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Erisipela o que é sintomas causas e tratamento

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Elisa Gomes

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Erisipela: o que é, sintomas, causas e tratamento
O que é erisipela?
Erisipela é uma doença infecciosa da pele bastante comum que se manifesta através de lesões bem avermelhadas,
endurecidas e dolorosas. Estas lesões, em forma de placas elevadas com margens bem delimitadas, são
geralmente acompanhadas por sintomas como febre alta, calafrios e mal-estar.
Causada principalmente pela bactéria Streptococcus pyogenes, a erisipela ataca as camadas mais superficiais da
pele, podendo se estender até os vasos linfáticos cutâneos superficiais. Apesar de ser uma infecção, é importante
salientar que a erisipela não é contagiosa.
Frequentemente ocorrendo nas pernas e no rosto, a erisipela pode, no entanto, se manifestar em outras partes do
corpo. Embora possa afetar pessoas de qualquer idade, é mais comum em indivíduos que possuem condições como
diabetes, obesidade ou má-circulação nas veias dos membros inferiores.
Na linguagem popular, a erisipela pode ser conhecida por diversos nomes, como ‘esipra’, ‘mal-da-praia’, ‘mal-do-
monte’, ‘maldita’ ou ‘febre-de-santo-antônio’. Independentemente de como é chamada, a erisipela é uma condição
médica que requer atenção e compreensão.
Este artigo visa oferecer uma revisão abrangente sobre a erisipela, em linguagem simples, explorando suas causas,
sintomas, opções de tratamento e medidas preventivas. Nosso objetivo é fornecer informações valiosas para
aqueles que buscam entender melhor esta condição médica, seja para gerir a própria doença ou para ajudar a
cuidar de alguém que a tenha.
Papel protetor da pele
A pele é o maior órgão do corpo humano e desempenha um papel vital na proteção contra a invasão de germes do
meio ambiente. Como uma muralha de fortaleza, mantém nosso interior isolado e defendido.
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Imagine por um momento um mundo sem a pele. Nossos órgãos, tecidos profundos, nervos e vasos sanguíneos
estariam em contato direto com os micróbios ambientais, tornando-nos incrivelmente vulneráveis a infecções. Não é
surpreendente, portanto, que todos os seres vivos complexos tenham evoluído com algum tipo de tecido protetor
semelhante à pele.
Ao mesmo tempo, a pele, por estar em constante contato com o ambiente, se torna um lar para bilhões de bactérias,
fungos e vírus. Esses microorganismos, que formam a microbiota natural da pele, são geralmente inofensivos e
muitos têm um papel benéfico, auxiliando em funções como a prevenção de infecções por patógenos mais
agressivos.
No entanto, a situação muda quando a integridade da pele é comprometida, como em caso de feridas. Mesmo uma
lesão pequena pode quebrar a barreira de proteção, dando a esses germes a oportunidade de invadir nossos
tecidos subcutâneos. Esta é a origem das infecções de pele mais comuns, muitas vezes causadas por bactérias que
vivem naturalmente na nossa pele.
A gravidade da infecção geralmente depende da profundidade com que os germes conseguem penetrar na pele.
Dependendo deste fator, diferentes síndromes clínicas podem surgir, cada uma requerendo seu próprio tipo de
tratamento.
Tipos de infecção da pele
São vários os tipos de infecção da pele, alguns deles já abordadas em outros artigos aqui em nosso website, como
micoses de pele, foliculite, impetigo, furúnculo, erisipela, celulite, ectima, abscessos, fasciíte necrotizante e
osteomielite.
Repare na ilustração abaixo sobre as camadas da pele. Note que a erisipela é a infecção bacteriana da camada
mais superficial da derme. Ela é mais profunda que o impetigo, mas mais superficial que a celulite.
Diferenças entre erisipela e celulite
Neste artigo, o foco é a erisipela, mas é importante também diferenciar essa doença de outra condição semelhante,
conhecida como celulite. Ambas são infecções da pele, mas existem diferenças cruciais entre elas que valem a pena
discutir.
https://www.mdsaude.com/dermatologia/impinge-tinea/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/foliculite/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/impetigo/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/furunculo/
https://www.mdsaude.com/wp-content/uploads/infeccoes-pele-erisipela.jpg
3/6
O termo “celulite” pode causar alguma confusão, já que se refere a duas condições distintas. Primeiramente, existe a
celulite mais conhecida, que é a de ordem estética – aquelas ondulações na pele resultantes do acúmulo de líquido
e gordura, principalmente em mulheres. Essa condição é conhecida na medicina como hidrolipodistrofia ginóide, e
temos um artigo separado dedicado a ela: Celulite: causas e tratamento.
No entanto, a celulite à qual nos referimos aqui é uma infecção bacteriana. Ela afeta as camadas mais profundas da
derme e da hipoderme, também conhecida como tecido subcutâneo.
Tanto a erisipela quanto a celulite causam lesões de aparência semelhante, muitas vezes dificultando a distinção
entre elas. Ambas se manifestam clinicamente com sinais de infecção da pele, incluindo rubor (vermelhidão), calor
local, dor intensa e edema (inchaço).
Porém, existem características distintivas que podem auxiliar no diagnóstico. Como a erisipela é uma infecção mais
superficial, as lesões costumam apresentar um discreto relevo e bordas bem definidas. Ao examinar a pele, é
possível identificar claramente onde começa e onde termina a infecção – a linha entre a pele doente e a pele sã é
bem definida.
Por outro lado, a celulite, que afeta tecidos mais profundos, não apresenta esses limites tão claros. As lesões
tendem a ser mais difusas, e muitas vezes é difícil determinar precisamente onde a infecção começa e termina. A
imagem a seguir oferece um exemplo claro da diferença entre celulite e erisipela.
Diferenças entre erisipela e celulite.
Na foto acima, selecionamos dois casos em que a distinção entre erisipela e celulite é fácil. Entretanto, na prática
clínica, nem sempre as características das lesões são tão nítidas a ponto de nos permitir diagnosticar as duas
infecções facilmente. Se houver dúvidas, escolhemos um tratamento que cubra ambas as infecções.
Falamos especificamente da celulite no artigo: Celulite infecciosa: o que é, sintomas e tratamento.
A tabela abaixo resume as principais diferenças entre a erisipela e a celulite.
Erisipela Celulite
Camada da
pele afetada
A erisipela geralmente afeta a
derme superficial e o tecido
linfático subjacente.
A celulite afeta a derme profunda e o tecido
subcutâneo.
Sintomas na
pele
Área de pele afetada claramente
definida, vermelha, inchada,
quente ao toque, e muitas vezes
tem uma superfície elevada e
brilhante. Pode também ocorrer
formação de bolhas.
Área de pele vermelha, inchada e dolorosa,
mas as bordas da área afetada são
geralmente menos claramente definidas do
que na erisipela. A pele pode ter uma
aparência mais normal e a textura pode
parecer mais dura ou firme ao toque.
Sintomas
gerais
Calafrios, febre e mal-estar são
comuns.
Também podem haver febre e calafrios, mas
os sintomas sistêmicos costumam surgir de
forma mais lenta do que na erisipela.
Causa Geralmente causada pela bactéria
Streptococcus pyogenes.
Pode ser causada por várias bactérias, mas as
mais comuns são Staphylococcus aureus e
https://www.mdsaude.com/dermatologia/celulite-hidrolipodistrofia-ginoide/
https://www.mdsaude.com/wp-content/uploads/erisipela-e-celulite2.jpg
https://www.mdsaude.com/dermatologia/celulite-infecciosa/
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Streptococcus.
Localização
Mais comum nas pernas, mas
pode ocorrer em qualquer parte do
corpo.
Pode ocorrer em qualquer parte do corpo, mas
é mais comum nas pernas.
Complicações
Se não for tratada, pode levar a
problemas graves como
septicemia e infecções em outras
partes do corpo.
A celulite não tratada também pode levar a
complicações sérias, como abscessos
profundos (coleções de pus) e sepse.
Curiosidade: a orelha é um local do corpo que não possui tecido subcutâneo, portanto, uma infecção na pele na
região da orelha só pode ser erisipela.
Fatores de risco
Como já referido, qualquer lesão que sirva de porta de entrada para bactérias torna-se um fator de risco para o
desenvolvimento de infecções na pele. Entre as mais comuns podemoscitar:
Cortes e feridas simples.
Pé de atleta (frieira).
Eczemas.
Impetigo.
Varicela (catapora) ou outras erupções da pele.
Espinhas (acne).
Picadas de mosquito.
Unha encravada ou qualquer outra lesão da unha.
Micose de unha.
Uso de drogas endovenosas.
Queimaduras.
Mordidas de animais.
Implantação de piercings.
A quebra da barreira da pele é um fator importante, mas não é único. A maioria das pessoas que com lesão na pele
não desenvolve erisipela. Isso porque seus sistemas imunológicos conseguem dar conta das bactérias que invadem
a pele através das feridas.
Portanto, além das lesões de pele, existem ainda outros fatores associados a um maior risco de erisipela. São eles:
Obesidade.
Diabetes mellitus.
Uso de corticoides.
Imunossupressão.
Pacientes com edema crônico dos membros inferiores.
Insuficiência venosa dos membros inferiores.
Má circulação arterial nos membros inferiores.
Alcoolismo.
Bactérias que causam erisipela
A erisipela é, na maioria das vezes, provocada por uma bactéria denominada Streptococcus pyogenes, também
conhecida como estreptococo do grupo A. Este microrganismo habita naturalmente a nossa pele e pode aproveitar-
se de qualquer ferida, escoriação ou perfuração para invadir e causar uma infecção.
Apesar de o Streptococcus pyogenes ser a bactéria mais frequentemente associada à erisipela, não é a única.
Outras bactérias também podem desencadear esta doença, incluindo outros tipos de estreptococos beta-
hemolíticos, especialmente dos grupos C e G.
https://www.mdsaude.com/dermatologia/tratamento-de-feridas-e-machucados/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/frieira-tinea-pedis/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/eczema/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/impetigo/
https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/catapora-varicela/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/acne-cravos-e-espinhas/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/picada-mosquito/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/unha-encravada/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/micose-de-unha-onicomicose/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/queimaduras/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/piercing/
https://www.mdsaude.com/obesidade/obesidade-e-sindrome-metabolica/
https://www.mdsaude.com/endocrinologia/diabetes/
https://www.mdsaude.com/endocrinologia/glicocorticoides/
https://www.mdsaude.com/nefrologia/inchacos-edema/
https://www.mdsaude.com/cirurgia/varizes/
https://www.mdsaude.com/dependencia/alcoolismo/
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De notar que em recém-nascidos, a erisipela é frequentemente causada por estreptococos do grupo B. Além disso,
esta mesma bactéria pode ser a responsável por casos de erisipela na região perineal e na parte inferior do tronco
em mulheres no período pós-parto.
A celulite costuma ser causada por outra bactéria, chamada Staphylococcus aureus.
Sintomas da erisipela
A erisipela é quase sempre unilateral. As extremidades inferiores estão envolvidas em 70 a 80% dos casos. Braços
e face são outros locais possíveis de infecção.
As áreas da pele afetadas pela erisipela costumam estar bem avermelhadas, inchadas, quentes, dolorosas e
sensíveis à palpação. Há uma clara demarcação entre o tecido envolvido e o não envolvido, incluindo edema
localizado nas áreas afetadas da pele. Muitas vezes, o tecido cutâneo afetado está endurecido, causando uma
aparência de “casca de laranja”. O aumento dos linfonodos nas virilhas e edema linfático por linfangite (inflamação
dos vasos linfáticos) são comuns.
Erisipela do membro inferior esquerdo com edema, intenso rubor e bordas bem delimitadas.
Na erisipela os sintomas sistêmicos, como febre, suores e calafrios costumam aparecer precocemente, assim que
surgem os primeiros sinais de infecção na pele. Outros sintomas da infecção podem ser perda do apetite, náuseas,
vômitos, mal-estar, inapetência e dor de cabeça.
Alguns sinais de gravidade incluem a formação de bolhas, úlceras e necrose da pele. Quadros graves, com
infecções profundas, podem evoluir para osteomielite, que é a infecção do osso. Outra complicação é a endocardite,
infecção das válvulas do coração pelas bactérias que migram pela corrente sanguínea.
Se não tratada com antibióticos, a erisipela pode evoluir para um quadro de sepse, com elevado risco de morte para
o paciente.
Quando o paciente tem quadros de erisipela frequentemente, a destruição dos vasos linfáticos pode levar a um
quadro de edema crônico semelhante ao que ocorre na elefantíase (filariose). É uma lesão muito comum em
https://www.mdsaude.com/wp-content/uploads/erisipela-foto-perna.jpg
https://www.mdsaude.com/cardiologia/endocardite/
https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/sepse/
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moradores de rua, principalmente nos mais idosos. O edema linfático é uma complicação típica da erisipela de
repetição.
Diagnóstico
Na erisipela clássica, nenhum exame laboratorial é necessário para o diagnóstico ou tratamento. O médico
consegue fechar o diagnóstico apenas pelas características da lesão de pele.
Todavia, se análises forem colhidas, leucocitose e elevações da proteína C-reativa (PCR) são comuns. As culturas
sangue e de amostras de tecidos não costuma ser solicitadas.
Exames de imagem só são utilizados se houver suspeita de infeção mais grave, com formação de abscesso ou
envolvimento de camadas mais profundas.
Tratamento
A maioria dos casos de erisipela pode ser tratada com antibióticos orais em ambiente ambulatorial.
Para pacientes com erisipela inequívoca que não atendem aos critérios para antibióticos por via intravenosa devem
ser administrados antibióticos orais empíricos que sejam ativos contra estreptococos beta-hemolíticos. O tratamento
costuma durar de 7 a 14 dias, dependendo da velocidade de resposta da infecção.
Os antibióticos mais indicados para tratar erisipela são:
Penicilina V potássica 500 mg por via oral a cada 6 horas.
Amoxicilina 875 mg por via oral a cada 12 horas.
Cefalexina 500 mg por via oral a cada 6 horas.
Cefadroxil 500 mg por via oral a cada 12 horas ou 1 g por via oral uma vez ao dia.
A escolha entre antibióticos por via oral ou por via venosa deve ser feita consoante a gravidade do caso. Lesões na
face, lesões graves ou em pacientes com imunossupressão devem ser preferencialmente tratadas com antibióticos
endovenosos.
A eritromicina, a roxitromicina ou a pristinamicina podem ser usadas em pacientes com alergia à penicilina.
Além dos antibióticos, o repouso e a elevação do membro acometido são importantes pois ajudam a diminuir o
edema e aliviam a dor. Compressas frias, analgésicos para aliviar o desconforto local e meias de compressão
também ajudam.
Os pacientes normalmente apresentam melhora sintomática dentro de 24 a 48 horas após o início da terapia
antimicrobiana, embora a melhora visível das manifestações cutâneas possa levar 72 horas ou mais.
Nos casos de erisipela recorrente em que não se consegue controlar os fatores de risco, pode ser indicado
tratamento profilático com uma dose de penicilina benzatina (benzetacil) a cada 4 semanas por 6 a 24 meses.
https://www.mdsaude.com/hematologia/leucocitose-neutrofilia/
https://www.mdsaude.com/exames-complementares/proteina-c-reativa-pcr/
https://www.mdsaude.com/bulas/amoxicilina/
https://www.mdsaude.com/bulas/cefalexina/
https://www.mdsaude.com/alergoimunologia/alergia-penicilina/
https://www.mdsaude.com/bulas/penicilina-benzatina/

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