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Aula 24 – Primeira Guerra Mundial 63 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência baioneta calada, o soldado transpõe o parapeito da trincheira e, seguindo seu comandante, se lança em direção à do inimigo, sob o fogo de canhões, metralhadoras e granadas de mão, até o assalto final. Então, é a hora da baioneta, da faca e da pá de trincheira, de tudo o que possa matar, ferir, eliminar o inimigo.” O horror das trincheiras foi registrado em cartas e diários daqueles que sobreviveram ao conflito, como no relato de um soldado francês: “O odor fétido nos penetra garganta adentro ao chegarmos na nossa nova trincheira, à direita dos Éparges. Chove torrencialmente e nos protegemos com o que tem de lonas e tendas de campanha afiançadas nos muros da trincheira. Ao amanhecer do dia seguinte constatamos estarrecidos que nossas trincheiras estavam feitas sobre um montão de cadáveres e que as lonas que nossos predecessores haviam colocado estavam para ocultar da vista os corpos e restos humanos que ali haviam." O ano de 1917 representou uma reviravolta no conflito: a Rússia saiu da guerra e os EUA entraram ao lado dos Aliados. Os russos abandonaram o conflito devido à ascensão do governo revolucionário bolchevique, que instalou o socialismo no país. Lenin, líder do movimento revolucionário vitorioso, via o conflito que se desenrolava como essencialmente capitalista. Além disso, o país se encontrava numa difícil situação financeira, sem condições sequer de alimentar seus soldados no front de guerra. Por isso, tratou de oficializar a saída da Rússia assinando o Tratado de Brest-Litovski (1918). No entanto, precisou entregar diversas possessões ao alemães (Lituânia, Letônia, Estônia, Polônia e Finlândia). Quanto à entrada dos EUA na guerra, havia dois objetivos por trás da declaração de guerra às Potências Centrais: • responder ao afundamento de navios americanos pela marinha alemã no Atlântico; • garantir a vitória da França e da Inglaterra, países nos quais os EUA possuíam muitos investimentos (a possibilidade de derrota desses países prejudicaria os interesses econômicos dos EUA na Europa). A entrada dos EUA na Primeira Grande Guerra representou uma ruptura na política externa americana em relação ao Velho Mundo. O primeiro presidente dos EUA, George Washington, recomendou que os americanos não se envolvessem em conflitos entre os países europeus (Política do Isolacionismo). Desde o século XVIII os EUA vinham observando a recomendação de seu primeiro presidente. Woodrow Wilson, que governava o país em 1917, valeu-se até mesmo do argumento de “tornar o mundo seguro para a democracia” para justificar a declaração de guerra americana contra as potências centrais européias. Para o historiador Edward Burns, a principal razão da entrada dos EUA no conflito foi a preocupacão do governo americano de manter o equilíbrio de poder na Europa: “Durante anos, fora doutrina dominante no Departamento de Estado e entre oficiais do exército e da marinha que a segurança dos Estados Unidos dependia de um equilíbrio de forças no Velho Mundo. Não era admissível que uma potência estabelecesse sua supremacia sobre toda a Europa. Enquanto a Grã-Bretanha fosse bastante forte para impedir essa supremacia, os Estados Unidos não corriam perigo. Crêem alguns que as autoridades norte-americanas estavam tão acostumadas a encarar a marinha britânica como o escudo da segurança americana que não podiam conceber a idéia de uma situação diferente. A Alemanha, contudo, não só desafiava a supremacia naval britânica como ameaçava levar o povo inglês à rendição pela fome e estabelecer hegemonia sobre toda a Europa.” Com a entrada dos EUA no conflito, a superioridade bélica e tecnológica dos Aliados forçou a rendição das Potências Centrais, culminando com a da Alemanha em 11 de novembro de 1918, através do Armistício de Compiegne. AS CONSEQUÊNCIAS DO CONFLITO Ao fim da Primeira Guerra Mundial, o saldo de mortos ultrapassava nove milhões de vítimas, sem contar os cerca de 20 milhões de feridos e mutilados. O país que sofreu mais perdas humanas foi a Alemanha (21% de sua população ativa). A Conferência de Versalhes (janeiro de 1919) foi organizada pelas potências vencedoras do conflito para fixar os termos do pós-guerra. O presidente norte-americano Woodrow Wilson, o premier britânico Lloyd George e o premier francês Georges Clemenceau lideraram os trabalhos da conferência, que ocorreu nas dependências do Palácio de Versalhes. Apesar do posicionamento do presidente Wilson quanto à proposta de uma “paz sem vencedores” (Wilson havia apresentado um plano composto por 14 pontos que previa, entre outros, o estabelecimento de um acordo de paz sem revanches que pudessem contribuir para a eclosão de novos conflitos), os líderes da França e da Inglaterra decidiram adotar a política da “paz dos vencedores”. Transformada na potência culpada pela eclosão da Grande Guerra Mundial, a Alemanha foi obrigada a aceitar o Tratado de Versalhes, que lhe impunha uma série de determinações, entre as quais destacamos: • a devolução dos territórios da Alsácia e da Lorena à França; • o pagamento de uma pesada indenização (cerca de 30 bilhões de dólares) às potências vencedoras do conflito; • a extinção da Marinha alemã; • a limitação do contingente do Exército alemão a cem mil homens; • a perda das colônias alemãs; • a perda de uma faixa de terra do território alemão (essa faixa foi dada à Polônia, o que lhe garantiu um acesso marítimo). Conferência de Versalhes (da esquerda para a direita): Lloyd George (Inglaterra), Vittorio Emanuele Orlando (Itália), Goerges Clemenceau (França) e Woodrow Wilson (EUA). Soldados alemães, utilizando máscaras contra gases tóxicos, olham por cima da trincheira e atacam o inimigo. http://4.bp.blogspot.com/-fGj5bEfb3OY/Ta1uJt3GJ7I/AAAAAAAACh0/8-LtS80qqFk/s1600/hh_38.jpg 64 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. É importante observar que o Tratado de Versalhes representou uma clara e deliberada tentativa anglo-francesa de enfraquecer e arruinar a Alemanha, que vinha despontando desde sua unificação política, no fim do século XIX, como uma poderosa potência européia. O Tratado de Versalhes contribuiu para a efervescência de um sentimento de humilhação e revanche entre os alemães, criando condições favoráveis para a eclosão de um novo conflito mundial dentro de poucos anos. Ainda na Conferência de Versalhes foi criada a Liga das Nações, uma organização internacional que tinha como principal finalidade assegurar a paz num mundo que mal acabara de sair de um sangrento e devastador conflito. A idéia de criação da Liga das Nações partiu do presidente Wilson e de outros estadistas. Entretanto, o Congresso norte-americano, à época dominado pelos republicanos, vetou o Tratado de Versalhes e o ingresso dos EUA na Liga das Nações. O veto deve ser entendido como uma retomada da política de isolamento (ou isolacionismo), que marcara as relações dos EUA com a Europa até a Primeira Grande Guerra. Os americanos não queriam se envolver em questões ou problemas políticos europeus no pós-guerra (o que não significa que o país desejasse se fechar do ponto de vista comercial). A Rússia foi outro país que também não ingressou na Liga das Nações, devido à tomada do poder pelos bolcheviques em 1917. O novo governo, socialista, passou a representar uma preocupação para os países europeus. A solução encontrada foi a “política do cordão sanitário”, com o objetivo de isolar a Rússia para que a ideologia socialista não se propagasse e provocasse movimentos ou revoluções no Velho Mundo. Além do Tratado de Versalhes, o pós-guerra testemunhou a assinatura de outros tratados, como os de Saint-Germain, Trianon, Neuilly, Sévres e Lausane, responsáveis pela remodelação das fronteiras européias e pelo descontentamento dos que se sentiramprejudicados por seus termos, o que abriu caminho para o revanchismo e a efervescência de movimentos nacionalistas exacerbados que contribuíram para a ascensão de regimes totalitários como o nazismo e o fascismo. Quatro impérios desapareceram: o Alemão (o país passou a ser uma república), o Austro-Húngaro (desmembrou- se), o Russo (com a revolução bolchevique, se transformou na URSS) e o Turco-Otomano (desmembrou- se). Novos países surgiram, como resultado do desaparecimento desses impérios: Lituânia, Letônia, Estônia, Polônia, Finlândia, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Áustria e Hungria. Resumindo: as fronteiras européias não eram mais as mesmas de 1914. “No plano econômico, a guerra destruiu 40% do potencial industrial europeu e 30% de sua agricultura. No plano financeiro, a Europa transformou-se de credora em devedora dos Estados Unidos. As exportações americanas, que em 1913 orçaram 2 bilhões e 400 milhões de dólares, alcançaram em 1919 a quantia de 7 bilhões e 700 milhões. Sua produção industrial cresceu 40%. Seu produto nacional bruto, de 33 bilhões de dólares em 1913, elevou-se para 63 bilhões em 1919. Suas reservas de ouro passaram de 1 bilhão e 800 milhões para 4,5 bilhões de dólares.” (MELLO, Leonel Itaussu. COSTA, Luís César Amad. História Moderna e Contemporânea. 4. ed. São Paulo: Scipione, 1994, p. 222.) HISTÓRIA E ARTE O pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973) tornou-se conhecido em seu tempo por revolucionar a pintura. Em 1907, morando em Paris, Picasso pintou a tela Les Demoiselles d’Avignon (As Senhoritas de Avignon), iniciando assim um novo estilo: o cubismo. No quadro, as figuras foram pintadas numa simultaneidade de planos, de forma fragmentada, em estilos diferentes. Perceba que os rostos das mulheres da esquerda apresentam traços ibéricos, ao passo que as duas da direita apresentam traços de máscaras rituais africanas. A tela representa uma ruptura com os padrões que ditavam a pintura européia. Nela fica evidente que o pintor não tem nenhum compromisso quanto a retratar as coisas como elas são, ou seja, as figuras são decompostas, sem a perspectiva de profundidade e realidade. A ruptura que o quadro trouxe no campo da arte moderna era um prenúncio da ruptura que a Primeira Grande Guerra produziria na conjuntura política, social e econômica da época. LEITURA COMPLEMENTAR I: JUVENTUDE INTERROMPIDA “Em que pensam estes jovens que embarcam, aparentemente alegres, em uma guerra que conforme todos dizem será curta? Estes meninos entregues a jogos cuja crueldade ainda não conhecem? Estas mulheres, jovens, ou não, que agitam seus lenços, todas tomadas pela expressão necessária de um patriotismo com o qual não atinam. Que lenços, que amores são rompidos? Que esperanças estilhaçadas ou oferecidas? Que passado? E que futuro? Vidas miúdas, semelhantes e diferentes, por um instante convergem e se confundem em um só corpo que o movimento da história arrebata.” PERROT, Michelle. História da vida privada: da revolução francesa à primeira guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. LEITURA COMPLEMENTAR II: AS RAÍZES DA GUERRA Os historiadores Anthony Rowley e Bernard Droz, autores da obra A Europa após a Primeira Guerra Mundial. Aula 24 – Primeira Guerra Mundial 65 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência História do Século XX, acreditam que três antagonismos entre potências européias arrastaram o mundo à Primeira Grande Guerra: “(...) O antagonismo franco-alemão, originado pela derrota [dos franceses para os prussianos] de 1871 e pela perda dos departamentos da Alsácia-Lorena, alimenta nos dois países uma corrente nacionalista em que a ânsia de desforra rivaliza, do outro lado do Reno, com a fobia do ressurgimento e do cerco dos franceses. (...) O antagonismo anglo-germânico, mais tardio, tem a sua origem na concorrência exercida pela Alemanha nos mercados mundiais e, especialmente, na ameaça que constitui o seu sobrearmamento naval. (...) Quanto ao antagonismo austro-russo, sem dúvida o mais perigoso para a paz européia (pela incapacidade de o controlar manifestada pelas grandes potências não diretamente envolvidas), só irá assumir uma real gravidade a partir de 1906, quando a Rússia faz deslocar do Extremo Oriente para os Balcãs o eixo privilegiado da sua influência. O pan- eslavismo russo irá então confrontar-se forçosamente com a determinação austro-húngara em manter intactas as estruturas simultaneamente plurinacionais e centralizadoras herdadas do dualismo.” LEITURA COMPLEMENTAR III: O CINEMA E A GUERRA DE TRINCHEIRAS “Durante a Primeira Guerra Mundial, o cineasta D. W. Griffith (1875-1948) – grande mestre do cinema mudo – introduziu-se no front francês para rodar um filme de propaganda. O que viu foi um conflito estático em que, para milhões de homens, a ação consistia em se fixar camuflados nos territórios por meses ou até mesmo anos. Numa extensão de 640 quilômetros, os lados em confronto construíram uma rede de trincheiras com abrigos subterrâneos e cercas de arame farpado à frente delas. Ganhos e perdas eram medidos em metros. Em 1915, por exemplo, após desfechar numerosos ataques, a França havia conquistado uns 5 quilômetros. Mas esses pequenos ganhos lhe custaram mais de 1 milhão de vidas. Entre as trincheiras não se via mais o combate corpo a corpo ou os confrontos de cavalaria, elementos fundamentais da guerra até então (hoje, a primeira divisão de cavalaria norte-americana, que perseguiu um dia os índios no Oeste de seu país, é equipada com helicópteros de combate). Desapontado com a realidade do campo de batalha, Griffith retornou à Inglaterra, onde recriou as batalhas que seu público preferia, no filme Hearts of the World, concluído em 1918.” CAMPOS, Flavio de. MIRANDA, Renan Garcia. A escrita da História. São Paulo: Escala Educacional, 2005, p. 442. LEITURA COMPLEMENTAR IV: ALEMANHA – DO II REICH À REPÚBLICA DE WEIMAR “Na Alemanha, a própria burguesia preocupava-se com a derrota que se aproximava e com crise econômico-social, responsabilizando os militares e o Kaiser Guilherme II por não obterem uma paz vantajosa. Em fins de outubro, o Comando alemão decidiu lançar uma nova batalha naval contra os ingleses, mas, ao receber ordem de zarpar, os marinheiros de Kiel se rebelaram. O movimento espalhou-se rapidamente para outros portos e centros industriais alemães, sendo criados sovietes [conselhos] de soldados e operários em várias cidades. A Entente [Aliados], que não se havia preocupado em responder ao pedido de paz da Alemanha, comunicou-lhe rapidamente que aceitava a solicitação de armistício. Manobrando imediatamente para evitar a radicalização revolucionária que se esboçava [os espartaquistas queriam instalar um regime socialista no país], a ala moderada do Partido Social-Democrata (SPD), com o apoio dos industriais alemães, assumiu o poder e proclamou a República [em Weimar]. No dia 11 de novembro a Alemanha assinava o armistício.” VISENTINI, Paulo G. Fagundes. PEREIRA, Analúcia Danilevicz. História do Mundo Contemporâneo: da Pax Britânica do século XVIII ao Choque das Civilizações do século XXI. Petrópolis: Vozes, 2008, p. 113. LEITURA COMPLEMENTAR V: A GUERRA QUE NÃO ACABOU “A Grande Guerra sacudiu e reorganizou o mundo. Durante os cem anos seguintes, o xadrez da política global seria jogado no tabuleiro que emergiu dos escombros de 1918. Para começar, a guerra pôs fim ao domínio supremo da Europa sobre o globo. Ao longo do século XIX, a população europeia crescera sem parar: em 1914, 40% da população global era formada por cidadãos de países europeus, residentes não só em seus países de origem como em colônias ao redor do planeta. A Grande Guerra pôs fim ao crescimento demográfico do Velho Mundo: a maior parte dos 9 milhões de mortos do conflito era formada por europeus. A Grande Guerra foi um terremoto. No meio do conflito, em 1917, estouroua revolução que pôs fim à monarquia nos Romanov na Rússia. Finlândia, Estônia, Látvia [ou Letônia] e Lituânia ganharam independência do desfeito império czarista – enquanto a União Soviética se preparava para espalhar a revolução pelo resto do mundo. Dos escombros do Império Austro-Húngaro nasceram a Iugoslávia e a Tchecoslováquia – que ao longo do século XX se desmembrariam em Sérvia, Croácia, Bósnia, Kosovo, Montenegro, República Tcheca e Eslováquia. No Oriente Médio, as províncias do Império Otomano viraram butim dos vencedores. Ingleses e franceses inventaram as fronteiras de Síria, Líbano, Iraque, Palestina e Jordânia. Alguns dos conflitos que assolam o mundo até hoje foram plantados na época – como a guerra entre Israel e os palestinos. Durante a Primeira Guerra, os ingleses prometeram independência às terras habitadas por árabes, em troca de ajuda contra os turcos. Mas na década de 20 passaram a estimular a imigração de judeus ao Oriente Médio – o que levou à fundação de Israel, em 1948. Além disso, a Grande Guerra viu o surgimento de um novo poder global. Até então, os EUA seguiam uma política de não se intrometer em assuntos internacionais – mas sua entrada na guerra, em 1917, selou a derrota da Alemanha e abriu a era da intervenção global americana. Quando a guerra terminou, em 1918, o século de Washington havia começado.” BOTELHO, J. F. A guerra que não acabou. Aventuras na História, São Paulo, n. 130, p. 35, mai. 2014. CINEMATECA Filmes relacionados com o tema do capítulo: • Nada de novo no Front (1930), do diretor Lewis Milestone, conta a história de jovens que morreram nas trincheiras e campos de batalhas da Primeira Grande Guerra. • A Grande Ilusão (1937), de Jean Renoir, narra a história de três pilotos franceses capturados pelos alemães durante a Primeira Guerra Mundial. • De Mayerling a Sarajevo (1939), do diretor Max Ophü, retrata a corte do Império Austro-Húngaro depois da morte de Francisco Ferdinando. • Glória feita de sangue (1957), de Stanley Kubrick, conta a história de um general francês que, em meio à Primeira Grande Guerra, ordena um ataque suicida contra os alemães. 66 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. • 1900 (1976), dirigido por Bernardo Bertolucci, apresenta uma retrospectiva da história italiana, do início do século XIX ao fim da Segunda Grande Guerra. • O retorno de um soldado (1982), dirigido por Alan Bridges, conta a volta para casa de um soldado, após a Primeira Guerra Mundial. • Adeus à inocência (1984), do diretor Richard Benjamin, cujo roteiro aborda a vida de dois jovens que partem para a guerra, com seus típicos problemas que caracterizam a transição para o mundo adulto. • No amor e na guerra (1996), dirigido por Richard Attenborough, narra a trajetória de um jovem jornalista norte-americano, Ernest Hemingway, que participa da Primeira Guerra Mundial como motorista de ambulâncias, e seu romance com a enfermeira Agnes von Kurowsky. http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=2852 Aula 24 – Primeira Guerra Mundial 67 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 O odor fétido nos penetra garganta adentro ao chegarmos na nossa nova trincheira, à direita dos Éparges. Chove torrencialmente e nos protegemos com o que tem de lonas e tendas de campanha afiançadas nos muros da trincheira. Ao amanhecer do dia seguinte constatamos estarrecidos que nossas trincheiras estavam feitas sobre um montão de cadáveres e que as lonas que nossos predecessores haviam colocado estavam para ocultar da vista os corpos e restos humanos que ali haviam. O relato acima, escrito por um soldado francês que lutou na Primeira Grande Guerra (1914-18), revela a) os combates que marcaram o início do conflito no continente europeu. b) a luta entre os exércitos oponentes nas terríveis trincheiras abertas no conflito. c) os combates corpo a corpo que ocorreram na fase final da guerra. d) a movimentação das tropas se posicionando para iniciar os combates. e) o surto de epidemias que dizimou a maior parte das tropas francesas na guerra. Questão 02 A Primeira Grande Guerra provocou profundos mudanças territoriais na Europa. Compare os mapas a seguir, que retratam essas mudanças. Com base na análise dos mapas e em seus conhecimentos, assinale a alternativa que retrata as mudanças territoriais sofridas pela Europa em razão do conflito. a) A Alemanha manteve seu território inalterado. b) A França não se beneficiou da perda do território alemão. c) Criou-se um corredor para que a Polônia tivesse acesso ao Báltico. d) Alemanha e Áustria formaram um único território político. e) Manteve-se o Império Alemão, abarcando a Rússia. Questão 03 Artigos do Tratado de Versalhes (séc. XX): Art. 45 - Alemanha cede à França a propriedade absoluta [...], com direito total de exploração, das minas de carvão situadas na bacia do rio Sarre. Art. 119 - A Alemanha renuncia, em favor das potências aliadas, a todos os direitos sobre as colônias ultramarinas. Art. 171 - Estão proibidas na Alemanha a fabricação e a importação de carros blindados, tanques, ou qualquer outro instrumento que sirva a objetivos de guerra. Art. 232 - A Alemanha se compromete a reparar todos os danos causados à população civil das potências aliadas e a seus bens". MARQUES, Adhemar Martins et all. "História Contemporânea Textos e documentos". São Paulo: Contexto, 1999. De acordo com o texto e com seus conhecimentos, é correto afirmar que o Tratado de Versalhes: a) Encerrou a 2a Guerra Mundial, fazendo com que a Alemanha perdesse as colônias ultramarinas para os países dos Aliados. Anotações 68 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. b) Extinguiu a Liga das Nações, propondo a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, com o objetivo de preservar a paz mundial. c) Estimulou a competição econômica e colonial entre os países europeus, culminando na 1a Guerra Mundial. d) Permitiu que as potências aliadas dividissem a Alemanha no fim da 2a Guerra Mundial, em quatro zonas de ocupação: francesa, britânica, americana e soviética. e) Impôs duras sanções à Alemanha, no fim da 1a Guerra Mundial, fazendo ressurgir o nacionalismo e reorganizando as forças políticas do país. Questão 04 Uma ameaça que não se cumpriu em 1937, em Genebra, no plenário da Sociedade das Nações, o embaixador japonês barão Shudo levantou a tese de que as regiões inexploradas de vários países deveriam ser cedidas a nações ricas e populosas, como o Japão, naturalmente. Nesse caso o Brasil Central desértico era uma preocupação crescente. (...) Os estrategistas brasileiros concluíram que a Amazônia se autodefendia do colonizador branco com suas doenças, suas selvas e seu calor. Não havia porquê recear ali uma investida do Eixo. A mortandade provocada nos estrangeiros pela construção da ferrovia Madeira-Mamoré, na atual Rondônia, também corroborava essa tese. Muito diferente, no entanto, era a situação da pré-Amazônia mato-grossense e goiana, com suas extensas faixas de campos e cerrados habitáveis, colonizáveis sem maiores esforços. Era o caso típico da região do Araguaia-Xingu, que continha a Serra do Roncador e seus prodígios, além dos garimpos de diamantes do alto Araguaia, em parte contrabandeados para a Alemanha. (Adaptado da Revista Especial Temática. O Brasil que Getúlio sonhou. Nº 4. São Paulo: Duetto, 2004. p.71) A Sociedade das Nações mencionada no texto, também conhecida como Liga das Nações, foi criada em 1919 com o objetivo de a) promover a paz armada, após o Tratado de Versalhes, através da liderançado governo dos Estados Unidos, que presidiu essa organização. b) unir as nações democráticas e economicamente mais poderosas, para impedir a volta do nazi- fascismo, cuja expansão causara a Primeira Guerra Mundial. c) executar as determinações previstas pelo documento conhecido como "14 pontos de Wilson" e que favoreciam os países da Tríplice Aliança. d) promover o neocolonialismo na África, Ásia e Oceania, condição fundamental para a expansão mundial do capitalismo monopolista. e) intermediar conflitos internacionais a fim de preservar a paz mundial, fiscalizando o cumprimento dos tratados pós-guerra. Questão 05 "As lâmpadas estão se apagando na Europa inteira. Não as veremos brilhar outra vez em nossa existência". Sobre esta frase, proferida por Edward Grey, secretário das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, em agosto de 1914, pode-se afirmar que exprime: a) a percepção de que a guerra, que estava começando naquele momento e que iria envolver toda a Europa, marcava o fim de uma cultura, de uma época conhecida como a Belle Époque; b) a desilusão de quem sabe que a guerra, que começava naquele momento, entre Grã-Bretanha e Alemanha, iria sepultar toda uma política de esforços diplomáticos visando evitar o conflito. c) a compreensão de quem, por ser muito velho, consegue perceber que também aquela guerra, embora longa e sangrenta, iria terminar um dia, permitindo que a Europa voltasse a brilhar; d) a ilusão de que, apesar de tudo, a guerra que estava começando, iria, por causa de seu caráter mortal e generalizado, ser o último grande conflito armado a envolver todos os países da Europa; e) a convicção de que à guerra que acabava de começar, e que iria envolver todo o continente europeu, haveria de suceder uma outra, a Segunda Guerra Mundial, antes da paz definitiva ser alcançada. Questão 06 Dentre as causas da Primeira Grande Guerra, destaca-se a questão balcânica, que pode ser associada: a) à formação de novas nacionalidades, como a Iugoslava sob a tutela da Alemanha. b) às disputas coloniais na Ásia e na África entre a França e a Inglaterra. c) ao interesse russo em abrir os estreitos de Bósforo e Dardanelos, o nacionalismo eslavo e ao temor austríaco quanto à formação da Grande Sérvia. Anotações