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2042-06-28193Possibilidades-de-inserção-do-estudo-da-cinesiologia-em-diferentes-ambientes-de-análise

Aula/texto de Cinesiologia aplicada à Terapia Ocupacional que apresenta ambientes de análise do movimento humano, métodos e ferramentas de mensuração, descrições de movimentos e objetivos de aprendizagem para distinguir ambientes, descrever ferramentas e analisar movimentos.

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CINESIOLOGIA APLICADA 
À TERAPIA OCUPACIONAL 
AULA 6
ABERTURA 
Olá!
A base científica de conhecimento permite que vários métodos sejam desenvolvidos para 
o estudo de eventos relacionados a movimento. Trata-se de análises e avaliações com base 
em diversas situações e ambientes que são essenciais para que as variáveis referentes 
ao movimento humano sejam compreendidas.
Nesta aula, você vai conhecer os ambientes que podem ser utilizados para mensurar o 
movimento humano, bem como os métodos de medição e algumas descrições de movimentos 
específicos.
Bons estudos.
Possibilidades 
de inserção do 
estudo da 
cinesiologia em 
diferentes 
ambientes de 
análise
REFERENCIAL TEÓRICO
Os conhecimentos nas áreas de Cinesiologia e Biomecânica favorecem as mensurações 
relacionadas ao movimento. Para isso, é importante ter conhecimento e também 
considerar o local onde toda a movimentação ocorre, relacionando as ferramentas e as 
variáveis envolvidas nessas observações, para que os níveis de complexidade sejam 
compreendidos.
No capítulo "Possibilidades de inserção do estudo da Cinesiologia em diferentes 
ambientes de análise", da obra Estudo do movimento: Cinesiologia, você vai saber mais 
sobre os ambientes em que os estudos acontecem, bem como identificar as ferramentas 
utilizadas em suas análises; além disso, vai conhecer algumas descrições de 
movimentos em determinados ambientes. Ao finalizar, você será capaz de:
• Distinguir os diferentes ambientes de análise para o estudo da cinesiologia.
• Descrever as principais ferramentas utilizadas para análise dos movimentos em
diferentes ambientes.
• Analisar, sob o viés cinesiológico, os principais movimentos realizados em diferentes
ambientes.
Boa leitura.
Possibilidades de 
inserção do estudo da 
cinesiologia em diferentes 
ambientes de análise
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Distinguir os diferentes ambientes de análise para o estudo da 
cinesiologia.
  Descrever as principais ferramentas utilizadas para análise dos movi-
mentos em diferentes ambientes.
  Analisar, sob o viés cinesiológico, os principais movimentos realizados 
em diferentes ambientes.
Introdução
A educaç ã o fí sica representa uma ampla área de estudos científicos e, 
como um componente pedagógico, pode ser aplicada em escolas e 
muitos outros ambientes. Como disciplina acadêmica, a educação física 
considera o corpo não somente sob o ponto de vista estrutural, mas 
também em seus aspectos funcionais e de movimento. Nessa perspectiva, 
destaca-se a cinesiologia e a biomecânica. E a fim compreender a com-
plexidade dos movimentos humanos, é essencial conhecer e considerar 
os ambientes em que ocorrem, bem como correlacionar as ferramentas 
e variáveis envolvidas em suas análises. 
Neste capítulo, você vai conhecer diferentes ambientes de análise 
para o estudo da cinesiologia, bem como as principais ferramentas utili-
zadas para análise dos movimentos em diferentes contextos. Além disso, 
examinará sob o viés cinesiológico os principais movimentos realizados 
em diferentes ambientes.
1 Ambientes de análise para o estudo 
da cinesiologia
A palavra cinesiologia signifi ca “estudo do movimento humano”, e tem a sua 
origem acadêmica nos Estados Unidos, destacando a vasta infl uência americana 
nessa área (BROOKS, 1981). O perfi l de estudo da cinesiologia é objetivo, 
fragmentado ou parcial, com enfoque nas formas de deslocamento do corpo e 
de suas partes, correlacionados ao tempo, espaço e forças que possam interferir 
no trabalho corporal. Na tradição de estudos do Brasil, as pesquisas abrangem 
os fatores biodinâmicos corporais, o comportamento motor humano e o perfi l 
sociocultural do movimento humano (TANI, 1996). Nessa perspectiva, com 
base nos últimos três fatores citados, os estudos aplicados podem abranger 
a parte pedagógica do movimento humano, e as adaptaç ões do movimento 
humano (DARIDO; RANGEL, 2017).
A biodinâmica corporal inclui estudos sobre a base do movimento, enquanto 
o comportamento motor prioriza os meios de controle, desenvolvimento e 
aprendizagem motora. A parte sociocultural tem enfoque filosó fico, social e 
antropoló gico vinculado ao movimento humano propriamente dito, enquanto 
a pedagogia do movimento humano tem como foco o processo de ensino/
aprendizagem, inclusive no ambiente escolar. Enfim, a adaptaç ã o do movimento 
prioriza as particularidades de indivíduos engajados em qualquer programa 
na área de educaç ã o fí sica (DARIDO; RANGEL, 2017).
Diariamente, seres humanos executam diferentes formas de movimentos, 
desde os mais simples até os mais complexos. Uma maneira de classificar e 
de descrever esses tipos de movimentos é a seguinte (DARIDO; RANGEL, 
2017; HOUGLUM; BERTOTI, 2014):
  Atividades esportivas e recreativas: incluem diversas análises de 
movimento, em vários ambientes, como interescolares, clubes e/ou 
ambientes específicos para atividades recreativas. Um exemplo que 
pode ser citado neste item é o nado livre na natação.
  Tarefas diárias: no dia a dia, é interessante realizar as tarefas de forma 
harmoniosa, de maneira que a coordenação seja eficiente, e com o 
mínimo esforço consciente. O controle da postura, por exemplo, é 
considerado uma tarefa diária muito comum.
Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise2
  Atividades funcionais do cotidiano: a mobilidade é essencial para as 
mais básicas atividades; na sua ausência, as funções ficam limitadas 
e/ou prejudicadas. O movimento de rolar de uma criança, por exemplo, 
representa uma forma básica de mobilidade.
Ambiente de trabalho/profissional
A área ocupacional da biomecânica está relacionada a pesquisas referentes 
à postura, bem como atividades profi ssionais humanas (VANICOLA; MAS-
SETTO; MENDES, 2004). Assim, identifi ca-se uma interface multidisciplinar 
e interdisciplinar, na qual tanto os instrumentos quanto os modelos utilizados 
para as tabulações biomecânicas representam recursos comuns em relação 
a outras áreas ou disciplinas, como, por exemplo, a fi siologia e a psicologia. 
A biomecânica ocupacional está diretamente interligada com o setor ergonô-
mico, visando a solução de problemas manifestados pelas pessoas na execução 
de suas atividades profi ssionais. Os principais acometimentos identifi cados 
são os distúrbios do aparelho locomotor, em especial as estruturas musculo-
esqueléticas. Essas intercorrências são consideradas importantes problemas 
de saúde pública (WILSON, 2000).
Em relação aos comprometimentos musculoesqueléticos, sobretudo nas 
extremidades superiores, são identificados como causadores o trabalho físico 
“pesado” e/ou realizado com alta frequência ou de forma repetitiva, atividades 
no computador por longos períodos, além de posturas defeituosas, estáticas 
e/ou dinâmicas, sem controle eficiente, etc. Portanto, a relevância da biome-
cânica ocupacional está essencialmente nas correlações estabelecidas entre a 
postura no ambiente de trabalho e as dimensões corporais. A partir disso, é 
possível evitar sequelas que possam incapacitar o trabalhador, providenciando 
a adequação dos equipamentos, com o objetivo de preservar ou restaurar 
uma postura adequada e saudável em suas atividades diárias (PUNNET; 
WEGMAN, 2004). 
O setor ocupacional está diretamente relacionado com os movimentos e 
sobrecargas durante a jornada de trabalho. Análises biomecânicas do aparelho 
locomotor, da postura, da mobilidade articular e da força gerada pelos músculos 
são utilizadas para determinar e delimitar a melhor forma de execução das 
atividades laborais, sem risco de provocar lesões (VANICOLA; MASSETTO; 
MENDES, 2004).
3Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise
Ambiente do cotidiano
Desde os nossos antepassados, grande parte do nosso tempo é dedicada à 
locomoção — como em longas caminhadas para caça e/ou coleta e em corridas 
e saltos para capturar presas ou fugir— e também a ações de manipulação 
— como nos atos de arremessar, agarrar, carregar, entre tantas outras pos-
sibilidades. Naquele tempo, os atos motores priorizavam a sobrevivências 
(MARCHIORETO, 2015) (Figura 1).
Figura 1. Bipedalismo como elemento central da evolução humana.
Fonte: Adaptada de Leaken e Lewin (1981).
As posturas assumidas no cotidiano, como ficar em pé ou sentado, pegar ou 
carregar algum objeto, frequentemente são causas de sobrecargas articulares 
e musculares, sobretudo quando não respeitam os princípios biomecânicos. 
Os estudos que envolvem a postura estática e dinâmica são considerados 
importantes, porque trata-se de uma variável que pode determinar formas 
mecânicas eficientes do movimento humano e ainda combater ou extinguir 
alterações do aparelho locomotor (ROCHA; SOUZA, 1999).
Ambiente esportivo
A ciência do esporte considera o movimento humano como parte constituinte 
das práticas esportivas, apesar de tê-lo como objeto de pesquisa. Desse modo, 
os pontos centrais nessa área reúnem, além das diversas esportes, também 
Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise4
as derivações e adaptações deles, bem como as formas de treinamento e 
preliminares de tática e técnica. Entre as práticas adaptadas estão as ativi-
dades esportivas em diversos ambientes, como em escolas “regulares” e fora 
delas, assim como o esporte direcionado “a todos” e com regras alteradas, 
capazes de promover a inclusão geral. Portanto, não se destaca um cenário 
que valoriza o alto rendimento e a competição, e sim um contexto que exige 
prioritariamente uma vasta participação nas atividades. Nesse sentido, pode 
ser mais adequado referenciar “ciências do esporte” de forma aplicada 
como práticas esportivas que estão inseridas na área de exatas, biologia e 
humanas, preconizando formas de organização de pesquisas e atividades 
próprias (DARIDO; RANGEL, 2017).
Nas análises dos movimentos esportivos, a tensão nas articulações, bem 
como os efeitos relacionados com a motricidade e referentes ao processamento 
da aprendizagem, podem servir como exemplos de objetos de conhecimento, 
atrelados aos “diagnósticos” no esporte. A biomecânica no esporte também 
pode enfocar tanto aspectos legais quanto princípios físico-mecânicos corre-
lacionados com os conhecimentos da anatomia e fisiologia do corpo humano. 
Contudo, em uma visão geral e ampla, ainda é considerada responsabilidade 
do esporte caracterizar e otimizar as formas técnicas de movimentos com 
base científica (AMADIO et al., 2010).
Ambiente educacional
No ambiente educacional, o estudo do movimento pode ser compreendido 
de maneira básica, considerando diferentes combinações, com vistas ao 
atendimento específi co ou regional ambiental, assim como aspectos sociais 
e culturais integrados. Partindo desse pressuposto, a expressividade corporal 
pode ser identifi cada como a “cultura corporal de movimento”, consistindo 
em objeto de estudo da educação física escolar (SOARES et al., 1992). As 
práticas esportivas, por exemplo, representam a cultura do movimento no 
ambiente escolar desde a metade do século XX, com a interface científi ca 
de ciências do esporte (BRACHT, 1995). 
O ensino na área da educaç ã o fí sica teve início com a proposta da cultura 
corporal de movimento como representação fundamental da intervenção de 
um “mediador”. No Brasil, por exemplo, são estudados nessa área os jogos, os 
esportes, as giná sticas, as danç as, as lutas, bem como a capoeira, por expres-
sarem aspectos típicos locais. Dessa forma, o ambiente em que essas práticas 
acontecem são considerados, além das regras, aspectos técnicos e/ou táticos do 
5Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise
processo de assimilação desses conteúdos. Mundialmente, a cultura corporal 
de movimento é considerada parte da constituição da cultura humana, sendo 
conceituada pela própria cultura global, em uma relação teórica (científica), 
com o “senso comum” (DARIDO; RANGEL, 2017).
A educação física escolar permite que as crianças vivenciem diversas 
experiências relacionadas com o movimento. Nesse contexto “motor”, as 
oportunidades relacionam várias formas de conhecimento, considerando 
inúmeras variáveis, que podem extrapolar a “mecânica das ações”, como, 
alterações funcionais referentes ao corpo humano. Trata-se de elementos que 
podem ser agregados ao conteúdo programático da educação física escolar. 
Do 9 a 10 anos de idade, por exemplo, as crianças vivenciam o segundo ciclo 
na escola; portanto, este é considerado um momento adequado para propor 
conteúdos com perfil abstrato, mas com ênfase no movimento humano e de 
forma “bem estruturada” (FREITAS; COSTA, 2000).
Ambiente de recreação e/ou lazer 
A ludicidade culturalmente comum em diversas concepções de recreação e 
lazer em relação ao movimento humano concretiza-se em jogo, brincadeira, 
brinquedo e “festa”. Portanto, determinadas concepções entendem que pode 
ser atribuído o mesmo signifi cado, nesse contexto, para brinquedo, brinca-
deira e “festa”; entretanto, os excessos alteram o sentido de “festa” e jogo 
(CAILLOIS, 1988). 
A cultura corporal de movimento contempla tanto valores quanto padrõ es de 
exercício, com ênfase nas formas com perfil institucionalizado, como o esporte. Nesse 
contexto, é viável considerar o esporte em vários ambientes sociais, incluindo a área 
cientí fica, porque os fatores culturais do esporte predeterminam na cultura corporal 
contemporâ nea. Assim, o nível simbó lico encontrado na cultura corporal de movimento 
deve ser abstraído e teorizado como parte da corporeidade, da percepção e dos 
relacionamentos (BETTI, 1993).
Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise6
A “festa”, por sua vez, possui o perfil essencial do jogo, mas acrescenta 
elementos que transbordam e configuram-se em todas as formas de excesso. 
Já o jogo reporta comportamentos e dimensões espaciais; a recreação e/ou 
lazer possui uma consideração privilegiada, tendo em vista os espaços, nos 
quais os jogos acontecem (PINTO, 1992).
As propostas de recreação e lazer que envolvem o movimento humano 
podem ocorrer em diversos locais, como escolas, ambiente profissional, no 
esporte, no cotidiano e até em ambientes clínicos, desde que as atividades 
sejam desprovidas de regras formais e tenham perfil lúdico (PINTO, 1992).
A seguir, vamos conhecer os métodos que podem ser utilizados para realizar 
análises cinesiológicas e biomecânicas do movimento humano em diferentes 
ambientes.
2 Ferramentas para análise de movimentos 
em diferentes ambientes
Para investigar e analisar os movimentos em cinesiologia e biomecânica, é 
preciso empregar métodos específi cos de mensuração. Trata-se de um evento 
conhecido como “complexa investigação” do movimento. Os procedimentos 
devem envolver todas as ferramentas de estudo que as variáveis a serem men-
suradas requeiram para suas análises. Em alguns casos, pode ser necessária 
a utilização simultânea e sincronizada de mais de um procedimento para a 
devida interpretação do movimento (AMADIO, 2010).
Os métodos ou ferramentas de medição podem ser classificados como 
procedimentos mecânicos, com observações diretas (com transdutores 
externos ao corpo ou observações e detecções externas) e que passam por 
alterações lentas; procedimentos eletrônicos, com grandezas de perfil 
“mecânico”, que se transformam em grandezas elétricas, favorecendo a 
mensuração de grandezas, que passam por alterações rápidas, e, consequen-
temente, vão se adaptando ao processamento dos dados de forma dinâmica; 
e os procedimentos ópticos-eletrônicos, que fazem referência a imagens 
processadas com representação tanto óptica quanto geométrica do objeto 
considerado para análise. Assim as mensurações são realizadas com base 
em um modelo, de forma indireta (ABDEL-AZIS; KARARA, 1971; CHAO, 
1986; AMADIO et al., 2010).
7Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologiaem diferentes ambientes de análise
Em relação aos métodos que dão suporte ao desenvolvimento e evolução 
científica na mensuração do movimento, destacam-se, em resumo, a simu-
lação e otimização computacional da técnica de movimento, o comando e 
controle da técnica de movimento por computação, e a análise da sobrecarga 
do aparelho locomotor (CHAO, 1986; AMADIO et al., 2010).
Em cinesiologia e biomecânica, as análises de movimento podem 
ter um perfil interno ou externo. A biomecânica interna se concentra 
nas forças decorrentes de estruturas corporais internas, como aquelas 
relacionadas aos músculos, articulações, ossos e cartilagens. Já as forças 
que estabelecem relações diretas tanto com a realização dos movimentos 
quanto com as “cargas mecânicas” que recaem sobre o aparelho locomotor 
fazem referência ao perfil externo. Essas forças são representadas pelo 
estímulo mecânico que é exigido, tendo em vista o desenvolvimento e 
o crescimento do corpo sob o ponto de vista estrutural (CHAO, 1986; 
AMADIO et al., 2010).
Na área de educacão física, uma habilidade considerada essencial em um treinador é a 
capacidade de fazer análises técnicas eficientes no esporte. Trata-se de um tipo de análise 
que transita entre um perfil subjetivo/qualitativo e objetivo/quantitativo. Em geral, os 
contextos dos treinos são analisados de forma subjetiva ou qualitativa, ou seja, as análises 
ficam definidas como formas sistemáticas de observação, além de serem julgadas de 
maneira introspectiva, tendo em vista o nível de qualidade do movimento humano. 
Assim, o objetivo é intervir de forma adequada, aprimorando o desempenho (KNUDSON; 
MORRISON, 2002). O maior benefício identificado nas análises qualitativas faz referência ao 
conhecimento do próprio treinador, que pode ser acessado de forma rápida e utilizado 
para promover um feedback na forma de instrução imediata ao jogador/atleta. O treinador 
também pode utilizar meios tecnológicos que favorecem as análises quantitativas, como 
um cronômetro ou replay de vídeo (ACKLAND; ELLIOTT; BLOOMFIELD, 2011).
Vejamos a seguir como a antropometria, a cinemetria, a dinamometria e 
a eletrofisiologia podem contribuir com as análises do movimento humano 
(AMADIO et al., 2002):
  A antropometria mensura características corporais, com utilização de 
fita métrica, balanças, paquímetros digitais e ainda, algumas formas de 
Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise8
digitação a laser, para os devidos registros d parâmetros antropomé-
tricos. Os dados medidos são tabulados conforme os modelos físico-
-matemáticos preconizados e de acordo com as simulações. 
  A cinemetria utiliza sistemas orientados para as mensurações tanto de 
movimentos quanto de posturas e gestos frequentes nas práticas espor-
tivas. Trata-se de registros por meio de imagens, trajetórias, decursos 
de tempo, definição de curvas referentes à velocidade, bem como de 
aceleração, entre outras formas associadas e/ou derivadas (ALLARD; 
STOKES; BLANCHI, 1995). Frequentemente, são utilizados sistemas 
de videografia, com acoplamento de uma ou mais câmeras de alta frequ-
ência, capazes de fazer reconstruções bidimensionais e tridimensionais 
dos movimentos. Já é possível fazer mensurações e registros digitais de 
imagens em tempo real, alta resolução e alta frequência. 
  A dinamometria faz medições orientadas para obter forças de reação 
do solo, as chamadas forças externas e as formas dinâmicas de pressões 
ocasionadas por segmentações corporais que interagem com o meio 
ambiente. São identificadas também algumas formas de avaliação de 
grupos musculares, que determinam seus momentos resultantes. Assim, 
são avaliadas as forças de reação do solo por meio de plataformas de 
forças, células de cargas e formas atenuadas e transdutoras de carga, que 
determinam as relações entre força e deformação estrutural dos materiais 
esportivos. Além disso, a forma de distribuição das pressões plantares 
pode ser investigada e a dinamometria computadorizada pode ser aplicada 
em sistemas isocinéticos (NICOL; HENNIG, 1978; BAUMANN, 1994). 
  A eletrofisiologia diz respeito a formas de medir o potencial elétrico com 
o objetivo de avaliar funcionalmente a participação de cada músculo e 
de suas partes, como na eletromiografia dos músculos esqueléticos e na 
eletrocardiologia do miocárdio no coração, entre outros procedimentos 
diagnósticos ou terapêuticos. O potencial elétrico muscular pode ser 
mensurado pela eletromiografia (EMG). Trata-se de uma técnica que 
detecta as alterações nos potenciais das membranas no momento em 
que os potenciais de ação vão sendo propagados nas fibras musculares. 
A análise e estudo da musculatura por meio da EMG é conside-
rada altamente eficaz, por colher informações acerca do controle 
do movimento, tanto os voluntários quanto os “reflexos”. Durante 
uma determinada tarefa, a EMG consegue quantificar o nível de 
resposta elétrica muscular, além de sinalizar quais músculos estão 
ativos, bem como o início e fim das ações (HAMILL; KNUTZEN; 
DERRICK, 2016).
9Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise
Enfim, com a utilização adequada das ferramentas ou métodos disponíveis 
para as análises do movimento é possível descrever seus aspectos funcionais 
e, sobretudo, criar modelos quantitativos ou matemáticos, de acordo com os 
protocolos específicos. Os dados obtidos favorecem uma compreensão maior 
das formas reguladoras e de execução interna do movimento propriamente dito 
(AMADIO et al., 2002). A Figura 2 apresenta exemplos aplicados de métodos 
e ferramentas utilizadas para analisar os movimentos humanos.
Figura 2. Ferramentas de análise de movimentos humanos: (a) sistemas optorreflexivos, 
baseados no rastreamento de marcadores pelo espaço, ligados a um software apropriado, 
para a quantificação do movimento (cinemetria); (b) perfil de força de uma remada (dinamo-
metria); (c) atividade bruta da EMG de músculos selecionados do membro inferior durante 
a prática na bicicleta ergométrica (RF = reto femoral; BF = bíceps femoral); (d) abordagem 
vetorial para descrever (A) um ângulo do cotovelo em 3D e (B) o ângulo projetado no plano 
sagital (análise de vídeo planar).
Fonte: (a) Ackland, Elliott e Bloomfield (2011, p. 305); (b) adaptada de Smith e Spinks (1989); (c) Ackland, 
Elliott e Bloomfield (2011, p. 310); (d) Ackland, Elliott e Bloomfield (2011, p. 316).
Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise10
Depois de conhecermos as ferramentas que podem ser utilizadas para 
mensurar as diversas formas de movimentos, vamos descrever como a biome-
cânica se relaciona com diferentes tipos de análise nos ambientes de trabalho/
profissional, no cotidiano, no esporte e no ambiente educacional.
3 Análise de movimentos em diferentes 
ambientes
Ambiente de trabalho/profissional
A postura é defi nida como uma forma de alinhar partes do corpo para uma 
ação específi ca ou como modo de sustentação do pró prio corpo. A postura 
e o movimento se relacionam de forma íntima; todo movimento parte de 
uma postura inicial e acaba em uma postural diferente no mesmo lugar ou 
em postura igual, mas em local diferente (HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
Na maioria das vezes, ajustes posturais acontecem de forma rápida e 
automática. Esse mecanismo que controla a postura depende das várias 
integrações sistêmicas, como a propriocepção. Entre as formas de apresen-
tações posturais estão incluídas a posição ortostática ou em pé, a postura 
sentada e as diversas possibilidades de controle postural (HOUGLUM; 
BERTOTI, 2014).
A postura considerada normal apresenta poucas variações entre as pessoas, 
mas sofre influências do biótipo, faixa etária e sexo de cada indivíduo. Em 
pé, em geral, a postura apresenta algumas características comuns. A postura 
normal deve ser avaliada com o indivíduo “relaxado”, com os pés posicio-
nados de acordo com a largura dos quadris, os braçostambém “relaxados”, 
lateralizados em relação ao corpo, e os olhos direcionados anteriormente. A 
cabeça, os ombros, o tronco, os quadris, os joelhos e os tornozelos devem estar 
alinhados, tendo vista as observações nas vistas anterior, posterior e sagital 
(Figura 3a, 3b e 3c) (HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
11Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise
Figura 3. Linha gravitacional em vistas: (a) anterior; (b) posterior; e (c) sagital. Na posiç ã o 
em pé relaxada, a linha de forç a gravitacional atravé s do centro de massa recai atrá s da 
articulaç ã o do quadril, na frente da articulaç ã o do joelho e na frente da articulaç ã o do 
tornozelo. Em (c), sã o destacados os mú sculos considerados antigravitacionais. Observe 
nos membros inferiores a necessidade de contraç ã o ativa dos mú sculos para a obtenç ã o de 
equilí brio, principalmente o gastrocnê mio e o só leo e, em menor grau, o tibial anterior. Em 
(d), é demonstrada uma operária em linha de montagem e em (e), um modelo biomecânico 
de sua postura laboral.
Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 538); Rodriguez-Añez (2000, p. 9).
É importante considerar que diversas posturas podem ser assumidas em 
relação à posição anatômica padrão, e que também são consideradas “nor-
mais”, como sentar, deitar, reclinar, etc. As alterações posturais estáticas estão 
relacionadas com o equilíbrio do corpo humano, bem como de seus segmentos 
articulados que dependem de uma tênue neutralidade gravitacional. A postura 
classificada como a menos complexa, na qual o indivíduo consegue ter mais 
equilíbrio, é a posição de decúbito, porque o centro de gravidade do corpo 
fica mais próximo da superfície que o sustenta (RODRIGUEZ-AÑEZ, 2000).
Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise12
O nível de estresse produzido pela postura foi investigado em mulheres 
operárias que trabalhavam predominantemente na postura sentada, com uti-
lização de um microscópio, para montar memórias de computadores (Figura 
2d). O método utilizado para essa análise foi a EMG de superfície no músculo 
trapézio e no grupo dos eretores da espinha, nas regiões torácica e lombar. 
De forma simultânea, foram feitos registros fotográficos utilizados para as 
análises biomecânicas (RODRIGUEZ-AÑEZ, 2000).
As estações do local de trabalho das operárias foram ajustadas de acordo 
com as alturas individuais, e com inclinação de 5° para frente e para trás, 
para analisar as tarefas ao nível da mesa. Com base na análise biomecânica 
e eletromiográfica, foi considerado um modelo biomecânico (Figura 2e). 
A proposição diante das análises foi que a combinação de aspectos posturais e 
das tarefas pode contribuir para a ocorrência de dores cervicais e no dorso das 
operárias. A medida ergonômica proposta foi passar a utilizar uma bancada 
ajustável para diminuir o estresse postural e, por conseguinte, os problemas 
de saúde ocupacional (BASMAJIAN, 1976; RODRIGUEZ-AÑEZ, 2000).
Ambiente do cotidiano
Tanto “sentar” quanto “levantar” de uma cadeira representam atividades 
integradas do cotidiano que acontecem com grande frequência (BALDISSE-
ROTTO, 2006). Um indivíduo pode ser analisado ao sentar e levantar de uma 
cadeira, iniciando na posição sentado, em torno de 46 cm de altura, sem o 
apoio lateral específi co para braços, mas com apoio adequado para as costas. 
O movimento deve ser iniciado com as costas recostadas na cadeira, os pés 
apoiados no chão e descalços e os joelhos e os quadris posicionados em ângulo 
de 90°. Essa sequência de ações deve ser repetida três vezes, com intervalos 
combinados previamente. A contagem deve ser iniciada com 5 segundos de 
repouso na posição sentado e 3 segundos reservados para a ação de levantar, 
com 5 segundo de intervalo em posição ortostática e 3 segundos para a ação 
de sentar (BALDISSEROTTO, 2006).
Com a intenção de fazer a seleção apenas da EMG que corresponda às ações 
do indivíduo, ou fazer um recorte do sinal inicial e final do movimento, com 
ausência de análises dos tempos ou intervalos de repouso, devem ser feitas 
filmagens das análises cinesiológicas em tempo real, sendo a contagem reali-
zada por meio de um cronômetro. Tanto o começo quanto o término de cada 
fase do movimento devem ser registrados utilizando um efeito luminoso, que 
pode ser emitido por um dispositivo que sincroniza eventos. Esse dispositivo 
13Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise
deve ser controlado por alguém que também seja registrado pelas filmagens, 
além de estar conectado a um computador, que, por sua vez, regista a EMG. 
Assim, é possível demarcar o começo e o fim do movimento em um arquivo 
de sinais, para análises subsequentes (BALDISSEROTTO, 2006).
Ambiente esportivo
A popularização dos exercícios físicos, incluindo a intensifi cação das ativida-
des nos esportes de rendimento, além de promover e manter a saúde também 
ocasiona o aumento da ocorrência de lesões. A sobrecarga gerada em função 
do movimento é considerada o principal agente causador, por exemplo, de 
lesões degenerativas envolvendo o aparelho locomotor (WINTER; BISHOP, 
1992). A determinação exata de limites reais da tolerância das estruturas 
locomotoras e das demandas mecânicas que são geradas, somadas às forças 
aplicadas ao aparelho locomotor, pode ser muito útil para os profi ssionais 
que atuam na área de educação física e, sobretudo, do esporte de rendimento 
(AMADIO; SERRÃO, 2011).
As mensurações de intensidades das cargas externas, mediadas pela de-
terminação da força de reação do solo (FRS), que pode ser mensurada por 
dinamometria, permitem que o profissional avaliador faça uma análise do 
estresse mecânico gerado por uma atividade física, como, por exemplo, a cor-
rida. A partir dos dados analisados, é possível conhecer a intensidade máxima 
da FRS gerada nessa mesma situação (MUNRO, MILLER; FUGLEVAND, 
1987) a níveis de referência, como a marcha e os saltos. Uma comparação 
dessa natureza seria capaz de revelar que uma sobrecarga externa em torno 
de 1,2 maior que o peso corporal de quem realiza a ação é imposta aos cons-
tituintes do aparelho locomotor ao longo da execução da corrida. Isso indica 
uma similaridade à sobrecarga externa da marcha e grande discrepância com 
a sobrecarga referente à produção nos saltos atléticos (AMADIO et al., 1999; 
BRUNIERA, 1994; RAB, 1994; WINTER, 1990). 
Partindo da comparação anterior, é válido afirmar que a corrida varia 
entre níveis baixos e moderados de demanda mecânica, determinando um 
perfil compatível em relação à delimitação de grau de tolerância do aparelho 
locomotor. Mesmo que fosse possível considerar uma hierarquia para as forças 
externas geradas pelas diversas possibilidades de movimento humano, tendo 
em vista uma forma de compreensão das cargas mecânicas, vale destacar 
que os níveis de sobrecarga representam um critério complexo, que requer 
Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise14
mais indicadores, sobretudo de natureza interna. Dessa maneira, ainda que 
os indicadores não apresentem um quantitativo alto em comparação com as 
forças externas, devem ser considerados que os níveis de sobrecarga também 
dependem das forças internas (AMADIO; SERRÃO, 2011).
Ambiente educacional 
Na faixa etária entre 4 e 5 anos, considerando a idade escolar, as crianças 
fi cam grande parte do tempo na postura sentada. Essa predominância postural 
requer um cuidado maior tanto dos pais quanto dos educadores e pesquisado-
res de aspectos posturais. Devido ao elevado número de alunos que podem 
ser acolhidos em uma sala, os professores precisam ser mais criteriosos em 
relação ao controle do movimento. Nem sempre as mesas e cadeiras escolares 
são ajustadas à estatura das crianças, podendo oferecer pouco ou nenhum 
conforto. Trata-se de um cenário que oportuniza posturas compensatórias que 
podem causar danos à coluna vertebral e a membros inferiores,por exemplo 
(FREIRE et al., 2008).
As crianças menores são as que mais sofrem prejuízo, porque os padrões 
das carteiras escolares são de maior porte, a fim de serem utilizadas por mais 
tempo, além de serem aproveitadas para idades mais avançadas. Como as 
crianças e os adolescentes permanecem por tempos prolongados na escola, 
e muitas vezes sem orientação educativa postural, são propensos a formar o 
hábito de posturas defeituosas. Com o tempo, as posturas incorretas se tornam 
rotina e acabam prejudicando a saúde. Assim, crianças e adolescentes fazem 
parte de um grupo de alta vulnerabilidade a alterações na coluna vertebral 
(FREIRE; TEIXEIRA; SALES, 2008).
Em relação a essa situação, é possível registrar imagens fotográficas para 
efeito de estudo acerca dos hábitos posturais. A imagem, nesse caso, permite 
identificar e acompanhar as mudanças nas posturas. Trata-se de um método 
diagnóstico capaz de favorecer modificações que permitam preservar ou 
melhorar os aspectos posturais (FREIRE; TEIXEIRA; SALES, 2008).
As análises cinesiológicas e biomecânicas são objetos de estudo com ampla 
exploração, tendo em vista a importância dos seus métodos de medição e 
consequentes resultados, que podem ser aplicados em vários ambientes, como 
em escolas, locais de prática esportiva, de recreação e de trabalho.
15Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise
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Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise18
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19Possibilidades de inserção do estudo da cinesiologia em diferentes ambientes de análise
PORTFÓLIO
Elementos da avaliação Terapêutica Ocupacional da criança com deficiência
https://www.youtube.com/watch?v=3BJP1gYBkYA
Assista ao vídeo e descreva quais são os elementos da avaliação Terapêutica Ocupacional 
da criança portadora de deficiência.
PESQUISA
Qual é a importância da Terapia Ocupacional?
https://www.youtube.com/watch?v=n0eFbuQXy1s
A Terapia Ocupacional tem um papel muito importante para o tratamento dos pacientes, 
pois além de cuidar da parte motora, também cuida da saúde mental, resgatando a 
autoestima e diminuindo a ansiedade. No vídeo, o terapeuta ocupacional da Unidade de 
Cuidados Prolongados da Santa Casa BH, Gleudson de Aquino, fala mais sobre 
esse assunto.
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