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Geografia I -75

Conjunto de questões de Geografia (curso anual) sobre conflitos no Oriente Médio: Hamas, refugiados palestinos, recursos hídricos e disputas Israel–Palestina; inclui mapa, charge e trechos de jornais em questões de múltipla escolha.

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Kadu Ello

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438 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) 
IV. O Hamas, movimento islâmico fundamentalista, reconhecido 
pelos Estados Unidos e pela União Europeia como terrorista, não 
reconhece o Estado de Israel e luta pela formação de um Estado 
Islâmico em toda a Palestina. As condições precárias da população 
facilitam a influência de grupos radicais como esse. 
 
Estão CORRETAS 
a) apenas as proposições II e III. 
b) apenas as proposições I e II. 
c) apenas as proposições II, III e IV. 
d) todas as proposições. 
e) apenas as proposições I e IV. 
 
Questão 09 
Observe a figura a seguir: 
 
REFUGIADOS PALESTINO NO RS 
 
ZERO HORA, 21 out. 2007. 
 
Nem as mais de 35 horas de viagem, nem o céu nebuloso de Porto 
Alegre. Nada tirou o sorriso de satisfação do rosto dos 10 
refugiados palestinos que chegaram ontem à tarde ao Rio Grande 
do Sul. 
ZERO HORA, 22 set. 2007. 
 
Com relação ao problema dos refugiados palestinos, leia as 
afirmativas a seguir. 
I. Muitos dos refugiados palestinos são fugitivos do conflito no 
Oriente Médio, que já haviam sido recebidos no Iraque nos anos 
1980, durante o governo de Sadam Hussein. 
II. Como resultado da divisão da Palestina pela ONU e da criação 
de Israel, em 1948, milhares de palestinos foram retirados de suas 
casas e propriedades e se tornaram refugiados principalmente em 
Gaza, Cisjordânia e países árabes. 
III. Com a queda do regime de Sadam Hussein, após o ataque 
americano em 2003, os palestinos que viviam no Iraque passaram 
a ser alvo das milícias xiitas, que os consideravam próximos do 
governo deposto. 
IV. O Estado palestino, criado pelo Acordo de Oslo, em 1993, tem 
sua implantação fiscalizada pela ANP (Autoridade Nacional 
Palestina), com a ajuda financeira dos Estados Unidos da América, 
da União Europeia e dos principais grupos palestinos: o Fatah e o 
Hamas. 
 
Estão CORRETAS apenas 
a) I e II. d) I, II e III. 
b) II e IV. e) III e IV. 
c) I, III e IV. 
Questão 10 
Observe o mapa abaixo: 
 
No Oriente Médio, a água é um recurso precioso e uma fonte de 
conflito. A escassez de recursos hídricos está aumentando as 
tensões políticas entre países e dentro deles, e entre as 
comunidades e os interesses comerciais. A Guerra dos Seis Dias, 
em 1967, foi, em parte, a resposta de Israel à proposta da Jordânia 
de desviar o Rio Jordão para seu próprio uso. A terra tomada na 
guerra deu-lhe acesso não apenas às águas das cabeceiras do 
Jordão, como também o controle do aquífero que há por baixo da 
Cisjordânia, aumentando assim os recursos hídricos em quase 
50%. 
CLARKE, R.; KING, J. O Atlas da Água, 2005. 
(Adaptação). 
 
A partir da leitura do mapa e do texto, pode-se afirmar que a água 
é uma questão importante nas negociações entre 
a) o Iraque e os turcos. 
b) os palestinos e a Síria. 
c) o Líbano e a Síria. 
d) os iranianos e o Iraque. 
e) Israel e os palestinos. 
 
Questão 11 
Sobre os conflitos no Oriente Médio, assinale a afirmativa 
CORRETA: 
a) As Colinas de Golã, pertencentes ao Egito, apresentam elevado 
valor estratégico e garantem o domínio sobre as terras baixas do 
norte de Israel. 
b) Apesar da repressão sofrida ao longo de décadas, os palestinos 
ocupam toda a área da Cisjordânia, destinada a eles na partilha 
realizada pela ONU, em 1947. 
c) Com a construção dos “muros de segurança”, que isolam os 
palestinos em enclaves dentro do território da Cisjordânia, Israel 
continua a desrespeitar a partilha da Palestina proposta pela ONU, 
em 1947. 
d) A existência de grupos armados no Oriente Médio, como o 
Hezbollah e o Setembro Negro, não tem relação com as ações 
militares de Israel naquela região. 
 
Aula 19 – Conflitos Regionais na Ordem Global I 
 
 
 
 
 
439 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
Questão 12 
Observe a charge abaixo: 
 
A charge retrata uma situação que constitui um dos maiores 
problemas do Oriente Médio na atualidade, que corresponde 
a) à questão de os árabes e os palestinos terem facilidades em 
adquirir armas, o que acaba alimentando o conflito entre ambos. 
b) ao fato de a Jihad islâmica não aceitar as inúmeras tentativas de 
acordos por parte dos israelenses, que têm como objetivo cessar 
os conflitos. 
c) ao fato de palestinos e judeus reivindicarem como capital para 
seus respectivos países a mesma capital, Jerusalém. 
d) à incompatibilidade entre os valores ocidentais e aqueles 
professados pela fé islâmica, fato que dificulta a existência pacífica 
entre os dois grupos. 
e) ao caráter extremista de grupos tanto do lado palestino quanto 
do lado israelense no que tange o conflito árabe-israelense. 
 
Questão 13 
 
– Simples! Vocês atravessam os cemitérios israelenses, depois, os 
túmulos palestinos, passam as cidades destruídas e, seguindo reto, 
chegam ao mar. Morto, é claro! Angeli 
 
Sobre o conflito ao qual a charge faz uma alusão, é CORRETO 
afirmar: 
a) A Guerra dos Seis Dias foi um conflito no qual Israel perdeu 
território para os palestinos, antes pertencentes ao Egito, à Síria e 
à Jordânia. 
b) A ampliação do isolamento internacional a Israel deve-se ao fato 
de o país ter atacado a flotilha que pretendia romper o bloqueio à 
Faixa de Gaza. 
c) O marco desse conflito foi a guerra do Yom Kippur, durante a 
qual Israel atacou e derrotou o mundo árabe em represália à 
possível criação de um estado palestino. 
d) A paz entre esses dois povos ocorreu em um grande prazo de 
tempo, quando a OLP foi presidida por Yasser Arafat, que 
reconheceu a legitimidade do Estado de Israel, suspendendo os 
atos terroristas. 
e) O acordo de paz entre palestinos e israelenses está em fase 
final, visto que os palestinos desistiram da porção oriental de 
Jerusalém em troca da retirada dos assentamentos judeus da 
Cisjordânia. 
Questão 14 
Observe o mapa a seguir, que representa uma área do Oriente 
Médio, onde ocorrem grandes tensões geopolíticas. 
 
 
MAGNOLI, Demétrio; ARAÚJO, Regina. Projeto de Ensino de Geografia: natureza, 
tecnologias e sociedade. São Paulo: Moderna, 2000. p. 277 (Adaptação). 
 
As áreas destacadas no mapa correspondem à 
a) Cisjordânia e à Península do Sinai, territórios devolvidos aos 
palestinos após a Guerra do Canal de Suez, em 1956. 
b) Faixa de Gaza e às Colinas de Golã, territórios anexados ao 
Estado de Israel após a Guerra da Partilha, em 1948. 
c) Cisjordânia e à Faixa de Gaza, territórios anexados ao Estado 
de Israel após a Guerra dos Seis Dias, em 1967. 
d) Península do Sinai e às Colinas de Golã, territórios devolvidos 
aos palestinos após a Guerra do Yom Kippur, em 1973. 
 
Questão 15 
A partir da análise do mapa e dos conhecimentos sobre a Questão 
da Palestina, pode-se afirmar: 
APÓS A GUERRA DOS SEIS DIAS 
 
a) Os atuais conflitos que eclodem na região se relacionam ao fato 
de Israel ter construído um muro na Cisjordânia, impedindo 
ataques terroristas a Israel. 
b) A Faixa de Gaza, onde vive a população de refugiados 
palestinos, fazia parte do Egito antes de Israel declarar sua 
independência. 
c) O Estado de Israel tem sua origem no movimento sionista, cujo 
objetivo é estabelecer um “lar nacional” para o povo judeu. 
d) A ação do Hamas contra o povo judeu vincula-se ao fato de 
Israel ter anexado definitivamente o Sinai ao seu território durante 
a Guerra dos Seis Dias. 
e) O descumprimento do governo Sírio em romper com o Hamas e 
o Hezbollah levou Israel a um novo bloqueio de suprimentos e de 
combustíveis nas Colinas de Golã, território devolvido à Síria após 
a Guerra do Yom Kippor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA II 
Prof. Italo Trigueiro 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
A EMERGÊNCIA DE CONFLITOS REGIONAIS E A 
QUESTÃO DAS IDENTIDADES SOCIOCULTURAIS: 
ÉTNICAS, TRIBAIS E RELIGIOSAS II 
 
QUESTÃO CURDA 
 
 
Os curdos, cuja população se encontra distribuída por seis países, 
constituem a maior naçãodo mundo sem Estado, somando mais 
de 25 milhões de pessoas, das quais 14 milhões vivem na Turquia. 
 
Os curdos têm raízes muito remotas no Oriente Médio, na antiga 
Mesopotâmia. Apesar de serem um povo islâmico, mantêm suas 
próprias tradições e costumes e habitavam a região do Curdistão 
há mais de 2600 anos. O movimento separatista curdo sofreu e 
sofre repressão no Iraque e na Turquia. 
 
O ex-ditador Saddam Hussein ordenou a matança de milhares de 
curdos e autorizou, nesse massacre, o uso de armas químicas, 
após a guerra do Golfo de 1991. Na Guerra do Iraque, os curdos 
colaboraram na coalizão na luta contra as tropas iraquianas e 
conquistaram relativa autonomia nas terras que ocupam, situadas 
ao norte do Iraque pós-Hussein. 
 
Na Turquia, o ensino da língua curda nas escolas é proibido, assim 
como a comemoração de suas datas nacionais. A luta pela 
formação de um Curdistão independente sempre foi duramente 
reprimida pelos sucessivos governos turcos. Por outro lado, grupos 
guerrilheiros ligados ao Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK) 
promoveram uma série de atentados com o objetivo de 
desestabilizar o governo e conquistar a independência. 
 
AFEGANISTÃO NA ROTA DA ILEGALIDADE 
No Afeganistão os conflitos tiveram início quando a União Soviética 
invadiu o país em 1979. Nos dez anos seguintes, diferentes 
facções étnicas afegãs, apoiadas pelos Estados Unidos e seus 
aliados, uniram-se na luta contra a invasão soviética. Após a 
expulsão das forças soviéticas, começaram as divergências e a 
luta pelo poder entre esses grupos étnicos armados, também 
chamados de milícias. 
 
Em 1995, o talibã, milícia sunita da etnia patane que havia sido 
aliada dos Estados Unidos durante a invasão soviética, passou a 
dominar 90% do Afeganistão, transformando-o em uma teocracia 
fundamentalista. O talibã luta pela instauração de um Estado 
islâmico, isto é, a aplicação dos preceitos islâmicos e dos 
ensinamentos de Maomé como princípios fundamentais para o 
exercício do poder do Estado. 
Em 2001, os atentados nos Estados Unidos e o suposto abrigo 
dado pelo Afeganistão a Osama Bin Laden, líder da organização 
terrorista Al Qaeda¸ motivaram uma invasão desse país pela 
coalizão liderada pelos Estados Unidos. Mais uma vez milhares de 
civis afegãos tiveram de abandonar seus lares, dirigindo-se, 
principalmente, para o Paquistão. 
 
A milícia talibã foi derrotada, mas o atual governo, aliado dos 
Estados Unidos, não tem conseguido estabilizar o país 
fragmentado, à beira de uma guerra civil e marcado pelo 
contrabando e corrupção. 
 
Nesse contexto caótico, o Afeganistão converteu-se em um 
narcoestado, ou seja, um Estado no qual parte importante de sua 
riqueza provém da produção ou distribuição de drogas ilícitas, no 
caso o ópio. 
 
Sequência de fotos dos ataques ao W.T.C, EUA, em 11 de setembro de 2001. 
 
TRECHO DO DISCURSO DE BARACK OBAMA SOBRE A 
MORTE DE OSAMA BIN LADEN 
 
Boa noite. Esta noite, posso informar ao povo americano e ao 
mundo que os Estados Unidos conduziram uma operação que 
matou Osama Bin Laden, o líder da Al Qaeda e um terrorista 
responsável pelo assassinato de milhares de homens, 
mulheres e crianças inocentes. 
 
Foi há quase 10 anos que um brilhante dia de setembro foi 
obscurecido pelo pior ataque contra o povo americano em 
nossa história. As imagens do 11/9 estão gravadas em nossa 
memória... aviões sequestrados atravessando um céu nublado 
de setembro; as Torres Gêmeas desabando; a fumaça negra 
sobre o Pentágono; os destroços do voo 93 em Shanksville, 
Pennsylvania, onde as ações de cidadãos heroicos nos 
salvaram de mais dor e destruição. 
 
E mesmo assim sabemos que as piores imagens são aquelas 
que não são vistas pelo mundo. O lugar vazio na mesa de 
jantar. Crianças que foram forçadas a crescer sem sua mãe ou 
seu pai. Pais que nunca mais conheceram o sentimento do 
abraço de seus filhos. Cerca de 3.000 cidadãos tirados de nós, 
Aula 20 – Conflitos Regionais na Ordem Global II 
 
 
 
 
 
441 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
deixando um buraco em nossos corações. Em 11 de setembro 
de 2001, em nosso luto, o povo americano se uniu. 
Oferecemos aos nossos vizinhos nossa mão, e oferecemos ao 
feridos o nosso sangue. Reafirmamos nossos laços e nosso 
amor enquanto comunidade e país. Naquele dia, não importava 
de onde viemos, para que Deus oremos, ou a que raça ou etnia 
pertençamos, estávamos unidos como uma família americana. 
 
Estávamos também unidos em nossa determinação de 
proteger nossa nação e trazer as pessoas que cometeram esse 
terrível ataque ante a justiça. Rapidamente ficamos sabendo 
que os ataques do 11/9 foram realizados pela Al Qaeda, uma 
organização chefiada por Osama bin Laden, em guerra 
declarada contra os Estados Unidos e que estava 
comprometida em matar inocentes em nosso país e em todo o 
globo. E fomos levados a uma guerra contra a Al-Qaeda para 
proteger nossos cidadãos, nossos amigos e nossos aliados. 
 
Nos últimos 10 anos, graças ao trabalho incansável e heroico 
de nossos profissionais militares e contraterrorismo, 
conseguimos grandes avanços nesse esforço. Impedimos 
ataques terroristas e fortalecemos as defesas de nossa nação. 
No Afeganistão, removemos o governo talibã, que deu 
proteção e apoio a Bin Laden. E por todo o planeta, 
trabalhamos com nossos amigos e aliados para capturar e 
matar os terroristas da Al Qaeda, incluindo vários que fizeram 
parte do complô do 11/9. 
 
Mesmo assim Osama Bin Laden evitou a captura e escapou 
através da fronteira do Afeganistão com o Paquistão. 
Enquanto isso, a Al Qaeda continuava a operar ao longo dessa 
fronteira e através de seus associados através do mundo. 
 
 
 
E logo depois que assumi o governo, determinei a Leon 
Panetta, diretor da CIA, que a morte ou captura de Bin Laden 
seria a prioridade nossa guerra contra a Al Qaeda, enquanto 
prosseguíamos em nossos esforços no exterior para impedir, 
desmantelar e derrotar sua rede. 
 
Então, em agosto passado, depois de anos de um trabalho 
minucioso de nossa comunidade de inteligência, fui informado 
de uma possível pista que levava a Bin Laden. E levou muitos 
meses para acabar com essa ameaça. Encontrei-me 
repetidamente com minha equipe de segurança nacional 
enquanto obtínhamos dados sobre a possibilidade de que 
havíamos localizado Bin Laden escondido num complexo no 
interior do Paquistão. E, finamente, na semana passada, 
determinei que tínhamos informações suficientes para agir, e 
autorizei uma operação para capturar Osama bin Laden e levá-
lo ante a Justiça. 
 
Hoje, sob minha direção, os Estados Unidos lançaram uma 
operação contra aquele complexo em Abbottabad, Paquistão. 
Uma pequena equipe de americanos conduziu a operação com 
extraordinária coragem e capacidade. Nenhum americano 
ficou ferido. Eles tiveram o cuidado de evitar vítimas civis. 
Depois de um tiroteio, eles mataram Osama bin Laden e 
assumiram a custódia de seu corpo. 
 
 
 
 
 
 
 442 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) 
DISPUTA PELA CAXEMIRA 
 
 
A Caxemira é uma região do norte do subcontinente indiano, hoje 
dividida entre a Índia e o Paquistão. Uma parte foi anexada pela 
China. O termo "Caxemira" (pode significar, "terra sem água" ou 
terra desidratada, Ká = água e Shimeera = secar) descrevia 
historicamente o vale ao sul da parte mais ocidental do Himalaia. 
Politicamente, no entanto, o termo "Caxemira" descreve uma área 
muito maior, que inclui as regiões de Jammu, Caxemira e Ladakh. 
 
Índia e Paquistão lutam pela soberania. Os motivos são: Religião, 
Localização Estratégica (região montanhosa) e Economia. A região 
é foco de tensão geopolítica desde o final da década de 40. Depois 
da independência do subcontinente indiano (colônia britânica), são 
criados dois países - Índia e Paquistão. 
 
Essa vasta região montanhosa, situada no extremo norte da Índia 
Britânica, tem umaimportantíssima posição estratégica entre o 
Afeganistão e o Tibete (que a China conquistaria em 1951); além 
disso, como fica muito perto do Tadjiquistão (então parte da União 
Soviética), ganhava especial relevância no contexto da Guerra 
Fria. Durante o domínio inglês, o Estado de Jammu e Caxemira foi 
governado por marajás hindus; mas 80% de seus habitantes eram 
muçulmanos. Ao chegar a independência, o marajá optou por unir 
seu Estado à Índia, embora a maioria da população desejasse ser 
incorporada ao Paquistão. Estourou uma insurreição entre a 
comunidade islâmica, com apoio paquistanês. As forças indianas 
reagiram e uma guerra não-declarada entre os dois países 
arrastou-se até julho de 1949, quando um acordo provisório foi 
assinado sob os auspícios da ONU. Seguindo a linha do cessar-
fogo, as porções norte e oeste da Caxemira (cerca de 40% do 
território) couberam ao Paquistão, que lhe deu o nome de Azad 
Kashmir (“Caxemira Livre”). Decidiu-se que futuramente haveria um 
plebiscito para definir o destino de toda a região, mas a Índia 
jamais aceitou cumprir essa cláusula. E, em fevereiro de 1994, o 
Parlamento indiano declarou solenemente que a Caxemira 
(incluindo o território em poder do Paquistão) é parte inseparável 
da União Indiana. Atualmente, um movimento terrorista e 
guerrilheiro apoiado pelo Paquistão opera na Caxemira Indiana, 
mas vem enfrentando uma dura repressão por parte da Índia. Esta 
receia que eventuais concessões aos rebeldes possam estimular o 
separatismo dos sikhs, que são majoritários na região do Punjab, 
ao sul da Caxemira. 
 
Em fevereiro de 1999, Índia e Paquistão assinaram a Declaração 
de Lahore, que apontava a solução da disputa pela Caxemira. 
Mesmo assim, a situação da área continua tensa - além do conflito 
com o Paquistão, existe atualmente um forte movimento pró-
independência na Caxemira. 
 
CONFLITOS NA ÁFRICA 
A origem dos conflitos étnicos na África está ligada à partilha do 
continente feita no final do século XIX pelos colonizadores 
europeus, que criaram as fronteiras artificiais1. De acordo com a 
ONU, 40% dos conflitos mundiais da atualidade se desenrolam na 
África. 
 
Contribuem para a multiplicação dos na África a desumana 
condição socioeconômica da maioria dos países, a inexistência de 
governos democráticos em muitos deles, as disputas por territórios 
e pelo controle de recurso minerais – em particular – , diamantes e 
outras pedras preciosas. Além disso, a disputa política pelo 
continente na época da Guerra Fria levou os Estados Unidos e a 
ex-URSS a darem armas e apoio financeiro a grupos étnicos rivais 
dentro de um mesmo país, estimulando os conflitos e sustentando 
durante décadas regimes ditatoriais. 
 
 
 
1 São chamadas artificiais pelo fato de diversos grupos étnicos, muitas vezes rivais, terem sido 
aglutinados num mesmo território colonial, enquanto outros, de uma mesma etnia ou de 
convivência pacífica, foram separados. Isso gerou inúmeros conflitos étnicos pela disputa de 
poder no interior dos novos Estados africanos após sua independência. 
Aula 20 – Conflitos Regionais na Ordem Global II 
 
 
 
 
 
443 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RUANDA 
Ruanda, no sudeste africano, foi colônia belga desde o final da 
Primeira Guerra Mundial até o início da década de 1960, quando 
se tornou independente. Durante esse período, os belgas 
fomentaram a rivalidade entre dois grupos étnicos que ocupavam a 
região: os tutsis e os hutus. Os tutsis tinham privilégios na 
administração belga, tornaram-se funcionários públicos, membros 
do exército colonial e conquistaram inclusive cargos importantes. 
 
Em 1962, após a conquista da independência, sob a liderança dos 
hutus, os tutsis passaram a ser perseguidos. Exilados em países 
vizinhos, formara a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) retornando a 
Ruanda em 1990 e dando início a uma guerra civil que arrasou o 
país e produziu mais de 800 mil mortes e cerca de 2 milhões de 
refugiados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em abril de 1994, o presidente Juvenal Habyarimana retornava da 
Tanzânia, onde realizou uma negociação de paz com os rebeldes 
tutsis da FPR, que controlavam uma parte do norte de Ruanda. A 
explosão do avião sobre a capital Kigali desencadeou a fase mais 
violenta e dramática da guerra civil ruandesa. As principais vítimas 
foram os tutsis, incluindo mulheres e crianças mortas a facões, 
foices e pauladas em plena luz do dia. 
 
Em 1995, nova investida da FPR tomou Kigali e apoiou a 
presidência de um hutu (Pasteur Bizimugu), que se opunha ao 
massacre no país e realizou uma política de reconciliação entre as 
duas etnias. 
 
Em 2000 Paul Kagame tornou-se o primeiro tutsi a assumir a 
presidência do país. No entanto, os problemas estão longe de 
solução definitiva. 
 
MAPA DOS CONFLITOS NA ÁFRICA 
 
	SEMANA 20 - GEOGRAFIA II - CONFLITOS REGIONAIS NA ORDEM GLOBAL II - TRIGUEIRO

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