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LITERATURA Editora Exato 1 ROMANTISMO (1836 – 1881) O Romantismo surge, a partir da segunda me- tade do século XVIII, na Inglaterra e na Alemanha, irradiando-se para a França e, dali, para o restante da Europa e para a América. Após a revolução Francesa (1789), toda a Eu- ropa passa por um período de transformações. As monarquias absolutistas entram em crise, a burguesia se firma juntamente com o liberalismo sócio-político. Em Portugal, a invasão napoleônica provoca a mudança de D. João VI para o Brasil, gerando mo- vimentos de libertação e tentativa de restituição do equilíbrio à nação portuguesa. De qualquer forma, os ideais da Revolução francesa fixam no homem o desejo de “liberdade, i- gualdade e fraternidade”. No Brasil, a vinda da corte real portuguesa a- carreta algum desenvolvimento, que culmina com a Proclamação da Independência em 1822, estabele- cendo-se o regime monárquico. Tornando-se uma nação independente, é natu- ral que comece a se desenvolver um espírito naciona- lista, que se revelará nas obras de arte, voltadas sobretudo ao cenário brasileiro, tentando libertar-se das influências europeizantes. Se a revolução francesa fortaleceu o desenvol- vimento das idéias liberais, a ascensão da burguesia e a revolução industrial reforçaram as bases do capita- lismo. Em função da ânsia de ganhos que começa a prevalecer na mente das pessoas, para um segmento da sociedade surge o sentimento de frustração, de perda de valores, já que o homem começa a degradar- se para conseguir uma boa posição social. Daí, o sau- dosismo que detectamos em muitas obras românticas e o culto a heróis medievais, pois o passado aparece como a real fonte de valores autênticos. Outros fo- gem para o sonho, em busca de um mundo ideal, co- mo meio de esquecer essa realidade que choca, amedronta e corrompe. No Brasil, especificamente, existe motivo para uma certa euforia, gerada pela independência. Tere- mos artistas falando da paisagem brasileira, da histó- ria, do índio, da sociedade, embora encontremos, nas entrelinhas, a degradação da classe e dos que desejam ascender socialmente a qualquer preço. O Índio, por sua vez, será eleito nosso “herói nacional”, nossa ori- gem, já que, diferentemente dos europeus não conhe- cemos a Idade média. A existência da escravidão negra tocará poetas como Castro Alves; a falta de essência no posiciona- mento das pessoas e a ausência de perspectivas de reversão dos valores levarão muitos a uma vida des- regrada que atrai prematuramente a morte. Contrariamente aos clássicos, os românticos pretendem o predomínio da emoção sobre a razão, a liberação dos sentimentos, a liberdade de produção. 1. CARACTERÍSTICAS GERAIS Foram muitas as tendências da arte romântica, mas sobressaíram-se três delas divididas no que cha- mamos de gerações: nacionalista, ultra-romântica (ou mal-do-século ou byroniana) e social. Importante observar que nessa época é que surge o romance propriamente dito, inicialmente pu- blicado em capítulos nos jornais (folhetins). As características que apresentaremos a se- guir são bem gerais e servem apenas para se ter uma idéia do espírito da era romântica. � Liberdade de expressão; � Uso da imaginação; � Na Europa, reaparecem motivos medievais, numa tentativa de resgatar o passado histó- rico e os heróis nacionais; � Volta ao passado individual, com valoriza- ção da infância; � Subjetivismo, valorização do “eu”; � Pessimismo, com expressão de dores, so- frimentos; � Fuga da realidade, evasão, escapismo; � Busca de refúgio na natureza, que aparece como reflexo do estado de espírito do artis- ta; � Aversão ao purismo e formalismo clássico e neoclássico; � Visão da morte como solução para os pro- blemas humanos; � Amores impossíveis, musas inatingíveis, sonhos irrealizáveis; � Valorização do índio, no Brasil, na primeira fase do Romantismo; � Valorização da pátria; � Revalorização do místico e do religioso, em alguns casos; � Na poesia condoreira, referência à vida do escravo; � Espírito revolucionário. Importante: O ano de 1836 é o marco da primeira publica- ção romântica brasileira com Suspiros poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães. No mesmo ano, na França, Torres Homem e Porto Alegre lan- çam a revista Niterói. Editora Exato 2 2. O TEATRO ROMÂNTICO BRASILEIRO O teatro romântico brasileiro foi iniciado por Gonçalves de Magalhães, mas consolidou-se com Martins Pena. Martins Pena enfatiza em suas obras a crítica social de costumes da época. A religiosidade aparece de forma irônica e jocosa. Seus personagens eram ca- ricatos e poderiam ser encontrados em qualquer rua do Rio de Janeiro. Martins Pena, em sua postura crí- tica, escolhe pessoas “do povo” como: moças casa- doiras, velhas solteironas, comerciantes desonestos, velhos abusados, contrabandistas de escravos, estran- geiros espertos, jovens elegantes e burgueses hipócri- tas. Entre suas obras mais famosas estão “O noviço”, “Judas em Sábado de aleluia”, “Os irmãos das al- mas” e “Juiz de paz na roça”. As peças de Martins Pena tiveram a importante atuação do ator João Cae- tano. ESTUDO DIRIGIDO 1 Complete as lacunas: Podemos dizer que, historicamente, o Romantis- mo brasileiro tem início no ano de ______, quan- do é publicado o livro de poesias _________________________ do poeta ______________________. Nesse mesmo ano, é lançada em Paris uma revista chamada ________________, que divulga os ideais da lite- ratura romântica. EXERCÍCIOS 1 (FUVEST) O retorno à Idade Média, em Portu- gal, foi a manifestação de uma característica do Romantismo. a) Qual a manifestação correspondente no Ro- mantismo brasileiro? b) Exemplifique sua resposta, citando um autor e sua respectiva obra. 2 As afirmações abaixo referem-se ao Romantis- mo, exceto uma. Assinale-a: a) Tem como característica básica a expressão do “eu”, do mundo interior do artista. b) Teve início na Alemanha e na Inglaterra, no século XVIII. c) Representou um período decisivo no desenvol- vimento da literatura brasileira. d) Sua fase mais importante no Brasil coincidiu com a permanência de D. João VI no Rio de Janeiro. 3 Observe as afirmações abaixo: I. O “eu” romântico, objetivamente incapaz de re- solver os conflitos com a sociedade, lança-se à evasão no tempo, recriando a Idade Média Gó- tica e embuchada; no espaço, fugindo para er- mas paragens e para o Oriente exótico. II. A natureza romântica é expressiva. Ao contrá- rio da natureza árcade, decorativa, ela significa e revela. Prefere-se a noite ao dia, pois sob a luz do real impõe-se ao indivíduo, mas é na treva que latejam as forças inconscientes da alma: o sonho, a imaginação. III. No romantismo, finda a epopéia, expressão heróica já em crise no séc. XVII, substituída pelo poema político e pelo romance histórico, livre das peias de organização interna que marcavam a narrativa em verso. Renascem, por outro lado, formas medievais de estrofação e dá-se o máximo relevo aos metros livres, de cadência popular, as redondilhas maiores e menores, que passam a competir com o nobre decassílabo. Estão corretas: a) todas. b) apenas a I. c) apenas a I e a II. d) apenas a II e a III. e) apenas a I e a III. 4 Identifique a característica romântica predomi- nante em cada um dos trechos seguintes: a) Quero morrer! Este mundo Com seu sarcasmo profundo Manchou-me de lodo e fel! Minha esperança esvaiu-se Meu talento consumiu-se Dos martírios ao tropel! b) Nem uma luz de esperança, Nem um sopro de bonança Na fronte sinto passar! Os invernos me despiram, E as ilusões que fugiram Nunca mais hão de voltar. Editora Exato 3 c) Hora do pôr do sol – hora fagueira, Que encerras tanto amor, tristeza tanta! Quem há que de te ver não sinta enlevos, Quem há na terra que não sinta as fibras Todas do coração pulsar-lhe amigas Quando desse teu manto as pardas franjas Soltas,roçando a habitação dos homens Há o prazer tamanho que embriaga, Há o prazer tão puro, que parece Haver anjos dos céus com seus acordes A mísera existência acalentado! d) Essa menina é minha vida! É o meu sangue... o meu farol para os céus. Quem rouba mata-me de uma vez. Venha a morte ... fique ela para chorar por mim... um dia contará como um homem soube amar... e) O país estrangeiro mais belezas Do que a pátria não tem. 5 (UFJF) Em relação ao Romantismo brasileiro, todas as afirmações são verdadeiras. Exceto: a) expressão do nacionalismo através da descri- ção de costumes e regiões do Brasil. b) análise crítica e científica dos fenômenos da sociedade brasileira. c) desenvolvimento do teatro nacional. d) expressão poética de temas confessionais, in- dianistas e humanistas. e) caracterização do romance como forma de en- tretenimento e moralização. 6 Apresentamos a seguir quatro afirmações sobre o indianismo romântico. Julgue os itens: 1111 O índio foi visto como motivo artístico e não como figura histórica; daí a forma idealizada com que foi representado na literatura. 2222 A descrição do índio nas obras românticas re- flete fielmente a realidade histórica da época: só depois do Romantismo é que ele passou a ser idealizado. 3333 A corrente indianista pode ser vista como uma espécie de resposta brasileira ao medievalismo dos escritores europeus. 4444 José de Alencar e Gonçalves Dias são os dois autores indianistas mais importantes do Ro- mantismo. 7 Assinale C ou E: 1111 No Brasil, porque não existia herança medie- val, o indianismo representou o elemento na- cional por excelência. Isto se traduz em nacionalismo. 2222 O culto do “eu” (subjectum) predomina sobre a perspectiva do “outro” (objectum). Isto se tra- duz em subjetivismo. 3333 Lugar de paz e de tranqüilidade, a natureza inspirou o artista e alimentou o sonho do poeta. Trata-se do culto da natureza. 4444 Os escritores buscavam um mundo real e con- creto, cultivando os sentidos e a observação. Isto se traduz em análise da realidade. 5555 Os personagens são tipos concretos, vivos, re- tratados psicologicamente. É a retratação do presente. 8 (UEPA) Que característica do romantismo per- cebemos na descrição abaixo? “A alvura de sua tez fresca e pura escurecia o mais fino jaspe [...] A seiva dessa mocidade, o vi- ço dessa alma não se expandia no rubor da cútis, mas no olhar ardente e esplêndido dos grandes olhos negros e no sorriso mimoso dos lábios que eram um primor da natureza.” a) O nacionalismo que, entre nós, expressou-se, sobretudo, através do tratamento positivo dado às mulheres brasileiras. b) A idealização no texto ao apresentar as perso- nagens. c) O desvendamento do mundo psicológico das personagens que, em nosso romantismo, é tra- ço premunciador do realismo. d) O panteísmo, que consiste em relacionar traços humanos com atributos de Deus. e) O uso da natureza como reflexo dos sentimen- tos do narrador, produzindo a prosopopéia. 9 (UFJF/MG) Em relação ao Romantismo brasi- leiro, todas as afirmações são verdadeiras. Exce- to: a) expressão do nacionalismo através da descri- ção de costumes e regiões do Brasil. b) análise crítica e científica dos fenômenos da sociedade brasileira. c) desenvolvimento do teatro nacional. d) expressão poética de temas confessionais, in- dianistas e humanistas. e) caracterização do romance como forma de en- tretenimento e moralização. Editora Exato 4 GABARITO Estudo Dirigido 1 1836 – Suspiros poéticos e saudades – Gonçalves de Magalhães – Niterói. Exercícios 1 a) O indianismo. b) É uma busca às raízes, à origem do brasileiro. Como exemplo, José de Alencar, em “O Gua- rani”. 2 D 3 C 4 a) Evasão na morte. b) Desilusão, mal do século. c) Refúgio na natureza. d) Supervalorização do amor. e) Nacionalismo. 5 B 6 C, E, C, C 7 C, C, C, E, E 8 B 9 B