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164 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
II. processam-se com base em fidedignos documentos históricos, 
nos quais há registro detalhado dos usos e costumes das várias 
nações indígenas. 
III. ocorreram como reação às tendências nacionalistas do nosso 
Romantismo, que valorizavam sobretudo a vida urbana e os 
valores burgueses. 
 
Atende ao enunciado o que está em 
a) I, II e III. 
b) I e II, apenas. 
c) II e III, apenas. 
d) I e III, apenas. 
e) I, apenas. 
 
Questão 04 (Fuvest 2017) 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES 
 A adoção do cardápio indígena introduziu nas cozinhas e zonas 
de serviço das moradas brasileiras equipamentos desconhecidos 
no Reino. Instalou nos alpendres roceiros a prensa de espremer 
mandioca ralada para farinha. Nos inventários paulistas é comum a 
menção de tal fato. No inventário de Pedro Nunes, por exemplo, 
efetuado em 1623, fala-se num sítio nas bandas do Ipiranga “com 
seu alpendre e duas camarinhas no dito alpendre com a prensa no 
dito sítio” que deveria comprimir nos tipitis toda a massa 
proveniente do mandiocal também inventariado. Mas a farinha não 
exigia somente a prensa – pedia, também, raladores, cochos de 
lavagem e forno ou fogão. Era normal, então, a casa de fazer 
farinha, no quintal, ao lado dos telheiros e próxima à cozinha. 
Carlos A. C. Lemos, Cozinhas, etc. 
 
Traduz corretamente uma relação espacial expressa no texto o que 
se encontra em: 
a) A prensa é paralela aos tipitis. 
b) A casa de fazer farinha é adjacente aos telheiros. 
c) As duas camarinhas são transversais à cozinha. 
d) O alpendre é perpendicular às zonas de serviço. 
e) O mandiocal e o Ipiranga são equidistantes do sítio. 
 
Questão 05 (Fuvest 2017) 
Além de “tipitis”, constituem contribuição indígena para a língua 
portuguesa do Brasil as seguintes palavras empregadas no texto: 
a) “cardápio” e “roceiros”. 
b) “alpendre” e “fogão”. 
c) “mandioca” e “Ipiranga”. 
d) “sítio” e “forno”. 
e) “prensa” e “quintal”. 
 
Questão 06 (Fuvest 2017) 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES 
 
Nasceu o dia e expirou. 
 Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. 
Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da 
lua, que esperam a volta da mãe ausente. 
 Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e 
vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a 
virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos 
ardentes amores. 
 Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros 
e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe 
entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, 
fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se 
debruça enfim sobre o peito do guerreiro. 
José de Alencar, Iracema. 
 
No texto, corresponde a uma das convenções com que o 
Indianismo construía suas representações do indígena 
a) o emprego de sugestões de cunho mitológico compatíveis com o 
contexto. 
b) a caracterização da mulher como um ser dócil e desprovido de 
vontade própria. 
c) a ênfase na efemeridade da vida humana sob os trópicos. 
d) o uso de vocabulário primitivo e singelo, de extração oral-
popular. 
e) a supressão de interdições morais relativas às práticas eróticas. 
 
Questão 07 (Fuvest 2017) 
Atente para as seguintes afirmações, extraídas e adaptadas de um 
estudo do crítico Augusto Meyer sobre José de Alencar: 
I. “Nesta obra, assim como nos ‘poemas americanos’ dos nossos 
poetas, palpita um sentimento sincero de distância poética e 
exotismo, de coisa notável por estranha para nós, embora a 
rotulemos como nativa.” 
II. “Mais do que diante de um relato, estamos diante de um poema, 
cujo conteúdo se concentra a cada passo na magia do ritmo e na 
graça da imagem.” 
III. “O tema do bom selvagem foi, neste caso, aproveitado para um 
romance histórico, que reproduz o enredo típico das narrativas de 
capa e espada, oriundas da novela de cavalaria.” 
 
É compatível com o trecho de Iracema aqui reproduzido, 
considerado no contexto dessa obra, o que se afirma em 
a) I, apenas. 
b) III, apenas. 
c) I e II, apenas. 
d) II e III, apenas. 
e) I, II e III. 
 
Questão 08 (Fac. Pequeno Príncipe - Medicina 2016) 
Leia as seguintes sentenças sobre a obra Iracema, de José de 
Alencar. 
I. Constitui obra de exaltação da flora e fauna brasileira, mas 
apresenta o índio como representante de uma raça inferior e 
inculta. 
II. A obra representa o mito alencariano composto pelo herói, o 
índio, resistente à colonização e à presença do ‘outro’, e o branco, 
colonizador agressivo que deseja destruir o nativo. 
III. A personagem Martim, representação do colonizador europeu, 
apesar de seu amor por Iracema, resiste à cultura indígena e 
rejeita a língua e os costumes nativos. 
IV. A personagem Iracema, representação do índio exaltado pela 
literatura do período romântico, pode ser considerada um símbolo 
da terra mãe, o Brasil. 
V. O romance apresenta, por meio de estilo lírico, uma idealização 
do índio brasileiro. 
 
Considerando-se as características da obra e os princípios 
estéticos e ideológicos do período romântico brasileiro, pode-se 
afirmar que: 
a) somente as sentenças I e II estão corretas. 
b) somente as sentenças III, IV e V estão corretas. 
c) somente a sentença I está correta. 
Aula 16 - Romantismo No Brasil – Prosa 
 
 
 
 
 
165 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
d) somente a sentença IV está correta. 
e) somente as sentenças IV e V estão corretas. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
Mandara Pereira acender uma vela de sebo. Vinda a luz, 
aproximaram-se ambos do leito da enferma que, achegando ao 
corpo e puxando para debaixo do queixo uma coberta de algodão 
de Minas, se encolheu toda, e voltou-se para os que entravam. 
– Está aqui o doutor, disse-lhe Pereira, que vem curar-te de vez. 
– Boas-noites, dona, saudou Cirino. 
Tímida voz murmurou uma resposta, ao passo que o jovem, no seu 
papel de médico, se sentava num escabelo junto à cama e tomava 
o pulso à doente. 
Caía então luz de chapa sobre ela, iluminando-lhe o rosto, parte do 
colo e da cabeça, coberta por um lenço vermelho atado por trás da 
nuca. 
Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de 
beleza deslumbrante. 
Do seu rosto irradiava singela expressão de encantadora 
ingenuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que, a custo, 
parecia coar por entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras, 
e compridos a ponto de projetarem sombras nas mimosas faces. 
[...] 
Ligeiramente enrubesceu Inocência e descansou a cabeça no 
travesseiro. 
– Por que amarrou esse lenço? perguntou em seguida o moço. 
– Por nada, respondeu ela com acanhamento. 
– Sente dor de cabeça? 
– Nhor-não. 
– Tire-o, pois: convém não chamar o sangue; solte, pelo contrário, 
os cabelos. 
Inocência obedeceu e descobriu uma espessa cabeleira, negra 
como o âmago da cabiúna e que em liberdade devia cair até 
abaixo da cintura. Estava enrolado em bastas tranças, que davam 
duas voltas inteiras ao redor do cocoruto. 
[...] 
Não se descuidou Cirino, antes de se retirar, de novamente tomar 
o pulso e, à conta de procurar a artéria, assentou toda a mão no 
punho da donzela, envolvendo-lhe o braço e apertando-o 
docemente. 
 
Saiu-se mal de tudo isso; porque, se tratava da cura de alguém, 
para si arranjava enfermidade e bem grave. 
TAUNAY, A. d’E. Inocência. 3. ed. São Paulo: FTD, 1996. p. 57-58; 
72. 
Questão 09 (UFSC 2012) 
Com base no trecho acima e no romance Inocência e levando em 
consideração o contexto do Romantismo brasileiro, marque a(s) 
proposição(ões) CORRETA(S). 
01) O episódio descrito no texto refere-se ao momento em que 
Cirino vê pela primeira vez Inocência e fica tão apaixonado pela 
moça que até sua atividade médica é afetada. 
02)Dois atos de Cirino – pedir a Inocência que solte os cabelos e 
tomar-lhe o pulso logo depois de já tê-lo feito – podem ter sido 
motivados não tanto por razões médicas, mas pelo desejo do rapaz 
de ver melhor a moça e tocá-la. 
04) Inocência reúne algumas características bastante comuns em 
heroínas românticas: ousadia, agilidade, coragem e excepcional 
beleza. 
08) No último parágrafo, percebe-se como Cirino é contagiado pela 
malária, doença que acometia Inocência, vindo a ficar depois 
gravemente enfermo. 
16) Diferentemente de outras obras do Romantismo, praticamente 
não existem em Inocência referências à religião, quer nas falas das 
personagens, quer nos comentários do narrador. 
32) O romance Inocência explora uma temática bastante comum 
no Romantismo, que é o amor impossível e trágico, mas a obra 
tem alguns trechos de humor, como o episódio em que Meyer é 
atacado por formigas e tem que se despir. 
 
Questão 10 (Puccamp 2017) 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
José de Alencar retratou o seu herói goitacá em prosa, a 
exemplo do que o escocês Walter Scott havia feito com os 
cavaleiros medievais na célebre novela Ivanhoé. Para evocar um 
mítico passado nacional, na falta dos briosos cavaleiros medievais 
de Scott, o índio seria o modelo de que Alencar lançaria mão. (...) 
O índio entrara como tema na literatura universal por influência das 
ideias dos filósofos iluministas e especialmente, da obra de Jean-
Jacques Rousseau (...). As teses de Rousseau sobre o “bom 
selvagem”, por sua vez, bebiam na fonte das narrativas de 
viajantes do século XVI, os primeiros europeus que haviam 
colocado os pés no chão americano. Foram esses viajantes os 
responsáveis pela propagação do juízo de que, do outro lado do 
oceano, existia um povo feliz, vivendo sem lei nem rei (...). 
(NETO, Lira. O inimigo do Rei. Uma biografia de José de Alencar. 
São Paulo: Globo, 2006. p. 166-167) 
 
A afirmação de que José de Alencar valeu-se do modelo heroico 
dos cavaleiros medievais para compor personagens de cunho 
nacionalista fez com que concebesse e apresentasse Peri, 
protagonista de O Guarani, como um 
a) autêntico guerreiro goitacá. 
b) explorador aliado do colonizador. 
c) nativo com qualidades aristocráticas. 
d) lacaio valente de um nobre português. 
e) pajé dotado de poderes sobrenaturais. 
 
Questão 11 (Enem 2009) 
No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no 
Brasil havia duas literaturas independentes dentro da mesma 
língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito 
diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, 
modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais 
que publicou o título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, 
um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante 
engenho que no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais 
diversas, refletindo as características locais. 
CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros 
ensaios. São Paulo: Ática, 2003. 
 
Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do 
homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-
se que 
a) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática 
essencialmente urbana, colocando em relevo a formação do 
homem por meio da mescla de características locais e dos 
aspectos culturais trazidos de fora pela imigração europeia. 
b) José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, 
retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das 
relações conflituosas entre as raças. 
c) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo 
no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do 
 
 
 
 
 166 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o 
ponto de vista dos menos favorecidos. 
d) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é 
Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, 
o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que 
caracterizam o nosso povo. 
e) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge 
Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século XX, 
cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto 
com a modernização do país promovida pelo Estado Novo. 
 
Questão 12 (Enem Cancelado 2009) 
O sertão e o sertanejo 
 Ali começa o sertão chamado bruto. Nesses campos, tão diversos 
pelo matiz das cores, o capim crescido e ressecado pelo ardor do 
sol transforma-se em vicejante tapete de relva, quando lavra o 
incêndio que algum tropeiro, por acaso ou mero desenfado, ateia 
com uma faúlha do seu isqueiro. Minando à surda na touceira, 
queda a vívida centelha. Corra daí a instantes qualquer aragem, 
por débil que seja, e levanta-se a língua de fogo esguia e trêmula, 
como que a contemplar medrosa e vacilante os espaços imensos 
que se alongam diante dela. O fogo, detido em pontos, aqui, ali, a 
consumir com mais lentidão algum estorvo, vai aos poucos 
morrendo até se extinguir de todo, deixando como sinal da 
avassaladora passagem o alvacento lençol, que lhe foi seguindo os 
velozes passos. Por toda a parte melancolia; de todos os lados 
tétricas perspectivas. É cair, porém, daí a dias copiosa chuva, e 
parece que uma varinha de fada andou por aqueles sombrios 
recantos a traçar às pressas jardins encantados e nunca vistos. 
Entra tudo num trabalho íntimo de espantosa atividade. 
TAUNAY, Visconde de. Inocência. 
 
O romance romântico teve fundamental importância na formação 
da ideia de nação. Considerando o trecho acima, é possível 
reconhecer que uma das principais e permanentes contribuições 
do Romantismo para construção da identidade da nação é a 
a) possibilidade de apresentar uma dimensão desconhecida da 
natureza nacional, marcada pelo subdesenvolvimento e pela falta 
de perspectiva de renovação. 
b) consciência da exploração da terra pelos colonizadores e pela 
classe dominante local, o que coibiu a exploração desenfreada das 
riquezas naturais do país. 
c) construção, em linguagem simples, realista e documental, sem 
fantasia ou exaltação, de uma imagem da terra que revelou o 
quanto é grandiosa a natureza brasileira. 
d) expansão dos limites geográficos da terra, que promoveu o 
sentimento de unidade do território nacional e deu a conhecer os 
lugares mais distantes do Brasil aos brasileiros. 
e) valorização da vida urbana e do progresso, em detrimento do 
interior do Brasil, formulando um conceito de nação centrado nos 
modelos da nascente burguesia brasileira. 
 
Questão 13 
Leia o trecho de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo. 
“– Quem eu sou? na verdade fora difícil dizê-lo: corri muito mundo, 
a cada instante mudando de nome e de vida. Fui poeta e como 
poeta cantei. Fui soldado e banhei minha fronte juvenil nos últimos 
raios de sol da águia de Waterloo. 
Apertei ao fogo da batalha a mão do homem do século. Bebi numa 
taverna com Bocage – o português, ajoelhei-me na Itália sobre o 
túmulo de Dante e fui à Grécia para sonhar como Byron naquele 
túmulo das glórias do passado. – Quem eu sou? Fui um poeta aos 
vinte anos, um libertino aos trinta, sou um vagabundo sem pátria e 
sem crenças aos quarenta. Sentei-me à sombra de todos os sóis, 
beijei lábios de mulheres de todos os países; e de todo esse 
peregrinar, só trouxe duas lembranças – um amor de mulher que 
morreu nos meus braços na primeira noite de embriaguez e de 
febre – e uma agonia de poeta... Dela tenho uma rosa murcha e a 
fita que prendia seus cabelos. Dele olhai... 
O velho tirou de um bolso um embrulho: era um lenço vermelho o 
invólucro; desataram-no: dentro estava uma caveira.” 
O trecho selecionado recupera a fala de um velho que interrompe a 
história, contada pelo jovem Bertram, um dos rapazes presentes na 
Taverna. As palavras dessa personagem expressam, nas 
entrelinhas, 
a) a confissão doarrependimento pela vida errante do passado e o 
desejo de um cotidiano mais regrado. 
b) a descrição de cada um dos lugares por onde passou e viveu. 
c) a indignação frente à miséria e às injustiças presenciadas em 
todos os lugares visitados. 
d) a dificuldade de mostrar-se diante da plateia que escutava a 
narrativa de Bertram, o segundo, naquela noite, a relatar sua 
trágica história. 
e) o sofrimento de um amante e poeta que, durante toda a sua 
peregrinação, não conseguiu realizar-se como Homem. 
 
Questão 14 (Unifesp 2016) 
A(s) questão(ões) a seguir focalizam uma passagem da comédia O 
juiz de paz da roça do escritor Martins Pena (1815-1848). 
JUIZ (assentando-se): Sr. Escrivão, leia o outro requerimento. 
ESCRIVÃO (lendo): Diz Francisco Antônio, natural de Portugal, 
porém brasileiro, que tendo ele casado com Rosa de Jesus, trouxe 
esta por dote uma égua. “Ora, acontecendo ter a égua de minha 
mulher um filho, o meu vizinho José da Silva diz que é dele, só 
porque o dito filho da égua de minha mulher saiu malhado como o 
seu cavalo. Ora, como os filhos pertencem às mães, e a prova 
disto é que a minha escrava Maria tem um filho que é meu, peço a 
V. Sa. mande o dito meu vizinho entregar-me o filho da égua que é 
de minha mulher”. 
JUIZ: É verdade que o senhor tem o filho da égua preso? 
JOSÉ DA SILVA: É verdade; porém o filho me pertence, pois é 
meu, que é do cavalo. 
JUIZ: Terá a bondade de entregar o filho a seu dono, pois é aqui 
da mulher do senhor. 
JOSÉ DA SILVA: Mas, Sr. Juiz... 
JUIZ: Nem mais nem meios mais; entregue o filho, senão, cadeia. 
(Martins Pena. Comédias (1833-1844), 2007.) 
 
O efeito cômico produzido pela leitura do requerimento decorre, 
principalmente, do seguinte fenômeno ou procedimento linguístico: 
a) paródia. d) paráfrase. 
b) intertextualidade. e) sinonímia. 
c) ambiguidade. 
 
Questão 15 (Unifesp 2016) 
O emprego das aspas no interior da fala do escrivão indica que tal 
trecho 
a) reproduz a solicitação de Francisco Antônio. 
b) recorre a jargão próprio da área jurídica. 
c) reproduz a fala da mulher de Francisco Antônio. 
d) é desacreditado pelo próprio escrivão. 
e) deve ser interpretado em chave irônica. 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE LITERATURA 
Prof. Steller de Paula 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
AULA 17 - REALISMO E NATURALISMO 
 
INTRODUÇÃO 
Realismo e Naturalismo 
“Devem-se encarar o Realismo e o Naturalismo como movimentos 
estéticos específicos do século XIX. Porquanto, antes de se 
concretizarem numa época histórica, eles eram categorias 
estéticas ou temperamentos artísticos, tendências gerais da alma 
humana em diversos tempos, como Classicismo e Romantismo, 
surgindo o Realismo sempre que se dá a união do espírito à vida, 
pela objetiva pintura da realidade. (...) Do mesmo modo, o 
Naturalismo existe sempre que se reage contra a espiritualização 
excessiva, como em certas expressões do erotismo Barroco ou na 
ficção naturalista do século XIX.” 
Afrânio Coutinho, A Literatura no Brasil 
 
O CONTEXT HISTÓRICO 
O Realismo reflete as profundas transformações econômicas, 
políticas, sociais e culturais da segunda metade do século XIX. A 
Revolução Industrial, iniciada no Século XVIII, entra numa nova 
fase, caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da 
eletricidade. O capitalismo se estrutura em moldes modernos, com 
o surgimento de grandes complexos industriais, e resulta em um 
maior abismo entre ricos e pobres, formando uma população 
marginalizada que não partilha dos benefícios gerados pelo 
progresso industrial, mas pelo contrário, é explorada e sujeita a 
condições subumanas de trabalho. 
 
Esta nova sociedade motiva uma nova interpretação da realidade, 
gerando teorias de variadas posturas ideológicas. Surgem, então, 
diversas teorias científicas e filosóficas, que influenciarão não só a 
política, a economia, as ciências naturais, mas também a arte 
Realista e Naturalista: 
 
CIENTIFICISMO 
- O Positivismo, de Auguste Comte – teoria científica que 
defende posturas exclusivamente materialistas e que afirma só ser 
válido o conhecimento passível ser provado cientificamente. 
O pensamento positivista, elaborado por Auguste Comte, 
estabelecia que o saber, baseado nas leis científicas, era superior 
ao saber teológico ou metafísico. Foi uma forma de pensamento 
que valorizou o progresso material como um elemento capaz de 
eliminar os males sociais. 
 
- O Determinismo de Hippolyte Taine – defende a tese de que o 
comportamento humano é determinado por três fatores: o meio, a 
raça, e o contexto histórico. 
O Realismo e, sobretudo, o Naturalismo radicalizaram a teoria do 
determinismo elaborado por Hipólito Taine: o homem é um produto 
de leis físicas e sociais. A arte realista/naturalista vê o homem 
como produto do meio ambiente em que vive: a raça, o meio, o 
momento histórico – e como produto da cultura a que está sujeito. 
 
- O Evolucionismo de Charles Darwin – teoria científica que 
mostra o processo de evolução das espécies a partir da seleção 
natural, ou seja, “os fortes”, aqueles que têm condições de se 
adaptar as adversidades, sobrevivem, enquanto os mais fracos 
morrem. 
Por força da corrente científica liderada por Charles Darwin – o 
evolucionismo -, a arte realista-naturalista postula também que a 
seleção natural do homem na sociedade é o veículo de 
transformação. Vence o mais forte; o fraco acaba sendo explorado 
e esmagado. 
 
- O Socialismo Científico de Karl Marx e Friederich Engels – 
teoria científica que estimula as lutas de classe e a organização 
política do proletariado. É uma tentativa de resposta à exploração 
do operário nas fábricas e nos grandes centros urbanos. Nessa 
teoria, Marx e Engels mostram o quanto o aspecto social está 
vinculado ao processo econômico e político. 
 
REALISMO E NATURALISMO NO BRASIL 
A partir do final da década de 1860, a produção literária brasileira 
já anunciava uma mudança na postura dos autores diante da 
realidade, prenunciando o fim do Romantismo: Castro Alves, 
Sousândrade e Tobias Barreto faziam uma poesia romântica na 
forma e na expressão, mas apresentando temas voltados para a 
realidade político-social. Em 1872, José de Alencar, com Senhora, 
fazia uma severa crítica à burguesia. 
 Na década de 70 o Brasil passava por um conturbado 
momento histórico, sob o signo do abolicionismo, do ideal 
republicano e da crise da monarquia. Em ressonância a isso, 
surge a chamada Escola de Recife, com Tobias Barreto, Sílvio 
Romero e outros, aproximando-se das ideias europeias ligadas ao 
Positivismo, ao Evolucionismo e, principalmente, à filosofia alemã. 
 Em 1857, o mesmo ano em que no Brasil era publicado O 
Guarani, de José de Alencar, na França é publicado Madame 
Bovary, de Gustave Flaubert, considerado o primeiro romance 
realista da literatura universal. Em 1865, Claude Bernard publica 
Introdução à medicina experimental, com uma tese sobre a 
hereditariedade. Em 1867 Émile Zola publica Thérèse Raquim, 
inaugurando o romance naturalista. 
 1881 é considerado o ano inaugural do Realismo no Brasil. 
Nesse ano foram publicados dois livros que mudaram o curso da 
nossa literatura: Memórias Póstumas de Brás Cubas, o primeiro 
romance realista da nossa literatura, e O mulato, de Aluísio 
Azevedo, primeiro romance naturalista do Brasil. 
 
 
 
Características Comuns Ao Realismo E Ao Naturalismo 
 Os escritores, diante desse quadro de mudanças ideológicas 
e sociais, sentem a necessidade de criar uma literatura sintonizada 
com a nova realidade, capaz de abordá-la de modo mais objetivo e 
realista do que, até então, fazia o Romantismo. 
As teorias científicas, as ideias de reformas políticas e de 
revolução social exigiam dos escritores, por um lado, uma literatura 
 
 
 
 
 168 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 17 - Realismo e Naturalismo 
 
de ação, comprometidacom a crítica e com a reforma da 
sociedade, e de outro, uma abordagem mais profunda e complexa 
do ser humano, visto agora à luz dos conhecimento das correntes 
científico-filosóficas da época. 
 Surge, então, o Realismo, que procura, na literatura, atender 
às necessidades impostas pelo novo contexto histórico-cultural. 
Assim, que o objetivismo aparece como negação do subjetivismo 
romântico e nos mostra o homem voltado para aquilo que está 
diante e fora dele; o personalismo cede terreno para o 
universalismo. 
 Dessa forma, os personagens de romances realistas-
naturalistas são, em geral, personagens esféricos e estão muito 
próximos das pessoas comuns, com seus problemas cotidianos. 
Há, também, uma grande incidência de personagens tipificados, 
ou seja, personagens representativos de uma categoria: uma 
empregada, um patrão, uma dona de casa, um agregado... Os 
personagens típicos permitem estabelecer relações críticas entre o 
texto e a realidade histórica em que eles se insere, apresentando 
comportamentos e valores típicos, posturas padõres de classes 
específicas diante de determinadas realidades e situações. 
A linguagem é outra preocupação importante: ela deve ser simples, 
direta, predominantemente denotative. 
 No Realismo e no Naturalismo, o materialismo leva à 
negação do sentimentalismo e da metafísica. O nacionalismo e a 
volta ao passado histórico perdem importância; os artistas só se 
preocupam com o presente, com a contemporaneidade. 
Realismo e naturalismo criticam fortemente a burguesia e todas 
as instituições burguesas (escola, Igreja, Governo e, 
principalmente, a família, célula-mãe da sociedade). 
 
CARACTERÍSTICAS DO REALISMO/NATURALISMO: 
 - Concepção materialista da realidade: o homem, a natureza e o 
universo estão intimamente associados num todo orgânico, sujeitos 
às mesmas leis naturais. 
- A realidade deve ser captada através da observação, 
objetivamente, de modo imparcial, como faz o cientista em seu 
laboratório. 
- Os fatores psicológicos e sociais estão sujeitos às leis naturais; 
nada têm de espirituais ou transcendentais. 
- Preocupação em ser objetivo no trato dos personagens. 
- Retrata a vida contemporânea dos personagens, pois só a vida 
do momento pode ser objeto de análise e observação. 
- A narrativa realista move-se lentamente e é cheia de pormenores, 
usados propositalmente para retratar de modo mais fiel a realidade. 
- Não existe o livre-arbítrio. O comportamento humano é motivado 
por forças biológicas, atávicas e sociais. 
- Clareza e harmonia; correção gramatical; linguagem próxima da 
realidade. 
 
“Outrora uma novela romântica, em lugar de estudar o homem, 
inventava-o. Hoje o romance estuda-o na sua realidade social. 
Outrora no drama, no romance, concebia-se o jogo das paixões a 
priori; hoje analisa-se a posteriori, por processos tão exatos como 
os da própria fisiologia. Desde que se descobriu que a lei que rege 
os corpos brutos é a mesma que rege os seres vivos, que a 
constituição intrínseca duma pedra obedeceu às mesmas leis que 
a constituição do espírito duma donzela, que há no mundo uma 
fenomenalidade única, que a lei que rege os movimentos dos 
mundos não difere da lei que rege as paixões humanas, o 
romance, em lugar de imaginar, tinha simplesmente de observar. 
(...) A arte tornou-se o estudo dos fenômenos vivos e não a 
idealização das imaginações inatas...” 
Eça de Queirós. Idealismo e realismo. In: Cartas inéditas de 
Fradique Mendes. Apud: SIMÕES, J. G.: Eça de Quirós – trechos 
escolhidos. Rio de Janeiro, Agir, 1968. 
 
DIFERENÇAS ENTRE REALISMO E NATURALISMO 
 O Naturalismo é fortemente influenciado pela teoria 
evolucionista de Charles Darwin. Por isso, vê o homem sempre 
pelo lado biológico. Assim, para o naturalista o Homem se 
comporta como um animal, guiado mais por seus instintos 
naturais do que pela razão. 
 O determinismo também é levado ao extremo no 
Naturalismo, que cria personagens e situações com o objetivo de 
defender a tese segundo a qual o comportamento humano nada 
mais é do que o reflexo do meio e do context histórico em que 
o homem vive (esse meio é composto por educação, pressão 
social, o próprio meio ambiente etc.) e o homem, que ainda é 
subjugado pelo fator hereditariedade física, estando preso a um 
destino que ele não consegue mudar. 
 O Naturalismo, portanto, aprofunda a visão científica do 
Realismo. 
 
 A temática também é um dos pontos em que há diferenças 
significativas entre o Naturalismo e o Realismo. 
Os autores Naturalistas, sempre por meio de uma análise rigorosa 
do meio social e dos aspectos patológicos, trazem para sua obra 
temas como a miséria, a criminalidade, o alcoolismo e os 
problemas relacionados ao sexo como o adultério, a prostituição e 
o homossexualismo feminino e masculino. 
Esses temas são abordados, geralmente, por meio de 
personagens que representam os grupos marginalizados da 
sociedade. 
 
Trecho I 
Uma bela noite, porém, o Miranda, que era homem de sangue 
esperto e orçava então pelos seus trinta e cinco anos, sentiu-se em 
insuportável estado de lubricidade. Era tarde já e não havia em 
casa alguma criada que lhe pudesse valer. 
Lembrou-se da mulher, mas repeliu logo esta ideia com 
escrupulosa repugnância. Continuava a odiá-la. Entretanto este 
mesmo fato de obrigação em que ele se colocou de não servir-se 
dela, a responsabilidade de desprezá-la, como que ainda mais lhe 
assanhava o desejo da carne, fazendo da esposa infiel um fruto 
proibido. 
Afinal, coisa singular, posto que moralmente nada diminuísse a sua 
repugnância pela perjura, foi ter ao quarto dela. 
A mulher dormia a sono solto. Miranda entrou pé ante pé e 
aproximou-se da cama. “Devia voltar!... pensou. Não lhe ficava 
bem aquilo!...” Mas o sangue latejava-lhe, reclamando-a. Ainda 
hesitou um instante, imóvel, a contemplá-la no seu desejo. 
Estela, como se o olhar do marido lhe apalpasse o corpo, torceu-se 
sobre o quadril da esquerda, repuxando com as coxas o lençol 
para a frente e patenteando uma nesga de nudez estofada e 
branca. O Miranda não pôde resistir, atirou-se contra ela, que, num 
pequeno sobressalto, mais de surpresa que de revolta, desviou-se, 
tornando logo e enfrentando com o marido. E deixou-se empolgar 
pelos rins, de olhos fechados, fingindo que continuava a dormir, 
sem a menor consciência de tudo aquilo. 
Ah! ela contava como certo que o esposo, desde que não teve 
coragem de separar-se de casa, havia, mais cedo ou mais tarde, 
de procurá-la de novo. Conhecia-lhe o temperamento, forte para 
desejar e fraco para resistir ao desejo. 
	SEMANA 17 - LITERATURA - Realismo e Naturalismo - STELLER sem respostas

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