Prévia do material em texto
Plano Diretor Apresentação No início do século XX, apenas 10% da população mundial vivia em cidades, hoje esse número alcança 50%. O último século, com seus avanços notáveis em tecnologia nas diversas áreas do conhecimento, apresentou uma mudança extrema na maneira de viver das pessoas, e no modo de viver urbano. Diante dessa realidade, a gestão das cidades precisou acompanhar as mudanças para atender às novas demandas, que eram cada vez em maior número e frequência. No Brasil, o processo de planejamento urbano passou por fases ao longo do último século até chegar no modelo atual, que preconiza a participação de todos os agentes sociais nas definições sobre o crescimento da cidade. Para isso, a legislação oferece instrumentos de gestão que viabilizam as ações participativas, sendo o primeiro deles o plano diretor. É ele que indica como os demais instrumentos poderão ser utilizados. Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá o que é o plano diretor, e por quais fases ele passou ao longo do último século, resultando no modelo atual, entenderá a evolução até o processo participativo e terá acesso a exemplos de aplicação que apresentam casos de cidades em situações muito diferenciadas entre si para visualizar alternativas e inovações. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o conceito de plano diretor.• Discutir o histórico dos planos diretores.• Identificar inovações em planos diretores brasileiros.• Desafio Com relação aos problemas decorrentes do crescimento desordenado das cidades e o processo de planejamento territorial, que tem entre os seus objetivos solucionar questões existentes, considere a situação hipotética a seguir: A cidade brasileira de Macadâmia Dourada, no estado do Mato Grosso, contava com 18.357 habitantes no último censo realizado pelo IBGE em 2010, com previsão para 29.379 habitantes em 2020. Sua principal vocação econômica é a agricultura baseada no plantio de soja, que toma a maior parte da área do município. O núcleo urbano concentra algumas instituições, comércio, serviços e áreas residenciais. A cidade é próxima de outros cetros urbanos maiores, ligada a eles por uma rodovia. A produção industrial cresce a níveis expressivos, porém, sem planejamento, espalha-se pelo território. A periferia cresce rapidamente. Passa pelo município um rio importante, com potencial turístico, mas apresenta cheias sazonais. A cidade vem presentando problemas de poluição em seu rio, ocupação da margem e comunidades enfrentando enchentes. Tendo passado da faixa populacional que obriga a cidade a ter o plano diretor, a prefeitura designou você como profissional responsável para propor soluções de zoneamento do território. Considerando os agentes e as situações, apresente cinco diretrizes para a organização do território. Infográfico Uma das exigências presentes na Constituição Federal de 1988 apresenta é a de que todas as cidades com mais de 20.000 habitantes tenham um plano diretor para ordenar o território. Em 2001, o Estatuto da Cidade regulamentou o texto constitucional e ampliou essa obrigatoriedade. Observe, no Infográfico, outras características urbanas que obrigam a cidade a elaborar o seu plano diretor, mesmo que não tenha atingido o número de habitantes estabelecido pela Constituição. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/97daf77b-cb4d-458b-82ad-6f815aed8c17/51c126bd-07dd-4c44-9021-f2132c58b6f8.jpg Conteúdo do livro A partir do final do século XVIII, com a Revolução Industrial, a população urbana cresceu muito rapidamente, trazendo diversos problemas de ocupação do território, como sanitários, de fluxos, de acessos às atividades características da cidade, entre outros. Nesse contexto, fez-se necessário o estudo sistematizado do espaço urbano no intuito de propor soluções adequadas à qualidade de vida. Surge, então, o urbanismo como ciência e os instrumentos de planejamento do território. O plano diretor é um instrumento presente na organização das cidades a partir do século XX. Seu conceito evoluiu ao longo de sua trajetória e hoje é ferramenta imprescindível no planejamento municipal. No capítulo Plano diretor, da obra Planejamento Urbano e Regional: Unidade de Vizinhança, você aprenderá sobre o conceito de plano diretor, a sua trajetória na história do planejamento urbano no Brasil, o posicionamento na legislação, os responsáveis por sua elaboração e, ainda, acessará exemplos de casos concretos que o ajudarão a entender o seu processo de implantação. Boa leitura. PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL: UNIDADE DE VIZINHANÇA Catarina Moraes de Oliveira Sombrio Plano diretor Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o conceito de plano diretor. Discutir o histórico dos planos diretores. Identificar inovações em planos diretores brasileiros. Introdução O processo de planejamento urbano é complexo, pois envolve as mais diversas questões: morfológicas, econômicas, sociais, políticas, ambientais, culturais, entre outras. Para garantir um processo democrático e partici- pativo, como preconiza a Constituição Federal de 1988, fez-se necessário desenvolver instrumentos legais que viabilizassem a implementação de ações concretas na gestão do espaço. A Lei Federal nº. 10.257 de 2001, conhecida como Estatuto da Cidade, apresenta e detalha esses instrumentos, sendo o plano diretor o principal deles. O plano diretor é o instrumento inicial de planejamento municipal, que detalhará quais dos demais instrumentos previstos na legislação federal serão passíveis de aplicação em cada região da cidade. Neste capítulo, você aprenderá sobre o conceito de plano diretor, saberá diferenciar o plano diretor de desenvolvimento integrado, um instrumento antigo, do plano diretor participativo, o instrumento atual. Terá conhecimento sobre o contexto histórico do planejamento urbano no último século e sobre como o plano diretor se insere nesse cenário. Ainda, aprenderá sobre o processo de elaboração e aplicação do docu- mento, por meio do exemplo de três cidades brasileiras, com histórias e configurações muito diferenciadas entre si, que inovaram e tiveram sucesso no desenvolvimento e na implantação de seus planos diretores. O que é o plano diretor? Com o grande crescimento urbano ocorrido no Brasil, principalmente na segunda metade do século XX, os padrões tradicionais de planejamento ur- bano, embasados em estudos e conceitos técnicos e teóricos, sem consulta e conhecimento aprofundado de campo, passaram a ser questionados enfatica- mente. A expressividade de movimentos sociais urbanos se destaca a partir do fi nal dos anos 1970, que, cada vez mais unidos e abrangentes, conseguiram impulsionar o tema da reforma urbana e pressionaram a revisão dos instru- mentos urbanísticos. O modelo de planejamento urbano implementado até então, que produzia os Planos Diretores de Desenvolvimento Integrado (PDDI), separava o processo de planejamento do território da sua gestão, afirmando que o processo de pla- nejamento pertencia exclusivamente aos técnicos e a gestão, exclusivamente, aos políticos. Esse rompimento no processo gerava conflitos de opiniões e se configurava como um entrave à aplicação dos PDDIs, o que fazia com que muitos fossem engavetados (BRASIL, 2005). Os movimentos sociais em luta pela reforma urbana questionavam a relação da legislação com a cidade real, que engloba áreas irregulares, informais e clan- destinas que precisavam ser reconhecidas e legalizadas. Defendiam a criação de novos instrumentos urbanísticos de controle do uso do solo, que possibilitassem maior acesso à terra e ao solo urbano, e um processo de planejamento multidis- ciplinar e com a participação de vários agentes sociais. Essa ideia alcança vários setores da sociedadee culmina em uma Emenda Popular à Reforma Urbana, encaminhada ao Congresso Constituinte de 1988 (BRASIL, 2005). A Constituição Federal de 1988 é promulgada, pela primeira vez na his- tória do Brasil, com um capítulo exclusivo sobre política urbana, que prevê instrumentos para a garantia do direito à cidade, da defesa da função social da propriedade e da democratização da gestão urbana. Entre os instrumentos que ela apresenta, define a obrigatoriedade de planos diretores para cidades com população acima de 20.000 habitantes. Constituição Federal de 1988, art. 182, §1º: Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo poder pú- blico municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. § 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cida- des com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana (BRASIL, 1988, documento on-line). Plano diretor2 Para que o texto constitucional tivesse efetividade, era necessária uma legislação específica de abrangência nacional, uma lei complementar que regulamentasse os instrumentos. Em julho de 2001 foi aprovada a Lei nº. 10.257, conhecida como Estatuto da Cidade, que passou a ter vigência em 10 de outubro de 2001. Essa lei complementar aumentou a obrigatoriedade do plano diretor para além das cidades com mais de 20.000 habitantes, incluindo cidades situa- das em regiões metropolitanas ou aglomerações urbanas, situadas em área de interesse turístico e em áreas sob influência de empreendimentos de grande impacto ambiental. Ainda, qualquer cidade que deseje aplicar os instrumentos de política urbana previstos na Constituição Federal deve prevê-los em um plano diretor (BRASIL, 2005). O plano diretor é o documento que contém princípios e regras que nortearão as ações dos agentes responsáveis por construir o espaço urbano. Segundo o Instituto Pólis (BRASIL, 2005): O Plano Diretor parte de uma leitura da cidade real, envolvendo temas e questões relativos aos aspectos urbanos, sociais, econômicos e ambientais que embasam a formulação de hipóteses realistas sobre as opções de desen- volvimento e modelos de territorialização. O objetivo do Plano Diretor não é resolver todos os problemas da cidade, mas sim ser um instrumento para a definição de uma estratégia para a intervenção imediata (BRASIL, 2005, p. 40). O Estatuto da Cidade determina como obrigatória a participação popular e de representantes de vários segmentos econômicos e sociais no processo de elaboração e na implementação dos planos diretores. Além de diretrizes para o desenvolvimento, os planos devem conter um projeto da cidade produzido no nível municipal. Pela Constituição de 1988, o plano diretor, de competência dos municípios, é o instrumento básico da política municipal de desenvolvimento urbano (artigo 182, §1º) e deve cumprir a premissa constitucional de garantir a função social da cidade e da propriedade urbana (BRASIL, 1988). O Estatuto da Cidade define a função social da propriedade urbana em seu artigo 39: A propriedade urbana cumpre a sua função social quando atende às exigências fundamentais da ordenação da cidade expressas no plano diretor, assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas, respeitadas as diretrizes previstas no artigo 2º desta lei (BRASIL, 2008, documento on-line). 3Plano diretor Os princípios constitucionais fundamentais que orientam a produção dos planos diretores são (BRASIL, 2005): a função social da propriedade; o desenvolvimento sustentável; as funções sociais da cidade; a igualdade e a justiça social; a participação popular. A fase de diagnóstico da cidade existente é fundamental e deve servir de base para a elaboração das diretrizes, determinações e do projeto contidos no plano diretor. O estudo da realidade local deve envolver todos os setores da sociedade e estabelecer o destino de cada região do município por meio da divisão cartográfica do município em unidades territoriais, o que resulta em um macrozoneamento. O macrozoneamento deve produzir um conjunto claro de regras fundamen- tais para o desenvolvimento urbano utilizando o método de divisão do território inicialmente em grandes áreas de ocupação, como zona rural e zona urbana, e depois em subdivisões por usos (residencial, industrial, comercial, serviços, equipamentos públicos). Deve determinar as áreas de crescimento urbano de acordo com a capacidade de infraestrutura, o meio físico, as características existentes de uso, de patrimônio histórico, condições ambientais, etc. Ele será a base para definir o uso e ocupação do solo na cidade (BRASIL, 2005). O plano diretor é competência do município, ou seja, necessariamente deve ser elaborado no âmbito do governo local. Para que os instrumentos da Constituição Federal de 1988 e do Estatuto da Cidade possam ser aplicados no planejamento e na gestão do município, eles devem estar previstos no plano diretor. Plano diretor4 Trajetória dos planos diretores no Brasil O urbanismo como ciência teve início no século XVIII, com o crescimento do processo da industrialização e a crescente migração da população do campo para a cidade. Até então os projetos urbanos tinham o propósito de embele- zamento e algumas vezes um propósito sanitário, restringindo-se a parques, praças e avenidas principais. O grande crescimento populacional resultou em problemas graves relacionados à falta de infraestrutura e trouxe a necessidade de que o planejamento do espaço urbano fosse racional, completo e executado por técnicos especializados, surgindo, então, a profi ssão do urbanista. Historicamente, o planejamento das cidades foi exclusivamente responsa- bilidade dos governantes que, pelas mãos dos profissionais, impunham planos e reformas ao espaço ocupado, e, especialmente no século XX, foi pautado pela lógica do progresso linear capitalista. O urbanismo modernista vigente na primeira metade do século XX baseava-se em critérios de racionalidade e de caráter puramente técnico, e era fechado à participação social (FERRARI JÚNIOR, 2004). No Brasil, o planejamento urbano utilizou os instrumentos urbanísticos como a principal forma de regulamentação, principalmente os planos diretores e as leis de uso e ocupação do solo, porém esses documentos, muitas vezes, apenas dispunham de dispositivos sobre o ambiente construído que regulavam a ordenação do território e a configuração arquitetônica, desconsiderando as questões sociais e a construção da cidadania (FERRARI JÚNIOR, 2014). A ideia de plano diretor existe no Brasil desde a década de 1930, porém sem grande efetividade. De 1964 a 1974, o Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHU) era o órgão responsável pela realização de planos e abrangia apenas 10% dos municípios brasileiros, que representavam 50% da população. Seus documentos eram os Relatórios Preliminares para municípios de pequeno porte, Plano de Ação Imediata para municípios de médio porte e Planos de Desenvolvimento Local Integrado para municípios de grande porte (ULTRAMARI; SILVA, 2017). A partir da década de 1970, o pensamento modernista passou a ser questio- nado e o modelo tecnicista concentrado nas mãos do Estado declinou, começou, então, a ser discutida uma forma de planejamento democrática, multidisciplinar, com a participação da sociedade civil e com uma nova questão a considerar, a questão ambiental. A discussão do urbano deixa de se concentrar no provimento de infraestrutura básica e passa a considerar conflitos entre agentes sociais diversos, com grupos mais e menos favorecidos. Conforme Ultramari e Silva 5Plano diretor (2017), a gestão administrativa e tecnicista dos anos 1970 passa a se configurar como uma gestão voltada ao desenvolvimentonos anos 1980. Esse foco passou a ser refletido nos novos instrumentos de política urbana editados a partir de então. A Constituição Federal de 1988 é a primeira que reserva uma seção para tratar exclusivamente de política urbana, preconizando a obrigação de planos diretores para cidades com mais de 20 mil habitantes. Na década de 1990, a questão ambiental emerge com muita força dentro de um contexto mundial, entre acontecimentos como a Conferência das Nações Unidas ECO 92, o compromisso dos países envolvidos com a Agenda 21, um documento que visa à proteção do planeta e ao seu desenvolvimento susten- tável e mais adiante com o Protocolo de Kyoto, que impõe metas de redução de emissões de gases tóxicos à atmosfera e mecanismos de flexibilização dessas metas. Nessa fase, considera-se que o planejamento urbano passa para um modelo de gestão urbano-ambiental e é dentro dessa ideia que os planos diretores passam a trabalhar. A partir de então, vários municípios começaram o trabalho em seus planos diretores, apoiados pelo Ministério das Cidades, instituído em 2003, que, por meio da Secretaria Nacional de Programas Urbanos, viabilizou o aumento da construção dos planos diretores com a “Campanha do Plano Diretor Partici- pativo”, aprovada pelo Conselho Nacional da Cidades como uma resolução, com o intuito de disseminar os princípios do Estatuto da Cidade por meio de capacitações em todos os estados brasileiros (SANTORO; CYMBALISTA; NAKASHIMA, 2009). Mais recentemente, em 2015, é aprovado o Estatuto da Metrópole, que tem como um ponto importante a previsão de um ente interfederativo para uma gestão consorciada dos municípios envolvidos. Essa fase, a partir da promul- gação do estatuto, indica, segundo Ultramari e Silva (2017), uma possível gestão social da sociedade direcionada para a função social da propriedade e da cidade. Dentro dessa evolução descrita, acompanhando, então, a evolução das exigências legais, o retrato do Brasil mostra que em 1999 15% dos municípios tinham plano diretor aprovado, em 2008, no pós-Estatuto da Cidade, esse número subiu para 34% e em 2014 eram 50%. Se consideradas cidades com população acima de 20 mil habitantes, o percentual chega a 90% em 2014 (ULTRAMARI; SILVA, 2017). Em um estudo realizado em 2017, Ultramari e Silva (2017) traçam um panorama sobre as prioridades dos planos diretores das nove maiores cidades brasileiras: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Manaus (AM), Curitiba (PR), Recife (PE) e Porto Plano diretor6 Alegre (RS), abrangendo o período de 1960 a 2010, capaz de demonstrar a evolução da importância atribuída a cada temática do planejamento urbano ao longo desse período. Foram selecionados os cinco temas mais recorrentes de cada década para a comparação, estando entre eles: uso e ocupação do solo, parcelamento do solo, gestão urbana, mobilidade, política ambiental, transporte, sistema viário, entre outros. A Figura 1 apresenta os resultados encontrados a cada década. Figura 1. Expressões por décadas. Fonte: Adaptada de Ultramari e Silva (2017). 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Outros 18% Outros 33% Uso e ocupação do solo 39% Gestão urbana 10%Parcelamento 8% Política ambiental 5% Serviços públicos 5% Transporte 6% Parcelamento 6% Gestão urbana 8% Sistema viário 9% Gestão urbana 38% Uso e ocupação do solo 62% Outros 44% Acesso democrático à terra 15% Outros 41% Uso e ocupação do solo 17% Acesso democrático à terra 15% Política ambiental 14% Uso e ocupação do solo 15% Política ambiental 12% Gestão urbana 8% Gestão urbana 7% Gestão democrática 6% Gestão democrática 6% Outros 39% Acesso democráticos à terra 22% Uso e ocupação do solo 18% Gestão urbano 9%Política ambiental 8% Transporte 4% Mobilidade 10% Uso e ocupação do solo 47% Observa-se nos resultados das pesquisas de Ultramari e Silva (2017) que nas décadas de 1960 a 1980, a era considerada tecnicista, o uso e a ocupação do solo eram o tema mais presente nos textos dos planos diretores, chegando na última década do período a representar 62% do total e dividir a importância apenas com a gestão urbana. Nas décadas posteriores, a sua presença diminui ante a outros temas que assumem importância, porém continua sendo um 7Plano diretor tema expressivo, mantendo um índice de 15% até a década de 2010. A política ambiental, que apareceu na década de 1970, volta na década de 1990 e ganha importância até a década de 2010. A partir dos anos 2000, reforçando a ideia da gestão voltada para a política social, o tema de acesso democrático à terra aparece de maneira expressiva. Desde o advento do urbanismo como ciência até os dias atuais, pode- -se observar a evolução do planejamento urbano em sintonia com o cenário econômico, político e social vigente. É certo que a partir da segunda metade do século XX, com o entendimento da cidade como um organismo multidisci- plinar e com o implemento da gestão democrática, essa ciência se aproximou da cidade real por meio de instrumentos de diagnóstico que passam a ser implementados e pelo contato com os representantes dos diversos agentes atuantes no processo de desenvolvimento urbano. Agora, com o fenômeno da metropolização e o Estatuto da Metrópole (BRASIL, 2015), novos desafios se apresentam aos planejadores e novas questões deverão ser englobadas pelos planos diretores. As definições ultra- passarão os limites municipais e será preciso considerar inserções regionais, o que significa, provavelmente, um maior número de agentes e representações. As cidades ficam mais complexas e assim também fica a atividade de gestão e planejamento, demonstrando o quão dinâmicas e atualizadas devem ser as ações dos planejadores. Acesse os links a seguir para fazer a leitura das legislações pertinentes. Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988) https://qrgo.page.link/31BJU Lei nº. 10.257/01 – Estatuto da Cidade (BRASIL, 2008) https://qrgo.page.link/CzMA6 Plano diretor8 Inovações em planos diretores brasileiros Como visto, o plano diretor não é um instrumento novo no Brasil, sendo aplicado desde a década de 1960 pela SERFHAU, que condicionava o repasse de recursos aos municípios à sua elaboração. Porém, os planos elaborados no fi nal do século XX são caracterizados pelos críticos como instrumentos tecnocráticos, que não consideravam a participação popular, com propostas irrealizáveis, e que terminavam engavetados nas administrações (SANTORO; CYMBALISTA; NAKASHIMA, 2009). Com o novo olhar trazido pela Constituição de 1988, baseado na função social da propriedade urbana, os planos diretores se transformam de meras peças técnicas em instrumentos políticos, que devem ser democraticamente construídos com a participação de todos os agentes que efetivamente constroem as cidades, incluindo os setores populares, sob pena de sofrerem processos de improbidade administrativa quando isso não acontece. Além de ser participa- tivo, esse novo instrumento deve ser público, acessível, englobar o município como um todo, entre outras exigências previstas pelo Estatuto da Cidade. Como exemplos da aplicação dessas inovações, alguns municípios bra- sileiros conseguiram implantar o processo participativo de forma efetiva, uns com a própria equipe das prefeituras das cidades, outros com a ajuda de consultorias e outros, ainda, com a contratação de empresa especializada em levantamentos, diagnósticos e elaboração de planos diretores. A seguir, veja os exemplos das cidades de Mariana (MG), com informações encontra- das em Cymbalista e Cardoso (2009), São Gabriel da Cachoeira (AM), com informações encontradas em Nakano e Comarú (2009), e Franca (SP), com informações encontradas em Leonelli, Moreira e Sutti (2009). Município de Mariana (MG) O exemplo do munícipio de Mariana (Figura 2), no estado de Minas Gerais, é um caso interessante por se tratar de uma cidade colonial, criada em 1709 como a capital da capitania de SãoPaulo e Minas de Ouro, com forte presença de um conjunto edifi cado tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Desde o início de sua história, até os dias de hoje, tem como vocação econômica o extrativismo mineral, mas também conta com atividades como o artesanato e a agropecuária. 9Plano diretor Figura 2. Mariana (MG). Fonte: Cymbalista e Cardoso (2009, documento on-line). Desde 1938, a cidade de Mariana tem parte do seu conjunto edificado tom- bada pelo IPHAN, na época SEPHAN, por ser considerada a primeira cidade planejada do Brasil. Com isso, o processo de gerenciamento do crescimento e desenvolvimento da parte tombada da cidade passa para a responsabilidade do referido órgão federal, liberando a prefeitura municipal desse trabalho. Porém, a área tombada não tinha delimitação precisa e o IPHAN interessava-se somente pela preservação do centro antigo, ocupado pelas classes sociais mais abastadas, enquanto a cidade crescia desordenadamente para as periferias. Em 2001, após as inovações nas legislações federais, a prefeitura municipal assumiu como prioridade a elaboração de um plano diretor e propôs uma mudança estrutural no processo de construção do documento normatizando as representações populares. A área urbana foi dividida em 23 bairros que tiveram associações constituídas, com regimentos internos reconhecidos em cartório e presidentes eleitos por voto direto. Essas associações formaram uma entidade, a União das Associações de Moradores de Mariana, que teve participação decisiva na elaboração do plano diretor. Essa foi a primeira vez na história da cidade que as classes sociais mais pobres tiveram a oportunidade de estabelecer uma relação mais próxima com o poder público e de participar de forma efetiva de definições da configuração do espaço urbano. Plano diretor10 Município de São Gabriel da Cachoeira (AM) Outro caso interessante é o do município de São Gabriel da Cachoeira (Fi- gura 3), no estado do Amazonas, pelas seguintes características particulares enumeradas por Santoro, Cymbalista e Nakashima (2009): especifi cidade territorial, expansão geográfi ca, graus de isolamento, relações sociais, dinâ- micas socioambientais, características econômicas, confrontações fundiárias e diversidades culturais. Figura 3. São Gabriel da Cachoeira (AM). Fonte: Nakano e Comarú (2009, documento on-line). A região Norte do Brasil apresenta-se em acelerado processo de urbaniza- ção, porém sofre com grandes déficits relativos à habitação, à infraestrutura e ao saneamento ambiental. São Gabriel da Cachoeira localiza-se no noroeste amazônico, na Bacia do Alto Rio Negro, região ainda relativamente preservada dos grandes impactos causados pela expansão urbana, onde restam ainda grandes áreas de floresta, e , que, em 2000, contava com 29.947 habitantes. O município localiza-se a 1061 km de Manaus pelo Rio Negro. O acesso se dá por vias pluviais ou aéreas. A única rodovia que acessa a localidade é a BR-307, não pavimentada e em condições precárias, que leva até o município de Cucuí, na divisa com a Venezuela. A presença das forças armadas é forte por se tratar de uma área de segurança nacional, e a maioria da população é indígena, pertencente a várias etnias divididas em comunidades que se estabelecem em áreas demarcadas. O município é quase todo cercado por terras indígenas, o que gera dificuldades relacionadas ao acesso e ao crescimento urbano. 11Plano diretor Com a obrigação legal instituída pelo Estatuto da Cidade e a campanha nacional de apoio à elaboração de planos diretores, em 2005, o governo de São Gabriel da Cachoeira organizou um seminário com a participação de represen- tantes de entidades que atuam na região para iniciar o trabalho de elaboração do documento. Em seguida, aconteceram duas oficinas de sensibilização e ca- pacitação, com assessoria do Instituto Pólis e do Instituto Socioambiental (ISA). Para o processo participativo, 100 organizações e instituições governa- mentais e não governamentais foram convidadas a integrar o Núcleo Gestor do Plano Diretor, sendo que pouco mais de 50 aceitaram participar. Estavam entre elas representantes dos poderes públicos federal e municipal, organiza- ções não governamentais, associações de bairro, associações comunitárias, lideranças do movimento indígena, conselheiros de educação e saúde, entre outros (NAKANO; COMARÚ, 2009). Foi realizado um amplo processo de diagnóstico baseado em leituras téc- nicas, comunitárias e jurídicas. As leituras técnicas trabalharam com levanta- mentos cartográficos, demográficos, sanitários e socioeconômicos; as leituras comunitárias trabalharam com oficinas realizadas nos bairros e comunidades indígenas, onde mapearam as demandas da população. Estas demandas nor- tearam os planos de desenvolvimento e investimentos dos próximos 10 anos, que foram expostos no plano diretor e direcionaram os demais planejamentos orçamentários; e as leituras jurídicas analisaram as leis existentes relativas ao planejamento, à gestão municipal, à sua adequação à Constituição Federal de 1988 e ao Estatuto da Cidade. A inovação que se destaca no processo de elaboração e implementação do plano diretor de São Gabriel da Cachoeira é a prioridade na inclusão das comunidades indígenas no processo de decisão. Para implementação do plano o município foi dividido em seis regiões administrativas, considerando as cinco regiões definidas pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, cada região, com exceção da sede administrativa, teve que compor um Conselho Regional de Planejamento Territorial com membros eleitos, que tiveram como uma das principais atribuições elaborar o plano diretor local. Município de Franca (SP) O caso do município de Franca (Figura 4), situado no nordeste do estado de São Paulo, é interessante por ser um processo antigo, já com um documento implementado na década de 1970 e uma reformulação que estabeleceu a implementação da função social da propriedade antes da obrigação legal imposta pelo Estatuto da Cidade. Plano diretor12 Figura 4. Franca (SP). Fonte: Leonelli, Moreira e Sutti (2009, documento on-line). A cidade surgiu no início do século XIX e iniciou o seu processo de expan- são urbana com a chegada da cultura do café e da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, em 1886. Em 1910, a indústria de calçados e couro começa a ficar expressiva e cresce significativamente durante a Primeira Guerra Mundial, ganhando ainda mais importância depois da crise do café em 1929. Com isso, o poder político adquire uma configuração polarizada entre a elite industrial e os proprietários de terra, que se revezavam no governo local. Essa situação política perdurou até 1996, quando esse revezamento é que- brado pela eleição do prefeito Gilmar Dominici, uma nova liderança que surgiu diante do desgaste sofrido pelo tradicional poder local depois de sucessivas crises. O novo governo ganhou a eleição com a promessa da participação popular no município, que era inexpressiva até então. Ele iniciou o trabalho implantando o Orçamento Participativo, os Conselhos Gestores e os Centros Comunitários e, logo no início do mandato, providenciou a reformulação do PDDI, um documento existente desde 1971. O documento existente já previa, à época, a necessidade de conter a ex- pansão horizontal da cidade devido ao problema das voçorocas de Franca, a separação entre um distrito industrial e um residencial, a determinação de eixos de ocupação urbana pela delimitação de vias, a implantação de parques em áreas ambientalmente frágeis e a prioridade dos pedestres no centro da cidade. Porém, o PDDI de Franca continha um grave problema, ele definiu um “perímetro urbano flexível” que acabava por permitir a expansão urbana e a formação de vazios urbanos. 13Plano diretor Apesar da promessa de participação popular nas decisões do governo, isso não ocorreu de forma efetiva na construção do novo plano diretor da cidade de Franca.O documento foi elaborado por técnicos da prefeitura com consultoria da Escola de Engenharia de São Carlos (USP) e a participação da sociedade civil aconteceu apenas na apresentação e entendimento das diretrizes gerais já estabelecidas. Essa participação ainda não era obrigatória em 1998, quando o projeto de lei foi enviado à Câmara Municipal, data anterior ao Estatuto da Cidade, mas, apesar disso, o projeto já continha inovações como a função social da propriedade urbana, a previsão da aplicação do IPTU progressivo no tempo e uma proposta de um sistema de gestão integrado. O novo projeto do plano diretor tinha como fundamentos o controle do crescimento horizontal e a ocupação dos vazios urbanos, principais problemas identificados em fase de diagnóstico. Ele tramitou na Câmara dor três anos com grande dificuldade de aprovação, o que só ocorreu em 2001 com a aprovação do Estatuto da Cidade e a obrigação que ele trazia. O plano diretor da cidade de Franca configurou-se como um documento inovador, pois previu instrumentos do Estatuto da Cidade antes mesmo que este fosse aprovado, tendo uma estrutura clara e concisa e foi muito efetivo no apontamento dos problemas em seu diagnóstico. Os Sistemas de Gestão Integrada (SGIs) também fazem parte das inovações trazidas pelo documento, pois permitem a integração da gestão. BRASIL. [Constituição (1998)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 20 set. 2019. BRASIL. Lei nº 13.089, de 12 de janeiro de 2015. Institui o Estatuto da Metrópole, altera a Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015- 2018/2015/Lei/L13089.htm. Acesso em: 21 set. 2019. BRASIL. Senado Federal. Estatuto da cidade. 3. ed. Brasília, DF: Senado Federal, 2008. Dis- ponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70317/000070317. pdf?sequence=6%20Calizaya. Acesso em: 20 set. 2019. BRASIL. Senado Federal. Instituto Pólis. Estatuto da cidade: guia para implementação pelos municípios e cidadãos. 4. ed. Brasília, DF: Instituto Pólis, 2005. Plano diretor14 CYMBALISTA, R.; CARDOSO, P. de M. A elaboração do plano diretor em uma cidade histórica: a experiência de Mariana, Minas Gerais. In: CYMBALISTA, R.; SANTORO, P. F. (org.). Planos diretores: processos e aprendizados. São Paulo: Instituto Pólis, 2009. p. 33-54. Disponível em: https://www.polis.org.br/uploads/1010/1010.pdf. Acesso em: 20 set. 2019. FERRARI JÚNIOR, J. C. Limites e potencialidades do planejamento urbano: uma discussão sobre os pilares e aspectos recentes da organização espacial das cidades brasileiras. Estudos Geográficos, Rio Claro, v. 2, n. 1, p. 15-18, jun. 2004. Disponível em: http://www.periodicos. rc.biblioteca.unesp.br/index.php/estgeo/article/view/258/214. Acesso em: 21 set. 2019. LEONELLI, G. C. V.; MOREIRA, T. A.; SUTTI, W. O plano diretor de Franca, São Paulo. In: CYMBALISTA, R.; SANTORO, P. F. (org.). Planos diretores: processos e aprendizados. São Paulo: Instituto Pólis, 2009. p. 73-89. Disponível em: https://www.polis.org.br/uplo- ads/1010/1010.pdf. Acesso em: 20 set. 2019. NAKANO, A. K.; COMARÚ, F. de A. São Gabriel da Cachoeira: o planejamento e a gestão territorial em um município indígena da Amazônia. In: CYMBALISTA, R.; SANTORO, P. F. (org.). Planos diretores: processos e aprendizados. São Paulo: Instituto Pólis, 2009. p. 113-130. Disponível em: https://www.polis.org.br/uploads/1010/1010.pdf. Acesso em: 21 set. 2019. SANTORO, P. F.; CYMBALISTA, R.; NAKASHIMA, R. O plano diretor de Sorocaba, São Paulo: atores e autoaplicabilidade dos instrumentos urbanísticos. In: CYMBALISTA, R.; SANTORO, P. F. (org.). Planos diretores: processos e aprendizados. São Paulo: Instituto Pólis, 2009. p. 17-31. Disponível em: https://www.polis.org.br/uploads/1010/1010.pdf. Acesso em: 21 set. 2019. ULTRAMARI, C.; SILVA, R. C. E. de O. da. Planos diretores em linha do tempo: cidade brasileira 1960-2015. In: ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS- -GRADUAÇÃO E PESQUISA EM PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL, 17., 2017, São Paulo. Anais [...]. Belo Horizonte: ANPUR, 2017. p. 1-15. Disponível em: http://anpur.org. br/xviienanpur/principal/publicacoes/XVII.ENANPUR_Anais/ST_Sessoes_Tematicas/ ST%2010/ST%2010.4/ST%2010.4-05.pdf. Acesso em: 21 set. 2019. 15Plano diretor Dica do professor O Estatuto da Cidade traz o conceito, as obrigatoriedades, os requisitos, entre outras informações para nortear o poder municipal na adoção do plano diretor. Pela Constituição de 1988, o plano diretor, de competência dos municípios, é o instrumento básico da política municipal de desenvolvimento urbano (artigo 182, §1o) e deve cumprir a premissa constitucional de garantir a função social da cidade e da propriedade urbana. Confira, na Dica do Professor, os requisitos para elaboração e aplicação do plano diretor exigidos pelo artigo 40 da Lei Federal n.o 10.257/2001, o Estatuto da Cidade. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/03b4949f82f6f3cbbd9321b7a6af7f8d Exercícios 1) Todas as cidades que estejam sob as obrigatoriedades previstas no Estatuto da Cidade devem elaborar o seu plano diretor. Sobre a definição de plano diretor e a competência para a sua elaboração, assinale a alternativa correta: A) O plano diretor é o instrumento básico de planejamento municipal que deve ser elaborado pelos técnicos habilitados em planejamento urbano e funcionários da prefeitura, sem interferências externas que dificultam uma visão qualificada. B) O plano diretor é o instrumento básico de planejamento municipal que deve ser elaborado pelos técnicos habilitados em planejamento urbano e funcionários do governo estadual, sem interferências externas que dificultam uma visão qualificada. C) O plano diretor é o instrumento básico de planejamento municipal que deve ser elaborado pelo governo do município, apoiado por uma equipe multidisciplinar e com participação da sociedade. D) O plano diretor é o instrumento básico de planejamento municipal que deve ser elaborado por empresas terceirizadas, pois estas são isentas de interesses no processo de planejamento e implantação do documento. E) O plano diretor é o instrumento básico de planejamento municipal que deve ser elaborado pelos técnicos habilitados em planejamento urbano, seguindo um modelo presente no Estatuto da Cidade igual para todos os municípios. 2) Com as exigências para a política urbana previstas na Constituição de 1988 e com a aprovação do Estatuto da Cidade, algumas cidades foram obrigadas a elaborar os seus planos diretores. Sobre esta obrigação, assinale a alternativa correta: A) Cidades com mais de 20.000 habitantes passam a ter a obrigatoriedade de elaboração do plano diretor, segundo o texto constitucional. Obrigação que foi mantida e ampliada no Estatuto da Cidade. B) A Constituição Federal de 1988 não tratou sobre a obrigatoriedade de municípios elaborarem os seus planos diretores. Matéria que foi tratada pela primeira vez no texto do Estatuto da Cidade. C) O Estatuto da Cidade ampliou a obrigatoriedade para as cidades com mais de 50.000 habitantes e para municípios em áreas de especial interesse turístico e ambiental. D) O Estatuto da Cidade ampliou a obrigatoriedade para cidades localizadas em áreas ambientalmente sensíveis, de risco de desabamentos e inundações. E) Municípios localizados em áreas ambientalmente sensíveis, especialmente sujeitas a desabamentos e inundações, são obrigados a elaborar o seu plano diretor por determinação constitucional. 3) A origem do planejamento urbano se deu no final do século XVIII com o grande aumento das cidades devido à Revolução Industrial.A evolução do planejamento urbano trouxe instrumentos para ajudarem na organização municipal, entre eles o plano diretor. Sobre a origem do plano diretor, assinale a alternativa correta: A) O plano diretor é um instrumento inovador da Constituição Federal de 1988. B) O plano diretor é um instrumento usado historicamente no planejamento de cidades desde a idade média. C) O plano diretor é um instrumento inovador do Estatuto da Cidade. D) O plano diretor já era utilizado desde as décadas de 1960 e 1970. E) O plano diretor foi apresentado, pela primeira vez na história, no século XVIII com a Revolução Industrial. 4) Considere a situação hipotética: o município de Ribeira do Sul sofreu forte pressão da população para a elaboração do seu plano diretor, pois passou a encaixar-se na obrigatoriedade com a entrada em vigência do estatuto da Cidade. Visando à reeleição, o prefeito correu para apresentar uma proposta que deveria ser aprovada com celeridade. Ele acionou os técnicos existentes na prefeitura, utilizou estudos da região dos últimos dez anos, que não eram muitos, e apresentou diretamente para a câmara municipal diretrizes para o zoneamento urbano, proteção ambiental, inclusão social, entre outros, que dependeriam de legislações posteriores mais detalhadas para entrar em vigor. Pode-se inferir do texto que: A) O prefeito de Ribeira do Sul agiu corretamente, pois tinha equipe técnica habilitada e resolveu o problema rapidamente. B) O prefeito de Ribeira do Sul tinha a obrigação de contratar uma equipe isenta para a elaboração do plano diretor. C) A atitude de mandar o projeto direto para a câmara municipal é justificável, pois era uma urgência atender às necessidades do município. D) O processo aplicado em Ribeira do Sul não atende ao Estatuto da Cidade, pois não foi participativo nem autoaplicável. E) Estudos antigos podem ser aproveitados, pois as cidades apresentam mudanças muito lentas. 5) Imagine que uma pequena cidade interiorana que acabou de atingir os 20 mil habitantes vai elaborar o seu plano diretor pela primeira vez. A prefeitura organizou uma equipe que precisará fazer análises e levantamentos que embasarão as propostas de ordenamento territorial. A primeira medida foi levantar as matérias que são inerentes ao planejamento da cidade. Entre elas, pode-se citar: A) Uso e ocupação do solo, zoneamento ambiental e transporte urbano. B) Acessos à cidade, rodovias limítrofes e pedágios. C) Zoneamento rural e política de desenvolvimento agrário. D) Diretrizes orçamentárias e orçamento anual. E) Planos de assistência financeira às classes menos favorecidas. Na prática A elaboração e a aplicação do plano diretor dependem de muitas variáveis. Alguns municípios conseguiram implementar processos participativos e atender às reais necessidades da população, outros nem tanto. Isso, porque a produção e a regulação do espaço urbano envolvem muitas variáveis e muitos interesses conflitantes. Confira, Na Prática, o caso do município de Sorocaba, no interior de São Paulo, que demonstra o quanto o processo de planejamento pode ser confuso, demorado e atingir apenas resultados controversos, principalmente quando os instrumentos previstos no Estatuto da Cidade são negligenciados. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/e60d0668-963e-40c7-85ed-88cb742fa2df/e8480423-7c8e-48d4-ac0f-f00534905dec.jpg Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Plano diretor participativo: guia para a elaboração pelos municípios e cidadãos Esta indicação é uma publicação do Ministério das Cidades, que detalha o processo de elaboração e aplicação do Plano Diretor Participativo. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Plano diretor: passo a passo Este é um guia preparado pelo governo do estado de São Paulo para orientar os municípios na elaboração de seu plano diretor. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. BR Cidades: a reconstrução democrática do espaço urbano Este artigo apresenta o BR Cidades, um movimento interdisciplinar que discute com vários setores da sociedade as questões urbanas e fala da importância do arquiteto e urbanista no processo de planejamento urbano. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. http://bibliotecadigital.seplan.planejamento.gov.br/bitstream/handle/iditem/181/Livro_Plano_Diretor_GUIA_DE_ELABORACAO.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://polis.org.br/publicacoes/plano-diretor-passo-a-passo/ https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.141/7384 Cinco anos do plano diretor de São Paulo Este artigo faz uma análise das medidas previstas no plano diretor da cidade de São Paulo, que de fato foram implantadas cinco anos após a sua aprovação. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.vitruvius.com.br/jornal/news/read/3012