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76	 civilizações	antigas
1 análise de texto
	 Para	os	historiadores,	A epopeia de Gilgamesh	é	um	documento	importante	para	entender	a	sociedade	su-
méria.	Leia	o	trecho	abaixo	e	depois	responda	às	questões.
a)	 Quem	teria	sido	Gilgamesh?	O	que	o	trecho	“o	pai	dos	deuses	te	deu	um	trono,	reinar	é	o	teu	destino;	a	
vida	eterna	não	é	o	teu	destino”	revela	sobre	o	papel	de	Gilgamesh	em	sua	epopeia?
b)	De	acordo	com	o	texto,	o	que	podemos	inferir	sobre	as	características	de	um	rei	sumério?	Identifique-as.
2 leitura de imagem
	 O	relevo	reproduzido	abaixo	se	encontra	no	palácio	assírio	do	sudoeste	de	Nínive	e	representa	a	vitória	do	
rei	Assurbanípal	sobre	os	elamitas	em	653	a.C.
Enlil da montanha, pai dos deuses, havia decretado o destino de Gilgamesh. Por isso Gilgamesh teve um 
sonho, e Enkidu disse: “O significado do teu sonho é o seguinte: o pai dos deuses te deu um trono, reinar é 
o teu destino; a vida eterna não é o teu destino. Por isso, não fique triste, não te atormentes nem te deixes 
oprimir por causa disso. Ele te deu o poder de atar e desatar, de ser as trevas e a luz da humanidade. Ele 
te deu a supremacia sem paralelo sobre o povo, te garante a vitória nas batalhas de onde não escapam 
fugitivos; o sucesso é teu nas incursões militares e nos implacáveis assaltos por ti empreendidos. Mas 
não abuses deste poder; sê justo com teus servos no palácio; faze justiça perante Shamash”.
ANÔNIMO.	A epopeia de Gilgamesh.	São	Paulo:		
Martins	Fontes,	1992.	p.	103.
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ExErcícios dE História
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a)	 Que	aspecto	do	combate	entre	assírios	e	elamitas	o	relevo	enfatiza?	
b)	Com	que	objetivo	essas	cenas	podem	ter	sido	escolhidas	para	figurar	nas	paredes	do	palácio	real?
3 interpretação de texto e associação
	 Leia	o	texto	abaixo	e	faça	o	que	se	pede:
a)	 Jean	Bottéro	concorda	com	a	ideia	de	que	antes	do	despertar	da	cultura	grega	nenhum	outro	povo	tenha	
feito	qualquer	avanço	para	produzir	conhecimento	científico?	Explique.
b)	Que	indícios	o	autor	encontra	nos	textos	em	cuneiforme	que	sustentam	sua	opinião?
c)	 Consulte	os	artigos	extraídos	do	Código	de	Hamurabi	que	estão	reproduzidos	na	página	73	deste	capí-
tulo.	Que	associação	podemos	estabelecer	entre	seu	conteúdo	e	as	ideias	defendidas	por	Jean	Bottéro	
no	texto	acima?
[...]	a criação da ciência tem sido creditada aos gregos, assim como tantas outras coisas. E os poucos 
historiadores que têm sido tão impetuosos a ponto de perguntar abertamente “O que havia de antemão?” 
e voltaram sua atenção para o oriente pré-helenístico acabaram até mesmo por superdimensionar os 
méritos dos gregos, por assim dizer, encontrando entre aqueles povos antigos nada além de um autênti-
co progresso técnico e absolutamente nenhum traço de qualquer forma de desenvolvimento teórico.	[...]
Isso não é exatamente como as coisas se apresentam aos olhos de alguém que tenha entrado em contato 
diretamente com os documentos em cuneiforme e buscado seguir passo a passo a longa trajetória inte-
lectual que eles revelam.
Entre as mais antigas tabuletas cuneiformes, [...] já podemos encontrar algumas listas em meio de cen-
tenas de contabilidades. Essas listas são grupos de palavras, classifi cadas de diferentes maneiras. Elas 
podem muito bem ter servido a princípio como catálogos de caracteres, de modelos indispensáveis à 
aprendizagem e ao ensino dos elementos da escrita. O uso contínuo dessas listas, que se expandiram 
tremendamente na história posterior do país, mostra-nos que tinham o propósito último de arranjar ob-
jetos, de delinear inventários de numerosos setores do mundo real que não era apenas o mais completo 
possível, como eram, especialmente, listas metódicas. [...] Temos aqui o testemunho e o resultado de um 
enorme e constante esforço intelectual, típico da mentalidade dos antigos mesopotâmicos, bem como 
uma tentativa de compreender o Universo por meio da classifi cação e organização de seus elementos, 
arrolados pelos seus traços comuns e diferenças específi cas. 
BOTTÉRO,	Jean.	Mesopotamia: Writing, Reasoning, and Gods.	Chicago:	
University	of	Chicago	Press,	1992.	p.	29-30.
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78 CIVILIZAÇÕES ANTIGAS
A civilização egípcia
Instalada no extremo 
nordeste da África, em re-
gião desértica, a civiliza-
ção egípcia � oresceu às 
margens do rio Nilo, be-
ne� ciando-se do regime 
de cheias. As abundantes 
chuvas durante certos 
meses do ano na nascen-
te do rio, ao sul, provocam 
o transbordamento de suas 
águas e o consequente de-
pósito do húmus fertilizante 
em suas estreitas margens. 
Ao � nal do período de cheias, 
o rio volta ao seu leito normal 
e as margens, naturalmente 
fertilizadas, tornam possível 
uma rica agricultura.
Contudo, diante do au-
mento populacional no Neolítico, tornaram-se neces-
sárias obras hidráulicas, como a construção de diques 
e canais, para o cultivo agrícola. Estudos e pesquisas 
arqueológicas e históricas apuraram que a organiza-
ção do trabalho às margens do Nilo, a construção de 
diques e outras obras foram realizadas inicialmen-
te pelas coletividades locais e regionais conhecidas 
como nomos. Mais 
tarde, � caram a car-
go de uma estrutura 
governamental mais 
complexa.
te do rio, ao sul, provocam 
o transbordamento de suas 
águas e o consequente de-
pósito do húmus fertilizante 
em suas estreitas margens. 
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nomo: nome que recebiam 
as regiões administrativas, 
econômicas e religiosas do 
Egito antigo. O seu governante 
era chamado de nomarca.
William L. Stefanov/ NASA-JSC
Khaled Desouki/Agência France-Presse
Adaptado de: DUBY, G. Atlas histórico mundial. Madrid: Debate, 1989. p. 6.
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Trópico de Câncer
50º L
Lago
Vitória
0 625
km
1250
O rio Nilo
Allmaps/Arquivo da editora
∏ Nesta foto de 2012, trecho urba-
no do rio Nilo, na cidade do Cairo. 
Acima, imagem noturna de satéli-
te da Nasa de 2010, em que se vê 
a região fértil do vale do rio Nilo. A 
cidade está situada no vértice do 
delta formado pelo rio, cuja exten-
são é de 6,7 mil quilômetros. Você 
pode observar a concentração das 
pessoas nesse local, pelo aglome-
rado de luzes.
p 
p Fragmento de mural 
com a representação 
de uma mulher de 
Tebas, da 18-ª dinas-
tia egípcia (cerca de 
1567 a.C.-1320 a.C.).
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Estima-se que uma das primeiras cidades surgidas 
na região do rio Nilo foi Maadi em cerca de 3500 a.C. 
Os estudos arqueológicos no sítio, que fi ca 15 quilô-
metros ao sul da cidade do Cairo, indicam evidências 
de abrigos e cabanas, estruturas administrativas, silos 
de grãos, como o trigo e a cevada (caixas de armaze-
namento feitas com tijolos de barro) e locais de se-
pultamento. Também foram encontrados cobre e be-
tume, que assim como os grãos eram utilizados para 
trocas comerciais na Antiguidade. Essas evidências, 
que mostram uma sociedade organizada e hierar-
quizada, levam a crer que Maadi foi um importante 
centro comercial. O cobre era utilizado na fabricação 
de diversos objetos, e o betume era valorizado por se 
atribuírem a ele poderes curativos, além de ser utiliza-
do na mumifi cação.
Outras duas cidades surgidas no mesmo período 
de Maadi, e também no vale do Nilo, foram Hierakon-
polis e Naqada, que fi cavam próximas uma da outra e 
se tornaram muito importantes nas relações comer-
ciais com as vilas vizinhas. Acredita-se que Naqada se 
desenvolveu como núcleo urbano por causa de sua as-
sociação com algum culto religioso ou santuário, tor-
nando-se centro de ligação entre as vilas provavelmen-te organizadas em torno de clãs. Era o espaço para a 
troca de excedentes de comida e de atividades comer-
ciais entre os aldeões próximos. Assim deve ter ocorri-
do com uma série de outras cidades que iam surgindo 
no vale do Nilo, estabelecendo-se em terras férteis e 
relacionando-se com centros urbanos próximos.
Entre as cidades egípcias, Abydos se tornou um 
centro importante ao dominar uma grande região 
no delta do Nilo, dois séculos antes de Mênfi s, atual 
Cairo, tornar-se capital do Egito unifi cado. Em outros 
períodos, Núbia, Tebas e Karnac também se destaca-
ram, e, no fi nal do chamado Egito antigo, Alexandria 
teve seu momento de glória.
Vários estudiosos do Egito antigo apontam que 
o Estado egípcio foi precedido por intensa urbaniza-
ção. As atuações dos nomarcas – chefes dos nomos –, 
a expansão das atividades agrícolas, graças às obras 
de irrigação e drenagem, e as seguidas disputas re-
gionais contribuíram para a fusão dos nomos, origi-
nando, por volta de 3500 a.C., dois reinos: o do Alto 
Egito, ao sul, e o do Baixo Egito, ao norte, na região 
do delta do Nilo.
Séculos depois, perto de 3200 a.C., deu-se a uni-
fi cação do Estado egípcio, o primeiro reino unifi cado 
de que se tem conhecimento na História. A sede ini-
cialmente foi a cidade de Tínis, e mais tarde Mênfi s. 
Ao que parece, foi um chefe do Alto Egito que uniu os 
dois reinos, subordinando os cerca de quarenta no-
mos e tornando-se o primeiro faraó. Há dúvidas sobre 
seu nome, tendo sido mais comumente atribuídos os 
nomes Menés ou Narmer (em grego): o nome Menés 
aparece em alguns re-
gistros, como a Lista 
Real de Abydos e o Papi-
ro de Turim, mas a sua 
existência, assim como 
a sua identidade como 
Narmer, não foi con-
fi rmada por nenhum 
achado arqueológico.
faraó:	 termo	 de	 origem	
egípcia	 que	 significa	 ‘casa	
grande’	ou	‘grande	morada’.	
inicialmente	 denominava	
o	 palácio	 do	 rei;	 depois	
passou	 a	 denominar	 o	
título	dos	reis.	É	importante	
destacar	 que	 a	 palavra	 só	
passou	a	ser	usada	a	partir	
do	novo	império	(depois	de	
1580	a.c.).
A imagem ao lado mostra uma das faces da paleta de narmer, em repro-
dução exposta no Museu de Ontário, no Canadá. Acredita-se que essa Paleta, 
um pequeno monumento de 63 centímetros, seja uma placa cerimonial egípcia. 
Encontrada em 1898 pelo britânico James Quibell em suas escavações realiza-
das em Hierakonpolis, antiga cidade pré-dinástica do Alto Egito, hoje está sob a 
guarda do Museu do Cairo, Egito. Teria sido criada entre 3200 e 3100 a.C. Observe 
que seus relevos representam a unifi cação do Alto e do Baixo Egito e o primeiro 
faraó e rei unifi cador. Aos pés do faraó, à sua direita, há um homem agarrado 
pelos cabelos, que simbolizaria o inimigo, as regiões conquistadas. Acima, tam-
bém à direita do faraó, está o deus falcão Hórus. As cabeças de vaca simbolizam 
a deusa Hathor.
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80	 civilizações	antigas
Economia, sociedade e cultura na 
civilização egípcia
A economia egípcia apoiava-se na servidão cole-
tiva: os camponeses eram obrigados a realizar grandes 
obras de irrigação coordenadas pelo Estado, além de 
construir depósitos de armazenagem, templos, palácios 
e monumentos funerários. O trabalho era feito quase 
sempre na época das cheias do Nilo, quando as ativida-
des agrícolas eram interrompidas temporariamente.
O Egito era grande produtor de cereais, em es-
pecial trigo, e de algodão, linho e papiro. Os egípcios 
também criavam cabras, carneiros e gansos, e o rio 
oferecia a possibilidade da 
pesca. Praticava-se o arte- 
sanato e a produção de 
tecidos e vidros. A indús-
tria de construção naval 
era também significativa.
A organização da sociedade egípcia era bastan-
te rígida. Com o início do período dinástico na história 
egípcia – o Império Egípcio –, a partir da unificação, 
o faraó passou a concentrar todos os poderes e a maior 
parte das terras, sendo considerado um deus vivo. 
Configurou-se assim uma monarquia teocrática. O 
governante se impunha como senhor supremo do Egi-
to, exercendo o papel de chefe de um Estado centraliza-
do. Controlava a economia do país, com funcionários 
que administravam templos, terras, homens, barcos e 
rebanhos, cobravam tributos e trabalhos. Embora os 
nomarcas, que acumulavam grandes riquezas e tinham 
importante poderio regional, tenham, em alguns mo-
mentos, disputado esse poder com os faraós, eles aca-
baram passando a atuar como representantes do poder 
central, administrando aldeias e cidades, arrecadando 
impostos e fazendo cumprir as decisões do faraó.
∏	 colheita	de	uvas	para	a	produção	de	vinho	
em	pintura	egípcia	feita	na	tumba	do	sacer-
dote,	escriba	e	astrônomo	nakht,	na	cidade	
de	 tebas,	 por	 volta	 de	 1400	 a.c.	 o	 afresco	
destaca	a	colheita	cuidadosa	dos	cachos	de	
uva.	 a	 atividade	 era	 acompanhada	 por	 um	
fiscal	e	um	sacerdote,	que	recolhiam	e	re-
gistravam	 a	 oferenda	 à	 deusa	 renenutet,	
representada	 na	 forma	 de	 uma	 cobra.	 De-
pois	da	colheita,	a	uva	era	esmagada	e	pas-
sava	para	a	fase	da	fermentação.	no	final,	o	
vinho	era	armazenado	em	ânforas	de	barro.	
a	bebida	principal	dos	antigos	egípcios,	en-
tretanto,	era	a	cerveja,	produzida	da	cevada.
p	 Papiro	 (Cyperus papyrus),	planta	bastante	comum	às	mar-
gens	de	rios	africanos	(na	foto,	margem	do	rio	okavango	em	
Botsuana,	2012).	as	fibras	para	a	fabricação	do	papel	e	de	
outros	produtos	eram	obtidas	de	seu	caule	e	de	sua	raiz.
Logo abaixo dos nomarcas na hierarquia vi-
nham os sacerdotes, os grandes burocratas e os che-
fes militares. Em seguida, vinha a baixa burocracia, 
formada pelos escribas, conhecedores da complexa 
escrita hieroglífica e responsáveis pelos registros ad-
ministrativos. Nessa camada intermediária figura-
vam também os comerciantes, que ganharam mais 
expressão no período conhecido como Novo Impé-
rio – iniciado com o fortalecimento do Egito após a 
expulsão dos hicsos, que dominaram boa parte da 
região antes de 1580 a.C.
A base da sociedade egípcia era formada pela 
grande massa de camponeses. Os camponeses e ar-
tesãos tinham de pagar tributos e servir ao faraó, por 
meio do trabalho compulsório em campos, oficinas, 
minas e obras públicas. Eventualmente havia também 
escravos, capturados nas guerras, embora essa cate-
goria social não tivesse grande importância no siste-
ma econômico egípcio.
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papiro:	planta	com	a	qual	
se	fazia	um	papel	de	mes-
mo	 nome;	 também	 era	
utilizado	na	fabricação	de	
cestos	 e	 redes,	 além	 de	
servir	de	alimento.
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