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F R E N T E 3 269 Se o objeto P for extenso, as imagens P1 e P2, por sim- ples reflexão, serão enantiomorfas ao objeto. E a imagem P3 = P4, por dupla reflexão, será idêntica ao objeto. Fig. 18 Associação de espelhos planos. Atenção Observação: Se um objeto está localizado entre as faces refletoras de dois espelhos planos e paralelos, haverá a formação de infinitas imagens, pois a luz sofrerá infinitas e sucessivas reflexões entre os espelhos. Contudo, conseguiremos apenas visualizar um número finito de imagens, devido à perda de intensidade luminosa e diminuição do ângulo visual. Exercício resolvido 1 Com três patinadores colocados entre dois espelhos planos fixos, um diretor de cinema consegue uma cena em que são vistos, no máximo, 24 patinadores. Qual o ângulo a entre os espelhos? Sabe-se que o ângulo a é tal que a 360 o é um número inteiro. Resolução: Como são vistos no máximo 24 patinadores, sabemos que aos três patinadores (objetos) correspondem 21 imagens. Logo, a um patinador (objeto) correspon- dem 7 imagens. De α −N = 360 1, o e sendo N = 7, vem: α − ⇒ α7 = 360 1 = 45 o o Espelhos esféricos São superfícies refletoras que têm a forma de calota esférica. Existem dois tipos de espelhos esféricos: I. côncavo: quando a face espelhada está voltada para o centro de curvatura. II. convexo: quando a face espelhada está voltada para o lado oposto ao centro de curvatura. superfície refletora interna superfície refletora externa espelho convexo luz espelho côncavo luz Fig. 19 Espelhos esféricos. Espelhos esféricos gaussianos Para obtermos a imagem de um ponto objeto P, fornecida por um espelho esférico, basta usar as leis da reflexão e lembrar que a reta normal a uma superfície esférica tem a direção que passa pelo centro de curvatura C dessa superfície. Observamos, na figura 20, que os raios refletidos pelo espelho não se interceptam no mesmo ponto, fazendo com que ao objeto P correspondam inúmeras imagens (mancha luminosa). Em virtude disso, dizemos que o espelho esférico é astigmático. mancha P' Objeto P C R V N1 N2 N3 êp Fig. 20 Imagem astigmática. FÍSICA Capítulo 8 Reflexão da luz270 Os principais elementos geométricos nos espelhos esféricos são: • C: centro de curvatura • V: vértice • CV = R: raio de curvatura • e p : eixo óptico principal – reta que passa por C e V Contudo, se utilizarmos o espelho dentro de certas condições, ele poderá tornar-se estigmático, isto é, de um ponto objeto conjugar um único ponto imagem. Condições de Gauss As condições para que o espelho esférico seja estigmático são chamadas de condições de Gauss. As condições de Gauss são: I. os raios de luz devem ser pouco inclinados em re- lação ao eixo óptico principal. II. os raios de luz devem incidir próximo ao vértice do es- pelho. É muito importante ficar claro que todo o nosso estudo é baseado no uso das condições de Gauss, isto é, considerando que os espelhos esféricos sempre geram imagens estigmáticas. Atenção Raios notáveis de luz Passaremos agora a estudar alguns raios de luz, deno- minados raios notáveis por serem úteis na determinação gráfica da imagem formada em espelhos esféricos (E E ). I V F C V F C V F C V F C II IV III Fig. 21 Raios notáveis. I. Todo raio que incide em uma direção que passa pelo centro de curvatura reflete-se sobre si mesmo. Essa trajetória é devida à incidência da luz estar na direção da reta normal (incidência normal î = 0). II. Todo raio que incide no vértice do espelho reflete-se simetricamente ao eixo óptico principal. Isso ocorre porque, nesse caso, o eixo óptico principal representa a reta normal no ponto de incidência da luz. III. Todo raio que incide paralelamente ao eixo óptico principal reflete-se em uma direção que passa pelo foco principal do espelho. IV. Todo raio que incide em uma direção que passa pelo foco principal reflete-se paralelamente ao eixo óptico principal. Esse raio notável decorre do anterior pelo princípio da reversibilidade da luz. Na figura 21, o ponto F é o chamado foco principal do espelho. Foco (F) do espelho côncavo é real. Foco (F) do espelho convexo é virtual. Atenção O foco de um sistema óptico qualquer é um ponto que tem por conjugado um ponto impróprio (situado no infinito). Demonstra-se que dentro das condições de Gauss, o foco F é o ponto médio do segmento CV. Sendo: CV = R: raio de curvatura FV = F: distância focal Como FV = CV 2 , logo: F = R 2 Assim como existe o foco principal, existem os focos secundários, ou seja, todo pincel cilíndrico que incide em um espelho esférico paralelo a um eixo secundário se reflete passando por um foco secundário. Pode-se provar que, desde que obedecidas as condições de Gauss, todos os focos de um espelho esférico situam-se em um mesmo plano denominado plano focal. E côncavo E convexo Representação de um espelho esférico de Gauss. V – vértice C – centro de curvatura F – foco Atenção © D v m s im a g e s | D re a m s ti m e .c o m T il N ie rm a n n /W ik im e d ia C o m m o n s Fig. 22 Espelho convexo e espelho côncavo. F R E N T E 3 271 Determinação gráfica da imagem Vamos determinar graficamente, nas figuras de 23 a 27, a imagem A’B’ de um pequeno objeto real AB disposto frontalmente diante de um espelho esférico. Para isso, con- sideramos a luz emitida pela extremidade A do espelho que, após ser refletida, formará a extremidade A' da imagem. A imagem A’B’ ficará determinada sabendo-se que ela também estará disposta perpendicularmente ao eixo óp- tico principal. Na determinação gráfica da imagem, basta traçar dois raios quaisquer de luz entre os quatro raios notáveis. Atenção Espelho côncavo Caso 1: Objeto situado depois do centro de curvatura C. Imagem conjugada: • real • invertida • menor • entre F e C V F C A' B' A O BI Fig. 23 Objeto além do centro de curvatura. Caso 2: Objeto situado sobre o centro de curvatura C. Imagem conjugada: • real • invertida • igual • em C V F I A' A O C B B'≡ Fig. 24 Objeto sobre o centro de curvatura. Caso 3: Objeto situado entre o centro de curvatura C e o foco F. Imagem conjugada: • real • invertida • maior • depois de C V F C A A' O B' I B Fig. 25 Objeto entre o foco e o centro de curvatura. Esse caso corresponde ao chamado espelho de au- mento, como aqueles usados para se barbear, ou aqueles usados por dentistas. Caso 4: Objeto situado sobre o foco F. Imagem conjugada no infinito (imprópria). V F C I A O B ∞ Fig. 26 Objeto sobre o foco. Caso 5: Objeto situado entre o foco F e o vértice V. Imagem conjugada: • virtual • direita • maior • atrás do espelho V F C O A B’ B I A’ Fig. 27 Objeto entre o vértice e o foco. FÍSICA Capítulo 8 Reflexão da luz272 Espelho convexo Caso único: Objeto situado na frente do espelho. Imagem conjugada: • virtual • direita • menor • atrás do espelho C F A' A VB' I B O Fig. 28 Espelho convexo, caso único. Atenção Determinação analítica da imagem Agora que já sabemos determinar as imagens de forma qualitativa, devemos passar para o método quantitativo, isto é, definiremos expressões matemáticas que determinem a posição e o tamanho da imagem. Equação dos pontos conjugados de Gauss Observe as figuras a seguir. coordenada y coordenada y Luz e'p + + – – Fig. 29 Ao longo de e P , teremos coordenadas positivas na região iluminada do espelho. O A B V B' A' F C F P' R = 2F P i (1) (2) (4) (3) ep Fig. 30 Parâmetros para determinação analítica de imagens formadas em espelhos esféricos. Na figura 30, temos: P: abscissa do objeto, distância do objeto ao espelho P': abscissa da imagem, distância da imagem ao espelho O: altura do objeto, (AB) i: altura da imagem, (A'B') I. (1) ≈ D(2) temos: ' = − o i F P F II. (3) ≈ D(4) temos: ' = − − o i P 2F 2F P Portanto: F ⋅ (2F - P') = (P - 2F) · (P' - F) ⇒ 2F2- FP' = PP' - PF - 2FP' + 2F2 ⇒ 2F2- FP' - PP' + PF + 2P'- 2F2 = 0 ⇒ - PP' + PF + FP' = 0 ⇒ PF + FP' = PP' Dividindo a equação por PP'F, temos: ' ' ' ' ' + = PF PP F FP PP F PP PP F que resulta na equação de Gauss: ' + = 1 P 1 P 1 F Observe ainda que DABV ≈ DA'B'V, logo: ' ' = ⇒ = o i P P i o P P Por definição, o aumento linear transversal A é a razão entre a altura da imagem i e a altura do objeto o, ou seja: A = i o Pela relação vista anteriormente: ' ' = ⇒ = −i o P P i o P P (convenção de sinal)