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o ILumInIsmo e a IndependêncIa das coLônIas InGLesas da amérIca do norte 127 Outro grande nome do Iluminismo francês no século XVIII foi Jean-Jacques Rousseau (1712- -1778). Em sua obra O contrato social, manifestou sua crença na liberdade dos homens, uma vez que nasciam todos iguais e, por meio de sua livre vonta- de, criavam as leis e organizavam a sociedade. Rousseau foi grande defensor da democracia, não como a compreendemos hoje, indissociável de eleições e de voto universal, mas como expressão da vontade geral da população de uma nação. Cri- ticava o excessivo racionalismo, que, a seu ver, re- primia os indivíduos: o conhecimento e a felicidade humanos dependeriam, em grande parte, de culti- var e expressar os sentimentos. ∏ a publicação da Enci- clopédia enfrentou re- sistência e pressão dos grupos aliados ao anti- go regime. em 1759 foi condenada pelo papa clemente XIII. ∏ Jean-Jacques rousseau em pintura de maurice Quentin de la tour, 1753. em Emílio, rousseau de- fendia a liberdade essen- cial do homem natural e, em O contrato social, um estado submetido à vontade geral. diante das pressões de seus antagonistas do governo (a obra Emílio foi apreen- dida e queimada) e da decretação de sua prisão pelas autoridades, rous- seau foi obrigado a fugir de paris. R e p ro d u ç ã o /A c e rv o d e O b ra s R a ra s d a F u n d a ç ã o B ib li o te c a N a c io n a l, R io d e J a n e ir o , R J . O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer “isto é meu” e en- controu pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: “Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém!”. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a desigualdade. São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 259. (Os pensadores). O fundamento progressista das ideias iluministas, a crença num continuado aperfeiçoamento com base na razão, no avan- ço apoiado nas ciências, serviram de fundamento às sociedades ocidentais do século XIX e XX. Assim, o desenvolvimentismo, o eurocentrismo e outras considerações destacadas no “Discutindo a história” no Capítulo 1 desta unidade entrelaçam-se. Foi em meados do século XX que emergiram críticas ao Iluminismo, por parte de pensadores da geração de exilados da Segunda Guerra Mundial. Contestaram a ideia de progresso e a validade da tecnologia para a história da humanidade. Tais filóso- fos, membros do que ficou conhecido como Escola de Frankfurt, como Theodor Adorno e Horkheimer, apontaram que: [...] uma vez derrotado o fanatismo religioso, o homem pas- sou a ser vítima de um novo fanatismo, criando outro dogma, o da ciência e da tecnologia. Nas últimas décadas do século XX surgiu outra corrente filosófica contrária ao Iluminismo, a pós-modernidade. Critican- do o predomínio das sociedades ocidentais sobre o mundo e a imposição de seus valores a todas as culturas em contato com os ocidentais, os pós-modernos passaram a criticar a suprema- cia do cientificismo e do progresso. O culto ao progresso entrou em decadência nos meios intelectuais e os limites entre razão, senso comum e religiosidade começaram a ser repensados. Ape- sar disso, a estrutura de pensamento predominante no Ocidente continua a ser derivada do Iluminismo, e alguns autores atuais, inclusive, pregam a revalorização dos princípios iluministas. SILVA, Kalina Vanderlei. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006. p. 212. PrOgreSSO e tecnOLOgIa: dO cuLtO à crítIca Questões interdisciplinares 1. Que relação rousseau estabelece entre a pro- priedade privada e a criação da sociedade civil? 2. para rousseau, a propriedade é um direito natu- ral do homem? Justifique. Suas ideias, rejeitadas pela alta burguesia pela crítica ao racionalismo, ao elitismo governamental e à opulência, tiveram aceitação nos setores mé- dios e mais populares, provocando grande impacto na posterior Revolução Francesa, em seus momen- tos mais radicais. Os filósofos Di- derot (1717-1783) e D’Alembert (1713- -1784) foram os res- ponsáveis pela compi- lação da Enciclopédia, Maurice Quentin de La Tour/Museu de Arte e História, Genebra, Suíça. HGB_v2_PNLD2015_125a135_u1c10.indd 127 3/21/13 3:33 PM 128 europa, o centro do mundo obra monumental dividida em 35 volumes que cons- tituiu uma tentativa de reunir, de forma sistemática, todo o conhecimento humano acumulado até então, conforme entendido pelos iluministas. A empreitada teve 130 colaboradores. A obra expressa valores como a substituição da fé pelo racionalismo; o estímulo à ciência; o deís- mo (crença em Deus como força impulsionadora do Universo); e a ideia de contrato entre governantes e governados. Entre seus colaboradores incluem-se Voltaire, Montesquieu e Rousseau. Mesmo expres- sando divergência de opiniões entre seus autores, a Enciclopédia foi fundamental como instrumento divulgador dos ideais liberais para a política e para a economia. Os economistas do Iluminismo Os pensadores iluministas produziram duas correntes distintas de interpretação da economia dos reinos e das nações: a fisiocracia, cujos princí- pios estiveram em voga no final do século XVIII, e o liberalismo, que logo passou a ser aceito como a “verdade” econômica. A escola econômica fisiocrata despontou como crítica às concepções mercantilistas dominantes. Rejeitando o metalismo, os fisiocratas consideravam a terra – e não o acúmulo de metais preciosos – a única fonte de riqueza, sendo o comércio e a ativi- dade manufatureira apenas meios de transformar ou fazer circular essa riqueza. Seus principais nomes foram Quesnay (1694- -1774), Gournay (1712-1759) e Turgot (1727-1781). Ao defender o fim das regulamentações que limita- vam a atividade econômica, Gournay cunhou a ex- pressão Laissez faire, laissez passer, le monde va de lui même (‘Deixem fazer, deixem passar, o mundo vai por si mesmo’). O britânico Adam Smith (1723-1790) é consi- derado o “pai da economia como ciência”. Sistema- tizou a análise econômica, elaborando e demons- trando leis. Condenava o controle estatal, afirmando que o trabalho é a única fonte de riqueza, e não o comércio. Acreditava que os Estados enriqueceriam se au- mentasse a produtividade do trabalho, o que seria pos- sível pelo racionalismo. A concorrência, a divisão do trabalho e o livre-comércio permitiriam que se atingis- se o equilíbrio social. Suas ideias caracterizam o libe- ralismo econômico, a cartilha do capitalismo liberal. O despotismo esclarecido No final do século XVIII, diversos reis absolutis- tas europeus, devidamente assessorados por seus mi- nistros “esclarecidos”, realizaram reformas de cunho iluminista. Essas reformas consistiram em atenuar as tensões entre monarcas e burguesia, por meio da mo- dernização e do aumento da eficiência administrativa dos reinos e do incentivo à educação pública, com a criação de escolas e o apoio às academias literárias e científicas. Desse modo, os reis tentavam garantir uma sobrevida ao Estado absolutista. O movimento ficou conhecido como despotis- mo esclarecido e carregava uma contradição funda- mental: se, por um lado, alguns reis estavam dispostos a realizar reformas, por outro não iriam tolerar limita- ções ou perda de poderes. Assim, a burguesia local re- cebeu bem as reformas, mas, mais cedo ou mais tarde, também acabou exigindo mudanças políticas inacei- táveis para os monarcas com poderes excessivamente centralizados. Os principais déspotas esclarecidos foram os reis da Áustria ( José II), Rússia (Catarina II), Prússia (Frederico II), de Portugal (dom José II, com seu mi- nistro,o marquês de Pombal) e da Espanha (Carlos III, com seu ministro, o conde de Aranda). As reformas enfatizaram o aspecto econômico, procurando acomodar os interesses da nobreza e da burguesia locais a novas práticas mercantilistas, de modo que pudessem recuperar suas finanças e en- frentar a concorrência da França e da Inglaterra, já consolidadas como as maiores potências econômicas da Europa. As reformas também incluíram o estímulo à cultura, às artes e à filosofia. Quanto às demais monarquias europeias, a in- glesa já havia se submetido à autoridade de um par- lamento burguês desde 1688, com a Revolução Glo- riosa, como você estudou no capítulo 6. Os reis fran- ceses, entretanto, permaneceram irredutíveis e não cederam às reformas, de modo que as relações entre os vários segmentos da sociedade se deterioraram cada vez mais. No final do século XVIII, assistiu-se ao rompimento da ordem existente, pela eclosão de uma revolução burguesa, a partir de 1789. O sucesso da Revolução Francesa e sua expansão, bem como a vitória do movimento de independência dos Estados Unidos, fizeram com que as ideias ilumi- nistas deixassem de ser meras propostas e passassem a fundamentar o sistema político conhecido como li- beralismo político, que iria se consolidar em grande parte do Ocidente a partir do início do século XIX. HGB_v2_PNLD2015_125a135_u1c10.indd 128 3/21/13 3:33 PM o ILumInIsmo e a IndependêncIa das coLônIas InGLesas da amérIca do norte 129 A quedA do Antigo regime e A erA dAs revoluções No final do século XVIII, desencadeou-se na Eu- ropa o processo que levaria à queda do Antigo Regime. Esse processo pode ser caracterizado pelo colapso do Estado moderno centralizado e sua substituição por um novo tipo de Estado, controlado pela burguesia, chamado Estado liberal. A mudança não foi imediata. Teve várias idas e vindas e não se concluiu da mes- ma forma em toda a Europa, já que diversos países mantiveram ou restauraram monarquias com amplos poderes para o soberano. Nesse processo, grande parte dos últimos res- quícios do feudalismo foi eliminada, e uma série de privilégios associados à velha aristocracia desapa- receu. Foi possível assistir, portanto, à emergência de um novo mundo, marcado pelo sucesso burguês e pelo desenvolvimento máximo do capitalismo com a industrialização. Foram elementos desagre- gadores do Antigo Regime: a independência dos Estados Unidos (1776), a Revolução Industrial na Inglaterra (cerca de 1760-1850) e a Revolução Fran- cesa (1789-1799). A independência dos Estados Unidos, marco do início da derrocada do Antigo Regime, foi influencia- da pela difusão das ideias iluministas, como o direito à liberdade e o direito de resistir a um governo auto- ritário. Essas ideias forneceram a base teórica não só para a independência, mas também para a edificação do novo Estado. 1 leitura e interpretação de texto O texto abaixo é de autoria do historiador e ensaísta búlgaro Tzvetan Todorov e faz parte de um livro dedi- cado à análise do pensamento iluminista. Depois de tê-lo lido, responda às questões propostas adiante. eXercícIOS de hIStórIa A autonomia sozinha não basta para descrever a maneira como as Luzes concebem o ideal da conduta humana. É melhor ser dirigido por sua própria vontade do que por uma regra vinda de fora, decerto, mas para ir aonde? Nem todas as vontades e ações são equivalentes. Ora, não se pode mais apelar ao céu para decidir quais são as boas e quais são as más, é preciso ater-se às realidades terrestres. Da finalidade longínqua – Deus – deve-se passar a uma finalidade bem mais próxima. Esta, proclama o pensamento das Luzes, é a própria humanidade. É bom o que serve para aumentar o bem-estar dos homens. Tal afirmação representa uma flexibilização da doutrina cristã mais do que sua rejeição. Esta colocou de fato a equivalência dos dois amores, a Deus e ao próximo. São Paulo proclama diversas vezes que “aquele que ama o próximo cumpriu a Lei”. Simplesmente, os pensadores das Luzes declaram se satisfazer com um só termo dessa equação. “Basta que os homens se apeguem ao amor cristão; pouco importa o que aconteça à religião cristã” – escreveu Lessing em 1777: o quadro doutrinal e institucional é afastado, não o conteúdo que ele valorizava. É o mesmo espírito deísta que Franklin ilustra dez anos mais tarde, afirmando: “O culto mais agradável a Deus é fazer o bem aos homens”. O amor pelos seres humanos não tem necessidade de uma justificativa divina [...]. Daí o ser humano se tornar o horizonte de nossa atividade, o ponto focal para o qual tudo converge. Quan- do Diderot se interroga sobre o princípio que unifica seu projeto enciclopédico, ele só vê um: o homem. E assim é para o universo que essa Enciclopédia tenta apreender e representar. “Por que não introduzimos o homem em nossa obra como ele está colocado no universo? Por que não faríamos dele um centro comum?” É ao mesmo tempo um direito e um dever: o homem se torna o centro da obra porque ele é o centro do mundo – ou melhor, é o que lhe dá sentido. [...] Uma palavra designa o bem-estar humano nesta Terra: é a felicidade. Sua busca se torna legítima e substitui a salvação. [...] Os quadros dos pintores representam os encantos da vida campestre, as diver- sões da vida privada, a felicidade citadina, a felicidade doméstica, os prazeres e as alegrias dos homens. Onde é preciso procurar as chaves da felicidade? A maioria dos filósofos e escritores não se contenta em encorajar as reformas sociais, mas valoriza as experiências individuais. E entre estas, o primeiro lugar é ocupado pelas afeições que ligam cada um aos seres que o cercam. [...] HGB_v2_PNLD2015_125a135_u1c10.indd 129 3/21/13 3:33 PM 130 europa, o centro do mundo a) De acordo com Todorov, o pensamento iluminista representou uma ruptura com o cristianismo? Explique. b) O romantismo nasceu no final do século XVIII na Alemanha, Inglaterra e Itália, tendo se espalhado rapi- damente pela Europa. Especialmente forte na França, valorizava os sentimentos e a emoção, a liberda- de criativa, a história e o ideal de nação. Considerando o texto acima, explique que relação o surgimento do romantismo pode ter tido com a difusão do iluminismo. c) Em sua opinião, de que maneira o Estado pode se tornar promotor da felicidade humana? Desenvolva argumentos para sustentar seu ponto de vista. 2 leitura, interpretação de texto e reflexão Leia o texto de Rousseau, a seguir. Depois responda: Por volta do fim do século XVIII, pretende-se erguer a felicidade como finalidade, não apenas da existên- cia individual, mas também do governo do Estado. A “busca da felicidade” figurará nos Estados Unidos da Declaração da Independência; na França, Lavoisier, ao mesmo tempo químico notável e homem político, escreveu uma tese em 1787: “A verdadeira finalidade de um governo deve ser aumentar a soma dos pra- zeres, a soma da felicidade e do bem-estar de todos os indivíduos.” [...] A Revolução, da qual será vítima Lavoisier, mostrará que é pouco recomendável deixar a totalidade de uma existência humana aos cuida- dos do governo. Resta, no entanto, o princípio segundo o qual as instituições sociais de um país devem estar a serviço dos homens e das mulheres que nelas vivem. TODOROV, Tzvetan. O espírito das Luzes. São Paulo: Barcarolla, 2008. p. 103-107. “[...] Quereis, portanto, dar consistência ao Estado? Aproximai os graus extremos, tanto quanto possível; não suporteis nem opulentos nem indigentes. Essas duas condições, naturalmente inseparáveis, são igual- mente funestas ao bem comum [...] Que nenhum cidadão seja assaz opulento para poder comprar outro e que nenhum seja bastante pobre para se achar constrangido a vender-se. [...]” ROUSSEAU, Jean-Jacques. In: CHEVALIER, Jean-Jacques. As grandes obras políticas: de Maquiavel a nossos dias. Rio de Janeiro: Agir, 1980. p. 166. A fundAção dos estAdos unidos dA AméricA Nas colônias inglesas da América do Norte acon- teceu aprimeira aplicação efetiva dos ideais ilumi- nistas, com a geração de um movimento político e a organização de um novo país. Até então, a ideia e a prática de república restringiam-se à Antiguidade, ou eram uma exceção localizada em territórios exíguos, como nas repúblicas italianas. Como você já estudou, no início da colonização o controle inglês sobre suas Treze Colônias na América do Norte foi brando. As revoluções inglesas no século XVII e o envolvimento em guerras europeias contri- buíram para a debilidade do fiscalismo estabelecido pela metrópole. Livres da exploração, aos poucos as colônias conquistaram expressivo desenvolvimento econômico, não apenas as do sul agroexportador, mas também as do norte, onde havia intensa atividade co- mercial e manufatureira. A expansão econômica do norte chegou a fazer concorrência com a Inglaterra, no comércio de longa distância com o Caribe, a África e a própria Europa. Além disso, com os progressos da Revolução Indus- trial durante o século XVIII, o reino inglês se lançou em busca de novos mercados consumidores, o que incluiu as próprias Treze Colônias. a) Para Rousseau, qual é a condição fundamental para que um Estado se torne consistente? Explique. b) Que relação podemos estabelecer entre as considerações expressas acima e a concepção de Estado construída no século XVIII? c) Se partirmos das considerações feitas por Rousseau no trecho acima, podemos considerar o Estado brasileiro consistente? Justifique. HGB_v2_PNLD2015_125a135_u1c10.indd 130 3/21/13 3:33 PM o ILumInIsmo e a IndependêncIa das coLônIas InGLesas da amérIca do norte 131 Aos poucos, o Parlamento inglês foi lançan- do as bases de uma política fiscal, ou seja, de uma legislação voltada para a cobrança de impostos na América. A Guerra dos Sete Anos (1756-1763) contra a França acele- rou o processo, ao dese- quilibrar as finanças do Estado inglês. Além disso, o fato de o conflito ter se de- senrolado parcialmen- te em território norte- -americano serviu como pretexto para a cobrança de impostos. Os ingleses ar- gumentaram que, por ter sido uma guerra em defesa da América inglesa contra as agressões francesas, os colonos deveriam ajudar a cobrir seus gastos. O estreitamento dos laços entre a Inglaterra e suas colônias, entretanto, contrariava os princípios iluministas de liberdade e autodeterminação, além de comprometer a autonomia de que sempre gozaram as colônias. Os conflitos tornaram-se constantes. Em 1764, a Inglaterra lançou o Sugar Act (‘Lei do Açúcar’), taxando todos os carregamentos de açúcar que não fossem provenientes das Antilhas inglesas. A determinação prejudicava diretamente os interesses dos colonos, que adquiriam por todo o Caribe o mela- ço, matéria-prima para a produção de rum. No ano seguinte, o governo inglês, visando a ampliar a arrecadação, estabeleceu o Stamp Act (‘Lei do Selo’), segundo o qual todo o material im- presso publicado nas colônias deveria receber um guerra dos Sete anos: de- sencadeada pela competi- ção econômica e colonial entre a França e a Ingla- terra na américa do norte e em outros territórios. no conflito, boa parte dos indí- genas das colônias norte- -americanas aliou-se aos franceses. a Inglaterra ven- ceu o conflito, mas sua economia foi abalada. selo vendido pela metrópole. Inconformados, os co- lonos reuniram-se em Nova York, no Congresso da Lei do Selo, rejeitando o novo imposto e repudiando qualquer relação, inclusive comercial, com a metró- pole, pelo menos enquanto os habitantes das Treze Colônias não tivessem uma representação no Parla- mento inglês. Mesmo na Inglaterra, as arbitrariedades come- tidas pelo governo causavam certo mal-estar em al- guns meios. Na crítica cada vez mais violenta à polí- tica colonial inglesa, destacou-se o estadista William Pitt. Em discurso no Parlamento, declarou: “Sou de opinião de que este reino não tem direito de taxar co- lônias. Os americanos são filhos da metrópole, e não seus bastardos [...]”1. Em 1766, a Lei do Selo foi revogada. Em 1767, todavia, a Inglaterra criou novos impostos para as colônias, principalmente por iniciativa do ministro Charles Townshend. As novas taxações deflagraram a oposição dos colonos, como acontecia a cada nova medida fiscal. A tensão aumentou em 1770, quando uma manifestação dos colonos foi reprimida pela guarda metropolitana inglesa, que disparou contra a população, matando cinco pessoas – episódio co- nhecido como Massacre de Boston. Em 1773, foi elaborado o Tea Act (‘Lei do Chá’), por meio do qual o produto passou a ser monopoliza- do pela Companhia das Índias Orientais, sediada em Londres. A medida, criada por Townshend, intensi- ficava a tributação colonial e ampliava o controle da venda do produto, combatendo o contrabando do chá holandês e excluindo os norte-americanos do comér- cio do chá britânico. O estabelecimento de um re- gime de monopólio provocou, mais uma vez, violenta reação contra a me- trópole. Em dezembro, colonos ataca- ram e ocuparam três navios ingleses no porto de Boston, jogando ao mar sua valiosa carga de chá. O episódio ficou conhecido como Boston Tea Party (‘A Festa do Chá de Boston’). R e p ro d u ç ã o /C o le ç ã o p a rt ic u la r 1 O complexo equilíbrio do poder público. Disponível em: <www.tj.ba.gov.br/publicacoes/mem_just/volume3/cap3.htm>. Acesso em: 17 set. 2012. ∏ William Penn desembarcando na Pensilvâ- nia (1682), ocupada por nativos indígenas e holandeses, obra de J. G. L. Ferris, do século XIX. William penn foi o fundador da província da pensilvânia e idealizou um local com liberdade de expressão re- ligiosa. 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