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PMSUS 4 1) DEFINIR REGULAÇÃO EM SAÚDE, DIFERENCIAR E ENTENDER A REGULAÇÃO E O PAPEL DA REDE DE REGULAÇÃO NA ATENÇÃO HOSPITALAR. A estratégia da conformação de RAS como caminho para a construção da integralidade encontra na questão da regulação do funcionamento do SUS real um ponto crítico. A reorientação do modelo assistencial e a reorganização da rede de serviços é tarefa urgente, pois “não é aceitável [que] o modo de organização dos serviços gere ou agrave por ele mesmo o sofrimento” (MATTOS, 2009). Ainda que a busca pela integralidade do cuidado demande a reorientação do modelo assistencial, (re)organizar a rede de serviços e garantir acesso equânime aos serviços de saúde é questão premente para se prover atendimento integral. A atuação direta do Estado é imprescindível para se garantir o acesso da população aos serviços públicos de saúde, a uma assistência qualificada, por meio de uma rede organizada de serviços. Tanto na posição de um Estado garantidor da produção dos serviços públicos - regulando mercados, como na posição de efetivador das políticas públicas em saúde - poderoso instrumento de gestão dos serviços públicos, a regulação é ferramenta fundamental para a atuação do Estado na organização do acesso dentro do sistema de saúde (VILARINS et al, 2012). Tanto nos países desenvolvidos como nos emergentes, a regulação em saúde é tema de debates para o enfrentamento dos principais desafios dos sistemas de saúde A regulação deve ser pensada como mais do que apenas uma forma de racionalizar os recursos existentes. O processo regulatório deverá estabelecer um redimensionamento da oferta (diminuição ou expansão), qualificando a utilização dos recursos assistenciais e financeiros e evitando o recurso a fluxos paralelos, baseados em relações pessoais e outros critérios não científicos ou não pactuados. Ao garantir o acesso dos usuários aos serviços de saúde, atua sobre a oferta dos mesmos e estabelece a adequação dessa oferta às necessidades identificadas. Promove, assim, a equidade do acesso e garante a integralidade da assistência de forma universal e ordenada, segundo os princípios do SUS. Torna-se, então, um instrumento de gestão pública imprescindível para garantir maior efetividade às ações desenvolvidas pelos sistemas de saúde Panorama do setor hospitalar no Brasil Dentre as tendências mais recentes para a organização hospitalar no mundo destaca-se a desospitalização, com uma redução do número de leitos em quase todos os países, independente do tamanho do parque hospitalar, aliada a expansão das modalidades de cuidado ambulatorial ou no formato hospital-dia. Salienta-se ainda o aumento do número de internações e aumento do porte médio dos hospitais, bem como o uma maior regulação do acesso e integração do hospital com a rede de serviços. O Brasil acompanhou algumas dessas tendências, mas outras não O setor hospitalar brasileiro é composto por três subsetores: público, conveniado e privado. O subsetor público engloba os estabelecimentos administrados pela esfera governamental federal, estadual e municipal, em sua maioria financiados pelo poder público. Cerca de 70% desses hospitais são municipais. Do restante, a maioria é estadual, sendo que o governo federal opera apenas uma pequena parcela de hospitais, através do MEC e do MS. Dentre os hospitais conveniados ou contratados pelo SUS, metade são instituições sem fins lucrativos. Destaca-se que 70% dos estabelecimentos privados recebem financiamentos público. Hospitais privados com fins lucrativos e alguns filantrópicos não financiados pelo SUS, constituem 20% de todas as unidades hospitalares e 30% de todos os hospitais privados 2) DEFINIR O SISREG, SUA FINALIDADES, CLASSIFICAÇÃO E PRIORIDADE. O que é o SISREG: O sistema Nacional de Regulação – é um sistema web, criado para o gerenciamento de todo complexo regulatório, através de módulo que permitem desde inserção de oferta até a solicitação, pela rede básica, de consultas, exames e procedimentos na média e alta complexidade, bem como a regulação de leitos hospitalares, objetivando maior organização e controle do fluxo de acesso aos serviços de saúde, otimização na utilização dos recursos assistenciais e visando a humanização no atendimento. Trata-se da ferramenta oficial de Regulação, fornecida pelo Ministério da Saúde, de forma gratuita sendo sua utilização não compulsória. Módulos e Funcionalidades do Sistema Nacional de Regulação – SISREG: O sistema é composto de três módulos: Ambulatorial (marcação de consultas e exames especializados), Internação Hospitalar e Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade/Custo (APAC). Módulo I: Central de Regulação Ambulatorial – tem como funcionalidades: · Disponibilizar informações sobre a oferta de consultas e exames especializados. · Controlar as agendas dos profissionais de saúde. · Controlar o fluxo dos usuários no sistema – solicitação, agendamento e atendimento. · Detectar a ocorrência de cancelamentos, não execução por motivo definido e impedimentos de agendas. · Controlar os limites de solicitação e execução dos procedimentos especializados por estabelecimento de saúde solicitante e executante. Módulo II: A Central de Internação Hospitalar – tem como funcionalidades: · Acompanhar a alocação de leitos (urgência e eletiva). · Acompanhar a disponibilidade de leitos em tempo real. · Encaminhar e autorizar internações de urgência. · Agendar e autorizar as internações eletivas. · Controlar o fluxo dos pacientes nos hospitais (admissão, período da internação e alta). · Controlar limites de solicitação de procedimentos hospitalares por estabelecimentos de saúde solicitantes. · Controlar limites de execução dos estabelecimentos de saúde executantes. · Controlar as emissões e autorizações das AIH. · Disponibilizar informações sobre internações para o faturamento das AIH. Módulo III: A Autorização de procedimentos de alta complexidade – APAC – acompanha os processos envolvidos nos encaminhamentos de procedimentos de alta complexidade/custo, permitindo aos administradores seguir todas as etapas, desde a requisição até a autorização e execução O SISREG tem como objetivos a sistematização de algumas funções reguladoras como: · Permitir a distribuição de forma equânime os recursos de saúde para a população própria e referenciada. · Permitir a distribuição dos recursos assistenciais disponíveis de forma regionalizada e hierarquizada. · Facilitar o planejamento dos recursos assistenciais em uma região. · Acompanhar dinamicamente a execução dos tetos pactuados entre os estabelecimentos de saúde e municípios. · Permitir o referenciamento em todos os níveis de atenção nas redes pública e contratada. · Identificar as áreas de desproporção entre a oferta e a demanda. · Disponibilizar informações em tempo real sobre a oferta de leitos, consultas e exames especializados de média e alta complexidade. · Agendar internações e atendimentos eletivos para os pacientes. · Acompanhar a alocação de leitos eletivos por clínica e prestador. · Controlar o fluxo dos pacientes nos estabelecimentos de saúde terciários (admissão, acompanhamento da internação e alta) e secundários (solicitação, agendamento e atendimento). · Acompanhar os atendimentos e internações agendadas. · Detectar a ocorrência de cancelamentos de internações, a não execução de consultas e exames por motivo definido e impedimentos de agendas. · Distribuir os limites (cotas) entre os estabelecimentos de saúde solicitantes. · Controlar os limites de solicitação para população própria e referenciada. · Controlar a execução da oferta disponibilizada por estabelecimento de saúde executante. · Subsidiar os setores de Controle, Avaliação e Auditoria no que se refere ao faturamento em alta e média complexidade ambulatorial e hospitalar, e controle da emissão de AIH, APAC. · Permitir o acompanhamento da execução, por prestador, das programações feitas pelo gestor. Consultas Especializadas: -Cardiologia -Cirurgia Geral -Cirurgia Vascular -Dermatologia -Endocrinologia -Gastroenterologia -Ginecologia-Hematologia -Hepatologia -Neurologia -Ortopedia -Otorrinolaringologia -Pneumologia -Psiquiatria -Reumatologia -Urologia 3) ESCLARECER OS PRINCIPAIS DESAFIOS E FRAGILIDADES DA REDE HOSPITALAR E O PAPEL DA ATENÇÃO BÁSICA NA ORGANIZAÇÃO DA REDE HOSPITALAR. (CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DA SUPERLOTAÇÃO). DESAFIOS E FRAGILIDADE DA REDE HOSPITALAR A Apesar dos esforços das políticas públicas de saúde em tentar absorver a demanda na atenção primária, a falta de estrutura das unidades de saúde e a reduzida oferta de serviços (muitas vezes de simples resolução) refletem no aumento da demanda aos serviços de urgência e emergência. Os pacientes são levados a procurar hospitais que oferecem atendimento de emergência, pois estes têm a certeza de que serão atendidos a qualquer hora. Especialmente, a APS sofre importantes impactos das dificuldades estruturais e operacionais que comprometem seu papel de componente detentor de ferramentas estratégicas para a reorganização do sistema e de articulador com os demais componentes da RAS. Sem condições materiais, tecnológicas e organizacionais para seu pleno funcionamento, estudos apontaram que, segundo usuários e profissionais de saúde, a atenção primária apresenta resolutividade diminuída, dificultando a disponibilidade de seus serviços aos usuários, bem como o alcance dos serviços de média e alta complexidade a partir de um fluxo formal de acesso, visto que muitas vezes não possui a capacidade operacional para exercer seu papel de centro comunicador entre os pontos que compõem as complexas redes de cuidado As Fragilidades da Rede na Atenção · Quanto aos pontos de Atenção Básica existem deficiências no acolhimento, · desintegração das Unidades básicas na rede de urgência e emergência, · falta de flexibilidade nos horários de funcionamento das Unidades · exames de menor complexidade não agregados à atenção básica. · O SAMU seria um fortalecimento da rede na, porém, em algumas regiões ainda não foi implementado assim como a UPA. · Em relação ao componente Hospitalar o financiamento é insuficiente para as Unidades de Urgência, havendo dificuldade na contra referência · Como consequência da realidade atual, a alta e crescente demanda para a atenção hospitalar gera: · um quadro real de superlotação dos estabelecimentos, · redução na oferta de leitos disponíveis para atendimento dos usuários da RAS · desencadear sobrecarga aos trabalhadores e potencial declínio na qualidade do atendimento. · Como consequência deste cenário, tem-se o descontentamento da população usuária e de reforço da ideia de que faltam hospitais no país · Ainda, do ponto de vista econômico, esta alta e crescente demanda para a atenção hospitalar reflete um importante incremento nos gastos públicos em saúde, já que os gastos médicos hospitalares representam cerca de metade de todos os gastos nacionais em saúde, sendo um importante fortalecedor da preocupação já existente na década de 1970, com a necessidade de racionalização econômica e da oferta, bem como de modernização dos processos de gestão Faz-se necessário destacar, neste contexto, que mesmo com todas as mudanças nos sistemas de saúde com reorientação das políticas a partir da crítica ao modelo centrado no hospital e, ainda, com as discussões sobre o papel da atenção hospitalar, esta segue mantendo um papel de destaque na prestação de assistência à saúde. Isso se dá tanto do ponto de vista técnico-assistencial com concentração de saberes e tecnologias, quanto a partir da ótica da mídia e da população que visualizam uma representação simbólica de um local privilegiado e verdadeiramente expressivo no que se refere a um serviço de saúde Essa situação não é exclusiva do Brasil. Estudo que analisa as estratégias desenvolvidas por Brasil e Espanha para integrar Atenção Primária à Saúde e Especializada, descreve que na Espanha “apesar do amplo acesso à APS, cujas unidades funcionam em dois turnos, foi relatado [...] a existência de certa cultura, que considera a atenção hospitalar como de melhor qualidade”, o que faz com que a população busque o atendimento diretamente na rede de urgência PAPEL DA ATENÇÃO BÁSICA NA ORGANIZAÇÃO DA REDE HOSPITALAR interlocução entre os níveis de atenção básica impactam significativamente na forma como os Hospitais, estão inseridos nas diversas RAS e as características do atendimento por eles prestados Mediante este raciocínio, deve-se considerar a análise dos fluxos para a obtenção de assistência e por meio deles atentar-se para os processos de referência e contra referência inerentes que permitam assegurar os princípios da integralidade do cuidado e da universalidade da atenção em saúde. · Entendem-se fluxos de referência e contra referência como um processo de encaminhamento dos pacientes, de maneira mútua, entre os diferentes níveis de complexidade dos serviços · Este conceito traz consigo a ideia de integração da rede assistencial em saúde, cuja construção se baseia na conexão, comunicação, coerência e relação entre os serviços componentes da rede de cuidados ao usuário. Na medida em que se produz um cuidado com integração adequada entre os serviços, permite-se desenvolver um cuidado “completo” e “inteiro”. a integração pode ser aplicada de duas formas: · sendo a horizontal aquela que permite o desenvolvimento do processo de cuidado por meio da fusão de serviços ou por aliança estratégica obtida com complementariedade em rede; cada hospital se especializará em algo, eliminando dessa forma a competitividade · e a vertical, que submete todos os pontos de atenção, de apoio e de logística a uma mesma gestão, com a interlocução obtida por meio de comunicação efetiva, gerando um valor na cadeia de produção de cuidado. Colocar sob a mesma atenção todos os pontos da atenção à saúde CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DA SUPERLOTAÇÃO A superlotação nos hospitais é um problema de saúde pública não só no Brasil, mas em todo mundo. É uma questão persistente e que acaba gerando uma cascata de consequências como longas filas de atendimento e falta de leitos e recursos para o tratamento adequado dos pacientes. A precariedade e a falta de investimentos no setor promovem uma demora na avaliação inicial dos pacientes, no diagnóstico e na instituição de terapêuticas, resultando em efeitos negativos para os pacientes que sofrem com complicações e comorbidades. A superlotação nos hospitais também pode comprometer a qualidade dos cuidados médicos, uma vez que os profissionais de saúde ficam sobrecarregados e não têm tempo suficiente para fornecer atenção personalizada a cada paciente. CAUSAS DA SUPERLOTAÇÃO Um levantamento que foi divulgado pelo Tribunal de Contas da União, chegou a conclusão de que 64% dos 116 hospitais que foram visitados enfrentavam situação de superlotação com frequência, enquanto que os outros 36% estariam operando além de sua capacidade em determinadas ocasiões · Falta de informação Busca no hospital um atendimento rápido e mais adequado cultural (não só no brasil) falta de informação para a população sobre qual serviço de saúde recorrer dependendo da sua queixa, fazendo com que os pacientes procurem os hospitais com doenças de menor gravidade. · Falta de equipamentos adequados Um dos principais problemas que fazem com que a superlotação nos hospitais aconteça é a falta de equipamentos para que o paciente consiga ser bem atendido e de forma otimizada. Muitos hospitais, possuem leitos, mas acabam sem a estrutura necessária para acomodar os pacientes nesses quartos, como a falta de monitores e ventiladores pulmonares. Isso pode resultar em pacientes esperando por várias horas ou dias para serem atendidos ou mesmo sendo transferidos para outras unidades de saúde, aumentando ainda mais a sobrecarga nos hospitais. · Falta de pessoal qualificado No estudo publicado pelo TCU, 80% dos hospitais avaliados contavam com a falta de enfermeiros e médicos. Por isso, muitos leitos disponíveis ficam fechados, visto que não possuem mão de obra suficiente para atender os pacientes · Má distribuiçãode médicos no país Ainda que o número de pessoas formadas em medicina só cresça, ainda há uma desigualdade muito grande no que diz respeito à distribuição geográfica de profissionais no país. A região sudeste conta com 2,81 médicos para cada grupo de mil habitantes, enquanto que a região norte conta com apenas 1,16 segundo · Baixa remuneração de profissionais Nem sempre a remuneração dos profissionais de saúde condiz com suas cargas de trabalho e as demandas exigidas. Quando estes profissionais não são bem remunerados, eles podem procurar outras áreas de trabalho ou até mesmo em outros países, o que pode levar a uma escassez de profissionais de saúde em determinadas regiões. · Falta de leitos para internação Superlotação, é o principal fator, além do baixo investimento financeiro (desvio de verba visto que: os gastos médicos hospitalares representam cerca de metade de todos os gastos nacionais em saúde · Aumento do tempo de permanência no serviço de emergência hospitalar Muito decorre da: limitação ao acesso de serviços de saúde após alta do paciente CONSEQUÊNCIAS DA SUPERLOTAÇÃO · Aumento no tempo de espera pelo primeiro atendimento os pacientes podem ter que esperar por longos períodos para serem atendidos, o que pode agravar seus sintomas e piorar sua condição · Agravo à saúde de pacientes na fila de espera Os pacientes podem ter dificuldade em obter privacidade e segurança adequadas, o que pode afetar negativamente sua recuperação. · Queda na qualidade do atendimento Os profissionais de saúde podem não ter tempo suficiente para fornecer atendimento de alta qualidade a todos os pacientes · Sobrecarga de profissionais de saúde Trabalhar em um ambiente hospitalar superlotado pode ser extremamente estressante para os profissionais de saúde, o que pode afetar sua saúde física e mental, ocasionando fadiga, insônia e até mesmo ao burnout (é um esgotamento profissional que leva a uma exautão extrema, estresse e esgotamento físico). · Equipes de saúde exaustas e desmotivadas · Aumento na quantidade de situações de crise e no tempo dedicado para solucioná-las. 4) ENTENDER A POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO HOSPITALAR PORTARIA Nº 3.390, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2013: Institui a Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHOSP) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecendo- se as diretrizes para a organização do componente hospitalar da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Art. 3º Os hospitais são instituição complexas, com densidade tecnológica especifica, de caráter multiprofissional e interdisciplinar, responsável pela assistência aos usuários com condições agudas ou crônicas, que apresentem potencial de instabilização e de complicações de seu estado de saúde, exigindo-se assistência contínua em regime de internação e ações que abrangem a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação. Art. 4º Os hospitais que prestam ações e serviços no âmbito do SUS constituem-se como um ponto ou conjunto de pontos de atenção, cuja missão e perfil assistencial devem ser definidos conforme o perfil demográfico e epidemiológico da população e de acordo com o desenho da RAS loco-regional, vinculados a uma população de referência com base territorial definida, com acesso regulado e atendimento por demanda referenciada e/ou espontânea. Art. 5º Para efeito desta Portaria, considera-se: I - acessibilidade hospitalar: a condição para utilização com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos do hospital por uma pessoa com de?ciência ou com mobilidade reduzida; II - acolhimento: a escuta ética e adequada das necessidades de saúde do usuário no momento de procura ao serviço de saúde e na prestação de cuidados com a finalidade de atender à demanda com resolutividade e responsabilidade; III - apoio matricial: o suporte técnico especializado que é ofertado a uma equipe interdisciplinar de saúde a fim de ampliar seu campo de atuação e qualificar suas ações, invertendo a lógica da fragmentação dos saberes; IV - auditoria clínica: a análise crítica e sistemática da qualidade de atenção à saúde prestada no hospital, incluindo-se os procedimentos usados para o diagnóstico e o tratamento, uso dos recursos e os resultados para os usuários; V - classificação de risco: protocolo pré-estabelecido, com a finalidade de dar agilidade ao atendimento a partir da análise do grau de necessidade do usuário, proporcionando atenção centrada no nível de complexidade e não na ordem de chegada; VI - clínica ampliada: dispositivo de atenção à saúde, centrado nas necessidades de cada usuário e no seu contexto, articulando um conjunto de práticas capazes de potencializar a capacidade de atuação dos profissionais por meio da implantação das equipes de referência, construção de vínculo e elaboração de projetos terapêuticos compartilhados com os usuários, buscando ampliar os recursos de intervenção sobre o processo saúde/doença; VII - diretrizes terapêuticas: recomendações desenvolvidas de modo sistemático para auxiliar os profissionais de saúde e usuários no momento da tomada de decisões acerca de circunstâncias clínicas específicas; VIII - gerência: administração de uma unidade ou órgão de saúde, tais como ambulatório, hospital, instituto e fundação, que se caracteriza como prestador de serviços do SUS; IX - gestão: atividade e responsabilidade de comandar um sistema de saúde municipal, distrital, estadual ou nacional, exercendo as funções de coordenação, articulação, negociação, planejamento, acompanhamento, controle, avaliação e auditoria, envolvendo as macro-funções de formulação de políticas/planejamento, financiamento, coordenação, regulação, controle e avaliação do sistema/redes e dos prestadores públicos ou privados e prestação direta de serviços de saúde; X - gestão da clínica: práticas assistenciais e gerenciais desenvolvidas a partir da carcterização do perfil dos usuários por meio da gestão de leitos, co-responsabilização das equipes e avaliação de indicadores assistenciais; XI - gerenciamento de leitos: dispositivo para otimização da utilização dos leitos, aumentando a rotatividade dentro de critérios técnicos, visando diminuir o tempo de internação desnecessário e abrir novas vagas para demandas represadas; XII - horizontalização do cuidado: a forma de organização do trabalho em saúde, na qual existe uma equipe multiprofissional de referência que atua diariamente no serviço, em contraposição à forma de organização do trabalho em que os profissionais têm uma carga horária distribuída por plantão; XIII - linha de cuidado: a estratégia de organização da atenção que viabiliza a integralidade da assistência, por meio de um conjunto de saberes, tecnologias e recursos necessários ao enfrentamento de riscos, agravos ou demais condições específicas do ciclo de vida ou outro critério sanitário a serem ofertados de forma oportuna, articulada e contínua, abrangendo os campos da promoção, prevenção, tratamento e reabilitação; XIV - Núcleo Interno de Regulação (NIR): constitui a interface com as Centrais de Regulação para delinear o perfil de complexidade da assistência que sua instituição representa no âmbito do SUS e disponibilizar consultas ambulatoriais, serviços de apoio diagnóstico e terapêutico, além dos leitos de internação, segundo critérios pré-estabelecidos para o atendimento, além de buscar vagas de internação e apoio diagnóstico e terapêutico fora do hospital para os pacientes internados, quando necessário; XV - Núcleo de Acesso e Qualidade Hospitalar (NAQH): Núcleo composto por profissionais das diversas áreas do hospital cuja finalidade é a garantia da qualidade da gestão do serviço de urgência e emergência e dos leitos de retaguarda às urgências na forma da Portaria nº 2.395/GM/MS, de 11 de outubro de 2011; XVI - modelo de atenção: forma como é organizado o sistema de saúde a partir da compreensão do processo de saúde e doença, do modo como se organiza a oferta de serviços e suas formas de intervenção por meio dos modelos depráticas profissionais e institucionais estruturadas para o atendimento de necessidades individuais e coletivas, específicas para um determinado contexto histórico e social; XVII - Plano Terapêutico: plano de cuidado de cada paciente, resultado da discussão da equipe multiprofissional, com o objetivo de avaliar ou reavaliar diagnósticos e riscos, redefinindo as linhas de intervenção terapêutica dos profissionais envolvidos no cuidado. XVIII - ponto de atenção: espaços onde se ofertam determinados serviços de saúde, por meio de uma produção singular, como uma unidade ambulatorial especializada, uma unidade de atenção domiciliar, uma unidade de atenção paliativa, etc.; XIX - prontuário único: o conjunto de documentos em saúde padronizados e ordenados, destinado ao registro dos cuidados que foram prestados aos usuários por todos os profissionais de saúde; XX - Portas Hospitalares de Urgência e Emergência: serviços instalados em uma unidade hospitalar para prestar atendimento ininterrupto ao conjunto de demandas espontâneas e referenciadas de urgências e emergências clínicas, pediátricas, obstétricas, cirúrgicas e/ou traumatológicas, etc. XXI - protocolo clínico: documento que normaliza um padrão de atendimento a determinada patologia ou condição clínica, identificando as ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação; XXII - RAS: malha que integra os diversos pontos de atenção em determinado território, organizando-os sistematicamente para que os diferentes níveis e densidades tecnológicas estejam articulados e adequados de forma regulada para o atendimento ao usuário; XXIII - visita aberta: o acesso dos visitantes às unidades de internação em qualquer tempo, desde que negociado previamente entre usuário, profissionais, gestores e visitantes, de forma a garantir o elo entre o usuário e sua rede social de apoio. Art. 6º São diretrizes da PNHOSP: • I - garantia de universalidade de acesso, equidade e integralidade na atenção hospitalar; • II - regionalização da atenção hospitalar, com abrangência territorial e populacional, em consonância com as pactuações regionais; • III - continuidade do cuidado por meio da articulação do hospital com os demais pontos de atenção da RAS; • IV - modelo de atenção centrado no cuidado ao usuário, de forma multiprofissional e interdisciplinar; • V - acesso regulado de acordo com o estabelecido na Política Nacional de Regulação do SUS; • VI - atenção humanizada em consonância com a Política Nacional de Humanização; • VII - gestão de tecnologia em saúde de acordo com a Política Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS; • VIII - garantia da qualidade da atenção hospitalar e segurança do paciente; • IX - garantia da efetividade dos serviços, com racionalização da utilização dos recursos, respeitando as especificidades regionais; • X - financiamento tripartite pactuado entre as três esferas de gestão; • XI - garantia da atenção à saúde indígena, organizada de acordo com as necessidades regionais, respeitando-se as especificidades socioculturais e direitos estabelecidos na legislação, com correspondentes alternativas de financiamento específico de acordo com pactuação com subsistema de saúde indígena; • XII - transparência e eficiência na aplicação de recursos; • XIII - participação e controle social no processo de planejamento e avaliação; • XIV - monitoramento e avaliação. Art. 7º São eixos estruturantes da PNHOSP: • I - Assistência Hospitalar; • II - Gestão Hospitalar; • III - Formação, Desenvolvimento e Gestão da Força de Trabalho; • IV - Financiamento; • V - Contratualização; • VI - Responsabilidades das Esferas de Gestão. Seção I - Do Eixo de Assistência Hospitalar Art. 8º A assistência hospitalar no SUS será organizada a partir das necessidades da população, com a finalidade de garantir o atendimento aos usuários, baseado em equipe multiprofissional, na horizontalização do cuidado, na organização de linhas de cuidado e na regulação do acesso. Art. 9º A atenção hospitalar atuará de forma integrada aos demais pontos de atenção da RAS e com outras politicas de forma intersetorial, mediadas pelo gestor, para garantir resolutividade da atenção e continuidade do cuidado. Art. 10. O acesso à atenção hospitalar será realizado de forma regulada, a partir de demanda referenciada e/ou espontânea, assegurando a equidade e a transparência, com priorização por meio de critérios que avaliem riscos e vulnerabilidades. • § 1º O acesso à atenção hospitalar será organizado em consonancia com as diretrizes da Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde (RENASES) e da Política Nacional de Regulação, de forma pactuada na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) ou Comissão Intergestores Regional (CIR), quando houver. • § 2º As Portas Hospitalares de Urgência e Emergência deverão implementar acolhimento e protocolo de classificação de risco e vulnerabilidades específicas. • § 3º A equipe de saúde será integralmente responsável pelo usuário a partir do momento de sua chegada, devendo proporcionar um atendimento acolhedor e que respeite as especificidades socioculturais. Art. 11. O modelo de atenção hospitalar contemplará um conjunto de dispositivos de cuidado que assegure o acesso, a qualidade da assistência e a segurança do paciente. • § 1º A clínica ampliada e a gestão da clínica serão a base do cuidado, com a implementação de equipes multiprofissionais de referência, de forma a assegurar o vínculo entre a equipe, o usuário e os familiares, com a garantia de visita aberta com a presença do acompanhante e com a valorização de fatores subjetivos e sociais. • § 2º As equipes multiprofissionais de referência serão a estrutura nuclear dos serviços de saúde do hospital e serão formadas por profissionais de diferentes áreas e saberes, que irão compartilhar informações e decisões de forma horizontal, estabelecendo-se como referência para os usuários e familiares. • § 3º A horizontalização do cuidado será uma das estratégias para efetivação da equipe de referência, com fortalecimento de vínculo entre profissionais, usuários e familiares. • § 4º O Plano Terapêutico será elaborado de forma conjunta pelas equipes, especialmente quando se tratar de um usuário com quadro clínico complexo ou de alta vulnerabilidade, com o objetivo de reavaliar diagnósticos e redefinir as linhas de intervenção terapêutica, devendo ser registrado em prontuário unificado compartilhado pela equipe multiprofissional. • § 5º As equipes dos serviços hospitalares atuarão por meio de apoio matricial, propiciando retaguarda e suporte nas respectivas especialidades para as equipes de referência, visando a atenção integral ao usuário. • § 6º O gerenciamento dos leitos será realizado na perspectiva da integração da prática clínica no processo de internação e de alta, preferencialmente por meio da implantação de um Núcleo Interno de Regulação (NIR) ou Núcleo de Acesso e Qualidade Hospitalar (NAQH) com o objetivo de aumentar a ocupação de leitos e otimizar a utilização da capacidade instalada, melhorando o atendimento ao usuário. • § 7º Cabe ao hospital implantar os núcleos de Segurança do Paciente nos moldes descritos na Resolução da Diretoria Colegiada RDC - nº 36/Anvisa, de 25 de julho de 2013, de forma a elaborar um Plano de Segurança do Paciente, bem como garantir a implantação dos Protocolos Básicos de Segurança do Paciente. • § 8º Diretrizes Terapêuticas e Protocolos Clínicos serão adotados para garantir intervenções seguras e resolutivas, além de evitar ações desnecessárias, qualificando a assistência prestada ao usuário, de acordo com o estabelecido pelo SUS. • § 9º Ações que assegurem a qualidade da atenção e boas práticas em saúde deverão ser implementadas para garantir a segurança do paciente com redução de incidentes desnecessários e evitáveis, além de atos inseguros relacionados ao cuidado. Art. 12. Cabe ao hospital identificar e divulgar os profissionais que são responsáveis pelo cuidado do paciente nas unidades de internação, nos prontos socorros, nos ambulatóriosde especialidades e nos demais serviços. Art. 13. Cabe ao hospital implantar a visita aberta, de forma a garantir a ampliação do acesso dos visitantes ao pronto socorro e às unidades de internação, favorecendo a relação entre o usuário, familiares e rede social de apoio e a equipe de referência. Art. 14. Os usuários internados, especialmente os idosos, gestantes, crianças, adolescentes e indígenas, possuem direito a acompanhante 24 (vinte e quatro) horas por dia. Parágrafo único. O direito de crianças e adolescentes de brincar será assegurado, assim como o direito de estudar, que será implementado de acordo com o estabelecido pela Secretaria de Educação Estadual, Distrital e Municipal em articulação com gestor de saúde local. Art. 15. A auditoria clínica interna periódica será realizada, no mínimo a cada 2 (dois) anos, com o objetivo de qualificar o processo assistencial hospitalar. Art. 16. A alta hospitalar responsável, entendida como transferência do cuidado, será realizada por meio de: • I - orientação dos pacientes e familiares quanto à continuidade do tratamento, reforçando a autonomia do sujeito, proporcionando o autocuidado; • II - articulaçao da continuidade do cuidado com os demais pontos de atenção da RAS, em particular a Atenção Básica; • III- implantação de mecanismos de desospitalização, visando alternativas às práticas hospitalares, como as de cuidados domiciliares pactuados na RAS. 5) DISCUTIR COMO SE DÁ O PROCESSO DE REGULAÇÃO E HABILITAÇÃO DOS LEITOS DENTRO DA RAS. O Hospital oferta as vagas existentes para a regulação municipal e o gerenciamento da entrada dos pacientes na rede de hospitais acontece, portanto, por meio da Secretaria de Saúde do Município. · Já as solicitações de internação são realizadas pelas portas de entrada do SUS, a exemplo das Unidades de Pronto Atendimento (UPA), do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e das Unidades Básicas de Saúde (UBS). A partir daí, o sistema de regulação do município faz o cruzamento de dados entre as solicitações recebidas e as vagas ofertadas por cada unidade de saúde, de acordo com o perfil de atendimento de cada hospital da rede e a necessidade do paciente e, assim, encaminha o usuário para a unidade de saúde que melhor atenda a sua demanda. Tipos de leitos: a) Leitos de retaguarda do hospital: · Nem todo hospital tem · Estão na unidade hospitalar estratégica (ficando dentro da enfermaria clínica de retaguarda) · Servem: para colocar o paciente estável que necessita de cuidado ou tratamento dentro da enfermaria · E devem ser 80% ocupados no mês · Todos os pacientes podem ficar até 10 dias · Serve de apoio a RUE · Cada leito recebe 300 reais mês b) Leito de terapia intensiva: · Também chamada de unidade de terapia intensiva (UTI) · É uma área hospitalar, dedicada a pacientes críticos, gravemente enfermos. · Devem ser 90% ocupados no mês · Cada leito recebe 800 reais mês VAGA ZERO: A “vaga zero” é um recurso essencial para garantir acesso imediato aos pacientes com risco de morte ou sofrimento intenso, devendo ser considerada como situação de exceção e não uma prática cotidiana na atenção às urgências. O encaminhamento de pacientes como “vaga zero” é prerrogativa e responsabilidade exclusiva dos médicos reguladores de urgências, que deverão, obrigatoriamente, tentar fazer contato telefônico com o médico que irá receber o paciente no hospital de referência, detalhando o quadro clínico e justificando o encaminhamento. Em caso de transferência de pacientes de unidades de saúde para hospitais de maior complexidade em “vaga zero”, as informações detalhadas em relação ao quadro clínico do paciente deverão ser encaminhadas, por escrito, pelo médico solicitante do serviço de saúde de origem. No caso de utilizar-se a “vaga zero” em Serviço Hospitalar de Urgência e Emergência superlotado ou sem capacidade técnica de continuidade do tratamento, caberá à equipe médica estabilizar o paciente e, após obtidas as condições clínicas que permitam a transferência, comunicar o fato à regulação, persistindo a responsabilidade do gestor público pela obtenção de vagas para a continuidade do tratamento e, se necessário, com a compra de leitos na forma da lei. Uma vez acionado em função da superlotação, o diretor técnico do hospital deverá notificar essa circunstância ao gestor responsável e ao Conselho Regional de Medicina, para que as medidas necessárias ao enfrentamento de cada uma das situações sejam desencadeadas. Habilitação dos leitos Para os leitos hospitalares serem habilitados: · É necessário que o gestor do hospital, solicite que o mesmo vire uma rede de atenção da UE · Esses precisam ser qualificar os leitos em 12 meses ou abrir um leito com 6 meses (ambos recebendo um valor de 3.000.000) · Para ser aceito precisa ter pelo menos: 1 centro especializado · Pediatria · Trauma · Neurologia · Cardiologia · No qual semestralmente vai um grupo avaliar o funcionamento dos leitos hospitalares REFERÊNCIAS SISREG – Protocolo para o Regulador: https://subpav.org/SAP/protocolos/arquivos/GUIAS_REFERENCIA/sisreg_%E2%80%93_protocolo_para_o_regulador.pdf Hospitais gerais: inserção nas redes de atenção à saúde e fatores condicionantes de sua atuação: https://www.scielo.br/j/csc/a/VnBZsCbXtBjfsHsmmnLQgWm/?format=pdf&lang=pt O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA: https://portal.cfm.org.br/images/PDF/resolucao2077.pdf Regulação assistencial e atenção hospitalar na Rede de Atenção às Urgências e Emergências: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/handle/icict/27930/ve_Mariana_Konder_ENSP_2018.pdf?sequence=2&isAllowed=y PMSUS 4 1) DEFINIR REGULAÇÃO EM SAÚDE, DIFERENCIAR E ENTENDER A REGULAÇÃO E O PAPEL DA REDE DE REGULAÇÃO NA ATENÇÃO HOSPITALAR. A estratégia da conformação de RAS como caminho para a construção da integralidade encontra na questão da regulação do funcionamento do SUS real um ponto crítico. A reorientação do modelo assistencial e a reorganização da rede de serviços é tarefa urgente, pois “não é aceitável [que] o modo de organização dos serviços gere ou agrave por ele mesmo o sofrimento” (MATTOS, 2009). Ainda que a busca pela integralidade do cuidado demande a reorientação do modelo assistencial, (re)organizar a rede de serviços e garantir acesso equânime aos serviços de saúde é questão premente para se prover atend imento integral. A atuação direta do Estado é imprescindível para se garantir o acesso da população aos serviços públicos de saúde, a uma assistência qualificada, por meio de uma rede organizada de serviços. Tanto na posição de um Estado garantidor da prod ução dos serviços públicos - regulando mercados, como na posição de efetivador das políticas públicas em saúde - poderoso instrumento de gestão dos serviços públicos, a regulação é ferramenta fundamental para a atuação do Estado na organização do acesso de ntro do sistema de saúde (VILARINS et al, 2012). Tanto nos países desenvolvidos como nos emergentes, a regulação em saúde é tema de debates para o enfrentamento dos principais desafios dos sistemas de saúde A regulação deve ser p ensada como mais do que apenas uma forma de racionalizar os recursos existentes. O processo regulatório deverá estabelecer um redimensionamento da oferta (diminuição ou expansão), qualificando a utilização dos recursos assistenciais e financeiros e evitand o o recurso a fluxos paralelos, baseados em relações pessoais e outros critérios não científicos ou não pactuados. Ao garantir o acesso dos usuários aos serviços de saúde, atua sobre a oferta dos mesmos e estabelece a adequação dessa oferta às necessidades identificadas. Promove, assim, a equidade do acesso e garante a integralidade da assistência de forma universal e ordenada, segundo os princípios do SUS. Torna - se, então, um instrumento de gestão pública imprescindível para garantir maior efetividade às a ções desenvolvidas pelos sistemas de saúde PMSUS 4 1) DEFINIR REGULAÇÃO EM SAÚDE, DIFERENCIAR E ENTENDER A REGULAÇÃO E O PAPELDA REDE DE REGULAÇÃO NA ATENÇÃO HOSPITALAR. A estratégia da conformação de RAS como caminho para a construção da integralidade encontra na questão da regulação do funcionamento do SUS real um ponto crítico. A reorientação do modelo assistencial e a reorganização da rede de serviços é tarefa urgente, pois “não é aceitável [que] o modo de organização dos serviços gere ou agrave por ele mesmo o sofrimento” (MATTOS, 2009). Ainda que a busca pela integralidade do cuidado demande a reorientação do modelo assistencial, (re)organizar a rede de serviços e garantir acesso equânime aos serviços de saúde é questão premente para se prover atendimento integral. A atuação direta do Estado é imprescindível para se garantir o acesso da população aos serviços públicos de saúde, a uma assistência qualificada, por meio de uma rede organizada de serviços. Tanto na posição de um Estado garantidor da produção dos serviços públicos - regulando mercados, como na posição de efetivador das políticas públicas em saúde - poderoso instrumento de gestão dos serviços públicos, a regulação é ferramenta fundamental para a atuação do Estado na organização do acesso dentro do sistema de saúde (VILARINS et al, 2012). Tanto nos países desenvolvidos como nos emergentes, a regulação em saúde é tema de debates para o enfrentamento dos principais desafios dos sistemas de saúde A regulação deve ser pensada como mais do que apenas uma forma de racionalizar os recursos existentes. O processo regulatório deverá estabelecer um redimensionamento da oferta (diminuição ou expansão), qualificando a utilização dos recursos assistenciais e financeiros e evitando o recurso a fluxos paralelos, baseados em relações pessoais e outros critérios não científicos ou não pactuados. Ao garantir o acesso dos usuários aos serviços de saúde, atua sobre a oferta dos mesmos e estabelece a adequação dessa oferta às necessidades identificadas. Promove, assim, a equidade do acesso e garante a integralidade da assistência de forma universal e ordenada, segundo os princípios do SUS. Torna-se, então, um instrumento de gestão pública imprescindível para garantir maior efetividade às ações desenvolvidas pelos sistemas de saúde