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Rua Jacy Loureiro de Campos S/N I Palácio das Araucárias I Centro Cívico I Curitiba/PR I CEP 80.530-915 I 41 3313.6264 I 3313.6670 www.administracao.pr.gov.br 
 
 
Sumário 
Apresentação 5 
1 Introdução ao Programa CRIA e noções básicas de cuidado animal 7 
1.1 O que é o Programa CRIA e quais seus objetivos: 7 
1.2 Noções de bem-estar animal 8 
1.3 Atenção ao comportamento animal 9 
1.4 Referências 12 
Módulo II 13 
2 Cuidados com répteis 13 
2.1 Biologia básica dos répteis 13 
2.2 Quais os cuidados específicos para répteis? 14 
2.3 Como alimentar corretamente? 17 
2.4 Sinais de alerta sobre saúde dos répteis 21 
2.5 Resumo do módulo 22 
2.6 Referências 23 
Módulo III 24 
3 Cuidados com Aves 24 
3.1 Biologia básica das aves 24 
3.2 Manipulação de aves 28 
3.3 Quais os cuidados específicos para as aves? 30 
3.4 Como alimentar corretamente filhotes de aves? 32 
3.5 O que fazer ao se encontrar filhotes “abandonados” 38 
3.6 Sinais de alerta sobre saúde das aves 40 
3.6 Resumo do módulo 40 
3.6.1 Informações gerais: 40 
3.6.2 Cuidados com filhotes: 41 
3.6 Referências 42 
Módulo IV 44 
4 Cuidados com mamíferos 44 
4.1 Biologia básica dos mamíferos 44 
4.2 O que faço quando encontro um filhote? 45 
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4.3 Um pouco sobre manutenção de mamíferos em cativeiro 46 
4.4 Quais os cuidados básicos com mamíferos? 47 
4.5 Como alimentar corretamente? 51 
4.5.1 Alimentação de Didelphis spp. (gambás) 51 
4.6 Cuidados após a alimentação e sinais de alerta sobre saúde dos mamíferos 58 
4.7 Resumo do módulo 59 
4.7.1 Informações gerais 59 
4.7.2 Cuidados com filhotes: 59 
4.8 Referências 60 
Módulo V 61 
5 Lidando com a destinação dos animais 61 
5.1 Lidando com seus sentimentos 61 
5.2 Lidando com a perda de animais 62 
5.2.1 Se algum animal que estou cuidando morrer, o que devo fazer? 63 
 
 
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Apresentação 
SOBRE O CURSO 
O curso Cuidados básicos com fauna silvestre: Preparação para o Programa CRIA 
apresenta as necessidades e técnicas básicas de cuidado (alimentação, higiene etc.) 
com fauna silvestre, atendida pelo Instituto Água e Terra (IAT). Para isso são abordados 
diferentes aspectos dos principais grupos animais atendidos (répteis, aves e mamíferos), 
como sua biologia básica, especificidades alimentares e ambientais etc. Apesar de 
focado neste programa, o curso pode ser de grande interesse para qualquer pessoa 
interessada no tema, principalmente para estudantes de cursos que podem atuar com 
fauna silvestre (Medicina Veterinária, Biologia e Zootecnia). 
 
OBJETIVO DO CURSO 
Sensibilizar os participantes sobre a importância e o papel da fauna silvestre de vida 
livre, bem como fornecer as bases necessárias para se cuidar de animais silvestres 
(atendidos pela Programa CRIA, do Instituto Água e Terra) de forma adequada, com foco 
em filhotes órfãos, visando seu retorno à natureza. 
 
PÚBLICO-ALVO 
Pessoas que tenham interesse em trabalhar ou auxiliar animais silvestres. Isto inclui 
tanto o público em geral, como profissionais e estudantes de áreas que atuam 
diretamente com a fauna (médicos veterinários, biólogos e zootecnistas). 
 
AUTORES 
Bruno Reis Martins – Biólogo 
Tauane Ingrid Menezes Ribeiro – Bióloga 
Walquíria Letícia Biscaia de Andrade – Bióloga 
 
REVISORES 
Mauro de Moura Britto – Biólogo 
Lucyenne Giselle Popp – Médica Veterinária 
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Helia Solange de Freitas Pugllielli – Médica Veterinária 
Egon Juliano de Almeida – Psicólogo 
 
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Módulo I 
1 Introdução ao Programa CRIA e 
noções básicas de cuidado animal 
1.1 O que é o Programa CRIA e quais seus objetivos: 
 
O Programa de Voluntariado para Cuidados e Reabilitação Intensiva de Animais Silvestres 
(CRIA) é executado pelo Instituto Água e Terra (IAT) em parceria com a população, residente 
no Estado do Paraná. Este programa trata do cuidado intensivo de animais, principalmente 
filhotes, resgatados ou apreendidos pelo IAT e que serão reintroduzidos no ambiente após 
a avaliação da sua capacidade de sobrevivência independente. 
 Durante sua guarda o voluntário estará responsável pelo animal e deverá exercer 
atividades referentes à alimentação, manutenção da temperatura do ambiente, higiene do 
animal e do seu abrigo, estímulo ao desenvolvimento do animal e atenção quanto à sua 
saúde, com o registro de informações e comunicação com a equipe do IAT. 
 Após o período de guarda, a equipe do IAT fará o recolhimento do animal para 
analisar suas condições de saúde e desenvolvimento e atestar sua aprovação e destinação 
adequada, a depender da espécie. 
 Com o Programa CRIA, o IAT busca fortalecer o vínculo com a sociedade em ações 
de educação ambiental e conservação da biodiversidade, com atividades de proteção da 
fauna silvestre nativa. O principal intuito do programa é oportunizar às pessoas, interessadas 
em auxiliar a fauna, a chance de cuidarem de animais que precisam de atenção contínua, 
como é o caso de filhotes órfãos. A intenção é demonstrar ao público a diferença entre 
animais domésticos e animais silvestres, se focando nas necessidades e características 
deste segundo grupo. 
 
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 Desta forma, o Programa CRIA busca sensibilizar a população quanto à importância 
da fauna silvestre, permitindo o aprendizado de técnicas para o cuidado com a fauna e 
evidenciando a complexidade dos cuidados com animais silvestres. 
 
1.2 Noções de bem-estar animal 
 
Ao se cuidar de animais é preciso ter em mente que eles são seres vivos, com 
necessidades básicas que variam entre cada espécie. Por isso é importante se atentar para 
o bem-estar deles. As boas práticas no cuidado com a fauna incluem a prevenção a doenças 
e acidentes, o tratamento de problemas e o fornecimento de alimentos e condições de vida 
adequadas às necessidades e a natureza de cada espécie. Existem diversas definições de 
bem-estar animal, mas em geral o conceito se baseia em cinco pilares (também chamados 
de cinco liberdades animais): 
● Direito ao bem-estar nutricional: O animal deve estar livre de sede e de fome, sendo 
alimentado com quantidade, frequência e tipo de alimento adequado à sua espécie. 
● Direito do animal à saúde: Manter a condição corpórea adequada, isto é, o animal 
deve estar livre de doenças, dores ou ferimentos. 
● Direito a um ambiente adequado: o animal deve ser mantido em local com 
condições apropriadas para sua espécie, ou seja, com temperatura, luminosidade e 
umidade adequadas. É importante que as superfícies tenham textura adequada 
também, a fim de prevenir lesões e possibilitar a devida higienização do local. 
● Direito à liberdade comportamental: cada animal deve ser livre para expressar os 
comportamentos naturais de sua espécie. Para isso é importante prover elementos 
que possibilitem a expressão comportamental natural do animal, como por exemplo, 
espaço suficiente, uso de objetos, elementos semelhantes ao do ambiente natural da 
espécie, etc. 
● Direito ao bem-estar mental: o animal deve estar livre de “emoções negativas”, isto 
significa que o animal deve estar livre de condições que lhecausem estresse, medo, 
ansiedade entre outras emoções que possam afetar negativamente sua saúde. 
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Vale destacar que a ideia de bem-estar animal surge com foco nos animais 
domésticos, principalmente cães e gatos, sendo fortemente amparada por conselho de ética 
e pelo Conselhos de Medicina Veterinária. Todavia a ideia se amplia para animais silvestres 
que estejam em situação de cativeiro, seja de forma temporária ou definitiva. 
No caso do Programa CRIA, as ideias de bem-estar animal devem permear as ações tanto 
dos voluntários, como da equipe técnica do IAT. Em outras palavras, todos devemos nos 
preocupar em atender aos cinco pilares do bem-estar animal, mas claro, considerando 
nossas condições de atendimento e o desenvolvimento do animal. Por exemplo, sabemos 
que um sabiá necessita de um amplo espaço para expressar seu comportamento natural, 
mas nem por isso vamos deixar um filhote, que nem tem penas ainda, exposto em uma 
área ampla e aberta. Na relação bem-estar animal e cuidado com a fauna, deve sempre se 
priorizar o bom senso. 
 
1.3 Atenção ao comportamento animal 
Além do bem-estar, outra preocupação importante nos cuidados com a fauna silvestre 
é o comportamento dos animais. Cada espécie tem um conjunto particular de 
comportamentos e na natureza eles precisam aprender coisas como: procurar alimento e 
abrigo, fugir de predadores, buscar parceiros de acasalamento, identificar ameaças etc. No 
ambiente natural, os animais encontram as condições ideais para realização de cada um 
desses comportamentos e, em muitos casos, os indivíduos aprendem uns com os outros. 
No caso de filhotes, isto é ainda mais significativo, pois grande parte do aprendizado vem 
dos pais. Sendo assim, os cuidados humanos nunca serão completamente eficientes, como 
os cuidados dos pais do filhote. Mas podemos trabalhar de forma adequada, para que o 
animal retorne à natureza apresentando os comportamentos necessários à sua 
sobrevivência. Para isso, precisamos entender algumas coisas básicas sobre o 
comportamento animal e sobre três processos-chave que devemos evitar: a domesticação, 
a humanização e o imprinting. 
O comportamento animal é muito complexo e varia de acordo com cada espécie. A 
etologia é a ciência que estuda o comportamento animal, trazendo novas descobertas a 
cada ano. Ela nos mostra que, basicamente, cada comportamento é gerado pela 
combinação de fatores genéticos e ambientais. Ou seja, parte do comportamento “nasce” 
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com o indivíduo, e parte é aprendida. Esse aprendizado ocorre com as experiências 
adquiridas a partir de interações com os pais, com outros indivíduos (da mesma espécie ou 
de espécies diferentes) e/ou com o ambiente. 
Como exemplo da importância do aprendizado, vamos comparar o que acontece com 
a espécie humana e com o sabiá. Ao nascer, uma criança já sabe produzir diversos sons, 
mas ela só aprende a falar a partir de interações com os pais, familiares e outras pessoas. 
Isso acontece da mesma forma com outras espécies de animais e no exemplo do sabiá, o 
filhote já nasce sabendo emitir uma série de sons, mas só vai aprender a cantar tendo 
interações com os pais e com indivíduos da mesma espécie. Aqui vimos o exemplo do canto 
e da fala, mas isto se aplica a inúmeros tipos de comportamento. 
Sabendo um pouco sobre o comportamento animal, podemos pensar nos processos 
a se evitar no trato de animais silvestres. A domesticação é uma mudança dos 
comportamentos naturais de uma espécie. Neste processo, o animal se torna mais dócil e 
fica completa ou parcialmente dependente de seres humanos para conseguir alimento e 
abrigo. Quando falamos de tratos de animais silvestres, temos que tomar um grande cuidado 
para evitar a domesticação, afinal o objetivo é permitir seu retorno ao ambiente natural. 
Portanto, ele deve ser independente e capaz de sobreviver sozinho na natureza. 
Outro termo importante sobre esse assunto é a humanização. Simplificando, este é o 
processo no qual tratamos os animais como se fossem seres humanos. Vestir roupas nos 
animais, conversar o tempo todo com eles, oferecer nossa comida, pegar no colo várias 
vezes, são exemplos de ações de humanização. Quando muito exagerado, este processo 
pode ser prejudicial, tanto aos animais (que perdem sua liberdade comportamental) quanto 
às pessoas (que podem acabar sofrendo prejuízos psicológicos). 
Além de tudo, quando cuidamos de animais precisamos lembrar que eles veem e 
entendem o mundo de uma forma completamente diferente da nossa. Por causa disso, não 
podemos aplicar nossos princípios éticos no comportamento animal. Por exemplo, para nós 
é completamente absurda a ideia de assassinar um irmão para conseguir mais comida e 
atenção, mas para algumas espécies de aves isto é completamente normal. Lembrar que 
animais são diferentes dos seres humanos é o primeiro passo para evitar sua humanização 
e favorecer seu retorno para a natureza. 
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Por fim, temos o imprinting (também chamado de estampagem), termo que se refere 
a um tipo bastante específico de aprendizado. Nele, há um intervalo de tempo bem definido, 
no qual o animal aprenderá algum comportamento. Um exemplo clássico de imprinting é o 
que acontece com filhotes de ganso, que ao nascerem associam a primeira coisa que veem 
se movendo como sendo sua a mãe, passando a segui-la o tempo todo. Na natureza este é 
um comportamento interessante, pois ficando sempre próximos da mãe, eles estarão mais 
protegidos. Todavia, em ambientes não naturais, os filhotes podem passar a seguir coisas 
muito diferentes da mãe, como em um exemplo em que passaram a seguir a pessoa que os 
alimentava, a qual devem ter visto assim que eclodiram dos ovos. 
No entanto, o imprinting não ocorre apenas com filhotes, em alguns períodos 
específicos animais adultos também passam por isso. Possíveis exemplos, são os casos em 
que leopardas adotaram filhotes de espécies que costumam ser suas presas, como 
babuínos. Pela lógica, não faz sentido um predador cuidar dos filhotes de uma presa, mas 
isto pode acontecer caso a fêmea de leopardo esteja passando por um período de 
maternidade, no qual fica mais propensa a realizar cuidados parentais quando em contato 
com filhotes. 
Desta forma, se desejamos que os animais que cuidamos retornem à natureza, 
devemos evitar ao máximo ações de domesticação e humanização, assim como evitar 
ensinar ou estimular comportamentos não naturais. Isto pois, o comportamento dos animais 
influencia diretamente sua sobrevivência e reprodução na natureza. 
A seguir encontram-se algumas dicas de como cuidar do animal de maneira 
apropriada, evitando-se a domesticação e melhorando as chances de sobrevivência dele: 
● Manipule os animais somente o necessário, de preferência utilizando luvas 
cirúrgicas; 
● Evite tirar fotografias dos animais e nunca utilize flash; 
● Evite ficar exibindo o animal para parentes, amigos, visitas etc. (muitas 
pessoas conversando e ficando em cima do animal é um grande fator de estresse); 
● Não converse com o animal; 
● Evite falar ou escutar música perto dele (para evitar que ele associe a voz 
humana com cuidados e alimentação, por exemplo); 
● Evite utilizar perfumes ou produtos com cheiro muito forte; 
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● Mantenha ele longe de animais domésticos (pois os animais domésticos 
podem transmitir doenças aos animais silvestres e vice-versa); 
● Evite manipular o animal muito próximo do seu rosto; 
● Se o filhote já estiver maior, utilize enriquecimento ambiental: pesquise o tipo 
de habitat da espécie. Coloque no abrigo elementos que ele encontraria normalmente em 
seu ambiente (como folhas, galhos…); 
● Estimule a busca por alimentos. Esconda a comida em algumas partes do 
abrigo ou dificulte um pouco o acesso à comida. Vale lembrar que isso serve apenas animais 
que já estão comendo sozinhos, não vale para filhotes muito novos que precisam de outros 
cuidados; 
● Se você conhecer a dieta natural da espécie e o filhote já tiver parado de 
consumir papinha, ofereça alimentos que ele encontraria naturalmente em seu hábitat. 
 
Podemos não ser substitutos perfeitos dos pais desses animais, mas tomando esses 
cuidados com toda certeza conseguimos dar grandes chances para o animal viver livre e 
saudável na natureza. 
Entretanto, ressalta-se que por meio do Programa CRIA as pessoas recebem animais 
cujos cuidados são mais “simples”. Algumas espécies, como aves de rapina, por exemplo, 
precisam ser reabilitadas antes de retornar à natureza. Ou seja, elas precisam reaprender 
alguns comportamentos chave para sua sobrevivência. Nestes casos, o trabalho deve ser 
feito apenas por profissionais habilitados e com experiência na reabilitação de fauna. 
 
1.4 Referências 
 
ALCOCK, JOHN. Comportamento Animal: Uma Abordagem Evolutiva. Artmed, 9ª 
edição, Porto Alegre, 2011 
FANTOCHE É USADO PARA ALIMENTAR FILHOTE DE AVE, EM RISCO DE EXTINÇÃO, 
ABANDONADO PELOS PAIS. Conexão Planeta: inspiração para a ação. Disponível em: 
https://conexaoplaneta.com.br/blog/fantoche-e-usado-para-alimentar-filhote-de-ave-em-
risco-de-extincao-abandonado-pelos-pais/. Acesso em: 24 ago. 2021 
https://conexaoplaneta.com.br/blog/fantoche-e-usado-para-alimentar-filhote-de-ave-em-risco-de-extincao-abandonado-pelos-pais/
https://conexaoplaneta.com.br/blog/fantoche-e-usado-para-alimentar-filhote-de-ave-em-risco-de-extincao-abandonado-pelos-pais/
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IMPRINTING, Consciência Animal. Disponível em: 
https://www.blogs.unicamp.br/conscienciaanimal/imprinting/. Acesso em: 21 jun. 2021 
NACHTIGALL, V.M. et al. Utilização de fantoche para alimentação de suindara (Tyto furcata): 
relato de caso. In: XXVII CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 4º Semana Integrada, 
2018, Universidade Federal de Pelotas. Disponível em: 
https://cti.ufpel.edu.br/siepe/arquivos/2018/CA_02119.pdf . Acesso em 24 ago. 2021 
SOBRE O BEM-ESTAR ANIMAL, Laboratório de Bem-estar animal (LABEA), Universidade 
Federal do Paraná (UFPR). Disponível em: 
http://www.labea.ufpr.br/caocomunitario/introducao-a-bem-estar/(UFPR). Acesso em: 21 
jun. 2021 
 
Módulo II 
 
2 Cuidados com répteis 
2.1 Biologia básica dos répteis 
 
Os répteis são animais vertebrados e ectotérmicos, ou seja, precisam de fontes externas de 
calor para regular sua temperatura corporal, assim como se movimentam para lugares mais 
frescos quando precisam diminuir sua temperatura. Além disso, alguns têm a pele coberta 
de escamas. Sua distribuição entre ambientes aquáticos, terrestres ou intermediários varia 
conforme a espécie. São conhecidos como quelônios (tartarugas, jabutis e cágados), 
crocodilianos, serpentes, lagartos e anfisbenas (cobras de duas cabeças). 
O Brasil é o terceiro maior país em número de riqueza de répteis, com 
aproximadamente 795 espécies, e destas, grande parte é endêmica (COSTA; BÉRNILS, 
https://www.blogs.unicamp.br/conscienciaanimal/imprinting/
https://cti.ufpel.edu.br/siepe/arquivos/2018/CA_02119.pdf
http://www.labea.ufpr.br/caocomunitario/introducao-a-bem-estar/(UFPR)
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2018). Sua distribuição é ampla e podem ser encontrados em quase todos os ecossistemas 
do planeta. A Mata Atlântica e o Cerrado apresentam uma diversidade de répteis de cerca 
de 200 e 150 espécies, respectivamente. 
 Os répteis possuem órgãos especiais na boca e no nariz que exercem funções 
sensoriais de olfato e paladar. Algumas espécies podem apresentar estruturas semelhantes 
a nadadeiras ou membranas entre os dedos, dependendo do ambiente ao qual a espécie é 
advinda. 
 A reprodução de grande parte dos répteis é pela postura de ovos. E para se 
desenvolverem de forma adequada, necessitam de uma alimentação equilibrada e de uma 
temperatura ambiental apropriada. Por isso, para cuidados de filhotes de répteis em 
cativeiro, é preciso ter atenção redobrada à alimentação e à manutenção da temperatura do 
abrigo. Da mesma forma, nesta situação de cuidados com filhotes de répteis, também é 
importante se atentar à iluminação, pois os filhotes precisam da diferenciação do dia e da 
noite. Por tanto, para o aquecimento são indicados equipamentos como lâmpadas 
específicas para répteis, lâmpadas de cerâmica ou infravermelhas ou mesmo pedras 
aquecidas. Mas lembre-se sempre dos cuidados com a temperatura, para não sobreaquecer 
o animal. 
 Para as finalidades deste treinamento, as informações seguintes serão direcionadas 
para os quelônios e lagartos, por serem os indivíduos com maior incidência nas ações do 
Programa CRIA. 
 
2.2 Quais os cuidados específicos para répteis? 
 
Quando se trata de cuidados de répteis em cativeiro, é importante salientar a atenção devida 
às condições como temperatura, exposição ao sol e umidade. Esses fatores são essenciais 
para a manutenção da saúde destes animais e podem variar muito, a depender da espécie. 
 Os quelônios podem ser divididos em três grupos principais: tartarugas, jabutis e 
cágados. As diferenças entre eles podem ser identificadas pelo formato do casco, pelas 
patas, pela alimentação e pelos ambientes onde vivem (Figura 2.1). 
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Figura 2.1. Principais diferenças entre os quelônios. Fonte: Bruno Reis Martins (com base em: 
https://pontobiologia.com.br/diferenca-entre-jabuti-cagado-tartaruga/) 
 
 A identificação destas diferenças é importante para o fornecimento de cuidado 
adequado para cada espécie, principalmente no que se refere à alimentação e recinto. 
 O tamanho do recinto deve ser condizente com o tamanho do animal e fornecer um 
ambiente adequado para o seu desenvolvimento. A utilização de termômetro para 
acompanhar a temperatura ambiente é necessária para controlar a temperatura ideal para o 
animal. Além disso, deve-se ficar atento com a umidade e ventilação do abrigo para que este 
permaneça constantemente adequado para as necessidades do animal. Ainda, reitera-se a 
necessidade de cuidados para que, caso existam animais domésticos na residência, estes 
não representem ameaças e não interajam com o animal silvestre sob cuidado. 
https://pontobiologia.com.br/diferenca-entre-jabuti-cagado-tartaruga/
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 No Estado do Paraná é comum a criação de duas espécies de cágados como animal 
de estimação, o tigre-d’água-brasileiro (figura 2.2 A) e o tigre-d’água-de-orelha-vermelha 
(figura 2.2 B). Ambas as espécies são consideradas exóticas invasoras no Paraná, mas é 
importante saber diferenciar cada uma. Isto porque o tigre-d’água-brasileiro (Trachemys 
dorbigni) ocorre naturalmente no Estado do Rio Grande do Sul, assim sua comercializaçãoé permitida, se feita por criadouros licenciados e autorizados. Já o tigre-d’água-de-orelha 
vermelha (Trachemys scripta elegans) é nativo dos Estados Unidos da América, além de 
sua comercialização ser proibida no Paraná, esta espécie é mais agressiva em termos de 
invasão biológica. As duas espécies possuem aparência similar, mas seus hábitos e 
comportamento são bastante distintos. A forma mais fácil de diferenciar as espécies é por 
meio da mancha lateral que possuem na cabeça. No tigre-d’água-brasileiro esta mancha é 
amarela ou levemente alaranjada e costuma ser uma parte alargada de uma listra (figura 2.2 
A). Já no tigre-d’água-de-orelha-vermelha esta mancha é de cor vermelha (como indica seu 
nome) e costuma ser uma mancha de fato. Por serem classificadas como exóticas invasoras, 
não é possível realizar a soltura destas espécies em território paranaense, pois isto 
acarretaria em problemas ambientais. Assim, a melhor forma de se evitar problemas é não 
incentivar o comércio ilegal (seja ele físico ou online) e saber identificar estas espécies. 
 
Figura 2.2: A) Tigre-d’água-brasileiro - Trachemys dorbigni. Fonte: 
https://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7430-repteis-trachemys-dorbigni-tigre-d-agua 
B) Tigre-d’água-de-orelha-vermelha - Trachemys scripta elegans. Fonte: Dalgial 2008 - 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Trachemys_scripta_elegans_at_Hampyung_Korea_02.jpg. 
Observe que o tigre-d’água-de-orelha-vermelha (Trachemys scripta elegans) é facilmente identificado pela mancha 
vermelha na lateral da cabeça. 
A B 
https://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7430-repteis-trachemys-dorbigni-tigre-d-agua
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Trachemys_scripta_elegans_at_Hampyung_Korea_02.jpg
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2.3 Como alimentar corretamente? 
 
De maneira geral, os répteis necessitam de uma alimentação rica em cálcio. Isso pode ser 
suprido pela escolha de alimentos naturais ricos neste nutriente ou na complementação 
alimentar com suplementos de cálcio para animais. 
 A alimentação dos lagartos se constitui principalmente por ovos, insetos e vegetais, 
a depender da espécie. Quando em recinto artificial, a alimentação deve ser oferecida com 
a possibilidade de incentivos de busca, favorecendo a autonomia e desenvolvimento de 
habilidades do animal. Quando disposta em recipientes, o mesmo deve ser raso e estar 
visível para o animal. 
 Para quelônios adultos, a alimentação varia e pode ser composta por vegetais 
(morango, melão, couve, alface, cenoura), insetos (grilos, baratas, etc.), minhocas, peixe ou 
frango cru, entre outras. A disposição dos vegetais deve ocorrer em um recipiente raso, de 
maneira que o alimento fique visível para o animal. Os alimentos ofertados devem ser 
frescos. Os vegetais folhosos podem ser picados e dispostos como uma salada. Já frutas e 
demais vegetais não folhosos devem ser cortados ou triturados, para evitar a asfixia, 
principalmente se forem ofertados para filhotes. Ainda, é aconselhável evitar a oferta de 
ração diariamente, equilibrando a alimentação diária com uma oferta variada de vegetais 
e/ou proteína animal. Ou seja, oferecer ração e frutas em um dia, peixe e vegetais no outro 
etc. Por mais que as rações (tanto para tartarugas, quanto para jabutis) sejam ótimas 
nutricionalmente, é importante oferecer alimentos que o animal encontraria na natureza, 
estimulando seu paladar e ensinando-o o quê procurar no ambiente natural. 
 No caso da alimentação de filhotes de quelônios, vale lembrar que eles são bastante 
sensíveis à nutrição. Por isso, no caso de filhotes de jabutis pode ser oferecida uma pasta, 
feita de acordo com a receita a seguir: 
 
Ingredientes: 
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● 1 ou 2 tipos de fruta (banana, mamão, maçã etc.) 
● batata-doce cozida 
● abóbora cozida 
● folhas (como couve, repolho, espinafre etc.) 
● carne moída crua 
● ração canina 
● carbonato de cálcio 
 
Preparo 
1. Passe as frutas, a batata-doce cozida e a abóbora cozida em um moedor (ou amasse 
com um garfo) 
2. Misture esses vegetais com a carne moída crua 
3. Triture a ração canina e adicione à mistura 
4. Adicione carbonato de cálcio (pode ser adquirido em lojas de produtos à granel, ou 
ser substituído por outra complementação de cálcio. Em caso de dúvida, procure um 
apoio veterinário. Em geral, utilize apenas uma pitada de carbonato de cálcio para 
quantidades pequenas de papa) 
5. A mistura deve ficar com uma consistência pastosa, como um mingau bem grosso. 
 
Esta é uma receita básica que pode ser adaptada conforme a disponibilidade de 
ingredientes. Mas lembre-se de não exagerar na quantidade de papa, faça porções bem 
pequenas, para utilizar na hora. Sobras ou quantidades muito grandes podem estragar, 
mesmo na geladeira, e causar doenças no animal. No caso de filhotes de tartarugas e 
cágados, pode ser oferecido alimento normalmente, apenas cuidando com as porções. 
É importante salientar que para os jabutis é preciso dispor os alimentos no ambiente 
seco, assim como oferecer um pote de água para o animal beber. Já para tartarugas e 
cágados, o alimento é oferecido na água (o animal bebe água no local em que nada, por 
isso não é preciso oferecer água de outra forma), neste caso ela deve ter profundidade 
aproximada de cinco (5) centímetros e ser limpa após a alimentação, para se manter as 
condições sanitárias do animal. Espécies aquáticas costumam defecar na água, por isso é 
fundamental manter a limpeza do abrigo. O ideal é que tartarugas e cágados, principalmente 
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os filhotes, sejam criados em aquaterrários, com aquecedores e filtros de água que permitem 
melhor manutenção ambiental do abrigo. 
No caso do Programa CRIA, por se tratar de uma guarda temporária, pode não 
compensar a aquisição de um aquaterrário. Assim sendo, podem ser tomadas outras 
medidas, caso você receba uma espécie de quelônio aquático: mantenha o animal em um 
local seguro, longe de animais de estimação e em um lugar de onde não consiga escapar. 
Se possível, mantenha uma bandeja com água para que o animal possa entrar e sair a hora 
que quiser (figura 2.3). Permita que o animal tome sol todos os dias. Na hora de alimentar, 
coloque o alimento na água (ração para tartarugas ou pedaços de peixe ou frango, crus), 
deixe o animal comer sozinho e não o force. Em geral, essas espécies comem uma vez ao 
dia. Lembre que a temperatura da água é importante, ele deve ficar entre 25 e 28°C (se for 
muito fria o animal pode ter hipotermia, se for muito quente pode causar queimaduras ou 
superaquecimento). 
 
Figura 2.3: Tigre-d ’água em bandeja plástica com água. Observe que é importante colocar um apoio (como uma pedra, 
no exemplo da foto) para que o animal possa entrar e sair da água quando quiser. Fonte: Bruno Reis Martins 
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Figura 2.4: Formas de se segurar quelônios. Deve-se segurar o animal pela carapaça, de preferência com as duas mãos. 
Nunca segure o animal pelas patas, cauda ou cabeça. Lembre-se também que o animal costuma tentar se soltar, por isso 
tome cuidado para não o derrubar e preste atenção para evitar sofrer aranhões e mordidas. Fonte: Alessandro Vieira. 
 
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2.4 Sinais de alerta sobre saúde dos répteis 
Os répteis podem desenvolver doenças que, geralmente, são ocasionadas por condições 
ambientais como temperatura, umidade, stress (baixa na imunidade), água ou alimento 
contaminados, entre outros, por isso, é sempre importante estar atento aos sinais e sintomas 
demonstrados pelos animais. Neste tópico, será tratado sobre as principais doenças dos 
répteis, de forma geral. 
a) Doenças infecciosas causadas por bactérias: as principais doenças bacterianas que 
afetam os répteis são causadas por Salmonella, Pseudomonas spp., Aeromonas spp., 
Chlamydia spp., Klebsiella spp., Vibrio spp., Shigella spp., Escherichia coli, entre 
outras gram-negativas e Micrococcus spp., Streptococcus spp., Staphylococcus spp., 
e Clostridium spp. (gram-positivas). Estas infecções podem causar problemas 
gastrointestinais, epidérmicos ou respiratórios. Em alguns casos, os animais chegam 
a óbito mesmo sem apresentar sintomas graves. Exceções são com sintomas 
respiratórios, estes sim são graves e requerem atendimento veterinário imediato. No 
caso de quelônios é possível observar sintomas como corrimento nasal e lacrimal 
(geralmente é bem semelhante à clara de ovo), que muitas vezes formam até um 
pouco de espuma; 
b) Doenças virais: Herpesvirus, Adenovírus, Poxvírus, Paramyxovirus, Arenavirus, 
Reovirus, Ranavirus e Papillomavirus são os principais vírus associados a doenças 
que acometem os répteis. Em alguns casos, um mesmo organismo pode estar 
infectado com mais de um tipo de vírus concomitantemente. Estes podem causar 
lesões de pele, sintomas respiratórios como roncos, anormalidades de flutuabilidade 
e mergulho, presença de estruturas semissólidas, amareladas e grumosas nos olhos 
e traqueia (estas estruturas são chamadas de cáseos). Em casos mais graves o 
quelônio pode ficar o tempo todo com a boca aberta, podendo ser visualizado cáseos 
na cavidade oral; 
c) Doenças causadas por parasitas: muitas vezes são difíceis de identificar pela falta de 
especificidade dos sintomas. Os sintomas mais comuns são perda de peso, anorexia, 
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vômitos e diarreia. Para a correta identificação da doença, é necessária a destinação 
ao veterinário e a realização de exames. 
d) Doenças causadas por fungos: frequentemente são consequência de manejo 
inadequado, alta umidade e temperatura, superlotação, falta de higiene, entre outros 
fatores relacionados às condições do recinto. Os principais sintomas são: 
dermatomicoses; lesões de pele como hiperqueratoses, necroses ou perda de 
pigmentação; pneumonia, lesões granulomatosas; formação de crosta; micose 
sistêmica; entre outros. Nos quelônios as lesões ocorrem frequentemente na 
carapaça, com formação de placas de textura enrugada, formação de erosões (as 
quais vão se unindo entre si), mudanças de cor (geralmente despigmentações) ou 
mesmo o deslocamento total de escamas da carapaça. 
 
 Os principais fatores que resultam em doenças em répteis em cativeiro são 
resultantes de problemas alimentares e de recintos impróprios. Geralmente, esses fatores 
ocasionam patologias como a anorexia, a hipovitaminose A e a Doença Óssea Metabólica 
(DOM) (PARANZINI; TEIXEIRA; TRAPP, 2008). A partir disso, reforça-se a necessidade de 
atenção aos cuidados com a alimentação e manutenção do recinto para a saúde do animal. 
Mesmo com todos os cuidados adequados, se você observar algum sintoma, 
alteração de comportamento, ou sinal de alerta, entre em contato com o IAT, ou leve o animal 
até o centro veterinário indicado pelo órgão. 
 
2.5 Resumo do módulo 
 
o Cuidados com a alimentação e o recinto: as condições ideais são essenciais para a 
manutenção da saúde dos animais. Mantenha os recintos sempre limpos e utilize 
alimentos frescos; 
o Lave os recipientes de comida e água diariamente. Mas lembre-se de evitar o uso de 
produtos muito fortes, geralmente água e sabão são suficientes; 
o Ofereça alimentos frescos e de boa procedência; 
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o Possibilite a exposição dos animais ao sol: os répteis precisam de fontes externas de 
calor; 
o Observe as características dos animais: auxilia na identificação de patologias e no 
desenvolvimento dos animais, ambas são características necessárias para as tomadas 
de decisão de destinação dos animais; 
o Evite manipular o animal sem necessidade: quanto menos contato o animal tiver com 
pessoas, melhor. 
o No caso de quelônios, lembre-se de considerar os diferentes grupos, antes de 
escolher o tipo de alimento e de recinto: 
▪ Tartarugas: prioritariamente aquáticas 
▪ Jabutis: exclusivamente terrestres 
▪ Cágados: transitam entre ambiente aquático e terrestre (costumam ser os 
principais tipos de répteis atendidos pelo IAT) 
 
 
 
2.6 Referências 
 
BERNARDE, P. S. Anfíbio e répteis: introdução ao estudo da herpetofauna brasileira, 
Anolisbooks, 320 p., 2012. 
COSTA, H. C.; BÉRNILS, R. S. Répteis do Brasil e suas Unidades Federativas: Lista de 
espécies. Herpetologia brasileira, v. 7, n. 1, p. 11-57, 2018 
O’ROURKE, D. P.; LERTPIRIYAPONG, K. Biology and diseases of reptiles. In: Laboratory 
Animal Medicine. Academic Press, 2015. p. 967-1013. 
PARANZINI, C. S.; TEIXEIRA, V. N.; TRAPP, S. M. Principais distúrbios nutricionais 
encontrados em répteis cativos–revisão bibliográfica. Journal of Health Sciences, v. 10, n. 
2, 2008. 
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RAMOS, C.A. Manual sobre Alimentação de Filhotes de Animais Silvestres, 1ed. 
Ribeirão Preto: Polegatto Editora e Serviços Ambientais, 2019 
 
Módulo III 
3 Cuidados com Aves 
3.1 Biologia básica das aves 
Ao longo de milhares de anos as espécies sofrem modificações, algumas espécies 
surgem e outras desaparecem, por diversos eventos evolutivos. Há cerca de 65,5 milhões 
de anos um evento catastrófico fez os dinossauros serem extintos. No entanto, nem todos 
desapareceram com esse evento, um grupo de dinossauros sobreviveu e existe até hoje: as 
aves. 
Hoje se conhecem cerca de dez mil espécies de aves, suas principais características são 
as adaptações corporais que lhes permitem voar (mesmo que algumas espécies de aves 
não voem). Muitas destas adaptações se relacionam a ter um corpo mais leve, tais como: 
ausência de dentes e bexiga urinária, intestinos encurtados, ossos pneumáticos etc. Outras 
adaptações se relacionam ao metabolismo e estruturas que possibilitam o voo, como: 
presença de penas (que dão sustentação no ar, auxiliam em manobras e servem como 
isolante térmico), presença de sacos aéreos (estruturas que ampliam a capacidade 
respiratória das aves, além de outras funções), metabolismo acelerado, cerebelo bem 
desenvolvido entre outras. 
Estas adaptações ao voo nada mais são que características físicas e comportamentais, 
que fazem das aves seres únicos. Ao se cuidar destes animais, devemos levar em conta 
estas particularidades, as quais nos ajudam a entender quais os cuidados específicos para 
o grupo das aves. 
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Por exemplo, possuir um metabolismo acelerado implica em duas coisas: temperatura 
corporal elevada e maior necessidade de alimento. A temperatura média de uma ave 
saudável estáentre 39 e 42°C (uma faixa de temperatura considerada febre alta em seres 
humanos). No cuidado com as aves, conhecer estas características metabólicas do grupo 
afeta diretamente a forma de tratamento. Devido ao metabolismo acelerado, as aves 
precisam ser alimentadas com frequência muito maior do que um mamífero (por exemplo, 
um cachorro adulto pode ser alimentado duas vezes por dia, já uma ave adulta irá se 
alimentar várias vezes por dia). 
Existem ainda outras situações que demonstram a necessidade de se conhecer a 
biologia de cada grupo. Por exemplo, saber que as aves possuem ossos pneumáticos (ossos 
bem porosos, com estrutura interna que lembra uma esponja) nos faz ter consciência que 
devemos manipulá-las com cuidado, para não provocarmos nenhuma fratura. Visto a 
importância de se conhecer um pouco sobre o grupo de animais que iremos tratar, serão 
apresentadas a seguir algumas informações básicas sobre a biologia das aves, de acordo 
com cada sistema. 
Pele: a pele das aves apresenta três camadas, é coberta de penas e não possuem 
glândulas (a única exceção é a glândula uropigiana, que se localiza na base da cauda e 
produz um tipo de óleo que serve para impermeabilizar as penas). 
Penas: são estruturas feitas de queratina e crescem em áreas específicas da pele. Elas 
auxiliam as aves no voo e funcionam como isolante térmico. Além disso, graças aos óleos 
vindos da glândula uropigiana, elas também auxiliam na impermeabilização e flutuação das 
aves. As penas são formadas por minúsculas “cerdas”, as quais se encaixam entre si e 
dando firmeza à pena, o que possibilita o voo. Existem diversos tipos de penas, cada uma 
com uma função, podendo aparecer em partes diferentes do corpo, ou apenas em algum 
estágio de vida. As penas também são muito importantes para dar formato e cor ao corpo 
das aves. 
Esqueleto: as aves possuem um esqueleto resistente mas bastante leve. Isso é possível 
pois vários ossos das aves são fundidos uns aos outros (o que diminui a quantidade de 
ossos). Além disso, parte dos ossos das aves são pneumáticos, isto significa que são ossos 
com estrutura especial, internamente eles possuem lamelas (por isso parecem esponjas por 
dentro), o que deixa os ossos mais leves, sem perder resistência. 
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Sistema digestório: as aves não possuem dentes, quem realiza a função de triturar e 
moer os alimentos é a moela. Enquanto a moela faz a digestão mecânica dos alimentos, o 
proventrículo realiza a digestão química. Espécies granívoras e carnívoras possuem uma 
estrutura chamada papo (ou inglúvio), que fica na região cervical, logo após a faringe, ele é 
uma expansão do esôfago e serve para armazenar o alimento temporariamente. O sistema 
digestório das aves termina em uma cloaca (nome dado à estrutura na qual se encontram 
as saídas do sistema digestório, urinário e genital). Muitas vezes o formato do bico dá 
indícios sobre a dieta da espécie. 
Sistema circulatório: como os seres humanos as aves possuem sistema circulatório 
fechado, circulação dupla e completa, coração com quatro cavidades. As diferenças estão 
nas hemácias, as quais possuem núcleo nas aves, e na artéria aorta, que é voltada para a 
direita nas aves. 
Sistema respiratório: as aves possuem respiração pulmonar, mas são dotadas de 
estruturas especiais chamadas sacos aéreos, que são expansões membranosas presentes 
em várias partes do corpo e ligadas aos pulmões. Os sacos aéreos não realizam trocas 
gasosas (servem essencialmente como reservatório de ar) e graças a eles as aves possuem 
respiração bastante eficiente, o que é fundamental para o voo. Vale destacar que as aves 
não possuem diafragma, por isso os movimentos respiratórios se dão principalmente por 
ação das costelas e do esterno (por isso não se deve pressionar o peito das aves, isso 
impede a respiração delas). 
Sistema excretor: as aves não possuem bexiga urinária (a única exceção é o avestruz), 
por isso os rins produzem urina e liberam diretamente na cloaca, onde a urina se mistura 
com as fezes. 
 Sistema reprodutor: as aves realizam troca de gametas com fecundação interna. São 
animais ovíparos, ou seja, botam ovos. As aves possuem um universo muito rico de 
comportamentos reprodutivos, que passam por coloração de penas, cantos, construção de 
ninhos, exibições etc. 
Tipos de filhotes: o comportamento e estilo de vida de cada espécie de ave afeta sua 
estratégia reprodutiva, sendo assim, delimita quantos filhotes a ave terá por ninhada e qual 
vai ser o nível de desenvolvimento dos filhotes. Basicamente, existem dois tipos de filhotes, 
os altriciais (pouco desenvolvidos e sem penas, comum em passeriformes e aves que evitam 
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o chão) e os precociais (filhotes que nascem bem desenvolvidos e cobertos de penas, muitas 
vezes já nascem andando. São comuns em aves que vivem no chão). 
 
 
 
 
Figura 3.1: A e B) Filhotes de joão-de-barro (Furnarius rufus), um exemplo de filhote altricial. Observe o baixo grau de 
desenvolvimento, marcado pela ausência de penas completas e muitas vezes pelos olhos fechados. Círculo vermelho: 
A B 
C 
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canhões de pena (estágio inicial de desenvolvimento das penas). Seta vermelha: comissuras labiais (estruturas bem 
marcadas em filhotes, mas que vão diminuindo com o desenvolvimento, se tornando ausentes em animais adultos). 
C) Filhote de galinha (Gallus gallus domesticus), um exemplo de filhote precocial. Observe o grau de desenvolvimento 
elevado: com corpo completamente coberto por penas completas, olhos abertos e grande mobilidade (o filhote fica de pé 
e caminha sozinho). Fonte: A e B – Alessandro Vieira C – Prince Abid (https://unsplash.com/photos/TWbkojYMhAg) 
 
3.2 Manipulação de aves 
É preciso evitar ao máximo manipular os animais, de forma a diminuir suas chances de 
imprinting. Todavia, nos cuidados com a fauna as vezes é preciso pegar o animal na mão, 
seja para alimentar, limpar, aplicar medicação etc. Mas para isso deve-se segurar cada 
animal ou espécie da maneira correta, de forma a evitar acidentes (tanto o animal quanto o 
manipulador devem estar seguros durante o momento da manipulação, e nenhum dos dois 
devem se machucar durante o processo). Nas imagens a seguir é possível ver a forma 
correta de se segurar as aves. Preste atenção nas legendas, elas descrevem melhor a 
metodologia. 
 
 
Figura 3.2: Contenção manual de sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris). Para segurar com segurança, é preciso prender o 
pescoço da ave entre o indicador e o dedo do meio, com a mão contendo as asas. Deve se segurar de forma firme, mas 
https://unsplash.com/photos/TWbkojYMhAg
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sem exercer muita força, aplique força suficiente para que o animal não consiga escapar e se mexa pouco, mas sem se 
machucar. Com a outra mão, se for necessário, é possível conter as patas do anima. Pegue as patas com os dedos em 
movimento de pinça. Ao se conter as patas, cuidado com a força, principalmente aves pequenas. Lembre que é importante 
não ter medo de conter o animal, pois se o animal ficar se debatendo, pode acabar se ferindo. Nunca aperte o peito da ave. 
Fonte: Alessandro Vieira. 
 
 
Figura 3.3: Contenção manual de gavião-carijó (Rupornis magnirostris). A contenção de aves de rapina é feita damesma 
maneira que outras aves. Mas como os rapinantes possuem bicos e garras muito fortes, deve ser dada grande atenção à 
contenção das patas e da cabeça, para se evitar acidentes. Observe também a necessidade de se utilizar luvas (de couro 
ou de raspa de couro) para a manipulação deste tipo de ave. 
Obs.: Vale destacar que rapinantes adultos não serão destinados ao Programa CRIA. 
 
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3.3 Quais os cuidados específicos para as aves? 
Assim como outros grupos de animais, para se cuidar das aves é necessário ter 
em mente as características biológicas do grupo e da espécie em questão. De forma 
geral, para as aves deve-se prestar atenção na temperatura e nos sons do ambiente. 
Como visto anteriormente, as aves possuem temperatura elevada, por isso elas 
devem ficar em abrigos com temperatura agradável, ou seja, não devem ficar em 
locais com correntes de ar constantes, nem ambientes muito frios. Isso é ainda mais 
importante para filhotes, que devem ficar em abrigos com certo isolamento térmico 
(uma caixa de papelão com um tecido no fundo é bem eficiente). No caso de filhotes 
de aves, o aquecimento externo só é necessário para filhotes muito novos. 
As aves podem ainda tomar banhos de sol, mas é sempre interessante manter 
uma área da gaiola com sombra (de preferência o lado que está com o bebedouro e 
o comedouro, para que a água e a comida não esquentem), assim a ave pode 
escolher quando quer ou não tomar sol. Para isto basta colocar a gaiola no sol por 
algumas horas e recolher antes do entardecer. Os banhos de sol não são indicados 
para filhotes, apenas adultos e juvenis. 
Além da temperatura, as aves são muito sensíveis aos sons. Elas têm o ouvido 
muito apurado e quando são filhotes estão aprendendo a identificar sons. Por esse 
motivo, os filhotes e aves jovens devem ser mantidos em ambiente silencioso e, 
principalmente durante os cuidados, deve-se evitar ao máximo conversar perto do 
animal ou ouvir música. Também não se deve ficar conversando com o animal. O que 
se pode fazer é colocar sons da própria espécie para o filhote ouvir (você pode conferir 
o nome da espécie na sua autorização e procurar sons no Wikiaves, tente buscar 
gravações feitas próximo ao seu município ou no Paraná). 
A alimentação das aves também é uma questão importante. Cada espécie possui 
uma dieta específica, algumas se alimentam de carne, outras de sementes, algumas 
de frutas etc. Por causa disso, antes de alimentar uma ave, busque descobrir o que a 
espécie come (vale consultar um veterinário ou tirar dúvidas no dia que receber o 
animal em casa). 
Por fim, devemos considerar a qualidade do abrigo. Filhotes com pouca 
mobilidade podem ficar em caixas, já indivíduos juvenis e aves adultas precisam ficar 
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em gaiolas. As gaiolas devem ter tamanho condizente com o tamanho da ave, o 
animal deve conseguir abrir as asas sem tocar nas grades da gaiola, tendo espaço 
para pular e se movimentar. As aves não seguram urina e fezes por muito tempo (pois 
não possuem bexiga urinária e seus intestinos são curtos), por isso defecam com 
frequência, o que torna fundamental limpar o abrigo mais de uma vez ao dia. Por 
causa desta característica das aves, também é importante manter comedouro e 
bebedouro longe do chão (exceto para espécies que não voam). O abrigo da ave deve 
ser enriquecido de acordo com as características da espécie, apresentando galhos 
para empoleirarem ou outros elementos naturais. 
Desta forma, se consideramos a biologia das aves (fazendo uma generalização 
para todo o grupo), devemos ter os seguintes cuidados específicos com as aves: 
● Fornecer comida e água com frequência adequada 
● Tomar cuidado com a temperatura ambiente (não expor a ave às temperaturas 
muito altas ou muito baixas) 
● Colocar a ave para tomar banhos de sol 
● Segurar a ave de forma adequada (nunca segurar pendurando-a pelas asas ou 
patas) 
● Nunca pressionar o peito da ave 
● Fornecer alimento adequado à espécie (existem espécies que se alimentam de 
frutas, sementes, insetos, carne ou um pouco de tudo) 
● Manter o abrigo higienizado (devemos lembrar que as aves defecam e excretam 
com bastante frequência) 
● Enriquecer o abrigo com elementos que imitem o ambiente natural da espécie (por 
exemplo, fornecer galhos para aves que empoleiram, cobrir o abrigo com folhas 
para espécies que vivem no chão etc.) 
● Oferecer locais de poleiro de vários diâmetros: Alguns galhos finos (de acordo com 
o tamanho da ave) e outros mais grossos. Isso permite que a ave exercite e 
fortaleça os dedos. 
● Respeitar a biologia da espécie (evitar manter em um mesmo abrigo, ou abrigos 
próximos, espécies agressivas; evitar manter sozinhos indivíduos de espécies 
sociais) 
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● Manter a ave em abrigo com tamanho condizente ao tamanho da espécie (a ave 
deve ser capaz de abrir as asas livremente, sem encostar nas grades da gaiola) 
● Manter bebedouros e comedouros em posição elevada (para evitar que a ave 
defeque sobre o próprio alimento) 
● Disponibilizar recipientes com água para a ave tomar banho (de preferência 
quando se colocar a ave para tomar banhos de sol). Aves em geral gostam muito 
de tomar banhos e utilizam esse momento para arrumarem as penas. Mas lembre-
se de utilizar recipiente com tamanho adequado para o tamanho da ave e deixe 
ela se banhar sozinha (não a coloque debaixo de torneiras, mangueiras ou afins) 
● Não manter a ave em cozinhas, nem passar roupa perto delas (o teflon de panelas 
e alguns ferros de passar roupa liberam gases, que são tóxicos para as aves) 
 
3.4 Como alimentar corretamente filhotes de aves? 
 
As aves apresentam diversos tipos de dieta, por isso, antes de alimentar um filhote de 
ave é importante conhecer o tipo de comida que a espécie consome. De acordo com a dieta, 
podemos dividir as aves em: nectarívoras, granívoras, herbívoras, frugívoras, granívoras-
frugívoras, insetívoras, carnívoras, piscívoras e onívoras. O Programa CRIA é focado em 
aves mais comuns em ambiente urbano e periurbano, que geralmente são granívoras, 
frugívoras, granívoras-frugívoras e onívoras, por causa disso será apresentado em maior 
detalhe o método de alimentação para estes grupos. No entanto, os demais grupos serão 
explicados brevemente, caso você tenha contato eventual com algum filhote de espécie 
menos comum. 
Primeiro temos as aves nectarívoras, neste grupo estão os beija-flores e cambacicas. 
Estas aves se alimentam com néctar das flores e insetos. Para alimentar filhotes 
nectarívoros, a opção mais acessível é preparar 100 ml de néctar comercial para beija-flores, 
misturada com uma pitada de suplemento comercial de proteína. Ofereça o alimento com 
seringa. Quando o filhote aprender a comer sozinho (ele vai começar a colocar o bico dentro 
da seringa, sem precisar de estímulo), é possível colocar o néctar em um bebedouro para 
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roedores. No caso de cambacicas, depois que a ave estiver um pouco maior, é possível 
deixar pequenos pedaços de fruta para complementar a alimentação da ave. 
Já as espécies herbívoras, são as que se alimentam principalmente de folhas. Neste 
grupo encontramos frangos-d’água-azuis e diversas espécies da Ordem Anseriformes 
(grupo dos patos, marrecos, cisnes,gansos e afins). A maioria dos filhotes de aves 
herbívoras são precociais e se alimentam sozinhos. Para este grupo ofereça folhas verdes 
escuras (couve, espinafre, acelga etc.) picadas, colocadas em potinhos. Além disso, ofereça 
também ovo cozido picado, pois, apesar de preferencialmente herbívoras, estas aves 
também consomem outros animais esporadicamente. Por fim, é importante sempre deixar 
um pote de água próximo à comida, pois estas aves precisam beber água enquanto comem. 
As aves que se alimentam, preferencialmente, de insetos, são chamadas de insetívoras. 
Para filhotes desse grupo o alimento mais indicado é ração para filhotes de gato, amolecida 
com água. Ofereça pequenos pedaços com pinça ou com as mãos. Lembre que o tamanho 
dos pedaços deve ser condizente com o tamanho da cavidade oral do animal. No caso deste 
grupo é interessante que a dieta mude gradativamente, saindo da ração e indo para insetos 
vivos. Assim, conforme o filhote se desenvolve tente seguir esta sequência: ração amolecida 
→ ração amolecida + tenébrios mortos (ou farinha de tenébrios) → tenébrios mortos + 
insetos recém abatidos → insetos vivos. Quando começar a oferecer insetos mortos, lembre-
se de mostrar o inseto para o filhote, antes dele comer, para que ele aprenda a identificar o 
alimento, pois é preciso que o animal aprenda a caçar insetos sozinho. Alguns exemplos de 
aves insetívoras são: anus, pica-paus, urutaus e andorinhas. 
São chamadas de carnívoras as aves que se alimentam, principalmente, de outros 
animais vertebrados. Neste grupo estão a maioria das aves de rapina (gaviões, falcões, 
corujas etc.). O ideal é que filhotes destas aves sejam alimentados com presas criadas para 
isso (como ratos e camundongos de laboratório). Se não for possível a oferta de presas, o 
filhote pode ser alimentado com pequenos pedaços de carne bovina (de preferência 
musculatura esquelética) e fígado de galinha. Ofereça o alimento com pinça, deixando que 
o filhote segure o pedaço de carne com o bico e engula sozinho. Lembre-se que o tamanho 
dos pedaços deve ser menor que a abertura oral da ave. A alimentação de aves carnívoras 
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apresenta detalhes importantes, assim, antes de alimentar algum filhote deste grupo, busque 
se aprofundar um pouco mais sobre o tema. 
As garças e socozinhos são exemplos de aves piscívoras, ou seja, que se alimentam 
de peixes. Para filhotes deste grupo ofereça, com auxílio de uma pinça, peixes pequenos 
inteiros. Se isto não for possível, ofereça pequenos pedaços de filé de peixe cortado. Dê 
preferência aos peixes de água doce. Depois que o filhote estiver mais desenvolvido, 
coloque um pote com água no abrigo e ofereça peixes vivos (o movimento de natação é um 
grande estímulo para a ave aprender a buscar alimento sozinha). 
Por fim, temos as aves granívoras (se alimentam preferencialmente de grãos), as 
frugívoras (se alimentam principalmente de frutas), as granívoras-frugívoras (consomem 
basicamente frutas e sementes) e onívoras (possuem dieta bastante diversificada). Para 
estes casos, o único alimento a ser fornecido aos filhotes são papinhas feitas para este fim. 
Gradativamente, com o desenvolvimento dos filhotes, podem ser introduzidos novos 
alimentos, de acordo com a dieta da espécie. De qualquer forma, no uso de papas é preciso 
tomar alguns cuidados durante a alimentação dos filhotes, por isso se dará mais atenção à 
esta metodologia. 
Primeiro a papinha deve ser morna (entre 38 e 40°C), para isso basta prepará-la com 
água morna (a papinha deve ficar com uma temperatura parecida com a temperatura das 
mamadeiras dos bebês). Uma papinha muito quente pode queimar a garganta do filhote, já 
uma papinha fria pode ficar estagnada no papo provocando a morte do animal. Sempre 
prepare apenas a papinha que vai usar na hora, se sobrar, guarde na geladeira e use, no 
máximo, mais uma vez. Para isso esquente novamente a papinha no micro-ondas, mas não 
esqueça de misturar a papinha, pois como o micro-ondas esquenta de forma desigual, você 
pode acabar pegando partes muito quentes, que queimariam o filhote. Se não tiver micro-
ondas, pode reaquece-la em banho-maria. 
A papinha deve ser oferecida com uma seringa, por isso a papinha não deve ficar muito 
grossa (se não vai ser difícil passar pela seringa), ou muito fina. Existem vários tamanhos 
de seringa, a mais indicada é a seringa de 1 ml (seringa de insulina), pois permite maior 
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controle da quantidade. Para filhotes grandes é possível usar seringas maiores, conforme 
você vai ganhando experiência. Para filhotes precociais, ou filhotes mais desenvolvidos, é 
possível apenas colocar a ponta da seringa (sem a agulha) na borda do bico, caso seja um 
filhote altricial ou pouco desenvolvido, pode-se utilizar uma sonda, a qual é inserida na 
garganta do animal. Em ambos os casos, deve-se apertar a seringa com cuidado, para que 
o alimento não saia de uma vez só, evitando-se afogar o animal. Para a sonda indica-se o 
uso de um pequeno pedaço de garrote médico acoplado à seringa. 
 
Figura 3.4: Para alimentar filhotes de aves utilize uma seringa sem agulha. Prepare uma papinha com consistência e 
temperatura adequadas, basta colocar a ponta da seringa dentro do bico da ave e liberar o alimento lentamente (o animal 
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deve engolir sozinho). O uso de sondas é indicado apenas para filhotes muito novos e psitacídeos. Se você não tiver 
experiência, evite o uso de sondas, pois elas podem ferir o animal. Fonte: Alessandro Vieira 
Filhotes de aves não têm noção de saciedade, por isso deve ser dado alimento 
apenas até o momento em que se notar o papo inchado (região logo abaixo do pescoço). 
Depois disso, espere o papo esvaziar antes de fornecer alimento novamente. O tempo para 
o papo esvaziar varia de acordo com a espécie e o estágio de desenvolvimento da ave, mas 
em média o papo esvazia em duas ou três horas. As aves têm metabolismo acelerado e 
quanto mais jovens, mais acelerado, por causa disso a oferta de alimento pode acontecer a 
cada 2 ou 3 horas. Se depois de mais de 3 horas você não observar o papo esvaziando, 
busque auxílio veterinário. Para filhotes de aves nunca ofereça água nem frutas. A água 
pode provocar o afogamento da ave, já algumas frutas podem provocar diarreia, muitas 
vezes fatal. 
 
Figura 3.5: A – Filhote de psitacídeo com papo vazio (círculo vermelho). B – Filhote de psitacídeo com papo cheio (círculo 
vermelho). Ao alimentar filhotes de aves preste atenção no enchimento do papo, é esta região entre a barriga e o pescoço. 
Mas tome cuidado, ele deve encher mas não ficar completamente inchado. Além disso, muitas vezes o filhote pode 
continuar pedindo comida, mesmo estando com o papo cheio. Vale destacar que nem toda espécie de ave possui papo (é 
o caso de sabiás e bem-te-vis, por exemplo). Para estes casos se guie pela quantidade de alimento da seringa e pelo 
comportamento do animal. Fonte: Alessandro Vieira 
 
 
A B 
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Figura 3.6: Exemplos de sondas de alimentação. Caso você tenha experiência e realmente necessite utilizar sondas, é 
preciso prestar atenção ao modelo e tamanho. Na imagem, as sete sondas metálicas (do lado esquerdo) são modelos 
veterinários profissionais. Do lado direito sãoobservados modelos improvisados, indicados para quem não tem experiência 
(por serem plásticos causam menos acidentes). Nestes últimos casos se indica o uso de escalpe (seta vermelha) ou de 
garrote (setas azuis), cortados. 
 
Figura 3.7: A – sonda uretral humana, B – escalpe intravenoso. Caso seja necessário, é possível fazer uma sonde de 
alimentação cortando-se um pedaço destes equipamentos. Lembre que a sonda deve ser curta e a parte rígida de plástico 
será encaixada na seringa. Além disso, é importante lixar a ponta que foi cortada, para se retirar superfícies cortantes ou 
muito angulares da mangueira. Basta utilizar uma lixa de unha para isto. Os escalpes costumam ser uma opção melhor 
que as sondas uretrais, pois são mais finos. Ambos podem ser encontrados em casas de produtos hospitalares. Fonte: 
Alessandro Vieira. 
A B 
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3.5 O que fazer ao se encontrar filhotes “abandonados” 
 
Quando estão caminhando pelas ruas, parques, ou mesmo no quintal de casa, é comum 
que as pessoas encontrem filhotes de aves. Nestas situações elas logo buscam ajudar o 
animal, pois acreditam que ele está abandonado. A preocupação com os animais é sempre 
bem-vinda, mas a ajuda deve ser feita de forma adequada. Na grande maioria dos casos, 
os filhotes de aves NÃO estão abandonados. Ao longo do dia os pais saem em busca de 
alimento, deixando o filhote sozinho no ninho. Enquanto os pais estão fora, os filhotes podem 
cair do ninho (por causa do vento, por terem tropeçado dentro do ninho etc.) e ficar no chão. 
No entanto, os pais sabem que isso pode acontecer, por isso, se eles percebem que o filhote 
não está no ninho, logo começam a procurar por ele nas redondezas. Assim que encontram 
o filhote, eles voltam a cuidar dele. Outra situação comum, é quando os filhotes estão 
aprendendo a voar e caem no chão, por falta de experiência. Neste caso, os pais também 
cuidarão do filhote. 
É importante saber que mesmo no chão os pais cuidarão do filhote, e os cuidados dos 
pais sempre serão muito melhores que qualquer cuidado humano. Os pais ensinarão tudo 
que o filhote precisa saber para sobreviver e ser independente, coisas que mesmo as 
pessoas mais experientes e preparadas não podem garantir. Por exemplo, os pais ensinarão 
a fugir de predadores, ensinarão a encontrar alimento, quais os melhores esconderijos da 
região, como devem cantar e se comunicar, como encontrar parceiros etc. 
Por isso, ao retirar um filhote do local, na intenção de ajudar, a pessoa pode acabar 
diminuindo as chances de sobrevivência do filhote, ou ainda impedir que ele tenha uma vida 
plena e livre. Isso porque, mesmo que alguém cuide deste filhote com todo carinho, ainda 
será muito difícil ensinar tudo que uma ave precisa saber. Reabilitação de animais para 
retornarem à natureza é algo que existe, mas trata-se de processo complexo e no caso de 
algumas espécies de aves, é bastante difícil de se obter sucesso. 
Assim, quando encontramos um filhote que parece abandonado, a melhor alternativa 
para ajudar é se manter distante e não interferir. Deve-se pegar o filhote apenas se ele 
estiver muito ferido ou em algum local que esteja sob ameaça. Manter distância é importante 
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pois, muitas vezes, os pais estão por perto mas não se aproximam por ter uma pessoa junto 
com o filhote. Em caso de dúvida, siga o fluxograma a seguir: 
 
 
Figura 3.8: Fluxograma sobre o que fazer quando encontrar um filhote de ave. Fonte: Bruno Reis Martins 
 
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3.6 Sinais de alerta sobre saúde das aves 
Como outros grupos de animais, diversas doenças podem atingir as aves, por isso é preciso 
prestar atenção aos sinais do animal. Geralmente os sinais mais comuns de alerta são: 
sangue nas fezes, inchaço no papo, retenção de fezes na cloaca, penas arrepiadas, cabeça 
baixa com olhos fechados ou semifechados. Estes sintomas costumam evoluir para a falta 
de apetite, que é um grande sinal de alerta (mas lembre-se que cada espécie possui uma 
frequência diferente de alimentação, por exemplo, enquanto um sabiá come várias vezes ao 
dia, um gavião pode comer uma vez só). Outros sinais clínicos frequentes são a coriza 
(corrimento nasal e lacrimal) e a ave tornar-se ofegante, aparecendo o “balanço da cauda” 
(quando a ave está empoleirada ou em descanso a cauda fica fazendo um movimento 
constante para cima e para baixo, podendo indicar uma disfunção do sistema respiratório). 
Se identificar alguns desses sinais e perceber que eles não estão melhorando, entre 
em contato com o IAT ou centro de apoio veterinário indicado pelo órgão. 
3.6 Resumo do módulo 
3.6.1 Informações gerais: 
 
● Cuidado com a temperatura: mantenha a ave em um ambiente com temperatura 
agradável, sem ar condicionado ou correntes de ar; 
● Coloque a ave para tomar sol: lembre-se de deixar uma parte da gaiola protegida, 
para que a ave possa se esconder do sol se quiser. Tome cuidado para a água e a 
comida ficarem nesta área protegida; 
● Lave os recipientes de comida e água diariamente 
● Mantenha o abrigo limpo: se estiver usando gaiola com papel no fundo, troque os 
papéis da gaiola no mínimo uma vez por dia; 
● Evite expor a ave a muitos ruídos: é melhor manter a ave em um local silencioso 
ou próximo a sons naturais (no quintal ou jardim, por exemplo); 
● Evite manipular o animal sem necessidade 
● Não permita que outras pessoas fiquem interagindo com a ave: quanto menos 
contato o animal tiver com pessoas, melhor; 
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● Se possível, mantenha a ave em uma gaiola na qual ela possa treinar o voo; 
● Não deixe a ave na cozinha, nem passe roupa no mesmo ambiente. 
3.6.2 Cuidados com filhotes: 
 
● Lembre de alimentar o filhote de acordo com a dieta da espécie; 
● Se estiver alimentando aves carnívoras ou piscívoras, lembre-se de dar 
pedaços pequenos, de carne ou peixe, respectivamente, com auxílio de uma pinça; 
● Se estiver cuidando de filhotes herbívoros, lembre-se de oferecer folhas e frutas 
cortadas em pedaços pequenos; 
● Lembre que para filhotes de aves insetívoras é possível oferecer ração de filhote 
de gato umedecida; 
● Se estiver cuidando de filhotes de Anseriformes (patos, gansos, marrecos etc.), 
lembre-se de manter um pote com água disponível para os filhotes beberem; 
● Prepare uma papinha para o filhote: o ideal são papinhas comercializadas para 
este fim. Mas lembre-se que as papinhas são para passeriformes e aves: granívoras, 
frugívoras e onívoras; 
● Utilize água morna para papinha: para simular uma alimentação adequada, a 
papinha deve ser amornada, nunca fria, nem muito quente; 
● Utilize uma seringa: coloque a papinha em uma seringa, sem agulha, e injete 
lentamente o conteúdo diretamente na garganta do filhote. (observe que, devido à 
seringa, a papinha não pode ser muito grossa); 
● Cuidado com a quantidade de alimento: forneça mais comida apenas depois que 
observar que o animal já engoliu todo o alimento. Pare de alimentar quando perceber 
que o papo do filhote encheu (é a parte de baixo do pescoço). Em geral pode-se 
oferecer entre 2 e 5 ml de papinha em cada alimentação. Conforme a ave ganha peso, 
ela começa a exigir mais alimento. Com o crescimento e desenvolvimento do filhote 
também é importante oferecer alimentos específicos da espécie;● Alimente com frequência: aves possuem metabolismo acelerado, então é preciso 
alimentá-las várias vezes por dia, em média a cada 2h ou 3h; 
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● Não forneça água aos filhotes: a água do filhote já estará na papinha, não ofereça 
água nem com potinhos nem com seringa. A água deve ser oferecida apenas aos 
adultos, por meio de bebedouro; 
● Não ofereça frutas aos filhotes: pois algumas podem causar diarreia e levar o filhote 
à óbito; 
● Mantenha os filhotes em local silencioso: os sons são muito importantes para as 
aves, por isso, pensando na soltura deles no futuro, é importante evitar falar perto 
deles. Se possível, coloque sons da espécie para ele ouvir (é possível encontrar no 
site Wikiaves). 
 
 
3.6 Referências 
 
AQUEÇA OS FILHOTES DE AVES. Dr. fala. Disponível em: 
http://drfala.com.br/post/aves/cuidados-com-os-filhotes/aqueca-os-filhotes-de-aves. Acesso 
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jun. 2021 
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CUIDADOS COM AVES NO INVERNO. Cobasi. https://blog.cobasi.com.br/cuidados-com-
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https://www.vetnil.com.br/vetnil-da-dicas-de-cuidados-com-a-alimentacao-de-aves/
https://www.petz.com.br/blog/especies/voce-sabe-como-alimentar-um-filhote-de-passarinho-aprenda/
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Módulo IV 
4 Cuidados com mamíferos 
4.1 Biologia básica dos mamíferos 
Os mamíferos são animais vertebrados homeotérmicos, ou seja, sua temperatura interna se 
mantém constante dentro de certos limites, independentemente da temperatura ambiente, 
assim como se dá com as aves. Apresentam como características principais: presença de 
pelos (que protegem a pele e funcionam como isolante térmico) e glândulas mamárias, 
presentes nas fêmeas, que produzem uma secreção líquida rica em gorduras e proteínas (o 
leite), com o qual suas crias são alimentadas nas primeiras fases do desenvolvimento. 
Os mamíferos possuem um sistema nervoso completo e muito desenvolvido, 
responsável por suas diferentes possibilidades de comportamento, apresentando, em muitos 
casos, elevada capacidade para o aprendizado e relação com outros indivíduos de sua 
espécie. 
Os mamíferos podem ser classificados em três grupos: monotremados, marsupiais e 
eutérios. Os monotremados são animais que têm como característica marcante a 
capacidade de botar ovos, porém alimentam seus filhotes, inicialmente, com leite, o qual é 
sugado diretamente da pele da mãe, uma vez que esses animais não possuem mamilos. O 
ornitorrinco é um dos seus representantes. 
Os marsupiais destacam-se pela forma como ocorre o desenvolvimento de seus 
filhotes. Nesse grupo de mamíferos, os filhotes se desenvolvem no interior do útero, porém, 
nascem muito cedo, completando seu desenvolvimento dentrodo marsúpio, uma espécie 
de bolsa na barriga das fêmeas. Os gambás e os cangurus são exemplos de marsupiais. 
Os eutérios são mamíferos que se destacam pela presença de placentas complexas. 
A placenta é um órgão que surge durante a gestação e possui, entre outras, a função de 
garantir a troca de nutrientes entre a mãe e o filhote. Diferentemente dos marsupiais, o 
desenvolvimento desses mamíferos é completado totalmente no interior do útero. Seres 
https://escolakids.uol.com.br/ciencias/classificacao-dos-mamiferos.htm
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humanos, cachorros, gatos, macacos, baleias, bois, veados, zebras, tatus e elefantes são 
exemplos de eutérios. 
 Para as finalidades deste treinamento, as informações seguintes serão direcionadas 
para os pequenos mamíferos, com foco nos marsupiais, uma vez que são o grupo com maior 
incidência nas ações do Programa CRIA. Usualmente, define-se como pequeno mamífero 
(Didelphimorphia e Rodentia), aquele com peso inferior a cinco quilos. Os pequenos 
mamíferos têm papel importante nas cadeias alimentares e na dispersão de sementes. 
 
4.2 O que faço quando encontro um filhote? 
 
O Brasil é rico em biodiversidade de fauna, encontrar filhotes de animais silvestres na 
região urbana pode acontecer. Porém, antes de qualquer atitude é importante ter calma e 
observar o contexto da situação. 
Quais as condições do animal, está machucado? Em caso positivo, proteja o local, 
mantenha distância segura para não assustar o animal, o que pioraria a situação, mantenha 
afastados predadores como cachorros e gatos, e ligue imediatamente para o Instituto Água 
e Terra para receber orientações, ou solicitar o resgate. 
Caso o animal não esteja com ferimentos, observe se há presença de adultos da 
espécie nas redondezas e se o local está seguro contra ataques de possíveis predadores. 
Nestes casos, a opção mais recomendada e segura é deixá-lo onde está e não interferir, a 
maioria dos mamíferos são noturnos, e com a chegada da noite tendem a ir embora 
normalmente, se não forem perturbados. Vale lembrar que mamíferos possuem olfato 
bastante apurado e utilizam os odores para transmitir informações, assim, se encontrar um 
filhote de mamífero evite tocá-lo, para não alterar o cheiro dele, impedindo que mãe o 
encontre. 
Além disso, o estímulo à independência faz parte do aprendizado, o que justificaria o 
filhote estar momentaneamente sozinho. Ademais, é comum os pais saírem em busca de 
comida e deixarem o filhote esperando em algum local. Os pais costumam estar presentes 
nas proximidades, um fator primordial para garantir maiores chances de sobrevivência aos 
descendentes. Por isso, se encontrar um filhote sozinho, verifique se a mãe não se encontra 
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por perto, ou então, aguarde até a manhã seguinte, pois é provável que ela retorne durante 
a noite. 
Durante o período reprodutivo de algumas espécies, as fêmeas ficam mais lentas e 
buscam locais seguros para ficarem com os filhotes. Um exemplo bastante comum é a 
presença de gambás em imóveis urbanos. Nesses casos, o melhor é deixá-los em paz até 
que terminem o ciclo reprodutivo (o que costuma durar poucas semanas). Se não for possível 
aguardar, basta espantá-los calmamente para fora de casa/quintal ou então, esperar que o 
animal saia com os filhotes e aproveitar a oportunidade para impedir o retorno deles ao local. 
Por fim, nunca retirar um animal silvestre de seu hábitat natural e nem o transportar 
para outros espaços. Algumas espécies são únicas e estritamente presentes naquele 
hábitat, o que chamamos de espécies endêmicas. Maltratar qualquer tipo de animal é crime, 
o artigo 29° da Lei Federal n° 9.605/1998 declara como crime contra a fauna, matar, 
perseguir, caçar, apanhar, coletar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota 
migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, com 
a pena variando entre detenção de seis meses a um ano e multa. O melhor para os filhotes 
é crescer com os cuidados parentais. 
4.3 Um pouco sobre manutenção de mamíferos em 
cativeiro 
 
Para se ter sucesso com a manutenção de animais selvagens em cativeiro, se faz 
necessário, primeiramente, um estudo bastante criterioso no que diz respeito à sua vida no 
ambiente natural, levando-se em conta os seguintes aspectos: hábitat, hábitos, 
comportamento, uso do espaço, sazonalidade, alimentação, entre outros. 
A ambientação e o enriquecimento são procedimentos que buscam minimizar os 
efeitos negativos do cativeiro, de forma que o animal possa apresentar um comportamento 
natural e não estereotipado. O recinto deve ser apresentado como um ambiente interativo, 
que permita ao animal cativo um comportamento próximo do natural. Deste modo, deve-se 
criar um recinto complexo, com barreiras visuais, áreas de repouso, áreas para dormir e 
revestimento para o solo. 
Para animais que apresentam hábitos arborícolas ou semi-arborícolas, como 
primatas, alguns felídeos, mustelídeos, procionídeos, marsupiais, tamanduás-mirins e 
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bichos-preguiça, deve-se utilizar galhos, troncos ocos e cordas, ampliando deste modo a 
área útil do recinto e permitindo ao animal uma maior movimentação. O piso pode ser 
revestido com areia ou terra e, quando possível, também com folhagem para evitar 
problemas com desgaste excessivo das garras, almofadas e cascos dos animais. 
No enriquecimento de recintos é recomendado empregar diferentes modos de 
apresentação dos alimentos, levando o animal a dispensar um tempo maior para a obtenção 
do recurso, tal como ocorre em vida livre. Outros cuidados básicos também devem ser 
tomados ao se definir recintos para animais, como: separá-los por tamanho e espécie, 
fornecer sol e sombra em todos os recintos e, na suspeita de doença, isolar o animal. 
O enriquecimento ambiental consiste em trazer para o cativeiro o máximo de 
características ambientais, do local onde determinada espécie vive naturalmente. Deve-se 
buscar, na natureza, informações precisas sobre as atividades cotidianas de cada espécie 
e assim reproduzi-las em cativeiro. O enriquecimento ambiental só traz benefícios para o 
animal, quebrando a rotina do dia-a-dia e diminuindo comportamentos de apatia, 
agressividade, falta de apetite e estresse. 
Estes são todos cuidados voltados principalmente aos cuidados de animais que 
passarão toda sua vida, ou longo período de tempo, em cativeiro. No entanto, parte destes 
conhecimentos também podem auxiliar nos cuidados relativos ao Programa CRIA. Em casa 
é muito difícil reproduzir o ambiente natural de uma espécie, mas para aumentar as chances 
de sobrevivência de um animal que estamos cuidando, podemos fazer algumas coisas. Por 
exemplo, podemos enriquecer o abrigo dos animais com galhos e objetos que sirvam de 
esconderijo e diversificar o tipo de alimento (no caso de gambás, podemos alimentá-los com 
minhocas e alguns frutinhos silvestres, depois de certa idade). São ações pequenas, mas 
que seguem a ideia geral de manutenção de fauna silvestre em cativeiro. 
 
4.4 Quais os cuidados básicos com mamíferos? 
 
Assim como as aves, o contato dos animais com pessoas deve ser o mínimo possível. 
Desse modo, no ambiente dedicado aos cuidados devem permanecer apenas as pessoas 
que irão manipular os animais. Eles devem ficar isolados, visual e acusticamente, tanto de 
pessoas como de veículos. A higienização do recinto deve ser feita diariamente, já osRua Jacy Loureiro de Campos S/N I Palácio das Araucárias I Centro Cívico I Curitiba/PR I CEP 80.530-915 I 41 3313.6264 I 3313.6670 www.administracao.pr.gov.br 
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utensílios utilizados na alimentação devem ser limpos logo após o uso, evitando-se a 
propagação de doenças. 
É importante, no momento de manipular os animais ou limpar os recintos, não utilizar 
perfumes e produtos de limpeza com odor muito forte, o que pode ser bastante prejudicial 
aos mamíferos. Também é importante evitar ruídos altos ou constantes próximos aos 
animais, visto a grande sensibilidade auditiva deste grupo. 
A alimentação em cativeiro deve suprir as necessidades nutricionais de cada 
indivíduo. É importante haver amplo controle sobre os procedimentos de armazenamento, 
preparação e distribuição dos alimentos, uma vez que a dieta pode variar conforme o estado 
e a condição do animal. Além disso, é essencial que se dê atenção à higiene dos alimentos 
e dos utensílios utilizados. 
Algumas espécies, em especial filhotes de marsupiais, perdem calor rapidamente, por 
isso precisam ser aquecidos com fontes externas. Neste caso, podem ser utilizadas algumas 
opções caseiras bastante eficientes: 
● sacos térmicos, que podem ser feitos enchendo-se meias, ou saquinhos de 
pano, com sementes (alpiste, arroz, mostarda, entre outras) e aquecendo-os 
em micro-ondas por cerca 5 (cinco) minutos; 
● Bolsas térmicas de águas, é possível encher uma garrafa pet ou luva de látex 
com água morna. Mas este tipo pode esfriar mais rapidamente, por isso é 
preciso cuidado e trocar com frequência, para que a água não esfrie muito e 
causar hipotermia (quando fria, a água pode absorver o calor dos filhotes); 
● Bolsas térmicas comerciais (apenas evite aquelas que utilizam gel térmico, 
visto poderem causar algum tipo de intoxicação no animal); 
● Lâmpada de cerâmica (com cuidado para não queimar o animal). 
No caso de filhotes maiores, que necessitam de menor aquecimento externo, é possível 
utilizar tiras de jornal (figura 4.1). Vale destacar que animais adultos não precisam ser 
aquecidos, a não ser em situações específicas (como em caso de doenças). 
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Figura 4.1: Exemplo de abrigo para filhotes de gambá (a partir das fases que necessitam de menos aquecimento). Utilize 
um recipiente para os animais ficarem e preencha-o com tiras de jornal, utilize ainda uma folha de jornal para forrar o abrigo. 
O jornal é uma boa alternativa para se manter a higiene do abrigo, pois pode ser trocado com frequência. Note que ser um 
abrigo de filhotes em fases de desenvolvimento avançadas, são mantidos potes com comida e água dentro do abrigo. 
Fonte: Alessandro Vieira. 
 
Um fato importante sobre os cuidados com filhotes de gambás. Quando eles são 
criados pela mãe, ela lambe a região genital e anal dos filhotes, para estimulá-los a defecar 
e urinar. Os sistemas urinário e digestivo dos filhotes ainda não estão completamente 
desenvolvidos, por isso, se não receberem este estímulo os filhotes podem morrer devido à 
retenção de fezes e urina. Quando são criados por seres humanos, é indispensável realizar 
este estímulo, até que os filhotes cresçam e possam defecar e urinar sozinhos. Para imitar 
este comportamento basta passar um pedaço de algodão, embebido em água morna ou óleo 
mineral, na região genito-anal dos filhotes. Realize movimentos circulares e de forma gentil, 
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até que o filhote excrete urina e fezes. Importante utilizar luvas cirúrgicas para este processo. 
Depois que o filhote fizer suas necessidades fisiológicas, pode parar o estímulo. 
 
 
Figura 4.2: Estimulação genito-anal de filhote de gambá (Didelphis sp.). Este é um cuidado fundamental para 
manter a saúde de filhotes de gambá em cativeiro. Estimule a região ventral (desde o ânus até a barriga) com 
algodão umedecido em água morna. Depois do filhote urinar e defecar, é possível passar um algodão seco. 
Lembre de fazer movimentos suaves, sem pressionar muito a região. Fonte: Alessandro Vieira 
 
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Figura 4.3: A – Fêmea de filhote de gambá (Didelphis sp.). B – Macho de filhote de gambá (Didelphis sp.). 
Desde muito cedo é possível identificar o sexo dos indivíduos, observe que nas fêmeas existe o princípio do 
marsúpio (seta vermelha) já nos estágios iniciais de desenvolvimento. Fonte: Alessandro Vieira 
 
4.5 Como alimentar corretamente? 
 
Os hábitos alimentares dos mamíferos são bem variados, existindo herbívoros, 
carnívoros ou omnívoros. As espécies podem, ainda, se dividir entre hábitos de preferências, 
ou ter uma alimentação com mais de um hábito alimentar. Porém, a alimentação com leite 
materno, no início da vida, é uma característica comum, sendo fundamental o aleitamento 
artificial ao se cuidar de filhotes órfãos. O melhor para este tipo de alimentação é o uso de 
leite próprio para a alimentação de filhotes (encontrado em petshops), e na ausência deste 
tipo de alimento, pode-se utilizar leite sem lactose. O leite de vaca comum (com lactose) não 
é recomendado (seja ele integral, desnatado ou semidesnatado). 
 
4.5.1 Alimentação de Didelphis spp. (gambás) 
 
A B 
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O gambá (Didelphis spp.) é um mamífero marsupial da família Didelphidae, ordem 
Didelphimorphia. No Brasil é representado por quatro espécies diferentes, D. albiventris, D. 
marsupialis, D. imperfecta e D. aurita. São animais de pequeno porte, pesando até 2 kg e 
medindo cerca de 98 cm (corpo e cauda). As fêmeas possuem um marsúpio, também 
chamado de bolsa, onde os filhotes ficam protegidos e são amamentados até seu completo 
desenvolvimento. 
 
 
Figura 4.4: Filhotes prematuros de gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris). Observe como cada filhote 
se prende à um mamilo da mãe, dentro do marsúpio (que foi aberto apenas para a fotografia). Os filhotes 
ficarão assim até terminarem seu desenvolvimento. A partir de então começam, gradualmente, a passar mais 
tempo fora do marsúpio e a consumir alimentos além do leite materno. Fonte: Lucas Henrique Gomes de 
Almeida 
(https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Filhotes_de_Didelphis_albiventris_no_interior_do_mars%C3%BApio
.jpg) 
 
As espécies do gênero Didelphis são classificadas como onívoras, em períodos de 
seca existe uma maior procura por frutos em razão da quantidade de água disponível nesses 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Filhotes_de_Didelphis_albiventris_no_interior_do_mars%C3%BApio.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Filhotes_de_Didelphis_albiventris_no_interior_do_mars%C3%BApio.jpg
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alimentos. São animais com hábitos crepusculares e noturnos, mas podem ser vistos 
também durante o dia. 
Nos cuidados com filhotes de marsupiais, eles podem apresentar momentos ou fases 
em que necessitam de maior manutenção, ou mesmo o uso de suplementação alimentar. 
Neste caso, isto para melhorar sua qualidade de vida, não apresentar problemas 
metabólicos e possibilitar sua sobrevivência. Nos cuidados com filhotes de gambás (e 
mamíferos em geral) é importante evitar o contato com eles, para que não sofram imprinting,nem fiquem mansos com os seres humanos. 
A alimentação varia de acordo com o estágio de desenvolvimento do filhote (idade), 
sendo importante adequar o nível de proteína na dieta em cada fase. Quanto menor o filhote, 
mais proteína ele precisa para se desenvolver. 
A alimentação pode ser fornecida com seringa proporcional ao tamanho do filhote. Se 
necessário, para facilitar o aleitamento, utilize uma sonda uretral fina estéril, cortada em 
tamanho pequeno, que possa ser acoplada à seringa. Introduza uma parte da sonda na boca 
do animal para alimentá-lo. 
A frequência de alimentação varia de acordo com a idade do filhote. Para filhotes 
pouco desenvolvidos, o aleitamento deve ser realizado a cada hora. À medida que o animal 
cresce e se desenvolve, o intervalo aumenta, e podemos começar a oferecer alimentos 
amassados, como frutas, verduras e gema de ovo cozido (não é indicado oferecer clara de 
ovo cozida, pois ela pode asfixiar os filhotes de gambá). Após observar que os animais estão 
se alimentando bem sozinhos, podem ser inseridos pedaços pequenos de alimento, 
aumentando-se o tamanho dos alimentos gradativamente. 
Como mencionado anteriormente, a alimentação varia de acordo com o estágio de 
desenvolvimento do filhote (idade). Assim, é apresentado a seguir um resumo das 
classificações de cada estágio de desenvolvimento, definidos de acordo com o tempo de 
vida, características principais e cuidados mais importantes: 
 
● Recém-nascido ou neonatos – 0 a 3 semanas, apresentam pele rosácea, quase 
não possuem pelos (tem apenas uma leve camada de pelos finos e claros), 
necessitam de aquecimento e não possuem olhos e boa completamente abertos. 
Alimento: LEITE NAN SL - Sem Lactose ou Pet Milk, e cálcio em gotas para 
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suplementação (nesse caso, procure indicação veterinária sobre a quantidade 
necessária). Média de uma seringa de 1 ml por filhote, de acordo com o 
desenvolvimento do filhote, essa quantidade pode aumentar. A alimentação deve ser 
realizada a cada duas horas, em média. Neste estágio os filhotes precisam de muita 
energia, por isso é importante que não fiquem mais de 2 horas sem comer. Nesse 
estágio também é importante alimentar os filhotes durante a madrugada. 
 
● Infante - 4 a 8 semanas, neste estágio a pele começa a escurecer, existindo maior 
presença de pelos (mais escuros) e início da abertura dos olhos. Manter aquecimento 
do filhote. Alimento: LEITE NAN SL (Sem Lactose) ou Pet Milk, cálcio para 
suplementação, nesta fase pode incluir 1 gema de ovo sem a pele. Média de 2 a 3 ml 
de alimento por filhote. Nesta fase as rotinas de alimentação noturnas já podem ser 
realizadas em um intervalo de tempo de 3 em 3 horas, durante o dia pode ser mantido 
o intervalo de 2/2 horas, em média. 
 
● Filhotes pequenos - 9 a 10 semanas (figura 4.5), possuem corpo coberto por pelos, 
se locomovem de maneira independente, possuem o hábito de se limpar. Necessário 
manter o aquecimento em dias frios e sempre disponibilizar panos para os filhotes. 
Alimento: LEITE NAN SL (Sem Lactose) ou Pet Milk, é possível incluir sachê de 
cachorro misturado ao leite, assim como cálcio para suplementação e frutas batidas 
ou amassadas. Média de 3 ml a 5 ml de alimento, por filhote. Durante o dia, o alimento 
pode ser ofertado no intervalo de 3/3 horas, já a noite de 4/4 horas. 
 
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Figura 4.5: Filhote de gambá (Didelphis sp.) com cerca de nove semanas de vida (fase: filhote 
pequeno). Fonte: Alessandro Vieira. 
 
 
Figura 4.6: Alimentação de filhote de gambá (Didelphis sp.). Observe que neste caso foi utilizada 
sonda alimentar feita a partir de escalpe intravenoso (ver módulo 3 – Cuidados com aves). Note 
também que o filhote foi embrulhado em um pano para alimentação. Esta é boa estratégia, pois assim 
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o filhote se mantém aquecido, se suja menos e sua manipulação se torna mais fácil (já que ele se 
movimentará menos). Fonte: Alessandro Vieira. 
 
 
Figura 4.7: Alimentação de filhote de gambá (Didelphis sp.). O uso de sonda alimentar não é 
obrigatório, observe que neste caso ela não foi utilizada. Ao invés basta oferecer gotas de leite com a 
ponta da seringa e deixar o filhote beber sozinho. É um método mais lento, porém mais seguro. Fonte: 
Alessandro Vieira. 
 
 
● Filhotes grandes - 11 a 12 semanas (figura 4.8), apresentam corpo coberto de pelos, 
não há necessidade do aquecimento diário, apenas em dias frios. Deve-se deixar 
panos e tocas, para se esconderem. Alimento: papa de frutas, nesta fase pequenos 
pedaços de frutas e verduras já podem ser deixados. Média de 20g de papa de frutas 
e cálcio para suplementação, em um intervalo de 3/3 horas ou então de 4/4 horas. 
Nesta fase também é possível misturar pequenas quantidades de carne moída à 
papinha de frutas, essa alimentação com mais proteínas favorece o crescimento dos 
filhotes. 
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Figura 4.8: Filhote de gambá (Didelphis sp.) com cerca de onze semanas de vida (fase: filhote grande). 
Fonte: Alessandro Vieira. 
 
● Filhotes em transição para jovens - 13 a 14 semanas. Alimento: frutas, verduras 
e legumes cozidos (brócolis, cenoura, pepino etc.) pequenos invertebrados como 
minhocas ou tenébrios (Tenebrio molitor, pode ser encontrado em petshops). 
Quantidade média de 50 g de frutas, verduras e legumes, média de 3 pequenos 
invertebrados. Podem ser ofertadas de 2 a 3 vezes por dia, a depender da 
necessidade de cada animal. 
 
● Jovens à adultos: 15 semanas em diante. Alimento: frutas, verduras e legumes, 
cozidos sem sal ou crus (como brócolis, cenoura, pepino etc.), pequenos 
invertebrados como minhocas e tenébrios (Tenebrio molitor), ovo e frango cozidos 
(também sem sal). Quantidade média de 50 g de frutas, verduras e legumes, média 
de 3 pequenos invertebrados. Podem ser ofertadas de 2 a 3 vezes por dia, a depender 
da necessidade de cada animal. 
 
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Nas primeiras semanas de vida não incluir a clara do ovo na alimentação dos filhotes, 
pois esta pode sufocar, devido à sua estrutura mais viscosa. Importante observar que, aos 
poucos, se tornarão filhotes mais responsivos e irão procurar pela seringa de leite ou pelo 
alimento. A partir da fase de filhotes grandes (entre 11 e 12 semanas), deixar recipientes 
com pequena quantidade de papa e água disponível, para estimular a procura pelo alimento. 
Geralmente, filhotes em transição para jovens (de 13 a 14 semanas de vida) estão 
aptos para soltura, devendo ser estimulados a procurar pelo alimento. Além de se promover 
maior esforço do animal para mastigar o alimento (com oferta de pedaços maiores e vegetais 
mais rígidos, como cenoura), fortalecendo sua capacidade de mordida, o que é importante 
para sua vida na natureza. Neste estágio é comum que o animal comece a se tornar mais 
agressivo, passando a rosnar e mostrar os dentes (até mesmo para quem tem cuidado dele). 
Este comportamento não acontece com todos os indivíduos, mas se isto acontecer, não se 
preocupe, é um ótimo sinal e significa que o animal já está preparado para voltar à natureza. 
É indicado apenasque se diminua ainda mais o contato do animal com seres humanos, isto 
favorece o comportamento natural do animal e também evita que levemos uma mordida 
acidental. 
Vale destacar que, quando entram na fase de filhotes pequenos, é importante 
manter a alimentação durante a noite, ou mesmo manter alimentos disponíveis para os 
filhotes. Isto deve ser mantido até a fase de jovens, para evitar acidentes, pois, 
eventualmente, podem ocorrer casos de canibalismo e um filhote atacar o outro. Se isto 
acontecer, não se desespere nem se chateie, pois é um evento que pode acontecer mesmo 
na natureza. Nesta situação, mantenha a calma, continue os cuidados da mesma forma e 
siga as instruções do módulo 5. 
 
4.6 Cuidados após a alimentação e sinais de alerta sobre 
saúde dos mamíferos 
 
É importante continuar com a estimulação na região perianal com algodão 
umedecido, mesmo se o animal ocasionalmente defecar ou urinar sozinho. 
A higiene deve ser mantida nos cuidados com todos os animais. Higienize 
corretamente todos os utensílios utilizados na alimentação dos filhotes e mantenha o recinto 
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sempre limpo. A utilização de luvas de procedimento, para cuidar de neonatos, é 
recomendada. Sempre limpe o filhote após a alimentação para assegurar que ele seja 
mantido limpo. 
 Preste atenção no comportamento dos animais. É interessante que eles apresentem 
comportamentos de fuga, caça ou procura por alimento, da mesma forma também é 
interessante que tenham pouca tolerância à presença humana (principalmente quando 
jovens/adultos). Ao identificar qualquer alteração de comportamento ou sintoma de doença, 
busque entrar em contato com o IAT e informar detalhes da possível condição do animal. 
 
4.7 Resumo do módulo 
 
4.7.1 Informações gerais 
Mantenha o abrigo limpo, higienize corretamente todos os utensílios utilizados na 
alimentação dos filhotes. Evite expor os mamíferos a muitos ruídos e a cheiros muito fortes. 
Evite manipular o animal sem necessidade. 
 
4.7.2 Cuidados com filhotes: 
 
● Cuidado com a temperatura: mamíferos, em especial filhotes de marsupiais, 
perdem calor rapidamente, por isso precisam ser aquecidos com fontes externas; 
● Cuidado com a higiene: limpeza é fundamental nos cuidados com todos os animais, 
para se evitar a propagação de doenças. No caso de filhotes, limpe eles, com algodão 
ou pano umedecido, após a alimentação, para que ele se mantenha limpo (apenas 
cuide para não deixar o animal muito molhado); 
● Prepare a alimentação para o filhote: siga as instruções descritas no item 4.5.1 - 
Alimentação, que traz as indicações para cada fase de desenvolvimento dos filhotes. 
● Utilize uma seringa: coloque o leite em uma seringa, sem agulha, e injete lentamente 
o conteúdo diretamente na garganta do filhote. Após certa idade pode ser incorporada 
papinhas na dieta (veja item 4.5.1 - Alimentação), observe que, devido à seringa, a 
papinha não pode ser muito grossa; 
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● Alimente com frequência: mamíferos têm necessidades diferentes conforme o 
estágio de desenvolvimento, então é necessário se atentar aos intervalos corretos de 
alimentação; 
● Forneça água aos filhotes jovens, mas não aos muito novos. Cuidado também 
com o recipiente, ofereça água em recipientes rasos. 
 
 
 
4.8 Referências 
 
ORR, R.T. Biologia dos Vertebrados, 5 ed. São Paulo: Roca, 1986 
Projeto Marsupiais – Cuidados, Reabilitação e Soltura de Gambá-de-orelha-preta. Boletim 
Técnico ABRAVAS (Associação Brasileira de Veterinários de Animais Silvestres) – Ano V – 
ago./2020 – nº 49. 
RAMOS, C.A. Manual sobre Alimentação de Filhotes de Animais Silvestres, 1ed. 
Ribeirão Preto: Polegatto Editora e Serviços Ambientais, 2019 
REIS, N.R. et al. Mamíferos do Brasil. In: Mamíferos do Brasil. Londrina, Paraná; 
Universidade Estadual de Londrina; 437 p. 2006 
 
 
 
 
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Módulo V 
5 Lidando com a destinação dos 
animais 
5.1 Lidando com seus sentimentos 
O Programa CRIA tem uma característica muito importante: Ele busca instruir as 
pessoas a como cuidar de animais silvestres de maneira que eles possam retornar à 
natureza. Isto é, que eles possam ter uma vida normal e saudável, vivendo da maneira como 
a espécie deve viver. Todavia, quando cuidamos de algum animal é comum que criemos 
certa afeição a ele. Afinal, é um ser vivo para o qual estamos dedicando atenção e carinho 
todo dia. Vemos ele crescendo, ficando mais forte e independente a cada dia que passa. No 
entanto, essa afeição que criamos pode ser prejudicial, tanto para o animal, quanto para nós 
mesmos. 
Como o objetivo do programa é devolver os animais ao seu habitat natural é 
importante aprendermos a lidar com nossos sentimentos, para não sofrermos durante o 
processo de cuidado e nem prejudicarmos os animais. Pensando nisso, organizamos 
algumas dicas de como lidar com o fato de que os animais retornarão à natureza: 
● Evite se apegar aos animais; 
● Não dê nomes ou apelidos aos animais; 
● Evite chamar os animais no diminutivo, ou mudando sua voz (como fazemos 
com crianças, por exemplo); 
● Sempre tenha em mente que os animais não ficarão com você, mas retornarão 
à natureza; 
● Lembre-se que seu trabalho está ajudando o animal a ter um futuro livre e 
saudável no ambiente; 
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● Aproveite o momento presente, enquanto os animais estão com você. Lembre-
se que, apesar de ser uma visita temporária, você ainda está tendo a oportunidade 
de cuidar e ter esse contato direto com a fauna silvestre. 
 
 Sabemos que não se apegar pode ser algo bem desafiador, mas precisamos desse 
esforço, pensando não apenas no bem-estar do animal, mas também em nosso próprio bem-
estar mental. Afinal, não queremos ficar magoados toda vez que terminarmos um período 
de cuidados e devolvemos os animais ao IAT, para serem soltos. Lembre-se ainda, se você 
tiver problemas relacionados à compreensão da situação, apego excessivo ou superação da 
perda (seja pelo curso natural do programa, com a devolução do animal à natureza, seja por 
eventual falecimento do animal), procure auxílio psicológico. Existem opções particulares 
(encontradas em pesquisas pela internet) e mesmo opções gratuitas, por meio das Unidades 
Básicas de Saúde (UBS). 
Além disso, se a situação psicológica pela qual você está passando: Está lhe trazendo 
alguma forma de prejuízo; está trazendo prejuízo para as pessoas à sua volta; ou ainda as 
duas coisas ao mesmo tempo, procure ajuda, você não está sozinho (a). 
 
5.2 Lidando com a perda de animais 
Além do cuidado ao apego, outro fato muito importante, e que devemos ter sempre em mente 
quando cuidamos de animais, é que eles podem morrer. Mesmo em condições 
extremamente controladas, como ocorrem em clínicas veterinárias e Centros de Apoio à 
Fauna, alguns animais podem vir a óbito. Isto é uma coisa normal e, às vezes, até esperada. 
Pois, por maior que seja nosso cuidado, não conseguimos atender a todas as variáveis que 
afetam a saúde do animal. Por isso, se quando você estiver cuidando de animais do CRIA e 
alguns deles morrerem, busque refletir sobre esses pontos: 
● Não se culpe, tenha sempre em mente que a morte é natural e nem sempre podemos 
evitá-la; 
● Utilize isto como uma oportunidade de aprendizado. Busqueentender o que pode ter 
dado errado e aperfeiçoar suas técnicas (Quantos animais morreram? Todos 
morreram juntos? Será que foi a temperatura ambiente? Alguma comida 
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inadequada?). Se não identificar nada, talvez ele tenha morrido por alguma doença 
sem sintomas aparentes; 
● Sempre tenha em mente que você está dando o seu melhor para ajudar a fauna. 
Mesmo perdendo alguns indivíduos, seu trabalho ainda está ajudando muitos outros. 
 
 
 
5.2.1 Se algum animal que estou cuidando morrer, o que devo fazer? 
 
Sabendo e aceitando que a morte de alguns animais pode ocorrer, precisamos também 
pensar em termos práticos, sobre como destinar corretamente o corpo do animal. No caso 
do Programa CRIA, todos os animais, vivos ou mortos, devem ser devolvidos ao IAT, para 
que o órgão possa fazer a destinação adequada. Para isso existem duas opções sobre o 
que fazer com o corpo de algum animal que, eventualmente, tenha morrido: 
1. Coloque o corpo do animal dentro de um saco plástico (de preferência do tipo zip lock, 
mas pode ser qualquer outro se não houver opção). Anote em um papel a data e 
provável horário da morte, coloque esse papel dentro do saco, junto com o corpo. 
Leve o animal até o Escritório Regional do IAT mais próximo de você, ou até parceiros 
indicados pelo IAT; 
2. Como na opção anterior, anote em um papel a data e provável horário da morte, 
coloque esse papel dentro de um saco plástico (de preferência do tipo zip lock, mas 
pode ser qualquer outro se não houver opção), junto com esse papel coloque o corpo 
do animal. Feche este saco e coloque dentro de outro saco plástico. Feche bem e 
coloque o saco dentro do freezer, afastado dos alimentos (se preferir pode colocar o 
saco dentro de um pote plástico, para aumentar o isolamento do corpo dentro do 
freezer). Mantenha o corpo armazenado até o dia no qual o IAT irá buscar os outros 
animais para destinação (é a data de vencimento da sua autorização). Se mais de um 
animal morrer e você optar por armazená-los no freezer, lembre-se de não empilhar 
os corpos dentro do freezer, pois isso aumenta muito o tempo de congelamento. 
 
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Independente de qual das duas opções você preferir, é fundamental devolver os 
corpos dos animais ao IAT. Não descarte os corpos, nem deixe crianças ou animais de 
estimação entrarem em contato. Ademais, lembre-se de utilizar luvas cirúrgicas durante o 
procedimento e lavar bem as mãos após a finalização.

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