), otimizando a gestão de recursos e diminuindo o tempo resposta, 
além da melhoria no planejamento operacional. 
O sistema fornece aos profissionais de segurança pública uma solução de 
tecnologia da informação que permite o atendimento às ocorrências solicitadas a 
partir de números tri dígitos emergenciais (190, 191, 192, etc) ou de outros canais 
de acionamento de atendimento ao cidadão, abarcando os processos de 
atendimento, despacho e fechamento dos atendimentos, além da integração entre 
as agências de segurança pública em âmbito nacional, estadual e municipal, 
promovendo uma gestão mais eficaz dos recursos humanos e operacionais 
disponíveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
154 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 27: Sinesp CAD 
 
Fonte: DGI/Senasp. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
155 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
1.9.1 Funcionalidades Chave do Sinesp Segurança 
 
 Otimizar sistematicamente, por meios eletrônicos, todos os passos do 
fluxo de atendimento emergencial, desde o chamado do solicitante até o 
atendimento da demanda em campo, buscando a redução do tempo de 
resposta; 
 
 Integrar os serviços de notificação de uma demanda emergencial de 
segurança pública, seja através dos tri dígitos nas centrais telefônicas 
(190, 191, 193, 181, etc.), ou por meio de aplicativo mobile voltado ao 
cidadão com esta finalidade, ou ainda através de dispositivos 
automatizados de notificação, como centrais de alarme de incêndio, 
câmeras de reconhecimento de placa veicular e facial, sistemas de alerta 
de redes sociais e montadoras de automóveis etc; 
 
 Padronizar o atendimento ao cidadão nas Centrais de Atendimento e 
Despacho, definindo através de protocolos os critérios de prioridade e de 
agências a serem envolvidas conforme árvore de perguntas e respostas 
para cada tipo de natureza; 
 
 Gerenciar, em nível local regional e nacional, a força de trabalho da 
segurança pública, permitindo o empenho dos recursos mais eficazes 
para cada demanda solicitada; 
 
 Integrar, por meio eletrônico, órgãos e agências envolvidos nas 
emergências de segurança pública, mesmo que não estejam vinculadas 
à mesma Central de Atendimento e Despacho, permitindo o 
compartilhamento de informações e solicitações de apoio via sistema; 
 
 
 
156 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA Simplificar, padronizar e desburocratizar o atendimento de ocorrências 
policiais, descentralizando, sempre que possível, o atendimento de forma 
a torná-lo menos formal, mais célere, econômico e eficiente, priorizando 
a resolução no local do fato; 
 
 Registrar o atendimento através de banco de dados unificado e integrado, 
permitindo o envio de documentos e métodos para os órgãos envolvidos 
no fluxo da persecução penal de maneira interoperável; 
 
 Disponibilizar dados mensuráveis para aferir a qualidade de cada etapa 
do fluxo do atendimento emergencial, desde o chamado pelo solicitante, 
passando pelo registro único da ocorrência e consultando de forma 
interoperável os procedimentos decorrentes da intervenção do estado na 
emergência; 
 
 Propor emprego de recursos eficiente para prevenção criminal, através 
de planejamento operacional baseado em análise preditiva 
automatizada. 
 
 
1.10 Sinesp PPE (Procedimentos Policiais Eletrônicos) 
 
O ordenamento jurídico brasileiro fundamenta os procedimentos policiais na 
legislação vigente, notadamente no Código de Processo Penal (CPP), que 
estabelece as diretrizes para a atuação da polícia na investigação e esclarecimento 
de crimes. O Artigo 6º do CPP atribui à autoridade policial o dever de apurar a 
materialidade e autoria das infrações penais. 
No contexto da confecção de boletins de ocorrência, instrumento essencial 
para comunicar à autoridade policial a ocorrência de fatos relevantes, o CPP prevê 
 
 
157 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
a competência da polícia judiciária para sua elaboração, conforme expresso no 
Artigo 167. Esses boletins são cruciais não apenas para iniciar a ação penal pública, 
mas também para documentar diversas situações como crimes, acidentes e perdas 
de documentos. 
Figura 28: Sinesp PPE 
Fonte: DGI/Senasp. 
 
O Sinesp PPE é uma das soluções de entrada e produção de dados (registro 
de ocorrências e demais procedimentos eletrônicos) para o Sistema Nacional de 
Informações de Segurança Pública – Sinesp, seu desenvolvimento, manutenção e 
evoluções são totalmente custeados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública 
e desenvolvidos pela empresa Serviço Federal de Processamento de Dados - 
SERPRO. 
Essa solução tecnológica desempenha um papel fundamental ao criar 
boletins de ocorrência e procedimentos eletrônicos de maneira simples e intuitiva. 
O Sinesp PPE utiliza recursos digitais para agilizar e facilitar a elaboração de 
 
 
158 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
boletins e procedimentos, proporcionando maior celeridade no registro de 
ocorrências seja pela sua interface amigável ao usuário quanto pela sua integração 
com diversas bases de dados. 
Ao integrar o Sinesp PPE aos processos eletrônicos de sua instituição, os 
usuários poderão se beneficiar de uma plataforma moderna que não apenas 
otimiza o tempo dedicado à elaboração de boletins de ocorrência, mas também 
contribui para a eficácia das investigações ao consolidar dados de maneira 
organizada e acessível. 
Além do registro de boletins o sistema abrange uma vasta gama de 
procedimentos eletrônicos tais como: Termos Circunstanciados de Ocorrência, 
Boletins de Ocorrência Circunstanciados, Inquéritos Policiais, Autos de Prisão em 
Flagrante, Auto de Investigação Administrativa Interna e Auto de Apreensão em 
Flagrante de Adolescente Infrator. 
A utilização das soluções Sinesp pelas forças da polícia civil, polícia militar, 
corpo de bombeiros militar, guarda municipais e demais integrantes do Sistema 
Único de Segurança Pública – Susp, em especial do Sinesp PPE possibilita a 
padronização de uma metodologia de registro a nível nacional, por meio de 
parametrizações de tabelas corporativas, tabelas de naturezas de fatos típicos e 
atípicos permitindo a obtenção de um dado de altíssima qualidade. 
A diversidade e ampla gama de cobertura de atuação das forças de 
segurança evidenciam o impacto positivo do Sinesp PPE na coleta, tratamento e 
integração de dados nacionais para o aprimoramento das políticas de prevenção 
da violência e combate à criminalidade, proporcionando uma abordagem mais 
eficaz no enfrentamento dos desafios relacionados à segurança pública. 
 
 
 
 
 
 
159 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
1.11 Sinesp DEVIR (Delegacia Virtual) 
 
O Código de Processo Penal (CPP) estabelece as diretrizes para a atuação 
da polícia na investigação e esclarecimento de crimes. O Artigo 6º do CPP atribui 
à autoridade policial o dever de apurar a materialidade e autoria das infrações 
penais, sendo o boletim de ocorrência o instrumento adequado para comunicação 
de infrações penais à autoridade policial. 
 
Figura 29: Sinesp DEVIR 
 
Fonte: DGI/Sinesp 
 
 
A Delegacia Virtual - DEVIR do Ministério da Justiça e Segurança Pública, é 
uma das soluções SINESP que foi desenvolvida com o objetivo de facilitar a 
comunicação entre o cidadão e a autoridade policial, permitindo a confecção de 
boletins de ocorrência por meio da internet. 
 
 
 
160 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 30: tela inicial da Delegacia Virtual. 
 
Fonte: DGI/Sinesp. 
 
 
Os boletins de ocorrência são registros que não só desempenham um papel 
fundamental no início da ação penal, mas também na documentação de uma 
variedade de situações, incluindo crimes, acidentes e extravios de documentos. 
Com um layout simples, moderno, intuitivo e interface responsiva, permite 
que qualquer cidadão, registre a comunicação de um crime ou fato que necessite 
atendimento policial, bastando o acesso à rede mundial de computadores, seja 
através de um computador ou mesmo por dispositivo móvel (smartphones, tablets 
etc.). 
A Delegacia Virtual - DEVIR é nativamente integrada com as soluções 
Sinesp, em especial ao sistema Procedimentos Policiais Eletrônicos - PPE, 
ferramenta de registro de Boletins de Ocorrência e Procedimentos Policiais, 
contudo, desde sua concepção inicial, pretendeu-se desenvolver uma solução que 
permitisse a sua integração com quaisquer sistemas de registro de boletim de 
 
 
161 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
ocorrência da Polícia Judiciária, de forma que sua utilização não esteja restrita 
apenas ao uso do Sinesp PPE. 
Figura 31: tela de comunicação de ocorrência na DEVIR. 
 
Fonte: DGI/Sinesp. 
 
 
 
O sistema encontra-se em condições para utilização imediata nos 
estados que aderiram ao uso do Sinesp PPE, bem como aos demais entes 
federados que utilizam sistema próprio para registro de boletim de ocorrência 
e/ou procedimentos eletrônicos, neste último caso, sendo necessário a 
execução de ações voltadas para integração entre estes sistemas e a 
Delegacia Virtual - DEVIR. 
 
O sistema é composto por dois módulos, sendo o primeiro o próprio Portal 
de acesso público através da url: https://delegaciavirtual.sinesp.gov.br/portal/, onde 
serão registradas as comunicações de fato e, o segundo, módulo de validação, 
responsável pela recepção das comunicações geradas a partir do Portal, com 
 
 
162 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
acesso restrito a servidores previamente cadastrados e habilitados para função de 
avaliação das comunicações. 
Além de estar plenamente em acordo com a legislação em vigor, oferece 
uma estratégia mais efetiva na abordagem dos obstáculos ligados à segurança 
pública. Seu desenvolvimento, manutenção e evoluções são totalmente custeados 
pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e desenvolvidos pela empresa 
Serviço Federal de Processamento de Dados – SERPRO. 
 
 
1.12 Sinesp Infoseg (Busca inteligente de acesso restrito) 
 
O Sinesp Infoseg é uma plataforma que integra diversas bases de dados 
relacionadas à segurança pública no Brasil. Esse sistema permite o acesso a 
informações relevantes para profissionais da área de segurança, justiça, 
fiscalização e órgãos de controle. 
Figura 32: Sinesp InfosegFonte: DGI/Sinesp. 
 
O Infoseg do MJSP disponibiliza dados em diferentes categorias, incluindo: 
 
 
163 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Pessoas: Fornece informações sobre pessoas, como Interpol, índice 
Nacional, Receita Federal CPF e CNPJ, condutores registrados no BNMP 
(Cadastro Nacional de Monitoramento de Prisões), SUS (Sistema Único de Saúde), 
MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), e SISME (Sistema de Informações do 
Mercosul). 
 
Veículos: Oferece informações sobre veículos como SINIVEM (Sistema 
Nacional de Informações de Veículos), SISME (Sistema de Informações do 
Mercosul) e outros dados relacionados a veículos. 
 
Armas: busca no Sinarm. 
 
O Infoseg é uma ferramenta importante para auxiliar as atividades de polícia 
ostensiva, preservação da ordem pública e investigação criminal, permitindo o 
acesso a informações cruciais para as autoridades de segurança pública. 
É importante observar que o acesso ao Infoseg é restrito aos profissionais 
de segurança pública e demais órgãos autorizados, visando garantir a 
confidencialidade e a segurança das informações disponíveis no sistema. 
O Sinesp INFOSEG ou Sistema Nacional de Informações de Segurança 
Pública, Prisionais e sobre Drogas, desempenha um papel crucial no cenário da 
segurança pública brasileira. Essa plataforma, mantida pelo Ministério da Justiça e 
Segurança Pública, representa um avanço significativo na gestão de informações 
relacionadas à segurança, sistema prisional e controle de drogas no país. Aqui, 
vamos explorar mais profundamente como o Sinesp INFOSEG funciona e seu 
impacto na comunidade de segurança pública. 
 
 
 
 
164 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
1.12.1 Missão do Sinesp INFOSEG 
 
A missão do Sinesp INFOSEG vai além de ser apenas um banco de dados; 
ele atua como uma ponte vital entre diversas entidades, como polícias, instituições 
judiciárias, Ministério Público e outras. Sua missão central é integrar e disponibilizar 
informações relevantes para melhorar a gestão e a eficácia das atividades 
relacionadas à segurança e justiça no Brasil. Isso resulta em um compartilhamento 
de informações estratégicas que ajuda a fortalecer as operações de segurança 
pública em todo o país. 
 
 
Auxílio na Luta Contra o Crime: 
Uma das principais funções do Sinesp INFOSEG é auxiliar na 
investigação e combate ao crime. Com acesso a um amplo conjunto de 
informações, as autoridades podem traçar conexões entre suspeitos, veículos 
e armas, o que torna a resolução de casos mais eficaz. Além disso, o sistema 
contribui para a formulação de políticas públicas de segurança e fornece 
dados para a produção de estatísticas e análises sobre a criminalidade e a 
segurança pública no país. 
Um destaque notável é a integração de Boletins de Ocorrência (BOs) 
de todos os estados, o que amplia a capacidade das autoridades de acessar 
informações cruciais para suas investigações. 
 
 
 
 
 
Saiba mais 
 
 
165 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
1.12.2 Funcionalidades do Sinesp Infoseg 
 
O Sinesp Infoseg é uma plataforma ágil e eficaz que permite a busca de 
informações e análise de vínculos relacionados a indivíduos, veículos e armas. Sua 
interface moderna oferece acesso a painéis de gestão de órgãos e usuários bem 
como auditoria. Além disso, a geração de relatórios dinâmicos segue os padrões 
estabelecidos pela Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública 
(DNISP). As consultas podem ser realizadas com até dez parâmetros simultâneos, 
permitindo uma análise detalhada e rápida das informações. 
 
1.12.3 Acesso Restrito para a Segurança Pública 
 
É crucial destacar que as informações do Sinesp Infoseg são restritas a 
agentes de segurança pública e órgãos conveniados da União, estados e 
municípios. Isso garante que as informações sensíveis sejam usadas apenas para 
fins legais e atividades operacionais, investigativas e de produção de 
conhecimentos estratégicos. 
 
1.12.4 Impacto e Reconhecimento 
 
O impacto do Sinesp Infoseg foi reconhecido por sua premiação no Concurso 
Inovação no Setor Público, promovido pela Escola Nacional de Administração 
Pública (Enap). Isso demonstra a importância da ferramenta na modernização e 
melhoria dos serviços de segurança pública no Brasil. 
 
 
 
 
166 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
1.12.5 Resultados Concretos 
 
Desde sua ampla disponibilização, em abril de 2017, o Sinesp Infoseg 
alcançou resultados impressionantes, com mais de 160 mil usuários. Isso superou 
significativamente o desempenho da antiga ferramenta, a Rede Infoseg, 
evidenciando seu impacto positivo e eficácia na comunidade de segurança pública. 
Em resumo, o Infoseg e sua evolução para o Sinesp Infoseg representam 
avanços significativos na área de segurança pública no Brasil. Essas ferramentas 
modernas e eficientes têm se mostrado essenciais no combate ao crime, na 
investigação de casos e na formulação de políticas de segurança, contribuindo para 
tornar o país mais seguro e preparado para enfrentar os desafios do século XXI. 
Por fim, é importante saber que o Infoseg compartilha diversas de suas 
bases de busca com o Sistema Córtex do MJSP (essa ferramenta será tratada na 
AULA 3 desse módulo). 
 
1.13 Sinesp Auditoria 
 
Um dos grandes problemas em segurança é identificar quem ou o que 
causou algo. Essa identificação é possível pela gravação e manutenção de uma 
trilha de ações realizadas no sistema, chamadas trilhas de auditoria. 
Auditoria em software significa um conjunto de funções de um sistema, pela 
gravação e manutenção de uma trilha de ações realizadas no sistema e, 
posteriormente, pela análise ou visualização desta, ou seja, o sistema mantém os 
registros de tudo o que foi feito nele de forma que, em caso de problema de 
segurança, alguém possa identificar o que causou. 
Portanto a auditoria é fundamental para o levantamento de rastros/vestígios 
e após análise tida, poderão tornar-se evidências importantes em apurações 
administrativas e à produção de provas. 
 
 
167 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Um dos grandes desafios da Auditoria é o respeito a privacidade dos 
usuários, sem comprometer o uso adequado do sistema. A LGPD, em sua seção 
II, em seu Artigo 50, estabelece algumas boas práticas e governança sobre as 
normas de segurança, padrões técnicos, mecanismos internos de supervisão e 
mitigação de riscos e outros aspectos relacionados ao tratamento de dados 
pessoais. 
 
 
O Decreto nº 9.489, de 30 de agosto de 2018, em seu art.18 §4º diz que: 
 
 
 
O fornecimento de dados dos usuários, de acessos e 
consultas do Sistema Nacional de Informações de Segurança 
Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas e Munições, de 
Material Genético, de Digitais e de Drogas ficará condicionado à 
instauração e à instrução de processos administrativos ou 
judiciais, observados, nos casos concretos, os procedimentos de 
segurança da informação e de seus usuários. 
 
 
Posto isso, infere-se que o decreto protege os usuários dos Sistemas Sinesp, 
seus acessos e consultas. Concluindo que as auditorias nos sistemas que visa 
fornecer os dados dos usuários e os acessos, bem como as consultas nos sistemas, 
precederão de instauração ou a instrução de processos administrativos ou judiciais. 
Um dos princípios relacionados com a segurança da informação e 
comunicação previstos na Portaria MJSP nº 2, de 28 de janeiro de 2022, que 
Instituiu o Sistema de Governança do Ministério da Justiça e Segurança Pública, é 
a auditoria. Competindo sua execução, segundo a Resolução CONSINESP/MJSP 
 
 
168 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Nº 1, DE 17 DE JUNHO DE 2021, privativamente à Diretoria de Gestão e Integração 
da Informação, a manutenção dos registros e atividades junto ao Infoseg, 
promovendo as auditorias necessárias no referido sistema. 
Em razão disso, foi criada comouma das soluções de sistemas de 
informação desenvolvidos para o Sinesp, o Sinesp Auditoria, desenvolvido com o 
objetivo de fornecer insumos para subsidiar as auditorias dos projetos integrantes 
da solução Sinesp, não só do sistema Infoseg. Permitindo reportar os acessos a 
recursos e sua utilização pelos usuários das organizações. 
Portanto para se manter um sistema com nível alto de segurança, além do 
controle de acesso, é necessário também a Auditoria dos sistemas, com o intuito 
de identificar usuários mal-intencionados, considerando a privacidade do usuário, 
fornecendo às autoridades solicitantes de auditoria elementos para instruções 
processuais relacionados aos usos das Soluções Sinesp, quando solicitado 
respeitando os preceitos legais. 
 
1.14 Sinesp Integração 
 
O Sinesp Integração é uma solução que tem o propósito de integrar 
informações provenientes de boletins de ocorrência de todo o país. Esta integração 
é obrigatória para todas as UFs e ocorre em no máximo 1 hora após o fato. 
O boletim de ocorrência (BO) é um documento oficial elaborado pelas 
autoridades policiais para registrar informações sobre um incidente, crime ou 
evento que requer a intervenção ou o acompanhamento das forças de segurança. 
O BO é usado para documentar detalhes importantes, como a data, hora, local e 
natureza do incidente, além de informações sobre as partes envolvidas e 
testemunhas, quando aplicável. 
 
 
 
 
 
169 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 33: Sinesp Integração 
Fonte: DGI/Sinesp 
 
A elaboração do boletim de ocorrência é uma etapa fundamental no 
processo de investigação policial e é usada para diversos fins, incluindo: 
 
1. Investigação: O BO serve como ponto de partida para as 
investigações policiais. Ele contém informações iniciais que podem ajudar os 
policiais a entenderem o que aconteceu e a coletar evidências relevantes. 
2. Registro legal: Um BO fornece uma base legal para o registro formal 
de um incidente ou crime. Isso pode ser importante em casos de litígio ou para fins 
de seguro. 
 
 
170 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
3. Estatísticas criminais: Os BOs são usados para criar estatísticas 
criminais que ajudam as autoridades a entenderem e analisar tendências criminais 
em uma determinada área. 
4. Solicitação de medidas legais: Em casos de crimes, como roubos, 
agressões ou vandalismo, as vítimas muitas vezes precisam de um BO para 
solicitar medidas legais, como ordens de restrição, indenizações ou prisões. 
5. Documentação: Um BO pode servir como documento de referência 
para as partes envolvidas, como vítimas, testemunhas e suspeitos, e pode ser 
usado em processos judiciais. 
Os estados da federação têm duas formas de enviarem os boletins de 
ocorrência. Podem enviar através do WebService do Sinesp Integração ou usar o 
sistema Sinesp PPE. Os boletins gerados pelo Sinesp PPE (Procedimentos 
Policiais Eletrônicos) são integrados automaticamente ao Sinesp Integração. 
 
O Sinesp Integração desempenha um papel central na consolidação dos 
boletins de ocorrência de todo o país. Além disso, ele disponibiliza uma tabela 
corporativa que desempenha um papel crucial na padronização do preenchimento 
desses boletins, o que, por sua vez, simplifica a inclusão das seguintes categorias 
de informações: 
 Lista de Municípios 
 Lista de Unidades da Federação 
 Lista de Países 
 Lista de Profissões 
 Lista de Tipos de Documento 
 Lista de Tipos de Local 
 Lista de Subgrupos de Local 
 Lista de Calibres de Armas 
 Lista de Marcas de Armas 
 Lista de Modelos de Armas 
 Lista de Espécies de Armas 
 Lista de Armas 
 
 
171 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 Lista de Tipos de Objeto 
 Lista de Grupos de Objeto 
 Lista de Subgrupos de Objeto 
 Lista de Subgrupos de Unidade 
 Lista de Meios Empregados 
 Lista de Naturezas da Ocorrência 
 
A Portaria Nº 845, de 19 de novembro de 2019, estabelece os critérios 
para adesão e classificação de adimplência dos estados e do Distrito Federal. 
Conforme o Artigo 3º, Parágrafo 2º, apenas os participantes que mantiverem 
a consistência no envio de dados e informações para o (Sinesp) serão 
considerados aderentes efetivos ao Sinesp Integração e/ou ao Sinesp PPE. 
 
O integrante aderente que deixar de fornecer ou atualizar seus dados e 
informações no Sinesp não poderá receber recursos, nem celebrar parcerias com 
a União para financiamento de programas, projetos ou ações de segurança pública 
e defesa social e do sistema prisional. 
A integração de informações de boletins de ocorrência é uma ferramenta 
poderosa para as autoridades de segurança pública. Primeiramente, possibilita a 
identificação de padrões de criminalidade em nível nacional, revelando áreas com 
maiores índices de crimes, tipos de delitos mais comuns e características dos 
criminosos. Essa análise profunda das estatísticas é essencial para orientar as 
estratégias de policiamento e prevenção, permitindo uma alocação mais eficiente 
dos recursos e a implementação de ações direcionadas. 
 
Outro benefício crucial é a capacidade de prevenir crimes. O uso da 
análise de dados integrados possibilita a identificação de fatores de risco 
associados à criminalidade. Essas informações são cruciais para o 
desenvolvimento de políticas públicas de prevenção, como programas 
Saiba mais 
 
 
172 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
educacionais e de assistência social, que visam abordar as raízes da 
criminalidade e criar ambientes mais seguros para a comunidade. 
 
 
1.15 Sinesp DW Análise 
 
Trata-se de uma solução do tipo Business Intelligence (BI), isto é, consiste 
em um ambiente que permite a visualização e a extração de dados dos boletins de 
ocorrência integrados. 
O Sinesp DW utiliza a plataforma MicroStrategy, a qual oferece recursos 
interativos para a criação de dashboards personalizados para visualização de 
dados e a transmissão de informações complexas por meio de suas ferramentas 
de apresentação. 
O Sinesp DW tem com fonte de dados o Sinesp Integração que integra de 
forma eletrônica os Boletins de Ocorrência (BOs) de todas as Unidades 
Federativas, tanto aqueles registrados no Sinesp PPE (solução do pacote Sinesp 
para registro de procedimentos policiais eletrônicos), quanto aqueles registrados 
em sistemas próprios dos órgãos de segurança. Após passarem por um processo 
de ETL (Transformação e Estruturação de Dados) esses boletins são armazenados 
na Base de Dados do Serviço Federal de Processamento de Dados – SERPRO, 
passando a estar disponíveis para consulta. 
Além disso, o Sinesp DW é disponibilizado de forma online, sem 
necessidade de instalação de software. A solução recebe nova carga de dados 
diariamente, sempre refletindo as informações até o dia anterior (D-1) e é 
disponibilizada para os usuários de segunda a sexta, das 07h às 22h. Em 
funcionamento, comporta até 100 usuários conectados simultaneamente. 
 
Para acesso à ferramenta, um perfil de acesso deve ser atribuído ao usuário 
com base em três características: 
 
 
173 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
a) Utilização do Sistema: 
• Básico (apenas visualização de dados e dashboards) 
• Avançado (consulta, edição e criação de dashboards).  
 
 
b) Perfil Geográfico: 
 Federal (acesso a consulta de dados em nível nacional) 
 Estadual (acesso a consulta de dados em nível estadual).  
 
 
c) Dados Sensíveis: 
 Estatística (acesso anonimizados) 
 Inteligência (acesso a dados sensíveis e suscetíveis a identificação).  
 
Atualmente, o Sinesp análise possui um total de 171 usuários cadastrados, 
representando a abrangência de todas as Unidades Federativas do país. A inclusão 
de novos usuários está condicionada a solicitação de um gestor estadual. 
 
Principais Características: 
 Ferramenta web. 
 Base de dados originária do Sinesp Integração,podendo consumir 
população pelo IBGE e veículos pelo SENATRAN. 
 Aceita 12GB de utilização de dados externos. 
 Atualização diária com informações do dia anterior (D-1). 
 Disponibilidade de acesso por 15h nos 5 dias uteis, das 07h às 22h; 
 Estimativa de transações com o banco de dados 240 consultas/hora; 
 Aceita 100 usuários no sistema logados simultaneamente; 
 Tem-se 556 atributos e 65 métricas para análise. 
 
 
174 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 Público-Alvo: o acesso à ferramenta é de uso exclusivo para 
profissionais do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). 
 
Assim, o Sinesp Análise se consolida como a solução responsável por 
fornecer aos gestores e demais interessados os meios apropriados para a 
construção de estudos e estatísticas nacionais de segurança pública, além de 
apoiar os processos de investigação e inteligência. 
 
 
1.16 Sinesp Agente de Campo 
 
Figura 34: Sinesp Agente de Campo 
 
Fonte: DGI/Sinesp. 
 
 
Aplicativo gratuito, disponível para dispositivos móveis com sistema 
operacional Android ou iOS, destinado para os integrantes dos órgãos da 
segurança pública (Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros Militares, Guarda 
Municipal, Defesa Civil, entre outros). Nele, os profissionais podem acessar 
informações em tempo real, ganhando mais agilidade e rapidez no atendimento à 
 
 
175 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
população, na oferta de serviços públicos efetivos de segurança e na elucidação 
de crimes. 
 
Figura 35: Telas demonstrativas do Sinesp Agente de Campo. 
 
Fonte: DGI/Sinesp. 
 
 
 
1.17 Sinesp Cidadão 
 
O Sinesp Cidadão é um aplicativo móvel do Sistema Nacional de 
Informações de Segurança Pública (Sinesp) que oferece ao cidadão brasileiro 
acesso direto a serviços do Ministério da Justiça e Segurança Pública relativos à 
segurança pública. 
 
 
 
176 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 36: Sinesp Cidadão. 
Fonte: DGI/Sinesp. 
 
 
O aplicativo está disponível para os sistemas operacionais Android, através 
da loja de aplicativos Google Play, e para iOS na Apple App Store. Após a 
instalação do aplicativo Sinesp Cidadão, o usuário tem acesso a diversos módulos, 
que consultam diferentes bases de dados relacionadas à Segurança Pública. 
Confira abaixo os módulos do aplicativo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
177 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 37: exemplo de telas do Sinesp Cidadão 
 
Fonte: DGI/Sinesp. 
 
 
 
 
a) Veículos: 
O módulo de veículos permite ao cidadão realizar consultas de placas 
veiculares e verificar dados básicos como marca e modelo dos veículos, parte 
do número do chassi e se o veículo possui ou não restrições. Os dados 
provêm da base de dados de veículos do Senatran, combinados com 
informações de outros sistemas como o Sinesp CAD. É possível consultar 
placas de quaisquer veículos para verificar restrições de furto e roubo. Para 
veículos de propriedade do cidadão é possível consultar todos os detalhes do 
cadastro junto à Senatran. 
É importante ressaltar que o próprio cidadão pode registrar uma restrição 
a veículos. Ao vincular a um veículo do qual é proprietário, o cidadão pode 
reportar ocorrências de roubo e furto. A restrição permanece por um período 
de 72 horas e pode perdurar por mais tempo caso o proprietário registre um 
Boletim de Ocorrência informando o fato à autoridade policial).  
 
 
 
178 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
b) Mandados de Prisão: 
Este módulo permite consultar mandados de prisão que ainda não foram 
cumpridos, com o intuito de comunicar à polícia. As informações são 
consultadas diretamente no Banco Nacional de Mandados de Prisão do 
Conselho Nacional de Justiça – BNMP/CNJ.  
 
c) Mais Procurados: 
Aqui, é exibida a lista dos mais procurados nacionais, que inclui líderes 
criminosos com atuação nacional e, eventualmente, internacional. As 
informações são inseridas e atualizadas por meio do Sistema de Gestão de 
Procurados, gerido pela Senasp.  
 
d) Desaparecidos: 
O módulo de desaparecidos permite ao cidadão pesquisar pessoas que 
foram registradas como desaparecidas. As informações vêm de registros de 
ocorrências de desaparecimentos feitos pelas Polícias Civis dos Estados e 
enviados ao Sinesp Integração. 
O processo de coleta de informações de desaparecidos segue o fluxo 
abaixo: 
1. Registro da Ocorrência: O indivíduo vai à delegacia comunicar o 
desaparecimento de uma pessoa, onde é registrado um boletim de ocorrência 
em que a pessoa desaparecida figura como vítima de uma das naturezas de 
desaparecimentos do SINESP; 
2. Integração do BO: O BO é enviado de forma automática para o Sinesp 
Integração BO, ficando disponível para ser consumido através de um banco 
de dados virtual (VDB); 
3. Cadastro/Atualização de Desaparecido: A cada hora um script 
busca boletins de pessoas desaparecidos e localizados, selecionando dados 
de cada registro e atualizando o banco de dados de desaparecidos 
hospedado no Ministério da Justiça; 
 
 
 
179 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
4. Disponibilização para Consulta: Os dados do desaparecido ficam 
disponíveis no módulo desaparecidos do Sinesp Cidadão; caso exista um BO 
de localizado da pessoa considerada desaparecida o registro deixa de ser 
exibido no Sinesp Cidadão; 
5. Vinculação e Atualização de Desaparecido: Por meio do aplicativo 
Sinesp Cidadão, o cidadão pode vincular um desaparecido a sua pessoa e 
inserir novas informações sobre o desaparecido, seja imagens ou o informe 
de localização; 
6. Emergência: um novo módulo de Emergência será adicionado ao 
aplicativo Sinesp Cidadão. Este módulo permitirá ao cidadão se comunicar 
diretamente com as centrais de atendimento, permitindo novos meios de 
interação como a capacidade de enviar mensagens de texto, áudio e imagens. 
 
 
 
1.18 Sinesp JC/VDE 
 
A Senasp já vinha empregando esforços na coleta de dados e informações 
de interesse da segurança pública desde o ano de 2001, visando a implementação 
de ações e políticas públicas mais qualificadas. 
A coleta informatizada de dados teve origem na implantação do Sistema 
Nacional de Estatística de Segurança Pública e Justiça Criminal - SinespJC, em 
2004 (substituído em 2023 pelo Sinesp VDE). A solução reunia dados 
AGREGADOS oriundos das Unidades da Federação, permitindo a elaboração de 
relatórios e indicadores estatísticos. Seu conteúdo era gerado a partir dos boletins 
de ocorrência registrados pelas Polícias Civis dos Estados e Distrito Federal, 
reunindo assim, informações sobre o número de ocorrências, natureza do fato 
registrado, perfil da vítima, perfil do autor, meios empregados, dentre outras. 
A partir de 2012, com a instituição do Sistema Nacional de Informações de 
Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas - SINESP, por meio da Lei n º 
 
 
180 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
12.681/12, iniciaram-se os projetos para a coleta automatizada de dados e a 
integração dos sistemas estaduais de registro de ocorrências policiais. Em 
dezembro de 2014, após a conclusão da primeira etapa de planejamento e 
desenvolvimento da plataforma Sinesp, foi implementado o Boletim Nacional de 
Ocorrências Policiais - Sinesp PPE (Procedimentos Policiais Eletrônicos) no estado 
de Roraima, dando início à coleta de dados de registros de ocorrência em tempo 
real. Posteriormente, a solução foi implantada em outras Unidades da Federação. 
Neste cenário, em 2015, foi desenvolvido e disponibilizado às UFs o Sinesp 
Integração (ver tópico específico sobre isso), solução destinada à consolidação de 
dados e informações de múltiplas fontes em uma única Base Nacional, permitindo, 
dentre outras atividades, a análise de microdados e a produção de estatísticas e 
relatórios mais qualificados. 
 
 
1.18.1 Sinesp VDE 
 
Em maio de 2023 o MJSP lançouoficialmente o novo Sistema Nacional de 
Informações de Segurança Pública Validador de Dados Estatísticos (Sinesp VDE), 
plataforma usada pelos agentes de segurança pública dos estados para reportar 
crimes e outras ocorrências. 
Esta versão substituiu o antigo Sinesp JC e amplia o painel de indicadores 
de segurança pública dos nove atuais para 28 dados e mudando a frequência, 
passando de 90 para 30 dias de atraso. 
Outra importante mudança é que o novo sistema apresentará os indicadores 
a partir do número de vítimas e não apenas de ocorrência, o que possibilita dados 
mais minuciosos, como gênero, raça e idade. 
Consiste numa das soluções da Plataforma Sinesp desenvolvida para 
inserção, consolidação, consulta e homologação dos Dados Nacionais de 
Segurança Pública. Essa ferramenta é composta por 28 indicadores, conforme 
 
 
181 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
estabelecido pela Resolução CONSINESP Nº 06 de 08 de novembro de 2021, que 
abrangem diversas informações relevantes para a segurança pública, tais como: 
homicídio doloso, roubo seguido de morte (latrocínio), lesão corporal seguida de 
morte, tentativa de homicídio, feminicídio, morte de agente do estado, morte a 
esclarecer, morte no trânsito ou decorrente dele, morte por intervenção de agente 
do Estado, suicídio, suicídio de agente do Estado, estupro, roubo e furto de 
veículos, roubo a instituição financeira, roubo de carga, tráfico de drogas, 
apreensão de cocaína, maconha e armas de fogo, pessoas desaparecidas e 
localizadas, mandados de prisão cumpridos, atendimento pré-hospitalar, busca e 
salvamento, combate a incêndios, emissão de alvarás de licença e realização de 
vistorias. 
O sistema permite que o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) 
tenha dados nacionais oficiais validados até o décimo quinto dia do mês 
subsequente, possibilitando sua divulgação no prazo máximo de 30 (trinta) dias, 
otimizando os subsídios para as tomadas de decisões e implementação de políticas 
públicas, assim como para a produção e para a publicação de estatísticas criminais 
em âmbito nacional 
Os gestores de estatística são os responsáveis por classificar os usuários do 
Sinesp VDE em diferentes perfis, de acordo com as permissões de acesso 
necessárias para desempenhar suas atividades no sistema. Conforme os seguintes 
perfis: 
 
a) Visualizador: 
perfil com acesso restrito às informações, limitado a consultas nas bases 
de dados. 
 
 
b) Cadastrador: 
recebe permissões específicas, este usuário pode inserir dados no 
sistema, consolidar informações já existentes e realizar consultas 
abrangentes sobre todos os dados disponíveis.  
 
 
182 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
c) Homologador: 
sua função primordial envolve a minuciosa conferência e homologação 
dos dados. Além disso, possui a prerrogativa de inserir e consolidar novas 
informações, bem como realizar consultas no sistema. Por fim, é responsável 
pela gestão do acesso dos usuários locais, garantindo a integridade e a 
confiabilidade do banco de dados.  
 
Os 28 Dados Nacionais de Segurança Pública estão organizados em nove 
formulários, distribuídos conforme sua categorização. A classificação dos 
formulários é a seguinte: 
 
Formulário 1 – Vítimas por sexo e municípios: 
 Homicídio Doloso 
 Lesão Corporal Seguida de Morte 
 Roubo Seguido de Morte 
 Morte no Trânsito 
 Suicídio 
 Morte a Esclarecer sem Indício de Crime 
 Tentativa de Homicídio 
 Feminicídio.  
 
 
 Formulário 2 – Vítimas por sexo e Profissionais de Segurança 
Pública: 
• Morte de Agente de Segurança Pública 
• Suicídio de Agente de Segurança Pública.  
 
 
 
 
 
183 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Formulário 3 – Vítimas por sexo: 
• Estupro 
• Mortes por Intervenção de Agente do Estado. 
 
Formulário 4 – Ocorrências: 
• Roubo de Veículos 
• Roubo de Carga 
• Roubo a Instituição Financeira 
• Furto de Veículo 
• Tráfico de Drogas. 
 
Formulário 5 – Quantidade (Peso em Quilogramas): 
• Apreensão de Maconha 
• Apreensão de Cocaína. 
 
Formulário 6 – Quantidade de armas por tipo: 
• Apreensão de Armas de Fogo 
 
Formulário 7 – Vítimas por sexo e faixa etária: 
• Pessoa Desaparecida 
• Pessoa Localizada 
 
Formulário 8 – Mandados por município (Pessoas Presas: 
• Mandado de Prisão Cumprido 
 
 
 
 
 
184 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Formulário 9 – Atendimento/Documentos: 
• Atendimento pré-hospitalar 
• Busca e Salvamento 
• Combate a Incêndios 
• Emissão de Alvarás de Licença 
• Realização de Vistorias 
 
 
Os dados nacionais de Segurança Pública serão acessíveis ao público por 
meio do portal oficial do Ministério da Justiça e Segurança Pública, sendo 
regularmente atualizados em intervalos mensais. Essa prática assegura a 
transparência e a oportunidade de acesso constante a informações cruciais, 
fortalecendo a comunicação eficaz entre as autoridades e a sociedade. 
Atualmente, o Sinesp VDE conta com um total de 169 usuários registrados, 
representando a abrangência de todas as Unidades Federativas do país. 
 
 
1.19 Sinesp Geointeligência 
O Sinesp Geointeligência é uma ferramenta web, concebida pela Senasp em 
parceria com a Universidade Federal do Ceará, para a visualização de eventos e 
“manchas criminais” destinada aos órgãos integrantes do SUSP aderentes ao 
Sinesp. 
 
 
 
185 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 38: tela demonstrativa do Sinesp Geointeligência 
 
Fonte: DGI/Sinesp. 
 
 
 
 É uma ferramenta para análise de eventos espaço-temporais relacionados 
com ações delituosas. Permite a criação de manchas criminais dinâmicas 
geoespaciais e rotas que podem ser utilizadas para inúmeras finalidades, por 
exemplo, o policiamento ostensivo e comunitário. Esse sistema de geolocalização 
indica quando e onde aconteceu um crime, através de representações gráficas. 
A principal fonte de dados da ferramenta é o Sinesp Integração, solução que 
integra bases de dados de boletins de ocorrência de todo o país, tenham sido eles 
produzidos por outra solução do pacote Sinesp, ou outro sistema legado das 
Unidades Federativas, desde que válidos. Além disso, a solução permite o 
carregamento de dados externos do tipo ponto e/ou polígonos (como por exemplo 
limites de municípios e áreas de policiamento ou pontos de interesse, como 
unidades policiais, agências bancárias etc.). 
 
As principais funcionalidades do Sinesp Geointeligência envolvem a criação 
de cenários e a utilização de modelos de análise espaço-temporais pré-definidos, 
a nível municipal, entre as quais destaca-se: 
 
 
186 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
1. Plotagem de pontos (eventos criminais georreferenciados); 
2. Delimitação de áreas de maior incidência com base na estimativa de 
densidade de Kernel (KDE); 
3. Delimitação de áreas de maior incidência com base no limiar da 
estimativa de densidade de Kernel (MSKDE); 
4. Criação de filtros espaciais; 
5. Plotagem de marcos e pontos de interesse; 
 
Para acesso à ferramenta, dois perfis de acesso estão disponíveis: um 
Federal (que permite a visualização e criação de cenários com dados criminais dos 
municípios de todas as Unidades Federativas) e um Estadual (que tem as mesmas 
permissões, mas apenas para dados criminais da Unidade Federativa a qual o 
usuário pertence). 
No momento, o Sinesp Geointeligência possui 458 usuários cadastrados de 
15 Unidades Federativas diferentes (Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Espírito 
Santo, Minas Gerais, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do 
Norte, Roraima, Rio Grande do Sul e Sergipe). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
187 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 
CONSELHO GESTOR – SINESP 
Para assegurar o bom funcionamento e a governança adequada para 
uso e difusão das soluções que compõem o Sinesp, foi criadoo Conselho 
Gestor do Sinesp, (CONSINESP), responsável por estabelecer diretrizes, 
definir critérios e promover a articulação entre os órgãos e entidades 
participantes do Sinesp. Ele é composto por representantes de diversos 
setores, além dos representantes do próprio Ministério da Justiça e Segurança 
Pública (DGI, SENAPPEN, PF, PRF), há a participação do Ministério dos 
Direitos Humanos e cinco representantes dos Estados ou do DF, sendo um 
de cada região geográfica. 
 
 
A importância do Conselho Gestor reside na sua capacidade de promover a 
transparência, a participação de diversos atores e a responsabilidade na gestão do 
Sinesp. Ao envolver representantes de diferentes órgãos governamentais, o 
Conselho Gestor assegura uma visão ampla dos desafios e das necessidades no 
campo da segurança pública. Além disso, sua atuação contribui para evitar o uso 
indevido das informações e garantir o respeito aos direitos fundamentais dos 
cidadãos.  
Juntos, o Sinesp e o Conselho Gestor representam um compromisso sólido 
com a segurança e o bem-estar dos cidadãos. É fundamental que continuemos a 
fortalecer essas instituições, investindo em tecnologia, capacitação e cooperação, 
para podermos construir uma sociedade mais segura e justa. 
 
 
 
 
 
Saiba mais 
 
 
188 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 2. ADESÃO ÀS SOLUÇÕES DO SINESP 
 
O parágrafo 3º do Artigo 37 da Lei nº 13.675, de 11 de junho de 2018, 
autoriza o Ministério da Segurança Pública a celebrar convênios com órgãos do 
Poder Executivo que não façam parte do Susp (Sistema Único de Segurança 
Pública), com o Poder Judiciário e com o Ministério Público. Esses convênios têm 
como objetivo promover a compatibilização de sistemas de informação e a 
integração de dados, desde que respeitadas as limitações constitucionais de sigilo 
e desde que o objetivo principal dos acordos seja a prevenção e a repressão da 
violência.  
Essa disposição busca fomentar a cooperação e a integração entre 
diferentes órgãos e poderes públicos no combate à violência e à criminalidade. O 
Ministério da Justiça e Segurança Pública é autorizado a estabelecer convênios 
com órgãos do Poder Executivo que não estejam diretamente ligados ao Susp, bem 
como com o Poder Judiciário e o Ministério Público, visando à compatibilização de 
sistemas de informação e à integração de dados relevantes para o enfrentamento 
da violência.  
 
É importante destacar que a celebração desses convênios está sujeita 
às vedações constitucionais de sigilo, ou seja, não podem ser compartilhadas 
informações que estejam protegidas por segredo constitucionalmente 
estabelecido. Além disso, é necessário que o objetivo principal dos acordos 
seja a prevenção e repressão da violência, o que demonstra a finalidade 
voltada para a segurança pública.  
 
Essa autorização reforça a importância da colaboração entre diferentes 
instituições governamentais no enfrentamento da violência e na promoção da 
segurança pública. A integração de sistemas de informação e a compartilhamento 
de dados relevantes entre esses órgãos e poderes contribui para uma atuação mais 
 
 
189 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
eficaz e coordenada na prevenção e repressão dos crimes, facilitando a troca de 
informações e o desenvolvimento de estratégias conjuntas.  
Portanto, o parágrafo 3º do Artigo 37 da Lei do Susp proporciona uma base 
legal para o Ministério da Justiça e Segurança Pública estabelecer convênios com 
órgãos do Poder Executivo, Poder Judiciário e Ministério Público, visando à 
compatibilização de sistemas de informação e à integração de dados com foco na 
prevenção e repressão da violência, desde que observadas as restrições 
constitucionais de sigilo. 
 
Aqui, encerramos os tópicos que tratam das soluções Sinesp e das 
tecnologias que são disponíveis aos agentes e órgãos do Susp, ofertadas pelo 
MJSP. 
Na próxima aula, trataremos do Sistema Córtex! 
 
Vamos lá? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
190 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
AULA 3. CÓRTEX E OUTRAS SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS 
 
Nesta aula você estudará como se deu a construção do sistema Córtex e 
como esse moderno recurso de monitoramento tem auxiliado na execução das 
operações integradas e na produção de dados e informações em segurança pública 
no Brasil. 
Trata-se de uma ferramenta que teve início em 2018 e que tem sido objeto 
de diversas inovações, com melhorias incorporadas continuamente, conforme as 
necessidades de integração e agilidade que um sistema de segurança pública 
integrado exige para que seja efetivo e atinja os resultados esperados. 
Ademais, você conhecerá a evolução do sistema Córtex, desde o seu 
surgimento aos dias atuais, entendendo como e quem poderá acessá-lo, assim 
como acerca de suas condições de uso.  
 
3.1 Córtex 
 
Sabe-se que as redes digitais facilitam a transmissão e o armazenamento de 
grandes volumes de dados, os quais são tratados e atualizados em tempo real, 
agilizando, assim, o processo decisório (BRASIL, 2015). 
A partir da constatação quanto à importância de dispor de uma tecnologia de 
informação adequada, criou-se o sistema Córtex. 
 
O sistema Córtex é uma plataforma criada para configurar e gerir 
módulos que compreendem todas as funcionalidades para executar 
determinadas tarefas relacionadas à gestão de operações integradas e criar 
e gerenciar os usuários que vão usufruir das suas permissões nos respectivos 
módulos a eles atribuídos, sendo uma ferramenta imprescindível para a 
consciência situacional e a tomada de decisões na segurança pública. 
 
 
191 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
INTEROPERABILIDADE DOS SISTEMAS E CONSCIÊNCIA 
SITUACIONAL 
 
Um ambiente integrado e proativo somente é possível por meio da 
interoperabilidade dos sistemas, que inclusive é um dos objetivos da Política 
Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, conforme dispõe o Art. 6º, 
inciso VII, da Lei n.º 13.675, de 11 de junho de 2018. 
Mas o que você entende por interoperabilidade de sistemas? Você 
saberia definir? Segundo a DNAISP (2019), a interoperabilidade dos sistemas 
se refere à capacidade de promover a comunicação entre os sistemas 
(informatizados ou não), compartilhando dados e informações entre os órgãos 
envolvidos para gerar conhecimento e assessorar a gestão e a tomada de 
decisão. 
A interoperabilidade, portanto, é fundamental para subsidiar a 
consciência situacional, a qual, quando tratada apenas nos baixos níveis, gera 
como impacto atraso e prejuízo ao planejamento, na medida em que o 
Comando da Operação adiará as decisões a serem tomadas até que haja 
elementos de informações necessários para esse mister (ALBERTS; 
GARSTKA; STEINS, 1999, p. 164). 
 
 
 
3.1.1 Integração entre Sistemas 
 
É importante você saber que o primeiro passo nesse sentido foi a integração 
realizada pela parceria entre as Diretorias do MJSP a fim de desenvolver um 
módulo destinado ao Cercamento Eletrônico. Na época, este módulo iniciou 
utilizando os dados disponibilizados pelo então Denatran (atual Senatran) para a 
Saiba mais 
 
 
192 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Diretoria de Inteligência (atual DIOPI) e, ao se integrar com as câmeras de 
monitoramento urbano de diversos municípios, por meio de acordos de 
cooperação, permite a detecção de veículos com alerta de pendência documental 
e/ou indicador criminal registrado, como furto, roubo, entre outros. As informações 
são organizadas e exibidas de maneira funcional pela equipe de desenvolvimento 
do sistema Córtex em módulo próprio. 
Com o tempo, novas bases de dados foram integradas no Sistema, como 
por exemplo Receita Federal (Pessoa Física/Jurídica), Banco Nacional de 
Monitoramento de Prisões (BNMP – CNJ), Boletins de Ocorrência (BOPC), Registro 
Nacional de Condutores (RENACH), SIRC (Certidão de Nascimento, óbito, 
casamento), dentre outrasbases que estão em vias de celebração de Acordos de 
Cooperação Técnica. Note que, quanto mais bases de dados integradas, maior 
será o valor na consulta que será realizada e mais insumos o profissional de 
segurança pública terá para realizar o seu trabalho. 
Saiba que novas iniciativas de integração já foram sinalizadas e que devem 
prever diferentes ferramentas que agreguem valor ao sistema Córtex dentro do seu 
principal objetivo, hoje é atender com inteligência demandas operacionais 
comuns em diversas regiões do país, e que pode ampliar os horizontes conforme 
avança o seu uso por diferentes estados e órgãos de segurança pública. Por fim, 
vale ressaltar que o Sistema Córtex possui portaria própria (Portaria Nº 218, de 29 
de setembro de 2021), que normatiza o uso da ferramenta. 
 
3.1.2 Orientações Iniciais de Acesso ao Sistema Córtex e 
Principais Funcionalidades do Cercamento Eletrônico 
 
O Córtex é um sistema de colaboração mútuo entre órgãos, portanto, para 
que um órgão tenha acesso ao sistema, deverá primeiro formalizar um Acordo de 
Cooperação Técnica (ACT) com o MJSP. Neste ACT, será elaborado um plano de 
trabalho, onde o órgão aderente se responsabiliza em disponibilizar bases de dados 
próprias, para assim, receber em contrapartida o acesso ao sistema Córtex e ter 
 
 
193 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
acesso as bases já integradas. Desta forma, o profissional de segurança pública 
deve primeiramente verificar se o seu órgão possui ACT firmado com o Córtex. 
Caso positivo, deve procurar o ponto focal do órgão, que é o responsável pela 
realização do cadastramento de novos usuários. Lembrando que o MJSP se 
responsabiliza unicamente no cadastramento do ponto focal, indicado pela 
autoridade máxima daquele órgão. Este, por sua vez, será responsável pelo 
cadastramento de usuários de sua instituição. 
Tendo o ACT devidamente formalizado, ponto focal cadastrado e usuário 
disponibilizado, a porta de acesso do sistema Córtex é https://cortex.mj.gov.br. 
Na tela inicial, é possível verificar que o usuário deve possuir conta no 
sistema GOV.BR. Importante salientar que o usuário deve possuir uma conta nível 
OURO. Sobre os níveis na conta do gov.br, é possível maiores informações na 
página inicial da ferramenta (https://www.gov.br/governodigital/pt-br/teste-
css/identidade-digital/saiba-mais-sobre-os-niveis-da-identidade-govbr). 
 
Figura 39: Tela inicial do Sistema Córtex 
Fonte: https://cortex.mj.gov.br 
 
 
 
 
194 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Ao realizar o login, note que no menu da lateral direita irá exibir opções de 
acesso na ferramenta. Os itens irão depender do nível de acesso do usuário, desta 
forma, pode ser que algumas funcionalidades não sejam visíveis. Vamos nos focar 
nesta aula, apenas no cercamento eletrônico, sobretudo nas funcionalidades 
básicas que são comuns a maioria dos perfis, que possuem uma gama de 
ferramentas de apoio ao profissional de segurança pública. Verifique na Figura 8 
que tais ferramentas possuem finalidades diversas, seja de consultas, seja de 
emissão de alertas. 
 
Figura 40: Menu de opções do Sistema Córtex. 
Fonte: https://cortex.mj.gov.br 
 
Clicando na funcionalidade “Alertas Gerais”, será exibido um painel conforme 
a Figura acima. Note a importância desta tela, pois, o sistema está exibindo alertas 
em tempo real sobre diversas situações envolvendo veículos e pessoas. 
 
 
 
195 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 41: Alertas Gerais do Sistema córtex. 
 
Fonte: https://cortex.mj.gov.br. 
 
 
 
Os alertas exibidos, atualmente, são das seguintes situações abaixo: 
 Veículo furtado/roubado; 
 Ação criminosa 
 Procurado pela Justiça 
 Falecido 
 Desaparecido 
 Batedores / escolta / trajeto adverso 
 Possível veículo clonado 
 
Observe que os alertas das situações supramencionadas se dão por conta 
de veículos que passaram por dispositivos de radar integrados ao córtex, ou mesmo 
dispositivos de bilhetagem (ex: ônibus/metrô), onde houve uma interação humana. 
Desta feita, seria possível um alarme de um veículo cujo proprietário é procurado, 
ou uma pessoa desaparecida que acabou de passar por uma catraca de ônibus. É 
importante salientar que o assunto não se esgota por aqui, sendo a criatividade dos 
policiais o limite para a implementação de novas formas de alertas. 
 
 
 
196 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Em uma situação em que o indivíduo é procurado, além do alerta, é possível 
verificar os dados do mandado, que estão integrados no Córtex. Em alguns 
mandados, quando disponível, exibe-se a foto do procurado pela justiça. 
Figura 42: Detalhamento de alerta – Mandado de Prisão. 
 
 
Fonte: https://cortex.mj.gov.br 
 
 
Importante salientar que o Córtex é um consumidor de bases de dados, não 
podendo ser utilizado como prova. Caso o profissional tenha lidado com uma 
situação de individuo procurado alertado pelo sistema, é imprescindível a 
conferência do mandado no site oficial do CNJ, para evitar qualquer tipo de 
embaraço com o cidadão abordado 
Agora, vamos verificar as ferramentas de consultas. As principais consultas 
do córtex são separadas em “Veículos” e “Pessoas”. Com uma pesquisa básica (ex: 
placa ou CPF), o Sistema realiza cruzamento em diversas bases de dados e 
apresenta um resultado único. A Figura abaixo demonstra uma consulta de veículo. 
Note na imagem que, além dos dados básicos do veículo, também é exibido se ele 
possui alguma restrição administrativa ou criminal, além de exibir em um mapa os 
últimos lugares que o veículo teve registros nos dispositivos de radares integrados 
ao Córtex. 
 
 
197 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 43: Consulta de Veículo 
 
Fonte: https://cortex.mj.gov.br 
 
 
 
 
É possível ainda realizar uma pesquisa diretamente de um sensor de radar, 
ou seja, podemos perguntar algo do tipo: “quais veículos passaram nesse sensor 
de radar neste período?”. Desta forma, o sistema irá responder os veículos. A 
Figura abaixo demonstra a tela onde o sensor é selecionado, para visualização 
posterior dos veículos: 
 
 
 
198 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 44: Pesquisas em sensores de Radar. 
 
Fonte: https://cortex.mj.gov.br. 
 
 
 
A pesquisa de pessoas possui como principal chave o CPF do indivíduo. Se 
não tiver essa informação, o usuário deve possuir nome completo do indivíduo e 
nome de mãe ou data de nascimento para que ele seja encontrado. Novamente, 
assim como o emplacamento, serão buscados dados deste indivíduo em diversas 
bases de dados, conforme é verificado na próxima Figura (Pesquisa de Pessoas). 
Lembre-se que a pesquisa é feita também para pessoas jurídicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
199 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 45: Pesquisa de Pessoas 
Fonte: https://cortex.mj.gov.br 
 
 
3.2 Brasil Mais 
 
O Programa Brasil M.A.I.S. – Meio Ambiente Integrado e Seguro, 
coordenado pela Polícia Federal, é um dos projetos estratégicos do Ministério da 
Justiça e Segurança Pública, sendo o maior projeto operacional de sensoriamento 
remoto do país. O Brasil M.A.I.S fornece imagens diárias de satélite em alta 
resolução de todo o Brasil além de alertas automáticos indicando desmatamento, 
garimpo, incêndio e plantio de culturas ilícitas, por exemplo. 
A adesão de órgãos públicos adicionais não possui custo, bastando um 
acordo com a Polícia Federal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
200 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 46: tela de abertura do Brasil MAIS 
 
Fonte: MJSP. 
 
 
 
Este programa atua na área de segurança pública, por meio do acesso a 
imagens de satélite de alta resolução. Tem o objetivo de promover a aplicação da 
geotecnologia em apoio às funções de segurança pública, polícia judiciária, 
administrativa e demais atividades de Estado relacionadas ao Ministério. O 
Programa foi planejado e desenvolvidoatravés de subprogramas, projetos, 
atividades e ações de interesse comum dos órgãos e entidades da Pasta, bem 
como dos integrantes estratégicos e operacionais do Sistema Único de Segurança 
Pública (Susp). 
 
 
 
 
 
201 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 47: Programa de Meio Ambiente Integrado e Seguro. 
Fonte: DGI. 
 
Com a incorporação do Programa Brasil MAIS como um dos projetos 
estratégicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, tornou-se possível 
sistematizar e acompanhar indicadores alinhados com os utilizados no âmbito do 
SUSP. Além disso, o Programa promove a formação, capacitação, instrução, 
pesquisa e desenvolvimento de técnicas e tecnologias aplicadas. Através do 
Programa, também é possível produzir informações, conhecimento e estatísticas 
relacionadas às atividades de segurança pública. 
O Programa Brasil MAIS proporciona o acesso e compartilhamento das 
imagens diárias da constelação PlanetScope. Essas imagens são adquiridas pela 
maior constelação de satélites de Observação da Terra do mundo. Além de 
oferecer alta tecnologia global com soluções inteligentes para geração de alertas 
de detecção de mudanças, visando a proteção dos recursos naturais e o combate 
ao crime organizado, o programa possibilita o monitoramento diário de todo o Brasil, 
tornando as mudanças visíveis e acessíveis para ações efetivas. 
Por meio da aquisição de imagens diárias e do uso de tecnologias 
avançadas são gerados produtos e serviços online, como mosaicos analíticos e em 
cores naturais atualizados mensalmente de todo o Brasil, além de índices de 
processamento. A Plataforma Web funciona de forma intuitiva e permite o acesso 
 
 
202 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
às imagens diárias, mosaicos mensais, alertas e a emissão de relatórios 
automáticos analíticos. Essa plataforma também oferece o cruzamento dinâmico 
de dados e indicadores, atendendo a milhares de usuários. 
 
Figura 48: alerta de abertura de pistas de pouso - Brasil MAIS 
Fonte: Brasil MAIS. 
 
 
 
203 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Figura 49: alerta de abertura de pistas de pouso2 - Brasil MAIS 
Fonte: Brasil MAIS. 
 
Um ponto importante a ser destacado é que o programa possui serviços que 
podem ser integrados aos sistemas já existentes, simplificando o acesso aos 
alertas. 
 
 
3.3 Pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública (PISP) 
 
A Pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública é realizada 
anualmente, desde 2004, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública por 
intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública com o objetivo de coletar 
informações, em todas as Unidades da Federação, sobre a estrutura organizacional 
e funcionamento dos órgãos de segurança pública do país (Polícias Civis, Polícias 
 
 
204 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Militares, Corpos de Bombeiros Militares e Institutos Oficiais de Perícia), visando 
subsidiar a elaboração e a execução de políticas públicas para a área.  
Atualmente, o questionário da Pesquisa Perfil é constituído em torno de sete 
grandes eixos: Estrutura Organizacional, Orçamento, Gestão da Informação, 
Recursos Materiais, Recursos Humanos, Capacitação e Valorização Profissional e 
Resultados. 
 
 
Figura 50: Pesquisa Perfil 
 
Fonte: DGI/MJSP 
 
Neste sentido, a aplicação do questionário eletrônico é regulamentada pela 
Portaria nº 265 de 26 de abril de 2021, que disciplina as etapas e o cronograma de 
execução da Pesquisa. 
A pesquisa inicia-se com o encaminhamento às Unidades Federativas que 
distribuem os formulários do tipo survey aos respectivos órgãos respondentes. 
Estes por sua vez, elegem servidores responsáveis pelo preenchimento das 
informações, tendo como referência o ano anterior e usando, quando arbitrável, a 
data de referência de 31 de dezembro (que corresponde à situação do órgão no 
último dia do ano). 
Em seguida, abre-se o prazo para preenchimento das informações e 
devolutiva à Senasp, que, por meio da Coordenação-Geral de Estatística e Análise, 
realiza a primeira análise de consistência e abre novo período de correções, caso 
seja necessário. 
 
 
205 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Por fim, os dados são consolidados e divulgados em duas etapas: uma 
prévia, para os colegiados dos órgãos respondentes da PISP e uma oficial, para o 
público em geral, que tem acesso aos dados, aos painéis gerenciais e aos relatórios 
divulgados por meio do site do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Entre o 
início da coleta e a divulgação dos resultados, o tempo de execução previsto é de 
até um ano.  
Após a conclusão da Pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública, 
os dados ficam disponíveis de forma ampla e online, onde também podem ser 
consultadas as edições anteriores. A realização da Pesquisa simboliza o esforço 
da Secretaria Nacional de Segurança Pública de produzir informações em âmbito 
nacional que viabilizem a elaboração de diagnósticos organizacionais que, por sua 
vez, venham a fortalecer os órgãos de segurança pública, nos diversos níveis. 
Consulte os resultados da última edição da PISP em: 
 
Acesse: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-
publica/estatistica/pesquisaperfil/pesquisas-perfil-da-instituicoes-de-seguranca-
publica 
 
 
Consulte outros dados da Segurança Pública no Portal do MJSP. 
 
Disponível em: https://www.gov.br/mj/pt-br/composicao/orgaos-especificos-
singulares/secretaria-nacional-de-seguranca-publica/diretoria-de-gestao-e-
integracao-de-informacoes/coordenacao-geral-de-estatistica-e-analise 
Saiba mais 
 
 
206 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
3.4 Identidade Funcional 
 
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) está criando um sistema 
que tem como objetivo padronizar a identidade funcional de todos os servidores da 
segurança pública do país. As identidades estão sendo concebidas em acordo com 
as diversas agências do sistema e serão implantadas gradualmente. 
Cada agência terá liberdade para aderir ao sistema, que será totalmente 
digital. Assim, cada órgão poderá cadastrar e atualizar os servidores da sua 
corporação no sistema Sinesp, assim como emitir documentos de identidade 
funcional no formato digital. Essa padronização visa facilitar o intercâmbio de 
informações entre as instituições de segurança pública e otimizar o atendimento à 
população. 
O processo seguirá etapas definidas em portarias publicadas pelo Ministério 
da Justiça e Segurança Pública. Como o processo ainda está em andamento, nem 
todas as portarias estão publicadas. 
 
Assista ao vídeo abaixo e conheça um pouco mais sobre o projeto...  
 
 
Assista em: 
https://sinespdrive.mj.gov.br/index.php/s/IdentidadeFuncionalPadrao 
 
 
207 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
Depois do trâmite, se todos os documentos estiverem corretos, a secretaria 
concederá acesso ao Sistema de Gestão de Identidade Funcional. A Senasp vai 
realizar treinamentos aos gestores indicados para garantir a implementação correta 
do sistema. 
O principal objetivo desta padronização é a possibilidade de validação 
simplificada e segura destas identidades. Com o aplicativo da identidade funcional, 
o profissional da segurança pública terá como confirmar a identidade de outros 
profissionais, incluindo biometria facial. O aplicativo não precisará de internet para 
realizar tal operação. 
Prossiga os estudos em outras capacitações disponibilizadas pela Rede EaD 
Senasp! 
 
Até mais!!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
208 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
FINALIZANDO 
 
Neste módulo, você aprendeu: 
 
 O Ministério da Justiça e Segurança Pública dispõe de soluções 
tecnológicas para utilização pelos Estados com foco no registro de 
dados, análise, gestão, inteligência e a modernização das instituições. 
O compartilhamento se dápor meio de acordos que objetivam 
promover a compatibilização de sistemas de informação e a 
integração de dados, desde que respeitadas as limitações 
constitucionais de sigilo e a finalidade pretendida, relativa à prevenção 
e a repressão da violência.   
 
 O sistema Sinesp Segurança é uma solução abrangente voltada para 
prover serviços essenciais relacionados à autenticação, autorização 
e gestão de usuários com o objetivo de fornecer informações cruciais 
no contexto da segurança pública nas esferas administrativas federal, 
estadual e municipal. 
 
 Dentre os objetivos do Sinesp é possível identificar disponibilização 
de estatísticas e indicadores para formulação e execução de políticas 
públicas. 
 
 Além de prover serviços como assinatura eletrônica e autenticação 
documental para todas as aplicações de segurança pública que forem 
integradas, o Sinesp Segurança possibilita realizar a integração de 
qualquer sistema dos órgãos de segurança pública permitindo o 
Single Sign-On, simplificando o gerenciamento de autenticação e 
melhorando a experiência dos usuários. O SSO é uma funcionalidade 
que permite que os usuários acessem múltiplos sistemas ou 
aplicativos com apenas uma única autenticação, simplificando a 
gestão de identidades, economizando tempo e esforço que seriam 
 
 
209 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
gastos em logins repetidos, e proporcionando benefícios significativos 
em termos de segurança, produtividade e eficiência para as 
organizações. 
 
 O SINESP PPE é uma das soluções de entrada e produção de dados 
para o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública – 
SINESP, seu desenvolvimento, manutenção e evoluções são 
totalmente custeados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública 
e desenvolvidos pela empresa Serviço Federal de Processamento de 
Dados - SERPRO. 
 
 Além do registro de boletins o sistema abrange uma vasta gama de 
procedimentos eletrônicos tais como: Termos Circunstanciados de 
Ocorrência, Boletins de Ocorrência Circunstanciados, Inquéritos 
Policiais, Autos de Prisão em Flagrante, Auto de Investigação 
Administrativa Interna e Auto de Apreensão em Flagrante de 
Adolescente Infrator. 
 
 A utilização das soluções SINESP pelas forças da polícia civil, polícia 
militar, corpo de bombeiros militar, guarda municipais e demais 
integrantes do Sistema Único de Segurança Pública – SUSP, em 
especial do SINESP PPE possibilita a padronização de uma 
metodologia de registro a nível nacional, por meio de parametrizações 
de tabelas corporativas, tabelas de naturezas de fatos típicos e 
atípicos permitindo a obtenção de um dado de altíssima qualidade. 
 
 A Delegacia Virtual - DEVIR do Ministério da Justiça e Segurança 
Pública, é uma das soluções SINESP que foi desenvolvida com o 
objetivo de facilitar a comunicação entre o cidadão e a autoridade 
policial, permitindo a confecção de boletins de ocorrência por meio da 
internet. 
 
 
 
210 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
 O Sinesp Infoseg é uma plataforma que integra diversas bases de 
dados relacionadas à segurança pública no Brasil. Esse sistema 
permite o acesso a informações relevantes para profissionais da área 
de segurança, justiça, fiscalização e órgãos de controle. 
 
 Sinesp Auditoria objetiva garantir a integridade e a governança dos 
sistemas Sinesp, com o intuito de identificar usuários mal-
intencionados, considerando a privacidade do usuário, fornecendo às 
autoridades solicitantes de auditoria elementos para instruções 
processuais relacionados aos usos das Soluções Sinesp, quando 
solicitado respeitando os preceitos legais. 
 
 o Sinesp Análise se consolida como a solução responsável por 
fornecer aos gestores e demais interessados os meios apropriados 
para a construção de estudos e estatísticas nacionais de segurança 
pública, além de apoiar os processos de investigação e inteligência. 
 
 O Sinesp Cidadão é um aplicativo móvel do Sistema Nacional de 
Informações de Segurança Pública que oferece ao cidadão brasileiro 
acesso direto a serviços do Ministério da Justiça e Segurança Pública 
relativos à segurança pública. 
 
 Sinesp Geointeligência é uma ferramenta para análise de eventos 
espaço-temporais relacionados com ações delituosas. Permite a 
criação de manchas criminais dinâmicas geoespaciais e rotas que 
podem ser utilizadas para inúmeras finalidades, por exemplo, o 
policiamento ostensivo e comunitário 
 
 O integrante aderente que deixar de fornecer ou atualizar seus dados 
e informações no Sinesp não poderá receber recursos, nem celebrar 
parcerias com a União para financiamento de programas, projetos ou 
ações de segurança pública e defesa social e do sistema prisional. 
 
 
211 TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA PÚBLICA 
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