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História geral e do Brasil - Vol 2 Claudio Vicentino-26

Texto sobre o Iluminismo que apresenta ideias de Jean-Jacques Rousseau (O Contrato Social, Emílio), sua crítica ao racionalismo e à propriedade privada, a Enciclopédia de Diderot e D’Alembert, as repressões às obras e críticas posteriores (Escola de Frankfurt e pós-modernidade).

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o	ILumInIsmo	e	a	IndependêncIa	das	coLônIas	InGLesas	da	amérIca	do	norte	 127
Outro grande nome do Iluminismo francês 
no século XVIII foi Jean-Jacques Rousseau (1712-
-1778). Em sua obra O contrato social, manifestou 
sua crença na liberdade dos homens, uma vez que 
nasciam todos iguais e, por meio de sua livre vonta-
de, criavam as leis e organizavam a sociedade.
Rousseau foi grande defensor da democracia, 
não como a compreendemos hoje, indissociável de 
eleições e de voto universal, mas como expressão 
da vontade geral da população de uma nação. Cri-
ticava o excessivo racionalismo, que, a seu ver, re-
primia os indivíduos: o conhecimento e a felicidade 
humanos dependeriam, em grande parte, de culti-
var e expressar os sentimentos.
∏	 a	 publicação	 da	 Enci-
clopédia	 enfrentou	 re-
sistência	e	pressão	dos	
grupos	aliados	ao	anti-
go	regime.	em	1759	foi	
condenada	 pelo	 papa	
clemente	XIII.
∏	 Jean-Jacques	 rousseau	
em	 pintura	 de	 maurice	
Quentin	de	la	tour,	1753.	
em	Emílio,	rousseau	de-
fendia	a	liberdade	essen-
cial	 do	 homem	 natural	
e,	 em	 O contrato social,	
um	 estado	 submetido	
à	 vontade	 geral.	 diante	
das	 pressões	 de	 seus	
antagonistas	do	governo	
(a	obra	Emílio	foi	apreen-	
dida	 e	 queimada)	 e	 da	
decretação	de	sua	prisão	
pelas	autoridades,	rous-
seau	foi	obrigado	a	fugir	
de	paris.
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O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, 
tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer “isto é meu” e en-
controu pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos 
crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao 
gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o 
fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: “Defendei-vos de ouvir 
esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são 
de todos e que a terra não pertence a ninguém!”.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a desigualdade. São Paulo: 
Nova Cultural, 1991. p. 259. (Os pensadores).
O fundamento progressista das ideias iluministas, a crença 
num continuado aperfeiçoamento com base na razão, no avan-
ço apoiado nas ciências, serviram de fundamento às sociedades 
ocidentais do século XIX e XX. Assim, o desenvolvimentismo, o 
eurocentrismo e outras considerações destacadas no “Discutindo 
a história” no Capítulo 1 desta unidade entrelaçam-se.
Foi em meados do século XX que emergiram críticas ao 
Iluminismo, por parte de pensadores da geração de exilados da 
Segunda Guerra Mundial. Contestaram a ideia de progresso e a 
validade da tecnologia para a história da humanidade. Tais filóso-
fos, membros do que ficou conhecido como Escola de Frankfurt, 
como Theodor Adorno e Horkheimer, apontaram que:
[...] uma vez derrotado o fanatismo religioso, o homem pas-
sou a ser vítima de um novo fanatismo, criando outro dogma, o da 
ciência e da tecnologia.
Nas últimas décadas do século XX surgiu outra corrente 
filosófica contrária ao Iluminismo, a pós-modernidade. Critican-
do o predomínio das sociedades ocidentais sobre o mundo e a 
imposição de seus valores a todas as culturas em contato com 
os ocidentais, os pós-modernos passaram a criticar a suprema-
cia do cientificismo e do progresso. O culto ao progresso entrou 
em decadência nos meios intelectuais e os limites entre razão, 
senso comum e religiosidade começaram a ser repensados. Ape-
sar disso, a estrutura de pensamento predominante no Ocidente 
continua a ser derivada do Iluminismo, e alguns autores atuais, 
inclusive, pregam a revalorização dos princípios iluministas.
SILVA, Kalina Vanderlei. Dicionário de conceitos históricos. 
São Paulo: Contexto, 2006. p. 212.
PrOgreSSO e tecnOLOgIa: dO cuLtO à crítIca
Questões interdisciplinares
1.	 	Que	 relação	 rousseau	 estabelece	 entre	 a	 pro-
priedade	privada	e	a	criação	da	sociedade	civil?
2.	 	para	rousseau,	a	propriedade	é	um	direito	natu-
ral	do	homem?	Justifique.
Suas ideias, rejeitadas pela alta burguesia pela 
crítica ao racionalismo, ao elitismo governamental 
e à opulência, tiveram aceitação nos setores mé-
dios e mais populares, provocando grande impacto 
na posterior Revolução Francesa, em seus momen-
tos mais radicais.
Os filósofos Di-
derot (1717-1783) 
e D’Alembert (1713-
-1784) foram os res-
ponsáveis pela compi-
lação da Enciclopédia, 
Maurice Quentin de La Tour/Museu 
de Arte e História, Genebra, Suíça.
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128	 europa,	o	centro	do	mundo
obra monumental dividida em 35 volumes que cons-
tituiu uma tentativa de reunir, de forma sistemática, 
todo o conhecimento humano acumulado até então, 
conforme entendido pelos iluministas. A empreitada 
teve 130 colaboradores.
A obra expressa valores como a substituição 
da fé pelo racionalismo; o estímulo à ciência; o deís-
mo (crença em Deus como força impulsionadora do 
Universo); e a ideia de contrato entre governantes 
e governados. Entre seus colaboradores incluem-se 
Voltaire, Montesquieu e Rousseau. Mesmo expres-
sando divergência de opiniões entre seus autores, 
a Enciclopédia foi fundamental como instrumento 
divulgador dos ideais liberais para a política e para 
a economia.
Os economistas do Iluminismo
Os pensadores iluministas produziram duas 
correntes distintas de interpretação da economia 
dos reinos e das nações: a fisiocracia, cujos princí-
pios estiveram em voga no final do século XVIII, e 
o liberalismo, que logo passou a ser aceito como a 
“verdade” econômica.
A escola econômica fisiocrata despontou como 
crítica às concepções mercantilistas dominantes. 
Rejeitando o metalismo, os fisiocratas consideravam 
a terra – e não o acúmulo de metais preciosos – a 
única fonte de riqueza, sendo o comércio e a ativi-
dade manufatureira apenas meios de transformar ou 
fazer circular essa riqueza.
Seus principais nomes foram Quesnay (1694- 
-1774), Gournay (1712-1759) e Turgot (1727-1781). 
Ao defender o fim das regulamentações que limita-
vam a atividade econômica, Gournay cunhou a ex-
pressão Laissez faire, laissez passer, le monde va de 
lui même (‘Deixem fazer, deixem passar, o mundo vai 
por si mesmo’).
O britânico Adam Smith (1723-1790) é consi-
derado o “pai da economia como ciência”. Sistema-
tizou a análise econômica, elaborando e demons-
trando leis. Condenava o controle estatal, afirmando 
que o trabalho é a única fonte de riqueza, e não o 
comércio.
Acreditava que os Estados enriqueceriam se au-
mentasse a produtividade do trabalho, o que seria pos-
sível pelo racionalismo. A concorrência, a divisão do 
trabalho e o livre-comércio permitiriam que se atingis-
se o equilíbrio social. Suas ideias caracterizam o libe-
ralismo econômico, a cartilha do capitalismo liberal.
O despotismo esclarecido
No final do século XVIII, diversos reis absolutis-
tas europeus, devidamente assessorados por seus mi-
nistros “esclarecidos”, realizaram reformas de cunho 
iluminista. Essas reformas consistiram em atenuar as 
tensões entre monarcas e burguesia, por meio da mo-
dernização e do aumento da eficiência administrativa 
dos reinos e do incentivo à educação pública, com a 
criação de escolas e o apoio às academias literárias 
e científicas. Desse modo, os reis tentavam garantir 
uma sobrevida ao Estado absolutista.
O movimento ficou conhecido como despotis-
mo esclarecido e carregava uma contradição funda-
mental: se, por um lado, alguns reis estavam dispostos 
a realizar reformas, por outro não iriam tolerar limita-
ções ou perda de poderes. Assim, a burguesia local re-
cebeu bem as reformas, mas, mais cedo ou mais tarde, 
também acabou exigindo mudanças políticas inacei-
táveis para os monarcas com poderes excessivamente 
centralizados.
Os principais déspotas esclarecidos foram os 
reis da Áustria ( José II), Rússia (Catarina II), Prússia 
(Frederico II), de Portugal (dom José II, com seu mi-
nistro,o marquês de Pombal) e da Espanha (Carlos III, 
com seu ministro, o conde de Aranda).
As reformas enfatizaram o aspecto econômico, 
procurando acomodar os interesses da nobreza e da 
burguesia locais a novas práticas mercantilistas, de 
modo que pudessem recuperar suas finanças e en-
frentar a concorrência da França e da Inglaterra, já 
consolidadas como as maiores potências econômicas 
da Europa. As reformas também incluíram o estímulo 
à cultura, às artes e à filosofia.
Quanto às demais monarquias europeias, a in-
glesa já havia se submetido à autoridade de um par-
lamento burguês desde 1688, com a Revolução Glo-
riosa, como você estudou no capítulo 6. Os reis fran-
ceses, entretanto, permaneceram irredutíveis e não 
cederam às reformas, de modo que as relações entre 
os vários segmentos da sociedade se deterioraram 
cada vez mais. No final do século XVIII, assistiu-se ao 
rompimento da ordem existente, pela eclosão de uma 
revolução burguesa, a partir de 1789.
O sucesso da Revolução Francesa e sua expansão, 
bem como a vitória do movimento de independência 
dos Estados Unidos, fizeram com que as ideias ilumi-
nistas deixassem de ser meras propostas e passassem 
a fundamentar o sistema político conhecido como li-
beralismo político, que iria se consolidar em grande 
parte do Ocidente a partir do início do século XIX.
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	 o	ILumInIsmo	e	a	IndependêncIa	das	coLônIas	InGLesas	da	amérIca	do	norte	 129
A quedA do Antigo regime e A erA dAs revoluções
No final do século XVIII, desencadeou-se na Eu-
ropa o processo que levaria à queda do Antigo Regime. 
Esse processo pode ser caracterizado pelo colapso do 
Estado moderno centralizado e sua substituição por 
um novo tipo de Estado, controlado pela burguesia, 
chamado Estado liberal. A mudança não foi imediata. 
Teve várias idas e vindas e não se concluiu da mes-
ma forma em toda a Europa, já que diversos países 
mantiveram ou restauraram monarquias com amplos 
poderes para o soberano.
Nesse processo, grande parte dos últimos res-
quícios do feudalismo foi eliminada, e uma série de 
privilégios associados à velha aristocracia desapa-
receu. Foi possível assistir, portanto, à emergência 
de um novo mundo, marcado pelo sucesso burguês 
e pelo desenvolvimento máximo do capitalismo 
com a industrialização. Foram elementos desagre-
gadores do Antigo Regime: a independência dos 
Estados Unidos (1776), a Revolução Industrial na 
Inglaterra (cerca de 1760-1850) e a Revolução Fran-
cesa (1789-1799).
A independência dos Estados Unidos, marco do 
início da derrocada do Antigo Regime, foi influencia-
da pela difusão das ideias iluministas, como o direito 
à liberdade e o direito de resistir a um governo auto-
ritário. Essas ideias forneceram a base teórica não só 
para a independência, mas também para a edificação 
do novo Estado.
1 leitura e interpretação de texto
	 O	texto	abaixo	é	de	autoria	do	historiador	e	ensaísta	búlgaro	Tzvetan	Todorov	e	faz	parte	de	um	livro	dedi-
cado	à	análise	do	pensamento	iluminista.	Depois	de	tê-lo	lido,	responda	às	questões	propostas	adiante.
eXercícIOS de hIStórIa
A autonomia sozinha não basta para descrever a maneira como as Luzes concebem o ideal da conduta 
humana. É melhor ser dirigido por sua própria vontade do que por uma regra vinda de fora, decerto, mas 
para ir aonde? Nem todas as vontades e ações são equivalentes. Ora, não se pode mais apelar ao céu para 
decidir quais são as boas e quais são as más, é preciso ater-se às realidades terrestres. Da finalidade 
longínqua – Deus – deve-se passar a uma finalidade bem mais próxima. Esta, proclama o pensamento 
das Luzes, é a própria humanidade. É bom o que serve para aumentar o bem-estar dos homens.
Tal afirmação representa uma flexibilização da doutrina cristã mais do que sua rejeição. Esta colocou de 
fato a equivalência dos dois amores, a Deus e ao próximo. São Paulo proclama diversas vezes que “aquele 
que ama o próximo cumpriu a Lei”. Simplesmente, os pensadores das Luzes declaram se satisfazer com 
um só termo dessa equação. “Basta que os homens se apeguem ao amor cristão; pouco importa o que 
aconteça à religião cristã” – escreveu Lessing em 1777: o quadro doutrinal e institucional é afastado, 
não o conteúdo que ele valorizava. É o mesmo espírito deísta que Franklin ilustra dez anos mais tarde, 
afirmando: “O culto mais agradável a Deus é fazer o bem aos homens”. O amor pelos seres humanos não 
tem necessidade de uma justificativa divina [...].
Daí o ser humano se tornar o horizonte de nossa atividade, o ponto focal para o qual tudo converge. Quan-
do Diderot se interroga sobre o princípio que unifica seu projeto enciclopédico, ele só vê um: o homem. E 
assim é para o universo que essa Enciclopédia tenta apreender e representar. “Por que não introduzimos 
o homem em nossa obra como ele está colocado no universo? Por que não faríamos dele um centro 
comum?” É ao mesmo tempo um direito e um dever: o homem se torna o centro da obra porque ele é o 
centro do mundo – ou melhor, é o que lhe dá sentido. [...]
Uma palavra designa o bem-estar humano nesta Terra: é a felicidade. Sua busca se torna legítima e 
substitui a salvação. [...] Os quadros dos pintores representam os encantos da vida campestre, as diver-
sões da vida privada, a felicidade citadina, a felicidade doméstica, os prazeres e as alegrias dos homens.
Onde é preciso procurar as chaves da felicidade? A maioria dos filósofos e escritores não se contenta em 
encorajar as reformas sociais, mas valoriza as experiências individuais. E entre estas, o primeiro lugar é 
ocupado pelas afeições que ligam cada um aos seres que o cercam. [...]
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130	 europa,	o	centro	do	mundo
a)	 De	acordo	com	Todorov,	o	pensamento	iluminista	representou	uma	ruptura	com	o	cristianismo?	Explique.
b)	O	romantismo	nasceu	no	final	do	século	XVIII	na	Alemanha,	Inglaterra	e	Itália,	tendo	se	espalhado	rapi-
damente	pela	Europa.	Especialmente	forte	na	França,	valorizava	os	sentimentos	e	a	emoção,	a	liberda-
de	criativa,	a	história	e	o	ideal	de	nação.	Considerando	o	texto	acima,	explique	que	relação	o	surgimento	
do	romantismo	pode	ter	tido	com	a	difusão	do	iluminismo.
c)	 Em	sua	opinião,	de	que	maneira	o	Estado	pode	se	tornar	promotor	da	felicidade	humana?	Desenvolva	
argumentos	para	sustentar	seu	ponto	de	vista.
2 leitura, interpretação de texto e reflexão
	 Leia	o	texto	de	Rousseau,	a	seguir.	Depois	responda:
Por volta do fim do século XVIII, pretende-se erguer a felicidade como finalidade, não apenas da existên-
cia individual, mas também do governo do Estado. A “busca da felicidade” figurará nos Estados Unidos da 
Declaração da Independência; na França, Lavoisier, ao mesmo tempo químico notável e homem político, 
escreveu uma tese em 1787: “A verdadeira finalidade de um governo deve ser aumentar a soma dos pra-
zeres, a soma da felicidade e do bem-estar de todos os indivíduos.” [...] A Revolução, da qual será vítima 
Lavoisier, mostrará que é pouco recomendável deixar a totalidade de uma existência humana aos cuida-
dos do governo. Resta, no entanto, o princípio segundo o qual as instituições sociais de um país devem 
estar a serviço dos homens e das mulheres que nelas vivem.
TODOROV,	Tzvetan.	O espírito das Luzes.	São	Paulo:	Barcarolla,	2008.	p.	103-107.
“[...]
Quereis, portanto, dar consistência ao Estado? Aproximai os graus extremos, tanto quanto possível; não 
suporteis nem opulentos nem indigentes. Essas duas condições, naturalmente inseparáveis, são igual-
mente funestas ao bem comum [...] Que nenhum cidadão seja assaz opulento para poder comprar outro 
e que nenhum seja bastante pobre para se achar constrangido a vender-se. [...]”
ROUSSEAU,	Jean-Jacques.	In:	CHEVALIER,	Jean-Jacques.	As grandes obras políticas:	de	Maquiavel	a	nossos	dias.		
Rio	de	Janeiro:	Agir,	1980.	p.	166.
A fundAção dos estAdos unidos dA AméricA
Nas colônias inglesas da América do Norte acon-
teceu aprimeira aplicação efetiva dos ideais ilumi-
nistas, com a geração de um movimento político e a 
organização de um novo país. Até então, a ideia e a 
prática de república restringiam-se à Antiguidade, ou 
eram uma exceção localizada em territórios exíguos, 
como nas repúblicas italianas.
Como você já estudou, no início da colonização o 
controle inglês sobre suas Treze Colônias na América 
do Norte foi brando. As revoluções inglesas no século 
XVII e o envolvimento em guerras europeias contri-
buíram para a debilidade do fiscalismo estabelecido 
pela metrópole. Livres da exploração, aos poucos as 
colônias conquistaram expressivo desenvolvimento 
econômico, não apenas as do sul agroexportador, mas 
também as do norte, onde havia intensa atividade co-
mercial e manufatureira.
A expansão econômica do norte chegou a fazer 
concorrência com a Inglaterra, no comércio de longa 
distância com o Caribe, a África e a própria Europa. 
Além disso, com os progressos da Revolução Indus-
trial durante o século XVIII, o reino inglês se lançou 
em busca de novos mercados consumidores, o que 
incluiu as próprias Treze Colônias.
a)	 Para	Rousseau,	qual	é	a	condição	fundamental	para	que	um	Estado	se	torne	consistente?	Explique.
b)	Que	relação	podemos	estabelecer	entre	as	considerações	expressas	acima	e	a	concepção	de	Estado	
construída	no	século	XVIII?
c)	 Se	partirmos	das	considerações	feitas	por	Rousseau	no	trecho	acima,	podemos	considerar	o	Estado	
brasileiro	consistente?	Justifique.
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	 o	ILumInIsmo	e	a	IndependêncIa	das	coLônIas	InGLesas	da	amérIca	do	norte	 131
Aos poucos, o Parlamento inglês foi lançan-
do as bases de uma política fiscal, ou seja, de uma 
legislação voltada para a cobrança de impostos na 
América. A Guerra dos 
Sete Anos (1756-1763) 
contra a França acele-
rou o processo, ao dese-
quilibrar as finanças do 
Estado inglês.
Além disso, o fato 
de o conflito ter se de-
senrolado parcialmen-
te em território norte-
-americano serviu como 
pretexto para a cobrança de impostos. Os ingleses ar-
gumentaram que, por ter sido uma guerra em defesa 
da América inglesa contra as agressões francesas, os 
colonos deveriam ajudar a cobrir seus gastos.
O estreitamento dos laços entre a Inglaterra e 
suas colônias, entretanto, contrariava os princípios 
iluministas de liberdade e autodeterminação, além de 
comprometer a autonomia de que sempre gozaram as 
colônias. Os conflitos tornaram-se constantes.
Em 1764, a Inglaterra lançou o Sugar Act (‘Lei do 
Açúcar’), taxando todos os carregamentos de açúcar 
que não fossem provenientes das Antilhas inglesas. A 
determinação prejudicava diretamente os interesses 
dos colonos, que adquiriam por todo o Caribe o mela-
ço, matéria-prima para a produção de rum.
No ano seguinte, o governo inglês, visando a 
ampliar a arrecadação, estabeleceu o Stamp Act 
(‘Lei do Selo’), segundo o qual todo o material im-
presso publicado nas colônias deveria receber um 
guerra dos Sete anos:	de-
sencadeada	 pela	 competi-
ção	 econômica	 e	 colonial	
entre	 a	 França	 e	 a	 Ingla-
terra	na	américa	do	norte	
e	em	outros	territórios.	no	
conflito,	boa	parte	dos	indí-
genas	 das	 colônias	 norte-	
-americanas	 aliou-se	 aos	
franceses.	a	 Inglaterra	ven-
ceu	 o	 conflito,	 mas	 sua	
economia	foi	abalada.
selo vendido pela metrópole. Inconformados, os co-
lonos reuniram-se em Nova York, no Congresso da 
Lei do Selo, rejeitando o novo imposto e repudiando 
qualquer relação, inclusive comercial, com a metró-
pole, pelo menos enquanto os habitantes das Treze 
Colônias não tivessem uma representação no Parla-
mento inglês.
Mesmo na Inglaterra, as arbitrariedades come-
tidas pelo governo causavam certo mal-estar em al-
guns meios. Na crítica cada vez mais violenta à polí-
tica colonial inglesa, destacou-se o estadista William 
Pitt. Em discurso no Parlamento, declarou: “Sou de 
opinião de que este reino não tem direito de taxar co-
lônias. Os americanos são filhos da metrópole, e não 
seus bastardos [...]”1.
Em 1766, a Lei do Selo foi revogada. Em 1767, 
todavia, a Inglaterra criou novos impostos para as 
colônias, principalmente por iniciativa do ministro 
Charles Townshend. As novas taxações deflagraram 
a oposição dos colonos, como acontecia a cada nova 
medida fiscal. A tensão aumentou em 1770, quando 
uma manifestação dos colonos foi reprimida pela 
guarda metropolitana inglesa, que disparou contra 
a população, matando cinco pessoas – episódio co-
nhecido como Massacre de Boston.
Em 1773, foi elaborado o Tea Act (‘Lei do Chá’), 
por meio do qual o produto passou a ser monopoliza-
do pela Companhia das Índias Orientais, sediada em 
Londres. A medida, criada por Townshend, intensi-
ficava a tributação colonial e ampliava o controle da 
venda do produto, combatendo o contrabando do chá 
holandês e excluindo os norte-americanos do comér-
cio do chá britânico.
O estabelecimento de um re-
gime de monopólio provocou, mais 
uma vez, violenta reação contra a me-
trópole. Em dezembro, colonos ataca-
ram e ocuparam três navios ingleses 
no porto de Boston, jogando ao mar 
sua valiosa carga de chá. O episódio 
ficou conhecido como Boston Tea 
Party (‘A Festa do Chá de Boston’).
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r
1 O complexo equilíbrio do poder público. Disponível em: <www.tj.ba.gov.br/publicacoes/mem_just/volume3/cap3.htm>. Acesso em: 17 set. 2012.
∏	 William Penn desembarcando na Pensilvâ-
nia	(1682),	ocupada	por	nativos	indígenas	
e	holandeses,	obra	de	J.	G.	L.	Ferris,	do	
século	XIX.	William	penn	foi	o	fundador	
da	 província	 da	 pensilvânia	 e	 idealizou	
um	local	com	liberdade	de	expressão	re-
ligiosa.
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