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00 PETIÇÃO INICIAL - concurso público

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Questões resolvidas

A prática do ato discricionário deve observar a relação de pertinência entre a finalidade e os padrões de oportunidade e conveniência, conforme os valores do homem médio, em congruência com as posturas normais ou já adotadas pela Administração Pública. A Lei 9.784/99 também prevê os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Diante disso, o ato administrativo em comento incorre em inobservância ao princípio da proporcionalidade na medida em que denota a utilização de excesso de rigor por parte da banca examinadora, absolutamente desnecessário e incapaz de atender a qualquer finalidade relevante. Além disso, a decisão ora combatida configura veemente violação ao princípio da eficiência, motivo pelo qual deve ser suprimida. Diante das violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, eficiência e legalidade, é necessária a intervenção judicial para suprimir a ilegalidade ora verificada e desincentivar sua reiteração por parte do poder público.

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Questões resolvidas

A prática do ato discricionário deve observar a relação de pertinência entre a finalidade e os padrões de oportunidade e conveniência, conforme os valores do homem médio, em congruência com as posturas normais ou já adotadas pela Administração Pública. A Lei 9.784/99 também prevê os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Diante disso, o ato administrativo em comento incorre em inobservância ao princípio da proporcionalidade na medida em que denota a utilização de excesso de rigor por parte da banca examinadora, absolutamente desnecessário e incapaz de atender a qualquer finalidade relevante. Além disso, a decisão ora combatida configura veemente violação ao princípio da eficiência, motivo pelo qual deve ser suprimida. Diante das violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, eficiência e legalidade, é necessária a intervenção judicial para suprimir a ilegalidade ora verificada e desincentivar sua reiteração por parte do poder público.

Prévia do material em texto

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA __ª VARA DA FAZENDA 
PÚBLICA ESTADUAL DA COMARCA DE MONTES CLAROS - MG 
 
 
 
 
JHONATHAN MATHEUS GONÇALVES SOARES, brasileiro, Solteiro, 
Estudante, portador do RG MG-18973952, inscrito no CPF sob o nº 
12583974637, residente e domiciliado na Rua Julieta Getúlio Costa, n° 67, 
Antônio Pimenta, Montes Claros-MG, CEP: 39402329, com endereço eletrônico: 
jhonathanmatheus2@gmail.com, vem, respeitosamente à presença de V. Exa., 
por intermédio de seus advogados (Instrumento de Procuração anexo), ingressar 
com a presente 
 
AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO COM 
PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA 
 
em face do ESTADO DE MINAS GERAIS, inscrito no CNPJ sob o nº. 
18.715.615/0001-60, representado pelo douto Procurador Geral do Estado, com 
endereço na Rua Espírito Santo 495/8º Andar, Centro, Belo Horizonte/MG, CEP.: 
30.160-030, pelos fatos e fundamentos a seguir delineados 
 
1 PRELIMINARMENTE - DO BENEFÍCIO DE JUSTIÇA GRATUITA 
 
O Autor se encontra desempregado sem condições de arcar com as 
custas judiciais sem prejuízo de sua subsistência, possuindo dívidas à pagar, 
inclusive negativadas no rol do SERASA, não é proprietário de veículo, não é 
declarante do imposto de renda e não possui movimentação bancária que o 
possibilite arcar com as custas processuais sem prejuízo da sua sobrevivência. 
Nesta razão, junta comprovantes de despesas e declaração de 
hipossuficiência, a fim de demonstrar a inviabilidade de pagamento das custas 
judiciais sem prejuízo de sua sobrevivência, conforme clara redação do Código 
de Processo Civil, vejamos: 
 
Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com 
insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas 
processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da 
justiça, na forma da lei. 
 
Assim, considerando a demonstração inequívoca da necessidade do 
Autor, tem-se por comprovada sua necessidade, fazendo jus ao benefício. 
Cabe destacar ainda que a lei não exige atestada miserabilidade do 
requerente, sendo satisfatória a "demonstração de insuficiência de recursos para 
pagar as custas, despesas processuais e honorários advocatícios", conforme 
destaca a doutrina: 
 
 
Não se exige miserabilidade, nem estado de necessidade, nem 
tampouco se fala em renda familiar ou faturamento máximos. É 
possível que uma pessoa natural, mesmo com boa renda mensal, seja 
merecedora do benefício, e que também o seja aquela sujeito que é 
proprietário de bens imóveis, mas não dispõe de liquidez. A gratuidade 
judiciária é um dos mecanismos de viabilização do acesso à justiça; 
não se pode exigir que, para ter acesso à justiça, o sujeito tenha que 
comprometer significativamente sua renda, ou tenha que se desfazer 
de seus bens, liquidando-os para angariar recursos e custear o 
processo. (DIDIER JR. Fredie. OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. 
Benefício da Justiça Gratuita. 6ª ed. Editora JusPodivm, 2016. p. 60). 
 
Desse modo, pugna o Autor pelos benefícios da Justiça Gratuita, nos 
termos do art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal, bem como do art. 98 do 
Código de Processo Civil, uma vez que é pobre no sentido legal e não possui 
condições de arcar com as custas e despesas da presente lide, sem que haja 
prejuízo de seu sustento, consoante declaração de hipossuficiência e 
documentos de comprovação do alegado anexados à presente, ou, 
subsidiariamente, a concessão do benefício de recolhimento de custas 
parcelado, ao final da demanda. 
 
2 DA COMPETÊNCIA DESTE JUÍZO 
 
Cumpre ressaltar que, em RECENTE ENTENDIMENTO do Eg. TJMG, 
em sede de IRDR, fora firmada a seguinte tese: 
 
INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITITAS – 
FIXAÇÃO DE TESE – PROVA PERICIAL COMPLEXA – JUIZADOS 
ESPECIAIS DA FAZENDA PÚBLICA – INCOMPATIBILIDADE – 
CRITÉRIO NORTEADOR PARA DEFINIÇÃO DA COMPETÊNCIA. 
A necessidade de produção de prova pericial formal, imbuída de 
maior complexidade, influi na definição da competência dos 
Juizados Especiais da Fazenda Pública, porquanto 
incompatível com os princípios da simplicidade, oralidade, economia 
processual e celeridade, que regem esse microssistema, e com o 
propósito para o qual foram instituídos, a saber, julgamento de causas 
menos complexas. 
IRDR - CV Nº 1.0000.17.016595-5/001 - COMARCA DE BELO 
HORIZONTE – 
 
Valioso dizer que a presente lide carece indubitavelmente de prova 
pericial. Não se olvida que esta prova pericial é complexa e, portanto, 
incompatível com o rito da Justiça Especial. 
Dessa forma, pugna-se pelo tramite da presente perante este r. Juízo 
comum. 
 
3 RELATO DOS FATOS 
 
O Autor candidatou-se ao concurso público para o cargo de Soldado do 
Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Minas, regulamentado pelo edital de 
n°. 27 de 06 de setembro de 2022, o qual encontra-se anexo. 
 
Tal como estabelece o item 7.1 do edital de abertura, o certame ocorreu 
mediante as seguintes fases: 
 
 
 
Assim, teve sua inscrição deferida e iniciou seus estudos, dedicando 
meses da sua vida para buscar o cargo público sonhado. Por consequência e 
meritocracia, o Candidato foi aprovado em todas as etapas do certame em 
comento, obtendo a 502ª (quingentésima segunda) colocação no somatório das 
notas da 1ª Fase com a 2ª fase. 
Deste modo, o Autor foi convocado para a realização dos Exames 
Admissionais, os quais compreendiam os “Exames Preliminares”, “Exames 
Médicos Complementares”, “Avaliação Psicológica” e o “Exame Toxicológico”. 
Ocorre que, quando da realização da Terceira Fase, o Candidato foi 
injustamente qualificado como inapto, em relação ao “Exame Médico 
Complementar” em virtude de apresentar suposto quadro de “Hipertiroidismo 
subclínico E05.9 / Transtorno não especificado da tireoide E07.9” 
fundamentando a decisão no Anexo “E”, GRUPO III, itens 04 e 13 da Resolução 
Conjunta nº 4278/2013, alterada pela Resolução Conjunta nº 5.089/2021. 
Diante de tal arbitrariedade, o Autor, munido de boa-fé, objetivando a 
resolução extrajudicial da contenda, interpôs o devido recurso administrativo em 
desfavor da decisão que declarou sua inaptidão, todavia, desconsiderando toda 
a robusta fundamentação dele constante, o Réu optou por seu indeferimento. 
Sendo assim, outra alternativa não restou ao Autor senão o ingresso com 
a presente demanda, no intuito de declarar a nulidade do ato administrativo em 
comento, mediante a declaração da plena aptidão do Candidato para o exercício 
do cargo pretendido. 
Em suma, estes são os fatos que justificam o ajuizamento da presente 
demanda. 
 
4 DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS 
4.1 NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO – AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO 
 
Conforme suscitado no tópico anterior, o Autor fora declarado inapto em 
razão de apresentar suposto quadro de “Hipertiroidismo subclínico E05.9 / 
Transtorno não especificado da tireoide E07.9”, tal como podemos verificar nos 
documentos anexos. 
Entretanto, tal como restará absolutamente demonstrado no decorrer da 
presente exordial, referido resultado não reflete a realidade vivenciada pelo 
 
Autor, motivo pelo qual carecia de fundamentação plausível para ensejar sua 
inaptidão. 
Deste modo, em manifesto ato de boa-fé, o Autor interpôs o devido 
recurso administrativo, objetivando a resolução extrajudicial da referida 
demanda, pugnando pela reconsideração da declaração de sua inaptidão, de 
modo a permitir-lhe ingressar no tão sonhado cargo público. 
Em ato de manifesta arbitrariedade, bem como mediante visível 
desconsideração das razões suscitadas pelo Autor em seu recurso, o órgão 
julgador optou por seu indeferimento, mantendo a declaração de inaptidão do 
Candidato para ambas as situações. 
Ocorre que, quando da divulgação do Resultado Final dos Exames 
Admissionais, a banca examinadora exarou decisão limitada à menção do termo 
“inapto” no campo “parecer” referente ao Autor, furtando-se, em absoluto, de 
enfrentar toda a robusta fundamentação elaborada pelo Candidato, devidamente 
ratificada por especialistas dasrespectivas áreas. 
Frisa-se que, uma decisão com tal capacidade cerceadora de direitos, tal 
como a ora em comento, jamais poderia ser tomada nos moldes verificados, uma 
vez que a motivação se trata de um pressuposto de validade para todo e 
qualquer ato administrativo. 
Excelência, certamente é conhecido por este juízo que as entidades de 
caráter militar exteriorizam seu autoritarismo para os ingressantes, o que acaba 
por culminar em uma chuva de arbitrariedades durante o processo seletivo. 
Faz-se inadmissível que o ato administrativo destinado a inabilitar um 
candidato seja exteriorizado da forma verificada na situação ora exposta. 
Inafastável é a necessidade de que este seja devidamente fundamentado, 
explicando de forma específica e pormenorizada os motivos que levaram à tal 
conclusão. 
Eventual declaração de inaptidão de um candidato em certame 
público, decisão capaz de obstar seu ingresso ao cargo para o qual tanto 
se preparou para a aprovação, deve relacionar, de forma absolutamente 
inequívoca, o quadro supostamente encontrado com eventual 
incapacidade para o exercício das funções pretendidas. 
Outrossim, admitir-se a completa ausência de fundamentação em sede 
de julgamento do recurso administrativo mostra-se medida espantosamente 
irregular, visto tratar-se da última medida disponível aos participantes para se 
insurgir contra decisões arbitrárias e desmunidas de lastro capaz de ratificá-las. 
Em suma, referida imprescindibilidade decorre das repercussões que tal 
decisão possui a capacidade de ensejar, a saber, limitar, afetar e negar direitos, 
bem como por se tratar de elemento essencial para a validade dos atos 
administrativos em geral. 
Há no presente caso uma nítida violação ao princípio da motivação, o que 
consequentemente fere a legalidade! Como pode uma instituição da 
envergadura do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais, utilizar-
se de um Laudo de Inaptidão tão genérico como o ora em comento!? Há aqui 
um desrespeito não só com o Candidato, mas, também, para com a própria 
Instituição! 
 
Ressalta-se que é dever legal do Administrador a motivação dos seus 
atos, inexistindo margem para supressão em virtude de discricionariedade. Tal 
comando advém da Constituição Estadual, verbis: 
 
Art. 13, § 2º - O agente público motivará o ato administrativo que 
praticar, explicitando-lhe o fundamento legal, o fático e a finalidade. 
 
Para além do diploma legal supramencionado, observamos o 
estabelecido pela Lei 9.784/99, o qual determina a obrigação da Administração 
Pública em cientificar os administrados das razões e motivos de suas decisões, 
como podemos observar: 
 
Art. 2º - A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos 
princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, 
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança 
jurídica, interesse público e eficiência. 
 
Nessa mesma linha, o Superior Tribunal de Justiça entende que é 
imprescindível a motivação para que se valide um ato administrativo, como 
podemos observar: 
 
ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO 
PÚBLICO. ACUIDADE VISUAL. CANDIDATO CONSIDERADO 
INAPTO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. EDITAL QUE 
PREVIA A CORREÇÃO COM O USO DE ÓCULOS OU LENTES. 
OFENSA À RAZOABILIDADE. 1. Discute-se a legalidade da 
eliminação do candidato por ter sido considerado inapto no exame de 
aptidão visual, no Concurso Público para Ingresso ao Curso de 
Formação de Oficiais da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina. 2. 
Liminar deferida na Medida Cautelar 18.229/SC para assegurar a 
participação do ora recorrente nas demais fases do certame. 3. Não 
houve motivação, no momento adequado, do ato administrativo 
que reprovou o candidato no exame de saúde, já que os 
fundamentos dessa eliminação foram enunciados apenas nas 
informações prestadas pela autoridade coatora. 4. Refoge à 
razoabilidade a eliminação do candidato que não obteve acesso aos 
fundamentos de sua reprovação, impedindo-o de efetuar o controle da 
decisão administrativa, máxime quando o próprio edital autoriza a 
correção visual pelo simples uso de óculos ou lentes corretivas. 5. É 
incontroverso que o recorrente não é portador das anomalias 
constantes do Anexo II do edital que constituem condições 
incapacitantes à inclusão na Polícia Militar de Santa Catarina – a 
própria Junta Médica da Corporação Militar apôs carimbo que revela 
incapacidade temporária -, bem como há prova documental da 
realização de cirurgia de correção visual, que atenderia o requisito da 
higidez física prevista em lei. 6. Segurança deferida para determinar 
seja o recorrente submetido a nova avaliação de saúde, 
exclusivamente quanto à acuidade visual, com concessão de prazo 
para recurso caso haja reprovação, de modo a prestigiar a resolução 
do caso no âmbito administrativo. 7. Recurso em mandado de 
segurança provido. (STJ - RMS 35265 / SC RECURSO ORDINÁRIO 
EM MANDADO DE SEGURANÇA Relator: Ministro CASTRO MEIRA 
(1125) – Publicação: DJe 06/12/2012)” 
 
A omissão da Administração fere de morte princípios constitucionalmente 
consagrados e impõe a urgente intervenção do Judiciário. Especificamente em 
casos como o presente, esperava-se um maior zelo por parte da Administração 
Pública, uma vez que estamos diante de atos que podem configurar improbidade 
e que se destacam diante da relevante questão social (direito ao trabalho) e 
jurídica (dignidade da pessoa humana, acesso aos cargos públicos). 
 
Nestes termos, imperiosa é a declaração da nulidade do ato administrativo 
que ensejou a inaptidão do Autor, de modo a restaurar seu direito injustamente 
suprimido, bem como desincentivar a reiteração da postura ora verificada, o que 
puna, desde já. 
 
4.2 DA NECESSIDADE DE SE COMPROVAR A IMPOSSIBILIDADE DO 
EXERCÍCIO DO CARGO - LESÃO À REGRA DA AMPLA ACESSIBILIDADE 
AOS CARGOS PÚBLICOS 
 
É inaceitável que um cidadão seja impedido de ter acesso ao cargo 
público mediante uma decisão genérica, sem fundamentação e sem motivação, 
configurando medida que fere os direitos fundamentais da pessoa humana e da 
Administração Pública. 
Agindo desta forma, o administrador deixa de zelar pelo bem comum, bem 
como se afasta de seu dever de buscar a máxima eficiência em sua atuação, 
passando a ser desidioso para com a sua função e com as verbas públicas. 
Não obstante a completa ausência de enfrentamento das razões 
suscitadas pelo Autor no recurso administrativo interposto, devidamente 
ratificado por profissional especialista na área, a banca examinadora furtou 
em relacionar o suposto quadro apresentado pelo Autor à eventual 
incapacidade para o exercício das funções por ele pretendidas. 
Relativo à matéria em comento, extrai-se do posicionamento do Tribunal 
de Justiça: 
 
Relator: Desembargador Edgard Penna Amorim 
Data de Julgamento: 07/05/2015 
Data da publicação da súmula: 18/05/2015 
EMENTA: EMBARGOS INFRINGENTES - AÇÃO ORDINÁRIA - 
ADMINISTRATIVO - PROCESSUAL CIVIL - CONCURSO PÚBLICO 
DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS - EXAME 
OFTALMOLÓGICO - INAPTIDÃO DA CANDIDATA PORTADOR DE 
MIOPIA - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO - NULIDADE DO ATO 
ADMINISTRATIVO. 
1. A motivação do ato administrativo é elemento indispensável a 
sua validade e destina-se a garantir o controle judicial da atuação 
administrativa (CR, art. 5º, inc. XXXV), dentre outras funções, como 
a de assegurar ao administrado o direito de conhecer as razões 
daquela atuação e eventualmente oferecer sua resistência, em 
exercício pleno da ampla defesa. 
2. O ato administrativo que excluiu a candidata de concurso público ao 
reconhecer sua inaptidão nos exames preliminares de saúde, sem 
declinar o grau de miopia da autora ou em qual proporção sua 
enfermidade se afastava dos critérios estabelecidos na legislação 
atinente à matéria, deve ser considerado nulo por ausência de 
fundamentação. (grifo nosso) 
 
Depreende-se da conclusão obtida pelos profissionais que conduziram a 
realização do exame médico do Autor, emmomento posterior à declaração de 
sua inaptidão, que o quadro suscitado pela banca examinadora não corresponde 
à realidade efetivamente vivenciada pelo Autor. 
Os supramencionados exames não apresentaram qualquer das 
alterações inicialmente apontadas, o que leva a conclusão de que o quadro 
 
anteriormente nem sequer foi de fato diagnosticado, absolutamente incapaz de 
fundamentar o laudo de inaptidão exarado pela banca. 
Outrossim, de modo a tornar ainda mais espantosa a situação ora 
exposta, a banca examinadora pautou o laudo de inaptidão, de forma 
incisivamente genérica, em suposta incapacidade para o exercício das funções 
inerentes ao cargo de Bombeiro Militar, visto que não apresentou de forma crível 
nenhuma sequela ou limitação funcional do Autor para o exercício do cargo, não 
possuindo qualquer histórico relacionado às patologias a ele imputada pela 
banca examinadora se tratando de uma condição transitória. 
A Constituição Federal estabelece critérios rigorosos para regulamentar 
os procedimentos de ingresso de indivíduos no funcionalismo público, de modo 
que, aqueles que se enquadram nas exigências previamente estabelecidas para 
tal, devem invariavelmente serem admitidos, sob pena de violação à regra de 
amplo acesso aos cargos públicos 
Neste sentido, vejamos o que dispõe a Constituição Federal: 
 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios 
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, 
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: 
I – os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos 
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim 
como aos estrangeiros, na forma da lei; - grifo nosso 
 
A administração que exclui do certame candidato em perfeita sanidade 
física e que cumpre plenamente os requisitos previstos na lei e no edital de um 
certame, viola com veemência o princípio da acessibilidade aos cargos públicos, 
o que jamais deve ser admitido em sede de juízo de compatibilidade pelo poder 
judiciário. 
Nesse sentido, o posicionamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais: 
 
EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO - CONCURSO PÚBLICO - 
POLICIA MILITAR - ESCOLIOSE - ELIMINAÇÃO - 
COMPROMETIMENTO DA SANIDADE FÍSICA NÃO VERIFICADO - 
ILEGALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO - RECURSO PROVIDO. 
1. Apesar da Resolução nº 4.278, de 2013, considerar como 
'doenças e alterações dos ossos e dos órgãos de locomoção' 
desvios patológicos da coluna vertebral (Grupo XII - item 13), 
verifica-se que nos termos da lei de regência, tais circunstâncias 
apenas poderiam justificar a desclassificação do candidato ao 
cargo público se estas comprometessem a sua sanidade física ou 
mental. (grifo nosso) 
2. Recurso provido. (TJMG - Agravo de Instrumento-
Cv 1.0000.16.050776-0/001, Relator(a): Des.(a) Teresa Cristina da 
Cunha Peixoto, 8ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 23/02/0017, 
publicação da súmula em 13/03/2017) 
 
Certo é que o próprio CBMMG tem demonstrado que a análise da aptidão 
física dos seus integrantes deve obedecer à um somatório de critérios, 
necessariamente relacionados à capacidade ou não de exercer as funções 
específicas relativas ao cargo, relativizando a aplicação da Resolução de acordo 
com o caso concreto. 
 
Decisões como a ora combatida maculam a atuação administrativa, 
devendo ser alvo de censura por parte do judiciário, de modo a restaurar o direito 
turbado do Postulante, bem como desincentivar sua reiteração. 
 
4.3 DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA 
PROPORCIONALIDADE 
 
Importante trazermos à baila que o objetivo fim de um concurso público é, 
mediante a aplicação de testes e provas, selecionar os candidatos capazes de 
realizar as funções inerentes ao cargo pretendido, de modo a satisfazer a 
demanda pelo serviço público para o qual a necessidade é constatada, em estrita 
observância às exigências legais destinadas à regulamentação do ingresso de 
indivíduos em cargos públicos. 
Dentre as garantias que regem o procedimento de ingresso em cargos 
públicos, imprescindível é a observância ao princípio da razoabilidade, o qual 
objetiva garantir que os atos administrativos se situem dentro de limites 
aceitáveis, preconizando resguardar que a conduta da administração se 
apresente dentro dos padrões normais de aceitabilidade. Caso a atuação 
extrapole tais padrões, algum vício estará, sem dúvidas, contaminando o 
comportamento praticado. 
Neste sentido, podemos constatar a absoluta ausência de razoabilidade 
por parte da administração pública que exclui candidato plenamente apto, por 
motivo de suposta incapacidade para o exercício do cargo, para o qual este 
exerce funções similares como mecânico, como se extrai de sua CTPS, de forma 
absolutamente satisfatória e cujo histórico mostra-se incapaz de sequer 
contribuir para tal entendimento. 
Profícuo suscitar que, ao momento da realização dos exames 
admissionais, o participante já logrou êxito em todas as etapas do certame, 
motivo pelo qual eventual exclusão somente pode ocorrer por razão relevante e 
inequivocamente comprovada. 
Mediante os exames que instruem a presente inicial, os quais foram 
devidamente apresentados em sede de recurso administrativo pelo Autor, 
podemos verificar de forma cristalina que o quadro “incapacitante” verificado pela 
banca examinadora não possui qualquer verificação nas próprias atividades 
realizadas em sede de Concurso pela Administração. 
Isso porque, o Candidato obteve uma nota de 23,10 (vinte e três inteiros 
e dez décimos) pontos em 30,00 (trinta) pontos na etapa de Teste de 
Capacitação Física, logo, no que a suposta patologia interfere no exercício de 
função? 
Do mesmo modo há que se pugnar pela razoabilidade em comento, isso 
porque, a suposta patologia alegada carece de exames complementares 
capazes de atestar sua presença e qualquer sequela limitante ao exercício da 
função. 
Demonstra-se, deste modo, a flagrante violação que o ato administrativo 
ora combatido constitui ao princípio da razoabilidade, motivo pelo qual não 
merece prosperar, por carecer de pressupostos de validade. 
 
Por outro lado, cumpre-nos discorrer acerca do princípio da 
proporcionalidade, o qual desponta como grande limitador do poder 
discricionário dos agentes que exercem um serviço público, sendo sua 
inobservância absolutamente inafastável por parte da administração pública. 
A discricionariedade, necessária à gestão da coisa pública, não é 
ilimitada, mas, pelo contrário, possui diversos parâmetros de controle, tais como 
a lei e os princípios constitucionais, dos quais convém destacar o da 
proporcionalidade, da razoabilidade, da impessoalidade, da segurança jurídica, 
dentre outros. 
Sobre o tema, assim leciona Hely Lopes Meirelles: 
 
Razoabilidade e proporcionalidade - Implícito na Constituição Federal 
e explícito, por exemplo, na Carta Paulista, art. 111, o princípio da 
razoabilidade ganha, dia a dia, força e relevância no estudo do Direito 
Administrativo e no exame da atividade administrativa. Sem dúvida, 
pode ser chamado de princípio da proibição de excesso, que, em última 
análise, objetiva aferir a compatibilidade entre os meios e os fins, de 
modo a evitar restrições desnecessárias ou abusivas por parte da 
Administração Pública, com lesão aos direitos fundamentais. Como se 
percebe, parece-nos que a razoabilidade envolve a proporcionalidade, 
e vice-versa. Registre-se, ainda, que a razoabilidade não pode ser 
lançada como instrumento de substituição da vontade da lei pela 
vontade do julgador ou do intérprete, mesmo porque "cada norma tem 
uma razão de ser". De fácil intuição, a definição da razoabilidade revela 
-se quase sempre incompleta ante a rotineira ligação que dela se faz 
com a discricionariedade. Não se nega que, em regra, sua aplicação 
está mais presente na discricionariedade administrativa, servindo-lhe 
de instrumento de limitação, ampliando o âmbito de seu controle, 
especialmentepelo Judiciário ou até mesmo pelos Tribunais de 
Contas. Todavia, nada obsta à aplicação do princípio no exame de 
validade de qualquer atividade administrativa. No aspecto da atuação 
discricionária convém ter presente ensino de Diogo de Figueiredo 
Moreira Neto demonstrando que a razoabilidade "atua como critério, 
finalisticamente vinculado, quando se trata de valoração dos motivos e 
da escolha do objeto" para a prática do ato discricionário. Deve haver, 
pois, uma relação de pertinência entre a finalidade e os padrões de 
oportunidade e de conveniência. A razoabilidade deve ser aferida 
segundo os "valores do homem médio", como fala Lúcia Valle 
Figueiredo, em congruência com as posturas normais ou já adotadas 
pela Administração Pública. Assim, não é conforme à ordem jurídica a 
conduta do administrador decorrente de seus critérios personalíssimos 
ou de seus standards pessoais que, não obstante aparentar legalidade, 
acabe, por falta daquela razoabilidade média, contrariando a 
finalidade, a moralidade ou a própria razão de ser da norma em que se 
apoiou. A Lei 9.784/99 também prevê os princípios da razoabilidade e 
da proporcionalidade. Assim, determina nos processos administrativos 
a observância do critério de "adequação entre os meios e fins", cerne 
da razoabilidade, e veda "imposição de obrigações, restrições e 
sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao 
atendimento do interesse público", traduzindo aí o núcleo da noção da 
proporcionalidade (cf. art. 2a, parágrafo único, VI). 
 
 Nestes termos, o ato administrativo em comento incorre em inobservância 
ao princípio da proporcionalidade na medida em que denota a utilização de 
excesso de rigor por parte da banca examinadora, absolutamente desnecessário 
e incapaz atender a qualquer finalidade relevante. 
 
 Noutra via, para além de não objetivar qualquer efeito consonante para 
com a eficiência da administração pública, a medida acaba por culminar em 
resultados absolutamente contrários ao pretendido. 
 Mediante a exclusão de candidatos por motivos nitidamente decorrentes 
de procedimentos mau executados e desprovidos de qualquer precisão em suas 
conclusões, a administração acaba por deixar de se valer da prestação de 
serviços de candidatos que, em razão do ingresso na corporação se tratar de um 
sonho, poderiam se tornar profissionais altamente competentes e capazes de 
contribuir sobremaneira para a satisfação da alta demanda relativa ao 
indispensável serviço dos Bombeiros Militares. 
 Deste modo, em razão de configurar notório excesso de rigor por parte do 
poder público, absolutamente desproporcional para a obtenção da finalidade 
pretendida pelo certame, bem como em virtude de constituir medida capaz de 
ensejar efeitos absolutamente contrários aos pretendidos pela administração, 
demonstra-se de forma indubitável a incisiva afronta que o ato administrativo ora 
combatido perfaz ao princípio da proporcionalidade. 
 Nestes termos, diante de todo o exposto, pugna pela reconsideração do 
ato administrativo que declarou a inaptidão do Autor, com consequente 
declaração de sua plena aptidão para o exercício do cargo pretendido, por 
medida de direito. 
 
4.4 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA 
 
 Cumpre-nos destacar, ainda, a inobservância que o ato administrativo ora 
em comento constitui ao princípio da eficiência administrativa, corolário cujo 
alinhamento é essencial para atuação administrativa em todos os âmbitos a que 
se estende. 
 O princípio da eficiência administrativa traduz a ideia de que a 
administração pública deve buscar a obtenção dos melhores resultados em seus 
intentos, mediante a utilização dos menores recursos públicos cujas 
possibilidades permitirem. 
 Um certame, procedimento indispensável para o ingresso de indivíduos 
no funcionalismo público, destina-se à satisfação das demandas emanadas pela 
sociedade em relação aos mais diversos serviços cuja responsabilidade de 
oferta é conferida ao poder público. 
 Para tanto, é necessário se despender de considerável montante de 
recursos públicos, para a elaboração e condução de todas as etapas mediante 
as quais os concursos são empreendidos, motivo pelo qual deve-se obter o maior 
aproveitamento possível no que diz respeito ao contingente de pessoal obtido ao 
final do procedimento. 
 Sendo assim, quando da realização dos exames admissionais, deve-se 
garantir que estes ocorram de forma devida, valendo-se de meios capazes de 
atingir resultados precisos, em respeito a todo o esforço de cunho material, 
mental e emocional dispensados pelos participantes, bem como de modo a evitar 
eventuais eliminações equivocadas. 
 Quando o referido procedimento não ocorre mediante os 
supramencionados moldes, inevitavelmente, a administração acabará por excluir 
 
diversos candidatos plenamente aptos para o exercício dos cargos ofertados, o 
que acaba por culminar em menor eficiência do procedimento e, por conseguinte, 
desperdício de verbas públicas. 
 Sendo assim, para além de mera decisão capaz de conferir prejuízos 
apenas aos candidatos em desfavor dos quais é tomada, a decisão ora 
combatida configura veemente violação ao princípio da eficiência, motivo pelo 
qual deve ser suprimida. 
 Nestes termos, de modo a honrar os consideráveis investimentos de 
verbas públicas necessárias para a condução do certame, bem como de modo 
a censurar condutas análogas à ora verificada, pugna pela prestação 
jurisdicional ora requerida. 
 
4.5 NULIDADE POR OFENSA À LEGALIDADE 
 
Mediante a fundamentação ora suscitada, resta absolutamente 
inconteste a ofensa, por parte da administração pública, à diversos 
princípios jurídicos e postulados constitucionais, tais como as nítidas 
violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e eficiência, 
o que, por óbvio, constitui, consequentemente, veemente violação ao princípio 
da legalidade. 
O princípio da legalidade, expresso na nossa Constituição Federal em seu 
art. 37, caput, preconiza que: 
 
“a administração pública direta e indireta de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência” 
 
Neste mesmo sentido, leciona o brilhante doutrinador Hely Lopes 
Meirelles: 
 
“na administração pública não há liberdade nem vontade pessoal. 
Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo o que a lei não 
proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei 
autoriza. A lei para o particular significa “poder fazer assim”; para o 
administrador público significa “deve fazer assim”. MEIRELLES, Hely 
Lopes. Direito Administrativo Brasileiro – 25. Ed. São Paulo: Malheiros, 
2000. (Destaque Nosso) 
 
O Especialista aduz, ainda, que: 
 
“a legalidade, como princípio de administração, significa que o 
administrador público está, em toda sua atividade funcional, 
sujeito aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, 
e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato 
inválido e expor-se à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, 
conforme o caso”. (Destaque Nosso) 
 
O princípio da legalidade é uma das maiores garantias dos cidadãos 
frente ao Poder Público. Esse princípio representa a total subordinação da 
administração pública à previsão legal, visto que seus agentes devem atuar 
sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode agir a bel prazer, 
 
desconsiderando as disposições legais atinentes à sua atuação, tal como 
ocorreu no caso em comento. 
O Administrador Público deve observar rigorosamente o princípio da 
legalidade no tocante a investidura em cargos públicos, não restando margem 
para agir com discricionariedade. 
A atividade administrativa encontra na lei seus fundamentos e seus 
limites. Ao contrário do que ocorre com o cidadão particular, o administrador 
público não pode fazer tudo o que não está proibido, mas sim, apenas o que a 
lei autoriza. 
BrunoTulim e Silva, ao tratar a matéria, explica que: 
 
“Para que a administração possa atuar, não basta à inexistência de 
proibição legal, é necessário tanto a existência de determinação ou 
autorização da atuação administrativa na lei. Os particulares podem 
fazer tudo o que a lei não proíba, entretanto, a Administração Pública 
só pode fazer aquilo que a lei autorizar.” SILVA, Bruno Tulim. Noções 
de Direito Administrativo. NOVA, 2015. (Destaque Nosso) 
 
Deste modo, podemos verificar, claramente, que a administração 
pública incorreu em violação incisiva ao princípio da legalidade. 
A Súmula 473 do STF, afirma que a Administração Pública pode anular 
seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles 
não se originam direitos ou, até mesmo, revogá-los, por conveniência e 
oportunidade, sempre respeitando os direitos adquiridos e ressalvadas, em 
todas as hipóteses, as apreciações judiciais, veja-se: 
 
SÚMULA Nº 473 – STF: A administração pode anular seus próprios 
atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não 
se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou 
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em 
todos os casos, a apreciação judicial. 
 
Esta Súmula prevê a possibilidade de o Poder Judiciário apreciar os atos 
da administração quando eivados de ilegalidade. Assim, o Poder Judiciário 
poderá intervir, se for o caso de não respeitar os ditames legais, no caso 
concreto. 
 Desta forma, tal como exaustivamente exposto, faz-se absolutamente 
inconteste o fato de que, a conduta do Estado de Minas Gerais para com o 
Postulante configurou grave ilegalidade, a qual se manifestou mediante 
diversas inobservâncias às previsões legais estabelecidas pela regulamentação 
competente para o ingresso de indivíduos nos cargos públicos. 
Destarte, resta inequívoca a necessidade da intervenção judicial, de 
modo a suprimir a ilegalidade ora verificada, bem como desincentivar sua 
reiteração por parte do poder público, o que, desde já, requer. 
 
4.6 DA VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA NO CASO EM COMENTO 
 
 Imprescindível salientar, ainda, que, para além de todas as irregularidades 
devidamente demonstradas até o momento, a conduta da administração 
 
configurou notória violação ao direito do Autor à ampla defesa e ao contraditório, 
o que jamais deve ser admitido. 
 Em sede de julgamento dos recursos administrativos, para o qual o Autor 
realizou exames médicos chancelados por profissionais especialistas, a banca 
examinadora, em ato de manifesta arbitrariedade, limitou-se a exarar o termo 
“inapto” à frente de seu nome. 
 Na oportunidade, não foram enfrentados nenhum dos pontos suscitados 
pelo Autor, os quais, de forma cristalina, constituíam fundamentação robusta o 
suficiente para demonstrar o equívoco da banca examinadora quando da 
declaração de sua inaptidão. 
 Deste modo, podemos claramente concluir que, não obstante sua 
previsão em edital, o instituto do recurso administrativo figurou no certame 
apenas com vistas a conferir aspecto de legalidade, sem, no entanto, possuir 
qualquer efetividade prática. 
 Ora, Excelência, se os candidatos sequer dispõem de certeza de que seus 
argumentos foram devidamente considerados, qual a finalidade de se constar a 
previsão de possibilidade de interposição de recurso administrativo no edital de 
abertura do certame? 
 Em tais moldes, melhor seria a previsão de impossibilidade de se recorrer 
dos atos administrativos relativos ao certame, uma vez que tal previsão ensejaria 
os mesmos efeitos ora percebidos. 
 É inadmissível considerar-se válido o resultado exarado pela banca 
examinadora, uma vez que o recurso administrativo se trata da última via 
extrajudicial de que dispões os candidatos para se insurgir perante eventuais 
ilegalidades por parte dos responsáveis pela condução do certame. 
 A postura do poder público na situação ora exposta denota profundo 
desrespeito para com os esforços dos candidatos para a obtenção da aprovação 
em todas as etapas do certame, motivo pelo qual não merece prosperar. 
 Sendo assim, demonstrada de forma inequívoca a violação aos direitos 
do Candidato à ampla defesa e ao contraditório, imperiosa é a declaração da 
nulidade do ato administrativo ora em comento, o que, desde já, requer. 
 
4.6 DA SITUAÇÃO PESSOAL DO AUTOR - COMPROVAÇÃO DE 
SANIDADE FÍSICA - AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO FUNCIONAL 
 
Para melhor convencimento do douto Julgador, adiante demonstraremos 
que o Autor não possui qualquer enfermidade capaz de acarretar limitação 
física ou funcional. 
Tal como mencionado alhures, o Autor fora eliminado em razão da 
verificação de suposto quadro de “hipertiroidismo subclínico E05.9 / Transtorno 
não especificado da tireoide E07.9”, em relação ao qual fora suscitada a 
incapacidade para o exercício das funções inerentes ao cargo, o que 
constitui um excesso de rigor, absolutamente incapaz de conferir qualquer 
benefício ao interesse público, somente claro prejuízo ao candidato. 
Em primeiro lugar já é imprescindível demonstrar a lesão à doutrina 
médica que a presente etapa nos trouxe, uma vez que, o avaliador médico 
 
responsável pela inaptidão do Autor em virtude de análise de seu exame de 
sangue, se deu por médico não especialista em ENDOCRINOLOGIA, se 
tratando de um profissional que é especialista em matéria diversa da exigida 
para identificar patologias nos hormônios e metabolismo humanos, vejamos: 
 
 
 
Desta forma, nota-se que o Médico não especialista ignora toda a liturgia 
médica, uma vez que, os meros achados no exame de sangue, dependem de 
uma análise correlata com o quadro clínico, ou seja, dependem de exames 
complementares capazes para diagnosticar até mesmo a presença da patologia 
alegada pela junta médica, aliás, os próprios laboratórios trazem essa marcação 
nos resultados dos exames de TSH, T3 Livre e T4 Livre, vejamos: 
 
 
 
Desta forma, nota-se que os próprios laboratórios responsáveis pela 
execução da coleta do exame de sangue que declarou o candidato inapto já 
mencionam que o resultado per si não enseja diagnóstico de qualquer quadro 
clínico. 
Desta forma, o Autor realizou nova repetição dos exames de sangue que 
estavam fora da margem para a junta médica, para demonstrar que se tratou tão 
somente de causa transitória, em tela os resultados: 
 
 
 
 
 
 
 
Em posse dos resultados, encaminhou para análise junto de um 
especialista capaz de interpretar tais exames de forma correta, o Médico 
especialista em endocrinologia Dr. Marcelo Geraldo Alves Júnior, CRMMG 
49805, que atestou que não há queixas ou qualquer sinal clínico referente a 
tireoidopatia, se encontrando apto para atividades físicas em gerais, inclusive as 
destinadas ao cargo de Soldado do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, 
vejamos: 
 
 
 
Assim, conforme o especialista atesta, não há qualquer transtorno ou 
quadro clínico, divergindo do diagnosticado erroneamente pela junta médica em 
sede de exames admissionais ao cargo. 
 
Do mesmo modo, a Junta Médica não conseguiu trazer nenhum fator 
limitante ou sequela impeditiva para obstaculizar o Autor de exercer as funções 
de soldado da CBMMG, tratando-se de uma inaptidão ilegal, pautada tão 
somente em análise visual dos exames e mera conferência com as Resoluções 
norteadores da presente fase, desprezando toda a doutrina médica e comando 
do próprio laboratório de que a mera constatação não é capaz de ensejar 
qualquer quadro clínico. 
Em casos como o ora exposto, faz-se imprescindível se atentar à 
capacidade cerceadora de direitos que tal decisão possui e somente emitir tal 
declaração em hipótese de plena certeza de seu caráter crônico, bem como da 
ocorrência de repercussões negativas na prática real dos exercícios inerentes à 
função pretendida, restando claro que em momento algum a CBMMG 
demonstrou qual sequela ou limitação física o Autor possui e estaria, portanto, 
impedido de exercer a função. 
O acesso aos cargospúblicos trata-se de um direito cuja proteção é 
realizada por diversos princípios jurídicos e postulados constitucionais, não 
estando à mercê do subjetivo entendimento de examinadores que não conferem 
à etapa que lhe competem a importância que lhe é devida. 
O Candidato trata-se de indivíduo plenamente apto, sendo seu quadro 
incapaz de, em seu caso específico, ensejar eventual inabilitação para a 
realização das atividades inerentes à profissão de Bombeiro Militar. 
Resta absolutamente inconteste, portanto, que tal entendimento constitui 
nítida injustiça, decorrente da completa ausência de método adequado por parte 
da banca examinadora para realização de tal aferição, se perfazendo imperiosa 
a atuação do poder judiciário, mediante juízo de compatibilidade, para 
restaurar o direito turbado do Autor, restituindo a legalidade do certame. 
A Administração Pública, ao exercer suas funções, deve primar pela 
razoabilidade de seus atos a fim de legitimar as suas condutas, fazendo com que 
este princípio seja utilizado como vetor para justificar a emanação e o grau de 
intervenção administrativa imposto pela esfera administrativa ao destinatário. 
Desta forma, não se mostra razoável a eliminação do candidato que goza 
de saúde plena sequer possuindo qualquer das patologias alegadas pela 
CBMMG, demonstrando que o Autor se encontra em pleno gozo de sua saúde, 
se tratando de rigor excessivo da Administração Pública. Destaca-se o 
entendimento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais em caso análogo: 
 
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - REEXAME NECESSÁRIO - AÇÃO 
ORDINÁRIA - CONCURSO PÚBLICO - BOMBEIRO MILITAR - 
REQUISITO DE SANIDADE FÍSICA - BAIXA ACUIDADE VISUAL E 
CICATRIZ CIRÚRGICA NO JOELHO ESQUERDO (ARTROSCOPIA) - 
OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRAZOABILIDADE. A administração 
pública é livre na estipulação dos critérios para a seleção dos 
candidatos a cargo público, porém, a razoabilidade e a 
proporcionalidade devem estar presentes quando da fixação de 
seus requisitos. [...] (TJMG - Ap Cível/Rem Necessária 
1.0024.13.256449-3/002, Relator(a): Des.(a) Judimar Biber, 3ª 
CÂMARA CÍVEL, julgamento em 04/12/2018, publicação da súmula 
em 22/01/2019) (Destaque Nosso) 
 
 
Assim, resta cabalmente demonstrado que a parte Autora se enquadra 
perfeitamente nos requisitos para ingresso nos quadros da PMMG, sendo a 
anulação do ato administrativo que a contraindicou à medida que se impõe. 
 
4.7 DA PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS 
 
Excelência, é fato que, no caso em comento, faz-se necessária 
a produção de prova pericial em caráter antecipado, pelos motivos convictos 
que passaremos a expor neste tópico. 
A produção antecipada de prova pericial é plenamente possível na 
ocasião do início do procedimento, nos termos do art. 139, VI, do CPC, que 
estabelece sobre a possibilidade de o magistrado alterar a ordem de produção 
dos meios de prova, adequando-os às necessidades do conflito. 
Pois bem. Cediço que, havendo concordância do Ilmo. Perito Judicial em 
direção à pretensão autoral, faz-se uma prova cabal do direito que aqui pleiteia 
e, desde já, possibilita ao Juízo maior cognição sobre a realidade dos fatos, 
inclusive para poder prolatar eventual medida liminar satisfativa, caso entenda 
não ser cabível neste momento, já que, diante do parecer favorável do perito, 
fica nítido que o processo tende a trilhar para a procedência. 
Doutro lado, caso o perito entenda pela incapacidade física do Autor e 
pela ausência de irregularidades no certame, tem-se que a pretensão autoral 
restará infundada. 
Nos termos do art. 381, III, do CPC, é possível a produção antecipada da 
prova nos casos em que o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou 
evitar o ajuizamento da ação, portanto, caso o Autor não obtenha êxito na 
eventual prova pericial, poderá, desde já, desistir do processo, em função do 
ínfimo lastro probatório. 
Nesse sentido, o que se busca com a produção antecipada de prova é 
somente obter um lastro probatório mínimo para prosseguir na demanda e 
resguardar o direito autoral, ou, ainda, a certeza de que esta seria inviável (caso 
a perícia seja desfavorável ao Autor). 
Dessa forma resta presente o respeito à diversos princípios, tais como o 
da duração razoável do processo, da eficiência, da boa-fé processual, dentre 
outros. 
Acerca do tema, extrai-se das palavras do eminente 
doutrinador, Fredie Didier Jr, em sua obra, que: 
 
“É possível utilizá-la, também, para preparar o lastro probatório de 
futuro pedido de tutela provisória. A possibilidade de uma 
“justificação prévia” em caso de tutela provisória de urgência sinaliza 
nesse sentido (art. 300. §2º, CPC).” 
 
Portanto, pugna pelo deferimento da produção antecipada de prova 
pericial médica, por se tratar de medida pertinente no caso em voga. 
 
 
 
 
5 DO PEDIDO LIMINAR 
 
É cediço em direito que, para concessão do pedido liminar, ou seja, da 
concessão da antecipação dos efeitos da tutela que se pretende atingir com a 
lide, necessária se faz a presença de dois requisitos, estabelecidos pelo art. 300 
do Código de Processo Civil, a saber, a probabilidade do direito e o perigo na 
demora. 
Pois bem. É nítido que no caso em comento restam figurados todos os 
pressupostos para concessão da medida liminar. É fato que há elementos que 
evidenciam a probabilidade de êxito do Autor, eis que presentes a 
verossimilhança fática com alto grau de plausibilidade em torno dos fatos, bem 
como o extremo risco de se perder o objeto, em hipótese de indeferimento da 
medida aqui pleiteada, ou seja, extremo periculum in mora. 
 
5.1 PROBABILIDADE DO DIREITO 
 
Excelência, conforme exaustivamente demonstrado nesta exordial, é 
cediço o direito do Autor. É sabido que a probabilidade no direito, para fins de 
concessão liminar, deve ser realizada em juízo perfunctório, de modo que exista 
apenas a fumaça do bom direito e, diante deste caso, existe fumaça e fogo do 
Direito autoral. Trata-se de caso recorrente em que o judiciário tem se mostrado 
eficaz no sentido de combater a ilegalidade administrativa. 
No caso em comento, a eliminação do Autor foi maculada por inúmeras 
irregularidades, consoante expresso no corpo dessa exordial. Profícuo aclarar 
que o Poder Judiciário tem sido eficaz em combater as ilegalidades praticadas 
pela administração em certames análogos. 
De maneira a demonstrar os abusos cometidos pela Banca Examinadora, 
no tocante aos atos de eliminação de candidatos, colaciona-se decisão liminar 
do certame similar referente ao Curso de Formação de Soldados do Corpo de 
Bombeiros Militar de Minas Gerais – Ano 2020 de modo a declarar a invalidade 
do laudo médico, bem como o ato administrativo que eliminou o candidato do 
referido certame. 
 
Noutra via, o ato ora combatido incorreu em violação a diversos princípios 
jurídicos e postulados constitucionais, o que acabou por comprometer sua 
credibilidade e, por conseguinte, sua capacidade de gerar efeitos práticos, uma 
vez que, ausentes seus pressupostos de validade, a decisão faz-se nula de 
direitos. 
 
Deste modo, notória é a probabilidade do direito de que dispõe o 
Postulante, suficientemente robusta para ensejar o deferimento da medida 
liminar ora pleiteada. 
 
5.2 PERIGO DA DEMORA 
 
Por estarmos diante de um concurso de fases, é indubitável que o perigo 
da demora resta evidente. Não havendo deferimento da medida liminar ora 
requerida, certo é que, ao fim, caso seja vitorioso, o Autor haverá sido exposto, 
por lapso temporal ainda mais majorado, a inúmeros prejuízos irreparáveis ou 
de difícil reparação, em virtude de situação manifestamente ilegal por ele 
vivenciada. 
Reitera-se que, a cada dia que passa, o Autor percebe seu direito 
constituído ser desconsiderado, de modo que, tudo aquilo que se refere à sua 
nomeação, jamais lhe será restituído, como podemos citar por exemplo, o salário 
referente ao período de tramitação do presente feito, a colocação e tempo no 
cago, bem como diversos outros fatores relativosà sua vida profissional. 
Há de se considerar, ainda, os prejuízos de ordem psicológica e 
emocional, os quais, inclusive, são relacionados à necessidade de ingresso com 
a presente demanda e, por quanto mais tempo perdurarem, serão objetivo de 
desgaste por parte do Candidato, não sendo justa a sua permanência, uma vez 
que só ocorreram em razão da postura absolutamente desarrazoada, 
desproporcional e ilegal por parte da administração pública. 
Colaciona-se tela contemporânea dos andamentos do concurso e 
demonstra-se que já houve na data de 06/11/2023 a publicação da convocação 
para matrícula dos últimos excedentes masculinos do Concurso, sendo que o 
Autor se encontra melhor posicionado que os candidatos convocados na 
ocasião, vejamos: 
 
 
 
Deste modo, é imprescindível o deferimento da medida liminar, com 
vistas a declaração da plena aptidão do Autor e consequente nomeação 
para o cargo pretendido, para que não perceba, por lapso temporal ainda mais 
majorado, os prejuízos decorrentes da violação de seu direito de ingresso no 
cargo, para o qual foi devidamente aprovado, classificado e cujas funções dispõe 
 
de plena aptidão para o exercício e inclusive se encontra classificado dentro do 
número de vagas previstas em edital. 
Ademais, visando preencher o quadro de Soldados do CBMMG, tendo em 
vista as inúmeras vacâncias e desistências para o cargo do Autor, em 08 de 
novembro de 2023, foi tornado público o Ato nº 15.702/23 prorrogando o 
período de validade do edital em mais 30 (trinta) dias a partir de 10 de 
novembro de 2023 para preencher as vagas ao curso de formação, vejamos: 
 
I - CONSIDERANDO que: 
a) o edital estabelece no item 19.41 que o concurso poderá ser 
prorrogado uma única vez e por igual período do contado a partir da 
data de homologação que ocorreu em 10/10/23; 
b) na condição de Soldado de 2ª Classe, os militares recém incluídos 
podem pedir desistência do curso de formação, ainda dentro do prazo 
de validade do concurso; 
c) há necessidade de preenchimento de todas as vagas ofertadas 
no concurso; 
d) nos termos do item 18.1 e 18.22 do edital, o CBMMG poderá 
convocar excedentes, dentro do período de validade do edital. 
 
II - RESOLVE: 
PRORROGAR o prazo de validade do concurso ao Curso de 
Formação de Soldados Bombeiros Militar para o ano de 2023 por 
mais 30 (trinta) dias, a partir do dia 10 de novembro de 2023. 
 
Desta forma, considerando que o Candidato se encontraria dentro dos 
convocados em excedente que estão sendo chamados em virtude da 
necessidade da CBMMG preencher todas as vagas ofertadas e prorrogaram o 
edital para que assim pudesse faze-lo, se faz mister a concessão da tutela de 
urgência ao Autor, para que participe do Curso de Formação e ao fim, caso seja 
aprovado, se forme e seja convocado para exercer seu cargo em virtude da 
necessidade da Administração Pública. 
Profícuo suscitar, ainda, que o Autor não tem conhecimento de quando 
haverá outro certame, de modo que, caso a liminar não lhe seja concedida, 
sofrerá prejuízos imensuráveis, tanto de cunho financeiro, quanto em sua 
carreira profissional, eis que terá que aguardar um novo concurso para só então, 
adquirir os conhecimentos necessários para exercer a função de Mecânico do 
Corpo de Bombeiros Militar. 
Sendo assim, a demora no provimento jurisdicional é um risco cediço 
ao Autor. 
 
5.3 REVERSIBILIDADE DA MEDIDA 
 
Nos termos do art. 300, §3º, do Código de Processo Civil, a tutela de 
urgência não será concedida quando houver perigo de irreversibilidade dos 
efeitos da decisão, o que claramente não se vislumbra no caso presente, uma 
vez que, em eventual revogação da medida concedida, é certo que o Autor 
poderá ser eliminado a qualquer momento, sem que haja para o estado nenhum 
empecilho para fazê-lo. 
 
Deve-se invocar a proporcionalidade no caso concreto. É razoável um 
candidato - hipossuficiente e totalmente vulnerável diante do estado – 
sofrer o risco de perceber tamanho prejuízo, por lapso temporal ainda mais 
majorado, caso não tenha sido concedida a medida liminar no início do 
processo? Por outro lado, qual prejuízo terá o estado, caso a medida seja 
revogada e, futuramente, o Candidato seja eliminado? 
Posto isto, é nítido que o deferimento da tutela provisória se justifica, 
já que não é possível aguardar pelo término do processo, uma vez que, 
invariavelmente, a demora causará à parte autora dano irreversível. 
 
6 PEDIDOS 
 
Por todo exposto e comprovado no presente exordial, é que se requer de 
V. Exa. liminarmente: 
a) A concessão da medida liminar, para que o Autor possa garantir sua 
matrícula no Curso de Formação de Soldados do Corpo de Bombeiros Militar de 
Minas Gerais (CFSd BM 2023) e, ao fim, se forme e seja promovido entrando em 
exercício das atividades, sem qualquer discriminação e concorrendo em regime 
de igualdade com os demais ou, caso não seja possível seu ingresso no curso 
em vigência, que seja garantida a sua reserva de vaga para o próximo curso de 
formação que vier a ocorrer; 
b) A intimação em caráter de urgência, inclusive via e-mail, telefone ou 
outro meio rápido e com urgência, da concessão da liminar; 
c) A designação de perícia judicial, em caráter de antecipação de 
provas, para que seja realizada a perícia em juízo, a ser realizada por 
ESPECIALISTAS; 
d) Seja o CBMMG intimado a fornecer (inclusive para perícia 
antecipada): 
 
• Cópia de toda bateria de exames e seus respectivos resultados 
realizados pelo Autor, bem como dos laudos contendo os 
motivos de sua contraindicação; 
• Laudos de Inaptidão do candidato, bem como o resultado dos 
Recursos Administrativos interpostos. 
 
Posteriormente, requer ainda: 
 
e) Seja concedida a Justiça Gratuita, por ser o Autor pobre no sentido legal, 
não possuindo condições de arcar com as custas processuais e demais 
encargos sem prejuízo do sustento próprio e da família (declaração de pobreza 
e comprovantes anexos); 
f) Seja o réu citado para, querendo, apresentar defesa no prazo hábil; 
g) Seja declarado nulo o ato administrativo que excluiu o Autor do 
certame, confirmando a tutela antecipada eventualmente concedida; 
h) Subsidiariamente, caso, à época do julgamento, o Autor não estiver 
matriculado no Curso de Formação, que lhe seja garantida a reserva de vaga no 
 
próximo a ser realizado, cujo certame para o provimento das vagas já se 
encontra em andamento; 
i) Seja assegurado ao Autor todos os direitos inerentes ao cargo bem como 
progressão na carreira, retroagindo seus efeitos à data da propositura desta 
ação, em condições de igualdade com os demais candidatos convocados 
conforme o cronograma regular; 
j) Que o réu seja condenado ao pagamento das custas, despesas 
processuais e honorários advocatícios, em valor a ser arbitrado por Vossa 
Excelência, nos termos da lei processual vigente. 
Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito 
admitidos, especialmente pericial e testemunhal. 
Por inestimável, dá-se a causa o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais). 
Nestes termos, pede deferimento. 
Belo Horizonte, 30 de novembro de 2023. 
 
GIOVANNI ARAÚJO 
OAB/MG 174.298

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