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Recife, 2010
Análise e Interpretação 
de Textos
Ivanda Martins
Volume 2
Universidade Federal Rural de Pernambuco
Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade
Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros
Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho
Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski
Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire
Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira
Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena
Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos
Produção Gráfica e Editorial
Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira e Italo Amorim
Revisão Ortográfica: Marcelo Melo
Ilustrações: John Pablo, Allyson Vila Nova, Diego Almeida e Glaydson da Silva
Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
Sumário
Apresentação ...................................................................................................4
Conhecendo o Volume 2 .................................................................................5
Capítulo 1 – A Diversidade Linguística ..........................................................7
Capítulo 2 – Descobrindo os Níveis de Linguagem ...................................22
Capítulo 3 – Vamos Conversar sobre Leitura? ...........................................34
Capítulo 4 – A Importância da Leitura no Mundo........................................51
Considerações Finais ....................................................................................64
Conheça a Autora ..........................................................................................67
Apresentação
Caro(a) Cursista,
Seja bem-vindo(a) ao segundo módulo da disciplina Análise e Interpretação de 
Textos.
No primeiro módulo, você percebeu a importância da comunicação no mundo 
globalizado e tecnológico. Você também observou que o processo de comunicação 
envolve vários componentes, tais como: emissor, mensagem, receptor, canal, código, 
contexto. Para cada elemento da comunicação, há uma determinada função da 
linguagem que é priorizada quando estabelecemos atos comunicativos. Assim, você 
descobriu a importância das funções da linguagem (fática, emotiva, referencial, apelativa, 
metalinguística, fática) quando da análise e interpretação de textos diversos. 
Neste segundo módulo, vamos dar continuidade às discussões sobre a importância da 
língua como instrumento de interação social. O objetivo principal deste segundo módulo 
é apresentar a diversidade linguística como componente constitutivo das práticas de 
linguagem, visando ampliar o debate sobre os níveis de linguagem utilizados em várias 
situações comunicativas. Assim, entraremos no universo dos níveis de linguagem e do 
mundo fascinante dos textos que circulam socialmente. Vamos descobrir as diversas 
concepções subjacentes ao ato de ler como prática sociocultural, percebendo que a 
leitura se revela como atividade intertextual e interdisciplinar. 
Você precisa compreender que os textos circulam socialmente e estão dialogando 
com vários fatores (sociais, culturais, regionais, etc.). Tais fatores repercutem diretamente 
nas formas de usarmos a língua como instrumento de interação social. 
Os textos são produzidos de acordo com as convenções sociais, culturais e históricas. 
Assim, para interpretarmos e compreendermos melhor os textos, precisamos entender 
um pouco mais sobre os processos de comunicação em que os textos são utilizados.
Desse modo, as práticas de leitura, análise e interpretação de textos serão abordadas, 
considerando as relações dialógicas entre autores, textos e leitores, ancoradas nos 
processos sociais, históricos e culturais, subjacentes à comunicação na era tecnológica 
em que vivemos.
Pronto(a) para embarcar novamente nesta viagem? Então, vamos lá? Retome o 
fôlego e prepare-se, pois a viagem continua neste segundo módulo.
Abraços Virtuais,
Ivanda Martins
Professora Autora
Conhecendo o Volume 2
Neste segundo volume, você irá encontrar o Módulo 2 da disciplina Análise e 
Interpretação de Textos. Para facilitar seus estudos, veja a organização deste segundo 
módulo.
Módulo 2 - Diversidade Linguística, Leituras e Textos
Objetivo do Módulo 2: Identificar a diversidade linguística como constitutiva das 
práticas de linguagem, reconhecendo a multiplicidade de textos e níveis de linguagem.
Conteúdo Programático do Módulo 2:
» A diversidade linguística e o preconceito linguístico.
» Níveis de linguagem.
» Concepções de leitura.
» Leitura e criticidade.
» Níveis e objetivos de leitura.
» Leitura e intertextualidade.
6
Análise e Interpretação de Textos
Capítulo 1
O que vamos estudar neste capítulo?
» Diversidade linguística.
» Fatores que contribuem para a diversidade linguística (fatores 
regionais, socioculturais, contextuais, naturais).
» Preconceito linguístico.
7
Análise e Interpretação de Textos
Capítulo 1 – A Diversidade 
Linguística
Vamos conversar sobre o assunto?
Você já percebeu que usamos a língua de várias formas em 
diferentes situações comunicativas? Ainda não pensou nisso? Então, 
é bom começar a refletir um pouco mais sobre o assunto. Vamos lá?
Você sabia que a língua1 sofre influências de fatores 
extralinguísticos? Tais fatores contribuem para a diversidade 
linguística que percebemos nos modos de fala dos indivíduos. Apesar 
de os falantes estarem usando uma mesma língua, as falas dos 
indivíduos revelam-se completamente diferentes, já que cada um 
tem expectativas diferentes, culturas diversas, visões de mundo e 
ideologias totalmente diferentes. Os falantes utilizam, assim, a língua, 
mas desenvolvem uma maneira peculiar, bem própria para expressar 
mensagens através de suas falas.
No Brasil, por exemplo, a extensão territorial do país, as 
desigualdades sociais e econômicas, as diferenças étnicas, culturais 
e religiosas são fatores que influenciam os usos sociais da língua. 
Apesar de os brasileiros usarem a língua portuguesa, eles não se 
expressam da mesma forma, pois cada um emprega a língua de 
acordo com alguns elementos determinantes nessa diversidade 
linguística, tais como: contexto social, situação comunicativa, idade, 
sexo, raça, grau de escolaridade, crenças e valores dos indivíduos, 
intencionalidade do emissor, relações entre emissores e receptores, 
etc.
Link
1 Revise os 
conceitos 
de língua, 
linguagem e fala 
apresentados 
no volume 1 da 
disciplina Análise 
e Interpretação 
de Textos.
8
Análise e Interpretação de Textos
Os usos variados da língua dependem de uma série de fatores que 
influenciam a diversidade linguística. Podemos destacar os fatores 
regionais, culturais, contextuais e naturais, os quais iremos estudar 
neste capítulo. Vamos conhecê-los melhor?
Fatores Regionais
Você já deve ter percebido, por exemplo, que o português falado 
no Sul do país difere do português falado no Nordeste. Assim, cada 
região apresenta um padrão linguístico diferenciado, em função das 
diversas formas de comunicação utilizadas. A diversidade de sotaques2 
é um bom exemplo dessa diversidade linguística.
Dentro de uma mesma região, também encontramos variações no 
uso da língua, como, por exemplo, a língua utilizada por um cidadão 
que vive na capital e aquela utilizada pelo habitante da zona rural. 
Veja a tirinha abaixo e observe a linguagem usada pela 
personagem.
Você observou que a personagem da tirinha fala de modo diferente, 
em função de seu padrão linguístico ser característico daquele usado 
na zona rural do país. Note, também, que pelo fato de as histórias em 
quadrinhos representarem ficcionalmente aspectos da realidade, essa 
caracterização da fala da personagem é apenas uma representação 
criada pelo autor, a qual provavelmente não corresponde exatamente 
às dimensões reais, tendo em vista tratar-se de um texto ficcional. 
Além dos fatores regionais, também os aspectos socioculturais 
são determinantes nas formas utilizadas pelos usuários da língua 
nas trocas comunicativas. Vamos conhecerum pouco os fatores 
socioculturais?
Saiba Mais
2 O sotaque 
envolve a 
variedade de 
pronúncias. 
Uma mesma 
expressão pode 
ser pronunciada 
de diversas 
maneiras, de 
acordo com as 
convenções 
de cada grupo 
social e de cada 
local em que os 
falantes estão 
inseridos.
9
Análise e Interpretação de Textos
Fatores Socioculturais
Você já parou para refletir sobre as relações entre o grau de 
escolarização, a formação cultural dos indivíduos e a diversidade 
linguística? Ainda não? Então é hora de aprofundarmos nossas 
reflexões sobre o assunto.
O grau de escolarização e a formação cultural do indivíduo são 
também fatores que determinam usos diferentes da língua. Uma 
pessoa escolarizada utiliza a língua de maneira diferente da pessoa 
que não teve acesso à escolarização formal. Como exemplo, a 
linguagem utilizada por um indivíduo analfabeto não será igual àquela 
utilizada, por exemplo, por um profissional em seu ambiente de 
trabalho. Mas, certamente, o indivíduo analfabeto será mais vítima do 
preconceito linguístico3, em função dos processos de discriminação 
social que valorizam mais determinados perfis sociais em relação a 
outros.
Além dos fatores regionais e socioculturais, aspectos relativos à 
diversidade de contextos ou situações comunicativas são também 
decisivos para a variação linguística presente no Brasil. Vejamos a 
seguir os fatores contextuais.
Fatores Contextuais
Será que utilizamos a língua da mesma forma em diferentes 
situações comunicativas? Claro que não, não é verdade? Um mesmo 
falante pode alterar o registro de sua fala de acordo com a situação em 
que se encontra. Em uma roda de amigos em que se discute futebol, 
o falante utiliza a língua de maneira diversa daquela que utilizaria ao 
solicitar emprego em alguma empresa. 
A modalidade oral da língua geralmente se caracteriza por uma 
maior espontaneidade em relação à forma escrita. Assim, a situação 
comunicativa é determinante para as escolhas que os usuários 
da língua farão para estabelecer a comunicação. O importante é 
ajustarmos os usos da língua ao contexto em que ela é empregada, 
a fim de conseguirmos transmitir mensagens adequadas à situação 
comunicativa.
Saiba Mais
3 Segundo 
Marcos Bagno 
(2000), o 
preconceito 
linguístico é um 
fenômeno social 
que interpreta, 
de modo 
estigmatizado, 
o dialeto não-
padrão, ou seja, 
aquela linguagem 
usada no dia a 
dia em situações 
informais. Não 
há uma forma 
certa ou errada 
de se falar, o 
que existem são 
variações, formas 
diferentes de se 
comunicar.
Leia o livro de 
Bagno. Você irá 
adorar! (BAGNO, 
M. Preconceito 
linguístico. São 
Paulo: Loyola, 
2000).
Acesse também 
o site de Marcos 
Bagno para 
conhecer um 
pouco mais sobre 
o preconceito 
linguístico (www.
marcosbagno.
com.br) 
10
Análise e Interpretação de Textos
Em síntese, podemos metaforicamente associar a língua à roupa 
que usamos, ou seja, para cada situação comunicativa, vamos 
ajustando os usos da língua de acordo com os graus de formalidade 
ou informalidade das diversas situações comunicativas. Como 
exemplo, imagine alguém indo à praia caracterizado da seguinte 
forma: terno, gravata, sapato social e pasta de executivo. Seria um 
pouco estranho, não é mesmo? O ambiente da praia é informal e, 
portanto, exige padrões de roupas mais descontraídos (chinelos, 
calção de banho, boné, camiseta, etc.). Agora, tente imaginar um 
executivo chegando ao seu escritório de calção de banho, chinelos e 
óculos de sol. Imaginou? Já pensou o que os funcionários da empresa 
iriam comentar a respeito? A formalidade do ambiente de trabalho 
certamente exige um outro padrão de vestimentas.
Então, deu para perceber que temos uma espécie de “armário 
linguístico”. Quando precisamos usar alguma peça deste armário, 
deveremos pensar na situação comunicativa e no ambiente em 
que iremos usar aquela ou qualquer outra roupa. Assim, vamos 
adaptando os usos da língua à diversidade de contextos e situações 
comunicativas que vamos encontrando nas diferentes experiências 
de interação.
11
Análise e Interpretação de Textos
Você percebeu que nossas escolhas linguísticas estão associadas 
a fatores extralinguísticos extremamente importantes? Somando-se 
aos fatores regionais, socioculturais e contextuais, alguns aspectos 
naturais também interferem nos modos de utilização da língua. 
Vejamos como isso ocorre.
Fatores Naturais
O uso da língua pelo falante sofre influência de fatores naturais, 
tais como: idade e sexo. Uma criança4 não utiliza a língua da mesma 
maneira que um adulto, assim como os adolescentes também não se 
comunicam da mesma forma que os idosos. Desse modo, a gíria, por 
exemplo, revela as relações entre a língua e as diferenças de idade 
entre os usuários. Segundo Ernani Terra (1997, p. 66):
“A gíria é uma variante da língua padrão utilizada por indivíduos de um grupo 
social ou profissional em circunstâncias especiais. Claro que cada grupo distinto 
tem sua própria gíria, daí encontrarmos vários tipos de gíria: a dos malandros, a 
dos jovens, a dos surfistas, a do futebol, etc. A gíria de certos grupos profissionais 
é chamada de jargão . Nesse caso, ela visa à precisão técnica e, normalmente, 
aparece também na forma escrita em publicações especializadas. [...] A gíria, por 
ser uma variante da língua, também sobre evolução: constantemente surgem 
novas gírias e outras desaparecem. Há algum tempo, era moda entre os jovens 
uma moça dizer: Fiquei gamada naquele broto porque ele era um pão. Se hoje 
alguém falar assim com você, siga este conselho: “Sai dessa rapidinho, cara!”.
Fonte: TERRA, Ernani. Linguagem, língua e fala. São Paulo: Scipione, 1997.
Percebeu que os exemplos dados pelo autor refletem as diferenças 
de idade entre os usuários da língua? “Broto” e “pão” já foram palavras 
que assumiam a posição de gírias e foram utilizadas por gerações 
passadas. Se alguém falar assim hoje, você já pode inferir a possível 
idade da pessoa que usa esse tipo de gíria. Assim, percebe-se que 
a gíria é “passageira”, pois acompanha as transformações da língua 
no processo histórico-social. Atualmente, por exemplo, em função 
da revolução tecnológica, novas gírias começam a ser usadas, tais 
como: nerd, bug, googlar, etc.
Glossário
4 A aquisição 
da linguagem é 
um processo de 
desenvolvimento 
de língua 
materna em 
criança. [O 
processo, 
geralmente, é 
caracterizado 
como tendo 
quatro fases: (a) 
o balbucio (3), 
até os 12 meses; 
(b) o estágio de 
uma palavra, 
quando surgem 
os primeiros 
vocábulos 
enunciados 
em isolado; 
(c) o estágio 
de múltiplas 
palavras, dos 
18 aos 30 
meses, quando 
as palavras 
começam 
a constituir 
estruturas da 
língua-alvo.] 
(Novo Dicionário 
Aurélio).
12
Análise e Interpretação de Textos
Além da idade, também a variável sexo é determinante nos 
usos da língua. Estudos sociolinguísticos revelam padrões de 
linguagem diferentes utilizados por homens e mulheres nas trocas 
comunicativas.
Conheça Mais
Estude mais sobre os fatores que interferem na diversidade 
linguística, lendo o livro Língua, linguagem e fala, de Ernani Terra, 
uma publicação da Editora Scipione.
Também leia mais sobre o preconceito linguístico, conhecendo a 
obra A língua de Eulália5, de Marcos Bagno.
Curiosidade
A Sociolinguística é uma disciplina que estuda a variação 
linguística. O termo Sociolinguística, relativo a uma área da 
Linguística, fixou-se em 1964. Mais precisamente, surgiu em 
um congresso, organizado por William Bright, na Universidade 
da Califórnia em Los Angeles. Segundo Bright, o objeto da 
Sociolinguística é a diversidade linguística. A Sociolinguística 
considera que o sistema da língua não é homogêneo, mas 
heterogêneo e dinâmico. A diversidade linguística está 
relacionada com alguns fatores:
a) Identidade social do emissor ou falante – relevante no estudo 
dos dialetos de classes sociais e das diferenças entre falas 
femininas e masculinas.
b) Identidade social do receptor ou ouvinte – relevante no 
estudo das formas de tratamento.c) O contexto social – relevante no estudo das diferenças entre 
forma e função dos estilos (formal e informal), existentes na 
maioria das línguas.
d) Julgamento social distinto que os falantes fazem do próprio 
comportamento linguístico sobre o dos outros, atitudes 
linguísticas.
Dica de 
Leitura
5 Este livro 
é muito 
interessante, 
conta a história 
de Eulália, uma 
empregada 
doméstica que 
é vítima do 
preconceito 
linguístico. Vera, 
Sílvia e Emília 
são professoras 
e universitárias. 
Elas vão passar 
férias na casa 
de Irene, uma 
Doutora na área 
de Linguística. As 
meninas criticam 
o Português 
falado por Eulália 
(empregada 
da casa). A 
partir de então, 
Irene resolve 
explicar questões 
linguísticas a elas 
e mostra que 
o preconceito 
linguístico 
não possui 
fundamento, visto 
que a história 
da Língua 
Portuguesa 
passou por 
diferentes fases e 
cada uma delas 
justifica o uso 
de variedades 
linguísticas.
13
Análise e Interpretação de Textos
Você Sabia?
Você sabia que existe o preconceito linguístico? Assim como 
há o preconceito racial, social, religioso, enfim, qualquer forma de 
discriminação contra as minorias, também existe o preconceito 
linguístico, ou seja, o julgamento que as pessoas fazem da linguagem 
usada pelos indivíduos que se comunicam por meio de um dialeto 
não–padrão. 
As elites impõem uma forma padrão de comunicação de acordo com 
a norma culta da língua. Este dialeto padrão é difundido pelos meios 
de comunicação de massa, pelos materiais didáticos trabalhados na 
escola e pelo ensino tradicional de língua portuguesa. O dialeto padrão 
está pautado na tradição escrita, preso às convenções normativas da 
língua, ao contrário do dialeto não-padrão, baseado na oralidade, livre 
das regras, inovador, desprestigiado socialmente. 
Marcos Bagno, em seu livro O Preconceito Linguístico, aborda 
alguns mitos voltados para o tratamento dado à língua portuguesa 
dentro e fora da escola, tais como:
Mito 1 - A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade 
surpreendente
Mito 2 - Brasileiro não sabe Português, só em Portugal se fala bem o Português
Mito 3 - Português é muito difícil
Mito 4 - As pessoas sem instrução falam tudo errado
Mito 5 - O lugar onde melhor se fala português é no Maranhão
Mito 6 - O certo é falar assim porque se escreve assim
Mito 7 - É preciso saber gramática para falar e escrever bem
Mito 8 - O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social
Segundo Marcos Bagno (2000), o preconceito linguístico está 
baseado na crença de que só existe uma língua portuguesa, ou seja, 
aquela ensinada nas escolas, catalogada nos dicionários e descrita 
nas gramáticas. Essa visão preconceituosa é mantida pelas elites que 
dominam o português padrão e visam à manutenção do status quo, no 
sentido de se manterem no poder, por meio da manipulação daqueles 
que utilizam o dialeto não-padrão.
14
Análise e Interpretação de Textos
Ainda na perspectiva do autor, considerando a visão preconceituosa 
dos fenômenos da língua, a transformação de L em R nos encontros 
consonantais, como em Cráudia, chicrete, pranta é estigmatizada 
e até, às vezes, considerada como sinal de “atraso mental” das 
pessoas que falam assim. Você já riu de alguém que fala assim? Se 
respondeu afirmativamente saiba que está perpetuando o preconceito 
linguístico.
Do mesmo modo que existe o preconceito contra a fala de 
determinadas classes sociais, também há o preconceito contra a 
fala característica de certas regiões. Veja, por exemplo, quando o 
dialeto nordestino é representado nas novelas televisivas, em que 
as personagens falam de modo artificial e beiram ao ridículo. Por 
que será que o dialeto nordestino é alvo do preconceito linguístico? 
Certamente esse fato envolve questões políticas, sociais, econômicas 
que influenciam diretamente os usos linguísticos e as visões 
estereotipadas sobre as práticas de linguagem.
O uso que as pessoas fazem da língua é um ato social e político 
marcado pelo prestígio de determinadas camadas sociais que se 
comunicam usando a forma padrão de linguagem. Aqueles que 
ocupam uma posição social pouco privilegiada, não tiveram acesso 
aos padrões de escolaridade normal e se comunicam usando a 
linguagem não-padrão certamente serão mais vítimas do preconceito 
linguístico.
Atividades e Orientações de Estudo
Reflita sobre os temas abordados neste capítulo. Pesquise mais 
sobre os assuntos e realize as atividades propostas a seguir.
15
Análise e Interpretação de Textos
Atividade 1
Entreviste pessoas sobre o tema do preconceito linguístico. Para 
a realização de sua pesquisa, tente considerar perfis sociais distintos 
e diferentes profissionais. Como exemplos, você poderá entrevistar 
uma emprega doméstica, um jornalista, um pintor, um técnico, um 
professor, um médico, enfim, você pode pesquisar mais de uma 
pessoa e avaliar as respostas de cada um sobre o tema. Você poderá 
observar o roteiro a seguir para auxiliá-lo(a) na entrevista. Observe! 
a) Você já ouviu falar sobre o preconceito linguístico?
b) Alguma vez você já falou algo e sentiu que as pessoas olharam de modo 
diferente para você? Conte o que aconteceu, se você passou por uma experiência 
semelhante.
c) Você já riu de alguém que fala de modo diferente? 
Após a realização da entrevista, você deve participar de um 
fórum de discussão que será coordenado pelos(as) professores(as). 
Não perca essa chance de discutir com os colegas e aprofundar a 
discussão sobre as entrevistas realizadas. 
Atividade 2
Vamos desenvolver uma WebQuest6 sobre o assunto apresentado 
neste capítulo? Que tal pensarmos na questão da diversidade 
linguística e criarmos situações dinâmicas de aprendizagem no 
sentido de socializarmos nossas experiências de leitura e produção 
textual? Vamos lá?
Saiba Mais
6 Segundo Bernie 
Doge, WebQuest 
é “uma 
investigação 
orientada, na 
qual algumas 
ou todas as 
informações 
com as quais 
os aprendizes 
interagem são 
originadas de 
recursos da 
Internet”. Acesse: 
www.webquest.
futuro.usp.
br∕artigos∕textos_
bernie.html
16
Análise e Interpretação de Textos
Título da WebQuest: Diversidade linguística nas histórias em 
quadrinhos.
Introdução
As histórias em quadrinhos são extremamente ricas na diversidade 
linguística, revelando como seus diferentes personagens estabelecem 
contratos comunicativos diferenciados e exploram diversos níveis de 
linguagem, em decorrência das características das personagens, do 
local onde vivem, do contexto de comunicação, etc.
A Tarefa
Você irá assumir o papel de escritor de revistas em quadrinhos, 
explorando as potencialidades expressivas da linguagem 
verbal e da linguagem não-verbal, utilizando os recursos das 
onomatopéias (expressões que indicam barulhos), explorando 
os diversos níveis de linguagem de acordo com o perfil de cada 
personagem.
Sua missão é elaborar uma pequena tirinha, com o objetivo de 
mostrar duas personagens dialogando de forma diferente, usando 
expressões típicas de regiões diferentes do Brasil. 
17
Análise e Interpretação de Textos
Você pode escolher uma personagem da zona rural que fale 
diferente de outra personagem da zona urbana. Um outro exemplo 
seria colocar uma personagem nordestina falando de forma diferente 
de uma personagem do Sul ou do Sudeste, por exemplo.
O Processo
Para conseguir elaborar a sua tirinha, acesse o site da turma da 
Mônica http://www.monica.com.br/ e leia as tirinhas de Chico Bento, 
as quais revelam a variação linguística presente nas falas das 
personagens criadas por Maurício de Souza. 
Para você ter uma ideia, leia a tirinha a seguir:
Você também poderá pesquisar sobre tirinhas no site: 
http://www.cbpf.br/~eduhq/ No site indicado, você encontrará uma 
diversidade de tirinhas de acordo com vários temas (meio ambiente, 
ciências, educação, etc.).
Tente estudar mais sobre o assunto diversidade linguística, 
coletando informações sobre diferentes formas de comunicação 
usadas nas diversas regiões brasileiras.
18
Análisee Interpretação de Textos
Após seu trabalho de leitura e pesquisa, concentre-se nos passos 
a seguir:
» Pense em uma personagem (personagem A) que more em um 
certo local do Brasil e que use um padrão de linguagem bem 
peculiar, ou seja, uma linguagem característica daquele local. 
Ex: um nordestino que use expressões locais.
» Pense em outra personagem (personagem B) originária de 
outro local do Brasil e que esteja estabelecendo comunicação 
com a primeira personagem que você criou (personagem A). 
Ex: um sulista que use expressões características do Sul.
» Crie um diálogo entre essas duas personagens. Na situação de 
diálogo, construa uma interação marcada por ruídos culturais 
de comunicação.
» Ilustre sua tirinha de forma bem criativa, use cores, dinamismo 
nas sequências de ações. Tente desenhar as personagens, 
caracterizando-as fisicamente de modo coerente com o local 
de origem desses sujeitos.
» Após a elaboração da sua tirinha, você deverá publicá-la no 
ambiente virtual, de acordo com as orientações dos professores 
que estarão ajudando você nas atividades propostas. Além 
disso, você será convidado a participar de um fórum de 
discussão, a fim de socializar sua experiência no processo de 
pesquisa e de elaboração final da tirinha.
Para ajudar você na criação e composição de sua tirinha, acesse o 
site: http://stripgenerator.com/create/ Esse site irá ajudar muito você na 
criação da tirinha.
Você poderá compartilhar com seus colegas o resultado da 
atividade, publicando sua tirinha no ambiente para que todos 
visualizem a sua produção. Os professores que estarão orientando 
você nos ambientes virtuais de aprendizagem irão ajudar nesse 
processo.
Você irá adorar essa experiência. Use toda a sua criatividade e 
divirta-se!
A Avaliação
Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes 
critérios:
19
Análise e Interpretação de Textos
a) A criatividade do(a) cursista na produção da tirinha
b) A adequação da produção textual às convenções do gênero 
textual em foco.
c) A articulação entre a linguagem verbal e a linguagem não-
verbal, quando da elaboração do produto final: a tirinha.
d) A habilidade do(a) cursista em relação à elaboração dos 
diálogos entre as personagens, evidenciando a compreensão 
dos conceitos ruídos culturais de comunicação7 e diversidade 
linguística.
e) A competência do educando nos processos de discussão on 
line sobre as etapas de pesquisa e de produção da atividade. 
Será avaliada a participação significativa do aluno nos fóruns 
de discussão orientados pelos professores 
Conclusão
Caro(a) Cursista,
Agora que você já produziu, pesquisou, planejou, elaborou e 
socializou sua produção textual, ou seja, a tirinha sobre diversidade 
linguística, é hora de continuar aprendendo e pesquisando sobre o 
tema.
Vamos continuar conversando sobre diversidade linguística em 
chats e fóruns de discussão, pois o assunto é fascinante e aberto a 
novas reflexões.
Referências
Pesquise nos sites indicados para que você consiga desenvolver a 
atividade proposta de forma eficaz.
	 www.webquest.futuro.usp.br∕artigos∕textos_bernie.html	
 http://www.monica.com.br/
 http://www.tirinhas.com/
 http://stripgenerator.com/create/
 http://www.cbpf.br/~eduhq/
Link
7 É importante 
revisar o conceito 
de “ruídos”, 
apresentado 
no volume 1. 
Releia o capítulo 
sobre Ruídos na 
Comunicação, 
apresentado no 
volume 1.
20
Análise e Interpretação de Textos
Vamos Revisar?
Vamos continuar estudando um pouco mais sobre o assunto 
abordado neste capítulo? É hora de você aprofundar os seus estudos 
e continuar aprendendo.
Lembre-se! Aprender a aprender é um pilar da educação muito 
importante quando pensamos em cursos na modalidade a distância. 
O sucesso no curso e nesta disciplina de Análise e Interpretação 
de Textos depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar a 
motivação para “aprender a aprender”, descobrindo o prazer da 
aprendizagem significativa nos ambientes virtuais de aprendizagem. 
Então, vamos aprender juntos? Leia com atenção o resumo a 
seguir e bons estudos!
Resumo
 Neste capítulo, você percebeu que existem vários fatores que interferem nos 
usos linguísticos variados que realizamos em diferentes contextos. 
Fatores regionais: o espaço geográfico interfere no modo como usamos a língua. 
No caso do Brasil, por exemplo, a extensão territorial do país é determinante 
para a variação linguística que há em cada região, em cada estado. O português 
falado no Nordeste não é o mesmo usado no Sul ou no Sudeste, por exemplo. 
Fatores socioculturais: o nível de escolaridade e o padrão socioeconômico 
de cada sujeito também interferem na diversidade linguística. Há variações que 
serão mais vítimas do preconceito linguístico, como a linguagem usada pelas 
pessoas socialmente marginalizadas que não tiveram acesso a níveis mais 
elevados de escolarização. 
Fatores contextuais: os variados tipos de contextos interferem na variação 
linguística. Em contextos formais, o nível de linguagem a ser empregado deverá 
estar de acordo com a formalidade da situação comunicativa, ao passo que em 
situações informais de comunicação, os usuários podem utilizar gírias, expressões 
mais coloquiais, empregando a língua com naturalidade e de forma espontânea. 
Fatores naturais: a idade e o sexo também exercem influência na diversidade 
linguística. As crianças, os adolescentes, os adultos e os idosos usam a língua 
com propósitos distintos e de formas diversas.
21
Análise e Interpretação de Textos
Capítulo 2
O que vamos estudar neste capítulo?
» Níveis de linguagem: reflexões.
» Nível formal-culto.
» Nível coloquial-popular.
» Nível técnico-profissional.
» Nível artístico.
22
Análise e Interpretação de Textos
Capítulo 2 – Descobrindo os 
Níveis de Linguagem
Vamos conversar sobre o assunto?
Como vimos no capítulo anterior, os usos que fazemos da língua 
em diversas situações comunicativas dependem de uma série de 
fatores: regionais, contextuais, socioculturais e naturais. Esses 
diferentes usos são reflexos dos vários níveis de linguagem que 
utilizamos nas diversas situações. Como cada sujeito concretiza a 
língua de forma diferente, por meio da fala, com sotaques diversos, 
dialetos8 distintos, propósitos diferentes, vamos observando a riqueza 
da variação linguística nos diferentes níveis de linguagem que vão 
orientando nossas estratégias comunicativas.
Podemos destacar alguns níveis de linguagem, utilizando uma 
classificação abrangente. Vejamos, pois, alguns níveis de linguagem.
Nível Coloquial-popular
O nível coloquial-popular é o mais utilizado em nosso dia a 
dia, sobretudo nas situações mais informais. Caracteriza-se pela 
espontaneidade, ou seja, quando empregamos o nível coloquial-
popular, não estamos muito preocupados em saber se aquilo que 
falamos ou escrevemos está de acordo ou não com as normas 
estabelecidas pelas convenções do uso formal. Assim, usando o nível 
coloquial-popular, poderemos romper com as regras gramaticais, 
utilizando uma linguagem mais livre das convenções. 
Como exemplos, o nível coloquial-popular é priorizado em conversas 
familiares, conversas com uso de gírias, bate-papos informais, escrita 
de textos informais (recados, bilhetes, cartas e mensagens eletrônicas 
informais), linguagem utilizada em chats, blogs, orkuts, etc..
Saiba Mais
8 O dialeto inclui 
diferenças de 
gramática e 
vocabulário. 
O dialeto 
apresenta o seu 
próprio sistema 
léxico, sintático 
e fonético. O 
léxico está ligado 
às palavras, o 
plano sintático 
diz respeito 
às relações 
entre palavras, 
enquanto que 
o aspecto 
fonético envolve 
a pronúncia, 
os sons das 
palavras.
23
Análise e Interpretação de Textos
Nível Formal-culto
O nível formal-culto é aquele normalmente utilizado pelas 
pessoas em situações formais, bem como pela maioria dos meios de 
comunicação de massa. Caracteriza-se por um cuidado maior com 
o vocabulário e pela obediência às regras que estabelecem o uso 
padrão.
Em geral, o nível formal-cultoda linguagem é predominantemente 
utilizado em jornais, revistas, gramáticas, dicionários, textos 
científicos, relatórios, comunicações em congressos, discursos 
políticos, conferências, cartas comerciais, monografias, dissertações, 
teses, artigos de jornais, editoriais, etc. 
Vamos ler o texto abaixo que prioriza o nível formal-culto da 
linguagem?
Ótica: Explicação sobre a cor do céu
“Vemos o céu azul porque a luz proveniente do Sol atravessa uma camada menos 
espessa da atmosfera, deslocando-se para a extremidade azul da sucessão de 
cores de que se decompõe”.
Fonte:http://super.abril.com.br/super2/superarquivo/1987/sumario-edicao-002.shtml
Nível Técnico-profissional
Esse nível é muito utilizado pelos indivíduos em ambientes 
profissionais, ou seja, locais que exigem estratégias comunicativas 
ligadas às demandas da profissão dos sujeitos. Como exemplo, alguns 
profissionais, tais como: advogados, médicos, economistas e outros 
priorizam o nível técnico-profissional quando utilizam uma linguagem 
bem técnica em seus ambientes de trabalho. 
Há algumas expressões típicas de certas profissões que são 
amplamente usadas quando se pretende explorar o nível técnico ou 
profissional. Veja um trecho de uma bula de remédio e observe a 
linguagem técnica usada.
24
Análise e Interpretação de Textos
Bristol Myers Squibb Farmacêutica Ltda. 
CAPOTEN 
CAPTOPRIL 
FORMAS FARMACÊUTICAS E APRESENTAÇÕES 
 
USO ADULTO E PEDIÁTRICO 
ORAL
CAPOTEN (captopril) é apresentado como comprimidos brancos:
- alongados com um corte (sulco) de 12,5 mg, apresentados em cartuchos com 
15 ou 30 comprimidos. 
- quadrados com dois cortes (bissulcados) de 25 mg, apresentados em 
cartuchos com 16 ou 28 comprimidos. 
- ovais com um corte (sulco) de 50 mg, apresentados em cartuchos com 16 ou 
28 comprimidos.
COMPOSIÇÃO
Cada comprimido de CAPOTEN (captopril) 12,5 mg ou 25 mg ou 50 mg contém 
captopril 12,5 mg ou 25 mg ou 50 mg, respectivamente. Os ingredientes inativos 
são: celulose microcristalina, amido de milho, lactose e ácido esteárico.
Fonte: http://bulario.bvs.br/index.php?action=search.2004031518315556998982000107&
mode=dir&letter=C#inicio
Além dos níveis coloquial-popular, formal-culto, técnico-profissional, 
o modo como os artistas utilizam as estratégias de comunicação está 
intimamente ligado ao nível artístico da linguagem, como veremos a 
seguir.
Nível Artístico
O nível artístico da linguagem envolve a utilização das formas de 
linguagem com finalidade expressiva e artística. Como exemplos, os 
poemas, crônicas, contos, romances, pinturas, esculturas, música, 
25
Análise e Interpretação de Textos
além de várias outras expressões artísticas priorizam o uso desse 
nível de linguagem. 
Os poetas populares também exploram o nível artístico da 
linguagem, quando elaboram cordéis, repentes e várias outras formas 
que divulgam a poesia popular.
Veja a seguir o trecho do cordel “O galo da madrugada”, criado 
pelo cordelista José Honório. O texto explora o nível artístico da 
linguagem. Observe:
No Galo se vê de tudo 
Em termos de carnaval 
Tem o frevo que domina 
Sendo o prato principal 
Nesse banquete de ritmos 
Que levantam nosso astral.
Tem abre-alas, baianas 
Toureiros e mandarins 
Passistas, porta-estandartes 
Tocadores de clarins 
Tem colombinas faceiras 
Pierrôs e arlequins.
Palhaços, xeiques, piratas 
Odaliscas, enfermeiras 
Bailarinas, normalistas 
Diabos, padres e freiras 
Onças, anjos, gatas, noivas 
Tiazinhas, feiticeiras.
Tem folião casual 
Que não vai fantasiado 
Usa bermuda e camisa 
Um sapato já sambado 
Se embala com o frevo 
E faz o passo rasgado
Fonte: http://www.josehonorio.com.br
26
Análise e Interpretação de Textos
Saiba Mais
"O Clube de Alegoria Galo da Madrugada foi criado em dezembro de 1977, 
numa reunião de amigos do bairro de São José no carnaval. O assunto 
primordial era a diferença entre os carnavais antigos e o atual (daquela 
época). Segundo Enéas Freire, presidente perpétuo da agremiação a idéia 
inicial foi de se formar um clube de frevo. O clube foi fundado oficialmente 
em 24 de janeiro de 1978, na Rua Padre Floriano, 43, no bairro de São 
José, O seu principal objetivo é reviver as verdadeiras origens e tradições do 
carnaval de rua. Para isso, O Galo convoca e congrega todos os seus foliões 
em um grandioso e sensacional desfile, através das manifestações mais 
espontâneas e populares, unindo clubes de frevo e grupos de mascarados, 
nessa grandiosa festa que se realiza todos os anos com êxito."
Autora: Claudia M. de Assis Rocha Lima 
Pesquisadora 
Fonte: http://www.fundaj.gov.br/docs/text/carnav7.html
Você Sabia?
Você sabia que um único texto pode apresentar vários níveis de 
linguagem? Por exemplo, um poema pode utilizar o nível artístico da 
linguagem pela natureza dos recursos sonoros e imagéticos do fazer 
poético, como também pode revelar traços de um nível coloquial-
popular. Observe a poesia de Patativa do Assaré, a qual se revela 
como um bom exemplo para ilustrar esse caso.
27
Análise e Interpretação de Textos
Vaca Estrela e Boi Fubá
Patativa do Assaré, 
do LP “A Terra é Naturá”
Seu doutor me dê licença pra minha história contar. 
Hoje eu tô na terra estranha, é bem triste o meu penar 
Mas já fui muito feliz vivendo no meu lugar. 
Eu tinha cavalo bom e gostava de campear. 
E todo dia aboiava na porteira do curral.
Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela, 
ô ô ô ô Boi Fubá.
Eu sou filho do Nordeste , não nego meu naturá 
Mas uma seca medonha me tangeu de lá pra cá 
Lá eu tinha o meu gadinho, num é bom nem imaginar,
Minha linda Vaca Estrela e o meu belo Boi Fubá 
Quando era de tardezinha eu começava a aboiar
Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela, 
ô ô ô ô Boi Fubá.
Aquela seca medonha fez tudo se atrapalhar, 
Não nasceu capim no campo para o gado sustentar 
O sertão esturricou, fez os açude secar 
Morreu minha Vaca Estrela, já acabou meu Boi Fubá 
Perdi tudo quanto tinha, nunca mais pude aboiar
Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela, 
ô ô ô ô Boi Fubá.
Hoje nas terra do sul, longe do torrão natá 
Quando eu vejo em minha frente uma boiada passar, 
As água corre dos olho, começo logo a chorá 
Lembro a minha Vaca Estrela e o meu lindo Boi Fubá 
Com saudade do Nordeste, dá vontade de aboiar
Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela, 
ô ô ô ô Boi Fubá.
Fonte: http://www.facom.ufba.br/pexsites/musicanordestina/patatilet.htm
28
Análise e Interpretação de Textos
Minibiografia
Patativa do Assaré nasceu em 9 de março de 1909. Foi criado em 
um ambiente rural, na Serra de Santana, próximo a Assaré.
A sua vocação de poeta, cantador da existência e cronista das 
mazelas sociais despertou cedo, aos cinco anos já exercitava 
sua poesia popular. A mesma infância que lhe testemunhou 
os primeiros versos presenciaria a perda da visão direita, em 
decorrência de uma doença, segundo ele, chamada “mal 
d’olhos”.
Seus versos denunciam os conflitos e as injustiças sociais, 
propagando sempre a consciência e a perseverança do povo 
nordestino que sobrevive e dá sinais de bravura ao resistir 
ao condições climáticas e políticas desfavoráveis. Observe a 
estrofe da música Cabra da Peste, na qual o poeta afirma sua 
identidade nordestina:
“Eu sou de uma terra que o povo padece 
Mas não esmorece e procura vencer. 
Da terra querida, que a linda cabocla 
De riso na boca zomba no sofrê 
Não nego meu sangue, não nego meu nome. 
Olho para a fome, pergunto: que há? 
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste, 
Sou cabra da Peste, sou do Ceará.”
Patativa do Assaré
Atividades e Orientações de Estudo
Agora que você já estudou o assunto e discutiu com seus(suas) 
colegas, participando dos fóruns de discussão e chats nos ambiente 
virtuais de aprendizagem, é hora de praticar. Tente resolver os 
exercícios propostos. Se precisar de ajuda, busque orientações dos(as) 
professores(as) que irão orientar você durante o desenvolvimento da 
disciplina.
Lembre-se! É preciso praticar e experienciar os assuntos 
abordados, por meio dasatividades propostas. Bons estudos e boa 
sorte!
Vamos começar a resolver as atividades propostas?
29
Análise e Interpretação de Textos
Atividade 1
Elabore um pequeno texto, explorando o nível formal-culto de 
linguagem.
Lembre-se: utilizamos o nível formal-culto em situações formais 
de comunicação, empregando o uso padrão da linguagem. A clareza 
e a correção deverão orientar a produção do seu texto.
Motivação para a produção:
Imagine que você trabalha como professor(a) em uma escola e 
está desenvolvendo um projeto educacional com os alunos. Você está 
precisando de patrocinadores para implementar o seu projeto. Assim, 
você precisa enviar um e-mail para alguma empresa que poderá 
patrocinar o projeto.
Vamos lá? Tente elaborar um texto breve, claro, coerente, 
priorizando o uso formal-culto da linguagem. Seu texto deverá ter 
entre 5 a 7 linhas (no máximo). A mensagem deve ser curta e atraente 
para o leitor.
De:
Para:
Assunto:
Mensagem:
30
Análise e Interpretação de Textos
Atividade 2
Identifique o nível de linguagem predominante em cada texto 
abaixo e justifique sua resposta:
Texto 1
As Covas (Mário Quintana)
O bicho, 
quando quer fugir dos outros, 
faz um buraco na terra. 
O homem 
para fugir de si, 
fez um buraco no céu.
Nível de linguagem predominante no texto 1: ________________
Texto 2
Pesquisa revela: quase 80% dos turistas querem voltar a Pernambuco
Informações da Secretaria de Turismo de Pernambuco
“Quase 80% dos turistas que conhecem Pernambuco afirmaram que gostariam 
de retornar ao Estado no futuro e 87% avaliaram a estada como boa ou ótima. 
Estes foram os principais resultados da pesquisa Perfil Socioeconômico do 
Turista, realizada pelo Departamento de Estatística da Empresa de Turismo de 
Pernambuco (Empetur). Foram aplicados 853 questionários entre os dias 22 e 24 
de março, durante o período da Semana Santa”.
18/05/2008 11:45 
Fonte: http://www.folhape.com.br/
Nível de linguagem predominante no texto 2: ________________
Atividade 3
Leia o texto a seguir.
31
Análise e Interpretação de Textos
Texto 3
Sketchs9
Dois homens tramando um assalto.
- Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis vamo rendê o caixa bonitinho. 
Engressou, enche o cara de chumbo. Pra arejá.
- Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e pegá.
- Tá com o berro aí?
- Tá na mão.
Aparece um guarda.
- Ih, sujou. Disfarça , disfarça ...
O guarda passa por eles.
- Discordo terminantemente. O imperativo categórico de Hegel chega a Marx 
diluído pela fenomenologia de Feurbach.
- Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de 
um Kant com algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do século 18...
O guarda se afasta.
- O berro, tá recheado?
- Tá.
- Então vamlá!.
(Luís Fernando Veríssimo. O estado de São Paulo, 08/03/98).
Após a leitura do texto, responda:
a) Quais os níveis de linguagem predominantemente empregados 
no texto Sketchs?
b) Por que os personagens mudam o nível de linguagem quando o 
guarda se aproxima deles?
Vamos Revisar?
Vamos continuar estudando um pouco mais sobre os níveis de 
linguagem? 
Glossário
9 Esquete 
[Do ingl. sketch.] 
Substantivo 
masculino. 
1.Teatr. Pequena 
cena de revista 
teatral, ou 
de programa 
de rádio ou 
televisão, quase 
sempre de 
caráter cômico. 
[Equiv. ao fr. 
pochade (q. 
v.). Sin. (lus.): 
rábula.]
(Novo Dicionário 
Aurélio).
32
Análise e Interpretação de Textos
É hora de você aprofundar os estudos e continuar revisando. 
Observe o resumo a seguir:
Resumo
 Neste capítulo, você percebeu que há vários níveis de linguagem que são 
empregados em diferentes situações comunicativas: nível coloquial-popular, 
nível formal-culto, nível técnico-profissional, nível artístico. 
Nível coloquial-popular: empregado em situações informais de comunicação 
(ex: diálogos cotidianos, bilhetes, mensagens em chats, MSN, orkuts, etc.).
Nível formal-culto: usado em contextos mais formais de comunicação (ex: 
monografias, artigos científicos, notícias de jornais, etc.). 
Nível técnico-profissional: é aquele utilizado pelos profissionais em seus 
ambientes de trabalho (ex: a linguagem usada pelos médicos nos consultórios, a 
linguagem usada pelos advogados nas sessões dos tribunais, etc.).
Nível artístico: utilizado em expressões artísticas com finalidade estética (ex: 
poemas, esculturas, pinturas, romances, peças teatrais, etc.).
33
Análise e Interpretação de Textos
Capítulo 3
O que vamos estudar neste capítulo?
» Concepções de leitura.
» O ato de ler como ação sociocultural.
» Níveis de leitura.
» Objetivos de leitura.
» Leitura e intertextualidade.
34
Análise e Interpretação de Textos
Capítulo 3 – Vamos Conversar 
sobre Leitura?
Vamos conversar sobre o assunto?
Após discutirmos sobre a diversidade linguística, apresentando 
fatores extralinguísticos que interferem nos modos de utilização da 
língua, bem como nas discussões apresentadas sobre os diferentes 
níveis de linguagem, é hora de começarmos a refletir sobre as práticas 
de leitura.
Você precisa compreender que o modo como lemos os diversos 
textos que circulam socialmente está diretamente ligado a aspectos 
históricos e culturais. Assim, as concepções de leitura recorrentes 
no Brasil, provavelmente, são diferentes daquelas apresentadas em 
outros países, em função de aspectos políticos, históricos, econômicos 
e sociais.
Você já tentou, alguma vez, realizar a leitura de um texto e foi 
interrompido(a) por alguém? Provavelmente sim, não é verdade? 
Comumente, tentamos estudar em casa ou em qualquer outro 
ambiente e logo chega alguém para “bater papo” conosco, pensando 
que estamos sem fazer absolutamente nada. Provavelmente isso 
ocorre, pois as pessoas têm uma visão deturpada da leitura, como se 
o ato de ler fosse algo secundário ou menos importante que outras 
atividades diárias. 
Uma outra curiosidade sobre a leitura pode ser observada no 
seguinte exemplo. Alguma vez você já tentou fazer um passeio com os 
amigos e tentou levar um livro para “relaxar” e realizar a leitura como 
forma de lazer? Certamente se isso ocorreu você teve dificuldades 
para se concentrar na leitura, pois os seus amigos provavelmente 
35
Análise e Interpretação de Textos
dirão: ―	Que	é	isso,	você	vai	ler	em	pleno	feriado?	Vamos	conversar	
e	nos	divertir.	Deixe	a	leitura	para	quando	você	estiver	estudando	ou	
trabalhando. Fecha esse livro, amigo(a)!
É interessante como o ato de ler está, no Brasil, atrelado à 
obrigação das atividades escolares e profissionais, por questões 
históricas, políticas e culturais. As pessoas acreditam, em geral, que 
ler é uma tarefa cansativa e árdua, a qual necessariamente não está 
atrelada ao lazer ou ao prazer de ler uma obra de ficção, por exemplo, 
apenas para “relaxar”, passar o tempo.
Dessa forma, é importante que comecemos a investigar as 
concepções de leitura que estão subjacentes às práticas socioculturais, 
assunto que será focalizado a seguir.
O que é ler?
Vamos iniciar a discussão sobre as concepções de leitura fazendo 
alguns questionamentos para você. Tente refletir sobre as possíveis 
concepções sobre o ato de ler. Pense no seu papel como leitor diante 
de um texto. Para você, o que é ler? Como você define a leitura? 
Escolha a opção que você acha que define melhor a leitura.
Ler é...
Um jogo de sentidos
36
Análise e Interpretação de Textos
Viajar
Imaginar
Descobrir o mundo
Buscar informações
Reconstruir e produzir sentidos
37
Análise e Interpretação de Textos
Interação
Compreender/
entender mensagens
Certamente você deve ter selecionado todas as opções 
anteriormente listadas. Deu para perceber que cada um, intuitivamente, 
tem sempre uma compreensão do que seja ler um texto. Mas o que é 
texto? Você já parou para pensar nesse assunto?
Afinal, o que é texto?
Tradicionalmente, entende-se por texto10 um conjunto de 
enunciados relacionados, formando um todo significativo adequado 
às circunstâncias e condições de uso da língua, isto é, à situação 
comunicativa.No entanto, observa-se que o conceito de texto não está atrelado 
à proporção do enunciado. Uma frase, um fragmento de um diálogo 
e, até mesmo, palavras de situação, tais como: “Fogo!”, “Socorro!”, 
“Silêncio!”, “Tubarão!” podem ser interpretados como textos, quando 
inseridos em contextos específicos.
Saiba Mais
10 A palavra texto 
vem do latim 
“textum “ que 
quer dizer “tecido
38
Análise e Interpretação de Textos
Imagine, por exemplo, que você está em uma praia e alguém 
grita Tubarão! Imaginou? Provavelmente, você sairá correndo, 
principalmente se estiver dentro d’água. Então, podemos tirar algumas 
conclusões. Observe!
O conceito de texto, sob o ponto de vista das modernas teorias 
linguísticas, pode ser entendido de maneira mais abrangente. Ao 
ampliar esta noção, duas abordagens devem ser consideradas: a 
primeira mantém-se numa perspectiva ainda estritamente linguística; 
a segunda se estende para outras linguagens além da verbal. Vamos 
discutir essas duas abordagens?
a) Abordagem estritamente linguística: de acordo com essa 
abordagem, texto é toda mensagem elaborada por um emissor 
a um receptor num determinado contexto. A mensagem 
é construída a partir do código oral ou do código escrito 
selecionado pelo emissor. Na perspectiva linguística, o texto 
é verbalmente organizado, ou seja, utiliza a linguagem verbal 
para se organizar. Nesse sentido, podemos ler um poema, uma 
bula de remédio, um aviso, etc. 
Vamos ler um exemplo de texto verbalmente organizado?
A Onda
Manuel Bandeira
a onda anda 
aonde anda 
 a onda? 
a onda ainda 
ainda onda 
ainda anda 
 aonde? 
aonde? 
a onda a onda
Fonte: Livro Estrela da Tarde, 1963. Disponível em: 
http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/poesias/manuelbandeira_aonda.htm
b) Abordagem semiótica: definição mais ampla, segundo a qual 
texto é toda mensagem comunicada ao receptor a partir 
de quaisquer códigos, (oral, escrito, pictórico, etc). Nesse 
sentido, podemos ler um quadro, um filme, uma escultura etc. 
Essa definição engloba tanto os textos verbais quanto os não-
verbais.
Vamos observar alguns exemplos?
39
Análise e Interpretação de Textos
Fotografia Pintura Escultura
Exemplo 1 
Trabalhadores 
sem terra
Exemplo 2 
Pintura de Picasso 
Mulher com o livro
Exemplo 3
Charges
Exemplo 4 Exemplo 5
Analisando os exemplos anteriores, percebemos que diversas 
mensagens podem ser transmitidas por diferentes linguagens. 
Observe que, para compreendermos os exemplos 1, 2, 3 e 4, temos 
que ampliar nossa competência visual, tentando imaginar o que pode 
estar por trás das imagens apresentadas.
O exemplo da charge 4 revela o diálogo entre texto e contexto, 
fazendo referência à descoberta de novas reservas de petróleo em 
solo brasileiro. O chargista prioriza o signo icônico (a imagem) 
para transmitir a mensagem de forma cômica, colocando a figura do 
presidente do Brasil surfando na onda de petróleo.
Já o exemplo 5 revela o contexto de violência do Rio de Janeiro, 
no qual nem o Cristo Redentor é poupado. Observe que a charge 5 
apresenta uma relação com o texto bíblico, retomando o momento 
40
Análise e Interpretação de Textos
da crucificação e morte de Cristo. Neste caso, temos um exemplo de 
intertextualidade, quando revisitamos o texto bíblico e ativamos nosso 
conhecimento prévio, a fim de interpretarmos a charge.
O exemplo da charge número 5 relaciona o código verbal 
(as palavras) ao código não-verbal (a imagem), transmitindo a 
mensagem de forma crítica e irônica.
No momento em que o receptor se depara com uma mensagem 
e ele consegue compreendê-la, observamos a leitura de um texto. 
Logo, texto é qualquer mensagem transmitida por alguém (por 
um emissor), para alguém (receptor), em certo contexto. Nesse 
sentido, podemos ler filmes, telas, fotografias, esculturas, enfim, 
qualquer mensagem que seja transmitida por qualquer código em uma 
dada situação comunicativa.
Você Sabia?
Você sabia que há uma distinção entre textos e gêneros textuais? 
Vamos observar o quadro a seguir.
Tipos textuais Gêneros textuais
Segundo Marcuschi11 (2002), 
tipo textual deve designar uma 
espécie de construção teórica 
definida pela natureza linguística 
de sua composição. 
Em geral, os tipos textuais 
abrangem categorias conhecidas 
como: narração, descrição, 
dissertação.
Os gêneros textuais envolvem os tipos 
textuais e apresentam características sócio-
comunicativas definidas por conteúdos, 
propriedades funcionais, estilo, composição 
estrutural.
Os gêneros são inúmeros: charges, 
telefonema, sermão, carta, romance, bilhete, 
reportagem jornalística, bula de remédio, 
piada, aulas, charges, etc
O mundo é um grande texto: vamos ampliar nossas leituras?
No contexto atual, a leitura ganha destaque devido à explosão de 
informações da Internet e em virtude da necessidade de o indivíduo 
manter-se atualizado nos mais diversos assuntos que circulam 
socialmente.
A leitura não pode ser considerada como simples decodificação 
de signos ou como atividade mecânica que determina uma postura 
passiva diante do texto.
Saiba Mais
11 Marcuschi é 
um autor que 
se destaca 
no campo da 
Linguística com 
suas publicações 
referenciadas 
mundialmente. 
Professor Titular 
em Linguística da 
UFPE, publicou 
várias obras, tais 
como: Linguística 
do texto: o que 
é e o que faz 
(1983), Da fala 
para a escrita: 
atividades de 
retextualização 
(2002); 
Hipertexto e 
gêneros digitais 
(2004).
41
Análise e Interpretação de Textos
Paulo Freire12, em seu livro “A importância do ato de ler”, afirmou:
“A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta 
não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade 
se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua 
leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto”.
(FREIRE, 1985, p. 11).
A leitura é uma atividade necessária no mundo de hoje e não 
deve restringir-se às finalidades de estudo. É preciso ler para se 
informar, para participar, para ampliar conhecimentos e alcançar uma 
compreensão melhor da realidade atual.
Segundo Ezequiel Silva (1998), “o ato de ler se constitui num 
instrumento de luta contra a dominação”, uma vez que ler é “possuir 
elementos de combate à alienação e ignorância”. Ainda segundo Silva 
(1998), o importante é destacar os propósitos básicos da leitura, uma 
vez que não se pode ler um jornal, do mesmo modo como se lê um 
poema, uma receita culinária, um artigo científico, etc.
Objetivos e Níveis de Leitura
Será que lemos todos os textos e gêneros textuais da mesma 
forma? Claro que não, não é mesmo? Para cada tipo de texto e gênero 
textual, vamos desenvolvendo expectativas e objetivos diferentes em 
relação à leitura. 
Quando lemos uma notícia de jornal, temos um propósito bem 
definido, ou seja, buscamos saber o que aconteceu, quais os fatos 
mais marcantes que ocorreram. Assim, vamos buscando encontrar 
informações. Quando estamos diante de um poema, já temos 
outras intenções. Por meio do poema, a leitura torna-se um jogo 
Saiba Mais
12 Paulo Freire 
foi um grande 
pensador que 
escreveu vários 
livros sobre 
educação. 
Freire é hoje 
reconhecido 
mundialmente 
por suas 
abordagens 
sobre “pedagogia 
do oprimido”, 
“pedagogia da 
autonomia”, além 
de vários outros 
temas estudados 
pelo autor.
Leia mais 
informações 
sobre Paulo 
Freire no site do 
Centro Paulo 
Freire: http://
www.paulofreire.
org.br/asp/Index.
asp
42
Análise e Interpretação de Textos
de encobertas e descobertas de sentidos, vamos dialogando com 
os autores, por meio das pistas textuais, relacionamos a poesia as 
nossas experiências de vida (amores, desilusões, alegrias, etc.).
Vamos conhecer alguns objetivos para desenvolvermos melhor 
nossas práticas de leitura?
a) Informação
Quando o indivíduo precisa ler para buscar 
as informações que circulam socialmente, a 
fim de se manter atualizado, a leitura associa-
se à necessidade de conhecer as notícias, 
articulando-sea leitura da palavra à leitura do 
mundo.
O acesso à informação está cada vez 
mais democrático e fácil devido às novas 
tecnologias. Como exemplos desse nível 
de leitura, podemos citar: leitura de jornais, 
revistas, notícias, sites informativos, etc.
b) Conhecimento
Esse nível de leitura é mais enfatizado pela 
escola, pelas faculdades e universidades, 
na medida em que o aluno precisa ler com 
os propósitos de: estudar, fazer uma prova, 
realizar um exercício, etc..
Nesse sentido, a leitura articula-se à 
construção do conhecimento, tendo em vista 
alguma atividade prática. As leituras de artigos, 
textos científicos, monografias, relatórios, por 
exemplo, podem ilustrar esse nível de leitura.
Note que, neste exato momento, você está 
desenvolvendo esse nível de leitura, já que 
está diante de um texto didático, visando 
construir aprendizagens significativas, a fim 
de ampliar os seus conhecimentos.
c) Prazer estético
Nesse último nível, a leitura é livre, ou seja, 
é preciso ler sem compromisso com os 
exercícios escolares, ou com a busca de 
informações cotidianas.
Nesse plano, a leitura associa-se ao prazer 
estético que a obra de arte permite, sem 
necessariamente ter um compromisso 
com alguma atividade prática. Podemos 
exemplificar com a leitura de poemas, letras 
de música, pinturas, etc.
43
Análise e Interpretação de Textos
Os objetivos da leitura estão interligados aos níveis de leitura. 
Quando lemos um texto, vamos realizando o ato de ler por meio de 
etapas. 
Quais são os níveis de leitura que poderemos encontrar? Vamos 
conhecer um pouco o assunto?
Níveis de Leitura
Ezequiel Silva, em seu livro “Criticidade e leitura”, destaca os 
seguintes níveis de leitura:
1. Constatação: compreensão primeira dos conteúdos 
pretendidos, ou seja, é a leitura literal, na qual o leitor apenas 
decodifica o que está no texto. Esse nível de leitura corresponde 
ao ato de “ler as linhas”, ou seja, decodificar o que está 
explicitamente exposto no texto.
2. Cotejo: a partir de sua experiência anterior, o leitor 
seleciona informações presentes no texto. Nesse plano, a 
intertextualidade, ou seja, a relação dialógica entre os 
textos torna-se um fator primordial na habilidade de leitura do 
receptor.
 O leitor consegue associar um texto que leu no passado 
com algum outro texto que está lendo no momento presente, 
fazendo comparações entre os dois textos e construindo 
uma interpretação mais ampla a partir de sua experiência 
intertextual.
 Esse nível corresponde ao ato de “ler as entrelinhas”, ou seja, 
conseguir estabelecer as relações entre o dito e o subentendido 
no universo textual, estabelecendo conexões com outros textos 
e outras leituras.
3. Transformação: ação sobre o conteúdo do conhecimento 
extraído do texto, ou seja, esse nível corresponde à leitura 
inferencial, aquela em que o leitor vai reconstruindo os vazios 
do texto, imaginando o que poderia ter acontecido, preenchendo 
as entrelinhas e extrapolando os limites da significação textual.
 Nesse sentido, a leitura torna-se um ato de transformação 
social, em que o sujeito leitor consegue desenvolver uma 
compreensão crítica do mundo. Esse nível corresponde ao 
44
Análise e Interpretação de Textos
ato de ler “para além das linhas”, ou seja, ir além significa 
interagir com o texto, modificar-se no processo de leitura.
Observe os exemplos a seguir:
Exemplo 1 Exemplo 2
Exemplo 3
Após realizar a leitura dos exemplos 1, 2 e 3, você conseguiu se 
lembrar de algum outro texto? Certamente você deve ter realizado 
comparações entre os exemplos anteriores e o célebre quadro de 
Leonardo da Vinci, a pintura da Mona Lisa13.
Saiba Mais
13 A tela Mona 
Lisa revela uma 
mulher com 
olhar enigmático. 
Leonardo da 
Vinci começou a 
pintar o quadro 
em 1503 e 
finalizou três 
ou quatro anos 
mais tarde. A 
pintura encontra-
se no Museu 
do Louvre, em 
Paris. O quadro 
é um dos mais 
famosos na 
História da Arte
45
Análise e Interpretação de Textos
Minibiografia
Leonardo da Vinci nasceu no pequeno vilarejo de Vinci, nas 
proximidades de Florença, em 1452. Autor de Monalisa, um dos 
quadros mais famosos da história, Leonardo era filho ilegítimo 
de um tabelião. Ele não teve educação formal e sabia pouco ou 
nenhum latim, condição que o enchia de um certo ressentimento 
em relação aos colegas mais ilustrados.[...]
Em 1503, Francesco del Giocondo, um rico florentino, 
encomendou a Leonardo - e pagou-lhe muito bem por isso 
- um retrato de sua mulher, Monalisa. Quatro anos depois o 
quadro não está pronto. Aqui começa o grande debate: quem é 
a dama do quadro? A mulher de Giocondo? É este o retrato de 
uma jovem de 26 anos? Ou é o retrato de Constança d’Avalos, 
Duquesa de Francavilla, “inclusive com o véu negro de viúva?” 
Há quem afirme - e a sério - que o encantador sorriso é de um 
jovem, travestido.”
Fonte: http://biografias.netsaber.com.br/ver_biografia_c_1153.html
Veja o quadro de Leonardo da Vinci a seguir.
Veja como há uma relação dialógica entre os textos 
(intertextualidade). A clássica pintura Mona Lisa, de Leonardo 
da Vinci, é retomada sob várias formas. Os autores recriam o texto 
original (intertexto) a partir de suas intenções comunicativas.
Observe que os produtores de propagandas retomam o quadro 
de Da	 Vinci com fins publicitários, visando seduzir o leitor para os 
produtos que os anunciantes pretendem divulgar (veja exemplo 01). 
Quando realizamos a leitura intertextual, percebemos o nível do 
cotejo, pois vamos lendo os textos por meio de comparações com 
outros textos, vamos ampliando nossa memória de leituras, ativando 
o nosso conhecimento prévio.
46
Análise e Interpretação de Textos
A pintura “O nascimento de Vênus14”, de Botticelli15, também é 
retomada e recriada, evidenciando mais um caso de intertexualidade, 
como você pode observar a seguir.
Note que as semelhanças nos detalhes, bem como a sintonia entre 
os estilos e técnicas de pinturas usados para nas telas evidenciam 
todo o processo de recriação do intertexto, ou seja, o texto de 
base (O	Nascimento	de	Vênus”, de Botticelli). Ressalte-se que não 
é um trabalho de cópia ou plágio, mas sim um amplo processo de 
reconstrução e recriação artística.
Atividades e Orientações de Estudo
Atividade 1
Vamos trocar experiências de leitura?
Em um fórum de discussão, você deve trocar ideias com outros(as) 
colegas sobre as preferências de leitura. Quais são os livros que você 
já leu? Que autores você prefere? Você gosta de ler obras literárias 
(romances, contos, poemas, etc.)? Prefere ler gêneros textuais 
informativos (notícias de jornais, artigos de revistas, etc.)? Você gosta 
de ler textos/gêneros que circulam na Internet ou prefere ler textos/
gêneros em meio impresso? Vamos socializar nossas experiências de 
leitura?
Saiba Mais
14 O Nascimento 
de Vênus é 
uma pintura de 
Sandro Botticelli, 
encomendada 
por Lorenzo di 
Pierfrancesco 
de Médici para a 
Villa Medicea di 
Castello. A obra 
está exposta 
na Galleria 
degli Uffizi, em 
Florença, na 
Itália. Consiste 
de têmpera 
sobre tela e 
mede 172,5 cm 
de altura por 
278,5 cm de 
largura. A pintura 
representa a 
deusa Vênus 
emergindo do 
mar como mulher 
adulta, conforme 
descrito na 
mitologia grega.
Fonte: http://
pt.wikipedia.
org/wiki/O_
Nascimento_ 
de_Vênus
47
Análise e Interpretação de Textos
Atividade 2
Agora, que você já conheceu um pouco sobre os objetivos e 
percebeu também que há diferentes níveis de leitura, é hora de 
praticar. Vamos ler alguns textos?
Texto 1
Fome e subdesenvolvimento
“A fome é, de longe, o sintoma mais grave e mais geral do subdesenvolvimento. 
Resulta de todo um conjunto de causas e provoca toda uma gama de 
consequências. Sendo a alimentação a necessidade primeira do homem e a 
busca da alimentação tendo sido, durante milênios, uma preocupação quase 
obsessiva, a fome é, entre as características do subdesenvolvimento, aquela 
que mais profundamente choca a opinião dos países ricos. É a manifestação 
mais flagrante da miséria,a expressão das privações que não é possível ignorar: 
admite-se que os homens fiquem nus, que se alojem em cabanas, que sejam 
doentios, etc.. mas não é possível admitir a fome. Sua denúncia é, de fato, o único 
meio de levar a opinião pública dos países desenvolvidos a tomar consciência dos 
problemas do subdesenvolvimento. Atualmente a fome caracteriza a totalidade 
dos países subdesenvolvidos”. 
(LACOSTE, Yves. Geografia do subdesenvolvimento. São Paulo: Difel, 1975, p.29)
Texto 2
Comida (Titãs)
Bebida é água 
Comida é pasto 
Você tem sede de quê? 
Você tem fome de quê? 
A gente não quer só comida 
A gente quer comida, diversão e arte 
A gente não quer só comida 
A gente quer saída para qualquer parte 
A gente não quer só comida 
A gente quer bebida, diversão , balé 
A gente não quer só comida 
A gente quer a vida como a vida quer 
Bebida é água 
Comida é pasto 
Você tem sede de quê? 
Você tem fome de quê? 
A gente não quer só comer 
A gente quer comer, quer fazer amor 
A gente não quer só comer 
A gente quer prazer pra aliviar a dor 
A gente não quer só dinheiro 
A gente quer dinheiro e felicidade 
A gente não quer só dinheiro 
A gente quer inteiro e não pela metade.
Saiba Mais
15 Sandro 
Botticelli foi 
um dos mais 
importantes 
nomes do 
Renascimento. 
Algumas de suas 
obras, como 
O Nascimento 
da Vênus e 
Primavera, são 
consideradas 
exemplos 
perfeitos do ideal 
renascentista. 
Nascido em 
Florença, 
Alessandro Di 
Mariano Filipepi 
era filho de um 
curtidor de couro. 
O nome Botticelli 
foi derivado 
do apelido de 
seu irmão mais 
velho, Giovani, 
conhecido como 
Il Botticello (o 
pequeno barril).
Fonte: http://
www.netsaber.
com.br/
biografias/ver_
biografia_c_116.
html
48
Análise e Interpretação de Textos
Texto 3
Explorando a Leitura dos Textos
Há uma relação entre os textos lidos? Se houver, qual é a relação 
que você percebeu? Agora, construa um texto informativo sobre a 
fome no Brasil. Crie um título e explore as causas e consequências do 
problema-fome em nosso país. 
Você deve tomar como base os textos lidos.Pense que seu texto 
poderá ser publicado em um jornal. Portanto, use uma linguagem 
simples e acessível aos leitores. Seu texto deverá ter início 
(introdução), meio (desenvolvimento), fim (conclusão). Você 
estará produzindo um texto dissertativo16, ou seja, um texto que irá 
expressar sua opinião sobre o assunto.
Após elaborar seu texto, socialize sua produção com outros colegas 
nos fóruns de discussão. Discuta sobre o tema com os colegas em 
um chat.
Vamos Revisar?
Vamos continuar estudando um pouco mais sobre o assunto 
abordado neste capítulo? 
É hora de você aprofundar os estudos e continuar revisando. 
Link
16 Vamos estudar 
mais sobre textos 
dissertativos no 
próximo módulo.
49
Análise e Interpretação de Textos
Observe o resumo a seguir.
Resumo
 Neste capítulo, você percebeu que lemos de acordo com os objetivos que 
orientam a nossa interação com os textos e gêneros textuais que circulam 
socialmente. Não se pode ler uma charge da mesma forma que uma receita 
culinária, ou uma notícia de jornal, por exemplo. Assim, quando lemos as notícias 
dos jornais e procuramos saber o que está acontecendo no mundo estamos 
interessados nas informações veiculadas pelos jornais. O ato de ler como forma 
de construir o conhecimento está mais presente quando estudamos um texto para 
realizarmos uma prova, um exercício, apresentarmos um trabalho a um professor, 
etc. A leitura como forma de prazer estético se concretiza quando estamos 
diante de um poema, uma canção, uma tela, uma escultura, ou seja, qualquer 
manifestação artística que nos convida a descobrir as múltiplas possibilidades 
de interpretação das obras artísticas. Os objetivos de leitura estão integrados 
aos níveis de leitura: constatação (ler as linhas), cotejo (ler as entrelinhas) e 
transformação (ler para além das linhas) (SILVA, 1998).
50
Análise e Interpretação de Textos
Capítulo 4
O que vamos estudar neste capítulo?
» A leitura na Sociedade da Informação.
» Práticas de leituras e análise de textos.
» Etapas e estratégias de leitura.
» Intertextualidade.
51
Análise e Interpretação de Textos
Capítulo 4 – A Importância da 
Leitura no Mundo
Vamos conversar sobre o assunto?
Muito se tem discutido sobre a importância da leitura, mas o ato 
de ler quase sempre é trabalhado nas escolas, nas faculdades e 
nas universidades como uma tarefa cansativa, obrigatória. Nesses 
ambientes, deve-se ler para fazer uma prova, um exercício, apresentar 
um seminário, ou seja, a leitura sofre um processo de escolarização, 
na medida em que o ato de ler vincula-se, predominantemente, às 
tarefas escolares.
É preciso que o indivíduo reconheça a leitura como prática social 
que faz parte do seu dia a dia. Assim, é preciso que consigamos 
ler os textos e os gêneros textuais, reconhecendo a variedade de 
estratégias de leitura diante da diversidade que encontramos, tais 
como: narrativas, dissertações, descrições, cartas, avisos, outdoors, 
faixas, placas, bilhetes, cartas, jornais, relatórios, memorandos, 
artigos, resumos, enfim, uma infinidade de textos e gêneros textuais 
que fazem parte da rotina de qualquer pessoa.
A leitura e a busca da informação
Vivemos a era da Sociedade da Informação17, na medida em 
que as tecnologias digitais criaram novos canais de comunicação e 
de informação, exigindo outros papéis dos leitores e produtores de 
textos.
Na maior parte das vezes, o ato de ler, atrelado à busca da 
informação, torna-se um exercício cada vez mais requisitado no 
mundo digital, marcado pelo fenômeno da globalização, em que as 
fronteiras geográficas e culturais entre os países tornam-se tênues, 
Saiba Mais
17 Com os 
avanços 
tecnológicos, 
vivemos a era 
da Cibercultura, 
marcada pela 
explosão de 
informações 
divulgadas pelas 
Tecnologias da 
Informação e 
Comunicação 
(TICs). Assim, 
a Sociedade 
da Informação 
surge como 
novo pardigma, 
atrelado ao 
fenômeno da 
globalização, 
além dos 
crescentes 
avanços nos 
recursos 
tecnológicos. 
A condição 
primordial para 
a Sociedade 
da Informação 
avançar é a 
ampliação de 
investimentos 
para a inclusão 
social-digital, 
permitindo que 
todos(as) tenham 
amplo acesso 
às Tecnologias 
de Informação 
e Comunicação 
(TICs). É preciso 
usar criticamente 
os meios 
tecnológicos, 
a fim de 
transformar 
a simples 
e êfemera 
informação em 
conhecimento.
52
Análise e Interpretação de Textos
na medida em que a humanidade caminha para uma cultura global, 
em que a massificação dos padrões culturais já é evidente.
A leitura de artigos publicados em jornais e revistas, notícias, sites 
informativos, entre outras práticas de leitura tornam-se atividades 
rotineiras para qualquer indivíduo que precisa se manter atualizado 
devido à competitividade do mercado de trabalho, além da rapidez e 
da velocidade com que as informações trafegam no mundo digital.
Estratégias para motivar as práticas de leitura
Você já deve ter se questionado inúmeras vezes:
» Como devo ler textos de forma eficaz?
» Quais são as etapas para praticar a leitura de um texto, visando à análise 
crítica?
Vamos tentar fornecer algumas pistas para você melhorar suas 
práticas de leitura.
Como ler textos?
a) Preparação para a leitura 
Antes de ler o texto, pense e reflita:
» Qual o tipo de texto? Qual o gênero textual? Reflita sobre as 
53
Análise e Interpretação de Textos
seguintes questões: 
» É um texto narrativo? Uma descrição? Uma dissertação? Uma 
charge? Um poema? Uma notícia?
» Qual o objetivo da leitura? Com que finalidade você está lendo 
o texto? Lazer? Estudo? Informação?
» Em que contexto o texto foi produzido? Qual o ano de 
publicação? O texto reflete o tema/ as visões de um determinado 
momento histórico?
» Qual o autor do texto?
» Em que suporte de comunicação, o texto está sendo veiculado? 
Jornal em meio impresso/eletrônico? Livro? E-book? ...
b) Leitura propriamente dita
Após contextualizar a atividade da leitura, com basenos 
questionamentos anteriores, considere os seguintes passos:
Primeira Etapa: Análise Geral do Texto
Essa etapa é fundamental no levantamento de informações, 
responsável para contextualizar a atividade da leitura. É preciso obter 
informações sobre o autor, contexto em que o texto foi produzido, 
dados históricos, enfim, toda e qualquer informação relevante para o 
entendimento global do texto.
Para se realizar essa etapa, observe os seguintes passos:
Passo 1 - Realize a leitura global do texto, tentando obter uma ideia geral 
sobre as informações que são transmitidas. Tente captar a ideia central do 
texto por meio dessa leitura de reconhecimento. Vá sublinhando, destacando 
palavras/frases, elementos que você considera importantes a partir da leitura 
global do texto.
54
Análise e Interpretação de Textos
A leitura global do texto poderá ser realizada utilizando a técnica 
de sublinhar ou destacar palavras-chave relevantes para a 
compreensão global da mensagem. Pode-se usar essa técnica com 
diversos objetivos: assimilar melhor o texto, memorizar, preparar uma 
revisão rápida do assunto, aplicar em citações e, principalmente, 
resumir, esquematizar.
Para sublinhar, é indispensável, antes de tudo, a compreensão 
do texto, pois este é o único processo que permite a seleção do que 
importante e do que é secundário.
A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes 
procedimentos:
» Leitura integral do texto (leitura de reconhecimento) 
» Esclarecimentos de dúvidas de vocabulário, termos técnicos e 
outros
» Releitura do texto, a fim de identificar as ideias principais
» Identificar as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes 
importantes 
» Assinalar, à margem do texto, com um ponto de interrogação, os 
casos de discordâncias, as passagens obscuras, os argumentos 
discutíveis
» Ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido 
» Reconstruir o texto, retomando as palavras sublinhadas.
Vamos observar o exemplo a seguir, no qual o leitor usou a técnica 
de sublinhar para realizar a leitura global da mensagem.
“Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios 
de comunicação de massa: informar, divertir, persuadir e ensinar. A primeira 
diz respeito à difusão de notícias, relatos, comentários etc. sobre a realidade, 
acompanhada, ou não de interpretações ou explicações. A segunda função 
atende à procura da distração, da evasão, de divertimento, por parte do público. 
Uma terceira função é persuadir o indivíduo- convencê-lo a adquirir certo produto, 
a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. A quarta função - 
ensinar - é realizada de modo direto ou indireto, intencional ou não, por meio de 
material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo 
de conhecimentos, planos, destrezas, etc.” (SAMUEL PFROMM NETO).
Você observou que o leitor destacou apenas as palavras-chave 
essenciais à compreensão da mensagem? Quando se dedicam 
55
Análise e Interpretação de Textos
à técnica de sublinhar, no ato da leitura, muitos leitores começam 
a destacar frases e parágrafos inteiros, o que poderá dificultar a 
elaboração futura de esquemas de leitura. É preciso selecionar as 
ideias essenciais que precisam ser destacadas, a fim de facilitar a 
compreensão do texto e a elaboração de resumos, esquemas com 
base no material destacado.
Passo 2 - Com base nessa leitura inicial, tente esquematizar a ideia principal 
e as ideias secundárias. Elabore um gráfico ou um esquema por meio de 
tópicos, no sentido de sintetizar o que você conseguiu fixar do texto lido.
O esquema é um registro gráfico (bastante visual) dos pontos 
principais de um determinado conteúdo. Não há normas para 
elaboração do esquema; ele deve ser um registro útil para você, por 
isso, é você quem deve definir a melhor maneira de fazê-lo. 
Dar títulos e subtítulos às ideias identificadas no texto, colocar 
estes itens no papel como uma sequência ordenada por números (1, 
1.1, 1.2, 2, etc.) para indicar suas divisões. 
Não importa que códigos você irá usar em seu esquema. O 
importante é que o esquema seja útil, ou seja, lhe permita recuperar 
rapidamente o argumento e as ideias de um texto com uma simples 
visualização. 
Vamos observar o esquema elaborado com base na técnica de 
sublinhar adotada no exemplo anterior 
Esquema 1
Meios de comunicação de massa
Funções básicas:
1. Informar: difusão de notícias
2. Divertir: distração
3. Persuadir: convencer
4. Ensinar: ampliar conhecimentos/ formação do indivíduo.
Agora, observe outro exemplo de esquema que investe muito no 
apelo visual.
56
Análise e Interpretação de Textos
Esquema 2
Segunda Etapa: Análise Temática
Essa segunda etapa está muito ligada à primeira. Com base no 
esquema feito, elencar o tema geral, as ideias principais e secundárias, 
estabelecer uma conexão entre o tema e o título do texto.
Vamos observar os passos para a realização da análise temática?
Passos para Análise Temática:
» Delimitar a ideia principal do texto. Quais os argumentos 
principais?
» Identificar as ideias secundárias e articulá-las com a ideia 
principal
» Estabelecer conexões entre o tema geral apresentado ao 
longo do texto e o título
» Tente dar um outro título ao texto lido, por exemplo. 
» O texto lido remeteu você a alguma outra leitura que você já 
realizou? Pense na intertextualidade, ou seja, nas possíveis 
relações entre os textos.
Terceira Etapa: Interpretação e Avaliação Crítica do Texto 
Essa é a etapa final na qual o leitor é motivado a produzir o seu 
próprio texto no ato dinâmico da leitura. A partir do que leu, o leitor é 
capaz de concordar, discordar, preencher os vazios, perceber o não-
dito, as entrelinhas, a fim de atingir o nível de criticidade.
57
Análise e Interpretação de Textos
Passos para Interpretação e Avaliação Crítica do texto:
Com base na leitura e nas etapas descritas anteriormente, o leitor 
deverá:
» Concordar ou discordar do que foi lido
» Revelar sua opinião crítica
» Preencher os vazios, os implícitos, articulando o dito ao não-
dito
» Produzir o seu próprio discurso crítico
» Produzir o seu próprio texto, sendo capaz de falar sobre o que 
leu, comentando as ideias/os temas apresentados pelo autor
» A partir da interpretação e da avaliação crítica, o leitor poderá 
desenvolver o seu próprio texto escrito, seja um resumo, uma 
resenha, um roteiro, um ficha, com base na leitura efetivada.
Como Elaborar Resumos?
Resumir é apresentar, de forma breve, concisa e seletiva, um certo 
conteúdo. Isto significa reduzir a termos breves e precisos a parte 
essencial de um tema.
Um resumo bem elaborado deve obedecer aos seguintes passos: 
» Apresentar, de maneira concisa, o assunto da obra/texto
» Respeitar a ordem das ideias e dos fatos apresentados
» Empregar linguagem clara e objetiva
» Evitar transcrição de frases do original
» Apontar as conclusões do autor
Características do Resumo
» Breve e conciso: no resumo de um texto, por exemplo, 
devemos deixar de lado os exemplos dados pelo autor, detalhes 
e dados secundários.
» Logicamente estruturado: um resumo não é apenas um 
apanhado de frases soltas. Ele deve trazer as ideias centrais 
(o argumento) daquilo que se está resumindo. Assim, as ideias 
58
Análise e Interpretação de Textos
devem ser apresentadas em ordem lógica, ou seja, como 
tendo uma relação entre elas. O texto do resumo deve ser 
compreensível.
Tipos de Resumo
a) Resumo indicativo ou descritivo
 Também conhecido como abstract (resumo, em inglês), este 
tipo de resumo apenas indica os pontos principais de um texto, 
sem detalhar aspectos como exemplos, dados qualitativos ou 
quantitativos etc. Esse tipo de resumo é muito utilizado em 
artigos científicos18. A função desse resumo é fornecer uma 
ideia global do texto que será lido.
b) Resumo crítico ou resenha
 O resumo crítico é uma redação técnica que avalia de forma 
sintética a importância de uma obra científica ou literária. 
A resenha19 (ou resumocrítico) não é apenas um resumo 
informativo ou indicativo.
 Antes de começar a escrever seu resumo crítico, você deve se 
certificar de ter feito uma boa leitura do texto, identificando:
1. Qual o tema tratado pelo autor?
2. Qual o problema que ele coloca?
3. Qual a posição defendida pelo autor com relação a este 
problema?
4. Quais os argumentos centrais e complementares utilizados pelo 
autor para defender sua posição?
Praticando a Leitura...
Vamos ler os textos abaixo?
Use a técnica de sublinhar/destacar para a leitura do texto 1 
(Usinas nucleares: ainda um grande risco).Tente esquematizar as 
ideias principais do texto.
Saiba Mais
18 Artigo é um 
trabalho técnico-
científico, escrito 
por um ou mais 
autores, visando 
à publicação 
em revistas 
ou jornais 
científicos. Você 
poderá encontrar 
vários artigos 
científicos no 
portal http://www.
scielo.org/php/
index.php
Hiperlink
19 Visite o site 
indicado e 
pesquise mais 
sobre elaboração 
de resenhas
http://www.lendo.
org/como-fazer-
uma-resenha/
59
Análise e Interpretação de Textos
Texto 1
Usinas nucleares: ainda um grande risco
Samuel Murgel Branco
"As primeiras bombas atômicas produzidas pelos Estados Unidos e Segunda 
Guerra Mundial eram baseadas no princípio da fissão do átomo de urânio, que 
se transforma em chumbo. Já as bombas de hidrogênio, que vieram anos depois, 
eram baseadas na fusão de núcleos segundo o mesmo princípio observado no 
Sol, ou seja, átomos de hidrogênio fundindo-se entre si transformaram-se em 
átomos de hélio. Para que essa fusão seja possível é necessária uma temperatura 
extremamente elevada. No caso das bombas, essa temperatura é obtida com a 
explosão inicial de uma bomba de fissão. Daí não se ter conseguido até hoje a 
fusão de forma controlada e não-explosiva. Por conseguinte, para a geração de 
energia elétrica, as usinas nucleares continuam baseadas na fissão de núcleos 
de urânio.
O grande inconveniente do processo de fissão está na produção de radioatividade 
e na contaminação radioativa do meio ambiente, com todas as conhecidas 
consequências para a vida de seres humanos, animais e vegetais observadas 
em locais onde houve explosão de bombas atômicas."
(BRANCO, Samuel. O meio ambiente em debate. São Paulo : Moderna, 2004).
Agora que você já leu o texto 1, tente realizar comparações com 
os textos a seguir. Pense nas semelhanças e nas diferenças entre os 
textos. Vamos ler os textos e descobrir possíveis relações entre eles?
Texto 2
Rosa de Hiroshima (1973) 
Vinícius	de	Moraes	e	Gerson	Conrad 
Interpretação: Secos e Molhados
Pensem nas crianças 
Mudas telepáticas 
Pensem nas meninas 
Cegas inexatas 
Pensem nas mulheres 
Rotas alteradas 
Pensem nas feridas 
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam 
Da rosa da rosa 
Da rosa de Hiroshima 
A rosa hereditária
A rosa radioativa 
Estúpida e inválida 
A rosa com cirrose 
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume 
Sem rosa sem nada
www.paixaoeromance.com/70decada/rosa_iroshima/h_rosa_de_hiroshima.htm
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Análise e Interpretação de Textos
Texto 3
Texto 4
Explorando a Leitura dos Textos
Observe como os textos usam linguagens diferentes, mas se 
aproximam do ponto de vista do tema abordado.
O texto 1 apresenta informações sobre bombas atômicas utilizadas 
61
Análise e Interpretação de Textos
em guerras mundiais. O poema (texto 2) revela o olhar especial do 
poeta que faz uma comparação entre a explosão da bomba atômica 
e o desabrochar de uma rosa, usando uma linguagem figurada 
(conotativa). Assim, por meio da linguagem figurada, o texto permite 
várias interpretações, abrindo as possibilidades de leitura. 
O texto 3 representa um desenho que retoma uma foto histórica 
(texto 4), por meio de uma relação intertextual. O desenhista atualizou 
o tema da bomba e colocou as personagens no cenário dos Estados 
Unidos, que vivenciaram o dia 11 de setembro como o dia marcado 
pelo terrorismo. Por ironia do destino, foram os EUA que lançaram 
a bomba atômica em Hiroshima e utilizaram outras armas, como 
Napalm, na guerra do Vietnã.
A histórica fotografia (texto 4) revela a imagem assustadora de 
crianças fugindo de um ataque com Napalm20.
Atividades e Orientações de Estudo
Atividade 1
Vamos realizar um júri-simulado?
Agora que você já leu os textos, qual a sua opinião sobre a 
utilização da energia nuclear no Brasil? Você é a favor ou contra a 
ampliação de investimentos nesse tipo de energia em solo brasileiro?
Vocês devem se organizar em grupos, sob orientação dos(as) 
professores(as). Essa atividade será uma oportunidade para que 
vocês pratiquem aprendizagens colaborativas, utilizando os fóruns 
de discussão como ferramentas para socializar as experiências de 
aprendizagem. Assim, na atividade proposta, vamos utilizar o fórum 
de discussão para socializarmos as argumentações de cada grupo. 
Para realizar essa atividade, vocês precisam perceber a importância 
da argumentação como estratégia de convencer, persuadir o 
destinatário da mensagem. Observe:
Argumentar é relacionar fatos, estudos, pontos de vista acerca de determinado 
tema, visando persuadir o destinatário da mensagem sobre a ideia que se 
pretende transmitir. 
Saiba Mais
20 Napalm foi 
desenvolvido 
durante a 
Segunda Guerra 
Mundial nos 
EUA. Trata-se 
de uma arma 
química e foi 
usada em 
lança-chamas e 
bombas pelos 
EUA e nações 
aliadas durante a 
segunda guerra 
mundial e na 
Guerra do Vietnã.
62
Análise e Interpretação de Textos
Seguem algumas dicas para você melhorar suas estratégias de 
argumentação:
Dicas sobre argumentação
» Os argumentos devem ter 
um embasamento; nunca se 
deve afirmar algo que não venha 
de estudos ou informações 
previamente selecionadas.
» Os exemplos dados 
devem ser coerentes com a 
realidade, ou seja, podem até 
ser fictícios, mas não podem ser 
inverossímeis.
» Caso haja citações de pessoas 
ou trechos de textos. Estes 
devem ser razoavelmente 
confiáveis, não se podendo citar 
qualquer pessoa.
» Experiências que comprovem 
os argumentos devem ser 
também coerentes com a 
realidade.
Sobre a estrutura do texto
» Deve conter uma lógica de pensamentos. 
Os raciocínios devem ter uma relação e um 
deve continuar o que o outro afirmava.
» No início do texto, deve-se apresentar 
o assunto e a problemática que o envolve, 
sempre tomando cuidado para não se 
contradizer.
» No desenvolvimento do texto, vão sendo 
apresentados os argumentos propriamente 
ditos, juntamente com exemplificações e 
citações (se existirem).
» No final do texto, as ideias devem ser 
arrematadas com uma tese (a conclusão). 
Essa conclusão deve vir sendo prevista pelo 
leitor durante todo o texto, à medida que ele 
vai lendo e se direcionando para concordar 
com ela.
Fonte: Texto adaptado de 
http://www.infoescola.com/redacao/argumentacao/
Vamos organizar os grupos?
Grupo 1: 
Advogados de Defesa / A favor do uso da Energia Nuclear no Brasil
Se você é a favor da utilização da energia nuclear no Brasil, elabore uma lista dos 
pontos positivos para o uso dessa energia. Tente elaborar uma argumentação 
convincente acerca do seu ponto de vista sobre o tema.
Grupo 2: 
Advogados de Acusação/ Contra o uso da Energia Nuclear no Brasil
Se você é contra a utilização da energia nuclear no Brasil, elabore uma lista dos 
pontos negativos para o uso dessa energia. Considere argumentos capazes de 
persuadir/convencer os destinatários da mensagem.
Grupo 3: Júri
Um grupo deverá assumir o papel do júri que irá avaliar os argumentos dos 
advogados de defesa e dos advogados de acusação. O resultado final será 
divulgado pelo júri. O trabalho será organizado pelos(as) professores(as) na 
mediação entre os grupos.
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Análise e Interpretação de Textos
Réu: Tema - Energia Nuclear no Brasil
Enquete
Vamos elaborar uma enquete sobre o tema?
Essa atividade também poderá gerar uma enquete, a partir da qual vocês deverão 
votar contra ou a favor ao uso da energia nuclear depois da socialização dos 
argumentos dos grupos no fórum de discussão sobreo tema.
Vamos Revisar?
Resumo
 Neste capítulo, você observou que a leitura de textos informativos é uma 
prática recorrente no contexto atual, cenário da Sociedade da Informação em 
que as novas tecnologias digitais estão exigindo maior aprimoramento das 
nossas competências comunicativas. Também destacamos a importância da 
argumentação e da contra-argumentação por meio da leitura de textos que 
mantêm relações intertextuais.
Considerações Finais
Olá, Cursista!
Chegamos ao final de mais um módulo. Você gostou dos assuntos abordados 
neste segundo módulo? Esperamos que você tenha respondido de modo afirmativo, 
pois tentamos abordar temas bem interessantes, a fim de aproximá-lo(a) da Análise e 
Interpretação de Textos como práticas socioculturais.
Neste segundo módulo, você estudou a diversidade linguística, reconhecendo a 
importância dos diferentes níveis de linguagem (coloquial-popular, formal-culto, técnico-
profissional,	 artístico). Assim, você percebeu a necessidade de ajustarmos os usos 
da língua aos diferentes contextos e situações comunicativas, observando o universo 
fascinante dos textos que circulam socialmente. 
O preconceito linguístico foi outro tema abordado e você certamente conseguiu 
perceber que as diferenças linguísticas são reveladoras de aspectos sociais, históricos 
e culturais que estão subjacentes às formas como utilizamos a língua.
Também abordamos alguns objetivos e níveis de leitura, no sentido de ajudá-lo(a) a 
compreender as conexões entre o ato de ler e aspectos sociais. Você descobriu que o 
mundo é um grande texto, como já afirmou o grande educador Paulo Freire, entendendo-
se que linguagem, realidade e sociedade estão dialogicamente relacionadas.
Além das relações entre os textos e as dimensões socioculturais, você percebeu que 
a intertextualidade evidencia o caráter dialógico das relações que se estabelecem entre 
diversos textos produzidos em contextos distintos. 
Esperamos você tenha aproveitado ao máximo este segundo módulo, enriquecendo 
e aprimorando seus conhecimentos nas trocas interativas com os colegas, os(as) 
professores(as) e os materiais didáticos.
No próximo módulo, você vai conhecer um pouco mais as práticas de leitura, pois 
iremos investigar as diferentes estratégias para lermos textos narrativos, descritivos e 
dissertativos.
Para darmos continuidade a essa fascinante viagem, convidamos você mais uma 
vez para participar do próximo módulo.
Até lá e bons estudos!
Ivanda Martins
Professora Autora
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Análise e Interpretação de Textos
Referências
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2000.
 BLIKSTEIN, I. Técnicas de comunicação escrita. São Paulo: 
Ática, 2001.
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1999.
 FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 
1995.
 KLEIMAN, A. Oficina de leitura: teoria e prática. Campinas: 
Editora da Unicamp/Pontes, 1993.
 MARTINS, D,; ZILBERKNOP, L. Português instrumental. 
Porto Alegre: Prodil, 2000.
 MARTINS, M. H. O que é leitura? São Paulo: Brasiliense, 
1994.
 PLATÃO & FIORIN. Para entender o texto. São Paulo: Ática, 
1999.
 LÉVY, P. Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999.
 MARCUSCHI, L.; XAVIER, A. Hipertexto e gêneros digitais: 
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 ______. Leitura na escola e na biblioteca. Campinas: Papirus, 
1995.
 ______. Criticidade e leitura. Campinas: Mercado de Letras, 
1998. 
 _____. Elementos de pedagogia da leitura. São Paulo: 
Martins Fontes, 1998.
 VALENTE, A. A linguagem nossa de cada dia. Petrópolis: 
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Análise e Interpretação de Textos
Vozes, 1997.
 VANOYE, F. Usos da linguagem: problemas e técnicas na 
produção oral e escrita. São Paulo: Martins Fontes, 1991. 
 TERRA, E. Linguagem, língua e fala. São Paulo: Scipione, 
1997.
 ZILBERMAN, R.; SILVA, E. (Orgs.). Leitura: perspectivas 
interdisciplinares. São Paulo: Ática, 1995.
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Análise e Interpretação de Textos
Conheça a Autora
Olá, Pessoal!
Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural 
de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a 
Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática 
(DEINFO), como professora autora. Tenho experiência na elaboração 
de materiais didáticos para cursos na modalidade a distância, 
ofertados pela UFRPE e pela UPE, produzindo materiais didáticos 
para disciplinas, como Didática, Práticas de Leitura e Produção Textual 
e Português Instrumental.
Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo pesquisas 
sobre letramento digital, formação de professores e Educação a 
Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos nas áreas 
de letras/linguística e educação.
Já escrevi e organizei alguns livros, tais como: Literatura em 
sala de aula: da teoria literária à prática escolar (2005), publicação 
de minha tese de Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em 
Letras/UFPE; Produção textual: múltiplos olhares (2006), Literatura: 
alinhavando ideias, tecendo frases, construindo textos (2008), Ensino, 
Pesquisa e Extensão: múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais 
(2006), publicações editadas pela Baraúna/Recife.
Espero encontrar você em novas aventuras virtuais.
Até lá!
Ivanda Martins
Professora Autora

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