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SISTEMA DE ENSINO
DIREITO CIVIL
Obrigações – Parte I
Livro Eletrônico
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Obrigações – Parte I
DIREITO CIVIL
Carlos Elias
Sumário
Apresentação ................................................................................................................................... 3
1. Noções Gerais .............................................................................................................................. 4
1.1. Definição ..................................................................................................................................... 4
1.2. Elementos da Obrigação ......................................................................................................... 5
1.3. Obrigação quanto à Exigibilidade ......................................................................................... 7
1.4. Fim Primário e Secundário da Obrigação ............................................................................ 8
1.5. Concepção Moderna de Obrigação: Obrigação como Processo e Deveres Anexos ... 9
2. Modalidade das Obrigações ....................................................................................................12
2.1. Importância Prática das Classificações .............................................................................12
2.2. Obrigação quanto ao Objeto ................................................................................................13
2.3. Obrigação quanto à Pluralidade de Objetos .................................................................... 23
2.4. Obrigação quanto à Pluralidade de Sujeitos ...................................................................28
Questões de Concurso ................................................................................................................. 39
Gabarito ........................................................................................................................................... 52
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Obrigações – Parte I
DIREITO CIVIL
Carlos Elias
ApresentAção
Saudações, meus amigos e minhas amigas! Hoje é dia de Obrigações.
Focaremos aquilo que mais é cobrado em concurso. Entretanto, na linha do que já tenho 
feito nas aulas anteriores, irei aprofundar em temas mais complexos para te garantir sucesso 
em questões que ninguém acerta.
Vamos juntos!
Resumo
Amigos e amigas, quem tem pressa deve ler, ao menos, este resumo e, depois, ir para os 
exercícios. É fundamental você ver os exercícios e ler os comentários, pois, além de eu apro-
fundar o conteúdo e tratar de algumas questões adicionais, você adquirirá familiaridade com 
as questões. De nada adianta um jogador de futebol ter lido muitos livros se não tiver fami-
liaridade com a bola.
Seja como for, o ideal é você ler o restante da teoria, e não só o resumo, para, depois, ir 
às questões.
O resumo desta aula é este:
• A obrigação é composta por três elementos: subjetivo (credor e devedor), objetivo (a 
prestação) e abstrato (vínculo jurídico);
• A obrigação pode ser civil, quando for exigível, ou natural, quando não o for;
• A dívida prescrita é exemplo de obrigação natural;
• O fim primário da obrigação é o débito (schuld) e o fim secundário é a responsabilidade 
(haftung):
− Dívida prescrita é um exemplo de débito (schuld) sem responsabilidade (haftung), 
pois o devedor tem a dívida, pode pagá-la voluntariamente, mas não pode ser cons-
trangido a pagar (não há responsabilidade);
− Fiança é um exemplo de responsabilidade (haftung) sem débito (schuld), pois o fiador 
pode ser constrangido a pagar a dívida que não é sua; do que dá prova o fato de ele 
ter direito de regresso contra o afiançado;
• Conforme concepção mais moderna, a obrigação não é um mero ato, e sim um pro-
cesso. O professor Clóvis do Couto e Silva desenvolveu essa noção de obrigação como 
processo. Ela justifica a existência de deveres anexos, instrumentais, laterais ou cola-
terais;
• A violação positiva do contrato é o descumprimento de um dever anexo;
• Quanto ao objeto, a obrigação pode ser classificada como de dar (coisa certa ou incer-
ta), de fazer e de não fazer (arts. 233 ao 251, CC);
• Na obrigação de dar coisa certa, há duas lógicas de justiça que inspiram o legislador 
e que justificam todas as regras contidas no Código Civil sobre o assunto: (1) res perit 
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Obrigações – Parte I
DIREITO CIVIL
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domino, ou seja, a coisa perece para o dono; e (2) quem causa dano a outrem com cul-
pa tem de indenizar. Logo, perecimentos ou deteriorações fortuitos geram prejuízo ao 
dono da coisa, ao passo que perecimento e deteriorações culposas obrigam o culpado 
a indenizar (pagar perdas e danos);
• Na obrigação de dar coisa incerta, aplica-se uma lógica de justiça: genus nunquam perit 
(o gênero nunca perece). A única exceção é no caso de gênero limitado;
• Cuidado: com a fase da concentração, passa-se a aplicar as regras de obrigação de dar 
coisa certa, pois a coisa já terá sido individualizada;
• Quanto à pluralidade de objetos, a obrigação pode ser classificada como simples, com-
posta (que pode ser cumulativa ou alternativa) e facultativa;
• Na obrigação alternativa, assim como se dá na obrigação de dar coisa incerta, a regra 
é a de que o devedor escolhe a prestação, salvo pacto contrário (arts. 242 e 252, CC);
• Uma vez feita a escolha, a parte não pode voltar atrás por força da regra electa una via 
altera non datur;
• Quanto à pluralidade de sujeitos, a obrigação pode ser divisível, indivisível e solidária 
(arts. 257 a 285, CC);
• Nunca se esqueça: a solidariedade nunca se presume, mas decorre de lei ou da 
vontade.
1. noções GerAis
1.1. Definição
Obrigação é o vínculo jurídico temporário em virtude do qual o credor pode exigir do deve-
dor uma prestação patrimonial e agir judicialmente sobre o patrimônio deste no caso de não 
satisfação voluntária.
A disciplina da matéria no CC se aplica a todos os ramos do Direito, salvo regra específica 
em contrário. Assim, por exemplo, a obrigação tributária é regida pelo CTN e as obrigações 
administrativas – como as decorrentes de sanções aplicadas por órgãos públicos para infra-
tores – são reguladas pela lei específico; todavia, em todos esses casos, o CC supre omissões.
A organização Livro das Obrigações do CC segue uma sequência lógica e, assim, começa 
por tratar do “nascimento das obrigações”, ou seja, das várias espécies de obrigações, como 
as de dar, de fazer, de não fazer (arts. 233-285).
Em seguida, o CC cuida de Transmissão das Obrigações, regulando as formas de, durante 
a “vida das obrigações”, mudar o credor e o devedor, ou seja, regulando a cessão de crédito e 
assunção de dívida (arts. 286-303).
Prossegue o CC para falar da “morte das obrigações”, ou melhor, dos casos de extinção 
das obrigações, como o pagamento direto e os casos de pagamento indireto (arts. 304-388).
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Obrigações– Parte I
DIREITO CIVIL
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Para encerrar, o  CC fala das “doenças” que acometeram a obrigação, ou seja, cuida de 
inadimplemento, dispondo, por exemplo, sobre encargos moratórios (arts. 389-420).
É comum os juristas sentirem dificuldades ao ler o Livro das Obrigações diante da pouca 
hospitalidade decorrente da abstração do texto legal.
Recomendamos que sempre se busque saber a lógica de justiça que inspirou a redação 
do CC, pois ela não apenas elucida a leitura do CC, mas também fornece versatilidade ao ju-
rista para enfrentar casos concretos peculiares.
E, considerando que os demais livros do CC e as leis extravagantes se assentam também 
nas mesmas lógicas de justiça, o conhecimento destas amplia a compreensão de todo o sis-
tema jurídico-civil.
Assim, por exemplo, a lógica de justiça do res perit domino (a coisa perece para o dano) 
inspira não apenas o tratamento das regras de obrigação de dar coisa certa (arts. 233 e se-
guintes), mas também o livro de Contratos (ex.: locador é obrigado a conservar a coisa em 
condições de uso para o locatário – art. 566, I), o livro de Direito das Coisas (ex.: o possuidor 
tem direito a indenização por benfeitorias necessárias – arts. 1.219 e 1.220), as leis extrava-
gantes (como o art. 35 da Lei de Inquilinato). Já cuidamos de diversas lógicas de justiça ao 
tratarmos da Parte Geral e exporemos outras mais a frente.
1.2. elementos DA obriGAção
A relação obrigacional compõe-se de três elementos: subjetivo, abstrato e objetivo.
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DIREITO CIVIL
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O elemento subjetivo refere-se aos sujeitos envolvidos: credor (titular do direito subjetivo) e 
devedor (titular do dever jurídico). Terceiros podem eventualmente interferir na relação obriga-
cional, como na hipótese de pagamento por terceiros (art. 304, CC) e de aplicação da doutrina 
do terceiro cúmplice. Em nome da boa-fé objetiva, terceiros que aparentem ser credores po-
dem ser admitidos como tal para alguns efeitos, a exemplo do sucede com a figura do credor 
putativo (art. 309, CC).
O elemento abstrato ou espiritual é o vínculo obrigacional, assim entendido o vínculo jurídi-
co que sujeita o devedor ao cumprimento voluntário da obrigação, sob pena de sofrer punições 
e coerções por via judicial ou extrajudicial1. O vínculo jurídico pode ser vários fatos jurídicos, 
como o contrato, os atos ilícitos – que geram a obrigação de indenizar (arts. 186 e 927 do CC) 
–, os negócios unilaterais etc. Metaforicamente, ao assinar um contrato, as extremidades de 
uma corda invisível são amarradas nas cinturas do credor e do devedor, expondo este ao de-
ver de cumprir a obrigação. Para que o devedor se libere da obrigação, essa “corda” (que é o 
vínculo ou o liame jurídico) precisa ser rompida, o que só acontece nas hipóteses legais, como 
o pagamento, a  resilição contratual (arts.  472 e 473, CC), a  resolução por inadimplemento 
(art. 474, CC) etc.
O elemento objetivo diz respeito ao objeto da obrigação. O objeto pode ser classificado 
como: (1) objeto imediato, próximo ou direto: a prestação, que pode ser de dar, fazer ou não 
fazer; e (2) objeto mediato, distante ou indireto: o bem da vida.
Ao assinar um contrato de compra e venda de um apartamento, o comprador, com esse 
ato jurídico, objetiva adquirir, imediatamente, um direito de crédito juridicamente reconhecido 
(prestação) para, a partir da satisfação desse crédito (mediatamente), obter o bem da vida (o 
apartamento). Isso explica por que os vendedores fazem questão de que o comprador assine 
logo um contrato, ainda que o pagamento do preço seja prorrogado. É que o objetivo imediato 
deles é obter a prestação, ou seja, o dever jurídico (objeto imediato). Essa prestação jurídica já 
representa um aumento patrimonial para o credor, ainda que ele não tenha recebido o bem da 
vida indiretamente almejado (objeto mediato). O direito já um bem móvel ou imóvel (arts. 80 
e 83, CC). Vários vendedores costumam “vender” essas prestações por meio de cessões de 
créditos, de factoring, de desconto antecipado de recebíveis etc.
Como se vê, o bem da vida é apenas o objeto indireto da obrigação, pois o objeto imediato 
é a aquisição de um direito de crédito, ou melhor, da prestação.
1 Exemplo de execução extrajudicial é a execução hipotecária do DL 70/66 e o procedimento de consolidação da proprie-
dade fiduciária sobre imóveis previsto na Lei 9.514/97.
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Obrigações – Parte I
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1.3. obriGAção quAnto à exiGibiliDADe
Quanto à exigibilidade, a obrigação pode ser classificada como civil ou natural.
A obrigação civil é a exigível, ou seja, aquela cujo descumprimento credencia o credor 
a valer-se de meios executivos para obter a satisfação forçada da obrigação ou uma inde-
nização de perdas e danos.
A obrigação natural ou moral é a obrigação não exigível, embora seja devida. O deve-
dor não pode ser constrangido a pagar por meios de coerção judiciais ou extrajudiciais 
de coerção. Ele pode satisfazer a obrigação apenas se quiser por questão de foro íntimo 
ou de moral própria (daí o nome obrigação moral). E, nesse caso, como o pagamento é de 
uma dívida devida, não há falar em repetição de indébito, ou seja, de devolução do valor 
pago (art. 882, CC). É o que sucede com a obrigação prescrita e a dívida de jogo não dis-
ciplinado em lei (art. 814, CC).
Uma da lógica de justiça que justifica a criação de obrigações naturais consiste na 
necessidade de a estrutura coercitiva mantida pelo Estado (que é dispendiosa, como o 
Poder Judiciário) não ser utilizada para débitos de pouca importância à luz da função 
social. Afinal de contas, como ensinavam os romanos, de minimus non curat praetor (de 
coisas pequenas não cuida o jurista).
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DIREITO CIVIL
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1.4. fim primário e secunDário DA obriGAção
O fim primário da obrigação é o débito (schuld) e o fim secundário é a responsabilidade 
(haftung2). O débito é o dever de prestar, ao passo que a responsabilidade corresponde ao ca-
bimento de meios executivos para forçar o cumprimento do débito no caso de inadimplemen-
to. A responsabilidade se refere ao direito de exigir o cumprimento da prestação e à possibi-
lidade de o credor invadir o patrimônio do devedor para garantir o cumprimento da obrigação 
ou o pagamento das indenizações por perdas e danos.
Esses dois elementos são independentes3.
Quando vendedor insiste para o comprador assinar um contrato, o  seu primeiro obje-
tivo é criar a obrigação jurídica, ou melhor, criar uma dívida juridicamente devida contra o 
comprador. Nascida essa dívida, o credor passa a ter um direito de crédito que, por exemplo, 
pode ser cedido para o banco em troca de um dinheiro (como nos negócios conhecidos como 
factoring4). O objetivo primárioda obrigação é criar um débito, ou seja, um dever jurídico. De 
modo secundário, objetiva-se garantir que, caso o devedor descumpra a obrigação, o credor 
possa responsabilizá-lo civilmente, buscando indenização pelos prejuízos causados. A  res-
ponsabilidade é um fim secundário da obrigação, pois – em palavras curtas – ninguém assina 
2 A doutrina alemã fala em schuld e haftung, o que corresponde, no direito anglo-saxão, respectivamente ao duty e ao liability 
e, no direito francês, ao devoir e ao engagement.
3 Trata-se da teoria da relação complexa Schuld und Haftung, nascida na Alemanha e que inspirou o Brasil. Ela se contrapõe 
a teoria da relação unitária, que não separa a obrigação em schuld e em haftung.
4 Há inúmeras hipóteses de tráfegos de créditos, seja por meio de cessões de crédito, seja por meio da emissão de títulos 
mobiliários, como a Letra de Crédito Imobiliário – LCI (art. 12, Lei n. 10.931/2004), a Letra de Crédito Agrário – LCA (art. 23, 
II, Lei n. 11.076/2004), os Certificados de Recebíveis Imobiliários – CRI (art. 3º, Lei n. 9.514/97) etc.
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DIREITO CIVIL
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um contrato pensando, primariamente, em receber indenização (responsabilidade), e sim em 
obter a prestação pactuada (débito).
Na doutrina, costuma-se dizer que o ordenamento tem casos de débito sem responsabi-
lidade, como no caso da obrigação natural: a dívida existe, mas o seu descumprimento não 
autoriza a responsabilização do devedor. Diz-se também que há responsabilidade sem débito, 
como no caso do fiador, o qual pode ser responsabilizado por dívida de outrem (o afiançado), ou 
no caso de terceiro que adquire um imóvel hipotecado em garantia de uma dívida do alienante5.
Isso, a nosso sentir, é atécnico. Na fiança, o fiador tem um débito (acessório, mas é dé-
bito!) e uma responsabilidade. Em concurso público, porém, recomendo que seja levado em 
conta a doutrina tradicional, de modo que haveria débitos sem responsabilidade, assim como 
responsabilidade sem débito.
1.5. concepção moDernA De obriGAção: obriGAção como processo e 
Deveres Anexos
5 Há críticas a essa abordagem da teoria da relação complexa, pois, no caso do fiador, por exemplo, ele tem sim um débito, 
que é acessório, além de ter responsabilidade. E, no caso da obrigação natural, esta não seria um débito jurídico, e sim 
uma dívida meramente moral. Sob essa perspectiva, não há necessidade de desmembrar a obrigação em duas relações 
distintas (schuld e haftung), pois elas se confundem, conforme exposto na teoria unitária. Ao nosso sentir, a teoria da rela-
ção complexa é mais a adequada, com uma adaptação: no caso do fiador, ele tem um débito sim, que é acessório. O exem-
plo de responsabilidade sem débito é indevido, a nosso sentir. Não há responsabilidade sem débito, aidna que este seja 
acessório. Todavia, pode haver débito sem responsabilidade, como sucede na obrigação natural. Temos que a obrigação 
natural só pode ser explicada pela teoria da relação complexa, pois ela não é um dever meramente moral, e sim jurídico. 
É jurídico, porque gera efeitos jurídicos: o seu pagamento voluntário não autoriza repetição de indébito.
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A concepção de obrigação na modernidade deve ser lida à luz da Constitucionalização 
do Direito Civil, da função social, da boa-fé, da vedação ao abuso de direito e das diretrizes 
teóricas do Código Civil (eticidade, socialidade e operabilidade). Peço que vocês se recordem 
da primeira aula nossa de Parte Geral do Código Civil, quando tratamos da constitucionaliza-
ção do Direito Civil, dos corolários da boa-fé objetiva, da substantial performance e da teoria 
do inadimplemento mínimo. Isso dá margem de manobra ao jurista para resolver os casos 
concretos de modo a fazer as obrigações serem instrumentos de promoção social. E é nesse 
contexto que se insere o conceito de “obrigação como processo”.
O saudoso professor Clóvis Veríssimo do Couto e Silva desenvolveu, no Brasil, o conceito 
de “obrigação como processo” (expressão emprestada ao título de sua clássica obra). Para 
ele, a obrigação não implica a mera prestação do objeto, como concebia a doutrina tradicional 
e liberal do século XIX. Obrigação não se resume a um mero ato. No mundo contemporâneo, 
ela é um processo, ou seja, um conjunto de atos a serem praticados por ambas as partes com 
o objetivo de prestar o objeto de modo compatível com os valores da boa-fé, da função social, 
dos bons costumes e da razoabilidade. Em suma, obrigação impõe um processo a ser segui-
do por ambas as partes de modo a obter estes objetivos: o adimplemento mediante a ausên-
cia de danos às partes, a mínima onerosidade ao devedor e a máxima satisfação do credor.
Ao lado dessa noção de obrigação como processo, há a do princípio da concretude no 
adimplemento do programa obrigacional, assim entendida a necessidade de que a obrigação 
implique concretamente benefícios para ambas as partes à luz dos valores do ordenamen-
to jurídico.
É à luz do conceito de obrigação como processo e do princípio da concretude que se jus-
tifica a noção de violação positiva do contrato.
Conforme lembra o ministro Paulo de Tarso Sanseverino (1997, pp. 285-314), há três es-
pécies de deveres decorrentes de uma obrigação: o principal, o secundário e o anexo.
O dever principal ou primário da obrigação é o núcleo dominante da obrigação, é a pres-
tação que representa a razão de ser do negócio. Por exemplo, na compra e venda, os deveres 
principais são a entrega do bem e o pagamento do preço.
O dever secundário ou acidental da obrigação está dentro do dever principal e consiste 
em condutas que se destinem a garantir o correto cumprimento da prestação principal (ex.: 
conservar a coisa vendida até a sua entrega) e, se for o caso, das consequências da impos-
sibilidade desse cumprimento (ex.: indenização pelo perecimento culposo da prestação). Ex.: 
quem vende gado e se compromete a entregá-lo dentro de um mês deve continuar cuidando 
dele com diligência, pois isso é um dever secundário da obrigação6.
6 A nosso sentir, preferimos considerar os deveres secundários como insertos nos deveres anexos. Temos que a categoria 
dos deveres secundários mais obscurece do que esclarece, introduzindo uma distinção taxonômica que não parece ter 
relevância prática.
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DIREITO CIVIL
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O dever anexo, lateral, colateral ou instrumental da obrigação corresponde às condutas 
paralelas ao dever principal destinadas garantir o respeito à boa-fé objetiva e aos outros 
valores jurídicos. Esse dever diz respeito ao correto processamento da relação obrigacional, 
e não propriamente ao correto cumprimento da prestação. Esse dever não depende de pre-
visão expressa em contrato ou em lei, pois nasce do próprio princípio da boa-fé objetiva, que 
rege todosos contratos e obrigações. A título ilustrativo, citam-se como deveres anexos os 
de informação, de cooperação, de proteção e de sigilo.
Chama-se de violação positiva do contrato o descumprimento de deveres anexos vincu-
lados a contratos, independentemente de o dever principal ter sido cumprido. Tal enseja as 
mesmas consequências tradicionais de qualquer inadimplemento, como resolução do con-
trato, exceptio non adimpleti contractus, responsabilidade civil, etc. Aí ter-se-á uma respon-
sabilidade contratual, porque o dever anexo decorre da boa-fé objetiva, que é um dever dos 
contratantes (art. 422, CC).
Em suma, em um contrato de venda de veículo, não basta o devedor entregar o automóvel 
(dever principal). Ele deve adotar condutas que garantam o cumprimento desse dever princi-
pal (ex.: conservar o motor e as condições dos veículos – dever secundário) e que, também, 
adéque a obrigação aos valores da boa-fé objetiva do ordenamento jurídico (ex.: repassar as 
informações relevantes ao credor – dever anexo).
Vamos citar exemplos de descumprimentos de deveres anexos.
O médico que cura seu paciente mediante cirurgia baseada em técnicas antigas e alta-
mente dolorosas descumpre o dever anexo de proteção, pois, caso se servisse de técnica 
mais moderna, poderia ter obtido o mesmo resultado sem infligir elevadas dores ao paciente.
Viola dever anexo a agência de publicidade que, a pretexto de cumprir contrato de divul-
gação, coloca outdoors da empresa contratada em lugares de difícil visualização por sua má 
localização e seu difícil acesso.
Infringe dever anexo quem, após celebrar contrato de compra e venda de cavalo valio-
so, entrega este ao adquirente em estado de saúde frágil por conta de falhas no transporte 
do animal.
Inobserva dever anexo de informação quem vende máquina e não adverte o adquirente 
das eventuais consequências danosas decorrentes da sua má utilização.
A seguradora não pode considerar o termo inicial da prescrição da pretensão de cobrança 
de seguro por acidente de trabalho outra data senão aquela em que o segurado possui ciência 
inequívoca da invalidez permanente, caracterizada por laudo médico específico. Antes desse 
marco, nem a seguradora pagaria o valor da cobertura e, portanto, não pode reputar inerte o 
segurado nesse período (STJ, REsp 184.573/SP, 4ª Turma, Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, DJ 
15/03/99).
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Obrigações – Parte I
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2. moDAliDADe DAs obriGAções
2.1. importânciA práticA DAs clAssificAções
As classificações dos institutos dão clareza ao jurista, pois permitem fácil localização das 
regras que são aplicáveis ao caso concreto.
Para resolver qualquer problema prático envolvendo obrigações, o jurista deve identificar 
em qual categoria se enquadra cada uma das obrigações existentes no caso concreto e, em 
seguida, buscar a solução jurídica dada pelos dispositivos do Código Civil que versam sobre 
esse tipo de obrigação.
Para citar um caso concreto com o qual nos deparamos, em uma transação feita para 
extinguir um processo, os réus estavam a se comprometer a pagar uma quantia pecuniária de 
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Obrigações – Parte I
DIREITO CIVIL
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modo parcelado. Os advogados deles nos encaminharam uma minuta de contrato com este 
texto: “Fulano e Beltrano pagarão X reais em dez prestações”. No exemplo, Beltrano era pobre. 
Identificando essa obrigação como divisível – e não como solidária (pois a solidariedade nun-
ca se presume, mas depende de previsão legal ou contratual expressa nos termos do art. 265, 
CC) –, teríamos um grande problema para executar a transação no caso de inadimplência: 
o art. 257 do CC estabelece que, nas obrigações divisíveis, presume-se que cada codevedor 
tem uma obrigação própria de valor igual, de sorte que Fulano só responderia ser executado 
para pagar metade do valor X, pois a outra metade é dívida apenas do depauperado Beltrano.
Nesse sentido, há três principais perspectivas de classificação das obrigações a serem 
estudadas:
• Obrigação quanto ao objeto:
− obrigação de dar coisa certa (arts. 233 ao 242, CC) ou coisa incerta (arts. 243 ao 
246, CC);
− obrigação de fazer (arts. 247 ao 249, CC);
− obrigação de não fazer (arts. 250 e 251, CC);
• Obrigação quanto à pluralidade de objetos:
− obrigação simples;
− obrigação composta, que pode ser conjuntiva ou alternativa (arts. 252 ao 256, CC);
− obrigação facultativa;
• Obrigação quanto à pluralidade de sujeitos:
− obrigação divisível (art. 257, CC);
− obrigação indivisível (arts. 258 ao 263, CC); e
− obrigação solidária (arts. 264 ao 285, CC).
Vamos cuidar dessas espécies de obrigações a seguir.
2.2. obriGAção quAnto Ao objeto
Focando o objeto, só há três tipos de obrigações: dar (coisa certa ou incerta), fazer e não 
fazer. Qualquer obrigação pode ser encaixada em uma dessas categorias, que dão soluções 
jurídicas diversas.
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2.2.1. Obrigação de Dar Coisa Certa
Amigos e amigas, resolva esta questão.
001. (CESPE/2004) Nas obrigações de dar, a tradição é um dos requisitos indispensáveis para 
a efetiva realização do negócio, e esta se consubstancia na entrega do bem ao adquirente, 
com a intenção de lhe transferir o domínio, em razão de título translativo de propriedade. As-
sim, se for efetuada a entrega da coisa, mesmo que o comprador tenha decidido deixá-lo na-
quele local e ocorra a perda ou deterioração do bem, o vendedor deve suportar o prejuízo, pois 
assumiu todos os direitos, ônus e obrigações, que competem ao titular da coisa adquirida.
Em primeiro lugar, a tradição não é um requisito para a realização do negócio, mas apenas o 
pagamento. O negócio nasce com o acordo de vontades, salvo nos casos pouco comuns de 
contratos reais (aqueles que nascem com a entrega da coisa, a exemplo do mútuo). Se não for 
cumprida a obrigação, o credor pode executar, porque a obrigação já existe. Em segundo lugar, 
o item é “errado”, porque, feita a tradição, o risco pelo perecimento ou deterioração da coisa é 
do COMPRADOR, que se tornou dono, e não do vendedor. Se o comprador deixou no local, isso 
é problema dele: a propriedade já foi transferida e, portanto, aplica-se o “res perit domino” (a 
coisa perece para o dono).
Errado.
Vamos explicar melhor a teoria.
Coisa certa é o bem especificado, individualizado e definido. Em outras palavras, é o bem 
identificado pelo gênero, pela espécie e pela quantidade. Se a coisa for definida apenas pelo 
gênero e quantidade, e não pela espécie, tem-se coisa incerta. Assim, a obrigação será de dar 
coisa certa se uma concessionária se obriga a entregar um veículo BMW de chassi “X” e será 
de dar coisa incerta se a prestação for a entrega de uma BMW preta, de ano “Y”, de categoria 
“Z” (há vários veículos com essas características. As consequências jurídicas são diversas.
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Obrigações – Parte I
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Para entender de forma mais adequada, gosto de indicar algumas lógicas de justiça que 
inspiraram o legislador ao escrever o Código Civil. Eu sempre achei a parte de Direito das Obri-
gações mais abstrata e difícil até o momento em que eu identifiquei essas lógicas de justiça. 
De fato, a obscuridade do texto do livro do Direito das Obrigações é esclarecida quando se 
identificam essas lógicas de justiça.
No caso de obrigação de dar coisa certa, toda a disciplina do Código Civil se assenta em 
duas lógicas de justiça: a do neminem laedere e a do res perit domino. Essa lógica se espalha 
pelo tratamento de vários outros institutos pelo Código Civil e pela legislação extravagante.
Vamos explicar isso.
Em regra, quem causa dano a outrem com culpa tem o dever de indenizar, pois ninguém 
pode lesar outrem (princípio do neminem laedere). Essa lógica permeia toda a legislação e 
está genericamente prevista nos arts. 186 e 927 do CC, que consideram ilícita a conduta cul-
posa que cause um dano e preveem o dever de indenizar.
A disciplina da obrigação de dar coisa certa segue essa lógica de justiça, conforme se vê 
nos arts. 234 (in fine), 236, 239 e 240 do CC, com o destaque de que a parte final do art. 240 
do CC atrai implicitamente também a disciplina do art. 236 do CC, conforme enunciado n. 15/
JDC. Se compro um determinado veículo para ser entregue a mim no próximo mês e o vende-
dor, após a celebração do contrato, rasga a sua lataria com um machado, eu poderei escolher 
entre receber o veículo avariado ou exigir o pagamento do valor de mercado do veículo na 
data de entrega dele (no mínimo, o preço pactuado7), além de, em qualquer uma desses casos, 
pedir indenização por outros danos sofridos (ex.: danos materiais e morais pela frustração de 
uma viagem “de carro” que eu havia pago para se iniciar na data da entrega do veículo).
Em suma, vige a regra de que, se a coisa perecer (destruição total) ou se deteriorar (des-
truição parcial) por culpa do devedor, este deverá pagar indenização ao credor. Se a coisa só 
tiver sido deteriorada, além dessa indenização, o credor poderá exigir a coisa no estado em 
que estiver ou poderá inflar a indenização exigindo também o pagamento do valor de merca-
do da coisa na data do vencimento da obrigação (o valor equivalente). Esse valor equivalente 
da coisa não necessariamente corresponderá ao preço que foi pactuado pelas partes, pois 
o valor da coisa pode ter oscilado após a celebração do contrato. Entendemos que essa os-
cilação deve ser levada em conta, salvo pacto expresso em sentido contrário. Contudo, para 
não prestigiar a conduta culposa do devedor, o preço pactuado deve ser tido como um valor 
mínimo da coisa. É que, a nosso sentir, quando o CC menciona o dever de responder pelo equi-
valente nessas hipóteses, ele está prevendo uma indenização, e não propriamente uma mera 
repetição de indébito em razão de o pagamento ter-se tornado indevido com a deterioração 
culposa da coisa. O próprio CC costuma empregar o vocábulo “responder” (e não “restituir”) 
pelo equivalente mais perdas e danos.
7 O preço pactuado é o do valor do bem para a entrega no mês seguinte. Esse é o valor mínimo. Se, porém, o veículo tiver 
valorizado, deverá ser pago esse novo valor. Se tiver desvalorizado, isso é irrelevante, pois, no contrato, foi pactuado um 
preço que deve ser tido como mínimo, sob pena de prestigiar a conduta culposa do devedor.
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Mesmo raciocínio vigora se a coisa perecer por culpa do devedor na obrigação de dar coi-
sa certa: ele terá de pagar, a título de indenização, o equivalente (o valor de mercado da coisa) 
mais outros danos comprovados. Essa é a inteligência do art. 234 do CC. É evidente que, caso 
o credor também tenha uma dívida perante o devedor (por exemplo, não pagou o preço do 
carro), o encontro das dívidas opostas gerará extinção das obrigações até o valor confrontado 
por compensação nos termos do art. 368 do CC. Se, por exemplo, eu comprei um carro pelo 
preço de R$ 30.000,00 para ser entregue no mês que vem, mas ainda não paguei o preço, e se 
o vendedor propositalmente ateia fogo no veículo no dia seguinte à venda, a coisa pereceu por 
culpa do vendedor e, por consequência, o vendedor terá de me pagar, a título de indenização, 
o valor de mercado do carro (“o equivalente”, segundo o art. 234 do CC) mais outros danos 
comprados (“as perdas e danos” do art. 234, CC), admitida a compensação com a dívida que 
eu tenho. Se o valor de mercado do carro era de R$ 100.000,00 e eu tinha conseguido um 
expressivo desconto para comprar por apenas R$ 30.000,00, o vendedor teria de me pagar, 
como indenização, R$ 100.000,00 (o equivalente) mais outros danos que eu comprovar, valor 
esse que seria reduzido para R$ 70.000,00 em razão da compensação pelo fato de eu estava 
devendo R$ 30.000,00 como pagamento do preço do veículo.
A regra geral da obrigação de dar coisa certa é excepcionada quando houver norma em 
sentido contrário, a exemplo do que sucede nos casos de contratos gratuitos e de responsa-
bilidade objetiva.
No caso de obrigação de dar coisa certa fundada em contrato gratuito, o  generoso só 
responderia pelo perecimento ou deterioração da coisa se tiver obrado com dolo, conforme 
art. 392 do CC. Afastam-se as regras do Livro das Obrigações em sentido contrário.
No caso de responsabilidade civil objetiva, o devedor responderá pelo perecimento ou a 
deterioração da coisa independentemente da prova de culpa. Ficam, pois, afastadas as regras 
contrárias do Livro das Obrigações. A  responsabilidade objetiva só será afastada quando 
houver alguma hipótese legal de excludente de responsabilidade objetiva, como o caso for-
tuito externo (riscos alheios à atividade) ou a culpa exclusiva da vítima (que rompe o nexo 
causal), temas a serem estudados em Responsabilidade Civil. A  responsabilidade objetiva 
ocorre quando houver previsão legal (como no caso de danos causados a consumidores à 
luz do art. 12 do CDC) ou quando for aplicável à teoria do risco, que responsabiliza objetiva-
mente quem exercer atividade que cria um risco de dano a terceiros além do usual, conforme 
art. 927, parágrafo único, do CC. Assim, se uma concessionária se obriga a entregar um veí-
culo individualizado ao consumidor, há relação de consumo e, portanto, se a coisa perecer – 
ainda que sem culpa da empresa – ela terá o dever de indenizar. Se, porém, esse perecimento 
decorrer de um terremoto que fez o solo sugar o veículo para o centro da Terra, isso é fortuito 
externo a excluir a responsabilidade objetiva. Se, porém, o motivo foi um acidente de trânsito 
ocorrido no trajeto de entrega da coisa sem culpa do fornecedor, isso é um risco inerente à 
atividade deste, ou seja, é o caso fortuito interno, o que não afasta o seu dever de indenizar. 
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Por fim, como as regras do CC não são de ordem pública nesse ponto, é admissível pacto em 
sentido contrário, salvo vedação legal expressa. Assim, por exemplo, a renúncia ao direito à 
indenização seria nula se estivesse em contrato de adesão por se tratar de um direito inerente 
ao negócio (art. 474, CC) ou em contrato de consumo firmado com consumidor que seja pes-
soa natural (art. 51, I, do CDC).
E o que é a regra do res perit domino?
A outra lógica de justiça que pavimenta a disciplina da obrigação de dar coisa certa é a do 
res perit domino (a coisa perece para o dono). Se a coisa perecer ou deteriorar-se sem culpa, 
quem deve ficar no prejuízo é o dono da coisa. Desgastes ou perecimentos não culposos são 
ônus do dono da coisa. É ao sopro dessa lógica de justiça que foram redigidos os arts. 234, 
235, 238 e 240 do CC.
Na obrigação de dar coisa certa, o devedor é dono da coisa até a tradição, se for coisa 
móvel, e, por isso, suportará o prejuízo no caso de perecimento ou deterioração não culposa 
da coisa. O res perit domino orquestra os arts. 234 e 235 do CC.
Isso significa que, nessa hipótese, se a coisa perecer, resolve-se a obrigação, ou seja, vol-
ta-se ao status quo ante: o devedor fica sem nada (a coisa pereceu) e o credor recebe o seu 
dinheiro de volta, se tiver pago algo pela coisa.
Se, porém, a coisa se deteriorar sem culpa do devedor antes da tradição, ele suportará o 
prejuízo por essa perda parcial, porque era o dono da coisa (res perit domino). O credor não 
poderá sofrer qualquer prejuízo. Por isso, o credor terá duas opções: (1) resolver a obrigação 
e, se for o caso, receber integralmente o preço pago; ou (2) aceitar a coisa deteriorada, com o 
abatimento proporcional do preço.
Para exemplificar, se vendo um veículo para ser entregue no próximo mês e recebo R$ 
40.000,00 como preço, eu terei de restituir essa quantia caso, antes da tradição, o veículo seja 
furtado (perecimento sem culpa minha) e ficarei sem carro e sem dinheiro, porque res perit 
domino. Se, porém, esse veículo só tiver sido amassado por um choque provocado por um 
terceiro e que tenha desvalorizado o bem em R$ 5.000,00, o veículo se deteriorou sem culpa 
minha, de maneira que o comprador poderá escolher entre recolher os seus R$ 40.000,00 de 
volta ou receber o carro abalroado com os R$ 5.000,00 correspondentes à desvalorização do 
bem. Como se vê, eu ficarei no prejuízo nesses exemplos, porque res perit domino.
Se a obrigação é de restituir coisa certa, a lógica básica é a mesma: a do res perit domino. 
A única diferença é a de que o credor é o dono da coisa, que está nas mãos do devedor com 
dever de restituir. Os arts. 238 e 240 do CC cuidam da matéria.
Perecida a coisa a ser restituída sem culpa do devedor, resolve-se a obrigação sem dever 
de este pagar qualquer indenização. O credor, que é o dono, fica no prejuízo. Assegura-se, po-
rém, os direitos do credor até a data do perecimento, sob pena de enriquecimento sem causa 
do devedor, que, por exemplo, pode ter usufruído da coisa até esse momento (art. 238, CC). 
Por exemplo, o locatário de um veículo não terá de pagar outro se ele for roubado, pois se trata 
de perecimento sem culpa dele; todavia, deverá pagar o aluguel até a data do sinistro.
Se a coisa, porém, tiver sido deteriorada, só resta ao credor receber a coisa danificada sem 
poder exigir indenização alguma (art. 240, CC).
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O CC é silente quanto ao direito de o devedor continuar com a coisa deteriorada até a 
data de restituição. Temos que ele não é obrigado a continuar com a coisa deteriorada, pois o 
seu direito era o de ter a coisa íntegra até a data da restituição. Se, porém, ele continuar com 
a coisa deteriorada até a data da restituição, deverá haver a redução proporcional do preço 
(abatimento do preço), pois o prejuízo deve ser suportado pelo dono da coisa por analogia 
do art. 235 do CC. Seja como for, em nome da boa-fé objetiva, é dever do devedor comunicar 
o credor imediatamente após a deterioração da coisa. E, em nome do seu direito de proprie-
dade, é assegurado ao credor o direito de interpelar extrajudicialmente o devedor exigindo o 
vencimento antecipado da obrigação de restituir, pois é seu interesse reparar a coisa e evitar 
o agravamento da deterioração. Todas essas regras poderão ser excepcionadas por lei ou por 
pacto, a exemplo do que sucederia em relações de consumo, em que a responsabilidade ob-
jetiva faria com que o dono da coisa, se não fornecesse um bem substituto no prazo razoável, 
poderia ser obrigado a indenizar os prejuízos sofridos pela outra parte em razão da perda da 
utilidade da coisa a ser restituída.
Para exemplificar, se alugo um veículo que, pela sua velhice, já está às vésperas de que-
brar, jamais poderei ser compelido a indenizar avarias que surgirem durante o meu regular uso, 
pois o prejuízo tem de ser suportado pelo dono do veículo. Por isso, se o veículo se deteriorar, 
posso devolvê-lo imediatamente ao locador e exigir os aluguéis adiantados de volta ou, se eu 
continuar com o veículo, pode exigir a redução proporcional do aluguel após a deterioração.
2.2.2. Obrigação de Dar Coisa Incerta
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Coisa incerta é aquela definida apenas pelo gênero8 e quantidade; é a coisa não indivi-
dualizada. Daí que a obrigação de dar coisa incerta também é chamada de obrigação gené-
rica e está disciplinada nos arts. 243 ao 246 do CC. Coisa incerta tem de ser determinável e 
possível, sob pena de nulidade (art. 104, II, CC). Coisa incerta não é coisa indeterminável nem 
impossível.
Na obrigação de dar coisa incerta, o  devedor precisa individualizar a coisa (escolher a 
coisa) e cientificar o credor acerca disso. Ele precisa concentrar a sua obrigação em um único 
objeto entre os vários que se enquadram no gênero. Trata-se da fase da concentração, que se 
completa com a cientificação do credor acerca da escolha. Pontes de Miranda prefere desig-
nar de fase da concretização. A concentração transforma a obrigação de dar coisa incerta em 
de dar coisa certa, com a aplicação das regras pertinentes (art. 245, CC). Desse modo, antes 
da concentração, vigora a regra genus nunquam perit. Após a concentração, vige as regras de 
obrigação de dar coisa certa (res perit domino), pois já se tem coisa certa.
Feita a escolha, o devedor não pode voltar atrás e mudar a coisa por outra com as mesmas carac-
terísticas, em respeito à regra do electa una via altera non datur (eleita uma via, alterar não é permiti-
do)9. Assim, se uma imobiliária se compromete a entregar um apartamento de 2 quartos em 
um prédio, a imobiliária, após escolher uma unidade específica e cientificar o comprador, não 
poderá voltar atrás para entregar outro apartamento.
A escolha e a cientificação competem ao devedor como regra, pois se presume que foi seu 
interesse deixar de individualizar a coisa. Admite-se, porém, pacto em contrário. Em nome da 
boa-fé, o devedor deve escolher coisa, ao menos, de qualidade média (art. 244, CC).
Vale a pena detalhar mais algumas coisas acerca da teoria do risco nas obrigações de dar 
coisa incerta.A teoria do risco aí é baseada no genus nunquam perit. Vamos lá.
Como o devedor se obriga a entregar um gênero, e não uma coisa individualizada, jamais 
ele poderá alegar perecimento fortuito da coisa para exonerar-se de sua obrigação (art. 246, 
CC). Trata-se da regra do genus nunquam perit: o gênero nunca perece. Assim, se alguém se 
obriga a entregar um veículo Hylux preto de ano X (coisa incerta; há vários veículos desse 
tipo), ele jamais poderá isentar-se desse dever a pretexto, por exemplo, de que o pátio de 
veículos se incendiou sem culpa dele. O dever dele é de entregar o gênero, e não a coisa indi-
vidualizada. Cumpre-lhe, apesar de todas as suas desventuras, retorcer-se para entregar, no 
vencimento, o objeto pactuado, sob pena de ser considerado inadimplente e arcar com todos 
os encargos daí decorrentes (multas, juros moratórios etc.).
8 Há quem critique o verbete “gênero” usado pelo CC e propunha a sua substituição, como o genial civilista Marcos Catalan 
(Catalan, 2016). Temos, porém, que se trata de termo consagrado no Direito com definição conceitual doutrinariamente 
consolidada, o que desaconselha a sua alteração.
9 Essa expressão latina era a forma sofisticada de os romanos dizerem o que, no linguajar popular atual, expressamos como 
“ajoelhou, vai ter de rezar” ou “desceu no play, vai ter de brincar”. Expressa uma noção de justice que está na boca do povo. 
Porém, para valer-se de um jocosidade de corredor da Academia, quidquid latine dictum sit, altum videtur (qualquer coisa 
dita em latim parece mais elevado, mais profundo).
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Excepciona-se a regra acima se o gênero for limitado, ou seja, se o devedor tiver espe-
cificado o universo do qual ele retirará a coisa a ser entregue. Nesse caso, se todo o gênero 
perecer sem culpa do devedor, resolve-se a obrigação. Cuida-se de uma ampliação do res 
perit domino: o res aí é o gênero limitado, e não uma coisa individualizada. Se, exemplo acima, 
o devedor tiver se obrigado a entregar o veículo Hylux entre os disponíveis no seu pátio, a fo-
gueira fortuita resolverá a obrigação sem dever de indenizar.
Por fim, façamos uma ressalva. Se, por motivo superveniente, o objeto se tornar absolu-
tamente impossível (jurídica ou materialmente), aí será um caso de resolução do contrato. 
O  gênero tem de ser possível. Não importa se a obrigação era de dar coisa incerta, pois, 
mesmo aí, presume-se que a individualização do gênero é física ou materialmente possível. 
Essa regra, porém, não vale se o contrato for aleatório e o devedor tiver assumido expressa-
mente esse risco. Enfatize-se que, se ainda existir a possibilidade de encontrar uma unidade 
da coisa devida, ainda que de modo oneroso, não há falar em impossibilidade absoluta, de 
modo que o devedor continuará obrigado a cumprir a sua obrigação, como lembra o civilista 
Marcos Catalan.
Se, p. ex., uma praga destruir todas as plantações de soja do Planeta, quem se obrigou a 
entregar uma saca de soja (coisa incerta) fica exonerado por não ter culpa na impossibilidade 
material absoluta de cumprir a obrigação. Igualmente, se a importação de um produto vem a 
ser proibido sem culpa do devedor, a obrigação de dar coisa incerta assumida pelo importador 
se resolve diante da impossibilitada jurídica supervenientes.
2.2.3. Obrigação de Fazer
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A obrigação de fazer é o dever de prestar um fato, ou seja, de adotar uma conduta comis-
siva (ex.: cantar, reparar uma pia, instalar programas etc.). A sua disciplina está nos arts. 247 
ao 249 do CC.
Ela pode ser fungível ou infungível.
É fungível (= substituível) quando puder ser cumprida por pessoa diversa do devedor. Ex.: 
conserto de uma pia geralmente pode ser feito por qualquer profissional. Nesse caso, haven-
do inadimplência e urgência, o  credor pode servir-se um mecanismo de um autotutela, ou 
seja, de uma forma de “fazer justiça com as próprias mãos, sem intervenção judicial”10: ele 
pode contratar um terceiro para executar o fato e, posteriormente, reivindicar ressarcimento 
do devedor (art. 249, parágrafo único, CC). Ex.: se companhia aérea cancela voo e não dispo-
nibiliza recolocação do passageiro em novo voo (descumprimento de obrigação de fazer, ou 
seja, de transportar e de reposicionar passageiro em outro voo), este poderá comprar uma 
passagem e, depois, pleitear o ressarcimento. Não importa se o valor da passagem for ca-
ríssimo. Trata-se de caso de descumprimento de obrigação de fazer fungível em situação de 
urgência a autorizar a autotutela.
A obrigação é infungível quando não puder ser prestada por terceiro diante do caráter per-
sonalíssimo. Ex.: se o Chico Buarque se obrigou a cantar em um evento, não há outro cantor 
que possa substituí-lo.
Se a obrigação de fazer se tornar impossível (perecer) sem culpa do devedor, resolve-se 
a obrigação sem direito a perdas e danos. A culpa foi da natureza ou do acaso: não há como 
condenar o devedor a pagar perdas e danos11. Se, porém, houver culpa do devedor no pereci-
mento da obrigação (impossibilidade de prestar o fato), o credor pode pedir indenização por 
perdas e danos (art. 248, CC).
Pessoal, vale a pena falar como a obrigação de fazer pode ser executada judicialmente. 
Isso ajuda a entender a dinâmica desse tipo de obrigação.
Na hipótese de inadimplência, há duas situações, disciplinadas pelos ritos executivos per-
tinentes no CPC (arts. 536, 537 e 814 ao 821).
A primeira é a de que o credor ainda considere útil a prestação tardia. Nesse caso, ele 
poderá pleitear judicialmente a tutela específica, ou seja, a prestação de fato em específico, 
servindo-se de meios executivos indiretos por coerção como a multa cominatória12 ou plei-
teando que o juiz condene o devedor a custear a contratação de um terceiro que preste o fato 
10 Como o Estado detém o monopólio da força e da violência, a autotutela é, em regra, veda e pode chegar a configurar crime 
(ex.: exercício arbitrário das próprias razões). Todavia, excepcionalmente o ordenamento permite a autotutela em situa-
ções específicas de urgência e de relevância que desaconselhem a espera por uma decisão judicial. Outro exemplo é a 
autotutela da posse na forma do art. 1.210 do CC.
11 A exceção ocorreria no caso de o devedor ter assumido esse risco (como nos contratos aleatórios) ou nas hipóteses de 
responsabilidade objetiva (desde que o risco seja inerente à atividade do devedor).
12 Apesar de o CPC ter adotado a atipicidade dos meios executivos, direitos fundamentais à integridade física e aos direi-
tos da personalidade dificultam cogitar um meio coercitivo diverso das astreintes para o caso de obrigação de fazer. 
A astreinte é também chamada de multa cominatória e é popularmente conhecida como “multa diária”.
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(art. 819, CPC). Ex.: se o Chico Buarque não quisercantar no evento, o credor dessa obrigação 
de fazer poderia pedir judicialmente a adoção de meios coercitivos contra esse célebre cantor. 
Lembre-se de que, se houver urgência e a obrigação de fazer for fungível, não há necessidade 
de ordem judicial para a contratação de um terceiro: o credor pode pagá-lo e posteriormente 
pedir o reembolso (art. 249, parágrafo único, CC).
A segunda situação é a de o credor considerar inútil a prestação atrasada. Nesse caso, só 
lhe resta pleitear indenização por perdas e danos ou a obtenção de alguma tutela que resulte 
em um resultado prático equivalente.
2.2.4. Obrigação de Não Fazer
Também chamada obrigação negativa, a obrigação de não fazer consiste em impor um 
dever de abstenção contra o devedor. Ex.: dever de não negativar o nome de alguém no cadas-
tro de inadimplentes. Está disciplinada nos arts. 250 e 251 do CC.
Descumprida a obrigação (ex.: negativou o nome), o credor poderá, além de exigir indeni-
zação por perdas e danos, pleitear medidas judiciais que revertam o fato praticado, como, por 
exemplo, o arbitramento de multa cominatória contra o devedor a fim de coagi-lo desfazer a 
negativação ou – o que não é comum nesse caso – o envio de policial que pessoalmente faça 
a retirada do nome. Os meios executivos podem ser diversos diante da aticipidade dos meios 
executivos, tudo conforme se deve estudar em Processo Civil. Essas regras são colhidas do 
art. 251 do CC em sintonia com os ritos executivos de obrigações de não fazer previstas nos 
arts. 536 ao 537 814, 822 e 823 do CPC.
Se, sem culpa do devedor, tornar-se impossível abster-se do fato, resolve-se a obrigação 
sem perdas e danos. O devedor não terá de indenizar os prejuízos sofridos pelo credor. Ex.: 
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se sobrevier uma ordem judicial específica determinando a negativação do nome de alguém, 
é juridicamente impossível abster-se de cumprir esse comando.
2.3. obriGAção quAnto à plurAliDADe De objetos
Classificando a obrigação quanto à quantidade de prestações envolvidas, há três espé-
cies: simples, composta (cumulativa ou alternativa) ou facultativa.
2.3.1. Obrigação Simples
Diz-se simples a obrigação quando só há uma prestação. Ex.: obrigação de entregar um 
apartamento. Não há um dispositivo expresso no CC para esse tipo de obrigação diante da 
completa desnecessidade: a disciplina das modalidades das obrigações (dar, fazer e não fa-
zer) é suficiente.
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2.3.2. Obrigação Composta: Cumulativa e Alternativa
Não há um dispositivo expresso no CC para esse tipo de obrigação diante da comple-
ta desnecessidade: a disciplina das modalidades das obrigações (dar, fazer e não fazer) é 
suficiente.
A obrigação cumulativa ou conjuntiva é a quando o devedor deve entregar conjuntamente 
as duas ou mais prestações. Se cumprir apenas uma prestação, o devedor incorre em inadim-
plemento parcial. Não há dispositivo específico no CC sobre essa espécie de obrigação, por já 
estar implícita nas regras do CC.
Quanto à obrigação alternativa, temos de gastar algumas linhas a mais.
Disciplinado nos arts. 252 ao 256, a obrigação alternativa é aquela em que o devedor é 
obrigado a entregar uma entre outras prestações. As prestações estão unidas pela conjunção 
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alternativa “ou”. O devedor não pode misturar as prestações: ou é uma, ou é outra. A título de 
exemplo, imagine que uma instituição venda rifas obrigando-se a entregar ao sorteado um 
carro ou uma moto. Aí se tem uma obrigação alternativa: a instituição paga-a entregando 
qualquer um dos objetos.
Como a obrigação alternativa envolve mais de uma prestação em dispersão, há necessi-
dade de concentrar a obrigação em apenas uma prestação. Isso é feito por meio de uma es-
colha com cientificação da outra parte a fim de individualizar a prestação que será cumprida. 
Não importa se a escolha é do credor ou do devedor: a cientificação da outra parte é essencial. 
Essa escolha com cientificação do credor é chamada de “fase da concentração”. Entendemos 
que a cientificação é necessária para aperfeiçoar a fase da concentração, por analogia com a 
regra do art. 245 do CC. Essa ciência poderá ser feita antes da data do pagamento ou no seu 
momento. Basta uma declaração de vontade receptícia, ou seja, uma declaração que tenha 
chegado ao conhecimento da outra parte. Sem a ciência, abre-se margem para burlas do de-
vedor, que poderia mentir alegando ter escolhido uma prestação que veio a perecer sem sua 
culpa a fim de exonerar-se da obrigação com base no res perit domino. Maria Helena Diniz 
(2012, p. 144) dá solução parecida, com uma diferença: entende que, no caso de a escolha ser 
do devedor, a concentração só ocorrerá no momento do pagamento, quando o credor receber 
a oferta real de pagamento com indicação da coisa escolhida. Vamos além e entendemos que, 
no caso de a escolha ser do devedor, este pode promover a concentração mesmo antes do 
pagamento mediante cientificação do devedor (declaração de vontade receptícia). Para Or-
lando Gomes, basta a declaração, ou seja, a escolha, sem necessidade de cientificação, mas 
lembra o saudoso civilista baiano que há correntes em sentido diverso, como as que resu-
mem a concentração ao momento da cientificação ou ao instante da execução da prestação.
Feita a concentração, a obrigação deixa de ser alternativa e passa ser a ser simples. E quem 
fez a escolha não poderá voltar atrás, pois electa una via altera non datur (eleito um caminho, 
alterar não é permitido). Aplicar-se-á as regras próprias de obrigações simples. Ex.: se a pres-
tação é coisa certa, vige as regras do art. 233 e seguintes do CC, como a do res perit domino.
Em regra, a escolha compete ao devedor, pois se presume que ele se obrigou a prestações 
alternativas para sua comodidade. Se ele não exercer o seu direito, o credor pode compeli-lo 
judicialmente a fazer a escolha no prazo de 10 dias, sob pena de a escolha passar a ser do 
credor (art. 800, CPC). Havendo, porém, pacto ou lei em contrário, a escolha poderá caber ao 
credor ou até mesmo a um terceiro. Se a escolha couber a um terceiro que não possa ou não 
queira fazer a escolha, o juiz escolherá, salvo acordo entre as partes. E, se a escolha couber 
a mais de uma pessoa, deverá haver unanimidade, de modo que, havendo divergência de 
qualquer um dos optantes ou silêncio deles dentro de prazo a ser fixado pelo juiz, caberá ao 
juiz decidir.
Se for uma obrigação alternativa for periódica, o devedor pode exercer a escolha a cada 
período. Se, a cada mês, tenho de entregar R$ 10.000,00 ou uma moto, posso mensalmente 
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variar a minha escolha. Trata-se do jus variandi do devedor em obrigações alternativas, o qual 
também é chamado de balanceamento da concentração nas prestações periódicas.
A teoria do risco nas obrigações alternativas assenta-se em três diretrizes de justiça. 
A primeira é a teoria do risco da obrigação de dar coisa certa, que envolve duas regras: a do 
res perit domino e a de que há dever de indenizar danos culposamente causados. A segunda é 
a de que a concentração pode ser voluntária ou automática em razão do perecimento de uma 
prestação. A última é o respeito ao direito de escolha. É sob a ótica dessas diretrizes que se 
entende o teor dos arts. 253 ao 256.
Na hipótese de a escolha caber ao devedor, ele deverá entregar a prestação remanescen-
te se as demais pereceram, pois aí terá havido uma concentração automática. Não importa 
se o perecimento das outras prestações foi por sua culpa ou não, pois o direito de escolha 
era dele. Não há dever de indenizar o credor. Se o devedor tiver causado o perecimento de 
todas as prestações, ele terá de pagar o valor equivalente à última prestação perecida (dian-
te da concentração automática que ocorreu e que representa uma espécie de escolha feita 
pelo devedor), além de ter pagar indenização por prejuízos sofridos pelo credor. Não pode o 
devedor escolher pagar o valor equivalente de outra prestação; cumpre-lhe pagar a que, por 
último, pereceu.
E, se, todas perecerem conjuntamente por culpa do devedor ou se o devedor não conse-
guir comprovar a ordem de perecimento das coisas, o CC é omisso na hipótese de a escolha 
caber ao devedor. Bdine Jr., com apoio em Gisela Sampaio da Cruz, discorda e sustenta que o 
devedor poderá escolher o valor da prestação que quiser, além da indenização adicional por 
danos que forem comprovados, tudo em analogia à regra que vigora para os casos em que 
a escolha é do credor (art. 255, CC). Maria Helena Diniz (2012, p. 148) segue o mesmo senti-
do. Ousamos dissentir. Entendemos que, nesse caso, há presumir-se a extinção simultânea 
das prestações (analogia com art. 8º do CC) e cumprirá ao devedor pagar o valor médio das 
prestações cujo perecimento simultâneo ele culposamente causou. Do contrário, o devedor 
poderá sempre escolher a prestação menos valiosa e, além disso, terá interesse em proposi-
talmente ocultar a ordem de perecimento das coisas, informação que geralmente só ele pode 
comprovar. Nossa solução concilia os princípios gerais de direito relativos à vedação do enri-
quecimento sem causa e à boa-fé.
Ainda na situação de a escolha caber ao devedor, é possível que a prestação pereça por 
culpa do próprio credor. O CC é omisso. A melhor solução é respeitar o direito de escolha do 
devedor: este pode escolher a prestação perecida – caso em que o credor ficará no prejuízo 
– ou poderá escolher outra prestação remanescente – caso em que o devedor poderá pedir 
indenização pela prestação perecida abrangendo o valor equivalente e outros prejuízos que 
vierem a ser comprovados. É  a solução dada por Bdine Jr., com apoio em Gisela Sampaio 
da Cruz, e que se ampara na analogia da regra que vige para situações de escolha do credor 
(art. 255, CC).
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Na hipótese de a escolha caber ao credor, este terá de aceitar a prestação remanescente 
apenas se as demais pereceram sem culpa do devedor, pois aí a “natureza” terá feito uma 
concentração automática. Ele não pode pedir indenização a ninguém. Houve uma concen-
tração. Se, todavia, o perecimento das prestações foi por culpa do devedor, fica evidente que 
ele causou um prejuízo ao credor, razão por que este poderá pedir indenização pelos danos 
que comprovar, além de, em respeito ao seu direito de escolha, poder optar em receber adicio-
nalmente a prestação remanescente ou o valor equivalente à prestação perecida. No mesmo 
sentido, se todas as prestações tiverem perecido por culpa do devedor e o direito de escolha 
for do credor, este poderá pedir indenização pelos danos que comprovar, além de ter direito a 
escolher equivalente de qualquer uma das prestações perecidas.
Se a escolha couber a terceiro, entendemos que se deve aplicar as mesmas regras em que a esco-
lha é do credor, com a diferença que será o terceiro a escolher. Assim, se qualquer prestação perecer 
por culpa do devedor, o terceiro poderá escolher a prestação remanescente ou o valor equivalente da que 
pereceu, assegurado, em qualquer caso, ao devedor pleitear indenização por perdas e danos adicionalmente 
(desde que prove o prejuízo).
Por fim, se todas as prestações perecerem sem culpa do devedor, nada há a fazer: resol-
ve-se a obrigação, sem dever de indenização. Não importa se a escolha era do devedor ou do 
credor: foi o acaso que fulminou todas as prestações (e o acaso não tem dever de indenizar 
obviamente!).
2.3.3. Obrigação Facultativa
A obrigação facultativa é aquela que envolve uma prestação com o direito de o devedor, 
se quiser, cumprir outra prestação subsidiária no seu lugar. O devedor está obrigado a apenas 
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uma prestação (unidade de objeto); porém, de forma subsidiária, é-lhe assegurado o direito 
de cumprir outra prestação também prevista na relação obrigacional. Há, portanto, uma pres-
tação principal e outra subsidiária ou supletiva. Embora não prevista expressamente no CC, 
a obrigação facultativa é por ele permitida como convenção inonimada.
Por enxergar uma contraditio in terminis (obrigação pode ser faculdade), há quem critique 
a nomenclatura “obrigação facultativa” e prefira, em seu lugar, a expressão “obrigação com 
faculdade de solução ou de substituição” ou “obrigação com faculdade alternativa de cumpri-
mento”. Preferimos a nomenclatura tradicional pela simplicidade.
A obrigação facultativa não se confunde com a obrigação alternativa.
Na obrigação facultativa, se houver o perecimento da prestação principal sem culpa do 
devedor, a obrigação será resolvida; não subsistirá quanto à prestação supletiva, ao contrário 
do que sucede nas obrigações alternativas (em que o perecimento de uma das prestações 
não extingue a obrigação quanto às demais).
Igualmente, se a prestação principal for impossível desde a celebração do negócio, este 
será todo nulo, ao contrário do que sucede nas obrigações alternativas, em que a nulidade de 
uma prestação não atinge as demais.
Por fim, a perda da prestação subsidiária não atinge a obrigação, visto que o devedor con-
tinua com o dever de realizar a prestação principal.
2.4. obriGAção quAnto à plurAliDADe De sujeitos
Levando em conta a existência de mais um credor ou devedor, a obrigação pode ser di-
visível, indivisível ou solidária. Não se aplica essa classificação se só houver um credor ou 
um devedor, pois não há entre quem dividir a obrigação. O foco é tratar da divisibilidade da 
obrigação entre mais de um credor ou devedor, e não propriamente do objeto. A finalidade da 
classificação é enxergar os efeitos jurídicos das diversas situações de pluralidade de credo-
resou de devedores. Se João deve R$ 10.000,00 a Maria, não se pode incluir essa obrigação 
na classificação em pauta, por falta de pluralidade nos polos obrigacionais.
Além do mais, não há como uma obrigação ser divisível e solidária ao mesmo tempo. Uma 
espécie exclui a outra. O regime jurídico de cada um é diverso. Daí que foi atécnico o art. 201 
do CC, cuja parte final se refere a “obrigação indivisível” quando, na verdade, pretendeu-se 
aludir a uma “prestação ou bem indivisível”. A propósito, lembre-se de que bem naturalmente 
divisíveis podem ser, por vontade das partes ou por lei, transformados em indivisíveis. Até 
uma obrigação de pagar R$ 10.000,00 pode ser considerada indivisível por pacto entre as 
partes, o que ocorreria quando o credor só pretenda receber a coisa inteira13.
13 “Art. 201. Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários [logo, a obrigação é solidária], só aproveitam os 
outros se a obrigação for indivisível [na verdade, a prestação é indivisível, e não a obrigação, que é solidária]”.
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Solidariedade nunca se presume, mas decorre de lei de vontade (art. 265 do CC). O legisla-
dor vai contra a nossa intuição ao afirmar isso. Se, em um contrato, estiver escrito que “João e 
Maria devem pagar R$ 10.000,00”, essa obrigação não é solidária, porque esta não se presu-
me. Aí se terá uma obrigação divisível, razão por que o credor só poderá cobrar R$ 5.000,00 de 
João e outros R$ 5.000,00 da Maria. A cláusula contratual referida induzirá o leitor a erro e, na 
verdade, deveria ter sido assim redigida: “João deve pagar R$ 5.000,00 e Maria deve pagar R$ 
5.000,00”. A fusão das orações por questão de comodidade costuma induzir leigos em erro.
2.4.1. Obrigação Divisível
A obrigação é divisível quando, inexistindo previsão expressa da solidariedade em lei ou 
em vontade, o seu objeto for bem divisível.
O CC disciplina o tema no art. 257 do CC, que fixa a regra concursu partes fiunt. De acordo 
com essa máxima, presume-se que a obrigação é dividida em tantas obrigações iguais quan-
tos são os sujeitos. A prestação decompõe-se pro numero virorum (“proporcional ao número 
de homens”).
É uma obrigação fracionária, a qual consiste no fato de que cada cocredor ou codevedor 
só pode exigir a respectiva quota-parte, nada mais, nada menos, tudo nos termos da regra do 
concursu partes fiunt.
Exemplo: X deve R$ 900,00 a Y, Z e W. Como o dinheiro é bem divisível e não há previsão 
expressa de solidariedade, X deve R$ 300,00 para Y, R$ 300,00 para Z e R$ 300,00 para W.
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2.4.2. Obrigação Indivisível
Obrigação indivisível é a que envolve bem indivisível14 sem haver previsão expressa de so-
lidariedade. O tema hospeda-se nos arts. 259 ao 263 do CC.
A indivisibilidade recai sobre o objeto da prestação (é objetiva) e, por isso, a obrigação 
indivisível: (1) não perde a sua característica com a morte do credor e do devedor, ou seja, 
a obrigação continua indivisível para os seus herdeiros; e (2) deixa de ser indivisível com a sua 
conversão em perdas e danos, pois o objeto se torna em dinheiro, que é divisível (art. 263, CC). 
Difere, pois, da obrigação solidária, que, por recair na pessoa (solidariedade é subjetiva) e por 
estar no vínculo jurídico (e não no objeto da prestação), perde a sua natureza com a morte da 
parte (art. 270, CC) e subsiste com a conversão em perdas e danos (art. 271, CC).
O CC destina regras para a obrigação indivisível conforme haja pluralidade de credores ou 
de devedores.
Vamos começar falando da obrigação indivisível quando há pluralidade de devedores.
Se há pluralidade de devedores, cada codevedor é obrigado pela dívida toda apenas porque 
é o objeto não é fracionável, e não porque ele queria ser obrigado pela dívida toda: o codevedor 
tem de pagar tudo por necessidade, e não por dever a totalidade (in obligatione individua, totum 
debetur ex necessitate, sed non totaliter). Distingue-se da obrigação solidária, pois, nesta, o co-
devedor é obrigado pela dívida toda por dever jurídico.
14 O conceito de bem indivisível está nos arts. 87 e 88 do CC.
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Na obrigação indivisível, como a necessidade impôs o pagamento por inteiro, a lei robus-
tece o direito de regresso do codevedor que pagou a dívida toda: dá-lhe a sub-rogação para 
exigir a quota-parte dos demais codevedores (art.  259, parágrafo único, do CC). É  questão 
de justiça. Sub-rogação é a transferência do crédito com todos os privilégios ao pagador de 
dívida alheia. Se, por exemplo, um codevedor havia hipotecado um imóvel em garantia da 
obrigação indivisível, o outro codevedor que pagou a dívida inteira terá um direito de regresso 
com a garantia hipotecária diante da sub-rogação.
Não há essa sub-rogação na solidariedade passiva: o codevedor que pagou a dívida toda 
tem um direito de regresso simples, sem o acréscimo de robustez de uma sub-rogação. Re-
almente não há motivos de justiça para a legislação robustecer o direito de regresso de quem 
voluntariamente assumiu a solidariedade.
A insolvência de um codevedor é irrelevante ao credor, que pode exigir a coisa indivisível 
de outro codevedor. O prejuízo recairá sobre este, cujo direito de regresso contra o insolvente 
para cobrar o valor de sua quota se frustrará, como lembra Caio Mário da Silva Pereira.
Vamos tratar agora da hipótese de obrigação indivisível quando há pluralidade de credores.
Em regra, todos os credores devem cobrar e receber conjuntamente a prestação indivisí-
vel (ex.: três credores de um cachorro). Todavia, diante do caráter não fracionável do objeto 
e em atenção à impossibilidade de obrigar outrem a exigir um direito, cada cocredor poderá, 
sozinho, cobrar a dívida toda. Assim, não fica sob a dependência da morosidade e do capricho 
dos demais cocredores.
Se o cocredor exigir a dívida toda sozinho, terá de prestar caução (uma garantia, como um 
dinheiro, uma hipoteca etc.) de que os outros cocredores confirmarão o seu ato. Essa garantia 
é importante, porque os outros cocredores têm direito a uma quota do objeto que poderá não 
ser repassada por quem recebeu o pagamento sozinho.
De fato, o devedor só se exonera se pagar a todos os credores conjuntamente – os quais po-
dem ser representados por procuração (que pode estar expresso em uma “autorização escrita”) 
– ou a um cocredor que preste essa caução de ratificação (art. 260, CC). Se o devedor pagar a um 
cocredor sem exigir a garantia (caução), continuará obrigado perante os demais cocredores. Essa 
é a lição de Clovis Bevilacqua (1979, p. 32), que dá a adequada interpretação do art. 260, CC (de 
teor igual ao antigo art. 892 do CC/1916). Não devem ser acolhidas leituras diversas, como aquela 
no sentido de dispensar a caução se um cocredor cobrar a dívida sozinho, como defende Carlos 
Roberto Gonçalves (2011,

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