Prévia do material em texto
Aula 11 – Regiões Geoeconômicas 105 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Neste ponto da história do território brasileiro, parece lícito propor, a partir das premissas levantadas aqui, uma discussão em torno da possibilidade de propormos uma divisão regional baseada, simultaneamente, numa atualidade marcada pela difusão diferencial do meio-técnico-científico-informacional e nas heranças do passado. Fonte: SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2001.p.268. AMAZÔNIA A Amazônia é formada nessa regionalização pelos estados do Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia. É uma região de pequena densidade demográfica e poucos recursos tecnológicos. São raras as áreas destinadas à agricultura mecanizada e outras atividades modernas. Foi a última a ampliar sua mecanização, tanto na produção econômica quanto no próprio território. REGIÃO CONCENTRADA Abrangendo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, é composta por um denso sistema de fluxos, em razão dos elevados índices de urbanização, por atividades comerciais intensas e alto padrão de consumo de muitas empresas e de parte da população. É o centro de tomada de decisões do território brasileiro, abrigando atividades modernas e globalizadas, como alguns setores financeiros e de serviços. Os maiores centros urbanos se tornaram polos de comércio e de serviços. Na foto, prédios com helipontos, na Vila Olímpia, em São Paulo. REGIÃO NORDESTE Excetuando-se o período de grande desenvolvimento da economia canavieira (séculos XVI e XVII), de modo geral nela a circulação de pessoas, produtos, informação, dinheiro sempre foi precária, em razão da agricultura pouco intensiva e da urbanização irregular em alguns pontos do território sem falar é claro das relações sociais que aí se estabelecem. A influência do fenômeno da globalização e a instalação do meio técnico-científico-informacional em certas manchas do território regional, como nas áreas irrigadas (o caso do vale do São Francisco), vão-se dar sobre um quadro socioespacial praticamente engessado. Essa situação abre a perspectiva de importantes fraturas na história social, com mudanças brutais dos papéis econômicos e políticos de grupos e pessoas e também lugares. Fonte: SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2001.p.268. Num bom pedaço do sertão nordestino, o cenário de pobreza está mudando. Numa área formada pelas zonas de cerrado de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, culturas de soja, milho e algodão cada vez mais se misturam à paisagem. Apelidada de MAPITOBA por alguns e BAMATOPI por outros, a região já responde por 10% da soja produzida no país e desponta como uma das maiores potências no agronegócio. Com 2 milhões de habitantes, esse pedaço de Brasil ainda apresenta um PIB modesto: 6 bilhões de dólares, equivalente ao de Belém. Mas a geração de riqueza está se acelerando. Os produtores de grãos estabelecidos há mais tempo são migrantes do centro- sul do Brasil, em sua maioria gaúchos e paranaenses. A eles se somou recentemente uma leva de investidores estrangeiros e empresas do agronegócio. Foram eles que fizeram 70% das aquisições de terras na região em 2008. Hoje, quem percorre a rodovia BR-230, no sul do Maranhão, vê bolsões de produção agrícola entremeando extensões com vegetação de cerrado. "É tanta gente que chega a Balsas que surgem dois ou três novos bairros por ano", diz Francisco Coelho, prefeito da cidade. Balsas é caótica e paradoxal. Ao mesmo tempo que boa parte das ruas não é asfaltada e a telefonia celular ainda é precária, um hipermercado e um restaurante japonês são ícones da chegada da modernidade. Enquanto bairros mais velhos estampam a pobreza nordestina, casas elegantes e jardins bem cuidados surgem em outros cantos. Um loteamento para 3 400 casas, o Cidade Nova, está prestes a ser lançado e será o primeiro bairro planejado do município. Há muitas oportunidades aqui. Faltam desde restaurantes até profissionais de informática, diz Paulo Fachin, presidente da Ceagro, produtora de grãos e revendedora de insumos. Paranaense de Toledo, Fachin era plantador de batatas e tinha dois tratores e um caminhão quando foi para Balsas, em 1986. Hoje, a Ceagro fatura 300 milhões de reais por ano. Moderna produção de grãos em Uruçuí (PI). Fonte: www.veja.com.br 106 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) REGIÃO CENTRO-OESTE Nela estão presentes algumas características da modernização em função de uma agropecuária modernizada, marcadamente exportadora e com ampla utilização de insumos agrícolas, comercializados por grandes empresas multinacionais. É possível afirmar que o Centro-Oeste também está integrado à globalização. BRASIL, NOVA ORDEM E GLOBALIZAÇÃO O Brasil entrou às cegas no mundo global, que promoveu a intensificação dos fluxos internacionais de capitais nos mercados financeiros e a abertura das economias nacionais ao comércio. Na América Latina, os projetos de industrialização protegida deram lugar a ajustes destinados a integrar as economias nacionais a nova realidade global. O período neoliberal que se inicia nos anos 90 na América Latina, marca o período de redemocratização no Brasil e marca a chegada de Fernando Collor de Melo ao poder, seguido de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef. No início dos anos 90 foi implementado no Brasil o Programa Nacional de Desestatização com grande participação de capitais estrangeiros. Esse processo teve seu ápice nas duas gestões FHC (1995-2002). Dilma Roussef, primeira mulher presidente do Brasil. Aula 11 – Regiões Geoeconômicas 107 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 Para responder à questão, considere as afirmativas a seguir, sobre a região nordeste do brasil. I. a região nordeste é a maior região do país, concentrando mais de 50% da população brasileira. II. a sub-região nordestina do sertão é caracterizada pelo clima semi-árido, com a predominância de rios intermitentes. III. a transposição do rio são francisco tem causado muita polêmica, pois há temor de que a transferência das águas possa destruir de vez esse ecossistema. IV.os maiores problemas sociais do nordeste estão no agreste, onde há concentração de miséria associada a subemprego e a baixos salários, principalmente nas metrópoles, como recife e salvador. As afirmativas corretas são, apenas, a) I e II. b) I e III. c) I e IV. d) II e III. e) II, III e IV. Questão 02 O complexo regional do centro-sul possui áreas que se individualizam em virtude do seu desenvolvimento econômico. Associou-se incorretamente a unidade desse complexo às suas respectivas atividades econômicas em: a) porção sul de goiás - cultivo de arroz e de soja. b) quadrilátero ferrífero - exploração de minério de manganês. c) Triângulo mineiro - fabricação de automóveis e produtos químicos. d) norte do rio de janeiro e espírito santo - extração de petróleo. e) vale do tubarão – carvão mineral. Questão 03 O complexo regional da amazônia caracteriza-se pela (o): I - ausência de conflitos fundiários devido à sua baixa ocupação demográfica. II. - predomínio de um clima quente e com chuvas abundantes o ano todo. III. - aceleração do processo de povoamento, nas duas últimas décadas, com o avanço das fronteiras agrícolas. IV- presença de solos de grande fertilidade em função da biodiversidade da região. Sãocorretos apenas os itens: a) I e IV b) I e IIII. c) II e IIII. d) II e IV. e) I, II e III. Questão 04 “A organização do espaço está intimamente ligada ao tempo histórico e ao tipo de sociedade que a constitui”. Analisando a relação entre os fatores acima expostos, identifique a alternativa que melhor expressa a organização espacial do nordeste brasileiro no período colonial. a) para desenvolver a agroindústria da cana-de-açúcar nesta região, os colonizadores portugueses, espanhóis e ingleses introduziram os minifúndios dominados pelos senhores de engenho. b) além da produção de cana-de-açúcar, realizada no agreste, na zona da mata, desenvolveram-se médias e grandes propriedades destinadas à produção de subsistência. c) a produção canavieira, sustentada na mão-de-obra escrava, constituía-se no principal fator de organização do espaço nordestino, cuja produção era voltada ao abastecimento do mercado interno brasileiro. d) no interior da agricultura colonial-escravista, o que mais se destacava era a organização dos latifúndios pecuaristas, os quais propiciaram a expansão e o povoamento do espaço brasileiro. e) A organização espacial da zona da mata nordestina, voltava-se aos interesses da exploração colonial caracterizada pelo latifúndio açucareiro, cuja base de sustentação era a produção a partir da mão-de-obra escrava destinada à exportação. Questão 05 No processo de povoamento do brasil, as migrações internas tiveram um papel de destaque, uma vez que existe grande mobilidade na população do brasil. Destaca-se como resultado desses movimentos migratórios: a) o povoamento da região sul no início do século por trabalhadores oriundos das regiões norte e nordeste. Anotações 108 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) b) A ocupação das áreas marginais à zona açucareira nordestina, no período de expansão do produto, ao final do século xvi. c) o deslocamento de levas sucessivas de nordestinos para a construção de brasília no centro oeste no final do século xix. d) a penetração do gado bovino seguindo em direção oeste paulista. e) a ocupação do planalto meridional no século xviii, principalmente pela população da amazônia durante a fase áurea da mineração Questão 06 Examinando o mapa abaixo, identifique, entre as alternativas que se seguem, aquelas que destacam corretamente a relação entre a ocupação do território e as atividades econômicas respectivas do período colonial: 1. Na região 1 houve o plantio da cana-de-açúcar e do café. Utilizando-se escravos negros e índios, estes últimos oriundos das missões organizadoras pelas ordens religiosas. 2. Na região 2 o povoamento predominantemente rural, assentando-se a colonização na grande lavoura açucareira, que utilizou principalmente a mão-de-obra escrava trazida da áfrica. 3. Nas regiões assinaladas pelo nº 3 predominou a criação de gado de corte, em grande parte, ao abastecimento de diversas regiões da própria colônia. 4. Na região 4 o desenvolvimento da mineração levou à criação de diversos núcleos urbanos ao longo do século xviii, com a acentuada presença de contingentes lusitanos que vinham às minas e, assim, constituíram importantes vilas. 5. Na região 5, correspondente ao estado do maranhão, a atividade econômica básica era o cultivo do arroz e do algodão pela mão-de-obra indígena reduzida à escravidão com o apoio dos holandeses. As únicas afirmativas corretas são: a) 1 e 3. b) 2 e 5. c) 2, 3 e 4. d) 1, 2 e 5. e) 1, 3 e 4. Questão 07 O processo de industrialização do nordeste iniciou-se na segunda metade do século xix. No início do século xx, sofreu a implantação de indústrias diferentes das até então existentes. A sudene reanimou o desenvolvimento industrial nordestino. Assinale a alternativa correta que se relaciona às afirmações anteriores. a) a sudene criando novas indústrias nas décadas de 60 e 70 aumentou sensivelmente o número de empregos, nas capitais nordestinas e reduziu as migrações para essas capitais. b) a sudene conseguiu reanimar as indústrias tradicionais, na primeira metade do século xx, incentivando a implantação de fábricas de extração de óleo de sementes de algodão, de mamona e de oiticica que não sendo automatizadas resolveram, em boa parte, a questão do emprego. c) a implantação de usinas de açúcar e de fábricas de tecidos ligadas à produção do algodão, do agave e caroá foram iniciadas apenas após a criação da sudene, na década de 1950. d) apesar da sudene provocar um certo desenvolvimento industrial, não houve uma diversificação nos tipos de indústrias do nordeste, após a década de 1950, permanecendo a mesma estrutura industrial, baseada na manufatura de produtos agrícolas. e) Incentivos fiscais contribuíram para a implantação de novas indústrias e a modernização de algumas das antigas, no entanto, a sudene investindo mais em áreas que já apresentavam um certo dinamismo econômico, não minimizou a pobreza nordestina e as migrações para as grandes cidades. Anotações Aula 11 – Regiões Geoeconômicas 109 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 08 A região destacada no mapa a seguir caracteriza-se entre outros fatores por: a) apresentar uma estrutura agrária exclusivamente de latifúndios dedicados à lavoura de cana-de- açúcar. b) dedicar-se à pecuária extensiva, lembrança da principal atividade desenvolvida no período colonial. c) aproveitar suas terras mais úmidas para a fruticultura, não necessitando, desta forma, de irrigação. d) englobar a maior produção de arroz de toda a região nordestina. e) predominam historicamente os minifúndios policultores de hortifrutigranjeiros. Anotações 110 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 A GEOPOLÍTICA DO ESTADO Na Amazônia brasileira, o Estado favoreceu a economia urbana para fins geopolíticos. O mais flagrante caso moderno foi a criação de uma área na qual o Estado tentou pela primeira vez introduzir a substituição de importações. Ao conceder incentivos fiscais federais e estaduais à produção empresarial de bens de consumo inéditos ou de produção inexpressiva no Brasil, o Estado teve claro objetivo geopolítico, implantando uma economia industrial em meio a uma região dominada ainda por uma economia mercantil em área pouco povoada e com um passado de disputas. Fonte: BECKER, B. A urbe amazônida. Rio de Janeiro: Garamond, 2013, p. 44. Adaptado. Essa área criada pelo Estado, no final da década de 1960, pertence ao seguinte empreendimento regional: a) Projeto Calha Norte. b) Zona Franca de Manaus. c) Rodovia Transamazônica. d) Programa Grande Carajás. e) Programa ALBRAS-ALUNORTE Questão 02 Com base na figura seguinte, assinale a alternativa correta. a) A figura destaca as três macrorregiões naturais do Brasil, segundo o IBGE (1960), que dividiu o país em Amazônia, Nordeste e Centro Sul. b) A Amazônia corresponde à região Norte, incluindo a totalidade dos estados de Tocantins, Mato Grosso e Maranhão. c) A região Centro Sul corresponde às regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, além do Distrito Federal e do vale do rio São Francisco. d) A região Nordeste do país compreende 09 estados brasileiros, excetuando-se apenas o estado do Maranhão e incluindo o norte de Minas Gerais. e) A figura representa as três grandes regiões geoeconômicas, ou complexos regionais, que obedecem a critérios ligados aos aspectos naturais e ao processo de formação sócio-espacial do território brasileiro. Trata- se de uma proposta não oficial difundida entre os pesquisadores e na mídia em geral. Questão 03 Considere os mapas sobre a produção de leite no Brasil. Com base nos mapas e em seus conhecimentos, é correto afirmarque a produção de leite no Brasil, no período retratado, a) cresceu na região Nordeste, devido à substituição das plantações de algodão, na Zona da Mata, pelos rebanhos leiteiros. b) avançou em direção aos estados do Norte e do Centro-Oeste, em função da predominância, nessas regiões, de climas mais secos. c) consolidou a hegemonia de Minas Gerais, graças à alta produtividade alcançada com o melhoramento genético dos rebanhos no Vale do Jequitinhonha. d) aumentou, tanto em quantidade produzida quanto em número de estados produtores, graças, em grande parte, ao crescimento do consumo interno. e) abarcou todo o território nacional, excetuando-se os estados recobertos pela floresta amazônica, devido à presença de unidades de conservação. Questão 04 Considere o mapa do IDHM-Renda (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal-Renda) da região Sudeste.