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CNU
CONCURSO NACIONAL UNIFICADO
Bloco 8 - Nível Intermediário:
Técnico em Indigenismo, Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas, Agente de
atividades agropecuárias, Agente de inspeção sanitária e industrial de produtos de ori-
gem animal, Técnico de laboratório
EDITAL N. º 08/2024 -
CONCURSO PÚBLICO NACIONAL UNIFICADO, 10 DE JANEIRO DE 2024.
CÓD: OP-116JN-24
7908403547661
• A Opção não está vinculada às organizadoras de Concurso Público. A aquisição do material não garante sua inscrição ou ingresso na
carreira pública,
• Sua apostila aborda os tópicos do Edital de forma prática e esquematizada,
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no prazo de até 05 dias úteis.,
• É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila, de acordo com o Artigo 184 do Código Penal.
Apostilas Opção, a Opção certa para a sua realização.
ÍNDICE
Língua Portuguesa
1. Compreensão de textos. ............................................................................................................................................................ 5
2. A organização textual dos vários modos de organização discursiva .......................................................................................... 5
3. Coerência e coesão .................................................................................................................................................................... 6
4. Ortografia ................................................................................................................................................................................... 7
5. Classe, estrutura, formação e significação de vocábulos .......................................................................................................... 8
6. Derivação e composição ........................................................................................................................................................... 15
7. A oração e seus termos. A estruturação do período.................................................................................................................. 16
8. As classes de palavras: aspectos morfológicos, sintáticos e estilísticos ..................................................................................... 21
9. Linguagem figurada. .................................................................................................................................................................. 21
10. Pontuação ................................................................................................................................................................................. 24
Noções de Direito
1. I – DIREITO E GARANTIAS FUNDAMENTAIS: Direitos e deveres individuais e coletivos; direito à vida, à liberdade, à igualdade,
à segurança e à propriedade; direitos sociais; nacionalidade; cidadania; garantias constitucionais individuais; garantias dos
direitos coletivos, sociais e políticos ........................................................................................................................................... 37
2. II – A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO: Administração pública (artigos de 37 a 41, da Constituição Federal de 1988) ..................... 47
3. III - Direito administrativo: conceito, fontes e princípios ............................................................................................................ 53
4. Organização administrativa da União; administração direta e indireta ...................................................................................... 56
5. Agentes públicos: poderes, deveres e prerrogativas; cargo, emprego e função públicos; Regime Jurídico Único (Lei nº
8.112/1990 e suas alterações): provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição; direitos e vantagens; regime
disciplinar; responsabilidade civil, criminal e administrativa ...................................................................................................... 60
6. Poderes administrativos: poder hierárquico; poder disciplinar; poder regulamentar; poder de polícia; uso e abuso do
poder .......................................................................................................................................................................................... 101
7. Ato administrativo: validade, eficácia; atributos; extinção, desfazimento e sanatória; classificação, espécies e exteriorização;
vinculação e discricionariedade .................................................................................................................................................. 108
8. Serviços Públicos: conceito, classificação, regulamentação e controle; delegação: concessão, permissão, autorização ........... 119
9. Controle e responsabilização da administração: controle administrativo; controle judicial; controle legislativo; responsabili-
dade civil do Estado. Sanções aplicáveis aos atos de improbidade administrativa (Lei nº 8.429/1992 e suas alterações) ........ 131
10. Lei do Processo Administrativo (Lei nº 9.784/1999 e suas alterações) ....................................................................................... 151
Matemática
1. Conjuntos numéricos: naturais, inteiros, racionais e reais; múltiplos, divisores, números primos; potências e raízes ............. 165
2. Sistemas de Unidades de Medidas: comprimento, área, volume, massa e tempo................................................................... 172
3. Razão e proporção ..................................................................................................................................................................... 174
4. regra de três simples e regra de três composta ......................................................................................................................... 178
5. porcentagem ............................................................................................................................................................................. 180
6. juros simples e juros compostos ................................................................................................................................................ 181
7. Equação do 1º grau, equação do 2º grau, sistemas de equações; equações exponenciais e logarítmicas ............................... 183
8. Funções: afins, quadráticas, exponenciais, logarítmicas ............................................................................................................ 188
9. Progressões aritméticas e geométricas ..................................................................................................................................... 201
10. Análise combinatória: princípio fundamental da contagem, permutação, arranjo e combinação ........................................... 206
ÍNDICE
11. Probabilidade ............................................................................................................................................................................. 209
12. Estatística básica: leitura e interpretação de dados representados em tabelas e gráficos; medidas de tendência central (mé-
dia, mediana, moda) .................................................................................................................................................................. 212
13. Geometria plana: polígonos, circunferência, círculo, teorema de Pitágoras, trigonometria no triângulo retângulo; perímetros
e áreas........................................................................................................................................................................................ 216
14. Geometria espacial: prisma, pirâmide, cilindro, cone e esfera; áreas e volumes ...................................................................... 220
Realidade Brasileira1. Formação do Brasil contemporâneo: Da independência à República........................................................................................ 229
2. Primeira República: elite agrária e a política da economia cafeeira .......................................................................................... 230
3. O Estado Getulista. .................................................................................................................................................................... 236
4. Democracia e rupturas democráticas na segunda metade do século XX .................................................................................. 238
5. A redemocratização e a busca pela estabilidade econômica ..................................................................................................... 240
6. História dos negros no Brasil: luta antirracista, conquistas legais e desafios atuais .................................................................. 241
7. História dos povos indígenas do Brasil: luta por direitos e desafios atuais ............................................................................... 244
8. Dinâmica social no Brasil: estratificação, desigualdade e exclusão social .................................................................................. 254
9. Manifestações culturais, movimentos sociais e garantia de diretos das minorias ..................................................................... 258
10. Desenvolvimento econômico, concentração da renda e riqueza .............................................................................................. 260
11. Desenvolvimento sustentável e meio ambiente. ...................................................................................................................... 279
12. Biomas brasileiros: uso racional, conservação e recuperação .................................................................................................. 281
13. Matriz energética: fontes renováveis e não renováveis ............................................................................................................. 285
14. mudança climática ..................................................................................................................................................................... 286
15. transição energética ................................................................................................................................................................... 290
16. População: estrutura, composição e dinâmica. ........................................................................................................................ 291
17. Desenvolvimento urbano brasileiro: redes urbanas; metropolização; crescimento das cidades e problemas urbanos ........... 294
18. Infraestrutura urbana e segregação socioespacial..................................................................................................................... 295
19. Desenvolvimento rural brasileiro: estrutura e concentração fundiária; sistemas produtivos e relação de trabalho no campo 295
20. A inserção do Brasil no sistema internacional ........................................................................................................................... 301
21. Estado Democrático de Direito: a Constituição de 1988 e a afirmação da cidadania ................................................................ 309
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LÍNGUA PORTUGUESA
COMPREENSÃO DE TEXTOS.
Compreender e interpretar textos é essencial para que o obje-
tivo de comunicação seja alcançado satisfatoriamente. Com isso, é
importante saber diferenciar os dois conceitos. Vale lembrar que o
texto pode ser verbal ou não-verbal, desde que tenha um sentido
completo.
A compreensão se relaciona ao entendimento de um texto e
de sua proposta comunicativa, decodificando a mensagem explíci-
ta. Só depois de compreender o texto que é possível fazer a sua
interpretação.
A interpretação são as conclusões que chegamos a partir do
conteúdo do texto, isto é, ela se encontra para além daquilo que
está escrito ou mostrado. Assim, podemos dizer que a interpreta-
ção é subjetiva, contando com o conhecimento prévio e do reper-
tório do leitor.
Dessa maneira, para compreender e interpretar bem um texto,
é necessário fazer a decodificação de códigos linguísticos e/ou vi-
suais, isto é, identificar figuras de linguagem, reconhecer o sentido
de conjunções e preposições, por exemplo, bem como identificar
expressões, gestos e cores quando se trata de imagens.
Dicas práticas
1. Faça um resumo (pode ser uma palavra, uma frase, um con-
ceito) sobre o assunto e os argumentos apresentados em cada pa-
rágrafo, tentando traçar a linha de raciocínio do texto. Se possível,
adicione também pensamentos e inferências próprias às anotações.
2. Tenha sempre um dicionário ou uma ferramenta de busca
por perto, para poder procurar o significado de palavras desconhe-
cidas.
3. Fique atento aos detalhes oferecidos pelo texto: dados, fon-
te de referências e datas.
4. Sublinhe as informações importantes, separando fatos de
opiniões.
5. Perceba o enunciado das questões. De um modo geral, ques-
tões que esperam compreensão do texto aparecem com as seguin-
tes expressões: o autor afirma/sugere que...; segundo o texto...; de
acordo com o autor... Já as questões que esperam interpretação do
texto aparecem com as seguintes expressões: conclui-se do texto
que...; o texto permite deduzir que...; qual é a intenção do autor
quando afirma que...
A ORGANIZAÇÃO TEXTUAL DOS VÁRIOS MODOS DE
ORGANIZAÇÃO DISCURSIVA
A partir da estrutura linguística, da função social e da finali-
dade de um texto, é possível identificar a qual tipo e gênero ele
pertence. Antes, é preciso entender a diferença entre essas duas
classificações.
Tipos textuais
A tipologia textual se classifica a partir da estrutura e da finali-
dade do texto, ou seja, está relacionada ao modo como o texto se
apresenta. A partir de sua função, é possível estabelecer um padrão
específico para se fazer a enunciação.
Veja, no quadro abaixo, os principais tipos e suas características:
TEXTO NARRATIVO
Apresenta um enredo, com ações
e relações entre personagens, que
ocorre em determinados espaço e
tempo. É contado por um narrador,
e se estrutura da seguinte maneira:
apresentação > desenvolvimento >
clímax > desfecho
TEXTO DISSERTATIVO-
ARGUMENTATIVO
Tem o objetivo de defender
determinado ponto de vista,
persuadindo o leitor a partir do
uso de argumentos sólidos. Sua
estrutura comum é: introdução >
desenvolvimento > conclusão.
TEXTO EXPOSITIVO
Procura expor ideias, sem a
necessidade de defender algum
ponto de vista. Para isso, usa-
se comparações, informações,
definições, conceitualizações
etc. A estrutura segue a do texto
dissertativo-argumentativo.
TEXTO DESCRITIVO
Expõe acontecimentos, lugares,
pessoas, de modo que sua finalidade
é descrever, ou seja, caracterizar algo
ou alguém. Com isso, é um texto rico
em adjetivos e em verbos de ligação.
TEXTO INJUNTIVO
Oferece instruções, com o objetivo
de orientar o leitor. Sua maior
característica são os verbos no modo
imperativo.
Gêneros textuais
A classificação dos gêneros textuais se dá a partir do reconhe-
cimento de certos padrões estruturais que se constituem a partir
da função social do texto. No entanto, sua estrutura e seu estilo
não são tão limitados e definidos como ocorre na tipologia textual,
podendo se apresentar com uma grande diversidade. Além disso, o
padrão também pode sofrer modificações ao longo do tempo, as-
sim como a própria língua e a comunicação, no geral.
Alguns exemplos de gêneros textuais:
• Artigo
• Bilhete
• Bula
• Carta
LÍNGUA PORTUGUESA
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• Conto
• Crônica
• E-mail
• Lista
• Manual
• Notícia
• Poema
• Propaganda
• Receita culinária
• Resenha
• Seminário
Vale lembrar que é comum enquadrar os gêneros textuais em determinados tipos textuais. No entanto, nadaimpede que um texto
literário seja feito com a estruturação de uma receita culinária, por exemplo. Então, fique atento quanto às características, à finalidade e à
função social de cada texto analisado.
COERÊNCIA E COESÃO
A coerência e a coesão são essenciais na escrita e na interpretação de textos. Ambos se referem à relação adequada entre os compo-
nentes do texto, de modo que são independentes entre si. Isso quer dizer que um texto pode estar coeso, porém incoerente, e vice-versa.
Enquanto a coesão tem foco nas questões gramaticais, ou seja, ligação entre palavras, frases e parágrafos, a coerência diz respeito ao
conteúdo, isto é, uma sequência lógica entre as ideias.
Coesão
A coesão textual ocorre, normalmente, por meio do uso de conectivos (preposições, conjunções, advérbios). Ela pode ser obtida a
partir da anáfora (retoma um componente) e da catáfora (antecipa um componente).
Confira, então, as principais regras que garantem a coesão textual:
REGRA CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS
REFERÊNCIA
Pessoal (uso de pronomes pessoais ou possessivos)
– anafórica
Demonstrativa (uso de pronomes demonstrativos e
advérbios) – catafórica
Comparativa (uso de comparações por
semelhanças)
João e Maria são crianças. Eles são irmãos.
Fiz todas as tarefas, exceto esta: colonização
africana.
Mais um ano igual aos outros...
SUBSTITUIÇÃO Substituição de um termo por outro, para evitar repetição
Maria está triste. A menina está cansada de
ficar em casa.
ELIPSE Omissão de um termo No quarto, apenas quatro ou cinco convidados. (omissão do verbo “haver”)
CONJUNÇÃO Conexão entre duas orações, estabelecendo relação entre elas
Eu queria ir ao cinema, mas estamos de
quarentena.
COESÃO LEXICAL
Utilização de sinônimos, hiperônimos, nomes
genéricos ou palavras que possuem sentido aproximado
e pertencente a um mesmo grupo lexical.
A minha casa é clara. Os quartos, a sala e a
cozinha têm janelas grandes.
Coerência
Nesse caso, é importante conferir se a mensagem e a conexão de ideias fazem sentido, e seguem uma linha clara de raciocínio.
Existem alguns conceitos básicos que ajudam a garantir a coerência. Veja quais são os principais princípios para um texto coerente:
• Princípio da não contradição: não deve haver ideias contraditórias em diferentes partes do texto.
• Princípio da não tautologia: a ideia não deve estar redundante, ainda que seja expressa com palavras diferentes.
• Princípio da relevância: as ideias devem se relacionar entre si, não sendo fragmentadas nem sem propósito para a argumentação.
• Princípio da continuidade temática: é preciso que o assunto tenha um seguimento em relação ao assunto tratado.
• Princípio da progressão semântica: inserir informações novas, que sejam ordenadas de maneira adequada em relação à progressão
de ideias.
LÍNGUA PORTUGUESA
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Para atender a todos os princípios, alguns fatores são recomendáveis para garantir a coerência textual, como amplo conhecimento
de mundo, isto é, a bagagem de informações que adquirimos ao longo da vida; inferências acerca do conhecimento de mundo do leitor;
e informatividade, ou seja, conhecimentos ricos, interessantes e pouco previsíveis.
ORTOGRAFIA
A ortografia oficial diz respeito às regras gramaticais referentes à escrita correta das palavras. Para melhor entendê-las, é preciso ana-
lisar caso a caso. Lembre-se de que a melhor maneira de memorizar a ortografia correta de uma língua é por meio da leitura, que também
faz aumentar o vocabulário do leitor.
Neste capítulo serão abordadas regras para dúvidas frequentes entre os falantes do português. No entanto, é importante ressaltar que
existem inúmeras exceções para essas regras, portanto, fique atento!
Alfabeto
O primeiro passo para compreender a ortografia oficial é conhecer o alfabeto (os sinais gráficos e seus sons). No português, o alfabeto
se constitui 26 letras, divididas entre vogais (a, e, i, o, u) e consoantes (restante das letras).
Com o Novo Acordo Ortográfico, as consoantes K, W e Y foram reintroduzidas ao alfabeto oficial da língua portuguesa, de modo que
elas são usadas apenas em duas ocorrências: transcrição de nomes próprios e abreviaturas e símbolos de uso internacional.
Uso do “X”
Algumas dicas são relevantes para saber o momento de usar o X no lugar do CH:
• Depois das sílabas iniciais “me” e “en” (ex: mexerica; enxergar)
• Depois de ditongos (ex: caixa)
• Palavras de origem indígena ou africana (ex: abacaxi; orixá)
Uso do “S” ou “Z”
Algumas regras do uso do “S” com som de “Z” podem ser observadas:
• Depois de ditongos (ex: coisa)
• Em palavras derivadas cuja palavra primitiva já se usa o “S” (ex: casa > casinha)
• Nos sufixos “ês” e “esa”, ao indicarem nacionalidade, título ou origem. (ex: portuguesa)
• Nos sufixos formadores de adjetivos “ense”, “oso” e “osa” (ex: populoso)
Uso do “S”, “SS”, “Ç”
• “S” costuma aparecer entre uma vogal e uma consoante (ex: diversão)
• “SS” costuma aparecer entre duas vogais (ex: processo)
• “Ç” costuma aparecer em palavras estrangeiras que passaram pelo processo de aportuguesamento (ex: muçarela)
Os diferentes porquês
POR QUE Usado para fazer perguntas. Pode ser substituído por “por qual motivo”
PORQUE Usado em respostas e explicações. Pode ser substituído por “pois”
POR QUÊ O “que” é acentuado quando aparece como a última palavra da frase, antes da pontuação final (interrogação, exclamação, ponto final)
PORQUÊ É um substantivo, portanto costuma vir acompanhado de um artigo, numeral, adjetivo ou pronome
Parônimos e homônimos
As palavras parônimas são aquelas que possuem grafia e pronúncia semelhantes, porém com significados distintos.
Ex: cumprimento (saudação) X comprimento (extensão); tráfego (trânsito) X tráfico (comércio ilegal).
Já as palavras homônimas são aquelas que possuem a mesma grafia e pronúncia, porém têm significados diferentes. Ex: rio (verbo
“rir”) X rio (curso d’água); manga (blusa) X manga (fruta).
LÍNGUA PORTUGUESA
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CLASSE, ESTRUTURA, FORMAÇÃO E SIGNIFICAÇÃO DE VOCÁBULOS
Para entender sobre a estrutura das funções sintáticas, é preciso conhecer as classes de palavras, também conhecidas por classes
morfológicas. A gramática tradicional pressupõe 10 classes gramaticais de palavras, sendo elas: adjetivo, advérbio, artigo, conjunção, in-
terjeição, numeral, pronome, preposição, substantivo e verbo.
Veja, a seguir, as características principais de cada uma delas.
CLASSE CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS
ADJETIVO Expressar características, qualidades ou estado dos seresSofre variação em número, gênero e grau
Menina inteligente...
Roupa azul-marinho...
Brincadeira de criança...
Povo brasileiro...
ADVÉRBIO Indica circunstância em que ocorre o fato verbalNão sofre variação
A ajuda chegou tarde.
A mulher trabalha muito.
Ele dirigia mal.
ARTIGO
Determina os substantivos (de modo definido ou inde-
finido)
Varia em gênero e número
A galinha botou um ovo.
Uma menina deixou a mochila no ôni-
bus.
CONJUNÇÃO
Liga ideias e sentenças (conhecida também como conec-
tivos)
Não sofre variação
Não gosto de refrigerante nem de pizza.
Eu vou para a praia ou para a cachoeira?
INTERJEIÇÃO Exprime reações emotivas e sentimentosNão sofre variação
Ah! Que calor...
Escapei por pouco, ufa!
NUMERAL
Atribui quantidade e indica posição em alguma sequên-
cia
Varia em gênero e número
Gostei muito do primeiro dia de aula.
Três é a metade de seis.
PRONOME Acompanha, substitui ou faz referência ao substantivoVaria em gênero e número
Posso ajudar, senhora?
Ela me ajudou muito com o meu traba-
lho.
Esta é a casa onde eu moro.
Que dia é hoje?
PREPOSIÇÃO Relaciona dois termos de uma mesma oraçãoNão sofre variação
Espero por você essa noite.
Lucas gosta de tocar violão.
SUBSTANTIVO
Nomeia objetos, pessoas, animais, alimentos, lugares
etc.
Flexionam em gênero, número e grau.
A menina jogou sua boneca no rio.
A matilha tinha muita coragem.
VERBO
Indica ação, estado ou fenômenos da natureza
Sofre variação de acordo com suas flexões de modo,
tempo, número, pessoa e voz.
Verbos não significativossão chamados verbos de liga-
ção
Ana se exercita pela manhã.
Todos parecem meio bobos.
Chove muito em Manaus.
A cidade é muito bonita quando vista do
alto.
Substantivo
Tipos de substantivos
Os substantivos podem ter diferentes classificações, de acordo com os conceitos apresentados abaixo:
• Comum: usado para nomear seres e objetos generalizados. Ex: mulher; gato; cidade...
• Próprio: geralmente escrito com letra maiúscula, serve para especificar e particularizar. Ex: Maria; Garfield; Belo Horizonte...
• Coletivo: é um nome no singular que expressa ideia de plural, para designar grupos e conjuntos de seres ou objetos de uma mesma
espécie. Ex: matilha; enxame; cardume...
• Concreto: nomeia algo que existe de modo independente de outro ser (objetos, pessoas, animais, lugares etc.). Ex: menina; cachor-
ro; praça...
• Abstrato: depende de um ser concreto para existir, designando sentimentos, estados, qualidades, ações etc. Ex: saudade; sede;
imaginação...
• Primitivo: substantivo que dá origem a outras palavras. Ex: livro; água; noite...
• Derivado: formado a partir de outra(s) palavra(s). Ex: pedreiro; livraria; noturno...
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• Simples: nomes formados por apenas uma palavra (um radical). Ex: casa; pessoa; cheiro...
• Composto: nomes formados por mais de uma palavra (mais de um radical). Ex: passatempo; guarda-roupa; girassol...
Flexão de gênero
Na língua portuguesa, todo substantivo é flexionado em um dos dois gêneros possíveis: feminino e masculino.
O substantivo biforme é aquele que flexiona entre masculino e feminino, mudando a desinência de gênero, isto é, geralmente o final
da palavra sendo -o ou -a, respectivamente (Ex: menino / menina). Há, ainda, os que se diferenciam por meio da pronúncia / acentuação
(Ex: avô / avó), e aqueles em que há ausência ou presença de desinência (Ex: irmão / irmã; cantor / cantora).
O substantivo uniforme é aquele que possui apenas uma forma, independente do gênero, podendo ser diferenciados quanto ao gêne-
ro a partir da flexão de gênero no artigo ou adjetivo que o acompanha (Ex: a cadeira / o poste). Pode ser classificado em epiceno (refere-se
aos animais), sobrecomum (refere-se a pessoas) e comum de dois gêneros (identificado por meio do artigo).
É preciso ficar atento à mudança semântica que ocorre com alguns substantivos quando usados no masculino ou no feminino, trazen-
do alguma especificidade em relação a ele. No exemplo o fruto X a fruta temos significados diferentes: o primeiro diz respeito ao órgão
que protege a semente dos alimentos, enquanto o segundo é o termo popular para um tipo específico de fruto.
Flexão de número
No português, é possível que o substantivo esteja no singular, usado para designar apenas uma única coisa, pessoa, lugar (Ex: bola;
escada; casa) ou no plural, usado para designar maiores quantidades (Ex: bolas; escadas; casas) — sendo este último representado, geral-
mente, com o acréscimo da letra S ao final da palavra.
Há, também, casos em que o substantivo não se altera, de modo que o plural ou singular devem estar marcados a partir do contexto,
pelo uso do artigo adequado (Ex: o lápis / os lápis).
Variação de grau
Usada para marcar diferença na grandeza de um determinado substantivo, a variação de grau pode ser classificada em aumentativo
e diminutivo.
Quando acompanhados de um substantivo que indica grandeza ou pequenez, é considerado analítico (Ex: menino grande / menino
pequeno).
Quando acrescentados sufixos indicadores de aumento ou diminuição, é considerado sintético (Ex: meninão / menininho).
Novo Acordo Ortográfico
De acordo com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, as letras maiúsculas devem ser usadas em nomes próprios de
pessoas, lugares (cidades, estados, países, rios), animais, acidentes geográficos, instituições, entidades, nomes astronômicos, de festas e
festividades, em títulos de periódicos e em siglas, símbolos ou abreviaturas.
Já as letras minúsculas podem ser usadas em dias de semana, meses, estações do ano e em pontos cardeais.
Existem, ainda, casos em que o uso de maiúscula ou minúscula é facultativo, como em título de livros, nomes de áreas do saber,
disciplinas e matérias, palavras ligadas a alguma religião e em palavras de categorização.
Adjetivo
Os adjetivos podem ser simples (vermelho) ou compostos (mal-educado); primitivos (alegre) ou derivados (tristonho). Eles podem
flexionar entre o feminino (estudiosa) e o masculino (engraçado), e o singular (bonito) e o plural (bonitos).
Há, também, os adjetivos pátrios ou gentílicos, sendo aqueles que indicam o local de origem de uma pessoa, ou seja, sua nacionali-
dade (brasileiro; mineiro).
É possível, ainda, que existam locuções adjetivas, isto é, conjunto de duas ou mais palavras usadas para caracterizar o substantivo. São
formadas, em sua maioria, pela preposição DE + substantivo:
• de criança = infantil
• de mãe = maternal
• de cabelo = capilar
Variação de grau
Os adjetivos podem se encontrar em grau normal (sem ênfases), ou com intensidade, classificando-se entre comparativo e superlativo.
• Normal: A Bruna é inteligente.
• Comparativo de superioridade: A Bruna é mais inteligente que o Lucas.
• Comparativo de inferioridade: O Gustavo é menos inteligente que a Bruna.
• Comparativo de igualdade: A Bruna é tão inteligente quanto a Maria.
• Superlativo relativo de superioridade: A Bruna é a mais inteligente da turma.
• Superlativo relativo de inferioridade: O Gustavo é o menos inteligente da turma.
• Superlativo absoluto analítico: A Bruna é muito inteligente.
• Superlativo absoluto sintético: A Bruna é inteligentíssima.
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Adjetivos de relação
São chamados adjetivos de relação aqueles que não podem sofrer variação de grau, uma vez que possui valor semântico objetivo, isto
é, não depende de uma impressão pessoal (subjetiva). Além disso, eles aparecem após o substantivo, sendo formados por sufixação de um
substantivo (Ex: vinho do Chile = vinho chileno).
Advérbio
Os advérbios são palavras que modificam um verbo, um adjetivo ou um outro advérbio. Eles se classificam de acordo com a tabela
abaixo:
CLASSIFICAÇÃO ADVÉRBIOS LOCUÇÕES ADVERBIAIS
DE MODO bem; mal; assim; melhor; depressa ao contrário; em detalhes
DE TEMPO ontem; sempre; afinal; já; agora; doravante; pri-meiramente
logo mais; em breve; mais tarde, nunca mais,
de noite
DE LUGAR aqui; acima; embaixo; longe; fora; embaixo; ali Ao redor de; em frente a; à esquerda; por per-to
DE INTENSIDADE muito; tão; demasiado; imenso; tanto; nada em excesso; de todos; muito menos
DE AFIRMAÇÃO sim, indubitavelmente; certo; decerto; deveras com certeza; de fato; sem dúvidas
DE NEGAÇÃO não; nunca; jamais; tampouco; nem nunca mais; de modo algum; de jeito nenhum
DE DÚVIDA Possivelmente; acaso; será; talvez; quiçá Quem sabe
Advérbios interrogativos
São os advérbios ou locuções adverbiais utilizadas para introduzir perguntas, podendo expressar circunstâncias de:
• Lugar: onde, aonde, de onde
• Tempo: quando
• Modo: como
• Causa: por que, por quê
Grau do advérbio
Os advérbios podem ser comparativos ou superlativos.
• Comparativo de igualdade: tão/tanto + advérbio + quanto
• Comparativo de superioridade: mais + advérbio + (do) que
• Comparativo de inferioridade: menos + advérbio + (do) que
• Superlativo analítico: muito cedo
• Superlativo sintético: cedíssimo
Curiosidades
Na linguagem coloquial, algumas variações do superlativo são aceitas, como o diminutivo (cedinho), o aumentativo (cedão) e o uso
de alguns prefixos (supercedo).
Existem advérbios que exprimem ideia de exclusão (somente; salvo; exclusivamente; apenas), inclusão (também; ainda; mesmo) e
ordem (ultimamente; depois; primeiramente).
Alguns advérbios, além de algumas preposições, aparecem sendo usados como uma palavra denotativa, acrescentando um sentido
próprio ao enunciado, podendo ser elas de inclusão (até, mesmo, inclusive); de exclusão (apenas, senão, salvo); de designação (eis); de
realce (cá, lá, só, é que); de retificação (aliás, oumelhor, isto é) e de situação (afinal, agora, então, e aí).
Pronomes
Os pronomes são palavras que fazem referência aos nomes, isto é, aos substantivos. Assim, dependendo de sua função no enunciado,
ele pode ser classificado da seguinte maneira:
• Pronomes pessoais: indicam as 3 pessoas do discurso, e podem ser retos (eu, tu, ele...) ou oblíquos (mim, me, te, nos, si...).
• Pronomes possessivos: indicam posse (meu, minha, sua, teu, nossos...)
• Pronomes demonstrativos: indicam localização de seres no tempo ou no espaço. (este, isso, essa, aquela, aquilo...)
• Pronomes interrogativos: auxiliam na formação de questionamentos (qual, quem, onde, quando, que, quantas...)
• Pronomes relativos: retomam o substantivo, substituindo-o na oração seguinte (que, quem, onde, cujo, o qual...)
• Pronomes indefinidos: substituem o substantivo de maneira imprecisa (alguma, nenhum, certa, vários, qualquer...)
• Pronomes de tratamento: empregados, geralmente, em situações formais (senhor, Vossa Majestade, Vossa Excelência, você...)
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Colocação pronominal
Diz respeito ao conjunto de regras que indicam a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, nos, vos, lhe, lhes, o, a, os, as, lo, la,
no, na...) em relação ao verbo, podendo haver próclise (antes do verbo), ênclise (depois do verbo) ou mesóclise (no meio do verbo).
Veja, então, quais as principais situações para cada um deles:
• Próclise: expressões negativas; conjunções subordinativas; advérbios sem vírgula; pronomes indefinidos, relativos ou demonstrati-
vos; frases exclamativas ou que exprimem desejo; verbos no gerúndio antecedidos por “em”.
Nada me faria mais feliz.
• Ênclise: verbo no imperativo afirmativo; verbo no início da frase (não estando no futuro e nem no pretérito); verbo no gerúndio não
acompanhado por “em”; verbo no infinitivo pessoal.
Inscreveu-se no concurso para tentar realizar um sonho.
• Mesóclise: verbo no futuro iniciando uma oração.
Orgulhar-me-ei de meus alunos.
DICA: o pronome não deve aparecer no início de frases ou orações, nem após ponto-e-vírgula.
Verbos
Os verbos podem ser flexionados em três tempos: pretérito (passado), presente e futuro, de maneira que o pretérito e o futuro pos-
suem subdivisões.
Eles também se dividem em três flexões de modo: indicativo (certeza sobre o que é passado), subjuntivo (incerteza sobre o que é
passado) e imperativo (expressar ordem, pedido, comando).
• Tempos simples do modo indicativo: presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do pre-
sente, futuro do pretérito.
• Tempos simples do modo subjuntivo: presente, pretérito imperfeito, futuro.
Os tempos verbais compostos são formados por um verbo auxiliar e um verbo principal, de modo que o verbo auxiliar sofre flexão em
tempo e pessoa, e o verbo principal permanece no particípio. Os verbos auxiliares mais utilizados são “ter” e “haver”.
• Tempos compostos do modo indicativo: pretérito perfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente, futuro do pretérito.
• Tempos compostos do modo subjuntivo: pretérito perfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro.
As formas nominais do verbo são o infinitivo (dar, fazerem, aprender), o particípio (dado, feito, aprendido) e o gerúndio (dando, fa-
zendo, aprendendo). Eles podem ter função de verbo ou função de nome, atuando como substantivo (infinitivo), adjetivo (particípio) ou
advérbio (gerúndio).
Tipos de verbos
Os verbos se classificam de acordo com a sua flexão verbal. Desse modo, os verbos se dividem em:
Regulares: possuem regras fixas para a flexão (cantar, amar, vender, abrir...)
• Irregulares: possuem alterações nos radicais e nas terminações quando conjugados (medir, fazer, poder, haver...)
• Anômalos: possuem diferentes radicais quando conjugados (ser, ir...)
• Defectivos: não são conjugados em todas as pessoas verbais (falir, banir, colorir, adequar...)
• Impessoais: não apresentam sujeitos, sendo conjugados sempre na 3ª pessoa do singular (chover, nevar, escurecer, anoitecer...)
• Unipessoais: apesar de apresentarem sujeitos, são sempre conjugados na 3ª pessoa do singular ou do plural (latir, miar, custar,
acontecer...)
• Abundantes: possuem duas formas no particípio, uma regular e outra irregular (aceitar = aceito, aceitado)
• Pronominais: verbos conjugados com pronomes oblíquos átonos, indicando ação reflexiva (suicidar-se, queixar-se, sentar-se, pente-
ar-se...)
• Auxiliares: usados em tempos compostos ou em locuções verbais (ser, estar, ter, haver, ir...)
• Principais: transmitem totalidade da ação verbal por si próprios (comer, dançar, nascer, morrer, sorrir...)
• De ligação: indicam um estado, ligando uma característica ao sujeito (ser, estar, parecer, ficar, continuar...)
Vozes verbais
As vozes verbais indicam se o sujeito pratica ou recebe a ação, podendo ser três tipos diferentes:
• Voz ativa: sujeito é o agente da ação (Vi o pássaro)
• Voz passiva: sujeito sofre a ação (O pássaro foi visto)
• Voz reflexiva: sujeito pratica e sofre a ação (Vi-me no reflexo do lago)
Ao passar um discurso para a voz passiva, é comum utilizar a partícula apassivadora “se”, fazendo com o que o pronome seja equiva-
lente ao verbo “ser”.
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Conjugação de verbos
Os tempos verbais são primitivos quando não derivam de outros tempos da língua portuguesa. Já os tempos verbais derivados são
aqueles que se originam a partir de verbos primitivos, de modo que suas conjugações seguem o mesmo padrão do verbo de origem.
• 1ª conjugação: verbos terminados em “-ar” (aproveitar, imaginar, jogar...)
• 2ª conjugação: verbos terminados em “-er” (beber, correr, erguer...)
• 3ª conjugação: verbos terminados em “-ir” (dormir, agir, ouvir...)
Confira os exemplos de conjugação apresentados abaixo:
Fonte: www.conjugação.com.br/verbo-lutar
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Fonte: www.conjugação.com.br/verbo-impor
LÍNGUA PORTUGUESA
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Preposições
As preposições são palavras invariáveis que servem para ligar
dois termos da oração numa relação subordinada, e são divididas
entre essenciais (só funcionam como preposição) e acidentais (pa-
lavras de outras classes gramaticais que passam a funcionar como
preposição em determinadas sentenças).
Preposições essenciais: a, ante, após, de, com, em, contra,
para, per, perante, por, até, desde, sobre, sobre, trás, sob, sem, en-
tre.
Preposições acidentais: afora, como, conforme, consoante, du-
rante, exceto, mediante, menos, salvo, segundo, visto etc.
Locuções prepositivas: abaixo de, afim de, além de, à custa de,
defronte a, a par de, perto de, por causa de, em que pese a etc.
Ao conectar os termos das orações, as preposições estabele-
cem uma relação semântica entre eles, podendo passar ideia de:
• Causa: Morreu de câncer.
• Distância: Retorno a 3 quilômetros.
• Finalidade: A filha retornou para o enterro.
• Instrumento: Ele cortou a foto com uma tesoura.
• Modo: Os rebeldes eram colocados em fila.
• Lugar: O vírus veio de Portugal.
• Companhia: Ela saiu com a amiga.
• Posse: O carro de Maria é novo.
• Meio: Viajou de trem.
Combinações e contrações
Algumas preposições podem aparecer combinadas a outras pa-
lavras de duas maneiras: sem haver perda fonética (combinação) e
havendo perda fonética (contração).
• Combinação: ao, aos, aonde
• Contração: de, dum, desta, neste, nisso
Conjunção
As conjunções se subdividem de acordo com a relação estabe-
lecida entre as ideias e as orações. Por ter esse papel importante
de conexão, é uma classe de palavras que merece destaque, pois
reconhecer o sentido de cada conjunção ajuda na compreensão e
interpretação de textos, além de ser um grande diferencial no mo-
mento de redigir um texto.
Elas se dividem em duas opções: conjunções coordenativas e
conjunções subordinativas.
Conjunções coordenativas
As orações coordenadas não apresentam dependência sintáti-
ca entre si, servindo também para ligar termos que têm a mesma
função gramatical. As conjunções coordenativas se subdividem em
cinco grupos:
• Aditivas: e, nem,bem como.
• Adversativas: mas, porém, contudo.
• Alternativas: ou, ora…ora, quer…quer.
• Conclusivas: logo, portanto, assim.
• Explicativas: que, porque, porquanto.
Conjunções subordinativas
As orações subordinadas são aquelas em que há uma relação
de dependência entre a oração principal e a oração subordinada.
Desse modo, a conexão entre elas (bem como o efeito de sentido)
se dá pelo uso da conjunção subordinada adequada.
Elas podem se classificar de dez maneiras diferentes:
• Integrantes: usadas para introduzir as orações subordinadas
substantivas, definidas pelas palavras que e se.
• Causais: porque, que, como.
• Concessivas: embora, ainda que, se bem que.
• Condicionais: e, caso, desde que.
• Conformativas: conforme, segundo, consoante.
• Comparativas: como, tal como, assim como.
• Consecutivas: de forma que, de modo que, de sorte que.
• Finais: a fim de que, para que.
• Proporcionais: à medida que, ao passo que, à proporção que.
• Temporais: quando, enquanto, agora.
A formação de palavras se dá a partir de processos morfológi-
cos, de modo que as palavras se dividem entre:
• Palavras primitivas: são aquelas que não provêm de outra
palavra. Ex: flor; pedra
• Palavras derivadas: são originadas a partir de outras pala-
vras. Ex: floricultura; pedrada
• Palavra simples: são aquelas que possuem apenas um radi-
cal (morfema que contém significado básico da palavra). Ex: cabelo;
azeite
• Palavra composta: são aquelas que possuem dois ou mais
radicais. Ex: guarda-roupa; couve-flor
Entenda como ocorrem os principais processos de formação de
palavras:
Derivação
A formação se dá por derivação quando ocorre a partir de uma
palavra simples ou de um único radical, juntando-se afixos.
• Derivação prefixal: adiciona-se um afixo anteriormente à pa-
lavra ou radical. Ex: antebraço (ante + braço) / infeliz (in + feliz)
• Derivação sufixal: adiciona-se um afixo ao final da palavra ou
radical. Ex: friorento (frio + ento) / guloso (gula + oso)
• Derivação parassintética: adiciona-se um afixo antes e outro
depois da palavra ou radical. Ex: esfriar (es + frio + ar) / desgoverna-
do (des + governar + ado)
• Derivação regressiva (formação deverbal): reduz-se a pala-
vra primitiva. Ex: boteco (botequim) / ataque (verbo “atacar”)
• Derivação imprópria (conversão): ocorre mudança na classe
gramatical, logo, de sentido, da palavra primitiva. Ex: jantar (verbo
para substantivo) / Oliveira (substantivo comum para substantivo
próprio – sobrenomes).
Composição
A formação por composição ocorre quando uma nova palavra
se origina da junção de duas ou mais palavras simples ou radicais.
• Aglutinação: fusão de duas ou mais palavras simples, de
modo que ocorre supressão de fonemas, de modo que os elemen-
tos formadores perdem sua identidade ortográfica e fonológica. Ex:
aguardente (água + ardente) / planalto (plano + alto)
• Justaposição: fusão de duas ou mais palavras simples, man-
tendo a ortografia e a acentuação presente nos elementos forma-
dores. Em sua maioria, aparecem conectadas com hífen. Ex: beija-
-flor / passatempo.
Abreviação
Quando a palavra é reduzida para apenas uma parte de sua
totalidade, passando a existir como uma palavra autônoma. Ex: foto
(fotografia) / PUC (Pontifícia Universidade Católica).
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Hibridismo
Quando há junção de palavras simples ou radicais advindos de
línguas distintas. Ex: sociologia (socio – latim + logia – grego) / binó-
culo (bi – grego + oculus – latim).
Combinação
Quando ocorre junção de partes de outras palavras simples ou
radicais. Ex: portunhol (português + espanhol) / aborrecente (abor-
recer + adolescente).
Intensificação
Quando há a criação de uma nova palavra a partir do alarga-
mento do sufixo de uma palavra existente. Normalmente é feita
adicionando o sufixo -izar. Ex: inicializar (em vez de iniciar) / proto-
colizar (em vez de protocolar).
Neologismo
Quando novas palavras surgem devido à necessidade do falan-
te em contextos específicos, podendo ser temporárias ou perma-
nentes. Existem três tipos principais de neologismos:
• Neologismo semântico: atribui-se novo significado a uma pa-
lavra já existente. Ex: amarelar (desistir) / mico (vergonha)
• Neologismo sintático: ocorre a combinação de elementos já
existentes no léxico da língua. Ex: dar um bolo (não comparecer ao
compromisso) / dar a volta por cima (superar).
• Neologismo lexical: criação de uma nova palavra, que tem
um novo conceito. Ex: deletar (apagar) / escanear (digitalizar)
Onomatopeia
Quando uma palavra é formada a partir da reprodução aproxi-
mada do seu som. Ex: atchim; zum-zum; tique-taque.
Este é um estudo da semântica, que pretende classificar os
sentidos das palavras, as suas relações de sentido entre si. Conheça
as principais relações e suas características:
Sinonímia e antonímia
As palavras sinônimas são aquelas que apresentam significado
semelhante, estabelecendo relação de proximidade. Ex: inteligente
<—> esperto
Já as palavras antônimas são aquelas que apresentam signifi-
cados opostos, estabelecendo uma relação de contrariedade. Ex:
forte <—> fraco
Parônimos e homônimos
As palavras parônimas são aquelas que possuem grafia e pro-
núncia semelhantes, porém com significados distintos.
Ex: cumprimento (saudação) X comprimento (extensão); tráfe-
go (trânsito) X tráfico (comércio ilegal).
As palavras homônimas são aquelas que possuem a mesma
grafia e pronúncia, porém têm significados diferentes. Ex: rio (verbo
“rir”) X rio (curso d’água); manga (blusa) X manga (fruta).
As palavras homófonas são aquelas que possuem a mesma
pronúncia, mas com escrita e significado diferentes. Ex: cem (nu-
meral) X sem (falta); conserto (arrumar) X concerto (musical).
As palavras homógrafas são aquelas que possuem escrita igual,
porém som e significado diferentes. Ex: colher (talher) X colher (ver-
bo); acerto (substantivo) X acerto (verbo).
Polissemia e monossemia
As palavras polissêmicas são aquelas que podem apresentar
mais de um significado, a depender do contexto em que ocorre a
frase. Ex: cabeça (parte do corpo humano; líder de um grupo).
Já as palavras monossêmicas são aquelas apresentam apenas
um significado. Ex: eneágono (polígono de nove ângulos).
Denotação e conotação
Palavras com sentido denotativo são aquelas que apresentam
um sentido objetivo e literal. Ex: Está fazendo frio. / Pé da mulher.
Palavras com sentido conotativo são aquelas que apresentam
um sentido simbólico, figurado. Ex: Você me olha com frieza. / Pé
da cadeira.
Hiperonímia e hiponímia
Esta classificação diz respeito às relações hierárquicas de signi-
ficado entre as palavras.
Desse modo, um hiperônimo é a palavra superior, isto é, que
tem um sentido mais abrangente. Ex: Fruta é hiperônimo de limão.
Já o hipônimo é a palavra que tem o sentido mais restrito, por-
tanto, inferior, de modo que o hiperônimo engloba o hipônimo. Ex:
Limão é hipônimo de fruta.
Formas variantes
São as palavras que permitem mais de uma grafia correta, sem
que ocorra mudança no significado. Ex: loiro – louro / enfarte – in-
farto / gatinhar – engatinhar.
Arcaísmo
São palavras antigas, que perderam o uso frequente ao longo
do tempo, sendo substituídas por outras mais modernas, mas que
ainda podem ser utilizadas. No entanto, ainda podem ser bastante
encontradas em livros antigos, principalmente. Ex: botica <—> far-
mácia / franquia <—> sinceridade.
DERIVAÇÃO E COMPOSIÇÃO.
Na língua portuguesa, o processo de formação de palavras é um
assunto complexo, uma vez que as palavras surgiram de inúmeras
formas, com a grande maioria delas surgindo de um radical.1
Palavras primitivas
São aquelas que não vieram de outros idiomas e que fazem par-
te de tantas outras e servem como base para a formação de outra.2
Exemplo:
-pedra, raiz;
Derivação
Trata-se do processo de criação de palavras em que a palavra
primitiva ganha vários tipos de afixos. Esse processo de derivação
pode ser prefixal, sufixal, parassintético, regressivo e impróprio.
1 https://www.gabarite.com.br/dica-concurso/203-formacao-de-palavras-composi-cao-derivacao-hibridismo-onomatopeia-e-abreviacao.
2 https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica/formacao-das-palavras.htm.
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Exemplo:
-pedreira, enraizada.
-inútil = prefixo in + radical útil.
Derivação prefixal
É quando o afixo vem antes do radical. Faz-se pela anexação de
prefixo à palavra primitiva.
Exemplo:
-desumano, desfazer, refazer.
Derivação sufixal
É quando o afixo vem depois do radical. Faz-se pela anexação de
sufixo à palavra primitiva.
Exemplo:
-pedregulho, raízes, alegremente, carinhoso.
Os sufixos são divididos em nominais, verbais e adverbiais.
Sufixos nominais são os que derivam substantivos e adjetivos;
Sufixos verbais são os que derivam verbos;
Sufixo adverbial é o que deriva advérbio, esse existe apenas um:
-mente
Derivação parassintética
É quando o radical recebe o prefixo e o sufixo ao mesmo tem-
po. Faz-se pela anexação simultânea de prefixo e sufixo à palavra
primitiva.
Exemplo
-apedrejamento, enraizar, desalmado, entristecer.
A derivação parassintética só acontece quando os dois morfe-
mas (prefixo e sufixo) se unem ao radical simultaneamente.
Derivação regressiva
É quando a palavra perde letras. Faz-se pela redução da palavra
primitiva.
Exemplo
-trabalho (de trabalhar), choro (de chorar).
O processo de derivação regressiva produz os substantivos de-
verbais, esses são substantivos derivados a partir de verbos.
Derivação imprópria
É quando a palavra não passa por nenhum tipo de mudança,
exceto em seu contexto em uma frase. Forma-se quando uma pa-
lavra muda de classe gramatical sem que a forma da primitiva seja
alterada.
Exemplos
-Aquele menino é uma BALEIA! (baleia em relação ao peso, que
é grande);
-Só aceito um sim como resposta! ( o sim neste caso vira um
substantivo).
-O infeliz faltou ao serviço hoje. (adjetivo torna-se substantivo).
-Não aceito um não como resposta. (advérbio torna-se substan-
tivo, o artigo um substantiva o advérbio).
Composição
Quando uma palavra é feita de mais de um radical e existem
dois tipos de composição:
Composição por justaposição
Quando não é feita nenhuma mudança nas palavras.
Exemplo:
-guarda-chuva, lança-perfume pé-de-galinha, passatempo, ca-
chorro-quente, girassol.
Composição por aglutinação
Quando pelo menos uma das palavras passa por mudanças.
Exemplo
-planalto = plano + alto, embora= em+boa+hora planalto (plano
+ alto), embora (em + boa + hora).
Hibridismo
Quando uma palavra é formada por dois termos de idiomas di-
ferentes.
Exemplo
-tele (grego) visão (latim), automóvel (auto= grego, móvel= la-
tim).
A ORAÇÃO E SEUS TERMOS. A ESTRUTURAÇÃO DO
PERÍODO
Frase
É todo enunciado capaz de transmitir a outrem tudo aquilo que
pensamos, queremos ou sentimos.
Exemplos
Caía uma chuva.
Dia lindo.
Oração
É a frase que apresenta estrutura sintática (normalmente, su-
jeito e predicado, ou só o predicado).
Exemplos
Ninguém segura este menino. (Ninguém: sujeito; segura este
menino: predicado)
Havia muitos suspeitos. (Oração sem sujeito; havia muitos sus-
peitos: predicado)
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Termos da oração
1. Termos essenciais sujeitopredicado
2. Termos integrantes
complemento verbal
complemento nominal
agente da passiva
objeto direto
objeto indireto
3. Termos acessórios
Adjunto adnominal
adjunto adverbial
aposto
4. Vocativo
Diz-se que sujeito e predicado são termos “essenciais”, mas note que o termo que realmente é o núcleo da oração é o verbo:
Chove. (Não há referência a sujeito.)
Cansei. (O sujeito e eu, implícito na forma verbal.)
Os termos “acessórios” são assim chamados por serem supostamente dispensáveis, o que nem sempre é verdade.
Sujeito e predicado
Sujeito é o termo da oração com o qual, normalmente, o verbo concorda.
Exemplos
A notícia corria rápida como pólvora. (Corria está no singular concordando com a notícia.)
As notícias corriam rápidas como pólvora. (Corriam, no plural, concordando com as notícias.)
O núcleo do sujeito é a palavra principal do sujeito, que encerra a essência de sua significação. Em torno dela, como que gravitam as
demais.
Exemplo: Os teus lírios brancos embelezam os campos. (Lírios é o núcleo do sujeito.)
Podem exercer a função de núcleo do sujeito o substantivo e palavras de natureza substantiva. Veja:
O medo salvou-lhe a vida. (substantivo)
Os medrosos fugiram. (Adjetivo exercendo papel de substantivo: adjetivo substantivado.)
A definição mais adequada para sujeito é: sujeito é o termo da oração com o qual o verbo normalmente concorda.
Sujeito simples: tem um só núcleo.
Exemplo: As flores morreram.
Sujeito composto: tem mais de um núcleo.
Exemplo: O rapaz e a moça foram encostados ao muro.
Sujeito elíptico (ou oculto): não expresso e que pode ser determinado pela desinência verbal ou pelo contexto.
Exemplo: Viajarei amanhã. (sujeito oculto: eu)
Sujeito indeterminado: é aquele que existe, mas não podemos ou não queremos identificá-lo com precisão.
Ocorre:
- quando o verbo está na 3ª pessoa do plural, sem referência a nenhum substantivo anteriormente expresso.
Exemplo: Batem à porta.
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- com verbos intransitivo (VI), transitivo indireto (VTI) ou de li-
gação (VL) acompanhados da partícula SE, chamada de índice de
indeterminação do sujeito (IIS).
Exemplos:
Vive-se bem. (VI)
Precisa-se de pedreiros. (VTI)
Falava-se baixo. (VI)
Era-se feliz naquela época. (VL)
Orações sem sujeito
São orações cujos verbos são impessoais, com sujeito inexis-
tente.
Ocorrem nos seguintes casos:
- com verbos que se referem a fenômenos meteorológicos.
Exemplo: Chovia. Ventava durante a noite.
- haver no sentido de existir ou quando se refere a tempo de-
corrido.
Exemplo: Há duas semanas não o vejo. (= Faz duas semanas)
- fazer referindo-se a fenômenos meteorológicos ou a tempo
decorrido.
Exemplo: Fazia 40° à sombra.
- ser nas indicações de horas, datas e distâncias.
Exempl: São duas horas.
Predicado nominal
O núcleo, em torno do qual as demais palavras do predicado
gravitam e que contém o que de mais importante se comunica a
respeito do sujeito, e um nome (isto é, um substantivo ou adjetivo,
ou palavra de natureza substantiva). O verbo e de ligação (liga o nú-
cleo ao sujeito) e indica estado (ser, estar, continuar, ficar, perma-
necer; também andar, com o sentido de estar; virar, com o sentido
de transformar-se em; e viver, com o sentido de estar sempre).
Exemplo:
Os príncipes viraram sapos muito feios. (verbo de ligação mais
núcleo substantivo: sapos)
Verbos de ligação
São aqueles que, sem possuírem significação precisa, ligam um
sujeito a um predicativo. São verbos de ligação: ser, estar, ficar, pa-
recer, permanecer, continuar, tornar-se etc.
Exemplo: A rua estava calma.
Predicativo do sujeito
É o termo da oração que, no predicado, expressa qualificação
ou classificação do sujeito.
Exemplo: Você será engenheiro.
- O predicativo do sujeito, além de vir com verbos de liga-
ção, pode também ocorrer com verbos intransitivos ou com ver-
bos transitivos.
Predicado verbal
Ocorre quando o núcleo é um verbo. Logo, não apresenta pre-
dicativo. E formado por verbos transitivos ou intransitivos.
Exemplo: A população da vila assistia ao embarque. (Núcleo
do sujeito: população; núcleo do predicado: assistia, verbo transi-
tivo indireto)
Verbos intransitivos
São verbos que não exigem complemento algum; como a ação
verbal não passa, não transita para nenhum complemento, rece-
bem o nome de verbos intransitivos. Podem formar predicado sozi-
nhos ou com adjuntos adverbiais.
Exemplo: Os visitantes retornaram ontem à noite.
Verbos transitivos
São verbos que, ao declarar alguma coisa a respeito do sujei-
to, exigem um complemento para a perfeita compreensão do que
se quer dizer. Tais verbos se denominam transitivos e a pessoa ou
coisa para onde se dirige a atividade transitiva do verbo se denomi-
na objeto. Dividem-se em: diretos, indiretos e diretos e indiretos.
Verbos transitivos diretos: Exigem um objeto direto.
Exemplo: Espero-o no aeroporto.
Verbostransitivos indiretos: Exigem um objeto indireto.
Exemplo: Gosto de flores.
Verbos transitivos diretos e indiretos: Exigem um objeto direto
e um objeto indireto.
Exemplo: Os ministros informaram a nova política econômi-
ca aos trabalhadores. (VTDI)
Complementos verbais
Os complementos verbais são representados pelo objeto direto
(OD) e pelo objeto indireto (OI).
Objeto indireto
É o complemento verbal que se liga ao verbo pela preposição
por ele exigida. Nesse caso o verbo pode ser transitivo indireto ou
transitivo direto e indireto. Normalmente, as preposições que ligam
o objeto indireto ao verbo são a, de, em, com, por, contra, para etc.
Exemplo: Acredito em você.
Objeto direto
Complemento verbal que se liga ao verbo sem preposição obri-
gatória. Nesse caso o verbo pode ser transitivo direto ou transitivo
direto e indireto.
Exemplo: Comunicaram o fato aos leitores.
Objeto direto preposicionado
É aquele que, contrariando sua própria definição e característi-
ca, aparece regido de preposição (geralmente preposição a).
O pai dizia aos filhos que adorava a ambos.
Objeto pleonástico
É a repetição do objeto (direto ou indireto) por meio de um
pronome. Essa repetição assume valor enfático (reforço) da noção
contida no objeto direto ou no objeto indireto.
Exemplos
Ao colega, já lhe perdoei. (objeto indireto pleonástico)
Ao filme, assistimos a ele emocionados. (objeto indireto pleo-
nástico)
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Predicado verbo-nominal
Esse predicado tem dois núcleos (um verbo e um nome), é for-
mado por predicativo com verbo transitivo ou intransitivo.
Exemplos:
A multidão assistia ao jogo emocionada. (predicativo do sujei-
to com verbo transitivo indireto)
A riqueza tornou-o orgulhoso. (predicativo do objeto com ver-
bo transitivo direto)
Predicativo do sujeito
O predicativo do sujeito, além de vir com verbos de ligação,
pode também ocorrer com verbos intransitivos ou transitivos. Nes-
se caso, o predicado é verbo-nominal.
Exemplo: A criança brincava alegre no parque.
Predicativo do objeto
Exprime qualidade, estado ou classificação que se referem ao
objeto (direto ou indireto).
Exemplo de predicativo do objeto direto:
O juiz declarou o réu culpado.
Exemplo de predicativo do objeto indireto:
Gosto de você alegre.
Adjunto adnominal
É o termo acessório que vem junto ao nome (substantivo), res-
tringindo-o, qualificando-o, determinando-o (adjunto: “que vem
junto a”; adnominal: “junto ao nome”). Observe:
Os meus três grandes amigos [amigos: nome substantivo] vie-
ram me fazer uma visita [visita: nome substantivo] agradável on-
tem à noite.
São adjuntos adnominais os (artigo definido), meus (pronome
possessivo adjetivo), três (numeral), grandes (adjetivo), que estão
gravitando em torno do núcleo do sujeito, o substantivo amigos;
o mesmo acontece com uma (artigo indefinido) e agradável (adje-
tivo), que determinam e qualificam o núcleo do objeto direto, o
substantivo visita.
O adjunto adnominal prende-se diretamente ao substantivo,
ao passo que o predicativo se refere ao substantivo por meio de
um verbo.
Complemento nominal
É o termo que completa o sentido de substantivos, adjetivos e
advérbios porque estes não têm sentido completo.
- Objeto – recebe a atividade transitiva de um verbo.
- Complemento nominal – recebe a atividade transitiva de um
nome.
O complemento nominal é sempre ligado ao nome por prepo-
sição, tal como o objeto indireto.
Exemplo: Tenho necessidade de dinheiro.
Adjunto adverbial
É o termo da oração que modifica o verbo ou um adjetivo ou
o próprio advérbio, expressando uma circunstância: lugar, tempo,
fim, meio, modo, companhia, exclusão, inclusão, negação, afirma-
ção, duvida, concessão, condição etc.
Período
Enunciado formado de uma ou mais orações, finalizado por:
ponto final ( . ), reticencias (...), ponto de exclamação (!) ou ponto
de interrogação (?). De acordo com o número de orações, classifi-
ca-se em:
Apresenta apenas uma oração que é chamada absoluta.
O período é simples quando só traz uma oração, chamada
absoluta; o período é composto quando traz mais de uma oração.
Exemplo: Comeu toda a refeição. (Período simples, oração absolu-
ta.); Quero que você leia. (Período composto.)
Uma maneira fácil de saber quantas orações há num período
é contar os verbos ou locuções verbais. Num período haverá tan-
tas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais nele
existentes.
Há três tipos de período composto: por coordenação, por su-
bordinação e por coordenação e subordinação ao mesmo tempo
(também chamada de misto).
Período Composto por Coordenação
As três orações que formam esse período têm sentido próprio
e não mantêm entre si nenhuma dependência sintática: são inde-
pendentes. Há entre elas uma relação de sentido, mas uma não de-
pende da outra sintaticamente.
As orações independentes de um período são chamadas de
orações coordenadas (OC), e o período formado só de orações co-
ordenadas é chamado de período composto por coordenação.
As orações coordenadas podem ser assindéticas e sindéticas.
As orações são coordenadas assindéticas (OCA) quando não
vêm introduzidas por conjunção. Exemplo:
Os jogadores correram, / chutaram, / driblaram.
OCA OCA OCA
- As orações são coordenadas sindéticas (OCS) quando vêm in-
troduzidas por conjunção coordenativa. Exemplo:
A mulher saiu do prédio / e entrou no táxi.
OCA OCS
As orações coordenadas sindéticas se classificam de acordo
com o sentido expresso pelas conjunções coordenativas que as in-
troduzem. Pode ser:
- Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só...
mas também, não só... mas ainda.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa
ideia de acréscimo ou adição com referência à oração anterior, ou
seja, por uma conjunção coordenativa aditiva.
- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém,
todavia, contudo, entretanto, no entanto.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa
ideia de oposição à oração anterior, ou seja, por uma conjunção
coordenativa adversativa.
- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por
isso, pois, logo.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expres-
sa ideia de conclusão de um fato enunciado na oração anterior, ou
seja, por uma conjunção coordenativa conclusiva.
LÍNGUA PORTUGUESA
20
- Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou, ou... ou,
ora... ora, seja... seja, quer... quer.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que estabele-
ce uma relação de alternância ou escolha com referência à oração
anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa alternativa.
- Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque,
pois, porquanto.
A 2ª oração é introduzida por uma conjunção que expressa
ideia de explicação, de justificativa em relação à oração anterior, ou
seja, por uma conjunção coordenativa explicativa.
Período Composto por Subordinação
Nesse período, a segunda oração exerce uma função sintática
em relação à primeira, sendo subordinada a ela. Quando um perío-
do é formado de pelo menos um conjunto de duas orações em que
uma delas (a subordinada) depende sintaticamente da outra (prin-
cipal), ele é classificado como período composto por subordinação.
As orações subordinadas são classificadas de acordo com a função
que exercem.
Orações Subordinadas Adverbiais
Exercem a função de adjunto adverbial da oração principal
(OP). São classificadas de acordo com a conjunção subordinativa
que as introduz:
- Causais: Expressam a causa do fato enunciado na oração prin-
cipal. Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que, visto
que.
- Condicionais: Expressam hipóteses ou condição para a ocor-
rência do que foi enunciado na principal. Conjunções: se, contanto
que, a menos que, a não ser que, desde que.
- Concessivas: Expressam ideia ou fato contrário ao da oração
principal, sem, no entanto, impedir sua realização.Conjunções: em-
bora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo que.
- Conformativas: Expressam a conformidade de um fato com
outro. Conjunções: conforme, como (=conforme), segundo.
- Temporais: Acrescentam uma circunstância de tempo ao que
foi expresso na oração principal. Conjunções: quando, assim que,
logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que).
- Finais: Expressam a finalidade ou o objetivo do que foi enun-
ciado na oração principal. Conjunções: para que, a fim de que, por-
que (=para que), que.
- Consecutivas: Expressam a consequência do que foi enuncia-
do na oração principal. Conjunções: porque, que, como (= porque),
pois que, visto que.
- Comparativas: Expressam ideia de comparação com referência
à oração principal. Conjunções: como, assim como, tal como, (tão)...
como, tanto como, tal qual, que (combinado com menos ou mais).
- Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona pro-
porcionalmente ao que foi enunciado na principal. Conjunções: à
medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto
menos.
Orações Subordinadas Substantivas
São aquelas que, num período, exercem funções sintáticas pró-
prias de substantivos, geralmente são introduzidas pelas conjun-
ções integrantes que e se.
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: É aquela
que exerce a função de objeto direto do verbo da oração principal.
Observe: O filho quer a sua ajuda. (objeto direto)
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: É aquela
que exerce a função de objeto indireto do verbo da oração princi-
pal. Observe: Preciso de sua ajuda. (objeto indireto)
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: É aquela que
exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. Observe: É
importante sua ajuda. (sujeito)
- Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: É
aquela que exerce a função de complemento nominal de um ter-
mo da oração principal. Observe: Estamos certos de sua inocência.
(complemento nominal)
- Oração Subordinada Substantiva Predicativa: É aquela que
exerce a função de predicativo do sujeito da oração principal, vindo
sempre depois do verbo ser. Observe: O principal é sua felicidade.
(predicativo)
- Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela que
exerce a função de aposto de um termo da oração principal. Obser-
ve: Ela tinha um objetivo: a felicidade de todos. (aposto)
Orações Subordinadas Adjetivas
Exercem a função de adjunto adnominal de algum termo da
oração principal.
As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por
um pronome relativo (que, qual, cujo, quem, etc.) e são classifica-
das em:
- Subordinadas Adjetivas Restritivas: São restritivas quando
restringem ou especificam o sentido da palavra a que se referem.
- Subordinadas Adjetivas Explicativas: São explicativas quan-
do apenas acrescentam uma qualidade à palavra a que se referem,
esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi-lo ou
especificá-lo.
Orações Reduzidas
São caracterizadas por possuírem o verbo nas formas de gerún-
dio, particípio ou infinitivo. Ao contrário das demais orações subor-
dinadas, as orações reduzidas não são ligadas através dos conecti-
vos. Há três tipos de orações reduzidas:
- Orações reduzidas de infinitivo:
Infinitivo: terminações –ar, -er, -ir.
Reduzida: Meu desejo era ganhar na loteria.
Desenvolvida: Meu desejo era que eu ganhasse na loteria.
(Oração Subordinada Substantiva Predicativa)
- Orações Reduzidas de Particípio:
Particípio: terminações –ado, -ido.
Reduzida: A mulher sequestrada foi resgatada.
Desenvolvida: A mulher que sequestraram foi resgatada. (Ora-
ção Subordinada Adjetiva Restritiva)
- Orações Reduzidas de Gerúndio:
Gerúndio: terminação –ndo.
Reduzida: Respeitando as regras, não terão problemas.
Desenvolvida: Desde que respeitem as regras, não terão pro-
blemas. (Oração Subordinada Adverbial Condicional)
LÍNGUA PORTUGUESA
21
AS CLASSES DE PALAVRAS: ASPECTOS MORFOLÓGICOS,
SINTÁTICOS E ESTILÍSTICOS
Prezado Candidato, o tema supracitado, já foi abordado nos tópi-
cos anteriores
LINGUAGEM FIGURADA.
Também chamadas de Figuras de Estilo. É possível classificá-las
em quatro tipos:
– Figuras de Palavras (ou semânticas);
– Figuras Sonoras;
– Figuras de Construção (ou de sintaxe);
– Figuras de Pensamento.
— Figuras de Palavras
3São as que dependem do uso de determinada palavra com sen-
tido novo ou com sentido incomum. Vejamos:
Metáfora
É um tipo de comparação (mental) sem uso de conectivos com-
parativos, com utilização de verbo de ligação explícito na frase. Con-
siste em usar uma palavra referente a algo no lugar da característica
propriamente dita, depreendendo uma relação de semelhança que
pode ser compreendida por conta da flexibilidade da linguagem.
Ex.: “Sua boca era um pássaro escarlate.” (Castro Alves)
Catacrese
Consiste em transferir a uma palavra o sentido próprio de ou-
tra, fazendo uso de formas já incorporadas aos usos da língua. Se
a metáfora surpreende pela originalidade da associação de ideias,
o mesmo não ocorre com a catacrese, que já não chama a atenção
por ser tão repetidamente usada. Toma-se emprestado um termo já
existente e o “emprestamos” para outra coisa.
Ex.: Batata da perna; Pé da mesa; Cabeça de alho; Asa da xícara.
Comparação ou Símile
É a comparação entre dois elementos comuns, semelhantes, de
forma mais explícita. Como assim? Normalmente se emprega uma
conjunção comparativa: como, tal qual, assim como, que nem.
Ex.: “Como um anjo caído, fiz questão de esquecer...” (Legião
Urbana)
Sinestesia
É a fusão de no mínimo dois dos cinco sentidos físicos, sendo
bastante utilizada na arte, principalmente em músicas e poesias.
Ex.: “De amargo e então salgado ficou doce, - Paladar
Assim que teu cheiro forte e lento - Olfato
Fez casa nos meus braços e ainda leve - Tato
E forte e cego e tenso fez saber - Visão
Que ainda era muito e muito pouco.” (Legião Urbana)
3 https://bit.ly/37nLTfx
Antonomásia
Quando substituímos um nome próprio pela qualidade ou ca-
racterística que o distingue. Pode ser utilizada para eliminar repe-
tições e tornar o texto mais rico, devendo apresentar termos que
sejam conhecidos pelo público, para não prejudicar a compreensão.
Ex.: O Águia de Haia (= Rui Barbosa)
O Pai da Aviação (= Santos Dumont)
Epíteto
Significa “posto ao lado”, “acrescentado”. É um termo que de-
signa “apelido” ou “alcunha”, isto é, expressões ou palavras que são
acrescentados a um nome. Epíteto vem do Grego EPÍTHETON, “algo
adicionado, apelido”, de EPI-, “sobre”, e TITHENAI, “colocar”.
Aparece logo após o nome da pessoa, de personagens literários,
da história de militares, de reis e de muitos outros.
Ex.: Nelson Rodrigues: o “Anjo Pornográfico”, por sua obra de
cunho bastante sexual.
Augusto Dos Anjos: o “Poeta da Morte”, já que seu principal
tema era a morte.
Metonímia
Troca-se uma palavra por outra com a qual ela se relaciona.
Ocorre quando um único nome é citado para representar um todo
referente a ele.
A metonímia ocorre quando substituímos:
– O autor ou criador pela obra. Ex.: Gosto de ler Jorge Amado
(observe que o nome do autor está sendo usado no lugar de suas
obras).
– O efeito pela causa e vice-versa. Ex.: Ganho a vida com o suor
do meu rosto. (o suor é o efeito ou resultado e está sendo usado no
lugar da causa, ou seja, o “trabalho”).
– O continente pelo conteúdo. Ex.: Ela comeu uma caixa de do-
ces. (= doces).
– O abstrato pelo concreto e vice-versa. Ex.: A velhice deve ser
respeitada. (= pessoas velhas).
– O instrumento pela pessoa que o utiliza. Ex.: Ele é bom no
volante. (= piloto ou motorista).
– O lugar pelo produto. Ex.: Gosto muito de tomar um Porto. (=
o vinho da cidade do Porto).
– O símbolo ou sinal pela coisa significada. Ex.: Os revolucioná-
rios queriam o trono. (= império, o poder).
– A parte pelo todo. Ex.: Não há teto para os necessitados. (=
a casa).
– O indivíduo pela classe ou espécie. Exemplo: Ele foi o judas
do grupo. (= espécie dos homenstraidores).
– O singular pelo plural. Ex.: O homem é um animal racional.
(o singular homem está sendo usado no lugar do plural homens).
– O gênero ou a qualidade pela espécie. Ex.: Nós mortais, so-
mos imperfeitos. (= seres humanos).
– A matéria pelo objeto. Ex.: Ele não tem um níquel. (= moeda).
Observação: os últimos 5 casos recebem também o nome de
Sinédoque.
Sinédoque
Significa a troca que ocorre por relação de compreensão e que
consiste no uso do todo, pela parte do plural pelo singular, do gêne-
ro pela espécie, ou vice-versa.
Ex.: O mundo é violento. (= os homens)
LÍNGUA PORTUGUESA
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Perífrase
Trata-se da substituição de um nome por uma expressão por
alguma característica marcante ou por algum fato que o tenha tor-
nado célebre.
Ex.: O país do futebol acredita no seu povo. (país do futebol =
Brasil)
Analogia
Trata-se de uma espécie de comparação, contudo, neste caso,
realizada por meio de uma correspondência entre duas entidades
diferentes.
Na escrita, pode ocorrer a analogia quando o autor pretender
estabelecer uma aproximação equivalente entre elementos através
do sentido figurado e dos conectivos de comparação.
Ex.: A árvore é um ser vivo. Tem metabolismo e reproduz-se.
O ser humano também. Nisto são semelhantes. Ora se são seme-
lhantes nestas coisas e a árvore cresce podemos concluir que o ser
humano também cresce.
Hipérbole
É a figura do exagero, a fim de proporcionar uma imagem cho-
cante ou emocionante. É a exaltação de uma ideia, visando causar
maior impacto.
Ex.: “Rios te correrão dos olhos, se chorares!” (Olavo Bilac)
“Estou morta de fome”.
Eufemismo
Figura que atenua, que dá um tom mais leve a uma expressão.
Ex.: “E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague.” (Chico Buarque)
Paz derradeira = morte
“Aquele homem de índole duvidosa apropriou-se (ladrão) inde-
vidamente dos meus pertences.” (roubou)
Disfemismo
Expressão grosseira em lugar de outra, que poderia ser mais su-
ave, branda.
Ex.: “Você não passa de um porco ... um pobretão.”
Pleonasmo
Repetição da ideia, ou seja, redundância semântica e sintática,
divide-se em:
– Gramatical: com objetos direto ou indireto redundantes, cha-
mam-nos pleonásticos.
Ex.: “Perdoo-te a ti, meu amor.”
“O carro velho, eu o vendi ontem.”
– Vicioso: deve ser evitado por não acrescentar informação
nova ao que já havia sido dito anteriormente.
Ex.: subir para cima; descer para baixo; repetir de novo; hemor-
ragia sanguínea; protagonista principal; monopólio exclusivo.
Anáfora
É a repetição intencional de palavras, no início de um período,
frase ou verso.
Ex.: “Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.”
(Gilberto Gil)
Ambiguidade ou Anfibologia
Esta é uma figura de linguagem bastante utilizada no meio artís-
tico, de forma poética e literária. Entretanto, em textos técnicos e
redações, ela é considerada um vício (e precisa ser evitada). Ocorre
quando uma frase fica com duplo sentido, dificultando sua inter-
pretação.
Ex.: A mãe avisou à filha que estava terminando o serviço.
(Quem terminava o serviço: a mãe ou a filha?)
Alegoria
Utilizada de maneira retórica, com o objetivo de ampliar o signi-
ficado de uma palavra (ou oração). A alegoria ajuda a transmitir um
(ou mais) sentidos do texto, além do literal.
Ex.: “Vivemos em uma constante montanha russa: estamos em
alta velocidade e os altos e baixos se revezam de maneira vertigino-
sa, sem que possamos pensar direito.” (Aqui, o enunciador propõe
equalizarmos o cotidiano a uma “montanha russa” e, na sequência,
cria relações contínuas entre os dias e os movimentos propiciados
pelo mecanismo de brinquedo.)
Simbologia
É o uso de simbologias para indicar algo.
Ex.: “A pomba branca simboliza a paz.”
Figuras de Harmonia
São as que reproduzem os efeitos de repetição de sons, ou ain-
da quando se busca representa-los. São elas:
Aliteração
Repetição consonantal fonética (som da letra) geralmente no
início da palavra. Dá ritmo e também pode criar trava-línguas.
Ex.: “O rato roeu a roupa do rei de Roma”;
“Quem com ferro fere, com ferro será ferido”.
Assonância
Repetição da vogal tônica ou de sílabas com as mesmas conso-
antes e vogais distintas.
Ex.: “É a moda / da menina muda / da menina trombuda / que
muda de modos / e dá medo” (Moda da Menina Trombuda - Cecília
Meireles)
Paronomásia
É o uso de palavras iguais ou com sons semelhantes, porém que
possuem sentidos distintos.
Ex.: “Berro pelo aterro pelo desterro
Berro por seu berro pelo seu erro” (Caetano Veloso)
“Quem casa, quer casa”.
Cacofonia
Trata-se da junção de duas palavras (as últimas sílabas de uma
+ as sílabas iniciais da outra), que podem tornar o som diferente e
criar um novo significado. A cacofonia é notada ao falar, com o som
fazendo parecer algo diferente daquilo que realmente foi dito.
Ex.: A boca dela. (cadela)
A prova valia 10 pontos, um por cada acerto. (porcada)
LÍNGUA PORTUGUESA
23
Onomatopeia
Este é um recurso empregado com a intenção de reproduzir um
barulho, som ou ruído. É muito usada em histórias em quadrinhos
e na literatura. No exemplo a seguir, o “tic-tac” reproduz o som de
um relógio.
Ex: “Passa, tempo, tic-tac / Tic-tac, passa, hora / Chega logo,
tic-tac / Tic-tac, e vai-te embora” (O Relógio - Vinícius de Moraes)
Figuras de Construção
Dizem respeito aos desvios de padrão de concordância quer
quanto à ordem, omissões ou excessos. Dão maior fluidez ao texto.
Dividem-se em:
Assíndeto
Ocorre por falta ou supressão de conectivos. Geralmente, é
substituído por vírgula.
Ex.: “Saí, bebi, enfim, vivi.” (Nel de Moraes)
“Meu filho não quer trabalhar, estudar, ser autônomo, ser in-
dependente”.
Polissíndeto
Repetição enfática de conectivos que ligam termos da oração
ou períodos. Na maioria das vezes, as conjunções coordenativas são
repetidas.
Ex.: “E saber, e crescer, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror.”
(Vinícius de Morais)
Elipse
É a omissão de um termo que não prejudica ou altera o sentido
da frase.
Ex.: “Queria ser um pássaro dentro da noite.” (omissão de “Eu”)
“Quero mais respeito.” (omissão de “Eu” e “receber”)
Zeugma
Elipse especial que consiste na supressão de um termo já ex-
presso, anteriormente, no contexto.
Ex.: “Nós nos desejamos e não nos possuímos.” (supressão de
“nós”)
“Eu prefiro literatura, ele, linguística” (supressão de “prefere”)
Anacoluto
É uma alteração na estrutura da frase, que é interrompida por
algum elemento inserido de maneira “solta”. Há estudiosos que de-
fendem que o anacoluto é um erro gramatical. O anacoluto é pare-
cido com o pleonasmo, ou melhor, na tentativa de um pleonasmo
sintático, muitas vezes, acaba-se por criar a ruptura.
Ex.: “Os meus vizinhos, não confio mais neles.” - a função sintá-
tica de “os meus vizinhos” é nula; entretanto, se houvesse preposi-
ção (“Nos meus vizinhos, não confio mais neles”), o termo seria ob-
jeto indireto, enquanto “neles” seria o objeto indireto pleonástico.
Anástrofe
Inversão sintática leve.
Ex.: “Tão leve estou que já nem sombra tenho.” (ordem inversa)
(Mário Quintana)
“Estou tão leve que já não tenho sombra.” (ordem direta)
Hipálage
Inversão de um adjetivo (uma qualidade que pertence a um é
atribuída a outro substantivo).
Ex.: “A mulher degustava lânguida cigarrilha.”
Lânguida = sensual, portanto lânguida é a mulher, e não a cigar-
rilha como faz supor.
“Em cada olho um grito castanho de ódio.” (Dalton Trevisan)
Castanhos são os olhos, e não o grito.
Hipérbato ou Inversão
É a inversão da ordem direta da frase (sujeito-verbo-objeto-
-complementos).
Ex.: “Enquanto manda as ninfas amorosas grinaldas nas cabeças
pôr de rosas.” (Camões)
“Enquanto manda as ninfas amorosas pôr grinaldas de rosas na
cabeça.”
Sínquise
Há uma inversão violenta de distantes partes da oração. É um
hipérbato “hiperbólico”.
Ex.: “...entre vinhedo e sebe
corre uma linfa e ele no seu de faia
de ao pé do Alfeu Tarro escultado bebe.” (Alberto de Oliveira)“Uma linfa corre entre vinhedo e sebe, e ele bebe no seu Tarro
escultado, de faia, ao pé do Alfeu.”
Silepse
Ocorre quando há concordância com uma ideia, e não com uma
palavra — isto é, é feita com um elemento implícito. Pode aconte-
cer nos seguintes âmbitos: de gênero, de número e de pessoa.
Ex.: “O casal se atrasou, estavam se arrumando”
Neste exemplo, há uma silepse de número. Num primeiro mo-
mento, a frase aparenta estar errada — uma vez que o verbo “es-
tar” deveria aparecer no singular, para concordar com “casal” —,
porém não se preocupe, essa construção é permitida.
– De Gênero: masculino e feminino não concordam.
Ex.: “A vítima era lindo e o carrasco estava temerosa quanto à
reação da população.”
Perceba que vítima e carrasco não receberam de seus adjetivos
lindo e temerosa a ‘atenção’ devida, por quê? Isso se deve à ideia
de que os substantivos sobrecomuns designam ambos os sexos, e
não ambos os gêneros, portanto, por questões estilísticas, o autor
do texto preferiu a ideia à regra gramatical rígida que impõe que
adjetivos concordem em gênero com o substantivo, não em sexo.
– De Pessoa: sujeito e verbo não concordam entre si.
Ex.: “A gente não sabemos escolher presidente.”
“A gente não sabemos tomar conta da gente.” (Ultraje a Rigor)
Nos casos de silepse de pessoa há, por parte do autor, uma cla-
ra intromissão, característica do discurso indireto livre, quando, ao
informar, o emissor se coloca como parte da ação.
— Figuras de Pensamento
São recursos de linguagem que se referem ao aspecto semânti-
co, ou seja, ao significado dentro de um contexto.
Antítese
É a aproximação de palavras de sentidos contrários, antagôni-
cos.
LÍNGUA PORTUGUESA
24
Ex.: “Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde, queres um lar, Revolução
E onde queres bandido, sou herói.”
(Caetano Veloso)
Paradoxo ou Oximoro
É mais que a aproximação antitética; é a própria ideia que se
contradiz.
Ex.: “O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa)
“Mas tão certo quanto o erro de seu barco a motor é insistir em
usar remos.” (Legião Urbana)
Apóstrofe
É a evocação, o chamamento. Identifica-se facilmente na função
sintática do vocativo.
Ex.: “Minha Nossa Senhora!” (usada quando alguém se espanta
com algo)
Quiasmo
Cruzamento de palavras que se repetem. Muito utilizado sado
para enfatizar algum feito.
Ex.: “Tinha uma pedra no meio do meu caminho. / No meio do
meu caminho tinha uma pedra.” (C. D. Andrade)
Gradação ou Clímax
É uma sequência de palavras ou ideias que servem de intensifi-
cação numa sequência temporal. O clímax é obtido com a gradação
ascendente, já o anticlímax, é a organização de forma contrária.
Ex.: “Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião, uns cingidos
de luz, outros ensanguentados.” (Ocidentais - Machado de Assis)
Ironia
Consiste em dizer o oposto do que se pensa, com intenção sar-
cástica ou depreciativa.
Ex.: “A excelente Dona lnácia era mestra na arte de judiar de
criança.” (Monteiro Lobato)
“Dona Clotilde, o arcanjo do seu filho, quebrou minhas vidra-
ças.”
Personificação ou Prosopopeia
É a atribuição de características humanas e qualidades a objetos
inanimados e irracionais.
Ex.: “O vento beija meus cabelos
As ondas lambem minhas pernas
O sol abraça o meu corpo.” (Lulu Santos - Nelson Motta)
Reificação
Consiste em “coisificar” os seres humanos.
Ex.: “Tia, já botei os candidatos na lista.”
“Fiquei plantada duas horas no consultório médico.”
Lítotes
Consiste em negar por afirmação ou vice-versa.
Ex.: “Ela até que não é feia.” (logo, é bonita)
“Você está exagerando. Não subestime a sua inteligência.” (por-
que ela é inteligente)
Alusão
Este é um recurso usado para fazer referência ou citação, rela-
cionando uma ideia a outra — podendo ocorrer de maneira explí-
cita ou não. Ao realizar referência a um acontecimento, pessoas,
personagens ou outros trabalhos, a alusão ajuda na compreensão
da ideia que se deseja passar.
Ex.: “Eles estavam apaixonados como Romeu e Julieta.”
Neste exemplo, a intenção é explicar a grande paixão que uma
pessoa sente pela outra.
PONTUAÇÃO.
Para a elaboração de um texto escrito, deve-se considerar o uso
adequado dos sinais de pontuação como: pontos, vírgula, ponto e
vírgula, dois pontos, travessão, parênteses, reticências, aspas, etc.
Tais sinais têm papéis variados no texto escrito e, se utilizados
corretamente, facilitam a compreensão e entendimento do texto.
— A Importância da Pontuação
4As palavras e orações são organizadas de maneira sintática, se-
mântica e também melódica e rítmica. Sem o ritmo e a melodia, os
enunciados ficariam confusos e a função comunicativa seria preju-
dicada.
O uso correto dos sinais de pontuação garante à escrita uma
solidariedade sintática e semântica. O uso inadequado dos sinais de
pontuação pode causar situações desastrosas, como em:
– Não podem atirar! (entende-se que atirar está proibido)
– Não, podem atirar! (entende-se que é permitido atirar)
— Ponto
Este ponto simples final (.) encerra períodos que terminem por
qualquer tipo de oração que não seja interrogativa direta, a excla-
mativa e as reticências.
Outra função do ponto é a da pausa oracional, ao acompanhar
muitas palavras abreviadas, como: p., 2.ª, entre outros.
Se o período, oração ou frase terminar com uma abreviatura,
o ponto final não é colocado após o ponto abreviativo, já que este,
quando coincide com aquele, apresenta dupla serventia.
Ex.: “O ponto abreviativo põe-se depois das palavras indicadas
abreviadamente por suas iniciais ou por algumas das letras com que
se representam, v.g. ; V. S.ª ; Il.mo ; Ex.a ; etc.” (Dr. Ernesto Carneiro
Ribeiro)
O ponto, com frequência, se aproxima das funções do ponto e
vírgula e do travessão, que às vezes surgem em seu lugar.
Obs.: Estilisticamente, pode-se usar o ponto para, em períodos
curtos, empregar dinamicidade, velocidade à leitura do texto: “Era
um garoto pobre. Mas tinha vontade de crescer na vida. Estudou.
Subiu. Foi subindo mais. Hoje é juiz do Supremo.”. É muito utilizado
em narrações em geral.
— Ponto Parágrafo
Separa-se por ponto um grupo de período formado por orações
que se prendem pelo mesmo centro de interesse. Uma vez que o
centro de interesse é trocado, é imposto o emprego do ponto pa-
rágrafo se iniciando a escrever com a mesma distância da margem
com que o texto foi iniciado, mas em outra linha.
4 BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa. 37ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
2009.
LÍNGUA PORTUGUESA
25
O parágrafo é indicado por ( § ) na linguagem oficial dos artigos
de lei.
— Ponto de Interrogação
É um sinal (?) colocado no final da oração com entonação inter-
rogativa ou de incerteza, seja real ou fingida.
A interrogação conclusa aparece no final do enunciado e requer
que a palavra seguinte se inicie por maiúscula. Já a interrogação
interna (quase sempre fictícia), não requer que a próxima palavra
se inicia com maiúscula.
Ex.: — Você acha que a gramática da Língua Portuguesa é com-
plicada?
— Meu padrinho? É o Excelentíssimo Senhor coronel Paulo Vaz
Lobo Cesar de Andrade e Sousa Rodrigues de Matos.
Assim como outros sinais, o ponto de interrogação não requer
que a oração termine por ponto final, a não ser que seja interna.
Ex.: “Esqueceu alguma cousa? perguntou Marcela de pé, no pa-
tamar”.
Em diálogos, o ponto de interrogação pode aparecer acompa-
nhando do ponto de exclamação, indicando o estado de dúvida de
um personagem perante diante de um fato.
Ex.: — “Esteve cá o homem da casa e disse que do próximo mês
em diante são mais cinquenta...
— ?!...”
— Ponto de Exclamação
Este sinal (!) é colocado no final da oração enunciada com ento-
nação exclamativa.
Ex.: “Que gentil que estava a espanhola!”
“Mas, na morte, que diferença! Que liberdade!”
Este sinal é colocado após uma interjeição.
Ex.: — Olé! exclamei.
— Ah! brejeiro!
As mesmas observações vistas no ponto de interrogação, em re-
lação ao emprego do ponto final e ao uso de maiúscula ou minúscu-la inicial da palavra seguinte, são aplicadas ao ponto de exclamação.
— Reticências
As reticências (...) demonstram interrupção ou incompletude de
um pensamento.
Ex.: — “Ao proferir estas palavras havia um tremor de alegria
na voz de Marcela: e no rosto como que se lhe espraiou uma onda
de ventura...”
— “Não imagina o que ela é lá em casa: fala na senhora a todos
os instantes, e aqui aparece uma pamonha. Ainda ontem...
Quando colocadas no fim do enunciado, as reticências dispen-
sam o ponto final, como você pode observar nos exemplos acima.
As reticências, quando indicarem uma enumeração inconclusa,
podem ser substituídas por etc.
Ao transcrever um diálogo, elas indicam uma não resposta do
interlocutor. Já em citações, elas podem ser postas no início, no
meio ou no fim, indicando supressão do texto transcrito, em cada
uma dessas partes.
Quando ocorre a supressão de um trecho de certa extensão,
geralmente utiliza-se uma linha pontilhada.
As reticências podem aparecer após um ponto de exclamação
ou interrogação.
— Vírgula
A vírgula (,) é utilizada:
- Para separar termos coordenados, mesmo quando ligados por
conjunção (caso haja pausa).
Ex.: “Sim, eu era esse garção bonito, airoso, abastado”.
IMPORTANTE!
Quando há uma série de sujeitos seguidos imediatamente de
verbo, não se separa do verbo (por vírgula) o ultimo sujeito da série
.
Ex.: Carlos Gomes, Vítor Meireles, Pedro Américo, José de Alen-
car tinham-nas começado.
- Para separar orações coordenadas aditivas, mesmo que estas
se iniciem pela conjunção e, proferidas com pausa.
Ex.: “Gostava muito das nossas antigas dobras de ouro, e eu le-
vava-lhe quanta podia obter”.
- Para separar orações coordenadas alternativas (ou, quer, etc.),
quando forem proferidas com pausa.
Ex.: Ele sairá daqui logo, ou eu me desligarei do grupo.
IMPORTANTE!
Quando ou exprimir retificação, esta mesma regra vigora.
Ex.: Teve duas fases a nossa paixão, ou ligação, ou qualquer ou-
tro nome, que eu de nome não curo.
Caso denote equivalência, o ou posto entre os dois termos não
é separado por vírgula.
Ex.: Solteiro ou solitário se prende ao mesmo termo latino.
- Em aposições, a não ser no especificativo.
Ex.: “ora enfim de uma casa que ele meditava construir, para
residência própria, casa de feitio moderno...”
- Para separar os pleonasmos e as repetições, quando não tive-
rem efeito superlativamente.
Ex.: “Nunca, nunca, meu amor!”
A casa é linda, linda.
- Para intercalar ou separar vocativos e apostos.
Ex.: Brasileiros, é chegada a hora de buscar o entendimento.
É aqui, nesta querida escola, que nos encontramos.
- Para separar orações adjetivas de valor explicativo.
Ex.: “perguntava a mim mesmo por que não seria melhor depu-
tado e melhor marquês do que o lobo Neves, — eu, que valia mais,
muito mais do que ele, — ...”
- Para separar, na maioria das vezes, orações adjetivas restritiva
de certa extensão, ainda mais quando os verbos de duas orações
distintas se juntam.
Ex.: “No meio da confusão que produzira por toda a parte este
acontecimento inesperado e cujo motivo e circunstâncias inteira-
mente se ignoravam, ninguém reparou nos dois cavaleiros...”
LÍNGUA PORTUGUESA
26
IMPORTANTE!
Mesmo separando por vírgula o sujeito expandido pela oração
adjetiva, esta pontuação pode acontecer.
Ex.: Os que falam em matérias que não entendem, parecem fa-
zer gala da sua própria ignorância.
- Para separar orações intercaladas.
Ex.: “Não lhe posso dizer com certeza, respondi eu”
- Para separar, geralmente, adjuntos adverbiais que precedem
o verbo e as orações adverbiais que aparecem antes ou no meio da
sua principal.
Ex.: “Eu mesmo, até então, tinha-vos em má conta...”
- Para separar o nome do lugar em datas.
Ex.: São Paulo, 14 de janeiro de 2020.
- Para separar os partículas e expressões de correção, continua-
ção, explicação, concessão e conclusão.
Ex.: “e, não obstante, havia certa lógica, certa dedução”
Sairá amanhã, aliás, depois de amanhã.
- Para separar advérbios e conjunções adversativos (porém, to-
davia, contudo, entretanto), principalmente quando pospostos.
Ex.: “A proposta, porém, desdizia tanto das minhas sensações
últimas...”
- Algumas vezes, para indicar a elipse do verbo.
Ex.: Ele sai agora: eu, logo mais. (omitiu o verbo “sairei” após
“eu”; elipse do verbo sair)
- Omissão por zeugma.
Ex.: Na classe, alguns alunos são interessados; outros, (são) re-
lapsos. (Supressão do verbo “são” antes do vocábulo “relapsos”)
- Para indicar a interrupção de um seguimento natural das ideias
e se intercala um juízo de valor ou uma reflexão subsidiária.
- Para evitar e desfazer alguma interpretação errônea que pode
ocorrer quando os termos estão distribuídos de forma irregular na
oração, a expressão deslocada é separada por vírgula.
Ex.: De todas as revoluções, para o homem, a morte é a maior
e a derradeira.
- Em enumerações
sem gradação: Coleciono livros, revistas, jornais, discos.
com gradação: Não compreendo o ciúme, a saudade, a dor da
despedida.
Não se separa por vírgula:
- sujeito de predicado;
- objeto de verbo;
- adjunto adnominal de nome;
- complemento nominal de nome;
- oração principal da subordinada substantiva (desde que esta
não seja apositiva nem apareça na ordem inversa).
— Dois Pontos
São utilizados:
- Na enumeração, explicação, notícia subsidiária.
Ex.: Comprou dois presentes: um livro e uma caneta.
“que (Viegas) padecia de um reumatismo teimoso, de uma
asma não menos teimosa e de uma lesão de coração: era um hos-
pital concentrado”
“Queremos governos perfeitos com homens imperfeitos: dispa-
rate”
- Em expressões que se seguem aos verbos dizer, retrucar, res-
ponder (e semelhantes) e que dão fim à declaração textual, ou que
assim julgamos, de outrem.
Ex.: “Não me quis dizer o que era: mas, como eu instasse muito:
— Creio que o Damião desconfia alguma coisa”
- Em alguns casos, onde a intenção é caracterizar textualmente
o discurso do interlocutor, a transcrição aparece acompanhada de
aspas, e poucas vezes de travessão.
Ex.: “Ao cabo de alguns anos de peregrinação, atendi às suplicas
de meu pai:
— Vem, dizia ele na última carta; se não vieres depressa acharás
tua mãe morta!”
Em expressões que, ao serem enunciadas com entonação espe-
cial, o contexto acaba sugerindo causa, consequência ou explicação.
Ex.: “Explico-me: o diploma era uma carta de alforria”
- Em expressões que possuam uma quebra na sequência das
ideias.
Ex.: Sacudiu o vestido, ainda molhado, e caminhou.
“Não! bradei eu; não hás de entrar... não quero... Ia a lançar-lhe
as mãos: era tarde; ela entrara e fechara-se”
— Ponto e Vírgula
Sinal (;) que denota pausa mais forte que a vírgula, porém mais
fraca que o ponto. É utilizado:
- Em trechos longos que já possuam vírgulas, indicando uma
pausa mais forte.
Ex.: “Enfim, cheguei-me a Virgília, que estava sentada, e travei-
-lhe da mão; D. Plácida foi à janela”
- Para separar as adversativas onde se deseja ressaltar o con-
traste.
Ex.: “Não se disse mais nada; mas de noite Lobo Neves insistiu
no projeto”
- Em leis, separando os incisos.
- Enumeração com explicitação.
Ex.: Comprei alguns livros: de matemática, para estudar para
o concurso; um romance, para me distrair nas horas vagas; e um
dicionário, para enriquecer meu vocabulário.
- Enumeração com ponto e vírgula, mas sem vírgula, para mar-
car distribuição.
Ex.: Comprei os produtos no supermercado: farinha para um
bolo; tomates para o molho; e pão para o café da manhã.
LÍNGUA PORTUGUESA
27
— Travessão
É importante não confundir o travessão (—) com o traço de
união ou hífen e com o traço de divisão empregado na partição de
sílabas.
O uso do travessão pode substituir vírgulas, parênteses, colche-
tes, indicando uma expressão intercalada:
Ex.: “... e eu falava-lhe de mil cousas diferentes — do último bai-
le, da discussão das câmaras, berlindas e cavalos, de tudo, menos
dos seus versos ou prosas”
Se a intercalação terminar o texto, o travessão é simples; caso
contrário, se utilizao travessão duplo.
Ex.: “Duas, três vezes por semana, havia de lhe deixar na algi-
beira das calças — umas largas calças de enfiar —, ou na gaveta da
mesa, ou ao pé do tinteiro, uma barata morta”
IMPORTANTE!
Como é possível observar no exemplo, pode haver vírgula após
o travessão.
O travessão pode, também, denotar uma pausa mais forte.
Ex.: “... e se estabelece uma cousa que poderemos chamar —,
solidariedade do aborrecimento humano”
Além disso, ainda pode indicar a mudança de interlocutor, na
transcrição de um diálogo, com ou sem aspas.
Ex.: — Ah! respirou Lobo Neves, sentando-se preguiçosamente
no sofá.
— Cansado? perguntei eu.
— Muito; aturei duas maçadas de primeira ordem (...)
Neste caso, pode, ou não, combinar-se com as aspas.
— Parênteses e Colchetes
Estes sinais ( ) [ ] apontam a existência de um isolamento sin-
tático e semântico mais completo dentro de um enunciado, assim
como estabelecem uma intimidade maior entre o autor e seu leitor.
Geralmente, o uso do parêntese é marcado por uma entonação es-
pecial.
Se a pausa coincidir com o início da construção parentética, o
sinal de pontuação deve aparecer após os parênteses, contudo, se
a proposição ou frase inteira for encerrada pelos parênteses, a no-
tação deve aparecer dentro deles.
Ex.: “Não, filhos meus (deixai-me experimentar, uma vez que
seja, convosco, este suavíssimo nome); não: o coração não é tão
frívolo, tão exterior, tão carnal, quanto se cuida”
“A imprensa (quem o contesta?) é o mais poderoso meio que
se tem inventado para a divulgação do pensamento”. (Carta inserta
nos Anais da Biblioteca Nacional, vol. I) [Carlos de Laet]
- Isolar datas.
Ex.: Refiro-me aos soldados da Primeira Guerra Mundial (1914-
1918).
- Isolar siglas.
Ex.: A taxa de desemprego subiu para 5,3% da população eco-
nomicamente ativa (PEA)...
- Isolar explicações ou retificações.
Ex.: Eu expliquei uma vez (ou duas vezes) o motivo de minha
preocupação.
Os parênteses e os colchetes estão ligados pela sua função dis-
cursiva, mas estes são utilizados quando os parênteses já foram em-
pregados, com o objetivo de introduzir uma nova inserção.
São utilizados, também, com a finalidade de preencher lacunas
de textos ou para introduzir, em citações principalmente, explica-
ções ou adendos que deixam a compreensão do texto mais simples.
— Aspas
A forma mais geral do uso das aspas é o sinal (“ ”), entretanto,
há a possibilidade do uso das aspas simples (‘ ’) para diferentes fina-
lidades, como em trabalhos científicos sobre línguas, onde as aspas
simples se referem a significados ou sentidos: amare, lat. ‘amar’
port.
As aspas podem ser utilizadas, também, para dar uma expres-
são de sentido particular, ressaltando uma expressão dentro do
contexto ou indicando uma palavra como estrangeirismo ou uma
gíria.
Se a pausa coincidir com o final da sentença ou expressão que
está entre aspas, o competente sinal de pontuação deve ser utili-
zado após elas, se encerrarem somente uma parte da proposição;
mas se as aspas abarcarem todo o período, frase, expressão ou sen-
tença, a respectiva pontuação é abrangida por elas.
Ex.: “Aí temos a lei”, dizia o Florentino. “Mas quem as há de
segurar? Ninguém.”
“Mísera, tivesse eu aquela enorme, aquela Claridade imortal,
que toda a luz resume!”
“Por que não nasce eu um simples vaga-lume?”
- Delimitam transcrições ou citações textuais.
Ex.: Segundo Rui Barbosa: “A política afina o espírito.”
— Alínea
Apresenta a mesma função do parágrafo, uma vez que denota
diferentes centros de assuntos. Como o parágrafo, requer a mudan-
ça de linha.
De forma geral, aparece em forma de número ou letra seguida
de um traço curvo.
Ex.: Os substantivos podem ser:
a) próprios
b) comuns
— Chave
Este sinal ({ }) é mais utilizado em obras científicas. Indicam a
reunião de diversos itens relacionados que formam um grupo.
5Ex.: Múltiplos de 5: {0, 5, 10, 15, 20, 25, 30, 35,… }.
Na matemática, as chaves agrupam vários elementos de uma
operação, definindo sua ordem de resolução.
Ex.: 30x{40+[30x(84-20x4)]}
Também podem ser utilizadas na linguística, representando
morfemas.
Ex.: O radical da palavra menino é {menin-}.
5 https://bit.ly/2RongbC.
LÍNGUA PORTUGUESA
28
— Asterisco
Sinal (*) utilizado após ou sobre uma palavra, com a intenção
de se fazer um comentário ou citação a respeito do termo, ou uma
explicação sobre o trecho (neste caso o asterisco se põe no fim do
período).
Emprega-se ainda um ou mais asteriscos depois de uma inicial,
indicando uma pessoa cujo nome não se quer ou não se pode decli-
nar: o Dr.*, B.**, L.***
— Barra
Aplicada nas abreviações das datas e em algumas abreviaturas.
QUESTÕES
1. CESGRANRIO - TEC CIEN (BASA)/BASA/TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO/2021
Assunto: Fatos da Língua Portuguesa (porque, por que, porquê
e por quê; onde, aonde e donde; há e a, etc)
A frase em que a palavra ou expressão destacada respeita as
regras ortográficas e gramaticais da norma padrão é:
(A) As crianças querem estar aonde a fantasia está.
(B) Queremos saber por que a ideia de eternidade nos fascina.
(C) O gosto adocicado do chicle mau acaba e queremos outro.
(D) Nada como balas e chicletes durante uma seção de cinema.
(E) A ideia de viver para sempre persegue o homem a séculos.
2. CESGRANRIO - TEC CIEN (BASA)/BASA/TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO/2021
Assunto: Acentuação
Medo da eternidade
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a
eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha prova-
do chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia
bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o di-
nheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro
eu lucraria não sei quantas balas. Afinal minha irmã juntou dinhei-
ro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
— Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se
acaba. Dura a vida inteira.
— Como não acaba?
— Parei um instante na rua, perplexa.
— Não acaba nunca, e pronto.
Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino
de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-
-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase
não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às
vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só
para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de
aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do
qual eu já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal
pondo o chicle na boca.
— E agora que é que eu faço?
— Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria
haver.
— Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só
depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a
vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários. Perder a
eternidade? Nunca. O adocicado do chicle era bonzinho, não podia
dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a
escola.
— Acabou-se o docinho. E agora?
— Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não sabia dizer por quê. Comecei a mastigar e em
breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que
não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia con-
trafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem
de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se
tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. Eu não quis con-
fessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava afli-
ção. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até
que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
— Olha só o que me aconteceu!
— Disse eu em fingidos espanto e tristeza.
— Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
— Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ele não acaba nunca.
Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigan-
do, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama.
Não fique triste,um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, en-
vergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da
boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
LISPECTOR, Clarice. Medo da eternidade.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, p.2, 6 jun. 1970.
No texto, foram empregadas as palavras aí e ótimo, ambas
acentuadas graficamente.
Duas outras palavras corretamente acentuadas pelos mesmos
motivos que aí e ótimo são, respectivamente,
(A) juíz e ébano
(B) Icaraí e rítmo
(C) caquís e incrédulo
(D) país e sonâmbulo
(E) abacaxí e econômia
3. CESGRANRIO - ESC BB/BB/AGENTE COMERCIAL/2021
Assunto: Uso do Hifen
O grupo de palavras que atende às exigências relativas ao em-
prego ou não do hífen, segundo o Vocabulário Ortográfico da Lín-
gua Portuguesa, é
(A) extra-escolar / médico-cirurgião
(B) bem-educado / vagalume
(C) portarretratos / dia a dia
(D) arco-íris / contra-regra
(E) subutilizar / sub-reitor
4. CESGRANRIO - ESC BB/BB/AGENTE COMERCIAL/2021
Assunto: Conjugação. Reconhecimento e emprego dos modos
e tempos verbais
Privacidade digital: quais são os limites
Atualmente, somos mais de 126,4 milhões de brasileiros usuá-
rios de internet, representando cerca de 69,8% da população com
10 anos ou mais. Ao redor do mundo, cerca de 4 bilhões de pessoas
usam a rede mundial, sendo que 2,9 bilhões delas fazem isso pelo
smartphone.
LÍNGUA PORTUGUESA
29
Nesse cenário, pensar em privacidade digital é (quase) utópico.
Uma vez na rede, a informação está registrada para sempre: deixa-
mos rastros que podem ser descobertos a qualquer momento.
Ainda assim, mesmo diante de tamanha exposição, essa é uma
discussão que precisa ser feita. Ela é importante, inclusive, para tra-
zer mais clareza e consciência para os usuários. Vale lembrar, por
exemplo, que não são apenas as redes sociais que expõem as pes-
soas. Infelizmente, basta ter um endereço de e-mail para ser rastre-
ado por diferentes empresas e provedores.
A questão central não se resume somente à política de privaci-
dade das plataformas X ou Y, mas, sim, ao modo como cada socie-
dade vem paulatinamente estruturando a sua política de proteção
de dados.
A segurança da informação já se transformou em uma área es-
tratégica para qualquer tipo de empresa. Independentemente da
demanda de armazenamento de dados de clientes, as organizações
têm um universo de dados institucionais que precisam ser salva-
guardados.
Estamos diante de uma realidade já configurada: a coleta de
informações da internet não para, e esse é um caminho sem vol-
ta. Agora, a questão é: nós, clientes, estamos prontos e dispostos
a definir o limite da privacidade digital? O interesse maior é nosso!
Esse limite poderia ser dado pelo próprio consumidor, se ele assim
quiser? O conteúdo é realmente do usuário?
Se considerarmos a atmosfera das redes sociais, muito possi-
velmente não. Isso porque, embora muitas pessoas não saibam, a
maioria das redes sociais prevê que, a partir do momento em que
um conteúdo é postado, ele faz parte da rede e não é mais do usu-
ário.
Daí a importância da conscientização. É preciso que tanto clien-
tes como empresas busquem mais informação e conteúdo técni-
co sobre o tema. Às organizações, cabe o desafio de orientar seus
clientes, já que, na maioria das vezes, eles não sabem quais são os
limites da privacidade digital.
Vivemos em uma época em que todo mundo pode falar per-
manentemente o que quer. Nesse contexto, a informação deixou
de ser algo confiável e cabe a cada um de nós aprender a ler isso e
se proteger. Precisamos de consciência, senso crítico, responsabi-
lidade e cuidado para levar a internet a um outro nível. É fato que
ela não é segura, a questão, então, é como usá-la de maneira mais
inteligente e contribuir para fortalecer a privacidade digital? Essa é
uma causa comum a todos os usuários da rede.
No trecho “Esse limite poderia ser dado pelo próprio consumi-
dor, se ele assim quiser?” (parágrafo 6), a forma verbal destacada
expressa a noção de
(A) dever
(B) certeza
(C) hipótese
(D) obrigação
(E) necessidade
5. CESGRANRIO - TEC CIEN (BASA)/BASA/TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO/2022
Assunto: Locução verbal
Uma cena
É de manhã. Não num lugar qualquer, mas no Rio. E não numa
época qualquer, mas no outono. Outono no Rio. O ar é fino, quase
frio, as pedras portuguesas da calçada estão úmidas. No alto, o céu
já é de um azul escandaloso, mas o sol oblíquo ainda não conse-
guiu vencer os prédios e arrasta seus raios pelo mar, pelas praias,
por cima das montanhas, longe dali. Não chegou à rua. E, naquele
trecho, onde as amendoeiras trançam suas copas, ainda é quase
madrugada.
Mesmo assim, ela já está lá – como se à espera do sol.
É uma senhora de cabelos muito brancos, sentada em sua ca-
deira, na calçada. Na rua tranquila, de pouco movimento, não passa
quase ninguém a essa hora, tão de manhãzinha. Nem carros, nem
pessoas. O que há mais é o movimento dos porteiros e dos pássa-
ros. Os primeiros, com suas vassouras e mangueiras, conversando
sobre o futebol da véspera. Os segundos, cantando – dentro ou fora
das gaiolas.
Mas, mesmo com tão pouco movimento, a senhora já está sen-
tada muito ereta, com seu vestido estampado, de corte simples,
suas sandálias. Tem o olhar atento, o sorriso pronto a cumprimentar
quem surja. No braço da cadeira de plástico branco, sua mão repou-
sa, mas também parece pronta a erguer -se num aceno, quando
alguém passar.
É uma cena bonita, eu acho. Cena que se repete todos os dias.
Parece coisa de antigamente.
Parece. Não fosse por um detalhe. A senhora, sentada placi-
damente em sua cadeira na calçada, observando as manhãs, está
atrás das grades.
Meu irmão, que foi morar fora do Brasil e ficou 15 anos sem
vir aqui, ao voltar só teve um choque: as grades. Nada mais o im-
pressionou, tudo ele achou normal. Fez comentários vagos sobre
as árvores crescidas no Aterro, sobre o excesso de gente e carros,
tudo sem muita ênfase. Mas e essas grades, me perguntou, por que
todas essas grades? E eu, espantada com seu espanto, eu que de
certa forma já me acostumara à paisagem gradeada, fiquei sem sa-
ber o que dizer.
Penso nisso agora, ao passar pela rua e ver aquela senhora.
Todos os dias, o porteiro coloca ali a cadeira para que ela se sente,
junto ao jardim, em frente à portaria, por trás da proteção do gradil
pintado com tinta cor de cobre. E essa cena tão singela, de sabor tão
antigo, se desenrola assim, por trás de barras de ferro, que mesmo
sendo de alumínio para não enferrujar são de um ferro simbólico,
que prende, constrange, restringe.
Eu, da calçada, vejo-a sempre por entre as tiras verticais de
metal, sua figura frágil me fazendo lembrar os passarinhos que os
porteiros guardam nas gaiolas, pendurados nas árvores.
“E eu, espantada com seu espanto, eu que de certa forma já
me acostumara à paisagem gradeada, fiquei sem saber o que dizer.”
O uso do verbo em destaque no pretérito mais-que-perfeito
simples do indicativo estabelece que o fato representado por esse
verbo se deu antes de outro fato passado. Esse mesmo significado
é encontrado no que está destacado em:
(A) Ela já foi uma mulher alegre e jovial.
(B) A mesma cena se repete ao nascer de cada manhã.
(C) A velha senhora estava sentada na calçada enquanto ama-
nhecia.
(D) Na última manhã, a velha senhora chegou e o sol já tinha
surgido.
(E) As grades impressionariam qualquer um que chegasse à
cidade.
LÍNGUA PORTUGUESA
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6. CESGRANRIO - TEC CIEN (BASA)/BASA/TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO/2022
Assunto: Pronomes pessoais
Uma cena
É de manhã. Não num lugar qualquer, mas no Rio. E não numa
época qualquer, mas no outono. Outono no Rio. O ar é fino, quase
frio, as pedras portuguesas da calçada estão úmidas. No alto, o céu
já é de um azul escandaloso, mas o sol oblíquo ainda não conse-
guiu vencer os prédios e arrasta seus raios pelo mar, pelas praias,
por cima das montanhas, longe dali. Não chegou à rua. E, naqueletrecho, onde as amendoeiras trançam suas copas, ainda é quase
madrugada.
Mesmo assim, ela já está lá – como se à espera do sol.
É uma senhora de cabelos muito brancos, sentada em sua ca-
deira, na calçada. Na rua tranquila, de pouco movimento, não passa
quase ninguém a essa hora, tão de manhãzinha. Nem carros, nem
pessoas. O que há mais é o movimento dos porteiros e dos pássa-
ros. Os primeiros, com suas vassouras e mangueiras, conversando
sobre o futebol da véspera. Os segundos, cantando – dentro ou fora
das gaiolas.
Mas, mesmo com tão pouco movimento, a senhora já está sen-
tada muito ereta, com seu vestido estampado, de corte simples,
suas sandálias. Tem o olhar atento, o sorriso pronto a cumprimentar
quem surja. No braço da cadeira de plástico branco, sua mão repou-
sa, mas também parece pronta a erguer -se num aceno, quando
alguém passar.
É uma cena bonita, eu acho. Cena que se repete todos os dias.
Parece coisa de antigamente.
Parece. Não fosse por um detalhe. A senhora, sentada placi-
damente em sua cadeira na calçada, observando as manhãs, está
atrás das grades.
Meu irmão, que foi morar fora do Brasil e ficou 15 anos sem
vir aqui, ao voltar só teve um choque: as grades. Nada mais o im-
pressionou, tudo ele achou normal. Fez comentários vagos sobre
as árvores crescidas no Aterro, sobre o excesso de gente e carros,
tudo sem muita ênfase. Mas e essas grades, me perguntou, por que
todas essas grades? E eu, espantada com seu espanto, eu que de
certa forma já me acostumara à paisagem gradeada, fiquei sem sa-
ber o que dizer.
Penso nisso agora, ao passar pela rua e ver aquela senhora.
Todos os dias, o porteiro coloca ali a cadeira para que ela se sente,
junto ao jardim, em frente à portaria, por trás da proteção do gradil
pintado com tinta cor de cobre. E essa cena tão singela, de sabor tão
antigo, se desenrola assim, por trás de barras de ferro, que mesmo
sendo de alumínio para não enferrujar são de um ferro simbólico,
que prende, constrange, restringe.
Eu, da calçada, vejo-a sempre por entre as tiras verticais de
metal, sua figura frágil me fazendo lembrar os passarinhos que os
porteiros guardam nas gaiolas, pendurados nas árvores. O empre-
go do pronome oblíquo em destaque respeita a norma-padrão da
língua em:
(A) Quando perguntaram sobre as grades, fiquei sem saber o
que lhes dizer.
(B) O sol oblíquo nasce atrás dos prédios, mas ainda não con-
seguiu vencer-lhes.
(C) A velha senhora está sempre lá. Já espero lhe ver quando
saio todas as manhãs.
(D) Ainda demora para o sol nascer, mas, mesmo assim, a velha
senhora já está lá a lhe esperar.
(E) Quando as pessoas passam na calçada, aquela senhora tem
o sorriso pronto para lhes cumprimentar.
7. CESGRANRIO - ESC BB/BB/AGENTE COMERCIAL/2021
Assunto: Pronomes relativos
O período em que a palavra ou a expressão em destaque NÃO
está empregada de acordo com a norma-padrão é:
(A) As professoras de que falamos são ótimas.
(B) A folha em que deve ser feita a prova é essa.
(C) A argumentação onde é provado o crime foi dele.
(D) O aluno cujo pai chegou é Pedro.
(E) As meninas que querem cortar os cabelos são aquelas.
8. CESGRANRIO - ESC BB/BB/AGENTE COMERCIAL/2021
Assunto: Advérbio
A palavra salário vem mesmo de “sal”?
Vem. A explicação mais popular diz que os soldados da Roma
Antiga recebiam seu ordenado na forma de sal. Faz sentido. O di-
nheiro como o conhecemos surgiu no século 7 a.C., na forma de
discos de metal precioso (moedas), e só foi adotado em Roma 300
anos depois.
Antes disso, o que fazia o papel de dinheiro eram itens não
perecíveis e que tinham demanda garantida: barras de cobre (fun-
damentais para a fabricação de armas), sacas de grãos, pepitas de
ouro (metal favorito para ostentar como enfeite), prata (o ouro de
segunda divisão) e, sim, o sal.
Num mundo sem geladeiras, o cloreto de sódio era o que ga-
rantia a preservação da carne. A demanda por ele, então, tendia ao
infinito. Ter barras de sal em casa funcionava como poupança. Você
poderia trocá-las pelo que quisesse, a qualquer momento.
As moedas, bem mais portáteis, acabariam se tornando o gran-
de meio universal de troca – seja em Roma, seja em qualquer outro
lugar. Mas a palavra “salário” segue viva, como um fóssil etimoló-
gico.
Só há um detalhe: não há evidência de que soldados romanos
recebiam mesmo um ordenado na forma de sal. Roma não tinha
um exército profissional no século 4 a.C. A força militar da época
era formada por cidadãos comuns, que abandonavam seus afaze-
res voluntariamente para lutar em tempos de guerra (questão de
sobrevivência).
A ideia de que havia pagamentos na forma de sal vem do his-
toriador Plínio, o Velho (um contemporâneo de Jesus Cristo). Ele
escreveu o seguinte: “Sal era uma das honrarias que os soldados re-
cebiam após batalhas bem-sucedidas. Daí vem nossa palavra sala-
rium.” Ou seja: o sal era um bônus para voluntários, não um salário
para valer. Quando Roma passou a ter uma força militar profissional
e permanente, no século 3 a.C., o soldo já era mesmo pago na for-
ma de moedas.
A palavra destacada em “bem mais portáteis” (parágrafo 4) traz
para o trecho uma ideia de
(A) adição
(B) adversidade
(C) comparação
(D) extensão
(E) soma
LÍNGUA PORTUGUESA
31
9. CESGRANRIO - TEC CIEN (BASA)/BASA/TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO/2022
Assunto: Conjunção
Uma cena
É de manhã. Não num lugar qualquer, mas no Rio. E não numa
época qualquer, mas no outono. Outono no Rio. O ar é fino, quase
frio, as pedras portuguesas da calçada estão úmidas. No alto, o céu
já é de um azul escandaloso, mas o sol oblíquo ainda não conse-
guiu vencer os prédios e arrasta seus raios pelo mar, pelas praias,
por cima das montanhas, longe dali. Não chegou à rua. E, naquele
trecho, onde as amendoeiras trançam suas copas, ainda é quase
madrugada.
Mesmo assim, ela já está lá – como se à espera do sol.
É uma senhora de cabelos muito brancos, sentada em sua ca-
deira, na calçada. Na rua tranquila, de pouco movimento, não passa
quase ninguém a essa hora, tão de manhãzinha. Nem carros, nem
pessoas. O que há mais é o movimento dos porteiros e dos pássa-
ros. Os primeiros, com suas vassouras e mangueiras, conversando
sobre o futebol da véspera. Os segundos, cantando – dentro ou fora
das gaiolas.
Mas, mesmo com tão pouco movimento, a senhora já está sen-
tada muito ereta, com seu vestido estampado, de corte simples,
suas sandálias. Tem o olhar atento, o sorriso pronto a cumprimentar
quem surja. No braço da cadeira de plástico branco, sua mão repou-
sa, mas também parece pronta a erguer -se num aceno, quando
alguém passar.
É uma cena bonita, eu acho. Cena que se repete todos os dias.
Parece coisa de antigamente.
Parece. Não fosse por um detalhe. A senhora, sentada placi-
damente em sua cadeira na calçada, observando as manhãs, está
atrás das grades.
Meu irmão, que foi morar fora do Brasil e ficou 15 anos sem
vir aqui, ao voltar só teve um choque: as grades. Nada mais o im-
pressionou, tudo ele achou normal. Fez comentários vagos sobre
as árvores crescidas no Aterro, sobre o excesso de gente e carros,
tudo sem muita ênfase. Mas e essas grades, me perguntou, por que
todas essas grades? E eu, espantada com seu espanto, eu que de
certa forma já me acostumara à paisagem gradeada, fiquei sem sa-
ber o que dizer.
Penso nisso agora, ao passar pela rua e ver aquela senhora.
Todos os dias, o porteiro coloca ali a cadeira para que ela se sente,
junto ao jardim, em frente à portaria, por trás da proteção do gradil
pintado com tinta cor de cobre. E essa cena tão singela, de sabor tão
antigo, se desenrola assim, por trás de barras de ferro, que mesmo
sendo de alumínio para não enferrujar são de um ferro simbólico,
que prende, constrange, restringe.
Eu, da calçada, vejo-a sempre por entre as tiras verticais de
metal, sua figura frágil me fazendo lembrar os passarinhos que os
porteiros guardam nas gaiolas, pendurados nas árvores.
No trecho “Nada mais o impressionou, tudo ele achou normal”,
a relação semânticaconstruída entre as duas orações pode ser ex-
plicitada pelo conector
(A) porém
(B) porque
(C) entretanto
(D) a fim de que
(E) apesar de que
10. CESGRANRIO - PNMO (ELETRONUCLEAR)/ELETRONU-
CLEAR/ESPECIALISTA EM PROTEÇÃO RADIOLÓGICA/2022
Assunto: Conjunção
Texto
Maria José
Paulo Mendes Campos
Faz um ano que Maria José morreu. Era meiga quase sempre,
violenta quando necessário. Eu era menino e apanhava de um com-
panheiro maior, quando ela me gritou da sacada se eu não via a
pedra que marcava o gol. Dei uma pedrada no outro e acabei com
a briga por milagre.
Visitava os miseráveis, internava indigentes enfermos, devota-
va-se ao alívio de misérias físicas e morais do próximo, estudava o
mistério teológico, exigia sempre o mais difícil de si mesma, comun-
gava todos os dias, ingressou na Ordem Terceira de São Francisco.
Mas nunca deixou de ter na gaveta o revólver que havia recebido,
menina- e-moça, das mãos do pai, e que empunhou no quintal no-
turno, perseguindo um ladrão, para espanto de meus cinco anos.
Já perto dos setenta anos, ela explicava para um amigo meu
que tinha chegado à humildade da velhice; já não se importava com
quem tentasse ofendê-la, mas conservava o revólver para a defesa
dos filhos e dos netos.
Tratou-me com a dureza e o carinho que mereciam a rebeldia
e o verdor da minha meninice. Ensinou- me a ler as primeiras sen-
tenças; me falava do Cura d’Ars e nos dois Franciscos, o de Sales e
o de Assis; apresentou-me aos contos de Edgar Poe e aos poemas
de Baudelaire; dizia-me sorrindo versos de Antônio Nobre que ha-
via decorado quando menina; discutia comigo as ideias finais de
Tolstoi; escutava maternalmente meus contos toscos. Quando me
desgarrei nos primeiros envolvimentos adolescentes, Maria José,
com irônico afeto, me repetia a advertência de Drummond: “Paulo,
sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã
não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém
sabe o que será”.
Logo que me fiz homenzinho, deixou a dureza e se fez minha
amiga: nada me perguntava, adivinhava tudo.
Terna e firme, nunca lhe vi a fraqueza da pieguice. Com o gosto
espontâneo da qualidade das coisas, renunciou às vaidades mais
singelas. Sensível, alegre, aprendeu a encarar o sofrimento de olhos
lúcidos. Fiel à disciplina religiosa, compreendia celestialmente as al-
mas que perdiam o rumo. Fé, Esperança e Caridade eram para ela a
flecha e o alvo das criaturas.
Tornara-se tão íntima da substância terrestre – a dor – que se
fazia difícil para o médico saber o que sentia; acabava dizendo que
doía um pouco, por delicadeza.
Capaz de longos jejuns e abstinências, já no final da vida, podia
acompanhar um casal amigo a Copacabana, passar do bar da moda
ao restaurante diferente, beber dois cafés ou três uísques em santa
serenidade e aceitar com alegria o prato exótico.
Gostava das pessoas erradas, consumidas de paixão, admirava
São Paulo e Santo Agostinho, acreditava que era preciso se fazer
violência para entrar no reino celeste.
Poucas horas antes de morrer, pediu um conhaque e sorriu,
destemida e doce, como quem vai partir para o céu. Santificara-se.
Deus era o dia e a noite de seu coração, o Pai, a piedade, o fogo do
espírito. Perdi quem me amava e perdoava, quem me encomen-
dava à compaixão do Criador e me defendia contra o mundo de
revólver na mão.
LÍNGUA PORTUGUESA
32
No trecho do parágrafo 3 “já não se importava com quem ten-
tasse ofendê-la, mas conservava o revólver para a defesa dos filhos
e netos”, a conjunção mas pode ser substituída, sem alteração de
sentido, por
(A) caso
(B) portanto
(C) logo
(D) porque
(E) porém
11. CESGRANRIO - PNS (ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLE-
AR/ADMINISTRADOR/2022
Assunto: Conjunção
Texto
Entulho eletrônico: risco iminente para a saúde e o ambiente
Os resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (lixo eletroele-
trônico) são, por definição, produtos que têm componentes elétri-
cos e eletrônicos e que, por razões de obsolescência (perspectiva
ou programada) e impossibilidade de conserto, são descartados
pelos consumidores. Os exemplos mais comuns são televisores e
equipamentos de informática e telefonia, mas a lista inclui eletro-
domésticos, equipamentos médicos, brinquedos, sistemas de alar-
me, automação e controle.
Obsolescência programada é a decisão intencional de fabricar
um produto que se torne obsoleto ou não funcional após certo tem-
po, para forçar o consumidor a comprar uma nova geração desse
produto. Já a obsolescência perspectiva é uma forma de reduzir a
vida útil de produtos ainda funcionais. Nesse caso, são lançadas no-
vas gerações com aparência inovadora e pequenas mudanças fun-
cionais, dando à geração em uso aspecto de ultrapassada, o que
induz o consumidor à troca.
O lixo eletroeletrônico é mais um desafio que se soma aos pro-
blemas ambientais da atualidade. O consumidor raramente reflete
sobre as consequências do consumo crescente desses produtos,
preocupando- se em satisfazer suas necessidades. Afinal, eletroele-
trônicos são tidos como sinônimos de melhor qualidade de vida, e a
explosão da indústria da informação é uma força motriz da socieda-
de, oferecendo ferramentas para rápidos avanços na economia e no
desenvolvimento social. O mundo globalizado impõe uma constan-
te busca de informações em tempo real, e a sua interação com no-
vas tecnologias traz maiores oportunidades e benefícios, segundo
estudo da Organização das Nações Unidas (ONU). Tudo isso exerce
um fascínio irresistível para os jovens.
Dois aspectos justificam a inclusão dos eletroeletrônicos entre
as preocupações da ONU: as vendas crescentes, em especial nos
mercados emergentes (inclusive o Brasil), e a presença de metais
e substâncias tóxicas em muitos componentes, trazendo risco à
saúde e ao meio ambiente. Segundo a ONU, são gerados hoje 150
milhões de toneladas de lixo eletroeletrônico por ano, e esse tipo
de resíduo cresce a uma velocidade três a cinco vezes maior que a
do lixo urbano.
AFONSO, J. C. Revista Ciência Hoje, n. 314, maio 2014. São Paulo:
SBPC. Disponível em: https://cienciahoje.periodicos.capes. gov.br/
storage/acervo/ch/ch_314.pdf. Adaptado.
No trecho do 3o parágrafo “segundo estudo da Organização
das Nações Unidas”, a palavra destacada expressa ideia de
(A) condição
(B) concessão
(C) conformidade
(D) causalidade
(E) temporalidade
12. CESGRANRIO - ESC BB/BB/AGENTE COMERCIAL/2021
Assunto: Conjunção
Privacidade digital: quais são os limites
Atualmente, somos mais de 126,4 milhões de brasileiros usuá-
rios de internet, representando cerca de 69,8% da população com
10 anos ou mais. Ao redor do mundo, cerca de 4 bilhões de pessoas
usam a rede mundial, sendo que 2,9 bilhões delas fazem isso pelo
smartphone.
Nesse cenário, pensar em privacidade digital é (quase) utópico.
Uma vez na rede, a informação está registrada para sempre: deixa-
mos rastros que podem ser descobertos a qualquer momento.
Ainda assim, mesmo diante de tamanha exposição, essa é uma
discussão que precisa ser feita. Ela é importante, inclusive, para tra-
zer mais clareza e consciência para os usuários. Vale lembrar, por
exemplo, que não são apenas as redes sociais que expõem as pes-
soas. Infelizmente, basta ter um endereço de e-mail para ser rastre-
ado por diferentes empresas e provedores.
A questão central não se resume somente à política de privaci-
dade das plataformas X ou Y, mas, sim, ao modo como cada socie-
dade vem paulatinamente estruturando a sua política de proteção
de dados.
A segurança da informação já se transformou em uma área es-
tratégica para qualquer tipo de empresa. Independentemente da
demanda de armazenamento de dados de clientes, as organizações
têm um universo de dados institucionais que precisam ser salva-
guardados.
Estamos diante de uma realidade já configurada: a coleta de
informações da internet não para, e esse é um caminho sem vol-
ta. Agora, a questão é: nós, clientes, estamos prontos e dispostos
a definir o limite da privacidade digital? O interessemaior é nosso!
Esse limite poderia ser dado pelo próprio consumidor, se ele assim
quiser? O conteúdo é realmente do usuário?
Se considerarmos a atmosfera das redes sociais, muito possi-
velmente não. Isso porque, embora muitas pessoas não saibam, a
maioria das redes sociais prevê que, a partir do momento em que
um conteúdo é postado, ele faz parte da rede e não é mais do usu-
ário.
Daí a importância da conscientização. É preciso que tanto clien-
tes como empresas busquem mais informação e conteúdo técni-
co sobre o tema. Às organizações, cabe o desafio de orientar seus
clientes, já que, na maioria das vezes, eles não sabem quais são os
limites da privacidade digital.
Vivemos em uma época em que todo mundo pode falar per-
manentemente o que quer. Nesse contexto, a informação deixou
de ser algo confiável e cabe a cada um de nós aprender a ler isso e
se proteger. Precisamos de consciência, senso crítico, responsabi-
lidade e cuidado para levar a internet a um outro nível. É fato que
ela não é segura, a questão, então, é como usá-la de maneira mais
inteligente e contribuir para fortalecer a privacidade digital? Essa é
uma causa comum a todos os usuários da rede.
Disponível em: <https://digitalks.com.br/artigos/privacidade-di-
gital
-quais-sao-os-limites>. 7/04/2019. Acesso em: 3 fev. 2021.Adap-
tado.
LÍNGUA PORTUGUESA
33
No trecho “Às organizações, cabe o desafio de orientar seus
clientes, já que, na maioria das vezes, eles não sabem quais são os
limites da privacidade digital” (parágrafo 8), a expressão destacada
expressa a noção de
(A) condição
(B) finalidade
(C) concessão
(D) causalidade
(E) comparação
13. CESGRANRIO - TEC CIEN (BASA)/BASA/TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO/2021
Assunto: Colocação pronominal
Medo da eternidade
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a
eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha prova-
do chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia
bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o di-
nheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro
eu lucraria não sei quantas balas. Afinal minha irmã juntou dinhei-
ro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
— Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se
acaba. Dura a vida inteira.
— Como não acaba?
— Parei um instante na rua, perplexa.
— Não acaba nunca, e pronto.
Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino
de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-
-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase
não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às
vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só
para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de
aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do
qual eu já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal
pondo o chicle na boca.
— E agora que é que eu faço?
— Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria
haver.
— Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só
depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a
vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários. Perder a
eternidade? Nunca. O adocicado do chicle era bonzinho, não podia
dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a
escola.
— Acabou-se o docinho. E agora?
— Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não sabia dizer por quê. Comecei a mastigar e em
breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que
não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia con-
trafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem
de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se
tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. Eu não quis con-
fessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava afli-
ção. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até
que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
— Olha só o que me aconteceu!
— Disse eu em fingidos espanto e tristeza.
— Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
— Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ele não acaba nunca.
Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigan-
do, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama.
Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, en-
vergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da
boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
LISPECTOR, Clarice. Medo da eternidade.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, p.2, 6 jun. 1970. sim
como no trecho “E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a es-
cola.”, a colocação do pronome destacado respeita a norma-padrão
da língua portuguesa, em:
(A) Pediria-lhes para considerar a possibilidade da eternidade.
(B) A curiosidade não leva-nos a atitudes bobas e desproposi-
tadas.
(C) O prazer que experimenta-se com o sabor dos doces é enor-
me.
(D) Poucos se impressionam com a descoberta da possibilidade
da eternidade.
(E) Nos perguntamos até quando vamos sonhar com uma vida
eterna de prazer.
14. CESGRANRIO - ESC BB/BB/AGENTE COMERCIAL/2021
Assunto: Colocação pronominal
O pronome destacado foi utilizado na posição correta, segundo
as exigências da norma-padrão da língua portuguesa, em:
(A) A associação brasileira de mercados financeiros publicou
uma diretriz de segurança, na qual mostra-se a necessidade de
adequação de proteção de dados.
(B) A segurança da informação já transformou-se em uma área
estratégica para qualquer tipo de empresa.
(C) Naquele evento, ninguém tinha-se incomodado com o pa-
lestrante no início do debate a respeito de privacidade digital.
(D) Apesar das dificuldades encontradas, sempre referimo-nos
com cuidado aos nossos dados pessoais, como CPF, RG, e-mail,
para proteção da vida privada.
(E) Quando a privacidade dos dados bancários é mantida, como
nos garantem as instituições, ficamos tranquilos.
15. CESGRANRIO - ESC BB/BB/AGENTE COMERCIAL/2021
Assunto: Colocação pronominal
O que é o QA e por que ele pode ser mais importante que o QI
no mercado de trabalho
Há algum tempo, se você quisesse avaliar as perspectivas de al-
guém crescer na carreira, poderia considerar pedir um teste de QI,
o quociente de inteligência, que mede indicadores como memória
e habilidade matemática.
Mais recentemente, passaram a ser avaliadas outras letrinhas:
o quociente de inteligência emocional (QE), uma combinação de
habilidades interpessoais, autocontrole e comunicação. Não só no
mundo do trabalho, o QE é visto como um kit de habilidades que
pode nos ajudar a ter sucesso em vários aspectos da vida.
Tanto o QI quanto o QE são considerados importantes para o
sucesso na carreira. Hoje, porém, à medida que a tecnologia rede-
fine como trabalhamos, as habilidades necessárias para prosperar
no mercado de trabalho também estão mudando. Entra em cena
LÍNGUA PORTUGUESA
34
então um novo quociente, o de adaptabilidade (QA), que considera
a capacidade de se posicionar e prosperar em um ambiente de mu-
danças rápidas e frequentes.
O QA não é apenas a capacidade de absorver novas informa-
ções, mas de descobrir o que é relevante, deixar para trás noções
obsoletas, superar desafios e fazer um esforço consciente para mu-
dar. Esse quociente envolve também características como flexibili-
dade, curiosidade, coragem e resiliência.
Amy Edmondson, professora de Administração da Harvard Bu-
siness School, diz que é a velocidade vertiginosa das mudanças no
mercado de trabalho que fará o QA vencer o QI. Automatiza-se fa-
cilmente qualquer função que envolva detectar padrões nos dados
(advogados revisando documentos legais ou médicos buscando o
histórico de um paciente, por exemplo), diz Dave Coplin, diretor da
The Envisioners, consultoria de tecnologia sediada no Reino Unido.
A tecnologiamudou bastante a forma como alguns trabalhos são
feitos, e a tendência continuará. Isso ocorre porque um algoritmo
pode executar essas tarefas com mais rapidez e precisão do que um
humano.
Para evitar a obsolescência, os trabalhadores que cumprem es-
sas funções precisam desenvolver novas habilidades, como a criati-
vidade para resolver novos problemas, empatia para se comunicar
melhor e responsabilidade.
Edmondson diz que toda profissão vai exigir adaptabilidade e
flexibilidade, do setor bancário às artes. Digamos que você é um
contador. Seu QI o ajuda nas provas pelas quais precisa passar para
se qualificar; seu QE contribui na conexão com um recrutador e de-
pois no relacionamento com colegas e clientes no emprego. Então,
quando os sistemas mudam ou os aspectos do trabalho são auto-
matizados, você precisa do QA para se acomodar a novos cenários.
Ter QI, mas nenhum QA, pode ser um bloqueio para as habili-
dades existentes diante de novas maneiras de trabalhar. No mundo
corporativo, o QA está sendo cada vez mais buscado na hora da
contratação. Uma coisa boa do QA é que, mesmo que seja difícil
mensurá-lo, especialistas dizem que ele pode ser desenvolvido.
Como diz Edmondson: “Aprender a aprender é uma missão
crítica. A capacidade de aprender, mudar, crescer, experimentar se
tornará muito mais importante do que o domínio de um assunto.”
Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/vert-
-cap-50429043>.Acesso em: 9 jul. 2021. (Adaptado)
A colocação do pronome oblíquo átono destacado está de
acordo com o que prevê a norma-padrão da língua portuguesa no
seguinte período:
(A) Consideraria-se o QA mais importante que o QI há duas dé-
cadas?
(B) Se busca investir naquilo que pode fazer a diferença entre a
máquina e o homem.
(C) As mudanças no mercado de trabalho jamais dar-se-ão sem
investimento no capital humano.
(D) Os candidatos que saem-se melhor nas entrevistas são con-
tratados mais rapidamente.
(E) Alguns se consideram mais preparados para enfrentar ad-
versidades no trabalho do que em família.
16. CESGRANRIO - ESC BB/BB/AGENTE COMERCIAL/2021
Assunto: Colocação pronominal
A colocação do pronome oblíquo destacado está de acordo
com a norma-padrão em:
(A) O dinheiro não foi-me bastante.
(B) O depósito só estará concretizado, se houver quem validá-
-lo.
(C) Se você pudesse emprestar esse dinheiro, depositaria-o ain-
da esta semana?
(D) Explique-me como funciona esse financiamento.
(E) Me empreste seu cartão, que eu faço a transação hoje.
17. CESGRANRIO - ESC BB/BB/AGENTE DE TECNOLO-
GIA/2021
Assunto: Colocação pronominal
Lições após um ano de ensino remoto na pandemia
No momento em que se tornam ainda mais complexas as dis-
cussões sobre a volta às aulas presenciais, o ensino remoto conti-
nua a ser a rotina de muitas famílias, atualmente.
Mas um ano sem precedentes na história veio acompanhado
de lições inéditas para professores, alunos e estudiosos. Diante do
pouco acesso a planos de dados ou a dispositivos, a alternativa de
muitas famílias e professores tem sido se conectar regularmente via
aplicativos de mensagens.
Uma pesquisa apontou que 83% dos professores mantinham
contato com seus alunos por meio dos aplicativos de mensagens,
muito mais do que pelas próprias plataformas de aprendizagem.
Esse uso foi uma grande surpresa, mas é porque não temos outras
ferramentas de massificação. A maior parte do ensino foi feita pelo
celular e, geralmente, por um celular compartilhado (entre vários
membros da família), o que é algo muito desafiador.
Outro aspecto a ser considerado é que, felizmente, mensagens
direcionadas são uma forma relativamente barata de comunicação.
A importância de cultivar interações entre os estudantes, mesmo
que eles não estejam no mesmo ambiente físico, também é uma
forma de motivá-los e melhorar seus resultados. Recentemente,
uma pesquisadora afirmou que “Aprendemos que precisamos dos
demais: comparar estratégias, falar com alunos, com outros profes-
sores e dar mais oportunidades de trabalho coletivo, mesmo que
seja cada um na sua casa. Além disso, a pandemia ressaltou a im-
portância do vínculo anterior entre escolas e comunidades”.
Embora seja difícil prever exatamente como o fechamento das
escolas vai afetar o desenvolvimento futuro dos alunos, educado-
res internacionais estimam que estudantes da educação básica já
foram impactados. É preciso pensar em como agrupar esses alunos
e averiguar os que tiveram ensino mínimo ou nulo e decidir como
enfrentar essa ruptura, com aulas ou encontros extras, com anos
(letivos) de transição.
IDOETA, P.A. 8 lições após um ano de ensino remoto na pan
demia. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/noticias/ bb-
c/2021/04/24/8-licoes-apos-um-ano-de-ensino-remoto-na- pandemia.
htm>. Acesso em: 21 jul. 2021. Adaptado.
O pronome oblíquo átono em destaque está colocado de acor-
do com a norma-padrão em:
(A) No processo ensino-aprendizagem, o objetivo deve ser de-
senvolver aptidões para que os alunos sempre mantenham-se
em dia com os avanços da ciência.
LÍNGUA PORTUGUESA
35
(B) Se reclama muito das dificuldades do ensino remoto devido
a problemas de conexão.
(C) Os profissionais da educação nunca cansam-se de estudar
os conteúdos que possam interessar os alunos nas aulas.
(D) Para garantir o progresso dos estudantes, os professores
sempre dedicam-se a pesquisar novos métodos de ensino.
(E) Quando as escolas se preocuparem em empregar novas
metodologias no ensino-aprendizagem, alcançarão melhores
resultados.
18. CESGRANRIO - TBN (CEF)/CEF/”SEM ÁREA”/2021
Assunto: Colocação pronominal
Relacionamento com o dinheiro
Desde cedo, começamos a lidar com uma série de situações
ligadas ao dinheiro. Para tirar melhor proveito do seu dinheiro, é
muito importante saber como utilizá-lo da forma mais favorável a
você. O aprendizado e a aplicação de conhecimentos práticos de
educação financeira podem contribuir para melhorar a gestão de
nossas finanças pessoais, tornando nossas vidas mais tranquilas e
equilibradas sob o ponto de vista financeiro.
Se pararmos para pensar, estamos sujeitos a um mundo finan-
ceiro muito mais complexo que o das gerações anteriores. No entan-
to, o nível de educação financeira da população não acompanhou
esse aumento de complexidade. A ausência de educação financeira,
aliada à facilidade de acesso ao crédito, tem levado muitas pessoas
ao endividamento excessivo, privando-as de parte de sua renda em
função do pagamento de prestações mensais que reduzem suas ca-
pacidades de consumir produtos que lhes trariam satisfação.
Infelizmente, não faz parte do cotidiano da maioria das pesso-
as buscar informações que as auxiliem na gestão de suas finanças.
Para agravar essa situação, não há uma cultura coletiva, ou seja,
uma preocupação da sociedade organizada em torno do tema. Nas
escolas, pouco ou nada é falado sobre o assunto. As empresas, não
compreendendo a importância de ter seus funcionários alfabeti-
zados financeiramente, também não investem nessa área. Similar
problema é encontrado nas famílias, nas quais não há o hábito de
reunir os membros para discutir e elaborar um orçamento familiar.
Igualmente entre os amigos, assuntos ligados à gestão financeira
pessoal muitas vezes são considerados invasão de privacidade e
pouco se conversa em torno do tema. Enfim, embora todos lidem
diariamente com dinheiro, poucos se dedicam a gerir melhor seus
recursos.
A educação financeira pode trazer diversos benefícios, entre os
quais, possibilitar o equilíbrio das finanças pessoais, preparar para o
enfrentamento de imprevistos financeiros e para a aposentadoria,
qualificar para o bom uso do sistema financeiro, reduzir a possibi-
lidade de o indivíduo cair em fraudes, preparar o caminho para a
realização de sonhos, enfim, tornar a vida melhor.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Caderno de Educação Financeira –
Gestão de Finanças Pessoais. Brasília: BCB, 2013. p. 12. Adaptado.
A colocação do pronome oblíquo átono está em acordo com a
norma-padrão dalíngua portuguesa em:
(A) Poder-se-á levar a educação financeira para as salas de aula,
o que será muito proveitoso.
(B) Nos perguntam sempre sobre como gerir melhor a vida fi-
nanceira.
(C) As famílias nunca preocuparam-se com a educação finan-
ceira como parte da formação de seus filhos.
(D) Aqueles que relacionam-se bem com o dinheiro têm uma
vida mais organizada.
(E) Compreenderia-se melhor o desempenho da empresa, se o
mercado fosse estudado.
19. CESGRANRIO - PNMO (ELETRONUCLEAR)/ELETRONU-
CLEAR/ESPECIALISTA EM PROTEÇÃO RADIOLÓGICA/2022
Assunto: Sinônimos e Antônimos
Texto
Maria José
Paulo Mendes Campos
Faz um ano que Maria José morreu. Era meiga quase sempre,
violenta quando necessário. Eu era menino e apanhava de um com-
panheiro maior, quando ela me gritou da sacada se eu não via a
pedra que marcava o gol. Dei uma pedrada no outro e acabei com
a briga por milagre.
Visitava os miseráveis, internava indigentes enfermos, devota-
va-se ao alívio de misérias físicas e morais do próximo, estudava o
mistério teológico, exigia sempre o mais difícil de si mesma, comun-
gava todos os dias, ingressou na Ordem Terceira de São Francisco.
Mas nunca deixou de ter na gaveta o revólver que havia recebido,
menina- e-moça, das mãos do pai, e que empunhou no quintal no-
turno, perseguindo um ladrão, para espanto de meus cinco anos.
Já perto dos setenta anos, ela explicava para um amigo meu
que tinha chegado à humildade da velhice; já não se importava com
quem tentasse ofendê-la, mas conservava o revólver para a defesa
dos filhos e dos netos.
Tratou-me com a dureza e o carinho que mereciam a rebeldia
e o verdor da minha meninice. Ensinou- me a ler as primeiras sen-
tenças; me falava do Cura d’Ars e nos dois Franciscos, o de Sales e
o de Assis; apresentou-me aos contos de Edgar Poe e aos poemas
de Baudelaire; dizia-me sorrindo versos de Antônio Nobre que ha-
via decorado quando menina; discutia comigo as ideias finais de
Tolstoi; escutava maternalmente meus contos toscos. Quando me
desgarrei nos primeiros envolvimentos adolescentes, Maria José,
com irônico afeto, me repetia a advertência de Drummond: “Paulo,
sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã
não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém
sabe o que será”.
Logo que me fiz homenzinho, deixou a dureza e se fez minha
amiga: nada me perguntava, adivinhava tudo.
Terna e firme, nunca lhe vi a fraqueza da pieguice. Com o gosto
espontâneo da qualidade das coisas, renunciou às vaidades mais
singelas. Sensível, alegre, aprendeu a encarar o sofrimento de olhos
lúcidos. Fiel à disciplina religiosa, compreendia celestialmente as al-
mas que perdiam o rumo. Fé, Esperança e Caridade eram para ela a
flecha e o alvo das criaturas.
Tornara-se tão íntima da substância terrestre – a dor – que se
fazia difícil para o médico saber o que sentia; acabava dizendo que
doía um pouco, por delicadeza.
Capaz de longos jejuns e abstinências, já no final da vida, podia
acompanhar um casal amigo a Copacabana, passar do bar da moda
ao restaurante diferente, beber dois cafés ou três uísques em santa
serenidade e aceitar com alegria o prato exótico.
Gostava das pessoas erradas, consumidas de paixão, admirava
São Paulo e Santo Agostinho, acreditava que era preciso se fazer
violência para entrar no reino celeste.
LÍNGUA PORTUGUESA
36
Poucas horas antes de morrer, pediu um conhaque e sorriu,
destemida e doce, como quem vai partir para o céu. Santificara-se.
Deus era o dia e a noite de seu coração, o Pai, a piedade, o fogo do
espírito. Perdi quem me amava e perdoava, quem me encomen-
dava à compaixão do Criador e me defendia contra o mundo de
revólver na mão.
No texto, Maria José é descrita como alguém que apresenta
características muitas vezes opostas, o que a faz possuidora de uma
rica personalidade.
Um adjetivo usado para caracterizar Maria José é “terna”, que,
no texto, se opõe a
(A) violenta
(B) alegre
(C) caridosa
(D) doce
(E) carinhosa
20. CESGRANRIO - PNS (ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLE-
AR/ADMINISTRADOR/2022
Assunto: Homônimos e Parônimos
A palavra destacada está adequada ao contexto da frase, de
acordo com o seu significado dicionarizado, em:
(A) A despensa dos alunos ocorreu com maior frequência du-
rante a pandemia da Covid-19 do que no mês destinado às fé-
rias.
(B) A explanação do orador foi recebida com descrição pelos
estudiosos nos seminários sobre a globalização.
(C) O tráfego internacional de animais silvestres prejudica a
conservação das espécies, contribuindo para aumentar os que
estão em extinção.
(D) Os deputados devem cumprir completamente o mandato
durante o tempo estipulado pela legislação eleitoral.
(E) Várias personalidades apresentam nomes que são grafados
com apóstrofe, entre elas o marido da Princesa Isabel, o Conde
d´Eu.
GABARITO
1 B
2 D
3 E
4 C
5 D
6 A
7 C
8 C
9 B
10 E
11 C
12 D
13 D
14 E
15 E
16 D
17 E
18 A
19 A
20 D
ANOTAÇÕES
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NOÇÕES DE DIREITO
I – DIREITO E GARANTIAS FUNDAMENTAIS: DIREITOS E
DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS; DIREITO À VIDA, À
LIBERDADE, À IGUALDADE, À SEGURANÇA E À PROPRIE-
DADE; DIREITOS SOCIAIS; NACIONALIDADE; CIDADANIA;
GARANTIAS CONSTITUCIONAIS INDIVIDUAIS; GARAN-
TIAS DOS DIREITOS COLETIVOS, SOCIAIS E POLÍTICOS
Distinção entre Direitos e Garantias Fundamentais
Pode-se dizer que os direitos fundamentais são os bens jurídi-
cos em si mesmos considerados, de cunho declaratório, narrados
no texto constitucional. Por sua vez, as garantias fundamentais são
estabelecidas na mesma Constituição Federal como instrumento de
proteção dos direitos fundamentais e, como tais, de cunho assecu-
ratório.
Evolução dos Direitos e Garantias Fundamentais
– Direitos Fundamentais de Primeira Geração
Possuem as seguintes características:
a) surgiram no final do século XVIII, no contexto da Revolução
Francesa, fase inaugural do constitucionalismo moderno, e domina-
ram todo o século XIX;
b) ganharam relevo no contexto do Estado Liberal, em oposição
ao Estado Absoluto;
c) estão ligados ao ideal de liberdade;
d) são direitos negativos, que exigem uma abstenção do Estado
em favor das liberdades públicas;
e) possuíam como destinatários os súditos como forma de pro-
teção em face da ação opressora do Estado;
f) são os direitos civis e políticos.
– Direitos Fundamentais de Segunda Geração
Possuem as seguintes características:
a) surgiram no início do século XX;
b) apareceram no contexto do Estado Social, em oposição ao
Estado Liberal;
c) estão ligados ao ideal de igualdade;
d) são direitospositivos, que passaram a exigir uma atuação
positiva do Estado;
e) correspondem aos direitos sociais, culturais e econômicos.
– Direitos Fundamentais de Terceira Geração
Em um próximo momento histórico, foi despertada a preocu-
pação com os bens jurídicos da coletividade, com os denominados
interesses metaindividuais (difusos, coletivos e individuais homogê-
neos), nascendo os direitos fundamentais de terceira geração.
Direitos Metaindividuais
Natureza Destinatários
Difusos Indivisível Indeterminados
Coletivos Indivisível
Determináveis
ligados por uma relação
jurídica
Individuais
Homogêneos Divisível
Determinados
ligados por uma situação
fática
Os Direitos Fundamentais de Terceira Geração possuem as se-
guintes características:
a) surgiram no século XX;
b) estão ligados ao ideal de fraternidade (ou solidariedade),
que deve nortear o convívio dos diferentes povos, em defesa dos
bens da coletividade;
c) são direitos positivos, a exigir do Estado e dos diferentes
povos uma firme atuação no tocante à preservação dos bens de
interesse coletivo;
d) correspondem ao direito de preservação do meio ambiente,
de autodeterminação dos povos, da paz, do progresso da humani-
dade, do patrimônio histórico e cultural, etc.
– Direitos Fundamentais de Quarta Geração
Segundo Paulo Bonavides, a globalização política é o fator his-
tórico que deu origem aos direitos fundamentais de quarta gera-
ção. Eles estão ligados à democracia, à informação e ao pluralismo.
Também são transindividuais.
– Direitos Fundamentais de Quinta Geração
Paulo Bonavides defende, ainda, que o direito à paz represen-
taria o direito fundamental de quinta geração.
Características dos Direitos e Garantias Fundamentais
São características dos Direitos e Garantias Fundamentais:
a) Historicidade: não nasceram de uma só vez, revelando sua
índole evolutiva;
b) Universalidade: destinam-se a todos os indivíduos, indepen-
dentemente de características pessoais;
c) Relatividade: não são absolutos, mas sim relativos;
d) Irrenunciabilidade: não podem ser objeto de renúncia;
e) Inalienabilidade: são indisponíveis e inalienáveis por não
possuírem conteúdo econômico-patrimonial;
f) Imprescritibilidade: são sempre exercíveis, não desparecen-
do pelo decurso do tempo.
Destinatários dos Direitos e Garantias Fundamentais
Todas as pessoas físicas, sem exceção, jurídicas e estatais, são
destinatárias dos direitos e garantias fundamentais, desde que
compatíveis com a sua natureza.
NOÇÕES DE DIREITO
38
Eficácia Horizontal dos Direitos e Garantias Fundamentais
Muito embora criados para regular as relações verticais, de su-
bordinação, entre o Estado e seus súditos, passam a ser emprega-
dos nas relações provadas, horizontais, de coordenação, envolven-
do pessoas físicas e jurídicas de Direito Privado.
Natureza Relativa dos Direitos e Garantias Fundamentais
Encontram limites nos demais direitos constitucionalmente
consagrados, bem como são limitados pela intervenção legislativa
ordinária, nos casos expressamente autorizados pela própria Cons-
tituição (princípio da reserva legal).
Colisão entre os Direitos e Garantias Fundamentais
O princípio da proporcionalidade sob o seu triplo aspecto (ade-
quação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito) é a
ferramenta apta a resolver choques entre os princípios esculpidos
na Carta Política, sopesando a incidência de cada um no caso con-
creto, preservando ao máximo os direitos e garantias fundamentais
constitucionalmente consagrados.
Os quatro status de Jellinek
a) status passivo ou subjectionis: quando o indivíduo se encon-
tra em posição de subordinação aos poderes públicos, caracterizan-
do-se como detentor de deveres para com o Estado;
b) status negativo: caracterizado por um espaço de liberdade
de atuação dos indivíduos sem ingerências dos poderes públicos;
c) status positivo ou status civitatis: posição que coloca o indi-
víduo em situação de exigir do Estado que atue positivamente em
seu favor;
d) status ativo: situação em que o indivíduo pode influir na for-
mação da vontade estatal, correspondendo ao exercício dos direi-
tos políticos, manifestados principalmente por meio do voto.
Os direitos individuais estão elencados no caput do Artigo 5º
da CF. São eles:
Direito à Vida
O direito à vida deve ser observado por dois prismas: o direito
de permanecer vivo e o direito de uma vida digna.
O direito de permanecer vivo pode ser observado, por exemplo,
na vedação à pena de morte (salvo em caso de guerra declarada).
Já o direito à uma vida digna, garante as necessidades vitais
básicas, proibindo qualquer tratamento desumano como a tortura,
penas de caráter perpétuo, trabalhos forçados, cruéis, etc.
Direito à Liberdade
O direito à liberdade consiste na afirmação de que ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de
lei. Tal dispositivo representa a consagração da autonomia privada.
Trata-se a liberdade, de direito amplo, já que compreende,
dentre outros, as liberdades: de opinião, de pensamento, de loco-
moção, de consciência, de crença, de reunião, de associação e de
expressão.
Direito à Igualdade
A igualdade, princípio fundamental proclamado pela Constitui-
ção Federal e base do princípio republicano e da democracia, deve
ser encarada sob duas óticas, a igualdade material e a igualdade
formal.
A igualdade formal é a identidade de direitos e deveres conce-
didos aos membros da coletividade por meio da norma.
Por sua vez, a igualdade material tem por finalidade a busca
da equiparação dos cidadãos sob todos os aspectos, inclusive o
jurídico. É a consagração da máxima de Aristóteles, para quem o
princípio da igualdade consistia em tratar igualmente os iguais e
desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam.
Sob o pálio da igualdade material, caberia ao Estado promover
a igualdade de oportunidades por meio de políticas públicas e leis
que, atentos às características dos grupos menos favorecidos, com-
pensassem as desigualdades decorrentes do processo histórico da
formação social.
Direito à Privacidade
Para o estudo do Direito Constitucional, a privacidade é gênero,
do qual são espécies a intimidade, a honra, a vida privada e a ima-
gem. De maneira que, os mesmos são invioláveis e a eles assegura-
-se o direito à indenização pelo dano moral ou material decorrente
de sua violação.
Direito à Honra
O direito à honra almeja tutelar o conjunto de atributos perti-
nentes à reputação do cidadão sujeito de direitos, exatamente por
tal motivo, são previstos no Código Penal.
Direito de Propriedade
É assegurado o direito de propriedade, contudo, com
restrições, como por exemplo, de que se atenda à função social da
propriedade. Também se enquadram como espécies de restrição do
direito de propriedade, a requisição, a desapropriação, o confisco
e o usucapião.
Do mesmo modo, é no direito de propriedade que se assegu-
ram a inviolabilidade do domicílio, os direitos autorais (propriedade
intelectual) e os direitos reativos à herança.
Destes direitos, emanam todos os incisos do Art. 5º, da CF/88,
conforme veremos abaixo:
TÍTULO II
DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Artigo 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I- homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos
termos desta Constituição;
II- ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coi-
sa senão em virtude de lei;
III- ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desu-
mano ou degradante;
IV- é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o ano-
nimato;
V- é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo,
além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI- é inviolável a liberdade de consciênciae de crença, sendo
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na for-
ma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
NOÇÕES DE DIREITO
39
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência
religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII- ninguém será privado de direitos por motivo de crença re-
ligiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para
eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir
prestação alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão de atividade intelectual, artística, cientí-
fica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a ima-
gem das pessoas, assegurado o direito à indenização por dano ma-
terial ou moral decorrente de sua violação;
XI- a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagran-
te delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por
determinação judicial;
XII- é inviolável o sigilo da correspondência e das comunica-
ções telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo,
no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a
lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução pro-
cessual penal;
XIII- é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
XIV- é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado
o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
XV- é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz,
podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permane-
cer ou dele sair com seus bens;
XVI- todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em lo-
cais abertos ao público, independentemente de autorização, desde
que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o
mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade com-
petente;
XVII- é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada
a de caráter paramilitar;
XVIII- a criação de associações e, na forma da lei, a de coope-
rativas independem de autorização, sendo vedada a interferência
estatal em seu funcionamento;
XIX- as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvi-
das ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-
-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX- ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a perma-
necer associado;
XXI- as entidades associativas, quando expressamente autori-
zadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou
extrajudicialmente;
XXII- é garantido o direito de propriedade;
XXIII- a propriedade atenderá a sua função social;
XXIV- a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação
por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, me-
diante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos
previstos nesta Constituição;
XXV- no caso de iminente perigo público, a autoridade com-
petente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao pro-
prietário indenização ulterior, se houver dano;
XXVI- a pequena propriedade rural, assim definida em lei, des-
de que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para
pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dis-
pondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização,
publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdei-
ros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII- são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e
à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades
desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das
obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intér-
pretes e às respectivas representações sindicais e associativas;
XXIX- a lei assegurará aos autores de inventos industriais privi-
légio temporário para sua utilização, bem como às criações indus-
triais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros
signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvi-
mento tecnológico e econômico do País;
XXX- é garantido o direito de herança;
XXXI- a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será
regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos
brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável à lei pessoal
do de cujus;
XXXII- o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do con-
sumidor;
XXXIII- todos têm direito a receber dos órgãos públicos informa-
ções de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral,
que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da
sociedade e do Estado;
XXXIV- são a todos assegurados, independentemente do paga-
mento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direi-
tos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defe-
sa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;
XXXV- a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão
ou ameaça a direito;
XXXVI- a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico
perfeito e a coisa julgada;
XXXVII- não haverá juízo ou tribunal de exceção;
XXXVIII- é reconhecida a instituição do júri, com a organização
que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude da defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra
a vida;
XXXIX- não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena
sem prévia cominação legal;
XL- a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
XLI- a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos
e liberdades fundamentais;
XLII- a prática do racismo constitui crime inafiançável e impres-
critível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
XLIII- a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de
graça ou anistia a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecen-
tes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hedion-
dos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem;
XLIV- constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de gru-
pos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o
Estado Democrático;
NOÇÕES DE DIREITO
40
XLV- nenhuma pena passará da pessoa do condenado, poden-
do a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;
XLVI- a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre
outras, as seguintes:
a) privação ou restrição de liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
XLVII- não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do
artigo 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
XLVIII- a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de
acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
XLIX- é assegurado aos presos o respeito à integridade física e
moral;
L- às presidiárias serão asseguradas condições para que possam
permanecer com seus filhos durante o período de amamentação;
LI- nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em
caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de com-
provado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, na forma da lei;
LII- não será concedida extradição de estrangeiro por crime po-
lítico ou de opinião;
LIII- ninguém será processado nem sentenciado senão por au-
toridade competente;
LIV- ninguém será privado da liberdadeou de seus bens sem o
devido processo legal;
LV- aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa,
com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI- são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por
meios ilícitos;
LVII- ninguém será considerado culpado até o trânsito em julga-
do da sentença penal condenatória;
LVIII- o civilmente identificado não será submetido à identifica-
ção criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;
LIX- será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se
esta não for intentada no prazo legal;
LX- a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais
quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
LXI- ninguém será preso senão em flagrante delito ou por or-
dem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente,
salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente mi-
litar, definidos em lei;
LXII- a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre
serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família
ou à pessoa por ele indicada;
LXIII- o preso será informado de seus direitos, entre os quais o
de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da famí-
lia e de advogado;
LXIV- o preso tem direito a identificação dos responsáveis por
sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXV- a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autorida-
de judiciária;
LXVI- ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a
lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;
LXVII- não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável
pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimen-
tícia e a do depositário infiel;
LXVIII- conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer
ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberda-
de de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
LXIX- conceder-se-á mandado de segurança para proteger di-
reito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habe-
as data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder
for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
atribuições de Poder Público;
LXX- o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legal-
mente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em
defesa dos interesses de seus membros ou associados;
LXXI- conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta
de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e
liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionali-
dade, à soberania e à cidadania;
LXXII- conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à
pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados
de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo
por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
LXXIII- qualquer cidadão é parte legítima para propor ação
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de
entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa,
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o
autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus
da sucumbência;
LXXIV- o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita
aos que comprovarem insuficiência de recursos;
LXXV- o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, as-
sim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença;
LXXVI- são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na for-
ma da lei:
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito.
LXXVII- são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data
e, na forma da lei, os atos necessário ao exercício da cidadania;
LXXVIII- a todos, no âmbito judicial e administrativo, são asse-
gurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a
celeridade de sua tramitação.
LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos
dados pessoais, inclusive nos meios digitais. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 115, de 2022)
§1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais
têm aplicação imediata.
§2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não
excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela
adotados, ou dos tratados internacionais em que a República
Federativa do Brasil seja parte.
§3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos
humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos
NOÇÕES DE DIREITO
41
§4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal
Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
O tratado foi equiparado no ordenamento jurídico brasileiro às
leis ordinárias. Em que pese tenha adquirido este caráter, o men-
cionado tratado diz respeito a direitos humanos, porém não possui
característica de emenda constitucional, pois entrou em vigor em
nosso ordenamento jurídico antes da edição da Emenda Constitu-
cional nº 45/04. Para que tal tratado seja equiparado às emendas
constitucionais deverá passar pelo mesmo rito de aprovação destas
Os direitos sociais são prestações positivas proporcionadas
pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas cons-
titucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais
fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações so-
ciais desiguais. São, portanto, direitos que se ligam ao direito de
igualdade. Estão previstos na CF nos artigos 6 a 11. Vejamos:
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS SOCIAIS
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação,
o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previ-
dência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência
aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)
Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade
social terá direito a uma renda básica familiar, garantida pelo poder
público em programa permanente de transferência de renda, cujas
normas e requisitos de acesso serão determinados em lei, observa-
da a legislação fiscal e orçamentária. (Incluído pela Emenda Consti-
tucional nº 114, de 2021)
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de
outros que visem à melhoria de sua condição social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária
ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá
indenização compensatória, dentre outros direitos;
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado,
capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua fa-
mília com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário,
higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos
que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação
para qualquer fim;
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do
trabalho;
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção
ou acordo coletivo;
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que
percebem remuneração variável;
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral
ou no valor da aposentadoria;
IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua
retenção dolosa;
XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da re-
muneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empre-
sa, conforme definido em lei;
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalha-
dor de baixa renda nos termos da lei;
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas di-árias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de
horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção
coletiva de trabalho;
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos
ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva;
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos do-
mingos;
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no míni-
mo, em cinquenta por cento à do normal;
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um
terço a mais do que o salário normal;
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário,
com a duração de cento e vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante in-
centivos específicos, nos termos da lei;
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no
mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de
normas de saúde, higiene e segurança;
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas,
insalubres ou perigosas, na forma da lei;
XXIV - aposentadoria;
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nas-
cimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas;
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de
trabalho;
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empre-
gador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando
incorrer em dolo ou culpa;
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de
trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalha-
dores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do
contrato de trabalho;
a) (Revogada).
b) (Revogada).
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de fun-
ções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou
estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário
e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência;
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e
intelectual ou entre os profissionais respectivos;
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a
menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis
anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo
empregatício permanente e o trabalhador avulso.
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhado-
res domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X,
XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII
e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a sim-
plificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e
acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiarida-
des, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como
a sua integração à previdência social.
NOÇÕES DE DIREITO
42
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado
o seguinte:
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação
de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas
ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sin-
dical;
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em
qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econô-
mica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalha-
dores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à
área de um Município;
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coleti-
vos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou
administrativas;
IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratan-
do de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio
do sistema confederativo da representação sindical respectiva, in-
dependentemente da contribuição prevista em lei;
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a
sindicato;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações
coletivas de trabalho;
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas
organizações sindicais;
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a par-
tir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação
sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do
mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à orga-
nização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas
as condições que a lei estabelecer.
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos tra-
balhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os
interesses que devam por meio dele defender.
§1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá
sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
§2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas
da lei.
Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e em-
pregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus inte-
resses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão
e deliberação.
Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é as-
segurada a eleição de um representante destes com a finalidade
exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empre-
gadores.
Os direitos sociais regem-se pelos princípios abaixo:
– Princípio da proibição do retrocesso: qualifica-se pela impos-
sibilidade de redução do grau de concretização dos direitos sociais
já implementados pelo Estado. Ou seja, uma vez alcançado deter-
minado grau de concretização de um direito social, fica o legislador
proibido de suprimir ou reduzir essa concretização sem que haja
a criação de mecanismos equivalentes chamados de medias com-
pensatórias.
– Princípio da reserva do possível: a implementação dos di-
reitos e garantias fundamentais de segunda geração esbarram no
óbice do financeiramente possível.
– Princípio do mínimo existencial: é um conjunto de bens e
direitos vitais básicos indispensáveis a uma vida humana digna,
intrinsecamente ligado ao fundamento da dignidade da pessoa
humana previsto no Artigo 1º, III, CF. A efetivação do mínimo
existencial não se sujeita à reserva do possível, pois tais direitos se
encontram na estrutura dos serviços púbicos essenciais.
Os direitos sociais são divididos em:
Direitos relativos aos trabalhadores
Direitos relativos ao salário, às condições de trabalho, à liber-
dade de instituição sindical, o direito de greve, entre outros (CF, ar-
tigos 7º a 11).
Direitos relativos ao homem consumidor
Direito à saúde, à educação, à segurança social, ao desenvolvi-
mento intelectual, o igual acesso das crianças e adultos à instrução,
à cultura e garantia ao desenvolvimento da família, que estariam no
título da ordem social.
Os direitos referentes à nacionalidade estão previstos dos Ar-
tigos 12 a 13 da CF. Vejamos:
CAPÍTULO III
DA NACIONALIDADE
Art. 12. São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de
pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu
país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasilei-
ra, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federa-
tiva do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe bra-
sileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira com-
petente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e
optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela
nacionalidade brasileira;
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira,
exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas resi-
dência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na
República Federativa do Brasil há mais dequinze anos ininterrup-
tos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade
brasileira.
§1º Aos portugueses com residência permanente no País, se
houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos
os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta
Constituição.
§2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros
natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição.
§3º São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
NOÇÕES DE DIREITO
43
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
§4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em
virtude de fraude relacionada ao processo de naturalização ou de
atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)
II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira
perante autoridade brasileira competente, ressalvadas situações
que acarretem apatridia. (Redação dada pela Emenda Constitucio-
nal nº 131, de 2023)
a) revogada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
131, de 2023)
b) revogada. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
131, de 2023)
§5º A renúncia da nacionalidade, nos termos do inciso II do §4º
deste artigo, não impede o interessado de readquirir sua nacionali-
dade brasileira originária, nos termos da lei. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 131, de 2023)
Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Fe-
derativa do Brasil.
§1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira,
o hino, as armas e o selo nacionais.
§2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter
símbolos próprios.
A Nacionalidade é o vínculo jurídico-político de Direito Público
interno, que faz da pessoa um dos elementos componentes da di-
mensão pessoal do Estado (o seu povo).
Considera-se povo o conjunto de nacionais, ou seja, os brasilei-
ros natos e naturalizados.
Espécies de Nacionalidade
São duas as espécies de nacionalidade:
a) Nacionalidade primária, originária, de 1º grau, involuntá-
ria ou nata: é aquela resultante de um fato natural, o nascimento.
Trata-se de aquisição involuntária de nacionalidade, decorrente do
simples nascimento ligado a um critério estabelecido pelo Estado
na sua Constituição Federal. Descrita no Artigo 12, I, CF/88.
b) Nacionalidade secundária, adquirida, por aquisição, de 2º
grau, voluntária ou naturalização: é a que se adquire por ato voliti-
vo, depois do nascimento, somado ao cumprimento dos requisitos
constitucionais. Descrita no Artigo 12, II, CF/88.
O quadro abaixo auxilia na memorização das diferenças entre
as duas:
Nacionalidade
Primária Secundária
Nascimento + Requisitos
constitucionais
Ato de vontade + Requisitos
constitucionais
Brasileiro Nato Brasileiros Naturalizado
• Critérios para Adoção de Nacionalidade Primária
O Estado pode adotar dois critérios para a concessão da nacio-
nalidade originária: o de origem sanguínea (ius sanguinis) e o de
origem territorial (ius solis).
O critério ius sanguinis tem por base questões de hereditarie-
dade, um vínculo sanguíneo com os ascendentes.
O critério ius solis concede a nacionalidade originária aos nas-
cidos no território de um determinado Estado, sendo irrelevante a
nacionalidade dos genitores.
A CF/88 adotou o critério ius solis como regra geral, possibili-
tando em alguns casos, a atribuição de nacionalidade primária pau-
tada no ius sanguinis.
Portugueses Residentes no Brasil
O §1º do Artigo 12 da CF confere tratamento diferenciado aos
portugueses residentes no Brasil. Não se trata de hipótese de natu-
ralização, mas tão somente forma de atribuição de direitos.
Portugueses Equiparados
Igual os Direitos
dos Brasileiros
Naturalizados
Se
houver
1) Residência permanente no Brasil;
2) Reciprocidade aos brasileiros
em Portugal.
Distinção entre Brasileiros Natos e Naturalizados
A CF/88 em seu Artigo 12, §2º, prevê que a lei não poderá fa-
zer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, com exceção às
seguintes hipóteses:
Cargos privativos de brasileiros natos → Artigo 12, §3º, CF;
Função no Conselho da República → Artigo 89, VII, CF;
Extradição → Artigo 5º, LI, CF; e
Direito de propriedade → Artigo 222, CF.
Perda da Nacionalidade
O Artigo 12, §4º da CF refere-se à perda da nacionalidade, que
apenas poderá ocorrer nas duas hipóteses taxativamente elencadas
na CF, sob pena de manifesta inconstitucionalidade.
Dupla Nacionalidade
O Artigo 12, §4º, II da CF traz duas hipóteses em que a opção
por outra nacionalidade não ocasiona a perda da brasileira, passan-
do o nacional a possuir dupla nacionalidade (polipátrida).
Polipátrida → aquele que possui mais de uma nacionalidade.
Heimatlos ou Apátrida → aquele que não possui nenhuma na-
cionalidade.
Idioma Oficial e Símbolos Nacionais
Por fim, o Artigo 13 da CF elenca o Idioma Oficial e os Símbolos
Nacionais do Brasil.
Os Direitos Políticos têm previsão legal na CF/88, em seus Arti-
gos 14 a 16. Seguem abaixo:
CAPÍTULO IV
DOS DIREITOS POLÍTICOS
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio univer-
sal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos
termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.
§1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
NOÇÕES DE DIREITO
44
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
§2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e,
durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos.
§3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da Re-
pública e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e
do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual
ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
§4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
§5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e
do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou
substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um
único período subsequente.
§6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da
República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os
Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis
meses antes do pleito.
§7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o
cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau
ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de
Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os
haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se
já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
§8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes
condições:
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se
da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela
autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato
da diplomação, para a inatividade.
§9º Lei complementar estabelecerá outros casos de
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a
probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato
considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e
legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou
o abuso do exercíciode função, cargo ou emprego na administração
direta ou indireta.
§10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça
Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída
a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou
fraude.
§11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo
de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou
de manifesta má-fé.
§12. Serão realizadas concomitantemente às eleições
municipais as consultas populares sobre questões locais aprovadas
pelas Câmaras Municipais e encaminhadas à Justiça Eleitoral até
90 (noventa) dias antes da data das eleições, observados os limites
operacionais relativos ao número de quesitos. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 111, de 2021)
§13. As manifestações favoráveis e contrárias às questões
submetidas às consultas populares nos termos do §12 ocorrerão
durante as campanhas eleitorais, sem a utilização de propaganda
gratuita no rádio e na televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 111, de 2021)
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou
suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em
julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto du-
rarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação
alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, §4º.
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor
na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até
um ano da data de sua vigência.
De acordo com José Afonso da Silva, os direitos políticos, rela-
cionados à primeira geração dos direitos e garantias fundamentais,
consistem no conjunto de normas que asseguram o direito subjetivo
de participação no processo político e nos órgãos governamentais.
São instrumentos previstos na Constituição e em normas infra-
constitucionais que permitem o exercício concreto da participação
do povo nos negócios políticos do Estado.
Capacidade Eleitoral Ativa
Segundo o Artigo 14, §1º da CF, a capacidade eleitoral ativa é
o direito de votar nas eleições, nos plebiscitos ou nos referendos,
cuja aquisição se dá com o alistamento eleitoral, que atribui ao na-
cional a condição de cidadão (aptidão para o exercício de direitos
políticos).
Alistamento Eleitoral e Voto
Obriga-
tório
Faculta-
tivo Inalistável – Artigo 14, §2º
Maio-
res de 18 e
menores de
70 anos
Maio-
res de 16 e
menores de
18 anos
Maiores
de 70 anos
Analfa-
betos
Estrangeiros (com exceção
aos portugueses equiparados,
constantes no Artigo 12, §1º da
CF)
Conscritos (aqueles con-
vocados para o serviço militar
obrigatório)
– Características do Voto
O voto no Brasil é direito (como regra), secreto, universal, com
valor igual para todos, periódico, personalíssimo, obrigatório e livre.
Capacidade Eleitoral Passiva
Também chamada de Elegibilidade, a capacidade eleitoral pas-
siva diz respeito ao direito de ser votado, ou seja, de eleger-se para
cargos políticos. Tem previsão legal no Artigo 14, §3º da CF.
NOÇÕES DE DIREITO
45
O quadro abaixo facilita a memorização da diferença entre as
duas espécies de capacidade eleitoral. Vejamos:
Capacidade Eleitoral
Ativa
Capacidade Eleitoral
Passiva
Alistabilidade Elegibilidade
Direito de votar Direito de ser votado
Inelegibilidades
A inelegibilidade afasta a capacidade eleitoral passiva (direito
de ser votado), constituindo-se impedimento à candidatura a man-
datos eletivos nos Poderes Executivo e Legislativo.
– Inelegibilidade Absoluta
Com previsão legal no Artigo 14, §4º da CF, a inelegibilidade ab-
soluta impede que o cidadão concorra a qualquer mandato eletivo
e, em virtude de natureza excepcional, somente pode ser estabele-
cida na Constituição Federal.
Refere-se aos Inalistáveis e aos Analfabetos.
– Inelegibilidade Relativa
Consiste em restrições que recaem à candidatura a determi-
nados cargos eletivos, em virtude de situações próprias em que se
encontra o cidadão no momento do pleito eleitoral. São elas:
– Vedação ao terceiro mandato sucessivo para os Chefes do Po-
der Executivo (Artigo 14, §5º, CF);
– Desincompatibilização para concorrer a outros cargos, aplica-
da apenas aos Chefes do Poder Executivo (Artigo 14, §6º, CF);
– Inelegibilidade reflexa, ou seja, inelegibilidade relativa por mo-
tivos de casamento, parentesco ou afinidade, uma vez que não incide
sobre o mandatário, mas sim perante terceiros (Artigo 14, §7º, CF).
Condição de Militar
O militar alistável é elegível, desde que atenda as exigências
previstas no §8º do Artigo 14, da CF, a saber:
I – se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se
da atividade;
II – se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela
autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato
da diplomação, para a inatividade.
Observa-se que a norma restringe a elegibilidade aos militares
alistáveis, logo, os conscritos, que são inalistáveis, são inelegíveis. O
quadro abaixo serve como exemplo:
Militares – Exceto os Conscritos
Menos de 10 anos Registro da candidatura → Inatividade
Mais de 10 anos
Registro da candidatura →
Agregado
Na diplomação → Inativi-
dade
Privação dos Direitos Políticos
De acordo com o Artigo 15 da CF, o cidadão pode ser privado
dos seus direitos políticos por prazo indeterminado (perda), sendo
que, neste caso, o restabelecimento dos direitos políticos depende-
rá do exercício de ato de vontade do indivíduo, de um novo alista-
mento eleitoral.
Da mesma forma, a privação dos direitos políticos pode se dar
por prazo determinado (suspensão), em que o restabelecimento se
dará automaticamente, ou seja, independentemente de manifesta-
ção do suspenso, desde que ultrapassado as razões da suspensão.
Vejamos:
Privação dos Direitos Políticos
Perda Suspensão
Privação por prazo
indeterminado
Privação por prazo
determinado
Restabelecimento dos
direitos políticos depende
de um novo alistamento
eleitoral
Restabelecimento
dos direitos políticos se dá
automaticamente
A previsão legal dos Partidos Políticos de dá no Artigo 17 da CF.
Vejamos:
CAPÍTULO V
DOS PARTIDOS POLÍTICOS
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de
partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime de-
mocrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa
humana e observados os seguintes preceitos:
I - caráter nacional;
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entida-
de ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes;
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
§1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir
sua estrutura interna e estabelecer regras sobre escolha, formação
e duração de seus órgãos permanentes e provisórios e sobre sua
organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha
e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a
sua celebração nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade
de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual,
distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas
de disciplina e fidelidade partidária. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 97, de 2017)
§2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade
jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal
Superior Eleitoral.
§3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e
acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos
políticos que alternativamente: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 97, de 2017)
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no
mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo
menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 2%
(dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou (Incluídopela Emenda Constitucional nº 97, de 2017)
NOÇÕES DE DIREITO
46
II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais dis-
tribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. (In-
cluído pela Emenda Constitucional nº 97, de 2017)
§4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização
paramilitar.
§5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos
previstos no §3º deste artigo é assegurado o mandato e
facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro partido que
os tenha atingido, não sendo essa filiação considerada para fins
de distribuição dos recursos do fundo partidário e de acesso
gratuito ao tempo de rádio e de televisão. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 97, de 2017)
§6º Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os
Deputados Distritais e os Vereadores que se desligarem do partido
pelo qual tenham sido eleitos perderão o mandato, salvo nos
casos de anuência do partido ou de outras hipóteses de justa
causa estabelecidas em lei, não computada, em qualquer caso, a
migração de partido para fins de distribuição de recursos do fundo
partidário ou de outros fundos públicos e de acesso gratuito ao
rádio e à televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111,
de 2021)
§7º Os partidos políticos devem aplicar no mínimo 5% (cinco
por cento) dos recursos do fundo partidário na criação e na
manutenção de programas de promoção e difusão da participação
política das mulheres, de acordo com os interesses intrapartidários.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022)
§8º O montante do Fundo Especial de Financiamento de
Campanha e da parcela do fundo partidário destinada a campanhas
eleitorais, bem como o tempo de propaganda gratuita no rádio e na
televisão a ser distribuído pelos partidos às respectivas candidatas,
deverão ser de no mínimo 30% (trinta por cento), proporcional
ao número de candidatas, e a distribuição deverá ser realizada
conforme critérios definidos pelos respectivos órgãos de direção e
pelas normas estatutárias, considerados a autonomia e o interesse
partidário. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022)
De acordo com os ensinamentos de José Afonso da Silva, o par-
tido político é uma forma de agremiação de um grupo social que
se propõe a organizar, coordenar e instrumentar a vontade popular
com o fim de assumir o poder para realizar seu programa de go-
verno.
Os partidos são a base do sistema político brasileiro, pois a filia-
ção a partido político é uma das condições de elegibilidade.
Trata-se de um privilégio aos ideais políticos, que devem estar
acima das características pessoais do candidato.
Segundo Dirley da Cunha Júnior, entende-se por partido polí-
tico uma pessoa jurídica de Direito Privado que consiste na união
ou agremiação voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e
políticas, organizada segundo princípios de disciplina e fidelidade.
Tal conceito vai ao encontro das disposições acerca dos parti-
dos políticos trazidas pelo Artigo 1º da Lei nº 9296/1995, para quem
o partido político, pessoa jurídica de Direito Privado, destina-se a
assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do
sistema representativo e a defender os direitos fundamentais defi-
nidos na Constituição Federal.
A Constituição confere ampla liberdade aos partidos políticos,
uma vez que são instituições indispensáveis para concretização do
Estado democrático de direito, muito embora restrinja a utilização
de organização paramilitar.
Remédios e Garantias Constitucionais
As ações constitucionais dispostas no Artigo 5º da CF também
são conhecidas como remédios constitucionais, porque servem
para “curar a doença” do descumprimento de direitos fundamen-
tais.
Em outras palavras, são instrumentos colocados à disposição
dos indivíduos para garantir o cumprimento dos direitos fundamen-
tais.
– Habeas Corpus
O habeas corpus é a ação constitucional que tutela o direito
fundamental à liberdade ambulatorial, ou seja, o direito de ir, vir e
estar/permanecer em algum lugar.
De acordo com o texto constitucional, o habeas corpus pode
ser:
– Preventivo: “sempre que alguém se achar ameaçado de so-
frer”;
– Repressivo: “sempre que alguém sofrer”.
Ambos em relação a violência ou coação em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.
– Habeas Data
O habeas data é a ação constitucional impetrada por pessoa
física ou jurídica, que tenha por objetivo assegurar o conhecimento
de informações sobre si, constantes de registros ou banco de dados
de entidades governamentais ou de caráter público, ou para retifi-
cação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso,
judicial ou administrativo.
Esse remédio constitucional está regulamentado pela Lei
9.507/97, que disciplina o direito de acesso a informações e o rito
processual do habeas data.
– Mandado de Segurança
O mandado de segurança individual é a ação constitucional im-
petrada por pessoa física ou jurídica, ou ente despersonalizado, que
busca a tutela de direito líquido e certo, não amparado por habeas
corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou
abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica
no exercício de atribuições do Poder Público.
Observa-se, portanto, que o mandado de segurança tem cabi-
mento subsidiário. É disciplinado pela Lei 12.016/09.
– Mandado de Segurança Coletivo
O mandado de segurança coletivo é a ação constitucional im-
petrada por partido político com representação no Congresso Na-
cional, organização sindical, entidade de classe ou associação legal-
mente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano (em
defesa dos interesses de seus membros ou associados), que busca
a tutela de direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus
ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso
de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no
exercício de atribuições do Poder Público.
– Mandado de Injunção
O mandado de injunção é a ação constitucional impetrada por
pessoa física ou jurídica, ou ente despersonalizado, que objetive sa-
nar a falta de norma regulamentadora que torne inviável o exercício
dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas ineren-
tes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.
NOÇÕES DE DIREITO
47
Basicamente, pode-se dizer que o mandado de injunção é ajui-
zado em face das normas de eficácia limitada, que são aquelas que
possuem aplicabilidade indireta, mediata e reduzida (não direta,
não imediata e não integral), pois exigem norma infraconstitucio-
nal, que, até hoje, não existe.
É regulado pela Lei 13.300/2016.
– Ação Popular
A ação popular é o remédio constitucional ajuizado por qual-
quer cidadão, que tenha por objetivo anular ato lesivo ao patrimô-
nio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralida-
de administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e
cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas
judiciais e do ônus da sucumbência.
A ação popular será regulamentada infraconstitucionalmente
pela Lei 4.717/65.
Direitos Constitucionais-Penais e Garantias Constitucionais do
Processo
– Direitos Constitucionais Penais
A Constituição Federal de 1988, no capítulo referente aos direi-
tos e deveres individuai e coletivos, definiu vários princípios consti-
tucionais penais, garantidores de garantias aos cidadãos quando o
Estado é obrigado a colocar em prática o jus puniendi, para que não
existam arbitrariedades e nem regimes de exceção1. São eles:
Dignidade da pessoa humana, Igualdade ou isonomia, Legali-
dade e anterioridade, Irretroatividade da lei penal, Personalidade
da pena, Individualização da pena, Humanidade, Intervenção míni-
ma, Alteridade, Culpabilidade, Proporcionalidade, Ofensividade ou
lesividade, Insignificância e Adequação social.
Tais princípios são norteadores da atuação Estatal no campo
penal, para a garantia de um processo imparcial e justo, afastando
qualquer puniçãoexacerbada e desmedida quando da aplicação da
pena e garantidor do devido processo legal, amparado no contradi-
tório e na ampla defesa. Fundamentos de um Estado Democrático
de Direito.
Assim, a observância dos princípios constitucionais penais é de
suma importância para a garantia dos direitos fundamentais e para
a aplicação da lei penal, sendo, pois, repetido no Código Penal e nas
demais leis, como forma de concretização da Justiça.
– Garantias Constitucionais do Processo
No art. 5º da Constituição da República, entre os direitos fun-
damentais, estão estabelecidos os princípios constitucionais básicos
do processo justo, quais sejam: a garantia de pleno acesso à justiça,
a garantia do juiz natural (não haverá juízo ou Tribunal de exceção),
ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
competente, a garantia do devido processo legal, do contraditório e
da ampla defesa, a vedação das provas ilícitas, a garantia de publici-
dade dos atos processuais (exigência de fundamentação de todas as
decisões judiciais), o dever de assistência jurídica integral e gratuita
a todos que comprovarem insuficiência de recursos, a garantia de
duração razoável do processo e da adoção de meios para assegurar
a celeridade de sua tramitação2.
1 http://iccs.com.br/dos-principios-constitucionais-penais-rodrigo-otavio-dos-
-reis-chediak/
2 COSTA, Miguel do Nascimento. Das garantias constitucionais e o devido
Possível, ainda, apontar-se outros princípios constitucionais do
processo justo, como o direito à representação técnica e à paridade
de armas.
O modelo mínimo de processo, no Estado Democrático de Di-
reito, portanto, somente pode ser buscado na Constituição. A fiel
observância do direito ao processo justo é condição indispensável
para produzir decisões justas, ou seja, trata-se de elemento neces-
sário, embora não único e suficiente, para se assegurar justiça ao
caso concreto.
O direito ao processo justo, portanto, constitui direito à orga-
nização de um processo justo, tarefa do legislador infraconstitucio-
nal, do administrador da justiça e do órgão jurisdicional. Assim, a
consecução do direito ao processo justo depende de sua própria
viabilização pelo Estado Democrático de Direito, mediante a edição
de normas, a administração da estrutura judicante e pela própria
atuação jurisdicional.
II – A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO: ADMINISTRAÇÃO PÚ-
BLICA (ARTIGOS DE 37 A 41, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
DE 1988)
Disposições gerais e servidores públicos
A expressão Administração Pública em sentido objetivo traduz
a ideia de atividade, tarefa, ação ou função de atendimento ao inte-
resse coletivo. Já em sentido subjetivo, indica o universo dos órgãos
e pessoas que desempenham função pública.
Conjugando os dois sentidos, pode-se conceituar a Administra-
ção Pública como sendo o conjunto de pessoas e órgãos que de-
sempenham uma função de atendimento ao interesse público, ou
seja, que estão a serviço da coletividade.
Princípios da Administração Pública
Nos termos do caput do Artigo 37 da CF, a administração públi-
ca direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
As provas de Direito Constitucional exigem com frequência a
memorização de tais princípios. Assim, para facilitar essa memori-
zação, já é de praxe valer-se da clássica expressão mnemônica “LIM-
PE”. Observe o quadro abaixo:
Princípios da Administração Pública
L Legalidade
I Impessoalidade
M Moralidade
P Publicidade
E Eficiência
LIMPE
processo no Estado liberal aos direitos fundamentais e o processo justo no Estado
Democrático de Direito. Revista da AJURIS – Porto Alegre, v. 42, n. 139, dezem-
bro, 2015.
NOÇÕES DE DIREITO
48
Passemos ao conceito de cada um deles:
– Princípio da Legalidade
De acordo com este princípio, o administrador não pode agir
ou deixar de agir, senão de acordo com a lei, na forma determinada.
O quadro abaixo demonstra suas divisões.
Princípio da Legalidade
Em relação à
Administração Pública
A Administração Pública
somente pode fazer o que a lei
permite → Princípio da Estrita
Legalidade
Em relação ao Particular O Particular pode fazer tudo
que a lei não proíbe
– Princípio da Impessoalidade
Em decorrência deste princípio, a Administração Pública deve
servir a todos, sem preferências ou aversões pessoais ou partidá-
rias, não podendo atuar com vistas a beneficiar ou prejudicar de-
terminadas pessoas, uma vez que o fundamento para o exercício de
sua função é sempre o interesse público.
– Princípio da Moralidade
Tal princípio caracteriza-se por exigir do administrador público
um comportamento ético de conduta, ligando-se aos conceitos de
probidade, honestidade, lealdade, decoro e boa-fé.
A moralidade se extrai do senso geral da coletividade represen-
tada e não se confunde com a moralidade íntima do administrador
(moral comum) e sim com a profissional (ética profissional).
O Artigo 37, §4º da CF elenca as consequências possíveis, devi-
do a atos de improbidade administrativa:
Sanções ao cometimento de atos de improbidade administra-
tiva
Suspensão dos direitos políticos (responsabilidade política)
Perda da função pública (responsabilidade disciplinar)
Indisponibilidade dos bens (responsabilidade patrimonial)
Ressarcimento ao erário (responsabilidade patrimonial)
– Princípio da Publicidade
O princípio da publicidade determina que a Administração Pú-
blica tem a obrigação de dar ampla divulgação dos atos que pratica,
salvo a hipótese de sigilo necessário.
A publicidade é a condição de eficácia do ato administrativo e
tem por finalidade propiciar seu conhecimento pelo cidadão e pos-
sibilitar o controle por todos os interessados.
– Princípio da Eficiência
Segundo o princípio da eficiência, a atividade administrativa
deve ser exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional,
evitando atuações amadorísticas.
Este princípio impõe à Administração Pública o dever de agir
com eficiência real e concreta, aplicando, em cada caso concreto, a
medida, dentre as previstas e autorizadas em lei, que mais satisfaça
o interesse público com o menor ônus possível (dever jurídico de
boa administração).
Em decorrência disso, a administração pública está obrigada a
desenvolver mecanismos capazes de propiciar os melhores resul-
tados possíveis para os administrados. Portanto, a Administração
Pública será considerada eficiente sempre que o melhor resultado
for atingido.
Disposições Gerais na Administração Pública
O esquema abaixo sintetiza a definição de Administração Pú-
blica:
Administração Pública
Direta Indireta
Federal
Estadual
Distrital
Municipal
Autarquias (podem ser
qualificadas como agências
reguladoras)
Fundações (autarquias
e fundações podem ser
qualificadas como agências
executivas)
Sociedades de economia
mista
Empresas públicas
Entes Cooperados
Não integram a Administração Pública, mas prestam
serviços de interesse público. Exemplos: SESI, SENAC, SENAI,
ONG’s
As disposições gerais sobre a Administração Pública estão elen-
cadas nos Artigos 37 e 38 da CF. Vejamos:
CAPÍTULO VII
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
SEÇÃO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni-
cípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, mo-
ralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim
como aos estrangeiros, na forma da lei;
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de
aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e
títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou em-
prego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para car-
go em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
III - oprazo de validade do concurso público será de até dois
anos, prorrogável uma vez, por igual período;
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convo-
cação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de pro-
vas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursa-
dos para assumir cargo ou emprego, na carreira;
NOÇÕES DE DIREITO
49
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por ser-
vidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a se-
rem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e
percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atri-
buições de direção, chefia e assessoramento;
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre asso-
ciação sindical;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites
definidos em lei específica;
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos
para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de
sua admissão;
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo de-
terminado para atender a necessidade temporária de excepcional
interesse público;
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que
trata o §4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por
lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, asse-
gurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção
de índices;
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, fun-
ções e empregos públicos da administração direta, autárquica e
fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de
mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos,
pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativa-
mente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer ou-
tra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie,
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como li-
mite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no
Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do
Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no
âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do
Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco cen-
tésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do
Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável
este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e
aos Defensores Públicos;
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder
Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Execu-
tivo;
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer es-
pécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do
serviço público;
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor públi-
co não serão computados nem acumulados para fins de concessão
de acréscimos ulteriores;
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e
empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos inci-
sos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, §4º, 150, II, 153, III, e 153,
§2º, I;
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos,
exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em
qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de
saúde, com profissões regulamentadas;
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e fun-
ções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, socieda-
des de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas,
direta ou indiretamente, pelo poder público;
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais te-
rão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência
sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;
XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e
autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de eco-
nomia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste úl-
timo caso, definir as áreas de sua atuação;
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação
de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim
como a participação de qualquer delas em empresa privada;
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras,
serviços, compras e alienações serão contratados mediante pro-
cesso de licitação pública que assegure igualdade de condições a
todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações
de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos ter-
mos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação
técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das
obrigações.
XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcio-
namento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específi-
cas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades
e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento
de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.
§1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo,
informativo ou de orientação social, dela não podendo constar
nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal
de autoridades ou servidores públicos.
§2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a
nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos
da lei.
§3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na
administração pública direta e indireta, regulando especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos
em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento
ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade
dos serviços;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a infor-
mações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X
e XXXIII;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente
ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública.
§4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a
suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a
indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e
gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
§5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos
praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem
prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de
ressarcimento.
NOÇÕES DE DIREITO
50
§6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos
de dolo ou culpa.
§7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante
de cargo ou emprego da administração direta e indireta que
possibilite o acesso a informações privilegiadas.
§8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos
órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá
ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus
administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação
de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei
dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direi-
tos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.”
§9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às
sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem
recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos
Municípios para pagamento de despesas depessoal ou de custeio
em geral.
§10. É vedada a percepção simultânea de proventos de
aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a
remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os
cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos
e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e
exoneração.
§11. Não serão computadas, para efeito dos limites
remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as
parcelas de caráter indenizatório previstas em lei.
§12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo,
fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito,
mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica,
como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do
respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte
e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros
do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste
parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos
Vereadores.
§13. O servidor público titular de cargo efetivo poderá
ser readaptado para exercício de cargo cujas atribuições e
responsabilidades sejam compatíveis com a limitação que
tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, enquanto
permanecer nesta condição, desde que possua a habilitação e o
nível de escolaridade exigidos para o cargo de destino, mantida
a remuneração do cargo de origem. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§14. A aposentadoria concedida com a utilização de tempo
de contribuição decorrente de cargo, emprego ou função pública,
inclusive do Regime Geral de Previdência Social, acarretará o
rompimento do vínculo que gerou o referido tempo de contribuição.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§15. É vedada a complementação de aposentadorias de
servidores públicos e de pensões por morte a seus dependentes
que não seja decorrente do disposto nos §§14 a 16 do art. 40 ou que
não seja prevista em lei que extinga regime próprio de previdência
social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§16. Os órgãos e entidades da administração pública, individual
ou conjuntamente, devem realizar avaliação das políticas públicas,
inclusive com divulgação do objeto a ser avaliado e dos resultados
alcançados, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 109, de 2021)
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica
e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as se-
guintes disposições:
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital,
ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo,
emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remune-
ração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibili-
dade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego
ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não
havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício
de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos
os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V - na hipótese de ser segurado de regime próprio de previdência
social, permanecerá filiado a esse regime, no ente federativo de ori-
gem. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Servidores Públicos
Os servidores públicos são pessoas físicas que prestam serviços
à administração pública direta, às autarquias ou fundações públi-
cas, gerando entre as partes um vínculo empregatício ou estatutá-
rio. Esses serviços são prestados à União, aos Estados-membros, ao
Distrito Federal ou aos Municípios.
As disposições sobre os Servidores Públicos estão elencadas
dos Artigos 39 a 41 da CF. Vejamos:
SEÇÃO II
DOS SERVIDORES PÚBLICOS
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único
e planos de carreira para os servidores da administração pública
direta, das autarquias e das fundações públicas.
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
instituirão conselho de política de administração e remuneração de
pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Po-
deres.
§1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais
componentes do sistema remuneratório observará:
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos
cargos componentes de cada carreira;
II - os requisitos para a investidura;
III - as peculiaridades dos cargos.
§2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas
de governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores
públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos
requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a
celebração de convênios ou contratos entre os entes federados.
§3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o
disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX,
XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados
de admissão quando a natureza do cargo o exigir.
NOÇÕES DE DIREITO
51
§4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os
Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão
remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única,
vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono,
prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória,
obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI.
§5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor
remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer
caso, o disposto no art. 37, XI.
§6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão
anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e
empregos públicos.
§7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios disciplinará a aplicação de recursos orçamentários
provenientes da economia com despesas correntes em cada
órgão, autarquia e fundação, para aplicação no desenvolvimento
de programas de qualidade e produtividade, treinamento e
desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização
do serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de
produtividade.
§8º A remuneração dos servidores públicos organizados em
carreira poderá ser fixada nos termos do §4º.
§9º É vedada a incorporação de vantagens de caráter
temporário ou vinculadas ao exercício de função de confiança ou
de cargo em comissão à remuneração do cargo efetivo. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos servidores
titulares de cargos efetivos terá caráter contributivo e solidário,
mediante contribuição do respectivo ente federativo, de servidores
ativos, de aposentados e de pensionistas, observados critérios que
preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§1º O servidor abrangido por regime próprio de previdência
social será aposentado: (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 103, de 2019)
I - por incapacidade permanente para o trabalho, no cargo em
que estiver investido, quando insuscetível de readaptação, hipótese
em que será obrigatória a realização de avaliações periódicas para
verificação da continuidade das condições que ensejaram a conces-
são da aposentadoria, na forma de lei do respectivo ente federa-
tivo; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo
de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta
e cinco) anos de idade, na forma de lei complementar;
III - no âmbito da União, aos 62 (sessenta e dois) anos de idade,
se mulher, e aos 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem,
e, no âmbitodos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na
idade mínima estabelecida mediante emenda às respectivas Cons-
tituições e Leis Orgânicas, observados o tempo de contribuição e os
demais requisitos estabelecidos em lei complementar do respectivo
ente federativo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
de 2019)
§2º Os proventos de aposentadoria não poderão ser inferiores
ao valor mínimo a que se refere o §2º do art. 201 ou superiores
ao limite máximo estabelecido para o Regime Geral de Previdência
Social, observado o disposto nos §§14 a 16. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§3º As regras para cálculo de proventos de aposentadoria
serão disciplinadas em lei do respectivo ente federativo. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§4º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados
para concessão de benefícios em regime próprio de previdência
social, ressalvado o disposto nos §§4º-A, 4º-B, 4º-C e 5º. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§4º-A. Poderão ser estabelecidos por lei complementar
do respectivo ente federativo idade e tempo de contribuição
diferenciados para aposentadoria de servidores com deficiência,
previamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por
equipe multiprofissional e interdisciplinar. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§4º-B. Poderão ser estabelecidos por lei complementar
do respectivo ente federativo idade e tempo de contribuição
diferenciados para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente
penitenciário, de agente socioeducativo ou de policial dos órgãos
de que tratam o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput
do art. 52 e os incisos I a IV do caput do art. 144. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§4º-C. Poderão ser estabelecidos por lei complementar
do respectivo ente federativo idade e tempo de contribuição
diferenciados para aposentadoria de servidores cujas atividades
sejam exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos
e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes,
vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§5º Os ocupantes do cargo de professor terão idade mínima
reduzida em 5 (cinco) anos em relação às idades decorrentes da
aplicação do disposto no inciso III do §1º, desde que comprovem
tempo de efetivo exercício das funções de magistério na
educação infantil e no ensino fundamental e médio fixado em lei
complementar do respectivo ente federativo. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos
acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a percepção
de mais de uma aposentadoria à conta de regime próprio de
previdência social, aplicando-se outras vedações, regras e condições
para a acumulação de benefícios previdenciários estabelecidas no
Regime Geral de Previdência Social. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§7º Observado o disposto no §2º do art. 201, quando se
tratar da única fonte de renda formal auferida pelo dependente, o
benefício de pensão por morte será concedido nos termos de lei do
respectivo ente federativo, a qual tratará de forma diferenciada a
hipótese de morte dos servidores de que trata o §4º-B decorrente
de agressão sofrida no exercício ou em razão da função. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para
preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme
critérios estabelecidos em lei.
§9º O tempo de contribuição federal, estadual, distrital ou
municipal será contado para fins de aposentadoria, observado
o disposto nos §§9º e 9º-A do art. 201, e o tempo de serviço
correspondente será contado para fins de disponibilidade. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem
de tempo de contribuição fictício.
§11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total
dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes
da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de
NOÇÕES DE DIREITO
52
outras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral
de previdência social, e ao montante resultante da adição de
proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável
na forma desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei
de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo.
§12. Além do disposto neste artigo, serão observados, em
regime próprio de previdência social, no que couber, os requisitos
e critérios fixados para o Regime Geral de Previdência Social.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§13. Aplica-se ao agente público ocupante, exclusivamente,
de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e
exoneração, de outro cargo temporário, inclusive mandato eletivo,
ou de emprego público, o Regime Geral de Previdência Social.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
instituirão, por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo,
regime de previdência complementar para servidores públicos
ocupantes de cargo efetivo, observado o limite máximo dos
benefícios do Regime Geral de Previdência Social para o valor das
aposentadorias e das pensões em regime próprio de previdência
social, ressalvado o disposto no §16. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§15. O regime de previdência complementar de que trata o §14
oferecerá plano de benefícios somente na modalidade contribuição
definida, observará o disposto no art. 202 e será efetivado por
intermédio de entidade fechada de previdência complementar ou
de entidade aberta de previdência complementar. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto
nos §§14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingressado
no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do
correspondente regime de previdência complementar.
§17. Todos os valores de remuneração considerados para o
cálculo do benefício previsto no §3° serão devidamente atualizados,
na forma da lei.
§18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias
e pensões concedidas pelo regime de que trata este artigo que
superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime
geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual
igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos.
§19. Observados critérios a serem estabelecidos em lei do
respectivo ente federativo, o servidor titular de cargo efetivo
que tenha completado as exigências para a aposentadoria
voluntária e que opte por permanecer em atividade poderá fazer
jus a um abono de permanência equivalente, no máximo, ao
valor da sua contribuição previdenciária, até completar a idade
para aposentadoria compulsória. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§20. É vedada a existência de mais de um regime próprio de
previdência social e de mais de um órgão ou entidade gestora
desse regime em cada ente federativo, abrangidos todos os
poderes, órgãos e entidades autárquicas e fundacionais, que serão
responsáveis pelo seu financiamento, observados os critérios, os
parâmetros e a natureza jurídica definidos na lei complementar de
que trata o §22. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
de 2019)
§21. (Revogado). (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 103, de 2019)
§22. Vedada a instituição de novos regimes próprios de
previdência social, lei complementar federal estabelecerá, para os
que já existam, normas gerais de organização, de funcionamento
e de responsabilidade em sua gestão, dispondo, entre outros
aspectos, sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de
2019)
I - requisitospara sua extinção e consequente migração para o
Regime Geral de Previdência Social; (Incluído pela Emenda Consti-
tucional nº 103, de 2019)
II - modelo de arrecadação, de aplicação e de utilização dos re-
cursos; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
III - fiscalização pela União e controle externo e social; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
IV - definição de equilíbrio financeiro e atuarial; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
V - condições para instituição do fundo com finalidade previ-
denciária de que trata o art. 249 e para vinculação a ele dos recur-
sos provenientes de contribuições e dos bens, direitos e ativos de
qualquer natureza; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de
2019)
VI - mecanismos de equacionamento do déficit atuarial; (Inclu-
ído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
VII - estruturação do órgão ou entidade gestora do regime, ob-
servados os princípios relacionados com governança, controle in-
terno e transparência; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103,
de 2019)
VIII - condições e hipóteses para responsabilização daqueles
que desempenhem atribuições relacionadas, direta ou indireta-
mente, com a gestão do regime; (Incluído pela Emenda Constitucio-
nal nº 103, de 2019)
IX - condições para adesão a consórcio público; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
X - parâmetros para apuração da base de cálculo e definição
de alíquota de contribuições ordinárias e extraordinárias. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os ser-
vidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de
concurso público.
§1º O servidor público estável só perderá o cargo:
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegu-
rada ampla defesa;
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desem-
penho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa.
§2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor
estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se
estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização,
aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com
remuneração proporcional ao tempo de serviço.
§3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor
estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional
ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro
cargo.
§4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é
obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão
instituída para essa finalidade.
– Estabilidade
A estabilidade é a garantia que o servidor público possui de
permanecer no cargo ou emprego público depois de ter sido apro-
vado em estágio probatório.
NOÇÕES DE DIREITO
53
De acordo com Celso Antônio Bandeira de Mello, a estabilidade poder ser definida como a garantia constitucional de permanência
no serviço público, do servidor público civil nomeado, em razão de concurso público, para titularizar cargo de provimento efetivo, após o
transcurso de estágio probatório.
A estabilidade é assegurada ao servidor após três anos de efetivo exercício, em virtude de nomeação em concurso público. Esse é o
estágio probatório citado pela lei.
Passada a fase do estágio, sendo o servidor público efetivado, ele perderá o cargo somente nas hipóteses elencadas no Artigo 41, §1º
da CF.
Haja vista o tema ser muito cobrado nas provas dos mais variados concursos públicos, segue a tabela explicativa:
ESTABILIDADE DO SERVIDOR
REQUISITOS PARA AQUISI-
ÇÃO DE ESTABILIDADE
Cargo de provimento efetivo/ocupado em razão de concurso público
3 anos de efetivo exercício
Avaliação de desempenho por comissão instituída para esta finalidade
HIPÓTESES EM QUE O
SERVIDOR ESTÁVEL PODE
PERDER O CARGO
Em virtude de sentença judicial transitada em julgado
Mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa
Mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar,
assegurada ampla defesa
Em razão de excesso de despesa
III - DIREITO ADMINISTRATIVO: CONCEITO, FONTES E PRINCÍPIOS
Conceito
De início, convém ressaltar que o estudo desse ramo do Direito, denota a distinção entre o Direito Administrativo, bem como entre as
normas e princípios que nele se inserem.
No entanto, o Direito Administrativo, como sistema jurídico de normas e princípios, somente veio a surgir com a instituição do Estado
de Direito, no momento em que o Poder criador do direito passou também a respeitá-lo. Tal fenômeno teve sua origem com os movimentos
constitucionalistas, cujo início se deu no final do século XVIII. Por meio do novo sistema, o Estado passou a ter órgãos específicos para o
exercício da Administração Pública e, por isso, foi necessário a desenvoltura do quadro normativo disciplinante das relações internas da
Administração, bem como das relações entre esta e os administrados. Assim sendo, pode considerar-se que foi a partir do século XIX que
o mundo jurídico abriu os olhos para a existência do Direito Administrativo.
Destaca-se ainda, que o Direito Administrativo foi formado a partir da teoria da separação dos poderes desenvolvida por Montesquieu,
L’Espirit des Lois, 1748, e acolhida de forma universal pelos Estados de Direito. Até esse momento, o absolutismo reinante e a junção
de todos os poderes governamentais nas mãos do Soberano não permitiam o desenvolvimento de quaisquer teorias que visassem a
reconhecer direitos aos súditos, e que se opusessem às ordens do Príncipe. Prevalecia o domínio operante da vontade onipotente do
Monarca.
Conceituar com precisão o Direito Administrativo é tarefa difícil, uma vez que o mesmo é marcado por divergências doutrinárias, o
que ocorre pelo fato de cada autor evidenciar os critérios que considera essenciais para a construção da definição mais apropriada para o
termo jurídico apropriado.
De antemão, ao entrar no fundamento de algumas definições do Direito Administrativo,
Considera-se importante denotar que o Estado desempenha três funções essenciais. São elas: Legislativa, Administrativa e
Jurisdicional.
Pondera-se que os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes, porém, em tese, harmônicos entre si. Os poderes
foram criados para desempenhar as funções do Estado. Desta forma, verifica-se o seguinte:
Funções do Estado:
– Legislativa
– Administrativa
– Jurisdicional
Poderes criados para desenvolver as funções do estado:
– Legislativo
– Executivo
– Judiciário
NOÇÕES DE DIREITO
54
Infere-se que cada poder exerce, de forma fundamental, uma das funções de Estado, é o que denominamos de FUNÇÃO TÍPICA.
PODER LEGISLATIVO PODER EXERCUTIVO PODER JUDICIÁRIO
Função típica Legislar Administrativa Judiciária
Atribuição
Redigir e organizar
o regramento jurídico do
Estado
Administração e
gestão estatal
Julgar e solucionar conflitos
por intermédio da interpretação e
aplicação das leis.
Além do exercício da função típica, cada poder pode ainda exercer as funções destinadas a outro poder, é o que denominamos de
exercício de FUNÇÃO ATÍPICA. Vejamos:
PODER LEGISLATIVO PODER EXERCUTIVO PODER JUDICIÁRIO
Função atípica
tem-se como função atípica
desse poder, por ser típica do
Poder Judiciário: O
julgamento do Presidente da
República
por crime de responsabilidade.
tem-se por função
atípica desse poder,
por ser típica do Poder
Legislativo: A edição de
Medida Provisória pelo
Chefe do Executivo.
tem-se por função atípica
desse poder, por ser típica do
Poder Executivo: Fazer licitação
para realizar a aquisição de
equipamentos utilizados em
regime interno.
Diante da difícil tarefa de conceituar o Direito Administrativo, uma vez que diversos são os conceitos utilizados pelos autores modernos
de Direito Administrativo, sendo que, alguns consideram apenas as atividades administrativas em si mesmas, ao passo que outros, optampor dar ênfase aos fins desejados pelo Estado, abordaremos alguns dos principais posicionamentos de diferentes e importantes autores.
No entendimento de Carvalho Filho (2010), “o Direito Administrativo, com a evolução que o vem impulsionando contemporaneamente,
há de focar-se em dois tipos fundamentais de relações jurídicas, sendo, uma, de caráter interno, que existe entre as pessoas administrativas
e entre os órgãos que as compõem e, a outra, de caráter externo, que se forma entre o Estado e a coletividade em geral.” (2010, Carvalho
Filho, p. 26).
Como regra geral, o Direito Administrativo é conceituado como o ramo do direito público que cuida de princípios e regras que
disciplinam a função administrativa abrangendo entes, órgãos, agentes e atividades desempenhadas pela Administração Pública na
consecução do interesse público.
Vale lembrar que, como leciona DIEZ, o Direito Administrativo apresenta, ainda, três características principais:
1 – constitui um direito novo, já que se trata de disciplina recente com sistematização científica;
2 – espelha um direito mutável, porque ainda se encontra em contínua transformação;
3 – é um direito em formação, não se tendo, até o momento, concluído todo o seu ciclo de abrangência.
Entretanto, o Direito Administrativo também pode ser conceituado sob os aspectos de diferentes óticas, as quais, no deslindar desse
estudo, iremos abordar as principais e mais importantes para estudo, conhecimento e aplicação.
– Ótica Objetiva: Segundo os parâmetros da ótica objetiva, o Direito Administrativo é conceituado como o acoplado de normas que
regulamentam a atividade da Administração Pública de atendimento ao interesse público.
– Ótica Subjetiva: Sob o ângulo da ótica subjetiva, o Direito Administrativo é conceituado como um conjunto de normas que comandam
as relações internas da Administração Pública e as relações externas que são encadeadas entre elas e os administrados.
Nos moldes do conceito objetivo, o Direito Administrativo é tido como o objeto da relação jurídica travada, não levando em conta os
autores da relação.
O conceito de Direito Administrativo surge também como elemento próprio em um regime jurídico diferenciado, isso ocorre por que
em regra, as relações encadeadas pela Administração Pública ilustram evidente falta de equilíbrio entre as partes.
Para o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Fernando Correia, o Direito Administrativo é o sistema de
normas jurídicas, diferenciadas das normas do direito privado, que regulam o funcionamento e a organização da Administração Pública,
bem como a função ou atividade administrativa dos órgãos administrativos.
Correia, o intitula como um corpo de normas de Direito Público, no qual os princípios, conceitos e institutos distanciam-se do Direito
Privado, posto que, as peculiaridades das normas de Direito Administrativo são manifestadas no reconhecimento à Administração Pública
de prerrogativas sem equivalente nas relações jurídico-privadas e na imposição, em decorrência do princípio da legalidade, de limitações
de atuação mais exatas do que as que auferem os negócios particulares.
Entende o renomado professor, que apenas com o aparecimento do Estado de Direito acoplado ao acolhimento do princípio da
separação dos poderes, é que seria possível se falar em Direito Administrativo.
NOÇÕES DE DIREITO
55
Oswaldo Aranha Bandeira de Mello aduz, em seu conceito
analítico, que o Direito Administrativo juridicamente falando,
ordena a atividade do Estado quanto à organização, bem como
quanto aos modos e aos meios da sua ação, quanto à forma da
sua própria ação, ou seja, legislativa e executiva, por intermédio de
atos jurídicos normativos ou concretos, na consecução do seu fim
de criação de utilidade pública, na qual participa de forma direta e
imediata, e, ainda como das pessoas de direito que façam as vezes
do Estado.
Observação importante: Note que os conceitos classificam
o Direito Administrativo como Ramo do Direito Público fazendo
sempre referência ao interesse público, ao inverso do Direito
Privado, que cuida do regulamento das relações jurídicas entre
particulares, o Direito Público, tem por foco regular os interesses da
sociedade, trabalhando em prol do interesse público.
Por fim, depreende-se que a busca por um conceito completo
de Direito Administrativo não é recente. Entretanto, a Administração
Pública deve buscar a satisfação do interesse público como um todo,
uma vez que a sua natureza resta amparada a partir do momento
que deixa de existir como fim em si mesmo, passando a existir como
instrumento de realização do bem comum, visando o interesse
público, independentemente do conceito de Direito Administrativo
escolhido.
Objeto
De acordo com a ilibada autora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a
formação do Direito Administrativo como ramo autônomo, fadado
de princípios e objeto próprios, teve início a partir do instante em que
o conceito de Estado de Direito começou a ser desenvolvido, com
ampla estrutura sobre o princípio da legalidade e sobre o princípio
da separação de poderes. O Direito Administrativo Brasileiro não
surgiu antes do Direito Romano, do Germânico, do Francês e do
Italiano. Diversos direitos contribuíram para a formação do Direito
Brasileiro, tais como: o francês, o inglês, o italiano, o alemão e
outros. Isso, de certa forma, contribuiu para que o nosso Direito
pudesse captar os traços positivos desses direitos e reproduzi-los
de acordo com a nossa realidade histórica.
Atualmente, predomina, na definição do objeto do Direito
Administrativo, o critério funcional, como sendo o ramo do direito
que estuda a disciplina normativa da função administrativa,
independentemente de quem esteja encarregado de exercê-la:
Executivo, Legislativo, Judiciário ou particulares mediante delegação
estatal”, (MAZZA, 2013, p. 33).
Sendo o Direito Administrativo um ramo do Direito Público, o
entendimento que predomina no Brasil e na América Latina, ainda
que incompleto, é que o objeto de estudo do Direito Administrativo
é a Administração Pública atuante como função administrativa
ou organização administrativa, pessoas jurídicas, ou, ainda, como
órgãos públicos.
De maneira geral, o Direito é um conjunto de normas,
princípios e regras, compostas de coercibilidade disciplinantes da
vida social como um todo. Enquanto ramo do Direito Público, o
Direito Administrativo, nada mais é que, um conjunto de princípios
e regras que disciplina a função administrativa, as pessoas e os
órgãos que a exercem. Desta forma, considera-se como seu objeto,
toda a estrutura administrativa, a qual deverá ser voltada para a
satisfação dos interesses públicos.
São leis específicas do Direito Administrativo a Lei n. 8.666/1993
que regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal,
institui normas para licitações e contratos da Administração Pública
e dá outras providências; a Lei n. 8.112/1990, que dispõe sobre o
regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias
e das fundações públicas federais; a Lei n. 8.409/1992 que estima
a receita e fixa a despesa da União para o exercício financeiro de
1992 e a Lei n. 9.784/1999 que regula o processo administrativo no
âmbito da Administração Pública Federal.
O Direito Administrativo tem importante papel na identificação
do seu objeto e o seu próprio conceito e significado foi de grande
importância à época do entendimento do Estado francês em dividir
as ações administrativas e as ações envolvendo o poder judiciário.
Destaca-se na França, o sistema do contencioso administrativo
com matéria de teor administrativo, sendo decidido no tribunal
administrativo e transitando em julgado nesse mesmo tribunal.
Definir o objeto do Direito Administrativo é importante no sentido
de compreender quais matérias serão julgadas pelo tribunal
administrativo, e não pelo Tribunal de Justiça.
Depreende-se que com o passar do tempo, o objeto de estudo
do Direito Administrativo sofreusignificativa e grande evolução,
desde o momento em que era visto como um simples estudo
das normas administrativas, passando pelo período do serviço
público, da disciplina do bem público, até os dias contemporâneos,
quando se ocupa em estudar e gerenciar os sujeitos e situações
que exercem e sofrem com a atividade do Estado, assim como
das funções e atividades desempenhadas pela Administração
Pública, fato que leva a compreender que o seu objeto de estudo
é evolutivo e dinâmico acoplado com a atividade administrativa
e o desenvolvimento do Estado. Destarte, em suma, seu objeto
principal é o desempenho da função administrativa.
Fontes
Fonte significa origem. Neste tópico, iremos estudar a origem
das regras que regem o Direito Administrativo.
Segundo Alexandre Sanches Cunha, “o termo fonte provém
do latim fons, fontis, que implica o conceito de nascente de água.
Entende-se por fonte tudo o que dá origem, o início de tudo. Fonte
do Direito nada mais é do que a origem do Direito, suas raízes
históricas, de onde se cria (fonte material) e como se aplica (fonte
formal), ou seja, o processo de produção das normas. São fontes
do direito: as leis, costumes, jurisprudência, doutrina, analogia,
princípio geral do direito e equidade.” (CUNHA, 2012, p. 43).
Fontes do Direito Administrativo:
A) Lei
A lei se estende desde a constituição e é a fonte primária e
principal do DireitoAdministrativo e se estende desde a Constituição
Federal em seus artigos 37 a 41, alcançando os atos administrativos
normativos inferiores. Desta forma, a lei como fonte do Direito
Administrativo significa a lei em sentido amplo, ou seja, a lei
confeccionada pelo Parlamento, bem como os atos normativos
expedidos pela Administração, tais como: decretos, resoluções,
incluindo tratados internacionais.
Desta maneira, sendo a Lei a fonte primária, formal e
primordial do Direito Administrativo, acaba por prevalecer sobre
as demais fontes. E isso, prevalece como regra geral, posto que as
demais fontes que estudaremos a seguir, são consideradas fontes
secundárias, acessórias ou informais.
NOÇÕES DE DIREITO
56
A Lei pode ser subdividida da seguinte forma:
– Lei em sentido amplo
Refere-se a todas as fontes com conteúdo normativo, tais
como: a Constituição Federal, lei ordinária, lei complementar,
medida provisória, tratados internacionais, e atos administrativos
normativos (decretos, resoluções, regimentos etc.).
– Lei em sentido estrito
Refere-se à Lei feita pelo Parlamento, pelo Poder Legislativo por
meio de lei ordinária e lei complementar. Engloba também, outras
normas no mesmo nível como, por exemplo, a medida provisória
que possui o mesmo nível da lei ordinária. Pondera-se que todos
mencionados são reputados como fonte primária (a lei) do Direito
Administrativo.
B) Doutrina
Tem alto poder de influência como teses doutrinadoras nas
decisões administrativas, como no próprio Direito Administrativo.
A Doutrina visa indicar a melhor interpretação possível da norma
administrativa, indicando ainda, as possíveis soluções para
casos determinados e concretos. Auxilia muito o viver diário da
Administração Pública, posto que, muitas vezes é ela que conceitua,
interpreta e explica os dispositivos da lei.
Exemplo:
A Lei n. 9.784/1999, aduz que provas protelatórias podem ser
recusadas no processo administrativo. Desta forma, a doutrina
explicará o que é prova protelatória, e a Administração Pública
poderá usar o conceito doutrinário para recusar uma prova no
processo administrativo.
C) Jurisprudência
Trata-se de decisões de um tribunal que estão na mesma
direção, além de ser a reiteração de julgamentos no mesmo sentido.
Exemplo:
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), possui determinada
jurisprudência que afirma que candidato aprovado dentro do
número de vagas previsto no edital tem direito à nomeação,
aduzindo que existem diversas decisões desse órgão ou tribunal
com o mesmo entendimento final.
— Observação importante: Por tratar-se de uma orientação aos
demais órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública, a
jurisprudência não é de seguimento obrigatório. Entretanto, com as
alterações promovidas desde a CFB/1988, esse sistema orientador
da jurisprudência tem deixado de ser a regra.
Exemplo:
Os efeitos vinculantes das decisões proferidas pelo Supremo
Tribunal Federal na ação direta de inconstitucionalidade (ADI),
na ação declaratória constitucionalidade (ADC) e na arguição de
descumprimento de preceito fundamental, e, em especial, com as
súmulas vinculantes, a partir da Emenda Constitucional nº. 45/2004.
Nesses ocorridos, as decisões do STF acabaram por vincular e obrigar
a Administração Pública direta e indireta dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nos termos dispostos
no art. 103-A da CF/1988.
D) Costumes
Costumes são condutas reiteradas. Assim sendo, cada país,
Estado, cidade, povoado, comunidade, tribo ou população tem
os seus costumes, que via de regra, são diferentes em diversos
aspectos, porém, em se tratando do ordenamento jurídico, não
poderão ultrapassar e ferir as leis soberanas da Carta Magna que
regem o Estado como um todo.
Como fontes secundárias e atuantes no Direito Administrativo,
os costumes administrativos são práticas reiteradas que devem
ser observadas pelos agentes públicos diante de determinadas
situações. Os costumes podem exercer influência no Direito
Administrativo em decorrência da carência da legislação,
consumando o sistema normativo, costume praeter legem, ou nas
situações em que seria impossível legislar sobre todas as situações.
Os costumes não podem se opor à lei (contra legem), pois ela
é a fonte primordial do Direito Administrativo, devendo somente
auxiliar à exata compreensão e incidência do sistema normativo.
Exemplo:
Ao determinar a CFB/1988 que um concurso terá validade de
até 2 anos, não pode um órgão, de forma alguma, atribuir por efeito
de costume, prazo de até 10 anos, porque estaria contrariando
disposição expressa na Carta Magna, nossa Lei Maior e Soberana.
Ressalta-se, com veemente importância, que os costumes
podem gerar direitos para os administrados, em decorrência dos
princípios da lealdade, boa-fé, moralidade administrativa, dentre
outros, uma vez que um certo comportamento repetitivo da
Administração Pública gera uma expectativa em sentido geral de
que essa prática deverá ser seguida nas demais situações parecidas
– Observação importante: Existe divergência doutrinária
em relação à aceitação dos costumes como fonte do Direito
Administrativo. No entanto, para concursos, e estudos correlatos,
via de regra, deve ser compreendida como correta a tese no sentido
de que o costume é fonte secundária, acessória, indireta e imediata
do Direito Administrativo, tendo em vista que a fonte primária e
mediata é a Lei.
Nota - Sobre Súmulas Vinculantes
Nos termos do art. 103 - A da Constituição Federal, ‘‘o Supremo
Tribunal Federal poderá, de ofício ou mediante provocação, por
decisão de dois terços de seus membros, após decisões reiteradas
que versam sobre matéria constitucional, aprovar súmulas que
terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder
Judiciário e à administração pública direta e indireta”.
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA UNIÃO; ADMINIS-
TRAÇÃO DIRETA E INDIRETA
Administração direta e indireta
A princípio, infere-se que Administração Direta é correspondente
aos órgãos que compõem a estrutura das pessoas federativas que
executam a atividade administrativa de maneira centralizada. O
vocábulo “Administração Direta” possui sentido abrangente vindo a
compreender todos os órgãos e agentes dos entes federados, tanto
os que fazem parte do Poder Executivo, do Poder Legislativo ou do
Poder Judiciário, que são os responsáveis por praticar a atividade
administrativa de maneira centralizada.
NOÇÕES DE DIREITO
57
Já a Administração Indireta, é equivalente às pessoas jurídicas
criadas pelos entes federados, quepossuem ligação com as
Administrações Diretas, cujo fulcro é praticar a função administrativa
de maneira descentralizada.
Tendo o Estado a convicção de que atividades podem ser
exercidas de forma mais eficaz por entidade autônoma e com
personalidade jurídica própria, o Estado transfere tais atribuições
a particulares e, ainda pode criar outras pessoas jurídicas, de
direito público ou de direito privado para esta finalidade. Optando
pela segunda opção, as novas entidades passarão a compor a
Administração Indireta do ente que as criou e, por possuírem
como destino a execução especializado de certas atividades, são
consideradas como sendo manifestação da descentralização por
serviço, funcional ou técnica, de modo geral.
Desconcentração e Descentralização
Consiste a desconcentração administrativa na distribuição
interna de competências, na esfera da mesma pessoa jurídica. Assim
sendo, na desconcentração administrativa, o trabalho é distribuído
entre os órgãos que integram a mesma instituição, fato que ocorre
de forma diferente na descentralização administrativa, que impõe
a distribuição de competência para outra pessoa, física ou jurídica.
Ocorre a desconcentração administrativa tanto na administração
direta como na administração indireta de todos os entes federativos
do Estado. Pode-se citar a título de exemplo de desconcentração
administrativa no âmbito da Administração Direta da União, os
vários ministérios e a Casa Civil da Presidência da República; em
âmbito estadual, o Ministério Público e as secretarias estaduais,
dentre outros; no âmbito municipal, as secretarias municipais e
as câmaras municipais; na administração indireta federal, as várias
agências do Banco do Brasil que são sociedade de economia mista,
ou do INSS com localização em todos os Estados da Federação.
Ocorre que a desconcentração enseja a existência de vários
órgãos, sejam eles órgãos da Administração Direta ou das pessoas
jurídicas da Administração Indireta, e devido ao fato desses órgãos
estarem dispostos de forma interna, segundo uma relação de
subordinação de hierarquia, entende-se que a desconcentração
administrativa está diretamente relacionada ao princípio da
hierarquia.
Registra-se que na descentralização administrativa, ao invés
de executar suas atividades administrativas por si mesmo, o Estado
transfere a execução dessas atividades para particulares e, ainda a
outras pessoas jurídicas, de direito público ou privado.
Explicita-se que, mesmo que o ente que se encontre distribuindo
suas atribuições e detenha controle sobre as atividades ou serviços
transferidos, não existe relação de hierarquia entre a pessoa que
transfere e a que acolhe as atribuições.
Criação, extinção e capacidade processual dos órgãos públicos
Os arts. 48, XI e 61, § 1º da CFB/1988 dispõem que a criação
e a extinção de órgãos da administração pública dependem de lei
de iniciativa privativa do chefe do Executivo a quem compete, de
forma privada, e por meio de decreto, dispor sobre a organização
e funcionamento desses órgãos públicos, quando não ensejar
aumento de despesas nem criação ou extinção de órgãos públicos
(art. 84, VI, b, CF/1988). Desta forma, para que haja a criação e
extinção de órgãos, existe a necessidade de lei, no entanto, para
dispor sobre a organização e o funcionamento, denota-se que
poderá ser utilizado ato normativo inferior à lei, que se trata do
decreto. Caso o Poder Executivo Federal desejar criar um Ministério
a mais, o presidente da República deverá encaminhar projeto de
lei ao Congresso Nacional. Porém, caso esse órgão seja criado, sua
estruturação interna deverá ser feita por decreto. Na realidade,
todos os regimentos internos dos ministérios são realizados por
intermédio de decreto, pelo fato de tal ato se tratar de organização
interna do órgão. Vejamos:
– Órgão: é criado por meio de lei.
– Organização Interna: pode ser feita por DECRETO, desde
que não provoque aumento de despesas, bem como a criação ou a
extinção de outros órgãos.
– Órgãos De Controle: Trata-se dos prepostos a fiscalizar e
controlar a atividade de outros órgãos e agentes”. Exemplo: Tribunal
de Contas da União.
Pessoas administrativas
Explicita-se que as entidades administrativas são a própria
Administração Indireta, composta de forma taxativa pelas
autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de
economia mista.
De forma contrária às pessoas políticas, tais entidades, nao
são reguladas pelo Direito Administrativo, não detendo poder
político e encontram-se vinculadas à entidade política que as criou.
Não existe hierarquia entre as entidades da Administração Pública
indireta e os entes federativos que as criou. Ocorre, nesse sentido,
uma vinculação administrativa em tais situações, de maneira que os
entes federativos somente conseguem manter-se no controle se as
entidades da Administração Indireta estiverem desempenhando as
funções para as quais foram criadas de forma correta.
Pessoas políticas
As pessoas políticas são os entes federativos previstos na
Constituição Federal. São eles a União, os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios. Denota-se que tais pessoas ou entes, são regidos
pelo Direito Constitucional, vindo a deter uma parcela do poder
político. Por esse motivo, afirma-se que tais entes são autônomos,
vindo a se organizar de forma particular para alcançar as finalidades
avençadas na Constituição Federal.
Assim sendo, não se confunde autonomia com soberania, pois,
ao passo que a autonomia consiste na possibilidade de cada um
dos entes federativos organizar-se de forma interna, elaborando
suas leis e exercendo as competências que a eles são determinadas
pela Constituição Federal, a soberania nada mais é do que uma
característica que se encontra presente somente no âmbito da
República Federativa do Brasil, que é formada pelos referidos entes
federativos.
Autarquias
As autarquias são pessoas jurídicas de direito público interno,
criadas por lei específica para a execução de atividades especiais e
típicas da Administração Pública como um todo. Com as autarquias,
a impressão que se tem, é a de que o Estado veio a descentralizar
determinadas atividades para entidades eivadas de maior
especialização.
As autarquias são especializadas em sua área de atuação, dando
a ideia de que os serviços por elas prestados são feitos de forma
mais eficaz e venham com isso, a atingir de maneira contundente a
sua finalidade, que é o bem comum da coletividade como um todo.
Por esse motivo, aduz-se que as autarquias são um serviço público
descentralizado. Assim, devido ao fato de prestarem esse serviço
público especializado, as autarquias acabam por se assemelhar
NOÇÕES DE DIREITO
58
em tudo o que lhes é possível, ao entidade estatal a que estiverem
servindo. Assim sendo, as autarquias se encontram sujeitas ao
mesmo regime jurídico que o Estado. Nos dizeres de Hely Lopes
Meirelles, as autarquias são uma “longa manus” do Estado, ou
seja, são executoras de ordens determinadas pelo respectivo ente
da Federação a que estão vinculadas.
As autarquias são criadas por lei específica, que de forma
obrigacional deverá ser de iniciativa do Chefe do Poder Executivo
do ente federativo a que estiver vinculada. Explicita-se também
que a função administrativa, mesmo que esteja sendo exercida
tipicamente pelo Poder Executivo, pode vir a ser desempenhada,
em regime totalmente atípico pelos demais Poderes da República.
Em tais situações, infere-se que é possível que sejam criadas
autarquias no âmbito do Poder Legislativo e do Poder Judiciário,
oportunidade na qual a iniciativa para a lei destinada à sua criação,
deverá, obrigatoriamente, segundo os parâmetros legais, ser feita
pelo respectivo Poder.
— Empresas Públicas
Sociedades de Economia Mista
São a parte da Administração Indireta mais voltada para o
direito privado, sendo também chamadas pela maioria doutrinária
de empresas estatais.
Tanto a empresas públicas, quanto associedades de economia
mista, no que se refere à sua área de atuação, podem ser divididas
entre prestadoras diversas de serviço público e plenamente
atuantes na atividade econômica de modo geral. Assim sendo,
obtemos dois tipos de empresas públicas e dois tipos de sociedades
de economia mista.
Ressalta-se que ao passo que as empresas estatais exploradoras
de atividade econômica estão sob a égide, no plano constitucional,
pelo art. 173, sendo que a sua atividade se encontra regida pelo
direito privado de maneira prioritária, as empresas estatais
prestadoras de serviço público são reguladas, pelo mesmo diploma
legal, pelo art. 175, de maneira que sua atividade é regida de forma
exclusiva e prioritária pelo direito público.
– Observação importante: todas as empresas estatais, sejam
prestadoras de serviços públicos ou exploradoras de atividade
econômica, possuem personalidade jurídica de direito privado.
O que diferencia as empresas estatais exploradoras de atividade
econômica das empresas estatais prestadoras de serviço público é
a atividade que exercem. Assim, sendo ela prestadora de serviço
público, a atividade desempenhada é regida pelo direito público,
nos ditames do artigo 175 da Constituição Federal que determina
que “incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente
ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de
licitação, a prestação de serviços públicos.” Já se for exploradora
de atividade econômica, como maneira de evitar que o princípio
da livre concorrência reste-se prejudicado, as referidas atividades
deverão ser reguladas pelo direito privado, nos ditames do artigo
173 da Constituição Federal, que assim determina:
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição,
a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será
permitida quando necessária aos imperativos da segurança
nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em
lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da
sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem
atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de
prestação de serviços, dispondo sobre:
I – sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela
sociedade;
II – a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas,
inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais,
trabalhistas e tributários;
III – licitação e contratação de obras, serviços, compras e
alienações, observados os princípios da Administração Pública;
IV – a constituição e o funcionamento dos conselhos de
Administração e fiscal, com a participação de acionistas minoritários;
V – os mandatos, a avaliação de desempenho e a
responsabilidade dos administradores
Vejamos em síntese, algumas características em comum das
empresas públicas e das sociedades de economia mista:
– Devem realizar concurso público para admissão de seus
empregados;
– Não estão alcançadas pela exigência de obedecer ao teto
constitucional;
– Estão sujeitas ao controle efetuado pelos Tribunais de Contas,
bem como ao controle do Poder Legislativo;
– Não estão sujeitas à falência;
– Devem obedecer às normas de licitação e contrato
administrativo no que se refere às suas atividades-meio;
– Devem obedecer à vedação à acumulação de cargos prevista
constitucionalmente;
– Não podem exigir aprovação prévia, por parte do Poder
Legislativo, para nomeação ou exoneração de seus diretores.
Fundações e outras entidades privadas delegatárias
Identifica-se no processo de criação das fundações privadas,
duas características que se encontram presentes de forma
contundente, sendo elas a doação patrimonial por parte de um
instituidor e a impossibilidade de terem finalidade lucrativa.
O Decreto 200/1967 e a Constituição Federal Brasileira de
1988 conceituam Fundação Pública como sendo um ente de direito
predominantemente de direito privado, sendo que a Constituição
Federal dá à Fundação o mesmo tratamento oferecido às Sociedades
de Economia Mista e às Empresas Públicas, que permite autorização
da criação, por lei e não a criação direta por lei, como no caso das
autarquias.
Entretanto, a doutrina majoritária e o STF aduzem que
a Fundação Pública poderá ser criada de forma direta por meio
de lei específica, adquirindo, desta forma, personalidade jurídica
de direito público, vindo a criar uma Autarquia Fundacional ou
Fundação Autárquica.
– Observação importante: a autarquia é definida como
serviço personificado, ao passo que uma autarquia fundacional é
conceituada como sendo um patrimônio de forma personificada
destinado a uma finalidade específica de interesse social.
Vejamos como o Código Civil determina:
Art. 41 - São pessoas jurídicas de direito público interno:(...)
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas;
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.
NOÇÕES DE DIREITO
59
No condizente à Constituição, denota-se que esta não faz
distinção entre as Fundações de direito público ou de direito
privado. O termo Fundação Pública é utilizado para diferenciar as
fundações da iniciativa privada, sem que haja qualquer tipo de
ligação com a Administração Pública.
No entanto, determinadas distinções poderão ser feitas, como
por exemplo, a imunidade tributária recíproca que é destinada
somente às entidades de direito público como um todo. Registra-se
que o foro de ambas é na Justiça Federal.
— Delegação Social
Organizações sociais
As organizações sociais são entidades privadas que recebem
o atributo de Organização Social. Várias são as entidades criadas
por particulares sob a forma de associação ou fundação que
desempenham atividades de interesse público sem fins lucrativos. Ao
passo que algumas existem e conseguem se manter sem nenhuma
ligação com o Estado, existem outras que buscam se aproximar do
Estado com o fito de receber verbas públicas ou bens públicos com
o objetivo de continuarem a desempenhar sua atividade social. Nos
parâmetros da Lei 9.637/1998, o Poder Executivo Federal poderá
constituir como Organizações Sociais pessoas jurídicas de direito
privado, que não sejam de fins lucrativos, cujas atividades sejam
dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento
tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à
cultura e à saúde, atendidos os requisitos da lei. Ressalte-se que
as entidades privadas que vierem a atuar nessas áreas poderão
receber a qualificação de OSs.
Lembremos que a Lei 9.637/1998 teve como fulcro transferir os
serviços que não são exclusivos do Estado para o setor privado, por
intermédio da absorção de órgãos públicos, vindo a substituí-los por
entidades privadas. Tal fenômeno é conhecido como publicização.
Com a publicização, quando um órgão público é extinto, logo, outra
entidade de direito privado o substitui no serviço anteriormente
prestado. Denota-se que o vínculo com o poder público para que
seja feita a qualificação da entidade como organização social é
estabelecido com a celebração de contrato de gestão. Outrossim,
as Organizações Sociais podem receber recursos orçamentários,
utilização de bens públicos e servidores públicos.
Organizações da sociedade civil de interesse público
São conceituadas como pessoas jurídicas de direito privado, sem
fins lucrativos, nas quais os objetivos sociais e normas estatutárias
devem obedecer aos requisitos determinados pelo art. 3º da Lei
n. 9.790/1999. Denota-se que a qualificação é de competência do
Ministério da Justiça e o seu âmbito de atuação é parecido com o da
OS, entretanto, é mais amplo.
Vejamos:
Art. 3º A qualificação instituída por esta Lei, observado em
qualquer caso, o princípio da universalização dos serviços, no
respectivo âmbito de atuação das Organizações, somente será
conferida às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos,
cujos objetivos sociais tenham pelo menos uma das seguintes
finalidades:
I – promoção da assistência social;
II – promoção dacultura, defesa e conservação do patrimônio
histórico e artístico;
III – promoção gratuita da educação, observando-se a forma
complementar de participação das organizações de que trata esta
Lei;
IV – promoção gratuita da saúde, observando-se a forma
complementar de participação das organizações de que trata esta
Lei;
V – promoção da segurança alimentar e nutricional;
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente
e promoção do desenvolvimento sustentável; VII – promoção do
voluntariado;
VIII – promoção do desenvolvimento econômico e social e
combate à pobreza;
IX – experimentação, não lucrativa, de novos modelos
socioprodutivos e de sistemas alternativos de produção, comércio,
emprego e crédito;
X – promoção de direitos estabelecidos, construção de novos
direitos e assessoria jurídica gratuita de interesse suplementar;
XI – promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos
humanos, da democracia e de outros valores universais;
XII – estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias
alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos
técnicos e científicos que digam respeito às atividades mencionadas
neste artigo.
A lei das Oscips apresenta um rol de entidades que não podem
receber a qualificação. Vejamos:
Art. 2º Não são passíveis de qualificação como Organizações
da Sociedade Civil de Interesse Público, ainda que se dediquem de
qualquer forma às atividades descritas no art. 3º desta Lei:
I – as sociedades comerciais;
II – os sindicatos, as associações de classe ou de representação
de categoria profissional;
III – as instituições religiosas ou voltadas para a disseminação
de credos, cultos, práticas e visões devocionais e confessionais;
IV – as organizações partidárias e assemelhadas, inclusive suas
fundações;
V – as entidades de benefício mútuo destinadas a proporcionar
bens ou serviços a um círculo restrito de associados ou sócios;
VI – as entidades e empresas que comercializam planos de
saúde e assemelhados;
VII – as instituições hospitalares privadas não gratuitas e suas
mantenedoras;
VIII – as escolas privadas dedicadas ao ensino formal não
gratuito e suas mantenedoras;
IX – as Organizações Sociais;
X – as cooperativas;
Por fim, registre-se que o vínculo de união entre a entidade e o
Estado é denominado termo de parceria e que para a qualificação de
uma entidade como Oscip, é exigido que esta tenha sido constituída
e se encontre em funcionamento regular há, pelo menos, três anos
nos termos do art. 1º, com redação dada pela Lei n. 13.019/2014. O
Tribunal de Contas da União tem entendido que o vínculo firmado
pelo termo de parceria por órgãos ou entidades da Administração
Pública com Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público
não é demandante de processo de licitação. De acordo com o
que preceitua o art. 23 do Decreto n. 3.100/1999, deverá haver a
realização de concurso de projetos pelo órgão estatal interessado
NOÇÕES DE DIREITO
60
em construir parceria com Oscips para que venha a obter bens e
serviços para a realização de atividades, eventos, consultorias,
cooperação técnica e assessoria.
Entidades de utilidade pública
O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado trouxe
em seu bojo, dentre várias diretrizes, a publicização dos serviços
estatais não exclusivos, ou seja, a transferência destes serviços para
o setor público não estatal, o denominado Terceiro Setor.
Podemos incluir entre as entidades que compõem o Terceiro
Setor, aquelas que são declaradas como sendo de utilidade pública,
os serviços sociais autônomos, como SESI, SESC, SENAI, por exemplo,
as organizações sociais (OS) e as organizações da sociedade civil de
interesse público (OSCIP).
É importante explicitar que o crescimento do terceiro setor
está diretamente ligado à aplicação do princípio da subsidiariedade
na esfera da Administração Pública. Por meio do princípio da
subsidiariedade, cabe de forma primária aos indivíduos e às
organizações civis o atendimento dos interesses individuais e
coletivos. Assim sendo, o Estado atua apenas de forma subsidiária
nas demandas que, devido à sua própria natureza e complexidade,
não puderam ser atendidas de maneira primária pela sociedade.
Dessa maneira, o limite de ação do Estado se encontraria na
autossuficiência da sociedade.
Em relação ao Terceiro Setor, o Plano Diretor do Aparelho do
Estado previa de forma explícita a publicização de serviços públicos
estatais que não são exclusivos. A expressão publicização significa
a transferência, do Estado para o Terceiro Setor, ou seja um setor
público não estatal, da execução de serviços que não são exclusivos
do Estado, vindo a estabelecer um sistema de parceria entre o
Estado e a sociedade para o seu financiamento e controle, como um
todo. Tal parceria foi posteriormente modernizada com as leis que
instituíram as organizações sociais e as organizações da sociedade
civil de interesse público.
O termo publicização também é atribuído a um segundo sentido
adotado por algumas correntes doutrinárias, que corresponde à
transformação de entidades públicas em entidades privadas sem
fins lucrativos.
No que condizente às características das entidades que
compõem o Terceiro Setor, a ilustre Maria Sylvia Zanella Di Pietro
entende que todas elas possuem os mesmos traços, sendo eles:
1. Não são criadas pelo Estado, ainda que algumas delas
tenham sido autorizadas por lei;
2. Em regra, desempenham atividade privada de interesse
público (serviços sociais não exclusivos do Estado);
3. Recebem algum tipo de incentivo do Poder Público;
4. Muitas possuem algum vínculo com o Poder Público e,
por isso, são obrigadas a prestar contas dos recursos públicos à
Administração
5. Pública e ao Tribunal de Contas;
6. Possuem regime jurídico de direito privado, porém derrogado
parcialmente por normas direito público;
Assim, estas entidades integram o Terceiro Setor pelo fato
de não se enquadrarem inteiramente como entidades privadas e
também porque não integram a Administração Pública Direta ou
Indireta.
Convém mencionar que, como as entidades do Terceiro Setor
são constituídas sob a forma de pessoa jurídica de direito privado,
seu regime jurídico, normalmente, via regra geral, é de direito
privado. Acontece que pelo fato de estas gozarem normalmente
de algum incentivo do setor público, também podem lhes ser
aplicáveis algumas normas de direito público. Esse é o motivo pelo
qual a conceituada professora afirma que o regime jurídico aplicado
às entidades que integram o Terceiro Setor é de direito privado,
podendo ser modificado de maneira parcial por normas de direito
público.
AGENTES PÚBLICOS: PODERES, DEVERES E PRERROGA-
TIVAS; CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO PÚBLICOS; REGIME
JURÍDICO ÚNICO (LEI Nº 8.112/1990 E SUAS ALTERA-
ÇÕES): PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRI-
BUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO; DIREITOS E VANTAGENS; REGI-
ME DISCIPLINAR; RESPONSABILIDADE CIVIL, CRIMINAL E
ADMINISTRATIVA
Conceito
A Constituição Federal Brasileira de 1988 trouxe em seu bojo,
várias regras de organização do Estado brasileiro, dentre elas, as
concernentes à Administração Pública e seus agentes como um
todo.
A designação “agente público” tem sentido amplo e serve
para conceituar qualquer pessoa física exercente de função
pública, de forma remunerada ou gratuita, de natureza política ou
administrativa, com investidura definitiva ou transitória.
Espécies (classificação)
Maria Sylvia Zanella Di Pietro, entende que quatro são as
categorias de agentes públicos: agentes políticos, servidores
públicos civis, militares e particulares em colaboração com o serviço
público.
Vejamos cada classificação detalhadamente:
– Agentes políticos
Exercem atividades típicas de governo e possuem a incumbência
de propor ou decidir as diretrizes políticas dos entes públicos.
Nesse patamar estão inclusos os chefes do Poder Executivo federal,
estadual e municipal e de seus auxiliares diretos, quais sejam,
os Ministros eSecretários de Governo e os membros do Poder
Legislativo como Senadores, Deputados e Vereadores.
De forma geral, os agentes políticos exercem mandato eletivo,
com exceção dos Ministros e Secretários que são ocupantes de
cargos comissionados, de livre nomeação e exoneração.
Autores como Hely Lopes Meirelles, acabaram por enfatizar
de forma ampla a categoria de agentes políticos, de forma a
transparecer que os demais agentes que exercem, com alto grau de
autonomia, categorias da soberania do Estado em decorrência de
previsão constitucional, como é o caso dos membros do Ministério
Público, da Magistratura e dos Tribunais de Contas.
– Servidores Públicos Civis
De forma geral, servidor público são todas as pessoas físicas
que prestadoras de serviços às entidades federativas ou as pessoas
jurídicas da Administração Indireta em função da relação de
trabalho que ocupam e com remuneração ou subsídio pagos pelos
cofres públicos, vindo a compor o quadro funcional dessas pessoas
jurídicas.
NOÇÕES DE DIREITO
61
Depreende-se que alguns autores dividem os servidores públicos
em civis e militares. Pelo fato de termos adotado a classificação
aludida por Maria Sylvia Zanella Di Pietro, trataremos os servidores
militares como sendo uma categoria à parte, designando-os apenas
de militares, e, por conseguinte, usando a expressão servidores
públicos para se referir somente aos servidores públicos civis.
De acordo com as regras e normas pelas quais são regidos,
os servidores públicos civis podem ser subdivididos da seguinte
maneira:
– Servidores estatutários: ocupam cargo público e são regidos
pelo regime estatutário.
– Servidores ou empregados públicos: são os servidores
contratados sob o regime da CLT e ocupantes de empregos públicos.
– Servidores temporários: são os contratados por determinado
período de tempo com o objetivo de atender à necessidade
temporária de excepcional interesse público. Exercem funções
públicas, mas não ocupam cargo ou emprego público. São regidos
por regime jurídico especial e disciplinado em lei de cada unidade
federativa.
– Servidores militares: antes do advento da EC 19/1998, os
militares eram tratados como “servidores militares”. Militares são
aqueles que prestam serviços às Forças Armadas como a Marinha,
o Exército e a Aeronáutica, às Polícias Militares ou aos Corpos de
Bombeiros Militares dos Estados, Distrito Federal e dos territórios,
que estão sob vínculo jurídico estatutário e são remunerados pelos
cofres públicos. Por estarem submetidos a um regime jurídico
estatutário disciplinado em lei por lei, os militares estão submetidos
à regras jurídicas diferentes das aplicadas aos servidores civis
estatutários, justificando, desta forma, o enquadramento em uma
categoria propícia de agentes públicos.
Destaca-se que a Constituição Federal assegurou aos militares
alguns direitos sociais conferidos aos trabalhadores de forma geral,
são eles: o 13º salário; o salário-família, férias anuais remuneradas
com acréscimo ao menos um terço da remuneração normal;
licença à gestante com a duração de 120 dias; licença paternidade
e assistência gratuita aos filhos e demais dependentes desde o
nascimento até cinco anos de idade em creches e pré-escolas.
Ademais, os servidores militares estão submetidos por força
da Constituição Federal a determinadas regras próprias dos
servidores públicos civis, como por exemplo: teto remuneratório,
irredutibilidade de vencimentos, dentre outras peculiaridades.
Embora haja tais assimilações, aos militares são aplicadas
algumas vedações que constituem direito dos demais agentes
públicos, como por exemplo, os casos da sindicalização, bem como
da greve e, quando estiverem em serviço ativo, da filiação a partidos
políticos.
— Cargo, Emprego e Função Pública
Para que haja melhor organização na Administração Pública,
os servidores públicos são amparados e organizados a partir de
quadros funcionais. Quadro funcional é o acoplado de cargos,
empregos e funções públicas de um mesmo ente federado, de uma
pessoa jurídica da Administração Indireta de ou de seus órgãos
internos.
Cargo
O art. 3º do Estatuto dos Servidores Civis da União da Lei
8.112/1990 conceitua cargo público como “o conjunto de atribuições
e responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem
ser cometidas a um servidor”. Via de regra, podemos considerar
o cargo como sendo uma posição na estrutura organizacional da
Administração Pública a ser preenchido por um servidor público.
Em geral, os cargos públicos somente podem ser criados,
transformados e extinguidos por força de lei.
Ao Poder Legislativo, caberá, mediante sanção do chefe do
Poder Executivo, dispor sobre a criação, transformação e extinção
de cargos, empregos e funções públicas.
Em se tratando de cargos do Poder Legislativo, a criação não
depende de temos exatos de lei, mas, sim de uma norma que
mesmo possuindo hierarquia de lei, não depende de sanção ou
veto do chefe do Executivo. É o que chamamos de Resoluções, que
são leis sem sanção.
A despeito da criação de cargos, vejamos:
a) Cargos do Poder Executivo: a iniciativa é privativa do chefe
desse Poder (CF, art. 61, § 1º, II, “a”).
b) Cargos do Poder Judiciário: dos Tribunais de Contas e
do Ministério Público a lei em questão, partirá de iniciativa dos
respectivos Tribunais ou Procuradores-Gerais em se tratando da
criação de cargos para o Ministério Público.
c) Cargos do Legislativo: os cargos serão criados, extintos ou
transformados por atos normativos de âmbito interno desse Poder
(Resoluções), sendo sua iniciativa da respectiva Mesa Diretora.
Embora sejam criados por lei, os cargos ou funções públicas, se
estiverem vagos, podem ser extintos por intermédio de lei ou por
decreto do chefe do Poder Executivo. No entanto, se o cargo estiver
ocupado, só poderá ser extinto por lei.
Os cargos podem ser organizados em carreira ou isolados.
Vejamos:
– Cargos organizados em carreira: são cargos cujos ocupantes
podem percorrer várias classes ao longo da sua vida funcional, em
razão do regime de progressão do servidor na carreira.
– Cargos isolados: não permitem a progressão funcional de
seus titulares.
Em relação às garantias e características especiais que lhe são
conferidas, os cargos podem ser classificados em vitalícios, efetivos;
e comissionados. Vejamos:
– Cargos vitalícios e cargos efetivos: oferecem garantia de
permanência aos seus ocupantes. De forma geral, a nomeação
para esses cargos é dependente de prévia aprovação em concurso
público.
– Cargos em comissão ou comissionados: de acordo com o
art. 37, V, da CF, os cargos comissionados se destinam apenas às
atribuições de direção, chefia e assessoramento. São ocupados
de maneira temporária, em função da confiança depositada pela
autoridade nomeante. A nomeação para esse tipo de cargo não
depende de aprovação em concurso público, podendo a exoneração
do seu ocupante pode ser feita a qualquer tempo, a critério da
autoridade nomeante.
Emprego
Os empregos públicos são entidades de atribuições com o fito
de serem ocupadas por servidores regidos sob o regime da CLT, que
também chamados de celetistas ou empregados públicos.
A diferença entre cargo e emprego público consiste no vínculo
que liga o servidor ao Estado. Ressalta-se que o vínculo jurídico do
empregado público é de natureza contratual, ao passo que o do
servidor titular de cargo público é de natureza estatutária.
NOÇÕES DE DIREITO
62
No âmbito das pessoas de Direito Público como a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como em suas
autarquias e fundações públicas de direito público, levando em
conta a restauração da redação originária do caput do art. 39 da
CF/1988 (ADIn 2135 MC/DF), afirma-se que o regime a ser adotado
é o estatutário. Entretanto, é plenamente possível a convivência
entre o regime estatutário e o celetista relativo aos entes que,
anteriormente à concessão da medida cautelar mencionada,
tenham realizadocontratações e admissões no regime de emprego
público. No tocante às pessoas de Direito Privado da Administração
Indireta como as empresas públicas, sociedades de economia mista
e fundações públicas de direito privado, infere-se que somente é
possível a existência de empregados públicos, nos termos legais.
Função Pública
Função pública também é uma espécie de ocupação de agente
público. Denota-se que ao lado dos cargos e empregos públicos
existem determinadas atribuições que também são exercidas
por servidores públicos, mas no entanto, essas funções não
compõem a lista de atribuições de determinado cargo ou emprego
público, como por exemplo, das funções exercidas por servidores
contratados temporariamente, em razão de excepcional interesse
público, com base no art. 37, IX, da CFB/88.
Esse tipo de servidor ocupa funções temporárias,
desempenhando suas funções sem titularizar cargo ou emprego
público. Além disso, existem funções de chefia, direção e
assessoramento para as quais o legislador não cria o cargo
respectivo, já que serão exercidas com exclusividade por ocupantes
de cargos efetivos, nos termos do art. 37, V, da CFB/88.
– Observação importante: nos parâmetros do art. 37, V da
CFB/88, da mesma forma que previsto para os cargos em comissão,
as funções de confiança destinam-se apenas às atribuições de
direção, chefia e assessoramento.
Regimente Jurídico
– Provimento
Provimento é a forma de ocupação do cargo público pelo
servidor. Além disso, é um ato administrativo por intermédio do
qual ocorre o preenchimento de cargo, por conseguinte, atribuindo
as funções a ele específicas e inerentes a uma determinada pessoa.
Tanto a doutrina quanto a lei dividem as espécies de provimento de
cargos públicos em dois grupos. São eles:
– Provimento originário: é ato administrativo que designa um
cargo a servidor que antes não integrava o quadro de servidores
daquele órgão, ou seja, o agente está iniciando a carreira pública.
O provimento originário é a única forma de nomeação
reconhecida pelo Ordenamento Jurídico Brasileiro, isso, é claro,
ressalte-se, dependendo de prévia habilitação em concurso público
de provas ou de provas e títulos, obedecidos, nos termos da lei,
a ordem de classificação e o prazo de sua validade. Destaque-
se que o momento da nomeação configura discricionariedade
do administrador, na qual devem ser respeitados os prazos do
concurso público, nos moldes do art. 9° e seguintes da Lei 8112/90,
devendo, por conseguinte, ainda ser feita uma análise a respeito
dos requisitos para a ocupação do cargo.
Entretanto, uma vez realizada a nomeação do candidato, este
ato não lhe atribui a qualidade de servidor público, mas apenas
a garantia de ocupação do referido cargo. Para que se torne
servidor público, o particular deverá assinar o termo de posse, se
submetendo a todas as normas estatuárias da instituição.
O provimento do cargo ocorre com a nomeação, mas a
investidura no cargo acontece com a posse nos termos do art. 7°da
Lei 8.112/90.
De acordo com a Lei Federal, o prazo máximo para a posse
é de 30 (trinta) dias, contados a partir da publicação do ato de
provimento, nos termos do art. 13, §1°, sendo que, desde haja a
devida comprovação, a legislação admite que a posse ocorra por
meio de procuração específica, conforme disposto no art. 13, §3°
da lei 8.112/90.
Havendo a efetivação da posse dentro do prazo legal, o servidor
público federal terá o prazo máximo de 15 (dias) dias para iniciar a
exercer as funções do cargo, nos trâmites do art. 15, §1° do Estatuto
dos Servidores Públicos da União, das Autarquias e das Fundações
Públicas Federais, Lei 8112/90, sendo que não sendo respeitado
este prazo, o agente poderá ser exonerado. Vejamos:
Art. 15. § 2º - O servidor será exonerado do cargo ou será
tornado sem efeito o ato de sua designação para função de
confiança, se não entrar em exercício nos prazos previstos neste
artigo, observado o disposto no art. 18. (Redação dada pela Lei n.
9.527, de 10.12.97).
Ademais, se o candidato for nomeado e não se apresentar para
posse, no prazo de determinado por lei, não ocorrerá exoneração,
tendo em vista ainda não havia sido investido na qualidade de
servidor. Assim sendo, o ato de nomeação se torna sem efeito, vindo
a ficar vago o cargo que havia sido ocupado pelo ato de nomeação.
– Provimento Derivado: o cargo público deverá ser entregue a
um servidor que já tenha uma relação anterior com a Administração
Pública e que se encontra exercendo funções na carreira em que
pretende assumir o novo cargo. Denota-se que provimento derivado
somente será possível de ser concretizado, se o agente provier
de outros cargos na mesma carreira em que houve provimento
originário anterior. Não pode haver provimento derivado em outra
carreira.
Nesses casos, deverá haver a realização de concurso público
de provas ou de provas e títulos, para que se faça novo provimento
originário. A permissão para que o agente ingresse em nova carreira
por meio de provimento derivado violaria os princípios da isonomia
e da impessoalidade, mediante os benefícios oferecidos de forma
defesa. Nesse diapasão, vejamos o que estabelece a súmula
vinculante nº 43 do Supremo Tribunal Federal
– Súmula 43 do STF: É inconstitucional toda modalidade
de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia
aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em
cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
Assim sendo, analisaremos as espécies de provimento derivado
permitidas no ordenamento Jurídico Brasileiro e suas características
específicas. Vejamos:
– Provimento derivado vertical: é a promoção na carreira
ensejando a garantia de o servidor público ocupar cargos mais
altos, na carreira de ingresso, de forma alternada por antiguidade
e merecimento. Para que isso ocorra, é necessário que ele tenha
NOÇÕES DE DIREITO
63
ingressado, mediante aprovação em concurso público no serviço
público, bem como mediante assunção de cargo escalonado em
carreira.
Denota-se que a escolha do servidor a progredir na carreira
deve ser realiza por critérios de antiguidade e merecimento e de
forma alternada por critérios de antiguidade e merecimento.
Destaque-se que, intermédio de promoção, não será possível
assumir um cargo em outra carreira mais elevada. Como por
exemplo, ao ser promovido do cargo de técnico do Tribunal para o
cargo de analista do mesmo órgão. Isso não é possível, uma vez que
tal situação significaria a possibilidade de mudança de carreira sem
a realização de concurso público, o que ensejaria a ascensão que foi
abolida pela Constituição Federal de 1988.
– Provimento derivado horizontal: trata-se da readaptação
disposta no art. 24 da Lei 8112/90. É o aproveitamento do servidor
em um novo cargo, em decorrência de uma limitação sofrida por
este na capacidade física ou mental. Em ocorrendo esta hipótese,
o agente deverá ser readaptado vindo a assumir um novo cargo,
no qual as funções sejam compatíveis com as limitações que
sofreu em sua capacidade laboral, dependendo a verificação desta
limitação mediante a apresentação de laudo laboral expedido por
junta médica oficial, que ateste demonstrando detalhadamente
a impossibilidade de o agente se manter no exercício de suas
atividades de trabalho.
Na fase de readaptação ficará garantida o recebimento de
vencimentos, não podendo haver alteração do subsídio recebido
pelo servidor em virtude da readaptação.
– Observação importante: esta modalidade de provimento
derivado independe da existência de cargo vago na carreira,
porque ainda que este não exista, o servidor sempre terá direito
de ser readaptado e poderá exercer suas funções no novo cargo
como excedente. Caso não haja nenhum cargo na carreira, com
funções compatíveis, o servidor poderá ser aposentado por
invalidez. Para que haja readaptação, não há necessidade de a
limitação ter ocorrido por causa do exercício do labor ou da função.
A princípio,independentemente de culpa, o servidor tem direito a
ser readaptado.
– Provimento derivado por reingresso: ocorre quando o
servidor de alguma forma, deixou de atuar no labor das funções
de cargo específico e retorna às suas atividades. Esse provimento
pode ocorrer de quatro formas. São elas:
a) Reversão: nos termos do art. 25 da Lei 8.112/90, é o retorno
do servidor público aposentado ao exercício do cargo público. A
reversão pode ocorrer por meio da aposentadoria por invalidez,
quando cessarem os motivos da invalidez. Neste caso, por meio de
laudo médico oficial, o poder público toma conhecimento de que
os motivos que ensejaram a aposentadoria do servidor se tornaram
insubsistentes, do que resulta a obrigatoriedade de retorno do
servidor ao cargo.
Também pode ocorrer a reversão do servidor aposentado
de forma voluntária. Dessa maneira, atendidos os requisitos
dispostos em lei, a legislação ordena que havendo interesse da
Administração Pública, que o servidor tenha requerido a reversão,
que a aposentadoria tenha sido de forma voluntária, que o agente
público já tivesse, antes, adquirido estabilidade quando no exercício
da atividade, que a aposentadoria tenha se dado nos cinco anos
anteriores à solicitação e também que haja cargo vago, no momento
da petição de reversão.
b) Reintegração: trata-se de provimento derivado que requer
o retorno do servidor público estável ao cargo que ocupava
anteriormente, em decorrência da anulação do ato de demissão.
Ocorre a reintegração quando tornada sem validade a
demissão do servidor estável por decisão judicial ou administrativa,
ponderando que o reintegrado terá o direito de ser indenizado por
tudo que deixou de ganhar em consequência da demissão ilegal.
c) Recondução: conforme dispõe o art. 29, da lei 8.112/90, trata-
se a recondução do retorno do servidor ao cargo anteriormente
ocupado por ele, podendo ocorrer em duas hipóteses:
– Inabilitação em estágio probatório relacionado a outro cargo:
quando o servidor público retorna à carreira anterior na qual já
havia adquirido estabilidade, evitando assim, sua exoneração do
serviço público.
– Reintegração do anterior ocupante: cuida-se de situação
exposta, na situação prática apresentada anteriormente, através
da qual, o servidor público ocupa cargo de outro servidor que é
posteriormente reintegrado.
– Observação importante: A recondução não gera direito à
percepção de indenização, em nenhuma das duas hipóteses. Assim,
o servidor público retornará ao cargo de origem, percebendo a
remuneração deste cargo.
d) Aproveitamento: é retorno do servidor público que se
encontra em disponibilidade, para assumir cargo com funções
compatíveis com as que anteriormente exercia, antes de ter extinto
o cargo que antes ocupava.
Isso ocorre, por que a Carta Magna prevê que havendo a extinção
ou declaração de desnecessidade de determinado cargo público, o
servidor público estável ocupante do cargo não deverá ser demitido
ou exonerado, mas sim ser removido para a disponibilidade. Nesses
casos, o servidor deixará de exercer as funções de forma temporária,
mantendo o vínculo com a administração pública.
Destaque-se que não há prazo para o término da disponibilidade,
porém, por lei, o servidor tem a garantia de que, surgindo novo
cargo vago compatível com o que ocupava, seu aproveitamento
será obrigatório.
– Observação importante: o aproveitamento é obrigatório
tanto para o poder público quanto para o agente. Isso ocorre
porque a Administração Pública não pode deixar de executar o
aproveitamento para nomear novos candidatos, da mesma forma
que o servidor não poderá optar por ficar em disponibilidade, vindo
a recusar o aproveitamento.
– Vacância
As situações de vacância são as hipóteses de desocupação do
cargo público. Vacância é o termo utilizado para designar cargo
público vago. É um fato administrativo que informa que o cargo
público não está provido e poderá preenchido por novo agente.
NOÇÕES DE DIREITO
64
A lei dispõe sete hipóteses de vacância. São elas:
a) Aposentadoria: acontece quando mediante ato praticado
pela Administração Pública, o servidor público passa para a
inatividade. No Regime Próprio de Previdência do Servidor Público,
a aposentadoria pode-se dar voluntariamente, compulsoriamente
ou por invalidez, devendo ser aprovada pelo Tribunal de Contas
para que tenha validade. A aposentadoria pode ocorrer pelas
seguintes maneiras:
– Falecimento
Quando se tratar de fato administrativo alheio ao interesse
do servidor ou da Administração Pública, torna inevitavelmente
inviável a ocupação do cargo.
– Exoneração
Acontece sempre que o desfazimento do vínculo com o poder
público ocorre por situação prevista em lei, sem penalidades, dando
fim à relação jurídica funcional que havia tido início com a posse.
Ressalte-se que a exoneração pode ocorrer a pedido do
servidor, situação na qual, por vontade do agente público, o vínculo
se restará desfeito e o cargo vago.
b) Demissão: será cabível todas as vezes em que o servidor
cometer infração funcional, prevista em lei e será punível com a
perda do cargo público. A demissão está disposta na lei 8.112/90
em forma de sanção aplicada ao servidor que cometer.
Quaisquer das infrações dispostas no art. 132 que
são configuradas como condutas consideradas graves. Em
determinados casos, definidos pelo legislador, a demissão proporá
de forma automática a indisponibilidade dos bens do servidor até
que esse faça os devidos ressarcimentos ao erário. Em se tratando
de situações mais extremas, o legislador vedará por completo a o
retorno do servidor ao serviço público.
A penalidade deverá ser por meio de processo administrativo
disciplinar no qual se observe o direito ao contraditório e a ampla
defesa.
c) Readaptação: é a de investidura do servidor em cargo de
atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que
tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, comprovada
em inspeção minuciosamente realizada por junta médica oficial do
órgão competente.
O servidor que for readaptado, assumindo o novo cargo desde
que seja com funções compatíveis com sua nova situação, deverá
retornar ao cargo anteriormente ocupado. Assim, a readaptação
ensejará o provimento de um cargo e, por conseguinte, a vacância
de outro, acopladas num só ato.
d) Promoção: ocorre no momento em que o servidor público,
por antiguidade e merecimento, alternadamente, passa a assumir
cargo mais elevado na carreira de ingresso.
e) Posse em cargo inacumulável: todas as vezes que o servidor
tomar posse em cargo ou emprego público de carreira nova,
mediante aprovação em concurso público de provas ou de provas
e títulos, de forma que o novo cargo não seja acumulável com o
primeiro.
Ocorrendo isso, em decorrência da vedação estabelecida
pela Carta Magna de acumulação de cargos e empregos públicos,
será necessária a vacância do cargo anteriormente ocupado. Não
fazendo o servidor a opção, após a concessão de prazo de dez dias,
por conseguinte, o poder público poderá instaurar, nos termos da
lei, processo administrativo sumário, pugnando na aplicação da
penalidade de demissão do servidor.
– Efetividade
A efetividade não se confunde com a estabilidade. Ao passo
que a estabilidade é a garantia constitucional disposta no art.14,
que garante a permanência no serviço público outorgada ao
servidor que, no ato de nomeação por concurso público para cargo
de provimento efetivo, tenha transposto o período de estágio
probatório e aprovado numa avaliação específica e especial de
desempenho, a efetividade é a situação jurídica daquele servidor
que ocupa cargo de provimento efetivo.
Os cargos de provimento efetivo são aqueles que só podem ser
titularizados por servidores estatutários. Sua nomeação depende
explicitamente da aprovação em concurso público.
Ao ingressar no serviço público, o servidor ao ocupar cargo
de provimento efetivo, já é considerado um servidor efetivo.
Entretanto, o mencionado servidorefetivo só terá garantida sua
permanência no serviço público, a estabilidade, depois de três anos
de exercício, desde que seja aprovado no estágio probatório.
– Criação, transformação e extinção de cargos, empregos e
funções
Via de regra, os cargos públicos apenas podem ser criados,
transformados ou extintos por determinação de lei. Cabe ao Poder
Legislativo, com o sancionamento do chefe do Poder Executivo,
dispor sobre a criação, transformação e extinção de cargos,
empregos e funções públicas.Em se tratando de cargos do Poder
Legislativo, o processo de criação não depende apenas de lei,
mas sim de uma norma que mesmo apesar de possuir a mesma
hierarquia de lei, não está na dependência de deliberação executiva
com sanção ou veto do chefe do Executivo. Referidas normas, em
geral, são chamadas de Resoluções.
Denota-se que é a norma criadora do cargo a responsável pela
denominação, as atribuições e a remuneração correspondentes aos
cargos públicos, nos termos da lei.
Uma questão de suma relevância, é a iniciativa da lei que cria,
extingue ou transforma cargos. A despeito da criação de cargos,
vejamos:
– Cargos do Poder Executivo: a iniciativa é privativa do chefe
desse Poder (CF, art. 61, § 1º, II, “a”).
– Cargos do Poder Judiciário: dos Tribunais de Contas e
do Ministério Público a lei em questão, partirá de iniciativa dos
respectivos Tribunais ou Procuradores-Gerais em se tratando da
criação de cargos para o Ministério Público.
– Cargos do Legislativo: os cargos serão criados, extintos ou
transformados por atos normativos de âmbito interno desse Poder
(Resoluções), sendo sua iniciativa da respectiva Mesa Diretora.
Embora sejam criados por lei, os cargos ou funções públicas, se
estiverem vagos, podem ser extintos por intermédio de lei ou por
decreto do chefe do Poder Executivo. No entanto, se o cargo estiver
ocupado, só poderá ser extinto por lei.
NOÇÕES DE DIREITO
65
Os cargos podem ser organizados em carreira ou isolados.
Vejamos:
– Cargos organizados em carreira: são cargos cujos ocupantes
podem percorrer várias classes ao longo da sua vida funcional, em
razão do regime de progressão do servidor na carreira.
– Cargos isolados: não permitem a progressão funcional de
seus titulares.
Em relação às garantias e características especiais que lhe são
conferidas, os cargos podem ser classificados em vitalícios, efetivos;
e comissionados. Vejamos:
– Cargos vitalícios e cargos efetivos: oferecem garantia de
permanência aos seus ocupantes. De forma geral, a nomeação
para esses cargos é dependente de prévia aprovação em concurso
público.
– Cargos em comissão ou comissionados: de acordo com o
art. 37, V, da CF, os cargos comissionados se destinam apenas às
atribuições de direção, chefia e assessoramento. São ocupados
de maneira temporária, em função da confiança depositada pela
autoridade nomeante. A nomeação para esse tipo de cargo não
depende de aprovação em concurso público, podendo a exoneração
do seu ocupante pode ser feita a qualquer tempo, a critério da
autoridade nomeante.
Ressalte-se que antes da EC 32/2001, os cargos e as funções
públicas só podiam ser extintos por determinação de lei. Entretanto,
a mencionada emenda constitucional alterou a redação do art. 84,
VI, “b”, da CF, passando a legislar admitindo que o Presidente da
República possa extinguir funções ou cargos públicos por meio de
decreto, quando estes se encontrarem vagos.
O resultado disso, é que, ao aplicar o princípio da simetria,
a consequência é que os Governadores e Prefeitos, se houver
semelhante previsão nas respectivas Constituições Estaduais ou
Leis Orgânicas, também podem extinguir por decreto funções ou
cargos públicos vagos nos Estados, Distrito Federal e Municípios.
Assim sendo, em se restando vagos, os cargos ou funções
públicas, embora sejam criados por lei, poderão ser extintos por lei
ou por decreto do chefe do Poder Executivo. Entretanto, se o cargo
estiver ocupado, só poderá ser extinto através de lei, uma vez que
não se admite a edição de decreto com essa finalidade.
– Remuneração
A Constituição Federal Brasileira aduz no art. 37, inciso X do art.
37, a seguinte redação:
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que
trata o § 4.º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados
por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso,
assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem
distinção de índices;
Infere-se que a alteração mais importante trazida a esse
dispositivo por meio da EC 19/1998, foi a exigência de lei específica
para que seja fixada ou que haja alteração na remuneração em
sentido amplo de todos os servidores públicos. Isso significa que
cada alteração de remuneração de cargo público deverá ser feita
através da edição de lei ordinária específica para tratar desse
assunto.
O termo “subsídio”, o qual o texto do inciso X do art. 3
7 menciona, é um tipo de remuneração inserida em nosso
ordenamento jurídico através da EC 19/1998, que é de medida
obrigatória para alguns cargos e facultativa para outros.
Nos parâmetros do § 4.º do art. 39 da Constituição Federal, o
subsídio deverá ser “fixado em parcela única, vedado o acréscimo
de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de
representação ou outra espécie remuneratória”. No estudo desse
paramento legal, depreende-se que o subsídio é uma espécie
remuneração em sentido amplo.
Não obstante, a redação do inciso X do art. 3 7 não tenha
usado o termo “vencimento”, convém anotar que este é usado com
frequência para indicar a remuneração dos servidores estatutários
que não percebem subsídio.
Nesse conceito, os “vencimentos”, também são considerados
um tipo de remuneração em sentido amplo. São compostos pelo
vencimento normal do cargo com o acréscimo das vantagens
pecuniárias estabelecidas em lei.
Portanto, o disposto no inciso X do art. 37 da CFB/88, ao
determinar “a remuneração dos servidores públicos e o subsídio”,
está, em síntese, acoplando as duas espécies remuneratórias,
vencimentos e subsídios que os servidores públicos estatutários
podem receber.
Pondera-se que o termo “salário” não é alcançado pelo
citado dispositivo, posto que este trata-se do nome usado para
o pagamento ou quitação de serviços profissionais prestados em
uma relação de emprego quando a mesma é sujeita ao regime
trabalhista, que é controlado e direcionado pela Consolidação das
Leis do Trabalho. Assim sendo, entende-se que os empregados
públicos recebem salário.
Dependerá do cargo conforme o dispositivo de lei que o rege,
para que a iniciativa privativa das leis que fixem ou alterem as
remunerações e subsídios dos servidores públicos. De acordo com
a Constituição, atinente às principais hipóteses de iniciativa de leis
que tratem a respeito da remuneração de cargos públicos, podemos
resumir das seguintes formas:
Cargo do Poder Executivo
Federal
A iniciativa é privativa do
Presidente da República
(CFB, art. 61, § 1.º, II, “a”);
Cargos da Câmara dos
Deputados
a iniciativa é privativa
dessa Casa (CFB, art. 51, IV);
Cargos do Senado Federal a iniciativa é privativa dessa Casa (CF, art. 52, XIII);
Compete de forma privativa ao Supremo Tribunal Federal, aos
Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder
Legislativo a respectiva remuneração dos seus serviços auxiliares e
dos juízos que lhes forem vinculados, e, ainda a fixação do subsídio
de seus membros e dos Juízes, inclusive dos tribunais inferiores,
onde houver (CF, art. 48, XV, e art. 96, II, ‘b ).
Observe-se que a fixação do subsídio dos deputados federais,
dos senadores, do Presidente e do Vice-Presidente da República e
dos Ministros de Estado é da competência exclusiva do Congresso
Nacional e não se encontra sujeita à sanção ou veto do Presidente
da República. Nesse sentido específico, em virtude de previsão
NOÇÕES DE DIREITO
66
constitucional, a determinação dos aludidos subsídios não é
realizada por meio delei, mas sim por intermédio de Decreto
Legislativo do Congresso Nacional.
Nesse sentido, em relação entendimento do Supremo Tribunal
Federal, esse órgão entende que a concessão da revisão geral
anual” a que se refere o inciso X do art. 37 da Constituição deve
ser efetivada por intermédio de lei de iniciativa privativa do Poder
Executivo de cada Federação.
O inciso X do art. 37 da Constituição Federal em sua parte final,
garante a” revisão geral anual” da remuneração e do subsídio dos
“servidores públicos” sempre na mesma data e sem distinção de índices.
A Constituição da República em seu texto original, usava os
termos “servidor público civil” e “servidor público militar”. No
entanto, a partir da aprovação da EC 1811998, estas expressões
deixaram de existir e o texto constitucional passou a se referir aos
servidores civis, apenas como “servidores públicos” e aos servidores
militares, apenas como “militares.
Também em seu texto original e primitivo, a Constituição
Federal de 1988 determinava a obrigatoriedade do uso de índices
de revisão de remuneração idênticos para servidores públicos civis
e para servidores públicos militares (expressões usadas antes da EC
18/1998). Acontece que no atual inciso X do art. 37, que resultou
da EC 1911998, existe referência apenas a “servidores públicos”,
o que leva a entender que o preceito nele contido não pode ser
aplicado aos militares, uma vez que estes não se englobam mais
como espécie do gênero “servidores públicos”.
A remuneração dos servidores públicos passa anualmente por
período revisional. Esse ato também faz parte do contido na EC
19/1998.
O objetivo da revisão geral anual, ao menos, em tese, possui o
fulcro de recompor o poder de compra da remuneração do servidor,
devido a inflação que normalmente está em alta. Por não se tratar
de aumento real da remuneração ou do subsídio, mas somente de
um aumento nominal, por esse motivo, é denominado, às vezes, de
“aumento impróprio”.
Esclarece-se que a revisão geral de remuneração e subsídio que
o dispositivo constitucional em exame menciona, não é implantada
mediante a reestruturação de algumas carreiras, posto que as
reestruturações de carreiras não são anuais, nem, tampouco gerais,
pois se limitam a cargos específicos, além de não manterem ligação
com a perda de valor relativo da moeda nacional. Já a revisão geral,
de forma adversa das reestruturações de carreiras, tem o condão
de alcançar todos os servidores públicos estatutários de todos os
Poderes da Federação em que esteja efetuando e deve ocorrer a
cada ano.
Registre-se que a remuneração do servidor público é submetida
aos valores mínimo e máximo.
Em relação ao valor mínimo, a Carta Magna predispõe aos
servidores públicos a mesma garantia que é dada aos trabalhadores
em geral, qual seja, a de que a remuneração recebida não pode ser
inferior ao salário mínimo. No entanto, tal garantia se refere ao total
da remuneração recebida, e não em relação ao vencimento-base.
Sobre o assunto, o STF deixou regulamentado na Súmula Vinculante
16.
Ressalta-se que a garantia da percepção do salário mínimo
não foi assegurada pela Constituição Federal aos militares. Para o
STF, a obrigação do Estado quanto aos militares está limitada ao
fornecimento das condições materiais para a correta prestação
do serviço militar obrigatório nas Forças Armadas. Para tanto,
denota-se que os militares são enquadrados em um sistema que
não se confunde com o que se aplica aos servidores civis, uma vez
que estes têm direitos, garantias, prerrogativas e impedimentos
próprios (RE 570177/MG).
Consolidando o entendimento, enfatiza-se que a Suprema
Corte editou a Súmula Vinculante 6, por meio da qual afirma que
“não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração
inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço
militar inicial”.
Referente ao limite máximo, foi estabelecido o teto
remuneratório pelo art. 37, XI, da CF, com redação dada pela EC
41/2003. Vejamos:
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos,
funções e empregos públicos da administração direta, autárquica
e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos
detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os
proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de
qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal,
em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-
se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados
e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito
do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais
no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores
do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco
centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder
Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público,
aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003).
O art. 37, § 11, da CFB/88 também regulamenta o assunto
ao afirmar que estão submetidos ao teto a remuneração e o
subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da
administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as
vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza. Referente às
parcelas de caráter indenizatório, estas não serão computadas para
efeito de cálculo do teto remuneratório.
Perceba que a regra do teto remuneratório também e
plenamente aplicável às empresas públicas e às sociedades de
economia mista, e suas subsidiárias, que percebem recursos da
União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para
pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral (art.
37, § 9º, da CF).No entanto, se essas entidades não vierem a
receber recursos públicos para a quitação de despesas de custeio
e de pessoal, seus empregados não estarão submetidos ao teto
remuneratório previsto no art. 37, XI, da CF.
Nos trâmites desse dispositivo constitucional, resta-se
existente um teto geral remuneratório que deve ser aplicado a
todos os Poderes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios,
sendo este, o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.
Além disso, referente a esse teto geral, existem tetos específicos
aplicáveis aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.
NOÇÕES DE DIREITO
67
Em se tratando da esfera estadual e distrital, denota-se que
a remuneração dos servidores públicos não podem exceder o
subsídio mensal dos Ministros do STF, bem como, ainda, não pode
ultrapassar os limites a seguir:
– Na alçada do Poder Executivo: o subsídio do Governador;
– Na alçada do Poder Legislativo: o subsídio dos Deputados
Estaduais e Distritais;
– Na alçada do Poder Judiciário: o subsídio dos
Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado este a 90,25% do
subsídio dos Ministros do STF. Infere-se que esse limite também é
nos termos da Lei, aplicável aos membros do Ministério Público,
aos Procuradores e aos Defensores Públicos, mesmo que estes não
integrem o Poder Judiciário.
Em relação aos Estados e ao Distrito Federal, a Carta Magna,
no art. 37, § 12 com redação incluída pela EC 47/2005, facultou a
cada um desses entes fixar, em sua alçada, um limite remuneratório
local único, sendo ele o subsídio mensal dos Desembargadores do
respectivo Tribunal de Justiça que é limitado a 90,25% do subsídio
dos Ministros do STF. Se os Estados ou Distrito Federal desejarem
adotar o subteto único, deverão realizar tal tarefa por meio de
emenda às respectivas Constituiçõesestaduais ou, ainda, à Lei
Orgânica do Distrito Federal. Entretanto, em consonância com a
Constituição Federal, o limite local único não deve ser aplicado aos
subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores.
Finalizando, em relação à esfera municipal, a remuneração
dos agentes públicos não poder exceder o teto geral e também
não pode exceder o subsídio do Prefeito que cuida-se do subteto
municipal.
Registre-se ainda, que a Constituição Federal carrega em
seu bojo a regra de que “os vencimentos dos cargos do Poder
Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos
pagos pelo Poder Executivo” (art. 37, XII, da CF). No entanto, esta
norma tem sido de pouca aplicação, pelo fato de possuir conteúdo
genérico, ao contrário da previsão inserida no art. 37, XI, da CFB/88,
que explicitamente estabelece limites precisos para os tetos
remuneratórios.
Direitos e deveres
Adentrando ao tópico dos direitos e deveres dos agentes
públicos, com o amparo da Lei 8112/90, que dispõe sobre o regime
jurídico único dos servidores públicos civis da União, das autarquias
e das fundações públicas federais, é importante explanar que além
do vencimento-base, a lei prevê que o servidor federal poderá
receber vantagens pecuniárias, sendo elas:
– Indenizações
Têm como objetivo ressarcir aos servidores em razão de
despesas que tenham tido por motivo do exercício de suas funções.
São previstos por determinação legal, os seguintes tipos de
indenizações a serem pagas ao servidor federal:
a) Ajuda de custo: é destinada a compensar as despesas de
instalação do servidor que, a trabalho em prol do interesse do
serviço público, passar a laborar em nova sede, isso com mudança
de domicílio em caráter permanente.
A ajuda de custo também será devida àquele agente que, não
sendo servidor da União, for nomeado para cargo em comissão,
com mudança de domicílio. Por outro ângulo, não será concedida
ajuda de custo ao servidor que em virtude de mandato eletivo se
afastar do cargo, ou vier a reassumi-lo.
O cálculo pecuniário da ajuda de custo é feito sobre a
remuneração do servidor, e não pode exceder a importância
correspondente a três meses de remuneração.
Referente a cônjuge ou companheiro do servidor beneficiado
pela ajuda de custo que também seja servidor e, a qualquer tempo,
passe a ter exercício na mesma sede do seu cônjuge ou companheiro,
não é permitido pela legislação que ocorra o pagamento de uma
segunda ajuda de custo.
Além de receber o valor pago pela ajuda de custo, todas as
despesas de transporte do servidor e de sua família, deverão ser
arcadas pela Administração Pública, compreendendo passagem,
bagagem e bens pessoais.
Falecendo o servidor estando lotado na nova sede, sua família,
por conseguinte, fará jus à ajuda de custo bem como de transporte
para retornar à localidade de origem, no prazo de um ano, contado
do óbito.
Com o fito de evitar enriquecimento sem causa, a lei determina
que o servidor ficará obrigado a restituir a ajuda de custo quando,
sem se justificar, não se apresentar na nova sede no prazo de 30
dias.
— Observação importante: O STJ entende que a ajuda de custo
somente é devida aos servidores que, no interesse da Administração,
forem removidos ex officio, com fundamento no art. 36, parágrafo
único, I, da Lei 8.112/1990. No entanto, quando a remoção ocorrer
em decorrência de interesse particular do servidor, a ajuda de custo
não é devida. Assim, por exemplo, se o servidor público passar a
ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio em caráter
permanente, por meio de processo seletivo de remoção, não terá
direito à percepção da verba de ajuda de custo (AgRg no REsp
1.531.494/SC).
– Diárias
São devidas ao servidor que a serviço, se afastar da sede em
caráter eventual ou transitório para outro ponto do território
nacional ou para o Exterior, que também fará jus a passagens
destinadas a indenizar as despesas extraordinárias com pousada,
alimentação e locomoção urbana.
As diárias são devidas apenas nas hipóteses de deslocamentos
eventuais ou transitórios. Assim, o servidor não fará jus a diárias se
o deslocamento da sede constituir exigência permanente do cargo
(art. 58, § 2º).
Não terá direito a diárias o servidor que se deslocar dentro da
mesma região metropolitana, aglomeração urbana ou microrregião,
constituídas por municípios limítrofes e regularmente instituídas,
ou em áreas de controle integrado mantidas com países limítrofes,
cuja jurisdição e competência dos órgãos, entidades e servidores
brasileiros consideram-se estendidas, salvo se houver pernoite fora
da sede, hipóteses em que as diárias pagas serão sempre as fixadas
para os afastamentos dentro do território nacional (art. 58, § 3º).
A diária será concedida por dia de afastamento, sendo devida
pela metade quando o deslocamento não exigir pernoite fora da
sede, ou quando a União custear, por meio diverso, as despesas
extraordinárias cobertas por diárias (art. 58, § 1º).
Além disso, o servidor que receber diárias e porventura, não
se afastar da sede, será obrigado a restituí-las em valor integral no
prazo de cinco dias.
Da mesma forma, retornando o servidor à sede antes do
previsto, também ficará obrigado a devolver as diárias percebidas
em excesso no prazo de cinco dias.
NOÇÕES DE DIREITO
68
a) Indenização de transporte: é devida ao servidor que no
exercício de serviço de interesse público realizar despesas com
a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de
serviços externos, por força das atribuições próprias do cargo (art.
60 da Lei 8.112/90).
b) Auxílio-moradia: é o ressarcimento das despesas
devidamente comprovadas e realizadas pelo servidor público com
aluguel de moradia ou, ainda com outro meio de hospedagem
devidamente administrado por empresa hoteleira, no decurso do
prazo de um mês após a comprovação da despesa pelo servidor.
Para fazer jus ao recebimento do auxílio-moradia, o servidor
deverá atender a alguns requisitos cumulativos previstos na lei (art.
60-B). Vejamos:
Art. 60-B. Conceder-se-á auxílio-moradia ao servidor se
atendidos os seguintes requisitos: (Incluído pela Lei nº 11.355, de
2006).
I - não exista imóvel funcional disponível para uso pelo servidor;
(Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006).
II - o cônjuge ou companheiro do servidor não ocupe imóvel
funcional; (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006).
III - o servidor ou seu cônjuge ou companheiro não seja ou tenha
sido proprietário, promitente comprador, cessionário ou promitente
cessionário de imóvel no Município aonde for exercer o cargo,
incluída a hipótese de lote edificado sem averbação de construção,
nos doze meses que antecederem a sua nomeação; (Incluído pela
Lei nº 11.355, de 2006).
IV - nenhuma outra pessoa que resida com o servidor receba
auxílio-moradia; (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006).
V - o servidor tenha se mudado do local de residência para
ocupar cargo em comissão ou função de confiança do Grupo-
Direção e Assessoramento Superiores - DAS, níveis 4, 5 e 6, de
Natureza Especial, de Ministro de Estado ou equivalentes; (Incluído
pela Lei nº 11.355, de 2006).
VI - o Município no qual assuma o cargo em comissão ou função
de confiança não se enquadre nas hipóteses do art. 58, § 3o, em
relação ao local de residência ou domicílio do servidor; (Incluído
pela Lei nº 11.355, de 2006).
VII - o servidor não tenha sido domiciliado ou tenha residido
no Município, nos últimos doze meses, aonde for exercer o cargo
em comissão ou função de confiança, desconsiderando-se prazo
inferior a sessenta dias dentro desse período; e (Incluído pela Lei nº
11.355, de 2006).
VIII - o deslocamento não tenha sido por força de alteração
de lotação ou nomeação para cargo efetivo. (Incluído pela Lei nº
11.355, de 2006).
IX - o deslocamento tenha ocorrido após 30 de junho de 2006.
(Incluído pela Lei nº 11.490, de 2007).
Parágrafo único. Para fins do inciso VII, não será considerado o
prazo no qual o servidorestava ocupando outro cargo em comissão
relacionado no inciso V. (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006).
– Gratificações
São vantagens pecuniárias que constituem acréscimos
de estipêndio, que acopladas ao vencimento constituem a
remuneração do servidor público.
Em consonância com o art. 61 da Lei 8.112/1990 depreende-se
que, além do vencimento e das indenizações, poderão ser deferidas
aos servidores as seguintes retribuições em forma de gratificações
e adicionais:
a) Retribuição pelo exercício de função de direção, chefia
e assessoramento: “Ao servidor ocupante de cargo efetivo
investido em função de direção, chefia ou assessoramento, cargo
de provimento em comissão ou de Natureza Especial é devida
retribuição pelo seu exercício” (art. 62). O valor dessa retribuição
será fixado por lei específica.
b) Gratificação natalina: equivale ao 13º salário do trabalhador
da iniciativa privada, ou pública sendo calculada à razão de 1/12
da remuneração a que o servidor fizer jus no mês de dezembro,
por mês de exercício no respectivo ano. Para efeito de pagamento
da gratificação natalina, a fração igual ou superior a 15 dias de
exercício será considerada como mês integral.
c) Adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas
ou penosas: O adicional de insalubridade é devido aos servidores
que trabalhem com habitualidade em locais insalubres, que
provocam a deterioração da sua saúde. Em relação ao adicional de
periculosidade, é devido ao servidor cujas funções que desempenha
habitualmente colocam em risco a sua vida.
d) Adicional pela prestação de serviço extraordinário: é aquele
exercido além da jornada ordinária de trabalho do servidor.
Nos termos da Lei 8.112/1990, o serviço extraordinário será
remunerado com acréscimo de 50% em relação à hora normal de
trabalho.
(art. 73). No entanto, somente será permitido serviço
extraordinário para atender a situações excepcionais e temporárias,
respeitado o limite máximo de duas horas por jornada (art. 74).
e) Adicional noturno: é prestado no horário compreendido
entre 22 horas de um dia e cinco horas do dia seguinte. O servidor
que exercer serviço noturno terá direito a perceber o adicional
noturno, cujo valor corresponderá ao acréscimo de 25% sobre
a hora trabalhada no turno diurno. Além disso, será considerado
como uma hora de serviço noturno o tempo de cinquenta e dois
minutos e trinta segundos (art. 75).
f) Adicional de férias: é garantido pela Constituição Federal e
disciplinado no art. 76 do estatuto funcional. Independentemente
de solicitação, será pago ao servidor, por ocasião das suas férias,
um adicional correspondente a 1/3 da remuneração do período
das férias. No caso de o servidor exercer função de direção, chefia
ou assessoramento, ou ocupar cargo em comissão, a respectiva
vantagem será considerada no cálculo do adicional de férias.
h) Gratificação por encargo de curso ou concurso: é direito
assegurado ao servidor que, em caráter eventual, se encaixar nas
hipóteses do art.76-A, tais como: atuar como instrutor em curso
de formação, de desenvolvimento ou de treinamento regularmente
instituído no âmbito da administração pública federal; participar de
banca examinadora ou de comissão para exames orais, para análise
curricular, para correção de provas discursivas, para elaboração de
questões de provas ou para julgamento de recursos intentados por
candidatos; participar da logística de preparação e de realização
de concurso público envolvendo atividades de planejamento,
coordenação, supervisão, incluídas entre as suas atribuições
permanentes e participar da aplicação, fiscalizar ou avaliar provas
de exame vestibular ou de concurso público ou supervisionar essas
atividades.
Vale a pena registrar que, em tempos remotos, a lei contemplava
o pagamento do adicional por tempo de serviço. Entretanto, o
dispositivo legal que previa o mencionado adicional foi revogado.
NOÇÕES DE DIREITO
69
Contemporaneamente, esta vantagem é paga somente aos
servidores que à época da revogação restavam munidos de direito
adquirido à sua percepção.
– Adicionais
Adicionais são formas de remuneração do risco à vida e à
saúde dos trabalhadores com caráter transitório, enquanto durar
a exposição aos riscos de trabalho do servidor. No serviço público,
podemos resumi-los da seguinte forma:
a) Adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas
ou penosas: O adicional de insalubridade é devido aos servidores
que trabalhem com habitualidade em locais insalubres, que
provocam a deterioração da sua saúde. Em relação ao adicional de
periculosidade, é devido ao servidor cujas funções que desempenha
habitualmente colocam em risco a sua vida.
b) Adicional pela prestação de serviço extraordinário: é aquele
exercido além da jornada ordinária de trabalho do servidor.
Nos termos da Lei 8.112/1990, o serviço extraordinário será
remunerado com acréscimo de 50% em relação à hora normal de
trabalho.
No entanto, somente será permitido serviço extraordinário
para atender a situações excepcionais e temporárias, respeitado o
limite máximo de duas horas por jornada, nos ditames do art.74.
c) Adicional noturno: é prestado no horário compreendido
entre 22 horas de um dia e cinco horas do dia seguinte. O servidor
que exercer serviço noturno terá direito a perceber o adicional
noturno, cujo valor corresponderá ao acréscimo de 25% sobre
a hora trabalhada no turno diurno. Além disso, será considerado
como uma hora de serviço noturno o tempo de cinquenta e dois
minutos e trinta segundos (art. 75).
d) Adicional de férias: é disposto na Constituição Federal e
disciplinado no art. 76 do estatuto funcional. Independentemente
de solicitação, será pago ao servidor, por ocasião das suas férias,
um adicional correspondente a 1/3 da remuneração do período
das férias. No caso de o servidor exercer função de direção, chefia
ou assessoramento, ou ocupar cargo em comissão, a respectiva
vantagem será considerada no cálculo do adicional de férias.
e) Adicional de atividade penosa: será devido aos servidores
que estejam em exercício de suas funções em zonas de fronteira ou
em localidades cujas condições de vida o justifiquem, nos termos,
condições e limites fixados em regulamento (art. 71).
– Observação importante: O direito ao adicional de
insalubridade ou periculosidade cessa com a eliminação das
condições ou dos riscos que deram causa a sua concessão (art. 68,
§ 2º).
O servidor que pelas circunstâncias fizer jus aos adicionais de
insalubridade e de periculosidade deverá optar por um deles, não
podendo perceber ditas vantagens cumulativamente (art. 68, § 1º).
– Férias
De modo geral, podemos afirmar que as férias correspondem
ao direito do servidor a um período de descanso anual remunerado,
por meio do qual, para a maioria dos servidores é de trinta dias.
Esse direito do servidor está garantido pela Constituição Federal,
porém, a disciplina do seu exercício pelos servidores estatutários
federais está inserida nos arts. 77 a 80 da Lei 8.112/1990.
Normalmente, o servidor fará jus a trinta dias de férias a cada
ano, que por sua vez, podem ser acumuladas até o máximo de
dois períodos, em se tratando de caso de necessidade do serviço,
com exceção das hipóteses em que haja legislação específica (art.
77). Entretanto, o servidor que opera direta em permanência
constante com equipamentos de raios X ou substâncias radioativas,
terá direito ao gozo de 20 dias consecutivos de férias semestrais
de atividade profissional, sendo proibida em qualquer hipótese a
acumulação desses períodos (art. 79).
– Observação importante: A lei proíbe que seja levada à conta
de férias qualquer falta ao serviço (art. 77, § 2º).
É interessante salientar que no primeiro período aquisitivo de
férias serão exigidos 12 meses de exercício (art. 77, § 1º); a partir
daí os períodos aquisitivos de férias são contados por exercício.
Infere-se que o gozo do período de férias é decisão
exclusivamente discricionáriada administração, que só o fará se
compreender que o pedido atende ao interesse público.
No condizente à remuneração das férias, depreende-se que
esta será acrescida do adicional que corresponda a 1/3 incidente
sobre a remuneração original. Já o pagamento da remuneração de
férias, com o acréscimo do adicional, poderá ser efetuado até dois
dias antes do início do respectivo período do gozo (art. 78).
Havendo parcelamento de gozo do período de férias, o servidor
receberá o adicional de férias somente após utilizado o primeiro
período (art. 78, § 5º).
Caso o servidor seja exonerado do cargo efetivo, ou em
comissão, terá o direito de receber indenização relativa ao período
das férias a que tiver direito, bem como ao incompleto, na exata
proporção de um doze avos por mês de efetivo exercício, ou, ainda
de fração superior a quatorze dias (art. 78, § 3º). Ocorrendo isso, a
indenização poderá ser calculada com base na remuneração do mês
em que for publicado o ato exoneratório (art. 78, § 4º).
– Observação importante: o STJ vem aplicando de forma
pacífica o entendimento de que, ocorrendo vacância, por posse
em outro cargo inacumulável, sem solução de continuidade no
tempo de serviço, o direito à fruição das férias não gozadas nem
indenizadas transfere-se para o novo cargo, ainda que este último
tenha remuneração maior (STJ, 5ª Turma, AgRg no Ag 1008567/
DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 18.09.2008, DJe
20.10.2008).
Via de regra, as férias dos servidores públicos devem ser
gozadas sem quaisquer tipos de interrupção. Entretanto, como
exceção, a lei estabelece dispositivo que determina que as férias
somente poderão ser interrompidas nas seguintes hipóteses art. 80
da Lei 8112/90:
a) calamidade pública;
b) comoção interna;
c) convocação para júri, serviço militar ou eleitoral; ou
d) por necessidade do serviço declarada pela autoridade
máxima do órgão ou entidade.
– Licenças
São períodos por meio dos quais o servidor tem direito de se
afastar das suas atividades, com ou sem remuneração, de acordo
com o tipo de licença.
A Lei 8112/90 prevê várias espécies de licenças, são elas:
Art. 81. Conceder-se-á ao servidor licença:
I - por motivo de doença em pessoa da família;
II - por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro;
III - para o serviço militar;
IV - para atividade política;
NOÇÕES DE DIREITO
70
V - para capacitação;
VI - para tratar de interesses particulares;
VII - para desempenho de mandato classista;
VIII - para tratamento de saúde;
IX - Licença por acidente em serviço (art. 211);
X - Licença à Gestante (art. 207);
XI - Licença à Adotante (art. 210);
XII – Licença Paternidade (art. 208).
Nos parâmetros do referido Estatuto, temos a seguinte
explanação:
Art. 83. Poderá ser concedida licença ao servidor por motivo de
doença do cônjuge ou companheiro, dos pais, dos filhos, do padrasto
ou madrasta e enteado, ou dependente que viva a suas expensas e
conste do seu assentamento funcional, mediante comprovação por
perícia médica oficial.
§ 1o A licença somente será deferida se a assistência direta do
servidor for indispensável e não puder ser prestada simultaneamente
com o exercício do cargo ou mediante compensação de horário, na
forma do disposto no inciso II do art. 44.
§ 2o A licença de que trata o caput, incluídas as prorrogações,
poderá ser concedida a cada período de doze meses nas seguintes
condições:
I - por até 60 (sessenta) dias, consecutivos ou não, mantida a
remuneração do servidor;
II - por até 90 (noventa) dias, consecutivos ou não, sem
remuneração.
§ 3o O início do interstício de 12 (doze) meses será contado a
partir da data do deferimento da primeira licença concedida.
§ 4o A soma das licenças remuneradas e das licenças não
remuneradas, incluídas as respectivas prorrogações, concedidas
em um mesmo período de 12 (doze) meses, observado o disposto
no § 3o, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos nos incisos
I e II do § 2o.
§ 2o A licença de que trata o caput, incluídas as prorrogações,
poderá ser concedida a cada período de doze meses nas seguintes
condições:
I - por até 60 (sessenta) dias, consecutivos ou não, mantida a
remuneração do servidor;
II - por até 90 (noventa) dias, consecutivos ou não, sem
remuneração.
§ 3o O início do interstício de 12 (doze) meses será contado a
partir da data do deferimento da primeira licença concedida.
§ 4o A soma das licenças remuneradas e das licenças não
remuneradas, incluídas as respectivas prorrogações, concedidas
em um mesmo período de 12 (doze) meses, observado o disposto
no § 3o, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos nos incisos
I e II do § 2o.
§ 2o No deslocamento de servidor cujo cônjuge ou companheiro
também seja servidor público, civil ou militar, de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
poderá haver exercício provisório em órgão ou entidade da
Administração Federal direta, autárquica ou fundacional, desde que
para o exercício de atividade compatível com o seu cargo.
Art. 85. Ao servidor convocado para o serviço militar será
concedida licença, na forma e condições previstas na legislação
específica.
Parágrafo único. Concluído o serviço militar, o servidor terá
até 30 (trinta) dias sem remuneração para reassumir o exercício do
cargo.
Art. 86. O servidor terá direito a licença, sem remuneração,
durante o período que mediar entre a sua escolha em convenção
partidária, como candidato a cargo eletivo, e a véspera do registro
de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral.
§ 1o O servidor candidato a cargo eletivo na localidade onde
desempenha suas funções e que exerça cargo de direção, chefia,
assessoramento, arrecadação ou fiscalização, dele será afastado, a
partir do dia imediato ao do registro de sua candidatura perante a
Justiça Eleitoral, até o décimo dia seguinte ao do pleito.
§ 2o A partir do registro da candidatura e até o décimo dia
seguinte ao da eleição, o servidor fará jus à licença, assegurados os
vencimentos do cargo efetivo, somente pelo período de três meses.
Art. 87. Após cada quinquênio de efetivo exercício, o servidor
poderá, no interesse da Administração, afastar-se do exercício do
cargo efetivo, com a respectiva remuneração, por até três meses,
para participar de curso de capacitação profissional.
Art. 91. A critério da Administração, poderão ser concedidas
ao servidor ocupante de cargo efetivo, desde que não esteja em
estágio probatório, licenças para o trato de assuntos particulares
pelo prazo de até três anos consecutivos, sem remuneração.
Parágrafo único. A licença poderá ser interrompida, a qualquer
tempo, a pedido do servidor ou no interesse do serviço.
Art. 92. É assegurado ao servidor o direito à licença sem
remuneração para o desempenho de mandato em confederação,
federação, associação de classe de âmbito nacional, sindicato
representativo da categoria ou entidade fiscalizadora da profissão
ou, ainda, para participar de gerência ou administração em
sociedade cooperativa constituída por servidores públicos para
prestar serviços a seus membros, observado o disposto na alínea c do
inciso VIII do art. 102 desta Lei, conforme disposto em regulamento
e observados os seguintes limites:
I - para entidades com até 5.000 (cinco mil) associados, 2 (dois)
servidores;
II - para entidades com 5.001 (cinco mil e um) a 30.000 (trinta
mil) associados, 4 (quatro) servidores;
III - para entidades com mais de 30.000 (trinta mil) associados,
8 (oito) servidores.
§ 1o Somente poderão ser licenciados os servidores eleitos para
cargos de direção ou de representação nas referidas entidades,
desde que cadastradas no órgão competente.
§ 2o. A licença terá duração igual à do mandato, podendo ser
renovada, no caso de reeleição.
Art. 202. Será concedida ao servidor licença para tratamento
de saúde, a pedido ou de ofício, com base em perícia médica, sem
prejuízo da remuneração a que fizer jus.
Art. 207.Será concedida licença à servidora gestante por 120
(cento e vinte) dias consecutivos, sem prejuízo da remuneração.
§ 1o . A licença poderá ter início no primeiro dia do nono mês de
gestação, salvo antecipação por prescrição médica.
§ 2o No caso de nascimento prematuro, a licença terá início a
partir do parto.
§ 3o No caso de natimorto, decorridos 30 (trinta) dias do
evento, a servidora será submetida a exame médico, e se julgada
apta, reassumirá o exercício.
§ 4o No caso de aborto atestado por médico oficial, a servidora
terá direito a 30 (trinta) dias de repouso remunerado.
Art. 208. Pelo nascimento ou adoção de filhos, o servidor terá
direito à licença-paternidade de 5 (cinco) dias consecutivos.
NOÇÕES DE DIREITO
71
Art. 209. Para amamentar o próprio filho, até a idade de seis
meses, a servidora lactante terá direito, durante a jornada de
trabalho, a uma hora de descanso, que poderá ser parcelada em
dois períodos de meia hora.
Art. 210. À servidora que adotar ou obtiver guarda judicial de
criança até 1 (um) ano de idade, serão concedidos 90 (noventa) dias
de licença remunerada.
Parágrafo único. No caso de adoção ou guarda judicial de
criança com mais de 1 (um) ano de idade, o prazo de que trata este
artigo será de 30 (trinta) dias.
Art. 211. Será licenciado, com remuneração integral, o servidor
acidentado em serviço.
— Observação importante: a licença-prêmio não faz mais
parte do rol dos direitos dos servidores federais e foi suprimida
pela Lei 9.527/1997. A licença-prêmio permitia que o servidor,
encerrado cada quinquênio ininterrupto de serviço, pudesse
gozar, como prêmio pela assiduidade de três meses de licença,
com a remuneração do cargo efetivo. A legislação vigente à época
facultava ao servidor gozar a licença ou contar em dobro o período
da licença para efeito de aposentadoria (o que atualmente não é
mais possível, já que a EC 20/1998 proibiu a contagem de tempo
de contribuição fictício para aposentadoria). Entretanto, em
análise ao caso específico daqueles que adquiriram legitimamente
o direito antes da supressão legal, o STJ entende pacificamente
que “o servidor aposentado tem direito à conversão em pecúnia
da licença-prêmio não gozada e contada em dobro, sob pena de
enriquecimento sem causa da Administração Pública” (AgRg no
AREsp 270.708/RN).
– Concessões
Três são as espécies de concessão:
a) Primeira espécie de concessão: permite ao servidor se
ausentar do serviço, sem qualquer prejuízo a sua remuneração, nas
seguintes condições (art. 97): por um dia, para doação de sangue;
por dois dias, para se alistar como eleitor; por oito dias consecutivos
em razão de: casamento; falecimento do cônjuge, companheiro,
pais, madrasta ou padrasto, filhos, enteados, menor sob guarda ou
tutela e irmãos.
b) Segunda espécie de concessão: relacionada à concessão
de horário especial, nas seguintes situações (art. 98): ao servidor
estudante, quando comprovada a incompatibilidade entre o
horário escolar e o da repartição, sendo exigida a compensação de
horário; ao servidor portador de deficiência, quando comprovada
a necessidade por junta médica oficial, independentemente de
compensação de horário;ao servidor que tenha cônjuge, filho ou
dependente com deficiência, quando comprovada a necessidade
por junta médica oficial, independentemente da compensação de
horário; ao servidor que atue como instrutor em curso instituído no
âmbito da administração pública federal ou que participe de banca
examinadora de concursos, vinculado à compensação de horário a
ser efetivada no prazo de até um ano.
c) Terceira espécie de concessão: cuida dos casos relacionados
à matrícula em instituições de ensino. Por amparo legal, “ao servidor
estudante que mudar de sede no interesse da administração é
assegurada, na localidade da nova residência ou na mais próxima,
matrícula em instituição de ensino congênere, em qualquer
época, independentemente de vaga” (art. 99). Denota-se que esse
benefício se estende também “ao cônjuge ou companheiro, aos
filhos, ou enteados do servidor que vivam na sua companhia, bem
como aos menores sob sua guarda, com autorização judicial” (art.
99, parágrafo único).
– Direito de petição
De acordo com o art. 104 da Lei 8.112/1990, é direito do
servidor público, requerer junto aos Poderes Públicos, a defesa de
direito ou interesse legítimo.
O direito de petição pode ser manifestado por intermédio de
requerimento, pedido de reconsideração ou de recurso.
Nos termos da Lei, o requerimento deverá ser dirigido
à autoridade competente para decidi-lo e encaminhado por
intermédio daquela a que estiver imediatamente subordinado o
requerente (art. 105).
Além disso, nos trâmites do art. 106, caberá pedido de
reconsideração dirigido à autoridade que houver expedido o ato ou
proferido a primeira decisão, não podendo ser renovado.
De acordo com o art. 107 do Estatuto em estudo, caberá
recurso nas seguintes hipóteses: do indeferimento do pedido de
reconsideração e das decisões sobre os recursos sucessivamente
interpostos.
Nos termos do art. 109, o recurso será dirigido à autoridade
imediatamente superior à que tiver expedido o ato ou proferido
a decisão, e, sucessivamente, em escala ascendente, às demais
autoridades, sendo encaminhado por intermédio da autoridade
a que estiver imediatamente subordinado o requerente. Dando
continuidade, o recurso poderá ser recebido com efeito suspensivo,
a juízo da autoridade competente e em caso de provimento do
pedido de reconsideração ou do recurso, os efeitos da decisão
retroagirão à data do ato impugnado, nos parâmetros do art. 109,
parágrafo único da Lei 8112/90.
O prazo para interposição de recurso ou de pedido de
reconsideração é de 30 dias, a contar da publicação ou da ciência,
pelo interessado, da decisão recorrida (art. 108).
Já o direito de requerer prescreve, nos termos do art. 110,
em cinco anos, quanto aos atos de demissão e de cassação de
aposentadoria ou disponibilidade, ou que afetem interesse
patrimonial e créditos resultantes das relações de trabalho; em 120
dias, nos demais casos, exceto quando outro prazo for fixado em lei.
Em relação à prescrição, merece também destaque:
Art. 112: a prescrição é de ordem pública, não podendo ser
relevada pela administração; o pedido de reconsideração e o
recurso, quando cabíveis, interrompem a prescrição (art. 111);
o prazo de prescrição será contado da data da publicação do ato
impugnado ou da data da ciência pelo interessado, quando o ato
não for publicado (art. 110, parágrafo único da Lei 8112/90).
O procedimento administrativo disciplinar – PAD, é essencial
para a apuração de infrações que acarretem penalidades mais se-
veras, como demissão, cassação de aposentadoria, disponibilidade
ou destituição de cargo em comissão, superando a suspensão por
trinta dias. Ressalta-se que o PAD é conduzido por uma comissão
composta por três servidores estáveis, designados por meio de por-
taria pela autoridade competente, sendo eles: um presidente e um
secretário, nomeado pelo primeiro.
Vale ressaltar que o presidente da comissão deve ocupar cargo
efetivo superior ou equivalente, ou possuir nível de escolaridade
igual ou superior ao do indiciado.
NOÇÕES DE DIREITO
72
Sobre o tema em estudo, o jurista Carlos Schmidt de Barros Jú-
nior (1972:158). aponta três sistemas por meio dos quais é possível
fazer a repressão disciplinar. Vejamos:
a) Sistema hierárquico: no qual o poder disciplinar é exclusiva-
mente exercido pelo superior hierárquico, onde este é responsável
por investigar a falta, bem como aplicar a penalidade correspon-
dente. Esse sistema é ocasionalmente utilizado para a apuração de
infrações consideradas leves ou na aplicação do princípio da verda-
de sabida.
b) Sistema de jurisdição completa: é caracterizado pela deter-
minação estrita das faltas e penas em lei, com a decisão atribuída
a um órgão de jurisdição que segue procedimentos jurisdicionais
específicos. Esse sistema nãoestá presente no direito brasileiro. No
contexto jurídico nacional, a apuração de faltas e a imposição de pe-
nalidades são regidas por sistemas específicos, não se enquadrando
no modelo de jurisdição completa.
c) Sistema misto ou de jurisdicionalização moderada: presen-
te no Brasil em relação aos processos administrativos disciplinares.
Caracteriza-se pela participação de órgãos, geralmente com função
opinativa, enquanto a aplicação da pena permanece sob respon-
sabilidade do superior hierárquico. Além disso, esse sistema man-
tém um certo grau de discricionariedade na análise dos fatos e na
escolha da penalidade adequada. Essa abordagem visa equilibrar
a participação de diferentes instâncias no processo disciplinar, com-
binando elementos de jurisdição e hierarquia.
No contexto jurídico brasileiro, os meios de apuração de ilíci-
tos administrativos abrangem o processo administrativo disciplinar,
juntamente com os meios sumários, que englobam a sindicância e
a verdade sabida.
Esses instrumentos são utilizados para investigar e esclarecer
possíveis infrações cometidas por servidores ou agentes públicos,
proporcionando diferentes abordagens conforme a gravidade e a
natureza dos casos.
O processo administrativo disciplinar é compulsório, conforme
estabelecido no artigo 41 da Constituição, para a aplicação de pe-
nalidades que resultem na perda do cargo para o servidor estável.
O art. 146 da Lei nº 8.112/90 estipula a necessidade desse pro-
cesso para a imposição de penalidades como suspensão por mais
de 30 (trinta) dias, demissão, cassação de aposentadoria, disponibi-
lidade e destituição de cargo em comissão.
O processo administrativo disciplinar é conduzido por comis-
sões disciplinares, conhecidas como comissões processantes. Esse
sistema apresenta a vantagem de assegurar uma maior imparciali-
dade na instrução do processo, tendo em vista que a comissão atua
como um órgão independente no relacionamento entre o funcioná-
rio e o superior hierárquico.
Com o objetivo de garantir essa imparcialidade, a jurisprudên-
cia e entendimentos tem defendido que os membros da comissão
devem ser funcionários estáveis, não sujeitos a condições temporá-
rias ou exoneração a qualquer momento.
O processo administrativo disciplinar percorre diversas fases.
São elas:
a) A instauração;
b) A instrução;
c) A defesa;
d) O relatório; e
e) A decisão.
Desta forma, o procedimento tem início com o despacho da
autoridade competente, que determina a instauração assim que
toma conhecimento de alguma irregularidade e a autoridade age
de ofício, baseando-se no princípio da oficialidade.
Quando não há elementos suficientes para instaurar o proces-
so disciplinar, a autoridade competente pode determinar previa-
mente a realização de sindicância.
Após a autuação do processo, este é encaminhado à comissão
processante, que o instaura por meio de uma portaria que deve
conter as seguintes informações:
a) Os nomes dos servidores envolvidos;
b) A infração de que são acusados;
c) Descrição sucinta dos fatos; e
d) Indicação dos dispositivos legais infringidos.
A elaboração cuidadosa da portaria é crucial para garantir a
legalidade do processo disciplinar, sendo equivalente à denúncia
no processo penal, pois, uma portaria bem elaborada deve conter
todos os elementos necessários para que os servidores acusados
compreendam as infrações administrativas imputadas a eles.
Ademais, se o fato também constituir um ilícito penal, a comis-
são processante deve comunicar às autoridades policiais, fornecen-
do os elementos de instrução disponíveis. A fase de instrução segue
os princípios da oficialidade e do contraditório, sendo este último
essencial para assegurar a ampla defesa.
Com base no princípio da oficialidade, a comissão processante
toma a iniciativa para a coleta de provas, podendo realizar ou de-
terminar todas as diligências que julgue necessárias para esse fim.
Já em conformidade com o princípio do contraditório, a comis-
são deve proporcionar ao indiciado a oportunidade de acompanhar
a instrução, com ou sem defensor, permitindo que ele conheça e
responda a todas as provas apresentadas contra ele.
Após a conclusão da instrução, é garantido o direito de vista
do processo, e o indiciado é notificado para apresentar sua defesa.
Todavia, embora essa fase seja denominada de defesa, as normas
relacionadas à instauração e à instrução do processo já visam pro-
porcionar uma ampla defesa ao servidor.
Nessa terceira etapa, o indiciado deve apresentar razões escri-
tas, de forma pessoal, ou por meio de um advogado de sua escolha.
Havendo ausência de defesa, a comissão designará um funcionário,
preferencialmente bacharel em direito, para defender o indiciado.
A citação do indiciado deve ocorrer previamente ao início da
instrução, sendo acompanhada da entrega de uma cópia da porta-
ria, assegurando, desta forma, que o servidor tenha pleno acesso às
informações da denúncia.
Ademais, é facultado ao indiciado assistir ao depoimento das
testemunhas e formular perguntas adicionais por meio da comis-
são, devendo comparecer à sessão acompanhado de seu defensor.
Ao término da fase de instrução, os autos serão disponibiliza-
dos ao indiciado para que ele exerça seu direito de defesa, respei-
tando integralmente o princípio do contraditório.
Após a apresentação da defesa, a comissão disciplinar elabora-
rá seu relatório, no qual deve ser proposta a absolvição do indiciado
ou a aplicação de uma penalidade específica, embasando suas con-
clusões nas provas coletadas.
• OBS. Importante: o relatório possui natureza opinativa, não
vinculando a autoridade julgadora, que tem a prerrogativa de ana-
lisar os autos e formular uma conclusão divergente, se assim julgar
adequado.
NOÇÕES DE DIREITO
73
Em relação à etapa conclusiva do processo administrativo disci-
plinar, denominada fase de decisão, a autoridade competente pode
acatar a recomendação da comissão disciplinar, transformando o
relatório em sua motivação.
Caso decida não seguir a sugestão da comissão, é imperativo
que a autoridade justifique de maneira apropriada sua decisão,
apontando os elementos do processo que fundamentam seu po-
sicionamento, caso queira, buscar orientação em pareceres de ór-
gãos jurídicos para embasar sua decisão.
Com respaldo no princípio da oficialidade, compete à autorida-
de julgadora realizar uma análise minuciosa do processo, verifican-
do sua conformidade com a legalidade. Nesse sentido, a autoridade
pode declarar a nulidade do processo, determinar o saneamento de
eventuais irregularidades ou solicitar novas diligências que julgue
cruciais para a produção de provas.
• OBS. Importante: O princípio da oficialidade confere à autori-
dade julgadora a iniciativa de promover a regularidade e a legalida-
de do procedimento, assegurando a imparcialidade e a correção na
condução do processo administrativo disciplinar.
Encerrado o processo, seja com a absolvição do servidor ou
com a aplicação de penalidade, são cabíveis, neste último cenário,
o pedido de reconsideração e os recursos hierárquicos. Além disso,
a legislação estatutária pode prever a possibilidade de revisão do
processo.
Esses instrumentos oferecem ao servidor a oportunidade de
questionar ou contestar as decisões tomadas, buscando a revisão
ou a anulação da penalidade aplicada, desde que observados os
procedimentos e prazos estabelecidos pela normativa vigente.
Dicas importantes:
– O relatório conclusivo da comissão processante é uma mani-
festação final quanto à inocência ou responsabilidade do servidor.
– A decisão final sobre a aplicação, ou não, de sanção ao servi-
dor não é de responsabilidade da comissão processante, pois, cabe
a esta encaminhar o relatório à autoridade competente, nos termos
da lei, para que esta realize o julgamento relativo à aplicação da
penalidade cabível.
– A aplicação da pena de demissão a servidores da Administra-
ção Direta da União é de competência exclusiva do Presidente da
República,em âmbito federal.
– De maneira similar, nas demais entidades federativas, a com-
petência para demitir servidores da Administração Direta é exclusi-
va dos Governadores e Prefeitos, por simetria.
– O processo disciplinar pode ser revisto a qualquer momento,
seja por solicitação expressa ou de ofício, quando surgirem fatos
novos ou circunstâncias que possam justificar a inocência do puni-
do ou a inadequação da penalidade aplicada.
Exoneração de Servidor em Estágio Probatório
A exoneração de servidor em estágio probatório refere-se à dis-
pensa do servidor público que está em fase de estágio probatório.
O estágio probatório é um período de avaliação do desempenho do
servidor recém-ingresso no serviço público.
Geralmente, esse estágio tem a duração de três anos, durante
os quais o servidor é avaliado em diversos aspectos, como assidui-
dade, disciplina, capacidade de iniciativa, produtividade e respon-
sabilidade.
Se durante o período do estágio probatório, a Administração
Pública constatar que o servidor não atende aos requisitos necessá-
rios ou que apresenta desempenho insatisfatório, poderá proceder
à exoneração que se trata de ato administrativo que coloca fim ao
vínculo do servidor com a Administração Pública, encerrando seu
período no estágio probatório.
É importante ressaltar que a exoneração durante o estágio pro-
batório não exige a instauração de processo administrativo discipli-
nar, pois trata-se de uma medida decorrente da avaliação periódica
do servidor nesse período inicial de sua carreira.
Contudo, a decisão deve ser motivada e fundamentada, asse-
gurando ao servidor o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Os critérios para avaliação e a decisão de exoneração devem
estar de acordo com os princípios da legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência, e devem ser observados os
procedimentos estabelecidos na legislação específica que rege o
quadro de servidores públicos, como a Lei nº 8.112/1990 no âmbito
federal, por exemplo.
Logo, sobre a exoneração de servidor em fase de estágio proba-
tório, temos o seguinte:
• Estágio probatório é o período de avaliação do desempe-
nho do servidor recém-ingresso no serviço público;
• Em geral, o estágio probatório tem a duração de três anos;
• Durante o estágio probatório, o servidor é avaliado por:
assiduidade, disciplina, capacidade de iniciativa, produtividade e
responsabilidade;
• Não atendendo aos requisitos necessários à permanência
no cargo, o servidor poderá ser exonerado; e
• A exoneração durante o estágio probatório deve ser moti-
vada e fundamentada, assegurando ao servidor o direito à ampla
defesa e ao contraditório.
• NOTA: Existem cargos em que o estágio probatório é de
apenas dois anos. Ex.: Promotores de Justiça.
— Inquérito Administrativo
Após a fase de instauração, procede-se à fase do Inquérito Ad-
ministrativo, a qual se subdivide em:
a) Instrução Processual: nesta etapa, a comissão responsável
pelo inquérito deve reunir documentos, proporcionando ao interes-
sado o acesso a esses documentos. Além disso, é necessário realizar
oitivas das testemunhas, garantindo a intimação prévia do notifica-
do para acompanhamento das sessões.
A comissão também pode solicitar a realização de perícia técni-
ca, elaborando os quesitos necessários. Quando necessário, devem
ser realizadas diligências para esclarecer situações factuais, incluin-
do o ato crucial de interrogatório do envolvido.
b) Defesa: durante esta fase, é assegurado ao acusado o direito
de apresentar sua defesa, podendo contestar as acusações e ofere-
cer elementos de prova em seu favor.
c) Relatório Final: após a instrução e a defesa, a comissão ela-
bora um relatório final que resume os elementos coletados, analisa
as argumentações apresentadas e, se for o caso, sugere as penali-
dades cabíveis.
Essas etapas garantem um processo disciplinar justo e transpa-
rente, permitindo a participação do interessado e a devida análise
dos fatos.
NOÇÕES DE DIREITO
74
Uma vez comprovada, em uma fase de indícios robustos, a in-
fração disciplinar, é imperativo redigir um termo devidamente tipi-
ficado e expedir um mandado de citação, concedendo um prazo de
10 dias para que o indiciado apresente sua defesa por escrito. No
caso de dois ou mais indiciados, o prazo para defesa escrita será
duplicado, ou seja, vinte dias.
Após a apresentação da defesa, a comissão encarregada deve
analisar ponto a ponto a peça do indiciado, podendo resultar no
acatamento total ou parcial das razões apresentadas, ou na rejeição
total dos argumentos defensivos, caso não haja suporte fático-pro-
batório adequado e/ou amparo legal.
A comissão tem um prazo de 60 dias para concluir a instru-
ção do processo, sendo permitida a prorrogação por um período
igual, se necessário. Este processo assegura um tratamento justo e
transparente, garantindo que todas as partes envolvidas tenham a
oportunidade adequada de se manifestar e apresentar suas argu-
mentações.
É relevante destacar que o prazo para a conclusão dos traba-
lhos da comissão não é rígido, permitindo prorrogação ou recondu-
ção por igual período de tempo. Dessa forma, a extrapolação desse
prazo não acarreta nulidade.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também se posicionou so-
bre o tema, afirmando que a não conclusão do processo adminis-
trativo disciplinar no prazo de 120 dias (compreendendo o prazo
original de 60 dias mais a prorrogação por igual período), conforme
o art. 152 da Lei nº 8.112/90, não configura nulidade.
— Julgamento
A última etapa do Processo Administrativo Disciplinar - PAD,
conforme previsto na Lei nº 8.112/90, é o julgamento. Nessa fase,
que possui um prazo de 20 dias, a autoridade julgadora decide so-
bre o arquivamento do processo ou a aplicação de penalidades. A
autoridade deve seguir o entendimento da comissão processante, a
menos que haja incompatibilidade entre a penalidade sugerida e o
ilícito administrativo comprovado durante o PAD.
Sobre o assunto, vejamos o que determina o art. 167 da Lei
federal n.º 8.112/1990:
Art. 167. No prazo de 20 (vinte) dias, contados do recebimento
do processo, a autoridade julgadora proferirá a sua decisão.
§1o Se a penalidade a ser aplicada exceder a alçada da autori-
dade instauradora do processo, este será encaminhado à autorida-
de competente, que decidirá em igual prazo.
§2o Havendo mais de um indiciado e diversidade de sanções, o
julgamento caberá à autoridade competente para a imposição da
pena mais grave.
§3o Se a penalidade prevista for a demissão ou cassação de
aposentadoria ou disponibilidade, o julgamento caberá às autori-
dades de que trata o inciso I do art. 141.
§4o Reconhecida pela comissão a inocência do servidor, a auto-
ridade instauradora do processo determinará o seu arquivamento,
salvo se flagrantemente contrária à prova dos autos. (Incluído pela
Lei nº 9.527, de 10.12.97)
É importante observar que, embora a lei estabeleça um prazo
de 20 dias para o julgamento, a ultrapassagem desse período não
acarreta nulidade. A teoria das nulidades no processo disciplinar
admite irregularidades apenas quando configuram prejuízo para o
direito de defesa do acusado.
Ademais, é de extrema importância que o julgador atente para
o disposto no art. 168 do Estatuto, evitando assim a imposição de
penalidades desnecessárias. A Lei não utiliza palavras sem propósi-
to, e, portanto, se exige a concordância com as conclusões da Co-
missão de PAD, há um significado claro nessa disposição legal.
Logo, infere-se que a Comissão teve contato direto com as
provas, as testemunhas e o próprio acusado, assemelhando-se ao
princípio da identidade física do Juiz, mutatis mutandis, conforme
estabelecido no art. 168 da Lei nº 8.112/90.
— Sindicância
A sindicância administrativa é um procedimento apuratório su-
mário, cujo propósito é investigar a autoria ou a ocorrência de irre-
gularidades no serviço público, passíveis de resultar na aplicação de
penalidades como advertência ou suspensãopor até 30 dias.
Sobre o tema. O art. 145 da Lei federal n.º 8.112/1990 deter-
mina o seguinte:
Art. 145. Da sindicância poderá resultar:
I - Arquivamento do processo;
II - Aplicação de penalidade de advertência ou suspensão de até
30 (trinta) dias;
III - Instauração de processo disciplinar.
Parágrafo único. O prazo para conclusão da sindicância não ex-
cederá 30 (trinta) dias, podendo ser prorrogado por igual período, a
critério da autoridade superior.
Ressalta-se que esse processo de natureza inquisitorial e des-
provido de contraditório, busca apurar a existência de fatos irregu-
lares na Administração, determinando os responsáveis. Sua seme-
lhança com um inquérito policial reside na natureza investigativa,
servindo como base para a eventual instauração de um processo
administrativo disciplinar.
Os trabalhos da comissão têm prioridade sobre outras atribui-
ções dos seus membros, sendo vedado ao servidor designado para
integrar a comissão recusar o encargo. A recusa pode acarretar a
abertura de um processo administrativo disciplinar, uma vez que
configuraria o não atendimento a uma ordem manifestamente legal
emitida por um superior hierárquico.
Quando um administrador toma conhecimento de irregulari-
dades na Administração Pública, é seu dever-poder constituir uma
comissão de sindicância para investigar o fato, especialmente quan-
do a autoria é desconhecida ou duvidosa. Essa comissão será com-
posta por três servidores estáveis e terá um prazo inicial de 30 dias
úteis, podendo ser prorrogado por igual período, para conduzir a
investigação e apresentar um relatório conclusivo sobre a irregula-
ridade e sua autoria. Após receber a documentação relacionada à
irregularidade a ser apurada, o presidente da comissão deve convo-
car os demais membros para participar de uma espécie de reunião
inaugural dos trabalhos.
Na mencionada reunião, o presidente da comissão deve infor-
mar aos demais membros sobre a irregularidade a ser investigada,
designar um dos membros como secretário e discutir e estabelecer
um cronograma de reuniões, para o qual todos devem ser devida-
mente intimados.
Cada reunião subsequente deve ser registrada em ata.
Se houver indícios de autoria, a comissão deve intimar o sus-
peito e conduzi-lo a um interrogatório, documentando o procedi-
mento por meio de um termo. Além disso, a comissão deve buscar
ouvir o depoimento de todas as testemunhas disponíveis para es-
clarecer a irregularidade em apuração.
NOÇÕES DE DIREITO
75
— Destaques importantes (Recursos)
Ao examinarmos as fases pelas quais passa o processo adminis-
trativo disciplinar, torna-se mais acessível para o intérprete identifi-
car possíveis nulidades, compreender o princípio da busca pela ver-
dade real e orientar-se pelos princípios do contraditório e da ampla
defesa, garantidos constitucionalmente aos acusados em processo
administrativo.
Cabe salientar que é viável a reabertura de um procedimento
disciplinar após o cumprimento da penalidade pelos mesmos fatos,
desde que novas informações, anteriormente desconhecidas pela
Administração Pública, venham à tona por meio de inquérito po-
licial.
A Lei nº 8.112/1990 possui dispositivos que regulam a revisão
(ou reexame) de sindicância ou processo administrativo disciplinar
já encerrado, conforme estabelecido nos artigos 174 e seguintes
do Estatuto. Esse processo revisor representa a instauração de um
novo procedimento, a ser apensado ao processo originário que se
pretende rever, conduzido por uma comissão distinta.
A revisão do processo pode ser solicitada pela parte interessa-
da ou realizada de ofício a qualquer momento, fundamentada em
fatos novos ou circunstâncias que justifiquem o abrandamento da
decisão original.
– NOTA: É importante destacar que a revisão não pode resultar
no agravamento da penalidade imposta.
Ademais, o artigo 54 da Lei nº 9.784/99 deve ser considerado.
Sua aplicação, em tese, poderia resultar na reabertura de um pro-
cesso após a declaração de nulidade do anterior, não se confundin-
do com a revisão mencionada anteriormente.
No âmbito do direito administrativo disciplinar, as vias recur-
sais disponíveis são:
a) Direito de Petição e Requerimento: o interessado pode
apresentar petições ou requerimentos à autoridade competente,
solicitando informações, esclarecimentos ou manifestando sua po-
sição em relação ao processo.
b) Pedido de Reconsideração: Após a decisão da autoridade
competente, o interessado pode apresentar pedido de reconside-
ração, buscando a revisão da decisão com base em argumentos ou
fatos novos.
c) Recurso Hierárquico: caso o pedido de reconsideração seja
indeferido ou não seja apreciado no prazo legal, o interessado pode
interpor recurso hierárquico, dirigindo-se à autoridade superior
àquela que proferiu a decisão contestada.
d) Revisão Processual: conforme previsto em legislação espe-
cífica, é possível solicitar a revisão do processo administrativo disci-
plinar, apresentando fatos novos ou circunstâncias que justifiquem
uma nova análise do caso.
Cada uma dessas vias recursais serve como meio para que o
interessado possa questionar, contestar ou buscar a revisão das de-
cisões tomadas no âmbito do processo administrativo disciplinar.
Vejamos abaixo, de forma mais aprofundada cada uma das
mencionadas vias recursais:
Direito de Petição e Requerimento
O direito de petição no âmbito administrativo é um instrumen-
to garantido aos cidadãos e servidores públicos para que possam se
dirigir diretamente à administração, solicitando informações, escla-
recimentos ou requerendo a defesa de seus direitos particulares ou
interesses legítimos. Esse direito está previsto na Lei nº 8.112/1990,
especialmente nos artigos 104 a 115.
A essência do direito de petição está em permitir que o admi-
nistrado se comunique com a administração, buscando uma respos-
ta ou providência relacionada aos seus interesses. Essa comunica-
ção pode abranger uma ampla gama de questões, desde pedidos de
esclarecimentos sobre procedimentos administrativos até solicita-
ções de revisão de decisões.
O artigo 5º, XXXIII e XXXIV, da Constituição Federal, assegura o
direito de petição aos cidadãos e o direito à obtenção de certidões
em repartições públicas, garantindo a transparência e o acesso à
informação.
Portanto, o direito de petição desempenha um papel importan-
te na relação entre os cidadãos e a administração pública, permitin-
do que se estabeleça um canal de comunicação direta para a defesa
de direitos e interesses perante o poder público.
Pedido de Reconsideração
O pedido de reconsideração é uma modalidade de recurso
administrativo dirigida exclusivamente à autoridade que emitiu a
decisão inicial que se pretende reformar, conforme estabelece o
artigo 106 da Lei nº 8.112/1990. Diferentemente de outros recur-
sos, o pedido de reconsideração não é encaminhado para instâncias
superiores, sendo direcionado à mesma autoridade que proferiu a
decisão questionada.
Este recurso oferece a oportunidade de apresentar argumen-
tos novos ou, pelo menos, reexaminar a decisão à luz de fatos ou
argumentos que não foram considerados inicialmente. Pode-se
alegar a existência de novas circunstâncias, trazer à tona fatos não
contemplados anteriormente ou discordar de interpretações jurídi-
cas realizadas.
É importante ressaltar que o pedido de reconsideração não é
uma via para repetir argumentos já apresentados, mas sim para
oferecer elementos adicionais que possam influenciar a autoridade
a rever sua decisão. Dessa forma, é uma oportunidade para com-
plementar a análise da questão em debate.
Cabe destacar que o pedido de reconsideração é uma etapa
preliminar ao eventual recurso hierárquico, sendo uma forma de
revisão interna da decisão administrativa antes de buscar instâncias
superiores.
Recurso hierárquico
O recurso hierárquico, também conhecido simplesmente como
“recurso”, consiste em uma modalidade de recurso administrativo
direcionado à autoridade hierarquicamente superioràquela que
proferiu a decisão que se busca reformar. Diferentemente do pedi-
do de reconsideração, no recurso hierárquico é possível apresentar
argumentos já mencionados anteriormente, não havendo a exigên-
cia de inovação.
Essa via recursal permite que a autoridade hierarquicamente
superior reavalie a decisão à luz de novos argumentos ou interpre-
tações diferentes, ainda que o conjunto probatório seja o mesmo.
Em outras palavras, outra autoridade, mesmo sem apresentar no-
vos elementos, pode ter uma visão diversa da situação.
É importante destacar que, após o indeferimento do recurso
hierárquico por uma autoridade superior, não cabe a interposição
de pedido de reconsideração à mesma autoridade. Assim, a sequ-
NOÇÕES DE DIREITO
76
ência usual é a interposição do recurso hierárquico e, em caso de
novo indeferimento, a possibilidade de recorrer a instâncias supe-
riores, como o Poder Judiciário.
A Lei nº 8.112/1990, em seu artigo 109, prevê as disposições
gerais sobre o recurso no âmbito do regime jurídico dos servidores
públicos civis da União.
Revisão processual
A revisão no âmbito do direito administrativo disciplinar ocor-
re de maneira distinta do pedido de reconsideração e do recurso
hierárquico. Enquanto esses dois primeiros acontecem no mesmo
processo original antes de sua decisão definitiva, a revisão ocorre
contra uma sindicância ou PAD já encerrado.
A revisão implica a instauração de um novo processo, que será
apensado ao processo originário que se pretende revisar. Essa nova
etapa será conduzida por uma comissão diferente daquela que ana-
lisou o processo original.
Vale ressaltar que, apesar da literalidade da lei, por questões
de simplificação formal e conciliação com registros informatizados,
durante o processo de revisão, pode-se inverter a relação, conside-
rando como principal o processo revisor e como apensado o proces-
so originário, ajustando-se após a decisão final.
A revisão está prevista no Título V, Seção III da lei federal n.º
8.112/1990, específico para o rito administrativo disciplinar. Impor-
tante destacar que a revisão independe do exercício ou não das vias
recursais no processo originário, ou seja, não está condicionada à
utilização do pedido de reconsideração ou do recurso hierárquico,
que não são institutos previstos na matéria disciplinar do Estatuto.
– OBS. Importante: A revisão de inquérito não depende de pré-
vio pedido de reconsideração.
A revisão processual no âmbito do direito administrativo disci-
plinar pode ser solicitada pela parte interessada ou realizada de ofí-
cio a qualquer tempo. Esse pedido de revisão pode ocorrer median-
te a apresentação de fato novo ou circunstâncias que justifiquem o
abrandamento da decisão original.
É importante salientar que mera manifestação de inconformis-
mo não é suficiente para justificar a revisão; é necessário apresen-
tar elementos substanciais.
O fato novo não precisa ser necessariamente recente, mas
deve ser algo que não se tinha conhecimento durante o processo
originário. Mesmo que o fato seja antigo, ele pode ser considerado
novo se não era conhecido no momento do processo administrativo
disciplinar. A revisão pode resultar na inocentação do servidor ou
na conclusão de que a infração é menos grave, sujeita a uma pena-
lidade mais branda.
O rito utilizado para a revisão processual no âmbito do direito
administrativo disciplinar é regulamentado pelo artigo 177 da Lei nº
8.112/1990. A revisão só pode ser autorizada pelo respectivo Minis-
tro de Estado. Esse processo revisional possui duas fases distintas: a
admissibilidade e o mérito.
Na fase de admissibilidade, o Ministro competente avalia se o
pedido atende aos pressupostos estabelecidos no artigo 174. Caso
entenda que não há fundamentos para a admissibilidade da revi-
são, o pedido é indeferido imediatamente, sendo arquivado. No
entanto, mesmo com o arquivamento, os documentos relacionados
ao pedido de revisão devem permanecer apensados aos autos do
processo administrativo originário, uma vez que fazem parte da his-
tória desse processo. Isso significa que, mesmo arquivado, o pedido
de revisão continua vinculado ao processo original.
No caso de deferimento da revisão, o processo revisor é enca-
minhado à autoridade instauradora competente, que deve designar
uma comissão revisora para conduzir o processo. Os requisitos para
os integrantes da comissão revisora são os mesmos estabelecidos
para o rito ordinário, sendo que esta comissão será responsável por
analisar o mérito do pedido de revisão, considerando as circuns-
tâncias apresentadas e os fundamentos apresentados pelo servidor
interessado.
O servidor Público, como pilastra da organização administrativa,
está sujeito à responsabilidade Civil, Penal e administrativa
decorrente do exercício do cargo, emprego ou função.
A responsabilidade civil do servidor público diz respeito ao
ressarcimento dos prejuízos causados à Administração Pública ou a
terceiros em decorrência de ato omissivo ou comissivo, doloso ou
culposo, no exercício de suas atribuições (art. 122 da Lei nº 8.112/90
e art. 37, §6º, da Constituição Federal). A responsabilidade Civil é
de ordem patrimonial e decorre do art. 186 do CC, segundo a qual
todo aquele que causa dano a outrem é obrigado a repará-lo.
Para se configurar o ilícito exige-se do Servidor Público a ação
ou omissão antijurídica; culpa ou dolo; relação de causalidade
entre a ação ou omissão e o dano verificado; ocorrência de um
dano material ou moral. É necessário, quando o dano é causado
por servidor público, distinguir duas hipóteses: se o dano é causado
ao Estado ou a terceiros.
Importante esclarecer, que a responsabilidade civil do servidor
público perante a Administração é subjetiva e depende da prova da
existência do dano, do nexo de causalidade entre a ação e o dano e
da culpa ou dolo da sua conduta, podendo o dano ser material ou
moral.
Outrossim, quando se trata de dano causado a terceiros, aplica-
se o art. 37 §6◦ da CF, em decorrência da qual o Estado responde
objetivamente, ou seja, independente de culpa ou dolo, podendo
haver, todavia o direito de regresso.
Dita a Lei 8.112/1990:
[...]
CAPÍTULO IV
DAS RESPONSABILIDADES
Art. 121. O servidor responde civil, penal e administrativamente
pelo exercício irregular de suas atribuições.
Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou
comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou
a terceiros.
§1o A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário
somente será liquidada na forma prevista no art. 46, na falta de
outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial.
§2o Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o
servidor perante a Fazenda Pública, em ação regressiva.
§3o A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores
e contra eles será executada, até o limite do valor da herança
recebida.
NOÇÕES DE DIREITO
77
LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990
Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da
União, das autarquias e das fundações públicas federais.
PUBLICAÇÃO CONSOLIDADA DA LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEM-
BRO DE 1990, DETERMINADA PELO ART. 13 DA LEI Nº 9.527, DE 10
DE DEZEMBRO DE 1997.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Na-
cional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
TÍTULO I
CAPÍTULO ÚNICO
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º Esta Lei institui o Regime Jurídico dos Servidores Públi-
cos Civis da União, das autarquias, inclusive as em regime especial,
e das fundações públicas federais.
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, servidor é a pessoa legalmente
investida em cargo público.
Art. 3º Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabi-
lidades previstas na estrutura organizacional que devem ser come-
tidas a um servidor.
Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasi-
leiros, são criados por lei, com denominação própria e vencimento
pago pelos cofres públicos, para provimento em caráterefetivo ou
em comissão.
Art. 4º É proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo os
casos previstos em lei.
TÍTULO II
DO PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E
SUBSTITUIÇÃO
CAPÍTULO I
DO PROVIMENTO
SEÇÃO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 5º São requisitos básicos para investidura em cargo públi-
co:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o gozo dos direitos políticos;
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.
§1º As atribuições do cargo podem justificar a exigência de ou-
tros requisitos estabelecidos em lei.
§2º Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direi-
to de se inscrever em concurso público para provimento de cargo
cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são
portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por
cento) das vagas oferecidas no concurso.
§3º As universidades e instituições de pesquisa científica e
tecnológica federais poderão prover seus cargos com professores,
técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com as normas e os
procedimentos desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.515, de 20.11.97)
Art. 6º O provimento dos cargos públicos far-se-á mediante ato
da autoridade competente de cada Poder.
Art. 7º A investidura em cargo público ocorrerá com a posse.
Art. 8º São formas de provimento de cargo público:
I - nomeação;
II - promoção;
III -(Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
IV - (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
V - readaptação;
VI - reversão;
VII - aproveitamento;
VIII - reintegração;
IX - recondução.
SEÇÃO II
DA NOMEAÇÃO
Art. 9º A nomeação far-se-á:
I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isolado de pro-
vimento efetivo ou de carreira;
II - em comissão, inclusive na condição de interino, para cargos
de confiança vagos. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo em comissão
ou de natureza especial poderá ser nomeado para ter exercício,
interinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atri-
buições do que atualmente ocupa, hipótese em que deverá optar
pela remuneração de um deles durante o período da interinidade.
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 10. A nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado
de provimento efetivo depende de prévia habilitação em concurso
público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de
classificação e o prazo de sua validade.
Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso e o de-
senvolvimento do servidor na carreira, mediante promoção, serão
estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema de carreira
na Administração Pública Federal e seus regulamentos. (Redação
dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
SEÇÃO III
DO CONCURSO PÚBLICO
Art. 11. O concurso será de provas ou de provas e títulos, po-
dendo ser realizado em duas etapas, conforme dispuserem a lei e o
regulamento do respectivo plano de carreira, condicionada a inscri-
ção do candidato ao pagamento do valor fixado no edital, quando
indispensável ao seu custeio, e ressalvadas as hipóteses de isenção
nele expressamente previstas. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de
10.12.97) (Regulamento)
Art. 12. O concurso público terá validade de até 2 (dois ) anos,
podendo ser prorrogado uma única vez, por igual período.
§1º O prazo de validade do concurso e as condições de sua rea-
lização serão fixados em edital, que será publicado no Diário Oficial
da União e em jornal diário de grande circulação.
§2º Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato
aprovado em concurso anterior com prazo de validade não expi-
rado.
NOÇÕES DE DIREITO
78
SEÇÃO IV
DA POSSE E DO EXERCÍCIO
Art. 13. A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo termo,
no qual deverão constar as atribuições, os deveres, as responsabi-
lidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que não poderão
ser alterados unilateralmente, por qualquer das partes, ressalvados
os atos de ofício previstos em lei.
§1º A posse ocorrerá no prazo de trinta dias contados da pu-
blicação do ato de provimento. (Redação dada pela Lei nº 9.527,
de 10.12.97)
§2º Em se tratando de servidor, que esteja na data de publi-
cação do ato de provimento, em licença prevista nos incisos I, III
e V do art. 81, ou afastado nas hipóteses dos incisos I, IV, VI, VIII,
alíneas “a”, “b”, “d”, “e” e “f”, IX e X do art. 102, o prazo será contado
do término do impedimento. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
§3º A posse poderá dar-se mediante procuração específica.
§4º Só haverá posse nos casos de provimento de cargo por no-
meação. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§5º No ato da posse, o servidor apresentará declaração de
bens e valores que constituem seu patrimônio e declaração quanto
ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou função pública.
§6º Será tornado sem efeito o ato de provimento se a posse
não ocorrer no prazo previsto no §1º deste artigo.
Art. 14. A posse em cargo público dependerá de prévia inspe-
ção médica oficial.
Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que for jul-
gado apto física e mentalmente para o exercício do cargo.
Art. 15. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do
cargo público ou da função de confiança. (Redação dada pela Lei nº
9.527, de 10.12.97)
§1º É de quinze dias o prazo para o servidor empossado em
cargo público entrar em exercício, contados da data da posse. (Re-
dação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§2º O servidor será exonerado do cargo ou será tornado sem
efeito o ato de sua designação para função de confiança, se não
entrar em exercício nos prazos previstos neste artigo, observado o
disposto no art. 18. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§3º À autoridade competente do órgão ou entidade para onde
for nomeado ou designado o servidor compete dar-lhe exercício.
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§4º O início do exercício de função de confiança coincidirá com
a data de publicação do ato de designação, salvo quando o servi-
dor estiver em licença ou afastado por qualquer outro motivo le-
gal, hipótese em que recairá no primeiro dia útil após o término do
impedimento, que não poderá exceder a trinta dias da publicação.
(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 16. O início, a suspensão, a interrupção e o reinício do exer-
cício serão registrados no assentamento individual do servidor.
Parágrafo único. Ao entrar em exercício, o servidor apresenta-
rá ao órgão competente os elementos necessários ao seu assenta-
mento individual.
Art. 17. A promoção não interrompe o tempo de exercício, que
é contado no novo posicionamento na carreira a partir da data de
publicação do ato que promover o servidor.(Redação dada pela Lei
nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 18. O servidor que deva ter exercício em outro município
em razão de ter sido removido, redistribuído, requisitado, cedido ou
posto em exercício provisório terá, no mínimo, dez e, no máximo,
trinta dias de prazo, contados da publicação do ato, para a retoma-
da do efetivo desempenho das atribuições do cargo, incluído nesse
prazo o tempo necessário para o deslocamento para a nova sede.
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§1º Na hipótese de o servidor encontrar-se em licença ou afas-
tado legalmente, o prazo a que se refere este artigo será contado a
partir do término do impedimento. (Parágrafo renumerado e alte-
rado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§2º É facultado ao servidor declinar dos prazos estabelecidos
no caput. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 19. Os servidores cumprirão jornada de trabalho fixada em
razão das atribuições pertinentes aos respectivos cargos, respeitada
a duração máxima do trabalho semanal de quarenta horas e obser-
vados os limites mínimo e máximo de seis horas e oito horas diárias,
respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 8.270, de 17.12.91)
§1º O ocupante