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O surgimentO da eurOpa 211 rotas moeda bancos fim das invasões surto demográfico • Mediterrâneo (Gênova e Veneza) • Norte (Liga Hanseática) • Champanhe (feiras) • burguesia • trabalho livre • corporações de ofício REI: lIDERança políTICo- -mIlITaR papa: lIDERança EspIRITual CRuZaDas reabertura do mar mediterrâneo marginalização social: • senhores sem terra • servos sem terra Renascimento urbanoRenascimento comercial eXercícIOs de HIstórIA 1 leitura e interpretação de texto O texto a seguir foi escrito pelo libanês Amin Maalouf com base em fontes muçulmanas. Nele, o autor faz uma descrição da chegada dos cristãos (genericamente chamados de francos) a Jerusalém, no final da Primeira Cruzada. Leia-o com atenção e faça o que se pede adiante. PArA recOrdAr: As cruzadas e o renascimento comercial e urbano AtIvIdAde Com base no esquema-resumo acima, elabore um texto coerente e coeso sobre as transformações ocorridas na eu- ropa durante a Baixa idade média, no qual apareçam articulados os seguintes tópicos: • crescimento demográfico na europa; • Cruzadas; • ampliação do comércio; • crescimento urbano. HGB_v1_PNLD2015_196a213_U3_C7.indd 211 3/8/13 10:01 AM 212 a eurOpa, periferia dO mundO Os cruzados libertam Jerusalém [...] A população da Cidade Santa foi passada ao fio da espada, e os francos estiveram matando muçul- manos durante uma semana. Na mesquita de Al-Aqsa, mataram mais de 70 mil pessoas. E Ibn al-Atir, que evita citar cifras não comprováveis, corrige: mataram muita gente. Aos judeus, recolheram na sua sinagoga e lá os francos os queimaram vivos. Destruíram também os monumentos dos santos, e a tumba de Abraão – a paz esteja com ele! Entre os monumentos saqueados pelos invasores, encontra-se a mesquita de Omar, erguida em memó- ria do segundo sucessor do profeta, o califa Omar Ibn al-Jattab, que havia tomado Jerusalém dos roma- nos em fevereiro de 638. A partir desse feito, os árabes aproveitaram sempre que puderam a ocasião de evocar aquele acontecimento com a intenção de realçar a diferença entre seu comportamento e o dos francos. Naquele dia, Omar havia entrado montado em seu célebre camelo branco, enquanto o patriarca grego [bizantino] da Cidade Santa ia a seu encontro. O califa havia começado por prometer que se res- peitariam as vidas e os bens de todos os habitantes, antes de pedir-lhe que o acompanhasse na visita a todos os lugares santos do cristianismo. Quando se encontravam na igreja de Qyama, o Santo Sepulcro, como havia chegado a hora da oração, Omar perguntou a seu anfitrião onde poderia estender seu tapete para prostrar-se. O patriarca o convidou a permanecer onde estava, mas o califa o contestou: “Se eu o fizer, os muçulmanos amanhã quererão apropriar-se deste local, dizendo: ‘Omar rezou aqui’”. E, levando seu tapete, foi ajoelhar-se do lado de fora. Estava certo, pois nesse local foi onde se construiu a mesquita que leva seu nome. Os chefes francos, desgraçadamente, não são tão magnânimos. Celebram seu triunfo com uma matança indescritível e logo saqueiam selvagemente a cidade que dizem venerar. MAALOUF, Amin. La invasión. Madrid: Alianza Editorial, 1994. p. 85-86. a) O texto menciona a “diferença de comportamento” entre os árabes e os francos (cristãos). Explique a que diferença o texto se refere. b) Por que o episódio da visita de Omar ao Santo Sepulcro é tomado pelos árabes como exemplo de seu comportamento em relação aos cristãos? c) Reflita sobre seus conhecimentos em relação à Baixa Idade Média e ao movimento cruzadista e res- ponda: que intenções pode Amin Maalouf ter tido para escrever um livro em que as Cruzadas fossem contadas do ponto de vista dos muçulmanos? 2 leitura e interpretação de documento Leia o texto abaixo, em que o papa Urbano II, no Concílio de Clermont, em 1095, pregava a necessidade das Cruzadas. Deixai os que outrora estavam acostumados a se baterem, impiedosamente, contra os fiéis, em guerras particulares, lutarem contra os infiéis [...]. Deixai os que até aqui foram ladrões, tornarem-se soldados. Deixai aqueles que outrora se bateram contra seus irmãos e parentes, lutarem agora contra os bárbaros, como devem. Deixai os que outrora foram mercenários, a baixos salários, receberem agora a recompen- sa eterna. Uma vez que a terra que vós habitais, fechada de todos os lados pelo mar e circundada por montanhas, é demasiado pequena à vossa grande população: sua riqueza não abunda, mal fornece o alimento necessá- rio aos seus cultivadores [...] tomai o caminho do Santo Sepulcro; arrebatai aquela terra à raça perversa e submetei-a a vós mesmos. Essa terra em que, como diz a Escritura, “jorra leite e mel” foi dada por Deus aos filhos de Israel. Jerusalém é o umbigo do mundo, a terra mais que todas frutífera, como um novo paraíso dos deleites. URBANO II (papa), apud HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. 15. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. p. 28. HGB_v1_PNLD2015_196a213_U3_C7.indd 212 3/8/13 10:01 AM O surgimentO da eurOpa 213 a) Como o papa Urbano II justificou a necessidade das Cruzadas? b) Quem são os “soldados” convocados para lutar nas Cruzadas, mencionados nesse texto? 3 leitura e interpretação de tabela e mapa A tabela abaixo nos oferece dados acerca das transformações demográficas ocorridas na Europa ociden- tal durante parte da Idade Média. Leia-a, procurando identificar onde e quando ocorreram as maiores oscilações demográficas. Depois, observe novamente o mapa da página 208. Ele indica as principais rotas comerciais existentes na Baixa Idade Média. Fique atento às regiões onde há maior concentração de rotas comerciais. Responda às questões na sequência. população EuRopEIa EsTImaDa (Em mIlhõEs) no pERíoDo DE 500-1340 Região período 500 650 1000 1340 Grécia/Bálcãs 5,0 3,0 5 6,0 Itália 4,0 2,5 5 10,0 Espanha/Portugal 4,0 3,5 7 9,0 Total – sul 13,0 9,0 17 25,0 França/Países Baixos 5,0 3,0 6 19,0 Grã-Bretanha 0,5 0,5 2 5,0 Alemanha/Escandinávia 3,5 2,0 4 11,5 Total – oeste/Central 9,0 5,5 12 35,5 MEDIEVAL Sourcebook: Tables on Population in Medieval Europe. Disponível em: <www.fordham.edu/halsall/source/ pop-in-eur.html>. Acesso em: 3 out. 2012. a) De acordo com a tabela acima, o que aconteceu com a população europeia no início da Alta Idade Média? b) O que poderia explicar a oscilação demográfica constatada acima? c) De acordo com os dados da tabela, em que regiões e períodos a população da Europa ocidental mais cresceu? d) Que relação você percebe entre os dados oferecidos pela tabela e as informações contidas no mapa? e) Mobilizando seus conhecimentos de História, proponha uma hipótese para explicar a relação estabele- cida na questão anterior. akg-images/Ipress/Biblioteca Nacional, Viena, Áustria. HGB_v1_PNLD2015_196a213_U3_C7.indd 213 3/8/13 10:01 AM 8 cApítulo 214 a Europa, pErifEria do mundo economia, sociedade e cultura medieval p iluminura mostrando o trabalho de corte do trigo em um feudo medieval. ilustra o Livro de Horas Flamengo, de cerca de 1515. T h e G ra n g er C o lle ct io n /O th er Im ag es subordinação e dominação No mundo europeu ocidental durante a Idade Média, o sistema feu- dal era caracterizado pela subordinação da maior parte da população a um pequeno grupo – os senhores feudais –, pela produção agrária autos- sufi ciente voltada para o consumo e pela importância e força da Igreja católica em todas as esferas do cotidiano. A religiosidade media e ordenava o tempo, defi nindo os momentos de trabalho e de ócio, as festas, os jejuns, os momentos de atividades pro- fanas e de dedicação ao sagrado, etc. Assim, os ritmos do cotidiano do mundo do trabalho e das produções materiais, artísticas e intelectuais eram governados por essas formas de ordenar o tempo e refl etiam o con- texto e as características da organização feudal. Como em outros aspectos, também na cultura a Europa e as outras regiões do globo encontravam-se em processos históricose ritmos de desenvolvimento diferentes. Neste capítulo você compreenderá como se estruturava a dominação na Europa feudal, incrustada entre as fronteiras da sociedade islâmica e de Bizâncio. Poderá, ainda, refl etir sobre os me- canismos de subordinação e dominação sociais, culturais, econômicos e políticos. Para PenSar hiStoriCamente HGB_v1_PNLD2015_214a236_U3_C8.indd 214 3/8/13 9:50 AM Economia, sociEdadE E cultura mEdiEval 215 A estrutura econômica, social, política e cultural que predominou na Europa ocidental durante a Idade Média, em substituição ao escravismo greco-romano, foi cha- mada pelos historiadores de feu- dalismo. É importante ressaltar que esse sistema não foi imóvel e muito menos estagnado. Ao contrá- rio, formou-se durante a Alta Idade Média (do século V ao X) e, prin- cipalmente a partir do século XI, início do período que costuma ser denominado Baixa Idade Média (século XI ao XV), mostrou seu dinamismo com o desenvolvimento das cidades e das atividades artesanais e comerciais. Destaque-se ainda que as características do feudalismo variaram de região para região e de época para época ao longo dos séculos. Ao mesmo tempo, os vizinhos da Europa ocidental – muçulmanos e bizantinos – tive- ram outras formas de organização social e econômica que não o feudalismo, e a unidade imperial ou estru- turas em califados permitia-lhes desenvolver intensa- mente o comércio, o que permitiu a essas sociedades grande desenvolvimento, e Bizâncio viveu seu auge. De modo geral, do ponto de vista econômico, o sistema feudal, em sua formação, era caracterizado p cena medieval representando o trabalho de servos no campo. R ep ro d u çã o /B ib lio te ca N ac io n al , P ar is , F ra n ça . pelo predomínio da produção para consumo local, comércio bastante reduzido ou quase inexistente e ausência ou baixa utilização de moeda. O feudo, uni- dade de produção agrária, pertencia a uma camada de senhores feudais, que eram membros do alto clero ou nobres guerreiros. O trabalho na sociedade feudal estava baseado na servidão, relação que mantinha os trabalhadores (ser- vos, ou vilãos ou aldeãos) presos à terra e subordinados a uma série de obrigações em impostos feudais e ser- viços. Nessa época era comum que as pessoas nasces- sem, vivessem e morressem sem jamais sair do lugar, atreladas às obrigações para com o senhor do feudo. campo 3 campo 2 campo 1 1º- ano 2º- ano 3º- ano cevada trigo pousio pousio cevada trigo trigo pousio cevada Note que todos os campos estão divididos em faixas, cultivadas por diferentes servos: cada letra identifica um deles. Por exemplo, o servo A cultiva uma faixa no campo 1, uma no campo 2 e outra no campo 3. campo 3 campo 2 campo 1 A A A D H J C B F H D M C B T G H J C H T B p modelo de um feudo, unidade de produção típica da Europa ocidental durante a idade média. ao lado, esquema de rotação de culturas, em três campos, que propiciava cultivos diferentes e o descanso a cada dois anos de cultivo, chamado pousio. K az u h ik o Y o sh ik aw a/ A rq u iv o d a ed it o ra HGB_v1_PNLD2015_214a236_U3_C8.indd 215 3/8/13 9:51 AM