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Objetivos
Módulo 1
Educação no mundo
contemporâneo
Identificar as transformações
da educação no mundo
contemporâneo.
Módulo 2
Educação a partir de
modelos educacionais
brasileiros
Comparar as perspectivas
futuras da educação a partir de
Módulo 3
Desa�os da sociedade
tecnológica na educação
Reconhecer como a história da
educação nos prepara para os
desafios da sociedade
tecnológica.
Educação
Contemporânea
Prof.ª Pamela de Almeida Resende
Descrição A história contemporânea da educação como determinante das
transformações sociais e suas influências até os tempos atuais.
Propósito Demonstrar que a história é um discurso do presente que olha para o
passado para entender melhor as dinâmicas de seu tempo. Com isso, você
verá as inovações trazidas por essas iniciativas, sem perder de vista os
desafios de pensar a educação no contexto da globalização e das
desigualdades sociais.
Acessar módulo
modelos educacionais
brasileiros e de outros países.
Acessar módulo Acessar módulo
Introdução
Tente por um segundo imaginar uma grande inovação tecnológica. No mundo
contemporâneo, o que mais emblematicamente mostraria um mundo em
transformação? Durante séculos, homens usaram seus pés, animais, carroças e
barcos para se locomoverem. Até que o desenvolvimento de sistemas, máquinas
com engrenagens, vapor e caldeiras aceleraram o mundo. A velocidade mudou
quando colocamos a máquina a vapor nos caminhos marcados com ferro e
dormente. O mundo ficou menor, mais veloz. A integração entre as pessoas
tornou-se cada vez mais rápida, as trocas de mercadorias e informações
aceleraram. Precisávamos aprender mais, ter novas possibilidades. O trem, que
estampa a nossa imagem de abertura, é um ícone da sociedade contemporânea e
seus avanços. Passamos a ser supervelozes, andar por baixo da terra e até
mesmo por baixo do mar. A metáfora do trem serve para toda a Era
Contemporânea, carregada de conhecimentos cada vez maiores, mais velozes e
intensos. O trem da tecnologia é o trem do conhecimento e da educação, que,
sem dúvida alguma, marcou os séculos XIX, XX e XXI. Sigamos viagem!

1
Educação no mundo contemporâneo
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar as transformações da educação no mundo contemporâneo.
Escola e a relação histórica
Neste módulo, você será apresentado ao mundo contemporâneo e sua relação com a
história da educação, para que as discussões não pareçam ter surgido de um
momento para o outro.
Este é um dos grandes desafios da disciplina: tirar a face de algo cristalizado para
mostrar que está viva e presente. A história é um exercício de discurso, uma reflexão
sobre o presente, só que o presente não existe sem essa memória, sem a reflexão
sobre o passado.
A verdade depende do ponto de vista, das influências que você tem, das escolhas que
você faz, pois a verdade não é uma realidade indiscutível. Em especial, nas ciências
humanas.
No vídeo a seguir, veremos como a verdade pode ser diferente de acordo com o ponto
de vista de cada pessoa.
Relação com a escola
Pessoas respondem como se sentem em relação ao período que passaram na escola,
e o professor Rodrigo Rainha comenta.

Provavelmente, você já ouviu dizer que determinada pessoa é alguém à frente do seu
tempo. Mas será que existe alguém que viva fora do seu próprio tempo? A resposta é
não. Todos nós somos, sem exceção, frutos da nossa própria época.
Talvez você esteja se perguntando: “Eu aprendi na escola que a Idade Contemporânea
começou após a Revolução Francesa, lá no século XVIII. Como é possível, então, que a
gente ainda seja contemporâneo?”.
A razão é simples: a ideia de separar o tempo foi criada por pessoas que viviam seu
próprio tempo. Elas não tinham noção de como aquele momento seria chamado no
futuro.
Dessa forma, o tempo foi dividido em:
Dessa forma, o tempo foi dividido em:
A visão de tempo europeia visava exaltar o que eles entendiam como seu auge: do
desenvolvimento da escrita em áreas próximas ao Mediterrâneo — com gregos e
romanos, incluindo as civilizações reconhecidas como poderosas, como os egípcios
—, passando por um período considerado pouco produtivo para o homem — Idade
Média —, quando retoma o seu caminho de crescimento, na Era Moderna, até atingir o
ápice, no início da Era Contemporânea.
Pré-história História antiga História medieval
Antes de falarmos mais sobre isso, faremos uma provocação:
E se o tempo fosse contado de outra forma?
Maias, astecas, chineses e muçulmanos, por exemplo, têm calendários bem
diferentes, em formato circular ou espiral.
Calendário maia Calendário chinês
Calendário asteca Calendário muçulmano
Como vimos, a vitória da visão europeia construiu o conceito de um calendário, uma
vivência e, consequentemente, um mundo ocidental. Dessa forma, em sua divisão do
tempo, tudo o que estava após o seu auge passa a ser chamado de
contemporaneidade. Em outras palavras, essas divisões cronológicas da história
foram pautadas pelos acontecimentos ocorridos na Europa e por sua forma de pensar
os acontecimentos históricos, ou seja, a história da humanidade ficou restrita, durante
muito tempo, às definições dos historiadores europeus.
A história contemporânea
Agora que já entendemos a história como um fenômeno ativo, dinâmico e, sobretudo,
presente, que não é apenas um amontoado de fatos e pessoas do passado, daremos o
próximo passo. Se alguém lhe perguntar em qual século estamos neste momento, a
resposta é simples: século XXI! Se a mesma pessoa disser que nós somos
contemporâneos dos homens e das mulheres que viveram no século XIX, por exemplo,
você saberia responder o que isso significa?
A contemporaneidade nada mais é do que a ideia de estar em seu próprio tempo.
Estar no seu tempo é perceber que a história é viva. Alguns dizem que é a recuperação
da imagem de Cronos — dos gregos — e o tempo que engole seus filhos. Mas, aqui, no
nosso cronotopo, ele é constantemente recriado.
O que chamamos de contemporaneidade em história é a junção de dois grandes
eventos europeus:
Revolução Francesa
Nome dado ao levante da
burguesia contra a nobreza e a
Igreja no final do século XVIII.
Seu principal resultado é a
mudança dos regimes
políticos, com impactos no
mundo inteiro.
Revolução Industrial
Fenômeno inglês do século
XVIII. Desenvolvimento do uso
de maquinário. No início,
baseado em máquinas a vapor
e carvão mineral, e o foco era a
indústria têxtil. Depois, com os
transportes e a mudança de
todo o regime econômico.
A contemporaneidade é nosso tempo, nossa era. Ela começa com uma leve
aceleração, mas, ao longo do século XX, a velocidade só aumentou, e o fim do século
também trouxe muitas mudanças:

As Revoluções Industriais mudam economicamente o mundo, criando novos
padrões comerciais, sedimentando o capitalismo que dominaria o século XX,
além da mudança dos modelos políticos, com a ascensão de repúblicas,
democracias e federações.
 1 de 6 
Por que estamos falando de tudo isso?
Para chamar sua atenção para o fato de que a compreensão europeia da história e da
divisão do tempo também esteve presente de forma marcante na maneira de fazer e
pensar a educação. Essas ideias não estão soltas ou desconectadas no tempo e no
espaço.
A educação contemporânea é fruto de uma grande expansão das características da
educação européia. Já reparou como a escola vem mudando?
Será que mudou mesmo? Repare abaixo os modelos que herdamos dos europeus e
como elas modernizam, mas o formato é sempre muito parecido.
 
As matérias que nós costumamos estudar, a implementação de linhas educacionais
adotadas nas escolas, as formas de construir a pedagogia e a didática e suas
principais teorias: tudo isso foi produzido por europeus ou intelectuais influenciados
pelo pensamento eurocêntrico.
É claro que o mundo já mudou muito, que não seguimos mais cegamente o modelo
europeu, pois cada país tem buscado desenvolver novas formas de pensar, de educar,
de aproximar as pessoas de sua forma dever o mundo. Sempre houve sociedades que
resistiram mais a essa influência, como o mundo muçulmano, mas também é inegável
que os anos de dominação econômica europeia, depois expandida pela continuidade
da dominação estadunidense, marcaram o mundo.
A noção de mundo ocidental contemporâneo é um processo de expansão de valores
europeus.
Esse impacto está vivo na educação.
Modelos pedagógicos europeus na realidade
brasileira
A seguir, notaremos a quantidade de modelos pedagógicos europeus incorporados à
realidade brasileira dos últimos anos.
Atualmente, o mundo inteiro tende a dividir o processo de formação em:

Formação voltada às
crianças

Formação voltada
aos jovens

Formação voltada
aos adultos
Não restam dúvidas de que o eurocentrismo, que marcava isoladamente a nossa
cultura nas últimas décadas, de 1980 em diante, sofreu a influência de novos
fenômenos: a globalização, com maior integração tecnológica, política e econômica, e
o encurtamento de distâncias favoreceu esse movimento. Mas qual é a origem desse
modelo?
Podemos dizer que, atualmente, o mundo inteiro tem adotado uma educação mais
técnica. Esse modelo é bastante antigo, veio do grande movimento das
industrializações, quando precisavam preparar funcionários para assumir cargos e
funções técnicas. Os primeiros eram empiristas, olhavam, tentavam, erravam e
acertavam, e, se acertavam mais do que erravam, viravam grandes técnicos, e
passavam a treinar e formar aqueles que os substituiriam.
Atente para o fato de que o capitalismo (conceito econômico adotado para quando as
relações econômicas passaram a ser fundamentadas em lastros financeiros)
transformou a educação em um bem para o trabalhador. Acreditava-se que as nações
só iriam se desenvolver plenamente nesse novo urbano com a formação de mão de
obra mais qualificada.
Não significa que o modelo pedagógico é tecnicista, mas sim que
a formação é de especialista, isto é, sujeitos que assumem como
técnicos em uma função.
Durante o período da Primeira e da Segunda Guerra Mundial — entre 1914 e 1945 —, a
educação passa a ganhar um novo papel: atender aos anseios nacionalistas.
Do lado da URSS e de seus signatários, a educação também era fomentada. Ali, seu
papel era afastar os jovens dos valores tradicionais da sociedade — entendidos como
atrasados — para que atendessem aos anseios do partido e da ideologia norteadora.
Saiba mais
Fascistas e nazistas apostavam no papel da educação como um importante
instrumento de convencimento das massas, trabalhando de maneira incisiva a
ideia de que o jovem precisava estar integrado à noção de país, civilidade e
nacionalismo. Tais valores deveriam ser estimulados e mantidos na escola.

Uma reflexão interessante é notar que a educação se tornou vital para os governos
como estratégia política. Perceba que até mesmo regimes bem diferentes tinham uma
coisa em comum: viam a educação como algo vital. Repare:
Socialistas
Formar para atender
aos anseios da
sociedade e do
governo.
Fascistas/nazistas
Formar para despertar
paixão, ordem e
respeito pela nação.
Capitalistas
Formar para o mundo
do trabalho.
Essas influências se espalharam pelo mundo e não devem ser entendidas de forma
fechada, mas de uma maneira dinâmica e com constantes adaptações.
Em outras palavras, será que isso é engessado e cada um faz de um jeito? Claro que
não. Percebemos que a educação se tornou um bem, um objeto governamental, parte
do mundo do trabalho, uma marca do mundo contemporâneo.
Valor da educação na história
Confira a fala do professor doutor Francisco Carlos Teixeira sobre o valor da educação
na história recente do Brasil, para entendermos melhor a educação em transformação
com foco em nosso país.
Tendência: o mundo em contestação
A educação, ao mesmo tempo em que representa diálogo com o governo e
manutenção da ordem, também pode ser a base da luta contra determinadas
estruturas políticas. É isso que visamos apresentar com as tendências.
Com a Guerra Fria, eclodiu uma série de guerras locais na África, na Ásia e na América
Latina. Entre as décadas de 1950 e 1960, o mundo assistiu ao surgimento de
movimentos de contestação da ordem política. Toda essa efervescência também se
fez sentir no campo educacional.
Vamos conhecer alguns desses movimentos e algumas das imagens que ficaram
marcadas na história como símbolos dos importantes movimentos que influenciaram
a educação.
Levante de Paris
Um dos movimentos mais famosos é o Levante de Paris. Em maio de 1968, os
estudantes parisienses se levantaram contra as formas tradicionais de ensino. Os
temas abordados eram, em especial, o modo como as academias de ciências sociais
e economia davam base a novas formas de pensar, visando a uma nova forma de
fazer a educação.
O movimento também recebeu apoio dos trabalhadores e teve como marco a
proposta de uma universidade popular para abrir espaço para novos segmentos na
educação universitária.
Barricadas em Bordeaux, em maio de 1968. Estudantes franceses no protesto de maio de 1968.
Movimentos sociais – direitos civis
Provavelmente você já deve ter assistido a algum filme em que pessoas negras, nos
Estados Unidos, não podiam frequentar os mesmos espaços públicos que pessoas
brancas. As leis de segregação racial deixaram marcas que são sentidas até hoje na
sociedade norte-americana. Mas, sobretudo após os anos 1950, foram muitos os
ativistas que lutaram e se insurgiram contra essas leis.
O pastor protestante Martin Luther King foi uma dessas personalidades que passaram
a denunciar os graves crimes que atingiam a população negra. Além dele, destacam-
se Malcom X, líder da luta contra a opressão e o racismo, e a resistente e silenciosa
luta de Rosa Parks.
A educação também foi atingida em cheio pelas leis de segregação racial, já que
existiam escolas separadas para pessoas negras e brancas. Todos esses líderes
foram formados em tais espaços.
Em uma das imagens abaixo podemos ver a pequena Ruby Bridges, em 1960, em
Nova Orleans, sendo escoltada por oficiais para ter o direito de frequentar uma escola,
por meio de mandado judicial. Sobre a relação entre os direitos civis e a educação,
também podemos falar de Linda Brown.
O ativista judeu Joseph L. Rauh Jr. marchando ao lado de Martin
Luther King durante um protesto em 1963.
Ruby Bridges, em 1960, em Nova Orleans, sendo escoltada por
oficiais para ter o direito de frequentar uma escola.
Protesto da Praça da Paz Celestial
Durante a organização do modelo comunista na China, intelectuais foram
perseguidos. No entanto, com a chegada de Deng Chao Pin ao poder, o modelo chinês
assumiu características reformistas.
Nesse contexto, Yaobang chega ao governo. As medidas políticas passaram a afastar
os líderes mais radicais do reformismo, e o secretário-geral foi afastado. Os
estudantes iniciam um movimento lento de ocupação da Praça Tian'anmen para
pressionar o governo a desistir de suas ações. Liderados por estudantes, os protestos
foram ganhando simpatizantes até a ocupação do local e a decisão do governo de
impor lei marcial contra os protestos.
Esse movimento, apesar de ter sido registrado pelas câmeras do mundo inteiro, foi
negado pela China em diversos momentos de sua história. Isso mostra que, mesmo
em regimes diversos, como o chinês, a educação e os estudantes são vistos como
uma forma de negação ao poder estabelecido.
Tian'anmen em 1989. A manifestação estudantil foi dissolvida pelos militares, matando entre 200 e 2 mil pessoas.
O que destacamos aqui é a contradição central da educação contemporânea: seu
crescimento é uma ação e responsabilidade de Estados; no entanto, ela está envolta
em projetos políticos e econômicos em que pode funcionar como negação, libertação
e crítica ao cotidiano social.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você
acabou de estudar.
Módulo 1 - Vem que eu te explico!
O que é contemporaneidade?

Módulo 1 - Vem que eu te explico!O século XIX e a educação para todos
Mód l 1 V li !

Vamos praticar alguns
conceitos?
Falta pouco para
atingir seus
objetivos.
Questão 1
A relação entre contexto histórico e educação pode ser percebida quando
observamos a questão da industrialização, pois
Questão 2
A história da educação serve para perceber que não existe um passado
inquestionável. Por exemplo: a educação estadunidense era apresentada como
modelo no Brasil pelo ideal tecnicista. No entanto, aparece como algo atrasado e
A
os modelos de divisão do trabalho se relacionam às divisões e às
escalas educacionais.
B
as escolas se organizam no século XX aos moldes das fábricas e do
mundo do trabalho.
C
a educação passa a ser um capital passível de ser adaptado e
instrumentalizado para as empresas.
D
os trabalhadores da educação lhes ofertam a possibilidade de lutar
contra o sistema.
E
as fábricas eram quem organizavam as escolas para os filhos dos
funcionários.
Responder
crítico durante a crise dos direitos civis. A relação entre direitos civis e história da
educação pode ser compreendida a partir
2
A do discurso de Martin Luther King sobre igualdade em Washington.
B
da resistência de Rosa Parks ao se levantar da área segregada do
ônibus.
C do levante da Praça da Paz Celestial contra a corrupção do governo.
D
da luta pelo fim da segregação e ação na justiça movida por Linda
Brown.
E
da revolta cubana em prol do socialismo contra a imposição
americana.
Responder
Educação a partir de modelos educacionais brasileiros
Ao final deste módulo, você será capaz de comparar as perspectivas futuras da educação a partir de modelos educacionais brasileiros e de outros países.
Contexto histórico mundial
Ao nos debruçarmos sobre os modelos e as estratégias pedagógicas adotadas no
Brasil e no mundo nas últimas décadas, notamos que muita coisa mudou para melhor.
Isso significa que o trabalho está terminado e que o Brasil pode ser considerado um
modelo quando o assunto é educação?
Provavelmente não. Embora a Constituição de 1988 determine que se trata de um
direito inalienável, o Brasil ainda conta com altas taxas de analfabetismo, evasão
escolar, falta de infraestrutura etc. Precisamos caminhar bastante para chegar a um
patamar em que a educação de qualidade seja considerada um direito de todos.
Uma das vantagens do encurtamento de distâncias promovido pelo processo de
globalização em curso é pensar como podemos aprender com outros modelos ao
redor do mundo. E ensinar também. Por isso, este módulo é um convite para
pensarmos a educação brasileira contemporânea inserida em um contexto mais
global de iniciativas. Afinal de contas, uma das grandes características do mundo em
que vivemos é justamente a construção de redes que interligam pessoas e ideias. Sem
dúvidas, a internet é um fator fundamental nesse processo.
O Brasil está inserido no contexto mundial, ou seja, todas as principais mudanças que
acontecem no mundo, de alguma forma, chegam até nós.
Veja a linha do tempo do Brasil:
Vejamos agora também a linha do tempo do mundo:
Documentos importantes para educação
1889
Torna-se República.
1910
Brasil inicia seu processo de
urbanização.
1930
“Revolução” – chegada de
Vargas ao poder.
1789
Revolução Francesa.
1850 - 1900
Imperialismo (domínio de África
e Ásia).
1914 - 1918
Primeira Guerra Mundial.
Qual é o grande ícone de “mundialização” da educação contemporânea? Sem dúvida,
podemos indicar dois documentos:
Declaração Universal dos Direitos Humanos
No ano de 1948, no contexto do final da Segunda Guerra Mundial, foi aprovada
a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Naquele momento, o mundo teve
conhecimento dos campos de concentração (nazistas e soviéticos),
responsáveis pela morte de milhões de pessoas. Assim, essa declaração
nasceu como uma forma de negar a guerra e todas as formas de violência.
Outro ponto de destaque presente na declaração é justamente a ideia que toda
pessoa tem direito à educação.
 1 de 2 
A despeito do proposto, veja estes números:
Mais de 100 milhões de crianças não têm acesso ao ensino primário.
 
Mais de 960 milhões de adultos são analfabetos, e o analfabetismo funcional
ainda é um problema significativo em países industrializados ou em
desenvolvimento.
Cerca de 2,5 bilhões no mundo não têm acesso ao conhecimento impresso e às
novas habilidades e tecnologias, que poderiam melhorar a qualidade de vida e
ajudá-los a perceber e a adaptar-se às mudanças sociais e culturais.
Mais de 100 milhões de crianças e adultos não conseguem concluir o ciclo
básico. Além disso, milhões de pessoas, apesar de concluí-lo, não adquirem
conhecimentos e habilidades essenciais.
De 1988 para cá, houve muitas discussões, resultando em:

Estatuto da Criança
e do Adolescente
(ECA)

Lei de Diretrizes e
Bases da Educação
(LDB)

Parâmetros
Curriculares
Nacionais (PCN)
Ainda, foram escritos outros documentos que pensavam a formação do professor, a
estrutura das escolas, entre outros. Mas qual é o resultado? Como podemos pensar a
contemporaneidade em termos de educação?
Como é possível imaginar, os desafios para melhorar os índices educacionais estão
presentes no mundo inteiro, não apenas no Brasil. Dessa forma, com o
aprofundamento do processo de globalização, cada vez mais presenciamos a
necessidade de uma reflexão conjunta sobre como alcançar a justiça social e a
convivência harmoniosa entre os povos.
A solução para tornar a educação uma linguagem universal pode ser a cooperação
internacional entre os países, já que é um problema de todos.
As ações praticadas pela Unesco, por
exemplo, têm essa perspectiva: contribuir
para o estabelecimento da paz entre os
povos, a erradicação da pobreza, o
desenvolvimento de políticas públicas
para a educação, o estímulo à
diversidade cultural etc.
Podemos perceber até aqui que desafio é a palavra-chave para todos aqueles que
assumem a educação, profissionalmente ou não, como algo com grande relevância na
vida das pessoas. É nesse mesmo contexto de desafios a serem enfrentados que
somos levados a percebê-los também como perspectivas e oportunidades.
Na impossibilidade de levantar todas as propostas e ações educativas da educação
contemporânea, destacamos aquelas que, de alguma forma, não somente estão ou
podem estar relacionadas à reflexão necessária sobre a educação que somos
convidados a fazer cotidianamente, mas que afetam a prática educativa que temos ou
podemos ter nas próximas décadas.
Educação: um tesouro a descobrir
Tomemos como ponto de partida o documento Educação: um tesouro a descobrir,
relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI.
Esse relatório, publicado em 1996, foi solicitado à equipe de educadores de várias
partes do mundo, liderada por Jacques Delors, para que pudesse refletir os caminhos
da educação nos países ligados à ONU.
Esse documento influenciou de forma intensa e definitiva os rumos da educação,
reforçando ou questionando ações já realizadas e propondo novas ações a fim de
alcançar seus objetivos. Este, aliás, é um ponto de convergência: o mundo precisa
dialogar aos moldes dos congressos que levaram à formação do documento. A
educação deve considerar o indivíduo, mas ainda é pensada como um fenômeno
social.
No documento, Delors traz o conceito de que a educação é baseada em quatro pilares:
Juntos, esses pilares servem de base para a transmissão da informação e da
comunicação adaptada à sociedade. Veremos um pouco mais sobre esse assunto no
vídeo a seguir.
Os pilares de Delors
O professor Rodrigo Rainha nos convida a conhecer os pilares de Delors a partir da
prática de educadores da cidade de São Paulo, vencedores do Prêmio Territórios
Educativos.
Base Nacional Comum Curricular
Um importante passo para a educação brasileira foi a preparação e publicação da
Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Pelo menos dois aspectos são
fundamentais para compreendermos melhor a importância da BNCC:Foi pensada na esteira da LDB/96, dos PCNs e das DCNEBs, portanto faz sentido
pensar todos esses documentos conjuntamente, como se um auxiliasse e
completasse o outro.
É mais do que um documento que estabelece como, quando e por que
determinados conteúdos serão ensinados. Assim, o que importa é construir um
projeto educacional que contemple todas as dimensões do desenvolvimento
humano, como os aspectos cognitivo e socioemocional, o desenvolvimento
físico, cultural etc. A ideia é que o aluno consiga aplicar o conhecimento
aprendido no seu cotidiano. O objetivo é formar o indivíduo para a vida cidadã,
por meio da transmissão de valores que permitam a boa convivência social.
Nesse sentido, o projeto político-pedagógico de cada escola ganha destaque no
cenário, pois será preciso que toda comunidade seja reunida para discutir, refletir e
planejar os rumos do processo de ensino-aprendizagem. Os professores também
terão a incumbência de elaborar seus planos de aula de acordo com a BNCC. Outro
ponto importante a ser destacado é que a BNCC não é uma medida vinculada a
determinado governo ou partido. Ela é uma política de Estado, prevista no Plano
Nacional de Educação, na LDB/96 e na Constituição de 1988.
Competências na Base Nacional Comum
Curricular
A palavra-chave da Base Nacional Comum Curricular é competências. Na introdução
da BNCC, temos a seguinte definição de competência:
[...] mobilização de conhecimentos (conceitos e
procedimentos), habilidades (práticas cognitivas e
socioemocionais), atitudes e valores para resolver
demandas complexas da vida cotidiana, do pleno
exercício da cidadania e do mundo do trabalho.
(BRASIL, 2018, p. 8)
Percebeu que aqui aparecem novamente, assim como está nos PCNs, a importância
das três dimensões da condição humana: estudo, cidadania e trabalho?
A BNCC propõe o desenvolvimento de dez competências distribuídas nas disciplinas
curriculares e que devem, por meio do desenvolvimento das diversas habilidades,
serem respondidas pelas atitudes concretas do aluno em todos os locais de sua
convivência.
Ao longo da educação básica, as aprendizagens essenciais definidas na BNCC devem
concorrer para assegurar aos estudantes o desenvolvimento de dez competências
gerais, que consubstanciam, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e
desenvolvimento. Assim, cada área do conhecimento tem competências específicas
que foram traçadas a partir das dez competências gerais. As competências
específicas devem influenciar diretamente as habilidades que se pretendem formar ao
estudar os componentes curriculares.
Mas quais são essas dez competências gerais? Vamos conferir!
Competências gerais – BNCC
Confira as dez Competências Gerais da Educação Básica (Ensinos Infantil,
Fundamental e Médio) (BRASIL, 2018, p. 9-10):
1. Conhecimento - Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente
construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e
explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma
sociedade justa, democrática e inclusiva.
2. Pensamento científico, crítico e criativo - Exercitar a curiosidade intelectual e
recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a
análise crítica, a imaginação e a criatividade para investigar causas, elaborar e
testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive
tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3. Senso estético - Valorizar as diversas manifestações artísticas e culturais, das
locais às mundiais para fruir e participar de práticas diversificadas da produção
artístico-cultural.
4. Comunicação - Utilizar diferentes linguagens — verbal (oral ou visual-motora,
como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital —, bem como
conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica para expressar-
se e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes
contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5. Argumentação - Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação
e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas
práticas sociais (incluindo as escolares) para comunicar-se, acessar e
disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer
protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
�. Cultura digital - Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e
apropriar-se de conhecimentos e experiências para entender as relações
próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da
cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica
e responsabilidade.
7. Autogestão - Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis
para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns
que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e
o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento
ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
�. Autoconhecimento e autocuidado - Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua
saúde física e emocional para compreender-se na diversidade humana e
reconhecer suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para
lidar com elas.
9. Empatia e cooperação - Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e
a cooperação para fazer-se respeitar e promover o respeito ao outro e aos
direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e
de grupos sociais, seus saberes, suas identidades, culturas e potencialidades,
sem preconceitos de qualquer natureza.
10. Autonomia - Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade,
flexibilidade, resiliência e determinação para tomar decisões com base em
princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
Agora veja quais são as cinco áreas de conhecimento, de acordo com o Parecer
CNE/CEB nº 11/2010:
Linguagem (língua portuguesa, arte, educação fisica e língua inglesa)
Matemática
Ciências da natureza
Ciências humanas (geografia e história)
Ensino religioso
As competências previstas devem ser desenvolvidas nas atividades que serão
realizadas nas salas de aula. Dessa forma, haverá uma sintonia entre o que se espera
alcançar a longo prazo e a curto prazo. Por isso, a BNCC aponta os eixos estruturantes
das práticas pedagógicas e as competências gerais da educação básica. Todas as
competências são igualmente importantes.
Desenvolvimento histórico de diretrizes
educacionais
Desa�os propostos pela BNCC
O professor Francisco Carlos nos convida a pensar sobre a tradição curricular
brasileira e os desafios que estão sendo propostos pela BNCC.
Por se tratar de um documento novo, as diretrizes da BNCC podem parecer, em um
primeiro momento, algo muito difícil de ser implementado e realizado. A mudança de
hábitos não é um processo fácil, sobretudo quando envolve tantas pessoas ao mesmo

tempo, não é mesmo? Mas o importante é dar o passo inicial! Para os professores, é
fundamental ler a BNCC em sua totalidade para pensar como introduzir as mudanças
no contexto da sala de aula. Os desafios são muitos, e a renovação passa por toda a
comunidade escolar.
Para entendermos melhor, veremos uma linha do tempo começando na Lei de
Diretrizes e Bases (Lei nº 9394/96) e finalizando na Base Nacional Comum Curricular
(BNCC).
 1996
Lei nº 9394/96 - Lei de Diretrizes e Bases.
 1997
Parâmetros Curriculares Nacionais (primeiras quatro
séries da educação fundamental).
 1999
Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino
Fundamental, preparado para cada disciplina.
 2000
Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino
Médio, definidos pelas áreas de linguagens, códigos e
suas tecnologias.
 2001
Criação do Plano Nacional de Educação.
 2003
Lei nº 10639 – Obrigatoriedade do ensino de história e
cultura afro-brasileira. Além disso,entra para o
calendário escolar o dia 20 de novembro, quando é
celebrado o Dia da Consciência Negra.
 2004
Lei nº 10861: é criado o Sinaes – Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Superior.
 2005
Lei nº 11096: criação do Prouni – Programa
Universidade para Todos.
 2006
E d C tit i l º 53 i F d b F d
Emenda Constitucional nº 53 cria o Fundeb – Fundo
de Manutenção e Desenvolvimento da Educação
Básica e de Valorização dos Profissionais da
Educação.
 2007
Decreto nº 6096: criação do Reuni – Programa de
Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais.
 2008
Lei nº 11465: obrigatoriedade do ensino de história e
cultura indígena na rede de ensino.
 2012
Lei nº 12711: Lei de Cotas raciais nas universidades
federais.
 2017
Homologação da Base Nacional Comum Curricular.
A proposta das competências do BNCC já estava sendo gestada e aplicada em outros
países. Talvez o caso mais emblemático seja o Common Core (Currículo Comum) dos
Estados Unidos. Lançado em 2010, chegou a receber apoio de 90% da população e de
80% dos professores. Atualmente, uma década após sua implantação, esse índice caiu
pela metade nos dois casos. Uma reflexão sobre isso pode nos ajudar a olhar de
forma perspectiva para a situação nacional.
O exemplo americano é importante para que tenhamos uma compreensão clara do
que significa uma base comum, seus limites e suas perspectivas positivas.
Modelos tradicionais de educação x Modelos
inovadores
Um ponto bastante atual é a contradição (aparente ou não) entre os modelos
tradicionais de educação e aqueles considerados inovadores, uma situação presente
em grande parte do mundo. Veja alguns exemplos:
Nos EUA e em outras partes do mundo, algumas expressões assumiram um papel bastante
emblemático, como “educação centrada no aluno”. Talvez essa seja, atualmente, a grande
perspectiva da educação contemporânea. EUA, México, Espanha, entre outros países, têm
assumido uma postura reflexiva, que busca caminhos para inserir o aluno de forma mais
efetiva no processo de aprendizagem.
É importante perceber que isso faz parte não somente de projetos oficiais desses países, mas
de organismos e fundações que buscam auxiliar a educação no mundo. Um exemplo é o
EUA Brasil França Finlândia Japão
Google For Education.
Embora a proposta da “educação centrada no aluno” não tenha sido aceita de forma
unânime no exterior (como o caso da pedagoga sueca Inger Enkvist), no Brasil, esse
pensamento tem crescido e confunde-se com a utilização das tecnologias digitais na
educação por meio das chamadas metodologias ativas.
Vamos aprofundar um pouco mais o conhecimento sobre os modelos de ensino ao
redor do mundo!
Sistemas de ensino brasileiro X Sistemas de
ensino internacionais
O professor Antônio Giacomo faz um comparativo entre os sistemas de ensino
brasileiro e internacionais.

Tendências
Para que não percamos a percepção do que isso significa, levantamos um
questionamento simples:
O que é uma educação de sucesso?
De acordo com publicação do jornal O Globo, os países nórdicos e asiáticos possuem
altas taxas de suicídio. Isso nos leva a perguntar por que, nos locais onde a educação
é mais bem-sucedida e nos países que possuem as maiores rendas per capita do
mundo, as pessoas se matam? Essa reflexão é relevante para que busquemos um
modelo educacional que, além da formação técnica do indivíduo, possa formá-lo de
forma integral.
Imagens emblemáticas
Vejamos algumas imagens representativas de importantes acontecimentos
relacionados à educação.
Malala Yousafzai
Malala Yousafzai foi baleada na cabeça por talibãs ao sair da escola. Ela lutava
para que as meninas paquistanesas tivessem o direito de estudar.
 
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você
acabou de estudar.
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
Bipolaridade e educação
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
Direitos civis nos EUA
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
Os estudantes chineses e a educação

Questão 1
No ano de 1996, foi publicado o relatório Educação: um tesouro a descobrir, no
âmbito da Unesco. Esse documento foi importante porque sistematizou que a
educação deveria estar ancorada em quatro grandes pilares. Ao comparar a
influência no Brasil e no restante do mundo, podemos apontar que

Vamos praticar alguns
conceitos?
Falta pouco para
atingir seus
objetivos.
A
a educação não deve se centrar no exercício de mera transmissão,
mas pautar-se no retorno a elementos clássicos, exercícios que
historicamente se mostraram eficientes.
B
a educação se tornou um elemento primordial para a formação de
uma sociedade mais justa e equilibrada, que permita aos sujeitos
atingirem seu potencial.
Questão 2
Na comparação entre o Brasil e o mundo em termos de educação na
contemporaneidade, sobretudo pensando nas influências da Unesco, podemos
destacar como uma busca de integração com as propostas mundiais
C
a educação no século XXI precisa refletir sobre si e sobre o papel que
deve assumir para atingir as demandas sociais do mundo
contemporâneo.
D
a educação no século XXI deve se pautar na necessidade do aluno; a
busca do desenvolvimento da educação depende do interesse
individual de cada sujeito e deve se orientar de acordo com essa
perspectiva.
E
a educação do século XXI permanece inalterada pois é um modelo
humano natural.
Responder
A a Base Nacional Comum Curricular.
B a Constituição de 1988.
C a Declaração Universal do Direito dos Homens.
3
Desa�os da sociedade tecnológica na educação
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer como a história da educação nos prepara para os desafios da sociedade tecnológica.
D a adoção do modelo Common Care.
E a retomada conversadora nos fundamentos da educação.
Responder
Educação no mundo globalizado
A partir das diversas leis, medidas e dos decretos estruturados para o âmbito
educacional, é possível entender que uma das grandes inovações nas últimas décadas
é a ampliação dos currículos escolares para além do desenvolvimento das habilidades
cognitivas. Isso significa que o espaço escolar não tem como finalidade apenas
transmitir conhecimento, mas proporcionar instrumentos para que as potencialidades
dos alunos sejam exploradas.
Afinal de contas, qual é o papel do ambiente escolar e de seus profissionais em um
mundo globalizado?
O século XXI é marcado por muitas contradições. Imaginamos, de forma geral, o
futuro do mundo e da educação com o desenvolvimento de tecnologias velozes e
poderosas.
Mas na prática o mundo ainda é marcado por:
Desigualdades
O agravamento das desigualdades
sociais, sobretudo em regiões
periféricas.
Consumo acelerado
Aceleração da sociedade de consumo
descartável em todos os sentidos.
Essa nova ordem mundial causou e ainda causa impactos profundos no ambiente
escolar. Uma das dúvidas colocadas para os educadores é como lidar com os
chamados novos desafios do mundo contemporâneo, que envolvem o conhecimento
de tecnologias e a crescente competitividade no mercado de trabalho.
Nas bases legais dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio, temos a
reafirmação constante de que a educação não deve ser estruturada a partir do
acúmulo de conhecimentos, mas a partir da preparação do aluno para o
desenvolvimento da capacidade de lidar com os desafios da sociedade tecnológica.
O volume de informações, produzido em decorrência
das novas tecnologias, é constantemente superado,
colocando novos parâmetros para a formação dos
cidadãos. Não se trata de acumular conhecimentos. A
formação do aluno deve ter como alvo principal a
aquisição de conhecimentos básicos, a preparação
cientí�ca e a capacidade de utilizar as diferentes
tecnologias reativas às áreas de atuação.
(BRASIL, 2000, p. 5)
Portanto, neste módulo, vamos buscar as respostas para as seguintes perguntas:
1. Qual é o papel da história da educação na observação do mundo contemporâneo
empermanente processo de mudança?
2. Será que a história não deve observar isso?
3. Devemos esperar esses movimentos ficarem mais velhos para analisá-los?
O compromisso das ciências humanas é compreender como os estudos sobre a
Educação nos fornecem ferramentas para enfrentarmos os desafios da sociedade
contemporânea e refletirmos sobre o futuro.
Os personagens da Educação no século XXI
Antes de mais nada, é preciso ter em mente que todos os modelos e as experiências
pedagógicas que vimos até agora são fundamentais para compreender o papel da
Educação atualmente. O desafio é pensar como o ambiente escolar e os profissionais
que nele atuam estão respondendo a tantas mudanças estruturais e éticas.
Durante muito tempo, a transmissão do conhecimento se dava da seguinte maneira:

Professor
O detentor do conhecimento, que passava o
conteúdo para os alunos sem muita crítica
ou embasamento.

Aluno
Absorvia o conteúdo sem questionamento
sobre o que era transmitido pelo docente.
Precisamos provocar o olhar sobre esses personagens presentes na escola e avaliar
nossa responsabilidade como educadores.
Conhecimento e suas signi�cações
A professora Nilda Alves, doutora em Educação, tem como um de seus objetivos fazer
a escola reconhecer os conhecimentos do mundo e comenta sobre os saberes e seu
papel.
Esse cenário não mudou completamente, mas podemos afirmar que o ambiente
escolar não é o mesmo. Ele vem sendo reciclado continuamente.
Ainda assim, muitos educadores olham para as transformações com certa
desconfiança. De fato, sair da zona de conforto e se abrir para novas possibilidades
não é tarefa fácil.
O uso de tecnologias em sala de aula confronta a falta de habilidade do professor em
dominar as tecnologias e suas linguagens: web, podcast, software, armazenar na
nuvem, Google, Facebook etc. Ou seja, é cada vez mais difícil supor que o docente em
sala de aula seja o único detentor do conhecimento. Com a explosão tecnológica, a
um clique de distância, o aluno tem acesso a uma quantidade infinita de informações
de todos os tipos possíveis. Ao mesmo tempo, sabemos que, na Era da Informação,
não faltam conteúdos falsos ou notícias com fontes desconhecidas. São as famosas
fake news!
No âmbito das novas propostas pedagógicas adotadas pela legislação brasileira, a
ideia é que a educação forneça instrumentos para que o aluno construa seu próprio
conhecimento e tenha curiosidade sobre tudo aquilo que o rodeia. A formação de um
indivíduo para a vida cidadã parte, em primeiro lugar, da sua atuação como sujeito
ativo.
Vejamos o que pensa Paulo Freire sobre o assunto:
Conhecer não é o ato através do qual um sujeito
transformado em objeto recebe dócil e passivamente
os conteúdos que o outro lhe dá ou lhe impõe. O
conhecimento, pelo contrário, exige uma presença
curiosa do sujeito em face do mundo. Requer sua
ação transformadora sobre a realidade. Demanda
uma busca constante. Implica invenção e reinvenção.
(FREIRE, 1985, p. 7)
A formação de sujeitos críticos implica, portanto, a revisão das práticas educativas.
Como já vimos, uma das propostas presentes na BNCC é a formação por
competências. A ideia é que o aluno tenha autonomia para decodificar determinada
informação, pesquisar outras referências, comparar fontes e saber estabelecer
conexões entre o passado e o presente.
A educação do futuro tem como
pressuposto incentivar o aluno a
construir seu próprio conhecimento,
associando o conteúdo ensinado na
escola à sua trajetória de vida. Nesse
sentido, a tecnologia, quando usada de
modo correto, é um instrumento bastante
eficaz na democratização da informação
e do conhecimento.
O importante é capacitar o educador para que conheça as potencialidades e os limites
dos recursos virtuais.
Você considera que o projeto "Escola sem Partido" se encaixa nesse tipo de
abordagem que supõe a autonomia dos indivíduos na construção do conhecimento?
Aluno como agente central
Você provavelmente deve se recordar do seu tempo de escola. Se estudou em um
colégio privado, mais tradicional, ou mesmo em alguma escola pública que sofria em
razão dos problemas de infraestrutura e escassez de profissionais mais qualificados,
deve lembrar que muitas aulas se resumiam a copiar o que o professor escrevia no
quadro.
Os espaços de discussão não eram incentivados, quase não havia dinamismo nas
aulas, e era muito comum que o corpo docente não entendesse por que os alunos
pareciam tão pouco interessados em prestar atenção no conteúdo.
A história da educação está atenta a esse debate e, atualmente, nota que tem se
discutido a possibilidade de que muitos desses problemas poderiam ser resolvidos a
partir da adoção de modelos pedagógicos ativos, que colocam o aluno como agente
central no processo de aprendizagem.
Como isso pode ser feito na prática?
A despeito das ferramentas utilizadas, a noção é sempre a mesma: incentivar a
autonomia, reconhecer e respeitar a diversidade no ambiente escolar e estimular a
cooperação e a integração entre alunos, estimulando a construção de projetos em
grupos. Veja alguns exemplos:
Feiras de talentos Mostras artísticas Rodas de leitura
A ideia é que cada vez mais os projetos educacionais adotem a chamada metodologia
ativa de aprendizagem. Mas você já ouviu falar nesse termo? Talvez esse seja um
conceito novo para você, mas que já faz parte do seu cotidiano.
Metodologia ativa de aprendizagem
O psiquiatra americano William Glasser, a partir de suas pesquisas no campo da
educação, construiu uma pirâmide que avalia como aprendemos.
A modalidade EaD (ensino a distância) é um ótimo exemplo da adoção da
metodologia ativa de aprendizagem.
Essa metodologia parte da ideia de que o aluno é o principal responsável pela sua
própria aprendizagem. O ideal é que ele seja estimulado a aprender a partir de
exemplos concretos, que tenham correspondência com seu cotidiano.
A transmissão de conhecimento levando em consideração a vivência do estudante
confere mais dinamismo e interatividade. Segundo essa lógica, a simples
memorização de conteúdos não seria eficiente.
Qual é o caminho da aprendizagem nesse processo? É o que descobriremos no vídeo
a seguir.
Ensino a distância como objeto de debate
Os professores Rodrigo Rainha, Guilherme Dutra e Luís Claudio Dallier dialogam sob o
ponto de vista de suas áreas acerca do ensino a distância.
Temas tranversais
Os chamados temas transversais não são disciplinas curriculares, mas debates de
cunho social e político presentes na sociedade contemporânea, como meio ambiente,
ética, consumo etc. A função dos temas transversais é conduzir o professor, em sua
ação educativa, a sintonizar o cotidiano do aluno com a aprendizagem cognitiva.

Os temas transversais anunciaram a responsabilidade de formar o indivíduo para a
vivência cidadã em todas essas dimensões. A ética é compreendida como o principal
tema, que permeia os demais.
Escolas emblemáticas
Conheça algumas das escolas mais inovadoras da atualidade.

Escola da Ponte
Consegue pensar em uma escola sem
salas, sem séries, sem separações, sem

Quest to Learn
E se as atividades da escola fossem feitas
a partir de jogos? O tempo todo, os alunos
turmas, com aulas sendo pensadas e
trocadas por projetos feitos pelos próprios
alunos? Leia sobre a Escola da Ponte.
estão praticando, trocando e construindo
com base em jogos e níveis de interações
diferentes. Duvida? Conheça a Quest to
Learn, em Nova York.

Escola Meninos e Meninas do Parque
Escolas para recuperação de alunos, ou,
ainda, para jovens infratores, crianças em
condição de rua. É preciso muita disciplina
para controlar os alunos, certo? Não! Você
precisa conhecer a Escola Meninos e
Meninas do Parque.

Hole in the wall
“Em locais pobres, é impossível
desenvolver centros de tecnologia”. Sugata
Mitra discorda dessa afirmação e, a partir
da tecnologia, desenvolveu na Índia a
busca de um novo modelo. Sua proposta
consiste em leitura de livre aprendizagem,sem a presença de uma autoridade, e pelo
computador.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você
acabou de estudar.
Módulo 3 - Vem que eu te explico!
Educação no século XXI
Módulo 3 - Vem que eu te explico!
Década de 1990: educação ambiental

Módulo 3 - Vem que eu te explico!
Caminhos da educação no século XXI

Vamos praticar alguns
conceitos?
Falta pouco para
atingir seus
objetivos.
Questão 1
(Adaptada de SEPLAG-MG, 2015) O uso das novas tecnologias na educação pode
promover algumas mudanças na abordagem pedagógica, tornando o processo de
transmissão de conhecimento mais dinâmico e criativo. Diversas habilidades
podem ser praticadas no ensino escolar para facilitar os tipos de comunicação e
interação entre os professores e os alunos. Assinale a única alternativa que não se
adequa ao uso das novas tecnologias na escola.
Questão 2
Os temas transversais, que constam nos PCNs, estão inseridos no contexto de
renovação das práticas de ensino e dos modelos pedagógicos nas últimas
décadas. Qual alternativa melhor descreve a função dos temas transversais?
A
Oportunizar ao professor diferentes formas e recursos de ensino e
aprendizagem.
B Estabelecer novas relações com o saber.
C Envolver os alunos para novas descobertas.
D Contribuir para as práticas educacionais.
E Utilizar o computador somente como fonte de informação.
Responder
Considerações �nais
A educação contemporânea dialoga com a história contemporânea. A partir do
momento em que foi identificada a ascensão do mundo capitalista, a educação
passou por profundas transformações. Ao longo do século XX, o mundo começou a
defender uma educação mais popular, mais disseminada. Os motivos são muitos:
industrialização, crescimento das cidades, desenvolvimentos dos Estados — olhando
pelo prisma do governo —, mas que geram linhas de resistência, isto é, educação que
liberte, educação que fortaleça disputas, educação como um bem individual.
A Educação de cunho tecnicista.
B A orientação sexual não é considerada um tema transversal.
C Valorização da individualidade.
D Foram criados para substituir os currículos escolares.
E O professor como mediador do processo de aprendizagem.
Responder
Diante dessas transformações, chegamos ao século XXI ricos em debates, mas sem
conseguir resolver muitas de nossas mazelas históricas. Ainda que países como o
Brasil tenham se fortalecido em termos legislativos e de sistema de educação, trata-se
de uma discussão que não cessa, como aponta a BNCC no Brasil, e ainda existem
divergências profundas mundo afora.
Podcast
Para finalizar, relembre agora os principais pontos sobre educação
contemporânea.
00:00 16:05
1x
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Confira as indicações que separamos especialmente para você!
Leia o artigo Perspectivas atuais da educação, de Moacir Gadotti, publicado na São
Paulo em Perspectiva, v. 14, n. 2, 2000. Está disponível no portal SciELO.
Leia o artigo Maio de 1968 em Paris: testemunho de um estudante, de Michel
Thiollent, publicado no Dossiê Maio de 68, Tempo Social, v. 10, n. 2, out. 1998. Você
também pode encontrá-lo no portal SciELO.
Veja a matéria de Jonas Valente, da Agência Brasil, publicada em 28 de setembro de
2019: Quase metade do planeta ainda não tem acesso à internet, aponta estudo.


https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00325/index.html
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00325/index.html
Conheça os importantes documentos mencionados neste material:
- Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica.
- Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental.
Temas transversais.
- Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio.
- Base Nacional Comum Curricular.
Veja a pesquisa do IBGE Índices da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua.
Assista aos filmes Forrest Gump (Robert Zemeckis, 1994), Duelo de Titãs (Boaz Yakin,
2001) e Ray (Taylor Hackford, 2004) para saber mais sobre os movimentos sociais
nos Estados Unidos.
Referências
ALMEIDA, M. E. B.; VALENTE, J. A. Tecnologias digitais, linguagens e currículo:
investigação, construção de conhecimento e produção de narrativas. São Paulo:
Coleção Agrinho, 2012.
ANTUNES, C. Como desenvolver competências em sala de aula. Petrópolis, RJ: Vozes,
2001.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Base
Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Consultado em meio eletrônico em:
10 set. 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica.
Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Brasília: MEC, 1999.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica.
Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental: referentes às quatro
primeiras séries da Educação Fundamental. Brasília: MEC, 1997.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica.
Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: MEC, 2000.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional. Consultado em meio eletrônico em: 10 set. 2018.
DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir (Relatório para Unesco da Comissão
Internacional sobre Educação para o Século XXI). São Paulo: Cortez, Unesco e MEC,
2001.
FERACINE, L. O professor como agente de mudança social. São Paulo: EPU, 1990.
FERRETI, C. et al. Novas tecnologias, trabalho e educação: um debate multidisciplinar.
Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
FREIRE, P. Extensão ou comunicação? São Paulo: Paz e Terra, 1985.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 10. ed.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
FREITAS, L. C. de. Mudanças e inovações na educação. 2. ed. São Paulo: EDICON,
2005.
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