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204 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 20 - Simbolismo 
 
 
01) O primeiro verso do poema já apresenta uma característica 
formal marcante do Simbolismo, escola da qual Cruz e Sousa faz 
parte: o uso de aliterações, recurso que intensifica o potencial 
melódico da linguagem. 
02) No primeiro terceto, as referências ao vago e ao fugidio 
relacionam-se com a proposta literária do Simbolismo, que opta 
pelo sugestivo e pelo intuitivo em detrimento de uma representação 
objetiva e direta da realidade. 
04) Reagindo aos ditames formais do Parnasianismo 
contemporâneo, a lírica de Cruz e Sousa apresenta, em diversas 
ocasiões, poemas em versos nos quais a métrica irregular antecipa 
o Modernismo vindouro. A ode “Beleza morta” é um exemplo de tal 
procedimento. 
08) O reconhecimento imediato do valor artístico da obra de Cruz e 
Sousa, que se mostrou semelhante, no fim do século XIX, àquele 
experimentado pela de Olavo Bilac, contrasta com a crítica 
generalizada que essa obra sofreu no início do século seguinte, 
sobretudo por parte de Manuel Bandeira em seu primeiro livro 
publicado, Cinza das horas. 
16) A utilização de termos preciosos e vocábulos incomuns por 
parte dos autores simbolistas, tal como se percebe no poema 
“Beleza morta”, é fruto da recuperação de um dos procedimentos 
mais marcantes do Barroco: o conceptismo, no qual se verifica 
uma elaboração rebuscada da linguagem. 
 
Questão 07 (Ucs 2012) 
O Simbolismo foi um movimento literário de grande 
repercussão na produção dos escritores brasileiros. Nesse 
período, eles buscaram evocar e sugerir imagens, explorando 
as experiências sensoriais. 
Leia o fragmento do poema Cárcere das Almas, de Cruz e 
Souza, um dos representantes do Simbolismo. 
 
Tudo se veste de uma igual grandeza 
Quando a alma entre grilhões as liberdades 
Sonha e sonhando, as imortalidades 
Rasga no etéreo Espaço da Pureza. 
 
(TUFANO, Douglas. Estudos de literatura brasileira. 4 ed. rev. e 
ampl. São Paulo: Moderna, 1988. p. 173.) 
 
Analise a veracidade (V) ou a falsidade (F) das proposições 
abaixo, sobre o fragmento do poema. 
 
( ) Nesse fragmento, é possível perceber o estado onírico, 
uma das características típicas do período literário em questão. 
( ) O sujeito-lírico deseja a liberdade, buscando encontrá-la 
no mundo das aparências. 
( ) Ao grafar as palavras Espaço e Pureza em maiúsculo, o 
poeta sugere uma personificação das ideias contidas nesses 
vocábulos. 
 
Assinale a alternativa que preenche corretamente os 
parênteses de cima para baixo. 
a) V – F – F 
b) V – V – V 
c) F – V – F 
d) V – F – V 
e) F – V – V 
 
Questão 08 (Uepa 2012) 
Respirando os ares da modernidade literária, a estética simbolista 
revela-se uma reação artística à referencialidade que 
violentamente restringe a palavra poética ao mundo das coisas e 
conceitos. No intuito de libertar a linguagem poética, o Simbolismo 
explora diversos recursos sensoriais a fim de sugerir mistérios. 
Simbolista, Alphonsus de Guimaraens escreve muitos textos que 
apelam para o símbolo visual, a imagem, carregado de insinuações 
de misticismo e morte. 
 
Marque a alternativa cujos versos se relacionam ao comentário 
acima. 
 
a) Queimando a carne como brasas, 
Venham as tentações daninhas, 
Que eu lhes porei, bem sob as asas, 
A alma cheia de ladainhas. 
b) Quando Ismália enlouqueceu, 
Pôs-se na torre a sonhar... 
Viu uma lua no céu, 
Viu outra lua no mar. 
c) Encontrei-te. Era o mês... Que importa o mês? agosto, 
Setembro, outubro, maio, abril, janeiro ou março, 
Brilhasse o luar, que importa? ou fosse o sol já posto, 
No teu olhar todo o meu sonho andava esparso. 
d) Lua eterna que não tiveste fases, 
Cintilas branca, imaculada brilhas, 
E poeiras de astros nas sandálias trazes... 
e) Venham as aves agoireiras, 
De risada que esfria os ossos... 
Minh’alma, cheia de caveiras, 
Está branca de padre-nossos. 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 (Unifesp 2016) 
O Simbolismo é, antes de tudo, antipositivista, antinaturalista e 
anticientificista. Com esse movimento, nota-se o despontar de uma 
poesia nova, que ressuscitava o culto do vago em substituição ao 
culto da forma e do descritivo. 
(Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1994. Adaptado.) 
 
Considerando esta breve caracterização, assinale a alternativa em 
que se verifica o trecho de um poema simbolista. 
a) “É um velho paredão, todo gretado, 
Roto e negro, a que o tempo uma oferenda 
Deixou num cacto em flor ensanguentado 
E num pouco de musgo em cada fenda.” 
b) “Erguido em negro mármor luzidio, 
Portas fechadas, num mistério enorme, 
Numa terra de reis, mudo e sombrio, 
Sono de lendas um palácio dorme.” 
c) “Estranho mimo aquele vaso! Vi-o, 
Casualmente, uma vez, de um perfumado 
Contador sobre o mármor luzidio, 
Entre um leque e o começo de um bordado.” 
d) “Sobre um trono de mármore sombrio, 
Num templo escuro e ermo e abandonado, 
Triste como o silêncio e inda mais frio, 
Um ídolo de gesso está sentado.” 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
205 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
e) “Ó Formas alvas, brancas, Formas claras 
De luares, de neves, de neblinas!... 
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... 
Incensos dos turíbulos das aras...” 
 
Questão 02 (Pucrs 2013) 
Leia o poema “Encarnação”. 
 
Carnais, sejam carnais tantos desejos, 
carnais, sejam carnais tantos anseios, 
palpitações e frêmitos e enleios, 
das harpas da emoção tantos arpejos... 
 
Sonhos, que vão, por trêmulos adejos, 
à noite, ao luar, intumescer os seios 
láteos, de finos e azulados veios 
de virgindade, de pudor, de pejos... 
 
Sejam carnais todos os sonhos brumos 
de estranhos, vagos, estrelados rumos 
onde as Visões do amor dormem geladas... 
 
Sonhos, palpitações, desejos e ânsias 
formem, com claridades e fragrâncias, 
a encarnação das lívidas Amadas! 
 
Com base no poema e em seu contexto, afirma-se: 
I. A atmosfera onírica, a sugestão através de símbolos, a 
musicalidade das palavras por meio da aliteração são 
características que permitem associar o poema à escola simbolista. 
II. O eu lírico, em tom quase de súplica, ambiciona a concretização 
daquilo que pensa e deseja. 
III. O autor do poema também escreveu as obras Missal e 
Broquéis. Seu nome é Alphonsus de Guimaraens. 
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são 
a) I, apenas. 
b) III, apenas. 
c) I e II, apenas. 
d) II e III, apenas. 
e) I, II e III. 
 
Questão 03 (Espm 2017) 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES 
 
 
 
Acrobata da Dor 
 
Gargalha, ri, num riso de tormenta, 
como um palhaço, que desengonçado, 
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado 
de uma ironia e de uma dor violenta. 
Da gargalhada atroz, sanguinolenta, 
agita os guizos, e convulsionado 
salta, 1gavroche, salta clown, varado 
pelo 2estertor dessa agonia lenta... 
 
Pedem-se bis e um bis não se despreza! 
Vamos! retesa os músculos, retesa 
nessas macabras piruetas d’aço... 
 
E embora caias sobre o chão, 3fremente, 
afogado em teu sangue 4estuoso e quente, 
ri! Coração, tristíssimo palhaço. 
(Cruz e Sousa) 
1gavroche: garotos de Paris, figuradamente artista. 
2estertor: respiração anormal própria de moribundos. 
3fremente: vibrante, agitado, violento. 
4estuoso: que ferve, ardente, febril. 
 
Ainda sobre o soneto, assinale a afirmação errônea: 
 
a) há uma alusão ao fato de o palhaço, interiormente dilacerado, 
mascarar seus sentimentos para transmitir alegria. 
b) a fachada de alegria e o sofrimento interior compõem a natureza 
conflitante do coração do poeta, sensibilizando o público. 
c) há um vocabulário sugestivo, remetendo ao coração: 
“gargalhada sanguinolenta”, “convulsionado”, “retesa os 
músculos”. 
d) o poema pode ser visto também como uma metáfora da 
condição do artista, em que se revelam as relações entre arte e 
poeta. 
e) a condiçãodo artista se espelha na do palhaço, sendo este 
forçado a rir, numa espécie de tortura interna e eterna. 
 
Questão 04 (Espm 2017) 
Fazendo uma análise mais detalhada do soneto, assinale a 
afirmação incorreta: 
a) ao longo do texto, constata-se que o acrobata da dor, 
desempenhando o papel de um triste e sofrido palhaço, é 
metáfora do próprio coração. 
b) o acrobata precisa acolher a manifestação da audiência e seguir 
desempenhando seu papel, mesmo que o leve à morte. 
c) essa espécie de clown, que vive de agradar às multidões, paga 
um preço alto: a ocultação de sua dor interior. 
d) cena grotesca, o bis é a sedução da plateia que acaba 
conduzindo o acrobata para a tragédia. 
e) a plateia pedindo bis corresponde à elite política que exige do 
cidadão, em sua luta diária, as maiores acrobacias. 
 
Questão 05 (Espm 2017) 
Assinale a alternativa em que a indicação entre parênteses não 
está de acordo com o verso: 
a) “Gargalha, ri, num riso de tormenta,” (pleonasmo vicioso) 
b) “salta, gavroche, salta clown, varado” (assonância) 
c) “Da gargalhada atroz, sanguinolenta,” (sinestesia) 
d) “nessas macabras piruetas d’aço...” (metáfora) 
e) “afogado em teu sangue estuoso e quente,” (aliteração) 
Questão 06 (Enem 2014) 
Vida obscura 
 
Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro, 
 
 
 
 
 206 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 20 - Simbolismo 
 
ó ser humilde entre os humildes seres, 
embriagado, tonto de prazeres, 
o mundo para ti foi negro e duro. 
 
Atravessaste no silêncio escuro 
a vida presa a trágicos deveres 
e chegaste ao saber de altos saberes 
tornando-te mais simples e mais puro. 
 
Ninguém te viu o sentimento inquieto, 
magoado, oculto e aterrador, secreto, 
que o coração te apunhalou no mundo, 
 
Mas eu que sempre te segui os passos 
sei que cruz infernal prendeu-te os braços 
e o teu suspiro como foi profundo! 
 
SOUSA, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1961. 
Com uma obra densa e expressiva no Simbolismo brasileiro, Cruz 
e Sousa transpôs para seu lirismo uma sensibilidade em conflito 
com a realidade vivenciada. No soneto, essa percepção traduz-se 
em : 
a) sofrimento tácito diante dos limites impostos pela discriminação. 
b) tendência latente ao vício como resposta ao isolamento social. 
c) extenuação condicionada a uma rotina de tarefas degradantes. 
d) frustração amorosa canalizada para as atividades intelectuais. 
e) vocação religiosa manifesta na aproximação com a fé cristã. 
 
Questão 07 (Unifesp 2015) 
Leia o soneto de Cruz e Sousa. 
 
Silêncios 
 
Largos Silêncios interpretativos, 
Adoçados por funda nostalgia, 
Balada de consolo e simpatia 
Que os sentimentos meus torna cativos; 
 
Harmonia de doces lenitivos, 
Sombra, segredo, lágrima, harmonia 
Da alma serena, da alma fugidia 
Nos seus vagos espasmos sugestivos. 
 
Ó Silêncios! Ó cândidos desmaios, 
Vácuos fecundos de celestes raios 
De sonhos, no mais límpido cortejo... 
 
Eu vos sinto os mistérios insondáveis 
Como de estranhos anjos inefáveis 
O glorioso esplendor de um grande beijo! 
 
(Cruz e Sousa. Broquéis, Faróis, Últimos Sonetos, 2008.) 
 
A análise do soneto revela como tema e recursos poéticos, 
respectivamente: 
 
a) a aura de mistério e de transcendentalidade suaviza o 
sofrimento do eu lírico; rimas alternadas e sinestesias se 
evidenciam nos versos de redondilha maior. 
b) o esforço de superação do sofrimento coexiste com o 
esgotamento das forças do eu lírico; assonâncias e metonímias 
reforçam os contrastes das rimas alternadas em versos livres. 
c) a religiosidade como forma de superação do sofrimento humano; 
metáforas e antíteses reforçam o negativismo da desagregação 
existencial nos versos livres. 
d) a apresentação da condição existencial do eu lírico, marcada 
pelo sofrimento, em uma abordagem transcendente; assonâncias e 
aliterações reforçam a sonoridade nos versos decassílabos. 
e) o apelo à subjetividade e à espiritualidade denota a conciliação 
entre o eu lírico e o mundo; metáforas e sinestesias reforçam o 
sentido de transcendentalidade nos versos de doze sílabas. 
 
Questão 08 (Insper 2011) 
Ismália 
 
Quando Ismália enlouqueceu, 
Pôs-se na torre a sonhar... 
Viu uma lua no céu, 
Viu outra lua no mar. 
 
No sonho em que se perdeu, 
Banhou-se toda em luar... 
Queria subir ao céu, 
Queria descer ao mar... 
 
E, no desvario seu, 
Na torre pôs-se a cantar... 
Estava perto do céu, 
Estava longe do mar... 
 
E como um anjo pendeu 
As asas para voar... 
Queria a lua do céu, 
Queria a lua do mar... 
 
As asas que Deus lhe deu 
Ruflaram de par em par... 
Sua alma subiu ao céu, 
Seu corpo desceu ao mar... 
(Alphonsus de Guimaraens) 
 
Coloque V (verdadeiro) ou F (falso) para as afirmações que 
seguem. 
( ) Os temas centrais desse poema, bem marcados nas duas 
primeiras estrofes, são o amor e a saudade. 
( ) Um dos mais significativos poemas simbolistas, Ismália 
aborda a dualidade entre corpo e alma. 
( ) A partir de um jogo intertextual, o poema de Alphonsus de 
Guimaraens parodia o drama de Narciso diante do espelho. 
 
A sequência correta é: 
a) F, V, F. 
b) V, V, F. 
c) V, F, F. 
d) F, F, V. 
e) V, F, V. 
 
Questão 09 (UFES) 
"O Assinalado" 
 
Tu és o louco da imortal loucura, 
O louco da loucura mais suprema. 
A Terra é sempre a tua negra algema, 
Prende-te nela a extrema Desventura. 
 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
207 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Mas essa mesma algema de amargura, 
Mas essa mesma Desventura extrema 
Faz que tu'alma suplicando gema 
E rebente em estrelas de ternura. 
 
Tu és o Poeta, o grande Assinalado 
Que povoas o mundo despovoado, 
De belezas eternas, pouco a pouco ... 
 
Na Natureza prodigiosa e rica 
Toda a audácia dos nervos justifica 
Os teus espasmos imortais de louco! 
 
O poema acima encontra-se na obra "Últimos sonetos", de Cruz e 
Sousa, poeta cujo centenário de morte foi comemorado em 1998. 
Leia as afirmativas seguintes acerca do poema e assinale a opção 
CORRETA. 
 
I - Ocorre hipérbole no verso 4; anáfora, nos versos 5 e 6; antítese, 
no verso 9; sinestesia, nos versos13-14. 
II - O poeta é considerado um ser diferente cuja alma, mesmo 
algemada à Terra, rebenta "em estrelas de ternura". 
III - O uso da letra maiúscula em substantivos comuns singulariza-
os e empresta-lhes uma dimensão simbólica. 
 
a) Apenas a afirmativa I está correta. 
b) Apenas a afirmativa II está correta. 
c) Apenas a afirmativa III está correta. 
d) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. 
e) Apenas as afirmativas II e III estão corretas. 
 
Questão 10 (Espm 2014) 
Para as Estrelas de cristais gelados 
 
As ânsias e os desejos vão subindo, 
Galgando azuis e siderais noivados 
De nuvens brancas a amplidão vestindo... 
(Cruz e Sousa) 
 
Assinale a opção em que expresse incorretamente a análise do 
poema: 
 
a) As “nuvens brancas” mencionadas sugerem as vestes 
tradicionais de noiva. 
b) A aliteração do /s/ em “As ânsias e os desejos vão subindo” 
produz cacofonia. 
c) Os “cristais gelados” estão de acordo com a frialdade do espaço 
sideral. 
d) As “Estrelas”, com maiúscula alegorizante, podem significar uma 
dimensão humana superior. 
e) Galgar “azuis e siderais noivados” é imagem que remete ao 
anseio de atingir um mundo espiritual. 
 
Questão 11 (Udesc 2014) 
Cavador do Infinito 
 
Com a lâmpada do Sonho desce aflito 
E sobe aos mundos mais imponderáveis, 
Vai abafando as queixas implacáveis, 
Da alma o profundo e soluçado grito. 
 
Ânsias, Desejos, tudo a fogo escrito 
Sente, em redor, nos astros inefáveis. 
Cava nas fundas eras insondáveis 
O cavador do trágico Infinito. 
 
E quanto mais pelo Infinito cava 
Mais o Infinito se transforma em lava 
E o cavador se perde nas distâncias... 
 
Alto levanta a lâmpada do Sonho 
E com seu vulto pálidoe tristonho 
Cava os abismos das eternas ânsias! 
 
SOUZA, Cruz e. Últimos Sonetos. www.dominiopublico.gov.br. 
 
Analise as proposições em relação ao soneto “Cavador do Infinito”, 
Cruz e Souza. 
 
I. A leitura do poema leva o leitor a inferir que o cavador do infinito 
é a representação da imagem do próprio poeta, ou seja, um 
autorretrato do poeta simbolista. 
II. Da leitura do poema infere-se que a metáfora está centrada na 
lâmpada do sonho, a qual se refere à imaginação onírica do poeta 
e ilumina o seu inconsciente. 
III. O sinal de pontuação – reticências – no verso 11, acentua o 
clima de indefinível, levando o leitor a inferir sobre a situação – o 
drama vivido pelo eu lírico. 
IV. No plano formal, o uso de letra maiúscula em substantivos 
comuns é uma característica do Simbolismo, como ocorre em: 
“Sonho” (versos 1 e 12), “Ânsias” e “Desejos” (verso 5); “Infinito” 
(versos 8 e 9). Usada como alegoria, a letra maiúscula tenciona dar 
um sentido de transcendência, de valor absoluto. 
V. Da leitura do poema e do contexto literário simbolista, infere-se 
que o título do poema “Cavador do Infinito” reforça a ideia a que o 
soneto remete: o poeta simbolista busca a transcendência, a 
transfiguração da realidade cotidiana para uma dimensão 
metafísica, que é uma característica da estética simbolista. 
 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. 
b) Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas II, III, IV e V são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas I, IV e V são verdadeiras. 
e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 
 
Questão 12 
Texto para as próximas 2 questões 
 
 SIDERAÇÕES 
 
Para as Estrelas de cristais gelados 
As ânsias e os desejos vão subindo, 
Galgando azuis e siderais noivados 
De nuvens brancas a amplidão vestindo... 
 
Num cortejo de cânticos alados 
Os arcanjos, as cítaras ferindo, 
Passam, das vestes nos troféus prateados, 
As asas de ouro finamente abrindo... 
 
Dos etéreos turíbulos de neve 
Claro incenso aromal, límpido e leve, 
 
 
 
 
 208 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 20 - Simbolismo 
 
Ondas nevoentas de Visões levanta... 
 
E as ânsias e os desejos infinitos 
Vão com os arcanjos formulando ritos 
Da Eternidade que nos Astros canta... 
 
Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural 
do Simbolismo encontrados no poema Siderações, de Cruz e 
Souza, são 
A) uso da linguagem simples e direta na abordagem de temas 
filosóficos. 
B) a prevalência do lirismo em relação à temática purista 
parnasiana. 
C) o refinamento da linguagem e a busca do transcendental. 
D) a evidente preocupação com a realidade social expressa 
através da poesia. 
E) a liberdade formal da estrutura poética quanto ao uso de rimas e 
métricas 
 
Questão 13 
Observa-se uma aproximação entre Simbolismo e Romantismo 
uma vez que 
a) o poeta idealiza seus desejos, projetando-os para uma instância 
inatingível. 
b) o poema emprega descrições nítidas que garantem uma 
compreensão exata dos versos. 
c) o poeta expõe a sua avaliação sobre a realidade objetiva, 
utilizando imagens da natureza em linguagem precisa e direta. 
d) o poema, em forma de epigrama, traduz uma visão materialista 
do amor e da sensualidade. 
e) se trata da descrição de fantasias e alucinações apresentadas 
nos moldes de ficção científica. 
 
Questão 14 (Pucsp 98) 
Leia o fragmento do poema "Antífona", de Cruz e Sousa, e 
responda 
 
"Ó Formas , brancas, Formas claras 
De luares, de neves, de neblinas!... 
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... 
Incensos dos turíbulos das aras... 
 
Formas do Amor, constelarmente puras, 
De Virgens e de Santas vaporosas... 
Brilhos errantes, mádidas frescuras 
E dolências de lírios e de rosas... 
 
Indefiníveis músicas supremas, 
Harmonias da Cor e do Perfume. 
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas, 
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume..." 
 
Esse trecho do poema, que abre o livro BROQUÉIS, é considerado 
uma espécie de profissão de fé simbolista. 
 
Reflita sobre as afirmações a seguir. 
 
I - O fragmento revela a preocupação do eu lírico pelas formas 
caracterizadas pela cor branca, pelas cintilações, pela vaguidade, 
pelo diáfano o pelo transparente. 
II - O fragmento apresenta uma construção apoiada na 
justaposição de frases nominais, com o intuito de descrever os 
objetos com clareza. 
III - O fragmento mostra alguns procedimentos estilísticos do 
Simbolismo, como, por exemplo, a musicalidade das palavras, o 
uso de reticências, o emprego de letras maiúsculas e a 
identificação do referente. 
Conforme se verifica, está correto o que se afirma 
a) apenas em I e II 
b) apenas em I e III 
c) apenas em II e III 
d) apenas em I 
e) em I, II e III 
 
Questão 15 (UFPA 2012) 
“CREPUSCULAR” 
 
Há no ambiente um murmúrio de queixume, 
De desejos de amor, dais comprimidos... 
Uma ternura esparsa de balidos, 
Sente-se esmorecer como um perfume. 
 
As madressilvas murcham nos silvados 
E o aroma que exalam pelo espaço, 
Tem delíquios de gozo e de cansaço, 
Nervosos, femininos, delicados. 
 
Sentem-se espasmos, agonias dave, 
Inapreensíveis, mínimas, serenas... 
Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas, 
O meu olhar no teu olhar suave. 
 
As tuas mãos tão brancas danemia... 
Os teus olhos tão meigos de tristeza... 
É este enlanguescer da natureza, 
Este vago sofrer do fim do dia. 
 
Camilo Pessanha é considerado o expoente máximo da poesia 
simbolista portuguesa. Os seus versos reúnem o que há de mais 
marcante nesse estilo de época por traduzirem sugestões, imagens 
visuais, sonoras e estados de alma, além de notória ausência de 
elementos que se detenham em descrição ou em referência 
objetiva. 
 
É correto afirmar que os versos do soneto “Crepuscular” transcritos 
nas opções, a seguir, traduzem as considerações postas nesses 
comentários, com exceção de: 
a) “Uma ternura esparsa de balidos,” 
b) “As madressilvas murcham nos silvados” 
c) “É este enlanguescer da natureza,” 
d) “Há no ambiente um murmúrio de queixume,” 
e) “Este vago sofrer do fim do dia.”

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