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SUMÁRIO VOLUME 1 Aula 1 – Figuras de Linguagem I ............................................................................................................................... 01 Aula 2 – Figuras de Linguagem II .............................................................................................................................. 09 Aula 3 – Trovadorismo ............................................................................................................................................... 17 Aula 4 – Classicismo .................................................................................................................................................. 29 Aula 5 – Quinhetismo ................................................................................................................................................. 40 Aula 6 – Barroco I ...................................................................................................................................................... 50 Aula 7 – Barroco II ..................................................................................................................................................... 60 Aula 8 – Barroco III .................................................................................................................................................... 71 Aula 9 – Neoclassicismo ............................................................................................................................................ 80 Aula 10 – O Arcadismo no Brasil ............................................................................................................................... 88 Aula 11 – Romantismo I ............................................................................................................................................. 99 Aula 12 – Romantismo no Brasil ................................................................................................................................ 107 Aula 13 – Romantismo no Brasil – Segunda Geração ............................................................................................... 119 Aula 14 – Romantismo no Brasil – Terceira Geração ................................................................................................ 134 Aula 15 – Romantismo no Brasil – Prosa .................................................................................................................. 145 Aula 16 – Romantismo no Brasil – Prosa .................................................................................................................. 155 Aula 17 – Realismo e Naturalismo ............................................................................................................................. 167 Aula 18 – Realismo – Machado de Assis ................................................................................................................... 177 Aula 19 – Parnasianismo ........................................................................................................................................... 188 Aula 20 – Simbolismo ................................................................................................................................................ 199 Respostas e Comentários Exercícios de Fixação ...................................................................................................... 209 CURSO ANUAL DE LITERATURA Prof. Steller de Paula – VOLUME 1 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência AULA 1 - FIGURAS DE LINGUAGEM I 1.1) A LINGUAGEM LITERÁRIA Antes de começarmos nossos estudos sobre a periodização da Literatura Brasileira e acompanharmos a evolução desta arte através das escolas que aqui se manifestaram, é importante que façamos uma reflexão sobre o que é Literatura, o que a caracteriza, como ela se manifesta, qual sua importância. O que é literatura? O que escrevemos quando nos sentimos melancólicos, com o coração doendo, ou que muitos escrevem por vaidade, mas o fazendo sem nenhuma noção de teoria ou técnica literária, pode ser considerado literatura? Jean Paul Sartre, em “O que é Literatura?”, afirmou que “Ninguém é escritor por haver decidido dizer certas coisas, mas por haver decidido dizê-las de determinado modo.”. A literatura é a arte de manipulação das palavras, a linguagem verbal é a sua matéria prima. Todos nós temos sentimentos, temos lembranças, temos experiências de vida e bagagem cultural, mas para transformar isso tudo em arte é preciso mergulhar no mundo das palavras, manipulá-las com uma intenção estética, ir além do referencial. “Muitas vezes se diz que a ‘literariedade’ reside, sobretudo, na organização da linguagem que torna a literatura distinguível da linguagem para outros fins. Literatura é linguagem que coloca em primeiro plano a própria linguagem: torna-a estranha, atira-a em você – “Veja” Sou a linguagem!” – assim você não pode se esquecer de que está lidando com a linguagem configurada de modos estranhos.” CULLER, Jonathan. Teoria Literária - Uma Introdução. São Paulo: Beca Produções Culturais LTDA, 1999. Assim, a linguagem que se utiliza numa bula de remédio, numa receita de bolo, num artigo de divulgação científica é diferente da linguagem utilizada em um poema, em um conto, em um romance. Em textos não literários a linguagem é manipulada de modo mais funcional, com grande predominância da linguagem denotativa. Já nos textos literários a linguagem é manipulada de modo a causar um estranhamento no leitor, que busca ser criativo, original, que faz uso intencional de recursos estilísticos de modo a chamar a atenção para a construção do texto, destacando-se, muitas vezes, a linguagem conotativa, a polissemia, a função poética da linguagem. 1.2) DENOTAÇÃO, CONOTAÇÃO E POLISSEMIA Uma palavra pode ser empregada em seu sentido denotativo, ou seja, seu sentido real, dicionarizado; ou em seu sentido conotativo, quando empregada em sentido figurado, incomum, não dicionarizado. Um texto pode ser predominantemente denotativo ou conotativo, dependendo de como as palavras e os sentidos por elas construídos foram empregados. Quando uma mesma palavra pode assumir mais de um significado, estamos diante da polissemia (do Grego poli, "muitos", e sema, "significado"). Observe: Na tirinha acima, a expressão “quebrar um galho” foi utilizada no primeiro quadrinho em seu sentido conotativo, mas o personagem Isaías a entendeu em sentido denotativo, gerando um problema de comunicação. Podemos perceber, então, que a expressão “quebrar um galho” é polissêmica, pois pode assumir diferentes significados, dependendo do contexto. 1.3) FIGURAS DE LINGUAGEM 1.3.1) COMPARAÇÃO ou SÍMILE Trata-se de uma comparação explícita através do uso de conectores do tipo: por exemplo, como, tal, assim, qual, semelhante a. Exemplos: “Meu coração tombou na vida tal qual uma estrela ferida pela flecha de um caçador”. Cecília Meireles “Amar é como ter sede, depois de muito ter bebido.” Guimarães Rosa "Quero brincar no teu corpo feito bailarina.” Chico Buarque 1.3.2) METÁFORA A metáfora também se constrói a partir de uma relação de semelhança. No entanto, na metáfora, a comparação é implícita, ou seja, não há elemento comparativo expresso aproximando os dois elementos associados. Assim, a associação comparativa é mais forte, mais próxima, estabelecendo uma relação de identidade entre os elementos aproximados. Exemplos: “Diadorim é minha neblina.” João Guimarães Rosa “A vida é um incêndio: nela dançamos, salamandras mágicas Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta? Em meio aos toros que desabam, cantaremos a canção das chamas!” Mário Quintana 2 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta ConcorrênciaCURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 1.3.3) CATACRESE A catacrese consiste na mudança da acepção de um nome, fazendo este representar, com base numa pura analogia, um objeto, ou uma parte do objeto, para os quais não existem nomes de referência particulares. Trata-se de uma metáfora desgastada pelo uso contínuo. Exemplos de catacrese: - perna de mesa - folha de papel - braço da cadeira - asa da xícara - cabeça de alfinete - banana de dinamite - braço da poltrona - cabelo de milho - dente de alho 1.3.4) SINESTESIA É a combinação ou fusão de diversas impressões sensoriais - visuais, auditivas, olfativas, gustativas e tácteis - entre si, e também entre as referidas sensações e sentimentos. Exemplos: A sua voz áspera intimidava a plateia. As saudades que sentia eram amargas. “Brancuras imortais da Lua Nova, frios de nostalgia e sonolência... Sonhos brancos da Lua e viva essência dos fantasmas noctívagos da Cova.” Cruz e Sousa 1.3.5) METONÍMIA Se a metáfora se dá por uma relação de semelhança, a metonímia se dá por uma relação de contiguidade. A metonímia consiste na designação de uma realidade não pelo termo que a propriamente a designa, mas por outro termo que mantém com esta realidade uma relação de contiguidade. Essa relação de contiguidade pode ser: - A causa pelo efeito, ou vice-versa: "Respeite os meus cabelos brancos." - O autor pela sua obra: "Costumo estudar ouvindo Mozart." - O lugar de origem pelo produto, ou vice-versa: "Bebi um ótimo Porto durante o almoço!" - O específico pelo genérico e/ou o objetivo pelos meios: "É preciso acordar cedo para ganhar o pão.” - O abstrato pelo concreto: "Reuniu-se na capital, para um congresso, a cultura do país." - O continente pelo conteúdo, ou vice-versa: "O estádio aplaudiu os jogadores." "Bebi uma lata de refrigerante e comi um pacote de biscoitos." - O físico pelo moral: "Ele é um enorme coração." - A matéria pela coisa: "O ferro fez um estrago na floresta." - A parte é expressa pelo todo e o todo é expresso pela parte: “O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.” Carlos Drummond de Andrade 1.3.6) ANTONOMÁSIA A antonomásia consiste na substituição de um nome próprio por uma qualidade ou um epíteto, que o identifica ou define: “O repórter de Canudos” – Euclides da Cunha. “O engenheiro da palavra” – João Cabral de Melo Neto. “O rei do cangaço” – Lampião. “O rei do pop” – Michael Jackson. “O rei do futebol” – Pelé. “O Rei” – Roberto Carlos. 1.3.7) ANTÍTESE A antítese consiste na utilização de dois termos, na mesma frase, que contrastam entre si. Exemplos: “O mito é o nada que é tudo” Fernando Pessoa "O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." João Guimarães Rosa 1.3.8) PARADOXO OU OXÍMORO É a reunião de ideias contraditórias e aparentemente inconciliáveis num só pensamento. É a conciliação de contrários, o contraste que se estabelece através de dois pontos de vista simultâneos. Exemplos: "Meu ultimo amor eterno acabou antes de ontem." Carlos Queiroz Telles “Amor é fogo que arde sem se ver Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer;” Camões Aula 1 - Figuras De Linguagem I 3 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 1.3.9) EUFEMISMO Consiste em suavizar o caráter desagradável, grosseiro, ofensivo ou vulgar de um julgamento, de uma notícia, de um pensamento, etc. Exemplos: Consoada Quando a Indesejada das gentes chegar (Não sei se dura ou caroável), Talvez eu tenha medo. Talvez sorria, ou diga: - Alô, iniludível! O meu dia foi bom, pode a noite descer. (A noite com seus sortilégios.) Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, A mesa posta, Com cada coisa em seu lugar. Manuel Bandeira "Ele vivia de caridade pública" (em vez de "esmolas") Machado de Assis 1.3.10) GRADAÇÃO A gradação consiste numa seriação ou enumeração não de elementos, mas de ideias, de modo que haja uma espécie de hierarquia entre elas. GRADAÇÃO CRESCENTE: manifesta uma intensificação progressiva: "Os vales aspiram a ser outeiros, e os outeiros a ser montes, e os montes a ser Olimpos e a exceder as nuvens." Antônio Vieira GRADAÇÃO DECRESCENTE: manifesta uma intensificação regressiva, os conceitos vão diminuindo de intensidade: Ele esperneou e gritou por um bom tempo. Cansou e ficou resmungando em voz baixa, até que, ignorado, calou-se. 1.3.11) HIPÉRBOLE (ou AUXESE) A hipérbole corresponde sempre a um exagero. "Meses depois fui para o seminário de S. José. Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã, somaria mais que todas as vertidas desde Adão e Eva. Há nisto alguma exageração; mas é bom ser enfático, uma ou outra vez, para compensar este escrúpulo de exatidão que me aflige". Machado de Assis, Dom Casmurro. 1.3.12) IRONIA Consiste em dar a sensação de elogiar, exaltar o que se pretende condenar, criticar. É dizer o inverso do que se pretende deixar entender. A ironia é uma ótima ferramenta de crítica e normalmente está associada ao humor. Exemplos: “Moça linda bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta: um amor! Mário de Andrade “A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças”. Monteiro Lobato 1.3.13) PERÍFRASE A perífrase ou circunlóquio se dá quando algo que poderia ser expresso por meio de uma ou poucas palavras é expresso por meio de expressões ou frases completas. "... a gente chama Aquele que a salvar o mundo veio" Camões "Iam-se sombras lentas desfazendo Sobre as flores da terra em frio orvalho" Camões 1.3.14) PROSOPOPEIA ou PERSONIFICAÇÃO Consiste em atribuir qualidades ou características humanas a tudo o que não seja humano (ideias, animais, plantas, coisas, objetos inanimados, o irracional, etc.): ".... Deixa que o vento corra, coroado de espuma, que me chame e me busque galopando na sombra, enquanto eu, mergulhado nos teus imensos olhos, nesta noite imensa, descansarei, meu amor..." Mário Quintana "As estrelas foram chamadas e disseram: aqui estamos." Antônio Vieira 1.3.15) ALITERAÇÃO A Aliteração incide sobre a repetição de sons consonantais. "O rato roeu a roupa do rei de Roma.” "Que o fraco rei faz fraca a forte gente." - Camões "(...) Vozes veladas, veludosas vozes, Volúpias dos violões, vozes veladas Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas." (Cruz e Souza) 1.3.16) ASSONÂNCIA É uma repetição de sons vocálicos, algumas vezes prolongando o efeito da RIMA. "Água fria fica quente, Água quente fica fria Mas eu fico frio Sem a tua companhia" (Manuel Bandeira) "Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral." (Caetano Veloso) SUMÁRIO - VOL. 1 SEMANA 01 - LITERATURA - Figuras de Linguagem I - STELLER sem respostas CULLER, Jonathan. Teoria Literária - Uma Introdução. São Paulo: Beca Produções Culturais LTDA, 1999.